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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Imprensa pelotense de luto

Certamente Deus está pensando seriamente em montar lá em cima uma emissora de rádio e quem sabe também um jornal, pois já foram tantos os amigos da imprensa escrita e falada de Pelotas que partiram desde que saí da cidade em setembro de 1975, que passa essa ideia. E lá se foram 38 longos anos.

Em 2011 visitei a cidade pela última vez e tive a oportunidade de conversar com o amigo e grande narrador esportivo, Luiz Carlos Martinez. E hoje fiquei sabendo de seu falecimento ocorrido ontem em sua residência, na rua Anchieta, centro da cidade. Uma grande perda para toda a sociedade pelotense, pois se tratava de uma pessoa muito querida.

Luiz Carlos Martinez tinha 88 anos e morreu após uma parada cardíaca. O velório aconteceu no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, e o sepultamento às 19 horas, no Cemitério do Fragata.

Nesse derradeiro contato que tive com Martinez, lembro bem, eu estava acompanhado dos amigos Luiz Carlos Knopp, ardoroso torcedor do E.C. Pelotas e do repórter esportivo de meus tempos de rádio, Amir Cury. Como não poderia deixar de ser recordamos boas coisas de uma época que ficou só nas nossas lembranças.

Eu trabalhei com o Martinez na Rádio Pelotense, logo que a emissora se mudou para o Cine-Rádio, na Andrade Neves. Tínhamos uma bela equipe esportiva, comandada por mim, graças a bondade do saudoso Luiz Castro, que era o diretor da emissora. Os narradores eram o Martinez e o Brauner. Um dos comentaristas era eu. Às vezes também narrava um jogo ou trabalhava de repórter. O Renato Carvalho era um dos repórteres.

Aos domingos à noite, 22 horas, o Brauner, o Martinez e eu apresentávamos o programa “Resenha Esportiva Mesbla”. Quase sempre o Romeu Machado dos Santos, o “Machadinho”, que era o nosso plantão esportivo, também participava noticiando os resultados dos campeonatos de outros países.

O Brauner ria por qualquer coisa, principalmente quando o Machadinho entregava os resultados do campeonato argentino, com jogos do Huracan “Buceo” e os gols do artilheiro “Cullione”. Eu também não resistia e caía na risada. Quem salvava a situação era o Martinez, que se mantinha sério.

Além de extraordinário profissional do rádio, Luiz Carlos Martinez foi um grande goleiro de futebol de salão, tendo conquistado muitos títulos pelo E.C. Pelotas. A formação básica daquele grande time era Martinez - Luis Rosa (Rosinha) - Fernando Viana (Vianinha) - Aldrovando Dutra - Luis Carlos Oliveira (Joca) - Paulo de Souza Lobo (Galego) e Aldrovando Loureiro (Gringo).

Aproveito para lembrar de alguns colegas da imprensa de Pelotas, não só da esportiva, que deixaram imensa saudade: Jair Rodrigues, que foi narrador junto com Paulo Correia, na Rádio Pelotense, nos tempos da Félix da Cunha; Phidias Galo, comentarista esportivo; Armando Leite Goulart, comentarista esportivo; Honório Sinott, editor de esportes do Diário Popular; Eliseu de Mello Alves, jornalista do Diário Popular e pesquisador; Álvaro Piegas, repórter policial do Diário Popular; Irajá Nunes, brilhante jornalista; Fernando Cunha, narrador da Rádio Universidade e repórter do Diário Popular: Ernane Cavalheiro, colunista do Diário Popular e pai do jornalista Mairo Cavalheiro; Victor Hugo Horta, colunista do Diário Popular; Gilson Tilmann, repórter da Rádio Cultura; Paulo Ribeiro, repórter da Rádio Pelotense; Heriberto Reis do Nascimento, comentarista da Rádio Cultura; Edmar Alan, repórter da Rádio Cultura; Petrucci Filho, narrador da Rádio Cultura; Romeu Machado dos Santos, o Machadinho, plantão esportivo; Ramão Barros, fotógrafo do Diário Popular; Dinei Avelar, plantão esportivo; José Alan, comentarista esportivo; Deogar Soares, marcou época na Rádio Tupancy; Antônio Carlos Alves, narrador esportivo; Rubens Coutinho, repórter da Rádio Cultura; Luiz Castro, diretor da Rádio Pelotense; Clayr Lobo Rochefort, diretor do Diário Popular; Izabelino Tavares, meu irmão; Geraldo Fagundes, locutor da Rádio Tupancy; Bernardo Hobuss, repórter esportivo; Abrahao Gonçalves, repórter esportivo das rádios Pelotense e Tupancy; Barreto Pinto, o "homem da saudade"; Aires Pastorino, o homem do "Balcão Musical Mesbla", na Rádio Tupancy; Émerson Vieira, repórter da Rádio Pelotense; Miguel Tarnac da Rocha, o maestro Rochinha, da Rádio Pelotense; José Carlos Sica, diretor da Rádio Pelotense; Paulo de Souza Lobo, o "Galego", foi comentarista esportivo da Rádio Pelotense, além de notável técnico de futebol; Ivan Aune, narrador de turfe; Caio Vieira Juruá, cronista de turfe; Elias Bainy, jornalista e repórter de turfe; Vilmar Tavares, fotógrafo dos jornais Diário Popular e Diário da Manhã e José Salimen Júnior, de vitoriosa carreira na imprensa de Porto Alegre.

A lista é imensa. Com certeza faltaram muitos nomes, o que se deve à memória já desgastada pelos 72 anos de idade deste colunista. E também porque certamente não fiquei sabendo de todos os colegas amigos que já se foram. (Texto: Nilo Dias)

Equipe salonista do E.C. Pelotas, nos anos 50. Luiz Carlos Martinez era o goleiro.

Um comentário:

Fabíola Roos disse...

Bela homenagem Nilo. Um abraço.