Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CEUB, um time que deixou saudade

O futebol de Brasília até hoje não se consolidou. Entre altos e baixos continua ocupando uma posição apenas intermediaria no cenário nacional. É verdade que depois de muitos anos conseguiu participar de recentes campeonatos brasileiros da Série A com S.E. Gama e Brasiliense F.C.. Foram passagens rápidas e sem qualquer brilho, com durações efêmeras de apenas uma temporada e o retorno rápido a Série B.

Muita gente credita a pouca evolução do futebol de Brasília ao fato da cidade ser muito nova, e a maioria de seus moradores torcer por clubes de outros Estados. E isso é um fato incontestável. Nos jogos em Brasília, os adversários quase sempre levam mais torcedores aos estádios, que os clubes locais.

A primeira edição do campeonato da nova capital federal foi disputada em 1959. A cidade nem havia sido fundada, mas os operários que trabalhavam nas obras de construção de Brasília já haviam organizado seus times. O campeão foi o Grêmio Brasiliense. Depois disso, o domínio passou a Defelê e Rabelo. O Defelê, inclusive, foi o primeiro time a defender Brasília em uma competição nacional, no caso, a Taça Brasil de 1963. Foi eliminado na primeira fase pelo Vila Nova de Goiás.

O Brasiliense já foi visto como um fenômeno esportivo pelo rápido crescimento. O clube surgiu em 2002, quando o empresário e ex-senador Luiz Estevão comprou o Atlântida F.C., de Taguatinga. Em 2002 foi vice-campeão da Copa do Brasil, após eliminar equipes como o Atlético Mineiro e Fluminense e perder a final para o Corinthians, em jogo que até hoje gera polêmica.

É o detentor do maior número de conquistas estaduais consecutivas no Centro-Oeste, com 6 títulos ganhos entre 2004 e 2009 desbancando o maior rival, Gama que tinha 5 títulos consecutivos entre 1997 e 2001.

Mas o Brasiliense mesmo assim não conseguiu se firmar até hoje como uma instituição forte e vitoriosa. Ainda luta para tentar retornar a elite do futebol brasileiro, mas não tem conseguido êxito, talvez mais pelas intromissões de seu dono, o ex-senador Luiz Estevão. É ele quem contrata e manda embora, muitas vezes sem qualquer lógica. A cada ano passa quatro ou cinco treinadores pelo clube, o que torna impossível qualquer projeto duradouro de time.

A situação do Gama é ainda pior. Teve seus anos de predominância no futebol de Brasília, graças às generosas verbas públicas que recebia. Até um estádio novo ganhou, construído com dinheiro público, que hoje é um verdadeiro elefante branco. O Gama foi parar na quarta divisão do futebol brasileiro. E parece que o seu destino só tende a piorar nos próximos anos.

O Brasília E.C., fundado em 1975 foi durante algum tempo sustentado pela Associação Comercial do Distrito Federal. Isso lhe garantiu a hegemonia no futebol candango, com oito títulos entre 1976 e 1987. Com o passar dos anos também afundou numa série de dividas e insucessos. Desde o ano passado tenta se reestruturar, tarefa que não tem sido nada fácil.

Na cidade onde o colunista mora, Sobradinho, o futebol parece que ficou só na saudade. O time da cidade, o Sobradinho E.C. já foi o melhor do Distrito Federal e foi bi-campeão em 1985/1986. Depois, parece que as direções incompetentes e as brigas internas acabaram com o clube. Cheio de dividas e sem perspectivas, agoniza na última divisão do futebol local.

Na década de 1960 o Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), criou seu time de futebol profissional. Se não conseguiu grandes feitos, pelo menos colocou Brasília num lugar mais destacado no mapa do futebol brasileiro. Sua fundação aconteceu em 1968 por iniciativa de um grupo de universitários da instituição.

Mas foi nos anos 70 que o CEUB começou a se projetar de fato. Em 1972 foi segundo colocado no campeonato local. Em 1973 foi campeão, derrotando na partida final ao Relações Exteriores, por 1 X 0. O título garantiu ao time universitário o direito de ser o primeiro clube da capital federal a participar de um Campeonato Brasileiro.

O curioso é que em 1973 o futebol brasiliense ainda era amador. O profissionalismo só chegou de maneira definitiva a Brasília em 1976. A competição foi amadora de 1960 a 1965 e de 1969 a 1975. O campeonato chegou a ser profissional entre 1966 e 1968, mas recaiu no amadorismo de 1969 até 1975.

A estréia do Distrito Federal na Série A de 1973 foi no jogo CEUB X Botafogo, empate de 0 X 0, no antigo estádio “Pelezão” A primeira vitória foi alcançada também no “Pelezão”, na terceira rodada contra o Figueirense por 2 X 1. A trajetória do CEUB no campeonato foi fraca, ficando em 33° lugar entre 40 equipes. O que sobrou de positivo foi a popularidade que o clube conquistou dentro da capital federal.

Em 1974 o Pioneira F.C. sagrou-se campeão de Brasília, mas a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) designou o CEUB para representar a capital federal no Brasileirão. A equipe acabou na 19ª e penúltima colocação no Grupo B, 37a na classificação final. De qualquer maneira, os torcedores locais puderam assistir a grandes jogos. A direção do CEUB fez de tudo para que o time tivesse uma participação mais efetiva na competição.

Em 1974 houve a inauguração do “Estádio Governador Hélio Prates da Silveira”, primeira denominação do “Estádio Mané Garrincha”, que depois da reforma para a Copa de 2014 vai se chamar “Estádio Nacional de Brasília”. Foi no dia 10 de março, e o jogo de inauguração foi entre o CEUB X Corinthians Paulista, pelo campeonato brasileiro.

O jogo foi de portões abertos para o público, por iniciativa do Governo do Distrito Federal. O time paulista venceu por 2 X 1. Vaguinho do Corinthians fez o primeiro gol do estádio. Ele mesmo também marcou o segundo. Juracy fez o gol dos locais.

CEUB: Valdir – Odair - Pedro Pradera - Cláudio Oliveira e Rildo – Alencar - Péricles (René) e Xisté - Dílson (Cardosinho) - Juracy e Dario. Corinthians: Armando - Zé Roberto – Pescuma - Wagner e Wladimir – Tião - Adãozinho e Washington – Vaguinho - Roberto e Marco Antonio. Juiz: Luiz Carlos Félix. Bandeiras: Cassirio Marinho e Carlos Vieira do Amaral.

Em 1975, não houve campeonato distrital. Por isso, o CEUB foi novamente convidado a representar o Distrito Federal no Campeonato Nacional, ficando em 9º no seu grupo, e em antepenúltimo ou 32º lugar na classificação geral.

Ainda em 1975 o CEUB se tornou o primeiro time de futebol de Brasília a excursionar pela Europa, onde enfrentou o La Coruña e Sevilla, tradicionais clubes espanhóis e a Seleção da Iugoslávia, entre outros. Somente 33 anos depois um time brasiliense iria fazer uma excursão ao velho continente, que seria o Brazsat.

O Campeonato Brasiliense de 1976 marcou a volta em definitivo do futebol profissional. O Ceub ganhou os dois primeiros turnos e era líder do terceiro quando a Federação Brasiliense virou a mesa e mandou que fosse disputado um quadrangular final para a definição do campeão e representante local no Brasileirão.

O CEUB se negou a participar e o Brasília foi declarado campeão. Mas não levou. A CBD decidiu que o Distrito Federal não teria direito a participar do campeonato, devido a confusão estabelecida pela Federação local. Com isso o CEUB passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras para se manter em atividade. Sem alternativas, o clube fechou as portas. Foi o melancólico fim do primeiro clube de Brasília a ter reconhecimento nacional.

Nessa sua curta trajetória o CEUB contou em seu plantel com jogadores que tiveram passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, como Valdir, ex-goleiro do Vasco, Rogério, goleiro, ex-Grêmio e ex-América (RJ), Paulo Lumumba, ex-Grêmio, Oldair, campeão brasileiro em 1971 pelo Atlético (MG), Rildo, ex-Botafogo e Santos, Claudio Garcia, ex-Fluminense e depois treinador de futebol, Tuca, ex-Botafogo, Roberto Dias, ex-São Paulo, Cláudio Adão, Fio Maravilha e outros. O CEUB foi treinado pelo conhecido técnico João Avelino.

Daqueles áureos tempos tudo o que restou do CEUB foram troféus e recortes de jornais guardados com carinho, no escritório de Adílson Peres, advogado, que foi o último presidente do clube, que teve todas as suas diretorias formadas por universitários entre 20 e 25 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)

CEUB, um time que deixou saudade

O futebol de Brasília até hoje não se consolidou. Entre altos e baixos continua ocupando uma posição apenas intermediaria no cenário nacional. É verdade que depois de muitos anos conseguiu participar de recentes campeonatos brasileiros da Série A com S.E. Gama e Brasiliense F.C.. Foram passagens rápidas e sem qualquer brilho, com durações efêmeras de apenas uma temporada e o retorno rápido a Série B.

Muita gente credita a pouca evolução do futebol de Brasília ao fato da cidade ser muito nova, e a maioria de seus moradores torcer por clubes de outros Estados. E isso é um fato incontestável. Nos jogos em Brasília, os adversários quase sempre levam mais torcedores aos estádios, que os clubes locais.

A primeira edição do campeonato da nova capital federal foi disputada em 1959. A cidade nem havia sido fundada, mas os operários que trabalhavam nas obras de construção de Brasília já haviam organizado seus times. O campeão foi o Grêmio Brasiliense. Depois disso, o domínio passou a Defelê e Rabelo. O Defelê, inclusive, foi o primeiro time a defender Brasília em uma competição nacional, no caso, a Taça Brasil de 1963. Foi eliminado na primeira fase pelo Vila Nova de Goiás.

O Brasiliense já foi visto como um fenômeno esportivo pelo rápido crescimento. O clube surgiu em 2002, quando o empresário e ex-senador Luiz Estevão comprou o Atlântida F.C., de Taguatinga. Em 2002 foi vice-campeão da Copa do Brasil, após eliminar equipes como o Atlético Mineiro e Fluminense e perder a final para o Corinthians, em jogo que até hoje gera polêmica.

É o detentor do maior número de conquistas estaduais consecutivas no Centro-Oeste, com 6 títulos ganhos entre 2004 e 2009 desbancando o maior rival, Gama que tinha 5 títulos consecutivos entre 1997 e 2001.

Mas o Brasiliense mesmo assim não conseguiu se firmar até hoje como uma instituição forte e vitoriosa. Ainda luta para tentar retornar a elite do futebol brasileiro, mas não tem conseguido êxito, talvez mais pelas intromissões de seu dono, o ex-senador Luiz Estevão. É ele quem contrata e manda embora, muitas vezes sem qualquer lógica. A cada ano passa quatro ou cinco treinadores pelo clube, o que torna impossível qualquer projeto duradouro de time.

A situação do Gama é ainda pior. Teve seus anos de predominância no futebol de Brasília, graças às generosas verbas públicas que recebia. Até um estádio novo ganhou, construído com dinheiro público, que hoje é um verdadeiro elefante branco. O Gama foi parar na quarta divisão do futebol brasileiro. E parece que o seu destino só tende a piorar nos próximos anos.

O Brasília E.C., fundado em 1975 foi durante algum tempo sustentado pela Associação Comercial do Distrito Federal. Isso lhe garantiu a hegemonia no futebol candango, com oito títulos entre 1976 e 1987. Com o passar dos anos também afundou numa série de dividas e insucessos. Desde o ano passado tenta se reestruturar, tarefa que não tem sido nada fácil.

Na cidade onde o colunista mora, Sobradinho, o futebol parece que ficou só na saudade. O time da cidade, o Sobradinho E.C. já foi o melhor do Distrito Federal e foi bi-campeão em 1985/1986. Depois, parece que as direções incompetentes e as brigas internas acabaram com o clube. Cheio de dividas e sem perspectivas, agoniza na última divisão do futebol local.

Na década de 1960 o Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), criou seu time de futebol profissional. Se não conseguiu grandes feitos, pelo menos colocou Brasília num lugar mais destacado no mapa do futebol brasileiro. Sua fundação aconteceu em 1968 por iniciativa de um grupo de universitários da instituição.

Mas foi nos anos 70 que o CEUB começou a se projetar de fato. Em 1972 foi segundo colocado no campeonato local. Em 1973 foi campeão, derrotando na partida final ao Relações Exteriores, por 1 X 0. O título garantiu ao time universitário o direito de ser o primeiro clube da capital federal a participar de um Campeonato Brasileiro.

O curioso é que em 1973 o futebol brasiliense ainda era amador. O profissionalismo só chegou de maneira definitiva a Brasília em 1976. A competição foi amadora de 1960 a 1965 e de 1969 a 1975. O campeonato chegou a ser profissional entre 1966 e 1968, mas recaiu no amadorismo de 1969 até 1975.

A estréia do Distrito Federal na Série A de 1973 foi no jogo CEUB X Botafogo, empate de 0 X 0, no antigo estádio “Pelezão” A primeira vitória foi alcançada também no “Pelezão”, na terceira rodada contra o Figueirense por 2 X 1. A trajetória do CEUB no campeonato foi fraca, ficando em 33° lugar entre 40 equipes. O que sobrou de positivo foi a popularidade que o clube conquistou dentro da capital federal.

Em 1974 o Pioneira F.C. sagrou-se campeão de Brasília, mas a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) designou o CEUB para representar a capital federal no Brasileirão. A equipe acabou na 19ª e penúltima colocação no Grupo B, 37a na classificação final. De qualquer maneira, os torcedores locais puderam assistir a grandes jogos. A direção do CEUB fez de tudo para que o time tivesse uma participação mais efetiva na competição.

Em 1974 houve a inauguração do “Estádio Governador Hélio Prates da Silveira”, primeira denominação do “Estádio Mané Garrincha”, que depois da reforma para a Copa de 2014 vai se chamar “Estádio Nacional de Brasília”. Foi no dia 10 de março, e o jogo de inauguração foi entre o CEUB X Corinthians Paulista, pelo campeonato brasileiro.

O jogo foi de portões abertos para o público, por iniciativa do Governo do Distrito Federal. O time paulista venceu por 2 X 1. Vaguinho do Corinthians fez o primeiro gol do estádio. Ele mesmo também marcou o segundo. Juracy fez o gol dos locais.

CEUB: Valdir – Odair - Pedro Pradera - Cláudio Oliveira e Rildo – Alencar - Péricles (René) e Xisté - Dílson (Cardosinho) - Juracy e Dario. Corinthians: Armando - Zé Roberto – Pescuma - Wagner e Wladimir – Tião - Adãozinho e Washington – Vaguinho - Roberto e Marco Antonio. Juiz: Luiz Carlos Félix. Bandeiras: Cassirio Marinho e Carlos Vieira do Amaral.

Em 1975, não houve campeonato distrital. Por isso, o CEUB foi novamente convidado a representar o Distrito Federal no Campeonato Nacional, ficando em 9º no seu grupo, e em antepenúltimo ou 32º lugar na classificação geral.

Ainda em 1975 o CEUB se tornou o primeiro time de futebol de Brasília a excursionar pela Europa, onde enfrentou o La Coruña e Sevilla, tradicionais clubes espanhóis e a Seleção da Iugoslávia, entre outros. Somente 33 anos depois um time brasiliense iria fazer uma excursão ao velho continente, que seria o Brazsat.

O Campeonato Brasiliense de 1976 marcou a volta em definitivo do futebol profissional. O Ceub ganhou os dois primeiros turnos e era líder do terceiro quando a Federação Brasiliense virou a mesa e mandou que fosse disputado um quadrangular final para a definição do campeão e representante local no Brasileirão.

O CEUB se negou a participar e o Brasília foi declarado campeão. Mas não levou. A CBD decidiu que o Distrito Federal não teria direito a participar do campeonato, devido a confusão estabelecida pela Federação local. Com isso o CEUB passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras para se manter em atividade. Sem alternativas, o clube fechou as portas. Foi o melancólico fim do primeiro clube de Brasília a ter reconhecimento nacional.

Nessa sua curta trajetória o CEUB contou em seu plantel com jogadores que tiveram passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, como Valdir, ex-goleiro do Vasco, Rogério, goleiro, ex-Grêmio e ex-América (RJ), Paulo Lumumba, ex-Grêmio, Oldair, campeão brasileiro em 1971 pelo Atlético (MG), Rildo, ex-Botafogo e Santos, Claudio Garcia, ex-Fluminense e depois treinador de futebol, Tuca, ex-Botafogo, Roberto Dias, ex-São Paulo, Cláudio Adão, Fio Maravilha e outros. O CEUB foi treinado pelo conhecido técnico João Avelino.

Daqueles áureos tempos tudo o que restou do CEUB foram troféus e recortes de jornais guardados com carinho, no escritório de Adílson Peres, advogado, que foi o último presidente do clube, que teve todas as suas diretorias formadas por universitários entre 20 e 25 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)