Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Copa dos Refugiados terá finais em novembro

A “Arena de Pernambuco”, em São Lourenço da Mata, que foi palco de alguns jogos da “Copa do Mundo” de 2014, recebeu no dia 15 de setembro uma das etapas da “Copa dos Refugiados e Imigrantes Brasil 2019”, que reuniu atletas de quatro países, Senegal, Cabo Verde, Angola e Venezuela.

Entre o quarteto, apenas Venezuela e Senegal eram compostas por nativos. As outras duas mesclavam com imigrantes e refugiados de outras cinco nações: Haiti, Guiné Bissau, Colômbia, Israel e Benin.

Esses atletas vieram até Recife para, com a bola nos pés, desenhar um recado ao mundo. Marcando de vez a mensagem que carregam em suas histórias de vida. A causa levantada pela competição foi capaz de deixar o futebol como segundo plano no estádio.

Mesmo com torcida nas arquibancadas, do apito inicial ao fim das disputas, o resultado numérico era o que menos importava. Para todos, o recado passado além do campo valia mais que qualquer gol.

O primeiro jogo foi entre as equipes de Angola e Senegal, que ficaram no 0 X 0 durante o tempo normal e estenderam o empate, dessa vez em 3 X 3, nos cinco primeiros lances da marca penal.

A diferença veio na sétima batida. Quando a Angola perdeu e Senegal marcou. Assim, ficou conhecido a primeira finalista da Copa.

A segunda partida foi por conta das equipes de Cabo Verde e Venezuela, onde, a primeira, dominou o jogo e marcou duas vezes, confirmando sua presença no duelo final, diante do Senegal.

No confronto decisivo, o vencedor garantiu uma vaga na fase nacional da competição, que será realizada no Estádio do Maracanã (RJ), em novembro.

Os outros representantes regionais foram conhecidos nos jogos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

A fase de Brasília foi realizada em agosto, com a participação de 160 jogadores amadores, 20 em cada seleção. O lançamento oficial da etapa ocorreu dia 9, no auditório do "Estádio Mané Garrincha", com a presença de autoridades.  

Os participantes representaram equipes de seus países de origem, principalmente da República Democrática do Congo, de Cabo Verde, Gana, do Paquistão, Haiti, da Guiné Conacri, Colômbia e Venezuela.

O tema da "Copa dos Refugiados e Imigrantes 2019" é “Reserve um minuto para ouvir uma pessoa que deixou o seu país”. Ao todo, a competição envolve aproximadamente 1.120 atletas de 39 nacionalidades, reunindo pessoas em situação de refúgio e migrantes.

Com a competição, as instituições organizadoras querem mostrar a realidade desses imigrantes ao público brasileiro e, assim, avançar na luta contra os preconceitos, as discriminações e a xenofobia. O evento também chama a atenção para a necessidade de inserção dos refugiados e imigrantes no mercado de trabalho.

Mais que um torneio de futebol, a "3ª Copa dos Refugiados e Imigrantes Porto Alegre" fez do "Estádio Passo D’Areia" um verdadeiro palco de confraternização entre povos e culturas.

A competição foi realizada dia 18 de agosto, reunindo cerca de 200 participantes entre migrantes e refugiados representando os países de Angola, Chile, Colômbia, Costa do Marfim, Guiné Bissau, Haiti, Líbano, Nigéria, Palestina, Peru, Senegal e Venezuela.

Dentro das quatro linhas, a equipe do Líbano conquistou o torneio, mas foram as arquibancadas, com centenas de pessoas torcendo e incentivando, que fizeram um espetáculo à parte no qual a solidariedade e a integração social mostraram que todos saíram vencedores.

O Rio de Janeiro, além das finais, que acontecem em novembro, sediou uma das etapas regionais, realizada em 14 de setembro, no "Clube da Aeronáutica", com a participação de 80 atletas de diferentes nacionalidades. 

A etapa regional contou com oito times, cada um representando uma nação de refugiados. A final regional ocorreu em 21 de setembro, no "Clube das Laranjeiras", do Fluminense Football Club.

A seleção de Angola conquistou o bicampeonato da "Copa dos Refugiados", fase regional, disputada no Rio de Janeiro. Na semifinal contra a Venezuela, que ficou em terceiro lugar, emplacou dois gols e disputou com a seleção do Chile a final do torneio, vencendo a disputa de pênaltis por dois a um.

Ao fim da premiação, os angolanos extravasaram sua felicidade cantando “É bicampeão!”. A Seleção da Guiné-Bissau também participou da semifinal, ficando em quarto lugar.

A equipe do Congo foi a campeã da fase paulista da "Copa dos Refugiados 2019". Na disputa que aconteceu dia 20 de outubro, no "Estádio Paulo Machado de Carvalho" (Pacaembu), o time do Niger foi vencido por 2 X 0, dando ao Congo o bicampeonato. O primeiro campeonato dos congoleses foi conquistado em 2016.

Esta foi a quinta edição do evento realizado pela "Prefeitura de São Paulo", por meio da "Secretaria Municipal de Esportes e Lazer" (SEME), em parceria com a ONG África do Coração. Teve início em 5 de outubro e contou com a participação de 16 equipes. Todos os jogos foram disputados no campo do "Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa" (COTP).

Nas edições anteriores venceram o Haiti (2014), Nigéria (2015), Congo (2016), Nigéria (2017) e Níger (2018).

Curitiba recebeu pela primeira vez a "Copa do Mundo dos Refugiados". A competição começou dia 28 de setembro, sábado com os jogos da fase preliminar, disputados no "Centro de Educação Física e Desporto" da "Universidade Federal do Paraná", no "Jardim das Américas".

As disputas de terceiro e quarto lugares e a grande final foram no domingo (29), no Estádio do Pinhão, em São José dos Pinhais.

A etapa paranaense da Copa contou com oito equipes: Haiti, Venezuela, Argentina, Colômbia, Congo, Nigéria, Bolívia e Peru.

O evento foi promovido pela "ONG África do Coração", com apoio institucional do "Governo do Paraná", por meio da "Secretaria da Justiça, Família e Trabalho"; da "Agência da ONU para Refugiados" (Acnur) e da "Organização Internacional para as Migrações" (OIM).

O título ficou com o time colombiano, que venceu a equipe da Argentina nos pênaltis na decisão. Além do título, o time da Colômbia conquistou uma viagem para disputar a fase final da Copa no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, de 15 a 17 de novembro.

Antes do Paraná ocorreram etapas em capitais de outros estados. Além do troféu, a seleção vencedora da etapa paranaense ganhou uma viagem para disputar as finais da Copa no "Estádio do Maracanã", em novembro, no Rio de Janeiro.

Além da seleção colombiana, vencedora da etapa de Curitiba, estão garantidos na fase final do Rio de Janeiro as seleções de Guine (Brasília), Líbano (Porto Alegre), Cabo Verde (Recife), Congo (SP) e Angola (Rio).

O evento surgiu em 2014 na cidade de São Paulo, como uma iniciativa da organização não governamental (ONG) "África do Coração", com o apoio da "Agência das Nações Unidas para Refugiados" (Acnur).

Promovida na capital paulista desde então, a iniciativa teve, em 2017, uma edição realizada em Porto Alegre e outra, em 2018, no Rio de Janeiro. Este ano, a "Copa dos Refugiados e Imigrantes" teve estreia em Brasília, Curitiba e no Recife.

A "Copa dos Refugiados e Imigrantes" tem ainda o apoio da empresa "Sodexo", do "Governo do Distrito Federal" (GDF), do "Instituto Migração e Direitos Humanos" e da "Caritas Brasileira". (Pesquisa: Nilo Dias)

Seleção de Refugiados da Venezuela. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O clube amador mais velho do Rio Grande do Sul

No último dia 19, o Esporte Clube Esperança, da localidade de Povo Novo, interior do município de Rio Grande, completou 106 anos de existência. O clube foi fundado no dia 19 de outubro de 1913.

Ele é o clube amador mais antigo em atividade no Rio Grande do Sul. Uma penda que hoje o clube não têm o mesmo vínculo com o bairro que os atletas do passado.

Antes do Esperança, existiu o Sport Clube Povo Novo, criado em 1911. A Vila da Quinta também teve o Sport da Quinta, igualmente de 1911.

Não são muitos os clubes amadores brasileiros que conseguiram chegar aos 100 anos e até superar essa marca. E no Rio Grande do Sul, com certeza, são mais raros, ainda, os que estão em atividade.

Povo Novo, atual distrito da cidade de Rio Grande, é uma região marcada pela tradição. A Igreja da localidade surpreende pela data de sua fundação.

O templo surgiu no período da invasão espanhola no Rio Grande de São Pedro, entre 1763 e 1776 mais precisamente no ano de 1774, segundo relatos de antigos moradores do distrito, e sua primeira sede estava localizada no assentamento à margem da estrada da Palma, onde os espanhóis colocaram os colonos portugueses que não conseguiram retirar-se após o domínio da
coroa espanhola.

Além dessa origem religiosa e militar, Povo Novo se destaca pela importância do comércio, começando com mulas e depois crescendo com o gado, que desde 1720 ofereceu uma sustentação econômica à região.

Mas o caráter precoce do Povo Novo também se manifesta no futebol, através do E. C. Esperança, clube fundado em 1913, que há pouco completou o centenário. É o clube amador mais antigo em atividade no Estado do Rio Grande do Sul.

Além disso, Povo Novo faz parte do município de Rio Grande, cidade em que está situado o clube profissional mais antigo em atividade no futebol brasileiro, o S. C. Rio Grande, fundado em 19 de julho de 1900, também conhecido por “Vovô”.

O Esperança surgiu através do esforço de algumas pessoas, com destaque para a família Coutelle, que era dona de um curtume. Além dos Coutelle estarem entre os primeiros jogadores do clube, a família é lembrada pela comunidade local como a responsável pela doação da terra em que foi construído o primeiro “campinho” do clube.

Posteriormente, um “Coronel”, de outra família, contribuiu para a criação do atual campo. A família Coutelle fazia parte do começo, que era o Curtume que existia lái, mas que fechou.

Até que o Coutelle foi o primeiro jogador, eles jogavam na Santa Cruz. O nome se deve porque lá tem uma cruz. Depois surgiu essa outra família e o senhor que era coronel doou a terra para o campo definitivo.

O Esperança atualmente disputa o “Campeonato da Campanha” com suas equipes de titulares e aspirantes, Ainda desenvolve um projeto com os meninos do Povo Novo na escolinha de futebol com encontros as quintas-feiras.

Em sua sede social estão expostos fotos e troféus acumulados no tempo. É possível reviver na memória dos mais velhos as utopias de uma geração e as suas inquietantes lembranças de uma equipe de vencedores.

A geração Antônio Gustavo Mendonça das Neves, o “Tatá”, Edes Mendonça das Neves, o “Bocha”, Silvio Mendonça das Neves, o “Biboca”, Bernadino Mendonça das Neves, o “Dino” e Amir, os irmãos que brilharam nos anos 50 no Esperança.

“Tatá”, por 45 anos e “Bocha”, por 32 anos vestiram a camisa verde e amarela do Esperança. A irmã Eloá, era a rainha. Eles eram o pilar que garantiu o título de “Campeão Gaúcho de Futebol amador”, em 1953.

Um feito inédito. O adversário, o Olaria, de Novo Hamburgo, perdeu de 5 X 4 o jogo em sua casa. E na volta, em 18 de abril de 1954, no “Estádio das Oliveiras”, do Sport Club Rio Grande, na Buarque de Macedo, os riograndinos golearam por 5 X 0 na prorrogação.

Esse foi o presente dos 40 anos do clube. Virou magia, empolgadas bandeiras, barulhentos apitos da torcida e suas matracas coloridas, fizeram parte do desfile pela cidade.

Na vitória no Campeonato Estadual Amador de 1953, saíram três ônibus lotados de Povo Novo com destino a Porto Alegre, local da final.

Entre os campeões apenas o treinador não era da própria região. Sempre que se fala naquela conquista, é salientada a importância que tiveram os cinco irmãos (Das Neves) que, segundo a tradição local, não teriam aceitado uma proposta para jogar no S.C. Rio Grande.

Era uma época que jogavam por amor, eles compravam as chuteiras e os fardamentos. Não davam despesa para o clube. Os cinco irmãos jogavam, e eram muito bons. O treinador jogava no São Paulo de Rio Grande, Mário Senna, que era do exército.

“Tatá”, “Bocha” e “Dino” já faleceram, nem deixaram filhos, mas a herança de um futebol clássico e refinado que sobrevive na memória do velho Povo Novo. O caçula Claudio representa a geração de craques.

Todos eles receberam insistentes convites para jogarem futebol nas equipes profissionais de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Mas preferiram continuar no clube do coração.

Sem os grandes nomes do passado do clube, que tornaram-se lendas, encanto de quem os viu jogar, também os bailes já não tem mais o brilho das velhas tradições, embora ainda mantenha um status de prestigio.

No momento atual do E. C. Esperança a principal mudança é que agora os jogadores buscam no futebol também uma remuneração financeira, o que não existia no passado.

O 2º quadro é composto por gente do lugar, mas o 1º quadro é tudo da cidade do Rio Grande. Agora o clube tem uma despesa muito grande a cada domingo, para disputar o campeonato. Lanches, para quem não vem na Van, sim de carro e o clube ainda  dá o combustível.

Com a participação de jogadores de fora da comunidade local, de forma semi profissionalizada, a relação comunidade/clube sofreu algumas mutações em relação àquele passado, mas continua forte.

Cerca de 30 pessoas trabalham incessantemente pela entidade, com o propósito de reconstruir no dia-dia os sonhos de uma geração. As iniciativas são várias, desde doações da comunidade, até rifas, bailes, bingos, etc., o que mostra que a participação das pessoas da região continua significativa.

“Uma paixão”, como dizia a ex-presidente Teresa Pires, que garante correr em suas veias um sangue com as cores “verde e amarela”. “Ou uma extensão da nossa casa”, como falava o abnegado torcedor Jorge Wainer das Neves.

Quando em agosto de 1960, Juvenal de Souza Freitas Filho, Eloy Rocha Beira e Feliciano Gomes Filho nem imaginavam os caminhos que seguiria o clube que estavam organizando.

Naquele tempo era o E.C Esperança a referência tradicional de uma agremiação de futebol no interior ou dos famosos bailes concorridos de uma outrora elite rural na qual encontrava no clube seu espaço de lazer e divertimento.

O adversário maior do Esperança é hoje o Santo Antônio. Ele foi criado muito tempo depois, em 1960, a partir de uma briga que aconteceu em um baile do E. C. Esperança, por não terem deixado um membro da família Coutelle entrar no clube por estar sem gravata.

O clube era conhecido como de elite, sendo obrigatório o uso de terno para entrar nos bailes. A base do time e dos fundadores do E.C Santo Antônio em 1960, veio dos trabalhadores do antigo curtume “Santo Antônio”, de Paulo Coutelle, com aproximadamente 50 funcionários mais os menores do estaqueamento do couro .

E lá nasceu a gênese do nome e do distintivo do clube, um couro estampado na camiseta e na bandeira. Uma homenagem ao curtume reconhecido aquele tempo como uma das empresas de melhor qualidade de preparo e curtição de couros no sul do estado.

Se por um lado o Santo Antônio recebeu apoio do Curtume, (os funcionários depois do expediente, faziam mais duas horas na limpeza do campo) não se pode esquecer as influências e origens no time E.C Flor do Povo, que não tinha uma organização plena , e neste sentido reconstruíram a base do futebol com a mescla de jogadores funcionários do antigo Curtume e de jogadores do Flor do Povo.

As reuniões iniciais e até mesmo o arrendamento do Salão do Flor do Povo, depois Sociedade Lagemann, para festas e bailes do Santo Antônio entre 1962 a 1972. Uma pequena sede de madeira foi construída em 1968 no local atual e o prédio em alvenaria foi inaugurado em março de 1972.

O antigo “Campo de Nossa Senhora”, cercado de matos e tuneiras, pertencia a Igreja de Nossa Senhora das Necessidades do Povo Novo e foi emprestado ao clube e mais tarde foi doado pela Diocese de Rio Grande e o clube ‘vermelho e branco’ começava assim a trajetória social e futebolística no distrito do Povo Novo.

Foi oito vezes campeão da cidade, 14 vezes campeão do Interior e nas décadas de 90 em diante virou uma marca registrada de sucesso. Ainda faz jantares dançantes e bingos semanais. Virou encanto e paixão de muitos torcedores. Antônio Mendes Castanheira Filho é um deles.

São 48 anos dedicados ao clube. De Presidente por várias vezes a porteiro, só não foi um bom lateral direito na década de 60, brinca ele com seu jeito manso de falar. Nem lembra um fato importante no Clube. Pensa, reflete sobre o tempo passado e em suas memórias uma eterna ligação com o clube.

Nem a derrubada dos matos para a construção do campo, nem os tijolos e a massa nos verões quando construía aos poucos a sede social.

Fez somente uma referência de uma excursão a Novo Hamburgo a mais ou menos 30 anos passados para jogar contra o Estância Velha, campeão da região, com dois ônibus e o Santo Antônio ganhou o jogo aos 40 minutos do 2º tempo.

Mas isso foi um fato e o clube é uma paixão acima dos fatos. È uma relação de família, uma grande família. A atual Presidente é a sua esposa, Maria Marlene Borges Castanheira desde 2008. Os caminhos e o caráter de um clube passam pela harmonia e conduta de seus dirigentes.

Hoje o clube está em atividades no “Campeonato da Campanha”, com 1º e 2º quadros. Os Veteranos participam do campeonato de Futebol no Cassino e no citadino de Futebol de Salão. (Pesquisa: Nilo Dias)
       
Time campeão Gaúcho de Futebol amador”, em 1953.

O estádio do Esperança.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O time da Fonte Luminosa

A Associação Ferroviária de Esportes, da cidade paulista de Araraquara foi fundada em 12 de abril de 1950, graças ao engenheiro Antônio Tavares Pereira Lima, que com outros colegas  da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) promoveu uma reunião no salão de festas do Clube  22 de Agosto, para criação de um clube esportivo de empregados da empresa.

Na referida reunião foi escolhido o nome e o distintivo, que foi o mesmo da ferrovia, somente com as letras invertidas (AFE). O desejo de colocar as cores azul Guanabara e branco, as mesmas da seleção carioca de futebol, não vingou, sendo vencedora a combinação grená e branco, idêntica à do Clube Atlético Juventus, de São Paulo, apresentada por Silvio Barini.

E explicou que a cor grená era semelhante àquela que distinguia as locomotivas da estrada de ferro (depoimento de Jacob Martins no livro "Fonte Luminosa"). Talvez por isso, quando mais tarde fundou a Associação Desportiva Araraquara (ADA), Pereira Lima não abriu mão das suas cores preferidas.

Pereira Lima adotou as cores azul e branca para a Associação Desportiva Araraquara,  resultado da fusão do Paulista F.C. e do São Paulo, de Araraquara, por serem as cores da cidade e da Associação Atlética Araraquara que existiu de 1927 a 1930.

Na mesma reunião que decidiu a cor da camisa, foi aclamada também a Diretoria provisória da Ferroviária, que teve como Presidente, Antônio Tavares Pereira Lima e Vice-Presidente, Hermínio Amorim Júnior.

Foi constituída uma comissão encarregada de angariar fundos, integrada por Abel de Almeida Magalhães, Francisco Eugênio de Campos Júnior, Orlando Drumont Murgel, Jader Lessa Cesar, Amador Galucci, Frederico Meller, Orlando Mantezi, Azor Garcia dos Santos, Dorival Carvalho e Antôio de Barros Serra. Dez cruzeiros seria a quantia a ser paga pelo associado, a partir de junho de 1950.

Obtida a área de terreno, foi iniciada a construção do estádio de futebol, que mais tarde levou o nome de "Estádio Doutor Adhemar de Barros", em homenagem ao conhecido político. 

Hoje, popularizou-se chamar o estádio de "Fonte Luminosa", mas alguns radialistas ainda dizem, quando estão transmitindo jogos em Araraquara: "Estamos falando do Estádio Dr. Adhemar Pereira de Barros".

No ano seguinte ao da fundação, 1951, a Ferroviária participou da sua primeira competição oficial, o “Campeonato Paulista da Série A2”, ficando na terceira posição, entre 11 concorrentes.

Em 1952 foi primeiro colocado na 1ª fase e também na 2ª Fase. Não se classificou para a elite do futebol paulista, pois o acesso era reservado apenas ao campeão. Na final perdeu para  o Linense, de Lins, que goleou por 3 X 0, em jogo disputado no Pacaembu.

Em 1953 quase chegou lá de novo. Ganhou o seu grupo na 1ª fase, e foi 2° lugar no hexagonal final, que teve como campeão o Noroeste, de Bauru. Em 1954 o time de Araraquara sequer passou da primeira fase.

Mas em 1955 o se tornou realidade. Depois de liderar seu grupo na 1ª fase, a Ferroviária disputou a 2ª Fase com mais sete times já no ano de 1956. No dia 16 de abril de 1956, a Ferroviária goleou seu maior rival, o Botafogo, de Ribeirão Preto, 2° colocado por 6 X 3, num jogo histórico realizado na ”Fonte Luminosa” lotada, garantindo o acesso à Série A1 do “Campeonato Paulista” e conquistando seu primeiro título na história.

No ano de 1956 a Ferroviária disputou pela primeira vez a Série A1 do “Campeonato Paulista”, terminando em 12ª ligar. Em 1957 não passou da 15ª colocação. Em 1957 conseguiu sua primeira vitória sobre um grande clube: 3 X 2 sobre o Santos, na “Fonte Luminosa”.

Em 1958 terminou em 11º lugar, vencendo o campeão Santos por 2 X 1 dentro de Araraquara. Em 1959, a Ferroviária fez a sua maior campanha na história do “Campeonato Paulista da Série A1”, terminando na histórica 3ª posição, atrás apenas de Palmeiras e Santos.

Em 38 jogos, foram 23 vitórias, sete empates e apenas oito derrotas, com destaque para a vitória sobre o Corinthians, por 3 Xa 1, em Araraquara. Após a gloriosa campanha de 1959, a Ferroviária massacrou o Fluminense carioca em 16 de março de 1960, em amistoso realizado em Araraquara: vitória por 5 X 1.

Ferroviária realizou sua primeira excursão ao exterior no ano de 1960, enfrentando conhecidas equipes do futebol mundial. Enfrentou por duas vezes o Sporting Lisboa, perdendo o primeiro jogo por 1 X 0 e empatando o segundo, em 1 X 1.

Também duelou contra o Atlético de Madrid, empatando em 1 X 1. O grande feito da equipe de Araraquara em seus jogos na península ibérica foi a histórica vitória por 2 X 0, diante do Futebol Clube do Porto, em 8 de maio de 1960.

Ainda em 1960, a Ferroviária conquistou um bom 6º lugar no Campeonato Paulista, vencendo todos os quatro grandes clubes de São Paulo, com destaque para  o histórico 4 X 0 sobre o Santos de Pelé, campeão paulista naquele ano.

A história de sucesso da Ferroviária na Série A1 do Campeonato Paulista continuou em 1961, quando terminou em quinto lugar, sendo a melhor equipe do interior naquele ano, com direito a duas vitórias diante do Corinthians por 2 X 1.

Em 1962 a “Ferrinha” terminou em sétimo lugar, vencendo em casa o Palmeiras por 3 X 1, e derrubando por duas vezes o São Paulo: 4 X 1 dentro de São Paulo e 2 X 0 em Araraquara. Em 1963 o time terminou na sexta colocação, novamente derrotando o Santos, 4 X 1 dentro de Araraquara e 5 X 1 na Vila Belmiro.

Nesse mesmo ano a Ferroviária excursionou pela Colômbia, enfrentando grandes equipes do futebol sul-americano. Destaque para os duelos contra Once Caldas, derrota por 5 X 4 e Nacional de Medellín, vitória por 6 X 0).

No ano seguinte, em 1964, a Ferroviária terminou o Campeonato Paulista apenas na 13ª colocação, sem vencer nenhuma grande equipe. Era o prenúncio de que tempos difíceis estavam por vir.

O ano de 1965 foi um dos mais tristes da história da Ferroviária, que terminou o torneio em último lugar, sendo rebaixada para a Série A2 após 10 anos consecutivos na elite do futebol paulista.

De volta à Série A2 em 1966, o time de Araraquara não se abalou, dominando a competição do início ao fim. Para comemorar a volta triunfal, a Ferroviária duelou na “Fonte Luminosa” contra o Cruzeiro, de Belo Horizonte, em partida amistosa. Tratou-se de verdadeiro duelo de campeões, tendo em vista que a equipe mineira havia vencido a “Taça Brasil” em 1966. O amistoso terminou empatado em 2 X 2.

Entre os anos de 1967 e 1969, a Ferroviária viveu talvez a maior era de sua história. Foi tricampeã do interior. Na campanha de 1967, classificou-se em sexto lugar no “Campeonato Paulista”.

Na campanha de 1968 a AFE terminou o “Campeonato Paulista” em terceiro, atrás apenas de Santos e Corinthians. Foram 11 vitórias, oito empates e sete derrotas no “Paulistão”. 

Para coroar o feito, em amistoso realizado na cidade de Araraquara em 9 de junho de 1968, a Ferroviária massacrou o Nápoli, da Itália, goleando por 4 X 0. A conquista definitiva do “Troféu Folha de S. Paulo” veio em 1969, com o tricampeonato do interior.

Após os grandes acontecimentos na história do clube, o time da Ferroviária viveu uma espécie de ressaca durante os anos 70. Disputou a Série A1 durante toda a década, mas sem as grandes campanhas do decênio anterior.

No ano de 1980, a Ferroviária terminou o “Campeonato Paulista” na 13ª colocação. Foi nesse ano que o clube disputou pela primeira vez uma competição nacional oficial, o “Campeonato Brasileiro da Série B”, denominado na época de “Taça de Prata”.

Em 1981, a Ferroviária terminou o 1º turno do Paulistão em 17º lugar. Ainda em 1981, a Ferroviária disputou o “Campeonato Brasileiro da Série B”, “Taça de Prata”, só que sem o sucesso do ano anterior. Terminou na 5ª colocação do Grupo F.

O ano de 1982 foi de extrema importância para a Ferroviária. Na época, as vagas no “Campeonato Brasileiro da Série A”, “Taça de Ouro” eram conseguidas com base no desempenho das equipes no Campeonato Estadual.

Fora da “Taça de Prata”, só restava à Ferroviária uma grande campanha no “Campeonato Paulista” para alcançar o sonho de adentrar na elite do futebol brasileiro. Na soma da pontuação dos dois turnos, o time grená ficou em 6º lugar, carimbando o passaporte para a “Série A do Campeonato Brasileiro” de 1983.

No ano de 1983, a Ferroviária fez campanha decepcionante no “Campeonato Paulista”, ficando em último lugar no seu grupo. Já na “Série A” do “Campeonato Brasileiro”, “Taça de Ouro”, a Ferroviária fez história.

A Ferroviária terminou em 4º lugar no grupo. O grande destaque foi a vitória na última rodada diante do Grêmio, em pleno estádio Olímpico, por 3 X 1, no dia 30 de abril de 1983. Mesmo eliminada, a Ferroviária honrou a camisa grená e deu várias alegrias para a cidade de Araraquara no ano de 1983.

Terminou o “Brasileirão” na 12ª colocação entre 44 equipes. No ano de 1984, a Ferroviária não fez uma boa campanha no “Campeonato Paulista”, terminando em 17º lugar. Já em 1985, a camisa grená novamente brilhou, desta vez no “Campeonato Paulista”.

No somatório dos dois turnos, a Ferroviária terminou em 4º lugar, carimbando o passaporte para a semifinal do “Paulistão” e deixando a cidade de Araraquara em festa. Na primeira semifinal, o São Paulo acabou passando pelo Guarani.

Já na segunda semifinal, o confronto era entre Portuguesa e Ferroviária. No jogo de ida, com a “Fonte Luminosa” lotada, a Ferroviária empatou com a Lusa em 2 X 2. Já no jogo de volta, no “Canindé”, a Portuguesa venceu a Ferroviária por 2 X 0, acabando com o sonho do título paulista e encerrando a "Era de Ouro" do clube.

Após a campanha histórica de 1985, a Ferroviária fez uma campanha apenas intermediária no Paulistão de 1986, terminando na 13ª colocação. Em 1987, a Ferroviária terminou em 14º lugar. No ano de 1988, a Ferroviária alcançou a 11ª colocação no Paulistão.

No segundo semestre, a Ferroviária voltou a disputar o “Campeonato Brasileiro”, desta vez na “Série C”, sendo eliminada na Segunda Fase da competição. Já no ano de 1989, a Ferroviária não conseguiu realizar uma boa campanha no “Paulistão”, terminando a competição no 18º lugar geral.

Todavia, em 1990, a Ferroviária melhorou sua campanha. No entanto, na 2ª fase, o esquadrão grená não teve tanto êxito, terminando na sétima e última colocação de seu grupo. No ano de 1991, o “Paulistão” foi dividido em “Grupo Verde” e “Grupo Amarelo”.

Em razão da boa campanha grená no ano anterior, a Ferroviária conseguiu disputar o “Grupo Verde”, que reunia as grandes equipes do estado. Porém, a campanha não foi boa, terminando na 13º e penúltima posição do grupo.

Mas foi no Campeonato Brasileiro da “Série C” de 1994 que o time de Araraquara fez uma campanha memorável. Na decisiva semifinal, a Ferroviária duelou contra o Catuense, da Bahia. 

O time grená perdeu o jogo de ida no interior baiano, por 1 X 0. Mas na partida de volta, com o apoio maciço da torcida, venceu por 2 X 0 e garantiu o acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro.

De quebra, o time grená disputou sua primeira final a nível nacional, ficando com o vice-campeonato da “Série C” de 1994 após perder a final para o Novorizontino, 1 X 0 em casa, e 5 X 0 fora.

Em 1995, a Ferroviária terminou o “Paulistão” da “Série A1” na 13ª colocação. No Campeonato Brasileiro da Série B, a “Ferrinha” também conseguiu evitar o rebaixamento, terminando em 5º lugar no seu grupo.

Se a Ferroviária conseguiu se salvar em 1995, o mesmo não ocorreu no trágico ano de 1996. As péssimas condições financeiras do clube se refletiram em campo, de modo que a Ferroviária terminou a “Série A1” na 16ª e última colocação, sendo rebaixada para a “Série A2”, tendo que disputar a segunda divisão do estadual após 30 anos consecutivos na elite do futebol paulista.

Para piorar a situação, a Ferroviária abdicou do seu direito de disputar a “Série B” do “Campeonato Brasileiro” de 1996, diante das péssimas condições econômicas que afetaram a equipe.

Se o fato de disputar a Série A2 em 1997 parecia o fundo do poço para a Ferroviária, mal sabia a torcida que o pior ainda estaria por vir. Após uma péssima campanha na segunda divisão do estadual, onde terminou na última colocação de seu grupo, a Ferroviária acabou sendo rebaixada para a Série A3 - a terceira divisão do futebol paulista.

No ano de 2000, a Ferroviária definitivamente chegou ao fundo do poço. Após uma derrota na última rodada da “Série A3” para o São Bento, de Sorocaba, por 3 X 2, o clube foi rebaixado para a “Série B1” - a quarta divisão do futebol paulista.

Em 2001 conseguiu o retorno para a “Série A3” apenas em razão da criação do “Torneio Rio São Paulo” em 2002, o que gerou um remanejamento de times nas respectivas divisões.

De volta à “Série A3” em 2002, a Ferroviária terminou o campeonato apenas na 13ª colocação. Todavia, ainda em 2002, a Ferroviária foi convidada para a disputa do “Campeonato Brasileiro” da “Série C”, terminando na terceira colocação de seu grupo e não conseguindo avançar para a fase seguinte.

No ano seguinte, o inferno astral do time grená continuou: a Ferroviária terminou o “Campeonato Paulista da Série A3” de 2003 na última colocação de seu grupo, sendo novamente rebaixada para a “Série B1”.

O vexame histórico originou uma série de mudanças estruturais e políticas na Ferroviária, que passou a se constituir numa S/A a partir do ano de 2004. As modificações surtiram efeito imediato, de modo que a Ferroviária terminou a “Série B1” de 2004 na 2ª colocação, garantindo o acesso para a “Série A3” após uma vitória por 2 X 0 diante da Jalesense, em casa.

O próximo objetivo seria o retorno para a segunda divisão. O sonho grená passou longe de ser realizado no ano de 2005. Todavia, em 2006, a Ferroviária conseguiu retornar ao quadrangular decisivo da “Série A3” depois de sete anos. Na última rodada do quadrangular, com a “Fonte Luminosa” lotada e precisando apenas do empate, o time foi surpreendido pelo XV de Jaú.

Em 2006, sendo campeão da “Copa Paulista”, ganhou o direito de disputar, pela primeira vez, a “Copa do Brasil” em 2007. No ano de 2007 não deixou escapar o acesso, retornando à “Série A2” do “Campeonato Paulista” após nove anos.
Na “Copa do Brasil” de 2007, a Ferroviária foi eliminada pelo Juventude, de Caxias do Sul, equipe que, à época, disputava a “Série A” do “Campeonato Brasileiro”. Já na “Copa FP”F de 2007, a Ferroviária novamente fez grande campanha e, por pouco, não conquistou o bicampeonato.

Em 2008, em seu retorno à “Série A2”, a Ferroviária conseguiu se classificar para o quadrangular final da competição. Todavia, a “Locomotiva” decepcionou, ficando em último lugar de seu grupo.

Em 2009, ante a reforma do “Estádio da Fonte Luminosa”, a Ferroviária teve que mandar os seus jogos no “Estádio do Jardim Botânico”. A mudança temporária de endereço não fez bem ao time grená, que, na “Série A2” do “Campeonato Paulista”, ficou na última posição.

De boas recordações do ano de 2009, ficou apenas a inauguração da moderna “Arena da Fonte”, no dia 22 de outubro de 2009, em jogo válido pela “Copa Paulista de Futebol”, no qual a Ferroviária derrotou o Ituano por 2 X 1. A partida foi televisionada para todo o país por meio do canal “Record News”.

No “Campeonato Paulista” da “Série A3” de 2010, a Ferroviária conseguiu o acesso à “Série A2” e a vaga na final do torneio, sagrando-se vice-campeã após derrotas para o Red Bull na decisão.

De volta à “Série A2” do “Campeonato Paulista” em 2011, o 13º lugar na classificação geral manteve a equipe na segunda divisão do futebol de São Paulo. Já no ano de 2012, na fase final, todavia, a “Ferrinha” decepcionou, ficando em último lugar do rupo.

Por sua vez, no ano de 2013, sob o sistema de pontos corridos, a Ferroviária não passou sustos, ficando na 9ª colocação do “Campeonato Paulista” da “Série A2”, dentre um total de 20 equipes.

Em 2015, a Ferroviária realizou uma campanha que beirou à perfeição. Sob o comando do técnico Milton Mendes, o esquadrão grená terminou o campeonato na 1ª colocação, somando 44 pontos, com 14 vitórias, dois empates e três derrotas. Foram oito pontos de frente sobre o 2º colocado.

No ano de 2016, o “Campeonato Paulista da Série A1” foi disputado por 20 equipes divididas em quatro grupos. No entanto, um novo regulamento fez com que seis times fossem rebaixados, ao invés de apenas quatro como nos anos anteriores, já que o campeonato do ano seguinte passaria a ser disputado por apenas 18 clubes.

O time salvou-se do rebaixamento na última rodada. Já na “Copa do Brasil”, eliminou o Salgueiro, de Pernambuco e saiu fora perdendo para o Fluminense, do Rio de Janeiro.

Na Copa Paulista perdeu nos pênaltis a final para o XV de Piracicaba. Em 2017 a Ferroviária disputou novamente a final da “Copa Paulista”, sagrando-se campeã, ao vencer nos pênaltis a Inter, de Limeira. Esse título classificou a Ferroviária a “Série D” de 2018.

Em 14 de abril de 2017 um amistoso de caráter internacional reuniu Ferroviária X Seleção de Cuba, alusivo ao aniversário do clube brasileiro. Resultado, empate em 1 X 1.

Jogadores Ilustres que foram revelados pela Ferroviária: Bazzani (maior jogador e ídolo da Ferroviária); Dorival Júnior; Dudu; Edivaldo Rojas Hermoza, que atuou pela Seleção Boliviana de 2011; Leandro Donizete; Grafite, que atuou pela Seleção Brasileira de 2010; Lance, artilheiro do Campeonato Paulista da 2ª divisão de 1969 pelo São Carlos Clube; Maurinho, que atuou pela Seleção Brasileira de 1954; Mauro Pastor; Parada; Peixinho; Renato Cajá; Rodrigo Tabata; Téia, artilheiro do Campeonato Paulista de 1968; Volnei , artilheiro do Campeonato Paulista de 1990; Fumagalli e Alan Mineiro.

Vale lembrar que Antônio de Oliveira Filho, o “Careca”, talvez o araraquarense mais ilustre, ídolo da Seleção Brasileira, participou de duas “Copas do Mundo FIFA”, do São Paulo F.C. e do Guarani FC, campeão brasileiro em 1978 e 1986, nunca jogou pela Ferroviária, porém declarou que já foi torcedor, e que frequentava alguns jogos da mesma.

Treinadores; José Carlos Bauer, Dorival Júnior, Milton Mendes, Sérgio Vieira, Antônio Picoli e PC Oliveira. (Pesquisa: Nilo Dias)

Grande craque do time.

sábado, 19 de outubro de 2019

Como surgiu o volante no futebol brasileiro

O treinador e ex-futebolista argentino Carlos Martín Volante, mais conhecido apenas como “Carlos Volante”, nasceu em  Lanús, no dia 11 de novembro de 1910 e faleceu em Milão, Itália, em 9 de outubro de 1987 foi um, que atuava como volante.

No Brasil, fez sucesso defendendo o Flamengo, do Rio de Janeiro e comandando o Internacional, de Porto Alegre e Vitória e Bahia, ambos da “BoabTerra”. Também ganhou notoriedade em sua época de jogador, por dar origem à expressão "Volante” no futebol brasileiro.

Como jogava no meio de campo, a expressão "Volante" se tornou popular definindo a sua posição, e a expressão é utilizada para os jogadores que atuam na mesma posição até os dias atuais, em todo o Brasil.

Jogou por diversos clubes da Argentina, Itália e França, mas foi no Flamengo que se destacou mais, sendo tricampeão carioca.

Chegou ao rubro-negro após uma curiosa experiência na “Seleção Brasileira” na “Copa do Mundo FIFA” de 1938: na época, ele jogava na França, que sediava o “Mundial”, e trabalhou como massagista na delegação do Brasil.

Comandou diversas equipes brasileiras, entre as quais o Vitória, onde foi bicampeão baiano e ajudou no fim do jejum de títulos do “rubro-negro” em 1953. No Bahia, comandou o time no jogo extra da final do “Campeonato Brasileiro” de 1959, onde consagrou-se campeão.

Até hoje, “Volante” é o único treinador estrangeiro a ter conquistado o título de campeão brasileiro, pelo Bahia, em 1959. E ainda treinou o “Rolo Compressor”, do Internacional. E “fez seu nome”, ou melhor, sobrenome, no Brasil. Literalmente.

Títulos como jogador. Livorno (Itália): Campeonato Italiano – Serie B (1932–1933);

Flamengo: Campeonato Carioca (1939, 1942 e 1943); Torneio Relâmpago: (1943). Como treinador. Internacional: Campeonato Gaúcho (1947 e 1948). Vitória: Campeonato Baiano (1953 e 1955). Bahia: Campeonato Brasileiro (1959).

Campanhas em destaque, como jogador. Rennes (França): Vice-campeão da Copa da França (1934–1935). Vice-campeão da Copa da França, pelo Olympique Lillois (França), atual Lille (1935–1936).



Era filho do imigrante italiano e ferreiro ferroviário Giuseppe Volante, que adquiriu uma das cotas oferecidas pelo proprietário do enorme terreno que deu origem à cidade de Lanús.

Carlos foi o quarto de sete filhos de Giuseppe. Veio a se consagrar mais internacionalmente do que na própria terra natal, onde o Volante mais notabilizado foi o sétimo filho do italiano: José Pepe Norberto, o primeiro dos três homens que no profissionalismo argentino foram jogadores, técnicos e presidentes de um mesmo clube (claro, o Lanús), antecedendo Carlos Babington (Huracán) e Daniel Passarella (River).

Carlos Volante, por sua vez, foi apenas jogador e técnico no “Granate” e nas duas funções não passou de um ano no time. Ainda assim, construiu renome para ter perfil no livro “97 Íconos de la Historia Granate” (de 2012, quando o clube fez 97 anos), bem como no “ABC Granate” (de 2013).

Carlos Voolante passou por outros clubes da cidade. Nas categorias de base, começou na quinta divisão juvenil do “Argentino”, de Lanús. Na idade da quarta divisão juvenil, passou ao “Lanús Central”, sendo campeão e voltando ao “Argentino”, onde não teve continuidade.

Em 1923, ingressou nos “Grenás” para, em 1924, já integrar o quadro de aspirantes. Foi o capitão do elenco vice-campeão nessa categoria e no mesmo ano, estreou no time adulto. Foi em 19 de outubro, na 24ª rodada do campeonato, no 2-2 com o “Tigre”.

Volante jogou até 1926 no clube, quando foi 6º colocado entre 26 equipes, até então a melhor campanha do time. Mas não passou de 11 jogos, sem gols, sem maiores registros fotográficos.

Em 1927, passou ao “Adrogué”, que pouco depois foi afastado da Liga. O jogador foi cumprir serviço militar, onde foi buscado pelos dirigentes do “San Martín”.

Em 1928, ele ingressou no “Platense”, onde obteve uma sequência maior. Na mesma época, o irmão José Volante, da mesma posição de centromédio, começava no time adulto do “Lanús”, que viria a enfrentar o “Platense” em 24 de março.

Os irmãos teriam combinado que Carlos não jogaria. A mãe Luísa interferiu e ordenou que o mais velho também jogasse e que ambos lutassem pela vitória. E José foi uma das figuras da vitória lanusense por 5 X 2.

Já Carlos foi punido pela diretoria do “Platense”, que acreditou que ele não havia dado tudo de si. O jogador passou pela insólita situação de ouvir as duas torcidas o chamando de traidor

Ele se defendeu dizendo que um pontapé sofrido aos 10 minutos afetou suas condições físicas. A resposta ao novo clube logo seria dada: o “Platense” não passou de um 25º lugar de 36 times em 1928, mas Volante estreou em novembro pela “Seleção”, em amistoso não-oficial com o Boca (1 X 1).

Em fevereiro (6 X 1) e março (2 X 0), mais dois jogos não-oficiais, ambos contra o América, do Rio de Janeiro. Em 16 de junho, a estreia oficial, no 1 X 1 com o Uruguai no “Gran Parque Central”, de Montevidéu.

Volante jogou novo amistoso não-oficial em agosto de 1929, contra o Ferencváros húngaro (2 X 0). Ausente das convocações à C”opa América” daquele ano (realizada em novembro) e da “Copa do Mundo” de 1930, voltou a ser chamado em agosto de 1930, na primeira partida da seleção após a “Copa”.

Três dias depois da final, jogadores não-convocados foram reunidos para amistoso contra a Iugoslávia, a semifinalista que ainda estava de passagem pelo Rio da Prata. E que foi derrotada por 3 X 1 por aquele virtual time B.

Foi o último jogo de Volante pela Argentina. Ele também não durou muito no “Platense”; no fim de 1930, integrou uma celebrada excursão do “Vélez” pelas Américas, onde um elenco tido pela crítica como capaz de envergonhar o país perdeu só uma partida no exterior até meados de 1931.

Quando estava na etapa chilena da viagem, Volante recebeu telegrama de José avisando-o do interesse do futebol italiano.

Se armou uma grande discussão na sua casa. Volante tinha a esperança de levar algum dia seu pai para ver a Itália de que sentia falta fazia muitos anos.

Sua mãe não queria deixar Carlos ir. Então lhe propôs: “veja, mamãe: vou pedir um disparate para que não me contratem. Se me derem 150 mil liras por dois anos e 4 mil por mês, você me deixa ir?’.

Aceitou e ele fez a proposta, que foi aceita. Lhe deram tudo mais duas passagens, uma para seu pai e outra para ele. O grande sonho se cumpriu e durante nove anos esteve na Itália e na França.

Viu grandes equipes como a Juventus, a Internazionale, a Roma, o Torino. E viu jogar os ingleses dentro e fora de sua casa.

Na Itália, jogou por Napoli, Livorno (onde venceu a Serie B de 1933) e Torino. E conheceu e casou-se com uma certa Maria Luisa, da elite da sociedade de Turim.

Mas assustou-se com a determinação de Mussolini em obrigar ítalo-estrangeiros que estivessem no país a defender o exército. Em 1935, quando os fascistas invadiram a Abissínia (atual Etiópia), Volante e esposa escaparam pela Suíça rumo à França, onde ele defendeu o Rennes (foi finalista da Copa da França), Lille e o C.A. Paris.

Hoje sumida, essa equipe ainda existe e era onde jogava Lucien Laurent, autor do primeiro gol das “Copas do Mundo”. Segundo se sabe, Volante veio a se assustar na França com o mesmo clima bélico que sentira na Itália.

O jogador aproximou-se da “Seleção Brasileira” na “Copa de 1938”, onde improvisou-se como massagista, para rumar infiltrado de volta à América.

Ele assim se tornou até hoje o único argentino a compor uma delegação brasileira em “Copas do Mundo” Voltou junto com os tupiniquins e conseguiu no Rio de Janeiro se alojar no Flamengo, onde brilhou.

Em 1939, o rubro-negro encerrou seu maior jejum estadual (12 anos) em uma equipe repleta de argentinos: ele, Agustín Valido, Alfredo González, Raimundo Orsi (outro que fugia da Itália, pelo qual marcou o gol do título da Copa de 1934) e Arturo Naón.

Volante chegou a ser até os anos 50 o estrangeiro que mais vezes defendeu o Flamengo, onde foi campeão também em 1942 e 1943, pendurando as chuteiras e voltando à Argentina.

Seu estilo ímpar como centromédio fez com que o sobrenome viesse a nomear o próprio posto, com diferentes técnicos solicitando aos colegas de posição “que joguem como Volante”, um meia recuado que se movia e criava jogo ao invés de alguém de postura rígida e fixa, como era comum.

A frase foi virando “que joguem de volante” e seu significado se espalhou pela América, inclusive na Argentina, para onde o jogador, uma vez aposentado, voltou.

Em 1945, virou técnico do Lanús, clube em que iniciou no esporte que lhe deu tanto e ao qual devia as maiores e mais inesquecíveis emoções experimentadas na vida.

O desempenho em 1946, quando ficou por mais tempo, foi de um mero 12º lugar. Curiosamente, em janeiro daquele ano ele voltou a compor a delegação brasileira, participando como “sparing” convidado no time de reservas nos rachões internos em meio à “Copa América”.

Como técnico “Granate”, foram ao todo 30 jogos, com 8 vitórias, 7 empates e 15 derrotas. Números nada auspiciosos. Mas o que fez ele deixar o clube foi uma proposta do Internacional e a não-adaptação da esposa na Argentina.

O Internacional vinha atravessando uma década vitoriosa, com seis títulos estaduais seguidos, mas a série se interrompeu exatamente em 1946, ano de título gremista.

O “Rolo Compressor” voltou, com a imprensa também o rotulando continuamente como “os pupilos de Volante”. O time ganhou os títulos de 1947 e 1948, tendo mais três argentinos: José Villalba, o segundo maior artilheiro dos “Grenais”, Francisco Fandiño e Moisés Beresi, ex-gremista campeão em 1946.

Na campanha de 1947, ano em que Volante foi campeão também como técnico do time de aspirantes, o “Jornal do Dia” até ventilou que o treinador também poderia entrar em campo no primeiro “Grenal” do campeonato municipal (então classificatório ao Estadual), se escalando como elemento surpresa.

O futebol do Inter foi descrito como “de ação harmoniosa”, “convincente”, “aplastante” e “eficientíssima”, após um 6 X 0 no Cruzeiro (RS) naquela campanha.

“Vistoso, bem coordenado, que serviu para demonstrar o esplêndido estado de treinamento em que se encontrava a equipe”, após um 3 X  no Grêmio em 1948 – ano em que, contra um time de reservas, o Inter também conseguiu sua maior goleada nos “Grenais”, um 7 X 0 com quatro gols do argentino Villalba.

O mais surpreendente em leituras da época é notar homenagens gremistas ao rival antes da partida, incluindo flores e um cartão de prata.

O argentino jamais foi derrotado nos 12 clássicos que disputou. E sete gols foram até dados como rotineiros: “o Internacional, ainda domingo, deu mostra de seu poderio, abatendo de maneira espetacular e convincente o onze do Rio-Grandense, um dos mais categorizados esquadrões de quantos concorreram ou estão concorrendo ao Campeonato Estadual de 1948”.

O escore que então construiu: 7 X 2, chegou a não constituir novidade para os torcedores do ‘Rolo Compressor’, já que fazer sete tentos em seus adversários, qualquer que seja sua categoria, se tornou ‘tabela’ no onze preparado por Volante”. Foram as palavras do “Jornal do Dia” antes da semifinal com o Floriano. Na final, 5 X  no Grêmio Santanense.

Volante, figura que “que desfrutou de largo prestígio e de grande simpatia no seio da grande família colorada, em face de suas excepcionais qualidades de caráter (palavras de “Jornal do Dia”, de 13 de novembro de 1947)”, rescindiu sem conflitos o seu contrato em 1948, pouco após o bicampeonato, para voltar ao Rio de Janeiro.

Fez talvez ainda mais história na Bahia: assumiu o Vitória em 1953, quando o “Leão” enfim profissionalizou o seu futebol, sendo imediatamente campeão baiano após 44 anos, iniciando assim a rivalidade com o Bahia.

Campeão com os “rubro-negros” também em 1955, Volante foi ainda mais longe no rival, treinando-o na finalíssima da vitoriosa “Taça Brasil” de 1959 sobre o Santos. Primeiro técnico campeão nacional no Brasil, Volante também foi o primeiro técnico de um time brasileiro na “Libertadores”, na edição de 1960.

Seu sobrinho-neto Calvente contou que só o viu uma vez, na Argentina, nos anos 70, pois Volante decidiu naquela década voltar com a esposa à Itália, falecendo e sendo enterrado em Milão em 9 outubro de 1987. (Pesquisa: Nilo Dias)

Volante, no seu tempo de Lanús.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

O time que assustou o Corinthians

Um dos clubes de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, chama-se Santa Cruz. O outro, seu maior rival, é o Avenida, representante da região fumageira. O porquê do nome do time alviverde? O filho do primeiro presidente do “Periquito” explica essa história..

Clóvis Alberto Koppe, o “Chico”, é herdeiro de Arno Evaldo Koppe. Seu pai foi um dos rapazes que fundaram o Avenida, em 1944. Como Arno não jogava futebol, acabou definido como o mandatário. Seria a forma encontrada de não "excluí-lo" do grupo de atletas. Para escolher o nome do time, um bairro da cidade foi definitivo.

O Avenida é um clube de bairro, que tinha o nome de “Várzea”. Se reuniam uns jovens, muitos jogavam no segundo time do Santa Cruz e resolveram criar um clube próprio.

Como a rua principal é a “Avenida Independência”, ficou a dúvida entre colocar o nome de Independência ou Avenida. Como já havia um clube de bolão, um esporte muito jogado antigamente, com o nome de Independência, então, optaram por colocar Avenida.

Houve uma época, porém, que os problemas financeiros afetaram os dois rivais de Santa Cruz do Sul. Em comum acordo, o Avenida e o Santa Cruz se fundiram na Associação Santa Cruz de Futebol no início da década de 1970.

Nos primeiros anos, houve certo destaque, mas não durou muito. Em 1977, com Chico Koppe entre os líderes, a dissidência do Avenida rompeu a parceria.

O pessoal investiu em iluminação, arquibancada, tudo no campo do Santa Cruz. O Avenida ficou atirado às traças. Como recém tinha chegado à cidade depois de ter morado no interior, “Chico” procurou mais dois amigos, e estudaram uma maneira de romper o contrato.

No fim de 1977 foi rompido, e o clube voltou a ter vida própria. Qual não foi a surpresa quando, no primeiro ano na segunda divisão, em 78, o Avenida chegou em segundo lugar.

Hoje em dia, não há nenhuma chance de os rivais se unirem novamente. Inclusive, anda até difícil de se enfrentarem. Enquanto o Avenida participa de competições nacionais pela primeira vez em 75 anos, o Santa Cruz amarga a terceira divisão gaúcha. E o clube segue escrevendo história.

Este ano o “Periquito” atraiu os olhares de todo o Brasil ao abrir 2 X 0 no Corinthians, em “Itaquera”. A equipe não resistiu, cedeu uma derrota por 4 X 2 e foi eliminada na 2ª fase da “Copa do Brasil”. (Fonte: Globo Esporte)

A reunião realizada em 11 de fevereiro de 1949, culminou com a fundação do Avenida Futebol Clube.

domingo, 13 de outubro de 2019

Um argentino na Seleção Brasileira

Que a rivalidade entre Brasil X Argentina no futebol é enorme, ninguém tem dúvidas. Mas será que um jogador nascido na Argentina teria alguma chance de um dia vestir a camisa da "Seleção Brasileira"? E vice-versa? Ou essa história é apenas mais uma das inúmeras lendas do futebol? Mas isso já aconteceu.

Em 1942, em meio à Segunda Guerra Mundial, um atacante argentino chamado Adolpho Milman, conhecido por aqui como “Russo”, que desenvolveu quase toda a sua carreira de futebolista no Fluminense, defendeu a ""Seleção Brasileira".

É verdade que a sua passagem pela Seleção foi meteórica, apenas um jogo, pelo "Campeonato Sul-Americano" daquele ano, vitória de 2 X 1 sobre o Peru. Mas bastou para acender uma discussão que que persiste até hoje.

O xis da questão é descobrir exatamente onde o ex-atacante nasceu. Sabe-se que sua família era natural da região onde hoje fica o Afeganistão, então dominada pelo Império Russo, migrou para a província de Entre Ríos, na Argentina, e depois se estabeleceu no Rio Grande do Sul.

Ao longo da história, esses três lugares já foram apontados como berço do ex-jogador. Enquanto ele atuava profissionalmente, a história que circulava entre os torcedores era de que “Russo” havia nascido na Rússia/Afeganistão e vindo para o Brasil ainda quando bebê. Os jornais da época diziam que ele era de Pelotas.

No entanto, a família de “Russo” tem essa outra versão para a nacionalidade do antigo centroavante. De acordo com seu filho, Fernando Milman, ele era mesmo um imigrante argentino, nascido na província de Entre Rios, em 26 de julho de 1915, filho de Salomão e Clara, um casal de ucranianos.

O escritor pelotense Lourenço Cazarré, afirma que ele nasceu, sim, no exterior, mas bem mais perto daqui. Citando Jane Gershenson, sobrinha do craque, Lourenço diz:

"Salomão e Clara casaram-se em Buenos Aires, mas logo partiram para viver na província argentina de Entre Ríos. Lá vieram à luz seus três primeiros filhos: Joana, Adolfo e Bertha. Tempos depois, se transferiram para Pelotas, onde nasceram os outros cinco: Moisés, Isaac, Milton, Rosa e Ada".

Então, de acordo com sua sobrinha, “Russo” teria nascido na Argentina, na província de Entre Ríos, próxima ao Uruguai e ao Rio Grande do Sul. Nesta província, há uma "Plaza Milman", situada no pequeno município de Ubajay - seria uma homenagem à família?

As dúvidas acerca de suas origens acabaram alimentadas pelo próprio atleta, que recusava-se até mesmo com os filhos a falar muito do seu passado.

Caso essa realmente seja a versão verdadeira da história, o ex-atacante do Fluminense é um dos cinco jogadores de toda história nascidos no exterior que defenderam em algum momento a "Seleção Brasileira".

Além dele, apenas o britânico Sidney Pullen, o português Casemiro do Amaral e o italiano Fracisco Police, todos no começo do século passado, além do meia belga Andreas Pereira, ainda em atividade e hoje no Manchester United, alcançaram esse feito.

A história de Adolpho Milman é muito semelhante à do seu oposto perfeito, Aarón Wergifker, o único brasileiro que jogou pela Argentina. O ex-zagueiro do River Plate também era de família russa e nasceu no Brasil em uma parada da viagem dos seus pais rumo ao país vizinho.

"Russo" foi criado em Pelotas, onde passou a infância e adolescência. Seu pai era dono de uma pequena fabrica de japonas e casacos, chamada “Londres”. Iniciou sua carreira juvenil no Esporte Clube Pelotas, tendo participado de jogos do clube no Campeonato Gaúcho de 1933. 

Depois disso “Russo” dedicou praticamente toda sua carreira ao Fluminense. Ele chegou ao clube quando tinha 18 anos, em 1933, e se aposentou 11 anos depois. Com exceção de uma passagem de alguns meses pela França (Cercle Paris), só vestiu a camisa tricolor.

“Russo” foi um dos grandes artilheiros da história do Fluminense, tendo feito 154 gols em 249 jogos, entre 1933 e 1944, sendo um dos destaques do famoso "Fla-Flu da Lagoa", na final do “Campeonato Carioca” de 1941.

Participou das conquistas dos Campeonatos de 1936, 1937, 1940 e 1941, além do "Torneio Aberto" de 1935 e do "Torneio Extra" de 1941.

"Russo" estreou pelo Fluminense em 1933, e formou linhas de ataque lendárias, ao lado de Pedro Amorim, Carreiro, Sobral, Rongo, Romeu Pellicciari, Tim e Hércules.

Sofreu uma grave contusão em 1938, não tendo disputado nenhuma partida pelo Tricolor neste ano, tendo ido para Paris, a fim de se recuperar e onde chegou a jogar por um pequeno clube local, o Cercle Athlétique, retornando para o Fluminense em 1940, a tempo de se sagrar campeão carioca, e conseguindo recuperar a antiga forma.

"Russo" é especialmente lembrado por duas atuações espetaculares: em 1941, anotou cinco gols contra o Bangu; em 1943, fez três contra o Botafogo.

Até pouco tempo, era o segundo maior artilheiro do Fluminense em Fla-Flus com 13 gols, perdendo neste quesito apenas para Hércules, autor de 15 gols nas décadas de 30 e 40 do Século XX.

“Russo” era tido como jogador de rara inteligência, tendo, entre seus fãs, ninguém menos do que seu companheiro de clube, Tim, que quando se tornou treinador, foi um dos maiores estrategistas da história do futebol brasileiro, mestre de toda uma geração de técnicos.

o "Campeonato Carioca" de 1941, fez parte do ataque que fez 106 gols, um feito jamais igualado neste torneio, tendo como companheiros o argentino Rongo, Romeu Pellicciari, Tim e Hércules.

Contava Tim que, no dia do "Clássico Vovô" de 4 de setembro de 1943, no "Estádio de Laranjeiras", o então técnico do Fluminense, o uruguaio Ondino Viera, no momento da distribuição de camisas e tarefas aos jogadores, pediu a “Russo” que marcasse o jogador Santamaría, um argentino que jogava no Botafogo, o que ele recusou, devolvendo a camisa ao técnico.

Interpelado por Ondino Viera,”Russo” explicou que sua posição em campo e suas características não lhe permitiriam executar bem a função, recomendando que o treinador escalasse Carlos Brant, que era volante e ainda sabia atacar.

Vencido pelo argumento de ”Russo”, Ondino preferiu deixá-lo entrar em campo e jogar como acreditava que seria o melhor para ele e para o tricolor. Resultado: o Fluminense ganhou do Botafogo por 5 X 3 e Russo marcou três gols.

Depois da aposentadoria, foi técnico do América em 1949, conquistando o "Torneio Início" do "Campeonato Carioca" daquele ano, assim como foi técnico interino do Fluminense durante o "Torneio Rio-São Paulo" de 1955, com uma derrota para o Santos no "Estádio da Vila Belmiro" por 2 X 1 e uma vitória no Fla-Flu por 3 X 1.

Amigo de João Saldanha foi supervisor da "Seleção Brasileira" antes da “Copa do Mundo” de 1970. Ele morreu em 22 de fevereiro de 1980, aos 65 anos, no Rio de Janeiro, vítima de um câncer causado pelo hábito de fumar. Em seu obituário no “Jornal do Brasil”, Sandro Moreyra escreveu que ele era gaúcho, de Pelotas.

Em 1982, dois anos após a morte de “Russo”, a revista “Placar” elegeu uma seleção histórica do Fluminense, e ele foi um dos onze escolhidos.

Em 2006, teve lançada uma biografia escrita pelo jornalista paranaense Carlos Alberto Pessôa, intitulada "O Sábio de Chuteiras", pela editora "Travessa dos Editores", que eu tenho na minha biblioteca.