Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O sapateiro que se tornou craque

Pedro Sernagiotto, o “Ministrinho” nasceu em São Paulo, no dia 17 de novembro de 1908. Foi um dos melhores ponteiros-direitos que o futebol brasileiro conheceu em todos os tempos. Ele foi descoberto em 1927 por um dirigente palestrino, quando jogava futebol nos campos de várzea que existiam nas proximidades da Rua Augusta, onde nasceu e passou a infância.

De imediato foi convidado para fazer testes no clube e, dias depois, já estreava pelo time principal às vésperas de completar 18 anos, algo absolutamente extraordinário para a época. Seu primeiro jogo com a camisa palestrina aconteceu no dia 13 de novembro de 1927, com vitória de 6 X 2 sobre o Americano, de Santos (SP). Nesse jogo também marcou seu primeiro gol pelo Palestra.

E, de cara foi chamado pelo então diretor Ítalo Bossetto, de “Ministrinho”, apelido que o consagraria durante toda a carreira, porque seu estilo de jogo se assemelhava a Giovanni del Ministro, antigo ídolo palestrino dos anos 20, que atuava com o nome de “Ministro”.

Em 1929, foi considerado o jogador mais popular da cidade de São Paulo, quando de uma votação promovida por um jornal da época, graças ao seu estilo irreverente e atrevido de jogar, mesmo sendo franzino, media menos de 1,60 m. “Ministrinho” teve três passagens pelo Palestra Itália. De1927 a 1931. De 1934 a 1935. E de 1941 a 1943, período em que o clube mudou a denominação para Palmeiras. Jogou 118 partidas e marcou 42 gols.

Seus duelos contra Grané, lendário zagueiro corintiano eram memoráveis. Grané chutava muito forte, era alto, 1,90 e pesava 100 quilos. Era chamado de 420, o canhão mais potente da época. Ele parecia ter o dobro do tamanho de “Ministrinho”, mas isso não intimidava o ponteiro palestrino. Ao contrário.

Nos primeiros duelos aconteceu um certo equilíbrio, embora o Palestra houvesse ganho as duas últimas partidas. Mas tudo desfez-se para os corintianos, no dia 24 de agosto de 1929. Nesse dia “Ministrinho” esteve impecável, marcou gol na goleada diante do Corinthians, 4 x 0, e driblou Grané tantas vezes, que ao final do jogo este preferiu trocar de posição com Leone a ter que ser violento com o veloz adversário.

Lépido, driblador e inteligente foi um dos primeiros jogadores brasileiros a se transferir para a Europa. Isso aconteceu em 1931, quando foi contratado pela Juventus, de Turim (Itália). Por engano, assinou contrato com dois times ao mesmo tempo, um com o Torino e outro com a Juventus, tradicionais adversários.

Ficou um ano suspenso, mas a Juventus sabendo das qualidades do jogador custeou todo o tempo e pode escalá-lo somente em 1933. Valeu a pena. “La Vecchia Signora” ganhou o bicampeonato 33 e 34, com soberba contribuição do craque brasileiro.

Embora se tratasse de um jogador de excelentes qualidades, conseguiu apenas três títulos em 16 anos de carreira: bi-campeão italiano pela Juventus (1933 e 1934) e campeão paulista pelo Palmeiras (1942). “Ministrinho” jogou ainda na Seleção Brasileira, Portuguesa de Desportos, no São Paulo e em outros times de menor expressão.

Sua despedida dos gramados ocorreu no dia 14 de outubro de 1943, quando o Palmeiras perdeu um jogo amistoso por 2 x1, para o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro.

Assim que encerrou a carreira, reabriu a sapataria onde trabalhava antes de ser convidado a jogar no Palestra Itália, que se localizava na esquina das ruas Marques de Paranaguá e Augusta. Ele era proprietário, também, de uma bomba de combustível, adquirida com o dinheiro ganho no futebol, que ficava instalada na própria rua Augusta, do outro lado da calçada.

Sempre que era procurado por algum jornalista interessado em saber como vivia o grande ídolo do passado, tinha sempre uma resposta pronta na ponta da língua: “Sigo fazendo o que sempre fiz: torcer pelo Palmeiras”. “Ministrinho” faleceu em São Paulo, no dia 5 de abril de 1965, aos 57 anos de idade. (Pesquisa: Nilo Dias)

3 comentários:

José Ricardo Almeida disse...

Caro Nilo,

Tal qual você, sou pesquisador do futebol brasileiro e moro em Brasília.
Gostaria de poder entrar em contato com o amigo para conversarmos um pouco sobre as pesquisas relacionadas ao futebol brasileiro.
Meu e-mail é o jrca1957@gmail.com.
Grato.

Débora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Débora disse...

Olá Nilo,
sou neta do Ministrinho e agradeço por lembrar dele aqui no seu blog.
Obrigada.