Nilo Dias Repórter

Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Um time chamado Everest

O Sport Club Everest foi uma agremiação esportiva da cidade do Rio de Janeiro, fundado a 2 de agosto de 1915. O clube não tem relação alguma com o atual Everest Atlético Clube, fundado em 1953, apesar de ambos serem do mesmo bairro. Possivelmente, o atual foi inspirado no anterior.

A sede do áureo-anil ficava no bairro da Tijuca. Sete anos depois se mudou para o Estácio de Sá, onde ficou apenas um ano. Depois, entre 1923 a 1930, Nova mudança: dessa vez para o Bairro de Inhaúma, no Subúrbio carioca. E finalmente, de 1931 a 1933, o clube residiu no Méier.

Em 1917, disputou o Campeonato Carioca da Terceira Divisão ficando na quinta colocação. Americano, Mackenzie e Rio de Janeiro foram promovidos para a 2ª divisão. No ano seguinte ficou em quarto lugar no mesmo campeonato. O Esperança foi promovido. Em 1919, declinou de sua participação juntamente com o Tijuca. O Helênico foi o campeão.

Em 1920, o Everest desistiu de disputar o certame, entregando os pontos pela quinta vez. Ficou proibido de disputar o restante do campeonato, de acordo com o artigo 34, do Código de Football. Sua participação foi, portanto, anulada. O Metropolitano foi o campeão ao vencer o Bonsucesso na decisão.

Em 1923, promoveu uma fusão com o Inhaumense Football Club, o antigo São Thiago Football Club, fundado a 5 de maio de 1915.

Na elite do Rio, a sua única participação aconteceu em 1924. Então, em Inhaúma, o S.C. Everest participou da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), que teve o Club de Regatas Vasco da Gama como campeão e o Bonsucesso Futebol Clube, sua melhor colocação no Estadual, ficou com o vice-campeonato.

A campanha do SC Everest foi boa. O time ficou na terceira colocação da Série C, com 17 pontos, atrás do Engenho de Dentro Atlético Clube (22 pontos) e Modesto FC (17 pontos e saldo de 19 gols). Ao todo foram 12 jogos com sete vitórias, três empates e duas derrotas; marcando 21 gols e sofrendo 13, com saldo de oito. Tinha as cores azul e amarela.

Os 12 Jogos

22-05-1924 - Em Inhaúma: Everest 5 X 0 Ramos
25-05-1924 - Em Inhaúma: Everest 2 X 1 Independência
15-06-1924 - Em Quintino: Modesto 2 X 3 Everest
13-07-1924 - Em Inhaúma: Everest 2 X 2 Engenho de Dentro
20-07-1924 - Rua Cândido Silva, em Olaria: Olaria 0 X 0 Everest
27-07-1924 - Em Campo Grande: Campo Grande 1 X 2 Everest
10-08-1924 - No Méyer - Independência 2 X 2 Everest
14-09-1924 - Na Rua Jockey Club, em Ramos Ramos 0 X 2 Everest
05-10-1924 - No Engenho de Dentro: Engenho de Dentro 2 x 1 Everest
09-10-1924 - Em Inhaúma: Everest W X - Olaria
12-10-1924 - Em Inhaúma: Everest 2 X 1 Campo Grande
26-10-1924 - Em Inhaúma: Everest 0 X 2 Modesto

Títulos. Campeão Carioca de 2° quadros da Segunda Divisão (1928) e Vice-Campeão Carioca da Segunda Divisão (1926). 


Curiosamente, existe em Guayaquil, Equador, um clube de futebol de nome Club Deportivo Everest, anteriormente chamado de Círculo Deportivo Everest. Foi fundado em 2 de fevereiro de 1931. Ganhou o título de campeão da Série A equatoriana, em 1962, e garantindo vaga na Copa Libertadores da América, em 1963.

Foi nessa equipe que surgiu o jogador Alberto Spencer, o maior jogador do Equador de todos os tempos, comparado a Pelé, por alguns jornalistas. Ele chegou a marcar 101 gols oficiais pelo Everest até 1960, ano em que foi para o Peñarol. 

No clube uruguaio marcou 326 vezes. E pelo Barcelona, de Guayaquil, 19 vezes. Fez 4 gols pela Seleção do Equador e 2 pela Seleção Uruguaia, totalizando, totalizando 452 gols na carreira.

Atualmente o Everest joga a Segunda Divisão de seu país. O nome é uma homenagem a montanha mais alta do mundo, que está localizada na Cordilheira do Himalaia.


Curiosamente, existe em Guayaquil, Equador, um clube de futebol de nome Club Deportivo Everest, anteriormente chamado de Círculo Deportivo Everest. Foi fundado em 2 de fevereiro de 1931. Ganhou o título de campeão da Série A equatoriana, em 1962, e garantindo vaga na Copa Libertadores da América, em 1963.

Foi nessa equipe que surgiu o jogador Alberto Spencer, o maior jogador do Equador de todos os tempos, comparado a Pelé, por alguns jornalistas. Ele chegou a marcar 101 gols oficiais pelo Everest até 1960, ano em que foi para o Peñarol. No clube uruguaio marcou 326 vezes. E pelo Barcelona, de Guayaquil, 19 vezes. Fez 4 gols pela Seleção do Equador e 2 pela Seleção Uruguaia, totalizando, totalizando 452 gols na carreira.

Atualmente o Everest joga a Segunda Divisão de seu país. O nome é uma homenagem a montanha mais alta do mundo, que está localizada na Cordilheira do Himalaia. (Pesquisa: Nilo Dias)

O Everest equatoriano, em foto de 1962. (Foto: Divulgação)

Escudo do Everest carioca (Fonte: Wikipédia)

terça-feira, 25 de abril de 2017

O pai esquecido do futebol brasileiro

Quem garante que o futebol cresceu e se consolidou no país graças a técnica e a eficácia dos próprios jogadores brasileiros? Pelo menos essa não é a convicção de um canal de televisão na Escócia, que apresentou um documentário mostrando que o futebolista escocês Archie McLean foi o verdadeiro responsável pelo estilo criativo dos brasileiros de jogar futebol.

Ele foi chamado no documentário, que também foi reprisado pelo canal “Stv or”, de Brasília, de "o pai esquecido do futebol brasileiro". Começou a jogar como atleta amador em seu país ao início do século 19, quando defendeu as equipes do Johnstone e do Ayr United. A carreira durou pouco, visto que paralelamente trabalhava em uma empresa têxtil de Paisley, e foi transferido em 1912 para São Paulo, no Brasil.

Em principio Archie deveria ficar no Brasil por um período de apenas três meses, mas acabou ficando por 40 anos. Por aqui desenvolveu uma exitosa carreira futebolística, atuando por vários clubes e chegando até a jogar ao lado do lendário Arthur Friedenreich.

O pouco que se sabe a respeito do escocês foi contado por seu neto, Malcolm McLean, que narrou o documentário apresentado sobre seu avô na TV escocesa. E ele próprio admite que o título é um tanto exagerado, e visava somente chamar a atenção dos desportistas da Escócia.

Mas nem por isso deixa de acreditar que o seu avô teve realmente uma grande influência no desenvolvimento do futebol no Brasil. Na época em que Archie chegou ao nosso país, prevaleciam os lançamentos longos no futebol. E foi ele quem introduziu a tabelinha, um estilo de jogo curto e rápido, que é definido pelo neto como estilo escocês.

Segundo ele, Archie era um jogador ágil e rápido, não ficava parado e não tinha medo de trombar com os adversários. Seu estilo veloz e a naturalidade escocesa lhe renderam um apelido nada agradável, “veadinho”. Isso porque na Escócia existem muitos veados correndo nas montanhas.

Malcolm McLean, que cresceu em terras brasileiras, acredita que o apelido não tinha nada de pejorativo e se devia mais ao bom humor dos torcedores brasileiros. Ele mora em Glasgow, na Escócia e vem ao Brasil a cada dois anos.

Foi ai que Archie criou com outros amigos escoceses o “Scottish Wanderers”, da fábrica em que trabalhava e ficava próxima ao bairro em que residia, o Ipiranga. Antes havia jogado apenas uma partida pelo São Paulo Athletic Club, que parou com o futebol por não concordar com o amadorismo marrom praticado.

O clube disputou os campeonatos paulistas de 1914 e 1915, classificando nas duas vezes em penúltimo lugar. E foi expulso da Federação porque usava o dinheiro das rendas para pagar jogadores do Colégio Mackenzie. Em razão do fechamento do clube, transferiu-se em seguida para o Sport Club Americano, onde conheceu o auge da carreira, tendo participado de um jogo de seu time, que representou o Brasil, contra a Argentina, em 1913.

Naqueles tempos distantes, não era fácil montar uma seleção em um país tão grande como o Brasil. Se considerarmos que o Americano foi na ocasião equivalente ao time nacional, pode-se garantir que Archie foi o único estrangeiro a jogar pela Seleção Brasileira até hoje, diz o neto do jogador. Por fim jogou no São Bento, onde concluiu a carreira futebolística.

McLean nasceu em 1886 e se dedicou aos esportes ao longo de toda a sua vida. Ele nunca quis ser treinador. Quando parou de jogar na linha, virou goleiro. E quando morreu, em 1971, de câncer, ele ainda estava bem em forma, pois sempre jogava golfe.

Além do documentário já exibido, outro foi levado ao ar em 2007, que teve a narração do ator Sean Connery. E também foi escrito um livro contando a vida de Archie.

O neto do escocês que "inventou" a tabelinha no futebol brasileiro, disse que o documentário teve grande aceitação pelo público escocês, por uma questão de ligação afetiva. Ele garante que na Escócia, todo mundo torceu pelo Brasil na Copa do Mundo de 2014. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Um contador de histórias

Valdemar Cavalcanti, ou simplesmente “Demazinho”, como é mais conhecido, faz parte do folclore esportivo de Petrolina, cidade do sertão pernambucano, onde mora desde 1957. Ele é baiano de Campo Formoso, distante 340 quilômetros de Salvador, onde nasceu em 3 de agosto de 1947.

Em terras pernambucanas ganhou o apelido de “Demazinho”, o que se explica em razão de sua baixa estatura. Chegou a tentar a carreira de jogador de futebol, mas não era a sua praia, por isso desistiu e resolveu enveredar por outros caminhos.

E foi por acaso que se tornou árbitro de futebol. Ele, que na época trabalhava como serralheiro, assistia a um treino do time local do Caiano Esporte Clube, quando o treinador Geraldo Melo o convidou para pegar o apito e dirigir o coletivo. E se deu bem na missão, sendo elogiado pelos dirigentes, jogadores e torcedores do clube.

Ele nem de longe imaginava que ali estava começando uma carreira, que teria a duração de 18 anos. O primeiro jogo que apitou foi em 1 de maio de 1966, no estádio da Associação Rural. Vale acrescentar que em toda sua carreira só apitou jogos de clubes amadores, nunca sendo árbitro em jogos profissionais, apenas bandeirinha.

Mas quando jogavam Caiano, América e Palmeiras, todos amadores, aí a coisa era com ele mesmo.

Nesses 18 anos apitando, e mais de 40 envolvido no futebol de Petrolina, “Demazinho” viu muita coisa e guardou na memória. Ele gosta de contar esses fatos aos amigos que diariamente o procuram em um banco de praça na cidade pernambucana.

E está sempre de bom humor. Até hoje frequenta o Estádio da Associação Rural, que agora tem nome, chama-se “Paulo de Souza Coelho”. Desde a fundação da praça esportiva, em 1961, que ele é visto sentado em uma das arquibancadas.

Por lá viu grandes jogos e observou verdadeiros craques em campo. Ouviu e contou histórias, algumas hilariantes, outras nem tanto, que até agora ainda são lembradas por ele. E garante que nos campos amadores de Petrolina passaram atletas que marcaram época no futebol local e com certeza poderiam jogar em qualquer time profissional.

Alguns eram melhores que certos renomados atletas da Seleção Brasileira. Ele cita o jogador Sinésio, que na sua visão era melhor que Zico. Com certeza, se tivesse tido oportunidade jogaria em qualquer seleção do mundo, não só do Brasil.

Por Petrolina passaram grandes clubes profissionais do futebol brasileiro, que por lá jogaram amistosos, e ele assistiu a todos. Casos de Botafogo, Atlético Mineiro, Bahia, os três times de Recife (Náutico, Sport e Santa Cruz).

Confessa que só não assistiu a jogos do Flamengo, do Rio de Janeiro, por que não gosta desse time. Tem verdadeira ojeriza pelas cores vermelha e preta. Isso se explica porque “Demazinho” é torcedor do Botafogo carioca.

Já em Petrolina ele diz que não torce por nenhuma equipe em especial, herança trazida desde os tempos em que era árbitro. Gostava de primar pela imparcialidade. E afirma que o seu coração tem espaço para todos os times da cidade.

Garante que quase sempre se deu bem nos jogos que apitou. As torcidas e os jogadores o respeitavam muito. Mas uma vez foi obrigado a chamar o policiamento para fazer cumprir a lei do jogo.

Ele expulsou de campo um jogador, e este, inconformado, disse que ia lhe dar uma surra. Nada mais restou ao árbitro que correr para o meio dos dois soldados que faziam a segurança do jogo. Mostrou o cartão vermelho e disse a ele:

“Dê agora. Venha bater em mim”, conta dando gostosas gargalhadas. O tempo passou célere e hoje “Demazinho” e o atleta que foi expulso são grandes amigos.

O jogo que lembra com entusiasmo aconteceu entre Caiano e Palmeiras, num sábado a tarde, que valia o título de campeão da cidade. Estava chovendo.

O Palmeiras fez 1 X 0 e as torcedoras “Maria Lampião” e “Socorro de Zé Bruno” foram lavar a sede do time para fazer a festa depois do jogo. Surpresa. Quando voltaram ao estádio, o Caiando estava ganhando por 7 X 1 e a festa foi para o espaço.

Outra história interessante é a do juiz que não sabia ver o tempo de jogo no relógio. Naquela época era costume riscar o relógio com um lápis, mostrando onde começava e onde terminava o tempo regulamentar. O fato aconteceu em 1977.

E teve um dia que choveu e apagou o risco. O problema, é que o juiz da partida não sabia ver a hora.  O jogo já estava em 50 minutos e ele sem parar. O jeito foi alguém entrar em capo para encerrar o primeiro tempo.

Além do problema com o relógio, o juiz do jogo passou por outra situação inusitada na mesma partida, como conta “Demazinho”.

Essa história foi publicada até por jornais dos Estados Unidos. No intervalo do jogo, ele teve uma dor de barriga terrível e ficou atrás do mato. E nada do jogo recomeçar. Aí ficou todo mundo procurando o juiz, que foi encontrado tempos depois levantando o calção. O árbitro trapalhão, cujo nome “Demazinho” não revelou, hoje vive em Recife.

Nem os narradores de futebol de Petrolina escapam da língua ferina de “Demazinho”. Ele conta muitas histórias vividas pelo locutor Herbert Mouze, que costumava dizer: “Rádio Juazeiro, a melhor do Atlântico”.

E a pergunta vinha rápida: “Onde é que Juazeiro tem Atlântico, aqui é o rio São Francisco”. E tinha também o repórter Antônio Avelar. Certa vez a torcida gritava “Vai na bola, Avelar”. Ele jogou o microfone no chão e saiu correndo atrás da bola.

Muito boa a historinha que envolve um torcedor do Palmeiras, chamado de “Luiz tá em todas”.  Quando o adversário de seu time fazia gol, ele passava para o outro lado da arquibancada para tomar umas e outras. Por isso o curioso apelido.

“Demazinho” não casou e não tem filhos, mora com uma irmã. Aposentado, garante ser um homem livre, que quase aos 70 anos viaja para onde quer e quando quer. Sua segunda casa é o estádio Paulo de Souza Coelho, local onde passa a maior parte de seu tempo.

Ele se mostra preocupado com o futuro do futebol amador de Petrolina, que não vive um bom momento. E apela às autoridades para que ajudem o esporte a voltar aos bons tempos da Associação Rural. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 4 de abril de 2017

O "Deus" búlgaro do futebol

Hristo Stoichkov foi, sem a menor dúvida, o grande nome do futebol búlgaro em todos os tempos. Falastrão, polêmico e brincalhão, o craque encantou a Europa no final dos anos 80 vestindo a camisa do CSKA Sofia e depois partiu para o estrelato com o azul e grená do Barcelona, campeão de quase tudo nos anos 90.

Seu auge aconteceu em 1994, quando não só brilhou intensamente pelo time catalão como também fez da Copa do Mundo dos EUA um palco para o seu debute e consagração mundial. Quem viu jamais se esqueceu das apresentações de gala daquele baixinho rápido, habilidoso e fora de série, que deixava companheiros na cara do gol ou partia ele mesmo enfileirando zagueiros e assinando obras primas maravilhosas.

Stoichkov marcou seis gols que levaram a Bulgária a uma incrível semifinal, perdida por pouco para a Itália de Roberto Baggio. Depois do mundial, o craque foi perdendo a intensidade aos poucos, mas não o poder de decisão, marcando gols importantes em finais pelos outros clubes que defendeu até encerrar a carreira

Nasceu em 8 de fevereiro de 1966, em Plovdiv, a segunda cidade do país em população total, com 378.107. Está situada às margens do rio Maritsa, sendo a cidade um importante centro econômico, de transportes, cultural e educacional. Altura de 1,78 cm e peso de 85 quilos.

Atacante, começou a carreira em 1981 na equipe do Maritsa Plovdiv, da segunda divisão búlgara. Depois jogou no Hebros, também da Bulgária. Sabendo dos problemas de temperamento do Stoichkov, seu pai, que trabalhava no Ministério da Defesa da Bulgária, colocou-o no CSKA Sófia. A esperança era de que ali, no time do Exército, o garoto conseguiria se controlar e amadurecer. Stoichkov tinha a pecha de craque-problema.

Com ainda 19 anos, sua carreira ficou seriamente ameaçada. Na primeira vez que disputou um título, a Copa da Bulgária de 1985, fez o gol da vitória na final contra o arquirrival Levski Sófia. No entanto, em uma partida cheia de lances violentos dos dois times, o jogo terminou com uma briga generalizada. Stoichkov saiu a socos com o goleiro adversário, Borislav Mihaylov.

As imagens do jogo foram tão contundentes na opinião pública búlgara que o próprio Comitê Central do Partido Comunista Búlgaro se reuniu no dia seguinte e decretou o banimento de vários jogadores, dentre eles o jovem Stoichkov. O órgão também determinou que aquela Copa da Bulgária ficaria sem campeão e que os dois times seriam extintos. O Levski virou "Sredets" e o CSKA, "Vitosha".

Uma anistia foi dada aos jogadores um ano depois. Stoichkov voltou a jogar a partir da temporada 1986/87 e conduziu o Vitosha ao título no campeonato búlgaro e na Copa da Bulgária.

Novas conquistas dobradas vieram em 1989. A Copa também foi conquistada em 1988. Naquele ano, a punição aos clubes também foi atenuada e eles retomaram os antigos nomes e o CSKA, o título da Copa de 1985.

Stoichkov deu-se bastante bem: além dos títulos, ele foi eleito o melhor jogador do país em 1987, 1988 e 1989. Em 1990, ganhou novamente o campeonato búlgaro, do qual sua artilharia foi a maior do continente.

Com isso, recebeu a chuteira de ouro europeia, premiação dividida com o mexicano Hugo Sánchez, da equipe espanhola do Real Madrid. O feito faria Stoichkov desembarcar justamente na Espanha, no arquirrival Barcelona, por indicação de Johan Cruyff, então técnico do time catalão.

Não demorou para que seus lançamentos precisos e a perna esquerda fizessem história no clube catalão. Na primeira temporada no Barça, o time quebrou a série de cinco títulos seguidos do Real na liga espanhola, embora o reforço tenha ficado dois meses fora em nova confusão: em seu primeiro clássico contra o Real Madrid, pisou no juiz e foi suspenso, inicialmente por seis meses. Contra outro time madrilenho, o Rayo Vallecano, chegou a ser expulso após receber dois cartões amarelos em seis minutos.

Stoichkov era adorado por seus compatriotas que diziam haver um Cristo lá em cima e outro aqui embaixo. Ambos fazem milagres, em alusão ao seu nome Hristo, a versão búlgara para Cristo. Outros diziam que a versão correta era “Existem apenas dois Cristos. Um joga no Barcelona, o outro está no paraíso".

Tratava-se de um meia de estilo técnico, dono de uma perna esquerda capaz de entortar qualquer zagueiro, fazer lançamentos e finalizar com extrema e rara precisão. Na Copa de 94 foi artilheiro, ao lado do russo Salenko, com seis gols e ganhou o prêmio de melhor jogador da Europa nesse ano, concedido pela revista "France Football".

Apesar de ser um verdadeiro craque, Stoichkov não era aquilo que se poderia chamar de “flor que se cheire”. Não teve a carreira marcada somente pelos inúmeros títulos que colecionou ou pelos muitos gols que marcou, como aquele que desclassificou a Alemanha na Copa de 94.

Costumeiramente criava confusões dentro e fora dos gramados, tendo colecionado encrencas. Pegou três suspensões superiores a um mês e se transformou num dos jogadores que mais receberam cartões amarelos por reclamação na história do futebol espanhol.

Logo no primeiro ano de Barcelona, mostrou as duas faces que marcariam toda sua carreira: a de craque e a de "jogador problema". Era amigo de time, de alergia a treinos e de farras, de Romário, o lendário jogador brasileiro.

Sobre Romário, o craque búlgaro disse o seguinte, em entrevista ao iG Esporte em setembro de 2009.

“Pra mim, o Romário foi o melhor jogador brasileiro da história. Jogamos dois anos juntos no Barcelona. Pra mim ele era o melhor dentro da área. E também sempre tive uma boa relação com ele, com os filhos, com a ex-mulher Mônica. Então, pra mim, o Romário era o melhor amigo, o melhor profissional, o melhor na área. Muito melhor que qualquer outro”.

As ótimas performances renderam a Stoichkov a segunda posição na eleição do melhor jogador do mundo em 93, perdendo apenas para o italiano Roberto Baggio.

Depois de vários desentendimentos com a imprensa, diretoria, técnico e jogadores, Stoichkov foi vendido para o Parma. A disciplina italiana, no entanto, foi demais para o jogador que voltou um ano depois para o Barcelona.

Em 98, foi emprestado para o CSKA Sofia e em seguida repassado para disputar apenas um jogo pelo Al Nasr, do Emirados Árabes: a final da Recopa Asiática. Disputou a Copa de 98 e, aos 32 anos, nem de longe lembrava o craque do Mundial anterior.

Logo depois se transferiu para o futebol japonês. Em meados de 99 anunciou sua retirada dos gramados, mas em 2000 foi contratado pelo Chicago Fire para disputar a Liga Norte-Americana.

Títulos. Pelo CSKA Sófia. Liga Búlgara (1986-1987, 1988-1989, 1989-1990); Copa Búlgara (1987, 1988, 1989) e Supercopa Búlgara (1989). Barcelona. Liga dos Campeões da UEFA (1991-1992); Recopa Européia (1996,1997); Campeonato Espanhol (1990-1991, 1991-1992, 1992-1993, 1993-1994); Copa do Rei (1997) e Supercopa da Espanha (1992, 1993, 1995, 1996). Al Nassr.
Supercopa da Ásia (1998) e Copa dos Vencedores da Copa Asiática (1998). Kashiwa Reysol. Copa Nabisco (1999). Chicago Fire. US Open Cup (2000). DC United. MLS Cup (2004).

Principais títulos individuais e Artilharias: Artilheiro do Campeonato Búlgaro (1988-1989 - 23 gols) e 1989-1990 - 38 gols); Artilheiro da Recopa da UEFA (1988-1989 - 7 gols); Chuteira de Ouro da Europa (1990); Onde d´Or (1992); Chuteira de Ouro da Copa do Mundo da FIFA (1994 - 6 gols); Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA (1994); Bola de Ouro da revista France Football (1994); Don Balón Award de Melhor Estrangeiro do Campeonato Espanhol (1994); Eleito para o All-Star Team da Eurocopa (1996); Eleito o 29º Melhor Jogador do Século XX pela revista Placar (1999); FIFA 100 (2004) e Eleito entre os 100 Melhores Jogadores do Século XX pela revista World Soccer (2007).

Após dar adeus aos gramados, Stoichkov se arriscou na carreira de técnico de futebol, passando pelo Barcelona e até pela seleção búlgara, mas seu temperamento e opiniões controversas causaram vários problemas com jogadores e geraram resultados muito abaixo do esperado. Hoje, Stoichkov ainda comanda times, mas longe dos holofotes, lá em sua terra natal.

O legado deixado em campo, porém, permanece intacto, sublime, marcante e inesquecível. Hristo Stoichkov foi um talento único, brilhou diante de centenas de milhares de torcedores pela Europa e pelo mundo, fez jogadas de gênio e mostrou que um país com tradição zero no futebol como a Bulgária poderia, sim, ter craques imortais. (Pesquisa: Nilo Dias)

Romário e Stoichkov no Barcelona. (Foto: Divulgação)

quarta-feira, 29 de março de 2017

Histórias do futebol gaúcho (1)

O Campeonato Gaúcho de antigamente era disputado de uma forma bem diferente do que é hoje. Os clubes eram divididos em chaves regionais, geralmente Serra, Sul, Centro e Metropolitana. O campeão de cada uma dessas regiões disputava as partidas finais que eram realizadas em Porto Alegre.

Eu lembro bem dos campeonatos municipais, que eram mais valorizados que hoje. O campeão de cada cidade é que participava das disputas estaduais. Quando morei em Pelotas e trabalhei na imprensa de lá, rádios “Tupancy” e “Pelotense”, jornal “Diário Popular” e “Sucursal da Companhia Jornalística Caldas Júnior”, fiz muitas coberturas desses campeonatos.

Em 1960 foi mudada a fórmula do Campeonato Gaúcho. Os certames municipais deixaram de ser classificatórios para o Estadual, passando a reunir um número fixo de equipes, com acesso e descenso.

Dia desses encontrei na Internet algumas histórias interessantes que se passaram ao tempo dos certames municipais, lembradas pelo jornalista Rogério Bohlke. O campeonato de Uruguaiana, por exemplo, era um dos mais fortes. Os times de lá, Uruguaiana, Ferro Carril e Sá Viana, todos de muita tradição, viviam tempos de glória.

Eu lembro de quando estava internado no Colégio Santa Maria, dos Irmãos Maristas, em Santa Maria. Quando havia jogos de futebol a noite, geralmente era permitida a ida até os estádios. Lembro de um jogo amistoso disputado no estádio do Riograndense, entre o periquito santa-mariense e o Sá Viana, de Uruguaiana, que tinha um timaço.

Destacava-se nessa equipe um atacante de nome Nei Sávi. Era elegante para jogar e altamente técnico. Se jogasse hoje, certamente seria titular em qualquer equipe do futebol brasileiro.

Pois bem, nessas historinhas encontradas na Internet, destaca-se uma. Em 1966, o Uruguaiana, era o time mais forte da cidade, e vencia ao Sá Viana por 1 X 0, até os 42 minutos da primeira etapa.
Foi quando aconteceu o inusitado.

Em lance de ataque do Uruguaiana, faltando um minuto para acabar o primeiro tempo, o jogador Abeguar, o craque do time, teve um profundo corte no supercílio, depois de se chocar contra um zagueiro adversário. Como saia muito sangue ele teve de ser atendido em um hospital da cidade.

O técnico do Uruguaiana era Guizzoni, que depois dirigiu o Flamengo, de Caxias do Sul e outras equipes interioranas. Na confusão que se formou o treinador não lembrou de substituir o atleta lesionado.

Naqueles tempos de antigamente a regra especificava que substituições só podiam acontecer até o final da primeira etapa. O presidente do Uruguaiana era um fazendeiro muito rico, chamado de “Funcho”, que meio desorientado na volta da equipe para o segundo tempo, gritou:

“Abeguar, não tem outro jeito. Com um a menos nós vamos perder esse jogo. Vai lá no hospital, faz um curativo, pede para te remendarem a “caixola” e volta para jogar. Se tu voltar e fizer um gol e nós vencermos, e te darei de presente uma quadra de campo povoada”.

O segundo tempo teve inicio com a vitória parcial do Uruguaiana por 1 X 0 e o time com 10 jogadores em campo. Aos 15 minutos Abeguar deu com as caras no estádio, com a a cabeça toda enfaixada. Entrou em campo e se comportou como se nada tivesse acontecido com ele e ainda fez o segundo gol do seu time que ganhou por 2 x 1.

O goleiro do Uruguaiana era Vilson Bagatini, que depois se tornou árbitro e escritor de renome, que somente sofreu dois gols em toda a temporada. É irmão de outro Bagatini, também goleiro, que entre outros clubes jogou por Flamengo, de Caxias do Sul, S.E.R. Caxias e Internacional, de Porto Alegre.

O Uruguaiana foi campeão da cidade, e depois campeão da Fronteira, tendo derrotado o 14 de Julho, de Livramento. Mas acabou perdendo a partida final para o Gaúcho, de Passo Fundo, que disputou em 1967, pela primeira vez, a Divisão Principal do futebol gaúcho.

O primeiro jogo entre Uruguaiana X Gaúcho, pelas finais, foi realizado na Fronteira, dia 11 de dezembro de 1966, com vitória jalde-negra por 1 X 0, gol anotado por Caio, aos 40 minutos da fase final. No jogo de volta, em Passo Fundo, dia 18, o Gaúcho ganhou de goleada, 5 X 0, provocando uma prorrogação.

Naquele tempo não existia saldo de gols, como ocorre hoje. No tempo suplementar o Gaúcho ganhou de novo, dessa feita por 1 X 0. Bebeto, depois apelidado de “Canhão da Serra”, que marcou o gol que levou o time de Passo Fundo ao “Gauchão”, aos 12 minutos da segunda etapa.

 O Uruguaiana, com a ajuda de fazendeiros viajou de avião para Passo Fundo. Segundo alguns pesquisadores afirmam, essa foi a primeira vez que um time gaúcho da Segunda Divisão viajou de avião. Sabe-se que a pista do aeroporto de Passo Fundo era de terra batida, o que obrigou a delegação uruguaianense ficar 20 minutos dentro da aeronave, até que a poeira baixasse.

O árbitro do jogo foi Flávio Cavedini, apelidado na época de Flavio Gavedini (alusão a gaveta), auxiliado por Juarez Oliveira e Timóteo Lopes da Costa. O time do Uruguaiana, na época uma das melhores formações de sua história jogou com Bagatini – Vera – Mujica - Bom Filho e Valmor. Paré e Volf. Paulo – Barzoni - Abeguar e Caio. O técnico era Rodolfo Guizzoni.

Mas a história não acaba por aqui. Os ricos fazendeiros que não poupavam dinheiro para ajudar o Uruguaiana, eram acostumados a frequentar os luxuosos cabarés da cidade e também da capital, quando viajavam a “negócios” até Porto Alegre.

E presenteavam os jogadores mais destacados de igual forma que as “meninas”, ou seja, botando notas de dinheiro alto, dentro dos calções dos atletas. No caso das “moças”, era na calcinha ou na cinta do espartilho.

Mas como tudo o que é bom dura pouco, ao término do ano de 1966 o Uruguaiana vendeu todo o time e fechou as portas. Entre os atletas que foram embora, sabe-se que Bagatini foi para o Flamengo, de Caxias do Sul, Bom Filho, para o Juventude, também de Caxias do Sul, Mujica para o Ypiranga, de Erechim. Valmor, para o14 de Julho, de Passo Fundo, Gonzaga e Paré, para o Brasil de Pelotas. (Pesquisa: Nilo Dias)
O Campeonato Gaúcho de antigamente era disputado de uma forma bem diferente do que é hoje. Os clubes eram divididos em chaves regionais, geralmente Serra, Sul, Centro e Metropolitana. O campeão de cada uma dessas regiões disputava as partidas finais que eram realizadas em Porto Alegre.

Eu lembro bem dos campeonatos municipais, que eram mais valorizados que hoje. O campeão de cada cidade é que participava das disputas estaduais. Quando morei em Pelotas e trabalhei na imprensa de lá, rádios “Tupancy” e “Pelotense”, jornal “Diário Popular” e “Sucursal da Companhia Jornalística Caldas Júnior”, fiz muitas coberturas desses campeonatos.

Em 1960 foi mudada a fórmula do Campeonato Gaúcho. Os certames municipais deixaram de ser classificatórios para o Estadual, passando a reunir um número fixo de equipes, com acesso e descenso.

Dia desses encontrei na Internet algumas histórias interessantes que se passaram ao tempo dos certames municipais, lembradas pelo jornalista Rogério Bohlke. O campeonato de Uruguaiana, por exemplo, era um dos mais fortes. Os times de lá, Uruguaiana, Ferro Carril e Sá Viana, todos de muita tradição, viviam tempos de glória.

Eu lembro de quando estava internado no Colégio Santa Maria, dos Irmãos Maristas, em Santa Maria. Quando havia jogos de futebol a noite, geralmente era permitida a ida até os estádios. Lembro de um jogo amistoso disputado no estádio do Riograndense, entre o periquito santa-mariense e o Sá Viana, de Uruguaiana, que tinha um timaço.

Destacava-se nessa equipe um atacante de nome Nei Sávi. Era elegante para jogar e altamente técnico. Se jogasse hoje, certamente seria titular em qualquer equipe do futebol brasileiro.

Pois bem, nessas historinhas encontradas na Internet, destaca-se uma. Em 1966, o Uruguaiana, era o time mais forte da cidade, e vencia ao Sá Viana por 1 X 0, até os 42 minutos da primeira etapa.
Foi quando aconteceu o inusitado.

Em lance de ataque do Uruguaiana, faltando um minuto para acabar o primeiro tempo, o jogador Abeguar, o craque do time, teve um profundo corte no supercílio, depois de se chocar contra um zagueiro adversário. Como saia muito sangue ele teve de ser atendido em um hospital da cidade.

O técnico do Uruguaiana era Guizzoni, que depois dirigiu o Flamengo, de Caxias do Sul e outras equipes interioranas. Na confusão que se formou o treinador não lembrou de substituir o atleta lesionado.

Naqueles tempos de antigamente a regra especificava que substituições só podiam acontecer até o final da primeira etapa. O presidente do Uruguaiana era um fazendeiro muito rico, chamado de “Funcho”, que meio desorientado na volta da equipe para o segundo tempo, gritou:

“Abeguar, não tem outro jeito. Com um a menos nós vamos perder esse jogo. Vai lá no hospital, faz um curativo, pede para te remendarem a “caixola” e volta para jogar. Se tu voltar e fizer um gol e nós vencermos, e te darei de presente uma quadra de campo povoada”.

O segundo tempo teve inicio com a vitória parcial do Uruguaiana por 1 X 0 e o time com 10 jogadores em campo. Aos 15 minutos Abeguar deu com as caras no estádio, com a a cabeça toda enfaixada. Entrou em campo e se comportou como se nada tivesse acontecido com ele e ainda fez o segundo gol do seu time que ganhou por 2 x 1.

O goleiro do Uruguaiana era Vilson Bagatini, que depois se tornou árbitro e escritor de renome, que somente sofreu dois gols em toda a temporada. É irmão de outro Bagatini, também goleiro, que entre outros clubes jogou por Flamengo, de Caxias do Sul, S.E.R. Caxias e Internacional, de Porto Alegre.

O Uruguaiana foi campeão da cidade, e depois campeão da Fronteira, tendo derrotado o 14 de Julho, de Livramento. Mas acabou perdendo a partida final para o Gaúcho, de Passo Fundo, que disputou em 1967, pela primeira vez, a Divisão Principal do futebol gaúcho.

O primeiro jogo entre Uruguaiana X Gaúcho, pelas finais, foi realizado na Fronteira, dia 11 de dezembro de 1966, com vitória jalde-negra por 1 X 0, gol anotado por Caio, aos 40 minutos da fase final. No jogo de volta, em Passo Fundo, dia 18, o Gaúcho ganhou de goleada, 5 X 0, provocando uma prorrogação.

Naquele tempo não existia saldo de gols, como ocorre hoje. No tempo suplementar o Gaúcho ganhou de novo, dessa feita por 1 X 0. Bebeto, depois apelidado de “Canhão da Serra”, que marcou o gol que levou o time de Passo Fundo ao “Gauchão”, aos 12 minutos da segunda etapa.

 O Uruguaiana, com a ajuda de fazendeiros viajou de avião para Passo Fundo. Segundo alguns pesquisadores afirmam, essa foi a primeira vez que um time gaúcho da Segunda Divisão viajou de avião. Sabe-se que a pista do aeroporto de Passo Fundo era de terra batida, o que obrigou a delegação uruguaianense ficar 20 minutos dentro da aeronave, até que a poeira baixasse.

O árbitro do jogo foi Flávio Cavedini, apelidado na época de Flavio Gavedini (alusão a gaveta), auxiliado por Juarez Oliveira e Timóteo Lopes da Costa. O time do Uruguaiana, na época uma das melhores formações de sua história jogou com Bagatini – Vera – Mujica - Bom Filho e Valmor. Paré e Volf. Paulo – Barzoni - Abeguar e Caio. O técnico era Rodolfo Guizzoni.

Mas a história não acaba por aqui. Os ricos fazendeiros que não poupavam dinheiro para ajudar o Uruguaiana, eram acostumados a frequentar os luxuosos cabarés da cidade e também da capital, quando viajavam a “negócios” até Porto Alegre.

E presenteavam os jogadores mais destacados de igual forma que as “meninas”, ou seja, botando notas de dinheiro alto, dentro dos calções dos atletas. No caso das “moças”, era na calcinha ou na cinta do espartilho.


Mas como tudo o que é bom dura pouco, ao término do ano de 1966 o Uruguaiana vendeu todo o time e fechou as portas. Entre os atletas que foram embora, sabe-se que Bagatini foi para o Flamengo, de Caxias do Sul, Bom Filho, para o Juventude, também de Caxias do Sul, Mujica para o Ypiranga, de Erechim. Valmor, para o14 de Julho, de Passo Fundo, Gonzaga e Paré, para o Brasil de Pelotas. (Pesquisa: Nilo Dias)

O time do Uruguaiana, em 1966, era muito forte.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Os 50 clubes de futebol mais antigos do Brasil

1 - 19/07/1900 - Sport Club Rio Grande, de Rio Grande (RS), o mais antigo clube brasileiro ainda em atividade.

2 - 11/08/1900 - Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas (SP), o mais antigo clube paulista ainda em atividade.

3 - 14/07/1902 - Esporte Clube 14 de Julho, de Santana do Livramento (RS), fundado em cidade na fronteira com o Uruguai.

4 - 21/07/1902 - Fluminense Football Club, do Rio de Janeiro. Primeiro dos 12 maiores clubes do Brasil a entrar em campo e o primeiro a ostentar a palavra futebol no nome.

5 - 13/09/1902 - Esporte Clube Vitória, de Salvador (BA). Fundação do clube: 13/05/1899. Primeiro clube baiano ainda em atividade a entrar em campo, em 22/05/1901, informalmente por associados. Departamento de futebol inaugurado em 1902, primeira partida do clube em 13/09/1902.

6 - 15/09/1903 - Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Primeiro clube de Porto Alegre ainda em atividade.

7 - 17/04/1904 - Bangu Atlético Clube, do Rio de Janeiro. É o mais antigo clube oriundo de fábrica do Brasil ainda em atividade.

8 - 12/08/1904 - Botafogo de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro. Fundação do clube de remo: 01/07/1894. Do Botafogo de Regatas, que se juntaria ao Botafogo Futebol Clube em 08/12/1942, formando o Botafogo de Futebol e Regatas.

9 - 18/09/1904 - América Football Club, do Rio de Janeiro. Primeiro clube da Grande Tijuca ainda em atividade.
      
10 - 13/05/1905 - Sport Club do Recife. Primeiro clube pernambucano em atividade a entrar em campo em 11/06/1906    

11 - Associação Atlética Internacional, de Bebedouro (SP)

12 - 07/09/1906 - Esporte Clube Ypiranga, de Salvador (BA)
            
13 - 19/04/1907 - Guarany Futebol Clube, de Bagé (RS)         
14 - 07/09/1907 - Clube Atlético Pirassununguense, de Pirassununga (SP)

15 - 25/03/1908 - Clube Atlético Mineiro, de Belo Horizonte (MG), primeiro clube mineiro ainda em atividade.

16 - 04/06/1908 - Sport Club São Paulo, de Rio Grande (RS)

17 - 28/06/1908 - Villa Nova Atlético Clube, de Nova Lima (MG), primeiro clube mineiro ainda em atividade a entrar em campo, logo no dia de sua fundação.

18 - 11/10/1908 - Esporte Clube Pelotas, de Pelotas (RS).

19 - 15/11/1908 - Barra Mansa Futebol Clube, de Barra Mansa (RJ). Primeiro clube do Sul Fluminense ainda em atividade.

20 - 03/01/1909 - Sport Club Penedense, de Penedo (AL). Primeiro clube alagoano ainda em atividade.

21 - 04/04/1909 - Sport Club Internacional, de Porto Alegre (RS).

22 - 09/05/1909 - Rio Claro Futebol Clube, de Rio Claro (SP).

23 - 17/05/1909 - Paulista Futebol Clube, de Jundiaí (SP).

24 - 06/06/1909 - Resende Futebol Clube, de Resende     (RJ)       
25 – 11/07/1909 – Foot Ball Club Rio-Grandense, de Rio Grande (RS)

26 - 25/07/1909 - Clube Náutico Capibaribe, de Recife      (PE). Fundação do clube: 07/04/1901.

27 - 01/08/1909 - São Cristóvão de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro.       Fundação de um dos clubes que o formou, o de regatas: 12/10/1898.

28 - 12/10/1909 - Coritiba Foot Ball Club, de Curitiba. Primeiro clube paranaense ainda em atividade.

29 - 01/09/1910 - Esporte Clube Noroeste, de Bauru (SP)

30 - 01/09/1910 - Sport Club Corinthians Paulista. Primeiro clube paulistano ainda em atividade.

31 - 02/04/1911 - Guarani Futebol Clube, de Campinas (SP)

32 - 23/04/1911 - Clube Esportivo Lajeadense, de Lajeado (RS). Primeiro clube do Vale do Taquari ainda em atividade.

33 - 01/05/1911 - Esporte Clube Novo Hamburgo, de Novo Hamburgo (RS), primeiro clube do Vale do Rio dos Sinos ainda em atividade.

34 - 15/08/1911 - Tupynambás Futebol Clube, de Juiz de Fora (MG), primeiro clube da Zona da Mata (MG) ainda em atividade.

35 - 07/09/1911 - Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas (RS).

36 - 10/10/1911 - Comercial Futebol Clube, de Ribeirão Preto (SP)

37 - 14/04/1912 - Santos Futebol Clube, de Santos (SP). Primeiro clube da Baixada Santista ainda em atividade.

38 - 30/04/1912 - América Futebol Clube, de Belo Horizonte    (MG).

39 - 01/05/1912 - Operário Ferroviário Esporte Clube, de Ponta Grossa (PR).

40 - 03/05/1912- Clube de Regatas do Flamengo, do Rio de Janeiro. Fundação do clube: 17/11/1895.

41 - 07/05/1912 - Riograndense Futebol Clube, de Santa Maria (RS)

42 - 26/05/1912 - Tupi Football Club, de Juiz de Fora (MG).

43 - 20/08/1912 - Goytacaz Futebol Clube, de Campos dos Goytacazes (RJ). Primeiro clube do Norte Fluminense ainda em atividade.

44 - 20/09/1912 - Clube de Regatas Brasil, de Maceió (AL). Primeiro clube de Maceió ainda em atividade.

45 - 01/10/1912 - Vitória Futebol Clube, de Vitória (ES). Primeiro clube capixaba ainda em atividade.

46 - 12/10/1912 - Associação Atlética Francana, de Franca (SP).

47 - 05/11/1912 - Clube Esportivo Rio Branco, de Campos dos Goytacazes (RJ)

48 - 13/01/1913 - Nacional Futebol Clube, de Manaus (AM). Primeiro clube da Região Norte ainda em atividade.

49 - 26/03/1913 - Futebol Clube Santa Cruz, de
Santa Cruz do Sul (RS).

50 - 21/04/1913 - Clube do Remo, de Belém do Pará. Fundação do clube: 05/02/1905 - Primeiro clube paraense ainda em atividade. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.)


Sport Club Rio Grande, de Rio Grande (RS), o "vovô" do futebol brasileiro. 

terça-feira, 21 de março de 2017

O árbitro que expulsou o próprio filho

Existem árbitros de futebol mais enérgicos que outros. Não tem caras de bons amigos, não aceitam provocações de jogadores e não poupam cartões amarelos e vermelhos.

Poderia até fazer uma análise mais alongada do comportamento de conhecidos profissionais do passado ou do presente, mas não o farei. Vou procurar me ater em um personagem que foi marcante nos anos 50 e 60 no futebol carioca e paulista.

A maioria dos leitores, principalmente os mais jovens certamente nunca ouviram falar de Paul Katchborian. Ele foi apenas mais um personagem entre tantos outros que percorreram os caminhos do futebol, sem ter seu nome gravado na história como ídolo, ou ao menos reconhecido pelo trabalho exercido, que nem sempre foi fácil.
Katchborian não era brasileiro.

Nasceu na França em 6 de fevereiro de 1928 e morreu no Brasil em 2015, aos 87 anos. Seus pais eram armênios e se refugiaram na França. Quando tinha apenas quatro anos de idade sua família veio morar no Brasil. Não tenho maiores detalhes sobre a sua vida de menino ou o que fazia antes de se tornar juiz de futebol.

Modesto, gostava de lembrar passagens de sua carreira como juiz de futebol. Era torcedor declarado do Santos Futebol Clube, e tinha orgulho em dizer que apitara jogos em que estava em campo “um tal de Pelé”.

Apenas como curiosidade, transcrevo aqui dados de um jogo apitado por Paul Katchborian. Foi entre Corinthians X Guarani, de Campinas, disputado no dia 31 de outubro de 1959, um sábado, no Estádio Alfredo Schurig, mais conhecido por “Parque São Jorge”, na capital paulista.

O Corinthians venceu por 2 X 0, gols de Joãozinho, aos 32 minutos do primeiro tempo e Miranda, de pênalti, aos 18 minutos da etapa final. A renda do jogo somou Cr$ 271.275,00.

Corinthians: Gilmar – Valmir - Olavo e Ari. Roberto e Oreco. Miranda – Joãozinho – Joaquinzinho - Luizinho e Tite. Técnico: Sylvio Pirillo.

Guarani: Dimas - Belluomini e Ditinho. Válter - Eraldo e Bombinha. Ferrari – Fifi – Rodrigo - Benê I e Leal.

Como não poderia deixar de ser, Paul passou aos filhos e netos a paixão pelo time alvinegro santista. Pasmem. Mesmo tendo apitado muitos jogos na Vila Belmiro, quando no auge de sua carreira como árbitro, Katchborian só entrou no estádio na condição de torcedor, em 2005, quando já somava 77 anos de idade.

Quem o levou a Vila Belmiro foi um de seus filhos e o neto Pedro. O Santos enfrentou nesse dia ao Atlético Paranaense pela Copa Libertadores daquele ano. O Santos perdeu por 2 X 0, com dois gols de Aloísio Chulapa, mas para Paul o resultado pouco importou.

Pedro, que hoje é jornalista também foi a Vila pela primeira vez naquele dia. Lembra de tudo, embora só tivesse 13 anos, até mesmo da reação do seu avô. O Santos perdeu, mas isso não fez muita diferença para ele, que não fez nenhuma critica ao time. Disse que o jogo tinha sido bom na Vila.

O neto Pedro, trabalhou no Esporte Interativo, Veja São Paulo e youPIX. Começou no esporte, mas depois se especializou em cultura pop, internet e tecnologia. Séries, filmes e futebol são os seus principais hobbies.

Apesar da experiência no futebol profissional, o maior feito do ex-árbitro aconteceu em uma peladinha, na praia de Mongaguá. Os amigos de Artur, filho de Paul, pediram para ele apitar o jogo.

Paul aceitou, mas com uma ressalva: não ia roubar a favor do time do filho. Em certo momento da partida, Artur foi reclamar com Paul por conta do posicionamento da barreira adversária no momento de uma falta.

- Ah, pai... “Aqui não sou teu pai”, disse Paul, mostrando o cartão vermelho e mandando pra rua o próprio filho, sem titubear.

Depois que deixou a arbitragem Katchborian trabalhou nos Correios. Nos últimos anos de vida conviveu com as dificuldades da idade, especialmente com a pouca audição. O que não atrapalhava que pudesse acompanhar o Santos, no rádio, TV ou ao vivo no estádio.

Em 2007, após o título paulista, Paul enviou uma foto para o neto. Sem ter uma camisa do alvinegro praiano, improvisou, segurando sua carteirinha de sócio em uma mão, e na outra um “mousepad” com o escudo santista. Uma brincadeira simples, mas que se transformou em uma valiosa recordação.

O “mousepad” continua na casa do avô de Pedro, em Mongaguá. O jornalista conta que seu avô não tinha camisa do Santos, e seu pai, Artur, nunca quis dar por que achava que não ia caber nele. Então, na hora de comemorar, acabava improvisando. A carteirinha de sócio, ainda deve estar guardada com a viúva do ex-árbitro, que ainda é viva. (Pesquisa: Nilo Dias)



Dois momentos marcantes da vida de Paulo. Acima, dirigindo um clássico paulista entre São Paulo X Palmeiras. Abaixo, uma recordação com o escudo do Santos, a mão.

terça-feira, 14 de março de 2017

O maior craque sul-coreano

Park Ji-sung, considerado o melhor jogador do futebol sul-coreano de todos os tempos, nasceu em Goheung, um condado da província de Jeolla do Sul, no dia 25 de fevereiro de 1981. Era conhecido por seus dribles rápidos e por ter um volume de jogo veloz, resistente e com uma consistência tática eficaz.

Embora tenha nascido em Goheung, Park cresceu em Suwon, uma cidade satélite que fica 30 quilômetros ao Sul de Seul. Começou a jogar futebol durante o seu tempo de estudante, quando cursava o quarto ano do ensino fundamental.

Durante este tempo, Park foi conhecido como um dos maiores jovens talentos na Coréia do Sul e estava sendo olhado por uma série de clubes diferentes. Assim, ele começou a jogar futebol e, após fazer grande sucesso entre os garotos, assinou contrato em 1999, com o Kyoto Sanga, do Japão, começando assim a carreira profissional.

Após uma temporada no time japonês, foi convidado por Guus Hiddink, que havia sido seu técnico na Coréia do Sul e que após a Copa do Mundo de 2002, tornou-se técnico do PSV. E chamou os jogadores sul-coreanos Park e Lee Young-Pyo, que tiveram a primeira oportunidade de jogar na Europa.

Enquanto Lee rapidamente se tornou titular da equipe, Park vinha lutando contra lesões que não permitiam o seu avanço na equipe.

Até o final da temporada 2003-04, Park já havia se adaptado à Holanda, dentro e fora de campo. Na temporada 2004-05, com a saída de Arjen Robben para o Chelsea, ganhou mais oportunidades. E rapidamente provou seu valor para a equipe.

Ao lado de Johann Vogel, DaMarcus Beasley e os holandeses Mark van Bommel e Philip Cocu, Park formou um ótimo meio-campo com o seu bom ritmo e passes precisos.

Com o bom futebol mostrado na temporada no PSV, torcedores da equipe chegaram até a criar uma canção para o jogador que foi intitulada de "Canção para Park", lançada especialmente para o álbum do time.

Depois disso, em razão de sua alta velocidade, bons dribles e obediência tática ele foi contratado em 2005 pelo poderoso Manchester United, da Inglaterra, então dirigido pelo técnico Alex Ferguson, num contrato de 4 milhões de Euros. 

E se tornou o primeiro sul-coreano a vencer o Campeonato Inglês.
Ao todo, foram 12 títulos pelo clube inglês, incluindo a Liga dos Campeões de 2008 e o Mundial de Clubes do mesmo ano.

Lá Park se tornou o primeiro asiático a ser capitão do Manchester United. Seu primeiro gol pelo time inglês ocorreu em 20 de dezembro de 2005, durante a vitória por 3 X 1 sobre o Birmingham na “Carling Cup” pela quinta rodada.

Em abril de 2007, Park teve de ser submetido a uma cirurgia nos Estados Unidos, decorrente de uma lesão no joelho, o que obrigou o jogador a ficar fora do restante da temporada. Mas ainda assim, havia jogado partidas suficientes para se tornar o primeiro jogador sul-coreano a vencer a “Premier League”.

Em 29 de abril de 2008, o Manchester United avançou para a Final da Liga dos Campeões da UEFA de 2007-08, depois de vencer o Barcelona de Lionel Messi, em um jogo em que Park foi eleito o melhor em campo.

No entanto, ele ficou de fora do jogo frente o Chelsea na final. Depois, o técnico Alex Ferguson admitiu que deixa-lo de fora foi uma das decisões mais difíceis de sua carreira como treinador.

No final o Manchester venceu a Liga dos Campeões da UEFA de 2007-08, em uma final no Estádio Luzhniki, contra a equipe do Chelsea, que foi decidida somente nos pênaltis.

Em 14 de setembro de 2009, Park assinou uma extensão de contrato de três anos com o United, para mantê-lo no clube até 2012. Em 2010 viu seu clube perder na Liga dos Campeões da Europa, contra a equipe do Bayern de Munique. O Chelsea venceu a “Premier League” nessa ocasião.

Durante a temporada 2010-11, após ter voltado da Copa do Mundo na África do Sul, Park foi deixado de ser escalado em alguns jogos do Campeonato Inglês. E ficou fora do clube para jogar a Copa da Ásia de 2011, a sua última competição internacional pela Coréia do Sul. Retornou em fevereiro ao Manchester.

Dessa feita Park foi uma peça importante de Alex Ferguson para conquistar o título da “Premier League” 2010-11, sendo decisivo nos jogos pela quartas de finais da Liga dos Campeões da UEFA de 2010-11, contra a equipe do Chelsea.

E assim garantindo a volta do Manchester a uma final de Liga dos Campeões, dessa vez contra o poderoso Barcelona de Lionel Messi, Andrés Iniesta, Xavi Hernández e companhia. 

Jogou todos os 90 minutos daquela final no Estádio de Wembley, mas nada pode fazer para evitar a derrota de sua equipe por 3 X 1.

Em 2012,Park foi para o Queens Park Rangers, também da Inglaterra, time onde estavam o goleiro Júlio César e o atacante Fábio Silva, mas pouco jogou. Ficou até 2013 quando o time foi rebaixado para a Football League Championship (segunda divisão) do campeonato inglês.

Em 2013 retornou ao PSV, por empréstimo. Jogou apenas 25 partidas e marcou dois gols, assim deixando o clube na quinta posição da Eredivisie 2013-14. No dia 3 de maio de 2014, Park jogou a sua última partida como profissional, uma vitória do PSV por 2 X 0 em cima do NAC Breda pela Eredivisie.

Depois da vitória, Park, considerado o maior futebolista da história do futebol sul-coreano, decidiu se aposentar aos 33 anos, anunciando o fato oficialmente apenas no dia 14 de maio de 2014 e encerrando assim sua vitoriosa carreira de jogador.

De qualquer forma, Park entrou para a história do PSV, se tornando um dos ídolos do clube. E lá pendurou as chuteiras em 2014. Depois da aposentadoria, ele inaugurou o Centro de Futebol JS, na cidade onde cresceu.

Pela Coreia do Sul, Park participou da Copa do Mundo FIFA de 2002, 2006 e 2010, sendo destaque do seu país em todas as participações, inclusive sendo um dos poucos jogadores na história a marcar gol em três Copas diferentes, feito realizado por poucos como Ronaldo, Klose e Pelé.

Pela Seleção Sul-coreana, Park fez história. Mesmo jovem, ele foi uma das armas do time que chegou até as semifinais na Copa de 2002. Ele também participou dos Mundiais de 2006 e 2010. Anunciou no dia 31 de janeiro de 2011 a sua aposentadoria da seleção sul-coreana aos 29 anos, após um terceiro lugar de sua seleção na Copa da Ásia de 2011.

Park atuou 100 vezes pela seleção de seu país e marcou 13 gols. Nos três jogos das copas do mundo que disputou e marcou gol, sua seleção nunca perdeu. Esses jogos foram: Coreia do Sul 1 X 0 Portugal, Copa 2002; França 1 X 1 Coreia do Sul, Copa 2006 e Coreia do Sul 2 X 0 Grécia, Copa de 2010. Foi capitão da sua seleção nas copas de 2006 e 2010.

Foi eleito “Man of the Match”, no jogo França 1 X 1 Coreia do Sul valido pela fase de grupos da copa 2006. Nessa partida a poderosa seleção francesa contava com o jogador Zinedine Zidane no auge de sua carreira, e que logo após a copa 2006 seria eleito pela FIFA o melhor jogador da competição.

Entre as inúmeras conquistas pelos clubes por onde passou, Park nunca conseguiu ganhar um título pela sua seleção sul-coreana.

A campanha de maior relevância foi conseguir levar a Coréia do Sul até as semifinais da Copa do Mundo de 2002, que foi sediada em sua própria casa, na Coréia do Sul e no Japão. A seleção de Park foi eliminada para seleção da Alemanha pelo placar de 1 X 0. (Pesquisa: Nilo Dias)