Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O "Bugre" campineiro de volta a Série A

Mais um clube integrante da seleta lista de campeões nacionais está de volta a elite do futebol brasileiro. O Guarani F.C., da cidade paulista de Campinas estava penando nas divisões inferiores do Brasileirão, desde 2005. Em 2004 foi rebaixado para a Série B e em 2006 foi parar na Série C, de onde saiu em 2008 para agora retornar a Série A.

Pouca gente acreditava que o Guarani poderia fazer uma boa campanha na Série B deste ano. O objetivo não era subir para a Série A, e sim não voltar para a Série C. No dia 5 de abril deste ano o time havia sido rebaixado para a série A-2, do Campeonato Paulista. As dividas eram imensas, por isso chegou a se pensar em vender o estádio Brinco de Ouro.

Veio o campeonato e com ele uma agradável surpresa. O técnico Osvaldo Alvarez, o Vadão, conseguiu tirar o máximo de um elenco formado na maioria por jogadores oriundos das categorias de base do próprio clube. O Guarani liderou o campeonato por várias rodadas, e apenas em um curto período caiu de produção. Depois, recuperou-se e chegou com méritos a uma das quatro vagas para a Série A de 2010.

O Guarani F.C. foi fundado no dia 1 de Abril de 1911, mas os seus fundadores decidiram que a data oficial seria o dia 2, para evitar gozações com o “Dia da Mentira”. A fundação do clube seu deu por iniciativa dos desportistas Pompeo De Vito, Ernani Filippo Matallo e Vicente Matallo, que foi o primeiro presidente. O nome Guarani foi escolhido para homenagear o compositor campineiro Carlos Gomes, autor da ópera “O Guarani”.

O primeiro campo do Guarani foi o “Ground da Villa Industrial”, utilizado até 1912. Em 1913 o clube alugou um campo no bairro Guanabara, junto ao S.C. Commercial, que ficou popularmente conhecido como “Ground do Guanabara”. Quando o Commercial encerrou as atividades, o Guarani obteve permissão para uso gratuito da área, dada pela proprietária, dona Isolethe Augusta de Souza Aranha, filha de Joaquim Policarpo Aranaha, o “Barão de Itapura”, e de dona Libânia de Souza Aranha, a “Baronesa de Itapura”, e tia de um dos pioneiros do clube, Egídio de Sousa Aranha.

O presidente do Guarani na época, Carmine Alberti tentou em vão conseguir que a prefeitura de Campinas cedesse uma área para construção de um estádio. Foi ai que Egidio de Sousa Aranha teve papel importante, pois convenceu sua tia a vender o terreno de cerca de 20 mil metros quadrados, ao preço irrisório de 900 réis o metro. Em seguida foi constituída uma "Comissão Pró-Estádio", presidida por João Pereira Ribeiro, que através de promoções arrecadou os recursos para que fosse erguida a praça de esportes.

Em 15 de julho de 1923, foi inaugurado o primeiro estádio do clube, garbosamente chamado de "Estádio do Guarany", e que colocava o alviverde campineiro entre as agremiações esportivas de melhor estrutura em todo o Estado de São Paulo. Para o jogo inaugural foi convidado o Club Athletico Paulistano, o principal clube do futebol paulista na fase amadora, e que tinha na sua equipe o famoso Friedenreich, o primeiro grande craque do futebol brasileiro.

O Guarani, com um gol marcado por Zéquinha a quatro minutos do final da partida, foi o vencedor. O extraordinário feito do time local foi condignamente festejado pelos torcedores, que saíram as ruas em grande estardalhaço. O Guarani formou com Pacheco - Joca e Tavares – Deputado - Juca e Joaquim – Miguel – Zéquinha – Barbanera - Nerino e Pilla.

O “Estádio do Guarani”, localizado na rua Barão Geraldo de Rezende passou depois por várias reformas e ampliações, servindo ao clube até 1953. Foi lá que o “Bugre” mandou seus jogos pelos campeonatos paulista de 1927, 1928, 1929, 1930, 1931, 1950, 1951 e 1952.

Como o antigo “Pastinho” não oferecia mais condições de sediar jogos na era profissional, o clube conseguiu trocar o terreno do bairro Guanabara, por uma área de 50.400 m2 na avenida Imperatriz Tereza Cristina, 11, na antiga “Baixada do Proença” e ainda receber de volta 2 milhões de cruzeiros. Mais tarde o Guarani conseguiu a doação de uma área de 19.405 metros quadrados, ao lado do terreno que havia adquirido.

Nos primeiros tempos, antes ainda da construção do "tobogã", o “Brinco de Ouro” chegou a receber 34.513 torcedores no jogo contra o Fluminense, válido pelo Campeonato Brasileiro de 1975. O recorde de público no estádio foi no jogo Guarani X Flamengo, em 1982, quando compareceram 52.002 torcedores. A capacidade divulgada naquela época era de 53 mil pessoas, diminuída depois, para efeito de garantir maior conforto e segurança para os espectadores. Hoje o estádio tem capacidade para 30.800 pessoas, atendendo exigências do estatuto do torcedor e normas da FIFA.

O nome “Brinco de Ouro da Princesa” se deve a uma matéria feita pelo jornalista João Caetano Monteiro Filho, do jornal “Correio Popular”, quando o projeto ainda estava na maquete. Ao ver o formato circular do futuro estádio, o jornalista o comparou a um brinco. Como a cidade de Campinas é chamada de "Princesa D'Oeste", João Caetano escreveu uma reportagem com o título “Brinco de Ouro para a Princesa”. Os dirigentes gostaram e “Brinco de Ouro” passou a ser o nome oficial do estádio do Guarani.

O “Brinco de Ouro” foi inaugurado no dia 31 de maio de 1953 com o jogo Guarani 3 X 1 Palmeiras. O jogador Nilo, do Guarani foi o autor do primeiro gol no novo estádio. A iluminação foi inaugurada no dia 11 de janeiro de 1964, com um jogo amistoso no qual o Guarani derrotou o Flamengo, do Rio de Janeiro, por 2 X 1.

O principal adversário do Guarani é a Ponte Preta, com quem faz o clássico chamado de “Derby Campineiro”. Até hoje foram 185 partidas disputadas, com 65 vitórias do Guarani, 61 empates e 58 vitórias da Ponte Preta, além de um resultado desconhecido. O “Bugre” foi o segundo clube do interior do Estado a disputar o campeonato principal de São Paulo, ao vencer o campeonato da segunda divisão de 1949. O pioneiro foi o XV de Piracicaba, que em 1948 ganhou o primeiro campeonato da divisão de acesso, tornando-se também o primeiro clube do interior a participar do grupo de elite do futebol paulista.

O principal feito na história do Guarani foi a conquista do título de Campeão Nacional de 1978. O time era muito forte, com destaque para os jogadores Careca, Zenon, Renato "Pé Murcho" e o técnico Carlos Alberto Silva. Nessa edição do campeonato brasileiro a disputa foi pela primeira vez num sistema de ida e volta nas fases decisivas do torneio. Era um tempo de regime militar. O ano de 1978 era de Copa do Mundo, mas nem por isso houve diminuição acentuada no número de participantes do principal campeonato do país, foram 74 clubes na disputa e um recorde de 792 jogos em quase seis meses de disputa.

Principais títulos conquistados pelo Guarani. Nacionais: Campeonato Brasileiro da Série A (1978); Campeonato Brasileiro da Série B (1981 e 1987); Estaduais: Campeonato Paulista do Interior (1944, 1949, 1972, 1973, 1974); Campeonato Paulista de Futebol da Série A2 (1949); Campeão Amador do Interior (1944); Campeão Amador do Estado (1944) Campeão Paulista da 2ª Divisão de Profissionais (1949); Campeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1953); Bicampeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1954); Campeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1956); Detentor em definitivo da "Taça dos Invictos" de A Gazeta Esportiva (1970); Campeão - Torneio de Classificação para 1970 (1970); Bicampeão - Torneio de Classificação para 1971 (1970); Detentor em definitivo do II Troféu Folha de São Paulo (1974); Campeão do 1º Turno do Campeonato Paulista -Taça Almirante Heleno Nunes (1976); Municipal: Campeão Campineiro (1916, 1919, 1920, 1938, 1939, 1941, 942, 1943, 1945, 1946, 1953 e 1957).

Alguns jogadores famosos que vestiram a camisa do Guarani: Ailton, Alfredo, Alex , que jogou pelo Internacional, Amaral, que defendeu o Palmeiras, Amoroso (Bola de Ouro em 1994), Careca, que brilhou no São Paulo, Nápoli e seleção Brasileira, Djalminha, Edílson, Edu Dracena, Elano, Evair, Gustavo Nery , Carlos, Renato, Júlio César, Edson Boaro, Jorge Mendonça , Luizão, Mauro Silva, Miranda, Mineiro, Neto, Paulo Isidoro, Viola, Ricardo Rocha, Tite, Telê Santana, Valdir Peres, Wilson Gottardo, Zé Mario, Zenon e Zetti.

O primeiro jogador do Guarani a ser convocado para uma seleção brasileiro foi Fifi, que jogou o Campeonato Sul-Americano Juvenil de 1954. Em 1963 quatro jogadores foram chamados para a seleção principal,Tião Macalé, Oswaldo, Amauri e Hilton. Mas a história não se resumiu apenas em jogadores cedidos à seleção, mas também em títulos.

O Guarani estabeleceu alguns recordes importantes nessa sua vitoriosa trajetória. Em 1982 o ataque formado por Lúcio, Jorge Mendonça, Ernani Banana e Careca marcou nada mais, nada menos do que 63 gols em 20 jogos, com média de 3,5 gols por partida. A maior em toda a história dos campeonatos brasileiros, até hoje. Também é do Guarani o maior número de vitórias consecutivas em Brasileiros, doze, estabelecido em 1978. O time divide com Corinthians e Ceará o recorde de jogos invictos na série B do brasileiro, onze no total.

O clube participou de três edições da Taça Libertadores da América, 1979, 1987 e 1988, e da extinta Taça Conmebol, em 1995. Além do futebol, o Guarani mantém equipes de taekwondo, ginástica olímpica, natação, tênis, basquete, vôlei e futebol feminino.

Pena que fora do campo aconteçam coisas desagradáveis. A atual diretoria do Guarani, presidida por Leonel Martins de Oliveira, seguidas vezes não permitiu a entrada em jogos do “Bugre”, no Brinco de Ouro, de jogadores campeões brasileiros de 1978. Eles almejam uma credencial vitalícia, que lhes dê o direito de ingressar no estádio e não serem mais desrespeitados por funcionários do clube, que desconhecem a parte mais bonita da história de 98 anos do Guarani F.C.. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do Guarani, campeão brasileiro de 1978. Em pé: Neneca - Edson - Mauro - Gomes - Miranda e Zé Carlos. Agachados: Capitão - Renato - Careca - Manguinha e Bozó. (Foto: Acervo histórico do Guarani F.C.)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O “Dragão” dá a volta por cima

O Atlético Goianiense, um dos quatro clubes que se classificaram para a Série A do Campeonato Brasileiro de 2010 foi fundado em 2 de abril de 1937, com raízes no bairro de Campinas, na cidade de Goiânia, que acabara de ser fundada para ser a capital do estado de Goiás. Os fundadores do Atlético Goianiense foram: os irmãos Nicanor Gordo, primeiro presidente do conselho deliberativo, Alberto Alves Gordo e Afonso Gordo, Edson Hermano, primeiro goleiro do clube, João de Brito Guimarães, João Batista Gonçalves, Ondomar Sarti e Benjamim Roriz, entre outros.

O uniforme, com listras horizontais em vermelho e preto foi inspirado no Flamengo, do Rio de Janeiro e o escudo, no São Paulo F.C.. O símbolo do clube é um Dragão. O primeiro presidente do Atlético foi Antônio Accioly, que conseguiu o terreno para a construção do estádio do clube que leva o seu nome.

O primeiro campeonato goiano de futebol foi disputado em 1944 e vencido pelo Atlético. De lá para cá foram outros nove campeonatos estaduais conquistados, com destaque para o de 1957, quando foi campeão invicto. E por 21 vezes beliscou a taça, sendo vice-campeão.

A nível nacional, o Atlético Goianiense não tem do que se queixar, foi campeão brasileiro da Série C, em 1990, quando derrotou no jogo final ao América (MG), nos pênaltis, depois de 90 minutos em 0 X 0. Isso lhe deu o pioneirismo de ser o primeiro clube goiano a ganhar um título nacional importante. E em 2008, repetiu o feito. Antes, em 1971 já havia sido campeão do Torneio Integração, disputado por 16 equipes de diferentes estados, vencendo na partida final a Ponte Preta, de Campinas. Em campeonatos brasileiros da 1ª Divisão, a
melhor colocação foi o 21º lugar em 1980, entre 44 participantes.

Mas nem tudo foram flores na vida do clube. Em razão de más administrações o Atlético Goianiense passou por momentos de imensas dificuldades, e por pouco não enrolou a bandeira. Até o Estádio Antônio Accioly, patrimônio do clube sofreu com o descaso. Abandonado, acabou sendo demolido em 2001 para a construção de um shopping, mas um grupo de torcedores e a diretoria conseguiram embargar a obra. O pior aconteceu em 2003, quando pela primeira vez em sua história, o clube passou pela humilhação de cair para a segunda divisão do Campeonato Goiano, onde penou por dois anos.

Em 2005, quando assumiu o clube o presidente Valdivino José de Oliveira, o vice Maurício Sampaio, o presidente do Conselho, Marco Antônio Caldas, o ex-presidente Wilson Carlos e outros importantes beneméritos, o Atlético Goianiense deu a volta por cima: o estádio Antônio Accioly foi reconstruído e dentro de campo o time só deu alegrias, sagrando-se campeão do Acesso e garantindo o retorno a principal divisão do futebol goiano. Em 2006 o Atlético chegou a final do Campeonato Goiano contra o Goiás, com mais de 36.000 torcedores no Estádio Serra Dourada.

Em 2007, o Atlético venceu o Goiás por 2 X 1 no segundo jogo da decisão. No primeiro houve empate em 2 X 2, sagrando-se, depois de longos 18 anos campeão goiano perante 31.088 torcedores pagantes. No Campeonato Brasileiro da Série C, o time foi sexto colocado, por pouco não conseguindo subir para a Série B.

Em 2008 o Atlético conseguiu o acesso a Série B com quatro rodadas de antecedência , e para vibração de sua torcida, também o segundo título de campeão da Série C. O momento de graça do rubro-negro goiano atingiu o ponto máximo no último dia 21, quando classificou-se para a à Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol, com uma vitória de 3 X 1 diante do Juventude, em pleno Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.

Nos seus 72 anos de existência, o Atlético Goianiense tem se mostrado em verdadeiro celeiro de bons jogadores para o futebol brasileiro. Entre outros, revelou Baltazar, o “Artilheiro de Deus”, recordista absoluto de gols em campeonatos goianos, tendo balançado as redes adversárias 31 vezes, em 1978. Depois jogou no Grêmio, Flamengo, Palmeiras, Goiás e Atlético de Madrid, da Espanha; Júlio César, o “Imperador”, que brilhou pelo Flamengo; Valdeir, o “The Flash”, ídolo no Botafogo; Gilberto, destaque e campeão pelo Fluminense no estadual do Rio de Janeiro, em 1980; Luiz Carlos Goiano, ex-Grêmio e atual técnico do Barueri; Lindomar, que brilhou no Gama, de Brasília e Romerito, atualmente no Goiás. (Pesquisa: Nilo Dias)

Uma das primeiras equipes do Atlético Goianiense. (Foto: Acervo do Atlético Goianiense)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Gilson disse...
Eu parabenizo o brilhante repórter pelo brilhante trabalho e gostaria imensamente pela sua desenvoltura em saber das coisas o seguinte;
Quais foram do DRAGÃO GOIANIENSE, os MASSAGISTAS e se possível também LAVADEIRAS, que ajudaram o clube no periodo da sua fundação que foi em 1937 até a data de 1970
Trata-se de uma pesquisa na qual estou fazendo, já que sou fã do DRAGÃO.
Antecipo meus agradecimentos e sei que voce irá me RESPONDER. abraço.:
1 de dezembro de 2009 18:01

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O alvinegro cearense

Mesmo faltando uma rodada para o término do Campeonato Brasileiro da Série B, já são conhecidos os quatro clubes que o ano que vem disputarão o principal campeonato do país. C.R. Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, Guarani F.C., de Campinas, Atlético Goianiense e Ceará Sporting Clube, que há 16 anos estava fora da elite do futebol brasileiro. O clube cearense garantiu a classificação ao derrotar a Ponte Preta, em Campinas por 2 X 1.

O Ceará foi o segundo clube come menos derrotas na competição, ficando nesse item atrás apenas do Vasco da Gama. Na festa do retorno a Série A, também a alegria de ver no mesmo dia, o maior rival, o Fortaleza, ser rebaixado para a Série C do campeonato brasileiro.

O Ceará Sporting Club foi fundando em 2 de junho de 1914. Tudo começou quando os jovens Luis Esteves Junior e Pedro Freire caminhavam no centro de Fortaleza. Após um deles chutar uma pedra, começaram a falar sobre futebol, surgindo a idéia de fundar um clube. Depois, encontraram alguns colegas no Café Art Nouveau, na Praça do Ferreira e a idéia da dupla foi bem aceita.

Ainda no mesmo dia, a turma se reuniu na residência de Luís Esteves. Segundo a história oficial estiveram presentes 22 pessoas, mas há quem diga que foram 18 e até 24. O nome escolhido para a nova agremiação foi Rio Branco Football Club, com camisas de cor lilás e calções brancos, semelhantes ao uniforme da atual Fiorentina, da Itália, que foi fundada 12 anos depois, em 1926, não havendo qualquer ligação com a escolha do time cearense.

A escolha do nome Rio Branco, provavelmente tenha sido uma homenagem ao diplomata brasileiro Barão do Rio Branco, falecido em 1912. Numa outra reunião, exatamente um ano depois, o nome do clube mudou para Ceará Sporting Club e como era difícil encontrar no Brasil camisas na cor lilás, o uniforme passou a ser preto e branco.

O primeiro presidente foi o comerciante Gilberto Gurgel, estabelecido na Praça do Ferreira. O primeiro ato da diretoria foi promover uma coleta entre os associados, para conseguir dinheiro para a compra de uma bola oficial número 5. Foram arrecadados quase 22 mil réis, uma quantia bastante apreciável, mostrando a boa condição social dos fundadores do clube.

Não demorou para que surgissem inúmeras equipes, entre as quais: English Team, Stella Foot-Ball, Rio Negro Foot-Ball Club, Hesperia Atlético Clube, Maranguape Foot-Ball Club, Fortaleza Sporting Club e American Footbal Club. Em 1915 foi fundada a Liga Metropolitana, que organizou os primeiros campeonatos no Estado. O campo do Prado, um amplo terreno da empresa Boris Frères - onde hoje se localiza o CEFET e o estádio Presidente Vargas - era o local mais apropriado para os jogos.

O campeonato de 1915, o primeiro disputado no Ceará contou com a participação do Ceará, Maranguape, Rio Negro e Stella. Na partida final, realizada no Campo do Prado, o Ceará bateu o Stella por 2 X 1, gols de Humberto Ribeiro e Pacatuba, conquistando o título máximo
de forma invicta e sofrendo apenas dois gols.

Em 1916 o Riachuelo se filiou a Liga. Mas deu Ceará outra vez. Na final, o alvi-negro bateu o Maranguape por 2 X 0, com dois gols de Walter Barroso. Em 1917, o Riachuelo desistiu de competir e em seu lugar ingressou o Hespéria Atlético Clube. O Ceará sagrou-se tricampeão cearense, ao derrotar na partida final, disputada no campo do Prado, o Stella por 1 X 0, gol anotado por Gotardo. Os títulos do Ceará se repetiram em 1918 e 1919, na conquista do pentacampeonato.

Em 1918, apenas quatro clubes disputaram o campeonato: Ceará, Fortaleza (antigo Stella, que acabara de ser fundado), Rio Negro e Hespéria. O Ceará derrotou o Fortaleza na final por 2 X 0, gols de Walter Barroso e Enoch. O campeonato de 1919 foi disputado por Bangu, Ceará, Fortaleza, Guarany e Hésperia.

Nessa competição o Ceará sofreu a primeira derrota de sua história, perdendo de 1 X 0 para o Guarany. A final foi novamente entre Ceará e Fortaleza, com vitória do alvinegro, que perdia por 1 X 0 até os minutos finais e conseguiu uma sensacional virada para 2 X 1, gols de Walter Barroso,. O Ceará sagrou-se pentacampeão com a defesa menos vazada, o melhor ataque e o artilheiro do campeonato.

O Ceará é o clube do Estado melhor colocado no Ranking da CBF, ocupando o 25.º lugar geral, com 965 pontos. Em 1985, na sua última participação na 1ª divisão nacional, se tornou o clube cearense melhor classificado, ao terminar a competição em sétimo lugar. O clube, que tem a maior torcida no Estado, também é dono da maior seqüência de títulos do campeonato estadual: pentacampeão entre 1915 e 1919.

O mascote oficial do Ceará S.C. é o "Vovô". Apesar de muitos pensarem que o cognome “Vovô” se deva ao fato de o Ceará Sporting Club ser o clube mais velho do Estado, o real motivo é outro. Em 1920 o presidente do clube, Meton de Alencar Pinto,tratava os jogadores de meus netinhos e se auto-intitulava "Vovô".

O estádio do Ceará é o Carlos de Alencar Pinto, apelidado de “Vovozão”, com capacidade para 3.000 pessoas, onde treina e disputa amistosos. Mas o time disputa seus jogos oficiais no Estádio Castelão, que pertence ao Governo do Estado, com capacidade para 58.400 torcedores, ou no Estádio Presidente Vargas, da Prefeitura de Fortaleza, com capacidade para 22 mil expectadores.

Em 1964 o Ceará chegou às semifinais da Taça Brasil, campeonato que indicava o representante do Brasil na competição que atualmente é chamada de Taça Libertadores da América. O alvinegro cearense foi campeão do Grupo Nordeste e da Zona Norte e terceiro colocado na classificação final. Em 1969 o Ceará conquistou a Copa Norte-Nordeste. De 1975 a 1978 foi tetracampeão cearense. Em 1994 foi vice-campeão da Copa do Brasil, perdendo na partida final para o Grêmio, no estádio Olímpico.

O vice-campeonato deu ao Ceará o direito de disputar sua primeira competição internacional, feito ainda não repetido por clubes cearenses: a Copa Conmebol de 1995. Apesar de ser eliminado na primeira fase, o alvinegro saiu invicto da competição

No período de 1996 a 1999 o Ceará conquistou outro tetracampeonato. Em 2005 o Ceará realizou mais uma boa campanha em uma competição nacional: a Copa do Brasil, quando chegou às semifinais da competição, conseguindo eliminar grandes times, como Atlético Mineiro e Flamengo, e terminou na quarta colocação.

Títulos do Ceará Sporting Clube. Nacionais; vice-campeão da Copa do Brasil (1994); Interestaduais: Torneio Norte-Nordeste (1964 e 1969); Copa do Nordeste (1969); Copa Verão de Recife (1997); Estaduais: campeonato Cearense: 1915, 1916, 1917, 1918, 1919, 1922, 1925, 1931, 1932, 1939, 1941, 1942, 1948, 1951, 1957, 1958, 1961, 1962, 1963, 1971, 1972, 1975, 1976, 1977, 1978, 1980, 1981, 1984, 1986, 1989, 1990, 1992 (dividido com Fortaleza, Icasa e Tiradentes) , 1993, 1996, 1997, 1998, 1999, 2002 e 2006; Torneio Início: (1922, 1923, 1926, 1932, 1936, 1937, 1943, 1947, 1952, 1953, 1967 e 1978).

Artilheiros alvinegros no Campeonato Cearense: Walter Barroso ( 1915, 1916, 1918 e 1922); Pau Amarelo (1925); Farnum (1931 e 1932); França: 1941 e 1942); Pirão (1943); Alfredinho (1948); Antonino (1951); Luiz (1956); Gildo (1961 e 1963); Vítor (1971); Da Costa (1972); Marciano (1981);Ademir Patrício (1982); Anselmo (1984); Rubens Feijão (1986); Hélio Carrasco (1990); Pintinho (1996). Artilheiros do Brasil: Sergio Alves (2002, dividido com Mário Negrim, do Ferroviário).

O jogo mil de Pelé pelo Santos, foi contra o Ceará, no dia 3 de novembro de 1972. No confronto de alvinegros quem se deu bem foi o “Vovô”, que venceu por 2 a 1. Pelé marcou para o Santos e Samuel e Da Costa para o Ceará. Cerca de 36 mil torcedores assistiram o jogo realizado no Estádio Presidente Vargas. O Ceará jogou com: Hélio - Paulo Tavares – Odélio - Mauro Calixto e Dimas – Edmar – Joãozinho e Nado - Jorge Costa - Samuel e Da Costa. O Santos teve: Joel Mendes – Turcão – Paulo - Altivo e Murias (Vicente) – Léo – Pitico e Roberto Carlos - Afonsinho (Edu) - Pelé e Ferreira.

O Ceará já utilizou cinco escudos. O primeiro (1914 a 1915), quando ainda se chamava Rio Branco Foot-Ball Club; O segundo, (1915 a 1954) tinha sete listras alternadas em branco e preto, além das iniciais CSC: Ceará Sporting Club; O terceiro, (1955 a 1969) era inspirado no escudo do Santos, de São Paulo,com uma bola na parte superior, o nome "Ceará" e nove listras alternadas em branco e preto; O quarto, (1970 a 2003) trazia em destaque o nome do clube, além de nove listras alternadas em preto e branco; O quinto escudo, (2003 até hoje), traz a data da fundação do clube (1914), além de cinco estrelas representando o pentacampeonato estadual (1915-1919) e listras em preto e branco.

Alguns dos grandes jogadores que envergaram a camisa alvinegra em toda sua história: Carneiro, Alexandre, Carlito, Dimas Filgueiras, Arturzão, Edmar, Serginho, Zé Eduardo, Erandy, Da Costa, Tiquinho, Petróleo, Hélio Carrasco, Katinha, Gildo, Lula Pereira, Jorge Luis Cocota , Vítor Hugo, Pintinho, França, Hermenegildo, Mota, Damasceno, Mastrillo, Mitotônio, Gotardo, Nado, Pintado, Cláudio Adão, Marciano, Ivanildo, Amilton Melo, Elói, Sérgio Alves, Iarley e Adilson. (Pesquisa: Nilo Dias).

Time do Ceará, campeão estadual de 1915. (Foto: Acervo do Ceará Sporting Clube)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Mastrillo Veiga disse...
Caro amigo, você esqueceu do guerreiro Mastrillo,esse tem que estar em qualquer equipe do Ceara em todos os tempos. Um grande abraço do amigo Feliipe Mastrillo, filho do proprio.
17 de dezembro de 2009 17:17

RESPOSTA: Mastrillo já consta da matéraia, atendendo sua observação.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Uma vitória por meio gol

Quem quiser duvidar, que duvide. Mas que aconteceu, aconteceu. Foi no início da década de 50, na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Domingo de tarde, inverno, tempo ruim, uma chuva fina e fria e um vento Minuano de fazer doer as orelhas. Mesmo assim o campo de jogo estava cheio. Umas quatrocentas pessoas se amontoavam por debaixo dos pés de cinamomo, buscando abrigo.

O Gaúcho, da vila do Bolacha e o Vila Verde, da vila de mesmo nome decidiam o campeonato amador da cidade. Jogo parelho, difícil de apitar. Muita rivalidade entre os times. As duas vilas que representavam, eram separadas por um córrego e unidas por um pontilhão.

Jogo duro, era falta em cima de falta, os ânimos cada vez mais exaltados e o relógio correndo mais rápido que a bola. E nada de sair do 0 x 0. Ninguém queria perder. Foi quando Saci, o craque do Gaúcho, um crioulo magro e serelepe fugiu da zaga adversária e mandou bala em direção ao gol.

Por uma dessas brincadeiras de mau gosto que só o destino pode aprontar, a bola parou numa poça d’água bem em cima da risca fatal. Formou-se a confusão. O pessoal do Gaúcho gritava pedindo gol. A gente do Vila jurava que a bola não havia entrado.

Coitado do juiz, um tal de Chico Cachaça, que apitava de graça, só para colaborar, se viu de repente no meio de uma confusão danada. Se desse gol, ia apanhar. Se não desse, ia apanhar também.

Para piorar, não havia nenhum brigadiano no campo. Tomar qualquer decisão seria uma loucura, quase um suicídio. Pensou rápido e decidiu dar no pé. Saiu correndo rua afora, com os jogadores dos dois times e as torcidas atrás. Como era ligeiro, conseguiu chegar ao posto policial da vila.

Novo bate boca. É gol, não foi gol. Com a proteção dos brigadianos ninguém se atreveu a tocar no Chico Cachaça, que prometeu colocar na súmula a sua decisão. Mesmo assim, só conseguiu chegar em casa já quase meia-noite.

No outro dia, debaixo de enorme expectativa o presidente da Liga, rodeado de dirigentes e jogadores leu a súmula do jogo. Para surpresa geral estava escrito: ”Terminei o jogo aos 42 minutos do segundo tempo por falta de garantia, ficando o escore em meio gol a zero, favorável ao E.C. Gaúcho”. Há quem jure que até hoje a súmula está guardada no cofre da Liga, como prova aos incautos de que isso realmente aconteceu. (Texto: Nilo Dias)

A vida de juiz de futebol é dura.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Para haver punição a vítima tem que ser medalhão

O responsável epelo blog publica este artigo por considerá-lo apropriado para o momento.

Por Gerson Sicca
http://limponolance.blogspot.com

Há muitas mentiras sobre o Brasil. Afinal, só um universo de mentiras pode manter uma sociedade tão desigual.

Uma mentira muito difundida é a de que o povo brasileiro é bom e solidário.
Uma ficção. Os brasileiros são humanos, com qualidades e defeitos, parecidos e diferentes entre si, como todos os povos, e criados em uma sociedade que aceita a crueldade alheia com imensa naturalidade.

É certo que relações de solidariedade são fortes no âmbito familiar e em grupos mais próximos (vizinhos, turma do futebol, etc), além das situações extremas de intenso sofrimento, como nas catástrofes. No entanto, no geral, quando se trata de avaliar o significado do que ocorre no seio da sociedade, o brasileiro raramente consegue pensar para além da sua esfera privada. Aliás, isso é comum no homem médio.

Pessoas morrem de fome, corruptos deitam e rolam no Poder Público, violência para todos os lados, contra a mulher, pobres, negros, homossexuais, trabalhadores, sistema prisional grotesco, e a maioria do povo nem está para tudo isso. Escandaliza-se com um fato aqui e ali, mas logo volta para a sua novela. Reclama do político e segue votando em quem compra voto, e por aí vai.

E nessa terra de "se a farinha é pouca, meu pirão primeiro", o povo costuma gritar mais alto sempre quando o andar superior sente-se lesado. Aí todo mundo fala e até o oprimido quer defender o opressor, ainda que muitas vezes por falta de informação. Por outras vezes, defende mesmo por ter uma visão de que a estrutura desigual deve mesmo ser mantida.

Por que falo de tudo isso? Por causa de Carlos Simon.

Já vi erros grosseiros de Simon. Erros mesmo, o roubo clássico. Erros sem explicação. O maior deles na final da Copa do Brasil de 2002, entre Corinthians e Braziliense, quando ele não deu um pênalti claro para o time de Brasília e ignorou uma falta absurda no lance de um dos gols do time paulista, tudo isso na primeira partida da final. Mas nenhum de seus "apitaços" deu tanta repercussão quanto o lance de domingo, no jogo entre Flu e Palmeiras.

Até pode ser que Simon tenha errado. Mas vendo com atenção percebe-se que Obina joga o braço para trás para impedir a antecipação do zagueiro tricolor. Logo, perfeitamente poderia ser marcada a falta, ainda mais no Brasil, onde os árbitros marcam qualquer coisa.

Mas o Palmeiras berrou e a Comissão de Arbitragem correu para socorrer o alviverde. Afastou Simon.

Estranho que os erros crassos de Héber Roberto Lopes na primeira partida da final da Copa do Brasil deste ano não tenham obtido a mesma repercussão. Um pênalti claro em Alecsandro aos 7 do primeiro tempo, quando o placar de Corinthians e Inter estava 0 a 0, e o segundo gol dos paulistas feito depois do jogador cobrar a falta com a bola rolando, bem na frente do árbitro.

Agora todo mundo fala, o Presidente do Palmeiras, imprensa, jogadores e quem mais tiver cordas vocais. Repercussão nacional.

E fica assim. O brasileiro não se irrita com o roubo, com a violência, com a falta de caráter. Ele foi criado na desigualdade e treinado para reproduzi-la. O brasileiro irrita-se quando os efeitos negativos da bizarrice nacional atingem o piso superior. Ninguém se indigna pelo ato em si, mas por quem foi afetado.

E assim continuamos. Julgamos conforme a vítima e o réu, e não pelo significado dos atos. O que nos interessa é manter a desigualdade e evitar que os afortunados sofram com as consequências nefastas, decorrentes do país cruel que nossos ancestrais criaram e que mantemos todos os dias com nosso comportamento na rua, na política, no trabalho e nas relações afetivas.

O Brasil tem uma sociedade civil que não se funda na igualdade, na liberdade e na ética.É o salve-se quem puder. E seguimos defendendo a desigualdade.

Por isso, se o Palmeiras berrar todo mundo vai acudir. Agora, se o reclamante tiver menos prestígio, será apedrejado e ridicularizado, embora vergonhosamente roubado.

Em suma, a Comissão de Arbitragem é Brasil!

OBSERVAÇÃO: E como ficam os "enganos" (será, mesmo?) que se verificam a cada rodada do Brasileiro, Séries A ou B. Os pênaltis não marcados para o Grêmio contra o São Paulo. O escândalo do jogo São Paulo X Barueri. O assalto "a mão desarmada" contra o Campinense, no jogo com o Vasco da Gama, o clube que teve mais pênaltis a seu favor em todo o Brasil, nos últimos anos, a maioria inventados. E por ai vai, é um campeonato altamente suspeito que procura beneficiar times do Rio e São Paulo. E o resto que se dane. (Nilo Dias)

sábado, 31 de outubro de 2009

Morre zagueiro remanescente da Copa de 1950

Morreu na última sexta-feira (31), aos 86 anos de idade, o ex-zagueiro Juvenal, um dos três últimos remanescentes do grupo de jogadores que formou a Seleção Brasileira que disputou e perdeu a Copa do mundo de 1950, realizada no Brasil. Os outros dois são Nilton Santos e Nena. Olavo Rodrigues Batista, o Nena, jogou pelo Internacional de Porto Alegre, Portuguesa de Desportos, de São Paulo e Seleção Brasileira. Hoje, com 86 anos e aposentado, mora em Goiânia. Nilton Santos, só jogou pelo Botafogo do Rio de Janeiro e Seleção Brasileira. Mora no Rio de Janeiro e está 88 anos. Juvenal Amarijo estava internado há 15 dias no Hospital Geral de Camaçari, região metropolitana de Salvador devido a uma artrose no joelho direito. A causa da morte ainda não foi revelada.

Juvenal nasceu na cidade gaúcha de Santa Vitória do Palmar, no dia 27 de outubro de 1923. Começou a carreira de jogador profissional no G.E. Brasil de Pelotas (RS), onde atuou entre 1943 e 1949, ano em que se transferiu para o Flamengo do Rio de Janeiro. No clube carioca jogou de 1949 a 1951. Seu primeiro jogo pelo rubro-negro foi no dia 20 de fevereiro de 1949, com uma goleada de 4 X 1 sobre o Olaria. No Flamengo ele participou de 82 partidas e marcou 1 gol.

Em 1950 disputou a Copa do Mundo, tendo jogado seis partidas. Ao sair do Flamengo defendeu o Palmeiras (1951 a 1954), Bahia (1954 a 1958) e Ypiranga (BA) (1958 a 1959), quando encerrou a carreira. Pela Seleção, ele disputou 11 partidas, a última no “Maracanazzo” de 1950. Foram oito vitórias, dois empates e apenas uma derrota, exatamente contra o Uruguai, no Maracanã.

Nos 16 anos de carreira profissional conquistou os seguintes títulos: pelo Flamengo: Troféu Embaixada Brasileira, na Guatemala (1949); Troféu El Comite Nacional Olímpico da Guatemala (1949); Palmeiras: Campeonato Paulista (1950); Copa Rio (1951); Bahia: Campeonato Baiano (1954 e 1956) Seleção Brasileira: Copa Oswaldo Cruz (1950) e Copa Roca (1950).

Mesmo tendo conquistado títulos importantes e defendido grandes clubes, Juvenal teve que carregar pelo resto da vida o peso de ter participado da maior tragédia do futebol brasileiro em todos os tempos, a derrota de 2 X 1 para o Uruguai na decisão do Mundial de 1950. Ele era titular absoluto da seleção, e ao lado do goleiro Barbosa e do lateral Bigode foi apontado como um dos culpados diretos pelo fracasso. Jamais conseguiu se livrar do fantasma de 50. A exemplo de Barbosa recebeu uma espécie de punição perpétua. Até morrer se sentiu como um eterno condenado.

Em 2007, a Rede Globo revelou o drama vivido pelo ex-jogador, que, pobre e doente se movimentava numa cadeira de rodas, morando num barraco em péssimas condições na praia do Jauá, na região litorânea de Camaçari (BA). Nem televisão tinha para ver partidas de futebol. O drama de Juvenal mobilizou várias pessoas pelo país, inclusive dirigentes do clube onde começou a jogar, o Brasil de Pelotas, que lhe garantiram todo o tipo de assistência. Ele ganhou uma TV, casa nova e recebeu tratamento médico. Mas uma ferida jamais foi cicatrizada, aquela que cortou definitivamente a alma do zagueiro naquela tarde de julho no Rio de Janeiro.

A Rede Globo promoveu no início de 2008 a ida de Juvenal ao Rio de Janeiro e ao Maracanã depois de 50 anos. No maior estádio do mundo o ex-zagueiro relembrou um dos dias mais tristes de sua carreira. Mas a emissora também lhe proporcionou um momento de grande emoção: o reencontro com a filha que ele havia abandonado na década de 1950.

Juvenal jogou numa época em que o futebol não proporcionava as grandes fortunas de hoje, mas permitia que se vivesse confortavelmente. Isso, para quem soube administrar o sucesso e o dinheiro. O ex-zagueiro da seleção, por razões que não cabem ao articulista comentar, não fez isso e morreu pobre, sozinho e numa cadeira de rodas. Ainda bem que nos últimos meses de vida conseguiu, pelo menos, recuperar a dignidade perdida. (Pesquisa: Nilo Dias)

Juvenal com a camisa do Flamengo (Foto: Flapedia)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O "Coxa" faz 100 anos (Final)

Inquilino do Jockey Club nos primeiros anos de existência, o Coritiba passou pelo Parque Graciosa Atlântica, no “Juvevê”, que era propriedade do associado Arthur Iwersen, antes de estabelecer-se no “Alto da Glória”, seu endereço há quase 80 anos. Em 1928, o clube fez um empréstimo na Caixa, a juros de 12% ao ano, e adquiriu por 120 contos de réis a área de 36.300 m², onde depois construiria o estádio.

Quatro anos depois estava de pé o Estádio Belfort Duarte – homenagem ao ex-jogador e dirigente do América carioca, famoso pelo jogo limpo. A obra contava com arquibancadas de madeira, e 36 refletores para iluminação. Durante 25 anos foram essas as acomodações. A inauguração oficial aconteceu no dia 20 de novembro de 1932, com a vitória do campeão paranaense sobre o América, campeão carioca, por 4 X 2.

Entre os anos de 1956 e 1963 o clube foi presidido pelo seu ex-atleta Aryon Cornelsen, que resolveu botar abaixo bóia parte do velho “Belfort Duarte”, para ampliar e modernizar o estádio. O dinheiro foi conseguido junto ao “Bolo Esportivo”, uma espécie de precursor da Loteca. As obras começaram no segundo ano do mandato. Lolô, irmão de Aryon, fez o projeto de graça e seu pai, Emílio, fiscalizou as obras. Fechado desde o início de 1958, o estádio foi reaberto no 49.º aniversário do clube. Apenas a derrota por 3 X 1 no Atle-Tiba não estava nos planos. A ampliação terminou em 1979. O Estádio não se chamava mais “Belfort Duarte”, e sim “Couto Pereira”, em homenagem ao ex-dirigente falecido em 1976.

Em função da sua origem germânica, os times do Coritiba no início de sua história eram formados basicamente por descendentes de alemães, que com suas peculiares aparências, altos, fortes e claros, eram alvos fáceis para as provocações vindas das torcidas adversárias. Em um clássico Atle-Tiba (Atlético X Coritiba), no ano de 1941, o ainda torcedor Jofre Cabral e Silva - que depois se tornaria presidente do time da Baixada -, exaltado ao extremo pelo fato do seu time estar perdendo, começou a gritar com o zagueiro Hans Breyer, chamando-o de “quinta-coluna”. Ao perceber que Breyer não lhe dava ouvidos, Jofre Cabral mudou o tom e passou a chamá-lo, incessantemente de “Coxa-Branca! Coxa-Branca!”.

Hans Egon Breyener era um alemão de Düsseldorf, que chegou aos seis anos de idade ao Paraná, fugindo da primeira grande guerra mundial e se tornou zagueiro do Coritiba no início dos anos 40. Naqueles tempos de guerra, ser alemão, italiano e japonês era sinônimo de traidor. O apelido pegou. Mas o Coritiba venceu o Atlético nas finais do estadual e foi campeão. Breyner, profundamente entristecido com o episódio, retirou-se dos gramados. E a expressão “Coxa Branca” só foi reabilitada em 1969. Gritada nas arquibancadas do então Estádio Belfort Duarte.

O apelido acabou pegando e o que era para se transformar numa afronta, virou motivo de orgulho para a fiel torcida “Coxa”. Com o passar do tempo, o termo foi assimilado pela torcida coritibana e a expressão “Coxa” virou sinônimo do amor da galera. Tanto que se tornou hino: aos gritos de “Coxa eu te amo!”, a torcida saúda seu time nos momentos difíceis, algo que já se transformou em cultura dos torcedores alviverdes.

Em 1969 o Coritiba realizou a primeira excursão de um clube paranaense à Europa, se apresentando em gramados da Alemanha, Áustria, França, Bulgária, Holanda, Bélgica e Espanha. Os resultados dos jogos foram estes: Coritiba 1 X 1 Hamburgo (Alemanha); Coritiba 2 X 1 Colônia (Alemanha); Coritiba 0 X 0 Borússia Dortmund (Alemanha); Coritiba 1 X 5 Áustria Viena (Àustria); Coritiba 1 X 0 Saint Etienne (França); Coritiba 2 X 2 Red Star (França); Coritiba 2 X 5 Levski (Bulgária); Coritiba 0 X 0 Bordeaux (França); Coritiba 1 X 1 Feyenoord (Holanda); Coritiba 2 X 5 Anderletch (Bélgica); Coritiba 1 X 2 (Espanha) e Coritiba 5 X 2 Valência (Espanha). Foram disputadas 12 partidas, com um saldo de cinco empates, três vitórias e quatro derrotas, 18 gols pró e 25 contra.

A rádio clube (PRB-2) acompanhou o clube, efetuando as transmissões com a narração de Ney Costa e comentários de Vinícius Coelho. O time-base do Coritiba na excursão foi Joel Mendes – Modesto – Roderley - Nico e Nilo - Paulo Vecchio e Rinaldo (Lucas) – Passarinho – Krüger - Kosileck e Edson. Além destes, também participaram Célio, Marinho, Rossi, Oldack, Oromar e Antoninho.O jogador Passarinho anotou o primeiro gol do Coritiba na excursão. O artilheiro foi Kosileck, com oito gols

Ao início de 1971 a Seleção Francesa realizou uma excursão pela América do Sul, quando enfrentou o Coritiba em histórico jogo, disputado no dia 18 de janeiro, no Estádio Couto Pereira. O time brasileiro venceu por 2 X 1, gols de Lech (França)aos 42 minutos, Peixinho aos 44 e Hermes aos 74 para o Coritiba. A renda somou Cr$ 113.932,00. O árbitro foi Armando Marques. Na preliminar Atlético Paranaense e Ferroviário, empataram em 1 X 1.

O Coritiba jogou com Célio – Hermes – Nico - Terto (Cláudio) e Nilo - Hidalgo (Bidon) e Lucas - Peixinho (Marcos) – Leocádio - Kruger (Hélio Pires) e Rinaldo. A Seleção da França com Marcel – Lemére – Bosquier - Djorkaeff e Rostagni - Mezi e Michel – Lech - Revelli (Molitor) - Loubet (Floch) (Herbé) e Beretta.

O maior título da história do Coritiba foi o de campeão brasileiro em 1985, sob o comando de Ênio Andrade. No Coritiba, armou uma equipe muito forte na marcação, com um futebol de resultados, classificando-se em primeiro lugar num grupo que tinha Corinthians, Joinville e Sport. Nas semifinais, o Coritiba eliminou o Atlético Mineiro em pleno Mineirão lotado. Depois de haver vencido por 1 X 0 no Couto Pereira, garantiu a vaga empatando em 0 X 0, em Belo Horizonte.

A decisão do título se deu em partida única no Maracanã. O Coritiba marcou primeiro com Índio cobrando falta. O Bangu, empatou aos 35 minutos com um gol do meia Lulinha. O jogo terminou em 1 X 1 e foi preciso uma prorrogação, que terminou sem gols. A decisão foi para as penalidades. Já era madrugada de primeiro de agosto. O Coritiba fazia um gol e o Bangu empatava até terminar a série em 5 X 5. Foi quando o ponta-esquerda banguense Ado chutou para fora. Gomes, cobrou bem e deu o título inédito ao Coritiba. O Maracanã aplaudiu de pé o primeiro Campeão Brasileiro da Nova República.

Outros títulos. Campeonatos estaduais: (1916, 1927, 1931, 1933, 1935, 1939, 1941, 1942, 1946, 1947, 1951, 1952, 1954, 1956, 1957, 1959, 1960, 1968, 1969, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978, 1979, 1986, 1989, 1999, 2003 e 2004). Torneio do Povo, que foi disputado contra Flamengo, Internacional, Corinthians, Atlético Mineiro e Bahia (1973).

Após três anos na segunda divisão, o Coritiba retornou à elite do futebol brasileiro, em 1984, sendo eliminado nas quartas-de-finais, pelo então campeão Fluminense. Era apenas um aperitivo do que aconteceria no ano seguinte. No dia 31 de julho de 1985, após um empate em 1 a 1 com o Bangu, em pleno Maracanã, o Coritiba se sagrou campeão brasileiro, na disputa por pênaltis.

Em 1986, o Coritiba disputou a Copa Libertadores, mas o time foi eliminado ainda na primeira fase. No final da década de 80, mais precisamente em 1989, o hino popular, conhecido como "Coritiba Eterno Campeão", foi adotado pela torcida e cantado até hoje. Porém, neste mesmo ano a equipe se recusou a enfrentar o Santos e foi rebaixado no Campeonato Brasileiro, chegando à terceira divisão e retornando em 1993, mas caindo na mesma temporada e só voltando à elite em 1996.

A década de 90 foi ruim para o “Coxa”. Os títulos só retornaram em 1997, no Festival do Futebol Brasileiro, com uma vitória nos pênaltis, no Couto Pereira, sobre o Botafogo e o Paranaense de 1999, em cima do Paraná, após dez anos.

Os anos 2000 tiveram seus altos e baixos. Veio a conquista do bi-campeonato estadual, em 2003 e 2004, a volta à Libertadores, também em 2004, onde mais uma vez foi eliminado na primeira fase. Mas também ocorreu mais um rebaixamento no Brasileirão, em 2005. O acesso veio em 2007, com o título obtido no último minuto, e o 33º estadual em 2008, em cima do rival Atlético Paranaense.

Regino Réboli, 93 anos, é o mais antigo jogador vivo na história do clube. Ele jogou na década de 30 e era conhecido por “Hygino”. Foi campeão do Torneio Inicio em 1930 e 1932 e do Campeonato . Hygino participou do Coritiba quando foi campeão do Torneio Início em 1930 e 1932, dos campeonatos da cidade e do Estado em 1931 e do Torneio dos Cronistas Esportivos em 1932.

No mesmo ano foi inaugurado em 19 de novembro o estádio Belfort Duarte e lá estava Regino Réboli, pai de Homero Luiz Réboli, arquiteto e compositor, co-autor do Hino Oficial do Coritiba F. C. Paranaense. Réboli foi homenageado pela diretoria do “Coxa” neste ano de 2009. (Pesquisa: Nilo Dias)
Excursão a Europa em 1969. (Foto: Acervo do Coritiba F.C.)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

MUSICA FUTEBOL CLUBE ! A VOZ DAS ARQUIBANCADAS. disse...
Caro pesquisador Nilo Dias
O BLOG www.musicadogol.blogspot.com está fazendo uma homenagem ao município de Bagé, bem como aos bageenses.
Fica a sugestão ao GRANDE Nilo.
José Leonardo Guerra Maranhão Bezerra( Natal-Rio Grande do Norte )
29 de outubro de 2009 12:47

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O "Coxa" faz 100 anos (1)

A data de hoje marca os 100 anos de fundação do Coritiba Futebol Clube, uma das mais tradicionais e simpáticas agremiações esportivas do Brasil. A história do alviverde curitibano começou quando o jovem Frederico Fernando Essenfelder, o “Fritz”, que residira um tempo em Pelotas, no Rio Grande do Sul, trouxe para Curitiba a primeira bola de futebol. Como não poderia deixar de ser, a novidade provocou grande curiosidade, principalmente na juventude local, que ouvira falar da criação de um clube voltado para a prática do novo esporte, na cidade gaúcha de Rio Grande.

Entusiasmados com a idéia de ter seu próprio clube, um grupo de desportistas, na maioria descendentes de alemães reuniu-se no antigo Clube Ginástico Turverein, mais tarde Teuto Brasileiro, no dia 12 de outubro de 1909, para a concretização do sonho. Estiveram presentes a reunião João Viana Seiler, Leopoldo Obladen, Carlos Schelenker, Arthur Iwersen, Arthur Hauer, (que levou toda a família), Walter Dietrich, Roberto Isckch, Rodolpho Kastrup e muitos outros. Junto a eles, um brasileiro autêntico, José Júlio Franco, que mais tarde formou com Seiler e Obladen, um trio decisivo a implantação do clube.

Logo após a fundação, os adeptos do futebol tiveram que enfrentar um problema: onde praticar o novo esporte, já que alguns influentes associados do Clube Ginástico Turverein, não viam com bons olhos aquele movimento dentro da entidade. Isso obrigou os jovens futebolistas a conseguirem uma área entre as ruas João Negrão e Marechal Floriano, atrás do quartel da Polícia Militar, onde passaram a praticar o futebol e tomar conhecimento de suas regras e determinações.

Na cidade interiorana de Ponta Grossa também era fundado um clube voltado para a prática do futebol, o “Club de Foot-Ball Tiro de Guerra Pontagrossense, formado por jovens que freqüentavam o Tiro de Guerra 21 e ingleses que eram funcionários da companhia “American Brasilian Engeneering Co”, encarregada de instalar a via férrea em território paranaense. Com a chegada do inglês Charles Wright, que trouxe na bagagem uma bola de couro número cinco, o novo esporte foi introduzido na cidade.

Não demorou para que os curitibanos fossem convidados para um jogo em Ponta Grossa, que se realizou no dia 23 de Outubro de 1909. A delegação curitibana que viajou de trem até Ponta Grossa, era composta por 15 “foot ballrs” e cerca de 20 sócios, além de convidados, entre eles os jornalistas, Luis Schelenker, do “Der Beobaether”, órgão da colônia germânica de Curitiba, e Aldo Silva, do “Diário da Tarde”.

Na chegada da Ponta Grossa, na estação ferroviária estavam alinhados os sócios do Foot Ball Clube Pontagrossense, praças do batalhão de Caçadores do Ponta Grossa e uma enorme multidão, sendo a comitiva re¬¬cebida sob calorosos vivas e ao som da Banda Lyra dos Cam¬¬pos. Após um “lunch” no Hotel Pa¬¬lermo, a comitiva seguiu para o “ground” ao lado do cemitério. Com um atraso de cinco minutos começou o match. O time de Ponta Grossa, já com a quase seis meses de treinamentos, venceu por 1 X 0, gol do inglês Charles Wright.

O onze do Turverein entrou em campo com: Arthur Hauer - A. Labsch e Walter Dietrich - Arthur Iwersen - Roberto Iusksch e Theodoro Obladen - Rodolpho Kastrup – Maschke - Leopoldo Obladen - Carlos Schlenker e Fritz Essenfelder. O Tiro de Guerra jogou com Ayres - Frederico e Debu - Charles Wright - Joca e Maravalhas - J. Dawes – Monteiro - Silva Jardim - Flávio Guimarães e Salvador. O juiz foi o desportista pontagrossense Flygare.

Após o jogo foi oferecido um lauto banquete aos visitantes. Naqueles tempos havia muita cortesia entre os degladiantes. O presidente do Turverein, Frederico Rummert, ao dar um brinde aos anfitriões, disse. “E sem que tenha havido entre nós vencedores ou vencidos, mas sim soldados que labutam pelo desenvolvimento físico e com este o intelectual da mocidade paranaense, vos aperto a mão amiga em nome de cada um dos nossos companheiros reconhecidos e gratos.”

No retorno a Curitiba, aconteceu uma deliberação histórica: João Viana Seiler, o grande líder grupo, inconformado com a discriminação existente no Turnverein, lançou a idéia da fundação de um novo clube. As reuniões passaram a ser realizadas no Teatro Hauer, na esquina das ruas 13 de Maio e Mateus Leme. Um mês depois, mais de 60 pessoas estavam integradas ao movimento.

No dia 30 de janeiro de 1910, foi fundado o Coritybano Foot Ball Club sendo eleito seu primeiro presidente e também patrono, o desportista João Viana Seiler. Como vice-presidente, Arthur Hauer; primeiro secretário José Júlio Franco: segundo secretário, Leopoldo Obladen; primeiro tesoureiro, Walter Dietrich; segundo tesoureiro, Alvim Hauer e capitão Fritz Essenfelder. No discurso de posse, Seiler sugeriu que a data oficial de fundação fosse 12 de outubro de 1909. As cores adotadas para o uniforme do clube foram o verde e o branco, referência às da bandeira do Estado.

Faltava agora apenas um campo para jogar, problema que foi resolvido quando os fundadores conseguiram autorização para usar uma área do Jóckey Club Paranaense, no bairro Prado velho, onde hoje se localiza o Campus 1 da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR). A área foi reformada com obras de terraplanagem, gramado e construção de cercas de arame. Para chegar ao campo, que ficava longe do centro da cidade, os torcedores precisavam pegar bondes puxados por burros.

O clube jogou ali até 1916, quando passou a mandar seus jogos no Parque Graciosa. A idéia geral foi inaugurar o novo campo num jogo contra o time de Ponta Grossa, para retribuir a recepção magnífica que tiveram na primeira partida.

Também em Ponta Grossa aconteceram novidades. Agora o time se chamava Ponta Grossa Foot Ball Club. No dia 12 de junho de 1910, se realizou a primeira partida de futebol em Curitiba. Foi organizada uma grande festa que durou três dias. Desta vez o onze da capital não teve dificuldades em vencer o adversário por 5 X 3. A partir daí, vários amistosos foram disputados entre as duas equipes, que procuravam difundir a prática do futebol no Estado. Não havia campeonatos, apenas torneios de curtos períodos.

O nome Coritybano durou pouco. Em 21 de Abril de 1910, cerca de seis meses depois, para não fazer confusão com o já existente Clube Curitybano, a denominação mudou para Coritiba Foot Ball Club. O nome da cidade se grafava Curityba, com o y depois do t, que era um nome tupi-guarani, significando “muito pinhão”. Numa das reformas ortográficas, a cidade passou a ser grafada como Coritiba. E veio uma nova reforma, passando a ser Curitiba, mas o clube, já com o nome consagrado, preferiu ignorar a mudança.

Como não existiam outros clubes para a disputa de campeonatos, os dirigentes do Coritiba resolveram dividir o clube, cedendo vários jogadores para que fosse formada uma outra equipe, surgindo assim o Internacional, que foi o primeiro campeão paranaense, em 1915. Em 1924 foi extinto, ao fundir-se com o América, dando origem ao Clube Atlético Paranaense. O Campeonato foi realizado pela Liga Sportiva Paranaense (LSP), e disputado por Coritiba, Internacional, América, Paraná, Paranaguá e Rio Branco (Paranaguá).

O título do Internacional em 1915 foi contestado por um jogador do América, o que provocou a desfiliação de vários clubes da LSP. O América e outros clubes criaram uma nova entidade, a Associação Paranaense de Sports Athléticos (APSA), formada por Coritiba, Savóia, América, Palmeiras, Spartano, Paraná e Rio Branco. N LSP estavam Britânia, Bela Vista, Internacional, América de Paranaguá, Americano e Pinheiros.

Em 1916 dois campeonatos foram realizados separadamente, mas no final do ano as duas associações se juntaram formando a Associação Sportiva Paranaense (ASP). Ficou decidido que o campeão sairia de uma decisão entre os campeões das duas ligas: Coritiba e Britânia. Na primeira, o Coritiba foi vencedor. Na segunda, o Britãnia ganhou. No dia 21 de janeiro de 1917, o Coritiba venceu ao Britânia por 2 X 1 e foi proclamado campeão do Paraná. Em 1939 a Federação Paranaense de Futebol (FPF), passou a comandar o futebol no Estado. (Pesquisa: Nilo Dias)

(Foto: Acervo histórico do Coritiba F.C.)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Cristina disse...
Meu bisavô José Julio Franco deve ter ficado muito triste, lá onde Deus o tenha, com a violência e desrespeito que a pseudo torcida recebeu o Fluminense neste final de 2009. Lamentável, uma mancha na história que meu antepassado ajudou a construir.
Cristina de Oliveira Franco.
14 de dezembro de 2009 18:10

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

E a festa continua

Na rodada deste final de semana, não foi diferente. Mais arbitragens ruins e clubes prejudicados. O Campeonato Brasileiro parece que vai ser decidido no apito.Quem tiver mais força nos bastidores, leva a taça.

A arbitragem do mineiro Ricardo Marques Ribeiro no clássico deste domingo entre Corinthians e São Paulo deixou o lado alvinegro revoltado. Após o empate por 1 a 1 no Morumbi, que afastou ainda mais os arquirrivais do sonho de brigar com o Palmeiras pelo título, Mano Menezes praticamente se esqueceu de falar sobre o desempenho de sua equipe no confronto contra os atuais tricampeões nacionais e foi o primeiro a disparar contra o apitador.

"Tivemos, na segunda parte, as melhores oportunidades para definir o jogo a nosso favor e saímos com a convicção de que se a arbitragem tivesse sido um pouco mais neutra certamente sairíamos com a vitória", opinou, visivelmente insatisfeito com o trio mineiro."Não gostei nada da arbitragem e acho que estão confundindo o fato de o Corinthians já ter vaga garantida na Libertadores com dar o mesmo tratamento para nosso time. O árbitro usou dois critérios o tempo inteiro. Não deu uma sucessão de faltas a nosso favor e, no final, expulsou um jogador deles para deixar a impressão que o São Paulo foi o prejudicado.

Um absurdo", disparou, cutucando, por tabela, os donos da casa.Apesar de ter citado faltas em Defederico e Dentinho, perto da área rival, como exemplos de erros do árbitro neste domingo, Mano reforçou que sua principal reclamação foi com relação ao duplo critério adotado pelo apitador mineiro. "Não estou falando de um lance, mas de filosofia para apitar o jogo. Tem que usar critério igual. Não usou e ficou parecendo outra coisa", concluiu, voltando a insinuar favorecimento ao time do Morumbi.Direto e reto: Se Mano Menezes insinuou favorecimento, o presidente Andrés Sanchez falou com todas as letras o que o treinador se policiou na hora de conceder entrevista coletiva.

Para o mandatário alvinegro, a força rival nos bastidores influenciou o comportamento de Ricardo Marques Ribeiro no clássico."Errar é normal, mas o que aconteceu hoje (domingo) foi um absurdo. Eu já fui beneficiado e prejudicado, mas isso foi uma vergonha. O São Paulo pressiona de todos os lados e acontece isso aí", disparou, também reforçando sua revolta com o tratamento recebido ao chegar no Morumbi."Está virando rotina com esses vândalos. Depois querem fazer Copa do Mundo", criticou. "E vão conseguir, pois vai sair dinheiro público. Eu queria fazer o meu (estádio), mas o São Paulo vai pegar todo o dinheiro e não sobrará para o Corinthians", concluiu, estocando uma última vez os desafetos.

Resposta: Do lado são-paulino, o técnico Ricardo Gomes deixou clara a discordância das declarações corintianas. "Qual pressão que fizemos sobre o árbitro? Contra o Flamengo, ele não havia dado um pênalti sobre o Washington. Ainda assim, sempre falei para confiarmos em seu trabalho", afirmou.

Já o superintendente de futebol Marco Aurélio preferiu disparar contra Mano Menezes. "Ele é muito sensível para arbitragem. O gol do Corinthians saiu de uma irregularidade do Dentinho e ainda vi um pênalti em cima do Marlos. Mas foram lances difíceis. Acho que o juiz apitou bem", analisou. (Fonte: Yahoo Esportes)
Barueri foi prejudicado pela arbitragem

Dois lances foram especialmente contestados pelos jogadores do Barueri neste sábado. No primeiro deles, o meia Gilberto estaria em posição irregular quando completou cruzamento de Guerrón, após corte mal feito pela zaga. No outro, o zagueiro Gil teria cortado finalização de Fernandinho com o braço. O árbitro Djalma Beltrami (RJ) não deu pênalti e mandou o lance seguir - o atacante acabou expulso por reclamação, minutos depois.

"Na hora do chute, a bola bateu na minha costela e depois pegou no braço", admitiu Gil, sem ver motivos para a penalidade: "mas eu já estava caído nessa hora". Já o volante Fabrício, que reclamou de pênalti de Jumar na derrota para o Palmeiras, desta vez adotou discurso oposto, ao ver como comuns os erros. (Fonte: Brazilian Voice)

Djalma Beltrami prejudicou o Barueri, no jogo contra o Cruzeiro.

sábado, 26 de setembro de 2009

Árbitros ou sopradores de lata (Final)

Antes do segundo jogo das finais da Copa do Brasil, o vice-presidente de futebol Fernando Carvalho apresentou a imprensa um dossiê mostrando em vídeos, o favorecimento das arbitragens ao Corinthians. Todas as imagens exibidas foram extraídas de programas esportivos. A apresentação, que foi acompanhada por dezenas de jornalistas, começou com a exibição do pênalti sofrido por Tinga, no Pacaembu, no Brasileirão de 2005. Naquela oportunidade, o árbitro Márcio Rezende de Freitas não marcou a penalidade e ainda expulsou o jogador colorado por suposta simulação.

Somado ao escândalo da arbitragem no campeonato daquele ano, que motivou a anulação do resultado de diversas partidas, o equívoco foi extremamente danoso ao Internacional, que acabou ficando com o vice-campeonato. Depois, o dossiê se ocupou com a Copa do Brasil, quando uma série de erros de arbitragem facilitaram a chegada do clube paulista ao título.

Destaque para o jogo contra o Atlético Paranaense, disputado dia 29 de abril na Arena da Baixada, em que o Corinthians foi beneficiado com dois pênaltis inexistentes marcados pelo juiz Nielson Nogueira Dias (PE). O time curitibano vencia por 3 X 0, mas a vantagem foi diminuída para 3 X 2 graças aos erros do árbitro, que também deixou de marcar um pênalti em favor do Atlético.

A apresentação também trouxe à tona a segunda partida da semifinal, dia 3 de junho contra o Vasco da Gama, na qual o juiz Leonardo Gaciba (Fifa-RS) deixou de marcar um pênalti claro para a equipe carioca. O resultado de 0 X 0 no Pacaembu acabou servindo ao Corinthians, que avançou à final. Para encerrar o dossiê, foram mostrados vários lances do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, no Pacaembu. A começar pela falta que originou o segundo gol do Corinthians, que foi claramente cobrada com a bola em movimento, sob o olhar complacente do árbitro paranaense, Heber Rodrigues Lopes, do quadro da FIFA.

Todas as imagens foram exibidas com o áudio original, no qual os comentaristas reiteravam o erro cometido pelo árbitro. A seguir, foi mostrado o pênalti sofrido por Alecsandro, quando o placar ainda estava 0 X 0. Além de um impedimento mal marcado de Taison, a edição também destacou as sucessivas faltas cometidas por Elias, Jorge Henrique e Chicão, que nem sequer receberam cartão amarelo.

No jogo Corinthians 3 X 3 Botafogo, dia 23 de agosto, válido pela 21ª rodada o juiz aspirante ao quadro da Fifa, Arilson Bispo da Anunciação (BA) validou um gol do Botafogo em que André Lima usou a mão para tocar a bola para as redes. Além disso, assinalou um pênalti e uma falta que resultaram em gols do Corinthians. Por causa desses erros o árbitro foi suspenso pela Comissão de Arbitragem da CBF por tempo indeterminado.

Apenas para ilustrar este trabalho, alguns dos maiores erros de arbitragem já verificados no futebol brasileiro nos últimos anos, além dos já citados acima.

Portuguesa x Corinthians - 1998 (Paulistão). O zagueiro César, da Portuguesa, interceptou a bola com o peito, mas o juiz Javier Castrilli viu toque de mão e marcou pênalti. O Corinthians fez o gol e foi para a final do torneio.

Santos x Botafogo - 1995 (Brasileirão). Foram inúmeros erros. Um gol do santista Túlio foi anulado. O juiz Márcio de Freitas não viu o lateral santista Capixaba ajeitar a bola com a mão, lance convertido em gol por Marcelo Passos. Ele também anulou, com um impedimento inexistente, o gol de Camanducaia que daria a vitória ao Santos.

Grêmio x Flamengo - 1982 (Brasileirão). O jogador rubro-negro Andrade interceptou um gol do gremista Baltazar com a mão. O juiz Oscar Scolfaro não deu o pênalti.

Santos x Portuguesa - 1973 (Paulistão). O juiz Armando Marques encerrou a cobrança de pênaltis antes de todos os lances serem cobrados. Os Santos foi declarado campeão. A Federação Paulista “consertou o erro” dividindo o título entre as equipes.

Palmeiras x São Paulo - 1971 (Paulistão). O juiz Armando Marques anulou o gol de cabeça do atacante palmeirense Leivinha, alegando toque de mão. Seu time perdeu a partida por 1 a 0. (Texto extraído do site GUIA DE CURIOSIDADES).

Ainda com relação ao Corinthians, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) investigou possível tentativa de manipulação de resultados no Brasileiro de 2006, temporada na qual o “Timão” correu risco de rebaixamento. A denúncia foi feita pelo Ministério Público Federal, que não concedeu mais detalhes, mas avisou que nas escutas realizadas para desvendar a parceria entre o Corinthians e a empresa MSI houve conversas sobre manipulação de resultados. Tudo acabou em pizza.

Em 1997, gravações pegaram o presidente corintiano oferecendo o que seria dinheiro ao então chefe da arbitragem brasileira, Ivens Mendes. O STJD, logo depois, puniu Dualib com dois anos de suspensão, nunca cumprido por conta de recursos.

No ano passado o site Globoespoerte fez um minucioso levantamento de como seria a classificação do Brasileirão sem os erros de arbitragem. Para tanto foi feita uma pesquisa em busca de erros decisivos de arbitragem, e que fizeram diferença no placar. Esta análise mostrou que se os árbitros não errassem, a tabela do campeonato sofreria muitas mudanças. De 340 confrontos, 29 mudaram de resultado. A equipe mais beneficiada com os erros foi a do São Paulo, que se sagrou campeão, e a mais prejudicada, a do Fluminense, que escapou do rebaixamento nas últimas rodadas. (Pesquisa: Nilo Dias)

Dirigente Fernando Carvalho, do Internacional denunciou favorecimento ao Corinthians.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Árbitros ou sopradores de lata? (01)

O nível das arbitragens no Brasil está realmente muito ruim. A cada rodada do Campeonato Brasileiro, não importa se da Série A ou B, multiplicam-se as reclamações. São erros gravíssimos, que mesmo sem intenção podem jogar por água abaixo todo o trabalho de uma temporada, além de causarem grandes prejuízos financeiros aos clubes prejudicados.

Nos últimos dias assistimos erros que nem despreparados juízes de peladas varzeanas cometeriam. No jogo Ceará X Paraná Clube, disputado no último dia 19, no Estádio Castelão, em Fortaleza, o árbitro alagoano Charles Hebert Cavalcante Ferreira validou um gol feito com a mão pelo atacante Wellington Silva, aos 42 minutos do primeiro tempo, que deu a vitória ao clube paranaense.

O lance foi escandaloso. Após uma cobrança de escanteio, a bola sairia pela linha de fundo, mas Wellington saltou e deu uma verdadeira cortada de vôlei para marcar um gol com a mão esquerda. De nada adiantaram as reclamações dos jogadores cearenses, pois até mesmo a bandeirinha alagoana Ticiana de Lucena Falcão correu para o centro do campo, também validando o gol. Antes da bola rolar para o segundo tempo, Wellington Silva confirmou a irregularidade que cometeu no lance do gol. “Fui dar um peixinho e pegou na minha mão, mas não tive a intenção”, disse o jogador, em entrevista a imprensa cearense.

A Comissão de Arbitragem da CBF puniu o árbitro Charles Ferreira, com 90 dias de suspensão, e os auxiliares Cleriston Rios (SE) e Ticiana Lucena, mais o quarto árbitro Wladyerisson Oliveira (CE), com 30 dias de gancho.

Na última quarta-feira, 23, o árbitro Evandro Rogério Roman (PR) teve péssima atuação ao dirigir o jogo Cruzeiro X Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro da Série A. Ele deixou de marcar pelo menos três penalidades máximas claríssimas contra o Palmeiras. O presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, divulgou ontem uma carta de protesto intitulada "Vergonha e indignação". "A partida entre Cruzeiro e Palmeiras entrou para a relação dos grandes absurdos do futebol brasileiro em 2009", diz a nota.

Até o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, concordou que houve um pênalti indiscutível quando Jumar acertou Fabrício na área. "Foi pênalti, eu não escondo", afirmou o dirigente palmeirense. A CBF puniu o árbitro paranaense com 30 dias de suspensão.

No Campeonato Brasileiro deste ano as falhas de arbitragem começaram cedo. Na segunda rodada do primeiro turno, quatro jogos tiveram falhas que poderiam ter mudado o resultado final. O que dominou os erros foram os pênaltis não assinalados e gols marcados em impedimento. O jogo que mais provocou reclamações foi Atlético Mineiro 2 X 1 Grêmio, disputado no Mineirão, dia 16 de maio.

O árbitro Wilson Seneme (SP) teve atuação desastrosa: no início do segundo tempo, a bola bateu no braço de Welton Felipe, do Atlético, dentro da área, mas nada foi marcado. Nos acréscimos, em lance idêntico, a bola bateu no braço de Joilson, e Seneme marcou o pênalti contra o Grêmio, que Tardelli bateu e converteu, garantindo o triunfo atleticano.

Ainda nessa rodada ocorreram mais erros dos juízes. Na Vila Belmiro, os gols de Kléber Pereira, do Santos, e Rafael Tolói, do Goiás, foram marcados em impedimento. Ainda houve um pênalti de Fabão em Júlio César a favor do time goiano não assinalado pelo árbitro Ricardo Ribeiro (MG). No jogo Flamengo X Avaí, no Maracanã, outros dois pênaltis não marcados pelo árbitro Francisco Carlos Nascimento(AL). Primeiro, Willians, do Flamengo, derrubou Evando, do Avaí, na área. Pouco depois, o mesmo Willians cruzou e a bola bateu no braço levantado de Undel, que estava dentro da área.

O outro jogo que teve erro da arbitragem foi São Paulo 2 X 2 Atlético Paranaense. O gol de empate do tricolor paulista foi irregular, já que André Lima estava em posição de impedimento não marcado pelo juiz Wilton Pereira Sampaio (DF). Os paranaenses ainda reclamaram de um pênalti não marcado por Miranda em Marcinho.

Na 22ª rodada do Brasileirão, disputada no dia 30 de agosto, o Botafogo foi prejudicado pelo árbitro paulista Rodrigo Martins Cintra que validou o segundo gol gremista, feito de forma irregular: a bola saiu quase um metro pela linha de fundo no cruzamento de Mário Fernandes para Jonas. E ainda teve um pênalti a favor do Botafogo não assinalado, quando Adilson cortou cruzamento dentro da área com o braço estendido.

No jogo Internacional 1 X 2 Corinthians, dia 19 de agosto, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro, o time gaúcho foi “garfado” em pleno Beira Rio, em Porto Alegre. Dessa feita foram os dois auxiliares, Dibert Pedrosa Moisés (RJ) e Hilton Moutinho Rodrigues (RJ), que erraram feio nos gols corinthianos, ambos assinalados em situações de impedimento. No primeiro gol, Chicão estava adiantado quando a bola foi cruzada para a área em cobrança de falta. No segundo, no finalzinho, dois jogadores corintianos estavam livres e impedidos na pequena área, mas o bandeirinha nada marcou. (Pesquisa: Nilo Dias)

O árbitro alagoano Charles Hebert Cavalcante Ferreira validou de forma escandalosa, um gol feito com a mão, contra o Paraná Clube.

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Mario Gayer do Amaral disse...
Oi, Nilo. Gostei dessa matéria sobre os árbitros. é muito fácil culpá-los por uma derrota mas nem sempre isso acontece. Talvez quando colocarem a TV nos lances mais dificeis, isso minimize. Mas duvido que isso ocorra.
No meu blog, fiz um post a respeito dos três anos sem o Bra-Pel, contando um pouco das histórias e das lembranças desse jogo. Se quiseres comentar ou adicionar mais alguma coisa que tu lembres de Bra-Pel, fico agradecido. Só ganho mais sabedoria e mais trocas de idéias. É isso. Um grande abraço.
9 de outubro de 2009 00:22

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Waldemar Fiúme, o “pai da bola”

Você já imaginou um jogador atuar em 572 partidas pelo mesmo clube, num período de 18 anos, de 1940 a 1958? Ele existiu, foi Waldemar Fiúme, que jogou em diversas posições, centromédio, lateral e zagueiro, onde ganhou grande projeção nos anos 40 e 50. Todo esse esforço mereceu uma premiação extra-campo: um busto nos jardins do Parque Antarctica eternizando sua brilhante trajetória com a camisa verde. Além dele, outros dois jogadores mereceram tal honraria: Ademir da Guia e Junqueira. Agora, existe um movimento para que o goleiro Marcos também seja incluído nessa seleta categoria de craques palmeirenses.

Waldemar Fiúme surgiu para o futebol ao final da década de 30, nos gramados da extinta e histórica Várzea do Glicério, um dos maiores celeiros do futebol paulistano em todos os tempos. De todos os jogadores que deram seus primeiros chutes naqueles campos de terra, nenhum alcançou a projeção daquele jovem magro, alto, esguio e de enorme habilidade. Foi um tempo em que o futebol era bastante diferente dos dias de hoje. Para chegar ao sucesso bastava ter habilidade com a bola, saber driblar e armar jogadas. Nos dias atuais o preparo físico é o que mais importa.

Ele chegou ao Palestra Itália, em 1940, levado por um fanático torcedor, que se encantara com suas atuações no Bangu do Glicério, seu time de várzea. Precisou de apenas um teste para ser contratado. Era meia direita clássico, avançado, fazedor de gols. Estreou contra o Comercial, com vitória de 4 x 1. Não era fácil jogar num time com nome italiano naqueles tempos difíceis de guerra. Tímido, pouco falante, sofreu muito com a perseguição que os italianos, e por consequência os palestrinos foram vítimas. Fiúme viu o Palestra Itália morrer líder e o Palmeiras nascer campeão.

Era tarefa dura se manter titular numa equipe que contava com excelentes jogadores, por isso teve de passar dois anos jogando como meia-direita do time de aspirantes. Somente em 1944 teve oportunidade no time de cima. E isso graças ao adversário palmeirense na final do Campeonato Paulista daquele ano, o São Paulo que conseguiu junto a Federação Paulista de Futebol (FPF) a suspensão do volante Dacunto, peça fundamental no esquema do então técnico Bianco.

Sem outra opção, Fiúme foi chamado para substituir o titular. E deu conta do recado, destacando-se como o melhor em campo, dando um verdadeiro show de bola, exercendo marcação individual sobre o são paulino Sastre. Fiúme foi autor de jogadas maravilhosas, que abriram caminho para que Caxambu, por duas vezes, e Villadoniga construíssem o placar de 3 X 1. a partir desse dia, Fiume pontificou, ganhando o apelido de “Pai da Bola” pela versatilidade ao atuar em várias funções.

A partir daquele jogo Valdemar Fiúme se tornou um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro em todos os tempos. E dizem as más línguas, que até hoje os sãopaulinos se arrependem de terem provocado a suspensão de Dacunto, daquele jogo.

Os torcedores palmeirenses imortalizaram aquele momento mágico de Fiúme com uma paródia da marchinha “Eu brinco”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, que foi o maior sucesso do carnaval de 1944. A versão original dizia: "Com pandeiro ou sem pandeiro, eu brinco!". Já a letra dos palmeirenses ficou assim: "Com Dacunto ou sem Dacunto, eu ganho!"

Fiúme foi um jogador extremamente polivalente. Em 1946 foi novamente improvisado, dessa vez como quarto-zagueiro. Ao lado de Gengo e de Og Moreira, ele formou uma das mais brilhantes linhas intermediárias da história palmeirense. Um outro trio, no qual jogou ao lado de Dema e do argentino Luís Villa, também entrou para a história, no final da década de 50. Em 1951, participou da vitoriosa campanha da Copa Rio. Em 1958, aos 36 anos, Waldemar Fiúme encerrou a carreira, tendo vestido uma única camisa, a do Palmeiras. Ele jogou 572 partidas e marcou 17 gols.

Semanas antes de encerrar a carreira, Fiúme, quando se encontrava na gráfica que era dono na Avenida Rui Barbosa, Fiume & Filhos, herdada de seu pai, ficou desconfiado quando foi procurado por um fotógrafo que a mando do Palmeiras queria uma foto somente do seu rosto. Pensou que fosse alguma coisa relacionada ao departamento pessoal e deixou-se fotografar.

Um mês depois, no seu jogo de despedida, contra o XV de Piracicaba. Waldemar Fiúme fez a volta olímpica ao lado dos jogadores juvenis e foi aplaudido quando passou pela fila dos dois times adversários daquela tarde. O filho do saudoso roupeiro Tamanqueiro foi incumbido de colocar uma cadeira para que Valdemar Fiúme descalçasse as chuteiras. O capitão Ivan, do Palmeiras, presidente Mario Beni e o diretor Mario Fruguelli entregaram-lhe a camisa do clube, e o convidaram para junto da esposa e filho assistirem o jogo da tribuna, pois havia uma surpresa para depois da partida: a inauguração de seu busto, feito a partir da foto tirada dias antes.

Waldemar nasceu em São Paulo no dia 12 de outubro de 1922 e faleceu, também em São Paulo, por problemas no coração, no dia 11 de Fevereiro de 1996, aos 74 anos de idade. Antes de morrer o ex-craque alviverde teve que amputar as pernas que tantas alegrias deram ao futebol brasileiro. Já fazia algum tempo que Waldemar Fiúme não estava bem. Sérios problemas com a circulação sangüínea limitavam seus movimentos. Não havia outra solução senão a amputação das pernas, totalmente comprometidas pela gangrena. Em razão da idade já avançada, ele suportou bem a cirurgia, mas não o período seguinte.

Títulos : foi campeão da Copa Rio, em 1951, campeão paulista de 1942, 1944, 1947 e 1950 e do Torneio Rio-São Paulo de 1951, além de outras conquistas de menor expressão. Foi convocado várias vezes para a seleção paulista, mas nunca vestiu a camisa da Seleção Brasileira.

O texto a seguir, sem referência de autor, extraído de um recorte de jornal diz tudo sobre a carreira do grande jogador.

“Despediu-se Fiúme

Como fora anunciado, o extraordinário Waldemar Fiúme despediu-se oficialmente, sábado, do football. depois de 17 anos no Palmeiras (Palestra), onde, vindo do Bangu, da várzea, foi figurar diretamente no posto titular da meia-direita, Fiúme, agora, encerra quase que injustiçado uma das carreiras mais brilhantes de que se tem conhecimento, no football brasileiro.

Injustiçado porque, apesar de figurar como o melhor homem de seu posto, incontestavelmente, em todo Brasil, jamais teve a oportunidade digna de suas qualidades, em qualquer das seleções que se formou em todo esse largo período de tempo, seja nas paulistas, seja nas brasileiras. Dono de incomum consciência de jogo, Fiúme aliava à sua classe inegável, a fibra e o “coração” dos amadores, sempre aparecendo como um dos mais lutadores craques do Palmeiras, qualquer que fosse a forma por que passasse a equipe.

Médio dos mais completos, dizem-no uma vítima das “táticas”, quando, em verdade, foi-o, sim, de sua inabalável modéstia e simplicidade, num meio em que a valorização parece estar inseparavelmente ligada às encenações e a “mascara”, que Waldemar Fiúme jamais soube afixar ao seu jogo e o seu temperamento. Nas fotos, vários aspectos de sua despedida e das homenagens que lhe foram atribuídas.

Ao entrar em campo, perfilou-se em fila indiana, no meio dos dois quadros. Saiu da formação, juntamente com o capitão do Palmeiras, Ivan, indo entregar simbolicamente a sua chuteira ao mordomo, que outro não é senão o filho do saudoso Tamanqueiro, que o viu nascer dentro do football. Depois de dar a volta olímpica, escoltado pelo capitão esmeraldino, Fiúme saiu entre a formação dos jovens da preliminar. Após o prélio, foi descerrar a bandeira do Palmeiras que cobria o busto, num local de evidência do Parque Antártica.

Na ocasião, falaram diversos diretores esmeraldinos, sob a emoção de numeroso público que não regateou aplausos ao seu ídolo. Ídolo que não foi só do Palmeiras e exemplo que deveria germinar em todos os clubes do país campeão do mundo, para mais dignificá-lo, para mais engrandecê-lo”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Busto de Waldemar Fiúme, nos jardins do Parque Antártica. (Foto: Acervo da S.E. (Palmeiras)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Igreja entra em campo (Final)

Em 2007 a igreja católica comprou o clube italiano Ancona, através de um grupo de empresários ligados à Conferência Episcopal Italiana (CEI). O clube vivia um momento de dificuldades financeiras e judiciais, além de estar envolvido no último grande escândalo do futebol no país, quando vários times foram condenados por participar de um esquema de manipulação de resultados. Em razão disso o clube passou por processos de rebaixamento até parar na 3ª divisão italiana.

O Ancona foi fundado em 1905. Os adversários não perderam tempo e já o chamam de "clube dos bispos". Os novos dirigentes estão investindo em obras para ajudar os pobres do terceiro mundo com os eventuais lucros. O atual presidente do clube, Sergio Schiavon, vendeu 80% da sociedade, mas permanece com os restantes 20% para preservar o espírito da iniciativa em que foi constituído o clube. Ele garante que tudo está começando com o Ancona, mas o grande sonho é um time nacional do Vaticano.

Os esportes sempre foram bem vistos pela Igreja Católica. Vale lembrar que Karol Wojtyla, antes de se tornar o Papa João Paulo II, foi goleiro do Cracóvia, na Polônia. A prática do futebol não é nova no Vaticano, pelo contrário, remonta há mais de 30 anos atrás, quando começaram a ser disputadas competições reunindo eclesiásticos e laicos, ou seja, padres e pessoas comuns. Uma curiosidade: os únicos cidadão do Vaticano são aqueles que pertencem à Gendarmeria (vigilância do Estado) e à Guarda Suíça.

O primeiro torneio foi disputado em 1973, com a participação de poucas equipes e foi vencido pelo time do “Astor Osservatore Romano”, antiga denominação do “L’Osservatore Romano”, o jornal oficial do Vaticano. No ano seguinte cresceu o interesse pela competição, que teve de mudar o formato para todos contra todos, em jogos de ida e volta. A partir de 1978 foi criada a Copa do Vaticano.

Hoje, o número de clubes participantes varia entre seis e nove, dependendo da disponibilidade de atletas nos diversos setores. Os setores que mantêm times disputando o campeonato do Vaticano com maior continuidade são: L’Osservatore Romano, Tipografia, Guarda Suíça, Museus do Vaticano, Serviços Técnicos, Serviços Econômicos, Gendarmeria, IOR (Banco do Vaticano), Biblioteca e Rádio Vaticano, que tem um brasileiro em suas linhas.

Até 1975, os funcionários da residência de verão do Papa, em Castelgandolfo (região de Roma), também participavam do campeonato. O último campeonato foi disputado no inverno europeu e foi vencido pelo time do “Museus do Vaticano”. Historicamente, os times L’Osservatore Romano, Gendarmeria e Guarda Suíça, estão sempre entre os mais fortes.

O campeonato do Vaticano é o único no mundo disputado no “exterior”. Situado em Roma, entre a Villa Doria Pamphilli e o Parco Adriano, o Vaticano não tem um estádio próprio. Ao longo dos anos, as disputas foram realizadas no Complexo Esportivo Pio 12, próximo à Piazza San Pietro, que se localiza a 8,4 quilômetros do Estádio Olímpico, onde Roma e Lázio mandam seus jogos pelo campeonato italiano.

Também já foram formadas seleções, que na história já enfrentaram adversários como San Marino, Eslovênia e Áustria. O pequeno número de cidadãos impede também que o Vaticano seja filiado à UEFA como membro participante e que obtenha vaga para quaisquer torneios internacionais. (Pesquisa: Nilo Dias)

Equipe do North American Martyr's, no campeonato de 2008. (Foto: Pontifical North American College)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Igreja entra em campo (01)

O Vaticano, o menor país do mundo, com 0,44 km² e cerca de 1000 habitantes há três anos realiza a “Clericus Cup”, uma espécie de Copa do Mundo católica, criada por iniciativa do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano. A competição, que é organizada pelo Centro Esportivo Italiano, e patrocinada pelo Conselho Pontifício para os Leigos do Vaticano, e o Comité Olímpico Italiano (CONI), reúne equipes formadas por religiosos, seminaristas e estudantes de Teologia de todo o mundo que estudam em Roma, e leigos que trabalham nos escritórios de Oltretevere e do Vicariato de Roma.

A primeira edição do torneio foi realizada em maio de 2007, contando com 16 times e jogadores representantes de 37 países. Também estiveram em campo 11 "atletas" do Vaticano, vestindo a camisa branca e amarela - cores da bandeira do país. Os religiosos abriram mão da batina e vestiram meias e calções.

O "Redemptoris Mater" sagrou-se o primeiro campeão, ao derrotar na final a "Universidade Pontifícia de Latrão" por 1 X 0, gol de pênalti bastante discutido. O jogo foi disputado no campo sintético do Oratório de São Pedro, e contou com a presença de 300 torcedores.

Na primeira edição os jogos foram realizados aos sábados, para não atrapalhar a Liturgia Dominical. Foram marcados 256 gols em 58 partidas, e apesar da incrível média de quase 5 gols por partida, o "Redemptoris Mater" não levou nenhum gol.

A edição de 2008, contou com mais de 380 jogadores de um total de 71 países, entre os quais Burkina-Fasso, Japão, Ucrânia, Iraque, Papua, Nova Guiné, Mianmar, Ruanda, Vietnã, Croacia e Suazilândia. Entre os clubes participantes havia um composto só por brasileiros da Universidade Gregoriana, também os do Pontifício Seminário Croata, das Universidades de Laterano e Gregoriana, do Pontifício Seminário Francês, do Seminário Romano Maggiore, do Colégio Norte-americano e da ordem de Santo Agostinho.

A final foi disputada no Oratório de São Pedro, no dia 3 de maio entre o "Collegio Mater Ecclesiae" (de base sul-americana) e o "Redemptoris Mater". Com todos os gols marcados no segundo tempo, o "Mater Ecclesiae" venceu por 2 X 1 e conquistou o título. Ao todo foram disputados 63 jogos.

Nessa segunda edição, todos os artifícios usados para produzir barulho durante as partidas foram proibidos, devido à reclamação dos vizinhos, acostumados com a "Lei do Silêncio". Os jovens sacerdotes que torciam para as suas equipes foram avisados que seriam impedidos de entrar no campo se aparecessem com tambores, megafones, trompetes e maracás, cantando alto e por vezes em latim.

Os mais empolgados eram os mexicanos torcedores do "Colégio Maria Mater Ecclesiae", que faziam um barulho ensurdecedor com seus tambores. Seminaristas africanos eram empurrados no ritmo do reggae, enquanto que torcedores italianos do "Pontifício Seminário Romano Maggiore" usavam megafones a todo volume. Já os americanos da "Rome's North American College", apelidados de CAN, cantavam "Vinde a você Knackers, chutem alguns popôs" antes dos jogos. Apesar da proibição do barulho, os torcedores do "Redemptoris Mater Seminary" continuaram a cantar seu hino nas arquibancadas antes de cada jogo.

Este ano a Clericus Cup foi realizada em maio. O "Seminário Redemptoris Mater", dos neocatecumenais, conquistou o título pela segunda vez, ao bater no jogo final o "North American Martyrs" por 1 X 0, gol de Davide Tisado, capitão do time. O terceiro lugar ficou para o time do "Mater Ecclesiae", que ganhou por 2 X 0 do "Colégio Urbano".

O Brasil foi representado por uma equipe do "Colégio Pio Brasileiro" que se apresentou com uma camiseta amarela, com bordas verdes, imitando a seleção oficial do Brasil. Por baixo, os jogadores usaram outra camiseta com os dizeres: “I belong to Jesus” (“Pertenço a Jesus”). Os sacerdotes brasileiros contaram com o reforço de seminaristas e padres do "Colégio Don Orione" de Roma. O treinador do time foi o Padre Eduardo Braga, natural do Rio de Janeiro. A edição deste ano teve como novidade um "terceiro tempo", no qual os participantes se uniam em oração.

A competição de 2009 foi abençoada pelo presidente da Uefa, Michel Platini, que cumprimentou a iniciativa "que propõe uma saudável competição de futebol" porque ser "um instrumento para a promoção dos valores de grande significado e importância para a sociedade". A Copa teve como padrinhos o presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni), Gianni Petrucci, o presidente do CSI, Edio Costantini, o monsenhor Carlo Mazza e don Antonio Mazzi.

Nessa terceira edição, participaram 386 atletas de 69 países dos cinco continentes. Os atletas italianos em número de 72 foram maioria, seguidos pelos mexicanos com 46, norte-americanos com 21, e por colombianos, brasileiros norte-americanos e croatas.

A "Clericus Cup" possui regras um tanto distintas do futebol convencional. Os jogos são divididos em dois tempos de 30 minutos apenas e, além de cartões amarelos e vermelhos, são distribuídos cartões azuis, que fazem o jogador passar 5 minutos fora de campo. Cada equipe tem também direito a um tempo-técnico de 1 minuto. Em caso de empate a decisão vai para os pênaltis. O vencedor leva dois pontos e o perdedor apenas um. É possível efetuar até 5 substituições por partida. Cada instituto religioso pode inscrever mais de um time com um mínimo de 16 jogadores e um máximo de 24.

Parece que o futebol veio para ficar no Vaticano. Em junho deste ano o time da "Guarda Suíça", responsável pela segurança do país disputou um amistoso contra uma equipee formada por ex-jogadores franceses. A partida aconteceu no "Trigória", centro de treinamento de Roma, e teve a participação de renomados jogadores, como Christian Karembeu, Dominique Rocheteau, Thierry Roland, Marius Tresor e o técnico do Lyon, Claude Puel.

Outro destaque da partida foi o tenista Rochard Gasquet. Antes do jogo, uma delegação da "Variété Club de France" foi recebida pelo papa Bento XVI na Praça São Pedro. Ao término da audiência, Tresor e Roland presentearam o Pontífice com uma garrafa de conhaque de 1927, data de nascimento de Bento XVI. O amistoso teve como árbitro o bispo francês de Saint-Etienne, monsenhor Dominique Lebrun. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time brasileiro na "Clericus Cup" (Foto: Divulgação)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A queda de um gigante (final)

Em 1975, o tricolor realizou uma campanha brilhante no Campeonato Brasileiro e chegou às semifinais, depois de derrotar o Palmeiras, na época chamado de "Academia", por 3 X 2 dentro do Parque Antárctica nas oitavas-de-final, e ao Flamengo em pleno Maracanã, de virada, por 3 X 1, nas quartas-de-final. Perdeu a vaga para o Cruzeiro, em jogo marcado por uma controvertida arbitragem de Armando Marques.

Caso tivesse chegado a final, o Santa Cruz decidiria o Campeonato Brasileiro em Recife, já que havia realizado a melhor campanha entre os finalistas, ratificando a sua condição de um dos grandes times do Brasil na época, assim como o Internacional, o Fluminense e o Cruzeiro, que disputaram as primeiras colocações naquele ano.

Em 1976, com o surgimento do centroavante Nunes, o Santa levantou o Campeonato Pernambucano (Bi Super-Campeão). No Campeonato Brasileiro o time chegou em 11º lugar, entre 54 participantes. No ano de 1977 foi 10º colocado e em 1978, 5º. Ainda na década, o Santa sagrou-se bicampeão pernambucano(1978 e 1979), somando 7 títulos estaduais entre 1970 e 1979.

Em 1980 a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) condecorou o Santa Cruz com o título de Fita Azul, por ter sido o único clube brasileiro a fazer uma excursão pelo exterior e ter retornado sem nenhuma derrota. O clube coral enfrentou as seleções do Oriente Médio, Kuait, Catar e Arábia e na Europa, a seleção da Romênia, e o Paris Saint Germain da França.

O ano de 2005 marcou a ultima conquista regional do Santa Cruz. Isso motivou os associados a votarem na chapa de oposição que tinha a frente o então vice-presidente licenciado do clube, Edson Nogueira, como esperança de mudanças. Foi a primeira vitória de uma chapa de oposição em toda a história do clube. Mas deu tudo errado, em vez de melhorar, a situação só piorou.

Em 2007 o time foi mal no Campeonato Pernambucano, amargando um 6º lugar e a eliminação da Copa do Brasil na primeira fase, em pleno “Arruda”, para o desconhecido Ulbra (RO). Na Série B, a campanha também foi péssima, com o segundo rebaixamento seguido, dessa vez para a terceira divisão do Brasileiro de 2008.

Em 2008, o clube ainda tentou se reorganizar, mas não conseguiu. Foi eliminado da Copa do Brasil na primeira fase, passou pela humilhação de disputar o “Hexagonal da Morte” do Campeonato Pernambucano, para se livrar do rebaixamento. E ainda perdeu seus melhores jogadores, Carlinhos Paraíba e Thiago Capixaba. Na Série C, não alcançou classificação para a segunda fase.

Tudo somado, o Santa Cruz conseguiu um feito inédito no futebol brasileiro, ser rebaixado por três anos consecutivos. O time pernambucano, que estava na Primeira Divisão em 2006, jogou a “Segundona” em 2007, a “Terceirona” em 2008, onde não conseguiu classificação para nela continuar em 2009.

Depois do fracasso na Série C, mais uma vez os torcedores apostaram na renovação da Diretoria e numa chapa de consenso elegeram o desportista Fernando Bezerra Coelho como presidente para o biênio 2009-2010. Isso fez com que várias empresas manifestassem disposição de patrocinar a reestruturação do clube. Nova frustração. O Santa Cruz disputou a recém-criada Série D e foi eliminado na 1ª fase. Agora, terá de buscar nova classificação para a 4ª Divisão do Brasileiro, no Campeonato Pernambucano de 2010.

Humberto de Azevedo Viana, o “Tará” é até hoje considerado o grande ídolo do Santa Cruz, e o melhor jogador que pisou nos gramados pernambucanos em todos os tempos. Ele começou a carreira em 1929, jogando pelo Mocidade de Beberibe. Em 1930 transferiu-se para o Atheniense e de 1931 a 1942 jogou pelo Santa Cruz. Sua estréia pelo tricolor se deu em setembro de 1931, no empate de 2 X 2 com o Iris.

Marcou o seu primeiro gol pelo Santa Cruz, na partida seguinte contra o Flamengo do Recife, na vitória por 3 X 1, quando visitou as redes adversárias por duas vezes. Encerrou a carreira defendendo o Náutico de 1943 a 1947, tendo jogado ao lado de quatro irmãos que defendiam o clube vermelho e branco, Orlando, Isaac, Gérson e Roldan.

Ganhou os títulos de Campeão Pernambucano em 1931, 1932, 1933, 1935 e 1940 pelo Santa Cruz, e 1945 pelo Náutico. Foi artilheiro dos campeonatos de 1938 (25 gols), 1940 (20 gols) e 1945 (28 gols – pelo Náutico). Em 1945, no jogo Náutico 21 X 3 Flamengo do Recife, Tará marcou 10 gols. Fez gol de bicicleta antes de Leônidas, que marcou o seu na Copa de 1938. Fez um gol do meio-de-campo, contra o Náutico, o goleiro era Djalma.

Tará, por tudo o que fez nos gramados mereceu uma homenagem no samba de Bráulio de Castro, intitulado “Mestre Tará”: “Depois de Garrincha e Pelé/Vou te falar/ O maior do mundo foi Tará/Mestre Tará/Não havia teipe/Pra registrar seu futebol/Mas o jornal diz que ele/Marcou dez vezes, num jogo só/Driblava até o goleiro/E fazia de calcanhar/O maior do mundo foi Tará/Era um Deus nos acuda/ jogando com Siduca/Deixava qualquer defesa/ dversária, lelé da cuca/Driblava até o goleiro/E fazia de calcanhar/O maior do mundo foi Tará.”

Tará faleceu, ao 86 anos, de ataque cardíaco, no dia 7 de setembro de 2000, no hospital da Polícia Militar, no Recife.

Títulos conquistados pelo Santa Cruz. Regionais: Torneio Norte-Nordeste: 1967; Estaduais: Campeonato Pernambucano: 24 vezes ( 1931, 1932, 1933, 1935, 1940, 1946, 1947, 1957, 1959, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1976, 1978, 1979, 1983, 1986, 1987, 1990, 1993, 1995 e 2005); Copa Pernambuco (2008); Torneio Início (1919, 1926, 1937, 1939, 1946, 1947, 1954, 1956, 1969, 1971, 1972 e 1976); Taça Recife (1971); Taça Refinaria (1995); Taça Recife (1971); Torneio de Verão Cidade do Recife (1997); Copa Pernambuco (2008); Nacionais: Campeonato Brasileiro Série B, 2 vices (1999 e 2005); Categorias de base: Campeonato Pernambucano de Juniores (1993, 1994, 1995, 1996, 2000, 2002 e 2003); Internacionais: Torneio da Amizade (1995); Torneio Vinausteel , no Vietnã (2003); Fita Azul Internacional (1980). (Pesquisa: Nilo Dias)

Time tri-súper campeão de 1983. (Foto: Acervo do Santa Cruz F.C.).

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Sérgio disse...
Parabéns pelo documentário. Ficamos felizes em torcer por um time como o Santa Cruz. Esperamos que logo volte a nos dar alegria que já nos deu.
Sérgio Rocha.
29 de agosto de 2009 11:31

José Guibson Dantas disse...
Parabéns pelo post. O Santa Cruz é um grande clube e quem já viu a manifestação de fidelidade e amor de sua torcida sabe disso.
Abraços desde São Luís-MA.
29 de agosto de 2009 14:38