Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Os 100 anos do “Leão da Estradinha”

O Rio Branco Sport Club, da cidade paranaense de Paranaguá completou 100 anos no último dia 13. É o terceiro clube mais antigo do Estado, atrás apenas de Coritiba e Operário, de Ponta Grossa. O clube foi fundado em 13 de outubro de 1913, quando de uma reunião acontecida na residência da Família Lima, localizada na rua Marechal Deodoro,12.

Nessa reunião estiveram presentes os desportistas Manuel Victor da Costa, Aníbal José de Lima, Euclides de Oliveira, José de Oliveira, Jarbas Nery Chichorro, Antônio Gomes de Miranda e Raul da Costa Pinto, que são oficialmente considerados fundadores.

A idéia da fundação do clube surgiu na véspera, dia 12, quando os desportistas conversavam na calçada da rua Marechal Deodoro, a respeito de futebol. Foi quando chegou o senhor Raul da Costa Pinto, funcionário da Alfândega, que depois de ser informado da idéia de fundar uma agremiação esportiva, deu opinião favorável.

No dia seguinte ocorreu a reunião, que foi bastante movimentada. Teve alguns que defenderam a criação de uma sociedade recreativa/esportiva. Mas prevaleceu a sugestão de Jarbas Nery Chichorro, de que o ideal seria um clube de futebol, o que tinha o apoio da maioria das pessoas presentes. Também foi ele que sugeriu o nome Rio Branco, que foi aceito por unanimidade.

Na ocasião também foi eleita uma Diretoria provisória, que ficou assim constituída: Presidente, Manoel Victor da Costa; Vice Presidente, Antonio Gomes de Miranda; Secretário, Jarbas Marques Nery Chichorro; Tesoureiro, Jose de Oliveira.

Um fato que deve ser levado em consideração, é que entre todos os clubes do futebol paranaense, apenas o Rio Branco e o Coritiba mantém vivas suas tradições, sendo os dois únicos que nunca trocaram de nome e cores.

Até então o futebol estava concentrado em Curitiba e Ponta Grossa, onde desde 1909 várias equipes foram formadas nas duas cidades. Cada jogo se transformava em uma verdadeira festa, reinando um clima de estreita amizade entre os clubes. Em Paranaguá o futebol ganhou força em maio de 1913, quando foi fundado o Paranaguá Foot-Ball Club. No mês de setembro surgiu o Brazil Foot-Ball Club e em outubro o Rio Branco Sport Club.

Da fundação até o primeiro jogo transcorreram mais de 30 dias. Aconteceu em 23 de novembro de 1913, no “ground” do Campo Grande, na Praça Pires Pardinho, com derrota de 1 X 0 para o Brazil F.C., também de Paranaguá. O Rio Branco mandou a campo naquela ocasião Colombino - Mathias e Nagib – Eugênio - Itaborahi e Raul – Rocha – Romeu – Cezário - Braga e Flota.

Em dezembro houve nova reunião na sede localizada à rua Marechal Deodoro, 59, para escolha da Diretoria definitiva. Foram eleitos e empossados: Presidente, Itaborahy de Macedo; vice, José Colombino; 1° secretário, Antonio Roza; 2° secretário, Nagib Balech; 1° tesoureiro, Angelo Perusin; 2 tesoureiro, José de Oliveira; orador, Raul da Costa Pinto; capitão, Mathias Lourenço; 2° capitão, Cezario Corriel e “Guarda Sport”, Lucilio F. do Nascimento.

O primeiro confronto contra um time de fora de Paranaguá ocorreu no dia 6 de janeiro de 1914, na Praça Pires Pardinho, contra o América, de Curitiba. Para se prevenir de uma possível goleada, o Rio Branco se uniu ao Brazil e o Paranaguá, formando um selecionado da cidade, que teve a seguinte formação: Osmario – Arcesio - Mendes – Zizo – Quinquin – Luiz – Nagib – Agostinho – Acrisio - Fernando e Soffiati.

O resultado do jogo é desconhecido, mas sabe-se que o grande goleador do Rio Branco, Quinquin, marcou três gols, mas o juiz anulou um porque estava “off-side”.

Em junho de 1914 foi arrendado pelo prazo de cinco anos, um terreno de propriedade do senhor Chrispim da Silva, para que o clube erguesse o seu próprio campo. Para arrecadar recursos, os associados realizaram concorrida quermesse, tendo por local a Praça Pires Pardinho.

Ate uma peça de teatro foi encenada para arrecadação de verbas destinadas as reformas do novo campo e a construção das arquibancadas. A previsão de inauguração era para 2015.

No mesmo ano o prefeito Cetano Munhoz da Rocha deu ao clube uma área de alagadiço nas redondezas da Praça João Gualberto. Depois de seis meses de trabalho o campo ficou em condições de jogo. O sócio-benfeitor José Fonseca Lobo, conhecido por “Zézito”, doou alguns vagões de madeira para a construção das arquibancadas.

A inauguração oficial ocorreu num jogo frente um selecionado de times de Curitiba, chamado de “Team Extra”, formado basicamente por jogadores do International e América. O Rio Branco venceu por 2 X 1, gols de Cardines e Lobo. O time jogou com Pedrinho - Azevedo e Marinho – Rosa - Eugênio e Manoel – Docelo - Caldeira – Lobo - Cardines e Coelho.

O Rio Branco permaneceu no local por quase 10 anos, pois teve de entregar a área para construção lá da Escola Normal - atualmente Instituto de Educação Dr. Caetano Munhoz da Rocha. O município então doou ao clube um novo terreno, na Estrada das Colônias - atual Alameda Coronel Elysio Pereira – para construção do novo estádio.

Além da área o prefeito Francisco Accioly Rodrigues da Costa, autorizou a doação de dois contos de réis (2:000$000) para que o clube pudesse providenciar a mudança para a nova sede, que hoje abriga o Estádio Nelson Medrado Dias, o “Estradiha”.

O nome é uma homenagem ao ex-presidente do clube, que era agente do LLoyd Brasileiro, vindo do Rio de Janeiro e apaixonado pelo futebol. Foi em sua gestão que teve início o projeto de construção do novo campo em meados de 1924, tendo decorrido o prazo de aproximadamente seis meses para arrecadação de fundos para as primeiras obras, que começaram em 1925.

Graças ao prestigio que gozava no comércio local e na política, arrecadou fundos e mandou aparelhar o terreno e iniciar a construção das arquibancadas. Quase dois anos depois, em 12 de Junho de 1927, foi inaugurada a “Praça de Esportes Nelson Medrado Dias’, que até hoje é a sede do clube e seu campo de futebol.

A inauguração do “Estádio Nelson Medrado Dias” (Estradinha) ocorreu em 12 de Junho de 1927, com o jogo Rio Branco X Atlético Paranaense. No entanto, não se sabe o resultado.

Além de Medrado Dias, a cidade reverencia outros nomes importantes na vida do clube: Jefferson Picanço da Costa, Antônio Fernandes Marques, Mozart Pereira Alves, Dr. Arthur Miranda Ramos, Dr. Antônio José Santana Lobo Neto, Ney Pereira Neves, Mário Marcondes Lobo Filho, entre outros.

Em 12 de outubro de 1915 os clubes de futebol de Curitiba realizaram uma reunião na sede do Jockey Club para criação da Liga Sportiva Parananense (LSP), que teria a incumbência de organizar o futebol no Estado. Mas do interior foram convidadas apenas agremiações de Ponta Grossa e do Litoral.

Participaram da reunião clubes de Curitiba, Antonina, Paranaguá, Morretes e Ponta Grossa. Todos foram incluidos na chamada “Divisão de Honra”, com direito a participar do primeiro Campeonato Oficial disputado no Estado.

O campeonato de 1915 foi o primeiro da história do futebol paranaense. Dele participaram Coritiba F.C. (Curitiba), Internacional F.C. (Curitiba), América F.C. (Curitiba), Paraná S.C. (Curitiba), Paranaguá F.C. (Paranaguá) e S.C. Rio Branco (Paranaguá).

Os times jogaram entre si, todos contra todos em turno e returno. O campeão foi o extinto Internacional Foot Ball Club, da capital. O Rio Branco foi o último colocado com apenas quatro pontos em 10 jogos.

Os jogos do Rio Branco foram os seguintes: Turno - 30-05: Coritiba 1 X 1 Rio Branco; 13-06: América 5 X 1 Rio Branco; 25-07: Paraná 9 X 0 Rio Branco; 01-08: Rio Branco 3 X 1 Paranaguá; 03-08: Internacional 13 X 0 Rio Branco.

Returno - 31-08: Rio Branco 0 X 3 Coritiba; 07-09: Rio Branco 3 X 3 América; 12-10: Paranaguá 3 X 0 Rio Branco; 9-10: Rio Branco 0 X WO Paraná e 16-11: Rio Branco 0 X WO Internacional.

O melhor ataque da competição foi o do Internacional, com 27 gols e o pior, o do Rio Branco, que marcou apenas 8 gols. A pior defesa foi a do Paranaguá, que levou 39 gols. O artilheiro foi Ivo Leão, do Internacional, com 14 gols marcados. A maior renda do campeonato foi no jogo Internacional 2 x 1 Paraná, pelo segundo turno, que somou 175$000 mil réis.

O Rio Branco ingressou no futebol profissional em 1956, disputando a Divisão Especial do futebol paranaense. Para poder participar da competição foi preciso cumprir várias ações de ordem administrativa junto à Federação Paranaense de Futebol.

Em reunião realizada na FPF no dia 16 de maio de 1956, o Rio Branco foi aceito pela unanimidade dos clubes profissionais do Estado.  A estréia na elite estadual aconteceu no dia 23 de junho de 1956, contra o Esporte Clube Água Verde. O Rio Branco venceu por 1 X 0. O time teve Abrãozinho - Dicésar e Salvito - Daltro - Dimas e Alcione – Arnoldo – Villanueva – Holofote - Celso e Mundinho.

Em 1970 o Rio Branco disputou o Campeonato Paranaense da 2ª Divisão. Nos 10 jogos realizados na fase classificatória, o time conquistou seis vitórias, dois empates e duas derrotas, chegando junto com Cascavel e Guarani, de Ponta Grossa, na primeira colocação.

Houve um triangular em turno e returno para decidir quem retornaria a elite paranaense. O Rio Branco ganhou um jogo, perdeu outro e empatou dois, terminando em segundo lugar e classifiado para a Primeira Divisão do futebol estadual.

Em 1977, disputando a chamada “Repescagem”, chegou à fase final, sagrando-se campeão da Zona Sul, ao derrotar o Pinheiros por 1 X 0 em Paranaguá. Ganhou o título no empate em 1 X 1, na Vila Capanema. Na finalisima, contra o Maringá, só não venceu porque o juiz, extranhamente, anulou um gol legitimo de Ivan, anotado aos 41 minutos do segundo tempo.

Depois de um período de licenciamento, o clube voltou as disputas em 1995 e sagrou-se campeão de grupo B, que na época equivalia a 2ª Divisão, classificando- se para um exagonal com a presença dos quatro melhores times da 1ª divisão e o campeão e vice da 2ª. O Rio Branco terminou como quinto colocado.

Em 1995, como campeão da Série B, voltou a se classificar para o Octogonal da Divisão de Elite de 1995 e para a Primeira Divisão de 1996.

Em 2000 o Rio Branco foi campeão do Interior pela terceira vez e disputou o quadrangular final do Estadual, tendo como adversário o Coritiba. O Coritiba não queria jogar em Paranaguá, e por isso alegou que o estádio do Rio Branco não tinha a capacidade exigida para receber o público. A diretoria do Rio Branco montou uma arquibancada de estrutura metálica, conseguindo com isso ampliar a capacidade do estádio.

Em sua história centenária o clube teve conquistas importantes, como o título de Campeão do Interior em 1948 e repetido em 1954 e 2000.

Em 1948, o Rio Branco, então campeão da Liga de Futebol do Litoral do Paraná também tornou-se Campeão do Interior. Os jogos foram contra o Operário-Ferroviário, de Ponta Grossa.

Depois de dois empates, o Rio Branco venceu a terceira partida por 3 X 2, levantando a taça. A equipe campeã era composta por Duia - Chiquinho e Jaci Maciel – Odemar - Tião e Chico Preto – Julinho -  Antoninho – Guito - Chico Porco e Jaci.

Em 1954 o Rio Branco foi campeão da Liga Regional de Futebol de Paranaguá, ganhando com isso o direito de participar do II Torneio do Interior, que reunia os campeões das ligas interioranas. Depois de ganhar do Internacional, de Campo Largo eo Ferroviário, de União da Vitória, o Rio Branco foi para a final frente o Guarani, de Arapoti.

No primeiro jogo, fora de casa, o Rio Branco venceu por 3 X 1, gols de Celso, Nico e Zangado. O segundo jogo, em Paranaguá, disputado em 1 de maio, foi fácil demais. O Rio Branco aplicou no adversário uma histórica goleada de 8x0. Celso Marques e Zangado marcaram quatro gols cada um. O grupo campeão: Abrão – Dicézar – Salvito – Tiziu – Tinoco – Daltro – Badalo – Holofote - Villanueva – Zangado – Celso – Nico – Tucano e Ademar.

Nos 100 anos de existência, foram vários os jogadores de destaque que vestiram a camisa do “Leão da Estradinha”, como o clube é carinhosamente chamado por seus torcedores. Um dos primeiros ídolos do Rio Branco foi o jogador Tião. Ele chegou em Paranaguá em 1945 vindo de Santa Catarina. Ficou No clubr como atleta e depois na comissão técnica como massagista, até metade da década de 1970.

César Frizzo, o “Gaúcho Parnanguara” veio do Rio Grande do Sul para ficar famoso no futebol paranaense. Jogou muito tempo no Coritiba, além de Cambraense, Jacarezinho e Água Verde. Chegou ao Rio Branco em fim de carreira, mas foi muito importante na história do clube.

O atacante Celso Marques chegou ainda muito jovem. Com 16 anos já estava no time de cima. Defendeu o Rio Branco por oito anos. Tinha um chute forte e era exímio cobrador de faltas. Foi goleador do campeonato em 1958, com 14 gols marcados, ao lado de Duílio. Embora não seja oficial, deve ser o maior artilheiro de toda a história do clube.

Teve ainda Dicésar, chamado de “O Mestre do Pênalti”. Ele nasceu em Paranaguá e defendeu o clube a partir de 1954. Esteve no escrete campeão do interior. Também dono de um chute forte, ficou marcado como grande cobrador de penalidades máximas.

Da mesma época foi o zagueiro Alcione, que jogou no “Leão” por 10 anos. Contratado em 1954, se notabilizou por ser forte, bom marcador e ganhou a alcunha de maior “Xerifão” do time na história.

Também foram destaques históricos do clube o lateral-direito Calé, o atacante Mandrake, o meia Odair, considerado o maior ídolo em todos os tempos, o zagueiro Salvito, o zagueiro Vivi, o ponteiro-direito Oromar, o meia paraguaio Villanueva, Abrãozinho, Salvito, Bidu, Dimas, Darci, Zangado, Oda, Fábio, Nona, Jairton, Holofote, Nininho e Renato “Bacalhau”.

Títulos conquistados. Campeonato da Liga Regional de Futebol de Paranaguá: (1923, 1925, 1926, 1927, 1928, 1930,1931, 1933, 1936, 1937, 1938, 1939, 1945, 1947, 1948, 1954 e 1955);.Campeonato do Interior Paranaense: (1948, 1954 e 2000); Divisão de Acesso Paranaense (1995); Torneio Início: (1961/1962 e 1963); Campeonato Paranaense da Zona Sul: (1977).

Participou do Campeonato Brasileiro da Série C em 1996, 1998, 1999 e 2000 e da Copa do Brasil, em 2007. Seu principal rival era o Clube Atlético Seleto, com quem fazia o clássico Sele-Rio.

Na última segunda-feira (14), a Assembléia Legislativa do Estado prestou uma homenagem ao Rio Branco S.C., pela passagem do seu centenário, atendendo proposição do deputado Alceu Maron Filho. O ato encerrou a programação festiva que foi realizada desde o dia 11, quando de um show de bandas em uma casa noturna da cidade.

No sábado, dia do aniversário, foi reaberto o “Estádio Nelson Medrado Dias”, mais conhecido como “Estradinha”, com o jogo amistoso Rio Branco Master 5 X 1 Seleção Paranaense Master. Também houve uma roda de samba animada pelo “Grupo Ousadia”.

O “Estádio Nelson Medrado Dias” ganhou novas arquibancadas e cabines para a imprensa. Também foi construído um alojamento para os atletas, que dispõe de um moderno refeitório, lavanderia e sala de jogos.

Em 2004 foi inaugurado pela Prefeitura Municipal de Paranaguá o “Estádio Fernando Charbub Farah”, o "Gigante do Itiberê" com capacidade para 20 mil pessoas, o dobro do antigo “Estádio Nelson Medrado Dias”. O novo estádio tem uma estrutura digna de grandes times de futebol, com arquibancada maior, cadeiras numeradas, cabines de imprensa e etc. É um dos mais modernos do Paraná.

Atualmente o “Estádio Nelson Medrado Dias” está desativado, usado apenas para campeonatos amadores e regionais. O Rio Branco espera mandar seus jogos nesse local a partir de 2014.

No ano em que completa 100 anos, por pouco o Rio Branco S.C. não proprcionou aos seus torcedores, um grande vexame. O time só escapou do rebaixamento para a “Segundona Paranaense” na última rodada do certame, mesmo perdendo para o Arapongas, fora de casa. Acabou beneficiado pela derrota do Atlético Clube Paranavaí (ACP), contra o Paraná.

Em 2011 o clube também quase foi parar na Segundona devido a escalação irregular de um jogador. Foi salvo pelo Tribunal que absolveu o clube, considerando que esse não agiu de má fé. (Pesquisa: Nilo Dias)

1954. Time "Campeão do Interior". Em pé: Arnoldo - Alcione - Abrão - Tucano - Daltro - Dicésar - Salvito e Tiziu. Agachados: Ademar - Nico - Holofote - Zangado - Celso - Jean e Babá. (Foto: www.leaodaestradinha.com.br)

Um comentário:

Carlos Eduardo Silva Demetrio disse...

Como Parnanguara agradeço por manter viva a história do Rio Branco.
Carlos Demétrio(filho de Nona).