Porque os times de futebol formam com 11 jogadores e não 10, 12, 13 ou mais, ou menos? Existe alguma razão especial para isso? Encontrei em minhas pesquisas duas explicações. Fica ao gosto do freguês, qualquer delas é digna de ser verdadeira. O número seria uma homenagem aos 11 colégios que participaram da reunião que determinou as regras do esporte em 1863, na Inglaterra. Ou, então, porque 11 era a quantidade de atletas nos times da Universidade de Cambridge, também na Inglaterra, primeira a publicar as definições básicas do jogo.
Essa segunda hipótese é um tanto curiosa. Cada classe, na época, tinha apenas dez estudantes, e para completar os times eram chamados os bedéis (inspetores de aulas), que jogavam sempre como goleiros. A FIFA aceita essa versão como a que mais se aproxima da lógica. O que se sabe de verdadeiro é que antes da fixação das regras não existia nenhuma padronização, jogava-se às vezes até com até 17 jogadores. E que o número de 11 jogadores foi adotado no século 19 e permanece até hoje entre as 17 leis do futebol.
Definido que cada equipe teria de ter 11 jogadores, a formação seria um goleiro, dois beques, um médio e sete atacantes. Em 1870 surgiu a clássica formação que mais tempo durou no futebol: um goleiro, dois beques, três médios e cinco atacantes. Desde 1877 os jogos de futebol são disputados em dois tempos de 45 minutos. No Brasil, até 1930, jogava-se em dois tempos de 40 minutos.
Nos primórdios do futebol o campo tinha 184 metros de comprimento e 90 metros de largura. Não existiam linhas demarcatórias, apenas quatro bandeirinhas. Todos os jogadores podiam usar as mãos para aparar a bola no ar e colocá-la no chão. Se o jogador recebesse um lançamento sem que existisse nenhum adversário entre a bola e a linha de fundo estava impedido.
O único jogador com posição fixa era o goleiro que podia pegar a bola com a mão em qualquer parte do campo, mas era proibido de conduzi-la com as mãos. Isso mudou desde 1912 que ele só pode pegar a bola dentro da sua área. A cada gol marcado os times trocavam de lado. A obstrução passou a ser cobrada em dois lances, mesmo quando dentro da área, a partir de 1951.
Nem todas as regras continuam até agora, como eram antes. Algumas tiveram sensíveis mudanças de lá para cá. Já escrevi um artigo enfocando a inexistência da figura do juiz, nos primeiros tempos do futebol. As faltas eram apontadas pelos jogadores em um acordo de cavalheiros. O árbitro surgiu somente em 1868 e, mesmo assim, apitava pouco: ficava de fora do campo e não tinha autonomia para marcar as faltas. Precisava decidir de comum acordo com os capitães. Bastava um não aceitar, que nada seria marcado. O árbitro passou a apitar para valer só a partir de 1894.
Quando o futebol começou não havia travessão e nem traves. Os próprios jogadores é que decidiam se a bola tinha passado abaixo ou acima dos dois postes laterais de 28 cms de altura e 7 metros de comprimento. Em 1865 foi colocada uma fita de tecido ligando os dois pontos. A barra da baliza, feita de madeira foi introduzida em 1875 e incorporada às regras em 1878. As redes apareceram em 1890, para identificar melhor a marcação dos gols.
O escanteio deu as caras somente em 1872. Uma curiosidade que muitos adeptos do futebol talvez não saibam: se na cobrança do escanteio a bola bater na trave e voltar, o mesmo jogador não poderá tocá-la pela segunda vez. A regra determina que o escanteio é uma forma de reiniciar o jogo, por isso não era prevista a marcação de um gol direto do tiro de canto. Isso só veio a acontecer a partir de 1924.
Num jogo entre Argentina X Uruguai, em Buenos Aires, em outubro daquele ano, vencido pelos argentinos por 2 X 1, o jogador Onzari tornou-se o primeiro jogador no mundo a marcar um gol de escanteio. Como o Uruguai era o campeão olímpico de futebol, a jogada foi batizada pelos “porteños” de Gol Olímpico.
Tem a Regra 3, que virou sinônimo de jogadores reservas, e saiu dos campos de futebol para ser usado para qualquer substituição, seja para pessoas, animais ou coisas. Ela é uma das 17 regras que, oficialmente, regulamentam o jogo de futebol, estabelecidas pela International Board, criada em 1886 pela FIFA. E a Regra 3 determina o número de jogadores.
E o pênalti? Surgiu em 1890, inventado pelo goleiro irlandês William McCrum, num match do campeonato do condado de Armagh, Irlanda do Norte. McGrum era dono de uma fábrica de tecidos e gostava de defender o gol de seu time. Um dia, para resolver o problema das faltas próxima ao gol, que geravam discussões e brigas, ele pegou a bola, “contou 12 jardas (cerca de 11 metros), marcou com tinta branca um lugar na grama e disse para colocarem a bola no local e sugeriu que um adversário e ele, debaixo do travessão resolvessem a questão “com um direct free kick sempre que houvesse um foul ou hands na grande área ou the Box (a caixa)”.
O pênalti só foi oficializado nas regras do futebol no dia 2 de junho de 1891, em uma reunião da International Board em Glasgow (Escócia). O cobrador podia bater de qualquer ponto distante 11 metros da meta. Não havia a chamada “marca fatal”, como existe hoje. Mas nem todos concordavam com a sua execução. Para alguns clubes, o pênalti era considerado uma punição deselegante. O Corinthia Tean, que inspirou a fundação do Corinthians Paulista, mandava seu goleiro afastar-se da meta, deixando o gol livre.
A última alteração ocorrida na regra das penalidades máximas obriga os goleiros, que antes podiam se adiantar até seis jardas, a permanecer sobre a linha até o momento da cobrança. O pênalti é a única infração no futebol que deve ser cobrada mesmo depois de encerrado o tempo de uma partida.
E o que dizer de situações comuns nos jogos que não estão previstas nas regras oficiais? Por exemplo: não tem nada escrito dizendo que pode ou não ser feita a chamada barreira. A FIFA apenas recomenda que nenhum jogador pode ficar a menos de 9m14cm de distância da bola, quando da cobrança de falta. A barreira foi invenção dos próprios jogadores para melhor proteger a meta.
Antes de 1970 os jogadores eram advertidos de forma verbal. Em jogos internacionais, quando o juiz falava um idioma e os jogadores outros, ninguém se entendia. Para solucionar isso a FIFA criou a partir da Copa do Mundo de 1970 os cartões vermelhos e amarelos.
Para conhecimento geral, eis as 17 regras do futebol: Regra 1 - O Campo de Jogo; Regra 2 - A Bola; Regra 3 - O Número de Jogadores; Regra 4 - O Equipamento dos Jogadores; Regra 5 - O Árbitro; Regra 6 - Os Árbitros Assistentes (Banderinhas); Regra 7 - A Duração da Partida; Regra 8 - O Início e o Reinício do Jogo; Regra 9 - A Bola em Jogo ou Fora do Jogo; Regra 10 - O Gol Marcado; Regra 11 - O Impedimento; Regra 12 - Faltas e Conduta Antiesportiva; Regra 13 - Os Tiros Livres; Regra 14 - O Pênalti; Regra 15 - O Arremesso Lateral; Regra 16 - O Tiro de Meta e Regra 17 - O Tiro de Canto (Escanteio).
Essas regras estão descritas em um livro publicado em 1862, escrito por J.C. Thring e intitulado ‘‘O Jogo de Inverno: Regras do Futebol’’. Até 1863 foi difícil unificar as regras do futebol. O esporte era praticado em várias escolas inglesas. E cada uma delas tinha as suas regras. Em 1848, uma reunião de quase oito horas resultou em um primeiro esboço das regras de Cambridge. Nos anos seguintes, regras foram testadas e reescritas. Até que, em 1856, Cambridge divulgou uma revisão das regras (cópia do documento pode ser vista hoje em uma biblioteca em Shrewsbury, Inglaterra). (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Três goleiros da pesada
Será que todos os jogadores de futebol cumprem a risca regras rígidas para controle de peso? A idéia que se criou é de que um atleta deve ter uma dieta controlada, não pode abusar de certas tentações gastronômicas, não pode ter barriga saliente. Enfim, para ter um rendimento satisfatório em campo e não ouvir críticas de torcedores é preciso muito cuidado. Quem não lembra do Ronaldo “Fenômeno”, na última Copa do Mundo? Você, leitor desta coluna com certeza o chamou de “gordo”. Ou pensou.
Pasmem, o futebol com todas suas vicissitudes tem sido pródigo em mostrar que nem sempre as coisas seguem esses preceitos ao pé da letra. O “Livro Guinnes”, bem que poderia estar presente nas estantes dos incautos. Nele, encontramos coisas que até Deus duvida. Já imaginaram um cara com 165 quilos como goleiro de um time de futebol? O gol é uma posição que exige reflexo, elasticidade e impulsão.
O inglês Willie Henry Foulke, em parte desmentiu isso. Com 1m90cm de altura e 141 quilos ele foi por muitos anos o goleiro do Bradford City Athletic Football Club, entre o final do século XIX e o início do século XX. No final da carreira chegou a jogar com 165 quilos. Não foi por acaso que os torcedores o chamavam de “Fatty” (gordão).
No Brasil tivemos alguns goleiros com peso descomunal. “Juca Baleia”, que jogou no Sampaio Corrêa do Maranhão, na década de 1990 ficou famoso por nunca ter atuado abaixo de 100 quilos. Em algumas vezes chegou a pesar até 150 quilos. O que não o impediu de se tornar um dos maiores ídolos da história do clube. Quem o viu jogar garante que era um arqueiro imponente, de milagrosa agilidade, também chamado pelos torcedores de “Moby Dick“ e de "baleia voadora".
Mesmo sem nunca ter defendido clubes do Sul e Sudeste, Juca ganhou projeção nacional atuando pelo Sampaio Corrêa nos jogos contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil de 1992. Seu time perdeu as duas partidas, 1 X 0 no Maranhão, e 4 X 0 em São Paulo, mas ele foi o melhor em campo nos dois confrontos e ganhou de presente a camisa do goleiro Carlos.
Juvenal Marinho dos Passos, o “Juca Baleia”, nasceu em São Luis, no dia 3 de Maio de 1959. Jogou pelo Moto Clube (1979), Expressinho (de 1979 a 1982), Maranhão Atlético Clube (1983) e Sampaio Corrêa (de 1990 a 1993). Foi tri-campeão maranhense em 1990, 1991 e 1992.
“Juca Baleia” deixou de jogar em 1993. Hoje, é gerente de uma empresa de construção civil, auxiliar em uma escolinha de futebol, comentarista esportivo de uma emissora de rádio de São Luis e goleiro do time de veteranos do Sampaio Corrêa. Já recebeu vários convites para ingressar na vida política, mas descartou todos. Por enquanto. Também foi sondado para ser treinador.
No Rio Grande do Sul o destaque peso-pesado foi o goleiro Orlando, que entrou para a história por ser recordista em levar gols num jogo só e por ter sido considerado o goleiro mais gordo do futebol brasileiro, na época. Orlando Moreira Alves, o “Orlando Pataca”, nasceu em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, em 14 de junho de 1949. Garante ser descendente de índios e bugres. Conta que tinha seis dedos em cada mão, que foram retirados quando ainda era criança.
Em 1972 Orlando ganhou projeção nacional. Foi capa da revista “Veja”, por dois motivos: ser o goleiro mais gordo do futebol brasileiro, com 106 quilos e 1m79cm. E por ter levado 14 gols num jogo de seu time, o Ferro Carril, de Uruguaiana contra o Internacional em 23 de maio de 1976, a melhor equipe do futebol brasileiro. O seu recorde se mantém ate hoje, nenhum outro goleiro no futebol brasileiro foi buscar a bola tantas vezes no fundo da rede como ele.
Orlando levou os 14 gols, cinco no primeiro tempo, nove no segundo, mas foi eleito pela crônica o melhor jogador de seu time. Foram 47 chutes com direção certeira na meta e outros tantos que saíram pela linha de fundo. O goleiro operou verdadeiros milagres naquele dia, evitando que a goleada fosse maior. Eu me lembro de tê-lo visto jogar. Apesar do grande peso, era mesmo um bom goleiro, por incrível que pareça;
“Pataca” jogou pelo E.C. 14 de Julho, de Santana do Livramento (1969), Fluminense F.C., de Santana do Livramento (de 1970 a 1974), Grêmio F.B. Santanense, de Santana do Livramento (1974), Guarany F.C., de Bagé (1975), Riograndense F.C., de Santa Maria (1975 e 1976) e E.C. Ferro Carril (Uruguaiana) (1976). Sua galeria de troféus está vazia, não ganhou nenhum título como jogador profissional de futebol.
Orlando Pataca, goleiro aposentado pesa hoje 120 quilos, 14 a mais do que quando jogava. Depois que parou com o futebol trabalhou como funcionário da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e foi segurança em bares noturnos, e proprietário de uma boate chamada "Consulado da Cerveja". Hoje, mora na praia de Cidreira, no litoral gaúcho com a terceira esposa, Dione. Para matar o tempo, treina goleiros na Escola Profissionalizante de Futebol (Esprof) e conta histórias de seus tempos de jogador, como esta:
“Em 1972 o Ferro Carril recebeu o E.C. Pelotas num jogo de campeonato. No time deles tinha um atacante muito bom, o Ademar, um artilheiro que fazia muitos gols. Eu lembro bem, a bola vinha alta e ele pulou para cabecear. Eu pulei também e dei um soco na nuca dele. O cara caiu e ficou desacordado por uns 10 minutos. Cheguei a pensar que ele tinha morrido”. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Pasmem, o futebol com todas suas vicissitudes tem sido pródigo em mostrar que nem sempre as coisas seguem esses preceitos ao pé da letra. O “Livro Guinnes”, bem que poderia estar presente nas estantes dos incautos. Nele, encontramos coisas que até Deus duvida. Já imaginaram um cara com 165 quilos como goleiro de um time de futebol? O gol é uma posição que exige reflexo, elasticidade e impulsão.
O inglês Willie Henry Foulke, em parte desmentiu isso. Com 1m90cm de altura e 141 quilos ele foi por muitos anos o goleiro do Bradford City Athletic Football Club, entre o final do século XIX e o início do século XX. No final da carreira chegou a jogar com 165 quilos. Não foi por acaso que os torcedores o chamavam de “Fatty” (gordão).
No Brasil tivemos alguns goleiros com peso descomunal. “Juca Baleia”, que jogou no Sampaio Corrêa do Maranhão, na década de 1990 ficou famoso por nunca ter atuado abaixo de 100 quilos. Em algumas vezes chegou a pesar até 150 quilos. O que não o impediu de se tornar um dos maiores ídolos da história do clube. Quem o viu jogar garante que era um arqueiro imponente, de milagrosa agilidade, também chamado pelos torcedores de “Moby Dick“ e de "baleia voadora".
Mesmo sem nunca ter defendido clubes do Sul e Sudeste, Juca ganhou projeção nacional atuando pelo Sampaio Corrêa nos jogos contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil de 1992. Seu time perdeu as duas partidas, 1 X 0 no Maranhão, e 4 X 0 em São Paulo, mas ele foi o melhor em campo nos dois confrontos e ganhou de presente a camisa do goleiro Carlos.
Juvenal Marinho dos Passos, o “Juca Baleia”, nasceu em São Luis, no dia 3 de Maio de 1959. Jogou pelo Moto Clube (1979), Expressinho (de 1979 a 1982), Maranhão Atlético Clube (1983) e Sampaio Corrêa (de 1990 a 1993). Foi tri-campeão maranhense em 1990, 1991 e 1992.
“Juca Baleia” deixou de jogar em 1993. Hoje, é gerente de uma empresa de construção civil, auxiliar em uma escolinha de futebol, comentarista esportivo de uma emissora de rádio de São Luis e goleiro do time de veteranos do Sampaio Corrêa. Já recebeu vários convites para ingressar na vida política, mas descartou todos. Por enquanto. Também foi sondado para ser treinador.
No Rio Grande do Sul o destaque peso-pesado foi o goleiro Orlando, que entrou para a história por ser recordista em levar gols num jogo só e por ter sido considerado o goleiro mais gordo do futebol brasileiro, na época. Orlando Moreira Alves, o “Orlando Pataca”, nasceu em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, em 14 de junho de 1949. Garante ser descendente de índios e bugres. Conta que tinha seis dedos em cada mão, que foram retirados quando ainda era criança.
Em 1972 Orlando ganhou projeção nacional. Foi capa da revista “Veja”, por dois motivos: ser o goleiro mais gordo do futebol brasileiro, com 106 quilos e 1m79cm. E por ter levado 14 gols num jogo de seu time, o Ferro Carril, de Uruguaiana contra o Internacional em 23 de maio de 1976, a melhor equipe do futebol brasileiro. O seu recorde se mantém ate hoje, nenhum outro goleiro no futebol brasileiro foi buscar a bola tantas vezes no fundo da rede como ele.
Orlando levou os 14 gols, cinco no primeiro tempo, nove no segundo, mas foi eleito pela crônica o melhor jogador de seu time. Foram 47 chutes com direção certeira na meta e outros tantos que saíram pela linha de fundo. O goleiro operou verdadeiros milagres naquele dia, evitando que a goleada fosse maior. Eu me lembro de tê-lo visto jogar. Apesar do grande peso, era mesmo um bom goleiro, por incrível que pareça;
“Pataca” jogou pelo E.C. 14 de Julho, de Santana do Livramento (1969), Fluminense F.C., de Santana do Livramento (de 1970 a 1974), Grêmio F.B. Santanense, de Santana do Livramento (1974), Guarany F.C., de Bagé (1975), Riograndense F.C., de Santa Maria (1975 e 1976) e E.C. Ferro Carril (Uruguaiana) (1976). Sua galeria de troféus está vazia, não ganhou nenhum título como jogador profissional de futebol.
Orlando Pataca, goleiro aposentado pesa hoje 120 quilos, 14 a mais do que quando jogava. Depois que parou com o futebol trabalhou como funcionário da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e foi segurança em bares noturnos, e proprietário de uma boate chamada "Consulado da Cerveja". Hoje, mora na praia de Cidreira, no litoral gaúcho com a terceira esposa, Dione. Para matar o tempo, treina goleiros na Escola Profissionalizante de Futebol (Esprof) e conta histórias de seus tempos de jogador, como esta:
“Em 1972 o Ferro Carril recebeu o E.C. Pelotas num jogo de campeonato. No time deles tinha um atacante muito bom, o Ademar, um artilheiro que fazia muitos gols. Eu lembro bem, a bola vinha alta e ele pulou para cabecear. Eu pulei também e dei um soco na nuca dele. O cara caiu e ficou desacordado por uns 10 minutos. Cheguei a pensar que ele tinha morrido”. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
(Juca Baleia ao lado do técnico do Sampaio Correia (Foto: Acervo pessoal de Juca baleia)Anônimo disse...
O Orlando Pataca, no ano de 2008 continua treinando goleiros para a ESPROF em Barra Bonita - SP.
Fez parte de matéria jornalística (rádio, tv regional e jornais) de toda região Centro Oeste Paulista após eu encontrar matéria sobre ele no site do Pelé.net, o site do rei do futebol.
Autor do Texto: Orlando Mazetti Filho da Comunica Studio (www.comunicastudio.com)
16 de julho de 2008 10:50
terça-feira, 1 de abril de 2008
Hepatite A joga contra o Internacional
A Secretaria de Vigilância Sanitária do Rio Grande do Sul foi acionada pela direção do S.C. Internacional, de Porto Alegre para verificar a existência de um surto de Hepatite A, no Estádio Beira-Rio, na capital gaúcha. As suspeitas de que algo estranho estava ocorrendo começaram quinta-feira da semana passada, quando o jogador Maycon queixou-se de dores abdominais, febre, náuseas e falta de apetite, sintomas da Hepatite A. O clube mantinha as investigações sob sigilo, até que se confirmassem ou não as suspeitas. No entanto, a informação vazou através da Secretaria da Saúde na manhã de ontem segunda-feira.
Todos os jogadores do grupo fizeram exames de sangue, o que confirmou a presença do vírus no volante Maycon, que está internado no Hospital Mãe de Deus, e no fotógrafo do clube, Alexandre Lopes, que já recebeu alta. O goleiro titular Renan, é outro que deve ter confirmado o diagnóstico inicial de Hepatite A e está fora do jogo de sábado contra a Ulbra, pelo Campeonato Gaúcho. O jogador também corre o risco de não ser convocado para a Seleção Olímpica do Brasil, que vai a Pequim.
Já o terceiro goleiro, Muriel, o volante Edinho e o lateral-esquerdo Ramon estão sob suspeita e serão submetidos a exames de sangue a cada 48 horas nas próximas duas semanas para verificação do quadro. Se confirmada contaminação, esses jogadores não devem fazer nenhum esforço físico durante três semanas, o que deve deixá-los fora dos jogos restantes do “Gauchão”. Não está descartada a hipótese de que eles tenham de fazer uma nova pré-temporada com vistas ao campeonato Brasileiro.
Como a transmissão ocorre pela ingestão de água ou comida contaminadas por resíduos fecais, a Vigilância Sanitária e o Internacional começaram a revisar todo o sistema de abastecimento de água e de fornecimento de refeições do Beira-Rio. Mas o surto pode não ter origem no estádio. É possível que um ou mais jogadores ou funcionários tenham contraído o vírus em viagens ou em suas casas.
Além de investigar as origens da hepatite, o Internacional começou a vacinar os atletas que não foram infectados e nem possuem os anticorpos de defesa. Jonas, Gil, Adriano e familiares de Maycon e Renan foram ontem ao estádio receber a imunização. O médico Paulo Rabello disse que os jogadores que não estão em observação já se submeteram a exames e não correm perigo de contrair a doença. Também reiterou que o afastamento de Magrão e Iarley do jogo contra a Chapecoense, dia 19 de março, foi conseqüência de uma virose e não de hepatite.
A hepatite é uma inflamação do fígado. As dos tipos A, B, C, D e E são virais. A hepatite A é uma doença infecciosa aguda, transmitida por infecção oral ou fecal, e tem como sintomas febre, fadiga, mal-estar, perda do apetite, náuseas e vômitos. Pode ocorrer diarréia. É considerada uma hepatite branda, com baixa mortalidade.
As manifestações podem ocorrer cerca de 30 dias depois do contato com o vírus. É conhecida como a hepatite do viajante. Não existe tratamento específico, são usados apenas medicamentos para combater os sintomas. A recuperação leva no máximo dois meses e o vírus é eliminado do organismo.
Existem duas vacinas contra a hepatite A. Uma deve ser aplicada em duas doses com intervalo de seis meses e a outra, em três doses administradas nesses seis meses. A vacina contra a hepatite A não faz parte do programa oficial de vacinação oferecido pelo Ministério da Saúde, mas deve ser administrada a partir do primeiro ano de vida, porque sua eficácia é menor abaixo dessa faixa etária. Pessoas que pertençam ao grupo de risco ou que residam na mesma casa que o paciente infectado também devem ser vacinadas.
Muitos casos de viroses, algumas de causa conhecida, outras não, já foram registradas em equipes de futebol. Em fevereiro do ano passado sete jogadores do Nacional de Rolândia (PR), e integrantes da comissão técnica foram internados em hospitais devido a uma intoxicação alimentar. Em conseqüência não compareceram para um jogo com o Iguaçu, em União da Vitória pelo campeonato estadual.
Em maio do ano passado o Paulista de Jundiaí enfrentou um surto de gripe que atingiu o elenco, deixando sete jogadores doentes. O caso mais grave foi do volante Jairo, que nem viajou com a delegação. Os jogadores Rodrigo Fabri, Gilsinho, Dema, Tiago Vieira e Pedro Henrique também sofreram com tosses e espirros durante a semana.
Nos dias que antecederam a Copa do Mundo de 2006 a Seleção da Croácia, primeira adversária do Brasil na Copa do Mundo, passou por um sério problema que ninguém soube explicar. Um vírus desconhecido deixou diversos jogadores doentes. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
OBSERVAÇÃO -Após a publicação deste artigo novas informações divulgadas nesta terça-feira (01/04) dão conta de que mais quatro jogadores tiveram confirmados sinais da doença. Afastados preventivamente das atividades físicas desde o início da semana pelo departamento médico do Colorado, Renan, Muriel, Edinho e Ramon não poderão mais defender o Internacional no Campeonato Gaúcho de 2008.
O resultado dos exames médicos realizados no quarteto deu positivo para hepatite A e os atletas se juntarão ao volante Maycon, primeiro a apresentar sinais da doença, e ao fotógrafo do clube, Alexandre Lopes. Os cinco jogadores ficarão afastados de qualquer atividade física por um período mínimo de três semanas.
Detectado o problema, o técnico Abel Braga terá de se virar para dar prosseguimento ao trabalho, principalmente em relação à posição de goleiro. Sem Renan e Muriel, o treinador conta apenas com o experiente Clemer e com o júnior Agenor para a função, já que Alison (irmão de Muriel) tem apenas 16 anos e não possui contrato assinado com o clube gaúcho.
Segundo o médico Luciano Ramirez, o Internacional seguirá realizando exames médicos nos demais atletas do elenco para ter a certeza de que o surto de hepatite A não fará novos pacientes para o departamento médico.
Dos atletas contaminados, apenas o volante Edinho e o goleiro Renan eram titulares do time de Abel Braga. Renan, inclusive, também é o dono da posição na seleção brasileira sub-23, que disputará os Jogos Olímpicos de Pequim em agosto (Zero Hora-RS).
Todos os jogadores do grupo fizeram exames de sangue, o que confirmou a presença do vírus no volante Maycon, que está internado no Hospital Mãe de Deus, e no fotógrafo do clube, Alexandre Lopes, que já recebeu alta. O goleiro titular Renan, é outro que deve ter confirmado o diagnóstico inicial de Hepatite A e está fora do jogo de sábado contra a Ulbra, pelo Campeonato Gaúcho. O jogador também corre o risco de não ser convocado para a Seleção Olímpica do Brasil, que vai a Pequim.
Já o terceiro goleiro, Muriel, o volante Edinho e o lateral-esquerdo Ramon estão sob suspeita e serão submetidos a exames de sangue a cada 48 horas nas próximas duas semanas para verificação do quadro. Se confirmada contaminação, esses jogadores não devem fazer nenhum esforço físico durante três semanas, o que deve deixá-los fora dos jogos restantes do “Gauchão”. Não está descartada a hipótese de que eles tenham de fazer uma nova pré-temporada com vistas ao campeonato Brasileiro.
Como a transmissão ocorre pela ingestão de água ou comida contaminadas por resíduos fecais, a Vigilância Sanitária e o Internacional começaram a revisar todo o sistema de abastecimento de água e de fornecimento de refeições do Beira-Rio. Mas o surto pode não ter origem no estádio. É possível que um ou mais jogadores ou funcionários tenham contraído o vírus em viagens ou em suas casas.
Além de investigar as origens da hepatite, o Internacional começou a vacinar os atletas que não foram infectados e nem possuem os anticorpos de defesa. Jonas, Gil, Adriano e familiares de Maycon e Renan foram ontem ao estádio receber a imunização. O médico Paulo Rabello disse que os jogadores que não estão em observação já se submeteram a exames e não correm perigo de contrair a doença. Também reiterou que o afastamento de Magrão e Iarley do jogo contra a Chapecoense, dia 19 de março, foi conseqüência de uma virose e não de hepatite.
A hepatite é uma inflamação do fígado. As dos tipos A, B, C, D e E são virais. A hepatite A é uma doença infecciosa aguda, transmitida por infecção oral ou fecal, e tem como sintomas febre, fadiga, mal-estar, perda do apetite, náuseas e vômitos. Pode ocorrer diarréia. É considerada uma hepatite branda, com baixa mortalidade.
As manifestações podem ocorrer cerca de 30 dias depois do contato com o vírus. É conhecida como a hepatite do viajante. Não existe tratamento específico, são usados apenas medicamentos para combater os sintomas. A recuperação leva no máximo dois meses e o vírus é eliminado do organismo.
Existem duas vacinas contra a hepatite A. Uma deve ser aplicada em duas doses com intervalo de seis meses e a outra, em três doses administradas nesses seis meses. A vacina contra a hepatite A não faz parte do programa oficial de vacinação oferecido pelo Ministério da Saúde, mas deve ser administrada a partir do primeiro ano de vida, porque sua eficácia é menor abaixo dessa faixa etária. Pessoas que pertençam ao grupo de risco ou que residam na mesma casa que o paciente infectado também devem ser vacinadas.
Muitos casos de viroses, algumas de causa conhecida, outras não, já foram registradas em equipes de futebol. Em fevereiro do ano passado sete jogadores do Nacional de Rolândia (PR), e integrantes da comissão técnica foram internados em hospitais devido a uma intoxicação alimentar. Em conseqüência não compareceram para um jogo com o Iguaçu, em União da Vitória pelo campeonato estadual.
Em maio do ano passado o Paulista de Jundiaí enfrentou um surto de gripe que atingiu o elenco, deixando sete jogadores doentes. O caso mais grave foi do volante Jairo, que nem viajou com a delegação. Os jogadores Rodrigo Fabri, Gilsinho, Dema, Tiago Vieira e Pedro Henrique também sofreram com tosses e espirros durante a semana.
Nos dias que antecederam a Copa do Mundo de 2006 a Seleção da Croácia, primeira adversária do Brasil na Copa do Mundo, passou por um sério problema que ninguém soube explicar. Um vírus desconhecido deixou diversos jogadores doentes. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
OBSERVAÇÃO -Após a publicação deste artigo novas informações divulgadas nesta terça-feira (01/04) dão conta de que mais quatro jogadores tiveram confirmados sinais da doença. Afastados preventivamente das atividades físicas desde o início da semana pelo departamento médico do Colorado, Renan, Muriel, Edinho e Ramon não poderão mais defender o Internacional no Campeonato Gaúcho de 2008.
O resultado dos exames médicos realizados no quarteto deu positivo para hepatite A e os atletas se juntarão ao volante Maycon, primeiro a apresentar sinais da doença, e ao fotógrafo do clube, Alexandre Lopes. Os cinco jogadores ficarão afastados de qualquer atividade física por um período mínimo de três semanas.
Detectado o problema, o técnico Abel Braga terá de se virar para dar prosseguimento ao trabalho, principalmente em relação à posição de goleiro. Sem Renan e Muriel, o treinador conta apenas com o experiente Clemer e com o júnior Agenor para a função, já que Alison (irmão de Muriel) tem apenas 16 anos e não possui contrato assinado com o clube gaúcho.
Segundo o médico Luciano Ramirez, o Internacional seguirá realizando exames médicos nos demais atletas do elenco para ter a certeza de que o surto de hepatite A não fará novos pacientes para o departamento médico.
Dos atletas contaminados, apenas o volante Edinho e o goleiro Renan eram titulares do time de Abel Braga. Renan, inclusive, também é o dono da posição na seleção brasileira sub-23, que disputará os Jogos Olímpicos de Pequim em agosto (Zero Hora-RS).
segunda-feira, 31 de março de 2008
O Pelé da crônica esportiva brasileira
A imprensa esportiva brasileira viveu ontem (30-03), uma tarde inesquecível para a história do futebol de nosso país. Antes do jogo Botafogo x Fluminense, pela Taça Rio, a Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Lazer, através da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), fez justiça a um dos expoentes da crônica esportiva, o jornalista, poeta e escritor Armando Nogueira, com um espaço, que leva o seu nome, localizado na Tribuna de Imprensa do estádio do Maracanã.
O jornalista que, para mim, é o “Pelé da crônica esportiva brasileira”, mesmo enfrentando problemas de saúde esteve no Maracanã e se emocionou bastante com a homenagem, especialmente no momento em que foi descerrada uma placa na entrada do Espaço que leva seu nome, onde está gravado o poema “Maracanã”, de sua autoria, cujos direitos autorais ele repassou para a Suderj.
Além da placa em acrílico, onde está gravada a poesia, o Espaço Armando Nogueira tem em suas paredes, uma galeria da fama com os chamados “Notáveis do Rádio”. Figuram neste corredor fotos de grandes nomes da crônica esportiva, como Antônio Cordeiro, Ari Barroso, Benjamin Wright, Carlos Marcondes, Celso Garcia, Clóvis Filho, Deni Menezes, Doalcei Camargo, Iata Anderson, João Saldanha, Jorge Curi, José Cabral, José Carlos Araújo, Kléber Leite, Luiz Fernando Vassalo, Luiz Mendes, Luiz Penido, Mário Vianna, Oduvaldo Cozzi, Orlando Baptista, Ronaldo Castro, Ruy Porto, Waldir Amaral e Washington Rodrigues. Além desses radialistas, outros 50, também votados, terão suas fotos expostas no local.
As homenagens para Armando Nogueira não ficaram somente na Tribuna de Imprensa, tiveram continuidade com a outorga da “Medalha do Mérito Pan Americano”, pela Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, em sessão solene realizada nas próprias dependências do Maracanã. A homenagem foi sugerida pelo vereador Luiz Antônio Guaraná.
Em 29 de janeiro deste ano, em breve e emocionante solenidade no Palácio das Laranjeiras, Armando Nogueira recebeu das mãos do ministro das Comunicações, Hélio Costa, acompanhado do governador Sérgio Cabral, a “Medalha da Ordem do Mérito das Comunicações”. No Grau de Grã Cruz, a mais alta condecoração concedida a personalidades que prestaram notáveis serviços ao setor.
Filho de cearenses que um dia emigraram para o Acre, fugindo da seca, Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no dia 14 de janeiro de 1927. Em 1944, com apenas 17 anos foi para o Rio de Janeiro, onde cursou Direito e trabalhou como ensacador, embora já pensasse em se tornar jornalista. E sem imaginar que um dia formaria ao lado de Mário Filho e Nélson Rodrigues, a Santíssima Trindade da crônica esportiva brasileira.
Em 1950, conseguiu trabalho na seção de esportes do jornal “Diário Carioca” (extinto), que na época reunia os mais destacados jornalistas cariocas, como Prudente de Moraes Neto, Carlos Castello Branco, Otto Lara Resende, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Pompeu de Souza. O “Diário Carioca” é até hoje lembrado como uma verdadeira escola do jornalismo brasileiro.
Foi testemunha ocular do atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, na Rua Toneleros, em Copacabana. Ao escrever sobre o episódio, fez história no jornalismo brasileiro: pela primeira vez numa reportagem um fato era narrado na primeira pessoa. Depois de permanecer por 13 anos no jornal, Armando Nogueira passou pelo “Diário da Noite”, revista “Manchete” (1957), “O Cruzeiro”, dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand e “Jornal do Brasil” (1959).
Armando foi um dos pioneiros da televisão brasileira, em 1959, quando trabalhou na primeira produtora independente do país, dirigida por Fernando Barbosa Lima. Ele escrevia textos para serem lidos pelos locutores Cid Moreira e Heron Domingues, na antiga TV-Rio. Em 1966, convidado por Walter Clark, foi para a Rede Globo onde implantou, com Alice Maria, o telejornalismo de qualidade da emissora, que passou a atrair o interesse dos profissionais e do público. Nos 25 anos em que esteve na emissora da família Marinho, introduziu o jornalismo em rede nacional e criou os noticiosos “Jornal Nacional” e “Globo Repórter”.
Em 1989, Armando Nogueira mostrou que além de grande jornalista também era um homem íntegro e que não pactuava com atos inescrupulosos. No segundo turno das eleições presidenciais daquele ano, a Rede Globo promoveu um debate entre os candidatos Fernando Collor de Melo e Luiz Inácio Lula da Silva. No compacto do evento, exibido no dia seguinte Jornal Nacional foi feita uma edição que favorecia Collor, apoiado direta ou indiretamente pelas empresas de Roberto Marinho.
Armando Nogueira, como diretor de jornalismo, não compactuou com aquilo e levou pessoalmente a Roberto Marinho a sua indignação. Por causa de seu comportamento ético e profissional, acabou sendo aposentado pelos donos da emissora, de onde se desligou em definitivo no ano seguinte.
O grande nome da imprensa brasileira e que merece o respeito de todos nós, mantém uma coluna diária que é reproduzida em mais de 60 jornais de todo o país, participa de um programa no canal por assinatura SporTV, de um programa de rádio e de um sítio na Internet. É o proprietário da Xapuri Produções, que faz vídeos institucionais para empresas, para as quais também profere palestras motivacionais.
No futebol, é torcedor apaixonado do Botafogo, desde 1944, quando chegou ao Rio de Janeiro e assistiu a um jogo entre Flamengo e Botafogo. Encantou-se por Heleno de Freitas. A grande paixão de Armando Nogueira foi sempre o esporte, particularmente o futebol. Cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Olimpíadas e escreveu 10 livros, todos sobre esportes: “Drama e glória dos bicampeões (em parceria com Araújo Neto)”; “Na grande área”; “Bola na rede”; “O homem e a bola”; “Bola de cristal”; “O vôo das gazelas”; “A copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar (em parceria com Jô Soares e Roberto Muylaert)”; “O canto dos meus amores”, “A chama que não se apaga” e “A ginga e o jogo”.
Com um estilo poético de escrever, Armando Nogueira imortalizou várias frases. Eis algumas delas: “Para Garrincha, a superfície de um lenço era um latifúndio”; "Ademir da Guia, tens o nome, o sobrenome e a bola do craque"; "Arthur Friedenreich jogava Futebol com o coração no peito do pé. Foi ele quem ensinou o caminho do gol à bola brasileira"; “É sempre melhor ser otimista do que ser pessimista. Até que tudo dê errado o otimista sofre menos"; "Se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola".
O jornalista que, para mim, é o “Pelé da crônica esportiva brasileira”, mesmo enfrentando problemas de saúde esteve no Maracanã e se emocionou bastante com a homenagem, especialmente no momento em que foi descerrada uma placa na entrada do Espaço que leva seu nome, onde está gravado o poema “Maracanã”, de sua autoria, cujos direitos autorais ele repassou para a Suderj.
Além da placa em acrílico, onde está gravada a poesia, o Espaço Armando Nogueira tem em suas paredes, uma galeria da fama com os chamados “Notáveis do Rádio”. Figuram neste corredor fotos de grandes nomes da crônica esportiva, como Antônio Cordeiro, Ari Barroso, Benjamin Wright, Carlos Marcondes, Celso Garcia, Clóvis Filho, Deni Menezes, Doalcei Camargo, Iata Anderson, João Saldanha, Jorge Curi, José Cabral, José Carlos Araújo, Kléber Leite, Luiz Fernando Vassalo, Luiz Mendes, Luiz Penido, Mário Vianna, Oduvaldo Cozzi, Orlando Baptista, Ronaldo Castro, Ruy Porto, Waldir Amaral e Washington Rodrigues. Além desses radialistas, outros 50, também votados, terão suas fotos expostas no local.
As homenagens para Armando Nogueira não ficaram somente na Tribuna de Imprensa, tiveram continuidade com a outorga da “Medalha do Mérito Pan Americano”, pela Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, em sessão solene realizada nas próprias dependências do Maracanã. A homenagem foi sugerida pelo vereador Luiz Antônio Guaraná.
Em 29 de janeiro deste ano, em breve e emocionante solenidade no Palácio das Laranjeiras, Armando Nogueira recebeu das mãos do ministro das Comunicações, Hélio Costa, acompanhado do governador Sérgio Cabral, a “Medalha da Ordem do Mérito das Comunicações”. No Grau de Grã Cruz, a mais alta condecoração concedida a personalidades que prestaram notáveis serviços ao setor.
Filho de cearenses que um dia emigraram para o Acre, fugindo da seca, Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no dia 14 de janeiro de 1927. Em 1944, com apenas 17 anos foi para o Rio de Janeiro, onde cursou Direito e trabalhou como ensacador, embora já pensasse em se tornar jornalista. E sem imaginar que um dia formaria ao lado de Mário Filho e Nélson Rodrigues, a Santíssima Trindade da crônica esportiva brasileira.
Em 1950, conseguiu trabalho na seção de esportes do jornal “Diário Carioca” (extinto), que na época reunia os mais destacados jornalistas cariocas, como Prudente de Moraes Neto, Carlos Castello Branco, Otto Lara Resende, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Pompeu de Souza. O “Diário Carioca” é até hoje lembrado como uma verdadeira escola do jornalismo brasileiro.
Foi testemunha ocular do atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, na Rua Toneleros, em Copacabana. Ao escrever sobre o episódio, fez história no jornalismo brasileiro: pela primeira vez numa reportagem um fato era narrado na primeira pessoa. Depois de permanecer por 13 anos no jornal, Armando Nogueira passou pelo “Diário da Noite”, revista “Manchete” (1957), “O Cruzeiro”, dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand e “Jornal do Brasil” (1959).
Armando foi um dos pioneiros da televisão brasileira, em 1959, quando trabalhou na primeira produtora independente do país, dirigida por Fernando Barbosa Lima. Ele escrevia textos para serem lidos pelos locutores Cid Moreira e Heron Domingues, na antiga TV-Rio. Em 1966, convidado por Walter Clark, foi para a Rede Globo onde implantou, com Alice Maria, o telejornalismo de qualidade da emissora, que passou a atrair o interesse dos profissionais e do público. Nos 25 anos em que esteve na emissora da família Marinho, introduziu o jornalismo em rede nacional e criou os noticiosos “Jornal Nacional” e “Globo Repórter”.
Em 1989, Armando Nogueira mostrou que além de grande jornalista também era um homem íntegro e que não pactuava com atos inescrupulosos. No segundo turno das eleições presidenciais daquele ano, a Rede Globo promoveu um debate entre os candidatos Fernando Collor de Melo e Luiz Inácio Lula da Silva. No compacto do evento, exibido no dia seguinte Jornal Nacional foi feita uma edição que favorecia Collor, apoiado direta ou indiretamente pelas empresas de Roberto Marinho.
Armando Nogueira, como diretor de jornalismo, não compactuou com aquilo e levou pessoalmente a Roberto Marinho a sua indignação. Por causa de seu comportamento ético e profissional, acabou sendo aposentado pelos donos da emissora, de onde se desligou em definitivo no ano seguinte.
O grande nome da imprensa brasileira e que merece o respeito de todos nós, mantém uma coluna diária que é reproduzida em mais de 60 jornais de todo o país, participa de um programa no canal por assinatura SporTV, de um programa de rádio e de um sítio na Internet. É o proprietário da Xapuri Produções, que faz vídeos institucionais para empresas, para as quais também profere palestras motivacionais.
No futebol, é torcedor apaixonado do Botafogo, desde 1944, quando chegou ao Rio de Janeiro e assistiu a um jogo entre Flamengo e Botafogo. Encantou-se por Heleno de Freitas. A grande paixão de Armando Nogueira foi sempre o esporte, particularmente o futebol. Cobriu 15 Copas do Mundo e 7 Olimpíadas e escreveu 10 livros, todos sobre esportes: “Drama e glória dos bicampeões (em parceria com Araújo Neto)”; “Na grande área”; “Bola na rede”; “O homem e a bola”; “Bola de cristal”; “O vôo das gazelas”; “A copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar (em parceria com Jô Soares e Roberto Muylaert)”; “O canto dos meus amores”, “A chama que não se apaga” e “A ginga e o jogo”.
Com um estilo poético de escrever, Armando Nogueira imortalizou várias frases. Eis algumas delas: “Para Garrincha, a superfície de um lenço era um latifúndio”; "Ademir da Guia, tens o nome, o sobrenome e a bola do craque"; "Arthur Friedenreich jogava Futebol com o coração no peito do pé. Foi ele quem ensinou o caminho do gol à bola brasileira"; “É sempre melhor ser otimista do que ser pessimista. Até que tudo dê errado o otimista sofre menos"; "Se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola".
Caricatura de Armando Nogueira publicada na coluna de Sérgio Cabral, no jornal "Lance", edição de 20 de janeiro de 2008.Anônimo disse...
Excelente cronista realmente, um pouco romântico demais, mas bem coerente nas suas colocações. Dono da frase mais bonita do centenário do meu Atlético Mineiro:
"Brasilia capital do Brasil. Atlético Mineiro capital de Minas Gerais"
31 de março de 2008 18:59
domingo, 30 de março de 2008
A bola quadrada e a taça cortada
É claro que uma "bola quadrada" não teria nenhuma utilidade. Mas nem por isso deixaram de inventar uma. Foi no Japão, onde existe a “Sociedade Internacional do Chindogu (ICS).” E que bicho é esse? Chindogu é o termo japonês usado para designar a arte da concepção de idéias inúteis, como deformar a utilidade de um objeto até transformá-lo em algo sem serventia. A “bola quadrada” que o professor Girafales prometeu ao Kiko, personagens da série televisiva “Chavez”, teve origem nas criações malucas do Chindogu.
O presidente da ICS, Dan Papi, explica que Chindogu vem de “dogu”, que quer dizer “ferramenta” e “chin”, que pode ser traduzido por “estranho”, embora, literalmente, signifique “pênis”. O termo foi inventado pelo comediante japonês Kenji Kawakami.
No futebol a “bola quadrada” serve para designar o passe mal feito: “a bola chegou quadrada nos pés de fulano”. E também o mau jogador: “Esse cara joga uma bola quadrada”. Mas qual a origem do termo? Os nossos queridos amigos portugueses sempre foram os nossos alvos preferidos de piadas, ao longo dos anos. Na Copa do Mundo de 1966, a Seleção do Brasil buscava o tri-campeonato em gramados ingleses. E nosso grupo tinha Portugal, Hungria e Bulgária.
Como a mania de superioridade sempre acompanhou o futebol brasileiro, dessa vez também não foi diferente. Mesmo com notícias dando conta de que Portugal armara um time poderoso, o melhor da sua história, com craques como Euzébio e Coluna, ninguém levou a sério. Tanto é verdade que um humorista de jornal carioca fez uma caricatura em que um negro português, provavelmente Eusébio, se preparava para chutar uma bola... quadrada!
Depois do nosso jogo com Portugal, em que perdemos por 3 X 1 e fomos eliminados da Copa, um jornalista lusitano, que acompanhou o desastre brasileiro, publicou uma crônica, famosa até hoje, com o título “A vingança da bola quadrada". E o termo popularizou.
Fiz toda essa explicação para poder contar um fato acontecido pouco tempo depois. O S.C. Corinthians não andava lá muito bem das pernas no campeonato paulista. Jogava um clássico, no Pacaembu, contra o eterno rival, o Palmeiras. Um pouco antes da “redonda” rolar, um gaiato torcedor palmeirense, não identificado jogou uma "bola quadrada" dentro do gramado.
Mas o episódio não foi levado a sério. Ao contrário, os torcedores corinthianos se divertiram muito, ainda mais que o time jogou bem e ganhou o jogo. A "bola quadrada" foi levada para a sala de troféus do clube, onde permanece visível até hoje, porém oculta na história do clube.
Já a história da taça cortada, é bem mais antiga. Aconteceu na década de 40, na cidade gaúcha de Rio Grande, terra do clube de futebol mais antigo do Brasil, o S.C. Rio Grande. E o episódio teve a participação do chamado “vovô”. Os três times da cidade, S.C. Rio Grande, F.B.C. Rio-Grandense e S.C. São Paulo, estavam de relações cortadas por problemas surgidos no campeonato da cidade, que era muito disputado e com uma rivalidade bastante acentuada.
Para promover a paz, foi realizado um torneio envolvendo os três clubes, com a denominação de “Taça Confraternização”. As equipes do S.C. Rio Grande e S.C. São Paulo foram finalistas. Depois de empatarem três partidas, uma prorrogação e baterem mais de 30 pênaltis sem que houvesse um vencedor, e com a chegada da noite (não havia refletores no estádio) e como nenhum dos dois times abria mão do troféu, alguém sugeriu uma solução salomônica: declarar as duas equipes campeãs. E assim foi feito: a taça foi dividida ao meio e cada um dos times recebeu a metade.
No tempo em que morei na cidade de Rio Grande, visitei as salas de troféus dos dois clubes. E lá estão, incrustadas em madeira e para quem quiser ver as duas metades da taça, que representam um invulgar episódio da história do futebol brasileiro, tão rica em situações folclóricas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O presidente da ICS, Dan Papi, explica que Chindogu vem de “dogu”, que quer dizer “ferramenta” e “chin”, que pode ser traduzido por “estranho”, embora, literalmente, signifique “pênis”. O termo foi inventado pelo comediante japonês Kenji Kawakami.
No futebol a “bola quadrada” serve para designar o passe mal feito: “a bola chegou quadrada nos pés de fulano”. E também o mau jogador: “Esse cara joga uma bola quadrada”. Mas qual a origem do termo? Os nossos queridos amigos portugueses sempre foram os nossos alvos preferidos de piadas, ao longo dos anos. Na Copa do Mundo de 1966, a Seleção do Brasil buscava o tri-campeonato em gramados ingleses. E nosso grupo tinha Portugal, Hungria e Bulgária.
Como a mania de superioridade sempre acompanhou o futebol brasileiro, dessa vez também não foi diferente. Mesmo com notícias dando conta de que Portugal armara um time poderoso, o melhor da sua história, com craques como Euzébio e Coluna, ninguém levou a sério. Tanto é verdade que um humorista de jornal carioca fez uma caricatura em que um negro português, provavelmente Eusébio, se preparava para chutar uma bola... quadrada!
Depois do nosso jogo com Portugal, em que perdemos por 3 X 1 e fomos eliminados da Copa, um jornalista lusitano, que acompanhou o desastre brasileiro, publicou uma crônica, famosa até hoje, com o título “A vingança da bola quadrada". E o termo popularizou.
Fiz toda essa explicação para poder contar um fato acontecido pouco tempo depois. O S.C. Corinthians não andava lá muito bem das pernas no campeonato paulista. Jogava um clássico, no Pacaembu, contra o eterno rival, o Palmeiras. Um pouco antes da “redonda” rolar, um gaiato torcedor palmeirense, não identificado jogou uma "bola quadrada" dentro do gramado.
Mas o episódio não foi levado a sério. Ao contrário, os torcedores corinthianos se divertiram muito, ainda mais que o time jogou bem e ganhou o jogo. A "bola quadrada" foi levada para a sala de troféus do clube, onde permanece visível até hoje, porém oculta na história do clube.
Já a história da taça cortada, é bem mais antiga. Aconteceu na década de 40, na cidade gaúcha de Rio Grande, terra do clube de futebol mais antigo do Brasil, o S.C. Rio Grande. E o episódio teve a participação do chamado “vovô”. Os três times da cidade, S.C. Rio Grande, F.B.C. Rio-Grandense e S.C. São Paulo, estavam de relações cortadas por problemas surgidos no campeonato da cidade, que era muito disputado e com uma rivalidade bastante acentuada.
Para promover a paz, foi realizado um torneio envolvendo os três clubes, com a denominação de “Taça Confraternização”. As equipes do S.C. Rio Grande e S.C. São Paulo foram finalistas. Depois de empatarem três partidas, uma prorrogação e baterem mais de 30 pênaltis sem que houvesse um vencedor, e com a chegada da noite (não havia refletores no estádio) e como nenhum dos dois times abria mão do troféu, alguém sugeriu uma solução salomônica: declarar as duas equipes campeãs. E assim foi feito: a taça foi dividida ao meio e cada um dos times recebeu a metade.
No tempo em que morei na cidade de Rio Grande, visitei as salas de troféus dos dois clubes. E lá estão, incrustadas em madeira e para quem quiser ver as duas metades da taça, que representam um invulgar episódio da história do futebol brasileiro, tão rica em situações folclóricas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A bola quadrada é guardada na galeria de troféus do clube. (Foto: Acervo do S.C. Corinthians Paulista)Horácio disse...
Querido mestre Nilo Dias: Que bom te ver falando na nossa terra e "Mais Velho do Brasil". Que saudades das nossas jornadas esportivas, e das visitas às salas de troféus dos dois clubes, onde certamente, o mais hilário é a presença de uma taça cortada ao meio.
Horácio Gomes - Rio Grande-RS
31 de março de 2008 18:36
sábado, 29 de março de 2008
Uma tragédia sem fim
A derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950 em pleno Maracanã é considerada até hoje a maior tragédia do futebol brasileiro. Eu era um “guri”, com apenas 9 anos de idade, mas lembro bem daquela tarde fatídica de 16 de julho. Naquele tempo não existia televisão, futebol se ouvia pelo rádio. Desde manhã as pessoas se mostravam agitadas e se movimentavam ligeiro pelas ruas de Rosário do Sul, uma pequena cidade do interior gaúcho, onde morávamos. Meu pai era funcionário da antiga Companhia Swift.
O clima era de festa antecipada. Ninguém acreditava em derrota do Brasil, que tinha mesmo um “baita” esquadrão: Barbosa, Augusto e Juvenal – Bauer - Danilo Alvim e Bigode – Friaça – Zizinho - Ademir Menezes - Jair da Rosa Pinto e Chico. Esse foi o time da final. Chegou a hora do jogo, o rádio da marca “Zenith”, caixa de madeira, um verdadeiro monstro, cheio de válvulas e pesando uns 10 quilos era o centro das atenções de meus pais e de alguns vizinhos, reunidos na sala lá de casa.
A Rádio Nacional, do Rio de Janeiro era a mais ouvida. E na narração dupla de Jorge Cury e Antônio Cordeiro, vibramos muito com o gol de Friaça, aos 4 minutos do segundo tempo, para o Brasil. Depois veio o que todo o mundo sabe: a reação dos uruguaios e a virada para 2 X 1, com gols de Schiafino e Gighia. Era o fim do sonho brasileiro de ser campeão do mundo, pela primeira vez.
Terminou o jogo e para mim a vida continuou normal. Mas, milhares de pessoas, especialmente no Rio de Janeiro entenderam diferente. Foi uma grande revolta. O técnico Flávio Costa teve que se esconder. Os jogadores, também. E dois deles foram considerados os grandes culpados pela derrota: o goleiro Barbosa e o lateral Bigode. Ambos morreram, carregando nas costas uma culpa que não foi só deles.
Nossa equipe teve vários pecados. Ficou no esquecimento a derrota por 4 X 3, que os uruguaios já haviam nos imposto um mês antes (6-5), pela Copa Rio Branco, em pleno Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Estavam na lembrança só as vitórias que vieram em seguida, sobre o mesmo Uruguai: 3 X 2 (14-5) e 1 X 0 (17-5), ambas em São Januário, no Rio de Janeiro, ainda pela Copa Rio Branco. E as goleadas na Copa: 4 X 0, no México (24-6), 7 X 1, na Suécia (9-7) e 6 X 1, na Espanha (13-7). Ninguém lembrou os avisos do empate de 2 X 2 com a Suíça (28-6), no Pacaembu e da goleada do Uruguai sobre a Bolívia, por 8X 0.
Da Seleção Brasileira de 1950, apenas o zagueiro JUVENAL Amarijo e o ponteiro-direito Albino FRIAÇA Cardoso, ainda estão vivos. Há pouco tempo a televisão mostrou Juvenal, que mora na cidade baiana de Camaçari e mal consegue andar por causa de uma artrose no joelho direito. Graças à reportagem do “Esporte Espetacular”, seu drama de doença e miséria foi minimizado. Dirigentes do G.E.Brasil de Pelotas, clube que Juvenal defendeu entre 1945 e 1946 ofereceram cirurgia e tratamento gratuitos ao seu ex-atleta, hoje com 84 anos. Na Bahia, alguns médicos se ofereceram para auxiliar o ex-zagueiro. Outro clubes onde jogou também ajudaram.
Já o ex-ponteiro direito Friaça, de 83 anos, vive uma velhice bem melhor, embora também tenha problemas de saúde. Há cerca de um ano sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Seus olhos quase não enxergam e a mão se ergue devagar. Quase sem lucidez, Friaça recorda muito pouco das histórias que costumava contar aos amigos na praça. Ele mora protegido pela família, na pequena cidade de Porciúncula (RJ), onde nasceu. Se não tem hoje o reconhecimento da CBF e do país, pelo menos lá na sua terra natal é uma celebridade: dá nome ao estádio e à maior loja de materiais de construção da cidade. Foi enredo de escola de samba e é personagem de “causos” de cada um dos cerca de 20 mil moradores do lugar.
Todos os outros “vilões” que jogaram a final de 1950 já morreram. São eles: ELY do Amparo (9-3-91); ADEMIR Marques de Menezes (11-5-1996); DANILO Alvim (16-5-1996); Francisco "CHICO" Aramburu (1-10-97); Moacyr Nascimento BARBOSA (7-4-2000); Thomaz "ZIZINHO" Soares da Silva (8-2-2002); João "BIGODE" Ferreira (31-7-2003); João AUGUSTO da Costa (1-2-2004); JAIR Rosa Pinto (28-7-2005); José Carlos BAUER (4-2-2007). O técnico Flávio Costa morreu em 1999, aos 93 anos de idade. (Texto e pesquisa: Nilo Dias).
O clima era de festa antecipada. Ninguém acreditava em derrota do Brasil, que tinha mesmo um “baita” esquadrão: Barbosa, Augusto e Juvenal – Bauer - Danilo Alvim e Bigode – Friaça – Zizinho - Ademir Menezes - Jair da Rosa Pinto e Chico. Esse foi o time da final. Chegou a hora do jogo, o rádio da marca “Zenith”, caixa de madeira, um verdadeiro monstro, cheio de válvulas e pesando uns 10 quilos era o centro das atenções de meus pais e de alguns vizinhos, reunidos na sala lá de casa.
A Rádio Nacional, do Rio de Janeiro era a mais ouvida. E na narração dupla de Jorge Cury e Antônio Cordeiro, vibramos muito com o gol de Friaça, aos 4 minutos do segundo tempo, para o Brasil. Depois veio o que todo o mundo sabe: a reação dos uruguaios e a virada para 2 X 1, com gols de Schiafino e Gighia. Era o fim do sonho brasileiro de ser campeão do mundo, pela primeira vez.
Terminou o jogo e para mim a vida continuou normal. Mas, milhares de pessoas, especialmente no Rio de Janeiro entenderam diferente. Foi uma grande revolta. O técnico Flávio Costa teve que se esconder. Os jogadores, também. E dois deles foram considerados os grandes culpados pela derrota: o goleiro Barbosa e o lateral Bigode. Ambos morreram, carregando nas costas uma culpa que não foi só deles.
Nossa equipe teve vários pecados. Ficou no esquecimento a derrota por 4 X 3, que os uruguaios já haviam nos imposto um mês antes (6-5), pela Copa Rio Branco, em pleno Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Estavam na lembrança só as vitórias que vieram em seguida, sobre o mesmo Uruguai: 3 X 2 (14-5) e 1 X 0 (17-5), ambas em São Januário, no Rio de Janeiro, ainda pela Copa Rio Branco. E as goleadas na Copa: 4 X 0, no México (24-6), 7 X 1, na Suécia (9-7) e 6 X 1, na Espanha (13-7). Ninguém lembrou os avisos do empate de 2 X 2 com a Suíça (28-6), no Pacaembu e da goleada do Uruguai sobre a Bolívia, por 8X 0.
Da Seleção Brasileira de 1950, apenas o zagueiro JUVENAL Amarijo e o ponteiro-direito Albino FRIAÇA Cardoso, ainda estão vivos. Há pouco tempo a televisão mostrou Juvenal, que mora na cidade baiana de Camaçari e mal consegue andar por causa de uma artrose no joelho direito. Graças à reportagem do “Esporte Espetacular”, seu drama de doença e miséria foi minimizado. Dirigentes do G.E.Brasil de Pelotas, clube que Juvenal defendeu entre 1945 e 1946 ofereceram cirurgia e tratamento gratuitos ao seu ex-atleta, hoje com 84 anos. Na Bahia, alguns médicos se ofereceram para auxiliar o ex-zagueiro. Outro clubes onde jogou também ajudaram.
Já o ex-ponteiro direito Friaça, de 83 anos, vive uma velhice bem melhor, embora também tenha problemas de saúde. Há cerca de um ano sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Seus olhos quase não enxergam e a mão se ergue devagar. Quase sem lucidez, Friaça recorda muito pouco das histórias que costumava contar aos amigos na praça. Ele mora protegido pela família, na pequena cidade de Porciúncula (RJ), onde nasceu. Se não tem hoje o reconhecimento da CBF e do país, pelo menos lá na sua terra natal é uma celebridade: dá nome ao estádio e à maior loja de materiais de construção da cidade. Foi enredo de escola de samba e é personagem de “causos” de cada um dos cerca de 20 mil moradores do lugar.
Todos os outros “vilões” que jogaram a final de 1950 já morreram. São eles: ELY do Amparo (9-3-91); ADEMIR Marques de Menezes (11-5-1996); DANILO Alvim (16-5-1996); Francisco "CHICO" Aramburu (1-10-97); Moacyr Nascimento BARBOSA (7-4-2000); Thomaz "ZIZINHO" Soares da Silva (8-2-2002); João "BIGODE" Ferreira (31-7-2003); João AUGUSTO da Costa (1-2-2004); JAIR Rosa Pinto (28-7-2005); José Carlos BAUER (4-2-2007). O técnico Flávio Costa morreu em 1999, aos 93 anos de idade. (Texto e pesquisa: Nilo Dias).
sexta-feira, 28 de março de 2008
Uma história mal contada
Nas festividades comemorativas aos 500 anos do Descobrimento do Brasil, a Editora Objetivo, do Rio de Janeiro, contratou o jornalista, escritor e tradutor gaúcho, Eduardo Bueno, conhecido como “Peninha”, para escrever uma coletânea denominada “Terra Brasilis”, voltada para leigos, sobre a História do Brasil. São três volumes: “A viagem do descobrimento – A verdadeira história da expedição de Cabral”, “Náufragos, traficantes e degredados – As primeiras expedições ao Brasil” e “Capitães do Brasil – a saga dos primeiros colonizadores”, publicados entre 1998 e 1999. A vendagem desses três livros alcançou mais de 500 mil exemplares até hoje.
Bueno escreveu ainda, mais dois títulos sobre a história do Brasil: “Brasil: Terra à Vista! A aventura ilustrada do Descobrimento” e “Brasil: uma História - a incrível saga de um país” O seu sucesso como escritor é inquestionável. Ele pretende aprofundar suas pesquisas e escrever outros livros sobre o “Período pré-Cabralino”, “Bandeiras” e “O Brasil Holandês”. Se o leitor tiver sorte poderá encontrar algum volume desgarrado, talvez num sebo.
Faço toda essa introdução para dizer que as coisas são mal contadas não somente na História do Brasil. Na história do futebol, também. E por isso merecem aprofundamento. Já escrevi sobre as dúvidas que são lançadas sobre o prioneirismo de Charles Miller, na introdução do futebol no nosso país e se Pelé realmente é o maior artilheiro de todos os tempos. E tantos outros questionamentos que os estudiosos do futebol sabem bem quais são.
Entendo que nesse mar de dúvidas nem a FIFA escapa quanto ao que seja verdadeiro. É o caso do primeiro jogo de futebol noturno realizado no Brasil. Quase toda a literatura sobre o assunto existente, aponta a Light and Power, uma empresa canadense que abastecia de energia elétrica a cidade de São Paulo nos anos 20, como a responsável pela realização do feito pioneiro através de sua equipe de futebol, a Sociedade Esportiva Linhas e Cabos (depois, Associação Atlética Light & Power, equipe amadora, extinta), presidida pelo funcionário Severino Gragnani, um imigrante italiano, originário de Massarosa (Lucca).
Depois que a empresa cedeu um terreno na Rua do Glicério para uso da equipe, Gragnani teve a idéia de fazer um jogo de futebol à noite, utilizando os faróis de 20 bondes sustentados por quatro torres de madeira. O jogo foi entre os times das Linhas e Cabos e da Associação Athlética República, um clube da Capital, em 23 de junho de 1923. Os visitantes venceram por 2 X 1.
Em 1954, logo após o falecimento de Gragnani, a FIFA reconheceu esse como o primeiro jogo de futebol disputado no mundo, com iluminação artificial. Na verdade, foi só o primeiro na capital paulista. A prefeitura de São Paulo, por sugestão do jornalista Basilio Babo Sposito, colocou um busto em bronze de Gragnani, na Praça Charles Miller, em 1963. Depois, o busto foi transferido para o interior do Estádio do Pacaembu, onde se encontra até hoje.
Nada contra a iniciativa do eletricista paulista. Mas o primeiro jogo noturno realizado no Brasil aconteceu bem antes. Foi no interior do Rio Grande do Sul, na cidade de Pelotas, já naquela época uma cidade rica e culturalmente evoluída, inclusive no futebol. Foi lá que a bola rolou a noite pela primeira vez, em 25 de dezembro de 1915, na inauguração dos refletores do estádio do Sport Club União (extinto), que ficava na esquina das ruas General Osório e 3 de maio.
A festa foi muito bonita, noticiaram os jornais, presidida pelo senhor Rodolfo Ibaños, que em nome da Comissão dos festejos, convidou o capitão Leopoldo Haertel, para acionar o sistema de iluminação. O orador da cerimônia foi o doutor Ildefonso Alves de Carvalho que enalteceu o pioneirismo do S.C. União. No jogo inaugural, o G.E. Brasil não foi nada gentil, venceu o dono da casa, o União e por goleada, 5 X 1. Nos segundos quatros, que fizeram a preliminar houve empate em 1 X 1.
O Festival da Iluminação, assim denominado pelos organizadores, continuou no dia seguinte (26), quando o União, se reabilitando da derrota para o Brasil, venceu o F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande, por 6 X 1.
A necessidade de se apurar os fatos com clareza, fica evidente também por outra informação historicamente não verdadeira. De que o futebol só teve iluminação de verdade a partir de 31 de março de 1928, na inauguração dos refletores do estádio de São Januário. Foram realizados dois amistosos naquela noite: na preliminar, América 1 X 1 São Cristóvão, e no jogo de fundo Vasco da Gama 1 X 0 Wanders (Uruguai).
Existem outras versões que também indicam onde e quando foi realizado o primeiro jogo noturno no Brasil. Eis algumas: a página “História de Guaxupé”, na Internet informa que na passagem do ano de 1921, realizou-se em Guaxupé (MG) o primeiro jogo de futebol noturno do Brasil, no campo do antigo Seminário São Luíz Gonzaga, entre as equipes do XV de Novembro x Academia de Comércio (2 X 1).
Também a empresa “Coleman”, em sua página na Internet cita a realização de um jogo noturno em 1909, iluminado por ela. Porém, não informa quem jogou, onde e nem a data completa.
Contudo, existem registros de outros jogos noturnos realizados bem antes do de São Paulo. Os jornais “Gazeta de Notícias” e “O Imparcial” noticiaram que “Pela primeira vez no Brasil e cremos que na América do Sul, o público carioca vai ter a satisfação de assistir ao seu sport predilecto, praticado à noite, às 21 horas”. Em 5 de setembro de 1914, o Villa Isabel F.C. derrotou a Seleção da Liga Campista, por 4 X 0, em jogo amistoso disputado no campo do Jardim Zoológico, em Villa Isabel, Rio de Janeiro.
No dia 12 de Outubro de 1914 os jornais voltaram a noticiar mais um jogo amistoso noturno no campo do Jardim Zoológico, quando o Villa Isabel, perdeu de 6 X 1 para o América. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Bueno escreveu ainda, mais dois títulos sobre a história do Brasil: “Brasil: Terra à Vista! A aventura ilustrada do Descobrimento” e “Brasil: uma História - a incrível saga de um país” O seu sucesso como escritor é inquestionável. Ele pretende aprofundar suas pesquisas e escrever outros livros sobre o “Período pré-Cabralino”, “Bandeiras” e “O Brasil Holandês”. Se o leitor tiver sorte poderá encontrar algum volume desgarrado, talvez num sebo.
Faço toda essa introdução para dizer que as coisas são mal contadas não somente na História do Brasil. Na história do futebol, também. E por isso merecem aprofundamento. Já escrevi sobre as dúvidas que são lançadas sobre o prioneirismo de Charles Miller, na introdução do futebol no nosso país e se Pelé realmente é o maior artilheiro de todos os tempos. E tantos outros questionamentos que os estudiosos do futebol sabem bem quais são.
Entendo que nesse mar de dúvidas nem a FIFA escapa quanto ao que seja verdadeiro. É o caso do primeiro jogo de futebol noturno realizado no Brasil. Quase toda a literatura sobre o assunto existente, aponta a Light and Power, uma empresa canadense que abastecia de energia elétrica a cidade de São Paulo nos anos 20, como a responsável pela realização do feito pioneiro através de sua equipe de futebol, a Sociedade Esportiva Linhas e Cabos (depois, Associação Atlética Light & Power, equipe amadora, extinta), presidida pelo funcionário Severino Gragnani, um imigrante italiano, originário de Massarosa (Lucca).
Depois que a empresa cedeu um terreno na Rua do Glicério para uso da equipe, Gragnani teve a idéia de fazer um jogo de futebol à noite, utilizando os faróis de 20 bondes sustentados por quatro torres de madeira. O jogo foi entre os times das Linhas e Cabos e da Associação Athlética República, um clube da Capital, em 23 de junho de 1923. Os visitantes venceram por 2 X 1.
Em 1954, logo após o falecimento de Gragnani, a FIFA reconheceu esse como o primeiro jogo de futebol disputado no mundo, com iluminação artificial. Na verdade, foi só o primeiro na capital paulista. A prefeitura de São Paulo, por sugestão do jornalista Basilio Babo Sposito, colocou um busto em bronze de Gragnani, na Praça Charles Miller, em 1963. Depois, o busto foi transferido para o interior do Estádio do Pacaembu, onde se encontra até hoje.
Nada contra a iniciativa do eletricista paulista. Mas o primeiro jogo noturno realizado no Brasil aconteceu bem antes. Foi no interior do Rio Grande do Sul, na cidade de Pelotas, já naquela época uma cidade rica e culturalmente evoluída, inclusive no futebol. Foi lá que a bola rolou a noite pela primeira vez, em 25 de dezembro de 1915, na inauguração dos refletores do estádio do Sport Club União (extinto), que ficava na esquina das ruas General Osório e 3 de maio.
A festa foi muito bonita, noticiaram os jornais, presidida pelo senhor Rodolfo Ibaños, que em nome da Comissão dos festejos, convidou o capitão Leopoldo Haertel, para acionar o sistema de iluminação. O orador da cerimônia foi o doutor Ildefonso Alves de Carvalho que enalteceu o pioneirismo do S.C. União. No jogo inaugural, o G.E. Brasil não foi nada gentil, venceu o dono da casa, o União e por goleada, 5 X 1. Nos segundos quatros, que fizeram a preliminar houve empate em 1 X 1.
O Festival da Iluminação, assim denominado pelos organizadores, continuou no dia seguinte (26), quando o União, se reabilitando da derrota para o Brasil, venceu o F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande, por 6 X 1.
A necessidade de se apurar os fatos com clareza, fica evidente também por outra informação historicamente não verdadeira. De que o futebol só teve iluminação de verdade a partir de 31 de março de 1928, na inauguração dos refletores do estádio de São Januário. Foram realizados dois amistosos naquela noite: na preliminar, América 1 X 1 São Cristóvão, e no jogo de fundo Vasco da Gama 1 X 0 Wanders (Uruguai).
Existem outras versões que também indicam onde e quando foi realizado o primeiro jogo noturno no Brasil. Eis algumas: a página “História de Guaxupé”, na Internet informa que na passagem do ano de 1921, realizou-se em Guaxupé (MG) o primeiro jogo de futebol noturno do Brasil, no campo do antigo Seminário São Luíz Gonzaga, entre as equipes do XV de Novembro x Academia de Comércio (2 X 1).
Também a empresa “Coleman”, em sua página na Internet cita a realização de um jogo noturno em 1909, iluminado por ela. Porém, não informa quem jogou, onde e nem a data completa.
Contudo, existem registros de outros jogos noturnos realizados bem antes do de São Paulo. Os jornais “Gazeta de Notícias” e “O Imparcial” noticiaram que “Pela primeira vez no Brasil e cremos que na América do Sul, o público carioca vai ter a satisfação de assistir ao seu sport predilecto, praticado à noite, às 21 horas”. Em 5 de setembro de 1914, o Villa Isabel F.C. derrotou a Seleção da Liga Campista, por 4 X 0, em jogo amistoso disputado no campo do Jardim Zoológico, em Villa Isabel, Rio de Janeiro.
No dia 12 de Outubro de 1914 os jornais voltaram a noticiar mais um jogo amistoso noturno no campo do Jardim Zoológico, quando o Villa Isabel, perdeu de 6 X 1 para o América. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
quinta-feira, 27 de março de 2008
Nascido para vencer
A imprensa do mundo inteiro não está poupando elogios ao jovem atacante Alexandre Pato, que ontem fez sua estréia na Seleção Brasileira. O gol de rara beleza que marcou garantiu a vitória contra a Suécia, no “jogo da saudade”, comemorativo a conquista do primeiro mundial, pelo Brasil, em 1958, na Suécia. Um jornal inglês chegou a comparar Pato, com o legendário Pelé. Na Itália, seu prestígio já supera o de Kaká, eleito o melhor jogador do mundo ano passado.
A carreira de Pato vem sendo marcada por atuações espetaculares em jogos de estréia. Preparado para ingressar na equipe principal do Inter 2006, sua estréia foi cercada de expectativas, treinos secretos e declarações entusiasmadas de dirigentes, que viam nele a promessa de um craque diferenciado. Os treinos eram secretos para não despertar o interesse de outros clubes, principalmente os europeus antes que o contrato fosse renovado. O salário passou de R$ 3 mil para R$ 15 mil e a multa rescisória estipulada em R$ 27 milhões de reais para clubes brasileiros e US$ 20 milhões para clubes estrangeiros.
Quando fez o primeiro jogo na equipe titular do Internacional, em 26 de Novembro de 2006, contra o Palmeiras, no Parque Antártica, pelo Campeonato Brasileiro, teve atuação de gala, confirmando tudo o que dele se esperava. Com apenas 1 minuto de jogo marcou o primeiro gol como profissional. E ainda deu assistência para outros dois gols, cabeceou uma bola na trave, deu dribles desconcertantes nos adversários e entortou o jogador Marcinho Guerreiro, que deu-lhe um pontapé, sendo expulso de campo.
Na estréia oficial pelo Milan da Itália, em 13 de janeiro deste ano, não foi diferente. Conquistou a torcida milanesa com uma atuação de luxo na goleada de 5 X 2 sobre o Nápoli, quando marcou um gol e participou das jogadas de outros dois. Na comemoração do seu gol, Pato foi muito festejado pelos companheiros e, com lágrimas nos olhos, beijou o escudo do Milan. Teve ainda seu nome ovacionado pela torcida, que gritou: "Olê, olê, Pato, Pato!!".
Ontem, a mais nova sensação do futebol brasileiro colocou a camisa verde e amarela da seleção principal pela primeira vez. E a exemplo das estréias anteriores, “só não fez chover”. Entrou em campo aos 14 minutos do segundo tempo, substituindo o avante Luiz Fabiano. Deu um passe certeiro para Diego, que sofreu pênalti não marcado e aos 26 minutos, com determinação e não desistindo da jogada, aproveitou o erro do goleiro Izacsson, que chutou a bola sobre o seu corpo e por cobertura marcou um gol de extraordinária beleza.
Pato, ao final do jogo manteve a serenidade e humildade de sempre. Agradeceu ao técnico Dunga, por tê-lo colocado em campo e ofereceu o gol a sua namorada desde o ano passado, a atriz global de televisão, Stephany Brito, ao formar um coração com as mãos. Os dois já planejam casamento, mas ainda não marcaram data.
Alexandre “Pato” Rodrigues da Silva nasceu no dia 2 de Setembro de 1989 em Pato Branco, no interior do Paraná. O apelido Pato foi dado pelos ex-companheiros de Internacional, uma referência a sua cidade natal. A carreira do craque começou quando tinha apenas 7 anos e jogou futebol de salão até os 9, pelo Grêmio Industrial Patobranquense, que tem as mesmas cores do Grêmio, eterno rival do Internacional. Aos 11 foi para o Internacional, onde jogou cinco anos nas categorias de base e apenas vinte e seis partidas como profissional.
No dia 28 de agosto de 2007, um mês antes de completar dezoito anos, foi contratado pelo Milan da Itália, por US$ 20 milhões, numa das maiores transações já realizadas no futebol brasileiro. Sem ter completado 18 anos e por isso impedido de ser inscrito, treinou seis meses antes de jogar oficialmente pelo clube italiano. Os valores da venda de Pato só foram superados pela ida de Denílson para o Real Betis em 1998, por US$ 40,5 milhões e de Robinho para o Real Madrid em 2005, por US$ 30 milhões. A venda do Pato foi a mais alta realizada pelo Internacional até hoje, superando a transferência de Fábio Rochemback ao Barcelona em 2001, por US$ 12 milhões.
Um breve resumo da carreira de Alexandre Pato. Em junho de 2006, com apenas 16 anos de idade, participou do Campeonato Brasileiro sub-20, enfrentando adversários até quatro anos mais velhos. Foi campeão, com goleada sobre o Grêmio na final, por 4 X 0 e artilheiro do torneio. Foi Campeão Sul-Americano Sub-20, em 2007, melhor jogador do campeonato e artilheiro do time, fazendo gols em todos os jogos em que atuou. No Mundial de Clubes, no Japão, Alexandre Pato quebrou um recorde que pertenceu a Pelé, por quase 50 anos. Foi no dia 13 de dezembro de 2006, na semifinal contra o Al-Ahly, do Egito, ao fazer o primeiro gol do Internacional na vitória de 2 X 1.
Naquele dia, Pato tornou-se o mais jovem jogador a marcar gols numa competição oficial, e sem restrições de idade da FIFA em todos os tempos. O jogador estava com 17 anos e 102 dias. O recorde anterior era de Pelé, que no dia 19 de junho de 1958, ao anotar o gol de Brasil 1 X 0 País de Gales, tinha 17 anos e 239 dias. O jogo final, dia 17 de dezembro, vitória de 1 a 0 sobre o Barcelona, foi o primeiro em que Pato não fez gol, mas ganhou o maior título da sua ainda curta carreira: Campeão Mundial de Clubes FIFA pelo Internacional.
Pelo Internacional, em 2007, Pato participou de quatro competições, sagrando-se Campeão da Recopa Sul-Americana e marcando gols em todos os seus jogos de estréia em cada certame. No dia 24 de fevereiro, pelo Campeonato Gaúcho fez um dos gols na vitória de 2 X 1 contra o Veranópolis. Em seu primeiro jogo no Beira Rio, dia 28 de fevereiro, contra o Emelec, do Equador, pela Copa Libertadores da América fez um gol na goleada de 3 a 0.
No Campeonato Brasileiro, na estréia em 13 de maio, contra o Botafogo (RJ), fez um dos gols na derrota por 3 a 2. No dia 31 de Maio, jogo no México, contra o Pachuca, fez o gol colorado na derrota por 2 X 1. Finalmente, no dia 7 de junho de 2007, no jogo de volta da Recopa, num Beira-Rio tomado por mais de 50 mil torcedores, Pato teve uma atuação de luxo, marcou um gol e comandou a goleada de 4 a 0 do Internacional sobre o campeão do México, da Copa Sul-Americana e da Concacaf.
Em 22 de janeiro deste ano foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira principal, para um jogo amistoso frente à Seleção da Irlanda. Mas deu azar. No dia 3 de fevereiro, no jogo contra a Fiorentina entrou no segundo tempo e marcou o gol da vitória, aos 31 minutos. Aos 43, torceu o tornozelo, saiu chorando de campo e foi cortado da seleção.
Ao chegar no Milan, a camisa destinada a Pato foi a número 7, antes usada pelo ídolo do time, Andry Shevchenko. Impedido de jogar no time titular, porque não tinha 18 anos e as leis do futebol não permitem, Pato fez seu primeiro jogo em 6 de setembro de 2007, um amistoso contra o Dínamo de Kiev, quando marcou o primeiro gol de sua equipe, no empate em 2 a 2. Sua segunda aparição na equipe de Milão, foi no empate sem gols, contra o Athletic Bilbao, sendo substituído no intervalo.
Jovem e com menos de dois anos como jogador profissional Pato já marcou 21 gols, contando o de ontem. Foram 12, pelo Internacional, 8 pelo Milan e 1 pela Seleção Brasileira. Não foram computados os jogos pelas equipes de base. E conquistou os seguintes títulos: Campeão Brasileiro Sub-20 em 2006 pelo Internacional; Mundial de Clubes da FIFA em 2006 pelo Internacional; Recopa Sul-Americana em 2007 pelo Internacional e Campeão Sul-Americano de Futebol Sub-20 em 2007 pela Seleção Brasileira. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A carreira de Pato vem sendo marcada por atuações espetaculares em jogos de estréia. Preparado para ingressar na equipe principal do Inter 2006, sua estréia foi cercada de expectativas, treinos secretos e declarações entusiasmadas de dirigentes, que viam nele a promessa de um craque diferenciado. Os treinos eram secretos para não despertar o interesse de outros clubes, principalmente os europeus antes que o contrato fosse renovado. O salário passou de R$ 3 mil para R$ 15 mil e a multa rescisória estipulada em R$ 27 milhões de reais para clubes brasileiros e US$ 20 milhões para clubes estrangeiros.
Quando fez o primeiro jogo na equipe titular do Internacional, em 26 de Novembro de 2006, contra o Palmeiras, no Parque Antártica, pelo Campeonato Brasileiro, teve atuação de gala, confirmando tudo o que dele se esperava. Com apenas 1 minuto de jogo marcou o primeiro gol como profissional. E ainda deu assistência para outros dois gols, cabeceou uma bola na trave, deu dribles desconcertantes nos adversários e entortou o jogador Marcinho Guerreiro, que deu-lhe um pontapé, sendo expulso de campo.
Na estréia oficial pelo Milan da Itália, em 13 de janeiro deste ano, não foi diferente. Conquistou a torcida milanesa com uma atuação de luxo na goleada de 5 X 2 sobre o Nápoli, quando marcou um gol e participou das jogadas de outros dois. Na comemoração do seu gol, Pato foi muito festejado pelos companheiros e, com lágrimas nos olhos, beijou o escudo do Milan. Teve ainda seu nome ovacionado pela torcida, que gritou: "Olê, olê, Pato, Pato!!".
Ontem, a mais nova sensação do futebol brasileiro colocou a camisa verde e amarela da seleção principal pela primeira vez. E a exemplo das estréias anteriores, “só não fez chover”. Entrou em campo aos 14 minutos do segundo tempo, substituindo o avante Luiz Fabiano. Deu um passe certeiro para Diego, que sofreu pênalti não marcado e aos 26 minutos, com determinação e não desistindo da jogada, aproveitou o erro do goleiro Izacsson, que chutou a bola sobre o seu corpo e por cobertura marcou um gol de extraordinária beleza.
Pato, ao final do jogo manteve a serenidade e humildade de sempre. Agradeceu ao técnico Dunga, por tê-lo colocado em campo e ofereceu o gol a sua namorada desde o ano passado, a atriz global de televisão, Stephany Brito, ao formar um coração com as mãos. Os dois já planejam casamento, mas ainda não marcaram data.
Alexandre “Pato” Rodrigues da Silva nasceu no dia 2 de Setembro de 1989 em Pato Branco, no interior do Paraná. O apelido Pato foi dado pelos ex-companheiros de Internacional, uma referência a sua cidade natal. A carreira do craque começou quando tinha apenas 7 anos e jogou futebol de salão até os 9, pelo Grêmio Industrial Patobranquense, que tem as mesmas cores do Grêmio, eterno rival do Internacional. Aos 11 foi para o Internacional, onde jogou cinco anos nas categorias de base e apenas vinte e seis partidas como profissional.
No dia 28 de agosto de 2007, um mês antes de completar dezoito anos, foi contratado pelo Milan da Itália, por US$ 20 milhões, numa das maiores transações já realizadas no futebol brasileiro. Sem ter completado 18 anos e por isso impedido de ser inscrito, treinou seis meses antes de jogar oficialmente pelo clube italiano. Os valores da venda de Pato só foram superados pela ida de Denílson para o Real Betis em 1998, por US$ 40,5 milhões e de Robinho para o Real Madrid em 2005, por US$ 30 milhões. A venda do Pato foi a mais alta realizada pelo Internacional até hoje, superando a transferência de Fábio Rochemback ao Barcelona em 2001, por US$ 12 milhões.
Um breve resumo da carreira de Alexandre Pato. Em junho de 2006, com apenas 16 anos de idade, participou do Campeonato Brasileiro sub-20, enfrentando adversários até quatro anos mais velhos. Foi campeão, com goleada sobre o Grêmio na final, por 4 X 0 e artilheiro do torneio. Foi Campeão Sul-Americano Sub-20, em 2007, melhor jogador do campeonato e artilheiro do time, fazendo gols em todos os jogos em que atuou. No Mundial de Clubes, no Japão, Alexandre Pato quebrou um recorde que pertenceu a Pelé, por quase 50 anos. Foi no dia 13 de dezembro de 2006, na semifinal contra o Al-Ahly, do Egito, ao fazer o primeiro gol do Internacional na vitória de 2 X 1.
Naquele dia, Pato tornou-se o mais jovem jogador a marcar gols numa competição oficial, e sem restrições de idade da FIFA em todos os tempos. O jogador estava com 17 anos e 102 dias. O recorde anterior era de Pelé, que no dia 19 de junho de 1958, ao anotar o gol de Brasil 1 X 0 País de Gales, tinha 17 anos e 239 dias. O jogo final, dia 17 de dezembro, vitória de 1 a 0 sobre o Barcelona, foi o primeiro em que Pato não fez gol, mas ganhou o maior título da sua ainda curta carreira: Campeão Mundial de Clubes FIFA pelo Internacional.
Pelo Internacional, em 2007, Pato participou de quatro competições, sagrando-se Campeão da Recopa Sul-Americana e marcando gols em todos os seus jogos de estréia em cada certame. No dia 24 de fevereiro, pelo Campeonato Gaúcho fez um dos gols na vitória de 2 X 1 contra o Veranópolis. Em seu primeiro jogo no Beira Rio, dia 28 de fevereiro, contra o Emelec, do Equador, pela Copa Libertadores da América fez um gol na goleada de 3 a 0.
No Campeonato Brasileiro, na estréia em 13 de maio, contra o Botafogo (RJ), fez um dos gols na derrota por 3 a 2. No dia 31 de Maio, jogo no México, contra o Pachuca, fez o gol colorado na derrota por 2 X 1. Finalmente, no dia 7 de junho de 2007, no jogo de volta da Recopa, num Beira-Rio tomado por mais de 50 mil torcedores, Pato teve uma atuação de luxo, marcou um gol e comandou a goleada de 4 a 0 do Internacional sobre o campeão do México, da Copa Sul-Americana e da Concacaf.
Em 22 de janeiro deste ano foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira principal, para um jogo amistoso frente à Seleção da Irlanda. Mas deu azar. No dia 3 de fevereiro, no jogo contra a Fiorentina entrou no segundo tempo e marcou o gol da vitória, aos 31 minutos. Aos 43, torceu o tornozelo, saiu chorando de campo e foi cortado da seleção.
Ao chegar no Milan, a camisa destinada a Pato foi a número 7, antes usada pelo ídolo do time, Andry Shevchenko. Impedido de jogar no time titular, porque não tinha 18 anos e as leis do futebol não permitem, Pato fez seu primeiro jogo em 6 de setembro de 2007, um amistoso contra o Dínamo de Kiev, quando marcou o primeiro gol de sua equipe, no empate em 2 a 2. Sua segunda aparição na equipe de Milão, foi no empate sem gols, contra o Athletic Bilbao, sendo substituído no intervalo.
Jovem e com menos de dois anos como jogador profissional Pato já marcou 21 gols, contando o de ontem. Foram 12, pelo Internacional, 8 pelo Milan e 1 pela Seleção Brasileira. Não foram computados os jogos pelas equipes de base. E conquistou os seguintes títulos: Campeão Brasileiro Sub-20 em 2006 pelo Internacional; Mundial de Clubes da FIFA em 2006 pelo Internacional; Recopa Sul-Americana em 2007 pelo Internacional e Campeão Sul-Americano de Futebol Sub-20 em 2007 pela Seleção Brasileira. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
quarta-feira, 26 de março de 2008
Organização, a fórmula do sucesso
Sorte? Milagre? Fenômeno? Que outros adjetivos podem ser adicionados à lista que busca explicar a extraordinária campanha do Guaratinguetá Futebol Limitada, no Campeonato Paulista deste ano? A explicação do sucesso e da liderança inconteste na competição chama-se organização.
O clube surpresa do “Paulistão” é bem novo, não completou nem 10 anos. Foi fundado em 1º de outubro de 1998, com o nome de Guaratinguetá Esporte Clube e as cores da cidade, vermelho, azul e branco. Seus fundadores foram empresários locais ligados ao futebol, entre eles o atual presidente honorário, Mario Augusto Rodrigues Nunes, o Marinho e João Carlos Fonseca de Paula Santos, o Cacalo, que foi o primeiro presidente do clube.
A cidade se ressentia da falta de um time de futebol profissional, desde o fechamento da Associação Esportiva Guaratinguetá, clube que deu muitas alegrias a cidade. Era um clube de futebol bastante antigo. Fundado em 1915, foi extinto em 1998, quando disputava a Série B1-B, inviabilizado por dívidas de grande vulto. Participou da elite do futebol Paulista de 1961 a 1964, tendo como maiores proezas as vitórias pelo mesmo placar, 3 X 0, frente o Santos de Pelé e o Corinthians.
O principal título do “Lobo do Vale”, assim era chamado pelos torcedores, foi o Campeonato da Segunda Divisão Paulista, em 1960. Os grandes rivais do alvi-rubro foram Taubaté, São José, Aparecida e União Cruzeirense.
Com a extinção da Associação e o surgimento do Guaratinguetá, o futebol da cidade conheceu mágica e meteórica transformação. Os seus idealizadores pensaram alto. Depois de disputar dois campeonatos amadores na cidade (1998 e 1999), foi feita uma parceria com a C.S.R. Futebol e Marketing, grupo do empresário Carlos “Carlito” Arini, e dos jogadores César Sampaio e Rivaldo, tornando o “Garça”, assim chamado pelos torcedores, uma equipe profissional de futebol.
A parceria deu o respaldo financeiro, técnico e administrativo que precisava para se consolidar como um clube de maior projeção. Graças a isso, filiou-se a Federação Paulista de Futebol, no dia 26 de novembro de 1999. E em 2000, o time já disputou a Série B2 do Campeonato Paulista, fazendo bonito e chegando em terceiro lugar. Em 2001, repetiu a campanha e subiu para a Série B1.
Em 2002, com o término do contrato com a C.S.R. Futebol e Markentig (foi para o Figueirense), os empresários Odário Mardegan Durães e Elmiro Aparecido de Faria, passaram a injetar recursos no clube. Mais uma boa campanha e um lugar na Série A3, depois de vencer o Rio Claro Esporte Clube, na partida final.
Mas foi a partir de 2004, com a chegada do empresário Sony Alberto Douer, que uma nova e vitoriosa filosofia de trabalho foi implantada. De cara, o time subiu para a série A-2 do Campeonato Paulista. Em fins de 2005, os empresários Sony Alberto Douer e Carlos “Carlito” Arini (atual presidente), criaram a Sony Sports, que passou a gerenciar o clube, com apoio de outros empresários da cidade, Clementino Bolan Filho e Gustavo Gazzolla. A equipe não estava bem em campo, mas de fôlego renovado o rebaixamento não se consolidou.
A visão empresarial dos parceiros possibilitou a transformação do nome Guaratinguetá Esporte Clube, para Guaratinguetá Futebol Limitada. A adoção de um sistema administrativo aos moldes europeus, com presença forte da iniciativa privada, fez a grande diferença na gestão, agilizando decisões e o planejamento de metas.
O resultado não poderia ser outro: saneado e reestruturado, o clube-empresa, sob o comando técnico de Wilson Taddei, subiu para a Série A, a cobiçada elite do campeonato estadual mais disputado do país. A cidade de Guaratinguetá, terra do primeiro santo brasileiro, Frei Galvão e de um Presidente da República, Rodrigues Alves, depois de 45 anos voltou a principal vitrine do futebol paulista.
A partir daí tudo ficou mais fácil. A cidade toda empolgada e o prefeito Antonio Gilberto Filippo Fernandes Junior, também, formaram uma “corrente pra frente”. O Estádio Professor Dario Rodrigues Leite (inaugurado em 7 de setembro de 1965), também chamado de “Ninho da Garça”, passou por amplas reformas financiadas pela Prefeitura, tornando-se um dos melhores do interior do Estado. Com a capacidade ampliada para 16 mil espectadores, está apto a receber grandes jogos do futebol brasileiro.
Por ter uma história curta, o Guaratinguetá não tem muitos ídolos, mas já foi a casa de três grandes jogadores do futebol brasileiro: o volante Marcinho Guerreiro (Santos F.C.), o goleiro Edson Bastos (Coritiba) e o lateral-esquerdo Triguinho (Botafogo-RJ). É só o começo. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O clube surpresa do “Paulistão” é bem novo, não completou nem 10 anos. Foi fundado em 1º de outubro de 1998, com o nome de Guaratinguetá Esporte Clube e as cores da cidade, vermelho, azul e branco. Seus fundadores foram empresários locais ligados ao futebol, entre eles o atual presidente honorário, Mario Augusto Rodrigues Nunes, o Marinho e João Carlos Fonseca de Paula Santos, o Cacalo, que foi o primeiro presidente do clube.
A cidade se ressentia da falta de um time de futebol profissional, desde o fechamento da Associação Esportiva Guaratinguetá, clube que deu muitas alegrias a cidade. Era um clube de futebol bastante antigo. Fundado em 1915, foi extinto em 1998, quando disputava a Série B1-B, inviabilizado por dívidas de grande vulto. Participou da elite do futebol Paulista de 1961 a 1964, tendo como maiores proezas as vitórias pelo mesmo placar, 3 X 0, frente o Santos de Pelé e o Corinthians.
O principal título do “Lobo do Vale”, assim era chamado pelos torcedores, foi o Campeonato da Segunda Divisão Paulista, em 1960. Os grandes rivais do alvi-rubro foram Taubaté, São José, Aparecida e União Cruzeirense.
Com a extinção da Associação e o surgimento do Guaratinguetá, o futebol da cidade conheceu mágica e meteórica transformação. Os seus idealizadores pensaram alto. Depois de disputar dois campeonatos amadores na cidade (1998 e 1999), foi feita uma parceria com a C.S.R. Futebol e Marketing, grupo do empresário Carlos “Carlito” Arini, e dos jogadores César Sampaio e Rivaldo, tornando o “Garça”, assim chamado pelos torcedores, uma equipe profissional de futebol.
A parceria deu o respaldo financeiro, técnico e administrativo que precisava para se consolidar como um clube de maior projeção. Graças a isso, filiou-se a Federação Paulista de Futebol, no dia 26 de novembro de 1999. E em 2000, o time já disputou a Série B2 do Campeonato Paulista, fazendo bonito e chegando em terceiro lugar. Em 2001, repetiu a campanha e subiu para a Série B1.
Em 2002, com o término do contrato com a C.S.R. Futebol e Markentig (foi para o Figueirense), os empresários Odário Mardegan Durães e Elmiro Aparecido de Faria, passaram a injetar recursos no clube. Mais uma boa campanha e um lugar na Série A3, depois de vencer o Rio Claro Esporte Clube, na partida final.
Mas foi a partir de 2004, com a chegada do empresário Sony Alberto Douer, que uma nova e vitoriosa filosofia de trabalho foi implantada. De cara, o time subiu para a série A-2 do Campeonato Paulista. Em fins de 2005, os empresários Sony Alberto Douer e Carlos “Carlito” Arini (atual presidente), criaram a Sony Sports, que passou a gerenciar o clube, com apoio de outros empresários da cidade, Clementino Bolan Filho e Gustavo Gazzolla. A equipe não estava bem em campo, mas de fôlego renovado o rebaixamento não se consolidou.
A visão empresarial dos parceiros possibilitou a transformação do nome Guaratinguetá Esporte Clube, para Guaratinguetá Futebol Limitada. A adoção de um sistema administrativo aos moldes europeus, com presença forte da iniciativa privada, fez a grande diferença na gestão, agilizando decisões e o planejamento de metas.
O resultado não poderia ser outro: saneado e reestruturado, o clube-empresa, sob o comando técnico de Wilson Taddei, subiu para a Série A, a cobiçada elite do campeonato estadual mais disputado do país. A cidade de Guaratinguetá, terra do primeiro santo brasileiro, Frei Galvão e de um Presidente da República, Rodrigues Alves, depois de 45 anos voltou a principal vitrine do futebol paulista.
A partir daí tudo ficou mais fácil. A cidade toda empolgada e o prefeito Antonio Gilberto Filippo Fernandes Junior, também, formaram uma “corrente pra frente”. O Estádio Professor Dario Rodrigues Leite (inaugurado em 7 de setembro de 1965), também chamado de “Ninho da Garça”, passou por amplas reformas financiadas pela Prefeitura, tornando-se um dos melhores do interior do Estado. Com a capacidade ampliada para 16 mil espectadores, está apto a receber grandes jogos do futebol brasileiro.
Por ter uma história curta, o Guaratinguetá não tem muitos ídolos, mas já foi a casa de três grandes jogadores do futebol brasileiro: o volante Marcinho Guerreiro (Santos F.C.), o goleiro Edson Bastos (Coritiba) e o lateral-esquerdo Triguinho (Botafogo-RJ). É só o começo. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
terça-feira, 25 de março de 2008
Um “galo” centenário
O futebol brasileiro está em festa. Hoje, o Clube Atlético Mineiro, o “Galo Carijó” comemora 100 anos. E amanhã, 21h45min, no Mineirão, faz um jogo festivo contra o Penãrol de Montevidéu. O clube foi fundado em 25 de março de 1908 por um grupo de 22 estudantes “peladeiros”, que matavam aulas para chutarem uma bola de meia no Parque Municipal, em Belo Horizonte. Foi em meio a uma dessas “peladas” que surgiu a idéia de fundar um clube organizado. Assim nasceu o Atlético Mineiro Futebol Clube, primeiro nome do “Galo”. A mudança para Clube Atlético Mineiro aconteceu quatro anos depois.
Em 21 de março de 1909 aconteceu o primeiro jogo e a primeira vitória, 3 X 0 sobre o Sport Club Futebol, no gramado deste. Aníbal Machado, que mais tarde se consagraria como escritor, marcou o primeiro gol da história do Atlético. Dias depois, novo triunfo sobre o mesmo adversário, por 2 X 0 e um terceiro, por 4 X 0. Com a humilhação o Sport fechou e aderiu ao novo clube. A primeira derrota não tardou, uma goleada de 5 X 1 ante o Grambery, de Juiz de Fora. Na revanche, novo revés, 3 X 1. A vingança veio dias depois, um massacre por 7 X 0. Os torcedores, que já eram muitos, passaram a chamar o time de “Vingador”, o que explica a citação no hino oficial. O hino do Atlético foi escrito em 1969 por Vicente Mota.
O primeiro campo se localizava na Rua Guajajaras, entre São Paulo e Curitiba. Na primeira noite, as traves foram roubadas e Margival Mendes Leal, o primeiro presidente, tratou de procurar outro lugar para o campo. Conseguiu um bem central, na Avenida Paraopeba (hoje Augusto de Lima), mas este também foi logo requisitado pelo Governo para a construção da Secretaria da Saúde. Então o "Galo" passou a ocupar as velhas instalações do extinto Sport, junto à Praça da Estação até 1921, quando o Governo doou ao Atlético um quarteirão inteiro na Avenida Olegário Maciel para compensar o que havia tomado. Ali seria construído o estádio Antônio Carlos.
Em 1914, a Liga Mineira de Esportes promoveu um torneio, que é considerado o primeiro campeonato estadual. O campeão foi o Clube Atlético Mineiro, que ganhou o “Troféu Bueno Brandão”, o primeiro de sua história. No ano seguinte a competição se repetiu e foi considerada oficial e o Atlético repetiu a conquista. Depois, veio um longo jejum. O América colecionou títulos, 10 seguidos. Somente em 1926, o Atlético voltou a ser campeão, repartindo o título com o Cruzeiro. Repetiu o feito em 1927. E com gostinho especial: uma goleada de 9 X 2, sobre o Cruzeiro, ainda Palestra.
Em 1927 0 “Galo” precisava vencer o Vila Nova, em Nova Lima, para ser campeão. Um empate dava o título ao Palestra. Um jogo histórico. No primeiro tempo o Vila vencia por 4 X 1 e Mário de Castro era alvo de gozações. Parecia tudo perdido. Veio o segundo tempo, e com ele a impressionante reação: em 15 minutos Mário de Castro fez quatro gols, calando a torcida. No final, uma vitória heróica de 5 X 4 e a taça como prêmio.
Ninguém mais segurava o “Galo”, que clamava por um estádio próprio. Em 1928, por iniciativa do presidente Leandro Castilho de Moura, o sonho começou a virar realidade. Em 30 de maio de 1929 foi inaugurado o Estádio Presidente Antônio Carlos, para 5.000 pessoas. Ganhou o apelido de “Gigante", por estar dentro de uma cidade com pouco mais de 40 mil habitantes.
Foi uma tarde memorável. O próprio homenageado, Antônio Carlos, estava lá. O jogo inaugural teve o Sport Clube Corinthians, campeão paulista, como convidado. O Atlético Mineiro venceu por 4 X 2. Valeriano, jogador do Corinthians fez o primeiro gol no estádio. E Mário de Castro o destaque do time, o primeiro do Atlético. Ele marcou 195 gols com a camisa atleticana e foi convocado em 1929 para Seleção Brasileira. Por muito tempo o "Alçapão" foi conservado apenas em respeito à tradição, mas no início dos anos 70 ele foi destruído. Hoje no local está construído o Diamond Mall, shopping center mais luxuoso de Minas Gerais.
Nesse mesmo ano o Atlético fez o primeiro jogo internacional de um clube mineiro, derrotando por 3 X 1 o então campeão português, Victória, de Setúbal, no recém inaugurado Estádio Antônio Carlos. Em 1930, Jules Rimet, fundador e presidente da FIFA visitou o velho Estádio, também chamado de Lourdes e viu pela primeira vez um jogo de futebol à noite. De casa nova, o clube não teve dificuldade para chegar ao bicampeonato mineiro, em 1931 e 1932.
No início dos anos 30, o cartunista Mangabeira batizou cada time mineiro com um bicho. Para o Atlético coube o "Galo Carijó", preto e branco, um galo de briga forte e vingador. Foi sem dúvida o bicho de maior sucesso entre todos, adotado pela torcida como símbolo da paixão alvinegra.
Já consolidado como um grande clube, o Atlético Mineiro partiu para pulos mais altos. Em 1937, a Federação Brasileira de Futebol (FBF), depois CBD e CBF, organizou o torneio dos campeões estaduais, com a Portuguesa de Desportos (SP), Fluminense (RJ), Rio Branco (ES) e Atlético (MG). Em campanha impecável o clube mineiro sagrou-se o primeiro “Campeão dos Campeões do Brasil”. Repetiu o feito em 1958.
Em 1938, com Guará, um dos maiores jogadores a vestir a camisa preta e branca, Zezé Procópio e Alfredo Bernadinho, vindos do Vila Nova, o “Galo” passeou no campeonato mineiro, papando o título invicto. Ganhou de novo em 1941 e 1942 (11 jogos e 11 vitórias). Encerrou a década de 40, ainda com os títulos de 1946, 1947, 1949 e 1950.
Antigos torcedores consideram o time da segunda metade da década de 40 como o melhor de todos os tempos. A linha de frente tinha Lucas Miranda, Carlyle, Nívio e Lêro, e fez 250 gols. O time contava ainda com a firmeza de Kafunga, o jogador que mais vestiu a camisa atleticana (por 19 anos) e idolatrado como o melhor goleiro do clube em todos os tempos.
Os "Campeões do Gelo"
Em 1950 o Atlético ganhou o título de “Campeão do Gelo”, imortalizado no hino oficial, durante uma excursão a Europa, entre 2 de novembro a 7 de dezembro. Até o Campeonato Mineiro parou para a viagem acontecer. E nos gramados gelados da Alemanha a equipe conquistou o Torneio de Inverno, superando adversários da França, Bélgica, Alemanha e Áustria.
Se dentro de campo o time não tomou conhecimento da frieza do gelo, fora levou um calote do jornalista Eld Kalteneker, empresário que acertou a excursão de 8 jogos, quatro vitórias, 2 empates e duas derrotas. Ele passou a mão no dinheiro do torneio e de outras quatro partidas, e desapareceu. Sem dinheiro e adversários, e mais de um mês longe de casa, o chefe da delegação, Domingos D' Ângelo, teve de pedir auxílio ao clube no Brasil, para a viagem de volta. O presidente José Cabral fez das “tripas, coração”, para arranjar o dinheiro. As passagens foram compradas por etapas e os jogadores voltaram em pequenos grupos.
Nos anos 50, diziam que um jogador do Galo tinha parte com o diabo. Ubaldo Miranda era um ídolo humilde. Raçudo, boa gente, risonho, o crioulo era um assombro. Não havia bola perdida, o sujeito era danado para chutar uma bola em cima da linha de fundo e fazê-la chegar à rede. A torcida acreditava serem gols espíritas. Foram 140 gols em 7 anos. Ubaldo também foi o único jogador na história do Atlético a ser carregado, de calção e chuteira, do Estádio Independência até a Praça 7, no centro da cidade. Foram 5 km e meio percorridos nos ombros da massa !
Passado o susto ada excursão, o Atlético continuou o caminho de vitórias, conquistando o primeiro pentacampeonato (de 1952 a 1956) e sendo campeão em 1958. A década de 60 não foi boa, marcando a evolução do E.C. Cruzeiro, de Tostão e outras feras. Como consolo o bicampeonato mineiro, em 1962 e 1963, e uma histórica vitória de 2 X 1, em 3 de setembro de 1969, contra a Seleção Brasileira, de João Saldanha, que depois conquistaria o tricampeonato mundial no México. Até hoje o Atlético é o único clube de futebol a derrotar o scratch “canarinho”.
A vinda de Telê Santana, que treinou o time por seis anos (1970 a 1976), mudou tudo. Foi uma fase esplêndida, colecionando títulos. A equipe de 1970 tinha craques como Dario, Lôla, Vantuir e Grapete, e quebrou uma hegemonia de cinco anos do Cruzeiro. Ganhou a taça Belo Horizonte e sagrou-se o primeiro Campeão Brasileiro, o título mais importante da história do clube, superando São Paulo e Botafogo num triangular final.
Com Telê no comando foi bicampeão mineiro e tricampeão da Taça Belo Horizonte, bicampeão da Taça Minas Gerais (1975 e 1976) e campeão mineiro de 1976, quando surgiu Reinaldo, o mais importante jogador da vida do clube. Com ele, o Atlético, conquistou o inédito hexa-campeonato mineiro (de 1978 a 1983), e foi finalista do Campeonato Brasileiro por duas vezes. Em 1977 contra o São Paulo, e em 1980 contra o Flamengo, perdendo ambas. Nessa fase de ouro, além de Reinaldo, brilharam Cerezo, Éder, Luizinho, Paulo Isidoro, João Leite, Nelinho e Palhinha. Na década de 80 ganhou sete dos 10 títulos disputados no Estado.
Mas o grande time estava acabando. Reinaldo, contundido, encerrou a carreira aos 27 anos. Toninho Cerezo foi para a equipe do Roma. Éder Aleixo, para a Internacional de Limeira e Nelinho, pendurou as chuteiras. Com uma equipe renovada o Atlético conquistou os torneios de Amsterdã, na Holanda, e de Cadiz, na Espanha.
Em 1982, a revista Placar pediu que trinta torcedores, jogadores, cartolas e jornalistas escolhessem o Atlético Mineiro de todos os tempos. O time escolhido foi este: Kafunga, Mexicano, Murilo, Luizinho, Zé do Monte e Haroldo ; Lucas, Carlyle, Reinaldo, Toninho Cerezo e Éder Aleixo.
O Atlético teve dois escudos em sua história. O primeiro, utilizado nas primeiras décadas do clube, era oval e tinha as inicias CAM (Clube Atlético Mineiro). A partir da década de 30, o distintivo sofreu alterações até chegar ao formato atual. A estrela amarela, em cima do símbolo, representa o título do 1º Campeonato Brasileiro, conquistado pelo "Galo" em 1971.
Nos anos 90, apenas três títulos mineiros, 1991, 1995 e 1999. Fora de Minas, a Copa Conmebol (1992 e 1997), a Copa Millenium, em Miami, e a Copa dos Três Continentes, no Vietnã. Em 1999 chegou de novo a uma final do Campeonato Brasileiro, depois de 19 anos, perdendo para o Corinthians. Em 2000, como vice-campeão brasileiro jogou a Copa Libertadores e foi eliminado pelo mesmo Corinthians.
O Atlético foi absoluto no século 20, em Minas Gerais. Mas o novo milênio começou mal. Grito de campeão, só em 2007, com a conquista estadual. O pior foi no cenário nacional, a queda inédita para a Série B do Campeonato Brasileiro, uma desgraça anunciada. Em 2004, escapou na última rodada, com uma vitória sobre o São Caetano, no Mineirão, por 3 x 0. Em 2005, não teve jeito.
Foi só um ano no “inferno”. Com a força da torcida o “Galo” foi campeão da Série B, com a maior média de público no ano, entre todos os times do Brasil, voltando à elite do futebol brasileiro. No retorno, em 2007, garantiu uma vaga na Copa Sul-Americana de 2008. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Em 21 de março de 1909 aconteceu o primeiro jogo e a primeira vitória, 3 X 0 sobre o Sport Club Futebol, no gramado deste. Aníbal Machado, que mais tarde se consagraria como escritor, marcou o primeiro gol da história do Atlético. Dias depois, novo triunfo sobre o mesmo adversário, por 2 X 0 e um terceiro, por 4 X 0. Com a humilhação o Sport fechou e aderiu ao novo clube. A primeira derrota não tardou, uma goleada de 5 X 1 ante o Grambery, de Juiz de Fora. Na revanche, novo revés, 3 X 1. A vingança veio dias depois, um massacre por 7 X 0. Os torcedores, que já eram muitos, passaram a chamar o time de “Vingador”, o que explica a citação no hino oficial. O hino do Atlético foi escrito em 1969 por Vicente Mota.
O primeiro campo se localizava na Rua Guajajaras, entre São Paulo e Curitiba. Na primeira noite, as traves foram roubadas e Margival Mendes Leal, o primeiro presidente, tratou de procurar outro lugar para o campo. Conseguiu um bem central, na Avenida Paraopeba (hoje Augusto de Lima), mas este também foi logo requisitado pelo Governo para a construção da Secretaria da Saúde. Então o "Galo" passou a ocupar as velhas instalações do extinto Sport, junto à Praça da Estação até 1921, quando o Governo doou ao Atlético um quarteirão inteiro na Avenida Olegário Maciel para compensar o que havia tomado. Ali seria construído o estádio Antônio Carlos.
Em 1914, a Liga Mineira de Esportes promoveu um torneio, que é considerado o primeiro campeonato estadual. O campeão foi o Clube Atlético Mineiro, que ganhou o “Troféu Bueno Brandão”, o primeiro de sua história. No ano seguinte a competição se repetiu e foi considerada oficial e o Atlético repetiu a conquista. Depois, veio um longo jejum. O América colecionou títulos, 10 seguidos. Somente em 1926, o Atlético voltou a ser campeão, repartindo o título com o Cruzeiro. Repetiu o feito em 1927. E com gostinho especial: uma goleada de 9 X 2, sobre o Cruzeiro, ainda Palestra.
Em 1927 0 “Galo” precisava vencer o Vila Nova, em Nova Lima, para ser campeão. Um empate dava o título ao Palestra. Um jogo histórico. No primeiro tempo o Vila vencia por 4 X 1 e Mário de Castro era alvo de gozações. Parecia tudo perdido. Veio o segundo tempo, e com ele a impressionante reação: em 15 minutos Mário de Castro fez quatro gols, calando a torcida. No final, uma vitória heróica de 5 X 4 e a taça como prêmio.
Ninguém mais segurava o “Galo”, que clamava por um estádio próprio. Em 1928, por iniciativa do presidente Leandro Castilho de Moura, o sonho começou a virar realidade. Em 30 de maio de 1929 foi inaugurado o Estádio Presidente Antônio Carlos, para 5.000 pessoas. Ganhou o apelido de “Gigante", por estar dentro de uma cidade com pouco mais de 40 mil habitantes.
Foi uma tarde memorável. O próprio homenageado, Antônio Carlos, estava lá. O jogo inaugural teve o Sport Clube Corinthians, campeão paulista, como convidado. O Atlético Mineiro venceu por 4 X 2. Valeriano, jogador do Corinthians fez o primeiro gol no estádio. E Mário de Castro o destaque do time, o primeiro do Atlético. Ele marcou 195 gols com a camisa atleticana e foi convocado em 1929 para Seleção Brasileira. Por muito tempo o "Alçapão" foi conservado apenas em respeito à tradição, mas no início dos anos 70 ele foi destruído. Hoje no local está construído o Diamond Mall, shopping center mais luxuoso de Minas Gerais.
Nesse mesmo ano o Atlético fez o primeiro jogo internacional de um clube mineiro, derrotando por 3 X 1 o então campeão português, Victória, de Setúbal, no recém inaugurado Estádio Antônio Carlos. Em 1930, Jules Rimet, fundador e presidente da FIFA visitou o velho Estádio, também chamado de Lourdes e viu pela primeira vez um jogo de futebol à noite. De casa nova, o clube não teve dificuldade para chegar ao bicampeonato mineiro, em 1931 e 1932.
No início dos anos 30, o cartunista Mangabeira batizou cada time mineiro com um bicho. Para o Atlético coube o "Galo Carijó", preto e branco, um galo de briga forte e vingador. Foi sem dúvida o bicho de maior sucesso entre todos, adotado pela torcida como símbolo da paixão alvinegra.
Já consolidado como um grande clube, o Atlético Mineiro partiu para pulos mais altos. Em 1937, a Federação Brasileira de Futebol (FBF), depois CBD e CBF, organizou o torneio dos campeões estaduais, com a Portuguesa de Desportos (SP), Fluminense (RJ), Rio Branco (ES) e Atlético (MG). Em campanha impecável o clube mineiro sagrou-se o primeiro “Campeão dos Campeões do Brasil”. Repetiu o feito em 1958.
Em 1938, com Guará, um dos maiores jogadores a vestir a camisa preta e branca, Zezé Procópio e Alfredo Bernadinho, vindos do Vila Nova, o “Galo” passeou no campeonato mineiro, papando o título invicto. Ganhou de novo em 1941 e 1942 (11 jogos e 11 vitórias). Encerrou a década de 40, ainda com os títulos de 1946, 1947, 1949 e 1950.
Antigos torcedores consideram o time da segunda metade da década de 40 como o melhor de todos os tempos. A linha de frente tinha Lucas Miranda, Carlyle, Nívio e Lêro, e fez 250 gols. O time contava ainda com a firmeza de Kafunga, o jogador que mais vestiu a camisa atleticana (por 19 anos) e idolatrado como o melhor goleiro do clube em todos os tempos.
Os "Campeões do Gelo"
Em 1950 o Atlético ganhou o título de “Campeão do Gelo”, imortalizado no hino oficial, durante uma excursão a Europa, entre 2 de novembro a 7 de dezembro. Até o Campeonato Mineiro parou para a viagem acontecer. E nos gramados gelados da Alemanha a equipe conquistou o Torneio de Inverno, superando adversários da França, Bélgica, Alemanha e Áustria.
Se dentro de campo o time não tomou conhecimento da frieza do gelo, fora levou um calote do jornalista Eld Kalteneker, empresário que acertou a excursão de 8 jogos, quatro vitórias, 2 empates e duas derrotas. Ele passou a mão no dinheiro do torneio e de outras quatro partidas, e desapareceu. Sem dinheiro e adversários, e mais de um mês longe de casa, o chefe da delegação, Domingos D' Ângelo, teve de pedir auxílio ao clube no Brasil, para a viagem de volta. O presidente José Cabral fez das “tripas, coração”, para arranjar o dinheiro. As passagens foram compradas por etapas e os jogadores voltaram em pequenos grupos.
Nos anos 50, diziam que um jogador do Galo tinha parte com o diabo. Ubaldo Miranda era um ídolo humilde. Raçudo, boa gente, risonho, o crioulo era um assombro. Não havia bola perdida, o sujeito era danado para chutar uma bola em cima da linha de fundo e fazê-la chegar à rede. A torcida acreditava serem gols espíritas. Foram 140 gols em 7 anos. Ubaldo também foi o único jogador na história do Atlético a ser carregado, de calção e chuteira, do Estádio Independência até a Praça 7, no centro da cidade. Foram 5 km e meio percorridos nos ombros da massa !
Passado o susto ada excursão, o Atlético continuou o caminho de vitórias, conquistando o primeiro pentacampeonato (de 1952 a 1956) e sendo campeão em 1958. A década de 60 não foi boa, marcando a evolução do E.C. Cruzeiro, de Tostão e outras feras. Como consolo o bicampeonato mineiro, em 1962 e 1963, e uma histórica vitória de 2 X 1, em 3 de setembro de 1969, contra a Seleção Brasileira, de João Saldanha, que depois conquistaria o tricampeonato mundial no México. Até hoje o Atlético é o único clube de futebol a derrotar o scratch “canarinho”.
A vinda de Telê Santana, que treinou o time por seis anos (1970 a 1976), mudou tudo. Foi uma fase esplêndida, colecionando títulos. A equipe de 1970 tinha craques como Dario, Lôla, Vantuir e Grapete, e quebrou uma hegemonia de cinco anos do Cruzeiro. Ganhou a taça Belo Horizonte e sagrou-se o primeiro Campeão Brasileiro, o título mais importante da história do clube, superando São Paulo e Botafogo num triangular final.
Com Telê no comando foi bicampeão mineiro e tricampeão da Taça Belo Horizonte, bicampeão da Taça Minas Gerais (1975 e 1976) e campeão mineiro de 1976, quando surgiu Reinaldo, o mais importante jogador da vida do clube. Com ele, o Atlético, conquistou o inédito hexa-campeonato mineiro (de 1978 a 1983), e foi finalista do Campeonato Brasileiro por duas vezes. Em 1977 contra o São Paulo, e em 1980 contra o Flamengo, perdendo ambas. Nessa fase de ouro, além de Reinaldo, brilharam Cerezo, Éder, Luizinho, Paulo Isidoro, João Leite, Nelinho e Palhinha. Na década de 80 ganhou sete dos 10 títulos disputados no Estado.
Mas o grande time estava acabando. Reinaldo, contundido, encerrou a carreira aos 27 anos. Toninho Cerezo foi para a equipe do Roma. Éder Aleixo, para a Internacional de Limeira e Nelinho, pendurou as chuteiras. Com uma equipe renovada o Atlético conquistou os torneios de Amsterdã, na Holanda, e de Cadiz, na Espanha.
Em 1982, a revista Placar pediu que trinta torcedores, jogadores, cartolas e jornalistas escolhessem o Atlético Mineiro de todos os tempos. O time escolhido foi este: Kafunga, Mexicano, Murilo, Luizinho, Zé do Monte e Haroldo ; Lucas, Carlyle, Reinaldo, Toninho Cerezo e Éder Aleixo.
O Atlético teve dois escudos em sua história. O primeiro, utilizado nas primeiras décadas do clube, era oval e tinha as inicias CAM (Clube Atlético Mineiro). A partir da década de 30, o distintivo sofreu alterações até chegar ao formato atual. A estrela amarela, em cima do símbolo, representa o título do 1º Campeonato Brasileiro, conquistado pelo "Galo" em 1971.
Nos anos 90, apenas três títulos mineiros, 1991, 1995 e 1999. Fora de Minas, a Copa Conmebol (1992 e 1997), a Copa Millenium, em Miami, e a Copa dos Três Continentes, no Vietnã. Em 1999 chegou de novo a uma final do Campeonato Brasileiro, depois de 19 anos, perdendo para o Corinthians. Em 2000, como vice-campeão brasileiro jogou a Copa Libertadores e foi eliminado pelo mesmo Corinthians.
O Atlético foi absoluto no século 20, em Minas Gerais. Mas o novo milênio começou mal. Grito de campeão, só em 2007, com a conquista estadual. O pior foi no cenário nacional, a queda inédita para a Série B do Campeonato Brasileiro, uma desgraça anunciada. Em 2004, escapou na última rodada, com uma vitória sobre o São Caetano, no Mineirão, por 3 x 0. Em 2005, não teve jeito.
Foi só um ano no “inferno”. Com a força da torcida o “Galo” foi campeão da Série B, com a maior média de público no ano, entre todos os times do Brasil, voltando à elite do futebol brasileiro. No retorno, em 2007, garantiu uma vaga na Copa Sul-Americana de 2008. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
segunda-feira, 24 de março de 2008
Árbitro, profissão perigo
Quem procura, acha. O velho ditado serve como uma luva para quem se atreve a ser árbitro de futebol. Hoje, até que a profissão rende um bom dinheiro, mas só em grandes centros e ainda assim em jogos importantes. Em algumas cidades do interior é diferente, principalmente em jogos envolvendo equipes amadoras, onde o contato com o público é direto. O dinheiro é pouco e a incomodação é muita. Neste artigo conto alguns fatos reais que os árbitros já enfrentaram nessa perigosa profissão.
Começo com uma historia do radialista catarinense João Küerten. Comentarista de um jogo entre Hercílio Luz e Tubarão, seu time do coração, não se conteve quando o árbitro marcou um pênalti que achou inexistente. Saiu da pista de onde transmitia, entrou em campo e foi até a marca do pênalti e deu um tiro na bola, não permitindo a cobrança.
Não são poucos os casos de agressões aos árbitros, seja por jogadores, seja por torcedores. No ano passado o árbitro Alexandre Barreto, foi agredido pelo jogador Rogerinho, do São Luiz de Ijuí, em jogo contra o Brasil de Pelotas, no Estádio Bento Freitas. O jogador não se conformou com a validação do segundo gol do Brasil. Ao ser expulso derrubou Barreto com um soco no rosto. Ainda tentou continuar com a agressão, mas foi contido pelos próprios colegas.
Em junho de 2003, no povoado Capitan Juan Antonio, em Artigas, no Uruguai, o juiz de um jogo entre duas equipes amadoras matou com uma facada um torcedor que tentou agredi-lo. O incidente aconteceu quando o árbitro mostrou cartão amarelo a dois jogadores que brigavam a socos. O campo foi invadido por torcedores e um deles, 26 anos e com antecedentes criminais, agrediu o árbitro que reagiu, sacando uma faca e matando o agressor com um golpe no peito, sendo preso em seguida.
O ex-árbitro de futebol, Estemir Vilhena da Silva, no livro “Memórias de um ex-arbítro de futebol”, conta que num jogo entre Rio-Grandense X Rio Grande, na cidade gaúcha de Rio Grande, passou por momentos difíceis. Torcedores do Rio Grande queriam “matá-lo”, porque expulsara o jogador Alfeu, aquele mesmo do Internacional (RS). Ao fim do jogo, na saída do vestiário para a rua, tinham de passar por um corredor formado por brigadianos. Era quase suicídio. Tudo se resolveu quando o auxiliar Orlando Simões, sargento do Exército engatilhou seu revólver e gritou para os torcedores: “O primeiro que tentar nos agredir vai morrer”.
Esta eu presenciei. Em 1982, na Praia do Cassino, em Rio Grande jogavam duas equipes amadoras pelo “Culturão”, competição promovida por uma emissora da cidade. O jogo estava quase no fim quando torcedores invadiram o campo para agredir o juiz. Este, prontamente sacou de uma navalha e se defendeu valentemente durante longos 20 minutos, até que a Brigada Militar chegou. “Paulinho Navalha”,como era conhecido, saiu ileso.
O ex-árbitro goiano Urias Crescente Alves Júnior, conta que num jogo entre Goiânia e Botafoguinho, em 1952, expulsou quatro jogadores. O jogo era irradiado e acompanhado em casa por sua mãe, uma italiana legítima. Durante a narração, o locutor disse que o juiz fora jurado de morte por alguns jogadores. Ao final do jogo, Urias viu sua mãe no estádio, com um revólver 38 cano longo debaixo do avental, aos gritos: “Quem vai bater no meu filho?”. Assustado, ele a levou para o vestiário. O episódio está descrito numa crônica do ex-presidente da Federação Goiana, Valdir Castro Quinta, publicada na “Folha de Goiás”, com o título: “A mãe vem em socorro do filho”.
Num jogo entre o Ceará e um time de Pernambuco, a torcida alvinegra, cansada de ver os árbitros errarem contra seu time, levou uma enorme faixa para o estádio, onde se lia: "Se roubar morre". Era uma brincadeira, mas foi levada a sério, tanto que a arbitragem foi correta. E, por via das dúvidas, o Ceará ganhou.
O normal é o jogador ser expulso de campo. Mas já aconteceu do juiz ser expulso. Foi no Estádio El Campín, na Colômbia, num jogo em que o Santos vencia o Millionarios, de Bogotá por 2 a 1. Depois de uma confusão o árbitro expulsou Pelé, que estava no meio apenas para apartar. Revoltada, a torcida ameaçou invadir o gramado e bater no juiz. Precavida, a polícia colombiana sugeriu uma alteração: “sai o juiz e entra um bandeirinha”. Isso foi feito. Pelé voltou, e agradeceu fazendo mais três gols.
E às vezes acontecem situações inexplicáveis. Em 2002 um jogador da Liga Amadora de Futebol da Holanda foi suspenso por beijar um árbitro na boca. A Associação de Futebol puniu o jogador com oito jogos de suspensão por comportamento impróprio.
Mas nem tudo são espinhos na profissão. Tem as rosas, também. É o lado folclórico da arbitragem. Caso do representante comercial e árbitro Clésio Moreira, o “Margarida” catarinense, que proporciona verdadeiros shows nos jogos que apita, para delírio dos torcedores. Ele se inspirou no polêmico “Margarida”, o árbitro carioca Jorge Emiliano (falecido), que dava o que falar, dentro e fora dos campos.
Clésio usa uniforme e chuteiras cor-de-rosa. No decorrer do jogo utiliza vários trejeitos, dois deles já famosos: o “passo da gazela” e a forma de mostrar cartões: faz uma ginga de corpo, joga as costas para trás e com força arranca o cartão do bolso e o levanta quase no rosto do jogador. Por causa de seu jeito “diferente” de apitar, foi afastado da Federação Catarinense. Mas continua dando shows particulares em jogos amistosos.
E os árbitros que se preparem. Vem “bomba” por aí. E não será no eixo Rio-São Paulo, mas no Rio Grande do Sul. Um grupo de torcedores do Grêmio está organizando uma facção denominada "Torcida 88", uma forma de dissimular a saudação nazista "Heil Hitler".
Num recente final de semana em Criciúma (SC), bandidos e vândalos disfarçados de torcedores jogaram bombas de fabricação caseira dentro do estádio. Uma delas atingiu um torcedor de 62 anos, deficiente físico, que teve uma das mãos dilacerada.
Mas a Justiça já começou a punir os agressores. Ano passado o árbitro Juscelito Antônio Viccari, agredido durante uma partida de futebol no Rio Grande do Sul ganhou duas indenizações pagas pela prefeitura de Ciríaco: R$ 716 por danos materiais e R$ 4 mil por danos morais.
Três jogadores de futebol amador, de Iporã do Oeste (SC) foram condenados a pagar R$ 10,5 mil de indenização por danos morais e R$ 120,00 por danos materiais ao árbitro Valdir Rohr. Ele foi agredido durante um jogo comemorativo ao Dia do Trabalho, em 1999, quando levou socos e pontapé, que ocasionaram um ferimento aberto na região mandibular direita, ranhuras no ombro direito com edema e traumatismo na coluna dorsal lombar.
O diretor de futebol Paulo Lasmar e o técnico Carlos Alberto Silva, do
América de Minas Gerais, também foram condenados a pagar R$ 15 mil de indenização por danos morais ao árbitro Cléver Assunção Gonçalves e a seu auxiliar Márcio Eustáquio Souza Santiago. Os juízes de futebol se sentiram ofendidos por declarações do cartola e do técnico após uma partida do Campeonato Mineiro de futebol, em 2004. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Começo com uma historia do radialista catarinense João Küerten. Comentarista de um jogo entre Hercílio Luz e Tubarão, seu time do coração, não se conteve quando o árbitro marcou um pênalti que achou inexistente. Saiu da pista de onde transmitia, entrou em campo e foi até a marca do pênalti e deu um tiro na bola, não permitindo a cobrança.
Não são poucos os casos de agressões aos árbitros, seja por jogadores, seja por torcedores. No ano passado o árbitro Alexandre Barreto, foi agredido pelo jogador Rogerinho, do São Luiz de Ijuí, em jogo contra o Brasil de Pelotas, no Estádio Bento Freitas. O jogador não se conformou com a validação do segundo gol do Brasil. Ao ser expulso derrubou Barreto com um soco no rosto. Ainda tentou continuar com a agressão, mas foi contido pelos próprios colegas.
Em junho de 2003, no povoado Capitan Juan Antonio, em Artigas, no Uruguai, o juiz de um jogo entre duas equipes amadoras matou com uma facada um torcedor que tentou agredi-lo. O incidente aconteceu quando o árbitro mostrou cartão amarelo a dois jogadores que brigavam a socos. O campo foi invadido por torcedores e um deles, 26 anos e com antecedentes criminais, agrediu o árbitro que reagiu, sacando uma faca e matando o agressor com um golpe no peito, sendo preso em seguida.
O ex-árbitro de futebol, Estemir Vilhena da Silva, no livro “Memórias de um ex-arbítro de futebol”, conta que num jogo entre Rio-Grandense X Rio Grande, na cidade gaúcha de Rio Grande, passou por momentos difíceis. Torcedores do Rio Grande queriam “matá-lo”, porque expulsara o jogador Alfeu, aquele mesmo do Internacional (RS). Ao fim do jogo, na saída do vestiário para a rua, tinham de passar por um corredor formado por brigadianos. Era quase suicídio. Tudo se resolveu quando o auxiliar Orlando Simões, sargento do Exército engatilhou seu revólver e gritou para os torcedores: “O primeiro que tentar nos agredir vai morrer”.
Esta eu presenciei. Em 1982, na Praia do Cassino, em Rio Grande jogavam duas equipes amadoras pelo “Culturão”, competição promovida por uma emissora da cidade. O jogo estava quase no fim quando torcedores invadiram o campo para agredir o juiz. Este, prontamente sacou de uma navalha e se defendeu valentemente durante longos 20 minutos, até que a Brigada Militar chegou. “Paulinho Navalha”,como era conhecido, saiu ileso.
O ex-árbitro goiano Urias Crescente Alves Júnior, conta que num jogo entre Goiânia e Botafoguinho, em 1952, expulsou quatro jogadores. O jogo era irradiado e acompanhado em casa por sua mãe, uma italiana legítima. Durante a narração, o locutor disse que o juiz fora jurado de morte por alguns jogadores. Ao final do jogo, Urias viu sua mãe no estádio, com um revólver 38 cano longo debaixo do avental, aos gritos: “Quem vai bater no meu filho?”. Assustado, ele a levou para o vestiário. O episódio está descrito numa crônica do ex-presidente da Federação Goiana, Valdir Castro Quinta, publicada na “Folha de Goiás”, com o título: “A mãe vem em socorro do filho”.
Num jogo entre o Ceará e um time de Pernambuco, a torcida alvinegra, cansada de ver os árbitros errarem contra seu time, levou uma enorme faixa para o estádio, onde se lia: "Se roubar morre". Era uma brincadeira, mas foi levada a sério, tanto que a arbitragem foi correta. E, por via das dúvidas, o Ceará ganhou.
O normal é o jogador ser expulso de campo. Mas já aconteceu do juiz ser expulso. Foi no Estádio El Campín, na Colômbia, num jogo em que o Santos vencia o Millionarios, de Bogotá por 2 a 1. Depois de uma confusão o árbitro expulsou Pelé, que estava no meio apenas para apartar. Revoltada, a torcida ameaçou invadir o gramado e bater no juiz. Precavida, a polícia colombiana sugeriu uma alteração: “sai o juiz e entra um bandeirinha”. Isso foi feito. Pelé voltou, e agradeceu fazendo mais três gols.
E às vezes acontecem situações inexplicáveis. Em 2002 um jogador da Liga Amadora de Futebol da Holanda foi suspenso por beijar um árbitro na boca. A Associação de Futebol puniu o jogador com oito jogos de suspensão por comportamento impróprio.
Mas nem tudo são espinhos na profissão. Tem as rosas, também. É o lado folclórico da arbitragem. Caso do representante comercial e árbitro Clésio Moreira, o “Margarida” catarinense, que proporciona verdadeiros shows nos jogos que apita, para delírio dos torcedores. Ele se inspirou no polêmico “Margarida”, o árbitro carioca Jorge Emiliano (falecido), que dava o que falar, dentro e fora dos campos.
Clésio usa uniforme e chuteiras cor-de-rosa. No decorrer do jogo utiliza vários trejeitos, dois deles já famosos: o “passo da gazela” e a forma de mostrar cartões: faz uma ginga de corpo, joga as costas para trás e com força arranca o cartão do bolso e o levanta quase no rosto do jogador. Por causa de seu jeito “diferente” de apitar, foi afastado da Federação Catarinense. Mas continua dando shows particulares em jogos amistosos.
E os árbitros que se preparem. Vem “bomba” por aí. E não será no eixo Rio-São Paulo, mas no Rio Grande do Sul. Um grupo de torcedores do Grêmio está organizando uma facção denominada "Torcida 88", uma forma de dissimular a saudação nazista "Heil Hitler".
Num recente final de semana em Criciúma (SC), bandidos e vândalos disfarçados de torcedores jogaram bombas de fabricação caseira dentro do estádio. Uma delas atingiu um torcedor de 62 anos, deficiente físico, que teve uma das mãos dilacerada.
Mas a Justiça já começou a punir os agressores. Ano passado o árbitro Juscelito Antônio Viccari, agredido durante uma partida de futebol no Rio Grande do Sul ganhou duas indenizações pagas pela prefeitura de Ciríaco: R$ 716 por danos materiais e R$ 4 mil por danos morais.
Três jogadores de futebol amador, de Iporã do Oeste (SC) foram condenados a pagar R$ 10,5 mil de indenização por danos morais e R$ 120,00 por danos materiais ao árbitro Valdir Rohr. Ele foi agredido durante um jogo comemorativo ao Dia do Trabalho, em 1999, quando levou socos e pontapé, que ocasionaram um ferimento aberto na região mandibular direita, ranhuras no ombro direito com edema e traumatismo na coluna dorsal lombar.
O diretor de futebol Paulo Lasmar e o técnico Carlos Alberto Silva, do
América de Minas Gerais, também foram condenados a pagar R$ 15 mil de indenização por danos morais ao árbitro Cléver Assunção Gonçalves e a seu auxiliar Márcio Eustáquio Souza Santiago. Os juízes de futebol se sentiram ofendidos por declarações do cartola e do técnico após uma partida do Campeonato Mineiro de futebol, em 2004. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Clésio Moreira, o"Margarida" de Santa Catarina (Foto: site de Clésio Moreira)Horácio disse...
Oi Nilo tudo bem? Aqui em Rio Grande, na Ilha da Torotama, que fica cerca de uma hora e meia distante da cidade,num clássico Novo Avante e Fiateci, o árbitro marcou um pênalti contra o Fiateci e a torcida invadiu o campo.
O Onedir Lilja, presidente do Novo Avante colocou o árbitro no seu caminhão e rumou para a cidade. No meio do caminho, o susto: "Tens que voltar Onedir. Esqueci o meu guri na beira do campo". Diz o Onedir que deixou o homem no meio do caminho e voltou para buscar a criança.Horácio Gomes
25 de março de 2008 17:41
domingo, 23 de março de 2008
O surgimento do árbitro de futebol
Só o juiz de futebol consegue ter duas mães: uma que fica em casa e aquela que o acompanha aos campos de futebol para ser xingada pela torcida. Brincadeiras a parte, juiz de futebol é uma das profissões mais difíceis do mundo. Ninguém entende o que leva alguém a querer apitar um esporte, onde a paixão muitas vezes fica acima da razão.
Eu tive uma única experiência como juiz num jogo de futebol. Faz muitos anos, foi em Capão do Leão, na época distrito de Pelotas (RS). Como trabalhava em rádio e jornal me colocaram a apito na boca e não tive como dizer não. Não agüentei mais que o primeiro tempo. Os dois times reclamavam de tudo. Saí do jogo com a sensação de ter desagradado os dois lados.
A história da arbitragem é no mínimo curiosa. Nos primeiros tempos, na Inglaterra eram os próprios jogadores que apontavam as faltas. Acreditavam no cavalheirismo de quem jogava. É claro que sempre havia quem destoasse. Já pensaram se isso fosse adotado hoje, no Brasil? Já houve um exemplo de dignidade num jogo entre as seleções do Brasil e Argentina, em Buenos Aires. É claro que o gesto de cavalheirismo não foi obra de nenhum brasileiro. O jogo estava 1 X 1 e os argentinos passaram a frente. Surpresa geral: mesmo com o gol confirmado pelo juiz, o jogador argentino pediu que fosse anulado, confessando que havia feito falta antes.
A meu ver a figura do “bandeirinha” surgiu antes do juiz, em 1874. Cada time escolhia entre os torcedores uma pessoa para ajudar a controlar o jogo. Os capitães das duas equipes os consultavam no caso de eventuais dúvidas. Eram chamados de “umpires” (fiscais, em inglês).
Em 1878 a Liga Inglesa criou a figura do "referee", que tinha poderes de apontar as faltas. O aceno de um lenço vermelho servia para chamar a atenção dos capitães. O apito só surgiu em 1881. Os primeiros foram fabricados pelo marceneiro inglês Joseph Hudson, que também atendia o Serviço de Polícia Metropolitana da Inglaterra. Mas foi somente a partir de 1894, que as decisões do "referee" passaram a ser irrecorríveis.
A primeira partida “apitada” que se tem notícia, foi entre as equipes inglesas do Nottingham Forest e do Sheffield Norfolk, em 1881. Mas não existem registros oficiais sobre a realização desse jogo. Parece estranho, mas é verdade, o apito não está previsto nas regras do futebol. Os árbitros o usam para indicar o início do jogo, paralisá-lo devido a uma infração, indicar o término do primeiro e do segundo tempo e para comunicação verbal com os jogadores.
Na Inglaterra, até 1902 os juízes usavam elegantes ternos, com colarinho e gravata, sapatos lustrados e chapéu de coco, que deram lugar a uma camisa de mangas compridas e short até o joelho. Depois foi a era do calção e camisa preta. Agora, temos a moda das camisas e calções de outras cores.
No futebol brasileiro o árbitro chegou bem mais tarde que na Europa. Era escolhido pelos clubes e depois indicava os bandeirinhas, quase sempre um associado de cada time. Nos primórdios do futebol brasileiro, até o final dos anos 30, eles vestiam calça comprida, camisas de malhas de lã, tipo suéter com mangas compridas e tênis branco. Outras vezes até paletó, gravata borboleta e chapéu de palhinha.
Os juízes não recebiam dinheiro para apitar. A paixão pelos clubes praticamente não existia, por isso a confiança era total nos escolhidos. Coisa comum e que não causava nenhum tipo de desconfiança, era os árbitros posarem nas fotografias junto das equipes. Se alguém fizesse isso hoje, certamente seria banido dos campos de futebol.
Durante longo tempo, o "referee" era chamado de juiz no Brasil. A partir de 1964, quando ocorreu a revolução que implantou o regime militar, as autoridades recomendaram à imprensa que, para diferenciar o juiz de futebol do magistrado, se usasse outra designação surgindo, assim, a de Árbitro. A figura do árbitro está prevista na regra 5 das leis do jogo. É um principal e dois assistentes. Hoje, também existe um quarto árbitro (ou árbitro reserva). Os árbitros assistentes (bandeirinhas) estão previstos na regra 6.
A grande revolução na arbitragem mundial foi a permissão para mulheres apitarem futebol jogado entre homens. Antes, elas só podiam atuar no futebol feminino. As “árbitras” brasileiras de mais sucesso são Sílvia Regina de Oliveira, Aline Lambert e Ana Paula de Oliveira. Elas foram as primeiras a dirigirem um jogo do Campeonato Brasileiro. Foi em 30 de junho de 2003, na vitória do São Paulo sobre o Guarani (Campinas) por 1 a 0. De lá para cá as árbitras triplicaram e se espalharam por todo o país. Ana Paula de Oliveira é a mais famosa de todas, tanto pelos erros cometidos num jogo do Botafogo (RJ), pela Copa do Brasil, quanto por ter posado nua para a revista “Playboy”.
As fotos na revista custaram à Ana Paula de Oliveira um afastamento de sete meses dos campos de futebol. A FPF alegou que a punição foi porque não passou nos testes físicos. Ela voltou num jogo em São José dos Campos (SP) e foi a estrela do espetáculo. Os torcedores levaram câmeras fotográficas e posaram ao lado dela. Ganhou o apoio unânime da torcida e teve uma atuação impecável. Na Série A1 do “Paulistão”, ela volta a trabalhar hoje, 23/03/2008, no jogo Rio Preto X Portuguesa de Desportos, no Estádio Anísio Hadaad, em São José do Rio Preto.
Acho que a grande maioria dos árbitros de futebol é honesta. Erram muito, é verdade. Porém errar é humano e não é fácil acertar sempre. As decisões são tomadas em frações de segundos. Mas os desonestos existem. A versão brasileira mais recente foi Edílson Pereira de Carvalho, que em 2005 foi figura central de um escândalo que protagonizou a anulação de vários jogos do Campeonato Brasileiro.
Mas não afetou a arbitragem nacional, nivelada as melhores do planeta. Duas finais de Copa do Mundo tiveram apitos brasileiros: em 1982, na Espanha, Itália X Alemanha, com Arnaldo César Coelho. E em 1986, no México, Romualdo Arppi Filho, no jogo Argentina e Alemanha.
No próximo artigo vou contar histórias envolvendo árbitros de futebol. Algumas folclóricas, outras nem tanto e que até sugerem o título: “Árbitro, profissão perigo”. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Eu tive uma única experiência como juiz num jogo de futebol. Faz muitos anos, foi em Capão do Leão, na época distrito de Pelotas (RS). Como trabalhava em rádio e jornal me colocaram a apito na boca e não tive como dizer não. Não agüentei mais que o primeiro tempo. Os dois times reclamavam de tudo. Saí do jogo com a sensação de ter desagradado os dois lados.
A história da arbitragem é no mínimo curiosa. Nos primeiros tempos, na Inglaterra eram os próprios jogadores que apontavam as faltas. Acreditavam no cavalheirismo de quem jogava. É claro que sempre havia quem destoasse. Já pensaram se isso fosse adotado hoje, no Brasil? Já houve um exemplo de dignidade num jogo entre as seleções do Brasil e Argentina, em Buenos Aires. É claro que o gesto de cavalheirismo não foi obra de nenhum brasileiro. O jogo estava 1 X 1 e os argentinos passaram a frente. Surpresa geral: mesmo com o gol confirmado pelo juiz, o jogador argentino pediu que fosse anulado, confessando que havia feito falta antes.
A meu ver a figura do “bandeirinha” surgiu antes do juiz, em 1874. Cada time escolhia entre os torcedores uma pessoa para ajudar a controlar o jogo. Os capitães das duas equipes os consultavam no caso de eventuais dúvidas. Eram chamados de “umpires” (fiscais, em inglês).
Em 1878 a Liga Inglesa criou a figura do "referee", que tinha poderes de apontar as faltas. O aceno de um lenço vermelho servia para chamar a atenção dos capitães. O apito só surgiu em 1881. Os primeiros foram fabricados pelo marceneiro inglês Joseph Hudson, que também atendia o Serviço de Polícia Metropolitana da Inglaterra. Mas foi somente a partir de 1894, que as decisões do "referee" passaram a ser irrecorríveis.
A primeira partida “apitada” que se tem notícia, foi entre as equipes inglesas do Nottingham Forest e do Sheffield Norfolk, em 1881. Mas não existem registros oficiais sobre a realização desse jogo. Parece estranho, mas é verdade, o apito não está previsto nas regras do futebol. Os árbitros o usam para indicar o início do jogo, paralisá-lo devido a uma infração, indicar o término do primeiro e do segundo tempo e para comunicação verbal com os jogadores.
Na Inglaterra, até 1902 os juízes usavam elegantes ternos, com colarinho e gravata, sapatos lustrados e chapéu de coco, que deram lugar a uma camisa de mangas compridas e short até o joelho. Depois foi a era do calção e camisa preta. Agora, temos a moda das camisas e calções de outras cores.
No futebol brasileiro o árbitro chegou bem mais tarde que na Europa. Era escolhido pelos clubes e depois indicava os bandeirinhas, quase sempre um associado de cada time. Nos primórdios do futebol brasileiro, até o final dos anos 30, eles vestiam calça comprida, camisas de malhas de lã, tipo suéter com mangas compridas e tênis branco. Outras vezes até paletó, gravata borboleta e chapéu de palhinha.
Os juízes não recebiam dinheiro para apitar. A paixão pelos clubes praticamente não existia, por isso a confiança era total nos escolhidos. Coisa comum e que não causava nenhum tipo de desconfiança, era os árbitros posarem nas fotografias junto das equipes. Se alguém fizesse isso hoje, certamente seria banido dos campos de futebol.
Durante longo tempo, o "referee" era chamado de juiz no Brasil. A partir de 1964, quando ocorreu a revolução que implantou o regime militar, as autoridades recomendaram à imprensa que, para diferenciar o juiz de futebol do magistrado, se usasse outra designação surgindo, assim, a de Árbitro. A figura do árbitro está prevista na regra 5 das leis do jogo. É um principal e dois assistentes. Hoje, também existe um quarto árbitro (ou árbitro reserva). Os árbitros assistentes (bandeirinhas) estão previstos na regra 6.
A grande revolução na arbitragem mundial foi a permissão para mulheres apitarem futebol jogado entre homens. Antes, elas só podiam atuar no futebol feminino. As “árbitras” brasileiras de mais sucesso são Sílvia Regina de Oliveira, Aline Lambert e Ana Paula de Oliveira. Elas foram as primeiras a dirigirem um jogo do Campeonato Brasileiro. Foi em 30 de junho de 2003, na vitória do São Paulo sobre o Guarani (Campinas) por 1 a 0. De lá para cá as árbitras triplicaram e se espalharam por todo o país. Ana Paula de Oliveira é a mais famosa de todas, tanto pelos erros cometidos num jogo do Botafogo (RJ), pela Copa do Brasil, quanto por ter posado nua para a revista “Playboy”.
As fotos na revista custaram à Ana Paula de Oliveira um afastamento de sete meses dos campos de futebol. A FPF alegou que a punição foi porque não passou nos testes físicos. Ela voltou num jogo em São José dos Campos (SP) e foi a estrela do espetáculo. Os torcedores levaram câmeras fotográficas e posaram ao lado dela. Ganhou o apoio unânime da torcida e teve uma atuação impecável. Na Série A1 do “Paulistão”, ela volta a trabalhar hoje, 23/03/2008, no jogo Rio Preto X Portuguesa de Desportos, no Estádio Anísio Hadaad, em São José do Rio Preto.
Acho que a grande maioria dos árbitros de futebol é honesta. Erram muito, é verdade. Porém errar é humano e não é fácil acertar sempre. As decisões são tomadas em frações de segundos. Mas os desonestos existem. A versão brasileira mais recente foi Edílson Pereira de Carvalho, que em 2005 foi figura central de um escândalo que protagonizou a anulação de vários jogos do Campeonato Brasileiro.
Mas não afetou a arbitragem nacional, nivelada as melhores do planeta. Duas finais de Copa do Mundo tiveram apitos brasileiros: em 1982, na Espanha, Itália X Alemanha, com Arnaldo César Coelho. E em 1986, no México, Romualdo Arppi Filho, no jogo Argentina e Alemanha.
No próximo artigo vou contar histórias envolvendo árbitros de futebol. Algumas folclóricas, outras nem tanto e que até sugerem o título: “Árbitro, profissão perigo”. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 22 de março de 2008
Futebol tipo exportação e as Ilhas Faroe
Estou curioso em saber quantos jogadores brasileiros foram para o exterior o ano passado. Acho que o Banco Central ainda não divulgou esses números. Pelo menos não li e nem ouvi nada a respeito. Por enquanto o que se sabe é ainda parcial: no primeiro semestre de 2007 quase 600 jogadores brasileiros foram para fora do país, mas os valores que deram entrada aqui, não chegaram a US$ 50 milhões. Em 2006, 343 atletas (95% de futebol) saíram do país, rendendo US$ 131 milhões. E em 2005, o montante foi US$ 159,2 milhões.
Duas coisas chamam a atenção: primeira, os números do Banco Central, não batem com os da CBF. Por exemplo, em 2006, a entidade registrou 851 transferências, contra 343 do Banco. E em 2005, haviam sido 804. Segunda, o futebol “made in Brazil” tem rendido mais dólares ao país, que algumas exportações tradicionais, como banana, melão, mamão, uva e instrumentos e aparelhos médicos.
O Banco Central começou a contabilizar os valores das transferências de atletas em 1993. Desde então, a exportação de jogadores já rendeu ao país mais de US$ 1 bilhão.
Os jogadores saem de todos os lugares do Brasil e se espalham pelo mundo inteiro. O ano passado, de acordo com o Banco Central, o Brasil exportou atletas para clubes de 86 países, entre eles alguns de pouca ou nenhuma tradição no futebol: Líbia, Uzbequistão, Ilhas Faroe, Chipre, Vietnã, Tailândia. E times como Siroki Brijeg, na Bósnia-Herzegóvina, ou Wofoo Tai Po, de Hong Kong, região chinesa que contratou 15 jogadores tupiniquins.
Mas nem todos os que vão para o exterior conseguem sucesso, e voltam ao país. Em 2006, 311 jogadores fizeram a viagem de volta. Em 2005 foram 491. A lista dos “retornáveis” do ano passado ainda não foi divulgada oficialmente.
Mesmo com tantos negócios, raros foram os clubes brasileiros que ganharam um bom dinheiro nessas exportações. Talvez as exceções tenham sido o São Paulo e o Internacional (RS). Mesmo assim, em 2003, o Milan (Itália) contratou do São Paulo o meia atacante Kaká, por US$ 8,25 milhões, valor considerado baixo pelos próprios dirigentes italianos. Tanto é verdade que o presidente do Milan e ex-primeiro-ministro da Itália, Sílvio Berlusconi, disse: “Foi a maior contratação da história do Milan. E a preço de banana”.
A curiosidade fez com que procurasse me informar sobre os “clientes” do futebol brasileiro. E me chamou a atenção as tais Ilhas Faroe (ou Føroyar, como é chamado no idioma local, o faroense). É um lugar que foi habitado pelos históricos vikings. Agora sei que é um território pertencente à Dinamarca, mas que goza de autonomia. Sua população é de apenas 50 mil habitantes. Mas, ainda assim tem filiação na FIFA desde 2 de julho de 1988 e na UEFA desde 18 de abril de 1990. E disputa as eliminatórias da Copa do Mundo e da Copa da Europa. Anterior a 1930 já existia uma equipe nacional, porém não reconhecida.
Ouvi falar desse lugar, quando a imprensa noticiou que o governo local proibiu a exibição do filme “Código da Vinci”, por considerá-lo blasfemo. Talvez porque a maioria da população pertence à Igreja Luterana.
O futebol é jogado nas Ilhas desde o século XIX. A primeira liga nacional no arquipélago foi disputada em 1942. De 1942 a 1978 todo o futebol era gerido pela Associação Esportiva das Ilhas Faroe (ISF), que em 13 de janeiro de 1979 deu lugar a atual Associação de Futebol das Ilhas Faroe.
As 18 ilhas que formam o território estão localizadas no Norte da Europa, na chamada região escandinava, ocupando uma área de 1.499 Km2. Todas as ilhas são habitadas, exceto Lítla Dímun. É vizinha da Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia e dos territórios de Svalbard, administrado pela Noruega, Åland, administrado pela Finlândia e Groenlândia administrado pela Dinamarca.
Os times de futebol de lá tem nomes esquisitos para a nossa cultura: B68, B71, B36. A capital é Torshavn (nome em honra ao deus viking Thor), uma simpática cidade com casas coloridas, mas sem muitas opções de lazer. O futebol é um dos passatempos preferidos. A Seleção Nacional não é nenhuma preciosidade, mas vem evoluindo. Na primeira participação em eliminatórias, para a Copa do Mundo de 1994 lembrou o tradicional e folclórico time pernambucano do Ibis: jogou 10 partidas, perdeu todas e teve um saldo negativo de 37 gols.
Em 1998, uma pequena reação: duas vitórias sobre Malta. Em 2002, dois triunfos sobre Luxemburgo e um empate contra a Eslovênia. Nas eliminatórias para 2006, não manteve a ascensão, conseguindo apenas um empate com Chipre. Na atual eliminatória para a Copa de 2010, os faroenses estão no Grupo 7, com França, Romênia, Sérvia, Lituânia e Áustria.
O maior feito do time foi uma vitória surpreendente de 1 X 0 sobre a Seleção da Áustria, em 1992. O jogo valia pelas eliminatórias da Copa da UEFA e foi o primeiro confronto internacional da história das ilhas. A Seleção disputa seus jogos no pequeno Estádio Svangaskard, com capacidade para 8.020 torcedores, inaugurado em 1980.
O campeonato nacional, que começou a ser disputado em 1942, tem, atualmente, duas divisões e 20 equipes, 10 em cada série. Os jogadores são estudantes e profissionais com atividades paralelas, já que os salários pagos pelos clubes são baixos. O maior artilheiro da história dos faroenses foi Todi Jonsson. O Johannensen foi o que mais jogou pela seleção nacional.
No livro “Futebol: o Brasil em campo”, o jornalista inglês Alex Bellos contou a história de um jogador brasileiro em Faroe, Marcelo Marcolino, que jogou no Tofta Itróttarfelagh (B68), equipe da não menos pequena cidade de Toftir, de apenas 1.000 habitantes, 10 vezes menos que na capital, Torshavn.
Como toda Faroe, o lugar é uma verdadeira geladeira. No verão a temperatura não passa de 10 graus e no inverno dispara abaixo de zero. É neve para tudo que é lado. A temperatura média anual é de 6,7ºC. O lugar é castigado pelo vento gelado e não existem bares, cinemas ou restaurantes. Possui um mercado de pesca, uma fábrica de pescado, uma igreja e um clube de futebol, que já teve três brasileiros em seu elenco, um deles Alexandro Castilho Cárdena, vindo do 7 de Setembro, de Dourados (MS). Como 90 % da população vive da pesca, e o time treina apenas 2 horas por dia, Marcolino trabalhou descarregando bacalhau e arenque no mercado de pesca, dirigido pelo presidente do clube.
Para agüentar um lugar como aquele, Marcelo Marcolino, carioca acostumado com o calor do Rio de Janeiro, praia, cerveja e belas mulheres, sofreu bastante. Seu desejo era ser jogador de futebol e no Flamengo. Mas não conseguiu. Por isso aceitou o desafio de jogar num lugar tão distante. Contou que uma vez seu time viajou num barco de pesca, navegando sobre enormes cubos de gelo. Experiência para não esquecer nunca mais.
Quando tirou o passaporte no consulado dinamarquês no Rio de janeiro, alguém o aconselhou: “Leve roupa grossa”. Levou apenas um casaco. Não imaginava o que viria pela frente. Em Copenhagen quase congelou e pensou: "Meu Deus, quero voltar para casa." Dirigentes do B68 foram esperá-lo no aeroporto da Ilha Vágar, ao oeste do arquipélago. De lá seguiram para a minúscula Toftir. Uma verdadeira aventura: travessia de balsa e mais uma hora de carro ao longo de contornos acidentados. E pela primeira vez na vida viu neve.
Uma coisa que descobri e não sei por que foi acontecer: O Clube Atlético Mineiro disputou uma partida contra a Seleção das ilhas Faroe. Foi em 29 de julho de 1986, um amistoso na Dinamarca, com vitória de 4 X 1. Deve ter sido o primeiro e único clube brasileiro a realizar tal proeza. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Duas coisas chamam a atenção: primeira, os números do Banco Central, não batem com os da CBF. Por exemplo, em 2006, a entidade registrou 851 transferências, contra 343 do Banco. E em 2005, haviam sido 804. Segunda, o futebol “made in Brazil” tem rendido mais dólares ao país, que algumas exportações tradicionais, como banana, melão, mamão, uva e instrumentos e aparelhos médicos.
O Banco Central começou a contabilizar os valores das transferências de atletas em 1993. Desde então, a exportação de jogadores já rendeu ao país mais de US$ 1 bilhão.
Os jogadores saem de todos os lugares do Brasil e se espalham pelo mundo inteiro. O ano passado, de acordo com o Banco Central, o Brasil exportou atletas para clubes de 86 países, entre eles alguns de pouca ou nenhuma tradição no futebol: Líbia, Uzbequistão, Ilhas Faroe, Chipre, Vietnã, Tailândia. E times como Siroki Brijeg, na Bósnia-Herzegóvina, ou Wofoo Tai Po, de Hong Kong, região chinesa que contratou 15 jogadores tupiniquins.
Mas nem todos os que vão para o exterior conseguem sucesso, e voltam ao país. Em 2006, 311 jogadores fizeram a viagem de volta. Em 2005 foram 491. A lista dos “retornáveis” do ano passado ainda não foi divulgada oficialmente.
Mesmo com tantos negócios, raros foram os clubes brasileiros que ganharam um bom dinheiro nessas exportações. Talvez as exceções tenham sido o São Paulo e o Internacional (RS). Mesmo assim, em 2003, o Milan (Itália) contratou do São Paulo o meia atacante Kaká, por US$ 8,25 milhões, valor considerado baixo pelos próprios dirigentes italianos. Tanto é verdade que o presidente do Milan e ex-primeiro-ministro da Itália, Sílvio Berlusconi, disse: “Foi a maior contratação da história do Milan. E a preço de banana”.
A curiosidade fez com que procurasse me informar sobre os “clientes” do futebol brasileiro. E me chamou a atenção as tais Ilhas Faroe (ou Føroyar, como é chamado no idioma local, o faroense). É um lugar que foi habitado pelos históricos vikings. Agora sei que é um território pertencente à Dinamarca, mas que goza de autonomia. Sua população é de apenas 50 mil habitantes. Mas, ainda assim tem filiação na FIFA desde 2 de julho de 1988 e na UEFA desde 18 de abril de 1990. E disputa as eliminatórias da Copa do Mundo e da Copa da Europa. Anterior a 1930 já existia uma equipe nacional, porém não reconhecida.
Ouvi falar desse lugar, quando a imprensa noticiou que o governo local proibiu a exibição do filme “Código da Vinci”, por considerá-lo blasfemo. Talvez porque a maioria da população pertence à Igreja Luterana.
O futebol é jogado nas Ilhas desde o século XIX. A primeira liga nacional no arquipélago foi disputada em 1942. De 1942 a 1978 todo o futebol era gerido pela Associação Esportiva das Ilhas Faroe (ISF), que em 13 de janeiro de 1979 deu lugar a atual Associação de Futebol das Ilhas Faroe.
As 18 ilhas que formam o território estão localizadas no Norte da Europa, na chamada região escandinava, ocupando uma área de 1.499 Km2. Todas as ilhas são habitadas, exceto Lítla Dímun. É vizinha da Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia e dos territórios de Svalbard, administrado pela Noruega, Åland, administrado pela Finlândia e Groenlândia administrado pela Dinamarca.
Os times de futebol de lá tem nomes esquisitos para a nossa cultura: B68, B71, B36. A capital é Torshavn (nome em honra ao deus viking Thor), uma simpática cidade com casas coloridas, mas sem muitas opções de lazer. O futebol é um dos passatempos preferidos. A Seleção Nacional não é nenhuma preciosidade, mas vem evoluindo. Na primeira participação em eliminatórias, para a Copa do Mundo de 1994 lembrou o tradicional e folclórico time pernambucano do Ibis: jogou 10 partidas, perdeu todas e teve um saldo negativo de 37 gols.
Em 1998, uma pequena reação: duas vitórias sobre Malta. Em 2002, dois triunfos sobre Luxemburgo e um empate contra a Eslovênia. Nas eliminatórias para 2006, não manteve a ascensão, conseguindo apenas um empate com Chipre. Na atual eliminatória para a Copa de 2010, os faroenses estão no Grupo 7, com França, Romênia, Sérvia, Lituânia e Áustria.
O maior feito do time foi uma vitória surpreendente de 1 X 0 sobre a Seleção da Áustria, em 1992. O jogo valia pelas eliminatórias da Copa da UEFA e foi o primeiro confronto internacional da história das ilhas. A Seleção disputa seus jogos no pequeno Estádio Svangaskard, com capacidade para 8.020 torcedores, inaugurado em 1980.
O campeonato nacional, que começou a ser disputado em 1942, tem, atualmente, duas divisões e 20 equipes, 10 em cada série. Os jogadores são estudantes e profissionais com atividades paralelas, já que os salários pagos pelos clubes são baixos. O maior artilheiro da história dos faroenses foi Todi Jonsson. O Johannensen foi o que mais jogou pela seleção nacional.
No livro “Futebol: o Brasil em campo”, o jornalista inglês Alex Bellos contou a história de um jogador brasileiro em Faroe, Marcelo Marcolino, que jogou no Tofta Itróttarfelagh (B68), equipe da não menos pequena cidade de Toftir, de apenas 1.000 habitantes, 10 vezes menos que na capital, Torshavn.
Como toda Faroe, o lugar é uma verdadeira geladeira. No verão a temperatura não passa de 10 graus e no inverno dispara abaixo de zero. É neve para tudo que é lado. A temperatura média anual é de 6,7ºC. O lugar é castigado pelo vento gelado e não existem bares, cinemas ou restaurantes. Possui um mercado de pesca, uma fábrica de pescado, uma igreja e um clube de futebol, que já teve três brasileiros em seu elenco, um deles Alexandro Castilho Cárdena, vindo do 7 de Setembro, de Dourados (MS). Como 90 % da população vive da pesca, e o time treina apenas 2 horas por dia, Marcolino trabalhou descarregando bacalhau e arenque no mercado de pesca, dirigido pelo presidente do clube.
Para agüentar um lugar como aquele, Marcelo Marcolino, carioca acostumado com o calor do Rio de Janeiro, praia, cerveja e belas mulheres, sofreu bastante. Seu desejo era ser jogador de futebol e no Flamengo. Mas não conseguiu. Por isso aceitou o desafio de jogar num lugar tão distante. Contou que uma vez seu time viajou num barco de pesca, navegando sobre enormes cubos de gelo. Experiência para não esquecer nunca mais.
Quando tirou o passaporte no consulado dinamarquês no Rio de janeiro, alguém o aconselhou: “Leve roupa grossa”. Levou apenas um casaco. Não imaginava o que viria pela frente. Em Copenhagen quase congelou e pensou: "Meu Deus, quero voltar para casa." Dirigentes do B68 foram esperá-lo no aeroporto da Ilha Vágar, ao oeste do arquipélago. De lá seguiram para a minúscula Toftir. Uma verdadeira aventura: travessia de balsa e mais uma hora de carro ao longo de contornos acidentados. E pela primeira vez na vida viu neve.
Uma coisa que descobri e não sei por que foi acontecer: O Clube Atlético Mineiro disputou uma partida contra a Seleção das ilhas Faroe. Foi em 29 de julho de 1986, um amistoso na Dinamarca, com vitória de 4 X 1. Deve ter sido o primeiro e único clube brasileiro a realizar tal proeza. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Um jogo do B68, na gelada Ilhas Faroe, tendo ao fundo a pequena cidade de Tofti. (Foto: site do Tofta Itróttarfelagh)joão disse...
Nilo, muito bom estes dados do "retorno" dos jogadores brasileiros, vou utiliza-los citando com prazer a fonte, nos meus comentários na Guaiba.Te saúdo pela iniciativa, porque este bringuedinho saudável de blog para velhos jornalistas, é ótimo.Segue em frente que sempre alguém vai utilizar-se das tuas pesquisas.Segura a angústia, porque a gente quer falar de tudo o que sabe e pesquisa.Se quiseres, tens o meu blog genérico www.bloguedogarcia.blogspot.com
Um abraço e feliz pelo reencontro.
João Garcia -Porto Alegre
23 de março de 2008 23:13
quinta-feira, 20 de março de 2008
Pioneirismo de Charles Miller mais uma vez posto em dúvida
Não param de ser levantadas hipóteses que contrariam o pioneirismo de Charles Miller, na implantação do futebol no Brasil. Já tivemos o Colégio São Luiz, de Itu, o Votorantim Athletic Club, da cidade mineira de Votorantim e com certeza existem muitas outras versões. A última que me chegou às mãos foi publicada recentemente no caderno de esportes do jornal “O Liberal” (20-01-2008), de Belém do Pará. Segundo a reportagem o futebol teria chegado ao Pará, cinco anos antes do histórico jogo de 1895, na Várzea do Carmo, em São Paulo.
O jornal baseou a matéria em pesquisas realizadas pelo jornalista paraense Loris Baena, que escreveu o livro “A verdadeira história do futebol brasileiro”, onde conta que no final do século XIX existia uma linha regular de navios entre Belém e Liverpool, na Inglaterra, com algumas vantagens em relação as similares de Rio de janeiro e São Paulo, como preço menor e mais rapidez. O que explica a forte presença de ingleses na Belém do fim do século XIX.
E lá não era diferente de outras cidades brasileiras, onde dominava o capital europeu. Proliferavam empresas como as inglesas “Parah Gaz Company” e “Western Telegraph”. E os britânicos, “pais” do futebol teriam promovido, no distante ano de 1890, os primeiros bate-bolas no Brasil, onde hoje se localiza a Praça Batista Campos e no Largo de São Brás, atual Praça Floriano Peixoto e nos terrenos baldios, que existiam para todos os lados. Não havia ainda a especulação imobiliária que acabou com os campinhos de futebol, até mesmo nas periferias das pequenas cidades.
Na própria reportagem, “O Imparcial” destaca a falta de provas reais - existem apenas indícios -, que sacramentem as afirmativas de Loris Baena, calcadas em pesquisas de um outro jornalista, Julio Linch, já falecido. O jornal reconhece que por enquanto o provável é que tudo tenha origem na paixão que o povo do Pará tem pelo futebol. Baena discorda, mas ameniza: “se não foi aqui que se jogou futebol pela primeira vez no Brasil, deve ter sido, no máximo, o segundo ou terceiro lugar”.
Na entrevista dada ao “O Imparcial”, Loris Baena admite que sem provas consistentes, a teoria enfraquece muito. Mas não abre mão de afirmar que o futebol chegou ao mesmo tempo no Pará e Rio de Janeiro. “Por questão de meses, um praticou antes do outro. Mas pode-se dizer que os dois começaram no mesmo momento”, garante. Pelo menos isso. Antes de aprofundar pesquisas que apontem para bem antes, o jornalista prefere manter a cautela. Mas promete que vai vasculhar o passado em busca de documentos que apontem Belém, como a cidade onde começou o futebol em nosso país. Vamos aguardar.
Por enquanto o jornalista conseguiu apenas uma edição do jornal “Folha do Norte”, de Belém, datada de 24 de dezembro de 1903, que estava em poder de Júlio Linch, neto de um antigo funcionário da “Amazon Steam Navigation” e descendente de ingleses. O achado pode favorecer a teoria. Um leitor identificado apenas pelas iniciais M. F. contestou em carta, a coluna 'Notas Sportivas', que dizia ser o futebol uma novidade no Pará. Segundo M.F., “em 1896 já se disputava com freqüência, partidas de futebol na Praça Batista Campos, entre os sócios da Associação Dramática Recreativa Beneficente”.
Familiares de Lynch contam que antes dele falecer, procurava encontrar um homem que morava em Belém, que teria em seu poder fotos e documentos das primeiras partidas de futebol realizadas no Pará. Porém, ninguém da família tem conhecimento do nome desse importante personagem. E Lynch, em seu espólio não deixou nenhuma referência.
Por causa dessa descoberta, outros pesquisadores paraenses juntam-se a Baena e reforçam a tese de que a prática regular do futebol em 1896, entre paraenses, só teria sido possível depois de um aprendizado, provavelmente em anos anteriores, através de funcionários das empresas inglesas em Belém. Argumento respeitável, defendido por Júlio Lynch em um de seus últimos artigos, publicado em jornal de Belém.
Além de Júlio Lynch e Loris Baena, também o pesquisador paraense F.F. Alves da Cunha defende o pioneirismo do Estado na introdução do futebol no Brasil. No livro “A Enciclopédia do futebol paraense”, o jornalista Ferreira da Costa, uma autoridade em termos de história do futebol no Pará, cita os relatos de F. F. Alves da Cunha, que apontam um jogo realizado em 1892, por associados do Clube de Esgryma no largo de Nazaré, em frente à sede da associação, onde, posteriormente foi instalado o teatro Chalet e, depois, o cinema Moderno.
Mas o que se sabe de real, é que o primeiro jogo oficial acontecido no Pará, foi em 1906, válido pelo primeiro campeonato do Estado, e que não terminou. O escore era de 7 X 0 para o Parah Foot-Ball Club, frente o Belém Club (time dos ingleses), quando houve um desentendimento geral dentro de campo, que não permitiu a continuidade do “match”. O campeonato foi organizado pela Parah Foot-Ball Association, ancestral da Federação Paraense de Futebol.
Eu não sei se isso seria possível. Mas com tantas controvérsias e fatos, que não podem simplesmente ser tratados como “inconseqüentes”, a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), patroa do futebol no nosso país, deveria ser a primeira a aprofundar tais questões. Nada contra Charles Miller, inegavelmente um nome que não pode ser esquecido em circunstância alguma. Ele foi o introdutor do futebol jogado de maneira organizada. O que não quer dizer que antes dele, ninguém pudesse ter dado alguns chutes, em divertidas brincadeiras. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O jornal baseou a matéria em pesquisas realizadas pelo jornalista paraense Loris Baena, que escreveu o livro “A verdadeira história do futebol brasileiro”, onde conta que no final do século XIX existia uma linha regular de navios entre Belém e Liverpool, na Inglaterra, com algumas vantagens em relação as similares de Rio de janeiro e São Paulo, como preço menor e mais rapidez. O que explica a forte presença de ingleses na Belém do fim do século XIX.
E lá não era diferente de outras cidades brasileiras, onde dominava o capital europeu. Proliferavam empresas como as inglesas “Parah Gaz Company” e “Western Telegraph”. E os britânicos, “pais” do futebol teriam promovido, no distante ano de 1890, os primeiros bate-bolas no Brasil, onde hoje se localiza a Praça Batista Campos e no Largo de São Brás, atual Praça Floriano Peixoto e nos terrenos baldios, que existiam para todos os lados. Não havia ainda a especulação imobiliária que acabou com os campinhos de futebol, até mesmo nas periferias das pequenas cidades.
Na própria reportagem, “O Imparcial” destaca a falta de provas reais - existem apenas indícios -, que sacramentem as afirmativas de Loris Baena, calcadas em pesquisas de um outro jornalista, Julio Linch, já falecido. O jornal reconhece que por enquanto o provável é que tudo tenha origem na paixão que o povo do Pará tem pelo futebol. Baena discorda, mas ameniza: “se não foi aqui que se jogou futebol pela primeira vez no Brasil, deve ter sido, no máximo, o segundo ou terceiro lugar”.
Na entrevista dada ao “O Imparcial”, Loris Baena admite que sem provas consistentes, a teoria enfraquece muito. Mas não abre mão de afirmar que o futebol chegou ao mesmo tempo no Pará e Rio de Janeiro. “Por questão de meses, um praticou antes do outro. Mas pode-se dizer que os dois começaram no mesmo momento”, garante. Pelo menos isso. Antes de aprofundar pesquisas que apontem para bem antes, o jornalista prefere manter a cautela. Mas promete que vai vasculhar o passado em busca de documentos que apontem Belém, como a cidade onde começou o futebol em nosso país. Vamos aguardar.
Por enquanto o jornalista conseguiu apenas uma edição do jornal “Folha do Norte”, de Belém, datada de 24 de dezembro de 1903, que estava em poder de Júlio Linch, neto de um antigo funcionário da “Amazon Steam Navigation” e descendente de ingleses. O achado pode favorecer a teoria. Um leitor identificado apenas pelas iniciais M. F. contestou em carta, a coluna 'Notas Sportivas', que dizia ser o futebol uma novidade no Pará. Segundo M.F., “em 1896 já se disputava com freqüência, partidas de futebol na Praça Batista Campos, entre os sócios da Associação Dramática Recreativa Beneficente”.
Familiares de Lynch contam que antes dele falecer, procurava encontrar um homem que morava em Belém, que teria em seu poder fotos e documentos das primeiras partidas de futebol realizadas no Pará. Porém, ninguém da família tem conhecimento do nome desse importante personagem. E Lynch, em seu espólio não deixou nenhuma referência.
Por causa dessa descoberta, outros pesquisadores paraenses juntam-se a Baena e reforçam a tese de que a prática regular do futebol em 1896, entre paraenses, só teria sido possível depois de um aprendizado, provavelmente em anos anteriores, através de funcionários das empresas inglesas em Belém. Argumento respeitável, defendido por Júlio Lynch em um de seus últimos artigos, publicado em jornal de Belém.
Além de Júlio Lynch e Loris Baena, também o pesquisador paraense F.F. Alves da Cunha defende o pioneirismo do Estado na introdução do futebol no Brasil. No livro “A Enciclopédia do futebol paraense”, o jornalista Ferreira da Costa, uma autoridade em termos de história do futebol no Pará, cita os relatos de F. F. Alves da Cunha, que apontam um jogo realizado em 1892, por associados do Clube de Esgryma no largo de Nazaré, em frente à sede da associação, onde, posteriormente foi instalado o teatro Chalet e, depois, o cinema Moderno.
Mas o que se sabe de real, é que o primeiro jogo oficial acontecido no Pará, foi em 1906, válido pelo primeiro campeonato do Estado, e que não terminou. O escore era de 7 X 0 para o Parah Foot-Ball Club, frente o Belém Club (time dos ingleses), quando houve um desentendimento geral dentro de campo, que não permitiu a continuidade do “match”. O campeonato foi organizado pela Parah Foot-Ball Association, ancestral da Federação Paraense de Futebol.
Eu não sei se isso seria possível. Mas com tantas controvérsias e fatos, que não podem simplesmente ser tratados como “inconseqüentes”, a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), patroa do futebol no nosso país, deveria ser a primeira a aprofundar tais questões. Nada contra Charles Miller, inegavelmente um nome que não pode ser esquecido em circunstância alguma. Ele foi o introdutor do futebol jogado de maneira organizada. O que não quer dizer que antes dele, ninguém pudesse ter dado alguns chutes, em divertidas brincadeiras. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
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