Vista de Potosi, na Bolìvia, uma das cidades mais altas do mundo. (Foto: odysseysouthamerica)
Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.
quinta-feira, 13 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
O clube mais antigo do mundo é da Inglaterra
O clube mais antigo do mundo é o Notts County Football Club, da Inglaterra, fundado em 28 de novembro de 1862, na cidade de Nottingham, por Mr. Arkwright e Chas Deakin. A formação definitiva e oficial, no entanto, só se deu em 1864. O primeiro campeonato oficial disputado pelo clube foi em 1877, a Copa da Inglaterra.
O clube, que um dia já foi muito tradicional, inclusive cedendo jogadores para a seleção nacional, hoje não passa de mero figurante da quarta divisão inglesa. Nos primeiros tempos o Notts mandava seus jogos no estádio Trent Bridge e, algumas vezes em Castle Cricket Ground ou na Floresta de Town Ground. Desde 1910 ocupa o Meadow Lane, estádio com capacidade para 21 mil torcedores.
O atacante Les Bradd foi o maior ídolo da história do time. Vestiu a camisa do Notts County por 11 anos, tendo marcado 124 gols. Para quem tem 145 anos de vida, a galeria de conquistas não é lá essas coisas: possui uma Copa da Inglaterra (1894); 3 League Championship (segunda divisão, em 1897, 1914 e 1923); uma Football League Two (terceira divisão, em 1931); 6 Bass Charity Vase (torneio para angariar fundos a hospitais, em 1988, 1989, 1990, 1994, 2004 e 2005); 6 Nottingham Shire Cup (torneio que envolve times da cidade, em 1937, 1963, 1975, 1976, 1985 e 1995) e uma Anglo-Italian Cup (1995).
O Notts, que foi um dos fundadores da liga inglesa de futebol, disputou a Premier League (a primeira divisão) pela última vez na temporada 1981/82.
Como a polêmica sempre está presente, existem historiadores que colocam em dúvida o pioneirismo do Notts County Football Club, atribuindo ao time alemão do Verein Für Leibersübungen Bochun Fussballgemeinschaft EV (ou simplesmente Bochun 1848), a condição de clube mais velho do mundo em atividade. Ele foi fundado em 1º julho de 1848, na cidade de Bochun, como clube social. Só foi oficializado como time de futebol em 1938, 90 anos depois.
É a mesma situação que ocorreu no Brasil: Flamengo, Vasco e Vitória da Bahia foram fundados como clubes de regatas e só depois aderiram ao futebol. Por isso o S.C. Rio Grande é de fato e de direito o mais velho clube de futebol em atividade no país.
A história do VfL Bochum 1848, velha ou nova, não é marcada por conquistas expressivas. O clube ingressou na “Bundesliga” (campeonato alemão) apenas em 1971, depois de conquistar a Liga Regional do Oeste da Alemanha. E a classificação foi modesta, somente o nono lugar. Depois enfrentou sucessivos rebaixamentos e acessos. Seu melhor resultado, na elite do futebol alemão foi em 1997, um quinto lugar que garantiu vaga para a Copa da Uefa, o que se repetiria em 2004, com efêmeros desempenhos.
Desde a fundação o VfL Bochum 1848, tem como mascote a figura de um rato. A partir de abril de 2007, aproveitando a tradição do clube, foi criada uma personagem chamada Bobbi Bolzer, que é um “rato-criança”. Bobbi possui um site na Internet e sempre está presente em jogos e escolinhas de futebol do clube. (Fonte: football.co.uk)(Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O clube, que um dia já foi muito tradicional, inclusive cedendo jogadores para a seleção nacional, hoje não passa de mero figurante da quarta divisão inglesa. Nos primeiros tempos o Notts mandava seus jogos no estádio Trent Bridge e, algumas vezes em Castle Cricket Ground ou na Floresta de Town Ground. Desde 1910 ocupa o Meadow Lane, estádio com capacidade para 21 mil torcedores.
O atacante Les Bradd foi o maior ídolo da história do time. Vestiu a camisa do Notts County por 11 anos, tendo marcado 124 gols. Para quem tem 145 anos de vida, a galeria de conquistas não é lá essas coisas: possui uma Copa da Inglaterra (1894); 3 League Championship (segunda divisão, em 1897, 1914 e 1923); uma Football League Two (terceira divisão, em 1931); 6 Bass Charity Vase (torneio para angariar fundos a hospitais, em 1988, 1989, 1990, 1994, 2004 e 2005); 6 Nottingham Shire Cup (torneio que envolve times da cidade, em 1937, 1963, 1975, 1976, 1985 e 1995) e uma Anglo-Italian Cup (1995).
O Notts, que foi um dos fundadores da liga inglesa de futebol, disputou a Premier League (a primeira divisão) pela última vez na temporada 1981/82.
Como a polêmica sempre está presente, existem historiadores que colocam em dúvida o pioneirismo do Notts County Football Club, atribuindo ao time alemão do Verein Für Leibersübungen Bochun Fussballgemeinschaft EV (ou simplesmente Bochun 1848), a condição de clube mais velho do mundo em atividade. Ele foi fundado em 1º julho de 1848, na cidade de Bochun, como clube social. Só foi oficializado como time de futebol em 1938, 90 anos depois.
É a mesma situação que ocorreu no Brasil: Flamengo, Vasco e Vitória da Bahia foram fundados como clubes de regatas e só depois aderiram ao futebol. Por isso o S.C. Rio Grande é de fato e de direito o mais velho clube de futebol em atividade no país.
A história do VfL Bochum 1848, velha ou nova, não é marcada por conquistas expressivas. O clube ingressou na “Bundesliga” (campeonato alemão) apenas em 1971, depois de conquistar a Liga Regional do Oeste da Alemanha. E a classificação foi modesta, somente o nono lugar. Depois enfrentou sucessivos rebaixamentos e acessos. Seu melhor resultado, na elite do futebol alemão foi em 1997, um quinto lugar que garantiu vaga para a Copa da Uefa, o que se repetiria em 2004, com efêmeros desempenhos.
Desde a fundação o VfL Bochum 1848, tem como mascote a figura de um rato. A partir de abril de 2007, aproveitando a tradição do clube, foi criada uma personagem chamada Bobbi Bolzer, que é um “rato-criança”. Bobbi possui um site na Internet e sempre está presente em jogos e escolinhas de futebol do clube. (Fonte: football.co.uk)(Texto e pesquisa: Nilo Dias)
terça-feira, 11 de março de 2008
Campeonato baiano é o segundo mais antigo do Brasil
A história se repetiu na Bahia. O jovem Zuza Ferreira, filho de um tesoureiro do British Bank, em Salvador foi estudar na Inglaterra e no retorno ao Brasil, no dia 25 de outubro de 1901, trazia na mala uma bola de futebol, a exemplo do que já haviam feito Charles Miller e outros introdutores do chamado “esporte bretão” no país.
Zuza não esperou para bater uma bola. Três dias depois de desembarcar, um domingo, de manhã bem cedo tomou o caminho do Campo da Pólvora com a bola debaixo dos braços. No trajeto encontrou os amigos de tantos anos, Petersen e Drumond e os convida para acompanhá-lo. A molecada, vendo aquele homem com uma bola daquele tamanho na mão, resolveu segui-lo.
A curiosidade da garotada permitiu que Zuza formasse dois times. Dividiu os jogadores: um goleiro, dois zagueiros e cinco atacantes. As goleiras foram de pedras colocadas a uma distância de mais ou menos 10 metros, uma da outra. Era 28 de outubro de 1901. Estava introduzido o futebol na Bahia.
Em pouco tempo cresceu o número de adeptos do novo esporte. Nas ruas, a garotada improvisava as célebres bolas de meia, organizava partidas que terminavam sempre em discussões, tapas e raras eram as vezes em que as vidraças das casas vizinhas não eram quebradas, gerando muita confusão.
No ano de 1904 o futebol já havia virado notícia nos jornais de Salvador, não nas páginas esportivas, mas nas colunas de polícia. Quem praticava o futebol era chamado de "Malta de vadios" e "Corja de malcriados". As queixas eram constantes dos moradores da Barra, Fonte do Boi, Parque Cruz Aguiar, Rio Vermelho, Largo do Papagaio e Campo dos Mártires, hoje chamado Campo da Pólvora.
O primeiro campeonato baiano e o segundo organizado no Brasil (depois de São Paulo) foi realizado em 1905, quatro anos depois que Zuza Ferreira trouxe a primeira bola para Salvador. Desde lá vem sendo disputado sem interrupções. Apenas quatro equipes participaram da primeira edição do certame: Clube Náutico de Regatas São Salvador, Sport Club Vitória, Club Bahiano de Tênis e Club Internacional de Cricket, que foi o primeiro campeão. Voltaria a ganhar o título só em 1914. Durante 49 anos só os clubes da capital participaram do campeonato. Foi aberto aos clubes do interior apenas a partir de 1954.
A partir de 1970 a dupla Ba-Vi passou a dominar o futebol baiano. O clube que mais triunfou no Campeonato Estadual foi o Bahia, com 43 títulos. Atrás está o Vitória, atual campeão baiano (2007), com 24 conquistas. Depois dos dois grandes, vêm o Sport Club Ypiranga, time de coração do saudoso Jorge Amado (fundado em 7 de setembro de 1906, com o nome original de Sete de Setembro), com 10 títulos, e o Botafogo Sport Club, com 7. O Galicia Esporte Clube, representante da colônia espanhola de Salvador, foi o primeiro tricampeão baiano (1941,1942 e 1943).
O Campeonato Baiano já teve dois campeões em duas oportunidades: em 1938 o Botafogo ganhou o primeiro turno e os demais clubes se negaram a disputar o segundo. A Federação fez novo campeonato e o Bahia ganhou. Depois de uma boa briga, Botafogo e Bahia foram declarados campeões. Em 1999, Bahia e Vitória foram a Justiça Desportiva e os dois foram proclamados campeões.
Os clássicos entre Bahia e Botafogo eram folclóricos. Por muitos anos o Bahia não perdia para o alvirrubro. Revoltado, um torcedor botafoguense levava um pote ao estádio sempre que os dois times se enfrentavam. Dizia que quebraria o pote só quando o seu time vencesse o Bahia. Por isso o jogo ficou conhecido como “clássico do pote”. Apenas em 1938, o Botafogo ganhou uma, por 3 x 1 e o pote foi quebrado. Os cacos foram guardados pelos torcedores botafoguenses como amuleto.
Vários clubes participaram do campeonato Baiano. Alguns deles: Sul América, São Paulo Club, Brasil, Aquidaban, Riachuelo, A.D Leônico (campeão em 1966), Associação Bancários da Bahia, Atlético F.C. (campeão em 1912), Fluminense F.C., de Salvador (campeão em 1913 e 1915), S.C. República (campeão em 1916), A.A. da Bahia (campeão em 1924), Clube Bahiano de Tênis (campeão em 1927), A.D. Guarany (campeão em 1947), Clube de Natação e Regatas São Salvador (campeão em 1906 e 1907), E.C. Estrela de Março, Real Salvador E.C., Redenção F.C., Salvador F.C., São Cristóvão F.C., S.C. Santos Dumont (campeão em 1910), Feirense Esporte Clube, de Feira de Santana (campeão em 2002), Fluminense de Feira F.C., de Feira de Santana (campeão em 1963 e 1969) e Colo Colo de Futebol e Regatas (campeão em 2006)
O Bahia E.C., fundado em 1º de janeiro de 1931, apesar de não figurar mais na Série A do Campeonato Brasileiro, ainda é o clube mais importante do Estado e responsável pelos dois maiores feitos da história do futebol baiano: campeão da Taça Brasil em 1959 e do Campeonato Brasileiro de 1988.
No dia 25 de novembro do ano passado o futebol baiano sofreu o mais duro golpe de sua história. O estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, o maior da Bahia foi palco de uma tragédia anunciada: um pedaço da arquibancada desmoronou e sete torcedores morreram depois de caírem de uma altura de 25 metros.
Essa não foi a primeira tragédia no estádio, construído em 1951. Nos tempos dos militares no poder, a praça esportiva foi reinaugurada no dia 4 de março de 1971, depois de algumas obras de ampliação. A festa teve a presença do General Emílio Garrastazu Médici, presidente brasileiro. A festa virou pesadelo com dois mortos e milhares de feridos.
A imprensa noticiou na época, sem provas, que 112.000 pessoas estiveram na Fonte Nova para ver uma rodada dupla: Bahia x Flamengo e Vitória x Grêmio Portoalegrense. Porém, o público pagante oficial divulgado dois dias depois foi de 94.972 pessoas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Zuza não esperou para bater uma bola. Três dias depois de desembarcar, um domingo, de manhã bem cedo tomou o caminho do Campo da Pólvora com a bola debaixo dos braços. No trajeto encontrou os amigos de tantos anos, Petersen e Drumond e os convida para acompanhá-lo. A molecada, vendo aquele homem com uma bola daquele tamanho na mão, resolveu segui-lo.
A curiosidade da garotada permitiu que Zuza formasse dois times. Dividiu os jogadores: um goleiro, dois zagueiros e cinco atacantes. As goleiras foram de pedras colocadas a uma distância de mais ou menos 10 metros, uma da outra. Era 28 de outubro de 1901. Estava introduzido o futebol na Bahia.
Em pouco tempo cresceu o número de adeptos do novo esporte. Nas ruas, a garotada improvisava as célebres bolas de meia, organizava partidas que terminavam sempre em discussões, tapas e raras eram as vezes em que as vidraças das casas vizinhas não eram quebradas, gerando muita confusão.
No ano de 1904 o futebol já havia virado notícia nos jornais de Salvador, não nas páginas esportivas, mas nas colunas de polícia. Quem praticava o futebol era chamado de "Malta de vadios" e "Corja de malcriados". As queixas eram constantes dos moradores da Barra, Fonte do Boi, Parque Cruz Aguiar, Rio Vermelho, Largo do Papagaio e Campo dos Mártires, hoje chamado Campo da Pólvora.
O primeiro campeonato baiano e o segundo organizado no Brasil (depois de São Paulo) foi realizado em 1905, quatro anos depois que Zuza Ferreira trouxe a primeira bola para Salvador. Desde lá vem sendo disputado sem interrupções. Apenas quatro equipes participaram da primeira edição do certame: Clube Náutico de Regatas São Salvador, Sport Club Vitória, Club Bahiano de Tênis e Club Internacional de Cricket, que foi o primeiro campeão. Voltaria a ganhar o título só em 1914. Durante 49 anos só os clubes da capital participaram do campeonato. Foi aberto aos clubes do interior apenas a partir de 1954.
A partir de 1970 a dupla Ba-Vi passou a dominar o futebol baiano. O clube que mais triunfou no Campeonato Estadual foi o Bahia, com 43 títulos. Atrás está o Vitória, atual campeão baiano (2007), com 24 conquistas. Depois dos dois grandes, vêm o Sport Club Ypiranga, time de coração do saudoso Jorge Amado (fundado em 7 de setembro de 1906, com o nome original de Sete de Setembro), com 10 títulos, e o Botafogo Sport Club, com 7. O Galicia Esporte Clube, representante da colônia espanhola de Salvador, foi o primeiro tricampeão baiano (1941,1942 e 1943).
O Campeonato Baiano já teve dois campeões em duas oportunidades: em 1938 o Botafogo ganhou o primeiro turno e os demais clubes se negaram a disputar o segundo. A Federação fez novo campeonato e o Bahia ganhou. Depois de uma boa briga, Botafogo e Bahia foram declarados campeões. Em 1999, Bahia e Vitória foram a Justiça Desportiva e os dois foram proclamados campeões.
Os clássicos entre Bahia e Botafogo eram folclóricos. Por muitos anos o Bahia não perdia para o alvirrubro. Revoltado, um torcedor botafoguense levava um pote ao estádio sempre que os dois times se enfrentavam. Dizia que quebraria o pote só quando o seu time vencesse o Bahia. Por isso o jogo ficou conhecido como “clássico do pote”. Apenas em 1938, o Botafogo ganhou uma, por 3 x 1 e o pote foi quebrado. Os cacos foram guardados pelos torcedores botafoguenses como amuleto.
Vários clubes participaram do campeonato Baiano. Alguns deles: Sul América, São Paulo Club, Brasil, Aquidaban, Riachuelo, A.D Leônico (campeão em 1966), Associação Bancários da Bahia, Atlético F.C. (campeão em 1912), Fluminense F.C., de Salvador (campeão em 1913 e 1915), S.C. República (campeão em 1916), A.A. da Bahia (campeão em 1924), Clube Bahiano de Tênis (campeão em 1927), A.D. Guarany (campeão em 1947), Clube de Natação e Regatas São Salvador (campeão em 1906 e 1907), E.C. Estrela de Março, Real Salvador E.C., Redenção F.C., Salvador F.C., São Cristóvão F.C., S.C. Santos Dumont (campeão em 1910), Feirense Esporte Clube, de Feira de Santana (campeão em 2002), Fluminense de Feira F.C., de Feira de Santana (campeão em 1963 e 1969) e Colo Colo de Futebol e Regatas (campeão em 2006)
O Bahia E.C., fundado em 1º de janeiro de 1931, apesar de não figurar mais na Série A do Campeonato Brasileiro, ainda é o clube mais importante do Estado e responsável pelos dois maiores feitos da história do futebol baiano: campeão da Taça Brasil em 1959 e do Campeonato Brasileiro de 1988.
No dia 25 de novembro do ano passado o futebol baiano sofreu o mais duro golpe de sua história. O estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, o maior da Bahia foi palco de uma tragédia anunciada: um pedaço da arquibancada desmoronou e sete torcedores morreram depois de caírem de uma altura de 25 metros.
Essa não foi a primeira tragédia no estádio, construído em 1951. Nos tempos dos militares no poder, a praça esportiva foi reinaugurada no dia 4 de março de 1971, depois de algumas obras de ampliação. A festa teve a presença do General Emílio Garrastazu Médici, presidente brasileiro. A festa virou pesadelo com dois mortos e milhares de feridos.
A imprensa noticiou na época, sem provas, que 112.000 pessoas estiveram na Fonte Nova para ver uma rodada dupla: Bahia x Flamengo e Vitória x Grêmio Portoalegrense. Porém, o público pagante oficial divulgado dois dias depois foi de 94.972 pessoas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
segunda-feira, 10 de março de 2008
O “vovô” do futebol brasileiro
A trajetória do futebol no Rio Grande do Sul começou oficialmente em 19 de julho de 1900 com a fundação do Sport Club Rio Grande, primeiro e mais antigo time do futebol brasileiro em atividade. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) consagrou o dia 19 de julho, aniversário do S.C. Rio Grande, como o “Dia do Futebol Brasileiro”.
Ao final do século XIX, existia em Rio Grande a “Casa dos Atiradores”, também chamada de “Tiro Alemão”. Ela reunia inclusive operários da Companhia de Tecidos Rheingantz, que foi durante décadas o maior estabelecimento fabril do Rio Grande do Sul. Em suas instalações havia espaço físico para a prática do futebol. Foi ali que os alemães da fábrica realizaram exibições esporádicas de futebol.
Jovens riograndinos, entre os quais imigrantes alemães e ingleses, decidiram montar um time para jogar contra os marinheiros que chegavam ao porto. O jovem Arthur Cecil Lawson, recém vindo de um período de estudos na Inglaterra trouxe o gosto pelo futebol, material esportivo e a experiência de já ter jogado na Europa como goleiro. O desejo de implantar o futebol na cidade encontrou resistência da forte colônia alemã existente na época.
Nesse período chegou a Rio Grande o jovem Johannes Cristian Moritz Minnemann, influente membro da sociedade, aficionado do futebol e nascido em Hamburgo, Alemanha, em 17 de julho de 1875, que se tornou o maior entusiasta da idéia.
Minnemann reuniu alemães, ingleses, portugueses e brasileiros com a finalidade de fundar o clube. Isso só não aconteceu no dia 17 de julho de 1900, no Clube Germânia (hoje Sociedade Germânia), porque houve reação contrária a presença de não-alemães. Depois de dois dias de discussões houve o consenso e o clube foi fundado. A ata de fundação foi redigida em alemão por Minnemann, que dominava mal o português. As cores escolhidas foram vermelho, verde e branco, como homenagem ao Rio Grande do Sul.
Minnemann desempenhou duas funções na nova entidade: "guarda-esportes" e zagueiro do time principal. Na primeira, era encarregado de organizar as partidas, ensinar as regras e o jogo aos novatos. Na segunda, dominava o campo e esbanjava categoria.
Casou-se em Rio Grande com a professora Adélia Marques e teve dois filhos nascidos no Brasil. Em 1912, partiu para Hamburgo com a família. Após a 1ª Guerra Mundial, tentou retornar, mas a falta de rotas marítimas entre os dois países e problemas com as autoridades francesas e suíças fizeram com que se decidisse por morar em Portugal.
Minnemmam morreu na cidade do Porto em 1929, sem nunca ter retornado a Rio Grande ou a terras brasileiras. De seus cinco filhos, dois já visitaram Rio Grande nos anos 80, para conhecer de perto o grande legado deixado pelo pai no sul do Brasil.
A primeira exibição futebolística ocorreu em 9 de outubro de 1900, entre sócios do clube. O jogo foi no campo do Clube de Tiro Alemão, perante 600 pessoas. A bola foi importada da Inglaterra. Em 18 de maio de 1901 os adversários foram os marinheiros da canhoneira inglesa “Nymph”. O resultado foi um empate de 2 X 2. Um segundo jogo foi realizado, dessa vez com vitória brasileira por 2 X 1. É provável que esses tenham sido os primeiros amistosos internacionais de um clube de futebol brasileiro.
No dia 17 de julho de 2000, data do centenário do clube, o histórico jogo foi revivido. Os tripulantes de um navio da Marinha Real Britânica, o “Dumbarton Castle”, perderam de 6 X 1 para o Sport Club Rio Grande, representado por sua equipe juvenil.
No início, a ausência de outros clubes no Estado obrigava o Rio Grande a jogar sozinho. Os outros clubes da cidade foram fundados bem depois. O S.C. São Paulo em 1908 e o F.B.C. Rio-Grandense em 11 de julho de 1909. Foram vários os “matchs” de demonstração dos times “A” e “B” do S.C. Rio Grande pelo interior gaúcho.
O S.C. Rio Grande foi o introdutor do futebol em Porto Alegre, Pelotas e Bagé. O primeiro jogo realizado em Porto Alegre ocorreu em 7 de setembro de 1903. Foi um empate sem gols entre as equipes Cores X Brancos do Sport Club Rio Grande. No mesmo dia, após o jogo, os sócios da União Velocipédica, tentaram fundar um clube de futebol, mas não chegaram a um acordo.
Menos de duas semanas depois, estavam fundadas duas agremiações futebolísticas em Porto Alegre, ambas em 15 de setembro: o Grêmio F.B. Portoalegrense e o Fuss-Ball Club Porto Alegre, este por iniciativa dos ciclistas alemães da Rodforvier Verein Blitz. O Fuss-Ball encerrou as atividades na década de 40 e o Grêmio existe até hoje.
No dia 4 de outubro de 1901, a convite da União Gaúcha aconteceu em Pelotas a primeira partida de futebol que se tem notícia. O futebol foi apresentado à cidade pelos atletas do Rio Grande, em jogo demonstrativo de suas equipes “A” e “B”.
Em 1º de janeiro de 1906, criou-se em Pelotas o Club Sportivo, para a prática do futebol. Meses depois, por uma cisão dessa recente entidade esportiva surgiu o Foot-Ball Club. No dia 10 de janeiro de 1906, criou-se o Club Sportivo Internacional. Nesse mesmo ano de 1906, outro clube teve sua fundação, o Sport Club União. Logo após a criação destas equipes de futebol, inúmeros jogos amistosos foram realizados entre estas instituições, tornando-se o futebol um esporte popular na cidade.
Os principais clubes da cidade surgiram depois. S.C. Pelotas, fundado em 17 de setembro de 1908, G.E. Brasil, fundado em 7 de setembro de 1911 e G.A. 9º Regimento (atual G.A. Farroupilha), fundado em 26 de abril de 1926.
Em 15 de novembro de 1906 o S.C. Rio Grande concluiu sua missão difusora ao visitar a cidade de Bagé e lá introduzir o futebol. O jogo entre os times “A” e “B” fez parte da programação da Exposição Agropecuária. Um pequeno público assistiu à apresentação, porque o futebol era considerado na época “uma indecência, uma imoralidade, onde homens de perna cabeluda de fora, correndo, davam coice numa bola”...
No mesmo dia foi criado o primeiro time de futebol de Bagé, o Sport Club Bagé, inicialmente com as cores azul e branco, depois preto e amarelo. Ele manteve-se ativo até 1914, quando seus principais jogadores resolveram jogar pelo Guarany F.C., fundado em 19 de abril de 1907. Em 5 de agosto de 1920 surgiu o Grêmio Esportivo Bagé.
Durante muitos anos o S.C. Rio Grande foi soberano no futebol gaúcho. Tanto que só perdeu sua invencibilidade em 1909, para o S.C. Pelotas. Foi o primeiro clube brasileiro a realizar uma partida de futebol internacional, em 1910, contra o então poderoso Clube Atlético Estudiantes, da Argentina, a quem depois retribuiu a visita. E em 1911 enfrentou a Seleção Uruguaia. Mas o maior feito da história do clube foi a conquista do título de Campeão Gaúcho de 1936.
A rica história do S.C. Rio Grande, hoje disputando a 2ª Divisão gaúcha está sendo preservada. Em 2001, a produtora cultural Helena Portella criou o Memorial Johannes Cristian Moritz Minnemann, onde estão guardados troféus, fotos antigas, flâmulas e documentos importantes da fundação do clube, verdadeiros tesouros do futebol brasileiro. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Ao final do século XIX, existia em Rio Grande a “Casa dos Atiradores”, também chamada de “Tiro Alemão”. Ela reunia inclusive operários da Companhia de Tecidos Rheingantz, que foi durante décadas o maior estabelecimento fabril do Rio Grande do Sul. Em suas instalações havia espaço físico para a prática do futebol. Foi ali que os alemães da fábrica realizaram exibições esporádicas de futebol.
Jovens riograndinos, entre os quais imigrantes alemães e ingleses, decidiram montar um time para jogar contra os marinheiros que chegavam ao porto. O jovem Arthur Cecil Lawson, recém vindo de um período de estudos na Inglaterra trouxe o gosto pelo futebol, material esportivo e a experiência de já ter jogado na Europa como goleiro. O desejo de implantar o futebol na cidade encontrou resistência da forte colônia alemã existente na época.
Nesse período chegou a Rio Grande o jovem Johannes Cristian Moritz Minnemann, influente membro da sociedade, aficionado do futebol e nascido em Hamburgo, Alemanha, em 17 de julho de 1875, que se tornou o maior entusiasta da idéia.
Minnemann reuniu alemães, ingleses, portugueses e brasileiros com a finalidade de fundar o clube. Isso só não aconteceu no dia 17 de julho de 1900, no Clube Germânia (hoje Sociedade Germânia), porque houve reação contrária a presença de não-alemães. Depois de dois dias de discussões houve o consenso e o clube foi fundado. A ata de fundação foi redigida em alemão por Minnemann, que dominava mal o português. As cores escolhidas foram vermelho, verde e branco, como homenagem ao Rio Grande do Sul.
Minnemann desempenhou duas funções na nova entidade: "guarda-esportes" e zagueiro do time principal. Na primeira, era encarregado de organizar as partidas, ensinar as regras e o jogo aos novatos. Na segunda, dominava o campo e esbanjava categoria.
Casou-se em Rio Grande com a professora Adélia Marques e teve dois filhos nascidos no Brasil. Em 1912, partiu para Hamburgo com a família. Após a 1ª Guerra Mundial, tentou retornar, mas a falta de rotas marítimas entre os dois países e problemas com as autoridades francesas e suíças fizeram com que se decidisse por morar em Portugal.
Minnemmam morreu na cidade do Porto em 1929, sem nunca ter retornado a Rio Grande ou a terras brasileiras. De seus cinco filhos, dois já visitaram Rio Grande nos anos 80, para conhecer de perto o grande legado deixado pelo pai no sul do Brasil.
A primeira exibição futebolística ocorreu em 9 de outubro de 1900, entre sócios do clube. O jogo foi no campo do Clube de Tiro Alemão, perante 600 pessoas. A bola foi importada da Inglaterra. Em 18 de maio de 1901 os adversários foram os marinheiros da canhoneira inglesa “Nymph”. O resultado foi um empate de 2 X 2. Um segundo jogo foi realizado, dessa vez com vitória brasileira por 2 X 1. É provável que esses tenham sido os primeiros amistosos internacionais de um clube de futebol brasileiro.
No dia 17 de julho de 2000, data do centenário do clube, o histórico jogo foi revivido. Os tripulantes de um navio da Marinha Real Britânica, o “Dumbarton Castle”, perderam de 6 X 1 para o Sport Club Rio Grande, representado por sua equipe juvenil.
No início, a ausência de outros clubes no Estado obrigava o Rio Grande a jogar sozinho. Os outros clubes da cidade foram fundados bem depois. O S.C. São Paulo em 1908 e o F.B.C. Rio-Grandense em 11 de julho de 1909. Foram vários os “matchs” de demonstração dos times “A” e “B” do S.C. Rio Grande pelo interior gaúcho.
O S.C. Rio Grande foi o introdutor do futebol em Porto Alegre, Pelotas e Bagé. O primeiro jogo realizado em Porto Alegre ocorreu em 7 de setembro de 1903. Foi um empate sem gols entre as equipes Cores X Brancos do Sport Club Rio Grande. No mesmo dia, após o jogo, os sócios da União Velocipédica, tentaram fundar um clube de futebol, mas não chegaram a um acordo.
Menos de duas semanas depois, estavam fundadas duas agremiações futebolísticas em Porto Alegre, ambas em 15 de setembro: o Grêmio F.B. Portoalegrense e o Fuss-Ball Club Porto Alegre, este por iniciativa dos ciclistas alemães da Rodforvier Verein Blitz. O Fuss-Ball encerrou as atividades na década de 40 e o Grêmio existe até hoje.
No dia 4 de outubro de 1901, a convite da União Gaúcha aconteceu em Pelotas a primeira partida de futebol que se tem notícia. O futebol foi apresentado à cidade pelos atletas do Rio Grande, em jogo demonstrativo de suas equipes “A” e “B”.
Em 1º de janeiro de 1906, criou-se em Pelotas o Club Sportivo, para a prática do futebol. Meses depois, por uma cisão dessa recente entidade esportiva surgiu o Foot-Ball Club. No dia 10 de janeiro de 1906, criou-se o Club Sportivo Internacional. Nesse mesmo ano de 1906, outro clube teve sua fundação, o Sport Club União. Logo após a criação destas equipes de futebol, inúmeros jogos amistosos foram realizados entre estas instituições, tornando-se o futebol um esporte popular na cidade.
Os principais clubes da cidade surgiram depois. S.C. Pelotas, fundado em 17 de setembro de 1908, G.E. Brasil, fundado em 7 de setembro de 1911 e G.A. 9º Regimento (atual G.A. Farroupilha), fundado em 26 de abril de 1926.
Em 15 de novembro de 1906 o S.C. Rio Grande concluiu sua missão difusora ao visitar a cidade de Bagé e lá introduzir o futebol. O jogo entre os times “A” e “B” fez parte da programação da Exposição Agropecuária. Um pequeno público assistiu à apresentação, porque o futebol era considerado na época “uma indecência, uma imoralidade, onde homens de perna cabeluda de fora, correndo, davam coice numa bola”...
No mesmo dia foi criado o primeiro time de futebol de Bagé, o Sport Club Bagé, inicialmente com as cores azul e branco, depois preto e amarelo. Ele manteve-se ativo até 1914, quando seus principais jogadores resolveram jogar pelo Guarany F.C., fundado em 19 de abril de 1907. Em 5 de agosto de 1920 surgiu o Grêmio Esportivo Bagé.
Durante muitos anos o S.C. Rio Grande foi soberano no futebol gaúcho. Tanto que só perdeu sua invencibilidade em 1909, para o S.C. Pelotas. Foi o primeiro clube brasileiro a realizar uma partida de futebol internacional, em 1910, contra o então poderoso Clube Atlético Estudiantes, da Argentina, a quem depois retribuiu a visita. E em 1911 enfrentou a Seleção Uruguaia. Mas o maior feito da história do clube foi a conquista do título de Campeão Gaúcho de 1936.
A rica história do S.C. Rio Grande, hoje disputando a 2ª Divisão gaúcha está sendo preservada. Em 2001, a produtora cultural Helena Portella criou o Memorial Johannes Cristian Moritz Minnemann, onde estão guardados troféus, fotos antigas, flâmulas e documentos importantes da fundação do clube, verdadeiros tesouros do futebol brasileiro. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 8 de março de 2008
Eu vi o menino Pelé jogar
Não sou torcedor do Santos F.C., mas já fui torcedor do Pelé. E quem não foi? Eu me considero um privilegiado. Não é qualquer um que teve a oportunidade de ver o Pelé, ainda menino dar seus primeiros chutes. Foi no dia 24 de março de 1957. Já se passaram 51 anos. Pelé ainda não era o rei. Tinha apenas 16 anos. Nasceu em 23 de outubro de 1940, em Três Corações (MG) e era reserva do time do Santos. Time não, timaço. O grande astro era o atacante Emanuel Del Vecchio. Jogava também Jair da Rosa Pinto, o velho “Jajá da Barra Mansa”, que tinha um “canhão” nos pés e estava quase pendurando as chuteiras. Álvaro e Pepe, convocados para a Seleção Brasileira, não jogaram.
Eu tinha a mesma idade de Pelé e já era maluco por futebol e acompanhava tudo que era jogo, especialmente o Campeonato Carioca pela Rádio Nacional, nas vozes dos inconfundíveis narradores Jorge Curi e Antônio Cordeiro. Jornal de fora, lá na minha terra, quase não se lia. Era mais o semanário local “O Ponche Verde”, que por sinal existe até hoje. Mas ainda assim fiquei sabendo da excursão do Santos pelo Rio Grande do Sul e do jogo em Bagé contra um combinado local.
Peguei o trem, pois naquela época as estradas eram de chão batido e os ônibus não ofereciam as comodidades de hoje. Os passageiros levavam de tudo, de leite a galinhas. Fui ver o jogo no Estádio da Pedra Moura, do Bagé. Era um domingo bonito, recém havia terminado o verão.
Logo no início do jogo, num choque com Athayde Tarouco, um uruguaio que jogava muita bola, o craque Del Vecchio saiu machucado para a entrada em seu lugar de um menino de 16 anos, que os bageenses chamavam “Pilê. Era Pelé que acabaria por marcar o gol santista no empate em 1 X 1. Para os gaúchos marcou Carlos Calvete, ponteiro direito, irmão de Raul Calvete, que mais tarde jogou pelo próprio Santos e foi campeão mundial de clubes.
Ao escrever um pouco sobre o Santos F.C., aproveitei para contar essa passagem vivida nos tempos de juventude, na minha pequena Dom Pedrito. Sei que os santistas vão me perdoar por ter ocupado tanto espaço. Mas foi uma bonita recordação.
O Santos FC foi fundado no dia 14 de abril de 1912, por iniciativa dos desportistas Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior. Os três se reuniram na sede do Clube Concórdia, com a intenção de fundarem um time de futebol. A dúvida foi o nome: Concórdia, Euterpe ou Brasil Atlético. Mas prevaleceu a proposta de um outro fundador, Edmundo Jorge Araújo, de Santos Football Clube.
Alguns fatos históricos. O primeiro Presidente foi Sizino Patusca. O primeiro jogo aconteceu em 15 de setembro de 1912, quando o Santos Football Club venceu o Santos Athletic Club, considerado o time dos ingleses, por 3 a 0. O primeiro gol da história do clube foi marcado por Arnaldo Silveira.
Poucos torcedores santistas sabem que nos primeiros meses o clube era tricolor, tendo como cores oficiais o branco, o azul e o dourado. Como havia muita dificuldade para confeccionar camisas e calções nessas cores, por sugestão do sócio Paulo Pelúccio, o clube adotou como cores oficiais o branco e o preto. O branco por representar a paz, e o preto, a nobreza.
Em 1913, o Santos começou a disputar o Campeonato Paulista. O jogo de estréia foi no dia 1º de junho, diante do Germânia. E levou uma nada animadora goleada de 8 a 1.Três semanas depois, no dia 22 de junho, o time santista conquistou sua primeira vitória em uma competição. E logo contra o Corinthians, que viria a se tornar seu maior rival: 6 a 3 e em pleno Parque São Jorge.
Paralelamente o Santos participou pela primeira vez do Campeonato Santista, ao lado de América, Escolástica Rosa e Atlético, sagrando-se campeão invicto, com seis vitórias em seis jogos, 35 gols pró e apenas sete contra. Esse foi o primeiro título da história do clube. Em 1914 foi bicampeão, também invicto. O Campeonato Paulista o Santos ganhou pela primeira vez em 1935. Depois foi campeão em 1955 (livrando um jejum de 20 anos), 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973, 1978, 1984, 2006 (livrando um jejum de 22 anos) e 2007. O Santos foi campeão brasileiro em oito oportunidades e venceu vários torneios nacionais e internacionais.
Alguns craques que vestiram a camisa branca e preta: Manga (não é aquele do Botafogo e Internacional), Hélvio, Feijó, Ramiro, Formiga, Urubatão, Tite, Negri, Álvaro, Del Vecchio, Pepe, Diego e Robinho.
Em 1956, trazido pelas mãos de Valdemar de Brito, chegou a Vila Belmiro o menino Pelé, de 15 anos, que daria novo impulso à história do Santos, levando o clube a conquistas que enalteceram o futebol brasileiro. O Santos de Pelé praticamente deu a volta ao mundo, encantando torcedores com o futebol mágico de seus craques. Tinha um ataque memorável: Dorval, Mengávio, Coutinho, Pelé e Pepe. Nesse período, o Santos foi Bicampeão Mundial Interclubes (1962/1963) e Bicampeão da Taça Libertadores da América (1962/1963), entre outras glórias. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Eu tinha a mesma idade de Pelé e já era maluco por futebol e acompanhava tudo que era jogo, especialmente o Campeonato Carioca pela Rádio Nacional, nas vozes dos inconfundíveis narradores Jorge Curi e Antônio Cordeiro. Jornal de fora, lá na minha terra, quase não se lia. Era mais o semanário local “O Ponche Verde”, que por sinal existe até hoje. Mas ainda assim fiquei sabendo da excursão do Santos pelo Rio Grande do Sul e do jogo em Bagé contra um combinado local.
Peguei o trem, pois naquela época as estradas eram de chão batido e os ônibus não ofereciam as comodidades de hoje. Os passageiros levavam de tudo, de leite a galinhas. Fui ver o jogo no Estádio da Pedra Moura, do Bagé. Era um domingo bonito, recém havia terminado o verão.
Logo no início do jogo, num choque com Athayde Tarouco, um uruguaio que jogava muita bola, o craque Del Vecchio saiu machucado para a entrada em seu lugar de um menino de 16 anos, que os bageenses chamavam “Pilê. Era Pelé que acabaria por marcar o gol santista no empate em 1 X 1. Para os gaúchos marcou Carlos Calvete, ponteiro direito, irmão de Raul Calvete, que mais tarde jogou pelo próprio Santos e foi campeão mundial de clubes.
Ao escrever um pouco sobre o Santos F.C., aproveitei para contar essa passagem vivida nos tempos de juventude, na minha pequena Dom Pedrito. Sei que os santistas vão me perdoar por ter ocupado tanto espaço. Mas foi uma bonita recordação.
O Santos FC foi fundado no dia 14 de abril de 1912, por iniciativa dos desportistas Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior. Os três se reuniram na sede do Clube Concórdia, com a intenção de fundarem um time de futebol. A dúvida foi o nome: Concórdia, Euterpe ou Brasil Atlético. Mas prevaleceu a proposta de um outro fundador, Edmundo Jorge Araújo, de Santos Football Clube.
Alguns fatos históricos. O primeiro Presidente foi Sizino Patusca. O primeiro jogo aconteceu em 15 de setembro de 1912, quando o Santos Football Club venceu o Santos Athletic Club, considerado o time dos ingleses, por 3 a 0. O primeiro gol da história do clube foi marcado por Arnaldo Silveira.
Poucos torcedores santistas sabem que nos primeiros meses o clube era tricolor, tendo como cores oficiais o branco, o azul e o dourado. Como havia muita dificuldade para confeccionar camisas e calções nessas cores, por sugestão do sócio Paulo Pelúccio, o clube adotou como cores oficiais o branco e o preto. O branco por representar a paz, e o preto, a nobreza.
Em 1913, o Santos começou a disputar o Campeonato Paulista. O jogo de estréia foi no dia 1º de junho, diante do Germânia. E levou uma nada animadora goleada de 8 a 1.Três semanas depois, no dia 22 de junho, o time santista conquistou sua primeira vitória em uma competição. E logo contra o Corinthians, que viria a se tornar seu maior rival: 6 a 3 e em pleno Parque São Jorge.
Paralelamente o Santos participou pela primeira vez do Campeonato Santista, ao lado de América, Escolástica Rosa e Atlético, sagrando-se campeão invicto, com seis vitórias em seis jogos, 35 gols pró e apenas sete contra. Esse foi o primeiro título da história do clube. Em 1914 foi bicampeão, também invicto. O Campeonato Paulista o Santos ganhou pela primeira vez em 1935. Depois foi campeão em 1955 (livrando um jejum de 20 anos), 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973, 1978, 1984, 2006 (livrando um jejum de 22 anos) e 2007. O Santos foi campeão brasileiro em oito oportunidades e venceu vários torneios nacionais e internacionais.
Alguns craques que vestiram a camisa branca e preta: Manga (não é aquele do Botafogo e Internacional), Hélvio, Feijó, Ramiro, Formiga, Urubatão, Tite, Negri, Álvaro, Del Vecchio, Pepe, Diego e Robinho.
Em 1956, trazido pelas mãos de Valdemar de Brito, chegou a Vila Belmiro o menino Pelé, de 15 anos, que daria novo impulso à história do Santos, levando o clube a conquistas que enalteceram o futebol brasileiro. O Santos de Pelé praticamente deu a volta ao mundo, encantando torcedores com o futebol mágico de seus craques. Tinha um ataque memorável: Dorval, Mengávio, Coutinho, Pelé e Pepe. Nesse período, o Santos foi Bicampeão Mundial Interclubes (1962/1963) e Bicampeão da Taça Libertadores da América (1962/1963), entre outras glórias. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sexta-feira, 7 de março de 2008
O clube mais brasileiro
Recentemente, quando o S.C. Corinthians Paulista foi rebaixado para a Série B do campeonato brasileiro, coisas quase inacreditáveis ocorreram. Fora seus torcedores, o país inteiro torceu pela queda corinthiana. Só para não aprofundar essa situação, cito um exemplo, apenas e que diz tudo. Torcedores do S.C. Internacional, de Porto Alegre, que foram em grande número ao Estádio Serra Dourada, em Goiânia, na última rodada do campeonato do ano passado, torceram contra seu próprio clube, como “doce” vingança pelo título do “Brasileirão” de 2005, que o Corinthians teria ganho de maneira que até hoje suscita dúvidas.
O Corinthians, depois do Flamengo é o dono da maior torcida no país. Isso explica em parte as constantes “secadas” dos torcedores rivais. Fora essas circunstâncias que o futebol é pródigo em apresentar, inegavelmente o Corinthians é um clube que merece toda a admiração e respeito. Sua história é cheia de feitos empolgantes.
O clube surgiu em 1911, quando recém a elite paulistana abria as portas do novo esporte para as classes mais populares. Era 1º de setembro de 1910, quando os operários Joaquim Ambrósio, Carlos da Silva, Rafael Perrone, Antônio Pereira e Anselmo Correia, reunidos com outros oito rapazes fundaram o Sport Club Corinthians Paulista, depois de assistirem um jogo do time inglês do “Corinthia Casuals Football Club”, que excursionava ao Brasil. O primeiro presidente do Corinthians brasileiro foi o alfaiate Miguel Bataglia, que vaticinou: “O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time". E não deu outra.
Os primeiros tempos do Corinthians foram passados nos campos de várzea. O primeiro jogo aconteceu em 10 de setembro de 1910, quando perdeu por 1 X 0 para o União da Lapa, uma respeitada equipe da várzea paulistana. O primeiro gol da vida do clube foi marcado pelo jogador Luis Fabi, na vitória de 2 X 0 sobre o também varzeano Estrela Polar, no dia 14 de setembro de 1910. Depois disso, foram dois anos de invencibilidade.
Somente em 1913, dois anos depois de fundado é que o clube pleiteou uma vaga junto à Liga Paulista de Futebol. Teve que disputar uma eliminatória, derrotando o Minas Gerais por 1 X 0 e o São Paulo do Bexiga, por 4 X 1.
A estréia no Campeonato Paulista de 1913, quando terminou em quarto lugar, não foi boa: perdeu para o Germânia, por 3 X 1. O jogador Joaquim Rodrigues escreveu seu nome na história do Corinthians, marcando o primeiro gol do clube em partidas oficiais.
Em 1914, começava a hegemonia: no segundo Campeonato Paulista que disputou o Corinthians não deu chance para os adversários. Uma campanha arrasadora, com 10 vitórias em 10 jogos, 39 gols marcados e goleadas para todos os lados e Neco, como artilheiro com 12 gols. Nesse mesmo ano jogou sua primeira partida internacional, perdendo para o Torino, da Itália por 3 X 0. Começava assim a história futebolística do Sport Club Corinthians Paulista.
Muitos foram os craques que vestiram a camisa alvinegra. O maior deles foi Manuel Nunes, o Neco, que jogou no Corinthians por 17 anos. Era um jogador polivalente, atuando na ponta-esquerda, centro-avante e no meio de campo. Começou no terceiro quadro corintiano, em 1911. Em 1914, foi campeão paulista pela primeira vez, e artilheiro com 12 gols, feito que repetiria em 1920, quando marcou 24 gols. Em 1915, o Corinthians viveu sua primeira grande crise, quando não disputou torneios oficiais e quase fechou as portas, ameaçado de ter a sede tomada e todos os móveis penhorados. Neco foi então emprestado ao Mackenzie.
Em 1916, o Corinthians voltou a Liga e foi de novo campeão. Isso se repetiria em 1922, 1923, 1924, 1928 e 1930. Neco foi também o primeiro jogador corintiano convocado para a Seleçao Brasileira, ao lado de Amilcar Barbuy. E ainda o primeiro jogador do Corinthians a ter um busto no Parque São Jorge. Neco disputou 296 jogos (215 vitórias, 35 empates e 46 derrotas), marcou 235 gols e venceu os Campeonatos Paulistas de 1914 (invicto), 1916 (invicto), 1922 (centenário da Independência), 1923, 1924, 1928 e 1930.
Muitos jogadores brilharam no Corinthians, como Luizinho, Baltazar (o cabecinha de ouro), Cláudio (apelidado o gerente), Oreco, Gilmar, Rivelino, Vladimir, Basílio, Sócrates, Casa Grande, Marcelinho Carioca e Carlito Tevez, entre outros. Mas nenhum com a intensidade de Neco.
O Corinthians ainda papou o Paulistão nos anos de 1937 (primeiro título no profissionalismo), 1938 (invicto), 1939, 1941, 1951 (com o famoso ataque dos 103 gols), 1952, 1954 (IV Centenário de São Paulo), 1977 (Jubileu de Diamantes), 1979, 1982, 1983, 1988, 1995, 1997, 1999, 2001 e 2003. (campeão do século).
Outros títulos importantes na história do clube: Torneio Quinela de Ouro (invicto, 1942); Taça Cidade de São Paulo (1942, 1947, 1948 e 1952); Torneio Rio-São Paulo (1950, 1953, 1954, 1966 e 2002); Pequena Copa do Mundo em Caracas, Venezuela (1953); Torneio Internacional Charles Miller (1955); Taça dos Invictos (1956 e 1957); Taça São Paulo (1962); Torneio de Torino, Itália (1966 e 1969); Torneio Costa do Sol, na Espanha (1969); Torneio Internacional de Nova York (1969); Torneio Laudo Natel (1973); Taça Governador do Estado (1978); Copa Internacional da Feira de Hidalgo, México (1981); Taça Cidade de Porto Alegre (1983); Super Copa do Brasil (1991); Copa do Brasil (1995 e 2002); Torneio Ramón de Carranza, Espanha (1996); 1º Mundial Interclubes da FIFA (2001) e Campeonato Brasileiro (1990,1998, 1999 e 2005). (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O Corinthians, depois do Flamengo é o dono da maior torcida no país. Isso explica em parte as constantes “secadas” dos torcedores rivais. Fora essas circunstâncias que o futebol é pródigo em apresentar, inegavelmente o Corinthians é um clube que merece toda a admiração e respeito. Sua história é cheia de feitos empolgantes.
O clube surgiu em 1911, quando recém a elite paulistana abria as portas do novo esporte para as classes mais populares. Era 1º de setembro de 1910, quando os operários Joaquim Ambrósio, Carlos da Silva, Rafael Perrone, Antônio Pereira e Anselmo Correia, reunidos com outros oito rapazes fundaram o Sport Club Corinthians Paulista, depois de assistirem um jogo do time inglês do “Corinthia Casuals Football Club”, que excursionava ao Brasil. O primeiro presidente do Corinthians brasileiro foi o alfaiate Miguel Bataglia, que vaticinou: “O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time". E não deu outra.
Os primeiros tempos do Corinthians foram passados nos campos de várzea. O primeiro jogo aconteceu em 10 de setembro de 1910, quando perdeu por 1 X 0 para o União da Lapa, uma respeitada equipe da várzea paulistana. O primeiro gol da vida do clube foi marcado pelo jogador Luis Fabi, na vitória de 2 X 0 sobre o também varzeano Estrela Polar, no dia 14 de setembro de 1910. Depois disso, foram dois anos de invencibilidade.
Somente em 1913, dois anos depois de fundado é que o clube pleiteou uma vaga junto à Liga Paulista de Futebol. Teve que disputar uma eliminatória, derrotando o Minas Gerais por 1 X 0 e o São Paulo do Bexiga, por 4 X 1.
A estréia no Campeonato Paulista de 1913, quando terminou em quarto lugar, não foi boa: perdeu para o Germânia, por 3 X 1. O jogador Joaquim Rodrigues escreveu seu nome na história do Corinthians, marcando o primeiro gol do clube em partidas oficiais.
Em 1914, começava a hegemonia: no segundo Campeonato Paulista que disputou o Corinthians não deu chance para os adversários. Uma campanha arrasadora, com 10 vitórias em 10 jogos, 39 gols marcados e goleadas para todos os lados e Neco, como artilheiro com 12 gols. Nesse mesmo ano jogou sua primeira partida internacional, perdendo para o Torino, da Itália por 3 X 0. Começava assim a história futebolística do Sport Club Corinthians Paulista.
Muitos foram os craques que vestiram a camisa alvinegra. O maior deles foi Manuel Nunes, o Neco, que jogou no Corinthians por 17 anos. Era um jogador polivalente, atuando na ponta-esquerda, centro-avante e no meio de campo. Começou no terceiro quadro corintiano, em 1911. Em 1914, foi campeão paulista pela primeira vez, e artilheiro com 12 gols, feito que repetiria em 1920, quando marcou 24 gols. Em 1915, o Corinthians viveu sua primeira grande crise, quando não disputou torneios oficiais e quase fechou as portas, ameaçado de ter a sede tomada e todos os móveis penhorados. Neco foi então emprestado ao Mackenzie.
Em 1916, o Corinthians voltou a Liga e foi de novo campeão. Isso se repetiria em 1922, 1923, 1924, 1928 e 1930. Neco foi também o primeiro jogador corintiano convocado para a Seleçao Brasileira, ao lado de Amilcar Barbuy. E ainda o primeiro jogador do Corinthians a ter um busto no Parque São Jorge. Neco disputou 296 jogos (215 vitórias, 35 empates e 46 derrotas), marcou 235 gols e venceu os Campeonatos Paulistas de 1914 (invicto), 1916 (invicto), 1922 (centenário da Independência), 1923, 1924, 1928 e 1930.
Muitos jogadores brilharam no Corinthians, como Luizinho, Baltazar (o cabecinha de ouro), Cláudio (apelidado o gerente), Oreco, Gilmar, Rivelino, Vladimir, Basílio, Sócrates, Casa Grande, Marcelinho Carioca e Carlito Tevez, entre outros. Mas nenhum com a intensidade de Neco.
O Corinthians ainda papou o Paulistão nos anos de 1937 (primeiro título no profissionalismo), 1938 (invicto), 1939, 1941, 1951 (com o famoso ataque dos 103 gols), 1952, 1954 (IV Centenário de São Paulo), 1977 (Jubileu de Diamantes), 1979, 1982, 1983, 1988, 1995, 1997, 1999, 2001 e 2003. (campeão do século).
Outros títulos importantes na história do clube: Torneio Quinela de Ouro (invicto, 1942); Taça Cidade de São Paulo (1942, 1947, 1948 e 1952); Torneio Rio-São Paulo (1950, 1953, 1954, 1966 e 2002); Pequena Copa do Mundo em Caracas, Venezuela (1953); Torneio Internacional Charles Miller (1955); Taça dos Invictos (1956 e 1957); Taça São Paulo (1962); Torneio de Torino, Itália (1966 e 1969); Torneio Costa do Sol, na Espanha (1969); Torneio Internacional de Nova York (1969); Torneio Laudo Natel (1973); Taça Governador do Estado (1978); Copa Internacional da Feira de Hidalgo, México (1981); Taça Cidade de Porto Alegre (1983); Super Copa do Brasil (1991); Copa do Brasil (1995 e 2002); Torneio Ramón de Carranza, Espanha (1996); 1º Mundial Interclubes da FIFA (2001) e Campeonato Brasileiro (1990,1998, 1999 e 2005). (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
quinta-feira, 6 de março de 2008
Um futebol de muita tradição
O futebol paulista, no início se caracterizou pelo domínio das elites. Quem jogava eram apenas os brancos, filhos das melhores famílias da sociedade. Assim persistiu por alguns anos. Mesmo depois da realização do primeiro campeonato paulista, em 1902, os jogadores continuavam sendo na maioria técnicos industriais e engenheiros ingleses. Demorou, é verdade, mas por volta de 1910 o esporte deixou de ser privilégio das classes mais favorecidas.
Da Várzea do Carmo, local do primeiro jogo de futebol no Brasil, os gramados proliferaram por toda São Paulo, chegando às vilas, bairros operários e margens das estradas de ferro. Surgiram os clubes de várzea, que além do futebol promoviam atividades sociais. O futebol passava de esporte de elite para o mais popular em todo o país.
A história do futebol de São Paulo começou realmente a ser contada com o Campeonato Paulista de Futebol de 1902, o primeiro no Brasil. Naquele primeiro ano apenas cinco equipes disputaram o título, e todas da capital: A.A. Mackenzie College, São Paulo Athletic, Germânia, Paulistano e S.C. Internacional.
No dia 13 de maio, o campeonato teve início com o histórico jogo Mackenzie 2 X 1 Germânia, que foi o primeiro jogo oficial realizado no Brasil. O jogador Eppinghaus, do Mackenzie, foi o autor do primeiro gol da história do Paulistão. O local do jogo foi o estádio do Velódromo. Havia uma placa nas arquibancadas onde se lia: "É expressamente proibido vaiar".
Embora já se cobrasse ingressos, o jogo Internacional e Mackenzie, no dia 29-05-1902, foi franqueado ao público. Ou quase. O jornal 'A Província de São Paulo', publicou que "A entrada para este match será franqueada a toda pessoa decentemente trajada".
O jogo final aconteceu em 26 de outubro entre São Paulo Athletic e Paulistano que terminaram a competição empatados com 12 pontos e não havia um critério para desempate. A fórmula achada foi um jogo desempate para definir o campeão. O São Paulo Athletic venceu por 2 X 1.
O time pioneiro do futebol brasileiro foi o São Paulo Athletic Club (hoje Clube Atlético São Paulo), fundado em 13 de maio de 1888, para a prática do críquete, nada tendo a ver com o atual São Paulo Futebol Clube. O futebol foi introduzido no clube em abril de 1895, por sugestão do associado Charles Miller. O SPAC desativou seu departamento de futebol no ano de 1912. Em sua curta história futebolística conseguiu faturar o tricampeonato paulista em 1902, 1903 e 1904.
O Club Athlético Paulistano foi fundado em 29 de dezembro de 1900 e existe até hoje como clube social. Em 1929, com o advento do prifissionalismo fechou o departamento de futebol. Enquanto competiu, foi um importante clube de futebol, tendo vencido o Campeonato Paulista onze vezes (1905, 1908, 1913, 1916, 1917, 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1929). Foi o primeiro clube de futebol brasileiro a excursionar a Europa. O Paulistano é o único tetra-campeão paulista consecutivamente: 1916, 1917, 1918 e 1919. Até hoje ninguém repetiu tal façanha.
Nos primeiros tempos do futebol paulista outras agremiações que participaram dos campeonatos, estão extintas: o Sport Clube Internacional, fundado em 19 de agosto de 1899, foi campeão em 1907. Em 1909, o ex-integrante do clube Henrique Poppe Leão, transferido para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, foi um dos responsáveis pela fundação do Sport Club Internacional gaúcho, que viria a ser campeão da América, e do Mundo Fifa. Em 1933, em dificuldades financeiras, acabou se fundindo ao Antarctica Futebol Clube, dando origem ao Clube Atlético Paulista.
Associação Atlética das Palmeiras, fundada em 9 de Novembro de 1902, foi campeã paulista por três vezes: em 1909, 1910 e 1915 (pela Associação Paulista de Esportes Atléticos-APEA) e em 1911 ganhou a Taça “Salutaris”, competição entre os campeões carioca e paulista, ao vencer o Botafogo. No fim da década de 1920, com a profissionalização do futebol e a decadência no cenário futebolístico paulista, encerrou as atividades.
A Associação Atlética São Bento, fundada em 1914 pelo Padre Katon, professor do Ginásio São Bento, logo em seu primeiro ano de disputa do Campeonato Paulista, em 1925, superou os grandes da época e sagrou-se campeã. A equipe continuou até 1935, quando abandonou o futebol com o advento do profissionalismo.
O Sport Club Germânia foi fundado em 7 de setembro de 1899, por Hans Nobiling. A equipe disputou 26 vezes o campeonato paulista de futebol, sendo campeã nos anos de 1906 e 1915 (pela Liga Paulista de Futebol). Teve que mudar de nome por determinação do governo durante a Guerra Mundial, passando a se chamar Esporte Clube Pinheiros, atualmente um clube social e esportivo. Com a chegada do futebol profissional, fechou o departamento de futebol.
O Clube Atlético Ypiranga, fundado em 10 de junho de 1906, foi um dos mais fortes times de futebol de São Paulo e fundador da Federação Paulista de Futebol. Apesar disso, não ganhou nenhum título de campeão paulista. Foi vice-campeão estadual em 1913, 1935 e 1936. Friendereich e o goleiro Barbosa, que jogou a Copa do Mundo de 1950 jogaram no clube. Em 1959, depois de rebaixado para a 2ª divisão, desativou o departamento de futebol profissional.
O primeiro São Paulo Futebol Clube, que era conhecido como São Paulo da Floresta por seu campo ser na Chácara da Floresta, antigo campo da A.A. das Palmeiras, disputou o Campeonato Paulista de Futebol entre os anos de 1930 e 1934, quando foi à falência, dando lugar ao atual São Paulo Futebol Clube. O São Paulo da Floresta foi campeão paulista em 1931. O clube nasceu do descontentamento de ex-dirigentes do Paulistano e da A.A. das Palmeiras que haviam fechado suas portas. Surgia assim o São Paulo Futebol Clube em 27 de janeiro de 1930.
Logo no segundo campeonato que disputou a nova equipe levantou o título. Em 1934 adquiriu uma luxuosa sede, “o Trocadero”, por 190 contos de réis. Não conseguindo honrar a dívida, o clube foi absorvido pelo Clube de Regatas Tietê. Em 1935, disputou a seletiva do campeonato paulista com o nome Tietê-São Paulo, mas não conseguiu classificação e deixou de existir. Com a refundação do São Paulo, em 1935, a agremiação no período entre janeiro de 1930 e maio de 1935 passou a ser conhecida como "São Paulo da Floresta”.
Fundada em 26 de agosto de 1914, a Sociedade Esportiva Palestra Itália era a antiga denominação da Sociedade Esportiva Palmeiras. Quando o Brasil declarou guerra ao Eixo, na Segunda Guerra Mundial, foram proibidos nomes que fizessem menção à Itália, Alemanha e Japão. Por esse motivo, o governo determinou a mudança. O nome Palmeiras foi escolhido para aproveitar o P no uniforme e homenagear a extinta Associação Atlética das Palmeiras, na qual alguns jogadores do Palestra haviam jogado.
Como Palestra Itália, foi campeão em 1918, 1919, 1926, 1927, 1932, 1933, 1934 e 1940e em 1936 dividiu o título com a Portuguesa de Desportos. Já como Palmeiras foi campeão paulista em 1942, 1944, 1947, 1950, 1959, 1963, 1966, 1972, 1974, 1976, 1994 e 1996. Continuarei contando a história do futebol paulista. Nos próximos artigos escreverei sobre S.C. Corinthians Paulista e Santos F.C.) (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
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Da Várzea do Carmo, local do primeiro jogo de futebol no Brasil, os gramados proliferaram por toda São Paulo, chegando às vilas, bairros operários e margens das estradas de ferro. Surgiram os clubes de várzea, que além do futebol promoviam atividades sociais. O futebol passava de esporte de elite para o mais popular em todo o país.
A história do futebol de São Paulo começou realmente a ser contada com o Campeonato Paulista de Futebol de 1902, o primeiro no Brasil. Naquele primeiro ano apenas cinco equipes disputaram o título, e todas da capital: A.A. Mackenzie College, São Paulo Athletic, Germânia, Paulistano e S.C. Internacional.
No dia 13 de maio, o campeonato teve início com o histórico jogo Mackenzie 2 X 1 Germânia, que foi o primeiro jogo oficial realizado no Brasil. O jogador Eppinghaus, do Mackenzie, foi o autor do primeiro gol da história do Paulistão. O local do jogo foi o estádio do Velódromo. Havia uma placa nas arquibancadas onde se lia: "É expressamente proibido vaiar".
Embora já se cobrasse ingressos, o jogo Internacional e Mackenzie, no dia 29-05-1902, foi franqueado ao público. Ou quase. O jornal 'A Província de São Paulo', publicou que "A entrada para este match será franqueada a toda pessoa decentemente trajada".
O jogo final aconteceu em 26 de outubro entre São Paulo Athletic e Paulistano que terminaram a competição empatados com 12 pontos e não havia um critério para desempate. A fórmula achada foi um jogo desempate para definir o campeão. O São Paulo Athletic venceu por 2 X 1.
O time pioneiro do futebol brasileiro foi o São Paulo Athletic Club (hoje Clube Atlético São Paulo), fundado em 13 de maio de 1888, para a prática do críquete, nada tendo a ver com o atual São Paulo Futebol Clube. O futebol foi introduzido no clube em abril de 1895, por sugestão do associado Charles Miller. O SPAC desativou seu departamento de futebol no ano de 1912. Em sua curta história futebolística conseguiu faturar o tricampeonato paulista em 1902, 1903 e 1904.
O Club Athlético Paulistano foi fundado em 29 de dezembro de 1900 e existe até hoje como clube social. Em 1929, com o advento do prifissionalismo fechou o departamento de futebol. Enquanto competiu, foi um importante clube de futebol, tendo vencido o Campeonato Paulista onze vezes (1905, 1908, 1913, 1916, 1917, 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1929). Foi o primeiro clube de futebol brasileiro a excursionar a Europa. O Paulistano é o único tetra-campeão paulista consecutivamente: 1916, 1917, 1918 e 1919. Até hoje ninguém repetiu tal façanha.
Nos primeiros tempos do futebol paulista outras agremiações que participaram dos campeonatos, estão extintas: o Sport Clube Internacional, fundado em 19 de agosto de 1899, foi campeão em 1907. Em 1909, o ex-integrante do clube Henrique Poppe Leão, transferido para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, foi um dos responsáveis pela fundação do Sport Club Internacional gaúcho, que viria a ser campeão da América, e do Mundo Fifa. Em 1933, em dificuldades financeiras, acabou se fundindo ao Antarctica Futebol Clube, dando origem ao Clube Atlético Paulista.
Associação Atlética das Palmeiras, fundada em 9 de Novembro de 1902, foi campeã paulista por três vezes: em 1909, 1910 e 1915 (pela Associação Paulista de Esportes Atléticos-APEA) e em 1911 ganhou a Taça “Salutaris”, competição entre os campeões carioca e paulista, ao vencer o Botafogo. No fim da década de 1920, com a profissionalização do futebol e a decadência no cenário futebolístico paulista, encerrou as atividades.
A Associação Atlética São Bento, fundada em 1914 pelo Padre Katon, professor do Ginásio São Bento, logo em seu primeiro ano de disputa do Campeonato Paulista, em 1925, superou os grandes da época e sagrou-se campeã. A equipe continuou até 1935, quando abandonou o futebol com o advento do profissionalismo.
O Sport Club Germânia foi fundado em 7 de setembro de 1899, por Hans Nobiling. A equipe disputou 26 vezes o campeonato paulista de futebol, sendo campeã nos anos de 1906 e 1915 (pela Liga Paulista de Futebol). Teve que mudar de nome por determinação do governo durante a Guerra Mundial, passando a se chamar Esporte Clube Pinheiros, atualmente um clube social e esportivo. Com a chegada do futebol profissional, fechou o departamento de futebol.
O Clube Atlético Ypiranga, fundado em 10 de junho de 1906, foi um dos mais fortes times de futebol de São Paulo e fundador da Federação Paulista de Futebol. Apesar disso, não ganhou nenhum título de campeão paulista. Foi vice-campeão estadual em 1913, 1935 e 1936. Friendereich e o goleiro Barbosa, que jogou a Copa do Mundo de 1950 jogaram no clube. Em 1959, depois de rebaixado para a 2ª divisão, desativou o departamento de futebol profissional.
O primeiro São Paulo Futebol Clube, que era conhecido como São Paulo da Floresta por seu campo ser na Chácara da Floresta, antigo campo da A.A. das Palmeiras, disputou o Campeonato Paulista de Futebol entre os anos de 1930 e 1934, quando foi à falência, dando lugar ao atual São Paulo Futebol Clube. O São Paulo da Floresta foi campeão paulista em 1931. O clube nasceu do descontentamento de ex-dirigentes do Paulistano e da A.A. das Palmeiras que haviam fechado suas portas. Surgia assim o São Paulo Futebol Clube em 27 de janeiro de 1930.
Logo no segundo campeonato que disputou a nova equipe levantou o título. Em 1934 adquiriu uma luxuosa sede, “o Trocadero”, por 190 contos de réis. Não conseguindo honrar a dívida, o clube foi absorvido pelo Clube de Regatas Tietê. Em 1935, disputou a seletiva do campeonato paulista com o nome Tietê-São Paulo, mas não conseguiu classificação e deixou de existir. Com a refundação do São Paulo, em 1935, a agremiação no período entre janeiro de 1930 e maio de 1935 passou a ser conhecida como "São Paulo da Floresta”.
Fundada em 26 de agosto de 1914, a Sociedade Esportiva Palestra Itália era a antiga denominação da Sociedade Esportiva Palmeiras. Quando o Brasil declarou guerra ao Eixo, na Segunda Guerra Mundial, foram proibidos nomes que fizessem menção à Itália, Alemanha e Japão. Por esse motivo, o governo determinou a mudança. O nome Palmeiras foi escolhido para aproveitar o P no uniforme e homenagear a extinta Associação Atlética das Palmeiras, na qual alguns jogadores do Palestra haviam jogado.
Como Palestra Itália, foi campeão em 1918, 1919, 1926, 1927, 1932, 1933, 1934 e 1940e em 1936 dividiu o título com a Portuguesa de Desportos. Já como Palmeiras foi campeão paulista em 1942, 1944, 1947, 1950, 1959, 1963, 1966, 1972, 1974, 1976, 1994 e 1996. Continuarei contando a história do futebol paulista. Nos próximos artigos escreverei sobre S.C. Corinthians Paulista e Santos F.C.) (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
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quarta-feira, 5 de março de 2008
O futebol mais charmoso do Brasil
Muita gente pergunta por quais razões o desenvolvimento do futebol no Rio de Janeiro, uma cidade portuária, na época capital do país e seu maior centro industrial e demográfico, foi mais lento que em São Paulo?
Entre as várias respostas, uma desponta como mais razoável: os cariocas praticavam dois esportes bastante populares, o remo e o críquete. Vejam que o Flamengo, fundado em 17 de novembro de 1895 (a data oficial é 15 de novembro, porque os fundadores concluíram que o aniversário do clube deveria sempre ser feriado nacional) nasceu como um clube dedicado ao remo. Apenas no dia 24 de dezembro de 1911, criou oficialmente o seu time de futebol.
E o Vasco da Gama, fundado em 21 de agosto de 1898, também se dedicava exclusivamente ao remo. O futebol veio ainda depois do Flamengo, somente em 26 de novembro de 1915. E o Clube de Regatas Botafogo, fundado em 1º de julho de 1894, que deu origem ao atual Botafogo de Futebol e Regatas (houve uma fusão em 8 de dezembro de 1942 com o Botafogo Football Club) também era uma agremiação dedicada ao remo.
O São Cristóvão, popular clube carioca, foi fundado em 12 de outubro de 1898 como clube de regatas. A atual denominação de Futebol e Regatas surgiu em 13 de fevereiro de 1943, resultado de uma fusão com o São Cristóvão Atlético Clube, fundado em 5 de julho de 1909.
Ainda tivemos nos primórdios do futebol carioca as presenças de vários clubes, todos dedicados a outras modalidades esportivas. O Rio Team, por exemplo, praticava ginástica, regatas e boliche. Aderiu ao futebol em 1º de agosto de 1901, como um time avulso pelas mãos de Oscar Alfredo Cox, considerado o “pai do futebol carioca”. Foi ele que introduziu o futebol no Rio de Janeiro, depois de concluir seus estudos no Colégio de La Ville, em Lausanne, Suíça. O Rio Team foi a primeira equipe de futebol constituída no estado.
O Rio Cricket and Athletic Association (hoje Rio Cricket Associação Atlética) foi fundado por George Emmanuel Cox, pai de Oscar Cox, em 1872, em Niterói e participou das primeiras edições do Campeonato Carioca. Inclusive, a primeira partida de futebol oficialmente realizada no Estado do Rio de Janeiro aconteceu no campo do Rio Cricket em 22 de setembro de 1901. Rio Team e Rio Cricket empataram em 1 X 1, sob os olhares curiosos de 15 expectadores.
O futebol no Rio de Janeiro começou a desenvolver mesmo, só depois que Oscar Cox fundou o Fluminense Football Club, em 21 de julho de 1902. E cresceu no ano seguinte com o surgimento do Football and Athletic Club e estourou de vez no ano de 1904 com a fundação do Bangu Athletic Club, Botafogo Football Club, América Football Club, Colégio Militar F.C., Internacional, além do Rio Cricket, antigo clube de Niterói, que passou a praticar o esporte. Em 1905 surgiram mais clubes como o Riachuelo, o Haddock Lobo, o Mangueira e o Payssandu Cricket Club, existente desde 1872 e que passou a jogar futebol entre seus associados.
Com a proliferação dos clubes de futebol e o prestígio alcançado entre a população local que começava a comparecer em massa aos campos, surgiu a necessidade de estruturar a realização dos jogos e organizar as competições entre equipes do Rio e Niterói, como já acontecia em São Paulo e Bahia.
Assim, iniciou-se uma campanha para a criação de uma liga de futebol carioca reunindo Rio Cricket and Athletic Association, Fluminense Football Club, Football Athletic Club, América Football Club, Bangu Atllétic Club, Sport Club Petrópolis e Paysandu Cricket Club.
O êxito da campanha resultou na fundação, em 8 de junho de 1905, da Liga Metropolitana de Futebol (LMF), que acabou por trocar sua denominação, em 18 de fevereiro de 1907, para Liga Metropolitana de Esportes Terrestres (LMET), que acabou por se extinguir ao final do campeonato do mesmo ano por atitudes racistas.
O primeiro campeonato carioca foi organizado em 1906 pela Liga Metropolitana de Football (LMF). O certame contou com apenas seis participantes: Bangu, Botafogo, Fluminense, Football and Athletic Club, Paysandu e Rio Cricket e foi vencido pelo Fluminense, clube que mais se empenhou na realização da competição. O Payssandu foi vice-campeão.
A bola rolou pela primeira vez no Campeonato Carioca no dia 3 de Maio de 1906. No campo da Rua Guanabara, o Fluminense iniciou sua trajetória goleando o Paysandu por 7 x 1. O primeiro gol da história do torneio foi marcado pelo tricolor Horácio Costa Santos.
Em 29 de fevereiro de 1908, Fluminense, Botafogo, América, Paysandu, Rio-Cricket e Riachuelo fundaram a Liga Metropolitana de Sports Athléticos (LMSA).
Com o decorrer dos anos surgiram vários novos clubes, entre eles o Goitacaz F.C., de Campos (20-08-1912), Bonsucesso F.C. (12-10-1913), Canto do Rio Football Club, de Niterói (14-11-1913), Americano F.C ., de Campos (01-06-1914), Serrano F.C., de Petrópolis (29-05-1915), Olaria A.C. (01-07-1915), Friburguense A.C., de Nova Friburgo (14-03-1921), A.A. Portuguesa (17-11-1924), Entrerriense F.C, de Três Rios (14-12-1925) e Madureira E.C. (16-02-1933).
O campeonato carioca pode não ser hoje o mais disputado e forte do país, mas inegavelmente nesses seus 102 anos de história construiu a imagem de mais charmoso, o que causa profunda irritação aos paulistas, donos do mais antigo certame do Brasil.(Texto e pesquisa: Nilo Dias).
Entre as várias respostas, uma desponta como mais razoável: os cariocas praticavam dois esportes bastante populares, o remo e o críquete. Vejam que o Flamengo, fundado em 17 de novembro de 1895 (a data oficial é 15 de novembro, porque os fundadores concluíram que o aniversário do clube deveria sempre ser feriado nacional) nasceu como um clube dedicado ao remo. Apenas no dia 24 de dezembro de 1911, criou oficialmente o seu time de futebol.
E o Vasco da Gama, fundado em 21 de agosto de 1898, também se dedicava exclusivamente ao remo. O futebol veio ainda depois do Flamengo, somente em 26 de novembro de 1915. E o Clube de Regatas Botafogo, fundado em 1º de julho de 1894, que deu origem ao atual Botafogo de Futebol e Regatas (houve uma fusão em 8 de dezembro de 1942 com o Botafogo Football Club) também era uma agremiação dedicada ao remo.
O São Cristóvão, popular clube carioca, foi fundado em 12 de outubro de 1898 como clube de regatas. A atual denominação de Futebol e Regatas surgiu em 13 de fevereiro de 1943, resultado de uma fusão com o São Cristóvão Atlético Clube, fundado em 5 de julho de 1909.
Ainda tivemos nos primórdios do futebol carioca as presenças de vários clubes, todos dedicados a outras modalidades esportivas. O Rio Team, por exemplo, praticava ginástica, regatas e boliche. Aderiu ao futebol em 1º de agosto de 1901, como um time avulso pelas mãos de Oscar Alfredo Cox, considerado o “pai do futebol carioca”. Foi ele que introduziu o futebol no Rio de Janeiro, depois de concluir seus estudos no Colégio de La Ville, em Lausanne, Suíça. O Rio Team foi a primeira equipe de futebol constituída no estado.
O Rio Cricket and Athletic Association (hoje Rio Cricket Associação Atlética) foi fundado por George Emmanuel Cox, pai de Oscar Cox, em 1872, em Niterói e participou das primeiras edições do Campeonato Carioca. Inclusive, a primeira partida de futebol oficialmente realizada no Estado do Rio de Janeiro aconteceu no campo do Rio Cricket em 22 de setembro de 1901. Rio Team e Rio Cricket empataram em 1 X 1, sob os olhares curiosos de 15 expectadores.
O futebol no Rio de Janeiro começou a desenvolver mesmo, só depois que Oscar Cox fundou o Fluminense Football Club, em 21 de julho de 1902. E cresceu no ano seguinte com o surgimento do Football and Athletic Club e estourou de vez no ano de 1904 com a fundação do Bangu Athletic Club, Botafogo Football Club, América Football Club, Colégio Militar F.C., Internacional, além do Rio Cricket, antigo clube de Niterói, que passou a praticar o esporte. Em 1905 surgiram mais clubes como o Riachuelo, o Haddock Lobo, o Mangueira e o Payssandu Cricket Club, existente desde 1872 e que passou a jogar futebol entre seus associados.
Com a proliferação dos clubes de futebol e o prestígio alcançado entre a população local que começava a comparecer em massa aos campos, surgiu a necessidade de estruturar a realização dos jogos e organizar as competições entre equipes do Rio e Niterói, como já acontecia em São Paulo e Bahia.
Assim, iniciou-se uma campanha para a criação de uma liga de futebol carioca reunindo Rio Cricket and Athletic Association, Fluminense Football Club, Football Athletic Club, América Football Club, Bangu Atllétic Club, Sport Club Petrópolis e Paysandu Cricket Club.
O êxito da campanha resultou na fundação, em 8 de junho de 1905, da Liga Metropolitana de Futebol (LMF), que acabou por trocar sua denominação, em 18 de fevereiro de 1907, para Liga Metropolitana de Esportes Terrestres (LMET), que acabou por se extinguir ao final do campeonato do mesmo ano por atitudes racistas.
O primeiro campeonato carioca foi organizado em 1906 pela Liga Metropolitana de Football (LMF). O certame contou com apenas seis participantes: Bangu, Botafogo, Fluminense, Football and Athletic Club, Paysandu e Rio Cricket e foi vencido pelo Fluminense, clube que mais se empenhou na realização da competição. O Payssandu foi vice-campeão.
A bola rolou pela primeira vez no Campeonato Carioca no dia 3 de Maio de 1906. No campo da Rua Guanabara, o Fluminense iniciou sua trajetória goleando o Paysandu por 7 x 1. O primeiro gol da história do torneio foi marcado pelo tricolor Horácio Costa Santos.
Em 29 de fevereiro de 1908, Fluminense, Botafogo, América, Paysandu, Rio-Cricket e Riachuelo fundaram a Liga Metropolitana de Sports Athléticos (LMSA).
Com o decorrer dos anos surgiram vários novos clubes, entre eles o Goitacaz F.C., de Campos (20-08-1912), Bonsucesso F.C. (12-10-1913), Canto do Rio Football Club, de Niterói (14-11-1913), Americano F.C ., de Campos (01-06-1914), Serrano F.C., de Petrópolis (29-05-1915), Olaria A.C. (01-07-1915), Friburguense A.C., de Nova Friburgo (14-03-1921), A.A. Portuguesa (17-11-1924), Entrerriense F.C, de Três Rios (14-12-1925) e Madureira E.C. (16-02-1933).
O campeonato carioca pode não ser hoje o mais disputado e forte do país, mas inegavelmente nesses seus 102 anos de história construiu a imagem de mais charmoso, o que causa profunda irritação aos paulistas, donos do mais antigo certame do Brasil.(Texto e pesquisa: Nilo Dias).
terça-feira, 4 de março de 2008
A bonita história do futebol de Votorantim
Este artigo eu escrevo mais a título de curiosidade, depois de receber de um freqüentador deste blog trechos do livro “Votorantim - História e Iconografia de uma cidade”, de autoria do historiador João dos Santos Júnior, de Votorantin (SP). A obra relata a trajetória de ingleses na cidade, que teriam fundado dois times de futebol, que no seu ponto de vista seriam os primeiros que surgiram no Brasil, específicos para a prática do futebol.
Em 1890 o Banco União de São Paulo S/A comprou terras no distrito de Votorantim, margeado pela Estrada de Ferro Sorocabana, e começou a contruir uma fábrica de tecidos. Em 1891, o Banco contratou engenheiros e operários ingleses vindos da região de Manchester para construção da fábrica, além da montagem e operação do maquinário. Entre os engenheiros encontravam-se os irmãos John e Willian Snapp, que se tornaram gerentes no empreendimento.
O Votorantin Athletic Club, segundo Santos Júnior teria sido fundado pelos irmãos Snapp em 1891, mas a data oficial da fundação do clube, 1º de janeiro de 1900, não combina com suas pesquisas. O Sport Club Savóia, também nasceu em 1º de janeiro de 1900, fundado por italianos. O nome do clube foi uma homenagem ao rei Humberto I, da Itália, assassinado em Monza, no dia 28 de Julho de 1900, pelo anarquista Gaetano Bresci. Votorantim (SP) era distrito de Sorocaba (SP) e ganhou autonomia política e administrativa somente em 1965.
A chegada em 1898, de imigrantes italianos, quase todos vindos da região do Piemonte deu aos operários ingleses que, nas folgas jogavam futebol nos pátios da fábrica, o incentivo que faltava para a organização de clubes representativos. Dessa combinação perfeita foi que surgiram as duas agremiações.
De qualquer maneira o livro parece ser bastante interessante. Também traz em suas páginas revelações extra futebol. Agora eu sei, por exemplo, que o empresário José Ermírio de Moraes deu o pontapé inicial em seu “império”, ao receber de herança as Indústrias Votorantim, que pertenciam ao sogro Antônio Pereira Inácio, falecido em 1951. Mas essa é outra história.
Continuo com o que interessa. O Votorantim passou a ser o clube oficial da fábrica, enquanto o Savóia jogava na várzea. Em 1901 o distrito já contava com mais dois times, o Sport Club Colonial e o Sport Club Germânia, também varzeanos. Em dezembro de 1902 foi fundada outra agremiação histórica, o Club Athlético Sorocabano.
Em 1905, um surto de febre amarela na região fez com que os ingleses começassem a debandada de volta ao seu país. Com isso o Votorantim Athletic Clube amargou a decadência e quase fechou. Ao contrário, o Savóia não parava de crescer. Os próprios irmãos Snapp lideraram uma comissão para que o time fosse guindado a condição de equipe principal da fábrica.
Em 1910, o Savóia participou de um torneio seletivo para uma vaga na elite do futebol paulista. Os adversários foram o Vila Buarque Futebol Clube e o Clube Atlético Ypiranga, que tinha em seu quadro um garoto de 18 anos chamado Arthur Friedenreich, que acabaria se tornando um dos maiores craques da história do futebol brasileiro. O Ypiranga é claro, derrotou o Savóia por 4 a 2, na final e ganhou a vaga.
Uma curiosidade: em janeiro de 1915 o recém-fundado Palestra itália, atual Sociedade Esportiva Palmeiras, escolheu para padrinho justamente o Sport Club Savóia. O jogo foi realizado no centenário Estádio Municipal Castelões, hoje denominado Domênico Paolo Metidieri, em Votorantim e os dois times ostentaram em suas camisas a Cruz de Savóia, símbolo da Itália unificada, como escudo. O Palmeiras venceu por 2 X 0, gols de Bianco cobrando falta e Alegretti, de pênalti e ganhou seu primeiro troféu, a “Taça Savóia”.
Em 1917 o Banco União foi à falência. O imigrante português Antônio Pereira Inácio e o seu amigo italiano Francisco Scarpa, patriarca de tradicional familia paulistana, arrendaram as instalações da fábrica de tecidos e criaram as Indústrias Votorantim. Esta continuou dando apoio a equipe de futebol do Savóia, inclusive trazendo jogadores que eram registrados como funcionários da fábrica, num procedimento que se tornaria comum na fase pré-profissional do futebol.
Com fartura de recursos não foi difícil ao clube construir seu estádio, que foi inaugurado em 28 de setembro de 1924. Numa demonstração de força trouxe para a festa inaugural as equipes do Sport Club Germânia e Club Athlético Paulistano, este tendo em seu elenco o então já consagrado Arthur Friedenreich. Nesse mesmo ano, José Ermírio de Moraes assumiu cargo diretivo na Indústria.
Em 1930 a equipe passou a ser conhecida como Esquadrão de Ferro, e conquistou vários títulos, entre eles o Campeonato Amador do Interior. Em 1942 a segunda guerra mundial ocasionou um forte abalo no clube, que foi obrigado a mudar de nome. O Brasil entrara no conflito e um decreto presidencial obrigava as agremiações que lembrassem Itália, Alemanha e Japão a mudarem de nome. Em 21 de dezembro de 1942 o Savóia passou a chamar-se Clube Atlético Votorantim. A antiga camisa azul, com gola branca deu lugar a um uniforme grená.
Mesmo assim o clube seguiu seu destino. Em 1947 conquistou o título da Liga Sorocabana de Futebol. De 1948 a 1952 disputou a Segunda Divisão do Campeonato Paulista de Futebol. Com a ascensão de José Ermirio de Morais a direção da empresa, ao final de 1952, foi retirado o apoio ao Savóia, que em conseqüência desativou o departamento de futebol profissional.
O Clube Atlético Votorantim, ex-Sport Club Savóia, fundado no dia 1 de janeiro de 1900 continua ativo. Não pratica mais o futebol profissional, mas é um dos principais clubes sociais da região. Esportivamente mantém apenas atividades amadoras. A cidade já tem um novo time profissional. É o Votoraty Futebol Clube, fundado em 12 de maio de 2005, que disputa o campeonato paulista da Série A3. Em Votorantim também é realizada a Copa Brasil de Futebol Infantil, evento de grande repercussão nacional e que reúne equipes de todo o país.
Para concluir. O S.C. Rio Grande, da cidade portuária de Rio Grande (RS) é oficialmente o clube mais velho do futebol brasileiro em atividade. Antes dele já existiam o C.R. Flamengo (1895), C.R. Vasco da Gama (1898) e E.C. Vitória (1899), mas só incorporaram o futebol em suas atividades já no século XX.
Os quatro primeiros clubes de futebol fundados no Brasil foram: São Paulo Athletic Club (1894), que mais tarde incluiu o futebol a seus esportes (o principal era o críquete). Mackenzie College (1898). Sport Club Internacional (1899) e Sport Club Germânia (1899). Porém, até a década de 1930, todos les já haviam sido extintos ou abandonado o futebol profissional. A eles, juntou-se o Clube Atlético Votorantim (1900). Dessa forma, o S.C. Rio Grande, na realidade o sexto clube de futebol mais antigo do Brasil, se tornou o primeiro. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Em 1890 o Banco União de São Paulo S/A comprou terras no distrito de Votorantim, margeado pela Estrada de Ferro Sorocabana, e começou a contruir uma fábrica de tecidos. Em 1891, o Banco contratou engenheiros e operários ingleses vindos da região de Manchester para construção da fábrica, além da montagem e operação do maquinário. Entre os engenheiros encontravam-se os irmãos John e Willian Snapp, que se tornaram gerentes no empreendimento.
O Votorantin Athletic Club, segundo Santos Júnior teria sido fundado pelos irmãos Snapp em 1891, mas a data oficial da fundação do clube, 1º de janeiro de 1900, não combina com suas pesquisas. O Sport Club Savóia, também nasceu em 1º de janeiro de 1900, fundado por italianos. O nome do clube foi uma homenagem ao rei Humberto I, da Itália, assassinado em Monza, no dia 28 de Julho de 1900, pelo anarquista Gaetano Bresci. Votorantim (SP) era distrito de Sorocaba (SP) e ganhou autonomia política e administrativa somente em 1965.
A chegada em 1898, de imigrantes italianos, quase todos vindos da região do Piemonte deu aos operários ingleses que, nas folgas jogavam futebol nos pátios da fábrica, o incentivo que faltava para a organização de clubes representativos. Dessa combinação perfeita foi que surgiram as duas agremiações.
De qualquer maneira o livro parece ser bastante interessante. Também traz em suas páginas revelações extra futebol. Agora eu sei, por exemplo, que o empresário José Ermírio de Moraes deu o pontapé inicial em seu “império”, ao receber de herança as Indústrias Votorantim, que pertenciam ao sogro Antônio Pereira Inácio, falecido em 1951. Mas essa é outra história.
Continuo com o que interessa. O Votorantim passou a ser o clube oficial da fábrica, enquanto o Savóia jogava na várzea. Em 1901 o distrito já contava com mais dois times, o Sport Club Colonial e o Sport Club Germânia, também varzeanos. Em dezembro de 1902 foi fundada outra agremiação histórica, o Club Athlético Sorocabano.
Em 1905, um surto de febre amarela na região fez com que os ingleses começassem a debandada de volta ao seu país. Com isso o Votorantim Athletic Clube amargou a decadência e quase fechou. Ao contrário, o Savóia não parava de crescer. Os próprios irmãos Snapp lideraram uma comissão para que o time fosse guindado a condição de equipe principal da fábrica.
Em 1910, o Savóia participou de um torneio seletivo para uma vaga na elite do futebol paulista. Os adversários foram o Vila Buarque Futebol Clube e o Clube Atlético Ypiranga, que tinha em seu quadro um garoto de 18 anos chamado Arthur Friedenreich, que acabaria se tornando um dos maiores craques da história do futebol brasileiro. O Ypiranga é claro, derrotou o Savóia por 4 a 2, na final e ganhou a vaga.
Uma curiosidade: em janeiro de 1915 o recém-fundado Palestra itália, atual Sociedade Esportiva Palmeiras, escolheu para padrinho justamente o Sport Club Savóia. O jogo foi realizado no centenário Estádio Municipal Castelões, hoje denominado Domênico Paolo Metidieri, em Votorantim e os dois times ostentaram em suas camisas a Cruz de Savóia, símbolo da Itália unificada, como escudo. O Palmeiras venceu por 2 X 0, gols de Bianco cobrando falta e Alegretti, de pênalti e ganhou seu primeiro troféu, a “Taça Savóia”.
Em 1917 o Banco União foi à falência. O imigrante português Antônio Pereira Inácio e o seu amigo italiano Francisco Scarpa, patriarca de tradicional familia paulistana, arrendaram as instalações da fábrica de tecidos e criaram as Indústrias Votorantim. Esta continuou dando apoio a equipe de futebol do Savóia, inclusive trazendo jogadores que eram registrados como funcionários da fábrica, num procedimento que se tornaria comum na fase pré-profissional do futebol.
Com fartura de recursos não foi difícil ao clube construir seu estádio, que foi inaugurado em 28 de setembro de 1924. Numa demonstração de força trouxe para a festa inaugural as equipes do Sport Club Germânia e Club Athlético Paulistano, este tendo em seu elenco o então já consagrado Arthur Friedenreich. Nesse mesmo ano, José Ermírio de Moraes assumiu cargo diretivo na Indústria.
Em 1930 a equipe passou a ser conhecida como Esquadrão de Ferro, e conquistou vários títulos, entre eles o Campeonato Amador do Interior. Em 1942 a segunda guerra mundial ocasionou um forte abalo no clube, que foi obrigado a mudar de nome. O Brasil entrara no conflito e um decreto presidencial obrigava as agremiações que lembrassem Itália, Alemanha e Japão a mudarem de nome. Em 21 de dezembro de 1942 o Savóia passou a chamar-se Clube Atlético Votorantim. A antiga camisa azul, com gola branca deu lugar a um uniforme grená.
Mesmo assim o clube seguiu seu destino. Em 1947 conquistou o título da Liga Sorocabana de Futebol. De 1948 a 1952 disputou a Segunda Divisão do Campeonato Paulista de Futebol. Com a ascensão de José Ermirio de Morais a direção da empresa, ao final de 1952, foi retirado o apoio ao Savóia, que em conseqüência desativou o departamento de futebol profissional.
O Clube Atlético Votorantim, ex-Sport Club Savóia, fundado no dia 1 de janeiro de 1900 continua ativo. Não pratica mais o futebol profissional, mas é um dos principais clubes sociais da região. Esportivamente mantém apenas atividades amadoras. A cidade já tem um novo time profissional. É o Votoraty Futebol Clube, fundado em 12 de maio de 2005, que disputa o campeonato paulista da Série A3. Em Votorantim também é realizada a Copa Brasil de Futebol Infantil, evento de grande repercussão nacional e que reúne equipes de todo o país.
Para concluir. O S.C. Rio Grande, da cidade portuária de Rio Grande (RS) é oficialmente o clube mais velho do futebol brasileiro em atividade. Antes dele já existiam o C.R. Flamengo (1895), C.R. Vasco da Gama (1898) e E.C. Vitória (1899), mas só incorporaram o futebol em suas atividades já no século XX.
Os quatro primeiros clubes de futebol fundados no Brasil foram: São Paulo Athletic Club (1894), que mais tarde incluiu o futebol a seus esportes (o principal era o críquete). Mackenzie College (1898). Sport Club Internacional (1899) e Sport Club Germânia (1899). Porém, até a década de 1930, todos les já haviam sido extintos ou abandonado o futebol profissional. A eles, juntou-se o Clube Atlético Votorantim (1900). Dessa forma, o S.C. Rio Grande, na realidade o sexto clube de futebol mais antigo do Brasil, se tornou o primeiro. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)

No dia 24 de janeiro de 1915 a Societá Sportiva Palestra Itália, atual S.E. Palmeiras realizou o primeiro jogo de sua história, contra o Sport Club Savóia. Na foto a delegação “palestrina” frente o pavilhão do centenário Estádio Castelões, hoje denominado Domenico Paolo Mitidieri, em Votorantim. (Foto: Arquivo da S.E. Palmeiras)
segunda-feira, 3 de março de 2008
Outros pioneiros do futebol brasileiro
Depois do jogo entre o "Team do Gaz" e a "The São Paulo Railway", o futebol encontrou dificuldades para se desenvolver, porque apenas o São Paulo Athletic Club, fundado por britânicos em 13 de maio de 1888 praticava a nova modalidade esportiva, resumida aos seus sócios. O alto custo dos uniformes, bolas e equipamentos, tudo importado, inibia a formação de novos clubes de futebol.
Essa situação começou a mudar somente a partir de 1897, com a chegada ao Brasil do imigrante alemão Hans Nobiling, ex-jogador do Germânia, da Alemanha, e apaixonado por futebol, que veio se estabelecer em São Paulo. Ele é reconhecido como o segundo incentivador do futebol no Brasil. O alemão trouxe em sua bagagem uma bola de futebol da marca “Fussball” e os estatutos do Deutschland S. V., de Hamburgo, sua cidade.
Logo que pisou em solo brasileiro, Nobiling já pensava em fundar um time e organizar campeonatos. Naqueles tempos pioneiros o esporte era privilégio de ingleses e dos alunos do Colégio Mackenzie, que fundaram em 1898 a Associação Atlética Mackenzie College.
O professor Augusto Shaw retornara de uma viagem aos Estados Unidos, em 1896 trazendo duas bolas, uma de basquete e outra de rugby. Certo de que seus alunos ficariam encantados com um dos dois esportes, Shaw tomou um susto ao ver que a moçada, em vez de usar as mãos para jogar basquete, chutava a bola. Mas não repreendeu os pupilos. Ao contrário, começou a jogar futebol com a própria bola de basquete. Daí, até o surgimento da Associação Atlética Mackenzie College, foi um passo. O Mackenzie foi o primeiro clube de brasileiros e para brasileiros. Apesar de vitórias esporádicas, nunca foi campeão de nada. O uniforme do time era camisas vermelhas, calções e gravatas brancos.
Tempos depois Nobiling conseguiu montar um time avulso, que passou a ocupar o campo da Companhia Paulista de Transportes, na Chácara Dulley, onde inicialmente o São Paulo Athletic Club fazia seus jogos, antes de fechar seu próprio campo no mesmo local. Era muito comum a invasão do campo pelos cavalos e burros que puxavam os bondes que circulavam pela capital paulista na época.
Esse time passou a ser chamado de “Nobilings Team”, ou time do Nobiling que, ao desaparecer, levou à fundação em 1899 do S.C. Germânia, atual Pinheiros. Também fundou o Sport Club Internacional. Esses clubes seriam mais tarde grandes forças do futebol brasileiro.
A Chácara Dulley, no bairro do Bom Retiro foi o primeiro campo demarcado no Brasil, com as medidas oficiais idênticas às dos gramados da Inglaterra e foi usado pelo São Paulo Athletic Club. Existiam outros campos na cidade, mas a maioria deles não respeitava as marcações oficiais.
Nos primeiros tempos o time de Nobiling, formado na maioria por descendentes de alemães, teve dificuldades para conseguir adversários. Mas, dobrou as resistências ao marcar o primeiro amistoso contra o Mackenzie, em março de 1899, jogo que terminou empatado em zero a zero. Esse amistoso pode ser considerado como o primeiro clássico da história do futebol brasileiro. Depois, o time de Nobiling venceu a Companhia de Gás por 1 x 0, com a presença recorde de 60 expectadores.
Não demorou muito e Nobiling resolveu fundar um clube de verdade. Na primeira reunião não houve consenso para escolha do nome. Cinco votos para Sport Club Germânia, 15 para Sport Club Internacional. Tratava-se de um clube cosmopolita, que reuniria brasileiros, alemães, franceses, portugueses e ingleses.
Os dissidentes germânicos, entre eles Hans Nobiling, dezoito dias depois, a 7 de setembro, fundariam o Sport Club Germania, que tinha como campo a área que ficava na Chácara Witte, atrás da antiga cadeia, onde mais tarde seria construída a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
O Germânia não chegou a disputar nenhuma divisão das diversas versões do Campeonato Paulista, mas merece registro por ter sido uma das primeiras equipes do nosso futebol, e por haver participado das primeiras partidas em nosso país. O Germânia participou, em 1899, do primeiro torneio de futebol que se tem notícia no Brasil, lançando assim as sementes para fazer surgir a Liga Paulista de Futebol e toda a história a partir dela.
Depois de Charles Miller e Hans Nobiling, apareceu Antônio Casemiro da Costa, um brasileiro, que até então morava na Suíça, e veio para São Paulo. Casemiro ajudou Charles Miller a fundar a primeira Liga, a Liga Paulista de Futebol, no dia 14 de dezembro de 1901, na Rua São Bento, n° 03, sala 1, sendo consagrado como seu primeiro presidente.
Tornou-se, ainda, o primeiro grande capitão de um time, o Sport Club Internacional. E, foi o idealizador da entrega de uma taça aos clubes campeões. Fora do campo foi um grande defensor da disciplina, das leis e regulamentos. Dentro do campo, um atleta leal e respeitador. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Essa situação começou a mudar somente a partir de 1897, com a chegada ao Brasil do imigrante alemão Hans Nobiling, ex-jogador do Germânia, da Alemanha, e apaixonado por futebol, que veio se estabelecer em São Paulo. Ele é reconhecido como o segundo incentivador do futebol no Brasil. O alemão trouxe em sua bagagem uma bola de futebol da marca “Fussball” e os estatutos do Deutschland S. V., de Hamburgo, sua cidade.
Logo que pisou em solo brasileiro, Nobiling já pensava em fundar um time e organizar campeonatos. Naqueles tempos pioneiros o esporte era privilégio de ingleses e dos alunos do Colégio Mackenzie, que fundaram em 1898 a Associação Atlética Mackenzie College.
O professor Augusto Shaw retornara de uma viagem aos Estados Unidos, em 1896 trazendo duas bolas, uma de basquete e outra de rugby. Certo de que seus alunos ficariam encantados com um dos dois esportes, Shaw tomou um susto ao ver que a moçada, em vez de usar as mãos para jogar basquete, chutava a bola. Mas não repreendeu os pupilos. Ao contrário, começou a jogar futebol com a própria bola de basquete. Daí, até o surgimento da Associação Atlética Mackenzie College, foi um passo. O Mackenzie foi o primeiro clube de brasileiros e para brasileiros. Apesar de vitórias esporádicas, nunca foi campeão de nada. O uniforme do time era camisas vermelhas, calções e gravatas brancos.
Tempos depois Nobiling conseguiu montar um time avulso, que passou a ocupar o campo da Companhia Paulista de Transportes, na Chácara Dulley, onde inicialmente o São Paulo Athletic Club fazia seus jogos, antes de fechar seu próprio campo no mesmo local. Era muito comum a invasão do campo pelos cavalos e burros que puxavam os bondes que circulavam pela capital paulista na época.
Esse time passou a ser chamado de “Nobilings Team”, ou time do Nobiling que, ao desaparecer, levou à fundação em 1899 do S.C. Germânia, atual Pinheiros. Também fundou o Sport Club Internacional. Esses clubes seriam mais tarde grandes forças do futebol brasileiro.
A Chácara Dulley, no bairro do Bom Retiro foi o primeiro campo demarcado no Brasil, com as medidas oficiais idênticas às dos gramados da Inglaterra e foi usado pelo São Paulo Athletic Club. Existiam outros campos na cidade, mas a maioria deles não respeitava as marcações oficiais.
Nos primeiros tempos o time de Nobiling, formado na maioria por descendentes de alemães, teve dificuldades para conseguir adversários. Mas, dobrou as resistências ao marcar o primeiro amistoso contra o Mackenzie, em março de 1899, jogo que terminou empatado em zero a zero. Esse amistoso pode ser considerado como o primeiro clássico da história do futebol brasileiro. Depois, o time de Nobiling venceu a Companhia de Gás por 1 x 0, com a presença recorde de 60 expectadores.
Não demorou muito e Nobiling resolveu fundar um clube de verdade. Na primeira reunião não houve consenso para escolha do nome. Cinco votos para Sport Club Germânia, 15 para Sport Club Internacional. Tratava-se de um clube cosmopolita, que reuniria brasileiros, alemães, franceses, portugueses e ingleses.
Os dissidentes germânicos, entre eles Hans Nobiling, dezoito dias depois, a 7 de setembro, fundariam o Sport Club Germania, que tinha como campo a área que ficava na Chácara Witte, atrás da antiga cadeia, onde mais tarde seria construída a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
O Germânia não chegou a disputar nenhuma divisão das diversas versões do Campeonato Paulista, mas merece registro por ter sido uma das primeiras equipes do nosso futebol, e por haver participado das primeiras partidas em nosso país. O Germânia participou, em 1899, do primeiro torneio de futebol que se tem notícia no Brasil, lançando assim as sementes para fazer surgir a Liga Paulista de Futebol e toda a história a partir dela.
Depois de Charles Miller e Hans Nobiling, apareceu Antônio Casemiro da Costa, um brasileiro, que até então morava na Suíça, e veio para São Paulo. Casemiro ajudou Charles Miller a fundar a primeira Liga, a Liga Paulista de Futebol, no dia 14 de dezembro de 1901, na Rua São Bento, n° 03, sala 1, sendo consagrado como seu primeiro presidente.
Tornou-se, ainda, o primeiro grande capitão de um time, o Sport Club Internacional. E, foi o idealizador da entrega de uma taça aos clubes campeões. Fora do campo foi um grande defensor da disciplina, das leis e regulamentos. Dentro do campo, um atleta leal e respeitador. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Ilustração de J.C. Lobo publicada em "A Tribuna, de Santos": A. A. Mackenzie College, primeiro clube de brasileiros.Rodrigo Bauer disse...
Nilo, meus parabéns pelo Blog! Está muito bom, com muito conteúdo interessante para os amantes da história do futebol! Sucesso nesta empreitada!!
3 de março de 2008 13:01
Horácio disse...
Olá meu mestre. Tudo bem? Estou feliz em poder compartilhar comentários com o teu Blog. Felicidades!
3 de março de 2008 14:51
domingo, 2 de março de 2008
Charles Miller é o pai do futebol brasileiro
Pesquisadores e polêmicas a parte, não existe a menor dúvida de que Charles Miller foi pioneiro na introdução do futebol organizado no Brasil. Toda a razão para os que o credenciam como o “pai do futebol brasileiro”. As peladas nas praias e os bate bola descompromissados podem ter existido antes, mas não passavam de meras brincadeiras.
A coisa ganhou seriedade mesmo, quando Miller desembarcou de volta ao Brasil em 18 de fevereiro de 1894, depois de uma temporada de 10 anos de estudos na Inglaterra. E voltou com emprego garantido na São Paulo Railway Company, que naõ existe mais e se tornando correspondente da Coroa Britânica e vice-cônsul inglês em 1904.
Filho de um banqueiro escocês chamado John e de uma brasileira de ascendência inglesa, de nome Carlota Fox, Muller nasceu em São Paulo no dia 24 de novembro de 1874. Em 1884, como acontecia com quase todos os filhos de famílias ricas, ele foi estudar na Europa. Primeiro, na Banister Court School, em Southampton, extremo sul das ilhas britânicas. Depois, em uma escola pública no Condado de Hampshire, onde aprendeu a jogar futebol e criquete. Foi pelo time dessa escola que ele jogou a favor e contra o St. Mary e o Corinthian (sem o s), inspirador do Corinthians Paulista, fundado em 1910.
Aos 17 anos, Charles já se destacava no futebol, o que lhe deu a chance de disputar 34 partidas pela Banister School, marcando 51 gols. Pelo St. Mary ele jogou 13 partidas e fez três gols. Pelo Condado de Hampshire também emplacou três gols, só que em seis partidas. Nos 10 anos vividos na Inglaterra ganhou o apelido de “Nipper”, algo como “garoto”, ou “moleque”, por causa de seu jeito alegre e malandro de jogar.
No retorno ao Brasil trouxe na bagagem duas bolas da marca “Shoot”, fabricadas em Liverpool, presentes de um amigo, uma delas logo apelidada de "Peluda", por ainda conter pêlos no couro, uma bomba de ar, um grosso livro de regras, dois jogos de uniformes - da “Banister School” e do “St. Mary’s Football Club” - e um razoável conhecimento sobre o esporte criado pelos ingleses.
O saudoso jornalista e pesquisador De Vaney relata em seu livro, "Minhas Memórias do Futebol", in Cidade de Santos de 19 de dezembro de 1977, pág.3, que as duas bolas trazidas por Miller permaneceram fechadas em seu guarda-roupa desde a sua chegada, em 9 de junho de 1894 até 14 de abril de 1895. E se as tirou do armário foi tão-somente porque alguns de seus amigos ingleses pediram-lhe para trazê-las de sua casa.
Em conversas nas horas de folga, Miller convenceu seus colegas de trabalho e de críquete, todos altos funcionários da Companhia de Gás, do Banco de Londres e da Ferrovia São Paulo Railway, a participarem de um jogo de futebol, aos moldes do praticado na Inglaterra. Os treinos para o jogo eram realizados ao entardecer, num horário em que a Companhia de Viação Paulista soltava os animais na várzea. Por isso, era comum ter de espantá-los para ficar com toda a área à disposição.
Depois de todos terem entendido as regras e os termos em inglês, tais como “half-time”, “ground”, “match“ etc., Miller formou duas equipes, que ele denominou: "Team do Gaz" e "The São Paulo Railway", e promoveu o primeiro jogo de futebol realizado no Brasil dentro das regras oficialmente estabelecidas na Inglaterra, em 1863.
O jogo foi realizado no dia 14 ou 15, (a data não é precisa) de abril de 1895, tendo por local a Chácara Dulley, na Várzea do Carmo, ou do Gasômetro, nos arredores da rua do Gasômetro, situada entre os bairros da Luz e do Bom Retiro, em São Paulo, região que sofria com as constantes inundações do rio Tamanduateí.
Charles Miller marcou dois gols, na vitória de seu time, o "The São Paulo Railway" por 4 X 2. Como ainda não existiam uniformes específicos para a prática do futebol, os jogadores vestiram calças compridas. Segundo relatos da época, além de alguns poucos funcionários das empresas envolvidas no jogo, nenhum outro assistente. A não ser alguns burros que pastavam no local. Foi preciso enxotar os animais de dentro do gramado, para que o jogo se realizasse.
Depois disso o futebol começou a ganhar projeção na capital paulista e surgiram as primeiras equipes organizadas. Charles Miller foi fundamental na montagem do time do São Paulo Athletic e a Liga Paulista de Futebol, a primeira liga de futebol no Brasil. Com ele como artilheiro o São Paulo Athletic ganhou os três primeiros campeonatos em 1902, 1903 e 1904. Ele jogou no clube até 1910, quando encerrou a carreira e passou a atuar como arbitro. Também foi o fundador da Associação Paulista de Tênis (APT).
Miller morreu em 30 de junho de 1953. Em sua homenagem a praça junto ao Estádio do Pacaembu, criada em 1940, desde 1954 leva o seu nome. A Rede Globo de Televisão instituiu o “Troféu Charles Miller”, que premia os destaques futebolísticos de cada ano. Em 1955 foi realizado o “Torneio Internacional Charles Miller”, vencido pelo Corinthians Paulista. Miller criou o drible ou passe com o calcanhar, jogada que viria a ser conhecida com o nome de "Charles", em sua homenagem.
Miller teve apenas dois filhos, que geraram 6 netos, 11 bisnetos e 6 tataranetos. Uma neta, Maria Inês Rudge Miller, e seus filhos Rafael e Roberto Rudge Miller (bisnetos), nascidos em Curitiba são descendentes diretos de Charles William Miller. Rafael, apaixonado por futebol proferiu palestra no lançamento do livro “Charles Miller, o pai do futebol brasileiro”, do autor inglês John Mills.
Maria Inês chegou à Curitiba em 1971, a trabalho e voltou a São Paulo dois anos mais tarde, para finalmente se fixar na capital paranaense a partir de 1978. A família mora em um condomínio de classe média no bairro de Santa Felicidade. Dos descendentes de Miller, apenas Maria Inês e os filhos estão no Paraná – 90% da família mora em São Paulo, onde o Pai do Futebol nasceu (no bairro do Brás) e iniciou a difusão do futebol. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A coisa ganhou seriedade mesmo, quando Miller desembarcou de volta ao Brasil em 18 de fevereiro de 1894, depois de uma temporada de 10 anos de estudos na Inglaterra. E voltou com emprego garantido na São Paulo Railway Company, que naõ existe mais e se tornando correspondente da Coroa Britânica e vice-cônsul inglês em 1904.
Filho de um banqueiro escocês chamado John e de uma brasileira de ascendência inglesa, de nome Carlota Fox, Muller nasceu em São Paulo no dia 24 de novembro de 1874. Em 1884, como acontecia com quase todos os filhos de famílias ricas, ele foi estudar na Europa. Primeiro, na Banister Court School, em Southampton, extremo sul das ilhas britânicas. Depois, em uma escola pública no Condado de Hampshire, onde aprendeu a jogar futebol e criquete. Foi pelo time dessa escola que ele jogou a favor e contra o St. Mary e o Corinthian (sem o s), inspirador do Corinthians Paulista, fundado em 1910.
Aos 17 anos, Charles já se destacava no futebol, o que lhe deu a chance de disputar 34 partidas pela Banister School, marcando 51 gols. Pelo St. Mary ele jogou 13 partidas e fez três gols. Pelo Condado de Hampshire também emplacou três gols, só que em seis partidas. Nos 10 anos vividos na Inglaterra ganhou o apelido de “Nipper”, algo como “garoto”, ou “moleque”, por causa de seu jeito alegre e malandro de jogar.
No retorno ao Brasil trouxe na bagagem duas bolas da marca “Shoot”, fabricadas em Liverpool, presentes de um amigo, uma delas logo apelidada de "Peluda", por ainda conter pêlos no couro, uma bomba de ar, um grosso livro de regras, dois jogos de uniformes - da “Banister School” e do “St. Mary’s Football Club” - e um razoável conhecimento sobre o esporte criado pelos ingleses.
O saudoso jornalista e pesquisador De Vaney relata em seu livro, "Minhas Memórias do Futebol", in Cidade de Santos de 19 de dezembro de 1977, pág.3, que as duas bolas trazidas por Miller permaneceram fechadas em seu guarda-roupa desde a sua chegada, em 9 de junho de 1894 até 14 de abril de 1895. E se as tirou do armário foi tão-somente porque alguns de seus amigos ingleses pediram-lhe para trazê-las de sua casa.
Em conversas nas horas de folga, Miller convenceu seus colegas de trabalho e de críquete, todos altos funcionários da Companhia de Gás, do Banco de Londres e da Ferrovia São Paulo Railway, a participarem de um jogo de futebol, aos moldes do praticado na Inglaterra. Os treinos para o jogo eram realizados ao entardecer, num horário em que a Companhia de Viação Paulista soltava os animais na várzea. Por isso, era comum ter de espantá-los para ficar com toda a área à disposição.
Depois de todos terem entendido as regras e os termos em inglês, tais como “half-time”, “ground”, “match“ etc., Miller formou duas equipes, que ele denominou: "Team do Gaz" e "The São Paulo Railway", e promoveu o primeiro jogo de futebol realizado no Brasil dentro das regras oficialmente estabelecidas na Inglaterra, em 1863.
O jogo foi realizado no dia 14 ou 15, (a data não é precisa) de abril de 1895, tendo por local a Chácara Dulley, na Várzea do Carmo, ou do Gasômetro, nos arredores da rua do Gasômetro, situada entre os bairros da Luz e do Bom Retiro, em São Paulo, região que sofria com as constantes inundações do rio Tamanduateí.
Charles Miller marcou dois gols, na vitória de seu time, o "The São Paulo Railway" por 4 X 2. Como ainda não existiam uniformes específicos para a prática do futebol, os jogadores vestiram calças compridas. Segundo relatos da época, além de alguns poucos funcionários das empresas envolvidas no jogo, nenhum outro assistente. A não ser alguns burros que pastavam no local. Foi preciso enxotar os animais de dentro do gramado, para que o jogo se realizasse.
Depois disso o futebol começou a ganhar projeção na capital paulista e surgiram as primeiras equipes organizadas. Charles Miller foi fundamental na montagem do time do São Paulo Athletic e a Liga Paulista de Futebol, a primeira liga de futebol no Brasil. Com ele como artilheiro o São Paulo Athletic ganhou os três primeiros campeonatos em 1902, 1903 e 1904. Ele jogou no clube até 1910, quando encerrou a carreira e passou a atuar como arbitro. Também foi o fundador da Associação Paulista de Tênis (APT).
Miller morreu em 30 de junho de 1953. Em sua homenagem a praça junto ao Estádio do Pacaembu, criada em 1940, desde 1954 leva o seu nome. A Rede Globo de Televisão instituiu o “Troféu Charles Miller”, que premia os destaques futebolísticos de cada ano. Em 1955 foi realizado o “Torneio Internacional Charles Miller”, vencido pelo Corinthians Paulista. Miller criou o drible ou passe com o calcanhar, jogada que viria a ser conhecida com o nome de "Charles", em sua homenagem.
Miller teve apenas dois filhos, que geraram 6 netos, 11 bisnetos e 6 tataranetos. Uma neta, Maria Inês Rudge Miller, e seus filhos Rafael e Roberto Rudge Miller (bisnetos), nascidos em Curitiba são descendentes diretos de Charles William Miller. Rafael, apaixonado por futebol proferiu palestra no lançamento do livro “Charles Miller, o pai do futebol brasileiro”, do autor inglês John Mills.
Maria Inês chegou à Curitiba em 1971, a trabalho e voltou a São Paulo dois anos mais tarde, para finalmente se fixar na capital paranaense a partir de 1978. A família mora em um condomínio de classe média no bairro de Santa Felicidade. Dos descendentes de Miller, apenas Maria Inês e os filhos estão no Paraná – 90% da família mora em São Paulo, onde o Pai do Futebol nasceu (no bairro do Brás) e iniciou a difusão do futebol. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 1 de março de 2008
Pioneirismo de Charles Miller foi colocado em dúvida
No Brasil nada é definitivo. Muito menos a história. Desde criança leio e ouço falar que o surgimento do futebol em nosso país é atribuído a Charles Miller, um paulista filho de pais abastados que fora estudar na Inglaterra e lá conheceu o chamado “esporte bretão”.
Mas como a polêmica é marca registrada nacional, não faltou quem colocasse em dúvida o pioneirismo de Miller. Levantamentos históricos feitos por estudiosos do assunto garantem que os primeiros chutes dados em terras tupiniquins foram em “peladas” disputadas nas praias do Rio de Janeiro e de Santos, por marujos e funcionários de firmas inglesas. Isso, lá por volta de 1864. E em 1878, ocorreu uma famosa partida, disputada no Rio de Janeiro, em frente à residência da princesa Isabel, entre as ruas do Roso e do Paissandu. É certo que marinheiros mercantes e de guerra ingleses sempre batiam bola quando desembarcavam no Brasil.
Já o historiador José Moraes dos Santos Neto, formado pela Universidade de Campinas (Unicamp) escreveu o livro “Visão do Jogo - Primórdios do futebol no Brasil”, onde apresenta evidências de que o futebol teria chegado ao Brasil, através o Colégio São Luiz, de Itu (SP). As conclusões do escritor são fundamentadas em documentos obtidos nos acervos do Colégio São Luís, Mosteiro de Itaici e Arquivo do Estado de São Paulo e em entrevistas com descendentes diretos dos possíveis pioneiros do esporte no Brasil.
Para se entender como isso aconteceu é preciso voltar ao ano de 1858, quando o futebol começou a se propagar pela Europa e chegou a Itália. Lá, foi muito bem aceito pelos padres jesuítas do Colégio Pio-Americano, de Roma, que viram no novo esporte possibilidades de atender aos princípios pedagógicos na formação de jovens.
As conclusões do escritor campineiro encontram eco no livro “A Companhia de Jesus: sua pedagogia e seus resultados”, escrito pelo padre J. Madureira, que relata a atividade dos religiosos no Brasil. E conta que em 1880, coincidência ou não, chegaram ao Brasil dois padres ingleses, os irmãos Robert e William Godding. E teriam sido eles os introdutores do novo esporte, como recreio escolar no Colégio São Luiz, aos moldes do Colégio Pio-Americano, de Roma. Era o “bate-bolão”, sem traves, times, ou campo definido.
O possível pioneirismo do Colégio São Luis chamou a atenção de outros estabelecimentos religiosos de ensino, entre eles o Instituto Granbery, de Juiz de Fora (MG), que em 1893 também aderiu ao futebol como atividade recreativa.
Fala-se, também, que em 1875, ingleses, empregados de empresas de navegação, bancos e outros, já praticavam nas praias do Rio de Janeiro, de maneira informal, o “foot-ball association” como forma de passar o tempo, muitas vezes sob os olhares curiosos de populares, que não entendiam do que se tratava.
Outros historiadores afirmam que um inglês conhecido por Mr. Hugh, alto funcionário da “São Paulo Railway”, teria em 1882, difundido o futebol em Jundiaí (SP), formando equipes onde se misturavam ingleses e brasileiros. E um outro inglês, Mr. John, que depois teria sido técnico do Clube Atletico Paulistano, costumava reunir os empregados das empresas britânicas “Serviços das Docas”, “Cabo Submarino”, “City” e “Leopoldina Railway”, para a prática do futebol. Sabe-se, agora que essas peladas britânicas eram comuns nas cidades portuárias, onde proliferavam companhias inglesas, fábricas e colégios.
O historiador Carlos Molinari, no livro “Nós é que somos bangüenses” defende a versão de que entre os britânicos que vieram em 1892 para trabalhar na fábrica de tecidos Bangu, no Rio de Janeiro, o escocês Thomas Donohoe, fanático por futebol, apresentou o esporte aos brasileiros. Em viagem à Inglaterra, teria comprado a primeira bola de futebol usada em nosso país, em partida realizada em abril de 1894, com dois times de cinco jogadores, sem uniforme nem gols anotados.
Molinari acredita que pela falta de dados palpáveis, é que se prefere creditar a Charles Miller a introdução do futebol no Brasil em outubro de 1894 e a realização da primeira partida em abril de 1895, um ano depois do jogo de Donohoe.
Vou continuar contando fatos como estes, porque eles têm cunho histórico e não se pode esconder. O tema é bastante abrangente e merece outras considerações. O esporte pode ter sido praticado aqui, antes de Charles Miller, como passatempo e de forma improvisada. Mas é inegável que o futebol organizado, foi ele quem trouxe para o Brasil. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Mas como a polêmica é marca registrada nacional, não faltou quem colocasse em dúvida o pioneirismo de Miller. Levantamentos históricos feitos por estudiosos do assunto garantem que os primeiros chutes dados em terras tupiniquins foram em “peladas” disputadas nas praias do Rio de Janeiro e de Santos, por marujos e funcionários de firmas inglesas. Isso, lá por volta de 1864. E em 1878, ocorreu uma famosa partida, disputada no Rio de Janeiro, em frente à residência da princesa Isabel, entre as ruas do Roso e do Paissandu. É certo que marinheiros mercantes e de guerra ingleses sempre batiam bola quando desembarcavam no Brasil.
Já o historiador José Moraes dos Santos Neto, formado pela Universidade de Campinas (Unicamp) escreveu o livro “Visão do Jogo - Primórdios do futebol no Brasil”, onde apresenta evidências de que o futebol teria chegado ao Brasil, através o Colégio São Luiz, de Itu (SP). As conclusões do escritor são fundamentadas em documentos obtidos nos acervos do Colégio São Luís, Mosteiro de Itaici e Arquivo do Estado de São Paulo e em entrevistas com descendentes diretos dos possíveis pioneiros do esporte no Brasil.
Para se entender como isso aconteceu é preciso voltar ao ano de 1858, quando o futebol começou a se propagar pela Europa e chegou a Itália. Lá, foi muito bem aceito pelos padres jesuítas do Colégio Pio-Americano, de Roma, que viram no novo esporte possibilidades de atender aos princípios pedagógicos na formação de jovens.
As conclusões do escritor campineiro encontram eco no livro “A Companhia de Jesus: sua pedagogia e seus resultados”, escrito pelo padre J. Madureira, que relata a atividade dos religiosos no Brasil. E conta que em 1880, coincidência ou não, chegaram ao Brasil dois padres ingleses, os irmãos Robert e William Godding. E teriam sido eles os introdutores do novo esporte, como recreio escolar no Colégio São Luiz, aos moldes do Colégio Pio-Americano, de Roma. Era o “bate-bolão”, sem traves, times, ou campo definido.
O possível pioneirismo do Colégio São Luis chamou a atenção de outros estabelecimentos religiosos de ensino, entre eles o Instituto Granbery, de Juiz de Fora (MG), que em 1893 também aderiu ao futebol como atividade recreativa.
Fala-se, também, que em 1875, ingleses, empregados de empresas de navegação, bancos e outros, já praticavam nas praias do Rio de Janeiro, de maneira informal, o “foot-ball association” como forma de passar o tempo, muitas vezes sob os olhares curiosos de populares, que não entendiam do que se tratava.
Outros historiadores afirmam que um inglês conhecido por Mr. Hugh, alto funcionário da “São Paulo Railway”, teria em 1882, difundido o futebol em Jundiaí (SP), formando equipes onde se misturavam ingleses e brasileiros. E um outro inglês, Mr. John, que depois teria sido técnico do Clube Atletico Paulistano, costumava reunir os empregados das empresas britânicas “Serviços das Docas”, “Cabo Submarino”, “City” e “Leopoldina Railway”, para a prática do futebol. Sabe-se, agora que essas peladas britânicas eram comuns nas cidades portuárias, onde proliferavam companhias inglesas, fábricas e colégios.
O historiador Carlos Molinari, no livro “Nós é que somos bangüenses” defende a versão de que entre os britânicos que vieram em 1892 para trabalhar na fábrica de tecidos Bangu, no Rio de Janeiro, o escocês Thomas Donohoe, fanático por futebol, apresentou o esporte aos brasileiros. Em viagem à Inglaterra, teria comprado a primeira bola de futebol usada em nosso país, em partida realizada em abril de 1894, com dois times de cinco jogadores, sem uniforme nem gols anotados.
Molinari acredita que pela falta de dados palpáveis, é que se prefere creditar a Charles Miller a introdução do futebol no Brasil em outubro de 1894 e a realização da primeira partida em abril de 1895, um ano depois do jogo de Donohoe.
Vou continuar contando fatos como estes, porque eles têm cunho histórico e não se pode esconder. O tema é bastante abrangente e merece outras considerações. O esporte pode ter sido praticado aqui, antes de Charles Miller, como passatempo e de forma improvisada. Mas é inegável que o futebol organizado, foi ele quem trouxe para o Brasil. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
O futebol nasceu da inspiração inglesa
Hoje quero encerrar esta série de artigos que tratam sobre as possíveis origens do futebol. Respeito qualquer teoria, mas creio que o esporte foi invenção da inspiração inglesa e nada tem a ver com esquimó, índio, chinês, japonês ou qualquer outra coisa do gênero. Pode ter acontecido que uma meia dúzia de diferentes jogos, em alguns aspectos fossem mais ou menos parecidos, e por isso classificados como raízes dele. Mas nada garante que o fato da bola ser jogada com os pés há milhares de anos tenha algo a ver com o esporte futebol.
O futebol moderno nasceu em 26 de outubro de 1863, durante uma reunião na “Freemasons Tavern", em Londres. Ali, um grupo de representantes de onze escolas e clubes estabeleceu a uniformização das regras e criou o primeiro órgão encarregado de coordenar as atividades futebolísticas: a Football Association (F.A.), que até hoje controla o futebol inglês.
O futebol já era praticado desde o século VIII nas Ilhas Britânicas, com disputas nas ruas, envolvendo povoados inteiros e pequenas cidades. Não existiam regras, quase tudo era permitido, menos assassinato ou homicídio. Até hoje o "Shrovetide Football" é praticado nos domingos de Carnaval em algumas cidades inglesas.
Os jogos entre homens casados e solteiros foi uma tradição que perdurou por muitos anos na Inglaterra. Em Inveresk (Escócia), ao final do século XVII as mulheres casadas e solteiras disputavam acirradas partidas, o que mostra que o futebol feminino não é tão novo assim.
A violência do futebol primitivo ocasionou proibições: por excesso de barulho, escândalo público, quebra de vidros de janelas, perturbação do descanso dominical e a mais famosa de todas: o decreto publicado pelo parlamento inglês, convocado por Jaime I em Perth em 1424: "That no man play at the Fute-ball" (Que nenhum homem jogue futebol).
Mas foi nas escolas que o futebol se renovou e refinou. O pedagogo Richard Mulcaster, diretor dos colégios de Merchant Taylors e St. Pauls, juntou ao esporte valores educativos positivos, como retirar os jovens da bebida e dos jogos de azar. Sem regulamentação, cada escola aplicava suas próprias regras. Apenas em 1846, em Rugby se fixaram as primeiras regras de caráter obrigatório, sendo permitido chutar a perna do adversário debaixo do joelho, mas não segurá-lo e chutá-lo ao mesmo tempo.
Na Universidade de Cambridge, em 1848, estudantes de diferentes escolas tentaram unificar as regras. A maioria era contra chutar a canela do adversário e levar a bola com a mão. A fração de Rugby saiu da reunião. Eles haviam desistido de chutar a perna do adversário, mas queriam manter o jogo com a mão e levar a bola debaixo do braço.
Essa reunião foi decisiva para a criação de um regulamento único. Em 26 de outubro de 1863 foi aprovado o estatuto da Football Association. Os pontos de discórdia, chutar a canela e levar a bola com a mão foram discutidos em detalhes. Finalmente, em 8 de dezembro daquele ano, o futebol se separou do rugby. Os defensores do rugby, em minoria queriam continuar chutando as canelas dos adversários e levando a bola com a mão.
Em 1871, a Associação Inglesa de Futebol já contava com 50 clubes. Nesse ano foi realizada a primeira competição organizada de futebol no mundo: a Copa Inglesa. O primeiro jogo internacional de futebol foi em 30 de novembro de 1872, em Glasgow, entre Inglaterra e Escócia. Como ainda não existia uma associação nacional na Escócia, o adversário dos ingleses foi o Queen's Park F.C., mais antigo clube de futebol do país.
O profissionalismo no futebol começou a ser discutido em 1879 quando o pequeno Darwen, clube de Lancashire, empatou duas vezes com o então imbatível Old Etonians. Dois jogadores do Darwen, os escoceses John Love e Fergus Suter, parecem ter sido os primeiros que receberam dinheiro para jogar futebol. Os casos se multiplicaram e em 1885, a F.A. legalizou oficialmente o profissionalismo.
Depois da Associação Inglesa de Futebol surgiram outras: na Escócia (1873); País de Gales (1875) e Irlanda (1880). Com a expansão do futebol pelo mundo surgiram outras associações: Holanda e Dinamarca (1889), Nova Zelândia (1891), Argentina (1893), Chile, Suíça e Bélgica (1895), Itália (1898), Alemanha e Uruguay (1900), Hungria (1901), Noruega (1902), Suécia (1904), Espanha (1905), Paraguay (1906) e Finlândia (1907). Quando da fundação da FIFA, em maio de 1904, sete países estiveram presentes: França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha (representada pelo Madrid FC), Suécia e Suíça. A Associação Alemã confirmou a filiação por telegrama, no mesmo dia. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O futebol moderno nasceu em 26 de outubro de 1863, durante uma reunião na “Freemasons Tavern", em Londres. Ali, um grupo de representantes de onze escolas e clubes estabeleceu a uniformização das regras e criou o primeiro órgão encarregado de coordenar as atividades futebolísticas: a Football Association (F.A.), que até hoje controla o futebol inglês.
O futebol já era praticado desde o século VIII nas Ilhas Britânicas, com disputas nas ruas, envolvendo povoados inteiros e pequenas cidades. Não existiam regras, quase tudo era permitido, menos assassinato ou homicídio. Até hoje o "Shrovetide Football" é praticado nos domingos de Carnaval em algumas cidades inglesas.
Os jogos entre homens casados e solteiros foi uma tradição que perdurou por muitos anos na Inglaterra. Em Inveresk (Escócia), ao final do século XVII as mulheres casadas e solteiras disputavam acirradas partidas, o que mostra que o futebol feminino não é tão novo assim.
A violência do futebol primitivo ocasionou proibições: por excesso de barulho, escândalo público, quebra de vidros de janelas, perturbação do descanso dominical e a mais famosa de todas: o decreto publicado pelo parlamento inglês, convocado por Jaime I em Perth em 1424: "That no man play at the Fute-ball" (Que nenhum homem jogue futebol).
Mas foi nas escolas que o futebol se renovou e refinou. O pedagogo Richard Mulcaster, diretor dos colégios de Merchant Taylors e St. Pauls, juntou ao esporte valores educativos positivos, como retirar os jovens da bebida e dos jogos de azar. Sem regulamentação, cada escola aplicava suas próprias regras. Apenas em 1846, em Rugby se fixaram as primeiras regras de caráter obrigatório, sendo permitido chutar a perna do adversário debaixo do joelho, mas não segurá-lo e chutá-lo ao mesmo tempo.
Na Universidade de Cambridge, em 1848, estudantes de diferentes escolas tentaram unificar as regras. A maioria era contra chutar a canela do adversário e levar a bola com a mão. A fração de Rugby saiu da reunião. Eles haviam desistido de chutar a perna do adversário, mas queriam manter o jogo com a mão e levar a bola debaixo do braço.
Essa reunião foi decisiva para a criação de um regulamento único. Em 26 de outubro de 1863 foi aprovado o estatuto da Football Association. Os pontos de discórdia, chutar a canela e levar a bola com a mão foram discutidos em detalhes. Finalmente, em 8 de dezembro daquele ano, o futebol se separou do rugby. Os defensores do rugby, em minoria queriam continuar chutando as canelas dos adversários e levando a bola com a mão.
Em 1871, a Associação Inglesa de Futebol já contava com 50 clubes. Nesse ano foi realizada a primeira competição organizada de futebol no mundo: a Copa Inglesa. O primeiro jogo internacional de futebol foi em 30 de novembro de 1872, em Glasgow, entre Inglaterra e Escócia. Como ainda não existia uma associação nacional na Escócia, o adversário dos ingleses foi o Queen's Park F.C., mais antigo clube de futebol do país.
O profissionalismo no futebol começou a ser discutido em 1879 quando o pequeno Darwen, clube de Lancashire, empatou duas vezes com o então imbatível Old Etonians. Dois jogadores do Darwen, os escoceses John Love e Fergus Suter, parecem ter sido os primeiros que receberam dinheiro para jogar futebol. Os casos se multiplicaram e em 1885, a F.A. legalizou oficialmente o profissionalismo.
Depois da Associação Inglesa de Futebol surgiram outras: na Escócia (1873); País de Gales (1875) e Irlanda (1880). Com a expansão do futebol pelo mundo surgiram outras associações: Holanda e Dinamarca (1889), Nova Zelândia (1891), Argentina (1893), Chile, Suíça e Bélgica (1895), Itália (1898), Alemanha e Uruguay (1900), Hungria (1901), Noruega (1902), Suécia (1904), Espanha (1905), Paraguay (1906) e Finlândia (1907). Quando da fundação da FIFA, em maio de 1904, sete países estiveram presentes: França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha (representada pelo Madrid FC), Suécia e Suíça. A Associação Alemã confirmou a filiação por telegrama, no mesmo dia. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)

A mais antiga cervejaria de Londres, a “Freemasons Arm” (antigamente conhecida como “Freemasons Tavern”), localizada no número 81-82 da Long Acre Street, Covent Garden-Londres, em Londres, teve sua fachada preservada. Foi nesse local que em 1863 onze respeitáveis cavalheiros, de bigodes e barbichas, estabeleceram as regras definitivas do futebol e fundaram uma associação para cuidar de organizar e administrar o novo esporte. Sob a luz de velas e regada a cerveja e uisque, as dezessete regras do futebol finalmente surgiram. (Foto: Beer in The Evening - Londres)
cpereir disse...
olá, amigo nilo... abraços e bom divertimento com esse negócio que resolveu inventar.. hehehehe.. abraço fraterno, claudemir pereira. Ah, não esqueça de entrar na minha página: www.claudemirpereira.com.br
29 de fevereiro de 2008 15:04
A TOCHA disse...
Parabéns pelo blog. Esta ferramenta é incrivel. Faço votos pelo sucesso do seu blog. Peço permissão para adicionar o link de seu blog nos meus blogs:
www.onossojornalsg.blogspot.com
www.a-tocha.blogspot.com.
Um abraço e sucesso
29 de fevereiro de 2008 19:42
Murillo disse...
Oi, Nilo. Muito boa a iniciativa do amigo. Falar sobre a paixão nacional e falar com propriedade de quem conhece o jogo. Um texto bom de ler, enxuto, interessante e com estilo. Coisa meio rara de ver hoje em dia na profusão de jornais que existem na terra dos marechais. Só quem tem escola sabe fazer. Parabéns! Sucesso!
um abraço do amigo Murillo.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Chutar não é sinônimo de futebol
Embora também contenha todas as teorias de que o futebol teve raízes em épocas que remontam muitos anos antes de Cristo, o artigo do doutor Wilfried Gerhardt publicado na página da FIFA, na Internet (http://es.fifa.com/classicfootball/history/), está mais condizente com o razoável. Eu, pelo menos, considero que de tudo que se escreveu até agora sobre as possíveis origens do futebol o artigo dele é o que mais se aproxima da verdade. O texto está publicado em inglês, alemão, francês e espanhol, mas me dei ao trabalho de traduzi-lo e posso encaminhar via e-mail para quem tiver interesse.
Gerhardt faz considerações sobre essas manifestações que podem ter acontecido em épocas remotíssimas, mas em momento algum afirma que elas tenham alguma coisa a ver com o futebol. Também eu me dou o direito de entrar no caminho das teorias: chutar, não é sinônimo de futebol. É uma tentação que eu não sei explicar. Quase ninguém resiste a dar um bom chute até em tampinha de garrafa. E com os antigos seria diferente?
O que aconteceu na China e no Japão milhares de anos atrás está mais para ser o ancestral das lutas marciais, que do futebol. Os chineses e japoneses usavam o "Ts'uh Kúh”, e o “Kemari” como atividade recreativa para melhorar a condição física dos militares, embora fosse também um excelente sistema de autodefesa. As artes marciais tiveram uma evolução gradual derivando de técnicas milenares. Sabe-se que imigrantes chineses chegados na península coreana desenvolveram uma luta chamada “Tae Kyon”, nos séculos V e VI A.D. na dinástia de Goguryo.
Os guerreiros de Hwarang, da Dinastia de Silla eram famosos em toda a Coréia por dominarem as técnicas do “Tae Kyon”, que significa "a arte de chutar". O “Tae Kyon”, como uma arte que desenvolve a capacidade de chutar com eficiência foi originária do novo “Taekwondo” e exportada para a China e Japão, desenvolvida e adaptada pelo “Kung Fu” através de chutes abaixo da linha da cintura. Mais tarde toda essa técnica foi para o Japão no desenvolvimento do “Karatê”.
Wilfried Gerhardt estava mais do que certo ao escrever que as manifestações primitivas que alguns dizem ser precursoras do futebol, aproximavam-se mais de lutas coletivas do que qualquer outra coisa. Os jogadores precisavam lutar com todo o corpo, movimentando também pernas e pés pela posse da bola em um grande tumulto, geralmente sem regras. Desde o começo, se considerava como extremamente difícil dominar a bola com os pés, o que exigia certa habilidade.
Não vou me alongar nesse aspecto, até porque o nosso assunto é futebol. Mas dá uma perfeita idéia de que os antigos estavam mais para se aperfeiçoar em lutas do que outra coisa. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Gerhardt faz considerações sobre essas manifestações que podem ter acontecido em épocas remotíssimas, mas em momento algum afirma que elas tenham alguma coisa a ver com o futebol. Também eu me dou o direito de entrar no caminho das teorias: chutar, não é sinônimo de futebol. É uma tentação que eu não sei explicar. Quase ninguém resiste a dar um bom chute até em tampinha de garrafa. E com os antigos seria diferente?
O que aconteceu na China e no Japão milhares de anos atrás está mais para ser o ancestral das lutas marciais, que do futebol. Os chineses e japoneses usavam o "Ts'uh Kúh”, e o “Kemari” como atividade recreativa para melhorar a condição física dos militares, embora fosse também um excelente sistema de autodefesa. As artes marciais tiveram uma evolução gradual derivando de técnicas milenares. Sabe-se que imigrantes chineses chegados na península coreana desenvolveram uma luta chamada “Tae Kyon”, nos séculos V e VI A.D. na dinástia de Goguryo.
Os guerreiros de Hwarang, da Dinastia de Silla eram famosos em toda a Coréia por dominarem as técnicas do “Tae Kyon”, que significa "a arte de chutar". O “Tae Kyon”, como uma arte que desenvolve a capacidade de chutar com eficiência foi originária do novo “Taekwondo” e exportada para a China e Japão, desenvolvida e adaptada pelo “Kung Fu” através de chutes abaixo da linha da cintura. Mais tarde toda essa técnica foi para o Japão no desenvolvimento do “Karatê”.
Wilfried Gerhardt estava mais do que certo ao escrever que as manifestações primitivas que alguns dizem ser precursoras do futebol, aproximavam-se mais de lutas coletivas do que qualquer outra coisa. Os jogadores precisavam lutar com todo o corpo, movimentando também pernas e pés pela posse da bola em um grande tumulto, geralmente sem regras. Desde o começo, se considerava como extremamente difícil dominar a bola com os pés, o que exigia certa habilidade.
Não vou me alongar nesse aspecto, até porque o nosso assunto é futebol. Mas dá uma perfeita idéia de que os antigos estavam mais para se aperfeiçoar em lutas do que outra coisa. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Museu alemão rastreia as origens do futebol
Quem realmente inventou o futebol: os nativos americanos? Os índios sul-americanos? Foram os mexicanos, os chineses, os japoneses ou os esquimós? O Museu de Etnologia de Hamburgo (Völkerkundemuseum), Alemanha é uma entidade das mais respeitáveis no mundo e está empenhada em responder a essa pergunta que tanto intriga os historiadores: quem realmente inventou o futebol? O esporte tem alguma relação com alguns jogos que eram praticados desde a antiguidade? Para isso o Museu vem rastreando as raízes do esporte.
Uma exposição chamada “"Fascinação Futebol", exibe tudo o que já foi apurado até hoje. Imagens coloridas de bolas, roupas, chuteiras e outros equipamentos mostram o esporte antigo que teoricamente deu origem ao futebol moderno. A forma mais primária de um jogo com bola é geralmente associada a um jogo chinês chamado "Ts'uh Kúh”, criado há 4.700 anos para ensinar os soldados sobre a cooperação e vigilância. A exposição mostra um exemplo disso.
"Fascinação Futebol" fala de bolas de pedras de 6 mil anos desenterradas no sudoeste dos Estados Unidos que são similares às usadas hoje por nativos norte-americanos em dois tipos de jogos parecidos com o futebol. A exibição mostra um par de chuteiras pretas e vermelhas que foram usadas no Japão do século 7 por imperadores, cortesãos e samurais no jogo “kemari”. Nesse jogo o objetivo era se movimentar o menos possível e as solas das chuteiras não deveriam ser mostradas.
A exposição também detalha um jogo mexicano chamado “Ulama”, de 1500 A.C., sendo que uma versão dele ainda é jogado hoje em dia. Os jogadores têm que chutar a bola por anéis de pedra com seus quadris.
Um crânio e presas de morsa decoram a parte que explica como os esquimós acreditam que as Luzes do Norte brilham quando seus ancestrais estão jogando futebol com um crânio. Esquimós normalmente gostam de jogar em campos de gelo em temperaturas de 50 graus Celsius negativos e tradicionalmente recebem convidados desafiando-os para um jogo. O primeiro jogo de futebol intercontinental aparentemente aconteceu na Groenlândia em 1586, entre o explorador inglês e sua tripulação e os habitantes de Godthab.
Uma das partes mais atraentes mostra as origens do "calcio storico", de Florença, um jogo que apresenta similaridades com o rúgbi moderno e tem sido disputado desde o século 16.
Apesar de os ingleses terem criado à primeira associação de futebol em Londres, em 1863, a Escócia é apresentada como um berço do futebol moderno. A exposição utiliza várias peças do museu do futebol escocês de Glasgow. Os registros mostram que um jogo aconteceu em Aberdeen em 1633, incluindo goleiros e marcação homem a homem.
Mesmo que muitas dessas coisas nada tenha a ver com o futebol moderno, é inegável que se trata de um trabalho da mais alta qualidade e que merece ser visto. Não sei se a exposição "Fascinação Futebol" esteve alguma vez no Brasil. Se não esteve, seria ótimo que a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ou outra entidade a trouxesse para ser vista nas principais cidades brasileiras. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Uma exposição chamada “"Fascinação Futebol", exibe tudo o que já foi apurado até hoje. Imagens coloridas de bolas, roupas, chuteiras e outros equipamentos mostram o esporte antigo que teoricamente deu origem ao futebol moderno. A forma mais primária de um jogo com bola é geralmente associada a um jogo chinês chamado "Ts'uh Kúh”, criado há 4.700 anos para ensinar os soldados sobre a cooperação e vigilância. A exposição mostra um exemplo disso.
"Fascinação Futebol" fala de bolas de pedras de 6 mil anos desenterradas no sudoeste dos Estados Unidos que são similares às usadas hoje por nativos norte-americanos em dois tipos de jogos parecidos com o futebol. A exibição mostra um par de chuteiras pretas e vermelhas que foram usadas no Japão do século 7 por imperadores, cortesãos e samurais no jogo “kemari”. Nesse jogo o objetivo era se movimentar o menos possível e as solas das chuteiras não deveriam ser mostradas.
A exposição também detalha um jogo mexicano chamado “Ulama”, de 1500 A.C., sendo que uma versão dele ainda é jogado hoje em dia. Os jogadores têm que chutar a bola por anéis de pedra com seus quadris.
Um crânio e presas de morsa decoram a parte que explica como os esquimós acreditam que as Luzes do Norte brilham quando seus ancestrais estão jogando futebol com um crânio. Esquimós normalmente gostam de jogar em campos de gelo em temperaturas de 50 graus Celsius negativos e tradicionalmente recebem convidados desafiando-os para um jogo. O primeiro jogo de futebol intercontinental aparentemente aconteceu na Groenlândia em 1586, entre o explorador inglês e sua tripulação e os habitantes de Godthab.
Uma das partes mais atraentes mostra as origens do "calcio storico", de Florença, um jogo que apresenta similaridades com o rúgbi moderno e tem sido disputado desde o século 16.
Apesar de os ingleses terem criado à primeira associação de futebol em Londres, em 1863, a Escócia é apresentada como um berço do futebol moderno. A exposição utiliza várias peças do museu do futebol escocês de Glasgow. Os registros mostram que um jogo aconteceu em Aberdeen em 1633, incluindo goleiros e marcação homem a homem.
Mesmo que muitas dessas coisas nada tenha a ver com o futebol moderno, é inegável que se trata de um trabalho da mais alta qualidade e que merece ser visto. Não sei se a exposição "Fascinação Futebol" esteve alguma vez no Brasil. Se não esteve, seria ótimo que a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ou outra entidade a trouxesse para ser vista nas principais cidades brasileiras. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)

Funcionários do Museu Etnológico de Hamburgo cuidam dos últimos detalhes da exposição 'Fascinação Futebol', que narra a história do esporte em aproximadamente mil metros quadrados. Na foto, um dos objetos expostos: o relógio do estádio Hampden Park, da equipe escocesa Queen's Park FC, de Glasgow. (Foto: DW-WORLD.DE)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Quem garante as origens do futebol?
Confesso que não acredito nessa história de que o começo do futebol remonta a centenas de anos antes de Cristo. Eu até gostaria de saber como os pesquisadores chegaram a conclusões que fogem a razão. Eu li o livro “Memórias de uma bola de futebol”, do escritor paulista Renato Pompeu. Um ótimo livro, por sinal. A bola é a personagem central dele.
O autor mistura fatos reais e teóricos. Começa com as primeiras lembranças da bola, no círculo ártico, há 20 mil anos. Um casal de esquimós siberianos, vestidos com couros de rena, chutava uma bola para afastar o frio congelante. Não explica do que era feita essa bola. Como teoria, tudo bem.
São muitas as versões que pretendem contar a história do futebol. O Dr. Wilfried Gerhardt, ex-chefe de imprensa da Federação Alemã de Futebol (DFB), publicou em 1979, originalmente pela FIFA News um artigo que tem servido de pano de fundo para aqueles que buscam na antiguidade respostas para muitas perguntas.
Na antiga China, três mil anos antes de Cristo era praticado o "Ts'uh Kúh”, que consistia num jogo em que uma bola de couro com plumas e pêlos tinha de ser lançada com os pés a uma pequena rede, com uma abertura de 30 a 40 centímetros, fixada a largas varas de bambu. Esse jogo servia de treinamento militar e exigia habilidade, destreza e técnica.
E o que dizer do “Kemari” japonês, uma outra forma de jogo, que foi mencionado pela primeira vez há 500 ou 600 anos, e que é praticado até hoje? Wilfried Wilfried Gerhardt explica que se trata de um exercício cerimonial, que exige certa habilidade, mas não tem caráter competitivo como o jogo chinês e não representa nenhuma luta pela posse da bola. Em uma superfície relativamente pequena, os jogadores passam a bola, sem deixa-la cair no chão.
O que pensar do "Epislcyros" grego, do qual se sabe relativamente pouco, e do "Harpastum" romano? No jogo romano era usada uma bola pequena. Duas equipes jogavam em um terreno retangular, com linhas de marcação e divididos por uma linha média. A bola tinha que ser lançada detrás da linha de marcação do adversário. Os componentes de uma equipe tinham diferentes tarefas táticas e o público os incitava, com gritos, em suas jogadas e resultados.
Este esporte foi muito popular entre os anos 700 e 800. Os romanos introduziram o jogo na Bretânia, porém é muito duvidoso que possa ser considerado como o precursor do futebol, ou igual ao "Hurling", que era muito popular entre a população celta e que se pratica, até hoje em Cornwell e na Irlanda.
Eu devo concordar com o jornalista alemão, quando não deixa dúvidas de que o jogo que conhecemos hoje com o nome de futebol teve origem na Inglaterra e Escócia. A historia moderna do futebol comporta 145 anos de existência. Começou em 1863, quando na Inglaterra foram separados os caminhos do "rugby-foot ball" e da "associação football" e se fundou a associação de futebol mais antiga do mundo: a "Foot ball Association". Continuarei a escrever sobre o tema, que me parece muito interessante. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O autor mistura fatos reais e teóricos. Começa com as primeiras lembranças da bola, no círculo ártico, há 20 mil anos. Um casal de esquimós siberianos, vestidos com couros de rena, chutava uma bola para afastar o frio congelante. Não explica do que era feita essa bola. Como teoria, tudo bem.
São muitas as versões que pretendem contar a história do futebol. O Dr. Wilfried Gerhardt, ex-chefe de imprensa da Federação Alemã de Futebol (DFB), publicou em 1979, originalmente pela FIFA News um artigo que tem servido de pano de fundo para aqueles que buscam na antiguidade respostas para muitas perguntas.
Na antiga China, três mil anos antes de Cristo era praticado o "Ts'uh Kúh”, que consistia num jogo em que uma bola de couro com plumas e pêlos tinha de ser lançada com os pés a uma pequena rede, com uma abertura de 30 a 40 centímetros, fixada a largas varas de bambu. Esse jogo servia de treinamento militar e exigia habilidade, destreza e técnica.
E o que dizer do “Kemari” japonês, uma outra forma de jogo, que foi mencionado pela primeira vez há 500 ou 600 anos, e que é praticado até hoje? Wilfried Wilfried Gerhardt explica que se trata de um exercício cerimonial, que exige certa habilidade, mas não tem caráter competitivo como o jogo chinês e não representa nenhuma luta pela posse da bola. Em uma superfície relativamente pequena, os jogadores passam a bola, sem deixa-la cair no chão.
O que pensar do "Epislcyros" grego, do qual se sabe relativamente pouco, e do "Harpastum" romano? No jogo romano era usada uma bola pequena. Duas equipes jogavam em um terreno retangular, com linhas de marcação e divididos por uma linha média. A bola tinha que ser lançada detrás da linha de marcação do adversário. Os componentes de uma equipe tinham diferentes tarefas táticas e o público os incitava, com gritos, em suas jogadas e resultados.
Este esporte foi muito popular entre os anos 700 e 800. Os romanos introduziram o jogo na Bretânia, porém é muito duvidoso que possa ser considerado como o precursor do futebol, ou igual ao "Hurling", que era muito popular entre a população celta e que se pratica, até hoje em Cornwell e na Irlanda.
Eu devo concordar com o jornalista alemão, quando não deixa dúvidas de que o jogo que conhecemos hoje com o nome de futebol teve origem na Inglaterra e Escócia. A historia moderna do futebol comporta 145 anos de existência. Começou em 1863, quando na Inglaterra foram separados os caminhos do "rugby-foot ball" e da "associação football" e se fundou a associação de futebol mais antiga do mundo: a "Foot ball Association". Continuarei a escrever sobre o tema, que me parece muito interessante. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
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