Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sábado, 12 de outubro de 2019

Os 100 anos do “Fantasma da Mogiana”

O Batatais Futebol Clube, da cidade paulista de Batatais completou 100 anos de existência no último dia 18 de setembro. Fundado em 1919, suas cores são vermelha e branca. Atualmente disputa a Série A2 do Campeonato Paulista.

Sua fundação com a denominação de Batataes Foot-ball Club ocorreu em razão de uma dissidência no Riachuelo Futebol Clube, graças aos esforços do "coronel" Olvídeo Tristão de Lima, considerado o patrono e presidente de honra do clube.

O próprio “coronel” Tristão doou o terreno para a construção do primeiro campo do clube, onde hoje fica o “Estádio Doutor Oswaldo Scatena”, também conhecido por “Scatenão” ou “Ghost Arena”, com capacidade para 15 mil lugares.

O início do “Fantasma da Mogiana”, como é chamado por sua torcida, foi muito melhor do que esperavam os fundadores. Logo na primeira partida, fora de casa, o atacante Bruno fez o primeiro gol do Batataes, que levou a equipe à vitória, sobre a Associação Atlética Olympica, em Jordanópolis, no dia 25 de outubro de 1919.

E 15 dias depois, a "vítima" foi o Altinópolis Futebol Clube, em uma goleada impressionante de 7 X 0.

Entre 1934 e 1937, o Batataes Futebol Clube conseguiu uma das marcas históricas mais impressionantes do futebolismo, que persiste até os dias de hoje, quando disputou mais de 100 partidas, sendo derrotado em apenas três únicos jogos.

Essa era a formação de 1934: Ye - Caty e Pavão – Lulu - Orlandão e Neca. Netto – Coelho – Chiquinho - Zé Lopes e Bicicleta. Com esta equipe o Batataes formou a primeira fase áurea do esporte local.

O “Quadro de Ouro” venceu tudo e a todos na região, ganhando o apelido de "Fantasma da Mogiana". O nome se deve à “Estrada de Ferro Mogiana”, que nasceu em Campinas e passava por Ribeirão Preto, Batatais e outras cidades do norte do Estado em direção ao ”Triângulo Mineiro”. Daí surgiu o “Fantasminha”, mascote do clube.

Em 1945, o clube se destacou ainda mais com a conquista do título de “Campeão Paulista do Interior” e com o movimento que veio a encabeçar, pois na época, só existia profissionalismo na capital.

Com a reunião de esforços do Batatais, já com nova grafia, e o apoio da Ponte Preta e do XV de Piracicaba, os clubes do interior puderam disputar por igual o “Campeonato Paulista”. Graças a este movimento encabeçado pelo Batatais FC, no ano seguinte foi instituída a “Lei do Acesso”, batizada de “Oswaldo Scatena”, em homenagem ao então presidente do Clube.

Em 1949, o Batatais chegou bem perto do título paulista e o acesso para a Elite, porém, a equipe ficou com o vice-campeonato, naquilo que foi considerado à época como a maior vergonha já vista no futebol brasileiro. "Batatais FC é roubado na Rua Javari", estampavam os Jornais da época.

Na Final disputada contra o Guarani, de Campinas, o Batatais foi derrotado por 2 X 1 e o clube campineiro subiu à divisão maior do futebol. Neste episódio lamentável, de uma forma vergonhosa e corrupta, houve mala-preta e suborno dentro do próprio Batatais, envolvendo diretoria, comissão técnica e atletas.

Desolados com o acontecido e o envolvimento da arbitragem na partida, a diretoria retirou o clube das competições profissionais, desativando o “Departamento de Futebol“ por longos anos.

Em 1956, o clube reativou seu departamento retornando ao profissionalismo contando com grandes atletas que fizeram renascer o “Fantasma da Mogiana” na disputa da competição equivalente à “Série A2” do “Campeonato Paulista” até 1967.

A partir de 1968 mais uma nova paralisação ocorreu, mas desta vez por um motivo nobre: a construção do “Estádio Doutor Oswaldo Scatena”. O futebol retornou três anos mais tarde, agora investindo também nas categorias de base do clube.

Desde então o clube não parou mais, e chegou bem perto de conquistar o acesso para o que equivale à “Série A1”, mas nunca conseguiu.

Disputou a “Terceira Divisão” entre 1987 até 1993, visto que em 1994, com novas mudanças feitas pela “Federação Paulista de Futebol”, o clube foi colocado na “Série B1-A”, a última divisão do Paulista, e permaneceu por lá durante longos anos.

O tabu foi quebrado no dia 25 de outubro de 2008, quando conquistou o vice-campeonato da atual “Segunda Divisão” de 2008, subindo para a “Série A3”.

Na “Série A3” de 2013, terminou a primeira fase na terceira posição, se garantindo assim entre os oito classificados. No quadrangular decisivo, disputou duas vagas de acesso com as equipes do Flamengo, de Guarulhos, Marília e Independente, de Limeira.

No dia 12 de maio de 2013, após uma vitória de virada por 2 X 1 sobre o Marília em Batatais, garantiu o retorno para a “Série A2” de 2014.

Com essa vitória, terminou na liderança da chave e de quebra se classificou para a decisão do campeonato frente ao São Bento, de Sorocaba. Após 46 anos, o Batatais recolocou a cidade na “Série A2”, competição que disputou por várias vezes entre as décadas de 50 e 60.

Em 2014, o “Fantasma” fez uma campanha sem grandes sustos e terminou a “Série A2” na 10ª colocação com 25 pontos em 19 jogos, garantindo sua permanência para o ano seguinte.

Grandes revelações saíram do clube. As mais recentes foram Marcelo Batatais (Cruzeiro e Coritiba), Anderson Taubinha, (Ponte Preta, Sertãozinho, Fortaleza, Japão, Ponte Preta e foi capitão do Paulista de Jundiaí no título da Copa do Brasil), Cocito (Atlético Paranaense, Corinthians, Grêmio, Real Murcia da Espanha, Fortaleza, etc.), Michel (Rio Claro, União São João e Vitória de Setubal,), Renan (Atlético Mineiro, Santa Cruz, Brondby da Dinamarca, Celta de Vigo, Sport Recife, Fortaleza) e os imortais Zeca Lopes, Baldocchi e Algisto Lorenzato, o “Batatais”.

Títulos conquistados. Estaduais: Campeão da LBF (1952); Campeão da Série Wilton Gosling (1959); Vice-campeão da 1ª divisão (1960); Campeão da Série Djalma Santos da 1ª divisão (1974); Campeão da Série "E" Grupo Amarelo 2ª Divisão (1984).

Campanhas de destaque. Paulista: 2º lugar da Série A2 (1949); 2º lugar da Segunda Divisão (2008); 2º lugar da Série A3 (2013).

Outras conquistas. Série Ouro da Segunda Divisão (1957, 1959 e 1973). Categorias de base: Campeonato Paulista Sub-20 - 2ª Divisão (2004) e 2º lugar na Copa São Paulo de Futebol Júnior (2017). (Pesquisa: Nilo Dias)

Batatais Futebol Clube, anos 1960.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O futebol feminino no Rio Grande do Sul

Não se sabe muito sobre o futebol praticado por mulheres no Rio Grande do Sul. Os registros encontrados são poucos. O que se sabe de real é que os primeiros registros sobre o futebol feminino no Rio Grande do Sul são de 1950 e mostram que em Pelotas dois clubes praticavam o esporte: o Vila Hilda Futebol Clube e o Corinthians Futebol Clubes, ambos fundados em abril daquele ano.

Isso foi até tema de uma reportagem que publiquei neste espaço, destacando que as duas agremiações eram bem organizadas, tinham sede própria e também equipes de futebol masculino.

Os times femininos duraram até que houve a proibição oficial deste esporte para mulheres. Notícias só voltaram a aparecer na década de 1980, após o término da proibição oficial.

Neste período surgiu em Porto Alegre a equipe “Pepsi-Bola”, que em 1983, tornou-se a equipe de futebol de mulheres do Sport Club Internacional comandada por Rosa Dutra.

Outra equipe também despontou com o intuito de fazer oposição ao recente clube do “Pepsi”, a equipe de futebol do Independente que mais tarde assumiria o escudo do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Foi neste mesmo ano que surgiu o primeiro Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino que teve a participação de cinco equipes: o S.C. Internacional e o Grêmio Football Porto Alegrense, ambos de Porto Alegre, o Esporte Clube Internacional de Santa Maria, o Cerâmica Atlético Clube de Gravataí e o Clube Esportivo Bento Gonçalves da cidade de Bento Gonçalves.

Por mais incrível que possa parecer, não se encontrou em nenhum lugar qualquer menção a essa competição nos anos de 1984 a 1996. Não se sabendo resultados dos jogos e nem quem foi campeão.

Foram encontrados registros dessa competição apenas em 1997, embora Grêmio e Internacional tenham criado nos anos 1990 os seus Departamentos de Futebol Feminino garantindo apoio as equipes formadas por mulheres, tais como espaço para treinamentos, fornecimento de materiais esportivos, assim como
os uniformes de treino e de jogo, além da existência de comissões técnicas especializadas.

Sabe-se que no ano de 1993 foi convocada a primeira Seleção
Gaúcha de Futebol Feminino. Ela representou o Rio Grande do Sul em um torneio nacional de seleções, que reuniu equipes de Estados brasileiros.

Depois dessa competição surgiram equipes no Estado tais como a do Sport Clube Rio Grande, do Internacional e do Grêmio.

O desenvolvimento do futebol feminino em terras gaúchas, deve-se ao protagonismo de Eduarda Maranghelo Luizelli, a “Duda”, ex-jogadora de futebol, que no ano de 1996 assumiu a frente na retomada do Departamento de Futebol Feminino do Sport Club Internacional.

“Duda”, participou diretamente da reabertura do Departamento de Futebol Feminino do clube e ajudou a difundir a modalidade. O encerramento das atividades do Internacional aconteceu em 2004 e só foi novamente retomado no ano de 2017, outra vez por intermédio de “Duda”, que tornou-se referência da modalidade no Estado.

Destaque também para a criação da Associação Gaúcha de Futebol Feminino em 28 de abril de 2010, entidade que assumiu a
organização do campeonato gaúcho em todos os níveis, desde as categorias de base sub-15 e sub-17 até a categoria principal. Desde então o campeonato gaúcho não sofreu nenhuma interrupção.

A trajetória de Maria Ivete Gallas, outra atleta de destaque no futebol feminino, colaborou para a estruturação da modalidade no Brasil e no Rio Grande do Sul.

Maria Ivete Gallas nasceu em 4 de novembro de 1968, em São José do Sul interior da cidade de Montenegro (RS), sendo a quinta filha de uma família de seis irmãs e um irmão, filhas e filho de Fridolino Romeu Gallas e Ilse Terezinha Gallas.

Ivete, iniciou seus primeiros contatos com o futebol através de brincadeiras com suas irmãs e irmão. Aos 12 anos de idade, incentivada pela irmã Maria Iris Gallas, Ivete passou a integrar
a equipe de futebol vinculada a uma fábrica de taninos, na cidade de Montenegro denominada de “Tanac”.

A empresa fundada em 1948 iniciou a produção de extratos vegetais de acácia negra em Montenegro. Sua produção era direcionada à indústria coureira, ao tratamento de águas de abastecimento e de efluentes industriais, além de condicionadores de lama para perfuração de poços de petróleo, adesivos para madeira, entre outras aplicações.

Ivete relatou participações em jogos e torneios com a equipe do “Tanac”, treinava aos sábados e jogava aos domingos, Durante a semana frequentava a escola, e às vezes não ia à aula aos sábados para poder treinar.

Diante da incerteza da continuidade das competições, o futsal de traduzia em uma alternativa para continuarem competindo no Estado. Em 1993, Ivete contou que não haviam mais equipes de futebol de mulheres no Rio Grande do Sul competindo, por isso a adesão ao futsal com a equipe “Funil/Kombisul” de Alvorada.

As atividades do futebol de campo estavam estagnadas no Estado desde 1987. As atletas que compunham os departamentos dos clubes migraram para o futsal para que pudessem se manter em atividade.

Foi somente no ano de 1993 que a Federação Gaúcha de
Futebol realizou uma peneira com vistas a participar da “I Taça Havelange”, competição nacional que correspondia ao campeonato brasileiro.

Ivete relembrou que foi realizada uma seletiva para reunir a seleção gaúcha: eles convocaram as atletas para fazer uma peneira lá no campo suplementar do Beira-Rio. Ela chegou lá e era tanta mulher no campo que o pessoal conhecido só ria. Era muita gente, todo mundo queria ser da Seleção.

Nesse mesmo período Ivete também participou do Campeonato Estadual de Futsal, atuando na equipe “Funil/Kombisul”, de Alvorada que tinha como grande rival a equipe “Sociedade Esportiva Recreativa Bruxas”, composta por suas colegas de equipe na seleção gaúcha, “Duda”, Maria Giovana e Bel.

No campeonato brasileiro de Futsal disputado em Itapeva, Ivete narrou a importância dessa competição em sua trajetória, pois foi nesse momento que conheceu Romeu Castro, na época, presidente do SAAD e organizador do campeonato da FIFUSA.

O Romeu tinha feito levantamento no histórico do brasileiro de campo e Ivete não estava sabendo disso. Após o primeiro contato com ele a equipe do SAAD foi a Porto Alegre disputar um torneio
realizado com equipes de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.

E foi nesse torneio que Ivete recebeu a proposta para integrar a equipe do SAAD. Devido a uma lesão no joelho não conseguiu manter-se nos treinamentos e acabou optando por investir na gestão esportiva do clube.

O SAAD Esporte Clube foi pioneiro em categorias de base no futebol de mulheres. Grande parte dessa organização se deu pelo empenho de Ivete que ao longo do tempo administrou as categorias de base dessa equipe assim como geriu o Centro de Treinamento do SAAD.

Em 1998, Ivete retornou a Porto Alegre e começou a acompanhar os treinamentos do Grêmio Foot-ball Porto Alegrense. Em seguida foi convidada a treinar essa equipe na qual se tornou campeã gaúcha em 2001.

Analisar a trajetória de Maria Ivete Gallas no contexto histórico permitiu reconstruir a história do futebol de mulheres no Rio Grande do Sul. Os poucos registros oficiais encontrados demonstram a necessidade de que se criem estratégias de visibilidade para o futebol praticado por elas.

Conhecer e reconhecer a trajetória de mulheres que fizeram e fazem a história do futebol torna-se uma estratégia importante uma vez que acabam por constituir as fontes de pesquisa e registros desse esporte no Rio Grande do Sul e no Brasil. (Pesquisa: Nilo Dias)

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Alex, o campeão do jogo limpo

Alex foi um zagueiro exemplo de disciplina, ganhador do “Prêmio Belfort Duarte”, em 10 de agosto de 1977, e símbolo de dedicação ao America Football Club, de onde chegou oriundo do Clube Esportivo Aimoré, de São Leopoldo (RS), pelo qual atuou em 1965 e 1966.

Seu jogo de estreia no clube americano deu-se num empate em 2 X 2 contra o América Mineiro, no ”Mineirão”. Já a estreia no Maracanã aconteceu a 25 de maio de 1967, na vitória por 4 X 2 sobre o Huracán, da Argentina, pelo “Torneio Internacional Governador Negrão de Lima”.

Realizou pelo clube rubro do Rio de Janeiro um total de 673 jogos entre 1967 e 1979, tendo sido campeão da “Taça Guanabara”, em 1974, e duas vezes vice-campeão (1967 e 1975). Foi ainda eleito titular absoluto do time ideal do América do século XX, em votação realizada no ano de 2000.

Ao final de 1948, Alex Kamianecky, seu irmão Miguel e o restante da  família de ucranianos chegou ao Brasil, deixando para trás uma Alemanha destruída pela guerra. Na bagagem, além da esperança por dias melhores, os dois robustos lourinhos de apenas dois anos de idade.

Desembarcaram no Rio Grande do Sul e fixaram moradia em Canoas, uma cidade em franco desenvolvimento, principalmente depois da instalação do “3º Regimento de Aviação Militar”, em 1937.

Alex Kamianecky nasceu no dia 9 de dezembro de 1945, em Hamburgo, na Alemanha. Foi como zagueiro do Clube Esportivo Aimoré de São Leopoldo (RS), que Alex assinou seu primeiro compromisso profissional. Jogava ao lado do irmão Miguel até receber um convite para treinar no Vasco da Gama.

Alex tomou coragem e foi ao Rio de Janeiro, sem imaginar que agradaria tanto ao técnico Zizinho, que depois do primeiro treinamento comparou seu futebol ao lendário Hideraldo Luís Bellini.

Mas uma indecisão dos dirigentes do Vasco, que na época tentavam negociar Brito com o Santos, precipitaram o retorno de Alex para o Rio Grande do Sul.

E foi o próprio Zizinho que indicou Alex ao América, um contato que virou contrato em 1967. A primeira participação no time principal aconteceu no empate em 2 X 2 contra o América mineiro, no Estádio do Mineirão.

No Maracanã, a primeira partida de Alex aconteceu em 25 de maio de 1967, na vitória por 4 X 2 sobre o Huracán da Argentina, confronto válido pelo “Torneio Internacional Governador Negrão de Lima”.

Moço disciplinado, zagueiro leal, Alex ainda carregava o jeitão tipicamente interiorano, o que despertava a malandragem oportunista de alguns atacantes maldosos.

Mas o América contava com Almir Albuquerque, que prontamente inibia os valentões que se metessem com o amigo Alex. E assim, a amizade entre os dois continuou por muito tempo.

Orientado pelo técnico Evaristo de Macedo, Alex foi determinante na grande campanha do América na “Taça Guanabara” de 1967. Abaixo, os registros de uma grande vitória do time de Evaristo:

16 de julho de 1967 – Taça Guanabara – América 3 X 0 Flamengo – Estádio do Maracanã – Árbitro: Cláudio Magalhães – Gols Edu aos 14’ e 20’ do primeiro tempo; Eduardo aos 20’ do segundo tempo.

América: Ita – Sérgio – Alex - Aldeci e Djair. Marcos e Ica. Joãozinho – Antunes - Edú e Eduardo. Técnico: Evaristo.
Flamengo: Marco Aurélio – Murilo – Jaime - Ditão e Válter. Carlinhos e Jarbas. Fio – Zezinho - Ademar e Rodrigues.
Técnico: Modesto Bria.

Em 1970, sob o comando do técnico João Saldanha, Alex fez parte da lista dos 40 pré-convocados para a fase de preparação para a “Copa do Mundo” daquele ano, mas acabou cortado sem chegar a vestir a camisa canarinho.

A maior conquista pelo América foi a “Taça Guanabara” de 1974. Ao todo foram 673 partidas disputadas sem nenhuma expulsão, o que lhe valeu o “Prêmio Belfort Duarte” de disciplina, recebido em agosto de 1977.

Alex nunca machucou um companheiro de profissão, ou mesmo esteve no Departamento Médico por qualquer espécie de contusão. Apenas uma hepatite contraída em 1969, que o afastou por 20 dias dos gramados.

Alex também marcava seus golzinhos, quase sempre de cabeça ou em cobranças de penalidades.

Naturalizado brasileiro, Alex permaneceu no América até 1979. Ao receber o passe livre e se transferir para o Sport Clube do Recife, Alex fez questão de incluir em seu novo contrato uma cláusula para não jogar contra seu ex-clube.

Conforme alguns registros, o zagueiro defendeu ainda por um curto período o América de Natal e Moto Clube de São Luís, onde encerrou pela primeira vez sua carreira como jogador.

Posteriormente, Alex ainda retornou aos gramados para defender o São Cristóvão em 1982, que na oportunidade disputava a Segunda Divisão do campeonato carioca.

Depois do futebol, Alex trabalhou como Representante Comercial de materiais de informática. Atualmente, mora em Canoas (RS). É empresário e ocupa-se também revelando jogadores.

No ano 2000, uma eleição promovida pela revista Placar colocou Alex Kamianecky no “Melhor América de todos os tempos”. Alex também está entre os jogadores homenageados no Hall da Fama do Estádio do Maracanã.

Desde13 de maio de  2017, a história de 13 anos, marcada por identificação, regularidade, liderança e amor pelo América que encantou o Rio de Janeiro - e o Brasil -, no fim dos anos 60 até o fim da década de 70, está registrada no livro "Alex Coração Americano: o campeão do jogo limpo", livro-homenagem de autoria de Sílvio Köhler.

Além de Alex, o lançamento do livro também contou com depoimentos de personalidades como Apolinho, Dé Aranha, Edu Coimbra, Iata Anderson, Jairzinho Furacão e Zico. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 8 de outubro de 2019

O time dos homens de cor

Que o racismo imperou no futebol brasileiro em seus primeiros tempos é sabido. O que pouca gente sabe é que em São Paulo um clube de futebol foi fundado como uma resposta aos que dificultavam ou restringiam a presença de atletas “pretos” e “mulatos” em suas entidades.

Sua criação também serviu como uma reação à “linha de cor” que imperava dentro e fora dos gramados naqueles tempos. Os grandes times do futebol paulista eram o Club Athlético Paulistano, a Associação Athlética das Palmeiras e o Sport Club Corinthians Paulista, nascido em 1910.

Os dirigentes desses clubes acreditavam que os atletas negros eram inferiores aos brancos na técnica e à ciência do futebol clássico Mesmo quando algum era aceito para jogar, não tinha permissão para participar das suas atividades sociais – como festas e bailes.

A Associação Athletica São Geraldo foi conhecida em seus áureos tempos como o “clube dos homens de cor”. Sua fundação ocorreu no dia 1º de novembro de 1917, por um grupo de desportistas negros: Silvério Pereira, Rufino dos Santos, Felisbino Barbosa, Horácio da Cunha, Benedito Costa e Benedito Prestes.

A finalidade era promover a prática tanto do futebol quanto do atletismo. Suas cores eram o preto e o branco. Ao longo do tempo, seus investimentos maiores foram sempre no futebol. O clube teve sedes na Barra Funda e depois em Perdizes.

Praticar o futebol já naquela época custava caro. Parte do material usado no esporte, tais como bolas, meias, calções, luvas, joelheiras e tornozeleiras era tudo importado.

Não se tem ideia de como o São Geraldo conseguia enfrentar tais despesas. É provável que a sua principal fonte de recursos derivava das mensalidades dos sócios.

Outras prováveis fontes de renda vinham de donativos e da arrecadação das festas e bailes.

Anos mais tarde, Dionísio Barbosa – o fundador e principal dirigente do “Cordão Carnavalesco Camisa Verde”, disse que cedia o salão da agremiação ao São Geraldo, para que este realizasse bailes para arrumar dinheiro, para comprar camisas. E os jogadores do São Geraldo, por sua vez, retribuíam fazendo a proteção dos bailes do “Camisa Verde”.

O clube foi criado pelos “negros da Glette”, um grupo que se encontrava na “Alameda Glette”, próximo à linha férrea. Não tinham habilidades artesanais que os favorecessem profissionalmente, nem dominavam um ofício, por isso trabalhavam como carregadores e ensacadores. Por vezes viviam à margem da ordem social vigente.

Eram respeitados pela sua força física, daí terem recebido a alcunha de “valentes da Barra Funda”. Todavia, as informações fragmentadas disponíveis não permitem tecer detalhes acerca da origem do São Geraldo.

Além do caráter recreativo, o São Geraldo também se inseriu na rede de associativismo negro que, a partir do início do século XX, floresceu em São Paulo. Foram criadas dezenas de associações voltadas para fomentar as atividades recreativas, culturais, políticas e sociais dos autodenominados “homens de cor”.

Eram entidades “dançantes”, “recreativas”, “dramático recreativas”, “dramático recreativa e literária”, “dramático recreativa literária e beneficente”, “beneficente e humanitária, recreativas e esportivas”, ou exclusivamente “esportivas”.

Apesar das diferenças de nomes, essas associações buscavam o desenvolvimento de uma identidade específica, de negros (nós), em oposição aos brancos (eles).

O São Geraldo surgiu na Barra Funda, bairro onde existia um importante segmento da “população de cor”, vinda na maioria de pequenas cidades do interior do Estado. Essa gente vinha à Capital em busca de emprego e melhores condições de vida no pós-abolição.

Era o tempo da fartura do café nas lavouras paulistanas. Na Barra Funda, foram construídos, além da estação ferroviária, grandes armazéns para estocar especialmente o produto.

A mão de obra básica era composta por negros, que realizavam as tarefas mais penosas de carregamento e descarregamento de mercadorias, tanto nesses armazéns, quanto naqueles situados no porto de Santos, para onde eles iam sempre que escasseava o trabalho em São Paulo.

Já as mulheres prestavam serviços como domésticas nas casas das famílias ricas da cidade.

Quando tinham um tempo livre os negros realizavam batuques em torno dos botequins da “Alameda Glette”, rodas de samba, jogos de pernada, umbigada e tiririca (espécie de capoeira) no “Largo da Banana” e comemoravam o Carnaval por meio dos grupos “Barra Funda”, “Campos Elísios” e “Flor da Mocidade”, cordões carnavalescos pioneiros em São Paulo.

A Barra Funda era na verdade um dos maiores “territórios negros” da cidade, nas primeiras décadas do século XX. Na parte alta do bairro, próximo ao Bom Retiro, os terrenos baldios existiam em profusão, sendo usados por essa população, nos primórdios do futebol.

A entidade organizou seus estatutos, registrou em cartório e criou uma estrutura funcional alicerçada em uma Diretoria, associados e atividades. Sua primeira sede foi Rua Barra Funda, mais tarde transferida para a Rua Florêncio de Abreu.

Aos poucos o time de futebol, cujo uniforme tinha as cores preta e branca, foi se estruturando até se filiar à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) – encarregada de organizar o futebol no Estado – e disputar o campeonato da chamada “Divisão Municipal”, que reunia uma série de clubes de várzea.

Não demorou para o clube ganhar destaque em meio aos negros. Tinha no time bons jogadores, como Zelão, Tita, Africano, Filipão, Olavo, Caçaróla, Pé, Buiú, Alfredo, Goiabada, Bizerrão, Caetano, Vaca Braba, Bode e Hilário, que protagonizaram, na “zona Pacaembu, jogos de escol”.

Também merecem ser lembrados Carlos Campos, o “famoso beque” Sarará, o atacante Ditinho – considerado um dos craques do time – e o “meia esquerda” Paulo, que foi uma figura brilhante.

Ao longo de sua trajetória, o “alvinegro” da Barra Funda colecionou resultados positivos dentro dos gramados, sendo o principal deles a conquista da “Copa do Centenário da Independência do Brasil” – nome dado ao campeonato paulista de 1922 –, evento que fez parte das comemorações alusivas aos 100 anos da emancipação política do Brasil.

Tratou-se de uma competição bastante disputada. O São Geraldo, clube constituído “somente de elementos de cor”, enfrentou na final o Flor do Belém, time “formado por brancos” e considerado favorito ao ambicionado título.

A decisão do “Campeonato do Centenário” se deu no “Estádio da Floresta”, num domingo de Páscoa.

Com a conquista do título, o “alvinegro” da Barra Funda tornou-se mais conhecido em São Paulo, especialmente no meio negro, legitimando-se como o principal time de futebol do gênero.

Além de disputar o campeonato da APEA, o São Geraldo costumava jogar contra outros clubes de negros. Um dos grandes rivais do São Geraldo localizava-se justamente no mesmo bairro. Era o time de futebol do Grêmio Barra Funda, com o qual disputou partidas memoráveis.

Em abril de 1926, o “Grêmio Recreativo Nem que Chova” abriu as inscrições de um “festival esportivo”, planejando reunir 10 times de futebol do meio negro no campo do “Paulista de Aniagens”, situado na Rua Glicério. Como premiação, previa-se distribuir “duas ricas taças”.

O “festival” ocorreu no dia 9 de maio daquele ano e, ao que parece, contou com a participação do São Geraldo. Já no ano de 1932, o time ganhou a “Taça Clarim d’Alvorada”, troféu de campeão entre as agremiações esportivas negras, que existiam na capital.

Também os intercâmbios do “alvinegro” da Barra Funda ocorreram com os clubes do interior paulista. Em agosto de 1929, a equipe viajou até a cidade de Campinas, para enfrentar a Ponte Preta, que venceu por 4 X 2.

Em algumas vezes o São Geraldo jogou torneios e partidas amistosas  contra adversários de outros Estados, em especial do Rio de Janeiro.

Em 1925, ocorreu uma crise na organização do futebol paulista, o que levou o Clube Atlético Paulistano a abandonar a APEA e decidir criar a Liga de Amadores de Futebol (LAF).

Seu gesto foi acompanhado imediatamente pela Associação Atlética das Palmeiras e pelo Sport Club Germânia. A nova associação nasceu com o propósito de “depurar” o futebol e incrementar a prática do esporte sobre as bases do “mais restrito amadorismo”.

Tanto a APEA quanto a LAF reivindicavam para si o direito de representar oficialmente o futebol do Estado de São Paulo. Neste cenário, o São Geraldo aderiu à nova associação, disputando o campeonato da divisão “intermediária”.

Convém lembrar que, nessa época, não havia lei de acesso. Os nove times considerados grandes: Club Atlético Paulistano, Sport Club Germânia, Sport Club Corinthians, Associação Atlética das Palmeiras, Britânia Atlético Clube, Clube Atlético Santista, Antártica Futebol Clube, Clube Atlético Independência e Paulista Futebol Clube, que compunham a divisão mais importante da LAF, jogavam entre si e não corriam o risco de rebaixamento.

Já o São Geraldo jogava contra os clubes menores, muitos dos quais egressos do futebol de várzea. E mesmo que aí se destacasse, não havia a perspectiva de ascender à divisão principal.

A imprensa negra costumava acompanhar o desempenho do São Geraldo: “A Associação Atlética São Geraldo é uma das agremiações de homens pretos que, no esporte, tem sabido honrar sobremaneira o nome do negro brasileiro”.

Segundo jornal “O Clarim d’Alvorada”, o São Geraldo fechou a competição de 1929 de “um modo brilhante e digno de todos os encômios”. Basta dizer que, no decorrer do ano, seu “quadro” não sentiu o gosto da derrota. Os “jogadores não sofreram a menor pena ou censura, em se tratando de disciplina”.

Aquele foi o último campeonato que o São Geraldo disputou na LAF.
Lentamente, os times foram regressando à APEA. Foi o caso do Sport Club Corinthians, que ajudou a erguê-la em 1925, e retornou à APEA em 1927, tendo nela participado de apenas um campeonato. Ao todo, a LAF organizou três campeonatos paulistas, extinguindo-se em 1929.

O insucesso da entidade deveu-se basicamente à sua insistência em manter o futebol amador. Enquanto isso, a APEA, que na teoria preconizava o amadorismo, na prática deixava que clubes e jogadores experimentassem o profissionalismo.

Não tardou para que os melhores jogadores da entidade dissidente começassem a se transferir para as equipes da APEA. Os que lá permaneceram, com raras exceções, não desejavam mesmo se profissionalizar como futebolistas.

Foi neste contexto que o São Geraldo elegeu uma nova diretoria e voltou a se afiliar à APEA, participando de suas competições. Mas, naquela altura, o clube da Barra Funda já não era o mesmo.

Pouco a pouco entrou em crise, enfrentou tensões internas e se desarticulou coletivamente. Sem resultados expressivos dentro de campo, restava viver de um discurso saudosista. Não é possível assegurar, quando o time encerrou as suas atividades, mas parece que foi na primeira metade da década de 1940.

O insucesso do São Geraldo deveu-se basicamente à sua insistência em manter o futebol amador – condição na qual os jogadores ficavam desprovidos de salário, vínculo formal e não conseguiam viver exclusivamente do futebol.

Conforme revelou “A Voz da Raça” em julho de 1933, “os principais clubes de futebol aos poucos iam reformando seus estatutos e entre cláusulas abolidas figurava sempre a que proibia a entrada de homens de cor”.

Para o veículo de comunicação “oficial da Frente Negra Brasileira”, o jogador símbolo do “ingresso do negro nos altos cenários” do futebol foi Mateus Marcondes.

O “másculo” atleta do Clube Espéria teria sido a última “figura a aparecer vitoriosamente em nossos esportes, vencendo e convencendo aos paredros do futebol bandeirante”.

Muitos clubes da primeira divisão do futebol paulista passaram a “recrutar” jogadores negros na década de 1930. Isto não significa que tenham cessado as denúncias de que tais jogadores, embora elevassem o nome das agremiações desportivas, eram aceitos apenas como atletas e não como sócios.

Seja como for, emergiu um fenômeno novo: alguns dos melhores jogadores negros migraram para os grandes clubes. Bianco, o famoso “gorrinho encarnado” do Sul-América, transferiu-se para a Associação Atlética das Palmeiras.

Talvez o caso mais emblemático tenha sido Petronilho de Brito, um típico jogador da várzea paulistana que, na concepção de Thomaz Mazzoni, trouxe pioneiramente para o “futebol dos grandes clubes o verdadeiro futebol da raça negra”.

Quem um dia descobriu o São Geraldo foi o Corínthians. Começou a passar a mão nos negros devagarinho, tirou um, tirou outro e destruiu o São Geraldo.

O São Geraldo, continuou a ser evocado no meio negro como o “Campeão do Centenário”. Dada a importância do acontecimento, devia ser celebrado, rememorado e transmitido de geração para geração, para não cair no esquecimento.

Em 1948, ao recordar os “maiores feitos do futebol brasileiro”, a folha “Mundo Esportivo” mencionou o título do São Geraldo de campeão do Centenário da “Divisão Municipal”.

A esse respeito, o “Clarim d’Alvorada” já tinha sido bem incisivo em sua edição de 26 de julho de 1931: “o São Geraldo é um clube que honra a coletividade negra no futebol paulista”.

Para muitas “pessoas de cor”, o São Geraldo era uma fonte de orgulho racial. Na prática desportiva, constituía uma espécie de sismógrafo do quanto o negro era perseverante, dotado de disciplina e qualidades físicas, aliadas à inteligência e competência para alcançar os pináculos da vitória e se impor perante os desafios da vida (e da nação), colocando em xeque a ideologia de sua inferioridade racial. (Pesquisa: Nilo Dias – Fonte maior: “Verminosos por Futebol)

O São Geraldo sagrou-se campeão municipal do centenário, em 1922 (Foto: Cacellain)

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Grêmios vermelhos e Inter azuis

A dupla Gre-Nal faz o maior clássico do futebol brasileiro e um dos maiores do mundo. A rivalidade é enorme, muitas são as histórias que envolvem de tudo um pouco, até brigas eternas entre familiares.

O Rio Grande do Sul está dividido entre as cores vermelha e azul. Grêmios vermelhos? Sim. Existem. E aos montes. Normal. Mas um time com o escudo igual ao do Internacional nas cores azuis. Isto sim é bastante estranho.

Em nenhum outro Estado, a rivalidade entre dois clubes é tão forte. A ponto de fazer "Papai Noel" deixar de lado a roupa vermelha e patrocinadores abrirem mão do azul.

No final de 2014, o clássico gaúcho foi apontado pela revista inglesa “FourFourTwo” como um dos 10 maiores do mundo. Foi o único brasileiro incluído na lista.

Sei que tem gente fora do Rio Grande do Sul que não quer aceitar essa realidade. E aponta Vasco X Flamengo, Fla,engo X Fluminense, Palmeiras X Corinthians, Cruzeiro X Atlético como os maiores clássicos. Mas no fundo sabem que não são.

Pelos "pampas" a coisa é tão absurda, que torcedores dos dois lados preferem perder campeonatos, só para ver o adversário cair para a segunda divisão ou não classificar para torneios importantes, como a Copa Libertadores da América.

No Rio Grande do Sul e até mesmo em outros Estados da Região Sul, como Paraná e Santa Catarina, onde as torcidas de Grêmio e Internacional são grandes, tricolores e colorados se colocam em lados opostos em diversas situações.

Mas em 2015 a diretoria do Internacional surpreendeu com a iniciativa de destinar um espaço no Beira Rio para torcida mista no Gre-Nal do dia 1º de fevereiro, pelo “Gauchão”. Os torcedores, a partir de então, puderam ficar lado a lado, provando que são rivais, mas não inimigos.

A rivalidade entre tricolores e colorados é tanta que na década de 1980, quando a “Coca-Cola” patrocinava os principais times do futebol brasileiro, a multinacional teve de abandonar sua tradicional cor vermelha para estampar a camisa do Grêmio.

Até mesmo o “Papai Noel” dos tricolores é azul. Um caso parecido também aconteceu quando o Internacional passou a ser patrocinado pelo “Banco do Estado do Rio Grande do Sul” (Banrisul) no início dos anos 2000. É que a cor da marca do banco era azul. Uma agência chegou a se utilizar da cor vermelha para agradar os colorados.

Campos dos Goytacazes (RJ), município com tradição no futebol e que já revelou os campeões mundiais pela seleção brasileira Didi e Amarildo, é um dos locais onde existe um Grêmio “Vermelho”.

É isto mesmo. Na terra que é mais conhecida pela grande rivalidade entre Americano e Goytacaz, encontra-se um time amador que contraria a lógica.

O Grêmio Esportivo Custodópolis, fundado em 1967, tem as cores vermelha e branca, as mesmas do arquirrival do Grêmio de Porto Alegre, o Internacional. Uma afronta tanto para gremistas, quanto para colorados.

“Não estranho o Grêmio Esportivo Custodópolis utilizar a cor vermelha como referência, pois o termo “Grêmio” não é um substantivo próprio. O significado da palavra remete a um grupo que compartilha dos mesmos ideais. Portanto, a meu ver, o time chama-se “Custodópolis”.

Seguindo a ideia, o clube gaúcho corretamente rotula-se “Porto Alegrense”, defende o professor e escritor Cristiano Pluhar, sócio do Internacional, gaúcho radicado em Campos desde 2009.

O fato é comum se considerarmos que o termo Grêmio se refere a uma agremiação. Existem outros Grêmios vermelhos pelo Brasil afora, como o Grêmio Vesúvio, um time de bombeiros da mesma Campos; o Grêmio Paulista Futebol Clube, de Campinas (SP); o Grêmio da Boa Vista, de Italva (RJ); o Grêmio Ubaense, de São José do Ubá (RJ); o Grêmio Atlético Sampaio, de Boa Vista (RR).

E pelo Rio Grande do Sul afora também temos Grêmios para ninguém botar defeito: Grêmio Atlético Glória, de Carazinho, vermelho e branco; Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas, vermelho e preto; Grêmio Esportivo Gabrielense, de São Gabriel, vermelho e branco: Grêmio Santanense, de Santana do Livramento, vermelho e branco. E por ai vai.?

Já times com o nome de Internacional geralmente são vermelhos e brancos, casos dos Internacional, de Lajes (SC), de Bebedouro (SP), de São Borja (RS, de Santa Maria (RS), Internacional de Salvador (BA), Internacional de Rio Branco (AC), Internacional de Ajuricaba (RS), Internacional de Cuiabá (MT), Internacional de Laguna (SC), Internacional de Pato Branco (PR), Internacional de Santo Augusto (RS), Internacional de Bom Retiro do Sul (RS) e Internacional de Santa Rita (PB).


Mas tivemos também Internacional de cor azul, como o de Rosário do Sul. E preto e branco, como o de Limeira (SP). 


Este ano, o Nacional, do Uruguai, cometeu uma gafe no seu site ao divulgar informações sobre ingressos para a partida contra o Internacional pela Copa Libertadores da América. 

A venda exclusiva para sócios, na arte que mostrava os valores das entradas nos diferentes setores do "Estádio Gran Parque Central", o símbolo colorado estava na cor azul. O mesmo ocorreu em outra imagem, que dava instruções sobre a compra de ingressos.

E o que dizer do hino do Internacional que em uma parte diz assim: "Colorado de ases celeiro/Teus astros cintilam num céu sempre "azul"/Vibra o Brasil inteiro/Com o clube do povo do Rio Grande do Sul".

Mas o mais curioso é o Sport Club Ivoti, da cidade homônima Ivoti (RS), a “Cidade das Flores”, que tem cerca de 20 mil habitantes. Trata-se de um time amador, fundado em 6 de janeiro de 1953, campeão sul-brasileiro amador em 1996.

Em 2010, o Ivoti teve de mudar o escudo a pedido do Internacional. Porque tinha o distintivo muito parecido com o do Inter, mas com as cores azuis! Pode?



O Grêmio Esportivo Custodópolis, de Campos (RJ), joga de vermelho, enquanto o Sport Club Ivoti, de Ivoti (RS), já teve escudo semelhante ao do Internacional, mas com a cor azul (Foto: Divulgação)

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Mais um clube gaúcho torna-se centenário

O Clube Esportivo Bento Gonçalves, conhecido apenas como Esportivo, é mais um clube gaúcho e brasileiro a se tornar centenário. Fundado no dia 28 de agosto de 1919, o clube tem sua sede na cidade de Bento Gonçalves.

O primeiro jogo oficial foi disputado no dia 21 de setembro do mesmo ano, tendo empatado pelo placar de 1 X 1 com a equipe do Garibaldi. O primeiro título amistoso foi em 1939, quando ganhou a “Taça Perdigueiro.”

A primeira conquista a nível estadual ocorreu em 1969, com o título da segunda divisão do “Campeonato Gaúcho”, estabelecendo assim uma expansão da marca do clube para todo o Estado.

No ano seguinte, em 1970, a equipe passou a disputar a primeira divisão do “Campeonato Gaúcho”, onde, naquele mesmo ano, se sagrou campeã do interior, ao terminar o campeonato na quarta posição.

Os principais títulos conquistados pelo clube foram a “Copa FGF” de 2004, a “Copa Governador do Estado” em três oportunidades, a “Divisão de Acesso” do “Campeonato Gaúcho”, também em três oportunidades e o “Campeonato do Interior” em seis oportunidades.

A equipe já participou de competições nacionais, como a “Copa do Brasil”, onde atingiu a segunda fase em 2005, bem como três vezes da “Série B” e outras três da “Série C” do “Campeonato Brasileiro”. Atualmente, integra a “Divisão de Acesso” do “Campeonato Gaúcho”.

Os jovens da recém formada cidade de Bento Gonçalves praticavam futebol aos finais de semana, jogando em campos improvisados, terrenos baldios, ou locais cedidos por alguma família, espalhados por diferentes zonas da cidade.

A cidade já possuía alguns times amadores, os principais eram São Luiz, Canto-Fura, Liberal e Caramuru. Por serem amadores, estes clubes não tinham consistência para enfrentar igualmente agremiações das cidades vizinhas de Caxias do Sul, Garibaldi, Carlos Barbosa, Alfredo Chaves, Prata e Montenegro.

Com a ideia de representar a cidade em competições intermunicipais, Leonardo Carlucci lançou a ideia de fundar um clube que pudesse tomar parte nas competições intermunicipais.

A sugestão foi aprovada por todos e foi criado o clube, que a princípio chamava-se "Club Sportivo Bento Gonçalves", afirmando a forte influência italiana. Em 24 de agosto de 1919, o clube formado, elegeu seu primeiro presidente, Gastão de Almeida, e vice-presidente, Ernesto Lorenzoni.

A inauguração do clube, no dia 21 de setembro de 1919, foi tida como um grande evento na cidade, marcado pelo comparecimento dos associados e vários convidados no ato realizado.

Depois, foram assistir ao primeiro jogo da equipe, enfrentando o Garibaldi. Antes da partida ocorreu a apresentação da banda de Bento Gonçalves.

Referente ao jogo entre os clubes de Bento Gonçalves e de Garibaldi não existem muitos relatos, porém sabe-se que a partida terminou empatada em 1 X 1.

O Esportivo estava assim escalado: Pasquetti - Holleben e Salton. Cardoso - Turcato e Enricone. Zanoni – Fedullo – Bissaco - Ros e Ponzoni.

Logo após sua fundação, o Esportivo começou a construir sua trajetória pelo interior do estado do Rio Grande do Sul. Como resultado disso, as agremiações de caráter amador que pertenciam a cidade de Bento Gonçalves acabaram cessando suas atividades, devido ao fato de praticamente todos os jogadores terem se transferido para o Esportivo.

O Esportivo em seus primeiros anos de existência realizava muitas excursões para as cidades vizinhas de Garibaldi e Carlos Barbosa. As viagens até o destino das partidas eram realizadas por meio de trem, carroças ou a cavalo.

Como os jogadores não recebiam nada pelos seus serviços e nem todos podiam cobrir as despesas de tais viagens, outros jogadores mais favorecidos economicamente e sócios custeavam esses valores.

Uma rivalidade grande com equipes de Caxias do Sul foi formada. Os principais adversários eram o Juvenil, Juventude e Americano. Os times caxienses eram mais antigos e possuíam reforços de jogadores estrangeiros, principalmente uruguaios que eram famosos na época.

Relatos afirmam que a rivalidade era tanta que muitas vezes as partidas não eram concluídas por confusões geradas dentro do campo de jogo. Porém, ao término do confronto, à noite o time mandante oferecia um baile aos visitantes, onde ocorria uma confraternização.

No ano de 1923, a cidade de Bento Gonçalves recebeu a equipe do Grêmio Foot Ball Porto Alegrense, que enfrentou o time local. O Esportivo terminou o primeiro tempo vencendo por 2 X 0 .

Entretanto, o Grêmio, comandado por Eurico Lara conseguiu se sobressair na segunda etapa devido ao melhor preparo físico, marcando seis gols e vencendo o jogo pelo placar de 6 X 2.

Somente 15 anos depois da visita do Grêmio, no dia 23 de outubro de 1938, o Esportivo disputou novamente um jogo com outro tradicional clube de Porto Alegre.

O Sport Club Internacional realizou um amistoso com o Esportivo, marcado por grande festividade, e homenagem do Esportivo presenteando o Internacional com um buquê de flores.

Na partida, a equipe do Esportivo obteve uma vantagem de 3 X 1, porém não resistiu à pressão imposta pelo Internacional, que empatou o jogo em 4 X 4.

Apenas 22 anos depois de sua fundação, no dia 24 de setembro de 1941, o Esportivo deu os primeiros passos para adquirir o próprio estádio. Erny Hugo Dreher, presidente do clube, enviou ofício ao então prefeito de Bento Gonçalves, João Dentice, solicitando junto a prefeitura a doação de um terreno para a construção de seu estádio.

Primeiramente, o presidente Dreher expôs que há mais de 20 anos já havia solicitado junto à prefeitura um terreno para a prática do futebol pelo clube. Também, disse que o terreno cedido pela prefeitura foi cercado e a infraestrutura melhorada com despesas pagas pelo próprio clube, mas que as melhorias já não se encontram mais em boas condições.

Outro ponto destacado pelo presidente do Esportivo foi a solicitação de auxílio financeiro de sete contos e quinhentos mil réis à prefeitura, para uma reforma no campo que já não estava em boas condições, principalmente para prática do futebol.

No ano seguinte, em 19 de abril de 1942, foi lançada a pedra fundamental para a construção do novo estádio. Enquanto as obras do estádio seguiam, o Esportivo continuava sua caminhada em jogos, já percorrendo todo estado, participando inclusive do campeonato estadual amador.

A inauguração do estádio do Esportivo ocorreu três anos depois de iniciadas, em 26 de agosto de 1945. A maior renda vista no estádio do Esportivo, nesta época, foi na data de sua inauguração, em uma partida comemorativa contra o Clube Atlântico da cidade de Erechim.

Cerca de quatro mil espectadores estavam presentes gerando uma renda de quase 900 mil cruzeiros, recorde no Estado naquele período. Os jogadores de ambos os times foram recebidos com fogos, confetes e serpentinas.

Dante Marcucci, fundador do Juventude, de Caxias do Sul sobrevoou as imediações do estádio com a esquadrilha de aviões do aeroclube de Caxias do Sul.

Além disso, clubes do Estado enviaram presentes ao Esportivo, parabenizando o clube pela data. A partida terminou empatada em 0 X 0. O estádio, denominado “Estádio da Montanha”, estava localizado em uma área elevada da cidade, onde hoje é o bairro “Cidade Alta”.

Em 1952, a equipe disputou sua primeira competição profissional, a “Segunda Divisão”, onde foi eliminado na fase de grupos. Jogou os campeonatos de 1953, 1954, quando foi campeão do torneio da zona leste e classificou-se para a fase final, onde terminou na terceira colocação. 

Em 1955, não participou de nenhum campeonato. Em 1956 e 1957 a equipe classificou-se para as semifinais e terminou a competição na terceira e quarta colocação, respectivamente. Entre os anos de 1958 e 1968, a equipe disputou os torneios preliminares da “Segunda Divisão”, porém não conseguiu classificar-se para a fase final.[

Continuou as disputas em 1969, alcançando pela primeira vez classificação para a primeira divisão do “Campeonato Gaúcho de 1970. Entre os anos de 1971 e 1978, a equipe não fez grandes campanhas no “Campeonato Gaúcho”, terminando na terceira colocação nas edições de 1971 e 1976 e na quarta colocação em 1973 e 1978.

Nesta década, a equipe conquistou vitórias importantes sobra a dupla Grenal. Contra o Grêmio venceu por 5 X 2 em 1971, encerrando a sequência de 24 partidas sem derrotas da equipe, e contra o Internacional, onde venceu por 2 X 1, sendo a primeira equipe do interior gaúcho a vencer no “Estádio Beira-Rio”.

Já na edição de 1979, a equipe fez a melhor campanha da sua história no Campeonato Gaúcho. A equipe conquistou 17 pontos e foi vice-campeã do “Campeonato Gaúcho”, terminando o campeonato a frente de equipes tradicionais, como o Internacional e Juventude.

Com a conquista, a equipe teria direito de disputar a primeira divisão do “Campeonato Brasileiro”, porém, segundo anunciado pela “Federação Gaúcha de Futebol”, a equipe não teria um estádio adequado para a disputa da primeira divisão.

Entre 1970 e 1991, a equipe disputou a “Copa Governador do Estado”, na qual foi campeã em três oportunidades. 

No dia 30 de maio de 1979, ocorreu um jogo histórico no futebol brasileiro. O Esportivo enfrentou o Grêmio na “Montanha”, num jogo disputado com muita neve, numa temperatura que chegou a -2 °C. Pessoas que filmavam a partida aproveitaram para fazer tomadas deste jogo histórico. A partida terminou em 0 X 0 e foi batizada como "O Jogo da Neve".

Além destes títulos, a equipe também conquistou o “Campeonato do Interior Gaúcho” em seis oportunidades (1970, 1971, 1976, 1979, 1982 e 1987), título que era muito cobiçado pelas equipes do interior gaúcho na época.

No “Campeonato Gaúcho” de 1980, a equipe foi rebaixada para a “Segunda Divisão”. Na “Segunda Divisão” de 1981, a equipe terminou a primeira fase na primeira colocação e foi promovido novamente para a “Primeira Divisão”.

Na década de 80, a equipe passou a disputar competições a nível nacional, participando do “Série B” em três oportunidades. Em 1983 terminou na terceira colocação com seis pontos ganhos em cinco jogos, tendo duas vitórias, dois empates e uma derrota, não conseguindo qualificar-se para a próxima fase.

Disputou pela segunda vez em 1987, terminando na última colocação, com apenas dois pontos ganhos em cinco jogos, com nenhuma vitória, dois empates e três derrotas.

A última participação na “Série B” foi em 1989, terminando novamente na última colocação, com apenas dois pontos ganhos em 10 jogos, com nenhuma vitória, dois empates e oito derrotas.

A equipe participou da “Série C” também por três oportunidades. Na primeira participação, em 1988, ficou na terceira colocação com nove pontos ganhos em seis jogos, apenas a dois pontos da classificação para a próxima fase.

Participou novamente em 2004, terminando novamente em terceiro lugar, com cinco pontos conquistados em seis jogos, tendo uma vitória, dois empates e três derrotas.

Sua última e melhor participação foi na edição de 2007, onde foi eliminado somente na terceira fase.

No “Campeonato Gaúcho” de 1997, a equipe foi rebaixada após terminar o campeonato na última colocação, conquistando apenas sete pontos em 13 jogos disputados, com uma vitória, cinco empates e sete derrotas.

Já em 1999, a equipe conquistou seu bicampeonato da “Segunda Divisão”. No quadrangular final, a equipe terminou novamente na primeira colocação, com 15 pontos ganhos em seis jogos, tendo cinco vitórias e uma derrota, sagrando-se bicampeão da “Segunda Divisão” e conquistando a vaga para a “Série A” de 2000.

Entre os anos de 2000 e 2004, a equipe não fez campanhas de destaque no “Campeonato Gaúcho”, terminando sempre entre a quinta e a sétima colocação.

O ano de 2004 foi marcado por grandes conquistas para a equipe. No dia 29 de fevereiro de 2004, o Esportivo inaugurou seu novo estádio, o “Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos”, durante amistoso contra o Pelotas, onde venceu por 2 X 0, com o primeiro gol marcado pelo jogador Ernestina do Esportivo.

O estádio, com capacidade para 12.859 pessoas, na época da inauguração era o terceiro estádio mais moderno do Rio Grande do Sul, ficando atrás apenas do “Estádio Beira-Rio” e “Estádio Olímpico Monumental”.

A construção do estádio foi iniciada em 1983, levando 21 anos para ser concluída. No dia 4 de abril de 2004, um mês após a inauguração, um clássico Grenal, válido pelo “Campeonato Gaúcho”, foi disputado no estádio, terminando com a vitória do Internacional pelo placar de 2 X 1.

Neste mesmo ano, a equipe disputou a primeira edição da “Copa FGF”, organizada pela “Federação Gaúcha de Futebol”. Na grande final, enfrentou a equipe do Gaúcho. No primeiro jogo em 15 de novembro, no “Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos”, a equipe do Esportivo venceu por 3 X 0, com gols de Cadu, Caio e Jal.

No jogo de volta em 21 de novembro, no “Estádio Wolmar Salton”, a equipe venceu novamente por 2 X 0, conquistando o título e classificando-se para a “Copa do Brasil” de 2005. Além do título, o jogador Fernando Rech, do Esportivo foi o artilheiro da competição, com 13 gols marcados.

Classificado, disputou a “Copa do Brasil” de 2005. Na primeira fase, a equipe eliminou o Londrina, vencendo o primeiro jogo por 4 X 1 e perdendo o segundo jogo por 2 X 0.

Na segunda fase, enfrentou o Fluminense. O primeiro jogo, no “Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos”, a equipe do Fluminense venceu por 2 X 1, com dois gols do jogador Gabriel.

A segunda partida foi histórica para a equipe, era a primeira vez que iriam jogar no “Estádio do Maracanã”, considerado o templo do futebol mundial na época.

Novamente o Fluminense venceu, por um placar de 1 X 0, com gol marcado pelo jogador Marquinho, eliminando o Esportivo da competição.

No “Campeonato Gaúcho” de 2010, a equipe foi rebaixada para a “Segunda Divisão”, após terminar o campeonato na penúltima colocação, com 10 pontos conquistados em 15 jogos, com três vitórias, um empate e 11 derrotas. Na “Segunda Divisão” de 2011, a equipe foi eliminada na segunda fase.

Na edição de 2012, a primeira denominada "Divisão de Acesso", ganhou o direito de disputar a “Primeira “Divisão” de 2013.

Na partida de ida da final, a equipe venceu por 2 X 1 em jogo no “Estádio Vermelhão da Serra”. No jogo de volta no “Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos”, a equipe manteve o empate por 1 X 1 e conquistou o tricampeonato da “Divisão de Acesso”. A campanha perfeita da equipe no campeonato fez com que ela ganhasse o apelido de "Polenta Mecânica".

Em 2014, no dia 5 de março, num jogo contra o Veranópolis, no estádio “Montanha dos Vinhedos”, o Esportivo venceu por 3 X 2 e, após o apito final, o árbitro Márcio Chagas da Silva encontrou bananas em seu carro, estacionado no local reservado para árbitros dentro do estádio.

No dia 13 de março, ocorreu o primeiro julgamento deste caso, na sede da “Federação Gaúcha de Futebol”. O julgamento, que teve início às 17h30min, durou mais de quatro horas. Como resultado, o Esportivo perdeu cinco mandos de campo e teve que pagar uma multa de 30 mil reais.

No dia 10 de abril, ocorreu o segundo julgamento deste caso, também na sede da “Federação Gaúcha de Futebol”. Neste julgamento, por 6 votos a 2, o Esportivo perdeu nove pontos, 5 mandos de campo e foi multado em 30 mil reais.

Coube ao clube tentar recurso no “Superior Tribunal de Justiça Desportiva”, no Rio de Janeiro. Em novo julgamento, dia 17 de julho, o Esportivo recuperou seis dos nove pontos perdidos, além de reverter a perda dos mandos de campo.

Mas, como o Passo Fundo também havia conseguido recuperar oito pontos no tribunal, o Esportivo foi rebaixado à “Divisão de Acesso” do “Campeonato Gaúcho” de 2015.

Na “Divisão de Acesso” de 2015, a equipe fez uma campanha ruim, conquistando seis pontos em sete jogos, ficando com o mesmo número de pontos do Nova Prata, equipe que foi rebaixada.

No ano seguinte, em 2016, a equipe se recuperou e terminou a primeira fase na terceira colocação, com 22 pontos em 14 jogos.
Porém na segunda fase, a equipe foi eliminada após terminar na terceira colocação com 14 pontos em oito jogos.

Em 2017, a equipe se classificou na primeira fase na quarta colocação, com 22 pontos em 14 jogos. Porém, nas quartas de final, foi eliminado após vencer do Avenida em casa por 2 X 1 e perder no segundo jogo por 2 X 0.

Em 2019, o clube sagrou-se vice-campeão da "Divisão de Acesso", ao perder duas vezes para o Ypiranga, de Erechim, por 2 X 1. Mas conseguiu o retorno a elite do futebol gaúcho. (Pesquisa: Nilo Dias)

O Esportivo classificou-se para a elite gaúcha, ao sagrar-se este ano, vice-campeão da "Divisão de Acesso".