Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sábado, 19 de julho de 2014

A morte de Armando Marques

Faleceu na última quarta-feira (16) aos 84 anos de idade, por insuficiência renal, o ex-árbitro de futebol Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques. De acordo com informações da Secretaria de Saúde do Município do Rio de Janeiro, ele deu entrada na Coordenação de Emergência Regional (CER), do Leblon, na terça-feira, com um quadro muito grave de insuficiência renal e não resistiu.

O extinto era carioca, nascido a 6 de fevereiro de 1930 e marcou a sua carreira pela polêmica. Ainda assim chegou a ser considerado o melhor árbitro do Brasil, enquanto esteve em atividade.

Começou na profissão em 1961, aos 31 anos e ao longo da carreira foi considerado um dos maiores árbitros do futebol brasileiro. Participou de 12 decisões de campeonatos nacionais até 1974 e apitou 1.896 jogos, até se aposentar.

Além disso, apitou também diversas decisões e clássicos de campeonatos estaduais. Também atuou em duas Copas do Mundo: 1966 na Inglaterra e 1974 na Alemanha.

Armando Marques conseguiu a façanha de ser amado e odiado por torcedores e jogadores. Teve erros históricos, especialmente quando trabalhou no futebol paulista.

Um deles é lembrado até hoje pela torcida do Palmeiras, quando anulou um gol legitimo de Leivinha, que ajudou o São Paulo a ser campeão paulista daquele ano. Marques marcou toque de mão, quando todo o estádio viu e as imagens confirmaram que o gol foi de cabeça.

O maior erro da carreira do árbitro aconteceu na final do Campeonato Paulista de 1973, quando ele encerrou a cobrança de pênaltis no momento em que o Santos vencia a Portuguesa de Desportos por 2 X 0, mas ainda existia a possibilidade de empate . Por causa disso o título teve de ser dividido entre os dois clubes.

Na final do Campeonato Brasileiro de 1974, no Maracanã, o Cruzeiro necessitava somente de um empate para se sagrar campeão. O Vasco vencia por 2 X 1 quando Armando Marques anulou um gol legítimo marcado por Zé Carlos, para o Cruzeiro. Isso impediu o time mineiro de conquistar o título.

Mesmo com muitas falhs, Armando Marques foi escolhido para apitar as decisões nacionais de 1962 (segunda partida), 1963, 1964, 1965, 1966, 1967 (Náutico X Palmeiras), 1968 (Internacional  X Corinthians), 1969 (Palmeiras X Botafogo), 1970 (Palmeiras X Cruzeiro), 1971, 1973 (Internacional X Cruzeiro) e 1974. Dos Campeonatos Cariocas de 1962, 1965 (Flamengo X Fluminense), 1968, 1969 e 1976, dos Campeonatos Paulistas de 1967, 1971 e 1973 e do Campeonato Mineiro de 1967.

A masculinidade de Armando Marques foi sempre colocada em xeque pela imprensa, que criticava seu jeito efeminado. Em tom de gozação diziam que “em mulher não se bate nem com uma flor”, e completavam: “Nem em Armando Marques”.

Por seu estilo, provocou o coro pouco habitual de "bicha" nos estádios, de público predominantemente conservador. Ele dizia que adorava ser chamado assim:”Era a minha marca registrada”. Confirmou que até estimulava tais gritos, fazendo trejeitos.

Era costume do árbitro chamar os jogadores pelo nome próprio.  Pelé, por exemplo, era chamado de Édson. Mas isso não queria dizer que ele era educado no trato com os atletas. Muito pelo contrário. Costumava enfiar o dedo indicador direito (era destro) na cara dos jogadores, quando lhes chamava a atenção. Nem Pelé escapou.

Armando foi o árbitro que expulsou Pelé de campo. Levou um soco de um dos maiores ídolos do futebol nacional, Nilton Santos. Linha-dura e elegante, era um personagem em campo, inclusive com uniformes confeccionados pelo costureiro Denner, mas reservado fora e avesso a entrevistas.

Depois de encerrar a carreira de árbitro, Armando Marques apresentou em 1973 um programa de auditório na extinta TV Manchete, onde também foi comentarista esportivo. No programa havia um quadro em que ele contava e admitia alguns erros que cometera durante sua carreira.

Depois foi diretor da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF por oito anos, onde continuou a ser polêmico, em razão de escolhas suspeitas para arbitragens do Campeonato Brasileiro de Futebol. 

Ele não resistiu à crise após as denúncias sobre manipulação de resultados, envolvendo os árbitros Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon, e os empresários Nagib Fayad, o "Gibão" e Wanderlei Pololi.

Além de ser acusado de omissão, ele teria mentido ao dizer que o árbitro Edilson Pereira de Carvalho tinha sido integrado ao quadro da Fifa durante a gestão de Ivens Mendes na Comissão Nacional de Arbitragem.

Em âmbito internacional, Marques apitou o jogo inaugural do Estádio Olímpico de Munique, na Alemanha, em 1972, entre a Seleção Alemã e a União Soviética.

Em 1974, Marques apitou um jogo pela Copa do Mundo entre a antiga Alemanha Ocidental (ainda havia o muro dividindo as duas Alemanhas) e a Iugoslávia, que não existe mais. O jogo foi realizado em Dusseldorf, com 66.085 torcedores no Rheinstadion. De repente, não se sabe bem porque, Armando Marques passou a dar um sermão no craque alemão Overath.

Dedo em riste, a perna direita ligeiramente dobrada, ele gritava com Overath. A cena foi constrangedora. O jogador, impávido, ouviu tudo. E o jogo prosseguiu. A Alemanha Ocidental venceu por 2 X 0, com gols de Breitner e Müller. No dia seguinte, a Comissão de Arbitragem da FIFA afastou o árbitro da competição.

Em abril deste ano fez sua última aparição pública, quando no programa de Jô Soares, já aparentando fragilidade física, levou a plateia aos risos ao admitir os erros de sua carreira, falou de Neymar e ainda fez piadas.

Em memória do ex-árbitro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), determinou que nos jogos do Campeonato Brasileiro até este domingo (20), sejam respeitados um minuto de silêncio. (Pesquisa: Nilo Dias)

Armando Marques. (Foto: Divulgação)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Com uma “bala” no corpo

Você já imaginou alguém jogar futebol com uma bala de revólver alojada em seu próprio corpo? Pois isso aconteceu. Jair Félix da Silva, que fiou conhecido no mundo do futebol como “Jair Bala”, viveu essa experiência. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim (ES), no dia 10 de maio de 1943, era um meio-campista ofensivo, também chamado de ponta-de-lança.

Começou a carreira no Estrela do Norte, de sua cidade natal, ainda menino, contrariando a vontade de sua mãe, dona Maria da Conceição, que fez de tudo para Jair seguir a profissão do pai e do avô, operários da Ferrovia Leopoldina.

Mas Jair preferiu seguir os conselhos de "Seu Zezinho”, que era educador e também padeiro. Foi descoberto quando jogava em um campinho na periferia da cidade. “Seu Zezinho” perguntou de quem ele era filho. Ao saber que era cria do “Seu Batata”, disse que seu pai foi o maior atacante da história do futebol cachoeirense.

Ali começou verdadeiramente a sua carreira. Foi levado para os infantis do Estrela do Norte. No início dos anos 60 o Flamengo, do Rio de Janeiro, jogou uma partida amistosa em Cachoeiro e o técnico rubro-negro, o paraguaio Fleitas Solich, se encantou com o futebol de Jair, que havia marcado um gol e aconselhou sua imediata contratação. No time carioca começou no time juvenil, que costumava treinar com os titulares, por isso atuou ao lado de craques como Dida e Gérson.

O apelido de "Bala" surgiu nessa época. Ele fora ao escritório das categorias de base, em busca do dinheiro de um "bicho", quando encontrou o funcionário Willian, a quem fez o pedido. Este, num gesto de brincadeira, para que Jair desistisse da “grana”, tirou da gaveta um revólver, que pertencia a Jaime de Almeida.

Willian não sabia que a arma estava carregada, e chegou a apontá-la para Jair. Mas ao baixá-la ocorreu um disparo acidental. A bala ricocheteou no chão e foi atingir a coxa esquerda do jovem jogador, parando na virilha, sem atingir nenhuma parte vital.

Os médicos resolveram não retirar o projetil, que Jair carrega até hoje dentro do corpo, em local ignorado. A partir daí passou a ser chamado de “Jair da Bala", que depois virou “Jair Bala”.

Não ficou muito tempo no Flamengo, onde se profissionalizou. Em 1963 foi parar no Botafogo de Garrincha, Nilton Santos e muitos craques, depois que o Flamengo mandou embora o técnico Fleitas Solich, que era adorado pelos jogadores.

Foi quando o afamado jornalista Nélson Rodrigues, na sua coluna “À sombra das chuteiras imortais”, lhe dedicou uma crônica em que deu um tom poético à bala que Jair carregava no corpo e no apelido:

 "(...) se Jair fosse simplesmente Jair, estaria apodrecendo na obscuridade. À toda hora, em toda parte, nós esbarramos, nós tropeçamos num Jair qualquer.(...) Contra o Madureira, o nosso Jair se disparou realmente como um tiro. Desde o primeiro minuto, foi uma arma apontada para o peito do inimigo. E todos percebemos, em General Severiano, que nunca um Jair fora tão bala. É a autenticidade dos apelidos, que nunca existe nos nomes (...)" . Jair também foi personagem em vários textos de Roberto Drummond, Fernando Brant e outros cronistas importantes.

“Jair Bala” foi um verdadeiro cigano do futebol, andando por muitos clubes. Esteve no Comercial , de Ribeirão Preto, onde é lembrado até hoje como um dos maiores ídolos da história do clube.

Defendeu a Ponte Preta, de Campinas; Cruzeiro, de Belo Horizonte, que tinha Tostão e Dirceu Lopes; Palmeiras nos tempos da Academia de Ademir da Guia; Santos, de Pelé; XV de Novembro, de Piracicaba e América Mineiro, onde alcançou a melhor fase de sua carreira, tendo sido artilheiro do Campeonato Mineiro em 1964, o último da “Era Independência”.

O “Coelho” tinha um time muito bom, com Pedro Omar, Juca Show, Misael. Cândido e Zé Carlos Generoso, entre outros. “Bala” chegou a ser eleito o melhor jogador da história do América em todos os tempos, em enquete realizada pelo jornal “Estado de Minas”.

Seus pés estão gravados em cimento na “Calçada da Fama”, do “Estádio Mineirão”. Depois jogou ainda no Bahia e encerrou a carreira no Paysandu, de Belém do Pará, nos anos 1970.

Quando jogou no Santos entrou no lugar de “Pelé”, após este ter marcado seu milésimo gol, na partida contra o Vasco da Gama, no Maracanã, em 19 de novembro de 1969. No jogo anterior, contra o Bahia, marcou o único gol santista no empate em 1 X 1, que poderia ter antecedido a festa.

“Jair Bala” também fez carreira como treinador. Esteve à frente de diversas equipes do futebol mineiro. Começou no Sete de Setembro, clube já extinto de Belo Horizonte. Depois dirigiu o Londrina, do Paraná, onde foi Campeão Brasileiro da Segunda Divisão, em 1980, chamada na época de “Taça de Prata”.

Atualmente “Jair Bala” é funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte, membro da Associação dos Ex-Jogadores do América/MG, da qual foi um dos fundadores e eventualmente participa do programa “Alterosa Esporte”, da TV Alterosa. É casado com Sônia Albano, com quem teve três filhos. Jair Albano Félix, ex-árbitro de futebol, Sabrina e Sandrelle, e ainda a sobrinha Veruska como filha de criação.

Títulos conquistados. Palmeiras: Taça Roberto Gomes Pedrosa (1967);  América: Campeão Mineiro (1971); América: Artilheiro do Campeonato Mineiro (1964 e 1971). (Pesquisa: Nilo Dias)


Jair Bala nos tempos de América Mineiro. (Foto: Divulgação)

sábado, 12 de julho de 2014

A morte do "Doutor Osmar"

Faleceu ontem em São Paulo aos 71 anos de idade, o médico e jornalista Osmar Pereira Soares de Oliveira, ou simplesmente “Doutor Osmar”, nascido na capital paulista em 20 de junho de 1943. Ultimamente participava como debatedor dos programas esportivos “Jogo Aberto” e “Terceiro tempo”, além de transmissões esportivas da TV Bandeirantes.

Osmar de Oliveira estava internado no “Hospital AC Camarg”, em São Paulo, depois de ter passado por uma cirúrgia para retirada de um tumor na próstata. O irmão do jornalista, o também médico César de Oliveira, confirmou a morte que aconteceu às 18h15min, em decorrência de uma parada cardíaca.

Há cerca de um mês Osmar teve seu estado de saúde complicado, quando ao tentar levantar da cama, a sonda que ele usava se prendeu e afetou a bexiga, originando uma grave hemorragia. Em julho de 2013 ele também havia sofrido um infarto e necessitou de cirúrgia. Além disso, tinha problemas pulmonares.

Osmar de Oliveira formou-se em Medicina pela Pontificia Universidade Católica (PUC), de Sorocaba (SP), e atuava nas especialidades Medicina Esportiva e Ortopedia. Trabalhou como médico do Corinthians e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e da Seleção Brasileira de Basquete.

Enquanto estudava, escrevia no jornal “Cruzeiro do Sul” e tomava parte em programas esportivos da Rádio Cacique, ambos de Sorocba. Em 1966 tornou-se redator da “Revista do Corinthians” e do jornal “Coringão”.

Também era formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Em 1978 recebeu convite de Roberto Petri, para trabalhar na TV e Rádio Gazeta, durante a Copa do Mundo da Argentina.

Polivalente, era narrador da TV, comentarista da rádio e membro atuante da “Mesa Redonda”, junto de Petri, Milton Peruzzi, Zé Italiano, Peirão de Castro, Rubens Pecci, Dalmo Pessoa, José Silveira, Geraldo Blota e Sérgio Baklanos.

Em 1980 foi trabalhar na TV Globo onde ficou por três anos, transferindo-se depois para a TV Bandeirantes, onde tornou-se o primeiro narrador do programa “Show do Esporte “, na equipe comandada por Luciano do Vale, recentemente falecido. Trabalhavam também Juarez Soares, Jota Jr, Elia Jr, Eli Coimbra, Luiz Ceará e Eduardo Savóia, entre outros.

Em 1986, atendendo convite de Sílvio Santos foi para o SBT, onde comandou a equipe de esportes que tinha Juca Kfouri como comentarista e Jorge Kajuru como repórter.

Depois da Copa do Mundo do México, retornou à Band para cobrir os Jogos Olímpicos de Seul. Como um cigano da imprensa - foi o único jornalista esportivo que trabalhou em todos os canais de televisão aberta em São Paulo -, logo mudou-se para a TV Manchete, para ser o chefe da equiipe de esportes da emissora, onde foi colega de João Saldanha, Paulo Stein, Márcio Guedes, Alberto Léo, Antonio Pétrin, José Carlos Conti e Mariana Godoy.

Em 1992, voltou ao SBT, junto de Juarez Soares, Orlando Duarte, Silvio Luiz, Luiz Alfredo, Oscar Ulisses, Nivaldo Prieto, Eli Coimbra, Antonio Petrin, entre outros. Em 1999 teve uma passagem pela PSN, emissora americana de canal fechado no Brasil. Em 2000 passou pela TV Cultura, onde participou do programa “Cartão Verde”, ao lado de Juarez Soares e Flávio Prado.

No mesmo ano mudou-se para a TV Record onde foi locutor, comentarista e apresentador. Ficou por lá durante sete anos, participando dos programas “Debate Bola” e “Terceiro Tempo”, ambos comandados por Milton Neves. Em agosto de 2007 voltou para à TV Bandeirantes, onde permaneceu até a morte.

O jornalista falecido dá nome ao “Instituto Osmar de Oliveira”, de sua propriedade, que fica em São Paulo e há mais de 30 anos é referência ao atendimento em ortopedia, fisioterapia, medicina esportiva e reabilitação.

Ultimamente, o “Doutor Osmar” havia feito transformações no Instituto, com a Clinica atendendo os mais pobres sem nada cobrar por isso. E também dando ênfase as pesquisas. (Pesquisa: Nilo Dias)

Osmar de Oliveira era torcedor apaixonado do Corinthians. (Foto: Divulgação)

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Goleadas sofridas pelo Brasil

Os 7 X 1 de ontem a tarde foi a maior goleada sofrida até hoje pela Seleção Brasileira. Ela se junta a outros escores elásticos já ocorridos em Copas do Mundo. O maior deles foi no jogo Hungria 10 X 1 El Salvador, no torneio de 1982, na Espanha. Depois vem Hungria 9 X 0 Coreia do Sul, no Mundial de 1954, na Suíça e Iugoslávia 9 X 0 Zaire, em 1974, na Alemanha.

Na sequência vem Suécia 8 X 0 Cuba, na Copa de 1938, na França; Alemanha 8 X 0 Arábia Saudita, na competição de 2002, na Coréia/Japão e Uruguai 8 X 0 Bolívia, em 1950, no Brasil.

Depois tivemos Turquia 7 X 0 Coréia do Sul e Uruguai 7 X 0 Escócia, em 1954, na Suíça; Polônia 7 X 0 Haiti, em 1974, na Alemanha; e Portugal 7 X 0 Coréia do Norte, em 2010, na África do Sul. Para finalizar, Itália 7 X 1 Estados Unidos, em 1934, na Itália; Brasil 7 X 1 Espanha, em 1950, no Brasil e o fiasco de ontem, Alemanha 7 X 1 Brasil.

A maior goleada sofrida pela nossa Seleção até ontem, ocorreu em 1934, quando perdeu de 8 X 4 para a Iugoslávia, em jogo amistoso realizado em Belgrado. Na Copa América de 1920, no Chile, os brasileiros já haviam levado outra goleada histórica, 6 X 0 para os uruguaios.

Outros números relativos aos 7 X 1 de ontem. É o maior revés sofrido por uma seleção em todas as semifinais da Copa, até hoje. Antes, o recorde negativo pertencia a própria Alemanha, que perdeu de 6 X 1 para a Áustria, em 1954, na Suíça.

Fora da fase de grupos, nunca uma seleção havia terminado o primeiro tempo perdendo por 5 X 0. Contando todas as fases, foi a terceira vez que isso aconteceu. Antes, a Iugoslávia goleou o Zaire por 6 X 0, na Copa de 1954, na Suíça. E no mesmo torneio a Polônia fez 5 X 0 no Haiti.

Nunca, em um Mundial, uma seleção havia marcado quatro gols em um intervalo de apenas seis minutos. A goleada alemã encerrou uma invencibilidade de 42 jogos do Brasil dentro do país.

O Brasil já havia levado duas goleadas em Copas do Mundo, antes do jogo de ontem. Em 1954, na Suíça, foi derrotado pela Hungria por 4 X 2 e em 1998, perdeu para a França, por 3 X 0.

Em jogos contra a Argentina os maiores escores contra o Brasil foram: 4 X 1, na Copa América de 1925; 6 X 1 e 5 X 1, na Copa Rocca de 1940 e 4 X 1, na Copa América de 1959. A favor do Brasil: 6 X 2, na Copa Rocca de 1945; 4 X 1 na Copa Rocca de 1960; 5 X 1 na Taça do Atlântico de 1960; 5 X 2 na Copa Rocca de 1963; 4 X 1 em amistoso em 1968 e 4 X 1 na Copa das Confederações de 2005. (Pesquisa: Nilo Dias)


 No choro de David Luiz, o retrato da tragédia de ontem. (Foto: Veja/Abril)

terça-feira, 8 de julho de 2014

A morte do “Flecha Loira”

Morreu ontem aos 88 anos de idade, no Hospital Gregório Marañon, em Madrid, onde se encontrava internado desde o último dia 5, após ter sofrido um infarto, o ex-jogador de futebol Alfredo Estéfano Di Stéfano Laulhé, nascido em Buenos Aires, Argentina, no dia 4 de julho de 1926. Di Stefano, como era mais conhecido, foi um dos mais brilhantes jogadores de futebol de todos os tempos. Em razão de sua velocidade e da cor dos cabelos, ganhou o apelido de “Flecha Loira".

Di Stefano quando criança não mostrava muita vocação para ser jogador de futebol. Mesmo sendo incentivado pelo pai, um ex-jogador do River Plate, também de nome Alfredo Di Stéfano, seu sonho era ser aviador. Ele tinha dois irmãos, Tulio, que também jogou futebol, e Norma, que preferiu o basquetebol.

O interesse pelo esporte surgiu em 1943, quando tinha 17 anos e foi chamado as pressas para completar o time do bairro. Saiu-se tão bem, que marcou três gols. A partir daí nunca mais abandionou os gramados.

Quis o destino que seguisse o mesmo caminho de seu pai. Um ex-jogador do clube, em visita casual a sua casa, ficou sabendo pela mãe que o garoto tinha talento.

Fez teste e recebeu convite do ex-atleta Carlos Peucelle para entrar na quarta categoria do clube. Não demorou para ser elevado a terceira, depois de ser observado por outro antigo atleta do River, Renato Cesarini, que o definiu como “fenômeno”.

Jogou sua primeira partida pelo River em 1945, quando o clube possuía um time poderoso, chamado de “La Máquina”, que contava com jogadores extremamente hábeis, como Pedernera, Juan Carlos Muñoz, José Manuel Moreno, Ángel Labruna e Félix Loustau.

No mesmo ano sagrou-se campeão argentino. O goleiro Amadeo Carrizo, outro celebrado jogador do clube, também estreou naquele ano, mas só jogou uma partida, substituindo o titular Munõz.

Sem muito espaço no onze principal do River Plate, acabou emprestado ao Huracán, em 1946, clube que enfrentou pela primeira vez como profissional. Ali, foi treinado pelo ex-artilheiro Guillermo Stábile, que também era o técnico da Seleção Argentina.

Di Stéfano marcou os dois primeiros gols de sua carreira numa vitória de 3 X 2 sobre o San Lorenzo, de Almagro, em pleno estádio do rival, que se sagraria campeão argentino daquele ano. No jogo contra o seu clube, River Plate, marcou um gol aos 11 segundos, que até hoje é o mais rápido da história do futebol argentino.

No Huracán foi fixado como centroavante e marcou 10 gols em 25 partidas. Graças a sua velocidade, recebeu dos torcedores o apelido de “La Saeta” (flecha). Como outro jogador da equipe, Llamil Simes também era chamado pelo mesmo apelido, acrescentaram o “Rubia”, por causa de seus cabelos loiros, ficando então “La Saeta Rubia” (“A Flecha Loira”).

Além de estonteante velocidade, combatia, desarmava, tinha grande inteligência para criar jogadas, habilidade para receber, tratar, conduzir, cabecear e passar a bola e ainda precisão nos arremates.

O Huracán fez de tudo para ficar com Di Stéfano em definitivo, mas não conseguiu juntar os 80 mil pesos pedidos pelo River, por isso retornou ao antigo clube em 1947.

No retorno encontrou uma equipe bem diferente. Pedernera saíra para o Atlanta, Labruna estava com hepatite e Muñoz, lesionado. Em vista disso ganhou mais oportunidades. Na sua reestréia, fez uma das melhores atuações com a camisa do River, frente o San Lorenzo de Almagro.

Nesse ano de 1947 Di Stéfano teve que prestar serviço militar, mas ainda assim, intercalando jogos, marcou 27 gols, conduzindo o clube a um novo título nacional, o primeiro dele como titular.

Terminou o campeonato como artilheiro do certame e ídolo da torcida, que costumava cantar em sua homenagem: "Socorro, socorro, ahí viene la Saeta con su propulsión a chorro" . ("Socorro, socorro, aí vem a Flecha com sua propulsão a jato").

Seu futebol vistoso e veloz, o levou á Seleção Argentina naquele ano de 1947. Jogou poucas partidas pelo scratch nacional, apenas seis, e fez seis gols, todos no Campeonato Sul-Americano, precursor da “Copa América”. Em 1948 disputou pelo River Plate o Campeonato Sul-Americano de Campeões, embrião da Taça Libertadores da América.

Seu time veio ao Brasil se preparar para a competição. O rival Boca Juniors, que não participaria do torneio, veio na mesma época para São Paulo. Aproveitando uma folga na competição, os dois times argentinos formaram um “Combinado”, para enfrentar um “scratch” paulista.

Os argentinos usaram as camisas do Palmeiras, pois a rivalidade não permitia que usassem o uniforme de um dos dois clubes. Já o “Torneio dos Campeões”, foi decidido entre River e Vasco da Gama, que, tendo a vantagem do empate, sagrou-se campeão ao segurar um 0 X 0.

Em 1949, depois de uma greve de jogadores argentinos, que exigiam assistência médica para os familiares, um salário mínimo para a categoria e a extinção do passe, para serem livres para escolher onde gostariam de jogar, Di Stéfano foi parar no “Millonários”, de Bogotá. O atacante deixou o River Plate depois de ter marcado 49 gols em 66 jogos.

Junto dele foram para clube colombiano o ídolo Pedernera e seu ex-colega de River Plate, Néstor Rossi. A liga colombiana havia se transformado em um verdeiro “Eldorado”, atraindo os jogadores do continente que, embora fossem atletas profissionais, não costumavam ser bem pagos em seus países.

O Millonarios tinha dono, Alfredo Senior que havia resolvido lucrar com o esporte, aliciando os melhores atletas sul-americanos para jogar em sua equipe.

Os demais clubes colombianos agiam da mesma forma. Os jogadores peruanos foram para as equipes de Cali e Medellín; os paraguaios em Cúcuta, alguns brasileiros - como Heleno de Freitas e Tim -, em Barranquilla. Havia até jogadores britânicos, um deles, Charlie Mitten, deixou o Manchester United, para jogar no Independiente, de Santa Fe.

Por lá foram parar também, iugoslavos, italianos e húngaros. Na liga pirata, Di Stéfano foi campeão em 1951 e 1953, integrando o chamado “Ballet Azul”. A FIFA acabou com a festa, pois a Liga desrespeitava regulamentos da entidade.

Em 1952, o time do Millonários jogou uma partida amistosa com o Real Madrid, que celebrava o aniversário de 50 anos. Em pleno Estádio Chamartín (antigo estádio do Real Madrid), Di Stéfano marcou duas vezes na vitória por 4 X 2 dos sul-americanos e foi imediatamente contratado pelo Barcelona, outra equipe espanhola.

O argentino deixou o Millonarios como o maior artilheiro da história do time, totalizando 267 gols em 292 partidas. Além de títulos e artilharias na Colômbia, venceu com o clube também a “Pequena Taça do Mundo”, de 1953, chegando a marcar dois gols em um 5 X 1 sobre sua ex-equipe do River na competição.

Com Di Stéfano, o clube também abriu larga vantagem em títulos colombianos, cujos efeitos ainda perduram, sendo a equipe mais vencedora do campeonato nacional, mesmo não o conquistando desde 1988. Apenas em 2008 foi igualado pelo América, de Cali.

O Barcelona havia negociado a transferência com o River Plate, oficialmente o dono de seu passe. Já o Real Madrid, que também queria o jogador, negociou diretamente com o Millonários. Di Stéfano já havia participado de três amistosos pelo Barcelona, quando o Real Madrid passou a se considerar como dono da “joia rara”.

O ministro dos esportes, General Moscardo, quis ser mediador da situação, sugerindo que Di Stéfano jogasse por temporadas alternadas nos dois clubes, por quatro anos, começando pelo Real. O Barceliona não aceitou e o jogador ficou no Real Madrid. A partir daí acirrou-se a rivalidade entre os dois clubes.

Com Di Stéfano no time, o Real, que até então não era o maior vencedor do país, nem mesmo da cidade, tinha apenas dois títulos espanhóis, passou a conhecer novos tempos. Na primeira temporada com o argentino, o Real conquistou seu terceiro título nacional. Di Stéfano foi o artilheiro com 29 gols.

Depois o bi-campeonato e em 1955 a “Copa Latina”, o mais prestigiado torneio europeu de clubes na época, que reunia os campeões de Espanha, França, Itália e Portugal. Os espanhóis venceram os portugueses do Belenenses e, na final, os franceses do Stade de Reims.

Foi de 2000 a 2014 o presidente honorário do Real Madrid, clube cuja história de sucesso confunde-se com a dele: foi com ele em campo que o Real tornou-se o maior vencedor da cidade de Madrid, da Espanha e da Europa.

Foi responsável também por alimentar a rivalidade com o Barcelona, que não tinha a mesma expressão. Ele era presidente honorário também da UEFA, desde 2008.

Muitos jornalistas e torcedores, especialmente argentinos e espanhóis, consideram Di Stéfano o melhor jogador do século XX, melhor que Pelé e Diego Maradona. Entre eles, Joaquín Peiró, que jogou pelo Atlético de Madrid e dizia ser Di Stéfano o número 1. “Aqueles que o viram, viram. Aqueles que não o viram, perderam".  

Já Helenio Herrera, técnico do Barcelona, declarou que "se Pelé foi o violinista principal, Di Stéfano foi a orquestra inteira". O ex-presidente Ramón Calderón costumava dizer: "Ele fez a Espanha torcer pelo Real Madrid. E também foi ele que levou o nome do clube além das fronteiras".

O editor de esportes do jornal “As”, escreveu que "Para as crianças dos anos 1950, Di Stéfano era, acima de tudo, o som da vitória que se ouvia nas rádios. Seu nome ecoava como uma batida do coração associada sempre a uma sensação de vitória, transportando-nos ao Parc des Princes, San Siro ou Hampden Park".

Para Emilio Butragueño, ex-jogador e atualmente membro da diretoria, "a história do Real Madrid começa de fato com a vinda de Di Stéfano".

Já o próprio Di Stéfano esquivava-se de polêmicas e dizia que o melhor jogador que viu atuar, foi Adolfo Pedernera, astro do River Plate nos anos 1940.

Mas o seu grande ídolo na infância foi justamente aquele que ainda é o maior artilheiro da história do futebol argentino, o paraguaio Arsenio Erico, jogador do Independiente nos anos 30 e 40.

E salientava que uma das poucas mágoas na carreira foi não ter jogado uma Copa do Mundo, embora tenha atuado por seleções de três países. Pela Seleção Argentina atuou em seis partidas e marcou seis gols. Pela Colômbia jogou quatro vezes e não marcou nenhum gol. Em 1962 ia jogar pela Espanha, mas uma lesão o impediu de atuar.

Pela Seleção da Espanha, jogou 31 vezes, marcando 23 gols, sendo o seu maior artilheiro até 1990, quando foi superado por Emilio Butragueño.

Em 1963, ele chegou a atuar também pela “Seleção do Resto do Mundo”, que jogou um amistoso contra a Inglaterra, celebrativo do centenário da fundação da Football Association.

Mesmo com a falta de marcas mais expressivas pela Espanha, foi eleito o melhor jogador do país nos “Prêmios do Jubileu da UEFA”, nas comemorações dos 50 anos da entidade, em 2004.

Di Stéfano jogou no Real Madrid ao lado de craques como os hungaros Puskas e Kopa e os brasileiros Didi e Canário. Ele deixou o clube em 1964, insatisfeito após ser deixado no banco de reservas, depois que o clube perdeu a final da Copa dos Campeões para a Internazionale, de Milão.

Foi para o Español, de Barcelona. Lá, atuou ao lado de outro húngaro, László Kubala, curiosamente, outro jogador que tornou-se célebre por defender três países.

Di Stéfano jogou duas temporadas pelo Español, até encerrar a carreira, aos 40 anos, com mais de 800 gols marcados e uma incrivel coleção de troféus. Decidiu por deixar os gramados apenas por pedido do filho, quando soube por este que seria avô.

Em 1966, voltou a vestir a camisa do Real Madrid para um jogo de despedida, em amistoso contra os escoceses do Celtic.

Depois de um ano fora dos gramados, Di Stéfano resolveu se tornar técnico. Começou pelo pequeno Elche. Seu primeiro título na nova fuinção foi no Boca Juniors, em 1969. O clube também ganhou naquele ano a Copa Argentina.

Dois anos depois, em 1971, seria campeão nacional novamente, agora na liga espanhola, pelo Valencia. Foi nesse clube que Di Stéfano teve mais sucesso como treinador.

Treinou ainda o Espanhol , Sporting, de Lisboa, Rayo Vallecano, Castellón, sem conseguir títulos, River Plate e Real Madrid. Até hoje é o único técnico campeão argentino tanto com o Boca quanto com o River.

Até 2009, quando foi superado por Raúl, Di Stéfano era o maior artilheiro da história do Real Madrid, em jogos oficiais, com 307 gols. O novo recordista precisou de 685 jogos para atingir a marca, enquanto o argentino necessitou de apenas 371 jogos.

Em 2006, o clube, que o nomeara seu presidente de honra em 2000, voltaria a homenageá-lo, batizando de “Estádio Alfredo Di Stéfano” o campo multiuso da “Ciudad Real Madrid”, o centro de treinamento da equipe.

A inauguração do estádio, utilizado pelo Real Madrid Castilla (a equipe B do Real), ocorreu em amistoso contra o Stade de Reims, a equipe batida pelos blancos com Di Stéfano em três finais internacionais na década de 1950. O Real também colocou o nome de “La Saeta” ao avião particular usado por sua delegação.

Di Stéfano foi casado com Sara Freites Varela, com quem viveu por 55 anos até a morte desta, em 2005, e com ela teve seus seis filhos: Nanette, Silvana, Alfredo, Elena, Ignacio e Sofía. Ele esteve perto de falecer no mesmo ano, tendo sofrido um ataque cardíaco. Afirmou que desde então passou a cuidar melhor da saúde; já havia parado de fumar em 2000 e a única bebida alcóolica de consome era o vinho, socialmente.

Também bebia uma cerveja sem álcool da qual tornou-se garoto propaganda e evitava doces. Em 2013, aos 86 anos, manifestou sua intenção de casar-se novamente, com uma moça 50 anos mais jovem: sua secretária Gina González, uma costa-riquenha de 36 anos. A respeito, declarou não se importar com eventual oposição dos filhos, e desejava que o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, fosse um padrinho da cerimônia.

Um tribunal decidiu que os filhos do ex-jogador ficariam responsáveis pela gestão do património. Desde esse dia a noiva não apareceu mais.

Títulos conquistados como jogador: River Plate. Campeão Argentino (1945 e 1947); Millonarios. Campeão Colombiano ( 1949, 1951, 1952 e 1953); Copa Colômbia (1953); Pequena Taça do Mundo (1953); Real Madrid. Campeão Espanhol (1954, 1955, 1957, 1958, 1961, 1962, 1963 e 1964); Copa Latina (1955 e 1957); Liga dos Campeões da UEFA (1956, 1957, 1958, 1959 e 1960); Pequena Taça do Mundo (1956); Copa Intercontinental (1960); Copa da Espanha (1962). Seleção Argentina. Campeão Sul-Americano (1947).

Como treinador. Boca Juniors. Campeão Argentino (1969); Campeão Nacional (1970); Copa Argentina (1969); Valência. Campeão Espanhol (1971); Campeão Espanhol da Segunda Divisão (1987); Recopa Europeia (1980); Supercopa Europeia (1980); River Plate. Campeão Argentino (1981); Real Madrid. Supercopa da Espanha (1990).

Individuais; Artilheiro do Campeonato Argentino (1947, com 27 gols), Artilheiro do Campeonato Colombiano (1951, com 31 gols)(e em 1952, com 19 gols); Artilheiro do Campeonato Espanhol (1954, com 27 gols – 1956, com 24 gols – 1957, com 31 gols – 1958, com 19 gols e 1959, com 23 gols); Artilheiro da Copa Europeia (1958, com 10 gols); Ballon d'Or (1957 e  1959); Prêmios do Jubileu da UEFA; FIFA 100; 3º Maior jogador Sulamericano do século XX pela IFFHS (1999); 4º Maior jogador do Mundo do Século XX pela IFFHS (1999); 4º Maior jogador do século XX pela revista - France football (1999) e 2º Maior Jogador do Século XX pelo Grande Júri FIFA (2000). (Pesquisa: Nilo Dias)

Di Stéfano, com a camisa do River Plate.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Morreu o carrasco tricolor

Pouco mais de dois meses da morte de Washington, ocorrida em 25 de maio deste ano, o seu parceiro do Fluminense, do Rio de Janeiro, nos anos 80, Benedito de Assis da Silva, ou simplesmente Assis, faleceu ontem em Curitiba, aos 61 anos de idade.

O médico e diretor clínico do “Hospital Vita”, Luiz Fernando Kubrusly, informou que Assis sofria de uma doença renal crônica. Antes de ser internado, ele fazia um tratamento em casa chamado de “diálise peritoneal  domiciliar”.

O processo é semelhante à hemodiálise. A diferença é que  pode ser feito em casa, o que traz mais conforto para os pacientes em geral. Por conta disso, os riscos de infecção, conforme o médico, são mais suscetíveis.

Assis ficou  internado por 15 dias logo após adquirir uma dessas infecções chamada de “peritonite”, que é uma inflamação do peritônio, o tecido fino que reveste a parede interna do abdômen e cobre a maioria dos órgãos abdominais.

Esse tipo de infecção é muito grave e ele não respondeu ao tratamento com  antibióticos. “Foi então que veio a ocorrer a múltipla falência dos órgãos”, disse o médico.

O velório foi realizado na tarde e noite de ontem (domingo), na capela Unilutos, na rua Desembargador Benvindo Valente, 348, bairro de São Francisco. O sepultamente acontece às 17 horas de hoje no cemitério Água Verde, localizado no bairro onde o ex-atleta residia, em Curitiba. Assis deixou esposa e dois filhos.

Assis nasceu em São Paulo (capital) e foi criado no bairro da Vila Prudente, na Zona Leste. Iniciou a carreira jogando Futsal, no Vip´s Clube, de seu bairro. No futebol de campo deu os primeiros chutes no Clube Atlético Juventus, em 1970.

Ainda juvenil, deixou o tradicional clube da Mooca e foi jogar na Portuguesa. Sem muitas esperanças de fazer sucesso nas equipes profissionais do Canindé, Assis chegou a desistir do futebol, mas retornou em 1975 para jogar no São José (SP).

No ano seguinte aconteceu a transferência para a Inter de Limeira e logo em seguida ele foi jogar na Francana, onde foi um dos destaques da equipe na conquista da divisão intermediária.

Em 1980 chegou ao São Paulo. No clube paulista, o atacante foi campeão paulista e vice-brasileiro em 1981. Foram 88 jogos pelo tricolor paulista, com 40 vitórias, 31 empates e 17 derrotas.

Depois teve uma passagem pelo Internacional, de Porto Alegre antes de ir para o Atlético Paranaense, onde obteve grande destaque. Do rubro negro do Paraná foi para Fuminense, onde jogou ao lado de Washington, formando uma dupla de atacantes que se consagrou nos anos de 1983 a 1987.

Com Assis e Washington no ataque, o Fluminense se sagrou tri-campeão carioca nos anos de 1983, 1984 e 1985, bem como ganhou o Campeonato Brasileiro de 1984. Graças a esses dois feitos, Assis foi convocado para a Seleção Brasileira em dois amistosos no mesmo ano. Em 177 partidas pelo tricolor carioca, marcou 54 gols.

Assis e Washington eram chamados pelos torcedores do Fluminense de “Casal 20”, em alusão a um seriado de TV da época, tal o entendimento que os consagrou no ataque do tricolor carioca.

Assis também era conhecido por “Carrasco”, em razão dos gols decisivos que marcou em clássicos contra o Flamengo. Até hoje a torcida tricolor lembra de Assis nos jogos contra o rival, em que grita” “Recordar é viver, o Assis acabou com você”.

Antes de encerrar a carreira, Assis retornou ao “Furacão Parananense”, em duas passagens. O ex-jogador ainda atuou pelo Paraná Clube e o Paysandu antes de encerrar a carreira em 1991. depos que deixou o profissionalismo, ainda jogou pelo clubes amadores de São Paulo: Sampaio Moreira, do Tatuapé, Black Power, do Ipiranga, e GR Frum ,da Vila Maria. Em todos eles era conhecido por "Ditão".

Em 2007 assumiu a direção das categorias de base do Fluminense. Ainda trabalhou no Rio Branco (ES) e nas divisões de base do Volta Redonda (RJ), junto do ex-goleiro do São Paulo, Ronaldo. Por fim tornou-se embaixador do Fluminense, envolvendo-se em vários projetos pelo Brasil afora.

"É uma perda muito grande. Assis foi um dos maiores ídolos da história do Fluminense. Marcou uma geração. Um ídolo que tinha uma forte ligação com o clube desde sempre. Hoje é dia de reverenciá-lo por tudo que fez por nós tricolores", afirmou o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, em nota oficial expedida ontem. (Pesquisa: Nilo Dias)

Assis (Foto: Fernando Araújo)

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Copa de 1950 no Brasil

O Brasil está sediando uma Copa do Mundo pela segunda vez na história. A primeira foi em 1950, 64 anos atrás e se constituiu na quarta edição do evento que começou em 1930, continuou em 1934 e 1938, sendo interrompido durante a 2ª Guerra Mundial. 

As edições de 1942 e 1946 foram canceladas. A competição de 1950 foi disputada de 24 de junho a 16 de julho, tendo como cidades sedes Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife.

A escolha do Brasil como país anfitrião foi por unanimidade, visto que a Europa estava recém se reestruturando dos efeitos danosos da Guerra que arrasou o Continente. Estávamos em pleno governo do presidente Getúlio Vargas e as exigências da Fifa para um evento de tamanha envergadura, eram bem menores que os de hoje em dia.

Nesta Copa de 2014 o Brasil instituiu 12 cidades como sedes. Em 1950 foram apenas seis, a metade. Foram elas: Estádio Jornalista Mário Filho, no Rio de Janeiro,popularmente conhecido por “Maracanã”, construído especialmente para a Copa e com a intenção de ser o maior do mundo. O principal palco do evento tinha a capacidade, na época, para 200 mil pessoas e recebeu oito jogos, dentre eles quatro da Seleção Brasileira e a final.

O Paulo Machado de Carvalho, o “Pacaembu”, em São Paulo, o segundo maior estádio da competição, tinha capacidade, na época, para 60 mil pessoas. Recebeu seis jogos, dentre eles um da Seleção Brasileira.

O Estádio Raimundo Sampaio, o “Independência”, em Belo Horizonte, foi construído para a Copa do Mundo e pertencia na época ao Sete de Setembro Futebol Clube. Tinha capacidade, para 30 mil pessoas e recebeu três partidas. Atualmente, América Mineiro e Atlético Mineiro mandam seus jogos nesse estádio.

O Estádio Durival Britto e Silva, “Vila Capanema”, em Curitiba, pertencia ao então Clube Atlético Ferroviário, atual Paraná Clube. Tinha capacidade para aproximadamente 10 mil pessoas e recebeu dois jogos.

O Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, era o estádio do Internacional na época e tinha capacidade para 20 mil pessoas. Recebeu dois jogos da competição. O estádio não existe mais.

E, finalmente, o Estádio Adelmar da Costa Carvalho, “Ilha do Retiro”, pertencente ao Sport, que foi reformado para a competição e tinha capacidade, na época, para 20 mil pessoas. Deveria receber dois jogos, mas com a desistência da França, que se recusou a participar da competição porque jogaria em Porto Alegre e no Recife, a uma distância de 3.779 quilômetros, a cidade abrigou somente uma partida.

O único pedido para aprovação dos estádios, era que tivessem arquibancadas para no mínimo 20 mil torcedores, alambrados, cabines para a imprensa e autoridades e túneis interligando os vestiários ao gramado.

Um caderno de exigências com 420 páginas foi apresentado pela Fifa para a Copa de 2014 no Brasil, o que não aconteceu em 1950. Naquele evento as instalações existentes no país foram vistas como exemplo para o mundo. O presidente Getúlio Vargas incentivava o esporte como extensão da educação. Não havia exigências com transporte, aeroportos, hospitais ou outros itens de infraestrutura.

Participaram da Copa de 1950, 13 seleções: Brasil, Uruguai, Inglaterra (que disputava pela primeira vez), Espanha, Chile, Bolívia, Iugoslávia, Suíça, Estados Unidos, Itália, Suécia, Paraguai e México. Dos 16 países inscritos, três desistiram à véspera da competição, Índia, Turquia e Escócia. Por isso o grupo 4 ficou com apenas duas seleções: Uruguai e Bolívia. A partida direta entre eles teve, por resultado, 8 X 0 para os uruguaios.

Os jogos do Brasil naquela Copa tiveram estes resultados: 4 X 0 sobre o México; 2 X 2 com a Suíça, 2 X 0 na Iugoslávia, 7 X na Suécia, 6 X 1 na Espanha e derrota de 2 X 1 para o Uruguai, que se sagrou campeão do mundo. O Brasil perdeu o título em um “Maracanã” lotado, com 199.854 torcedores.

A cerimônia de premiação, que estava marcada para o centro do gramado, não aconteceu e o presidente da Fifa, Jules Rimet, teve que entregar a taça ao capitão Obdúlio Varela de forma improvisada. O curioso é que o Uruguai foi campeão do mundo jogando apenas quatro vezes e com três vitórias.

Algumas curiosidades da Copa do Mundo de 1950: a grande surpresa da competição foi a vitória de 1 X 0 dos Estados Unidos sobre a Inglaterra, que é até hoje considerada a “mãe de todas as zebras”. O jogo foi disputado no dia 29 de junho, no Estádio Independência, em Belo Horizonte.

Os norte-americanos tinham uma equipe amadora, formada basicamente por carteiros, lavadores de prato e imigrantes. O autor do gol foi Gaetjens, nascido no Haiti. Em 2005, foi lançado um filme sobre a partida, "Duelo de Campeões". A bola da vitória dos Estados Unidos sobre a Inglaterra virou peça de museu.

Brasil 7 X 1 Suécia, Brasil 6 X 1 Espanha  e Uruguai 8 X 0 Bolívia, foram as maiores goleadas da Copa; foi a primeira Copa a ter números nas camisas; o goleiro chileno Sergio Livingstone se tornou o primeiro na história das Copas a atuar com camisas de mangas curtas.

O Cruzeiro de Porto Alegre foi o primeiro clube do mundo a ter sua camiseta usada em uma Copa. Isto ocorreu na partida entre México e Suíça, disputada no Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre. Ambas seleções tinham fardamentos vermelhos e era preciso distingui-los. Os mexicanos jogaram listrados de azul e branco e a Suíça venceu.

A segunda vez que isso ocorreu foi na Copa de 1978, quando a França usou camisa em listras verde e branca do clube argentino Kimberley, no jogo contra a Hungria. (Pesquisa: Nilo Dias)

Cartaz da Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil. (Foto: Divulgação)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Doença rara mata ex-lateral do Corinthians

Antônio Gilberto Maniaes, conhecido por “Giba”, ex-jogador de futebol e técnico, faleceu ontem (23), aos 52 anos de idade. Ele vinha tratando de uma enfermidade nos rins por médicos em Campinas, mas há um mês foi transferido para o Hospital Sírio Libanês, na capital, único local capacitado para tratar desse tipo de enfermidade.

Depois de entrar em coma na última segunda-feira, ele não resistiu. Sofria de uma doença rara chamada “Amiloidose”, que afeta os rins. Giba era natural de Cordeirópolis (SP), onde nasceu no dia 7 de março de 1962.

A “Amiloidose” é uma enfermidade que ataca as células da medula óssea e produz uma substância danosa a órgãos como os rins, seu caso. A doença pode ser de origem genética ou consequência de doenças inflamatórias. Frequentemente afeta o coração, rins, fígado, baço, sistema nervoso e o trato gastrointestinal, prejudicando sua função.

O diagnóstico, a princípio, é tranquilo, porém, quando a doença se associa a outra, como aconteceu com Giba, traz uma grande diversidade de sintomas, dificultando a medicação. O primeiro sinal da doença apareceu há três meses, quando ele precisou se afastar do trabalho para tratá-la. Ao afetar os rins, o treinador ficou debilitado e precisou ser hospitalizado.

Giba foi velado em Campinas e o corpo cremado no “Crematório da Vila Alpina”, na capital. Ele residia em Campinas com a família. Era casado e tinha uma filha.

Giba trabalhou como técnico nos últimos anos, destacando-se por sua passagem pelo Santos F.C., entre 1999 e 2000. O último trabalho do treinador foi no Paulista, de Jundiaí, clube que dirigiu no início do Campeonato Paulista e pelo qual passou em quatro oportunidades. Desde fevereiro deste ano, estava afastado da função.

Como jogador profissional, Giba atuou por Inter de Limeira, União São João, Guarani e Corinthians, clube pelo qual mais se destacou no cenário nacional. Encerrou a carreira em 1993, aos 31 anos, após cirurgia de menisco mal sucedida e ter recebido passe livre ao final de seu contrato com o Corinthians.

Começou a carreira de futebolista nas categorias de base do Juventus, de sua terra natal atuando como volante. Depois se transferiu para o time dente-de-leite da Internacional, de Limeira, por indicação do técnico e olheiro Ismael Pereira, o “Maé”, onde disputou campeonatos da categoria.

Saiu da Internacional para jogar nos infantis e juvenis do Independente, também de Limeira. O técnico Adailton Ladeira o viu jogar num torneio em Rio Claro, e o levou para o Guarani, de Campinas, onde teve destaque a ponto de ser chamado para a seleção paulista de juniores.

Em 1980 retornou ao Independente, onde se profissionalizou, ainda jogando como volante. Depois foi deslocado para a lateral-direita pelo técnico Galdino Machado.

Após algum tempo voltou a Internacional, de Limeira, em uma transação polemica, quebrando um "tabu" que existia devido à grande rivalidade entre os dois clubes. Dali foi jogar na Usina São João, de Araras, hoje União São João, onde se destacou. Mesmo jogando na lateral, foi um dos artilheiros da equipe.

No vai e vem, acabou de volta ao Guarani, quando adotou o apelido de Giba, por sugestão do jornalista Brasil de Oliveira. Em 1986 fez parte do elenco “bugrino” que conquistou o vice-campeonato brasileiro. Paralelamente ao futebol, cursava Educação Física pela Pintificia Universidade de Campinas, onde se formou.

Em fevereiro de 1989 asssinou contrato com o Corinthians, time pelo qual seus familiares torciam. Vestiu a camisa do “Timão” por cinco anos, tedo participado da campanha do primeiro título nacional, em 1990. Na época de Corinthians chegou a ser convocado para as seleções paulista e brasileira.

Começou a carreira de treinador em 1995, quando dirigiu o Lousano/Valinhos. Um ano depois foi campeão da “Copa São Paulo de Juniores”, pelo Lousano/Paulista, de Jundiaí. O jogo final foi justamente contra o Corinthians, sendo ao final do jogo aplaudido pela torcida adversária.

Depois dirigiu equipes como Lousano Paulista Jundiai, Paulista Jundiai, Santos, Kuait Sporting Club, Sport, Santa Cruz, Portuguesa, São Caetano, Remo e CSA, entre outros. Um dos seus principais feitos como técnico foi a conquista do vice-campeonato paulista de 2000, quando dirigia o Santos.

Giba foi sempre prestigiado em sua terra natal, onde recebeu várias homenagens. Em 19 de dezembro de 2002 recebeu a “Medalha João Pacífico” e o “Diploma de Gratidão”, que são ortogados pela Câmara Municipal de Cordeirópolis a pessoas que elevam o nome da cidade.

Giba chegou a ser convidado pelo Corinthians para participar, em 10 de maio último, da partida festiva entre atuais e ex-jogadores do clube, na inauguração do “Itaquerão”. O ex-jogador, porém, informou a impossibibilidade de aceitar o convite, pois estava em tratamento médico.


Títulos conquistados. Como jogador. Guarani, de Campinas. Vice-campeao brasileiro (1986); Corinthians: Campeão Brasileiro (1990); Como técnico. Paulista, de Jundiaí: Copa São Paulo de Futebol Júnior Sub 20 (1997); Campeão Brasileiro da Série C (2001); Campeão Paulista da 2ª divisão (2001); CSA: Campeão Alagoano (1998) e Santos, vice-campeão paulista (2000). (Pesquisa: Nilo Dias)

Giba, quando treinava o Etti Jundiaí. (Foto: Divulgação)

sábado, 21 de junho de 2014

A morte da “Muralha” palmeirense

Morreu por volta de 23h30min da noite de ontem o ex-goleiro da S.E. Palmeiras, de São Paulo, Oberdan Cattani, na avançada idade de 95 anos, completados no dia 12 deste mês. A causa da morte teria sido uma infecção pulmonar.

Conhecido pelo apelido de “Muralha” era o único jogador vivo que jogou no antigo Palestra Itália e no Palmeiras. Foi ele que entrou em campo carregando a bandeira do Brasil, na primeira partida em que o clube deixou de ser Palestra para se chamar Palmeiras, devido a proibição de entidades brasileiras usarem nomes estrangeiros.

O jogo foi contra o São Paulo, disputado em 20 de setembro de 1942, com vitória palmeirense por 3 x 1, conquistando o título estadual daquele ano.

Desta forma, o Germânia passou a ser Pinheiros; o Espanha, de Santos, Jabaquara; e o São Paulo Railway, Nacional. Até a Portuguesa de Esportes, que não precisava mudar nada, passou a se chamar Portuguesa de Desportos, se bem que ninguém viu muita diferença em tal alteração.

Havia, naquela época, outros dois Palestras Itália no Brasil: um em Belo Horizonte e outro em Curitiba. Estes, claro, também tiveram de mudar seus nomes, passando a se chamar Cruzeiro, o de Minas Gerais e Coritiba o do Paraná.

Oberdan estava internado há 10 dias no Hospital do Servidor Público, na Zona Sul da capital paulista, para exames de rotina, em razão da cirurgia do coração a que foi submetido recentemente. Oberdan estava se recuperando em casa. Além do coração também foi operado de um joelho. Ultimamente perdeu o apetite e pouco se alimentava.

O Palmeiras já foi contatado e estuda como fazer para colaborar no sepultamento do ídolo. O velório acontece na sede social do clube e o sepultamento será no Cemitério do Araxá. Ele atuou no “Verdão” entre 1941 e 1954, tendo disputado 351 partidas, com 207 vitórias, 76 empates, 68 derrotas e 409 gols sofridos.

Em um sinal da importância de Oberdan na história do clube, o Palmeiras aprovou, no final do ano passado, a construção de um busto em sua homenagem, honraria concedida apenas a outros três jogadores: Waldemar Fiume, Junqueira e Ademir da Guia – o ex-goleiro Marcos também deve ganhar o seu em breve.

Porém, com a doença de Oberdan, a cerimônia de inauguração do busto, que deveria ter ocorrido ontem, véspera de sua morte, foi adiada.

Oberdan nasceu em Sorocaba (SP), onde foi caminhoneiro e quando viajava para a Capital costumava assistir os treinos do Palmeiras. Também participava de jogos de futebol nos campos da sua cidade natal.

Foi convidado para fazer testes no Corinthians, mas sua família não deixou. Todos disseram que se tivesse de jogar, seria no Palestra, pois o sangue que corria em suas veias tinha as cores verde, vermelha e branca, da bandeira da Itália.

Em 1940 conseguiu fazer o tão sonhado teste no Palestra. O então técnico Caetano de Domenico, arremessava a bola com as mãos. A primeira lançou no ângulo e Oberdan defendeu com apenas uma das mãos.

A seguir arremessou por cobertura e, com uma tapinha, o goleiro jogou a bola por cima. Na terceira o treinador lançou com força, esperando que ele devolvesse com um soco, como era tradicional. Mas Oberdan defendeu com uma só mão.

Ele foi o único aprovado entre os 16 jogadores que participaram do teste. Estreou no time principal em março de 1941, contra o Nacional. Um detalhe marcante, ele não usava luvas.

Em sua carreira atuou apenas por dois clubes o Palmeiras, onde conquistou a Copa Rio de 1951, o Torneio Rio-São Paulo de 1941, o Campeonato Paulista de 1940, 1942, 1944, 1947 e 1950 e a Taça Cidade de São Paulo, em 1945, 1946, 1950 e 1951, e o Juventus, no final de carreira. 

Por isso foi impedido de ganhar um busto no antigo Parque Antárctica, pois enfrentou o alviverde quando jogou pelo time da Mooca, em uma única partida.

Ele deixou o Palmeiras quando tinha 35 anos de idade. A Diretoria, presidida por Paschoal Giuliano, não o queria mais como camisa 1 e deram-lhe passe livre. Ele queria continuar no clube, fosse como treinador de goleiros, auxiliar de preparação física e até massagista, mas não queria sair do Parque Antárctica. O máximo que lhe ofereceram foi o cargo de cobrador de recibos dos sócios.

Sem escolha, foi jogar no Juventus. No Campeonato Paulista de 1954, defendeu seis dos sete pênaltis batidos contra ele. Lembrava de um especial contra o Corinthians, cobrado por Cláudio. Ele chutou no ângulo e Oberdan foi buscar com uma só mão.

Reza a lenda que ele é o autor da frase “Os corintianos são os rivais dos Palmeirenses; os são-paulinos, inimigos.” Mas ele sempre negou a autoria da frase.

Oberdan era conselheiro vitalício do Palmeiras e até pouco tempo antes de morrer, podia ser visto caminhando pelos arredores do Parque Antárctica. Em 2004 teve suas mãos esculpidas na Sala de Troféus do clube.

O também ex-goleiro Marcos, em um de seus últimos jogos coma camisa 1 do Palmeiras, homenageou Oberdan, posando para fotografias com um bigode igual ao do “Muralha”. O ex-goleiro usou o mesmo estilo de bigode e penteado até a morte.

Sabe-se que Oberdan queria estar vivo e presente na inauguração do novo estádio do Palmeiras, o que lamentavelmente não vai se concretizar. Ele tinha uma verdadeira paixão pelo clube alviverde e guardava em sua carteira recortes de jornais com fotos antigas, que costumava mostrar para os amigos.

O casamento de Oberdan foi na Sala de troféus do Palmeiras, em 1945. Na ocasião ele disse que ali era a sua casa, pois o Palmeiras era a sua vida.

Oberdan também jogou pela Seleção Brasileira em 1944 e 1945, participando da campanha que terminou com o vice do Campeonato Sul-Americano. O goleiro, porém, teve o seu sonho de atuar na Copa de 1950 frustrado pelo treinador Flávio Costa, que optou por Barbosa e Castilho, que jogavam no futebol carioca. Oberdan foi também Campeão Brasileiro de seleções em 1941 e 1942 pela seleção paulista. (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 16 de junho de 2014

A primeira Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2014, a segunda realizada no Brasil (a primeira foi em 1950), é a de número 20 desde que a competição teve início em 1930, no Uruguai. Já em sua fundação, no dia 21 de maio de 1904, a Fifa tinha a idéia de um torneio internacional de futebol, que reunisse todas as nações do mundo.

A entidade nasceu graças a quatro amigos entusiastas do futebol e que ambicionavam desenvolver o intercâmbio primeiro entre os países da Europa e depois do resto do mundo.

Os quatro amigos eram o advogado francês Ribert Guérin, o banqueiro holandês C.A. Hirschman, o industrial gráfico francês Henry Delaunay e o editor francês Jules Rimet.

A fundação da Fifa contou com representantes de sete países: França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça. Em seguida, Alemanha, Áustria, Hungria e Itália também aderiram. Depois foi a vez da Inglaterra, país criador do futebol moderno.

Mas a idéia de um torneio mundial só se concretizou em 26 de maio de 1928, no Congresso da Fifa realizado em Amsterdã, na Holanda. E tudo graças ao francês Jules Rimet, que presidia a entidade que rege os destinos do futebol em todo o mundo. A proposta de um Campeonato Mundial teve 23 votos favoráveis e três contrários.

Em nova reunião ocorrida em setembro do mesmo ano, ficou decidido que o certame se realizaria de quatro em quatro anos, nos anos pares entre as Olimpíadas. E o primeiro torneio seria em 1930. 

O primeiro país a sediar uma Copa foi o Uruguai, graças aos esforços de seu embaixador, Enrique Buero, que apresentou como justificativa as comemorações do centenário da independência. E também porque o Uruguai era o campeão olímpico de 1924.

Em 1928 repetiu o feito, sagrando-se bi-campeão de futebol das Olimpíadas. A partir daí a Seleção Uruguaia passou a ser conhecida como “Celeste Olímpica”.

Antes da primeira Copa do Mundo o Campeonato Mundial de Futebol era considerado por muitos o torneio de futebol das Olimpíadas de Verão, disputados por duas vezes, em 1924 e 1928 e vencidos pelo Uruguai. Por isso, muitos uruguaios se consideram quatro vezes campeões mundiais, mesmo sem nenhum respaldo oficial da Fifa.

Em maio de 1929, no Congresso da Fifa, em Barcelona, na Espanha, o Uruguai foi confirmado como sede do Mundial de 1930, se comprometendo a construir um estádio e custeio das despesas de viagem e alimentação de todas as seleções.

O Estádio Centenário, principal palco da Copa do Mundo de 1930, ficou totalmente pronto somente após a abertura do torneio e ainda teve que ter a capacidade reduzida de 102 mil pessoas para 70 mil. Os primeiros jogos foram disputados nos dois outros estádios: Poncitos (capacidade de 8 mil pessoas) e Parque Central (capacidade 15 mil pessoas).

O gramado do Parque Central, onde foram disputados vários jogos da Copa do Mundo do Uruguai de 1930, foi vendido em pedaços devido a remodelação do estádio. A venda foi feita pelos diretores do Nacional, proprietário do estádio. O clube atendeu pedidos até da Espanha e dos Estados Unidos.

O campo foi fatiado em pedaços de 30 X 20 centímetros e 10 centímetros de espessura, com a possibilidade inclusive de manter o gramado vivo. Cada pedacinho, foi acompanhado de um certificado da entidade esportiva, e custou 30 pesos uruguaios (um dólar).

O meio-campo e as linhas dos gols foram as primeiras a atrair a atenção dos fãs do esporte. O dinheiro obtido foi destinado a cobrir parte dos custos do novo campo do Parque Central.

Como a Itália, que também queria sediar o torneio foi derrotada, diversos países europeus desistiram de tomar parte no torneio e não se inscreveram. Eles tinham vários motivos: o Uruguai era muito longe, o que exigiria duas semanas para ir e duas para voltar. 

Somando com os 20 dias de torneio, seriam dois meses sem os jogadores no país. E grande parte deles era ainda de amadores, o que significava que eles não podiam ficar tanto tempo longe dos empregos.

Mas o principal motivo era que os europeus tinham medo de ir para um lugar tão distante sem as benesses da civilização. Ninguém tinha muita idéia do que era a América do Sul naquela época.

Participaram do primeiro certame mundial França, Bélgica, Iugoslávia, Romênia, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Brasil, México e Estados Unidos. Existe um boato de que a seleção americana tinha "enxertados" em seu grupo jogadores profissionais ingleses e escoceses.

A Inglaterra, apesar de ter perdido para a Espanha no ano anterior, continuava a ignorar a Fifa e a Copa, por se julgar muito acima dos outros times. Por razões óbvias não houve eliminatórias.

O navio que levou às seleções europeias ao Campeonato Mundial de 1930 chamava-se “Conte Verde”. Foi construído pela armadora italiana “Lloyd Sabaudo”, nos estaleiros de W. Beardmore & Co., de Glasgow, Escócia, e lançado ao mar em 1923, na linha entre Gênova e Buenos Aires.

Media 173,78 metros, pesava 18.383 toneladas e possuía duas chaminés e dois mastros. Seus camarotes tinham capacidade para 336 passageiros na primeira classe, 198 na segunda e 1.700 na terceira.

A 29 de Junho, o “Conte Verde” atracou no Rio de Janeiro, recebendo a bordo a sua quinta seleção, o Brasil. Seis dias depois, finalmente, a chegada a Montevidéu

O Brasil confirmou participação. E a contar dali é o único país que participou de todas as Copas do Mundo. Nesse primeiro torneio, o nosso país não teve força máxima, sendo representado apenas por jogadores cariocas, visto que uma disputa entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e a Federação Paulista, impediu a convocação de atletas de São Paulo.

Os paulistas queriam uma vaga na comissão técnica, enquanto os cariocas não abriam mão de ter os três cargos para eles. Jogadores de outros locais do país, nem ao menos foram lembrados.

A primeira fase do torneio era classificatória. Com 13 participantes, eles foram divididos em um grupo com quatro e dois outros com três. O vencedor de cada chave se classificava para as semifinais eliminatórias. Um total de 198 jogadores foram inscritos nessa Copa.

O Uruguai ganhou sua vaga com 1 X 0 sobre o Peru, na inauguração do Estádio Centenário, e depois 3 X 0 sobre a Romênia. A Argentina se classificou fazendo 1 X 0 sobre a França, 6 X 3 sobre o México e 3 X 1 sobre o Chile. Os americanos, com um time de jogadores de ligas semi profissionais que em breve desapareceriam, fez 3 X 0 sobre a Bélgica e sobre o Paraguai, e seguiu adiante.

O Brasil, mal preparado devido ao tempo que se perdeu discutindo, sob uma temperatura de dois graus centígrados, estreou contra os iugoslavos acostumados ao frio. Antes que os jogadores pudessem aquecer, já estavam perdendo por 2 X 0.

Somente se destacaram Fausto, "a Maravilha Negra", o nosso centromédio atacante, e "Preguinho", que marcou para a seleção aos 16 minutos do segundo tempo.

No jogo seguinte a Iugoslávia fez 4 X 0 na Bolívia e garantiu a vaga. Sobrou para a equipe brasileira golear a Bolívia também por 4 X 0 num jogo que não valia mais nada. O Brasil foi 6º colocado nesse certame.

A seleção brasileira jogava com camisas brancas. E foi com essa cor que os brasileiros enfrentaram a Bolívia, também vestida de branco durante longos 25 minutos, no seu segundo jogo na Copa do Uruguai, em Montevidéo. Isso até o juiz mandar a Bolívia trocar a cor do seu uniforme para evitar a óbvia confusão.

Os uruguaios arrasaram nas semifinais, goleando a Iugoslávia por 6 X 1, mesmo escore de Argentina X  Estados Unidos. Estava armada a reprise da final olímpica de 1928. O Uruguai saiu na frente, mas a Argentina virou para 2 X 1. O jogo acabou com 4 X 2 para o Uruguai, que se sagrou o primeiro campeão mundial de futebol. Stábile, da Argentina, foi o artilheiro do primeiro mundial, com 8 gols.

O artilheiro argentino, também jogou pela Seleção da França, depois da Copa de 30, e marcou quatro gols contra a Áustria. Ele jogou na Itália usando as camisas do Genoa e do Napoli, e na França pelo Red Star, onde encerrou a carreira.

Um dos fatos mais curiosos do mundial foi a decisão sobre qual bola seria utilizada na final. Os uruguaios exigiam que a escolhida fosse a bola de seu país, mais pesada do que a Argentina. O árbitro belga Langenus decidiu usar a Argentina na primeira etapa e a uruguaia na segunda.

O que pouca gente sabe é que o troféu destinado ao vencedor da Copa, antes de se chamar “Jules Rimet”, foi batizada de “Vitória das Asas de Ouro”, pois seu desenho tinha uma mulher com asas, representando “Nike”, a deusa da vitória na mitologia grega, segurando uma copa em formato octogonal.

Esse nome permaneceu nas Copas de 1930, 1934 e 1938, e somente em 1 de julho de 1946, quando de um congresso da entidade em Luxemburgo, recebeu a denominação de “Jules Rimet”, em homenagem ao idealizador do torneio, que completava 25 anos a frente da entidade maior do futebol mundial.

O esboço original da taça foi obra do próprio Jules Rimet. O autor do troféu foi o escultor francês Abel La Fleur, na época assistente de restaurador no Museu de Belas-Artes de Rodez. Seu custo total foi orçado em cinquenta mil francos, considerado uma grande soma na época.

A taça tinha 35 centímetros de altura e pesava 3,8 quilos. Na base, feita de uma pedra semi-preciosa chamada lápis-lazúli, havia uma placa de ouro em cada um dos quatro lados, na qual foram gravados o nome da taça e de cada vencedor entre 1930 e 1970, ano em que o Brasil a conquistou em definitivo, por ter-se sagrado campeão por três vezes.

Em dezembro de 1983 a taça foi roubada da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e nunca mais foi encontrada. Segundo a investigação policial ela foi derretida pelos ladrões. 

A despeito do descuido patrimonial, e da falta de responsabilização (apuração e punição pelo descaso), a Fifa em 1986 ofereceu à CBF uma réplica, que ora encontra-se junto aos demais troféus da entidade .Essa não foi a primeira vez que a taça desapareceu, mas a última.

Durante a 2ª Guerra Mundial a taça estava na Itália, bi-campeã em 1934-1938. Para evitar que fosse confiscada, o dirigente italiano e vice-presidente da Fifa, Ottorino Barassi a escondeu dentro de uma caixa de sapatos, embaixo de sua cama. Com o fim do conflito ela foi devolvida.

No segundo desaparecimento, em 1966, a taça foi roubada da vitrine onde estava sendo exibida na Inglaterra.A Scotland Yard prendeu Edward Betchley, suspeito do roubo, três dias depois. Ele se recusou a colaborar com a investigação.

Entretanto um cão chamado “Pickles” encontrou a taça enrolada em jornais. O cão ficou famoso e seu dono, David Corbett, recebeu 5 mil liras e um convite para assistir os jogos da Seleção Inglesa.

O Regulamento da primeira Copa do Mundo não previa a disputa do terceiro lugar. A ideia foi sugerida pelo Comitê Organizador durante o desenrolar da competição.

Porém, a Iugoslávia, não quis decidir a posição com os Estados Unidos, pois seus dirigentes estavam irritados com o árbitro brasileiro Gilberto de Almeida Rego, que havia apitado a derrota dos europeus por 6 X 1 para o Uruguai. Na ocasião, um gol iugoslavo foi anulado e dois gols dos uruguaios, em impedimento, foram validados.

A bola usada na Copa de 1930 era de couro e costurada à mão, com uma câmara de borracha e um bico usado para enchê-la, que ficava dobrado e fechado com tiras de couro cru. O problema é que a bola ficava com um calombo, o que desviava a sua trajetória e ainda causava ferimentos nos jogadores. Alguns atletas usavam gorros forrados com jornal para poder cabecear.

O primeiro gol em uma Copa do Mundo foi marcado pelo jogador francês Lucien Laurent, aos 19 minutos do primeiro tempo, no jogo França 4 X 1 México.

O primeiro gol contra foi do zagueiro mexicano Manuel Rosas, ao desviar de cabeça um chute do chileno Subiabre, na vitória por 3 X 0 frente o México. Rosas também foi o primeiro atleta a marcar um gol de pênalti em Copas, no jogo em que a Argentina goleou o México 6 X 3.

Existe controvérsia sobre o primeiro gol contra da história das Copas. Há uma dúvida se Bert Patenaud teria feito os três (sendo assim o primeiro a fazer três gols num jogo de Copa), ou se Manuel Rosas teria feito o primeiro gol contra na história da competição.

O gol mais rápido foi de Adalbert Besu, para a Romênia, a 1 minuto do jogo Romênia 3 X 1 Peru. A média de gols por jogo foi de 3,89. O melhor ataque foi o da Argentina, com 18 gols. O total de público alcançou 434.500 espectadores, com média de 24.139 por jogo.

A primeira expulsão foi do peruano Galindo, na partida contra a Romênia. Aos 10 minutos do segundo tempo, o árbitro chileno Albert Walken mandou o jogador tomar banho mais cedo. Não havia cartão vermelho na época, que foi criado somente em 1968. Também não havia suspensão automática e Galindo atuou normalmente no jogo seguinte frente o Uruguai.

O jogador chileno, Carlos Vidal, entrou para a história das Copas ao ser o primeiro a perder um pênalti. O lance aconteceu aos 35 minutos do primeiro tempo, no jogo contra a França, na primeira fase do Mundial de 1930. Ainda assim, os chilenos venceram o jogo por 1 X 0.

Antes da partida entre as seleções do Uruguai e Bolívia, os bolivianos posaram para uma foto. Cada jogador segurava uma letra que formaria a inscrição: Viva o Uruguai! O curioso é que o terceiro "u" foi suprimido e a inscrição final que se lia era: "Viva o Urugay".

Nesse mesmo torneio, na partida disputada no dia 21 de julho, entre Uruguai e Romênia, no momento em que Anselmo marcava o terceiro gol para os donos da casa, o médico e o massagista uruguaios estavam dentro de campo atendendo um jogador.

O atacante Hector Castro, autor de um dos gols do Uruguai na vitória por 4 X 2 sobre a Argentina, na final da Copa, não tinha a mão direita. Por causa disso ficou conhecido como "Manco".

O atacante “Preguinho” foi o autor do primeiro gol brasileiro em Copas, na derrota por 2 X 1 para a Iugoslávia. Antes do futebol, "Preguinho" já havia praticado outros esportes, como natação e remo.

A Seleção da Copa, escolhida pela FIFA teve: Thépot (França) - Nasazzi (Uruguai) e Mascheroni (Uruguai) - Fausto (Brasil) - Scarone (Uruguai) e J. Evaristo (Argentina) - Peucelle (Argentina) - Stábile (Argentina) - Ferreyra (Argentina) e Iriarte (Uruguai). (Pesquisa: Nilo Dias)

Seleção Brasileira no desfile inaugural da Copa do Mundo de 1930. (Foto: Divulgação)