Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

A morte do carrasco do Brasil

O ex-jogador Alcides Edgardo Ghiggia, que calou o Maracanã na final da Copa do Mundo de 1950, ao marcar o gol que deu o título ao Uruguai, morreu nesta quinta-feira de uma parada cardíaca, aos 88 anos de idade.  

O impressionante é que sua morte ocorreu exatamente no dia 16 de julho, data em que o “Maracanazo”, como ficou conhecido o triunfo celeste por 2 X 1 no Rio de Janeiro, completava 65 anos.

O herói uruguaio da Copa de 1950, Alcides Edgardo Ghiggia, morreu enquanto assistia a reprise de Inter x Tigres nas semifinais da Libertadores, vencida pelo Colorado por 2 X 1 na última quarta-feira.


Segundo o site "El Observador", Arcadio Ghiggia, filho do ex-jogador disse que ele e seu pai estavam quarta-feira a noite, em casa, assistindo o replay do jogo, quando em um certo momento ele começou a passar mal, com dores nas costas e em seguida uma tontura muito forte o fez cair, ocorrendo o ataque cardíaco fulminante.

Ghiggia foi imediatamente levado a um hospital de Montevidéu com dores no peito. Sua saúde não estava nada boa, pois há 10 anos lutava contra um câncer. Era o último jogador vivo de uma das maiores partidas da história do futebol. Todos os demais jogadores, brasileiros e uruguaios, que participaram daquela grande final, já haviam morrido.

Ele tinha saúde estável, mas que ficou debilitada depois de um acidente de carro, em 2012, que o deixou no hospital em estado grave. No entanto, sempre comparecia a eventos importantes em que era convidado, como o sorteio dos grupos da última Copa do Mundo, que aconteceu em 2013, na Costa do Sauípe, na Bahia.

Ghiggia era natural de Montevidéu, onde nasceu no dia 22 de dezembro de 1926. Começou a carreira futebolística em 1946, quando tinha 20 anos de idade, no pequeno Atlante. No ano seguinte, passou a defender o Sud América, modesto clube de Montevidéu que circulava entre a elite a segunda divisão do país.

Em 1948, apenas dois anos antes do Mundial do Brasil, Ghiggia chegou ao Peñarol. O clube foi campeão nacional em 1949 de forma invicta. Além daquele jovem ponta-direita, a equipe tinha o ótimo goleiro Máspoli, o aguerrido centromédio Obdulio Varella e um ataque mortal, com Schiaffino, Míguez e Vidal.

Esse time foi a base da seleção uruguaia campeã em 1950. Ghiggia era o menos famoso daquela linha de ataque antes da Copa, e acabou tornando-se uma das estrelas do time.

Mas não foi só o gol decisivo contra o Brasil que Ghiggia marcou. Antes, ele abrira o marcador no jogo contra a Espanha, em duelo que terminou empatado por 2 X 2. Quatro dias depois marcou o primeiro da vitória por 3 X 2 sobre a Suécia.

Quando da final contra o Brasil já era um nome conhecido, visto ter sido o único jogador uruguaio a fazer gol em todas as partidas. Na decisão do “Mundial”, o Brasil era franco favorito, pois havia feito a melhor campanha na fase final. Para levantar a taça bastava um empate.

A torcida estava eufórica e se respirava um ar de vitória anunciada em todo o país. Não há registros precisos do público daquela partida. A Fifa disse que foram 173.850 pessoas no estádio, mas há quem diga que eram 190, 200 mil pessoas.

A festa durou exatos 79 minutos de jogo. Aos 2 minutos do segundo tempo Friaça fez 1 x 0 para o Brasil. Aos 21 Schiaffino empatou. O resultado ainda nos garantia o título. Mas o inesperado aconteceu, aos 34 minutos. No meio do caminho, havia Alcides Ghiggia.

O ponta recebeu a bola pela direita, avançou e chutou cruzado, quase sem ângulo. A bola não saiu forte, mas quicou no gramado e passou entre o goleiro Barbosa e a trave esquerda. No placar Uruguai 2 X 1 Brasil, constituindo-se até então na maior tragédia do futebol brasileiro, que só foi superada o ano passado, nos 7 X 1 sofridos contra a Alemanha.

Esse gol decisivo foi o quarto de Ghiggia em quatro jogos naquele Mundial. Curiosamente, depois ele nunca mais voltou a marcar pela Seleção de seu país, cuja camisa vestiu num total de 12 vezes.

Depois do Mundial Ghiggia permaneceu no Peñarol por mais três anos, até ser contratado em 1953 pela Roma, onde ficou até 1961. Em 1957, naturalizado italiano, defendeu também a “Azurra”.

Bem que Ghiggia poderia ter disputado outras duas Copas do Mundo, mas o Mundial de 1950 foi o seu único, já que em 1954, a Roma não quis liberá-lo para jogar pelo Uruguai. Quatro anos depois, quando defendia a Itália, a Seleção ficou fora da Copa do Mundo na Suécia.

Voltando ao seu país, Ghiggia jogou pelo Danúbio, antes de se aposentar. Fora dos gramados, passou a trabalhar como funcionário de um cassino em Montevidéu, ao lado de Obdúlio Varela, companheiro de Peñarol e de seleção uruguaia. Ali, aposentou-se pela segunda vez, garantindo condições financeiras de se manter até o fim da vida.

Em 2009, com sérios problemas de saúde e dificuldades de locomoção, voltou ao Maracanã, dessa feita para receber a maior homenagem da sua vida. O uruguaio foi o centésimo jogador a colocar os pés na “Calçada da Fama” do estádio que havia calado 59 anos antes.

Dono da medalha de "Ordem de Mérito da Fifa" foi o sexto jogador estrangeiro na história a ter essa honraria, após o chileno Elías Figueroa, o paraguaio Romerito, o alemão Beckenbauer, o português Eusébio e o sérvio Petković. Na ocasião ele chorou emocionado e agradeceu ao Brasil pela homenagem.

A grandeza de Ghiggia pode ser medida pela consideração que teve com o goleiro Barbosa, que teria falhado no seu gol decisivo. Nos últimos momentos de vida, Barbosa recebeu pedidos de desculpas e apoio de seu algoz, de quem ficara amigo, segundo contou Tereza Borba, a filha que cuidou do ex-goleiro em Praia Grande (SP) de 1992 até a sua morte, em 7 de abril de 2000.

O grande jogador uruguaio teria dito a Barbosa em um encontro que tiveram em Montevidéu, que se soubesse que o Maracanã se calaria daquela forma e que o goleiro brasileiro seria considerado culpado pelo resto da vida, não teria feito aquele gol.

Teresa disse que a bondade de Ghiggia ajudou Barbosa a lidar melhor com o “Maracanazo”, fardo que o acompanhou até a morte. Quando ele morava no Rio, a cobrança era maior, disse ela, acrescentando que tinha hora em que deitava no travesseiro e pensava muito naquele jogo.

Quando morava no Rio de Janeiro sempre pegaram muito pesado com ele, por isso a mudança para Praia Grande foi benéfica. Tanto que escolheu ser enterrado lá, na mesma ala da Clotilde, sua esposa.

Mas o Rio de Janeiro se redimiu do mal que fez ao goleiro, ao homenageá-lo com o título de ”Cidadão Honorário”, em proposição do então vereador, o ator Rogério Cardoso, hoje falecido.

O parlamentar pagou a viagem do ex-goleiro para a capital carioca, onde lhe foi prestada a homenagem. O político aproveitou a ocasião e ajoelhou-se, emocionado, implorando pelo perdão em nome de todos os brasileiros.

Barbosa ainda teve o direito de escolher quem estaria presente. Entre os convidados, constava o nome do humorista Chico Anysio, que não pôde comparecer, mas lhe enviou um e-mail no qual pedia "mil desculpas ao melhor goleiro brasileiro de todos os tempos". O recado foi impresso e é guardado até hoje por Tereza Borba.

A morte de Alcides Ghiggia mereceu uma nota oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que prestou solidariedade aos irmãos uruguaios pela morte do ex-grande jogador.


O presidente da Fifa, Joseph Blatter, lamentou a morte de Alcides Ghiggia, lenda do futebol uruguaio, autor e último dos sobrevivente do que ficou conhecido como "Maracanaço". "Muito triste pela perda de Alcides Ghiggia, um verdadeiro herói. Meus respeitos a sua família e ao futebol uruguaio", escreveu Blatter no Twitter.

José Mujica, ex-presidente do Uruguai, lembra de ter ouvido a final da Copa do Mundo de 1950, quando tinha 15 anos, em um velho rádio Edison. Disse que o nome de Ghiggia vai ser indelével, pois o gol feito por ele marcou a maior façanha esportiva da história do Uruguai e provavelmente a maior que poderia ser escrita.

Já o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que se encontra em Brasília, onde participa da "Cúpula Semestral do Mercosul", expressou sua "profunda dor" pela morte de seu compatriota.

Salientou que pelas ironias da vida, Ghiggia morreu exatamente em uma data na qual o país tinha que festejar, mas que lamentavelmente a festa se transformou em dor. (Pesquisa: Nilo Dias)

O histórico gol de Ghiggia em 1950.

terça-feira, 14 de julho de 2015

ABC, de Natal, mais um clube centenário

O ABC Futebol Clube, de Natal (RN) comemorou seu centenário no último dia 29 de junho. Surgido em 1915, quando a capital do Rio Grande do Norte era apenas uma cidade pacata e provinciana, com uma população estimada em 27 mil habitantes, o ABC se tornou ao logo dos anos a maior e mais querida agremiação futebolística do Estado e recordista mundial em conquistas de títulos estaduais.

Quando o ABC surgiu o termo prefeito ainda não existia, havia o intendente municipal de Natal, que era o comerciante e abolicionista Romualdo Galvão. Um ano antes, o Rio Grande do Norte havia elegido pela primeira vez pelo voto direto, um governador, que foi o magistrado Joaquim Ferreira Chaves, que acabou com a oligarquia dos Albuquerque Maranhão em terras potiguares.

As diversões em Natal eram restritas apenas ao “Cine Politheama”, do “seu Leal”, ao “Cine-Teatro Carlos Gomes”, hoje “Teatro Alberto Maranhão”, as festas religiosas, um futebol ainda muito primitivo e o circo do “seu” Striguini, que vez por outra aparecia por lá. Em termos de esportes não havia vôlei, nem basquete. Nem concursos de misses, nem biquínis e nem “brejeiras”.

Os homens tinham palavra e prezavam a sua honra, e o nosso “Réis” era moeda forte, conforme disse o ex-presidente do ABC, médico José Tavares, em conferência proferida por ele na comemoração do 44º aniversário do clube, em 1959.

Nesse cenário de pequena e melancólica cidade, foi que na tarde de 29 de junho de 1915, um grupo de jovens, entre eles alguns praticantes de remo, fundou o ABC Futebol Clube.

A reunião ocorreu no casarão do coronel Avelino Alves Freire, respeitado comerciante e presidente da Associação Comercial do Rio Grande do Norte, situado na Avenida Rio Branco, no bairro da Ribeira, com frente para os fundos do então “Cine-Teatro Carlos Gomes”.

Estiveram na reunião e foram considerados fundadores do ABC os seguintes desportistas: João Emílio Freire, filho do coronel Avelino Freire, e eleito por unanimidade como o primeiro presidente do ABC;  o próprio coronel Avelino Alves Freire; Avelino Alves Freire Filho, conhecido como “Lili”, também filho do coronel Avelino e primeiro goleiro do alvinegro potiguar; Alexandre Bigois; Arary Brito; Artur Coelho; Álvaro Borges; Antônio Alves Ferreira; Cipriano Rocha Filho; Carlos Noronha; Cícero Aranha; Francisco Deão; Francisco Antônio; Frederico Murtinho Braga; Francisco Mororó; José Potiguar Pinheiro; José Cabral de Macedo, o “Tarugo”; Júlio Meira e Sá; Josafá dos Santos; João Cirineu de Vasconcelos, o “Baluá”; João dos Santos Filho; José Pedro, o “Pé de Ouro”; José Aurino da Rocha; Luiz Nóbrega; Manoel Dantas Moura; Manuel Dantas Cavalcanti; Manoel Avelino do Amaral; Manoel Bezerra da Silva, o “Paraguay”; Marciano Freire; Mário Eugênio Lira; Silvério Carlos de Noronha e Solon Rufino Aranha.

Na mesma reunião foi escolhido o nome do clube, que por sugestão de José Potiguar Pinheiro, passou a se chamar ABC Futebol Clube, aprovado por unanimidade.

O conjunto de letras ABC prestou uma homenagem ao “Pacto de Amizade Fraternal,” amparado diplomaticamente pelos países Argentina, Brasil e Chile, assinado em 1903. A escolha do nome veio revelar a preocupação social dos jovens rapazes, apesar da maioria pertencer à alta sociedade natalense.

A primeira Diretoria, escolhida também naquela data, ficou formada por João Emílio Freire, presidente; José Potiguar Pinheiro, vice-presidente; Manoel Dantas Moura, 1º secretário; Solon Rufino Aranha, 2º secretário; Avelino Freire Filho, tesoureiro e José dos Santos, diretor de esportes. Essa equipe diretiva ficou à frente do ABC, no período de 29/06/1915 a 03/06/1916.

O pesquisador natalense, Procópio Netto, autor do livro “Os Esportes em Natal”, de 1991, revela que o primeiro jogo do ABC Futebol Clube aconteceu em 20 de setembro de 1915, contra o Natal Esporte Clube. O placar foi uma histórica goleada do ABC por 13 X 1. Não existem maiores detalhes na imprensa local sobre esse jogo.

Já a segunda  partida do ABC mereceu registro no jornal “A República”. O “match” aconteceu no dia 26 de setembro de 1915, às 16 horas, no “ground” da “Vila Cincinato”, contra o América, o seu eterno e mais tradicional rival.

Nova goleada do ABC, dessa feita por 4 X 0. O jornal noticiou que o ABC utilizou seu segundo quadro, enquanto o América contou com seu primeiro quadro.

O 2º “team” do ABC estava assim distribuído: Avelino (Lili) – Batalha, Borges - Cabral (Tarugo) – Paraguay – Freire – Bigois – Moacyr – Mandu - Nóbrega e Mousinho. Reservas: Baluá, Elissozio e Bill.

O 1º “team” do América com Siqueira I – Lélio – Gato – Carvalho – Galo – Antônio – Barros - Siqueira II – Neco - Garcia e Pipio. Reservas: Revorêdo, Lopes e Tupy.

Atuou como referee, assim era chamado o árbitro, Júlio Meira e Sá; referees de linha Manoel Gomes e Aguinaldo Fernandes; referees de goal, que ficavam atrás das traves, Sérgio Severo e Araty Brito. Os gols do ABC foram marcados por Mousinho (dois), Mandu e Baluá

O casal Vicente Farache Netto (1902-1967) e Maria do Rosário Lamas Farache (1906-1949), teve imensa importância na vida do clube. Durante quase 15 anos, enquanto foram casados, de 1935 a 1949, ano da morte de Maria Lamas, o casal protagonizou um verdadeiro caso de amor com o ABC.

Vicente Farache, natural de Natal e filho do italiano José Farache e da brasileira Maria Carmina Farache, era um homem de posses, visto seu pai ter sido um comerciante de prestígio no início do século XX.

Vicente também jogou no seu clube de coração, quando tinha 18 anos. Foi um ponteiro direito bastante limitado, que fez parte do time que conquistou o primeiro título de campeão potiguar.

Consciente de que o futebol não era o seu forte, dedicou-se ao comércio e concluiu o curso de Direito, no Rio de Janeiro, em 1927. Anos depois foi promotor público em Natal, e membro do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte.

Quando voltou a Natal, em 1928, não quis mais saber de jogar, dedicando-se à condição de dirigente, onde mostrou muita competência, fazendo jus ao título de patrono do clube. Como diretor técnico foi deca campeão potiguar, de 1932 a 1941.

Ele, igualmente foi responsável pela vinda de grandes jogadores para o ABC, entre os quais “Xixico”, primeiro grande ídolo do clube, vindo do Ceará, “Dequinha”, que brilhou no Flamengo, do Rio de Janeiro e o grande ídolo Jorginho Tavares, todos de Mossoró.
Vicente foi bem mais que um dirigente. Era ele que contratava, dispensava, treinava, pagava os salários, empregava jogadores em suas duas lojas na Ribeira, a de sapatos e tecidos “Vicente Farache Netto” e uma joalharia, além de hospedar e alimentar os atletas em dias das partidas, e ainda, comprar o material de treino e de jogo.

Para isso, contou com a ajuda dos quatro irmãos, principalmente de Antônio, o “Tonho” Farache, que com o seu antigo “Ford” transportava os jogadores para onde fosse necessário.

Mas, sem dúvida, o grande lastro de Vicente Farache foi a sua esposa, a chilena Maria Lamas Farache, filha do casal de palestinos Elias e Mercedes Lamas radicalizado no Chile, que por amor ao marido entregou-se de corpo e alma à causa abecedista.

Ela tinha o jeito de um italiano carrancudo, mas era gentil. Só não admitia que alguém falasse mal do ABC na frente dela, aí virava um bicho.

Vicente vivia para o clube, mas dona Maria era quem cuidava de tudo dele e também fazia muito pelo ABC, diz Maria Clotilde da Costa Rodrigues, 89 anos, a “dona Clotilde”, que por 18 anos, de 1937 a 1955, trabalhou na Relojoaria Farache, na Ribeira, pertencente aos irmãos Farache.

Assim como Vicente, Maria Lamas veio de uma família bastante conceituada em Natal, proprietária de respeitadas casas comerciais no tradicional bairro da Ribeira, a “Chilenita” e o “Armazém Elias Lamas”.

A família Lamas foi responsável, juntamente com a família Lamartine, pela introdução em Natal, de um dos esportes mais elitizados: o tênis. Nem por isso, deixou de seguir o marido servindo ao ABC no que fosse possível.

O ABC divide com o América, de Belo Horizonte, a condição de recordista brasileiro de títulos consecutivos, o “deca campeonato” estadual, conquistado entre 1932 e 1941. A façanha está devidamente registrada no “Guiness Book of Records”. Já o América das “Alterosas” foi 10 vezes campeão entre 1916 e 1925.

Os deca campeões pelo ABC Futebol Clube, de 1932 a 1941, foram estes: Tarzan, Diógenes, Edgar, Nené, Daniel, Nunes, Jônatas, Bicudo, Zé Maria, Pedrinho, Albano, Mário Mota, Pageú, Vilarim, Nezinho 1º, Nezinho 2º , Netinho, Cesário, Neguinho, Nenéo, Gageiro, Joãozinho, Zé Lins, Tico, Saravotti, Enéas, Barbalho, Paulino, Elias, Xixico, Dorcelino, Adalberto, Pereirão, Augusto Lourival, Mário Crise, Soldado, Romano, Arlindo, Zeca, Hermes, Acácio, Valter, Teixeira, Osvaldo, Edvard, Nepó e Novinho. Técnico: Vicente Farache nos 10 títulos.

Em 1973, a equipe bateu outro recorde, até hoje inigualável e digno de presença no “Guinnes Book”. Durante 108 dias, o time excursionou pela Europa, Ásia e África, se transformando no clube de futebol a permanecer maior tempo fora do Brasil, um feito que entrou para história do esporte nacional.

A delegação alvinegra deixou Natal em 17 de agosto e retornou no dia 6 de dezembro do mesmo ano, 112 dias contando viagens aéreas e terrestres.

A excursão só aconteceu porque o clube estava suspenso por dois anos, pela então Confederação Brasileira de Desporto (CBD), hoje CBF, por ter utilizado dois jogadores irregulares, Rildo e Marcílio, em um jogo contra o Botafogo (RJ), pelo “Brasileiro” de 1972.

A excursão, em termos esportivos foi um sucesso. Em 24 partidas contra times e seleções dos três continentes, o ABC conseguiu sete vitórias, 12 empates e apenas cinco derrotas. Foram 30 gols a favor e 21 contra.

Para se ter uma ideia do que fez o ABC, nas últimas 14 partidas o time se manteve invicto, enfrentando Seleções como da Romênia, Somália, Etiópia e Líbano. No time, jogadores categorizados como Sabará, Maranhão, Alberi, Danilo Menezes e Jorge “Demolidor”. A maior goleada da excursão foi sobre a seleção Etíope de Novos, 6 X 2.

Os atletas que participaram da excursão foram os goleiros Veludo, Erivan, Floriano e ainda Sabará, Edson, Telino, Walter Cardoso, Anchieta, Wagner, Soares, Baltazar, Valdecy Santana, Maranhão, Libânio, Alberi, Morais, Danilo Menezes e Jorge “Demolidor”, este o artilheiro, balançando as redes adversárias 10 vezes.

O chefe da delegação foi Jácio Fiúza e formada ainda pelo técnico Danilo Alvim, o supervisor José Prudêncio Sobrinho, o médico Sérgio Lamartine, o fisicultor Sebastião Cunha, o massagista Zózimo Nascimento e o jornalista Celso Martinelli, da Rádio Cabugi, que gravava os jogos, reproduzidos depois em Natal para os torcedores saudosos da equipe no outro lado do Atlântico.

Os jogos da excursão foram estes: 29/08: ABC 1 X 0 Fenerbahce, da Turquia, gol de Morais; 31/08: ABC 2 X 3 Altaye, da Turquia. Gols do ABC, Alberi e Jorge “Demolidor”; 02/09: ABC 0 X 0 Manissa, da Turquia; 06/09: ABC 0 X 2 Panathinaikos, da Grécia; 10/09: ABC 0 X 0 Kastoria, da Grécia; 15/09: ABC 1 X 1 Seleção da Romênia. Gol do ABC Jorge “Demolidor”; 17/09: ABC 3 X 3 Arges Pitesti, da Romênia. Gols do ABC, Danilo Menezes, Jorge “Demolidor” e Morais; 19/09: ABC 0 X 1 Craióva, da Romênia; 23/09: ABC 0 X 4 Rapid DFC, da Romênia; 09/10: ABC 0 X 2 Constanza, da Romênia   ; 14/10:     ABC 1 x 0 Zeljaznicar, da Iugoslávia. Gol de Jorge “Demolidor”; 17/10: ABC 0 X  0 Bugoyno, da Iugoslávia; 20/10: ABC 0 X 0 Bor, da Iugoslávia; 04/11: ABC 1 X 1 Seleção do Líbano. Gol do ABC,     Jorge “Demolidor”; 08/11: ABC 6 X 2 Seleção de Novos da Etiópia. Gols de Alberi (2), Jorge “Demolidor” (2), Danilo Menezes e Libânio; 11/11: ABC 0 X 0 Seleção da Etiópia; 16/11: ABC 3 X0 Horsed, da Somália. Gols do ABC, Alberi, Libânio e Soares; 18/11: ABC 4 X 0 Kifnave, da Somália. Gols do ABC, Alberi, Libânio, Valdeci e Anchietas; 21/11: ABC 1 X 1 Seleção da Somália. Gol do ABC, Alberi; 23/11: ABC 2 X 0 Seleção de Uganda. Gols do ABC, Alberi e Anchieta; 25/11: ABC 0 X 0 Express, de Uganda; 27/11: ABC 4 X 0 Arms, da Uganda. Gols do ABC, Jorge “Demolidor” (2), Alberi e Walter Cardoso; 29/11: ABC 1 X 1 Norogoró, da Tanzânia. Gol do ABC, Jorge “Demolidor” e em 30/11: ABC 0 X 0 Seleção da Tanzânia.

O centenário do ABC foi comemorado no Estádio “Frasqueirão” com grande número de torcedores e autoridades presentes a “Missa em Ação de Graças”, celebrada pelo padre Murilo, que fez questão de entoar o hino do clube, que fez eco pelas galerias da praça de esportes.

Entre às várias personalidades do mundo esportivo do Rio Grande do Norte que estiveram presentes, destacaram-se o ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, o senador Garibaldi Alves Filho, o governador Robinson Faria, prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves e o presidente da Federação Norte-riograndense de Futebol (FNF), José Vanildo. (Pesquisa: Nilo Dias)

ABC, deca campeão potiguar.(Foto: Arquivo do clube)

domingo, 12 de julho de 2015

O que era aquilo?

Tem muita gente que não acredita nessa história de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), ou simplesmente discos voadores. Um fato ocorrido no distante dia 6 de março de 1982, no Estádio Pedro Pedrossian, o “Morenão”, em Campo Grande (MS), se não faz com que essas pessoas revisassem seus pontos de vista, pelo menos deu margens a profundas reflexões.

Tudo aconteceu durante um jogo entre o Operário, time da cidade e o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, válido pelo Campeonato Brasileiro daquele ano e vencido pelo time local por 2 x 0. Cerca de 30 mil pessoas lotavam o estádio e metade delas testemunhou o fato. E quem pagou ingresso teve direito a um espetáculo extra naquela noite estrelada de quarta-feira.

O jogo estava sendo televisionado, mas não havia os imensos recursos técnicos e câmaras espalhadas pelo estádio inteiro, como ocorre hoje. Também não houve imagens fotográficas ou de vídeo.

Os cinegrafistas da TV Globo, que transmitia a partida, disseram que seu equipamento era muito pesado para que eles pudessem virá-lo ao céu tão rápido. Não se sabe de alguém na arquibancada que estivesse com uma câmera fotográfica pendurada no pescoço, mas isso é altamente improvável: estamos falando do começo da década de 80.

Não havia barulho, não havia fumaça, não havia lógica: havia apenas uma velocidade de movimento que deixou quase todo mundo embasbacado. Não há registros de nada, apenas depoimentos de quem disse que viu o estranho fato.

Consta que tratava-se de algo em formato discoidal, que manobrou sobre o estádio, que foi momentaneamente iluminado por potentes holofotes do objeto.

Após uma breve manobra o objeto zarpou velozmente, desaparecendo no céu. Algumas das pessoas presentes teriam relatado uma espécie de "chuva de flocos", após a retirada do objeto.

Provavelmente, se tratava do chamado "cabelo de anjo", um suposto material sutil originado do efeito de sublimação do combustível de determinadas aeronaves em reação com o ar.

Segundo Ademar Gevaerd, editor da revista “UFO” e químico renomado, também diversos jogadores viram um vulto luminoso estranho voando acima da arquibancada do estádio. A partir daquele dia ele largou tudo e se dedicou a perseguir os rastros de ETs no planeta, tornando-se o mais respeitado ufólogo do país.

Nas três décadas seguintes, surgiram relatos de gente que olhou para cima e viu algo que eles não sabiam dizer o que era. Maria das Dores, fanática torcedora do Operário, presente ao estádio, disse que viu.  Marquinhos Tavares, depois cartola da federação de futebol local, disse que viu.

O lateral “Cocada”, do Operário, então com 34 anos, ídolo da torcida, foi outro que viu. “Rapaz, nunca mais vi nada igual”, disse ele, acrescentando que se tratava de uma roda de fogo com um facho de luz muito forte, que de repente, foi embora a uma velocidade incrível.

Roberto Dinamite e Pedrinho, do Vasco, também. O juiz José de Assis Aragão viu, mas não interrompeu o jogo. Alberto Pontes Filho, funcionário do estádio, também viu. O zagueiro Rondinelli, do Vasco, disse que viu só um pouco.

Todos disseram ter visto uma luz forte, aparentemente vinda de um grande objeto que não era nem um avião, nem um helicóptero, nem nada que tivessem visto antes, cruzando rapidamente o horizonte noturno acima do estádio “Morenão”.

Tudo aconteceu quando se desenvolvia o primeiro tempo do jogo. No intervalo, o assunto predominante entre os torcedores foi um só: o que seria aquilo. Nos vestiários, os jogadores não falavam em outra coisa. Muitas hipóteses foram levantadas para explicar o que era aquilo, mas ninguém tinha muita certeza.

No dia seguinte o jornal local "Correio do Estado" publicou em manchetes: "Um OVNI, espetáculo na capital". Na reportagem, controladores de tráfego aéreo do aeroporto local confirmaram a visão de luzes estranhas no céu, enquanto a Aeronáutica garantia que não havia voos previstos para o horário.

A revista “Placar”, publicação mais popular do esporte nacional na época, registrou o fato, estampando na capa a manchete, “O dia em que um disco voador baixou em campo”. Fato é que algo semelhante jamais voltou a ocorrer no mundo.

Todos esses fatores somados fizeram com que boa parte da população acreditasse que realmente a cidade de Campo Grande tinha mesmo sido visitada por uma nave espacial tripulada por seres extraterrestres.

O documentário “O que era aquilo”, disponibilizado no Youtube, produzido  por André Patroni, Kleomar Carneiro, Paulo Henrique Higa, João Conrado Kneipp e Pedro Heiderich, conta detalhadamente o que aconteceu naquela noite, através de imagens e depoimentos de jogadores e torcedores.

Ao que parece, a presença de extras terrestres (ETs) em nosso planeta, não ficou restrita somente ao jogo de Campo Grande, realizada á 33 anos atrás.

O ano passado, quando da Copa do Mundo disputada no Brasil, especialistas no assunto garantem que extraterrestres estacionavam suas naves espaciais em cima dos estádios durante as partidas.

A teoria pode parecer uma ficção, mas é levada a sério pelo “Círculo Quântico de Expansão Humana”, uma instituição de Goiânia focada em ações de espiritualidade e que defende a comunicação com ETs por meio de médiuns. É uma doutrina bem semelhante à pregada pelo espiritismo.

Segundo Alexandre Sperchi Wahbe, um dos membros da entidade, reuniões semanais são feitas com ETs mais evoluídos que terráqueos para que eles deem diretrizes que contribuam para a evolução da Terra. Nos últimos meses um dos assuntos em pauta tem sido a realização da Copa do Mundo no Brasil.

A comunicação com os extraterrestres pode parecer loucura, mas muitas pessoas levam isso a sério. Com apenas três anos de existência, o “Circulo Quântico de Expansão Humana” já conta com 20 médiuns em Goiânia e já atendeu a mais de mil pessoas. (Pesquisa: Nilo Dias)

O jornal "Correio do Estado", editado em Campo Grande, noticiou a visita do "OVNI".

terça-feira, 7 de julho de 2015

Assombrações no Pacaembu

O Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o “Pacaembu”, foi inaugurado no dia 27 de abril de 1940, portanto já se passaram 75 anos. Nesse tempo todo, é incontável o número de pessoas de todas as gerações que frequentaram suas arquibancadas e vivenciaram muitas histórias.

No gramado se apresentaram muitos dos grandes craques do futebol mundial. Foi uma das sedes da Copa do Mundo de 1950 e abrigou modalidades nos Jogos Pan-Americanos de 1963. Sem dúvida, trata-se de um grande patrimônio da cidade de São Paulo.

Em meio a tantas coisas notáveis que o estádio vislumbrou, pouca gente sabe das histórias sobrenaturais que por lá ocorrem, e que foram reveladas pelo funcionário Florentino Ribas de Lima, o “Seu Flor”, que 35 anos vive o dia-a-dia do estádio.

Ele conta que quando havia um alojamento, no local onde hoje se encontra o “Museu do Futebol”, por várias vezes viu a porta abrir e bater sozinha. E nas madrugadas enxergava  ua pessoa deitada em uma cama perto da porta. Levantava assustado e aquilo desaparecia, deixando uma sensação de muito medo.

Essa pessoa conta “Seu Flor”, vestia uma roupa branca, abria e fechava a porta com chave, inclusive, e depois deitava na cama. Outras vezes era um homem que usava chapéu, daqueles de modelo antigo, que aparecia de roupa escura, também. Nunca era o mesmo rosto. Ele deitava, esticava os pés e colocava o sapato na beirada da cama.

A pessoa não falava nada. Só ficava deitada lá, quieta no canto dela. Aí, se acendia a luz, pronto, ele sumia. Era questão de segundos. Isso era frequente acontecer desde 1995, mais ou menos. O pior é que quando “Seu Flor” comentava com os colegas, ninguém acreditava nele, achando que era brincadeira.

O funcionário acredita que a visão possa ser de um amigo que trabalhou mais de 20 anos como zelador do alojamento, e gostava muito de lá. E acha que mesmo depois de morto, ele não quer mais que fazer uma companhia, mas dá muito medo. Embora tenha um senão, o amigo zelador não fazia questão de ser lá muito amistoso.

Se o “Seu Flor” saía para ir ao banheiro, ou arrumar qualquer coisa do lado de fora, a porta batia com ele lá dentro, e quando olhava para trás ela abria sozinha de novo. Isso só acontecia quando ele estava sozinho.

Não tinha nada o que fazer. Só ficava apavorado. O corpo arrepiava todo. Para “Seu Flor” a melhor coisa que aconteceu foi a derrubada daquele alojamento para construir o Museu.

Mesmo vivendo constantemente momentos de medo, “Seu Flor” conta que não tinha outro jeito, precisava cumprir a obrigação de cuidar do espaço nas madrugadas em que estava de plantão.

As visões de seu Florentino Ribas, entretanto, acabaram desde quando o Museu do Futebol foi construído: “Nunca mais vi nada”, finalizou.

O velho funcionário do Pacaembu, não é lembrado apenas por suas histórias de assombrações no Estádio. Por ocasião da Copa do Mundo no Brasil, a Liberty Seguros, em parceria com a revista “Placar”, realizou uma campanha contando as histórias de seis personagens que, mesmo no anonimato, também foram responsáveis por contribuir com a realização do maior evento esportivo do planeta.

O primeiro vídeo foi lançado junto à edição de novembro de 2012 da revista esportiva. Os demais foram lançados mensalmente, até abril de 2013.

Quem abriu a série foi Florentino Ribas de Lima, mais conhecido como “Seu Flor”. No Pacaembu, o senhor de 68 anos é conhecido como o “faz-tudo”, trabalhando como aparador de grama e até de gandula.


A história dele pode ser vista na página da Liberty Seguros no YouTube. A Liberty foi a seguradora oficial da Copa do Mundo da FIFA 2014. (Pesquisa: Nilo Dias)

O Estádio Municipal do Pacaembu é mal assombrado. (Foto: Divulgação)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A pior seleção do mundo

Até a semana passada quase ninguém tinha ouvido falar nos Estados Federados da Micronésia, um pequeno país de 107 mil habitantes, localizado em uma região do Oceano Pacífico ocidental, formado por centenas de pequenas ilhas, que somadas totalizam 707 mil quilômetros quadrados.

Bastou entrar no mundo do futebol e levar duas incríveis goleadas que totalizaram 68 gols em dois dias, para ganhar fama internacional. Na sexta-feira, 3, a Micronésia já havia levado 30 X 0 do Taiti, na abertura da edição sub-23 dos Jogos do Pacifico, que está sendo disputado em Papua, Nova Guiné, que também vale como pré-olímpico da modalidade.

O goleador da partida foi Fred Tissot, que marcou seis gols. Antes de dois minutos de jogo o placar já tinha sido aberto e o primeiro tempo terminou 10 X 0.

Curiosamente o Taiti disputou a última Copa das Confederações, no Brasil. A simpática seleção, perdeu os três jogos. Levou 10 X 0 da Espanha, 8 X 0 do Uruguai, mas vibrou muito ao marcar um gol na derrota por 6 X 1 para a Nigéria.

Oito times sub-23 disputam o torneio, mas apenas cinco países são membros do COI e lutam por duas vagas nas Olimpíadas do Rio: Nova Zelândia, Fiji, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão e Vanuatu. Taiti, Micronésia e Nova Caledônia disputam apenas o título da competição local.

Ontem, domingo, foi a vez das Ilhas Fiji, posição 195 em 209 seleções no ranking da Fifa, aplicar uma goleada maior ainda, 38 X 0, com direito a 10 gols do jogador Tony Tuivuna. Na primeira rodada os fijianos haviam empatado em 1 X 1 com Vanuatu.

Desta vez, a Micronésia, que não é filiada a Fifa, não aguentou nem o primeiro minuto, quando Chris Wasala abriu o placar. Tuivuna fez seu primeiro gol aos quatro minutos, para ampliar para 2 X 0.

O primeiro tempo terminou com 21 X 0 e Fiji chegou ao 31º gol aos 31 da segunda etapa. Nem nos acréscimos a Micronésia teve trégua, sofrendo mais três gols, dois deles aos 51 minutos. A média foi de um gol a cada dois minutos.

Essa foi a maior goleada da história do futebol internacional, superando a vitória da Austrália sobre Samoa Americana por 31 X 0, em 2001. No entanto, uma vez que a Micronésia não integra a FIFA, este registro não deve ser validado.

O mais curioso é que o treinador da Micronésia, o australiano Stan Foster, gostou do que viu, dizendo que sua equipe mostrou evolução após a preleção no intervalo. Ele frisou que a Seleção da Micronesia está na competição apenas para aprender.

Na terça-feira, a Micronésia vai disputar o seu terceiro e último jogo na competição frente a Vanuatu, em Port Moresby, na Papua Nova Guiné. Espera-se uma nova goleada.

O futebol na Micronésia é controlado pela Associação Micronésia de Futebol, que não é membro da FIFA e nem da Confederação de Futebol da Oceania. A entidade tem como grande meta conseguir sua filiação à Asian Football Confederation (AFC) e à FIFA. Por tal motivo não pode disputar jogos de Eliminatórias para Copa do Mundo.

Suas partidas são realizadas no “Yap Sports Complex”, geralmente amistosos contra outras seleções. É um estádio com capacidade de 2 mil lugares e que não é considerado oficial.

A equipe compete apenas nos Jogos do Pacífico, tendo disputado antes de agora, uma edição, a de 2003, quando caiu na primeira fase, tendo acumulado quatro derrotas: 0 X 10 contra Papua Nova Guiné, 0 X 7 contra Tonga, 0 X 18 contra a Nova Caledônia e 0 X 17 contra o Taiti.

Chuuk ostenta a marca de ser o Estado mais populoso da Micronésia, com 54.595 habitantes, tendo na cidade de Weno sua capital. Pohnpei é o segundo Estado mais populoso da Micronesia, contando com uma população de 34.685 habitantes; na principal ilha do Estado, localiza-se sua capital e cidade mais populosa, Kolonia, e a capital federal, Palikir.

Por fim, Yap é o terceiro Estado da Micronésia em termos populacionais, contando com 16.436 habitantes e tendo em Colonia sua sede administrativa.

Em sua história, a Seleção Nacional da Micronésia disputou até ontem, domingo, nove partidas, com oito derrotas e apenas uma vitória. O triunfo histórico ocorreu no dia 12 de Julho de 1999, quando os micronésios bateram a Seleção das Ilhas Marianas do Norte por 7 X 0.

São 16 times que disputam o campeonato principal da Micronesia: Padang, Pro Duta, Perseman Manokwari, Persiba Bantul, PSM Makassar, Rembang, Persebaya, Persijap Jepara, Persepar Palangkaraya, Persiraja Aceh, PSLS Lhokseumawe, Arema, Bontang, Persema Malang, Persibo Bojonegoro e Persija Jakarta. (Pesquisa: Nilo Dias)

Seleção Nacional da Micronésia. (Foto: Divulgação)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O "Veterano" de Santa Vitória do Palmar

A proximidade com Montevidéu, no Uruguai foi fator preponderante para que o futebol chegasse a Santa Vitória do Palmar, no início do século passado. O isolamento com os demais municípios brasileiros fazia com que quase nenhum tipo de entretenimento existisse por lá, a não ser carreiras de cavalos.

Ao que se sabe, ao início da década de 1900 foi fundada uma sociedade da qual não se tem maiores informações, chamada de Club Recreio Vitoriense. O jornal “República”, que era editado na cidade, tem sido fonte da história local para pesquisadores.

Já em outubro de 1910 com o nome de Sport Club Vitoriense, começaram as suas lides esportivas. O jornal “República”, em sua edição de 19 desse mês, publicou o convite para um jogo de foot-ball entre sócios do mesmo, porque ainda não existiam adversários na cidade.

O quê só veio a acontecer em 1912, com a fundação do Sport Club Rio Branco, embora se saiba que existiu na época uma outra agremiação chamada de E.C. Vencedor, da qual não existem maiores informações.

Em sua edição de 21 de abril de 1909, o jornal noticiou que na sede rural da sociedade, que se localizava possivelmente entre os estádios do Brasil e do Vitoriense, margeando a avenida Bento Gonçalves, travou-se um “match de foot-ball” entre os associados daquela entidade. E que devido ao mau tempo, pouca gente compareceu ao local.

A festa fez parte das comemorações do 1º aniversário da “Recreio Vitoriense”, fundada no dia 26 de abril de 2008. Com a presença da Banda de Música Floresta, os dois times se enfrentaram, um com camisas vermelhas e o outro com azuis, sendo este o vencedor pelo dilatado escore de 6 X 1.

Antes do início do jogo falou o presidente da entidade, senhor Sertório Rosa. Depois do “match”, sempre ao som musical, os entusiastas torcedores retornaram ao centro da cidade e às suas residências.

Foi assim o início do futebol em terras vitorienses. Sabe-se que o primeiro time de futebol realmente organizado e voltado especificamente para o futebol, foi o Club Recreativo Vitoriense, criado em data desconhecida e que depois se transformou em Sociedade Recreativa, ao que se sabe em 21 de Agosto de 1910.

O Esporte Clube Vitoriense, chamado na cidade de “Veterano”, é reconhecido como a mais antiga agremiação futebolística organizada de Santa Vitória do Palmar, e que resistiu ao tempo. A data oficial de sua fundação é 21 de outubro de 1910, quando passou a chamar-se Sport Club Vitoriense.

O primeiro presidente do clube foi o desportista Hugo de Oliveira Vasques.  Inicialmente as cores do uniforme eram outras não se sabendo a origem da mudança para verde e preto.

Nos jogos entre associados, o Sport Club Vitoriense dividia dois grupos de jogadores, um com camisas azuis e outro com camisas vermelhas, a exemplo do que ocorria quando o clube se chamava Sociedade Recreativa.

O jornal “República” também noticiou outro jogo entre associados, que teria ocorrido em 23 de agosto de 1910. O interessante foi a publicação das escalações dos dois times:

Team Azul: Alfredo Antunes - Osmã Azambuja e Francisco Costa - Manoel Machado - Hugo Vasques e Victorino Moreno - José F. Farias - Antonio Estrella e Joaquim Calvete (capitão). Team Vermelho: Annibal Polycarpo - Theobaldo Rotta e Atílio Patella - Odilon Rodrigues - Walter Vianna e Pedro Leonetti - Nicolau Rodrigues - Mario Dias - José Vitório Torino - Vicente Plastina e Faustino Oliveira (capitão).

O jogo foi realizado no campo que era usado para as carreiras de cavalos, onde hoje se localiza o Estádio do Vitoriense, na rua João Telles.

Em 1915 foi construído um pavilhão de madeira com telhado de zinco para dar mais comodidade aos torcedores, embora na época a presença de torcedores não fosse das maiores, talvez em razão do pouco tempo de atividades esportivas e falta de costume dos desportistas.

Quem guardava documentos históricos do S.C. Vitoriense era o saudoso Francisco Estrella, conhecido funcionário da Prefeitura Municipal , apelidado de “Chico Estrella”. Fitas gravadas com depoimentos seus, contando importantes momentos da vida do clube, estão desaparecidas desde o seu falecimento.

Em 2011, o Sport Clube Vitoriense tentou se profissionalizar, para disputar o Campeonato Gaúcho da segunda Divisão, conforme noticiou o jornalista Sérgio Cabral, em sua coluna “Bola Pra frente”, no jornal “Diário Popular”, de Pelotas. O que acabou não acontecendo. (Fonte: Blog “Planetsul”, de responsabilidade do professor e historiador Homero Suaya Vasques Rodrigues)

Primeira foto do Vitoriense, datada de 1010. (Foto: Arquivo do professor Homero Vasques)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O "violino" parou de tocar

Morreu hoje, segunda-feira, 22, Luiz Carlos Nunes da Silva, o “Carlinhos Violino”, aos 77 anos, vítima de insuficiência cardíaca. Anos antes de falecer, Carlinhos já sofria com problemas de saúde. 

A elevação da taxa de ácido úrico causou problemas de cicatrização, obrigou a amputação de um dedo do pé, gerou complicações no sistema circulatório, perda de memória e, além disso, complicações na carótida e a necessidade de colocar pontes de safena. A morte ocorreu em função desses problemas.

O velório de Carlinhos acontecerá amanhã, terça-feira, entre 10 horas e 14 horas, no Salão Nobre da sede do Flamengo, na Gávea. O clube carioca destacou no seu site oficial a perda de um dos maiores ídolos da sua história.

Cria da casa, logo no início da carreira, em 20 de janeiro de 1954, recebeu, simbolicamente, as chuteiras do jogador Biguá, destaque do Flamengo na época e que estava encerrando sua carreira. O interessante é que ele repetiu o gesto em sua aposentadoria como atleta, passando seu instrumento de trabalho para um garoto promissor da Gávea – Arthur Antunes Coimbra, o “Zico”.

Destacou-se como um volante técnico e refinado, a ponto de ganhar o apelido de “Violino”. “Parecia que o ex-meia jogava por música”, diziam os comentaristas esportivos da época. Um dos momentos que Carlinhos mais brilhou como jogador foi no Fla-Flu decisivo do Campeonato Carioca de 1963, quando liderou o time no empate de 0 X 0 que deu o título ao Flamengo.

O jogo foi realizado no dia 15 de dezembro, no Maracanã, perante um público de 177.020 pagantes e 16.947 não pagantes, o maior em um jogo oficial entre dois clubes no futebol mundial. Mas existiram, na época, especulações dizendo que o público real foi de cerca de 200 mil espectadores.

Foi um dos poucos atletas a ganhar o “Prêmio Belfort Duarte”, oferecido aos jogadores que nunca foram expulsos de campo. Era apontado como um dos melhores da posição de todos os tempos do futebol brasileiro.

Dono de voz mansa, muita classe e aparência sempre tranquila, o “Violino” levou consigo a marca de ser um rubro-negro como poucos. Jogou no Flamengo de 1958 a 1969. Nutria uma verdadeira paixão pelo clube. Vivia o Flamengo no dia-a-dia, fosse como funcionário ou torcedor.

Como jogador, Carlinhos vestiu a camisa do Flamengo, em 517 vezes. Na condição de técnico dirigiu a equipe em 313 oportunidades, tornando-se o melhor treinador de futebol da história do clube, tendo comandando jogadores da envergadura de Zico, Bebeto, Leandro, Renato Gaúcho e Júnior. Somando tudo, como profissional rubro-negro disputou 880 partidas: 517 como jogador e 313 como técnico.

É verdade que muitas vezes foi usado como um técnico "tampão". Pela habilidade de contornar crises, ficou conhecido internamente como um “bombeiro” do clube. Porém, entre 1991-1993, começou a ganhar respeito ao trazer para a Gávea um improvável troféu de campeão brasileiro em 1992, o quarto do Flamengo.

“Violino” recebeu sua primeira oportunidade como treinador do Flamengo ao substituir Paulo César Carpegiani, em 1983. Naquele ano, Carlinhos fez parte da conquista do tricampeonato brasileiro, já que assumiu o time como interino na campanha que teria como comandante o então treinador Carlos Alberto Torres.

Sua última passagem pelo Flamengo como técnico ocorreu entre maio e outubro de 2000, época em que conquistou a Taça Rio e logo depois o bicampeonato estadual. Carlinhos chegou também a treinar o Guarani de Campinas e o Clube do Remo, do Pará. Mas a sua paixão pelo Flamengo resultou em, nada mais, nada menos, do que sete passagens pela “Gávea”.

Há quem diga que Carlinhos, e não o Andrade (com o penta do flamengo em 2009), tenha sido o primeiro negro a conquistar, como técnico de futebol, o campeonato Brasileiro. Porém Carlinhos pode ser identificado como mestiço e não necessariamente negro.

Carlinhos, mesmo sendo dono de uma qualidade incontestável, foi um dos atletas injustiçados por nunca terem tido uma sequência na Seleção Brasileira. Ele disputou somente uma partida com a camisa canarinho, talvez porque na época Santos e Botafogo cediam a maior parte dos convocados.

Foi no ano de 1964, contra a Seleção de Portugal. Nessa partida, outro rubro-negro esteve em campo junto com Carlinhos, Aírton Beleza, centroavante que fez dupla central de ataque com Pelé. A Seleção Brasileira saiu vitoriosa do Maracanã naquele dia.

Dois anos antes, nos preparativos para a Copa do Mundo de 1962, o então treinador da Seleção Brasileira, Aimoré Moreira, convocou 41 jogadores, mas destes, somente 22 foram ao Chile. A preferência para a reserva de Zito, acabou recaindo em Zequinha, do Palmeiras, ao invés dele, embora fosse a grande sensação do momento.

O ex-treinador era frequentador assíduo da sede do Flamengo, a que chamava de sua segunda casa. Em 12 de fevereiro de 2011, Carlinhos foi homenageado pelo Flamengo, com a inauguração de um busto e uma praça na sede social do Clube, no bairro da Gávea. Na inauguração, foi tomado pela emoção e transbordou em prantos.

Títulos. Flamengo, como jogador: Torneio Início do Campeonato Carioca (1959); Torneio Rio-São Paulo (1961); Campeonato Carioca (1963 e 1965); Torneio Internacional de Israel (1958); Torneio Hexagonal de Lima, Peru (1959); Torneio Internacional de Verão do Uruguai (1961); Torneio Internacional da Tunísia (1962); Troféu Naranja, Espanha (1964); Troféu Mohammed IV, no Marrocos (1968); Torneio Gilberto Alves, em Goiânia (1965) e Troféu Restelo, em Portugal (1968).

Como treinador. Pelo Flamengo: Campeonato Carioca: 1991,1999 e 2000; Taça Guanabara (1988 e 1999); Taça Rio: 1991 e 2000; Campeonato Brasileiro (1992); Módulo Verde da Copa União (1987); Taça Brahma dos Campeões Brasileiros, disputada no Paraná (1992); Troféu Eco-92, disputado no Rio de Janeiro(1992); Troféu Libertad, na Argentina (1993); Troféu Raul Plasmann, no Rio de Janeiro (1993); Torneio Internacional de Kuala Lumpur (1994); Copa Pepsi Cup'94, no Japão (1994) e Copa Mercosul (1999). (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Morre mais um campeão mundial de 1958

Agora só restam sete campeões mundiais de 1958, ainda vivos, com o falecimento ocorrido ontem, domingo, de José Ely de Miranda, o “Zito”, aos 82 anos de idade. Ele morreu em sua casa, em Santos (SP).

Há cerca de um ano havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH), que o manteve hospitalizado na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) do hospital da Santa Casa, de Santos, por 32 dias, o que debilitou sua condição de saúde.

Desde agosto, o ex-jogador seguia o tratamento "Home Care", acompanhamento hospitalar a domicílio, que evita a permanência prolongada no hospital e diminui os riscos de infecções.

O velório começou às 8h (de Brasília) e foi até as13h. Na sequência, o carro que levou o corpo do ex-capitão santista passou pela Vila Belmiro, onde aconteceu uma queima de fogos. O enterro ocorreu às 16h30, em Roseira, cidade do interior paulista em que nasceu.

A ausência mais sentida foi a de Pelé, que está nos Estados Unidos e não pode dar o último adeus a “Zito”. No entanto, ele não esqueceu do ex-companheiro e enviou uma coroa de flores à família. Nela, Pelé agradeceu os ensinamentos do capitão do Santos nas décadas de 1950 e 1960: "foi como um pai para mim", estava escrito.

“Foi melhor assim para que não sofra mais, nos sensibilizávamos muito com isso. O carinho dos amigos e da família, agora, nos confortam. Os últimos momentos foram de muito sofrimento, em que vimos as dificuldades respiratórias, e ele partir, mas o que todos podem levar são as lembranças dele”, disse o filho José Ely de Miranda Júnior.

“Zito”, foi um dos principais jogadores do legendário time do Santos Futebol Clube dos anos 1960, sendo o líder da equipe. Mas sua autoridade não era contestada por ninguém, nem mesmo por ”Pelé”, o craque do time.

“Zito” era natural de Roseira (SP), onde nasceu a 8 de agosto de 1932. Iniciou a carreira pelo Esporte Clube Taubaté, atuando na posição de volante. Em 1952 foi contratado pelo Santos, onde jogou até sua aposentadoria.

Pelo Santos, Zito atuou por 15 anos, de 1952 a 1967, em 727 jogos, marcou 57 gols. No período, conquistou quatro vezes a Taça Brasil (1961,1962, 1963 e 1964), nove Estaduais (1955, 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965 e 1967), duas Copas Libertadores (1962 e 1963), duas Copas Intercontinentais (1962 e 1963), quatro Torneios Rio-São Paulo (1959, 1963, 1964 e 1966) e duas Copas do Mundo FIFA (1958 e 1962).

Apelidado de "Gerente", era o líder do time dentro de campo, inclusive recebendo do técnico Lula o aval para comandar os atletas em campo da maneira que achasse melhor. Tornaram-se célebres seus gritos incentivando os jogadores a continuar marcand gols, mesmo com as partidas já decididas.

Na Seleção Brasileira foi bicampeão do mundo, tendo marcado um dos gols do Brasil na vitória de virada sobre a Tchecoslováquia por 3 X 1, na final da Copa do Mundo de 1962, no Chile. Zito” só conquistou a vaga de titular no terceiro jogo da Copa, contra a União Soviética, quando entrou no lugar de Dino Sani.

Para “Zito” a Copa de 1958 foi a mais importante conquista do futebol brasileiro, pois foi a única ganha em gramados europeus. “Nós estávamos jogando contra as principais seleções do mundo no território deles. O fato de ter sido conquistada na Europa torna essa Copa ainda mais especial. Não tenho dúvidas de que foi a principal conquista da história do futebol brasileiro”, dizia o jogador.

“Zito” contava que logo após a conquista do título, ainda na Suécia, houve uma óbvia euforia de jogadores, comissão técnica e dirigentes. No entanto, ele admitia que o grupo só percebeu a real dimensão do que aquele título significava mais tarde, na chegada da delegação ao Rio de Janeiro.

Para ele, a emoção mais forte foi na recepção da delegação no Rio. Quando chegaram ao Aeroporto do Galeão, havia uma multidão os aguardando. Foram colocados num caminhão dos bombeiros e seguiram até o Palácio do Catete. "O povo todo foi correndo atrás durante todo o trajeto. Foi algo maravilhoso, tão grande que dão dá nem para descrever", comentava “Zito”.

Depois de se aposentar dos gramados, “Zito” trabalhou como diretor do Santos e foi um dos responsáveis por revelar jovens jogadores de destaque, sendo um dos descobridores de Robinho, Neymar e Gabriel.

O camisa 10 da Seleção Brasileira postou uma foto dele com Zito em seu Instagram. "Não tenho palavras para descrever esse cara, simplesmente agradeço tudo que fez por mim, por ter acreditado e me ajudado no começo da minha carreira! Descanse em paz, fez muito por nós aqui... Obrigado ZITO!", escreveu Neymar na rede social.

O ex-volante, garantia que não ficou rico jogando futebol. E se assustava ao saber das grandes quantias que os jogadores de Seleção Brasileira ganham hoje. Em 1958, contava “Zito”, os jogadores não era estrelas, não tinham assessores, empresários, agências de marketing, nada disso. Pensava-se única e exclusivamente em jogar futebol.

Quando na Suécia, os jogadores da Seleção Brasileira tornaram-se atração em Hindas, antes mesmo de entrarem em campo. “Nós nunca tínhamos visto pessoas de pele escura antes. Eu fiquei até assustada”, lembra a moradora Eva Högberg, com uma risada.

Hindas, ou Hindås, em sueco, é um vilarejo com pouco mais de 2 mil moradores a 30 minutos de Gotemburgo. Lá, a paisagem é a mesma de 50 anos atrás. De um lado o hotel onde a Seleção Brasileira ficou hospedada. Do outro, separados apenas pela estrada, o hotel onde a Seleção Soviética ficou durante o Mundial.

De frente para ambos a bela paisagem do lago Västra Nedsjön. Não é preciso ir longe para encontrar quem tenha convivido com os brasileiros naquele mês de junho de 1958. Lars Hedenström, que era vizinho do hotel dos soviéticos e responsável pelo campo do IFK Hindas, conta que vinha gente de longe somente para ver os brasileiros.

Ele guarda até hoje um álbum com as fotos que tirou, não apenas dos brasileiros, mas de outros astros como o goleiro soviético Lev Yashin. Nelas, é possível ver uma Hindas que se parece muito com a atual. O hotel em que os brasileiros se hospedaram, hoje abriga apenas conferências. Foi ampliado, mas a fachada é quase a mesma. A cor também mudou. Hoje é creme, em vez do vermelho do passado.

Com a morte de “Zito” sobe para 15 o número de campeões mundiais de 1958, que já nos deixaram: Zózimo (1977),  Garrincha (1983), Oreco (1985), Castilho (1987), Didi (2001), Mauro (2002), Dida (2002), Vavá (2002), Joel (2003), Orlando (2010), De Sordi (2013), Djalma Santos (2013), Gilmar (2013), Nilton Santos (2013) e Bellini (2014).

Da Seleção Campeã do Mundo de 1958, apenas sete jogadores ainda estão vivos. São eles Dino Sani, Moacir, Pelé, Zagallo, Mazzola, Zito e Pepe. Desse grupo, 14 participaram do bicampeonato no Chile: Castilho, Gilmar, Bellini, Djalma Santos, Nilton Santos, Didi, Zagallo, Zózimo, Garrincha, Pelé, Mauro, Zito, Vavá e Pepe.

Entre os campeões de 1962, e que não disputaram o Mundial de 1958, dois jogadores já morreram: Jurandir e Zequinha. Também já nos deixaram os dois técnicos que deram os primeiros títulos e que colocaram o Brasil junto com Uruguai e Itália, até então os únicos com dois títulos mundiais: Vicente Feola (em 1958) e Aymoré Moreira (em 1962).

O primeiro jogador brasileiro campeão do mundo a morrer foi o lateral esquerdo Everaldo, tricampeão no México, em 1970, e que foi vítima de um acidente automobilístico, em 1974. Daquela seleção, também já nos deixaram o goleiro Félix, que foi titular na Copa, e o zagueiro reserva Fontana. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 9 de junho de 2015

Um colecionador de recordes

Agustin Gaínza, apelidado de “Piru”, é considerado o melhor ponteiro-esquerdo da história do futebol espanhol. Nasceu em Basauri, Vizcaya, em 28 de maio de 1922. Também era conhecido como o “Gamo Dublin", apelido que lhe foi dado pela imprensa irlandesa, após um jogo contra a Seleção Espanhola.

Começou a carreira em 1938, quando era jovem e trabalhava numa fábrica. Foi convidado e aceitou jogar no Athletic, de Bilbao. Contam que Gaínza era um menino bastante apático, que não era muito chegado ao futebol.

Mesmo assim jogava de ponteiro esquerdo, para não ter que correr muito. E foi dessa maneira que começou a carreira que o tornaria o melhor na posição, em toda a história do futebol espanhol.

Com apenas 17 anos jogou sua primeira partida pela equipe de cima do Athletic. Foi em Mendizorroza, contra o Alavés. Dai por diante foi alternando partidas no time de aspirantes e nos titulares, até se consolidar como um grande jogador na temporada 1941-1942. Sua qualidade e carisma o tornaram capitão do time por vários anos.

No clube de Bilbao, único em que jogou, conquistou dois campeonatos espanhóis (1942-1943 e 1955-1956), e sete Copas do Rei (1943, 1944, 1945, 1950, 1955, 1956 e 1958), sendo o jogador espanhol que mais vezes ganhou esse troféu e jogou mais finais, um total de nove.

Gaínza era o capitão e a alma da equipe, que era irresistível. De todas as Copas conquistadas, uma delas, a ultima, de 1958, teve um significado especial. Na final, conhecida como a de "los once aldeanos", o Athletic ganhou do Real Madrid, de Di Stéfano, em Chamartín (Antigo Estádio do Real Madrid, construído em 1924), numa partida memorável e heróica, sobre todos os aspectos.

A Federação havia se negado a permitir que o jogo se realizasse em campo neutro. O Athletic ganhou por 2 X 0, com gols de Arieta e Mauri. Di Stéfano foi literalmente anulado por Etura, e como o próprio craque argentino reconheceu, o Athletic foi um justíssimo vencedor.

Além disso foi Gaínza quem marcou mais gols em uma só partida da Copa do Rei, oito contra o Celta, de Vigo, que terminou numa goleada histórica de 12 X 1. 

E também foi o jogador do Athletic, de Bilbao que mais atuou em jogos da Primeira Divisão, um total de 381. Ele marcou 120 gols com a camisa do time basco. Na “Copa do Rei”, a outra grande competição espanhola, ele jogou 99 vezes, recorde até hoje não superado, e marcou 29 gols.

Antes de conquistar a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a melhor classificação da Espanha na competição tinha sido em 1950, quando foi quarta colocada. No time estavam Zarra e Gaínza, que foram companheiros no Athetic, que na época possuía um grande time.

De todas as partidas que Gaínza jogou pela Seleção da Espanha, se destacam duas: um amistoso contra a Irlanda, quando ganhou o apelido de "El Gamo de Dublín", e sobretudo a partida frente a Inglaterra, na Copa disputada no Brasil, em 1950, quando deu um passe de cabeça para Zarra marcar o gol contra a Inglaterra, que classificou a “Fúria” para disputar a fase final, perdendo frente o Brasil.

Tanto Zarra, como Gaínza, foram escolhidos para a Seleção ideal daquele Mundial. Ao todo, Agustin Gaínza vestiu a camisa da Seleção Espanhola em 33 oportunidades, marcando 10 gols.

O ataque do Athletic foi um dos melhores da Espanha em todos os tempos: Iriondo, Venâncio, Zarra, Panizo e Gaínza, que levaram a agremiação nos anos 50 a escrever as mais brilhantes páginas de sua longa historia. Panizo foi o primeiro a chegar dos "cinco magníficos".

Uma temporada depois do final da famosa equipe de “los once aldeanos”, Gaínza decidiu pendurar as chuteiras, sendo o último a retirar-se daquela mítica dianteira, atuando como ponteiro de outra magnifica geração do Athletic, composta entre outros por Carmelo, Garay, Mauri, Maguregui, Arieta e Uribe. Foram 20 anos vestindo a camisa vermelha e branca, dando um exemplo de amor a um clube.

Em 1953, recebeu a "Medalha do Mérito Desportivo", da Real Federação Espanhola de Futebol (R. F. E. F). Encerrou a carreira no final da temporada 1958-1959, tornando-se treinador, tendo trabalhado no Athletic Bilbao de 1965 a 1969, levando o clube a jogar a "Taça UEFA" e duas finais da "Taça Nacional".

Depois de abandonar o cargo de treinador, continuou ligado ao Bilbao como consultor e olheiro. Seu trabalho era avaliar jovens talentos. Foi quando se tornou grande amigo de Javier Clemente Lázaro, um treinador e ex-futebolista espanhol.


No “Dia de Reis”, de 1995, Gaínza morreu de um infarto fulminante, em sua casa de Basauri. Mais de três mil pessoas foram ao seu funeral e muitas não puderam entrar na Igreja. Na cidade em que nasceu, uma das principais ruas leva o seu nome. Ainda hoje detém vários recordes, que são difíceis de superar. (Pesquisa: Nilo Dias)