Nilo Dias Repórter

Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Asssassinado diretor do Guarani de Venâncio Aires

O brutal assassinato do diretor de futebol do Guarani, de Venâncio Aires, Éder Silva, chocou o esporte do Rio Grande do Sul. O crime aconteceu por volta das 19 horas de quinta-feira, na localidade de Santo Antônio, na zona rural de Mato Leitão, distante 15 quilômetros de Venâncio Aires, quando ele e o filho, de 17 anos, voltavam de um treinamento do Guarani.  

Segundo apurou a Polícia, Éder chegava ao seu sítio quando foi abordado por dois homens que haviam invadido a casa dele numa tentativa de assalto, sendo atingido por dois disparos e morreu no local.Tinha 36 anos.

Assustado, ele teria corrido em direção aos fundos da casa para escapar, mas foi baleado nas costas e na cabeça. O filho adolescente teria ficado na porta da frente aguardando o pai e, por isso, não teria testemunhado o crime.

De acordo com o departamento de comunicação do clube, Silva iniciou sua trajetória nas categorias de Base do E.C. Guarani, em 1996.

Durante três anos (entre 2000 e 2003) ele também foi atleta profissional do clube. A função de dirigente, Silva desempenhava desde setembro do ano passado, com a posse da nova diretoria. O sonho dele era ser presidente do clube.

Em comunicado publicado em sua conta do Facebook, o Guarani lamentou o falecimento de Éder:

"É com uma tristeza infinita no coração que comunicamos o falecimento de nosso ex-atleta e atual Diretor de Futebol Éder Silva. Éder iniciou sua trajetória no E.C. Guarani nas categorias de Base em 96 e teve passagem no futebol profissional. Atualmente, Éder atuava como Diretor de Futebol no Novo Projeto do EC Guarani.

Um torcedor apaixonado pelo clube, que voluntariamente dedicava parte dos seus dias ao clube. Ficaram as recordações de um homem dedicado que deu e ensinou muito a todos nós.

Não temos palavras para expressar os nossos sentimentos. Pedimos a Deus que conforte o coração dos familiares e amigos neste momento de dor". O corpo de Éder Silva foi sepultado no Cemitério Municipal de Venâncio Aires. (Pesquisa: Nilo Dias)



quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

O futebol feminino já fez sucesso na Inglaterra

A I Grande Guerra criou o fenômeno da popularidade do futebol feminino na Inglaterra. Jogos chegavam a ter mais de 50 mil espetadores. No dia 26 de dezembro de 1920, cerca de 53 mil pessoas lotaram as dependências do estádio do Everton, em Liverpool, Inglaterra, para assistirem a um jogo de futebol. E do lado de fora outras 14 mil almas quase brigavam em busca de lugarzinho.

Não seria nada de anormal, se o jogo fosse entre dois times masculinos de futebol. Mas não era. De um lado estava o "Dick, Kerr’s Ladies F.C". e do outro o "St. Helens Ladies", duas equipes femininas.

O sucesso desse jogo acendeu a luz vermelha nos dirigentes da Football Association (FA), temerosos que o futebol feminino quebrasse as receitas do futebol masculino, tão devastado que se encontrava pelo advento da I Grande Guerra, que jogou uma geração de jovens para a batalha das frentes e das trincheiras, tirando-os gramados.

Em 5 de dezembro de 1921, a FA proibiu as mulheres de jogarem futebol em qualquer campo de clube pertencente à clubes filiados a vaidosa Federação Inglesa, sob a discutível desculpa de que “têm surgido diversas queixas sobre os jogos de futebol praticados por mulheres, que nos forçam a expressar a opinião de que este desporto é muito pouco indicado para o sexo feminino e não deve, de forma alguma, ser encorajado”.

E mais: “Surgiram, igualmente, queixas sobre as condições em que estes jogos têm decorrido e da forma como as receitas desses jogos têm sido utilizadas para fins não caritativos. Somos de opinião que uma excessiva percentagem dessas receitas tem sido desviada para despesas inadequadas. Desta forma vimos requerer aos clubes nossos filiados que recusem ceder as suas instalações para estes jogos”.

A verdade é que esta decisão absolutamente sexista só foi revogada em 1971. Na livre Inglaterra, as mulheres passaram a jogar na clandestinidade.

Ninguém imaginava ainda que o futebol feminino iria sofrer tão forte machadada na sua progressão que o deixaria marcado por cinco décadas. Uma vaga absurda de inveja levantava-se em Londres.

A discutível decisão da FA não dobrou o espírito das raparigas de Preston. O treinador Alfred Frankland, conhecido por “Pop Frankland”, desafiou a cartolagem ao dizer: “Continuaremos a jogar, e se os organizadores de jogos de exibição não nos cederem campos, jogaremos em terra lavrada".

Em 1922, a equipe estava na América do Norte. Proibida de jogar no Canadá, seguiu para os Estados Unidos. Lutava contra a discriminação com todas as suas forças. Enfrentou nove times compostos por homens, obtendo três vitórias, três empates e três derrotas. Na Inglaterra, ninguém as esquece até hoje.

Um dos clubes envolvidos no jogo de 1920, que lotou o estádio do Everton, foi o “A Dick, Kerr & Company”, que era de uma empresa de construção de locomotivas e carruagens fundada em Kilmarnock, na Escócia, e com sede na cidade inglesa de Preston.

Em 1914, com o recrutamento militar de uma enorme fatia da população masculina, as mulheres entraram com força como operárias para as fábricas da Grã Bretanha. 

As que trabalhavam na “Dick, Kerr” não demoraram muito a dedicarem-se a disputa de jogos de futebol nas instalações da empresa durante os momentos de descanso e, até, nos dias livres. Seguiram-se desafios contra outros grupos de trabalhadoras.

Um fenômeno de surpreendente popularidade emergia por entre os subúrbios industriais das cidades da velha Inglaterra. Com o epicentro em Preston, bem entendido. No dia de Natal de 1917, o “Dick, Kerr Ladies F.C.” arrastou até ao Deepdale, o maior estádio da região, 10 mil pessoas que assistiram a uma vitória sobre a “Arundel Coultartd Factory”, por 4 X 0.

A renda desse jogo destinou-se ao auxílio de operários feridos na guerra ou em serviço.

As moças de Preston ganharam um prestígio tal que se dedicaram a encontros de exibição por todo o país. A “Dick, Kerr & Co.” pagava a cada uma 10 shillings por jogo, como forma de cobrir as despesas de deslocação, o que as tornou praticamente profissionais.

Na França, Alice Milliat, a grande responsável pela presença das mulheres nos Jogos Olímpicos (estrearam-se em 1900, mas apenas no golfe e no tênis), estava atenta ao que se passava em Preston. Era uma personagem inabalável.

No ano de 1920, reuniu uma equipe de futebol feminino que se deslocou a Inglaterra para o primeiro torneio internacional entre mulheres. Ou melhor, entre duas equipes de mulheres. A já famosa “Dick, Kerr Ladies F.C.” e uma Seleção da França. Quatro jogos, em Preston, Stockport, Manchester e Londres, Stanford Bridge, com três vitórias britânicas e um empate.

De tal forma que as mulheres da “Dick, Kerr & Co.” não tardaram a ganhar prestigio também na França, onde jogaram em Paris, Rouen, Havre e Roubaix. (Pesquisa: Nilo Dias)


Dick Kerr International Ladies A.F.C., em 1921.

sábado, 12 de janeiro de 2019

A nova Rainha da África

Chrestinah Thembi Kgatlana, 22 anos, 1,54m de altura, nascida em Mohlakeng, uma pequena cidade no Oeste de Johanesburgo, África do Sul, é a nova “Rainha da África”.

Ela foi escolhida como melhor jogadora do continente, desbancando as nigerianas Francisca Ordega e Asisat Oshoala, que já havia vencido o prêmio três vezes. Ela se tornou a segunda sul-africana a vencer o título concedido pela Federação Africana de Futebol.

Mais que isso, ela venceu a disputa de melhor gol africano de 2018, entre homens e mulheres. O gol da atacante contra a Nigéria, durante a fase de grupos da “Copa Africana das Nações”, foi escolhido o mais bonito da temporada por voto popular.

E não para por aí. No ano passado, ela foi a melhor jogadora da “Cyprus Cup”. Na “Copa Africana das Nações”, embora a África do Sul tenha ficado com o vice-campeonato, ao ser derrotada nos pênaltis pela Nigéria, ela anotou gol em todos os jogos e foi não apenas a artilheira do torneio, como a melhor jogadora.

O resultado garantiu pela primeira vez a participação da África do Sul na Copa do Mundo, que divide o grupo com China, Espanha e Alemanha.

A premiação anual da Confederação Africana de Futebol chegou em sua 27ª edição. O “Rei” e a “Rainha” do futebol africano foram premiados em uma cerimônia que pela primeira vez em aconteceu em Dakar, capital do Senegal.

Embora o prêmio para “Melhor Jogador Africano” exista desde 1992, para as mulheres ele passou a existir apenas em 2001, sendo que as edições de 2009 e 2013 não houveram premiadas.

A primeira vencedora da história foi Mercy Akide, da Nigéria, que esteve na seleção nigeriana nas Olimpíadas de 2000 e 2004. A meio-campista foi nomeada pela FIFA em 2005 como uma das 15 embaixadoras do futebol feminino no mundo.

Os pais de Chrestinah Thembi Kgatlana e dois irmãos continuam morando na África do Sul, enquanto ela seguiu seus sonhos e trocou o diploma de Turismo para jogar na maior liga de futebol feminino do mundo.

Aos 8 anos de idade, a sul-africana se interessou pelo futebol em uma conversa na escola. Nada diferente de outras garotas, ela foi “permitida” a jogar com os meninos. De uma forma difícil, ela jogava em um campo na beira da estrada.

Vinda de família e lugar humilde, Thembi Kgatlana conta que atualmente, consegue ajudar os pais e irmãos com o dinheiro do futebol, mas também acredita que uma das grandes dificuldades da modalidade é conseguir patrocínios.

Em 2016, ela esteve no Brasil para a disputa da “Rio-2016”, quando a África do Sul conseguiu um empate com a seleção brasileira na Arena da Amazônia, sem Marta.

Atacante do Liverpool terminou 2018 com 40 gols e 15 assistências. Hoje, a estrela da seleção da África do Sul defende o “Houston Dash” na liga norte-americana de futebol.

O fato da jogadora atuar na maior liga de futebol do mundo não a faz esquecer suas origens. Toda vez que vai visitar os pais em sua terra natal, faz questão de jogar futebol no campo onde começou, mesmo que não seja o lugar ideal. E toda vez que chega, ela leva uma bola extra para deixar com seus colegas de infância.

Sua maior inspiração no futebol é Mpumi Nyandeni, meio-campista da seleção de 31 anos. Alguém que ela sempre via jogar, hoje é, além de companheira de equipe, uma grande amiga.

Dividindo-se entre a seleção sul-africana e o time americano, ela realmente acredita poder contribuir com as “Banyanas” com experiências trazidas dos Estados Unidos.

Jovem e cheia de ambições, a melhor jogadora do continente africano afirma que um dos seus maiores desejos é jogar a “UEFA Women’s Champions League” e balançar as redes na “Copa do Mundo”.  (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Patrocínios nada convencionais

Em 2012 uma violenta crise financeira assolou os clubes de futebol mais modestos da Grécia, que se viram obrigados a aceitar qualquer tipo de patrocinador em suas camisas, desde que injetassem algum dinheiro nos combalidos cofres dos clubes.

Foi o que aconteceu com o “Voukefalas”, da cidade de Larissa, que tem 200 mil habitantes, e fica distante cerca de 300 quilômetros de Atenas, que fechou patrocínio com duas casas noturnas. Mostra no seu uniforme rosa os anúncios dos bordéis “Villa Erotica”  e “Soulas House of History”.

Até o uniforme mudou, com os jogadores passando a vestir camisa e short no mesmo tom de rosa. Os bordéis exibem suas logomarcas na blusa, uma na parte da frente e outra na de trás.

O elenco do clube amador é formado por estudantes, garçons e até entregadores de pizza, entre outras profissões. No jogo de estreia do novo fardamento, torcedores compareceram em peso às arquibancadas durante uma partida e pareceram não se incomodar com a novidade. Nem mesmo as mulheres ou os mais idosos, diga-se de passagem.

Várias organizações esportivas da Grécia estão sendo muito atingidas pelos cortes orçamentários do Governo e, por isso, este não é o único patrocínio inusitado nos campeonatos amadores do país.

Há um clube apoiado por uma funerária, o “Paleopyrgo”, enquanto outros negociam com estabelecimentos como uma loja de kebab, uma fábrica de geleia e produtores de queijo.

O “Paleopyrgo estampou em sua camisa negra a publicidade da funerária “Karaiskaki”, adornada por uma cruz branca.
          
O presidente e também atleta do clube, Lefteris Vasiliou explicou que era uma questão de sobrevivência. O dono da funerária é seu amigo e por isso resolveram fazer o acordo, uma vez que a temporada passada havia sido muito ruim por causa da crise.

E não é que a ideia agradou os torcedores, que acabaram se identificando com a ideia, tanto que muitos já pensam em adotar a figura da "morte" com a sua foice como mascote.

Já o caso do “Voukefala” é um pouco mais complexo. O clube precisava de licença da Federação Grega de Futebol para saber se poderia utilizar a publicidade em partidas oficiais. No inicio foi estampada apenas em jogos amistosos.

A propaganda foi vetada pela organização da Liga durante os jogos porque viola "os ideais esportivos" e é imprópria para os torcedores menores de idade.

O time apelou da proibição, mas isso não preocupa Alevridou, 67 anos. A empresária afirmou que ajuda o “Voukefalas” porque ama futebol.

"Não é o tipo de negócio que precisa de promoção", diz, vestida em roupa branca e chapéu da mesma cor em meio a duas mulheres mais novas. "O negócio funciona mais no boca a boca", explica.

Alevridou conseguiu evitar os efeitos da crise financeira e emprega 14 mulheres em seus bordéis.

O presidente e goleiro do time, Giannis Batziolas, explicou que o patrocínio foi aceito por razões econômicas. O clube atravessava uma crise sem precedentes e não podia dar-se ao luxo de recusar qualquer ajuda.

Os prostíbulos são um negócio legalizado na Grécia, e o dirigente não entende por que precisa de autorização para divulgar a publicidade. "O bordel é um empreendimento legal, que gera dois milhões de euros por ano (R$ 5,2 milhões). Quando anunciamos o acordo, alguns jogadores perguntaram se poderiam ganhar uma 'cortesia'", lembrou Batziolas.

A dona do bordel, Soula Alevridou, de 67 anos, paga mil euros (R$ 2.600) por mês pela publicidade e afirmou que o faz apenas por gostar de futebol. O seu ramo, segundo a própria, não precisa de publicidade para fazer sucesso.(Pesquisa: Nilo Dias)



segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

A história do massagista zagueiro

Essa história louca aconteceu no “Campeonato Brasileiro da Série D” de 2013, num jogo entre as equipes do Aparecidense, de Aparecida, de Goiás frente o Tupi, de Juiz de Fora (MG), para definir quem avançaria nas oitavas de final.

O primeiro jogo disputado em Aparecida de Goiânia, terminou empatado em 1 X 1. Dessa feita o segundo jogo se desenvolvia em Juiz de Fora, no dia 7 de setembro de 2013. Decorriam 44 minutos do segundo tempo e a partida estava empatada em 2 X 2, resultado que classificaria o time goiano, graças aos gols marcados fora de casa.

O jogo, que era para ser apenas mais um válido pela IV Divisão Nacional, acabou se tornando um dos mais acidentados  incidentes e curiosos da história do futebol, que rodou o mundo e foi notícia por toda a parte.

Tudo, porque Romildo Fonseca da Silva, o “Esquerdinha”, impediu por duas vezes que a equipe mineira marcasse o seu terceiro gol e vencesse o jogo, classificando para a fase seguinte da competição.

Passados cinco anos do episódio, até hoje não foi esquecido por quem estava naquela noite histórica de feriado no “Estádio Municipal Radialista Mário Helênio”, em Juiz de Fora. Não resta dúvida que, para jogadores, dirigentes e árbitros envolvidos, aquela partida foi marcante.  

Tudo começou quando o atacante Ademilson, que defendeu Botafogo e Fluminense no início dos anos 2000, recebeu um passe dentro da área e finalizou para o gol. A bola passou pelo goleiro Pedro Henrique, mas não pelo massagista “Esquerdinha”, que evitou o gol parcialmente.

No rebote, o lateral-direito Henrique chutou de novo, mas o massagista conseguiu novamente evitar o terceiro gol do alvinegro.

Depois do lance inusitado, “Esquerdinha” correu em disparada para o vestiário, começando uma grande confusão. Os jogadores do Tupi partiram para cima do árbitro, querendo a validação do gol, que daria a vaga aos juiz-foranos.

O "massagista-goleiro" teve medo de morrer. Ele estava perto da trave porque havia sido chamado para atender o zagueiro Elder, de sua equipe. Em vez de sair depois do atendimento, “Esquerdinha” aproveitou o posicionamento e interceptou o chute de Ademilson. O massagista deixou o campo correndo muito.

"Já imaginou se ele escorrega? O pessoal mataria ele. Ainda bem que o homem é bom de corrida. Ele foi maratonista e correu a São Silvestre em 1994 e 1995", contou o irmão mais velho.

No entanto, o árbitro Arilson Bispo da Anunciação informou que tinha que fazer valer a regra, reiniciando a partida com bola ao chão. Mais de 20 minutos depois, o jogo recomeçou, mas o resultado de campo não foi alterado, com a Aparecidense se classificando após o apito final.

Como já era esperado, o Tupi acionou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em busca da anulação da partida ou da exclusão da Aparecidense da competição. No dia 16 de setembro de 2013, a Aparecidense foi excluída da Série D.

Porém, a Procuradoria apresentou recurso para mudar o artigo em que o clube goiano foi enquadrado. Paulo Schmitt pedia uma revisão do julgamento anterior, que enquadrou o clube no artigo 205 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, o CBJD (que diz o seguinte:

"Impedir o prosseguimento de partida, prova ou equivalente que estiver disputando, por insuficiência numérica intencional de seus atletas ou por qualquer outra forma", e não no 243-A, que, segundo as normas da Fifa, se encaixaria no precedente.

Por maioria de votos, o STJD manteve a decisão de excluir o time goiano. Assim o Tupi se classificou ás quartas de final para enfrentar o Mixto (MT), contra quem se classificou e conseguiu o acesso para a Série C do “Brasileirão”.

O massagista disse que a repercussão do lance na Série D de 2013 acabou atrapalhando sua carreira no futebol. Suspenso pelo STJD por 24 jogos, “Esquerdinha” ficou um longo tempo sem poder trabalhar. Segundo ele, a “falsa impressão de moralismo” acabou colocando-o em um papel de bode expiatório.

O lance rendeu bons dividendos para “Esquerdinha”, que chegou a ganhar matéria especial na abertura do “Programa do Jô”, na TV.

Mesmo com o Aparecidense eliminado, os políticos de Aparecida de Goiânia só pensaram em filiá-lo. “Saímos na frente. Vamos lançá-lo com o slogan: esse defende a cidade”, disse o deputado Sandro Mabel (PMDB).

“Esquerdinha” concorreu a deputado federal pelo Partido Republicano da Ordem Social (Pros), mas não conseguiu se eleger. (Pesquisa: Nilo Dias)


domingo, 6 de janeiro de 2019

Béla Guttmann, o legendário treinador

“Béla Guttmann – Uma lenda do futebol do século XX”, livro publicado pela Editora Estação Liberdade, merece ser lido. É uma obra valiosa escrita pelo jornalista e professor Detlev Claussen, com tradução de Daniel Martineschen e Alexandre Fernandez Vaz.

De temperamento forte, Béla Guttmann foi uma espécie de José Mourinho de seu tempo. Tanto pela capacidade superior de “ler” o futebol em suas variantes técnica, tática e física, quanto pelas recorrentes polêmicas em que se envolvia.

Apesar de ter sido um jogador de algum talento, foi como treinador que se destacou, num tempo de transição do futebol, entre o amadorismo e o profissionalismo.

Austero, Guttmann jamais se submeteu a dirigentes ou a jogadores-estrela, o que, com frequência, o fazia debandar — ou ser debandado — dos clubes que dirigia.

Antecipando o movimento de globalização no futebol que se acirraria mais marcadamente a partir dos anos 1990, Guttmann foi um andarilho no mundo da bola.

Além da Hungria, atuou em países como Holanda, Áustria, Itália, Estados Unidos, Argentina e Portugal. E teve ligações profundas também com o futebol brasileiro: em 1957, aceitou o convite para treinar o São Paulo Futebol Clube, com o qual se sagrou campeão paulista.

Guttmann impôs logo de cara a contratação de um jogador que encarnasse o tal “futebol-arte”. E foi buscar um veterano, Zizinho, o "Mestre Ziza". Na época, com 35 anos, era o modelo e ídolo de Pelé.

Mais do que isso, o estilo tático de Guttmann, com o inovador e ultraofensivo esquema 4-2-4, influenciou de forma certeira na maneira de jogar da própria seleção brasileira comandada por Vicente Feola que, no ano seguinte, levantaria seu primeiro título mundial.

Húngaro judeu, ex-jogador, treinador de sucesso planetário, mitificado sobretudo depois de arrebatar por duas vezes a Liga dos Campeões da Europa no comando do Benfica, de Lisboa — tendo derrubado, para tal, nada menos que a poderosíssima dupla espanhola, Barcelona e Real Madrid.

Mas se é amado até hoje dentro da comunidade benfiquista por tais façanhas, Béla Guttmann é, paradoxalmente, odiado em igual medida.

Depois da conquista frente ao Real, em 1962, o húngaro se desentendeu com a direção do clube lisboeta e não renovou o contrato, debandando de lá não sem antes anunciar uma maldição aparentemente profética: a de que o Benfica não voltaria a vencer uma competição continental pelos próximos 100 anos.

Dizem que alguns torcedores do time, “antes da final da Liga dos Campeões contra o Milan em 1990, teriam ido ao cemitério de Viena e de lá teriam trazido um naco de grama do túmulo de Guttmann, para quebrar a maré de derrotas nas finais europeias”.

Não deu certo: o Benfica perdeu a decisão, assim como ocorreu em todas as outras vezes em que fora finalista nas eras pós-Guttmann: em 1963, também contra o Milan; em 1965, contra a Inter de Milão; em 1968, contra o Manchester United; bem como nas finais da Liga Europa, a antiga Copa da Uefa, contra o Anderlecht, em 1983, e o Chelsea, em 2013.

E em maio de 2014, o fantasma de Guttmann voltou a assombrar, quando o Benfica caiu em nova decisão continental, a da Liga Europa, desta vez frente aos espanhóis do Sevilha. 

A carreira de Béla Guttmann se cruzou com grandes jogadores, os melhores do pós-guerra como Puskás, Di Stéfano, Eusébio e Pelé. Foi o técnico que marcou o moderno futebol ofensivo mais do que qualquer outro.

Lacrados sob uma imponente lápide de mármore vermelho jazem os restos mortais de Béla Guttmann, na ala judaica do Cemitério Central de Viena.

Apenas as datas de nascimento e morte – 27 de janeiro de 1899 e 28 de agosto de 1981 – estão registradas sobre a pedra. Uma discreta inscrição em hebraico revela seu prenome judeu, Baruch. Não se encontra nenhuma indicação de sua esposa, Marianne, que o acompanhou ao redor do mundo. Não tiveram filhos.

Depois da morte da esposa, em 1997, o espólio de Guttmann vagou por antiquários de Viena, até chegar em 2001 a Kassel, na Alemanha, adquirido por um leiloeiro especializado em esportes.

O que permanece de um grande jogo, de um grande jogador, de um grande treinador? No final, resta apenas um nome que logo cairá no esquecimento se a história ligada a ele não for narrada.

Até mesmo o funcionário do cemitério em Viena, que sem dúvida se interessava por futebol, 20 anos depois da morte de Béla Guttmann pouco sabia sobre o defunto: “Era algum jogador de futebol!”. E mais nada.

Nos documentos do Cemitério Central não há registro do túmulo, mas o funcionário tinha uma ideia de onde ele podia ser encontrado: “Procure na ala judaica”. De fato, lá está a impressionante lápide com o nome, mas não a recordação do futebol que tornou esse nome mundialmente conhecido.

Antes que as peças se dispersassem pelo mundo, surgiu um catálogo com uma tentativa biográfica, Die Trainerlegende – Auf den Spuren Béla Guttmanns (O legendário treinador – Nos rastros de Béla Guttmann), assinado por R. Keifu, pseudônimo sob o qual se ocultou o renomado historiador do esporte e expert em futebol Hardy Grüne.

Guttmann permanece sendo até hoje uma figura cercada de lendas e mistérios. Ainda em vida, no topo de sua carreira de treinador de clubes, viu surgir Béla Guttmann Story, escrito pelo pedagogo do futebol e depois professor escolar Jenö Csaknády.

O livro promete, em seu subtítulo, uma história “dos bastidores do mundo do futebol”. De fato, em 1964, quando o texto foi publicado, mal se podia desconfiar dos acontecimentos mundiais que fariam um Guttmann circular pelo globo.                                                                           

Mas quem pensa em futebol ao visitar um cemitério? Em um cemitério judeu se tenta, antes de tudo, ler os números e combiná-los com os lugares onde cada pessoa nasceu e morreu.

O irmão de Béla Guttmann, que jogava futebol com ele durante a Primeira Guerra Mundial, morreu em 1945 em um campo de concentração alemão.

Sobre a sobrevivência de Guttmann durante o período nazista as fontes não são, no entanto, muito eloquentes. História do futebol também não é somente algo secundário e bonito, mas sim parte da história mundial, que não pôde deixar de ser afetada por esse esporte.

A história de Béla Buttmann só pode ser narrada quando se tem a história do século XX em vista e quando se está pronto para revisitar, mesmo que brevemente, a história mundial do futebol. (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Um time que não ganha nada a 118 anos

Pensando bem um time que nunca conquistou nenhum título, nem de menor expressão, não é raridade no futebol. Muito pelo contrário. Creio que ocupam uma parcela bem grande na história do futebol brasileiro e mundial.

É claro que todo o torcedor gosta de ver seu time ganhando. Talvez isso explique a preferência por determinadas equipes, que ao menos dentro de seu raio de atuação sempre estão chegando na frente.

Exemplos bem claros de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, no Rio de Janeiro, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos, em São Paulo, Grêmio e Internacional, no Rio Grande do Sul, Cruzeiro e Atlético em Minas Gerias e por ai vai.

E também mundo afora, com destaques para Real Madrid e Barcelona, na Espanha, Chelsea, Liverpool, Manchester United, Manchester City e Arsenal, na Inglaterra, Porto e Benfica, em Portugal, só para citar alguns.

Temos no Brasil muito exemplos de equipes com bastante tradição regional, como América e ABC (RN), CRB e CSA (AL), Ceará (CE), Botafogo (PB), Remo e Paysandu (PA), Nacional (AM), Operário (MS), Brasília (DF), Ponte Preta (SP), América (RJ), entre muitos outros.
Porém numa escala nacional não passam de agremiações de média ou pequena expressão.

Assim como acontece na Espanha com Sporting Gijón e Mallorca, por exemplo, na Inglaterra com Birmingham e West Ham, na Itália com a Udinese e Bari. E por aí a fora.

Dito isso, fica uma pergunta. qual o maior "jejum" de títulos nacionais da história do futebol. Mundial. O recorde atual é de incríveis 118 anos, ou 119 temporadas, e pertence ao clube escocês Dumbarton FC., sediado na cidade de Dumbarton.

É o quarto time mais antigo da Escócia, fundado em 1872, ainda nos primórdios do "futebol oficial". Seus fundadores foram um grupo de jovens que se reuniram na cidade de mesmo nome em uma tarde chuvosa de domingo no intuito de criarem um time para disputar partidas do esporte recém-criado pelos vizinhos ingleses.

No ano seguinte filiou-se à Associação Escocesa de Futebol (SFA) e passou a disputar algumas partidas amistosas e as copas de Dunbartonshire e da Escócia. Seu primeiro título em âmbito nacional veio na “Scottish Cup”, na temporada 1882/83, após dois vices seguidos entre 1880 e 1882.

A conquista foi diante do Vale of Leven com uma vitória por 2 X 1 no jogo extra, depois do empate na final do certame em 2 X 2.

Já foi um dos maiores clubes de futebol do século XIX, tendo ganhado a Scottish Football League no dois primeiros anos de competição, na longínqua temporada de 1890/91, cujo título foi dividido com o Glasgow Rangers.

Ambos terminaram a competição com os mesmos 29 pontos ganhos e jogaram uma partida extra para decidirem quem seria o campeão em Cathkin Park, que terminou empatada em 2 X 2 e com a Liga Escocesa de Futebol dividindo a taça entre as equipes.

O troféu voltou a ser conquistado pelos “Sons”, como é conhecido pelos torcedores, no campeonato seguinte e parou por aí. De lá para cá apenas conquistas de torneios sem expressão ou de divisões inferiores do futebol de seu país.

Desde então, o clube vêm passado a maioria dos anos nas divisões inferiores do futebol escocês, sendo em 1985 sua última participação na primeira divisão.

Seu estádio era o “Boghead Park”, com capacidade para duas mil pessoas. Outro fato que chama a atenção e também entrou para a história foi o fato de o estádio ter sido a sede que por mais tempo pertenceu a um clube profissional.

De 1879, quando foi inaugurado, até o ano dois mil, quando da mudança para o atual “Strathclyde Homes Stadium”, com capacidade também para dois mil espectadores, passaram-se 121 anos com o Dumbarton mandando seus jogos lá.

Após o segundo e último título nacional, o que tinha para ser a criação de um grande e popular clube do Reino Unido foi por água a baixo. Em 1897, após o fim da temporada, os diretores do clube decidiram se retirar da liga de futebol escocesa por divergências quanto à profissionalização do esporte, já que naquela época a prática ainda era totalmente amadora.

Tal impasse perdurou até idos de 1907, quando os cartolas do clube finalmente renderam-se ao novo modelo futebolístico implantado.

Como já citado, a partir de 1892 apenas títulos de segundo escalão a baixo foram conquistados pelo time de West Dunbartonshire, alternando alguns bons momentos como na duríssima derrota diante dos gigantes do Celtic apenas nos pênaltis, nas semifinais da Copa da Liga Escocesa de 1970, por 4 X 3 após empate sem gols no tempo normal e na prorrogação.

Ee na conquista do título da “First Division” (a segunda divisão) na temporada 1971/72 com o incrível recorde de42  gols marcados pelo atacante Kenny Wilson, artilheiro do torneio.

 Já nos anos 80 a situação ficou bastante difícil para o Dumbarton, que chegou a passar por três administradores diferentes e sucumbiu com seguidos rebaixamentos e alguns acessos esporádicos às divisões superiores - exceto a primeira - chegando a figurar na “Third Division”, a quarta divisão nacional.

Os anos seguintes mostraram apenas um clube "iô-iô", que ia e voltava entre os níveis inferiores do futebol escocês. Na atualidade os ”Sons” disputam a “Terceirona” escocesa depois de terem conquistado mais uma vez a quarta divisão.

Estão um pouco distante de retornarem à “First Division”, visto que ocupam apenas a 5ª colocação com 22 pontos, 13 atrás do líder Cowdenbeath.

Uniformes: Camisas amarelas com detalhes pretos, shorts e meiões pretos (titular). Camisas brancas com detalhes azuis, shorts azuis e meiões brancos (reserva)

Títulos (8): Copa da Escócia (1882/83), Campeonato Escocês (1890/91 e 1891/92), First Division (1910/11 e 1971/72), Taça Britânica do Festival de Saint Mungo (1951/52), Second Division (1991/92) e Third Division (2008/09) (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Gum, o "Guerreiro", deixa o Fluminense

Depois de nove anos vestindo a camisa do Fluminense, do Rio de Janeiro, o zagueiro Gum, o grande "guerreiro", deixa o clube e se aproxima da Chapecoense ou do CSA, para o ano de 2019. Trata-se do atleta que mais defendeu o tricolor carioca neste século: foram 414 partidas disputadas.

O Fluminense não mostrou interesse na renovação do contrato, embora o jogador fizesse de tudo para permanecer nas Laranjeiras, que considerava a sua casa. Mas antes de acertar o seu futuro, o jogador escreveu um emocionante texto para agradecer o seu período na rua Álvaro Chaves.

O jogador de 32 anos chegou a aceitar uma redução salarial, mas queria um vínculo de dois anos enquanto o clube só ofereceu contrato de uma temporada.

“Neste dia 31 de dezembro de 2018 chega ao fim essa história com as três cores que traduzem tradição. Posso afirmar com toda a minha sinceridade que não faltaram esforços da minha parte para permanecer.

Mas Deus sabe de todas as coisas. Saio de cabeça erguida, com a consciência de que dei tudo o que podia e não podia a essa torcida. Estarei com vocês sempre no meu coração”, diz parte do texto.

O Fluminense também agradeceu ao jogador, em mensagem colocada em seu site oficial: “Foram nove anos de dedicação, lutas e conquistas. Um símbolo do “Time de Guerreiros” e nosso grande capitão tricolor. Obrigado Gum”.

Gum é o oitavo jogador que mais vezes atuou na história do Fluminense. Com a camisa do tricolor foi bicampeão brasileiro (2010 e 2012) e estadual (2012), Duas Taças Guanabara (2012 e 2017), campeão da Primeira Liga (2016) e uma Taça Rio (2018)..

A ligação entre o zagueiro e o Tricolor é tão forte que muitos acreditam que ele foi revelado pela equipe. Mas a história de Gum começa muito antes da chegada às Laranjeiras, em 2009. Revelado pelo Marília, em 2004, o zagueiro ainda passou, sem sucesso, pelo Internacional, de Porto Alegre, até chegar à Ponte Preta, em 2008.

Então, com 22 anos, Gum foi um dos destaques da Ponte Preta, que ficou em 5º lugar na Série B de 2008. Após boas atuações também em 2009, o zagueiro começou a chamar a atenção de clubes da primeira divisão e acabou assinando com o Fluminense, em agosto daquele ano.

Tendo que assumir a responsabilidade de substituir o ídolo Thiago Silva, Gum chegou ao clube em meio à briga contra o rebaixamento.

O zagueiro Gum foi um dos jogadores mais vitoriosos da história recente do Fluminense.

Chegou ao clube em uma época que o Tricolor vivia uma situação conturbada e lutava contra o rebaixamento. Com apenas 23 anos, o zagueiro assumiu a responsabilidade e foi um dos líderes da equipe, que conseguiu a permanência e chegou nas finais da Copa Sul-Americana, no fim daquela temporada.

Nos anos seguintes, Gum viu a idolatria da torcida tricolor por ele crescer. Afinal, com o zagueiro no time titular, o Fluminense foi campeão brasileiro em 2010 e 2012.

De quebra, a equipe ainda garantiu o título carioca na temporada do tetra nacional. Entretanto, o desmanche do elenco por pouco não significou o fim da passagem do defensor pelo Flu.

O fim do contrato com a Unimed fez com que jogadores como Thiago Neves, Fred e Rafael Sóbis saíssem do clube. Além disso, Gum recebeu proposta do Corinthians de Tite para deixar o Tricolor em 2015. Entretanto, o zagueiro bateu o pé e preferiu permanecer na equipe carioca.

Sofrendo com os problemas financeiros vividos pelo Fluminense, Gum viu a equipe passar por desmanches e problemas salariais. Além disso, o Tricolor lutou contra o rebaixamento até o fim do Campeonato Brasileiro de 2018.

Em meio a tudo isso, o zagueiro preferiu deixar as conversas pela renovação de contrato para o fim do Brasileirão, visando focar na luta pela permanência na elite.

Mas, Gum parecia convicto da decisão antes mesmo de voltar a conversar com a diretoria do Fluminense. No fim do jogo contra o América-MG, que definiu a permanência do Tricolor na Série A do Campeonato Brasileiro, o zagueiro falou em tom de despedida. Com mais de nove anos de serviços prestados, a era de Gum no Tricolor parecia ter chegado ao fim.

“Amei essa camisa, me entreguei mais do que eu poderia, no limite físico e mental. Guardei fé, esperança e caráter, e hoje talvez seja meu último jogo. Já me emocionei, já chorei. Saio hoje com sentimento de amor ao clube e dever cumprido”, disse Gum, logo depois do fim do jogo contra o Coelho.

Sem Gum, o Fluminense tem Nathan Ribeiro, Ibañez e Higor Oliveira como zagueiros confirmados para a próxima temporada. Além disso, Matheus Ferraz, ex-América-MG está praticamente fechado com o Tricolor em 2019. A equipe carioca tanta a contratação de Nino, do Criciúma, e ainda acredita numa possível renovação de empréstimo de Digão, que pertence ao Cruzeiro. (Pesquisa: Nilo Dias)



quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Pode estar surgindo um novo fenômeno no futebol

Quem sabe não está surgindo no futebol paraguaio um novo fenômeno futebolístico. Trata-se de Fernando Ovelar, de apenas 14 anos de idade, o jogador mais jovem a fazer um gol no Campeonato da Primeira Divisão do país.

O seu feito correu o mundo, ao marcar o primeiro gol da partida disputada no Estádio Defensores del Chaco, em 4 de novembro deste ano, que terminou empatada em 2 X 2. Foi a sua segunda partida pelo Cerro Porteño, Ovelar não apenas foi titular no clássico contra o Olímpia como abriu o placar.


Dezesseis minutos levaram todos esses olhos concentrados na pelota que rodava pela grama do estádio Defensores del Chaco. Nas arquibancadas soavam cânticos enquanto nas ruas já não circulava nenhum carro, quando um passe de Juan Aguilar atravessou a defesa do Olímpia e encontrou Ovelar dentro da área.

Ovelar chegou à bola como uma locomotiva, deu uma cavadinha de canhota que a fez passar por cima do goleiro, que, caído no gramado, presenciou um feito notável. O “garoto histórico”, como foi batizado pela imprensa local, marcou o gol que cravou seu nome na história do futebol paraguaio.

Assim, ele tornou-se o mais jovem a marcar no clássico paraguaio, superando o atual corinthiano Sérgio Diaz, que em maio de 2015, anotou aos 17 anos, um mês e 28 dias, também pelo Cerro Porteño. 


E também o ex-atacante do Olímpia Gustavo Neffa, que havia anotado com 15 anos, 8 meses e 16 dias, em 1987. Também é o mais novo a disputar o clássico paraguaio e o segundo do mundo a marcar em uma liga de primeira divisão, atrás apenas do armênio Armen Ghazaryan, (14 anos, 7 meses e 15 dias). Ovelar jogou 63 minutos e teve outras duas chances de gol.

Ninguém imaginava que um "mita'í" (garoto, no idioma guarani, a língua mais popular do Paraguai) poderia demonstrar tanta personalidade diante de jogadores experientes, a maioria com o dobro de sua idade.

Somente seu treinador tinha alguma noção do que ele era capaz. O espanhol Fernando Jubero, que agora dirige o Cerro Porteño, foi quem tomou a decisão de lançá-lo a campo.

Formado em psicopedagogia, Jubero se tornou treinador profissional no Paraguai, onde já dirigiu os quatro principais times do país: Guarani, Olimpia e Libertad, antes de chegar este ano ao Cerro. Na rodada anterior, Jubero lançou Ovelar já como titular no empate em 1 X 1 com o 3 de Febrero.

No Paraguai exige-se que os clubes contem com pelo menos um jogador sub-19 em cada partida. Algo que, segundo Jubero, coincide com a intenção da equipe de mesclar jogadores rodados a outros pratas da casa, que vistam a camisa e representem com orgulho o Cerro Porteño. 

Barcelonês de alma paraguaia, Jubero já comandou Guaraní, Olímpia e Liberdad, revelando sempre novas promessas e deixando boas impressões. O técnico, ex-observador de jogadores do Barcelona, descobriu o jovem Ovelar jogando na seleção sub-15. 

Ele me surpreendeu. É um jogador muito maduro para sua idade. Por isso o chamei para trabalhar no plantel principal”, conta o “professor”, como lhe chamam no Paraguai. Quando decidiu subir o garoto, foi a sua casa para conversar com sua família.

Jubero, que não em vão foi também professor primário, detalhou os planos para o jovem: é obrigatório dar prioridade aos estudos, tem que desfrutar do futebol como fez até agora e deve trabalhar com humildade porque “muitos chegam e poucos se consolidam”. 

“Os estudos têm que andar ao lado do futebol. Se deixar a escola, eu deixo de contar com ele. A educação é fundamental para um jogador de sua idade. Primeiro a pessoa, depois o atleta. Expliquei a sua mãe e o jogador entendeu tudo. São gente trabalhadora, com valores”, relatou sobre o encontro.

O atleta nasceu em 6 de janeiro de 2004, em Assunção, capital do Paraguai. O seu futebol parece que não surge por acaso. Está no sangue da família. Ele é neto do ex-zagueiro Gerónimo Ovelar, defensor paraguaio das décadas de 1970 e 1980, que jogou pelo Cerro Porteño entre 1976 e 1981 e foi campeão da Copa América de 1979 com a seleção paraguaia, na última vez que levantou a taça continental.


Se há um dia tenso em Assunção é quando Cerro Porteño, “o ciclone” do bairro operário, e Olímpia, o "Rei de Copas”, se enfrentam no superclássico do Paraguai. Ônibus lotados até o teto de torcedores com tambores e bandeiras atravessam o centro histórico que em qualquer outro domingo estaria em silêncio. Ambos os clubes arrastam 40 mil pessoas ao estádio e a quase todo o resto do país que acompanham o jogo em rádio ou televisão.

Fernando Ovelar já é o principal destaque do time Sub-15 do Cerro e da Seleção Nacional da categoria. No seu time, chamou a atenção do técnico Fernando Jubero, um espanhol especialista em revelar jogadores, que trabalhou como observador internacional no Barcelona e, depois, passou por diversos países buscando talentos para a Aspire Academy, do Catar.


Pelo mundo afora se conta como poucos os jogadores que debutaram profissionalmente tão cedo. “Pelé”, por exemplo, começou no Santos, já mostrando seu lado de goleador, marcando um gol na goleada de 7 X 1 sobre o Corinthians, de Santo André, em setembro de 1956, quando contava com apenas 15 anos e 10 meses de idade.

Maradona era apenas um mês mais velho quando fez seu primeiro jogo profissional pelo Argentinos Juniors, em outubro de 1976. Parceiro de ataque de “Pelé” no Santos, Coutinho começou ainda mais cedo: aos 14 anos e 11 meses, apenas um pouco mais velho que Fernando Ovelar, já atuava ao lado de adultos.

Começar cedo a carreira não é garantia de sucesso para ninguém. Está ai o exemplo de do boliviano Mauricio Bldivieso, até hoje o jogador mais jovem a disputar um jogo de primeira divisão na América do Sul.

Lançado por seu pai e treinador em um jogo do Aurora, quando tinha 12 anos, em julho de 2009, três dias antes do seu 13º aniversário. Depois de rodar por outros clubes do país, Baldivieso hoje atua no San José, também da Primeira Divisão boliviana.

No Peru, Fernando Garcia tinha 13 anos e 11 meses quando debutou pelo Juan Aurich, em junho de 2001. Encerrou a carreira no Alianza Atletico, depois de rodar por clubes do país, sem muito sucesso.

No futebol africano, o togolês Souleymane Mamam é conhecido como o jogador mais jovem a disputar uma partida de eliminatórias de Copa do Mundo, ao entrar em campo contra Zâmbia com 13 anos e 310 dias, em maio de 2001.

A convocação de Mamam sugeriu, naturalmente, que ele já atuava ainda mais novo em sua cidade natal, Lomé. No entanto, há suspeitas de que o registro de nascimento do jogador tenha sido adulterado, o que deixa no ar a controvérsia sobre a real idade da sua estreia.

O caso mais famoso de jogador jovem que não teve o sucesso esperado na carreira é do ganês naturalizado americano, Freddy Adu. Tratado como uma joia nos Estados Unidos, Adu estreou no DC United em abril de 2004, com 14 anos e dez meses.

Com passagem por outros 12 clubes, incluindo o Bahia, em 2013, Adu joga atualmente, aos 29 anos, no Las Vegas Lights, de uma liga secundária dos Estados Unidos. (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Morreu o artilheiro do “Paulistão” de 1967

Antônio Parada Neto, popularmente conhecido por “Parada”, artilheiro do Guarani Futebol Clube, de Campinas (SP), no Paulistão de 1967, morreu na última quarta-feira (21), aos 79 anos de idade, em sua residência no bairro do Bom Retiro, em São Paulo.

Nos últimos anos de vida, o ex-jogador tinha muita dificuldade de locomoção e vivia de "bicos" no tradicional bairro paulistano.

Sua carreira de futebolista começou nos juvenis do Clube Atlético Ypiranga, tradicional agremiação paulista, em 1956. Teve passagens pelo Palmeiras, Corinthians, Nacional (SP), Ferroviária, de Araraquara, Botafogo, do Rio de Janeiro, Bangu, Campeão Carioca de 1966, onde foi ídolo e no Fast Club e Rio Negro, do Amazonas, onde encerrou a carreira após uma séria lesão.

Na Seleção Brasileira fez parte do grupo de jogadores que se preparava para a Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra. Pressionados pelos clubes que queriam seus atletas na seleção, a comissão técnica e o treinador Vicente Feola convocaram 47 jogadores para um período de treinamento nas cidades de Serra Negra (SP) e de Caxambu (MG) antes da competição.

Em razão do elevado número de jogadores formaram-se quatro times (branco, azul, verde e grená) e decidiu-se que os cortes seriam feitos antes da Seleção Brasileira viajar para a Europa. “Parada” foi um dos 25 jogadores cortados e não pode participar do Copa do Mundo de 66.

Em 28 de maio de 1966, o “Bugre” de Campinas foi medir forças contra a Seleção Brasileira que se preparava para o Mundial na Inglaterra. O jogo foi realizado em Serra Negra, na época local de treinos e jogos do Brasil.

A Seleção goleou por 5 X 1, e Parada fez um dos gols contra o seu futuro clube. A Seleção Brasileira formou nesse jogo-treino com Manga - Djalma Santos – Ditão - Orlando e Rildo. Dudu e Lima. Jairzinho – Silva - Parada e Paraná. O árbitro foi Romualdo Arpi Filho e  a renda somou Cr$ 8.652.000.

“Parada” chegou ao Guarani em abril de 1967 e sua estreia se deu em um jogo amistoso comemorativo ao 56º aniversário do clube. O Guarani venceu a Portuguesa de Desportos por 2 X 1.

O atacante foi a artilheiro do Guarani no Paulistão com 10 gols, sendo cinco deles em cobrança de pênaltis. Foram 30 jogos com o manto “bugrino” e o gol mais lembrado dele foi contra o Corinthians no “Brinco de Ouro”, aos 45 minutos da etapa final, empatando a partida em  1 X 1.

“Parada” participou do amistoso internacional do Guarani contra a Seleção da República Democrática do Congo, antes de se despedir do futebol paulista e do “Bugre Campineiro”.

Após a passagem pelo Guarani em 1967, retornou ao Bangu em 1968. O "Italianinho", como era chamado pelos amigos, merecia um busto em “Moça Bonita”, conforme escreveu em sua crônica André Felipe de Lima.

O blog “Tardes de Pacaembu”, prestou uma bonita homenagem ao ex-craque:

"Parada"… um funileiro em Moça Bonita

Entre carrocerias desmontadas, martelos, lixas, massas, solventes e tintas, o jovem Toninho parecia perder o rumo do trabalho quando imaginava seu nome ovacionado nos grandes estádios.

Nas dias de folga esquecia o macacão manchado de óleo. Saia de casa cedo e encontrava os amigos para jogar nos inúmeros campos de várzea do bairro do Bom Retiro.

Aos 16 anos de idade era um fiapo de gente que mal pesava 58 quilos. Mesmo com tanta intimidade no trato com a bola, Toninho não esperava ir tão longe!

Antônio Parada Neto, que um dia foi chamado de “Pelé branco”, nasceu na cidade de Araraquara (SP), no dia 20 de fevereiro de 1939.

Em 1955 tomou coragem e partiu para uma experiência que certamente lhe custaria o emprego. Incentivado por um amigo carioca, Toninho aventurou-se para um período de testes no Fluminense, quando foi avaliado por um período de 40 dias.

Sem sucesso nas "Laranjeiras", Toninho retornou para o seu ofício de funileiro, em outra oficina é claro. Algum tempo depois conseguiu ser aprovado nos quadros amadores do Clube Atlético Ypiranga.

Centroavante de origem, ora ou outra sentia os efeitos das divididas e dos solavancos dos becões, que tentavam brecar seu talento de qualquer maneira.

Quando o juvenil do Ypiranga goleou o Palmeiras por 6 X 3 dentro do Parque Antártica, os homens do alviverde logo perceberam que precisavam ter um garoto assim em suas fileiras.

No Palmeiras, "Parada" foi aproveitado inicialmente no quadro de Aspirantes. Mas, sua promissora ascensão foi interrompida pelo serviço militar.

"Parada" participou da Seleção Brasileira Militar que venceu o Sul-Americano da categoria em 1959. A forte linha ofensiva era formada por Bataglia, Parada, Pelé, Lorico ou Ariston e Parobé.

Retornando ao Parque Antártica, "Parada" assinou seu primeiro compromisso profissional. O Palmeiras, campeão paulista de 1959, contava um elenco muito forte e dessa forma Parada teve poucas chances de ser efetivado como titular.

No início de 1961, seu nome foi disponibilizado ao lado do companheiro Ismael como parte do pagamento pelo passe do goleiro da Ferroviária, Florisvaldo Rosan.

"Parada" atuou pelo alviverde no período compreendido entre 1957 e 1960. Ao todo, foram 71 partidas com 40 vitórias, 15 empates, 16 derrotas e 19 gols marcados.

Os números foram publicados no Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Depois de duas temporadas de muito sucesso em Araraquara, "Parada" recebeu uma visita inesperada em sua casa. Era o famoso dirigente do Bangu Atlético Clube, Castor Gonçalves de Andrade e Silva.

Quem indicou "Parada" para Castor de Andrade foi o técnico Elba de Pádua Lima, o Tim, que também tinha firmado compromisso com o time de "Moça Bonita".

Com tudo acertado, Castor abriu sua pasta e entregou 50 mil cruzeiros nas mãos de "Parada". O dinheiro era mais do que suficiente para providenciar uma mudança de “mala e cuia” para o Rio de Janeiro.

"Parada" foi um dos grandes nomes do ataque alvirrubro naquela primeira metade dos anos sessenta.

Participou da ótima equipe que ficou na terceira colocação do campeonato estadual de 1963, depois de liderar praticamente todo o certame e perder o título somente nas últimas rodadas.

Em 1964 foi campeão do Torneio Início e vice campeão carioca, posição que também foi repetida na edição de 1965.

No ano seguinte, quando o Bangu foi campeão carioca de 1966, "Parada" já não estava mais no elenco. Vendido ao Botafogo de Futebol e Regatas por 150 milhões de cruzeiros, o jogador teve que abrir mão dos 15% que teria direito na transação.

Jogando pelo time da “Estrela Solitária”, "Parada" foi campeão e artilheiro do Torneio Rio-São Paulo com oito gols marcados.

Com empate na pontuação e falta de calendário para um quadrangular final, o título foi dividido entre Botafogo, Vasco da Gama, Corinthians e Santos.

Ainda em 1966, "Parada" esteve entre os convocados para o período de preparação visando o mundial da Inglaterra.

Em 1967 "Parada" voltou ao futebol paulista para defender o Guarani Futebol Clube. Parada não ficou por muito tempo em Campinas e logo voltou aos gramados cariocas para uma segunda passagem, apenas discreta, pelo mesmo Bangu.

Do Bangu foi novamente para o Botafogo e fez parte do elenco campeão carioca de 1968. Negociado com Sport Club Corinthians Paulista, Parada não se deu bem no "Parque São Jorge".

Foram apenas três partidas disputadas com duas vitórias, uma derrota e nenhum gol marcado. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Mais uma vez no Bangu em 1969, "Parada" percebeu que sua melhor fase no futebol carioca já tinha passado.

Em 1970 foi parar no Amazonas. Primeiramente jogou pelo Nacional Fast Clube e depois pelo Atlético Rio Negro Clube, onde encerrou sua carreira em 1975 com uma grave contusão no joelho. (Pesquisa: Nilo Dias)