Nilo Dias Repórter

Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Um ex-aluno do Jardim de Infância

Quem diria, o hoje truculento técnico Luiz Felipe Scolari, o “Felipão” já foi um comportado menino do “Jardim de Infância”, no Colégio Notre Dame, em Passo Fundo. Isso, lá no distante ano de 1954, que foi marcado pelo suicídio do então presidente Getúlio Dornelles Vagas. A formatura era um ato solene de muita importância.

O ato de formatura ocorreu no dia 4 de dezembro de l954 no salão de festas do Notre Dame. O Lema dos formandos foi “Alegrar sempre a Mamãe do Céu”. A Madrinha foi Nadyr Teixeira de Moraes, os homenageados foram Padre José Broja, a madre Maria Irmengarda, a diretora irmã é Maria Hinocenz, e ainda Maria Heineck, Ondina Daudt e Aparício Lângaro.

Luiz Felipe Scolari nasceu em Passo Fundo (RS), no dia 9 de novembro de 1948. É descendente de italianos, seus avós eram imigrantes da região do Vêneto. Foi professor de educação física na Escola A.J. Renner, também conhecida como Escola Industrial, localizada no Município de Montenegro (RS).

Naquela época, não era tão famoso, mas dedicava-se intensamente às atividades educacionais. Além disso, também foi professor de educação física na cidade de Caxias do Sul, em instituições como a Escola Estadual Cristóvão Mendonza e o Colégio La Salle Carmo.

Começou a carreira no C.E. Aimoré, de São Leopoldo, aos 17 anos, jogando como zagueiro nas categorias de base. O gosto pelo futebol teve a influência de seu pai, Benjamin Scolari, que foi um bom zagueiro, defendendo também o próprio Aimoré.

Apesar de nunca ter sido um jogador de técnica apurada, sempre mostrou muita disposição, sabendo usar seu corpo avantajado, o que lhe valeu o apelido de “Felipão”. Destacou-se como um atleta aguerrido e um líder nato, titular e capitão por todos os times que jogou.

Depois do Aymoré jogou no Caxias por 7 anos. Vestiu ainda as camisas do Juventude, Novo Hamburgo e CSA, de Alagoas, onde encerrou a carreira de atleta, em 1982. Torcedor assumido do Grêmio, nunca jogou no tricolor. O outro time de seu coração é o Palmeiras, por quem também sua mãe torce.

Depois que deixou os gramados, “Felipão” resolveu ser treinador, iniciando a nova carreira no próprio CSA. Depois foi para o Brasil, de Pelotas, onde conheceu o ex-jogador Mortosa, que era preparador físico do clube pelotense. Aí começou uma grande amizade que dura até hoje.

Mortosa é o fiel escudeiro de “Felipão”. Do Brasil foi para o Al-Shabab, da Arábia Saudita, em 1987. Em 1989, foi para o Kuwait, onde foi campeão da Copa do Emirado com o Qadsia S.C. e campeão da Copa do Golfo, em 1990 com a Seleção Kuwaitiana de Futebol. Em 1991 treinou o Al-Ahli, da Arábia Saudita e mais uma vez o Al Qadsia, sem sucesso.

A carreira de treinador começou a dar certo, quando foi tricampeão gaúcho pelo Grêmio, em 1987. O primeiro título nacional veio em 1991, com a conquista da Copa do Brasil pelo Criciuma. Na volta ao Grêmio, ganhou vários títulos, com destaques para a Taça Libertadores da América em 1995, e o Campeonato Brasileiro em 1996.

Em 1997, após dirigir o Júbilo Iwata, do Japão, “Felipão” foi para o Palmeiras, onde também viveu grandes momentos. Foi campeão da Copa do Brasil de 1998 e da Libertadores de 1999, além de outros títulos. Mas a exemplo do que aconteceu no Grêmio, não conseguiu ganhar a Copa Toyota. Depois foi treinar o Cruzeiro, de Belo Horizonte, sem repetir o mesmo êxito de Grêmio e Palmeiras.

Em 2002 dirigiu a Seleção Brasileira no Mundial do Japão e Coréia do Sul, trazendo para o nosso país o pentacampeonato.

“Felipão”conquistou todos os títulos que um treinador brasileiro pode ambicionar: Campeonato Regional, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Taça Libertadores da América e Mundial de Seleções. Só não conseguiu ser campeão mundial interclubes.

Seu sucesso chamou a atenção dos mandatários do futebol português, que o contrataram para dirigir a seleção do país. De cara, levou o time à final da Eurocopa de 2004 e às semi-finais da Copa do Mundo, em 2006 na Alemanha.

Depois de eliminar a Holanda, num jogo extremamente violento, ganhou uma vaga nas semi-finais, quando eliminou a Inglaterra nos pênaltis. Na sequência Portugal perdeu para a França por 1 X 0 e disputou o terceiro lugar com a Alemanha, perdendo por 3 X 1.

A Copa de 2006 também serviu para tornar “Felipão” o primeiro treinador da história dos Mundiais a conquistar 11 vitórias seguidas: 7 pelo Brasil durante a Copa de 2002 e 4 pela Selecão Portuguesa, em 2006.

Uma marca característica de”Felipão” é a religiosidade. Quando do pentacampeonato mundial com a Seleção Brasileira, levou até o Japão/Coréia uma imagem de Nossa Senhora de Caravaggio, santa que tem santuário na cidade de Farroupilha no Rio Grande do Sul.

Ela acompanhou a equipe durante toda a campanha. Em agradecimento, “Felipão” pagou uma promessa, indo de Caxias do Sul a Farroupilha, a pé, percorrendo uma distância de aproximadamente 20 quilômetros.

Ao deixar a seleção, a santa permaneceu no Brasil, até que tempos depois, para impulsionar a participação de Portugal na Eurocopa, Felipão mandou-a buscar na Granja Cumary. Em Portugal, Felipão juntou a imagem da santa "brasileira" a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

E parece que a fé de Scolari contagiou os craques portugueses. Tanto é verdade, que Figo, jogador português, ao ser substituído durante as quartas de finais da Eurocopa de 2004 contra a Inglaterra, ficou rezando frente as duas imagens, quando da cobrança de pênaltis. E deu certo, porque o atacante inglês Beckham errou sua cobrança ao sofrer um providencial escorregão.

Scolari passou a maior parte de sua carreira em Caxias do Sul, onde surgiu sua devoção a Nossa Senhora do Caravaggio. A famosa imagem que o acompanha foi um presente ganho, em 2001, no quadro "Amigo Oculto" promovido todo final de ano pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo, dado a ele pela atriz Fernanda Montenegro.

Em 2008 Scolari deixou Portugal e foi para o Chelsea, da Inglaterra, onde teve fraco desempenho. Dizem que os ingleses boicotaram o treinador brasileiro. Como indenização por quebra de contrato, Scolari teria recebido 15 milhões de libras. O seu salário era de cerca de 600 mil libras mensais.

Em 2009 saiu da Inglaterra para uma breve passagem pelo Bunyodkor, do Ubequistão. Na chegada a Tashkent “Felipão” foi recebido com festa pela torcida do clube. Em outubro do mesmo ano, conquistou de forma invicta, com quatro rodadas de antecipação e um incrível recorde de 23 vitórias seguidas, o campeonato nacional. Foram 28 vitórias, dois empates e nenhuma derrota, com aproveitamento de 95,55%.

Em 4 de junho de 2010, o site oficial do clube anunciou a saída de Scolari, que durante as fases finais da Copa do Mundo, foi comentarista em uma emissora de TV da África do Sul. No dia 13 de junho de 2010, após semanas de especulações e negociações, foi oficializado seu retorno ao Palmeiras, onde se encontra até hoje, sem o mesmo sucesso de sua passagem anterior pelo clube paulista.

Títulos conquistados por “Felipão”, em sua vitoriosa carreira: campeão alagoano pelo CSA (1982); campeão gaúcho pelo Grêmio (1987, 1995 e 1996); Campeão da Taça Salmiya pelo Al Qadsia, da Arábia Saudita (1989); Campeão da Taça do Emir pelo Al Qadsia, da Arábia Saudita (1990); Campeão da taça do Golfo pela Seleção do Kuwait (1990); Campeão da Copa do Brasil pelo Criciúma (1991); Campeão invicto da Copa do Brasil pelo Grêmio (1994); campeão da Taça Libertadores da América pelo Grêmio (1995); Vice-campeão do Mundial Interclubes pelo Grêmio (1995); Campeão da Recopa Sul-Americana, pelo Grêmio (1996); Campeão Brasileiro pelo Grêmio (1996); Vice-Campeão Brasileiro pelo Palmeiras (1997); campeão da Copa do Brasil pelo Palmeiras (1998); campeão da Copa Mercosul pelo Palmeiras (1998); vice-campeão paulista pelo Palmeiras (1999); campeão da Taça Libertadores da América pelo Palmeiras (1999); vice-campeão Mundial interclubes pelo Palmeiras (1999); vice-campeão da Copa Mercosul pelo Palmeiras (1999); campeão do Torneio Rio-São Paulo pelo Palmeiras (2000); vice-campeão da Taça Libertadores da América pelo Palmeiras (2000); campeão da Copa Sul Minas pelo Cruzeiro (2001); Campeão da Copa do Mundo de 2002, vencendo todos os jogos, pela Seleção Brasileira (2002) e vice-campeão da Eurocopa pela seleção portuguesa (2004). (Pesquisa: Nilo Dias)

Felipão e seu jeito característico.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um goleiro que foi Presidente da República

Apenas dois clubes do futebol brasileiro podem se orgulhar de ter tido em suas fileiras ex-jogadores que chegaram a Presidentes da República: o S.C. Internacional, de Porto Alegre, com João Belchior Marques Goulart, o “Jango” e o Alecrim F.C., do Rio Grande do Norte, com João Fernandes Campos Café Filho, primeiro goleiro da história do clube.

“Jango”, terceiro filho de uma família de oito irmãos, passou sua infância na fazenda, onde realizou seus estudos primários e desenvolveu o gosto pela vida do campo, especialmente as atividades pecuárias. Em 1928, foi interno no Ginásio Santana, dos irmãos Maristas, localizado em Uruguaiana (RS).

Reprovado na quarta série foi castigado por seu pai com a transferência para o Colégio Anchieta, em Porto Alegre, onde tornou-se zagueiro da equipe juvenil de futebol do Internacional, campeã gaúcha em 1932.

No ano seguinte pediu ao pai para regressar ao Ginásio Santana a fim de cursar o último ano. “Jango” nasceu em São Borja (RS), no dia 1º de março de 1919, filho de Vicente Rodrigues Goulart e de Vicentina Marques Goulart. Desde criança recebeu o apelido de Jango, comum no sul do país. Faleceu no dia 6 de dezembro de 1976, em Mercedes, Argentina.

Já Café Filho, nascido em Natal, no dia 3 de fevereiro de 1889, além de atleta participou junto com um grupo de jovens, da fundação do Alecrim, ocorrida em 15 de agosto de 1915, em pleno bairro do Alecrim. Café Filho era um goleiro apenas mediano, mas teve uma importante atuação como integrante da diretoria do Alecrim, e também do Centro Esportivo Natalense.

Muito cedo, com apenas 15 anos, começou a sua vida de jornalista, quando publicou "O Bonde" e "A Gazeta", ambos manuscritos. Depois fundou e dirigiu o "Jornal de Natal". Nesse jornal, começou a abordar a questão social do Estado.

Café Filho faleceu no dia 20 de fevereiro de 1970, no Rio de Janeiro e está sepultado no Cemitério do baiiro do Alecrim, em Natal.

Depois do goleiro que foi Presidente, o Alecrim seguiu sua rotina de jogos sem muita expressão, até que, em 1925, levantou o título de campeão de maneira invicta, fato inédito entre os clubes de futebol de Natal. Como naquela época o Alecrim era formado basicamente por negros e descendentes de índios, ABC e América, que eram times das elites, dissolveram a federação de futebol para que o campeonato fosse invalidado.

O Alecrim foi o último clube que conquistou o título do campeonato de aspirantes antes que fosse extinto. Outras personalidades já defenderam as cores do Alecrim, além de Café Filho. O clube tem uma história de pioneirismo que o diferencia das demais equipes: teve um torcedor padre que foi governador do Estado, Monsenhor Walfredo Gurgel; o único clube de Natal onde “Mané Garrincha” jogou uma partida, isso em 1968; primeira equipe o RN a ter um técnico de futebol, Alexandre Kruze, em 1925, sendo nesse ano o primeiro campeão invicto do RN, título anulado pela Federação que não admitia time de subúrbio ser campeão.

Além disso, o Alecrim foi o primeiro clube a viajar de avião em jogos oficiais, inclusive atuando em partidas internacionais. O clube foi conhecido como o “Vingador”, pois os times de fora ganhavam de ABC e América, como o caso do Bonsucesso que goleou ambos e quando jogou contra o Alecrim perdeu por 3 X 1. Foi o primeiro clube a possuir um Centro de Treinamento (CT), em Macaíba em 1978 e também o primeiro a possuir uma página na Internet graças ao saudoso presidente Edmar Viana.

A primeira agremiação do Rio Grande do Norte a adquirir um ônibus em 1968, e a equipe que tem a mais antiga, fiel e atuante torcida organizada do Estado a Fieis Esmeraldinos Radicais (FERA), criada em 1977. O Alecrim inaugurou alguns estádios: o “Marizão” em Caicó (RN), o Maria Lamas Farache, “Frasqueirão”, em Natal, o “Pascoal de Lima” na cidade da Esperança (RN) e o estádio Gentil Fernandes, da cidade de Areia Branca (RN).

O segundo título de campeão veio em 1963, com o técnico “Geléia”, numa vitória contra o ABC. No ano seguinte “Geléia” deixou o clube, dando lugar a “Pedro 40”, que garantiu o bicampeonato contra o mesmo adversário.

Em 1968, outra façanha: o esquadrão esmeraldino venceu o campeonato estadual de ponta a ponta. Mais uma vez, invicto. Embalados pela conquista, nesse mesmo ano a torcida do Alecrim ganhou um presente. Num amistoso contra o Sport, de Recife, o gênio das pernas tortas, “Mané Garrincha”, vestiu a camisa 7 do clube alecrinense. Apesar da derrota por 1 X 0, gol de Duda, aquele 4 de fevereiro de 1968 ficou para sempre na história do Alecrim.

O jogo foi no Estádio Juvenal Lamartine, com um público superior a 6 mil pagantes, com renda de Cr$ 21.980,00. O Alecrim formou com Augusto – Pirangi – Gaspar - Cândido e Luizinho - Estorlando e João Paulo - Garrincha (Zezé) – Icário - Capiba (Elson) e Burunga. O Sport mandou a campo Delcio – Baixa – Bibiu - Ticarlos e Altair - Valter e Soares – Bife – Cici - Duda e Canhoto.

Nos anos 1980, um dos torcedores mais fanáticos do Alecrim era cego. “Chico Araújo” ia aos jogos com um radinho de pilha. Não perdia uma única partida.

O time é chamado de “Verdão Maravilha”, e ao longo do tempo ganhou dezenas de títulos no futebol, voleibol, futebol de salão, basquete, pedestrianismo e ciclismo.

No futebol que é a sua principal marca, obteve os seguintes títulos: campeão norteriograndense nos anos de 1924, 1925, 1963, 1964, 1968, 1985, 1986; campeão do Nordeste da série D em 2009; campeão da Taça Cidade do Natal – 1979, 1982, 1986; tri-campeão do torneio Incentivo – 1976, 1977, 1978; dez vezes campeão do torneio Início; campeão dos torneios da Marinha em 1969 e do “Santos Dumont” em 1970; tetra campeão de Aspirantes em1961, 1962, 1963, 1964, bi campeão de juniores (86 e 87), campeão invicto de juniores 2006, vice campeão estadual em 1928, 1953, 1962, 1965, 1966, 1970, 1972, “ano da inauguração do estádio “Machadão” e 1982, vice campeão da taça Cidade do Natal em 1972,1976 e 1985, dos torneios “Rio Grande do Norte” em 1979, “Buriti” em 1980 e “Assis de Paula” em 1995.

Representou o Estado na primeira divisão do campeonato brasileiro de 1986, jogando inclusive com o Botafogo no Maracanã e com o Palmeiras no Parque Antártica. (Pesquisa: Nilo Dias)

Café Filho, quando tinha 22 anos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Morreu o "Chico Formiga"

Morreu na noite de ontem, na cidade de São Vicente, no litoral paulista, o ex-jogador e ex-técnico de futebol, Francisco Ferreira de Aguiar, popularmente conhecido por “Chico Formiga”. Ele enfrentava problemas de saúde e morreu após sofrer um infarto fulminante por volta das 18h30, no apartamento onde morava, em São Vicente, na Baixada Santista.

De acordo com Ronaldo Santiago, sobrinho do ex-jogador e ex-treinador, “Formiga” passou a maior parte do dia em casa. Por volta das 18h30, ele se dirigiu ao quarto para buscar um aparelho de oxigênio, quando passou mal. Uma equipe médica compareceu ao apartamento e constatou a morte.

O corpo do ex-técnico e jogador foi velado no Memorial Necrópole Ecumênica, de Santos. O enterro aconteceu no mesmo local, às 17 horas de hoje, quarta-feira. “Formiga” deixou quatro filhos e dois netos.

O extinto tinha 81 anos de idade e jogou no Santos, aos tempos de Pelé. No time paulista, além dos títulos estaduais de 1955, 1956, 1960, 1961, 1962 e 1963, foi campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1959 e campeão mundial de clubes e da Taça Libertadores em 1962.

O responsável pelo blog, teve a satisfação de ver "Formiga" jogar. Foi num amistoso contra o Combinado Bagé-Guarany, no dia 24 de março de 1957, no Estádio da Pedra Moura, em Bagé, que terminou empatado em 1 X 1.

Formiga nasceu em Araxá (MG), no dia 11 de novembro de 1930. Jogava como volante e as vezes zagueiro. Começou a carreira nas categorias de base do Cruzeiro, de Belo Horizonte. Na década de 1950 foi para o Santos. Quando o menino Pelé chegou a Vila Belmiro, ele já tinha sido bicampeão no alvi-negro.

Ganhou fama defendendo o Santos. Em, 1955 ajudou o time a vencer o campeonato paulista de 1955, acabando com um jejum de 20 anos. Em 1957 foi vendido ao Palmeiras, na mais cara transferência do futebol brasileiro na época. Jogou no alviverde de 1957 a 1959. Em 1960 retornou a Vila Belmiro.

Graças a sua competência e talento no setor defensivo, Formiga chegou a ser convocado algumas vezes para a Seleção Brasileira, inclusive para ser o zagueiro titular do time de 1958, que conquistou pela primeira vez o título mundial para o Brasil. Mas uma contusão o tirou da equipe nacional.

Ao pendurar as chuteiras, "Seu Chico", como passou a ser chamado pelos amigos, também obteve sucesso e ganhou campeonatos importantes. Levantou o “caneco” em 1978, com o Santos, comandando a primeira geração dos “Meninos da Vila”, que tinha destacados valores como Pita, Ailton Lira, João Paulo, Nilton Batata e Juary. Essa foi a primeira conquista importante do Santos, depois da saída de Pelé. Em 1983 foi vice-campeão brasileiro, ainda pelo Santos.

No começos dos anos 80 trocou a Vila Belmiro pelo Morumbi, passando a treinar o São Paulo F.C., que contava com um elenco fantástico, chamado de “Máquina Tricolor”. O time era uma verdadeira seleção, onde brilhavam: Waldir Peres – Getúlio – Oscar - Darío Pereyra e Marinho Chagas – Almir - Heriberto e Renato - Paulo César Capeta - Serginho Chulapa e Mário Sérgio. Com esse time foi campeão paulista de 1981.

Em 1982, depois de ter sido surpreendentemente eliminado do Campeonato Brasileiro pelo Guarani, de Campinas, saiu do São Paulo para trabalhar no futebol da Arábia Saudita. Em 1983 voltou algum tempo depois novamente para o Santos, na campanha do vice-campeonato brasileiro, que foi vencido pelo Flamengo de Zico e Cia.

Em 1987 treinou o Corinthians, que passava por uma grande crise. Sob o comando de Jorge Vieira e Basílio, a equipe terminou o primeiro turno do Paulistão na penúltima colocação. Temendo o pior, a diretoria apostou suas fichas em “Formiga”. E ele conseguiu o que parecia quase impossível, reerguer o time a ponto de ainda brigar pelo título. Chegou a final, mas perdeu a taça para o São Paulo.

Depois da Copa União, “Formiga” foi demitido do Corinthians. O seu saldo como técnico foi razoável. Em 40 jogos, o time conquistou 17 vitórias, 13 empates e 10 derrotas, além de 59 gols marcados e 37 sofridos. Teve aproveitamento de 59% dos pontos disputados.

Nos anos 90, depois de vagas por times de segunda e terceira divisão, como a Catanduvense e o Palestra, de São Bernardo, “Formiga” voltou ao Oriente, desta vez ao Japão, fazendo bela campanha e conduzindo o Oita Trinita, então azarão, à terceira colocação na divisão de acesso japonesa.

Em 1993 foi campeão mineiro, dirigindo o América Mineiro, e encerrando um jejum de 22 anos sem títulos da equipe, em uma vitoriosa campanha recheada de goleadas contra os rivais Cruzeiro e Atlético Mineiro. A equipe base era: Milagres – Estevam – Marins - Lelei e Ronaldo – Gutemberg - Taú e Flávio - Euler, Hamilton e Robson.

Passou ainda por Portuguesa, Cruzeiro, Goiás, Santo André e Universidad Autônoma de Guadalajara, México. De volta ao Brasil, foi convidado pela diretoria do Santos para novamente trabalhar na equipe, dessa feita na captação de novos talentos para o clube.

Entre outros de seus feitos, pode se creditar o fato de ter descoberto Robinho, principal craque nos dois Campeonatos Brasileiros ganhos pelo clube, em 2002 e 2004, e o jovem craque sensação, Neymar. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O xerife do Piauí

Manoel Salles Marins, um zagueiro de 1,82 de altura, nasceu no Rio de Janeiro no dia 31 de outubro de 1950. Começou a carreira jogando nas categorias de base do Clube de Regatas do Flamengo, onde foi campeão carioca de juvenis em 1965 e 1967, e campeão carioca de aspirantes em 1970. Embora não tenha participado de nenhum jogo, treinou no grupo de profissionais que ganhou a Taça Guanabara de 1970.

Marins, como era chamado, sabia usar bem a sua altura. Bola pelo alto, quase sempre, era sua. Em 1975 foi parar no futebol piauiense, contratado pelo River. Sua estreia aconteceu num empate de 2 X 2 com o Auto Esporte, pelo campeonato estadual daquele ano. O River foi campeão, dividindo o título com o Tiradentes.

Em 1976 o River pediu licenciamento e não disputou o campeonato do Estado. Quando retornou as atividades no ano seguinte, lá estava Marins outra vez, vestindo a camisa tricolor nos certames de 1977 e 1978, sagrando-se novamente campeão. Depois, trocou o River pelo Flamengo piauiense, em 1979. Esse time ficou conhecido como “Super Mengão” e conquistou o título daquele ano.

A trajetória de Marins no futebol do Piauí foi um sucesso, com 100% de aproveitamento. Disputou quatro campeonatos estaduais e foi campeão em todos. Como não era muito de ir ao ataque, marcou apenas 1 gol nos quatro anos de futebol piauiense. Mas não foi um gol, qualquer. Pelo contrário, teve muita importância. Foi no dia 10 de junho de 1969. Marins jogava no Flamengo, que perdia para o Piauí, por 1 X 0, gol de Cacá. No segundo tempo Marins empatou e Israel, já falecido, fez o gol da virada rubro-negra.

Ele colocou quatro faixas de campeão, mas na disputa do clássico maior do futebol piauiense, o “Rivengo”, reunindo River X Flamengo, não teve igual êxito. Participou de 40 clássicos, 24 pelo River e 16 pelo Flamengo. Venceu 12, empatou 9 e perdeu 19, sendo expulso de campo em três ocasiões. Marins jogou ainda pelo Moto Club, do Maranhão, Força e Luz, de Natal e Fortaleza, do Ceará.

Quando de sua estreia no Moto Clube do Maranhão, Marins fez uma aposta com um torcedor: disse que Djalma Campos, um dos maiores craques da história do futebol maranhense, não o driblaria. Deu-se mal, Djalma foi para a linha de fundo e lhe aplicou três fintas seguidas, perdendo feio a aposta. (Pesquisa: Nilo Dias)

Marins, com a camisa do Flamengo, dio Piauí.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O soldado Buza

Hemetério Fernandes de Almeida, o “soldado Buza”, nasceu no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro em data desconhecida e faleceu no dia 19 de março de 1943. Era soldado no Quartel de Artilharia de Campinho, em Jacarepaguá. Além das funções militares, foi também jogador de futebol, tendo atuado como atacante no Mackenzie, durante a década de 20, e depois no Central, tendo participando de campeonatos menores do Rio de Janeiro. Na pobreza de sua juventude Hemetério só tinha um prazer: o futebol. Sabia que não haveria problema de campos de futebol no seu Engenho de Dentro.

Hemetério era filho de Luis Fernandes de Almeida, um artesão da Casa da Moeda. Um homem pobre. Um homem humilde, o que não impediu que ele criasse os 10 filhos que sobraram dos 13 que trouxe ao mundo. Criou um dos maiores pintores, Luíz Fernandes de Almeida, o mais velho, assistiu a formatura de Adelina, a mesma Adelina que meteu o guarda sol num bandeirinha, num jogo em Moça Bonita, quando este marcou uma falta contra o mano Hemetério.

Sua carreira de jogador ganhou um salto de qualidade quando foi contratado pelo Bangu, em 1929. Naquela época os times eram ainda amadores, o que não garantia ganhos em dinheiro. Era mais uma chance de se tornar conhecido, do que qualquer outra coisa. É claro que havia uma ajuda, o chamado “bicho” que era pago nas vitórias. E claro também pela oportunidade de viagens interestaduais, coisa difícil para “Buza”, por sua condição de militar. Em 1930, o Bangu foi a Salvador e a Recife, mas ele não conseguiu dispensa para viajar.

Também havia jogos do Bangu em que “Buza” estava de serviço no Quartel. Mas sempre dava um jeito de fugir, com a conivência de um sargento torcedor banguense, e entrar em campo. Quando voltava, era punição na certa, muitas vezes com os rigores de uma prisão em cela comum.

Sua característica era a virilidade como atuava, seu destemor, seus chutes fortes, com as duas pernas, seus dribles curtos e seus lançamentos. Não fugia do pau. Enfrentava tudo, de igual para igual.

Sabe-se que em certa ocasião, o comandante mandou buscar a ficha do soldado Hemetério, em que constava: duas detenções, uma prisão em cela comum e uma prisão em cela separada. Uma ficha pesada. Na verdade o comandante já sabia que o soldado Hemetério foi o pior elemento que passou pelo Quartel da Artilharia, em Campinho, no início de Jacarepaguá.

Graças a sua versatilidade, jogava tanto como ponta-direita quanto meia-esquerda, se manteve entre os titulares do Bangu, desde que chegou ao clube, até 1932 quando deixou o time vermelho e branco. Sua estreia no Bangu aconteceu em 17 de março de 1929, com derrota de 4 X 2 para o Combinado Norte. Sua despedida do clube proletário aconteceu em 5 de janeiro de 1936, também com derrota, dessa feita para o Olaria por igual placar, 4 X 2. “Buza” jogou 106 partidas pelo Bangu, com 49 vitórias, 20 empates e 37 derrotas. Marcou 26 gols.

Com o advento do profissionalismo, em 1933, “Buza” até que poderia ter optado pelo futebol, mas preferiu a segurança do Quartel e a condição de amador. Mas já não apresentava o mesmo futebol de antes, e perdeu a titularidade para o novato Sobral, que despontava na ponta direita e para Plácido, na meia-esquerda.

Na campanha que culminou com o título carioca de 1933, “Buza” só jogou duas partidas: na vitória sobre o Bonsucesso por 4 X 3, quando marcou um gol e no empate em 2 X 2 com o Flamengo, atuando deslocado na ponta-esquerda.

Depois, com a chegada de Orlandinho, aí mesmo que as chances de “Buza” terminaram de vez. Em 1934, jogou apenas uma vez. Em 1935, cessou seu tempo no Quartel e voltou a vestir a camisa do Bangu, no Campeonato Carioca, agora como profissional. Fez sua última partida no início de 1936, perdendo para o Olaria, por 4 X 2. Depois disso deixou os gramados e foi trabalhar na Viação Brasil, como fiscal.

Em 28 de fevereiro de 1943, “Buza” recolheu o dinheiro da féria e, na garage da praça Paris recebeu o convite de um chefe – ele e os demais fiscais – para visitarem o Cassino Atlântico, no seu último dia: o presidente Dutra mandara fechar todos os cassinos. Logo que chegaram um sujeito completamente bêbado resolveu tirar sarro da turma. “Buza”, que era valente e não gostava de levar desaforo para casa, pediu que a gerência retirasse o incômodo cavalheiro. Foi atendido.

Depois, quando saiu do Cassino, um colega de trabalho, sentiu no ar algo diferente. Era melhor ter saído pelos fundos, mas o ex-soldado “Buza” preferiu sair pela porta principal.

Lá estava o mesmo bêbado, mas agora com uma arma em punho, um revólver 38. E perguntou: “Cadê os valentes”? “Buza” tentou desarmá-lo. Antes, porém levou um tiro na barriga. Ainda assim, ele caminhou até o agressor e tomou-lhe a arma. De pouco adiantou o ato de bravura. O ex-jogador foi encaminhado ao hospital.

Teve peritonite e como não havia antibióticos naquela época, morreu no dia 19 de março de 1943, deixando três filhos – Luiz Paulo, Hélio e Neide. Os dois rapazes, coincidentemente, também foram para o Exército, onde trilharam uma carreira muito mais disciplinada que o pai. Luiz Paulo, seu filho mais velho, foi comandante da Escola de Educação Física do Exército. O caçula Hélio, deixou o Exército no posto de tenente coronel. (Pesquisa: Nilo Dias)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um pedido a um filho de Santa Rosa de Viterbo

José Renato Santiago (http://www.jrsantiago.com.br/)

Nos últimos anos antes da abolição da escravatura, em 1883, a estrada de ferro Mogiana chegava na pequena cidade de São Simão o que serviria de marco para o crescimento daquela região.

Uma das primeiras construções feitas na época foi a capela de Santa Rosa, erguida a partir de doações de fazendeiros locais, depois de seus trabalhadores clamarem pela necessidade de ter uma “Casa do Senhor.”

A população passou a se concentrar nas regiões próximas a capela, onde o coração do pequeno povoado realmente batia mais forte. Isto motivou a criação da Vila de Santa Rosa por volta de 1906.

Alguns anos depois, o crescimento da região provocou a criação do munícipio de Ibiquara, que depois passaria a se chamar Santa Rosa do Viterbo.

O motivo do nome, se deve a capela de Santa Rosa, que tinha testemunhado o crescimento daquela, agora, cidade.

E por que Santa Rosa?

Ainda no século XIII, Rosa tomou frente da resistência contra o imperador Frederico II que havia tomado sob seus domínios a cidade italiana de Viterbo.

“Armada” de um crucifixo nas mãos, Rosa passou a pregar o evangelho para a população que sofria com os desmandos de Frederico II.

Rosa e sua família foram expulsas da cidade e só puderam voltar após a morte do imperador.

Bem, tudo isso, mostra o quanto a simpática cidade sempre esteve em volta pela busca do crescimento, através do confronto a desafios, algumas vezes de grande risco.

Por mais que o futebol não tenha, nem de perto, a mesma relevância da história dessa pacata cidade, sugiro que rezemos para que Santa Rosa ilumine um dos filhos mais ilustres da cidade de Santa Rosa de Viterbo.

Pedimos a Santa Rosa:

- Que ele possa não apenas olhar, mas, principalmente, enxergar, todas as situações com os quais a instituição que ele representa tem passado, graças as suas decisões.

- Que ele passe a admitir os erros que cometeu, e mais, que se predisponha a buscar a correção de seus equívocos, melhorar, ouvir, dividir e compartilhar.

- Que ele passe a considerar o interesse de toda uma comunidade com prioridade, acima daquelas que fundamentam o pequeno grupo que atualmente o “cerca”.

Enfim, Sr. Juvenal Juvêncio, isto é apenas um singelo pedido!!!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O artilheiro farrista

Jorge Augusto Ferreira de Aragão, o “Beijoca”, foi talvez o maior ídolo da história do E.C. Bahia. E também um dos personagens mais folclóricos e polêmicos a pisar nos gramados baianos em todos os tempos. Ele nasceu em Salvador (BA), no dia 23 de abril de 1954. Começou a carreira no próprio Bahia, em 1969. Era grande, desengonçado, violento, nervoso, boêmio, mas sobretudo raçudo e marcava gols como ninguém.

Embora não tenha participado de nenhuma das duas maiores glórias do clube, a Taça Brasil de 1959 e o Campeonato Brasileiro de 1988, “Beijoca” sempre mostrou raça e vibração, qualidades exigidas pela fanática massa torcedora do Bahia. O apelido veio em razão do costume de mandar beijinhos para a torcida, a cada gol que marcava.

Nos sete anos que defendeu o tricolor baiano (1969, 1970, 1975, 1976, 1977, 1978 e 1984), “Beijoca” marcou nada menos do que 106 gols, figurando entre os maiores artilheiros da história do clube. Comemorou seis títulos de campeão baiano (1970, 1975, 1976, 1977, 1978 e 1979). Seu jeito aguerrido dentro de campo foi fundamental para que conquistasse a admiração da torcida. Brigava com os adversários e árbitros. Fora dos gramados, pelas farras, que não foram poucas. Ele mesmo costumava dizer: “nasci para duas coisas farrear e marcar gols”. E ainda sofria com o alcoolismo.

O jornalista Bob Fernandes, em seu livro “Bora Bahêeea!”, que conta a história do Bahia,conta que “Beijoca”, na véspera de uma decisão de Campeonato Baiano contra o Vitória, se esbaldou na noite de Salvador e chegou bêbado pela manhã na concentração. O técnico era Orlando Fantoni e a partida contra o Vitória valia o tetracampeonato estadual.

“Beijoca” seria afastado da partida, mas acabou sendo perdoado, embora o cartola Paulo Maracajá tenha garantido, naquele momento, que iria mandar o artilheiro embora após a finalíssima. Então, “Beijoca” pediu para tomar mais uma geladinha - "pra rebater" - e foi atendido. No jogo, Jesum, ponta-esquerda que fez fama na Bahia e defendeu o Cruzeiro mais tarde, driblou seu marcador e cruzou. Beijoca, de peixinho, mergulhou para marcar o gol do título. Resultado: foi perdoado.

Apesar de gostar da vida noturna mostrou sempre disposição dentro de campo. São incontáveis as vezes em que fugiu da concentração, para se envolver em brigas nas casas noturnas e ser “resgatado” por dirigentes. Mas nunca deixou de jogar no dia seguinte e esbanjar raça, sangue, suor, lágrimas e beijinhos nas comemorações dos gols, para delírio dos torcedores.

Sua identificação com a massa torcedora era tanta,que a música líder das paradas de sucesso, na época falava do artilheiro: “Eu quero ver Beijoca jogando bola, eu quero ver Beijoca bola jogar”. “Beijoca” retribuía tanto carinho, que após os jogos comemorava as vitórias realmente nos “braços do povo”, descendo a ladeira do Otávio Mangabeira abraçado aos torcedores.

Além do Bahia jogou nos seguintes clubes: São Domingos (AL): 1971-1972; Fortaleza (CE): 1973-1974; Sport (PE): 1977; Flamengo (RJ): 1979; Catuense (BA): 1980-1981; Fortaleza (CE): 1982; Vitória (BA): 1983-1984; Leônico (BA): 1985; Fluminense (BA): 1985; Sergipe (SE): 1985; Mogi Mirim (SP): 1986; Londrina (PR): 1987; Guaratinguetá (SP): 1988; Gama (DF): 1989 e Camaçari (BA): 1990, quando encerrou a carreira de jogador.

Sua passagem pelo Flamengo ficou marcada pelo soco desferido em Mococa, do Palmeiras, ao entrar no segundo tempo da partida em que sua equipe perdia por 4 X 1, em pleno Maracanã. Muitos afirmam que o técnico Cláudio Coutinho mandou que ele entrasse e fizesse isso, o que o próprio “Beijoca” nega. O Lendário ex-jogador atuou pelo clube da Gávea em apenas nove jogos, período em que fez apenas um gol, em 11 de Novembro de 1979, contra o Náutico pernambucano.

Outra ocasião, quando ainda defendia o Bahia, num jogo contra o Fluminense teve uma briga generalizada, e “Beijoca” deu um soco em um jogador chamado Oliveira, que teria perdido a visão. E mais: “No Carnaval, quando saia no bloco “Muquiranas”, alguém caiu em um tacho de acarajé. Falam que “Beijoca” pegou o tacho fervendo e jogou em uma pessoa, fato que ele nega veementemente.

Depois que deixou os gramados, “Beijoca” chegou a ensaiar uma carreira de treinador, nos times do Ipitanga, de Senhor do Bonfim (BA) e do Camaçari (BA), porém sem sucesso. Foi auxiliar técnico do Bahia na temporada de 2007, quando a equipe subiu da Série C para a Série B do Brasileiro e se manteve no cargo em 2008, na passagem de Paulo Comelli. No mesmo ano, candidatou-se a vereador em Salvador, mas não foi eleito.

O “Beijoca” farrista de antes, não existe mais. Acreditem, virou pastor evangélico. E diz ter encontrado a salvação através de Jesus Cristo, de Sua palavra e do seguimento daquilo que está na Bíblia Sagrada. Garante que agora é um novo homem, mais maduro, consciente e próximo de Deus e da família. Essa atitude tomada por “Beijoca” foi fundamental em sua vida de ex-atleta. Teve momentos que pensou até em se suicidar. A salvação foi se tornar evangélico, anos atrás. As pessoas pensavam que ele ia morrer bebendo depois que parasse de jogar. Mas tudo foi diferente: mudou para melhor, se converteu, parou de beber e hoje prega nas igrejas.

Mas isso não aconteceu tão rápido. “Beijoca” ainda trilhou um caminho de dificuldades, envolvido com farras, prostitutas, bebidas, drogas, muitas brigas, até se tornar missionário. Antes havia chegado ao fundo do poço. Perdera tudo, ficando sem condições até de pagar um aluguel de 50 ou 70 reais. Passou a morar de favor com a mulher e o filho.

Religioso, é verdade, mas continua polêmico. Prova disso as declarações que fez ao jornal “Lance”, garantindo que foi mais jogador que Ronaldo “Fenômeno”. “Eu chutava com as duas pernas, era habilidoso, apesar de forte, e fatal nas finalizações, além de ser um exímio cabeceador. Fui, portanto, mais completo e melhor que ele.”

Em 2004, quando completou 50 anos, foi homenageado pelo Bahia. Entrou em campo com a camisa 9 que o consagrou, antes de uma partida na Fonte Nova, e foi ovacionado pela torcida. (Pesquisa: Nilo Dias)


sábado, 5 de maio de 2012

Os 100 anos do time dos ferroviários

O Riograndense Futebol Clube, de Santa Maria (RS) foi fundado em 7 de maio de 1922, por um grupo de ferroviários lotados nos diversos departamentos da então Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS). A reunião que culminou com a fundação do clube aconteceu na residência de Antônio G. Izaguirre e João Avancini, localizada à rua Garibaldi, na “Vila Familiar”, apartamento 2. Estiveram presentes os desportistas Álvaro Silva, Armando F. Barra, Manuel Martins de Oliveira, Jorge Jung Filho, João Baptista Bolli e Afonso Togni, além, é claro, dos donos da casa.

O nome Riograndense Foot Ball Clube foi aprovado por aclamação. A primeira Diretoria do Riograndense foi formada por Álvaro Silva (Presidente); João Baptista Bolli (Vice-Presidente); Aristeu Midão (secretário); Armando F. Barra (Tesoureiro); Antônio Silva (Orador); Jorge Kuh Filho (Porta-Estandarte);Afonso Togni (Capitão-Geral) e João Baptista Lauda (Guarda-Esporte).

A primeira providência da Diretoria foi abrir uma lista para angariar sócios, ficando acertado que a mensalidade seria de um mil réis. E todos os que se associassem até 30 de maio, seriam considerados sócios fundadores, ficando isentos da joia de cinco mil réis. Depois foram acertadas as cores e por decisão unânime foi aceita a sugestão de Antonio Izaguirre, de vermelha e branca. Em 30 de março de 1914, em Assembléia Geral as cores foram mudadas para as atuais vermelha e verde.

Da fundação até o primeiro jogo passaram-se alguns meses. A primeira vez que o Riograndense entrou em campo foi no dia 13 de outubro de 1912, no campo do Prado, onde hoje se localiza o Colégio Cylon Rosa, com derrota de 2 X 0 para o Santa Maria F.C., time que havia sido fundado em 3 de agosto de 1911.

O Riograndense mandou a campo Izaguirre – Togni II e Guglieri – Martins – Haupt e Peres – Falcão – Avancini – Togni I – Silva (capitão) e Oliveira. O Santa Maria jogou com Cadermatori – Caldas e Julot – Cunha – Petruci e Aurélio (capitão) – Ricardo – Macedo – Gomes - Gastal e Mellan.

Naqueles áureos tempos o futebol era uma festa. Tanto é verdade que a delegação do Riograndense saiu de sua sede, que se localizava na antiga rua Nova, acompanhada da Banda Musical Lyra Popular. Os dois times se encontraram no Café Familiar, situado à Rua do Comércio, e juntos se encaminharam até o local da pugna.

Depois do jogo o presidente do Santa Maria, Coriolano Camboim convidou o pessoal do Riograndense a tomar “um copo d’água”, o que foi aceito, sendo levantados brindes de parte a parte. Depois, incorporados e puxados pela Banda Lyra popular, dirigiram-se para a cidade, dois a dois, braços dados até o Café Central, onde dissolveram entre vivas.

O segundo jogo do Riograndense foi contra o Grêmio Ginasial, com nova derrota e pelo mesmo escore, 2 X 0. A primeira vitória só aconteceu no dia 25 de maio de 1913, quando o Riograndense derrotou o Grêmio Ginasial por 2 X 0. O autor do primeiro gol do Riograndense, não é conhecido.

O primeiro jogo oficial da história do clube aconteceu no dia 13 de agosto de 1913, pelo campeonato da cidade. O Riograndense goleou o S.C. Guarani por 5 X 1. O campeonato não terminou, porque a Liga foi dissolvida. Ainda assim o Riograndense foi aclamado campeão, junto com o XV de Novembro, conquistando seu primeiro título.

A melhor colocação do Riograndense no Campeonato Gaúcho aconteceu em 1921, quando perdeu o título para o Grêmio, depois de ter eliminado os seus adversários na 3ª Região: Cachoeira F.C. (5 X 0), Guarani de Cruz Alta (1 X 0), o 7 de Setembro de Tupaciretã (4 X 1). As finais foram disputadas na antiga Baixada dos Moinhos de Vento, em Porto Alegre, com os seguintes clubes participantes:

G.S. Brasil, de Pelotas, campeão da Região Sul; Grêmio Portoalegrense, campeão da Região Metropolitana; E.C. Uruguaiana, campeão da Região Fronteira e Riograndense F.C., de Santa Maria, campeão da Região Serra.

Os jogos tiveram estes resultados: Grêmio 1 X 0 Riograndense. O time santamariense jogou com Marcelino – Lino e Corrêa – Tealdo – Laud e Ginitz – Salles – Willy – Lobo – Mosquito e Marques. Brasil 1 X 0 Uruguaiana; Riograndense 4 X 1 Uruguaiana; Grêmio 1 X 1 Brasil; Riograndense 2 X 1 Brasil e Grêmio 1 X 0 Uruguaiana. O Grêmio foi campeão gaúcho pela primeira vez. O Riograndense foi vice.

A primeira partida internacional em Santa Maria ocorreu no dia 29 de julho de 1931, oportunidade em que o Riograndense derrotou o Olympia, do Uruguai por 1 X 0. O time santamariense jogou com Tatú – Faéco e Osório – Ratão – Pedroso e Marques – Canjica – Zeca – Lobo – Mário Bica e Geada.

O Estádio dos Eucaliptos, foi inaugurado no dia 14 de julho de 1935, num jogo amistoso em que o Internacional, de Porto Alegre goleou o Riograndense por 7 X 1. Detalhe curioso, é que a bola usada no jogo foi lançada de um avião 14-bis, que sobrevoava o estádio.

Um feito que até hoje é lembrado pelos torcedores do Riograndense ocorreu em 1958, quando em partida amistosa derrotou o Botafogo de Garrincha e Quarentinha, pelo placar de 2 X 1.

Um fato histórico e que mostra a força da agremiação rubroverde santamariense, aconteceu em 1964, quando torcedores lotaram 25 vagões, para assistir a um jogo decisivo onde o Riograndense venceu o Nacional, em Cruz Alta, por 2 X 0, com gols de David e Jairo.

Durante muitos anos os atletas do Riograndense eram funcionários da rede ferroviária, mas a decadência dos trens a partir da década de 60 quase levou o clube a fechar na década de 80. Foi a vontade de um grupo de dirigentes e torcedores que fizeram o clube a voltar às atividades no final da década de 90 e, em 2003, retornou à "Segundona".

O maior rival do Riograndense é o Esporte Clube Internacional, da mesma cidade, com quem faz o clássico "Rio-Nal". O Riograndense perdeu pela primeira vez para o Interncional, no dia 12 de maio de 1940. O colorado venceu por 1 x 0, gol marcado por Navalha. O maior artilheiro no clássico é David (Riograndense), 27 gols em 21 jogos. A maior goleada no clássico foi Riograndense 10 x 2 Internacional.

O Riograndense foi campeão municipal de Santa Maria em 27 oportunidades: 1913, 1918, 1919, 1920, 1921, 1922, 1923, 1924, 1926, 1927, 1928, 1929, 1930, 1931, 1932, 1933, 1935, 1936, 1937, 1938, 1939, 1940, 1941, 1943, 1947, 1948 e 1952. Campeão Gaúcho da 2ª Divisão: 1978 e Vice-Campeão Gaúcho da 3ª Divisão: 2003. Em 1978 o atacante Guinga, foi artilheiro do Campeonato Gaúcho da Série B, com 23 gols.

No Carnaval santamariense deste ano, a Escola de Samba Unidos do Itaimbé, homenageou o centenário do Riograndense Futebol Clube, conhecido como “Periquito”, por ter o verde como cor predominante. A agremiação, que tem como símbolo um leão, apresentou o samba enredo “Riograndense Futebol Clube: 100 anos de Paixão No Coração do Rio Grande”. Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Os 100 anos do "Fantasma da Vila"

O Operário Ferroviário Esporte Clube, da cidade de Ponta Grossa (PR), fundado em 1 de maio de 1912, é o segundo clube de futebol mais antigo do Estado, junto com o Coritiba. O Operário, também conhecido por “Fantasma da Vila”, nasceu da fusão do time da Rede Viação Paraná-Santa Catarina e alguns jogadores do Riachuelo Sport Clube.

Existe também a versão de que o clube surgiu do Tiro de Guerra. Segundo relatos de ex-dirigentes e jornais da época, um grupo de rapazes que, nos finais de semana, jogava com o time do Riachuelo e do Tiro de Guerra ponta-grossense, no campo do alto do cemitério, seriam os verdadeiros fundadores do clube. E a data de fundação não seria 1º de maio, mas sim 7 de abril de 1913, como consta na primeira página do “Diário dos Campos” daquele dia.

"Temos a honra de levar ao vosso conhecimento que hoje, em Vila Oficinas, com grande número de pessoas propensas a fundação de uma sociedade esportiva de foot ball, em sessão ordinária foi eleita a primeira diretoria desta associação denominada de Foot Ball Clube Operário Pontagrossense, que deverá reger os destinos do mesmo durante o primeiro ano de sua fundação."

Os registros apontam para os seguintes nomes dos fundadores do novo clube: Raul Lara, João Simonetti, Joaquim Eleutério, Victorio Maggi, Oscar Marques, Henrique Piva, Michel Farhat, João Holzzmann Júnior, Ewaldo Meister e Alexandre Bach.

De qualquer maneira o Operário é tido como o segundo clube mais velho do Estado. Seu precursor, o time dos trabalhadores da Rede Ferroviária, foram protagonistas do primeiro jogo de futebol realizado no Estado, contra o Coritiba Foot Ball Club, o pioneiro do futebol paranaense. Esse jogo foi realizado na antiga Vila Oficinas, no local onde hoje se encontra o Estádio Germano Krüger.

Fundado em 1912 ou 1913, a verdade é que o primeiro time que se tem notícia na história operariana, foi formado em 1913, para disputas de jogos amistosos e outras competições locais e estaduais. A primeira formação do Operário era assim: José Moro - Pedro Azevedo e Alexandre Bach - Henrique Piva - João Simonetti e Souza - Ewaldo Meister - Adolfo Piva - Holger Mortensen e Ernesto.

Em 1917, o Operário perdeu a chance de se classificar para o Campeonato Paranaense, ao ser derrotado pelo Savóia, de Curitiba, num torneio preliminar para definir uma vaga. Antes, em 1915 o mesmo Savóia já havia impedido a ascensão operariana à principal competição estadual.

Alijado do Estadual, o Operário optou por se unir ao Savóia. A parceria não deu certo e durou apenas um ano. O Operário Sport Club passou a jogar apenas na liga local por algum tempo, até que se decidiu pelo enfrentamento dos campeões de Curitiba e da Liga de Ponta Grossa.

Foram anos de glórias para o Operário, que se tornou o maior ganhador da liga pontagrosseense. Mas não existem relatos oficiais que mostrem quantos títulos o clube conquistou. O certo é que o Operário foi o clube que mais participou dessas decisões. Se sabe apenas que foi campeão de Ponta Grossa nos anos de 1923, 1924, 1925 e 1926. Nesse período enfrentou Britânia, Palestra Itália (duas vezes), Atlético-PR, sendo derrotado em todas as ocasiões.

Em 1927 o Operário participou do campeonato de Curitiba, tratado como Campeonato Paranaense, que teve outros 5 clubes, sendo quatro de Curitiba e o União Campo Alegre, também de Ponta Grossas. Mas o Operário não terminou a competição, retirando-se ao final do primeiro turno, junto como Campo Alegre, por desentendimentos com a Federação.

Em 1928, ainda revoltados com a administração da Federação Paranaense de Desportos, todos os clubes de Ponta Grossa desistiram do campeonato, que teve o menor número de times de sua história: apenas quatro.

Em 1929, de volta ao Estadual, o Operário foi outra vez vice-campeão, situação que se repetiu em 1930 e 1932. Em 1931 viu o rival local, Guarani, ganhar o título. Em 1933 o Nova Rússia Esporte Clube, outra agremiação de Ponta Grossa, foi vice-campeão, perdendo a final para o Curitiba.

Em 15 de maio de 1933, o Operário Sport Club fundiu-se com o Clube Atlético Ferroviário, surgindo o Operário Ferroviário Esporte Clube, como é conhecido até hoje em dia. Na reunião que decidiu pela fusão, presidida pelo desportista Luiz Guimarães e assistida por 48 associados, também foram aprovadas as novas cores do clube: preta e branca. Com a fusão, o novo clube passou a administrar o Estádio Germano Kruger, que pertencia a Rede Ferroviária, bem como os terrenos da sede social.

Com a fusão criou-se um clube muito forte. Até 1941 o Operário venceu cinco dos oito campeonatos citadinos que disputou. Mas nas finais contra times de Curitiba, não teve o mesmo sucesso. Com a II Guerra Mundial, acabaram as decisões entre times do interior e da capital.

Somente em 1950 os times interioranos voltaram a disputar o campeonato paranaense. Ponta grossa só apareceu no calendário do Estadual em 1953, com a participação do Guarani. O Operário disputou em 1954.

Os dois times de Ponta Grossa mereciam o respeito de Atlético, Coritiba e Ferroviário. O Guarani, com mais recursos, ficou na frente do Operário por três anos consecutivos, tendo se sagrado vice-campeão estadual em 1956. Para tentar mudar isso, o Operário fez um time forte em 1958. Foram os anos em que o clássico da cidade, chamado de OpeGua, costumava levar grandes públicos aos estádios. O Operário era mais popular, O Guarani, o time da elite.

Em 1965 a boa fase acabou, quando aconteceu o primeiro rebaixamento do Operário, junto com o rival Guarani, para a Série B. O retorno do Operário à Primeira Divisão só aconteceu em 1969, quando foi campeão do Acesso. Em 1970, nova fusão entre Guarani e Operário, fundando a Associação Pontagrossense de Desportos que disputou o campeonato paranaense em 1971, 1972 e 1973, ano em que a união foi desfeita.

Mesmo com tanta rivalidade, os dois times fizeram uma fusão e criaram a Associação Pontagrossense de Desportos, que durou apenas três anos, entre 1970 e 1973. Com o término da parceria, o Operário continuou profissional e Guarani se tornou amador.

Foi nos anos 70 que o Operário passou a ser chamado de “Fantasma da Vila”, quando ficou apenas dois pontos de conquistar o título, disputado em pontos corridos.

Mas as dividas não deixaram que a história se repetisse nos anos subsequentes. Os times eram montados as pressas, sem qualquer planejamento o que determinava figurar sempre nas últimas colocações. Tudo isso culminou com um pedido de licenciamento em 1978.

No ano seguinte o Operário voltou as atividades, se deparando além dos problemas financeiros, com a necessidade de recuperar o Estádio Germano Krüger. Isso só foi possível com a ajuda da prefeitura. Ainda em 1979 o clube participou pela primeira vez de uma competição nacional, graças a influência de políticos da região. No inchado Brasileirão, o time foi eliminado na primeira fase.

Ainda assim, conseguiu inaugurar melhorias no estádio, como a iluminação, num confronto em que empatou em 1 X 1 com o Brasil, de Pelotas (RS), realizado dia 26 de setembro de 1979.

Em 1980 disputou a Taça de Prata, equivalente a uma série B nacional, sendo eliminado novamente na primeira fase. Em 1981 chegou ao quadrangular final do Campeonato Paranaense. Mas em 1983 sofreu o segundo rebaixamento para a Divisão de Acesso.

Foram cinco longos anos na Divisão de Acesso. Em 1989 a Federação fez o convite para o clube voltar a Divisão Especial, tendo em vista que os jogos em Ponta grossa sempre ofereciam boas rendas. A partir de 1990, mais estruturado, o Operário voltou a ser destaque nas competições que disputava.

Entre 1990 e 1992 conseguiu se manter entre os três primeiros colocados no Campeonato Paranaense. E a nível nacional passou por cima de clubes tradicionais, como Sport Clube Recife e Remo, de Belém do Pará. Por pouco não abocanhou um lugar na elite do futebol brasileiro.

Em 1991 figurou pela quarta vez na 2ª Divisão do certame nacional, sendo eliminado na primeira fase. Em 1992 jogou à Terceira Divisão, sendo campeão do grupo que tinha Grêmio Maringá, Chapecoense e Blumenau. A eliminação aconteceu frente o Matsubara. A Tuna Luso, do Pará foi a campeã.

Em 1994, uma nova crise e um time muito ruim. Os torcedores não mais compareciam ao estádio, tanto que num jogo contra o Comercial, de Cornélio Procópio, empate em 1 X 1, apenas 79 pessoas compareceram. Em 1995, novo licenciamento, o que deu chance para o surgimento do Ponta Grossa Esporte Clube.

Em 2004 a prefeitura ajudou nas obras de recuperação do estádio Como o Ponta Grossa se licenciou, o Operário voltou as atividades e disputou a Série Prata, não passando da primeira fase.

Em 2008, um novo Grupo Gestor assumiu o departamento esportivo do clube, com os olhos voltados para 2012, ano do centenário do clube.

No dia 21 de fevereiro de 2009, em uma reunião no Estádio Germano Krüger, aconteceu a fusão das torcidas “Revolução Operariana”, “Garra Operariana”, “Jovem Independente” e mais a participação dos “Cornetas da Vila” e torcedores independentes, quando foi criada uma nova torcida, que levou o nome de “Trem Fantasma”.

De volta à primeira divisão paranaense, depois de muitos anos o Operário não decepcionou. Conseguiu uma das duas vagas na série D nacional de 2010. O time foi bem até decidir a classificação para Série C, no ano seguinte. Em dois confrontos contra o Madureira, do Rio de Janeiro, duas derrotas: 4 X 2 no Germano Krüger e catastróficos 6 X 2 no Rio de Janeiro.

Em 2011 conseguiu outra vez uma vaga para a Série D do Brasileirão e uma inédita classificação para a Copa do Brasil. Em 07 de Março deste ano, o sonho da Copa do Brasil acabou num único jogo, quando o time foi eliminado pelo Juventude, de Caxias do Sul, numa derrota de 4 X 0. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Coelho centenário

O futebol de Minas Gerais e do Brasil está em festa no dia de hoje, quando está sendo comemorado os 100 anos do América Futebol Clube, de Belo Horizonte, fundado em 30 de abril de 1912. O clube nasceu graças a um grupo de meninos da elite mineira, quase todos estudantes do "Gymnasium Anglo-Mineiro", colégio que aplicava as aulas em inglês, ministradas por professores, em sua maioria, norte-americanos.

Naquele tempo, vários eram os grupos de meninos que jogavam futebol nas ruas e terrenos então existentes na bucólica Belo Horizonte de 1912, com apenas algumas ruas, meia duzia de avenidas abertas e pouco mais de 25 mil habitantes.

Entre esses, havia um grupo de menores de 13 anos que jogavam sempre na esquina das ruas Bahia e Timbiras. Certa tarde, reunidos a sombra de uma árvore, como de costume, Afonso Silviano Brandão, Augusto Pena, Aureliano Lopes Magalhães, Alcides Meira, Ademar Meira, Caetano Germano, César Gonçalves, Oscar Gonçalves, Francisco Bueno Brandão, Fioravante Labruna, Álvaro Moreira da Cruz, Gersôn de Salles Coelho, Guilherme Halfed, José Miranda Megale, Leonardo Gutierrez, Leon Roussoulliéres Filho, Oscar Gonçalves, Waldemar Jacob e Henrique Diniz Gomes, desejando dar uma forma mais organizada ao seu time, resolveram fundar um clube de futebol de verdade.

Era 30 de abril de 1911. Os compromissos com os estudos e as dificuldades surgidas, fizeram com que o time, que ainda não tinha nome, durasse apenas seis meses. Os garotos porém não desanimaram. Exatamente um ano depois de sua fundação, ou mais precisamente a 30 de abril de 1912, os mesmos meninos voltaram a se reunir, dispostos a não mais deixar que o clube desaparecesse.

Em nova reunião, não mais debaixo da árvore, mas na casa do doutor José Gonçalves, então secretário da Agricultura do Estado e pai de um dos meninos, fundador e primeiro secretário do Sport Club, primeiro clube de futebol de Minas Gerais, foi eleita a primeira diretoria, que ficou assim constituída:

Presidente, Afonso Silviano Brandão; Vice-presidente, Aureliano Lopes de Magalhães (primeiro a falecer); Secretário, Adhemar de Meira e Tesoureiro e Zelador, Oscar Gonçalves.

Entusiasmados com a fundação oficial do clube, os garotos que praticavam o futebol com bolas de meias, resolveram dar um nome bonito ao clube. A falta de um consenso obrigou a que se realizasse um sorteio para escolha do nome.

Entre as sugestões apresentadas estavam "América Foot-ball Club", em homenagem aos Estados Unidos da América, dos quais os meninos eram fãs, por influência das histórias contadas por seus professores, “Arlequim”, “Riachuelo”, “Guarany” e “Timbiras”.

A definição do nome aconteceu no mês de maio, nos porões da casa de Adhemar de Meira. As sugestões foram colocadas dentro do chapéu de Aureliano Lopes Magalhães, e o papelzinho com o nome foi retirado pela pequena Alda Meira, que depois se tornaria uma das mais importantes damas da sociedade mineira.

As cores do uniforme, verde e branca foram escolhidas também por sorteio. Ao que se sabe, o professor Afonso Silviano Brandão, sobrinho do "presidente" de Minas Gerais, Bueno Brandão (na época, os Estados possuíam presidentes e não governadores), era torcedor do América F.B.C., do Rio de Janeiro.

As cores oficiais do América, desde a sua fundação, foram verde e branco com punhos e golas verdes e escudo do clube a esquerda. Os calções pretos foram introduzidos três anos após a fundação.

O primeiro Estatuto foi elaborado por Afonso Silviano Brandão. Nele constava a proibição de ingresso no clube de maiores de 14anos. Essa proibição foi revogada mais tarde, quando ingressaram no América Otacílio Negrão de Lima, Luiz Guimarães, Mário Pena, José Soares Alves, Amilcar, Márcio Motta e outros.

A primeira equipe americana foi formada por Oscar Gonçalves - Leonardo Gutierrez e Fioravante Labruna - Luiz Guimarães - Augusto Pena e Lincoln Brandão - Dario Ferraz - Waldemar Jacob e Geraldino de Carvalho.

No ano seguinte de sua fundação, em 1913, o América fundiu-se com o Minas Geraes Foot-Ball Club. O presidente de honra dos dois clubes, então prefeito de Belo Horizonte, resolveu ceder ao América o patrimônio do Minas Geraes: um campo de futebol com suas traves.

O clube era composto por crianças de 13 e 14 anos e disputava jogos com garotos da mesma faixa etária. Na mesma época, devido a uma “desinteligência” no Atlético Mineiro, todos os seus presidentes até aquela data e três de seus fundadores, além de meio time se afastaram e pediram suas inscrições no América.

Os meninos que torciam por aqueles atletas fizeram uma reunião para que o Estatuto fosse mudado. Houve discordância e vários dos fundadores americanos saíram, mas o clube se tornou time de adultos, com atletas de Atlético e Minas Geraes. Os meninos americanos passaram a formar o segundo time.

A primeira grande vitória foi contra o Atlético Mineiro por 1 X 0 , gol de Júlio Cunha. O primeiro amistoso interestadual foi contra o Flamengo, do Rio de Janeiro, no campo do Prado Mineiro, e o América venceu por 2 X 1.

O início de um período de glórias, jamais visto no futebol de Minas Gerais começou em 1º de novembro de 1915. O América venceu a até então imbatível equipe da Mina do Morro Velho, formada exclusivamente por jogadores ingleses, por 3 X 0. Jogaram pelo América: Didico - Mário Pena e Luiz Guimarães – Kainço - Otávio Pena e Henrique Diniz - Edson Jacob - João Brito - José Borges - Oscar Monte e Mimi.

Em 1916, o América armou a poderosa equipe que conquistou o campeonato nesse ano e nos nove subsequentes até 1925. O América se sagrava assim decacampeão estadual. Um recorde somente igualado pelo ABC de Natal, estando esta façanha registrada no Guinness Book (Livro dos Recordes).

Entre outros, fizeram parte da conquista do decacampeonato: Geraldino de Carvalho, primeiro negro a fundar e jogar em um time de futebol no Brasil; Otacílio Negrão de Lima, que se tornou grande político, e Mário Pena e Lucas Machado, que se formaram médicos e foram fundadores do Hospital São Lucas.

Em 1919, o América inaugurou o primeiro campo gramado de Belo Horizonte. Em 6 de maio de 1923 inaugurou o seu novo campo, onde atualmente localiza-se o Mercado Municipal.

Em 1929, com o dinheiro da venda do terreno antigo e já com o título de decacampeão mineiro, o América comprou um terreno na Avenida Francisco Sales, no bairro de Santa Efigênia, onde construiu o Estádio Otacílio Negrão de Lima, que passou por uma grande reforma na década de 1940. Com o passar do tempo, esse estádio ficou conhecido como Estádio da Alameda, por também ter entrada pela Alameda Álvaro Celso.

Em 1933 foi oficializado o profissionalismo no Brasil. Até então, toda prática esportiva era amadora. O clube protestou contra a implantação do profissionalismo e mudou as cores de sua camisa para vermelho e branco, situação que perdurou por dez anos. A partir de 1943, o América aceitou o profissionalismo, retomou as cores que marcaram o decacampeonato e recomeçou a investir no patrimônio do clube.

Em 1948, concluiu as obras de seu novo estádio, Otacílio Negrão de Lima, período marcado por grandes conquistas como o Campeonato Mineiro daquele ano e o Torneio Quadrangular, que reuniu o Vasco da Gama, campeão sul-americano daquele ano, o São Paulo, campeão paulista, e o Atlético, campeão mineiro de 1947.

Em 1957, o América conquistou a tríplice coroa ao ganhar os títulos juvenil, aspirante e profissional. Em 1971, destacou-se pela conquista do Campeonato Mineiro de forma invicta. Em 1993, o América conquistou mais um título estadual.

Porém, o grande destaque desta década foi a conquista do Campeonato Brasileiro da Série B, que possibilitou o retorno do clube à elite do futebol brasileiro. Em 2000, o América conquistou o título da primeira Copa Sul-Minas. Em 2001 e 2005 conquistou o Campeonato Mineiro e a Taça Minas Gerais.

Em um dos seus piores momentos no futebol, o América, único clube que havia disputado todas as edições do Campeonato Mineiro, caiu para o Módulo II do Estadual, em 2007. No ano seguinte, a volta por cima com a conquista do título do Campeonato Mineiro Módulo II, voltando à elite do futebol estadual.

Com uma nova diretoria, o América disputou a Série C do Campeonato Brasileiro e conquistou o título. Assim, o ano de 2009 marcou o início da ascensão alviverde à elite do futebol.

A última participação alviverde na Série B havia sido em 2004, quando ocupou o 21º lugar na tabela de classificação. Com uma equipe guerreira, o clube terminou a temporada em quarto lugar e conquistou seu acesso ao Campeonato Brasileiro da Série A, a elite do futebol nacional.

Títulos conquistados como clube profissional: Campeão Mineiro (1916 a 1925, 1948, 1957, 1971, 1993 e 2001); Torneio Início (1917, 1918, 1919, 1920, 1921, 1924, 1925, 1927, 1933, 1945, 1955 e 1957); Copa São Paulo de Juniores (1996); Campeão Brasileiro da Série B (1997); Campeão da Copa Sul-Minas (2000); Campeão da Taça Minas Gerais (2005); Campeão Mineiro Módulo II (2008); Campeão Brasileiro da Série C (2009).

A Câmara Municipal de Belo Horizonte, através do Projeto de Lei n° 1.707/08, instituiu o dia 30 de abril, data da fundação do clube, como o Dia do Torcedor do América Futebol Clube, data esta que passou a integrar o calendário turístico do município. (Pesquisa: Nilo Dias)

América Mineiro, em 1912. (Foto: Acervo fotográfica do América F.C., de Belo Horizonte)

domingo, 29 de abril de 2012

Um juiz de 160 quilos

Para ser árbitro de futebol nos dias de hoje é preciso, entre outras coisas, um bom preparo físico. Por isso é inimaginável que alguém com 160 quilos de peso possa apitar um jogo de futebol atualmente, até mesmo em campos de várzea. Mas isso já aconteceu. Durante quase toda a década de 1930 e metade da década de 1940, Henrique Maia Faillace foi um dos mais destacados árbitros de futebol no Rio Grande do Sul, ganhando o título de “Rei do Apito”, depois de muitos anos de excelentes atuações.

Mesmo com todas as dificuldades impostas pelo excesso de peso, ainda assim era chamado para dirigir grandes partidas, numa época em que os bandeirinhas não tinham a mesma importância de hoje, limitando-se apenas a marcar laterais e escanteios. Muitas vezes foi chamado para dirigir partidas importantes fora do Rio Grande do Sul.

Em 1937 Faillace teve atuação decisiva no jogo em que o selecionado gaúcho derrotou o carioca, pelo Campeonato Brasileiro de Seleções. Foi uma atuação daquelas que se pode chamar de “a moda da casa”.

Em 1944 foi designado para apitar o jogo entre as seleções de Minas Gerais e Rio de janeiro, no estádio de São Januário. Lá pelas tantas, num contra-ataque rápido dos cariocas, houve uma centrada de meia-altura. O artilheiro Ademir “Queixada”, que vinha na corrida, apanhou a bola na altura da barriga e desferiu um foguete, que foi parar na rede mineira.

Faillace, que ficara muito longe do lance, dificultado por seus 160 quilos, anulou o gol sob o protesto dos cariocas. Imperturbável disse: “Dei mão. Não vi, mas deduzi. Nunca vi uma bola que sai da barriga de um jogador ser metida no arco com aquela força. Barriga não impulsiona, amortece. Só podia ter havido um soco na bola e foi o que assinalei”.

Alguns anos depois, Ademir Menezes lembrava o lance: “Foi mão, mesmo. O gordo estava certo. Reclamamos por reclamar. Faillace tinha razão, barriga não chuta, amortece”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Henrique Maia Faillace, o "rei do apito" e seus 160 quilos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lugano, o mito

Hoje, 26 de abril é o “Dia do Goleiro”. A homenagem começou na metade dos anos 70, por ideia do tenente Raul Carlesso e do capitão Reginaldo Pontes Bielinski, professores da Escola de Educação Física do Exército do Rio de Janeiro. Uma festar reunindo goleiros, ex-goleiros e pessoas ligadas ao futebol, no Rio, celebrou o primeiro “Dia do Goleiro, em 14 de abril de 1975”. Mas, a partir de 1976, definiu-se como o dia “oficial” a data de 26 de abril, em uma homenagem ao goleiro Manga, que na época era o campeão brasileiro pelo Internacional.

Mas não vou falar de Manga, embora eu seja torcedor do Internacional. Fazia tempo que eu queria escrever alguma coisa sobre um dos melhores goleiros surgidos até hoje no futebol gaúcho e brasileiro, o argentino Juan Héctor Lugano, chamado de “mito” por todos aqueles que tiveram a ventura de vê-lo jogar. Eu fui um deles. Era garoto, morava na minha cidade natal, Dom Pedrito, na região da Campanha do Rio Grande do Sul.

Naquele tempo os times de Bagé eram muito fortes e enfrentavam Grêmio e Internacional de igual para igual. O mapa do futebol gaúcho se resumia a Uruguaiana, Livramento, Bagé, Pelotas e Rio Grande. As equipes da Serra gaúcha, que hoje predominam no cenário futebolístico interiorano, naquela época praticamente não apareciam.

O argentino Lugano jogou apenas dois anos no Guarany F.C., de Bagé, em 1953 e 1954, trazido do E.C. Uruguaiana pelo treinador Alipio Rodrigues, que o viu em ação num jogo do Campeonato do Interior, em 1952. O Uruguaiana, jogando em casa, derrotou o Grêmio Bagé por 2 x 1. Uma semana depois, em Bagé, no Estrela D’Alva, o jalde-negro venceu por 1x0, gol de Osvaldo Cross. E Lugano teve atuação destacada nos dois jogos.

A estréia de Lugano pelo Guarany aconteceu em 7 de janeiro de 1953, na vitória de 3 x 1 sobre o Grêmio Portoalegrense, no festival de inauguração dos refletores do estádio Estrela D’Alva. No mesmo ano, em Porto Alegre, quando, pelo “Dia do Cronista”, o Guarany ganhou do grande time do Internacional com La Paz, Paulinho, Odorico, Salvador, Bodinho e tantos outros, por 3 x 2, Lugano defendeu um pênalti.

O árbitro mandou cobrar novamente, e o goleiro, em sinal de protesto, ficou encostado na trave. O Inter estava invicto há 30 jogos. Lugano foi a maior figura em campo. Ele era um goleiro espetacular. Tinha tanta confiança que costumava dizer: “Só não deixa chutar da área pequena. O resto é comigo”.

Embora seja considerado até hoje como o melhor goleiro que pisou nos gramados de Bagé, Lugano não conseguiu nenhum título pelo Guarany. O Bagé foi bicampeão em 53 e 54. E além do mais, o goleiro argentino levou o célebre gol dos 70 metros, num clássico Ba-Guá, em 1953. O zagueiro jalde-negro João Nascimento cobrou uma falta antes do meio do campo. A bola voou por todo o Estádio da Pedra Moura (do Bagé), e acabou entrando na meta de Lugano, dando a vitória ao Bagé por 1 X 0. O gol foi batizado de "o gol dos 70 metros".

Certa vez, num jogo contra o Pelotas, na Boca do Lobo. Era um time de respeito, tinha o Pacheco, Airton, Bentinho e tantos outros. Eles eram favoritos. O Lugano não queria saber. Disse que tratássemos de fazer um gol e deixássemos o resto com ele. Não deu outra. Bexiga, Athayde e Caboclo, todos defendendo, apenas o Nadir Fontoura na frente. O Lugano pegava tudo. E, numa cabeçada do Nadir, que depois jogou no Cruzeiro, de São Gabriel, o Guarany venceu por 1 X 0.

Lugano ganhou a fama de mau caráter, mas sempre foi um jogador de grupo, relacionando-se muito bem com os companheiros. No tempo que defendeu o Guarany, morava na sede do clube. Em 1953, primeiro ano em que Lugano foi seu goleiro, o Guarany teve uma campanha admirável em jogos amistosos.

Tinha um grande time, que ganhou inclusive da dupla Gre-Nal. Mas perdeu o citadino para o Bagé, que venceu por 1 x 0 e 4 x 1. Mas Lugano continuou sendo ídolo alvirrubro. Em 1954, em cinco clássicos Ba-Gua amistosos, o Guarany teve quatro vitórias, contra uma derrota e dois empates. No clássico do dia 31 de outubro, na “Pedra Moura”, o Guarany foi goleado por 4 x 1.

Em 1955 Lugano foi para o Rio de Janeiro, defender o Botafogo. Seu substituto no Guarany foi o uruguaio Oscar Modesto Rodrigues Urruty, que depois jogou em Pelotas e foi meu amigo durante os anos que resido na cidade “Princesa do Sul”. Outro dia prometo contar a história desse extraordinário goleiro.

Num dos primeiros jogos de Lugano no Rio, o “Glorioso” derrotou o Vasco da Gama por 3 X 2, quebrando um tabu de vários anos. Depois participou de uma excursão a Europa, sendo considerado o melhor goleiro que atuou na antiga Tchecoslováquia.

O avião que conduziu a delegação do Botafogo até a Europa, um pesado e resfolegante “Constellation”, da Panair do Brasil, chegou ao Aeroporto de Barajas, em Madrid, com algumas horas de atraso. A rigor, pode-se dizer que o Real Madrid já estava em campo enquanto os jogadores do Botafogo tiravam o paletó e a gravata do terno de viagem e colocavam às pressas o uniforme.

O torcedor madrileno já começara uma sonora vaia, reclamando do atraso, quando o Botafogo, com Lugano e Dino da Costa à frente, entrou em campo carregando a bandeira espanhola. Foi um sucesso. Vieram os aplausos, que se transformariam em espanto ao final da partida, quando os brasileiros, mais mortos do que vivos, arrancaram um inesperado empate de 2 X 2.

Em 1955 o Botafogo tornou a fazer uma excursão longuíssima e a primeira realizada na Europa. O jogo inicial ocorreu a 15 de Maio e o jogo final a 16 de Julho.


O Botafogo realizou jogos na Espanha (6), França (3), Dinamarca (1), Holanda (1), Suiça (1), Itália (2) e Checoslováquia (4), num total de 18 amistosos, isto é, cerca de dois jogos por semana, aproximadamente.

A excursão saldou-se por 11 vitórias, 5 empates e 2 derrotas tendo sido assinalados 54 gols e sofridos 28, à média de 3 gols marcados e 1,5 sofridos por jogo.

O time base que atuou na excursão era este: Lugano - Gérson e Nílton Santos - Orlando Maia - Ruarinho (Bob) e Danilo (Juvenal) - Garrincha - Dino -Vinícius - Quarentinha e Hélio (Neyvaldo).

Depois de deixar o Guarany no final de 1954, Lugano reapareceu na cidade em 1963, treinando no Bagé e acabando por ser contratado. Houve atraso na condição de jogo. Ele vestiu a camisa jalde-negra apenas uma vez, no dia 22 de setembro de 1963, na derrota de 2 x 0 para o São Paulo, em Rio Grande, gols de Carlos Alberto e Darcy. O time da época: Lugano - Saul Mujica – Barradinhas - Valdoma e Gabriel - Armando e Jara - Saul Andrade - Ivo Medeiros- Juarez e Danilo. Com a derrota, o Bagé ficou sem chances de classificação e, na rodada seguinte, entregou os pontos para o Bancário, de Pelotas.

Em novembro de 1963, na preliminar de um jogo entre Guarany X Rio Grande, Lugano vestiu a camisa do time amadorista do Bola Sete, quando se envolveu em discussão com um torcedor. Em 1964 foi acolhido no apartamento de Luiz Carlos Deibler, em Porto Alegre, a pedido de amigos. Ele passava por dificuldades financeiras.

Nos anos 80, Lugano, no Rio de Janeiro, Lugano foi encontrado pelo antigo amigo Antônio Maria Filho, como mendigo, morando nas pedras da Urca. Levado a um hospital, com tuberculose avançada, o ex-grande goleiro logo morreu. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O time de Jesus Cristo

O estudante pernambucano, Pedro Renan de Oliveira, de 27 anos, torcedor fanático do Santa Cruz Futebol Clube, time que o ano passado conseguiu classificação para a Série C do Campeonato Brasileiro, depois de amargar três anos na Série D, ou quarta divisão do Brasileirão, ficou conhecido por ir aos jogos do time “Coral”, caracterizado como Jesus Cristo, com cabelos longos, sandálias, vestes e até mesmo uma coroa de espinhos.

Ele disse que resolveu criar o personagem “Jesus” por sua semelhança fisica com ele e também para lembrar a fé e a devoção que o torcedor do Santa tem pelo clube. Para ele o Santa Cruz é uma religião. Em razão da fantasia, passou a ser tratado pelos torcedores como o “Jesus do Coral”. Pedro Renan não corta os cabelos há 10 anos.

Ele sempre acompanha o Santa Cruz, jogue onde jogar. O ano passado não perdeu um jogo sequer. Já viajou de avião, van e no “Expresso Coral”, ônibus que leva o time aos jogos em cidades mais próximas. O pai de Pedro é o motorista do ônibus. Na campanha que classificou o time para a Série C, Pedro viajou até Rondonópolis (MT) para assistir uma partida contra o Cuiabá, no estádio Luthero Lopes.

Arriscando palpites, afirmou que o clube venceria o jogo por 2 × 1, o que se confirmou. O “Jesus do Coral” esteve no estádio acompanhado de outros fanáticos, como Edmilson José da Silva que é de Recife e mora em Cuiabá.

Com o acesso do time à Série C do Campeonato Brasileiro, o “Jesus do Coral” encenou uma crucificação por algumas horas, no Marco Zero, no centro da capital pernambucana, para cumprir uma promessa.

Apesar de ir ao estádio fantasiado de Jesus, o torcedor faz parte da torcida organizada “Inferno Coral”. E justifica: “O Inferno Coral” é apenas o nome de uma torcida”. E garante que não há problemas entre se fantasiar de Jesus e fazer parte dessa organizada.

Mesmo com toda a paixão que os componentes da “Inferno Coral” nutrem pelo Santa Cruz, em todos os jogos levam uma faixa que é propositadamente colocada de cabeça para baixo, como protesto que continuará até que o clube volte a primeira divisão do futebol brasileiro.

Não é só o “Jesus Cristo”, que chama a atenção entre os torcedores tricolores. Também tem “cavaleiro medieval”, “papangu”, perucas para todos os gostos, dezenas do cobras corais de plástico e até um “Elvis Presley” que não morreu e torce pelo Santa, segundo o seu criador, o funcionário público Valdemagno Torres.

Em nome do amor ao Santa Cruz acontece de tudo, até viajar 19 horas de bicicleta para assistir a um jogo. Ou então trocar a romaria de devoto a “Padim Ciço” por uma partida no Estádio do Arruda. Esse é Jare Mariano da Silva, 71 anos, o “Bacalhau”, que até mudou a cor dos dentes. Seu sorriso, hoje, é tricolor: vermelho branco e preto. É considerado o torcedor mais fiel do Santa Cruz. Chegou ao ponto de acabar com um casamento de 20 anos, depois que descobriu que a mulher na surdina torcia pelo Sport.

Morador de Garanhuns, cidade a 230 quilômetros de Recife, ele já perdeu as contas das vezes que cruzou a BR 232 de bicicleta, só para ver seu time jogar. E não usa outra camisa que não seja a do Santa Cruz. Também as suas cuecas tem as cores do clube. Na casa onde mora, por incrível que possa parecer, o encanamento e a fiação elétrica tem as cores do clube.

Nem o abacateiro do fundo do quintal escapou da obsessão pelo Santa Cruz: quando os frutos começam a crescer, ele os pinta de preto, vermelho e branco.

Já o aposentado Celso Moreira da Silva vai aos jogos do Santa Cruz exibindo uma longa barba tingida com as três cores do clube. A poucos quilômetros do estádio do Arruda, no bairro de Apipucos, o pequeno comerciante Valdemar Vicente da Silva, o “Pol”, quando de seu aniversário deixou dezenas de convidados em sua casa e sumiu para ver um jogo do Santa Cruz. Sua esposa Iris, que mudou de time - era Sport - para salvar o casamento, ficou tão chateada que passou 15 dias sem falar com ele.

Nascido na mesma cidade de "Bacalhau", Patric Dias é o gerente da loja que fica no estádio e vende 400 produtos licenciados. Ele é testemunha ocular da fanática paixão da torcida tricolor. A procura é tanta, que a loja não consegue manter o estoque. Faltam produtos até do principal fornecedor.

No primeiro jogo da final da Série D, ano passado, mais de 100 ônibus levando torcedores se deslocou até a cidade de Campina Grande, na Paraíba. Para garantir a viagem e o ingresso, teve até torcedor que vendeu bicicleta ou ficou sem comer. Flamengo e Corinthians, que dizem ser detentores das maiores torcidas do país, são "fichinhas" perto do Santa Cruz. (Pesquisa: Nilo Dias)

O fanático torcedor que se veste de Jesus Cristo, em jogo do Santa Cruz. (Foto: Divulgação)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O príncipe do futebol cearense

João Erivaldo Queiroz Damasceno, ou simplesmente Damasceno, nasceu em Fortaleza (CE), no ano de 1933. Foi um zagueiro que mesclava habilidade e vigor na marcação dos atacantes adversários. Rapaz pobre, morador do subúrbio de Fortaleza, começou a carreira futebolística jogando pelo Atlético Cearense, do Bairro Montese. Em 1951, quando tinha 18 anos de idade foi levado para o Ceará, pelo técnico João Brega, mais conhecido pelo apelido de “Jombrega”, que o viu jogando no campo do Colégio Piamarta.

Tão logo chegou ao “Vovô”, já ganhou a posição de titular e se consagrou como um dos destaques do time, jogando ao lado de Alexandre Nepomuceno, o famosos “Filé de Gia”, outro ídolo histórico do Ceará. Os dois jogavam por “procuração”. Um sabia onde o outro estava, mesmo sem se verem. Formavam o par perfeito dentro de campo. Damasceno jogava de zagueiro ou de centromédio.

O time do Ceará era muito bom. Lá estavam, entre outros, William, lateral-direito de largos recursos técnicos; os maranhense Dico, no Maranhão conhecido como "Dico Camaroeiro" e e Carneiro, o segundo maior lateral-esquerdo do futebol brasileiro em todos os tempos. Superado apenas por Nilton Santos. Infelizmente, a mídia brasileira nuna se interessou em conhecer Damasceno, Carneiro, Hamilton, Pipiu e Roberto Rebouças.

Nos 10 anos em que vestiu a camisa preta e branca, Damasceno teve a oportunidade de jogar contra grandes figuras do futebol brasileiro como Zagallo, Didi, Garrincha, Mengálvio, Coutinho, Pepe, Dorval e até Pelé, em quem enfiou bola pelo meio de suas pernas e saiu indiferente à fama de que gozava aquele infernal jogador. Sempre salientava que os mais perigosos atacantes da região foram Gildo e Mozart, que eram terríveis e deixavam qualquer defesa azucrinada.

O Clube de Regatas Vasco da Gama, então com um grande time formados por jogadores que haviam disputado a Copa do Mundo de 1954 e até outros da derrocada brasileira de 1950, excursionava pelo Norte-Nordeste e acertou jogo amistoso contra o Ceará, no estádio Presidente Vargas.

O narrador baiano Ivan Lima, com o objetivo de motivar os torcedores criou o "duelo dos melhores" e os protagonistas eram Damasceno, pelo Ceará e Danilo Alvim, pelo Vasco da Gama. Quem vencesse ficaria com o "título" de Príncipe do Futebol. Damasceno deu um verdadeiro nó em Ipojucã e depois em Delém e o Ceará conquistou uma vitória por 1 X 0, gol assinalado por Guilherme, então atuando de centroavante.

A partir dali Damasceno ficou conhecido - pelo menos para os cearenses - como o "Príncipe do Futebol". Pelé já era o Rei.O certo é que a coisa funcionou e o apelido pegou e acompanhou o jogador por toda a sua vitoriosa carreira. No ceará foi bicampeão estadual, 1957/1958.

Em 1960, Damasceno foi contratado pelo Náutico, de Recife, onde permaneceu até 1963. No clube alvirubro ganhou dois títulos de campeão pernambucano, em 1960 e 1963. Depois de ter fraturado a clavícula esquerda, fez um acordo com a equipe “Timbu”, que só concordou em liberá-lo após se comprometer a voltar a Fortaleza, ou seja, não queriam que ele defendesse o Sport ou o Santa Cruz.

Em 1963 voltou ao futebol cearense, dessa vez para jogar pelo Ferroviário, onde encerrou a carreira em 1967, aos 36 anos. Depois de deixar os gramados ensaiou uma carreira de treinador, tendo dirigido as equipes do Tiradentes, Guarani de Sobral, Salgueiro e seleções de Maracanaú, Juazeiro e Tauá.

Em 1972, quando dirigia o Guarani, de Sobral levou para o clube o atacante Geraldino Saravá, que é até hoje o maior artilheiro da história do estádio “Castelão”. Era um jogador que não tinha muita qualidade técnica, todavia conseguia finalizar a gol como poucos. Chutava de qualquer maneira e os goleiros tinham imensas dificuldades para defender seus arremates.

Foi por conta de uma injustiça cometida ao seu grande amigo, o ex-zagueiro Pedro Basílio, que Damasceno resolveu deixar de ser técnico. Ele ficou desolado com a profissão após ver Basílio ganhar um turno invicto à frente do Fortaleza e, após perder a primeira partida do returno, ser dispensado.

Na sua brilhante carreira, o príncipe Damasceno guarda com orgulho o único reconhecimento recebido em toda a carreira, o troféu “Personalidades Esportivas Flávio Ponte”, ganho em 10 de dezembro de 2001.

Apesar da fama, o legendário jogador praticamente não ganhou nada com o futebol. Conseguiu se aposentar graças a ajuda de um amigo do INSS, ao completar 65 anos. Na sua época de atleta, a situação era terrível. Não tinha nenhum tipo de documentação.

A casa onde morava, no Bairro Vila União, foi construída na década de 80 - muito tempo depois dele abandonar a carreira - com a ajuda da família. Damasceno faleceu na manhã do dia 12 de outubro de 2008, aos 75 anos de idade, de causa não revelada. O ex craque deixou 12 filhos e sete netos de dois casamentos. (Pesquisa: Nilo Dias)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O caso Oscar no mundo corporativo

José Renato Santiago (http://www.jrsantiago.com.br/)

Por envolver emoções que tendem, para algumas pessoas, a sobrepujar a razão, creio que seja importante, afirmar que sou torcedor tricolor, daqueles de frequentar estádio e acompanhar de perto tanto as boas com as “menos boas” fases da minha equipe.

Diante disso, gostaria de compartilhar alguns entendimentos sobre o caso que envolve o jogador Oscar, São Paulo e Internacional.

Tenho atuado no mundo corporativo já faz mais de 20 anos com experiência em empresas de vários portes e diversos segmentos.

Pois bem, se considerarmos as condições que suportam o caso Oscar como a de um profissional que atua em uma organização que, digamos assim, investiu em sua formação profissional, não há o que pensar: a atual posição são paulina é amadora.

Durante os anos 2000 principalmente, era muito comum profissionais terem seus cursos de pós graduação e MBAs “bancados” pelas empresas. A forma utilizada por grande parte das organizações para garantir que o funcionário continuasse na empresa após o treinamento, era estabelecer um contrato que “obrigava” o funcionário a “pagar” o valor do investimento feito pela organização.

Resultado: Grande maioria dos funcionários ao retornar, mudava de emprego e esta cláusula era “simplesmente” desconsiderada. Sentindo-se traídas, muitas empresas recorriam juridicamente para que fossem ressarcidas. Até o momento nenhuma destas causas foi vencida por qualquer empregador.

Como consequência disso, houve uma significativa redução nestes investimentos por parte das empresas, cabendo agora, mais que nunca, ao próprio funcionário custear esta capacitação.

A Justiça do Trabalho reconhece a descomunal diferença entre as partes, organização e funcionário, que assinam um contrato trabalhista.

Não há qualquer possibilidade de obrigar o trabalhador a pagar qualquer multa tão pouco a prestar serviço para quem não deseja.

O papel são paulino no caso é simplesmente de, ao menos tentar, mostrar para sua torcida e comunidade que não foi deixado para trás. Atitude não cabível e não digna do profissionalismo que seus dirigentes tanto pregam.

A verdade é que o papel tricolor deveria ter sido preventivo. Uma vez que falhou na época, a derrota é eminente. E mais, usar este caso como exemplo, para que seus jovens atletas não enveredem pelo caminho seguido por Oscar, é algo cruel, até mesmo maquiavélico, e não profissional.

Os dirigentes tricolores deverão sim agir preventivamente e corrigir os erros que foram cometidos por eles próprios.

Quanto a Oscar, independentemente, de achar que, muito possivelmente, suas ações irão prejudicá-lo em futuras relações profissionais e que até mesmo houve certa “ingratidão” por parte dele, devemos lembrar que a relação é profissional e argumentos de tal natureza são inadequados e não profissionais.

Por fim, e o Internacional?

Muito possivelmente deverá pagar algum valor para contar com o jogador, caso queira que o mesmo retorne a campo em um curto espaço de tempo, no entanto, se tiver paciência, também ficará com o jogador, muito possivelmente de graça, mas neste caso poderá haver demora, pois a briga judicial ocorrerá, por mais que os resultados todos saibam.

“Oscar não voltará ao São Paulo que não receberá o valor que deseja”


Oscar: 'O Inter sabe que eu quero estar lá' (Foto: André T. Susin - Jornal "Lance"

sábado, 14 de abril de 2012

O centenário do Santos F.C. (Final)

Em 1973 o Santos ganhou o último Campeonato Paulista com Pelé. Competição que teve uma final muito conturbada, acabando na disputa por pênaltis contra o time da Portuguesa. O erro histórico do árbitro Armando Marques, que encerrou as cobranças quando o Santos vencia por 2 X 0, mas ainda com possibilidade de empate por que restavam duas cobranças da Portuguesa, atrapalhou a conquista certa. Pelé ainda não havia feito sua cobrança, fazendo com que o título daquele ano fosse dividido entre os dois clubes.

Após a era Pelé o Santos continuou seu caminho de glórias. Em 1978, o técnico e ex-atleta do Santos, Formiga, formou um time campeão. Os "Meninos da Vila", apelido dado pela juventude dos atletas da equipe, conquistaram o Campeonato Paulista de 1978. Destacaram-se na época Juary, Nílton Batata, Pita, Aílton Lira, entre outros.

Em 1983 o Santos montou uma equipe forte trazendo para a Vila jogadores consagrados como Serginho Chulapa e Zé Sérgio (do São Paulo) e Paulo Isidoro (do Atlético Mineiro) e conseguiu disputar a final do Campeonato Brasileiro de Futebol daquele ano com o Flamengo de Zico, vencendo a primeira partida no Morumbi por 2 x 1. Mas na final do Maracanã, jogando com alguns desfalques, o Santos acabou apenas como vice-campeão.

Com o reforço do goleiro Rodolfo Rodriguez, a equipe confirmou sua competitividade e se sagrou campeã Paulista de 1984. Após esse título, o Santos só voltou a uma final de campeonato nacional de futebol em 1995, enfrentando o Botafogo. Houve empate e acabou novamente com o vice-campeonato, num jogo em que a arbitragem foi grandemente contestada. Os santistas reclamaram do árbitro Márcio Rezende de Freitas a anulação do gol do ponta santista Camanducaia, e também a validação do gol em impedimento do botafoguense Túlio Maravilha).

O Santos voltou a ganhar títulos vencendo o Torneio Rio-São Paulo de 1997 e a Copa Conmebol de 1998, precursora da atual Copa Sul-Americana de 1998, derrotando o Rosário Central, da Argentina na final. Foi vitória de 1 X 0 na Vila Belmiro, com gol marcado por Claudiomiro, e empate em 0 X 0 no Estádio do Rosário Central.

Em 20 de janeiro de 1998, o Santos tornou-se a primeira equipe na história do futebol a alcançar a marca de 10 mil gols (gol do meio-campista Jorginho). Em 26 de agosto de 2005, atingiu a marca de 11 mil (gol do atacante Geílson). É o clube que mais marcou gols na história do futebol mundial.

Com a chega do século 21 o Santos venceu o Brasileirão de 2002 e chegou à final da Libertadores de 2003. A maior conquista do clube, fora os títulos, foi o reconhecimento internacionalde ser considerado o "Clube do Século XX nas Américas", em eleição da FIFA que premiou, no fim dos anos 1990, os melhores clubes de futebol da História. Além do Santos, o Real Madrid foi considerado o "Clube do Século XX".

Em 1999, Marcelo Pirilo Teixeira ganha a eleição a Presidência pegando o clube com uma enorme dívida e com o time em frangalhos. A administração primeiramente tentou montar um grande time com jogadores renomados e ao mesmo tempo investiu forte na base, no patrimônio e na estrutura, reformando o estádio e fazendo um CT de primeiro mundo.

Mas no início de 2002, ano em que o clube completou 90 anos, os grandes jogadores haviam saído sem conseguir títulos, apenas um vice-campeonato paulista em 2000, e o Santos teve que voltar suas atenções às categorias de base para recompor o elenco.

A "solução caseira" deu certo e o Santos encerrou aquele ano com a conquista pela sétima vez do Campeonato Brasileiro. O time que conseguiu ser campeão foi, basicamente, formado na Vila Belmiro, montado pelo treinador Emerson Leão tirando da base para a equipe principal garotos que seriam conhecidos como "Os novos Meninos da Vila" e que viraram febre no Brasil inteiro.

A dupla Diego e Robinho se tornou símbolo de um futebol vistoso e alegre, junto de Renato, Elano, Alex e Léo. No ano seguinte, com a base mantida, o “Peixe” chegou aos vice-campeonatos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.

Em 2006, se aproveitando que seus principais adversários estavam com as atenções divididas devido a participação na Taça Libertadores da América, o Santos conquistou o Campeonato Paulista de 2006. Foi o fim de um período de 21 anos sem levar a taça paulista. O time entrou ainda para a história dos recordes como a única equipe que venceu todas as partidas jogadas em seu estádio, 10 partidas no total. E que marcou gols em todas as partidas do campeonato, 19. (33 gols).

Em dezembro de 2009, as tumultuadas eleições para a presidência do clube tiraram do cargo Marcelo Pirilo Teixeira, que se manteve por 10 anos nessa posição. Para o seu lugar foi eleito Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. Com um bem executado trabalho de base surgiu outra geração dos "Meninos da Vila" que reuniu os craques Neymar, Paulo Henrique Ganso, André, Wesley, o goleiro Rafael, os quais, juntos de Robinho que voltou por empréstimo e outros jogadores e com o técnico Dorival Junior, reescreveram a história internacional do clube no cenário futebolístico. No primeiro semestre conseguiu o título de Campeão Paulista.

Depois conquistou seu segundo título no ano, o da Copa do Brasil, inédito para o clube. Foi o coroamento de uma campanha marcada por um ataque arrasador, com goleadas implacáveis como os 10 x 0 contra o Naviraiense e os 8 x 1 contra o Guarani, de Campinas, jogo em que Neymar marcou cinco vezes.

No segundo semestre de 2010, com perdas de jogadores importantes com Wesley (vendido para o Werder Bremen da Alemanha), André (vendido para o Dínamo de Kiev da Ucrânia), Robinho (que voltou do empréstimo para o Manchester City da Inglaterra), e Ganso (que se contundiu em uma partida contra o Grêmio ainda no primeiro turno e não jogou mais no campeonato), além da demissão do técnico Dorival Júnior o Santos não conseguiu ir além de um oitavo lugar e adiou a conquista da chamada "tríplice coroa", título simbólico dado a quem vencesse no mesmo ano o Campeonato Estadual, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro.

Em 2011 o Santos se tornou bicampeão paulista. No Campeonato Brasileiro de 2011 o Santos ficou apenas em décimo lugar. Mas coroou o ano com a conquista da Taça Libertadores da América, que lhe garantiu o direito de participar do mundial de Clubes, no Japão.

A estréia do clube na competição foi no dia 14 de dezembro, quando derrotou o Kashiwa Reysol por 3 x 1, com gols de Neymar, Borges e Danilo, garantindo vaga para a final. No dia 18 de dezembro, o Santos encarou o Barcelona, e foi derrotado por 4 x 0, com dois gols de Messi, um de Xavi e outro de Fábregas. (Pesquisa: Nilo Dias)

Neymar, o grande ídolo do Santos, na atualidade.