Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Condenados a morte

Eu tenho uma longa vivência no futebol, desde o amadorismo varzeano até o profissionalismo. Lembro de ter visto muitas vezes, até na minha cidade natal, Dom Pedrito, a aplicação de injeções ditas estimulantes como “Glucoenergan”, “Energizan” e “Thiaminose”, em atletas amadores.

Eram ampolas de 10 e 20 centímetros, aplicadas na veia. Naquele tempo não havia maiores preocupações com doenças tipo “AIDS” e “Hepatites”. Nem existiam, ainda, as seringas descartáveis.

Anos depois, quando eu era diretor de futebol do Rio-Grandense, de Rio Grande e também quando presidi a S.E.R. São Gabriel, vi a repetição da cena, mas com uma diferença: as seringas eram descartáveis, o que afastava qualquer tipo de contaminação.

Voltando no tempo. O procedimento era simples. Antes dos jogos, e às vezes também nos intervalos, os jogadores esticavam o braço com a mão fechada, para fazer saltar a veia à espera que o enfermeiro lhes aplicasse às injeções.

Em um canto do vestiário um pequeno fogareiro à álcool aquecia o estojo de metal com água ou álcool fervente, dentro do qual boiava uma seringa de vidro.

Na época ninguém tinha consciência de que o uso da mesma agulha, mesmo que passando por um processo duvidoso de fervura, pudesse estar dando início a um lento processo de morte.

Alguém que já estivesse infectado contagiava os colegas. O enfermeiro aplicava uma injeção, mergulhava a seringa no estojo, tirava-a com a pinça e injetava em outro. A coisa funcionava assim.

Naquele tempo o temor maior era contra bactérias, viroses, infecções e doenças venéreas. A fervura atingia 100ºC, o que de nada adiantava, porque são necessários 150ºC para destruir o vírus.

Ninguém sabia da existência de um inimigo oculto e mortal, que permanecia vivo na seringa e na agulha. A ciência só identificou o agente da “Hepatite C”, em 1989.

Essa mesma rotina se estendia a quase todos os clubes pequenos e médios de futebol do país e talvez até do mundo. A expectativa era de que esse líquido amarelo ajudasse o time a correr mais e cansar menos. Não era considerado “dopping”. E nem havia nada que confirmasse esse esperado efeito milagroso. A coisa parecia mais psicológica que real.

Os médicos não aprovavam tal prática, alguns até proibiam, por isso em clubes maiores e mais organizados não se aplicavam tais injeções. Nos clubes menores os enfermeiros faziam de tudo: infiltrações musculares, ministravam vitaminas e aplicavam a glicose.

Era comum uma dose de 50 mililitros ser dividida em cinco braços, tirando a agulha de um e colocando em outro, com a crença de que todos eram sadios.

O tempo mostrou que não era bem assim. O vírus costuma resultar em cirrosse e câncer do fígado, num período de 20 a 40 anos depois da contaminação, por isso as mortes estão ocorrendo nos últimos anos. O caso mais conhecido de contaminação pela “Hepatite C” foi o que atingiu o S.C. Gaúcho, de Passo Fundo (RS).

De uma formação tradicional do clube em 1973, passados 42 anos, apenas três ex-jogadores estão vivos: Luiz Freire, seu irmão Zé Augusto e o lateral-esquerdo Luiz Carlos. Os outros, a doença se encarregou de matar. O primeiro a contrair “Hepatite C” foi o ex-goleiro Carlos Alberto, que com pouco mais de 30 anos morreu em meados dos anos 1980.

O zagueiro central João Pontes não resistiu a herança do vírus. Seu irmão Daizon Pontes, morreu de um AVC. Não se sabe se também estava contaminado com o vírus da “Hepatite C”.

Também os zagueiros reservas, Lívio e Raul Santos foram abatidos pela “Hepatite”. Igualmente o centroavante Bebeto, conhecido como o “Canhão da Serra”, um dos maiores goleadores do futebol gaúcho. Os últimos foram os pontas Leivinha e Serginho, em 2013.

Estatísticas confirmadas pelos órgãos da Saúde, em Passo Fundo, mostram que desde 2010 já são 17 os remanescentes que acabaram contraindo o vírus “HCV”, todos ex-profissionais do Gaúcho e do 14 de Julho, o outro clube da cidade.

A última lista divulgada tinha os nomes de Marquinhos, Laerte, Mosquito, Mica, Ilo, Lívio, Téio, Pedro, Raul Matté, Marianinho, Machado, Ivan, Cid, Tadeu Bauru, Serginho e Leivinha. Até o massagista Pinto contraiu a hepatite.

Mas essa lista pode ser bem maior, pois ninguém sabe o número completo das vítimas, desde 1980. Muitos saíram da cidade. “Muita gente morreu. Muita gente vai morrer”, alertou o hoje técnico Luiz Freire, um mito que fez nome no Gaúcho, no Caxias, no Inter, Grêmio, Brasil, de Pelotas e Coritiba.

Em 2013, Luiz Freire e seu antigo colega Luiz Carlos, se encontraram em Passo Fundo. Não se viam havia anos. Foi um reencontro emotivo, em que comentaram a morte de Leivinha, também ex-jogador do Gaúcho, outra vítima da “Hepatite C”.

Luiz Freire, 62 anos, e seu irmão Zé Augusto, que hoje mora em Santo Antônio da Patrulha, jamais se injetaram com estimulantes. Segundo contam, aprenderam com o avô, Arnoldo Ellwanger, que era farmacêutico, a não usarem seringas que não fossem as de casa. Aos 14 anos, Luiz Freire já sabia fazer aplicações. Começou profissional no Gaúcho em 1971 e, um ano depois, entrou na faculdade de Medicina.

Sempre que via o enfermeiro no vestiário, advertia os colegas sobre as seringas compartilhadas. Não era ouvido. Já Luiz Carlos também não dava atenção ao amigo. Tomava a glicose porque os demais jogadores tomavam e o regulamento permitia.

O ex-lateral esquerdo, duro marcador de Valdomiro, Flecha e Tarciso, não queria fazer o teste para o vírus “HCV”. Quem o convenceu foi um antigo atacante do Gaúcho, Roberto Antonello que tratou a sua “Hepatite” e se dedicou a persuadir os colegas a fazer o exame. Andava pelo Interior vendendo seguros e aconselhando antigos jogadores.

Havia um 12º jogador daquele time, João Francisco Guimarães, o “Paraná”, que há muito havia deixado Passo Fundo. Ninguém sabia notícia dele, até já fazia parte da lista de mortos da “Hepatite C”.

Agora se sabe que ele não tomava a injeção. Pegava uma ampola, dizia que ia tomar na farmácia, deixava o vestiário e colocava no lixo.
Pinto, o enfermeiro que trabalhava no time do Gaúcho, de Passo Fundo, era funcionário do antigo Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (Samdu).

Em uma salinha, no estabelecimento, fazia aplicações em quem o procurasse e dali saía a domicílio. Orgulhava-se do seu conjunto de 22 agulhas de aço, as peças com as quais infectou inocentemente grande parte de Passo Fundo.

Foi assim que mais da metade da equipe do Sport Club Gaúcho morreu em consequência da “Hepatite C”, que também infectou colegas de outros clubes, inclusive o ídolo Larry do Internacional, de Porto Alegre. É o que mostra excelente reportagem da RBS TV, veiculada em 18 de outubro de 2010.

A contaminação pelo sangue acabou se tornando um flagelo no país e patrocinou tragédias por toda a parte ao longo dos últimos 30 anos.
Faltam dados sobre óbitos relacionados à “Hepatite C” no futebol. E sobre o número de ex-atletas vivendo com o vírus. Se há no país entre 2 e 3 milhões de pessoas infectadas (apenas 150 mil diagnosticadas), estima-se, entre elas, dezenas de milhares de ex-profissionais e amadores contaminados.

O gastroenterologista e hepatologista Hugo Cheinker  já atendeu em sua clínica em Porto Alegre o equivalente a três a quatro times de futebol, incluindo gente com passagem pela Seleção. E garante: “Praticamente, quem faz o teste descobre ser portador da hepatite C”.

A rigor, quem jogou futebol profissional no largo período entre 1960 e 1980 integra o grupo de risco. Deve realizar o teste específico para “Hepatite C”. O “anti-HCV “, não é o mesmo exame de sangue de colesterol e glicose no check-up rotineiro. O teste custa cerca de R$ 20 em laboratórios.

Há uma resistência dos ex-jogadores em procurar ajuda. Preferem evitar a realidade em caso de positivo, embora quanto mais cedo o tratamento se inicie, mais segura é a recuperação.

Contraída a hepatite aguda, o vírus começa a machucar o fígado e progride sem sintomas durante 20, 30, 40 anos, até provocar cirrose e câncer. Daí porque os contaminados dos anos 1970 ainda lidam com a enfermidade. São pessoas hoje com mais de 60 anos.

Um exemplo é Jurandir, ex-Grêmio. Ele foi fazer uma doação de sangue e, dias depois, recebeu uma carta informando sobre sua hepatite C. Ficou apavorado.

Casado há 40 anos, Jurandir buscou tratamento. Um ano depois, havia zerado o vírus. Como o antigo jogador do Grêmio, entre 5 e 7 mil pessoas no país deverão ser diagnosticadas este ano. Se fosse anos atrás, sete testes a mais teriam salvado a vida do time do Gaúcho.

Hoje existe um vírus que é 100 vezes mais contagioso que o “HIV”, mas tem um poder de comoção infinitamente menor. É o vírus da “Hepatite B”. Segundo as estimativas mais conservadoras, 1,5 milhão de brasileiros convive com ele. A maioria sequer desconfia. Só o descobre quando o fígado está destruído.

O médico Drauzio Varella decidiu investigar as “Hepatites”, para entender as condições que contribuem para a transmissão do vírus. Ele esteve numa aldeia “Yawanawá”, no Acre e visitou salões de beleza de São Paulo. Viu que as manicures trabalham em condições inadequadas mesmo nos endereços mais chiques.

A prevalência de “Hepatite” é muito alta no grupo das manicures, um assunto que ninguém comenta. Elas usam equipamento que volta e meia provoca ferimentos. Se a pontinha do alicate entrar em contato com uma gotícula de sangue infectado, pronto. O vírus está ali.

Numa aldeia “Yawanawá”, no Acre, perto de Cruzeiro do Sul, quase no Peru, o médico constatou que 10% dos indígenas têm o vírus. A quantidade de crianças infectadas é enorme. Pegam na infância e não é por transmissão materna.

É por manipulação. Como tem muito mosquito por lá, as crianças são cheias de feridas. Dormem três na mesma rede. Uma encosta a ferida na ferida da outra. Coçam as feridas com os mesmos pauzinhos.

O doutor Drauzio também foi a Salvador entrevistar jogadores de futebol profissionais que contraíram o vírus nos anos 70. Naquela época, se acreditava que era preciso dar vitaminas para os jogadores.

Davam “Glucoenergan” na veia. No intervalo dos jogos, chegavam no vestiário com aquelas caixinhas com seringa de vidro e aplicavam “Thiaminose” e “Complexo B” na molecada toda.

Uma quantidade absurda de “Hepatite B e C” foi transmitida dessa forma. Vários desses jogadores morreram de cirrose. Como muitos pararam de jogar e começaram a beber, todo mundo achava que morriam de cirrose por causa da bebida. Como eles não sabem que tinham “Hepatite C”, bebiam sem saber que corriam riscos.

Até da Seleção de 70 teve jogadores infectados. O médico não quis citar nomes, por razões óbvias. Na Bahia, Varela colheu sangue de 22 ex-jogadores: quatro ou cinco tinham o vírus da “Hepatite C” e não sabiam.

Segundo o médico, as “Hepatites” são doenças negligenciadas, ninguém ouve falar sobre elas. Parece que não têm charme. Não se sabe quantas pessoas têm o vírus. Os dados do Ministério da Saúde não têm o menor valor porque só lidam com os casos notificados.

A “Hepatite A” é a da água suja, provocada pela falta de saneamento básico. Em geral é doença de curso benigno. Mas ela se torna potencialmente mais grave quando a pessoa a adquire na gravidez ou numa faixa etária mais avançada. A “Hepatite B” é transmitida sexualmente e pelo sangue. E também passa da mãe para o feto.

Pelas estimativas mais conservadoras, há no Brasil 1,5 milhão de portadores crônicos do vírus. Ele é 100 vezes mais contagioso que o da “AIDS”. A principal causa de transplante de fígado no Brasil é a “Hepatite B”. Se a doença for descoberta mais cedo, há o tratamento com o medicamento “Interferon”.

A verdade é que não se sabe quantos infectados com “Hepatite” existem  no país. Se somarmos as ”Hepatites B e C”, chegaremos a 2 milhões de pessoas, contra 600 mil infectados com o vírus da “AIDS”.

A grande incidência do vírus da “Hepatite C” entre ex-atletas levou a Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) a iniciar em 2010 uma campanha em âmbito nacional.

Segundo a entidade, a campanha tem o objetivo de alertar toda a comunidade e, em especial, ex-atletas sobre a importância de se fazer o exame que detecta a “Hepatite C”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do S.C. Gaúcho, de Passo Fundo, em 1973. (Foto: Luis Larchesqui. Reprodução publicada no jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Morre goleiro campeão da Copa do Brasil de 1991

Morreu ao início da tarde de ontem (17), o ex-goleiro Alexandre Pandóssio, de 53 anos, completados em 8 de fevereiro, que foi campeão da “Copa do Brasil” pelo Criciúma, em 1991, quando o time era treinado por Luiz Felipe Scolari.

Ele tinha ido durante a manhã até a praia do “Balneário Rincão”, município a 26 quilômetros de Criciúma, para jogar “futevôlei” com amigos, entre os quais “Sarandi”, seu ex-companheiro de equipe.

Ao subir para tocar de cabeça uma bola, Pandossio sentiu-se mal e caiu. De imediato recebeu atendimento de três médicos e de um bombeiro militar ainda no local do incidente e foi levado pelo Corpo de Bombeiros de Içara, que o transferiu, no meio do caminho para Criciúma até a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Na praia, Alexandre havia sofrido sete paradas respiratórias, e no trajeto até o hospital ocorreram outras 20, o que fez com que o coração não resistisse. Ele é o segundo campeão da Copa do Brasil de 1991 a falecer. O primeiro foi o atacante Adilson Gomes, que morreu de aneurisma cerebral em 1996.

Alexandre era natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Antes de jogar no Criciúma, teve passagens pelo Noroeste e Mogi Mirim. Chegou ao “Tigre” em 1990, permanecendo por lá até 1996. Foi campeão catarinense em 1990, 1991 e 1993 e Campeão da Copa do Brasil em 1991.

O time base do Criciúma, campeão da “Copa do Brasil” tinha Alexandre – Sarandi – Vilmar - Altair e Itá - Roberto Cavalo – Gelson – Grizzo - Zé Roberto - Soares e Jairo Lenzi.

Outro grande momento de sua carreira foi ter disputado a “Taça Libertadores da América”, de 1992 pelo Criciúma. O time catarinense foi o primeiro do grupo na primeira fase e avançou até as quartas de final, quando foi eliminado pelo São Paulo de Raí, Palhinha e Müller, treinado por Telê Santana, que conquistou o título da competição e ainda foi campeão mundial naquele ano.

Antes de encerrar a carreira, jogou ainda no União Barbarense (SP) e Gama (DF), onde foi campeão da “Série B” em 1998 e do Campeonato Brasiliense em 1998 e 1999. Depois que pendurou as chuteiras foi auxiliar técnico no próprio Criciúma, o que lhe garantiu experiência para trabalhar como treinador.

Em 2007, deu inicio a nova carreira, treinando o Atlético Rondoniense. No ano seguinte, comandou o “Cidade Azul”, hoje Tubarão. Em 2010 dirigiu o Imbituba, time para o qual retornou em 2012, depois de comandar o Próspera, de Criciúma, em 2011.

Bem estruturado financeiramente, atualmente Alexandre tinha como atividade a de comentarista esportivo da “Rádio Som Maior”, de Criciúma (FM 100,7) e também fazia transações imobiliárias. Deixou a esposa Raquel e os filhos Rafael e Alessandra.

O velório de Alexandre começou na noite de ontem, no "Crematório Millenium", no bairro Liri, em Içara, na “C-445”, onde o corpo será cremado hoje às 17 horas. O prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, emitiu uma nota lamentando o falecimento do ex-jogador:

“A ida precoce de Alexandre Pandóssio afasta a cidade de Criciúma do convívio, acima do ídolo, de um grande homem. Decisivo para uma das maiores façanhas do nosso time, deu-nos o privilégio da escolha pela nossa cidade para viver com a família.

Que Deus ampare e dê forças aos familiares, amigos para suportar esse momento de dor. Perde-se a presença física, mas permanece conosco o exemplo do esportista e ser humano de enorme respeito”. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Avião do Green Cross achado 53 anos depois

Uma expedição de alpinistas encontrou os restos do avião Douglas DC 3, da Linhas Aéreas LAN,  em que viajava a equipe de futebol profissional chilena, do  Green Cross, que em 1961 se perdeu na “Cordilheira dos Andes”, ao Sul do Chile, se chocando contra as montanhas a 3.200 metros de altura.

Na noite do acidente, a delegação do clube chileno havia sido dividida em duas partes. A maioria não quis pegar uma viagem que tinha algumas escalas, e acabou esperando pelo segundo vôo, o do acidente.

No total, morreram 24 pessoas na tragédia, incluindo oito jogadores, o técnico da equipe e o fisioterapeuta. Eles faziam o trajeto entre Osorno e Santiago, depois de um jogo pela Copa do Chile, frente o Provincial Osorno, em 3 de abril de 1961.

O local, próximo à cidade de Linares, é diferente do qual se acreditava ter ocorrido o acidente há quase 54 anos. A descoberta se deu na chamada “Cordilera de Linares”, a 306 quilômetros de Santiago, segundo informou o vespertino “La Segunda”.

O avião está a mais de 3.200 metros de altitude e ainda conserva grande parte da fuselagem. Tem muito material espalhado pelo local, inclusive restos de ossos, disse o membro da expedição de alpinistas, Leonardo Albornoz.  

Na época, o acidente causou grande comoção em todo o mundo, mas a aeronave não foi encontrada, em que pese os esforços por encontrar seus restos.

O que se sabe de concreto é que os destroços do avião não se encontram no local onde todas as publicações oficiais pensavam.  Albornoz disse que o paradeiro exato do acidente não será revelado de momento, para evitar que se transforme em um circuito turístico e por respeito às famílias.

Existe o temor de que ao ser profanado o local, ainda se levem os restos da aeronave como troféus. Albornoz salientou que não pode ser esquecido que ali morreram pessoas e tem de se respeitar as famílias. Além disso, a região onde estão os destroços é de difícil acesso, com vários penhascos, gelo, rios e lagos.

Por enquanto as informações são muito desencontradas. Chegou a ser divulgado que alguns corpos foram resgatados e que tentativas posteriores não encontraram mais o local.

Existem também rumores da existência no local de caixas cheias com pedras, que serviram de caixões no momento em que se realizou o resgate e de outras situações confusas, que com o passar dos anos alimentaram este mítico acidente, convertendo-o numa mistura de história e lenda.

O Green Cross era um clube bastante antigo, tendo sido fundado em 27 de junho de 1916, na cidade de Santiago e participava na época do acidente da Primeira Divisão Chilena. Chegou a ser importante, tendo sido campeão chileno em 1945.

Em 20 de março de 1965, quatro anos depois do acidente, o time deixou Santiago e se fundiu com o Temuco, criando o Green Cross-Temuco. Porém, mais tarde, apenas o nome do segundo clube ficou, e hoje está na Segunda Divisão. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do Green Cross, em 1960. (Foto: Divulgação)

Os alpinistas Leonardo Albornoz e Lower Lopez, idealizadores da busca. (Foto: Jornal "La Segunda) 

Um craque do futebol sul-coreano

Quem pensa que o futebol sul-coreano não revelou grandes jogadores para o futebol mundial, está enganado. Park Ji-Sung, nascido em Goheung, um condado da Coreia do Sul na província de Jeolla do Sul é considerado o melhor futebolista sul-coreano de todos os tempos, e um dos destaques do futebol asiático na história.

Ele nasceu no dia 25 de fevereiro de 1981, e cresceu em Suwon, uma cidade satélite, 30 km ao sul de Seul. Começou a jogar futebol quando cursava o quarto ano do ensino fundamental, tornando-se conhecido como um dos maiores jovens talentos na Coréia do Sul, chamando a atenção de diversos clubes. Já mostrava grande precisão nos passes e era um emérito driblador.

Não demorou para assinar um contrato de profissional com o Kyoto Sanga, do Japão. Depois de uma temporada no clube nipônico, foi convidado pelo seu ex-técnico, Guus Hiddink, para defender o PSV Eindhoven, um dos principais clubes da Holanda.

Hiddink assumiu a direção técnica do time holandês, logo após a Copa do Mundo de 2002. E chamou os jogadores sul-coreanos Park e Lee Young-Pyo. Enquanto Lee se tornou em pouco tempo titular da equipe, Park teve muitas dificuldades em razão de seguidas leões.

Ao final da temporada 2003-04, Park já tinha se adaptado bem ao futebol holandês e também ao país. Na temporada 2004-05, com a saída de Arjen Robben para o Chelsea, ele ganhou novas oportunidades no time e não demorou para ser titular absoluto  de um meio-campo que contava com Johann Vogel, DaMarcus Beasley e os holandeses Mark van Bommel e Philip Cocu.

Os torcedores passaram a gostar muito dele e até criaram uma canção em sua homenagem, chamada de "Canção para Park". lançada especialmente para o álbum do time.

Ao término da temporada 2004-05, Park transferiu-se para o Manchester United, da Inglaterra, que tinha como técnico o famoso Alex Ferguson. Assinou um contrato de 4 anos, ganhando 4 milhões de Euros.

Park se tornou o primeiro futebolista asiático a ser capitão do Manchester United, depois de receber a braçadeira de Ryan Giggs, quando o substituiu durante um jogo em casa pela “Champions League”, contra o Lille, no dia 18 de outubro de 2005.

Park marcou o seu primeiro gol com a camisa do Manchester, no dia 20 de dezembro de 2005, durante a vitória por 3 X 1 sobre o Birmingham, pela 5ª rodada da “Carling Cup”.

Com uma lesão no joelho que teimava em não curar, em abril de 2007, Park foi aos Estados Unidos para fazer uma cirurgia. Mesmo afastado por lesão durante a maior parte da temporada, ele ainda participou de alguns jogos, tornando-se o primeiro jogador sul-coreano a conquistar a “Premier League”.

Depois de derrotar o Barcelona, de Leonel Messi e Companhia, o Manchester United chegou a final da “Liga dos Campeões da UEFA 2008-08”. Nesse jogo, Park foi escolhido como o melhor em campo, depois de uma exibição de gala.

A final contra o Chelsea aconteceu no dia 29 de abril de 2008, mas Park não foi relacionado pelo técnico Alex Ferguson, que afirmou posteriormente ter sido essa uma das decisões mais difíceis que teve de fazer ao longo de sua carreira como treinador.

O Manchester foi campeão, em jogo disputado no Estádio Luzhniki, em Moscou, e decidido nas penalidades máximas, depois de empate em 1 X 1 nos 90 minutos. Dessa maneira, Park se tornou o primeiro jogador sul-coreano a vencer essa competição.

Em 2010 o United perdeu a “Liga dos Campeões da Europa” para o Bayern Munique, e a “Premier League” para o Chelsea. Em 14 de setembro de 2009, Park assinou uma extensão de contrato de três anos com o United, para permanecer no clube até 2012.

Depois de ter participado da Copa do mundo da África, pela Seleção de seu país, Park foi deixado de fora de alguns jogos do Manchester no Campeonato Inglês, por decisão técnica. Depois foi ficou fora do clube para jogar a Copa da Ásia de 2011, sua última competição internacional pela Coréia do Sul, retornando ao Manchester em fevereiro.

De retorno ao seu clube, Park foi peça fundamental na conquista do título da “Premier League”. E depois, teve atuações decisivas nos jogos válidos pelas quartas de finais da “Liga dos Campeões da UEFA” de 2010-11, contra a equipe do Chelsea, levando o Manchester a uma nova final, dessa vez contra o poderoso Barcelona de Lionel Messi, Andrés Iniesta, Xavi Hernández e companhia.

Esteve em campo durante os 90 minutos daquela final no Estádio de Wembley, mas nada pode fazer para evitar a derrota de sua equipe por 3 X 1, que terminou como vice-campeão da competição.

Na temporada 2012-2013, depois de sete anos, deixou o Manchester, se transferindo para o  Queens Park Rangers,  onde teve como companheiros de equipe os brasileiros Júlio César e Fábio Silva, que estavam emprestados. Ficou apenas uma temporada por lá, visto que o time foi rebaixado para a “Football League Championship”, a Segunda Divisão do Campeonato Inglês.

Na temporada 2013-2014 estava de volta ao PSV, levado pelo seu ex-companheiro de equipe no próprio time holandês, Philip Cocu. Mas o sul-coreano não conseguiu repetir o mesmo sucesso de sua passagem anterior pelo clube. Jogou somente 25 partidas e marcou 2 gols.

No dia 3 de Maio do ano passado, Park jogou sua última partida como atleta profissional, uma vitória do PSV por 2 X 0 em cima do NAC Breda pela “Eredivisie”. Dias depois, ele anunciou a aposentadoria, aos 33 anos de idade, em entrevista acontecida no Centro de Futebol JS, que leva suas iniciais e está instalado em Suwon, cidade onde cresceu.

Pela Seleção da Coreia do Sul, Park participou das Copas do Mundo de 2002, 2006 2010, sendo destaque do seu país em todas as participações. Escreveu seu nome na seleta lista de jogadores que marcaram gols em 3 Copas diferentes, ao lado de Ronaldo, Klose e Pelé.

Nos 3 jogos das Copas do Mundo em que marcou gols, sua seleção nunca perdeu. Esses jogos foram: Coréia do Sul 1 X 0 Portugal, em 2002; França 1 X 1 Coréia do Sul, em 2006 e Coréia do Sul 2 X 0 Grécia, na Copa de 2010. Foi capitão da sua seleção nas Copas de 2006 e 2010.

Em 31 de janeiro de 2011, aos 29 anos, Park já havia anunciado que não mais jogaria pela Seleção sul-coreana. Isso, depois de um terceiro lugar de seu país na “Copa da Ásia”, quando perdeu a semifinal para o Japão, que se sagrou campeão. Na ocasião disse que era hora de dar chances aos novos talentos.

Foi eleito “Man of the Match” no jogo França 1 X 1 Coréia do Sul, pela fase de grupos da Copa 2006. Vale lembrar que o time francês contou na ocasião com a presença em campo do jogador Zinedine Zidane no auge de sua carreira, e que seria depois eleito pela FIFA o melhor jogador da competição.

Embora tenha conquistado grandes títulos em sua vitoriosa carreira, nunca conseguiu ser campeão de nada pela Seleção Sul-Coreana. A campanha de maior relevância para ele na Seleção foi chegar as semifinais da Copa do Mundo de 2002, que foi sediada em sua própria casa, na Coréia do Sul e no Japão. A seleção de Park foi eliminada para seleção da Alemanha pelo placar de 1 X 0. (Pesquisa: Nilo Dias)

Park, quando jogava pelo Manchester United, da Inglaterra. (Foto: Divulgação) 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Os 100 anos do "Leão da Cantareira"

O Jabaquara Atlético Clube, de Santos (SP), foi fundado em 15 de novembro de 1914. É mais um clube centenário do futebol brasileiro e uma das entidades fundadoras da atual Federação Paulista de Futebol. Quando da fundação se chamava Hespanha Foot-ball Club.

O clube surgiu graças a um grupo de jornaleiros espanhóis, ou "tribuneiros", como eram conhecidos, que tinham interesse em organizar um time de futebol na região em torno do atual bairro do Jabaquara.

Já havia um time de espanhóis na localidade, o Afonso XIII, nome de um monarca espanhol, que não parecia muito adequado para um clube sediado no Brasil, um país republicano.

A reunião de fundação foi realizada na casa de José Domingues, um zelador que residia na “escada de pedras” da pedreira, no final da atual rua Rangel Pestana, próximo à subida do morro da Nova Cintra.

E foi “Nova Cintra” o primeiro nome cogitado para batizar o novo clube, por ser nome do morro onde morava a maioria dos espanhóis em Santos. O nome “Jabaquara” também foi sugerido, por ser o local do campo de futebol.

Um senhor negro, ex-escravo, sugeriu o nome “Hespanha”, tendo em vista o grande número de espanhóis associados, e foi esta última idéia aceita por todos sem mais discussão. Assim nasceu o “Hespanha Foot-ball Club”, com as cores da bandeira espanhola: amarela e vermelha.

A primeira diretoria foi escolhida em caráter provisório: Luiz Lopez Ramos (presidente); Ricardo Rodriguez (vice-presidente); José Giraldez Batalha, Cristóvão Ramos, João Alves Lopez e Odillo Prieto Garcia, nos demais cargos.

Pouco tempo depois o senhor Luiz Lopez Ramos renunciou à presidência, assumindo o vice, senhor Ricardo Rodriguez. Em 1916 o Hespanha já havia registrado seus estatutos e realizou a primeira eleição oficial. Foi eleito presidente o senhor Odillo Prieto Garcia.

O primeiro jogo oficial da história do Hespanha aconteceu em 1916, frente o Clube Afonso XIII, formado na maioria por espanhóis, que se reuniam em uma área das proximidades da pedreira do Contorno, no bairro do Jabaquara.

O resultado do jogo foi um empate em 1 X 1. A partida se constituiu num grande acontecimento, em que não faltaram discursos, flores e banda de música.

Em 1917 o Hespanha Foot Ball Club disputou o primeiro campeonato oficial, promovido pela Liga Santista de Jogos Atléticos. No mesmo ano, promoveu um jogo contra o temido time da São Paulo Railway Athletic Club (SPR), que dias antes havia goleado o Corinthians Paulista por 5 X 2.

A equipe do Hespanha era formada por Atanásio – Cotó e Luiz Campeão – Lagreca – Dominguinho e Armando – Marrieto – Bertoni – Manequinho - Camilo e Belmiro. O Hespanha venceu por 2 X 1 e a renda somou 865 mil réis, quantia que resolveu a péssima situação financeira em que se encontrava o clube.

O evento terminou à noite, com um jantar de confraternização. A alegria era tanta que jogadores e torcedores saíram em corso pela cidade, carregando a taça, a bola e a bandeira,

Em 1918 conquistou o seu primeiro título, campeão da “Taça Grande Café D’Oeste”, feito que se repetiu nos anos de 1919 e 1920, o que lhe garantiu a posse em definitivo do troféu. Em 5 de dezembro de 1920, participou como convidado na inauguração do “Estádio Ulrico Mursa”, da Associação Atlética Portuguesa.

Na ocasião, o Hespanha enfrentou o Brasil Futebol Clube, empatando por 1 X 1. Os outros jogos do evento foram Portuguesa 1 X 1 Palestra e SPR 0 X 0 América.

Em 14 de dezembro de 1924 o Hespanha inaugurou o “Estádio Antônio Alonso”, localizado no bairro do Macuco, que levou o nome do seu proprietário.

Entre 1927 e 1930, mesmo não ganhando títulos, o Hespanha permaneceu entre os primeiros colocados no mais importante torneio de amadores da época: vice campeão da Liga de Amadores em 1927 e 3° colocado em 1928.

Com o tempo o time foi ganhando respeito, não tomando conhecimento dos chamados “grandes” do futebol paulista. Tinha jogadores que sempre demonstravam muita garra e vontade, casos de Gomes, Apelian, Dito, Manolo, Marreiros, Vilas, Argentino, Izolino, Espoleta, Tito e Passos. Por causa disso, os torcedores apelidaram o onze dos espanhóis de “Leão do Macuco”.

O Hespanha disputou a Primeira Divisão Paulista (atual A-1) entre os anos de 1927 a 1963, com apenas sete ausências. Atualmente faz parte da Série B (Quarta Divisão) do Campeonato Paulista de Futebol, organizado pela FPF.

O primeiro jogo de caráter internacional da história do Hespanha, aconteceu no dia 29 de março de 1930, quando enfrentou e venceu por 3 X 2 a Seleção de Buenos Aires, com um gol de Cassoli e dois de Bento.

Em 1939, o terreno onde se situava o estádio do Hespanha foi vendido pelo seu proprietário, o senhor Antonio Alonso. Mas ele não deixou o clube na mão, doou uma quantia suficiente para a compra de um terreno próprio.

Enquanto o novo estádio não saia do papel, o Hespanha passou a utilizar em seus jogos o Estádio Ulrico Mursa, da Portuguesa Santista. Só nos anos 40 que o clube adquiriu uma área na Ponta da Praia, próximo de onde hoje se situa o Aquário Municipal.

O local não gozava de boa reputação, pelo contrário, era considerado um dos piores bairros de Santos. Não tinha nenhuma infraestrutura e sofria com problemas de alagamentos. Em tal local, o máximo que se pode fazer foi construir um campo para treinamentos.

O Hespanha foi um dos clubes fundadores da Federação Paulista de Futebol, em 22 de abril de 1941, ao lado de Clube Atlético Ypiranga, Sport Club Corinthians Paulista, Santos Futebol Clube, Sociedade Esportiva Palmeiras, Associação Atlética Portuguesa Santista, Nacional Atlético Clube, Associação Portuguesa de Desportos, Clube Atlético Juventus, São Paulo Futebol Clube e Comercial Futebol Clube.

No início da década de 1940, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, houve a necessidade de mudança do nome de Hespanha, em razão de um decreto governamental que proibia entidades de usarem denominações que lembrassem os países do “Eixo”.

Foram cogitados os nomes de “XV de Novembro”, “Cruzeiro do Sul”, e outros, mas a escolha recaiu em Jabaquara, por sugestão do associado Raul Vasquez Rios, que quis homenagear o bairro onde o clube surgiu e onde se situava o seu primeiro campo de futebol.

Isso aconteceu no dia 7 de novembro de 1942. Mesmo sendo o fim de uma era, a Diretoria organizou no Restaurante Bodega, aquilo que se denominou de “o banquete do adeus”. Na ocasião, chegou a ser ensaiado alguns gritos de “JAC”, as iniciais do novo nome.

Mas essa idéia não prosperou. O repórter esportivo Adriano Neiva da Motta e Silva, o famoso “De Vaney”, não gostou do que ouviu, e na edição seguinte do “Jornal de São Paulo”, em sua coluna “O Esporte”, chamou o clube de “Jabuca”, que de cara caiu no gosto da torcida.

No período entre 1940 e 1957, sob o comando do técnico Arnaldo de Oliveira, o “Papa”, o Jabaquara revelou vários jogadores para o futebol paulista e brasileiro, entre os quais o goleiro Gilmar, que depois jogou no Corinthians e foi campeão mundial pelo Santos e Seleção Brasileira.

E ainda Osvaldo da Silva, mais conhecido por Baltazar, que se notabilizou no Corinthians como o “Cabecinha de Ouro” e que tinha como maior virtude o cabeceio.

Outros craques formados no time de Santos foram Marcos, que jogou no Corinthians; Feijó, Getúlio, Ramiro e Álvaro, que brilharam no Santos; Célio, que defendeu o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro e Melão, que depois de atuar no Santos, foi para o futebol italiano.

Em 1944, o Jabaquara formou um dos melhores times de sua história. O ataque era sensacional, com Doca – Baltazar – Bahia - Leonaldo e Tom Mix.

Em dezembro daquele ano obteve vitórias expressivas sobre o São Paulo (3 X 2) e Corinthians (5 X 2), com três gols de Baltazar, um de Tom Mix e um de Alemãozinho.

Dai para a frente o time teve altos e baixos. Em 1945 foi quinto colocado no “Paulistão”. Depois passou por nova crise financeira. Em 1954, por pouco não foi rebaixado para a Segunda Divisão.

No início dos anos 50, o Jabaquara vendeu a área de seu campo de treinos, na Ponta da Praia, o que não livrou o clube de suas dificuldades financeiras. E foi assim que o time, sem campo próprio e contrariando mais de 40 anos de tradição, passou a treinar em São Vicente, em um gramado emprestado.

Em 1957 todos previam o fim do clube, que não tinha campo e o time era de regular a ruim. Foi quando a Diretoria contratou o técnico argentino Nelson Filpo Nunes ou "Dom Filpo", como era carinhosamente chamado. Ele levantou o time, que passou a vencer quase todos os jogos.

Em 31 de julho de 1957, a noite, o Jabaquara escreveu uma das mais bonitas páginas de sua história, quando derrotou em plena Vila Belmiro, ao Santos de Pelé e companhia, por 5 X 3, e de virada. Em 22 minutos de jogo o Santos já havia feito 3 X 0. A imprensa chamou aquele jogo de “Terremoto na Vila”.

Pasmem. O Jabaquara colocou em seu time um zagueiro desconhecido, que ao final do jogo se soube ser Oswaldo Malcriado, o tesoureiro do clube, escalado pelo técnico Filpo Nuñes para completar o quadro de 11 jogadores.

Depois disso "Dom Filpo" passou num constante vai e vem no Jabaquara. Em 1959, o técnico mais uma vez evitou o rebaixamento. Mas em 1963, não deu mais para fazer milagres.

Quando faltavam dois jogos para disputar e precisando vencer os dois, para poder disputar a vaga com a Prudentina, penúltima colocada, a coisa ficou feia. Um desses jogos era contra o Santos. Não deu outra, o time de Vila Belmiro ganhou de goleada, 5 X 3, e o Jabaquara caiu para a 2ª Divisão.


Em 1961, o clube conseguiu comprar uma grande área no bairro da Caneleira. O terreno, com 67.380 m2, de propriedade de José Ferreira, recebeu como garantia e sinal da transação, um cheque de CR$ 1 milhão, adiantado pelo desportista Manoel Ramos Lopes. Em janeiro de 1963, o terreno já estava totalmente quitado.

A área era bem maior que o necessário. Para se ter uma idéia, a Vila Belmiro mede 18 mil m2. Mas nenhum torcedor ou sócio do clube admitia a idéia de vender um metro quadrado sequer da área para investir dinheiro no futebol. Talvez fossem lembranças amargas do passado sem campo.

Em março de 1964 o Jabaquara realizou a sua primeira excursão ao exterior, jogando alguns amistosos na Argentina. Em 1967, teve de pedir licenciamento da Federação Paulista de Futebol, deixando o profissionalismo e se dedicando apenas às competições amadoras.

Em 1971 o clube inaugurou o "Estádio Hespanha", localizado na avenida Francisco Ferreira Canto, 351, no bairro da Cantareira, na divisa com o município de São Vicente. Na ocasião passou a ser chamado por seus torcedores de "Leão da Cantareira".

O festival de inauguração contou com estes jogos: Itararé 1 X 0 Jabaquara (Veteranos); Barreiros 3 X 2 Horto Municipal (Principal); Jabaquara 2 X 1 Pasteur (Infantis); Pasteur 1 X 0 Jabaquara (Amadores) e Jabaquara 0 X 0 Fefis (Principal).

Em 1976, sem gastos com o futebol, o Jabaquara conseguiu terminar o seu ginásio sócio-esportivo, que recebeu o nome de “José Vilarinho Cortês”.  Em 1977 o time voltou ao profissionalismo, dessa vez para disputar a “Terceira Divisão”.

Seu primeiro jogo foi contra o M.A.F., de Piracicaba, com vitória de 5 X 3. (M.A.F. são as iniciais do empresário Manoel Ambrósio Filho, proprietário da indústria de máquinas de costura Leonan, que dava apoio financeiro para o time.)

Em 1980, por ser clube fundador da Federação Paulista de Futebol, disputou como convidado o campeonato da 2ª Divisão intermediária, mas no final acabou voltando à 3ª Divisão. Em 1983, uma manobra de Nabi Abi Chedid aumentou o número de times da 2ª Divisão, e o Jabaquara subiu automaticamente. Mas de nada adiantou porque foi novamente rebaixado no final.

Em 1987, em comemoração ao seu 73° aniversário, jogou um amistoso contra o São Bento, de Sorocaba, quando vestiram a camisa rubro-amarela os campeões mundiais Clodoaldo e Rivelino e o santista Douglas. O Jabaquara venceu por 1 X 0.

Em novembro de 1991, o Jabaquara concluiu um novo sistema de iluminação para o "Estádio Hespanha". Na inauguração promoveu dois amistosos, perdendo para o Santos por 2 X 0 e empatando com a Portuguesa Santista em 0 X  0.

Em 1993, disputando com 56 equipes, sagrou-se campeão paulista da Terceira Divisão. Em 1995 foi campeão paulista invicto de Juniores, da Segunda Divisão. Em 1997 teve o artilheiro do campeonato da B1-A da Federação Paulista de Futebol, Sérgio Miler, com 26 gols.

Em 2002 o Jabaquara foi campeão paulista da Série B-3, quando manteve uma invencibilidade de 23 jogos, a maior série de sua história. Em 2004, o clube festejou uma boa condição financeira, com todos os seus compromissos rigorosamente em dia.

Em 2004 o “Jabuca” disputou o Campeonato Paulista da Série B-2, chegando à segunda fase da competição e terminando na 11ª posição da classificação geral, com uma invencibilidade de 23 jogos.

No ano de 2006, o time fez uma de suas piores campanhas no Campeonato Paulista da Quarta Divisão. Em 2007, através de uma parceria com a equipe do Litoral Futebol Clube, chegou às quartas de final do Campeonato Paulista da Quarta Divisão.

Em 2008 o Litoral Futebol Clube, clube de um projeto social idealizado por Pelé, foi anexado ao Jabaquara. Com isso a equipe conseguiu apoio para as disputas da Série B estadual e para as categorias de base, além de um patrocínio com a empresa alemã "Puma", fornecedora de materiais esportivos.

Além do Jabaquara, o recém criado Monte Alegre e o Paulista de Jundiaí também fazem parte do projeto.

Títulos. Estaduais: Campeão - Série A3 (1993); Campeão Paulista - Segunda Divisão (2002); Campanhas de Destaque: Taça Grande Café D'Oeste (1918, 1919 e 1920); Vice-Campeão Paulista Sub-20 - 2ª Divisão (2011 e 2012); Vice-Campeão Paulista (1927). (Pesquisa: Nilo Dias)

Linha de ataque do Jabaquara em 1944: Doca, Baltazar, Bahia, Leonaldo e Tom Mix. (Foto: Arquivo fotográfico do clube)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A aposentadoria de um craque

Juan Román Riquelme, um dos maiores jogadores do futebol argentino de todos os tempos, anunciou domingo (25) a sua aposentadoria, aos 36 anos de idade, depois de encantar os torcedores do mundo todo por vários anos.

O Cerro Porteño do Paraguai, queria contratá-lo, mas o jogador não se sentiu motivado. Foi um excelente cobrador de faltas e um dos mais talentosos craques argentinos de sua geração.

Nascido em Buenos Aires no dia 24 de junho de 1978, começou a carreira como amador no Argentinos Juniors, antes de se mudar para o Boca Juniors, onde ganhou títulos e fama, sendo um dos maiores ídolos da história do clube.

No time de “La Bombonera” foi bicampeão da Copa Libertadores da América, em 2000 e 2001, e do Mundo em 2000, ao vencer o espanhol Real Madrid na decisão. Em 2002, depois de ser cobiçado pelos grandes clubes da Europa, foi jogar no Barcelona, onde ficou um ano, não tendo maior destaque.

Acabou indo para o Villarreal, onde foi o grande nome, talvez motivado pelas presenças de outros jogadores sul-americanos como o argentino Sorín, o uruguaio Diego Forlán e o brasileiro naturalizado espanhol, Marcos Senna.

Com eles, o clube alcançou um inédito terceiro lugar no Campeonato Espanhol na temporada 2004/05, conquistando vaga para a “Liga dos Campeões”.

Na maior competição do futebol europeu, Riquelme voltou a ser o grande destaque de sua equipe, que conseguiu chegar a semifinal, depois de eliminar gigantes do velho continente como Manchester United, da Inglaterra e Internazionale, da Itália.

Na semifinal contra o Arsenal, Riquelme deu azar e errou um pênalti e viu sua equipe ser eliminada. Depois disso, nunca mais repetiu as grandes atuações que o consagraram na equipe espanhola.

Pela Seleção Argentina foi chamado pela primeira vez, aos 14 anos, para o time juvenil, pelo técnico José Pekerman. Pelo elenco principal disputou a Copa do Mundo de 2006, a Copa das Confederações de 2005, a Copa América de 2007 e os Jogos Olímpicos de 2008. No Mundial da Alemanha, usou a camisa 10 e foi o principal jogador do time.

Riquelme queria ajudar seu país a ser tricampeão mundial, em 2006, mas a eliminação veio nas quartas de final, numa decisão por pênaltis, justamente contra os alemães, donos da casa.

Depois da Copa, voltou ao Villareal, quando teve uma série de desentendimentos com o técnico do time, o chileno Manuel Pellegrini, que o afastou da equipe.

Sem clima e bastante desgastado, o craque regressou em fevereiro de 2007 ao Boca Juniors, por um período de empréstimo de apenas seis meses e recebendo um dos maiores salários da América do Sul.

No retorno ao clube argentino, Riquelme voltou a ser o jogador brilhante de antes, tendo realizado jogos magníficos e inesquecíveis na Copa Libertadores.

Na final contra o Grêmio, que valeu seu terceiro título na competição continental e o sexto na história do Boca Juniors, marcou gols importantes e deu show de técnica e categoria. De quebra, ainda foi eleito o craque do campeonato.

Na sua brilhante trajetória pelos gramados sulamericanos, Riquelme, com a camisa do Boca Juniors, não perdoou Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro e Corinthians, sendo um implacável carrasco desses clubes.

No retorno ao Villarreal encontrou o mesmo clima hostil de antes. Não jogou durante todo o segundo semestre de 2007. Disse aos dirigentes do clube espanhol que aceitava ganhar menos para voltar ao Boca Juniors.

Em janeiro de 2008, após muitas negociações, o time espanhol o negociou definitivamente com o Boca Juniors. Pelo Villarreal disputou 187 jogos e marcou 51 gols.

Riquelme foi o camisa 10 da Seleção Argentina até Diego Maradona assumir a função de técnico da equipe, durante as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. E os dois não se entenderam, o que fez com que o craque se recusasse a continuar jogando na Seleção, com Maradona de técnico, alegando não gostar de seu novo posicionamento em campo.

A partir dai a camisa 10 do "scratch" argentino passou para Lionel Messi. Mesmo assim a Argentina não foi além das quartas de final na Copa da África, tendo sido eliminada novamente pela Alemanha, dessa vez com uma goleada de 4 X 0, que resultou na saída de Maradona do comando técnico.

Com isso Riquelme abriu as portas para voltar a equipe nacional, colocando-se a disposição do novo técnico, Sergio Batista. No entanto, este não emplacou por muito tempo, sendo demitido após a Copa América de 2011, sem nunca o ter convocado. Sabella, que substituiu Batista, igualmente não o convocou nenhuma vez, talvez em razão de sua idade avançada.

O gol mais especial da carreira de Riquelme, foi contra o Brasil, em 2005, um retrato fiel de todas as suas qualidades. Primeiro, o meia deu um lindo toque de calcanhar para Mascherano. Depois, recebeu de Lucho González, girou facilmente sobre Roque Júnior e acertou um chute belíssimo, sem chances para Dida.

Crespo marcou os outros gols argentinos e Roberto Carlos descontou para o Brasil na vitória dos anfitriões por 3 X 1, no “Monumental de Núñez”.

Domingo, quando anunciou sua aposentadoria, Riquelme mostrou que não guardou mágoas de Maradona, pelos desentendimentos na Seleção. Ele até elogiou o antigo treinador, dizendo que ele era único e o maior da história.

Para o seu filho, é Messi, o maior nome da história do futebol argentino. Riquelme disse que se criou com o Maradona, e seu filho com o Messi. Acentuou que os argentinos são afortunados e ele teve a sorte de jogar com os dois.

Riquelme chegou a lembrar a convivência com Maradona no Boca Juniors, salientando que só ver o aquecimento dele, já era suficiente, se podia ir para casa feliz.

Na Copa Libertadores de 2012, depois do seu clube ser derrotado pelo Corinthians na decisão do título, Riquelme declarou que não pretendia continuar jogando no Boca Juniors.

Quase acertou sua vinda para o futebol brasileiro, pretendido pelo Atlético Paranaense e Palmeiras. Ficou sete meses sem jogar, e acabou acertando a continuidade no time de “La Bombonera”.

O ano passado jogou no Argentinos Juniors, da Segunda Divisão, ajudando o time a voltar para a elite do futebol porteño. Foi o clube que o revelou para o futebol e no qual havia jogado somente na juventude. Essa equipe ainda foi responsável por revelar jogadores como Maradona e Sorín. Assinou por 18 meses e já na estreia marcou um gol.

O agora ex-jogador deixou claro que jamais conseguiria enfrentar o seu clube de coração, algo que aconteceria na temporada 2015 caso continuasse no Argentinos. "Eu não poderia jogar contra o Boca, essa é a realidade. Tenho um sentimento especial. É meu clube, minha casa", afirmou.

Em entrevista ao canal ESPN neste domingo, o argentino manifestou o desejo de organizar uma partida de despedida e prometeu continuar frequentando as partidas do Boca Juniors, agora na condição de torcedor.

Riquelme gostava de dizer que jogou no melhor time da história do Boca. Foram 40 jogos sem perder, ganhando até do Real Madrid. O time tinha, Córdoba, Ibarra, Samuel, Delgado, Serna e Palermo, entre outros. Era como o Barcelona de Guardiola.

O ex-craque diz que agora vai ser torcedor e sofrer com o Agustín (seu filho), nos jogos do Boca Juniors. Os dois são fanáticos e com certeza serão vistos no estádio com frequência.

Títulos conquistados: Boca Juniors. Campeonato Argentino, Clausura: (1998, 1999, 2000, 2001, 2008, 2011); Copa Libertadores da América: (2000, 2001 e 2007); Copa Intercontinental: (2000); Campeão Mundial de Clubes (2000); Recopa Sul-Americana: (2008); Copa Argentina: (2011-12). Villarreal. Copa Intertoto da UEFA: (2003 e 2004). Barcelona. Troféu Joan Gamper: (2002 e 2003). Seleção Argentina. Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20: (1997); Campeonato Mundial de Futebol Sub-20: (1997); Torneio Internacional de Toulon: (1998) e Ouro nos Jogos Olímpicos: (2008).

Individuais. Revelação do Campeonato Argentino: (1997); Revelação de Ouro (Clarín de Ouro): (1997); Consagração de Ouro (Clarín de Ouro): (2000 e 2001); Equipe Ideal do Sul-Americano Sub-20: (1997); Melhor Jogador do Torneio de Toulon: (1998); Melhor jogador das Américas:  (2000 e 2001); Melhor jogador estrangeiro da Liga BBVA (Don Balón): (2004-05); Jogador mais técnico e habilidoso da Liga BBVA (Diário Marca): (2004-05); Jogador com mais assistências da Liga BBVA: (2004-05); Melhor jogador da Liga BBVA (por comentaristas e jogadores do Diário Marca): (2004-05); Melhor jogador argentino no estrangeiro (Clarín de Ouro): (2005); Bola de Prata da Copa das Confederações: (2005); Equipe Ideal das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA: (2006); Jogador com mais assistências na Copa do Mundo FIFA: (2006); Bola de Prata da Copa América: (2007); Equipe Ideal da Copa América: (2007); Jogador com mais assistências da Copa América: (2007); Chuteira de Prata da Copa Libertadores: (2007); Melhor jogador da final da Copa Libertadores: (2001 e 2007); Melhor jogador da Copa Libertadores: (2000, 2001 e 2007); Melhor jogador da América (Fox Sports): (2007 e 2008); Consagração do Campeonato Argentino (Clarín de Ouro): (2000, 2001, 2007, 2008 e 2011); Seleção Ideal das Américas: (1999, 2000, 2001, 2007, 2008 e 2011); Jogador argentino do ano (Olimpia de Plata): (2000, 2001, 2008 e 2011); Melhor jogador do ano (Olé): (2012); Seleção da Copa Libertadores: 2000, 2001, 2007, 2008 e 2012).

Outros. Jogador com mais assistências na história do futebol pela FIFA; Jogador não-atacante com mais gols na Copa Libertadores; Eleito o melhor jogador da história do Boca Juniors (por sua torcida); Eleito o melhor jogador da história do Villareal (de presidente para o mundo inteiro); Nominado a Bola de Ouro e melhor jogador do mundo da FIFA e France Football: (2005, 2006, 2007 e 2008); Segundo melhor batedor de faltas do mundo pela FIFA: (2008); Nominado a Bola de Ouro da Copa do Mundo FIFA: (2006); Ballon d'Or: (2005 e 2007); Sexto melhor jogador do Mundo (World Soccer): (2005); Sétimo melhor jogador do Mundo (World Soccer): (2006); Quinto melhor jogador do Mundo (World Soccer): (2007); Quarto melhor criador de jogadas do mundo (IFFHS): (2007); Terceiro maior artilheiro do mundo (IFFHS): (2007) e Seleção de todos os tempos da Copa Libertadores. (Pesquisa: Nilo Dias)


domingo, 25 de janeiro de 2015

Morre um campeão brasileiro de 1978

Morreu na madrugada de hoje aos 67 anos, em Londrina (PR), o ex-goleiro Hélio Miguel, mais conhecido por “Neneca”, que ganhou fama ao se sagrar campeão brasileiro de 1978 pelo Guarani, de Campinas (SP). 

Desde novembro de 2014 ele vinha lutando contra um mieloma múltiplo, doença hematológica maligna que afeta originalmente a medula óssea e se caracteriza pelo aumento do plasmócito, além atingir também os ossos. Amigos e familiares contaram que o ex-goleiro chegou a tomar morfina para livrar-se das dores.

“Neneca” estava internado há cinco dias no Hospital do Câncer de Londrina, onde morreu por volta das 3 horas da madrugada de hoje. O velório acontece na Capela 2 do Cemitério Parque das Oliveiras, na sua terra natal e o sepultamento está previsto para amanhã, segunda-feira, às 10 horas, no Cemitério Padre Anchieta. "Neneca" teve ao todo sete filhos – um deles já falecido – com três mulheres diferentes.

O ex-goleiro era natural de Londrina, onde nasceu em 18 de dezembro de 1947. Ainda muito jovem, apreciava jogar como atacante antes de ser praticamente encaminhado para debaixo das traves. 

Sua carreira começou na Portuguesa Londrinense e logo em seguida passou a atuar pelo extinto Paraná Esporte Clube, onde assinou seu primeiro compromisso profissional. Esse clube se fundiu com o Londrina Futebol e Regatas, dando origem ao atual Londrina Esporte Clube.

Depois de um período de testes no Santos foi para o América (MG). Estreou no time mineiro em 1973, num jogo contra o Botafogo, do Rio de Janeiro, válido pelo Campeonato Brasileiro, quando defendeu um pênalti.

Em 1974 jogou no Náutico, de Recife, onde foi recordista nacional por ficar 1.636 minutos, mais de 18 partidas, sem tomar gol. Ele perde apenas para Mazaropi, do Vasco da Gama, que ficou 1.816 minutos sem ser vazado entre 1977 e 1978. No time pernambucano, “Neneca” foi campeão estadual. Em 1976, chegou ao Guarani, onde em 1978 foi campeão brasileiro.

Do Guarani foi para o Operário (MT). Não demorou muito por lá, retornando ao Londrina onde jogou de 1981 a 1984 e em 1986, sendo campeão paranaense em 1981. Defendeu ainda o Bragantino, Fluminense (BA), Votuporanguense (SP), Bandeirantes, de Bandeirantes (PR) e Nove de Julho, de Cornélio Procópio (PR), onde encerrou a carreira em 1988


"Neneca" destacava-se pela altura, já que na ocasião não era comum goleiros altos. Também tinha ótima colocação e reflexos apurados. Depois de aposentado dedicou-se a jogos pela Seleção Brasileira Master e preparação de goleiros em alguns clubes, entre os quais o próprio Londrina.

Guarani e Londrina emitiram notas oficiais lamentando a morte de “Neneca”. O clube de Campinas destacou a perda de mais um ídolo em sua história. Já o time paranaense disse estar de luto e se solidarizou com os familiares e amigos do ex-jogador.

“Neneca” alcançou o ápice da carreira como jogador profissional, quando defendeu o Guarani. Sua primeira conquista com a camisa do Bugre foi o titulo do primeiro turno do campeonato paulista de 1976. Depois, foi campeão brasileiro em 1978, quando venceu o Palmeiras duas vezes por 1 X 0, uma em São Paulo e outra em Campinas.

Do pé direito do goleiro partiu uma bola que terminou no domínio de “Careca”, e no gol da vitória sobre o Palmeiras, que garantiu a maior conquista da história da agremiação campineira, no dia 13 de agosto de 1978. O Guarani divide com o Santos a honra de serem os únicos clubes fora de capitais, a se sagrarem campeões nacionais.

Todos que o conheceram dizem que se tratava de um dos líderes daquele grupo jovem de jogadores. Era um dos mais experientes do elenco campeão, que jamais será esquecido por seu jeito simples e humilde de ser, fosse dentro ou fora de campo.

O time do Guarani campeão brasileiro de 1978 era o seguinte: Neneca – Mauro – Gomes - Édson e Miranda – Zé Carlos – Renato  e Zenon – Capitão – Careca e Bozó. Técnico: Carlos Alberto Silva. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Um goleiro espetacular

Bernhard Carl Trautmann, ou simplesmente Bert Trautmann, futebolista e treinador, nasceu em Bremen, Alemanha, no dia 22 de outubro de 1923. Era o filho mais velho de um carregador químico das docas. Desde a juventude foi seduzido – igual a outros milhões de jovens alemães – pelo discurso nacional socialista de Adolf Hitler, se engajando na Juventude Hitlerista.

Quando a guerra teve início, não titubeou em alistar-se na “Luftwaffe”, sendo enviado para a recém invadida Polônia, onde desempenhou a função de operador de rádio. Depois, como paraquedista, foi transferido para a Frente Oriental e teve que lutar contra o Exército russo, conseguindo sobreviver a essa experiência, fazendo jus a cinco medalhas, entre as quais a “Cruz de Ferro”, por seus méritos no campo de batalha.

Trautmann ainda combateu na Frente Ocidental, tendo sobrevivido a um bombardeio dos Aliados na cidade de Kleve, onde foi feito prisioneiro por dois soldados americanos, mas milagrosamente escapou da prisão.  Ele ficou enterrado vivo por três dias, quando os aliados bombardearam uma escola onde sua unidade estava alojada; a maioria de seus companheiros foram mortos.

Ele foi um dos 90 soldados de um regimento de 1000 homens, que conseguiram sobreviver. Depois de passar algum tempo na prisão belga, Trautmann foi transferido para outro campo de prisioneiros em Malbury Hall, na Inglaterra.

Pouco tempo depois, quando a guerra estava próxima do fim, ele foi preso novamente, dessa vez por um esquadrão britânico, que o levou para um campo de prisioneiros na Bélgica. 

No momento da prisão os soldados ingleses teriam dito: "Olá Fritz, você gostaria de uma xícara de chá?" Sua história de amor eterno com a Grã-Bretanha começou naquele momento. Nessa prisão, para aliviar o tédio, eram organizadas partidas de futebol entre os soldados britânicos e um grupo de prisioneiros.

Quando a guerra terminou, ele não quis ser deportado para a Alemanha, pois tinha plena consciência de que seu país estava em ruínas, decidindo, por isso, começar uma vida nova em solo inglês. Para sobreviver, não recusava nenhum tipo de trabalho, muitas vezes em granjas, outras em fábricas. Nas horas de folga se dedicava à sua paixão: o futebol.

Mesmo com 25 anos de idade, ganhou chance em um clube amador chamado St. Helens Town, nas cercanias da cidade de Wigan. Mesmo jogando em um time sem a menor importância, sua estatura e a agilidade como goleiro chamaram a atenção dos grandes times ingleses. O Manchester City levou a melhor e o contratou para a temporada 1949 – 1950, para substituir seu grande número 1, Frank Swift.

A torcida não gostou nem um pouco dessa contratação, e a imprensa inglesa também, pois não esqueciam que Trautmann fora um paraquedista da “Luftwaffe”. Até mesmo entre os jogadores do clube, cujo capitão, Eric Westwood, era um veterano do desembarque na Normandia, a presença de um "kraut" na equipe não era bem vinda.

Até uma lista com 20 mil assinaturas foi feita contra sua contratação. Os torcedores iam aos treinos e aos jogos do Manchester carregando faixas que diziam: "Fora Alemão". Mas como o tempo é o melhor remédio para curar todas as mágoas, os torcedores acabaram por aceita-lo, mesmo tendo jogado apenas cinco das 250 partidas realizadas pelo clube na temporada.

Somente os torcedores rivais ainda o insultavam das arquibancadas, quando o time jogava fora de casa. E foi num jogo fora de casa que o goleiro começou a se converter em um mito. Em janeiro de 1950, o Manchester City foi a Londres enfrentar o Fulham.

Essa foi a primeira vez que Trautmann iria jogar em Londres , desde sua chegada a Grã-Bretanha. O Manchester passava por um momento difícil e o adversário era o favorito, com a imprensa achando que haveria uma goleada.

Foi quando surgiu a figura colossal de Trautmann, que realizou defesas impossíveis, fechando o gol. A torcida adversária o xingava de todos os palavrões possíveis. O Manchester City ganhou por 1 X 0, e o goleiro foi aplaudido de pé pelos torcedores rivais e até pelos próprios jogadores do Fulham.

Em 1956, já como titular absoluto, foi escolhido o melhor jogador do campeonato inglês. Sua atuação na final da Copa da Inglaterra do mesmo ano foi o coroamento de um ano espetacular. Quando faltavam 17 minutos para o término do jogo, Trautmann sofreu uma grave lesão, depois de "mergulhar" nos pés do jogador Peter Murphy.

Ele conseguiu segurar a bola, mas não conseguiu impedir a cabeça de colidir com a perna de Murphy. Trautmann ficou tonto e cambaleando, mas estava determinado a jogar. Mesmo gravemente lesionado ele continuou em campo, sendo fundamental para que o escore favorável ao seu time se mantivesse nos 3 X 1.

Ao receber a medalha de campeão, seu pescoço estava visivelmente torto. Três dias depois, um raio-x mostrou que havia cinco vértebras deslocadas, sendo que uma delas estava partida em dois. A gravíssima lesão o afastou dos gramados por um ano.

No final do jogo, Trautmann foi ajudado a subir os degraus para receber sua medalha de vencedor, o tempo todo esfregando a "rigidez do pescoço". Ele foi forçado a passar cinco meses envolto em gesso da cabeça aos quadris.

Um mês depois de seu heroísmo na final da Taça, o seu filho de seis anos de idade, foi morto ao atravessar a estrada. Trautmann lutou muito para superar o trauma causado com sua perda, que com o tempo levou ao rompimento de seu casamento.

Trautmann jogou no Manchester City até 1964, com um saldo de incríveis 545 partidas disputadas, durante 15 temporadas na “Football League”. Encerrou a carreira no mesmo ano, depois de jogar duas partidas pelo Wellington Town, atual Telford United. Em 2005 ele entrou para o “The English Football Hall of Fame”, sendo um dos poucos jogadores não britânicos a receber essa honraria.

Partiu para tentar uma carreira de treinador, inicialmente em equipes de divisões inferiores da Inglaterra e Alemanha. Ainda foi treinador das Seleções da Birmânia, Libéria, Tanzânia, Iêmen do Norte e Paquistão.

Trautmann viveu por um tempo na Alemanha, e em seguida mudou-se para a Espanha, onde possuía uma vinha perto de Valência. Bert Trautmann casou com Margaret Friar, em 1950. Seu segundo casamento, com Ursula von der Heyde, também não durou muito tempo.

Depois de aposentado mudou-se para a Espanha com sua terceira esposa, Marlis. Ele tinha outros dois filhos de seu primeiro casamento, e uma filha de um relacionamento anterior com Marion Greenhall.

Em 2000, Trautmann foi escolhido um dos 100 jogadores do século. Em 2004 foi apresentado à rainha e ao duque de Edimburgo no "Berlin Sinfonia", onde 66 anos antes, ele havia sido homenageado pelo ministro dos Esportes de Hitler por ter sido segundo lugar no atletismo em todo o "Reich".

Trautmann faleceu em 13 de julho de 2013, em La Lossa, Espanha aos 89 anos. Ele sofreu dois ataques cardíacos no inicio do ano.

Títulos conquistados. Manchester City: FA Cup (1956). Prêmios individuais: Futebolista Inglês do Ano pela FWA. (1956) e Membro do Hall da Fama do Futebol Inglês. (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Um artilheiro recordista

Belarmino Carlos Leal D'Ávila, ou simplesmente “Bendionda”, foi um centroavante que fez sucesso no S.C. Internacional, de Porto Alegre, sendo um dos primeiros artilheiros da história do clube. Tinha 1m83 de altura. Ele nasceu em Santana do Livramento, no dia 24 de Novembro de 1896. Faleceu em 5 de maio de 1980, em sua terra natal. Era tio do folclorista gaúcho, Paixão Cortes.

Em 13 de agosto de 1911 o Internacional jogou sua primeira partida fora de Porto Alegre, contra o Ginásio Conceição, em São Leopoldo, com vitória colorada por 2 x 1. Dias depois o time leopoldense ganhou da Seleção de Porto Alegre.

No time do Ginásio jogavam alguns santanenses, como Mita Ávila, Felizardo e Simão. Os três foram convidados a jogar no Internacional. Mita e Felizardo eram irmãos de Bendionda e o trouxeram para Porto Alegre, ainda menino. Isso em 1911, ingressando nas categorias de base do Internacional, subindo para o time principal em 1913.

Permaneceu na capital e no Internacional até 1917, quando concluiu os estudos e retornou a sua cidade natal, para jogar no E.C. 14 de Julho e trabalhar como diretor da Empresa Elétrica de Rivera.

Quando da histórica primeira vitória e goleada do Internacional sobre o Grêmio, 4 X 1, em 31 de outubro de 1915, Bendionda marcou dois gols.

Foi um feito espetacular, visto que o clube rubro tinha apenas seis anos de existência e o rival era dono de mais organização, recursos e experiência. Dizem que o dirigente Antenor Lemos saiu pelas ruas gritando: “O lacre está quebrado”!

O Internacional mandou a campo: Bais - Simão e Dornelles – Bitú – Kluwe e Lucídio. Túlio – Oswaldo – Bendionda - Muller e Vares. Gols: Túlio (2), Bendionda (2) e Muller.

Bendionda divide com César (1920) e Carlitos (1939) um recorde importante e não superado até hoje, ter marcado sete gols num único jogo, na vitória de 10 X 2 sobre o Fussball, dia 26 de setembro de 1915, em amistoso realizado no “Estádio da Baixada”.

O curioso é que Bendionda, já morando em Livramento e defendendo o 14 de Julho, toda a vez que viajava Porto Alegre atuava em amistosos pelo Internacional, e até mesmo jogou um Gre-Nal em 1919.

Bendionda foi campeão do Citadino de Porto Alegre pelo Internacional em cinco oportunidades. (1913, 1914, 1915, 1916, 1917); Jogando pelo 14 de Julho foi campeão de Santana do Livramento, três vezes. (1918, 1919, 1920). (Pesquisa: Nilo Dias)