Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Relembrando um grande artilheiro

Orlando de Azevedo Viana, mais conhecido como “Orlando Pingo de Ouro” foi um meia-esquerda de talento. Era rápido e muito inteligente, sabendo se deslocar muito bem e, por isso, sempre se colocando em condições de marcar muitos gols.

Tinha pouco mais de 1,65 m de altura e ainda assim conseguiu ser um artilheiro de gols memoráveis. Era um verdadeiro xodó da torcida do Fluminense, clube em que viveu grandes emoções. O grande ídolo tricolor de sua época.

Atacante hábil, inteligente, de deslocamentos rápidos, é até hoje o segundo maior artilheiro da história do clube. Fazia gols em quantidade e gols importantes, como o antológico gol de bicicleta que decidiu o Torneio Municipal de 1948, contra o expresso da vitória vascaíno. Ou o que abriu a contagem na vitória de 2 X 0 sobre o Corinthians, na primeira partida válida pela final da Copa Rio de 1952

Orlando se consagrou como o segundo maior artilheiro da História do Fluminense, do Rio de Janeiro, clube que defendeu por oito anos, de 1945 a 1953. Anotou 188 gols em 310 jogos pelo tricolor, onde estreou em 20 de outubro de 1945, na goleada de 5 X 1 sobre o Bonsucesso.

Reza a lenda que o apelido “Orlando Pingo de Ouro” surgiu depois dessa goleada sobre o Bonsucesso, em que ele fez quatro gols. Chovia muito, o que não impediu o meia-esquerda de mostrar todo o seu talento.

No dia seguinte, um jornalista teria escrito que Orlando “parecia um pingo d’água presente em todo o gramado, brilhando como se fosse ouro”.

Verdade ou não, o fato é que Orlando se tornou um dos grandes jogadores do futebol brasileiro na primeira metade do século passado e um dos grandes da história do Fluminense. Foi o artilheiro do Campeonato Carioca de 1948 e da Copa Rio de 1952.

Era pernambucano, de Recife, onde nasceu no dia 4 de dezembro de 1923, e faleceu aos 80 anos no dia 5 de Agosto de 2004 na cidade do Rio de Janeiro. Começou a carreira jogando pelo Náutico. Depois defendeu o Fluminense, Santos, Botafogo, Atlético Mineiro e Canto do Rio.

Foi dele o gol de bicicleta que deu o título ao Fluminense, do Torneio Municipal, na vitória por 1 X 0 sobre o Vasco, na época chamado de “Expresso da Vitória”. A partida foi disputada no Estádio General Severiano, do Botafogo.

Criado em 1938, o Torneio Municipal precedeu a Taça Guanabara e teve sua última edição em 1951. O Vasco brigava pelo quinto título seguido e chegou ao fim da competição empatado em pontos com o Fluminense.

Foi necessária uma melhor de três para apontar o campeão. Assim como em toda competição, o Vasco usou seus aspirantes, denominados de “Expressinho da Vitória”, nas duas primeiras partidas, com uma vitória para cada um.

No dia da grande final, os cruzmaltinos surpreenderam e entraram em campo com o time titular. Astros do “Expresso da Vitória”, como Barbosa, Ademir Menezes, Danilo Alvim, Chico e companhia, sob o comando do técnico Flávio Costa, pisaram o gramado.

Mas o tricolor não se abalou e partiu para cima do adversário. A pressão inicial deu resultado e “Orlando Pingo de Ouro” acrescentou mais um golaço para sua coleção, logo aos oito minutos.

O Vasco ficou visivelmente abalado com o gol e partiu para a violência, mas o Fluminense segurou bravamente o resultado, mesmo com dois jogadores fazendo número, devido à pontapés do adversário.

O tricolor conquistou um título com o coração de seus atletas e a cabeça do treinador Ondino Vieira. E, claro, com a bicicleta de “Orlando Pingo de Ouro”.

Ficha técnica: Data: 30 de Junho de 1948. Árbitro: Carlos de Oliveira Monteiro “Tijolo”. Público: 14.381 pagantes. Renda: Cr$ 207.072,00. Gol: Orlando Pingo de Ouro aos 8 minutos.

Fluminense: Castilho - Pé-de-Valsa e Haroldo. Índio - Mirim e Bigode. Cento-e-Nove – Simões – Rubinho - Orlando Pingo de Ouro e Rodrigues. Técnico: Ondino Vieira.

Vasco: Barbosa - Laerte e Wilson. Ely, Danilo e Jorge. Djalma – Maneca – Friaça - Ademir Menezes e Chico. Técnico: Flávio Costa.

Pela Seleção Brasileira, foi campeão Sul-Americano em 1949, quando disputou os seus três jogos pela seleção canarinho, fazendo dois gols, um em cada jogo, nas vitórias sobre a Colômbia, por 5 X 0 e contra o Peru, por 7 X 1, participando também com grande atuação da vitória na final contra o Uruguai, goleada de 5 X 1.

Mudou-se para o Santos e depois Botafogo. Em poucos meses, estava no Atlético, de Belo Horizonte onde teve que conviver com um drama: o tabu do tri. O Atlético liderava o número de títulos estaduais, possuía mais conquistas do que seus rivais Cruzeiro, América e Villa Nova, mas todos os seus rivais já haviam sido tricampeões. Só ele que não.

Orlando ajudou o time, dirigido pelo uruguaio Ricardo Díez, a enfim romper essa marca, após 39 campeonatos, ao atuar com Ubaldo, Amorim, Joel, Afonso, Osvaldo, Zé do Monte, Tomazinho e outras feras nas tardes de domingo no “Campo do Sete”, como era chamado o Estádio Independência, atualmente difundido em todo o Brasil como o "alçapão do Horto".

Principais títulos.  Fluminense: Copa Rio (1952); Campeão Carioca (1946 e 1951); Torneio Municipal (1948). Atlético Mineiro: Campeão Mineiro (1954 e 1955). Seleção Brasileira: Campeão Sul-Americano de Futebol (1949).

No primeiro titulo carioca que Orlando conquistou pelo Fluminense o time das Laranjeiras venceu na final o Botafogo por 1 X 0, no dia 22 de Dezembro de 1946 em partida disputada em São Januário.

O Fluminense jogou com: Robertinho - Guálter e Haroldo. Pascoal - Telesca e Bigode. Pedro Amorim - Careca - Ademir - Orlando e Rodrigues.

O Botafogo jogou com: Osvaldo - Gérson e Belacosa. Ivan - Nilton Santos e Juvenal. Nilo - Tovar, Heleno - Geninho e Braguinha.

“Orlando Pingo de Ouro” foi um dos introdutores do Futevôlei na praia, no Rio de Janeiro, ao lado do ex-jogador Octávio de Moraes, o "Tatá" do Botafogo e da seleção, filho da cronista Eneida, em 1965 na Rua Bolívar em Copacabana. (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Grêmio perde o seu patrono

Morreu ontem pela manhã, em sua casa, em Porto Alegre, o ex-presidente e atual patrono do Grêmio Portoalegrense, Hélio Volkmer Dourado, aos 87 anos de idade, vitima de infarto. O velório acontece no hall do portão A, da Arena e o corpo será cremado às 10 horas da manhã desta quarta-feira no Crematório Metropolitano de Porto Alegre.

Dourado era natural da cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul, onde nasceu em 20 de março de 1930. Tornou-se sócio do clube quando tinha 11 anos de idade. A carteirinha de associado foi um presente da mãe pelo seu aniversário.

Em 1940, com 10 anos de idade foi com a família morar em Porto Alegre. Lá estudou e formou-se médico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Carreira que por pouco não abandonou antes mesmo de iniciá-la para virar jogador do Grêmio.

Foi depois de um jogo do time de aspirantes, no campo do extinto Força e Luz, em Porto Alegre, que Dourado foi convidado a jogar no tricolor. Vestiu a camisa do clube apenas uma vez, num jogo contra o Renner, no estádio do adversário, em que seu time perdeu por 1 X 0.

Até que jogou bem, o que motivou os dirigentes gremistas a pedirem que ficasse no clube, Mas Dourado não aceitou, preferindo seguir os estudos. A desistência de ser jogador não o afastou do Grêmio. Pelo contrário. Aos 24 anos, comprou sua cadeira cativa no recém inaugurado Estádio Olímpico.

Em 1967 passou a fazer parte do Conselho Deliberativo do clube. Depois de passar por várias vice-presidências, foi eleito presidente pela primeira vez em dezembro de 1975.

Exerceu o cargo por seis anos consecutivos, até o final de 1981. Durante a sua gestão três fatos se sobressaíram: a construção do segundo anel do Estádio Olímpico; o fim da supremacia do Internacional, com a conquista do título estadual de 1977; e o de campeão brasileiro em 1981.

Hélio Dourado ainda continuou a trabalhar pelo Grêmio. Foi vice-presidente de Patrimônio, de 1998 a 2000. Depois assumiu a presidência da Comissão de Obras, até 2004. No mesmo ano, chegou a assumir a vice-presidência de futebol.

A sua indicação para ser um dos patronos gremistas ocorreu em 2014, por aprovação do Conselho Deliberativo. Os outros patronos são Fernando Kroeff e Aurélio de Lima Py.

O Grêmio sempre reconheceu o trabalho de Hélio Dourado, tanto é verdade que recebeu inúmeras homenagens: em 1997, foi agraciado com o título de “Grande Benemérito”. Em 2011, junto dos ex-atletas Roger e Émerson, deixou sua marca na “Calçada da Fama”, do Estádio Olímpico. E empresta o seu nome ao Centro de Treinamento que ajudou a construir, em Eldorado do Sul.

O "Centro de Treinamento Presidente Hélio Dourado", também conhecido como CT de Eldorado do Sul, é um complexo esportivo destinado aos treinos das categorias de base do Grêmio. Foi oficialmente inaugurado em 24 de setembro de 2000.

O complexo conta com nove campos de futebol, vestiários para os dois times, para a arbitragem, sala de imprensa e cabines de transmissão. A arquibancada do campo principal tem capacidade para cerca de 1.500 pessoas e foi batizada de “Pavilhão Airton Ferreira da Silva.”

Uma das últimas aparições públicas de Hélio Dourado dentro do Grêmio aconteceu em setembro de 2015, quando da festa de aniversário de 112 anos do clube.

Três anos depois da inauguração da Arena, ele visitou o novo estádio pela primeira vez. Dourado nunca foi favorável a saída do Olímpico, que ajudou a se tornar “Monumental”. Mesmo assim ficou visivelmente emocionado e prometeu voltar outras vezes

E cumpriu o prometido. Retornou a Arena quando da comemoração do pentacampeonato da Copa do Brasil, no ano passado. Mas sempre dizia da sua paixão pelo antigo Estádio Olímpico, que ajudou a construir e onde viu e viveu, como torcedor e dirigente, algumas das maiores emoções de sua vida, que se confundem com a própria história do Grêmio.

O ex-presidente Fábio Koff concorda em parte com Hélio Dourado, ao reconhecer que o Olímpico foi um empreendimento que deixou uma marca na cidade. “Em cada tijolo do velho estádio tem o esforço do presidente Hélio Dourado, que foi uma figura extraordinária”, disse Koff.

O Grêmio divulgou uma nota de pesar pelo falecimento de seu ex-dirigente: "É com imenso pesar que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense comunica o falecimento do ex-presidente e patrono, Hélio Dourado. Neste momento de dor, o Clube se solidariza com os seus familiares e amigos.“

Conquistas: Vice-Campeão Gaúcho (1974, 1975, 1976, 1978 e 1981); Campeão Gaúcho (1977, 1979 e 1980); Campeão do Trofeu Ciudad de Rosario – Argentina (1979); Campeão Brasileiro (1981); Campeão do Trofeu Ciudad de Valladolid – Espanha (1981); Campeão do Trofeu Torre del Vigia – Uruguai (1981) e Campeão da Copa El Salvador del Mundo – El Salvador (1981).

Hélio Dourado foi casado com Nina Rosa Lima Dourado e pai de cinco filhos: Karin (Pupe), Luiz Fernando (Di), Helinho, Denise e Fernanda Vitória. (Pesquisa: Nilo Dias)



sábado, 29 de julho de 2017

A morte continua presente no futebol brasileio

E continua a onda de morte de ex-jogadores brasileiros de futebol. Depois de Waldir Peres e Max, foi a vez de Perivaldo, que teve seu grande momento na carreira, jogando na lateral esquerda do Botafogo, do Rio de Janeiro, entre 1977 e 1982.

Perivaldo morreu na madrugada da última quinta-feira (27), vitimado por uma pneumonia. O ex-jogador, de 64 anos, também chamado de “Peri da Pituba”, estava internado com problemas pulmonares há uma semana no Hospital Universitário Gafrée Guinle, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Com a saúde bastante debilitada, Perivaldo não reagiu aos medicamentos e acabou falecendo.

O Botafogo, onde Perivaldo marcou época, decretou luto e homenageará seu ex-atleta com um minuto de silêncio no jogo de hoje, contra o São Paulo, no Estádio Nilton Santos. Em nota a direção do alvi-negro se solidarizou com familiares e amigos neste momento difícil.

Perivaldo era baiano de Itabuna, nscido em 12 de junho de 1953, tendo começado a carreira no clube de sua cidade e depois se transferiu para o Bahia, nos anos 70. Sem espaço na equipe baiana foi emprestado ao Ferroviário-CE, onde se destacou.

Na volta a Salvador acabou ganhando a condição de titular Em 1976, pelo tricolor baiano e 1981, pelo Botafogo, conquistou a “Bola de Prata” como o melhor lateral-direito do Campeonato Brasileiro.

Perivaldo marcou época no Botafogo, na época em que o clube tinha jogadores do nível de Mendonça, Dé e Paulo Cesar Caju. Era um jogador vigoroso, que sabia apoiar muito bem.

Foi no “Glorioso” que viveu o melhor momento de sua carreira, sendo, inclusive, convocado pelo técnico Telê Santana para a Seleção Brasileira de 1982, que tinha no time Falcão, Zico e Sócrates. Disputou vaga com Leandro e Edevaldo

Ele também acumulou passagens por Palmeiras, São Paulo, Bangu e Yukong Elephants, da Coreia do Sul, onde encerrou a carreira.

Após pendurar as chuteiras, Perivaldo passou por um forte drama. Recentemente, estava morando na rua, em Lisboa, Portugal, como mendigo.

Depois de uma matéria divulgada pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo, em 2013, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (Saferj) se mobilizou e, por iniciativa do presidente Alfredo Sampaio, ajudou a trazer o ex-jogador de volta para o Rio de Janeiro, oferecendo trabalho a ele.

O "Peri da Pituba", que declarou à época ter ganho uma "chance da vida", morou nos seus últimos anos de vida em uma casa no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 27 de julho de 2017

Morre ex-goleiro do Botafogo (RJ)

A semana não foi nada boa para o futebol brasileiro. No domingo morreu o ex- goleiro Waldir Peres e ontem, quarta-feira, foi a vez do também ex-goleiro Maxlei dos Santos Luzia, o “Max”, de 42 anos, que se tornou conhecido quando jogava pelo Botafogo, do Rio de Janeiro, entre 2002 e 2008.

Ele estava internado há 20 dias no Hospital da Lagoa, na Zona Sul do Rio de Janeiro, depois de sofrer danos irreversíveis, decorrentes de um acidente de carro, quando de uma tentativa de assalto em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde morava.

Max estava com a esposa, Marilda, quando o carro que dirigia foi atingido por outro automóvel, de onde saíram quatro bandidos armados. O goleiro também se feriu na mão, mas ele e a mulher voltaram para casa sem maiores ferimentos.

Marilda relatou ao jornal "O Dia" que, cerca de duas semanas depois, seu esposo começou a sentir fortes dores de cabeça. Após exames, ele foi finalmente internado no dia 26, mas seu estado piorou.

Max foi submetido a testes neurológicos, ontem, quarta-feira e, assim como na terça-feira, não respondeu aos estímulos. Os exames apontaram uma possível doença autoimune, que dificultou o tratamento. Além da esposa Marilda, deixou um filho de 12 anos de idade.

Nascido em 27 de fevereiro de 1975, Max começou a carreira na Portuguesa Carioca. No time da Ilha, faturou seu primeiro título profissional logo aos 21 anos: o da Segunda Divisão do Campeonato Carioca.

Ficou na “Lusa” até 1999, quando transferiu-se para o Bangu. Lá, ficou pouco tempo antes de voltar à Portuguesa e passar discretamente pelo Friburguense. Pelo América, em 2001, viveu momentos mais destacados e acabou chamando a atenção do Botafogo, que o contratou.

Inicialmente reserva de Carlos Germano no time de General Severiano, Max foi alçado à titular no difícil ano de 2003, quando o “Glorioso” jogou a Série B do Campeonato Brasileiro pela primeira vez. No entanto, ele se firmou e acabou levando o time ao acesso.

No Botafogo, conquistou a Taça Guanabara e o Campeonato Carioca de 2006, além de uma Taça Rio no ano seguinte. Em 2008, finalmente deixou o “Fogão” e passou a rodar por clubes como Vila Nova (GO), onde foi pego no exame anti-dopping num jogo conta a Anapolina, por usar um remédio para dor de cabeça.

Depois foi para o Itumbiara (GO), Joinville (SC), onde foi campeão da Série C, em 2011, Boa Esporte (MG), Gama (DF) e Barra da Tijuca, do Rio Janeiro, seu último clube profissional.

Em 2014, ao lado de outros veteranos, ele foi titular na boa campanha do “Tricolor da Zona Oeste”, na Série B do “Campeonato Carioca”, perdendo por pouco o acesso inédito à elite. Depois da “Segundona”, Max se aposentou definitivamente do futebol.

Em nota oficial, o Botafogo lamentou a morte de seu ex-atleta, ao mesmo tempo em que confirmou a homenagem que foi prestada a ele, no jogo de ontem a noite contra o Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil, no “Engenhão”, com um minuto de silêncio.

O Vila Nova também expediu nota em seu site dizendo “que é com muita tristeza que hoje nos despedimos de Max, atleta que honrou como poucos o manto colorado. Nossos sinceros sentimentos a toda família, amigos e fãs do goleiro. Vá em paz, guerreiro! “.  Já a Portuguesa Carioca decretou luto oficial por três dias.

Títulos conquistados. Botafogo: Campeão da Taça Guanabara (2006); Campeão Carioca (2006); Taça Rio (2007). Joinville: Campeão da Copa Santa Catarina (2011); Campeão da Série C do Brasileirão (2011) e Boa Esporte, Campeão da Taça Minas Gerais (2012). 

Outra notícia triste no futebol: João Pedro da Silva Rocha, gaúcho de 21 anos, morreu na tarde de terça-feira, em um treino do Sport Clube Campo Mourão, da cidade de igual nome na região Centro-Oeste do Estado, que disputará a Terceira Divisão do Campeonato Paranaense. 

O jovem participava de uma avaliação junto com outros 35 atletas, quando sentiu-se mal, caiu no gramado e morreu de um ataque cardíaco fulminante.

Segundo o presidente do clube, Luiz Carlos Khel, o atleta de Porto Alegre ficou no terceiro time já que havia participado de uma peneira em Belo Horizonte e, ao entrar no gramado, “deu um passe na bola, reclamou que não estava se sentindo bem e caiu”.

Imediatamente, Khel entrou em contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o médico de plantão orientou os profissionais do clube a colocar o rapaz deitado de lado e aguardar a chegada da equipe de saúde.

Segundo o dirigente, a ambulância do SAMU chegou ao local em aproximadamente oito minutos, já que passava pela região no momento da fatalidade. “Cumprimos as orientações do médico, mas, infelizmente, o rapaz teve um ataque fulminante e morreu na hora. Lamentamos muito o fato e prestamos todo o apoio a família”, revelou Khel.
  
João Pedro da Silva Rocha teve passagens pela base de Inter e Grêmio em Porto Alegre. O corpo do jovem chegou na manhã desta quinta-feira a Capital do Rio Grande do Sul, onde foi sepultado. (Pesquisa: Nilo Dias)

terça-feira, 25 de julho de 2017

A tragédia de Valley Parade

No dia 11 de maio de 1986 aconteceu uma das maiores tragédias da história do futebol, quando um incêndio de grandes proporções matou 56 torcedores e deixou mais de 250 feridos, no estádio de Valley Parade, em Bradford, na Inglaterra. Na ocasião jogavam as equipes do Bradford City, já campeão e do Lincoln City, pela Terceira Divisão Inglesa.

O fogo começou pouco antes do término da primeira etapa na Tribuna de Honra, construída em 1908. O árbitro da partida, Don Shaw, avisado por uno dos seus auxiliares terminou o primeiro tempo três minutos antes.

Graças a isso a maior parte dos torcedores conseguiu pular para o campo de jogo, pondo-se a salvo, visto que os portões estavam fechados para evitar que alguém entrasse sem pagar ingresso.

As investigações realizadas depois da tragédia, concluíram que a causa do incêndio foi um cigarro mal apagado, jogado no lixo acumulado de anos, abaixo dos assentos de madeira, causando um efeito devastador.

Em questão de quatro minutos o fogo se espalhou. Não fosse a ação de um torcedor eu pediu socorro aos fiscais de segurança do estádio, a tragédia poderia ter sido maior.

Morreram 54 torcedores do Bradford e dois do Lincoln. A maioria morreu esmagada em uma das saídas, que estava fechada e ficaram presas nas roletas. Outros morreram tentando sair pelos banheiros. Também pereceram dois idosos sentados na arquibancada, incluindo um ex-presidente do Bradford City, Sam Firth, de 86 anos.

O desastre poderia ter ceifado mais vidas, não fosse também o heroísmo de algumas pessoas que salvaram muitos torcedores, forçando as saídas do estádio, enquanto populares nas ruas ajudaram a arrebentar os portões, permitindo a fuga dos torcedores em pânico.

Ainda bem que o velho e arcaico estádio não tinha tela de proteção que impedisse parte da torcida de ir para dentro do gramado. Se existisse a tela, certamente o número de mortos chegaria a milhares de pessoas.

A tragédia serviu para que as autoridades britânicas decidissem por aplicar uma nova legislação que combatesse a insegurança e os atos de vandalismo, nos estádios esportivos.

Como consequência do devastador incêndio, o Bradford City se viu obrigado a jogar suas partidas na temporada 85/86 e na primeira rodada de 86/87 em outros estádios. Estas foram jogadas no Odsal Stadium, de Bradford, propriedade do Bradford Bulls, no Leeds Road, do Huddersfield Town e no Elland Road, do Leeds United. Em 14 de dezembro de 1986, perante um público de 15 mil torcedores foi inaugurado o novo estádio do Bradford City.

O Valley Parade foi construído em 1886, servindo de sede ao Manningham Rugby Football Club, até 1903, quando a equipe deixou de praticar o rugby football, e trocou sua atividade principal para o futebol, passando a chamar-se Bradford City.

Desde então o Valley Parade passou a ser o local de jogos do clube, ainda que o estádio fosse propriedade de um fundo de pensões. O presidente da instituição era Gordon Gibb. Em 17 de março de 1932, o Bradford City adquiriu a área.

O estádio também serviu para os jogos do Bradford (Park Avenue) por uma temporada e pela equipe de rugby Bradford Bulls, por dois anos. Assim como para jogos das seleções menores da Inglaterra.

O arquiteto Archibald Leitch foi encarregado da remodelação do estádio quando o Bradford City subiu para a Primeira Divisão do futebol inglês, em 1908. Desde então o estádio não experimentou maiores reformas até 11 de maio de 1985, data da tragédia.

O público recorde no estádio aconteceu em 1911, quando 39.146 torcedores assistiram o jogo entre Bradford City X Burnley, pela FA Cup.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

A morte de um grande goleiro

Faleceu ontem, 23, o ex-goleiro Waldir Peres, aos 66 anos de idade, vitima de um infarto fulminante, sofrido por volta de 14 horas, logo após o almoço. Segundo a irmã, Isabel, ele não apresentava até então nenhum problema de saúde

Waldir se encontrava em Mogi Mirim, interior de São Paulo, onde iria participar de uma festa de aniversário com amigos. Familiares contaram que ele acordou legal, estava brincando, conversando e depois do almoço aconteceu o inesperado, passou mal.

Depois de comer, o ex-goleiro sentiu azia, falta de ar e sofreu o infarto. Imediatamente foi levado a uma farmácia, onde desmaiou. Depois é que foi encaminhado ao Hospital 12 de Julho, mas infelizmente não resistiu. O óbito correu às 15h30min.

Não era casado, mas tinha três filhos.  Os dois rapazes moram em São Paulo e a filha, que é atriz, vive na Malásia. Waldir eres estava acompanhado da noiva, em Mogi Mirim.

O corpo do Waldir sairá de Mogi Mirim nesta segunda-feira, às 17 horas, e irá para São Paulo. O velório acontecerá a partir de amanhã e o enterro, só na quarta (às 9h) – para aguardar a filha que vem do exterior –, no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi. Ainda não foi definido se o velório será aberto ao público.

Waldir Peres de Arruda era paulista de Garça, onde nasceu a 2 de janeiro de 1951. Deu início a carreira de futebolista lá mesmo em sua cidade natal, defendendo a meta do Garça FC., onde foi destaque no Campeonato Paulista da Terceira Divisão. Foi negociado com a Ponte Preta, de Campinas, no começo da década de 1970.

Em 1973 transferiu-se para o São Paulo. Peres defendeu o time do Morumbi por 11 anos, sendo o segundo jogador que mais atuou pelo tricolor, na história do clube, com 617 jogos, 300 vitórias, 195 empates e 122 derrotas, só sendo superado por Rogério Ceni que vestiu a camisa são-paulina por 1.237 vezes.

Deixou o São Paulo no meio de 1984, indo para o América, do Rio de Janeiro. Em seguida, foi para o Guarani, de Campinas. No ano seguinte, chegou ao Corinthians Paulista.

Apesar de ter passado 11 anos em um dos maiores rivais do Corinthians, teve seu nome cantado pela torcida em várias partidas. No Campeonato Paulista de 1987 foi um dos destaques do time que deixou a lanterna no primeiro turno, para chegar ao vice-campeonato.

Pelo Corinthians Waldir Peres disputou 75 partidas, com 29 vitórias, 28 empates e 18 derrotas, tendo sofrido 65 gols

No início de 1988, o jogador comprou seu próprio passe por 764 mil cruzados. Encerrou a carreira em 1989 na mesma Ponte Preta em que começou, depois de passagens pela Portuguesa e Santa Cruz, de Recife.

Em 1991 começou a carreira de treinador, que se prolongou por 22 anos, até 2013. Treinou muitos times do interior paulista: São Bento, de Sorocaba, Internacional, de Limeira, Nacional, da capital Ferroviária, de Araraquara e Oeste, de Itápolis, entre outros, além de clubes de outros Estados, como Itabaiana (SE), Rio Branco, de Paranaguá (PR), Uberlândia (MG), Vitória (ES) e Grêmio Maringá (PR), seu último trabalho.

Entre os títulos conquistados como jogador estão o de campeão brasileiro em 1977, quando o São Paulo derrotou o Atlético Mineiro no jogo final, em uma decisão por pênaltis. Levantou a taça de campeão paulista em três oportunidades, 1975, 1980 e 1981, pelo São Paulo.

O ex-goleiro vestiu a camisa da Seleção Brasileira em três Copas do Mundo, 1974, na Alemanha Ocidental, e 1978, na Argentina, como reserva e 1982, na Espanha, como titular. Era um dos destaques do time que contava com Zico, Sócrates, Falcão e Oscar.

Quando de sua convocação para a Copa do Mundo de 1974, não fazia parte da chamada inicial. Mas com a lesão do goleiro reserva Wendel, em um dos joelhos, acabou sendo chamado para substituí-lo.

Não chegou a participar de nenhum jogo, o que só aconteceu mais de um ano depois, em 4 de outubro de 1975, na partida em que o Brasil bateu o Peru por 2 X 0, pelas semifinais da Copa América.

Voltou a ser convocado para a Copa do Mundo de 1978, e novamente não disputou nem uma partida. A exemplo de 1974, Tele Santana não o havia convocado, mas com a contusão do goleiro Carlos, teve de chama-lo.

Ele só voltaria a defender o gol do Brasil, pela primeira vez desde 19 de maio de 1976, na partida contra a Venezuela em 8 de fevereiro de 1981, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1982.

Seu grande momento na Seleção Brasileira ocorreu em 19 de maio de 1982, num amistoso contra a Alemanha. Quando faltavam 10 minutos para encerrar o jogo e o Brasil vencia por 2 X 1, Luisinho cometeu pênalti. Paul Breitner, que nunca havia errado a cobrança de penalidade máxima em sua carreira, bateu no canto esquerdo e Waldir defendeu.

O árbitro mandou bater de novo, alegando que o goleiro se adiantara antes da cobrança. Breitner chutou novamente, desta vez no outro canto, e Waldir defendeu mais uma vez, silenciando o “Neckarstadion”, em Stuttgart, Alemanha. Hoje o estádio mudou a denominação para “Mercedes-Benz Arena”.

Em outra oportunidade, quando jogava pelo São Paulo, teve uma decisão por pênaltis para definir o campeão paulista de 1975, contra a Portuguesa de Desportos.

Waldir Peres garantiu o título para seu time ao defender as cobranças de Dicá e Tatá. A torcida gritou o nome do goleiro e carregou-o em seus braços, já com a faixa de campeão.

A decisão do Campeonato Brasileiro de 1977, acontecida em 5 de março de 1978, também deu-se por cobranças de pênaltis, depois de empates de 0 X 0 no tempo normal e na prorrogação.

E mais uma vez Waldir Peres se destacou como um goleiro de sorte em cobranças de penalidades máximas. Tanto é verdade que Joãozinho Paulista, Toninho Cerezo e Márcio, chutaram suas cobranças para fora, dando o título à equipe paulista.

No “Brasileirão” de 1981, no primeiro jogo da final contra o Grêmio, em um pênalti contra seu time, Waldir partiu em direção do cobrador, Baltazar, impedindo a cobrança. O atacante teve de repeti-la, mas, possivelmente nervoso, chutou para fora.

No Campeonato Brasileiro de 1985, defendeu três pênaltis em um jogo contra o Flamengo, ajudando a garantir a vaga para a fase seguinte da competição.

Na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, já como titular absoluto da Seleção do Brasil, Peres sofreu um frango incrível na primeira partida, contra a União Soviética, mas ainda assim foi mantido no time.

Curiosamente, foi o único jogador do Brasil em toda a Copa a receber um cartão amarelo. A derrota por 3 X 2 para a Itália, que tirou a nossa Seleção da competição foi o único jogo oficial em que Valdir Peres sofreu mais de um gol defendendo a “Canarinho”. Foi também seu último jogo pelo “scratch” nacional. O goleiro fez 30 partidas com a camisa “amarelinha”, com 25 vitórias, 4 empates e 1 derrota, sofrendo 20 gols.

Waldir Peres é até hoje o goleiro com menor média de gols sofridos na seleção brasileira entre todos os que atuaram em Copas do Mundo.

Títulos conquistados. São Paulo: Campeonato Brasileiro (1977); Campeonato Paulista (1975, 1980 e 1981); Corinthians: Campeonato Paulista (1988); Seleção brasileira: Taça Oswaldo Cruz (1976); Taça do Atlântico (1976); Copa Roca (1976) e Taça Rio Branco (1976).

Também andou enveredando pelos caminhos da política. Tentou se eleger vereador por São Paulo em 2016, pelo Partido de Representação Popular (PRP), mas não conseguiu, recebendo apenas 1.341 votos.

Tentou ainda ganhar espaço na Imprensa e escreveu colunas para o “Portal Futebol Interior”, além de trabalhar por um período no canal Sportv. (Pesquisa: Nilo Dias)



quinta-feira, 20 de julho de 2017

A imprensa gaúcha está de luto

A imprensa esportiva gaúcha está de luto, com o falecimento do jornalista Paulo Sant’Ana, de 78 anos de idade, ocorrido por volta de 22 horas de ontem, 19, na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, após sofrer uma parada cardíaca.

Sant’Ana havia sido internado pela manhã, apresentando um quadro de insuficiência respiratória e infecção generalizada. O jornalista estava as voltas com um câncer de rinolaringe, diagnosticado em agosto de 2015, além de ter sido paciente de uma cirurgia de próstata.

Sant'Ana casou-se duas vezes. Com Ieda, teve os filhos Jorge e Fernanda, que lhe deram três netos. Depois, casou-se com Inajara, mãe de Ana Paula.

Paulo Sant’Ana era conhecido por sua paixão pelo Grêmio Portoalegrense. Era um dos poucos profissionais da imprensa do Rio Grande do Sul a assumir publicamente a sua preferência clubistica.

O velório acontece desde as 8h30min desta quinta-feira, 20, na Arena do Grêmio. O sepultamento está marcado para às 17h, no Cemitério João XVIII. O clube,  atendendo solicitação de amigos do colunista, concordou que o velório fosse realizado no salão nobre da Arena gremista.

A direção do Grêmio postou mensagem em sua página na Internet, lamentando a morte de Paulo Sant’Ana, um gremista ilustre. Ele era reconhecido como um dos torcedores mais fervorosos do clube, estando presente em momentos históricos como a conquista do primeiro título da Copa Libertadores da América e da Copa Intercontinental, em 1983.

O E.C. Internacional também registrou a sua homenagem ao torcedor do rival, igualmente em sua página oficial na Internet: “Figura marcante da crônica gaúcha, ele sempre demonstrou respeito ao “Clube do Povo”, alimentando uma rivalidade saudável no futebol do Rio Grande do Sul. Os seus textos e comentários perspicazes, a sua personalidade forte e o humor inteligente farão falta na imprensa. O Internacional se solidariza com a família e os admiradores de Paulo Sant’Ana”.

Francisco Paulo Sant’Ana era natural de Porto Alegre, onde nasceu em 15 de junho de 1939,  na Rua da Margem, hoje João Alfredo. A mãe morreu quando ele tinha dois anos. O irmão Cirilo tinha seis meses de vida. O pai casou novamente e teve mais quatro filhos.

Era formado em Direito, na mocidade trabalhou como feirante, ainda  foi inspetor de polícia e vereador pela Aliança Renovadora Nacional (Arena).

Em 1971 é que ele se tornou uma das personalidades mais populares da cidade, quando foi contratado como cronista esportivo da “Rádio Gaúcha” e do jornal “Zero Hora”, onde escrevia crônicas sobre o dia a dia nos anos 90. Era dono de um espaço na penúltima página de “Zero Hora”. Meses depois virou comentarista no recém criado “Jornal do Almoço”, da “TV Gaúcha”, hoje “RBS TV”.

Fumante inveterado fez várias crônicas falando do vício, que acabou se transformando em câncer, que o debilitara bastante, até colaborar decisivamente para a sua morte. Ele sabia do mal que o cigarro provocava, tanto que em uma de suas crônicas o definiu como “um maldito vício em minha vida”.

Eu conheci o Paulo Sant’Ana. Não chegamos a ter uma amizade mais profunda, pois o encontrei poucas vezes, quando morava em Pelotas. Seguidamente ele visitava a cidade, para ver seu amigo Luiz Carlos Peres, irmão do saudoso Glênio Peres, conhecido político gaúcho. Geralmente estava acompanhado do Glênio.

Glênio Peres nasceu em 27 de fevereiro de 1933. Foi um jornalista, ator e político brasileiro. Trabalhou nos já extintos jornais “Diário de Notícias” e “O Estado do Rio Grande” e posteriormente colaborou com “O Pasquim” e a revista “Cadernos do Terceiro Mundo”.

Eleito vereador em Porto Alegre em três legislaturas, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), foi cassado com base no Ato Institucional Número Cinco em 2 de fevereiro de 1977.

Após a anistia em 1979 foi um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), pelo qual conquistou seu quarto mandato de vereador e foi eleito vice-prefeito de Porto Alegre em 1985 na chapa de Alceu Collares.

Faleceu vítima de câncer na capital gaúcha em 27 de fevereiro de 1988, onde, em sua homenagem, foi erigido o “Largo Glênio Peres”. É tio do jornalista Norberto Peres, que escreveu sua biografia.

Glênio foi casado com a socióloga Lícia Margarida Macedo de Aguiar Peres, que morreu em março deste ano, devido um câncer. Ela era baiana de Salvador e veio morar em Porto Alegre em 1964.

Já Luiz Carlos, irmão de Glênio foi excelente goleiro, tendo jogado no Farroupilha, de Pelotas, Internacional, de Porto Alegre, Flamengo, do Rio de Janeiro e Atlético Mineiro.

Depois de encerrar a carreira foi morar em Pelotas, onde abriu o “Bar Rebu”, que ficava na rua 15 de Novembro, ao lado do jornal “Diário Popular”, onde eu trabalhava.

Além de Paulo Sant’Ana, muitos outros intelectuais gaúchos frequentavam o bar. Luiz Carlos foi companheiro da saudosa e famosa cantora mineira, Clara Nunes.

Eu a conheci, também, pois foi ao bar muitas vezes. Lembro que era muito bonita e tratava a todos com respeito e sempre demonstrando alegria. Certa vez eu fui o assador de um churrasco que o Luiz Carlos mandou fazer em homenagem a ela. O Paulo Sant’Anna e o Glenio, estavam presentes.

Clara nos proporcionou um show gratuito, interpretando alguns de seus sucessos.Eu tinha várias fotos desse memorável encontro, pena que as tenha perdido, em meio as várias mudanças de endereço que fiz.

Lembro que Paulo Sant’Ana não se separava nunca do cigarro. E também derrubava generosas doses de uísque. Só vez que outra vi ele beber cerveja.

Tenho uma foto que é verdadeira relíquia, de quando Sant’Ana esteve em São Gabriel, numa das interiorizações do “Jornal do Almoço”. Ao seu lado o saudoso cantor tradicionalista gabrielense, Canário Alegre e a apresentadora Tânia Carvalho. (Texto e pesquisa: Nilo Dias) 



quarta-feira, 12 de julho de 2017

O jogador mais vitorioso do futebol

Ryan Joseph Giggs nasceu em Cardiff, no doa 29 de novembro de 1973. Jogava como meia. Atualmente ocupa a função de auxiliar técnico do Manchester United.

Ao nascer o seu nome era Ryan Joseph Wilson, mas após o divórcio de seus pais, optou por adotar o sobrenome de solteira de sua mãe, ainda no St. David's Hospital em Cardiff, no País de Gales. 

Giggs é de origem multirracial, filho de Danny Wilson, negro com origens em Serra Leoa e ex-jogador do Cardiff, clube de rugby union da cidade, e de Lynne Giggs (agora Lynne Johnson), Ryan cresceu em Ely, bairro do subúrbio de Cardiff. Seu irmão mais novo, Rhodri, treina o Salford City, clube semi-profissional.

Ele morou durante muito tempo com os pais de sua mãe e desde cedo demonstrava interesse por futebol. Em 1980, aos seis anos de idade, seu pai mudou-se de clube, indo jogar rugby league no Swinton, da Grande Manchester, obrigando toda a família a se mudar para a cidade. 

Seu pai inclusive se tornaria o primeiro mulato na Seleção Galesa de Rugby League, na qual atuou cinco vezes, entre 1981 e 1984.

Após mudar-se para Manchester, Giggs atuou por um time amador local, o Deans FC, treinado por Dennis Schofield, que trabalhava também como olheiro para o Manchester City. Em seu primeiro jogo pelo Deans, o time foi derrotado por 9-0 mas, mesmo assim, muitas pessoas comentavam que Giggs havia sido o melhor jogador em campo naquele dia.

Schofield então recomendou Giggs para o City, e ele foi contratado pelo clube.Enquanto isso, continuava jogando por um clube amador, o Salford. Enquanto jogava entre os amadores, Giggs era observado por assistentes de muitos clubes, dentre eles Harold Wood, que trabalhava para o Manchester United.

Wood falou pessoalmente a Alex Ferguson sobre o garoto.[17]Dias depois, Giggs jogou uma partida do Salford contra a equipe Sub-15 do United e marcou um hat-trick, com Ferguson observando da janela de seu escritório.

Em 29 de novembro de 1987, data em que Giggs completava 14 anos, Ferguson foi até a casa da família junto a Joe Brown, olheiro do clube, e ofereceu a Giggs um contrato que lhe possibilitaria profissionalizar-se em três anos, convencendo Ryan e sua família a aceitá-lo. 

Giggs era agora jogador do United, e aos 16 anos, quando sua mãe se casou novamente, ele optou por mudar seu sobrenome. Seus pais haviam se separado há dois anos.

Giggs tornou-se profissional em 29 de novembro de 1990, data do seu aniversário de 17 anos. Já era consderado a maior promessa do futebol inglês desde George Best, também revelado pelo United, na década de 1960.

Giggs fez sua estreia na "Football League" (atual "Premier League") num jogo contra o Everton em Old Trafford, em 2 de março de 1991, substituindo o lesionado zagueiro Denis Irwin, quando o United foi derrotado por 2 X 0 dentro de sua casa.

Em sua primeira partida completa, Giggs marcou também seu primeiro gol, na vitória por 1 X 0 sobre o Manchester City, seu clube nas categorias de base, no Dérbi de Manchester, realizado em 4 de maio de 1991, embora este tenha parecido um gol-contra de Colin Hendry.

No entanto, em sua primeira temporada como profissional, Giggs não teve muitas chances como titular, e as esperanças de título do United acabaram frustradas, com o time terminando apenas na sexta colocação da liga.

Ryan Giggs só pode ter uma denominação: fenômeno. Trata-se do jogador de futebol mais vencedor da história. Sua biografia é simplesmente extraordinária. Se aposentou em 2014, depois de 963 jogos e 168 gols marcados pelo Manchester United.

Somado a isso, mais 63 jogos e 12 gols pela seleção galesa. O jogador abocanhou nada mais, nada menos do que 36 títulos na sua vitoriosa carreira. E não fica só nisso: tem a seu favor o maior número de temporadas disputadas na “Premier League”,22 ao todo e o maior vencedor, com 13 conquistas. 

Também foi o jogador que disputou mais partidas, um total de 632.Foi o único jogador a marcar em todas as temporadas da “Premier League”, até sua aposentadoria.


O jogador será sempre lembrado pela facilidade em dar passes precisos e pela visão de jogo privilegiada, dedicação tática, e muita tranquilidade. E para completar, era dono de um físico invejável.

Foi o único jogador do United a marcar em 15 edições diferentes da "Champions League". Melhor jogador da "Premier League" em 2008 e 2009. 

E para concluir, foi selecionado para a seleção histórica de 10 anos da "Premier League", e para a seleção de 20 anos, sendo considerado o melhor jogador da liga nessas duas décadas de existência.

Ryan Giggs foi um jogador acima da média, dono de  uma técnica fora do comum, sabia driblar nas horas precisas, dono de grande velocidade, partida com  arrancadas desde a defesa até o campo adversário, onde desferia verdadeiras bombas de fora da área.

Nos Jogos Olímpicos de 2012, aos 38 anos de idade, quando defendeu a Seleção da Grã-Bretanha, Giggs estabeleu dois recordes: o jogador mais velho a disputar o torneio olímpico de futebol e o mais velho a marcar um gol nessa competição - contra os Emirados Árabes, em 29 de julho de 2012.


Na estreia das seleções britânicas masculina e feminina de futebol nos Jogos Olímpicos, atletas não-ingleses recusaram-se a cantar o "God Save the Queen" (Deus salve a Rainha, em inglês), o hino nacional britânico. 

Na equipe feminina, Kim Little e Ifeoma Dieke, ambas escocesas, foram as que não cantaram e, na equipe masculina, quem não cantou foram os galeses Ryan Giggs e Craig Bellamy. A atitude dos atletas foi muito criticada por torcedores do Reino Unido.


Giggs casou-se com Stacey Cooke, em uma cerimônia privada em 7 de setembro de 2007. O casal possui dois filhos, ambos nascidos em Salford, na Grande Manchester: Liberty Beau (nascido em 2003) e Zachary Joseph (nascido em 2006).


Giggs também é um representante da UNICEF. Em 2002, lançou uma campanha para a prevenção da morte de crianças em países sub-desenvolvidos. Na época, visitou projetos da entidade na Tailândia.


Títulos conquistados. Manchester United: “Premier League” (1992–1993, 1993–1994, 1995–1996, 1996–1997, 1998–1999, 1999–2000, 2000–2001, 2002–2003, 2006–2007, 2007–2008, 2008–2009, 2010–2011 e 2012–2013); Copa da Inglaterra (1993–1994, 1995–1996, 1998–1999 e 2003–2004); Copa da Liga Inglesa (1991–1992, 2005–2006, 2008–2009 e 2009–2010); Supercopa da Inglaterra (1993, 1994, 1996, 1997, 2003, 2007, 2008, 2010, 2011 e 2013); UEFA Champions League (1998–1999 e 2007–2008); UEFA Super Cup (1991); Copa Intercontinental (1999); Copa do Mundo de Clubes da FIFA (2008).

Prêmios Individuais. Jogador Galês do Ano (1996 e 2006); Hall da Fama do Futebol Inglês (2005); Jogador do Ano pela PFA (2008-2009). Jogador Jovem do Ano pela PFA (1991-1992 e 1992-1993; Equipe do Ano pela PFA (1992-1993, 1997-1998, 2000-2001, 2001-2002, 2006-2007 e 2008-2009; Equipe da Década da PFA (1997 a 2007); Equipe da Década da Premier League (1992-1993 a 2001-2002);Equipe da Década da UEFA Champions League (1992 a 2002); BBC Sports Personality of the Year (2009]; BBC Sports Personality of the Year no País de Gales (1996 e 2009); Troféu Bravo (1993); Prêmio Sir Matt Busby (1997-1998); Prêmio Golden Foot (2011); Jogador Jovem do Ano do Manchester United (1990-1991 e 1991-1992); Jogador do Mês na Premier League (Setembro de 1993, Agosto de 2006 e Fevereiro de 2007); Gol Mais Bonito da Premier League (1998-1999); MVP da Copa Intercontinental (1999); Ordens e Honras. Ordem do Império Britânico (2007) e Cidadania Honorária de Salford, Grande Manchester (2010).


Apesar de uma carreira recheada de títulos e recordes pelo Manchester United, na Seleção Galesa, entretanto, Giggs não pôde obter tantas conquistas. Em 16 anos de Seleção Galesa, Giggs atuou em 63 partidas e marcou 12 gols, mas nunca disputou uma Copa do Mundo, Eurocopa ou outro torneio de expressão.

Fez sua estreia pela seleção em 1991, quebrando o recorde de mais jovem jogador a atuar pelo País de Gales, marca que foi sua durante cerca de sete anos, quando foi quebrada por Ryan Green, em junho de 1998.

Em 2004, foi nomeado o capitão da equipe. Em 5 de setembro de 2006, jogou um amistoso contra a Seleção Brasileira, realizado no estádio de White Hart Lane.


Giggs anunciou sua aposentadoria da seleção nacional em 30 de maio de 2007, numa coletiva de imprensa. Seu último jogo pelo País de Gales aconteceu dias depois, durante as eliminatórias da Euro 2008, contra a República Tcheca, em 2 de junho.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

O narrador da gaitinha de boca

Ary Evangelista Barroso era mineiro de Ubá, nascido no dia 7 de setembro de 1903. Seus pais morreram em 1911 e ele passou a ser criado pela avó, Gabriela Augusta de Rezende, e pela tia professora de piano, Rita Margarida de Rezende. Em 1920, com a idade de 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro.

Advogado por formação, Ary Barroso possuía muitos talentos e praticava todos eles, era radialista, escritor, humorista, repórter, produtor, pianista, mestre de cerimônias, apresentador de TV, entrevistador, narrador e comentarista de futebol e político.

As pessoas mais novas talvez nunca tenham ouvido falar nele, o homem que compôs a música “Aquarela do Brasil”, considerada quase um segundo Hino Nacional. A sua carreira profissional foi brilhante, e seu programa de calouros no auditório da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro arrastava grades legiões de ouvintes país afora.

Ficou famosa a cena proporcionada por um calouro, que ao ser perguntado por Ary, qual a música que cantaria, respondeu que um sambinha, “Aquarela do Brasil”. E Ary, indignado expulsou o calouro dizendo que “você pode cantar o sambinha que bem entender, mas o meu samba você não canta mais”.

Além de ser um compositor emérito, autor de outros sucessos como “Tabuleiro da baiana”, “No rancho fundo”, “Na baixa do sapateiro” e muitas outras, também foi um destacado narrador esportivo, embora nada imparcial, em razão da sua paixão pelo Flamengo.

Seu estilo inovador de narrar se tornou famoso. Era o torcedor contando jogos de sua equipe. E a ideia de usar uma gaitinha de boca, a cada gol narrado, se tornou sucesso inquestionável.

Na juventude tentou ser jogador de futebol, lá em Ubá, Minas Gerais e depois no Rio de Janeiro. Mas não deu certo. Sua vocação era outra. Por isso acabou entrando para o rádio, como locutor esportivo, primeiro, e depois compositor musical.

Começou a carreira de narrador num Fla–Flu, jogo de significado especial para ele: poucos sabem, mas Ary fora torcedor do Fluminense até o dia em que foi barrado na porta do clube, e ficou chateado com a diretoria.

Ary chegou ao Flamengo em 1926, levado pelas mãos de José de Almeida Neto, o zagueiro “Telefone”. E desde então integrou-se à vida social, política e desportiva do clube. A partir daí foram 33 anos de dedicação incondicional ao Flamengo.

A primeira narração de Ary, com a gaitinha famosa, que substituía o grito de gol, aconteceu na transmissão do jogo entre Vasco e São Cristóvão, em que os vascaínos venceram por 7 X 1. Foram, portanto, oito apitos da gaita.

O sucesso causou frenesi e aumentou com a escandalosa parcialidade do locutor: gols do Flamengo eram comemorados com sopros muito mais longos do que os das outras equipes. Já os gols sofridos pelo seu time rubro negro, eram assinalados com dois apitos curtos, se muito.

E tinha uma razão de ser. Naquele tempo não existiam cabines de rádio nos estádios. A narração era feita no meio da torcida. E quando do gol quase não se ouvia a voz do narrador. E o som da gaita refletia bem o momento maior de um jogo de futebol.

O estilo inovador de Ary teve reflexos positivos na venda de anúncios publicitários. Graças a isso ele conheceu o publicitário Antônio D’Ávila, também conhecido por “Zuzu”, um jovem pernambucano, encarregado de vender os anúncios para suas transmissões.

E passou a vender como água. Os preços eram relativamente “salgados”, custando entre 5 e 10 mil réis por jogo, mas ainda assim ninguém reclamava e pagava com um sorriso no rosto. A propaganda era distribuída em três ou cinco textos, em média, com trinta palavras.

A cada transmissão de futebol uma infinidade de anunciantes, que iam desde fabricantes de calçados e móveis, até para o óleo perfumado “Pindorama”, que dizia “de cabeça em cabeça, corre a fama do óleo perfumado Pindorama”.

Diversas aventuras marcaram a vida de Ary como locutor esportivo. Violentamente criticada pelo locutor, a diretoria do Vasco da Gama, certa vez, proibiu sua entrada no Estádio de São Januário, onde se travaria importante jogo entre Vasco e Fluminense. Como não se dava por vencido facilmente, transmitiu o jogo de um telhado das vizinhanças, auxiliado por binóculos.

Episório idêntico aconteceu na cidade de Pelotas (RS), quando o presidente do Grêmio Atlético Farroupilha, probiu a entrada de integrantes da Rádio Pelotense, no estádio do clube. A solução foi a construção de uma torre de madeira no lado de fora do estádio.

Não demorou para que a poderoso Rádio Tupi, do empresário Assis Chateaubriand contratasse a dupla Ary e “Zuzu”, em 1937. E Ary ficou por 15 anos na emissora, enquanto seu parceiro, “Zulu”, ingressou na política e anos mis tarde chegou a ser assessor especial do presidente Jânio Quadros, criando o jingle histórico: “Varre, varre, vassourinha...”.

Chateaubriand pensava longe. A contratação de Ary Barroso visava fortalecer a sua emissora, para poder enfrentar a nova concorrência surgida em 1936, quando entrou no ar a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro.

Na Tupi continuou a narrar futebol da mesma forma apaixonada de sempre. O torcedor adorava ouvir suas narrações, em especial os do Flamengo. Um lance por ele narrado, que se tornou famoso: “Ih, lá vem os inimigos. Eu não quero nem olhar". 

Quando das disputas do Campeonato Sul-Americano de 1937, com os nervos à flor da pele, Ary Barroso chegou a desmaiar durante a transmissão.

A paixão pelo Flamengo fez com que não aceitasse um convite para trabalhar na Walt Disney, nos Estados Unidos, porque lá “não existia um Flamengo”.  

E também era torcedor da Seleção Brasileira. Contam que em 1940, quando do Campeonato Sul-Americano, a Rádio Mayrink Veiga , do Rio de Janeiro detinha exclusividade para transmitir a competição. A época era de uma concorrência enorme entre as emissoras de rádio, especialmente nas transmissões de futebol.

E o que fez Ary Barroso, para conseguir transmitir o certame continental? Embarcou num avião e foi parar na Argentina, de onde, confortavelmente instalado no apartamento de amigos, sintonizou uma rádio local que retransmitia o jogo narrado por Oduvaldo Cozzi, dublou o colega e fez chegar sua narração à Rádio Tupi.


Tem ainda mais uma história bem engraçada, envolvendo uma aposta feita pelo flameguista Ary e outro compositor, o fluminense Haroldo Barbosa. Como conta o escritor Ruy Castro: 

"Em 1953 ou 1954, os dois apostaram o bigode num Fla-Flu. Quem perdesse teria o bigode raspado pelo outro, com imprensa e tudo. Haroldo ganhou, e a história, anos depois, acabou num samba: "Flamengo já parou de perder por aí /Eu vi o Haroldo Barbosa raspar o bigode do Ary./ Às vezes, com dez homens ele vence/ Mas, também com onze, perdeu para o Fluminense".

Pelo Flamengo ele fazia qualquer coisa. Em 1943 foi um dos responsáveis pela contratação do jogador paraguaio, Modesto Briac. Para concretizar a negociação, ele conseguiu emprestado o avião particular do chefe, Chateobriand, para buscar o jogador.

Ary tinha também companheiros inseparáveis nas transmissões esportivas. Isaac Zinkenmann, repórter de sua equipe na Tupi, utilizava um aparelho semelhante a um ferro de passar roupa, com gancho de telefone acoplado.

Ari, com seu “flamenguismo” declarado, chamou a participação do jovem repórter e disse: “Alô Isaac!”. O repórter, todo enrolado com a nova engenhoca, respondeu: “Quem fala?”.  Ari ficou furioso com a resposta e devolveu:

“Como, quem fala. Quem poderia ser Isaac?”. O locutor não perdoou o vacilo do repórter e emendou: “É o Ary, aliás, deixe esse microfone de lado, que você não tem jeito para a coisa. Está despedido”.

Mais uma das eternas brincadeiras de Ary, que não mandou Isaac embora, até porque era um grande amigo do repórter. Tudo fazia parte do “show”.

A última narração de futebol feita por Ary Barroso foi durante a Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. A tragédia de nossa equipe foi tão decepcionante, que Ary Barroso e seu amigo e companheiro de transmissão, Antônio Maria, decidiram abandonar o rádio esportivo definitivamente.

O nosso herói não limitou suas transmissões esportivas apenas ao futebol. Muitas vezes também narrou corridas de cavalos e de automóveis. E paralelamente escrevia crônicas que eram publicadas no “O Jornal”. E até pensou em fazer um livro, que teria o título de "O Livro Negro do Futebol Brasileiro". Não existem registros que confirmem a publicação.

Ary Barroso morreu no dia 9 de fevereiro de 1964, em um domingo de carnaval, após lutar três anos contra a cirrose.  Quatro anos antes fora nomeado vice-presidente do departamento cultural e recreativo do Flamengo.


Ary Barroso trasmitiu um jogo do Vasco desde o telhado de uma casa vizinha ao Estádio São Januário. (Foto: Blog Literatura na Arquibncada)