O estádio de futebol mais antigo do mundo encontra-se na cidade inglesa de Sheffield, localizada no Condado de South Yorkshire, centro-norte da Inglaterra. É o “Sandygate Road”, pertencente ao Hallam Football Club, o segundo clube mais antigo da história, fundado em 4 de setembro de 1860. O Hallam joga desde sua fundação nesse campo, que fica num subúrbio de Sheffield.
O “Sandygate Road” existe desde 1804. Inicialmente era utilizado como campo de cricket, o desporto mais popular do século XIX na Inglaterra. Só a partir de meados de 1850 começaram a disputar-se os primeiros encontros não oficiais de futebol. Em 1860 fundou-se num "pub próximo" o Hallam F.C., clube amador que ainda hoje subsiste. Nesse mesmo ano o clube decidiu organizar com os rivais locais o primeiro jogo oficial entre clubes.
A partir daí o recinto passou a ser a base de desenvolvimento do futebol na cidade. Durante dois anos foi o único local onde se realizaram encontros oficiais entre um número, cada vez mais crescente, de clubes na cidade. O primeiro jogo de futebol que se tem notícia, aconteceu no dia 26 de dezembro de 1860, no Estádio “Sandygate Road”, em Sheffield, entre Nort Counts Club X Hallam F.C., com resultado desconhecido.
Em 1862, quando o “Bramall Lane” – atual estádio do Sheffield United – deixou de receber jogos de cricket para dedicar-se ao futebol, já havia 15 clubes na cidade e a utilização de “Sandygate Road” tinha atingido o seu auge de popularidade.
O “Bramall Lane” foi inaugurado em 30 de abril de 1885, inicialmente para a prática do críquete, outro tradicional esporte bretão. Mas sete anos depois passou a ser utilizado para o futebol, quando o Sheffield F.C. e o Sheffield Wednesday, times da cidade, passaram a mandar seus jogos por lá. Em 1889, o Sheffield United, outro clube local, passou a administrar e realizar suas partidas no estádio. O projeto inicial deu condições para abrigar quase 70 mil pessoas, em pé e sentadas.
Apesar de seus 127 anos de existência, a primeira partida de futebol apenas aconteceu em “Bramall Lane” em 29 de dezembro de 1862 entre Sheffield F.C. X Hallam F.C., em prol de um fundo de auxílio a pessoas necessitadas e terminou empatada em 0 X 0.
Chegaram a disputar-se, no mesmo dia, quatro jogos distintos no velho “Sandygate Road”. A popularidade do futebol em Sheffield era tal que se chegou a criar um conjunto de regras exclusivas para os clubes da cidade, conhecidas mais tarde como “Sheffield Rules”, um dos elementos fundamentais no que viria mais tarde a ser a base do "Football Association".
Até ao final do século XIX, “Sandygate Road” continuou a ser utilizado entre Hallam, Sheffield FC, Sheffield United e Sheffield Wednesday, os times da cidade. Mas a crescente popularidade do jogo e a maior capacidade do “Bramall Lane”, construído em 1855 e do “Hillsborough”, inaugurado em 1899, levaram progressivamente a que o pequeno recinto se dedicasse exclusivamente a torneios para clubes amadores na cidade, funcionando como sede regular do Hallam FC. Tal e qual como hoje em dia, mais de um século depois.
O "clássico" ou "derby" mais antigo da história do futebol é jogado até os dias atuais entre o Hallam FC X Sheffield Football Club, fundado em 1857 e reconhecido pela FIFA como o clube de futebol mais antigo do mundo, em atividade.
Em 1855, membros do clube de críquete de Sheffield começaram a realizar partidas informais de futebol, sem nenhum tipo de uso de regras formais, até que os membros Nathaniel Creswick e William Prest decidiram fundar o Sheffield Football Club. A reunião inaugural do Sheffield FC aconteceu em 24 de Outubro de 1857, em Parkfield House, nos subúrbios de Highfield.
A sede original era uma estufa abandonada na "East Bank Road", emprestada por Thomas Asline Ward, pai de Frederick Ward, o primeiro presidente do Sheffield F.C. O espaço ao redor da estufa se tornou o primeiro campo de treino do time.
Nos primeiros tempos o Sheffield F.C. promovia partidas entre seus associados, do tipo “Casados X Solteiros”, ou "Profissionais contra o Resto". Os desportistas Creswick e Prest conceberam às regras de jogo do clube, que foram estabelecidas em 21 de Outubro de 1858, dando origem ao que se achou por bem chamar de “Às Regras de Sheffield”.
Até então, antes da formação da "Football Association", a entidade que controla o futebol na Inglaterra, muitos tipos diferentes de futebol eram praticados no país. Os colégios públicos, por exemplo, realizavam partidas de futebol de acordo com regras próprias, que variavam muito.
Às primeiras regras eram constitutivas e não previam o impedimento, mas introduziram os tiros livre após uma jogada faltosa. As regras do futebol australiano, que viriam algum tempo depois, eram bastante parecidas com “Às Regras de Sheffield”. Sabe-se que em 1862, quando já existiam 15 clubes em Sheffield, essas regras foram adotadas pela "Associação de Futebol " da cidade, criada em 1867.
Até então o Sheffield F.C. só realizava partidas com equipes de fora da região, buscando um desafio maior. Em 30 de Novembro de 1863, o clube se associou à "Football Association", apesar de continuar a seguir suas próprias regras, adotando as regras nacionais apenas em 1878.
O melhor momento do Sheffield F.C. se deu em 1904, quando foi campeão da "FA Amateur Cup", competição criada por sugestão do próprio clube. Também foi vice-campeão na "FA Vase", em 1977, competição exclusive para os times menores do futebol inglês. O clube foi agraciado pela FIFA com a "Ordem de Mérito", recebendo a honraria de estar no "Hall da Fama", por seu papel importante na história do futebol mundial.
Atualmente o clube disputa a "Northern Premier League Division One South", afundado nas complexas castas de divisões amadoras do futebol britânico. Já o clube de futebol mais antigo de todos os tempos é o Foot-Ball Club, fundado na cidade de Edinburgh, na Escócia, em 1824.
O Notts County Football Club, fundado em 28 de novembro de 1862, na cidade de Nottinghan é o clube de futebol profissional mais antigo do mundo, perdendo para o Sheffield, que foi fundado cinco anos antes. Foi um dos fundadores da Liga inglesa.
O futebol no Nottingham Football Club começou nos Jardins de "Cremorne Gardens", quando W. Arkwright e Chas Deakin chutavam uma bola, um contra o outro, terminando empatados em 2 X 2. A Sua definição oficial como clube se deu em 1864 com o nome de Notts Football Club. No período entre 1864 e 1888, foram realizadas partidas amistosas com outros clubes da Inglaterra e Escócia. Neste período o clube chegou a ter oito atletas relacionados na seleção nacional.
O primeiro campeonato oficial disputado pelo Notts foi em 1877, quando participou da Copa da Inglaterra. Com boas apresentações, o time conseguiu chegar as semifinais em 1883 e 1884. De 1883 à 1910 o Notts mandava seus jogos na "Trent Bridge" e ocasionalmente em "Castle Cricket Ground" e na "Floresta de Town Ground", na cidade de Nottingham. Em 1910 passou a sediar seus jogos em "Meadow Lane".
Na temporada de 1890/1891 o Notts terminou em terceiro na Liga Inglesa e foi finalista na Copa, sendo derrotado por 3 X 1 pelo Blackburn Rovers. Já sua primeira conquista se deu em 1894, um ano após seu rebaixamento à segunda divisão, quando um público de 37 mil torcedores assistiu sua vitória na final da "FA Cup" (Copa da Inglaterra), frente ao Bolton pelo placar de 4 X 1, tornando-se o primeiro clube de uma Segunda Divisão a ganhar o torneio.
Em março de 1867 ocorreu o primeiro torneio de clubes: a "Youdan Cup", vencida pelo Hallam F.C.. Lá também ocorreu a primeira partida entre duas seleções fora de Londres e Glasgow: em 10 de março de 1883 se enfrentaram Inglaterra X Escócia. Por fim, foi palco das semifinais da "FA Cup" (Copa da Inglaterra) entre 1889 e 1938.
O Sheffield Wednesday, outro clube antigo de Sheffield foi fundado em 4 de setembro de 1867. Sedia seus jogos no atual "Hillsborough",que até 1914 se chamava "Owlerton Stadium". Possui capacidade para 39.859 pessoas. Nesse estádio foram disputadas partidas da Copa do Mundo de 1966, entre as seleções da Alemanha Oriental, Argentina, Suiça e Espanha, bem como o jogo das quartas de final entre Alemanha Oriental 4 X 0 Uruguai.
Em 15 de abril de 1989 nesse estádio faleceram 96 pessoas na chamada "Tragédia de Hillsborough", que aconteceu durante a partida de futebol entre o Liverpool F.C. X Nottingham Forest F.C., pelas semi-finais da Copa da Associação da Inglaterra. As 96 pessoas falecidas eram torcedoras do Liverpool FC, que acabaram sufocadas (esmagadas) pela grade que separava os torcedores do campo.
O acontecimento serviu para expressivas mudanças no futebol da Inglaterra, que até então sofria com a ação dos "Hooligans", torcedores que cometiam atos violentos durante os jogos de futebol. Depois da tragédia os clubes ingleses foram banidos de competições continentais pela UEFA, entidade máxima do futebol europeu.
Entre as principais mudanças após a tragédia, foram proibidas grades ou alambrados de separação, disponibilidade de cadeiras numeradas para acompanhar as partidas, além da abolição das "gerais", espaço onde os espectadores ficavam em pé. (Pesquisa: Nilo Dias)
"Sandygate Road", o estádio de futebol mais antigo do mundo.
Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.
domingo, 19 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Villadoniga, “El Architeto”
Segundo Villadoniga, uruguaio de Montevidéu , nascido 6 de novembro de 1915, foi um dos bons jogadores estrangeiros que atuaram no futebol brasileiro. Jogava como meia. Ele começou a carreira no Atlético Cerro, um pequeno clube uruguaio e depois se transferiu para o Montevidéu Guanderes. Ganhou destaque ao ser tricampeão uruguaio pelo Peñarol nos anos de 1935, 1936 e 1937. Foi contratado pelo Vasco da Gama, do Rio de janeiro para ser um dos destaques do time.
Na equipe carioca jogou entre os anos de 1938 e 1942, atuando ao lado de craques como Zarzur, Niginho, Bernardo Gandulla e Alfredo II. Em 1942 foi para o Palmeiras, que ainda se chamava Palestra Itália, aonde jogou até 1946. A estréia de Villadoniga pelo time alviverde foi em 26 de julho de 1942, numa vitória por 3 X 2 sobre o São Paulo Railway. Sua despedida se deu em 18 de dezembro de 1946, após triunfo sobre o River Plate, da Argentina, por 2 X 1. Em 1947 retornou ao Uruguai, encerrando a carreira em 1950, jogando pelo Peñarol.
Villadoniga ganhou o apelido de “El Architeto” devido a habilidade em armar as jogadas. Era um jogador habilidoso, altamente técnico, cheio de malícia e de invejável espírito de luta. Foi convocado diversas vezes para a Seleção Uruguaia, tendo disputado a Copa América de 1937, na Argentina, quando o seu país foi terceiro colocado.
No Palmeiras foi um grande ídolo, tendo envergado a camisa palmeirense em 134 jogos, com 79 vitórias, 27 empates e 28 derrotas, tendo marcado 50 gols. Os dados constam no "Almanaque do Palmeiras", de Celso Unzelte e Mário Venditti. Dono de uma habilidade extraordinária, foi peça decisiva na célebre partida de 1942, contra o São Paulo, quando o clube mudou de nome, deixando de ser Palestra Itália e passando a chamar-se Sociedade Esportiva Palmeiras.
Jogando pelo Peñarol foi campeão uruguaio nos anos de 1935, 1936 e 1937. Pelo Vasco da Gama conquistou o Torneio Luiz Aranha, em 1940. Ainda jogando pelo Vasco foi considerado o melhor jogador do futebol carioca, nos anos de 1939 e 1940. E pelo Palmeiras foi duas vezes campeão paulista, em 1942 e 1944 e duas vezes campeão da Taça Cidade de São Paulo, 1945 e 1946. E ainda campeão da “Taça de Campeões Rio-São Paulo” de 1942 e Torneio Início Paulista de 1946.
Depois que deixou o futebol Villadoniga foi morar em São Paulo, onde chegou a trabalhar de garçom na “Trattoria Del Michelle”, pertencente a um italiano chamado Michelle, procedente de Tívoli. O local era um reduto palmeirense, pois ficava próximo ao Parque Antártica.
Villadoniga morreu de causas naturais em 26 de outubro de 2006, aos 90 anos de idade. Ele morava na capital paulista, no bairro de Perdizes, e frequentava a sede do Palmeiras. Pouca gente sabe, mas após parar com o futebol passou a jogar bocha, tendo defendido o “Verdão” em vários campeonatos, inclusive sendo campeão interno dessa modalidade. (Pesquisa: Nilo Dias)
Na equipe carioca jogou entre os anos de 1938 e 1942, atuando ao lado de craques como Zarzur, Niginho, Bernardo Gandulla e Alfredo II. Em 1942 foi para o Palmeiras, que ainda se chamava Palestra Itália, aonde jogou até 1946. A estréia de Villadoniga pelo time alviverde foi em 26 de julho de 1942, numa vitória por 3 X 2 sobre o São Paulo Railway. Sua despedida se deu em 18 de dezembro de 1946, após triunfo sobre o River Plate, da Argentina, por 2 X 1. Em 1947 retornou ao Uruguai, encerrando a carreira em 1950, jogando pelo Peñarol.
Villadoniga ganhou o apelido de “El Architeto” devido a habilidade em armar as jogadas. Era um jogador habilidoso, altamente técnico, cheio de malícia e de invejável espírito de luta. Foi convocado diversas vezes para a Seleção Uruguaia, tendo disputado a Copa América de 1937, na Argentina, quando o seu país foi terceiro colocado.
No Palmeiras foi um grande ídolo, tendo envergado a camisa palmeirense em 134 jogos, com 79 vitórias, 27 empates e 28 derrotas, tendo marcado 50 gols. Os dados constam no "Almanaque do Palmeiras", de Celso Unzelte e Mário Venditti. Dono de uma habilidade extraordinária, foi peça decisiva na célebre partida de 1942, contra o São Paulo, quando o clube mudou de nome, deixando de ser Palestra Itália e passando a chamar-se Sociedade Esportiva Palmeiras.
Jogando pelo Peñarol foi campeão uruguaio nos anos de 1935, 1936 e 1937. Pelo Vasco da Gama conquistou o Torneio Luiz Aranha, em 1940. Ainda jogando pelo Vasco foi considerado o melhor jogador do futebol carioca, nos anos de 1939 e 1940. E pelo Palmeiras foi duas vezes campeão paulista, em 1942 e 1944 e duas vezes campeão da Taça Cidade de São Paulo, 1945 e 1946. E ainda campeão da “Taça de Campeões Rio-São Paulo” de 1942 e Torneio Início Paulista de 1946.
Depois que deixou o futebol Villadoniga foi morar em São Paulo, onde chegou a trabalhar de garçom na “Trattoria Del Michelle”, pertencente a um italiano chamado Michelle, procedente de Tívoli. O local era um reduto palmeirense, pois ficava próximo ao Parque Antártica.
Villadoniga morreu de causas naturais em 26 de outubro de 2006, aos 90 anos de idade. Ele morava na capital paulista, no bairro de Perdizes, e frequentava a sede do Palmeiras. Pouca gente sabe, mas após parar com o futebol passou a jogar bocha, tendo defendido o “Verdão” em vários campeonatos, inclusive sendo campeão interno dessa modalidade. (Pesquisa: Nilo Dias)
Villadoniga com a camisa do Palmeiras.
domingo, 12 de agosto de 2012
Bino, o "gato selvagem"
Setembrino da Costa Alves, o “Bino”, nasceu na cidade litorânea de Antonina (PR), no dia 1 de setembro de 1920, mesmo dia em que o Corinthians Paulista foi fundado. Quando “Bino” nasceu, o Corinthians tinha apenas 10 anos. Ele começou a carreira futebolística no Clube Atlético Antoninense, de sua cidade natal.
Em 1938 se transferiu para o Clube Atlético Paranaense, onde ficou até 1939, quando retornou ao time de sua terra, por lá permanecendo até 1941, ano em que se sagrou campeão pelo Antoninense.
Ainda foi vice-campeão do Paraná de Seleções em 1941, jogando pela Seleção de Antonina, evento promovido pela Federação Paranaense de Futebol. A Seleção de Antonina formava com: Bino - Argentino e Marcelo (Lídio) - Dégas - Estoquero e Sêgoa - Edgar – Birulha – Coceira - Pintado e Alcendino.
Em 1942 foi contratado pelo Coritiba F.C., ajudando o clube a conquistar o título estadual daquele ano. Em 1943 assinou com o Corinthians Paulista. Fez sua estréia pelo clube do Parque São Jorge em fevereiro de 1943, num amistoso interestadual contra o Vasco da gama, vencido pelos cariocas.
Em 1950, “Bino” foi lembrado para a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo, mas acabou não sendo convocado. A imprensa paulista dava como certa a sua convocação, mas o técnico Flávio Costa, que pertencia ao Vasco da Gama, por questões políticas deu preferência aos jogadores cariocas e mais precisamente aos atletas do próprio Vasco, que foi campeão invicto do Rio de Janeiro em 1949 e também campeão em 1950, ano da Copa. Em sua passagem pelo Corinthians, foi convocado para a Seleção Paulista.
No “timão” ficou longos nove anos, oito deles sem conhecer nenhum título. “Bino” deixou o Corinthians em 1951, tendo sido campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1950 e campeão paulista em 1951, mesmo quase não jogando. Estava com 31 anos e disputava apenas amistosos pelo interior do Brasil. O goleiro titular era “Cabeção” e o reserva imediato Gylmar, que depois se tornaria um dos maiores ídolos da história corinthiana.
Foi em sua passagem pelo Corinthians que ganhou os apelidos de “Gato Selvagem” e “Gato Preto”, devido a sua ousadia e a mania de se vestir todo de preto. Era muito rápido, arrojado, voador e capaz de realizar defesas milagrosas. Além disso, dizem que foi um arqueiro por natureza, experiente e com muita lucidez e segurança.
Pelo alvinegro paulista fez 232 jogos, com 133 vitórias, 44 empates e 55 derrotas. Sofreu 383 gols e marcou um contra, segundo números do "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte. O goleiro paranaense fez parte de um fortíssimo time corintiano: Bino - Domingos da Guia e Belacosa – Palmer - Hélio e Aleixo - Cláudio (ou Colombo) – Luizinho – Nardo - Rafael e Nelsinho (ou Noronha).
Em 1952 retornou ao Paraná, onde jogou pela A.A. Cambarense durante um ano. Em 1956 e 1957, defendeu a o S.C. Rio Branco, de Paranaguá. E de 1958 até 1962, vestiu a camisa da A.A. 29 de Maio, de Antonina, onde encerrou a carreira.
“Bino” faleceu em 30 de agosto de 1979, com 59 anos na cidade de Antonina. Ele foi homenageado com o nome de uma praça de esportes na sua cidade natal, no Bairro do Jardim Maria Luiza, próximo ao local onde iniciou sua carreira esportiva no Clube Atlético Antoninense. (Pesquisa: Nilo Dias)
Em 1938 se transferiu para o Clube Atlético Paranaense, onde ficou até 1939, quando retornou ao time de sua terra, por lá permanecendo até 1941, ano em que se sagrou campeão pelo Antoninense.
Ainda foi vice-campeão do Paraná de Seleções em 1941, jogando pela Seleção de Antonina, evento promovido pela Federação Paranaense de Futebol. A Seleção de Antonina formava com: Bino - Argentino e Marcelo (Lídio) - Dégas - Estoquero e Sêgoa - Edgar – Birulha – Coceira - Pintado e Alcendino.
Em 1942 foi contratado pelo Coritiba F.C., ajudando o clube a conquistar o título estadual daquele ano. Em 1943 assinou com o Corinthians Paulista. Fez sua estréia pelo clube do Parque São Jorge em fevereiro de 1943, num amistoso interestadual contra o Vasco da gama, vencido pelos cariocas.
Em 1950, “Bino” foi lembrado para a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo, mas acabou não sendo convocado. A imprensa paulista dava como certa a sua convocação, mas o técnico Flávio Costa, que pertencia ao Vasco da Gama, por questões políticas deu preferência aos jogadores cariocas e mais precisamente aos atletas do próprio Vasco, que foi campeão invicto do Rio de Janeiro em 1949 e também campeão em 1950, ano da Copa. Em sua passagem pelo Corinthians, foi convocado para a Seleção Paulista.
No “timão” ficou longos nove anos, oito deles sem conhecer nenhum título. “Bino” deixou o Corinthians em 1951, tendo sido campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1950 e campeão paulista em 1951, mesmo quase não jogando. Estava com 31 anos e disputava apenas amistosos pelo interior do Brasil. O goleiro titular era “Cabeção” e o reserva imediato Gylmar, que depois se tornaria um dos maiores ídolos da história corinthiana.
Foi em sua passagem pelo Corinthians que ganhou os apelidos de “Gato Selvagem” e “Gato Preto”, devido a sua ousadia e a mania de se vestir todo de preto. Era muito rápido, arrojado, voador e capaz de realizar defesas milagrosas. Além disso, dizem que foi um arqueiro por natureza, experiente e com muita lucidez e segurança.
Pelo alvinegro paulista fez 232 jogos, com 133 vitórias, 44 empates e 55 derrotas. Sofreu 383 gols e marcou um contra, segundo números do "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte. O goleiro paranaense fez parte de um fortíssimo time corintiano: Bino - Domingos da Guia e Belacosa – Palmer - Hélio e Aleixo - Cláudio (ou Colombo) – Luizinho – Nardo - Rafael e Nelsinho (ou Noronha).
Em 1952 retornou ao Paraná, onde jogou pela A.A. Cambarense durante um ano. Em 1956 e 1957, defendeu a o S.C. Rio Branco, de Paranaguá. E de 1958 até 1962, vestiu a camisa da A.A. 29 de Maio, de Antonina, onde encerrou a carreira.
“Bino” faleceu em 30 de agosto de 1979, com 59 anos na cidade de Antonina. Ele foi homenageado com o nome de uma praça de esportes na sua cidade natal, no Bairro do Jardim Maria Luiza, próximo ao local onde iniciou sua carreira esportiva no Clube Atlético Antoninense. (Pesquisa: Nilo Dias)
domingo, 5 de agosto de 2012
Vitor Baptista, o gênio louco
Vitor Baptista poderia ter sido o maior craque do futebol português em todos os tempos, a frente de Eusébio. Poderia, mas não foi. E por um motivo muito simples, deixou-se envolver pelas drogas, o álcool, as mulheres e o mundo do crime. Talvez porque alcançou a fama e ganhou muito dinheiro cedo demais. Tudo terminou para ele de forma trágica, esmolando na rua, pouco tempo antes de morrer.
Ganhou notoriedade pela sua genialidade, excentricidade, irreverência e imprevisibilidade, pois não tinha muita disciplina táctica. Isso tudo contribuiu para que ele conseguisse pular da glória à tragédia em minutos. Foi várias vezes preso, trabalhou como jardineiro, em cemitérios e como funcionário da Câmara de Setúbal para limpar as ruas. Era no Estádio da Luz, do Benfica, que dormia. Acabou sem nada, quando poderia ter tido tudo e nada conquistou.
Seu nome completo: Vitor Manuel Ferreira Baptista. A sua vida não foi nada fácil no início. Oriundo de uma família de classe operária e de pescadores, Vítor Baptista precocemente teve de começar os seus primeiros passos no mundo do trabalho árduo, primeiramente como eletricista e, mais tarde, como ajudante de marceneiro, para ajudar nas despesas de casa.
Com apenas dez anos de idade, o ainda precoce Vítor Baptista ganhou os seus primeiros trocado, levando recados de prostitutas locais, bem como, apanhando moedas que eram jogadas em uma fonte de água.
Aos 16 anos, quando trabalhava de aprendiz de eletricista e nas horas vagas jogava futebol de salão, chamou a atenção de dirigentes do Vitória, de Setubal que o contrataram por 500 escudos por mês e refeições pagas na Pensão Vitória. Talvez a perda do pai ainda cedo, tenha contribuído para tudo que aconteceu de ruim na sua vida.
Contam que num torneio de Futebol de Salão onde foi o segundo artilheiro, ficando atrás apenas de Quinito, que mais tarde foi treinador de futebol, deu o passo decisivo para a carreira de futebolista. Os olheiros do Vitória nem ficaram muito entusiasmados com ele, mas a insistência do jovem rebelde o levou ao time de Setubal.
Aos 18 anos já era titular absoluto da equipe setubalense, tendo vencido uma Taça de Portugal. Foi quando o técnico José Maria Pedroto o convocou para a seleção nacional de Juniores.
Não demorou para chamar a atenção do Benfica, clube para quem se transferiu na maior transação do futebol português na época. O passe de Baptista custou aos cofres benfiquenses três mil contos e mais três jogadores, entre eles o lendário José Torres. Os outros dois foram Praia e Martine. Baptista recebeu luvas no valor de 750 contos e um salário de 8 contos de réis. No Vitória ganhava 2 contos e 500 por mês.
Nesse tempo Vitor Baptista era ainda uma espécie de “menino grande. Para ele, a vida era uma brincadeira, um grande jogo. Tinha coração de ouro, dava a camisa pelos amigos, mas não levava as coisas a sério. Isso haveria de lhe ser fatal.
Uma das muitas histórias que contam sobre Baptista aconteceu num jogo no Estádio das Antas. O técnico Pedroto, no intervalo de uma partida contra o Porto, acendeu um cigarro com um isqueiro de ouro que Vitor Baptista cobiçou. O técnico prometeu-lhe a preciosidade se ele fizesse dois gols. E marcou mesmo, e ao segundo correu para o banco de reservas a reivindicar o prêmio.
Uma das histórias mais impressionantes ocorridas com Baptista aconteceu num clássico contra o Sporting. O atacante do Benfica recebeu uma bola no peito, deu um lençol num adversário, driblou outro e desferiu um petardo para o fundo da rede. Foi quando notou que havia perdido um brinco de ouro e diamante, que custou mais de 10 contos, quantia expressiva para a época. Baptista fez o jogo parar e os atletas dos dois times, o juiz Rosa Santos e os bandeirinhas procuraram a jóia por longos 15 minutos, sem sucesso. Ao final do jogo reclamou: “O brinco valia 12 contos e o prêmio do jogo só 8”.
Ainda assim, pegou seu carro e foi para um restaurante, onde pediu um vinho da melhor qualidade e uma lagosta. Como virou atração e todos os clientes não lhe tiravam o olhar, bebeu o vinho de um só gole e foi embora.
No Benfica ele alternou momentos de rara qualidade com outros que haveriam de o levar à decadência: muitos foram os episódios envolvendo dinheiro, carros, álcool, mulheres e drogas, enfim um cocktail verdadeiramente explosivo e pouco condizente com a vida de um profissional de futebol.
Mesmo jogando em Lisboa, Vítor Baptista preferia morar em Setubal. Comprou um carro “Jaguar” por 150 contos e nos primeiros tempos arranjou um motorista para o conduzir aos treinos. Um motorista com boné, para delírio dos gozadores companheiros de equipe..
Contam que depois dos treinos do Benfica, Vítor Baptista costumava dar algumas voltas com seu “Jaguar”, em redor do Estádio da Luz. Dizia que não era por vaidade, mas sim para secar o cabelo.
Em Outubro de 1976, Vítor Baptista ao renovar seu contrato com o Benfica, deu uma a entrevista ao jornal “A Bola”, quando disse que era o melhor jogador português, citando outros bons, como o Chalana, mas afirmando que ele era o melhor. Foi quando começou a surgir uma lenda no cenário futebolístico português.
O homem era mesmo bom de bola. E também mestre em soltar pérolas como esta, em que, a propósito de um gol que tinha sido atribuído a Eusébio: "O gol foi meu. Eu tava entalado junto à linha de fundo e vi logo que se passasse a bola ao Eusébio ele a perderia. Por isso, fiz pontaria na cabeça do “gajo” e rematei com força. A bola só tabelou na cabeça dele, portanto o gol é meu!"
Suas atitudes impressionavam, parecendo agir como se estivesse fora do normal. Talvez por efeitos das drogas. Um dia amarrou um cão a trave de uma goleira do Estádio da Luz, antes de um treino matinal do Benfica, com os companheiros, direção técnica e alguns torcedores todos de boca aberta, face tamanha atitude. Já ninguém ligava para os seus atos. Houve um jogo em Portimão, que Victor Batista foi expulso por cuspir em um adversário. Mesmo com 10 jogadores em campo, o Benfica acabaou por vencer a muito custo.
Na sua irreverência, Vítor Baptista quando não era escalado para sair jogando, pegava o que era seu e ia embora. Nunca aceitou ser reserva.
No primeiro jogo do Benfica contra o Liverpool, pelas eliminatórias da “Taça dos Campeões da Europa” de 1978, Baptista não quis jogar e simulou uma lesão, fato que quase causou sua expulsão do clube. Isso não aconteceu porque os jogadores Humberto e Toni, seus grandes amigos, evitaram. Esse foi um dos momentos mais difíceis da relação entre Vitor Baptista e o Benfica. O Benfica perdeu o jogo. O jogador Toni confessou à imprensa que a lesão de Baptista era simulada e que ele era um ingrato em relação ao Benfica.
Tudo aconteceu porque ele pediu um “Porsche Carrera” e 650 contos mensais para renovar contrato com o Benfica. O clube concordou em dar o carro, mas não aceitou as pretensões salariais, oferecendo 550 contos. Baptista não quis e logo depois do jogo contra o Liverpool preferiu voltar ao Vitória, de Setubal para ganhar 100 contos de réis por mês. Foi o início do fim.
O primeiro gol que marcou pelo Benfica foi exatamente contra seu ex-clube, o Vitória, de Setubal. Ao longo das sete temporadas em que defendeu o Benfica, participou de 150 jogos oficiais, tendo marcado 62 gols. O seu último gol pelo Benfica foi frente ao rival Sporting num jogo realizado no Estádio da Luz a 12 de Fevereiro de 1978.
Quando dessa sua nova estada no Vitória, dois companheiros de equipe contam que o viram frente a um espelho, dizendo para si mesmo: “Ó meu Deus, porque me fizeste tão belo?" Foi quando nasceu o apelido de “Meu Deus”. E devido a algumas fanfarronices, também lhe chamavam de “Gargantas”. Ainda ganhou outros apelidos: ”O rapaz do brinco” e “O rapaz dos pés de ouro”. Mas para si mesmo era apenas “O Maior”. E isso resumia a sua vida. O maior, para o bem e para o mal.
Depois foi para o Bessa, onde, para variar também se desentendeu com relação a salários. Nesse tempo já andava envolvido com drogas pesadas.
Numa excursão do Benfica à Russia recusou-se a entrar em campo, pois os russos pareciam-lhe amadores, e ele dizia que só jogava contra profissionais. Apresentou-se no aeroporto vestindo calças rotas, enquanto todos os outros jogadores vestiam ternos. E não atendeu aos apelos dos companheiros para que trocasse de roupa.
No regresso a Portugal, organizou uma tourada em Setubal. Estádio cheio, com populares lotando às arquibancadas. Eis que de repente aparece Vitor Baptista sobressaltado. Tinha-se esquecido dos touros.
Quando jogou no Boavista, aparecia nos treinos de “Jaguar”, vestido com terno, gravata e chinelos de dedo. No União de Tomar, onde também jogou, reza a lenda que expulsou várias vezes o treinador do vestiário, pois simplesmente não gostava de ouvir sua voz.
Em 1980, a convite de António Simões, foi parar no San Jose Earthquakes, nos Estados Unidos, onde jogou com George Best, Guus Hiddink, Milan Mandaric e Bill Foulkes, entre outros. Apesar do contrato de 2,5 milhões de dólares e de um luxuoso “Corvette” conversível, Baptista não ficou muito tempo por lá: foram apenas dois jogos e o regresso a Lisboa.
Em Portugal jogou ainda no Amora, no Montijo, na Universidade Tomar, no Monte da Caparica e acabou nos regionais, defendendo o amador Estrelas do Faralhão, onde ganhava só para comer. Nesses clubes quase nunca viu a cor do dinheiro. Para alimentar a dependência da droga e do álcool começou a roubar, sendo preso várias vezes. Mas não deixou nunca de ser um rebelde, um gênio louco, que brigava facilmente com os seus treinadores.
Alguns exemplos: Mário Wilson em 1975, John Mortimore e José Maria Pedroto em 1976 e Juca, que era o técnico da seleção português, em 1977. Com este passou todos os limites. Chegou atrasado ao treino e ainda insultou o técnico, chamando-o de maluco, na frente dos colegas de time. Jogou pela seleção portuguesa em apenas por onze vezes. Devido a esse desentendimento com Juca, foi afastado definitivamente da representação nacional.
Vitor Baptista nasceu em São Julião / Setúbal, Portugal, no dia 18 de Outubro de 1948 e faleceu a 1 de Janeiro de 1999, aos 50 anos de idade, devido a um acidente vascular cerebral. A sua morte foi confirmada pelo diretor do Hospital Distrital de Setúbal, às 11h20min da manhã de 1 de Janeiro de 1999, após ter sido hospitalizado nas vésperas de Ano Novo, em pleno estado de coma.
Ele foi sepultado no dia seguinte no cemitério de Algeruz, na sua terra natal, Setúbal. Muitos foram os que se fizeram presentes ao ato. Por ser uma das lendas do futebol português, todos os jogos da primeira divisão começaram com um minuto de silêncio, em sua homenagem.
Tinha 1,78 m, pesava 76 quilos e jogava como atacante. Em sua atribulada carreira defendeu os seguintes clubes:
1966/1967, Vitória, de Setubal, nenhum jogo e nenhum gol. 1967/1968, Vitória, de Setúbal, 15 Jogos e nenhum gol. 1968/1969, Vitória, de Setubal, 17 jogos e nenhum gol. 1969/1970, Vitória, de Setúbal, 22 jogos e 11 gols. 1970/1971, Vitória, de Setubal, 26 jogos e 22 gols. 1971/1972, Benfica, 17 jogos e 9 gols. 1972/1973, Benfica, 14 jogos e 6 gols. 1973/1974, Benfica, 21 jogos e 9 gols. 1974/1975, Benfica, 23 jogos e 3 gols. 1975/1976, Benfica, 16 jogos e 9 gols. 1976/1977, Benfica, 6 jogos e 6 gols. 1977/1978, Benfica, 15 jogos e 8 gols. 1978/1979, Vitória, de Setubal, 19 jogos e 7 gols. 1979/1980, Boavista, 15 jogos e 8 gols. 1980, San Jose Earthquakes (EUA), 2 jogos e ? gols. 1980/1981, Amora, 4 Jogos e nenhum gol. 1981/1982, Montijo (jogador e treinador), ? jogos e ? gols. 1982/1983, Universidade Tomar, ? jogos e ? gols. 1983/1984, Monte da Caparica, ? jogos e ? gols. 1985/1986, Estrelas Faralhão, ? jogos e ? gols. E encerrando a carreira, 1984/1985, Estrelas Faralhão, ? jogos e ? gols. Estava com 37 anos de idade.
Títulos conquistados: Taça de Portugal, em 198/1967, pelo Vitória, de Setubal; Campeonato de Portugal, pelo Benfica: 1971/72, 1972/73, 1974/75, 1975/76, 1976/77 e Taça de Portugal, também pelo Benfica, em 1971/72.
A fama de Vitor Baptista foi tão grande, que mereceu até uma música, de autoria de José Jorge Letria (letra) e Vitorino (música). “Rapaz do brinco”:
Eras o rapaz do brinco/Eras o herói da tarde/Driblador cheio de afinco/Médio seguro ou trinco/Da alegria dessa idade/Eras a festa do jogo,/Com o resultado incerto,/Entre a água e o fogo,/Adeus Vítor até logo/Que a vitória andou perto.
Eras o brinco perdido/Na parcela do relvado/Onde em sonhos tidas lido/As promessas sem sentido/De um contrato renovado.
Eras o ponta de lança/Da infância sem ternura,/O campeão que foi esperança/E essa eterna criança/Sempre às portas da loucura/Foste a sombra do que eras,/A carreira interrompida,/Gazela no meio das feras,/A ruína das quimeras,/Destroço de um fim de vida.
Foste esse brinco perdido/Em grande tarde de glória/E podias ter vencido,/Mesmo vergado e rendido/Pelas traições da memória.
Foste o brinco jóia rara/Desse tempo de conquista;/A loucura sai tão cara/E se a grandeza é tão rara/Que viva o Vítor Baptista.
Desperdiçou dinheiro aos montes, envolveu-se em crimes, foi preso e nunca largou o consumo excessivo de drogas. Toda a gente o tentou ajudar, mas ele nunca resistiu aos apelos da má vida. Um dos melhores exemplos de um colega que sempre o admirou e quis ajudar foi Toni que chegou a dizer: “ele poderia estar coberto de ouro, tal era o seu talento, mas deixou-se levar por pessoas que se diziam amigas e a droga o destruiu”.
Vitor Baptista também foi tema de um livro que retrata e descreve a vida e a carreira desportiva de um homem e extraordinário jogador de futebol, cuja trajetória e percurso futebolísticos foi feito de altos e baixos, de glórias e tristezas, acabando por culminar de forma dramática, para não dizer trágica, na morte, aos 50 anos.
O livro que tem como título ”Vitor Baptista o Maior” começa com uma introdução na qual é registrada a vida e a carreira de Vítor Baptista, tendo o autor e jornalista Frederico Duarte Carvalho (do semanário "Tal&Qual") consultado jornais desportivos da época. A seguir, é apresentada uma longa entrevista de 5 horas de duração, feita pelo autor ao próprio Vítor Baptista, por sinal a última entrevista dada por este em vida, a qual se realizou na Páscoa de 1998, poucos meses antes da sua morte. E o livro termina apresentando uma biografia do jogador, com fotos de arquivo dos jornais "Record" e "O Benfica", do "24 Horas" e do semanário "Tal&Qual".
A vida atribulada e acidentada que Vítor Baptista levou e que o conduziu a uma morte prematura, e acima de tudo a um final de vida degradante e humilhante, deve servir de alerta e um sério aviso para muitos jovens jogadores que enveredam pelo futebol profissional, no sentido de não incorrerem nos mesmos erros e tentações daquele grande jogador dos anos 70. (Pesquisa: Nilo Dias)
Ganhou notoriedade pela sua genialidade, excentricidade, irreverência e imprevisibilidade, pois não tinha muita disciplina táctica. Isso tudo contribuiu para que ele conseguisse pular da glória à tragédia em minutos. Foi várias vezes preso, trabalhou como jardineiro, em cemitérios e como funcionário da Câmara de Setúbal para limpar as ruas. Era no Estádio da Luz, do Benfica, que dormia. Acabou sem nada, quando poderia ter tido tudo e nada conquistou.
Seu nome completo: Vitor Manuel Ferreira Baptista. A sua vida não foi nada fácil no início. Oriundo de uma família de classe operária e de pescadores, Vítor Baptista precocemente teve de começar os seus primeiros passos no mundo do trabalho árduo, primeiramente como eletricista e, mais tarde, como ajudante de marceneiro, para ajudar nas despesas de casa.
Com apenas dez anos de idade, o ainda precoce Vítor Baptista ganhou os seus primeiros trocado, levando recados de prostitutas locais, bem como, apanhando moedas que eram jogadas em uma fonte de água.
Aos 16 anos, quando trabalhava de aprendiz de eletricista e nas horas vagas jogava futebol de salão, chamou a atenção de dirigentes do Vitória, de Setubal que o contrataram por 500 escudos por mês e refeições pagas na Pensão Vitória. Talvez a perda do pai ainda cedo, tenha contribuído para tudo que aconteceu de ruim na sua vida.
Contam que num torneio de Futebol de Salão onde foi o segundo artilheiro, ficando atrás apenas de Quinito, que mais tarde foi treinador de futebol, deu o passo decisivo para a carreira de futebolista. Os olheiros do Vitória nem ficaram muito entusiasmados com ele, mas a insistência do jovem rebelde o levou ao time de Setubal.
Aos 18 anos já era titular absoluto da equipe setubalense, tendo vencido uma Taça de Portugal. Foi quando o técnico José Maria Pedroto o convocou para a seleção nacional de Juniores.
Não demorou para chamar a atenção do Benfica, clube para quem se transferiu na maior transação do futebol português na época. O passe de Baptista custou aos cofres benfiquenses três mil contos e mais três jogadores, entre eles o lendário José Torres. Os outros dois foram Praia e Martine. Baptista recebeu luvas no valor de 750 contos e um salário de 8 contos de réis. No Vitória ganhava 2 contos e 500 por mês.
Nesse tempo Vitor Baptista era ainda uma espécie de “menino grande. Para ele, a vida era uma brincadeira, um grande jogo. Tinha coração de ouro, dava a camisa pelos amigos, mas não levava as coisas a sério. Isso haveria de lhe ser fatal.
Uma das muitas histórias que contam sobre Baptista aconteceu num jogo no Estádio das Antas. O técnico Pedroto, no intervalo de uma partida contra o Porto, acendeu um cigarro com um isqueiro de ouro que Vitor Baptista cobiçou. O técnico prometeu-lhe a preciosidade se ele fizesse dois gols. E marcou mesmo, e ao segundo correu para o banco de reservas a reivindicar o prêmio.
Uma das histórias mais impressionantes ocorridas com Baptista aconteceu num clássico contra o Sporting. O atacante do Benfica recebeu uma bola no peito, deu um lençol num adversário, driblou outro e desferiu um petardo para o fundo da rede. Foi quando notou que havia perdido um brinco de ouro e diamante, que custou mais de 10 contos, quantia expressiva para a época. Baptista fez o jogo parar e os atletas dos dois times, o juiz Rosa Santos e os bandeirinhas procuraram a jóia por longos 15 minutos, sem sucesso. Ao final do jogo reclamou: “O brinco valia 12 contos e o prêmio do jogo só 8”.
Ainda assim, pegou seu carro e foi para um restaurante, onde pediu um vinho da melhor qualidade e uma lagosta. Como virou atração e todos os clientes não lhe tiravam o olhar, bebeu o vinho de um só gole e foi embora.
No Benfica ele alternou momentos de rara qualidade com outros que haveriam de o levar à decadência: muitos foram os episódios envolvendo dinheiro, carros, álcool, mulheres e drogas, enfim um cocktail verdadeiramente explosivo e pouco condizente com a vida de um profissional de futebol.
Mesmo jogando em Lisboa, Vítor Baptista preferia morar em Setubal. Comprou um carro “Jaguar” por 150 contos e nos primeiros tempos arranjou um motorista para o conduzir aos treinos. Um motorista com boné, para delírio dos gozadores companheiros de equipe..
Contam que depois dos treinos do Benfica, Vítor Baptista costumava dar algumas voltas com seu “Jaguar”, em redor do Estádio da Luz. Dizia que não era por vaidade, mas sim para secar o cabelo.
Em Outubro de 1976, Vítor Baptista ao renovar seu contrato com o Benfica, deu uma a entrevista ao jornal “A Bola”, quando disse que era o melhor jogador português, citando outros bons, como o Chalana, mas afirmando que ele era o melhor. Foi quando começou a surgir uma lenda no cenário futebolístico português.
O homem era mesmo bom de bola. E também mestre em soltar pérolas como esta, em que, a propósito de um gol que tinha sido atribuído a Eusébio: "O gol foi meu. Eu tava entalado junto à linha de fundo e vi logo que se passasse a bola ao Eusébio ele a perderia. Por isso, fiz pontaria na cabeça do “gajo” e rematei com força. A bola só tabelou na cabeça dele, portanto o gol é meu!"
Suas atitudes impressionavam, parecendo agir como se estivesse fora do normal. Talvez por efeitos das drogas. Um dia amarrou um cão a trave de uma goleira do Estádio da Luz, antes de um treino matinal do Benfica, com os companheiros, direção técnica e alguns torcedores todos de boca aberta, face tamanha atitude. Já ninguém ligava para os seus atos. Houve um jogo em Portimão, que Victor Batista foi expulso por cuspir em um adversário. Mesmo com 10 jogadores em campo, o Benfica acabaou por vencer a muito custo.
Na sua irreverência, Vítor Baptista quando não era escalado para sair jogando, pegava o que era seu e ia embora. Nunca aceitou ser reserva.
No primeiro jogo do Benfica contra o Liverpool, pelas eliminatórias da “Taça dos Campeões da Europa” de 1978, Baptista não quis jogar e simulou uma lesão, fato que quase causou sua expulsão do clube. Isso não aconteceu porque os jogadores Humberto e Toni, seus grandes amigos, evitaram. Esse foi um dos momentos mais difíceis da relação entre Vitor Baptista e o Benfica. O Benfica perdeu o jogo. O jogador Toni confessou à imprensa que a lesão de Baptista era simulada e que ele era um ingrato em relação ao Benfica.
Tudo aconteceu porque ele pediu um “Porsche Carrera” e 650 contos mensais para renovar contrato com o Benfica. O clube concordou em dar o carro, mas não aceitou as pretensões salariais, oferecendo 550 contos. Baptista não quis e logo depois do jogo contra o Liverpool preferiu voltar ao Vitória, de Setubal para ganhar 100 contos de réis por mês. Foi o início do fim.
O primeiro gol que marcou pelo Benfica foi exatamente contra seu ex-clube, o Vitória, de Setubal. Ao longo das sete temporadas em que defendeu o Benfica, participou de 150 jogos oficiais, tendo marcado 62 gols. O seu último gol pelo Benfica foi frente ao rival Sporting num jogo realizado no Estádio da Luz a 12 de Fevereiro de 1978.
Quando dessa sua nova estada no Vitória, dois companheiros de equipe contam que o viram frente a um espelho, dizendo para si mesmo: “Ó meu Deus, porque me fizeste tão belo?" Foi quando nasceu o apelido de “Meu Deus”. E devido a algumas fanfarronices, também lhe chamavam de “Gargantas”. Ainda ganhou outros apelidos: ”O rapaz do brinco” e “O rapaz dos pés de ouro”. Mas para si mesmo era apenas “O Maior”. E isso resumia a sua vida. O maior, para o bem e para o mal.
Depois foi para o Bessa, onde, para variar também se desentendeu com relação a salários. Nesse tempo já andava envolvido com drogas pesadas.
Numa excursão do Benfica à Russia recusou-se a entrar em campo, pois os russos pareciam-lhe amadores, e ele dizia que só jogava contra profissionais. Apresentou-se no aeroporto vestindo calças rotas, enquanto todos os outros jogadores vestiam ternos. E não atendeu aos apelos dos companheiros para que trocasse de roupa.
No regresso a Portugal, organizou uma tourada em Setubal. Estádio cheio, com populares lotando às arquibancadas. Eis que de repente aparece Vitor Baptista sobressaltado. Tinha-se esquecido dos touros.
Quando jogou no Boavista, aparecia nos treinos de “Jaguar”, vestido com terno, gravata e chinelos de dedo. No União de Tomar, onde também jogou, reza a lenda que expulsou várias vezes o treinador do vestiário, pois simplesmente não gostava de ouvir sua voz.
Em 1980, a convite de António Simões, foi parar no San Jose Earthquakes, nos Estados Unidos, onde jogou com George Best, Guus Hiddink, Milan Mandaric e Bill Foulkes, entre outros. Apesar do contrato de 2,5 milhões de dólares e de um luxuoso “Corvette” conversível, Baptista não ficou muito tempo por lá: foram apenas dois jogos e o regresso a Lisboa.
Em Portugal jogou ainda no Amora, no Montijo, na Universidade Tomar, no Monte da Caparica e acabou nos regionais, defendendo o amador Estrelas do Faralhão, onde ganhava só para comer. Nesses clubes quase nunca viu a cor do dinheiro. Para alimentar a dependência da droga e do álcool começou a roubar, sendo preso várias vezes. Mas não deixou nunca de ser um rebelde, um gênio louco, que brigava facilmente com os seus treinadores.
Alguns exemplos: Mário Wilson em 1975, John Mortimore e José Maria Pedroto em 1976 e Juca, que era o técnico da seleção português, em 1977. Com este passou todos os limites. Chegou atrasado ao treino e ainda insultou o técnico, chamando-o de maluco, na frente dos colegas de time. Jogou pela seleção portuguesa em apenas por onze vezes. Devido a esse desentendimento com Juca, foi afastado definitivamente da representação nacional.
Vitor Baptista nasceu em São Julião / Setúbal, Portugal, no dia 18 de Outubro de 1948 e faleceu a 1 de Janeiro de 1999, aos 50 anos de idade, devido a um acidente vascular cerebral. A sua morte foi confirmada pelo diretor do Hospital Distrital de Setúbal, às 11h20min da manhã de 1 de Janeiro de 1999, após ter sido hospitalizado nas vésperas de Ano Novo, em pleno estado de coma.
Ele foi sepultado no dia seguinte no cemitério de Algeruz, na sua terra natal, Setúbal. Muitos foram os que se fizeram presentes ao ato. Por ser uma das lendas do futebol português, todos os jogos da primeira divisão começaram com um minuto de silêncio, em sua homenagem.
Tinha 1,78 m, pesava 76 quilos e jogava como atacante. Em sua atribulada carreira defendeu os seguintes clubes:
1966/1967, Vitória, de Setubal, nenhum jogo e nenhum gol. 1967/1968, Vitória, de Setúbal, 15 Jogos e nenhum gol. 1968/1969, Vitória, de Setubal, 17 jogos e nenhum gol. 1969/1970, Vitória, de Setúbal, 22 jogos e 11 gols. 1970/1971, Vitória, de Setubal, 26 jogos e 22 gols. 1971/1972, Benfica, 17 jogos e 9 gols. 1972/1973, Benfica, 14 jogos e 6 gols. 1973/1974, Benfica, 21 jogos e 9 gols. 1974/1975, Benfica, 23 jogos e 3 gols. 1975/1976, Benfica, 16 jogos e 9 gols. 1976/1977, Benfica, 6 jogos e 6 gols. 1977/1978, Benfica, 15 jogos e 8 gols. 1978/1979, Vitória, de Setubal, 19 jogos e 7 gols. 1979/1980, Boavista, 15 jogos e 8 gols. 1980, San Jose Earthquakes (EUA), 2 jogos e ? gols. 1980/1981, Amora, 4 Jogos e nenhum gol. 1981/1982, Montijo (jogador e treinador), ? jogos e ? gols. 1982/1983, Universidade Tomar, ? jogos e ? gols. 1983/1984, Monte da Caparica, ? jogos e ? gols. 1985/1986, Estrelas Faralhão, ? jogos e ? gols. E encerrando a carreira, 1984/1985, Estrelas Faralhão, ? jogos e ? gols. Estava com 37 anos de idade.
Títulos conquistados: Taça de Portugal, em 198/1967, pelo Vitória, de Setubal; Campeonato de Portugal, pelo Benfica: 1971/72, 1972/73, 1974/75, 1975/76, 1976/77 e Taça de Portugal, também pelo Benfica, em 1971/72.
A fama de Vitor Baptista foi tão grande, que mereceu até uma música, de autoria de José Jorge Letria (letra) e Vitorino (música). “Rapaz do brinco”:
Eras o rapaz do brinco/Eras o herói da tarde/Driblador cheio de afinco/Médio seguro ou trinco/Da alegria dessa idade/Eras a festa do jogo,/Com o resultado incerto,/Entre a água e o fogo,/Adeus Vítor até logo/Que a vitória andou perto.
Eras o brinco perdido/Na parcela do relvado/Onde em sonhos tidas lido/As promessas sem sentido/De um contrato renovado.
Eras o ponta de lança/Da infância sem ternura,/O campeão que foi esperança/E essa eterna criança/Sempre às portas da loucura/Foste a sombra do que eras,/A carreira interrompida,/Gazela no meio das feras,/A ruína das quimeras,/Destroço de um fim de vida.
Foste esse brinco perdido/Em grande tarde de glória/E podias ter vencido,/Mesmo vergado e rendido/Pelas traições da memória.
Foste o brinco jóia rara/Desse tempo de conquista;/A loucura sai tão cara/E se a grandeza é tão rara/Que viva o Vítor Baptista.
Desperdiçou dinheiro aos montes, envolveu-se em crimes, foi preso e nunca largou o consumo excessivo de drogas. Toda a gente o tentou ajudar, mas ele nunca resistiu aos apelos da má vida. Um dos melhores exemplos de um colega que sempre o admirou e quis ajudar foi Toni que chegou a dizer: “ele poderia estar coberto de ouro, tal era o seu talento, mas deixou-se levar por pessoas que se diziam amigas e a droga o destruiu”.
Vitor Baptista também foi tema de um livro que retrata e descreve a vida e a carreira desportiva de um homem e extraordinário jogador de futebol, cuja trajetória e percurso futebolísticos foi feito de altos e baixos, de glórias e tristezas, acabando por culminar de forma dramática, para não dizer trágica, na morte, aos 50 anos.
O livro que tem como título ”Vitor Baptista o Maior” começa com uma introdução na qual é registrada a vida e a carreira de Vítor Baptista, tendo o autor e jornalista Frederico Duarte Carvalho (do semanário "Tal&Qual") consultado jornais desportivos da época. A seguir, é apresentada uma longa entrevista de 5 horas de duração, feita pelo autor ao próprio Vítor Baptista, por sinal a última entrevista dada por este em vida, a qual se realizou na Páscoa de 1998, poucos meses antes da sua morte. E o livro termina apresentando uma biografia do jogador, com fotos de arquivo dos jornais "Record" e "O Benfica", do "24 Horas" e do semanário "Tal&Qual".
A vida atribulada e acidentada que Vítor Baptista levou e que o conduziu a uma morte prematura, e acima de tudo a um final de vida degradante e humilhante, deve servir de alerta e um sério aviso para muitos jovens jogadores que enveredam pelo futebol profissional, no sentido de não incorrerem nos mesmos erros e tentações daquele grande jogador dos anos 70. (Pesquisa: Nilo Dias)
segunda-feira, 16 de julho de 2012
O legendário "Tarzan"
Otacílio Batista do Nascimento, o “Tarzan”, foi um chefe de torcida do Botafogo, do Rio de Janeiro, nos tempos gloriosos do clube da estrela solitária. Nasceu em Minas Gerais em 1927 e faleceu no Rio de Janeiro em 1990, aos 63 anos de idade. Em Belo Horizonte, Otacílio era camelô e torcedor do Atlético Mineiro.
Ao assistir um jogo entre Atlético X Vila Nova, entusiasmou-se pela atuação do jogador Guará, e passou a fazer parte da torcida atleticana. Mudando-se para o Rio de Janeiro, depois de andar por Minas Gerais e São Paulo, logo se tornou torcedor do Botafogo, porque tinha as mesmas cores que o “Galo” mineiro.
Quando criança Otacílio tinha o apelido de "Botafogo", nome que em Minas Gerais é associado a alguém que seja provocador de discórdias ou suscitador de rixas. E escolheu precisamente um clube adequado ao seu apelido de infância – o Botafogo de Futebol e Regatas.
Já o apelido "Tarzan", surgiu graças a mania que tinha de amarrar um feixe de palha de milho a um barbante, pedindo aos empregados da fazenda do pai que lhe ateassem fogo, e agarrado à outra ponta, ele saia correndo. Esse era um dos seus divertimentos preferidos, pois gostava de ver a fumaceira e as fagulhas que se formavam.
Como bom torcedor, “Tarzan” acompanhou o Botafogo em todas as partidas desde 1953. Mas foi somente quatro anos depois, em 1957, que começou a entrar nos estádios carregando bandeiras e fogos de estampido. Não demorou para que o aclamassem chefe da torcida do alvinegro. Essa devoção pelo clube custava caro.
A antiga atleta de basquete e também torcedora do Botafogo, Ivone Santos, chegou a comentar que se o time continuasse muito tempo na liderança do campeonato, “Tarzan” certamente iria a falência, tais os gastos com os fogos. Mas “Tarzan” não ficou preocupado e disse que aquilo que gastava com o clube recebia de retorno multiplicado, “pois mais vale uma satisfação que dinheiro amealhado.”
Sua posição de líder da torcida, permitia que discutisse com a imprensa os problemas do Botafogo. Ele fazia comícios, opinava, acusava, elogiava e aplaudia sempre que fosse caso disso. “Tarzan” não poupava nem mesmo os maiores craques do time. Ele considerava “Garrincha” um péssimo exemplo para os jovens. Também não livrou Didi, Quarentinha e Zagallo por várias razões.
Se dependesse dele, todos esses jogadores teriam sido vendidos. E, se contasse com força no Conselho Deliberativo, teria afastado os dirigentes que na sua opinião impediam o crescimento do clube.
Por suas posições fortes, “Tarzan” enfrentou muitas dificuldades. Havia gente que não gostava de suas manifestações em defesa do Botafogo, tanto dentro de campo, onde comparecia com uma charanga e profuso foguetório, quer nas ruas, quando as autoridades agiam violentamente para o impedir de vender e ganhar a vida. “Tarzan” era camelô.
A sua vida foi atribulada, mas “Tarzan” defendia-se dizendo que se o tratassem bem não haveria brigas. Mas como sempre dois ou três o atacavam sem motivos, aos murros e pontapés, reagia à altura. E depois acabava preso e processado. Mas nunca foi condenado, porque os juízes sempre reconheceram que agira em legítima defesa.
A figura de “Tarzan” como torcedor apaixonado mereceu respeito e admiração até dos torcedores rivais. A torcida do Vasco da Gama o agraciou com um escudo de ouro do clube, em 1957. A do América lhe deu uma flâmula representativa do clube, em 1959. E a do Flamengo o presenteou com um belo quadro de seu clube, em 1962.
Embora tivesse um bom relacionamento com o Flamengo, foi “Tarzan” quem lançou o apelido de “Urubu” ao clube rubro-negro, alusão racista à grande massa de torcedores rubro-negros afro-descendentes e pobres. Tal apelido de cunho ofensivo nunca foi bem recebido pela torcida do Flamengo até o dia 31 de maio de 1969.
Era um domingo, quando os torcedores rubro-negros Luiz Otávio Vaz, Romilson Meirelles e Victor Ellery resolveram levar a ave para um jogo entre o Flamengo e Botafogo no Maracanã. Na época, os dois clubes faziam o clássico de maior rivalidade pós-Garrincha e o Flamengo não vencia o rival havia dois anos. Nas arquibancadas, os torcedores do Botafogo gritavam, como sempre, que o Flamengo era time de "urubu".
O urubu foi solto na arquibancada com uma bandeira presa nos pés, e quando caiu no gramado, pouco antes do jogo iniciar, a torcida fez a festa, vibrando e gritando: "é urubu, é urubu". O Flamengo venceu o jogo por 2 X 1, numa partida que marcou também a estréia de Doval.
E, a partir daí, o novo mascote consagrou-se, tomando o lugar do "Popeye". O cartunista Henfil, rubro-negro, tratou de humanizá-lo em suas charges esportivas em jornais e revistas, e o Urubu tornou-se um mascote popular.
Em 9 de setembro de 1969, a torcida organizada pelo legendário “Tarzan”, motivou a fundação do Grêmio Recreativo Torcida Jovem do Botafogo (TJB), que até hoje é a mais antiga em atividade. (Pesquisa: Nilo Dias)
Ao assistir um jogo entre Atlético X Vila Nova, entusiasmou-se pela atuação do jogador Guará, e passou a fazer parte da torcida atleticana. Mudando-se para o Rio de Janeiro, depois de andar por Minas Gerais e São Paulo, logo se tornou torcedor do Botafogo, porque tinha as mesmas cores que o “Galo” mineiro.
Quando criança Otacílio tinha o apelido de "Botafogo", nome que em Minas Gerais é associado a alguém que seja provocador de discórdias ou suscitador de rixas. E escolheu precisamente um clube adequado ao seu apelido de infância – o Botafogo de Futebol e Regatas.
Já o apelido "Tarzan", surgiu graças a mania que tinha de amarrar um feixe de palha de milho a um barbante, pedindo aos empregados da fazenda do pai que lhe ateassem fogo, e agarrado à outra ponta, ele saia correndo. Esse era um dos seus divertimentos preferidos, pois gostava de ver a fumaceira e as fagulhas que se formavam.
Como bom torcedor, “Tarzan” acompanhou o Botafogo em todas as partidas desde 1953. Mas foi somente quatro anos depois, em 1957, que começou a entrar nos estádios carregando bandeiras e fogos de estampido. Não demorou para que o aclamassem chefe da torcida do alvinegro. Essa devoção pelo clube custava caro.
A antiga atleta de basquete e também torcedora do Botafogo, Ivone Santos, chegou a comentar que se o time continuasse muito tempo na liderança do campeonato, “Tarzan” certamente iria a falência, tais os gastos com os fogos. Mas “Tarzan” não ficou preocupado e disse que aquilo que gastava com o clube recebia de retorno multiplicado, “pois mais vale uma satisfação que dinheiro amealhado.”
Sua posição de líder da torcida, permitia que discutisse com a imprensa os problemas do Botafogo. Ele fazia comícios, opinava, acusava, elogiava e aplaudia sempre que fosse caso disso. “Tarzan” não poupava nem mesmo os maiores craques do time. Ele considerava “Garrincha” um péssimo exemplo para os jovens. Também não livrou Didi, Quarentinha e Zagallo por várias razões.
Se dependesse dele, todos esses jogadores teriam sido vendidos. E, se contasse com força no Conselho Deliberativo, teria afastado os dirigentes que na sua opinião impediam o crescimento do clube.
Por suas posições fortes, “Tarzan” enfrentou muitas dificuldades. Havia gente que não gostava de suas manifestações em defesa do Botafogo, tanto dentro de campo, onde comparecia com uma charanga e profuso foguetório, quer nas ruas, quando as autoridades agiam violentamente para o impedir de vender e ganhar a vida. “Tarzan” era camelô.
A sua vida foi atribulada, mas “Tarzan” defendia-se dizendo que se o tratassem bem não haveria brigas. Mas como sempre dois ou três o atacavam sem motivos, aos murros e pontapés, reagia à altura. E depois acabava preso e processado. Mas nunca foi condenado, porque os juízes sempre reconheceram que agira em legítima defesa.
A figura de “Tarzan” como torcedor apaixonado mereceu respeito e admiração até dos torcedores rivais. A torcida do Vasco da Gama o agraciou com um escudo de ouro do clube, em 1957. A do América lhe deu uma flâmula representativa do clube, em 1959. E a do Flamengo o presenteou com um belo quadro de seu clube, em 1962.
Embora tivesse um bom relacionamento com o Flamengo, foi “Tarzan” quem lançou o apelido de “Urubu” ao clube rubro-negro, alusão racista à grande massa de torcedores rubro-negros afro-descendentes e pobres. Tal apelido de cunho ofensivo nunca foi bem recebido pela torcida do Flamengo até o dia 31 de maio de 1969.
Era um domingo, quando os torcedores rubro-negros Luiz Otávio Vaz, Romilson Meirelles e Victor Ellery resolveram levar a ave para um jogo entre o Flamengo e Botafogo no Maracanã. Na época, os dois clubes faziam o clássico de maior rivalidade pós-Garrincha e o Flamengo não vencia o rival havia dois anos. Nas arquibancadas, os torcedores do Botafogo gritavam, como sempre, que o Flamengo era time de "urubu".
O urubu foi solto na arquibancada com uma bandeira presa nos pés, e quando caiu no gramado, pouco antes do jogo iniciar, a torcida fez a festa, vibrando e gritando: "é urubu, é urubu". O Flamengo venceu o jogo por 2 X 1, numa partida que marcou também a estréia de Doval.
E, a partir daí, o novo mascote consagrou-se, tomando o lugar do "Popeye". O cartunista Henfil, rubro-negro, tratou de humanizá-lo em suas charges esportivas em jornais e revistas, e o Urubu tornou-se um mascote popular.
Em 9 de setembro de 1969, a torcida organizada pelo legendário “Tarzan”, motivou a fundação do Grêmio Recreativo Torcida Jovem do Botafogo (TJB), que até hoje é a mais antiga em atividade. (Pesquisa: Nilo Dias)
sexta-feira, 13 de julho de 2012
O folclórico “Sabará” da Paraíba
José Cosme, o “Sabará”, nasceu na cidade de Pombal (PB), mas quem o vê a primeira vez aposta que é carioca, pelo seu gingado típico de malandro. O apelido foi devido a sua parecença com um ex-jogador do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro.
É uma das figuras mais interessante com quem se pode conversar na progressista cidade paraibana de Campina Grande, onde costuma frequentar diariamente um banco no “Calçadão” da rua Cardoso Vieira, em frente à banca da mulher que vende pamonha. O “Calçadão” da Cardoso Vieira é considerado uma espécie de “capital da república de Campina Grande.
Hoje com mais de 70 anos de idade, cabelos e sobrancelhas brancas, “Sabará” está muito diferente do ex-jogador de futebol profissional, um dos mais folclóricos e engraçados que já surgiu nos gramados da Paraíba. E “Sabará” gosta de ser reconhecido pelos torcedores mais velhos.
Como jogador defendeu as equipes do Treze, de Campina Grande, Nacional, de Patos, Nacional, de Paulistano, Campinense, de Campina Grande e União, de João Pessoa, entre outros clubes do Nordeste.
A carreira futebolística de “Sabará” foi encerrada na década de 60, quando tinha 34 anos. Mudou-se para o Bairro São José, em Campina Grande. Sua situação financeira não ficou das melhores. Garante que ganhou muito dinheiro, mas, mas também gastou com extravagâncias.
Gostava de comprar roupar caras e de fechar uma boate inteira só para ele. Mas ainda assim investiu na compra de um terreno, que é uma espécie de sítio. Hoje viúvo, tem casa, carro, muitos filhos, dizem que são mais de 12 e muitos netos.
Quando parou de jogar, foi trabalhar em uma indústria de Campina Grande e por lá ficou. Depois abriu seu próprio negócio, um bar que ele batizou com o nome de “Sabará Bar”, que se localizava no bairro do Catolé perto do estádio “Amigão”. Lá ele relembrava o seu passado de atleta, mas não gostava de pensar no que poderia ter vivido se não tivesse gastado tanto dinheiro. Preferia falar de temas mais atuais.
Fora dos gramados como atleta profissional, matava a saudade da bola jogando pelo Everton Esporte Clube, que ele ajudou a fundar e se tornou um dos melhores times amadores do futebol campinense em todos os tempos. Durante alguns anos “Sabará”' foi um dos jogadores mais populares entre os torcedores do clube. Ele ainda hoje mantém o seu jeito folclórico e engraçado. Depois, jogou alguns anos no Grêmio, de Nêgo Ribeiro, onde encerrou definitivamente a carreira.
O ex-craque marcou para sempre o seu nome na história do futebol campinense, ao marcar o primeiro gol no na inauguração do Estádio Plínio Lemos. No jogo preliminar, em que o Sport Club, da Liberdade derrotou o Flamengo, de José Pinheiro, por 2x1, “Sabará” fez o primeiro gol do Sport, com Adauto completando o marcador. Manuelzão descontou para o Flamengo. A partida principal foi disputada debaixo de muita chuva, quando o Bahia venceu o Treze por 1 x 0, gol de Juvenal II, aos 12 minutos do segundo tempo.
No futebol viveu bom e maus momentos. Foi coroado rei dos pênaltis e faltas. Ninguém superava “Sabará” nas cobranças dos pênaltis. Uma pequena corrida, a bola colocada num canto e o goleiro no outro.
Segundo contam os mais antigos, “Sabará” construiu em torno de si um rico repertório de histórias folclóricas, piadas e lendas. Nos seus bons tempos de jogador mostrou sempre um temperamento alegre, sendo uma espécie de “comediante” dos clubes em que atuou. Ele tornava as concentrações, ônibus e hotéis mais divertidos. Alegre e boêmio, não desprezava uma cervejinha. Gostava mais de seus pequenos prazeres, do que levar a sério a sua profissão. Ainda assim, por vários anos jogou no futebol profissional.
E não foi um jogador qualquer. Tinha muita categoria e versatilidade. Jogava sem problemas tanto na meia-direita, como no meio campo, ou de centro avante e até de zagueiro. Em qualquer posição que jogasse, mostrava sempre um bonito toque de classe e categoria. Em campo, não era de correr muito, mas tinha um chute rasante, certeiro e mortal. Raramente errava um passe, era criativo e de reflexos rápidos, sabia como ninguém antever a seqüência de um lance à frente dos adversários e executar as jogadas mais imprevisíveis do seu imenso repertório.
De quebra, ainda fazia gol às pampas. Decidiu muitos jogos marcando gols de faltas e de pênaltis. Não era chegado a trombadas com os zagueiros. Mesmo dono de tantas virtudes, jogava futebol apenas por divertimento. Sua principal preocupação era ganhar alguns trocados para fazer uma coisa que gostava demais, namorar e viver na boemia.
No final da década de 50 o Campinense queria contratar alguns bons jogadores do Paulistano, entre eles “Lelé”, “Zé Preto”, “Tonho Zeca” e “Sabará”, para tentar impedir mais uma conquista do rival Treze. Mas “Sabará” não foi contratado, porque os dirigentes do Campinense concluíram que ele gostava mais de namorar e ser boêmio, do que jogar futebol.
A figura de “Sabará” sempre chamou a atenção. Ele viveu de maneira extravagante e excêntrica, misturando o talento para o futebol com uma vida cheia de passagens folclóricas. Existiram muitos fatos pitorescos à sua lenda pessoal. Uns publicáveis, outros nem tanto, contados sempre com o seu autêntico sotaque de paraibano do interior. Uma das melhores histórias contadas por “Sabará” foi esta:
O Everton era um grande time, mas estava apenas no começo. Quase ninguém conhecia. O time foi convidado para um jogo na Palmeira, contra uma equipe em que jogava Gonzaga, um ex-atleta do Treze. Era um tipo arrogante, que pediu para enfrentar um time bom, pois caso contrário ia ficar feio, pois segundo ele o seu time era imbatível em seu reduto.
“Sabará” nunca foi de engolir intimidações e retrucou: “O que o seu time tem que os outros não têm?". E o adversário respondeu: "Só tem craques meu amigo". E “Gonzaga” apenas disse: “Vamos ao jogo”. No inicio a partida se mostrava tensa, o placar não saia do 0 X 0. O ex-zagueiro do Treze insistia no chutão para frente. O pior é que nada passava. O cara era intransponível. Foi quando “Sabará” pensou: “Vou mexer com esse sujeito”.
A certa altura do jogo a bola subiu e veio na direção de “Sabará”, que saltou, matou a bola no peito e a colocou no chão com classe. Olhou para o zagueiro com desprezo e disse: "Aprende comigo".
O lance que decidiu a partida ocorreu quando o volante do time de “Sabará” fez um lançamento. A bola foi em direção ao zagueiro. Gonzaga não deu o esperado chutão. Ele estufou o peito para amortecer a bola. Mas a classe não era seu forte. A bola espirrou no pé do atacante Naninho e 1 X 0 no placar. Desmoralizado o zagueiro sumiu do jogo e o time de “Sabará” goleou por 4 X 1.
Com a experiência que ganhou no futebol, “Sabará” se tornou treinador. Dirigiu a seleção Universitária da FURNE onde se sagrou tetra campeão universitário. Depois dirigiu o Socremo, de Monteiro, as categorias de base do Campinense e a escolinha da AGAPE. (Pesquisa: Nilo Dias)
É uma das figuras mais interessante com quem se pode conversar na progressista cidade paraibana de Campina Grande, onde costuma frequentar diariamente um banco no “Calçadão” da rua Cardoso Vieira, em frente à banca da mulher que vende pamonha. O “Calçadão” da Cardoso Vieira é considerado uma espécie de “capital da república de Campina Grande.
Hoje com mais de 70 anos de idade, cabelos e sobrancelhas brancas, “Sabará” está muito diferente do ex-jogador de futebol profissional, um dos mais folclóricos e engraçados que já surgiu nos gramados da Paraíba. E “Sabará” gosta de ser reconhecido pelos torcedores mais velhos.
Como jogador defendeu as equipes do Treze, de Campina Grande, Nacional, de Patos, Nacional, de Paulistano, Campinense, de Campina Grande e União, de João Pessoa, entre outros clubes do Nordeste.
A carreira futebolística de “Sabará” foi encerrada na década de 60, quando tinha 34 anos. Mudou-se para o Bairro São José, em Campina Grande. Sua situação financeira não ficou das melhores. Garante que ganhou muito dinheiro, mas, mas também gastou com extravagâncias.
Gostava de comprar roupar caras e de fechar uma boate inteira só para ele. Mas ainda assim investiu na compra de um terreno, que é uma espécie de sítio. Hoje viúvo, tem casa, carro, muitos filhos, dizem que são mais de 12 e muitos netos.
Quando parou de jogar, foi trabalhar em uma indústria de Campina Grande e por lá ficou. Depois abriu seu próprio negócio, um bar que ele batizou com o nome de “Sabará Bar”, que se localizava no bairro do Catolé perto do estádio “Amigão”. Lá ele relembrava o seu passado de atleta, mas não gostava de pensar no que poderia ter vivido se não tivesse gastado tanto dinheiro. Preferia falar de temas mais atuais.
Fora dos gramados como atleta profissional, matava a saudade da bola jogando pelo Everton Esporte Clube, que ele ajudou a fundar e se tornou um dos melhores times amadores do futebol campinense em todos os tempos. Durante alguns anos “Sabará”' foi um dos jogadores mais populares entre os torcedores do clube. Ele ainda hoje mantém o seu jeito folclórico e engraçado. Depois, jogou alguns anos no Grêmio, de Nêgo Ribeiro, onde encerrou definitivamente a carreira.
O ex-craque marcou para sempre o seu nome na história do futebol campinense, ao marcar o primeiro gol no na inauguração do Estádio Plínio Lemos. No jogo preliminar, em que o Sport Club, da Liberdade derrotou o Flamengo, de José Pinheiro, por 2x1, “Sabará” fez o primeiro gol do Sport, com Adauto completando o marcador. Manuelzão descontou para o Flamengo. A partida principal foi disputada debaixo de muita chuva, quando o Bahia venceu o Treze por 1 x 0, gol de Juvenal II, aos 12 minutos do segundo tempo.
No futebol viveu bom e maus momentos. Foi coroado rei dos pênaltis e faltas. Ninguém superava “Sabará” nas cobranças dos pênaltis. Uma pequena corrida, a bola colocada num canto e o goleiro no outro.
Segundo contam os mais antigos, “Sabará” construiu em torno de si um rico repertório de histórias folclóricas, piadas e lendas. Nos seus bons tempos de jogador mostrou sempre um temperamento alegre, sendo uma espécie de “comediante” dos clubes em que atuou. Ele tornava as concentrações, ônibus e hotéis mais divertidos. Alegre e boêmio, não desprezava uma cervejinha. Gostava mais de seus pequenos prazeres, do que levar a sério a sua profissão. Ainda assim, por vários anos jogou no futebol profissional.
E não foi um jogador qualquer. Tinha muita categoria e versatilidade. Jogava sem problemas tanto na meia-direita, como no meio campo, ou de centro avante e até de zagueiro. Em qualquer posição que jogasse, mostrava sempre um bonito toque de classe e categoria. Em campo, não era de correr muito, mas tinha um chute rasante, certeiro e mortal. Raramente errava um passe, era criativo e de reflexos rápidos, sabia como ninguém antever a seqüência de um lance à frente dos adversários e executar as jogadas mais imprevisíveis do seu imenso repertório.
De quebra, ainda fazia gol às pampas. Decidiu muitos jogos marcando gols de faltas e de pênaltis. Não era chegado a trombadas com os zagueiros. Mesmo dono de tantas virtudes, jogava futebol apenas por divertimento. Sua principal preocupação era ganhar alguns trocados para fazer uma coisa que gostava demais, namorar e viver na boemia.
No final da década de 50 o Campinense queria contratar alguns bons jogadores do Paulistano, entre eles “Lelé”, “Zé Preto”, “Tonho Zeca” e “Sabará”, para tentar impedir mais uma conquista do rival Treze. Mas “Sabará” não foi contratado, porque os dirigentes do Campinense concluíram que ele gostava mais de namorar e ser boêmio, do que jogar futebol.
A figura de “Sabará” sempre chamou a atenção. Ele viveu de maneira extravagante e excêntrica, misturando o talento para o futebol com uma vida cheia de passagens folclóricas. Existiram muitos fatos pitorescos à sua lenda pessoal. Uns publicáveis, outros nem tanto, contados sempre com o seu autêntico sotaque de paraibano do interior. Uma das melhores histórias contadas por “Sabará” foi esta:
O Everton era um grande time, mas estava apenas no começo. Quase ninguém conhecia. O time foi convidado para um jogo na Palmeira, contra uma equipe em que jogava Gonzaga, um ex-atleta do Treze. Era um tipo arrogante, que pediu para enfrentar um time bom, pois caso contrário ia ficar feio, pois segundo ele o seu time era imbatível em seu reduto.
“Sabará” nunca foi de engolir intimidações e retrucou: “O que o seu time tem que os outros não têm?". E o adversário respondeu: "Só tem craques meu amigo". E “Gonzaga” apenas disse: “Vamos ao jogo”. No inicio a partida se mostrava tensa, o placar não saia do 0 X 0. O ex-zagueiro do Treze insistia no chutão para frente. O pior é que nada passava. O cara era intransponível. Foi quando “Sabará” pensou: “Vou mexer com esse sujeito”.
A certa altura do jogo a bola subiu e veio na direção de “Sabará”, que saltou, matou a bola no peito e a colocou no chão com classe. Olhou para o zagueiro com desprezo e disse: "Aprende comigo".
O lance que decidiu a partida ocorreu quando o volante do time de “Sabará” fez um lançamento. A bola foi em direção ao zagueiro. Gonzaga não deu o esperado chutão. Ele estufou o peito para amortecer a bola. Mas a classe não era seu forte. A bola espirrou no pé do atacante Naninho e 1 X 0 no placar. Desmoralizado o zagueiro sumiu do jogo e o time de “Sabará” goleou por 4 X 1.
Com a experiência que ganhou no futebol, “Sabará” se tornou treinador. Dirigiu a seleção Universitária da FURNE onde se sagrou tetra campeão universitário. Depois dirigiu o Socremo, de Monteiro, as categorias de base do Campinense e a escolinha da AGAPE. (Pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 7 de julho de 2012
100 anos de Fla-Flu
Em 7 de julho de 1912 foi disputado o primeiro jogo da história entre Flamengo e Fluminense. O jogo aconteceu seis meses depois que o clube tricolor havia perdido nove de seus jogadores titulares, que se transferiram para o Flamengo e lá abriram o Departamento de Futebol. Deles, apenas um, Andrews, não entrou em campo. Até então o rubro-negro se dedicava unicamente ao remo. Mesmo assim o Fluminense ganhou por 3 X 2.
O jogo, válido pelo Campeonato Carioca foi disputado no Campo da Rua Guanabara, que ficava no mesmo local do Estádio das Laranjeiras, tendo como árbitro Frank Robinson. O público foi de apenas 800 torcedores. E. Calvert, do Fluminense marcou o primeiro gol da história do Fla-Flu, a um minuto de jogo; Arnaldo, aos 4 minutos empatou; James Calvert, aos 12 do segundo tempo fez Fluminense 2 X 1; Píndaro, aos 25 empatou em 2 X 2 e Bartô, aos 27 decretou a vitória tricolor.
Fluminense: Laport - Belo e Maia – Leal - Mutzembecker e Pernambuco – Osvaldo – Bartô – Behrmann - Edward Calvert e James Calvert. Flamengo: Baena - Píndaro e Nery – Cintra - Gilberto e Galo – Orlando – Arnaldo – Borghert - Gustavo e Amarante.
O Flamengo com a derrota perdeu o título, que foi para o Paysandu. O Flamengo antes do clássico vinha embalado por três grandes goleadas: 16 X 2 no Mangueira, 6 X 3 no América e 7 x 4 no Bangu. Perdera apenas para o Paysandu, por 2 X 1. Já o Fluminense vinha de derrotas: 2 X 1 para o Rio Cricket e 5 X 0 para o Paysandu; uma vitória sobre o São Cristóvão, por 1 X 0 e um empate com o América em 0 X 0.
Nos jornais, o turfe e o remo dividiam as atenções. Futebol ainda era um esporte que não ocupava muito espaço. Tanto que alguns diários, como "A Noite" e "Correio da Manhã" sequer registraram o encontro nas Laranjeiras, como conta o livro "Fla x Flu, o Jogo do Século", do colunista do jornal “Lance!” Roberto Assaf e de Clóvis Martins.
O primeiro Fla-Flu não era Fla-Flu. Só muito mais tarde, em 1933, é que Mário Filho inventou e promoveu a abreviação, quando procurava recursos para motivar o comparecimento das torcidas ao campeonato da recém criada Liga de Futebol. O segundo clássico aconteceu poucos meses depois do primeiro, e o Flamengo aplicou a primeira goleada da história, 4 X 0. Mas a maior goleada do clássico Fla-Flu, foi pelo Torneio Municipal em 10 de junho de 1945, com vitória do Flamengo por 7 X 0.
O clássico sempre foi cheio de emoções e de fatos inusitados. Por exemplo, em 22 de outubro de 1916, o Flamengo vencia o Fluminense por 2 X 1 quando o árbitro R. Davies marcou um pênalti contra o tricolor. Rienner bateu e perdeu. Logo depois, o juiz marcou outro pênalti contra o Fluminense. Sidney cobrou e Marcos de Mendonça defendeu.
O juiz mandou cobrar outra vez alegando que não havia apitado. Sidney bateu e novamente Marcos de Mendonça defendeu. O juiz mandou cobrar de novo, alegando que jogadores do Fluminense haviam invadido a área. Foi aí que o escritor Coelho Neto e o delegado de Policia Ataliba Correia Dutra pularam a grade e correram para o campo. Os torcedores também invadiram o gramado.
O regulamento do campeonato dizia que o jogo que fosse paralisado por cinco minutos seria suspenso definitivamente. Como a paralisação propositada foi além dos sete minutos, o jogo foi dado como anulado. Foi a primeira anulação de um jogo de campeonato carioca. No dia 8 de dezembro, no campo do Botafogo, foi realizada uma nova partida e o Fluminense ganhou por 3 X 1.
Em 1925, a Seleção Carioca disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Como havia dificuldade de convocar jogadores dos diversos clubes, a solução foi chamar apenas jogadores de Flamengo e do Fluminense. Em principio isso causou revolta entre os torcedores, que não consideraram a equipe como uma Seleção Carioca, sim um "Combinado Fla-Flu". Esta Seleção Carioca acabou campeã, o que mudou o sentimento popular em relação a ela.
O primeiro jogo entre Flamengo e Fluminense que decidiu um Campeonato Carioca aconteceu em 1919, no Estádio das Laranjeiras, que teve lotação máxima. Até o Presidente da República, Epitácio Pessoa compareceu ao jogo. O campeonato era por pontos corridos, e o Fla-Flu aconteceu na penúltima rodada. O tricolor era líder e só poderia ser alcançado pelo próprio Flamengo. Com a vitória por 4 X 0, o Fluminense ganhou o título e ficou definitivamente com a Taça Colombo.
Nas finais do estadual de 1928, o jogador Preguinho, que serviria à seleção na Copa do Uruguai, responderia à uma provocação do goleiro rubro-negro Amado, o qual teria mandado um suposto telegrama escrito “És sopa! Amanhã não farás gol!” O atacante tricolor respondeu dizendo “Farei dois gols, no mínimo”.
No primeiro minuto de jogo, o goleiro rubro-negro falhou ao quicar a bola para repô-la em jogo, e Preguinho faz 1 x 0. Aos 10 do primeiro tempo, Preguinho ampliou. O resultado final foi 4 x 1 para o Fluminense que venceu o campeonato e o rival justamente na Rua do Payssandú. Só muito tempo depois, é que o atacante veio, a saber, que o goleiro rubro-negro jamais lhe mandara qualquer telegrama e que, o autor fora o sócio do Fluminense, Affonso de Castro, o "Castrinho".
Em 1936, já com a denominação de Fla-Flu, o clássico decidiu o campeonato. Foi uma melhor-de-três, outra vez no Estádio das Laranjeiras. No primeiro jogo houve empate em 2 X 2; no segundo, o Fluminense goleou por 4 X 1 e no terceiro, empate em 1 X 1. O campeão foi novamente o Fluminense, que começava ali um período de hegemonia no futebol carioca, que se estenderia até 1941.
A terceira decisão entre Flamengo e Fluminense, aconteceu em 1941 e o jogo ficou conhecido como o "Fla-Flu da Lagoa", e foi realizado na Gávea, na última rodada do campeonato. Os dois times lideravam a competição, mas como o Fluminense possuía melhor campanha, 44 pontos contra 43, bastava um empate para comemorar o título.
Ao final do jogo igualdade em 2 X 2 e mais uma taça nas Laranjeiras. O tricolor chegou a abrir 2 X 0, com Pedro Amorim e Russo. Pirilo marcou dois gols rubro-negros, o segundo aos 38 minutos do segundo tempo. O público foi de 15.312 pagantes.
Outro ponto destacado do jogo foi o heroísmo do goleiro Batatais, do Fluminense. Ele não podia ser substituído e, mesmo com a clavícula deslocada, permaneceu em campo e ajudou o seu time com algumas defesas importantes. A atitude do jogador contagiou os companheiros, que conseguiram segurar a pressão do Flamengo. Segundo os jornais da época, o destaque daquele clássico foi o centromédio – hoje conhecido como meia – Brant.
Como o empate garantia o título para o Fluminense, reza a lenda que os tricolores jogavam as bolas para a Lagoa Rodrigo de Freitas, cuja distância era de três metros do campo da Gávea. Na época aquela parte da Lagoa ainda não havia sido aterrada. Contam que os dirigentes do Flamengo, desesperados, mandavam os remadores do clube buscar as bolas.
Algumas, realmente, foram buscadas na Lagoa. Não se diz quantas, nem como. Naquela época existiam mais jornais do que nos dias de hoje no Rio de Janeiro. E nenhum deles deu destaque ou fez registro desses fatos. O único que escreveu alguma coisa foi Mario Filho, no “Jornal dos Sports”, fazendo um pequeno comentário: “Duas ou três bolas foram chutadas para fora do estádio.” Mas ele não fez muito alarde. Se tivesse ocorrido, com certeza iria ganhar espaço nos jornais.
Roberto Assaf, um dos autores do livro "Fla x Flu, o jogo do Século", explica que o imaginário popular se encarregou de alterar o que realmente aconteceu. Naquela época, o futebol tinha cronômetro, como no basquete. Toda vez que a bola saía de campo, o juiz parava o relógio. Portanto, o tempo não ia passar enquanto a bola não voltasse a rolar.
Mesmo já passados 71 anos, a lenda do "Fla-Flu da Lagoa" ainda se mantém viva, fazendo daquele jogo um dos mais épicos da história centenária do clássico.
O quarto Fla-Flu decisivo de um Campeonato Carioca, e o primeiro na era Maracanã, ocorreu em 1963 e mantém até hoje o recorde mundial de maior público da história em um jogo entre clubes, em qualquer esporte: 194.603 torcedores presenciaram o confronto. O Flamengo que possuía a vantagem do empate, sagrou-se campeão depois de uma igualdade sem gols.
Em 1968, valendo pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Fla-Flu entrou para a história com um gol de mão. Aos 13 do primeiro tempo, Wilson do Fluminense, recebeu lançamento de Serginho em posição de impedimento, e sem o menor constrangimento à la Maradona, ao dividir com o goleiro Marco Aurélio do Flamengo, deu um soco na bola, desviando a trajetória e ficando livre para chutá-la para as redes.
Armando Marques, consultou o bandeirinha que confirmou a legalidade, e só então correu para o meio do campo validando o gol que deu a vitória simples para o tricolor. Ainda hoje, mais de 30 anos depois, esse gol escandaloso é comentando nos corredores da Gávea.
Até hoje aconteceram 11 decisões de campeonatos cariocas, reunindo Flamengo e Fluminense, com oito conquistas do tricolor e três do rubro-negro. O Fluminense ganhou do Flamengo em decisões de campeonato, em 1919, 1936, 1941, 1969, 1973, 1983, 1984 e 1995. O Flamengo foi campeão estadual sobre o Fluminense em 1963,1972 e 1991.
Além do Campeonato Carioca, ocorreu mais uma decisão Fla-Flu, que foi na Taça Guanabara de 1966, que nessa época era uma competição à parte. O Fluminense venceu por 3 X 1 e sagrou-se campeão.
Em 2009, foi realizado o primeiro confronto entre Flamengo e Fluminense válido por uma competição internacional oficial. Na Copa Sul-americana, os times se enfrentaram logo na primeira fase em jogos de ida e volta, com os dois jogos sendo realizados no Maracanã.
O primeiro jogo, com mando do Fluminense, terminou 0 X 0, e o segundo também acabou empatado, desta vez em 1 X 1, gols de Roni, para o Fluminense e Denis Marques, para o Flamengo. Pela regra do gol fora de casa o Fluminense se classificou para a próxima fase e terminou a competição como vice-campeão, perdendo a final para a LDU, do Equador.
Ary Barroso, o sambista e compositor de “Aquarela do Brasil”, era um fanático torcedor do Flamengo e narrador esportivo, totalmente parcial ao "Mengo", nas rádios Cruzeiro do Sul e Tupy do Rio de Janeiro. Conta a história que num Fla-Flu, entre os anos 50 e 60, o Fluminense fez 1 X 0 e Ary Barroso simplesmente ignorou o gol, narrando a seqüência do jogo normalmente, divulgando inclusive que o placar estava 0 X 0. Verdade ou não, o fato entrou para a história do clássico.
Quem seriam os maiores personagens do Fla-Flu nestes 100 anos de história? Pelo lado do Flamengo, provavelmente foi Zico, com 19 gols marcados, embora Pirilo tenha feito 18 na década de 40, mas sem ganhar tantos títulos pelo rubro-negro quanto o "galinho de Quintino".
Pelo lado do Fluminense, Ézio fez 12 gols na pior década da história do Fluminense, nos anos 90; Hércules marcou 15 na década de 30; Russo 13 na de 40; Renato Gaúcho fez um gol de barriga na decisão do Campeonato Carioca de 1995, ano do centenário do clube rival. Mas provavelmente o grande nome foi Assis, o carrasco dos anos 80, que marcou gols nas decisões dos campeonatos cariocas de 1983 e de 1984, sendo que em 1983, no último minuto do jogo .
A estatística do Fla-Flu é favorável ao Flamengo. Até hoje foram disputados 390 clássicos, com 139 vitórias do Flamengo, 123 do Fluminense e 127 empates. O Flamengo marcou 568 gols e o Fluminense 518. O Fluminense desconsidera dez partidas válidas pelo Torneio Início entre 1918 e 1965.
O campeonato era disputado em apenas um dia, no mesmo estádio, na véspera do início do Carioca. As partidas tinham apenas 20 minutos, sendo dois tempos de 10 minutos cada. Apenas a final tinha 60 minutos. Se houvesse empate, seria o vencedor quem tivesse mais escanteios a favor.
Pelos números do Flamengo, o time, em 390 partidas, tem 139 vitórias, 128 empates e 123 derrotas, com 568 gols pró. Na conta do Fluminense, nos 380 jogos, são 119 vitórias, 134 empates e 137 derrotas, com 511 gols pró.
Os dois clubes detém 62 títulos estaduais. Os dois times reúnem juntos oito Campeonatos Brasileiros, excluindo a Copa União de 1987, três Copas do Brasil, três Torneios Rio-São Paulo e 62 Campeonatos Cariocas.
O último clássico Fla-Flu foi realizado em 11 de março deste ano, no Engenhão, válido pelo Campeonato Carioca, com vitória do Flamengo por 2 X 0 , gols de Ronaldinho Gaúcho e Kléberson. Amanhã, no Engenhão, teremos o clássico de número 391 (para o Flamengo) ou 381 (para o Fluminense) da história, válido pelo Campeonato Brasileiro deste ano.
O Fla-Flu foi imortalizado em frases e crônicas célebres dos irmãos Nélson Rodrigues e Mário Filho. Como as de Nélson: “No dia da inauguração do paraíso, houve um Fla-Flu de portões abertos, e escorria gente pelas paredes”; “Tudo é Fla-Flu, o resto é paisagem“; ou “o Fla-Flu foi criado seis mil anos antes do nada”. (Pesquisa: Nilo Dias)
Foto do primeiro Fla-Flu da história.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
O melhor do Mundial 2010 é do Inter
O S.C. Internacional, de Porto Alegre deu uma demonstração de força e de grandeza ao contratar Diego Forlan, o melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul. O jogador de 33 anos deixou a Internazionale, de Milão, Itália e assinou contrato até julho de 2015 com o clube gaúcho.
O craque uruguaio deverá desembarcar em Porto Alegre amanhã às 14h43min, sendo aguardada uma enorme legião de torcedores colorados no Aeroporto Salgado Filho. A apresentação acontecerá no Estádio Beira Rio, antes do jogo contra o Cruzeiro, de Belo Horizonte, marcado para às 18h30min.
Forlan será o quinto jogador estrangeiro a fazer parte do plantel do Internacional, que já conta com os argentinos D'Alessandro, Dátolo, Guiñazu e Bolatti. A direção do clube colorado negocia com o volante Guinazu a sua naturalização como brasileiro. Também pode vender o jogador Bolatti, para o Independiente, de Buenos Aires.
Diego Forlán nasceu em Montevidéu no dia 19 de maio de 1979. Ele traz o futebol no sangue, pois é filho de Pablo Forlán, ex-jogador que também defendeu a Seleção Uruguaia nos anos 1960 e 1970 e foi ídolo no Peñarol, no São Paulo e no Cruzeiro. Seu avô materno, Juan Carlos Corazzo também foi jogador, além de técnico.
Corazzo jogou como meio-campista, tendo começado a carreira no Sud América, chegando a integrar a Seleção Uruguaia em dois jogos,ambos em 1928. Três anos depois foi para o futebol argentino, atuando primeiro no Racing e depois no Independiente, onde ficou até 1937, quando encerrou a carreira depois de 191 jogos pelo “Rojo de Avellaneda”, saindo como um dos maiores ídolos do clube apesar da falta de títulos.
Obteve mais sucesso como técnico, treinando a “Celeste” em quatro diferentes passagens. Conquistou com seu país dois Sul-Americanos, o Extra de 1959 e o de 1967. Neste último, treinou seu futuro genro, Pablo Forlán. Corazzo treinou o Uruguai também na Copa do Mundo de 1962.
Diego Forlán quase virou jogador de tênis. Desistiu da idéia quando sua irmã Alejandra se envolveu em um acidente que matou o namorado e a deixou sob cuidados intensivos por cinco meses. Foi então que resolveu seguir a tradição da família e concentrar-se no futebol.
Os primeiros chutes foram dados nas categorias de base dos clubes uruguaios Peñarol e Danubio. Ainda como juvenil, aos 17 anos, se transferiu para o Independiente. No clube argentino, se profissionalizou e virou ídolo da torcida. Seguiu os passos de seu avô, que fez sucesso em Avellaneda na década de 1930.
Em 2002 foi parar no poderoso Manchester United, por indicação de Sir Alex Ferguson, vendido por 6,9 milhões de euros. Depois de um começo nada promissor no time inglês, fez parte do elenco que venceu a “Premier League” em 2002/2003, e a Copa da Inglaterra em 2003/2004. Forlán foi reserva na maioria dos jogos.
Mesmo não tendo uma boa passagem pela Inglaterra, em agosto de 2004 foi vendido ao Villarreal, da Espanha, por 4,6 milhões de euros. No “Submarino Amarelo” se destacou na temporada 2004-2005, quando dividiu a “Chuteira de Ouro da UEFA”, prêmio dado ao maior artilheiro das ligas europeias, com o francês Thierry Henry.
Na temporada seguinte, conseguiu levar o Villarreal, a sua melhor campanha na história da “Champions League”, alcançando as semifinais. Forlán marcou 54 gols e foi um dos principais artilheiros na vida do clube na Liga Espanhola.
Contratado em junho de 2007 pelo Atlético de Madrid por 10 milhões de euros, o craque uruguaio viveu seu principal momento da carreira. Ele substituiu Fernando Torres, vendido ao Liverpool, da Inglaterra. Não demorou para se tornar uma das referências da equipe ao lado do argentino Agüero.
Na temporada 2008/2009, marcou 35 gols em 45 jogos e recebeu outra “Chuteira de Ouro”, desta vez, de forma isolada. Em 2010, foi decisivo na conquista do título da Liga Europa, ao marcar os dois gols da vitória sobre o Fullham na decisão.
Em agosto de 2011, foi contratado pela Inter, de Milão para substituir Samuel Eto’o, mas não conseguiu repetir seu grande futebol, em razão das várias lesões sofridas. Disputou 18 partidas e marcou apenas dois gols. Com o fraco desempenho da equipe milanesa, teve seu contrato rescindido na manhã de hoje, o que oportunizou sua contratação pelo Internacional gaúcho, sem qualquer custo.
Mas foi na Seleção de seu país que Diego Forlán se consolidou como um dos principais nomes da história recente do futebol. Disputou a Copa 2002 com a “Celeste”, mas a consagração veio somente oito anos mais tarde, quando na Copa 2010, na África do Sul, liderou o Uruguai até as semifinais do torneio, posição que a seleção não alcançava desde 1970.
Ainda teve a seu favor a marcação de cinco gols, tornando-se um dos artilheiros da competição junto de Villa, Müller e Sneijder. E para coroar seu grande desempenho, foi eleito o “Bola de Ouro” do Mundial, tendo obtido 23,4% dos votos, contra 21,8% de Sneijder e 16,9% de Villa, apesar de ser o único dos três que não disputou a final. Forlán foi o quarto jogador sul-americano a receber o prêmio. Antes dele Maradona (1986), Romário (1994) e Ronaldo (1998), conquistaram o prêmio.
Com a camisa da Celeste foi campeão da Copa América de 2011, quando foi um dos destaques do time, ao lado de Luis Suárez, Diego Lugano e Sebastián Abreu. No jogo final contra o Paraguai foi fator de desequilíbrio ao marcar dois gols na vitória de 3 X 0. Igualou o feito do pai Pablo e do avô Juan Carlos, que também conquistaram o torneio jogando pela Seleção. (Pesquisa: Nilo Dias)
O craque uruguaio deverá desembarcar em Porto Alegre amanhã às 14h43min, sendo aguardada uma enorme legião de torcedores colorados no Aeroporto Salgado Filho. A apresentação acontecerá no Estádio Beira Rio, antes do jogo contra o Cruzeiro, de Belo Horizonte, marcado para às 18h30min.
Forlan será o quinto jogador estrangeiro a fazer parte do plantel do Internacional, que já conta com os argentinos D'Alessandro, Dátolo, Guiñazu e Bolatti. A direção do clube colorado negocia com o volante Guinazu a sua naturalização como brasileiro. Também pode vender o jogador Bolatti, para o Independiente, de Buenos Aires.
Diego Forlán nasceu em Montevidéu no dia 19 de maio de 1979. Ele traz o futebol no sangue, pois é filho de Pablo Forlán, ex-jogador que também defendeu a Seleção Uruguaia nos anos 1960 e 1970 e foi ídolo no Peñarol, no São Paulo e no Cruzeiro. Seu avô materno, Juan Carlos Corazzo também foi jogador, além de técnico.
Corazzo jogou como meio-campista, tendo começado a carreira no Sud América, chegando a integrar a Seleção Uruguaia em dois jogos,ambos em 1928. Três anos depois foi para o futebol argentino, atuando primeiro no Racing e depois no Independiente, onde ficou até 1937, quando encerrou a carreira depois de 191 jogos pelo “Rojo de Avellaneda”, saindo como um dos maiores ídolos do clube apesar da falta de títulos.
Obteve mais sucesso como técnico, treinando a “Celeste” em quatro diferentes passagens. Conquistou com seu país dois Sul-Americanos, o Extra de 1959 e o de 1967. Neste último, treinou seu futuro genro, Pablo Forlán. Corazzo treinou o Uruguai também na Copa do Mundo de 1962.
Diego Forlán quase virou jogador de tênis. Desistiu da idéia quando sua irmã Alejandra se envolveu em um acidente que matou o namorado e a deixou sob cuidados intensivos por cinco meses. Foi então que resolveu seguir a tradição da família e concentrar-se no futebol.
Os primeiros chutes foram dados nas categorias de base dos clubes uruguaios Peñarol e Danubio. Ainda como juvenil, aos 17 anos, se transferiu para o Independiente. No clube argentino, se profissionalizou e virou ídolo da torcida. Seguiu os passos de seu avô, que fez sucesso em Avellaneda na década de 1930.
Em 2002 foi parar no poderoso Manchester United, por indicação de Sir Alex Ferguson, vendido por 6,9 milhões de euros. Depois de um começo nada promissor no time inglês, fez parte do elenco que venceu a “Premier League” em 2002/2003, e a Copa da Inglaterra em 2003/2004. Forlán foi reserva na maioria dos jogos.
Mesmo não tendo uma boa passagem pela Inglaterra, em agosto de 2004 foi vendido ao Villarreal, da Espanha, por 4,6 milhões de euros. No “Submarino Amarelo” se destacou na temporada 2004-2005, quando dividiu a “Chuteira de Ouro da UEFA”, prêmio dado ao maior artilheiro das ligas europeias, com o francês Thierry Henry.
Na temporada seguinte, conseguiu levar o Villarreal, a sua melhor campanha na história da “Champions League”, alcançando as semifinais. Forlán marcou 54 gols e foi um dos principais artilheiros na vida do clube na Liga Espanhola.
Contratado em junho de 2007 pelo Atlético de Madrid por 10 milhões de euros, o craque uruguaio viveu seu principal momento da carreira. Ele substituiu Fernando Torres, vendido ao Liverpool, da Inglaterra. Não demorou para se tornar uma das referências da equipe ao lado do argentino Agüero.
Na temporada 2008/2009, marcou 35 gols em 45 jogos e recebeu outra “Chuteira de Ouro”, desta vez, de forma isolada. Em 2010, foi decisivo na conquista do título da Liga Europa, ao marcar os dois gols da vitória sobre o Fullham na decisão.
Em agosto de 2011, foi contratado pela Inter, de Milão para substituir Samuel Eto’o, mas não conseguiu repetir seu grande futebol, em razão das várias lesões sofridas. Disputou 18 partidas e marcou apenas dois gols. Com o fraco desempenho da equipe milanesa, teve seu contrato rescindido na manhã de hoje, o que oportunizou sua contratação pelo Internacional gaúcho, sem qualquer custo.
Mas foi na Seleção de seu país que Diego Forlán se consolidou como um dos principais nomes da história recente do futebol. Disputou a Copa 2002 com a “Celeste”, mas a consagração veio somente oito anos mais tarde, quando na Copa 2010, na África do Sul, liderou o Uruguai até as semifinais do torneio, posição que a seleção não alcançava desde 1970.
Ainda teve a seu favor a marcação de cinco gols, tornando-se um dos artilheiros da competição junto de Villa, Müller e Sneijder. E para coroar seu grande desempenho, foi eleito o “Bola de Ouro” do Mundial, tendo obtido 23,4% dos votos, contra 21,8% de Sneijder e 16,9% de Villa, apesar de ser o único dos três que não disputou a final. Forlán foi o quarto jogador sul-americano a receber o prêmio. Antes dele Maradona (1986), Romário (1994) e Ronaldo (1998), conquistaram o prêmio.
Com a camisa da Celeste foi campeão da Copa América de 2011, quando foi um dos destaques do time, ao lado de Luis Suárez, Diego Lugano e Sebastián Abreu. No jogo final contra o Paraguai foi fator de desequilíbrio ao marcar dois gols na vitória de 3 X 0. Igualou o feito do pai Pablo e do avô Juan Carlos, que também conquistaram o torneio jogando pela Seleção. (Pesquisa: Nilo Dias)
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Um roupeiro supersticioso
O Botafogo, do Rio de Janeiro sempre foi um clube supersticioso. E razões nunca faltaram para isso. Aloísio Ferreira de Araújo, o “Birruma”, que foi roupeiro do alvinegro carioca por cerca de 50 anos, ficou famoso por suas superstições. Especialmente nos tempos em que trabalhou com o presidente Carlito Rocha.
Há quem diga que ele foi o responsável pelo folclórico presidente Carlito Rocha, ter entrado de cara e coragem no mundo da superstição. Outros afirmam o contrário, que o roupeiro aprendeu a arte da superstição, com o presidente Carlito. Ele chegou ao Botafogo em 1932 e por lá permaneceu até meados dos anos 60.
O apelido “Birruma” teve origem quando certa feita ele flagrou um atleta botafoguense abrindo um buraco na porta de um quarto de hotel, usando para tal martelo e pregão, para poder espiar um casal. Aloísio chamou-lhe a atenção: “Ô seu filhote de burro: porque você não usa uma “birruma”?” O jogador que queria dar uma espiadinha no casal, de pronto respondeu: “Filhote de burro é você. Não é “birruma”, ouviu, é “verruma”. E daí em diante o apelido o acompanhou pelo resto da vida.
São muitos os episódios de superstição proporcionados por “Birruma” nesses longos anos em que trabalhou no Botafogo. Na final do Campeonato Carioca de 1957, contra o Fluminense, a caixa de mudanças do velho ônibus do Botafogo estragou bem na entrada do Maracanã. O motorista Arlindo descobriu que a marcha a ré funcionava. E não deu outra, entrou de ré no estádio.
Como o Botafogo goleou o Fluminense por 6 x 2, conquistando o título, o nosso Aloísio “Birruma” sugeriu que dali em diante o ônibus sempre entrasse no estádio de marcha à ré, o que o motorista Arlindo se negou a fazer.
Outro fato curioso ocorrido nesse campeonato envolveu o técnico João Saldanha, que garantia não ser supersticioso. Depois de um jogo em que o Botafogo venceu o América, o roupeiro Aloísio “Birruma” não deu as caras no estádio, na terça-feira, os jogadores iniciavam os treinos para o jogo seguinte. Na quarta-feira, Saldanha deu uma bronca em Aloísio, que lhe disse que tinha ido à praia para ver se afastava uma indisposição.
Mas como o Botafogo tornou a vencer no domingo, Saldanha pediu a Aloísio, após o jogo, que faltasse na terça-feira. E assim aconteceu, todas as terças feiras até o Botafogo terminar campeão carioca de 1957, “Birruma” ganhava folga nas terças-feiras.
Na final do campeonato carioca de 1962, Aloísio decidiu que o Botafogo iria jogar contra o Flamengo usando camisas de mangas compridas, embora fosse dezembro e o calor era quase insuportável. Como no Botafogo quase todo o mundo era supersticioso, o pedido do roupeiro foi atendido. E não deu outra, ao final dos 90 minutos o Botafogo sagrou-se campeão.
O roupeiro do Botafogo também gostava de contar superstições dos outros. Por exemplo, de Aymoré Moreira, goleiro alvinegro nos anos trinta. Ele usou pela primeira vez uma camisa branca, e o seu time venceu fácil. A partir daí, só usava essa camisa, sem permitir que fosse lavada.
Com a sujeira acumulada, a camisa ficou cor de cinza e ninguém suportava o mau cheiro quando se abria o armário do Aymoré. Ao fim de 15 jogos sem derrotas a camisa estava num estado “lastimável”. Então, Aloísio resolveu lavar a camisa, sem pedir licença ao goleiro. Resultado, no jogo seguinte o Botafogo perdeu.
Embora fosse um modesto roupeiro, a figura de Aloísio acompanhou o dia-a-dia do Botafogo durante mais de quatro décadas. João Saldanha, no seu livro “Histórias de Futebol”, reservou algumas páginas para contar algumas bem humoradas peripécias de Aloisio “Birruma”. (Pesquisa: Nilo Dias)
Há quem diga que ele foi o responsável pelo folclórico presidente Carlito Rocha, ter entrado de cara e coragem no mundo da superstição. Outros afirmam o contrário, que o roupeiro aprendeu a arte da superstição, com o presidente Carlito. Ele chegou ao Botafogo em 1932 e por lá permaneceu até meados dos anos 60.
O apelido “Birruma” teve origem quando certa feita ele flagrou um atleta botafoguense abrindo um buraco na porta de um quarto de hotel, usando para tal martelo e pregão, para poder espiar um casal. Aloísio chamou-lhe a atenção: “Ô seu filhote de burro: porque você não usa uma “birruma”?” O jogador que queria dar uma espiadinha no casal, de pronto respondeu: “Filhote de burro é você. Não é “birruma”, ouviu, é “verruma”. E daí em diante o apelido o acompanhou pelo resto da vida.
São muitos os episódios de superstição proporcionados por “Birruma” nesses longos anos em que trabalhou no Botafogo. Na final do Campeonato Carioca de 1957, contra o Fluminense, a caixa de mudanças do velho ônibus do Botafogo estragou bem na entrada do Maracanã. O motorista Arlindo descobriu que a marcha a ré funcionava. E não deu outra, entrou de ré no estádio.
Como o Botafogo goleou o Fluminense por 6 x 2, conquistando o título, o nosso Aloísio “Birruma” sugeriu que dali em diante o ônibus sempre entrasse no estádio de marcha à ré, o que o motorista Arlindo se negou a fazer.
Outro fato curioso ocorrido nesse campeonato envolveu o técnico João Saldanha, que garantia não ser supersticioso. Depois de um jogo em que o Botafogo venceu o América, o roupeiro Aloísio “Birruma” não deu as caras no estádio, na terça-feira, os jogadores iniciavam os treinos para o jogo seguinte. Na quarta-feira, Saldanha deu uma bronca em Aloísio, que lhe disse que tinha ido à praia para ver se afastava uma indisposição.
Mas como o Botafogo tornou a vencer no domingo, Saldanha pediu a Aloísio, após o jogo, que faltasse na terça-feira. E assim aconteceu, todas as terças feiras até o Botafogo terminar campeão carioca de 1957, “Birruma” ganhava folga nas terças-feiras.
Na final do campeonato carioca de 1962, Aloísio decidiu que o Botafogo iria jogar contra o Flamengo usando camisas de mangas compridas, embora fosse dezembro e o calor era quase insuportável. Como no Botafogo quase todo o mundo era supersticioso, o pedido do roupeiro foi atendido. E não deu outra, ao final dos 90 minutos o Botafogo sagrou-se campeão.
O roupeiro do Botafogo também gostava de contar superstições dos outros. Por exemplo, de Aymoré Moreira, goleiro alvinegro nos anos trinta. Ele usou pela primeira vez uma camisa branca, e o seu time venceu fácil. A partir daí, só usava essa camisa, sem permitir que fosse lavada.
Com a sujeira acumulada, a camisa ficou cor de cinza e ninguém suportava o mau cheiro quando se abria o armário do Aymoré. Ao fim de 15 jogos sem derrotas a camisa estava num estado “lastimável”. Então, Aloísio resolveu lavar a camisa, sem pedir licença ao goleiro. Resultado, no jogo seguinte o Botafogo perdeu.
Embora fosse um modesto roupeiro, a figura de Aloísio acompanhou o dia-a-dia do Botafogo durante mais de quatro décadas. João Saldanha, no seu livro “Histórias de Futebol”, reservou algumas páginas para contar algumas bem humoradas peripécias de Aloisio “Birruma”. (Pesquisa: Nilo Dias)
terça-feira, 3 de julho de 2012
Morreu o padre que abençoava o Flamengo
Morreu na segunda-feira (2), o padre José Benedito Reis Filho, o “Bené”, um dos mais ardorosos torcedores do C.R. Flamengo, do Rio de Janeiro. Há alguns meses o pároco lutava contra o câncer. Internado no Hospital Quinta D'Or, na Quinta da Boa Vista, Zona Norte do Rio de Janeiro, fez uma cirurgia e apresentou problemas cardiovasculares.
O velório e a Missa de Corpo Presente estão previstos para as 15h de hoje, terça-feira, na Igreja de Santo Cristo, onde era Pároco. O enterro está marcado para as 17h, no Cemitério do Caju. O Flamengo enviou uma bandeira oficial para a cerimônia.
Padre Benedito ficou conhecido por abençoar o time profissional do Flamengo no Dia de São Judas Tadeu, padroeiro do clube e também por benzer jogadores, por exemplo, quando estavam em má fase ou em situação próxima ao rebaixamento. O religioso costumava usar uma camisa do rubro-negro, por baixo da batina. O Flamengo divulgou uma nota oficial lamentando o ocorrido.
Foram muitos os momentos em que padre Benedito visitou o clube para levar uma palavra de incentivo, como ocorreu em 2010, quando o time fazia campanha ruim no Campeonato Brasileiro. O Flamengo decidiu apelar para a fé e os jogadores receberam a visita do padre, ao final de um treino. O religioso abençoou atletas, jornalistas e o gramado da Gávea e deu entrevista coletiva, quando disse que os jogadores o receberam muito bem e ficaram felizes com a bênção. Disse que já era conhecido, uma “figurinha fácil na Gávea".
Ainda em 2010, quando o atacante Deivid foi contratado, o pároco foi ao CT de Vargem Grande deixar sua benção. O atleta recebeu uma bênção especial e agradeceu o apoio do religioso. O treinador na época era Silas, de fé protestante, mas aceitou a presença do representante da Igreja Católica no clube. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo. É respeitar o direito do outro. No São Paulo, o time ia para Aparecida do Norte e eu ia também. Sempre respeitei e fui respeitado”, disse o profissional.
Bené, como era chamado carinhosamente pelos mais próximos, foi pároco durante 15 anos no Cosme Velho, na Paróquia São Judas Tadeu, padroeiro do Flamengo e santo das causas impossíveis. Benedito, porém, foi transferido para a igreja de Santo Cristo dos Milagres, no Bairro de Santo Cristo, na zona portuária do Rio, mas sempre era convocado para benzer a Gávea. (Pesquisa: Nilo Dias)
Padre Benedito era o símbolo maior da fé rubro-negra.
O velório e a Missa de Corpo Presente estão previstos para as 15h de hoje, terça-feira, na Igreja de Santo Cristo, onde era Pároco. O enterro está marcado para as 17h, no Cemitério do Caju. O Flamengo enviou uma bandeira oficial para a cerimônia.
Padre Benedito ficou conhecido por abençoar o time profissional do Flamengo no Dia de São Judas Tadeu, padroeiro do clube e também por benzer jogadores, por exemplo, quando estavam em má fase ou em situação próxima ao rebaixamento. O religioso costumava usar uma camisa do rubro-negro, por baixo da batina. O Flamengo divulgou uma nota oficial lamentando o ocorrido.
Foram muitos os momentos em que padre Benedito visitou o clube para levar uma palavra de incentivo, como ocorreu em 2010, quando o time fazia campanha ruim no Campeonato Brasileiro. O Flamengo decidiu apelar para a fé e os jogadores receberam a visita do padre, ao final de um treino. O religioso abençoou atletas, jornalistas e o gramado da Gávea e deu entrevista coletiva, quando disse que os jogadores o receberam muito bem e ficaram felizes com a bênção. Disse que já era conhecido, uma “figurinha fácil na Gávea".
Ainda em 2010, quando o atacante Deivid foi contratado, o pároco foi ao CT de Vargem Grande deixar sua benção. O atleta recebeu uma bênção especial e agradeceu o apoio do religioso. O treinador na época era Silas, de fé protestante, mas aceitou a presença do representante da Igreja Católica no clube. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo. É respeitar o direito do outro. No São Paulo, o time ia para Aparecida do Norte e eu ia também. Sempre respeitei e fui respeitado”, disse o profissional.
Bené, como era chamado carinhosamente pelos mais próximos, foi pároco durante 15 anos no Cosme Velho, na Paróquia São Judas Tadeu, padroeiro do Flamengo e santo das causas impossíveis. Benedito, porém, foi transferido para a igreja de Santo Cristo dos Milagres, no Bairro de Santo Cristo, na zona portuária do Rio, mas sempre era convocado para benzer a Gávea. (Pesquisa: Nilo Dias)
Padre Benedito era o símbolo maior da fé rubro-negra.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Juca Kfouri denuncia
Por Jaqueline Patrocínio
O jornalista Juca Kfouri publicou em seu blog do Uol, nesta terça-feira, 26, que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, foi serviçal da ditadura e um dos responsáveis pela prisão de Vladimir Herzog - que foi morto pelos militares.
Kfouri afirma que Marin é “fartamente” responsável pela prisão que resultou no assassinato de Herzog, em 1975. “Na época, Marin era deputado e em discursos elogiava o trabalho do torturador Sérgio Paranhos Fleury e colaborava com as denúncias sobre a existência de comunistas na TV Cultura, cujo jornalismo era dirigido por Herzog”, publicou.
Na opinião do jornalista, este é o motivo pelo qual Dilma Rouseff não recebe Marin, que trata assuntos relativos ao governo Federal em audiências com o vice-presidente da República, Michel Temer. Ele está no comando da CBF e do Comitê Organizador Local para a Copa do Mundo de 2014 (COL), desde março de 2012, após a renúncia de Ricardo Teixeira.
Prisão e morte de Vlado
Herzog foi torturado e morto nas dependências da Operação Bandeirantes (Oban), por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), durante o regime militar, e tornou-se símbolo na luta pela restauração da democracia no Brasil.
Biografia de Vladimir Herzog
Daelcio Freitas - UOL
Da Redação, em São Paulo
Jornalista, professor da USP (Universidade de São Paulo) e teatrólogo, Vlado Herzog nasceu em 1937 na cidade de Osijsk, Iugoslávia. Filho de Zigmund Herzog e Zora Herzog, imigrou com os pais para o Brasil em 1942. A família saiu da Europa fugindo do nazismo.
Vlado foi criado em São Paulo e se naturalizou brasileiro. Fez Filosofia na USP e tornou-se jornalista do jornal O Estado de S. Paulo em 1959.
Nesta época, Vlado achava que o nome soava exótico nos trópicos e resolveu passar a assinar Vladimir. No início da década de 60, casou-se com Clarice. Com o golpe militar de 1964, o casal resolveu passar uma temporada na Inglaterra e Vladimir conseguiu trabalho na BBC de Londres. Lá, tiveram dois filhos, Ivo e André. Em 1968, a família voltou ao Brasil. Vlado trabalhou um ano em publicidade, depois na editoria de cultura da revista Visão. Em 1975, foi escolhido pelo Secretário de Cultura de SP, José Mindlin, para dirigir o jornalismo da TV Cultura.
A morte
Na noite do dia 24 de outubro de 1975, o jornalista apresentou-se na sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). No dia seguinte, foi morto aos 38 anos.
Segundo a versão oficial da época, ele teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário. Porém, de acordo com os testemunhos de Jorge Benigno Jathay Duque Estrada e Rodolfo Konder, jornalistas presos na mesma época no DOI/CODI, Vladimir foi assassinado sob torturas.
Como Herzog era judeu, o Shevra Kadish (comitê funerário judaico) recebeu o corpo e, ao prepará-lo para o funeral, o rabino percebeu que havia marcas de tortura no corpo do jornalista, prova de que o suicídio tinha sido forjado.
Em 1978, o legista Harry Shibata confirmou haver assinado o laudo necroscópico da vítima - na qualidade de segundo perito - sem examinar ou sequer ver o corpo. Contrariando os depoimentos de torturas e violências cometidas no interior do DOI-Codi, Shibata reconheceu que esteve algumas vezes naquele órgão para medicar presos, mas que os únicos casos que constatou foram de "micoses, gripes e similares".
Em 1978, a Justiça responsabilizou a União por prisão ilegal, tortura e morte do jornalista. Em 1996, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos reconheceu que Herzog foi assassinado e decidiu conceder uma indenização para sua família.
A morte de Herzog foi um marco na ditadura militar (1964 - 1985). O triste episódio paralisou as redações de todos os jornais, rádios, televisões e revistas de São Paulo. Os donos dos veículos de comunicação fizeram um acordo com os jornalistas. Todos trabalhariam apenas uma hora, para que os jornais e revistas não deixassem de circular, e as emissoras de rádio e televisão continuassem com suas programações.
No dia 31 de outubro de 1975, foi realizado um culto ecumênico em memória de Herzog na Catedral da Sé, do qual participaram 8.000 pessoas, num protesto silencioso contra o regime.
No dia 17 de outubro de 2004, o caso voltou à mídia de forma chocante. O jornal Correio Braziliense publicou supostas fotos inéditas do jornalista, nu, antes de ser morto sob custódia do Exército. Dias depois, o secretário de Direitos Humanos, ministro Nilmário Miranda, divulgou uma nota afirmando que as fotos não eram do jornalista.
Antes da revelação da autenticidade das fotos, porém, o episodio havia causado um mal-estar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os militares, que publicaram nota dizendo que "as medidas tomadas pelas forças legais foram uma legítima resposta à violência dos que recusaram o diálogo".
Irritado, o presidente da República considerou a nota "impertinente, equivocada e inoportuna" e exigiu retratação pública do comandante da Força, general Francisco Albuquerque.
A retratação, de cinco parágrafos, teve linha oposta à nota anterior. Dizia que o Exército lamentava a morte do jornalista Vladimir Herzog e que não queria reavivar "fatos de um passado trágico que ocorreram no Brasil". (Fonte: UOL Educação)
O jornalista Juca Kfouri publicou em seu blog do Uol, nesta terça-feira, 26, que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, foi serviçal da ditadura e um dos responsáveis pela prisão de Vladimir Herzog - que foi morto pelos militares.
Kfouri afirma que Marin é “fartamente” responsável pela prisão que resultou no assassinato de Herzog, em 1975. “Na época, Marin era deputado e em discursos elogiava o trabalho do torturador Sérgio Paranhos Fleury e colaborava com as denúncias sobre a existência de comunistas na TV Cultura, cujo jornalismo era dirigido por Herzog”, publicou.
Na opinião do jornalista, este é o motivo pelo qual Dilma Rouseff não recebe Marin, que trata assuntos relativos ao governo Federal em audiências com o vice-presidente da República, Michel Temer. Ele está no comando da CBF e do Comitê Organizador Local para a Copa do Mundo de 2014 (COL), desde março de 2012, após a renúncia de Ricardo Teixeira.
Prisão e morte de Vlado
Herzog foi torturado e morto nas dependências da Operação Bandeirantes (Oban), por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), durante o regime militar, e tornou-se símbolo na luta pela restauração da democracia no Brasil.
Daelcio Freitas - UOL
Da Redação, em São Paulo
Jornalista, professor da USP (Universidade de São Paulo) e teatrólogo, Vlado Herzog nasceu em 1937 na cidade de Osijsk, Iugoslávia. Filho de Zigmund Herzog e Zora Herzog, imigrou com os pais para o Brasil em 1942. A família saiu da Europa fugindo do nazismo.
Vlado foi criado em São Paulo e se naturalizou brasileiro. Fez Filosofia na USP e tornou-se jornalista do jornal O Estado de S. Paulo em 1959.
Nesta época, Vlado achava que o nome soava exótico nos trópicos e resolveu passar a assinar Vladimir. No início da década de 60, casou-se com Clarice. Com o golpe militar de 1964, o casal resolveu passar uma temporada na Inglaterra e Vladimir conseguiu trabalho na BBC de Londres. Lá, tiveram dois filhos, Ivo e André. Em 1968, a família voltou ao Brasil. Vlado trabalhou um ano em publicidade, depois na editoria de cultura da revista Visão. Em 1975, foi escolhido pelo Secretário de Cultura de SP, José Mindlin, para dirigir o jornalismo da TV Cultura.
A morte
Na noite do dia 24 de outubro de 1975, o jornalista apresentou-se na sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). No dia seguinte, foi morto aos 38 anos.
Segundo a versão oficial da época, ele teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário. Porém, de acordo com os testemunhos de Jorge Benigno Jathay Duque Estrada e Rodolfo Konder, jornalistas presos na mesma época no DOI/CODI, Vladimir foi assassinado sob torturas.
Como Herzog era judeu, o Shevra Kadish (comitê funerário judaico) recebeu o corpo e, ao prepará-lo para o funeral, o rabino percebeu que havia marcas de tortura no corpo do jornalista, prova de que o suicídio tinha sido forjado.
Em 1978, o legista Harry Shibata confirmou haver assinado o laudo necroscópico da vítima - na qualidade de segundo perito - sem examinar ou sequer ver o corpo. Contrariando os depoimentos de torturas e violências cometidas no interior do DOI-Codi, Shibata reconheceu que esteve algumas vezes naquele órgão para medicar presos, mas que os únicos casos que constatou foram de "micoses, gripes e similares".
Em 1978, a Justiça responsabilizou a União por prisão ilegal, tortura e morte do jornalista. Em 1996, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos reconheceu que Herzog foi assassinado e decidiu conceder uma indenização para sua família.
A morte de Herzog foi um marco na ditadura militar (1964 - 1985). O triste episódio paralisou as redações de todos os jornais, rádios, televisões e revistas de São Paulo. Os donos dos veículos de comunicação fizeram um acordo com os jornalistas. Todos trabalhariam apenas uma hora, para que os jornais e revistas não deixassem de circular, e as emissoras de rádio e televisão continuassem com suas programações.
No dia 31 de outubro de 1975, foi realizado um culto ecumênico em memória de Herzog na Catedral da Sé, do qual participaram 8.000 pessoas, num protesto silencioso contra o regime.
No dia 17 de outubro de 2004, o caso voltou à mídia de forma chocante. O jornal Correio Braziliense publicou supostas fotos inéditas do jornalista, nu, antes de ser morto sob custódia do Exército. Dias depois, o secretário de Direitos Humanos, ministro Nilmário Miranda, divulgou uma nota afirmando que as fotos não eram do jornalista.
Antes da revelação da autenticidade das fotos, porém, o episodio havia causado um mal-estar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os militares, que publicaram nota dizendo que "as medidas tomadas pelas forças legais foram uma legítima resposta à violência dos que recusaram o diálogo".
Irritado, o presidente da República considerou a nota "impertinente, equivocada e inoportuna" e exigiu retratação pública do comandante da Força, general Francisco Albuquerque.
A retratação, de cinco parágrafos, teve linha oposta à nota anterior. Dizia que o Exército lamentava a morte do jornalista Vladimir Herzog e que não queria reavivar "fatos de um passado trágico que ocorreram no Brasil". (Fonte: UOL Educação)
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Imprensa esportiva está de luto
A imprensa esportiva paranaense e brasileira está de luto, com o falecimento ocorrido na tarde de hoje (14h20min), do jornalista e escritor, Vinicius Coelho. Ele morreu atropelado por um carro Gol, em acidente acontecido na Linha Verde (BR-476), próximo ao Auto Shopping Curitiba, na região do bairro Tarumã, na capital paranaense.
De acordo com informações da Polícia, Coelho cruzava a rua quando foi atingido por um automóvel. Ele chegou a ser atendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. De acordo com testemunhas, ele era morador da região e frequentemente caminhava pela rodovia. O motorista do veículo Gol, que o atropelou, foi encaminhado com escoriações leves ao Hospital Cajuru.
O corpo do jornalista será velado no estádio do Coritiba, o Couto Pereira, no bairro Alto da Glória a partir de amanhã (28) pela manhã. Coelho tinha 80 anos e era torcedor do Coritiba. Ele foi autor do segundo hino do alviverde, "Eterno Campeão", composto na década de 70. Além disso, foi o responsável pela narração televisiva para o Estado do título de campeão brasileiro do clube, em 1985.
Livros também estão no currículo de Vinícius Coelho. Ele escreveu três obras que têm o Coxa como tema: a biografia do ex-presidente do clube, Aryon Cornelsen; Atle-Tiba – Paixão de Multidões; e Evangelino: Campeoníssimo. Os dois últimos foram feitos em parceria com o jornalista e colunista da Gazeta do Povo, Carneiro Neto.
Nascido em 1932, em Curitiba, Vinícius Coelho ingressou na crônica esportiva duas décadas mais tarde, no Diário do Paraná, em 1953. Em 1962, foi contratado pelo Canal 6, aonde viria a ser locutor esportivo.
Coelho trabalhou no jornal e na televisão até 1969, quando se mudou para o Rio de Janeiro, onde foi repórter do jornal O Globo. Nesse ano, conseguiu em primeira mão a informação de que Zagallo seria escolhido para dirigir a seleção brasileira na Copa de 1970.
Retornou a Curitiba em 1974 para ser chefe da editoria de esportes da Gazeta do Povo, onde trabalhou por dez anos. Simultaneamente, trabalhou na TV Paranaense (hoje RPC TV), empresa que deixou em 1986. Vinícius Coelho também acumulou várias passagens por rádios da cidade. Trabalhou nas rádios Colombo, Independência, Universo e Cidade.
Com nove Copas do Mundo e duas Olimpíadas currículo, ele acumulou carimbos em seus passaportes. A primeira cobertura internacional do jornalista foi em 1959, no extinto Campeonato Sul-Americano de futebol (atual Copa América), na Argentina. O curitibano também foi presidente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos e da secção da América da AIPS (Association Della Presse Sportive). Seu último trabalho foi como colunista do jornal Tribuna no Paraná, em 2009.
Vinícius Coelho também vivia um drama pessoal desde 2007, quando o filho dele, Bruno Strobel Coelho, foi morto após ser supostamente agredido por agentes de uma empresa de segurança. O jovem desapareceu em 2 de outubro daquele ano e uma semana depois foi encontrado morto, com dois tiros na cabeça e marcas de espancamento, num matagal nas proximidades da Rodovia dos Minérios, em Almirante Tamandaré.
Segundo as investigações, o jovem teria sido flagrado por funcionários da empresa de vigilância Centronic pichando o muro de uma clínica no bairro Alto da Glória, em Curitiba. Depois de rendido pelos seguranças, Bruno foi levado até a sede da empresa, onde foi espancado. O jovem teria revelado que era filho de um jornalista, o que levou os vigias a decidirem executar o estudante para que ele não contasse o ocorrido.
Assistiu a nove Copas do Mundo e duas Olimpíadas. Foi também autor de três livros: “Atletiba”, “Campeonísssimo” e a biografia de Aryon Cornelsen, destaque pela excelente gestão como presidente do Coritiba.
Em 2010 Vinicius foi um dos homenageados pelo Jockey Club do Paraná, que dedicou sete páreos em homenagem ao Dia do Jornalista, comemorado em 07 de abril. Os prêmios foram intitulados: “Jornalista Vinicius Coelho dos Santos”, “Jornalista Rosy de Sá Cardoso”, “Jornalista Luiz Geraldo Mazza”, “Jornalista Milton Ivan Heller”, “Jornalista Haraton Cezar Maravalhas”, “Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Paraná” e “Dia dos Jornalistas - 07 de Abril”.
Famoso por seus textos sobre o futebol, ele nunca escreveu sobre turfe, mas revelou que frequentava com a família o Jockey Club do Paraná, quando este se encontrava em outro endereço.
A última entrevista dele foi ao ar na Rádio 98 FM na manhã de terça-feira (26), quando revelou um de seus principais desejos, voltar a escrever colunas em jornais. Vinicius também foi responsável pelo sucesso de muita gente, pessoas as quais indicou e auxiliou no inicio de suas carreiras. (Pesquisa: Nilo Dias)
segunda-feira, 25 de junho de 2012
A agonia de um clube centenário
Uma decisão da Justiça paulista pode tirar de sua sede, no bairro da Ponte Pequena, um dos mais tradicionais clubes esportivos de São Paulo e do Brasil, o Clube de Regatas Tietê, que completou 102 anos neste mês de junho. A prefeitura decidiu que o clube não terá renovado o contrato de comodato, e pretende transformar o local em um Clube Escola. O corpo conselheiro do Tietê se sente injustiçado e a direção da entidade tem esperanças de reverter a situação e para tal já entrou com recurso na Justiça.
Criado em 2007, o projeto Clube Escola consumiu 114 milhões de reais dos cofres municipais para a realização de obras em 320 espaços. Entram na lista campos de futebol de várzea e quadras poliesportivas. Em sua nova destinação, o complexo, que conta com sete quadras de tênis, cinco piscinas, cinco quadras externas, cinco ginásios fechados, um campo de futebol oficial e uma pista de atletismo, pode abrir as portas ao público já a partir do ano que vem.
No início do ano, o prefeito Kassab e o então ministro dos Esportes, Orlando Silva, pediram ao clube que aceitasse a instalação da Faculdade Zumbi dos Palmares no local, pois assim renovariam a concessão, o que acabou não acontecendo, sendo o clube enganado. A Faculdade mudou-se para um prédio que fica no Clube de Regatas Tietê. Acertou de repassar R$ 40 mil mensais ao clube para os custos de água, luz e manutenção, mas até hoje, passados 18 meses, não cumpriu o estipulado.
Outros clubes, como Palmeiras, Corinthians, Portuguesa e Espéria também ocupam áreas municipais, mas não correm riscos, o que causa estranheza nas hostes tietanas. A ameaça atinge somente ele. A alegação do município é de que não dá para um terreno gigante ficar na mão de tão poucos. A última renovação aconteceu em 1972, portanto há 40 anos.
O Tietê é um dos clubes mais antigos da cidade. O nome vem do rio vizinho, onde frequentadores praticavam remo até meados do século passado. O clube mais antigo da cidade é o São Paulo Athletic Club, conhecido como Clube dos Ingleses, fundado em 1888.
O Regatas Tietê já foi um clube frequentado pela nata da sociedade paulista, que ali praticava natação, esgrima, balé, judô e atletismo. João Senna, avô do saudoso piloto Ayrton Senna, costumava remar nas então límpidas águas do Tietê. João Havelange, presidente de honra da Fifa due suas primeiras braçadas no hoje poluído rio.
O mesmo fez Maria Lenk, a primeira atleta sul-americana a disputar os Jogos Olímpicos, em 1932, na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, e a primeira a quebrar recordes mundiais nos 200 m e 400 m peito em 1939.
Outra campeã oriunda das quadras do Tietê foi Maria Esther Bueno, grande vencedora de Wimbledon em 1959, 1960 e 1964. Mas já houvera sido campeã de duplas mistas em Roland Garros e outros torneios de “Grand Slam”, tais como aberto da Austrália e do EUA.
Outro destacado atleta surgido no Tietê foi Abílio Couto, o primeiro nadador a se consagrar por realizar as maiores travessias do mundo em águas abertas: no Canal da Mancha, Estreito de Darnelos, Estreito de Bosphoro, Dover to Deal, Miramar a Mar del Plata, Canal de Suez, Santa Fé a Coronha, Lac Des Cygnes, Salton Sea, Baia de Tóquio, Capri/Nápoles, entre outros. No ano de 1965 Abílio realizou outro sonho, a travessia do Estreito de Gibraltar, que separa a África da Europa.
O Clube registrou sua importância também no futebol, que remonta o ano de 1935, quando comprou o São Paulo da Floresta, que havia sido campeão paulista em 1931. Contava com grandes jogadores, como Arthur Friedenreich, mas havia assumido mais dívidas do que poderia pagar. O Tietê passou a se chamar Tietê-São Paulo e tentou disputar o Campeonato Paulista de 1935, alterando seu nome para Independente Esporte Clube, mas acabou desistindo.
O clube abriga ainda o antigo Estádio da Floresta (Chácara da Floresta), onde houve no passado recente grandes e importantes jogos de futebol do Campeonato Paulista, inclusive seu primeiro jogo.
Os bons tempos do Tietê não resistiram ao tempo e as más administrações. Há cerca de 10 anos o clube contava com 30 mil associados. Hoje tem apenas 3.312, dos quais apenas 800 são pagantes regulares. A mensalidade cobrada é de míseros R$ 35 reais. Para aumentar a receita o clube aluga suas dependências para festas de casamentos, aniversários e baladas a preços que oscilam entre R$ 12 mil e R$ 30 mil.
A soma de tudo é insuficiente para cobrir as despesas. Hoje, o clube tem uma dívida de R$ 30 milhões, oriundas principalmente de ações trabalhistas e do IPTU, e patrimônio de R$ 80 milhões.
Mesmo que o Tietê seja despejado, ele não vai acabar, pois possui uma sede própria às margens da represa de Guarapiranga. Mas o clube não quer abrir mão de sua sede social, onde se encontra há 102 anos.
O Tietê contou, ainda, com muitos colaboradores na sua diretoria, destacando-s entre eles, na Presidência do Conselho Deliberativo e da Diretoria, respectivamente, Armando Simões Neto, ex-presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo e Durval Guimarães , atleta do tiro esportivo, que participou de nove Pan-americanos, onde conquistou duas medalhas de prata e seis de bronze, bem como participou de cinco olimpíadas consecutivas.
As gestões anteriores, mais recentes, contaram com os seguintes presidentes da diretoria: José Jorge de Oliveira Braga (advogado), Paulo Roberto Bonjorno (perito criminal), Evaldo Renato de Oliveira (advogado) e João da Silva Filho (procurador de Justiça).
O atual presidente do Clube de Regatas Tietê é Edson Oliveira Rocha, eleito ao cargo em 2 de novembro de 2006. Na atual diretoria administrativa participa também o vice-presidente Administrativo Fábio Sandin Damasceno, eleito ao cargo em 25 de novembro de 2007.
Atualmente o clube conta apenas com as atividades sociais e algumas modalidades amadoras. O Tietê possui sete quadras de tênis de campo de saibro, sendo uma coberta e cerca de 300 tenistas cadastrados. A atual diretora de tênis é a atleta Martinha Pêra. Tem ainda um amplo salão para a prática de esgrima.
É uma pena que um clube da tradição do Regatas Tietê, esteja passando por uma situação difícil, em que sua saída da sede atual, é aparente. Tendo em vista que estamos próximos de uma olimpíada, esperamos que a prefeitura de São Paulo e a Justiça, deem ao tradicional e centenário clube a oportunidade de se recuperar e continuar a formar atletas de nível para o nosso país. (Pesquisa: Nilo Dias)
Vista do Clube de Regatas São Paulo, situado nas imediações da Ponte Grande (atual Ponte das Bandeiras). Fundado em 1903 às margens do rio Tietê, foi um dos primeiros centros esportivos da cidade, sendo sucedido
em 1907 pelo Clube de Regatas Tietê.
Criado em 2007, o projeto Clube Escola consumiu 114 milhões de reais dos cofres municipais para a realização de obras em 320 espaços. Entram na lista campos de futebol de várzea e quadras poliesportivas. Em sua nova destinação, o complexo, que conta com sete quadras de tênis, cinco piscinas, cinco quadras externas, cinco ginásios fechados, um campo de futebol oficial e uma pista de atletismo, pode abrir as portas ao público já a partir do ano que vem.
No início do ano, o prefeito Kassab e o então ministro dos Esportes, Orlando Silva, pediram ao clube que aceitasse a instalação da Faculdade Zumbi dos Palmares no local, pois assim renovariam a concessão, o que acabou não acontecendo, sendo o clube enganado. A Faculdade mudou-se para um prédio que fica no Clube de Regatas Tietê. Acertou de repassar R$ 40 mil mensais ao clube para os custos de água, luz e manutenção, mas até hoje, passados 18 meses, não cumpriu o estipulado.
Outros clubes, como Palmeiras, Corinthians, Portuguesa e Espéria também ocupam áreas municipais, mas não correm riscos, o que causa estranheza nas hostes tietanas. A ameaça atinge somente ele. A alegação do município é de que não dá para um terreno gigante ficar na mão de tão poucos. A última renovação aconteceu em 1972, portanto há 40 anos.
O Tietê é um dos clubes mais antigos da cidade. O nome vem do rio vizinho, onde frequentadores praticavam remo até meados do século passado. O clube mais antigo da cidade é o São Paulo Athletic Club, conhecido como Clube dos Ingleses, fundado em 1888.
O Regatas Tietê já foi um clube frequentado pela nata da sociedade paulista, que ali praticava natação, esgrima, balé, judô e atletismo. João Senna, avô do saudoso piloto Ayrton Senna, costumava remar nas então límpidas águas do Tietê. João Havelange, presidente de honra da Fifa due suas primeiras braçadas no hoje poluído rio.
O mesmo fez Maria Lenk, a primeira atleta sul-americana a disputar os Jogos Olímpicos, em 1932, na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, e a primeira a quebrar recordes mundiais nos 200 m e 400 m peito em 1939.
Outra campeã oriunda das quadras do Tietê foi Maria Esther Bueno, grande vencedora de Wimbledon em 1959, 1960 e 1964. Mas já houvera sido campeã de duplas mistas em Roland Garros e outros torneios de “Grand Slam”, tais como aberto da Austrália e do EUA.
Outro destacado atleta surgido no Tietê foi Abílio Couto, o primeiro nadador a se consagrar por realizar as maiores travessias do mundo em águas abertas: no Canal da Mancha, Estreito de Darnelos, Estreito de Bosphoro, Dover to Deal, Miramar a Mar del Plata, Canal de Suez, Santa Fé a Coronha, Lac Des Cygnes, Salton Sea, Baia de Tóquio, Capri/Nápoles, entre outros. No ano de 1965 Abílio realizou outro sonho, a travessia do Estreito de Gibraltar, que separa a África da Europa.
O Clube registrou sua importância também no futebol, que remonta o ano de 1935, quando comprou o São Paulo da Floresta, que havia sido campeão paulista em 1931. Contava com grandes jogadores, como Arthur Friedenreich, mas havia assumido mais dívidas do que poderia pagar. O Tietê passou a se chamar Tietê-São Paulo e tentou disputar o Campeonato Paulista de 1935, alterando seu nome para Independente Esporte Clube, mas acabou desistindo.
O clube abriga ainda o antigo Estádio da Floresta (Chácara da Floresta), onde houve no passado recente grandes e importantes jogos de futebol do Campeonato Paulista, inclusive seu primeiro jogo.
Os bons tempos do Tietê não resistiram ao tempo e as más administrações. Há cerca de 10 anos o clube contava com 30 mil associados. Hoje tem apenas 3.312, dos quais apenas 800 são pagantes regulares. A mensalidade cobrada é de míseros R$ 35 reais. Para aumentar a receita o clube aluga suas dependências para festas de casamentos, aniversários e baladas a preços que oscilam entre R$ 12 mil e R$ 30 mil.
A soma de tudo é insuficiente para cobrir as despesas. Hoje, o clube tem uma dívida de R$ 30 milhões, oriundas principalmente de ações trabalhistas e do IPTU, e patrimônio de R$ 80 milhões.
Mesmo que o Tietê seja despejado, ele não vai acabar, pois possui uma sede própria às margens da represa de Guarapiranga. Mas o clube não quer abrir mão de sua sede social, onde se encontra há 102 anos.
O Tietê contou, ainda, com muitos colaboradores na sua diretoria, destacando-s entre eles, na Presidência do Conselho Deliberativo e da Diretoria, respectivamente, Armando Simões Neto, ex-presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo e Durval Guimarães , atleta do tiro esportivo, que participou de nove Pan-americanos, onde conquistou duas medalhas de prata e seis de bronze, bem como participou de cinco olimpíadas consecutivas.
As gestões anteriores, mais recentes, contaram com os seguintes presidentes da diretoria: José Jorge de Oliveira Braga (advogado), Paulo Roberto Bonjorno (perito criminal), Evaldo Renato de Oliveira (advogado) e João da Silva Filho (procurador de Justiça).
O atual presidente do Clube de Regatas Tietê é Edson Oliveira Rocha, eleito ao cargo em 2 de novembro de 2006. Na atual diretoria administrativa participa também o vice-presidente Administrativo Fábio Sandin Damasceno, eleito ao cargo em 25 de novembro de 2007.
Atualmente o clube conta apenas com as atividades sociais e algumas modalidades amadoras. O Tietê possui sete quadras de tênis de campo de saibro, sendo uma coberta e cerca de 300 tenistas cadastrados. A atual diretora de tênis é a atleta Martinha Pêra. Tem ainda um amplo salão para a prática de esgrima.
É uma pena que um clube da tradição do Regatas Tietê, esteja passando por uma situação difícil, em que sua saída da sede atual, é aparente. Tendo em vista que estamos próximos de uma olimpíada, esperamos que a prefeitura de São Paulo e a Justiça, deem ao tradicional e centenário clube a oportunidade de se recuperar e continuar a formar atletas de nível para o nosso país. (Pesquisa: Nilo Dias)
Vista do Clube de Regatas São Paulo, situado nas imediações da Ponte Grande (atual Ponte das Bandeiras). Fundado em 1903 às margens do rio Tietê, foi um dos primeiros centros esportivos da cidade, sendo sucedido
em 1907 pelo Clube de Regatas Tietê.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
O filósofo da bola
Antônio Franco de Oliveira, o “Neném Prancha”, nasceu em Resende (RJ), no dia 16 de junho de 1906. Foi roupeiro, massagista, olheiro e técnico de futebol. Ganhou a alcunha de “O Filósofo da bola”, de Armando Nogueira, por suas frases engraçadas.
Antônio era filho de Zeferino, um biscateiro e dona Julia, uma empregada doméstica. Aos 11 anos, foi tentar a vida na cidade do Rio de Janeiro. Ganhou o apelido de "Neném Prancha", por causa das mãos, que mediam cada uma 23 centímetros de comprimento, e dos pés, número 44, que sempre calçavam chinelos.
Parrudo e alto, seu corpo forte escondia um mulato solitário, feio e introvertido. Muitos o tinham como assexuado. Com uma boina inseparável na cabeça, gostava de dar sermões. Ao longo do tempo, sofreu problemas de visão. Ainda assim, optou por não enxergar bem a usar óculos.
Tornou-se um mito do futebol brasileiro devido às suas frases de efeito. Tanto que o escritor Pedro Zamara lançou, em 1975, um livro chamado "Assim Falou Neném Prancha", sobre o pensamento deste ícone da filosofia futebolística.
Neném iniciou sua carreira no futebol como jogador no extinto Posto Quatro Futebol Clube, time campeoníssimo da praia,onde era o goleador. Depois se tornou zagueiro, no Carioca Esporte Clube, time do Jardim Botânico, que existe até hoje. Não obtendo sucesso, abriu uma escolinha de futebol para crianças nas areias de Copacabana. Ao mesmo tempo, trabalhava como roupeiro, massagista e olheiro do seu time do coração, o Botafogo.
Reza a lenda que jogava uma laranja aos pés dos candidatos a craque para então conferir seus talentos. Foi assim com Heleno de Freitas, o maior craque que ele descobriu. Neném se colocava atrás de um tabuleiro de laranjas como se fosse vendedor no areal de Copacabana. E para cada garoto jogava uma fruta. Pela reação, separava o craque do "cabeça-de-bagre".
Heleno de Freitas, mineiro de 15 anos, amorteceu uma laranja na coxa, deixou-a cair no pé, fez embaixada, levou-a à cabeça, trouxe de volta ao pé, que deu ao controle do calcanhar. E Neném viu que descobrira o mais fino, inventivo e temperamental craque do país. Por isso, até a morte, Neném levou na carteira de cédulas a foto desse que brilharia como ninguém no Botafogo de Futebol e Regatas - muito mais que o fulgor da gloriosa estrela solitária do alvinegro carioca.
Heleno foi o melhor, mas não o único. Ele também achou na praia o lateral Júnior, que disputou as Copas do Mundo de 1982 e 1986 e hoje é comentarista de televisão. E o levou ao Botafogo. Por ser especialista no trato com os jogadores, principalmente os mais jovens, foi técnico das divisões de base do alvinegro.
Contemporâneos e estudiosos garantem que certas frases nunca foram ditas por ele. O que se passou foi o seguinte: de tão querido, alguns de seus jogadores, como Sandro Moreyra, Lúcio Rangel e Sérgio Porto, ao se tornarem jornalistas, fizeram o possível para colocar Neném na mídia. João Saldanha, por exemplo, testava suas tiradas sensacionais divulgando-as como se fossem de autoria de Prancha. Muita gente chegou a achar que “o tal de Neném” jamais existiu e que era um personagem inventado pelo "João Sem-Medo".
Ao ser perguntado se realmente tinha proferido a mais famosa de suas frases "Pênalti é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube", Neném explicou: "O que eu falei é que o pênalti é tão fácil que até o presidente pode bater”.
Algumas frases de "Neném Prancha": "Jogador de futebol, tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida. Com fome, para estraçalhar"; "Jogue a bola pra cima, pois enquanto ela estiver no alto não há perigo de gol"; "O Didi joga bola como quem chupa laranja, com muito carinho"; "O goleiro deve andar sempre com a bola, mesmo quando vai dormir. Se tiver mulher, dorme abraçado com as duas"; "Penalti é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube"; "Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida"; "O importante é o principal, o resto é secundário"; "Se macumba resolvesse, o campeonato baiano terminava sempre empatado"; "Quem pede tem preferência, quem se desloca recebe"; “O futebol é uma caixinha de surpresas”; “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”; “Treino é treino, jogo é jogo”. "Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca, quem não tem defende"; "Jogador bom é que nem sorveteria: tem várias qualidades"; "Bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama"; Futebol moderno é que nem pelada, todo o mundo corre e ninguém sabe para onde”; “Jogador brasileiro não vai ter problema no México, não. Tudo já morou em favela e não pode se queixar de altitude” e “Goleiro é uma posição tão amaldiçoada que onde ele pisa nem grama nasce”.
Homem de poucas palavras, mas perfeito observador e muito inteligente, só falava nos momentos oportunos. Lançava com grande humor as suas frases irônicas para definir os fatos. Adepto do futebol simples e objetivo, ele contestava a forma de jogar de Domingos da Guia. Neném repudiava o drible e a firula dentro da área.
Para muitos torcedores Neném era uma figura humana estranha. Apesar de muito conhecido na praia, ele jamais foi visto tomando banho de mar. Antonio Franco de Oliveira jamais gostou de falar sobre o seu passado.
A exemplo dos demais funcionários do Botafogo passou por privações com os frequentes atrasos dos salários. Mas nunca pensou em largar o clube de seu coração. Foi há muito custo que ele concordou em se internar numa casa de saúde.
"Neném Prancha" jamais pensou em casamento, porque o pouco dinheiro que ganhava servia apenas para "manter o estômago em dia". E quando perguntado porque ficou solteiro, comentava: "Casamento é coisa muito séria para terminar nas manchetes de jornais".
Neném morreu na madrugada do dia 17 de janeiro de 1976, na Casa de Saúde Dr. Eiras, vítima de um enfarto do miocárdio. Ele tinha 59 anos. Profundo conhecedor de futebol, "Neném Prancha" atuou até pouco antes de morrer como "olheiro" no futebol de praia. Roupeiro do departamento de atletismo no Botafogo desde 1943 - começou trabalhando para a divisão juvenil de futebol. Antonio Franco de Oliveira passou a ter problemas no coração a partir de março de 1975.
Ele teria ficado muito agitado com o lançamento do livro "Assim falou Neném Prancha", de autoria do esportista Pedro Zamara". Pelo menos esse foi o comentário mais ouvido durante o seu enterro no cemitério São João Batista. (Pesquisa: Nilo Dias)
O livro que conta a vida de "Neném Prancha".
Antônio era filho de Zeferino, um biscateiro e dona Julia, uma empregada doméstica. Aos 11 anos, foi tentar a vida na cidade do Rio de Janeiro. Ganhou o apelido de "Neném Prancha", por causa das mãos, que mediam cada uma 23 centímetros de comprimento, e dos pés, número 44, que sempre calçavam chinelos.
Parrudo e alto, seu corpo forte escondia um mulato solitário, feio e introvertido. Muitos o tinham como assexuado. Com uma boina inseparável na cabeça, gostava de dar sermões. Ao longo do tempo, sofreu problemas de visão. Ainda assim, optou por não enxergar bem a usar óculos.
Tornou-se um mito do futebol brasileiro devido às suas frases de efeito. Tanto que o escritor Pedro Zamara lançou, em 1975, um livro chamado "Assim Falou Neném Prancha", sobre o pensamento deste ícone da filosofia futebolística.
Neném iniciou sua carreira no futebol como jogador no extinto Posto Quatro Futebol Clube, time campeoníssimo da praia,onde era o goleador. Depois se tornou zagueiro, no Carioca Esporte Clube, time do Jardim Botânico, que existe até hoje. Não obtendo sucesso, abriu uma escolinha de futebol para crianças nas areias de Copacabana. Ao mesmo tempo, trabalhava como roupeiro, massagista e olheiro do seu time do coração, o Botafogo.
Reza a lenda que jogava uma laranja aos pés dos candidatos a craque para então conferir seus talentos. Foi assim com Heleno de Freitas, o maior craque que ele descobriu. Neném se colocava atrás de um tabuleiro de laranjas como se fosse vendedor no areal de Copacabana. E para cada garoto jogava uma fruta. Pela reação, separava o craque do "cabeça-de-bagre".
Heleno de Freitas, mineiro de 15 anos, amorteceu uma laranja na coxa, deixou-a cair no pé, fez embaixada, levou-a à cabeça, trouxe de volta ao pé, que deu ao controle do calcanhar. E Neném viu que descobrira o mais fino, inventivo e temperamental craque do país. Por isso, até a morte, Neném levou na carteira de cédulas a foto desse que brilharia como ninguém no Botafogo de Futebol e Regatas - muito mais que o fulgor da gloriosa estrela solitária do alvinegro carioca.
Heleno foi o melhor, mas não o único. Ele também achou na praia o lateral Júnior, que disputou as Copas do Mundo de 1982 e 1986 e hoje é comentarista de televisão. E o levou ao Botafogo. Por ser especialista no trato com os jogadores, principalmente os mais jovens, foi técnico das divisões de base do alvinegro.
Contemporâneos e estudiosos garantem que certas frases nunca foram ditas por ele. O que se passou foi o seguinte: de tão querido, alguns de seus jogadores, como Sandro Moreyra, Lúcio Rangel e Sérgio Porto, ao se tornarem jornalistas, fizeram o possível para colocar Neném na mídia. João Saldanha, por exemplo, testava suas tiradas sensacionais divulgando-as como se fossem de autoria de Prancha. Muita gente chegou a achar que “o tal de Neném” jamais existiu e que era um personagem inventado pelo "João Sem-Medo".
Ao ser perguntado se realmente tinha proferido a mais famosa de suas frases "Pênalti é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube", Neném explicou: "O que eu falei é que o pênalti é tão fácil que até o presidente pode bater”.
Algumas frases de "Neném Prancha": "Jogador de futebol, tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida. Com fome, para estraçalhar"; "Jogue a bola pra cima, pois enquanto ela estiver no alto não há perigo de gol"; "O Didi joga bola como quem chupa laranja, com muito carinho"; "O goleiro deve andar sempre com a bola, mesmo quando vai dormir. Se tiver mulher, dorme abraçado com as duas"; "Penalti é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube"; "Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida"; "O importante é o principal, o resto é secundário"; "Se macumba resolvesse, o campeonato baiano terminava sempre empatado"; "Quem pede tem preferência, quem se desloca recebe"; “O futebol é uma caixinha de surpresas”; “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”; “Treino é treino, jogo é jogo”. "Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca, quem não tem defende"; "Jogador bom é que nem sorveteria: tem várias qualidades"; "Bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama"; Futebol moderno é que nem pelada, todo o mundo corre e ninguém sabe para onde”; “Jogador brasileiro não vai ter problema no México, não. Tudo já morou em favela e não pode se queixar de altitude” e “Goleiro é uma posição tão amaldiçoada que onde ele pisa nem grama nasce”.
Homem de poucas palavras, mas perfeito observador e muito inteligente, só falava nos momentos oportunos. Lançava com grande humor as suas frases irônicas para definir os fatos. Adepto do futebol simples e objetivo, ele contestava a forma de jogar de Domingos da Guia. Neném repudiava o drible e a firula dentro da área.
Para muitos torcedores Neném era uma figura humana estranha. Apesar de muito conhecido na praia, ele jamais foi visto tomando banho de mar. Antonio Franco de Oliveira jamais gostou de falar sobre o seu passado.
A exemplo dos demais funcionários do Botafogo passou por privações com os frequentes atrasos dos salários. Mas nunca pensou em largar o clube de seu coração. Foi há muito custo que ele concordou em se internar numa casa de saúde.
"Neném Prancha" jamais pensou em casamento, porque o pouco dinheiro que ganhava servia apenas para "manter o estômago em dia". E quando perguntado porque ficou solteiro, comentava: "Casamento é coisa muito séria para terminar nas manchetes de jornais".
Neném morreu na madrugada do dia 17 de janeiro de 1976, na Casa de Saúde Dr. Eiras, vítima de um enfarto do miocárdio. Ele tinha 59 anos. Profundo conhecedor de futebol, "Neném Prancha" atuou até pouco antes de morrer como "olheiro" no futebol de praia. Roupeiro do departamento de atletismo no Botafogo desde 1943 - começou trabalhando para a divisão juvenil de futebol. Antonio Franco de Oliveira passou a ter problemas no coração a partir de março de 1975.
Ele teria ficado muito agitado com o lançamento do livro "Assim falou Neném Prancha", de autoria do esportista Pedro Zamara". Pelo menos esse foi o comentário mais ouvido durante o seu enterro no cemitério São João Batista. (Pesquisa: Nilo Dias)
O livro que conta a vida de "Neném Prancha".
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