Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O inventor da "bicicleta"

A “bicicleta” no futebol é uma jogada acrobática em que o jogador salta e chuta com os dois pés no ar, para trás, por cima da própria cabeça, como se estivesse pedalando uma bicicleta. Nos demais países da América Latina a jogada é denominada de “puxeta” ou “chilena”. O termo “bicicleta” usado no Brasil, foi criado pelo locutor esportivo Gagliano Neto, depois de observar Leônidas da Silva, o mais perfeito executor da acrobacia.

Mas Leônidas não foi o inventor da jogada, ele apenas a aprimorou e tornou popular a partir da Copa do Mundo de 1938, na França. O verdadeiro inventor do lance, o espanhol Ramón Unzaga Asla já tinha deixado os gramados e caído no esquecimento. Não foi reconhecido como o “pai” da jogada, talvez por sua própria culpa, pois não quis sair do modesto Club Atlético no Chile, onde vivia desde os 12 anos. Ninguém lembrou de pelo menos erguer um monumento em homenagem a quem primeiro desafiou a gravidade, para realizar uma verdadeira obra de arte com os pés.

Unzaga nasceu em Bilbao em 1894, e quando tinha 12 anos de idade teve que acompanhar a família que emigrou para o Chile. Foi no time da pequena cidade de Talcahuano, que Unzaga começou a dar os primeiros chutes, e não demorou para que se tornasse o principal jogador da equipe.

Em seguida trocou a cidadania espanhola pela chilena e foi por diversas vezes chamado a defender a seleção nacional. Verdade, ou lenda foi em Talcahuano, cidade onde morava que pela primeira vez alguém conseguiu a proeza de dar um pontapé acrobático no ar. Foi num jogo realizado em 1914 no Estádio El Morro que Unzaga ensaiou o golpe e deixou estupefata a torcida presente.

Depois disso, costumava repetir a cada jogo o movimento que foi batizado como “la chorera” em nome da “Escuela Chorera”, como era chamada a base da seleção chilena da época.

Em 1920, durante a Copa América disputada no Chile, o mundo ficou conhecendo a genial jogada, num confronto contra a seleção da Argentina. Os jornalistas “porteños” ficaram maravilhados e rebatizaram o lance como “la chilena”, expressão que ainda hoje, se utiliza na Espanha e na América do Sul, incluindo o sul do Brasil.

O jogador recusou convites de vários clubes argentinos e uruguaios, mas não quis sair do Chile passando assim despercebido o seu invento. Na Copa do Mundo de 1938, o brasileiro Leônidas da Silva realizou a jogada e o mundo inteiro acreditou que fosse uma invenção sua. Mas não era. O próprio Leônidas admitia ter visto bem antes o jogador Petronilho de Brito efetuar o mesmo lance.

A invenção da “bicicleta” também é atribuída ao jogador David Arellano, que jogava pelo Colo Colo do Chile, em 1927, que, anos mais tarde levaria o gesto malabarista para a Europa, quando de uma excursão da equipe pela Espanha. A acrobacia causou tanta admiração entre os espanhóis que Arellano foi contratado pelo Valladolid. Após marcar vários gols suspenso no ar, de costas para a baliza, acabou por morrer, no estádio do Valladolid, após um violento e fatal choque com um adversário.

No Peru, chamam a essa jogada “Chalaca”, porque defendem ela ter sido inventada por um jogador peruano do Chalaca F.C.. Na Argentina e no Equador chama-se “Tijera”. No Brasil, onde ganhou o nome de “bicicleta”, antes de Leônidas, já Petronilho de Brito, irmão de Valdemar de Brito, o descobridor de Pelé, executava esse gesto mirabolante.

Criador ou não da “bicicleta”, a verdade é que Leônidas dominava e executava com perfeição a jogada. A primeira vez que o craque marcou um gol dessa forma foi no dia 24 de Abril de 1932, num jogo de seu time, o Bonsucesso contra o Carioca. Por causa das acrobacias que fazia com a bola, entre elas a "bicicleta", ganhou o apelido de “homem borracha”.

Leônidas nasceu no dia 6 de setembro de 1913 no bairro de São Cristóvaão, no Rio de Janeiro. Sua carreira teve inicio nas peladas dos subúrbios do Rio de Janeiro, no modesto time do Sírio, de onde foi para o São Cristóvão, em 1926 e depois para o Bonsucesso, onde assinou um contrato ilegal em que receberia dinheiro para jogar. Em 1933 Leônidas saiu do Brasil para jogar no Peñarol de Montevidéu. Era uma época em que o futebol no Brasil era amador e hipócrita, mas duro com quem assumia jogar por dinheiro.

Em 1934, o Vasco da Gama que resolveu montar um super time o trouxe de volta ao Brasil, onde foi campeão carioca naquele mesmo ano. Em 1935 jogou no Botafogo, sagrando-se outra vez campeão estadual. Depois foi para o Flamengo, sendo um dos primeiros negros a vestir a camisa do então elitista clube carioca.

Já veterano foi para o São Paulo em 1942, vendido por uma fortuna para a época, 200 contos de réis, a maior quantia paga na América do Sul por um jogador de futebol. Por causa de sua idade avançada foi criticado pelos torcedores rivais que diziam que o tricolor paulista havia adquirido "um bonde velho de 200 contos".

E também por ele ter passado por alguns problemas no joelho e um tempo na prisão devido ter falsificado o certificado de reservista na juventude. Mas a Torcida são-paulina não ligou para as provocações e milhares de pessoas lotaram a Estação do Norte (depois Estação Roosevelt, no bairro do Brás) para recepcionar o jogador que vinha do Rio de Janeiro em um trem da Central do Brasil, contratado pela ousadia do doutor Paulo Machado de Carvalho, então dono da Rádio Record de São Paulo.

A chegada de Leônidas foi um acontecimento marcante, dizem as testemunhas da época. Calculou-se em dez mil o número de torcedores que foram à Estação do Norte, região central de São Paulo, para verem a chegada do artilheiro. Dali, o carregaram nos ombros até a sede do clube, na rua Dom José Gaspar.

A Leônidas se deve o recorde de público do Pacaembu. Em sua estréia, 74.078 pessoas lotaram o estádio, em jogo contra o Corinthians, um empate de 3 X 3. Leônidas não fez gol, mas iniciou ali a sua trajetória de glórias no tricolor paulista, vencendo 5 vezes o campeonato estadual. Mas os rivais tiveram que engolir tudo o que disseram, quando num jogo em pleno Pacaembu contra o Palestra Itália (atual Palmeiras), o craque deu sua resposta marcando um gol de “bicicleta”.

O centroavante sofreu muito com uma derrota frente ao Palmeiras, em 1950 que resultou na perda do tri-campeonato paulista, num jogo que o São Paulo teve um gol anulado pelo juiz Omar Bradley, que mais tarde ficou se sabendo que ele, depois do acontecimento, tinha ido até pular Carnaval no Palmeiras,segundo o jogador tricolor Bauer.

Leônidas marcou 406 gols em sua carreira, sendo 211 pelo São Paulo. Alguns desses gols foram decisivos ou históricos, como na Copa Rio Branco de 1932 quando fez os dois gols na vitória de 2 x 1 sobre o Uruguai, campeão do mundo de 1930 em pleno Estádio Centenário de Montevidéu. Ou na dramática vitória por 6 x 5 contra a Polônia em 1938, quando marcou quatro gols e foi escolhido o melhor jogador da Copa da França e artilheiro com 7 gols.

Diz a lenda que no jogo contra a Polônia, atuou parte da partida sem uma das chuteiras marcando um gol com o pé descalço, o sexto da partida pois em função das chuvas e do gramado encharcado ele arriscou um chute e perdeu o calçado. No mesmo lance a bola voltou para ele que sem pensar enfiou o pé, marcando um bonito gol.

Leônidas marcou 19 gols em 21 jogos oficiais, se tornando o 18º maior artilheiro da história da seleção brasileira e o jogador com a melhor média de gols entre os artilheiros, com aproximadamente 0.90 gols por jogo disputado. Disputou duas Copas do Mundo. Não teve muito sucesso na de 1934 e foi prejudicado pela falta de Copas durante os anos 40, em razão da segunda guerra mundial.

Por onde andou Leônidas colecionou títulos: campeão carioca no Vasco, 1934; campeão carioca no Botafogo, 1935; campeão carioca no Flamengo, 1939; 5 campeonatos paulistas com o São Paulo, 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949; pela Seleção, conquistou dois títulos, Copa Rocca e Copa Rio Branco.

Leônidas teve o azar de jogar numa época em que não havia televisão. Era um centroavante técnico, veloz de grande explosão e elasticidade. Quem o viu jogar garante que era tão bom quanto Pelé ou Didi. Graças a sua habilidade e técnica ganhou o apelido de "Diamante Negro", dado pelos jornalistas franceses durante a Copa de 1938.

Foi o primeiro jogador brasileiro a ser objeto de "marketing", já que dava nome a relógios, cigarros e ao famoso chocolate “Diamante Negro”, da Lacta criado em 1938 e que faz sucesso até hoje. Na década de 40, quando jogava no São Paulo, uma companhia de tabaco lançou o cigarro “Leônidas”, pagando ao jogador dez mil réis pelo uso comercial do seu nome.

Leônidas quebrou vários tabus na sua carreira. Durante os anos 30 e especialmente após a Copa do Mundo de 1938, ele se tornou o primeiro grande ídolo nacional negro no esporte. Além de lutar pelo direito de receber salários e valores pelo seu passe, o que lhe rendeu a fama injusta de mercenário.

Em uma enquete realizada para determinar a maior seleção brasileira de todos os tempos Leônidas deixou para traz nomes como Romário, Bebeto, Tostão e Jair e importantes como Ademir e Vavá. Em 1998 na segunda Copa do Mundo da França no jogo Brasil e Chile torcedores abriram uma faixa no estádio em que se lia: "Leônidas vive".

O saudoso e genial cronista Nelson Rodrigues definiu perfeitamente o estilo do craque brasileiro: "Rigorosamente brasileiro, brasileiro da cabeça aos sapatos. Tinha a fantasia, a improvisação, a molecagem, a sensualidade do nosso craque típico”. E Mário Filho,ngrande escritor e jornalista escreveu: "Leônidas não explicava nada. Quando a gente estava arregalando os olhos para ver se via, a mágica estava feita."

Leônidas depois que deixou os gramados foi comentarista esportivo de sucesso. Abandonou a profissão quando começou a apresentar sinais de perda de memória. O ex-jogador, além de ter diabetes, sofria de pneumonia, câncer de próstata e do mal de Alzheimer (doença degenerativa das funções cerebrais). Em seus últimos anos de vida, mais precisamente desde 1993, vivia em uma casa de repouso em Cotia, região metropolitana de São Paulo, tendo todas as despesas da internação (R$ 6.000 mensais) pagas pelo São Paulo e pelo empresário José Lazaro, que se tornou seu amigo nos anos 60.

Leônidas faleceu no dia 24 de Janeiro de 2004, vítima de uma infecção pulmonar. Em 2001, chegou a estar na UTI, resultado de sua cada vez mais debilitada saúde. O corpo do "Diamante Negro" foi velado no Salão Nobre do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi. O enterro foi realizado no domingo, dia 25, no Cemitério da Paz, também no Bairro do Morumbi, na capital paulista.

Leônidas já não estava mais entre nós quando aconteceu uma jogada que certamente o deixaria perplexo. Um lance mais que inusitado aconteceu na 8ª rodada do Torneio Apertura da Argentina, em 2008. Foi no estádio Monumental de Nuñez, durante o jogo River Plate e Racing. Ainda no primeiro tempo, as duas equipes empatavam por zero a zero quando uma bola foi alçada na área do River.

Na ânsia de afastar o perigo, o zagueiro Facundo Quiroga saltou e, com estilo, bateu de bicicleta. Mas a bola não seguiu o destino desejado pelo zagueirão e acabou morrendo nas próprias redes. Um golaço contra! De bicicleta. No segundo tempo, Quiroga marcou outro, desta vez a favor do River. O jogo terminou empatado em 3 X 3.
Antes disso já havia acontecido em gramados brasileiros um gol de “bicicleta” contra. Foi na Taça belo Horizonte de Juniores, no empate em 1 X 1 entre Cruzeiro X Flamengo. E ainda mais bonito que o de Quiroga. (Pesquisa: Nilo Dias)

Ramon Unzaga, o verdadeiro inventor da "bicicleta"

A famosa "bicicleta" de Leônidas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Flamengo é penta

Alguns setores da imprensa brasileira insistem em dizer que o Flamengo, com o título conquistado ontem, é exacampeão do Brasil. Isso não é a realidade, trata-se de uma inaceitável injustiça com o Sport, que foi em 1987 o campeão brasileiro de fato e de direito. E com isso deixam de lado aquilo que deveria ser o mais importante e sagrado nos meios de comunicação, a verdade.

Em 1987 a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estava passando por uma séria crise financeira e anunciou que não realizaria o Campeonato Brasileiro daquele ano. Essa decisão motivou os 13 principais clubes de futebol do país, na época - Vasco da Gama, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Santos, Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Internacional, Grêmio e Bahia - a fundarem uma associação chamada de Clube dos 13, que planejava organizar seu próprio campeonato.

A CBF, com apoio da Fifa não gostou da idéia e os 13 clubes associados foram ameaçados de desfiliação. Depois, houve o acerto entre clubes e CBF, sendo organizada a Copa União, que teve o patrocínio da Coca-Cola, Varig e Rede Globo de Televisão e que apontou o clube campeão do Brasil naquele ano.

O novo campeonato foi dividido em quatro módulos, sendo o Verde - composto pelos integrantes do Clube dos 13, mais Goiás, Santa Cruz e Coritiba, ficando de fora o Guarani, vice-campeão do ano anterior e o América (RJ), 4º colocado, e o módulo Amarelo, formando assim a 1ª Divisão. A CBF organizou ainda outros dois módulos: Azul e Branco, que classificariam 12 times para a segunda divisão do ano seguinte.

Como forma de conciliar os interesses do Clube dos 13 com os da CBF, a entidade maior do futebol brasileiro colocou no regulamento do campeonato, que os campeões e vices dos módulos verde e amarelo se enfrentariam em um quadrangular final, de onde sairiam os representantes brasileiros na Taça Libertadores da América. Porém, os representantes do Clube dos 13 não concordaram.

Em dezembro de 1987, após a confirmação dos quatro finalistas - Flamengo, Internacional, Sport e Guarani -, a CBF anunciou a tabela do quadrangular, que seria disputado em turno e returno. Alegando que o regulamento foi alterado à revelia do Clube dos 13, Flamengo e Internacional se recusaram a disputar. Com isso Sport e Guarani disputaram o quadrangular, vencendo os jogos contra Flamengo e Internacional por WO. A CBF acabou declarando o Sport como Campeão Brasileiro de 1987, enquanto o Clube dos 13 fez o mesmo com o Flamengo, mesmo sem ter qualquer poder para isso.

Quem representou o Brasil na Taça Libertadores da América do ano seguinte foram Sport e Guarani. O Clube dos 13 e o Flamengo, inconformados com a decisão levaram o caso a Justiça comum. E o que aconteceu? O processo, cuja decisão já se tornou definitiva e sem possibilidade de recurso, deu ganho de causa ao Sport Club do Recife.

A própria Fifa, em seu site, reconhecia até ontem quatro títulos de campeão brasileiro para o Flamengo, que agora passa a ter cinco. Em relação a 1987 a entidade maior do futebol mundial coloca o rubro-negro como campeão apenas do Módulo Verde, da Copa União e não do Brasil, título que é do Sport Recife.

Em janeiro de 1988, quando o resultado do campeonato ainda estava em litígio, o “Jornal do Commercio”, de Recife publicou uma grande reportagem, onde sugeria que Internacional e Flamengo fossem rebaixados para a Série B, por desobediência a entidade maior do futebol brasileiro, o que nunca aconteceu.

A diretoria do Sport convida a quem duvidar que o campeão legitimo do Brasil em 1987, não seja o clube pernambucano, que dê uma passadinha lá na avenida Sport Club do Recife, no bairro da Ilha do Retiro e confira o troféu.

Está no site da FIFA: http://es.fifa.com/classicfootball/clubs/club=44132/index.html

Perfil del club Falamengo del Brasil

Títulos: 1 Copa Toyota Intercontinental (1981)
1 Copa Libertadores (1981)
1 Copa MERCOSUR (1999)
1 Copa CONMEBOL (1996)
5 campeonatos de Brasil (1980, 1982, 1983, 1992, 2009)
1 Copa Uniao (Módulo Verde - 1987)
2 Copas de Brasil (1990, 2006)
1 Copa de Campeones de Brasil (2001)
1 Campeonato Rio-Sao Paulo (1961)
7 Copas de Rio
31 ligas del Estado de Rio de Janeiro (1914, 1915, 1920, 1921, 1925, 1927, 1939, 1942, 1943, 1944, 1953, 1954, 1955, 1963, 1965, 1972, 1974, 1978, 1979, 1979 (edición especial), 1981, 1986, 1991, 1996, 1999, 2000, 2001, 2004, 2007, 2008, 2009)
Nombres ilustres:Dida, Gerson, Mário Zagallo, Zico, Jorginho, Renato Gaúcho, Bebeto, Leonardo, Romário
Récords: Júnior - 865 partidos
Zico - 508 goles
Página web oficial:http://www.flamengo.com.br/
Partidos
Copa Toyota 1981
Flamengo 3-0 Liverpool (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do Flamengo que conquistou ontem, o pentacampeonato do Brasil. (Foto: Divulgação)

Sport ameaça processar veículos que tratarem o Flamengo como hexacampeão

Rafael Menezes, de São Paulo

O Sport Clube do Recife vai processar os veículos de comunicação que tratarem o Flamengo como hexacampeão brasileiro. “Estamos examinando todas as matérias. Estamos dispostos a entrar com uma ação contra os veículos que causarem algum tipo de dano moral para o Sport ou dano material para os patrocinadores”, afirma Eduardo Carvalho, vice-presidente jurídico do clube.

O motivo é o polêmico campeonato de 1987. O time pernambucano é reconhecido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como o campeão, mas o Clube dos 13, que organizou a Copa União, considera o clube carioca o vencedor do título naquele ano. Com isso, o Sport argumenta que o Flamengo é apenas pentacampeão.

"O órgão máximo do futebol considera o Sport como campeão em 1987, mas grande parte da mídia considera o Flamengo como hexacampeão. Então, o Sport não é campeão de nada?", ironiza.

De acordo com a CBF, o Flamengo terminou o campeonato daquele ano na terceira posição. Para Carvalho, a imprensa não retrata esse fato.

“Todo mundo está achando que o Sport é contra a imprensa, mas não é isso. Uma pessoa pode considerar que em 1987 o Flamengo tinha o melhor time e até considerá-lo campeão. Isso é uma opinião dela e o clube não vai processá-la. Agora, o veículo de comunicação que homologar o título que o Flamengo não tem, vamos processar”, explica.

A diretoria do Sport divulgou em seu site um comunicado à imprensa, ressaltando sua indignação sobre o fato. “Não pode o Sport calar-se diante de uma informação dessas – pois isso seria negar à sua imensa torcida e a seus sócios o direito legítimo de manter intocável seu título de Campeão Brasileiro em 1987, proclamado pela CBF e garantido por todos os tribunais competentes.

Às Emissoras da Rádio e Televisão

Aos Jornais e Revistas

CIRCULAR 04.DEZ.2009

ASSUNTO: HEXACAMPEONATO ATRIBUÍDO AO FLAMENGO

REFERÊNCIA: NOTÍCIAS VEÍCULADAS RECENTEMENTE

Senhores Diretores e Jornalistas.

Sabe-se que nos últimos dias alguns jornalistas de veículos locais e, notadamente, da região Sudeste, têm se referido ao C. R. FLAMENGO como virtual HEXACAMPEÃO BRASILEIRO.

Acreditamos que tais referências têm sido feitas inadvertidamente, pois é público e notório que esse título não pode ser conquistado pelo FLAMENGO em 2.009, sem ignorar que o Campeão Brasileiro em 1987 é o SPORT CLUB DO RECIFE.

Não pode o SPORT calar-se diante de uma informação dessas – pois isso seria negar à sua imensa torcida e a seus sócios o direito legítimo de manter intocável seu título de Campeão Brasileiro em 1987, proclamado pela CBF e garantido por todos os tribunais competentes.

Ademais, negar esse título ao SPORT é causar enormes danos contra o patrimônio moral e material deste Clube. Assim, com o único propósito de alertar todos os diretores de órgãos de divulgação e jornalistas que os integram, esperamos que nenhuma referência seja feita a virtual ou efetivo título de HEXACAMPEÃO BRASILEIRO ao FLAMENGO.

Esperamos, portanto, não sermos forçados a defender nossos direitos nos tribunais – o que não hesitaremos a fazer, se for negado ao SPORT e à sua imensa torcida, o título de Campeão Brasileiro de 1987.

Na certeza de que contaremos com vosso profissionalismo – sobretudo quanto ao dever da correta informação ao grande público -- de logo agrade-cemos a atenção que for dedicada a essa matéria.

Cordialmente,

SPORT CLUB DO RECIFE

SILVIO ALEXANDRE GUIMARÃES

PRESIDENTE EXECUTIVO

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O "Bugre" campineiro de volta a Série A

Mais um clube integrante da seleta lista de campeões nacionais está de volta a elite do futebol brasileiro. O Guarani F.C., da cidade paulista de Campinas estava penando nas divisões inferiores do Brasileirão, desde 2005. Em 2004 foi rebaixado para a Série B e em 2006 foi parar na Série C, de onde saiu em 2008 para agora retornar a Série A.

Pouca gente acreditava que o Guarani poderia fazer uma boa campanha na Série B deste ano. O objetivo não era subir para a Série A, e sim não voltar para a Série C. No dia 5 de abril deste ano o time havia sido rebaixado para a série A-2, do Campeonato Paulista. As dividas eram imensas, por isso chegou a se pensar em vender o estádio Brinco de Ouro.

Veio o campeonato e com ele uma agradável surpresa. O técnico Osvaldo Alvarez, o Vadão, conseguiu tirar o máximo de um elenco formado na maioria por jogadores oriundos das categorias de base do próprio clube. O Guarani liderou o campeonato por várias rodadas, e apenas em um curto período caiu de produção. Depois, recuperou-se e chegou com méritos a uma das quatro vagas para a Série A de 2010.

O Guarani F.C. foi fundado no dia 1 de Abril de 1911, mas os seus fundadores decidiram que a data oficial seria o dia 2, para evitar gozações com o “Dia da Mentira”. A fundação do clube seu deu por iniciativa dos desportistas Pompeo De Vito, Ernani Filippo Matallo e Vicente Matallo, que foi o primeiro presidente. O nome Guarani foi escolhido para homenagear o compositor campineiro Carlos Gomes, autor da ópera “O Guarani”.

O primeiro campo do Guarani foi o “Ground da Villa Industrial”, utilizado até 1912. Em 1913 o clube alugou um campo no bairro Guanabara, junto ao S.C. Commercial, que ficou popularmente conhecido como “Ground do Guanabara”. Quando o Commercial encerrou as atividades, o Guarani obteve permissão para uso gratuito da área, dada pela proprietária, dona Isolethe Augusta de Souza Aranha, filha de Joaquim Policarpo Aranaha, o “Barão de Itapura”, e de dona Libânia de Souza Aranha, a “Baronesa de Itapura”, e tia de um dos pioneiros do clube, Egídio de Sousa Aranha.

O presidente do Guarani na época, Carmine Alberti tentou em vão conseguir que a prefeitura de Campinas cedesse uma área para construção de um estádio. Foi ai que Egidio de Sousa Aranha teve papel importante, pois convenceu sua tia a vender o terreno de cerca de 20 mil metros quadrados, ao preço irrisório de 900 réis o metro. Em seguida foi constituída uma "Comissão Pró-Estádio", presidida por João Pereira Ribeiro, que através de promoções arrecadou os recursos para que fosse erguida a praça de esportes.

Em 15 de julho de 1923, foi inaugurado o primeiro estádio do clube, garbosamente chamado de "Estádio do Guarany", e que colocava o alviverde campineiro entre as agremiações esportivas de melhor estrutura em todo o Estado de São Paulo. Para o jogo inaugural foi convidado o Club Athletico Paulistano, o principal clube do futebol paulista na fase amadora, e que tinha na sua equipe o famoso Friedenreich, o primeiro grande craque do futebol brasileiro.

O Guarani, com um gol marcado por Zéquinha a quatro minutos do final da partida, foi o vencedor. O extraordinário feito do time local foi condignamente festejado pelos torcedores, que saíram as ruas em grande estardalhaço. O Guarani formou com Pacheco - Joca e Tavares – Deputado - Juca e Joaquim – Miguel – Zéquinha – Barbanera - Nerino e Pilla.

O “Estádio do Guarani”, localizado na rua Barão Geraldo de Rezende passou depois por várias reformas e ampliações, servindo ao clube até 1953. Foi lá que o “Bugre” mandou seus jogos pelos campeonatos paulista de 1927, 1928, 1929, 1930, 1931, 1950, 1951 e 1952.

Como o antigo “Pastinho” não oferecia mais condições de sediar jogos na era profissional, o clube conseguiu trocar o terreno do bairro Guanabara, por uma área de 50.400 m2 na avenida Imperatriz Tereza Cristina, 11, na antiga “Baixada do Proença” e ainda receber de volta 2 milhões de cruzeiros. Mais tarde o Guarani conseguiu a doação de uma área de 19.405 metros quadrados, ao lado do terreno que havia adquirido.

Nos primeiros tempos, antes ainda da construção do "tobogã", o “Brinco de Ouro” chegou a receber 34.513 torcedores no jogo contra o Fluminense, válido pelo Campeonato Brasileiro de 1975. O recorde de público no estádio foi no jogo Guarani X Flamengo, em 1982, quando compareceram 52.002 torcedores. A capacidade divulgada naquela época era de 53 mil pessoas, diminuída depois, para efeito de garantir maior conforto e segurança para os espectadores. Hoje o estádio tem capacidade para 30.800 pessoas, atendendo exigências do estatuto do torcedor e normas da FIFA.

O nome “Brinco de Ouro da Princesa” se deve a uma matéria feita pelo jornalista João Caetano Monteiro Filho, do jornal “Correio Popular”, quando o projeto ainda estava na maquete. Ao ver o formato circular do futuro estádio, o jornalista o comparou a um brinco. Como a cidade de Campinas é chamada de "Princesa D'Oeste", João Caetano escreveu uma reportagem com o título “Brinco de Ouro para a Princesa”. Os dirigentes gostaram e “Brinco de Ouro” passou a ser o nome oficial do estádio do Guarani.

O “Brinco de Ouro” foi inaugurado no dia 31 de maio de 1953 com o jogo Guarani 3 X 1 Palmeiras. O jogador Nilo, do Guarani foi o autor do primeiro gol no novo estádio. A iluminação foi inaugurada no dia 11 de janeiro de 1964, com um jogo amistoso no qual o Guarani derrotou o Flamengo, do Rio de Janeiro, por 2 X 1.

O principal adversário do Guarani é a Ponte Preta, com quem faz o clássico chamado de “Derby Campineiro”. Até hoje foram 185 partidas disputadas, com 65 vitórias do Guarani, 61 empates e 58 vitórias da Ponte Preta, além de um resultado desconhecido. O “Bugre” foi o segundo clube do interior do Estado a disputar o campeonato principal de São Paulo, ao vencer o campeonato da segunda divisão de 1949. O pioneiro foi o XV de Piracicaba, que em 1948 ganhou o primeiro campeonato da divisão de acesso, tornando-se também o primeiro clube do interior a participar do grupo de elite do futebol paulista.

O principal feito na história do Guarani foi a conquista do título de Campeão Nacional de 1978. O time era muito forte, com destaque para os jogadores Careca, Zenon, Renato "Pé Murcho" e o técnico Carlos Alberto Silva. Nessa edição do campeonato brasileiro a disputa foi pela primeira vez num sistema de ida e volta nas fases decisivas do torneio. Era um tempo de regime militar. O ano de 1978 era de Copa do Mundo, mas nem por isso houve diminuição acentuada no número de participantes do principal campeonato do país, foram 74 clubes na disputa e um recorde de 792 jogos em quase seis meses de disputa.

Principais títulos conquistados pelo Guarani. Nacionais: Campeonato Brasileiro da Série A (1978); Campeonato Brasileiro da Série B (1981 e 1987); Estaduais: Campeonato Paulista do Interior (1944, 1949, 1972, 1973, 1974); Campeonato Paulista de Futebol da Série A2 (1949); Campeão Amador do Interior (1944); Campeão Amador do Estado (1944) Campeão Paulista da 2ª Divisão de Profissionais (1949); Campeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1953); Bicampeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1954); Campeão do Torneio-Início do Campeonato Paulista (1956); Detentor em definitivo da "Taça dos Invictos" de A Gazeta Esportiva (1970); Campeão - Torneio de Classificação para 1970 (1970); Bicampeão - Torneio de Classificação para 1971 (1970); Detentor em definitivo do II Troféu Folha de São Paulo (1974); Campeão do 1º Turno do Campeonato Paulista -Taça Almirante Heleno Nunes (1976); Municipal: Campeão Campineiro (1916, 1919, 1920, 1938, 1939, 1941, 942, 1943, 1945, 1946, 1953 e 1957).

Alguns jogadores famosos que vestiram a camisa do Guarani: Ailton, Alfredo, Alex , que jogou pelo Internacional, Amaral, que defendeu o Palmeiras, Amoroso (Bola de Ouro em 1994), Careca, que brilhou no São Paulo, Nápoli e seleção Brasileira, Djalminha, Edílson, Edu Dracena, Elano, Evair, Gustavo Nery , Carlos, Renato, Júlio César, Edson Boaro, Jorge Mendonça , Luizão, Mauro Silva, Miranda, Mineiro, Neto, Paulo Isidoro, Viola, Ricardo Rocha, Tite, Telê Santana, Valdir Peres, Wilson Gottardo, Zé Mario, Zenon e Zetti.

O primeiro jogador do Guarani a ser convocado para uma seleção brasileiro foi Fifi, que jogou o Campeonato Sul-Americano Juvenil de 1954. Em 1963 quatro jogadores foram chamados para a seleção principal,Tião Macalé, Oswaldo, Amauri e Hilton. Mas a história não se resumiu apenas em jogadores cedidos à seleção, mas também em títulos.

O Guarani estabeleceu alguns recordes importantes nessa sua vitoriosa trajetória. Em 1982 o ataque formado por Lúcio, Jorge Mendonça, Ernani Banana e Careca marcou nada mais, nada menos do que 63 gols em 20 jogos, com média de 3,5 gols por partida. A maior em toda a história dos campeonatos brasileiros, até hoje. Também é do Guarani o maior número de vitórias consecutivas em Brasileiros, doze, estabelecido em 1978. O time divide com Corinthians e Ceará o recorde de jogos invictos na série B do brasileiro, onze no total.

O clube participou de três edições da Taça Libertadores da América, 1979, 1987 e 1988, e da extinta Taça Conmebol, em 1995. Além do futebol, o Guarani mantém equipes de taekwondo, ginástica olímpica, natação, tênis, basquete, vôlei e futebol feminino.

Pena que fora do campo aconteçam coisas desagradáveis. A atual diretoria do Guarani, presidida por Leonel Martins de Oliveira, seguidas vezes não permitiu a entrada em jogos do “Bugre”, no Brinco de Ouro, de jogadores campeões brasileiros de 1978. Eles almejam uma credencial vitalícia, que lhes dê o direito de ingressar no estádio e não serem mais desrespeitados por funcionários do clube, que desconhecem a parte mais bonita da história de 98 anos do Guarani F.C.. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do Guarani, campeão brasileiro de 1978. Em pé: Neneca - Edson - Mauro - Gomes - Miranda e Zé Carlos. Agachados: Capitão - Renato - Careca - Manguinha e Bozó. (Foto: Acervo histórico do Guarani F.C.)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O “Dragão” dá a volta por cima

O Atlético Goianiense, um dos quatro clubes que se classificaram para a Série A do Campeonato Brasileiro de 2010 foi fundado em 2 de abril de 1937, com raízes no bairro de Campinas, na cidade de Goiânia, que acabara de ser fundada para ser a capital do estado de Goiás. Os fundadores do Atlético Goianiense foram: os irmãos Nicanor Gordo, primeiro presidente do conselho deliberativo, Alberto Alves Gordo e Afonso Gordo, Edson Hermano, primeiro goleiro do clube, João de Brito Guimarães, João Batista Gonçalves, Ondomar Sarti e Benjamim Roriz, entre outros.

O uniforme, com listras horizontais em vermelho e preto foi inspirado no Flamengo, do Rio de Janeiro e o escudo, no São Paulo F.C.. O símbolo do clube é um Dragão. O primeiro presidente do Atlético foi Antônio Accioly, que conseguiu o terreno para a construção do estádio do clube que leva o seu nome.

O primeiro campeonato goiano de futebol foi disputado em 1944 e vencido pelo Atlético. De lá para cá foram outros nove campeonatos estaduais conquistados, com destaque para o de 1957, quando foi campeão invicto. E por 21 vezes beliscou a taça, sendo vice-campeão.

A nível nacional, o Atlético Goianiense não tem do que se queixar, foi campeão brasileiro da Série C, em 1990, quando derrotou no jogo final ao América (MG), nos pênaltis, depois de 90 minutos em 0 X 0. Isso lhe deu o pioneirismo de ser o primeiro clube goiano a ganhar um título nacional importante. E em 2008, repetiu o feito. Antes, em 1971 já havia sido campeão do Torneio Integração, disputado por 16 equipes de diferentes estados, vencendo na partida final a Ponte Preta, de Campinas. Em campeonatos brasileiros da 1ª Divisão, a
melhor colocação foi o 21º lugar em 1980, entre 44 participantes.

Mas nem tudo foram flores na vida do clube. Em razão de más administrações o Atlético Goianiense passou por momentos de imensas dificuldades, e por pouco não enrolou a bandeira. Até o Estádio Antônio Accioly, patrimônio do clube sofreu com o descaso. Abandonado, acabou sendo demolido em 2001 para a construção de um shopping, mas um grupo de torcedores e a diretoria conseguiram embargar a obra. O pior aconteceu em 2003, quando pela primeira vez em sua história, o clube passou pela humilhação de cair para a segunda divisão do Campeonato Goiano, onde penou por dois anos.

Em 2005, quando assumiu o clube o presidente Valdivino José de Oliveira, o vice Maurício Sampaio, o presidente do Conselho, Marco Antônio Caldas, o ex-presidente Wilson Carlos e outros importantes beneméritos, o Atlético Goianiense deu a volta por cima: o estádio Antônio Accioly foi reconstruído e dentro de campo o time só deu alegrias, sagrando-se campeão do Acesso e garantindo o retorno a principal divisão do futebol goiano. Em 2006 o Atlético chegou a final do Campeonato Goiano contra o Goiás, com mais de 36.000 torcedores no Estádio Serra Dourada.

Em 2007, o Atlético venceu o Goiás por 2 X 1 no segundo jogo da decisão. No primeiro houve empate em 2 X 2, sagrando-se, depois de longos 18 anos campeão goiano perante 31.088 torcedores pagantes. No Campeonato Brasileiro da Série C, o time foi sexto colocado, por pouco não conseguindo subir para a Série B.

Em 2008 o Atlético conseguiu o acesso a Série B com quatro rodadas de antecedência , e para vibração de sua torcida, também o segundo título de campeão da Série C. O momento de graça do rubro-negro goiano atingiu o ponto máximo no último dia 21, quando classificou-se para a à Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol, com uma vitória de 3 X 1 diante do Juventude, em pleno Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.

Nos seus 72 anos de existência, o Atlético Goianiense tem se mostrado em verdadeiro celeiro de bons jogadores para o futebol brasileiro. Entre outros, revelou Baltazar, o “Artilheiro de Deus”, recordista absoluto de gols em campeonatos goianos, tendo balançado as redes adversárias 31 vezes, em 1978. Depois jogou no Grêmio, Flamengo, Palmeiras, Goiás e Atlético de Madrid, da Espanha; Júlio César, o “Imperador”, que brilhou pelo Flamengo; Valdeir, o “The Flash”, ídolo no Botafogo; Gilberto, destaque e campeão pelo Fluminense no estadual do Rio de Janeiro, em 1980; Luiz Carlos Goiano, ex-Grêmio e atual técnico do Barueri; Lindomar, que brilhou no Gama, de Brasília e Romerito, atualmente no Goiás. (Pesquisa: Nilo Dias)

Uma das primeiras equipes do Atlético Goianiense. (Foto: Acervo do Atlético Goianiense)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Gilson disse...
Eu parabenizo o brilhante repórter pelo brilhante trabalho e gostaria imensamente pela sua desenvoltura em saber das coisas o seguinte;
Quais foram do DRAGÃO GOIANIENSE, os MASSAGISTAS e se possível também LAVADEIRAS, que ajudaram o clube no periodo da sua fundação que foi em 1937 até a data de 1970
Trata-se de uma pesquisa na qual estou fazendo, já que sou fã do DRAGÃO.
Antecipo meus agradecimentos e sei que voce irá me RESPONDER. abraço.:
1 de dezembro de 2009 18:01

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O alvinegro cearense

Mesmo faltando uma rodada para o término do Campeonato Brasileiro da Série B, já são conhecidos os quatro clubes que o ano que vem disputarão o principal campeonato do país. C.R. Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, Guarani F.C., de Campinas, Atlético Goianiense e Ceará Sporting Clube, que há 16 anos estava fora da elite do futebol brasileiro. O clube cearense garantiu a classificação ao derrotar a Ponte Preta, em Campinas por 2 X 1.

O Ceará foi o segundo clube come menos derrotas na competição, ficando nesse item atrás apenas do Vasco da Gama. Na festa do retorno a Série A, também a alegria de ver no mesmo dia, o maior rival, o Fortaleza, ser rebaixado para a Série C do campeonato brasileiro.

O Ceará Sporting Club foi fundando em 2 de junho de 1914. Tudo começou quando os jovens Luis Esteves Junior e Pedro Freire caminhavam no centro de Fortaleza. Após um deles chutar uma pedra, começaram a falar sobre futebol, surgindo a idéia de fundar um clube. Depois, encontraram alguns colegas no Café Art Nouveau, na Praça do Ferreira e a idéia da dupla foi bem aceita.

Ainda no mesmo dia, a turma se reuniu na residência de Luís Esteves. Segundo a história oficial estiveram presentes 22 pessoas, mas há quem diga que foram 18 e até 24. O nome escolhido para a nova agremiação foi Rio Branco Football Club, com camisas de cor lilás e calções brancos, semelhantes ao uniforme da atual Fiorentina, da Itália, que foi fundada 12 anos depois, em 1926, não havendo qualquer ligação com a escolha do time cearense.

A escolha do nome Rio Branco, provavelmente tenha sido uma homenagem ao diplomata brasileiro Barão do Rio Branco, falecido em 1912. Numa outra reunião, exatamente um ano depois, o nome do clube mudou para Ceará Sporting Club e como era difícil encontrar no Brasil camisas na cor lilás, o uniforme passou a ser preto e branco.

O primeiro presidente foi o comerciante Gilberto Gurgel, estabelecido na Praça do Ferreira. O primeiro ato da diretoria foi promover uma coleta entre os associados, para conseguir dinheiro para a compra de uma bola oficial número 5. Foram arrecadados quase 22 mil réis, uma quantia bastante apreciável, mostrando a boa condição social dos fundadores do clube.

Não demorou para que surgissem inúmeras equipes, entre as quais: English Team, Stella Foot-Ball, Rio Negro Foot-Ball Club, Hesperia Atlético Clube, Maranguape Foot-Ball Club, Fortaleza Sporting Club e American Footbal Club. Em 1915 foi fundada a Liga Metropolitana, que organizou os primeiros campeonatos no Estado. O campo do Prado, um amplo terreno da empresa Boris Frères - onde hoje se localiza o CEFET e o estádio Presidente Vargas - era o local mais apropriado para os jogos.

O campeonato de 1915, o primeiro disputado no Ceará contou com a participação do Ceará, Maranguape, Rio Negro e Stella. Na partida final, realizada no Campo do Prado, o Ceará bateu o Stella por 2 X 1, gols de Humberto Ribeiro e Pacatuba, conquistando o título máximo
de forma invicta e sofrendo apenas dois gols.

Em 1916 o Riachuelo se filiou a Liga. Mas deu Ceará outra vez. Na final, o alvi-negro bateu o Maranguape por 2 X 0, com dois gols de Walter Barroso. Em 1917, o Riachuelo desistiu de competir e em seu lugar ingressou o Hespéria Atlético Clube. O Ceará sagrou-se tricampeão cearense, ao derrotar na partida final, disputada no campo do Prado, o Stella por 1 X 0, gol anotado por Gotardo. Os títulos do Ceará se repetiram em 1918 e 1919, na conquista do pentacampeonato.

Em 1918, apenas quatro clubes disputaram o campeonato: Ceará, Fortaleza (antigo Stella, que acabara de ser fundado), Rio Negro e Hespéria. O Ceará derrotou o Fortaleza na final por 2 X 0, gols de Walter Barroso e Enoch. O campeonato de 1919 foi disputado por Bangu, Ceará, Fortaleza, Guarany e Hésperia.

Nessa competição o Ceará sofreu a primeira derrota de sua história, perdendo de 1 X 0 para o Guarany. A final foi novamente entre Ceará e Fortaleza, com vitória do alvinegro, que perdia por 1 X 0 até os minutos finais e conseguiu uma sensacional virada para 2 X 1, gols de Walter Barroso,. O Ceará sagrou-se pentacampeão com a defesa menos vazada, o melhor ataque e o artilheiro do campeonato.

O Ceará é o clube do Estado melhor colocado no Ranking da CBF, ocupando o 25.º lugar geral, com 965 pontos. Em 1985, na sua última participação na 1ª divisão nacional, se tornou o clube cearense melhor classificado, ao terminar a competição em sétimo lugar. O clube, que tem a maior torcida no Estado, também é dono da maior seqüência de títulos do campeonato estadual: pentacampeão entre 1915 e 1919.

O mascote oficial do Ceará S.C. é o "Vovô". Apesar de muitos pensarem que o cognome “Vovô” se deva ao fato de o Ceará Sporting Club ser o clube mais velho do Estado, o real motivo é outro. Em 1920 o presidente do clube, Meton de Alencar Pinto,tratava os jogadores de meus netinhos e se auto-intitulava "Vovô".

O estádio do Ceará é o Carlos de Alencar Pinto, apelidado de “Vovozão”, com capacidade para 3.000 pessoas, onde treina e disputa amistosos. Mas o time disputa seus jogos oficiais no Estádio Castelão, que pertence ao Governo do Estado, com capacidade para 58.400 torcedores, ou no Estádio Presidente Vargas, da Prefeitura de Fortaleza, com capacidade para 22 mil expectadores.

Em 1964 o Ceará chegou às semifinais da Taça Brasil, campeonato que indicava o representante do Brasil na competição que atualmente é chamada de Taça Libertadores da América. O alvinegro cearense foi campeão do Grupo Nordeste e da Zona Norte e terceiro colocado na classificação final. Em 1969 o Ceará conquistou a Copa Norte-Nordeste. De 1975 a 1978 foi tetracampeão cearense. Em 1994 foi vice-campeão da Copa do Brasil, perdendo na partida final para o Grêmio, no estádio Olímpico.

O vice-campeonato deu ao Ceará o direito de disputar sua primeira competição internacional, feito ainda não repetido por clubes cearenses: a Copa Conmebol de 1995. Apesar de ser eliminado na primeira fase, o alvinegro saiu invicto da competição

No período de 1996 a 1999 o Ceará conquistou outro tetracampeonato. Em 2005 o Ceará realizou mais uma boa campanha em uma competição nacional: a Copa do Brasil, quando chegou às semifinais da competição, conseguindo eliminar grandes times, como Atlético Mineiro e Flamengo, e terminou na quarta colocação.

Títulos do Ceará Sporting Clube. Nacionais; vice-campeão da Copa do Brasil (1994); Interestaduais: Torneio Norte-Nordeste (1964 e 1969); Copa do Nordeste (1969); Copa Verão de Recife (1997); Estaduais: campeonato Cearense: 1915, 1916, 1917, 1918, 1919, 1922, 1925, 1931, 1932, 1939, 1941, 1942, 1948, 1951, 1957, 1958, 1961, 1962, 1963, 1971, 1972, 1975, 1976, 1977, 1978, 1980, 1981, 1984, 1986, 1989, 1990, 1992 (dividido com Fortaleza, Icasa e Tiradentes) , 1993, 1996, 1997, 1998, 1999, 2002 e 2006; Torneio Início: (1922, 1923, 1926, 1932, 1936, 1937, 1943, 1947, 1952, 1953, 1967 e 1978).

Artilheiros alvinegros no Campeonato Cearense: Walter Barroso ( 1915, 1916, 1918 e 1922); Pau Amarelo (1925); Farnum (1931 e 1932); França: 1941 e 1942); Pirão (1943); Alfredinho (1948); Antonino (1951); Luiz (1956); Gildo (1961 e 1963); Vítor (1971); Da Costa (1972); Marciano (1981);Ademir Patrício (1982); Anselmo (1984); Rubens Feijão (1986); Hélio Carrasco (1990); Pintinho (1996). Artilheiros do Brasil: Sergio Alves (2002, dividido com Mário Negrim, do Ferroviário).

O jogo mil de Pelé pelo Santos, foi contra o Ceará, no dia 3 de novembro de 1972. No confronto de alvinegros quem se deu bem foi o “Vovô”, que venceu por 2 a 1. Pelé marcou para o Santos e Samuel e Da Costa para o Ceará. Cerca de 36 mil torcedores assistiram o jogo realizado no Estádio Presidente Vargas. O Ceará jogou com: Hélio - Paulo Tavares – Odélio - Mauro Calixto e Dimas – Edmar – Joãozinho e Nado - Jorge Costa - Samuel e Da Costa. O Santos teve: Joel Mendes – Turcão – Paulo - Altivo e Murias (Vicente) – Léo – Pitico e Roberto Carlos - Afonsinho (Edu) - Pelé e Ferreira.

O Ceará já utilizou cinco escudos. O primeiro (1914 a 1915), quando ainda se chamava Rio Branco Foot-Ball Club; O segundo, (1915 a 1954) tinha sete listras alternadas em branco e preto, além das iniciais CSC: Ceará Sporting Club; O terceiro, (1955 a 1969) era inspirado no escudo do Santos, de São Paulo,com uma bola na parte superior, o nome "Ceará" e nove listras alternadas em branco e preto; O quarto, (1970 a 2003) trazia em destaque o nome do clube, além de nove listras alternadas em preto e branco; O quinto escudo, (2003 até hoje), traz a data da fundação do clube (1914), além de cinco estrelas representando o pentacampeonato estadual (1915-1919) e listras em preto e branco.

Alguns dos grandes jogadores que envergaram a camisa alvinegra em toda sua história: Carneiro, Alexandre, Carlito, Dimas Filgueiras, Arturzão, Edmar, Serginho, Zé Eduardo, Erandy, Da Costa, Tiquinho, Petróleo, Hélio Carrasco, Katinha, Gildo, Lula Pereira, Jorge Luis Cocota , Vítor Hugo, Pintinho, França, Hermenegildo, Mota, Damasceno, Mastrillo, Mitotônio, Gotardo, Nado, Pintado, Cláudio Adão, Marciano, Ivanildo, Amilton Melo, Elói, Sérgio Alves, Iarley e Adilson. (Pesquisa: Nilo Dias).

Time do Ceará, campeão estadual de 1915. (Foto: Acervo do Ceará Sporting Clube)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Mastrillo Veiga disse...
Caro amigo, você esqueceu do guerreiro Mastrillo,esse tem que estar em qualquer equipe do Ceara em todos os tempos. Um grande abraço do amigo Feliipe Mastrillo, filho do proprio.
17 de dezembro de 2009 17:17

RESPOSTA: Mastrillo já consta da matéraia, atendendo sua observação.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Uma vitória por meio gol

Quem quiser duvidar, que duvide. Mas que aconteceu, aconteceu. Foi no início da década de 50, na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Domingo de tarde, inverno, tempo ruim, uma chuva fina e fria e um vento Minuano de fazer doer as orelhas. Mesmo assim o campo de jogo estava cheio. Umas quatrocentas pessoas se amontoavam por debaixo dos pés de cinamomo, buscando abrigo.

O Gaúcho, da vila do Bolacha e o Vila Verde, da vila de mesmo nome decidiam o campeonato amador da cidade. Jogo parelho, difícil de apitar. Muita rivalidade entre os times. As duas vilas que representavam, eram separadas por um córrego e unidas por um pontilhão.

Jogo duro, era falta em cima de falta, os ânimos cada vez mais exaltados e o relógio correndo mais rápido que a bola. E nada de sair do 0 x 0. Ninguém queria perder. Foi quando Saci, o craque do Gaúcho, um crioulo magro e serelepe fugiu da zaga adversária e mandou bala em direção ao gol.

Por uma dessas brincadeiras de mau gosto que só o destino pode aprontar, a bola parou numa poça d’água bem em cima da risca fatal. Formou-se a confusão. O pessoal do Gaúcho gritava pedindo gol. A gente do Vila jurava que a bola não havia entrado.

Coitado do juiz, um tal de Chico Cachaça, que apitava de graça, só para colaborar, se viu de repente no meio de uma confusão danada. Se desse gol, ia apanhar. Se não desse, ia apanhar também.

Para piorar, não havia nenhum brigadiano no campo. Tomar qualquer decisão seria uma loucura, quase um suicídio. Pensou rápido e decidiu dar no pé. Saiu correndo rua afora, com os jogadores dos dois times e as torcidas atrás. Como era ligeiro, conseguiu chegar ao posto policial da vila.

Novo bate boca. É gol, não foi gol. Com a proteção dos brigadianos ninguém se atreveu a tocar no Chico Cachaça, que prometeu colocar na súmula a sua decisão. Mesmo assim, só conseguiu chegar em casa já quase meia-noite.

No outro dia, debaixo de enorme expectativa o presidente da Liga, rodeado de dirigentes e jogadores leu a súmula do jogo. Para surpresa geral estava escrito: ”Terminei o jogo aos 42 minutos do segundo tempo por falta de garantia, ficando o escore em meio gol a zero, favorável ao E.C. Gaúcho”. Há quem jure que até hoje a súmula está guardada no cofre da Liga, como prova aos incautos de que isso realmente aconteceu. (Texto: Nilo Dias)

A vida de juiz de futebol é dura.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Para haver punição a vítima tem que ser medalhão

O responsável epelo blog publica este artigo por considerá-lo apropriado para o momento.

Por Gerson Sicca
http://limponolance.blogspot.com

Há muitas mentiras sobre o Brasil. Afinal, só um universo de mentiras pode manter uma sociedade tão desigual.

Uma mentira muito difundida é a de que o povo brasileiro é bom e solidário.
Uma ficção. Os brasileiros são humanos, com qualidades e defeitos, parecidos e diferentes entre si, como todos os povos, e criados em uma sociedade que aceita a crueldade alheia com imensa naturalidade.

É certo que relações de solidariedade são fortes no âmbito familiar e em grupos mais próximos (vizinhos, turma do futebol, etc), além das situações extremas de intenso sofrimento, como nas catástrofes. No entanto, no geral, quando se trata de avaliar o significado do que ocorre no seio da sociedade, o brasileiro raramente consegue pensar para além da sua esfera privada. Aliás, isso é comum no homem médio.

Pessoas morrem de fome, corruptos deitam e rolam no Poder Público, violência para todos os lados, contra a mulher, pobres, negros, homossexuais, trabalhadores, sistema prisional grotesco, e a maioria do povo nem está para tudo isso. Escandaliza-se com um fato aqui e ali, mas logo volta para a sua novela. Reclama do político e segue votando em quem compra voto, e por aí vai.

E nessa terra de "se a farinha é pouca, meu pirão primeiro", o povo costuma gritar mais alto sempre quando o andar superior sente-se lesado. Aí todo mundo fala e até o oprimido quer defender o opressor, ainda que muitas vezes por falta de informação. Por outras vezes, defende mesmo por ter uma visão de que a estrutura desigual deve mesmo ser mantida.

Por que falo de tudo isso? Por causa de Carlos Simon.

Já vi erros grosseiros de Simon. Erros mesmo, o roubo clássico. Erros sem explicação. O maior deles na final da Copa do Brasil de 2002, entre Corinthians e Braziliense, quando ele não deu um pênalti claro para o time de Brasília e ignorou uma falta absurda no lance de um dos gols do time paulista, tudo isso na primeira partida da final. Mas nenhum de seus "apitaços" deu tanta repercussão quanto o lance de domingo, no jogo entre Flu e Palmeiras.

Até pode ser que Simon tenha errado. Mas vendo com atenção percebe-se que Obina joga o braço para trás para impedir a antecipação do zagueiro tricolor. Logo, perfeitamente poderia ser marcada a falta, ainda mais no Brasil, onde os árbitros marcam qualquer coisa.

Mas o Palmeiras berrou e a Comissão de Arbitragem correu para socorrer o alviverde. Afastou Simon.

Estranho que os erros crassos de Héber Roberto Lopes na primeira partida da final da Copa do Brasil deste ano não tenham obtido a mesma repercussão. Um pênalti claro em Alecsandro aos 7 do primeiro tempo, quando o placar de Corinthians e Inter estava 0 a 0, e o segundo gol dos paulistas feito depois do jogador cobrar a falta com a bola rolando, bem na frente do árbitro.

Agora todo mundo fala, o Presidente do Palmeiras, imprensa, jogadores e quem mais tiver cordas vocais. Repercussão nacional.

E fica assim. O brasileiro não se irrita com o roubo, com a violência, com a falta de caráter. Ele foi criado na desigualdade e treinado para reproduzi-la. O brasileiro irrita-se quando os efeitos negativos da bizarrice nacional atingem o piso superior. Ninguém se indigna pelo ato em si, mas por quem foi afetado.

E assim continuamos. Julgamos conforme a vítima e o réu, e não pelo significado dos atos. O que nos interessa é manter a desigualdade e evitar que os afortunados sofram com as consequências nefastas, decorrentes do país cruel que nossos ancestrais criaram e que mantemos todos os dias com nosso comportamento na rua, na política, no trabalho e nas relações afetivas.

O Brasil tem uma sociedade civil que não se funda na igualdade, na liberdade e na ética.É o salve-se quem puder. E seguimos defendendo a desigualdade.

Por isso, se o Palmeiras berrar todo mundo vai acudir. Agora, se o reclamante tiver menos prestígio, será apedrejado e ridicularizado, embora vergonhosamente roubado.

Em suma, a Comissão de Arbitragem é Brasil!

OBSERVAÇÃO: E como ficam os "enganos" (será, mesmo?) que se verificam a cada rodada do Brasileiro, Séries A ou B. Os pênaltis não marcados para o Grêmio contra o São Paulo. O escândalo do jogo São Paulo X Barueri. O assalto "a mão desarmada" contra o Campinense, no jogo com o Vasco da Gama, o clube que teve mais pênaltis a seu favor em todo o Brasil, nos últimos anos, a maioria inventados. E por ai vai, é um campeonato altamente suspeito que procura beneficiar times do Rio e São Paulo. E o resto que se dane. (Nilo Dias)

sábado, 31 de outubro de 2009

Morre zagueiro remanescente da Copa de 1950

Morreu na última sexta-feira (31), aos 86 anos de idade, o ex-zagueiro Juvenal, um dos três últimos remanescentes do grupo de jogadores que formou a Seleção Brasileira que disputou e perdeu a Copa do mundo de 1950, realizada no Brasil. Os outros dois são Nilton Santos e Nena. Olavo Rodrigues Batista, o Nena, jogou pelo Internacional de Porto Alegre, Portuguesa de Desportos, de São Paulo e Seleção Brasileira. Hoje, com 86 anos e aposentado, mora em Goiânia. Nilton Santos, só jogou pelo Botafogo do Rio de Janeiro e Seleção Brasileira. Mora no Rio de Janeiro e está 88 anos. Juvenal Amarijo estava internado há 15 dias no Hospital Geral de Camaçari, região metropolitana de Salvador devido a uma artrose no joelho direito. A causa da morte ainda não foi revelada.

Juvenal nasceu na cidade gaúcha de Santa Vitória do Palmar, no dia 27 de outubro de 1923. Começou a carreira de jogador profissional no G.E. Brasil de Pelotas (RS), onde atuou entre 1943 e 1949, ano em que se transferiu para o Flamengo do Rio de Janeiro. No clube carioca jogou de 1949 a 1951. Seu primeiro jogo pelo rubro-negro foi no dia 20 de fevereiro de 1949, com uma goleada de 4 X 1 sobre o Olaria. No Flamengo ele participou de 82 partidas e marcou 1 gol.

Em 1950 disputou a Copa do Mundo, tendo jogado seis partidas. Ao sair do Flamengo defendeu o Palmeiras (1951 a 1954), Bahia (1954 a 1958) e Ypiranga (BA) (1958 a 1959), quando encerrou a carreira. Pela Seleção, ele disputou 11 partidas, a última no “Maracanazzo” de 1950. Foram oito vitórias, dois empates e apenas uma derrota, exatamente contra o Uruguai, no Maracanã.

Nos 16 anos de carreira profissional conquistou os seguintes títulos: pelo Flamengo: Troféu Embaixada Brasileira, na Guatemala (1949); Troféu El Comite Nacional Olímpico da Guatemala (1949); Palmeiras: Campeonato Paulista (1950); Copa Rio (1951); Bahia: Campeonato Baiano (1954 e 1956) Seleção Brasileira: Copa Oswaldo Cruz (1950) e Copa Roca (1950).

Mesmo tendo conquistado títulos importantes e defendido grandes clubes, Juvenal teve que carregar pelo resto da vida o peso de ter participado da maior tragédia do futebol brasileiro em todos os tempos, a derrota de 2 X 1 para o Uruguai na decisão do Mundial de 1950. Ele era titular absoluto da seleção, e ao lado do goleiro Barbosa e do lateral Bigode foi apontado como um dos culpados diretos pelo fracasso. Jamais conseguiu se livrar do fantasma de 50. A exemplo de Barbosa recebeu uma espécie de punição perpétua. Até morrer se sentiu como um eterno condenado.

Em 2007, a Rede Globo revelou o drama vivido pelo ex-jogador, que, pobre e doente se movimentava numa cadeira de rodas, morando num barraco em péssimas condições na praia do Jauá, na região litorânea de Camaçari (BA). Nem televisão tinha para ver partidas de futebol. O drama de Juvenal mobilizou várias pessoas pelo país, inclusive dirigentes do clube onde começou a jogar, o Brasil de Pelotas, que lhe garantiram todo o tipo de assistência. Ele ganhou uma TV, casa nova e recebeu tratamento médico. Mas uma ferida jamais foi cicatrizada, aquela que cortou definitivamente a alma do zagueiro naquela tarde de julho no Rio de Janeiro.

A Rede Globo promoveu no início de 2008 a ida de Juvenal ao Rio de Janeiro e ao Maracanã depois de 50 anos. No maior estádio do mundo o ex-zagueiro relembrou um dos dias mais tristes de sua carreira. Mas a emissora também lhe proporcionou um momento de grande emoção: o reencontro com a filha que ele havia abandonado na década de 1950.

Juvenal jogou numa época em que o futebol não proporcionava as grandes fortunas de hoje, mas permitia que se vivesse confortavelmente. Isso, para quem soube administrar o sucesso e o dinheiro. O ex-zagueiro da seleção, por razões que não cabem ao articulista comentar, não fez isso e morreu pobre, sozinho e numa cadeira de rodas. Ainda bem que nos últimos meses de vida conseguiu, pelo menos, recuperar a dignidade perdida. (Pesquisa: Nilo Dias)

Juvenal com a camisa do Flamengo (Foto: Flapedia)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O "Coxa" faz 100 anos (Final)

Inquilino do Jockey Club nos primeiros anos de existência, o Coritiba passou pelo Parque Graciosa Atlântica, no “Juvevê”, que era propriedade do associado Arthur Iwersen, antes de estabelecer-se no “Alto da Glória”, seu endereço há quase 80 anos. Em 1928, o clube fez um empréstimo na Caixa, a juros de 12% ao ano, e adquiriu por 120 contos de réis a área de 36.300 m², onde depois construiria o estádio.

Quatro anos depois estava de pé o Estádio Belfort Duarte – homenagem ao ex-jogador e dirigente do América carioca, famoso pelo jogo limpo. A obra contava com arquibancadas de madeira, e 36 refletores para iluminação. Durante 25 anos foram essas as acomodações. A inauguração oficial aconteceu no dia 20 de novembro de 1932, com a vitória do campeão paranaense sobre o América, campeão carioca, por 4 X 2.

Entre os anos de 1956 e 1963 o clube foi presidido pelo seu ex-atleta Aryon Cornelsen, que resolveu botar abaixo bóia parte do velho “Belfort Duarte”, para ampliar e modernizar o estádio. O dinheiro foi conseguido junto ao “Bolo Esportivo”, uma espécie de precursor da Loteca. As obras começaram no segundo ano do mandato. Lolô, irmão de Aryon, fez o projeto de graça e seu pai, Emílio, fiscalizou as obras. Fechado desde o início de 1958, o estádio foi reaberto no 49.º aniversário do clube. Apenas a derrota por 3 X 1 no Atle-Tiba não estava nos planos. A ampliação terminou em 1979. O Estádio não se chamava mais “Belfort Duarte”, e sim “Couto Pereira”, em homenagem ao ex-dirigente falecido em 1976.

Em função da sua origem germânica, os times do Coritiba no início de sua história eram formados basicamente por descendentes de alemães, que com suas peculiares aparências, altos, fortes e claros, eram alvos fáceis para as provocações vindas das torcidas adversárias. Em um clássico Atle-Tiba (Atlético X Coritiba), no ano de 1941, o ainda torcedor Jofre Cabral e Silva - que depois se tornaria presidente do time da Baixada -, exaltado ao extremo pelo fato do seu time estar perdendo, começou a gritar com o zagueiro Hans Breyer, chamando-o de “quinta-coluna”. Ao perceber que Breyer não lhe dava ouvidos, Jofre Cabral mudou o tom e passou a chamá-lo, incessantemente de “Coxa-Branca! Coxa-Branca!”.

Hans Egon Breyener era um alemão de Düsseldorf, que chegou aos seis anos de idade ao Paraná, fugindo da primeira grande guerra mundial e se tornou zagueiro do Coritiba no início dos anos 40. Naqueles tempos de guerra, ser alemão, italiano e japonês era sinônimo de traidor. O apelido pegou. Mas o Coritiba venceu o Atlético nas finais do estadual e foi campeão. Breyner, profundamente entristecido com o episódio, retirou-se dos gramados. E a expressão “Coxa Branca” só foi reabilitada em 1969. Gritada nas arquibancadas do então Estádio Belfort Duarte.

O apelido acabou pegando e o que era para se transformar numa afronta, virou motivo de orgulho para a fiel torcida “Coxa”. Com o passar do tempo, o termo foi assimilado pela torcida coritibana e a expressão “Coxa” virou sinônimo do amor da galera. Tanto que se tornou hino: aos gritos de “Coxa eu te amo!”, a torcida saúda seu time nos momentos difíceis, algo que já se transformou em cultura dos torcedores alviverdes.

Em 1969 o Coritiba realizou a primeira excursão de um clube paranaense à Europa, se apresentando em gramados da Alemanha, Áustria, França, Bulgária, Holanda, Bélgica e Espanha. Os resultados dos jogos foram estes: Coritiba 1 X 1 Hamburgo (Alemanha); Coritiba 2 X 1 Colônia (Alemanha); Coritiba 0 X 0 Borússia Dortmund (Alemanha); Coritiba 1 X 5 Áustria Viena (Àustria); Coritiba 1 X 0 Saint Etienne (França); Coritiba 2 X 2 Red Star (França); Coritiba 2 X 5 Levski (Bulgária); Coritiba 0 X 0 Bordeaux (França); Coritiba 1 X 1 Feyenoord (Holanda); Coritiba 2 X 5 Anderletch (Bélgica); Coritiba 1 X 2 (Espanha) e Coritiba 5 X 2 Valência (Espanha). Foram disputadas 12 partidas, com um saldo de cinco empates, três vitórias e quatro derrotas, 18 gols pró e 25 contra.

A rádio clube (PRB-2) acompanhou o clube, efetuando as transmissões com a narração de Ney Costa e comentários de Vinícius Coelho. O time-base do Coritiba na excursão foi Joel Mendes – Modesto – Roderley - Nico e Nilo - Paulo Vecchio e Rinaldo (Lucas) – Passarinho – Krüger - Kosileck e Edson. Além destes, também participaram Célio, Marinho, Rossi, Oldack, Oromar e Antoninho.O jogador Passarinho anotou o primeiro gol do Coritiba na excursão. O artilheiro foi Kosileck, com oito gols

Ao início de 1971 a Seleção Francesa realizou uma excursão pela América do Sul, quando enfrentou o Coritiba em histórico jogo, disputado no dia 18 de janeiro, no Estádio Couto Pereira. O time brasileiro venceu por 2 X 1, gols de Lech (França)aos 42 minutos, Peixinho aos 44 e Hermes aos 74 para o Coritiba. A renda somou Cr$ 113.932,00. O árbitro foi Armando Marques. Na preliminar Atlético Paranaense e Ferroviário, empataram em 1 X 1.

O Coritiba jogou com Célio – Hermes – Nico - Terto (Cláudio) e Nilo - Hidalgo (Bidon) e Lucas - Peixinho (Marcos) – Leocádio - Kruger (Hélio Pires) e Rinaldo. A Seleção da França com Marcel – Lemére – Bosquier - Djorkaeff e Rostagni - Mezi e Michel – Lech - Revelli (Molitor) - Loubet (Floch) (Herbé) e Beretta.

O maior título da história do Coritiba foi o de campeão brasileiro em 1985, sob o comando de Ênio Andrade. No Coritiba, armou uma equipe muito forte na marcação, com um futebol de resultados, classificando-se em primeiro lugar num grupo que tinha Corinthians, Joinville e Sport. Nas semifinais, o Coritiba eliminou o Atlético Mineiro em pleno Mineirão lotado. Depois de haver vencido por 1 X 0 no Couto Pereira, garantiu a vaga empatando em 0 X 0, em Belo Horizonte.

A decisão do título se deu em partida única no Maracanã. O Coritiba marcou primeiro com Índio cobrando falta. O Bangu, empatou aos 35 minutos com um gol do meia Lulinha. O jogo terminou em 1 X 1 e foi preciso uma prorrogação, que terminou sem gols. A decisão foi para as penalidades. Já era madrugada de primeiro de agosto. O Coritiba fazia um gol e o Bangu empatava até terminar a série em 5 X 5. Foi quando o ponta-esquerda banguense Ado chutou para fora. Gomes, cobrou bem e deu o título inédito ao Coritiba. O Maracanã aplaudiu de pé o primeiro Campeão Brasileiro da Nova República.

Outros títulos. Campeonatos estaduais: (1916, 1927, 1931, 1933, 1935, 1939, 1941, 1942, 1946, 1947, 1951, 1952, 1954, 1956, 1957, 1959, 1960, 1968, 1969, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978, 1979, 1986, 1989, 1999, 2003 e 2004). Torneio do Povo, que foi disputado contra Flamengo, Internacional, Corinthians, Atlético Mineiro e Bahia (1973).

Após três anos na segunda divisão, o Coritiba retornou à elite do futebol brasileiro, em 1984, sendo eliminado nas quartas-de-finais, pelo então campeão Fluminense. Era apenas um aperitivo do que aconteceria no ano seguinte. No dia 31 de julho de 1985, após um empate em 1 a 1 com o Bangu, em pleno Maracanã, o Coritiba se sagrou campeão brasileiro, na disputa por pênaltis.

Em 1986, o Coritiba disputou a Copa Libertadores, mas o time foi eliminado ainda na primeira fase. No final da década de 80, mais precisamente em 1989, o hino popular, conhecido como "Coritiba Eterno Campeão", foi adotado pela torcida e cantado até hoje. Porém, neste mesmo ano a equipe se recusou a enfrentar o Santos e foi rebaixado no Campeonato Brasileiro, chegando à terceira divisão e retornando em 1993, mas caindo na mesma temporada e só voltando à elite em 1996.

A década de 90 foi ruim para o “Coxa”. Os títulos só retornaram em 1997, no Festival do Futebol Brasileiro, com uma vitória nos pênaltis, no Couto Pereira, sobre o Botafogo e o Paranaense de 1999, em cima do Paraná, após dez anos.

Os anos 2000 tiveram seus altos e baixos. Veio a conquista do bi-campeonato estadual, em 2003 e 2004, a volta à Libertadores, também em 2004, onde mais uma vez foi eliminado na primeira fase. Mas também ocorreu mais um rebaixamento no Brasileirão, em 2005. O acesso veio em 2007, com o título obtido no último minuto, e o 33º estadual em 2008, em cima do rival Atlético Paranaense.

Regino Réboli, 93 anos, é o mais antigo jogador vivo na história do clube. Ele jogou na década de 30 e era conhecido por “Hygino”. Foi campeão do Torneio Inicio em 1930 e 1932 e do Campeonato . Hygino participou do Coritiba quando foi campeão do Torneio Início em 1930 e 1932, dos campeonatos da cidade e do Estado em 1931 e do Torneio dos Cronistas Esportivos em 1932.

No mesmo ano foi inaugurado em 19 de novembro o estádio Belfort Duarte e lá estava Regino Réboli, pai de Homero Luiz Réboli, arquiteto e compositor, co-autor do Hino Oficial do Coritiba F. C. Paranaense. Réboli foi homenageado pela diretoria do “Coxa” neste ano de 2009. (Pesquisa: Nilo Dias)
Excursão a Europa em 1969. (Foto: Acervo do Coritiba F.C.)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

MUSICA FUTEBOL CLUBE ! A VOZ DAS ARQUIBANCADAS. disse...
Caro pesquisador Nilo Dias
O BLOG www.musicadogol.blogspot.com está fazendo uma homenagem ao município de Bagé, bem como aos bageenses.
Fica a sugestão ao GRANDE Nilo.
José Leonardo Guerra Maranhão Bezerra( Natal-Rio Grande do Norte )
29 de outubro de 2009 12:47

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O "Coxa" faz 100 anos (1)

A data de hoje marca os 100 anos de fundação do Coritiba Futebol Clube, uma das mais tradicionais e simpáticas agremiações esportivas do Brasil. A história do alviverde curitibano começou quando o jovem Frederico Fernando Essenfelder, o “Fritz”, que residira um tempo em Pelotas, no Rio Grande do Sul, trouxe para Curitiba a primeira bola de futebol. Como não poderia deixar de ser, a novidade provocou grande curiosidade, principalmente na juventude local, que ouvira falar da criação de um clube voltado para a prática do novo esporte, na cidade gaúcha de Rio Grande.

Entusiasmados com a idéia de ter seu próprio clube, um grupo de desportistas, na maioria descendentes de alemães reuniu-se no antigo Clube Ginástico Turverein, mais tarde Teuto Brasileiro, no dia 12 de outubro de 1909, para a concretização do sonho. Estiveram presentes a reunião João Viana Seiler, Leopoldo Obladen, Carlos Schelenker, Arthur Iwersen, Arthur Hauer, (que levou toda a família), Walter Dietrich, Roberto Isckch, Rodolpho Kastrup e muitos outros. Junto a eles, um brasileiro autêntico, José Júlio Franco, que mais tarde formou com Seiler e Obladen, um trio decisivo a implantação do clube.

Logo após a fundação, os adeptos do futebol tiveram que enfrentar um problema: onde praticar o novo esporte, já que alguns influentes associados do Clube Ginástico Turverein, não viam com bons olhos aquele movimento dentro da entidade. Isso obrigou os jovens futebolistas a conseguirem uma área entre as ruas João Negrão e Marechal Floriano, atrás do quartel da Polícia Militar, onde passaram a praticar o futebol e tomar conhecimento de suas regras e determinações.

Na cidade interiorana de Ponta Grossa também era fundado um clube voltado para a prática do futebol, o “Club de Foot-Ball Tiro de Guerra Pontagrossense, formado por jovens que freqüentavam o Tiro de Guerra 21 e ingleses que eram funcionários da companhia “American Brasilian Engeneering Co”, encarregada de instalar a via férrea em território paranaense. Com a chegada do inglês Charles Wright, que trouxe na bagagem uma bola de couro número cinco, o novo esporte foi introduzido na cidade.

Não demorou para que os curitibanos fossem convidados para um jogo em Ponta Grossa, que se realizou no dia 23 de Outubro de 1909. A delegação curitibana que viajou de trem até Ponta Grossa, era composta por 15 “foot ballrs” e cerca de 20 sócios, além de convidados, entre eles os jornalistas, Luis Schelenker, do “Der Beobaether”, órgão da colônia germânica de Curitiba, e Aldo Silva, do “Diário da Tarde”.

Na chegada da Ponta Grossa, na estação ferroviária estavam alinhados os sócios do Foot Ball Clube Pontagrossense, praças do batalhão de Caçadores do Ponta Grossa e uma enorme multidão, sendo a comitiva re¬¬cebida sob calorosos vivas e ao som da Banda Lyra dos Cam¬¬pos. Após um “lunch” no Hotel Pa¬¬lermo, a comitiva seguiu para o “ground” ao lado do cemitério. Com um atraso de cinco minutos começou o match. O time de Ponta Grossa, já com a quase seis meses de treinamentos, venceu por 1 X 0, gol do inglês Charles Wright.

O onze do Turverein entrou em campo com: Arthur Hauer - A. Labsch e Walter Dietrich - Arthur Iwersen - Roberto Iusksch e Theodoro Obladen - Rodolpho Kastrup – Maschke - Leopoldo Obladen - Carlos Schlenker e Fritz Essenfelder. O Tiro de Guerra jogou com Ayres - Frederico e Debu - Charles Wright - Joca e Maravalhas - J. Dawes – Monteiro - Silva Jardim - Flávio Guimarães e Salvador. O juiz foi o desportista pontagrossense Flygare.

Após o jogo foi oferecido um lauto banquete aos visitantes. Naqueles tempos havia muita cortesia entre os degladiantes. O presidente do Turverein, Frederico Rummert, ao dar um brinde aos anfitriões, disse. “E sem que tenha havido entre nós vencedores ou vencidos, mas sim soldados que labutam pelo desenvolvimento físico e com este o intelectual da mocidade paranaense, vos aperto a mão amiga em nome de cada um dos nossos companheiros reconhecidos e gratos.”

No retorno a Curitiba, aconteceu uma deliberação histórica: João Viana Seiler, o grande líder grupo, inconformado com a discriminação existente no Turnverein, lançou a idéia da fundação de um novo clube. As reuniões passaram a ser realizadas no Teatro Hauer, na esquina das ruas 13 de Maio e Mateus Leme. Um mês depois, mais de 60 pessoas estavam integradas ao movimento.

No dia 30 de janeiro de 1910, foi fundado o Coritybano Foot Ball Club sendo eleito seu primeiro presidente e também patrono, o desportista João Viana Seiler. Como vice-presidente, Arthur Hauer; primeiro secretário José Júlio Franco: segundo secretário, Leopoldo Obladen; primeiro tesoureiro, Walter Dietrich; segundo tesoureiro, Alvim Hauer e capitão Fritz Essenfelder. No discurso de posse, Seiler sugeriu que a data oficial de fundação fosse 12 de outubro de 1909. As cores adotadas para o uniforme do clube foram o verde e o branco, referência às da bandeira do Estado.

Faltava agora apenas um campo para jogar, problema que foi resolvido quando os fundadores conseguiram autorização para usar uma área do Jóckey Club Paranaense, no bairro Prado velho, onde hoje se localiza o Campus 1 da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR). A área foi reformada com obras de terraplanagem, gramado e construção de cercas de arame. Para chegar ao campo, que ficava longe do centro da cidade, os torcedores precisavam pegar bondes puxados por burros.

O clube jogou ali até 1916, quando passou a mandar seus jogos no Parque Graciosa. A idéia geral foi inaugurar o novo campo num jogo contra o time de Ponta Grossa, para retribuir a recepção magnífica que tiveram na primeira partida.

Também em Ponta Grossa aconteceram novidades. Agora o time se chamava Ponta Grossa Foot Ball Club. No dia 12 de junho de 1910, se realizou a primeira partida de futebol em Curitiba. Foi organizada uma grande festa que durou três dias. Desta vez o onze da capital não teve dificuldades em vencer o adversário por 5 X 3. A partir daí, vários amistosos foram disputados entre as duas equipes, que procuravam difundir a prática do futebol no Estado. Não havia campeonatos, apenas torneios de curtos períodos.

O nome Coritybano durou pouco. Em 21 de Abril de 1910, cerca de seis meses depois, para não fazer confusão com o já existente Clube Curitybano, a denominação mudou para Coritiba Foot Ball Club. O nome da cidade se grafava Curityba, com o y depois do t, que era um nome tupi-guarani, significando “muito pinhão”. Numa das reformas ortográficas, a cidade passou a ser grafada como Coritiba. E veio uma nova reforma, passando a ser Curitiba, mas o clube, já com o nome consagrado, preferiu ignorar a mudança.

Como não existiam outros clubes para a disputa de campeonatos, os dirigentes do Coritiba resolveram dividir o clube, cedendo vários jogadores para que fosse formada uma outra equipe, surgindo assim o Internacional, que foi o primeiro campeão paranaense, em 1915. Em 1924 foi extinto, ao fundir-se com o América, dando origem ao Clube Atlético Paranaense. O Campeonato foi realizado pela Liga Sportiva Paranaense (LSP), e disputado por Coritiba, Internacional, América, Paraná, Paranaguá e Rio Branco (Paranaguá).

O título do Internacional em 1915 foi contestado por um jogador do América, o que provocou a desfiliação de vários clubes da LSP. O América e outros clubes criaram uma nova entidade, a Associação Paranaense de Sports Athléticos (APSA), formada por Coritiba, Savóia, América, Palmeiras, Spartano, Paraná e Rio Branco. N LSP estavam Britânia, Bela Vista, Internacional, América de Paranaguá, Americano e Pinheiros.

Em 1916 dois campeonatos foram realizados separadamente, mas no final do ano as duas associações se juntaram formando a Associação Sportiva Paranaense (ASP). Ficou decidido que o campeão sairia de uma decisão entre os campeões das duas ligas: Coritiba e Britânia. Na primeira, o Coritiba foi vencedor. Na segunda, o Britãnia ganhou. No dia 21 de janeiro de 1917, o Coritiba venceu ao Britânia por 2 X 1 e foi proclamado campeão do Paraná. Em 1939 a Federação Paranaense de Futebol (FPF), passou a comandar o futebol no Estado. (Pesquisa: Nilo Dias)

(Foto: Acervo histórico do Coritiba F.C.)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Cristina disse...
Meu bisavô José Julio Franco deve ter ficado muito triste, lá onde Deus o tenha, com a violência e desrespeito que a pseudo torcida recebeu o Fluminense neste final de 2009. Lamentável, uma mancha na história que meu antepassado ajudou a construir.
Cristina de Oliveira Franco.
14 de dezembro de 2009 18:10

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

E a festa continua

Na rodada deste final de semana, não foi diferente. Mais arbitragens ruins e clubes prejudicados. O Campeonato Brasileiro parece que vai ser decidido no apito.Quem tiver mais força nos bastidores, leva a taça.

A arbitragem do mineiro Ricardo Marques Ribeiro no clássico deste domingo entre Corinthians e São Paulo deixou o lado alvinegro revoltado. Após o empate por 1 a 1 no Morumbi, que afastou ainda mais os arquirrivais do sonho de brigar com o Palmeiras pelo título, Mano Menezes praticamente se esqueceu de falar sobre o desempenho de sua equipe no confronto contra os atuais tricampeões nacionais e foi o primeiro a disparar contra o apitador.

"Tivemos, na segunda parte, as melhores oportunidades para definir o jogo a nosso favor e saímos com a convicção de que se a arbitragem tivesse sido um pouco mais neutra certamente sairíamos com a vitória", opinou, visivelmente insatisfeito com o trio mineiro."Não gostei nada da arbitragem e acho que estão confundindo o fato de o Corinthians já ter vaga garantida na Libertadores com dar o mesmo tratamento para nosso time. O árbitro usou dois critérios o tempo inteiro. Não deu uma sucessão de faltas a nosso favor e, no final, expulsou um jogador deles para deixar a impressão que o São Paulo foi o prejudicado.

Um absurdo", disparou, cutucando, por tabela, os donos da casa.Apesar de ter citado faltas em Defederico e Dentinho, perto da área rival, como exemplos de erros do árbitro neste domingo, Mano reforçou que sua principal reclamação foi com relação ao duplo critério adotado pelo apitador mineiro. "Não estou falando de um lance, mas de filosofia para apitar o jogo. Tem que usar critério igual. Não usou e ficou parecendo outra coisa", concluiu, voltando a insinuar favorecimento ao time do Morumbi.Direto e reto: Se Mano Menezes insinuou favorecimento, o presidente Andrés Sanchez falou com todas as letras o que o treinador se policiou na hora de conceder entrevista coletiva.

Para o mandatário alvinegro, a força rival nos bastidores influenciou o comportamento de Ricardo Marques Ribeiro no clássico."Errar é normal, mas o que aconteceu hoje (domingo) foi um absurdo. Eu já fui beneficiado e prejudicado, mas isso foi uma vergonha. O São Paulo pressiona de todos os lados e acontece isso aí", disparou, também reforçando sua revolta com o tratamento recebido ao chegar no Morumbi."Está virando rotina com esses vândalos. Depois querem fazer Copa do Mundo", criticou. "E vão conseguir, pois vai sair dinheiro público. Eu queria fazer o meu (estádio), mas o São Paulo vai pegar todo o dinheiro e não sobrará para o Corinthians", concluiu, estocando uma última vez os desafetos.

Resposta: Do lado são-paulino, o técnico Ricardo Gomes deixou clara a discordância das declarações corintianas. "Qual pressão que fizemos sobre o árbitro? Contra o Flamengo, ele não havia dado um pênalti sobre o Washington. Ainda assim, sempre falei para confiarmos em seu trabalho", afirmou.

Já o superintendente de futebol Marco Aurélio preferiu disparar contra Mano Menezes. "Ele é muito sensível para arbitragem. O gol do Corinthians saiu de uma irregularidade do Dentinho e ainda vi um pênalti em cima do Marlos. Mas foram lances difíceis. Acho que o juiz apitou bem", analisou. (Fonte: Yahoo Esportes)
Barueri foi prejudicado pela arbitragem

Dois lances foram especialmente contestados pelos jogadores do Barueri neste sábado. No primeiro deles, o meia Gilberto estaria em posição irregular quando completou cruzamento de Guerrón, após corte mal feito pela zaga. No outro, o zagueiro Gil teria cortado finalização de Fernandinho com o braço. O árbitro Djalma Beltrami (RJ) não deu pênalti e mandou o lance seguir - o atacante acabou expulso por reclamação, minutos depois.

"Na hora do chute, a bola bateu na minha costela e depois pegou no braço", admitiu Gil, sem ver motivos para a penalidade: "mas eu já estava caído nessa hora". Já o volante Fabrício, que reclamou de pênalti de Jumar na derrota para o Palmeiras, desta vez adotou discurso oposto, ao ver como comuns os erros. (Fonte: Brazilian Voice)

Djalma Beltrami prejudicou o Barueri, no jogo contra o Cruzeiro.

sábado, 26 de setembro de 2009

Árbitros ou sopradores de lata (Final)

Antes do segundo jogo das finais da Copa do Brasil, o vice-presidente de futebol Fernando Carvalho apresentou a imprensa um dossiê mostrando em vídeos, o favorecimento das arbitragens ao Corinthians. Todas as imagens exibidas foram extraídas de programas esportivos. A apresentação, que foi acompanhada por dezenas de jornalistas, começou com a exibição do pênalti sofrido por Tinga, no Pacaembu, no Brasileirão de 2005. Naquela oportunidade, o árbitro Márcio Rezende de Freitas não marcou a penalidade e ainda expulsou o jogador colorado por suposta simulação.

Somado ao escândalo da arbitragem no campeonato daquele ano, que motivou a anulação do resultado de diversas partidas, o equívoco foi extremamente danoso ao Internacional, que acabou ficando com o vice-campeonato. Depois, o dossiê se ocupou com a Copa do Brasil, quando uma série de erros de arbitragem facilitaram a chegada do clube paulista ao título.

Destaque para o jogo contra o Atlético Paranaense, disputado dia 29 de abril na Arena da Baixada, em que o Corinthians foi beneficiado com dois pênaltis inexistentes marcados pelo juiz Nielson Nogueira Dias (PE). O time curitibano vencia por 3 X 0, mas a vantagem foi diminuída para 3 X 2 graças aos erros do árbitro, que também deixou de marcar um pênalti em favor do Atlético.

A apresentação também trouxe à tona a segunda partida da semifinal, dia 3 de junho contra o Vasco da Gama, na qual o juiz Leonardo Gaciba (Fifa-RS) deixou de marcar um pênalti claro para a equipe carioca. O resultado de 0 X 0 no Pacaembu acabou servindo ao Corinthians, que avançou à final. Para encerrar o dossiê, foram mostrados vários lances do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, no Pacaembu. A começar pela falta que originou o segundo gol do Corinthians, que foi claramente cobrada com a bola em movimento, sob o olhar complacente do árbitro paranaense, Heber Rodrigues Lopes, do quadro da FIFA.

Todas as imagens foram exibidas com o áudio original, no qual os comentaristas reiteravam o erro cometido pelo árbitro. A seguir, foi mostrado o pênalti sofrido por Alecsandro, quando o placar ainda estava 0 X 0. Além de um impedimento mal marcado de Taison, a edição também destacou as sucessivas faltas cometidas por Elias, Jorge Henrique e Chicão, que nem sequer receberam cartão amarelo.

No jogo Corinthians 3 X 3 Botafogo, dia 23 de agosto, válido pela 21ª rodada o juiz aspirante ao quadro da Fifa, Arilson Bispo da Anunciação (BA) validou um gol do Botafogo em que André Lima usou a mão para tocar a bola para as redes. Além disso, assinalou um pênalti e uma falta que resultaram em gols do Corinthians. Por causa desses erros o árbitro foi suspenso pela Comissão de Arbitragem da CBF por tempo indeterminado.

Apenas para ilustrar este trabalho, alguns dos maiores erros de arbitragem já verificados no futebol brasileiro nos últimos anos, além dos já citados acima.

Portuguesa x Corinthians - 1998 (Paulistão). O zagueiro César, da Portuguesa, interceptou a bola com o peito, mas o juiz Javier Castrilli viu toque de mão e marcou pênalti. O Corinthians fez o gol e foi para a final do torneio.

Santos x Botafogo - 1995 (Brasileirão). Foram inúmeros erros. Um gol do santista Túlio foi anulado. O juiz Márcio de Freitas não viu o lateral santista Capixaba ajeitar a bola com a mão, lance convertido em gol por Marcelo Passos. Ele também anulou, com um impedimento inexistente, o gol de Camanducaia que daria a vitória ao Santos.

Grêmio x Flamengo - 1982 (Brasileirão). O jogador rubro-negro Andrade interceptou um gol do gremista Baltazar com a mão. O juiz Oscar Scolfaro não deu o pênalti.

Santos x Portuguesa - 1973 (Paulistão). O juiz Armando Marques encerrou a cobrança de pênaltis antes de todos os lances serem cobrados. Os Santos foi declarado campeão. A Federação Paulista “consertou o erro” dividindo o título entre as equipes.

Palmeiras x São Paulo - 1971 (Paulistão). O juiz Armando Marques anulou o gol de cabeça do atacante palmeirense Leivinha, alegando toque de mão. Seu time perdeu a partida por 1 a 0. (Texto extraído do site GUIA DE CURIOSIDADES).

Ainda com relação ao Corinthians, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) investigou possível tentativa de manipulação de resultados no Brasileiro de 2006, temporada na qual o “Timão” correu risco de rebaixamento. A denúncia foi feita pelo Ministério Público Federal, que não concedeu mais detalhes, mas avisou que nas escutas realizadas para desvendar a parceria entre o Corinthians e a empresa MSI houve conversas sobre manipulação de resultados. Tudo acabou em pizza.

Em 1997, gravações pegaram o presidente corintiano oferecendo o que seria dinheiro ao então chefe da arbitragem brasileira, Ivens Mendes. O STJD, logo depois, puniu Dualib com dois anos de suspensão, nunca cumprido por conta de recursos.

No ano passado o site Globoespoerte fez um minucioso levantamento de como seria a classificação do Brasileirão sem os erros de arbitragem. Para tanto foi feita uma pesquisa em busca de erros decisivos de arbitragem, e que fizeram diferença no placar. Esta análise mostrou que se os árbitros não errassem, a tabela do campeonato sofreria muitas mudanças. De 340 confrontos, 29 mudaram de resultado. A equipe mais beneficiada com os erros foi a do São Paulo, que se sagrou campeão, e a mais prejudicada, a do Fluminense, que escapou do rebaixamento nas últimas rodadas. (Pesquisa: Nilo Dias)

Dirigente Fernando Carvalho, do Internacional denunciou favorecimento ao Corinthians.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Árbitros ou sopradores de lata? (01)

O nível das arbitragens no Brasil está realmente muito ruim. A cada rodada do Campeonato Brasileiro, não importa se da Série A ou B, multiplicam-se as reclamações. São erros gravíssimos, que mesmo sem intenção podem jogar por água abaixo todo o trabalho de uma temporada, além de causarem grandes prejuízos financeiros aos clubes prejudicados.

Nos últimos dias assistimos erros que nem despreparados juízes de peladas varzeanas cometeriam. No jogo Ceará X Paraná Clube, disputado no último dia 19, no Estádio Castelão, em Fortaleza, o árbitro alagoano Charles Hebert Cavalcante Ferreira validou um gol feito com a mão pelo atacante Wellington Silva, aos 42 minutos do primeiro tempo, que deu a vitória ao clube paranaense.

O lance foi escandaloso. Após uma cobrança de escanteio, a bola sairia pela linha de fundo, mas Wellington saltou e deu uma verdadeira cortada de vôlei para marcar um gol com a mão esquerda. De nada adiantaram as reclamações dos jogadores cearenses, pois até mesmo a bandeirinha alagoana Ticiana de Lucena Falcão correu para o centro do campo, também validando o gol. Antes da bola rolar para o segundo tempo, Wellington Silva confirmou a irregularidade que cometeu no lance do gol. “Fui dar um peixinho e pegou na minha mão, mas não tive a intenção”, disse o jogador, em entrevista a imprensa cearense.

A Comissão de Arbitragem da CBF puniu o árbitro Charles Ferreira, com 90 dias de suspensão, e os auxiliares Cleriston Rios (SE) e Ticiana Lucena, mais o quarto árbitro Wladyerisson Oliveira (CE), com 30 dias de gancho.

Na última quarta-feira, 23, o árbitro Evandro Rogério Roman (PR) teve péssima atuação ao dirigir o jogo Cruzeiro X Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro da Série A. Ele deixou de marcar pelo menos três penalidades máximas claríssimas contra o Palmeiras. O presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, divulgou ontem uma carta de protesto intitulada "Vergonha e indignação". "A partida entre Cruzeiro e Palmeiras entrou para a relação dos grandes absurdos do futebol brasileiro em 2009", diz a nota.

Até o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, concordou que houve um pênalti indiscutível quando Jumar acertou Fabrício na área. "Foi pênalti, eu não escondo", afirmou o dirigente palmeirense. A CBF puniu o árbitro paranaense com 30 dias de suspensão.

No Campeonato Brasileiro deste ano as falhas de arbitragem começaram cedo. Na segunda rodada do primeiro turno, quatro jogos tiveram falhas que poderiam ter mudado o resultado final. O que dominou os erros foram os pênaltis não assinalados e gols marcados em impedimento. O jogo que mais provocou reclamações foi Atlético Mineiro 2 X 1 Grêmio, disputado no Mineirão, dia 16 de maio.

O árbitro Wilson Seneme (SP) teve atuação desastrosa: no início do segundo tempo, a bola bateu no braço de Welton Felipe, do Atlético, dentro da área, mas nada foi marcado. Nos acréscimos, em lance idêntico, a bola bateu no braço de Joilson, e Seneme marcou o pênalti contra o Grêmio, que Tardelli bateu e converteu, garantindo o triunfo atleticano.

Ainda nessa rodada ocorreram mais erros dos juízes. Na Vila Belmiro, os gols de Kléber Pereira, do Santos, e Rafael Tolói, do Goiás, foram marcados em impedimento. Ainda houve um pênalti de Fabão em Júlio César a favor do time goiano não assinalado pelo árbitro Ricardo Ribeiro (MG). No jogo Flamengo X Avaí, no Maracanã, outros dois pênaltis não marcados pelo árbitro Francisco Carlos Nascimento(AL). Primeiro, Willians, do Flamengo, derrubou Evando, do Avaí, na área. Pouco depois, o mesmo Willians cruzou e a bola bateu no braço levantado de Undel, que estava dentro da área.

O outro jogo que teve erro da arbitragem foi São Paulo 2 X 2 Atlético Paranaense. O gol de empate do tricolor paulista foi irregular, já que André Lima estava em posição de impedimento não marcado pelo juiz Wilton Pereira Sampaio (DF). Os paranaenses ainda reclamaram de um pênalti não marcado por Miranda em Marcinho.

Na 22ª rodada do Brasileirão, disputada no dia 30 de agosto, o Botafogo foi prejudicado pelo árbitro paulista Rodrigo Martins Cintra que validou o segundo gol gremista, feito de forma irregular: a bola saiu quase um metro pela linha de fundo no cruzamento de Mário Fernandes para Jonas. E ainda teve um pênalti a favor do Botafogo não assinalado, quando Adilson cortou cruzamento dentro da área com o braço estendido.

No jogo Internacional 1 X 2 Corinthians, dia 19 de agosto, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro, o time gaúcho foi “garfado” em pleno Beira Rio, em Porto Alegre. Dessa feita foram os dois auxiliares, Dibert Pedrosa Moisés (RJ) e Hilton Moutinho Rodrigues (RJ), que erraram feio nos gols corinthianos, ambos assinalados em situações de impedimento. No primeiro gol, Chicão estava adiantado quando a bola foi cruzada para a área em cobrança de falta. No segundo, no finalzinho, dois jogadores corintianos estavam livres e impedidos na pequena área, mas o bandeirinha nada marcou. (Pesquisa: Nilo Dias)

O árbitro alagoano Charles Hebert Cavalcante Ferreira validou de forma escandalosa, um gol feito com a mão, contra o Paraná Clube.

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Mario Gayer do Amaral disse...
Oi, Nilo. Gostei dessa matéria sobre os árbitros. é muito fácil culpá-los por uma derrota mas nem sempre isso acontece. Talvez quando colocarem a TV nos lances mais dificeis, isso minimize. Mas duvido que isso ocorra.
No meu blog, fiz um post a respeito dos três anos sem o Bra-Pel, contando um pouco das histórias e das lembranças desse jogo. Se quiseres comentar ou adicionar mais alguma coisa que tu lembres de Bra-Pel, fico agradecido. Só ganho mais sabedoria e mais trocas de idéias. É isso. Um grande abraço.
9 de outubro de 2009 00:22

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Waldemar Fiúme, o “pai da bola”

Você já imaginou um jogador atuar em 572 partidas pelo mesmo clube, num período de 18 anos, de 1940 a 1958? Ele existiu, foi Waldemar Fiúme, que jogou em diversas posições, centromédio, lateral e zagueiro, onde ganhou grande projeção nos anos 40 e 50. Todo esse esforço mereceu uma premiação extra-campo: um busto nos jardins do Parque Antarctica eternizando sua brilhante trajetória com a camisa verde. Além dele, outros dois jogadores mereceram tal honraria: Ademir da Guia e Junqueira. Agora, existe um movimento para que o goleiro Marcos também seja incluído nessa seleta categoria de craques palmeirenses.

Waldemar Fiúme surgiu para o futebol ao final da década de 30, nos gramados da extinta e histórica Várzea do Glicério, um dos maiores celeiros do futebol paulistano em todos os tempos. De todos os jogadores que deram seus primeiros chutes naqueles campos de terra, nenhum alcançou a projeção daquele jovem magro, alto, esguio e de enorme habilidade. Foi um tempo em que o futebol era bastante diferente dos dias de hoje. Para chegar ao sucesso bastava ter habilidade com a bola, saber driblar e armar jogadas. Nos dias atuais o preparo físico é o que mais importa.

Ele chegou ao Palestra Itália, em 1940, levado por um fanático torcedor, que se encantara com suas atuações no Bangu do Glicério, seu time de várzea. Precisou de apenas um teste para ser contratado. Era meia direita clássico, avançado, fazedor de gols. Estreou contra o Comercial, com vitória de 4 x 1. Não era fácil jogar num time com nome italiano naqueles tempos difíceis de guerra. Tímido, pouco falante, sofreu muito com a perseguição que os italianos, e por consequência os palestrinos foram vítimas. Fiúme viu o Palestra Itália morrer líder e o Palmeiras nascer campeão.

Era tarefa dura se manter titular numa equipe que contava com excelentes jogadores, por isso teve de passar dois anos jogando como meia-direita do time de aspirantes. Somente em 1944 teve oportunidade no time de cima. E isso graças ao adversário palmeirense na final do Campeonato Paulista daquele ano, o São Paulo que conseguiu junto a Federação Paulista de Futebol (FPF) a suspensão do volante Dacunto, peça fundamental no esquema do então técnico Bianco.

Sem outra opção, Fiúme foi chamado para substituir o titular. E deu conta do recado, destacando-se como o melhor em campo, dando um verdadeiro show de bola, exercendo marcação individual sobre o são paulino Sastre. Fiúme foi autor de jogadas maravilhosas, que abriram caminho para que Caxambu, por duas vezes, e Villadoniga construíssem o placar de 3 X 1. a partir desse dia, Fiume pontificou, ganhando o apelido de “Pai da Bola” pela versatilidade ao atuar em várias funções.

A partir daquele jogo Valdemar Fiúme se tornou um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro em todos os tempos. E dizem as más línguas, que até hoje os sãopaulinos se arrependem de terem provocado a suspensão de Dacunto, daquele jogo.

Os torcedores palmeirenses imortalizaram aquele momento mágico de Fiúme com uma paródia da marchinha “Eu brinco”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, que foi o maior sucesso do carnaval de 1944. A versão original dizia: "Com pandeiro ou sem pandeiro, eu brinco!". Já a letra dos palmeirenses ficou assim: "Com Dacunto ou sem Dacunto, eu ganho!"

Fiúme foi um jogador extremamente polivalente. Em 1946 foi novamente improvisado, dessa vez como quarto-zagueiro. Ao lado de Gengo e de Og Moreira, ele formou uma das mais brilhantes linhas intermediárias da história palmeirense. Um outro trio, no qual jogou ao lado de Dema e do argentino Luís Villa, também entrou para a história, no final da década de 50. Em 1951, participou da vitoriosa campanha da Copa Rio. Em 1958, aos 36 anos, Waldemar Fiúme encerrou a carreira, tendo vestido uma única camisa, a do Palmeiras. Ele jogou 572 partidas e marcou 17 gols.

Semanas antes de encerrar a carreira, Fiúme, quando se encontrava na gráfica que era dono na Avenida Rui Barbosa, Fiume & Filhos, herdada de seu pai, ficou desconfiado quando foi procurado por um fotógrafo que a mando do Palmeiras queria uma foto somente do seu rosto. Pensou que fosse alguma coisa relacionada ao departamento pessoal e deixou-se fotografar.

Um mês depois, no seu jogo de despedida, contra o XV de Piracicaba. Waldemar Fiúme fez a volta olímpica ao lado dos jogadores juvenis e foi aplaudido quando passou pela fila dos dois times adversários daquela tarde. O filho do saudoso roupeiro Tamanqueiro foi incumbido de colocar uma cadeira para que Valdemar Fiúme descalçasse as chuteiras. O capitão Ivan, do Palmeiras, presidente Mario Beni e o diretor Mario Fruguelli entregaram-lhe a camisa do clube, e o convidaram para junto da esposa e filho assistirem o jogo da tribuna, pois havia uma surpresa para depois da partida: a inauguração de seu busto, feito a partir da foto tirada dias antes.

Waldemar nasceu em São Paulo no dia 12 de outubro de 1922 e faleceu, também em São Paulo, por problemas no coração, no dia 11 de Fevereiro de 1996, aos 74 anos de idade. Antes de morrer o ex-craque alviverde teve que amputar as pernas que tantas alegrias deram ao futebol brasileiro. Já fazia algum tempo que Waldemar Fiúme não estava bem. Sérios problemas com a circulação sangüínea limitavam seus movimentos. Não havia outra solução senão a amputação das pernas, totalmente comprometidas pela gangrena. Em razão da idade já avançada, ele suportou bem a cirurgia, mas não o período seguinte.

Títulos : foi campeão da Copa Rio, em 1951, campeão paulista de 1942, 1944, 1947 e 1950 e do Torneio Rio-São Paulo de 1951, além de outras conquistas de menor expressão. Foi convocado várias vezes para a seleção paulista, mas nunca vestiu a camisa da Seleção Brasileira.

O texto a seguir, sem referência de autor, extraído de um recorte de jornal diz tudo sobre a carreira do grande jogador.

“Despediu-se Fiúme

Como fora anunciado, o extraordinário Waldemar Fiúme despediu-se oficialmente, sábado, do football. depois de 17 anos no Palmeiras (Palestra), onde, vindo do Bangu, da várzea, foi figurar diretamente no posto titular da meia-direita, Fiúme, agora, encerra quase que injustiçado uma das carreiras mais brilhantes de que se tem conhecimento, no football brasileiro.

Injustiçado porque, apesar de figurar como o melhor homem de seu posto, incontestavelmente, em todo Brasil, jamais teve a oportunidade digna de suas qualidades, em qualquer das seleções que se formou em todo esse largo período de tempo, seja nas paulistas, seja nas brasileiras. Dono de incomum consciência de jogo, Fiúme aliava à sua classe inegável, a fibra e o “coração” dos amadores, sempre aparecendo como um dos mais lutadores craques do Palmeiras, qualquer que fosse a forma por que passasse a equipe.

Médio dos mais completos, dizem-no uma vítima das “táticas”, quando, em verdade, foi-o, sim, de sua inabalável modéstia e simplicidade, num meio em que a valorização parece estar inseparavelmente ligada às encenações e a “mascara”, que Waldemar Fiúme jamais soube afixar ao seu jogo e o seu temperamento. Nas fotos, vários aspectos de sua despedida e das homenagens que lhe foram atribuídas.

Ao entrar em campo, perfilou-se em fila indiana, no meio dos dois quadros. Saiu da formação, juntamente com o capitão do Palmeiras, Ivan, indo entregar simbolicamente a sua chuteira ao mordomo, que outro não é senão o filho do saudoso Tamanqueiro, que o viu nascer dentro do football. Depois de dar a volta olímpica, escoltado pelo capitão esmeraldino, Fiúme saiu entre a formação dos jovens da preliminar. Após o prélio, foi descerrar a bandeira do Palmeiras que cobria o busto, num local de evidência do Parque Antártica.

Na ocasião, falaram diversos diretores esmeraldinos, sob a emoção de numeroso público que não regateou aplausos ao seu ídolo. Ídolo que não foi só do Palmeiras e exemplo que deveria germinar em todos os clubes do país campeão do mundo, para mais dignificá-lo, para mais engrandecê-lo”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Busto de Waldemar Fiúme, nos jardins do Parque Antártica. (Foto: Acervo da S.E. (Palmeiras)