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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

A morte de Ibsen Pinheiro

No jogo de ontem (26) entre Internacional e Pelotas, pelo Campeonato Gaúcho, foi feito um minuto de silêncio em homenagem a Ibsen Pinheiro, ex-dirigente colorado e ex-deputado federal, falecido na noite desta sexta-feira (24), aos 84 anos de idade.

Ele estava no hospital Dom Vicente Scherer, na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, fazendo quimioterapia, quando teve uma parada cardiorrespiratória, morrendo por volta das 21h.

Segundo o filho, Marcio Pinheiro, foi descoberto há pouco tempo um mieloma múltiplo, um tipo de câncer na medula. Mas, ainda assim,  estava com uma saúde boa para um homem de 84 anos, com cuidados diários.

Márcio contou que na quinta-feira, Ibsen estava animado porque se sentia melhor. “A sensação que fica é de que parecia que ele estava se despedindo da gente”, disse a filha Cassia, salientando que “não era algo que a gente esperava, porque, apesar da idade, a cabeça dele estava como todos sempre conhecemos, lúcida, bem-humorada”.

O velório do ex-deputado ocorreu das 9h às 16h de sábado (25) na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. Amigos, políticos, familiares e dirigentes do Internacional promoveram homenagens e compartilharam lembranças.

O corpo de Ibsen Pinheiro foi cremado no final da tarde de sábado no crematório Angelus, em Porto Alegre. 

O velório do político, que morreu na noite de sexta-feira, ocorreu no salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa e encerrou por volta de 16h. 

Pelas redes sociais, o Colorado lamentou a partida de Ibsen. “A paixão e o trabalho de Ibsen Pinheiro levaram o Clube do Povo ao topo do Brasil. Um dirigente histórico e um grande homem público”.

"Nossos caminhos estarão ligados para sempre. A paixão e o trabalho de Ibsen Pinheiro levaram o Clube do Povo ao topo do Brasil. Um dirigente histórico e um grande homem público que nos deixou hoje, aos 84 anos. Sentiremos a sua falta!"

Ele foi um dos principais nomes do MDB no Rio Grande do Sul, tendo presidido a Câmara dos Deputados entre 1991 e 1993. O partido, no Rio Grande do Sul emitiu uma nota de falecimento no final da noite de sexta-feira:

"A perda desse grande companheiro – uma das mentes mais brilhantes da política brasileira – deixa um vazio no coração do MDB de todo o Rio Grande do Sul e do Brasil", afirmou o partido.

Nascido em São Borja em 5 de julho de 1935, Ibsen foi presidente da Câmara dos Deputados entre 1991 e 1993. Em 1992, comandou a sessão que levou ao impeachment de Fernando Collor. Foi também presidente do PMDB do Estado, deputado estadual e vereador.

Era conhecido ainda pela sua atuação como jornalista, procurador de justiça, promotor, advogado e ex-dirigente do Sport Club Internacional.

Ibsen começou a sua carreira como jornalista, trabalhando na prefeitura de Porto Alegre entre os anos de 1959 e 1960. Durante a década de 1960, 
trabalhou na Rádio Gaúcha e no jornal Zero Hora, escrevendo principalmente artigos sobre esporte.

Em 1969, chegou pela primeira vez à vice-presidência do Internacional, em um grupo chamado "Os Mandarins", que ficou na história do clube por liderar uma era de conquistas que culminou com os títulos do Campeonato Brasileiro em 1975, 1976 e 1979.

Ibsen retornou aos microfones da Rádio Gaúcha em 1971. Na década de 1970, foi membro também do programa Sala de Redação, então apresentado por Cândido Norberto.

Ibsen foi eleito pela primeira vez em 1976, assumindo o cargo de vereador de Porto Alegre pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Conhecido por sua verve e sua qualidade no discurso, ele logo começou a despontar, elegendo-se deputado estadual em 1978 e deputado federal em 1983. Reelegeu-se em 1986, participando da construção da Constituição de 1988.

No início da década de 1990, Ibsen Pinheiro foi um dos nomes mais importantes da política nacional. Presidiu a Câmara dos Deputados entre 1991 e 1993, liderando a casa legislativa durante o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992.

Em maio de 1994, diante do escândalo dos anões do Orçamento, Ibsen teve o seu mandato cassado por 296 votos favoráveis, 139 contra e 24 abstenções, em um processo controverso. A ação criminal, entretanto, foi arquivada por falta de provas em 1995.

Ibsen se elegeu deputado federal em 2006. No ano de 2009, foi relator do texto que previa uma reforma política. O texto, entretanto, não foi adiante. Em 2010, relatou o projeto que previu a redistribuição dos royalties do pré-sal.

Ele também assumiu como deputado estadual em 2014, cumprindo seu mandato na Assembleia Legislativa até 2018. No ano de 2016, voltou ao Internacional como vice-presidente de futebol.

O atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, lamentou a morte e disse estar muito emocionado.

“Ibsen estará sempre guardado no meu coração. Um exemplo pra mim. Tive a oportunidade de conviver e aprender muito com ele. Perdemos um homem público diferente”, afirmou, em entrevista à colunista Kelly Matos.

O governador Eduardo Leite lamentou a morte pelo Twitter. “Recebi com tristeza a notícia do falecimento do deputado Ibsen Pinheiro. Ibsen foi homem público incansável na luta por um país melhor. Sua trajetória política, marcada pelo diálogo e pelo respeito, deixa grande legado ao Brasil. Informo que decretarei luto oficial por três dias no RS”.

“Foi absolutamente fundamental e decisivo, colocou sua inteligência e articulação a favor da construção da democracia no país”, afirmou o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça em entrevista à Rádio Gaúcha. 

“Ele instituiu os caminhos para hoje termos uma democracia que funciona, que resiste, isso é graças a um modelo institucional do qual Ibsen foi um dos operários. É um patrono de nossa história, do nosso passado político”, complementou.

“O trabalho que ele realizou sempre foi respeitado, tanto na política como no esporte, inclusive por aqueles que não são torcedores do Internacional. A gente tem que saber que o Ibsen vai, mas deixa história de trabalho, dignidade, de um homem que semeou coisas boas”, disse o ex-governador do RS, Germano Rigotto.

Ex-governador do Rio Grande do Sul e companheiro de Ibsen no PMDB, José Ivo Sartori elogiou a intelectualidade do colega e confessou que sempre o consultava antes de tomar decisões importantes. No Twitter, Sartori chamou Ibsen de "grande amigo" e "referência política".

O ex-presidente do Internacional, Fernando Carvalho, também lamentou a perda. “Um pensador colorado, com ideias claras, com ideias definidas, com uma ideia de futebol. Durante muito tempo, na década de 70, essas ideias prevaleceram no nosso clube, foi uma época vitoriosa. (...)

Depois tivemos uma grande convivência no clube, sempre companheiro, sempre solidário, sempre aparecendo para ajudar em momentos difíceis durante a minha gestão, que foi de 2002 a 2006, ele esteve sempre ao lado e, em momentos decisivos, foi uma palavra que muitas vezes conduziu as minhas atitudes — disse Carvalho.

O ex-presidente do Grêmio Luís Carlos Silveira Martins, o Cacalo, afirmou que aprendeu muito com Ibsen: “Te confesso que fiquei muito triste. Tinha uma convivência excelente, extraordinária. Faz 10 dias, 15, que eu, o Ibsen e o Márcio, filho dele, estivemos num restaurante. Ele parecia muito frágil fisicamente. Sempre respeitei muito o Ibsen. Pela sua experiência, sabedoria.

Ele sabia ensinar muito quem era um pouco mais moço do que ele. Ele me ensinou muitas coisas sobre o debate. Uma vez ele me disse "O debate faz parte da nossa atividade. Tem momentos que tu vai ganhar e outros que tu vai perder. Temos que ter consciência que se hoje tu vai ganhar, amanhã tu vai perder".

Pelo Twitter, o ministro-chefe da Casa Civil, o gaúcho Onyx Lorenzoni, lamentou a morte de Ibsen. Ele definiu o político como “importante na história do Brasil, de muita coragem pessoal, com grande capacidade de compreensão e análise do cenário político brasileiro”.

O ministro da Cidadania, Osmar Terra – também gaúcho – postou na rede social que Pinheiro foi um dos “mais brilhantes políticos brasileiros”. “Com uma enorme capacidade de formulação e de compreensão da política”.


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