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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Time de nome estranho

O Mavílis Football Club, fundado a 23 de setembero de 1915, foi uma das muitas agremiações esportivas que existiram no Rio de Janeiro e encerraram as atividades.

Tinha suas origens no bairro do Caju e participou dos campeonatos cariocas de 1933 e 1934. Durou até a década de 1970, quando enrolou a bandeira. Antes disso, ainda disputou o Departamento Autônomo.

O Rubro-Anil do Caju mandava os seus jogos no Estádio Praia do Retiro Saudoso, na Rua Carlos Seidl, no Bairro do Caju. O melhor momento da história do Mavílis aconteceu em 1934, quando terminou como vice-campeão do Campeonato Carioca da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA).

O Mavílis, inclusive, venceu o Botafogo, que foi o campeão, por 2 X 0, gols de Honório e Chavão, ambos no segundo tempo, em casa, em 22 de julho de 1934. No final foram nove pontos em oito jogos; com quatro vitórias, um empate e três derrotas; marcando 24 gols e sofrendo 21.

O uniforme do Mavilis era composto de camisa vermelha, com gola azul, calção branco e meias azuis. O segundo uniforme tinha a camisa branca com duas faixas em horizontal, uma azul e outra vermelha.

As pessoas devem se perguntar, o porque de um nome tão estranho? Mavilis são as iniciais de Manuel Vicente Lisboa, um dos diretores da Companhia América Fabril e grande incentivador da prática de esportes entre os funcionários da fábrica, que resolveram homenageá-lo.

Títulos conquistados: Vice-campeão do Torneio Início da Campeonato Carioca (1934) e Campeão Carioca de 2°s quadros da Segunda Divisão (1931)

O Mavilis nasceu na Fábrica de Tecidos Pau Grande, fundada em 1878 na cidade de Pau Grande (RJ). Em 1885, passou a chamar-se Companhia de Fiação e Tecidos Pau Grande (CFTPG). Um de seus diretores era o gaúcho Manuel Vicente Lisboa, comerciante e atacadista de tecidos, considerado pelos demais sócios o responsável pela reorganização da empresa. De 1889 a 1896, foi o presidente.

Em 1891 a CFTPG adquiriu da Companhia Manufatureira Cruzeiro do Sul a Fábrica Cruzeiro, que estava em construção na área de uma chácara existente na Rua Barão de Mesquita, nº 82. Em 1892, a CFTPG passou a chamar-se Companhia América Fabril.

Em 1903, a empresa cresceu ainda mais, ao comprar a Fábrica Bonfim, que havia pertencido à Companhia União Industrial São Sebastião, e que se localizava na Rua General Gurjão, nº 25, no bairro do Caju – próximo à estação inicial da Estrada de Ferro Rio d’Ouro.

Em 1910, construiu uma nova unidade fabril ao lado da Fábrica Bonfim, no nº 81 da mesma rua. Em homenagem ao já citado Manuel Vicente Lisboa, essa fábrica acabou sendo batizada de “Mavilis”, sigla formada pelas primeiras sílabas de seu nome.

Para controlar o lazer de seus funcionários, a empresa criou, em 1919, a Associação dos Operários da América Fabril. Mas além dela, as unidades fabris também tinham seus times próprios. Por exemplo, a Fábrica Pau Grande sustentava o S.C. Pau Grande, em que, a partir de 1947, jogou um garoto de 14 anos chamado Manuel dos Santos, mais conhecido por “Garrincha”.

A Fábrica Cruzeiro apoiava o Andaraí A.C., que jogava num terreno vizinho, situado na rua Barão de São Francisco, nº 236, que depois pertenceu ao America F.C., que nada tinha a ver com o América Fabril.

Já a Fábrica Mavilis mantinha o Mavilis F.C., que tinha tanto sua sede quanto seu campo nos terrenos da empresa, na Rua Carlos Seidl, Praia do Retiro Saudoso, no bairro do Caju. Seu grande feito foi um vice-campeonato estadual, pela Amea, em 1934. (Pesquisa: Nilo Dias)

(Foto: cyclopaedia.net/)

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