Nilo Dias Repórter

Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O que esperar do Brasil na Copa?

Estamos batendo as portas de mais uma Copa do Mundo. Novas expectativas, esperanças renovadas. Se bem que aqueles 7 X 1 não nos sai do pensamento. Estamos confiantes, mas também receosos. Um pé na frente, outro atrás.

Se bem que o técnico Tite nos parece ser um verdadeiro santo milagroso. Transformou um arremedo de time, numa seleção bonita de se ver jogar. Futebol pra frente, não acovardado.

Pena que não haja unanimidade em torno do Brasil nessa Copa. Tem quem não queira ver o nosso país ganhando mais um troféu. Resultado das divisões políticas, das camisas amarelas na rua, que em vez de unir, desuniram.

Como diz o ditado, “a voz de Deus é a voz do povo”, o jornal “O Fato” procurou ouvir a opinião de gabrielenses, sobre o que esperam do Brasil na Copa do Mundo. O resultado está aqui. (Nilo Dias)

Carmen Lúcia Evangelho Lopes

Economista, doutora em sociologia e amante do samba e da cultura popular. (de família gabrielense)


E a Copa de Mundo de 2018?

Estamos vivendo os preparativos para enfrentar as angustias e ansiedades que os jogos das Copas sempre geram no nosso país ... é o momento de encontrar grupos de curiosos, torcedores fanáticos ou não, que sem tempo ou condições de chegar a um local mais confortável, assistem aos jogos, de pé na frente de televisões expostas nos estabelecimentos comerciais; tempos das ruas enfeitadas de verde e amarelo; das coberturas antecipadas nas redes de TV sobre as curiosidades do país sede do maior evento mundial de futebol. 

Futebol e política se misturam desde a Copa de 1934, quando a Itália de Mussolini ficou com o título debaixo de uma massiva propaganda fascista, com a presença do “Duce” na Tribuna e a ameaça aos jogadores se não ganhassem a Copa: ”Vitória ou Morte!”

Desde então, em maior ou menor grau o futebol e a política andam de mãos dadas.
Não sou especialista nem em política nem em futebol. Mas, como cidadã antenada com a vida social e econômica do país, eu observo (e as vezes me posiciono) as diferentes opiniões do conjunto de torcedores.

A “Pátria de Chuteiras” parece que existe mesmo quando a seleção entra em campo. As divergências políticas se encobrem e torcemos todos pelo Brasil.

Mas, um olhar um pouco mais observador, nos mostra debates interessantes que associam a relação dos três últimos países-sedes da Copa (África do Sul-2010; Brasil-2014 e Russia-2018), com uma quebra do eixo Europa-EUA nos grandes eventos esportivos. O que significa o deslocamento expressivo da aplicação dos investimentos atrelados ao mundo do esporte.

Um outro elemento importante para considerarmos é a composição da atual seleção escolhida pelo técnico Tite: dos 23 jogadores, 22 são provenientes do eixo Centro-Sul ( 4-RJ, 9-SP, 1-SC, 2-MG, 2-PR, 4-RS) e um único representante da região nordeste (AL).

As regiões Norte e Centro Oeste não forneceram nenhum jogador. Do ponto de vista sócio econômico, a maioria dos jogadores são oriundos de região metropolitana dos grandes centros das regiões Sul e Sudeste, de bairros com altos índices de criminalidade e baixos indicadores sociais ou de municípios distantes da capital, sem infraestrutura adequada.

A maioria é de família de trabalhadores braçais, com baixa escolaridade e o futebol propiciou uma melhoria significativa do nível de vida.

Por fim, um outro ponto interessante é a discussão se a vitória do Brasil pode ser ou não faturada pelo governo. Lembro, imediatamente, da Copa de 70 em pleno governo Médici, do “Prá Frente Brasil”. Erguemos a “Taça Jules Rimet!” pelo tricampeonato. Mas, em termos de direitos individuais e sociais enfrentávamos, historicamente, um dos nossos piores períodos. 

E, no último minuto para inicio do primeiro jogo os brasileiros torciam pela Seleção embora o governo não fosse consenso.

No momento em que enfrentamos uma crise social tão forte, com 14 milhões de desempregados, como devemos analisar a Copa de 2018?

JORGE BALTAR

Locutor Esportivo da Rádio Gazeta, de Santa Cruz do Sul


Tite, um estrategista

Um dos grandes trunfos do técnico Tite é a variação tática. Tite o Adenor Bachi que conheci na Rádio Caxias em 1998 como comentarista, é um apaixonado pelo sistema tático de envolvimento, de chegada, de aproximação das linhas.

Como foi que Tite conseguiu fazer o Brasil jogar, mesmo fazendo poucas trocas daquele time que levou 7 X 1 da Alemanha? Primeiro trabalhando o psicológico dos jogadores, depois definindo posições e atribuições dentro de campo.

O técnico conhecido por ser disciplinador, mas amigo dos jogadores, conseguiu a chamada “Consciência Tática”, onde todos marcam e tem as suas funções bem definidas, sem ter função.

Eu explico, não quer dizer que Neymar porque é atacante, não precise fechar o lado e até pelo meio, quando não está com a bola. O mesmo valendo para Philippe Coutinho, Willian e até para o Renato Augusto, quando este entra como titular.

O time de Tite é hoje um time surpreendente a cada jogo, mas com um futebol competitivo e solidário, o que nunca aconteceu com as equipes de Felipão, Mano Menezes e Dunga.
Ser competitivo, não tirou o brilho do futebol de Marcelo, Daniel Alves e Neymar. O segundo, lesionado irá fazer muita falta. Mas em termos de time compactado, com a chamada marcação alta, Casemiro e Paulinho, sabem fazer isso muito bem.

A equipe do Brasil, no meu entendimento, tem sim condições de buscar o “hexa”. No sistema defensivo, a Seleção Brasileira, nos parece mais equilibrada justamente por ter neste setor, jogadores que se completam em termos de cobertura e de saída rápida de bola.

Esta seleção Brasileira do Tite é, na minha visão, uma seleção igual às demais europeias com o acréscimo de qualidade técnica que todo o jogador brasileiro tem, com o improviso que é no meu entendimento o grande diferencial ainda do futebol brasileiro.

Tenho esperanças de um futebol bem jogado, e com o professor, sabendo explicar, o que é flutuar entre as linhas, a compactação e a variação tática que ele Tite impõe aos seus comandados.

O que fez com que Adenor Bachi fosse parar na seleção Brasileira, e fizesse a grande campanha nas eliminatórias, e nos desse esperanças na terra de Putin.

Que venha o “hexa”, com um futebol vistoso e brilhante, para cada vez mais ver renascer nos campos russos, o futebol que outrora encantou o mundo.

CERES FÉLIX

Administradora de empresas


O que eu espero do Brasil na Copa.

Eis que abro o Messenger enquanto assisto ao noticiário e me deparo com o convite do amigo Nilo Dias para escrever sobre “o que eu espero do Brasil na Copa”.

Boa pergunta, amigo Nilo Dias! Em meio a tantas ocorrências negativas, tanto mar de lama na política sendo revolvido, tanta criminalidade chegando até nós através da mídia, não tive muito tempo de pensar que a Copa está chegando...

Pois bem, meu amigo, como boa brasileira, logo pensei: “Quero que o Brasil ganhe todas!”, “Quero que a final seja contra a Alemanha e a gente inverta o 7x1!”, enfim “Quero ser Hexacampeã do Mundo!!!”.

Mas (sempre tem um mas), quero um time que espelhe o bravo povo brasileiro que não foge da luta e acredita que tudo vai melhorar, um time  que jogue com os pés e também com a alma, que tenha garra, que tenha técnica, tenha amor pela nossa camiseta, pelo nosso país, pelo nosso povo e acima de tudo, que carregue em si o orgulho de ser brasileiro.

Enfim, amigo Nilo, é isso que espero da nossa seleção. E do nosso Brasil, espero que ele se erga do berço esplêndido e ressurja gigante pela própria natureza, fazendo cada dia mais nos sentirmos orgulhosos de sermos filhos dessa pátria amada!!! Pra frente, Brasil!!!! Salve a seleção!!!

MIGUEL MONTE

Jornalista e radialista. Assessor de Imprensa da Prefeitura Municipal de Jaguari


Que a seleção não nos humilhe novamente

A cada 4 anos, os brasileiros – apesar de dificuldades ou não por que passa o país -, sempre ficam na expectativa de que a seleção brasileira levante o troféu, ou seja, que seja campeã do mundial.

Independente da suba do combustível, da falta de maiores investimentos na saúde, educação, segurança e infraestrutura. E mesmo que muitos não tenham um emprego fixo e digno que lhes possibilitem colocar a comida na mesa de seus familiares.

Foi assim quatro anos atrás, quando sediamos pela segunda vez a Copa do Mundo. Todos esperavam que a seleção brasileira levantasse o troféu, mas o que infelizmente vivenciamos foi a maior humilhação de todos os tempos – bem maior do que a perda do título em 50 -, ao levarmos uma goleada do selecionado alemão.

Portanto, minha maior preocupação é que o “selecionado canarinho” não nos humilhe mais. Que tenha futebol e garra. Que os 23 jogadores escolhidos pelo treinador Tite, honrem a confiança neles depositada e joguem a exemplo de tantos que já vestiram a amarelinha, como: Pelé, Félix, Piazza, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto, Everaldo, Gerson, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Zico, Falcão, Sócrates, Cafú, Tafarel, Romário, Dunga, Marcos, e tantos outros.

Que possamos orgulhosos sentados à frente do aparelho de televisão, estufar o peito e dizermos: Esta é a nossa Seleção Brasileira!

Não é importante que não se levante o troféu de campeã, desde que não passemos pela mesma humilhação de 2014, onde assistimos estarrecidos a seleção da Alemanha - em pleno estádio Mineirão -,  nos humilhar a cada bola que balançava as redes do gol do selecionado do Brasil.

Plagiando o poeta Vinícius de Moraes que dizia: “Que me perdoem as muito feias, mas beleza é fundamental”. Eu digo: “Que me perdoem os jogadores da seleção brasileira, mas fazer bonito na Copa do Mundo é fundamental”.

Outra humilhação jamais. E se a boa apresentação no mundial vier com o título de campeã, aí lavaremos a alma que ainda está inundada pelos 7 gols sofridos da seleção alemã.

LIANE CHAVES

Advogada


 A Bandeira verde e amarela da paz

Ano de Copa do Mundo é um ano pautado no verde da esperança, no amarelo do sol, no azul do céu e no branco da paz.

As pessoas “vestem a camiseta”, afloram suas alegrias até então, muitas vezes esquecidas, vibram, cantam e gritam “BRASIL, BRASIL” com garra, honra e orgulho de “SER BRASILEIRO”.

Os rostos são “pintados” não como forma de protestos e sim, pelo sentimento de patriotismo que invade os corações. Nos meios de comunicações o assunto é “Copa do Mundo”, e todas as demais manchetes perdem destaque a esta tão bela “festa do futebol”.

As pessoas “sem tempo” acham o “tempo” para ali estarem reunidas em dias de jogo. As famílias programam encontros e todos esquecem as “brigas cotidianas”, o franzir de uma testa ranzinza ou até mesmo aquela “velha mágoa” há anos armazenada no âmbito da “alma”. Tudo é alegria! Tudo é emoção! 

E, então, nos perguntamos:- Por que somente em período de “Copa do Mundo” somos tudo isso? E, logo vem a resposta: - Porque estamos todos unidos no mesmo ideal, com os mesmos objetivos, vibrando na mesma sintonia, levantando a “mesma bandeira” e buscando o mesmo resultado.

Deixamos as posições de defesa, sejam elas, “lateral esquerda” ou “lateral direita”, viemos todos para o meio de campo assumindo nosso papel de “volante”, fazendo as ligações entre defesa e ataque para que a “jogada seja perfeita’”, somos zagueiro ou goleiro numa luta incessante para que a rede possa “tremer” com o mais lindo gol da vitória.

Sendo assim, vamos cada um de nós fazer a nossa parte nas mudanças necessárias para transformar nosso País e fazer crescer o patriotismo como um sentimento permanente onde teremos orgulho de ver “tremular” a Bandeira verde e amarela da paz.

LUIS FELIPE LEÃO

Funcionário da Saúde


Independência e justiça social

Como você sou de uma geração que viu a maior seleção de todos os tempos conquistar o tri no México e isso me tornou um torcedor exigente quando o assunto é Seleção Brasileira.

Quem viu Pelé e se indigna quando fazem comparações com o incomparável , aquela Copa foi emblemática por tudo pelo futebol apresentado, pela situação do país, com a ditadura assassina caindo em cima de quem quer que fosse, que expressasse um sentimento contrário a seus interesses.

Hoje o cenário é até parecido. Vivemos um golpe, temos uma boa Seleção, nem perto daquela. Mas para os padrões atuais é uma boa seleção com chances de trazer o hexa.

A diferença é que hoje os golpistas de agora não irão faturar com o momento de civismo e patriotismo que aflora em todas as copas. São tão imorais e sujos, que nem podem tentar semelhante fato.

Estou otimista, porque sou assim. A Seleção é um bem do povo, ainda que os 7 X 1 tenha nos ferido a alma.

A seleção é a Pátria, somos um povo sofrido, explorado, e que ainda hoje clama por independência e justiça social.

ANA RITA FAGUNDES LÉO

Mestre em Ensino de Línguas


Que se abram as cortinas

Meu amigo Nilo Dias passou-me a bola quicando e eu, na minha ignorada ignorância, matei-a no peito e estou até agora correndo atrás dela.

O foco do texto é “o que você espera do Brasil na Copa do Mundo”. Como ele me deu a liberdade de mudar o foco, optei por redigir um texto leve e solto, baseado no meu pensar, no meu olhar, talvez caolho.

Sinto dificuldade de apropriar-me dos recursos da linguagem técnica do futebol, mesmo acompanhando o Eduardo em sua trajetória como jogador profissional.

Porém, falar de futebol, nessa época, deixa-me à vontade, pois todo mundo fala com propriedade, notoriedade, ficamos ufanistas, somos 200 milhões de técnicos com chuteiras, somos tietes do Tite, “somos todos Tite”, até que o Tite nos prove o contrário. Cruzem os dedos, que Tite, opa, que Deus nos livre!!!

Temos uma característica única: a esperança até o último instante, nada, mas nada nos tira esse foco. Já dizia Mário Quintana: “A esperança é um Urubu pintado de verde!”, que seja, o que importa é acreditar até o urubu aparecer.

Com o olhar técnico-semianalfabeto, de torcedora da gema, minha expectativa para essa copa é a conquista do título para recuperar os traumas do passado e o do passado presente ainda hoje “entalado” com o placar de 7 X 1 contra a Alemanha.

Lançamos toda a esperança nos 23 jogadores e na comissão técnica, os quais construíram suas histórias até chegarem ao topo de sua profissão e que servem de exemplo para os jovens.

Também sabemos que as festas populares como carnaval e futebol são cortinas para encobrir os problemas estruturais, políticos, econômicos e sociais do País, mas, apesar de tudo, o carnaval e o futebol são o urubu pintado de verde em relação aos avanços do País. 

É como se o Brasil permanecesse no berço esplêndido com o povo heroico fazendo “bilu, bilu”!  Então, que se abram as cortinas, que assistamos ao espetáculo, momento contraditório, mas o nosso povo brasileiro alegre, festeiro, embora sofrido, merece!

Não será uma bola na rede que de fato mudará o Brasil. Mas, com certeza, um voto na urna fará toda a diferença!

Queremos nada mais, nada menos trazer da Rússia o hexa. Que venha a Alemanha, a Espanha, a Rússia, a Argentina...

Queremos uma vaga no coração de cada craque e queremos sonhar, pois a capacidade de sonhar nos impulsiona a vencer os obstáculos. Sonhar com a bola na graciosidade do bailado nos pés dos jogadores chutando-a no gol e arrancando de nossa garganta o grito engasgado de campeão.

Só não queremos buscar o título no Posto Ipiranga!

ALEX SILVEIRA

Empresário rural e tradicionalista


Tite Gaúcho resgata nosso orgulho!

Sim, somos um povo que estava com o orgulho ferido pelos 7 X 1, uma humilhação sem precedentes! Mas graças ao Tite, um gaúcho, mago das palavras, da gestão de pessoas e honesto, agora temos fundadas esperanças de resgate do nosso orgulho maior!

O país do futebol não poderia perder este brio! Porque em tempos difíceis, de intolerância, de divisões políticas, de políticos desonestos que trabalham para os próprios bolsos, o único orgulho que nos resta em toda esta realidade é a Seleção Brasileira de Futebol.

Quem sabe, após a Copa, uma onda de otimismo e de comprometimento com o país se faça presente! Porque Tite, o mago da gestão de pessoas, é um exemplo para a classe política do nosso país.
                                                                                                         


quarta-feira, 13 de junho de 2018

O futebol brasileiro perde um de seus maiores craques

Morreu ontem (12/6) o ex-volante do Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte, José Carlos Bernardo  o “Zé Carlos”,  de 73 anos, que por 38 anos se constituiu no atleta com maior número de jogos pelo clube mineiro.

Somente em 2015 perdeu essa condição para o goleiro Fábio, que ainda permanece em atividade. “Zé Carlos” vestiu a camisa estrelada em 633 jogos e marcou 83 gols, entre as temporadas de 1965 e 1977.

O drama de “Zé Carlos” começou há cerca de seis anos. No entanto, somente há três a doença chegou ao ponto mais crítico, quando o ex-jogador ficou acamado. Ele deixou três filhos, Frederico, de 35 anos, vendedor; Gustavo, de 32, que mora e trabalha nos EUA; e Thiago, de 33.

Ele vivia em um apartamento, em Contagem, cuidado pela esposa, fiel escudeira, Eunice Braga Tolentino Bernardo, a “Nice”, de 58 anos.

“Zé Carlos” estava desempregado em razão de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2016, quando ficou com dificuldades de locomoção e comunicação. Ele passou os últimos meses internado no “Hospital do Barreiro” na capital mineira e morreu por falência múltipla dos órgãos.

O jogador fez parte de uma época de ouro do Cruzeiro, onde foi campeão da “Copa Libertadores da América de 1976” e da “Taça Brasil de 1966”, título que foi reconhecido em 2010 como de campeão brasileiro. E campeão mineiro em 10 oportunidades (1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977), além do “Torneio Início” (1966) e "Taça Minas Gerais" (1973).

Natural de Juiz de Fora (MG), “Zé Carlos” foi revelado pelo Sport Club Juiz de Fora. Como a cidade da “Zona da Mata” mineira fica próxima ao Rio de Janeiro, ele foi para o Fluminense fazer um teste.

Naquela época, o Fluminense estava sem dinheiro para poder pagar o passe dele. Por isso, “Zé Carlos” acabou no Cruzeiro a pedido do presidente Felício Brandi. No tricolor carioca ele conheceu o jogador Procópio, de quem se tornou grande amigo.

Os dois jogaram juntos no Cruzeiro, que tinha Dirceu Lopes, Tostão, Natal, Piazza e Raul. Procópio lembra que quando voltou a jogar depois de cinco anos, já velho, com 33 anos, recuperado de uma lesão, na estreia, “Zé Carlos” e Perfumo, outro que também já nos deixou, o apoiaram muito. 

"Fizeram a cobertura, deram apoio moral. correção, amizade e lealdade. Uma grande perda", disse o ex-zagueiro.

“Zé Carlos" esteve cotado para disputar a "Copa do Mundo de 1970", mas ficou fora da lista. Pela “Canarinho” ele participou de oito jogos e marcou dois gols.

Depois de deixar o Cruzeiro, o ex-volante foi campeão brasileiro com o Guarani, de Campinas (SP) em 1978, time fabuloso que tinha Zenon, Renato, Capitão e Bozó. 

Já no fim da carreira, vestiu a camisa do Villa Nova, de Nova Lima (MG) e teve atuação de destaque num duelo com o Atlético, conforme lembrou matéria publicada pelo jornal “Estado de Minas”. E no início dos anos 80 jogou no Uberaba (MG) e no Maringá, do Paraná.

Ao pendurar as chuteiras tentou a carreira de treinador. No futebol catarinense, “Zé Carlos” foi técnico do Criciúma campeão catarinense de 1986, interrompendo uma sequência de oito títulos consecutivos do Joinville, ao vencer o rival do Norte por 2 X 0 no Estádio Heriberto Hülse, com dois gols de Jorge Veras. Foi a primeira conquista tricolor desde a mudança do nome de Comerciário para Criciúma.

De acordo com os dados do site “Meu Time na Rede”, “Zé Carlos” comandou o Criciúma em 133 jogos oficiais entre 1986 e 1988, com um aproveitamento de 57%.

“Zé” era cativante ao extremo na sua tranquilidade, mansidão ao falar e bondade. Como todo sábio, não precisava demonstrar humildade e jamais teve o mínimo traço de arrogância. 

"Triste é saber que ele precisou da ajuda dos amigos para tratamento e fisioterapia. Machuca, mas é a realidade de um país onde o ídolo de ontem desaparece como uma folha seca levada pelo tempo, escreveu “Zé Beto”, no seu blog http://www.zebeto.com.br.

O Cruzeiro Esporte Clube lamentou o fato em uma nota assinada pelo presidente Wagner Pires de Sá. "Todos nós, da família Cruzeiro, manifestamos neste momento de dor o nosso carinho, compaixão e solidariedade aos amigos, familiares e fãs de "Zé Carlos", que sempre terá um cantinho especial no coração de cada cruzeirense e dos amantes do bom futebol", escreveu o mandatário do clube.

O Cruzeiro não foi o único a lamentar o falecimento de "Zé Carlos". O Guarani também o fez por meio de seu perfil no Twitter. "Com profundo pesar, o Guarani Futebol Clube informa e lamenta o falecimento do ex-meia "Zé Carlos". campeão brasileiro com o "Bugre" em 1978, o ex-jogador faleceu nesta terça-feira, aos 73 anos, em Belo Horizonte. Descanse em paz, "Zé Carlos", escreveu.

Muito abalado, também estava Zenon, meio-campista que formou com “Zé Carlos” e Renato, um trio de meio-campo de tirar o chapéu, tanto que levou o Guarani ao título inédito do Campeonato Brasileiro de 1978. 

Mais do que colegas de trabalho, eram amigos de longa data. Até por conta disso Zenon lamentou demais a perda do companheiro, que faleceu aos 73 anos, nesta terça-feira. O ex-meia se mostrou muito triste com a morte do amigo e companheiro .

"Zé Carlos" foi velado no “Cemitério Parque da Colina”, no Bairro Nova Cintra, região oeste de Belo Horizonte. O sepultamento ocorreu, hoje, quarta-feira, às 10 horas. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 31 de maio de 2018

O grande goleiro do Liverpool

Bruce Grobbelaar, goleiro que escreveu seu nome na história do Liverpool, tradicional time do futebol inglês, com certeza foi bastante lembrado semana passada, quando Loris Karius falhou duas vezes e tirou toda e qualquer possibilidade de seu time vencer o Real Madrid e ganhar a Copa Europa de Clubes Campeões.

Talvez Grobbelaar não fosse o genro dos sonhos para qualquer inglês mais apegado às tradições, e acostumado ao chá das cinco. Não era um Courtois ou De Gea, grandes destaques de seus times, dentro e fora de campo, jogadores que surgiram jovens e disputaram Copa do Mundo.

Grobbelaar não foi herói e nem vilão. Uns o conheciam como um gênio embaixo das traves, outros apenas como um fanfarrão. Mas o fato é que rótulos não combinam com a excentricidade daquele que foi ídolo dos “Reds”.

O goleiro marcou época no Liverpool, embora sempre gostasse de viver a vida intensamente. Nasceu em Durban, na África do Sul, numa região colonizada por holandeses. 

Resolveu defender a seleção do Zimbábue devido às sanções que a África do Sul sofria tanto da FIFA quanto da Confederação Africana de Futebol (CAF), por conta do “Apartheid”, que não permitia ao país disputar qualquer campeonato.

Outro fato peculiar que cercava Grobbelaar era a sua participação na guerra que culminou na independência do Zimbábue. Enquanto praticava o futebol ele serviu à Rodnésia, e dentro do próprio Exército chegou a praticar outros esportes com relativo sucesso.

Porém, nem o conflito foi capaz de fazer Grobbelaar desistir de estar dentro das quatro linhas. Em sua autobiografia pode-se notar os aprendizados do combate e seu amor pelo futebol. 

E dizia: “Se a guerra te ensina alguma coisa, é uma apreciação de estar vivo e eu nunca vou pedir desculpas por rir da vida e desfrutar do meu futebol”.

Sua trajetória é de dar inveja a qualquer jogador. O goleiro bigodudo saiu do Durban City, da África do Sul e rumou até o Vancouver Whitecaps, do Canadá, clube filiado a extinta “North American Soccer League” (NASL) e que hoje disputa a MLS.

Ficou poucos meses até chegar ao “Crewe Alexandra”, da Inglaterra. Depois foi emprestado ao West Bromwich, onde fez uma temporada muito boa. No seu último jogo pelo pequeno clube inglês pegou tudo o que podia e ainda fez um gol de pênalti.

Presentes ao jogo estavam alguns olheiros do Liverpool, que acabaram por contratá-lo gastando apenas “míseras” £250.000. A vida dele mudou da água para o vinho. Em um ano, Grobbelaar deixou o futebol da África do Sul, passou pelo Canadá, foi parar nas divisões inferiores da Inglaterra, e enfim, mudou para um dos maiores clubes do mundo.

O tempo mostrou que os olheiros estavam contratando naquele dia um dos melhores goleiros que já passaram pelo Liverpool em toda a sua gloriosa história.

Era chamado carinhosamente de "Brucie", pelos torcedores. Quando chegou ao time era para ser reserva do lendário Ray Clamence. Para sorte de Grobbelaar, Clamence deixou o clube em 1981, indo para o Tottenham. 

Com isso o africano assumiu a titularidade. Esteve, inclusive em campo, quando o clube inglês perdeu o Mundial de Clubes de 1981, para o Flamengo.

O começo de Grobbelaar no Liverpool não foi nada fácil. Em seus primeiros jogos teve atuações desastrosas e quase foi dispensado. Já era espalhafatoso naquele tempo, mas imaturo. Acabava se complicando em lances simples.

Quando o técnico Paisley lhe deu um puxão de orelha, e ameaçou devolvê-lo para o Crewe Alexandra, Gobbelaar amadureceu e conquistou o Campeonato Inglês seis vezes, além de três Copas da Inglaterra, três Copas da Liga Inglesa e uma "Liga dos Campeões", o título mais marcante na carreira.

No dia 30 de maio de 1984, Grobbelaar chegou ao ápice. Na final da Copa dos Campeões da Europa, atual "Liga dos Campeões", brilhou contra a Roma. A equipe italiana tinha grandes jogadores da seleção campeã mundial de 1982 – como Conti e Graziani – além do craque brasileiro Paulo Roberto Falcão.

Depois de um empate de 1 X 1 no tempo normal, o goleiro brilhou na disputa por pênaltis. Desconcentrou os batedores fazendo o movimento que ficou conhecido como “pernas de espaguete”.

Na irreverência, fez o Liverpool se impor como gigante da Europa para conquistar o seu quarto título da "Liga dos Campeões" em pleno estádio Olímpico de Roma.

Anos depois, na célebre final de Istambul, o Liverpool encarou outro clube italiano em busca de sua quinta “Taça”. No tempo normal, o poderoso Milan, de Kaká abriu 3 X 0 logo no primeiro tempo. O que aparentava ser uma goleada tornou-se uma das histórias mais bonitas já escritas na Liga dos Campeões.

O Liverpool buscou o empate no segundo tempo e conseguiu levar a decisão para os pênaltis. Grobbelaar não estava presente em corpo nessa decisão, mas há quem jure que o seu espírito tomou conta de Dudek, que  repetiu os mesmos movimentos do antigo goleiro, para desconcentrar os batedores. O resultado também não poderia ser diferente: Liverpool campeão da "Liga dos Campeões" mais uma vez.

A década de 1980 foi gloriosa para “Brucie”, mas nos anos 1990 não foi mais o mesmo. Além do rendimento cair consideravelmente dentro de campo, foi protagonista de um dos maiores escândalos de manipulação de resultados da história do futebol inglês.

Ele foi acusado de se vender no jogo entre Liverpool X Newcastle, em 1993 pela “Premier League”, quando o Liverpool perdeu por 3 X 0. O tablóide “The Sun” testemunhou um encontro do goleiro com apostadores num quarto de hotel. 

E dai em diante, a carreira de Grobbelaar foi só ladeira abaixo, se dividindo entre a tentativa de provar a inocência e o desempenho abaixo da média em times pequenos europeus, sem abrir mão da extravagância.

As acusações não puderam ser provadas e ele foi inocentado. Com isso, decidiu processar o jornal alegando difamação. Ganhou em primeira instância, mas perdeu no final. E o “The Sun” deixou o antigo ídolo dos “Reds”, mais arruinado financeiramente.

Em 2002 o jornal “The Telegraph” divulgou matéria contando os detalhes processuais da empreitada enfrentada por Grobbelaar para tentar limpar o seu nome. Ganhou para isso 85 mil libras do tablóide sensacionalista.

Em entrevista a revista “FourFourTwo”, o goleiro deu uma declaração polêmica sobre os seus problemas com a Justiça. Ainda assim, como todo jogador folclórico, conseguiu contemplar toda a sua história na Inglaterra, desde quando era apenas um menino imigrante sul-africano que se lançou ao mundo para tentar a sorte no futebol .

“Eu cheguei à Inglaterra com £ 10 no meu bolso e, depois da decisão da Justiça, fiquei com £ 1. Mas que vida eu tive com essas £ 9!”. Em 2007, depois de alguns anos perambulando pelos pequenos clubes ingleses encerrou a carreira e retornou para a África do Sul. 

De volta a sua terra natal, tentou se tornar treinador de pequenos clubes locais, porém sem obter resultados expressivos. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Rio Grande perde a sua memória

Hoje é um dia muito triste para a comunidade de Rio Grande, cidade portuária localizada no Extremo Sul gaúcho, pois marca o falecimento do jornalista, escritor, historiador, pesquisador e biógrafo Willy César Rodrigues Ferreira, de 60 anos de idade.

Ele estava internado há várias semanas no Hospital da Fundação Universidade de Rio Grande, tratando de uma terrível doença, que infelizmente já havia se alastrado por todo o seu organismo, tirando qualquer chance de cura.

Willy César era solteiro, deixa o irmão Erlon Jackes, mais conhecido por “Monn”, além de sobrinhos e primos. Sua mãe, dona Ada, com quem morou desde que nasceu, já havia falecido há alguns anos.

Foi aluno do Colégio Lemos Júnior, no Curso Ginasial, entre 1970 e 1973. Depois continuou os estudos, no Instituto de Educação Juvenal Muller, de 1974 a 1977, onde presidiu o Grêmio Estudantil e editou o jornal “Atocha”.

Seu primeiro emprego foi de repórter no jornal “Agora”, em 1979. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), em 1985.

Editou o informativo “FURG em Notícia”, de 2001 a 2004. Foi assessor de Imprensa da Refinaria de Petróleo Ipiranga entre 1986 e 1996, quando conheceu o empresário Francisco Bastos, fundador do Grupo Ipiranga.

Entre 1997 e 2001, trabalhou de repórter na Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Rio Grande. Depois, de 2001 a 2005 esteve na Assessoria de Imprensa da Fundação Universidade de Rio Grande (FURG) e de 2006 a 2007, foi assessor de imprensa da Festa do Mar.

No rádio trabalhou na Rádio Minuano, entre 1981 e 1982. Depois foi repórter da Rádio Camaquense, de Camaquã, de 1983 a 1984. Em 1988 ajudou a fundar a Rádio Universidade FM Educativa, da FURG, sendo seu diretor por 11 anos.

Foi o fundador e primeiro diretor do Museu de Comunicação Rodolfo Pettersen, inaugurado em 2001, e seu diretor até 2005. O Museu guarda em seu acervo cerca de 20 mil peças, entre discos, aparelhos de rádio e TV, gramofones, um fonógrafo, aparelhos telefônicos, máquinas fotográficas, equipamentos de som e coleções de jornais e revistas.

Willy César trabalhou também no Departamento de Cirurgias da Fundação Universidade de Rio Grande (FURG). Coordenou o Clube do Cinema da FURG e foi dirigente sindical, como delegado regional dos Jornalistas, de 1993 a 1998 e vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Rio Grande.

Dedicou longo tempo a pesquisas sobre os mais variados acontecimentos que diziam respeito a Rio Grande. Um dos trabalhos que mais gostou, foi quando convidado pela Escola de Samba “Unidos da Rheingantz” escreveu o tema enredo “Germano Torales Leite, do sonho a realidade – Agora, uma história de sucesso”. E teve a oportunidade de realizar um antigo desejo, desfilar em carro alegórico no Carnaval riograndino.

Como escritor foi autor de cinco livros: “A História da URES” (1979); “Centenário do Colégio Lemos Júnior” (2007); “Chico Bastos, o Pescador” (2011); “Um século de futebol popular” (2013); “A cidade do Rio Grande, do Big Bang a 2015” (2016).

Antes de adoecer estava escrevendo dois livros ao mesmo tempo: “A história do F.B.C. Rio-Grandense” e “O Cabaré da Mangacha”.

O ano passado Willy César viveu um momento de grande emoção, ao ter sido escolhido patrono da “44ª Feira do Livro de Rio Grande”.

Em artigos que escreveu para jornais, não só de Rio Grande, mas também de outras cidades, destacam-se “SCRG o mais antigo clube profissional brasileiro, não o primeiro amador”, em que conta o episódio do reconhecimento da antiga CBF, ao fato histórico; “A Taça serrada de 1940”, o discutido torneio entre os três clubes da cidade, para selarem a paz depois de tempos com as relações cortadas; e “Silva Paes não foi o fundador de Rio Grande”, pesquisa polêmica que gerou muitos comentários, pró e contra.

Fui amigo de Willy César, que conheci á 35 anos atrás, no tempo que morei em Rio Grande. Em 2008 fomos entrevistados por ele, a minha esposa Teresinha Motta, e eu, na Rádio da FURG, oportunidade em que relembramos os bons momentos vividos nessa encantadora cidade.

Em 2011, fui homenageado pelos amigos Willy César e Célio Soares, em um jantar no “Restaurante Passione”, com a presença de antigos colegas da imprensa e do F.B.C. Rio-Grandense. Foi um momento de rara emoção, em que vi pela última vez outros dois grandes amigos, Ney Amado Costa e Jonas Cardoso.

Em maio do ano passado, quando do lançamento de meu livro “Nico, o Bombardeador”, foi Willy César o responsável pela publicidade em torno do evento, realizado na “Churrascaria Leão”, do S.C. São Paulo, o qual se constituiu em sucesso absoluto.

Acompanhado do amigo comum, Célio Soares, fiquei sabendo pelo próprio Willy do problema de saúde que enfrentava. Ele estava convicto de que tudo correria bem.

Acompanhei todo o seu drama até o desfecho final, sempre informado pelas amigas jornalistas Rosane Borges Leite e Julieta Amaral, que foram incansáveis em apoiá-lo, do primeiro ao último momento de sua verdadeira “via-crucis”. Descanse em paz, companheiro. (Nilo Dias)



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Morre presidente histórico do Grêmio

O futebol gaúcho e brasileiro perdeu um dos seus nomes mais importantes nos últimos anos. Fábio André Koff, que presidiu o Grêmio, de Porto Alegre e o Clube dos 13, faleceu na madrugada de hoje, aos 86 anos.

O desportista estava internado em estado crítico no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre, devido a uma infecção generalizada, decorrente de uma cirurgia realizada no fígado recentemente.

O clube gaúcho emitiu nota oficial dizendo que: “Com enorme pesar o Grêmio informa o falecimento do seu eterno presidente Fábio André Koff, nesta quinta-feira, aos 86 anos.

O clube expressa toda consternação pela perda de um símbolo de sua história, responsável pela maior glória já alcançada dentro de campo, e solidariza-se com sua família, amigos e com a torcida tricolor”.

Fábio Koff era gremista desde criança. Quando tinha apenas seis anos de idade,  ganhou como presente de Natal a sua primeira camiseta tricolor. Interessante é que ele era o único gremista entre os primos, todos colorados.

Koff chegava a enganar a família e fugir para ver os jogos do tricolor. Embora fosse natural de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, teve o primeiro contato com o Grêmio no final dos anos 30, através do rádio. Nos anos 40, quando foi estudante do Instituto Porto-Alegrense (IPA), Koff se aproximou ainda mais do clube.

Koff presidiu o Grêmio pela primeira vez em 1982 e 1983, levando a agremiação tricolor a conquistar a Copa Libertadores e o Mundial Interclubes, na época disputado somente entre os campeões da América e da Europa e chamado de “Copa Toyota”. Esse é considerado o maior título da história gremista.

O seu debut como presidente não foi nada fácil em 1982. Sofreu duras críticas dos torcedores gremistas, que até apostavam que não seria reeleito.

No final do ano, depois do time ser vice-campeão brasileiro, perdendo a final para o Flamengo, seu prestigio descambou e foram pintadas frases tipo “Fora Koff", por muros em várias partes de Porto Alegre.

Como não houve adversário na eleição, Koff foi reeleito presidente por aclamação. Já em 1983 as coisas mudaram de figura drasticamente, e o clube conheceu o melhor ano de toda a sua história. A imprensa até apelidou de “O Ano Azul”.

A torcida teve de curvar-se a sua capacidade administrativa. A frase dos muros de Porto Alegre, que antes diziam "Fora Koff", passou a dizer "Fora Koff: Vai pra Tóquio". E ele foi mesmo no final do ano de 1983.

Depois veio a presidir novamente o Grêmio entre 1993 e 1996, mesmo tendo recém se recuperado de um câncer. Novas conquistas chegaram: a segunda Libertadores, mais o Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Copa Sanwa Bank, Recopa Sul-Americana e o vice-campeonato da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 1995.

E no mandato mais recente, entre 2013 e 2014, liderou o processo de renegociação da Arena do Grêmio. Depois, mesmo sem nenhum mandato diretivo continuou prestando serviços ao clube, na condição de membro do conselho consultivo.

Com uma vida dedicada ao Grêmio, ganhou com justiça o apelido de “O Poderoso Chefão”. E junto de Hélio Dourado, é tido como um dos maiores dirigentes de toda a história do clube. E também o presidente que projetou o nome da agremiação para o Mundo.

De 1987 até sua dissolução, em 2011, Fábio Koff foi o único presidente do “Clube dos 13”, a associação dos 20 maiores clubes de futebol brasileiro, e o maior responsável por negociar as cotas de televisão, garantindo com isso uma apreciável receita extra para os clubes.

Fábio Koff nasceu em Bento Gonçalves (RS), no dia 13 de maio de 1931. Cursou faculdade de direito em Passo Fundo, tendo executado a profissão de juiz de direito. Trabalhou nas comarcas de Flores da Cunha, Frederico Westphalen, São Jerônimo, Canoas e por fim na capital, Porto Alegre.

Era casado com dona Ivone Koff, com quem teve dois filhos, o dentista Alexandre Koff e Fábio Koff Junior, que a exemplo do pai é juiz de direito e ex-conselheiro do Grêmio.

Em 2016, o professor Paulo Flávio Ledur e seu filho o jornalista Paulo Silvestre Ledur, lançaram o livro "Fábio André Koff: memórias e confidências. O que faltou esclarecer", uma biografia feita através de depoimentos.

No livro, que foi editado pela Editora gaúcha AGE, Fábio Koff conta em detalhes como foram os bastidores das principais conquistas do clube, bem como a sua carreira como dirigente do Clube dos 13. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 8 de maio de 2018

Villa Guarany, do Rio de Janeiro

No futebol do Rio de Janeiro existiram muitos clubes, cujos nomes não se perderam no pó do  tempo, graças aos esforços de pesquisadores que diariamente circulam pelas coleções de velhos jornais, na incessante busca pela valorização da memória do futebol.

E essa não é nenhuma tarefa fácil. Em todo o país esses muitas vezes anônimos, são obrigados a enfrentar dificuldades as mais variadas para encontram subsídios ao que procuram. Eu mesmo, já me deparei com isso.

Em pesquisa sobre a “Copa Arizona”, a maior competição amadora que se realizou até hoje no futebol brasileiro, promovida pelo jornal “Gazeta Esportiva”, com o patrocínio dos extintos cigarros Arizona, não consegui levá-la adiante, porque simplesmente o jornal queria cobrar, nem lembro quanto, para fazer consultas em seu acervo.

Mas deixemos isso de lado e vamos ao que interessa. Existiu no Rio de Janeiro um time chamado Villa Guarany Football Club, que tinha as cores vermelha e preta, que nem o Flamengo. O clube foi fundado em 13 de Julho de 1915, por um grupo de jovens desportistas da Villa Guarany, em frente a Rua da Praia Formosa.

A sua sede e a Praça de Esportes se localizavam na Rua Coronel Pedro Alves, antiga Rua da Praia Formosa, nº 287, no Bairro de Santo Cristo.

A sua conquista mais expressiva aconteceu no ano de 1917, quando foi o Campeão da Liga Municipal de Football (LMF), fundada em 13 de março de 1916, na Rua do Rosário, 133, Centro.

O Villa Guarany atuou naquela competição com a seguinte formação: Armando - Cabral e Nogueira. Hortêncio - Dantas e Rubens. Carmos – Newton - Silva e Gabriel. Também esteve presente no certame da LMF em 1918.

Clubes que disputaram o certame, além do Villa Guarany: Athletico Cajuense Football Club. de São Cristóvão, fundado em 5 de novembro de 1915; Athletico Victoriano Football Club, também de São Cristóvão; Avenida Football Club, do Centro;  Lisboa-Rio Football Club, igualmente do Centro, fundado em 5 de agosto de 1915; Mattoso Football Club, da Praça da Bandeira;  Pereira Passos Football Club, da Saúde-Centro, fundado em 3 de maio de 1913; São Paulo-Rio Football Club, do Centro, fundado em 7 de junho de 1910; Stuart Football Club, de São Cristóvão; Sul América Football Club, do Engenho Velho, fundado em 10 de julho de 1910 e Victória Football Club, do Caju. (Pesquisa: Nilo Dias)


sábado, 21 de abril de 2018

Campeão sem precisar jogar

Há exatos 114 anos ocorreu um dos episódios mais estranhos da história do futebol: um clube se sagrar campeão sem precisar jogar uma partida sequer. Foi na Espanha. O Athletic Bilbao ganhou a segunda edição da “Copa do Rei”, em 1904. Já havia vencido a primeira um ano antes.

E isso lhe garantia o direito automático de disputar o título contra a equipe que chegasse a final, depois de passar por adversários representativos de cada uma das regiões espanholas.

Além do Athletic, do país Basco, inscreveram-se o Espanhol, de Barcelona, representando a Catalunha, e dois clubes de Madrid - Espanhol e o Madrid Moderno. Primeiro, teria que se decidir qual o clube que representaria a região da capital, que disputaria o triangular com os bascos e os catalães.

Mesmo em cima da hora a organização decidiu aceitar as inscrições de mais dois clubes madrilenos: Moncloa e Iberia. Com isso foi preciso alterar o calendário, porque haveria mais jogos a fazer para apurar o representante de Madrid no triangular.

A edição do ano anterior, organizada pelo Madrid Foot-Ball Club, tinha decorrido sem qualquer problema, mas em 1904 coube à Associação Madrilena de Futebol a responsabilidade da competição. E o caos se formou.

A final estava marcada para o dia 28 de março, na prática, ainda antes de o torneio começar. E como se a confusão não bastasse, o Espanhol, de Barcelona decidiu sair fora. O vencedor do troféu seria conhecido num jogo entre o Athletic Bilbao e o representante de Madrid.

Foram espalhados cartazes pela capital espanhola anunciando o torneio, que decorreria no hipódromo. Haveria uma tribuna para o rei e restantes figuras proeminentes, além de que seriam colocadas 5 mil cadeiras à volta do campo para os espectadores que pagassem 25 cêntimos pelo lugar.

A 13 de março a bola finalmente começou a rolar, para decidir quem representaria Madrid no jogo final. O Moncloa goleou o Iberia por 4 X 0, no único jogo em que aparentemente não houve qualquer problema.

Em 19 de março, Espanhol, de Madrid e Madrid Moderno realizaram o segundo jogo e começou a confusão. Houve um empate de 5 X 5 e com isso a necessidade de desempate. Mas os times não se acertaram em relação a data desse novo encontro.

O Espanhol queria jogar no dia seguinte, mas o Madrid Moderno não aceitou, alegando que as regras proibiam que se jogasse uma nova partida com menos de 48 horas de antecedência.

O Espanhol não quis nem saber e no dia seguinte entrou em campo. Mas o Madrid Moderno não apareceu. E o que aconteceu? O presidente da Associação Madrilena, organizadora da competição, e que era também o presidente do Espanhol, decidiu que sua equipe fora vencedora do jogo, por falta de comparência do adversário.

Claro que o Madrid Moderno protestou, afirmando que o presidente da Associação lhes tinha garantido que não haveria jogo nesse dia, mas de nada adiantou.

Nessa altura do campeonato sobraram as equipes do Espanhol e do Moncloa para a decisão. Apenas uma delas passaria para a fase seguinte, disputando o troféu com o Athletic.

O jogo foi marcado  para o dia 27 de março de 1904. O Espanhol vencia o Moncloa por 1 X 0 quando o jogador Hermúa, caiu em campo com fratura da tíbia e do perónio. O árbitro suspendeu o jogo.

No dia seguinte, houve uma reunião e o Espanhol foi apontado como o outro finalista. A questão é que 28 de março era a data para a qual estava marcada a final com o Athletic e, oficialmente, esse jogo não chegou a ser adiado.

No dia 28, os bascos apresentam-se para jogar, mas o Espanhol não, obviamente. Assim sendo o Athletic auto proclamou-se vencedor e regressou a Bilbao, levando a taça.

A Associação então resolveu marcar a final para dia 29, mas não avisou os bascos, que até já tinham deixado Madrid. Nesse dia 29, o Espanhol apresentou-se em campo, mas o Athletic já nem estava em Madrid e, claro, não compareceu. 

Assim sendo, o Espanhol foi proclamado vencedor, exigindo aos bascos que lhes entregassem o troféu, coisa que não aconteceu.

Sucederam-se protestos de todos os clubes envolvidos no torneio, acusando a Associação Madrilena de Futebol de falta de organização e dizendo que o Espanhol nem sequer deveria ter sido finalista, uma vez que não ganhou nenhum jogo, empatou um e não terminou o outro.

Finalmente, e assoberbada com tanta confusão, a organização decidiu, já em abril, atribuir a “Copa do Rei” aos bascos, na qualidade de vencedores do ano anterior. E o incível, sem precisar jogar uma única vez. (Pesquisa: Nilo Dias)

Athletic Bilbao, campeão da “Copa do Rei” de 1904. 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

O pênalti mais demorado da história

Foi no dia 30 de setembro de 1934, que aconteceu em Pelotas (RS) algo que cheira quase ao inacreditável. O campeonato municipal, como era comum naqueles distantes dias era disputado com muito ardor pelos clubes locais.

O ano de 1934 foi muito agitado, não só no Brasil, mas pelo mundo todo. Na Alemanha, Adolf Hitler conseguia concentrar o poder total em suas mãos, depois da chamada “Noite dos Longos Punhais”.

A “Noite dos Longos Punhais” foi o nome dado a uma ação de expurgo interno ao partido nazista, ocorrida na noite do dia 30 de junho para 1 de julho de 1934. O objetivo era minar o fortalecimento dos chefes da SA, Sturmabteilung, a Tropa de Assalto dos nazistas, formada ainda na década de 1920, que tinha como principal líder Ernst Röhm.

Também em 1934 ocorreu o falecimento do presidente Paul von Hindenburg, da Alemanha.  Ante a ausência de poder, assumiu a presidência, quem nessa época era chanceler, Adolf Hitler.  

E lá perto, na Itália, a seleção italiana acabava de ganhar a Copa do Mundo de futebol, que foi marcada pela constante intervenção do fascismo, representada pelo seu líder Benito Mussolini. E na terra tupiniquim, Getúlio Vargas assumia de fato a presidência constitucional.

E aqui no nosso Rio Grande do Sul abençoado por Deus, e bonito por natureza (plagiando o Rio de Janeiro) os times de futebol do 9º Regimento de Infantaria, hoje Farroupilha e do Esporte Cube Pelotas tinham um encontro marcado, ansiosamente aguardado pelas duas torcidas.

Imaginem a cena. Estádio lotado, botando gente pelo “ladrão”, juiz e bandeirinhas dentro de campo, mas nada dos times. O espetáculo que estava prestes a se iniciar talvez tivesse sido único no mundo. As duas torcidas esperavam a batida de um pênalti.

E não se tratava de nenhuma decisão por pênaltis marcada para aquele dia. Seria a cobrança de um pênalti só. Unzinho. Repito, parece surreal, mas juro que isso realmente aconteceu em Pelotas, há exatos 83 anos atrás.

Mas vamos retroceder até o dia 9 de setembro, data em que o jogo entre os dois tradicionais adversários foi realmente realizado e que dera início ao espetáculo da cobrança de um pênalti.

Foi no Estádio da Boca do Lobo, reduto do Pelotas, que na época era conhecido por “Estádio da Avenida Bento Gonçalves”. Tudo indicava que se trataria de um jogo normal, como tantos outros, talvez recheado de jogadas interessantes e lances eletrizantes.

O Regimento tinha um timaço, onde despontava o grande craque “Cardeal”. E ele estava em uma tarde inspirada, tendo marcado dois gols que davam a sua equipe.  Foi quando tudo começou.

No último lance do jogo, Celistro, jogador do Regimento cometeu um pênalti desnecessário e o juiz preparava-se para marcar a infração. Mas vejam só o que ocorreu. Naqueles gloriosos tempos existia a figura do “cronometrista”, a exemplo do que se vê hoje em Futsal e Baquetebol, que deu por encerrada a partida um pouco antes da hora.

Para que? Nesse momento a confusão se formou, com os torcedores das duas equipes invadindo o campo. Acuado, o juiz interrompeu a pugna até resolver o que seria feito. A partir dai uma pergunta se ouvia por toda a cidade: “o pênalti deveria ser batido ou não?”

Ainda mais que já naquela época se sabia que pênalti num jogo de futebol é coisa  tão importante, que o presidente do clube é que deveria ser escalado para batê-lo.

Demorou alguns dias para que a Liga Pelotense tomasse uma decisão. Isso se deu três dias depois, em 12 de setembro, durante reunião realizada na Biblioteca Pública Pelotense, quando se achou por bem mandar que o pênalti fosse batido, corroborando entendimento da "International Board" e do juiz daquela partida, o riograndino Valentino Martinato, em correspondência enviada a Liga.

Alegavam que o “cronometrista” havia encerrado a partida quando o jogador do Pelotas ia efetuar a cobrança. A data foi marcada para 30 de setembro, 21 dias depois do jogo. É claro que uma situação dessas só podia se transformar no assunto mais badalado da cidade.

E o grande dia chegou. A cobrança do pênalti estava marcada para 13h30min. O estádio engalanado, não tinha lugar nem para mosca. Todos queriam ver a cantada e decantada cobrança do pênalti. Pior, a Liga resolveu cobrar ingresso.

Mesmo sob protesto todos pagaram. Foram nomeadas comissões que se encarregariam dos mais exaltados, inclusive de casos policiais que por ventura viessem a ocorrer.

Dentro de campo apenas dois jogadores. De um lado, João Pedro, encarregado da cobrança,  conhecido como o “Canhão Pelotense”, em razão da bomba que tinha nos pés. Do outro, o goleiro Brandão, um verdadeiro “paredão” na meta do Regimento.

O vento soprava levemente no estádio e, em todos os cantos, os torcedores prendiam a respiração. Para aumentar ainda mais a expectativa, o vento soprou a bola para fora da marca de cal e João Pedro arrumou a bola pra bater. Brandão saiu rápido do gol e foi cumprimentar o ponteiro pelo gesto.

Então João Pedro correu, soltou a bomba... e Brandão defendeu magistralmente, garantindo a vitória e abrindo o caminho para o título local, que o Regimento ganhou no final daquele ano, o primeiro título citadino de sua história.

E assim, o “Caso do Pênalti”, como ficou conhecido esse episódio, entrou para a história como um dos acontecimentos mais pitorescos do futebol pelotense, brasileiro e mundial.

O que veio depois todos já sabem, inclusive sobre o jogo extra, acontecido no feriado de 15 de novembro, no campo do C.A. Bancário, com arbitragem de Teotônio Soares, vencido pelo 9º RI por 3 X 1. (Pesquisa: Nilo Dias – Original: Mário Gayer do Amaral, Professor e Historiador)

Pênalti é tão importante, que deveria ser batido pelo presidente do clube.