Nilo Dias Repórter

Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Histórias do futebol gaúcho (1)

O Campeonato Gaúcho de antigamente era disputado de uma forma bem diferente do que é hoje. Os clubes eram divididos em chaves regionais, geralmente Serra, Sul, Centro e Metropolitana. O campeão de cada uma dessas regiões disputava as partidas finais que eram realizadas em Porto Alegre.

Eu lembro bem dos campeonatos municipais, que eram mais valorizados que hoje. O campeão de cada cidade é que participava das disputas estaduais. Quando morei em Pelotas e trabalhei na imprensa de lá, rádios “Tupancy” e “Pelotense”, jornal “Diário Popular” e “Sucursal da Companhia Jornalística Caldas Júnior”, fiz muitas coberturas desses campeonatos.

Em 1960 foi mudada a fórmula do Campeonato Gaúcho. Os certames municipais deixaram de ser classificatórios para o Estadual, passando a reunir um número fixo de equipes, com acesso e descenso.

Dia desses encontrei na Internet algumas histórias interessantes que se passaram ao tempo dos certames municipais, lembradas pelo jornalista Rogério Bohlke. O campeonato de Uruguaiana, por exemplo, era um dos mais fortes. Os times de lá, Uruguaiana, Ferro Carril e Sá Viana, todos de muita tradição, viviam tempos de glória.

Eu lembro de quando estava internado no Colégio Santa Maria, dos Irmãos Maristas, em Santa Maria. Quando havia jogos de futebol a noite, geralmente era permitida a ida até os estádios. Lembro de um jogo amistoso disputado no estádio do Riograndense, entre o periquito santa-mariense e o Sá Viana, de Uruguaiana, que tinha um timaço.

Destacava-se nessa equipe um atacante de nome Nei Sávi. Era elegante para jogar e altamente técnico. Se jogasse hoje, certamente seria titular em qualquer equipe do futebol brasileiro.

Pois bem, nessas historinhas encontradas na Internet, destaca-se uma. Em 1966, o Uruguaiana, era o time mais forte da cidade, e vencia ao Sá Viana por 1 X 0, até os 42 minutos da primeira etapa.
Foi quando aconteceu o inusitado.

Em lance de ataque do Uruguaiana, faltando um minuto para acabar o primeiro tempo, o jogador Abeguar, o craque do time, teve um profundo corte no supercílio, depois de se chocar contra um zagueiro adversário. Como saia muito sangue ele teve de ser atendido em um hospital da cidade.

O técnico do Uruguaiana era Guizzoni, que depois dirigiu o Flamengo, de Caxias do Sul e outras equipes interioranas. Na confusão que se formou o treinador não lembrou de substituir o atleta lesionado.

Naqueles tempos de antigamente a regra especificava que substituições só podiam acontecer até o final da primeira etapa. O presidente do Uruguaiana era um fazendeiro muito rico, chamado de “Funcho”, que meio desorientado na volta da equipe para o segundo tempo, gritou:

“Abeguar, não tem outro jeito. Com um a menos nós vamos perder esse jogo. Vai lá no hospital, faz um curativo, pede para te remendarem a “caixola” e volta para jogar. Se tu voltar e fizer um gol e nós vencermos, e te darei de presente uma quadra de campo povoada”.

O segundo tempo teve inicio com a vitória parcial do Uruguaiana por 1 X 0 e o time com 10 jogadores em campo. Aos 15 minutos Abeguar deu com as caras no estádio, com a a cabeça toda enfaixada. Entrou em campo e se comportou como se nada tivesse acontecido com ele e ainda fez o segundo gol do seu time que ganhou por 2 x 1.

O goleiro do Uruguaiana era Vilson Bagatini, que depois se tornou árbitro e escritor de renome, que somente sofreu dois gols em toda a temporada. É irmão de outro Bagatini, também goleiro, que entre outros clubes jogou por Flamengo, de Caxias do Sul, S.E.R. Caxias e Internacional, de Porto Alegre.

O Uruguaiana foi campeão da cidade, e depois campeão da Fronteira, tendo derrotado o 14 de Julho, de Livramento. Mas acabou perdendo a partida final para o Gaúcho, de Passo Fundo, que disputou em 1967, pela primeira vez, a Divisão Principal do futebol gaúcho.

O primeiro jogo entre Uruguaiana X Gaúcho, pelas finais, foi realizado na Fronteira, dia 11 de dezembro de 1966, com vitória jalde-negra por 1 X 0, gol anotado por Caio, aos 40 minutos da fase final. No jogo de volta, em Passo Fundo, dia 18, o Gaúcho ganhou de goleada, 5 X 0, provocando uma prorrogação.

Naquele tempo não existia saldo de gols, como ocorre hoje. No tempo suplementar o Gaúcho ganhou de novo, dessa feita por 1 X 0. Bebeto, depois apelidado de “Canhão da Serra”, que marcou o gol que levou o time de Passo Fundo ao “Gauchão”, aos 12 minutos da segunda etapa.

 O Uruguaiana, com a ajuda de fazendeiros viajou de avião para Passo Fundo. Segundo alguns pesquisadores afirmam, essa foi a primeira vez que um time gaúcho da Segunda Divisão viajou de avião. Sabe-se que a pista do aeroporto de Passo Fundo era de terra batida, o que obrigou a delegação uruguaianense ficar 20 minutos dentro da aeronave, até que a poeira baixasse.

O árbitro do jogo foi Flávio Cavedini, apelidado na época de Flavio Gavedini (alusão a gaveta), auxiliado por Juarez Oliveira e Timóteo Lopes da Costa. O time do Uruguaiana, na época uma das melhores formações de sua história jogou com Bagatini – Vera – Mujica - Bom Filho e Valmor. Paré e Volf. Paulo – Barzoni - Abeguar e Caio. O técnico era Rodolfo Guizzoni.

Mas a história não acaba por aqui. Os ricos fazendeiros que não poupavam dinheiro para ajudar o Uruguaiana, eram acostumados a frequentar os luxuosos cabarés da cidade e também da capital, quando viajavam a “negócios” até Porto Alegre.

E presenteavam os jogadores mais destacados de igual forma que as “meninas”, ou seja, botando notas de dinheiro alto, dentro dos calções dos atletas. No caso das “moças”, era na calcinha ou na cinta do espartilho.

Mas como tudo o que é bom dura pouco, ao término do ano de 1966 o Uruguaiana vendeu todo o time e fechou as portas. Entre os atletas que foram embora, sabe-se que Bagatini foi para o Flamengo, de Caxias do Sul, Bom Filho, para o Juventude, também de Caxias do Sul, Mujica para o Ypiranga, de Erechim. Valmor, para o14 de Julho, de Passo Fundo, Gonzaga e Paré, para o Brasil de Pelotas. (Pesquisa: Nilo Dias)
O Campeonato Gaúcho de antigamente era disputado de uma forma bem diferente do que é hoje. Os clubes eram divididos em chaves regionais, geralmente Serra, Sul, Centro e Metropolitana. O campeão de cada uma dessas regiões disputava as partidas finais que eram realizadas em Porto Alegre.

Eu lembro bem dos campeonatos municipais, que eram mais valorizados que hoje. O campeão de cada cidade é que participava das disputas estaduais. Quando morei em Pelotas e trabalhei na imprensa de lá, rádios “Tupancy” e “Pelotense”, jornal “Diário Popular” e “Sucursal da Companhia Jornalística Caldas Júnior”, fiz muitas coberturas desses campeonatos.

Em 1960 foi mudada a fórmula do Campeonato Gaúcho. Os certames municipais deixaram de ser classificatórios para o Estadual, passando a reunir um número fixo de equipes, com acesso e descenso.

Dia desses encontrei na Internet algumas histórias interessantes que se passaram ao tempo dos certames municipais, lembradas pelo jornalista Rogério Bohlke. O campeonato de Uruguaiana, por exemplo, era um dos mais fortes. Os times de lá, Uruguaiana, Ferro Carril e Sá Viana, todos de muita tradição, viviam tempos de glória.

Eu lembro de quando estava internado no Colégio Santa Maria, dos Irmãos Maristas, em Santa Maria. Quando havia jogos de futebol a noite, geralmente era permitida a ida até os estádios. Lembro de um jogo amistoso disputado no estádio do Riograndense, entre o periquito santa-mariense e o Sá Viana, de Uruguaiana, que tinha um timaço.

Destacava-se nessa equipe um atacante de nome Nei Sávi. Era elegante para jogar e altamente técnico. Se jogasse hoje, certamente seria titular em qualquer equipe do futebol brasileiro.

Pois bem, nessas historinhas encontradas na Internet, destaca-se uma. Em 1966, o Uruguaiana, era o time mais forte da cidade, e vencia ao Sá Viana por 1 X 0, até os 42 minutos da primeira etapa.
Foi quando aconteceu o inusitado.

Em lance de ataque do Uruguaiana, faltando um minuto para acabar o primeiro tempo, o jogador Abeguar, o craque do time, teve um profundo corte no supercílio, depois de se chocar contra um zagueiro adversário. Como saia muito sangue ele teve de ser atendido em um hospital da cidade.

O técnico do Uruguaiana era Guizzoni, que depois dirigiu o Flamengo, de Caxias do Sul e outras equipes interioranas. Na confusão que se formou o treinador não lembrou de substituir o atleta lesionado.

Naqueles tempos de antigamente a regra especificava que substituições só podiam acontecer até o final da primeira etapa. O presidente do Uruguaiana era um fazendeiro muito rico, chamado de “Funcho”, que meio desorientado na volta da equipe para o segundo tempo, gritou:

“Abeguar, não tem outro jeito. Com um a menos nós vamos perder esse jogo. Vai lá no hospital, faz um curativo, pede para te remendarem a “caixola” e volta para jogar. Se tu voltar e fizer um gol e nós vencermos, e te darei de presente uma quadra de campo povoada”.

O segundo tempo teve inicio com a vitória parcial do Uruguaiana por 1 X 0 e o time com 10 jogadores em campo. Aos 15 minutos Abeguar deu com as caras no estádio, com a a cabeça toda enfaixada. Entrou em campo e se comportou como se nada tivesse acontecido com ele e ainda fez o segundo gol do seu time que ganhou por 2 x 1.

O goleiro do Uruguaiana era Vilson Bagatini, que depois se tornou árbitro e escritor de renome, que somente sofreu dois gols em toda a temporada. É irmão de outro Bagatini, também goleiro, que entre outros clubes jogou por Flamengo, de Caxias do Sul, S.E.R. Caxias e Internacional, de Porto Alegre.

O Uruguaiana foi campeão da cidade, e depois campeão da Fronteira, tendo derrotado o 14 de Julho, de Livramento. Mas acabou perdendo a partida final para o Gaúcho, de Passo Fundo, que disputou em 1967, pela primeira vez, a Divisão Principal do futebol gaúcho.

O primeiro jogo entre Uruguaiana X Gaúcho, pelas finais, foi realizado na Fronteira, dia 11 de dezembro de 1966, com vitória jalde-negra por 1 X 0, gol anotado por Caio, aos 40 minutos da fase final. No jogo de volta, em Passo Fundo, dia 18, o Gaúcho ganhou de goleada, 5 X 0, provocando uma prorrogação.

Naquele tempo não existia saldo de gols, como ocorre hoje. No tempo suplementar o Gaúcho ganhou de novo, dessa feita por 1 X 0. Bebeto, depois apelidado de “Canhão da Serra”, que marcou o gol que levou o time de Passo Fundo ao “Gauchão”, aos 12 minutos da segunda etapa.

 O Uruguaiana, com a ajuda de fazendeiros viajou de avião para Passo Fundo. Segundo alguns pesquisadores afirmam, essa foi a primeira vez que um time gaúcho da Segunda Divisão viajou de avião. Sabe-se que a pista do aeroporto de Passo Fundo era de terra batida, o que obrigou a delegação uruguaianense ficar 20 minutos dentro da aeronave, até que a poeira baixasse.

O árbitro do jogo foi Flávio Cavedini, apelidado na época de Flavio Gavedini (alusão a gaveta), auxiliado por Juarez Oliveira e Timóteo Lopes da Costa. O time do Uruguaiana, na época uma das melhores formações de sua história jogou com Bagatini – Vera – Mujica - Bom Filho e Valmor. Paré e Volf. Paulo – Barzoni - Abeguar e Caio. O técnico era Rodolfo Guizzoni.

Mas a história não acaba por aqui. Os ricos fazendeiros que não poupavam dinheiro para ajudar o Uruguaiana, eram acostumados a frequentar os luxuosos cabarés da cidade e também da capital, quando viajavam a “negócios” até Porto Alegre.

E presenteavam os jogadores mais destacados de igual forma que as “meninas”, ou seja, botando notas de dinheiro alto, dentro dos calções dos atletas. No caso das “moças”, era na calcinha ou na cinta do espartilho.


Mas como tudo o que é bom dura pouco, ao término do ano de 1966 o Uruguaiana vendeu todo o time e fechou as portas. Entre os atletas que foram embora, sabe-se que Bagatini foi para o Flamengo, de Caxias do Sul, Bom Filho, para o Juventude, também de Caxias do Sul, Mujica para o Ypiranga, de Erechim. Valmor, para o14 de Julho, de Passo Fundo, Gonzaga e Paré, para o Brasil de Pelotas. (Pesquisa: Nilo Dias)

O time do Uruguaiana, em 1966, era muito forte.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Os 50 clubes de futebol mais antigos do Brasil

1 - 19/07/1900 - Sport Club Rio Grande, de Rio Grande (RS), o mais antigo clube brasileiro ainda em atividade.

2 - 11/08/1900 - Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas (SP), o mais antigo clube paulista ainda em atividade.

3 - 14/07/1902 - Esporte Clube 14 de Julho, de Santana do Livramento (RS), fundado em cidade na fronteira com o Uruguai.

4 - 21/07/1902 - Fluminense Football Club, do Rio de Janeiro. Primeiro dos 12 maiores clubes do Brasil a entrar em campo e o primeiro a ostentar a palavra futebol no nome.

5 - 13/09/1902 - Esporte Clube Vitória, de Salvador (BA). Fundação do clube: 13/05/1899. Primeiro clube baiano ainda em atividade a entrar em campo, em 22/05/1901, informalmente por associados. Departamento de futebol inaugurado em 1902, primeira partida do clube em 13/09/1902.

6 - 15/09/1903 - Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Primeiro clube de Porto Alegre ainda em atividade.

7 - 17/04/1904 - Bangu Atlético Clube, do Rio de Janeiro. É o mais antigo clube oriundo de fábrica do Brasil ainda em atividade.

8 - 12/08/1904 - Botafogo de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro. Fundação do clube de remo: 01/07/1894. Do Botafogo de Regatas, que se juntaria ao Botafogo Futebol Clube em 08/12/1942, formando o Botafogo de Futebol e Regatas.

9 - 18/09/1904 - América Football Club, do Rio de Janeiro. Primeiro clube da Grande Tijuca ainda em atividade.
      
10 - 13/05/1905 - Sport Club do Recife. Primeiro clube pernambucano em atividade a entrar em campo em 11/06/1906    

11 - Associação Atlética Internacional, de Bebedouro (SP)

12 - 07/09/1906 - Esporte Clube Ypiranga, de Salvador (BA)
            
13 - 19/04/1907 - Guarany Futebol Clube, de Bagé (RS)         
14 - 07/09/1907 - Clube Atlético Pirassununguense, de Pirassununga (SP)

15 - 25/03/1908 - Clube Atlético Mineiro, de Belo Horizonte (MG), primeiro clube mineiro ainda em atividade.

16 - 04/06/1908 - Sport Club São Paulo, de Rio Grande (RS)

17 - 28/06/1908 - Villa Nova Atlético Clube, de Nova Lima (MG), primeiro clube mineiro ainda em atividade a entrar em campo, logo no dia de sua fundação.

18 - 11/10/1908 - Esporte Clube Pelotas, de Pelotas (RS).

19 - 15/11/1908 - Barra Mansa Futebol Clube, de Barra Mansa (RJ). Primeiro clube do Sul Fluminense ainda em atividade.

20 - 03/01/1909 - Sport Club Penedense, de Penedo (AL). Primeiro clube alagoano ainda em atividade.

21 - 04/04/1909 - Sport Club Internacional, de Porto Alegre (RS).

22 - 09/05/1909 - Rio Claro Futebol Clube, de Rio Claro (SP).

23 - 17/05/1909 - Paulista Futebol Clube, de Jundiaí (SP).

24 - 06/06/1909 - Resende Futebol Clube, de Resende     (RJ)       
25 – 11/07/1909 – Foot Ball Club Rio-Grandense, de Rio Grande (RS)

26 - 25/07/1909 - Clube Náutico Capibaribe, de Recife      (PE). Fundação do clube: 07/04/1901.

27 - 01/08/1909 - São Cristóvão de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro.       Fundação de um dos clubes que o formou, o de regatas: 12/10/1898.

28 - 12/10/1909 - Coritiba Foot Ball Club, de Curitiba. Primeiro clube paranaense ainda em atividade.

29 - 01/09/1910 - Esporte Clube Noroeste, de Bauru (SP)

30 - 01/09/1910 - Sport Club Corinthians Paulista. Primeiro clube paulistano ainda em atividade.

31 - 02/04/1911 - Guarani Futebol Clube, de Campinas (SP)

32 - 23/04/1911 - Clube Esportivo Lajeadense, de Lajeado (RS). Primeiro clube do Vale do Taquari ainda em atividade.

33 - 01/05/1911 - Esporte Clube Novo Hamburgo, de Novo Hamburgo (RS), primeiro clube do Vale do Rio dos Sinos ainda em atividade.

34 - 15/08/1911 - Tupynambás Futebol Clube, de Juiz de Fora (MG), primeiro clube da Zona da Mata (MG) ainda em atividade.

35 - 07/09/1911 - Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas (RS).

36 - 10/10/1911 - Comercial Futebol Clube, de Ribeirão Preto (SP)

37 - 14/04/1912 - Santos Futebol Clube, de Santos (SP). Primeiro clube da Baixada Santista ainda em atividade.

38 - 30/04/1912 - América Futebol Clube, de Belo Horizonte    (MG).

39 - 01/05/1912 - Operário Ferroviário Esporte Clube, de Ponta Grossa (PR).

40 - 03/05/1912- Clube de Regatas do Flamengo, do Rio de Janeiro. Fundação do clube: 17/11/1895.

41 - 07/05/1912 - Riograndense Futebol Clube, de Santa Maria (RS)

42 - 26/05/1912 - Tupi Football Club, de Juiz de Fora (MG).

43 - 20/08/1912 - Goytacaz Futebol Clube, de Campos dos Goytacazes (RJ). Primeiro clube do Norte Fluminense ainda em atividade.

44 - 20/09/1912 - Clube de Regatas Brasil, de Maceió (AL). Primeiro clube de Maceió ainda em atividade.

45 - 01/10/1912 - Vitória Futebol Clube, de Vitória (ES). Primeiro clube capixaba ainda em atividade.

46 - 12/10/1912 - Associação Atlética Francana, de Franca (SP).

47 - 05/11/1912 - Clube Esportivo Rio Branco, de Campos dos Goytacazes (RJ)

48 - 13/01/1913 - Nacional Futebol Clube, de Manaus (AM). Primeiro clube da Região Norte ainda em atividade.

49 - 26/03/1913 - Futebol Clube Santa Cruz, de
Santa Cruz do Sul (RS).

50 - 21/04/1913 - Clube do Remo, de Belém do Pará. Fundação do clube: 05/02/1905 - Primeiro clube paraense ainda em atividade. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.)


Sport Club Rio Grande, de Rio Grande (RS), o "vovô" do futebol brasileiro. 

terça-feira, 21 de março de 2017

O árbitro que expulsou o próprio filho

Existem árbitros de futebol mais enérgicos que outros. Não tem caras de bons amigos, não aceitam provocações de jogadores e não poupam cartões amarelos e vermelhos.

Poderia fazer uma análise mais alongada do comportamento de conhecidos profissionais do passado ou do presente, mas não o farei. Vou procurar me ater em um personagem que foi marcante nos anos 50 e 60 no futebol carioca e paulista.

A maioria dos leitores, principalmente os mais jovens certamente nunca ouviram falar de Paul Katchborian. Ele foi apenas mais um personagem entre tantos outros que percorreram os caminhos do futebol, sem ter seu nome gravado na história como ídolo, ou ao menos reconhecido pelo trabalho exercido, que nem sempre foi fácil.

Katchborian não era brasileiro. Nasceu na França em 6 de fevereiro de 1928 e morreu em 2015, aos 87 anos. Seus pais eram armênios e se refugiaram na França. Quando tinha apenas quatro anos de idade sua família veio morar no Brasil. Não tenho maiores detalhes sobre a sua vida de menino ou o que fazia antes de se tornar juiz de futebol.

Modesto, gostava de lembrar passagens de sua carreira como juiz de futebol. Era torcedor declarado do Santos, e tinha orgulho em dizer que apitara jogos em que estava em campo “um tal de Pelé”.

Apenas como curiosidade, transcrevo aqui dados de um jogo apitado por Paul Katchborian. Foi entre Corinthians X Guarani, de Campinas, disputado no dia 31 de outubro de 1959, um sábado, no Estádio Alfredo Schurig, mais conhecido por “Parque São Jorge’, na capital paulista.

O Corinthians venceu por 2 X 0, gols de Joãozinho, aos 32 minutos do primeiro tempo e Miranda, de pênalti, aos 18 minutos da etapa final. A renda do jogo somou Cr$ 271.275,00.

Corinthians: Gilmar – Valmir - Olavo e Ari. Roberto e Oreco. Miranda – Joãozinho – Joaquinzinho - Luizinho e Tite. Técnico: Sylvio Pirillo.

Guarani: Dimas - Belluomini e Ditinho. Válter - Eraldo e Bombinha. Ferrari – Fifi – Rodrigo - Benê I e Leal.

Como não poderia deixar de ser, Paul passou aos filhos e netos a paixão pelo time alvinegro santista. Pasmem. Mesmo tendo apitado muitos jogos na Vila Belmiro, quando no auge de sua carreira como árbitro, Katchborian só entrou no estádio na condição de torcedor, em 2005, quando já somava 77 anos de idade.

Quem o levou a Vila Belmiro foi um de seus filhos, Artur, e o neto Pedro. O Santos enfrentou nesse dia ao Atlético Paranaense pela Copa Libertadores daquele ano. O Santos perdeu por 2 X 0, com dois gols de Aloísio Chulapa, mas para Paul o resultado pouco importou.

Pedro, que hoje é jornalista também foi a Vila pela primeira vez naquele dia. Lembra de tudo, embora só tivesse 13 anos, até mesmo da reação do seu avô. O Santos perdeu, mas isso não fez muita diferença para ele, que não criticou o time. Disse que o jogo tinha sido bom na Vila.

O neto Pedro, trabalhou no Esporte Interativo, Veja São Paulo e youPIX. Começou no esporte, mas depois se especializou em cultura pop, internet e tecnologia. Séries, filmes e futebol são os seus principais hobbies.

Apesar da experiência no futebol profissional, o maior feito do ex-árbitro aconteceu em uma peladinha, na praia de Mongaguá. Os amigos de Artur, filho de Paul, pediram para ele apitar o jogo.

Paul aceitou, mas com uma ressalva: não ia roubar a favor do time do filho. Em certo momento da partida, Artur foi reclamar com Paul por conta do posicionamento da barreira adversária no momento de uma falta.

- Ah, pai... “Aqui não sou teu pai”, disse Paul, mostrando o cartão vermelho e mandando pra rua o próprio filho, sem titubear.

Depois que deixou a arbitragem Katchborian trabalhou nos Correios. Nos últimos anos de vida conviveu com as dificuldades da idade, especialmente com a pouca audição. O que não atrapalhava que pudesse acompanhar o Santos, no rádio, TV ou ao vivo no estádio.

Em 2007, após o título paulista, Paul enviou uma foto para o neto. Sem ter uma camisa do alvinegro praiano, improvisou, segurando sua carteirinha de sócio em uma mão, e na outra um “mousepad” (deslizador de mouse) com o escudo santista. Uma brincadeira simples, mas que se transformou em uma valiosa recordação.

O “mousepad” continua na casa do avô de Pedro, em Mongaguá. O jornalista conta que seu avô não tinha camisa do Santos, e seu pai, Artur, nunca quis dar por que achava que não ia caber nele. Então, na hora de comemorar, acabava improvisando. A carteirinha de sócio, ainda deve estar guardada com a viúva do ex-árbitro, que ainda é viva. (Pesquisa: Nilo Dias)


Dois momentos marcantes da vida de Paulo. Acima, dirigindo um clássico paulista entre São Paulo X Palmeiras. Abaixo, uma recordação com o escudo do Santos, a mão.

terça-feira, 14 de março de 2017

O maior craque sul-coreano

Park Ji-sung, considerado o melhor jogador do futebol sul-coreano de todos os tempos, nasceu em Goheung, um condado da província de Jeolla do Sul, no dia 25 de fevereiro de 1981. Era conhecido por seus dribles rápidos e por ter um volume de jogo veloz, resistente e com uma consistência tática eficaz.

Embora tenha nascido em Goheung, Park cresceu em Suwon, uma cidade satélite que fica 30 quilômetros ao Sul de Seul. Começou a jogar futebol durante o seu tempo de estudante, quando cursava o quarto ano do ensino fundamental.

Durante este tempo, Park foi conhecido como um dos maiores jovens talentos na Coréia do Sul e estava sendo olhado por uma série de clubes diferentes. Assim, ele começou a jogar futebol e, após fazer grande sucesso entre os garotos, assinou contrato em 1999, com o Kyoto Sanga, do Japão, começando assim a carreira profissional.

Após uma temporada no time japonês, foi convidado por Guus Hiddink, que havia sido seu técnico na Coréia do Sul e que após a Copa do Mundo de 2002, tornou-se técnico do PSV. E chamou os jogadores sul-coreanos Park e Lee Young-Pyo, que tiveram a primeira oportunidade de jogar na Europa.

Enquanto Lee rapidamente se tornou titular da equipe, Park vinha lutando contra lesões que não permitiam o seu avanço na equipe.

Até o final da temporada 2003-04, Park já havia se adaptado à Holanda, dentro e fora de campo. Na temporada 2004-05, com a saída de Arjen Robben para o Chelsea, ganhou mais oportunidades. E rapidamente provou seu valor para a equipe.

Ao lado de Johann Vogel, DaMarcus Beasley e os holandeses Mark van Bommel e Philip Cocu, Park formou um ótimo meio-campo com o seu bom ritmo e passes precisos.

Com o bom futebol mostrado na temporada no PSV, torcedores da equipe chegaram até a criar uma canção para o jogador que foi intitulada de "Canção para Park", lançada especialmente para o álbum do time.

Depois disso, em razão de sua alta velocidade, bons dribles e obediência tática ele foi contratado em 2005 pelo poderoso Manchester United, da Inglaterra, então dirigido pelo técnico Alex Ferguson, num contrato de 4 milhões de Euros. 

E se tornou o primeiro sul-coreano a vencer o Campeonato Inglês.
Ao todo, foram 12 títulos pelo clube inglês, incluindo a Liga dos Campeões de 2008 e o Mundial de Clubes do mesmo ano.

Lá Park se tornou o primeiro asiático a ser capitão do Manchester United. Seu primeiro gol pelo time inglês ocorreu em 20 de dezembro de 2005, durante a vitória por 3 X 1 sobre o Birmingham na “Carling Cup” pela quinta rodada.

Em abril de 2007, Park teve de ser submetido a uma cirurgia nos Estados Unidos, decorrente de uma lesão no joelho, o que obrigou o jogador a ficar fora do restante da temporada. Mas ainda assim, havia jogado partidas suficientes para se tornar o primeiro jogador sul-coreano a vencer a “Premier League”.

Em 29 de abril de 2008, o Manchester United avançou para a Final da Liga dos Campeões da UEFA de 2007-08, depois de vencer o Barcelona de Lionel Messi, em um jogo em que Park foi eleito o melhor em campo.

No entanto, ele ficou de fora do jogo frente o Chelsea na final. Depois, o técnico Alex Ferguson admitiu que deixa-lo de fora foi uma das decisões mais difíceis de sua carreira como treinador.

No final o Manchester venceu a Liga dos Campeões da UEFA de 2007-08, em uma final no Estádio Luzhniki, contra a equipe do Chelsea, que foi decidida somente nos pênaltis.

Em 14 de setembro de 2009, Park assinou uma extensão de contrato de três anos com o United, para mantê-lo no clube até 2012. Em 2010 viu seu clube perder na Liga dos Campeões da Europa, contra a equipe do Bayern de Munique. O Chelsea venceu a “Premier League” nessa ocasião.

Durante a temporada 2010-11, após ter voltado da Copa do Mundo na África do Sul, Park foi deixado de ser escalado em alguns jogos do Campeonato Inglês. E ficou fora do clube para jogar a Copa da Ásia de 2011, a sua última competição internacional pela Coréia do Sul. Retornou em fevereiro ao Manchester.

Dessa feita Park foi uma peça importante de Alex Ferguson para conquistar o título da “Premier League” 2010-11, sendo decisivo nos jogos pela quartas de finais da Liga dos Campeões da UEFA de 2010-11, contra a equipe do Chelsea.

E assim garantindo a volta do Manchester a uma final de Liga dos Campeões, dessa vez contra o poderoso Barcelona de Lionel Messi, Andrés Iniesta, Xavi Hernández e companhia. 

Jogou todos os 90 minutos daquela final no Estádio de Wembley, mas nada pode fazer para evitar a derrota de sua equipe por 3 X 1.

Em 2012,Park foi para o Queens Park Rangers, também da Inglaterra, time onde estavam o goleiro Júlio César e o atacante Fábio Silva, mas pouco jogou. Ficou até 2013 quando o time foi rebaixado para a Football League Championship (segunda divisão) do campeonato inglês.

Em 2013 retornou ao PSV, por empréstimo. Jogou apenas 25 partidas e marcou dois gols, assim deixando o clube na quinta posição da Eredivisie 2013-14. No dia 3 de maio de 2014, Park jogou a sua última partida como profissional, uma vitória do PSV por 2 X 0 em cima do NAC Breda pela Eredivisie.

Depois da vitória, Park, considerado o maior futebolista da história do futebol sul-coreano, decidiu se aposentar aos 33 anos, anunciando o fato oficialmente apenas no dia 14 de maio de 2014 e encerrando assim sua vitoriosa carreira de jogador.

De qualquer forma, Park entrou para a história do PSV, se tornando um dos ídolos do clube. E lá pendurou as chuteiras em 2014. Depois da aposentadoria, ele inaugurou o Centro de Futebol JS, na cidade onde cresceu.

Pela Coreia do Sul, Park participou da Copa do Mundo FIFA de 2002, 2006 e 2010, sendo destaque do seu país em todas as participações, inclusive sendo um dos poucos jogadores na história a marcar gol em três Copas diferentes, feito realizado por poucos como Ronaldo, Klose e Pelé.

Pela Seleção Sul-coreana, Park fez história. Mesmo jovem, ele foi uma das armas do time que chegou até as semifinais na Copa de 2002. Ele também participou dos Mundiais de 2006 e 2010. Anunciou no dia 31 de janeiro de 2011 a sua aposentadoria da seleção sul-coreana aos 29 anos, após um terceiro lugar de sua seleção na Copa da Ásia de 2011.

Park atuou 100 vezes pela seleção de seu país e marcou 13 gols. Nos três jogos das copas do mundo que disputou e marcou gol, sua seleção nunca perdeu. Esses jogos foram: Coreia do Sul 1 X 0 Portugal, Copa 2002; França 1 X 1 Coreia do Sul, Copa 2006 e Coreia do Sul 2 X 0 Grécia, Copa de 2010. Foi capitão da sua seleção nas copas de 2006 e 2010.

Foi eleito “Man of the Match”, no jogo França 1 X 1 Coreia do Sul valido pela fase de grupos da copa 2006. Nessa partida a poderosa seleção francesa contava com o jogador Zinedine Zidane no auge de sua carreira, e que logo após a copa 2006 seria eleito pela FIFA o melhor jogador da competição.

Entre as inúmeras conquistas pelos clubes por onde passou, Park nunca conseguiu ganhar um título pela sua seleção sul-coreana.

A campanha de maior relevância foi conseguir levar a Coréia do Sul até as semifinais da Copa do Mundo de 2002, que foi sediada em sua própria casa, na Coréia do Sul e no Japão. A seleção de Park foi eliminada para seleção da Alemanha pelo placar de 1 X 0. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 10 de março de 2017

Bodinho, um grande cabeceador

Nilton Coelho da Ciosta, o “Bodinho” foi um dos melhores jogadores que defenderam a gloriosa camisa do S.C. Internacional, de Porto Alegre. Pernambucano da “gema”, nasceu em Recife no dia 19 de julho de 1929.

Começou a carreira no time juvenil do Ibis em 1939, quando tinha apenas 10 anos de idade. Em 1945 transferiu-se para o Sampaio Correia, de São Luiz, Maranhão. Foi nesse clube que começou a se projetar para o futebol. Sua fama chegou ao Rio de Janeiro e o Flamengo tentou contratá-lo. Mas “Bodinho” estava bem no time maranhense e resolveu ficar.

Em, 1947, aos 18 anos de idade e três temporadas no Sampaio Correia, “Bodinho” acabou indo para o Flamengo depois que o time carioca enfrentou os maranhenses num jogo amistoso em São Luiz.

Nessa ocasião “Bodinho” confirmou integralmente a sua fama de bom jogador. E quando o Flamengo, que realizava uma excursão pelo Norte e Nordeste do país, voltava para casa, “Bodinho” estava na delegação rubro-negra.

O jogador ficou quatro anos no Flamengo. Em 1951 transferiu-se para o Nacional, de Porto Alegre. No mesmo ano, o técnico Francisco Duarte Júnior, o “Teté”, conseguiu leva-lo para o Internacional. Encerrou a carreira no São José, de Porto Alegre, em 1958, depois de tornar-se um dos maiores ídolos da história do clube colorado gaúcho.

“Teté” veio do Regimento de Pelotas, era capitão, acabou major, mas foi eleito, para a história, o “Marechal das Vitórias Coloradas”.

O apelido “Bodinho” o acompanhou desde a infância, pois era um menino muito traquinas. Gostava de pular uma cerca que limitava o terreno de sua casa com o de um vizinho. O vizinho, que não gostava nada disso, chegou a comentar:  “Esse garoto vive saltando cerca, até parece um bodinho”. O apelido pegou fácil e o acompanhou por toda a vida.

Mas há quem diga que a versão verdadeira é outra. Ganhou o apelido em razão da sua forte cabeceada, na maioria das vezes indefensável para os goleiros adversários. Apesar da baixa estatura (1m74), era ótimo cabeceador.

Foi meia-direita e centroavante, mas antes do clube colorado, defendeu o Íbis de Pernambuco, o Sampaio Correa do Maranhão e o Flamengo do Rio, sempre como ponteiro-direito. Formou, ao lado do carioca Larry, uma das maiores duplas de ataque da história do futebol gaúcho. Ambos consagraram a "tabelinha". Larry morreu em maio de 2016, aos 83 anos de idade.

“Bodinho” gostava muito do jogador Djalma, que jogou no Vasco da Gama e se tornou seu grande amigo. Era considerado o homem dos sete instrumentos do clube carioca. Ele morreu tragicamente no Recife, durante o Carnaval de 1954, quando defendia o Bangu.

Djalma participava do baile dos casados na Associação dos Empregados do Comércio. Estava ao lado de sua irmã Dulce e da amiga Ivone Santos. Durante o baile, alguém pisou no pé de Dulce.

Interpretando o gesto como proposital, Djalma protestou e o acontecimento virou um grande conflito. Na luta, Djalma sofreu um ferimento na cabeça e recebeu atendimento no Hospital.

Recuperado, voltou para continuar participando da festa. Estava muito animado e inteiramente entregue na folia. Por volta das 22 horas, Dulce sugeriu terminar os festejos em sua própria residência. No entanto, quando lá chegaram, as chaves não funcionaram na fechadura.

Por sugestão de uma vizinha, Djalma tentou entrar no apartamento da amiga, no segundo andar, descendo por uma corda de persiana de outro apartamento do terceiro andar. Entretanto, o cordel não suportou o peso do corpo do jogador e arrebentou.

Djalma caiu na rua, batendo com a cabeça no meio-fio. Levado para o hospital não resistiu e faleceu no dia 2 de março de 1954.

Muito embora tenha participado de muitos jogos internacionais, inclusive sendo campeão Pan-Americano de 1956 pela Seleção Gaúcha que representou o Brasil, no México, “Bodinho” considerou o clássico Gre-Nal, que decidiu o certame gaúcho de 1955, como seu jogo inesquecível.

O Internacional estava um ponto atrás do Grêmio, e venceu por 3 X 1 conquistado o título. Nesse jogo, realizado em 6 de novembro, nos Eucaliptos, “Bodinho” marcou duas vezes.

“Bodinho” fez parte da delegação Brasileira, formada por um combinado de jogadores gaúchos, que conquistou o título do campeonato Pan-Americano de 1956, disputado no México.

Aquele time revelou craques para o futebol brasileiro, como o goleiro Valdir Joaquim de Moraes, o zagueiro Oreco (campeão do Mundo em 1958), o meio-campista Ênio Andrade e o atacante Chinesinho, entre outros.

A equipe verde-e-amarela teve como principal adversário na competição, a Argentina do técnico Guilhermo Stábile, que como jogador fez muito sucesso, sendo vice-campeão do mundo na Copa do Mundo de 1930, além de ter sido o artilheiro da competição.

Como técnico, fez valer sua competência, pois dirigiu o selecionado portenho em oito campeonatos sul-americanos, tendo conquistado seis títulos. O grande destaque dos "Hermanos” na competição foi o atacante Sivori, revelado pelo River Plate, que posteriormente foi para a Juventus de Turim e quase virou um "mito".

A Taça da conquista do campeonato Panamericano de 1956 não faz mais parte do acervo da Confederação Brasileira de Futebol. O troféu foi roubado junto com a taça Jules Rimet, segundo inquérito aberto pela polícia carioca, as "relíquias" foram derretidas.

Campanha Gaúcha no Pan-Americano.

24/1/1956 - Brasil 1 x 4 Chile; 29/1/1956 - Brasil 0 x 0 Paraguai; 1/2/1956 - Brasil 2 x 1 Peru; 5/2/1956 - Brasil 1 X 0 Argentina; 10/2/1956 - Brasil 0 X 0 Uruguai; 1/3/1956 - Brasil 2 X 1 Chile; 6/3/1956 - Brasil 1 X 0 Peru; 8/3/1956 - Brasil 2 X 1 México; 13/3/1956 - Brasil 7 X 1 Costa Rica e em 18/3/1956 - Brasil 2 X 2 Argentina.

O time base da Seleção gaúcha era: Sérgio (Valdir) - Florindo e Duarte. Odorico - Oreco e Figueiró (Ênio Rodrigues). Luizinho – Bodinho - Larry (Juarez) - Ênio Andrade e Raul (Chinesinho).

Títulos conquistados: Campeão juvenil pernambucano pelo Ibis; Campeão maranhense pelo Sampaio Correia; Títulos pelo Flamengo: Taça Fernando Loretti. (1945, 1946 e 1948); Torneio Inicio Carioca. (1946); Troféu Cezar Aboud. (1948); Guatemala Troféu Embaixador Brasileira da Guatemala. (1949); Troféu Comitê Olímpico Nacional da Guatemala. (1949); Campeão do Torneio Início do Campeonato de Porto Alegre, pelo Nacional. (1950); Campeão de Porto Alegre e do Estado pelo Internacional. (1951, 1952, 1953 e 1955); Campeão do Torneio “Dia do “Cronista”, pelo Internacional. (1952); Torneio Régis Pacheco (Quadrangular de Salvador”), pelo Internacional. (1953); Torneio de Inauguração do Estádio Olímpico (1954) (O Inter goleou o Grêmio por 6 X 2); Campeão Pan-Americano pelo Brasil (1956), tendo marcado três gols em cinco jogos.

No Estadual de 1955, “Bodinho” marcou 25 gols em 18 jogos, com a média de 1,4 por partida.

“Bodinho” faleceu em 22 de setembro de 2007, aos 79 anos, vítima de hepatite. Está sepultado no cemitério da Santa Casa, na capital gaúcha. (Pesquisa: Nilo Dias)


domingo, 5 de março de 2017

O primeiro estádio do Brasil

O “Velódromo Paulista” foi o primeiro estádio de futebol construído em São Paulo. Na verdade ele foi construído para ser o palco de competições de ciclismo. Tinha capacidade para até 8 mil pessoas e ficava no bairro da Consolação, ao lado de onde hoje é a Praça Roosevelt. O projeto foi do arquiteto Tommaso Bezzi.

Sua inauguração aconteceu em 1895. Foi construído a mando de Antônio da Silva Prado, primeiro prefeito de São Paulo, de 1899 a 1911 e apaixonado pela prática do ciclismo. O terreno onde o “Velódromo” foi erguido pertencia a sua mãe, dona Veridiana da Silva Prado, uma nobre intelectual.

Os filhos de Antônio Prado, adeptos do ciclismo, segundo se sabe, pediram ao pai que autorizasse a construção do “Velódromo” dentro dos limites da antiga chácara de dona Veridiana Valéria da Silva Prado.

Sem o ar cosmopolita de grande metrópole que ostenta hoje, a São Paulo daquela época era ainda bastante provinciana e suas áreas de lazer eram vinculadas à aristocracia.

O “Veloce Clube Olimpic Paulista”, ou “Velódromo”, passou a ser o local onde a elite se encontrava para acompanhar as corridas de bicicletas, que eram moda na época.

A elite paulistana provavelmente tomou contato com bicicletas, que na época eram bastante caras e adquiridas em Paris, quando foi inaugurado o “Velódromo Paulista” com uma pista original de saibro.

Mas foi o futebol que cresceu no local. Isso, depois de um jogo ali ocorrido em 19 de agosto de 1900, entre os sócios do Sport Club Internacional, time de futebol paulista fundado em 1899. O campo de jogo foi marcado em um local destinado a um rinque de patinação no centro da pista.

O “Velódromo Paulista” foi o primeiro estádio de futebol do Brasil, mas não o primeiro campo. Antes, Charles Miller tinha apresentado o esporte aos brasileiros na “Várzea do Carmo”, São Paulo, em 1894.

Cinco anos depois, equipes formadas por ingleses, alemães e alguns brasileiros começaram a jogar na “Chácara Dulley”, também na cidade de São Paulo. Porém, nenhum destes lugares tinha arquibancadas.

O “Velódromo”, com melhores instalações, reinou como o principal palco dos Campeonatos Paulistas entre 1902 e 1912. A Liga Paulista de Futebol (LPF) pagava aluguel ao Paulistano pelo estádio e assim foi por uma década. Porém, uma ruptura entre o Paulistano e a LPF mudou tudo.

Paulistano e LPF estavam com relações estremecidas por conta de ideologias. O Paulistano, fiel ao amadorismo, característica ligada ao futebol mais elitizado, estava insatisfeito com a profissionalização crescente no futebol de São Paulo.

Para o “Campeonato Paulista” de 1913, o Paulistano pediu um alto valor a LPF pelo aluguel do “Velódromo” e a Liga preferiu pagar quatro vezes menos para usar o “Parque Antarctica”, que em 1920 foi comprado pelo Palestra Itália, hoje Palmeiras.

No dia do primeiro jogo no Paulista de 1913, contra o Americano, o Paulistano apareceu - em represália - no “Velódromo” e o rival entrou em campo no “Parque Antarctica”.

O Paulistano alegou que a mudança de estádio tinha sido mal comunicada e decidida às vésperas da partida, mas a LPF julgou o caso a favor do Americano. Foi o estopim para o Paulistano, que saiu da Liga e fundou uma organização paralela, a Associação Paulista de Sports Athleticos.

Dessa forma, de 1913 a 1916 foram disputados dois campeonatos paralelos em São Paulo, o da Liga e o da APSA, com clubes de origem aristocrata. Só em 1917, após várias tentativas de pacificação, a divisão terminou. Era o fim da primeira grande crise dentro do futebol paulista.

O “Velódromo” foi a primeira sede do aristocrático Club Athletico Paulistano, que passou a usar o espaço como sede esportiva. Pouco tempo depois, no centro da pista de ciclismo, foi construído um campo de futebol e também uma arquibancada capaz de abrigar duas mil pessoas (ampliada depois para cinco mil).

Em 1902, o estádio abrigou a maior parte do primeiro Campeonato Paulista, disputado por cinco clubes e vencido pelo São Paulo Athletic, de Charles Miller, pai do futebol no Brasil.

O Paulistano, que foi vice, existe até hoje (porém sem atividades no futebol desde 1929). O Paulistano guarda em seus arquivos sete fotos do “Velódromo”. Em uma delas, é possível ler a inscrição em uma placa na arquibancada: "É expressamente proibido vaiar". E qual era o motivo?

De acordo com o livro "A bola rolou", de Wilson Gambeta, as vaias não eram aceitas por conta do Velódromo "ser um espaço para a transmissão de valores morais".

Com origem nobre, o Paulistano zelava pelos bons costumes no ambiente. Também segundo o livro, "o juiz não podia ser alvo de vaias, pois mesmo se ele cometesse erros, era o único investido de poder interpretar as jogadas".

O mesmo valia para os jogadores, que não podiam ser vaiados por "serem homens dignos que pertenciam às principais famílias". Naquele tempo, os times eram formados por homens da aristocracia. Quem vaiasse, poderia até ser retirado pela polícia.

O jornalista Orlando Duarte, enciclopédia sobre o futebol brasileiro e mundial, contou como era o comportamento da torcida quando alguém mais crítico decidia vaiar.

“A vaia era indelicada”. Se uma pessoa vaiava, logo um torcedor do próprio time desaprovava e um torcedor do outro time também olhava estranho, com espanto.

Os torcedores usavam as melhores roupas para ir ao estádio, o futebol era um entretenimento para o público, não local de aborrecimento. Por isso as vaias eram condenadas, disse Orlando Duarte.

Foi desta maneira que o “Velódromo” se tornou o primeiro estádio de futebol e palco das principais partidas realizadas na cidade de São Paulo.

O “Velódromo” foi oficialmente inaugurado no dia 19 de outubro de 1901, com o jogo entre combinados Paulista X Cariocas que terminou empatado em 0 X 0.

Também foi ali que se enfrentaram no dia 8 de maio de 1902, as equipes do São Paulo Athletic Club X Club Athlético Paulistano, abrindo o certame paulista daquele ano. O São Paulo Athletic Club venceu por 4 X 0.

Ficha técnica do jogo:

São Paulo Athletic Club: Andrews - A.Kenworthy e G.Kenworthy. Heyecock - Wucherer e Biddell. H.S.Boyes – Brough - Charles Miller - Montandon e W.Jeffery.

Club Athletico Paulistano: Jorge de Miranda Filho - Thiers e Rubião. E.Barros - Olavo e Renato Miranda. B.Cerqueira - J.Marques - Álvaro Rocha - Ibanez Salles e O.Marques.

Árbitro: Antônio Casimiro da Costa. Os gols: Boyes (2) Jeffery e Charles Miller.

Foi ali que o futebol paulista conheceu os seus primeiros grandes momentos e viu o esporte crescer. E paralelamente assistiu o esmagamento da popularidade do esporte das bicicletas, que chegou a ser significativo no final do século XIX e início do XX.

Quando o futebol ainda começava, o “Velódromo” teve muita importância para conquistar o público por estar bem localizado, atraindo torcedores por seu fácil acesso. Depois a cidade cresceu, outros estádios surgiram e os transportes melhoraram, mas o “Velódromo” teve a importância dele, foi útil e cumpriu bem o seu papel enquanto existiu.

O “Velódromo” também foi responsável pelo nascimento da geral, característica importada da Europa e que vingou no Brasil justamente pelas características do lugar.

Explica-se: nos hipódromos da França, na segunda metade do século XIX, como as arquibancadas eram pequenas, milhares de fãs do turfe ocupavam aglomerados nos limites da raia e em colinas para ver as provas. Era a "pelouse".

No “Velódromo Paulista”, com o crescente interesse pelo futebol, as arquibancadas para 4 mil pessoas logo deixaram de ser suficientes e o comportamento visto nos hipódromos franceses foi "imitado".

Como o futebol ocupou a parte interna da pista, que era de saibro e tinha uma leve inclinação, acabou colaborando para a melhor visualização do gramado e os torcedores ganharam para si um espaço enorme que era destinado às corridas de bicicleta. Eram quatro mil lugares a mais, em setor que logo ganhou o nome de geral.

Desde os hipódromos franceses, "gerais" era o termo que designava os torcedores não associados aos clubes. Segundo o livro "A bola rolou", o nome "gerais" foi usado no “Velódromo Paulista” para identificar o conjunto de homens em pé, geralmente um público com menor escolaridade e poder aquisitivo.

Rapidamente, "o lugar dos gerais" virou "geral". E, evidentemente, os torcedores mais nobres tinham seus lugares garantidos na arquibancada.

Também de acordo com o livro "A bola rolou", o preço dos ingressos na geral era acessível ao povo. Primeiramente, foi concedida meia-entrada aos estudantes. Depois, o desconto foi estendido para todos os ingressos do setor e virou padrão.

Em alguns jogos, o preço para geral era de mil réis, um terço do valor pago nas arquibancadas. Para comparação: na época, o preço de um jornal era 100 réis e um par de sapatos comum valia 15 mil réis.

Posteriormente, as gerais apareceram em outros estádios brasileiros, também como um espaço mais popular. A geral mais famosa, do Maracanã, durou 55 anos (de 1950 a 2005) e chegou a acomodar cerca de 30 mil torcedores em jogos de maior público.

Em 1910, com a morte de Veridiana Prado, seus herdeiros, sob forte pressão da especulação imobiliária anunciaram a venda do “Velódromo” ao “Banco Italiano”, que manifestou a intenção de abrir uma rua no local e loteá-la.

O estádio, porém, seguiu em uso até 1915. Naquele ano, o Paulistano recebeu uma ação de despejo para a abertura da Rua Nestor Pestana, que cortou o terreno do estádio. O último jogo ocorreu em dezembro de 1915 e a demolição foi feita na primeira metade de 1916.

As arquibancadas de madeira do “Velódromo”, com capacidade para quatro mil espectadores, ainda foram enviadas para outro estádio, a “Chácara da Floresta”. E assim sumiu o lendário campo da Consolação.

Um fato ocorrido em 17 de agosto de 2008, um incêndio de grandes proporções, destruiu boa parte do “Teatro Cultura Artística”, situado na rua Nestor Pestana, no centro de São Paulo. Com toda a certeza são poucas as pessoas que tem conhecimento de que naquele local existiu o “Velódromo Paulista”, o primeiro estádio de futebol da cidade, inaugurado em 1895.

Ele se situava na Rua da Consolação, entre as Ruas Martinho Prado e Olinda, na altura de onde hoje é a Rua Nestor Pestana, o “Teatro Cultura Artística” e a “Praça Roosevelt”.

O conselheiro Antônio da Silva Prado e seu cunhado Elias Pacheco Chaves, foram quem lotearam as chácaras que deram origem aos bairros de Campos Elíseos e Barra Funda. (Pesquisa: Nilo Dias)


domingo, 26 de fevereiro de 2017

O futebol na Era Vargas

No final da década de 1930, houve a implantação no Brasil de um regime autoritário denominado “Estado Novo”, inspirado na ditadura de António de Oliveira Salazar em Portugal. Foi implantado por Getúlio Vargas sob a justificativa de conter uma nova ameaça de golpe comunista no Brasil.

Caracterizava-se por ser um regime nacionalista, antidemocrático, corporativo, autoritário e antiliberal, que tinha algumas semelhanças com o fascismo.

O Governo pregava a construção de uma nova nacionalidade, em que às atividades físicas fossem compreendidas como fundamentais na perspectiva de criação de um “homem novo” preparado para a construção de um “Brasil novo”, forte e saudável.

Desse modo, as práticas esportivas, sobretudo aquelas de maior alcance popular deveriam estar a “serviço da pátria”. A partir desse cenário, os jogos da seleção brasileira de futebol configuraram-se como instrumentos de possibilidades de divulgação do projeto do Estado Novo. Torcer pela equipe nacional, simbolizaria torcer pela nação.

O êxito no futebol ou em outras modalidades esportivas foi amplamente explorado também, por outros países da Europa, simpáticos aos regimes de inspiração totalitária, e não apenas pela
Itália e Alemanha.

Os jogos olímpicos realizados em Berlim em 1936 revelaram essa
perspectiva. Aliás, foi exatamente na Copa do Mundo de futebol de 1934, e nos jogos olímpicos de 1936 que Itália e Alemanha, se proclamaram como “países fortes”.

Sabe-se que Benito Mussolini, presente no estádio de Roma por ocasião da final da Copa de 1934 entre Itália e Tchecoslováquia, prometeu “uma grande recompensa aos jogadores italianos se vencessem, e um terrível castigo se perdessem”.

Na Copa do Mundo de 1934, Adolf Hitler “convocou” os
atletas da Alemanha para que se dedicassem ao máximo, a fim de que eles demonstrassem, através dos esportes, a “superioridade racial” dos alemães.

Na disputa do campeonato mundial de 1938, novamente Hitler se utilizou do futebol como um instrumento de propaganda política do regime nazista. Tal como em outras circunstâncias, a prática do futebol foi objeto dos interesses políticos da Alemanha nazista.
Em 1999, Ulrich Lindner e Gerhard Fischer publicaram um livro chamado “Os atacantes de Hitler”, no qual são narradas as várias situações da relação entre futebol e nazismo na Alemanha.

Embora explorado por Hitler, como elemento de legitimidade do seu governo, o futebol alemão não conquistou a medalha de ouro, nem na olimpíada de Berlim, tampouco o campeonato de futebol
de 1938. Coube à Itália, a conquista dos dois torneios.

O Governo Vargas pregava a política de unidade nacional. E para tal usou até de cerimônias públicas para propagara essa ideia. Em uma dessas cerimônias, Vargas e alguns chefes estaduais colocaram-se em frente de uma urna prata, proferiram discursos em prol da unidade nacional, enquanto representantes de todos os Estados nela depositaram, um após o outro, punhados de terra.

Outra cerimônia, essa bem mais conhecida, foi a “das Bandeiras”, realizada na Esplanada do Russell, no Rio de Janeiro, menos de um mês depois do golpe de 10 de novembro de 1937.

Seu objetivo era propagar o artigo 2º da Constituição, que proibia o uso de quaisquer símbolos, hinos e bandeiras que não fossem os nacionais. Na ocasião as 21 bandeiras estaduais foram queimadas em uma grande pira colocada no centro da praça. 

Em seguida outras 21 bandeiras nacionais foram hasteadas em substituição àquelas, enquanto o maestro Heitor Villa Lobos regia um conjunto de várias bandas e um coro de colegiais na execução do Hino Nacional.

O futebol brasileiro, de estilo individualista e exibicionista, não se curvou à tentativa do governo de Getúlio Vargas em usá-lo como instrumento político.

A historiadora Melina Pardini lembra que, apesar de o Estado Novo – período de 1937 a 1945, em que Vargas impôs um governo autoritário – tentar concretizar o seu projeto de construir uma nação ordenada e disciplinada com o futebol, havia muitos aspectos do esporte que afrontavam esse plano.

Melina Pardini apresentou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Universidade de São Paulo (USP), o estudo de mestrado “A Narrativa da Ordem e a Voz da Multidão: Futebol na Imprensa durante o Estado Novo.”

Segundo ela, o Governo de Getúlio Vargas utilizava alguns métodos considerados eficazes, para propagar a sua ideologia através do futebol. Um deles era o controle da mídia, que só publicava o que lhe interessava.

O futebol era visto como o esporte nacional e servia de instrumento político, pois poderia ajudar na ideia de um projeto de construção de uma nação ordenada e disciplinada, embora o estilo individualista do brasileiro jogar, a chamada “malandragem”.

E isso ficou evidenciado por Leônidas da Silva, que era conhecido por “Diamante Negro”. Tratava-se de um negro, que tinha na malandragem sua maior virtude. E isso desagradava a política do “Estado Novo” que pregava a superioridade do homem branco, a disciplina e a coletividade.

Leônidas, além de um extraordinário jogador era idolatrado pela população, especialmente os mais pobres. O governo buscou formas de diminuir a popularidade do jogador, com a imprensa dizendo que ele era um “mestiço a serviço da nação”.

A pesquisadora também lembrou outros artifícios de controle do Estado Novo, como a inauguração do estádio do Pacaembu, em 1940, onde era exaltada a participação de Vargas na construção da obra.

A presença brasileira na Copa do Mundo de 1938, com uma Seleção verdadeiramente nacional, já que em 1930 e 1934 as brigas entre as Federações do Rio e São Paulo não permitiram isso, foi tratada como uma prova de unidade nacional.

E o Governo tirava proveito disso, espalhando que foi ele que propiciou a criação de uma seleção com os melhores jogadores para promover o futebol brasileiro no exterior.

Melina destacou a importância da rivalidade regional existente na época entre Rio de Janeiro e São Paulo. E isso era tão grande que até os jornais trocavam ofensas quando times dos dois locais se enfrentavam. O que acabou prejudicando a ideia governamental de união nacional através do esporte.

A pesquisadora usou como instrumentos para viabilizar seu trabalho, três jornais de grande circulação na época, “Correio Paulistano”, de São Paulo e “Gazeta de Notícias” e “Jornal do Comércio”, do Rio de Janeiro.

E ainda dois jornais esportivos, a “Gazeta Esportiva”, de São Paulo e “Jornal do Esporte” e “Gazeta Esportiva”, do Rio de Janeiro. Ela analisou todas as publicações desses jornais na época. (Pesquisa: Nilo Dias)