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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os 100 anos do Parnahyba S.C.

No último dia 1 de maio o Parnahyba S.C. completou 100 anos de atividades. O clube foi fundado em 1 de maio de 1913, para fazer frente as equipes organizadas por imigrantes no litoral do Piauí, que chegaram ao Estado atraídos pelo ciclo da carnaúba, produto tipicamente piauiense, que vivia um período de alta valorização no mercado internacional. Esses estrangeiros vieram na maioria da Inglaterra e trouxeram junto o até então desconhecido futebol.

De imediato o pessoal da terra conheceu o novo esporte e o interesse por ele foi enorme, embora o futebol já tivesse chegado ao Brasil, mas não se expandido para aquela região. Tanto, que decidiram montar um time para competir em campo com os ingleses, fortalecendo uma rivalidade já existente na sociedade. Assim nasceu o Parnahyba S.C., a mais antiga equipe de futebol do Piauí, ainda em atividade.

O principal responsável pelo nascimento do novo clube foi José de Moraes Corrêa, conhecido como Zeca Corrêa. Filho de empresários parnaibanos, o jovem Zeca foi estudar na Inglaterra e lá conheceu o esporte que se tornava cada vez mais popular no mundo. De volta à sua terra natal, trouxe consigo algumas bolas e uniformes e juntou-se a alguns amigos para, no dia 1º de maio de 1913, fundar o Parnahyba Sport Club.

Mas o Parnahyba S.C. não foi o primeiro clube de futebol em Parnaíba. A história teve inicio quando um inglês conhecido como Mr. Anderson chegou na cidade, vindo da Inglaterra para visitar o amigo James Friederick Clark, proprietário da “Casa Inglesa”, exportadora de diversos produtos, em especial relacionados à carnaúba. Ele trouxe na bagagem uma bola de futebol para presentear Antônio Clark, filho de James.

A bola foi o que faltava para ser formado o time de futebol da “Casa Inglesa”, que recebeu o nome de Internacional. Esse time, formado por funcionários da firma e amigos marcou a história do futebol na cidade. Tanto é verdade, que o campo onde realizava seus jogos, foi o primeiro e o principal de Parnaíba por muito tempo. Nos anos 70 o Governo do Estado adquiriu a área e construiu o “CT Petrônio Portela”, que hoje é utilizado pelos demais clubes da cidade.

Com a fundação do Parnahyba, foi criada uma grande rivalidade contra o já existente Internacional. Os dois times tiveram origens em companhias inglesas instaladas na cidade. Como as duas empresas eram de Liverpool, aproveitou-se a rivalidade de lá para criar o “Camisa Azul”, inspirado no Everton e que deu origem ao Parnahyba SC. E o “Camisa Vermelha”, inspirado no Liverpool e que se tornou Internacional A.C. este já extinto.

Mas o futebol da cidade não se resumiu só a esses dois clubes. Com o passar do tempo surgiram várias outras agremiações, como o Tuna-Luso, Ferroviário, Paysandu e Fluminense, entre outras. Mas os anos se encarregaram de enfraquecê-las, ficando somente o Parnahyba que se mantém até hoje, quando chega aos 100 anos.

Nos seus primeiros tempos o Parnahyba colecionou títulos. Até a primeira metade do século passado o futebol do Piauí não tinha uma federação unificada. Os times de Teresinha jogavam um campeonato da cidade. Em Parnaíba havia uma Liga, que organizava os campeonatos locais, onde o Parnahyba S.C. se destacava papando títulos.

Na década de 1960, quando o profissionalismo chegou ao futebol piauiense, teve inicio um período de muitas dificuldades para o Parnahyba, que sem dinheiro para se manter vivo contou com a ajuda de amigos e parentes dos dirigentes. Por isso o clube ficou muito tempo sem ganhar nada. Teve de se contentar com apenas um vice-campeonato na década de 1970 e outro em 2003. Até que as coisas começaram a melhorar e conquistou um tricampeonato estadual em 2004/2005/2006.

A história do Parnahyba S.C. se identifica com a história da cidade. Suas origens são um orgulho para Parnaíba, pois o clube foi criado no início do século para manter uma identidade local dentro de um esporte "estrangeiro".

Uma família esteve agrupada ao clube em todos esses anos. Foram os Alelaf, que influenciados principalmente pelo patriarca Pedro, transferiu para filhos, netos, noras e toda uma gama de parentes e amigos, uma indescritível paixão pelo clube.

A história dessa família no Piauí teve início nas primeiras décadas do século passado, quando o imigrante sírio Calixto Alelaf chegou ao Estado com a mulher Ália para se instalar em Floriano, no Sul do Estado, fugindo da guerra que assolava seu país. Em solo piauiense nasceu em 18 de fevereiro de 1918, o filho mais novo, Pedro, único brasileiro entre todos os irmãos.

Na década de 1930, Salomão, um dos irmãos mais velhos, decidiu tentar a sorte em Parnaíba, seguido por Pedro alguns meses depois. No principio ganharam a vida trabalhando em uma loja de tecidos, para tempos depois, abrirem o próprio negócio, a “Casa das Sedas”.

Já adaptados a cidade e com o comércio indo a todo o vapor, Pedro e Salomão Alelaf envolveram-se no futebol local. A família sempre gostou do esporte, tanto que chegaram a montar um time em Floriano, chamado de “Sírio-Libanês”, composto por irmãos, primos e primas, que disputava jogos amistosos com outras equipes locais. A história de Pedro Alelaf, que até hoje é chamado de "Eterno Presidente do Parnahyba", foi bem mais longe que sua carreira de jogador do clube.

Como atleta atuou entre os anos 40 e 50. Os negócios andavam as mil maravilhas. Além da “Casa das Sedas”, passou a investir também em cinemas e outros pequenos negócios na cidade, construindo a base financeira que viria a sustentar o Parnahyba S.C. durante um bom tempo.

No final da década de 1950 ele já se apresentava como um dirigente esforçado do clube, até que 1969 assumiu a presidência pela primeira vez. Como o estatuto do clube não permitia que Pedro Alelaf fosse presidente vitalício, quando não podia ser reeleito indicava alguém para o cargo. E foi assim durante 40 anos. A sua vida esteve sempre intimamente ligada ao clube.

O envolvimento da família Alelaf com o Parnahyba não foi restrita a Pedro e Salomão. Todas as gerações posteriores sempre estiveram juntas do clube de alguma forma, como jogadores, dirigentes ou apenas como torcedores.

Alguns filhos de Pedro jogaram pelo Parnahyba, casos de Hélio, Petrarca e Calixto. Pedrinho Alelaf, meio-campista que atuou na década de 1950, é considerado um dos grandes jogadores da história do Parnahyba. Atualmente, um neto de Pedro joga nas categorias de base do clube.

A casa dos Alelaf foi também uma espécie de sede da agremiação. Os jogadores passavam boa parte do tempo por lá, costumavam tomar café e almoçar. Os uniformes do time eram lavados na casa. Alguém pode pensar que com toda essa ligação familiar com o clube, as conquistas de títulos foram muitas. Mas não foi assim. O Parnahyba nunca conquistou um título estadual quando presidido por Pedro Alelaf. O seu maior feito nesse período foi o vice-campeonato em 1976.

O motivo foi a falta de recursos para montar uma equipe forte e competitiva. O dinheiro vinha quase que exclusivamente das empresas de Pedro Alelaf. O poder público não apoiava em nada. No início da década de 2000 finalmente o clube passou a ter o apoio financeiro da prefeitura.

Pedro Alelaf não era mais o presidente, mas ainda viu o time do coração ser campeão do primeiro turno do Campeonato Piauiense em 2004. Não conseguiu ver o Parnahyba levantar a taça de Campeão Estadual, pois faleceu no dia 13 de abril daquele ano.

Os torcedores não o esquecem. É comum repetirem um gesto que se tornou característica de Pedro Alelaf, jogar o chapéu para cima, toda a vez que o time marcava um gol. Fundado em 1913, o clube é o mais antigo do estado, sendo recordista de público e renda nos Campeonatos Piauienses de 2004, 2005 e 2006.

Considerado o berço do futebol parnaibano, a história do estádio Petrônio Portela se confunde com a história do Parnahyba. Construído na década de 1920, pela “Casa Inglesa”, foi batizado originalmente por “Estádio Internacional”. Seu estilo arquitetônico semelhante aos estádios ingleses da época, único no Brasil, era símbolo do glamour das disputas do campeonato parnaibano no século passado.

Com o fechamento da “Casa Inglesa”, o estádio foi colocado à venda, sendo comprado pelo Governo do Estado do Piauí, na pessoa do então-governador parnaibano Alberto Silva, sendo, em 1973, doado ao Parnahyba Sport Club.

Após a construção do estádio “Mão Santa”, inaugurado em 1961 e com capacidade para 5 mil torcedores, o Parnahyba deixou definitivamente de mandar seus jogos no “Petrônio Portela”, que, "esquecido" já começa a sofrer os danos provocados pelo tempo e a falta de manutenção.

Restando apenas as ruínas da estrutura original, a diretoria do Parnahyba resolveu, em 2008, iniciar uma grande reforma de restauração e ampliação no estádio, transformando-o no Centro de Treinamentos da equipe profissional e das categorias de base. As primeiras etapas, que consistiam na recuperação da estrutura administrativa já foram contempladas.

O escudo atual é utilizado desde o inicio da década de 90. As duas estrelas representam o Bi-Campeonato Piauiense conquistado em 19/07/2005 no estádio “Albertão”, em Teresina, contra o time do Piauí Esporte Clube com vitória de 1 X 0.

Títulos conquistados. Campeão Piauiense: (1916/1924/1925/1927/1929/1930/1940/2004/ 2005/2006/2012/2013); Taça Estado do Piauí: (2004/2012); Taça Governador Alberto Silva (1988); Outras Conquistas. Campeonato Parnahybano: (1941- 1942 – 1944 – 1945 – 1946 – 1954 – 1961 – 1965 e 1967).

O hino do clube, composto originalmente por R. Petit, transformou-se anos mais tarde no hino oficial da Cidade de Parnaíba, fazendo parte de todas as cerimônias oficiais, tanto do clube quanto da cidade. (Pesquisa: Nilo Dias)

Jogadores do Parnahyba S.C., antes do clássico contra o Internacional. ( Foto-Reprodução: Instituto Histórico de Parnaíba)

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