Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Uma visita ao Sul

Estou de volta a Brasília depois de 21 dias no Rio Grande do Sul, “gozando de merecidas férias”. Se é que aposentado tem direito a férias, pois teoricamente não faz nada. No meu caso trato de não ficar totalmente parado: dou atenção a três blogs, jogo sinuca e derrubo algumas cervejas geladíssimas durante a semana. E as vezes faço alguma caminhada, para desenferrujar as pernas.

O passeio foi realmente muito bom, pois “matei” a saudade dos pagos e vi muita gente que não via há muitos anos. Comecei a trajetória por Porto Alegre, no dia 31 de março. Era noite de jogo do Internacional pela Taça Libertadores da América, contra o Cerro do Uruguai. Não fui ao estádio, vi o jogo pela televisão. Valeu pela vitória. Antes do futebol, estive com o meu amigo gremista (ninguém é perfeito), José Lucca no bar do Paulo, na rua Vigário José Inácio, onde encontramos dois gabrielenses e um ex-jogador do antigo Cruzeiro de São Gabriel. Mas isso é assunto para a coluna que escrevo em um jornal gabrielense.

O José Lucca é um amigo de muitos anos. Ele me acompanhou como diretor de futebol nos oito anos em que presidi a S.E.R. São Gabriel, que não sei por que mudou o nome para São Gabriel F.C.. Talvez para que fossem esquecidos os verdadeiros heróis que fundaram o clube e levantaram em tempo recorde um novo estádio para a cidade.

Pena que o futebol profissional tenha acabado. Hoje, o São Gabriel ficou na saudade. No meu tempo, e dos outros que me antecederam, o clube tinha vida longa. Terminava o ano e era certo que voltava no outro, e sem dever nada para ninguém.

Em São Gabriel ocupei a maior parte do tempo para concluir a pesquisa que faço, de longa data, sobre o futebol da terra, folheando velhos jornais guardados com carinho pelo amigo Rui Barros, o guardião da memória da cidade. Acho que o esforço de tanto tempo vai valer a pena, pois penso em colocar todo o extenso material colhido, em um livro sobre o centenário futebol gabrielense.

Em São Gabriel não deu para fazer muitas visitas, apenas aquelas já tradicionais que não tem jeito de escapar. E é claro que nos momentos de folga espantei o calor com algumas gostosas loiras geladas em vários bares da cidade. E na casa do amigo Clóvis Moure, o popular “Sete Vacas” saboreei uma feijoada maravilhosa, como há muito não comia. Tivesse ficado mais alguns dias em São Gabriel, certamente teria voltado uns cinco quilos mais gordo.

Em Pelotas fui hóspede da minha querida irmã Helena Badia, importante figura da cultura pelotense. Ela é artista plástica e participa de vários movimentos culturais na cidade. O meu cunhado João Carlos é professor da antiga Escola Técnica Federal de Pelotas. Foi na casa deles que assisti a vitória de virada do Internacional sobre o Pelotas. Era eu o colorado único na casa. Minha irmã ficou neutra, meu cunhado, além de torcer pelo Pelotas é anti dupla Grenal. E meu sobrinho Flávio é Pelotas e gremista. Mas confesso que se o Pelotas tivesse vencido, eu também teria festejado, em homenagem aos amigos áureo-cerúleos que tenho.

Depois, estabeleci o Café Aquário como o meu Quartel-General na cidade. É lá que se encontra todos e se sabe de tudo. Acho que fazia mais de 30 anos que eu não entrava no Aquário. Confesso que no primeiro momento me senti um peixe fora d’água. Não conhecia mais ninguém. E se havia algum conhecido, os anos se encarregaram de fazer uma maquiagem que os tornava irreconhecíveis. Com certeza o mesmo valeu em relação a minha pessoa. Quando morei em Pelotas não pesava nem 60 quilos, hoje estou com 103.

Ainda assim, graças ao amigo Luiz Carlos Knopp, áureo-cerúleo dos bons, com quem fiz amizade pela Internet, foi possível reencontrar alguns velhos conhecidos. Entre eles, Amir Cury, excelente repórter dos tempos de ouro da Rádio Pelotense, que fazia parte da equipe do grande Paulo Corrêa, recentemente falecido. Juro que poderia passar mil vezes por ele nas ruas, que não o reconheceria, mesmo estando "inteiraço" em seus 77 anos de idade.

E o que dizer do Luiz Carlos Martinez, meu companheiro de equipe esportiva na Rádio Pelotense, depois que Paulo Corrêa foi para Rio Grande? Com seus 84 anos bem vividos, Martinez freqüenta o Aquário diariamente entre 15 e 16 horas. Tirei uma foto com ele para guardar de recordação. Além de um excelente narrador esportivo foi um goleiro que marcou época no futebol de salão, defendendo o E.C. Pelotas.

Também encontrei o Celso Guimarães, um dos melhores atacantes que o futebol pelotense já produziu. O narrador Gley Santana, que eu levei para Rio Grande no início dos anos 80. Emilinho Nunes, que foi um dos bons goleiros do futebol de salão de Pelotas. Francisco Brandi, que trabalhou nas categorias de base da dupla Brapel e no salonismo do Paulista F.C. e o doutor Cheda, xavante de quatro costados, entre muitos outros.

Almocei com o amigo Luiz Carlos Knopp na Churrascaria Lobão, do E.C. Pelotas, hoje muito diferente daquele ambiente que conheci nos tempos do saudoso Vilmar Schild. Atendimento de primeira. E como o mundo é realmente pequeno, um dos garçons é filho de um velho amigo, o Flávio Fonseca, o popular “Cenourinha”, que me acompanhou como treinador nos plantéis salonistas do G.E. Brasil e G.A. Farroupilha, que tive a honra de dirigir.

Com o Knopp mantive um papo agradável. Ele é uma pessoa sensacional, profundo conhecedor do futebol. Não só do seu E.C. Pelotas, mas do futebol como um todo. Não estava triste com a derrota do seu clube para o Internacional. Tem plena consciência do poderio do clube da capital. E aplaude a campanha áureo-cerúlea, digna e vitoriosa sob todos os aspectos. O desempenho do Pelotas este ano, fez com que os "xavantes passasem muitas noites mal dormidas. E isso é bom, faz renascer o futebol da cidade, e valoriza o interior. Hoje, o campeonato gaúcho só perde para o Paulista. Passou os cariocas para trás, há muito tempo.

Encerrando minhas andanças por Pelotas visitei meus quatro filhos que moram lá. E fui na redação do jornal “Diário Popular”, uma verdadeira escola de jornalismo, onde trabalhei muitos anos como editor de esportes e repórter especial. Do meu tempo, apenas o Chico da oficina e o repórter Airton ainda permanecem por lá. O restante é a jovem guarda do jornalismo, entre eles o editor de esportes Sérgio Cabral, que me brindou com uma nota acompanhada de foto na edição do dia 20. (Texto: Nilo Dias)



Foto Carlos Queiróz. Nota publicada no jornal "Diário Popular", de Pelotas-RS, edição de 20 de abril de 2010. "O " velho" amigo Nilo Dias, ex-editor de esportes do Diário Popular, nos anos 70, esteve em Pelotas ontem à tarde e veio à Redação, nos visitar. Falou um bom tempo com o nosso "guerrilheiro da notícia" Airton Santos. Nilo está em Brasília há 11 anos, aposentado, curtindo a vida. Este fez história no rádio, nos bastidores do futsal, no futebol e foi presidente do São Gabriel por oito anos. Na conversa de bastidores ontem, foi recebido pelo nosso coordenador e parceiro Pablo Rodrigues (Sérgio Cabral)"

terça-feira, 30 de março de 2010

O gol que Zico não quer lembrar

Em 1985, o craque Zico enfrentava problemas financeiros com o fisco italiano e no início do ano revelou sua vontade de voltar a jogar no Brasil. Ele havia sido vendido em 1983 à Udinese da Itália. Aproveitando a presença do jogador no país, quando de um jogo da Seleção Brasileira pelas eliminatórias da Copa do Mundo, o Flamengo cogitou trazê-lo de volta a Gávea.

E graças a uma parceria com a Petrobras e a Rede Globo, o que parecia impossível se concretizou. A noticia caiu como uma bomba no meio esportivo, e para comemorar tal proeza nada melhor do que preparar uma grande festa apara recepcionar o ídolo.

Ao mesmo tempo em Alagoas, o programa “Globo Esporte”, através do repórter Marcio Canuto trazia quase todos os dias imagens de um ponta esquerda baixinho (70 kg, altura 1,65 m), que jogava no Centro Sportivo Alagoano (CSA), chamado Jacozinho. O repórter Márcio Canuto, da TV-Gazeta-AL, hoje na Globo-SP, ficava forçando, em tom de gozação, sua entrada na Seleção Brasileira. Jacozinho engolia a corda, e com isso, ficou conhecido no Brasil, de ponta a ponta. Jacozinho era uma figura folclórica, embora habilidoso e autor de bonitos gols que eram vistos quase todos os domingos no “Fantástico”. Por ser muito pobre, várias vezes foi flagrado indo treinar montado em um jumento. E gostava de comer rapadura.

Quando os dirigentes rubros negros decidiram em fazer uma volta triunfal de Zico convidaram para jogar contra o Flamengo uma seleção de craques do mundo. Maradona, Edinho, Mário Kempes, Rumennigge, Falcão, Paolo Rossi, Altobelli, Resenbrink, Fernando Morena e o técnico Cesar Menotti foram alguns convidados para o evento e prontamente aceitaram o convite. Até que um dia alguém ligado a Globo sugeriu o nome de Jacozinho.

"Jacozinho, quem é ele no meio de tantos cobras?", foi a pergunta dos dirigentes do Flamengo. "Queremos Jacozinho porque ele nos traz um ibope tremendo", foi o que alegaram representantes da Globo. Como a emissora havia financiado a volta de Zico, todos tiveram que aceitar a idéia. E então, na noite de 12 de Julho em um Maracanã lotado lá estava o Flamengo contra a Seleção de Craques, com Jacozinho no banco de reservas.

Quando o jogo Flamengo x Amigos de Zico começou foi aquela festa: flores, placas de comemoração, coroas e muitos presentes. Foi a bola rolar e o que se viu foi uma verdadeira pelada, embora o Flamengo estivesse vencendo por 2 x 1. Nem Zico e nem Maradona estavam jogando bem. A torcida impaciente começou a gritar: "Jacozinho, Jacozinho", provando a audiência que a Globo possuia. Quando faltavam 20 minutos para acabar o jogo o técnico Menotti não teve outra alternativa e colocou Jacozinho para jogar.

Quando ele apareceu no gramado a torcida entrou em delirio e esqueceu de Zico, do Flamengo e de Maradona. E na primeira bola que pegou no meio-campo Don Diego viu Jacozinho livre na esquerda e fez o lançamento. O baixinho ganhou na corrida do lateral Leandro, ficou de cara com o goleiro Cantarelle, deu-lhe um drible e mandou a bola para as redes. A Globo ficou meses falando do lance. O único que não gostou do ocorrido foi Zico que ficou bastante contrariado com o gol de Jacozinho, a ponto de declarar no fim do jogo: "Infelizmente tem pessoas que querem aparecer mais que os homenageados".

O ex-atacante do CSA conta que foi um momento mágico da sua vida ter participado do amistoso, principalmente pelo gol que fez. “Eu recebi o passe do Maradona, driblei o Cantarelle, e marquei. Foi um dia de herói, apesar do Zico ter ficado um pouco chateado. Ele disse depois que eu não era amigo dele e havia outros jogadores que poderiam ter participado daquela partida”. Jacozinho disse que até hoje não sabe como foi parar lá no Maracanã. Conta que um empresário de nome Ronaldo ligou para fazer o convite. Ele teve de pagar a passagem do seu bolso e foi para o Rio. Nem sabia que ia jogar.

A fama meteórica de Jacozinho rendeu até uma homenagem feita por Fernando Collor de Mello, na época governador de Alagoas. “Nunca pensei que aquilo fosse acontecer. Até o Collor, que depois foi eleito presidente, me homenageou. O povo pedia para o Evaristo de Macedo (que era o técnico) me dar uma chance na seleção brasileira. Parecia até o Romário”, brinca o ex-atacante, que chegou a fazer testes no Santos Futebol Clube em 1983.

Givaldo Santos Vasconcelos, o “Jacozinho”, nasceu em 1956, na cidade de Gararu (SE). Hoje, aos 54 anos de idade reside em Vila Velha (ES). Ele tornou-se evangélico e comanda uma escolinha de futebol, núcleo do Vasco da Gama e como professor de Educação Física da Faculdade Batista. Mas ainda mantém o seu jeito folclórico e engraçado. No futebol viveu bons e maus momentos. Foi coroado rei em Alagoas e morou debaixo das arquibancadas no Maranhão.

Jacozinho Iniciou a carreira de jogador de futebol no Vasco Esporte Clube de Aracaju em 1975, nas categorias de base. Na época, o clube era dirigido por José Carivaldo de Souza que, atendendo solicitação do treinador Jaime de Souza Lima, assinou seu primeiro contrato em 21 de outubro, aos 20 anos de idade, percebendo o salário de Cr$ 800.00 cruzeiros.

Pelo bom desempenho apresentado no Campeonato Estadual daquele ano, Jacozinho foi contratado no ano seguinte, pelo Club Sportivo Sergipe, para as disputas dos campeonatos sergipano e brasileiro. Durante a temporada de 1977, atuou ao lado de jogadores como Raymundo Dória, Cabral, Orlando, Milano, Djalma Sales, Rubens e Peribaldo, entre outros. O primeiro jogo de Jacozinho no Maracanã foi contra o Fluminense que tinha um timaço, onde se destacava o craque Rivelino. O time sergipano perdeu por 2 X 1 e Jacozinho foi um dos grandes nomes da partida.

Ele ganhou fama e algum dinheiro, mas esbanjou tudo com farras e mulheres. Ele garante que, no apogeu da fama, chegou a possuir um sitio, uma mansão de cinco quartos em Jequié, na Bahia, uma casa em Aracajú, um apartamento em Maceió e três carros. Perdeu tudo. Hoje, vive em casa alugada.

Agora está longe da mulherada, mas tem um projeto na cabeça: se tornar pastor e levar a palavra do evangelho para a China. Faz parte de um grupo de pagode evangélico que já gravou um CD. Seu carro chefe é a musica que narra seu maior momento de glória. O refrão diz assim: “Maradona lançou, Jacozinho partiu, Figueiredo ficou, Cantarelle caiu... e a torcida gritou: é gol, é gol de Jacozinho”.

Um belo dia de 1988, Jacozinho apareceu no ABC de Natal e nas entrevistas garantia que vinha para ser campeão. Tarde de clássico-rei. Um domingo, estádio com mais de 15 mil pessoas. E entra no gramado Jacozinho, uniformizado e montado num jumento. Mas no final do jogo deu América 2 X 0. Depois disso Jacozinho teve seu nome lembrado para fazer parte da Seleção Brasileira e foi contratado para jogar no Santa Cruz do Recife. Não deu certo e acabou sumindo do mapa.

Quando jogava no Santa, Jacó, que também esteve no Ypiranga, andava num Fusca caindo aos pedaços, devagar, quase parando, como seu dono. "Esse coitado é a minha cara", brincava. O calhambeque tinha nome. Chamava-se Maestro. "É um conserto em cada esquina", dizia o jogador, fazendo trocadilho com concerto, que significa peça musical.

Na sua longa carreira passou por 22 clubes: Vasco (SE), Sergipe (SE), CSA (AL), Jequié (BA), Galícia (BA), Lêonico (BA), Corinthians de Presidente Prudente (SP), ABC (RN), Baraúnas (RN), Nacional (AM), Santa Cruz (PE), Ypiranga (PE) e outros tantos clubes pelo Brasil. (Pesquisa: Nilo Dias)

Jacozinho quase acabou com a festa de Zico.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Djalma Campos: missão cumprida

Djalma Campos foi um dos maiores jogadores surgidos no futebol maranhense, em todas as épocas. Nasceu na cidade de Viana e ainda pequeno mudou-se com a família para o bairro do Desterro, no centro histórico de São Luiz. Com apenas 12 anos de idade já mostrava muita intimidade com a bola. Deu seus primeiros chutes no campo frente à igreja do Desterro, junto de outros garotos que se destacaram no futebol do Maranhão, como Santana, João Bala, Jovenilo e Fifi. Jogou depois no São Cristóvão, no Santos e Botafogo do Anil, do “seu Chuva” e no segundo quadro do Esporte Clube Desterro, que era dirigido por seu pai, Djalma Gomes Campos

O bairro do Desterro foi uma verdadeira fábrica de bons valores, onde surgiram outras revelações do futebol maranhense, como Enemê, Japi, Carro-Velho, China e Pindura, entre tantos outros. E não eram muitos os locais para se jogar. Além do Largo do Desterro havia o campinho da “Ford”, o “Quartel de Polícia”, hoje Convento das Mercês, as ruas e o campo da Oleama, no Dique, onde um goleiro não enxergava a outra trave, porque no meio do caminho havia a esquina da fábrica Chagas & Penha.

A habilidade que mostrou nos campos de futebol foi adquirida nas quadras de futebol de salão. Desde garoto, com 16 anos já se sobressaia no Atenas, time do bairro do Desterro. Quando o Sampaio montou sua equipe juvenil, ele foi convidado a fazer parte dela. Era a época de times como Vitex, Elmo, Flamengo (Monte Castelo), Real Madri e ainda o Drible.

Em 1968, quando já era jogador profissional foi convidado a jogar a Copa do Brasil de Futsal pelo Drible, tendo sido inscrito com o nome do seu irmão Delmar. Como o time não se preparou adequadamente não venceu nenhum jogo, mas ainda assim Djalma foi considerado o melhor jogador da competição. Ele era incomparável com a bola nos pés, não dava chutes à toa e costumava desmoralizar os goleiros com colocadas geniais. Apesar de ter marcado inúmeros gols, sua maior preocupação era armar as jogadas para outros artilheiros.

A primeira oportunidade que Djalma teve para jogar em um dos “grandes” do futebol maranhense foi através do goleiro Campos, que o levou para o Maranhão Atlético Clube (MAC), junto com os amigos João Bala, Santana, Fifi e Jovenilo. Mas não deram sorte, o técnico Calazans nem se dignou a assisti-los jogando. E o quinteto foi parar no Graça Aranha F.C., e por lá permaneceu por um bom tempo.

Anos depois, Calazans teve a humildade de reconhecer que errou ao barrar Djalma no início de sua carreira como jogador. Mas depois conviveu com ele no Sampaio, por isso dizia que o jogador nasceu numa época e no lugar errado: “Se Djalma Campos tivesse jogado num grande centro, com certeza teria sido o dono da camisa 7 da seleção brasileira”.

Em 1968 Djalma já era já era o destaque do time do Graça Aranha, chamando a atenção do desportista Guido Bettega que comprou seu passe e o deu de presente ao Moto Clube. Por jogar no adversário do Sampaio Corrêa, a família inteira de Djalma virou-lhe as costas. Naquele mesmo ano o Moto foi campeão estadual e campeão do Norte. O time formava com Vila Nova – Paulo - Alzimar - Alvindaguia e Corrêa - Ronaldo - Santana - Djalma e Amauri - Pelezinho e Ribamar. Em 1969 o Moto perdeu o título para o Maranhão Atlético Clube.

O Sampaio, que não fazia boa campanha no “Nordestão”, resolveu lançar o “Sampaio Setentão”, um projeto para montar um grande time. O primeiro contratado foi Djalma que ganhara passe livre no Moto Clube. Finalmente, aos 23 anos de idade o jogador vestiu a camisa do time da sua família. E não deixou por menos, encantou a todos, dirigentes, torcedores e imprensa. Era a época dos dirigentes José Carlos Macieira, Humberto Trovão, Ari e Zé Barbosa. O presidente era Rupert Macieira, que substituiu Walter Zaidan. O técnico era o paraibano Edésio Leitão.

Uma curiosidade, é que Djalma, mesmo tendo jogado profissionalmente pelo Moto Clube, não se adaptava ao uso de chuteiras. Para resolver o problema, passou a andar em casa de chuteiras. No gramado, após os treinos ficava sozinho cobrando faltas e aperfeiçoando seus chutes. Mas o Maranhão conquistou o bicampeonato.

Em 1970, já consagrado como um verdadeiro craque foi convidado a concorrer a Câmara Municipal de João Pessoa. E foi eleito com mais de 2.500 votos. Passou então, a dividir suas atenções entre a política e o futebol. O Sampaio tinha um timaço, onde se destacavam Edimilson Leite, Gojoba e Pelezinho, mas ainda assim o campeão foi o Ferroviário.

Em 1972 o Sampaio Corrêa foi campeão do “Brasileirinho” (2ª Divisão), derrotando o Campinense da Paraíba, no jogo final. Naquela época, o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão não era oficial e não dava acesso à primeira divisão, já que os times disputavam o Brasileirão por convites da antiga CBD, hoje CBF.

Djalma teve oportunidade de se consolidar como o grande ídolo da torcida. Sob o comando do técnico Marçal Tolentino Serra, o time campeão formou com Jurandir - Célio Rodrigues - Neguinho - Nivaldo e Valdecir Lima - Gojoba e Edmilson Leite – Lima – Djalma Campo - Pelezinho e Jaldemir. Destes, Valdecir também já é falecido.

Aproveitando o sucesso, Djalma se candidatou a reeleição na Câmara Municipal. E ai aconteceu um verdadeiro clássico nas urnas. O jogador Faísca, do Moto também concorreu. Todos queriam saber quem venceria esse duelo político. Deu Djalma, que conquistou mais de 4.500 votos, contra 3.100 de Faísca, que também se elegeu.

Depois da conquista do “Brasileirinho” a meta do Sampaio Corrêa era o título estadual. No jogo decisivo contra o Moto aconteceu o inesperado: o goleiro Jurandir pediu dispensa e o reserva Campos estava doente. O atacante Zezé teve que ser improvisado no gol. O resto do time tinha Ferreira – Neguinho - Nivaldo e Eraldo (Valdecy - Gojoba e Edmilson Leite – Lima – Djalma - Pelezinho e Jaldeny (Vamberto). O empate em 1 x 1 deu o título de campeão maranhense de 1972 ao Sampaio Corrêa.

Em 1973 Djalma deu um passo maior na política, concorrendo a deputado estadual. E se elegeu com facilidade, foi o terceiro mais votado, com quase 14 mil votos. No futebol, o Sampaio montou um grande time para disputar o Campeonato Nacional: Orlando (Portuguesa) - Marinho (Paraná) - Moraes (bi-campeão pelo Cruzeiro) - Raimundo e Santos (Portuguesa) - Lourival (Sudeste) - Sérgio Lopes (Curitiba) - Buião (Atlético MG) - Dionísio (Flamengo) - Ailton (São Paulo) e Djalma. Técnico: Alfredo Gonzalez. Preparador Físico: Gualter Aguirre.

Os resultados positivos apareceram de imediato. Jogando em São Luiz o Sampaio Corrêa derrotou todos os times cariocas que enfrentou: Vasco da Gama, 2 X 0, Botafogo , também 2 X 0, Fluminense 3 X 1 e América, 1 x 0. Nesse jogo, já em fim de carreira, Djalma foi autor de uma jogada inesquecível: aplicou uma “barata” (enfiou a bola entre as pernas) do jogador Ivo, que recentemente havia sido convocado para a seleção brasileira. Ivo, até que tentou evitar o vexame, mas não conseguiu. O inesperado sempre fez parte dos desconcertantes dribles de Djalma. O Sampaio, não alcançou classificação porque fora de casa perdeu todos os jogos.

Djalma parou de jogar em 1974. No ano seguinte, quando já era presidente do Sampaio, foi obrigado a voltar aos gramados, porque às vésperas da decisão estadual o meia Joel adoeceu e não havia substituto para ele. Atendendo pedido do técnico Rinaldi Maya, Djalma passou a presidência do clube ao vice-presidente Chafi Braide e voltou a jogar, ajudando o time a vencer o campeonato estadual.

Na decisão contra o Moto o Sampaio venceu por 1 x 0, gol de Acy, quebrando um tabu de dois anos e 11 meses sem vitória sobre o time rubro-negro. Em 1976 Djalma deixou definitivamente os gramados e reassumiu a condição de presidente. O Sampaio sagrou-sei bi-campeão maranhense.

No Campeonato Brasileiro, o Sampaio contratou para técnico o famoso Djalma Santos. Quando de um jogo no Rio, o treinador deu entrevistas a imprensa falando mal do trabalho desenvolvido pelo clube. Foi demitido na hora. E nem assim os bons resultados apareceram. Pelo contrário, o vexame de duas goleadas seguidas: 5 x 0 para o Volta Redonda e 7 x 1 para o Flamengo. Sobrou para o presidente Djalma Campos que assumiu a culpa pelo fracasso e renunciou ao cargo.

Em 1978 concorreu a reeleição de deputado estadual, mas não venceu. Por volta de 1965, quando Antônio Bento Farias, já falecido vendeu quase todo o time profissional do Sampaio, Djalma foi convidado a ficar no banco de reservas. No segundo tempo entrou em campo e apesar da idade, mostrou toda a técnica que o consagrou como o melhor jogador do futebol maranhense em todos os tempos.

Levantou o público, dando um verdadeiro show com a incrível habilidade que Deus lhe deu, herança dos seus tempos de futsal. Naquela época a televisão não dava a cobertura esperada aos jogos de futebol. Por isso seu talento ficou reservado apenas aos que o viram jogar. Djalma foi um atleta completo. Além de se dedicar inteiramente à prática desportiva, não fumava e não ingeria nenhuma bebida alcoólica.

Em 1988 concorreu às eleições para prefeito de sua terra natal, Viana e venceu. Ao longo de sua vida pública foi ainda diretor executivo e vice-presidente do Instituto de Previdência do Estado do Maranhão (Ipem). Em 2005, como assessor da presidência da Assembléia Legislativa, por gratidão ao deputado Manoel Ribeiro, resolveu assumir ao lado de Humberto Trovão, o departamento de futebol do Sampaio Corrêa.

Por desentendimentos dentro do clube, Djalma se afastou do Sampaio e junto com Isaias Pereirinha e Humberto Trovão ajudou a fundar o Iape, o clube caçula do futebol maranhense, hoje na primeira divisão.

Djalma faleceu no dia 7 de agosto do ano passado. Eram 5 horas da manhã quando ele se sentiu mal e foi levado pela esposa para o hospital UDI. Lá ele teve um infarto e faleceu. Na noite anterior, o ex-jogador esteve no estádio municipal Nhozinho Santos, junto com o presidente do Iape, Isaías Pereirinha assistindo o jogo em que seu clube derrotou o Sampaio Corrêa por 2 X 1. Djalma, que era diretor de futebol teria dito ao final do jogo: “velho, missão cumprida". Como se soubesse o que iria ocorrer, ao sair do estádio passou pela casa onde seus pais haviam morado, na Rua das Palmas no bairro do Desterro, para visitar alguns parentes.

O ex-craque foi velado na rua da Palma, 652, no bairro do Desterro, próximo à igreja. O sepultamento aconteceu no cemitério Parque da Saudade, no Vinhais, onde seus pais estão enterrados. Djalma deixou três filhos adultos do primeiro casamento: Djalma Neto, Soraya e Solange. Do segundo casamento com a vereadora vianense Maria José, teve Fábio. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 1 de março de 2010

A lenda paraguaia

Arsenio Pastor Erico Martínez, considerado pela Fédération Internationale de Football Association (Fifa) o melhor jogador paraguaio de todos os tempos, nasceu em Asunción, no dia 30 de março de 1915. Começou a jogar futebol no Colégio Salesiano de Vista Alegre, e aos 11 anos de idade foi levado para o Nacional, tradicional clube de seu país. Aos 15 anos já era titular absoluto.

Sua agilidade e fino trato com a bola logo chamaram a atenção. Durante a guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai, a Cruz Vermelha formou um time de futebol para jogar partidas beneficentes no Uruguai e Argentina, visando arrecadar fundos destinados a auxiliar os feridos de guerra. Arsenio Erico foi um dos convocados.

Quando de uma apresentação em gramados argentinos foi visto por dirigentes do River Plate e do Independiente, que ficaram encantados com seu vistoso futebol. O River tentou contratá-lo ainda no vestiário de “La Bombonera”, logo após o jogo beneficente contra o Boca Juniors.

Como Erico era menor de idade, um tenente-coronel paraguaio explicou aos dirigentes do River, que não estavam em condições de ceder o passe, porque o atleta poderia ser considerado desertor. Mas os do Independiente foram mais ágeis, prosseguiram nas negociações e acabaram por comprar seu passe ao Nacional do Paraguai, por 12 mil pesos.

Erico ingressou no clube vermelho da Argentina em 1934, com apenas 18 anos de idade, tomando conta da camisa número 9 por 12 temporadas, até 1946. Seu jogo de estréia aconteceu no dia 6 de maio de 1934, diante do Boca Juniors. Antes do jogo, Arsenio Erico disse a imprensa argentina: "Quiero darle al público el gol, que es lo que más se celebra". (quero oferecer ao público o gol, para que possa festejar). Uma semana depois, frente o Chacarita Juniors, cumpriu a promessa, marcando dois gols.

No Independiente tornou-se o maior artilheiro de todos os tempos no campeonato argentino, tendo marcado um total de 293 gols (um a mais que Angel Labruna) em 325 jogos, recorde que permanece até hoje. A média foi de 0,882 gol por partida.

Foi artilheiro do campeonato argentino nos campeonatos de 1937, 1938 e 1939. Em 1937, o Independiente, que foi campeão venceu os últimos 10 jogos do campeonato, superando o até então líder, River Plate. E num feito espetacular Erico marcou 45 gols. Ao final da competição foram 115.

Contam que no campeonato de 1938 a “Tabacalera Picardo”, que fabricava os cigarros 43, que depois mudaram o nome para 43/70, deu um prêmio a Arsenio Erico por ter somado 43 gols no campeonato. Quando faltavam duas rodadas para o término da competição, o paraguaio pedia aos companheiros Antonio Sastre e Vicente de la Mata, que não lhe passassem a bola, pois se marcasse mais um gol perderia o prêmio.

Em 1941, Erico pediu um aumento salarial. Como não foi atendido resolveu vestir a camisa da Seleção do Paraguai, em jogo contra a Argentina pela “Copa Chevallier Boutell”. Mas o Independiente apelou a Fifa e a partida foi suspensa. Ainda assim, os dirigentes tiveram que viajar até Asunción para convencê-lo a voltar. O que só aconteceu depois que lhe deram o aumento salarial solicitado.

Entre os seus 293 gols, um entrou definitivamente para a história: foi contra o Boca Juniors. Erico pulou para tentar cabecear um cruzamento, mas se passou da jogada. Antes de cair ao chão conseguiu bater com o calcanhar na bola e a mandou para a rede.

Erico não foi somente um goleador emérito. Era dono de uma técnica incomum, driblava com perfeição e adorava dar toques de calcanhar. Acrobático, Arsenio era um equilibrista que executava jogadas luxuosas e toques de calcanhar na confecção de seus gols. A sua impulsão era fatal para os goleiros, daí o apelido de “El Trampolin Invisible”.

Seu estilo era inigualável. Saltava mais que qualquer marcador e ganhava dos goleiros. Como bom paraguaio, o jogo aéreo era sua especialidade. Ninguém conseguia pará-lo quando se preparava para o cabeceio. Por sua elasticidade, o jogador recebeu elogios de antigos craques como Leônidas da Silva e Alfredo Di Stefano.

Outra virtude desse notável jogador foi o seu altruísmo e desapego ao dinheiro. “El Saltarín Rojo”, como também era chamado, não aceitava regalias e paparicos em hotéis e restaurantes. Na sua concepção, o jogador de futebol era uma pessoa comum, e não um astro.

Ídolo de Alfredo Di Stéfano, Arsenio Erico era o típico jogador de todas as torcidas, que com seu estilo espetacular fazia valer o ingresso do jogo. Segundo o jornalista Sindulfo Martínez, “ningún otro jugador hizo temblar tantas veces el duro cemento de los estadios ni la fibra apasionada de las muchedumbres”. (Nenhum outro jogador fez vibrar tantas vezes o duro cimento dos estádios, nem a fibra apaixonada das torcidas)

O célebre compositor argentino Ovidio Cátulo González Castillo, dedicou-lhe um tango que dizia: “Pasará un milénio sin que nadie repita tu proeza, del pase de taquito ou de cabeza”. (Passará mais de mil anos e ninguém repetirá tua proeza, do passe de calcanhar ou de cabeça)

Arsenio Erico saiu do Independiente em 1946, depois de sofrer sérios problemas nos meniscos. Como não conseguiu se recuperar bem, seu futebol caiu bastante. Antes de voltar ao Paraguai ainda jogou sete partidas pelo Huracán, porém não marcou nenhum gol. Encerrou a carreira no mesmo clube onde começou, o Nacional de Asunción.

Morreu em Buenos Aires, no dia 23 de julho de 1977, aos 62 anos, logo após ter amputado a perna esquerda. Um problema circulatório acabou em gangrena. Foi sepultado no Cemitério de Morón, na capital argentina. Porém, no dia 23 de fevereiro deste ano os seus restos mortais foram levados para o Paraguai e agora estão guardados no Mausoléu do “Estádio Defensores Del Chaco”, em Asunción.

Arsenio Erico, “El Malabarista", outro de seus apelidos, teve a imagem impressa em selos postais. O correio paraguaio, através de sua assessoria filatélica realizou recentemente no Salão Comendador, da Câmara dos Deputados, o lançamento de selos do afamado futebolista, como parte das homenagens alusivas a vinda de seus restos mortais para o país. (Pesquisa: Nilo Dias)

A vida de Arsenio Erico virou livro. (Foto: Divulgação)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O rádio gaúcho está de luto

Vítima de complicações após uma intervenção cirúrgica para colocação de duas pontes de safena e uma mamária, faleceu na última sexta-feira, 19, o advogado e radialista Paulo Gilberto Corrêa, o melhor narrador de futebol que o rádio da Zona Sul do estado do Rio Grande do Sul conheceu, em todos os tempos. Há nove dias o radialista estava internado em um hospital da cidade, em decorrência de um infarto sofrido ao constatar que sua esposa havia sido acometida de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Paulo Corrêa era natural de Pelotas onde começou a carreira de narrador de futebol na Rádio Pelotense, a mais antiga emissora gaúcha e terceira fundada no Brasil. A audiência da emissora nas transmissões esportivas era quase total. Sob o comando de Paulo Corrêa passaram pela antiga PRC-3 nomes importantes do rádio gaúcho como Jair Rodrigues, que depois brilhou na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, Luiz Carlos Martinez, que além de excelente narrador também foi goleiro do time de Futebol de Salão do E.C. Pelotas, Wolney Castro, até hoje em atividade, o narrador Volni Dutra, o comentarista Benito Amato e o repórter Amir Cury.

Foi a chamada época de ouro do rádio esportivo pelotense. As outras duas emissoras da cidade também tinham suas equipes esportivas, igualmente compostas por nomes que até hoje são lembrados: na Rádio Cultura, sob o comando do narrador Petrucci Filho, Dagoberto Focaccia (ainda em atividade e residindo em São Gabriel), Armando Leite Goulart, Phidias Gallo, Edmar Allan e tantos outros que a memória desgastada pelos 68 anos de idade, não permite lembrar.

Na Tupancy, sob o meu comando, entre outros trabalharam Izabelino Tavares, meu saudoso irmão; o plantão esportivo Dinei Avelar, já falecido, que tive a felicidade de lançar no rádio; Antônio Carlos Alves, dono de uma voz belíssima, hoje aposentado, continua morando em Pelotas; Sérgio Oliveira, outro que foi lançado por mim e que brilhou no jornalismo do Rio de Janeiro. Atualmente mora em Maceió (AL), mas continua escrevendo para o jornal Diário Popular, de Pelotas.

Eu, que vivi parte daqueles memoráveis anos, posso afirmar que Paulo Corrêa era o melhor de todos. Crítico por natureza, não perdoava ninguém. Lembro de uma ocasião em que ele “baixou a ripa” no presidente do G.A. Farroupilha, o então coronel do Exército, Plácido de Castro Nogueira. Não deu outra. Paulo Corrêa foi proibido de entrar no Estádio General Nicolau Ficco, do “Tricolor do Fragata”. No domingo tinha o clássico Far-Pel (Farroupilha X Pelotas), pelo campeonato da cidade.

Assim mesmo, a Rádio Pelotense transmitiu o jogo. Paulo Corrêa mandou construir uma espécie de andaime no meio da avenida Duque de Caxias, frente o estádio e narrou o jogo inteirinho. Só não citava os nomes dos jogadores do Farroupilha. Dizia: “pegou a bola o número 5 do time da casa”. E assim por diante. Dias depois as relações foram reatadas e tudo voltou a normalidade.

Não era só no esporte que Paulo Corrêa se destacava. Apresentava um comentário ao meio-dia, em que abordava temas gerais. Uma ocasião, Pelotas sofria com uma enchente de grandes proporções e o governo estadual mandou uma boa ajuda em dinheiro. O secretário municipal encarregado da aplicação de recursos, não o fez de forma que agradasse o radialista. E este não teve dúvidas, o chamou de “rato de enchente”. Criou-se uma grande polêmica. O secretário também era radialista e respondia as críticas pela emissora concorrente.

Não foi só no rádio que Paulo Corrêa brilhou. Ele era um dos três comentaristas que assinavam a coluna “Espíritos de Porco”, no extinto jornal vespertino “Opinião Pública”, que pertencia a Gráfica Diário Popular. Os outros dois eram Aldyr Garcia Schlee, que ganhou o concurso nacional para escolha da camisa da Seleção Brasileira e Carlos Alberto Chiarelli, que como político galgou altos cargos no cenário nacional.

Em 1962 Paulo Corrêa foi para Rio Grande dirigir a Rádio Minuano, que fora comprada pelo Grupo Fonseca Júnior, de propriedade do seu amigo, o empresário Manuel Marques da Fonseca Júnior. Começou, então, uma verdadeira revolução no rádio riograndino. A exemplo do que já havia acontecido com a Rádio Pelotense, a Minuano tomou conta da audiência na “Cidade Marítima”. Os integrantes da equipe esportiva foram convencidos por Paulo da necessidade de estudarem. E alguns deles ingressaram em Faculdades e concluiram cursos superiores. Inclusive o próprio Paulo Corrêa, que se formou em Direito. O mesmo aconteceu com Gil Barlém Martins, Izolmiro Porto e Ney Amado Costa, entre outros.

Eu era fã de carteirinha do Paulo Corrêa, tanto que acompanhava as transmissões esportivas da Rádio Minuano, sempre que tinha oportunidade. Foi naquela época que passei a torcer pelo F.B.C. Rio-Grandense. Em 1965, o “colorado” riograndino fez uma campanha impecável e voltou a divisão principal do futebol gaúcho.

Lembro que o Paulo Corrêa chamava os jogadores do futebol riograndino pelo nome completo: Milton Ernesto Schultz, Jair Cutiara, Oscar Conceição, Luis Carlos Scala Loureiro, Adair Padilha, Marcos Boroni, Mário Landir Noguez, o "Leleco", Alcindo Martha de Freitas, o "Alcindo e Antônio Azambuja Nunes, o Nico. Foi Paulo Corrêa que deu a Nico o apelido de “Bombardeador”, por seu chute forte. E ao Rio-Grandense o de “Guri Teimoso”, por resistir heroicamente a todas as dificuldades.

Quando os três clubes de Rio Grande se classificaram para o principal campeonato do estado, e Pelotas ficou sem representante, Paulo Corrêa não teve dúvidas em chamar Rio Grande de “Capital nacional do futebol”. Como alguns pelotenses reclamaram, lembrando que ele era filho de lá, não teve dúvidas em responder: “A gente não escolhe onde nasce, mas pode escolher onde vai morrer”. O que realmente veio a se confirmar.

Em Rio Grande Paulo Corrêa continuou polêmico. Em um de seus comentários denunciou um esquema de empréstimo de dinheiro feito por um empresário local. O caso ganhou repercussão nacional e o responsável pelo ilícito acabou preso. Inovador, criou na Minuano o rádioteatro, com novelas e contos interpretados por artistas da terra. Polivalente, colaborou com os jornais “Rio Grande”, “Agora” e “Folha da Cidade” e ultimamente com a rádio Nativa, ex-Cultura Riograndina. Precavido, por mais que lhe perguntassem, jamais revelou por qual clube torcia em Rio Grande. Como advogado competente, prestou serviços a Refinaria de Petróleo Ipiranga e a Prefeitura Municipal de Rio Grande.

O sepultamento de Paulo Corrêa aconteceu no sábado, dia 20, no Cemitério Católico de Rio Grande. Deixou esposa, filhos e netos e uma enorme legião de amigos e admiradores. Entre os quais me incluo.(Texto: Nilo Dias).

Paulo Corrêa em foto recente. (Foto: Álbum da família)

Paulo Corrêa, nos tempos da Rádio Pelotense entrevistando o presidente Juscelino Kubitscheck, em visita a Pelotas. (Foto: Álbum da família)

(Foto : Álbum da Família)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

claudio disse...
VALEU NILO DIAS O RIO GRANDE PERDEU UM GRANDE PROFISSIONAL DO RÁDIO. UM ABRAÇO DO AMIGO CARIMBÓ.
25 de fevereiro de 2010 23:01

Roni Paulista disse...
Apesar de admirador do saudoso radialista e advogado Paulo Correia por ouvir quando criança ao lado de meus pais seus comentários na Radio Minuano que eram de uma enorme repercurção na nossa região eu não conhecia a sua historia, devo admitir que seu blog passará de hora avanti fazer parte do meu cotidiano pois aborda temas super interessantes que nos fazem manter nossa informação em dia, abração.
26 de fevereiro de 2010 10:04

Nilo, cumprimentos pelo blog e comentário sobre a vida profissional do nosso amigo Paulo Correa. Parabéns! Um abraço prá ti e outro na Terezinha.
Renato Kegles – Pelotas Pelo Orkut)

Pedro Aguiar
Li e gostei. Um abraço grande. Outro dia add a Leandra, tua filha. (Pelo Orkut)

laila:
amigo nilo eu li a reportagem no seu blog e fiquei triste com a noticia do falecimento do grande radilista paulo corrêa . os meus mais sinceros pêsames para a familia . um grande abraço. (Pelo Orkut)

Guilherme:
Oi, tio, quanto tempo! Como estão as coisas por aí? Tudo bem com vocês? Que grande figura devia ser esse Paulo Corrêa, me diverti bastante aqui lendo a tua matéria... “Rato de enchente” e a coluna “Espíritos de Porco” mataram a pau! HAHAHAHA!!! (Pelo Orkut)

luiz Carlos knopp:
Também sou fã de carteirinha do Dr. Paulo Gilberto Corrêa, e lamentei muito seu falecimento. Quanto ao Blog, o Paulo é merecedor de cada palavra que a respeito dele escrevestes.
Abração. (Pelo Orkut)

Regina:
Agradeço a homenagem feita ao meu pai!Obrigada em nome da minha família!Abraços (Pelo Orkut)

Augusto:
Muito bom o texto. Relata exatamente como era o Paulo Corrêa. abração (Pelo Orkut)

willy:
Caro Nilo: representei os colegas jornalistas de Rio Grande, todos admiradores do Paulo Corrêa, na missa em açao de graças pelo sétimo dia de seu falecimento, ontem, 26/fev. Li teu texto no blog e nao preciso dizer que adorei, também sou teu fã no jornalismo,há muito tempo.
Eu me tornei jornalista observando os outros, como faziam, como escreviam. Depois fui fazer faculdade de jornalismo, onde aprendi algumas coisas tbem. Eu acompanhei o Paulo Corrêaa vida toda, desde os seis anos de idade, quando ele veio para Rio Grande, em fevereiro de 1963.
Sempre dizia isso a ele. De alguma forma ele ficava satisfeito com isso. Era um dos seus discipulos, e ele sempre me prestigiou. O que eu agradeço muito. Daqui a uns meses, lançarei a biografia de Chico Bastos e o Paulo me deu preciosas informações sobre o marechal da educaçao, titulo criado por Paulo Corrêa. Belissimo o teu blog, parabens, como tudo o que fazes. Abraçao do Willy Cesar (Pelo Orkut)

Anderson Trapa:
Olá Nilo! Li atentamente e parabéns pelo seu blog. Eu acompanho muito o futebol. É lamentável a perda do grande Paulo Corrêa. Grande abraço! (Pelo Orkut)

Rogerio disse...
Parabens pelo texto e p/ oportuna homenagem. Eu lembro bem do Paulo Corrêa nas rádios de Pelotas na decada de 60. Um grande abraço.
28 de fevereiro de 2010 21:

Julio Jardim disse...
Muito Bom o texto, relata bem o que foi esse icone do rádio tão admirado por colégas e ouvintes...Vai nos deixar saudade os seus oportunos comentarios com o complemento especial de sua voz aveludada...~
2 de março de 2010 22:02

Clara:
Olá sou irmã de Regina e a filha mais velha do Paulo Corrêa,quero agradecer tuas palavras sobre nosso pai.Grata pelo carinho,recebe um abraço emocionado,Clara. (Pelo Orkut)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O adeus ao "Senhor do Futebol"

No último dia 10 o futebol brasileiro perdeu um de seus grandes nomes, Orlando Peçanha de Carvalho, 74 anos, zagueiro de raça e virilidade, que jogou em apenas três clubes, o Vasco da Gama, de 1955 a 1960, onde formou uma inesquecível zaga ao lado de Belini, Boca Juniors, da Argentina, de 1960 a 1964 e Santos, de 1965 a 1967. Orlando nasceu em Niterói (RJ), no dia 20 de setembro de 1935.

Foi nos juvenis do time da “Cruz de Malta” que Orlando começou a carreira. Em 1954 , quando da renovação do elenco, que saia da fase do “Expresso da Vitória”, Orlando foi promovido ao elenco principal, ganhando de imediato a condição de titular. No Vasco, conquistou os títulos de campeão carioca em 1956 e supercampeão carioca em 1958. A defesa era uma verdadeira muralha: Paulinho, Belini, Orlando e Coronel.

Em 1958, sagrou-se campeão mundial pela Seleção Brasileira, formando zaga com Belini, seu companheiro de clube, jogando todas as seis partidas da competição.

Em 1960, Orlando Peçanha foi negociado para o poderoso Boca Juniors, da Argentina que contava em seu elenco com outros craques brasileiros como Almir, Dino Sani, Maurinho e Paulinho Valentim. No time da “Bombonera”, tornou-se rapidamente um ídolo da torcida, graças ao seu vigor físico e espírito de liderança, sendo chamado de “Senhor do Futebol”. Nos clássicos frente o River Plate fez um duelo inesquecível com outro brasileiro e também ex-vascaíno, Delem. No Boca, Orlando foi campeão argentino em 1962 e 1964.

Em 1965, retornou ao futebol brasileiro para jogar no Santos, onde se sagrou campeão paulista nos anos de 1965 e 1967 e da Taça Brasil, em 1965. Vestindo a camisa da Seleção Brasileira foi campeão mundial em 1958. Em 1962, quando jogava pelo Boca Juniors, não foi chamado para o Mundial do Chile. Na época, atletas brasileiros que atuavam no exterior não eram convocados para a seleção.

Em 1966, na Inglaterra foi novamente convocado. Mas devido a idade, 31 anos, não tinha mais o vigor físico que fora tão importante em sua carreira e acabou conhecendo sua única derrota pela Seleção, 3 X 1 para Portugal, jogo que eliminou o Brasil do torneio.

Com a “amarelinha” foi ainda vice-campeão sul-americano invicto em 1959, quando o Brasil perdeu o título para a Argentina, no empate no jogo final, campeão da Taça Bernardo O'Higgins, em 1959 e da Taça Atlântico, em 1960. Participou de 34 partidas pela Seleção, com 25 vitórias, 7 empates e apenas uma derrota.

Quando encerrou a carreira de jogador em 1970, aos 35 anos de idade, no retorno ao Vasco tentou ser técnico. Comandou o CSA, de Alagoas, em 1977, e o Vitória, da Bahia, em 1980. Mas acabou se destacando foi como presidente da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O primeiro corinthiano na Seleção

O primeiro jogador do S.C. Corinthians a jogar pela Seleção Brasileira foi Amilcar Barbuy, filho de pais italianos, nascido em 29 de abril de 1893, na pequena cidade de Rio das Pedras, no interior de São Paulo. Começou a jogar no Belo Horizonte e depois no Botafogo, ambos da várzea do Bom Retiro. Somente no final de 1912 quando tinha 18 anos, é que começou a jogar no Corinthians, clube em que sua família esteve ligada desde a fundação. Um de seus irmãos, Hermógenes, era litógrafo e desenhou o primeiro distintivo alvinegro.

Em 1915 o Corinthians o emprestou a um novo clube que surgia no cenário esportivo paulistano, a Societá Palestra Itália, junto com Fúlvio, Pollice, Bianco e Américo. E Amilcar participou do primeiro jogo da história daquele clube que com o passar dos anos viria a se tornar o maior rival do “timão”. O jogo foi em Votorantim, nas imediações de Sorocaba, na tarde de 24 de janeiro de 1915, contra o S.C Savóia, tido então como bicho papão do futebol do interior do Estado de São Paulo.

Depois de um primeiro tempo bastante disputado, o Palestra voltou melhor na fase final e venceu por 2 x 0, gols anotados por Bianco, a maior estrela do time, cobrando um pênalti e depois por Alegretti, em cobrança de falta. Bianco colocou seu nome definitivamente na história palestrina, por ter sido o autor do primeiro gol do clube. O Palestra mandou a campo: Stilitano - Bonato e Fúlvio – Pollice - Bianco e Vale – Cavinato – Fischi - Alegretti - Amílcar e Ferré. O juiz foi o conhecido “sportsman” da época, Sílvio Lagreca.

Amilcar era dono de um espírito de liderança, classe e técnica, só comparáveis a Pelé, segundo relatos feitos por quem viu os dois jogarem. Junto com Neco, foi o primeiro grande expoente da história corinthiana. A convocação inicial para o selecionado nacional aconteceu em 1919, no Campeonato Sul-Americano Extra, disputado na Argentina. Na época, ainda jogava como centroavante, posição que trocaria no ano seguinte pela de centromédio, onde alcançou a consagração plena, transformando-se no melhor e mais famoso jogador brasileiro.

Meia e atacante de grande categoria, capitão da equipe fez 208 jogos pelo Corinthians, com 153 vitórias, 25 empates, 30 derrotas e 89 gols marcados. Em 1923, nove anos depois de ter jogado a partida inaugural do Palestra Itália, Amilcar retornou ao clube palestrino, alegando “motivos pessoais” que nunca ficaram bem explicados. O mais provável é que as raízes familiares italianas tenham falado mais alto. Mesmo quando defendia o Corinthians, tornou-se sócio do Palestra Itália. Vestiu a camisa do clube em 105 ocasiões com 68 vitórias, 15 empates, 17 derrotas e 16 gols marcados.

Pela Seleção Brasileira, onde foi capitão, atuou em 19 jogos, tendo contabilizado10 vitórias, 5 empates e 4 derrotas. Marcou 5 gols e foi campeão Sul-Americano em 1919 e 1922. Também defendeu a seleção Paulista. Foi campeão brasileiro entre seleções em 1922, defendendo, campeão paulista em 1926 e 1927, campeão do Paulista Extra em 1926 e do Campeonato Honorário do Brasil, igualmente em 1926.

Em 1930 parou de jogar e se dedicou a carreira de treinador. Seu jogo de despedida foi no dia 8 de junho, no empate de 1 X 1 do Palestra com o Germânia. Na nova profissão iniciada no próprio Palestra, dirigiu o time em 144 jogos, com 93 vitórias, 24 empates e 27 derrotas.

Depois foi para a Lazio de Roma, em 1931, ficando até 1932, onde devido a contusão de alguns jogadores, teve de retornar aos gramados, mostrando porá mais algum tempo aos italianos todas as qualidades que o consagraram no Brasil. Isso também o notabilizou como o primeiro brasileiro a jogar e ao mesmo tempo treinar um clube da Itália.

Seu retorno ao Corinthians foi como treinador. Dirigiu o “timão” em situações diferentes. Inicialmente, quando não havia um profissional específico para a função e coube a ele escalar o time. Depois, entre os anos de 1933 e 1940. No total, foram 192 jogos com 135 vitórias, 18 empates e 39 derrotas.

Também dirigiu o São Paulo em 19 jogos, e ainda Portuguesa de Desportos, Portuguesa Santista e Atlético Mineiro. Morava no bairro da Aclimação, centro de São Paulo, quando faleceu no dia 24 de agosto de 1965. (Pesquisa: Nilo Dias)

Amilcar Barbuy foi um craque notável.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A tragicômica excursão do Bela Vista

Nos anos 50 os grandes clubes do futebol brasileiro realizavam longas e cansativas excursões por gramados de todo o mundo, principalmente da Europa. Santos, Vasco da Gama, Flamengo, Botafogo e outros tinham mercado garantido para exibições em qualquer continente. Assim, quando terminavam os campeonatos regionais começavam as longas excursões em busca de dinheiro.

E no meio dos “grandes”, muitas vezes alguns times pouco conhecidos, atraídos por empresários nem sempre confiáveis, se enveredavam mundo afora em excursões que nem sempre acabavam bem, se transformando em verdadeiras e trágicas aventuras.

Foi o caso do Bela Vista Futebol Clube, da pequena cidade mineira de Sete Lagoas, que protagonizou um dos maiores vexames já dados por um clube de futebol brasileiro em todos os tempos. Em 1958 o pequeno time interiorano de Minas Gerais, aproveitando o prestígio adquirido pelo nosso futebol, com a conquista do Mundial da Suécia, achou um jeito de organizar uma excursão por gramados da Europa.

O Bela Vista partiu para o desconhecido levando apenas 16 jogadores, o técnico Orlando Rodrigues e o jornalista Roberto Silveira, este como chefe da delegação. O embarque se deu no Rio de Janeiro com direito a fotos e reportagens da imprensa carioca.

A direção do clube nem mesmo sabia do nível dos adversários e muito menos da quota que receberia por jogo. Segundo o empresário Roberto Fauszlinger seria um mínimo de 30 jogos, todos contra times pequenos. Mas não foi bem assim. No dia 3 de agosto o time mineiro realizou seu primeiro jogo pelo “Velho Mundo”, enfrentando em Marseille, na França o Olympique e perdendo por 3 X 1.

O pior estava por vir. O segundo jogo foi no dia 7, nada mais, nada menos contra o temido Real Madrid, da Espanha, na época considerado o melhor time europeu. O Estádio Santiago Bernabeu superlotou para ver o campeão brasileiro, pois assim o Bela Vista foi apresentado. Acreditem o jogo foi disputado palmo a palmo e os espanhóis venceram por um minguado 2 x 1, com o gol da vitória feito de pênalti duvidoso no finalzinho da partida.

Depois o Bela Vista realizou uma série de jogos por gramados da Alemanha e Suíça. Dia 09, perdeu na cidade de Aachen por 2 X 1 para o Alemmania. No dia seguinte, a primeira vitória, 3 X 2 sobre o Lausanne Sports, em Lausanne, Suíça. O resultado deu um novo alento aos jogadores e dirigentes. Mas no dia 13, em Dusseldorf, na Alemanha outra derrota, 2 X 0 para o Fortuna, resultado que se repetiu no dia 20, em Lubeck, na Alemanha, quando perdeu para o VFB.

A reabilitação aconteceu um dia depois, quando o Bela Vista bateu o Heider SV, da cidade alemã de Heider, por 1 X 0. No dia 23, em Zurique, na Suíça, derrota de 2 X 1 para o Grasshoppers. No dia 2 de setembro, depois de quase um mês fora de casa, o Bela Vista se deslocou até a Itália, onde perdeu de 3 X 2 para o Bologna. De volta a Alemanha, um empate em 1 X 1 com o Combinado Rotation-Locomotiv, em Leipzig.

A primeira parte da excursão foi completada com estes jogos: 12/09, Bela Vista 1 x 4 Tennis Borussia, em Berlin, Alemanha; 16/09, Bela Vista 1 x 2 Alliancen, em Copenhague, Dinamarca; 17/09, Bela Vista 3 x 5 Holstein, em Kiel, Alemanha; 20/09, Bela Vista 0 x 3 Werder Bremen, em Bremen, Alemanha; 21/09, Bela Vista 0 x 1 Concordia Hamburg, em Hamburg, Alemanha; 23/09, Bela Vista 0 x 2 Eintracht, em Braunschweig, Alemanha; 25/09, Bela Vista 0 x 6 Blan Witt, em Amsterdã, Holanda e no 29/09, Bela Vista 0 x 5 Birminghan City, em Birminghan, Inglaterra.

Na segunda parte da excursão é que os problemas maiores se apresentaram, e o vexame se acentuou. Os jogadores Assis e Marinho, emprestados pelo Vasco da Gama, do Rio de Janeiro abandonaram a delegação ainda na Espanha, não resistindo ao assédio de clubes europeus. Deixaram apenas um bilhete: “A boca aqui é boa. Adeus que nós vamos nela.”

Os dirigentes não estavam nem ai para os resultados dentro de campo, preferindo passar a maior parte do tempo em hipódromos franceses. Desgostoso, o técnico Orlando Rodrigues também caiu fora.
Quem assumiu o comando do time foi o veterano jogador Gaia. Já na sua estréia no cargo, no dia 1 de outubro um fiasco monumental, uma goleada de 12 X 1 para o Newcastle, perante 25 mil pessoas que foram ver o “campeão do Brasil”. O Bela Vista mandou a campo esta equipe: Adelmar – Izaias e Gaia – Toledo – Salvatore e Edésio – Marin – Nenem – Jorginho – Zico e Murilinho.

Diante disso, o sinal vermelho acendeu no Brasil. O Conselho Nacional de Desportos (CND) pediu para que o clube voltasse imediatamente para o Brasil, o que foi descartado pelo dirigente Ronaldo Pontes, que alegou a existência de um contrato autorizado pelo próprio CND, e em razão disso o Bela Vista iria honrar os compromissos assumidos.

Foi preciso que o Itamarati interviesse, cassando a sua licença de funcionamento, para que finalmente o Bela Vista concordasse em retornar ao Brasil. Antes da viagem de volta, o clube mineiro ainda jogou mais quatro partidas: 6/10, Bela Vista 0 x 4 Middlesborough, em Middlesborough, Inglaterra; 08/10, Bela Vista 0 x 4 Sheffield United, em Sheffield; 13/10, Bela Vista 0 x 8 Lutton Town, em Lutton, Inglaterra e 14/10, Bela Vista 1 x 3 Tottenham Hotspur, em Londres, Inglaterra.

Como não havia lugares suficientes no avião na data marcada para o retorno, os mineiros ainda realizaram outros dois jogos, cujos resultados são desconhecidos. Provavelmente, outras duas goleadas.

Na chegada a Sete Lagoas, uma grande surpresa. Embora a vergonhosa campanha e o retorno forçado, a delegação do Bela Vista foi recebida com festa. Uma multidão tomou conta das ruas da cidade para ovacionar o time, com direito a desfile de caminhão e foguetório. Uma faixa resumiu todo o sentimento da gente do lugar: “Falem mal, mas falem do Bela Vista”.

A fatídica excursão do Bela Vista teve este saldo: 23 jogos, 2 vitórias, 2 empates, 19 derrotas, 18 gols assinalados e 78 gols sofridos. A performance da equipe mineira foi alvo de chacota da imprensa brasileira e internacional.

Ninguém sabe explicar como o empresário Roberto Fauszlinger foi parar em Sete Lagoas, onde acertou com o time uma excursão por vários países europeus, aproveitando o auge do prestígio do futebol brasileiro. O espertalhão contratou os jogos apresentando o Bela Vista como “campeão brasileiro”, garantindo com isso altas cotas. E ficou com o grosso do dinheiro, deixando para o clube mineiro menos de 10% dos lucros.

O Bela Vista recebeu uma cota fixa de Cr$ 35 mil por jogo, somando ao final da excursão Cr$ 805.000,00. Para se ter uma idéia da exploração, no jogo contra o Real Madrid o empresário embolsou Cr$ 365 mil, e contra o Birminghan, da Inglaterra, quase Cr$ 500 mil. Ainda quando o clube estava na Inglaterra, o esperto empresário desapareceu levando consigo uma verdadeira fortuna.

Ainda assim, o clube honrou seus compromissos e não deu calote em ninguém. Prova que a conduta foi exemplar é que o chefe da delegação obteve atestados de boa conduta dos hotéis onde o clube se hospedou. Todos trouxeram presentes: máquinas de escrever, câmaras fotográficas, rádios portáteis etc.

O Bela Vista F.C., fundado em 21 de abril de 1930 encerrou suas atividades em 1987. Até 1999, disputou campeonatos municipais e regionais. Hoje o clube mantém o trabalho na base, disputando o campeonato mineiro nas categorias infantil e juvenil, mas mantém inativo o departamento de futebol profissional. (Pesquisa: Nilo Dias)

A Delegação do Bela Vista F.C. no embarque para a Europa, em 1958. (Foto: Divulgação)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Beto disse...
Ola nilo meu nome é Beto. Não sei se você pode me ajudar ,mas espero que sim.Eu tenho em mãos uma medalha que pertenceu a Cyro Aranha. Essa medalha é da época de 1946, do campeonato Sulamericano em Buenos Aires. É linda e eu acredito que tenha valor, mas não sei como descobrir isso. Se você puder me ajudar entre em contato pelo meu e-mail: beto.barrero@hotmail.com
Obrigado e aguardo sua resposta.
2 de fevereiro de 2010 19:14

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um futebol de nomes estranhos

Qual o time de futebol que você conhece que tem o nome mais estranho? Não é fácil saber e por várias razões. No Brasil, um país de dimensões continentais existe uma diversidade grande de vocabulários regionais. O que é comum na Paraíba, por exemplo, é estranho no Rio Grande do Sul e vice-versa. E o que dizer do exterior, onde nos deparamos com línguas e hábitos totalmente diferentes dos nossos?

Neste trabalho, apenas a título de curiosidade, o leitor vai conhecer alguns times do futebol brasileiro que “capricharam” na escolha de seus nomes. Começamos por aqueles que se identificam com animais: “E.C. Golfinho”, de Guarulhos (SP); “Associação Desportiva Pitu”, de Vitória de Santo Antão (PE), fundada no dia 2 de janeiro de 1974 por funcionários da indústria de bebidas da cidade, e extinto em 1988;

“Galo de Ouro”, de Tabira (PE); “Korujão”, de Carpina (PE); “Tigres do Brasil”, que inclusive disputa o campeonato carioca da divisão principal; “Canta Galo E.C.”, de Canta Galo (RJ. No Paraná existe um verdadeiro zoológico: “Pato Branco E.C.”, de Pato Branco; “Adap Galo Maringá Football Club”, de Maringá; “Associação de Futebol Tigrão”, de Umuarama; “Arapongas E.C.”, de Arapongas; “Cascavel Clube Recreativo”, de Cascavel e “A.E. Jacarezinho”, de Jacarezinho. E não esquecendo do “Canarinho”, de Florianópolis e o “Tubarão F.C.”, de Tubarão, ambos de Santa Catarina.

E temos aqueles clubes cujos nomes prestam homenagem à pessoas que provavelmente colaboraram com algum tipo de serviço as suas comunidades: “E.C. Tião Maia”, de Araçatuba“, S.E. Irmãos Nogueira”, de Itapira, “E.C. Elvira”, de Jacareí, “E.C. Humberto Primo”, “Manuel Ambrósio Filho F.C.”, de Piracicaba, “A.A. Epitaciana”, de Epitácio Pessoa, “Associação Amália de Desportos Atléticos”, de Santa Rosa de Viterbo (SP) e “S.E. Irmãos Romano, todos de São Paulo.

“João de Barros F.C.”, antigo nome do América F.C., de Recife. Recebeu este nome por ter surgido numa casa situada na avenida de mesmo nome; “Tomazinho F.C.”, de São João do Merití (RJ); “A.C. Diana”, “S.C. Rosita Sofia”, “C.A. Carmense” e “F.C. Galitos”, todos do Rio de Janeiro, capital. E os catarinenses “Chico Science”, de Biguaçu, homenagem ao falecido líder da banda pernambucana ”Nação Zumbi”; Cerâmica Silveira”, de Palhoça“, "C.A. Hermann Aichinger”, de Ibirama e “Pery Ferroviário E.C.”, de Mafra.

A lista de nomes curiosos é imensa, mas vamos lembrar alguns de São Paulo: “Real Matismo”, de Artur Nogueira; “A.A. Assistência”, de Araçatuba; “S.E. Resegue”, de Bariri; “Parquinho F.C.”, de Bauru; “Brasa F.C.”, de Mirassol; “Já Morreu”, de Wenceslau Braz; “C.E.R. Descalvadense”, de Descalvado; “Fada F.C.”, de Santo Anastácio; “Aclimação E.C.”, de Santo André; “Meninos F.C.”, de São Bernardo do Campo; “A.A. Ordem e Progresso”; ”Tremembé F.C.” e “Avalanche F.C.”, uma equipe da várzea de Cotia (SP), que joga aos fins de semanas contra adversários também de nomes estranhos como “Madrugada e “Trem das Onze”.

Em Santo Amaro (PE), tinha o “Vovozinha”, o time que levou 10 gols do Dario, o “Dadá Maravilha”, num amistoso contra o Sport Recife, até hoje o maior artilheiro mundial de gols em uma só partida. O placar final foi 14 X 0. O nome do time foi dado pelo radialista, apresentador de TV e deputado Alcides Teixeira, que tinha um programa de rádio dedicado às vovozinhas. Assim, o saudoso Alcides fundou e presidiu o “Vovozinhas”, além de ter sido atleta. Anos depois, esse clube se transformou em “A.A. Casa Caiada” e desde 2004 chama-se “Manchete F.C.”

Em Pernambuco temos ainda o “Beco F.C.”, de Pesqueira, que outrora se defrontava com o “União Peixe E.C.”, que enrolou a bandeira depois que a Fábrica Peixe fechou as portas; “Ramalat E.C.”, de Ouricuri; “Sociedade Egipciense F.C.”, de São José do Egito; “Curcurana D.C.” e “E.C. Pontezinha”, de Cabo de Santo Agostinho; “Afogadense F.C.”, de Afogados da Ingazeira; “Galera”, de Lagoa de João Carlos. E ainda: “Varzeano E.C.”, de Recife; “G.E. Petribu” e “Associação Desportiva DR-5”, de Goiana; “Espinheiro F.C.”, de Itapissuma; “Danado do Mar”, “Maravilha” e “Noronhão”, de Fernando de Noronha;.

No Mato Grosso do Sul “Associação Atlética das Moreninhas”, de Campo Grande, fundada em 5 de fevereiro de 1994; “Baianinho E.C.”; “C.A. Kapital” e “ASAS”. E pelo interior sulmatogrossense: “Angive F.C.”, de Ivinhema; “Goleros F.C.”, de Dourados; “Dissidente E.C.”, de Aquidauana e “Ladário E.C.”, de Corumbá.

No Rio de Janeiro: “Raíz da Gávea E.C.”, “Paozão F.C.”, de Jacarepaguá, “Clube da Paz Ltda”, “S.C. Cocotá”, da Ilha do Governador, “E.C. Marinho”, “Tiro e Queda F.C.”, “Profute F.C.”, todos da capital. “E.C. Pau Grande” e “Piabetá E.C.”, de Magé; “Quissamã F.C.”, de Quissamã; “Aperibeense F.C.”, de Aperibé; “Esprof Atlético F.C.”, de Cabo Frio e “A.A. Carapebus”, de Carapebus.

E ainda: “U.E. Funilense”, de Cosmópolis; “A.A. Alfaiates” e “Automóvel F.C.”, de Campo Grande (MS); “Motoristas F.C”, de Barretos (SP); No Paraná: “Bola de Ouro A.C.”, de Colombo; “Tabu”, de Clevelândia, “Renove”, de Fazenda Rio Grande, “Osternack”, de Curitiba, “Café”, de Londrina; “Elcuri”, de Jaguariaíva; “Dois Vizinhos E.C.”, de Dois Vizinhos; “C.A. Pitanguense”, de Pitanga; “Marechal E.C.”, de Marechal Cândido Rondon; “Jaborá F.C.”, de São José dos Pinhais; “Toledo Colônia Work”, de Toledo; “Santíssima Trindade F.C.”, “União Ahu F.C.”, “União Campo Raso F.C.” e “Combate Barreirinha F.C.”, todos de Curitiba.

Em Santa Catarina: “Cabeçuda” e “Barriga Verde F.C.”, de Laguna”; “Guaycurus F.C.”, de Concórdia; “Sombrio E.C.”, de Sombrio. No Ceará, “Gentilândia” e “Sol Tropical”, ambos de Fortaleza. No Maranhão, “Asken”, “Löwen”, “Marwel” e “Scania Diesel”, todos de Imperatriz. Em Alagoas, “Sagrada Família”, de Maceió e “Zumbi, de Zumbi dos Palmares. No Rio Grande do Sul, “Lutador Gaúcho”, de Mostardas e “Lomba do Sabão”, de Viamão. Na Paraíba , “Picuí” e “Queimadense”. No Pará: “Yamada”, “Júlio César” e “Time Negra”. “Cori-Sabbá”, no Piauí, onde também tivemos na década de 1940 “Os Terriveis”, de Teresina. Em Minas Gerais, “Ilusão Esporte Clube”. No Mato Grosso, “Litrão”, de Tangará, que disputou na década de 1980. Em Rondônia, “Pimentense”, “Espigão” e “Shallon”, que participou da Copa São Paulo de Futebol Júnior, este ano.

Em Roraima, o “GAS”. No Acre, “Nauás”. No Amazonas, o Manicoré“. No Tocantins, “Gurupi” e “Kaburé”. “Armageddom Metropolitana”, em Brasília. Em Sergipe, “Socialista”, ”Mil e Quinhentos” e “Pirambu”. No Espirito Santo, “Rio Bananal”. “Globo Sport Club”, no Rio Grande do Norte.

No AAmapá, “Trem”, “Mazagão”; “Renovação”. Na Bahia: “Madre de Deus”, de Madre de Deus e “Arranca Toco Futebol Clube“, time de várzea de Juerana, distrito de Caravelas. O time foi formado por tratoristas de uma empresa contratada por uma fábrica de celulose para arrancar os tocos dos pés de eucaliptos, após o corte para preparar o terreno para novo plantio. Daí o nome bizarro.

Fora do Brasil a coisa não é melhor: em Portugal são muitos os times que ostentam nomes que soam estranhos para nós: “Clube Desportivo de Rabo de Peixe”, fundado em 01 de julho de 1985 na vila de Rabo de Peixe, localizada na ilha de São Miguel nos Açores. Suas cores oficiais são o azul e branco. Nestes anos de vida conquistou o campeonato regional de São Miguel por duas vezes, nas temporadas 2004/05 e 2006/07; “Pomba de Paz”, da Bolívia e o time polonês do “KS Piliaca Bialobrzeiilica Białobrzegi”, de Bialobrzegi, fundado em 1922.

E é do exterior que vem o nome mais “cabeludo” entre todos os times de futebol do mundo: o campeão disparado é o “La Pica F.C.”, da cidade de Palo Negro, na província de Aragua, que disputa o campeonato da 3a. Divisão da Venezuela.

E não são apenas times que tem nomes estranhos e curiosos. Vejam esta incrível lista de jogadores e seus apelidos:

No time do Boa Viagem (CE) tem o trio: “Tela”, “Paloma” e “Quiboa”. No banco de reservas “Gato”, “Puma” e “Rabicó”. No Icasa temos o irriquieto “Cipó”, e no Guarany, de Sobral o aguerrido “Alex Vampirinho”. O Guarany de Sobral na década de 80bateu recorde em nomes estranhos. Na sua escalação a equipe contava com os seguintes jogadores: “Barrote”, “Tangerina”, “Teco-Teco”, “Feveu”, “Chiquinho do Araras”, “Badu”, “Nanan” e “Birungueta”.

No Ipatinga, da Bahia desponta o atacante “Pagodinho”. O Vasco da Gama tem o "Pimpão", que não é apelido, é sobrenome, de verdade. E temos aqueles que poderiam formar duplas sertanejas, como “Buiu e Bodi”, do Poções (BA), “Gil e Gel”, do Feirense (BA), “Simônio e Sananduva”, do Santa Cruz (RS) e “Rio Pardinho e Gavião”, do Avenida (RS).

O livro, “Presepadas no Mundo da Bola”, do radialista Alberto Damasceno, mostra uma seleção com os 40 jogadores de nomes mais estranhos que já passaram pelo futebol cearense.

Dentre eles verdadeiras maravilhas: “Agoniado”, “Amarrado”, “Buliçoso”, “Cabeça de Pau”, “Cachacinha”, “Canivete”, “Caraolho”, “Coloral”, “Cuspida”, “Esmagado”, “Espanador de Lua”, “Esqueleto”, “Faca Cega”, “Filé de Jia”, “Horroroso”, “Invocado”, “Já Morreu”, “Macaúba”, “Mufumbo”, “Na Mosca”, “Nêgo Sibite”, “Ninguém”, “Nó Cego”, “Nojento”, “Oião”, “Olho de Bila”, “Pé de Pato”, “Pombão”, “Pombinha”, “Pimba-dágua”, “Puxa Faca”, “Rolinha”, “Satanás”, “Sem Dó”, “Tenebroso”, “Três Orelhas”, “Ventola”, “Verdureiro” e “Zé Bosta”.

O jogador apelidado de “Cu de Rã” era chamado de Diran nas transmissões esportivas. Contam, não sei se é verdade ou folclore, que um repórter intrigado pelo nome incomum, perguntou se ele era descendente de franceses. Constrangido, o atleta respondeu que não, na verdade era um apelido, derivado de outro, “Cu de Rã”, que por motivos óbvios, os locutores passaram a chamar, carinhosamente por Diran.

E pelo mundo afora temos os jogadores: “Porras”, da Costa do Marfim; o holandês “Cocu”; “Zecalanga”, de Angola; “Boa Morte”, de Portugal e “Redondo”, da Argentina, entre outros. (Pesquisa: Nilo Dias)

Escudo da A.A. Alfaiates, de Campo Grande (MS).

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O inventor da "bicicleta"

A “bicicleta” no futebol é uma jogada acrobática em que o jogador salta e chuta com os dois pés no ar, para trás, por cima da própria cabeça, como se estivesse pedalando uma bicicleta. Nos demais países da América Latina a jogada é denominada de “puxeta” ou “chilena”. O termo “bicicleta” usado no Brasil, foi criado pelo locutor esportivo Gagliano Neto, depois de observar Leônidas da Silva, o mais perfeito executor da acrobacia.

Mas Leônidas não foi o inventor da jogada, ele apenas a aprimorou e tornou popular a partir da Copa do Mundo de 1938, na França. O verdadeiro inventor do lance, o espanhol Ramón Unzaga Asla já tinha deixado os gramados e caído no esquecimento. Não foi reconhecido como o “pai” da jogada, talvez por sua própria culpa, pois não quis sair do modesto Club Atlético no Chile, onde vivia desde os 12 anos. Ninguém lembrou de pelo menos erguer um monumento em homenagem a quem primeiro desafiou a gravidade, para realizar uma verdadeira obra de arte com os pés.

Unzaga nasceu em Bilbao em 1894, e quando tinha 12 anos de idade teve que acompanhar a família que emigrou para o Chile. Foi no time da pequena cidade de Talcahuano, que Unzaga começou a dar os primeiros chutes, e não demorou para que se tornasse o principal jogador da equipe.

Em seguida trocou a cidadania espanhola pela chilena e foi por diversas vezes chamado a defender a seleção nacional. Verdade, ou lenda foi em Talcahuano, cidade onde morava que pela primeira vez alguém conseguiu a proeza de dar um pontapé acrobático no ar. Foi num jogo realizado em 1914 no Estádio El Morro que Unzaga ensaiou o golpe e deixou estupefata a torcida presente.

Depois disso, costumava repetir a cada jogo o movimento que foi batizado como “la chorera” em nome da “Escuela Chorera”, como era chamada a base da seleção chilena da época.

Em 1920, durante a Copa América disputada no Chile, o mundo ficou conhecendo a genial jogada, num confronto contra a seleção da Argentina. Os jornalistas “porteños” ficaram maravilhados e rebatizaram o lance como “la chilena”, expressão que ainda hoje, se utiliza na Espanha e na América do Sul, incluindo o sul do Brasil.

O jogador recusou convites de vários clubes argentinos e uruguaios, mas não quis sair do Chile passando assim despercebido o seu invento. Na Copa do Mundo de 1938, o brasileiro Leônidas da Silva realizou a jogada e o mundo inteiro acreditou que fosse uma invenção sua. Mas não era. O próprio Leônidas admitia ter visto bem antes o jogador Petronilho de Brito efetuar o mesmo lance.

A invenção da “bicicleta” também é atribuída ao jogador David Arellano, que jogava pelo Colo Colo do Chile, em 1927, que, anos mais tarde levaria o gesto malabarista para a Europa, quando de uma excursão da equipe pela Espanha. A acrobacia causou tanta admiração entre os espanhóis que Arellano foi contratado pelo Valladolid. Após marcar vários gols suspenso no ar, de costas para a baliza, acabou por morrer, no estádio do Valladolid, após um violento e fatal choque com um adversário.

No Peru, chamam a essa jogada “Chalaca”, porque defendem ela ter sido inventada por um jogador peruano do Chalaca F.C.. Na Argentina e no Equador chama-se “Tijera”. No Brasil, onde ganhou o nome de “bicicleta”, antes de Leônidas, já Petronilho de Brito, irmão de Valdemar de Brito, o descobridor de Pelé, executava esse gesto mirabolante.

Criador ou não da “bicicleta”, a verdade é que Leônidas dominava e executava com perfeição a jogada. A primeira vez que o craque marcou um gol dessa forma foi no dia 24 de Abril de 1932, num jogo de seu time, o Bonsucesso contra o Carioca. Por causa das acrobacias que fazia com a bola, entre elas a "bicicleta", ganhou o apelido de “homem borracha”.

Leônidas nasceu no dia 6 de setembro de 1913 no bairro de São Cristóvaão, no Rio de Janeiro. Sua carreira teve inicio nas peladas dos subúrbios do Rio de Janeiro, no modesto time do Sírio, de onde foi para o São Cristóvão, em 1926 e depois para o Bonsucesso, onde assinou um contrato ilegal em que receberia dinheiro para jogar. Em 1933 Leônidas saiu do Brasil para jogar no Peñarol de Montevidéu. Era uma época em que o futebol no Brasil era amador e hipócrita, mas duro com quem assumia jogar por dinheiro.

Em 1934, o Vasco da Gama que resolveu montar um super time o trouxe de volta ao Brasil, onde foi campeão carioca naquele mesmo ano. Em 1935 jogou no Botafogo, sagrando-se outra vez campeão estadual. Depois foi para o Flamengo, sendo um dos primeiros negros a vestir a camisa do então elitista clube carioca.

Já veterano foi para o São Paulo em 1942, vendido por uma fortuna para a época, 200 contos de réis, a maior quantia paga na América do Sul por um jogador de futebol. Por causa de sua idade avançada foi criticado pelos torcedores rivais que diziam que o tricolor paulista havia adquirido "um bonde velho de 200 contos".

E também por ele ter passado por alguns problemas no joelho e um tempo na prisão devido ter falsificado o certificado de reservista na juventude. Mas a Torcida são-paulina não ligou para as provocações e milhares de pessoas lotaram a Estação do Norte (depois Estação Roosevelt, no bairro do Brás) para recepcionar o jogador que vinha do Rio de Janeiro em um trem da Central do Brasil, contratado pela ousadia do doutor Paulo Machado de Carvalho, então dono da Rádio Record de São Paulo.

A chegada de Leônidas foi um acontecimento marcante, dizem as testemunhas da época. Calculou-se em dez mil o número de torcedores que foram à Estação do Norte, região central de São Paulo, para verem a chegada do artilheiro. Dali, o carregaram nos ombros até a sede do clube, na rua Dom José Gaspar.

A Leônidas se deve o recorde de público do Pacaembu. Em sua estréia, 74.078 pessoas lotaram o estádio, em jogo contra o Corinthians, um empate de 3 X 3. Leônidas não fez gol, mas iniciou ali a sua trajetória de glórias no tricolor paulista, vencendo 5 vezes o campeonato estadual. Mas os rivais tiveram que engolir tudo o que disseram, quando num jogo em pleno Pacaembu contra o Palestra Itália (atual Palmeiras), o craque deu sua resposta marcando um gol de “bicicleta”.

O centroavante sofreu muito com uma derrota frente ao Palmeiras, em 1950 que resultou na perda do tri-campeonato paulista, num jogo que o São Paulo teve um gol anulado pelo juiz Omar Bradley, que mais tarde ficou se sabendo que ele, depois do acontecimento, tinha ido até pular Carnaval no Palmeiras,segundo o jogador tricolor Bauer.

Leônidas marcou 406 gols em sua carreira, sendo 211 pelo São Paulo. Alguns desses gols foram decisivos ou históricos, como na Copa Rio Branco de 1932 quando fez os dois gols na vitória de 2 x 1 sobre o Uruguai, campeão do mundo de 1930 em pleno Estádio Centenário de Montevidéu. Ou na dramática vitória por 6 x 5 contra a Polônia em 1938, quando marcou quatro gols e foi escolhido o melhor jogador da Copa da França e artilheiro com 7 gols.

Diz a lenda que no jogo contra a Polônia, atuou parte da partida sem uma das chuteiras marcando um gol com o pé descalço, o sexto da partida pois em função das chuvas e do gramado encharcado ele arriscou um chute e perdeu o calçado. No mesmo lance a bola voltou para ele que sem pensar enfiou o pé, marcando um bonito gol.

Leônidas marcou 19 gols em 21 jogos oficiais, se tornando o 18º maior artilheiro da história da seleção brasileira e o jogador com a melhor média de gols entre os artilheiros, com aproximadamente 0.90 gols por jogo disputado. Disputou duas Copas do Mundo. Não teve muito sucesso na de 1934 e foi prejudicado pela falta de Copas durante os anos 40, em razão da segunda guerra mundial.

Por onde andou Leônidas colecionou títulos: campeão carioca no Vasco, 1934; campeão carioca no Botafogo, 1935; campeão carioca no Flamengo, 1939; 5 campeonatos paulistas com o São Paulo, 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949; pela Seleção, conquistou dois títulos, Copa Rocca e Copa Rio Branco.

Leônidas teve o azar de jogar numa época em que não havia televisão. Era um centroavante técnico, veloz de grande explosão e elasticidade. Quem o viu jogar garante que era tão bom quanto Pelé ou Didi. Graças a sua habilidade e técnica ganhou o apelido de "Diamante Negro", dado pelos jornalistas franceses durante a Copa de 1938.

Foi o primeiro jogador brasileiro a ser objeto de "marketing", já que dava nome a relógios, cigarros e ao famoso chocolate “Diamante Negro”, da Lacta criado em 1938 e que faz sucesso até hoje. Na década de 40, quando jogava no São Paulo, uma companhia de tabaco lançou o cigarro “Leônidas”, pagando ao jogador dez mil réis pelo uso comercial do seu nome.

Leônidas quebrou vários tabus na sua carreira. Durante os anos 30 e especialmente após a Copa do Mundo de 1938, ele se tornou o primeiro grande ídolo nacional negro no esporte. Além de lutar pelo direito de receber salários e valores pelo seu passe, o que lhe rendeu a fama injusta de mercenário.

Em uma enquete realizada para determinar a maior seleção brasileira de todos os tempos Leônidas deixou para traz nomes como Romário, Bebeto, Tostão e Jair e importantes como Ademir e Vavá. Em 1998 na segunda Copa do Mundo da França no jogo Brasil e Chile torcedores abriram uma faixa no estádio em que se lia: "Leônidas vive".

O saudoso e genial cronista Nelson Rodrigues definiu perfeitamente o estilo do craque brasileiro: "Rigorosamente brasileiro, brasileiro da cabeça aos sapatos. Tinha a fantasia, a improvisação, a molecagem, a sensualidade do nosso craque típico”. E Mário Filho,ngrande escritor e jornalista escreveu: "Leônidas não explicava nada. Quando a gente estava arregalando os olhos para ver se via, a mágica estava feita."

Leônidas depois que deixou os gramados foi comentarista esportivo de sucesso. Abandonou a profissão quando começou a apresentar sinais de perda de memória. O ex-jogador, além de ter diabetes, sofria de pneumonia, câncer de próstata e do mal de Alzheimer (doença degenerativa das funções cerebrais). Em seus últimos anos de vida, mais precisamente desde 1993, vivia em uma casa de repouso em Cotia, região metropolitana de São Paulo, tendo todas as despesas da internação (R$ 6.000 mensais) pagas pelo São Paulo e pelo empresário José Lazaro, que se tornou seu amigo nos anos 60.

Leônidas faleceu no dia 24 de Janeiro de 2004, vítima de uma infecção pulmonar. Em 2001, chegou a estar na UTI, resultado de sua cada vez mais debilitada saúde. O corpo do "Diamante Negro" foi velado no Salão Nobre do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi. O enterro foi realizado no domingo, dia 25, no Cemitério da Paz, também no Bairro do Morumbi, na capital paulista.

Leônidas já não estava mais entre nós quando aconteceu uma jogada que certamente o deixaria perplexo. Um lance mais que inusitado aconteceu na 8ª rodada do Torneio Apertura da Argentina, em 2008. Foi no estádio Monumental de Nuñez, durante o jogo River Plate e Racing. Ainda no primeiro tempo, as duas equipes empatavam por zero a zero quando uma bola foi alçada na área do River.

Na ânsia de afastar o perigo, o zagueiro Facundo Quiroga saltou e, com estilo, bateu de bicicleta. Mas a bola não seguiu o destino desejado pelo zagueirão e acabou morrendo nas próprias redes. Um golaço contra! De bicicleta. No segundo tempo, Quiroga marcou outro, desta vez a favor do River. O jogo terminou empatado em 3 X 3.
Antes disso já havia acontecido em gramados brasileiros um gol de “bicicleta” contra. Foi na Taça belo Horizonte de Juniores, no empate em 1 X 1 entre Cruzeiro X Flamengo. E ainda mais bonito que o de Quiroga. (Pesquisa: Nilo Dias)

Ramon Unzaga, o verdadeiro inventor da "bicicleta"

A famosa "bicicleta" de Leônidas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Flamengo é penta

Alguns setores da imprensa brasileira insistem em dizer que o Flamengo, com o título conquistado ontem, é exacampeão do Brasil. Isso não é a realidade, trata-se de uma inaceitável injustiça com o Sport, que foi em 1987 o campeão brasileiro de fato e de direito. E com isso deixam de lado aquilo que deveria ser o mais importante e sagrado nos meios de comunicação, a verdade.

Em 1987 a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estava passando por uma séria crise financeira e anunciou que não realizaria o Campeonato Brasileiro daquele ano. Essa decisão motivou os 13 principais clubes de futebol do país, na época - Vasco da Gama, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Santos, Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Internacional, Grêmio e Bahia - a fundarem uma associação chamada de Clube dos 13, que planejava organizar seu próprio campeonato.

A CBF, com apoio da Fifa não gostou da idéia e os 13 clubes associados foram ameaçados de desfiliação. Depois, houve o acerto entre clubes e CBF, sendo organizada a Copa União, que teve o patrocínio da Coca-Cola, Varig e Rede Globo de Televisão e que apontou o clube campeão do Brasil naquele ano.

O novo campeonato foi dividido em quatro módulos, sendo o Verde - composto pelos integrantes do Clube dos 13, mais Goiás, Santa Cruz e Coritiba, ficando de fora o Guarani, vice-campeão do ano anterior e o América (RJ), 4º colocado, e o módulo Amarelo, formando assim a 1ª Divisão. A CBF organizou ainda outros dois módulos: Azul e Branco, que classificariam 12 times para a segunda divisão do ano seguinte.

Como forma de conciliar os interesses do Clube dos 13 com os da CBF, a entidade maior do futebol brasileiro colocou no regulamento do campeonato, que os campeões e vices dos módulos verde e amarelo se enfrentariam em um quadrangular final, de onde sairiam os representantes brasileiros na Taça Libertadores da América. Porém, os representantes do Clube dos 13 não concordaram.

Em dezembro de 1987, após a confirmação dos quatro finalistas - Flamengo, Internacional, Sport e Guarani -, a CBF anunciou a tabela do quadrangular, que seria disputado em turno e returno. Alegando que o regulamento foi alterado à revelia do Clube dos 13, Flamengo e Internacional se recusaram a disputar. Com isso Sport e Guarani disputaram o quadrangular, vencendo os jogos contra Flamengo e Internacional por WO. A CBF acabou declarando o Sport como Campeão Brasileiro de 1987, enquanto o Clube dos 13 fez o mesmo com o Flamengo, mesmo sem ter qualquer poder para isso.

Quem representou o Brasil na Taça Libertadores da América do ano seguinte foram Sport e Guarani. O Clube dos 13 e o Flamengo, inconformados com a decisão levaram o caso a Justiça comum. E o que aconteceu? O processo, cuja decisão já se tornou definitiva e sem possibilidade de recurso, deu ganho de causa ao Sport Club do Recife.

A própria Fifa, em seu site, reconhecia até ontem quatro títulos de campeão brasileiro para o Flamengo, que agora passa a ter cinco. Em relação a 1987 a entidade maior do futebol mundial coloca o rubro-negro como campeão apenas do Módulo Verde, da Copa União e não do Brasil, título que é do Sport Recife.

Em janeiro de 1988, quando o resultado do campeonato ainda estava em litígio, o “Jornal do Commercio”, de Recife publicou uma grande reportagem, onde sugeria que Internacional e Flamengo fossem rebaixados para a Série B, por desobediência a entidade maior do futebol brasileiro, o que nunca aconteceu.

A diretoria do Sport convida a quem duvidar que o campeão legitimo do Brasil em 1987, não seja o clube pernambucano, que dê uma passadinha lá na avenida Sport Club do Recife, no bairro da Ilha do Retiro e confira o troféu.

Está no site da FIFA: http://es.fifa.com/classicfootball/clubs/club=44132/index.html

Perfil del club Falamengo del Brasil

Títulos: 1 Copa Toyota Intercontinental (1981)
1 Copa Libertadores (1981)
1 Copa MERCOSUR (1999)
1 Copa CONMEBOL (1996)
5 campeonatos de Brasil (1980, 1982, 1983, 1992, 2009)
1 Copa Uniao (Módulo Verde - 1987)
2 Copas de Brasil (1990, 2006)
1 Copa de Campeones de Brasil (2001)
1 Campeonato Rio-Sao Paulo (1961)
7 Copas de Rio
31 ligas del Estado de Rio de Janeiro (1914, 1915, 1920, 1921, 1925, 1927, 1939, 1942, 1943, 1944, 1953, 1954, 1955, 1963, 1965, 1972, 1974, 1978, 1979, 1979 (edición especial), 1981, 1986, 1991, 1996, 1999, 2000, 2001, 2004, 2007, 2008, 2009)
Nombres ilustres:Dida, Gerson, Mário Zagallo, Zico, Jorginho, Renato Gaúcho, Bebeto, Leonardo, Romário
Récords: Júnior - 865 partidos
Zico - 508 goles
Página web oficial:http://www.flamengo.com.br/
Partidos
Copa Toyota 1981
Flamengo 3-0 Liverpool (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do Flamengo que conquistou ontem, o pentacampeonato do Brasil. (Foto: Divulgação)

Sport ameaça processar veículos que tratarem o Flamengo como hexacampeão

Rafael Menezes, de São Paulo

O Sport Clube do Recife vai processar os veículos de comunicação que tratarem o Flamengo como hexacampeão brasileiro. “Estamos examinando todas as matérias. Estamos dispostos a entrar com uma ação contra os veículos que causarem algum tipo de dano moral para o Sport ou dano material para os patrocinadores”, afirma Eduardo Carvalho, vice-presidente jurídico do clube.

O motivo é o polêmico campeonato de 1987. O time pernambucano é reconhecido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como o campeão, mas o Clube dos 13, que organizou a Copa União, considera o clube carioca o vencedor do título naquele ano. Com isso, o Sport argumenta que o Flamengo é apenas pentacampeão.

"O órgão máximo do futebol considera o Sport como campeão em 1987, mas grande parte da mídia considera o Flamengo como hexacampeão. Então, o Sport não é campeão de nada?", ironiza.

De acordo com a CBF, o Flamengo terminou o campeonato daquele ano na terceira posição. Para Carvalho, a imprensa não retrata esse fato.

“Todo mundo está achando que o Sport é contra a imprensa, mas não é isso. Uma pessoa pode considerar que em 1987 o Flamengo tinha o melhor time e até considerá-lo campeão. Isso é uma opinião dela e o clube não vai processá-la. Agora, o veículo de comunicação que homologar o título que o Flamengo não tem, vamos processar”, explica.

A diretoria do Sport divulgou em seu site um comunicado à imprensa, ressaltando sua indignação sobre o fato. “Não pode o Sport calar-se diante de uma informação dessas – pois isso seria negar à sua imensa torcida e a seus sócios o direito legítimo de manter intocável seu título de Campeão Brasileiro em 1987, proclamado pela CBF e garantido por todos os tribunais competentes.

Às Emissoras da Rádio e Televisão

Aos Jornais e Revistas

CIRCULAR 04.DEZ.2009

ASSUNTO: HEXACAMPEONATO ATRIBUÍDO AO FLAMENGO

REFERÊNCIA: NOTÍCIAS VEÍCULADAS RECENTEMENTE

Senhores Diretores e Jornalistas.

Sabe-se que nos últimos dias alguns jornalistas de veículos locais e, notadamente, da região Sudeste, têm se referido ao C. R. FLAMENGO como virtual HEXACAMPEÃO BRASILEIRO.

Acreditamos que tais referências têm sido feitas inadvertidamente, pois é público e notório que esse título não pode ser conquistado pelo FLAMENGO em 2.009, sem ignorar que o Campeão Brasileiro em 1987 é o SPORT CLUB DO RECIFE.

Não pode o SPORT calar-se diante de uma informação dessas – pois isso seria negar à sua imensa torcida e a seus sócios o direito legítimo de manter intocável seu título de Campeão Brasileiro em 1987, proclamado pela CBF e garantido por todos os tribunais competentes.

Ademais, negar esse título ao SPORT é causar enormes danos contra o patrimônio moral e material deste Clube. Assim, com o único propósito de alertar todos os diretores de órgãos de divulgação e jornalistas que os integram, esperamos que nenhuma referência seja feita a virtual ou efetivo título de HEXACAMPEÃO BRASILEIRO ao FLAMENGO.

Esperamos, portanto, não sermos forçados a defender nossos direitos nos tribunais – o que não hesitaremos a fazer, se for negado ao SPORT e à sua imensa torcida, o título de Campeão Brasileiro de 1987.

Na certeza de que contaremos com vosso profissionalismo – sobretudo quanto ao dever da correta informação ao grande público -- de logo agrade-cemos a atenção que for dedicada a essa matéria.

Cordialmente,

SPORT CLUB DO RECIFE

SILVIO ALEXANDRE GUIMARÃES

PRESIDENTE EXECUTIVO

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O "Bugre" campineiro de volta a Série A

Mais um clube integrante da seleta lista de campeões nacionais está de volta a elite do futebol brasileiro. O Guarani F.C., da cidade paulista de Campinas estava penando nas divisões inferiores do Brasileirão, desde 2005. Em 2004 foi rebaixado para a Série B e em 2006 foi parar na Série C, de onde saiu em 2008 para agora retornar a Série A.

Pouca gente acreditava que o Guarani poderia fazer uma boa campanha na Série B deste ano. O objetivo não era subir para a Série A, e sim não voltar para a Série C. No dia 5 de abril deste ano o time havia sido rebaixado para a série A-2, do Campeonato Paulista. As dividas eram imensas, por isso chegou a se pensar em vender o estádio Brinco de Ouro.

Veio o campeonato e com ele uma agradável surpresa. O técnico Osvaldo Alvarez, o Vadão, conseguiu tirar o máximo de um elenco formado na maioria por jogadores oriundos das categorias de base do próprio clube. O Guarani liderou o campeonato por várias rodadas, e apenas em um curto período caiu de produção. Depois, recuperou-se e chegou com méritos a uma das quatro vagas para a Série A de 2010.

O Guarani F.C. foi fundado no dia 1 de Abril de 1911, mas os seus fundadores decidiram que a data oficial seria o dia 2, para evitar gozações com o “Dia da Mentira”. A fundação do clube seu deu por iniciativa dos desportistas Pompeo De Vito, Ernani Filippo Matallo e Vicente Matallo, que foi o primeiro presidente. O nome Guarani foi escolhido para homenagear o compositor campineiro Carlos Gomes, autor da ópera “O Guarani”.

O primeiro campo do Guarani foi o “Ground da Villa Industrial”, utilizado até 1912. Em 1913 o clube alugou um campo no bairro Guanabara, junto ao S.C. Commercial, que ficou popularmente conhecido como “Ground do Guanabara”. Quando o Commercial encerrou as atividades, o Guarani obteve permissão para uso gratuito da área, dada pela proprietária, dona Isolethe Augusta de Souza Aranha, filha de Joaquim Policarpo Aranaha, o “Barão de Itapura”, e de dona Libânia de Souza Aranha, a “Baronesa de Itapura”, e tia de um dos pioneiros do clube, Egídio de Sousa Aranha.

O presidente do Guarani na época, Carmine Alberti tentou em vão conseguir que a prefeitura de Campinas cedesse uma área para construção de um estádio. Foi ai que Egidio de Sousa Aranha teve papel importante, pois convenceu sua tia a vender o terreno de cerca de 20 mil metros quadrados, ao preço irrisório de 900 réis o metro. Em seguida foi constituída uma "Comissão Pró-Estádio", presidida por João Pereira Ribeiro, que através de promoções arrecadou os recursos para que fosse erguida a praça de esportes.

Em 15 de julho de 1923, foi inaugurado o primeiro estádio do clube, garbosamente chamado de "Estádio do Guarany", e que colocava o alviverde campineiro entre as agremiações esportivas de melhor estrutura em todo o Estado de São Paulo. Para o jogo inaugural foi convidado o Club Athletico Paulistano, o principal clube do futebol paulista na fase amadora, e que tinha na sua equipe o famoso Friedenreich, o primeiro grande craque do futebol brasileiro.

O Guarani, com um gol marcado por Zéquinha a quatro minutos do final da partida, foi o vencedor. O extraordinário feito do time local foi condignamente festejado pelos torcedores, que saíram as ruas em grande estardalhaço. O Guarani formou com Pacheco - Joca e Tavares – Deputado - Juca e Joaquim – Miguel – Zéquinha – Barbanera - Nerino e Pilla.

O “Estádio do Guarani”, localizado na rua Barão Geraldo de Rezende passou depois por várias reformas e ampliações, servindo ao clube até 1953. Foi lá que o “Bugre” mandou seus jogos pelos campeonatos paulista de 1927, 1928, 1929, 1930, 1931, 1950, 1951 e 1952.

Como o antigo “Pastinho” não oferecia mais condições de sediar jogos na era profissional, o clube conseguiu trocar o terreno do bairro Guanabara, por uma área de 50.400 m2 na avenida Imperatriz Tereza Cristina, 11, na antiga “Baixada do Proença” e ainda receber de volta 2 milhões de cruzeiros. Mais tarde o Guarani conseguiu a doação de uma área de 19.405 metros quadrados, ao lado do terreno que havia adquirido.

Nos primeiros tempos, antes ainda da construção do "tobogã", o “Brinco de Ouro” chegou a receber 34.513 torcedores no jogo contra o Fluminense, válido pelo Campeonato Brasileiro de 1975. O recorde de público no estádio foi no jogo Guarani X Flamengo, em 1982, quando compareceram 52.002 torcedores. A capacidade divulgada naquela época era de 53 mil pessoas, diminuída depois, para efeito de garantir maior conforto e segurança para os espectadores. Hoje o estádio tem capacidade para 30.800 pessoas, atendendo exigências do estatuto do torcedor e normas da FIFA.

O nome “Brinco de Ouro da Princesa” se deve a uma matéria feita pelo jornalista João Caetano Monteiro Filho, do jornal “Correio Popular”, quando o projeto ainda estava na maquete. Ao ver o formato circular do futuro estádio, o jornalista o comparou a um brinco. Como a cidade de Campinas é chamada de "Princesa D'Oeste", João Caetano escreveu uma reportagem com o título “Brinco de Ouro para a Princesa”. Os dirigentes gostaram e “Brinco de Ouro” passou a ser o nome oficial do estádio do Guarani.

O “Brinco de Ouro” foi inaugurado no dia 31 de maio de 1953 com o jogo Guarani 3 X 1 Palmeiras. O jogador Nilo, do Guarani foi o autor do primeiro gol no novo estádio. A iluminação foi inaugurada no dia 11 de janeiro de 1964, com um jogo amistoso no qual o Guarani derrotou o Flamengo, do Rio de Janeiro, por 2 X 1.

O principal adversário do Guarani é a Ponte Preta, com quem faz o clássico chamado de “Derby Campineiro”. Até hoje foram 185 partidas disputadas, com 65 vitórias do Guarani, 61 empates e 58 vitórias da Ponte Preta, além de um resultado desconhecido. O “Bugre” foi o segundo clube do interior do Estado a disputar o campeonato principal de São Paulo, ao vencer o campeonato da segunda divisão de 1949. O pioneiro foi o XV de Piracicaba, que em 1948 ganhou o primeiro campeonato da divisão de acesso, tornando-se também o primeiro clube do interior a participar do grupo de elite do futebol paulista.

O principal feito na história do Guarani foi a conquista do título de Campeão Nacional de 1978. O time era muito forte, com destaque para os jogadores Careca, Zenon, Renato "Pé Murcho" e o técnico Carlos Alberto Silva. Nessa edição do campeonato brasileiro a disputa foi pela primeira vez num sistema de ida e volta nas fases decisivas do torneio. Era um tempo de regime militar. O ano de 1978 era de Copa do Mundo, mas nem por isso houve diminuição acentuada no número de participantes do principal campeonato do país, foram 74 clubes na disputa e um recorde de 792 jogos em quase seis meses de disputa.

Principais títulos conquistados pelo Guarani. Nacionais: Campeonato Brasileiro da Série A (1978); Campeonato Brasileiro da Série B (1981 e 1987); Estaduais: Campeonato Paulista do Interior (1944, 1949, 1972, 1973, 1974); Campeonato Paulista de Futebol da Série A2 (1949); Campeão Amador do Interior (1944); Campeão Amador do Estado (1944) Campeão Paulista da 2ª Divisão de Profissionais (1949); Campeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1953); Bicampeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1954); Campeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1956); Detentor em definitivo da "Taça dos Invictos" de A Gazeta Esportiva (1970); Campeão - Torneio de Classificação para 1970 (1970); Bicampeão - Torneio de Classificação para 1971 (1970); Detentor em definitivo do II Troféu Folha de São Paulo (1974); Campeão do 1º Turno do Campeonato Paulista -Taça Almirante Heleno Nunes (1976); Municipal: Campeão Campineiro (1916, 1919, 1920, 1938, 1939, 1941, 942, 1943, 1945, 1946, 1953 e 1957).

Alguns jogadores famosos que vestiram a camisa do Guarani: Ailton, Alfredo, Alex , que jogou pelo Internacional, Amaral, que defendeu o Palmeiras, Amoroso (Bola de Ouro em 1994), Careca, que brilhou no São Paulo, Nápoli e seleção Brasileira, Djalminha, Edílson, Edu Dracena, Elano, Evair, Gustavo Nery , Carlos, Renato, Júlio César, Edson Boaro, Jorge Mendonça , Luizão, Mauro Silva, Miranda, Mineiro, Neto, Paulo Isidoro, Viola, Ricardo Rocha, Tite, Telê Santana, Valdir Peres, Wilson Gottardo, Zé Mario, Zenon e Zetti.

O primeiro jogador do Guarani a ser convocado para uma seleção brasileiro foi Fifi, que jogou o Campeonato Sul-Americano Juvenil de 1954. Em 1963 quatro jogadores foram chamados para a seleção principal,Tião Macalé, Oswaldo, Amauri e Hilton. Mas a história não se resumiu apenas em jogadores cedidos à seleção, mas também em títulos.

O Guarani estabeleceu alguns recordes importantes nessa sua vitoriosa trajetória. Em 1982 o ataque formado por Lúcio, Jorge Mendonça, Ernani Banana e Careca marcou nada mais, nada menos do que 63 gols em 20 jogos, com média de 3,5 gols por partida. A maior em toda a história dos campeonatos brasileiros, até hoje. Também é do Guarani o maior número de vitórias consecutivas em Brasileiros, doze, estabelecido em 1978. O time divide com Corinthians e Ceará o recorde de jogos invictos na série B do brasileiro, onze no total.

O clube participou de três edições da Taça Libertadores da América, 1979, 1987 e 1988, e da extinta Taça Conmebol, em 1995. Além do futebol, o Guarani mantém equipes de taekwondo, ginástica olímpica, natação, tênis, basquete, vôlei e futebol feminino.

Pena que fora do campo aconteçam coisas desagradáveis. A atual diretoria do Guarani, presidida por Leonel Martins de Oliveira, seguidas vezes não permitiu a entrada em jogos do “Bugre”, no Brinco de Ouro, de jogadores campeões brasileiros de 1978. Eles almejam uma credencial vitalícia, que lhes dê o direito de ingressar no estádio e não serem mais desrespeitados por funcionários do clube, que desconhecem a parte mais bonita da história de 98 anos do Guarani F.C.. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do Guarani, campeão brasileiro de 1978. Em pé: Neneca - Edson - Mauro - Gomes - Miranda e Zé Carlos. Agachados: Capitão - Renato - Careca - Manguinha e Bozó. (Foto: Acervo histórico do Guarani F.C.)