Nilo Dias Repórter

Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Morre técnico campeão gaúcho de 2017

O futebol gaúcho e brasileiro está de luto. Morreu na madrugada desta segunda-feira, 23, o conhecido técnico de futebol Gilberto Cirilo de Campos, o “Beto Campos”, aos 54 anos. Ele havia ganho projeção nacional em 2017, ao sagrar-se campeão gaúcho com a equipe interiorana do Novo Hamburgo.

“Beto” era natural de São Borja, onde nasceu no dia 24 de março de 1964. Mas residia em Santa Cruz do Sul, onde faleceu, já há nove anos. Segundo informou o seu filho Willan Campos, ele foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) enquanto dormia.

O velório do treinador começou na manhã de hoje, na capela da Funerária Halmenschlager, localizada na Avenida Independência, em Santa Cruz do Sul. O sepultamento será em São Borja. “Beto” deixa enlutados a esposa Ediana e o filho William e demais familiares e amigos.

A trajetória de “Beto Campos” no futebol teve início em sua cidade natal, quando defendeu a Sociedade Esportiva São Borja em 1982. Cinco anos depois, em 1987 foi para o Futebol Clube Santa Cruz, onde permaneceu por dois anos. Era um centroavante artilheiro, que costumava marcar muitos gols.

Como jogador profissional atuou por nada menos do que 16 clubes: além dos dois já citados, vestiu as camisas de São Luiz, de Ijuí, Pelotas, Santo Ângelo, Dínamo, de Santa Rosa, Ypiranga, de Erechim, Esportivo, de Bento Gonçalves, Novo Hamburgo, Avenida, 15 de Novembro, de Campo Bom, Passo Fundo, Canoas, Juventus, de Santa Rosa.

Em 2001 deixou os gramados para frequentar as casamatas na condição de treinador. A nova carreira teve início no Juventus, de Santa Rosa, clube em que pendurou as chuteiras. Ficou lá por cinco temporadas, de 2002 a 2007, ano em que assumiu o comando técnico do Avenida, de Santa Cruz do Sul, na “Segundona Gaúcha”,  pela primeira vez.

Ao final do mesmo ano dirigiu o time de Juvenis da Ulbra. Em 2009 estava de volta a Santa Cruz do Sul, outra vez para comandar o time do Avenida, por quem foi campeão da Divisão de Acesso, em 2011.

Treinou ainda os times do Cruzeiro, de Porto Alegre, São José, também da Capital, São Luiz, de Ijuí, Passo Fundo, Caxias, com quem ganhou a Série A2 do Gaúcho em 2016. Em 2017 dirigiu o Novo Hamburgo, sendo responsável pela grande façanha de conquistar o título gaúcho.

Depois, “Beto” esteve no Rio de Janeiro para um período de estágio no Flamengo e cursos na cidade. Chegou a ter seu nome lembrado para dirigir o Vitória, da Bahia e o Atlético Paranaense, mas acabou indo para o Náutico, do Recife, onde teve uma breve passagem. Dirigiu também o Criciúma, de Santa Catarina. (Pesquisa: Nilo Dias)


domingo, 22 de julho de 2018

Morre presidente histórico do Farroupilha de Pelotas

Morreu neste domingo, em Pelotas, o coronel Ewaldo José Lebarbechon Poeta, histórico dirigente do Grêmio Atlético Farroupilha. O extinto era catarinense de Laguna, onde nasceu em 5 de março de 1927. Poeta começou a carreira militar na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN,) onde, em 1951 foi declarado aspirante a oficial do Exército Brasileiro.

Em 1952 começou as suas funções militares no 9° Regimento de Infantaria, em Pelotas. Durante mais de 25 anos prestou o serviço militar, quando, em 1976, foi alçado ao posto de coronel da reserva. 

Possuidor de uma vasta formação acadêmica, além do curso militar da AMAN, obteve três graduações pela Universidade Federal de Pelotas: Bacharelado em Direto e História e Licenciatura Plena em História.

Apaixonado por futebol, e em especial pelo Grêmio Atlético Farroupilha, dedicou grande parte de sua vida ao clube do bairro Fragata. Chegou a presidência do clube pela primeira vez em 1964. Em 1973 retornou ao comando do clube, onde permaneceu até 1990.

Mas foi em 1994 que o coronel Poeta assumiu para não mais abandonar o comando do seu clube de coração, permanecendo até pouco tempo atrás como o comandante máximo. Ultimamente era o Presidente de Honra do clube.

Sua história de amor e dedicação se confunde com a do tricolor do Fragata, onde se tornou peça fundamental para o funcionamento e a manutenção da existência da agremiação.

Oficial da reserva do Exército, ele carregou em seu nome a patente alcançada nas Forças Armadas, ficando conhecido como "coronel Poeta". Também foi professor universitário.

Eu conheci bem o coronel Poeta, de quem fui amigo. Cheguei a fazer parte de Diretorias do clube sob o seu comando, quando dirigi o Departamento de Futebol de Salão. Tratava-se de um homem de educação refinada, um gentleman, na acepção da palavra. A última vez que o vi foi em 1999, quando eu fazia parte da Diretoria do G.E. Gabrielense, quando de um jogo contra o Farroupilha, em Pelotas.

O velório ocorreu ao longo da tarde deste domingo na Capela A2, do Cemitério São Francisco de Paula, no bairro Fragata, o mesmo do Grêmio Atlético Farroupilha. O sepultamento aconteceu às 19 horas. Ele também foi homenageado pelo Exército.

Em 17 de novembro do ano passado o coronel Poeta foi um dos homenageados pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), na passagem de seu centenário. O histórico dirigente teve o seu nome inserido na "Calçada da Fama", inaugurada naquela data. (Pesquisa: Nilo Dias)



sábado, 21 de julho de 2018

A noite que o Náutico goleou o Santos de Pelé

O dia 17 de novembro de 1966 nunca será esquecido pelos torcedores do Náutico, tradicional clube de futebol de Recife. Nesse dia, ou melhor nessa noite, o alvi-rubro pernambucano derrotou em pleno “Pacaembu”, em São Paulo, ao Santos, de Pelé, na época considerado o melhor time de futebol do mundo.Isso equivaleria a derrotar hoje, dentro do “Camp Now”, ao Barcelona de Messi e tantos outros craques e ainda de goleada. Pois o Náutico foi capaz de realizar essa façanha histórica. O Santos foi surpreendido e goleado impiedosamente por 5 X 3.

Era uma noite fria de quarta-feira. O resultado do jogo teve uma repercussão enorme, não só no Brasil, mas no mundo todo, visto que o Santos era quase imbatível. Na década de 60, o time santista sobrava pelos torneios e campeonatos, no Brasil e pelo mundo afora.

Vejam só que retrospecto tinha o time de Pelé e companhia. Campeão paulista de 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68 e 69. Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 63, 64 e 66. Campeão da Taça Brasil de 61, 62, 63, 64 e 65. Bi-campeão da Taça Libertadores das Américas em 62 e 63. Bi-campeão Mundial de Clubes em 62 e 63. Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão) em 68. Campeão da Recopa Sul Americana e da Recopa Mundial de Clubes em 68. Não computando aqui outros torneios menores (internacionais), nem os vice-campeonatos.

Ir ao estádio para ver o Santos, não se limitava apenas a um jogo de futebol, era uma exibição de arte. Tanto é verdade que as torcidas adversárias tinham um respeito enorme pelo Rei Pelé e seus coadjuvantes. Em vez de vaiarem seus times por serem derrotados, aplaudiam o Santos pelo espetáculo apresentado.

É verdade que o Náutico vinha tendo uma ótima performance na Taça Brasil daquele ano. Havia eliminado o Palmeiras, que também tinha uma equipe espetacular, com Dudu e Ademir da Guia. E de goleada, 3 X 0 na “Ilha do Retiro”.

O retrospecto do Náutico, embora simples em comparação ao do Santos, não era para ser ignorado: tri-campeão pernambucano (1963, 1964 e 1965), Bi-campeão do Norte (1965 e 1966). Não foi por acaso que esse "Náutico Capibaribe", como era chamado pela imprensa do Sul, tinha chegado às semi-finais da “Taça Brasil” de 1965.

Foi então nesse cenário que o Náutico entrou em campo naquela noite para enfrentar o Santos, jogo válido pela semifinal da Taça Brasil de 66. O Santos havia ganho o primeiro jogo, disputado em Recife, no dia 9 de novembro por 2 X 0, com a “Ilha do retiro” recebendo 35 mil torcedores. 

O jornal “Diário de Pernambuco”, em sua edição do dia seguinte ao jogo trouxe o seguinte comentário:

"Jogando muito bem, contra um adversário apenas brigador, mas sem forças para reagir, o Santos venceu o Náutico por 2 X 0, gols de Pelé e Pepe. O resultado praticamente sepulta as chances do Náutico na “Taça Brasil”. O Santos vai jogar por um simples empate, dentro de casa, no próximo jogo, para eliminar os pernambucanos e se garantir na final da Taça Brasil."

Ninguém de sã consciência esperava o que aconteceu na fria noite de 17 de novembro de 1966. O “Estádio do Pacaembu” recebeu perto de 20 mil torcedores santistas, que foram apenas "carimbar" o passaporte para a final do campeonato.

Naquela memorável noite o Náutico começou a partida de maneira avassaladora. No primeiro minuto de jogo abriu a contagem, com um gol de Bita, ainda enquanto muitos torcedores adentravam ao estádio, e os comentaristas de rádio encerravam suas apreciações sobre o jogo.

Ou seja, os locutores nem tinha ainda iniciado a transmissão e o Náutico já vencia por 1 X 0, para surpresa de muitos, principalmente dos santistas. Mas todos eram unânimes em dizer que isso não representava praticamente nada e que a reação santista viria em seguida.

E veio. Aos 12 minutos, numa cabeçada de Toninho, o Santos chegou ao empate. Mas a noite era pernambucana. Aos 44 minutos Bita colocou novamente o clube alvirrubro em vantagem. Náutico 2 X 1.

Começou o segundo tempo e a surpresa cresceu. O Náutico ampliou o marcador, novamente com Bita. 3 X 1. Os paulistas quase não acreditavam no que viam. O Santos corria atrás do placar e descontou aos 19 minutos, outra vez com Toninho.

O Náutico deu nova saída. Miruca avançou e, no minuto seguinte ampliou para 4 X 2. O jogo se tornou emocionante. O Santos deu a saída e Pelé lançou para Toninho fazer seu terceiro gol no jogo. Era um tal de gol lá e gol cá. Com 21 minutos do segundo tempo o placar apontava Santos 3 X 4 Náutico.

O Náutico era comandado dentro de campo por Ivan Brondi, um baita jogador. O time de Recife passou a tocar a bola, administrando a vantagem e conseguindo envolver o todo poderoso adversário.

E para fechar com chave de ouro uma das partidas mais emocionantes da história do clube, Bita, sempre ele, a três minutos do final acertou um chute de fora da área e faz o quinto gol, decretando a goleada. Náutico 5 X 3 Santos.

No dia seguinte as manchetes dos jornais, tanto de Recife como do Sul do país enalteciam o grande feito do time pernambucano, que desbancou o Santos de Pelé, "o melhor time do mundo", em pleno Pacaembu, numa goleada histórica.

Manchete do “Diário de Pernambuco”: "Bita foi um flagelo para o Santos, no Pacaembu, quando o Náutico elevou o futebol de Pernambuco"!

Manchete do “Diário da Noite”: "Nunca, jamais, em tempo algum, o goleiro Gilmar, do Santos havia levado mais de três gols de um só jogador em uma partida. Ontem, só Bita fez quatro"!

Outra Manchete do “Diário”: "Bita dispara quatro e Náutico vence de cinco no Pacaembu"!

O time do Náutico naquela histórica noite: Aloísio Linhares – Gena – Mauro - Fraga e Clóvis. Zé Carlos e Ivan Brondi. Miruca - Gilson Costa - Bita e Lalá.

Depois do jogo, em uma entrevista a “TV Cultura”, ao responder sobre quais os melhores times que viu jogar, “Pelé” respondeu: "o Cruzeiro de Tostão, o Palmeiras de Ademir da Guia, e o Náutico de Bita. A década de 60 foi dominada pelas academias de futebol". Estas foram as palavras do “Rei”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Bita fez quatro gols naquela noite histórica.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

O time de futebol que nasceu de novo

O mundo inteiro acompanhou com interesse e preocupação a operação de salvamento dos meninos do time de futebol “Javalis Selvagens”, da Tailândia, que ficaram durante dias presos em uma caverna inundada, conhecida por “Tham Luang Nang Non”, que traduzindo para o português quer dizer "Grande Caverna da Senhora Adormecida", que fica na província de “Chiang Rai”, cerca de um quilômetro abaixo do pico das montanhas “Mae Sai”.

O time dos meninos pode-se dizer que praticamente nasceu de novo, pois conseguiu se salvar de uma situação complicada, que exigiu a presença de 90 mergulhadores, 50 de outros países e 40 tailandeses.

As fortes chuvas inundaram parcialmente a caverna no mesmo dia que os meninos a visitaram, junto do técnico do time, Ekaphol Chantawong. Eles foram dados como desaparecidos poucas horas depois e as operações de busca começaram de imediato.

Esforços para localizá-los foram dificultados pelo aumento dos níveis de água, e nenhum contato foi feito por mais de uma semana. O esforço de resgate se expandiu em uma operação massiva em meio a intensa cobertura da mídia e interesse público.

Mais de 1000 pessoas estiveram envolvidas na operação de resgate, incluindo forças especiais da Marinha Tailandesa, bem como equipes e assistência técnica de vários países, incluindo o Reino Unido, China, Mianmar, Laos, Austrália, Estados Unidos, Rússia, Finlândia, Suécia, Ucrânia e Israel.

Em 6 de julho de 2018 o mergulhador Saman Kunan, de 38 anos, morreu enquanto retornava de uma expedição que levou suprimentos aos meninos. Ele era sargento da reserva da marinha tailandesa.

Juntos do técnico, os garotos saíram para explorar a caverna. Eles fazem parte do “Javalis Selvagens”, clube localizado na província de “Chiang Rai”, e que conta apenas com categorias sub-19, sub-16 e sub-12.

O jornal tailandês “Thai Rathe” e o inglês “The Guardian” fizeram um levantamento com as posições de cada um dos garotos do “Moo Pa”, nome da equipe em tailandês.

Goleiros: Aekkarat Wobgsukchan, da “Escola Daroonrat Witthaya”. De apelido “Bew”, o garoto de 14 anos é um dos mais disciplinados do grupo e foi graças à sua personalidade que ele evoluiu no futebol.

Pipat Pothi, da “Escola Ban Sansai”. Pothi, 15, também é conhecido como “Nick”. Amigo de “Bew”, ele não pertence à equipe e apenas treinava junto dos garotos em 23 de junho, data em que eles e o técnico entraram na caverna como refúgio.

Prachak Sutham, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. O versátil garoto de 14 anos é goleiro, mas também atua como meio-campo. Note”, como é chamado, joga futebol há dois anos.

Defensores: Pornchai Kamluang, da “Escola Ban Pa Yang.” Kamluang é um dos mais velhos jogadores da equipe. Apelidado de ‘Tee’, ele tem 16 anos.

Panumat Saengdee, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. “Mick”, como também é chamado, tem 13 anos, mas é descrito como um defensor ideal por conta de sua saúde e de seus “fluidos movimentos”. Seus técnicos já consideraram usá-lo como atacante por conta de suas habilidades nos cabeceios.

Meio-campistas: Adul Sam-on, estudante da “Escola Ban Wiang Parn!. Sam-on foi o responsável por conversar com os mergulhadores que encontraram o time dos “Javalis Selvagens”. Aos 14 anos, o garoto fala quatro línguas: tailandês, birmanês, mandarim e inglês, idioma utilizado para falar com os mergulhadores.

Phirapat Sompiangjai, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. Conhecido como “Night” (noite, em inglês), o garoto joga pela meia direita.

Sompong Jaiwong, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. “Pong, como é conhecido, também joga na meia direita, mesma posição de Sompiangjai. “Pong” tem 13 anos e é meia direita do time

Atacantes: Chanin Wiboonrungruang, da “Escola de jardim de infância Mae Sai”. Jogador mais jovem da equipe, “Titan”, como é apelidado o garoto, tem apenas 11 anos. Ele joga futebol há cinco anos. Em 2015, foi convidado para jogar pelo “Wild Boars” (“Javalis Selvagens”, em inglês).

Duangpet Promthep, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. Aos 13 anos, Promthep é o capitão do time. Seus colegas dizem que a liderança é uma de suas grandes qualidades. Ele já participou de testes em clubes tradicionais da província, como “Sukhothai FC” e “Chiangrai United FC”.

Natthawut Thakhamsai, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. Conhecido como “Tle”, Thakhamsai tem 14 anos.

Assistente técnico estagiário: Mongkol Boonyiam, da “Escola Ban Pa Mued”. O garoto tem 14 anos e é assistente do técnico Ekaphol Chantawong. Boonyiam joga futebol desde o jardim de infância e torce para o “Muangthong United”, onde joga o brasileiro “Jajá”, ex-Flamengo e Internacional. Órfão aos 10 anos, o técnico Ake já foi monge.

O time dos garotos é da cidade de Chiangrai, que tem uma equipe de futebol profissional, o “Chiangrai United”, onde joga o atacante brasileiro Bil, que no ano passado jogou pelo América Mineiro e foi campeão brasileiro da Série B.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convidou os jovens que estiveram presos na caverna na Tailândia para assistirem o jogo final da Copa do Mundo da Rússia, mas os médicos não permitiram, pois todos se encontravam hospitalizados em observação.

Uma produtora norte-americana, a “Pure Flix” anunciou que pretende fazer um longa-metragem baseado no resgate, com potencial de lançamento mundial.
O complexo de cavernas na Tailândia, onde os 12 estudantes e seu treinador de futebol ficaram presos por mais de duas semanas, será transformado em um museu para mostrar o resgate,

O complexo de cavernas onde os meninos ficaram presos durante mais de duas semanas, será transformado em museu, para que a operação de resgate nunca mais seja esquecida. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 3 de julho de 2018

A insensibilidade do "Rei"

Uma ausência muito sentida na Copa do Mundo da Rússia é de "Pelé", a maior estrela do futebol mundial em todos os tempos. Aos 77 anos, o "Atleta do Século" se submeteu nos últimos anos a cirurgias de coluna, fêmur e menisco, o que o obrigou a diminuir as aparições públicas. Esta é a primeira vez, desde 1958 quando era jogador, que não assiste ao maior torneio futebolístico do planeta.

O ex-camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira sofre há anos de dores na coluna que tem limitado seus movimentos, obrigando que se locomova com a ajuda de bengala e cadeira de rodas.

Há quem diga que "Pelé" é vitima de um castigo divino em razão de seus procedimentos nada recomendáveis com filhos, especialmente Edinho, que foi também jogador de futebol e Sandra, já falecida

A filha Sandra Regina Machado Arantes do Nascimento Felinto, 42 anos, que foi vereadora em Santos (SP) nunca obteve o reconhecimento afetivo de "Pelé", seu pai biológico. Em 1991, então com 27 anos, ela entrou na Justiça para ser reconhecida como filha mais velha do "Rei do Futebol".

Sandra foi fruto de uma relacionamento entre Pelé e a empregada doméstica Anízia Machado em 1963. Comprovada a paternidade por meio de exame de DNA, ela obteve o direito de usar Arantes do Nascimento no nome em 1996.

Toda a história entre Sandra e "Pelé" foi registrada no livro "A filha que o Rei não quis", que ela escreveu e foi sucesso de venda. Um trecho do livro diz:

Quando contava com mais ou menos sete anos de idade, minha mãe me deu ciência de que era filha de Pelé. Para mim, não fez diferença saber que era filha do Pelé. O que importava mesmo era saber eu tinha um pai!

Mas com o passar dos anos, fui me interessando por meu pai. Queria um dia poder me aproximar dele, dizer-lhe que era sua filha e receber suas calorosas boas-vindas. Queria poder abraçá-lo. Queria muito poder, como tantos outros seres humanos, ter o gosto de chamá-lo de pai!

Resolvi tomar uma iniciativa: telefonar para casa de meu pai no Guarujá. Fui atendida educadamente pela governanta. Apresentei-me como filha de Pelé. A governanta então prometeu fazer contato com ele e dar uma resposta.

Ao ligar novamente, recebi o seguinte recado: “Manda ela procurar os direitos dela. Inclusive, eu pago o advogado para ela”. Julguei que meu pai pudesse dar uma resposta diferente. Por que não me chamar para um diálogo a respeito do assunto? Além do mais, a forma como respondeu pareceu-me debochada.

Mais uma vez, minha mãe pediu que eu me afastasse de tal procura, por considerá-la inútil. Mas agora eu estava resoluta e ofendida. A sugestão de meu pai devia ser levada a sério. Eu iria então buscar os meus direitos!

Mesmo depois de haver entrado na justiça para reivindicar minha causa, continuei mantendo a esperança de que o processo não precisaria completar toda a sua jornada para que meu pai se voltasse para mim.

Em meio às inúmeras tentativas de alcançar meu pai, escrevi o seguinte artigo na seção “Ponto de vista” da revista Veja de 20 de Maio de 1992, intitulada “Pelé é meu pai”:

 “Eu sou filha de Édson Arantes do Nascimento, o Pelé. Acredito que está chegando ao fim a luta para que meu pai me reconheça. Graças à ciência, já está provado que sou sua filha. A justiça, acredito, está prestes a reconhecer essa verdade, apesar de os advogados de meu pai terem pedido a troca do juiz, que, segundo eles, seria suspeito para julgar o caso.

Mas não é necessário o exame de DNA ou a decisão do juiz para que eu tenha essa certeza. Para mim, que esses anos todos tenho tentado encontrá-lo, há muito tempo que não existe qualquer sombra de dúvida, e os exames só fizeram confirmar o que eu já sabia. Pelé é meu pai e vai me reconhecer. Se a ciência não for o bastante, e a própria justiça me falhar, ainda assim ele fará o reconhecimento. Mesmo que procure se enganar, no fundo do coração ele me reconhecerá"(...)

Mas "Pelé" foi insensível. Obrigado pela Justiça reconheceu que Sandra era sua filha, mas não lhe deu o que ela mais queria, o carinho de pai. Nem mesmo quando estava no leito de morte vítima de um câncer, "Pelé" foi duro: não a visitou e nem mesmo foi ao seu enterro, limitando-se a enviar uma coroa de flores em nome de sua empresa.

Não são poucas as pessoas que condenam "Pelé" pela sua insensibilidade neste caso. Na verdade não precisava nem ter feito o exame de DNA, a mulher era quase uma cópia feminina do pai.

Os dois filhos de Sandra Arantes do Nascimento Felinto, vão receber pensão do avô. Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal "Folha de S. Paulo", o ex-atleta terá que pagar mensalmente, após decisão judicial, sete salários mínimos - aproximadamente R$ 5 mil - para cada um.

Os tormentos de "Pelé" não se limitaram a filha Sandra. Edinho, cria do primeiro casamento do "Rei", ao contrário de Sandra que foi sempre uma mulher honesta e trabalhadora, sendo inclusive vereadora em Santos, só tem dado dores de cabeça ao pai.

Recentemente ele foi preso pela quinta vez. Antes, ele já fora detido outras quatro vezes. Está condenado a 33 anos de prisão por ligação com o tráfico de drogas. Antes, Edinho foi detido outras quatro vezes. A primeira prisão de Edinho aconteceu em 2005.

O ex-goleiro foi detido com outras 17 pessoas pela “Operação Indra”, realizada pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), acusado de ligação com uma organização de tráfico de drogas comandada por Duarte Barsotti de Freitas, o “Naldinho”.

Após seis meses em prisão provisória, foi solto com liminar em habeas corpus concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em janeiro de 2006, ele teve a prisão decretada com o aditamento da denúncia, que passou a incluir o crime de lavagem de dinheiro. Edinho obteve o direito de permanecer em liberdade.

Em fevereiro do mesmo ano, o Ministério Público o denunciou por lavagem de dinheiro. O ex-jogador voltou a ser preso, 47 dias após conseguir a liberdade. Depois disso, a Justiça mantinha a decisão de negar os pedidos de liberdade, mas acabou concedendo um habeas corpus formalizado pela defesa e de Edinho.

No dia 30 de maio de 2014, o ex-goleiro do Santos Futebol Clube foi condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação ao tráfico de drogas após decisão da juíza Suzana Pereira da Silva, auxiliar da 1ª Vara Criminal de Praia Grande.

Edinho foi preso no dia 7 de julho por não ter apresentado seu passaporte à Justiça, uma das exigências para permanecer em liberdade até a decisão final da Justiça. O advogado Eugênio Malavasi conseguiu um novo habeas corpus para que o cliente pudesse responder em liberdade.

Em novembro do mesmo ano, o ex-goleiro foi detido no Fórum de Praia Grande, após cumprir a medida cautelar que exigia que ele comparecesse mensalmente em juízo e registrasse sua rotina. Edinho foi solto no dia seguinte. A Justiça acatou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa.

Em 25 de fevereiro deste ano, o ex-goleiro voltou a ser preso. Ele conseguiu autorização para responder em liberdade dias depois.


Edson Cholbi Nascimento nasceu em Santos, São Paulo, dia 27 de agosto de 1970. Desde então, ele teve de conviver com a realidade de não ser apenas im menino, mas o filho do maior jogador de futebol que o mundo conheceu.

Sua mãe foi a primeira esposa do Rei, Rosemeri dos Reis Cholbi. O menino, um dos seis filhos reconhecidos pelo jogador, nasceu um pouco mais de um mês depois que Pelé conquistou sua terceira Copa do Mundo, no "Estádio Azteca", na Cidade do México. 

A relação entre Rosemeri Cholbi e Pelé se tornou difícil quando em 1993 um teste de DNA demonstrou um comportamento infiel do jogador. Havia tido uma filha com Anizia Machado, a faxineira da casa onde moravam. Era Sandra, já falecida. Quando "Pelé" foi jogar no Cosmos, em Nova Iorque, seus pais já haviam se separado.

Ele e a irmã foram criados por uma mãe solteira num apartamento pequeno, tudo por causa do escândalo extramatrimonial em que seu pai se envolveu. Edinho quase não via "Pelé". 

O fato de ser um jogador de futebol não justificava sua ausência na vida do filho, mas foi o que aconteceu. Só se viam em alguns aniversários ou em outra ocasião especial, uma ou duas vezes por ano.

Para Edinho foi muito decepcionante crescer sem a figura paterna. E confessava abertamente que não amava seu pai, porque ele fazia sua mãe chorar e, por isso, era o vilão, o homem mau. Sua inserção social também foi difícil.

Passou pelo basquete, beisebol e futebol. Depois, quando foi para Nova Iorque e mudou de escola, aproveitou o clima e andou de patinete e praticou hockey no gelo.

Aos 19 anos foi jogar futebol no Santos, o time onde"Pelé" brilhou. Os jornalistas na época diziam que ele estava no cube apenas por ser filho de "Pelé" e que sua estatura não era considerada adequada para um goleiro. 

Ficou no Santos apenas uma temporada, para logo depois ir para a Portuguesa. Suas habilidades como goleiro não eram muito notáveis e, por isso, foi pulando de clube em clube.

Aos 29 anos, a carreira na qual tinha apostado e na qual seu pai havia triunfado, começou a descarrilar. Edinho abandonou o futebol em 1999 depois de ter jogado uma temporada no Ponte Preta, de Campinas. 

Antes de se afastar do futebol, o filho do astro tivera problemas por ter participado de um racha em Santos, em outubro de 1992, que causou a morte de uma pessoa inocente.

Nessa corrida clandestina também estava um amigo seu, Marcilio José Marinho de Melo. Eles competiam dirigindo seus carros em alta velocidade naquele outubro de 1992. O carro que Melo dirigia atropelou um transeunte que passava pelo local, Pedro Simões Neto, de 52 anos, que morreu no ato.

A Justiça considerou os dois culpados, ainda que Edinho não estivesse conduzindo o carro que impactou a vítima. A pena imposta foi de seis anos de prisão por homicídio. O juiz baseou sua decisão no fato de que ambos estavam cientes de que um racha pelas ruas de Santos poderia causar a morte de alguém. 

A pena sancionada foi para um regime semiaberto: permitia que saíssem durante o dia para trabalhar, mas exigia que permanecessem no presídio durante as noites. 

Edinho sentiu a pressão por ser filho de Pelé pela primeira vez quando chegou ao Brasil. Teve que aprender a viver à sombra do ídolo do país. De um dia para o outro, ele virou “o filho de Pelé”, algo de que havia escapado em sua infância devido à ausência do pai e ao fato de não morar no Brasil. 

"Pelé" esta com 77 anos de idade e não consegue mais andar. Para se locomover precisa da ajuda de uma bengala e de uma cadeira de rodas. O ano passado ele fez uma cirurgia do quadril.

Muitos lamentam a situação do “rei”. Mas há também quem ache que Edson Arantes do Nascimento está pagando pelo que fez com a filha, Sandra Arantes, que nunca reconheceu e não visitou nem no leito de morte, quando ela já estava com o câncer bem avançado. (Pesquisa: Nilo Dias)


"Pelé" não consegue mais andar.
Os inúmeros inconvenientes que Edson Nascimento teve que atravessar em sua vida foram duros, mas também o deixaram mais forte.

Edson Nascimento é filho de Pelé, a maior estrela do futebol brasilero. Para muitos jovens, nascer sob os holofotes e com a vida ganha, pode não ser uma boa combinação.

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Edinho sofreu por falta de carinho, por falta de apoio e por não ter vivido uma vida “normal”. Por conta de amizades estranhas, drogas e más decisões, ele acabou trilhando um mau caminho.

Confira a seguir a polêmica trajetória de Edinho que acabou levando-o para trás das grades pela quinta vez.

Edson Cholbi Nascimento nasceu em Santos, São Paulo, dia 27 de agosto de 1970. Desde então, ele nunca foi só um menino, mas o filho da maior estrela do futebol brasileiro, um dos gigantes da história do futebol mundial.

Sua mãe foi a primeira esposa do Rei, Rosemeri dos Reis Cholbi. O menino, um dos seis filhos reconhecidos pelo jogador, nasceu um pouco mais de um mês depois que Pelé conquistou sua terceira Copa do Mundo, no estádio Azteca, na Cidade do México. Naquela final, o Brasil derrotou os locais por 4 a 1.

A relação entre Rosemeri Cholbi e Pelé foi conturbada, já que em 1993 um teste de DNA demonstrou um comportamento infiel do jogador. Havia tido uma filha com Anizia Machado, a faxineira da casa onde moravam. Já adulto, Edinho declarou: “Quando nos mudamos para Nova Iorque, meus pais se separaram.”

Com a dura separação de seus pais, ele sentiu o primeiro abalo de tantos outros que estavam por vir. Ele comentou: “Minha irmã e eu fomos criados por uma mãe solteira num apartamento pequeno.” Tudo isso por causa do escândalo extramatrimonial em que seu pai se envolveu.

Edinho não tinha contato com seu pai e quase não o via. O fato de ser um jogador de futebol não justificava sua ausência na vida do filho, mas foi o que aconteceu. “A gente se via só em alguns aniversários ou em alguma ocasião especial, uma ou duas vezes por ano.”

Segundo relata, para ele foi muito decepcionante crescer sem a figura paterna. “Criei um personagem negativo, não amava meu pai. Ele  fazia minha mãe chorar e, por isso, era o vilão, o homem mau”. Sua inserção social também foi difícil.

Passou pelo basquete, beisebol e futebol. Depois, quando foi para o norte e mudou de escola, aproveitou o clima e andou de patinete e praticou hockey no gelo.

Aos 19 anos, o futebol tomou conta de sua vida, assim como aconteceu com seu pai. Entrou para o clube Vila Belmiro como um goleiro muito recomendado. Os jornalistas na época enfatizaram que o fato de ser filho de Pelé facilitou sua entrada, sobretudo porque sua estatura não era considerada adequada para um goleiro. Assim foi ser filho de uma estrela: a influência às vezes era positiva, outras, negativa.

Ele circulava por Manhattan e ia ao Harlem, um dos maiores centros de residências afro-americanas, e nunca dizia a eles de quem era filho. Depois de grande, fez do sul do Bronx seu lugar, sua casa. “Era Nova Iorque em 1980, um lugar complicado. Estabeleci minhas relações lá e me orgulho disso. Passei a ser respeitado nas ruas”, comentou.

Aos 29 anos, a carreira na qual tinha apostado e na qual seu pai havia triunfado, começou a descarrilar. Edinho abandonou o futebol em 1999 depois de ter jogado uma temporada no Ponte Preta, de Campinas. Antes de se afastar do futebol, o filho do astro tivera problemas por ter participado de um racha em Santos, em outubro de 1992, que causou a morte de uma pessoa inocente.

Nessa corrida clandestina também estava um amigo seu, Marcilio José Marinho de Melo. Eles competiam dirigindo seus carros em alta velocidade naquele outubro de 1992. O carro que Melo dirigia atropelou um transeunte que passava pelo local, Pedro Simões Neto, de 52 anos, que morreu no ato.

Diante do Tribunal de São Paulo, os dois motoristas foram igualmente responsáveis pelo falecimento de Neto, ainda que Edinho não estivesse conduzindo o carro que impactou a vítima. Por isso é que a pena foi para ambos. Edinho se defendeu: “Muitas pessoas que estiveram envolvidas criaram uma situação que não existia, fui o alvo por ser filho do meu pai”.

A justiça brasileira condenou tanto Edinho como seu amigo Marcilio a cumprir seis anos de prisão por homicídio. O juiz baseou sua decisão no fato de que ambos estavam cientes de que um racha pelas ruas de Santos poderia causar a morte de alguém. Para o tribunal, era indiferente que o automóvel envolvido na morte de Neto fosse de Marcílio e não de Edinho.

A pena sancionada foi para um regime semiaberto: permitia que saíssem durante o dia para trabalhar, mas exigia que permanecessem no presídio durante as noites. Antes de entrar na prisão, Edinho declarou: “Eu não estava preparado para isso porque não fiz nada de mau. Mas a justiça no Brasil é muito frágil e fácil de manipular”.

Edinho sentiu a pressão por ser filho de Pelé pela primeira vez quando chegou ao Brasil. Teve que aprender a viver à sombra do ídolo do país. “Até esse momento, nunca havido tido que lidar com quem eu era e, de repente, tive que saber como resolvê-lo”, explicou.

De um dia para o outro, ele virou “o filho de Pelé”, algo de que havia escapado em sua infância devido à ausência do pai e ao fato de não morar no Brasil. “Assim que cheguei ao Brasil me dei conta da pressão que teria que enfrentar e, então, foquei em mim.”

Edinho, diferentemente de seu pai, jogava na posição de goleiro. Em 1990, assinou com o Santos, onde jogaria só uma temporada, para logo depois ir para a Portuguesa. Suas habilidades como goleiro não eram muito notáveis e, por isso, foi pulando de clube em clube.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O futebol brasileiro perde um de seus maiores craques

Morreu ontem (12/6) o ex-volante do Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte, José Carlos Bernardo  o “Zé Carlos”,  de 73 anos, que por 38 anos se constituiu no atleta com maior número de jogos pelo clube mineiro.

Somente em 2015 perdeu essa condição para o goleiro Fábio, que ainda permanece em atividade. “Zé Carlos” vestiu a camisa estrelada em 633 jogos e marcou 83 gols, entre as temporadas de 1965 e 1977.

O drama de “Zé Carlos” começou há cerca de seis anos. No entanto, somente há três a doença chegou ao ponto mais crítico, quando o ex-jogador ficou acamado. Ele deixou três filhos, Frederico, de 35 anos, vendedor; Gustavo, de 32, que mora e trabalha nos EUA; e Thiago, de 33.

Ele vivia em um apartamento, em Contagem, cuidado pela esposa, fiel escudeira, Eunice Braga Tolentino Bernardo, a “Nice”, de 58 anos.

“Zé Carlos” estava desempregado em razão de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2016, quando ficou com dificuldades de locomoção e comunicação. Ele passou os últimos meses internado no “Hospital do Barreiro” na capital mineira e morreu por falência múltipla dos órgãos.

O jogador fez parte de uma época de ouro do Cruzeiro, onde foi campeão da “Copa Libertadores da América de 1976” e da “Taça Brasil de 1966”, título que foi reconhecido em 2010 como de campeão brasileiro. E campeão mineiro em 10 oportunidades (1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977), além do “Torneio Início” (1966) e "Taça Minas Gerais" (1973).

Natural de Juiz de Fora (MG), “Zé Carlos” foi revelado pelo Sport Club Juiz de Fora. Como a cidade da “Zona da Mata” mineira fica próxima ao Rio de Janeiro, ele foi para o Fluminense fazer um teste.

Naquela época, o Fluminense estava sem dinheiro para poder pagar o passe dele. Por isso, “Zé Carlos” acabou no Cruzeiro a pedido do presidente Felício Brandi. No tricolor carioca ele conheceu o jogador Procópio, de quem se tornou grande amigo.

Os dois jogaram juntos no Cruzeiro, que tinha Dirceu Lopes, Tostão, Natal, Piazza e Raul. Procópio lembra que quando voltou a jogar depois de cinco anos, já velho, com 33 anos, recuperado de uma lesão, na estreia, “Zé Carlos” e Perfumo, outro que também já nos deixou, o apoiaram muito. 

"Fizeram a cobertura, deram apoio moral. correção, amizade e lealdade. Uma grande perda", disse o ex-zagueiro.

“Zé Carlos" esteve cotado para disputar a "Copa do Mundo de 1970", mas ficou fora da lista. Pela “Canarinho” ele participou de oito jogos e marcou dois gols.

Depois de deixar o Cruzeiro, o ex-volante foi campeão brasileiro com o Guarani, de Campinas (SP) em 1978, time fabuloso que tinha Zenon, Renato, Capitão e Bozó. 

Já no fim da carreira, vestiu a camisa do Villa Nova, de Nova Lima (MG) e teve atuação de destaque num duelo com o Atlético, conforme lembrou matéria publicada pelo jornal “Estado de Minas”. E no início dos anos 80 jogou no Uberaba (MG) e no Maringá, do Paraná.

Ao pendurar as chuteiras tentou a carreira de treinador. No futebol catarinense, “Zé Carlos” foi técnico do Criciúma campeão catarinense de 1986, interrompendo uma sequência de oito títulos consecutivos do Joinville, ao vencer o rival do Norte por 2 X 0 no Estádio Heriberto Hülse, com dois gols de Jorge Veras. Foi a primeira conquista tricolor desde a mudança do nome de Comerciário para Criciúma.

De acordo com os dados do site “Meu Time na Rede”, “Zé Carlos” comandou o Criciúma em 133 jogos oficiais entre 1986 e 1988, com um aproveitamento de 57%.

“Zé” era cativante ao extremo na sua tranquilidade, mansidão ao falar e bondade. Como todo sábio, não precisava demonstrar humildade e jamais teve o mínimo traço de arrogância. 

"Triste é saber que ele precisou da ajuda dos amigos para tratamento e fisioterapia. Machuca, mas é a realidade de um país onde o ídolo de ontem desaparece como uma folha seca levada pelo tempo, escreveu “Zé Beto”, no seu blog http://www.zebeto.com.br.

O Cruzeiro Esporte Clube lamentou o fato em uma nota assinada pelo presidente Wagner Pires de Sá. "Todos nós, da família Cruzeiro, manifestamos neste momento de dor o nosso carinho, compaixão e solidariedade aos amigos, familiares e fãs de "Zé Carlos", que sempre terá um cantinho especial no coração de cada cruzeirense e dos amantes do bom futebol", escreveu o mandatário do clube.

O Cruzeiro não foi o único a lamentar o falecimento de "Zé Carlos". O Guarani também o fez por meio de seu perfil no Twitter. "Com profundo pesar, o Guarani Futebol Clube informa e lamenta o falecimento do ex-meia "Zé Carlos". campeão brasileiro com o "Bugre" em 1978, o ex-jogador faleceu nesta terça-feira, aos 73 anos, em Belo Horizonte. Descanse em paz, "Zé Carlos", escreveu.

Muito abalado, também estava Zenon, meio-campista que formou com “Zé Carlos” e Renato, um trio de meio-campo de tirar o chapéu, tanto que levou o Guarani ao título inédito do Campeonato Brasileiro de 1978. 

Mais do que colegas de trabalho, eram amigos de longa data. Até por conta disso Zenon lamentou demais a perda do companheiro, que faleceu aos 73 anos, nesta terça-feira. O ex-meia se mostrou muito triste com a morte do amigo e companheiro .

"Zé Carlos" foi velado no “Cemitério Parque da Colina”, no Bairro Nova Cintra, região oeste de Belo Horizonte. O sepultamento ocorreu, hoje, quarta-feira, às 10 horas. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 31 de maio de 2018

O grande goleiro do Liverpool

Bruce Grobbelaar, goleiro que escreveu seu nome na história do Liverpool, tradicional time do futebol inglês, com certeza foi bastante lembrado semana passada, quando Loris Karius falhou duas vezes e tirou toda e qualquer possibilidade de seu time vencer o Real Madrid e ganhar a Copa Europa de Clubes Campeões.

Talvez Grobbelaar não fosse o genro dos sonhos para qualquer inglês mais apegado às tradições, e acostumado ao chá das cinco. Não era um Courtois ou De Gea, grandes destaques de seus times, dentro e fora de campo, jogadores que surgiram jovens e disputaram Copa do Mundo.

Grobbelaar não foi herói e nem vilão. Uns o conheciam como um gênio embaixo das traves, outros apenas como um fanfarrão. Mas o fato é que rótulos não combinam com a excentricidade daquele que foi ídolo dos “Reds”.

O goleiro marcou época no Liverpool, embora sempre gostasse de viver a vida intensamente. Nasceu em Durban, na África do Sul, numa região colonizada por holandeses. 

Resolveu defender a seleção do Zimbábue devido às sanções que a África do Sul sofria tanto da FIFA quanto da Confederação Africana de Futebol (CAF), por conta do “Apartheid”, que não permitia ao país disputar qualquer campeonato.

Outro fato peculiar que cercava Grobbelaar era a sua participação na guerra que culminou na independência do Zimbábue. Enquanto praticava o futebol ele serviu à Rodnésia, e dentro do próprio Exército chegou a praticar outros esportes com relativo sucesso.

Porém, nem o conflito foi capaz de fazer Grobbelaar desistir de estar dentro das quatro linhas. Em sua autobiografia pode-se notar os aprendizados do combate e seu amor pelo futebol. 

E dizia: “Se a guerra te ensina alguma coisa, é uma apreciação de estar vivo e eu nunca vou pedir desculpas por rir da vida e desfrutar do meu futebol”.

Sua trajetória é de dar inveja a qualquer jogador. O goleiro bigodudo saiu do Durban City, da África do Sul e rumou até o Vancouver Whitecaps, do Canadá, clube filiado a extinta “North American Soccer League” (NASL) e que hoje disputa a MLS.

Ficou poucos meses até chegar ao “Crewe Alexandra”, da Inglaterra. Depois foi emprestado ao West Bromwich, onde fez uma temporada muito boa. No seu último jogo pelo pequeno clube inglês pegou tudo o que podia e ainda fez um gol de pênalti.

Presentes ao jogo estavam alguns olheiros do Liverpool, que acabaram por contratá-lo gastando apenas “míseras” £250.000. A vida dele mudou da água para o vinho. Em um ano, Grobbelaar deixou o futebol da África do Sul, passou pelo Canadá, foi parar nas divisões inferiores da Inglaterra, e enfim, mudou para um dos maiores clubes do mundo.

O tempo mostrou que os olheiros estavam contratando naquele dia um dos melhores goleiros que já passaram pelo Liverpool em toda a sua gloriosa história.

Era chamado carinhosamente de "Brucie", pelos torcedores. Quando chegou ao time era para ser reserva do lendário Ray Clamence. Para sorte de Grobbelaar, Clamence deixou o clube em 1981, indo para o Tottenham. 

Com isso o africano assumiu a titularidade. Esteve, inclusive em campo, quando o clube inglês perdeu o Mundial de Clubes de 1981, para o Flamengo.

O começo de Grobbelaar no Liverpool não foi nada fácil. Em seus primeiros jogos teve atuações desastrosas e quase foi dispensado. Já era espalhafatoso naquele tempo, mas imaturo. Acabava se complicando em lances simples.

Quando o técnico Paisley lhe deu um puxão de orelha, e ameaçou devolvê-lo para o Crewe Alexandra, Gobbelaar amadureceu e conquistou o Campeonato Inglês seis vezes, além de três Copas da Inglaterra, três Copas da Liga Inglesa e uma "Liga dos Campeões", o título mais marcante na carreira.

No dia 30 de maio de 1984, Grobbelaar chegou ao ápice. Na final da Copa dos Campeões da Europa, atual "Liga dos Campeões", brilhou contra a Roma. A equipe italiana tinha grandes jogadores da seleção campeã mundial de 1982 – como Conti e Graziani – além do craque brasileiro Paulo Roberto Falcão.

Depois de um empate de 1 X 1 no tempo normal, o goleiro brilhou na disputa por pênaltis. Desconcentrou os batedores fazendo o movimento que ficou conhecido como “pernas de espaguete”.

Na irreverência, fez o Liverpool se impor como gigante da Europa para conquistar o seu quarto título da "Liga dos Campeões" em pleno estádio Olímpico de Roma.

Anos depois, na célebre final de Istambul, o Liverpool encarou outro clube italiano em busca de sua quinta “Taça”. No tempo normal, o poderoso Milan, de Kaká abriu 3 X 0 logo no primeiro tempo. O que aparentava ser uma goleada tornou-se uma das histórias mais bonitas já escritas na Liga dos Campeões.

O Liverpool buscou o empate no segundo tempo e conseguiu levar a decisão para os pênaltis. Grobbelaar não estava presente em corpo nessa decisão, mas há quem jure que o seu espírito tomou conta de Dudek, que  repetiu os mesmos movimentos do antigo goleiro, para desconcentrar os batedores. O resultado também não poderia ser diferente: Liverpool campeão da "Liga dos Campeões" mais uma vez.

A década de 1980 foi gloriosa para “Brucie”, mas nos anos 1990 não foi mais o mesmo. Além do rendimento cair consideravelmente dentro de campo, foi protagonista de um dos maiores escândalos de manipulação de resultados da história do futebol inglês.

Ele foi acusado de se vender no jogo entre Liverpool X Newcastle, em 1993 pela “Premier League”, quando o Liverpool perdeu por 3 X 0. O tablóide “The Sun” testemunhou um encontro do goleiro com apostadores num quarto de hotel. 

E dai em diante, a carreira de Grobbelaar foi só ladeira abaixo, se dividindo entre a tentativa de provar a inocência e o desempenho abaixo da média em times pequenos europeus, sem abrir mão da extravagância.

As acusações não puderam ser provadas e ele foi inocentado. Com isso, decidiu processar o jornal alegando difamação. Ganhou em primeira instância, mas perdeu no final. E o “The Sun” deixou o antigo ídolo dos “Reds”, mais arruinado financeiramente.

Em 2002 o jornal “The Telegraph” divulgou matéria contando os detalhes processuais da empreitada enfrentada por Grobbelaar para tentar limpar o seu nome. Ganhou para isso 85 mil libras do tablóide sensacionalista.

Em entrevista a revista “FourFourTwo”, o goleiro deu uma declaração polêmica sobre os seus problemas com a Justiça. Ainda assim, como todo jogador folclórico, conseguiu contemplar toda a sua história na Inglaterra, desde quando era apenas um menino imigrante sul-africano que se lançou ao mundo para tentar a sorte no futebol .

“Eu cheguei à Inglaterra com £ 10 no meu bolso e, depois da decisão da Justiça, fiquei com £ 1. Mas que vida eu tive com essas £ 9!”. Em 2007, depois de alguns anos perambulando pelos pequenos clubes ingleses encerrou a carreira e retornou para a África do Sul. 

De volta a sua terra natal, tentou se tornar treinador de pequenos clubes locais, porém sem obter resultados expressivos. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Rio Grande perde a sua memória

Hoje é um dia muito triste para a comunidade de Rio Grande, cidade portuária localizada no Extremo Sul gaúcho, pois marca o falecimento do jornalista, escritor, historiador, pesquisador e biógrafo Willy César Rodrigues Ferreira, de 60 anos de idade.

Ele estava internado há várias semanas no Hospital da Fundação Universidade de Rio Grande, tratando de uma terrível doença, que infelizmente já havia se alastrado por todo o seu organismo, tirando qualquer chance de cura.

Willy César era solteiro, deixa o irmão Erlon Jackes, mais conhecido por “Monn”, além de sobrinhos e primos. Sua mãe, dona Ada, com quem morou desde que nasceu, já havia falecido há alguns anos.

Foi aluno do Colégio Lemos Júnior, no Curso Ginasial, entre 1970 e 1973. Depois continuou os estudos, no Instituto de Educação Juvenal Muller, de 1974 a 1977, onde presidiu o Grêmio Estudantil e editou o jornal “Atocha”.

Seu primeiro emprego foi de repórter no jornal “Agora”, em 1979. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), em 1985.

Editou o informativo “FURG em Notícia”, de 2001 a 2004. Foi assessor de Imprensa da Refinaria de Petróleo Ipiranga entre 1986 e 1996, quando conheceu o empresário Francisco Bastos, fundador do Grupo Ipiranga.

Entre 1997 e 2001, trabalhou de repórter na Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Rio Grande. Depois, de 2001 a 2005 esteve na Assessoria de Imprensa da Fundação Universidade de Rio Grande (FURG) e de 2006 a 2007, foi assessor de imprensa da Festa do Mar.

No rádio trabalhou na Rádio Minuano, entre 1981 e 1982. Depois foi repórter da Rádio Camaquense, de Camaquã, de 1983 a 1984. Em 1988 ajudou a fundar a Rádio Universidade FM Educativa, da FURG, sendo seu diretor por 11 anos.

Foi o fundador e primeiro diretor do Museu de Comunicação Rodolfo Pettersen, inaugurado em 2001, e seu diretor até 2005. O Museu guarda em seu acervo cerca de 20 mil peças, entre discos, aparelhos de rádio e TV, gramofones, um fonógrafo, aparelhos telefônicos, máquinas fotográficas, equipamentos de som e coleções de jornais e revistas.

Willy César trabalhou também no Departamento de Cirurgias da Fundação Universidade de Rio Grande (FURG). Coordenou o Clube do Cinema da FURG e foi dirigente sindical, como delegado regional dos Jornalistas, de 1993 a 1998 e vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Rio Grande.

Dedicou longo tempo a pesquisas sobre os mais variados acontecimentos que diziam respeito a Rio Grande. Um dos trabalhos que mais gostou, foi quando convidado pela Escola de Samba “Unidos da Rheingantz” escreveu o tema enredo “Germano Torales Leite, do sonho a realidade – Agora, uma história de sucesso”. E teve a oportunidade de realizar um antigo desejo, desfilar em carro alegórico no Carnaval riograndino.

Como escritor foi autor de cinco livros: “A História da URES” (1979); “Centenário do Colégio Lemos Júnior” (2007); “Chico Bastos, o Pescador” (2011); “Um século de futebol popular” (2013); “A cidade do Rio Grande, do Big Bang a 2015” (2016).

Antes de adoecer estava escrevendo dois livros ao mesmo tempo: “A história do F.B.C. Rio-Grandense” e “O Cabaré da Mangacha”.

O ano passado Willy César viveu um momento de grande emoção, ao ter sido escolhido patrono da “44ª Feira do Livro de Rio Grande”.

Em artigos que escreveu para jornais, não só de Rio Grande, mas também de outras cidades, destacam-se “SCRG o mais antigo clube profissional brasileiro, não o primeiro amador”, em que conta o episódio do reconhecimento da antiga CBF, ao fato histórico; “A Taça serrada de 1940”, o discutido torneio entre os três clubes da cidade, para selarem a paz depois de tempos com as relações cortadas; e “Silva Paes não foi o fundador de Rio Grande”, pesquisa polêmica que gerou muitos comentários, pró e contra.

Fui amigo de Willy César, que conheci á 35 anos atrás, no tempo que morei em Rio Grande. Em 2008 fomos entrevistados por ele, a minha esposa Teresinha Motta, e eu, na Rádio da FURG, oportunidade em que relembramos os bons momentos vividos nessa encantadora cidade.

Em 2011, fui homenageado pelos amigos Willy César e Célio Soares, em um jantar no “Restaurante Passione”, com a presença de antigos colegas da imprensa e do F.B.C. Rio-Grandense. Foi um momento de rara emoção, em que vi pela última vez outros dois grandes amigos, Ney Amado Costa e Jonas Cardoso.

Em maio do ano passado, quando do lançamento de meu livro “Nico, o Bombardeador”, foi Willy César o responsável pela publicidade em torno do evento, realizado na “Churrascaria Leão”, do S.C. São Paulo, o qual se constituiu em sucesso absoluto.

Acompanhado do amigo comum, Célio Soares, fiquei sabendo pelo próprio Willy do problema de saúde que enfrentava. Ele estava convicto de que tudo correria bem.

Acompanhei todo o seu drama até o desfecho final, sempre informado pelas amigas jornalistas Rosane Borges Leite e Julieta Amaral, que foram incansáveis em apoiá-lo, do primeiro ao último momento de sua verdadeira “via-crucis”. Descanse em paz, companheiro. (Nilo Dias)