Nilo Dias Repórter

Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 3 de julho de 2018

A insensibilidade do "Rei"

Uma ausência muito sentida na Copa do Mundo da Rússia é de "Pelé", a maior estrela do futebol mundial em todos os tempos. Aos 77 anos, o "Atleta do Século" se submeteu nos últimos anos a cirurgias de coluna, fêmur e menisco, o que o obrigou a diminuir as aparições públicas. Esta é a primeira vez, desde 1958 quando era jogador, que não assiste ao maior torneio futebolístico do planeta.

O ex-camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira sofre há anos de dores na coluna que tem limitado seus movimentos, obrigando que se locomova com a ajuda de bengala e cadeira de rodas.

Há quem diga que "Pelé" é vitima de um castigo divino em razão de seus procedimentos nada recomendáveis com filhos, especialmente Edinho, que foi também jogador de futebol e Sandra, já falecida

A filha Sandra Regina Machado Arantes do Nascimento Felinto, 42 anos, que foi vereadora em Santos (SP) nunca obteve o reconhecimento afetivo de "Pelé", seu pai biológico. Em 1991, então com 27 anos, ela entrou na Justiça para ser reconhecida como filha mais velha do "Rei do Futebol".

Sandra foi fruto de uma relacionamento entre Pelé e a empregada doméstica Anízia Machado em 1963. Comprovada a paternidade por meio de exame de DNA, ela obteve o direito de usar Arantes do Nascimento no nome em 1996.

Toda a história entre Sandra e "Pelé" foi registrada no livro "A filha que o Rei não quis", que ela escreveu e foi sucesso de venda. Um trecho do livro diz:

Quando contava com mais ou menos sete anos de idade, minha mãe me deu ciência de que era filha de Pelé. Para mim, não fez diferença saber que era filha do Pelé. O que importava mesmo era saber eu tinha um pai!

Mas com o passar dos anos, fui me interessando por meu pai. Queria um dia poder me aproximar dele, dizer-lhe que era sua filha e receber suas calorosas boas-vindas. Queria poder abraçá-lo. Queria muito poder, como tantos outros seres humanos, ter o gosto de chamá-lo de pai!

Resolvi tomar uma iniciativa: telefonar para casa de meu pai no Guarujá. Fui atendida educadamente pela governanta. Apresentei-me como filha de Pelé. A governanta então prometeu fazer contato com ele e dar uma resposta.

Ao ligar novamente, recebi o seguinte recado: “Manda ela procurar os direitos dela. Inclusive, eu pago o advogado para ela”. Julguei que meu pai pudesse dar uma resposta diferente. Por que não me chamar para um diálogo a respeito do assunto? Além do mais, a forma como respondeu pareceu-me debochada.

Mais uma vez, minha mãe pediu que eu me afastasse de tal procura, por considerá-la inútil. Mas agora eu estava resoluta e ofendida. A sugestão de meu pai devia ser levada a sério. Eu iria então buscar os meus direitos!

Mesmo depois de haver entrado na justiça para reivindicar minha causa, continuei mantendo a esperança de que o processo não precisaria completar toda a sua jornada para que meu pai se voltasse para mim.

Em meio às inúmeras tentativas de alcançar meu pai, escrevi o seguinte artigo na seção “Ponto de vista” da revista Veja de 20 de Maio de 1992, intitulada “Pelé é meu pai”:

 “Eu sou filha de Édson Arantes do Nascimento, o Pelé. Acredito que está chegando ao fim a luta para que meu pai me reconheça. Graças à ciência, já está provado que sou sua filha. A justiça, acredito, está prestes a reconhecer essa verdade, apesar de os advogados de meu pai terem pedido a troca do juiz, que, segundo eles, seria suspeito para julgar o caso.

Mas não é necessário o exame de DNA ou a decisão do juiz para que eu tenha essa certeza. Para mim, que esses anos todos tenho tentado encontrá-lo, há muito tempo que não existe qualquer sombra de dúvida, e os exames só fizeram confirmar o que eu já sabia. Pelé é meu pai e vai me reconhecer. Se a ciência não for o bastante, e a própria justiça me falhar, ainda assim ele fará o reconhecimento. Mesmo que procure se enganar, no fundo do coração ele me reconhecerá"(...)

Mas "Pelé" foi insensível. Obrigado pela Justiça reconheceu que Sandra era sua filha, mas não lhe deu o que ela mais queria, o carinho de pai. Nem mesmo quando estava no leito de morte vítima de um câncer, "Pelé" foi duro: não a visitou e nem mesmo foi ao seu enterro, limitando-se a enviar uma coroa de flores em nome de sua empresa.

Não são poucas as pessoas que condenam "Pelé" pela sua insensibilidade neste caso. Na verdade não precisava nem ter feito o exame de DNA, a mulher era quase uma cópia feminina do pai.

Os dois filhos de Sandra Arantes do Nascimento Felinto, vão receber pensão do avô. Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal "Folha de S. Paulo", o ex-atleta terá que pagar mensalmente, após decisão judicial, sete salários mínimos - aproximadamente R$ 5 mil - para cada um.

Os tormentos de "Pelé" não se limitaram a filha Sandra. Edinho, cria do primeiro casamento do "Rei", ao contrário de Sandra que foi sempre uma mulher honesta e trabalhadora, sendo inclusive vereadora em Santos, só tem dado dores de cabeça ao pai.

Recentemente ele foi preso pela quinta vez. Antes, ele já fora detido outras quatro vezes. Está condenado a 33 anos de prisão por ligação com o tráfico de drogas. Antes, Edinho foi detido outras quatro vezes. A primeira prisão de Edinho aconteceu em 2005.

O ex-goleiro foi detido com outras 17 pessoas pela “Operação Indra”, realizada pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), acusado de ligação com uma organização de tráfico de drogas comandada por Duarte Barsotti de Freitas, o “Naldinho”.

Após seis meses em prisão provisória, foi solto com liminar em habeas corpus concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em janeiro de 2006, ele teve a prisão decretada com o aditamento da denúncia, que passou a incluir o crime de lavagem de dinheiro. Edinho obteve o direito de permanecer em liberdade.

Em fevereiro do mesmo ano, o Ministério Público o denunciou por lavagem de dinheiro. O ex-jogador voltou a ser preso, 47 dias após conseguir a liberdade. Depois disso, a Justiça mantinha a decisão de negar os pedidos de liberdade, mas acabou concedendo um habeas corpus formalizado pela defesa e de Edinho.

No dia 30 de maio de 2014, o ex-goleiro do Santos Futebol Clube foi condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação ao tráfico de drogas após decisão da juíza Suzana Pereira da Silva, auxiliar da 1ª Vara Criminal de Praia Grande.

Edinho foi preso no dia 7 de julho por não ter apresentado seu passaporte à Justiça, uma das exigências para permanecer em liberdade até a decisão final da Justiça. O advogado Eugênio Malavasi conseguiu um novo habeas corpus para que o cliente pudesse responder em liberdade.

Em novembro do mesmo ano, o ex-goleiro foi detido no Fórum de Praia Grande, após cumprir a medida cautelar que exigia que ele comparecesse mensalmente em juízo e registrasse sua rotina. Edinho foi solto no dia seguinte. A Justiça acatou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa.

Em 25 de fevereiro deste ano, o ex-goleiro voltou a ser preso. Ele conseguiu autorização para responder em liberdade dias depois.


Edson Cholbi Nascimento nasceu em Santos, São Paulo, dia 27 de agosto de 1970. Desde então, ele teve de conviver com a realidade de não ser apenas im menino, mas o filho do maior jogador de futebol que o mundo conheceu.

Sua mãe foi a primeira esposa do Rei, Rosemeri dos Reis Cholbi. O menino, um dos seis filhos reconhecidos pelo jogador, nasceu um pouco mais de um mês depois que Pelé conquistou sua terceira Copa do Mundo, no "Estádio Azteca", na Cidade do México. 

A relação entre Rosemeri Cholbi e Pelé se tornou difícil quando em 1993 um teste de DNA demonstrou um comportamento infiel do jogador. Havia tido uma filha com Anizia Machado, a faxineira da casa onde moravam. Era Sandra, já falecida. Quando "Pelé" foi jogar no Cosmos, em Nova Iorque, seus pais já haviam se separado.

Ele e a irmã foram criados por uma mãe solteira num apartamento pequeno, tudo por causa do escândalo extramatrimonial em que seu pai se envolveu. Edinho quase não via "Pelé". 

O fato de ser um jogador de futebol não justificava sua ausência na vida do filho, mas foi o que aconteceu. Só se viam em alguns aniversários ou em outra ocasião especial, uma ou duas vezes por ano.

Para Edinho foi muito decepcionante crescer sem a figura paterna. E confessava abertamente que não amava seu pai, porque ele fazia sua mãe chorar e, por isso, era o vilão, o homem mau. Sua inserção social também foi difícil.

Passou pelo basquete, beisebol e futebol. Depois, quando foi para Nova Iorque e mudou de escola, aproveitou o clima e andou de patinete e praticou hockey no gelo.

Aos 19 anos foi jogar futebol no Santos, o time onde"Pelé" brilhou. Os jornalistas na época diziam que ele estava no cube apenas por ser filho de "Pelé" e que sua estatura não era considerada adequada para um goleiro. 

Ficou no Santos apenas uma temporada, para logo depois ir para a Portuguesa. Suas habilidades como goleiro não eram muito notáveis e, por isso, foi pulando de clube em clube.

Aos 29 anos, a carreira na qual tinha apostado e na qual seu pai havia triunfado, começou a descarrilar. Edinho abandonou o futebol em 1999 depois de ter jogado uma temporada no Ponte Preta, de Campinas. 

Antes de se afastar do futebol, o filho do astro tivera problemas por ter participado de um racha em Santos, em outubro de 1992, que causou a morte de uma pessoa inocente.

Nessa corrida clandestina também estava um amigo seu, Marcilio José Marinho de Melo. Eles competiam dirigindo seus carros em alta velocidade naquele outubro de 1992. O carro que Melo dirigia atropelou um transeunte que passava pelo local, Pedro Simões Neto, de 52 anos, que morreu no ato.

A Justiça considerou os dois culpados, ainda que Edinho não estivesse conduzindo o carro que impactou a vítima. A pena imposta foi de seis anos de prisão por homicídio. O juiz baseou sua decisão no fato de que ambos estavam cientes de que um racha pelas ruas de Santos poderia causar a morte de alguém. 

A pena sancionada foi para um regime semiaberto: permitia que saíssem durante o dia para trabalhar, mas exigia que permanecessem no presídio durante as noites. 

Edinho sentiu a pressão por ser filho de Pelé pela primeira vez quando chegou ao Brasil. Teve que aprender a viver à sombra do ídolo do país. De um dia para o outro, ele virou “o filho de Pelé”, algo de que havia escapado em sua infância devido à ausência do pai e ao fato de não morar no Brasil. 

"Pelé" esta com 77 anos de idade e não consegue mais andar. Para se locomover precisa da ajuda de uma bengala e de uma cadeira de rodas. O ano passado ele fez uma cirurgia do quadril.

Muitos lamentam a situação do “rei”. Mas há também quem ache que Edson Arantes do Nascimento está pagando pelo que fez com a filha, Sandra Arantes, que nunca reconheceu e não visitou nem no leito de morte, quando ela já estava com o câncer bem avançado. (Pesquisa: Nilo Dias)


"Pelé" não consegue mais andar.
Os inúmeros inconvenientes que Edson Nascimento teve que atravessar em sua vida foram duros, mas também o deixaram mais forte.

Edson Nascimento é filho de Pelé, a maior estrela do futebol brasilero. Para muitos jovens, nascer sob os holofotes e com a vida ganha, pode não ser uma boa combinação.

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Edinho sofreu por falta de carinho, por falta de apoio e por não ter vivido uma vida “normal”. Por conta de amizades estranhas, drogas e más decisões, ele acabou trilhando um mau caminho.

Confira a seguir a polêmica trajetória de Edinho que acabou levando-o para trás das grades pela quinta vez.

Edson Cholbi Nascimento nasceu em Santos, São Paulo, dia 27 de agosto de 1970. Desde então, ele nunca foi só um menino, mas o filho da maior estrela do futebol brasileiro, um dos gigantes da história do futebol mundial.

Sua mãe foi a primeira esposa do Rei, Rosemeri dos Reis Cholbi. O menino, um dos seis filhos reconhecidos pelo jogador, nasceu um pouco mais de um mês depois que Pelé conquistou sua terceira Copa do Mundo, no estádio Azteca, na Cidade do México. Naquela final, o Brasil derrotou os locais por 4 a 1.

A relação entre Rosemeri Cholbi e Pelé foi conturbada, já que em 1993 um teste de DNA demonstrou um comportamento infiel do jogador. Havia tido uma filha com Anizia Machado, a faxineira da casa onde moravam. Já adulto, Edinho declarou: “Quando nos mudamos para Nova Iorque, meus pais se separaram.”

Com a dura separação de seus pais, ele sentiu o primeiro abalo de tantos outros que estavam por vir. Ele comentou: “Minha irmã e eu fomos criados por uma mãe solteira num apartamento pequeno.” Tudo isso por causa do escândalo extramatrimonial em que seu pai se envolveu.

Edinho não tinha contato com seu pai e quase não o via. O fato de ser um jogador de futebol não justificava sua ausência na vida do filho, mas foi o que aconteceu. “A gente se via só em alguns aniversários ou em alguma ocasião especial, uma ou duas vezes por ano.”

Segundo relata, para ele foi muito decepcionante crescer sem a figura paterna. “Criei um personagem negativo, não amava meu pai. Ele  fazia minha mãe chorar e, por isso, era o vilão, o homem mau”. Sua inserção social também foi difícil.

Passou pelo basquete, beisebol e futebol. Depois, quando foi para o norte e mudou de escola, aproveitou o clima e andou de patinete e praticou hockey no gelo.

Aos 19 anos, o futebol tomou conta de sua vida, assim como aconteceu com seu pai. Entrou para o clube Vila Belmiro como um goleiro muito recomendado. Os jornalistas na época enfatizaram que o fato de ser filho de Pelé facilitou sua entrada, sobretudo porque sua estatura não era considerada adequada para um goleiro. Assim foi ser filho de uma estrela: a influência às vezes era positiva, outras, negativa.

Ele circulava por Manhattan e ia ao Harlem, um dos maiores centros de residências afro-americanas, e nunca dizia a eles de quem era filho. Depois de grande, fez do sul do Bronx seu lugar, sua casa. “Era Nova Iorque em 1980, um lugar complicado. Estabeleci minhas relações lá e me orgulho disso. Passei a ser respeitado nas ruas”, comentou.

Aos 29 anos, a carreira na qual tinha apostado e na qual seu pai havia triunfado, começou a descarrilar. Edinho abandonou o futebol em 1999 depois de ter jogado uma temporada no Ponte Preta, de Campinas. Antes de se afastar do futebol, o filho do astro tivera problemas por ter participado de um racha em Santos, em outubro de 1992, que causou a morte de uma pessoa inocente.

Nessa corrida clandestina também estava um amigo seu, Marcilio José Marinho de Melo. Eles competiam dirigindo seus carros em alta velocidade naquele outubro de 1992. O carro que Melo dirigia atropelou um transeunte que passava pelo local, Pedro Simões Neto, de 52 anos, que morreu no ato.

Diante do Tribunal de São Paulo, os dois motoristas foram igualmente responsáveis pelo falecimento de Neto, ainda que Edinho não estivesse conduzindo o carro que impactou a vítima. Por isso é que a pena foi para ambos. Edinho se defendeu: “Muitas pessoas que estiveram envolvidas criaram uma situação que não existia, fui o alvo por ser filho do meu pai”.

A justiça brasileira condenou tanto Edinho como seu amigo Marcilio a cumprir seis anos de prisão por homicídio. O juiz baseou sua decisão no fato de que ambos estavam cientes de que um racha pelas ruas de Santos poderia causar a morte de alguém. Para o tribunal, era indiferente que o automóvel envolvido na morte de Neto fosse de Marcílio e não de Edinho.

A pena sancionada foi para um regime semiaberto: permitia que saíssem durante o dia para trabalhar, mas exigia que permanecessem no presídio durante as noites. Antes de entrar na prisão, Edinho declarou: “Eu não estava preparado para isso porque não fiz nada de mau. Mas a justiça no Brasil é muito frágil e fácil de manipular”.

Edinho sentiu a pressão por ser filho de Pelé pela primeira vez quando chegou ao Brasil. Teve que aprender a viver à sombra do ídolo do país. “Até esse momento, nunca havido tido que lidar com quem eu era e, de repente, tive que saber como resolvê-lo”, explicou.

De um dia para o outro, ele virou “o filho de Pelé”, algo de que havia escapado em sua infância devido à ausência do pai e ao fato de não morar no Brasil. “Assim que cheguei ao Brasil me dei conta da pressão que teria que enfrentar e, então, foquei em mim.”

Edinho, diferentemente de seu pai, jogava na posição de goleiro. Em 1990, assinou com o Santos, onde jogaria só uma temporada, para logo depois ir para a Portuguesa. Suas habilidades como goleiro não eram muito notáveis e, por isso, foi pulando de clube em clube.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O futebol brasileiro perde um de seus maiores craques

Morreu ontem (12/6) o ex-volante do Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte, José Carlos Bernardo  o “Zé Carlos”,  de 73 anos, que por 38 anos se constituiu no atleta com maior número de jogos pelo clube mineiro.

Somente em 2015 perdeu essa condição para o goleiro Fábio, que ainda permanece em atividade. “Zé Carlos” vestiu a camisa estrelada em 633 jogos e marcou 83 gols, entre as temporadas de 1965 e 1977.

O drama de “Zé Carlos” começou há cerca de seis anos. No entanto, somente há três a doença chegou ao ponto mais crítico, quando o ex-jogador ficou acamado. Ele deixou três filhos, Frederico, de 35 anos, vendedor; Gustavo, de 32, que mora e trabalha nos EUA; e Thiago, de 33.

Ele vivia em um apartamento, em Contagem, cuidado pela esposa, fiel escudeira, Eunice Braga Tolentino Bernardo, a “Nice”, de 58 anos.

“Zé Carlos” estava desempregado em razão de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2016, quando ficou com dificuldades de locomoção e comunicação. Ele passou os últimos meses internado no “Hospital do Barreiro” na capital mineira e morreu por falência múltipla dos órgãos.

O jogador fez parte de uma época de ouro do Cruzeiro, onde foi campeão da “Copa Libertadores da América de 1976” e da “Taça Brasil de 1966”, título que foi reconhecido em 2010 como de campeão brasileiro. E campeão mineiro em 10 oportunidades (1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977), além do “Torneio Início” (1966) e "Taça Minas Gerais" (1973).

Natural de Juiz de Fora (MG), “Zé Carlos” foi revelado pelo Sport Club Juiz de Fora. Como a cidade da “Zona da Mata” mineira fica próxima ao Rio de Janeiro, ele foi para o Fluminense fazer um teste.

Naquela época, o Fluminense estava sem dinheiro para poder pagar o passe dele. Por isso, “Zé Carlos” acabou no Cruzeiro a pedido do presidente Felício Brandi. No tricolor carioca ele conheceu o jogador Procópio, de quem se tornou grande amigo.

Os dois jogaram juntos no Cruzeiro, que tinha Dirceu Lopes, Tostão, Natal, Piazza e Raul. Procópio lembra que quando voltou a jogar depois de cinco anos, já velho, com 33 anos, recuperado de uma lesão, na estreia, “Zé Carlos” e Perfumo, outro que também já nos deixou, o apoiaram muito. 

"Fizeram a cobertura, deram apoio moral. correção, amizade e lealdade. Uma grande perda", disse o ex-zagueiro.

“Zé Carlos" esteve cotado para disputar a "Copa do Mundo de 1970", mas ficou fora da lista. Pela “Canarinho” ele participou de oito jogos e marcou dois gols.

Depois de deixar o Cruzeiro, o ex-volante foi campeão brasileiro com o Guarani, de Campinas (SP) em 1978, time fabuloso que tinha Zenon, Renato, Capitão e Bozó. 

Já no fim da carreira, vestiu a camisa do Villa Nova, de Nova Lima (MG) e teve atuação de destaque num duelo com o Atlético, conforme lembrou matéria publicada pelo jornal “Estado de Minas”. E no início dos anos 80 jogou no Uberaba (MG) e no Maringá, do Paraná.

Ao pendurar as chuteiras tentou a carreira de treinador. No futebol catarinense, “Zé Carlos” foi técnico do Criciúma campeão catarinense de 1986, interrompendo uma sequência de oito títulos consecutivos do Joinville, ao vencer o rival do Norte por 2 X 0 no Estádio Heriberto Hülse, com dois gols de Jorge Veras. Foi a primeira conquista tricolor desde a mudança do nome de Comerciário para Criciúma.

De acordo com os dados do site “Meu Time na Rede”, “Zé Carlos” comandou o Criciúma em 133 jogos oficiais entre 1986 e 1988, com um aproveitamento de 57%.

“Zé” era cativante ao extremo na sua tranquilidade, mansidão ao falar e bondade. Como todo sábio, não precisava demonstrar humildade e jamais teve o mínimo traço de arrogância. 

"Triste é saber que ele precisou da ajuda dos amigos para tratamento e fisioterapia. Machuca, mas é a realidade de um país onde o ídolo de ontem desaparece como uma folha seca levada pelo tempo, escreveu “Zé Beto”, no seu blog http://www.zebeto.com.br.

O Cruzeiro Esporte Clube lamentou o fato em uma nota assinada pelo presidente Wagner Pires de Sá. "Todos nós, da família Cruzeiro, manifestamos neste momento de dor o nosso carinho, compaixão e solidariedade aos amigos, familiares e fãs de "Zé Carlos", que sempre terá um cantinho especial no coração de cada cruzeirense e dos amantes do bom futebol", escreveu o mandatário do clube.

O Cruzeiro não foi o único a lamentar o falecimento de "Zé Carlos". O Guarani também o fez por meio de seu perfil no Twitter. "Com profundo pesar, o Guarani Futebol Clube informa e lamenta o falecimento do ex-meia "Zé Carlos". campeão brasileiro com o "Bugre" em 1978, o ex-jogador faleceu nesta terça-feira, aos 73 anos, em Belo Horizonte. Descanse em paz, "Zé Carlos", escreveu.

Muito abalado, também estava Zenon, meio-campista que formou com “Zé Carlos” e Renato, um trio de meio-campo de tirar o chapéu, tanto que levou o Guarani ao título inédito do Campeonato Brasileiro de 1978. 

Mais do que colegas de trabalho, eram amigos de longa data. Até por conta disso Zenon lamentou demais a perda do companheiro, que faleceu aos 73 anos, nesta terça-feira. O ex-meia se mostrou muito triste com a morte do amigo e companheiro .

"Zé Carlos" foi velado no “Cemitério Parque da Colina”, no Bairro Nova Cintra, região oeste de Belo Horizonte. O sepultamento ocorreu, hoje, quarta-feira, às 10 horas. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 31 de maio de 2018

O grande goleiro do Liverpool

Bruce Grobbelaar, goleiro que escreveu seu nome na história do Liverpool, tradicional time do futebol inglês, com certeza foi bastante lembrado semana passada, quando Loris Karius falhou duas vezes e tirou toda e qualquer possibilidade de seu time vencer o Real Madrid e ganhar a Copa Europa de Clubes Campeões.

Talvez Grobbelaar não fosse o genro dos sonhos para qualquer inglês mais apegado às tradições, e acostumado ao chá das cinco. Não era um Courtois ou De Gea, grandes destaques de seus times, dentro e fora de campo, jogadores que surgiram jovens e disputaram Copa do Mundo.

Grobbelaar não foi herói e nem vilão. Uns o conheciam como um gênio embaixo das traves, outros apenas como um fanfarrão. Mas o fato é que rótulos não combinam com a excentricidade daquele que foi ídolo dos “Reds”.

O goleiro marcou época no Liverpool, embora sempre gostasse de viver a vida intensamente. Nasceu em Durban, na África do Sul, numa região colonizada por holandeses. 

Resolveu defender a seleção do Zimbábue devido às sanções que a África do Sul sofria tanto da FIFA quanto da Confederação Africana de Futebol (CAF), por conta do “Apartheid”, que não permitia ao país disputar qualquer campeonato.

Outro fato peculiar que cercava Grobbelaar era a sua participação na guerra que culminou na independência do Zimbábue. Enquanto praticava o futebol ele serviu à Rodnésia, e dentro do próprio Exército chegou a praticar outros esportes com relativo sucesso.

Porém, nem o conflito foi capaz de fazer Grobbelaar desistir de estar dentro das quatro linhas. Em sua autobiografia pode-se notar os aprendizados do combate e seu amor pelo futebol. 

E dizia: “Se a guerra te ensina alguma coisa, é uma apreciação de estar vivo e eu nunca vou pedir desculpas por rir da vida e desfrutar do meu futebol”.

Sua trajetória é de dar inveja a qualquer jogador. O goleiro bigodudo saiu do Durban City, da África do Sul e rumou até o Vancouver Whitecaps, do Canadá, clube filiado a extinta “North American Soccer League” (NASL) e que hoje disputa a MLS.

Ficou poucos meses até chegar ao “Crewe Alexandra”, da Inglaterra. Depois foi emprestado ao West Bromwich, onde fez uma temporada muito boa. No seu último jogo pelo pequeno clube inglês pegou tudo o que podia e ainda fez um gol de pênalti.

Presentes ao jogo estavam alguns olheiros do Liverpool, que acabaram por contratá-lo gastando apenas “míseras” £250.000. A vida dele mudou da água para o vinho. Em um ano, Grobbelaar deixou o futebol da África do Sul, passou pelo Canadá, foi parar nas divisões inferiores da Inglaterra, e enfim, mudou para um dos maiores clubes do mundo.

O tempo mostrou que os olheiros estavam contratando naquele dia um dos melhores goleiros que já passaram pelo Liverpool em toda a sua gloriosa história.

Era chamado carinhosamente de "Brucie", pelos torcedores. Quando chegou ao time era para ser reserva do lendário Ray Clamence. Para sorte de Grobbelaar, Clamence deixou o clube em 1981, indo para o Tottenham. 

Com isso o africano assumiu a titularidade. Esteve, inclusive em campo, quando o clube inglês perdeu o Mundial de Clubes de 1981, para o Flamengo.

O começo de Grobbelaar no Liverpool não foi nada fácil. Em seus primeiros jogos teve atuações desastrosas e quase foi dispensado. Já era espalhafatoso naquele tempo, mas imaturo. Acabava se complicando em lances simples.

Quando o técnico Paisley lhe deu um puxão de orelha, e ameaçou devolvê-lo para o Crewe Alexandra, Gobbelaar amadureceu e conquistou o Campeonato Inglês seis vezes, além de três Copas da Inglaterra, três Copas da Liga Inglesa e uma "Liga dos Campeões", o título mais marcante na carreira.

No dia 30 de maio de 1984, Grobbelaar chegou ao ápice. Na final da Copa dos Campeões da Europa, atual "Liga dos Campeões", brilhou contra a Roma. A equipe italiana tinha grandes jogadores da seleção campeã mundial de 1982 – como Conti e Graziani – além do craque brasileiro Paulo Roberto Falcão.

Depois de um empate de 1 X 1 no tempo normal, o goleiro brilhou na disputa por pênaltis. Desconcentrou os batedores fazendo o movimento que ficou conhecido como “pernas de espaguete”.

Na irreverência, fez o Liverpool se impor como gigante da Europa para conquistar o seu quarto título da "Liga dos Campeões" em pleno estádio Olímpico de Roma.

Anos depois, na célebre final de Istambul, o Liverpool encarou outro clube italiano em busca de sua quinta “Taça”. No tempo normal, o poderoso Milan, de Kaká abriu 3 X 0 logo no primeiro tempo. O que aparentava ser uma goleada tornou-se uma das histórias mais bonitas já escritas na Liga dos Campeões.

O Liverpool buscou o empate no segundo tempo e conseguiu levar a decisão para os pênaltis. Grobbelaar não estava presente em corpo nessa decisão, mas há quem jure que o seu espírito tomou conta de Dudek, que  repetiu os mesmos movimentos do antigo goleiro, para desconcentrar os batedores. O resultado também não poderia ser diferente: Liverpool campeão da "Liga dos Campeões" mais uma vez.

A década de 1980 foi gloriosa para “Brucie”, mas nos anos 1990 não foi mais o mesmo. Além do rendimento cair consideravelmente dentro de campo, foi protagonista de um dos maiores escândalos de manipulação de resultados da história do futebol inglês.

Ele foi acusado de se vender no jogo entre Liverpool X Newcastle, em 1993 pela “Premier League”, quando o Liverpool perdeu por 3 X 0. O tablóide “The Sun” testemunhou um encontro do goleiro com apostadores num quarto de hotel. 

E dai em diante, a carreira de Grobbelaar foi só ladeira abaixo, se dividindo entre a tentativa de provar a inocência e o desempenho abaixo da média em times pequenos europeus, sem abrir mão da extravagância.

As acusações não puderam ser provadas e ele foi inocentado. Com isso, decidiu processar o jornal alegando difamação. Ganhou em primeira instância, mas perdeu no final. E o “The Sun” deixou o antigo ídolo dos “Reds”, mais arruinado financeiramente.

Em 2002 o jornal “The Telegraph” divulgou matéria contando os detalhes processuais da empreitada enfrentada por Grobbelaar para tentar limpar o seu nome. Ganhou para isso 85 mil libras do tablóide sensacionalista.

Em entrevista a revista “FourFourTwo”, o goleiro deu uma declaração polêmica sobre os seus problemas com a Justiça. Ainda assim, como todo jogador folclórico, conseguiu contemplar toda a sua história na Inglaterra, desde quando era apenas um menino imigrante sul-africano que se lançou ao mundo para tentar a sorte no futebol .

“Eu cheguei à Inglaterra com £ 10 no meu bolso e, depois da decisão da Justiça, fiquei com £ 1. Mas que vida eu tive com essas £ 9!”. Em 2007, depois de alguns anos perambulando pelos pequenos clubes ingleses encerrou a carreira e retornou para a África do Sul. 

De volta a sua terra natal, tentou se tornar treinador de pequenos clubes locais, porém sem obter resultados expressivos. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Rio Grande perde a sua memória

Hoje é um dia muito triste para a comunidade de Rio Grande, cidade portuária localizada no Extremo Sul gaúcho, pois marca o falecimento do jornalista, escritor, historiador, pesquisador e biógrafo Willy César Rodrigues Ferreira, de 60 anos de idade.

Ele estava internado há várias semanas no Hospital da Fundação Universidade de Rio Grande, tratando de uma terrível doença, que infelizmente já havia se alastrado por todo o seu organismo, tirando qualquer chance de cura.

Willy César era solteiro, deixa o irmão Erlon Jackes, mais conhecido por “Monn”, além de sobrinhos e primos. Sua mãe, dona Ada, com quem morou desde que nasceu, já havia falecido há alguns anos.

Foi aluno do Colégio Lemos Júnior, no Curso Ginasial, entre 1970 e 1973. Depois continuou os estudos, no Instituto de Educação Juvenal Muller, de 1974 a 1977, onde presidiu o Grêmio Estudantil e editou o jornal “Atocha”.

Seu primeiro emprego foi de repórter no jornal “Agora”, em 1979. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), em 1985.

Editou o informativo “FURG em Notícia”, de 2001 a 2004. Foi assessor de Imprensa da Refinaria de Petróleo Ipiranga entre 1986 e 1996, quando conheceu o empresário Francisco Bastos, fundador do Grupo Ipiranga.

Entre 1997 e 2001, trabalhou de repórter na Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Rio Grande. Depois, de 2001 a 2005 esteve na Assessoria de Imprensa da Fundação Universidade de Rio Grande (FURG) e de 2006 a 2007, foi assessor de imprensa da Festa do Mar.

No rádio trabalhou na Rádio Minuano, entre 1981 e 1982. Depois foi repórter da Rádio Camaquense, de Camaquã, de 1983 a 1984. Em 1988 ajudou a fundar a Rádio Universidade FM Educativa, da FURG, sendo seu diretor por 11 anos.

Foi o fundador e primeiro diretor do Museu de Comunicação Rodolfo Pettersen, inaugurado em 2001, e seu diretor até 2005. O Museu guarda em seu acervo cerca de 20 mil peças, entre discos, aparelhos de rádio e TV, gramofones, um fonógrafo, aparelhos telefônicos, máquinas fotográficas, equipamentos de som e coleções de jornais e revistas.

Willy César trabalhou também no Departamento de Cirurgias da Fundação Universidade de Rio Grande (FURG). Coordenou o Clube do Cinema da FURG e foi dirigente sindical, como delegado regional dos Jornalistas, de 1993 a 1998 e vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Rio Grande.

Dedicou longo tempo a pesquisas sobre os mais variados acontecimentos que diziam respeito a Rio Grande. Um dos trabalhos que mais gostou, foi quando convidado pela Escola de Samba “Unidos da Rheingantz” escreveu o tema enredo “Germano Torales Leite, do sonho a realidade – Agora, uma história de sucesso”. E teve a oportunidade de realizar um antigo desejo, desfilar em carro alegórico no Carnaval riograndino.

Como escritor foi autor de cinco livros: “A História da URES” (1979); “Centenário do Colégio Lemos Júnior” (2007); “Chico Bastos, o Pescador” (2011); “Um século de futebol popular” (2013); “A cidade do Rio Grande, do Big Bang a 2015” (2016).

Antes de adoecer estava escrevendo dois livros ao mesmo tempo: “A história do F.B.C. Rio-Grandense” e “O Cabaré da Mangacha”.

O ano passado Willy César viveu um momento de grande emoção, ao ter sido escolhido patrono da “44ª Feira do Livro de Rio Grande”.

Em artigos que escreveu para jornais, não só de Rio Grande, mas também de outras cidades, destacam-se “SCRG o mais antigo clube profissional brasileiro, não o primeiro amador”, em que conta o episódio do reconhecimento da antiga CBF, ao fato histórico; “A Taça serrada de 1940”, o discutido torneio entre os três clubes da cidade, para selarem a paz depois de tempos com as relações cortadas; e “Silva Paes não foi o fundador de Rio Grande”, pesquisa polêmica que gerou muitos comentários, pró e contra.

Fui amigo de Willy César, que conheci á 35 anos atrás, no tempo que morei em Rio Grande. Em 2008 fomos entrevistados por ele, a minha esposa Teresinha Motta, e eu, na Rádio da FURG, oportunidade em que relembramos os bons momentos vividos nessa encantadora cidade.

Em 2011, fui homenageado pelos amigos Willy César e Célio Soares, em um jantar no “Restaurante Passione”, com a presença de antigos colegas da imprensa e do F.B.C. Rio-Grandense. Foi um momento de rara emoção, em que vi pela última vez outros dois grandes amigos, Ney Amado Costa e Jonas Cardoso.

Em maio do ano passado, quando do lançamento de meu livro “Nico, o Bombardeador”, foi Willy César o responsável pela publicidade em torno do evento, realizado na “Churrascaria Leão”, do S.C. São Paulo, o qual se constituiu em sucesso absoluto.

Acompanhado do amigo comum, Célio Soares, fiquei sabendo pelo próprio Willy do problema de saúde que enfrentava. Ele estava convicto de que tudo correria bem.

Acompanhei todo o seu drama até o desfecho final, sempre informado pelas amigas jornalistas Rosane Borges Leite e Julieta Amaral, que foram incansáveis em apoiá-lo, do primeiro ao último momento de sua verdadeira “via-crucis”. Descanse em paz, companheiro. (Nilo Dias)



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Morre presidente histórico do Grêmio

O futebol gaúcho e brasileiro perdeu um dos seus nomes mais importantes nos últimos anos. Fábio André Koff, que presidiu o Grêmio, de Porto Alegre e o Clube dos 13, faleceu na madrugada de hoje, aos 86 anos.

O desportista estava internado em estado crítico no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre, devido a uma infecção generalizada, decorrente de uma cirurgia realizada no fígado recentemente.

O clube gaúcho emitiu nota oficial dizendo que: “Com enorme pesar o Grêmio informa o falecimento do seu eterno presidente Fábio André Koff, nesta quinta-feira, aos 86 anos.

O clube expressa toda consternação pela perda de um símbolo de sua história, responsável pela maior glória já alcançada dentro de campo, e solidariza-se com sua família, amigos e com a torcida tricolor”.

Fábio Koff era gremista desde criança. Quando tinha apenas seis anos de idade,  ganhou como presente de Natal a sua primeira camiseta tricolor. Interessante é que ele era o único gremista entre os primos, todos colorados.

Koff chegava a enganar a família e fugir para ver os jogos do tricolor. Embora fosse natural de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, teve o primeiro contato com o Grêmio no final dos anos 30, através do rádio. Nos anos 40, quando foi estudante do Instituto Porto-Alegrense (IPA), Koff se aproximou ainda mais do clube.

Koff presidiu o Grêmio pela primeira vez em 1982 e 1983, levando a agremiação tricolor a conquistar a Copa Libertadores e o Mundial Interclubes, na época disputado somente entre os campeões da América e da Europa e chamado de “Copa Toyota”. Esse é considerado o maior título da história gremista.

O seu debut como presidente não foi nada fácil em 1982. Sofreu duras críticas dos torcedores gremistas, que até apostavam que não seria reeleito.

No final do ano, depois do time ser vice-campeão brasileiro, perdendo a final para o Flamengo, seu prestigio descambou e foram pintadas frases tipo “Fora Koff", por muros em várias partes de Porto Alegre.

Como não houve adversário na eleição, Koff foi reeleito presidente por aclamação. Já em 1983 as coisas mudaram de figura drasticamente, e o clube conheceu o melhor ano de toda a sua história. A imprensa até apelidou de “O Ano Azul”.

A torcida teve de curvar-se a sua capacidade administrativa. A frase dos muros de Porto Alegre, que antes diziam "Fora Koff", passou a dizer "Fora Koff: Vai pra Tóquio". E ele foi mesmo no final do ano de 1983.

Depois veio a presidir novamente o Grêmio entre 1993 e 1996, mesmo tendo recém se recuperado de um câncer. Novas conquistas chegaram: a segunda Libertadores, mais o Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Copa Sanwa Bank, Recopa Sul-Americana e o vice-campeonato da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 1995.

E no mandato mais recente, entre 2013 e 2014, liderou o processo de renegociação da Arena do Grêmio. Depois, mesmo sem nenhum mandato diretivo continuou prestando serviços ao clube, na condição de membro do conselho consultivo.

Com uma vida dedicada ao Grêmio, ganhou com justiça o apelido de “O Poderoso Chefão”. E junto de Hélio Dourado, é tido como um dos maiores dirigentes de toda a história do clube. E também o presidente que projetou o nome da agremiação para o Mundo.

De 1987 até sua dissolução, em 2011, Fábio Koff foi o único presidente do “Clube dos 13”, a associação dos 20 maiores clubes de futebol brasileiro, e o maior responsável por negociar as cotas de televisão, garantindo com isso uma apreciável receita extra para os clubes.

Fábio Koff nasceu em Bento Gonçalves (RS), no dia 13 de maio de 1931. Cursou faculdade de direito em Passo Fundo, tendo executado a profissão de juiz de direito. Trabalhou nas comarcas de Flores da Cunha, Frederico Westphalen, São Jerônimo, Canoas e por fim na capital, Porto Alegre.

Era casado com dona Ivone Koff, com quem teve dois filhos, o dentista Alexandre Koff e Fábio Koff Junior, que a exemplo do pai é juiz de direito e ex-conselheiro do Grêmio.

Em 2016, o professor Paulo Flávio Ledur e seu filho o jornalista Paulo Silvestre Ledur, lançaram o livro "Fábio André Koff: memórias e confidências. O que faltou esclarecer", uma biografia feita através de depoimentos.

No livro, que foi editado pela Editora gaúcha AGE, Fábio Koff conta em detalhes como foram os bastidores das principais conquistas do clube, bem como a sua carreira como dirigente do Clube dos 13. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 8 de maio de 2018

Villa Guarany, do Rio de Janeiro

No futebol do Rio de Janeiro existiram muitos clubes, cujos nomes não se perderam no pó do  tempo, graças aos esforços de pesquisadores que diariamente circulam pelas coleções de velhos jornais, na incessante busca pela valorização da memória do futebol.

E essa não é nenhuma tarefa fácil. Em todo o país esses muitas vezes anônimos, são obrigados a enfrentar dificuldades as mais variadas para encontram subsídios ao que procuram. Eu mesmo, já me deparei com isso.

Em pesquisa sobre a “Copa Arizona”, a maior competição amadora que se realizou até hoje no futebol brasileiro, promovida pelo jornal “Gazeta Esportiva”, com o patrocínio dos extintos cigarros Arizona, não consegui levá-la adiante, porque simplesmente o jornal queria cobrar, nem lembro quanto, para fazer consultas em seu acervo.

Mas deixemos isso de lado e vamos ao que interessa. Existiu no Rio de Janeiro um time chamado Villa Guarany Football Club, que tinha as cores vermelha e preta, que nem o Flamengo. O clube foi fundado em 13 de Julho de 1915, por um grupo de jovens desportistas da Villa Guarany, em frente a Rua da Praia Formosa.

A sua sede e a Praça de Esportes se localizavam na Rua Coronel Pedro Alves, antiga Rua da Praia Formosa, nº 287, no Bairro de Santo Cristo.

A sua conquista mais expressiva aconteceu no ano de 1917, quando foi o Campeão da Liga Municipal de Football (LMF), fundada em 13 de março de 1916, na Rua do Rosário, 133, Centro.

O Villa Guarany atuou naquela competição com a seguinte formação: Armando - Cabral e Nogueira. Hortêncio - Dantas e Rubens. Carmos – Newton - Silva e Gabriel. Também esteve presente no certame da LMF em 1918.

Clubes que disputaram o certame, além do Villa Guarany: Athletico Cajuense Football Club. de São Cristóvão, fundado em 5 de novembro de 1915; Athletico Victoriano Football Club, também de São Cristóvão; Avenida Football Club, do Centro;  Lisboa-Rio Football Club, igualmente do Centro, fundado em 5 de agosto de 1915; Mattoso Football Club, da Praça da Bandeira;  Pereira Passos Football Club, da Saúde-Centro, fundado em 3 de maio de 1913; São Paulo-Rio Football Club, do Centro, fundado em 7 de junho de 1910; Stuart Football Club, de São Cristóvão; Sul América Football Club, do Engenho Velho, fundado em 10 de julho de 1910 e Victória Football Club, do Caju. (Pesquisa: Nilo Dias)


sábado, 21 de abril de 2018

Campeão sem precisar jogar

Há exatos 114 anos ocorreu um dos episódios mais estranhos da história do futebol: um clube se sagrar campeão sem precisar jogar uma partida sequer. Foi na Espanha. O Athletic Bilbao ganhou a segunda edição da “Copa do Rei”, em 1904. Já havia vencido a primeira um ano antes.

E isso lhe garantia o direito automático de disputar o título contra a equipe que chegasse a final, depois de passar por adversários representativos de cada uma das regiões espanholas.

Além do Athletic, do país Basco, inscreveram-se o Espanhol, de Barcelona, representando a Catalunha, e dois clubes de Madrid - Espanhol e o Madrid Moderno. Primeiro, teria que se decidir qual o clube que representaria a região da capital, que disputaria o triangular com os bascos e os catalães.

Mesmo em cima da hora a organização decidiu aceitar as inscrições de mais dois clubes madrilenos: Moncloa e Iberia. Com isso foi preciso alterar o calendário, porque haveria mais jogos a fazer para apurar o representante de Madrid no triangular.

A edição do ano anterior, organizada pelo Madrid Foot-Ball Club, tinha decorrido sem qualquer problema, mas em 1904 coube à Associação Madrilena de Futebol a responsabilidade da competição. E o caos se formou.

A final estava marcada para o dia 28 de março, na prática, ainda antes de o torneio começar. E como se a confusão não bastasse, o Espanhol, de Barcelona decidiu sair fora. O vencedor do troféu seria conhecido num jogo entre o Athletic Bilbao e o representante de Madrid.

Foram espalhados cartazes pela capital espanhola anunciando o torneio, que decorreria no hipódromo. Haveria uma tribuna para o rei e restantes figuras proeminentes, além de que seriam colocadas 5 mil cadeiras à volta do campo para os espectadores que pagassem 25 cêntimos pelo lugar.

A 13 de março a bola finalmente começou a rolar, para decidir quem representaria Madrid no jogo final. O Moncloa goleou o Iberia por 4 X 0, no único jogo em que aparentemente não houve qualquer problema.

Em 19 de março, Espanhol, de Madrid e Madrid Moderno realizaram o segundo jogo e começou a confusão. Houve um empate de 5 X 5 e com isso a necessidade de desempate. Mas os times não se acertaram em relação a data desse novo encontro.

O Espanhol queria jogar no dia seguinte, mas o Madrid Moderno não aceitou, alegando que as regras proibiam que se jogasse uma nova partida com menos de 48 horas de antecedência.

O Espanhol não quis nem saber e no dia seguinte entrou em campo. Mas o Madrid Moderno não apareceu. E o que aconteceu? O presidente da Associação Madrilena, organizadora da competição, e que era também o presidente do Espanhol, decidiu que sua equipe fora vencedora do jogo, por falta de comparência do adversário.

Claro que o Madrid Moderno protestou, afirmando que o presidente da Associação lhes tinha garantido que não haveria jogo nesse dia, mas de nada adiantou.

Nessa altura do campeonato sobraram as equipes do Espanhol e do Moncloa para a decisão. Apenas uma delas passaria para a fase seguinte, disputando o troféu com o Athletic.

O jogo foi marcado  para o dia 27 de março de 1904. O Espanhol vencia o Moncloa por 1 X 0 quando o jogador Hermúa, caiu em campo com fratura da tíbia e do perónio. O árbitro suspendeu o jogo.

No dia seguinte, houve uma reunião e o Espanhol foi apontado como o outro finalista. A questão é que 28 de março era a data para a qual estava marcada a final com o Athletic e, oficialmente, esse jogo não chegou a ser adiado.

No dia 28, os bascos apresentam-se para jogar, mas o Espanhol não, obviamente. Assim sendo o Athletic auto proclamou-se vencedor e regressou a Bilbao, levando a taça.

A Associação então resolveu marcar a final para dia 29, mas não avisou os bascos, que até já tinham deixado Madrid. Nesse dia 29, o Espanhol apresentou-se em campo, mas o Athletic já nem estava em Madrid e, claro, não compareceu. 

Assim sendo, o Espanhol foi proclamado vencedor, exigindo aos bascos que lhes entregassem o troféu, coisa que não aconteceu.

Sucederam-se protestos de todos os clubes envolvidos no torneio, acusando a Associação Madrilena de Futebol de falta de organização e dizendo que o Espanhol nem sequer deveria ter sido finalista, uma vez que não ganhou nenhum jogo, empatou um e não terminou o outro.

Finalmente, e assoberbada com tanta confusão, a organização decidiu, já em abril, atribuir a “Copa do Rei” aos bascos, na qualidade de vencedores do ano anterior. E o incível, sem precisar jogar uma única vez. (Pesquisa: Nilo Dias)

Athletic Bilbao, campeão da “Copa do Rei” de 1904. 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

O pênalti mais demorado da história

Foi no dia 30 de setembro de 1934, que aconteceu em Pelotas (RS) algo que cheira quase ao inacreditável. O campeonato municipal, como era comum naqueles distantes dias era disputado com muito ardor pelos clubes locais.

O ano de 1934 foi muito agitado, não só no Brasil, mas pelo mundo todo. Na Alemanha, Adolf Hitler conseguia concentrar o poder total em suas mãos, depois da chamada “Noite dos Longos Punhais”.

A “Noite dos Longos Punhais” foi o nome dado a uma ação de expurgo interno ao partido nazista, ocorrida na noite do dia 30 de junho para 1 de julho de 1934. O objetivo era minar o fortalecimento dos chefes da SA, Sturmabteilung, a Tropa de Assalto dos nazistas, formada ainda na década de 1920, que tinha como principal líder Ernst Röhm.

Também em 1934 ocorreu o falecimento do presidente Paul von Hindenburg, da Alemanha.  Ante a ausência de poder, assumiu a presidência, quem nessa época era chanceler, Adolf Hitler.  

E lá perto, na Itália, a seleção italiana acabava de ganhar a Copa do Mundo de futebol, que foi marcada pela constante intervenção do fascismo, representada pelo seu líder Benito Mussolini. E na terra tupiniquim, Getúlio Vargas assumia de fato a presidência constitucional.

E aqui no nosso Rio Grande do Sul abençoado por Deus, e bonito por natureza (plagiando o Rio de Janeiro) os times de futebol do 9º Regimento de Infantaria, hoje Farroupilha e do Esporte Cube Pelotas tinham um encontro marcado, ansiosamente aguardado pelas duas torcidas.

Imaginem a cena. Estádio lotado, botando gente pelo “ladrão”, juiz e bandeirinhas dentro de campo, mas nada dos times. O espetáculo que estava prestes a se iniciar talvez tivesse sido único no mundo. As duas torcidas esperavam a batida de um pênalti.

E não se tratava de nenhuma decisão por pênaltis marcada para aquele dia. Seria a cobrança de um pênalti só. Unzinho. Repito, parece surreal, mas juro que isso realmente aconteceu em Pelotas, há exatos 83 anos atrás.

Mas vamos retroceder até o dia 9 de setembro, data em que o jogo entre os dois tradicionais adversários foi realmente realizado e que dera início ao espetáculo da cobrança de um pênalti.

Foi no Estádio da Boca do Lobo, reduto do Pelotas, que na época era conhecido por “Estádio da Avenida Bento Gonçalves”. Tudo indicava que se trataria de um jogo normal, como tantos outros, talvez recheado de jogadas interessantes e lances eletrizantes.

O Regimento tinha um timaço, onde despontava o grande craque “Cardeal”. E ele estava em uma tarde inspirada, tendo marcado dois gols que davam a sua equipe.  Foi quando tudo começou.

No último lance do jogo, Celistro, jogador do Regimento cometeu um pênalti desnecessário e o juiz preparava-se para marcar a infração. Mas vejam só o que ocorreu. Naqueles gloriosos tempos existia a figura do “cronometrista”, a exemplo do que se vê hoje em Futsal e Baquetebol, que deu por encerrada a partida um pouco antes da hora.

Para que? Nesse momento a confusão se formou, com os torcedores das duas equipes invadindo o campo. Acuado, o juiz interrompeu a pugna até resolver o que seria feito. A partir dai uma pergunta se ouvia por toda a cidade: “o pênalti deveria ser batido ou não?”

Ainda mais que já naquela época se sabia que pênalti num jogo de futebol é coisa  tão importante, que o presidente do clube é que deveria ser escalado para batê-lo.

Demorou alguns dias para que a Liga Pelotense tomasse uma decisão. Isso se deu três dias depois, em 12 de setembro, durante reunião realizada na Biblioteca Pública Pelotense, quando se achou por bem mandar que o pênalti fosse batido, corroborando entendimento da "International Board" e do juiz daquela partida, o riograndino Valentino Martinato, em correspondência enviada a Liga.

Alegavam que o “cronometrista” havia encerrado a partida quando o jogador do Pelotas ia efetuar a cobrança. A data foi marcada para 30 de setembro, 21 dias depois do jogo. É claro que uma situação dessas só podia se transformar no assunto mais badalado da cidade.

E o grande dia chegou. A cobrança do pênalti estava marcada para 13h30min. O estádio engalanado, não tinha lugar nem para mosca. Todos queriam ver a cantada e decantada cobrança do pênalti. Pior, a Liga resolveu cobrar ingresso.

Mesmo sob protesto todos pagaram. Foram nomeadas comissões que se encarregariam dos mais exaltados, inclusive de casos policiais que por ventura viessem a ocorrer.

Dentro de campo apenas dois jogadores. De um lado, João Pedro, encarregado da cobrança,  conhecido como o “Canhão Pelotense”, em razão da bomba que tinha nos pés. Do outro, o goleiro Brandão, um verdadeiro “paredão” na meta do Regimento.

O vento soprava levemente no estádio e, em todos os cantos, os torcedores prendiam a respiração. Para aumentar ainda mais a expectativa, o vento soprou a bola para fora da marca de cal e João Pedro arrumou a bola pra bater. Brandão saiu rápido do gol e foi cumprimentar o ponteiro pelo gesto.

Então João Pedro correu, soltou a bomba... e Brandão defendeu magistralmente, garantindo a vitória e abrindo o caminho para o título local, que o Regimento ganhou no final daquele ano, o primeiro título citadino de sua história.

E assim, o “Caso do Pênalti”, como ficou conhecido esse episódio, entrou para a história como um dos acontecimentos mais pitorescos do futebol pelotense, brasileiro e mundial.

O que veio depois todos já sabem, inclusive sobre o jogo extra, acontecido no feriado de 15 de novembro, no campo do C.A. Bancário, com arbitragem de Teotônio Soares, vencido pelo 9º RI por 3 X 1. (Pesquisa: Nilo Dias – Original: Mário Gayer do Amaral, Professor e Historiador)

Pênalti é tão importante, que deveria ser batido pelo presidente do clube.