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sábado, 15 de março de 2008

O clube de futebol mais “baixo” do mundo

Alguém já pensou na possibilidade de acontecer um jogo de futebol entre as equipes do Club Unión Mina, de Cerro Pasco, no Peru e do Hilal Areeha, de Ramallah, capital da Cisjordânia? Certamente que não. Pelo fato de serem zeros à esquerda no contexto do futebol mundial, somado aos extremos que representam, nem a Fifa permitiria esse enfrentamento.

O Unión Mina é um clube da cidade mais alta do mundo. E o Hilal Areeha, da região do Mar Morto (417 metros abaixo do nível do mar), a mais baixa do mundo. Certamente os efeitos físicos para os atletas palestinos seriam catastróficos, pois subiriam a mais de 5 mil metros acima do nível do mar. Para os peruanos não sei o que a descida de 5 mil metros representaria. A literatura é escasa sobre o assunto. Descobri, apenas, que na região o oxigênio do ar é 20 % a mais, e o sol não queima a pele, pois a camada de ozônio é maior. E dentro da água do mar pode-se ficar de pé, deitar, sentar e rolar, que não há como afundar.

Na verdade não existe certeza absoluta de que o Hillal Areehae seja de fato o time mais baixo do mundo. A cidade mais baixa é Jericó, situada em território palestino a 240 metros abaixo do nível do mar. Lá também se joga futebol, o “Campeonato de Inverno de Jericó”, aos moldes da Copa da Palestina, considerado a competição mais “baixa” do mundo. Existem outros clubes menos expressivos, como o Albirah, Gabal el Mokaper, Jerusalem Hilal, Shabab al-Amaari, Shbab Alkhaleel, Silwan e Wade al-Nes.

Os problemas políticos na região dificultam a realização de um campeonato nacional legítimo. Existe uma Liga, a “West Bank Premier League”, que organiza torneios onde participam apenas equipes da Cisjordânia. Como o território está dividido em duas partes, Cisjordânia e Faixa de Gaza, é quase impossível uma união. Por causa disso o futebol profissional permanece como um sonho. Nem a seleção palestina consegue jogar direito.

Mesmo sem reconhecimento como nação independente, a Palestina tem no futebol uma forma de se mostrar ao mundo. A Autoridade Nacional Palestina é reconhecida pela Fifa e sua seleção nacional disputa as eliminatórias para a Copa do Mundo. A Palestina foi readmitida pela Fifa em 1998. Chegou a disputar as Eliminatórias da Copa de 1934 (foi eliminada pelo Egito, 7 X 1) antes de ser ocupada pelas tropas britânicas. Curioso é que seleção da Palestina era formada por árabes e judeus, já que ainda era um país unificado na região da Terra Santa. Só deixaria de existir com a criação de Israel, em 1948. Hoje, a Palestina é uma nação sem Estado que por enquanto, só é país oficial no futebol.

A volta aos jogos internacionais veio com a primeira vitória nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002: 1 a 0 sobre a Malásia, em Março de 2001, em Hong Kong, gol do atacante Mohammed Al Jeesh, primeiro ídolo na retomada do futebol palestino. O jogador morava num acampamento de refugiados.

A seleção da Palestina já deu adeus à possibilidade de jogar a Copa do Mundo de 2010. Disputou o Grupo 16, da fase preliminar asiática e foi eliminada por Cingapura que lhe impôs duas goleadas: 3 X 0, e 4 X 0. E nem podia ser diferente. Os jogadores palestinos estavam divididos em duas sedes: uma em Gaza, onde existe um único campo de grama e outra na Cisjordânia.

Para preencher a convocação, foram chamados descendentes palestinos de outros países. E raras vezes estiveram todos juntos num só lugar para treinar. Quando aconteceram, os treinos foram no Egito. E o jogo (08-10-2007) “em casa”, aconteceu em Doha, no Reino do Qatar, por questão de segurança.

A FIFA autorizou a “Palestinian Football Association” a recrutar jogadores de origem palestina em outros países devido a proibição, imposta por Israel, aos futebolistas que vivem nos territórios ocupados de viajar ao exterior. Atualmente a seleção conta com jogadores residentes em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano, Egito e Chile. No Chile residem cerca de 350.000 pessoas de origem palestina.

A ajuda externa está sendo fundamental no desenvolvimento do futebol na Palestina. A Asociación Nacional de Fútbol Amador (Anfa), do Chile, entidade que organiza a terceira e quarta divisões bancou a participação de uma seleção palestina na Terceira Divisão chilena em 2003. Era uma equipe de jovens com raízes palestinas, chilenos, norte-americanos e até israelenses, libaneses e jordanianos. Era considerada uma filial sul-americana da seleção palestina principal.

Importante, mesmo foi a participação de Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento, que financiou a construção do novo estádio da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia. O estádio custou US$ dois milhões e tem capacidade para seis mil espectadores, certificado da FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)

Um comentário:

Fenrisar disse...

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