Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Pode estar surgindo um novo fenômeno no futebol

Quem sabe não está surgindo no futebol paraguaio um novo fenômeno futebolístico. Trata-se de Fernando Ovelar, de apenas 14 anos de idade, o jogador mais jovem a fazer um gol no Campeonato da Primeira Divisão do país.

O seu feito correu o mundo, ao marcar o primeiro gol da partida disputada no Estádio Defensores del Chaco, em 4 de novembro deste ano, que terminou empatada em 2 X 2. Foi a sua segunda partida pelo Cerro Porteño, Ovelar não apenas foi titular no clássico contra o Olímpia como abriu o placar.


Dezesseis minutos levaram todos esses olhos concentrados na pelota que rodava pela grama do estádio Defensores del Chaco. Nas arquibancadas soavam cânticos enquanto nas ruas já não circulava nenhum carro, quando um passe de Juan Aguilar atravessou a defesa do Olímpia e encontrou Ovelar dentro da área.

Ovelar chegou à bola como uma locomotiva, deu uma cavadinha de canhota que a fez passar por cima do goleiro, que, caído no gramado, presenciou um feito notável. O “garoto histórico”, como foi batizado pela imprensa local, marcou o gol que cravou seu nome na história do futebol paraguaio.

Assim, ele tornou-se o mais jovem a marcar no clássico paraguaio, superando o atual corinthiano Sérgio Diaz, que em maio de 2015, anotou aos 17 anos, um mês e 28 dias, também pelo Cerro Porteño. 


E também o ex-atacante do Olímpia Gustavo Neffa, que havia anotado com 15 anos, 8 meses e 16 dias, em 1987. Também é o mais novo a disputar o clássico paraguaio e o segundo do mundo a marcar em uma liga de primeira divisão, atrás apenas do armênio Armen Ghazaryan, (14 anos, 7 meses e 15 dias). Ovelar jogou 63 minutos e teve outras duas chances de gol.

Ninguém imaginava que um "mita'í" (garoto, no idioma guarani, a língua mais popular do Paraguai) poderia demonstrar tanta personalidade diante de jogadores experientes, a maioria com o dobro de sua idade.

Somente seu treinador tinha alguma noção do que ele era capaz. O espanhol Fernando Jubero, que agora dirige o Cerro Porteño, foi quem tomou a decisão de lançá-lo a campo.

Formado em psicopedagogia, Jubero se tornou treinador profissional no Paraguai, onde já dirigiu os quatro principais times do país: Guarani, Olimpia e Libertad, antes de chegar este ano ao Cerro. Na rodada anterior, Jubero lançou Ovelar já como titular no empate em 1 X 1 com o 3 de Febrero.

No Paraguai exige-se que os clubes contem com pelo menos um jogador sub-19 em cada partida. Algo que, segundo Jubero, coincide com a intenção da equipe de mesclar jogadores rodados a outros pratas da casa, que vistam a camisa e representem com orgulho o Cerro Porteño. 

Barcelonês de alma paraguaia, Jubero já comandou Guaraní, Olímpia e Liberdad, revelando sempre novas promessas e deixando boas impressões. O técnico, ex-observador de jogadores do Barcelona, descobriu o jovem Ovelar jogando na seleção sub-15. 

Ele me surpreendeu. É um jogador muito maduro para sua idade. Por isso o chamei para trabalhar no plantel principal”, conta o “professor”, como lhe chamam no Paraguai. Quando decidiu subir o garoto, foi a sua casa para conversar com sua família.

Jubero, que não em vão foi também professor primário, detalhou os planos para o jovem: é obrigatório dar prioridade aos estudos, tem que desfrutar do futebol como fez até agora e deve trabalhar com humildade porque “muitos chegam e poucos se consolidam”. 

“Os estudos têm que andar ao lado do futebol. Se deixar a escola, eu deixo de contar com ele. A educação é fundamental para um jogador de sua idade. Primeiro a pessoa, depois o atleta. Expliquei a sua mãe e o jogador entendeu tudo. São gente trabalhadora, com valores”, relatou sobre o encontro.

O atleta nasceu em 6 de janeiro de 2004, em Assunção, capital do Paraguai. O seu futebol parece que não surge por acaso. Está no sangue da família. Ele é neto do ex-zagueiro Gerónimo Ovelar, defensor paraguaio das décadas de 1970 e 1980, que jogou pelo Cerro Porteño entre 1976 e 1981 e foi campeão da Copa América de 1979 com a seleção paraguaia, na última vez que levantou a taça continental.


Se há um dia tenso em Assunção é quando Cerro Porteño, “o ciclone” do bairro operário, e Olímpia, o "Rei de Copas”, se enfrentam no superclássico do Paraguai. Ônibus lotados até o teto de torcedores com tambores e bandeiras atravessam o centro histórico que em qualquer outro domingo estaria em silêncio. Ambos os clubes arrastam 40 mil pessoas ao estádio e a quase todo o resto do país que acompanham o jogo em rádio ou televisão.

Fernando Ovelar já é o principal destaque do time Sub-15 do Cerro e da Seleção Nacional da categoria. No seu time, chamou a atenção do técnico Fernando Jubero, um espanhol especialista em revelar jogadores, que trabalhou como observador internacional no Barcelona e, depois, passou por diversos países buscando talentos para a Aspire Academy, do Catar.


Pelo mundo afora se conta como poucos os jogadores que debutaram profissionalmente tão cedo. “Pelé”, por exemplo, começou no Santos, já mostrando seu lado de goleador, marcando um gol na goleada de 7 X 1 sobre o Corinthians, de Santo André, em setembro de 1956, quando contava com apenas 15 anos e 10 meses de idade.

Maradona era apenas um mês mais velho quando fez seu primeiro jogo profissional pelo Argentinos Juniors, em outubro de 1976. Parceiro de ataque de “Pelé” no Santos, Coutinho começou ainda mais cedo: aos 14 anos e 11 meses, apenas um pouco mais velho que Fernando Ovelar, já atuava ao lado de adultos.

Começar cedo a carreira não é garantia de sucesso para ninguém. Está ai o exemplo de do boliviano Mauricio Bldivieso, até hoje o jogador mais jovem a disputar um jogo de primeira divisão na América do Sul.

Lançado por seu pai e treinador em um jogo do Aurora, quando tinha 12 anos, em julho de 2009, três dias antes do seu 13º aniversário. Depois de rodar por outros clubes do país, Baldivieso hoje atua no San José, também da Primeira Divisão boliviana.

No Peru, Fernando Garcia tinha 13 anos e 11 meses quando debutou pelo Juan Aurich, em junho de 2001. Encerrou a carreira no Alianza Atletico, depois de rodar por clubes do país, sem muito sucesso.

No futebol africano, o togolês Souleymane Mamam é conhecido como o jogador mais jovem a disputar uma partida de eliminatórias de Copa do Mundo, ao entrar em campo contra Zâmbia com 13 anos e 310 dias, em maio de 2001.

A convocação de Mamam sugeriu, naturalmente, que ele já atuava ainda mais novo em sua cidade natal, Lomé. No entanto, há suspeitas de que o registro de nascimento do jogador tenha sido adulterado, o que deixa no ar a controvérsia sobre a real idade da sua estreia.

O caso mais famoso de jogador jovem que não teve o sucesso esperado na carreira é do ganês naturalizado americano, Freddy Adu. Tratado como uma joia nos Estados Unidos, Adu estreou no DC United em abril de 2004, com 14 anos e dez meses.

Com passagem por outros 12 clubes, incluindo o Bahia, em 2013, Adu joga atualmente, aos 29 anos, no Las Vegas Lights, de uma liga secundária dos Estados Unidos. (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Morreu o artilheiro do “Paulistão” de 1967

Antônio Parada Neto, popularmente conhecido por “Parada”, artilheiro do Guarani Futebol Clube, de Campinas (SP), no Paulistão de 1967, morreu na última quarta-feira (21), aos 79 anos de idade, em sua residência no bairro do Bom Retiro, em São Paulo.

Nos últimos anos de vida, o ex-jogador tinha muita dificuldade de locomoção e vivia de "bicos" no tradicional bairro paulistano.

Sua carreira de futebolista começou nos juvenis do Clube Atlético Ypiranga, tradicional agremiação paulista, em 1956. Teve passagens pelo Palmeiras, Corinthians, Nacional (SP), Ferroviária, de Araraquara, Botafogo, do Rio de Janeiro, Bangu, Campeão Carioca de 1966, onde foi ídolo e no Fast Club e Rio Negro, do Amazonas, onde encerrou a carreira após uma séria lesão.

Na Seleção Brasileira fez parte do grupo de jogadores que se preparava para a Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra. Pressionados pelos clubes que queriam seus atletas na seleção, a comissão técnica e o treinador Vicente Feola convocaram 47 jogadores para um período de treinamento nas cidades de Serra Negra (SP) e de Caxambu (MG) antes da competição.

Em razão do elevado número de jogadores formaram-se quatro times (branco, azul, verde e grená) e decidiu-se que os cortes seriam feitos antes da Seleção Brasileira viajar para a Europa. “Parada” foi um dos 25 jogadores cortados e não pode participar do Copa do Mundo de 66.

Em 28 de maio de 1966, o “Bugre” de Campinas foi medir forças contra a Seleção Brasileira que se preparava para o Mundial na Inglaterra. O jogo foi realizado em Serra Negra, na época local de treinos e jogos do Brasil.

A Seleção goleou por 5 X 1, e Parada fez um dos gols contra o seu futuro clube. A Seleção Brasileira formou nesse jogo-treino com Manga - Djalma Santos – Ditão - Orlando e Rildo. Dudu e Lima. Jairzinho – Silva - Parada e Paraná. O árbitro foi Romualdo Arpi Filho e  a renda somou Cr$ 8.652.000.

“Parada” chegou ao Guarani em abril de 1967 e sua estreia se deu em um jogo amistoso comemorativo ao 56º aniversário do clube. O Guarani venceu a Portuguesa de Desportos por 2 X 1.

O atacante foi a artilheiro do Guarani no Paulistão com 10 gols, sendo cinco deles em cobrança de pênaltis. Foram 30 jogos com o manto “bugrino” e o gol mais lembrado dele foi contra o Corinthians no “Brinco de Ouro”, aos 45 minutos da etapa final, empatando a partida em  1 X 1.

“Parada” participou do amistoso internacional do Guarani contra a Seleção da República Democrática do Congo, antes de se despedir do futebol paulista e do “Bugre Campineiro”.

Após a passagem pelo Guarani em 1967, retornou ao Bangu em 1968. O "Italianinho", como era chamado pelos amigos, merecia um busto em “Moça Bonita”, conforme escreveu em sua crônica André Felipe de Lima.

O blog “Tardes de Pacaembu”, prestou uma bonita homenagem ao ex-craque:

"Parada"… um funileiro em Moça Bonita

Entre carrocerias desmontadas, martelos, lixas, massas, solventes e tintas, o jovem Toninho parecia perder o rumo do trabalho quando imaginava seu nome ovacionado nos grandes estádios.

Nas dias de folga esquecia o macacão manchado de óleo. Saia de casa cedo e encontrava os amigos para jogar nos inúmeros campos de várzea do bairro do Bom Retiro.

Aos 16 anos de idade era um fiapo de gente que mal pesava 58 quilos. Mesmo com tanta intimidade no trato com a bola, Toninho não esperava ir tão longe!

Antônio Parada Neto, que um dia foi chamado de “Pelé branco”, nasceu na cidade de Araraquara (SP), no dia 20 de fevereiro de 1939.

Em 1955 tomou coragem e partiu para uma experiência que certamente lhe custaria o emprego. Incentivado por um amigo carioca, Toninho aventurou-se para um período de testes no Fluminense, quando foi avaliado por um período de 40 dias.

Sem sucesso nas "Laranjeiras", Toninho retornou para o seu ofício de funileiro, em outra oficina é claro. Algum tempo depois conseguiu ser aprovado nos quadros amadores do Clube Atlético Ypiranga.

Centroavante de origem, ora ou outra sentia os efeitos das divididas e dos solavancos dos becões, que tentavam brecar seu talento de qualquer maneira.

Quando o juvenil do Ypiranga goleou o Palmeiras por 6 X 3 dentro do Parque Antártica, os homens do alviverde logo perceberam que precisavam ter um garoto assim em suas fileiras.

No Palmeiras, "Parada" foi aproveitado inicialmente no quadro de Aspirantes. Mas, sua promissora ascensão foi interrompida pelo serviço militar.

"Parada" participou da Seleção Brasileira Militar que venceu o Sul-Americano da categoria em 1959. A forte linha ofensiva era formada por Bataglia, Parada, Pelé, Lorico ou Ariston e Parobé.

Retornando ao Parque Antártica, "Parada" assinou seu primeiro compromisso profissional. O Palmeiras, campeão paulista de 1959, contava um elenco muito forte e dessa forma Parada teve poucas chances de ser efetivado como titular.

No início de 1961, seu nome foi disponibilizado ao lado do companheiro Ismael como parte do pagamento pelo passe do goleiro da Ferroviária, Florisvaldo Rosan.

"Parada" atuou pelo alviverde no período compreendido entre 1957 e 1960. Ao todo, foram 71 partidas com 40 vitórias, 15 empates, 16 derrotas e 19 gols marcados.

Os números foram publicados no Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Depois de duas temporadas de muito sucesso em Araraquara, "Parada" recebeu uma visita inesperada em sua casa. Era o famoso dirigente do Bangu Atlético Clube, Castor Gonçalves de Andrade e Silva.

Quem indicou "Parada" para Castor de Andrade foi o técnico Elba de Pádua Lima, o Tim, que também tinha firmado compromisso com o time de "Moça Bonita".

Com tudo acertado, Castor abriu sua pasta e entregou 50 mil cruzeiros nas mãos de "Parada". O dinheiro era mais do que suficiente para providenciar uma mudança de “mala e cuia” para o Rio de Janeiro.

"Parada" foi um dos grandes nomes do ataque alvirrubro naquela primeira metade dos anos sessenta.

Participou da ótima equipe que ficou na terceira colocação do campeonato estadual de 1963, depois de liderar praticamente todo o certame e perder o título somente nas últimas rodadas.

Em 1964 foi campeão do Torneio Início e vice campeão carioca, posição que também foi repetida na edição de 1965.

No ano seguinte, quando o Bangu foi campeão carioca de 1966, "Parada" já não estava mais no elenco. Vendido ao Botafogo de Futebol e Regatas por 150 milhões de cruzeiros, o jogador teve que abrir mão dos 15% que teria direito na transação.

Jogando pelo time da “Estrela Solitária”, "Parada" foi campeão e artilheiro do Torneio Rio-São Paulo com oito gols marcados.

Com empate na pontuação e falta de calendário para um quadrangular final, o título foi dividido entre Botafogo, Vasco da Gama, Corinthians e Santos.

Ainda em 1966, "Parada" esteve entre os convocados para o período de preparação visando o mundial da Inglaterra.

Em 1967 "Parada" voltou ao futebol paulista para defender o Guarani Futebol Clube. Parada não ficou por muito tempo em Campinas e logo voltou aos gramados cariocas para uma segunda passagem, apenas discreta, pelo mesmo Bangu.

Do Bangu foi novamente para o Botafogo e fez parte do elenco campeão carioca de 1968. Negociado com Sport Club Corinthians Paulista, Parada não se deu bem no "Parque São Jorge".

Foram apenas três partidas disputadas com duas vitórias, uma derrota e nenhum gol marcado. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Mais uma vez no Bangu em 1969, "Parada" percebeu que sua melhor fase no futebol carioca já tinha passado.

Em 1970 foi parar no Amazonas. Primeiramente jogou pelo Nacional Fast Clube e depois pelo Atlético Rio Negro Clube, onde encerrou sua carreira em 1975 com uma grave contusão no joelho. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Morre o criador da "Camisa Canarinho"

Morreu na noite de ontem (15), em Pelotas, aos 83 anos de idade, o jornalista, escritor e professor de Direito, Aldyr Garcia Schlee, um dos maiores contistas da literatura gaúcha. Ele também foi o criador da camisa canarinho da Seleção Brasileira.

Ele havia descoberto  há menos de 15 dias que estava com um câncer que atacou o fígado e parte dos pulmões. Estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa, em Pelotas, onde realizava exames para tomar pé de seu estado de saúde. 

Schlee deixa três filhos, Aldyr, Andrey e Sylvia. Foi casado com Marlene Rosenthal Schlee, já falecida. O sepultamento ocorreu hoje a tarde, no Memorial Pelotas Cemitério Parque.

Reconhecido no campo da literatura como um dos maiores contistas em atividade no Estado, o autor também era famoso por ter criado, em 1953, o uniforme da Seleção Brasileira até hoje em uso pelo time canarinho – apelido, aliás, que só passou a ser usado depois que Schlee fez o desenho da camiseta.

Nascido em Jaguarão em 1934, ele não tinha ainda 20 anos quando criou o desenho verde-amarelo da camiseta brasileira para um concurso promovido pelo jornal carioca “Correio da Manhã”, para substituir o malfadado uniforme branco e azul usado pela Seleção de 1950, derrotada em pleno Maracanã.

Schlee contou que foi na agência da Varig em Pelotas buscar os jornais do dia. Entre eles, o “Correio da Manhã”. Na terceira página, lá estava o seu desenho, com a manchete:  “Esta será a nova camisa do Brasil”. Dizia que ficou louco. Nem soube contar como chegou ao trabalho, revelou em entrevista a “Zero Hora” em 2014.

O episódio da camiseta, contudo, era uma nota de pé de página na trajetória de Schlee, que trabalhou como ilustrador de imprensa e artista gráfico até estrear na literatura nos anos 1980 com “Contos de Sempre”.

Numa produção constante mas sem fanfarras, Schlee publicou 12 livros ao longo de mais de três décadas de carreira literária. Sua obra artística é peculiar e diferente da corrente mainstream da literatura do Estado.

Embora também enfoque com frequência o mundo rural e a mentalidade de fronteira (seus contos costumavam ser ambientados no território entre Brasil e Uruguai), Schlee era ele próprio uma tradição à parte: suas histórias renegavam o ufanismo cetegista e preferiam lançar seu olhar não sobre valentes e tauras, mas sobre as vidas pobres e sofridas à margem, tanto da História oficial quanto do banditismo glamouroso.

A obra de Schlee é bastante extensa. Escreveu os seguintes livros: “Direito de autodeterminação dos povos”, “Linguagem de Fronteira”, “Brasil camisa brasileira”, “Os contos e lendas de João Simões Lopes Netto”, “Glossário de Simões Lopes Netto”, “Linha divisória”, “Os 20 melhores contos de Aldyr Garcia Schlee”, “Fitas de cinema”, “Lembranças de João Simões Lopes Netto”, “Uma terra só”, “Nós, os gaúchos”, volumes 1 e 2, “Nós os teuto-gaúchos”, “Don Frutos”, “Contos da vida difícil”, “Melhores contos do Rio Grande do Sul”, “Para ler os gaúchos”, “O dia em que o Papa foi a Melo”, “Contos de verdades”, “Os limites do impossível: contos gardelianos”, “Histórias ordinárias”, “Contos de Futebol”, “Contos de sempre”, “Memórias de o que já não será”, de contos infantis e “O Outro Lado”, novela.

Aldyr recebeu duas vezes o prêmio da Bienal Nestlé de Literatura Brasileira e foi cinco vezes agraciado com o Prêmio Açorianos de Literatura. Como jornalista, ganhou o Prêmio Esso da categoria e foi o fundador do curso de Jornalismo da UCPel, de onde foi expulso após o golpe militar. Criou o jornal "Gazeta Pelotense" e escreveu para os jornais "Opinião Pública" e "Diário Popular". 

A Feira do Livro de Porto Alegre prestou homenagem ao escritor, às 17 horas de hoje, na Praça dos Autógrafos. A noite, o criador da Camisa Canarinho foi homenageado com um minuto de silêncio, no jogo Brasil X Uruguai, disputado em Londres. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Um grande craque argentino


Juan Román Riquelme foi um dos maiores futebolistas argentinos de todos os tempos. Poderia ter tido uma carreira muito maior, mas sofreu sempre a injustiça de dirigentes e técnicos nos clubes que defendeu.

Nasceu em San Fernando, província de Buenos Aires, no dia 24 de junho de 1978. Seu grande futebol fez com que se tornasse um ídolo da torcida do Boca Juniors, em especial.

Considerado um dos jogadores argentinos mais talentosos de sua geração, combinava habilidade com técnica e visão de jogo apurada, além de ser um excelente cobrador de faltas.

Riquelme conquistou 15 títulos, entre os quais três Copas Libertadores da América. Pela Seleção Argentina, disputou a Copa do Mundo de 2006, a Copa das Confederações de 2005, a Copa América de 2007 e os Jogos Olímpicos de 2008, quando foi o campeão.

Começou a carreira como amador no Argentinos Juniors, antes de se mudar para o Boca Juniors, onde ganhou projeção internacional. Não demorou para seu futebol ser cobiçado pelos grandes clubes da Europa e, em 2002, acertou sua transferência para o Barcelona, da Espanha.

Depois de jogar por um ano no clube catalão, que não vivia um bom momento, se transferiu para o Villarreal, onde foi figura destacada, junto de outros jogadores sul-americanos como o argentino Sorín, o uruguaio Diego Forlán e o brasileiro naturalizado espanhol, Marcos Senna.

Graças a eles, o Vilarreal  chegou a um inédito terceiro lugar no Campeonato Espanhol, na temporada 2004/2005. E isso valeu uma vaga na Liga dos Campeões. Por conta de suas atuações, foi contratado em definitivo pelo clube, que pagou 75% dos direitos do jogador.

E Riquelme não decepcionou, tendo sido o grande destaque da equipe que alcançou a semifinal da competição em sua primeira participação na história.

O Vila eliminou gigantes do velho continente como Manchester United, da Inglaterra e Internazionale, de Milão, Itália. Mas depois de errar um pênalti no jogo da semifinal contra o Arsenal, que custou a eliminação do clube, Riquelme nunca mais teve o mesmo sucesso pela equipe espanhola.

Ao fim da temporada disputou pela Seleção Argentina a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Vestiu a Camisa 10 e foi o principal nome do time.

O jogador sonhava em ajudar seu país a ser tricampeão mundial, mas foi eliminado da competição nos pênaltis, nas quartas de final para a Alemanha, frustrando toda a nação argentina.

Depois da Copa a permanência de Riquelme no Vilarreal se tornou difícil, mesmo tendo sido o maior responsável pelo clube ter chegado a campanha continental mais importante de sua história.

O jogador teve sérios desentendimentos com o técnico do time, o chileno Manuel Pellegrini, que o fizeram ser afastado da equipe. Sem clima e com uma relação totalmente desgastada, regressou em fevereiro de 2007 ao Boca Juniors, sendo contratado por empréstimo de apenas seis meses e recebendo um dos maiores salários da América do Sul

Nesse pequeno período em sua volta ao Boca Juniors, Riquelme se destacou na campanha da Copa Libertadores da América, tendo realizado jogos magníficos e inesquecíveis nas finais contra o Grêmio, que rendeu ao jogador seu terceiro título da competição continental pelo clube, o sexto na história do Boca Juniors, e de quebra ainda foi eleito o craque do campeonato.

Findo o empréstimo, voltou ao Villareal. Como o clima no clube continuava o mesmo, Riquelme não foi aproveitado durante todo o segundo semestre de 2007. E disse que aceitaria ganhar menos para voltar ao Boca Juniors, o clube de seu coração.

Finalmente, em janeiro de 2008, ele foi negociado em definitivo com o Boca Juniors. Mas o imprevisto aconteceu:  depois que o Boca perdeu para o Corinthians na decisão da Copa Libertadores da América de 2012, o jogador não queria continuar na Bombonera. Mas acabou cedendo e ficando no clube.

Em julho de 2014, assinou com o Argentinos Juniors, clube que o revelou para o futebol, antes de se destacar com a camisa do Boca. Assinou por 18 meses. Acabou por marcar seu primeiro gol na estreia pelo clube. Riquelme anunciou sua aposentadoria em janeiro de 2015, após 18 partidas e cinco gols.

Pela seleção argentina, teve grande trajetória. Disputou a Copa do Mundo de 2006, e antes fora destaque desde as categorias de base. Sua principal conquista foi a medalha de ouro olímpica, alcançada em 2008, quando foi convocado como um dos três jogadores acima da idade permitida nos Jogos Olímpicos.

Antes de Diego Maradona assumir a direção técnica, Riquelme era o camisa 10 da seleção argentina, que disputava as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. Com problemas de relacionamento com o técnico, também ídolo argentino e do Boca Juniors, Riquelme se recusou atuar na seleção.

Alegou que o posicionamento que o colocava em campo, não o fazia render tudo que poderia. Diego Maradona acabou passando a camisa 10 para Lionel Messi, que não conseguiu levar a Argentina além das quartas de final na Copa, tendo sido eliminada novamente pela Seleção Alemã, dessa vez com uma goleada vergonhosa por 4 X 0.

Após a Copa do Mundo, Diego Maradona deixou o comando da seleção, o que fez com que Riquelme abrisse as portas para seu retorno a equipe nacional, tendo afirmado publicamente estar a disposição do então novo técnico da equipe, Sergio Batista.

Mas o técnico acabou sendo demitido após a Copa América de 2011, sem nunca o ter chamado.

Títulos. Boca Juniors: Campeão Argentino, Clausura (1998, 1999, 2000, 2001, 2008 e 2011); Copa Libertadores da América (2000, 2001, 2007); Copa Intercontinental (2000); Recopa Sul-Americana (2008); Copa Argentina ( 2011 e 2012). Villarreal: Copa Intertoto da UEFA (2003 e 2004); Barcelona: Troféu Joan Gamper (2002 e 20030; Seleção Argentina: Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20 (1997); Campeonato Mundial de Futebol Sub-20 (1997); Torneio Internacional de Toulon (1998); Ouro nos Jogos Olímpicos (2008).

Individuais. Revelação do Campeonato Argentino (1997); Revelação de Ouro - Clarín de Ouro (1997); Consagração de Ouro - Clarín de Ouro (2000 e 2001); Equipe Ideal do Sul-Americano Sub-20 (1997); Torneio de Toulon - Melhor jogador (1998); Melhor jogador das Américas (2000 e 2001); Melhor jogador estrangeiro da Liga BBVA - Don Balón (2004-2005); Jogador mais técnico e habilidoso da Liga BBVA - Diário Marca (2004-05); Jogador com mais assistências da Liga BBVA (2004-05); Melhor jogador da Liga BBVA - por comentaristas e jogadores do Diário Marca (2004-05); Melhor jogador argentino no estrangeiro  - Clarín de Ouro (2005); Bola de Prata da Copa das Confederações (2005); Equipe Ideal das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA (2006); Jogador com mais assistências na Copa do Mundo FIFA (2006); Bola de Prata da Copa América (2007); Equipe Ideal da Copa América (2007); Jogador com mais assistências da Copa América (2007); Chuteira de Prata da Copa Libertadores (20070; Melhor jogador da final da Copa Libertadores (2001 e 2007); Melhor jogador da Copa Libertadores (2000, 2001 e 2007); Melhor jogador da América - Fox Sports (2007 e 2008); Consagração do Campeonato Argentino - (Clarín de Ouro (2000, 2001, 2007, 2008 e 2011); Seleção Ideal das Américas (1999, 2000, 2001, 2007, 2008 e 2011); Jogador argentino do ano - OlÍmpia de Plata (2000, 2001, 2008, 2011); Melhor jogador do ano – Olé (2012) e Seleção da Copa Libertadores (2000, 2001, 2007, 2008, 2012)

Outros. Jogador não-atacante com mais gols na Copa Libertadores; Eleito o melhor jogador da história do Boca Juniors (por sua torcida); Eleito o melhor jogador da história do Villareal (de presidente para o mundo inteiro); Nominado a Bola de Ouro e melhor jogador do mundo da FIFA e France Football (2005, 2006, 2007 e 2008); Segundo melhor batedor de faltas do mundo pela FIFA (2008); Nominado a Bola de Ouro da Copa do Mundo FIFA (2006); Sexto melhor jogador do Mundo - World Soccer (2005); Sétimo melhor jogador do Mundo - World Soccer (2006); Quinto melhor jogador do Mundo - World Soccer (2007 - Jogando nas Américas);  Quarto melhor criador de jogadas do mundo – IFFHS (2007 - Jogando nas Américas); Terceiro maior artilheiro do mundo – IFFHS (2007 - Jogando nas Américas); e Seleção de todos os tempos da Copa Libertadores.

O destino de Riquelme parecia incerto, mas o jogador decidiu dar um fim à expectativa por seu futuro. Em 2015, durante entrevista , após um semestre atuando pelo Argentinos Juniors, o ex-atleta do Boca Juniors e da seleção argentina anunciou sua aposentadoria.

“Para mim é um dia, não sei se importante, mas especial, no qual tomei a decisão de não jogar mais futebol. Esperei 20 a 30 dias. Depois de subir com Argentinos (Juniors), que era o objetivo, e meu representante falar com todos os clubes. Para seguir jogando teria que ser algo que me interessasse, me motivasse. 

Depois de subir com o Argentinos, de haver cumprido todos os jogos com a camisa do Boca, me parecia que o melhor era fazer com calma e comunicar que não vou jogar mais. Parece que é o melhor - disse ele, visivelmente emocionado, em conversa com o canal "ESPN" da Argentina.

O lendário camisa 10 disse que tomou a decisão de não jogar mais por não encontrar nenhuma proposta motivadora. Sobre a negociação com o Cerro Porteño, ele garantiu que não havia nada de concreto, apesar das informações de que ele era esperado no Paraguai para a assinatura do contrato. Juan Román Riquelme fez o anúncio aos 36 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Uma história emocionante

Rooie Marck, de 54 anos, era um fanático torcedor do Feyenoord, time de futebol da Holanda. Fumante inveterado estava em estado terminal de um câncer no pulmão e de cama, quando teve a maior surpresa de sua vida, ver seu time começando uma nova temporada. Foi a melhor despedida que poderia imaginar.

No dia 26 de julho de 2013, ele chegou ao Estádio De Kuip, completamente lotado, deitado em uma  maca, sentindo o calor da torcida nas arquibancadas, que viera prestigiar um treinamento do time. Já era tradição os adeptos do Feyenoord aparecerem em grande número para assistir à primeira sessão de treinos da pré-temporada. Mas desta vez houve uma diferença.

Rooie Marck, torcedor vitalício do clube, ao saber que tinha poucos dias de vida, revelou a familiares e amigos que o seu último desejo antes de morrer era ver o Feyenoord novamente.

Rooie observava aquilo tudo sabendo que estava em seus últimos momentos de vida. De repente, desceu uma faixa do setor oposto com uma imagem dele próprio e mensagens de apoio. 

Emocionado, e com os olhos cheios de lágrimas, Rooie foi levado até a multidão, que estava cantando “You´ll never walk alone” (Você nunca andará sozinho). Ele se levantou e ficou diante da massa que sabia da sua história e cantou seu nome.
Já no campo, vestido com as cores de sua equipe, ele recebeu a ovação do público, a saudação de cada jogador da equipe e um abraço enérgico do treinador Ronald Koeman. Tudo foi gravado em vídeo.

Tragicamente, Rooie morreu apenas três dias depois da visita que fez ao seu time do coração. Antes de morrer deixou uma carta de despedida. Frequentador de um fórum do Feyenoord chamado “Lunatic News”, Marck agradeceu pelo carinho e teve suas últimas palavras publicadas pelo site oficial do clube de Roterdã:

“Caros camaradas, quero agradecer a todos pelo grande momento e pelo carinho recebido, as amizades que tive e toda a atenção dada a mim. O tributo dos últimos dias me deixou muito impressionado. Aliás, não só a mim, como a minha esposa Marion e meu filho Joey. 

Obrigado a todos, desde familiares, amigos, pessoas que conheci apenas de vista e aos desconhecidos que estiveram nas bancadas. Agora parto como uma pessoa feliz e abençoada para o meu novo mundo. Adeus e um grande beijo”.

Mas o clube e seus fãs certamente o deixaram com uma lembrança especial. Para quem ama o futebol ou vive dele, se despedir de todo um ciclo dias antes da morte dentro de um campo de futebol parece ser um adeus e tanto.

Certa vez, torcedores do Cúcuta, na Colômbia, inventaram moda e levaram o caixão de um amigo (sim, com ele dentro) para as arquibancadas numa partida da equipe pelo campeonato local. 

Sem limites para esse tipo de manifestação de amor, um holandês protagonizou o que talvez seja uma das histórias mais bonitas do futebol. (Pesquisa: Nilo Dias)

Rooie foi ajudado por seus amigos a caminhar pelo campo e agradecer aos torcedores e jogadores, pelo apoio dado a ele.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

"Biro-Biro", o "Deus da Raça"

Antônio José da Silva Filho, mais conhecido como “Biro-Biro” nasceu em Olinda (PE), no dia 18 de maio de 1959. Jogava como meia e é considerado até hoje um dos maiores ídolos da história do Corinthians. Os torcedores o chamavam de "Deus da Raça".

Iniciou a carreira futebolística no Sport e ficou nacionalmente conhecido em 1978, ano de sua contratação pelo Corinthians, principalmente, pela declaração do presidente Vicente Matheus, que disse na imprensa que teria contratado um tal de “Lero-Lero”.

Com as características de muita aplicação tática em campo e grande preparo físico, conquistou a torcida corinthiana, adquirindo muito carisma. Disciplinado dentro e fora de campo, exercia certa liderança na equipe tanto que participou da “Democracia Corinthiana”, movimento político iniciado no começo da década de 80 pelos jogadores do clube, ao lado de Sócrates, Casagrande e Wladimir.

Em 1989, deixou o Parque São Jorge para jogar na Portuguesa de Desportos, onde não brilhou. Também atuou no Guarani, de Campinas e Clube do Remo, de Belém do Pará, antes de encerrar a carreira.

Foi campeão paulista em 1979, 1982, 1983 e 1988. Na final do Campeonato Paulista de 1982 fez dois gols na vitória de 3 X 1 contra o São Paulo contribuindo na conquista do título. Quando parou de jogar foi treinador de futebol, carreira na qual comandou o Grêmio Mauaense, Atlético Tupi, de Gaspar (SC), Barra do Garças, Francana e Guarujá.

Títulos. Corinthians: Campeão Paulista (1979, 1982, 1983 e 1988); Campeão da Taça Governador do Estado de São Paulo (1977 e 1984); Campeão da Copa Feira Internacional de Hidalgo, México (1981); Campeão do Torneio Laudo Natel (1973); Campeão do Torneio do Povo (1971); Campeão da Taça Cidade de Porto Alegre (1983); Campeão da Copa dos Campeões (1984); Campeão do Torneio Internacional de Verão (1985) e Campeão da Copa das Nações, nos EUA (1985); Clube do Remo: Campeão  Paraense (1993 e  1994).

Um fato curioso é que quando chegou ao Parque São Jorge era época de eleição para o Senado, e o seu nome foi um prato cheio para os eleitores que o “elegeram” escrevendo o seu nome na cédula, mesmo sem ele ser candidato a nada.

Depois de deixar os gramados enveredou pelos caminhos da política, elegendo-se vereador em São Paulo para o quadriênio 1989—1992, pelo PDS, quando foi membro da Assembleia Constituinte Municipal que promulgou a Lei Orgânica do Município de São Paulo.

Em 2006 candidatou-se a deputado federal pelo PSC, mas não foi eleito como também não foi eleito em 2004 a vereador de Mongaguá, cidade do litoral paulista, recebendo apenas dois votos.

Atualmente, ele é assessor parlamentar de um deputado na Assembléia Legislativa de São Paulo. Depois de seguidas derrotas políticas, “Biro-Biro” decidiu não ser mais candidato, preferindo ficar apenas como assessor parlamentar.  

Foi também  professor de futebol no Centro Esportivo Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), da rua Canuto de Abreu, no Tatuapé, na capital paulista. Nas horas vagas costuma também bater uma bolinha nos masters do Corinthians.

Em abril de 2008 a Coca-Cola anunciou a campanha “Quem Foi o Melhor?”, pela qual os consumidores do refrigerante supostamente fariam a escolha entre “Maradona” ou “Biro-Biro”. 

A votação se dava por meio de tampinhas de garrafas de Coca-Cola em urnas espalhadas em pontos comerciais. O resultado, anunciado ao final da campanha, deu vitória a “Biro Biro”, por um voto de diferença.

O ex-jogador fez 590 partidas pelo Corinthians. Número esse que o coloca como quinto jogador que mais vezes defendeu o clube. Foi também o volante que mais vezes marcou pelo Corinthians, um total de 75 gols.

No mesmo ano da conquista do Campeonato Paulista de 1988, ele foi eleito vereador de São Paulo com expressiva votação da Fiel torcida. Com a popularidade que tinha dentro e fora de campo, recebeu 80 mil votos para o Senado em um protesto contra o regime militar.

“Biro-Biro” era uma das bases da chamada “Democracia Corinthiana”. Os gols mais lembrados dele são três: o de canela em cima do goleiro palmeirense Gilmar, na semifinal do Paulista de 79, e os dois contra o São Paulo, na final do Paulistão de 82. É casado com uma sobrinha de Vicente Matheus e pai de três filhos. (Pesquisa: Nilo Dias)



segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Morre ex-jogador do Figueirense

Morreu na noite de sábado (6/10) o ex-jogador Ramon Costa, revelado pela base do Figueirense, de Florianópolis (SC). Ele tinha 31 anos de idade e sofreu uma parada cardiorrespiratória quando participava de um jogo de futebol suíço entre amigos, na cidade de Araranguá, no Sul do Estado.

Conforme os colegas do jogador, ele havia treinado durante a tarde de sábado no Araranguá e a noite foi para a partida de futebol, em um gramado sintético da cidade. Após quatro minutos de jogo, e ter marcado dois gols, não se sentiu bem e caiu em campo.

O juiz parou o jogo e Ramon chegou a ser conduzido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o hospital, mas não resistiu. Os médicos tentaram por mais de uma hora a ressuscitação do atleta, sem êxito.

Em 2007 ele ganhou notoriedade ao marcar três gols no rival Avaí. A partir dai passou a ser conhecido como o “rei dos clássicos”, pois sempre costumava anotar gols contra o tradicional adversário.

Naquele mesmo ano fez parte do elenco do Figueirense que se sagrou vice-campeão da Copa do Brasil, perdendo o jogo final para o Fluminense, do Rio de Janeiro. Jogou ainda pelo Caravaggio, do distrito de igual nome, em Nova Veneza, que disputou o Campeonato Regional da Liga Atlética da Região Mineira (Larm) e Metropolitano, de blumenau.

Em 2009, o atleta teve de encerrar a carreira profissional, ao descobrir que tinha sérios problemas cardíacos. Mas não abandonou o futebol definitivamente, pois defendia o time amador do Araranguá, equipe de sua cidade natal.

Ainda este ano participou do Campeonato Municipal de Futebol Amador de Criciúma, defendendo o time do Boa Vista.

Em seu perfil social na internet, Ramon mantinha fotos da época de profissional, com registros do time do Figueirense de 2007. Os ex-companheiros André Santos e Felipe Santana usaram as redes sociais para expressar o luto pela morte.

O jogador deixou a esposa e um filho. O velório aconteceu no cemitério municipal Cruz das Almas, que fica na Avenida Getúlio Vargas, em Araranguá – ao lado do Supermercado Angeloni. O enterro foi às 16 horas de domingo. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O homem bomba

Éder Aleixo de Assis, mais conhecido como Éder ou ainda Éder Aleixo, foi um dos grandes ponteiros esquerdos do futebol brasileiro, em todos os tempos. Nasceu em Vespasiano (MG), no dia 25 de maio de 1957.

Sua infância em Vespasiano foi sempre jogando bola. Isso lhe ajudou muito. Até porque seu pai foi jogador profissional e o incentivava muito. Teve a oportunidade de ser descoberto pelo “Biju”, que era o treinador do América. E o América treinava em Vespasiano e foi convidado para treinar no América aos 13 anos.

A sua vitoriosa carreira teve início nas categorias de base do América Mineiro.  Mas atingiu o auge no Grêmio Portoalegrense e no Atlético Mineiro. Em 1977 foi contratado pelo Grêmio Portoalegrense, onde foi campeão gaúcho em 1977 e 1979. Tem uma história no Grêmio em que Éder se apresentou ao clube com o braço enfaixado, pois havia sido vítima de um tiro.

Estava de férias em belo Horizonte. Ele estava com o então atleta e hoje técnico, Marcelo Oliveira. Havia recém voltado da praia. E ele até iria dormir na casa de Éder. Mas antes foram num barzinho na rua Paraíba.

Já estava indo embora, cada um no seu carro. Foi quando Éder ouviu Marcelo pedindo socorro, pois estava sendo assaltando. Éder foi para cima dos caras que lhe deram dois tiros, e correram.  Quando ele foi levantar o Marcelo, sentiu o sangue jorrando.

Tem até hoje essas duas marcas no braço. Foi para o hospital, lúcido. Lá lhe mostraram as duas marcas e fez a cirurgia. Tinha 21 anos, foi em 1978. Havia ficado na lista dos 40 jogadores do Cláudio Coutinho, para a Copa da Argentina. Ele e Falcão.

O Telê, que era o técnico, chegou no hospital. Éder estava na enfermaria, ao lado de outras vítimas de um acidente num viaduto. Telê  chegou querendo lhe tirar de lá, leva-lo para um apartamento.  Mas não quis. Há quem diga que foi uma briga que o ponta estava envolvido ao sair de uma boate.

Dois anos depois (1979), teve seu passe adquirido pelo Atlético Mineiro. Evidente que sua troca foi facilitada pelo fato de Éder ser atleticano apaixonado desde criança, e viria a se tornar o grande “Canhão Mineiro”. O jogador viveu no Atlético a fase mais bela e polêmica de sua carreira no futebol.

Pouco motivado no Grêmio, Éder conseguiu a inimaginável façanha de bater os sagrados Reinaldo e Cerezo na preferência da massa atleticana. Nesta mudança para Belo Horizonte, abandonou alguns vícios, deixou de fumar, por exemplo, adquiriu alguns hábitos saudáveis, passou a treinar mais e dedicou atenção especial ao desenvolvimento de seu chute.

Em consequência, começou a marcar gols olímpicos e suas cobranças de falta tornaram-se mortais. Só não conseguiu mudar o temperamento explosivo. Acumulou 25 expulsões só no “Galo”. 

Éder, bonito e namorador, chamava a atenção das mulheres e era visto com freqüência em bares noturnos e boates da capital mineira.
Ao chegar no “Galo”, em 1980, não gostou de ser reprimido pelo técnico Procópio Cardoso por enfeitar jogadas e mandou na lata:

"Não se mete no meu jogo". Em reportagem de abril de 1981, a revista “Placar” assim descreveu o gênio forte do camisa 11: "Era rebelde, xingava cartolas, brigava com técnicos, desrespeitava adversários, treinava pouco".

A lista de brigas de Éder vai desde Casagrande (sendo reprimido num Atlético x Caldense) até socos que lhe valeram um lugar na Copa de 1986. Brigou com companheiros de próprio clube e marcadores dos rivais. Temperamento explosivo, tal qual a maneira de fuzilar os goleiros. Porém, soube dosar e amenizar sua imagem de vida boêmia com seu belíssimo desempenho em campo, sempre com jogadas espetaculares e gols incríveis.

Foi no alvinegro mineiro que passou a maior parte de sua carreira. Suas grandes atuações valeram muitas convocações para a Seleção Brasileira.  Vestiu a “Canarinho” em 52 partidas, entre 1979 e 1986, sendo cinco não oficiais. Esteve na “Copa do Mundo”, de 1982. Seu apelido era “Canhão”, uma vez que era dono de um chute muito potente.

Sua presença na Copa de 1986 era quase certa, uma vez que o técnico Evaristo de Macedo bancou Éder no elenco titular. A última partida do meio-campista foi contra o Peru, em abril. O "Bomba" deu um soco no rosto do lateral peruano Castro e foi expulso pelo árbitro Arnaldo Cezar Coelho. Foi a pá de cal para a carreira internacional de Éder, que não foi convocado para a Copa.

No entra e sai no clube mineiro – foram quatro passagens -, sendo a mais conhecida entre 1979 e 1985, quando conquistou cinco títulos estaduais, 1980, 1981, 1982, 1983 e 1985 e ainda o “Torneio de Paris de Futebol”, em 1982. Éder também foi agraciado com a “Bola de Prata”, do Campeonato Brasileiro de 1983.

Depois de uma frustrada passagem pelo futebol turco, onde defendeu o Malatyaspor, Éder retornou ao Atlético em 1989, tendo conquistado apenas um título, o de campeão do “Troféu Ramón de Carranza”, em 1990. Éder Aleixo vestiu a camisa do “Galo Mineiro”, por 368 vezes e marcou 122 gols.

Antes, havia passado por Internacional, de Limeira, Palmeiras e  Santos, todos de São Paulo, Sport Recife, Botafogo,do Rio de Janeiro, Atlético Paranaense e Cerro Porteño, do Paraguai, também sem sucesso.

Quase encerrando a carreira, Éder jogou de novo no Atlético Paranaense, em 1991, e pelo União São João, de Araras (SP), onde ficou até 1992. Teve ainda uma curta e surpreendente passagem pelo Cruzeiro, de Belo Horizonte, em 1993, quando conquistou sua única “Copa do Brasil”.

Defendeu o Atlético pela derradeira vez entre 1994 e 1995, ano em que voltou a atuar pelo União São João, onde permaneceu por um ano. Já sem a qualidade de antigamente, Éder passou alguns meses no Conquista (BA) e no Gama (DF). Em 1997, foi contratado pelo Montes Claros, quando já tinha 39 anos de idade. Éder encerrou a carreira pouco depois.

Hoje em dia, é empresário e comentarista esportivo na TV Globo, em Minas, e também dono de várias escolinhas de futebol. Chegou a trabalhar como diretor de futebol do Atlético até 2004.

Em janeiro deste ano o Atlético Mineiro criou o “Projeto Galo Forte”, que tem como objetivo buscar mais ajuda na base atleticana. Essa nova criação permitirá a observação de todas as camadas jovens do clube, o que irá ajudar no trabalho de montagem e observação de jogadores. O coordenador do projeto é o ex-jogador do clube Éder Aleixo.

Títulos. Grêmio. Campeão Gaúcho (1977 e  1979). Atlético Mineiro. Vice Campeão Brasileiro (1980); Campeão Mineiro (1980, 1981, 1982, 1983, 1985, 1989 e 1995); Campeão do “Troféu Brasília 21 anos” (1981); Campeão do “Torneio de Paris”, França (1982); Campeão do “Torneio de Bilbao”, Espanha (1982); Campeão do “Torneio de Berna”, Suíça (1983); Campeão da “Taça Tancredo Neves” (1983); Campeão do “Torneio de Amsterdã”, (1984); Campeão da “Taça 40 anos do Sindicato dos Jornalistas” (1985); Campeão do “Troféu Sérgio Ferrara” (1985) e Campeão do “Troféu Ramón de Carranza”, Espanha (1990).

Cruzeiro. Campeão da “Copa do Brasil” (1993); Seleção Brasileira. Terceiro lugar na “Copa América” (1979); Segundo lugar no “Mundialito”, de Montevidéu, Uruguai (1980); Campeão da “Taça da Inglaterra” (1981). Campeão da “Taça da França” (1981); Quinto lugar na “Copa do Mundo” (1982); Campeão do “Troféu Sport Billy Time”, fair play da Copa do Mundo (1982) e Segundo lugar na “Copa América” (1983).

Participou da goleada histórica do Atlético em cima da Seleção da Colômbia por 6 X 1, no “Mineirão”, dando um verdadeiro show com suas bombas, sendo um dos heróis do massacre.

Essa apresentação foi só uma das que deixaram Telê Santana convicto de que Éder deveria figurar entre os craques da Seleção Brasileira de 1982 na Copa do Mundo.

Prêmios: Revelação do Campeonato brasileiro (Oficial) (1980); “Bola de Prata” do Campeonato Brasileiro (1983) e 3º Maior Futebolista Sulamericano do ano - El Mundo – Venezuela (1983).

Também foi acusado de ganhar dinheiro para correr em direção a uma determinada placa de propaganda quando comemorasse seus gols, o que o teria levado a não passar bolas para companheiros mais bem colocados, na ambição mais de dinheiro que pelos gols. Fez parte do "Galo Hexa", maior seqüência já alcançada em Minas Gerais na era profissional.

Em 1982, no “Mundial na Espanha”, a tristeza da derrota para a Itália foi compensada pelo ego vaidoso do ídolo mulherengo que recebeu 16 mil cartas femininas.

Seu futebol, cobiçado por clubes do mundo inteiro, foi alvo do Hajmn, um clube do Emirados Árabes Unidos, que ofereceu sete milhões de dólares pelo ponta-esquerda.

Se aceita, seria a mais vultosa transação de toda a história do futebol até aquele momento, depois da compra do argentino Maradona pelo Barcelona por oito milhões de dólares.

O então presidente do Atlético, Elias Kalil recusou a proposta com certa serenidade. Kalil agiu com o coração de torcedor e constatou que Éder era insubstituível, pois apesar de todo aquele dinheiro na mão, não conseguiria comprar nenhum jogador que chutasse como ele.

Carreira no Atlético. Jogos: 368; Vitórias: 219; Empates: 84; Derrotas: 65; Gols: 122; Estreia: Atlético 1 X 1 São Paulo, em 3 de fevereiro de 1980; Último jogo: Atlético  3 X 1 Cruzeiro, em 4 de junho de 1995. (Pesquisa: Nilo Dias)



terça-feira, 2 de outubro de 2018

Tragédia em campo de futebol no Maranhão

Em 30 de junho de 2013 aconteceu em Centro do Meio, um povoado no interior da cidade de Pio XII, no Maranhão, onde moram cerca de 200 pessoas, uma das maiores barbáries vistas até hoje num campo de futebol. 

O jogo entre duas equipes amadoras da cidade acabou com a morte de duas pessoas, o jogador Josenir dos Santos Abreu (o "Mimi"), de 31 anos, funcionário dos Correios e membro do Movimento Jovem de Pio XII, que foi esfaqueado no peito pelo árbitro da partida, Otávio Jordão da Silva de Catanhede, de 20 anos, morador do Povoado Centrinho, que teve a cabeça decepada por torcedores que invadiram o campo.

Tudo começou quando Josenir foi expulso do jogo por Otávio. Os dois discutiram e entraram em luta corporal. Josenir acertou um soco em Otávio, que na defensiva desembainhou uma faca, e golpeou o agressor várias vezes. O jogador morreu a caminho do hospital.

Ao saberem da morte de Josenir, seus companheiros se revoltaram, amarraram e mataram o arbitro a pauladas. Um compadre de Josemir utilizou uma foice para cortar o assassino em pedaços, separou a cabeça do corpo e colocou numa estaca, uma verdadeira cena de terror.

Segundo populares, os dois homens mortos, eram pessoas tranquilas, sem históricos negativos na cidade. Após os crimes, moradores da localidade se dizem "amaldiçoados". As cenas macabras foram registradas por dezenas celulares, mas até hoje ninguém viu uma imagem sequer.

O principal culpado pela morte de Otávio, foi Luis Moraes de Sousa, de 27 anos, preso pela Polícia Civil de Santa Inês, no município de Conceição do Lago Açu, a 33 quilômetros do local onde ocorreu o crime.

Segundo a polícia, Luís confessou ter iniciado o espancamento de Otávio e ainda confirmou a participação de mais duas pessoas: Francisco Edson Moares de Sousa, que teria esquartejado a vítima, e Josimar de Sousa, que teria participado do assassinato.

O município de Pio XII está situado a cerca de 270 km de São Luís, capital do estado do Maranhão. Possui uma população de cerca de 23 mil habitantes. A agricultura e a pecuária são a base de sua economia. 

Seus indicadores sociais são preocupantes: enquanto que no Brasil o índice de analfabetos com mais de 15 anos é de 13,63%, no Maranhão é de 28,39%. Em Pio XII esse número chega a 43,52%; enquanto a taxa de mortalidade infantil no Maranhão é de 54,2 em cada 1.000 nascidos vivos. Em Pio XII esse número sobe para 72,1 por mil.


O jogador Josenir dos Santos Abreu, o "Mimi".

O árbitro Otávio Jordão da Silva de Catanhede.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O primeiro jogo oficial de futebol no Rio de Janeiro

Nenhum dos chamados grandes clubes do Rio de Janeiro teve participação direta no começo da história do futebol no Estado. Flamengo, Vasco e Botafogo já existiam, mas nenhum se dedicava ao futebol. O Fluminense ainda não havia sido fundado, o que só ocorreu em 1902.

Foi á 117 anos atrás, mais precisamente no dia 22 de setembro de 1901 que se enfrentaram os times do Paissandu, fundado em 1892 e do Rio Cricket and Athletic Association, criado em 1896, e até hoje ativo em Niterói, em jogo que teve a duração de 40 minutos e terminou empatado em 1 X 1. 

A partida foi organizada por Oscar Cox em Icaraí, Niterói. Como o esporte não era muito popular na época, o clássico não lotou o estádio e contou com a presença de apenas 15 pessoas: 11 tenistas que estavam por lá e quatro parentes dos futebolistas. Cox não foi apenas o organizador do jogo, mas também o treinador das duas equipes.

As roupas eram parecidas com as do críquete e os times só se diferenciavam pelas bermudas. O árbitro, por sua vez, usava a mesma vestimenta dos atletas e só se distinguia por causa de um blazer preto.

Nesse dia e com essas equipes teve início a história do futebol no Rio de Janeiro. O gol a favor do Rio Cricket não se sabe quem fez, não ficou registrado. Mas o dos cariocas foi marcado por Júlio de Moraes, tempos depois um dos fundadores do Fluminense Futebol Clube. 

Os jornalistas da época, ainda não acostumados com o novo esporte, lamentaram o resultado do jogo, dizendo que se tratava de um absurdo.

O escritor Leonardo Affonso de Miranda Pereira, carioca radicado em São Paulo, autor do livro "Footballmania – uma história social do futebol no Rio de Janeiro", da editora Nova Fronteira, foi quem descobriu a data verdadeira desse jogo. Até então se pensava ter sido ele disputado no dia 1 de agosto. A verdadeira data foi achada em um exemplar antigo do jornal “Correio da Manhã. 

Esse é oficialmente considerado o primeiro jogo de futebol organizado no Rio de Janeiro, como times uniformizados, bola padronizada e campo oficial. Mas antes ocorreram outras manifestações desse esporte, como por exemplo, a presença de marinheiros ingleses, em 1874, jogando futebol na praia da Glória.

E em 1882 no antigo Colégio Paixão, do professor José Ferreira Paixão, na rua do Palatinato, em Petrópolis, jogava-se futebol por iniciativa de um dos educadores, senhor Alexandre, velho professor de inglês.

Graças a feliz iniciativa do "Mister Alexander" o Brasil eventualmente pode ter sido o terceiro país no mundo, atrás apenas da Inglaterra e dos Estados Unidos, a praticar esse esporte.

Existem indícios de que a cidade de Petrópolis, consequentemente o Estado do Rio de Janeiro, poderia ter sido o primeiro local na América Latina onde ocorreu uma partida de futebol envolvendo latino-americanos, ainda em 1882, segundo o prestigioso jornal carioca “Correio da Noite”, que existiu até 1953.

Há registros sobre a possibilidade de ter havido partidas com bola no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, nos primórdios do futebol, em 1883.

Na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1893, ingleses que trabalhavam na Leopoldina Railway e em bancos do Reino Unido, disputavam jogos de futebol em um capinzal que se localizava na rua Paissandu, no bairro de Laranjeiras.

Há relatos de partidas com bola no bairro carioca de Bangu, desde 1894, promovidas por um escocês, Tomas Donohoe.

Em 1896, o padre Gonzales, vindo da Europa, teria trazido consigo as regras do futebol, ministrando aos alunos do Colégio São Vicente de Paula, na então Westphália (atual região da avenida Barão do Rio Branco em Petrópolis). (Pesquisa: Nilo Dias)

Oscar Cox, o introdutor do futebol no Rio de Janeiro, (Foto: Divulgação)