Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CEUB, um time que deixou saudade

O futebol de Brasília até hoje não se consolidou. Entre altos e baixos continua ocupando uma posição apenas intermediaria no cenário nacional. É verdade que depois de muitos anos conseguiu participar de recentes campeonatos brasileiros da Série A com S.E. Gama e Brasiliense F.C.. Foram passagens rápidas e sem qualquer brilho, com durações efêmeras de apenas uma temporada e o retorno rápido a Série B.

Muita gente credita a pouca evolução do futebol de Brasília ao fato da cidade ser muito nova, e a maioria de seus moradores torcer por clubes de outros Estados. E isso é um fato incontestável. Nos jogos em Brasília, os adversários quase sempre levam mais torcedores aos estádios, que os clubes locais.

A primeira edição do campeonato da nova capital federal foi disputada em 1959. A cidade nem havia sido fundada, mas os operários que trabalhavam nas obras de construção de Brasília já haviam organizado seus times. O campeão foi o Grêmio Brasiliense. Depois disso, o domínio passou a Defelê e Rabelo. O Defelê, inclusive, foi o primeiro time a defender Brasília em uma competição nacional, no caso, a Taça Brasil de 1963. Foi eliminado na primeira fase pelo Vila Nova de Goiás.

O Brasiliense já foi visto como um fenômeno esportivo pelo rápido crescimento. O clube surgiu em 2002, quando o empresário e ex-senador Luiz Estevão comprou o Atlântida F.C., de Taguatinga. Em 2002 foi vice-campeão da Copa do Brasil, após eliminar equipes como o Atlético Mineiro e Fluminense e perder a final para o Corinthians, em jogo que até hoje gera polêmica.

É o detentor do maior número de conquistas estaduais consecutivas no Centro-Oeste, com 6 títulos ganhos entre 2004 e 2009 desbancando o maior rival, Gama que tinha 5 títulos consecutivos entre 1997 e 2001.

Mas o Brasiliense mesmo assim não conseguiu se firmar até hoje como uma instituição forte e vitoriosa. Ainda luta para tentar retornar a elite do futebol brasileiro, mas não tem conseguido êxito, talvez mais pelas intromissões de seu dono, o ex-senador Luiz Estevão. É ele quem contrata e manda embora, muitas vezes sem qualquer lógica. A cada ano passa quatro ou cinco treinadores pelo clube, o que torna impossível qualquer projeto duradouro de time.

A situação do Gama é ainda pior. Teve seus anos de predominância no futebol de Brasília, graças às generosas verbas públicas que recebia. Até um estádio novo ganhou, construído com dinheiro público, que hoje é um verdadeiro elefante branco. O Gama foi parar na quarta divisão do futebol brasileiro. E parece que o seu destino só tende a piorar nos próximos anos.

O Brasília E.C., fundado em 1975 foi durante algum tempo sustentado pela Associação Comercial do Distrito Federal. Isso lhe garantiu a hegemonia no futebol candango, com oito títulos entre 1976 e 1987. Com o passar dos anos também afundou numa série de dividas e insucessos. Desde o ano passado tenta se reestruturar, tarefa que não tem sido nada fácil.

Na cidade onde o colunista mora, Sobradinho, o futebol parece que ficou só na saudade. O time da cidade, o Sobradinho E.C. já foi o melhor do Distrito Federal e foi bi-campeão em 1985/1986. Depois, parece que as direções incompetentes e as brigas internas acabaram com o clube. Cheio de dividas e sem perspectivas, agoniza na última divisão do futebol local.

Na década de 1960 o Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), criou seu time de futebol profissional. Se não conseguiu grandes feitos, pelo menos colocou Brasília num lugar mais destacado no mapa do futebol brasileiro. Sua fundação aconteceu em 1968 por iniciativa de um grupo de universitários da instituição.

Mas foi nos anos 70 que o CEUB começou a se projetar de fato. Em 1972 foi segundo colocado no campeonato local. Em 1973 foi campeão, derrotando na partida final ao Relações Exteriores, por 1 X 0. O título garantiu ao time universitário o direito de ser o primeiro clube da capital federal a participar de um Campeonato Brasileiro.

O curioso é que em 1973 o futebol brasiliense ainda era amador. O profissionalismo só chegou de maneira definitiva a Brasília em 1976. A competição foi amadora de 1960 a 1965 e de 1969 a 1975. O campeonato chegou a ser profissional entre 1966 e 1968, mas recaiu no amadorismo de 1969 até 1975.

A estréia do Distrito Federal na Série A de 1973 foi no jogo CEUB X Botafogo, empate de 0 X 0, no antigo estádio “Pelezão” A primeira vitória foi alcançada também no “Pelezão”, na terceira rodada contra o Figueirense por 2 X 1. A trajetória do CEUB no campeonato foi fraca, ficando em 33° lugar entre 40 equipes. O que sobrou de positivo foi a popularidade que o clube conquistou dentro da capital federal.

Em 1974 o Pioneira F.C. sagrou-se campeão de Brasília, mas a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) designou o CEUB para representar a capital federal no Brasileirão. A equipe acabou na 19ª e penúltima colocação no Grupo B, 37a na classificação final. De qualquer maneira, os torcedores locais puderam assistir a grandes jogos. A direção do CEUB fez de tudo para que o time tivesse uma participação mais efetiva na competição.

Em 1974 houve a inauguração do “Estádio Governador Hélio Prates da Silveira”, primeira denominação do “Estádio Mané Garrincha”, que depois da reforma para a Copa de 2014 vai se chamar “Estádio Nacional de Brasília”. Foi no dia 10 de março, e o jogo de inauguração foi entre o CEUB X Corinthians Paulista, pelo campeonato brasileiro.

O jogo foi de portões abertos para o público, por iniciativa do Governo do Distrito Federal. O time paulista venceu por 2 X 1. Vaguinho do Corinthians fez o primeiro gol do estádio. Ele mesmo também marcou o segundo. Juracy fez o gol dos locais.

CEUB: Valdir – Odair - Pedro Pradera - Cláudio Oliveira e Rildo – Alencar - Péricles (René) e Xisté - Dílson (Cardosinho) - Juracy e Dario. Corinthians: Armando - Zé Roberto – Pescuma - Wagner e Wladimir – Tião - Adãozinho e Washington – Vaguinho - Roberto e Marco Antonio. Juiz: Luiz Carlos Félix. Bandeiras: Cassirio Marinho e Carlos Vieira do Amaral.

Em 1975, não houve campeonato distrital. Por isso, o CEUB foi novamente convidado a representar o Distrito Federal no Campeonato Nacional, ficando em 9º no seu grupo, e em antepenúltimo ou 32º lugar na classificação geral.

Ainda em 1975 o CEUB se tornou o primeiro time de futebol de Brasília a excursionar pela Europa, onde enfrentou o La Coruña e Sevilla, tradicionais clubes espanhóis e a Seleção da Iugoslávia, entre outros. Somente 33 anos depois um time brasiliense iria fazer uma excursão ao velho continente, que seria o Brazsat.

O Campeonato Brasiliense de 1976 marcou a volta em definitivo do futebol profissional. O Ceub ganhou os dois primeiros turnos e era líder do terceiro quando a Federação Brasiliense virou a mesa e mandou que fosse disputado um quadrangular final para a definição do campeão e representante local no Brasileirão.

O CEUB se negou a participar e o Brasília foi declarado campeão. Mas não levou. A CBD decidiu que o Distrito Federal não teria direito a participar do campeonato, devido a confusão estabelecida pela Federação local. Com isso o CEUB passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras para se manter em atividade. Sem alternativas, o clube fechou as portas. Foi o melancólico fim do primeiro clube de Brasília a ter reconhecimento nacional.

Nessa sua curta trajetória o CEUB contou em seu plantel com jogadores que tiveram passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, como Valdir, ex-goleiro do Vasco, Rogério, goleiro, ex-Grêmio e ex-América (RJ), Paulo Lumumba, ex-Grêmio, Oldair, campeão brasileiro em 1971 pelo Atlético (MG), Rildo, ex-Botafogo e Santos, Claudio Garcia, ex-Fluminense e depois treinador de futebol, Tuca, ex-Botafogo, Roberto Dias, ex-São Paulo, Cláudio Adão, Fio Maravilha e outros. O CEUB foi treinado pelo conhecido técnico João Avelino.

Daqueles áureos tempos tudo o que restou do CEUB foram troféus e recortes de jornais guardados com carinho, no escritório de Adílson Peres, advogado, que foi o último presidente do clube, que teve todas as suas diretorias formadas por universitários entre 20 e 25 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)

CEUB, um time que deixou saudade

O futebol de Brasília até hoje não se consolidou. Entre altos e baixos continua ocupando uma posição apenas intermediaria no cenário nacional. É verdade que depois de muitos anos conseguiu participar de recentes campeonatos brasileiros da Série A com S.E. Gama e Brasiliense F.C.. Foram passagens rápidas e sem qualquer brilho, com durações efêmeras de apenas uma temporada e o retorno rápido a Série B.

Muita gente credita a pouca evolução do futebol de Brasília ao fato da cidade ser muito nova, e a maioria de seus moradores torcer por clubes de outros Estados. E isso é um fato incontestável. Nos jogos em Brasília, os adversários quase sempre levam mais torcedores aos estádios, que os clubes locais.

A primeira edição do campeonato da nova capital federal foi disputada em 1959. A cidade nem havia sido fundada, mas os operários que trabalhavam nas obras de construção de Brasília já haviam organizado seus times. O campeão foi o Grêmio Brasiliense. Depois disso, o domínio passou a Defelê e Rabelo. O Defelê, inclusive, foi o primeiro time a defender Brasília em uma competição nacional, no caso, a Taça Brasil de 1963. Foi eliminado na primeira fase pelo Vila Nova de Goiás.

O Brasiliense já foi visto como um fenômeno esportivo pelo rápido crescimento. O clube surgiu em 2002, quando o empresário e ex-senador Luiz Estevão comprou o Atlântida F.C., de Taguatinga. Em 2002 foi vice-campeão da Copa do Brasil, após eliminar equipes como o Atlético Mineiro e Fluminense e perder a final para o Corinthians, em jogo que até hoje gera polêmica.

É o detentor do maior número de conquistas estaduais consecutivas no Centro-Oeste, com 6 títulos ganhos entre 2004 e 2009 desbancando o maior rival, Gama que tinha 5 títulos consecutivos entre 1997 e 2001.

Mas o Brasiliense mesmo assim não conseguiu se firmar até hoje como uma instituição forte e vitoriosa. Ainda luta para tentar retornar a elite do futebol brasileiro, mas não tem conseguido êxito, talvez mais pelas intromissões de seu dono, o ex-senador Luiz Estevão. É ele quem contrata e manda embora, muitas vezes sem qualquer lógica. A cada ano passa quatro ou cinco treinadores pelo clube, o que torna impossível qualquer projeto duradouro de time.

A situação do Gama é ainda pior. Teve seus anos de predominância no futebol de Brasília, graças às generosas verbas públicas que recebia. Até um estádio novo ganhou, construído com dinheiro público, que hoje é um verdadeiro elefante branco. O Gama foi parar na quarta divisão do futebol brasileiro. E parece que o seu destino só tende a piorar nos próximos anos.

O Brasília E.C., fundado em 1975 foi durante algum tempo sustentado pela Associação Comercial do Distrito Federal. Isso lhe garantiu a hegemonia no futebol candango, com oito títulos entre 1976 e 1987. Com o passar dos anos também afundou numa série de dividas e insucessos. Desde o ano passado tenta se reestruturar, tarefa que não tem sido nada fácil.

Na cidade onde o colunista mora, Sobradinho, o futebol parece que ficou só na saudade. O time da cidade, o Sobradinho E.C. já foi o melhor do Distrito Federal e foi bi-campeão em 1985/1986. Depois, parece que as direções incompetentes e as brigas internas acabaram com o clube. Cheio de dividas e sem perspectivas, agoniza na última divisão do futebol local.

Na década de 1960 o Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), criou seu time de futebol profissional. Se não conseguiu grandes feitos, pelo menos colocou Brasília num lugar mais destacado no mapa do futebol brasileiro. Sua fundação aconteceu em 1968 por iniciativa de um grupo de universitários da instituição.

Mas foi nos anos 70 que o CEUB começou a se projetar de fato. Em 1972 foi segundo colocado no campeonato local. Em 1973 foi campeão, derrotando na partida final ao Relações Exteriores, por 1 X 0. O título garantiu ao time universitário o direito de ser o primeiro clube da capital federal a participar de um Campeonato Brasileiro.

O curioso é que em 1973 o futebol brasiliense ainda era amador. O profissionalismo só chegou de maneira definitiva a Brasília em 1976. A competição foi amadora de 1960 a 1965 e de 1969 a 1975. O campeonato chegou a ser profissional entre 1966 e 1968, mas recaiu no amadorismo de 1969 até 1975.

A estréia do Distrito Federal na Série A de 1973 foi no jogo CEUB X Botafogo, empate de 0 X 0, no antigo estádio “Pelezão” A primeira vitória foi alcançada também no “Pelezão”, na terceira rodada contra o Figueirense por 2 X 1. A trajetória do CEUB no campeonato foi fraca, ficando em 33° lugar entre 40 equipes. O que sobrou de positivo foi a popularidade que o clube conquistou dentro da capital federal.

Em 1974 o Pioneira F.C. sagrou-se campeão de Brasília, mas a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) designou o CEUB para representar a capital federal no Brasileirão. A equipe acabou na 19ª e penúltima colocação no Grupo B, 37a na classificação final. De qualquer maneira, os torcedores locais puderam assistir a grandes jogos. A direção do CEUB fez de tudo para que o time tivesse uma participação mais efetiva na competição.

Em 1974 houve a inauguração do “Estádio Governador Hélio Prates da Silveira”, primeira denominação do “Estádio Mané Garrincha”, que depois da reforma para a Copa de 2014 vai se chamar “Estádio Nacional de Brasília”. Foi no dia 10 de março, e o jogo de inauguração foi entre o CEUB X Corinthians Paulista, pelo campeonato brasileiro.

O jogo foi de portões abertos para o público, por iniciativa do Governo do Distrito Federal. O time paulista venceu por 2 X 1. Vaguinho do Corinthians fez o primeiro gol do estádio. Ele mesmo também marcou o segundo. Juracy fez o gol dos locais.

CEUB: Valdir – Odair - Pedro Pradera - Cláudio Oliveira e Rildo – Alencar - Péricles (René) e Xisté - Dílson (Cardosinho) - Juracy e Dario. Corinthians: Armando - Zé Roberto – Pescuma - Wagner e Wladimir – Tião - Adãozinho e Washington – Vaguinho - Roberto e Marco Antonio. Juiz: Luiz Carlos Félix. Bandeiras: Cassirio Marinho e Carlos Vieira do Amaral.

Em 1975, não houve campeonato distrital. Por isso, o CEUB foi novamente convidado a representar o Distrito Federal no Campeonato Nacional, ficando em 9º no seu grupo, e em antepenúltimo ou 32º lugar na classificação geral.

Ainda em 1975 o CEUB se tornou o primeiro time de futebol de Brasília a excursionar pela Europa, onde enfrentou o La Coruña e Sevilla, tradicionais clubes espanhóis e a Seleção da Iugoslávia, entre outros. Somente 33 anos depois um time brasiliense iria fazer uma excursão ao velho continente, que seria o Brazsat.

O Campeonato Brasiliense de 1976 marcou a volta em definitivo do futebol profissional. O Ceub ganhou os dois primeiros turnos e era líder do terceiro quando a Federação Brasiliense virou a mesa e mandou que fosse disputado um quadrangular final para a definição do campeão e representante local no Brasileirão.

O CEUB se negou a participar e o Brasília foi declarado campeão. Mas não levou. A CBD decidiu que o Distrito Federal não teria direito a participar do campeonato, devido a confusão estabelecida pela Federação local. Com isso o CEUB passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras para se manter em atividade. Sem alternativas, o clube fechou as portas. Foi o melancólico fim do primeiro clube de Brasília a ter reconhecimento nacional.

Nessa sua curta trajetória o CEUB contou em seu plantel com jogadores que tiveram passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, como Valdir, ex-goleiro do Vasco, Rogério, goleiro, ex-Grêmio e ex-América (RJ), Paulo Lumumba, ex-Grêmio, Oldair, campeão brasileiro em 1971 pelo Atlético (MG), Rildo, ex-Botafogo e Santos, Claudio Garcia, ex-Fluminense e depois treinador de futebol, Tuca, ex-Botafogo, Roberto Dias, ex-São Paulo, Cláudio Adão, Fio Maravilha e outros. O CEUB foi treinado pelo conhecido técnico João Avelino.

Daqueles áureos tempos tudo o que restou do CEUB foram troféus e recortes de jornais guardados com carinho, no escritório de Adílson Peres, advogado, que foi o último presidente do clube, que teve todas as suas diretorias formadas por universitários entre 20 e 25 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O zagueiro esquecido

Pellegrino Adelmo Begliomini, o ex-zagueiro Begliomini, nasceu em 27 de novembro de 1914 em Santo André (SP). Filho de italianos, ele jogou em várias equipes amadoras da sua terra natal, até se destacar no 1º de Maio FC, o time mais forte da cidade. Foi lá que, aos 17 anos, observado por um dirigente recebeu convite para jogar no juvenil do Palestra Itália. Estreou em 1934 em uma vitória sobre o Uberaba por 4 X 0.

Begliomini fez 184 jogos pelo Palestra, com 118 vitórias, 30 empates, 36 derrotas e nenhum gol marcado, tendo sido campeão paulista em 1936, 1940 e 1942. Foi o primeiro jogador do hoje ABC Paulista a defender a Seleção Brasileira.

Em 1942 o mundo estava envolvido na Segunda Guerra Mundial e o Brasil, em guerra com a Itália. Situação bem constrangedora para os italianos residentes em nosso país, especialmente em São Paulo. O Palestra Itália de então teve que mudar o nome para Sociedade Esportiva Palestra de São Paulo, devido a uma grande campanha de difamação, movida contra ela.

Mas nem mesmo assim houve sossego. Às vésperas do jogo decisivo contra o São Paulo, teve que mudar novamente o nome, dessa vez para Sociedade Esportiva Palmeiras, cuja denominação, permanece até hoje.

A partida ia ser realizada, por coincidência, no dia vinte de setembro, data da Unificação da Itália, o que aconteceu no ano de 1870. As baterias funcionaram, incessantemente, por certo locutor esportivo amparado pelo proprietário da emissora em que trabalhava. O adversário tinha preparado uma grande vaia para quando a S.E. Palmeiras entrasse em campo.

O vice-presidente do novo Palmeiras era o capitão Adalberto Mendes, oficial do Exército Brasileiro, que entrou em campo fardado, a frente da Bandeira Nacional, segura pelas mãos dos jogadores. As vaias programadas acabaram não acontecendo.

Começou o jogo e o resultado estava 3 X 1 a favor do Palmeiras, quando o zagueiro sãopaulino, Virgílio, deu uma violenta entrada no jogador Villadonica, dentro da área. O juiz incontinente marcou pênalti, expulsando o faltoso. A partida, que até aquele momento era tensa, explodiu de vez. Os jogadores do São Paulo inconformados com a decisão do árbitro e, obedecendo as ordens vindas da sua diretoria, retiraram-se de campo.

O juiz então deu a vitória ao Palmeiras, O jogador Begliomini, ao ser entrevistado por uma emissora, no auge do entusiasmo, gritou a plenos pulmões a frase que se eternizou: “O Palestra morreu invicto e, o Palmeiras, nasceu campeão!”.

Os heróis daquela conquista foram Oberdan, Junqueira, Begliomini, Zezé, Og Moreira, Del Cláudio, Valdemar Fiúme, Villadoniga, Nero, Lima e Etchevarrieta.

Depois do título de 1942, Begliomini se transferiu para o Corinthians, onde foi apenas vice-campeão: 1943, 1945 e 1946. Fez 75 jogos com a camisa alvinegra com 47 vitórias, 12 empates e 16 derrotas. Por uma dessas ironias do destino, quando defendeu o Corinthians marcou dois gols contra em clássicos contra o Palmeiras.

Encerrou a carreira prematuramente, aos 33 anos de idade, quando ainda jogava no Corinthians, devido a uma séria contusão em um dos joelhos. Nessa época fez dupla de zaga, com outra lenda do futebol brasileiro, Domingos da Guia.

Begliomini serviu a Seleção Brasileira entre 1942 e 1945. A primeira convocação foi para participar do Campeonato Sul-Americano de 1942, disputado no Uruguai. O time ficou em terceiro lugar, atrás da Argentina e dos donos da casa que foram campeões. Por conta de uma forte gripe que pegou no avião, o zagueiro só conseguiu estrear contra o Equador, na vitória por 5 X 1, no Estádio Centenário de Montevidéu. No ataque brasileiro, havia talentos da grandeza de Cláudio Cristóvão de Pinho, Pirilo, Tim e Zizinho.

A defesa brasileira foi a menos vazada do torneio e Begliomini se destacou por seu futebol sério e de muita raça, que lhe valeu o apelido de “Stalingrado”, referência a cidade russa que foi palco de uma das mais sangrentas batalhas da 2ª Guerra Mundial. A imprensa da época se referia a ele como “a barreira'' ou “o intransponível''. Em casa, com pais e tios, o apelido era mais carinhoso, “Cócco”, que, em italiano, significa ‘querido'', ‘predileto''.

Segundo o advogado Henrique Johnen, neto de Begliomini, ele jamais esqueceu esse campeonato. Ficou impressionado com a paixão dos uruguaios pelo futebol. Dizia que era impossível ganhar deles lá. De fato, o Brasil perdeu por 1 X 0 e só dois anos depois veio a desforra em jogos amistosos realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, para homenagear os soldados brasileiros que retornavam da guerra na Europa. O Brasil fez 6 X 1 e 4 X 0 nos uruguaios.

Em 1945, ele disputou novamente o Sul-Americano, desta vez no Chile. O Brasil perdeu o título para a Argentina. Além de Begliomini, o time tinha craques como Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas, Jair da Rosa Pinto, Ademir Menezes e o goleiro Oberdan. Begliomini nunca esqueceu o susto que passaram na concentração. Uma certa manhã aconteceu um tremor de terra por lá.

Os jogadores estavam tomando café. As xícaras foram parar quase meio metro longe, e as cadeiras embaixo das mesas. Alguns jogadores ficaram desesperados, querendo voltar imediatamente para o Brasil. O Zizinho, que tinha um medo enorme foi correndo arrumar as malas.

Considerado um dos melhores elencos da história da Seleção Brasileira, a maioria desses jogadores jamais foi a uma Copa do Mundo. O último Mundial havia acontecido em 1938, na França. O Brasil havia lançado a candidatura para sediar a de 1942, mas por causa da guerra ela não aconteceu. Só veio para o nosso país em 1950, quando Begliomini já havia deixado os gramados.

Com o fim da carreira dentro de campo, Begliomini virou técnico. Foi treinar o Clube Atlético Rhodia, de Santo André, e ainda passou por Guarani de Campinas, Noroeste de Bauru, Portuguesa Santista, Guaratinguetá entre outros. Depois de aposentado, na década de 1970 jogou pela equipe de veteranos do “Dragão Vermelho”, que disputava o torneio interno do Clube Atlético Aramaçan. Ele era reserva do time e mesmo com certa idade, ainda impunha respeito pelo tamanho.

Begliomini morreu no dia 10 de outubro de 1992, aos 78 anos de idade, sem ter a fortuna e a fama que os jogadores de Seleção, hoje em dia, conseguem rapidamente. Ficaram as medalhas, fotos e recortes de jornais com seus dias de glória. O neto Henrique Johnen e a enteada Eunice Pellozo pretendem doar parte desses documentos ao Museu Octaviano Gaiarsa, em Santo André. (Pesquisa: Nilo Dias)

(Foto: Acervo da S.E. Palmeiras)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mais três clubes centenários

A grande imprensa brasileira praticamente só noticiou o centenário de fundação do S.C. Corinthians Paulista, um dos gigantes do futebol brasileiro. Mas não é só ele que entra neste ano de 2010 para a seleta galeria de clubes centenários. Também os tradicionais E.C. Noroeste, de Bauru e Associação Esportiva Velo Clube Rioclarense, ambos do interior de São Paulo completaram 100 anos .

A Assembléia Oficial de fundação do Velo Clube aconteceu no dia 28 de agosto de 1910,na residência do desportista Miguel Ângelo, á Rua 1, Avenidas 4 e 6, em Rio Claro. O nome do Velo Clube está diretamente ligado à prática do ciclismo. No início do século XX o Brasil sofria grande influência da França.

Em francês uma das palavras utilizadas para se designar “bicicleta” é vélo, daí surgiram os termos Velo Clube – designação genérica de agremiações voltadas para a prática ciclística – e velódromo – local destinado a estas práticas.

Durante dez anos o Velo Clube dedicou-se exclusivamente ao ciclismo, transformando Rio Claro em um pólo do esporte no interior paulista e atraindo desportistas de diversas localidades do estado. Em 18 de dezembro de 1910 foi inaugurado o Velódromo com uma pista de 240 metros. Na ocasião houve uma prova ciclística.

Em 1919 ocorreu uma paralisação que se prolongou até 1.919, quando graças aos esforços de Venâncio Batista Chaves, José Mattola, José Felix Teixeira e Domingos Giovanni, o clube foi reorganizado com uma nova Diretoria, que tinha como presidente Joaquim Alves Penna.

O futebol foi introduzido no clube somente em 1920, por idéia de um grupo liderado por Felício Castelano e Aldino Tebaldi. No dia 16 de maio de 1.920, em uma fusão com o já existente Comercial F.C., passou a denominar-se Associação Esportiva Velo Clube Rio-Clarense. A data de fundação, no entanto, permaneceu a do clube de ciclismo: 28 de agosto de 1910.

No mesmo ano de 1920 foi construído o Campo de Futebol, com uma pequena arquibancada de madeira em um terreno entre a Vila da Caridade São Vicente de Paula e a Santa Casa de Misericórdia. Em 1925 O Velo foi campeão do interior, Na época este era o torneio de maior prestígio que uma equipe de fora da capital ou de Santos podia conquistar.

Como Campeão do Interior o Velo Clube ganhou o direito de disputar a Taça Competência, contra o campeão do estado naquele ano – no caso o São Bento da capital. O jogo ocorreu no estádio Parque Antártica, atual Palestra Itália, e o São Bento venceu o Velo Clube por 2 X 0, ficando com o troféu.

Em 30 de outubro de 1938, foi inaugurado o novo estádio, com arquibancadas de cimento armado. Em 5 de abril de 1953, aconteceu a inauguração do alambrado, que recebeu o nome de “Alambrado Floriano Bianchini” um dos patronos do Velo Clube.

Em 22 de junho de 1969 teve inicio a construção do estádio Benito Agnello Castellano, o "Benitão", inaugurado em 7 de setembro de 1.972. Em 1973 O Velo Clube conquistou o Titulo de “Quinto Clube de Futebol mais Querido do Estado de São Paulo”, em pesquisa feita pela” Revista Placard”, jornal” Diário da Noite”e jornal “Folha da Tarde”. Em primeiro ficou o S.C. Corinthians Paulista, em segundo S.E. Palmeiras, em terceiro São Paulo F.C. e em quarto lugar Santos F.C. O "Benitão" foi inauguado em 7 de setembro de 1972, com o jogo Palmeiras 4 X 1 Velo Clube.

Em 1953, a FPF determinou que somente clubes de cidades com mais de 50 mil habitantes, poderiam disputar a segunda divisão, o que afastou o clube da principal divisão do futebol paulista e provocou o licenciamento das atividades futebolisticas. Em 1978 o Velo foi vice-campeão da divisão Intermediaria,com o direito de disputar uma vaga na Divisão Especial, contra o Paulista F.C. de Jundiaí.

Foram disputadas três partidas. O Velo ganhou duas e empatou uma, garantindo o seu acesso juntamente com a A.A. Internacional, de Limeira, ingressando assim na Divisão Especial (atual Série A1), do Campeonato Paulista de 1979.

Em 1991 foi vice-campeão da Segunda Divisão, subindo para a Divisão Intermediaria, juntamente com a A.D. São Caetano. Por motivo de o estádio "Benitão" não comportar 15 mil torcedores, o Velo continou amargando a Segunda Divisão, fato que se repetiu no ano seguinte. O seu grande rival é o Rio Claro F.C., que em 11 de maio do ano passado também completou 100 anos.

Já o E.C. Noroeste, de Bauru foi fundado em 1 de setembro de 1910, por funcionários da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que ligava Bauru a Bolivia, com o nome de Sport Club Noroeste. Seu primeiro presidente foi o engenheiro Carlos Gomes Nogueira. O primeiro jogo da história do Noroeste foi contra um selecionado da cidade de São Manoel, com vitória por 1 X 0.

O primeiro título estadual foi do Campeonato do Interior de 1943. quando decidiu o certame em duas partidas frente o Guarani, de Campinas, no Estádio do Pacaembu, tendo vencido a primeira por 1 X 0 e empatado a segunda em 0 X 0. Os heróis de 43 foram: Amélio - Xande e Irineu Pé de Boi - Balbino - Sérgio e Chocolate - Lamonica - Crisanto - Adolfrizis - Cirilo e Albércio ou Fontes.

O maior susto da história do Noroeste ocorreu no dia 23 de novembro de 1958, durante um jogo contra o São Paulo F;C., no Estádio Alfredo de Castilho. Aos 25 minutos do primeiro tempo a geral pegou fogo. O incêndio consumiu as populares e causou pânico no público presente. O fogo ainda atingiu algumas casas, que ficavam nas proximidades. Cinco pessoas ficaram feridas.

Em maio de 1964, a primeira viagem internacional. Uma excursão para um torneio em Cochabamba, na Bolivia. Vitórias sobre o Club Jorge Wilstermann, por 2 X 1, Club Deportivo San Jose, de Oruro por 4 X 0 e Club Aurora, então campeão boliviano também por 4 X 0. Um dos grandes jogadores do futebol brasuileiro que vestiu a camisa do Noroeste, foi Jairzinho, o "Furacão da Copá" de 1970.

Em 1956, o Noroeste teve nas mãos a oportunidade de mudar para sempre seu destino. Pelé, que poucos anos depois se transformaria no Rei do Futebol, realizou três amistosos com a camisa vermelha. Não há muitos registros sobre os jogos, mas em um deles, o jovem gênio fez quatro gols na goleada por 8 X 2, em amistoso contra uma seleção de Ibitinga (SP).

O juvenil do BAC (Bauru Atlético Clube) foi dissolvido, e o pai do Pelé, o Dondinho, que era funcionário da ferrovia e auxiliar técnico do Noroeste, o levou para treinar. O encantamento dos dirigentes pelo garoto, no entanto, não virou realidade. Já vislumbrando o talento do filho, Dondinho não permitiu que Pelé assinasse contrato com o Noroeste com a intenção de colocá-lo em um clube maior. Meses depois, ele seguiu para o Santos.

Pelo mundo afora também temos alguns clubes que completaram ou vão completar 100 anos em 2010: Club Deportivo Godoy Cruz, da Argentina, fundado em 1º de janeiro. Ainda em solo hermano, o Club Deportivo Libertad, sediado na cidade de Sunchales, na Província de Santa Fé, fundado em 25 de maio de 1910. O Club Atlético Vélez Sársfield, da Argentina fundado em 1º de janeiro de 1910. E ainda, na América do Sul, o Audax Club Sportivo Italiano, do Chile foi fundado no dia 30 de novembro de 1910. Tetra-campeão do país, o clube carrega na palavra Audax o significado, em latim, de ousado.

Na Europa, a festa será do Club Sport Marítimo, fundado no dia 20 de setembro de 1910. Outro time português prestes a comemorar o centenário é o Clube Desportivo Nacional, fundado em 8 de dezembro de 1910. Também o Vitória Futebol Clube, conhecido como Vitória de Setúbal, foi fundado em 20 de novembro de 1910. Na Terceira Divisão de Portugal temos o Sporting Clube Farense, fundado em 1º de abril de 1910.

A história centenária do S.C. Corinthians Paulista, o leitor poderá conhecer em matéria publicada neste blog em especial publicada neste blog em 7 de abril de 2998, com o título "O Clube mais brasileiro". O link para acesso a matéria é: http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=1656799841567369036&postID=3577506863701168947

Todos os clubes brasileiros já centenários

C.R. Flamengo (RJ), fundado em 15-11-1895; C.R. Vasco da Gama (RJ), fundado em 21-08-1898; E.C. Vitória, de Salvador (BA), fundado em 13-05-1899; C.A. Votorantim, de Votorantim (SP), fundado em 01-01-1900 e reorganizado em 04-02-1939; S.C. Rio Grande, de Rio Grande (RS), fundado em 19-07-1900; A.A. Atlética Ponte Preta, de Campinas (SP), fundada em 11-08-1900; Clube Náutico Capibaribe, de Recife (PE), fundado em 07-04-1901; E.C. 14 de Julho, de Santana do Livramento (RS), fundado em14-07-1902; Fluminense F.C. (RJ), fundado em 17-10-1902; Tuna Luso Brasileira, de Belém (PA), fundado em 01-01-1903; Grêmio Football Porto Alegrense, de Porto Alegre (RS), fundado em 15-09-1903; Bangu A.C. (RJ), fundado em 17-04-1904; Botafogo de Futebol e Regatas (RJ), fundado em 12-08-1904; América F.C. (RJ), fundado em 18 de setembro de 1904; Clube do Remo, De Belém (PA), fundado em 05-02-1905; S.C. do Recife (PE), fundado em 13-05-1905; A.A. Internacional, de Bebedouro (SP), fundado em 11-06-1906; C.A. Ypiranga (SP), fundado em 10-07-1906; C.A.Cravinhos, de Cravinhos (SP), fundado em 12-07-1906; Guarany F.C., de Bagé (RS), fundado em 19-04-1907; C.A. Pirassununguense, de Pirassununga (SP), fundado em 01-09-1907; C.A. Mineiro, de Belo Horizonte (MG), fundado em 25-03-1908; Villa Nova A.C., de Nova Lima (MG), fundado em 28-07-1908; E.C. Palmeirense, de Santa Cruz das Palmeiras (SP), fundado em 07-09-1908; S.C. São Paulo (RS), fundado em 04-10-1908; E.C. Pelotas, de Pelotas (RS), fundado em 11-10-1908; Associação Rocinhense de Futebol, de Vinhedo (SP), fundado em 20-01-1909; S.C. Internacional, de Porto Alegre (RS), fundado em 04-04-1909; Rio Claro F.C., de Rio Claro (SP), fundado em 09-05-1909; Paulista F.C., de Jundiaí (SP), fundado em 17-05-1909; F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande (RS), fundado em 11-07-1909; Cotinguiba E.C., de Aracaju (SE), fundado em 10-10-1909; Coritiba F.C., de Curitiba (PR), fundado em 12-10-1909; C.S. Sergipe, de Aracaju (SE), fundado em 17-10-1909; S.C. Corinthians Paulista, fundado em 01-09-1910 E.C. Noroeste, de Bauru (SP), fundado em 01-09-1910; Velo Clube Rioclarense, de Rio Claro (SP), fundado em 28-08-1910 e E.C. União, de Tambaú (SP), fundado em 25-09-1910. (Pesquisa: Nilo Dias)

Pelé, com a camisa do Noroeste.(Fonte: Acervo do E.C. Noroeste)