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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O artilheiro que virou lenda

João Baptista Ferrareto, o “Carruíra”, foi um dos mais habilidosos atacantes surgidos no futebol do Rio Grande do Sul. Era um artilheiro nato e exímio cobrador de pênaltis. Ele nasceu na cidade portuária de Rio Grande (RS), em 1913. Começou a carreira futebolística no extinto General Osório, de sua terra natal. Em 1934, com 21 anos, foi jogar no S.C. Rio Grande.

Em 1935 foi contratado pelo F.B.C. Rio-Grandense, mas se deu mal. Meteu-se numa briga, em jogo válido pelo Campeonato da Cidade e foi punido com a suspensão dos campos de futebol, por um ano. Em 1936 retornou ao S.C. Rio Grande, para se sagrar campeão gaúcho.

As finais do campeonato reuniram o Botafogo F.B.C., de São Gabriel, campeão da região Fronteira, S.C. Novo Hamburgo, campeão da região Sudeste, Riograndense F.C., de Santa Maria, campeão da região Serra, S.C. Internacional, de Porto Alegre, campeão da região Metropolitana e S.C. Rio Grande, campeão da região Litoral.

O tricolor riograndino chegou ao título estadual derrotando o Novo Hamburgo, por 5 X 2 e no jogo final ao Internacional, por 3 x 2. O time campeão jogou com Munheco – Fruto e Cazuza – Juvêncio – Chinês e Roberto – Ernestinho – Darinho – Souza (Carruíra) – Marzol e Pecce. Técnico, Gustavo Kraemer Filho.

Em 1937 voltou ao F.B.C. Rio-Grandense, onde foi treinado pelo folclórico Gentil Cardoso. No colorado riograndino foi vice-campeão gaúcho em 1937 e 1938. Em 1939, finalmente o Rio-Grandense se sagrou campeão estadual e Carruíra ganhou o seu segundo título gaúcho, e também foi o artilheiro da competição.

O Rio-Grandense foi campeão derrotando o Grêmio Santanense numa final de "melhor de três", com uma vitória e dois empates. O time campeão jogou com Brandão – Cazuza e Armando – Martinez – Pacheco e Mariano – Osquinha – Carruíra – Cardeal – Chinês e Plá. Técnico: Aires Torres.

Carruíra faleceu em Rio Grande, no dia 26 de junho de 1982, aos 69 anos de idade, e não ficou no esquecimento. No Bairro Zona Portuária, em sua terra natal, existe a Travessa João Batista Ferrareto, homenagem da comunidade riograndina a um dos principais jogadores que pisou nos gramados da cidade.

Para que se tenha uma idéia do que Carruíra representou no futebol de Rio Grande, criou-se uma lenda envolvendo seu nome. Contam que em 1936, a Seleção Carioca, que disputou o Campeonato Brasileiro e foi eliminada pelo scratch gaúcho, jogou uma partida amistosa em Rio Grande, contra o S.C. Rio Grande, quando teria acontecido o seguinte fato:

“Logo que a partida começou a Seleção Carioca fez 1 X 0. Não demorou e o Rio Grande empatou. Faltando poucos minutos para o final do jogo, o juiz marcou um pênalti contra os cariocas. Carruíra bateu e o goleiro defendeu. Mas o juiz marcou gol, pelo fato de que Carruira até então nunca havia desperdiçado uma penalidade máxima.

É claro que a gritaria dos cariocas foi geral. Até ameaçaram deixar o gramado. Os dirigentes do S.C. Rio Grande contemporizaram e pediram que o pênalti fosse batido de novo, e por gentileza cobrado para fora. O jogo terminou 1 X 1. E Carruíra não quis bater, para garantir a fama de nunca ter perdido um pênalti. (Pesquisa: Nilo Dias)

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