Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A morte de mais um campeão do mundo


No sábado, 24, morreu em Bandeirante (PR), onde residia, o ex-lateral direito Nilton De Sordi, campeão mundial de 1958, na Suécia, pela Seleção Brasileira, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Ele tinha a avançada idade de 82 anos e sofria de “Mal de Parkison” há mais de 20 anos.

Há pouco mais de um mês, havia sofrido um acidente, quando caiu em sua casa com o andador e bateu a cabeça. Em conseqüência ficou internado por 15 dias. Desde então ele parou de vez de andar, falar e passou a precisar de ajuda para se alimentar.

A saúde de De Sordi voltou a se agravar na última segunda-feira, quando ele voltou a ser internado, com suspeita de pneumonia. Ainda segundo a família, o ex-lateral teve complicações em outros órgãos até morrer às 16h30 deste sábado. Deixou a esposa Celina, quatro filhos, netos e bisnetos. De Sordi jogou no São Paulo nas décadas de 50 e 60.

De Sordi nasceu em Piracicaba em 1931, e começou a carreira no XV de Novembro, time local. Mas ganhou fama no São Paulo, onde chegou em 1952. Foi campeão paulista em 1953 e 1957, na última conquista, sob o comando de Vicente Feola, treinador campeão do mundo com seleção brasileira no Mundial da Suécia.

Ele fez parte de um dos maiores times do São Paulo, que deu muitas alegrias aos seus torcedores, como o time campeão paulista de 1957, que tinha Poy - De Sordi – Mauro – Vitor - Dino e Riberto – Maurinho – Amauri – Gino - Zizinho e  Canhoteiro.

Pelo tricolor paulista jogou 536 partidas entre 1953 e 1965. Segundo o "Almanaque do São Paulo", de Alexandre da Costa, foram 289 vitórias, 131 empates e 116 derrotas. Nunca marcou um gol, mesmo assim tornou-se ídolo no clube. Relatos dão conta que o jogador chutou apenas duas vezes ao gol: nas duas oportunidades, contra Fluminense e Corinthians, a bola bateu na trave.

De Sordi foi convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez, em 1955, sob o comando de Oswaldo Brandão. Seu jogo de estréia com a “amarelinha” foi 17 de novembro daquele ano.

Em 1958 foi chamado para disputar a Copa do Mundo na Suécia e foi titular em todos os jogos da Seleção Brasileira, mas na decisão contra a Suécia ficou de fora devido a uma lesão ocorrida na semi-final contra a França. Deu azar, Djalma Santos, que entrou em seu lugar, saiu na foto do título e ainda foi eleito o melhor jogador da competição, mesmo atuando uma única vez.

No total, De Sordi jogou 25 partidas pelo Brasil, com 17 vitórias, sete empates e apenas uma derrota. A última convocação deu-se em maio de 1961.

O lateral se destacou pelo desarme sempre certeiro e pela boa marcação, apesar da baixa estatura. De Sordi sabia marcar como poucos, tendo boa noção de cobertura, embora não apoiasse o ataque com frequência. Também era bom cabeceador, talvez por isso chegou a jogar de zagueiro-central no São Paulo e na Seleção Brasileira.

Pepe, ex-jogador do Santos garante que De Sordi  foi um dos laterais mais difíceis que ele enfrentou. Era vigoroso, chegava duro, mas não era desleal. Ele era forte e não muito alto. Por isso, era chamado de “Tourito”. Foi um grande marcador.

No final de carreira jogou no União Bandeirante (PR), onde se aposentou em 1966. No mesmo ano, foi chamado para ser técnico da equipe paranaense, time que voltou a treinar outras vezes, a última delas em 1977.

Em junho de 2008, De Sordi, mais Zagallo, Djalma Santos, Zito, Mazzola, Moacir, Orlando e Dino Sani, participaram da solenidade inaugural de uma exposição de selos em Brasília, que comemorou os 50 anos do primeiro título mundial conquistado pelo Brasil no futebol.

O evento “Correios Selando o Futebol Arte”, organizado pelos Correios, teve o lançamento de um selo personalizado e carimbo comemorativo em homenagem à Copa da Suécia.

Naquela oportunidade, além dos brasileiros, o sueco Kurt Hamarin, vice-campeão em 1958, esteve presente na inauguração da exposição, que era composta por 23 lâminas contendo os selos originais e suas imagens ampliadas.

Um dos destaques da coleção exibida em Brasília foi um selo fabricado em 1950 em comemoração da construção do Maracanã para a Copa do Mundo daquele ano no Brasil.

Em abril deste ano cada um dos 51 jogadores campeões mundiais nas Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970, pelo Brasil receberam R$ 100 mil cada, pagos pelo Ministério do Esporte, de acordo com a Lei Geral da Copa, sancionada em junho do ano passado. O ex-atacante Tostão recusou o prêmio.

A premiação incluiu os titulares e reservas que disputaram pelo menos um dos três mundiais pela seleção brasileira. Da lista divulgada na época, 15 jogadores já haviam morrido, mas seus sucessores tiveram direito ao prêmio.

Os jogadores que estavam sem recursos, ou com recursos limitados para sobreviverem, também estão recebendo o pagamento de uma pensão mensal vitalícia, que é vista como um pequeno reconhecimento por tudo que os campeões de 1958, 1962 e 1970 fizeram não só pelo futebol, mas pelo Brasil.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A marreta germânica

Um dos primeiros grandes jogadores a atuar no futebol brasileiro foi George Paul Hermann Frieser, um jovem alemão que nasceu em Hamburgo, no dia 30 de maio de 1882 e faleceu em São Paulo, em outubro de 1945, aos 66 anos. Ele foi aquilo que se poderia chamar de um verdadeiro atleta.

Já na Europa, em 1902, havia vencido os 1.500 metros no campeonato alemão de atletismo. E também já havia se sagrado campeão em corridas de curta e média distância. Participou de competições internacionais de esportes atléticos em Berlim, Praga e outras capitais européias.

Frieser emigrou para o Brasil em 1903, quando tinha 21 anos de idade. Logo que chegou na capital paulista disputou uma partida amistosa pelo São Paulo Athletic Club. Mas não demorou a se juntar aos seus compatriotas do Germânia, equipe que representava a colônia alemã radicada em São Paulo. Esse clube foi fundado por Hans Nobiling, um jovem alemão que chegou ao Brasil em meados de 1897.

Mesmo com a fama de campeão de corridas, Frieser se destacou mesmo foi no futebol, embora em maio de 1907 tenha sido o único atleta brasileiro nos "Juegos Olímpicos Internacionales", no Uruguai. Mesmo machucado, conquistou a vitória nas provas dos 800 e 1.500 metros e ficou em segundo nos 400 metros.

Alto, corpulento e forte não escolhia posição para jogar. Isso porque conjugava a arte do drible, a suavidade no trato da bola, com a dureza em relação aos adversários. Tanto é verdade que os jornais da época diziam que ele valia por um time inteiro.

Por conta de seu físico avantajado, foi considerado um dos precursores do futebol força no Brasil. Tinha facilidade para atuar tanto no ataque quanto na defesa.

O que mais o destacava era sua capacidade de marcar gols. Foi artilheiro por três temporadas em São Paulo, em 1905 com 14 gols, e em 1906 e 1907, ambas com seis. A crônica do jornal “O Estado de São Paulo”, em 1903 lhe chamou de o "sensacional futebolista de todos os tempos".

Considerado um atleta completo e verdadeiro fenômeno, a ele é atribuída a criação da jogada de corpo chamada de “marreta”, lance que provocou muitos protestos dos adversários.

No currículo de Frieser consta que ele foi treinador do Germânia em 1909, e responsável pelo surgimento de Friedenreich, o primeiro gênio do futebol brasileiro, que depois foi chamado pela imprensa internacional de “El Tigre”.

Friedenreich era filho de um imigrante e comerciante de Hamburgo e uma negra brasileira. Como era mulato foi proibido de fazer parte do clube. Graças à intervenção de Frieser, tal medida racista foi revogada, o que permitiu ao jogador defender o Germânia por três anos, para depois conquistar o apogeu no Clube Paulistano.

Frieser, ao lado de Hans Nobiling e Charles Miler é reconhecido como um dos mais importantes pioneiros do futebol brasileiro, e o primeiro craque a atuar em nosso país. Durante os 11 anos que se seguiram à chegada de Hermann Friese, o Germânia teve um time de craques de primeiríssima qualidade, como Muus, Tommy Rittscher, Thiele Gerhardt e outros, que formavam um elenco marcado pela disciplina.

Frieser representou uma verdadeira revolução no Germânia. Sua figura predominava tanto no futebol quanto no atletismo, nos quais conquistou várias medalhas e empolgou o mundo esportivo de São Paulo.

Mas o cenário paulista dos grandes clubes era de tal forma competitivo, que às disputas não se restringiam ao campo de jogo. Verdadeiras batalhas políticas eram travadas entre entidades associativas, dividindo os clubes e os torneios.

De um lado, havia a Associação Paulista de Esportes Athléticos, que congregava clubes como o Paulistano, o Palestra Itália e outros mais. De outro, a Liga Paulista de Futebol integrada pelo Americano, Ypiranga, Internacional, Germânia e Corinthians.

Nos primeiros campeonatos o Germânia teve participações modestas, ficando sempre entre os últimos. Mas a partir de 1903, passou a contar com Hermann Friese, e devido à sua refinada técnica e surpreendente variedade de jogadas em campo, se tornou o primeiro craque da história do futebol brasileiro.

Com ele, o time começou a se destacar e em 1905 terminou como vice-campeão. Em 1906 conquistou seu primeiro título, com sete vitórias e uma única derrota e ainda deixando o desafeto Internacional com o vice. Em 1907 repetiu o feito.
 

O time acabou em 1926, entre outros motivos, por causa da profissionalização do futebol ocorrida em 1932. O Germânia depois mudou o nome para E.C. Pinheiros.

Frieser foi também o primeiro grande árbitro do futebol brasileiro, chegando a apitar as finais dos Campeonatos Paulistas de 1903, 1904, 1910 e 1920 e a final do Troféu Interestadual de 1910, vencido pelo Botafogo F.C., do Rio de Janeiro, que goleou por 7 X 2 a A.A. das Palmeiras, no Velódromo de São Paulo. Na época era comum jogadores atuarem como árbitros de futebol.

Foi Frieser que dirigiu o jogo em que o Palestra Itália, hoje Palmeiras, derrotou o Paulistano por 2 X 1 em 19 de dezembro de 1920, conquistando pela primeira vez um Campeonato Paulista. No dia 22 de outubro de 1916 apitou o jogo do “Paulistão” entre Santos F.C. X C.A. Ypiranga. Naquela naquele ocasião também foi inaugurado o estádio do Santos, na Vila Belmiro. O time santista ganhou a partida por 2 X 1.

Na sua carreira conduziu 53 ou mais jogos do Campeonato Paulista. Frieser é hoje um dos 10 patronos da “Academia Paulista de Árbitros de Futebol Charles Muller”, compartilhando essa honra, entre outros, com José Roberto Wright, Armando Marques, Arnaldo Cézar Coelho e Romualdo Arppi Filho, que apitaram em Mundiais.

Atualmente é disputada uma competição envolvendo escolas alemãs de São Paulo, denominada “Taça Frieser”, que homenageia o grande atleta que foi Hermann Frieser. (Pesquisa: Nilo Dias).



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Imprensa pelotense de luto

Certamente Deus está pensando seriamente em montar lá em cima uma emissora de rádio e quem sabe também um jornal, pois já foram tantos os amigos da imprensa escrita e falada de Pelotas que partiram desde que saí da cidade em setembro de 1975, que passa essa ideia. E lá se foram 38 longos anos.

Em 2011 visitei a cidade pela última vez e tive a oportunidade de conversar com o amigo e grande narrador esportivo, Luiz Carlos Martinez. E hoje fiquei sabendo de seu falecimento ocorrido ontem em sua residência, na rua Anchieta, centro da cidade. Uma grande perda para toda a sociedade pelotense, pois se tratava de uma pessoa muito querida.

Luiz Carlos Martinez tinha 88 anos e morreu após uma parada cardíaca. O velório aconteceu no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, e o sepultamento às 19 horas, no Cemitério do Fragata.

Nesse derradeiro contato que tive com Martinez, lembro bem, eu estava acompanhado dos amigos Luiz Carlos Knopp, ardoroso torcedor do E.C. Pelotas e do repórter esportivo de meus tempos de rádio, Amir Cury. Como não poderia deixar de ser recordamos boas coisas de uma época que ficou só nas nossas lembranças.

Eu trabalhei com o Martinez na Rádio Pelotense, logo que a emissora se mudou para o Cine-Rádio, na Andrade Neves. Tínhamos uma bela equipe esportiva, comandada por mim, graças a bondade do saudoso Luiz Castro, que era o diretor da emissora. Os narradores eram o Martinez e o Brauner. Um dos comentaristas era eu. Às vezes também narrava um jogo ou trabalhava de repórter. O Renato Carvalho era um dos repórteres.

Aos domingos à noite, 22 horas, o Brauner, o Martinez e eu apresentávamos o programa “Resenha Esportiva Mesbla”. Quase sempre o Romeu Machado dos Santos, o “Machadinho”, que era o nosso plantão esportivo, também participava noticiando os resultados dos campeonatos de outros países.

O Brauner ria por qualquer coisa, principalmente quando o Machadinho entregava os resultados do campeonato argentino, com jogos do Huracan “Buceo” e os gols do artilheiro “Cullione”. Eu também não resistia e caía na risada. Quem salvava a situação era o Martinez, que se mantinha sério.

Além de extraordinário profissional do rádio, Luiz Carlos Martinez foi um grande goleiro de futebol de salão, tendo conquistado muitos títulos pelo E.C. Pelotas. A formação básica daquele grande time era Martinez - Luis Rosa (Rosinha) - Fernando Viana (Vianinha) - Aldrovando Dutra - Luis Carlos Oliveira (Joca) - Paulo de Souza Lobo (Galego) e Aldrovando Loureiro (Gringo).

Aproveito para lembrar de alguns colegas da imprensa de Pelotas, não só da esportiva, que deixaram imensa saudade: Jair Rodrigues, que foi narrador junto com Paulo Correia, na Rádio Pelotense, nos tempos da Félix da Cunha; Phidias Galo, comentarista esportivo; Armando Leite Goulart, comentarista esportivo; Honório Sinott, editor de esportes do Diário Popular; Eliseu de Mello Alves, jornalista do Diário Popular e pesquisador; Álvaro Piegas, repórter policial do Diário Popular; Irajá Nunes, brilhante jornalista; Fernando Cunha, narrador da Rádio Universidade e repórter do Diário Popular: Ernane Cavalheiro, colunista do Diário Popular e pai do jornalista Mairo Cavalheiro; Victor Hugo Horta, colunista do Diário Popular; Gilson Tilmann, repórter da Rádio Cultura; Paulo Ribeiro, repórter da Rádio Pelotense; Heriberto Reis do Nascimento, comentarista da Rádio Cultura; Edmar Alan, repórter da Rádio Cultura; Petrucci Filho, narrador da Rádio Cultura; Romeu Machado dos Santos, o Machadinho, plantão esportivo; Ramão Barros, fotógrafo do Diário Popular; Dinei Avelar, plantão esportivo; José Alan, comentarista esportivo; Deogar Soares, marcou época na Rádio Tupancy; Antônio Carlos Alves, narrador esportivo; Rubens Coutinho, repórter da Rádio Cultura; Luiz Castro, diretor da Rádio Pelotense; Clayr Lobo Rochefort, diretor do Diário Popular; Izabelino Tavares, meu irmão; Geraldo Fagundes, locutor da Rádio Tupancy; Bernardo Hobuss, repórter esportivo; Abrahao Gonçalves, repórter esportivo das rádios Pelotense e Tupancy; Barreto Pinto, o "homem da saudade"; Aires Pastorino, o homem do "Balcão Musical Mesbla", na Rádio Tupancy; Émerson Vieira, repórter da Rádio Pelotense; Miguel Tarnac da Rocha, o maestro Rochinha, da Rádio Pelotense; José Carlos Sica, diretor da Rádio Pelotense; Paulo de Souza Lobo, o "Galego", foi comentarista esportivo da Rádio Pelotense, além de notável técnico de futebol; Ivan Aune, narrador de turfe; Caio Vieira Juruá, cronista de turfe; Elias Bainy, jornalista e repórter de turfe; Vilmar Tavares, fotógrafo dos jornais Diário Popular e Diário da Manhã e José Salimen Júnior, de vitoriosa carreira na imprensa de Porto Alegre.

A lista é imensa. Com certeza faltaram muitos nomes, o que se deve à memória já desgastada pelos 72 anos de idade deste colunista. E também porque certamente não fiquei sabendo de todos os colegas amigos que já se foram. (Texto: Nilo Dias)

Equipe salonista do E.C. Pelotas, nos anos 50. Luiz Carlos Martinez era o goleiro.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Um clube amador centenário

O Marianense Futebol Clube, da cidade mineira de Mariana foi fundado no dia 17 de junho de 1912, sendo um dos clubes brasileiros centenários. Sabe-se que entre os fundadores do clube estava o senhor Clodomiro Silva, que foi destacado comerciante da cidade.

Quando das comemorações dos seus 100 anos de história, o clube foi homenageado pela Câmara Municipal da cidade, por iniciativa do vereador Edson Agostinho, o “Leitão”. O Marianense Futebol Clube faz parte da história de Mariana, auxiliando na preservação do patrimônio histórico e imaterial do município.

A sede do clube está situada no Núcleo Histórico, em uma edificação do século XVIII, que mantém as características da época, com elementos de pedra lavrada, construída pelo mestre pedreiro José Pereira Arouca, em 1752.

O Marianense também é dono do “Estádio Augusto”, onde realiza seus jogos. O nome é uma homenagem ao filho de Gomes Freire de Andrade, ex-presidente do clube e ex-senador da República.

O ponto alto das comemorações foi o “Baile do Centenário”, animado pela famosa banda “Cassino de Sevilla”, criada em 1810 na cidade espanhola de Sabadell.

O maior feito da história do Marianense foi a conquista da “III Copa Januário Carneiro, em 1983, de maneira invicta, quando o clube era presidido pelo desportista “Toniquinho”. Os atletas campeões foram Benjamim, Juvenal, Adão “Braminha”, Pedro “Salame”, Bizute, Eli, Luiz Lana, Elias, Caetano, Geraldo Rezende, Pavão, Pem, Gelson, Antônio “Pilé”, Adão Barreto, Jair, Geraldo Mozart, Américo e Cacalo.

Bizute foi escolhido como o craque revelação da Copa Januário, tendo recebido um troféu, que foi entregue na sede do clube por Tancredo Neves, que depois seria eleito Presidente da República.

Em sua sede, localizada próximo da praça Minas Gerais, onde encontram-se duas das igrejas mais visitadas da cidade, era comum os jogos de baralho entre associados. Também anualmente se realizava o concurso para escolha da “Rainha do Marianense”. As candidatas desfilavam pelas ruas da cidade em carros alegóricos durante o Carnaval.

Na história centenária do Marianense não é esquecida a atuação de Bida como presidente. A importância da família Mansur na manutenção da entidade e os almoços comemorativos do aniversário do clube, cujo cardápio era preparado com esmero pelas integrantes do “Clube Maracatu”.

O Marianense é um clube amador, filiado a Liga Esportiva de Mriana (Lema), da qual também fazem parte Guarany, Olimpic, Bandeirantes, Esporte Clube 29 de Junho e União Passagense.

O clube conquistou em 2011 o título de campeão marianense da Segunda Divisão, o que lhe valeu o Ascenso para o certame principal da cidade, no ano do centenário.

A competição teve sete equipes participantes. A campanha foi inesquecível, oito jogos, seis vitórias, um empate e apenas uma derrota. A defesa foi a menos vazada, sofrendo oito gols. O artilheiro foi Piauí, atleta do clube.

O elenco campeão contava com Waguinho, Amaral e Marco Túlio, Mauro, Maycon, Vinícius, Rafael, Totoni, Sandro, Joseir, Reginaldo, Samuel, Geraldinho, Piauí, Caburé, Aguimar, Pedro, Todynho, Ulisses, Daniel, André e Toca. O técnico era Geraldo Mosar e o presidente, Vanderlei Machado.

Aloísio Bento, conhecido como “Caburé”, foi o autor do gol que levou o Marianense à primeira divisão. Ele entrou quase no final do jogo, quando o Marianense perdia por 2 X 1. Aos 42 minutos da etapa final fez o gol do título. (Pesquisa: Nilo Dias)

O time que subiu para a Série A do campeonato de Mariana, em 2011.

A belíssima sede do Marianense.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os 100 anos do “Tigre da Paulista”

Desde o último dia 4 de agosto, o Rio Branco Esporte Clube, da cidade de Americana, interior de São Paulo, faz parte do seleto grupo de clubes centenários do futebol brasileiro. O Rio Branco foi fundado em 1913 por João Truzzi. O primeiro nome do clube foi Sport Club Arromba.

Mas, em Assembléia Geral de 16 de setembro do mesmo ano, aconteceu a primeira mudança de nome, passando para Rio Branco Football Club, provavelmente em homenagem ao Barão do Rio Branco.

As suas cores são o preto e o branco. O clube orgulha-se de ser o primeiro em todo o país a adotar o “Tigre” como mascote oficial. A ideia de adotá-lo como mascote, surgiu do torcedor Plínio Ortolano, e foi oficializada em 6 de março de 1923, sendo posteriormente documentada na revista "Americana Ilustrada" de julho de 1951, conforme o trecho abaixo:

“Em reunião realizada em 6 de março de 1923, é deliberado oficiar aos seguintes jornais "Correio Paulistano", "Combate", "Gazeta de São Paulo", "Gazeta de Campinas", "Il Piccolo", "Fanfulla", "Comercio de S. Paulo" e "Folha da Noite", agradecendo as referências feitas ao quadro do Rio Branco F.C. Oficiar ao senhor Plínio Ortolano, agradecendo a ideia de pintar o "Tigre", simbolizando o Rio Branco. Revista "Americana Ilustrada", julho de 1951".

Os torcedores chamam o Rio Branco de "Alvinegro Americanense" e "Tigre da Paulista", devido a ligação da cidade com a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. No passado, também foi chamado de "Tigre da Zona", referência ao tempo em que o campeonato estadual era dividido em zonas.

O Rio Branco já dedicou-se a várias modalidades esportivas, como o baquetebol, tiro, futsal, vôlei e hóquei sobre patins, mas o futebol continua sendo  a principal atividade. 

O Rio Branco conquistou seus primeiros títulos de importância nos anos de 1922 e 1923, quando foi bicampeão do interior paulista e disputou o título estadual com o Corinthians, sendo vice-campeão nas duas vezes.

Depois, na década de 1940, foi seis vezes campeão zonal paulista. Em 1948 foi instituída a “Lei do Acesso” no futebol paulista, mas como o clube não conseguiu se profissionalizar teve de se contentar em participar de competições amadoras entre os anos de 1949 e 1959, quando fechou o Departamento de Futebol.

Desde a fundação o Rio Branco buscava construir um estádio. Os seus primeiros jogos foram realizados num campo de futebol localizado na atual rua 12 de novembro, em Americana. Em 1920, o clube fez uma campanha buscando arrecadar recursos para possibilitar a obra. Foram emitidas 200 ações de dez mil réis (10$000) cada.

Graças a essa iniciativa os associados e a comunidade puderam ajudar o clube a crescer. Em 17 de fevereiro de 1925 foi adquirido do senhor Alfredo Horchutz o terreno na atual rua Fernando de Camargo, onde o clube ergueu seu primeiro estádio, que tinha arquibancadas de madeira.

Em 1954, o já então Rio Branco E.C. cedeu seu estádio a Prefeitura Municipal de Americana, que construiu na área uma escola pública. Na troca, o governo municipal cedeu ao Rio Branco um novo terreno, onde em 1971 começou a ser erguido o atual. A construção terminou em 1977 e o estádio foi inaugurado em 1 de maio desse ano, com o nome de “Riobrancão”.

O jogo inaugural foi disputado nesse dia, quando o Americana E.C. bateu o Taubaté por 2 X 1. O primeiro gol do estádio foi marcado pelo atleta Niltinho, do clube de Americana. Em 1981, o então presidente do Rio Branco, Délcio Dollo, propôs rebatizar o estádio com o nome Décio Vitta, entretanto, isto aconteceu somente em 1986.

O maior público já registrado no estádio foi no dia 9 de março de 1993, quando 19.173 pessoas assistiram a vitória do Rio Branco sobre o São Paulo por 1 X 0. A partir de 2009, o estádio passou a ser propriedade da Prefeitura Municipal de Americana.

Entre 1960 e 1970, sem a presença do Rio Branco, o Esporte Clube Vasco da Gama, também conhecido por “Vasquinho”, conheceu seus tempos de fama, tendo conquistado o título da Terceira Divisão estadual em 1968. Depois disso o time mudou o nome para Americana Esporte Clube, que participou de apenas três campeonatos da Segunda Divisão da Federação Paulista de Futebol (FPF).

Isso foi entre os anos de 1976 e 1978. Como o clube não contava com uma boa estrutura, não tinha nem estádio, resolveu fundir-se com o Rio Branco, em 1979. Foi mantida a denominação de Rio Branco Esporte Clube.

Passaram-se 20 anos até que o Rio Branco retornasse aos gramados em 1979, depois da fusão com o Americana Esporte Clube. A união entre os dois clubes deu certo. A partir daí, o “Tigre” jamais abandonou o futebol profissional.

Em 1979 o time já disputou a Divisão Intermediária (2ª Divisão) – primeira competição em que tomou parte com o nome de Rio Branco Esporte Clube. Em 13 de maio de 1979, sob a direção do técnico Luís Bocucci Filho, realizou seu primeiro jogo do retorno ao futebol, quando enfrentou o Noroeste, de Bauru.

Depois de boas participações na Divisão de Acesso, em 1991 veio o prêmio merecido, entrou para o seleto grupo da divisão de elite do futebol paulista, onde permaneceu por longos 17 anos, tornando-se uma das equipes do interior que mais jogou a Série A1 de maneira ininterrupta. Em 2007, foi rebaixado para a Série A2.

Em 2009, voltou à Primeira Divisão, mas um ano depois foi outra vez rebaixado para a Série A2 do Campeonato Paulista. E no ano de 2011, após péssima campanha. o Rio Branco foi rebaixado pela primeira vez em sua história à Série A3 do Paulistão de 2012.

O primeiro título dessa nova etapa da vida do clube veio em 2012, quando conquistou o Campeonato Paulista da Série A3. Atualmente o Rio Branco participa do Campeonato Paulista da Série A2 e ainda da “Copa Paulista”.

O clube sempre revelou bons valores para o futebol brasileiro, como Mineiro, Flávio Conceição, Marcos Assunção, Marcos Senna, Macedo, Sandro Hiroshi, Marcelinho Paraíba, Romarinho e Thiago Ribeiro.

Um feito histórico marcou a vida do Rio Branco, que em 2006 se tornou o único time de futebol do mundo a revelar três jogadores para três seleções diferentes em uma mesma Copa do Mundo: Marcos Senna (Espanha), Zinha (México) e Mineiro (Brasil). O projeto “Meninos do Rio Branco”, recentemente lançado, busca a revelação de novos craques.

O time tem um hino oficial que é executado no início de cada partida no estádio Decio Vitta. O hino tem a letra, musica e arranjo de autoria do compositor e arranjador Oséias Sass.

A torcida organizada do Rio Branco é a "Malucos do Tigre", fundada em 1989. Em sua história o Rio Branco teve várias outras organizadas que foram extintas com o tempo. Os principais nomes são: "Tigres do Frezzarin", "Torcida Uniformizada Rio Branco (TURBO)", "Fiel Torcida", "TU 10", "Inferno Alvinegro", "Garra do Tigre", "Os Pacifistas", "Explosão", "Fanatigre" e "Torcida Jovem".

Títulos. Estaduais: Campeão da Região (1921); Campeonato Paulista do Interior (1922 e 1923); Campeão da Zona Paulista (1921, 1944, 1945, 1946, 1947 e 1948); Campeonato Paulista - Série A3 (1968 e 2012); Categorias de base: Campeonato Paulista - Sub-20 (2000).

Algumas das partidas marcantes ou de valor histórico do Rio Branco F.C.: Rio Branco 1 X 0 São Paulo (9 de março de 1993). Vitória em cima do então campeão do mundo, diante do público recorde de 19.244 pessoas, com gol de Edmar, aos 29 minutos do 2º tempo; Rio Branco 2 X 1 Corinthians (21 de abril de 1994). Vitória em jogo transmitido pela TV, com o Corinthians entrando como favorito. Empurrado pela torcida o Rio Branco venceu, com destaque para Souza.

Rio Branco 2 X 1 Fenerbahçe (1995). Vitória em jogo amistoso contra o Fenerbahçe, da Turquia, que era dirigido pelo técnico Parreira. O goleiro turco Rustu, que atuou na partida, disputou a Copa do Mundo de 2002; Rio Branco 4 X 2 Santos (22 de março de 1995). Goleada em cima do Santos do craque Giovanni e Rio Branco 5 X 2 Palmeiras (9 de abril de 2000). Goleada sobre o Palmeiras Campeão da Libertadores de Marcos, Arce, Júnior, Cesar Sampaio e Felipão. Marcus Vinícius marcou quatro gols. (Pesquisa: Nilo Dias)

Uma das primeiras formações do Rio Branco. (Foto: Portal Liberal -http://www.oliberalnet.com.br/noticia/323B17682A4-centenario_do_rio_branco)

domingo, 4 de agosto de 2013

Troféu Joan Gamper

O Santos F.C. foi o adversário do Barcelona no “Troféu Joan Gamper” deste ano, e levou uma goleada histórica de 8 X 0, em jogo realizado na última sexta-feira a tarde em Camp Nou, na capital da Catalunha. A competição é realizada desde 1966, sempre no mês de agosto e foi criada pelo então presidente do clube, Enric Llaudet em homenagem ao suíço Hans-Max Gamper Haessig (1877-1930), conhecido como Joan, fundador do F.C. Barcelona.

Até 1996 o torneio era disputado por quatro equipes em jogos eliminatórios. Em caso de empates a decisão era por cobranças de pênaltis. A partir de 1997, por problemas de datas, só duas equipes passaram a disputar o torneio, o Barcelona e um convidado. O único clube fora do continente europeu a vencer a competição foi o S.C. Internacional, de Porto Alegre, em 1982.

O clube gaúcho derrotou o poderoso Barcelona no jogo inaugural. O clube catalão havia preparado uma grande festa. Apesar de ter disputado antes os torneios “Teresa Herrera” e “Palma de Mallorca”, o Barcelona havia deixado para o “Joan Gamper” as estréias de suas duas grandes contratações: o argentino Maradona e o alemão Schuster. Além disso, havia a grande estrela do futebol espanhol, no momento: Quini.

O Internacional chegou falando em revanche, pois dias antes havia sido derrotado pelo Barcelona no “Torneio Teresa Herrera”, em La Coruña, por 1 X 0. O técnico do Internacional era Ernesto Guedes, que criticou a arbitragem na derrota de seu time. Já o treinador do onze catalão, Udo Lattek disse que sua equipe podia ganhar sempre do Internacional.

O jogo ainda tinha outro ingrediente, além do desejo de revanche do Internacional e da troca de farpas entre os técnicos, havia o jogador Cléo, que o clube colorado vendera ao Barcelona no inicio daquele ano e depois de três meses apenas treinando, sem jogar, foi novamente negociado com o "Colorado".

O jogo começou com amplo domínio do Barcelona, mas suas investidas paravam na forte marcação do onze brasileiro. O estreante Maradona pouco tocou na bola. O clube gaúcho raramente contra atacava. O segundo tempo começou quente: Maradona acertou uma bola na trave e Edvaldo, cobrando falta logo em seguida, deu a resposta, também acertando a trave catalã.

O jogo seguiu morno com o Barcelona atacando e o Internacional se defendendo. Um petardo de Schuster, que recém havia entrado em campo, acertando a trave, foi o lance mais perigoso nos minutos finais. Com o empate sem gols foi necessário ir para a cobrança de pênaltis.

Já era começo de madrugada em Barcelona quando começaram as cobranças. Para o Internacional cobraram e converteram Rubén Paz, Andrezinho, Ademir e André Luiz. Para o Barcelona, Quini, que acertou a trave, Maradona, que converteu e Alesanco que bateu e o goleiro Benitez defendeu. Final, Internacional classificado para a final 4 X 1 Barcelona.

O técnico do time espanhol não se conformou com a derrota e declarou após o jogo: “Normalmente debemos ganar a estos brasileños, pero esta noche el medio campo ha estado falto de profundidad.”

O Internacional jogou com Benítez – Edevaldo - Mauro Pastor - André Luís e Bereta (Müller) – Ademir - Cléo (Sílvio) - Mauro Galvão e Rubén Paz - Paulo César e Silvinho (Andrezinho). O Barcelona mandou a campo Artola – Gerardo – Migueli - Alesanco e Julio Alberto - Alonso (Schuster) - Esteban (Marcos) e Victor – Quini - Maradona e Carrasco.

A grande final foi no dia seguinte, 26 de agosto de 1982, entre Internacional X Manchester City, da Inglaterra, que havia eliminado o Colônia, da Alemanha. O primeiro tempo teve o domínio absoluto do Internacional, mas o placar permaneceu em branco.

Na etapa final os gols apareceram. Aos 12 minutos, Hakeide derrubou Cléo na área: pênalti, que Edevaldo converteu. Aos 15, Paulo César fez 2 X 0. Aos 20, Hartford, da seleção escocesa, foi expulso. Aos 37, Fernando Roberto ampliou para 3 X 0. Aos 41, Mcdonalds fez o gol de honra dos ingleses. Fim de jogo, Internacional campeão. O capitão André Luís recebeu o troféu, que é moldado em prata, com base de mármore e acabamento em ouro.

Internacional: Benítez – Edevaldo - Mauro Pastor - André Luís e Mauro Galvão – Ademir - Müller (Joãozinho) - Cléo (Sílvio) e Rubén Paz - Paulo César (Fernando Roberto) e Silvinho. Manchester City: Corrigan – Ranson – Macdonald - Tweart e Kempron (May) – Bond - Reenes e Hartford – Hakeide - Cross e Power.

Na decisão do terceiro lugar, o Barcelona do técnico falastrão, Udo Lattek e dos craques Maradona, Schuster e Quini, perdeu para o Colônia, por 1 X 0 e foi o último colocado do torneio.

Outros clubes brasileiros que disputaram o “Troféu Joan Gamper: 1968, Flamengo; 1972, Vasco da Gama; 1978, Botafogo; 1980, Vasco da Gama; 1981, Vasco da Gama; 1989, Internacional (perdeu para o Barcelona, por 1 X 0, na decisão do terceiro lugar); 1991, Internacional  (foi terceiro lugar ganhando do Rapid Viena, da Áustria, por 2 X 0; 1998, Santos e 2013, Santos.

O Barcelona foi o clube que mais venceu o “Torneio Joan Gamper”, 36 vezes (1966, 1967, 1968, 1969, 1971, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1979, 1980, 1983, 1984, 1985, 1986, 1988, 1990, 1991, 1992, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2010, 2011, 2013).

Depois vem o F.C. Kolns (Colônia), da Alemanha (1978 e 1991); Ujpest Dozsa, da Hungria (1970); Borussia Mönchengladbach, da Alemanha (1972); Internacional, do Brasil (1982); F.C. do Porto, de Portugal (1987); K.V. Mechelen, da Bélgica (1989); C.D. Tenerife, da Espanha (1993); Valência, da Espanha (1994); Juventus, da Itália (2005); Manchester City, da Inglaterra (2009) e Sampdória, da Itália (2012).

A maior goleada registrada na competição não foi Barcelona 8 X 0 Santos, como erroneamente foi dito na transmissão da Rede Globo, na última sexta-feira. Em 1984, o mesmo Barcelona goleou o Boca Juniors, da Argentina, por 9 X 1. Outras goleadas: 1966, RSC Anderlecht, da Bélgica 7 x 0 Nantes, da França e em 1992, F.C. Barcelona 7 X 1 CSKA Sofia, da Bulgária.

Hans-Max Gamper Haessig, conhecido na Catalunha como Joan Gamper, nasceu na cidade de Winterthur, ao Norte da Suíça, em 22 de novembro de 1877. Era o mais velho de cinco irmãos.

Anda pequeno foi morar em Zurique, depois que sua mãe morreu vitima de tuberculose. Com apenas 12 anos de idade já era um destacado ciclista e habilidoso enxadrista. Seu trabalho não permitiu que continuasse a praticar o ciclismo, por isso resolveu se dedicar ao râguebi (rúgbi ou rugby), golfe, tênis e ao futebol, onde alcançou grande êxito, sendo considerado um dos melhores jogadores do país, na época.

Foi capitão do F.C. Basiléia e depois o melhor atacante do F.C. Excelsior. Teve problemas no clube e resolveu abandoná-lo e fundar o F.C. Zurich, que não demorou em se tornar uma das melhores equipes do futebol suíço. Em 1897 mudou-se para Lyon, na França, onde ingressou no Union Athletique, um clube de rugby.

Em 1899 passou por Barcelona para visitar um tio, ali radicado, quando ia em viagem de negócios à África. Apaixonou-se pela cidade e decidiu também morar lá. Logo fez amizade com a colônia estrangeira. Aprendeu a falar catalão antes do espanhol e catalanizou o seu nome para Joan. Morador do bairro de Sant Gervasi de Cassoles, decidiu fundar um clube de futebol na cidade.

No dia 22 de outubro de 1899, a revista "Los Deportes" publicou um anúncio convidando todos os aficionados a prática do futebol, para uma reunião que aconteceria no dia 29 de novembro de 1899, no Ginásio Solé, da rua Montjuic del Carme número 5. Joan, junto de um grupo de ingleses e espanhóis fundou o Futbol Club Barcelona. As cores escolhidas para a camiseta foram inspiradas no F.C. Basiléia, da Suíça, o azul e o vermelho (grená).

Joan Gamper fez parte como jogador da primeira equipe do Barcelona, onde jogou de 1899 até 1903. Ajudou o clube a ganhar seu primeiro troféu, a “Taça Macaya” e jogou a primeira final da “Taça do Rei”, disputada pelo Barcelona e ganha pelo Viscaya.

Posteriormente foi presidente do clube por cinco mandatos. Foi ele que contratou o atacante filipino Paulino Alcántara, até hoje o maior goleador da história do clube, com 357 gols. E também trouxe nomes míticos como Zamora e Samitie. Foi durante um dos mandatos de Gamper que Jack Greenwell tornou-se o primeiro treinador profissional da história do Barcelona. Com ele de presidente o clube ganhou 11 Campeonatos da Catalunha, 6 Taças do Rei e 4 Taças dos Pirinéus.

Em 1922, Joan Gamper doou 1 milhão de pesetas para a construção do novo estádio de Les Corts, onde em 1925 o hino espanhol foi assobiado e o britânico aplaudido, para fúria do ditador Primo de Rivera. Como represália pela atitude pouco nacionalista dos adeptos do clube, o governo central mandou fechar o estádio por três meses e Gamper  obrigado a partir para o exílio.

Mais tarde foi autorizado a regressar a Espanha e à sua querida Barcelona, mas proibido de ter qualquer ligação com o clube que ajudou a fundar. Essa interdição o levou a um estado depressivo que o acompanhou até ao fim da vida. Cada vez mais debilitado, perdeu o entusiasmo e viu o seu estado de saúde piorar. A grande depressão de 1929, consequência do “crash” da bolsa de Nova York, provocou a ruína de Gamper.

Durante um ano combateu a depressão, isolando-se em sua casa, mas os problemas pessoais e financeiros ocupavam o seu dia-a-dia, até que em 30 de Julho de 1930, com um tiro na cabeça, pôs fim à própria vida. A sua morte consternou o clube e a cidade. Dezenas de milhares seguiram o féretro a caminho da sua última morada no Cemitério de Montjuic.

Depois da tragédia a cidade prestou-lhe algumas homenagens. Uma rua do bairro de Les Corts levou seu nome. O F.C. Barcelona lhe reservou a carteira de número 1 de sócio. Anos mais tarde o ditador Franco não permitiu que o novo estádio do clube, o “Nou Camp”, tivesse o nome do seu fundador.

Foi então que em 1966, o então presidente Enric Llaudet instituiu o “Troféu Joan Gamper”, que com o passar dos anos assegurou grande prestígio internacional, e com o qual tradicionalmente começa a temporada no "Camp Nou", antes do início da Liga Espanhola de Futebol. (Pesquisa: Nilo Dias)

Joan Gamper. (Foto: Acervo fotográfico do F.C. Barcelona)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O estádio mais antigo da Argentina

Um dos estádios mais antigos da Argentina, ainda em atividade, é o “Arquitecto Ricardo Etcheverri”, localizado no bairro de “Caballito”, em Buenos Aires e inaugurado em 2 de Janeiro de 1905, um ano após a fundação de seu proprietário, o Ferro Carril Oeste. Hoje tem capacidade para 24.442 torcedores. É um dos poucos estádios da Argentina que permanece no mesmo lugar desde o início do século XX. Foi construído nos fundos de um terreno da linha de trem "Ferro Carril Oeste".

O estádio ganhou oficialmente o nome de “Arquitecto Ricardo Etcheverri” em 1995. É uma homenagem para quem serviu o clube como seu vice-presidente por cerca de 30 anos.

Para erguer o estádio o Ferro Carril Oeste usava uma política de venda de jogadores em troca de materiais de construção, como madeira e chapas de zinco. Até hoje o “Ricardo Etcheverri” possui alguns lances de arquibancadas de madeira, por isso é conhecido como "El Templo de Madera" ou "El Monumental de Madera", numa referência ao Estádio Monumental de Nuñez do River Plate.

A bela tribuna semi-coberta, construída em 1976, foi a única inovação no estádio em mais de um século. Todo o restante permanece com a mesma estrutura dos tempos da fundação. Embora a capacidade atestada seja de 24 mil torcedores, era comum o clube jogar para mais de 35 mil pessoas nos anos 1980. Hoje, o Ferro joga para plateias de, no máximo, oito ou 10 mil pessoas

Devido a sua localização privilegiada, no centro geográfico de Buenos Aires, as principais equipes argentinas já o utilizaram em oportunidades em que não podiam usam seus próprios estádios. Entre eles River Plate, Boca Juniors, Vélez Sarfield, San Lorenzo de Almagro e, mais recentemente o Argentinos Juniors. A história registra incêndios que destruíram parcialmente o estádio, em longos períodos de empréstimo a outros clubes portenhos.

O Ferro Carril Oeste já foi uma das maiores potências futebolísticas da Argentina nos anos 80. Hoje vive uma situação de imensas dificuldades. Longe da elite, o Ferro experimentou dois descensos, uma falência e um sem número de fracassos dentro e fora de campo, sendo agora um mero figurante das divisões inferiores.

A torcida, antes enorme, agora resume-se aos moradores do bairro e frequentadores da sede social. Dos 50 mil sócios de antes, hoje não passam de 10 mil.

A responsabilidade de todo esse declínio se deve a seguidas más administrações. A história vitoriosa do clube começou com um dirigente chamado Santiago Leyden (1933-2002), que presidiu o Ferro por longos 30 anos (1963-1993), período em que foi por duas vezes campeão argentino (1982 e 1984) e três vices, além de conquistas no basquete (três Ligas Nacionais e três Sul-americanos) e no vôlei (12 torneios nacionais e três continentais).

Foi Leyden que ergueu a tribuna de cimento do antigo estádio de madeira – que ganhou o nome de “Arquitecto Ricardo Etcheverry”, seu vice e responsável pelo projeto do novo setor –, um ginásio poliesportivo para oito mil pessoas e todo o sistema de iluminação do complexo. Foi o homem que colocou o clube numa situação de grandeza, mas teve um pecado fatal: não soube a hora de entregar o cargo para outro.

Sem dúvida foi um dirigente extraordinário, mas ficou tempo demais à frente do clube. E quando isso acontece, tudo se contamina e se afasta da realidade”.

Quando finalmente Leyden deixou a presidência, a situação financeira do Ferro Carril Oeste já era dramática e se agravou nos anos seguintes. Torcedores e sócios abandonaram o clube aos milhares.

A maior renda vinha da sede social, mas como parte de uma nova realidade que também se verificou nas agremiações brasileiras, estas, a partir dos anos 90, perderam a importância de antigamente. As receitas com patrocínios também despencaram, e nem de longe justificam o emaranhado de desconhecidas marcas estampadas no uniforme verde com detalhes em roxo.

Dentro de campo, os resultados também não ajudaram. Diante de tudo isso foi um passo para a falência completa, no começo dos anos 2000. Antes mesmo de ter a insolvência decretada, o Ferro desceu para a segunda divisão – e para a terceira no ano seguinte. Acabou voltando para a B Nacional, mas nunca mais para a elite.

Tudo aconteceu num cenário agravado pela crise financeira que atingiu a Argentina. O país chegou a ter cinco presidentes em 12 dias no fim de 2001, o que também colaborou para levar à bancarrota o grande Racing Club.

“No me olvido ese día/ que una vieja chiflada decía/ Que Racing no existía/ que tenía que ser liquidado”, canta “La Guardia Imperial”, em referência ao episódio em que a torcida evitou que um dos clubes mais vitoriosos da história encerrasse as atividades. Ao contrário do Racing, no entanto, o Ferro nunca mais conseguiu se recuperar, e as gestões seguintes apenas agravaram a situação.

O Ferro é atualmente o 14º classificado em um campeonato disputado por times desconhecidos como Aldosivi, Crucero del Norte, Douglas Haig e Patronato.

Os torcedores que ainda restam, não lamentam tanto a ausência de jogos contra os chamados ”grandes” do futebol argentino, Boca, River, San Lorenzo, Racing e Independiente. Mas a disputa do “Clássico do Oeste”, contra o Vélez Sarsfield, rival com quem compartilha o ramal ferroviário que cruza a cidade do centro até o limite Oeste, no bairro de Liniers.

A linha de trem, por sinal, tem importância destacada para estes dois e para grande parte dos times portenhos: enquanto o Ferro foi fundado em 1904 por um grupo de 95 funcionários da companhia inglesa “Buenos Aires Western Railway”, o Vélez emprestou seu nome a antiga “Estação Vélez Sarsfield”, hoje “Floresta”, o bairro onde se fixou outro clube, o All Boys.

Já o Vélez não encara mais a rivalidade com o Ferro, como antes. O clube está em outro patamar, tendo sido campeão da Libertadores e do Mundial em 1994. Embora não tenha deixado de ser um dos tantos clubes de bairros de Buenos Aires, como o próprio Ferro e mais All Boys, Nueva Chicago, Chacarita, Atlanta, Huracán, Argentinos Juniors, Barracas Central, Defensores de Belgrano, entre outros.

A diferença é que o Velez encara de igual para igual as equipes de maior torcida e tradição. Desde 1993, foram oito títulos argentinos – só o River ganhou mais – e cinco internacionais. Além de um estádio que pode ser considerado exemplar, o Vélez ostenta um dos elencos mais fortes e regulares do país.

Para o Ferro só resta o passado. Assistir a uma partida no antigo estádio de madeira é como voltar a tempos idos. O complexo esportivo vive um estado de abandono, o que reforça essa impressão. Fala-se que o velho estádio de “Caballito” vai passar por uma ampla e necessária reforma.

A curva do lado oposto à Platea Sur e a arquibancada central já foram parcialmente desmontadas. A promessa é que os dois setores serão reconstruídos, com cimento mesmo, a exemplo da tribuna principal. Mas o problema é a falta de dinheiro para levar adiante a obra.

Hoje o time joga para um público envelhecido e saudosista, muito distante da média de 20 mil torcedores dos tempos áureos. Os torcedores populares de antes não existem mais. O que se vê no estádio agora é uma torcida de classe média. Pobres não assistem mais os jogos do Ferro.

E isso tem uma razão de ser. O bairro de “Caballito” também mudou, está hoje repleto de novos condomínios de alto padrão, alguns dos quais cortando todo o horizonte que antes se tinha a partir do estádio.

É um cenário contrastante com o que se costuma observar na maior parte dos estádios argentinos: o “Arquitecto Ricardo Etcheverry” fica encravado em uma zona bastante populosa, mas tranquila ao extremo. É possível caminhar pelas avenidas paralelas, incluindo a Rivadavia, a maior do país, sem se dar conta da existência de um estádio ali perto.

Os argentinos herdaram dos ingleses o costume de apelidar os estádios que poucos são conhecidos pelos seus nomes oficiais, como mostro abaixo:


Alberto José Armando (Boca Juniors): “La Bombonera”; Monumental Antonio Vespucio Liberti (River Plate): “Monumental de Núñez”; Libertadores de América (Independiente): “Doble Visera”; Juan Domingo Perón (Racing): “Cilindro de Avellaneda”; Pedro Bidegain (San Lorenzo): “Nuevo Gasómetro”; José Amalfitani (Vélez Sársfield): “El Fortín” e “Liniers”; Tomás Adolfo Ducó (Huracán): “El Palacio” e “Parque Patricios”; Ciudad de La Plata (clubes de La Plata): “Único”; Juan Carlos Zerillo (Gimnasia y Esgrima La Plata): “Del Bosque”; Dr. Lisandro de la Torre (Rosario Central): “Gigante de Arroyito”; El Coloso del Parque (Newell’s Old Boys): “Parque Independencia”; Néstor Díaz Pérez (Lanús): “Ciudad de Lanús” e “La Fortaleza”; Chateau Carreras (clubes de Córdoba): “Olímpico”; Juan Domingo Perón (Instituto): “Monumental de Alta Córdoba”; Brigadier General Estanislao López (Colón): “Cementerio de Elefantes”; Arquitecto Ricardo Etcheverri (Ferro Carril Oeste): “Caballito”; Julio Humberto Grondona (Arsenal): “El Viaducto”; Centenário Dr. José Luis Meiszner (Quilmes): “Centenário”; Feliciano Gambarte (Godoy Cruz): “La Bodega” e José María Minella (Aldosivi): “Mundialista de Mar del Plata”. (Pesquisa: Nilo Dias)

O velho Estádio Arquitecto Ricardo Etcheverri. (Foto: Acervo fotográfico do Ferro Carril Oeste)