Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O maior craque pelotense da história

Mário Reis é considerado o melhor jogador que vestiu a camisa gloriosa do Esporte Clube Pelotas, em toda a sua história. Era natural de Pelotas, onde nasceu em 12 de fevereiro de 1904.

Começou a jogar em times organizados em 1916, quando vestiu a camisa do rival Grêmio Esportivo Brasil, na categoria Infantil. Naquele tempo se tornou sócio honorário do clube “Xavante”. Saindo do Brasil ingressou no S.C. Rio Branco, clube fundado em 25 de setembro de 1910.

O Rio Branco tinha sua sede social à rua 7 de Abril 314 e o campo todo cercado à rua Barroso, entre Gomes Carneiro e Independência. Suas cores eram branca e vermelha.

Foi depois para o Grêmio Sportivo Guarany, fundado em 12 de dezembro de 1909, que tinha campo de jogo a rua José Garibaldi, ao lado da Companhia Fiação e Tecidos Pelotense, com as cores vermelha, verde e amarela.

Em 1924, atendendo a um pedido do diretor áureo-cerúleo Dinarte Tavares, Mário Reis foi para o S.C. Pelotas. Naquele mesmo ano jogou várias partidas amistosas pelo clube áureo-cerúleo.

Não houve campeonato da cidade, devido a revolução paulista, que se estendeu por quase todo o país, atingindo inclusive o Rio Grande do Sul.

O primeiro campeonato municipal em que Mário Reis participou foi em 1925, conquistado o título. O time do Pelotas tinha como formação básica: Thadeu – Talavera e Borches. Floriano – Beto e Borba. Nenê – Faéco – Tutú – Mário Reis e Dinarte.

Ainda foi campeão citadino nos anos de 1928, 1930, 1932, 1933 e 1939, e campeão gaúcho em 1930. O time que conquistou o Estadual formava basicamente com: Bordini – Suzana e Grant.  Coi II – Marcial e Tristão. João Pedro (Benjamim) – Torres – Tutu – Mário Reis e Chico.

Mario Reis fez parte da equipe que representou o Rio Grande do Sul no Campeonato Brasileiro de Futebol por três vezes, em 1926, 1928 e 1931. Em 1928 foi convidado para capitão do quadro, mas recusou a honrosa investidura.

Como integrante da Seleção Gaúcha, Mário reis enfrentou conjuntos paulistas, cariocas, paranaenses, paraenses, pernambucanos e catarinenses.

Mario Reis no tempo em que jogou foi a maior expressão do futebol pelotense. A sua real capacidade técnica ofereceu-lhe ocasiões de engrandecer o renome do “soocer” da cidade, não só no Estado como fora dele.

O grande Friendereich, referindo-se aos jogadores gaúchos que melhor impressão lhe causaram, citou dois: Eurico Lara e Mário Reis.  A opinião de “El Tigre”, insuspeita no caso, é a mais legitima afirmativa do valor do craque.

Os saudosistas diziam que Mário Reis foi o maior jogador surgido em plagas gaúchas. Era tão bom que recebeu várias propostas de clubes de fora do Estado, mas acabou não aceitando, preferindo ficar no “Lobão”. Tinha um passe perfeito e uma colocação inigualável, sendo que seus lançamentos sempre acabavam nos pés de um companheiro.

Encerrou a carreira em 1939, com uma vitória sobre o G.E. Brasil por 3 X 1 e com o título de Campeão Pelotense. Alguns anos mais tarde, era comum ver Mário Reis nos treinos do Pelotas, ou sentado nos bancos da praça Coronel Pedro Osório com seu grande amigo e companheiro Tutu, relembrando as grandes jornadas no áureo-cerúleo. (Pesquisa” Nilo Dias)


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O primeiro negro a jogar por uma Seleção

Há 135 anos, Andrew Watson, zagueiro do escrete escocês, se tornou o primeiro jogador negro a envergar a camisa de uma seleção nacional. Algo marcante, ainda mais em uma época que a segregação era bem mais explícita.

Não só isso: foi também o capitão e liderou o time da Escócia na impiedosa goleada de 6 X 1 sobre a Seleção da Inglaterra, no dia 12 de março de 1881, nove anos depois do primeiro jogo internacional da história, exatamente contra os dois scratchs.

Ele ainda vestiu a camisa da Escócia em outras duas partidas, duas novas goleadas: mais um 5 X 1 no País de Gales e 5 X 1, de novo na Inglaterra, sua última partida pela equipe nacional em 11 de março de 1882.

Hoje em dia se vive momentos de intolerância no futebol, mundo afora. Por isso não custa resgatar a história de um pioneiro, que eternizou seu nome no esporte, muito antes que o profissionalismo ajudasse a superar as divisões, na Inglaterra ou no Brasil.

A maioria das pessoas com certeza nunca ouviu falar de Andrew Watson. Ele nasceu da miscigenação e, ao contrário de muitos com história parecida, não foi renegado por seu pai. Era filho de Peter Miller Watson, rico barão do açúcar na Guiana, com uma ex-escrava chamada Anna Rose.

O latifundiário assumiu a criança e a colocou em berço de ouro, deixando-lhe uma vasta herança quando Andrew ainda era adolescente.

Watson nasceu em Demerara, British Guiana, em 18 de maio de 1857 e tinha dupla nacionalidade (escocês).

O guianês foi educado no tradicional King’s College, de Londres e seguiu para a Universidade de Glasgow, onde estudou filosofia natural, matemática e engenharia.

E justamente na faculdade, quando tinha 19 anos, é que começou a ter contato com o futebol, cujas regras haviam sido estabelecidas 12 anos antes.

Pouco depois de iniciar a carreira no Maxwell e passar pelo Parkgrove, acertou com o Queen’s Park, grande potência do futebol britânico na época, para trilhar estrada vitoriosa.

Na equipe, esse zagueiro descrito como um jogador de grande velocidade, de ótimos passes e um chute poderoso, conseguiu ajudar sua equipe a conquistar dois títulos da Copa da Escócia (1880 e 1881), e assim tornou-se reconhecido nacionalmente, se transformando no primeiro negro a conquistar um torneio oficial.

O talento exibido no Queen’s Park não foi desperdiçado pela seleção escocesa, que utilizava o próprio clube como sua base. Watson acabou recebendo três convocações para seleção escocesa de futebol, no auge dos primeiros jogos de futebol internacionais.

A estréia foi no dia 12 de março de 1881 em um jogo histórico onde os escoceses venceram a Inglaterra por 6 a 1. Pouco tempo depois, fez mais dois jogos: Um contra o Pais de Gales e o último novamente contra a Inglaterra, todos com vitória dos escoceses.

Seu comportamento dentro e fora do campo eram algo digno de elogios e isso foi fundamental para sua transferência para o futebol inglês em 1882,onde foi pioneiro a disputar a Copa da Inglaterra, a competição mais antiga da história.   

Nas primeiras duas temporadas, Watson defendeu o Swifts Football Club, onde tornou-se o primeiro negro a jogar no campeonato inglês. Não conseguiu nenhum título, porém com seu prestígio ainda em alta foi jogar uma temporada pelo Corinthian F.C. que havia sido fundado alguns anos antes, e se tornara uma potência do amadorismo mesmo com o profissionalismo nascente.

Depois dessas passagens, voltou ao futebol escocês onde jogou dois anos no time que o levou a seleção, o Queen’s Park. Já em 1887 e casado pela segunda vez, Watson resolveu voltar a Inglaterra e jogou em seu último clube, o Bootle F.C.

O fim precoce da passagem de Watson pela seleção não foi por falta de interesse dos escoceses. O problema é que o defensor se mudou para Londres em 1882 e, na época, a equipe se limitava a convocar jogadores que atuassem no país.

Watson esteve em campo, inclusive, na emblemática vitória por 8 X 1 sobre o Blackburn, então campeão da Copa da Inglaterra e já profissionalizado.

Engenheiro formado e milionário, Andrew Watson preferiu manter-se no amadorismo. Voltou ao Queen’s Park, no qual também acumulou funções administrativas. E terminou a carreira no Bootle, os primeiros rivais do Everton.

Alguns associam o nome de Arthur Wharton como o primeiro jogador negro da história, ganês que era goleiro do Roterham Town, equipe da recém-criada segunda divisão do Campeonato Inglês.

Entretanto registros constataram que ele começou no futebol em 1885, já Watson deu inicio a sua em 1974, mais de uma década antes.

Arthur Wharton nasceu em 28 de outubro de 1865, em Jamestown/Usshertown, Accra e faleceu no dia 13 de dezembro de 1930, em Edlington, Reino Unido.

Já Watson encerrou a carreira em 1892, tendo se mudado para o Rio de Janeiro, logo após sua aposentadoria, onde trabalhou por alguns anos em navios e fez alguns testes para se qualificar como um engenheiro. Ele passou os últimos 20 anos de sua vida trabalhando como engenheiro naval em Liverpool.

Watson morreu em Londres, vítima de pneumonia em 8 de março de 1921. Seu corpo está enterrado do Cemitério de Richmond. Certamente, suas origens nobres ajudaram a ter as portas abertas, em uma época na qual o futebol era marcado pela divisão social. Mas não tanto pelo preconceito racial.

Não existem registros de jornal que relatem qualquer discriminação pela cor da pele do defensor – mas, curiosamente, apontam um estranhamento pelas chuteiras “coloridas” que usava, marrons, em uma época em que os calçados pretos eram dominantes.

Durante a década de 1920, Watson foi eleito para a melhor seleção escocesa da história. Um reconhecimento e tanto, mostrando também como superou qualquer barreira que se impusesse.

Pioneiro que não gerou uma miscigenação imediata, mas que poderia ser colocado ao lado de outros grandes, como Leônidas da Silva, Leandro Andrade, Larbi Benbarek.

Todos negros, que marcaram o futebol. E que são ignorados por um bando de imbecis que se acham no direito de usar o esporte para segregar e inferiorizar.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A morte de Tadeu Bauru

Morreu no sábado, 31, em Montenegro, sua cidade natal, o ex-jogador de futebol Luiz Tadeu Santos, mais conhecido por “Tadeu Bauru”, aos 64 anos de idade. Ele lutava contra uma doença degenerativa.

Tadeu começou sua carreira pela equipe do Gaúcho, de Passo Fundo, em 1970. Com a idade de 16 anos ele foi para as categorias de base do Internacional, de Porto Alegre.

Como profissional, integrou o time colorado nos anos 1970, tendo integrado o grupo de jogadores campeões brasileiros de 1975 e 1976 e do octacampeonato gaúcho, tendo jogado ao lado de craques como Falcão, Batista, Caçapava, Valdomiro e Manga.

Nos anos de 1976 e 1977 jogou no Operário, de Campo Grande (MS), que era treinado pelo ex-goleiro do Fluminense, do Rio de Janeiro, Carlos Castilho e tinha como grande destaque o goleiroManga.

Foi uma época em que os mato-grossenses tiveram destacada atuação no Campeonato Brasileiro, derrotaram equipes tradicionais como Coritiba, Fluminense, Santa Cruz , Remo e Palmeiras, chegando à semifinal, contra o São Paulo, e conquistando o terceiro lugar na competição.

No primeiro jogo, o Operário perdeu por 3 X 0 no Morumbi. Na segunda partida, no Morenão, em Campo Grande,  o Operário ganhou por 1 X 0, gol de Tadeu Bauru.

O presidente do Operário Futebol Clube, Estevão Petrallas, lamentou a morte do ídolo do clube. Segundo Petrallas, Tadeu faz parte da história do Operário, pois fez parte de uma geração que marcou o futebol local.

Depois, o jogador passou por outras equipes como Bahia, Cascavel, Caxias, São Paulo, de Rio Grande, Estrela e São José, sendo os quatro últimos do Rio Grande do Sul.

Tadeu já estava aposentado dos gramados, mas ainda chegou a trabalhar na formação de jogadores em Porto Alegre, antes de radicar-se em Montenegro, cidade a 55 quilômetros da Capital.

Em maio deste ano, ele recebeu da Câmara de Vereadores a “Honra ao Mérito Legislativo”, durante sessão solene que integrou a programação comemorativa do aniversário de 144 anos do município.

Em 2015 o ex-atleta também foi homenageado pelo Consulado do Internacional em Montenegro e a Associação dos Colorados de Montenegro (ASCOM), que colocou uma placa em seu estádio denominando-o de Luiz Tadeu Santos.

Depois foi realizado um jogo entre atletas veteranos da região, seguido de um almoço, quando foi apresentado um vídeo com depoimento de familiares e amigos do ex-atacante colorado.

O Internacional esteve representado no evento através de seu diretor de Relacionamento Social, Álvaro Bueno e do conselheiro Remy Suzin.

E, abrilhantando o almoço, estava presente o ex-companheiro de Tadeu no Inter, o saudoso Caçapava, que foi lá para abraçar e saudar o ex-companheiro. Outro ex-atleta que participou da homenagem foi Bibiano Pontes.

Além do cônsul colorado em Montenegro, José Airton Kerber, também participaram da cerimônia o prefeito municipal, Luiz Américo Aldana e o presidente da ASCOM, Valdoir Ramos Oliveira.

O corpo de Tadeu foi velado na Capela São João, e o enterro aconteceu no Cemitério Municipal do município de Montenegro. (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Um futebolista palestino preso em Israel

Não é fácil morar na Palestina. O espaço geográfico que, até 1948, pertencia completamente à ela, está hoje repartido em três regiões. Uma corresponde a Israel e as outras, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, são habitadas em grande parte por árabes de origem palestina, e compreendem o almejado Estado da Palestina. Mas continua ocupado por israelenses, na ausência de um tratado de paz definitivo.

O povo palestino se encontra atualmente disseminado em países árabes ou em territórios reservados aos refugiados. É difícil para todos, inclusive para quem se atreve a jogar futebol por lá.

A história de Mahmoud Sarsak é um exemplo das perseguições que esse povo sobre por parte dos israelitas. Sarsak foi preso em 22 de julho de 2009 no “Erez Crossing” (um cruzamento de fronteira na barreira de Israel-Gaza), quando viajava entre sua casa em Gaza e a Cisjordânia para se unir ao seu novo clube, o Balata Youth, uma equipe de futebol palestina fundada em 1954 e com sede no campo de refugiados de Balata, em Nablus.

Ele foi detido sob a suspeita de ser um combatente ilegal ligado ao Movimento da Jihad Islâmica, um grupo militante palestino, considerado terrorista pelos governos dos Estados Unidos, União Europeia, Japão, Austrália e Israel.

O mais estranho em tudo isso é que a Lei do Combatente Ilegal é uma lei israelense que só se aplica a não palestinos. Por exemplo, libaneses pegos dentro de Israel ou na fronteira podem ser chamados disso.

O serviço de segurança geral “Shin Bet”, uma das três principais organizações da comunidade de inteligência israelense, ao lado de Aman (inteligência militar) e do Mossad (serviço de inteligência estrangeiro) alegou que Sarsak havia plantado uma bomba que feriu um soldado israelense.

A agência disse que não tinha provas suficientes para um julgamento, mas mesmo assim ele foi mantido preso por três anos sem acusações formais. Em 2013 Sarsak disse que foi submetido a tortura física e mental durante o período em que esteve preso.

Os palestinos suspeitavam que Sarsak foi preso porque os israelenses tinham medo que ele - o jogador mais jovem a fazer parte da Liga Palestina, com apenas 14 anos - em breve estaria fazendo gols para algum time grande do mundo e tirando a camisa na comemoração para mostrar mensagens pró-Palestina, em vez de piadas medíocres e mensagens dos patrocinadores.

Além de Sarsak havia outros palestinos presos, até muitos doutores com PhD e jogadores profissionais de futebol. O lugar estava cheio de palestinos talentosos, o que reforçou a ideia de que se tratava de uma política de Israel para evitar que esses palestinos brilhassem e mostrassem seu lado civilizado para o mundo.

Os primeiros 45 dias preso foram os mais difíceis, já que foi torturado física, mental e verbalmente. Eles o transferiram para uma cela com outros prisioneiros por oito meses. Depois disso, foi chamado de volta por outros 12 dias e torturado e interrogado. Isso aconteceu três ou quatro vezes durante o período em que esteve recluso.

Sarsak começou uma greve de fome em 19 de março de 2012, depois que sua detenção administrativa foi renovada pela sexta vez.  Essa decisão foi uma resposta à morte de Zakaria Issa, um jogador de futebol internacional palestino que morreu pouco depois de ser libertado.

Zakariya Issa estava numa das celas e tinha câncer, mas eles nunca o ajudaram. Ele morreu naquela cela. Isso mexeu com Sarsak, que começou a pensar: “Preciso me ajudar porque ninguém mais vai”. Por exemplo, a FIFA não o estava ajudando naquela época.

Foi assim que decidiu pela greve de fome, que o fez perder metade de seu peso normal e ter os músculos prejudicados. Durante a greve de fome chegou perto da morte.

Ele insistiu em ser considerado como prisioneiro de guerra, porque foi detido sob a Lei de Combate de Ilícitos de Israel. E chegou a recusar uma proposta para sair do país exilado para a Noruega por três meses.  

O mundo passou a se interessar pelo caso. Em 5 de junho de 2012 foi organizado em Londres uma série de protestos visando chamar a atenção para a causa de Sarsak.

Em 8 de junho, a FIFPro (em português Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol), que representa futebolistas profissionais de todo o mundo, pediu a sua libertação imediata.

Juntaram-se a esse pedido Eric Cantona, ex-jogador francês, Frédéric Kanouté, futebolista do ano na África, o então presidente da UEFA, Michel Platini e o então presidente da FIFA, Sepp Blatter.

Sarsak também recebeu apoio dos futebolistas Abou Diaby, francês de origem marfinense e Lilian Thuram, ex-atleta também francês. E fora do futebol, do diretor de cinema britânico Ken Loach e do professor norte-americano Noam Chomsky, também solicitaram sua liberação.

Em 14 de junho, a “Amnistia Internacional” pediu que Sarsak fosse admitido no hospital ou libertado, sob a alegação que lhe tinha sido negado o acesso adequado a um tratamento médico.

No dia 14 de junho de 2012, Sarsak retomou o consumo de leite depois de se encontrar com autoridades israelenses. Em 18 daquele mês, o advogado dele disse ter aceito um acordo para acabar com a greve de fome em troca da liberdade.

Em 10 de julho de 2012, Israel liberou Sarsak da prisão. À sua chegada a Gaza, foi saudada com uma cerimônia de boas-vindas, na qual dezenas de membros da Jihad Islâmica Palestina (PIJ), presentes na cerimônia, derrubaram rifles no ar. Nafez Azzam, um dos líderes do grupo, descreveu Sarsak como "um dos nossos membros nobres".

As mulheres também acenavam as bandeiras pretas da PIJ nas casas próximas. As ruas foram decoradas com enormes fotos de Sarsak, que depois de sair de seu carro foi carregado nos ombros e beijou e abraçou amigos e familiares.

Na ocasião afirmou: "Esta é uma vitória para os prisioneiros e agradeço a todos os órgãos palestinos, árabes e internacionais e pessoas que me defenderam".

Quando saiu, se sentiu como se tivesse nascido de novo. Ficou muito feliz em ter liberdade e ver a família outra vez. Ao mesmo tempo ficou triste por deixar seus irmãos sofrendo na prisão.

Três anos de sua vida foram tirados. Ficou na prisão dos 21 aos 24 anos — alguns dos melhores anos na vida de um jogador de futebol. Foi prejudicado em termos de saúde e psicologicamente. Depois que saiu, demorou oito meses para ser fisicamente capaz de tentar jogar bola novamente.

Contou que o lobby sionista sempre tenta retratar Israel como um país civilizado, que age de acordo com as leis de direitos humanos, que são amantes da paz e tudo mais.

Israel chegou a pedir a alguns países europeus para que não deixassem Sardak entrar, dizendo que se tratava de um “terrorista”. E que eles tentam desacreditar e silenciar qualquer palestino que surja na mídia ocidental.

Desde a sua libertação, Sarsak procurou aumentar a conscientização sobre a perseguição dos jogadores de futebol palestinos pelo governo israelense e se opôs à participação do seu país no Campeonato Sub-21, realizado em Israel.

Ele contou que os israelenses usavam técnicas de tortura diferentes para pessoas diferentes. Eles costumavam lhe interrogar por vários dias e não o deixavam dormir. Uma sessão chegou a durar 14 horas contínuas. 

Certa ocasião eles amarraram Sarsak numa cadeira por algumas horas com música alta para que não conseguisse dormir. E depois as perguntas recomeçavam. Eles queriam que o futebolista admitisse algo que não tinha feito, para justificar a coisa toda, nacional e internacionalmente.

Em outra oportunidade ele foi amarrado numa cadeira e o lugar transformado em geladeira. A sala ficou numa temperatura de -12º ou -15ºC por cerca de meia hora. Quando Sarsak já estava quase desmaiando, eles o levaram ao hospital para ser reanimado. E começava o interrogatório de novo.

Quando criança Sarsak tinha como seus ídolos no futebol Alessandro Del Piero, Frank Lampard e Zinedine Zidane. Depois de se tornar jogador, ele atuou regularmente pelo time de futebol olímpico palestino e duas vezes na seleção nacional principal, concorrendo contra a China e o Iraque.

Sarsak cresceu num campo de refugiados na Faixa de Gaza. Havia um clube de futebol lá, onde treinava frequentemente. E acabou entrando no time jovem nacional da Palestina, depois no time nacional palestino e no time olímpico. Jogava de centroavante ou ala direita.

Existem duas estruturas de ligas por lá, uma na Cisjordânia e outra na Faixa de Gaza por causa da separação geográfica. A da Cisjordânia é um pouco mais organizada e mais regular, já que há mais estabilidade por lá.

Em Gaza, se consegue fazer um campeonato a cada quatro anos, pois são sempre interrompidos por ataques, incursões, bombardeios e tudo mais.

Em 2009 e em 2012, Israel destruiu os estádios de futebol da Palestina. A suspeita é de que eles queriam impedir os palestinos de mostrar uma face mais positiva e de se integrar com a comunidade internacional.

Os recursos são escassos e, obviamente, se torna um tanto perigoso reunir uma grande multidão, principalmente em Gaza. Mas os palestinos são torcedores devotados, vão aos jogos não importando o que aconteça.

Em Gaza, há um clube grande em Rafah, no campo de refugiados de al-Shati, e outro em Shejaia. E os palestinos são loucos pela Liga Espanhola. Metade das pessoas torce pelo Barcelona e metade para o Real Madrid. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 29 de agosto de 2017

O grande craque africano

Samuel Eto'o Fils, um dos maiores jogadores de futebol de Camarões, em todos os tempos, nasceu em Douala, no dia 10 de março de 1981.

Em 1997 foi contratado pelo Real Madrid, da Espanha, mas por ser menor de idade, teria de jogar pelo time B do clube espanhol. Naquele ano o time reserva do Real disputou a terceira Divisão Nacional, chamada de Segunda Divisão B, onde só podem atuar atletas europeus.

Por isso Eto'o foi emprestado ao Leganés para jogar a Segunda Divisão da temporada 1997-98, amargando o décimo terceiro lugar.

Mesmo jogando 30 partidas pelo Leganés, a participação de Et’o deixou a desejar, tendo marcado apenas quatro gols. Ao término da temporada voltou ao Real Madrid, que em janeiro de 1999 o emprestou novamente, dessa feita para o Espanyol, onde não foi aproveitado em nenhum jogo.

No ano seguinte, novo empréstimo, dessa vez para o Mallorca, onde teve um desempenho melhor, anotando seis gols e 19 partidas. No final da temporada, Eto'o saiu em definitivo do Real Madrid, sendo contratado em definitivo pelo Mallorca, que pagou cerca de 4,4 milhões de libras pela transferência.

Nessa sua segunda passagem pelo Mallorca, Eto’o rteve um desempenho muito bom, 6endo marcado 11 gols na temporada, o que fez com que fosse cobiçado por outros clubes. Mas o jogador disse que se sentia muito bem no Mallorca, onde foi sempre muito bem tratado.

E o jogador ficou mais de bem om a torcida ao doar 30 mil euros em refeições para a viagem dos torcedores do time, que foram assistir a final da Copa do Rei contra o Recreativo Huelva, em 2003. O Mallorca ganhou por 3X 0, com Eto'o marcando dois gols.

Mas nem tudo era um mar de rosas no relacionamento com o clube. Eto’o provocou vários incidentes fora de campo. O jornalista de TV, Bartolome Terrassa, prestou queixa a Polícia, acusando o jogador de tê-lo ameaçado de morte em um encontro casual entre os dois no estacionamento do estádio do clube.

Mas esse não foi o primeiro incidente envolvendo Eto’o. Um ano antes ele foi acusado por seu ex-agente, Daniel Argibeaut, de tê-lo assaltado com quatro cúmplices. Tiraram os sapatos do agredido, o que em Camarões significa ameaça de morte.

Eto'o deixou o Mallorca, para assinar com o Barcelona. Foi o maior artilheiro da história do clube com 54 gols em competições nacionais. Custou 24 milhões de euros. Houve uma disputa entre Real Madrid, que queria adquirir de novo os direitos sobre o jogador e o Barcelona.

O primeiro jogo de Eto’o com a camisa do Barcelona ocorreu em 29 de agosto de 2004, na abertura da temporada contra a equipe do Racing Santander. No ano seguinte o seu time foi campeão, e na festa de comemoração do título, no Camp Nou, Eto'o cantou "Madrid, cabrón, saluda al campeón" (Madrid, seus bastardos, saúdam os campeões).

Pela provocação, a Real Federação Espanhola de Futebol multou o jogador em 12 mil euros. Em vista disso Eto’o se desculpou, fazendo com que houvesse comentários dizendo que se tratava de um jogador fantástico, mas que deixava muito a desejar como pessoa.

Em 2006 foi artilheiro do campeonato, com 26 gols. E marcou seis vezes na campanha que deu o título ao Barcelona, na liga dos Campeões. E ainda foi eleito o Melhor Atacante do Ano pela UEFA. E para coroar o bom ano, foi premiado pela terceira vez consecutiva como o Jogador Africano do Ano.

Em 27 de setembro de 2006, num jogo frente o Werder Bremen, da Alemanha, pela Liga dos Campeões, Eto’o rompeu o menisco do joelho direito. Isso lhe custou cinco meses de recuperação, tendo voltado a treinar com o Barcelona só em  janeiro de 2007.

Num jogo pelo certame espanhol, em 11 de fevereiro de 2007, contra o Racing Santander, Eto’o, que estava no banco de reservas, se negou a substituir um jogador. Depois do jogo o técnico do Barcelona, Frank Rijkaard, disse não saber o motivo disso.

Também Ronaldinho, que na época jogava no Barcelona, criticou o companheiro, dizendo que Eto'o não estava colocando a equipe em primeiro lugar. Eto'o, então, reagiu ao comentário, alegando que não entrou na partida, por não ter um tempo correto de aquecimento.

Em 28 de agosto de 2008, durante um amistoso contra a Internazionale, de Milão, Eto'o teve uma nova lesão no joelho e foi afastado do clube por tempo indeterminado. Em 17 de outubro, quando ainda estava em recuperação, ganhou a cidadania espanhola.

E foi liberado para jogar novamente em 4 de dezembro. Uma semana depois estava em campo na vitória de 2 X 1 do Barcelona frente o Deportivo La Coruña, pela Liga Espanhola.

Na temporada 2008 ele marcou 16 gols. O grande destaque foi ter marcado três vezes em apenas 23 minutos, em uma vitória sobre o Almería.

Dois jogos depois, em 8 de novembro, Eto'o marcou quatro gols no primeiro tempo de jogo do Barcelona contra o Real Valladolid, que terminou 6 X 0. Em 29 de novembro de 2008, ele marcou seu 111º gol pelo Barcelona na vitória por 3 X 0 sobre o Sevilla, o que o colocou entre os 10 maiores artilheiros do clube em todos os tempos.

Em 2009 Eto’o deixou o Barcelona, indo para a Internazionale, de Milão, em troca por Zlatan Ibrahimović e mais 46 milhões de euros. O craque africano assinou contrato por cinco anos com o time italiano.

Em sua primeira entrevista coletiva no novo clube, Eto’o se recusou a comparações e disse: "Eu sou Samuel Eto'o e não quero me comparar a ninguém. Acredito que as vitórias que eu conquistei até agora podem contribuir para dar o valor correto para o meu nome"

No dia 8 de agosto, Eto'o marcou seu primeiro gol pela Inter,na Supercopa Italiana. Duas semanas depois, voltou a marcar, dessa feita de pênalti contra o Bari em seu primeiro jogo na Serie A.

No jogo seguinte, no Derby de Milão, Eto'o recebeu um pênalti após ter sido derrubado por Gennaro Gattuso na área. E marcou novamente no dia 13 de setembro contra o Parma, o seu primeiro gol com bola rolando em uma partida da Serie A.

Em dezembro de 2009, ficou na quinta colocação na eleição do prêmio Ballon d'Or, da revista France Football. O prêmio foi conquistado por seu ex-companheiro Lionel Messi.

Em 22 de maio de 2010, Eto'o jogou a terceira final de Champions League de sua carreira, e com o triunfo da Inter sobre o Bayern de Munique por 2 X 0, tornou-se o único jogador a conquistar a tríplice coroa (Campeonato, Copa e Liga dos Campeões) por duas temporadas consecutivas, pelo Barcelona e posteriormente pela Inter.

No dia 23 de agosto de 2011, o Anzhi Makhaclharamy, da Rússia, contratou Eto'o por 27 milhões de euros, assinando um vínculo válido por três temporadas. Em 29 de agosto de 2013, Eto'o foi apresentado oficialmente como jogador do Chelsea, por um ano de contrato.

Em 26 de agosto de 2014, Eto'o foi apresentado oficialmente como jogador do Everton, por duas temporadas. Em 24 de Janeiro de 2015 Samuel Eto'o de 33 anos assinou por dois anos e meio com o  Sampdoria, da Itália.


Em 25 de junho de 2015, Eto'o se mudou para o lado turco da Antalyaspor em um contrato de três anos. Ele estreou em 15 de agosto de 2015 em uma partida de liga contra İstanbul Başakşehir, marcando dois gols e ajudando o Antalyaspor a ganhar por 3 X 2. 

Eto'o teve um início impressionante da temporada, marcando 13 gols nos primeiros 15 jogos e foi nomeado o jogador-gerente interino da equipe depois que o treinador anterior, Yusuf Şimşek, foi demitido em 7 de dezembro. Ele continuou nesta capacidade até que José Morais foi contratado como substituto permanente de Şimşek em 6 de janeiro de 2016. 

Eto'o ganhou sua primeira chance na Seleção de Camarões um dia antes de seu aniversário de 16 anos, em um amistoso em que Camarões perdeu por 5 X 0 para a Costa Rica.

Em 1998, ele foi o mais jovem participante da Copa do Mundo. Na sua primeira aparição a Seleção de Camarões perdeu de 3 X 0 para a Itália no dia 17 de junho de 1998, quando ele já estava com 17 anos.

No dia 31 de maio de 2008, Eto'o envolveu-se em uma polêmica ao desferir uma cabeçada no repórter Philippe Bony, após um incidente numa conferência de imprensa de sua seleção. Bony sofreu uma lesão, mas Eto'o mais tarde pediu desculpas pela briga, oferecendo-se para pagar as despesas médicas de Bony.

Em 16 de dezembro de 2011, Eto'o envolveu-se em mais uma polêmica ao ser suspenso por 15 jogos pelo Federação Camaronesa de Futebol, após ter sido apontado como responsável por uma greve dos jogadores antes de um amistoso contra a Argélia, no início do ano seguinte.

Títulos conquistados. Mallorca: Copa do Rei (2002-2003); Barcelona: Campeão Espanhol (2004-2005, 2005-2006, 2008-2009; Supercopa da Espanha (2005 e 2006); Liga dos Campeões da UEFA (2005-2006 e 2008-2009; Copa do Rei (2008-2009); Internazionale: Copa da Itália (2009-2010 e 2010-2011); Campeão Italiano (2009-2010); Liga dos Campeões da UEFA (2009-2010); Supercopa da Itália (2010); Copa do Mundo de Clubes da FIFA (2010); Seleção Camaronesa: Olimpíadas (2000); Copa das Nações Africanas (2000 e 2002).

Prêmios individuais. Jogador Jovem Africano do Ano (2000); Futebolista Africano do Ano (2003, 2004, 2005 e 2010); ESM Equipe do Ano (2004-2005, 2005-2006, 2008-2009 e 2010-2011; FIFPro: 2005 e 2006; Time do Ano da UEFA (2005 e 2006); Terceiro melhor jogador do mundo pela FIFA (2005); Pichichi (2005-2006); Melhor atacante da Liga dos Campeões da UEFA (2005-2006); Liga dos Campeões da UEFA - Final homem-do-jogo (2006); Bola de Ouro da Copa do Mundo de Clubes da FIFA (2010); 54º melhor jogador do ano de 2012 (The Guardian); Campeonato Russo Top 33 jogadores - 1º Atacante Direita (2012-2013); Prémio Golden Foot (2015); Maior artilheiro da história da Seleção Camaronesa (55 gols); Maior artilheiro da história do Mallorca (54 gols); Maior artilheiro da história do Campeonato Africano das Nações (18 gols).

Artilharias. Barcelona: La Liga (2005-2006 - 26 gols); Internazionale: Supercopa da Itália (2010 - 2 gols); Seleção do Camarões: Campeonato Africano das Nações (2006 - 5 gols, 2008- 5 gols). (Pesquisa: Nilo Dias)



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Relembrando um grande artilheiro

Orlando de Azevedo Viana, mais conhecido como “Orlando Pingo de Ouro” foi um meia-esquerda de talento. Era rápido e muito inteligente, sabendo se deslocar muito bem e, por isso, sempre se colocando em condições de marcar muitos gols.

Tinha pouco mais de 1,65 m de altura e ainda assim conseguiu ser um artilheiro de gols memoráveis. Era um verdadeiro xodó da torcida do Fluminense, clube em que viveu grandes emoções. O grande ídolo tricolor de sua época.

Atacante hábil, inteligente, de deslocamentos rápidos, é até hoje o segundo maior artilheiro da história do clube. Fazia gols em quantidade e gols importantes, como o antológico gol de bicicleta que decidiu o Torneio Municipal de 1948, contra o expresso da vitória vascaíno. Ou o que abriu a contagem na vitória de 2 X 0 sobre o Corinthians, na primeira partida válida pela final da Copa Rio de 1952

Orlando se consagrou como o segundo maior artilheiro da História do Fluminense, do Rio de Janeiro, clube que defendeu por oito anos, de 1945 a 1953. Anotou 188 gols em 310 jogos pelo tricolor, onde estreou em 20 de outubro de 1945, na goleada de 5 X 1 sobre o Bonsucesso.

Reza a lenda que o apelido “Orlando Pingo de Ouro” surgiu depois dessa goleada sobre o Bonsucesso, em que ele fez quatro gols. Chovia muito, o que não impediu o meia-esquerda de mostrar todo o seu talento.

No dia seguinte, um jornalista teria escrito que Orlando “parecia um pingo d’água presente em todo o gramado, brilhando como se fosse ouro”.

Verdade ou não, o fato é que Orlando se tornou um dos grandes jogadores do futebol brasileiro na primeira metade do século passado e um dos grandes da história do Fluminense. Foi o artilheiro do Campeonato Carioca de 1948 e da Copa Rio de 1952.

Era pernambucano, de Recife, onde nasceu no dia 4 de dezembro de 1923, e faleceu aos 80 anos no dia 5 de Agosto de 2004 na cidade do Rio de Janeiro. Começou a carreira jogando pelo Náutico. Depois defendeu o Fluminense, Santos, Botafogo, Atlético Mineiro e Canto do Rio.

Foi dele o gol de bicicleta que deu o título ao Fluminense, do Torneio Municipal, na vitória por 1 X 0 sobre o Vasco, na época chamado de “Expresso da Vitória”. A partida foi disputada no Estádio General Severiano, do Botafogo.

Criado em 1938, o Torneio Municipal precedeu a Taça Guanabara e teve sua última edição em 1951. O Vasco brigava pelo quinto título seguido e chegou ao fim da competição empatado em pontos com o Fluminense.

Foi necessária uma melhor de três para apontar o campeão. Assim como em toda competição, o Vasco usou seus aspirantes, denominados de “Expressinho da Vitória”, nas duas primeiras partidas, com uma vitória para cada um.

No dia da grande final, os cruzmaltinos surpreenderam e entraram em campo com o time titular. Astros do “Expresso da Vitória”, como Barbosa, Ademir Menezes, Danilo Alvim, Chico e companhia, sob o comando do técnico Flávio Costa, pisaram o gramado.

Mas o tricolor não se abalou e partiu para cima do adversário. A pressão inicial deu resultado e “Orlando Pingo de Ouro” acrescentou mais um golaço para sua coleção, logo aos oito minutos.

O Vasco ficou visivelmente abalado com o gol e partiu para a violência, mas o Fluminense segurou bravamente o resultado, mesmo com dois jogadores fazendo número, devido à pontapés do adversário.

O tricolor conquistou um título com o coração de seus atletas e a cabeça do treinador Ondino Vieira. E, claro, com a bicicleta de “Orlando Pingo de Ouro”.

Ficha técnica: Data: 30 de Junho de 1948. Árbitro: Carlos de Oliveira Monteiro “Tijolo”. Público: 14.381 pagantes. Renda: Cr$ 207.072,00. Gol: Orlando Pingo de Ouro aos 8 minutos.

Fluminense: Castilho - Pé-de-Valsa e Haroldo. Índio - Mirim e Bigode. Cento-e-Nove – Simões – Rubinho - Orlando Pingo de Ouro e Rodrigues. Técnico: Ondino Vieira.

Vasco: Barbosa - Laerte e Wilson. Ely, Danilo e Jorge. Djalma – Maneca – Friaça - Ademir Menezes e Chico. Técnico: Flávio Costa.

Pela Seleção Brasileira, foi campeão Sul-Americano em 1949, quando disputou os seus três jogos pela seleção canarinho, fazendo dois gols, um em cada jogo, nas vitórias sobre a Colômbia, por 5 X 0 e contra o Peru, por 7 X 1, participando também com grande atuação da vitória na final contra o Uruguai, goleada de 5 X 1.

Mudou-se para o Santos e depois Botafogo. Em poucos meses, estava no Atlético, de Belo Horizonte onde teve que conviver com um drama: o tabu do tri. O Atlético liderava o número de títulos estaduais, possuía mais conquistas do que seus rivais Cruzeiro, América e Villa Nova, mas todos os seus rivais já haviam sido tricampeões. Só ele que não.

Orlando ajudou o time, dirigido pelo uruguaio Ricardo Díez, a enfim romper essa marca, após 39 campeonatos, ao atuar com Ubaldo, Amorim, Joel, Afonso, Osvaldo, Zé do Monte, Tomazinho e outras feras nas tardes de domingo no “Campo do Sete”, como era chamado o Estádio Independência, atualmente difundido em todo o Brasil como o "alçapão do Horto".

Principais títulos.  Fluminense: Copa Rio (1952); Campeão Carioca (1946 e 1951); Torneio Municipal (1948). Atlético Mineiro: Campeão Mineiro (1954 e 1955). Seleção Brasileira: Campeão Sul-Americano de Futebol (1949).

No primeiro titulo carioca que Orlando conquistou pelo Fluminense o time das Laranjeiras venceu na final o Botafogo por 1 X 0, no dia 22 de Dezembro de 1946 em partida disputada em São Januário.

O Fluminense jogou com: Robertinho - Guálter e Haroldo. Pascoal - Telesca e Bigode. Pedro Amorim - Careca - Ademir - Orlando e Rodrigues.

O Botafogo jogou com: Osvaldo - Gérson e Belacosa. Ivan - Nilton Santos e Juvenal. Nilo - Tovar, Heleno - Geninho e Braguinha.

“Orlando Pingo de Ouro” foi um dos introdutores do Futevôlei na praia, no Rio de Janeiro, ao lado do ex-jogador Octávio de Moraes, o "Tatá" do Botafogo e da seleção, filho da cronista Eneida, em 1965 na Rua Bolívar em Copacabana. (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Grêmio perde o seu patrono

Morreu ontem pela manhã, em sua casa, em Porto Alegre, o ex-presidente e atual patrono do Grêmio Portoalegrense, Hélio Volkmer Dourado, aos 87 anos de idade, vitima de infarto. O velório acontece no hall do portão A, da Arena e o corpo será cremado às 10 horas da manhã desta quarta-feira no Crematório Metropolitano de Porto Alegre.

Dourado era natural da cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul, onde nasceu em 20 de março de 1930. Tornou-se sócio do clube quando tinha 11 anos de idade. A carteirinha de associado foi um presente da mãe pelo seu aniversário.

Em 1940, com 10 anos de idade foi com a família morar em Porto Alegre. Lá estudou e formou-se médico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Carreira que por pouco não abandonou antes mesmo de iniciá-la para virar jogador do Grêmio.

Foi depois de um jogo do time de aspirantes, no campo do extinto Força e Luz, em Porto Alegre, que Dourado foi convidado a jogar no tricolor. Vestiu a camisa do clube apenas uma vez, num jogo contra o Renner, no estádio do adversário, em que seu time perdeu por 1 X 0.

Até que jogou bem, o que motivou os dirigentes gremistas a pedirem que ficasse no clube, Mas Dourado não aceitou, preferindo seguir os estudos. A desistência de ser jogador não o afastou do Grêmio. Pelo contrário. Aos 24 anos, comprou sua cadeira cativa no recém inaugurado Estádio Olímpico.

Em 1967 passou a fazer parte do Conselho Deliberativo do clube. Depois de passar por várias vice-presidências, foi eleito presidente pela primeira vez em dezembro de 1975.

Exerceu o cargo por seis anos consecutivos, até o final de 1981. Durante a sua gestão três fatos se sobressaíram: a construção do segundo anel do Estádio Olímpico; o fim da supremacia do Internacional, com a conquista do título estadual de 1977; e o de campeão brasileiro em 1981.

Hélio Dourado ainda continuou a trabalhar pelo Grêmio. Foi vice-presidente de Patrimônio, de 1998 a 2000. Depois assumiu a presidência da Comissão de Obras, até 2004. No mesmo ano, chegou a assumir a vice-presidência de futebol.

A sua indicação para ser um dos patronos gremistas ocorreu em 2014, por aprovação do Conselho Deliberativo. Os outros patronos são Fernando Kroeff e Aurélio de Lima Py.

O Grêmio sempre reconheceu o trabalho de Hélio Dourado, tanto é verdade que recebeu inúmeras homenagens: em 1997, foi agraciado com o título de “Grande Benemérito”. Em 2011, junto dos ex-atletas Roger e Émerson, deixou sua marca na “Calçada da Fama”, do Estádio Olímpico. E empresta o seu nome ao Centro de Treinamento que ajudou a construir, em Eldorado do Sul.

O "Centro de Treinamento Presidente Hélio Dourado", também conhecido como CT de Eldorado do Sul, é um complexo esportivo destinado aos treinos das categorias de base do Grêmio. Foi oficialmente inaugurado em 24 de setembro de 2000.

O complexo conta com nove campos de futebol, vestiários para os dois times, para a arbitragem, sala de imprensa e cabines de transmissão. A arquibancada do campo principal tem capacidade para cerca de 1.500 pessoas e foi batizada de “Pavilhão Airton Ferreira da Silva.”

Uma das últimas aparições públicas de Hélio Dourado dentro do Grêmio aconteceu em setembro de 2015, quando da festa de aniversário de 112 anos do clube.

Três anos depois da inauguração da Arena, ele visitou o novo estádio pela primeira vez. Dourado nunca foi favorável a saída do Olímpico, que ajudou a se tornar “Monumental”. Mesmo assim ficou visivelmente emocionado e prometeu voltar outras vezes

E cumpriu o prometido. Retornou a Arena quando da comemoração do pentacampeonato da Copa do Brasil, no ano passado. Mas sempre dizia da sua paixão pelo antigo Estádio Olímpico, que ajudou a construir e onde viu e viveu, como torcedor e dirigente, algumas das maiores emoções de sua vida, que se confundem com a própria história do Grêmio.

O ex-presidente Fábio Koff concorda em parte com Hélio Dourado, ao reconhecer que o Olímpico foi um empreendimento que deixou uma marca na cidade. “Em cada tijolo do velho estádio tem o esforço do presidente Hélio Dourado, que foi uma figura extraordinária”, disse Koff.

O Grêmio divulgou uma nota de pesar pelo falecimento de seu ex-dirigente: "É com imenso pesar que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense comunica o falecimento do ex-presidente e patrono, Hélio Dourado. Neste momento de dor, o Clube se solidariza com os seus familiares e amigos.“

Conquistas: Vice-Campeão Gaúcho (1974, 1975, 1976, 1978 e 1981); Campeão Gaúcho (1977, 1979 e 1980); Campeão do Trofeu Ciudad de Rosario – Argentina (1979); Campeão Brasileiro (1981); Campeão do Trofeu Ciudad de Valladolid – Espanha (1981); Campeão do Trofeu Torre del Vigia – Uruguai (1981) e Campeão da Copa El Salvador del Mundo – El Salvador (1981).

Hélio Dourado foi casado com Nina Rosa Lima Dourado e pai de cinco filhos: Karin (Pupe), Luiz Fernando (Di), Helinho, Denise e Fernanda Vitória. (Pesquisa: Nilo Dias)



sábado, 29 de julho de 2017

A morte continua presente no futebol brasileio

E continua a onda de morte de ex-jogadores brasileiros de futebol. Depois de Waldir Peres e Max, foi a vez de Perivaldo, que teve seu grande momento na carreira, jogando na lateral esquerda do Botafogo, do Rio de Janeiro, entre 1977 e 1982.

Perivaldo morreu na madrugada da última quinta-feira (27), vitimado por uma pneumonia. O ex-jogador, de 64 anos, também chamado de “Peri da Pituba”, estava internado com problemas pulmonares há uma semana no Hospital Universitário Gafrée Guinle, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Com a saúde bastante debilitada, Perivaldo não reagiu aos medicamentos e acabou falecendo.

O Botafogo, onde Perivaldo marcou época, decretou luto e homenageará seu ex-atleta com um minuto de silêncio no jogo de hoje, contra o São Paulo, no Estádio Nilton Santos. Em nota a direção do alvi-negro se solidarizou com familiares e amigos neste momento difícil.

Perivaldo era baiano de Itabuna, nscido em 12 de junho de 1953, tendo começado a carreira no clube de sua cidade e depois se transferiu para o Bahia, nos anos 70. Sem espaço na equipe baiana foi emprestado ao Ferroviário-CE, onde se destacou.

Na volta a Salvador acabou ganhando a condição de titular Em 1976, pelo tricolor baiano e 1981, pelo Botafogo, conquistou a “Bola de Prata” como o melhor lateral-direito do Campeonato Brasileiro.

Perivaldo marcou época no Botafogo, na época em que o clube tinha jogadores do nível de Mendonça, Dé e Paulo Cesar Caju. Era um jogador vigoroso, que sabia apoiar muito bem.

Foi no “Glorioso” que viveu o melhor momento de sua carreira, sendo, inclusive, convocado pelo técnico Telê Santana para a Seleção Brasileira de 1982, que tinha no time Falcão, Zico e Sócrates. Disputou vaga com Leandro e Edevaldo

Ele também acumulou passagens por Palmeiras, São Paulo, Bangu e Yukong Elephants, da Coreia do Sul, onde encerrou a carreira.

Após pendurar as chuteiras, Perivaldo passou por um forte drama. Recentemente, estava morando na rua, em Lisboa, Portugal, como mendigo.

Depois de uma matéria divulgada pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo, em 2013, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (Saferj) se mobilizou e, por iniciativa do presidente Alfredo Sampaio, ajudou a trazer o ex-jogador de volta para o Rio de Janeiro, oferecendo trabalho a ele.

O "Peri da Pituba", que declarou à época ter ganho uma "chance da vida", morou nos seus últimos anos de vida em uma casa no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Morre ex-goleiro do Botafogo (RJ)

A semana não foi nada boa para o futebol brasileiro. No domingo morreu o ex- goleiro Waldir Peres e ontem, quarta-feira, foi a vez do também ex-goleiro Maxlei dos Santos Luzia, o “Max”, de 42 anos, que se tornou conhecido quando jogava pelo Botafogo, do Rio de Janeiro, entre 2002 e 2008.

Ele estava internado há 20 dias no Hospital da Lagoa, na Zona Sul do Rio de Janeiro, depois de sofrer danos irreversíveis, decorrentes de um acidente de carro, quando de uma tentativa de assalto em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde morava.

Max estava com a esposa, Marilda, quando o carro que dirigia foi atingido por outro automóvel, de onde saíram quatro bandidos armados. O goleiro também se feriu na mão, mas ele e a mulher voltaram para casa sem maiores ferimentos.

Marilda relatou ao jornal "O Dia" que, cerca de duas semanas depois, seu esposo começou a sentir fortes dores de cabeça. Após exames, ele foi finalmente internado no dia 26, mas seu estado piorou.

Max foi submetido a testes neurológicos, ontem, quarta-feira e, assim como na terça-feira, não respondeu aos estímulos. Os exames apontaram uma possível doença autoimune, que dificultou o tratamento. Além da esposa Marilda, deixou um filho de 12 anos de idade.

Nascido em 27 de fevereiro de 1975, Max começou a carreira na Portuguesa Carioca. No time da Ilha, faturou seu primeiro título profissional logo aos 21 anos: o da Segunda Divisão do Campeonato Carioca.

Ficou na “Lusa” até 1999, quando transferiu-se para o Bangu. Lá, ficou pouco tempo antes de voltar à Portuguesa e passar discretamente pelo Friburguense. Pelo América, em 2001, viveu momentos mais destacados e acabou chamando a atenção do Botafogo, que o contratou.

Inicialmente reserva de Carlos Germano no time de General Severiano, Max foi alçado à titular no difícil ano de 2003, quando o “Glorioso” jogou a Série B do Campeonato Brasileiro pela primeira vez. No entanto, ele se firmou e acabou levando o time ao acesso.

No Botafogo, conquistou a Taça Guanabara e o Campeonato Carioca de 2006, além de uma Taça Rio no ano seguinte. Em 2008, finalmente deixou o “Fogão” e passou a rodar por clubes como Vila Nova (GO), onde foi pego no exame anti-dopping num jogo conta a Anapolina, por usar um remédio para dor de cabeça.

Depois foi para o Itumbiara (GO), Joinville (SC), onde foi campeão da Série C, em 2011, Boa Esporte (MG), Gama (DF) e Barra da Tijuca, do Rio Janeiro, seu último clube profissional.

Em 2014, ao lado de outros veteranos, ele foi titular na boa campanha do “Tricolor da Zona Oeste”, na Série B do “Campeonato Carioca”, perdendo por pouco o acesso inédito à elite. Depois da “Segundona”, Max se aposentou definitivamente do futebol.

Em nota oficial, o Botafogo lamentou a morte de seu ex-atleta, ao mesmo tempo em que confirmou a homenagem que foi prestada a ele, no jogo de ontem a noite contra o Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil, no “Engenhão”, com um minuto de silêncio.

O Vila Nova também expediu nota em seu site dizendo “que é com muita tristeza que hoje nos despedimos de Max, atleta que honrou como poucos o manto colorado. Nossos sinceros sentimentos a toda família, amigos e fãs do goleiro. Vá em paz, guerreiro! “.  Já a Portuguesa Carioca decretou luto oficial por três dias.

Títulos conquistados. Botafogo: Campeão da Taça Guanabara (2006); Campeão Carioca (2006); Taça Rio (2007). Joinville: Campeão da Copa Santa Catarina (2011); Campeão da Série C do Brasileirão (2011) e Boa Esporte, Campeão da Taça Minas Gerais (2012). 

Outra notícia triste no futebol: João Pedro da Silva Rocha, gaúcho de 21 anos, morreu na tarde de terça-feira, em um treino do Sport Clube Campo Mourão, da cidade de igual nome na região Centro-Oeste do Estado, que disputará a Terceira Divisão do Campeonato Paranaense. 

O jovem participava de uma avaliação junto com outros 35 atletas, quando sentiu-se mal, caiu no gramado e morreu de um ataque cardíaco fulminante.

Segundo o presidente do clube, Luiz Carlos Khel, o atleta de Porto Alegre ficou no terceiro time já que havia participado de uma peneira em Belo Horizonte e, ao entrar no gramado, “deu um passe na bola, reclamou que não estava se sentindo bem e caiu”.

Imediatamente, Khel entrou em contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o médico de plantão orientou os profissionais do clube a colocar o rapaz deitado de lado e aguardar a chegada da equipe de saúde.

Segundo o dirigente, a ambulância do SAMU chegou ao local em aproximadamente oito minutos, já que passava pela região no momento da fatalidade. “Cumprimos as orientações do médico, mas, infelizmente, o rapaz teve um ataque fulminante e morreu na hora. Lamentamos muito o fato e prestamos todo o apoio a família”, revelou Khel.
  
João Pedro da Silva Rocha teve passagens pela base de Inter e Grêmio em Porto Alegre. O corpo do jovem chegou na manhã desta quinta-feira a Capital do Rio Grande do Sul, onde foi sepultado. (Pesquisa: Nilo Dias)

terça-feira, 25 de julho de 2017

A tragédia de Valley Parade

No dia 11 de maio de 1986 aconteceu uma das maiores tragédias da história do futebol, quando um incêndio de grandes proporções matou 56 torcedores e deixou mais de 250 feridos, no estádio de Valley Parade, em Bradford, na Inglaterra. Na ocasião jogavam as equipes do Bradford City, já campeão e do Lincoln City, pela Terceira Divisão Inglesa.

O fogo começou pouco antes do término da primeira etapa na Tribuna de Honra, construída em 1908. O árbitro da partida, Don Shaw, avisado por uno dos seus auxiliares terminou o primeiro tempo três minutos antes.

Graças a isso a maior parte dos torcedores conseguiu pular para o campo de jogo, pondo-se a salvo, visto que os portões estavam fechados para evitar que alguém entrasse sem pagar ingresso.

As investigações realizadas depois da tragédia, concluíram que a causa do incêndio foi um cigarro mal apagado, jogado no lixo acumulado de anos, abaixo dos assentos de madeira, causando um efeito devastador.

Em questão de quatro minutos o fogo se espalhou. Não fosse a ação de um torcedor eu pediu socorro aos fiscais de segurança do estádio, a tragédia poderia ter sido maior.

Morreram 54 torcedores do Bradford e dois do Lincoln. A maioria morreu esmagada em uma das saídas, que estava fechada e ficaram presas nas roletas. Outros morreram tentando sair pelos banheiros. Também pereceram dois idosos sentados na arquibancada, incluindo um ex-presidente do Bradford City, Sam Firth, de 86 anos.

O desastre poderia ter ceifado mais vidas, não fosse também o heroísmo de algumas pessoas que salvaram muitos torcedores, forçando as saídas do estádio, enquanto populares nas ruas ajudaram a arrebentar os portões, permitindo a fuga dos torcedores em pânico.

Ainda bem que o velho e arcaico estádio não tinha tela de proteção que impedisse parte da torcida de ir para dentro do gramado. Se existisse a tela, certamente o número de mortos chegaria a milhares de pessoas.

A tragédia serviu para que as autoridades britânicas decidissem por aplicar uma nova legislação que combatesse a insegurança e os atos de vandalismo, nos estádios esportivos.

Como consequência do devastador incêndio, o Bradford City se viu obrigado a jogar suas partidas na temporada 85/86 e na primeira rodada de 86/87 em outros estádios. Estas foram jogadas no Odsal Stadium, de Bradford, propriedade do Bradford Bulls, no Leeds Road, do Huddersfield Town e no Elland Road, do Leeds United. Em 14 de dezembro de 1986, perante um público de 15 mil torcedores foi inaugurado o novo estádio do Bradford City.

O Valley Parade foi construído em 1886, servindo de sede ao Manningham Rugby Football Club, até 1903, quando a equipe deixou de praticar o rugby football, e trocou sua atividade principal para o futebol, passando a chamar-se Bradford City.

Desde então o Valley Parade passou a ser o local de jogos do clube, ainda que o estádio fosse propriedade de um fundo de pensões. O presidente da instituição era Gordon Gibb. Em 17 de março de 1932, o Bradford City adquiriu a área.

O estádio também serviu para os jogos do Bradford (Park Avenue) por uma temporada e pela equipe de rugby Bradford Bulls, por dois anos. Assim como para jogos das seleções menores da Inglaterra.

O arquiteto Archibald Leitch foi encarregado da remodelação do estádio quando o Bradford City subiu para a Primeira Divisão do futebol inglês, em 1908. Desde então o estádio não experimentou maiores reformas até 11 de maio de 1985, data da tragédia.

O público recorde no estádio aconteceu em 1911, quando 39.146 torcedores assistiram o jogo entre Bradford City X Burnley, pela FA Cup.