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quinta-feira, 18 de junho de 2009

No ano do centenário o “Leão do Sul” voltou a rugir

O centenário do Barra Mansa Futebol Clube, da cidade de Barra Mansa (RJ) passou quase despercebido pela grande imprensa brasileira, que sabidamente volta seus olhos apenas para os clubes do Rio de Janeiro e São Paulo, esquecendo os demais. O chamado “Leão do Sul” chegou a marca centenária o ano passado. O clube foi oficialmente fundado em 15 de novembro de 1908, com o nome de Barramansense e camisas nas cores azul e branca. Em 10 de outubro de 1915, mudou a denominação para Barra Mansa Football Club, que permanece até hoje.

A história oficial mostra que o futebol profissional foi implantado no Brasil a partir de 23 de janeiro de 1933, mas alguns historiadores tem outra versão: teria sido o Barra Mansa o primeiro clube a profissionalizar o futebol no Brasil, isto por volta de 1911. O período de profissionalização do clube se manteve até a década de 60. A partir daí, o clube passou a participar de torneios amadores e, em raríssimas vezes, montou times profissionais, que acabaram desfeitos.

Em dezembro de 1915, o Leão do Sul recebeu em casa o Atlhetic, do Rio Janeiro, para uma partida amistosa. Toda a movimentação do jogo foi descrita no extinto jornal local, “Cartão Postal”. O resultado frustrou aos torcedores, pois os visitantes venceram por 3 X 2, num confronto muito disputado, realizado sob temporal.

O Barra Mansa formou com: Quinzinho - Walter e Penna – Guimarães - Fernando e Soares - Samuel - Theophilo – Ismar - Heitor e Lourenço. O Atlhetic com Uimbyrê - Alvez e Rabello – Dualco - Paiva e Hugo – Adhemar – Cyro – Ruy - Renato e Albino. Os gols foram anotados por Cyro, Ruy e autor desconhecido, para os visitantes. Guimarães e Walter marcaram para o Barra mansa. Juiz, Francisco Leite.

O melhor momento do Barra Mansa aconteceu quando foi dirigido pelo rico empresário sírio Espiridião Geraidini, que não mediu esforços para formar times de ponta. Pelos quadros do Leão do Sul passou gente como o filho ilustre da cidade Jair da Rosa Pinto, na época conhecido como “Jajá de Barra Mansa”, um dos mitos do futebol brasileiro.

Jair começou a carreira no Barra Mansa F. C. e apesar da imprensa o chamar de “Jajá de Barra Mansa”, foi em Quatis que o craque nasceu. Surgiu no Esperança, time de peladas, de onde se transferiu para o Barra Mansa. Em 1938 foi para o Madureira, onde formou com Lelé e Isaías, o trio que ficou conhecido como “Os Três Patetas”. Em 1943, seus dribles e lançamentos impecáveis levaram-no para o Vasco. Lá, foi campeão invicto em 1945. Em 1947, foi vendido ao Flamengo, time onde fez 62 gols em 87 jogos. Em19 49, após desentendimentos com dirigentes rubro-negros, o Palmeiras adquiriu seu passe.

Foi nesse período que Jair vestiu a camisa 10 da seleção brasileira e perdeu a Copa do Mundo de 1950. Compensando, ganhou o título estadual de 1950 e o torneio Rio-São Paulo de 1951. Em 1956 foi defender o Santos e formou um ataque que tinha Dorval, Jair, Pagão, Pelé e Pepe. Na equipe santista, conquistou os campeonatos paulistas de 1956, 1958 e 1960. Em 1962, foi para o São Paulo, onde encerrou sua carreira vitoriosa.

O clube já possuiu grande rivalidade com a Associação Atlética Barbará, da mesma cidade, e os jogos entre essas duas equipes já foram consideradas o "clássico" da cidade. Esta rivalidade diminuiu com a decadência que os clubes enfrentaram na década de 80, em especial o Barbará que ainda hoje sofre para se reerguer.

Ultimamente a rivalidade maior do Barra Mansa é com o Volta Redonda Futebol Clube, da vizinha cidade. Nas vezes em que se enfrentaram, o clima de animosidade entre os clubes foi evidente, bem diferente da cordialidade existente entre Barbará e Barra Mansa.
Outro clube rival do Barra Mansa é o Fênix Futebol Clube, também de Barra Mansa, fundado em 2005. Os dois times se encontraram na primeira fase da “Terceirona” Carioca.

Principais conquistas: Campeão Fluminense de Futebol (1953 e 1953, supercampeonato); Campeão Carioca , Grupo B da 1ª Divisão (1995); Campeão do Torneio Início do Campeonato Fluminense (1953); Campeão da Copa Vale do Paraíba (1953, 1958 e 1965); Vice-campeão Carioca da 2ª Divisão (1993 e 1996); Vice-campeão Fluminense (1955); Vice-campeão do Supercampeonato Fluminense (1955); Vice-campeão da Copa Vale do Paraíba (1967 e 1968); Vice-campeão da Copa Zico, Copa da Integração (2001); Semi-finalista do Torneio do Interior (1995).

O centenário do clube mereceu muita festa, o ano passado: Sessão Solene na Câmara de Vereadores, com entrega de diplomas a ex-jogadores, ex-presidentes, imprensa e colaboradores. Entre os jogadores homenageados estavam o mais antigo do clube, Silas Silva, 80 anos e Rubens de Souza, o Rubinho, 78 anos. Foram realizados jogos de futebol no Estádio Prefeito Ismael de Souza, no bairro Colônia Santo Antônio, reunindo atletas de todas as idades.

A festa teve seu auge com um churrasco, onde estiveram presentes a diretoria do clube, colaboradores, os ex-jogadores Joãozinho, Adilson, Zezé, Getulinho, Pedal, Paulinho Cupim, Luis Amaral, Chiquinho, ex-presidentes, autoridades políticas, imprensa e torcedores do clube. Na ocasião, o presidente Celestino Rezende, à frente do Leão do Sul desde março do ano passado, lembrou que o Barra Mansa ressurgiu e já participou da Terceira Divisão do Campeonato Estadual de 2008.

Os jogos do “Leão do Sul” apresentaram estes resultados: Barra Mansa 2 X 1 Cidadania; Paraíba do Sul 0 X 0 Barra Mansa; Barra Mansa 1 X 1 Fênix; Campo Grande 1 x 0 Barra Mansa; Cidadania 0 X 2 Barra mansa; Barra Mansa 1 x 0 Paraíba do Sul; Fênix 0 X 1 Barra Mansa; Barra Mansa 1 x 2 Campo Grande; Várzea 2 X 2 Barra Mansa; Sampaio Corrêa 0 X 0 Barra Mansa; Barra Mansa 5 X 0 Várzea; São João da Barra 3 X 0 Barra Mansa e Barra Mansa 5 X 3 Sampaio Corrêa.

O time não obteve a classificação, mas a boa campanha deixou a certeza de que muitas vitórias estão por acontecer. É o renascimento de um dos grandes clubes do passado, que ressurgiu no ano do seu Centenário.

O clube não participava de qualquer competição desde 2001. Mas antes, entre as décadas de 20 e 60, era tido como um furacão nos gramados, vencedor de vários títulos. Entre eles, o de campeão fluminense de 1953, organizado pela extinta Federação Fluminense de Desportos. Já nos anos 70 e 80, o clube passou totalmente em branco. Sua última participação em competições foi na Copa Zico, em Resende, cidade vizinha, já com uma equipe amadora. O torneio reuniu outras equipes do Sul do Estado, além do CFZ (do próprio Zico, representando a capital), único time profissional a participar.

Através o Projeto de Lei 1581/2008, de autoria da deputada estadual Inês Pandeló, o Barra Mansa Futebol Clube foi considerado patrimônio cultural e esportivo do Estado do Rio de Janeiro, para fins de tombamento de natureza imaterial. A parlamentar salientou que o Barra Mansa Futebol Clube é o mais tradicional clube de futebol do município de Barra Mansa, sendo considerado o primeiro time profissional de futebol de todo o país. Suas tradicionais cores, o azul e o branco, são as mesmas que ostentam a bandeira do estado do Rio de Janeiro. (Pesquisa: Nilo Dias)

Barra Mansa F.C. em 1968. Em pé: Agostinho - Wilson - Roberto Bocão - Ênio - Luiz Carlos - Canário e Café. Agachados: Tarugo - Doca - Mário - Maurinho e Bira. (Foto: Acervo do Barra Mansa Futebol Clube)

2 comentários:

Juliano de souza disse...

bom dia nilo... sou filho do atleta do barra mansa DOCA GOSTARIA em saber si vc tem mais fotos ou historia do jogador obrigado desde ja!

Juliano de souza disse...

o glorioso barra mansa 1968