Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Um estádio mal assombrado

O estádio Alberto J. Armando, do Boca Juniors, mais conhecido por “La Bombonera”, foi sempre temido pelos adversários pelas imensas dificuldades lá encontradas para algum adversário vencer o dono da casa, time de maior torcida no país. E agora, notícias vindas de Buenos Aires dão conta de que os temores vão aumentar, já que o clube parece que vai ter uma ajuda muito especial, vinda do além.

Por volta de 9 horas da noite, o funcionário Oscar Verna acaba de abastecer as máquinas de café e em seguida se movimenta pelo primeiro piso do estádio de “La Bombonera”. De repente, escuta o barulho conhecido dos torcedores descendo as escadarias. Quando chega a porta 18, que se abre para as arquibancadas, somente silêncio e escuridão, como ocorre nos dias em que não se realizam jogos no estádio.

O próprio Oscar conta que na primeira vez que passou por isso, saiu correndo, sem poder controlar o medo. "Para mí hay algo especial en la Bombonera. Yo la viví, no me la contaron", enfatiza. Já são muitas as histórias como essa. Alguns acreditam, outros acham graça. Mas o certo é que algo de estranho vem acontecendo por lá.

Durante a madrugada, quando as luzes estão quase todas apagadas, e os funcionários fazem vistorias de rotina são ouvidos ruídos semelhantes à queda de bandejas e copos, além da presença de sombras que se movimentam a toda a velocidade, em várias direções, segundo o testemunho de um vigilante. As luzes acendem e se apagam sozinhas. Portas fechadas a chaves abrem e fecham sem que alguém toque nelas. São outros fenômenos denunciados pelas testemunhas.

Logo que essas coisas começaram a acontecer, chegou-se a pensar que poderia ser brincadeira de algum companheiro. Mas depois se deram conta: quem poderia achar graça em molestar seus colegas de trabalho às 3 horas da madrugada e com um posto de serviço por cobrir?

Sabe-se que alguns familiares de sócios mortos, cumpriam a última vontade desses torcedores e jogavam suas cinzas no estádio. O parapsicólogo argentino, Ricardo Pacuta disse que essa pode ser uma das prováveis causas do fenômeno. “É mais comum do que parece. São fantasmas que foram chamados para ajudar o Boca, e não para fazer mal”, explicou o especialista.

Para evitar que as pessoas continuassem a jogar as cinzas de sócios falecidos, dentro de “La Bombonera”, a direção do clube construiu um cemitério próprio para sepultar seus torcedores mais fanáticos. O “campo santo” funciona desde 2006 e tem capacidade para 3 mil sepulturas, todas decoradas com flores azuis e amarelas, as cores do Boca Juniors. Está localizado em um setor do cemitério “Parque Iraola”, em Berazategui, a 30 km ao sul de Buenos Aires, por isso se presume que nada tem a ver com as assombrações de “La Bombonera”.

O cemitério foi inaugurado com a cerimônia de exumação dos restos mortais de dois antigos atletas do clube, os goleiros Juan Estradas e Júlio Elias Musimessi, cujas cinzas foram transferidas para lá. Nesse dia o ex-craque Antônio Ubaldo Rattin, que defendeu o Boca nos anos 60, disse: “Está tão lindo que dá vontade de ficar”. Com isso o Boca Juniors também pôs em prática uma das estrofes de seu hino que diz: “nem a morte nos vai separar, desde o céu vou te alentar".

O auxiliar do Departamento de Basquete do Boca Juniors, Federico Retore, contou ao jornal esportivo argentino “Olé”, que uma noite, por volta de 23 horas, quando estava arrumando as roupas dos jogadores, que viajariam de madrugada para jogos em Sunchales e Paraná, saiu para fumar e viu um senhor de traje cinza, que logo desapareceu. Disseram-lhe que a descrição era como a de Tarija Fernández, seu antecessor, que morreu há anos.

Retore também recorda da noite em que escutou barulho de bolas jogadas contra as paredes do ginásio de esportes, e ruídos de tênis chocando com o piso. O som era bem claro, mas não havia ninguém jogando basquete no local.

Mais assustadora ainda, é a declaração de um segurança, que preferiu não ser identificado, mas que garantiu ter visto sombras esfumaçadas e vultos correndo pelas grades do local. Acrescentou que em geral aparecem de madrugada, quando não tem mais ninguém e há muito silêncio.

Segundo a reportagem publicada pelo jornal, os depoimentos colhidos entre os vários funcionários do clube são bastante parecidos. Todos garantem que o estádio do Boca vive durante as noites, repleto de personagens que aparecem entre as grades ou entre a arquibancada e que desaparecem quando alguém se aproxima.

Um homem de camisa branca sentado no setor "L" das arquibancadas; uma mulher vestida de noiva, e um menino de bermuda, sapatos brancos e uma blusa azul são freqüentemente vistos durante a noite, disse outro segurança.

O homem de camisa branca, um dia chegou a ser quase encurralado. Os seguranças correram em sua direção, vindos de vários setores do estádio. Contam que deu para vê-lo bem por uma fração de segundos, para depois desaparecer.

Fantasmas a parte, ir a Buenos Aires e não conhecer “La Bombonera” é como ir ao Rio de Janeiro e não conhecer o Maracanã, principalmente para quem gosta de futebol. O estádio do Boca Juniors tornou-se um verdadeiro templo do futebol argentino e também um ponto turístico de Buenos Aires. As agências de turismo o incluem em seus pacotes para turistas estrangeiros e o oferecem com a mesma importância de um passeio às Cataratas do Iguaçu ou à Patagônia.

“La Bombonera” encanta pela magia e pela fama. Não é para menos: inaugurado em 1940, completou 70 anos em 2010. O nome se deve a sua forma retangular parecida com uma caixa de bombons. Com uma área reduzida para a construção, o arquiteto José Luiz Delpini criou três anéis de arquibancadas bastante inclinados, envolvendo o gramado em forma de retângulo. Devido à sua arquitetura, logo ganhou o apelido de “caixa de bombom”.

A torcida fica muito próxima ao campo e, geralmente, lota os 57.395 lugares disponíveis, transformando a “Bombonera” num alçapão. Em competições oficiais, foram poucas as vitórias brasileiras por lá. Pela Libertadores, apenas o Santos (em 1963), o Cruzeiro (1994), Paysandu (2003). São Paulo (1995) e Internacional (2008) também já venceram pela Supercopa e Sul-Americana, respectivamente.

O estádio está localizado à Rua Brandsen n° 805, no bairro “La Boca”, na cidade de Buenos Aires, que fica próximo ao porto. Além do estádio, o bairro possui outra grande atração, o “Caminito”, parte que foi restaurada e tem uma característica peculiar: as casas são contruídas com tábuas, placas e telhas de metal e pintadas com muitas cores.

O maior adversário do Boca Juniors, o River Plate, também teve origem em “La Boca”, mas depois mudou-se para a área mais nobre de Belgrano. A rivalidade originou-se justamente da proximidade entre os dois clubes,mas posteriormente acentuou-se em razão de o River passar a representar a elite portenha, enquanto o Boca popularizou-se como o clube dos operários.

Para chegar ao estádio existem diversas opções, entre elas os ônibus coletivos através das linhas 20, 25, 29, 33, 46, 53, 64 ou 152; de táxi com o valor dependendo do local de partida; e a outra opção é o “Buenos Aires Bus”, que é o ônibus que faz o city tour na capital argentina. E um dos pontos em que o ônibus para é exatamente o estádio. Em frente existem algumas lojas que vendem “souvenirs” do clube. Dentro de “La Bombonera” tem a loja oficial e também o “Museu de la Pasion Boquense”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Estádio "La Bombonera". (Foto: Divulgação)
Cemitério do Boca Juniors. (Foto: Divulgação)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Restabelecendo a verdade

O jornalista riograndino, Willy César através de um minucioso trabalho de pesquisa, conta toda a verdade sobre a polêmica história da "Taça Serrada", que está exposta metade na sede do S.C. São Paulo, metade na sede do S.C. Rio Grande.

O assunto já foi tratado neste blog, mas com falhas que agora são esclarecidas. Mesmo passados 70 anos, o acontecimento traz ainda repercussão, inclusive nacional. Recentemente a revista do canal televisivo "ESPN Brasil" publicou matéria a esse respeito, com as fotos que estão inseridas abaixo, e que foram tiradas pelo jornalista Willy César, a quem o colunista titular deste blog, agradece pela valiosa colaboração prestada.

A incrível história da taça serrada

Por Willy Cesar

Jornalista, autor do livro "Um século de futebol popular – A história do Sport Club São Paulo", a ser publicado neste ano de 2011.

Afinal, porque razão o Sport Club São Paulo e o Sport Club Rio Grande tem cada um, em seu acervo de troféus, uma taça cortada ao meio, referente a um torneio jogado em 1940?

Em 2010, quanto perguntamos a pessoas da rua, na cidade do Rio Grande, a resposta é: “o torneio terminou empatado depois de sucessivas partidas e cobranças de pênaltis, sem que se chegasse a um resultado. Então a taça foi dividida entre os dois clubes por uma decisão do árbitro da última partida”. É, também, o que está escrito no site oficial do S.C. São Paulo, na internet.

Setenta anos depois que o São Paulo entregou a metade ao Rio Grande, a história da taça dividida ainda repercute e gera controvérsias. Voltemos ao início desse incrível episódio do futebol rio-grandino, para entendermos melhor o que se passou.

A hegemonia do esporte das multidões estava com o Foot Ball Club Rio-Grandense no final da década de 1930. Os clubes, "Caturrita" (São Paulo) e "Veterano" (Rio Grande) não conseguiam ganhar o campeonato da cidade, e o "Guri Teimoso" (Rio-Grandense) é que seguia sempre para as disputas do Campeonato Estadual de Profissionais (o "Gauchão" de hoje). Em 1938, o Rio-Grandense foi vice-campeão, mas em 1939, arrebatou o título estadual. Quanto aos títulos da cidade, desde 1937, a vitória era colorada.

Que fizeram os dois antigos rivais? Uniram-se para tentar derrubar a invencibilidade do "Guri Teimoso". Surgiu então o "Eixo Rio Grande-São Paulo", isto é, uma união informal extra-campo. Essa expressão nos remetia ao eixo Berlim-Roma-Tóquio, formado antes do início da Segunda Guerra Mundial. O "eixo" dos clubes de Rio Grande apareceu na imprensa por pouco mais de um ano, porque a expressão se tornou politicamente incorreta, quando Alemanha, Itália e Japão mostraram a cara da guerra de conquista, a partir de setembro de 1939.

A expressão foi suprimida, mas a amizade entre "Veteranos" e "Paulistas" continuou. Era evidente que isso incomodava ao Rio-Grandense, mas os três times continuavam jogando entre si. Até que surgiu um rompimento, quando o Rio Grande não compareceu a um jogo contra o Rio-Grandense marcado pela Associação Rio-Grandina de Futebol (ARGF). Na mesma data e hora, o "Veterano" estava em campo, mas para jogar a decisão de um outro torneio com o seu companheiro do eixo. "Que desaforo!", protestaram os "Colorados". Rio Grande e São Paulo romperam com o Rio-Grandense, se afastaram do campeonato e foram punidos com multas pela ARGF.

Resultado: sem os dois amigos do "eixo", o campeonato da cidade perdeu o interesse e ninguém mais foi assistir partidas sem graça. Esses incidentes aconteceram em maio de 1940 e por dois meses, os estádios ficaram às moscas.

A Federação Rio-grandense de Futebol (atual Federação Gaúcha) promoveu uma reconciliação entre os clubes, para salvar as rendas do futebol. A ata da pacificação foi assinada em 25 de julho de 1940, na capital do Estado, pelo presidente da Federação, Cícero Ahrends, e representantes dos clubes. A amizade entre Saõ Paulo e Rio Grande era de tal ordem, que o presidente veterano, J.J. Oliveira Cardoso, foi quem assinou a ata pelo clube caturrita. Nesse documento, as multas aplicadas aos clubes do "eixo" foram anuladas, ficando estabelecido que o campeonato da cidade continuaria, e que haveria um torneio de confraternização entre os três clubes.

A Federação ofereceu a taça para o torneio, que seria disputado em apenas três partidas, por contagem de pontos, em campo neutro, saindo daí o campeão. O calendário foi publicado na ata: 28 de julho, no campo do "Veterano", jogaram São Paulo 4 x 1 Rio-Grandense; 4 de agosto, no campo do Rio-Grandense, Rio Grande 1 x 1 São Paulo; e em 11 de agosto, na "Linha do Parque", Rio Grande 2 x 4 Rio-Grandense.

O torneio foi vencido pelo São Paulo, com três pontos; seguido pelo Rio-Grandense, com dois pontos, e em último, o Rio Grande, com um ponto. A pergunta agora é: qual a necessidade de se jogar outras partidas e/ou recorrer a pênaltis, se houve um vencedor?

O jornal "Rio Grande", de 12 de agosto de 1940, ao fazer a cobertura da terceira e última partida do "torneio da paz", anunciou em sub-título, na página 3:

"São Paulo conquistou a Taça Confraternização"

E no dia 21 de outubro de 1940, voltou a informar que a taça inteirinha fora entregue ao São Paulo, na véspera, no estádio da "Linha do Parque", onde o prefeito de Rio Grande, Roque Aíta Júnior, discursou em homenagem ao campeão do torneio e à pacificação do nosso futebol. No corpo da taça está escrito:

Taça Confraternização
Oferecida pela FRGD
Vencedor S.C. São Paulo
1940

Dois meses depois, a direção do São Paulo decidiu, por sua livre e espontânea vontade, que metade da troféu seria entregue ao seu "arqui-amigo" Rio Grande. Para fazer isso, foi preciso levar o artefato de metal às oficinas da Viação Férrea, onde uma serra elétrica dividiu-a em duas partes iguais, fixando-as sobre bases em madeira. A metade que foi entregue ao clube irmão recebeu a mesma gravação da outra parte, no copo, e uma plaqueta de metal em oferecimuento, onde se lê:

Sport Club São Paulo
ao
Sport Club Rio Grande

A entrega foi feita pela diretoria do São Paulo, na sede do Rio Grande, em 26 de dezembro de 1940. A amizade dos antigos companheiros do "eixo" foi a única razão para o gesto incomum. A decisão tornou esse fato único na história do futebol, até hoje não reproduzido na literatura brasileira sobre o assunto.

É aqui que começa a lenda. Décadas depois, ninguém se lembrava que a motivação foi assim tão simples e singela. A partir dos anos 1960, a imprensa de Rio Grande e da capital, começou a publicar a historinha da taça cortada ao meio, após entrevistar dirigentes dos clubes e esportistas da época. Nota-se que esses se socorreram da linguagem do futebol e de suas práticas, que prevêem partidas extras, ou até a decisão por pênaltis, para se chegar a um vencedor de um torneio. Como a taça fora dividida, “só poderia ter sido por empate”.

Ao agir dessa forma, criaram uma ficção. Teriam resolvido a questão satisfatoriamente se tivessem visitado o acervo da "Bibliotheca Rio-Grandense", e pesquisado nos jornais de 1940. A verdade sempre esteve ali, como ainda está, dormindo nas páginas da história do nosso futebol mais que centenário.

Essa é mais uma lenda urbana, de tantas que ocupam o seu lugar na história. Como toda a lenda é mais atraente e espetacular do que a realidade, e também tem a sua força, é certo que ela continuará a ser reproduzida pelas pessoas na rua. Espero que não mais pela imprensa, que tem a obrigação de informar corretamente à comunidade. A missão do jornalista é estabelecer a verdade. Viva o futebol rio-grandino!

Parte do S.C. Rio Grande.
Parte do S.C. São Paulo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A agonia de um ex-craque

Sidney Colônia Cunha, o “Chinesinho” foi um dos melhores atacantes que o futebol brasileiro conheceu em todos os tempos. Apesar de baixinho e troncudo, era um jogador técnico que encantava os torcedores por sua habilidade com a bola. Tanto jogava de ponta esquerda como meia-esquerda.

Chinesinho nasceu em Rio Grande (RS) no dia 15 de setembro de 1935. Começou a carreira futebolística no F.B.C. Rio-Grandense de sua cidade natal. Fez tanto sucesso com a camisa colorada riograndina, que logo chamou a atenção dos dirigentes do Internacional, que o levaram para Porto Alegre em 1955.

Entrou logo de cara no time titular, num ataque que tinha Larry, Bodinho e outros grandes jogadores. O time colorado era tão bom que, em 1956, foi a base da seleção gaúcha que representou o Brasil e conquistou o Campeonato Pan-Americano realizado naquele ano no México.

Chinesinho jogou no Internacional até 1958, quando foi contratado pelo Palmeiras. Na época, a transação foi uma das mais caras do futebol brasileiro. Em 1959, formou junto com Valdir, Djalma Santos, Carabina, Aldemar, Geraldo, Zequinha, Julinho Botelho, Nardo, Américo e Romeiro um time inesquecível.

Esse Palmeiras conquistou o campeonato paulista, contra o Santos de Pelé e companhia em 1959, depois de uma final que se transformou em um verdadeiro "supercampeonato", já que foram necessários três jogos emocionantes, sendo decidido somente no terceiro quando o Palmeiras derrotou o Santos por 2 X 1, de virada, no Pacaembu.

O meia-esquerda jogou no Palestra Itália de 1958 a 1962, fez 241 jogos, com 147 vitórias, 46 empates e 48 derrotas. Marcou 55 gols e foi campeão paulista em 1959 e da Taça Brasil, em 1960.

Como jogador do Internacional, e depois do Palmeiras, Chinesinho defendeu várias vezes a Seleção Brasileira. Mas não foi à Copa do Mundo de 1962 no Chile, preterido em favor de Mengálvio, o que para muitos foi uma injustiça. Pelo Brasil, Chinesinho fez 20 jogos, com 15 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, tendo assinalado três gols. Foi campeão Pan-Americano, em 1956, da Copa Roca e da Taça do Atlântico, em 1960.

Do Palmeiras, Chinesinho foi para a Itália comprado pelo Modena. Com o dinheiro de sua venda o Palmeiras contratou 13 jogadores formando a base da chamada primeira Academia, nome como ficou conhecido o time pela beleza do futebol que apresentava. E ainda sobrou para reformar o Parque Antártica e construir o Jardim Suspenso no estádio. Depois jogou no Lanerosi em 1962 e vestiu ainda as camisas do Catânia e da Juventus. Ficou no futebol italiano até 1971 quando encerrou a carreira. Em 1985, voltou para o Palmeiras para atuar como técnico, dirigindo a equipe por 14 partidas.

Foi campeão gaucho pelo Internacional em 1955, pan-americano pela seleção brasileira em 1956, campeão da Taça Brasil pelo Palmeiras em 1960 e campeão italiano pela Juventus em 1966.

O ex-craque viveu por vários anos na Praia Grande (SP), mas voltou para seu estado natal, onde mora atualmente na Praia do Cassino, bem perto de sua terra natal, Rio Grande. Quando residia no litoral sul de São Paulo, costumava passar o tempo jogando tranca e dominó com os amigos no calçadão da praia. Após algumas "loiras geladas", corria para um orelhão, ligava, ou apenas fingia que ligava para a Itália e bradava, em alto e bom italiano: "Mi pensione, mi pensione, mi pensione..."

Roberto Baggio, um dos grandes jogadores do futebol italiano contou durante entrevista em seu país, que em 1973 seu pai o levou pela primeira vez, a um estádio de futebol. Era o Estádio Menti, em Vicenza, e fazia muito frio. Era inverno. Um inverno tão rigoroso que quase proibia uma criança de apenas seis anos sair de casa. Mas, para a criança Roberto Baggio, era um sonho poder ver seu ídolo, o craque Chinesinho, jogar, um dos primeiros futebolistas brasileiros a fazer carreira na Itália.

Chinesinho, hoje com 75 anos não é mais nem sombra daquele jogador habilidoso que encantava multidões. Apesar de ter ganho muito dinheiro em sua vitoriosa carreira, neste momento passa por serias dificuldades, tanto econômicas, como de saúde. É portador de uma doença degenerativa e sem cura. Seus amigos na Praia do Cassino fazem bingos e vaquinhas para ajudarem na compra de remédios. Sua situação é parecida com a do clube que o revelou, o F.B.C. Rio-Grandense, que enrolou a bandeira há alguns anos e não consegue retornar à atividade.

A vida de Chinesinho deve ser contada em um livro que está sendo elaborado por dois jornalistas e pesquisadores do futebol de Rio Grande, Kike Fruet e Willy César, por influência do ex-jogador do F.B.C. Rio-Grandense, Paulo Édson, que é um dos diretores do site www.guaipeca.blogger.com.br, que publica fatos relacionados com a memória da cidade de Rio Grande.

Um extenso material já foi conseguido junto à esposa do jogador, na casa em que moram na praia do Cassino. E o próprio Chinesinho, mesmo com as dificuldades impostas pela doença, tem contado interessantes passagens de sua carreira como futebolista. Quem tiver algum material, como fotografias e matérias de jornais, pode encaminhar para o endereço eletrônico www.guaipeca.blogger.com.br/pauloedson. (Texto e Pesquisa: Nilo Dias)

Foto recente de Chinesinho, em uma cadeira de rodas, aos cuidados de sua esposa. (Fonte: Jornal Diário Popular, de Pelotas-RS)

Como surgiu o “drible da vaca"

Vez por outra alguém lembra de indagar sobre como surgiu o termo “drible da vaca”, que denomina uma das jogadas mais bonitas do futebol. Ontem (4) a tarde ouvindo o jogo entre Linense X Osasco, pela Copa São Paulo de Futebol Júnior aconteceu o famoso lance, que originou comentários de parte do narrador e do comentarista do Canal 38 do Sportv.

A jogada também é conhecida por “meia-lua” e “gaúcha”, e sua origem remonta aos primórdios do futebol brasileiro, quando os primeiros campos eram improvisados em locais de pastagem. Era, pois, comum o jogador ter que driblar, não apenas o adversário, mas também a vaca que porventura entrasse nas quatro linhas à procura de grama para comer. O drible da vaca se caracteriza quando o jogador passa a bola por um lado do jogador adversário e vai pelo outro e consegue recuperá-la.

Nos tempos mais modernos a jogada se popularizou graças ao fenomenal ”Mané Garrincha”, que dentro da sua simplicidade de falar, contava que lá na sua terra natal, Pau Grande, no Estado do Rio de Janeiro perdeu a conta das vezes em que teve de driblar vacas, nos improvisados campos abertos de futebol, onde se misturavam os animais e os jogadores.

E isso não é nenhuma novidade. No primeiro jogo de futebol, de forma organizada que se tem notícia no país, disputado na manhã de 14 de abril de 1895, na Várzea do Carmo, no Brás, em São Paulo, entre os funcionários da Companhia de Gás de São Paulo (Gas Company of São Paulo) e da Companhia Ferroviária de São Paulo (São Paulo Railway Company), vencido pelo time da ferrovia por 4 X 2, burros a todo momento entravam no gramado para pastar. Se alguém naquele dia tivesse que driblar um burro, e a imaginação funcionasse, talvez hoje a jogada tivesse outro nome, em vez de “drible da vaca”, “drible do burro”.

Para alguns jornalistas o ex-jogador do Cruzeiro, de Belo Horizonte, Corinthians Paulista e Santo André, Eduardo Amorim, teria sido o inventor da jogada, o que não é verdade. Em quase todos os jogos ele buscava concretizar o lance. Os torcedores entravam em delírio quando Eduardo Amorim, de frente para o adversário lançava a bola pelo lado direito dele e corria na direção do esquerdo. Dava a volta no sujeito, pegava a bola do outro lado e avançava célere rumo ao gol. A imprensa mineira, por isso o apelidou de “Eduardo Rabo de Vaca”.

Eduardo, apesar de ter sido um expert em termos de “drible da vaca“, não foi um daqueles jogadores que se poderia chamar de craque. Ele até viveu um grande momento nos anos 70 e foi convocado uma vez para a Seleção Brasileira. Seu único jogo com a “amarelinha” foi num amistoso contra o Milan, na Itália. O Brasil venceu por 3 X 0.

Existem vários tipos de dribles, alguns até mais bonitos e difíceis que o da “vaca”, mas nenhum teve e tem a sua popularidade. O “drible da vaca” mais famoso que se tem noticia, foi aquele que Pelé aplicou em Mazurkievicz, goleiro do Uruguai, na Copa do Mundo de 1970, no México. Foi um “drible” com requinte especial, Pelé nem tocou na bola, enganou o goleiro com uma ginga de corpo e chutou. Pena que essa verdadeira “obra prima” não tenha sido transformada em gol. Caprichosa e injustamente, a bola se perdeu rente à trave. O lance é lembrado até hoje e costuma provocar assombro em quem o revê na TV.

Outra magistral execução do “drible da vaca” foi feita por Dener, morto em acidente automobilístico em 1994, aos 23 anos. Em 1991, no seu primeiro ano como jogador profissional, jogando pela Portuguesa de Desportos humilhou toda a defesa da Internacional de Limeira (SP), em um jogo pelo Campeonato Paulista.

Ele recebeu a bola no meio-campo. Sem muito esforço, foi tirando um a um de seu caminho até encarar o último zagueiro. Aplicou-lhe um “drible da vaca” e então só sobrou o goleiro, que resolveu sair como um maluco na sua frente. Dener tocou por cobertura, e marcou um golaço.

A última lembrança de um gol assinalado após um “drible da vaca” foi do atacante Leandro Damião do Internacional, de Porto Alegre, no primeiro jogo da decisão da Copa Libertadores da América, ano passado no México. Ele recebeu a bola no meio do campo, deu o “drible da vaca” no zagueiro, deixando-o para trás e arrancou em grande velocidade. Entrou na área e bateu forte na bola. Ela ainda desviou, pela violência do chute e tentativa de defesa do goleiro, mas morreu no fundo da rede.

A vaca também tem seu nome ligado à premiação dada aos jogadores de futebol. Um dos primeiros clubes a premiar seus atletas foi o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro. E como o carioca sempre se destacou pela criatividade, misturou futebol e jogo do bicho. Até o ano de 1920, os jogadores recebiam doações vindas de arrecadações voluntárias. Se o montante conseguido fosse cinco mil réis, por exemplo, o “bicho” era o cachorro. Agora, para conseguir 25 mil réis, correspondente ao grupo da vaca, não era fácil. Tinha que ter muita gente colocando a mão no bolso.

Era, então, necessário “fazer uma vaca”, no sentido de arrecadar mais dinheiro. E virou “fazer uma vaquinha”, pelo costume brasileiro de privilegiar o diminutivo. E não demorou para que a expressão se espalhasse e viesse a designar também outras coisas fora do futebol. Por exemplo, para ajudar alguém em necessidade, é comum se fazer “uma vaquinha”.

Depois que o futebol se profissionalizou, o “bicho” saiu da clandestinidade e tornou-se prêmio adicional dado aos jogadores, quando de vitórias importantes e títulos conquistados.

Por fim, a pergunta: quem denominou a jogada de “drible da vaca” e quem foi o primeiro a realizá-la? Não tem resposta. O termo se perde no tempo e certamente veio da inspiração popular, dos próprios “peladeiros” que se divertiam em campos abertos de futebol, dividindo-os com vacas e outros animais. E acabou se espalhando por todo o país e até fora dele.

Eu mesmo, quando de pesquisa em jornais para um livro que estou escrevendo sobre o futebol de São Gabriel (RS), encontrei citação ao lance, em jornais de 1931. Isso, sem falar que nos meus tempos de "guri", lá no Sul dei e levei muito "drible da vaca". Então, é impossível se determinar quem batizou a jogada com tão curioso nome. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A história do gol olímpico

Um dos lances mais bonitos do futebol é sem dúvida o chamado gol olímpico. Ele acontece quando na cobrança de escanteio a bola entra direto no gol, sem tocar em ninguém. No início, o gol marcado direto do escanteio não era considerado válido no futebol. Em 14 de junho de 1924, poucao antes dos Jogos Olímpicos de Paris, a Fédération Internationale de Football Association (FIFA) alterou as regras, para validar o gol feito pelo cobrador do escanteio.

Segundo o historiador esportivo Jorge Gallego, o autor o autor do primeiro gol direto de escanteio foi o escocês Billy Alston, que jogava no Yorkshire, em uma partida da Segunda Divisão de seu país, em 21 de agosto do mesmo ano, ainda que não tenha tido nenhuma repercussão internacional. Dois meses antes, os gols marcados diretamente de cobrança de escanteios não tinham validade. Na Inglaterra, o primeiro gol de escanteio foi marcado por Billy Smith, jogador do Huddersfield Town’s, também em 1924.

Já o termo "gol olímpico" surgiu num jogo amistoso entre as seleções da Argentina e do Uruguai, em 2 de outubro de 1924. O autor do gol foi o atacante argentino Cesáreo Onzari e a sua equipe ganhou por 2X 1. Os argentinos chamaram o gol de olímpico para ironizar a seleção uruguaia, que havia ganho o torneio da Olimpiada de Paris.

Nos Jogos Olímpicos, o futebol foi admitido em 1908 e a primeira seleção a ser campeã foi a Inglaterra, que venceu a Dinamarca por 2 X 0 na final. Nos jogos de 1924, em Paris, o futebol sul-americano começou a aparecer no cenário internacional: o Uruguai assombrou o mundo, ao ganhar da Suíça por 3 X 0, no jogo final.

Naquela época ainda não havia o Campeonato Mundial, que seria disputado pela primeira vez seis anos depois, em 1930, no Uruguai, mesmo já existindo a FIFA, que foi fundada no dia 21 de maio de 1904, após uma série de reuniões em Paris.

No retorno da França, os argentinos desafiaram os uruguaios para duas partidas comemorativas. Os dois países eram protagonistas naqueles anos, do maior clássico futebolístico do continente. Os “orientais”, certos de que venceriam, aceitaram. A primeira, disputada no dia 21 de setembro, em Montevidéu, terminou empatada em 1 X 1.
O segundo jogo foi marcado para uma semana depois, no estádio do Centro Sportivo Barracas, em Buenos Aires, que foi abaixo e não existe mais. Hoje uma praça se instala onde estavam fincadas as traves de madeira, que receberam o primeiro gol direto de um corner. O estádio, que tinha capacidade para 40 mil lugares estava lotado. Todas as expectativas foram superadas: 42 mil ingressos foram vendidos, 35 mil populares a 1 peso e 7 mil platéias a 3 pesos.

Somando os ingressos vendidos e os sócios e colaboradores do clube dono do estádio, que não pagavam, o jornal “La Nación” calculou um público de 52 mil pessoas. Já o “La Razón”, estimou uma platéia de 60 mil pessoas. A partida começou com muita gente a beira do gramado. Quando decorriam apenas quatro minutos, o árbitro uruguaio Ricardo Vallarino decidiu suspender o "match". Em conseqüência aconteceram incidentes, com alguns feridos.

A revanche foi marcada para nova data: 2 de outubro. Várias medidas foram tomadas, entre elas cercar o campo de jogo com um alambrado de 1,5 metro de altura. A partir daí, embora já existissem vários campos cercados no país e em Montevidéu, passou a chamá-los de alambrado olímpico. Também foi restringida a quantidade de ingressos e aumentado os preços. Foram vendidas 15 mil populares a 2 pesos e 5 mil platéias a 5 pesos. Se calculou em 30 mil os espectadores.

Todos queriam ver o quase invencível time campeão olímpico. Os argentinos queriam ser os primeiros a derrotá-los. Segundo a imprensa local, até o cantor de tangos, Carlos Gardel, que não era muito fã de futebol, compareceu ao jogo e assistiu o momento histórico.

O jogo se desenrolava difícil para os dois lados. O extrema-esquerda argentino, Onzari estava sendo marcado pelo famoso jogador “colored” Andrade, chamado de a “Maravilha de Ébano”. Aos 15 minutos da primeira etapa, o Uruguai foi punido com um escanteio. Onzari fez a cobrança. A bola foi rente a trave e entrou no arco sem que ninguém a tocasse. Os torcedores uruguaios emudeceram.

Os jogadores “orientais” protestaram, alegando que o arqueiro Mazali havia sido empurrado enquanto a bola vinha pelo ar. O árbitro não deu atenção. Na tentativa de menosprezar o feito adversário, disseram que Onzari não havia tido a intenção de chutar direto e que o gol havia sido coisa do vento. Cea, aos 29 minutos deixou tudo igual.

Aos oito minutos do segundo tempo, Tarasconi fez 2 X 1 para a Argentina, placar final. O jogo não chegou ao fim, pois quando faltavam quatro minutos para o seu encerramento, os uruguaios se retiraram de campo, alegando que os torcedores argentinos estavam jogando pedras e garrafas dentro do gramado. O jogador uruguaio Héctor Scarone acertou um pontapé em um policial e acabou preso. Já os argentinos se queixaram de jogo violento de parte dos uruguaios. O jogador Adolfo Celli, sofreu fratura da tíbia e perônio.

O jogo foi dirigido pelo uruguaio Ricardo Vallarino. A Argentina formou com Tesoriere - Bearzotti e Adolfo Celli – Médici – Fortunato e Solari – Tarasconi - Ernesto Celli – Galbino Sosa - Seoane e Onzari. O Uruguai com Mazzali- Nasazzi e Mascheroni – Andrade - Zibecchi e Zingone – Urdinarán – Scarone – Petrone - Cea e Romano.

Esse jogo marcou também o começo das transmissões de futebol pelo rádio. Os locutores Horácio Martinez Seaber e e Atilio Casime, cronista do diário “Critica”, transmitiram o jogo para a Rádio Argentina, desde uma cabine improvisada acima dos vestiários.

O feito de Onzari foi batizado ironicamente como “gol olímpico”, por ter contribuído para a primeira derrota do time campeão olímpico de 1924, quebrando sua invencibilidade. E o nome pegou, tanto que até hoje é assim chamado em qualquer lugar do mundo.

Onzari, que era o ídolo maior do Huracán, passou o resto de sua vida jurando que não havia sido casualidade. Começou a carreira jogando pelo Sportivo Boedo. Depois foi para o Mitre, onde atuou ao lado de Monti, Lindolfo Soria, Roldán e outros valores, que fizeram com que o time subisse para a Primeira Divisão. Em seguida, a AFA expulsou o clube de seu quadro de filiados. Em 1921 estreou no Club Atlético Huracán. Ali passou o restante da sua vida esportiva, encerrando a carreira em 1933.

Foi campeão argentino em quatro oportunidades, 1921, 1922, 1925 e 1928. Participou da Seleção Argentina em 14 jogos, tendo marcado cinco gols. Em 1925, foi cedido por empréstimo ao Boca Juniors, para participar como reforço, na histórica excursão do clube pela Europa.

Onzari morreu no dia 7 de janeiro de 1964, aos 60 anos de idade. O Huracán homenageou o ídolo dando seu nome a uma das arquibancadas do estádio do clube. E ainda que haja passado muitos anos, a desconfiança continua: cada vez que uma cobrança de escanteio sacode a rede sem intermediários, o público comemora o gol com uma ovação, porém sem acreditar.

Existe uma outra versão bastante semelhante à primeira, de que o gol teria acontecido num jogo oficial entre Argentina X Uruguai, na final dos Jogos Olímpicos de 1924, e também marcado pelo argentino Cesáreo Onzari. Mas o equivoco está na data do jogo, pois argentinos e uruguaios disputaram a decisão dos Jogos Olímpicos de 1928, em Amsterdã e não em Paris, quatro anos antes. Os uruguaios conquistaram o bi-campeonato olímpico.

O Brasil também ganhou uma versão do batismo do gol. Ele teria acontecido em um amistoso realizado em março de 1928, entre o Vasco da Gama e o time uruguaio do Montevidéu Wanderers, na inauguração dos refletores e de uma parte das arquibancadas do estádio de São Januário.

O clube carioca venceu por 1 X 0, com gol de Santana em cobrança direta de escanteio. E como o adversário era do país campeão olímpico, o tento teria sido batizado de "gol olímpico" pelos brasileiros. Na verdade, esse foi o primeiro gol olímpico marcado em gramados brasileiros e no próprio estádio de São Januário.

O ex-jogador do Palmeiras, Ary Mantovani entrou para o “Guiness Book”, o livro dos recordes mundiais, ao marcar dois gols olímpicos num só jogo. Até hoje, a Fifa não tem registro de que tal feito tenha sido superado ou mesmo igualado por algum jogador em partidas oficiais entre times profissionais.

Foi no dia 5 de outubro de 1946, na goleada de 6 X 2 contra a Portuguesa Santista, no Parque Antártica. Os gols aconteceram, um em cada tempo. Mantovani, que começou a carreira aos 17 anos, no extinto Comercial, time da capital, deixou os gramados aos 24 anos, para se dedicar ao ramo de hotelaria, em Águas de Lindóia, sua terra natal.

Em Copas do Mundo só foi marcado um gol olimpico, até hoje. Aconteceu no jogo entre URSS X Colômbia, empate em 4 X 4, no Mundial de 1962, no Chile. O autor da façanha foi o colombiano Marcos Coll.

Em 1973, Pelé, o Rei do Futebol e o lendário Santos F.C. sairam realizando amistosos pelo mundo, jogando no Golfo Pérsico, África, Alemanha, Bélgica, França e Inglaterra. Por fim, chegaram nos Estados Unidos para jogar contra o Baltimore Bays. Nesta partida, Pelé fez o único gol olímpico de toda sua carreira. (Pesquisa: Nilo Dias)

O gol olímpico de Onzari (Foto rarissima)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O sapateiro que se tornou craque

Pedro Sernagiotto, o “Ministrinho” nasceu em São Paulo, no dia 17 de novembro de 1908. Foi um dos melhores ponteiros-direitos que o futebol brasileiro conheceu em todos os tempos. Ele foi descoberto em 1927 por um dirigente palestrino, quando jogava futebol nos campos de várzea que existiam nas proximidades da Rua Augusta, onde nasceu e passou a infância.

De imediato foi convidado para fazer testes no clube e, dias depois, já estreava pelo time principal às vésperas de completar 18 anos, algo absolutamente extraordinário para a época. Seu primeiro jogo com a camisa palestrina aconteceu no dia 13 de novembro de 1927, com vitória de 6 X 2 sobre o Americano, de Santos (SP). Nesse jogo também marcou seu primeiro gol pelo Palestra.

E, de cara foi chamado pelo então diretor Ítalo Bossetto, de “Ministrinho”, apelido que o consagraria durante toda a carreira, porque seu estilo de jogo se assemelhava a Giovanni del Ministro, antigo ídolo palestrino dos anos 20, que atuava com o nome de “Ministro”.

Em 1929, foi considerado o jogador mais popular da cidade de São Paulo, quando de uma votação promovida por um jornal da época, graças ao seu estilo irreverente e atrevido de jogar, mesmo sendo franzino, media menos de 1,60 m. “Ministrinho” teve três passagens pelo Palestra Itália. De1927 a 1931. De 1934 a 1935. E de 1941 a 1943, período em que o clube mudou a denominação para Palmeiras. Jogou 118 partidas e marcou 42 gols.

Seus duelos contra Grané, lendário zagueiro corintiano eram memoráveis. Grané chutava muito forte, era alto, 1,90 e pesava 100 quilos. Era chamado de 420, o canhão mais potente da época. Ele parecia ter o dobro do tamanho de “Ministrinho”, mas isso não intimidava o ponteiro palestrino. Ao contrário.

Nos primeiros duelos aconteceu um certo equilíbrio, embora o Palestra houvesse ganho as duas últimas partidas. Mas tudo desfez-se para os corintianos, no dia 24 de agosto de 1929. Nesse dia “Ministrinho” esteve impecável, marcou gol na goleada diante do Corinthians, 4 x 0, e driblou Grané tantas vezes, que ao final do jogo este preferiu trocar de posição com Leone a ter que ser violento com o veloz adversário.

Lépido, driblador e inteligente foi um dos primeiros jogadores brasileiros a se transferir para a Europa. Isso aconteceu em 1931, quando foi contratado pela Juventus, de Turim (Itália). Por engano, assinou contrato com dois times ao mesmo tempo, um com o Torino e outro com a Juventus, tradicionais adversários.

Ficou um ano suspenso, mas a Juventus sabendo das qualidades do jogador custeou todo o tempo e pode escalá-lo somente em 1933. Valeu a pena. “La Vecchia Signora” ganhou o bicampeonato 33 e 34, com soberba contribuição do craque brasileiro.

Embora se tratasse de um jogador de excelentes qualidades, conseguiu apenas três títulos em 16 anos de carreira: bi-campeão italiano pela Juventus (1933 e 1934) e campeão paulista pelo Palmeiras (1942). “Ministrinho” jogou ainda na Seleção Brasileira, Portuguesa de Desportos, no São Paulo e em outros times de menor expressão.

Sua despedida dos gramados ocorreu no dia 14 de outubro de 1943, quando o Palmeiras perdeu um jogo amistoso por 2 x1, para o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro.

Assim que encerrou a carreira, reabriu a sapataria onde trabalhava antes de ser convidado a jogar no Palestra Itália, que se localizava na esquina das ruas Marques de Paranaguá e Augusta. Ele era proprietário, também, de uma bomba de combustível, adquirida com o dinheiro ganho no futebol, que ficava instalada na própria rua Augusta, do outro lado da calçada.

Sempre que era procurado por algum jornalista interessado em saber como vivia o grande ídolo do passado, tinha sempre uma resposta pronta na ponta da língua: “Sigo fazendo o que sempre fiz: torcer pelo Palmeiras”. “Ministrinho” faleceu em São Paulo, no dia 5 de abril de 1965, aos 57 anos de idade. (Pesquisa: Nilo Dias)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um presidente folclórico

Vicente Mateos Bathe, mais conhecido por Vicente Matheus, foi um dos mais importantes dirigentes do futebol brasileiro em todos os tempos. Era natural de Zamora, na Espanha onde nasceu no dia 22 de maio de 1908. Chegou ao Brasil em 1914, quando tinha apenas 6 anos de idade e foi criado na Zona Leste de São Paulo. Era o mais velho dos onze filhos de um português casado com uma espanhola.

Desde menino se tornou torcedor do Corinthians. Em 1934, aos 26 anos e naturalizado brasileiro, começou a fazer fortuna trabalhando como empresário da construção civil pesada, mineração de pedreiras (extração de pedras e areia). Foi quando se associou ao clube e comprou na rua São Jorge, a casa mais próxima da sede do Corinthians. A residência foi desapropriada anos depois, no entanto Matheus nunca mais se mudou das redondezas do Tatuapé.

Foi quando começou a se interessar pela política corinthiana. Carismático, em 1954 quando ganhou o título de campeão paulista do IV Centenário, ele era o diretor de futebol.

Em 1959, por voto direto dos associados, assumiu a presidência do clube. Ele presidiu o Corinthians por oito mandatos: 1959, 1972, 1973, 1975, 1977, 1979, 1987 e 1989. Com Vicente Matheus na presidência, o “Timão” conquistou alguns dos títulos mais importantes de sua história. O Campeonato Paulista de 1977, conquistado após 23 anos de espera, e o Campeonato Brasileiro de 1990, o primeiro do clube.

Vicente Matheus deixou seu nome gravado para sempre na história do S.C. Corinthians Paulista. Ele conseguiu algo difícil na vida de um clube de futebol, conquistar o respeito e o carinho da torcida. Ele administrava o clube como se fosse a casa dele. Era muito correto. Fazia tudo de acordo com o estatuto. Era considerado por companheiros de diretoria, como um “Caxias”.

Matheus foi um grande presidente, daqueles a moda antiga, capaz de investir dinheiro do próprio bolso no clube para comprar passes de jogadores. Almir, o Pernambuquinho, em 1960, por exemplo. Agia assim também em prêmios e até moradia aos jogadores alvinegros. Não tinha visão estratégica, com idéia de investimentos ou de marketing. Ainda assim, ninguém duvidava de sua honestidade e amor ao clube.

Protagonizou episódios célebres como, por exemplo, a contratação de Sócrates, um dos maiores ídolos da história corinthiana. Na época, Palmeiras e São Paulo também tinham interesse no “Doutor”, mas com as manobras de Vicente Matheus o Corinthians levou o camisa 8 para o Parque São Jorge.

Matheus nunca foi de paparicar a imprensa. Ao contrário, queixava-se muitos de alguns repórteres, que segundo ele deturpavam o que falava. Certa vez chegou a denunciar que alguns jornalistas já haviam lhe pedido dinheiro para publicarem coisas positivas sobre o Corinthians e sobre sua administração.

Ele nunca mostrou interesse em agradar jornalistas, ao contrário do seu irmão, Isidoro Matheus, que, como vice-presidente de futebol do clube, costumava presentear com um litro de uísque, cada jornalista esportivo de São Paulo no fim de cada ano.

Vicente Matheus certamente não teria condições de presidir o Corinthians nos dias atuais. Ele resistiu por muito tempo à idéia de a camisa do Corinthians ter o nome de um patrocinador. Depois, acabou cedendo. Mas não aceitava palpite de patrocinador.

Sua primeira esposa, Ruth Pereira Matheus, era filha de um grande desenvolvista do bairro de Guaianases. Ela se encontra sepultada no Cemitério do Lajeado, no mesmo bairro. Vicente Matheus e sua primeira esposa tiveram duas filhas, Abigail Matheus e Dalva Matheus.

Em 1968 casou em segundas núpcias com a ex-dançarina de Flamenco, Marlene Matheus, que ele conhecera dentro do próprio do Corinthians, em meados da década de 1950 quando ela se apresentou em um ballet espanhol na festa do IV Centenário. Com o tempo fizeram amizade, que acabou em casamento.

Marlene Matheus é paulistana do bairro do Brás, onde nasceu em 24 de setembro de 1936. Entrou para as colunas sociais a partir de sua união com Vicente Matheus, o presidente mais carismático da história do Corinthians.

Aproveitando-se da força política do marido, Marlene chegou até a ser eleita presidente do clube, cargo que ocupou entre 1991 e 1993. Em 2008 exerceu o cargo de vice-presidente Social do Corinthians na gestão Andres Sanchez. Marlene perdeu força nas alamedas do Parque São Jorge a partir da morte de Vicente, em 1997. Mas mantém-se como membro do Conselho de Orientação (Cori).

O ano passado, antes do jogo contra o Santos, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista, Marlene foi protagonista de um gesto bem ao estilo do seu falecido marido: enquanto a torcida corintiana se aglomerava à volta do estádio em busca de ingressos, estava evidente que um bom número de fãs do time não conseguirá entrar, os mais afoitos e desesperados tentavam de tudo para conseguir ver o jogo. Um deles, como flagrou a reportagem do portal “Terra”, conseguiu entrar sem ingresso - com a preciosa ajuda de uma conselheira corintiana.

Um pouco antes de o ônibus chegar ao Pacaembu, Marlene Matheus entrou no estacionamento com familiares. Foi quando um torcedor anônimo lhe disse: "vim de Santa Catarina. Sou corintiano, dá para me ajudar?". "Entra no porta-malas", mandou a viúva de Vicente Matheus. E, com o torcedor no porta-malas, o carro dela entrou no estacionamento.

A própria Marlene contou que quando Matheus deixou a presidência do clube, ficou muito triste, saiu cabisbaixo e chorando. Depois ficou com depressão, que acabou em doença. Morreu em fevereiro de 1997, aos 88 anos de idade, vítima de câncer, após ficar 14 dias internado no Instituto do Coração. Foi sepultado no cemitério da Quarta Parada em São Paulo.

Além de carismático, Matheus era uma figura folclórica, que produzia frases divertidas, carregadas de incorreções, algumas verdadeiras, outras nem tanto, criadas pela imaginação de torcedores do Corinthians e dos clubes rivais. Algumas pessoas garantiam que ele fazia isso propositadamente. Eis algumas:

“O Sócrates é um jogador invendável e imprestável.”; “Peço aos corintianos que compareçam às urnas para naufragar nossa chapa.”; "Tive uma infantilidade muito difícil."; "Haja o que hajar, o Corinthians será campeão."; “Depois da tempestade, vem a ambulância."; "Péra lá! Me inclua fora dessa!"; "O difícil não é fácil"; "De gole em gole, a galinha enche o papo" e "Vou realizar uma anestesia geral para quem tiver a mensalidade atrasada"

Contam, talvez por pura maldade, que Vicente Matheus voltava de ônibus com a delegação do Corinthians de um jogo do interior. Percebendo que os jogadores estavam muito cansados, ordenou ao motorista parar em um hotel na beira da estrada. Ele próprio desceu na frente. A recepcionista do hotel teria perguntado: "Boa noite, o senhor tem reservas?" E Vicente Matheus, respondeu rapidamente: "Tenho sim, cinco na linha e um no gol." (Pesquisa: Nilo Dias)

Vicente Matheus levantando a taça de campeão paulista de 1977.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Rio vai sediar os Jogos Mundiais Militares

Os V Jogos Mundiais Militares, chamados de “Jogos da Paz” serão realizados na cidade do Rio de Janeiro no próximo ano. A cidade venceu a disputa com a Turquia, que também pleiteava ser a sede dos jogos, que se constituem no terceiro maior evento esportivo do mundo, ficando atrás somente dos Jogos Olímpicos de Verão e Paraolimpíadas.

Essa será a primeira vez que os Jogos Mundiais Militares serão realizados no continente americano. A competição é promovida pelo Conselho Internacional do Desporto Militar (CISM), que equivale na esfera civil ao Comitê Olímpico Internacional. O Ministério da Defesa e as Forças Armadas brasileiras participam da organização dos jogos, integrados a Comissão Desportiva Militar do Brasil (CDMB), que é presidida pelo brigadeiro Luís Antônio Pinto Machado.

O CISM foi criado logo após a 2ª Guerra Mundial, em 1948, com um propósito pacifista e de integração das nações. O órgão conta com 132 países membros de todos os continentes, reunindo mais de um milhão de atletas militares ao redor do mundo, sendo a terceira entidade desportiva do planeta.

Para os jogos no Brasil, que se realizarão de 17 a 24 de julho de 2011, são esperados de 4.500 a 7 mil atletas de 110 países de todas as partes do mundo, que vão competir em 21 modalidades esportivas:

Atletismo, Basquetebol, Boxe, Cross Country, Equitação, Esgrima, Futebol de campo, Futebol de Salão (demonstração), Handebol, Judô, Natação, Orientação, Pentatlo Aeronáutico, Pentatlo Militar, Pentatlo Moderno, Pentatlo Naval, Pára-Quedismo, Tiro, Triatlo, Voleibol e Voleibol de praia (demonstração).

Para a realização dos Jogos Militares em 2011, foi oferecida a utilização da infra-estrutura esportiva dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro de 2007, e que fazem parte do projeto Rio 2016: Maracanãzinho, Centro Nacional de Hipismo, Parque Aquático Maria Lenk, Complexo Esportivo de Deodoro e Estádio Olímpico João Havelange. Além disso, a Vila de Atletas e o Estádio de São Januário, do C.R. Vasco da Gama, também serão utilizados.

Para abrigar os atletas, que devem comparecer ao evento, Ministério da Defesa e as Forças Armadas estão construindo uma vila olímpica na Zona Oeste do Rio de Janeiro, um complexo de instalações com 1.200 unidades habitacionais, entre 100 e 120 metros quadrados. O número de participantes dos V Jogos Mundiais Militares será superior ao número total de atletas do Pan, que foi de 4.200.

O projeto está sendo executado com a participação da União, e deve custar em torno de R$ 432 milhões. Ao final dos jogos as 1.200 unidades habitacionais passarão para as Forças Armadas, com 400 unidades para cada Comando. O total de valores autorizados pela União nos Orçamentos de 2009 e 2010, para viabilizar os Jogos soma R$ 748 milhões.

A competição acontece de quatro em quatro anos, sempre no ano anterior aos Jogos Olímpicos. A primeira edição foi em 1995, em Roma, celebrando os 50 anos do fim da 2ª Guerra Mundial, com a participação de 93 países e 4.017 atletas. A segunda foi em Zagreb, Croácia, em 1999, com a participação de 82 países e 6.734 atletas. Os terceiros jogos se realizaram em Catânia, Itália, em 2003, com a presença de 87 países e 6.000 atletas. A quarta e última edição dos Jogos Mundiais Militares ocorreu em 2007, nas cidades de Hyderabad e Bonbain, na Índia, com a participação de 71 países e 4.571 atletas.

Nomes famosos vão em busca de medalhas: Henrique Haddad, Mário Trindade, Pedro Caldas e Isabel Swan (Vela); Tiago Camilo, Luciano Corrêa, Flávio Canto, Leandro Guilheiro, Danielle Yuri, Ketleyn Quadros e Edinanci (judô); Diogo Silva e Natália Falavigna (taekwondo); Washington Silva e Everton Lopes (boxe); Keila Costa, Hudson de Souza, Fabiano Peçanha, Matheus Inocêncio e Joana Costa (atletismo); Kaio Márcio, Joanna Maranhão, Nicholas Santos e Tatiane Sakemi (natação) e Rayanne Simões, Aline Franca e Maycon (futebol feminino).

Quem aceita participa de exames físicos e provas e, caso tenha sucesso, passa pelo treinamento que leva ao posto de sargento, com todos os benefícios da patente. O atleta entra para a Força, mas não vive a vida militar. Sua única função é competir como militar. Os atletas podem ficar até por oito anos como atletas-militares, mas devem passar por avaliações anuais

Não é só o militarismo brasileiro que conta com atletas oficiais das Forças Armadas. Em outros países, a medida é comum, como no caso da saltadora com vara russa Yelena Isinbayeva, detentora da melhor marca do mundo e campeã olímpica e mundial. Em agosto de 2005, ela foi certificada como tenente das Forças Armadas de seu país e em 2008 foi promovida a capitã.

Na França, o recrutamento de civis para o Exército também já é uma realidade. Ao todo são reservadas 90 vagas para esportistas de alto rendimento. Entre os alistados está o ex-recordista mundial dos 50 m e 100 m livres, o nadador Alain Bernard.

A Mascote dos Jogos Mundiais Militares de 2011 tem nome grego: "Arion", que significa “quem tem energia”. A escolha foi feita por votação popular. A opção vencedora recebeu mais da metade dos 81.537 votos dados durante 22 dias. A figura de "Arion" foi desenhada por Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica. Maurício usou como inspiração um menino que se transforma em um super-atleta militar futurista para ilustrar essa idéia. Segundo o autor, a pomba acompanha o menino em todos os seus momentos e dá vida aos seus desenhos de soldadinhos da infância, criando a Tropa da Paz. (Pesquisa: Nilo Dias)

"Arion", a mascote dos Jogos Mundiais Militares de 2011 no Rio, criação do desenhista Mauricio de Souza.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A morte do "Parada 18"

Olavo Rodrigues Barbosa, o Nena, de 87 anos, zagueiro reserva da Seleção Brasileira, vice-campeão do mundo de 1950, faleceu na última quarta-feira, 17 em Goiânia, onde residia desde 2003, junto com a esposa Juraci Rodrigues Barbosa, com quem teve cinco filhos (Mário e Ana, nascidos em Porto Alegre e Jorge, Vera e Ludmea, em São Paulo), dez netos e dois bisnetos. Nena havia descoberto há poucos dias que tinha câncer nos pulmões. Já era tarde demais.

Agora, apenas um ex-jogador brasileiro que disputou a Copa do Mundo de 1950 no Brasil, ainda está vivo: Nilton Santos, que também era reserva. Nena, porém era o último integrante do “Rolo Compressor”, grande time do Internacional, que ainda estava vivo.

Nena nasceu em Porto Alegre no dia 11 de junho de 1923. Começou a jogar futebol na várzea portoalegrense, onde atuava como zagueiro do Esporte Clube Paraná. Ele foi para o Internacional em 1942 quando tinha apenas 18 anos de idade, descoberto pelo então técnico colorado, o uruguaio Ricardo Diez.

Estreou no Internacional no dia 12 de abril de 1942, na vitória de 5 X 2 sobre o São José, quando marcou seu primeiro gol, rebatendo de primeira uma péssima reposição do goleiro adversário, encobrindo-o, num lance que lhe valeu fama nacional. Substituía o lendário zagueiro Risada. Contudo sua estréia foi como lateral-esquerdo improvisado, já que Alfeu era o dono absoluto da zaga.

O time se renovara com ele, Ivo e Abigail, que foram as contratações mais importantes na administração do presidente Miguel Genta. Logo Nena firmou-se como zagueiro titular, passando a fazer parte do famoso “Rolo Compressor”, que ganhou oito títulos gaúchos nos anos 1940, e cuja formação clássica era esta: Ivo - Alfeu e Nena – Ássis - Ávila e Abigail – Tesourinha – Adãozinho – Russinho - Ruy e Carlitos.

Durante o período em que jogou no Internacional, Nena dividiu-se entre a zaga e a lateral-esquerda, sempre como destaque no "rolo compressor colorado". Foi nessa época que recebeu o apelido de "Parada 18", que era uma conhecida parada de bonde, localizada no bairro Tristeza, na Zona Sul de Porto Alegre. Em frente havia uma loja de atacado muito popular na época, que fazia grandes liquidações utilizando intensa propaganda radiofônica.

Segundo a propaganda da loja no rádio, nenhum passageiro do ônibus Tristeza passava da Parada 18, descia naquele ponto, atraído por preços acessíveis. Segundo os torcedores do Inter, nenhum atacante adversário conseguia passar por Nena. Ele era excelente nas bolas aéreas e tinha um bom porte físico. A partir daí Nena e a famosa parada passaram a ser sinônimos para os torcedores colorados, nos áureos tempos do “Rolo Compressor”.

Com a camisa colorada Nena foi campeão gaúcho em 1942, 1943, 1944, 1945, 1947 e 1948. Entre os jogadores mais conhecidos, destacavam-se o ponta-direita Tesourinha, que chegou à seleção brasileira, e Carlitos, maior goleador da história do clube, com 485 gols. Nena é considerado até hoje um dos maiores zagueiros que já vestiu a jaqueta do Internacional.

Em 1948, Nena foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira, na Copa Rio Branco, estreando num empate em 1 X 1 com o Uruguai. Pela seleção, jogou 6 partidas entre 1947 e 1950, com duas vitórias, três empates e uma derrota. Integrou a delegação brasileira na Copa do Mundo de 1950, mas não chegou a jogar. Assim como aconteceu a muitos jogadores que disputaram o mundial de 50, nunca mais voltou a jogar pela seleção, em função do trauma pela derrota para o Uruguai.

Os jogos de Nena na Seleção foram estes: 29/03/1947, Brasil 0 X 0 Uruguai, pela Copa Rio Branco; 04/04/1948, Brasil 1 X 1 Uruguai, também pela Copa Rio Branco; 11/04/1948, Brasil 2 X 4 Uruguai, ainda pela Copa Rio Branco; 07/05/1950, Brasil 2 X 0 Paraguai, pela Taça Oswaldo Cruz ; 13/05/1950, Brasil 3 X 3 Paraguai, igualmente pela Taça Oswaldo Cruz e 11/06/1950, Brasil 4 X 3 Seleção Paulista de Novos, amistoso.

Para muitos especialistas e até companheiros de Seleção, o que faltou ao Brasil na traumática decisão da Copa do Mundo de 1950 foi o gaúcho Nena. Ele nunca permitiria que o uruguaio Gigghia recebesse a bola às costas de Bigode e fizesse as duas jogadas, uma delas com gol, da vitória sobre o Brasil por 2 X 1. Nena era quase perfeito na cobertura, algo que faltou a Juvenal. Claro, é tudo mera suposição, só uma lembrança para mostrar a importância do antigo jogador.

Em agosto de 1951, Nena já era um homem realizado. Havia conquistado um lugar de destaque entre os melhores jogadores do futebol brasileiro e constituído uma família no casamento com Juraci Rodrigues Barbosa, em 1945. Mesmo assim transferiu-se para a Portuguesa de Desportos, de São Paulo onde formou o maior "trio final" da história do clube, ao lado do goleiro Muca e do gaúcho Noronha (ex-Grêmio).

Foi o melhor time da “Lusa” em todos os tempos. Nena atuou ao lado de craques como Júlio Botelho, Pinga e Simão, e conquistou os títulos do Torneio Rio-São Paulo de 1952 e 1955. Participou das excursões vitoriosas da Portuguesa pelo exterior, que resultaram nas conquistas das “Fitas Azuis” de 1951 e 1953. Sagrou-se ainda campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1952.

O zagueiro parou de jogar em 1958. Só teve dois clubes na carreira, Internacional e Portuguesa. Depois de pendurar as chuteiras, por insistência dos dirigentes continuou a serviço da Portuguesa, como técnico dos juvenis e do time principal, sempre que este precisava dos seus conhecimentos. Cansado de trabalhar em futebol, Nena foi transferido para o setor administrativo, tornando-se o responsável pela cobrança das mensalidades dos sócios.

Nos anos 1960, foi técnico das categorias de base do Corinthians. Ao considerar que era chegada a hora de viver tranquilamente, longe da agitação da capital, Nena comprou uma chácara no município de Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo, onde morou por aproximadamente oito anos.

O vice-campeão mundial de 1950 deixou um herdeiro nos gramados: o meia Andrezinho, revelado pelo Corinthians no final dos anos 90, na geração de Gil, Edu e Ewerthon. Andrezinho passou também pelo Noroeste, de Bauro (SP), Paysandu, de Belém do Pará e Croatia Sesvete, da Croácia.

Nena vinha pouco a Porto Alegre. Uma de suas últimas visitas foi para prestigiar o lançamento do livro “Rolo Compressor, memória de um time fabuloso”, do jornalista Kenny Braga, em 2008. Sua última estada na capital gaúcha foi o ano passado, quando das comemorações do centenário colorado. O Internacional decretou luto oficial e deixou a bandeira a meio mastro. (Pesquisa: Nilo Dias)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O primeiro atleticano na Seleção

Carlyle Guimarães Cardoso, ou simplesmente Carlyle, ex-jogador do Atlético Mineiro, Fluminense, do Rio de Janeiro e da Seleção Brasileira, nasceu no dia 15 de junho de 1926, na cidade de Almenara, interior de Minas Gerais. Começou a carreira de jogador de futebol em 1946, no E.C. Tabajaras, time amador de Ouro Preto, onde era o grande destaque do time. Jogava como atacante e era dono de um físico avantajado e de um chute forte.

Depois Carlyle jogou no “Vinte Reunidos”, um time amador da cidade formado por estudantes da “Escola de Minas”, quando era aluno do curso de Metalurgia. Naquela época os chamados “grandes” costumavam buscar reforços no interior do Estado, coisa difícil de acontecer nos dias de hoje, quando os jogadores são formados nas próprias categorias de base dos clubes.

Por isso Carlyle sonhava em jogar no Atlético Mineiro. O sonho se tornou realidade em 1945, quando foi até Belo Horizonte assinar seu primeiro contrato com o “Galo”, sem passar por nenhum teste preparatório. O atacante não teve problema para se adaptar no time da capital. Logo de cara ganhou a titularidade, num ataque que tinha Lucas, Lauro, Alvinho e Nívio.

Já no primeiro jogo em que foi escalado, se destacou, tendo marcado dois gols. Não demorou muito para tornar-se um dos grandes ídolos da fanática torcida atleticana.

Um momento marcante da carreira de Carlyle pelo Atlético foi em um clássico contra o América, disputado no dia 16 de janeiro de 1948. Após marcar o quarto gol do time em uma goleada, ele pegou a bola dentro do gol, levou-a até o meio-campo e sentou-se em cima para provocar os adversários. Acabou expulso após uma confusão em campo.

Carlyle ficou no Atlético até 1948, tendo jogado 131 partidas, marcado 58 gols e conquistado o título mineiro de 1947, ao lado de ídolos como Kafunga e Zé do Monte. Tempo suficiente para entrar na história ao ser o primeiro jogador do clube mineiro convocado para a Seleção Brasileira.

Ele foi convocado em 1948 pelo técnico Flávio Costa e substituiu o atacante Friaça, na partida contra o Uruguai válida pela Copa Rio Branco, no Estádio Centenário, em Montevidéu. E conseguiu marcar o gol de honra brasileiro, na derrota de 4 X 1, para o Uruguai.

No mesmo ano, em um amistoso do Atlético Mineiro contra o Vasco da Gama, Carlyle ficou famoso ao fazer três gols no arqueiro Barbosa, titular da Seleção Brasileira, que ostentava uma invencibilidade de 15 jogos.

Em 1949 Carlyle se transferiu para o Fluminense e se tornou o artilheiro do Campeonato Carioca daquele ano, com 23 gols. O ataque do tricolor carioca era simplesmente sensacional: Santo Cristo, Didi, Orlando e Rodrigues. No clube da rua Álvaro Chaves foi campeão carioca em 1951, campeão da Copa Rio em 1952 e campeão do Torneio Belo Horizonte, também em 1952.

Em 1953 teve seu passe vendido para o Santos F.C.. No clube da Vila Belmiro, Carlyle logo no jogo de estréia contra o São Paulo F.C. foi protagonista de um lance inusitado: entrou em campo descalço, as meias e chuteiras seguras nas mãos. Sentou-se ao centro do gramado e sob os olhares de todos, completou seu uniforme.

Em 1954 ingressou no Palmeiras, onde atuou em nove jogos e marcou quatro gols. E foi novamente convocado para a Seleção Brasileira em 1955, sendo titular. Encerrou sua curta passagem pelo futebol jogando pelo Botafogo, do Rio de Janeiro.

Carlyle era temperamental, quase uma segunda edição do famoso Heleno de Freitas, mineiro como ele, e criou casos não apenas no Fluminense, como também no Botafogo. Ele não tinha um pedaço da orelha esquerda e sentia-se mal por isso, não aceitando nenhum tipo de brincadeira. Só admitia ser fotografado de perfil.

No início de 1954, a revista “Manchete” o escolheu para ser o primeiro jogador a posar com o novo uniforme canarinho da Seleção Brasileira, após um concurso lançado pelo jornal “Correio da Manhã” e ganho pelo jornalista gaúcho Aldyr Garcia Schlee. E Carlyle, belo porte, feições e corpo de atleta, não deixou por menos: posou de perfil, escondendo a orelha.

Fora dos gramados tornou-se um grande comentarista esportivo e cronista de talento na imprensa escrita e falada. Em 1968, ao lado do treinador e dirigente Lísio Juscelino “Biju” Gonzaga e do radialista Juventino de Lima Júnior, o “Jota Júnior”, Carlyle, integrou a comissão selecionadora que comandou a Seleção Brasileira na vitória por 3 X 2 sobre a Argentina, em partida amistosa realizada no Mineirão.

Carlyle Guimarães Cardoso teve uma morte trágica, em 23 de novembro de 1982, atropelado na saída do Estádio do Mineirão, ironicamente por um amigo que iria lhe dar uma carona. Em sua cidade natal, Almenara, uma avenida leva o seu nome. (Pesquisa: Nilo Dias)

Carlyle foi o primeiro jogador a posar com a tradicional camisa canarinho, da Seleção Brasileira.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O dia em que o futebol ajudou o PCB

O leitor já imaginou o que aconteceria se nos dias atuais fosse realizado um jogo de futebol entre dois grandes clubes do futebol brasileiro, em benefício da campanha eleitoral de um partido político? E ainda mais se fosse para ajudar o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Dificilmente poderia ser feito um jogo dessa magnitude. Com certeza a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fedération Internationale de Football Association (FIFA) não permitiriam.

Pois, pasmem, isso já aconteceu e está contado em todos os detalhes no livro “Palmeiras x Corinthians 1945: o jogo vermelho”, de autoria do deputado federal Aldo Rebelo e lançado pela Editora UNESP. O livro tem 124 páginas e custa R$ 34.00.

Aldo Rebelo é político, jornalista e torcedor da S.E. Palmeiras. E foi em uma visita a sala de troféus do clube, no Estádio Parque Antártica, que teve sua atenção voltada para um troféu diferente dos demais: uma escultura em bronze, de 60 centímetros de altura, de uma mulher alada, projetada para frente, como se estivesse se preparando para alçar voo, presa sobre uma base de mármore branco com a inscrição “Homenagem do Movimento Unificador dos Trabalhadores”. Intrigado, ali mesmo, ele começou uma pesquisa sobre a origem do troféu.

E descobriu que ele foi ganho numa partida disputada no Estádio do Pacaembu contra o eterno rival, S.C.Corinthians Paulista, há exatos 65 anos. E o mais importante, o jogo foi realizado para arrecadar fundos para o MUT, uma entidade criada em 1940, que era o braço sindical do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Os dois clubes e a Federação Paulista, que tinha entre seus dirigentes Ulysses Guimarães, dispensaram qualquer quantia pela apresentação. Em 1945 os comunistas haviam acabado de deixar a ilegalidade. O gesto de desprendimento dos jogadores e dirigentes foi considerado bastante ousado na época.

Oficialmente a renda seria para o MUT, mas na realidade serviria para ajudar a financiar a campanha do PCB. Havia uma meta do partido de arrecadar 750 mil cruzeiros para financiar as eleições. Só o jogo arrecadou quase 115 mil cruzeiros.

O principal dirigente do MUT era João Amazonas, que torcia pelo Palmeiras e já era um dos principais dirigentes do PCB. Os dirigentes do MUT foram todos candidatos pelo PCB a deputado federal ou estadual. E graças ao dinheiro arrecadado, dois meses depois, Prestes foi eleito senador e o PCB fazia 14 deputados federais. Mas dois anos depois, em 1947, o partido foi posto na ilegalidade e todos eles foram cassados.

O ano de 1945 foi singular na história do Brasil e do mundo: marcou o fim da Segunda Guerra, do Estado Novo e o Partido Comunista vivia na legalidade pela primeira vez em sua história. O clima do pós-guerra tornou simpático o movimento comunista, pois seus Exércitos ajudaram a bater o Eixo.

O movimento comunista no país reunia simpatizantes entre intelectuais, operários, empresários e mesmo na Federação Paulista de Futebol. Havia produtos chamando atenção para o tema, como o "Sabão Russo" ou, em referência a Prestes, o perfume "Cavaleiro da Esperança".

“No Brasil, naquele clima de redemocratização, a opinião pública ficou comovida com o sofrimento de Luís Carlos Prestes quando sua mulher, Olga Benário foi entregue aos nazistas pelo Estado Novo e assassinada em campo de concentração”, argumenta Rebelo, que enfrentou dificuldades para encontrar quem se lembrasse da história e recuperou o episódio pela pesquisa de jornais e documentos.

O livro é uma contribuição histórica, não só para o futebol, mas para a política brasileira, pois mostra com riqueza de detalhes um fato pouco lembrado pela mídia. Rebelo conseguiu juntar uma grande quantidade de anexos, tais como súmulas, recortes de jornais do período e fotografias dos principais personagens que fizeram parte desse episódio – presidentes de clubes, políticos, jogadores e líderes sindicais.

O jornal do PCB tratou o jogo com muita deferência, quase editorialmente: uma discussão sobre o futebol e o movimento operário, que o futebol tinha origem operária, que era um esporte proletário. E, pouco antes, o próprio Pacaembu já tinha sido cedido para um comício de Luís Carlos Prestes, assim como o estádio do Vasco, no Rio. Esse vínculo entre os comunistas e o futebol, na época, já era bem visível.

Rebello não descobriu em sua pesquisa nem jogadores nem dirigentes filiados ao PCB. Mas havia simpatizantes. O principal jogador do Corinthians, o maior artilheiro da história do clube, Cláudio Cristovão Pinho, teve até falecer uma relação muito próxima dos comunistas.

A organização imprimiu um sabor sindical ao “Derby”, ao marcar uma partida preliminar entre os times do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fiação e Tecelagem, comandado por um corinthiano X Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, dirigido por um palmeirense, que nutriam forte rivalidade.

O jogo preliminar foi vencido por 3 x 2 pelo quadro do Fiação e Tecelagem, e o público prestara de pé a homenagem de um minuto de silêncio em memória do craque Hermman Friese.

E veio o jogo principal. Como um clássico envolvendo Palmeiras X Corinthians é sempre impregnado de emoções, o autor dedica capítulos inteiros para descrever como se deu a preparação técnica dos times para o antológico jogo, a cobertura pela imprensa e, por fim, um panorama do clássico, que teve vitória do Palmeiras por 3 X 1.

Era a primeira vez, desde o fim do Campeonato Paulista, que as equipes duelariam com titulares. O jogo marcou também a estreia de Osvaldo Brandão como técnico palmeirense, após encerrar a carreira de jogador devido a uma lesão.

O jogo foi desenvolvido em um clima tenso. Para se ter uma ideia, o jornal "Gazeta Esportiva", definiu na crônica do dia seguinte o primeiro tempo como "45 minutos de hostilidades".

Palmeiras: Clodô - Caieira e Junqueira - Zezé Procópio - Túlio e Waldemar Fiúme – Oswaldinho – Gonzalez - Lima IV - Lima e Canhotinho. Corinthians: Bino - Domingos e Rubens – Palmer - Hélio e Aleixo – Cláudio – Milani – Servílio - Eduardinho e Ruy. João Etzel, o árbitro.

O estádio lotado vibrava com a disputa do clássico e pelo ambiente de liberdade daquele ano de 1945, que levava ao Pacaembu torcedores, operários, jornalistas, sindicalistas e comunistas, quase em confraternização pela chegada da democracia e das esperanças por ela criadas.

Aos 16 minutos da partida, o atacante Oswaldinho foi duramente atingido pelo médio Rubens, substituto do veterano Begliomini, que procurava mostrar serviço entre os titulares. A partir deste momento o jogo ameaçava descambar para uma "tourada", conforme registrou no dia seguinte o jornal “O Estado de São Paulo”.

Aos 31 minutos, Servílio fez Corinthians 1 x 0 Palmeiras. A torcida palmeirense, aflita, acompanhava com expectativa o recomeço do jogo no segundo tempo. O time alviverde redobrava a pressão sobre o adversário. O goleiro Bino, chamado de "Gato Selvagem" era o termômetro da partida, realizando incríveis defesas.

Aos 27 minutos da segunda etapa, Waldemar Fiúme, o "Pai da Bola", com o estilo clássico de sempre, marcou o gol de empate. A torcida alviverde ainda comemorava o gol quando Lima fez 2 X 1 para o Palmeiras, aos 29 minutos. Um minuto depois o uruguaio Villadoniga, "El Architeto" fez 3 x 1, placar final. (Pesquisa: Nilo Dias)


O livro de Aldo Rebelo é uma contribuição histórica ao futebol e à politica do país.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CEUB, um time que deixou saudade

O futebol de Brasília até hoje não se consolidou. Entre altos e baixos continua ocupando uma posição apenas intermediaria no cenário nacional. É verdade que depois de muitos anos conseguiu participar de recentes campeonatos brasileiros da Série A com S.E. Gama e Brasiliense F.C.. Foram passagens rápidas e sem qualquer brilho, com durações efêmeras de apenas uma temporada e o retorno rápido a Série B.

Muita gente credita a pouca evolução do futebol de Brasília ao fato da cidade ser muito nova, e a maioria de seus moradores torcer por clubes de outros Estados. E isso é um fato incontestável. Nos jogos em Brasília, os adversários quase sempre levam mais torcedores aos estádios, que os clubes locais.

A primeira edição do campeonato da nova capital federal foi disputada em 1959. A cidade nem havia sido fundada, mas os operários que trabalhavam nas obras de construção de Brasília já haviam organizado seus times. O campeão foi o Grêmio Brasiliense. Depois disso, o domínio passou a Defelê e Rabelo. O Defelê, inclusive, foi o primeiro time a defender Brasília em uma competição nacional, no caso, a Taça Brasil de 1963. Foi eliminado na primeira fase pelo Vila Nova de Goiás.

O Brasiliense já foi visto como um fenômeno esportivo pelo rápido crescimento. O clube surgiu em 2002, quando o empresário e ex-senador Luiz Estevão comprou o Atlântida F.C., de Taguatinga. Em 2002 foi vice-campeão da Copa do Brasil, após eliminar equipes como o Atlético Mineiro e Fluminense e perder a final para o Corinthians, em jogo que até hoje gera polêmica.

É o detentor do maior número de conquistas estaduais consecutivas no Centro-Oeste, com 6 títulos ganhos entre 2004 e 2009 desbancando o maior rival, Gama que tinha 5 títulos consecutivos entre 1997 e 2001.

Mas o Brasiliense mesmo assim não conseguiu se firmar até hoje como uma instituição forte e vitoriosa. Ainda luta para tentar retornar a elite do futebol brasileiro, mas não tem conseguido êxito, talvez mais pelas intromissões de seu dono, o ex-senador Luiz Estevão. É ele quem contrata e manda embora, muitas vezes sem qualquer lógica. A cada ano passa quatro ou cinco treinadores pelo clube, o que torna impossível qualquer projeto duradouro de time.

A situação do Gama é ainda pior. Teve seus anos de predominância no futebol de Brasília, graças às generosas verbas públicas que recebia. Até um estádio novo ganhou, construído com dinheiro público, que hoje é um verdadeiro elefante branco. O Gama foi parar na quarta divisão do futebol brasileiro. E parece que o seu destino só tende a piorar nos próximos anos.

O Brasília E.C., fundado em 1975 foi durante algum tempo sustentado pela Associação Comercial do Distrito Federal. Isso lhe garantiu a hegemonia no futebol candango, com oito títulos entre 1976 e 1987. Com o passar dos anos também afundou numa série de dividas e insucessos. Desde o ano passado tenta se reestruturar, tarefa que não tem sido nada fácil.

Na cidade onde o colunista mora, Sobradinho, o futebol parece que ficou só na saudade. O time da cidade, o Sobradinho E.C. já foi o melhor do Distrito Federal e foi bi-campeão em 1985/1986. Depois, parece que as direções incompetentes e as brigas internas acabaram com o clube. Cheio de dividas e sem perspectivas, agoniza na última divisão do futebol local.

Na década de 1960 o Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), criou seu time de futebol profissional. Se não conseguiu grandes feitos, pelo menos colocou Brasília num lugar mais destacado no mapa do futebol brasileiro. Sua fundação aconteceu em 1968 por iniciativa de um grupo de universitários da instituição.

Mas foi nos anos 70 que o CEUB começou a se projetar de fato. Em 1972 foi segundo colocado no campeonato local. Em 1973 foi campeão, derrotando na partida final ao Relações Exteriores, por 1 X 0. O título garantiu ao time universitário o direito de ser o primeiro clube da capital federal a participar de um Campeonato Brasileiro.

O curioso é que em 1973 o futebol brasiliense ainda era amador. O profissionalismo só chegou de maneira definitiva a Brasília em 1976. A competição foi amadora de 1960 a 1965 e de 1969 a 1975. O campeonato chegou a ser profissional entre 1966 e 1968, mas recaiu no amadorismo de 1969 até 1975.

A estréia do Distrito Federal na Série A de 1973 foi no jogo CEUB X Botafogo, empate de 0 X 0, no antigo estádio “Pelezão” A primeira vitória foi alcançada também no “Pelezão”, na terceira rodada contra o Figueirense por 2 X 1. A trajetória do CEUB no campeonato foi fraca, ficando em 33° lugar entre 40 equipes. O que sobrou de positivo foi a popularidade que o clube conquistou dentro da capital federal.

Em 1974 o Pioneira F.C. sagrou-se campeão de Brasília, mas a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) designou o CEUB para representar a capital federal no Brasileirão. A equipe acabou na 19ª e penúltima colocação no Grupo B, 37a na classificação final. De qualquer maneira, os torcedores locais puderam assistir a grandes jogos. A direção do CEUB fez de tudo para que o time tivesse uma participação mais efetiva na competição.

Em 1974 houve a inauguração do “Estádio Governador Hélio Prates da Silveira”, primeira denominação do “Estádio Mané Garrincha”, que depois da reforma para a Copa de 2014 vai se chamar “Estádio Nacional de Brasília”. Foi no dia 10 de março, e o jogo de inauguração foi entre o CEUB X Corinthians Paulista, pelo campeonato brasileiro.

O jogo foi de portões abertos para o público, por iniciativa do Governo do Distrito Federal. O time paulista venceu por 2 X 1. Vaguinho do Corinthians fez o primeiro gol do estádio. Ele mesmo também marcou o segundo. Juracy fez o gol dos locais.

CEUB: Valdir – Odair - Pedro Pradera - Cláudio Oliveira e Rildo – Alencar - Péricles (René) e Xisté - Dílson (Cardosinho) - Juracy e Dario. Corinthians: Armando - Zé Roberto – Pescuma - Wagner e Wladimir – Tião - Adãozinho e Washington – Vaguinho - Roberto e Marco Antonio. Juiz: Luiz Carlos Félix. Bandeiras: Cassirio Marinho e Carlos Vieira do Amaral.

Em 1975, não houve campeonato distrital. Por isso, o CEUB foi novamente convidado a representar o Distrito Federal no Campeonato Nacional, ficando em 9º no seu grupo, e em antepenúltimo ou 32º lugar na classificação geral.

Ainda em 1975 o CEUB se tornou o primeiro time de futebol de Brasília a excursionar pela Europa, onde enfrentou o La Coruña e Sevilla, tradicionais clubes espanhóis e a Seleção da Iugoslávia, entre outros. Somente 33 anos depois um time brasiliense iria fazer uma excursão ao velho continente, que seria o Brazsat.

O Campeonato Brasiliense de 1976 marcou a volta em definitivo do futebol profissional. O Ceub ganhou os dois primeiros turnos e era líder do terceiro quando a Federação Brasiliense virou a mesa e mandou que fosse disputado um quadrangular final para a definição do campeão e representante local no Brasileirão.

O CEUB se negou a participar e o Brasília foi declarado campeão. Mas não levou. A CBD decidiu que o Distrito Federal não teria direito a participar do campeonato, devido a confusão estabelecida pela Federação local. Com isso o CEUB passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras para se manter em atividade. Sem alternativas, o clube fechou as portas. Foi o melancólico fim do primeiro clube de Brasília a ter reconhecimento nacional.

Nessa sua curta trajetória o CEUB contou em seu plantel com jogadores que tiveram passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, como Valdir, ex-goleiro do Vasco, Rogério, goleiro, ex-Grêmio e ex-América (RJ), Paulo Lumumba, ex-Grêmio, Oldair, campeão brasileiro em 1971 pelo Atlético (MG), Rildo, ex-Botafogo e Santos, Claudio Garcia, ex-Fluminense e depois treinador de futebol, Tuca, ex-Botafogo, Roberto Dias, ex-São Paulo, Cláudio Adão, Fio Maravilha e outros. O CEUB foi treinado pelo conhecido técnico João Avelino.

Daqueles áureos tempos tudo o que restou do CEUB foram troféus e recortes de jornais guardados com carinho, no escritório de Adílson Peres, advogado, que foi o último presidente do clube, que teve todas as suas diretorias formadas por universitários entre 20 e 25 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)

CEUB, um time que deixou saudade

O futebol de Brasília até hoje não se consolidou. Entre altos e baixos continua ocupando uma posição apenas intermediaria no cenário nacional. É verdade que depois de muitos anos conseguiu participar de recentes campeonatos brasileiros da Série A com S.E. Gama e Brasiliense F.C.. Foram passagens rápidas e sem qualquer brilho, com durações efêmeras de apenas uma temporada e o retorno rápido a Série B.

Muita gente credita a pouca evolução do futebol de Brasília ao fato da cidade ser muito nova, e a maioria de seus moradores torcer por clubes de outros Estados. E isso é um fato incontestável. Nos jogos em Brasília, os adversários quase sempre levam mais torcedores aos estádios, que os clubes locais.

A primeira edição do campeonato da nova capital federal foi disputada em 1959. A cidade nem havia sido fundada, mas os operários que trabalhavam nas obras de construção de Brasília já haviam organizado seus times. O campeão foi o Grêmio Brasiliense. Depois disso, o domínio passou a Defelê e Rabelo. O Defelê, inclusive, foi o primeiro time a defender Brasília em uma competição nacional, no caso, a Taça Brasil de 1963. Foi eliminado na primeira fase pelo Vila Nova de Goiás.

O Brasiliense já foi visto como um fenômeno esportivo pelo rápido crescimento. O clube surgiu em 2002, quando o empresário e ex-senador Luiz Estevão comprou o Atlântida F.C., de Taguatinga. Em 2002 foi vice-campeão da Copa do Brasil, após eliminar equipes como o Atlético Mineiro e Fluminense e perder a final para o Corinthians, em jogo que até hoje gera polêmica.

É o detentor do maior número de conquistas estaduais consecutivas no Centro-Oeste, com 6 títulos ganhos entre 2004 e 2009 desbancando o maior rival, Gama que tinha 5 títulos consecutivos entre 1997 e 2001.

Mas o Brasiliense mesmo assim não conseguiu se firmar até hoje como uma instituição forte e vitoriosa. Ainda luta para tentar retornar a elite do futebol brasileiro, mas não tem conseguido êxito, talvez mais pelas intromissões de seu dono, o ex-senador Luiz Estevão. É ele quem contrata e manda embora, muitas vezes sem qualquer lógica. A cada ano passa quatro ou cinco treinadores pelo clube, o que torna impossível qualquer projeto duradouro de time.

A situação do Gama é ainda pior. Teve seus anos de predominância no futebol de Brasília, graças às generosas verbas públicas que recebia. Até um estádio novo ganhou, construído com dinheiro público, que hoje é um verdadeiro elefante branco. O Gama foi parar na quarta divisão do futebol brasileiro. E parece que o seu destino só tende a piorar nos próximos anos.

O Brasília E.C., fundado em 1975 foi durante algum tempo sustentado pela Associação Comercial do Distrito Federal. Isso lhe garantiu a hegemonia no futebol candango, com oito títulos entre 1976 e 1987. Com o passar dos anos também afundou numa série de dividas e insucessos. Desde o ano passado tenta se reestruturar, tarefa que não tem sido nada fácil.

Na cidade onde o colunista mora, Sobradinho, o futebol parece que ficou só na saudade. O time da cidade, o Sobradinho E.C. já foi o melhor do Distrito Federal e foi bi-campeão em 1985/1986. Depois, parece que as direções incompetentes e as brigas internas acabaram com o clube. Cheio de dividas e sem perspectivas, agoniza na última divisão do futebol local.

Na década de 1960 o Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), criou seu time de futebol profissional. Se não conseguiu grandes feitos, pelo menos colocou Brasília num lugar mais destacado no mapa do futebol brasileiro. Sua fundação aconteceu em 1968 por iniciativa de um grupo de universitários da instituição.

Mas foi nos anos 70 que o CEUB começou a se projetar de fato. Em 1972 foi segundo colocado no campeonato local. Em 1973 foi campeão, derrotando na partida final ao Relações Exteriores, por 1 X 0. O título garantiu ao time universitário o direito de ser o primeiro clube da capital federal a participar de um Campeonato Brasileiro.

Em 1973 foi realizada uma assembleia, onde ficou decidido que o clube se tonaria profissional, inclusive com a mudança de nome, ,passando a se chamar CEUB Esporte Clube, que, a partir daquele momento, tornou-se independente da Universidade, para que pudesse disputar o campeonato brasileiro de futebol, série A.

Portanto, a partir do ano de 1973 o clube já era profissional, mesmo porque, se não o fosse, jamais poderia disputar o campeonato brasileiro da primeira divisão.


A competição de Brasília foi amadora de 1960 a 1965 e de 1969 a 1972. Antes, o campeonato chegou a ser profissional entre 1966 e 1968, mas recaiu no amadorismo de 1969 até 1972.

A estréia do Distrito Federal na Série A de 1973 foi no jogo CEUB X Botafogo, empate de 0 X 0, no antigo estádio “Pelezão” A primeira vitória foi alcançada também no “Pelezão”, na terceira rodada contra o Figueirense por 2 X 1. A trajetória do CEUB no campeonato foi fraca, ficando em 33° lugar entre 40 equipes. O que sobrou de positivo foi a popularidade que o clube conquistou dentro da capital federal.

Em 1974 o Pioneira F.C. sagrou-se campeão de Brasília, mas a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) designou o CEUB para representar a capital federal no Brasileirão. A equipe acabou na 19ª e penúltima colocação no Grupo B, 37a na classificação final. De qualquer maneira, os torcedores locais puderam assistir a grandes jogos. A direção do CEUB fez de tudo para que o time tivesse uma participação mais efetiva na competição.

Em 1974 houve a inauguração do “Estádio Governador Hélio Prates da Silveira”, primeira denominação do “Estádio Mané Garrincha”, que depois da reforma para a Copa de 2014 vai se chamar “Estádio Nacional de Brasília”. Foi no dia 10 de março, e o jogo de inauguração foi entre o CEUB X Corinthians Paulista, pelo campeonato brasileiro.

O jogo foi de portões abertos para o público, por iniciativa do Governo do Distrito Federal. O time paulista venceu por 2 X 1. Vaguinho do Corinthians fez o primeiro gol do estádio. Ele mesmo também marcou o segundo. Juracy fez o gol dos locais.

CEUB: Valdir – Odair - Pedro Pradera - Cláudio Oliveira e Rildo – Alencar - Péricles (René) e Xisté - Dílson (Cardosinho) - Juracy e Dario. Corinthians: Armando - Zé Roberto – Pescuma - Wagner e Wladimir – Tião - Adãozinho e Washington – Vaguinho - Roberto e Marco Antonio. Juiz: Luiz Carlos Félix. Bandeiras: Cassirio Marinho e Carlos Vieira do Amaral.

Em 1975, não houve campeonato distrital. Por isso, o CEUB foi novamente convidado a representar o Distrito Federal no Campeonato Nacional, ficando em 9º no seu grupo, e em antepenúltimo ou 32º lugar na classificação geral.

Ainda em 1975 o CEUB se tornou o primeiro time de futebol de Brasília a excursionar pela Europa, onde enfrentou o La Coruña e Sevilla, tradicionais clubes espanhóis e a Seleção da Iugoslávia, entre outros. Somente 33 anos depois um time brasiliense iria fazer uma excursão ao velho continente, que seria o Brazsat.

O Campeonato Brasiliense de 1976 marcou a volta em definitivo do futebol profissional. O Ceub ganhou os dois primeiros turnos e era líder do terceiro quando a Federação Brasiliense virou a mesa e mandou que fosse disputado um quadrangular final para a definição do campeão e representante local no Brasileirão.

O CEUB se negou a participar e o Brasília foi declarado campeão. Mas não levou. A CBD decidiu que o Distrito Federal não teria direito a participar do campeonato, devido a confusão estabelecida pela Federação local. Com isso o CEUB passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras para se manter em atividade. Sem alternativas, o clube fechou as portas. Foi o melancólico fim do primeiro clube de Brasília a ter reconhecimento nacional.

Nessa sua curta trajetória o CEUB contou em seu plantel com jogadores que tiveram passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, como Valdir, ex-goleiro do Vasco, Rogério, goleiro, ex-Grêmio e ex-América (RJ), Paulo Lumumba, ex-Grêmio, Oldair, campeão brasileiro em 1971 pelo Atlético (MG), Rildo, ex-Botafogo e Santos, Claudio Garcia, ex-Fluminense e depois treinador de futebol, Tuca, ex-Botafogo, Roberto Dias, ex-São Paulo, Cláudio Adão, Fio Maravilha e outros. O CEUB foi treinado pelo conhecido técnico João Avelino.

Daqueles áureos tempos tudo o que restou do CEUB foram troféus e recortes de jornais guardados com carinho, no escritório de Adílson Peres, advogado, que foi o último presidente do clube, que teve todas as suas diretorias formadas por universitários entre 20 e 25 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)