Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O homem da “folha seca” (Final)

Didi era um líder nato. No jogo final da Copa do Mundo de 1958, depois que a Suécia fez 1 X 0, ele caminhou até o fundo das redes e pegou a bola. Depois, colocou-a debaixo do braço e, determinado, disse para o resto do time: “Acabou a sopa deles. Agora é a nossa vez. Vamos encher a caçapa desses gringos de gols.” E 86 minutos depois, o placar do Estádio Rasunda, encravado no Vale de Solna, em Estocolmo, apontava em números imponentes, definitivos: Brasil 5 x Suécia 2.

Ao apito final do juiz, o francês Maurice Guigue, o campo foi invadido por uma legião de fãs que queriam abraçar a “Enciclopédia” Nilton Santos. E, também, a Gilmar, Bellini, Zito, Djalma Santos, o desconcertante “Mané Garrincha” e o então menino Pelé. Só Didi é que procurou se manter distante, aparentemente alheio à grande festa, como se já previsse aquele final feliz para o futebol brasileiro.

Cumprimentado pelo Rei Gustavo Adolfo, o genial camisa 8 ouviu do monarca sueco elogios como os de “Oitava Maravilha do Mundo” e “Mr. Football”. Pela Seleção disputou 74 partidas, sendo 68 oficiais, e marcou 21 gols.

Criador da infernal “Folha-Seca”, um chute mortal por ele executado, que fazia a bola ganhar uma trajetória imprevisível para o goleiro, Didi ainda era capaz de lançamentos perfeitos, de mais de 40 metros. Ou de executar dribles desmoralizantes sobre qualquer adversário. Mas era como um perfeito maestro que se sentia, de longe, o poder do seu jogo.

Em 1950, já casado e com filhos, Didi conheceu a atriz Guiomar Batista, com quem passou a viver. Guiomar era ajudante de Ary Barroso, e se vestia de Odalisca no programa “Calouros em Desfile” da TV Tupi.

Não era segredo que Ary tinha uma paixonite por Guiomar e, quando ela se foi com Didi, ele, atordoado, escreveu o samba-canção “Risque” (“Risque, meu nome de seu caderno, pois não suporto o inferno de nosso amor fracassado...”)

Além de algumas situações escandalosas que contrariavam o clube, o Fluminense resolveu destinar parte do salário do jogador à sua primeira esposa. A insatisfação tornou-se mútua e incontornável, a relação entre craque e clube se deteriorou: Didi sempre fazendo das suas, sempre advertido, de vez em quando multado.

O amor entre Didi e Guiomar, desde o início foi sempre muito conturbado e vivia nas manchetes dos jornais e revistas. Uma tarde em 1958, poucos meses antes da Copa do Mundo, a seleção treinava no Maracanã, quando no finzinho da tarde, Didi gritou: “Meu Deus! Perdi minha aliança!”

O treinou parou, todos os jogadores foram se aproximando e um perguntou: “Mas como é que pode?” “Não sei”, respondeu Didi. “Não sei talvez tenha escorregado com o suor. E por favor, tomem cuidado onde pisam.”

Ele mesmo se ajoelhou e começou de quatro a procurar a aliança, no que foi seguido por todos os jogadores. A noite foi chegando e Didi pediu a um dirigente que mandasse acender os refletores. “Mas, Didi, vale a pena? “, perguntou o dirigente . “Não é melhor comprar outra?” “O senhor não conhece a Guiomar”, respondeu Didi , “ela vai pensar o pior.” E todos continuaram palmo a palmo procurando a aliança pelo gramado.

Não encontraram e no dia seguinte, o assunto foi manchete de todos os jornais do Rio de Janeiro. De tarde, na concentração do Hotel Corcovado, aos pés do Cristo Redentor, vieram avisar ao Didi: “Dona Guiomar está na portaria! Quer falar com o senhor!” Didi desceu procurando uma desculpa para acalmar a mulher antes que ela fizesse um escândalo.

“Meu bem… “, ia exclamando o jogador quando foi interrompido por Guiomar. “Calma, eu só vim aqui para te dizer que imprevistos acontecem. Vi tua foto no jornal, de quatro procurando a aliança. Não te preocupa não foi nada, vamos comprar outra mais bonita ainda!” Didi sorriu e abraçou a mulher que foi embora toda amorosa.

Teve gente que jurou que Didi “armou” o golpe perfeito e que provavelmente ele tinha tirado a aliança do dedo e perdido em alguma balada. A encenação com todos inocentemente procurando de joelhos, a aliança na grama do Maracanã, foi genial.

Na Copa do Mundo de 1954, na Suíça, o autoritário técnico Zezé Moreyra isolou os jogadores da Seleção Brasileira na concentração de Macolin e não permitiu “passeios” ou “voltinhas” por Lausanne. E Didi queria telefonar para Guiomar, no Rio.

Resultado: inconformado, decidiu fazer greve de fome e ficar trancado no quarto. Mas o amigo Nilton Santos ficou preocupado. E no almoço e jantar escondia comida no uniforme e alimentava o companheiro.

Casada com Didi durante quase 50 anos, Dona Guiomar, teve grande influência na carreira do ex-jogador. Negociava contratos com dirigentes e opinava sobre em que clube o marido atuaria. Na ocasião em que Didi deixou o Real Madri, existiam rumores de que Guiomar fora decisiva para a sua volta ao Brasil, depois de apenas um ano no exterior. Ela não admitia ver Didi em segundo plano, em relação às estrelas Di Stéfano e Puskas.

As atuações de Didi, segundo a crítica esportiva, alternavam de acordo com o temperamento da mulher. Antes da Copa de 1958, por exemplo, a Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) proibiu as mulheres dos jogadores de os acompanharem à Suécia. "Só um cego de nascença não via que se tratava de separar Didi de Guiomar", disse Nélson Rodrigues, na época.

Isto porque boa parte da torcida culpava as brigas do casal pelos maus momentos daquele que foi escolhido o melhor jogador do Mundial da Suécia. As acusações contra Guiomar, ex-cantora de rádio, se deviam ao preconceito que ela sofreu por ter sido o pivô da separação de Didi, que era casado.

Pouco mais de um mês depois da morte do ex-jogador Didi, faleceu a sua viúva Guiomar Batista Pereira, de 72 anos, em decorrência de uma hemorragia estomacal. Internada no Hospital Pedro Ernesto, zona norte do Rio, mesmo local onde morreu o marido, ela tinha diabetes e cirrose hepática.

O amor da vida do bicampeão mundial foi Guiomar, com quem ele ficou junto de 1951 até a sua morte. "Tanto é verdade que ninguém conseguia imaginar Didi sem Guiomar e vice-versa", definiu Nélson Rodrigues, na crônica intitulada "Didi sem Guiomar", de 1958.

Morreram ambos com a mesma idade: 72 anos. Guiomar foi enterrada no cemitério São João Batista, no Rio, junto com Didi.
Ele era um aristocrata negro, um lorde, que tinha naquela mulher branca e forte, uma guerreira. A mulher de Didi foi o 12º jogador daquela seleção.

Naquela época não era nada comum, e a Guiomar foi à Suécia por uma deferência especial, porque sem ela o Didi não teria sido o magnífico jogador que foi, o melhor daquela Copa (em que explodiram, para o mundo, Garrincha e Pelé). Eram outros tempos, outros jogadores, outras mulheres.

Didi faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de maio de 2001 devido a complicações de um câncer no fígado, enatrando definitivamente para a galeria dos imortais. A notícia repercutiu em jornais e revistas espanholas e argentinas (como “El Gráfico”), franceses (como “L’Equipe”) e gerou uma matéria com foto no “The New York Times.” No dia seguinte, antes de se iniciarem as partidas, várias equipes, em diferentes países, fizeram um minuto de silêncio em sua memória. (Pesquisa: Nilo Dias)

Didi e Guiomar, em foto de 1957.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O homem da “folha seca” (I)

Waldir Pereira (ele afirmava que seu nome era com W), o Didi nasceu no dia 8 de outubro de 1928, na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), terra de craques como Amarildo, Pinheiro, Tite, Evaldo, parceiro de Tostão no Cruzeiro (MG) e Paulinho Almeida, artilheiro com o Flamengo no início dos anos 50. Mas nenhum deles se igualou ao extraordinário Didi.

Apelidado de “Príncipe Etíope” pelo jornalista Nélson Rodrigues e “Mr. Football” pela imprensa européia foi um dos mais completos e elegantes jogadores do futebol brasileiro em todos os tempos. Jogava no meio de campo e era especialista em bater faltas, tendo sido o inventor da “folha seca”, uma técnica que consistia em bater na bola com o lado externo do pé, hoje vulgarmente chamada "trivela".

Didi criou a “folha seca” quase que por acaso. Tudo aconteceu em 1956, já defendendo o Botafogo, num jogo contra o América, por causa de uma lesão que o impedia de chutar a bola normalmente. Por isso, ao bater com o lado externo do pé, no meio da bola, o público viu a bola subir, fazer uma curva e cair repentinamente no gol, trajetória semelhante ao que ocorre com uma folha.

O lance ficou famoso quando “Didi” marcou um gol de falta nesse estilo contra a Seleção do Peru, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958. Ele dizia que aprendeu a arte observando outro gênio em bolas envenenadas: Jair da Rosa Pinto, o “Mestre Jajá”.

A criação do termo “folha seca” foi do comentarista esportivo Luiz Mendes, que percebeu a semelhança, quando a bola descia, com uma folha de outono vagando ao sabor do vento. E ganhou popularidade na voz de Oduvaldo Cozzi, considerado o maior narrador de futebol da época.

Por pouco o craque Didi não surgiu para o futebol. Quando criança foi atropelado por um caminhão e quase teve uma perna amputada. Mas acabou se safando e ficando com uma perna mais curta que a outra. A diferença entre uma perna e outra foi desaparecendo com o passar dos anos. E ele dizia que talvez tenha sido essa perna mais curta que lhe permitiu criar o famoso chute da “folha seca”.

Didi começou a carreira em 1944, jogando no Industrial (RJ); em 1945 defendeu o Rio Branco (RJ) e o Goytacaz (RJ); em 1946 atuou no São Cristóvão (RJ) e Americano, de Campos (RJ). Ainda em 1946, profissionalizou-se vestindo a camisa do Clube Atlético Lençoense, de Lençóis Paulistas (SP).

Depois foi contratado pelo Madureira (RJ), onde começou a mostrar seu grande futebol, tendo ido em seguida para o Fluminense F.C., onde jogou de 1949 a 1956. Foi o clube pelo qual jogou mais tempo sem interrupções, tendo realizado 298 partidas e feito 91 gols.

Didi foi um dos grandes responsáveis pela conquista tricolor do Campeonato Carioca de 1951 e da Copa Rio de 1952, tendo jogado ao lado de Castilho, Waldo, Telê Santana, Orlando Pingo de Ouro, Altair e Pinheiro, entre outros. Foi ele o autor do primeiro gol da história do Maracanã pela Seleção Carioca em 1950.

A estréia de Didi na seleção brasileira aconteceu no Campeonato Pan-Americano de 1952, em Santiago, no dia 6 de abril, quando foi escalado pelo técnico Zezé Moreira, no jogo em que o Brasil venceu o México por 2 X 0. Na Copa do Mundo de 1954, na Suíça, o inventor da “folha seca” disputou os três jogos como titular, mas o time brasileiro perdeu o último jogo da fase para a Hungria, por 4 X 2, e foi eliminado.

Foi campeão mundial em 1958, já atuando pelo Botafogo de Futebol e Regatas, clube pelo qual também acabou se apaixonando. No alvinegro, era o maestro de um grande elenco. Jogou ao lado de Garrincha, Nilton Santos, Zagallo, Quarentinha, Gérson, Manga e Amarildo.

O Botafogo foi o clube pelo qual Didi mais disputou partidas: fez 313 jogos e marcou 114 gols. Foi campeão carioca pelo clube em 1957, 1961 e 1962 e também venceu o Torneio Rio-São Paulo de 1962, mesmo ano em que ganhou o Pentagonal do México e, no ano de 1963, o Torneio de Paris.

Em 1959, antes do bi-mundial no Chile (1962), chegou a jogar no famoso time do Real Madrid. Como os espanhóis mesmo gostam de dizer, tratava-se de um time de galácticos, com Kopa, Puskas, Di Stefano, Santamaria, Kocsis e Dominguez. Mesmo conseguindo algumas conquistas importantes, o time sofria com a guerra de vaidades. Segundo o historiador Peris Ribeiro, o boicote a Didi, o único jogador negro da equipe mais cara do mundo foi liderado por Di Stéfano.

O boicote na equipe, segundo se comentava, teria partido de Di Stéfano. Depois jogou pelo Sporting Cristal, do Peru. No retorno ao Brasil vestiu de novo a camisa alvinegra do Botafogo. Teve uma passagem pelo São Paulo F.C., antes de voltar ao exterior, para atuar no Vera Cruz, do México. Encerrou a carreira vitoriosa no São Paulo F.C., em 1962.

Didi já pensava em se retirar dos campos de futebol, não conseguindo êxito como nos clubes anteriores em conquista de títulos. A equipe do São Paulo naquela época, não tinha grandes jogadores e a direção estava empenhada em terminar a construção do seu principal patrimônio, o Estádio do Morumbi.

No começo de 1981, Didi chegou a ser o técnico do Botafogo, mas foi substituído do cargo durante o ano, tendo sido ele um dos técnicos do Fluminense, na fase que o time tricolor era conhecido como a “Máquina Tricolor”, pela qualidade excepcional de seus jogadores.

Além da dupla carioca, Didi treinou os seguintes clubes: Sporting Cristal, do Peru; River Plate, da Argentina; Fenerbahçe, da Turquia; Cruzeiro, de Belo Horizonte; Alianza Lima, do Peru e Seleção Peruana, que alcançou classificação em 1970, para disputar a Copa do Mundo. Antes disso, a única vez que o país esteve num Mundial, foi em 1930, no Uruguai.

Títulos conquistados, como jogador: Fluminense: Copa Rio (1952); Campeonato Carioca (1951); Taça General A. Odria, Peru, enfrentando o Sucre (1950); Taça Embajada de Brasil ,Peru, contra o Sucre (1950); Taça Cinquentenário do Fluminense, na Copa Rio, frente o Corinthians (1952); Taça Milone, na Copa Rio, contra o Corinthians (1952); Taça Adriano Ramos Pinto, na Copa Rio, ante o Corinthians (1952); Torneio José de Paula Júnior, Quadrangular de Belo Horizonte (1952); Copa das Municipalidades do Paraná (1953); Taça Secretário da Viação de Obras Públicas da Bahia, contra o Esporte Clube Bahia, (1951); Taça Desafio Fluminense, versus Uberaba Sport Club (1954); Taça Presidente Afonsio Dorazio, contra a Seleção de Araguari-MG (1956).

Pelo Botafogo: Torneio Rio-São Paulo (1962); Campeonato Carioca de Futebol (1957/1961/1962); Torneio Pentagonal do México (1962); Torneio Jubileu de Ouro da Associação de Futebol de La Paz (1964); Torneio do Suriname (1964); Torneio Governador Magalhães Pinto (1964).

Pelo Real Madrid: Liga dos Campeões da UEFA (1959/1960). Pela Seleção Brasileira: Pan Americano de Futebol (1952); Copa do Mundo (1958/1962).

Como Treinador: Campeão peruano pelo Sporting Cristal (1952); Campeão Turco, pelo Fenerbahçe (1973/1974,1974/1975); Supercopa da Turquia (1974); pelo Fluminense, Campeão Carioca (1975); Botafogo, Taça Guanabara (1975); Cruzeiro, Campeão Mineiro (1977).

Prêmios: Bola de Ouro da Copa do Mundo da FIFA (1958); All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA (1958); Craque do Time das Estrelas da Copa do Mundo (1958); 7º Maior jogador Brasileiro do Século XX pela IFFHS (1999); 18º Maior jogador da América do Sul no Século XX pela IFFHS (1999); 19º Maior jogador do Mundo no Século XX pela IFFHS (1999); 100 Craques do Século - World Soccer (1999); e 25º Maior Jogador do Século XX pelo Grande Júri FIFA (2000). (Pesquisa: Nilo Dias)

Gol de Didi, de "folha seca", que classificou o Brasil para a Copa do Mundo de 1958.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Clube que revelou Leandro Damião completa 60 anos

O 20 de setembro é uma data importante não só para os gaúchos, que festejam as façanhas da Guerra dos Farrapos, mas também para os catarinenses da cidade de Ibirama, que comemoram a passagem dos 60 anos de fundação de uma de suas maiores entidades esportivas, o Clube Atlético Hermann Aichinger.

O clube nasceu em 20 de setembro de 1951, sucedendo a Sociedade Desportiva Industrial, fundada em 1944 e que há três anos paralisara às atividades.

A reunião que decidiu pela criação do novo clube aconteceu no bar de Geraldo Stoll, um dos fundadores, com a presença de Walter Nagel, Fritz Francke, Leopoldo de Souza, Wiegand Scheidemantel, Alberto Lessa, Fides Pettersen, Clemente Pettersen, Olimpio Lessa, Paulo Lippmann, Cuno Stoll, Waldemar Brandl, Engelbert Schaefer, Haroldo Lucas, Curt Stoll, Udo Iuwert, Enio Deeke, Geraldo Stoll, Luciano Patricio, Egon Stoll, Jorge Lucas Jr., Hercílio Lucas, Helmuth Arnold e Walfried Goebel.

Ao final da reunião foi decidido que Alberto Lessa seria o primeiro presidente. Ele foi responsável pela estruturação do clube e pela participação nos primeiros campeonatos, ainda como amador, sagrando-se diversas vezes campeão. As cores escolhidas para as camisas foram o vermelho e o branco.

Em 1955 disputou a segunda divisão da Liga Blumenauense de Desportos e também iniciou as obras para a construção de seu estádio. Em março desse ano foi adotado o nome atual, Clube Atlético Hermann Aichinger, em homenagem ao patrono do clube, Hermann Aichinger, que doou o terreno onde fica o atual estádio, conhecido popularmente como Estádio da Baixada.

Durante a década de 50 o clube disputou várias partidas amistosas contra agremiações como São Cristóvão (RJ), Novo Hamburgo (RS), Ferroviário (PR), Caxias (SC), América (SC) e Avaí (SC). Até os anos 80 permaneceu como amador, vivendo alguns períodos de inatividade em razão de dificuldades financeiras e falta de apoio da torcida e da cidade.

No fim dos aos 80, a situação começou a mudar, graças a política de investimento pesado nas categorias de base. O resultado positivo não demorou a aparecer, com a formação de bons jogadores que foram aproveitados no time de cima.

Em 1990 foi campeão da cidade invicto. Depois disputou o Campeonato Amador da Liga Vale Norte de Futebol. Em 1992 sagrou-se campeão estadual amador, alcançando aceso à segunda divisão profissional. Com o título ganhou o direito de representar Santa Catarina no Campeonato Sul Brasileiro de Futebol Amador, realizado em Curitiba. A Competição contou com equipes amadoras representando os Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Em 1993 se profissionalizou e participou pela primeira vez de uma competição oficial, sagrando-se campeão catarinense da 2ª divisão. Em 1994, o então e atual presidente Genésio Ayres Marchetti foi responsável pela maior obra de infra-estrutura no clube, com a construção da arquibancada coberta para mais de 2 mil pessoas, ampliação, drenagem e gramado novo no campo de futebol, visando a disputa do estadual da 1ª Divisão.

Dentro de campo, a equipe foi bem na elite do futebol catarinense, classificando-se em quarto lugar e vencendo por duas vezes o Criciúma, que estava no auge e contava com craques do naipe de Soares, Jairo Lenzi, Vilmar, Da Pinta, Alexandre, Sílvio Criciúma e outros. Em 1995, teve uma participação também boa, terminando entre os primeiros colocados.

Mas depois de passar por grave crise financeira, e de licenciar-se da Federação Catarinense de Futebol, passando a disputar apenas competições amadoras, sagrando-se campeão do Campeonato de Masters promovido pela Liga Vale Norte de Futebol no ano de 1999 e 3º colocado na categoria amador no mesmo ano. Retornou ao futebol profissional em 2001, quando foi novamente campeão catarinense da 2ª divisão, conquistando então o acesso à Série A.

Em 2002, esteve na chave principal do campeonato estadual, desempenho repetido em 2003 e melhorado em 2004, quando foi vice-campeão. Com isso, o time conquistou a vaga na Série C do Brasileiro, terminando entre os 16 melhores.

Em 2005, disputou duas competições nacionais, a Copa do Brasil e o Brasileiro da Série C, sem sucesso. Em 2006, disputou novamente o Catarinense e a Copa do Brasil e, em 2007, participou apenas do Estadual.

Em abril de 2010, o clube se licenciou novamente, por falta de recursos financeiros. Mas a volta aos gramados não demorou. Já neste ano de 2011 o clube está disputando o Campeonato Catarinense Divisão Especial 2011, equivalente a 2ª Divisão.

Os jogadores que se tornaram ídolos na história do clube nesses 60 anos foram muitos. Os mais lembrados são Sagüi, Alceleste Moser, Fanhô, Emílio Eberspächer, Sávio, Osmair, Treze, Valdir Dias, Nardella e Biro-Biro, que jogou durante várias temporadas com a camisa grená do clube, estando inclusive na formação de 2004 que participou da Série C do Brasileirão. Hoje em dia, o ex-meio-campista é um dos dirigentes da agremiação.

Mas foi recentemente que o clube revelou ao futebol brasileiro a sua jóia mais rara, Leandro Damião, grande artilheiro do futebol brasileiro neste ano de 2011, com 40 gols marcados pelo S.C. Internacional, de Porto Alegre.

O craque jogou na várzea em São Paulo até os 17 anos. Ao contrário da maioria dos jogadores, Damião não foi trabalhado em categorias de base. Em 2007, seu pai conseguiu um teste no Atlético, de Ibirama. Foi aprovado, e estreou antes de completar 18 anos.

No ano seguinte, teve uma breve passagem por empréstimo no XV de Outubro e no Marcílio Dias, onde disputou o Campeonato Brasileiro da Série C de 2008. E ao final do ano teve uma passagem relâmpago pela equipe do Cidade Azul. Mas a consagração veio no Campeonato Catarinense de 2009, quando vestiu novamente a camisa do Atlético de Ibirama, se tornando o artilheiro do time e chamando a atenção de outros clubes.

Em 2009, Leandro Damião teve 70% de seus direitos econômicos adquiridos pelo Internacional. Os outros 30% continuam com o clube catarinense. Na época que defendeu a equipe de Ibirama, o jogador era conhecido como Leandrão.

O Clube Atlético Hermann Aichinger é chamado por seus torcedores de “Fúria Atleticana”. A mascote é o “Capeta”. Com o estádio da Baixada sempre lotado e fervendo como um caldeirão, o “Capeta” foi definido como símbolo do clube em 1994. Vestido a caráter, ele entra em campo antes das duas equipes e circula com a mascote rival espetada em seu tridente.

O “Capeta” protagonizou uma situação inusitada em uma das partidas do clube. Certa vez, quando entrevistado por uma emissora de TV, a mascote não titubeou: “Se Deus quiser, vamos vencer o jogo”. (Pesquisa: Nilo Dias)
Leandro Damião, o grande nome da história do Atlético, de Ibirama.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Convite

Cavalo paraguaio

Toda vez que um time de futebol, que não consta entre os favoritos de uma competição começa bem nas primeiras rodadas, logo os torcedores adversários o chamam de “cavalo paraguaio”. Largam na frente, mas logo adiante perdem força e entram na realidade. Isso tem sido comum nos campeonatos brasileiros na era de pontos corridos. Não vou citar nomes de clubes, para não entrar em atrito com torcedores apaixonados. Mas todos sabem perfeitamente de quais clubes falo.

As teses sobre a origem da expressão são muitas. A que me parece mais viável tem origem no turfe. Em 6 de agosto de 1933 foi realizado no Hipódromo Brasileiro (atual Gávea), no Rio de Janeiro o primeiro Grande Prêmio Brasil, que se tornaria depois a maior prova do turfe brasileiro. A premiação oferecida era alta, 300 contos de réis, o que atraiu competidores brasileiros e estrangeiros.

Os apostadores gastaram verdadeiras fortunas confiando nos animais considerados favoritos. Ao fim da corrida, os boquiabertos turfistas assistiram a inesperada vitória do cavalo “Mossoró”, que teria ascendência paraguaia. Foi uma legitima “zebra”, embora o termo não existisse naqueles anos. Segundo a imprensa da época, o cavalo tordilho quase foi levado no colo pela multidão, que vibrou com sua conquista.

“Mossoró” era um tordilho Puro Sangue Inglês (PSI), nascido em Pernambuco, de criação do Haras Maranguape, de propriedade de Frederico Lundgren , um sueco apaixonado pelo Brasil, com grande visão empresarial, fundador das Casas Pernambucanas, que atua em São Paulo. A parte das Lojas Pernambucanas atuante no Nordeste, administrada por outro ramo da família faliu. Ainda em 1933, “Mossoró” venceu o Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, no mesmo hipódromo.

A partir daí a expressão teria entrado para o vocabulário futebolístico nacional. Toda vez que um time inesperadamente conquistava vitórias, os cronistas esportivos da época anunciavam a presença de um “cavalo paraguaio”. O lógico seria que o time assim chamado, tivesse uma queda de rendimento ao final da competição, frustrando seus torcedores.

Mas essa é apenas uma tese para a origem da gíria. O jornalista e historiador Mário César Silveira, por exemplo, acredita que a expressão começou no Mato Grosso, quando da Guerra do Paraguai. O Paraguai havia tomado a iniciativa do combate, mas acabou forçado a recuar. Quer dizer, saiu na frente e chegou atrás, implacavelmente derrotado, segundo o jornal “Paraguay Illustrado”, editado no Brasil e que tinha como objetivo denegrir a imagem dos paraguaios e criar um estereótipo que resiste até hoje.

Mário César Silveira acredita que a inclusão da expressão no meio futebolístico brasileiro, ocorreu a partir do dia 9 de maio de 2004, quando no programa "Troca de Passes", do canal SporTV, foi debatido o bom desempenho até então, no Campeonato Brasileiro de Futebol, de equipes como Goiás, Vitória, Ponte Preta, Paraná e Figueirense.

Foi quando o apresentador Luiz Carlos Júnior, perguntou aos demais participantes do programa se esses times seriam "cavalos paraguaios". Em 18 de junho de 2005, durante a Copa das Confederações a expressão foi novamente utilizada, dessa vez pelo jornalista André Aydano Motta, também do SporTV, definindo a acepção de "paraguaio" como algo "falsificado".

No mesmo ano o jornal “Folha de São Paulo”, prevendo um fraco desempenho das equipes do Rio de Janeiro no Campeonato Brasileiro, publicou a seguinte manchete: "Rodada amplia aposta no “cavalo carioca-paraguaio".

Já o comentarista esportivo Luiz Fernando Bindi afirma, com base numa pergunta feita ao porteiro de uma hípica na cidade de São Paulo, e também a uma consulta feita a um turfista de Curitiba, que a expressão não tem qualquer ligação com o turfe.

Não se pode esquecer, também, que esse sentido depreciativo se deve ainda, ao fato de que temos uma antiga relação de desconfiança com a qualidade dos produtos vindos do vizinho país. Isso começou no século XIX e persiste até hoje. Ninguém é capaz de apostar um vintém na qualidade e durabilidade dos eletroeletrônicos que diariamente chegam ao Brasil, contrabandeados do vizinho país.

Todo mundo sabe que o Paraguai é grande “fabricante” de produtos falsificados. E por isso a imagem que se tem, é de que tudo vindo de lá é falso, não presta.

O termo “cavalo paraguaio” está encravado no dia-a-dia do jornalismo esportivo de nosso país. Nas TVs, rádios, jornais ou revistas, fala-se nisso com uma naturalidade enorme. O que espanta, é o fato dos governantes do vizinho país agüentarem isso calados, admitindo pelo silêncio que tudo que se diz sobre eles é verdadeiro.

Apenas como ilustração, lembro algumas notícias publicadas em respeitáveis órgãos de imprensa do Brasil: “O volante Chico acredita que foi mais uma boa atuação de todo o time, mostrando que o Atlético-PR não é um “cavalo paraguaio” nessa arrancada após a Copa do Mundo. (Revista “Veja”). “Ponte espera provar que não é '''cavalo paraguaio'''' (Jornal “O Estado de São Paulo”). (Pesquisa: Nilo Dias)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O homossexualismo no futebol (Final)

O consultor de comunicação holandês, Huub ter Haar, que escreveu o livro “Retratos de grandes atletas gays”, é de opinião que em algum momento esse medo dos jogadores gays de assumir a homossexualidade vai ter um fim.

Haar, já esteve envolvido com o problema da aceitação de atletas gays, defendendo que eles não fossem discriminados, da mesma forma que aconteceu com os negros. Até pouco tempo, principalmente na Europa, ainda havia um preconceito racial bastante grande. Na verdade, a cor da pele é visível para todos, e a sexualidade não.

Para o consultor holandês, é mais difícil que alguém se abra sobre sua sexualidade em esportes coletivos, como o futebol, vôlei e hóquei. É por isso que a revelação do jogador de rugby inglês, Gareth Thomas, ganhou repercussão internacional. Depois dele, se esperava que outros atletas fizessem o mesmo, mas nada aconteceu, especialmente no futebol.

O futebol é um esporte praticado no mundo inteiro, inclusive em países onde a homossexualidade é um problema muito sério. Todo jogador almeja sucesso na carreira. O sonho é defender um grande clube da Itália ou Espanha, onde aparentemente há menos aceitação. O medo de que isso atrapalhe a carreira, faz com que todos permaneçam sem assumir que são gays.

Ter Haar tem consciência de que a homossexualidade no futebol por enquanto é terreno proibido. Para ele o ideal seria que o público, os clubes e os jogadores aceitassem as qualidades de um jogador, sem levar em consideração se ele sente atração por homens.

A Associação Gay e Lésbica Italiana (Arcigay), publicou nota em jornais italianos, repudiando a declaração do técnico da seleção da Itália na Copa da Áfica, Marcello Lippi, que disse não aceitaria dois jogadores da “Azurra”, caso declarassem publicamente que mantinham uma relação entre eles.

Lippi disse que a repercussão de um fato como esse, num país que tem quatro jornais esportivos especializados, poderia ter conseqüências catastróficas para a equipe. O técnico garantiu que a imprensa teria em mãos um prato sensacionalista sem tamanho, relatando o romance de um casal de homossexuais que jogam futebol.

A declaração de Lippi não foi a primeira no meio da seleção italiana a irritar as organizações dos homossexuais. O zagueiro Fabio Cannavaro, capitão da “Azzurra”, já havia declarado ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando de sua passagem pelo Real Madrid, na Espanha, onde a união homossexual é legalizada.

O site www.gaygamer.net, direcionado aos jogadores homossexuais, já foi alvo de ataques de hackers preconceituosos, que floodaram os fóruns do site e acabaram por tirá-lo do ar. Os ataques foram anunciados, e vieram acompanhados de mensagens ameaçadoras, devido á “orientação sexual” do site. Mas ele já está no ar novamente.

O pior foi a entrevista ao canal de TV “La 7″, de um jogador de futebol que atua em um time da Terceira Divisão italiana. Ele revelou que recebe dinheiro de craques conhecidos de equipes de ponta do país, para fazer sexo. Identificado apenas como “Victory”, o atleta garantiu que já fez programas com jogadores da seleção italiana, alguns que são até casados. Ele contou ter começado a fazer programas para melhorar sua renda mensal.

“VictorY”, cobra € 1,5 mil por programa, e os jogadores pagam sem problemas. Quase todos os encontros acontecem em hotéis, principalmente após os jogos, que é quando eles têm tempo livre. A maioria desses jogadores diz que só quer relaxar e não vê problemas em beijar na boca. Mas todos eles tremem de medo, com a possibilidade de serem descobertos.

“Victory”disse que cerca de 30 atletas são seus clientes fiéis. Muitos deles são bissexuais, têm esposas ou namoradas, uma imagem respeitável e jamais admitiriam que são gays.

Verdadeiro escândalo, que ganhou páginas dos jornais e da Internet, envolveu os jogadores Zlatan Ibrahimovic e Gerard Piqué, quando os dois jogavam no Barcelona. Tudo porque eles foram flagrados de mãos dadas na frente de um carro. A imagem correu o mundo inteiro com piadas sobre a sexualidade de ambos.

O programa de TV “Esporte Espetacular” exibiu tempos atrás a história de Vilson Zwirtes, ex-jogador do Lajeadense, de Lajeado (RS), que assumiu ser homossexual. Ele contou os problemas que enfrentou por causa de sua preferência sexual. Garantiu que muitos clubes deixaram de contratá-lo, por ser gay.

Outro atleta que abriu o jogo e revelou ser homossexual foi o goleiro Jamerson, mais conhecido como “Messi”, que joga no Palmeira, time da 2ª divisão do Rio Grande do Norte. Ele começou a carreira no time amador do Estrela do Norte, da cidade de Passagem, aos 19 anos, mesma época em que assumiu a homossexualidade. Depois disso, se transferiu para o Palmeira onde virou ídolo da torcida.

O presidente do clube, Cláudio José Freire, afirmou que o fato do goleiro ser homossexual contribuiu para que ele se transformasse em uma espécie de xodó dos torcedores de Goianinha, cidade de 21 mil habitantes a 54 km de Natal. (Pesquisa: Nilo Dias)

Esta foto do atacante Zlatan Ibrahimovic, com o zagueiro Gerard Piqué, causou polêmica na Espanha.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Homossexualismo no futebol (II)

O ex-técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira acha que um jogador assumido causaria um impacto muito forte, como aconteceu nas forças armadas norte-americanas. O ambiente do futebol reagiria, porque é muito conservador. O treinador garante que em mais de 35 anos de carreira não conheceu nenhum homossexual nas equipes que dirigiu.

Para o presidente do Grupo Estruturação de Brasília, que há 12 anos defende os direitos de GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), Welton Trindade, é inegável que também no futebol profissional existem gays, e não são poucos. Eles só não se expõem por puro preconceito, deles mesmos e do ambiente que os cerca. Para Welton o ambiente futebolístico ainda é agressivo e extremamente machista. Por isso resta aos gays procurarem por outro esporte. O próprio Welton pratica esgrima.

O atleta de remo, Arnaldo Luis Adenet Costa também afirma que os gays não se sentem atraídos pelo futebol como esporte. Ele salienta que o ambiente homofóbico do futebol sempre o afastou. Conta que traz uma imagem, desde criança, do futebol como um ambiente extremamente agressivo. Por isso, acha que nunca se interessou. Na sua opinião o vôlei é um esporte mais elegante, e de preferência do público gay.

Enquanto os praticantes gays são poucos, as lésbicas têm uma identificação maior com o futebol. O núcleo feminino do "Grupo Estruturação", de Brasília, por exemplo, lançou em 2005 o primeiro time oficial de futebol de campo de lésbicas, mulheres bissexuais e simpatizantes do país. Já em São Paulo, o grupo "GLS Ella & Ellas" organiza a "CopaDellas", um campeonato de futebol que reúne apenas times formados por mulheres, em sua maioria homossexuais.

Se no futebol e no Brasil os passos são lentos, a mudança de mentalidades é mais rápida em outras modalidades e países. Esera Tuaolo, David Kopay e Roy Simms, todos jogadores de futebol americano, assumiram publicamente a homossexualidade, depois da aposentadoria.

A tenista Martina Navratilova foi a primeira atleta famosa a declarar-se lésbica no começo da década de 1980. Em atividade, Amelie Mauresmo tomou a mesma iniciativa. Mais recentemente, Ian Roberts, jogador australiano de rugby assumiu a homossexualidade. E disse não saber como demorou tanto tempo e gastou tanta energia se escondendo.

Tentando trazer essa discussão também para o futebol, o jogador francês Vikash Dhorasso, meio-campista da seleção francesa e do Paris Saint-German, decidiu abraçar a causa em defesa da homossexualidade, dando o seu apoio ao time "Paris Foot Gay" (PFG), primeiro time formado apenas por gays na França. Dhorassoo é heterossexual e tem dois filhos, mas, como é filho de imigrantes da Mauritânia, se solidarizou com esse outro grupo discriminado.

Na Inglaterra, clubes como o "Stonewall FC" ou o "Brighton Bandits", totalmente compostos por homossexuais, disputam ligas amadoras e levantam a bandeira. Já no México existe uma Liga de Futebol Gay com cinco equipes de nomes fortes: “Los Fuckers”, “El Clan”, “Tu Mamá”, “Fashion Team” e “Fuerza G”. Um dos cuidados que os jogadores tomam, é que os árbitros dos jogos também sejam gays, para que exista uma melhor compreensão entre eles.

No ambiente profissional mesmo, só um jogador teve coragem de assumir em toda a história do futebol mundial a sua homossexualidade. O inglês Justin Fashanu, que teve seu auge no Nottingham Forest, assumiu publicamente em 1990, e a tragédia que se sucedeu a esta revelação deixou marcas profundas no esporte. Fashanu, o primeiro britânico negro a ser transferido por mais de um milhão de libras, se enforcou em 1998 numa garagem, depois de oito anos de perseguição.

Os jornais tablóides são o principal motor da pressão homofóbica na Inglaterra. Nos últimos tempos, por exemplo, publicaram insinuações sobre Joe Cole e Sol Campbell, ambos da seleção local. As publicações foram processadas pelos artigos. Anos atrás, quem sofreu foi Graeme Le Saux, ouvindo coros das torcidas rivais e provocações dos adversários e reportagens caluniosas.

Quem escapou dessa pressão foi o dirigente Elton John. O milionário cantor pop investiu parte da fortuna no seu time do coração, o Watford, do subúrbio londrino que está sempre oscilando entre a primeira e a segunda divisão local. Mesmo agora, quando já está afastado do clube, Elton John faz concertos no estádio para angariar dinheiro para o clube e é idolatrado pelos torcedores.

Enquanto manifestações antigays, como as dos técnicos Daniel Passarella e Vanderlei Luxemburgo, são toleradas, alguns jogadores exploram o filão, com propagandas sexys ou ensaios em revistas do público gay.

Se sair do armário é algo ainda muito complicado, explorar a imagem em propaganda de tendências homoeróticas é mais fácil. Vários jogadores já entraram nesse nicho comercial. O inglês David Beckham, e o sueco Freddie Ljungberg, não se importam em ser ícones do público gay.

Aqui no Brasil, os jogadores Vampeta e Dinei, além do goleiro Roger, já posaram nus para a revista “G”, voltada para o público gay, e nem por isso são taxados como tal. Roger enfrentou críticas internas no São Paulo pela iniciativa, mas conseguiu continuar com a carreira. Os estereótipos, porém, continuam, fazendo com que gays e lésbicas, em sua maioria, ainda se tranquem no vestiário.

Casos não faltam também em outros países da América do Sul. Quando dirigia a seleção argentina, Daniel Passarella disse que não toleraria gays no time e até mandou os jogadores cortarem o cabelo. Maradona e Caniggia comemoravam gols do Boca Juniors, com um beijo na boca.

Uma novela argentina exibiu cena de sexo gay entre jogadores de futebol. "Botineras" foi a história de dois jogadores de futebol: “El Flaco” e “Lalo”, que viveram um romance, com direito a cena de sexo gay entre os personagens, com muitas carícias, beijos e sensualidade.

A novela manteve sempre o público na expectativa de saber como os dois conseguiriam manter o romance escondido dos outros jogadores, dos dirigentes do time, da torcida, da esposa de “El Flaco” e da namorada de “Lalo”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Cena de beijo gay, na novela argentina "Botineras".

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Homossexualismo no futebol (I)

Tem muita gente que costuma dizer que futebol é para macho. Será? Uma pesquisa realizada pelo professor de Cultura, Mídia e Esportes, Ellis Cashmore e pelo especialista em Sociologia, Jamie Cleland, revela que um de cada quatro jogadores profissionais de futebol, treinadores ou árbitros é gay. Isso, dentro de um espaço que já foi amplamente machista, é algo espantoso.

A pesquisa entrevistou 3 mil profissionais. E mais de um em cada quatro pesquisados (27%) revelou conhecer pessoalmente jogadores de futebol que são gays, mas que nenhum assume a sua homossexualidade. E 93% dos entrevistados acham que a homofobia não pode fazer parte do mundo do futebol.

Outro dado interessante revelado pelos pesquisadores da Universidade de Staffordshire (Inglaterra) é que a maioria dos profissionais homossexuais não tem medo dos fãs e, sim, de perder o patrocínio ou o emprego, caso assumam publicamente que são gays.

A imprensa tem sido muito cautelosa no trato desse tema, que realmente é polêmico. Mesmo assim alguns fatos já são de conhecimento público e ganharam espaços em jornais e revistas. Na Copa de 1982, a imprensa italiana, mesmo com seu país ganhando o título, insinuou que alguns jogadores eram homossexuais e promoviam verdadeiras orgias na concentração.

A revista esportiva alemã “Rund” publicou matéria de capa, onde dois jogadores que mantém relações sexuais "debaixo dos panos" foram entrevistados. Os dois disseram já ter feito quase tudo para esconder sua sexualidade de clubes, empresários e companheiros de time, mas que, ainda assim, viviam sob a constante ameaça de terem seus segredos descobertos.

Um dos jogadores, que é casado, disse que sua esposa não faz nem idéia de que ele seja gay e que já esteve envolvido em uma relação estável com um amigo de infância. O outro jogador entrevistado afirmou estar sempre acompanhado por uma mesma amiga em eventos e festas do clube, dando assim a impressão de ser heterossexual.

O futebol profissional alemão não conheceu nenhum jogador gay, até hoje, que assumisse publicamente essa condição. Pelo menos não oficialmente. A explicação não é a falta de jogadores homossexuais, mas o fato de eles manterem segredo sobre sua sexualidade, sob o risco de acabarem com suas carreiras caso "saiam do armário".

Para o editor chefe da revista, Rainer Schäfer, o futebol ainda é inacreditavelmente atrasado quando o assunto é homossexualidade. E gays no campo ainda são um tabu enorme. Ele passou dois anos pesquisando essa questão e acabou ganhando a confiança de dois jogadores homossexuais que defendem times da Primeira Divisão da “Bundesliga”. Ambos concordaram em contar suas histórias, desde que as identidades fossem mantidas em sigilo.

Mas não pensem que é só na Itália e na Alemanha que existem jogadores de futebol homossexuais. No Brasil, também. O saudoso jornalista e técnico, João Saldanha disse em entrevista ao jornalista pernambucano Geneton Moraes Neto, que tivemos vários jogadores homossexuais da melhor qualidade. Craques que dormiam com homens.

Vanderlei Luxemburgo, um dos treinadores mais vencedores da história do futebol brasileiro, disse que em seus 30 anos de carreira comandou alguns jogadores homossexuais declarados. Em entrevista ao programa “Esporte Fantástico”, da TV Record, garantiu que nunca viu isso como problema. Ele também confirmou que nunca recebeu nenhuma cantada de jogadores.

O hoje treinador do Flamengo já se envolveu em uma polêmica, em 2006, quando treinava o Santos. Em uma entrevista coletiva ele insinuou que o árbitro Rodrigo Cintra era homossexual e se sentiu "paquerado" pelo juiz. Agora, em 2011, Luxemburgo foi condenado a pagar uma indenização de R$ 50 mil ao árbitro, por conta desta declaração.

Em uma entrevista a revista “Isto É”, o ex-jogador e comentarista esportivo, Neto, contou que era comum jogar com homossexuais no seu tempo, nos anos 80 e 90. Questionado se um jogador gay teria condições de “sair do armário” no Brasil, Neto disse que sim. E revelou que muitos jogadores que atuaram com ele eram homossexuais e todo mundo os respeitava em campo.

As declarações de Neto foram divulgadas no mesmo dia em que a bancada evangélica barrou a votação de uma lei contra a homofobia no Congresso, e durante a repercussão da aprovação da união de pessoas do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal Federal.

Outro episódio conhecido diz respeito as revelações do ex jogador “Dadá Maravilha”. Quando perguntado sobre a existência de homossexuais no futebol, respondeu que isso não era novidade. “Existem de montão”. E citou um exemplo: em 1970, segundo ele, tinha um corpo maravilhoso. E havia um zagueiro que era louco pelas suas pernas. Um dia, o cara lhe passou a mão e “Dadá” deu uma pernada nele e disse: “Sai pra lá, rapaz!”.

Para evitar esse tipo de preconceito, foi aprovado um projeto de lei que torna o tema, sexo e orientação sexual um crime resultante de discriminação. Trata-se de uma extensão da Lei 7716/89. Os termos “viado” e “bicha”, comuns no futebol e ditos no calor da disputa, passam a ser considerados discriminatórios e poderão levar quem os disser a ter de se explicar na Justiça.

Quem não lembra do caso envolvendo Ronaldo Fenômeno e um travesti, em um motel no Rio de Janeiro, acontecido em 2008? Na época o craque era jogador do Milan, da Itália. Após ter ido a uma boate no Rio de Janeiro, Ronaldo terminou a noitada na 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca), depois de uma confusão com o travesti André Luis Ribeiro Albertino, conhecido como Andréia Albertine.

O travesti acusou Ronaldo de envolvimento com drogas e publicou um vídeo no “youtube” para comprovar a identidade do jogador. Em um comunicado oficial, divulgado por sua assessoria de imprensa, o craque defendeu-se da acusação dos travestis de que teria usado drogas. O Fenômeno afirmou ainda que estava sendo vítima de extorsão. O travesti André Albertino queria R$ 50 mil.

Segundo Ronaldo, o travesti foi contratado por engano. Ele pensava que se tratava de uma garota de programa e o levou para um motel na Barra da Tijuca. Lá, teria pedido mais duas mulheres para o programa. Quando descobriu que eram travestis, e que um deles teria ido buscar drogas na favela "Cidade de Deus", o atacante teria decidido não mais fazer o programa e deu R$ 1.000 para dois deles.

O outro, que seria André Albertino, não quis e pediu R$ 50 mil para não contar a história para a imprensa. Ronaldo teria ficado revoltado com a tentativa de extorsão e, após um escândalo do travesti na porta do motel, a polícia foi chamada.

André Albertini morreu devido a complicações do HIV, em 2009. De acordo com uma funcionária do Hospital de Clinicas Dr. Radamés Nardini, onde o travesti foi atendido, ele era HIV positivo e morreu por decorrência da doença.

Outro caso que ganhou às manchetes dos jornais, envolveu o ex-jogador do São Paulo, Richarlyson, hoje no Atlético Mineiro. Tudo começou em um programa de esportes, exibido na hora do almoço e apresentado pelo jornalista Milton Neves.

Os integrantes da mesa redonda discutiam sobre o boato de que algum jogador de um clube grande paulistano assumiria a homossexualidade no domingo à noite para todo o Brasil. Perguntado se esse jogador era do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, dirigente do “Verdão” respondeu: “O Rycharlison quase assinou com o Palmeiras, mas optou por jogar no São Paulo.”

Logo depois Richarlyson entrou com uma queixa-crime contra o dirigente palmeirense pedindo indenização de R$ 300 mil. Porém, com uma decisão considerada homofóbica por grande parte da população, o juiz Maximiano Junqueira Filho alegou o caso em favor de José Cyrillo.

Mas tudo terminou com um final feliz. O dirigente do Palmeiras pediu desculpas públicas a Richarlyson, o jogador desculpou e foi ao programa televisivo “Fantástico” para afirmar que não é homossexual. (Pesquisa: Nilo Dias)

André Albertino, pivô de escândalo envolvendo o ex-craque Ronaldo Fenômeno.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O gélido futebol finlandês

O futebol na Finlândia é praticado somente seis meses por ano, devido as condições climáticas. Ao invés do resto do mundo, nestas gélidas regiões o futebol é um desporto de Verão. Os rigorosos invernos duram de Novembro a Abril. Apenas seis meses por ano de competição não permitem grandes aspirações aos seus clubes e seleções.

Mas isso não quer dizer muita coisa, pois o esporte não é o primeiro na preferência popular. Perde para o Hockey no gelo e outros esportes de inverno. Mas num futuro bem próximo, a posição do futebol no país pode melhorar. È que jovens e crianças tem mostrando interesse no esporte inventado pelos ingleses.

Isso, associado ao destaque internacional conquistado por alguns de seus principais jogadores, como Litmanen, Forssel, Hyypia, Kolka, Johansson, entre outros, quase todos atuando no futebol inglês. Números divulgados pela Associação de Futebol da Finlândia mostram que existem cerca de 100.000 jogadores registrados e cerca de 400 times. De acordo com o Gallup poll, aproximadamente 400 mil pessoas têm o futebol como hobby.

O futebol chegou na Finlândia na década de 1890, levado por viajantes britânicos, e foi jogado pela primeira vez em Turku. No entanto, a primeira competição nacional só foi disputada em 1906, tendo como campeão o time da escola de Turku. A Associação de Futebol da Finlândia foi fundada em 1907, e associou-se á FIFA em 1908.

A primeira divisão (“Veikkausliiga”) é composta por 14 times profissionais de futebol. A segunda divisão (“Kakkonen”) tem 47 times divididos em Leste, Oeste, Norte e Sul, cada região com 12 times, com exceção do Norte, que tem atualmente 11 equipes. A Copa finlandesa é uma competição aberta á todos os clubes membros da Associação de Futebol da Finlândia.

Historicamente, a Seleção Finlandesa de Futebol nunca fez parte de grandes competições internacionais como Copa do Mundo e Eurocopa. Apenas participou dos Jogos Olímpicos por quatro vezes (primeira vez em 1912) não tendo ganho medalhas. A primeira vez que disputou um campeonato internacional foi contra Suécia, em 22 de outubro de 1911, quando foi goleada por 5 X 2. O seu maior feito foi participar das meias-finais dos Jogos Olímpicos de 1912.

Somente nos anos 80, o nível do seu futebol ganhou alguma dimensão internacional, quando se destacaram alguns jogadores como Ari Hjelm e Mixu Paatelainem, que atuaram em clubes da Alemanha e Inglaterra. Mas o grande salto de qualidade só aconteceu com a chegada do técnico dinamarquês Roger-Moller Nielsen, em meados dos anos 90.

Graças a ele a Finlândia, pela primeira vez na história, chegou perto de se classificar para um Mundial, quando derrotou a Suíça e empatou com a Noruega. Bastava uma vitória no último jogo, em Helsínqui, contra a Hungria, para carimbar o passaporte para o Mundial de 1998, na França. No entanto, depois de sair vencendo, cedeu o empate e perdeu o jogo no último minuto por 2 X 1 e viu o sonho acabar.

Quatro anos depois, a campanha realizada na fase de classificação para o Mundial-2002, onde empatou com a Alemanha e Inglaterra, é a prova mais eloquente da evolução do futebol finlandês.

O resultado mais expressivo da Finlândia nos últimos anos, foi a goleada de 4 X 1 aplicada sobre Portugal em amistoso realizado em 26 de Março de 2002, no Estádio do Bessa, na cidade do Porto. Os gols da equipe nórdica foram marcados por Jarí Litmanen (2), Kolkka e Forsell, com Sérgio Conceição descontando para o time da casa.

O desempenho da Finlândia nas eliminatórias para a Copa do Mundo mostra sua fragilidade. Em 1930 e 1934, não disputou; de 1938 a 2010, não se classificou. Na Eurocopa, em 1960 e 1964, não disputou; de 1960 a 2004, não logrou classificação.

Para não fugir a regra, jogadores brasileiros também deram as caras por lá. É o caso de Denis Ramos Santos, conhecido como Santos na Finlândia. O atacante teve passagens pelo América Mineiro, Alfenense, Democrata, e Funorte, todos de Minas Gerais. Também andou pelo São Paulo Liaoning, da China, antes de se transferir em 2008, para o PS Kemi Kings, clube que disputava a segunda divisão da Finlândia.

Outro que sofreu com o frio finlandês foi o atacante Cleiton, revelado pelas categorias de base do Fortaleza. Depois de três meses no gelo, retornou ano passado ao seu clube de origem no Brasil. (Pesquisa: Nilo Dias)

Jari Litmanen, o craque do futebol finlandês.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Filpo Nuñes, "El Saleroso"

Nelson Ernesto Filpo Nuñes nasceu em 19 de agosto de 1920, em Buenos Aires, na Argentina. Naturalizou-se brasileiro, e foi o único técnico estrangeiro em toda a história a dirigir a Seleção Brasileira. Também foi o responsável pela montagem da famosa “Academia”, da S.E. Palmeiras, nas décadas de 1960/1970.

Treinador considerado metódico, ousado, falastrão, quase folclórico, ficou carinhosamente conhecido no Brasil como “El Bandoneón”, o típico instrumento do tango, porque diziam que os times que treinava, jogavam por música.

Formou-se em Educação Física no Equador e depois ingressou na carreira de treinador de futebol profissional no seu país, dirigindo a equipe do C.S. Independiente Rivadavia, de Mendoza. Antes de chegar ao Brasil, "Don" Filpo Nuñes teve passagens por diversos países da América do Sul. Treinou o Santiago Nacional, do Chile, Sport Boys, do Peru, Espãna, do Equador, Municipal, da Bolívia, Libertad, do Paraguai e Sant Martins e Velez Sarsfield, da Argentina.

Filpo chegou ao Brasil ainda jovem para ser treinador. Dirigiu o Cruzeiro, de Belo Horizonte em 1955 e depois passou por várias equipes, entre elas Guarani, Atlético Paranaense, Jabaquara, Portuguesa Santista, América de Rio Preto e Vasco da Gama, antes de assumir o Palmeiras. Pelo alviverde, entre 1964 e 1965, Filpo adotou jogar em velocidade, tocar de primeira e chegar ao gol. Nesse período, o Palmeiras começou a ser batizado de “Academia de Futebol”.

O super time palmeirense começou a ser montado em 1964, quando a equipe era liderada pelo craque Ademir da Guia. Depois vieram Dudu, da Ferroviária de Araraquara (SP), Ademar Pantera, revelado pela Prudentina, de Presidente Prudente (SP) e Rinaldo, ponta esquerda do Náutico de Recife (PE).

Comandado por Filpo Nuñes, o onze palmeirense ganhou o Torneio Rio-São Paulo de 1965, que na época era considerado a competição nacional mais importante, com atuações de alto nível. Goleadas contra os principais rivais: 7 X 2 no Santos, 5 X 0 no Botafogo, em pleno Maracanã, 5 X 0 no São Paulo e mais 4 X 0 no Vasco . O título máximo chegou em outra goleada diante do Botafogo, dessa feita no Pacaembu.

A equipe era tão respeitada a ponto de a antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) requisitá-la para representar a Seleção Brasileira na inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o “Mineirão”, no dia 7 de setembro de 1965, em partida amistosa contra o Uruguai. E foi show de bola dos palmeirenses, com goleada por 3 X 0, gols de Tupãzinho, Rinaldo e Germano. Nesse dia, pela primeira e única vez, a seleção brasileira jogou sob a orientação de um técnico estrangeiro:

O time era formado por Valdir de Moraes (Picasso) - Djalma Santos - Djalma Dias - Valdemar Carabina (Procópio) e Ferrari - Dudu -(Zequinha) e Ademir da Guia - Julinho (Germano) – Servílio - Tupãzinho (Ademar Pantera) e Rinaldo (Dario). O Uruguai jogou com Taibo (Fogni); Cincunegui (Brito), Manciera e Caetano; Nuñes (Lorda) e Varela; Franco, Silva (Vingile), Salva, Dorksas e Espárrago (Morales).

Árbitro: Eunápio de Queiroz; Gols de Rinaldo aos 27 e Tupãzinho aos 35 minutos do primeiro tempo; Germano fechou o placar aos 29 minutos da etapa final. Renda de Cr$ 49.163.125,00 por um público de 96.669 pessoas. No ano anterior, o Palmeiras já havia ganho a “Taça do Quarto Centenário do Rio de Janeiro”, batendo a seleção do Paraguai por 5 X 2.

O Palmeiras não foi o único grande clube da capital paulista a ter o argentino como técnico. Filpo Nuñes dirigiu duas vezes o Corinthians. Primeiro, em 1966, quando o alvinegro chegou a liderar o Campeonato Paulista. Depois, em 1976. O treinador comandou o “Timão” em 34 partidas, com 16 vitórias, 7 empates e 11 derrotas.

Filpo chegou a ter outras duas passagens pela Sociedade Esportiva Palmeiras: entre 1968 e 1969; e entre 1978 e 1979. Ao todo, foram 154 jogos no comando do “Verdão”, com 94 vitórias, 27 empates e 33 derrotas.

O técnico argentino fez sucesso por vários países. Em Portugal, por exemplo, dirigiu o Leixões, o Vitória de Setúbal e o Lusitano Évora. No México, trabalhou pelo Monterrey. No Brasil, ele também comandou o XV de Piracicaba (SP), Paulista de Jundiaí (SP), Galícia (BA), Coritiba, Marília (PR), Francana (SP), Sport Club Recife (PE), São José (SP), Fabril, de Lavras (MG), C. A. Atlanta (Buenos Aires (Argentina), Santo André (SP), Saad (SP) e Foz , de Foz do Iguaçu (PR).

Filpo Nuñes costumava ser convocado para tentar salvar equipes em crise, candidatas ao descenso, casos do Jabaquara e Portuguesa, ambas de Santos (SP). Em 1959, durante excursão com a Portuguesa Santista pela África, Angola e Moçambique, conseguiu uma importante conquista: a “Fita Azul” do futebol brasileiro. O título era dado ao clube do país que tivesse maior sucesso em uma excursão no exterior. De 15 partidas disputadas a “Briosa”, do então técnico Filpo Nuñes venceu todas, marcou 75 gols e sofreu dez.

Entre os clubes que dirigiu, excluindo o Palmeiras, estão o Cruzeiro (MG), Mogi-Morim (SP), Sport Recife (PE), Vasco da Gama (RJ), Guarani, de Campinas (SP), Sport Club Corinthians (SP), Jabaquara e Portuguesa Santista, de Santos (SP), Amparo (SP), Coritiba (PR) e São José (SP) e Galicia (BA).

Principais títulos e prêmios que conquistou. Campeão do Torneio Início de 1956 pelo Guarani; eleito o melhor técnico do “Torneio Preparação” de 1957, pelo Jabaquara; Campeão do Torneio Início de pelo América, de Rio Preto em 1958; “Fita Azul” do Futebol Brasileiro, pela Portuguesa Santista em 1959; Eleito melhor técnico do ano pela Agência de Notícias “Sport Press”, quando dirigia a Portuguesa Santista em 1960; Vencedor do “Troféu Conhecimento”, prêmio da Rádio Universal, de Santos”, em 1960; Vice-campeão paulista pelo Palmeiras em 1964; Campeão invicto do torneio internacional “IV Centenário da Guanabara”, pelo Palmeiras; Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1965, pelo Palmeiras; Vice-campeão baiano pelo Galícia, em 1967; Vice-campeão do Torneio Mar del Plata de 1968, pelo Palmeiras e Vice-campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1969, pelo Palmeiras.

Filpo Nuñes dirigiu grandes jogadores. A lista é extensa. Entre eles: Julinho Botelho, Bellini, Djalma Santos, Dudu, Garrincha, Alfredo Mostarda, Zequinha, Servílio, Orlando, Brito, Ademir da Guia, Rivellino, Valdir Joaquim de Moraes, Vavá, Ademar Pantera, Wladimir, Cabeção, Barbosa, Piazza, Eurico, Leivinha, Dirceu Lopes, Tupãzinho, Jair Marinho, Zé Maria, Leão, Tostão, Luís Pereira, César, Djalma Dias, Procópio e Dino Sani.

Um dos grandes feitos do treinador Filpo Nuñes aconteceu no dia 31 de julho de 1957. Ele dirigia o Jabaquara, que venceu o poderoso Santos, bicampeão paulista, de virada em plena Vila Belmiro. O jogo entrou para a história do clube. A imprensa estampou manchetes do tipo “Terremoto na Vila”. Foi nesse dia que passou a ser chamado de “Dom”. Sob sua direção o Jabaquara alcançou um grande número de vitórias consecutivas.

O time do Santos era formado por Pelé, Pepe, Tite, Álvaro, Pagão, Fioti, Urubatão, Zito, Laércio, Hélvio e Ivan. O Jabaquara tinha um time formado na base do improviso, com um zagueiro completamente desconhecido. Aos 22 minutos de partida, o Santos já tinha marcado três gols, dois de Pagão e um de Tite, contra um gol do Jabaquara, anotado por “Melão”.

O “Peixe” não joga bem e até o final do primeiro tempo o “Jabuca” já havia empatado com gols de Bugre e Washington. O jogador Wilson Sório, o “Melão”, foi o grande herói do dia, ao voltar no segundo tempo e marcar mais dois gols e levar o Santos ao desespero. O estrago só não foi maior porque China, do Jabaquara, acabou por marcar um gol contra. Final: Jabaquara 6 X 4 Santos.

Quando o jogo terminou uma grande surpresa: o desconhecido zagueiro jabaquarense, Oswaldo Malcriado, era apenas o tesoureiro do clube, escalado pelo técnico Filpo Nuñes para completar o quadro de 11 jogadores. No time do Jabaquara estavam Fininho, Pavão, Getúlio, Dom Pedro, China, Osvaldo Malcriado, Ari, Hélio, Washington, Wilson Sório (“Melão”) e Bugre.

Os folclóricos nomes que dava para seus esquemas de jogo: “Pim Pam Pum” e “Carrousel”. Ele gostava de dizer aos seus comandados: “Sabe-se que só há três maneiras de se romper uma retranca: por ‘las puntas’, pela penetração de repente de um médio ou zagueiro, vindo detrás; ou pelas graças e obra da ação individual de alguém”.

O time base era formado por Valdir (Picasso) - Djalma Santos - Djalma Dias (Minuca) - Waldemar Carabina (Procópio) e Geraldo Scotto (Ferrari) - Dudu e Ademir da Guia (Zequinha) - Julinho (Gildo) - Servilio (Ademar Pantera) - Tupãzinho (Dario) e Rinaldo. (Germano.

Filpo tinha fama de folclórico. E não era por menos. Após uma partida, ele reuniu o elenco e perguntou a um jogador que atuava do meio para frente e que tinha sido eleito pela imprensa o craque do jogo: “Quantos gols você fez?” O jogador respondeu: “Nenhum”. “Quantos passes deu que resultaram em gols ou que deixaram os companheiros na cara do gol?” “Nenhum”. Filpo concluiu: “Então, você correu muito e não jogou nada.”

Outra ocasião, após o atacante César ter perdido um pênalti, transtornado, invadiu o gramado, colocou a bola na marca da cal, com a intenção de mostrar ao jogador como converter a cobrança. Só que ao correr para bola escorregou, caiu, e o estádio “retumbou” com as gargalhadas do público.

Na véspera de uma partida, já em regime de concentração, dirigiu-se ao arqueiro Leão: “Leão depois do almoço passa em meu quarto.”

Assim fez o goleiro. “Leoncito”, disse o Filpo. “Amanhã voy entrar com Neuri em tu lugar, pois necessitas de um descansio e quero probar el outro goleiro que tengo”, explicou em seu portunhol.

Leão não gostou nem um pouco: “Seu Filpo, não estou cansado e quero jogar. “Pero Emerson Leão, mi Leoncito”, retrucou Filpo. “Sentas do meu lado no banco e se necessito de ti, entras logo.”

“Não seu Filpo, vou jogar. Eu sou o titular e não tenho nada”, concluiu Leão já a ponto de perder a calma e apelar. “A si, si, así me gustas!”, exclamou vibrantemente Filpo Nunes. “Claro que vás jogar tu. Queria saber era como estava tu moral. Bravo Leon”. (Extraído do livro "Bombas de Alegria")

Antônio Medina Rodrigues, conhecido como o único poeta da “pelota” no Brasil, escreveu um poema dedicado a Filpo Nuñes:

Filpo, el saleroso

Eu não quiero nada. Solo peço que me den
emprego. Falem de mi no Palmeiras. Lá eu
fiz o gol mais rápido do mundo. Que fique
isso tamben para eles!!!

O talento de Filpo Nuñes era
proporcional à fala. E como a fala
não tem tamanho, Filpo era uma fera
de imaginação (entre nós) tão rara.

Foi ele que inventou o futebol
do pim-pam-pum e que ao Palmeiras deu
tudo que o torcedor sonhava, um rol
de títulos, medalhas, faixas.

Eu nunca vi como o Filpo ator nenhum.
Mas era argentino, milongueiro, e
Canastrão.
(Coro da crônica e da plebe, uníssonas)
E foi pelos abismos um por um,
após seu ostracismo do Verdão,
que o cisma foi demais, pim-pam-pum.

Filpo Nuñes morreu em São Paulo no dia 6 de março de 1999. Pouco antes de falecer, ele morava nas dependências do projeto “Jerusalém Ação Social”, no bairro do Heliópolis. Já havia perdido toda a fortuna acumulada nos muitos anos de fama. Por isso, morava lá. Antes de morrer, treinava um time de crianças carentes na escolinha de futebol das meninas. Passou os últimos dias da sua vida treinando aproximadamente 97 meninas. (Pesquisa: Nilo Dias)

Filpo Nuñes foi um técnico importante na história do futebol brasileiro.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

De ídolo gremista a cantor de boleros

Um dos grandes ídolos da história do Grêmio Portoalegrense, indiscutivelmente foi o zagueiro uruguaio Atílio Genaro Ancheta Weiguel, nascido em Florida, no dia 19 de julho de 1948. Começou a carreira em 1985 no San Lorenzo, de sua cidade natal. Em 1986 transferiu-se para o Nacional de Montevidéu, onde se profissionalizou e conquistou três títulos nacionais, em 1969, 1970 e 1971; a Taça Libertadores da América, em 1971 e o Mundial Interclubes, ainda em 1971, antes de ir para o Grêmio.

Em 1970 defendeu a Seleção de seu país no Mundial do México e foi considerado um dos melhores zagueiros da competição, ao lado de verdadeiras lendas do futebol como o italiano Cera e o alemão Franz Beckenbauer. O Uruguai conquistou um quarto lugar, sendo eliminado pela seleção brasileira, nas semifinais.

Em 1971 foi contratado pelo Grêmio, onde permaneceu até 1980. No clube gaúcho conquistou três títulos estaduais, 1977, 1979 e 1980. Apesar do sucesso que obteve defendendo o tricolor gaúcho, Ancheta não conseguiu se destacar mais do que o genial zagueiro chileno Elias Figueroa, que comandava um Internacional quase imbatível, na década de 70.

Mas é inegável que o chileno colorado e o uruguaio gremista fariam a dupla de zaga dos sonhos de qualquer clube nos anos 70. Eles jogaram juntos somente uma vez, foi no amistoso Seleção Gaúcha 3 X 3 Seleção Brasileira, disputado no Estádio Beira Rio, dia 17 de junho de 1972. O time gaúcho jogou com Scheneider – Espinoza – Ancheta – Figueroa e Everaldo – Carbone – Tovar e Torino – Valdomiro – Claudiomiro e Oberti. O técnico foi Aparício Vianna e Silva.

Em 1981, já em final de carreira, Ancheta foi para a Colômbia onde jogou pelo Millionários, de Bogotá. Em 1982 voltou ao Nacional, de Montevidéu para encerrar a carreira. De volta a Porto Alegre, foi comentarista esportivo da TV Pampa e deu aulas de futebol no G.E. Força e Luz.

Depois resolveu morar na cidade interiorana de Santo Antônio da Patrulha. Lá, montou uma escolinha de futebol, e também passou a dedicar-se à música, como cantor, com repertório que privilegia boleros, tangos, salsas e músicas românticas em português e espanhol. Até hoje ele faz shows em clubes, hotéis e festas particulares. Só não canta em restaurantes. Já gravou três discos, em português e espanhol. Futebol ele jogou por 13 anos, como cantor já tem 21 anos de carreira.

Pai de cinco filhos, o ex-zagueiro casou-se duas vezes. A primeira em Montevidéu, com uma uruguaia, tendo três filhos, e a segunda em Porto Alegre, onde mora atualmente, com a brasileira Nádia, com quem tem dois filhos, Pietro e Samara.

Como treinador foi campeão catarinense com profissionais e gaúcho com categorias de base. Em 2008, recomeçou sua carreira de treinador, quando foi contratado para treinar o Esporte Clube Passo Fundo, na disputa do da segunda divisão do campeonato gaúcho, mas foi demitido após quatro jogos e nenhuma vitória. (Pesquisa: Nilo Dias)

Ancheta, com a camisa do Nacional uruguaio.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Um técnico a frente do seu tempo

Cláudio Pêcego de Moraes Coutinho, ou simplesmente Cláudio Coutinho foi um dos maiores estrategistas que o futebol brasileiro conheceu em todos os tempos. Era meu conterrâneo, nasceu na cidade gaúcha de Dom Pedrito, em 5 de janeiro de 1939. Filho de militar, aos quatro anos de idade foi para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Escola Militar e seguiu carreira, alcançando o posto de Capitão de Artilharia.

Coutinho gostava muito de esportes, por isso se graduou na Escola de Educação Física do Exército. Em 1968, foi indicado para representar a Escola em um Congresso Mundial, realizado nos Estados Unidos. E lá conheceu o professor norte-americano Kenneth Cooper, criador do famoso método de avaliação física que leva o seu nome. Convidado por ele, Coutinho freqüentou o Laboratório de Estresse Humano da NASA. Depois, defendeu tese de mestrado na Universidade de Fontainbleau, na França.

Em 1970, durante o regime militar foi chamado para ser o preparador físico da Seleção Brasileira, que se sagrou tricampeã do Mundo, no México. Coutinho inovou na preparação, introduzindo o Método de Cooper. Depois do Mundial resolveu ser treinador, tendo dirigido a Seleção do Peru, foi coordenador da Seleção do Brasil na Copa do Mundo de 1974, treinou o Olympique, de Marselha, França, a Seleção Brasileira Olímpica em 1976 e o Flamengo, pelo qual foi tricampeão carioca e campeão brasileiro.

O bom trabalho realizado até então, o credenciou a ser chamado para o comando da Seleção Brasileira que se preparava para disputar as eliminatórias para o Mundial da Argentina. A imprensa foi surpreendida com a indicação de Coutinho, considerado ainda imaturo para tão importante cargo. Sem se importar com as criticas, o treinador foi logo imprimindo sua filosofia de trabalho.

Ardoroso defensor da europeização dos métodos, Coutinho acreditava que os jogadores brasileiros já não eram os craques intocáveis de antes, que a seleção brasileira não podia mais ficar a mercê de craques chamados “foras de série”, mas sim de um esquema em grupo, com disciplina tática.

Teórico, seu nome ficou ligado a algumas expressões até então desconhecidas no Brasil, mas muito usadas na Europa, como “overlaping”, ou “ponto futuro”, quando o atleta faz uma jogada com um companheiro e já se posiciona para receber a bola na seqüência. E a "polivalência", em que cada jogador passava a exercer mais de uma função em campo.

A classificação para o Mundial veio sem maiores problemas. Nos amistosos preparatórios para o campeonato, as convicções do técnico foram colocadas em xeque. No empate em 1 x 1 com a Inglaterra, o esquema tático deixou a desejar. Às vésperas da Copa, Coutinho passou a rever seus conceitos, mas era tarde.

E pior, errou feio na convocação dos jogadores. Não chamou Falcão, do Internacional, considerado na época o melhor armador do futebol brasileiro, para levar o truculento Chicão, do São Paulo, em nome de uma questão da obediência tática. No primeiro jogo da Copa, contra a Suécia o resultado foi um desastroso empate em 1 X 1. Depois, um novo empate contra a Espanha, dessa feita em 0 X 0.

Passou a ser chamado de retranqueiro. Coutinho se defendia dizendo que a Seleção ainda não tinha entrosamento, especialmente no ataque, com Zico e Reinaldo, dois craques, mas que estavam rendendo abaixo do esperado. Veio a minguada vitória frente à Áustria por 1 X 0, que não serviu para acalmar os ânimos.

Foi quando o presidente da CBD, almirante Heleno Nunes, acabou por intervir. Mandou que o técnico Coutinho escalasse Roberto Dinamite e Jorge Mendonça e substituísse o zagueiro improvisado na lateral esquerda Edinho, por um jogador da posição, Rodrigues Neto. O resultado veio no jogo seguinte, uma goleada de 3 X 0 sobre o Peru.

Depois a nossa Seleção enfrentou o jogo mais tenso da competição, contra a Argentina, que depois se sagraria campeã. Um empate de 0 X 0, A decisão para ver qual dos dois rivais iria para a final, ficou para a última rodada. O Brasil enfrentou a Polônia, e a Argentina o Peru. Os dois jogos estavam marcados para o mesmo dia e horário. Mas surpreendentemente a FIFA decidiu adiar o jogo da Argentina, para depois do compromisso brasileiro.

O Brasil ganhou por 3 X 1. A Argentina entrou em campo sabendo quantos gols necessitaria fazer, para chegar a classificação no saldo, primeiro critério de desempate. Em um jogo que ficou marcado pela suspeita de irregularidade, os argentinos fizeram 6 X 0, com uma visível colaboração do adversário.

Com isso, sobrou para a nossa seleção disputar o terceiro lugar com à Itália, partida ganha por 2 X 1. O Brasil, embora não chegasse à final, foi o único time invicto da competição, o que levou Cláudio Coutinho a dizer uma frase que se tornou celebre: “Fomos os campeões morais dessa Copa".

Mesmo com tudo de irregular que ocorreu na Copa, a imprensa e o público não perdoaram e Cláudio Coutinho foi considerado o grande culpado pela não conquista do título mundial. Depois da Copa, o treinador voltou ao Flamengo, deu a volta por cima e montou o time que chegou a ser considerado o melhor do mundo. No rubro-negro ganhou o tricampeonato estadual (1978-1979-1979, Especial) e foi Campeão Brasileiro em 1980.

Mesmo com grandes conquistas, Coutinho resolveu deixar o clube, magoado com a direção. Foi trabalhar nos Estados Unidos, mas deixou pronto para seu sucessor, Paulo Cesar Carpegiani, um super time, que em 1981, depois de vencer a Taça Libertadores da América, chegou ao título mundial de clubes.

Escaldado pela experiência e decepção da Copa na Argentina, ele reviu algumas idéias e realmente mudou todo o futebol brasileiro. No Flamengo, Coutinho conseguiu mostrar que era possível misturar seus avançados conhecimentos táticos com o talento individual, o que resultou em um uma equipe completa, um dos melhores esquadrões da história do futebol mundial em todos os tempos. Essa equipe, que jogava por música e com três ou quatro passes chegava ao gol adversário, durou até 1983, quando Zico foi vendido para a Udinese, da Itália.

Coutinho confidenciou a amigos que devia tudo o que era no futebol a Zagalo, a quem chamava de “mestre dos mestres”. Mas ainda assim teve que rever alguns conceitos, e talvez o tenha feito muito tarde. O treinador dizia que “se fosse hoje, ganhava fácil a Copa da Argentina. Talvez por inexperiência ou bobeira - sei lá - perdi o título”.

Em uma excursão do Flamengo por gramados da Hungria, Coutinho mostrou toda a sua inteligência. O time adversário costumava marcar homem a homem, pelo número da camisa. Esperto, o treinador brasileiro mandou o atacante Cláudio Adão entrar com a 2 e o Toninho com a 9. Na hora de começar o jogo, lá estava o Adão na lateral direita, e o Toninho junto do Zico. Todos acharam que o técnico havia pirado.

Mal a bola rolou e os dois trocaram de posição. Os gringos colaram nos jogadores errados. Quando eles viram a mancada, era tarde, o Flamengo já vencia por 2 X 0.
Claudio Coutinho dirigiu a Seleção Brasileira em 45 jogos, conquistando 27 vitórias, 15 empates e sofrendo apenas três derrotas. Já no Flamengo comandou o time em 76 jogos, com 47 vitórias, 20 empates e nove derrotas.

Seu sonho era voltar a dirigir a Seleção Brasileira, na Copa da Espanha. Mas a fatalidade não deixou. No dia 27 de novembro de 1981, quando se encontrava em férias no Rio de Janeiro, esperando o momento de ir trabalhar no futebol árabe, Coutinho, que era exímio mergulhador, praticava um de seus hobbies, a pesca submarina nas Ilhas Cagarras, arquipélago próximo a Praia de Ipanema, quando morreu afogado, aos 42 anos. Até hoje Claudio Coutinho é lembrado como um técnico que esteve a frente de seu tempo. (Pesquisa: Nilo Dias)

Claudio Coutinho, quando treinava o Flamengo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O jogador que virou canção

Nos tempos românticos em que o Rio de Janeiro era uma cidade boa de se viver, em todos os sentidos, o futebol tinha uma outra magia. Os clubes representavam bairros e vilas e os jogadores tinham amor a camisa que vestiam. Tudo bem diferente de hoje, quando o crime organizado está presente em todos os lugares e o futebol vive em torno de dinheiro. Ninguém mais joga porque tem alguma afinidade com o time. E ninguém tem mais tranqüilidade para sair de casa.

Inspirado nesse romantismo do passado é que em 2003 o compositor carioca Nei Lopes compôs a música “Tempo de Dondom”, que dizia: “No tempo em que “Dondom” jogava no Andarahy/ a nossa vida era mais simples de viver/ Não tinha tanto miserê, nem tinha tanto tititi..." A canção, interpretada por Zeca Pagodinho e depois por Dudu Nobre, resgatou uma agremiação de suma importância para a popularização do futebol brasileiro, o Andarahy Athletico Club.

A música foi um grande sucesso em todo o Brasil. O personagem, “Dondom” se tornou nacionalmente conhecido através da novela “Celebridade”, levada ao ar pela Rede Globo de Televisão. O cenário era o bairro do Andaraí, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. De repente todo mundo queria saber quem era “Dondom”, se realmente existiu ou era apenas um personagem fictício.

“Dondom” foi um zagueiro de verdade, que defendeu o time do Andarahy Athletico Club de 1932 a 1938. Em momento algum da carreira chegou a se constituir num jogador brilhante, embora suas atuações fossem convincentes. O Andarahy, que não era um clube grande, em toda a sua existência teve um único jogador que poderia ser chamado de craque: Chiquinho.

Ele jogou nas primeiras décadas do século passado. Era dono de uma habilidade incomum e goleador emérito. Não demorou para chamar a atenção pela genialidade de suas jogadas. Naquela época o futebol ainda sofria com a discriminação racial. Os brancos predominavam nas equipes e as grandes jogadas protagonizadas por negros ou mulatos, não recebiam a merecida valorização. Só por isso Chiquinho, com traços negros claramente marcados, não entrou para a história, como um dos grandes jogadores que passaram pelo futebol carioca.

Os colunistas esportivos dos jornais da época não admitiam que jogadores vindos dos clubes de bairros pobres representassem a cidade e muito menos o país. Por isso não eram convocados. A simples presença de negros em um selecionado nacional era, para a imprensa, motivo de chacota, o que rendia corriqueiras piadas sobre esses jogadores.

O Andarahy Club foi fundado no dia 9 de novembro de 1909. Era um clube formado por operários e um dos poucos que admitiam negros em suas fileiras. Seu campo se localizava na rua Prefeito Serzedello Correa, atual rua Barão de São Francisco no bairro que dá nome ao clube, na Zona Norte da cidade. Tinha capacidade para aproximadamente 5.000 pessoas. Durante muitos anos a GRES Unidos de Vila Isabel, tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, utilizou o local para a realização de seus ensaios.

Em 1962 o campo foi comprado pelo América Futebol Clube para a construção de um estádio, rebatizando-o de Volney Braune. Em 1996, o terreno foi vendido por US$ 13 milhões. No lugar foi erguido o Shopping Iguatemi Rio, inaugurado em outubro daquele ano. Em troca, a mesma construtora do empreendimento ergueu um moderno estádio para o América em Edson Passos, na Baixada Fluminense.

As cores do Andarahy eram o verde e o branco. Durante a história, o clube alternou dois uniformes: camisa inteiramente verde e calções brancos e camisa listrada na vertical alviverde e calções brancos.

O clube disputou o Campeonato Carioca da Segunda Divisão, por duas vezes, sagrando-se campeão (1915 e 1925); Campeão Carioca de Juniores (1928); Vice-Campeão Carioca de 1934, perdendo no jogo final por 2 X 1 para o Botafogo, que foi campeão. Bianco marcou o gol do Andarahy; Campeão do Torneio Início da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres - LMDT (1924); Campeão Carioca de 2°s quadros da Segunda Divisão (1913 e 1914).

Ao todo, o alviverde disputou 20 campeonatos cariocas (1916, 1917, 1918, 1919, 1920, 1921, 1922, 1923, 1925, 1927, 1928, 1929, 1930, 1931, 1932, 1933, 1934, 1935, 1936 e 1937). Uma das últimas escalações do Andarahy foi esta, num jogo contra o Vasco da Gama, em 1936: Ruy – Lino – Dondom – Pacuera – Babi – Romualdo – Estanislau – Popó – Veranotti – Chagas e Ismael

O Andarahy foi contra o profissionalismo e resistiu até a década de 1950, praticando o futebol apenas como esporte amador nos campeonatos do Departamento Autônomo de Futebol do Rio de Janeiro. A extinção total do clube foi em 1973, até então funcionando somente a sua sede social, na Rua 28 de Setembro, bairro de Vila Isabel.

Mesmo passados 73 anos desde que extinguiu o futebol, o Andarahy não ficou no esquecimento. Sua trajetória está marcada com o nome de “Largo Dondom do Andaraí”, na confluência das ruas Barão de Mesquita com Rua Gomes Braga. Em 2004, o programa televisivo da Rede Globo, “Esporte Espetacular” fez uma matéria sobre o imortal Dondom, em que foram mostradas fotos antigas do jogador que virou canção. (Pesquisa: Nilo Dias)

O antigo estádio do Andarahy Athletico Club.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Os órfãos da mineradora

A privatização da Companhia Vale do Rio Doce em 1997 deixou dois times órfãos: o Valeriodoce Esporte Clube, de Itabira (MG) e a Desportiva Ferroviária, de Vitória (ES). Quando a empresa foi vendida pelo governo, ela parou de contribuir para o clube, mas entregou-lhe de presente o estádio Israel Pinheiro, no Bairro da Penha, em Itabira, com capacidade para 8 mil torcedores, onde manda seus jogos.

Com a perda de subsídios, os dois lubes passaram a enfrentar dificuldades financeiras. O time mineiro foi rebaixado para a segundona estadual em 2000 e até hoje não conseguiu voltar a primeira divisão.

O Valeriodoce foi fundado em 22 de novembro de 1942, por funcionários da empresa estatal Companhia Vale do Rio Doce, na cidade de Itabira, onde a empresa mineradora foi criada. O nome vem da junção da patrocinadora: VALE (do) RIO DOCE. As cores escolhidas foram camisa vermelha, calção branco e meias brancas.

A relação do time, torcedores e empresa sempre sofreu altos e baixos. Pela importância e tamanho da CVRD, cobrou-se durante muito tempo um apoio financeiro maior para o time, que chegou a disputar as Séries B, em 1988 e 1989 e a C em 1994 e 1995 do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Os títulos mais importantes conquistados pelo clube foram estes: Campeão Mineiro da Segunda Divisão (1965); Vice-Campeão Mineiro da Segunda Divisão (2003); Torneio Início do Campeonato Mineiro (1962 e 1959); Campeão Mineiro do Interior (1971); Torneio Incentivo (1980); Campeão Mineiro de Juniores (1986 e 1989). O Valeriodoce Esporte Clube foi o primeiro clube do interior, na era do “Mineirão”, a ter um artilheiro do estadual, Luiz Alberto com 12 gols, em 1978.

Fernando Pieruccetti, o “Mangabeira”, foi o chargista que criou os principais mascotes mineiros. Ele escolheu para o Valeriodoce a ave “Ferreiro” ou “Araponga”. Mais tarde o clube resolveu adotar o “Dragão” como símbolo. Foi uma homenagem a locomotiva "Maria Fumaça", que era chamada de "Dragão", devido à fumaça que soltava.

Um dos grandes feitos da história do Valeriodoce foi uma vitória frente o Botafogo, do Rio de Janeiro. Foi no domingo, 17 de fevereiro de 1957, que aconteceu o amistoso entre os dois times. O estádio lotou completamente, mesmo com o ingresso custando Cr$ 80.00. O clube carioca jogou completo, colocando em campo seus grandes craques como Didi, Nilton Santos, Bauer, Garrincha, Amauri, Canête, Orlando e outros.

O placar foi 2 X 1 para o VEC, construído por gols históricos de Nino e Vitorino. Rossi descontou para o Botafogo. Alguns acusaram a forte chuva que caiu durante todo o jogo como responsável pelo resultado inesperado. Outros consagraram a grande vontade e raça do time mineiro, que nesse dia fez uma grande apresentação.

Durante o governo do prefeito Olímpio Pires Guerra (1993-1996), a empresa doou à Prefeitura o Valeriodoce de presente, sem as condições para manutenção do clube. Ela chegou a planejar, estudar e criar o Valério S.A., mas tudo ficou apenas no papel.

O jornalista José Sana, diretor da Revista “De Fato”, de Itabira, fez um dramático apelo ao poder público e população de Itabira, para que ajudassem o Valeriodoce a se manter vivo. Eis alguns trechos da matéria:

“Quando o clube pertencia a mineradora, esta é que indicava seus presidentes. A torcida costumava vaiar os jogadores e os chamava de “come-quieto”, porque recebiam da empresa salários de supervisor. Quando o Valério ganhou a independência, cresceu o número de torcedores.

A Prefeitura é a dona das instalações do Centro Esportivo Israel Pinheiro. Também a municipalidade tem o dever de zelar pelo nome da instituição. Prefeitura e Vale chegaram a subvencionar jogos do clube durante algum tempo, até que veio a proibição do poder público manter a ajuda.

Sabidamente, todo o dinheiro que a Prefeitura depositar na conta do Valeriodoce Esporte Clube será considerado ilegal. E mesmo se fosse permitido, os valores seriam abocanhados pela Justiça. Muita gente contesta essa decisão, dizendo que não são apenas as dívidas que o clube acumulou através dos anos, que impede seu crescimento: falta vontade política do prefeito”.

Já o outro “órfão” foi fundado em 17 de junho de 1963, como Associação Desportiva Ferroviária Vale do Rio Doce, resultado da fusão de Vale do Rio Doce, Ferroviário, Cauê, Guarany, Valeriodoce e Cruzeiro, todos eles times formados por ferroviários da Companhia Vale do Rio Doce.

Como os funcionários ligados aos cinco clubes seguidamente solicitavam ajuda financeira a direção da empresa, esta deu a idéia de que todos se fundissem numa única agremiação. E para que isso fosse possível, a Companhia garantiu a construção de um estádio para o novo clube. Foi assim que surgiu o “Estádio Engenheiro Araripe” em 1966, localizado em Jardim América, um bairro de Cariacica, então com capacidade para 36 mil torcedores. Alencar de Araripe foi engenheiro da Vale do Rio Doce e morreu antes da construção do estádio.

O resultado não poderia ser outro. Com o apoio de uma grande empresa, como a Vale do Rio Doce, a Desportiva tornou-se o “bicho-papão” do futebol capixaba durante muitos anos. Além do patrimônio doado, a empresa também garantia as despesas de manutenção do estádio. A arrecadação do clube contava com as generosas contribuições sociais de milhares de ferroviários, descontadas em folha.

Quem sentiu o duro golpe de ter de enfrentar um rival poderoso financeiramente, foi o Rio Branco, o antigo “papa-títulos”. O clássico Desportiva X Rio Branco é chamado de “Derby Capixaba”. O outro grande rival é o Vitória. Os três formam o “Trio de Ferro Capixaba”, das equipes mais vencedoras do Estado.

A Ferroviária passou a empilhar títulos de campeão estadual, durante quatro décadas no Espírito Santo. Em contrapartida, o rival Rio Branco perdia espaço a cada ano. A Desportiva possui a segunda maior torcida entre os clubes capixabas. É conhecida como “Grená”, “Locomotiva” e “Tiva”. O mascote do clube é o “Maquinista”.

Um feito histórico na vida da Desportiva foi a série de 51 jogos invicto, a maior do futebol brasileiro até então, construida nos anos de 1967 e 1968. O recorde foi batido em 1977 pelo Botafogo, do Rio de Janeiro. Até hoje a Desportiva possui a terceira maior série invicta do futebol nacional.

O crescimento do clube o credenciou a disputar o Campeonato Brasileiro de 1973. Na tentativa de chamar para seus jogos um público maior, foi contratado o atacante “Fio Maravilha”, já em fim de carreira. O melhor resultado da Ferroviária no “Brasileirão” foi um 15º lugar em 1980, num campeonato de 80 times. Nesse certame o seu jogador Botelho, foi eleito o melhor atacante pela esquerda, ganhando uma “Bola de Ouro” da Revista “Placar”, até hoje fato único no futebol capixaba.

A Desporiva Ferroviária por duas vezes esteve bem perto de voltar à elite do futebol brasileiro: em 1994, foi eliminada nas semifinais pelo Goiás. E em 1998, chegou ao quadrangular final, mas quem subiu foram Gama (DF) e Botafogo, de Ribeirão Preto (SP).

A história vitoriosa da Desportiva começou a mudar quando a Vale do Rio Doce foi privatizada em 1996. Os novos donos retiraram todo o apoio ao time e ainda cobravam pelo uso do estádio. Começou então uma uma longa e árdua disputa envolvendo às lideranças locais, só terminando quando a empresa doou em caráter definitivo o estádio para o clube.

O “Engenheiro Araripe” é o principal estádio de futebol do Estado do Espirito Santo, com a sua capacidade atual estimada em 20 mil pessoas. O estádio foi inaugurado em 16 de janeiro de 1966, no jogo em que a então Desportiva Ferroviária perdeu para o América (RJ), por 3 X 0. O primeiro gol no estádio foi marcado por Roberto Almeida, da Desportiva, contra. A capacidade na época era para cerca de 36 mil pessoas. O recorde de público, 27.600 pagantes foi no jogo entre Flamengo 0 x 1 Vitória, em 1995.
Sem o auxilio financeiro de antes, a entidade enfrentou dificuldades de toda a ordem, dentro e fora de campo. Além de ver o título estadual ir para outros times, foi rebaixada para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro.

A Desportiva sempre revelou bons jogadores nas suas divisões de base. As duas principais revelações já vestiram a camisa da Seleção Brasileira: o meia Geovani e o ponta-esquerda Sávio. Ambos começaram nas escolinhas do clube. Geovani nasceu em Cariacica, bem perto da sede do Desportiva e foi lançado aos 16 anos no time profissional. É o maior ídolo da história do clube. Sávio deixou a Desportiva mais cedo, aos 14 anos, indo para o Flamengo, onde projetou-se a ponto de chegar à Seleção Brasileira.

Em maio de 1999 a Desportiva Ferroviária passou a ser um clube-empresa, atendendo exigências da Lei Pelé, vendendo 51% de suas ações para o grupo Frannel, de derivados de petróleo, e passando a chamar-se Desportiva Capixaba S.A. Foi o primeiro clube empresa do Espirito Santo. A promessa de colocar o clube na elite do futebol brasileiro não foi cumprida. Não demorou para que a Frannel saisse e o grupo Villa-Forte assumisse.

Em 2000 a Desportiva ganhou o Estadual, mas sofreu dois rebaixamentos na Série B do Brasileiro. Em 2007 voltou a série principal do “Capixabão”, ao vencer a “Segundona”. Em 2008 venceu a Copa Espirito Santo, em cima do rival Rio Branco, quando revelou o atacante Kieza, que teve passagens por Fluminense (RJ) e Cruzeiro (MG). Também contou com o reforço de Sávio, revelado pelo clube e ex-jogador do Flamengo e Real Madrid (Espanha). Em 2009 não passou da metade da tabela do “Capixabão”. Em 2010 foi rebaixado para a “Segundona”.

No dia 8 de abril deste ano, a 2ª vara Cível de Cariacica decidiu que o clube voltaria a se chamar Desportiva Ferroviária, em razão do Grupo Villa-Forte não ter pago as ações adquiridas. Com isso a Desportiva Capixaba ficou com apenas 10% das ações do clube, e a Ferroviária com 90%.

A Desportiva, que deveria disputar a Série B estadual deste ano se licenciou. Vai voltar as atividades em agosto, quando confirmou presença na Copa Espirito Santo.

Os principais títulos conquistados pela Desportiva Ferroviária foram: Campeonato Capixaba, (1964, 1965, 1967, 1972, 1974, 1977, 1979, 1980, 1981, 1984, 1986, 1989, 1992, 1994, 1996 e 2000); Taça Cidade de Vitória, (1966 e 1968); Torneio Início do Espírito Santo, (1967); Campeonato Capixaba da 2ª Divisão, (2007); Copa Espírito Santo, (2008); Taça Rio de Futebol Juvenil, (1995); Campeonato Capixaba de Juniores, (1995, 1997, 2001 e 2002); Copa Internacional Águia Branca de Futebol Juvenil, (2000); Copa Lázio, (2000); Copa Jornal Correio Popular Infantil, (2001); Campeonato Capixaba Juvenil, (2002) e Campeonato Capixaba Sub-15, (2010). (Pesquisa: Nilo Dias)

Carataz convidando para o jogo Valeriodoce X Botafogo, do Rio de Janeiro, em 1957.