Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O velho (e bom) futebol goiano (1)

O futebol começou em Goiás (originalmente Vila Boa) na primeira década do século passado, mais precisamente em 1907. Seu introdutor teria sido o estudante de 15 anos de idade, Valter Sócrates do Nascimento, que retornara de São Paulo onde fez um período de estudos e conheceu o novo esporte. Valter nasceu no dia 23 de agosto de 1892, e era filho de pai capixaba e mãe goiana.

Seu retorno a Goiás (hoje Goiás Velho), na época capital do Estado, acabou com a tranquilidade até então existente no velho “Largo do Chafariz”, que hoje se localiza na Praça Doutor Brasil Caiado, próximo do Colégio Sant’Ana. Valter reuniu um grupo de estudantes do Lyceu de Goiás, organizando ali partidas de futebol, geralmente nos períodos da tarde e em qualquer dia da semana.

Valter contou com a colaboração de Renato Marcondes de Lacerda, que a exemplo dele também estudara em São Paulo, mais Odilon de Amorim, Alberico Camargo e João Monteiro, para que convidassem outros jovens a participarrm dos jogos de futebol. Foi dessa maneira que teve início o futebol em Goiás.

O terreno íngreme não era o mais apropriado para a prática do futebol, pois não tinha grama e era coberto por um cascalho fino e não obedecia às regras. Tudo era improvisado, desde as traves que não passavam de duas varas fincadas ao chão até as marcações do campo, que eram feitas com riscos no solo.

Como o campo era pequeno, os primeiros jogos contavam com apenas seis jogadores de cada lado. Não havia uniformes e muito menos chuteiras, todos usavam a roupa do corpo. A bola era de “mangaba”. O processo de fabricação era simples. Envolvia-se uma bexiga de bode no leite da “mangaba”, que funcionava como uma borracha. 

Mas existe outra versão que contempla o pastor protestante inglês, Archie Rua Mancintyre, como o verdadeiro introdutor do futebol em Goiás, isso em 1908, portanto um ano depois que Valter Sócrates do Nascimento organizou as “peladas” no “Largo do Chafariz”.

No livro "Do meu Tempo", escrito por Albatenio de Godoi, consta que Archie trouxe o futebol a Goiás durante uma visita que fez a cidade, quando em missão de catequese de índios do rio Araguaia. Dos primeiros jogos teriam participado, entre outros, Brasil Caiado, o próprio Albatenio, Claro Godoi, Alcenor Cupertino e Francisco Cardoso.  Mas essa versão não ganha força.

Ao que se sabe em 1908 os jogos já contavam com o número oficial de 11 jogadores para cada lado. As traves passaram a ser de sarrafo, o campo de terra demarcado, os times com camisetas diferenciadas e a presença de árbitros.

Em 1920, o futebol ganhou destaque na cidade de Goiás, quando muitos dos participantes das “peladas” do “Largo do Chafariz”, foram para São Paulo e Rio de Janeiro concluírem seus estudos em Engenharia, Direito ou Medicina, como era comum.

Em meados de 1920. Noticiava-se na capital a existência do União Operária Sport Club, que marcara um jogo contra um time de sargentos. O clube operário provavelmente articulava-se com ações como a criação da “Sociedade Santa Luzia Classe Operária”, organizada em 1930.

Entre 1920 e 1940, Goiás teve um significativo aumento no número de estabelecimentos industriais existentes na cidade. De acordo com dados do censo de 1920, Goiás contava, naquele ano com 16 indústrias e 244 operários. Em 1940, esses números já somavam 260 indústrias e 1.487 operários, num aumento de mais de 1.500 %.

De grande importância para o desenvolvimento do futebol em Goiás, também foi a verdadeira “febre” pelo novo esporte, que tomou conta da cidade de Uberaba (MG). Uberabenses que haviam estudado em São Paulo, especialmente no Colégio São Luis, em Campinas, voltavam trazendo consigo mais noções de regras, técnicas e táticas. Em 1906, um grupo de uberabenses cotizou-se para comprar uma bola de futebol em São Paulo.

Foi o que bastou para que o futebol se tornasse popular na cidade e conhecesse um desenvolvimento muito grande. A fama do Ginásio Diocesano como um brilhante estabelecimento de ensino e o melhor do Brasil Central, se espalhou rapidamente, chamando a atenção de famílias goianas, especialmente das cidades de Itaberaí, Itumbiara, Catalão e Morrinhos, que mandavam seus filhos estudarem lá.

Foi no Ginásio Diocesano que muitos jovens goianos aprenderam a jogar futebol. De volta a Goiás, alguns desses jovens acabaram tendo atuações determinantes no esporte do Estado, caso de Edmundo Pinheiro de Abreu, que jogou no ataque do time da escola. Depois esteve entre os primeiros jogadores de futebol de sua cidade natal, Itumbiara.

Já na nova capital de Goiás, Goiânia, teve intensa participação nas administrações do Goiás Esporte Clube e da Federação Goiana de Futebol, criada em 1944.

Em 1913, as primeiras locomotivas da Estrada de Ferro Goiás atravessavam a ponte sobre o Rio Paranaíba, estabelecendo, finalmente, ligação férrea entre Goiás e Minas Gerais.

No mesmo ano foi fundado o Catalão Futebol Clube, que depois se tornou uma potência futebolística da região. Até o fim da década de 1910, a organização de times e a realização de partidas foram registradas, pelo menos, em Anápolis, Pirenópolis e Catalão.

Nessa época, o Catalão Futebol Clube já possuía um terreno para a construção de uma praça de esportes, onde outros times da cidade, como o Operário, o Americano e o Brasil Futebol Clube debateram-se contra o chamado “Leão do Cerrado”.

Em 1923 o futebol já havia chegado também em cidades do norte de Goiás, atualmente o Estado de Tocantins, especialmente em Natividade e Porto Nacional. A difusão do futebol nessas localidades se deveu aos estudantes, que retornavam da Bahia e o implantaram nos rincões goianos.

Em dezembro de 1979, houve uma significativa melhora para o futebol local com a inauguração do Estádio Lauro Assunção, sem arquibancadas, que reuniu na partida inaugural as seleções de Araguaína e de Tocantinópolis.

O jogo chamou a atenção de importantes autoridades políticas do Estado de Goiás e do município de Tocantinópolis. A seleção de Tocantinópolis venceu por 3 X 1, gols de Guinha, Emiliano e Ademir.

No início da década de 1980, mesmo contando com o Estádio Lauro Assunção, o futebol local não conseguia evoluir, em razão das cansativas viagens e da falta de apoio.

O poder público municipal destinava a seleção tocantinopolina, apenas um caminhão caçamba, que comportava toda a delegação, e era parcialmente cheio de areia e coberto por uma lona para dar mais "conforto" aos atletas.

O estremo norte de Goiás era esquecido tanto em termos sociais quanto em termos de futebol, pois os principais clubes goianos, Goiás, Vila Nova, Atlético Goianiense e Goiânia, levavam vários anos para atuarem nos péssimos gramados da região. Quando isso ocorria, em jogos amistosos, verdadeiras multidões lotavam os estádios.

Em 1986, em Porto Nacional, aconteceu um jogo entre a Seleção Tocantinense e a Seleção Brasileira de Novos, que tinha em seu elenco jogadores que depois seriam verdadeiros astros do futebol brasileiro, casos de Cafu, Túlio, Marcelinho Carioca e Márcio Santos. Também teve outro jogo contra a “Seleção de Ouro”, que tinha como maior astro o artilheiro Dadá Maravilha.

A Seleção Tocantinense venceu por 1 X 0.O futebol do norte de Goiás só evoluiu quando as seleções das cidades se transformaram em clubes, como o Gurupi E.C., de Gurupi,  Kaburé E.C., de Colina e, Trastrevo E.C., de Araguaína, entre outros. Isso, depois da implantação do Estado do Tocantins que ocorreu em 1989. (Pesquisa: Nilo Dias)

Em 1924, por exemplo, na cidade de Jaraguá eram disputadas partidas envolvendo os moradores da “Rua Direita” contra o “Resto”. Em Pires do Rio era criada a primeira equipe de futebol da cidade, que tinha nos times de Iparemi seus principais adversários.

Belavistense, Bonfim Esporte Clube, Leopoldo de Bulhões Futebol Clube, Vianápolis Esporte Clube, Associação Atlética Rio Verde, Rio Bonito Futebol Clube, foram algumas das equipes criadas no Estado, na ocasião.

Em Goiás, que era a capital, foi fundada a Associação Athlética União Goyana, que teve papel importante no futebol goiano até meados da década seguinte. Foi nessa época que surgiram os times dos Sargentos, dos Operários, do Tiro 78, do Ibsen Caiado, do Anhauguera, do América e do Brasil Central.

Foi um tempo em que qualquer povoação do interior e até mesmo as diversas fazendas existentes nas zonas rurais, praticavam o futebol, lotando os gramados nas tardes de domingo.

A presença das mulheres nos “grounds” começou a ganhar constância. No começo eram apenas “senhorinhas”, madrinhas dos times. Depois a “moda” se espalhou e as “damas”, de todas as idades, passaram a frequentar os campos de futebol.

Na cidade de Goiás, a partir de 1925, já aconteciam jogos entre os times locais e os de Itaberaí, Ipameri, Anápolis e Bela Vista. Em um desses jogos esteve presente o então governador do Estado de Goiás, Brasil Caiado de Castro.

Em 1928 teve inicio a grande rivalidade entre equipes da capital e o Annapolis Sport Clube. Por volta de 1928, já se verificavam jogos entre equipes de Goiás e de fora do Estado. Os times de Catalão foram pioneiros nesse intercâmbio, enfrentando, sobretudo, adversários do “Triângulo Mineiro”.

Teve uma época que era difícil a realização de jogos, pois nem sempre as cidades mantinham em atividade as suas equipes. Era comum uma estar em atividade e outra inativa. Essa situação só foi melhorar depois do advento das estradas de rodagem, cujo processo de construção começou a partir de 1917. Em 1920 já havia 1.200 quilômetros. Em 1921, mais de 28 estradas ligavam vários pontos do vasto Estado.

Anápolis, Curralinho, Roncador, Trindade, Goiabeira, Morrinhos, Caldas Novas, Goiás, Capelinha, Pirenópolis, Santa Rita do Paranaíba, Pouso Alto, Cachoeira, São José Mossamedes, Bela Vista, Ipameri, Cristalina, São José do Duro, Barreiras, Rio Verde, Jataí, Mineiros, Barro Preto, Barro Branco, Pilar eram algumas das cidades atendidas por estradas nessa época. No fim de 1927 já eram mais de 3.500 quilômetros de rodovias.

Em dezembro de 1925 uma equipe de Anápolis foi de caminhão até Goiás para jogar contra um time daquela cidade. Alguns anos depois, os clubes passaram a utilizar automóveis nesses jogos intermunicipais, como aconteceu na partida entre o Burity Futebol Clube X Santa Rita do Paranaína, em novembro de 1935.

Em 1930 teve inicio o processo de criação em Goiás, de uma associação ou liga esportiva, para organizar as competições estaduais. Em comparação com outras regiões do país, no que se referia aos esportes, era notória a preocupação das elites goianas com o fato de não ter uma representação estadual no campeonato nacional de futebol.


A foto acima tem 100 anos. É de 1913, um verdadeiro tesouro da história do futebol em Goiás. É o primeiro registro fotográfico que se tem conhecimento do esporte no Estado. (Foto: Arquivo de Sylvim Netto)

sábado, 21 de setembro de 2013

Um estádio pouco conhecido

Pouca gente sabe que na Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira existe um estádio com capacidade para 35 mil pessoas, localizado próximo ao portão 1 do Campus Butantã, na Zona Oeste da capital paulista.

Ele foi criado em 1971, inicialmente como uma divisão de esportes da universidade. Porém, o projeto cresceu em importância com a escolha de São Paulo para sediar os Jogos Panamericanos de 1975.

Para receber a competição, foram construídas quadras cobertas, um velódromo, uma pista de atletismo e um estádio com capacidade para receber 35 mil torcedores, tudo dentro dos padrões olímpicos vigentes no período.

Mas um surto de meningite ocorrido na cidade em 1974, obrigou a transferência dos jogos para a Cidade do México.Ainda assim, o espaço continuou a ser modernizado até hoje, e agora conta também com um conjunto aquático, quatro campos de futebol, um de futebol society, nove quadras de tênis, dez quadras poliesportivas e até mesmo uma raia olímpica.

O espaço é utilizado para treinamentos das mais diversas atividades, como basquete, futebol, remo, artes marciais, tênis, atletismo, badminton e outros, como musculação e fitness, além de orientação nutricional e programa de emagrecimento.

Toda essa estrutura é usada também como um espaço de socialização de universitários e moradores das proximidades. Não por acaso são realizados, diversos eventos no local, como feiras de profissões.

O Estádio Universitário é palco das disputas da Copa USP, destinada a funcionários e ao corpo docente da universidade. Eventualmente recebe alguma outra competição importante, como aconteceu o ano passado em que lá foram disputadas as semifinais da Copa Coca-Cola de Futebol, que teve a participação de 32 equipes masculinas e 16 femininas de todo o Brasil, num total de cerca de 1.000 adolescentes representando 29 cidades de 17 Estados brasileiros.

O estádio já foi sede de uma final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 1988. Na ocasião, o Nacional (SP) foi campeão ao vencer na final o América, de São José do Rio Preto (SP), por 3 X 0. É o terceiro grande estádio de São Paulo, ficando atrás somente do Morumbi e do Pacaembu, sendo maior que o Canindé, da Portuguesa de Desportos e do antigo Parque Antárctica, do Palmeiras.

O local não é desconhecido dos alunos da USP, pois sob suas arquibancadas localiza-se o chamado “Favelão”, dormitório destinado aos alunos de baixa renda, que aguardam vaga no Conjunto Residencial da Universidade (Crusp)

Pena que hoje o Estádio se encontre num estado de abandono, necessitando de amplas reformas, que possivelmente só acontecerão em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, pois atualmente as prioridades da USP são outras.

A direção da universidade tira o corpo fora e culpa a organização do Pan de 1975, que não saiu no país, por ter construído um estádio dessa magnitude, sem pensar nas dificuldades que a instituição teria para mantê-lo. É uma obra prima de arquitetura, muito bem feito. Por essas e por outras, o esporte universitário não cresce no país, que tem uma cultura esportiva clubística, ao contrário dos Estados Unidos, por exemplo.

A ideia é que o estádio seja transformado em uma arena multiuso com restaurantes, banheiros e estrutura adequada que solucionem os problemas atuais, que passam pela falta de vias de acesso e estacionamento para veículos. 

Também é necessária a reforma dos módulos, além de uma quadra de futsal coberta e de um campo de grama sintética. Tudo isso está nos planos de reestruturação. Mas antes é preciso resolver os problemas burocráticos e obtenção de verbas. (Pesquisa: Nilo Dias)

Estádio da Universidade de São Paulo. (Foto: Jorge Maruta, Jornal da USP. Divulgação)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A "Maravilha Dourada"

Alcy Simões, para muitos o maior jogador de futebol surgido no Espírito Santo em todos os tempos, nasceu na Avenida Capixaba, em Vitória, no dia 1 de junho de 1913. Começou a jogar em 1930, quando ainda não havia completado 17 anos de idade, mesma época que Lacínio, outra figura destacada dos gramados capixabas. Foram campeões estaduais já no primeiro ano de clube.

Ambos escreveram uma bonita história no tempo em que se fazia a transição do futebol amador para o profissional no Brasil. Os dois, mais Cícero Nonato, Marciolínio e Renato formavam o famoso ataque “ping-pong”, que no campeonato estadual de 1936 marcou 57 gols em 11 partidas.

No tempo em que Alcy começou a jogar, além de Vitória e Rio Branco existiam outros clubes bastante fortes no futebol do Espírito Santo, como o Estrela e Cachoeira, de Cachoeiro do Itapemirim e Comercial, de Castelo.

Entre 1930 e 1949, Alcy venceu 15 campeonatos capixabas, 13 pelo Rio Branco, onde passou quase toda a carreira, e dois pelo Vitória. Alcy já havia participado da campanha alvinegra do título de 1930, mas jogara apenas uma partida. Como protagonista, sua primeira taça foi pelo Vitória.

Em 1937 já eram conhecidos nacionalmente e desejados por equipes de fora. Alcy e Lacínio fizeram grandes apresentações durante a “Copa dos Campeões Estaduais” e nos jogos do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, defendendo a seleção do Espírito Santo. Alcy foi procurado pelo Flamengo, que tinha pretensões de formar o “melhor ataque do Brasil” juntando Leônidas, Gonzales e Alcy.

Botafogo e Portuguesa de Desportos também queriam o jogador. Mas nenhum clube conseguiu convencer o atacante que recusou todas as propostas, preferindo continuar no Rio Branco. Além de já ser funcionário público estadual no Instituto Agrícola de Maruípe, sua esposa, dona Carmem, era professora e não demonstrava qualquer interesse em deixar Jucutuquara.

Já Lacínio foi para o América carioca, deixando o Rio Branco em 1938. Mas em 1940, desencantado com o futebol deixou os gramados aos 27 anos.

Alcy Simões, por sua vez, só encerrou a carreira em 13 de dezembro de 1947, quando tinha 34 anos e o profissionalismo já havia sido instalado no Brasil. Na verdade, ainda em 1948 e 1949, Alcy fez algumas partidas decisivas pelo Rio Branco, como a final do Estadual de 1949, contra o Comercial de Castelo, e jogou 20 minutos. Foi o suficiente.

O adversário endureceu e a decisão foi para duas prorrogações. Alcy permaneceu em campo todo esse período, até que aos 138 minutos de jogo, já cansado e atuando na ponta direita, fez a jogada do gol do título, driblando um adversário e centrando para Michel marcar. Ali, de fato, encerrou a carreira.

Mas continuou vinculado ao Rio Branco, como dirigente ou torcedor nas arquibancadas. Até o fim dos anos 80, com mais de 70 anos de idade, ainda era figura presente no Estádio Kleber Andrade.

Apelidado de “Lourinho”, “Russinho” e “Maravilha Dourada”, Alcy Simões, que faleceu em 2011, marcou 213 gols em 255 partidas disputadas pelo Rio Branco, uma média fantástica de 0,84 gols por jogo. Foi um artilheiro emérito e chutava bem com os dois pés.

A transferência de Alcy para o Vitória se deu por uma briga provocada pela rivalidade com o Rio Branco, iniciada em 1912, em razão da escolha das cores de cada um. O futebol ainda era amador e, em 1931, Alcy também jogava basquete por seu clube.

Alcy gostava de frequentar a sede do clube rival e costumeiramente saia com os rapazes e moças do Vitória, o que desagradou ao então técnico de basquete do Rio Branco, Guilherme Abaurre.

Certa vez, minutos antes de uma partida entre Vitória X Rio Branco, Abaurre advertiu Alcy, que se não jogasse bem, sairia do time. Pressionado, o atleta não rendeu o esperado e errou cestas fáceis. No intervalo foi substituído e em represália deixou o clube, transferindo-se para o tradicional adversário.

E não foi sozinho. Junto com ele foram outros dois jogadores do time de futebol, o craque meio-campista Lauro Rebelo e Filhinho, que atuava no meio e no ataque. O Vitória tinha bons jogadores casos do goleiro Luiz Nicolau, que deixou o clube no meio do campeonato para ir  morar no sul do estado, dando lugar a Clóvis.

A defesa tinha Murilo, que passou mais de 10 anos no clube, a partir de 1927, e em alguns jogos Cecé, ex-jogador do Botafogo e do Goitacaz. No meio, João Pinto. Na frente, Heitor, apelidado de “Tanque”. E ainda Cid, Abreu, Julinho, Barbosa, Arlindo, Américo, Hugo, Naná, Irineu, Lírio e Amauri. O técnico era Alfredo Sarlo.

Naquele tempo os jogos tinham dois tempos de 40 minutos com 10 de intervalo. Na maioria eram disputados no velho campo de Jucutuquara, conhecido como “Estádio de Zinco”, pois era cercado por placas desse material. Hoje ele não pertence mais ao Rio Branco, mas sim à Federação de Futebol do Estado do Espírito Satos(FES). Desde meados dos anos 1920 já era considerado obsoleto, com arquibancadas toscas, vulnerável a invasões dos torcedores e onde não havia “placard”.

Em 1933 o campeonato estadual foi muito confuso, a começar pela desistência de Rio Branco, Santo Antônio e Viminas de disputá-lo. A competição foi marcada para ter inicio em abril, mas só começou em julho, com uma goleada de 10 X 1 do Vitória sobre o Uruguayano. Os outros dois adversários eram São João e Americano.

Depois do jogo da estréia só se sabe de outro resultado, Vitória 4 X 2 Americano, no primeiro turno do campeonato. Nesse jogo o time formou com Carlinhos - Julinho (Hermes) e Murilo – Naná - Lauro e João Pinto – Filhinho Alcy Simões - Heitor “Tanque” (Cid) - Abreu e Amauri. José e Beline também faziam parte do elenco.

O Vitória chegou à última partida, necessitando apenas de um empate com o Americano. Se perdesse haveria uma decisão em melhor de três. O resultado do jogo não é conhecido, mas com certeza favoreceu o Vitória, pois se sagrou campeão daquele ano e de forma invicta.

Sabe-se que o Vitória em 28 de setembro daquele ano, goleou em prélio amistoso um combinado formado por atletas do Rio Branco e Viminas, que não quiseram disputar o campeonato, pelo placar de 4 X 1.

Alcy, modesto que era, considerava o velho general Carlos Marciano de Medeiros,o “Carlito Medeiros”, o melhor jogador que o futebol capixaba conheceu em todos os tempos, e que marcou época no Rio Branco. (Pesquisa: Nilo Dias)

Alcy Simões com a camisa daSeleção Capixaba. (Foto: Reprodução do livro "Rio Branco Atlético Clube, histórias e conquistas)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O primeiro negro do futebol brasileiro


A Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas (SP) é o segundo time mais velho do Brasil. Fica atrás apenas do Sport Club Rio Grande, da cidade gaúcha de igual nome. Agora a direção do clube campineiro está gestionando junto a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fédération Internationale de Football Association (FIFA) o reconhecimento de ser o primeiro clube de futebol no país a aceitar negros em sua equipe. E também que a entidade maior do futebol mundial permita que seja prestada uma homenagem ao ex-atleta Miguel do Carmo, quando da abertura oficial da Copa do Mundo, ano que vem no Brasil

Miguel do Carmo foi um dos fundadores da Ponte Preta em 11 de agosto de 1900, junto de outros garotos do bairro da Ponte Preta, como Alberto Aranha, Antonio de Oliveira (Tonico Campeão), Dante Pera, Luiz Afonso, Luiz Garibaldi Burghi (Gigette) e Pedro Vieira da Silva (Zico Vieira), que foi o primeiro presidente da entidade, com o apoio do alemão Theodor Kutter, do austríaco Nicolau Burghi, do brasileiro descendente de alemães Hermenegildo Wadt e do brasileiro João Vieira da Silva.

A reunião de fundação aconteceu em um terreno baldio, à sombra de duas paineiras. Por proposta do senhor Luiz Garibaldi Burghi, o clube deveria ter o nome de Associação Athletica Ponte Preta em homenagem ao bairro em que foi fundado. A primeira Diretoria fiou assim constituída: Presidente, Pedro Vieira da Silva; Secretario, Alberto Aranha; Tesoureiro, Miguel do Carmo; Procurador, Antonio de Oliveira e Fiscal de Campo, Luiz Garibaldi Burghi.

No mesmo ano que o clube foi fundado, Miguel do Carmo se tornou jogador da Ponte Preta, o que lhe garante o título de primeiro jogador de futebol negro do Brasil. Na época ele tinha apenas 15 anos. A Ponte assumiu a cor preta no nome e no uniforme. Levantou uma bandeira. Pediu liberdade a uma cidade conservadora, nada menos que o último município brasileiro a abolir a escravatura.

Além de Miguel, que também era conhecido por “Migué”, havia outros três negros e dois mulatos no plantel da “Macaca”, mas apenas ele era titular.  A Ponte Preta também aceitou negros no seu quadro social desde a fundação, o que a torna a primeira democracia racial no futebol brasileiro.

Miguel do Carmo nasceu em 1885, três anos antes da abolição da escravatura no Brasil, com a Lei Áurea. Quando menino morava em uma daquelas históricas casas da Rua Abolição, reservadas a funcionários da Companhia Paulista. Ele trabalhou como ferroviário, e jogava futebol com os garotos no bairro onde nasceu o clube. O rapaz cresceu, se casou, teve 10 filhos. Mas morreu muito jovem, aos 47 anos, em 1932, depois de passar por uma cirurgia no estômago.

Miguel do Carmo, nascido em Jundiaí no dia 10 de abril de 1885 e trabalhou como segundo fiscal de linha da Companhia Paulista de Estradas de Ferro em Campinas no fim do século 19. Miguel jogou de “Center-half” pela Ponte Preta até 1904, quando foi transferido pela Companhia Paulista para Jundiaí. Além disso, porém, pouco se sabe a respeito dele. Na história da Ponte Preta foram encontradas muitas escalações de equipes, mas ninguém sabe quem era branco ou negro.

O que se sabe de concreto é que a situação era impensável no fim daquele século e começo do próximo. Os times que praticavam o futebol no Brasil eram da elite branca. Alguns deles tinham regras que proibiam explicitamente a presença de negros em seus quadros. A procura se estendeu a familiares de Miguel do Carmo, mas foi encontrado apenas um documento, uma carteira de registro, com foto, de seu emprego como ferroviário.

As pesquisas encontraram indícios de que outros dois negros poderiam ter atuado no time de 1900, um deles seria Alberto Aranha. Na época havia duas famílias Aranha em Campinas, uma no bairro da Ponte Preta, de negros, e outra no Cambuí, região nobre, de brancos. Alberto poderia ser parente de Benedicto Aranha, um contador negro que atuou no clube a partir de 1908.

A falta de certeza acontece pela pouca documentação encontrada. Os jornais ignoravam o novo esporte. A imprensa só começou a cobrir o futebol em 1908, quando houve uma tentativa frustrada de criação de uma liga competitiva. Um dos filhos de Miguel, Geraldo do Carmo, está vivo até hoje, e mora no Jardim Garcia, em São Paulo. Ele tinha só cinco anos quando o seu pai morreu. Mas a paixão pela bola estava no sangue. Ele próprio se tornou jogador de futebol profissional, mas numa ironia do destino, nunca jogou na Ponte.

Começou a carreira ainda adolescente, jogando no Mogiana, na década de 40. Em 1950, às vésperas de fazer 25 anos foi contratado pelo Guarani. Depois defendeu o Linense, de Lins (SP), onde foi campeão paulista da divisão de acesso em 1952. Também teve passagens pelo XV de Jaú, Comercial e Francana.

Depois de encerrar a carreira, Geraldo voltou a trabalhar no Guarani, onde foi técnico da equipe de base e treinou revelações como Zetti, Neto e João Paulo. Hoje, com 86 anos, mora em uma casa modesta da Rua Cerqueira César, no Jardim. Geraldo, antes de ir para o Guarani, chegou a ser convidado para jogar na Ponte, onde seria reserva do quarto-zagueiro Pitico. Foi quando pintou o convite do “Bugre”. Não pensou duas vezes.

Os 86 anos de idade não impedem Geraldo de ainda “bate” uma bolinha no minicampo do bairro. Dono de uma saúde de ferro, até toma umas cervejinhas para animar. É muito popular no bairro e até empresta seu nome à escolinha de futebol da associação de moradores.

Geraldo ainda tem um irmão vivo, dois anos mais velho que ele, que mora no Rio de janeiro, e que igualmente foi jogador profissional. Tem quatro netos e seu desejo é que também sejam jogadores de futebol. A campanha que busca o reconhecimento da Ponte Preta como o primeiro clube brasileiro a acolher negros em sua equipe,foi lançada e é mantida por um grupo de torcedores que vasculham alfarrábios e jornais antigos à procura de documentos que comprovem um episódio importantíssimo da história.

O professor de História da PUC Campinas, José Moraes dos Santos Neto foi quem elaborou o oficio enviado a FIFA. Mas a aprovação vai depender de pesquisas aprofundadas em arquivos públicos e jornais da época, que atestem a escalação de Miguel em jogos da Ponte.

Ao que se sabe não existe uma única fotografia, por exemplo, do rapaz vestido com calção e chuteira. Nada disso será fácil, pois sabidamente a sociedade brasileira na primeira metade do século passado, era racista ao extremo.

Dois clubes do Rio de Janeiro, Bangu e Vasco da Gama disputam há anos a primazia de aceitarem negros em sua equipe. O Bangu, oficialmente é o primeiro time profissional brasileiro a escalar um jogador negro. Isso foi em 1905, quando escalou Francisco Carregal.

Na época, a Liga Metropolitana de Futebol chegou a impedir a inscrição do rapaz, o que levou o Bangu a se afastar do campeonato. No entanto, quando isso aconteceu, já fazia cinco anos que Miguel do Carmo tinha jogado pela primeira vez com a camisa alvinegra de Campinas.

Com o Vasco a coisa é ainda bem mais ampla. O Vasco foi fundado como clube de regatas em 1898, mas só em 1915 começou a se dedicar também ao futebol. E, mesmo como Clube de Regatas, só em 1904 elegeu um presidente negro.

Segundo historiadores, em 1923 jogou pela primeira vez com atletas não brancos, e só no ano seguinte defendeu junto à Federação Carioca o direito de ter jogadores negros. Até hoje, o Vasco é reconhecido como o primeiro clube a superar o preconceito no país. Em 1923, chocou o Rio ao vencer Flamengo, Botafogo e Fluminense, clubes da elite carioca, e conquistar o campeonato local com um time formado, principalmente, por negros e mulatos.

E tem também o Guarany, de Bagé (RS), fundado em 19 de abril de 1907, que desde o inicio de suas atividades aceitou negros em sua equipe. No dia 27 de março deste ano a Câmara Municipal de Campinas concedeu o “Título do Mérito Desportivo” ao atleta futebolístico Miguel do Carmo.

Quase 111 anos depois, dois garotos, de 18 e 17 anos, tentam dar continuidade à trajetória de quem é apontado como o primeiro negro a atuar em um time de futebol no Brasil. Eles são Gabriel, que joga de lateral e Lucas, volante, bisnetos de Miguel do Carmo.

No limite da idade para entrar na carreira profissional, a dupla treina nos campos do Jardim Garcia, em escolinha que leva o nome do avô, Geraldo do Carmo, filho de Miguel e zagueiro do Guarani, nos anos 50 e do Taquaral, bairros de Campinas. Gabriel e Lucas até tentaram participar de peneira da Ponte, mas com a concorrência de outros 3 mil meninos nem chegaram a ir a campo.

Uma porta de entrada pode ser o futebol universitário dos EUA. Lucas, tem vontade de estudar lá e tentar, pois nos Estados Unidos é comum a carreira começar com 18 anos. Sua mãe, a jornalista Raquel do Carmo, acompanha a luta do filho e do sobrinho, enquanto busca resgatar a memória do avô Miguel do Carmo, que ela nem chegou a conhecer.

Carlos Burghi, membro do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em Campinas, sugeriu que a “Escola de Samba Ponte Preta Amor Maior” apresente no Carnaval de 2014 o tema: "Democracia Racial nos trilhos da profissionalização do futebol campineiro", em homenagem ao atleta Miguel do Carmo. (Pesquisa: Nilo Dias)

Miguel do Carmo, o primeiro negro a jogar no futebol brasileiro. (Foto: Acervo familiar)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Os 100 anos do Santa Marina A.C.




O Santa Marina Futebol Clube, de São Paulo (capital) foi fundado por funcionários da antiga Vidraria Santa Marina em 15 de agosto de 1913. Nos primeiros anos de atividade disputou competições das ligas menores, mas em 1960 se aventurou no futebol profissional, onde disputou por apenas uma temporada a 4ª Divisão paulista.

Os times participantes foram divididos em quatro chaves. O Santa Marina ficou na "Série Brasília". Os outros clubes que formaram o grupo também não disputam mais profissionalismo atualmente. São o Cerâmica, de São Caetano do Sul, Rigesa, Volkswagen Clube, Corinthians, de Santo André, Itatiba, Esporte Clube São Bernardo, Lapeaninho e Floresta.

O jogo de estreia do Santa Marina foi contra o Floresta, de Amparo, no domingo 26 de junho de 1960, com derrota de 7 X 3. Uma semana depois, 3 de julho, atuando em casa, perdeu para Cerâmica por 4 X 2. Em 24 de julho, jogando em seu estádio, o Santa Marina finalmente conquistou a primeira vitória, batendo o São Bernardo por 2 X 1.

Depois de 16 rodadas e findo o campeonato, o Santa Marina amargou a última posição de seu grupo, com 12 derrotas e apenas 4 vitórias. A equipe marcou 23 gols e sofreu 32, terminando o certame com um saldo negativo de 19 gols.

Apesar de sua curta trajetória no profissionalismo, o time deixou saudade e até hoje é lembrado com nostalgia pelos amantes do futebol paulista. O clube existe até hoje e se dedica mais às categorias de base e escolinhas de futebol.

A antiga sede social constituía-se em orgulho para o clube, possuindo instalações para a prática de vários esportes, quadra de futebol de salão e um campo de futebol com arquibancada. E para completar, um grande salão de festas.

Muito antes da aventura no futebol profissional, o Santa Marina era conhecido e respeitado pelas excelentes equipes de base que formava, e que se destacavam em jogos amistosos e torneios amadores. E também em outros esportes, como o Box, luta Greco-romana e halterofilismo.

No Box o clube conquistou uma enormidade de títulos e revelou grandes atletas. Essa história de sucesso pode ser relembrada nos diversos murais que estão a mostra na sede atual.

Depois do insucesso no futebol profissional, o clube voltou às suas origens amadoras e nunca mais repetiu a aventura. O bom é que as categorias de base continuam a dar alegrias até hoje, apesar do santa Maria não ter mais  todo o espaço que tinha anteriormente à sua disposição.

Por toda a história, o clube perdeu muito do seu terreno original, e as instalações clube nem chegam perto do tamanho que já teve um dia.

A própria vidraria não é mais a mesma. Hoje pertence a um grupo francês. As duas vilas de empregados que mantinha, Vila Nova e Vila Velha, foram derrubadas e os dois lagos que existiam foram aterrados. No local estão hoje as instalações da TV Cultura.

Para completar, parte da propriedade foi cortada ao meio para dar lugar a Avenida Ermano Marchetti e o fundo da empresa, que se situava ao lado do Rio Tietê, foi perdido quando da construção da Marginal.

Com tudo isso, o espaço ficou menor, o que obrigou a empresa, para não desaparecer, a usar grande parte dos espaços antes utilizados para as práticas sociais e esportivas do clube.

Hoje o espaço dedicado às práticas sociais do Santa Marina Atlético Clube se localiza na antiga Vidrobrás. um pequeno espaço, se comparado com o anterior. Lá foram construídos um campo de areia, uma quadra de futebol de salão, um salão de jogos e a nova sede social, onde estão os murais com fotos, taças, troféus e toda a memória do clube. Apesar de tudo, o Santa Marina ainda é clube forte nas categorias menores.

O futuro do Santa Maria ainda é incerto. A empresa francesa, dona do complexo industrial continua a diminuir o espaço concedido ao clube. E para piorar as coisa, dá um auxilio mensal de apenas R$ 400.00. E o clube vai levando a vida, com os sócios abnegados e apaixonados que restaram, lutando para que uma memória paulistana tão bonita não seja apagada do mapa.

A volta do Santa Marina ao futebol profissionalismo é impossível, mas as categorias de base e o futebol dos veteranos ainda sobrevive nas tardes de sábados e domingos pela manhã, no pequeno campo de areia. No ano em que completa o centenário, a torcida é para que  o santa Marina não desapareça, o que seria triste demais. (Pesquisa: Nilo Dias)



Categoria de base do Santa Marina, se apresentando no Estádio do Pacaembu, quando ainda tinha a fantástica "Concha Acústica". (Foto Reprodução: Fernando Martinez)



Todos os clubes brasileiros já centenários

C.R. Flamengo (RJ), fundado em 15-11-1895; C.R. Vasco da Gama (RJ), fundado em 21-08-1898; E.C. Vitória, de Salvador (BA), fundado em 13-05-1899; C.A. Votorantim, de Votorantim (SP), fundado em 01-01-1900 e reorganizado em 04-02-1939; S.C. Rio Grande, de Rio Grande (RS), fundado em 19-07-1900; A.A. Atlética Ponte Preta, de Campinas (SP), fundada em 11-08-1900; Clube Náutico Capibaribe, de Recife (PE), fundado em 07-04-1901; E.C. 14 de Julho, de Santana do Livramento (RS), fundado em14-07-1902; Fluminense F.C. (RJ), fundado em 17-10-1902; Tuna Luso Brasileira, de Belém (PA), fundado em 01-01-1903; Grêmio Football Porto Alegrense, de Porto Alegre (RS), fundado em 15-09-1903; Bangu A.C. (RJ), fundado em 17-04-1904; Botafogo de Futebol e Regatas (RJ), fundado em 12-08-1904; América F.C. (RJ), fundado em 18 de setembro de 1904; Clube do Remo, De Belém (PA), fundado em 05-02-1905; S.C. do Recife (PE), fundado em 13-05-1905; A.A. Internacional, de Bebedouro (SP), fundado em 11-06-1906; C.A. Ypiranga (SP), fundado em 10-07-1906; C.A.Cravinhos, de Cravinhos (SP), fundado em 12-07-1906; Guarany F.C., de Bagé (RS), fundado em 19-04-1907; C.A. Pirassununguense, de Pirassununga (SP), fundado em 01-09-1907; C.A. Mineiro, de Belo Horizonte (MG), fundado em 25-03-1908; Villa Nova A.C., de Nova Lima (MG), fundado em 28-07-1908; E.C. Palmeirense, de Santa Cruz das Palmeiras (SP), fundado em 07-09-1908; S.C. São Paulo (RS), fundado em 04-10-1908; E.C. Pelotas, de Pelotas (RS), fundado em 11-10-1908; Associação Rocinhense de Futebol, de Vinhedo (SP), fundado em 20-01-1909; S.C. Internacional, de Porto Alegre (RS), fundado em 04-04-1909; Rio Claro F.C., de Rio Claro (SP), fundado em 09-05-1909; Paulista F.C., de Jundiaí (SP), fundado em 17-05-1909; F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande (RS), fundado em 11-07-1909; Cotinguiba E.C., de Aracaju (SE), fundado em 10-10-1909; Coritiba F.C., de Curitiba (PR), fundado em 12-10-1909; C.S. Sergipe, de Aracaju (SE), fundado em 17-10-1909; S.C. Corinthians Paulista, fundado em 01-09-1910 E.C. Noroeste, de Bauru (SP), fundado em 01-09-1910; Velo Clube Rioclarense, de Rio Claro (SP), fundado em 28-08-1910; E.C. União, de Tambaú (SP), fundado em 25-09-1910; Guarani Futebol Clube, de Campinas (SP),fundado em 02-04-1911; Esporte Clube Novo Hamburgo, de Novo Hamburgo (RS), fundado em 01-05-1911; Comercial F.C., de Ribeirão Preto (SP), fundado em 10-12-1911; América Futebol Clube, de Belo Horizonte (MG), fundado em 30-04-1912; Santos Futebol Clube, de Santos (SP),fundado em 14-04-1912; Operário Ferroviário Esporte Clube, de Ponta Grossa (PR), fundado 01-05-1912; em Riograndense Futebol Clube, de Santa Maria (RS), fundado em 07-05-1912; Marianense Futebol Clube, de Mariana (SP), fundado em 17-06-1912; Nacional Futebol Clube, de Manaus (AM), fundado em 13-01-1913; Futebol Clube Santa Cruz, de Santa Cruz (RS), fundado em 26-03-1913; Parnahyba Sport Club, de Parnaíba (PI), fundado em 01-05-1913; Grêmio Foot-Ball Santanense, de Santana do Livramento (RS), fundado em 11-06-1913; Rio Branco Atlético Clube, de Vitória (ES), fundado em 21-06-1913; Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul (RS), fundado em 29-06-1913; Esporte Clube Cruzeiro, de Porto Alegre (RS), fundado em 14-07-1913; Rio Branco Esporte Clube, de Americana (SP), fundado em 04-08-1913; Santa Marina Atlético Clube, de São Paulo (capital), fundado em 15-08-1913. (Pesquisa: Nilo Dias)