Nilo Dias Repórter

Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Os 100 anos do Central de Caruaru (PE)

O Central Sport Club, de Caruaru (PE), está completando hoje 100 anos de existência. O clube foi fundado no dia 15 de junho de 1919, a uma hora da tarde, na “Sociedade Musical Comercial Caruaruense”, tendo como representante o senhor Francisco Porto de Oliveira.

O nome do clube foi sugerido pelo senhor Severino Bezerra, em homenagem à "Estrada Central de Ferro de Pernambuco", denominação que os ingleses da “Great Western” deram a ferrovia que cortava Caruaru na direção do Sertão.

As cores preta e branca, segundo o professor José Florêncio Neto (Machadinho), ex-jogador do time caruaruense no início da equipe, foram escolhidas em face do símbolo do clube, a “Patativa do Agreste”, pássaro de canto harmonioso.

Foram eleitos: Presidente: José Faustino Vila Nova; Vice-Presidente, João Batista de Oliveira; 1º Secretário, Severino de Sales Tiné; 2º Secretário, Arlindo de Vasconcelos Limeira; Tesoureiro, Artur Leandro Sales; Vice-Tesoureiro, Ângelo Emídio de Lira; Orador, Francisco Porto de Oliveira e Diretor de Esportes, Severino José Bezerra. Foi estabelecida uma jóia de 2.000 réis e 500 réis de mensalidade (assim consta na primeira "Ata de Fundação").

No início o time só disputava jogos amistosos, mesmo assim revelou grandes jogadores como Machadinho, Zuza, Teonilo, Pedro, Rochura, Joaquim, Alemão e Tutu.

Em 1936 o Vasco da Gama foi até Caruaru para um amistoso. O time carioca suou para conseguir vencer o Central por 1 X 0. Os centralinos ainda conseguiram o empate, com Tutu, mas o árbitro anulou, erroneamente, o gol.

Um ano depois, o Central finalmente foi incluído entre os grandes do futebol pernambucano e começou a disputar o campeonato estadual. Foi o primeiro time do interior do Estado a participar do “Campeonato Pernambucano de Futebol”.

Porém, no mesmo ano, cansado de diversos equívocos de arbitragens, a diretoria retirou a equipe do torneio. O Central filiou-se, então, à “Liga Esportiva Caruaruense” e faturou os títulos de 1942, 1945, 1948, 1951/52, 1954, 1958.

Em 1951, a “Patativa” conseguiu um feito histórico, vencendo o Jocaru por 23 X 0. O meia Milton foi o artilheiro do jogo com 11 gols. O final da década de 1950 foi marcado pelas obras de construção do “Estádio Pedro Victor de Albuquerque”.

O alvinegro do “Agreste” só voltou a disputar o “Campeonato Pernambucano da Primeira Divisão” em 1960, depois de um grande apoio do presidente da “Liga Desportiva Caruarense”, Gercino Pereira Tabosa e do presidente da FPF, Rubem Moreira da Silva. Logo o time se transformou na quarta força de Pernambuco, sendo o destaque do interior e o fiel da balança no certame.

Em 1964, o Central comandado por um dos seus maiores craques, Vadinho, fez um campeonato brilhante, em especial no 1º turno, com apenas uma derrota em Recife para o Campeão, Náutico Capibaribe, terminando o certame na 3ª colocação, até então, o melhor resultado de um time do interior de Pernambuco na história.

Em 1965, o Central Sport Club de maneira invicta venceu o “Torneio Gercino Tabosa” ao empatar com o Santa Cruz por 1 X 1 no “Estádio Pedro Victor de Albuquerque”, competição que teve a participação ainda do campeão sergipano do ano, o Confiança, e do vice-campeão Alagoano, o Capelense.

Em 4 de fevereiro de 1968 o Central em feito histórico venceu a “Seleção Argentina de Novos.”

O ano de 1972, marcou a estreia do Central Sport Club em um campeonato nacional, a “Taça de Prata do Campeonato Brasileiro”, onde terminou empatado na 1a posição do grupo, apenas não se classificando para a fase final devido aos critérios de desempate.

Em 1980, a grande reforma no “Estádio Pedro Victor de Albuquerque”, atual “Lacerdão”, foi concluída. O jogo inaugural foi realizado no dia 19 de outubro do mesmo ano, quando o Central venceu a Seleção Nigeriana de Futebol por 3 X 1. Gil Mineiro, jogador do Central Sport Club, marcou o 1º gol após a reconstrução.

Também na década de 1980, em especial os anos de 1983 e 1986, o Central passou a ser concorrente efetivo do “Campeonato Pernambucano”, disputando ponto a ponto, turnos e returnos do certame com Sport, Santa Cruz e Náutico.

No ano de 1986 ocorreu a maior glória do Central Sport Club, que em uma disputa emocionante com o Americano venceu o Grupo F do “Torneio Paralelo”, uma espécie de ”Série B”, mas não foi reconhecido pela CBF como tal.

Conseguindo acesso imediato à fase final do certame, a “Série A” ao lado de Flamengo, Grêmio, Fluminense, dentre outros. Como os vencedores de cada grupo subiram diretamente para a segunda fase da “Série A”, não houve uma fase final.

O Central reivindica o reconhecimento pela CBF desse título como da “Série B” de 1986, que seria dividido entre Treze, Inter de Limeira e Criciúma.

Neste mesmo ano, no dia 22 de outubro de 1986 ocorreu o maior recorde de público da história do interior de Pernambuco, 24.450 pessoas foram assistir a vitória do Central por 2 X 1 contra o Flamengo na fase final da competição.

O Central continuou fazendo boas campanhas na “Série B" do “Campeonato Brasileiro” até que em 1995 surgiu nova oportunidade de acesso à primeira divisão. Após campanha brilhante, o Central chegou a fase final do certame em conjunto com o Atlético Paranaense, Coritiba e Mogi Mirim.

Em um dos mais disputados quadrangulares ocorridos na “Série B”, ascenderam o Atlético Paranaense e o Coritiba frustrando o sonho alvinegro de retornar à primeira divisão.

O final da década de 90 foi marcado por uma série de administrações desastrosas que culminaram com o rebaixamento da equipe, tanto no “Campeonato Pernambucano da Primeira Divisão”, quanto da “Série B" do “Campeonato Brasileiro”.

Em 1999, venceu o "Campeonato Pernambucano da “Série A2” e retornou à primeira divisão estadual. Em 2001, venceu a “Copa Pernambuco”. Em 2002, venceu a “Copa Governador Jarbas Vasconcelos”, torneio batizado carinhosamente de "Pernambuquinho".

Foi a época da reconstrução da equipe que voltou a ocupar o lugar de destaque em Pernambuco que sempre foi seu. Após brilhante campanha nos “Campeonatos Pernambucanos” de 2007 e 2008, tendo sido inclusive, vice-campeão estadual, o Central  classificou para a “Copa do Brasil”.

Eliminou em 2008 ao Remo (PA), e enfrenta o Palmeiras na segunda fase da competição. Em 2009, eliminou o Ceará e enfrentou o Vasco da Gama na 2º Fase da competição, reeditando um confronto clássico que tinha ocorrido há mais de 74 anos.

Em 2011, tornou-se o primeiro clube do interior na história, a vencer um turno do “Campeonato Pernambucano”. Em 2015, repetiu o feito da conquista do turno, ao vencer a “Taça Governador Eduardo Campos”, o primeiro turno do “Campeonato Pernambucano”.

Em 2018, após vencer o Sport por 1 X 0 na semifinal, o Central se classificou pela primeira vez à final do “Campeonato Pernambucano”, contra o Clube Náutico Capibaribe.

O “Estádio Luiz José de Lacerda”, popularmente conhecido como "Lacerdão", teve antes dois nomes, “Central Park”, no início da história do clube, que passou a se chamar durante muitos anos, como “Pedro Victor de Albuquerque”.

Está localizado em Caruaru, Pernambuco, e possui mais de 70 anos de história. Tem como mandante o Central Sport Club. Teve sua denominação alterada para “Lacerdão”, em homenagem ao esforço do empresário Luiz José Lacerda que foi fundamental para a ampliação do estádio no final da década de 70 e início da década de 1980.

O jogo inaugural após a ampliação aconteceu no dia 19 de outubro do mesmo ano, quando o Central venceu a Seleção Nigeriana de Futebol por 3 X 1. Gil Mineiro, então jogador do Central Sport Club, marcou o primeiro gol.

Nos anos 70 e 80, o Central passou a disputar o “Campeonato Brasileiro”, levando grandes equipes ao “Lacerdão”. No dia 22 de outubro de 1986, ocorreu o maior recorde de público da história de Caruaru: 24.450 pessoas foram assistir à vitória do Central por 2 X 1, contra o Flamengo (RJ), em partida válida pelo “Campeonato Brasileiro” do mesmo ano.

O Estádio já foi palco de confrontos do Central Sport Club com diversas seleções e clubes tais como a Seleção da Nigéria, a Seleção de Novos da Argentina (atualmente conhecida como seleção pré-olímpica) e contra clubes campeões brasileiros, a exemplo do Flamengo (RJ), Fluminense (RJ), Vasco (RJ), Grêmio (RS), Atlético (PR), Coritiba (PR), Guarani (SP) e Palmeiras (SP).

Atualmente o “Lacerdão” tem capacidade aproximada de 20.000 pessoas, e é o maior estádio particular do interior do Norte/Nordeste e o quarto maior estádio de Pernambuco, apenas ficando atrás dos estádios do chamado "Trio de Ferro de Pernambuco", Sport, Santa Cruz e Náutico.

O Central Sport Club teve três hinos oficiais em sua história. O primeiro foi composto por Yêdo Silva, no ano de 1921, porém infelizmente não há registro de sua letra, nem partitura.

O segundo foi composto pelo ex-atleta do clube José Florêncio Neto, o professor Machadinho, no ano de 1968. O terceiro e último, que é o utilizado até hoje, foi composto pelo cantor Israel Filho, no ano de 1995.

Títulos conquistados. Regionais: Torneio Gercino Barbosa (1965). Estaduais: Copa Governador Jarbas Vasconcelos (2002); Copa Pernambuco (2001); Campeonato Pernambucano - Série A2 (1999); Torneio Augusto Lucena - Torneio Incentivo da FPF (1973, 1974 e 1975); Torneio Início de Pernambuco (1973); Campeonato Pernambucano do Interior (1937, 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1993, 2001, 2002, 2007, 2008, 2010 e 2018); Municipais: Liga Esportiva Caruaruense (1942, 1943, 1944, 1945, 1948, 1951,1952,1953 e 1958). Outros torneios: Torneio Qualificatório do Campeonato Brasileiro Série B 1994 - Zona Pernambuco (1993). (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 12 de junho de 2019

Um time centenário no Acre

O Rio Branco Football Club, da cidade de Rio Branco, no Estado do Acre, é mais um clube a fazer parte da seleta galeria de agremiações centenárias do futebol brasileiro. Foi fundado na noite do dia 8 de junho de 1919, em uma reunião ocorrida no “Eden Cine Theatro” (no local do “Cine Teatro Recreio”), na Rua 17 de Novembro no 2° Distrito da cidade de Rio Branco.

A reunião foi convocada pelo advogado amazonense doutor Luiz Mestrinho Filho, o qual estava na cidade para presidir uma comissão de inquérito na agência dos Correios. 

Compareceram ao todo 16 pessoas, entre as quais Nathaniel de Albuquerque, Conrado Fleury, José Francisco de Melo, Mário de Oliveira, Luiz Mestrinho Filho, Alfredo Ferreira Gomes, Manoel Vasconcelos, Francisco Lima e Silva, Pedro de Castro Feitosa, Jayme Plácido de Paiva e Melo, que assinaram a primeira ata do clube.

No mesmo dia da fundação, foram sugeridos por Luiz Mestrinho o nome do clube (em louvor à cidade e ao Barão do Rio Branco) e as cores vermelho e branco, presentes no escudo, uniforme e bandeira oficial.

Após eleita a primeira diretoria, o clube recebeu a doação de um terreno no local onde hoje se situa a “Praça Plácido de Castro”, doação do prefeito, doutor Augusto Monteiro.

O terreno doado consistia em uma área de mata nativa, que em poucos dias foi substituída por um campo de terra batida para, mais tarde, tornar-se a sede social do clube.

A primeira partida oficial disputada pelo Rio Branco ocorreu no dia 14 de julho de 1919, com vitória por 5 X 0 sobre o Militar Foot-Ball Club, equipe da Polícia Militar do Estado.

O primeiro uniforme do Rio Branco era totalmente branco, com uma grande estrela vermelha no local do distintivo da camisa.

No dia 18 de julho de 1920, o Rio Branco fez a sua primeira partida intermunicipal, com vitória sobre a Seleção de Xapuri pelo placar de 1 X 0.

Em seu primeiro ano de existência, o Rio Branco disputou alguns amistosos e o primeiro torneio da Liga Acreana de Esportes Terrestres (LAET) e venceu todos os jogos, faturando o primeiro título do Estado.

Os times existentes à época promoviam diversos amistosos, cultuando uma rivalidade saudável e unia uma frente única para derrotar aquela equipe poderosa no futebol e pela composição de seus membros influentes na vida social, administrativa e política territorial, como advogados, promotores, juízes, desembargadores, médicos, militares, delegados, escritores, altos comerciantes.

A mascote é a “Estrela Altaneira”, símbolo da ”Revolução Acriana”, transformada em segundo escudo do clube é usada frequentemente em seu uniforme.

As três estrelas vermelhas representam o tricampeonato do “Copão da Amazônia”. A estrela dourada representa o título da “Copa Norte de 1997”.

Chamado pelos torcedores de “O Mais Querido” manda seus jogos na “Arena da Floresta”, com capacidade para 20 mil torcedores. Suas principais conquistas consistem em 47 títulos do “Campeonato Acreano”, três ”Copas da Amazônia” e uma da “Copa Norte”, de forma invicta no ano de 1997.

Este último garantiu ao clube uma vaga na “Copa Conmebol”, tornando-se o primeiro clube da Região Norte do Brasil a disputar uma competição oficial sul-americana.

O ano de 1919 marcou o início dos campeonatos no Acre. Promoveu a disputa de um torneio, a “Liga Torneio Initium”, no dia 9 de julho daquele ano. O Rio Branco sagrou-se campeão, vencendo o Acreano por 10 X 0 e o Ypiranga por 2 X 0.

No dia 1 de agosto de 1919, teve início o primeiro campeonato oficial da LAET, disputado em dois turnos. No primeiro, o Rio Branco goleou o Acreano por 4 X 0 e o Ypiranga por 8 X 0. No segundo turno, 3 X 0 no Acreano e 1 X 0 no Ypiranga.

O time do Rio Branco que foi campeão da competição estava assim formado: Alfredo - Zé Bezerra e Olavo. Nobre - Bandeira e Joca. Fortenelle – Gaston – Mello - Jacob e Carlos.

Em 1920, o Rio Branco continuou a colher louros no futebol, mas conheceu no último jogo do ano o amargo sabor da derrota que tanto impunha aos rivais.

Infelizmente, o Delegado Chiquinho pôde somente registrar quatro jogos estrelados em 1921, pelo campeonato, ainda os três clubes, mas é fácil saber que o “Estrelão” faturou o bicampeonato, aferindo-se pelos escores do primeiro turno:

No dia 1 de outubro de 1921, o Rio Branco disputou um amistoso para a entrega das faixas de campeão, contra um Combinado Acreano-Ypiranga. Vitória do “Estrelão” pelo placar de 3 X 2.

No ano de 1921 foi criada a “Liga Acreana de Esportes Terrestres “ (LAET). O Rio Branco foi um de seus fundadores, juntamente com o Acreano Sport CIub e o Ypiranga Sport Club.

Entre 1922 e 1927, a LAET não organizou o seu campeonato. Os clubes acreanos tiveram de se contentar com amistosos. Somente em 1928 houve um novo campeonato, faturado pelo Rio Branco sobre o Ypiranga.

Em 1929, o Rio Branco foi campeão, após o fato rompeu relações com a mentora e decidiu não mais participar dos torneios. O retorno para competições só aconteceu em 1935, com mais um título estadual, desta vez em cima do América.

Dez anos depois de sua fundação, o Rio Branco inaugurou o seu estádio próprio no dia 8 de junho de 1929, em um terreno oferecido pelo fundador e chefe de Polícia, José Francisco de Melo e a sua esposa, dona Isaura Parente.

O estádio foi batizado de “Stadium José de Melo”, e está localizado na Avenida Ceará. É lá onde a sede do clube se encontra até os dias de hoje.

Nas décadas de 30 e 40, o Rio Branco reinou absoluto no futebol do Acre, conquistando nada menos do que 12 títulos estaduais, entre 1935 e 1947, sendo 11 deles organizados pela LAET e o primeiro campeonato organizado pela Federação Acreana de Desportos (FAD) (criada em 24 de janeiro de 1947). Nos anos 1950, o clube faturou mais cinco títulos estaduais.

Entre 1964 e 1970, o Rio Branco amargou um jejum de títulos, algo incomum para um clube acostumado com conquistas. A torcida teve que esperar até 1971 para comemorar outro campeonato.

Sem poder participar de campeonatos nacionais e de categoria profissional devido a não serem regularizadas profissionalmente, as federações de Acre, Amapá, Rondônia e Roraima criaram o “Torneio Integração”, mais conhecido como “Copão da Amazônia”.

A primeira edição aconteceu em 1975 em Porto Velho. O Rio Branco debutou na competição na sua segunda edição, e já faturando o título diante do Baré (RR) no “Estádio José de Melo”.

Em 1977, em Macapá, o “Estrelão” buscou o bicampeonato, mas perdeu a grande final para o Moto Clube (RO) nos pênaltis, depois de um empate em 1 X 1 no tempo normal.

Em 1978, nova derrota na final para o Moto Clube, desta vez por 1 X 0 em Boa Vista. A revanche aconteceu em 1979, na casa do adversário, com um 2 X 1 em pleno “Estádio Aluízio Ferreira”, faturando o bicampeonato.

O tricampeonato só aconteceu 5 anos depois, em 1984, depois de vencer o Baré por 2 X 0 no dia 23 de Outubro no “Estádio Glicério Marques”, em Macapá.

Em 1986, novo vice-campeonato: Depois de dois empates (1 X 1 em Rio Branco e 2 X 2 em Macapá), o título foi decidido em um terceiro jogo, com vitória do Trem (AP) por 2 X 1, na capital amapaense.

O torneio deixou de existir após a profissionalização das federações e dos clubes. O Rio Branco é o segundo maior vencedor do “Copão”, atrás apenas do Trem, que faturou cinco títulos.

Após a implantação do profissionalismo no futebol acreano em 1989, o Rio Branco consolidou seu domínio local, conquistando, até hoje, 13 títulos estaduais. Em 1989, o “Estrelão” estreou em competições nacionais (representando o futebol do Estado pela primeira vez) disputando a “Série B do Campeonato Brasileiro”.

O clube foi a grande surpresa da competição, sendo eliminado apenas nas oitavas-de-final diante do Ceará, terminando entre os 16 primeiros e garantindo vaga na “Série B” de 1990.

O ano de 1997 ficou marcado como o ano mais importante da história do clube, com a principal conquista da sua história: a “Copa Norte”. Após estrear na competição com um empate sem gols com o Ji-Paraná (RO), o Rio Branco passou por Baré (RR) (1 X 0), Independência (1 X 0) e goleou o Nacional (AM) (4 X 1), garantindo o primeiro lugar em seu grupo e, consequentemente, a vaga para a final.

O adversário da decisão foi o Remo. No primeiro jogo, no “José de Melo”, um empate sem gols. Na decisão em Belém, o Rio Branco não tomou conhecimentos do time mandante e venceu o Remo em pleno “Estádio Mangueirão” pelo placar de 2 X 1, com gols de Palmiro e Vinícius.

Pelo título alcançado ganhou a alcunha de "O Melhor do Norte". A conquista do título regional permitiu que o Rio Branco fosse a primeira equipe da região Norte a disputar uma competição sul-americana: a “Copa Conmebol”.

No dia 27 de agosto, o clube estreou na Copa Conmebol, um marco importante no futebol da região. O jogo era na Colômbia, contra o Deportes Tolima. Em um jogo bastante equilibrado e pegado, o “Estrelão” saiu da Colômbia com uma derrota por 2 X 1.

No jogo de volta, dia 3 de setembro, com o “Estádio José de Melo” lotado, o Rio Branco foi em busca do resultado. e a estrela do atacante Gomes brilhou. O atacante marcou o único gol da partida, aos 41' do segundo tempo, levando o jogo para os pênaltis.

Nas penalidades, o “Estrelão” saiu derrotado por 3 X 1, com Hélio, Vinícius e Testinha perdendo as suas cobranças, fechando assim a sua única participação na competição.

Também em 1997, o clube conquistou o Campeonato Acreano. Depois, pela “Copa do Brasil” eliminou o Goiás (venceu o primeiro jogo no “José de Melo” por 1 X 0, e no segundo jogo perdeu por 2 X 1 no “Serra Dourada”, conseguindo a classificação para a próxima fase) e venceu o Flamengo (2 X 1 em casa), e terminou na oitava colocação na classificação geral da competição, sua melhor participação.

Depois do auge, veio a queda. O Rio Branco passou por uma grande reformulação e não conseguiu forças para continuar crescendo no cenário nacional. O clube acumulou dívidas e não conseguia repetir os bons resultados em competições nacionais, chegando a desistir de participar das edições de 2002 e 2005 da Série C por motivos financeiros.

Somente a partir de 2002, o ”Estrelão” voltou a se impor na região. Entre 2002 e 2005 sagrou-se tetracampeão estadual, o primeiro e único desde a profissionalização do futebol local. Em 2004, o clube deu o primeiro passo na tentativa de voltar à Série B.

Em 2007, conquistou o Campeonato Acreano com uma campanha impecável, vencendo os dois turnos de forma invicta.

Entre 2007 e 2009, o clube fez belíssimas campanhas pela Série C do Campeonato Brasileiro. Em 2009, novamente em busca do acesso à Série B, o clube fez parcerias com o Atlético Paranaense e com a empresa inglesa fornecedora de materiais esportivos, a Umbro. Mas os esforços não resultaram nos objetivos.

O “Estrelão” começou bem a temporada 2010, conquistando seu 41º título estadual e a vaga para a Copa do Brasil 2011. Entretanto, o clube não fez uma boa campanha no Campeonato Brasileiro.

Em 2011, o Rio Branco entrou em campo para jogar três torneios: Copa do Brasil, Campeonato Acreano e a Série C do Brasileirão. No Estadual, a equipe conquistou o bicampeonato. Pela Copa do Brasil, o Rio Branco enfrentou o seu antigo parceiro, o Atlético (PR), na primeira fase da competição e foi eliminado.

Na Série C esteve no Grupo A, ao lado de Águia de Marabá (PA), Araguaína (TO), Luverdense (MT) e Paysandu (PA). Mais uma vez, o clube teve altos e baixos na competição. Desta vez, porém, a reação foi no tempo certo.

O clube acabou vencendo todos os jogos do segundo turno e terminou na primeira colocação do Grupo A, com 16 pontos, se classificando para a segunda fase, onde formou um quadrangular com Paysandu, América-RN e CRB-AL. No entanto, começou ali uma briga judicial intensa e que resultou na maior crise da história do clube.

No início da Série C 2011, a Procuradoria da Defesa do Consumidor do Acre (PROCON-AC), órgão ligado ao Ministério Público, decidiu vetar a “Arena da Floresta” e todos os demais estádios acreanos para jogos oficiais, fazendo com que o “Estrelão” ficasse incapacitado de realizar jogos com a presença de seus torcedores.

Com um pedido de efeito suspensivo, o “Estrelão” conseguiu continuar no torneio até que o caso fosse julgado pelo Pleno do STJD, a última instância da esfera esportiva. Por 5 votos a 1, a decisão de exclusão da equipe foi decretada e, mesmo com três jogos ainda por fazer, o Rio Branco foi retirado da competição.

Começava aí uma extensa briga judicial. Graças a uma ação da Procuradoria Geral do Estado do Acre protocolada nos Tribunais de Justiça do Acre(TJ-AC) e do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que revogou a decisão da Justiça Desportiva, em 17 de outubro de 2011 a CBF anunciou a volta do Rio Branco à Série C.

A entidade recorreu e, quatro dias depois, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu suspender os jogos do Grupo E até que o caso fosse julgado. No entanto, em 26 de outubro de 2011, o Rio Branco abdicou de sua vaga na segunda fase e aceitou a sua exclusão do torneio. Um dia depois, a CBF anunciou que o Luverdense (MT), terceiro colocado do Grupo A, substituiria o “Estrelão” na segunda fase e faria os 6 jogos determinados.

O ano de 2012 começou de maneira ruim para o clube. Com uma nova diretoria passou por grandes reformulações no elenco e se preparava para a disputa da Copa do Brasil 2012, onde enfrentaria o Cruzeiro (MG).

O que ninguém esperava é que o Estado do Acre passasse pela maior enchente de sua história, onde mais de 140 mil pessoas foram afetadas pelas águas do Rio Acre. O grande volume de chuvas na região prejudicou o planejamento do Rio Branco, onde muitos treinos acabaram por ser cancelados.

Sem jogar oficialmente por mais de cinco meses, a falta de ritmo também prejudicou o elenco. O resultado não poderia ser pior: Jogando em casa, o “Estrelão” levou a maior goleada de sua história e a primeira dentro de casa, perdendo para o clube mineiro por 6 X 0 e encerrando a sua pior participação na “Copa do Brasil”.

Com a grave crise devido à exclusão da Série C, o Rio Branco só voltou às competições no ano de 2013.Na “Série C”, em 20 jogos, o clube venceu apenas duas partidas e foi derrotado 18 vezes, realizando a sua pior participação e sendo rebaixado para a “Série D” de 2014. 

No "Campeonato Brasileiro da Série D", que disputou seis vezes, a melhor campanha foi em 2014, quando alcançou a nona colocação. 

Mesmo tendo chegado aos 100 anos de vida, o "Estrelão" passa por um momento delicado dentro e fora de campo, sem conquistas no ano do Centenário, eliminado precocemente do "Campeonato Brasileiro da Série D" e fora da "Copa Verde" – a diretoria decidiu pela desistência da disputa. (Pesquisa: Nilo Dias)

Equipe de 1989 que conseguiu o acesso a Série B.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Ourinhense agora é centenário

O Clube Atlético Ourinhense, da cidade paulista de Ourinhos é mais um clube a se tornar centenário no futebol brasileiro. Chegou a disputar uma edição do “Campeonato Paulista da Segunda Divisão” e seis edições do “Campeonato Paulista da Terceira Divisão”. Atualmente disputa apenas competições amadoras.

No inicio do povoamento, a pequena estação ferroviária era o marco divisor de duas áreas bastante distintas da povoação que se chamaria Ourinhos.

Inicialmente foram abertas três ruas ao norte da estação – as atuais Avenida Jacinto Sá que permitia o acesso à rodovia Raposo Tavares, a rua Amazonas e a rua Pará.

Na parte sul abriu-se o caminho para o rio Paranapanema onde uma balsa permitia a travessia do rio e o conseqüente acesso ao estado do Paraná. Até 1910 já eram abertas mais duas ruas – as atuais ruas São Paulo e 9 de julho, antes, Minas Gerais.

Ainda na parte sul, um espaço utilizado pelos primeiros moradores como campo de futebol.

Ao redor desse espaço foram se fixando novos imigrantes e a própria elite agrária da região. Até 1918 quando a povoação foi elevada a município, uma nova elite havia se formado. A cidade havia aumentado até a altura da atual rua Paulo Sá.

Ao redor do que antes fora um campo – reservado para uma praça (praça Melo Peixoto) fixaram-se lojas como a Buri, Riachuelo, Pernambucanas, Renner, a casa Amaral, a Singer, a pensão central, dois bancos, o bar central. 

Souza Soutelo construiu varias casas de madeira depois substituídas por de alvenaria, levantou-se uma Igreja, os metodistas chegaram à nova cidade. Instalou-se uma prefeitura, uma câmara municipal e uma serraria.

Os Cury se estabeleceram com uma agencia de automóveis e eletrodomésticos. Mais ao sul se fixaram os Mori. Depois vieram outros.

Instalou-se uma agencia de telefonia (Companhia Telefônica de Ourinhos). Ao longo da hoje rua São Paulo havia uma cocheira de aluguel (atual posto São José), uma pensão, mais tarde uma rádio clube e na esquina surgiria ainda um cinema  – o Cine Casino.

Em 1919 essa nova elite formada nessa área fundava o Clube Atlético Ourinhense, liderada pelos Cury e pelos Ferrari. O salão foi instalado inicialmente em um barracão dos Ferrari na avenida Jacinto Sá e depois no antigo caminho do Paraná (hoje Loja Nova Nunes).

No inicio não era um clube fundado para a prática do futebol considerado já um esporte muito popular. Os membros estavam preocupados em estabelecer um local apropriado para suas reuniões, seus saraus, seus bailes (bastante elitista, por sinal), seus jogos de salão. O basquete, o vôlei, o tênis e a natação eram bem vistos e o clube chegou a ter uma excelente equipe de basquete.

O futebol, no entanto parecia estar no sangue dos Cury e logo também se formava uma equipe na qual os principais jogadores eram membros dessa nova elite formada na cidade.

Entre os jogadores podemos citar as figuras de Alberto Braz, Esperidião Cury, Hermínio Vidal, Santo Perino, Daniel Leirião,Mario Cury, Bento Perino e até o cabo Arlindo Gomes. 

O time foi eleito em 1937 como o clube mais popular da cidade numa enquete do jornal "A Voz do Povo". Daniel Leirião, por sua vez, foi eleito o jogador mais popular. Por essa época o futebol já era um esporte bastante popular.

Em terrenos adquiridos pelo Cury e Ferrari ao lado da estrada que levava até as terras de Benicio do Espírito Santo, ao norte, construíram um campo de futebol, bem ao lado do construído pelo seu maior rival, o Esporte Clube Operário fundado já em 16 de junho de 1920.

O campo do Operário aliás já era um campo de futebol do extinto Aurora F.C. adquirido em 1933 por influencia do próprio C.A. Ourinhense.

Bem administrado o novo clube, logo os Cury compraram da família Mano uma extensa área de terra bem na nascente de um riacho e ali construiriam um centro social e esportivo com piscinas, salão social e um estádio de futebol.

A elite do Ourinhense nos anos 30, 40, 50 e 60 contava com a união de diversas famílias, como a de João Batista Crivelari, Aristides Viana, Antonio Carlos Mori, Benedito Monteiro, Edison Leonis, Carlos Eduardo Devienne, Vasco Fernandes Grilo, Humberto Mori, Miguel Cury, Julio Mori, Ítalo Ferrari, Antonio Saladini e Antonio Dias Ferraz

Em 1933 houve a extinção do Aurora, outro clube da cidade, que provavelmente se fundiu com o Ourinhense, que mudou sua sede para a rua São Paulo e já tinha o seu próprio campo construído em terras dos Cury e Ferrari.

Em 1938 o clube ganhou o “Torneio Primeiro de Maio”, vencendo a final contra o Platinense, de Santo Antônio da Platina, em jogo realizado dia 29 de maio.

O Ourinhense foi campeão jogando com Nelito - Sebastião e Geto. Caetano - Amador e José. Alfredo – Edgar – Antoninho - Hermínio e Luis. O juiz da partida foi Arnaldo Pocay.

Em 1942, pela primeira vez a recém criada Federação Paulista de Futebol realizou um campeonato amador a nível estadual e lá estava o Clube Atlético Ourinhense participando como integrante da 14ª região.

Vencedor na região acabou sendo desclassificado logo em seguida pela associação Ferroviária de Botucatu. Perdeu por 4 X 1, em jogo realizado no dia 4 de outubro de 1942.

Em 1949 o Ourinhense não conseguiu a classificação para a disputa do regional. Em 1950 e 1951 tornou-se o campeão da cidade e da 14ª Região. E depois participou do "Campeonato da Divisão de Acesso".

A partir de 1959 já existia uma Liga Ourinhense de Futebol responsável em apurar o campeão da cidade para a disputa do regional e o Ourinhense perdeu na final para o recém surgido Sociedade Esportiva Palmeira.

Em 1961, 62, 63, 64, 65 e 1966 disputou a “Terceira Divisão” - havia uma divisão intermediária entre a segunda e a “Primeira divisão”, daí, a “Terceira Divisão”.

Após a morte de Carlos Cury, no entanto, o clube foi se popularizando cada vez mais e a direção passou para outras mãos e ao que sabe também já envolvido em dívidas, principalmente as trabalhistas, o que indica que vinha sendo mal administrado

O clube fica localizado à beira da “Rodovia Raposo Tavares” e a sua entrada principal está localizada numa travessa. Suas dependências são simples, porém muito bem conservadas, permitindo que os seus 2.800 associados possam usufruir de um conforto bastante razoável, num ambiente aconchegante.

Com relação a possível volta ao futebol profissional, não está descartada e, para isso, basta aparecer alguma parceria para que o CAO possa voltar aos gramados.

Isso esteve perto de acontecer em 2006, quando o Guarani, de Campinas acenou com a possibilidade de uma parceria nos mesmos moldes que o São Caetano fez com a Santacruzense, porém acabou não dando certo.

Participações em estaduais. Segunda Divisão - atual A2 (1952; Terceira Divisão - atual A3 (1961 - 1962 - 1963 - 1964 - 1965 e 1966)

Títulos regionais e municipais, Campeão do município (1942, 1943, 1948, 1950 e 1951); Campeão da Liga Ourinhense de Futebol (1990 e 2002) e Campeão regional (2004 e 2005). (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Os 100 anos do "Gigante da Zona Norte"

No recente dia 1 de junho o Sport Club Anchieta, do Rio de Janeiro, chamado pelos seus torcedores de “O Gigante da Zona Norte”, completou 100 anos de existência. O clube, que atualmente manda seus jogos no “Estádio Ademar Barbosa – O Barbosão” foi fundado em 1 de junho de 1919. 

A sede do clube na rua Arnaldo Murinelli é o local que abriga todas as suas instalações esportivas e sociais, possuindo além de piscina, ginásio e bar.Sediado no bairro de Anchieta, seu uniforme tem às cores preta e vermelha, idêntico ao do Clube Atlético Paranaense, que foi fundado cinco anos depois. 

Foi criado como Sport Club Anchieta por alguns membros do grupo carnavalesco “Só pra moer” e apelidado de “Gigante Rubro-negro”. Anos mais tarde foi rebatizado como Esporte Clube Anchieta, o que não durou muito, visto que após o leilão de sua sede a Diretoria que assumiu a agremiação decidiu retomar a antiga denominação de Sport Club Anchieta.

Voltando ao campo histórico do clube, sabe-se que os primeiros chutes na bola dados pelo rubro-negro foram no campo da "Estrada de Nazareth", ali mesmo no bairro de Anchieta. Porém, não se sabe ao certo se o tal endereço atenda hoje como Avenida Nazaré, que margeia a ferrovia na localidade. 

O que se tem certeza é que 11 anos após sua fundação, 1930, o Anchieta veio ingressar no Campeonato Carioca organizado pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), na “Série Emmanuel Coelho Netto”. 

Em 1931, disputou a “Segunda Divisão”, ficando na nona colocação. Em 1932, jogou novamente a” Segunda Divisão”, ficando em terceiro lugar, atrás somente do campeão Engenho de Dentro Atlético Clube e do vice-campeão, Modesto Football Club. 

Em 1933, sagrou-se campeão carioca da “Segunda Divisão”, em certame promovido pela “Associação Metropolitana de Esportes Atléticos” (AMEA), porém não houve acesso. 

Após a extinção da “Federação Atlética Suburbana”, os clubes que dela faziam parte se sentiram desprestigiados com a política estabelecida pela “Federação Metropolitana de Futebol”.

Na tentativa de mudar esse quadro, criou-se o “Departamento Autônomo”, em Assembleia realizada no dia 7 de julho de 1949, da qual fez parte o Anchieta. Na primeira edição do certame, a equipe foi vice-campeã juvenil da “Série Suburbana”. 

Em 1952 foi campeã juvenil da mesma série do referido campeonato. Inúmeros outros títulos conquistou ao longo de mais de 30 anos participando do futebol amador.

Em 1992, enveredou pelos caminhos da profissionalização do seu futebol, quando venceu o “Campeonato da Terceira Divisão”, promovido pela FFERJ. O vice foi o São Paulo, de São João de Meriti.

Na época o módulo valia na prática como quarta divisão, pois a verdadeira segunda virara “Módulo Intermediário”. No ano seguinte, o Anchieta disputaria a Segunda Divisão (que valia como terceiro módulo). 

No primeiro turno ficou em nono em sua chave. No segundo, apenas o sétimo, não chegando ao quadrangular final. Em 1994, se licenciou dos campeonatos de âmbito profissional.

Voltou apenas em 1997, quando se sagrou campeão da “Quarta Divisão”, em um certame disputado apenas por quatro equipes. O vice foi o Cruzeiro, de Pendotiba. Se licenciou novamente das competições, voltando em 2000, para jogar a “Terceira Divisão”, intitulada à época “Módulo Especial”.

Ficou em terceiro lugar na primeira fase, atrás somente do Independente Esportes Clube Macaé e do Rio das Ostras Futebol Clube. Na fase final, o Independente foi o campeão, ficando o Anchieta com o vice-campeonato. 

Ainda em 2000, disputou a “Copa Rio” quando acabou eliminado na segunda fase pela campeã do torneio, a Associação Atlética Portuguesa. Nos anos 2000, o clube se limitou as disputas amadoras municipais e da Baixada Fluminense, colecionando algumas taças em diferentes categorias do amadorismo local. 

Mas, talvez, a honraria que mais encha de orgulho os benfeitores do Anchieta seja o fato da camisa rubro-negra ter sido vestida por dois nomes conhecidos no cenário do futebol carioca: Murilo e "Quarentinha". 

Murilo foi ex-lateral-direito do Olaria e do Flamengo na década de 60, chegando a ser pré-convocado para a disputa da "Copa do Mundo" de 1966 pela "Seleção Brasileira". 

"Quarentinha", por sua vez, foi atacante e maior artilheiro da história do Botafogo com 313 gols marcados e possuindo passagens pela seleção nacional, onde tremulou as redes por 17 vezes.

Infelizmente não há fotos e taças dos áureos tempos do Anchieta. Segundo Ademar Barbosa, “Hoje é um clube sem história”.

Em 9 de maio de 2007 o clube passou pelo momento mais crítico de sua história. O seu patrimônio, que inclui a sede social e o estádio, foi posto a leilão por conta da acumulação de décadas de dívidas de IPTU. Por 70 mil reais, Ademar Barbosa arrematou a agremiação, livrando-a das garras da especulação imobiliária e da sua consequente e inevitável extinção.

A partir de então, o Anchieta passou a figurar nos campeonatos promovidos pela ”Liga de Desportos de Nova Iguaçu”, vencendo, em 2009, a “Taça Cidade de Nova Iguaçu”, categoria Sub-14.

Em 2010, foi vice da “Taça Rio de Juniores”, da “Copa Dinamite”. Por conta de algumas dívidas trabalhistas, a agremiação mudou o seu registro para Associação Esportiva Mariópolis, contudo, mantendo o nome fantasia de Sport Club Anchieta.

No início de 2011 passou a ser aventada a hipótese de fusão com o União Central Futebol Clube havendo a criação de um novo clube que se chamaria Unidos de Anchieta, mas as negociações não se concretizaram.
Em 2013, cedeu o seu “Estádio Ademar Barbosa” para o Centro Esportivo Arraial do Cabo atuar no “Campeonato Estadual da Série C”.


Os dias atuais são duros para o Sport Club Anchieta. O “Gigante da Zona Norte”, já possuiu mais de 3.000 associados. Hoje, o número não passa de 100.

A lista de funcionários não tem mais que oito nomes, isso contando aqueles que trabalham indiretamente para o clube. Para sobreviver, recorre aos aluguéis do campo de futebol, da piscina e do bar, onde ocorrem eventos sociais.


Mesmo distante de uma volta ao profissionalismo e com o futebol parado em 2013, um grupo de crianças treina na escolinha de futsal que funciona no ginásio do clube. Os seguimentos dos trabalhos ficam sob a batuta do Professor Baiano. Quem sabe o futuro do Anchieta nos gramados passe pelos pés destes jovens pupilos?


Títulos conquistados. Estaduais: Campeonato Carioca - 2ª divisão (1933); Campeonato Carioca - 4ª divisão (1992 e 1998); Municipais: Departamento Autônomo (1975). Outras Categorias. Campeão da Taça Cidade de Nova Iguaçu - Categoria Sub-14 (2009); Campeão juvenil do Departamento Autônomo - Série Suburbana (1952); Campeão de Aspirantes do Departamento Autônomo - Série Dr. João Machado (1955); Campeão de Aspirantes da Série João da Silva Ramos do Departamento Autônomo (1957); Campeão juvenil da Série C.O.B. do Departamento Autônomo (1969); Campeão juvenil da divisão "A" do Departamento Autônomo (1971).

Outras Campanhas de Destaque. Vice-campeão Estadual da Terceira Divisão (2000); Vice-campeão do Torneio de Verão de Nova Iguaçu - Categoria Juvenil:  (2010); Vice-campeão de Juniores da Rio Copa - Torneio Jorge Fontes ( 2012); Vice-campeão Juvenil do Departamento Autônomo - Série Suburbana (1949); Vice-campeão do Supercampeonato Amador do Departamento Autônomo - Categoria juvenil (1952); Vice-campeão de Aspirantes do Departamento Autônomo - Série M. Antunes Batista (1953); Vice-campeão do Supercampeonato do Departamento Autônomo – Aspirantes (1955) e Vice-campeão de Aspirantes da Série João Ellis Filho do Departamento Autônomo (1965). (Pesquisa: Nilo Dias)


Estádio Ademar Barbosa, o "Barbosão", sede do clube.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

O centenário do “Leão das Missões”

O Esporte Clube Palmeirense, da cidade de Palmeira das Missões, no Estado do Rio Grande do Sul completou 100 anos de fundação no dia 27 de maio de 1919.

O Clube, que tem as cores vermelha e branca manda seus jogos no “Estádio Luciano Ferreira Martins”, com capacidade para 4.500 torcedores. E é dona de duas torcidas organizadas, chamadas: "Leões das Missões" e Camisa 12, criadas no mesmo ano do retorno da equipe ao futebol profissional.

Em sua história centenária foram poucas as conquistas, do clube com destaque para as conquistas do “Campeonato Citadino” (1952), Vice-Campeonato Gaúcho da 2ª Divisão (1995), tendo o atacante Kuki, que depois jogou no Náutico do Recife, como artilheiro e do “Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão” (2001).

Disputou, ainda, o “Campeonato da Terceira Divisão” em 1968, 2013 e 2014, “Segunda Divisão”, em 1952, 1993, 1994, 1995, 1999, 2000, 2001, 2004, “Primeira Divisão” em 2002, 2003 e “Série B”, em 1996, 1997 e 1998.

O clube fechou o seu Departamento d Futebol Profissional por vários anos, tendo retornado em 2013, por iniciativa de Régis Lorenzoni e o "Capitão Vieira".

No ano de 2015, o clube esteve mais uma vez ameaçado de fechar o departamento profissional, mas por meio da união de vários torcedores e dirigentes, foi decidido que continuaria em atividade.

Em 2016, o clube acabou suspendendo suas atividades profissionais mais uma vez, por falta de dinheiro para continuar as operações básicas do clube. (Pesquisa: Nilo Dias)

O Esporte Clube Palmeirense em 2015.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

A morte do artilheiro Luisinho Lemos

Morreu na manha de ontem no Hospital Geral de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro o ex-atacante do América carioca e seu atual treinador, Luisinho Lemos, aos 66 anos de idade, também conhecido por “Luisinho Tombo”.

Ele estava internado a uma semana depois de ter sofrido um infarto enquanto comandava o América no dia 25 de maio, na estreia do time na Série B do Campeonato Carioca, contra o Nova Cidade, com vitória de 3 X 0..

Luisinho se sentiu mal aos 28 minutos do segundo tempo, sendo encaminhado para atendimento médico no Hospital Juscelino Kubitschek, em Nilópolis, e depois transferido para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, onde veio a falecer

Luizinho Lemos está sendo velado nesta segunda-feira, entre 9h e 12h30, no Cemitério do Caju. Logo após, às 13h, seu corpo será cremado.

Nascido em Niterói (RJ) no dia 3 de outubro de 1952, Luisinho foi o maior artilheiro da história do América, tendo marcado 311 gols. Era irmão dos também atacantes Caio “Cambalhota” e César “Maluco”, que fizeram história no futebol brasileiro.

Começou a carreira no “Diabo Rubro" em 1973 e teve passagens por Flamengo, Botafogo, Internacional, Palmeiras, Ferroviária de Araraquara e clubes da Espanha, México e Catar. Parou com a bola em 1987 no América e passou a se dedicar à carreira de treinador.

Assim como Caio, Luisinho jogou no América, seu clube do coração em 1973 e 1974 e de 1982 a 1984. Foi campeão pelo cube rubro, do “Torneio dos Campeões” em 1982, da “Taça Guanabara” de 1974 e da “Taça Rio” em 1982.

“Tombo” jogou ainda com destaque, junto do mano Caio, no Flamengo (1975 a 1977); no Sport Club Internacional (1977 e 1978), Botafogo (1978 e 1979). Também como César, no Palmeiras (1984 e 1985), dentre outros clubes do exterior, pois jogou na Espanha, México e Catar, tendo feito 434 gols apenas atuando pelos clubes brasileiros, sem contar os seus gols no exterior.

No Palmeiras, segundo o Almanaque do Palmeiras de Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti, atuou em 27 jogos em 1984 com 15 vitórias, oito empates, quatro derrotas e seis gols marcados. Foi artilheiro do Campeonato Carioca de 1974 e 1983, pelo América. Foi o terceiro maior artilheiro do estádio do Maracanã. Após encerrar a carreira de jogador, Luisinho tornou-se técnico de futebol, treinando o próprio América, e depois, clubes do Catar.

Títulos conquistados. Pelo Flamengo: Torneio Quadrangular de Jundiaí (1975);Taça José João Altafini "Mazzola" (1975); Taça Jubileu de Prata da Rede Tupi de TV (1975); Torneio Quadrangular de Mato Grosso (1976); Taça Nelson Rodrigues (1976); Taça Geraldo Cleofas Dias Alves (1976); Troféu Governador Roberto Santos (1976); Taça Prefeitura Municipal de Manaus (1976) e Taça Duque de Caxias (1976). Pelo América: Taça Guanabara (1974); Taça Rio (1982); Taça Rio de Janeiro (1982) e Copa dos Campeões (1982). Internacional: Campeonato Gaúcho (1978); Copa Governador Estado (1978) e Torneio Viña del Mar (1978).

“Luizinho nos deixou. O nosso herói. Dos gols maravilhosos, da vibração, de vitórias e de títulos, dentro do campo ou à beira do gramado. Sempre trabalhou por um América vitorioso e grande, pois nada diferente disso cabia em sua visão. Sempre te amaremos”, disse o América, em nota oficial.

O Clube de Regatas do Flamengo lamentou a morte do ex-atacante Luisinho Lemos, “que honrou o “Manto” entre os anos de 1975 e 1977. Foram 160 jogos com 95 gols marcados. Desejamos muita força aos amigos e familiares. Obrigado por tudo, craque! #LuisinhoEterno #CRF”.

Flamengo colocou bandeira na Gávea à meio-mastro em homenagem a Luisinho Lemos.
No clássico entre Botafogo e Vasco, foi respeitado um minuto de silêncio antes do início do segundo tempo em homenagem a Luisinho.

Nota de pesar: Botafogo lamentou o falecimento de Luizinho Lemos, técnico do América e ex-jogador alvinegro. Clube decretou luto, e respeitou um minuto de silêncio no clássico com o Vasco e manifestou sua solidariedade a familiares, amigos e fãs de Luizinho Lemos. (Pesquisa: Nilo Dias)


domingo, 2 de junho de 2019

Os 100 anos do Almirante Barroso

O Clube Náutico Almirante Barroso é um clube brasileiro da cidade de Itajaí, litoral do Estado de Santa Catarina. Está licenciado na Federação Catarinense de Futebol desde 1971, porém, por meio de uma parceria, desde 2016 cede seu nome, marca e estádio ao Navegantes Esporte Clube Ltda, agremiação que atualmente disputa o Campeonato Catarinense da Série B.

A fundação do Clube Náutico Almirante Barroso, originou-se de um descontentamento de cerca de 40 membros da diretoria do Clube Náutico Marcílio Dias, que não concordaram com a eleição da madrinha dos dois primeiros barcos adquiridos pelo Marcílio Dias.

Este grupo de descontentes se reuniu em um dos salões do então Grande Hotel, e acabaram fundando o Barroso. Esta reunião aconteceu no dia 11 de maio de 1919.

Neste mesmo dia foi homologada sua primeira diretoria oficial tendo como Presidente de Honra: Comandante Carlos N. Abreu Presidente: Eugênio Muller Filho. Vice Presidente: José Alves Pereira Tesoureiro: Bruno Malburg Secretario: Augusto Woigt. Orador: Marcos Konder Conselho Fiscal: Tiburcio Gonçalves, Euclides Dutra e Albano Ferreira Costa.

No dia 29 de junho de 1919, foi feito o lançamento da pedra fundamental para a construção da sede social, localizada na rua Pedro Ferreira, o batismo da pedra foi realizado pelo Padre Antônio Matias. A sede foi construída em 1920.

Em 1956, na administração do presidente Camilo Mussi foi inaugurado o Estádio no terreno adquirido no período da gestão do Dr. Camilo (Hoje denominado Estádio Camilo Mussi, popularmente conhecido como Campo de ET). Onde foi construída a nova sede social.

Desde a fundação do clube até 1940, a atividade principal da entidade era o remo, que teve uma trajetória brilhante, obtendo expressivas conquistas, dentre elas os campeonatos estaduais de 1920, 1921, 1927 e 1928.

O futebol entrou na história do clube por volta de 1949, quando foi feita uma fusão com o time do Lauro Müller (que havia sido campeão estadual em 1931). O Barroso sagrou-se campeão municipal em 1959 e vice-campeão estadual em 1963, tendo encerrado suas atividades no futebol profissional em 1971.

No dia 3 de março de 2016, as diretorias do Almirante Barroso junto ao Sport Clube Litoral (Navegantes Esporte Clube Ltda) confirmaram uma parceria, onde o Litoral assumiria a parte administrativa do clube e usaria o nome do Clube Náutico Almirante Barroso, para jogar a Série B do Campeonato Catarinense de 2016, já que pretende atrair mais torcida, coisa que não conseguiria se jogasse como Litoral. Adotando o nome do Barroso, o Litoral/Navegantes conquistou a Série B do Campeonato Catarinense em 2016.

O Clube Social, fundado em 1919, tem a administração inteiramente realizada por seus sócios que, a cada 3 anos formam chapas que se colocam à disposição dos sócios adimplentes para votação. A chapa eleita é composta pela Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal.

O presidente atual, eleito em fev/2017 é o Sr. Helio Orsi e está em sua segunda gestão eleito pela maioria de votos dos sócios. Dentre as atividades do Clube estão a administração da estrutura como os salões de festas, administração e manutenção do campo para os sócios, administração da piscina, academia, bem como de todo o patrimônio do Barroso, organização dos campeonatos internos e demais atividades voltadas para os sócios e a comunidade.

Desde 2016, o Barroso retornou ao futebol profissional através de uma parceria realizada com o Sport Club Litoral (Navegantes Esporte Clube Ltda). Desde então a administração do time profissional do Barroso é realizada sob a gestão do Navegantes Esporte Clube Ltda no formato de clube empresa. 

A parceria oferece ao time profissional o compartilhamento do espaço físico com os sócios mediante melhorias que beneficiam as duas partes, representando este clube que está próximo de completar seu centenário e já faz parte da história dos itajaienses.

Títulos. Estaduais: Campeonato Catarinense - Série B (2016). O título foi conquistado através da parceria com o Litoral/Navegantes, uma vez que o Almirante Barroso encontra-se licenciado desde 1971.  Municipais: Campeonato Itajaiense de Futebol (1959); Torneio início da LID (1960, 1961 e 1963)
O Clube Náutico Marcílio Dias é seu maior rival, seguido do Clube Atlético Itajaí, ambos são da mesma cidade. (Fonte: Wikipedia)


Clube Náutico Almirante Barroso, em 1959.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

O grande craque da Polônia

Zbigniew Boniek, ou simplesmente Boniek até hoje é considerado por muitos como o melhor jogador da história da seleção da Polônia, que defendeu durante 79 partidas. Boniek estreou com a camisa polaca em 1976.

Nascido no dia 3 de março de 1956, em Bydgozcz, na Polônia, Boniek disputou três Copas do Mundo: 1978, 1982 e 1986. Na Copa do Mundo da Espanha, em 1982, foi decisivo e levou os poloneses ao terceiro lugar. Ele marcou 24 gols pela Seleção de seu país. Jogava como meia e atacante.

No seu tempo de atleta tornou-se o mais conhecido astro de futebol do seu pais, superando outros nomes famosos como Grzegorz Lato, Kazimierz Deyna, Władysław Żmuda e Andrzej Szarmach.

Boniek tinha como principal arma a capacidade de driblar em velocidade, o que o tornava um jogador temível em qualquer posição do campo. Era dono de grande visão de jogo, tinha um ritmo explosivo e realizava dribles cerebrais, além de marcar muitos gols.

Jogador de apurada técnica, Boniek começou a carreira no Widzew Lodz, um time médio do futebol polonês em 1975. Emendou dois vice-campeonatos em 1979 e 1980, fora vice também em 1977 e chegou aos títulos do campeonato polaco em 1981 e 1982.

Sob seu comando, a seleção pouco tradicional viveu seus melhores momentos em "Copas do Mundo", chegando às quartas-de-final em 78, ao terceiro lugar em 82 e às oitavas-de-final em 86.

Na Espanha, em 82, viveu seu auge representando o país. Apesar da derrota para a futura campeã Itália, nas semifinais, na disputa pelo terceiro lugar, desbancou a badalada França de seu amigo Platini.

As boas atuações na Copa de 1982 chamaram a atenção de diversos clubes do mundo. Ainda durante o Mundial, a diretoria da Roma teria acertado com Boniek e contava com os gols do jogador já para a temporada seguinte.

Um problema no pagamento da rescisão, no entanto, impediu o acordo com a Roma e ele acabou assinando com a Juventus. Boniek, que foi o primeiro jogador polonês a atuar no futebol italiano, já havia chamado a atenção da Juve alguns anos antes, quando o Widzew Łódź eliminou a "Velha Senhora" na "Copa Uefa" e o próprio Zibi cobrou o pênalti decisivo.

A transferência foi na ordem de 1,8 milhões de dólares, a mais cara negociação de um jogador polaco até então. Em Turim, chegou junto com Platini, maior contratação do mercado, para jogar ao lado dos campeões do mundo Zoff, Gentile, Cabrini, Scirea, Causio, Tardelli e Rossi – alguns dos quais já haviam sido seus companheiros num amistoso em que a seleção da Argentina enfrentou um combinado do resto do mundo, comandado por Enzo Bearzot, em 1979.

Na primeira temporada, conquistou uma “Taça de Itália” mas a Juve perdeu os títulos mais importantes: a "Serie A" para a Roma e a final da "Liga dos Campeões da UEFA", no que seria o primeiro título da Juventus no mais importante torneio interclubes europeu, para o Hamburgo.

Na sua segunda temporada na Juventus, Boniek teve melhores resultados, jogando ao lado também de Dino Zoff, Antonio Cabrini, Massimo Bonini, Gaetano Scirea e Marco Tardelli, dentre outros.

Ganhou o “Scudetto” e a “Recopa Europeia”, em que marcou o gol da vitória sobre o Porto na decisão, naquela que foi a maior conquista internacional do clube italiano até então. Ele também marcou os dois gols nos 2 X 0 sobre o Liverpool, campeão da “Copa dos Campeões”, na “Supercopa Europeia”.

Durante a Copa de 86, no México, Boniek enfrentou a seleção brasileira e por pouco não fez um gol de bicicleta no goleiro Carlos. A bola passou raspando na trave.

A temporada que se seguiu viu a "Vecchia Signora" focar-se no inédito título da Copa dos Campeões. E ele finalmente veio, com participação determinante de Boniek, que sofreu o pênalti que originaria o único gol na decisão, também contra o Liverpool.

A conquista, que ficaria tristemente marcada pela tragédia de Heysel, em que a ação de hooligans da torcida adversária provocou a morte de 39 torcedores bianconeri foi seu ápice no clube, mas também a sua despedida. Ao fim da temporada 1984/85, Boniek acertou sua transferência para a Roma.

Foi por 2,5 milhões para o clube da capital, que acabava de despedir-se de Falcão. Em uma equipe tradicional, mas não tão forte, teve o mérito de liderá-la na conquista da "Copa da Itália" de 1986, fazendo os romanistas esquecerem-se um pouco do antigo "Rei de Roma" até 1988, quando parou de jogar.

Daí surgiu a homenagem que os giallorossi fizeram a Boniek; diziam que, em Roma, dois poloneses mandavam: ele e o Papa João Paulo II.

A partir da temporada 1990-91, tentou se aventurar como técnico, mas não alcançou bons resultados por Lecce, Bari e Sambenedettese. No Avellino, em 1995, chegou a subir para a "Serie B", mas acabou demitido no início da temporada seguinte.

Depois, Boniek tornou-se presidente da Federação Polonesa de Futebol e chegou a dirigir a seleção, com maus resultados, após a Copa de 2002, e decidiu encerrar também a experiência como treinador, em dezembro daquele ano.

Hoje, é comentarista do programa "Domenica Sportiva", da Rai 2, e participa frequentemente de programas de TV ligados à torcida romanista. Até hoje, Boniek vive em Roma e, segundo dizem na Itália, guarda mais no coração a equipe giallorossa do que a bianconera.

Boniek sempre foi um cara humilde. Nunca deixou a fama lhe subir a cabeça. Tanto é verdade, que não se considerava um jogador especial. Dizia não ter uma técnica particular, se considerando somente um jogador útil.

Juventinos e romanistas discordam da humildade do atacante polonês. Considerado por muitos o maior ídolo da história do futebol de seu país, Zbigniew Boniek desfilou pelos gramados italianos de 1982 a 1988, conquistando fãs em Roma e Turim. (Pesquisa: Nilo Dias)