Novos tempos de grandeza podem estar chegando para o Clube de Regatas Vasco da Gama, uma das mais tradicionais entidades esportivas de nosso país. O ex-craque vascaíno, Carlos Roberto de Oliveira, ou simplesmente Roberto “Dinamite” foi eleito recentemente presidente do clube, acabando – pelo menos é o que pensam e esperam os torcedores – com a era Eurico Ângelo de Oliveira Miranda, que desde 2000 dirigia o clube com "mão de ferro".
Eurico Miranda, o dirigente que deixou o clube é filho de portugueses que na década de 30 imigraram para o Brasil, fugindo do regime do ditador António Salazar. Criado na Zona Sul do Rio de Janeiro, estudou no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, uma escola jesuíta freqüentada por boa parte da elite carioca. Acabou por ser expulso devido a brigas com colegas, o que já demonstrava seu forte temperamento desde aqueles tempos.
Passou no vestibular para a Faculdade de Medicina, mas acabou por optar pela Faculdade de Fisioterapia, por onde formou-se. Chegou a exercer a profissão antes de decidir ingressar na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi nesse tempo, então com 23 anos, que ingressou nas atividades adminstrativas do Vasco da Gama, sendo diretor de cadastro em 1967.
Daí em diante teve intensa participação na vida do clube, de onde só saiu o mês passado. Em 1969, ganhou as manchetes dos jornais cariocas. O presidente do Vasco era Reinaldo de Matos Reis, que desagradava à maioria dos conselheiros, mas era defendido por Eurico, então já Vice-Presidente de Patrimônio. Foi realizada uma reunião na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, para decidir a cassação do seu mandato. Porém houve uma falha de energia e a reunião foi adiada. No dia seguinte o jornal “O Globo” publicou a fotografia de uma mão desligando o quadro de energia. O título da reportagem era: "A mão de Eurico", que assim entrava para a história e política ativa do clube. O resto dessa história, todos já sabem.
As desavenças entre Eurico Miranda e Roberto “Dinamite” são antigas. Em 2002, quando o ex-jogador, acompanhado de seu filho Rodrigo, então com 10 anos, assistia a um jogo entre Vasco e Ponte Preta, o “cartola”, com sua costumeira truculência, deu ordens para que “Dinamite” fosse convidado a se retirar da Tribuna de Honra do Estádio São Januário. A raiva de Eurico se devia a uma entrevista do ex-jogador, que admitiu o sonho de um dia ser presidente do Vasco e pediu que fosse revelado quanto e para quem o clube devia.
“Dinamite” já se sentiu desprestigiado pela diretoria do Vasco dias antes do incidente, quando Eurico Miranda, na ânsia de agradar a Romário, a quem o clube devia R$ 9 milhões, anunciou a aposentadoria da camisa 11 do clube depois que o “Baixinho” parasse de jogar. Roberto, que foi o maior artilheiro da história do Vasco e defendeu o clube por muito mais tempo, nunca foi alvo de nenhum tipo de homenagem, o que o desgostou profundamente. Agora, como novo presidente do Vasco, “Dinamite” cassou a aposentadoria da camisa 11 que voltou a ativa.
Depois do incidente, “Dinamite” juntou-se à oposição e concorreu à presidência do clube em 2003, sendo derrotado. Em 2006 concorreu outra vez e perdeu. Mas as eleições foram anuladas pela oitava Câmara Cível do Rio de Janeiro e novas eleições para o Conselho Deliberativo do Clube foram realizadas em 21 de Junho de 2008, nas quais a chapa de Eurico Miranda saiu derrotada. No dia 27 de Junho de 2008 o Conselho Deliberativo do Vasco da Gama finalmente elegeu Roberto “Dinamite” presidente.
O ex-craque cruzmaltino, que em criança torcia pelo Botafogo, nasceu em Duque de Caxias (RJ), no dia 13 de abril de 1954. Quem o descobriu para o futebol foi o "olheiro" e ex-atacante do Flamengo na década de 30, Francisco Ferreira de Souza, o “Gradim”, que em 1969, quando tinha apenas 14 anos, o levou para a escolinha do Vasco, treinada por “Seu Rubens”. Foi com o treinador dos juvenis, Célio de Souza, que Roberto aprimorou sua técnica. No início de carreira, com seu 1,86 de altura era apenas um centroavante daqueles chamados de “trombador”.
Em 25 de novembro de 1971, soube aproveitar a segunda chance que o técnico Admildo Chirol lhe deu no time de profissionais, e marcou um gol na vitória de 2 x 0 sobre o Internacional. Com habilidade, dominou a bola na intermediária e chutou com extrema violência, não dando chances ao goleiro adversário, marcando o primeiro de suas centenas de gols. O apelido “Dinamite” ele ganhou no outro dia. O jornalista Aparício Pires, do “Jornal dos Sports”, maravilhado com o chute forte do jovem atacante estampou em manchete: "Garoto dinamite explode no Maracanã".
Foi com os ensinamentos do técnico Oto Glória, em 1979, que “Dinamite” alcançou o auge técnico, transformando-se em um jogador moderno, de rara mobilidade, capaz de participar de jogadas geniais. Assim, foi protagonista de um “duelo” pela artilharia carioca, em igualdade de condições com o craque flamenguista Zico, de quem era grande amigo fora de campo. Mas nas quatro linhas eram adversários ferrenhos, defendendo com galhardia suas equipes.
Em 1978, num primeiro momento, Roberto não foi convocado pelo técnico Cláudio Coutinho para a Seleção Brasileira que disputou o Mundial na Argentina. Mas, o então presidente da CBF, almirante Heleno Nunes, exigiu que o chamassem. Depois de ficar na reserva nos primeiros jogos foi colocado em campo e classificou o Brasil com um gol histórico contra a Áustria, tendo terminado a Copa como co-artilheiro do time com 3 gols. Em 1982, foi convocado em cima da hora para disputar o Mundial da Espanha devido à contusão de Careca. Mas ficou apenas treinando durante todo o torneio, pois o técnico Telê Santana preferiu escalar Serginho Chulapa no seu lugar. Apesar de tudo, Roberto marcou 26 gols em 53 jogos pela seleção, alcançando a maior média de gols entre os atacantes de sua época.
Jogou no Vasco da Gama de 1971 a 1979, quando se transferiu para o Barcelona, da Espanha. Porém, a passagem de “Dinamite” pelo clube catalão foi péssima. Muito cobrado pela torcida, insatisfeita com a campanha no Campeonato Espanhol do mesmo ano, o centroavante não reeditou suas boas apresentações e não contou com a mesma sorte de antes. Três meses depois de deixar o Rio de Janeiro, “Dinamite” retornou ao clube da Cruz de Malta em 1980, pelas mãos de Eurico Miranda, onde permaneceu até 1988. No jogo de reestréia, contra o Corinthians marcou os cinco gols no massacre sobre o time paulista, que só conseguiu fazer dois. Foi a consagração.
Em 1989 jogou pela Portuguesa de Desportos (SP). Voltou ao Vasco em 1990, e em 1991 defendeu o Campo Grande (RJ). Em 1993, no próprio Vasco, trazido de volta pelo técnico Joel Santana, na condição de titular encerrou a carreira com tratamento de quase embaixador do clube. Foi campeão carioca em 1977, 1982, 1987 e 1992 (Vasco) e Campeão brasileiro de 1974 (Vasco).
Foi o maior goleador da história vascaína por 13 temporadas consecutivas, superando Ademir de Menezes, o “Queixada”, e maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro com 617 gols. Jogou 1.108 vezes com a camisa do Vasco e marcou 708 gols. Ao todo foram 1.199 jogos em 22 anos de carreira: Vasco, 1108; Seleção Brasileira, 49; Barcelona, 8; Portuguesa de Desportos, 14; Rio Negro, 1; Seleção de Masters, 4; Despedida de Júnior, 1 e Campo Grande, 14. E exatos 754 gols, assim distribuídos: Vasco, 708; Seleção Brasileira, 26; Barcelona, 3; Portuguesa de Desportos, 11; Rio Negro, (Amistoso contra o Flamengo), 2; Seleção de Masters (Copa Pelé), 2; Despedida do Júnior (Amistoso na Itália), 2, o que dá a incrível média de 36 gols por temporada nos 22 anos de carreira. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
O zoológico do futebol
A gíria faz parte do futebol, por ser um esporte popular nos dias de hoje, embora tivesse chegado ao Brasil através de classes elitistas, e assim permanecido por muitos anos. A criativa lista de apelidos dados a jogadas e acontecimentos envolvendo o esporte é bastante extensa. Neste artigo, vou me limitar a explicar as origens de algumas expressões batizadas com nomes de animais e que volta e meia nos deparamos com elas nos noticiários esportivos. E ainda outras "participações" dos amigos bichos no esporte "bretão". E é bom que se diga, a maioria dos integrantes da imprensa se limita a repetir o óbvio, mas não sabe como e onde algumas expressçoes surgiram.
Começo com o “gato”. A definição surgiu em Pernambuco, há décadas, quando a direção do Sport descobriu que um zagueiro de apelido “Gato”, usara de tal expediente para poder jogar na equipe juvenil. E cada vez que aparecia outra situação semelhante, falava-se em "um novo Gato". Daí a expressão ganhou o Brasil. “Gato”, no futebol serve para identificar o jogador que diminui a idade, quase sempre para se inscrever nas categorias de base.
O nome “gato” também está presente numa jogada faltosa e que pode ocasionar lesão séria em quem a sofre. É quando um jogador pula para cabecear uma bola e um adversário o escora pelas pernas provocando sua queda. É a chamada “Cama de Gato”. Mas por que esse nome? Segundo o pesquisador Márcio Cotrin, em sua coluna “O Berço da palavra”, no Diário de Natal (RN) é porque o gato faz sua cama no chão. E os jogadores que sofrem a falta, caem espalhafatosamente, como os bichanos lançados pelo rabo em direção ao solo.
Tem o “frango”, prato indigesto para os goleiros. O criador da expressão foi o jornalista “Zé de São Januário” que nos anos 40, escrevia uma coluna no “Jornal dos Sports”. Como o próprio nome sugere, “Zé” era torcedor fanático do Vasco da Gama. Foi ele quem chamou de “frangueiro” um goleiro do seu time que se agachou bem ao estilo de um “pegador de frango” para defender uma bola fácil e acabou levando o gol. No dia seguinte “Zé de São Januário” escreveu, que o goleiro engolira um “frango”. A partir daí a expressão é usada toda vez que acontece um lance parecido.
Foi uma questão de observação. Naqueles tempos era comum criar galinhas nos quintais das casas. E quando alguém tentava pegar uma “penosa” para o almoço dominical, tinha que agachar-se com as mãos encostadas ao chão. E muitas vezes os frangos enganavam seus algozes, passando rápido por entre as pernas ou os braços. Situação idêntica a do goleiro que se prepara para pegar a bola e esta o engana.
E o que dizer do jogador “cabeça de bagre”? É o nome que define aquele que não pensa a jogada, um “cabeça oca”, segundo a sabedoria popular. Quem criou o termo foi o ex-goleiro do Atlético Mineiro, Olavo Leite Bastos, o “Kafunga”, que depois de encerrar a carreira de jogador, tornou-se deputado estadual por Minas Gerais e comentarista esportivo em rádio, TV e jornal de Belo Horizonte.
Quem diria, o inverso de “cabeça de bagre”, o animal que denomina o bom jogador de futebol, o craque, é nada mais, nada menos do que a “cobra”. E por que? Em 1929, na Várzea do Carmo, em São Paulo, havia um time chamado “Heróis do Fogo”, formado por militares do corpo de Bombeiros. O astro do time era um jogador de grande habilidade chamado Moacir Cobra, que ganhou fama em toda a região. A partir daí, toda a vez que aparecia um bom jogador era logo chamado de “cobra”, lembrando o craque bombeiro.
E porque razão a gratificação paga aos jogadores cada vez que o time ganha um jogo, é chamada de “bicho”? Os torcedores do Vasco da Gama foram pioneiros nessa prática. Tudo começou em 1923, na primeira participação da equipe vascaína na principal divisão carioca. Como o time era formado, na maioria, por jogadores negros, operários e analfabetos, os torcedores recolhiam dinheiro para ajudar seus craques, pagando-lhes prêmios por vitória ou empate.
O valor do prêmio era calculado por fatores como o adversário, a importância do jogo e o resultado, e era anunciado segundo uma senha inspirada no jogo do bicho: um cachorro (numero 5 no jogo do bicho) significava um prêmio de 5 mil réis; um coelho, 10. E assim por diante. Uma outra versão, que não é confiável, conta que os torcedores premiavam os jogadores com galinhas, patos ou leitões.
E nessa relação de animais e clubes foram criadas as mascotes. A mais comum no Brasil é o “leão”. Dados estatísticos mostram que pelo menos 38 times escolheram o rei das selvas, embora eu tenha convicção de que o número é bem maior. O mesmo acontece em relação ao “galo”, que vem logo a seguir com 17 escolhas e tem no Atlético Mineiro sua principal referência. O Oratória, time do Amapá, tem como mascote uma “orca”. O Santos, uma “baleia”. O Cruzeiro de Alagoas preferiu uma “hiena” azul. Pura imaginação. Já o Cruzeiro de Minas Gerais optou pela “raposa”.
A Associação Atlética Portuguesa, do Rio de Janeiro tem como símbolo uma “zebra”, para lembrar o célebre jogo em 1964, em que derrotou o na época poderoso Vasco da Gama por 2 x 1. Gentil Cardoso, então técnico da Lusa, disse que seria uma tremenda “zebra” (não existe no jogo do bicho) uma vitória de seu time.
Algumas mascotes de clubes surgiram de provocações dos adversários. As mais famosas dizem respeito a Palmeiras e Flamengo. O “porco” palmeirense surgiu numa comemoração de gol do atacante Viola, na época no Corinthians. No princípio os palmeirenses não admitiam o “porco” como mascote e sim o “periquito”. Com o passar dos anos os torcedores e o clube aderiram à idéia e o “porco” foi adotado oficialmente.
O Flamengo, o clube mais popular do país tem como mascote um “urubu” nas cores vermelho e preto. E porque um pássaro tão feio e de hábitos pouco comuns? A escolha aconteceu depois que o professor de educação física, Luis Octávio, torcedor fanático do Botafogo, teve a idéia de levar ao Maracanã um urubu chamado “Caju”, quando de um jogo pelo campeonato carioca de 1969.
Naquela época, os torcedores do Botafogo viviam implicando com os do Flamengo. E como o time rubro-negro contava com vários jogadores negros, os botafoguenses em atos racistas diziam que o Flamengo era um "time de urubu". Por isso, amarrou uma bandeirinha do Flamengo na perna do pássaro e o soltou dentro do estádio. Em vez de ficarem brabos, os flamenguistas gostaram da brincadeira e resolveram adotar a mascote, que deu sorte naquele jogo que o Flamengo ganhou por 2 X 0.
Mas tem animais que os clubes e torcedores não querem nem ouvir falar, pois nasceram de xingamentos adversários e simbolizam coisas desagradáveis: é o caso do “bambi” (veado), São Paulo, e “gambá”, Corinthians. E quem quer ser "traíra", então, sinônimo de quem joga contra o próprio time e os companheiros?
A extensa lista não para por aí: tem “periquito” (Palmeiras-SP, Gama-DF e Goiás), “papagaio (Juventude-RS e Tocantinópoles-TO), "caturrita" (São Paulo-RS), "lobão" (E.C. Pelotas-RS), “canarinho” (Seleção Brasileira), “águia” (Juventus-AC e São Gabriel-RS), “touro” (Sertãozinho F.C.-SP, Intercap-TO e Araguaina-TO), “burro” (Taubaté-SP), “coelho” (América Mineiro), “macaca” (Ponte Preta-SP), “bacalhau” (Vasco da Gama), “jacaré” (Brasiliense-DF), “tigre” (Criciúma –SC, Marília-SP e Ipatinga-MG), “dragão” (América-RN, Oriente-RS e Camaçariense-BA), “morcegão” (Andirá-AC), “castor” (Bangu-RJ), “galo da campina” (CRB-AL), “abelha” (Grêmio Barueri-SP e Grêmio Bagé-RS), “tubarão” (Londrina E.C.-PR), “peixe guarajuba” (Camaçari-BA), “carcará” (Alagoinhas-BA), “timbu” (Náutico-PE), “tucano” (Ipitanga-BA), “gralha azul” (Paraná Clube), “bem-te-vi” (Catuense-BA), “cobra coral” (Santa Cruz-PE), “gavião” (Colinas-TO) e “arara” (União São João-SP e Palmas-TO).
E quantos jogadores e técnicos de futebol carregam nomes ou apelidos de animais? Certamente são muitos, cito apenas alguns: "Leão", ex-goleiro e atual técnico; Donizete "Pantera", ex-atacante do Vasco; "Aranha", goleiro da Ponte Preta; "Ratinho", ex-jogador do Corinthians; "Formiga", ex-jogador do Santos; "Bodinho", "Lula" e "Falcão", ex-jogadores do Internacional; "Coelho", lateral do Atlético Mineiro; "Cardeal", ex-craque do extinto Regimento, de Pelotas-RS; "Canário" e "Pintinho", ex-jogadores do Brasil, de Pelotas-RS; "Galo", ex-jogador do Santos e atual técnico de futebol; "Porca", ex-jogador do Guarany, de Bagé (RS); "Pavão", ex-zagueiro do Flamengo; Walter "Minhoca", ex-Flamengo e Ipatinga; Edmundo,"Bacalhau" ou "Animal", atacante do Vasco e Roberto "Cavalo", ex-jogador do Vitória-BA e atual técnico de futebol. E por aí, vai.
Tem até times: "Guará" e "Jaguar", de Brasília; "Águia de Marabá", de Marabá-PR; "Maracanã", de Maracanaú-CE; "Estrela do Mar", de Fortaleza-CE (extinto); "Fenix", de São Luiz-MA (extinto); "Tangará", de Tangará da Serra-MT; "Formiga", de Formiga-MG; Adap "Galo" Maringá, de Maringá-PR; "Cascavel", de Cascavel-PR; "Ybis", de Olinda-PE; "Tigres do Brasil", Rio de Janeiro; "Condor", de Queimados-RJ (extinto); "Piranhas", Jardim de Piranhas-RN; Atlético "Tubarão", de Tubarão-SC e "Perdigão", de Videira-SC.
Não podemos esquecer dos estádios. O mais famoso é o "Maracanã", nome de uma ave comum na região onde o estádio foi construido; "Morada dos Quero-queros", em Alvorada-RS; "Mariscão", em Capão da Canoa-RS; "Boca do Lobo", do E.C. Pelotas-RS; "Boca do Jacaré", apelido dado ao estádio de Taguatinga-DF, onde o Brasiliense manda seus jogos; "Lobo Solitário", em Guarapuava-PR; "Ninho da Águia", em Rio Brilhante-MS e "Arena do Touro", em Araguaína-TO; (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Começo com o “gato”. A definição surgiu em Pernambuco, há décadas, quando a direção do Sport descobriu que um zagueiro de apelido “Gato”, usara de tal expediente para poder jogar na equipe juvenil. E cada vez que aparecia outra situação semelhante, falava-se em "um novo Gato". Daí a expressão ganhou o Brasil. “Gato”, no futebol serve para identificar o jogador que diminui a idade, quase sempre para se inscrever nas categorias de base.
O nome “gato” também está presente numa jogada faltosa e que pode ocasionar lesão séria em quem a sofre. É quando um jogador pula para cabecear uma bola e um adversário o escora pelas pernas provocando sua queda. É a chamada “Cama de Gato”. Mas por que esse nome? Segundo o pesquisador Márcio Cotrin, em sua coluna “O Berço da palavra”, no Diário de Natal (RN) é porque o gato faz sua cama no chão. E os jogadores que sofrem a falta, caem espalhafatosamente, como os bichanos lançados pelo rabo em direção ao solo.
Tem o “frango”, prato indigesto para os goleiros. O criador da expressão foi o jornalista “Zé de São Januário” que nos anos 40, escrevia uma coluna no “Jornal dos Sports”. Como o próprio nome sugere, “Zé” era torcedor fanático do Vasco da Gama. Foi ele quem chamou de “frangueiro” um goleiro do seu time que se agachou bem ao estilo de um “pegador de frango” para defender uma bola fácil e acabou levando o gol. No dia seguinte “Zé de São Januário” escreveu, que o goleiro engolira um “frango”. A partir daí a expressão é usada toda vez que acontece um lance parecido.
Foi uma questão de observação. Naqueles tempos era comum criar galinhas nos quintais das casas. E quando alguém tentava pegar uma “penosa” para o almoço dominical, tinha que agachar-se com as mãos encostadas ao chão. E muitas vezes os frangos enganavam seus algozes, passando rápido por entre as pernas ou os braços. Situação idêntica a do goleiro que se prepara para pegar a bola e esta o engana.
E o que dizer do jogador “cabeça de bagre”? É o nome que define aquele que não pensa a jogada, um “cabeça oca”, segundo a sabedoria popular. Quem criou o termo foi o ex-goleiro do Atlético Mineiro, Olavo Leite Bastos, o “Kafunga”, que depois de encerrar a carreira de jogador, tornou-se deputado estadual por Minas Gerais e comentarista esportivo em rádio, TV e jornal de Belo Horizonte.
Quem diria, o inverso de “cabeça de bagre”, o animal que denomina o bom jogador de futebol, o craque, é nada mais, nada menos do que a “cobra”. E por que? Em 1929, na Várzea do Carmo, em São Paulo, havia um time chamado “Heróis do Fogo”, formado por militares do corpo de Bombeiros. O astro do time era um jogador de grande habilidade chamado Moacir Cobra, que ganhou fama em toda a região. A partir daí, toda a vez que aparecia um bom jogador era logo chamado de “cobra”, lembrando o craque bombeiro.
E porque razão a gratificação paga aos jogadores cada vez que o time ganha um jogo, é chamada de “bicho”? Os torcedores do Vasco da Gama foram pioneiros nessa prática. Tudo começou em 1923, na primeira participação da equipe vascaína na principal divisão carioca. Como o time era formado, na maioria, por jogadores negros, operários e analfabetos, os torcedores recolhiam dinheiro para ajudar seus craques, pagando-lhes prêmios por vitória ou empate.
O valor do prêmio era calculado por fatores como o adversário, a importância do jogo e o resultado, e era anunciado segundo uma senha inspirada no jogo do bicho: um cachorro (numero 5 no jogo do bicho) significava um prêmio de 5 mil réis; um coelho, 10. E assim por diante. Uma outra versão, que não é confiável, conta que os torcedores premiavam os jogadores com galinhas, patos ou leitões.
E nessa relação de animais e clubes foram criadas as mascotes. A mais comum no Brasil é o “leão”. Dados estatísticos mostram que pelo menos 38 times escolheram o rei das selvas, embora eu tenha convicção de que o número é bem maior. O mesmo acontece em relação ao “galo”, que vem logo a seguir com 17 escolhas e tem no Atlético Mineiro sua principal referência. O Oratória, time do Amapá, tem como mascote uma “orca”. O Santos, uma “baleia”. O Cruzeiro de Alagoas preferiu uma “hiena” azul. Pura imaginação. Já o Cruzeiro de Minas Gerais optou pela “raposa”.
A Associação Atlética Portuguesa, do Rio de Janeiro tem como símbolo uma “zebra”, para lembrar o célebre jogo em 1964, em que derrotou o na época poderoso Vasco da Gama por 2 x 1. Gentil Cardoso, então técnico da Lusa, disse que seria uma tremenda “zebra” (não existe no jogo do bicho) uma vitória de seu time.
Algumas mascotes de clubes surgiram de provocações dos adversários. As mais famosas dizem respeito a Palmeiras e Flamengo. O “porco” palmeirense surgiu numa comemoração de gol do atacante Viola, na época no Corinthians. No princípio os palmeirenses não admitiam o “porco” como mascote e sim o “periquito”. Com o passar dos anos os torcedores e o clube aderiram à idéia e o “porco” foi adotado oficialmente.
O Flamengo, o clube mais popular do país tem como mascote um “urubu” nas cores vermelho e preto. E porque um pássaro tão feio e de hábitos pouco comuns? A escolha aconteceu depois que o professor de educação física, Luis Octávio, torcedor fanático do Botafogo, teve a idéia de levar ao Maracanã um urubu chamado “Caju”, quando de um jogo pelo campeonato carioca de 1969.
Naquela época, os torcedores do Botafogo viviam implicando com os do Flamengo. E como o time rubro-negro contava com vários jogadores negros, os botafoguenses em atos racistas diziam que o Flamengo era um "time de urubu". Por isso, amarrou uma bandeirinha do Flamengo na perna do pássaro e o soltou dentro do estádio. Em vez de ficarem brabos, os flamenguistas gostaram da brincadeira e resolveram adotar a mascote, que deu sorte naquele jogo que o Flamengo ganhou por 2 X 0.
Mas tem animais que os clubes e torcedores não querem nem ouvir falar, pois nasceram de xingamentos adversários e simbolizam coisas desagradáveis: é o caso do “bambi” (veado), São Paulo, e “gambá”, Corinthians. E quem quer ser "traíra", então, sinônimo de quem joga contra o próprio time e os companheiros?
A extensa lista não para por aí: tem “periquito” (Palmeiras-SP, Gama-DF e Goiás), “papagaio (Juventude-RS e Tocantinópoles-TO), "caturrita" (São Paulo-RS), "lobão" (E.C. Pelotas-RS), “canarinho” (Seleção Brasileira), “águia” (Juventus-AC e São Gabriel-RS), “touro” (Sertãozinho F.C.-SP, Intercap-TO e Araguaina-TO), “burro” (Taubaté-SP), “coelho” (América Mineiro), “macaca” (Ponte Preta-SP), “bacalhau” (Vasco da Gama), “jacaré” (Brasiliense-DF), “tigre” (Criciúma –SC, Marília-SP e Ipatinga-MG), “dragão” (América-RN, Oriente-RS e Camaçariense-BA), “morcegão” (Andirá-AC), “castor” (Bangu-RJ), “galo da campina” (CRB-AL), “abelha” (Grêmio Barueri-SP e Grêmio Bagé-RS), “tubarão” (Londrina E.C.-PR), “peixe guarajuba” (Camaçari-BA), “carcará” (Alagoinhas-BA), “timbu” (Náutico-PE), “tucano” (Ipitanga-BA), “gralha azul” (Paraná Clube), “bem-te-vi” (Catuense-BA), “cobra coral” (Santa Cruz-PE), “gavião” (Colinas-TO) e “arara” (União São João-SP e Palmas-TO).
E quantos jogadores e técnicos de futebol carregam nomes ou apelidos de animais? Certamente são muitos, cito apenas alguns: "Leão", ex-goleiro e atual técnico; Donizete "Pantera", ex-atacante do Vasco; "Aranha", goleiro da Ponte Preta; "Ratinho", ex-jogador do Corinthians; "Formiga", ex-jogador do Santos; "Bodinho", "Lula" e "Falcão", ex-jogadores do Internacional; "Coelho", lateral do Atlético Mineiro; "Cardeal", ex-craque do extinto Regimento, de Pelotas-RS; "Canário" e "Pintinho", ex-jogadores do Brasil, de Pelotas-RS; "Galo", ex-jogador do Santos e atual técnico de futebol; "Porca", ex-jogador do Guarany, de Bagé (RS); "Pavão", ex-zagueiro do Flamengo; Walter "Minhoca", ex-Flamengo e Ipatinga; Edmundo,"Bacalhau" ou "Animal", atacante do Vasco e Roberto "Cavalo", ex-jogador do Vitória-BA e atual técnico de futebol. E por aí, vai.
Tem até times: "Guará" e "Jaguar", de Brasília; "Águia de Marabá", de Marabá-PR; "Maracanã", de Maracanaú-CE; "Estrela do Mar", de Fortaleza-CE (extinto); "Fenix", de São Luiz-MA (extinto); "Tangará", de Tangará da Serra-MT; "Formiga", de Formiga-MG; Adap "Galo" Maringá, de Maringá-PR; "Cascavel", de Cascavel-PR; "Ybis", de Olinda-PE; "Tigres do Brasil", Rio de Janeiro; "Condor", de Queimados-RJ (extinto); "Piranhas", Jardim de Piranhas-RN; Atlético "Tubarão", de Tubarão-SC e "Perdigão", de Videira-SC.
Não podemos esquecer dos estádios. O mais famoso é o "Maracanã", nome de uma ave comum na região onde o estádio foi construido; "Morada dos Quero-queros", em Alvorada-RS; "Mariscão", em Capão da Canoa-RS; "Boca do Lobo", do E.C. Pelotas-RS; "Boca do Jacaré", apelido dado ao estádio de Taguatinga-DF, onde o Brasiliense manda seus jogos; "Lobo Solitário", em Guarapuava-PR; "Ninho da Águia", em Rio Brilhante-MS e "Arena do Touro", em Araguaína-TO; (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Drogas, uma praga também no futebol
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) suspendeu o jogador Rodrigo Souto, do Santos F.C. que foi pego com vestígios de cocaína, no exame antidoping realizado após o jogo da Copa Libertadores da América entre San José e Santos, realizado em Oruro, na Bolívia, no último dia 17 de março. O primeiro exame e contraprova acusaram a presença da substância benzoilecgonina, metabólico primário da cocaína.
Por enquanto a punição só é válida para jogos promovidos pela entidade, mas é bem possível que ela seja ampliada a toda e qualquer competição. A punição está valendo desde o dia 20 de junho, quando foi realizado o segundo exame (contraprova), em um laboratório do Rio. O processo será encaminhado a FIFA, que deverá julgar a conveniência de recomendar a CBF que também aplique uma suspensão ao atleta.
Rodrigo Souto alegou inocência, mas admitiu ter ingerido líquido e comido "alguma coisa" no hotel de Oruro, onde o Santos estava concentrado para o jogo contra o San José, insinuando que poderia ter sido vítima de sabotagem. O clube paulista pretendia equilibrar suas debilitadas finanças com a venda do jogador para o Lokomotiv, de Moscou, por cerca de seis milhões de Euros. Mas com a acusação de doping, parece que o negócio não sai mais.
Com o caso Rodrigo Souto, a questão do doping volta com força à tona. E com ele a discussão: será que os exames realizados são realmente confiáveis? A pergunta é de difícil resposta, ainda mais depois que se soube que o jogador Marion Jones ao longo da sua carreira, passou por mais de 160 exames antidoping e nada foi encontrado. O próprio jogador admitiu que usou e abusou do doping durante vários anos. Ele usou esteróides, hormônio de crescimento, insulina e até eritropoietina, substâncias com efeitos dopantes a longo prazo e que figuram no grupo de produtos mais procurados pelas autoridades antidoping, fora ou durante competições esportivas.
Espantoso também é o caso do atacante Jardel, ex-Vasco, Grêmio, F.C. do Porto e Sporting, que acaba de confessar que se tornou dependente de cocaína, uma substância que sempre foi proibida no esporte, mas que nos últimos tempos vem se tornando um problema de difícil solução entre os jogadores. Jardel disse que consumiu cocaína apenas nos períodos de férias e nunca durante competições. Se um futebolista usar cocaína após um jogo de fim-de-semana ou no dia de folga, só se jogar no meio da semana e for sorteado para o controle é que poderá ser apanhado.
A cocaína produz efeitos de curta duração, que dão a sensação de hiper-estimulação, redução da fadiga e clarividência mental. É um estimulante forte e provavelmente o agente que mais vicia, segundo a Federação Internacional de Futebol (FIFA) num documento publicado no seu site. O problema é que o uso de cocaína só é proibido durante competições. Mesmo que a droga seja detectada em amostras recolhidas em outras circunstâncias, legalmente nada pode ser feito. Mesma situação para os canabinóides, que são despistados ao mesmo tempo que os anabolizantes: se não forem detectados anabolizantes, as análises devem ser declaradas negativas e os resultados não podem ser comunicados a terceiros, nem por motivos pedagógicos.
O caso mais famoso de doping aconteceu na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos e envolveu o craque argentino Diego Maradona. O jogador já tinha se envolvido com drogas, quando atuava pelo Napoli (Itália). Dessa vez, a substância encontrada na urina do atleta foi “Ephedrina”. Por isso a FIFA o puniu com um ano de suspensão.
No Campeonato Brasileiro do ano passado o jogador Dodô, então no Botafogo foi flagrado no exame antidoping, com a substância “Femproporex”, depois de um jogo contra o Vasco. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu Dodô com 120 dias de suspensão, mas em novo julgamento foi absolvido. O Comitê Antidoping da FIFA julgou o atleta no mês passado e até agora ainda não foi revelado o resultado, que poderá custar dois anos de suspensão ao agora jogador do Fluminense.
Ainda no ano passado o atacante Romário, do Vasco e o lateral Marcão, do Internacional, estiveram envolvidos em casos de uso de substâncias proibidas. Ambos valiam-se de um tônico capilar, para combater a queda de cabelos, porém o STJD entendeu que a droga garantia um rendimento extra dentro de campo.Romário foi absolvido e Marcão teve a pena de 120 dias reduzida em 29 dias.
Nem mesmo a Seleção Brasileira escapou de uma suspeita de doping. Foi durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, quando o goleiro Zeti foi flagrado no exame antidoping, após um jogo contra a Bolívia. O jogador se defendeu dizendo ter tomado um chá de coca servido no hotel onde a delegação brasileira estava concentrada e acabou sendo absolvido.
O primeiro caso de doping conhecido no futebol brasileiro, aconteceu em 1973, envolvendo o jogador Campos, centroavante do Atlético Mineiro em jogo pelo Campeonato Brasileiro contra o Vasco da Gama. Campos, no jogo anterior contra o mesmo Vasco sofreu um choque e ao cair perdeu três dentes, por isso tomou antibióticos e antiinflamatórios, mas o departamento médico do Atlético não informou a CBD. O jogador foi punido, injustamente.
Que se preparem os jogadores: vem aí medidas mais fortes apregoadas pelas agências fiscalizadoras, que levantam a hipótese de proibir até o uso de Viagra. A Agência Mundial Antidoping (WADA), garante que o medicamento, além de melhorar o rendimento sexual, também melhora a performance do atleta, por estimular a circulação sanguínea. (Texto e pesquisa: Nilo Dias).
Por enquanto a punição só é válida para jogos promovidos pela entidade, mas é bem possível que ela seja ampliada a toda e qualquer competição. A punição está valendo desde o dia 20 de junho, quando foi realizado o segundo exame (contraprova), em um laboratório do Rio. O processo será encaminhado a FIFA, que deverá julgar a conveniência de recomendar a CBF que também aplique uma suspensão ao atleta.
Rodrigo Souto alegou inocência, mas admitiu ter ingerido líquido e comido "alguma coisa" no hotel de Oruro, onde o Santos estava concentrado para o jogo contra o San José, insinuando que poderia ter sido vítima de sabotagem. O clube paulista pretendia equilibrar suas debilitadas finanças com a venda do jogador para o Lokomotiv, de Moscou, por cerca de seis milhões de Euros. Mas com a acusação de doping, parece que o negócio não sai mais.
Com o caso Rodrigo Souto, a questão do doping volta com força à tona. E com ele a discussão: será que os exames realizados são realmente confiáveis? A pergunta é de difícil resposta, ainda mais depois que se soube que o jogador Marion Jones ao longo da sua carreira, passou por mais de 160 exames antidoping e nada foi encontrado. O próprio jogador admitiu que usou e abusou do doping durante vários anos. Ele usou esteróides, hormônio de crescimento, insulina e até eritropoietina, substâncias com efeitos dopantes a longo prazo e que figuram no grupo de produtos mais procurados pelas autoridades antidoping, fora ou durante competições esportivas.
Espantoso também é o caso do atacante Jardel, ex-Vasco, Grêmio, F.C. do Porto e Sporting, que acaba de confessar que se tornou dependente de cocaína, uma substância que sempre foi proibida no esporte, mas que nos últimos tempos vem se tornando um problema de difícil solução entre os jogadores. Jardel disse que consumiu cocaína apenas nos períodos de férias e nunca durante competições. Se um futebolista usar cocaína após um jogo de fim-de-semana ou no dia de folga, só se jogar no meio da semana e for sorteado para o controle é que poderá ser apanhado.
A cocaína produz efeitos de curta duração, que dão a sensação de hiper-estimulação, redução da fadiga e clarividência mental. É um estimulante forte e provavelmente o agente que mais vicia, segundo a Federação Internacional de Futebol (FIFA) num documento publicado no seu site. O problema é que o uso de cocaína só é proibido durante competições. Mesmo que a droga seja detectada em amostras recolhidas em outras circunstâncias, legalmente nada pode ser feito. Mesma situação para os canabinóides, que são despistados ao mesmo tempo que os anabolizantes: se não forem detectados anabolizantes, as análises devem ser declaradas negativas e os resultados não podem ser comunicados a terceiros, nem por motivos pedagógicos.
O caso mais famoso de doping aconteceu na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos e envolveu o craque argentino Diego Maradona. O jogador já tinha se envolvido com drogas, quando atuava pelo Napoli (Itália). Dessa vez, a substância encontrada na urina do atleta foi “Ephedrina”. Por isso a FIFA o puniu com um ano de suspensão.
No Campeonato Brasileiro do ano passado o jogador Dodô, então no Botafogo foi flagrado no exame antidoping, com a substância “Femproporex”, depois de um jogo contra o Vasco. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu Dodô com 120 dias de suspensão, mas em novo julgamento foi absolvido. O Comitê Antidoping da FIFA julgou o atleta no mês passado e até agora ainda não foi revelado o resultado, que poderá custar dois anos de suspensão ao agora jogador do Fluminense.
Ainda no ano passado o atacante Romário, do Vasco e o lateral Marcão, do Internacional, estiveram envolvidos em casos de uso de substâncias proibidas. Ambos valiam-se de um tônico capilar, para combater a queda de cabelos, porém o STJD entendeu que a droga garantia um rendimento extra dentro de campo.Romário foi absolvido e Marcão teve a pena de 120 dias reduzida em 29 dias.
Nem mesmo a Seleção Brasileira escapou de uma suspeita de doping. Foi durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, quando o goleiro Zeti foi flagrado no exame antidoping, após um jogo contra a Bolívia. O jogador se defendeu dizendo ter tomado um chá de coca servido no hotel onde a delegação brasileira estava concentrada e acabou sendo absolvido.
O primeiro caso de doping conhecido no futebol brasileiro, aconteceu em 1973, envolvendo o jogador Campos, centroavante do Atlético Mineiro em jogo pelo Campeonato Brasileiro contra o Vasco da Gama. Campos, no jogo anterior contra o mesmo Vasco sofreu um choque e ao cair perdeu três dentes, por isso tomou antibióticos e antiinflamatórios, mas o departamento médico do Atlético não informou a CBD. O jogador foi punido, injustamente.
Que se preparem os jogadores: vem aí medidas mais fortes apregoadas pelas agências fiscalizadoras, que levantam a hipótese de proibir até o uso de Viagra. A Agência Mundial Antidoping (WADA), garante que o medicamento, além de melhorar o rendimento sexual, também melhora a performance do atleta, por estimular a circulação sanguínea. (Texto e pesquisa: Nilo Dias).
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Um palco de grandes frustrações
Perder no Maracanã e frustrar a torcida, não foi privilégio do Fluminense. Muitos outros clubes cariocas já passaram por isso, inclusive a Seleção Brasileira, que nos proporcionou a maior das tristezas da história do nosso futebol. Foi no dia 16 de julho de 1950, quando o Brasil foi sede da primeira Copa do Mundo de após guerra. Nosso “scratch” era fortíssimo e apontado como virtual campeão. Mas no futebol ninguém ganha de véspera e os uruguaios comandados pelo legendário Obdúlio Varela, calaram 200 mil pessoas que lotaram o estádio, na época o maior do mundo.
Eu lembro que o Bangu, no tempo em que dava seus últimos suspiros como clube de projeção, proporcionou aos cariocas a primeira frustração numa disputa nacional. Foi no dia 1º de agosto de 1985, na mais inusitada final de um campeonato brasileiro, frente o Coritiba. Depois de empate em 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação, a decisão foi para os pênaltis. Na primeira série, 5 x 5. Na seqüência, o ponteiro esquerdo banguense Ado desperdiçou a penalidade, colocando a bola para fora. O zagueiro Gomes não errou e o time paranaense fez a festa.
O Botafogo foi o primeiro dos chamados grandes clubes do futebol carioca a sentir o amargor de uma inesperada derrota no Maracanã. Foi no dia 27 de junho de 1999. Os 127 mil torcedores alvinegros que foram ao estádio comemoravam antecipadamente o título da Copa do Brasil contra o Juventude de Caxias do Sul (RS), que vencera o primeiro jogo por 2 x 1, na Serra Gaúcha. Uma vitória simples do Botafogo por 1 x 0 seria o suficiente para carimbar as faixas de campeões.
Mas não foi isso que aconteceu. O time gaúcho não se intimidou e conseguiu segurar um empate sem gols, garantindo a maior conquista de sua história e o direito de participar pela primeira vez de uma Copa Libertadores da América.
Depois foi a vez do Vasco da Gama, na primeira edição do Campeonato Mundial de Clubes organizado pela FIFA. O clube da Cruz de Malta tinha a segunda oportunidade em sua história para ganhar o planeta. Antes, em plena comemoração do centenário, em 1998, no Japão já havia jogado fora a primeira chance, ao perder para o Real Madrid, da Espanha por 2 x 1. Dessa vez, frente sua torcida e enfrentando o brasileiro Corinthians, não podia desiludir seus torcedores.
Mas o título mundial escapou entre os dedos dos pés de Edmundo. Foi no dia 14 de janeiro de 2000. Um final trágico, parecido com o ocorrido recentemente com o co-irmão Fluminense. Decisão por pênaltis, depois de empates sem gols no tempo normal e na prorrogação. Vitória corinthiana por 4 x 3, com Edmundo jogando para fora a última cobrança.
Nem o Flamengo escapou. Diante de 70 mil torcedores, na fatídica noite de 30 de junho de 2004, perdeu a Copa do Brasil para o interiorano Santo André, do ABC paulista. Bastava uma vitória simples de 1 x 0 para ganhar o título e o direito de jogar a próxima Copa Libertadores da América. Em São Paulo havia empatado o primeiro jogo em 0 x 0. Mas o inesperado aconteceu: vitória do Santo André por 2 x 0.
Na noite de 22 de junho de 2005 o técnico Abel Braga conseguiu a façanha de ser bi-vice da Copa do Brasil, dessa vez comandando o Fluminense. O tricolor carioca, que havia perdido o primeiro jogo para o Paulista, em Jundiaí, por 2 x 0, não conseguiu furar o bloqueio adversário e ficou no 0 x 0. O clube do interior paulista foi campeão e se classificou para a Copa Libertadores da América. Foi uma grande frustração para os torcedores do Fluminense, que já haviam conhecido o “inferno” da segunda e terceira divisão.
E neste ano de 2008, antes do Fluminense perder o título da Copa Libertadores para a LDU, do Equador o Flamengo sofreu a humilhação de ser goleado no Maracanã por 3 x 0, pelo América do México, a quem havia vencido por 4 x 2, na altitude do Estádio Azteca, na capital mexicana. Os rubro-negros tiveram que agüentar a gozação dos torcedores dos outros clubes cariocas, que lembravam a todo o momento o nome do atacante paraguaio Cabañas, grande herói do jogo. Certamente outras tragédias menores ocorreram, mas creio que apenas essas já são suficientes para que o torcedor carioca chegue às lágrimas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Eu lembro que o Bangu, no tempo em que dava seus últimos suspiros como clube de projeção, proporcionou aos cariocas a primeira frustração numa disputa nacional. Foi no dia 1º de agosto de 1985, na mais inusitada final de um campeonato brasileiro, frente o Coritiba. Depois de empate em 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação, a decisão foi para os pênaltis. Na primeira série, 5 x 5. Na seqüência, o ponteiro esquerdo banguense Ado desperdiçou a penalidade, colocando a bola para fora. O zagueiro Gomes não errou e o time paranaense fez a festa.
O Botafogo foi o primeiro dos chamados grandes clubes do futebol carioca a sentir o amargor de uma inesperada derrota no Maracanã. Foi no dia 27 de junho de 1999. Os 127 mil torcedores alvinegros que foram ao estádio comemoravam antecipadamente o título da Copa do Brasil contra o Juventude de Caxias do Sul (RS), que vencera o primeiro jogo por 2 x 1, na Serra Gaúcha. Uma vitória simples do Botafogo por 1 x 0 seria o suficiente para carimbar as faixas de campeões.
Mas não foi isso que aconteceu. O time gaúcho não se intimidou e conseguiu segurar um empate sem gols, garantindo a maior conquista de sua história e o direito de participar pela primeira vez de uma Copa Libertadores da América.
Depois foi a vez do Vasco da Gama, na primeira edição do Campeonato Mundial de Clubes organizado pela FIFA. O clube da Cruz de Malta tinha a segunda oportunidade em sua história para ganhar o planeta. Antes, em plena comemoração do centenário, em 1998, no Japão já havia jogado fora a primeira chance, ao perder para o Real Madrid, da Espanha por 2 x 1. Dessa vez, frente sua torcida e enfrentando o brasileiro Corinthians, não podia desiludir seus torcedores.
Mas o título mundial escapou entre os dedos dos pés de Edmundo. Foi no dia 14 de janeiro de 2000. Um final trágico, parecido com o ocorrido recentemente com o co-irmão Fluminense. Decisão por pênaltis, depois de empates sem gols no tempo normal e na prorrogação. Vitória corinthiana por 4 x 3, com Edmundo jogando para fora a última cobrança.
Nem o Flamengo escapou. Diante de 70 mil torcedores, na fatídica noite de 30 de junho de 2004, perdeu a Copa do Brasil para o interiorano Santo André, do ABC paulista. Bastava uma vitória simples de 1 x 0 para ganhar o título e o direito de jogar a próxima Copa Libertadores da América. Em São Paulo havia empatado o primeiro jogo em 0 x 0. Mas o inesperado aconteceu: vitória do Santo André por 2 x 0.
Na noite de 22 de junho de 2005 o técnico Abel Braga conseguiu a façanha de ser bi-vice da Copa do Brasil, dessa vez comandando o Fluminense. O tricolor carioca, que havia perdido o primeiro jogo para o Paulista, em Jundiaí, por 2 x 0, não conseguiu furar o bloqueio adversário e ficou no 0 x 0. O clube do interior paulista foi campeão e se classificou para a Copa Libertadores da América. Foi uma grande frustração para os torcedores do Fluminense, que já haviam conhecido o “inferno” da segunda e terceira divisão.
E neste ano de 2008, antes do Fluminense perder o título da Copa Libertadores para a LDU, do Equador o Flamengo sofreu a humilhação de ser goleado no Maracanã por 3 x 0, pelo América do México, a quem havia vencido por 4 x 2, na altitude do Estádio Azteca, na capital mexicana. Os rubro-negros tiveram que agüentar a gozação dos torcedores dos outros clubes cariocas, que lembravam a todo o momento o nome do atacante paraguaio Cabañas, grande herói do jogo. Certamente outras tragédias menores ocorreram, mas creio que apenas essas já são suficientes para que o torcedor carioca chegue às lágrimas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
domingo, 6 de julho de 2008
Nossos eternos rivais argentinos
Nossos eternos rivais são os argentinos. Em qualquer coisa. É uma disputa histórica que vai muito além do que se pensa. É a liderança do continente que está em constante jogo. A balança econômica ora pende para cá, ora para lá. Em meio a tudo isso uma paixão que iguala os dois povos: o futebol. E aí reside a “mãe” de todas as rivalidades. Nem com os ingleses e a questão das Ilhas Malvinas, os argentinos duelam com tanto ardor. Talvez por terem sido dos mais aplicados discípulos dos inventores do futebol em todo o mundo.
A “Associación de Fútbol Argentino” (AFA) é a mais antiga da América do Sul e a oitava no mundo. Fundada em 21 de fevereiro de 1893, foi a primeira entidade futebolística do Continente a filiar-se a FIFA, em 1912. Nesses 115 anos de existência a AFA colecionou títulos da maior importância: a Seleção Nacional da Argentina ganhou os Mundiais de 1978 e 1986 e foi vice-campeã em 1930 e 1990.
Mostrou muita força nas Olimpíadas, ao ser Medalha de Ouro em 2004 e Prata em 1928 e 1996, além de conquistar 14 campeonatos Sul-Americanos. No seu acervo estão os troféus de mais de 100 torneios internacionais. Nas categorias de base, também um sem fim de títulos: 5 campeonatos mundiais “Sub 20” (1979, 95, 97, 2001 e 2005); 2 Torneios “Esperanzas de Toulón” (1975 e 98); 4 campeonatos Sul-Americanos “Sub 20/21” (1967, 97, 99 e 2003); 2 campeonatos Sul-Americanos “Sub 16/17” (1985 e 2003); 3 Torneios “Pré-Olímpicos” (1960, 64, 80 e 2004); 2 Jogos “Odesur” (1982 e 86) e 6 campeonatos Pan-Americanos (1951, 55, 59, 71, 95 e 2003).
O futebol argentino é hoje considerado um dos melhores do planeta. Os grandes clubes do mundo inteiro contam em seus plantéis com pelo menos um jogador argentino. A Seleção Nacional sempre ocupa as primeiras posições no ranking da FIFA.
A exemplo do que aconteceu no Brasil, o futebol chegou a Argentina por intermédio dos ingleses que vieram trabalhar, principalmente na construção de ferrovias. Na busca de uma vida melhor para seus familiares, criaram colônias e muitos colégios para a educação de seus filhos. E trouxeram nas bagagens, para o lazer, como diz a história "una vejiga de vaca como pelota y un par de piedras para demarcar los arcos”.
Um grupo de sócios do “Buenos Aires Cricket Club”, liderados pelos irmãos Thomas e James Hogg através de um edital publicado no jornal “The Standard”, no início de maio de 1867, convocaram os demais associados para uma reunião visando a prática e propagação do futebol.
O passo seguinte foi a fundação em 9 do mesmo mês do “Buenos Aires Football Club” e a organização de dois times: “Colorados” e “Blancos”. O primeiro jogo de futebol acontecido em solo argentino foi no dia 20 de junho de 1867, nos Bosques do Palermo, em Buenos Aires, próximo de onde hoje se encontra o Planetário. Os “Colorados” ganharam por 4 x 0, em uma partida que se iniciou às 12h30min e terminou às 14h30min. Thomas Hogg, eufórico, disse: "Esse é o maior passatempo, o mais fácil e mais barato para a juventude da classe média e para o povo". Mas na verdade durante muitos anos só jogavam futebol os ingleses e os clubes exclusivos da colônia.
Mas o grande impulso dado ao novo esporte, na Argentina, aconteceu quando da chegada de mais de 500 mil imigrantes ao país, entre os anos de 1880 e 1882. Entre eles estava o professor escocês graduado em Humanidades na Universidade de Edimburgo, Alejandro Watson Hutton, nascido em Glasgow, que desembarcou no porto de Buenos Aires em 1882, trazendo algumas bolas de futebol e "infladores".
Contratado para trabalhar no “Colégio Saint Andrew”, ali implantou a prática desportiva e cultural, fazendo com que os alunos se interessassem pelo futebol. Por causa disso, a relação entre Hutton e a direção da escola não era boa e foi obrigado a pedir demissão e fundou a "English High School", que deu origem ao mítico clube "Alumni".
O primeiro campeonato de futebol realizado na Argentina aconteceu no ano de 1891, com a participação apenas de clubes de Buenos Aires e foi organizado pela "Argentine Association Football League", presidida pelo senhor F.L. Wooley, com validade nacional. O “Saint Andrew’School” foi campeão. Além dele participaram do certame as equipes do “Buenos Aires Football Club”, “Buenos Aires al Rosario Railway”, “Old Caledonians”,”Belgrano Football Club” e “Hurlingham Football Club”. Essa liga teve pouca duração, pois o “Quilmes Rowers”, o mais importante clube daquela época e principal impulsor do esporte no vizinho país, não lhe deu apoio.
O clube foi fundado pelo professor Alejandro Watson Hutton, considerado "El Padre del Fútbol Argentino", que em 21 de fevereiro de 1893 também fundou uma nova "The Argentine Association Football League" (o mesmo nome da anterior), tendo como primeiros filiados o “Quilmes Athletic Club”, “Caledonian's”, “Saint Andrews”, “English High School”, “Lomas” e “Flores”. No mesmo ano foi disputado um campeonato que teve como campeão a equipe do “Lomas Athletic”.
Com a popularidade cada vez maior do futebol no país, muitos novos clubes surgiram e uma Liga Amadora foi fundada. Como o número de atletas aumentou desproporcionalmente, os clubes criaram os segundos quadros, o que originou muitas controvérsias. Por causa disso, entre 1912 e 1914 e entre 1929 e 1926 foram disputados campeonatos paralelos. Em 1926 houve a pacificação com a fusão das ligas, dando origem a "Associación Amateurs Argentina de Football".
Mas a nova associação não prosperou. Tanto que, em 10 de maio de 1931, uma nova reunião foi realizada, com a presença de representantes dos clubes "Atlanta”, “Boca Juniors”, “Chacarita Juniors”, “Estudiantes” de La Plata, “Huracán”, “Independiente”, “Platense”, “Quilmes”, “Lanús”, “Racing”, “River Plate”, “Tigre”, “Vélez Sarfield”, “Talleres”, “San Lorenzo” de Almagro, “Argentinos Juniors” e “Ferro Carril Oeste”", para fundação da “Liga Argentina de Football”.
Com a implantação do profissionalismo no futebol argentino, em 31 de maio de 1931, com a anuência de 18 clubes foi preciso reestruturar administrativamente a entidade maior, que passou a se chamar "Associación del Fútbol Argentino", nome que resiste até os dias de hoje. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A “Associación de Fútbol Argentino” (AFA) é a mais antiga da América do Sul e a oitava no mundo. Fundada em 21 de fevereiro de 1893, foi a primeira entidade futebolística do Continente a filiar-se a FIFA, em 1912. Nesses 115 anos de existência a AFA colecionou títulos da maior importância: a Seleção Nacional da Argentina ganhou os Mundiais de 1978 e 1986 e foi vice-campeã em 1930 e 1990.
Mostrou muita força nas Olimpíadas, ao ser Medalha de Ouro em 2004 e Prata em 1928 e 1996, além de conquistar 14 campeonatos Sul-Americanos. No seu acervo estão os troféus de mais de 100 torneios internacionais. Nas categorias de base, também um sem fim de títulos: 5 campeonatos mundiais “Sub 20” (1979, 95, 97, 2001 e 2005); 2 Torneios “Esperanzas de Toulón” (1975 e 98); 4 campeonatos Sul-Americanos “Sub 20/21” (1967, 97, 99 e 2003); 2 campeonatos Sul-Americanos “Sub 16/17” (1985 e 2003); 3 Torneios “Pré-Olímpicos” (1960, 64, 80 e 2004); 2 Jogos “Odesur” (1982 e 86) e 6 campeonatos Pan-Americanos (1951, 55, 59, 71, 95 e 2003).
O futebol argentino é hoje considerado um dos melhores do planeta. Os grandes clubes do mundo inteiro contam em seus plantéis com pelo menos um jogador argentino. A Seleção Nacional sempre ocupa as primeiras posições no ranking da FIFA.
A exemplo do que aconteceu no Brasil, o futebol chegou a Argentina por intermédio dos ingleses que vieram trabalhar, principalmente na construção de ferrovias. Na busca de uma vida melhor para seus familiares, criaram colônias e muitos colégios para a educação de seus filhos. E trouxeram nas bagagens, para o lazer, como diz a história "una vejiga de vaca como pelota y un par de piedras para demarcar los arcos”.
Um grupo de sócios do “Buenos Aires Cricket Club”, liderados pelos irmãos Thomas e James Hogg através de um edital publicado no jornal “The Standard”, no início de maio de 1867, convocaram os demais associados para uma reunião visando a prática e propagação do futebol.
O passo seguinte foi a fundação em 9 do mesmo mês do “Buenos Aires Football Club” e a organização de dois times: “Colorados” e “Blancos”. O primeiro jogo de futebol acontecido em solo argentino foi no dia 20 de junho de 1867, nos Bosques do Palermo, em Buenos Aires, próximo de onde hoje se encontra o Planetário. Os “Colorados” ganharam por 4 x 0, em uma partida que se iniciou às 12h30min e terminou às 14h30min. Thomas Hogg, eufórico, disse: "Esse é o maior passatempo, o mais fácil e mais barato para a juventude da classe média e para o povo". Mas na verdade durante muitos anos só jogavam futebol os ingleses e os clubes exclusivos da colônia.
Mas o grande impulso dado ao novo esporte, na Argentina, aconteceu quando da chegada de mais de 500 mil imigrantes ao país, entre os anos de 1880 e 1882. Entre eles estava o professor escocês graduado em Humanidades na Universidade de Edimburgo, Alejandro Watson Hutton, nascido em Glasgow, que desembarcou no porto de Buenos Aires em 1882, trazendo algumas bolas de futebol e "infladores".
Contratado para trabalhar no “Colégio Saint Andrew”, ali implantou a prática desportiva e cultural, fazendo com que os alunos se interessassem pelo futebol. Por causa disso, a relação entre Hutton e a direção da escola não era boa e foi obrigado a pedir demissão e fundou a "English High School", que deu origem ao mítico clube "Alumni".
O primeiro campeonato de futebol realizado na Argentina aconteceu no ano de 1891, com a participação apenas de clubes de Buenos Aires e foi organizado pela "Argentine Association Football League", presidida pelo senhor F.L. Wooley, com validade nacional. O “Saint Andrew’School” foi campeão. Além dele participaram do certame as equipes do “Buenos Aires Football Club”, “Buenos Aires al Rosario Railway”, “Old Caledonians”,”Belgrano Football Club” e “Hurlingham Football Club”. Essa liga teve pouca duração, pois o “Quilmes Rowers”, o mais importante clube daquela época e principal impulsor do esporte no vizinho país, não lhe deu apoio.
O clube foi fundado pelo professor Alejandro Watson Hutton, considerado "El Padre del Fútbol Argentino", que em 21 de fevereiro de 1893 também fundou uma nova "The Argentine Association Football League" (o mesmo nome da anterior), tendo como primeiros filiados o “Quilmes Athletic Club”, “Caledonian's”, “Saint Andrews”, “English High School”, “Lomas” e “Flores”. No mesmo ano foi disputado um campeonato que teve como campeão a equipe do “Lomas Athletic”.
Com a popularidade cada vez maior do futebol no país, muitos novos clubes surgiram e uma Liga Amadora foi fundada. Como o número de atletas aumentou desproporcionalmente, os clubes criaram os segundos quadros, o que originou muitas controvérsias. Por causa disso, entre 1912 e 1914 e entre 1929 e 1926 foram disputados campeonatos paralelos. Em 1926 houve a pacificação com a fusão das ligas, dando origem a "Associación Amateurs Argentina de Football".
Mas a nova associação não prosperou. Tanto que, em 10 de maio de 1931, uma nova reunião foi realizada, com a presença de representantes dos clubes "Atlanta”, “Boca Juniors”, “Chacarita Juniors”, “Estudiantes” de La Plata, “Huracán”, “Independiente”, “Platense”, “Quilmes”, “Lanús”, “Racing”, “River Plate”, “Tigre”, “Vélez Sarfield”, “Talleres”, “San Lorenzo” de Almagro, “Argentinos Juniors” e “Ferro Carril Oeste”", para fundação da “Liga Argentina de Football”.
Com a implantação do profissionalismo no futebol argentino, em 31 de maio de 1931, com a anuência de 18 clubes foi preciso reestruturar administrativamente a entidade maior, que passou a se chamar "Associación del Fútbol Argentino", nome que resiste até os dias de hoje. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 5 de julho de 2008
LDU entra para a história
A Liga Deportiva Universitaria Quito (LDU), fundada em 7 de janeiro de 1930 precisou de 78 anos para vencer uma competição internacional importante como a Copa Libertadores da América. Já o Fluminense F.C., do Rio de Janeiro, derrotado na cobrança de pênaltis, foi fundado em 21 de julho de 1902, e apesar de seus 103 anos até agora não passou de um colecionador de títulos regionais – 30 campeonatos cariocas, uma Taça do Brasil (1970), o campeonato brasileiro de 1984 e uma Copa do Brasil (2007), que lhe garantiu pela segunda vez na história participar do maior torneio do continente.
Ao contrário do que aconteceu no Brasil, onde a torcida se dividiu no apoio ao Fluminense, no Equador houve uma união de todos os torcedores em torno de seu representante: "Li-Li-Li- Liga campeón", gritou a multidão que foi à base da Força Aérea Equatoriana, no norte de Quito, receber a delegação da LDU, na última quinta-feira (3). "Isto é a prova de que o Equador cresceu no futebol, foi uma vitória do país e não só da Liga de Quito", disse o atacante Agustín Delgado, em meio ao assédio dos torcedores.
O reencontro dos “heróis” da LDU com sua torcida se dará neste domingo (6), por ocasião do jogo contra o Emelec, pelo campeonato nacional do Equador, quando será dada a volta olímpica no gramado do Estádio Casa Blanca.
Na verdade a LDU deveria ter 90 anos e não 78. O clube surgiu em 1918, por iniciativa de professores e alunos da Universidade Central de Quito, com o nome de “Universitário”, mas não de forma oficial, e durante 12 anos disputou apenas jogos amistosos. Somente em 1930, quando dirigido pelo desportista Bolívar Leon, que contou com a ajuda do presidente do Equador, José María Velasco Ibarra, o “Universitário” conseguiu regularizar sua situação, mudou o nome para LDU e passou a disputar competições amadoras de nível nacional.
O primeiro título veio em 1932, campeão nacional amador, feito que se repetiria em 1952. A LDU voltou a vencer em 1954, 1959, 1960, 1961, 1966 e 1967, no campeonato amador da província de Pichincha, na região noroeste do país. O destaque do time era o atacante brasileiro José Gomes Nogueira, hoje empresário de jogadores de futebol, que teve uma passagem como técnico interino do Corinthians em 1957 e depois treinou a Seleção do Peru nos anos 60.
Outro brasileiro que defendeu a LDU foi Paulo Massa, que comandou a equipe na conquista do título nacional de 1998. Quando era técnico do El Nacional, também do Equador, ele foi protagonista de um episódio envolvendo uma emissora de televisão do Brasil. Num jogo entre Santos e sua equipe, um comentarista o confundiu com outro treinador, Paulo Matta, que ficou conhecido por ter protestado contra a arbitragem, abaixando a calça em um jogo do Itaperuna pelo campeonato carioca nos anos 90. O comentarista foi devidamente processado.
A filiação a Federación Ecuatoriana de Fútbol ocorreu somente ao final da década de 60, quando passou a disputar o Campeonato Nacional. O primeiro título na principal divisão foi conquistado em 1969, tendo ainda como principal peça o meia atacante brasileiro Gomes Nogueira, um dos maiores ídolos da história dos “Azucenas” ou “Los Albos”, como a LDU é carinhosamente chamada por seus torcedores.
Em 1972, depois de uma crise técnica o time foi rebaixado para a segunda divisão, onde ficou apenas uma temporada. Foi campeão invicto e no ano seguinte estava de volta a divisão principal, onde retomou o caminho das vitórias. Em 1974 e 1975, a equipe venceu o Campeonato Equatoriano e obteve pela terceira vez vaga na Copa Libertadores da América. Em 1976, quando chegou as semifinais, a LDU fez sua segunda melhor campanha na competição, ficando atrás, obviamente, da conquista desta semana.
Nos anos 80 a equipe não venceu nenhuma competição nacional, o que voltou a acontecer na década de 1990, quando ganhou três campeonatos do Equador, em 1990, 1998 e 1999. Em 1997 foi inaugurado o Estádio Casa Blanca, com capacidade para 55 mil espectadores e conhecido como “La Marvilla de Ponceano”.
Em 2000 nova visita a segunda divisão. E repetindo 1972, no ano seguinte voltou à elite. E em seguida novos títulos nacionais: em 2003, 2005 e 2007, se tornando o quarto maior vencedor do país com nove conquistas, ficando atrás de Barcelona (13), El Nacional (13) e Emelec (10).
Entre os principais jogadores que defenderam a LDU estão o argentino Roberto “El Pibe” Ortega, que também foi treinador, o brasileiro José Gomes Nogueira, o chileno Román Soto, o paraguaio José Maria Ocampo, o colombiano Leonel Montoya, e os equatorianos Cristian Mora, goleiro e os meias Alex Aguinaga e Edison Mendes. E, naturalmente os recentes campeões da América: José Cevallos – Campos - Calle e Araújo – Jofre Guerron (vendido ao Getafe da Espanha) – Vera – Urrutia - Bolaños – Salas – Agustín Delgado - Ambrosi - Manso - Willian Araújo – Bieler, o técnico Edgardo Bauza e os demais atletas que participaram do elenco vitorioso.
O futebol chegou ao Equador em 1899, através os irmãos, Juan Alfredo e Roberto Wright, que levaram a primeira bola ao país e fizeram uma demonstração do novo esporte no Club Deportivo Guayaquil. O primeiro jogo oficial no país aconteceu um ano depois, em 1900.
Em 1925, nasceu a federação equatoriana, que em seguida se filiou à Fifa, e surgiram os times mais populares do país, Barcelona e Emelec. A primeira liga organizada pela federação foi criada em 1957. A seleção nacional só começou a disputar jogos internacionais fora da América do Sul em 1970.
O primeiro campeonato equatoriano de futebol ocorreu em 1957 e o Club Sport Emelec foi o campeão. Participam da primeira divisão dez clubes, que jogam entre si uma primeira etapa em turno e returno, classificando os seis melhores para uma fase final, também em turno e returno. A maior goleada do futebol equatoriano em todos os tempos foi obra da LDU, ao vencer o América de Ambato por 11 x 0, quando o atacante uruguaio Francisco Bertocchi, fez oito gols, outro recorde no país.
A evolução do futebol no Equador foi lenta, o que até certo ponto se justifica porque não era o esporte mais difundido no país. Essa situação começou a mudar com a chegada do técnico iugoslavo Dussan Draskovic, que treinou a seleção nacional entre 1988 e 1994. Nessa época surgiram grandes jogadores como Alex Aguinaga e Hermán Darío “El Bolillo” Gómez, que posteriormente ajudaram a Seleção a conquistar vaga para a primeira participação equatoriana em uma Copa do Mundo, 2002, no Japão/Coréia do Sul. Foi uma presença fraca, sendo eliminada na primeira fase. O time somou uma vitória contra a Croácia e duas derrotas diante de Itália e México. Em 2006, disputou o Mundial da Alemanha, sendo eliminada pela Inglaterra nas oitavas-de-final.
Agora, com a LDU, o futebol do Equador vai conhecer uma nova experiência internacional: em dezembro deste ano vai disputar o Mundial de Clubes, no Japão, contra Manchester United (Inglaterra), Pachuca (México) e Waitakere United (Nova Zelândia). Os outros três participantes - os campeões da África, da Ásia e do Japão - serão conhecidos até novembro. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Ao contrário do que aconteceu no Brasil, onde a torcida se dividiu no apoio ao Fluminense, no Equador houve uma união de todos os torcedores em torno de seu representante: "Li-Li-Li- Liga campeón", gritou a multidão que foi à base da Força Aérea Equatoriana, no norte de Quito, receber a delegação da LDU, na última quinta-feira (3). "Isto é a prova de que o Equador cresceu no futebol, foi uma vitória do país e não só da Liga de Quito", disse o atacante Agustín Delgado, em meio ao assédio dos torcedores.
O reencontro dos “heróis” da LDU com sua torcida se dará neste domingo (6), por ocasião do jogo contra o Emelec, pelo campeonato nacional do Equador, quando será dada a volta olímpica no gramado do Estádio Casa Blanca.
Na verdade a LDU deveria ter 90 anos e não 78. O clube surgiu em 1918, por iniciativa de professores e alunos da Universidade Central de Quito, com o nome de “Universitário”, mas não de forma oficial, e durante 12 anos disputou apenas jogos amistosos. Somente em 1930, quando dirigido pelo desportista Bolívar Leon, que contou com a ajuda do presidente do Equador, José María Velasco Ibarra, o “Universitário” conseguiu regularizar sua situação, mudou o nome para LDU e passou a disputar competições amadoras de nível nacional.
O primeiro título veio em 1932, campeão nacional amador, feito que se repetiria em 1952. A LDU voltou a vencer em 1954, 1959, 1960, 1961, 1966 e 1967, no campeonato amador da província de Pichincha, na região noroeste do país. O destaque do time era o atacante brasileiro José Gomes Nogueira, hoje empresário de jogadores de futebol, que teve uma passagem como técnico interino do Corinthians em 1957 e depois treinou a Seleção do Peru nos anos 60.
Outro brasileiro que defendeu a LDU foi Paulo Massa, que comandou a equipe na conquista do título nacional de 1998. Quando era técnico do El Nacional, também do Equador, ele foi protagonista de um episódio envolvendo uma emissora de televisão do Brasil. Num jogo entre Santos e sua equipe, um comentarista o confundiu com outro treinador, Paulo Matta, que ficou conhecido por ter protestado contra a arbitragem, abaixando a calça em um jogo do Itaperuna pelo campeonato carioca nos anos 90. O comentarista foi devidamente processado.
A filiação a Federación Ecuatoriana de Fútbol ocorreu somente ao final da década de 60, quando passou a disputar o Campeonato Nacional. O primeiro título na principal divisão foi conquistado em 1969, tendo ainda como principal peça o meia atacante brasileiro Gomes Nogueira, um dos maiores ídolos da história dos “Azucenas” ou “Los Albos”, como a LDU é carinhosamente chamada por seus torcedores.
Em 1972, depois de uma crise técnica o time foi rebaixado para a segunda divisão, onde ficou apenas uma temporada. Foi campeão invicto e no ano seguinte estava de volta a divisão principal, onde retomou o caminho das vitórias. Em 1974 e 1975, a equipe venceu o Campeonato Equatoriano e obteve pela terceira vez vaga na Copa Libertadores da América. Em 1976, quando chegou as semifinais, a LDU fez sua segunda melhor campanha na competição, ficando atrás, obviamente, da conquista desta semana.
Nos anos 80 a equipe não venceu nenhuma competição nacional, o que voltou a acontecer na década de 1990, quando ganhou três campeonatos do Equador, em 1990, 1998 e 1999. Em 1997 foi inaugurado o Estádio Casa Blanca, com capacidade para 55 mil espectadores e conhecido como “La Marvilla de Ponceano”.
Em 2000 nova visita a segunda divisão. E repetindo 1972, no ano seguinte voltou à elite. E em seguida novos títulos nacionais: em 2003, 2005 e 2007, se tornando o quarto maior vencedor do país com nove conquistas, ficando atrás de Barcelona (13), El Nacional (13) e Emelec (10).
Entre os principais jogadores que defenderam a LDU estão o argentino Roberto “El Pibe” Ortega, que também foi treinador, o brasileiro José Gomes Nogueira, o chileno Román Soto, o paraguaio José Maria Ocampo, o colombiano Leonel Montoya, e os equatorianos Cristian Mora, goleiro e os meias Alex Aguinaga e Edison Mendes. E, naturalmente os recentes campeões da América: José Cevallos – Campos - Calle e Araújo – Jofre Guerron (vendido ao Getafe da Espanha) – Vera – Urrutia - Bolaños – Salas – Agustín Delgado - Ambrosi - Manso - Willian Araújo – Bieler, o técnico Edgardo Bauza e os demais atletas que participaram do elenco vitorioso.
O futebol chegou ao Equador em 1899, através os irmãos, Juan Alfredo e Roberto Wright, que levaram a primeira bola ao país e fizeram uma demonstração do novo esporte no Club Deportivo Guayaquil. O primeiro jogo oficial no país aconteceu um ano depois, em 1900.
Em 1925, nasceu a federação equatoriana, que em seguida se filiou à Fifa, e surgiram os times mais populares do país, Barcelona e Emelec. A primeira liga organizada pela federação foi criada em 1957. A seleção nacional só começou a disputar jogos internacionais fora da América do Sul em 1970.
O primeiro campeonato equatoriano de futebol ocorreu em 1957 e o Club Sport Emelec foi o campeão. Participam da primeira divisão dez clubes, que jogam entre si uma primeira etapa em turno e returno, classificando os seis melhores para uma fase final, também em turno e returno. A maior goleada do futebol equatoriano em todos os tempos foi obra da LDU, ao vencer o América de Ambato por 11 x 0, quando o atacante uruguaio Francisco Bertocchi, fez oito gols, outro recorde no país.
A evolução do futebol no Equador foi lenta, o que até certo ponto se justifica porque não era o esporte mais difundido no país. Essa situação começou a mudar com a chegada do técnico iugoslavo Dussan Draskovic, que treinou a seleção nacional entre 1988 e 1994. Nessa época surgiram grandes jogadores como Alex Aguinaga e Hermán Darío “El Bolillo” Gómez, que posteriormente ajudaram a Seleção a conquistar vaga para a primeira participação equatoriana em uma Copa do Mundo, 2002, no Japão/Coréia do Sul. Foi uma presença fraca, sendo eliminada na primeira fase. O time somou uma vitória contra a Croácia e duas derrotas diante de Itália e México. Em 2006, disputou o Mundial da Alemanha, sendo eliminada pela Inglaterra nas oitavas-de-final.
Agora, com a LDU, o futebol do Equador vai conhecer uma nova experiência internacional: em dezembro deste ano vai disputar o Mundial de Clubes, no Japão, contra Manchester United (Inglaterra), Pachuca (México) e Waitakere United (Nova Zelândia). Os outros três participantes - os campeões da África, da Ásia e do Japão - serão conhecidos até novembro. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Um baile ao ritmo de “Touradas de Madrid”
Quem não conhece ou não cantou a marcha carnavalesca “Touradas de Madrid?”. Não foi só nos bailes carnavalescos de outrora que ela fez sucesso. João de Barro, o Braguinha, e o médico Alberto Ribeiro, autores da música talvez não imaginassem que um dia ela seria cantada por cerca de 200 mil vozes num estádio de futebol. E isso aconteceu. Foi no dia 13 de julho de 1950, no Maracanã, quando a Seleção Brasileira massacrou a Seleção Espanhola por 6 x 1, em jogo válido pela Copa do mundo disputada em nosso país. Essa é a melhor recordação que temos daquela competição, em que na final perdemos o título para o Uruguai, num jogo que gostaríamos de nunca mais lembrar.
A cada gol brasileiro o canto da torcida: "Eu fui às touradas de Madri e conheci uma espanhola natural da Catalunha. Queria que eu tocasse castanholas e pegasse um touro à unha. Caramba, caracoles, sou do samba, não me amoles pro Brasil eu vou partir. Isso é conversa mole pra boi dormir. Para-tchim-bum-bum-bum. Para-tchim-bum-bum-bum. Eu fui às touradas em Madri. Para-tchim-bum-bum-bum. E quase não volto mais aqui-i-i pra ver Peri-i-i, beijar Ceci. Para-tchim-bum-bum-bum....."
A marcha eternizou-se naquele momento mágico e ali ganhou força a tradição do canto da massa apaixonada por futebol em todos os estádios do país. Foi uma experiência inesquecível, para nunca mais ser esquecida. A melodia parecia ter sido feita sob encomenda para aquele jogo, em que o extraordinário Zizinho, ao marcar três gols, ditou o ritmo para o bailado. Pena é que aquele time cheio de craques não tenha sido campeão. A base da equipe treinada por Flávio Costa era: Barbosa - Augusto e Juvenal – Bauer - Danilo e Bigode – Friaça – Zizinho – Ademir - Jair e Chico.
O canto das torcidas nos estádios acompanha o futebol brasileiro desde os primórdios, com músicas como “1 x 0”, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, de 1919, que foi receber letra 74 anos depois, escrita pelo mineiro Nelson Ângelo, que o gravou com participação de Chico Buarque. E os cânticos corintianos que homenageavam Cláudio e Baltazar, nos anos 40 e 50. Mas, indiscutivelmente foi a partir da goleada contra a Espanha, que o canto ganhou projeção e até hoje serve para extravasar a empolgação dos torcedores.
Em 1918, quando o América do Rio de Janeiro era um clube de grande popularidade e torcida, o compositor Francisco Teles o contemplou com a marcha esportiva "Ale-Guá”, cujo refrão repetia o grito das torcidas da época: "Ale-guá, guá, guá, hurrah! hurrah!"
O jornalista Mauricio Azevedo, autor do mais completo trabalho sobre relações entre música e futebol, aponta o chorinho “Flamengo”, de Bonfiglio de Oliveira, como a primeira musica abordando o tema. Mas há quem garanta que ela foi dedicada ao bairro e não ao time. Já o pesquisador José Ramos Tinhorão cita a polca “Amadores da Pelota”, de Borges Teixeira, gravada entre 1913 e 1915 como a primeira música dedicada ao futebol.
O jornalista mineiro Beto Xavier, escreveu o livro “O futebol no país da música", onde em 400 páginas relaciona mais de 350 músicas que falam, direta ou indiretamente de futebol. A inspiração para escrever o livro surgiu com a música de Jorge Bem Jor, “Fio Maravilha”, que transformou o ex-jogador do Flamengo num mito futebolístico.
Segundo Beto Xavier, entre todos os times brasileiros, o Flamengo é o mais cantado. Depois vem o Corinthians. Ele confirma que o choro “1 x 0”, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, foi a primeira composição feita no Brasil falando de futebol.
Durante todos esses anos é praticamente incontável o número de músicas feitas para clubes de futebol e a Seleção Brasileira. Muitas delas se tornaram célebres e são repetidas até hoje como o “Pra frente Brasil” e “Voa Passarinho”. E até as escolas de samba cantam nas passarelas carnavalescas as glórias dos grandes clubes do país do futebol.
A torcida do Flamengo tem sido a mais criativa nos últimos tempos. A música “Poeira”, cantada por Ivete Sangalo já fez sucesso nas arquibancadas rubro-negras. E mais recentemente “Ninguém cala esse chororô” e “Creu”, em alusão a vitória sobre o Botafogo no último Campeonato Carioca e as lamentações alvinegras. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A cada gol brasileiro o canto da torcida: "Eu fui às touradas de Madri e conheci uma espanhola natural da Catalunha. Queria que eu tocasse castanholas e pegasse um touro à unha. Caramba, caracoles, sou do samba, não me amoles pro Brasil eu vou partir. Isso é conversa mole pra boi dormir. Para-tchim-bum-bum-bum. Para-tchim-bum-bum-bum. Eu fui às touradas em Madri. Para-tchim-bum-bum-bum. E quase não volto mais aqui-i-i pra ver Peri-i-i, beijar Ceci. Para-tchim-bum-bum-bum....."
A marcha eternizou-se naquele momento mágico e ali ganhou força a tradição do canto da massa apaixonada por futebol em todos os estádios do país. Foi uma experiência inesquecível, para nunca mais ser esquecida. A melodia parecia ter sido feita sob encomenda para aquele jogo, em que o extraordinário Zizinho, ao marcar três gols, ditou o ritmo para o bailado. Pena é que aquele time cheio de craques não tenha sido campeão. A base da equipe treinada por Flávio Costa era: Barbosa - Augusto e Juvenal – Bauer - Danilo e Bigode – Friaça – Zizinho – Ademir - Jair e Chico.
O canto das torcidas nos estádios acompanha o futebol brasileiro desde os primórdios, com músicas como “1 x 0”, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, de 1919, que foi receber letra 74 anos depois, escrita pelo mineiro Nelson Ângelo, que o gravou com participação de Chico Buarque. E os cânticos corintianos que homenageavam Cláudio e Baltazar, nos anos 40 e 50. Mas, indiscutivelmente foi a partir da goleada contra a Espanha, que o canto ganhou projeção e até hoje serve para extravasar a empolgação dos torcedores.
Em 1918, quando o América do Rio de Janeiro era um clube de grande popularidade e torcida, o compositor Francisco Teles o contemplou com a marcha esportiva "Ale-Guá”, cujo refrão repetia o grito das torcidas da época: "Ale-guá, guá, guá, hurrah! hurrah!"
O jornalista Mauricio Azevedo, autor do mais completo trabalho sobre relações entre música e futebol, aponta o chorinho “Flamengo”, de Bonfiglio de Oliveira, como a primeira musica abordando o tema. Mas há quem garanta que ela foi dedicada ao bairro e não ao time. Já o pesquisador José Ramos Tinhorão cita a polca “Amadores da Pelota”, de Borges Teixeira, gravada entre 1913 e 1915 como a primeira música dedicada ao futebol.
O jornalista mineiro Beto Xavier, escreveu o livro “O futebol no país da música", onde em 400 páginas relaciona mais de 350 músicas que falam, direta ou indiretamente de futebol. A inspiração para escrever o livro surgiu com a música de Jorge Bem Jor, “Fio Maravilha”, que transformou o ex-jogador do Flamengo num mito futebolístico.
Segundo Beto Xavier, entre todos os times brasileiros, o Flamengo é o mais cantado. Depois vem o Corinthians. Ele confirma que o choro “1 x 0”, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, foi a primeira composição feita no Brasil falando de futebol.
Durante todos esses anos é praticamente incontável o número de músicas feitas para clubes de futebol e a Seleção Brasileira. Muitas delas se tornaram célebres e são repetidas até hoje como o “Pra frente Brasil” e “Voa Passarinho”. E até as escolas de samba cantam nas passarelas carnavalescas as glórias dos grandes clubes do país do futebol.
A torcida do Flamengo tem sido a mais criativa nos últimos tempos. A música “Poeira”, cantada por Ivete Sangalo já fez sucesso nas arquibancadas rubro-negras. E mais recentemente “Ninguém cala esse chororô” e “Creu”, em alusão a vitória sobre o Botafogo no último Campeonato Carioca e as lamentações alvinegras. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 28 de junho de 2008
Os 50 anos da primeira grande conquista brasileira
Lembro
como se fosse hoje. Era uma fria manhã, naquele dia 29 de junho de 1958. Lá
fora uma chuva fininha teimava em cair, forçando a que se permanecesse dentro
de casa. Lá na distante Suécia era de tarde. Uma tarde de decisão. O Brasil,
pela segunda vez disputaria uma final de Copa do Mundo. A primeira nos deixou
uma triste lembrança, quando os uruguaios comandados por Obdúlio Varela nos ganharam de 2 X 1 em pleno Maracanã.
Que
saudade daquele dia 29. Até pelo fato de que eu era ainda um garoto, apenas 17
anos, morando na pequena e querida Dom Pedrito (RS) que me viu nascer. Sobre a
mesinha do quarto um rádio de luz, se bem me recordo da marca “Orbiphon”, ou
coisa parecida. Rádio de pilha não existia. Televisão naquela época era coisa
de cinema, ainda muito distante da província. As transmissões radiofônicas não
tinham a qualidade de som de hoje. Embora os verdadeiros milagres que as
emissoras faziam, o som era uma mistura de ruídos que às vezes chegavam mais
alto que as vozes dos locutores.
Na
Rádio Guaíba, de Porto Alegre, a primeira emissora do Rio Grande do Sul a
transmitir uma Copa do Mundo fora do país, o narrador era o saudoso Mendes
Ribeiro. Nas emissoras do Rio de Janeiro e São Paulo, profissionais notáveis
como Oduvaldo Cozzi, Jorge Cury, Antônio Cordeiro, Pedro Luiz, Edson Leite e
Fiori Gigliotti. Foi nas vozes deles que ouvi todos os jogos do selecionado
brasileiro.
A
Seleção de 1958 era bem diferente das recentes de Parreira e Dunga. Existiam
craques de verdade. A torcida sentia desde o primeiro jogo que algo de
grandioso estava por acontecer. Pela primeira vez em sua história, a Copa do
Mundo fez justiça ao melhor, ao mais forte, ao mais entusiasmado e categorizado
time de futebol. A Copa não repetiu 1950, quando a força e a garra uruguaia
derrotaram a técnica brasileira. Nem 1954, quando a máquina húngara foi
desmontada pela organização alemã. Não. A Copa foi para as mãos de quem a
cortejou melhor, de quem a cativou através de jogadores sensacionais, dribles
estonteantes e gols fantásticos.
No
jogo final em 29 de junho de 1958 o Brasil passou por uma experiência inédita
naquela Copa. Pela primeira vez enfrentou um placar adverso, já que a Suécia
fez 1 X 0 logo aos 4 minutos, numa jogada em que Liedholm envolveu toda a nossa
defesa, enganou o goleiro Gilmar com um belo drible de corpo, para depois
colocar a bola no fundo da rede.
Nem
deu tempo para se pensar em nova frustração. Aos 9 minutos, Garrincha deu um
passe certeiro para Vavá que fechou pelo meio e empatou o jogo. Aos 31 minutos
a repetição da jogada. Garrincha recebeu a bola de Didi pela direita, driblou
Borjersson e Axbon e deixou Vavá na cara do gol para fazer 2 X 1. Fim de
primeiro tempo com vantagem brasileira, no placar, na técnica e na raça.
Veio
o segundo tempo. Aos 10 minutos, Pelé marcou seu primeiro gol no jogo e o
terceiro do Brasil. Um golaço. Recebeu a bola de Didi pelo centro de campo,
driblou dois adversários fazendo embaixada e jogando o corpo para a esquerda.
Quando o goleiro Svensson saiu para tentar a defesa, Pelé cutucou a bola para o
fundo da rede. O caminho da goleada estava aberto. Aos 23 minutos Zagalo, em
grande estilo, fez 4 X 1. Os suecos tentaram reagir e marcaram o segundo gol,
aos 35minutos, através de Simonsson, aproveitando o aparente desinteresse
brasileiro de continuar atacando.
Ledo
engano. Aos 45 minutos, para aumentar o calor da festa, dentro e fora de campo,
Pelé fez seu segundo gol e o quinto do Brasil. Nesse momento surgiram nas
arquibancadas do estádio de Solna, Rasunda, em Estocolmo algumas bandeiras
brasileiras, enquanto milhares de bandeiras suecas eram guardadas. Festa
memorável. Jogadores, comissão técnica, dirigentes, todos chorando de emoção e
alegria. Finalmente, a tragédia de 1950 virava coisa do passado.
O
selecionado verde e amarelo jogou e foi campeão com Gilmar – Djalma Santos –
Belini e Nilton Santos – Zito e Orlando – Garrincha – Didi – Vavá – Pelé e
Zagalo. A Suécia formou com Svesson – Bergmark – Axbon e Borjerson – Gustavsson
e Parling – Hamrin – Gren – Simonsson – Liedholm e Skoglund. O juiz foi o
francês Maurice Guingue, auxiliado por A. Duss, da Alemanha e Gardeazabal, da
Espanha e 49.737 pessoas assistiram o jogo.
Para
chegar a tão memorável conquista o Brasil passou por vários estágios e
experiências. Pela primeira vez foi feito um trabalho sério a nível
administrativo, graças à competência de um extraordinário desportista chamado
Paulo Machado de Carvalho, que chefiou a delegação brasileira a Suécia. Os
jogadores passaram por rigorosos exames através o médico Hilton Gosling. Depois
veio a fase de concentração, começando por Poços de Caldas e seguindo por
Araxá.
Vieram
os jogos que serviram de testes para a equipe que o técnico Vicente Feola
pretendia montar como base para a Copa do Mundo. No Maracanã, contra o
Paraguai, que eliminou o Uruguai, uma goleada por 5 X 1. No segundo jogo contra
os paraguaios, no Pacaembu, em São Paulo, empate sem gols. Depois, enfrentamos
a Bulgária e conquistamos duas vitórias: 4 X 0 no Maracanã e 3 X 1 no Pacaembu.
A despedida do Brasil foi contra o Corinthians Paulista, numa goleada de 5 X 0.
Antes
de desembarcar na Suécia o nosso selecionado passou pela Itália, onde derrotou
a Fiorentina e a Internazionale, em duas goleadas de 4 X 0. Terminada a fase
preparatória, a chegada no Tourist Hotel, na pequena cidade de Hindas,
considerada a concentração cientificamente perfeita.
Finalmente
o jogo de estréia, no dia 8 de junho, em Udevala, contra a valente Áustria, que
dançou uma valsa e assistiu o bailado maravilhoso de nossos craques. Foi uma
verdadeira dança de gols, 3 X 0. Mazzola fez dois e Nilton Santos completou a
goleada. Jogamos com Gilmar – De Sordi – Belini e Nilton Santos – Dino e
Orlando – Joel – Didi – Mazzola – Dida e Zagalo.
Em
11 de junho, na cidade de Gotemburgo, o segundo jogo. Não conseguimos furar o
bloqueio inglês e o escore ficou em branco. A escalação foi a mesma do jogo
contra a Áustria. Naquela Copa ainda não era permitido substituições durante o
desenrolar dos jogos, como acontece hoje com a chamada Regra 3.
No
dia 16, ainda em Gotemburgo, o esperado jogo contra a União Soviética, que com
seu futebol chamado de científico, vinha sendo apontada como a grande favorita
para ganhar a Copa. Os computadores que consideravam os russos imbatíveis
esqueceram de programar os dribles desconcertantes de Garrincha, a grande arma
secreta do Brasil, que naquele jogo entrou em ação.
Os
soviéticos ainda se arrumavam em campo, quando levaram o primeiro gol. Eram
dois minutos. Vavá arrancou como um foguete e estufou a rede de nylon da
cidadela defendida pelo legendário goleiro Yashin. Os torcedores presentes ao
Estádio Nya Ullevi começavam a assistir uma verdadeira aula de futebol, não
havendo russo capaz de parar o endiabrado Garrincha. Aos 29 minutos do segundo
tempo Vavá fez 2 X 0, aproveitando o rebote depois de um violento chute
desferido por Pelé e defendido parcialmente por Yashin. O Brasil venceu com
Gilmar – De Sordi – Belini e Nilton Santos – Zito e Orlando – Garrincha – Didi
– Vavá – Pelé e Zagalo.
No
dia 19 de junho, outra vez em Gotemburgo, uma vitória suada contra o País de
Gales, por 1 X 0, gol marcado por Pelé aos 28 minutos do segundo tempo. Dia 24,
em Estocolmo, enfrentamos a temível França, que vinha de uma série de vitórias
espetaculares, tendo como destaque o artilheiro Fontaine. Foi uma goleada
memorável de 5 X 2, com três gols de Pelé, um de Vavá e um de Didi. Fontaine e
Piantoni descontaram para os franceses. O Brasil utilizou a mesma formação que
enfrentou a União Soviética e o País de Gales. Vale lembrar a fantástica equipe
francesa: Abbes – Koelebel – Jonquet e Lerond – Penverne e Marcel – Wiesnieski
– Fontaine – Kopa – Piantoni e Vicent.
Depois
a final contra a Suécia e a volta ao Brasil com o caneco na mão. A Taça Jules
Rimet, finalmente veio para o país do futebol. Os jogadores que formaram aquela
memorável seleção foram recebidos como heróis. Entre eles o gaúcho de Santa
Maria, Waldemar Rodrigues Martins, o Oreco, que fez parte de um famoso trio no
Internacional de Porto Alegre: Oreco, Salvador e Odorico.
Foram
campeões do mundo estes jogadores: Gilmar (Corinthians), Castilho (Fluminense),
De Sordi (São Paulo), Djalma Santos (Portuguesa de Desportos), o capitão Belini
(Vasco da Gama), Mauro (São Paulo), Nilton Santos (Botafogo), Oreco
(Corinthians), Zito (Santos), Dino Sani (São Paulo), Orlando (Vasco da Gama),
Zózimo (Bangu), Garrincha (Botafogo), Didi (Botafogo), Moacir (Flamengo), Vavá
(Vasco da Gama), Mazzola (Palmeiras), Pelé (Santos), Dida (Flamengo), Zagalo
(Flamengo) e Pepe (Santos).
Também
foram campeões o massagista Mário Américo (Portuguesa de Desportos), roupeiro
Francisco Assis (Santos), médico Hilton Gosling, técnico Vicente Feola e o
chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho. A Confederação Brasileira de
Desportos (CBD), hoje Confederação Brasileira de Futebol (CBF), era presidida
por João Havellange.
Foi
uma grande festa em todo o país. Lembro que a minha pequena Dom Pedrito, pela
primeira vez assistia um desfile tão grande de automóveis buzinando e
percorrendo as principais ruas da cidade, como a avenida Rio Branco (onde eu
morava) e Barão de Upacaraí e naturalmente o contorno da Praça General Osório,
principal ponto de encontro. A tarde inteira foi um espocar só de foguetes. Até
meu saudoso pai, que não era muito chegado a futebol, entrou na festa e no
fundo do quintal lá de casa, disparou alguns tiros de revólver que se
confundiram com o barulho dos foguetes.
Festa
igual aquela, Dom Pedrito não assistiu nem quando o meu querido Botafogo F.C.,
o tricolor do Estádio Floribal Jardim, perto da Estação Velha, derrotava o seu
eterno rival e freguês, E.C. Cruzeiro.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
A origem do gol de letra
A expressão gol de letra de há muito faz parte do vocabulário do futebol. É até nome de uma Organização Não-Governamental (ONG), a “Fundação Gol de Letra”, criada pelos ex-jogadores de futebol, Raí e Leonardo, para atendimento a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. O nome é bonito, soa bem, mas sua origem, poucos sabem. Primeiro, é preciso explicar como é a jogada que merece ser chamada assim. É o gol em que o jogador trança as pernas, como quem faz um xis e muda o pé que chuta.
Quem batizou a jogada foi o jornalista Mário Filho, hoje nome oficial do Estádio do Maracanã. Foi num jogo pela oitava rodada do segundo turno do Campeonato Carioca de 1942, no Estádio das Laranjeiras entre Fluminense e Madureira. O time dono da casa ostentava o título de bicampeão e era forte candidato ao tricampeonato. O onze do Madureira, nada mais tinha a fazer na competição, apenas cumpria carnê. Mas seu time era muito bom, principalmente o ataque onde despontava o trio Lelé, Isaías e Jair, que a imprensa apelidou carinhosamente de os “Três Patetas”, pois faziam com a bola o que queriam, em jogadas talentosas que surpreendiam os adversários e arrancavam risos dos torcedores.
Nessa tarde de 2 de agosto os “Três Patetas” estavam infernais. Sem tomar conhecimento do adversário e suas pretensões, o Madureira aplicou uma goleada de 4 x 1. O centroavante Isaias foi o autor de um gol, que pela técnica e beleza, até hoje dá o que falar. Ele chutou a bola com as pernas cruzadas em X, e Mário Filho, não teve dúvidas e criou na hora a expressão gol de letra. Como no futebol quase tudo ganha contornos extras, o tempo se encarregou de transformar o ocorrido naquele jogo em lenda, ou quase isso. Não existe nada oficial, mas os mais velhos garantem que por causa do gol chamado de “letra”, a torcida tricolor não queria deixar Isaías sair vivo do estádio.
O autor de tão inusitado gol, já falecido, teve que suportar por muitos anos a ira dos torcedores do Fluminense, que consideraram a jogada uma humilhação ao time, visto que naquela época um simples drible a mais era visto como tentativa de desmoralização. Não era a toa que os zagueiros, geralmente chamados de “guarda-roupas”, não levavam desaforo para casa e o “pau” corria solto. Terminado o Campeonato Carioca de 1942, o Vasco da Gama contratou os três atacantes. E com eles foi campeão invicto de 1945.
Coisa incrível, difícil de acreditar, mas é verdade. Os torcedores presentes ao Maracanã, em 2003, 60 anos depois do gol fantástico de Isaias Benedito da Silva, nas Laranjeiras, presenciaram um lance digno de filme: Léo Lima (Leonardo Lima da Silva), bisneto de Isaias e na época jogador do Vasco da Gama, também originário do Madureira fez um cruzamento de letra que foi encontrar a cabeça de Cadu e dali, para o pé de Souza, hoje no Flamengo, que mandou para o fundo da rede. Vasco campeão. E, pasmem, o adversário foi o mesmo Fluminense. E a reação não foi diferente de parte dos tricolores. O técnico Renato Gaúcho ameaçou Léo Lima de agressão. Sem saber, o técnico vice-campeão estava revivendo um histórico trauma tricolor.
A obra de arte de Léo Lima mereceu estátua no saguão de entrada de São Januário, ao lado do busto do Almirante, com as pernas eternamente entrelaçadas. Léo Lima e Souza, crias do mesmo Madureira, transferiram-se para o Vasco ainda como juniores, e juntamente com Cadu, também promovido das divisões de base vascaínas, formaram o trio que criou o gol inesquecível.
Nestes mais de 50 anos que acompanho futebol, foram poucas as vezes que vi alguém fazer um “gol de letra”. Lembro de um, marcado pelo jogador Canário, que defendia o Brasil de Pelotas, lá pela década de 1960. O adversário há muito tempo esqueci, mas a jogada está até hoje bem viva na minha memória. Ele recebeu a bola pela direita e de fora da área, cruzando as pernas e trocando o pé, marcou um golaço. Foi na goleira de fundo do Estádio Bento Freitas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Quem batizou a jogada foi o jornalista Mário Filho, hoje nome oficial do Estádio do Maracanã. Foi num jogo pela oitava rodada do segundo turno do Campeonato Carioca de 1942, no Estádio das Laranjeiras entre Fluminense e Madureira. O time dono da casa ostentava o título de bicampeão e era forte candidato ao tricampeonato. O onze do Madureira, nada mais tinha a fazer na competição, apenas cumpria carnê. Mas seu time era muito bom, principalmente o ataque onde despontava o trio Lelé, Isaías e Jair, que a imprensa apelidou carinhosamente de os “Três Patetas”, pois faziam com a bola o que queriam, em jogadas talentosas que surpreendiam os adversários e arrancavam risos dos torcedores.
Nessa tarde de 2 de agosto os “Três Patetas” estavam infernais. Sem tomar conhecimento do adversário e suas pretensões, o Madureira aplicou uma goleada de 4 x 1. O centroavante Isaias foi o autor de um gol, que pela técnica e beleza, até hoje dá o que falar. Ele chutou a bola com as pernas cruzadas em X, e Mário Filho, não teve dúvidas e criou na hora a expressão gol de letra. Como no futebol quase tudo ganha contornos extras, o tempo se encarregou de transformar o ocorrido naquele jogo em lenda, ou quase isso. Não existe nada oficial, mas os mais velhos garantem que por causa do gol chamado de “letra”, a torcida tricolor não queria deixar Isaías sair vivo do estádio.
O autor de tão inusitado gol, já falecido, teve que suportar por muitos anos a ira dos torcedores do Fluminense, que consideraram a jogada uma humilhação ao time, visto que naquela época um simples drible a mais era visto como tentativa de desmoralização. Não era a toa que os zagueiros, geralmente chamados de “guarda-roupas”, não levavam desaforo para casa e o “pau” corria solto. Terminado o Campeonato Carioca de 1942, o Vasco da Gama contratou os três atacantes. E com eles foi campeão invicto de 1945.
Coisa incrível, difícil de acreditar, mas é verdade. Os torcedores presentes ao Maracanã, em 2003, 60 anos depois do gol fantástico de Isaias Benedito da Silva, nas Laranjeiras, presenciaram um lance digno de filme: Léo Lima (Leonardo Lima da Silva), bisneto de Isaias e na época jogador do Vasco da Gama, também originário do Madureira fez um cruzamento de letra que foi encontrar a cabeça de Cadu e dali, para o pé de Souza, hoje no Flamengo, que mandou para o fundo da rede. Vasco campeão. E, pasmem, o adversário foi o mesmo Fluminense. E a reação não foi diferente de parte dos tricolores. O técnico Renato Gaúcho ameaçou Léo Lima de agressão. Sem saber, o técnico vice-campeão estava revivendo um histórico trauma tricolor.
A obra de arte de Léo Lima mereceu estátua no saguão de entrada de São Januário, ao lado do busto do Almirante, com as pernas eternamente entrelaçadas. Léo Lima e Souza, crias do mesmo Madureira, transferiram-se para o Vasco ainda como juniores, e juntamente com Cadu, também promovido das divisões de base vascaínas, formaram o trio que criou o gol inesquecível.
Nestes mais de 50 anos que acompanho futebol, foram poucas as vezes que vi alguém fazer um “gol de letra”. Lembro de um, marcado pelo jogador Canário, que defendia o Brasil de Pelotas, lá pela década de 1960. O adversário há muito tempo esqueci, mas a jogada está até hoje bem viva na minha memória. Ele recebeu a bola pela direita e de fora da área, cruzando as pernas e trocando o pé, marcou um golaço. Foi na goleira de fundo do Estádio Bento Freitas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
terça-feira, 17 de junho de 2008
A despedida ideal de Fernandão
Esse texto que transcrevo abaixo foi publicado no site FinalSports.com.br e é assinado pelo jornalista Andréas Muller. Não resisti a tentação de publicá-lo. É uma verdadeira obra prima.
“Agora as luzes do Beira Rio estão apagadas. Na penumbra, a torcida – que lota o estádio – brinca com isqueiros e celulares e transforma as arquibancadas do Gigante num pequeno pedaço de céu à beira do Guaíba. A Popular está ensandecida e canta no volume máximo debaixo de uma nebulosa de sinalizadores, pisca-piscas e chuvas-de-prata. Sem demora, os versos da música começam a ecoar pelos dois andares do Beira Rio: —Eeeeeuuu, nunca me esquecereeeeiiii...
É emocionante. Sob o blecaute, o Gigante parece ser maior do que sempre foi. É possível sentir no ar a vibração, o clima de expectativa que, agora, abala o coração de cada um dos 50 mil colorados presentes no estádio. Alguns deles fumam em tragadas longas, soltam a fumaça como se desabafassem e permanecem ali, numa espera tensa e silenciosa. Outros gritam a música com os braços para cima, em transe, embriagados de emoção. Ao meu lado, percebo uma garota que se agarra ao braço de seu pai, como se tivesse medo desse estrondo, esse urro que preenche todos os espaços escuros do Beira Rio. De relance, percebo suas lágrimas brilhando debaixo do matiz azulado dos celulares. — Dos dias que passeeeeeeiiiii....
Eis que se acende um holofote. O feixe de luz branca vem lá de cima da marquise da “Maior Torcida do Rio Grande” e aponta diretamente para o abrigo de acesso dos times ao gramado. Uma música alta começa a tocar e leva a torcida ao delírio. Estrategicamente, só para requintar ainda mais o clima de expectativa, o feixe de luz fica dois minutos parado, sem que nada aconteça. A torcida exige: — Aparece! Aparece! Aparece!
Então Fernandão sai da casamata. O Beira Rio vem abaixo. A multidão berra como se comemorasse um gol do Internacional. Lá embaixo, iluminado pelo holofote, o capitão do mundo caminha sozinho e altaneiro rumo ao centro do gramado. Vai em passadas rápidas e decididas, sorri bastante e acena sem parar para a multidão, agradecendo a homenagem. Ao chegar ao centro, recebe um microfone e fica esperando. Tenta falar alguma coisa, mas simplesmente não consegue – a torcida não deixa. Fernandão aguarda quase cinco minutos até que o Gigante lhe conceda a palavra. Ele aproxima o microfone da boca, faz uma pausa estratégica e, de surpresa, puxa a multidão: — Ôooooooooooooo, vamo vamo Inteeeeeeeeeeeeeerrrrr...
Êxtase total no Beira Rio. A voz de Fernandão se transforma na voz de 50 mil torcedores. A música é entoada como se fosse o hino de uma era. Lá está, em mil decibéis, a marca eterna de uma das fases mais brilhantes da história colorada. Todos – jovens e adultos, crianças e idosos – incorporam-se ao coro regido pelo maestro maior do Internacional. É impossível conter as lágrimas. Os pessimistas suspiram: “Nunca mais teremos ninguém igual a ele”. Os realistas rebatem: “Ele foi um grande ídolo, mas estava na hora de ele sair, não adianta, a vida continua”. E os otimistas: “Agora, começa uma nova fase no Inter. Vamos revelar novos craques e construir novos ídolos”. O único consenso é de que Fernandão, um dia, voltará.
Fernandão aproveita uma brecha da torcida e inicia um discurso emocionante. Fala tudo que nós gostaríamos de ouvir. Que o Inter foi o melhor clube pelo qual ele já passou. Que é colorado de coração e sente muito orgulho de poder ter jogado no Inter. Que a saída dele não significa o fim de nada, e sim o começo de um novo ciclo para o Inter – que será de muitas conquistas, se Deus quiser. E que, evidentemente, um dia ele vai voltar. — Eu sou apaixonado pelo Inter. Vou voltar porque eu quero e preciso voltar. Tenho que ficar perto de tudo isso que me faz tão bem, e... Fernandão chora e a torcida canta “Uh, terror, Fernandão é matador”.
Em seguida, entram em campo 100 crianças de uma comunidade carente da Zona Sul de Porto Alegre. Vestem roupas brancas e andam em fila. Parece que uma rede de supermercados propôs um desafio a Fernandão – o de acertar o gol com um chute desde lá do meio de campo. Se ele marcar, a rede de supermercados doará uma cesta básica e uma camiseta do Internacional a cada criança. Fernandão topa o desafio, sorrindo. Novos holofotes se acendem, mostrando o gol e metade do campo. O capitão ajeita a bola com calma e, pouco antes de bater, avisa no microfone que ele próprio fará as doações se errar. Sob aplausos efusivos, ele parte para a cobrança. A bola sobe alta, atravessa toda a metade do campo, bate na trave esquerda e estufa as redes, serelepe. A torcida comemora e as crianças dão um abraço coletivo no capitão. É piegas, sim. Mas não há quem resista às lágrimas nessa hora.
Mais tarde, as rádios indagam ao presidente Vitório Píffero: — Presidente, você não acha um exagero fazer uma festa desse tamanho apenas para marcar a despedida de um jogador? — Não, não acho. Fernandão é um grande ídolo, é amado por nossa torcida e merece uma homenagem à altura desse sentimento. Os jornalistas insistem: — Você não teme passar uma idéia errada de que o Fernandão, sozinho, é mais importante do que o Inter? — É evidente que não. Fernandão é patrimônio do Internacional. Homenageá-lo é uma maneira de homenagear o clube como um todo, bem como suas principais conquistas.
Procurando pêlo em ovo, um repórter arremata: — E quanto aos outros jogadores do Inter? Você não acha que eles se sentirão desprestigiados? O Inter nunca fez uma festa como essa pra nenhum deles... Num raro momento de habilidade com as palavras, Píffero retruca: — Ao contrário: os demais jogadores do Inter têm mais é que se sentir motivados com essa homenagem a Fernandão. Nós estamos deixando bem claro que, aqui no Inter, nós valorizamos os nossos ídolos. Aliás, quero aproveitar para deixar um recado a todos os nossos jogadores, sejam eles das categorias de base, dos juniores, do banco de reservas e até do grupo principal: dêem o máximo. Vivam o Inter tal como Fernandão viveu. Sejam colorados de coração e sigam em busca de novas conquistas. Se vocês fizerem tudo isso, vocês também serão homenageados como heróis quando se despedirem do Inter.
É assim que deveria ter sido a despedida de Fernandão do Inter."
“Agora as luzes do Beira Rio estão apagadas. Na penumbra, a torcida – que lota o estádio – brinca com isqueiros e celulares e transforma as arquibancadas do Gigante num pequeno pedaço de céu à beira do Guaíba. A Popular está ensandecida e canta no volume máximo debaixo de uma nebulosa de sinalizadores, pisca-piscas e chuvas-de-prata. Sem demora, os versos da música começam a ecoar pelos dois andares do Beira Rio: —Eeeeeuuu, nunca me esquecereeeeiiii...
É emocionante. Sob o blecaute, o Gigante parece ser maior do que sempre foi. É possível sentir no ar a vibração, o clima de expectativa que, agora, abala o coração de cada um dos 50 mil colorados presentes no estádio. Alguns deles fumam em tragadas longas, soltam a fumaça como se desabafassem e permanecem ali, numa espera tensa e silenciosa. Outros gritam a música com os braços para cima, em transe, embriagados de emoção. Ao meu lado, percebo uma garota que se agarra ao braço de seu pai, como se tivesse medo desse estrondo, esse urro que preenche todos os espaços escuros do Beira Rio. De relance, percebo suas lágrimas brilhando debaixo do matiz azulado dos celulares. — Dos dias que passeeeeeeiiiii....
Eis que se acende um holofote. O feixe de luz branca vem lá de cima da marquise da “Maior Torcida do Rio Grande” e aponta diretamente para o abrigo de acesso dos times ao gramado. Uma música alta começa a tocar e leva a torcida ao delírio. Estrategicamente, só para requintar ainda mais o clima de expectativa, o feixe de luz fica dois minutos parado, sem que nada aconteça. A torcida exige: — Aparece! Aparece! Aparece!
Então Fernandão sai da casamata. O Beira Rio vem abaixo. A multidão berra como se comemorasse um gol do Internacional. Lá embaixo, iluminado pelo holofote, o capitão do mundo caminha sozinho e altaneiro rumo ao centro do gramado. Vai em passadas rápidas e decididas, sorri bastante e acena sem parar para a multidão, agradecendo a homenagem. Ao chegar ao centro, recebe um microfone e fica esperando. Tenta falar alguma coisa, mas simplesmente não consegue – a torcida não deixa. Fernandão aguarda quase cinco minutos até que o Gigante lhe conceda a palavra. Ele aproxima o microfone da boca, faz uma pausa estratégica e, de surpresa, puxa a multidão: — Ôooooooooooooo, vamo vamo Inteeeeeeeeeeeeeerrrrr...
Êxtase total no Beira Rio. A voz de Fernandão se transforma na voz de 50 mil torcedores. A música é entoada como se fosse o hino de uma era. Lá está, em mil decibéis, a marca eterna de uma das fases mais brilhantes da história colorada. Todos – jovens e adultos, crianças e idosos – incorporam-se ao coro regido pelo maestro maior do Internacional. É impossível conter as lágrimas. Os pessimistas suspiram: “Nunca mais teremos ninguém igual a ele”. Os realistas rebatem: “Ele foi um grande ídolo, mas estava na hora de ele sair, não adianta, a vida continua”. E os otimistas: “Agora, começa uma nova fase no Inter. Vamos revelar novos craques e construir novos ídolos”. O único consenso é de que Fernandão, um dia, voltará.
Fernandão aproveita uma brecha da torcida e inicia um discurso emocionante. Fala tudo que nós gostaríamos de ouvir. Que o Inter foi o melhor clube pelo qual ele já passou. Que é colorado de coração e sente muito orgulho de poder ter jogado no Inter. Que a saída dele não significa o fim de nada, e sim o começo de um novo ciclo para o Inter – que será de muitas conquistas, se Deus quiser. E que, evidentemente, um dia ele vai voltar. — Eu sou apaixonado pelo Inter. Vou voltar porque eu quero e preciso voltar. Tenho que ficar perto de tudo isso que me faz tão bem, e... Fernandão chora e a torcida canta “Uh, terror, Fernandão é matador”.
Em seguida, entram em campo 100 crianças de uma comunidade carente da Zona Sul de Porto Alegre. Vestem roupas brancas e andam em fila. Parece que uma rede de supermercados propôs um desafio a Fernandão – o de acertar o gol com um chute desde lá do meio de campo. Se ele marcar, a rede de supermercados doará uma cesta básica e uma camiseta do Internacional a cada criança. Fernandão topa o desafio, sorrindo. Novos holofotes se acendem, mostrando o gol e metade do campo. O capitão ajeita a bola com calma e, pouco antes de bater, avisa no microfone que ele próprio fará as doações se errar. Sob aplausos efusivos, ele parte para a cobrança. A bola sobe alta, atravessa toda a metade do campo, bate na trave esquerda e estufa as redes, serelepe. A torcida comemora e as crianças dão um abraço coletivo no capitão. É piegas, sim. Mas não há quem resista às lágrimas nessa hora.
Mais tarde, as rádios indagam ao presidente Vitório Píffero: — Presidente, você não acha um exagero fazer uma festa desse tamanho apenas para marcar a despedida de um jogador? — Não, não acho. Fernandão é um grande ídolo, é amado por nossa torcida e merece uma homenagem à altura desse sentimento. Os jornalistas insistem: — Você não teme passar uma idéia errada de que o Fernandão, sozinho, é mais importante do que o Inter? — É evidente que não. Fernandão é patrimônio do Internacional. Homenageá-lo é uma maneira de homenagear o clube como um todo, bem como suas principais conquistas.
Procurando pêlo em ovo, um repórter arremata: — E quanto aos outros jogadores do Inter? Você não acha que eles se sentirão desprestigiados? O Inter nunca fez uma festa como essa pra nenhum deles... Num raro momento de habilidade com as palavras, Píffero retruca: — Ao contrário: os demais jogadores do Inter têm mais é que se sentir motivados com essa homenagem a Fernandão. Nós estamos deixando bem claro que, aqui no Inter, nós valorizamos os nossos ídolos. Aliás, quero aproveitar para deixar um recado a todos os nossos jogadores, sejam eles das categorias de base, dos juniores, do banco de reservas e até do grupo principal: dêem o máximo. Vivam o Inter tal como Fernandão viveu. Sejam colorados de coração e sigam em busca de novas conquistas. Se vocês fizerem tudo isso, vocês também serão homenageados como heróis quando se despedirem do Inter.
É assim que deveria ter sido a despedida de Fernandão do Inter."
segunda-feira, 16 de junho de 2008
O adeus do craque Fernandão
Os goleiros Clemer e Renan, o zagueiro Índio, os volantes Edinho e Wellington Monteiro e o meia Alex são o que resta do grande time colorado campeão da Libertadores, do Mundo e da Recopa Sulamericana. Marcelo, Ediglê, Élder Granja, Ceará, Bolívar, Fabiano Eller, Jorge Wagner, Rubens Cardoso, Martin Hidalgo, Fabinho, Perdigão, Tinga, Iarley, Michel, Rafael Sobis, Adriano Gabiru, Fábian Vargas, Luiz Adriano, Alexandre Pato e Léo não estão mais no Beira Rio.
No total, 20 jogadores, mais o técnico Abel Braga e o preparador físico Paulo Paixão já tinham ido embora. Agora, se vai o principal nome do elenco e considerado por alguns o melhor jogador de toda a história de 99 anos do S.C. Internacional, o grande “capitão” Fernandão, símbolo maior das recentes e memoráveis conquistas coloradas. Ele está sendo contratado pelo Al-Gharafa, do Qatar, onde deverá permanecer por dois anos. Para o Internacional, maior negociador de atletas do país e dono de 50% dos direitos federativos de Fernandão, resta apenas o consolo de rechear seus cofres com R$ 3,5 milhões de euros, cerca de R$ 7 milhões, o equivalente a metade da multa de 7 milhões de euros, ou R$ 14 milhões.
Fernando Lúcio da Costa, o Fernandão, (o apelido se deve a sua altura) nasceu em Goiânia (GO), no dia 18 de março de 1978. Começou a carreira nas categorias de base do Goiás e aos 16 anos já era promovido ao time profissional. No alviverde goiano foi destaque nacional depois de conquistar entre 1995 e 2001, cinco campeonatos estaduais, duas copas Centro Oeste e um campeonato brasileiro da Série B.
Graças ao seu futebol de grande técnica e cabeceios certeiros, chamou a atenção do Olympique de Marselha, França, onde jogou por quase três anos, indo depois para o também francês Toulouse. No retorno ao Brasil, em 14 de junho de 2004, foi contratado pelo Internacional de Porto Alegre. Predestinado, Fernandão encontrou no clube gaúcho todas as condições para desenvolver e aprimorar seu futebol. Logo no jogo de estréia, um Gre-Nal, marcou o milésimo gol da história do clássico, ganhando de imediato o carinho e o respeito da torcida e ainda uma placa comemorativa ao feito. Graças as suas boas atuações pelo Internacional, Fernandão foi chamado a defender a Seleção Brasileira em um jogo amistoso contra a Seleção da Guatemala.
Fernandão chega aos 30 anos de idade, completados em março último, com uma invejável coleção de títulos. Pelo Goiás foi campeão goiano em 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000; campeão brasileiro da Série B em 1999 e campeão da Copa Centro-Oeste em 2000 e 2001. Pelo Internacional, onde fez 190 jogos, foi campeão gaúcho em 2005, 2006 e 2008; campeão da Copa Libertadores da América em 2006; campeão mundial de clubes em 2006; campeão da Recopa Sul-Americana em 2007, e campeão da Copa Dubai, em 2008. Além disso, foi premiado com a Bola de Prata (Revista Placar) em 2006; Prêmio Craque do Brasileirão 2005 (Troféu de Prata), em 2006 (Troféu de Ouro) e Troféu Mesa Redonda (TV Gazeta) em 2006.
Ao anunciar sua saída do Internacional, Fernandão mostrou muita tristeza, pois nos quatro anos em que esteve no Beira Rio aprendeu a amar o clube vermelho gaúcho. Os torcedores deram adeus ao craque com palavras de carinho e incentivo: "obrigado", "volte sempre" e “vá com Deus”. Emocionando, o craque não conseguiu conter as lágrimas.
O atacante Adriano, que no último sábado contra o Botafogo atuou com a camisa 9, de Fernandão, ao final do jogo dedicou o gol que fez e a vitória do Internacional ao companheiro que está indo embora. E ao fazer isso demonstrou na sua fala às rádios de Porto Alegre toda a admiração que o ex-capitão tinha e tem do grupo de jogadores: “Falamos que venceríamos para dedicar ao Fernando, um cara que mora no coração de todos nós. Tenho um carinho especial por ele, que sempre nos ajudou muito”.
Já Edinho, companheiro das conquistas da Libertadores, Mundial, Recopa e Copa Dubai e autor do primeiro gol contra o Botafogo, também não conteve a emoção: “Fico bastante triste pela saída, mas feliz por ele estar alcançando uma meta. Fico emocionado em falar, Fernandão é um grande companheiro, um cara tão exemplar que levo as atitudes dele para a minha vida”.
O jogador não deverá ter muitos problemas de adaptção em seu novo clube, pois lá já estão outros três brasileiros: o técnico Marcos Paquetá e os meias Araújo, ex-Goiás e Cruzeiro e o ex-colorado Pinga, negociado em outubro do ano passado. O Al-Gharafa Sports Club, para onde Fernandão está se transferindo tem sua sede em Doha, capital e principal cidade do país, onde se concentra toda a atividade financeira e as grandes empresas petrolíferas do Reino. Com uma população estimada em 500 mil habitantes, Doha é uma cidade moderna, onde não se vê sinais de pobreza nas ruas. O principal iodioma do Qatar é o árabe, embora o inglês seja amplamente falado.
A vida no Qatar é bastante tranqüila. Em Doha existem muitos shoppings, excelentes hotéis, bons restaurantes, praias e spas. A religião predominante é a islâmica, mas a população é liberal com estrangeiros. A comida tem um tempero que lembra o do Nordeste brasileiro. O calor é muito forte e a temperatura chega acima de 40 graus em algumas épocas do ano.
Fernandão faz juras de amor ao Internacional. Antes mesmo de jogar pelo Al-Gharafa, em sua última entrevista no Brasil antes de embarcar para o Qatar já fala em retornar. Perguntado sobre seu futuro, espontaneamente disse que um dia vai voltar para o colorado gaúcho, seja como jogador, dirigente ou torcedor. E certamente o clube o receberá de braços abertos.
Ele marcou 77 gols com a camisa do Inter. O mais importante foi no dia 16 de agosto de 2006, o primeiro no empate de 2 x 2 com o São Paulo, que deu ao clube gaúcho o título da Libertadores. Fora de campo, o chamado “Capitão do Mundo” também fez história. Na volta do Japão, com o título mundial, na grande recepção ocorrida no Beira-Rio, Fernandão pegou o microfone e levou a torcida ao delírio ao cantar, aos berros, o tradicional "vamo, vamo, Inter". Depois, na comemoração do primeiro aniversário da conquista da Libertadores, ele chorou copiosamente ao falar de sua relação amorosa com o clube e com o Rio Grande do Sul. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
No total, 20 jogadores, mais o técnico Abel Braga e o preparador físico Paulo Paixão já tinham ido embora. Agora, se vai o principal nome do elenco e considerado por alguns o melhor jogador de toda a história de 99 anos do S.C. Internacional, o grande “capitão” Fernandão, símbolo maior das recentes e memoráveis conquistas coloradas. Ele está sendo contratado pelo Al-Gharafa, do Qatar, onde deverá permanecer por dois anos. Para o Internacional, maior negociador de atletas do país e dono de 50% dos direitos federativos de Fernandão, resta apenas o consolo de rechear seus cofres com R$ 3,5 milhões de euros, cerca de R$ 7 milhões, o equivalente a metade da multa de 7 milhões de euros, ou R$ 14 milhões.
Fernando Lúcio da Costa, o Fernandão, (o apelido se deve a sua altura) nasceu em Goiânia (GO), no dia 18 de março de 1978. Começou a carreira nas categorias de base do Goiás e aos 16 anos já era promovido ao time profissional. No alviverde goiano foi destaque nacional depois de conquistar entre 1995 e 2001, cinco campeonatos estaduais, duas copas Centro Oeste e um campeonato brasileiro da Série B.
Graças ao seu futebol de grande técnica e cabeceios certeiros, chamou a atenção do Olympique de Marselha, França, onde jogou por quase três anos, indo depois para o também francês Toulouse. No retorno ao Brasil, em 14 de junho de 2004, foi contratado pelo Internacional de Porto Alegre. Predestinado, Fernandão encontrou no clube gaúcho todas as condições para desenvolver e aprimorar seu futebol. Logo no jogo de estréia, um Gre-Nal, marcou o milésimo gol da história do clássico, ganhando de imediato o carinho e o respeito da torcida e ainda uma placa comemorativa ao feito. Graças as suas boas atuações pelo Internacional, Fernandão foi chamado a defender a Seleção Brasileira em um jogo amistoso contra a Seleção da Guatemala.
Fernandão chega aos 30 anos de idade, completados em março último, com uma invejável coleção de títulos. Pelo Goiás foi campeão goiano em 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000; campeão brasileiro da Série B em 1999 e campeão da Copa Centro-Oeste em 2000 e 2001. Pelo Internacional, onde fez 190 jogos, foi campeão gaúcho em 2005, 2006 e 2008; campeão da Copa Libertadores da América em 2006; campeão mundial de clubes em 2006; campeão da Recopa Sul-Americana em 2007, e campeão da Copa Dubai, em 2008. Além disso, foi premiado com a Bola de Prata (Revista Placar) em 2006; Prêmio Craque do Brasileirão 2005 (Troféu de Prata), em 2006 (Troféu de Ouro) e Troféu Mesa Redonda (TV Gazeta) em 2006.
Ao anunciar sua saída do Internacional, Fernandão mostrou muita tristeza, pois nos quatro anos em que esteve no Beira Rio aprendeu a amar o clube vermelho gaúcho. Os torcedores deram adeus ao craque com palavras de carinho e incentivo: "obrigado", "volte sempre" e “vá com Deus”. Emocionando, o craque não conseguiu conter as lágrimas.
O atacante Adriano, que no último sábado contra o Botafogo atuou com a camisa 9, de Fernandão, ao final do jogo dedicou o gol que fez e a vitória do Internacional ao companheiro que está indo embora. E ao fazer isso demonstrou na sua fala às rádios de Porto Alegre toda a admiração que o ex-capitão tinha e tem do grupo de jogadores: “Falamos que venceríamos para dedicar ao Fernando, um cara que mora no coração de todos nós. Tenho um carinho especial por ele, que sempre nos ajudou muito”.
Já Edinho, companheiro das conquistas da Libertadores, Mundial, Recopa e Copa Dubai e autor do primeiro gol contra o Botafogo, também não conteve a emoção: “Fico bastante triste pela saída, mas feliz por ele estar alcançando uma meta. Fico emocionado em falar, Fernandão é um grande companheiro, um cara tão exemplar que levo as atitudes dele para a minha vida”.
O jogador não deverá ter muitos problemas de adaptção em seu novo clube, pois lá já estão outros três brasileiros: o técnico Marcos Paquetá e os meias Araújo, ex-Goiás e Cruzeiro e o ex-colorado Pinga, negociado em outubro do ano passado. O Al-Gharafa Sports Club, para onde Fernandão está se transferindo tem sua sede em Doha, capital e principal cidade do país, onde se concentra toda a atividade financeira e as grandes empresas petrolíferas do Reino. Com uma população estimada em 500 mil habitantes, Doha é uma cidade moderna, onde não se vê sinais de pobreza nas ruas. O principal iodioma do Qatar é o árabe, embora o inglês seja amplamente falado.
A vida no Qatar é bastante tranqüila. Em Doha existem muitos shoppings, excelentes hotéis, bons restaurantes, praias e spas. A religião predominante é a islâmica, mas a população é liberal com estrangeiros. A comida tem um tempero que lembra o do Nordeste brasileiro. O calor é muito forte e a temperatura chega acima de 40 graus em algumas épocas do ano.
Fernandão faz juras de amor ao Internacional. Antes mesmo de jogar pelo Al-Gharafa, em sua última entrevista no Brasil antes de embarcar para o Qatar já fala em retornar. Perguntado sobre seu futuro, espontaneamente disse que um dia vai voltar para o colorado gaúcho, seja como jogador, dirigente ou torcedor. E certamente o clube o receberá de braços abertos.
Ele marcou 77 gols com a camisa do Inter. O mais importante foi no dia 16 de agosto de 2006, o primeiro no empate de 2 x 2 com o São Paulo, que deu ao clube gaúcho o título da Libertadores. Fora de campo, o chamado “Capitão do Mundo” também fez história. Na volta do Japão, com o título mundial, na grande recepção ocorrida no Beira-Rio, Fernandão pegou o microfone e levou a torcida ao delírio ao cantar, aos berros, o tradicional "vamo, vamo, Inter". Depois, na comemoração do primeiro aniversário da conquista da Libertadores, ele chorou copiosamente ao falar de sua relação amorosa com o clube e com o Rio Grande do Sul. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Sport, glória do futebol nordestino
O Sport Club do Recife sagrou-se de forma merecida o campeão da Copa do Brasil e alcançou classificação para a Copa Libertadores da América do ano que vem, dois feitos inéditos na história do clube que há dois anos penava na Série B do Campeonato Brasileiro. Em 1989 o Sport já havia chegado a final da Copa do Brasil, mas perdeu para o Grêmio de Porto Alegre. A última grande conquista do futebol nordestino havia sido o título de Campeão Brasileiro de 1988 pelo S.C. Bahia.
O Sport ganhou a competição com toda a justiça. Passou por cima de dois gigantes do futebol brasileiro, Palmeiras e Internacional, e ainda venceu o Imperatriz (MA), Vasco da Gama, Brasiliense e Corinthians Paulista, na grande final de ontem à noite.
No surgimento do Sport repetiu-se o que já acontecera em São Paulo e outros centros futebolísticos do país. Um estudante de nome Guilherme de Aquino Fonseca, filho de uma das mais tradicionais e abastadas famílias de Recife, retornou em 1903 de uma temporada de cinco anos de estudos na tradicional “Hooton Lown School”, em Londres, trazendo na bagagem bolas de futebol, camisas, meias, pares de botas especiais, precursoras das chuteiras, apitos e cópias das regras da “Foot-Ball Association” e tentou de todas as formas difundir o esporte em terras pernambucanas.
Primeiro, uma tentativa frustrada no Clube Náutico Capibaribe, que na época se dedicava exclusivamente ao remo. Depois, com apoio de funcionários das empresas inglesas “Great Western” e “Western Telegraph” fundou o Sport Club do Recife, o clube de futebol mais velho de Pernambuco. Não há notícia da existência de outra agremiação de futebol no Estado, antes do rubro-negro. A fundação aconteceu em 13 de maio de 1905, na sede da Associação dos Empregados do Comércio de Pernambuco, sendo eleito primeiro presidente o desportista Elysio Alberto Silveira. Guilherme de Aquino Fonseca foi escolhido para diretor de Esportes Terrestres.
Os descendentes de Guilherme de Aquino Fonseca até hoje se mantém ligados ao Sport. Em 2005, nos festejos do centenário do clube, o artista plástico Frederico Fonseca, sobrinho-neto do fundador confeccionou um troféu que marcou a importante data. Em 1995 ele já havia doado ao clube uma foto do seu tio-avô.
O primeiro jogo do novo clube foi realizado no dia 22 de junho de 1905, na “Campina do Derby”, contra o “English Eleven”, combinado de funcionários das companhias inglesas. Um regular público, na maioria de ingleses radicados em Recife, compareceu ao evento. No fim do "match" registrou-se um empate de 2 x 2.
A primeira vitória do Sport aconteceu em 1906, 1 x 0 sobre o “Western Telegraph”, gol do atacante Fellows. O primeiro título de campeão pernambucano veio em 1916, quando o Sport derrotou o Santa Cruz por 4 x 1, no jogo final realizado em 16 de dezembro daquele ano, com gols de Mota (2), Asdrúbal e Vasconcelos. Antes, o rubro-negro já havia massacrado o Náutico, com uma goleada de 8 x 0.
O Sport mantém uma rivalidade histórica com o Clube Náutico Capibaribe. O confronto entre ambos é conhecido como o “Clássico dos Clássicos”, o terceiro mais antigo do país. E também rivaliza com o Santa Cruz Futebol Clube no chamado “Clássico das Multidões”. E no passado havia o “Clássico dos Campeões”, contra o América Futebol Clube. O jogo recebeu essa denominação por que até o início da década de 1930 eram os dois principais times de Recife, e detentores da maior quantidade de títulos.
Em 1919 o Sport fez sua primeira excursão para fora do Estado. Foi a Belém do Pará, na época um centro futebolístico mais desenvolvido e no primeiro jogo conseguiu um empate em 3 x 3 contra o combinado Remo-Payssandu. Depois, valendo o “Troféu Leão do Norte”, o Sport venceu o mesmo combinado por 3 x 2. Os torcedores paraenses, inconformados com a derrota tentaram retomar o troféu, ocasionando a quebra da cauda do leão. A partir daí, o clube pernambucano adotou a figura do “rei das selvas” como símbolo. O troféu pode ser visto na sede do Sport, onde até hoje é mantido com a cauda partida, unida por um laço.
Segundo a “Wikipédia” o primeiro brasão do Sport nada tinha a ver com o atual. Num dos primeiros estatutos do clube era assim definido: "Sobre uma âncora, tendo no braço a data 13/05/1905, apoiada sobre um par de remos cruzando com um mastro contendo flâmulas descendentes e um criquete, um salva-vidas, tendo no centro uma bola de futebol entre um pau de criquete e uma raquete de tênis, cruzados, e encimada pelas letras SCR, entrelaçados em monograma e, no corpo, escrito Sport Club Recife". O distintivo representava todas as modalidades esportivas praticadas pelo clube na época, desde o críquete até a caça submarina. O brasão era muito complexo, de difícil reprodução e não trazia as cores vermelha e preta.
Um outro momento marcante na história do rubro-negro de Recife aconteceu ao início dos anos 40, numa vitoriosa turnê pelos gramados do Sudeste e Sul do país. A diferença técnica do futebol entre essas duas regiões e o Nordeste era enorme, por isso a imprensa pernambucana dizia que o Sport iría fazer uma excursão suicida pelos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Disputou 17 partidas, venceu onze : América (MG), 5 x 1; Atlético (MG), 4 x 2; Britânia (PR), 1 x 0; Coritiba (PR), 4 x0; Coritiba (PR), 3 x 1; Savóia (PR), 5 x 0; Joinville (SC), 5 x 3; Força e Luz (RS), 3 x 2; Grêmio (RS), 3 x 0; Vasco da Gama (RJ), 5 x 4 e Flamengo (RJ), 3 x 1. Empatou dois jogos: Palestra Itália (MG), 0 x 0 e Internacional (RS), 2 x 2. E perdeu apenas quatro jogos: Flamengo (RJ), 3 x 1; Santos (SP), 4 x 3; Juventus (SP), 8 x 5 e Coritiba (PR), 2 x 1. O êxito da excursão fez com que os principais jogadores do time fossem contratados pelos grandes clubes do centro do país. Zago, Djalma e Ademir foram para o Vasco, Magri para o América (RJ), Piromba para o Flamengo e Pinhegas para o Fluminense.
Em 1957 aconteceu a primeira excursão do Sport a Europa. Foram 17 jogos, com 6 vitórias, 3 empates e 8 derrotas, com 40 gols pró e 60 contra. Os resultados foram estes: Sporting Lisboa 5 x 1 Sport; Seleção de Israel 2 x 2 Sport; Haifa-Macabi (Israel) 1 x 5 Sport (estréia do goleiro Manga); Seleção de Israel 2 x 5 Sport; Selecionado de Haifa (Israel) 1 x 3 Sport; Seleção da Turquia 2 x 5 Sport; Fenerbache (Turquia) 2 x 3 Sport; Besiktas (Turquia) 2 x 2 Sport; Beykoz (Turquia) 3 x 2 Sport; Seleção da Turquia 1 x 2 Sport; Real Madrid (Espanha) 5 x 2 Sport; Marseille (França) 8 x 0 Sport; Stade-Reims (França) 6 x 2 Sport; Sochaux (França) 5 x 4 Sport; Fortuna Dusseldorf (Alemanha) 1 x 1 Sport; Fortuna Dusseldorf (Alemanha) 3 x 0 Sport e Osasuña (Espanha) 7 x 2 Sport.
O Sport é o clube dono do maior patrimônio e da maior torcida em todo o Nordeste. O Estádio da Ilha do Retiro, onde manda seus jogos foi inaugurado em 4 de julho de 1937, num amistoso contra o Santa Cruz, em que o “Leão” venceu por 6 X 5. No dia 11 de julho aconteceu o primeiro jogo oficial no novo estádio, um empate em 2 x 2 entre Sport X “Tramways”, pelo Campeonato Pernambucano. Em 1950, o Estádio da Ilha do Retiro sediou um jogo pela Copa do Mundo, em que o Chile goleou os Estados Unidos por 5 x 2.
O nome Ilha do Retiro se deve ao fato do estádio ter sido construído sobre uma ilha e aterrado em torno. Foi no dia 29 de novembro de 1935 que o Sport comprou por 85 contos de réis o terreno onde construiu o estádio, cujo nome oficial é Adelmar Costa Carvalho, que presidiu o clube quando da conquista dos títulos estaduais de 1955 e 1956.
Em 1988 o Sport participou da Copa Libertadores da América. Os resultados de seus jogos foram estes: Sport 0 x 1 Guarani (Campinas); Universitário (Peru) 1 x 0 Sport; Alianza Lima (Peru) 0 X 1 Sport; Guarani (Campinas) 4 x 1 Sport; Sport 5 x 0 Alianza Lima (Peru); Sport 0 x 0 Universitário (Peru). O.Sport foi terceiro colocado no grupo e eliminado da competição.
A maior glória veio em 1987, quando sagrou-se campeão brasileiro ao bater o Guarani em campo e o Flamengo nos tribunais. Três anos depois, foi campeão brasileiro da Série B. Outras glórias são os vice-campeonatos da Copa do Brasil, em 1989, e da Copa dos Campeões, em 2000. Foi campeão pernambucano 37 vezes: 1916, 1917, 1920, 1923, 1924, 1925, 1928, 1938, 1941, 1942, 1943, 1948, 1949, 1953, 1955, 1956, 1958, 1961, 1962, 1975, 1977, 1980, 1981, 1982, 1988, 1991, 1992, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2003, 2006, 2007 e 2008. Ganhou a Copa Pernambuco em três vezes: 1998, 2003 e 2007. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O Sport ganhou a competição com toda a justiça. Passou por cima de dois gigantes do futebol brasileiro, Palmeiras e Internacional, e ainda venceu o Imperatriz (MA), Vasco da Gama, Brasiliense e Corinthians Paulista, na grande final de ontem à noite.
No surgimento do Sport repetiu-se o que já acontecera em São Paulo e outros centros futebolísticos do país. Um estudante de nome Guilherme de Aquino Fonseca, filho de uma das mais tradicionais e abastadas famílias de Recife, retornou em 1903 de uma temporada de cinco anos de estudos na tradicional “Hooton Lown School”, em Londres, trazendo na bagagem bolas de futebol, camisas, meias, pares de botas especiais, precursoras das chuteiras, apitos e cópias das regras da “Foot-Ball Association” e tentou de todas as formas difundir o esporte em terras pernambucanas.
Primeiro, uma tentativa frustrada no Clube Náutico Capibaribe, que na época se dedicava exclusivamente ao remo. Depois, com apoio de funcionários das empresas inglesas “Great Western” e “Western Telegraph” fundou o Sport Club do Recife, o clube de futebol mais velho de Pernambuco. Não há notícia da existência de outra agremiação de futebol no Estado, antes do rubro-negro. A fundação aconteceu em 13 de maio de 1905, na sede da Associação dos Empregados do Comércio de Pernambuco, sendo eleito primeiro presidente o desportista Elysio Alberto Silveira. Guilherme de Aquino Fonseca foi escolhido para diretor de Esportes Terrestres.
Os descendentes de Guilherme de Aquino Fonseca até hoje se mantém ligados ao Sport. Em 2005, nos festejos do centenário do clube, o artista plástico Frederico Fonseca, sobrinho-neto do fundador confeccionou um troféu que marcou a importante data. Em 1995 ele já havia doado ao clube uma foto do seu tio-avô.
O primeiro jogo do novo clube foi realizado no dia 22 de junho de 1905, na “Campina do Derby”, contra o “English Eleven”, combinado de funcionários das companhias inglesas. Um regular público, na maioria de ingleses radicados em Recife, compareceu ao evento. No fim do "match" registrou-se um empate de 2 x 2.
A primeira vitória do Sport aconteceu em 1906, 1 x 0 sobre o “Western Telegraph”, gol do atacante Fellows. O primeiro título de campeão pernambucano veio em 1916, quando o Sport derrotou o Santa Cruz por 4 x 1, no jogo final realizado em 16 de dezembro daquele ano, com gols de Mota (2), Asdrúbal e Vasconcelos. Antes, o rubro-negro já havia massacrado o Náutico, com uma goleada de 8 x 0.
O Sport mantém uma rivalidade histórica com o Clube Náutico Capibaribe. O confronto entre ambos é conhecido como o “Clássico dos Clássicos”, o terceiro mais antigo do país. E também rivaliza com o Santa Cruz Futebol Clube no chamado “Clássico das Multidões”. E no passado havia o “Clássico dos Campeões”, contra o América Futebol Clube. O jogo recebeu essa denominação por que até o início da década de 1930 eram os dois principais times de Recife, e detentores da maior quantidade de títulos.
Em 1919 o Sport fez sua primeira excursão para fora do Estado. Foi a Belém do Pará, na época um centro futebolístico mais desenvolvido e no primeiro jogo conseguiu um empate em 3 x 3 contra o combinado Remo-Payssandu. Depois, valendo o “Troféu Leão do Norte”, o Sport venceu o mesmo combinado por 3 x 2. Os torcedores paraenses, inconformados com a derrota tentaram retomar o troféu, ocasionando a quebra da cauda do leão. A partir daí, o clube pernambucano adotou a figura do “rei das selvas” como símbolo. O troféu pode ser visto na sede do Sport, onde até hoje é mantido com a cauda partida, unida por um laço.
Segundo a “Wikipédia” o primeiro brasão do Sport nada tinha a ver com o atual. Num dos primeiros estatutos do clube era assim definido: "Sobre uma âncora, tendo no braço a data 13/05/1905, apoiada sobre um par de remos cruzando com um mastro contendo flâmulas descendentes e um criquete, um salva-vidas, tendo no centro uma bola de futebol entre um pau de criquete e uma raquete de tênis, cruzados, e encimada pelas letras SCR, entrelaçados em monograma e, no corpo, escrito Sport Club Recife". O distintivo representava todas as modalidades esportivas praticadas pelo clube na época, desde o críquete até a caça submarina. O brasão era muito complexo, de difícil reprodução e não trazia as cores vermelha e preta.
Um outro momento marcante na história do rubro-negro de Recife aconteceu ao início dos anos 40, numa vitoriosa turnê pelos gramados do Sudeste e Sul do país. A diferença técnica do futebol entre essas duas regiões e o Nordeste era enorme, por isso a imprensa pernambucana dizia que o Sport iría fazer uma excursão suicida pelos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Disputou 17 partidas, venceu onze : América (MG), 5 x 1; Atlético (MG), 4 x 2; Britânia (PR), 1 x 0; Coritiba (PR), 4 x0; Coritiba (PR), 3 x 1; Savóia (PR), 5 x 0; Joinville (SC), 5 x 3; Força e Luz (RS), 3 x 2; Grêmio (RS), 3 x 0; Vasco da Gama (RJ), 5 x 4 e Flamengo (RJ), 3 x 1. Empatou dois jogos: Palestra Itália (MG), 0 x 0 e Internacional (RS), 2 x 2. E perdeu apenas quatro jogos: Flamengo (RJ), 3 x 1; Santos (SP), 4 x 3; Juventus (SP), 8 x 5 e Coritiba (PR), 2 x 1. O êxito da excursão fez com que os principais jogadores do time fossem contratados pelos grandes clubes do centro do país. Zago, Djalma e Ademir foram para o Vasco, Magri para o América (RJ), Piromba para o Flamengo e Pinhegas para o Fluminense.
Em 1957 aconteceu a primeira excursão do Sport a Europa. Foram 17 jogos, com 6 vitórias, 3 empates e 8 derrotas, com 40 gols pró e 60 contra. Os resultados foram estes: Sporting Lisboa 5 x 1 Sport; Seleção de Israel 2 x 2 Sport; Haifa-Macabi (Israel) 1 x 5 Sport (estréia do goleiro Manga); Seleção de Israel 2 x 5 Sport; Selecionado de Haifa (Israel) 1 x 3 Sport; Seleção da Turquia 2 x 5 Sport; Fenerbache (Turquia) 2 x 3 Sport; Besiktas (Turquia) 2 x 2 Sport; Beykoz (Turquia) 3 x 2 Sport; Seleção da Turquia 1 x 2 Sport; Real Madrid (Espanha) 5 x 2 Sport; Marseille (França) 8 x 0 Sport; Stade-Reims (França) 6 x 2 Sport; Sochaux (França) 5 x 4 Sport; Fortuna Dusseldorf (Alemanha) 1 x 1 Sport; Fortuna Dusseldorf (Alemanha) 3 x 0 Sport e Osasuña (Espanha) 7 x 2 Sport.
O Sport é o clube dono do maior patrimônio e da maior torcida em todo o Nordeste. O Estádio da Ilha do Retiro, onde manda seus jogos foi inaugurado em 4 de julho de 1937, num amistoso contra o Santa Cruz, em que o “Leão” venceu por 6 X 5. No dia 11 de julho aconteceu o primeiro jogo oficial no novo estádio, um empate em 2 x 2 entre Sport X “Tramways”, pelo Campeonato Pernambucano. Em 1950, o Estádio da Ilha do Retiro sediou um jogo pela Copa do Mundo, em que o Chile goleou os Estados Unidos por 5 x 2.
O nome Ilha do Retiro se deve ao fato do estádio ter sido construído sobre uma ilha e aterrado em torno. Foi no dia 29 de novembro de 1935 que o Sport comprou por 85 contos de réis o terreno onde construiu o estádio, cujo nome oficial é Adelmar Costa Carvalho, que presidiu o clube quando da conquista dos títulos estaduais de 1955 e 1956.
Em 1988 o Sport participou da Copa Libertadores da América. Os resultados de seus jogos foram estes: Sport 0 x 1 Guarani (Campinas); Universitário (Peru) 1 x 0 Sport; Alianza Lima (Peru) 0 X 1 Sport; Guarani (Campinas) 4 x 1 Sport; Sport 5 x 0 Alianza Lima (Peru); Sport 0 x 0 Universitário (Peru). O.Sport foi terceiro colocado no grupo e eliminado da competição.
A maior glória veio em 1987, quando sagrou-se campeão brasileiro ao bater o Guarani em campo e o Flamengo nos tribunais. Três anos depois, foi campeão brasileiro da Série B. Outras glórias são os vice-campeonatos da Copa do Brasil, em 1989, e da Copa dos Campeões, em 2000. Foi campeão pernambucano 37 vezes: 1916, 1917, 1920, 1923, 1924, 1925, 1928, 1938, 1941, 1942, 1943, 1948, 1949, 1953, 1955, 1956, 1958, 1961, 1962, 1975, 1977, 1980, 1981, 1982, 1988, 1991, 1992, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2003, 2006, 2007 e 2008. Ganhou a Copa Pernambuco em três vezes: 1998, 2003 e 2007. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
domingo, 8 de junho de 2008
Saiba como surgiu o pênalti
Quando a Football Association determinou em 1863, na Inglaterra, as modernas regras para o futebol, não existia o pênalti. Este, foi aparecer 27 anos depois, em 1890, inventado pelo goleiro irlandês William McCrum, durante um jogo válido pelo campeonato do condado de Armagh, na Irlanda do Norte. E assim mesmo só foi oficializado nas regras do futebol no dia 2 de junho de 1891, numa reunião da International Board em Glasgow (Escócia).
Nos primeiros tempos do futebol eram comuns as discussões para resolver o problema das faltas próximas das metas. Muitas vezes os jogadores chegavam a trocar socos. McGrum, que era dono de uma fábrica de tecidos e jogava como goleiro teve uma idéia genial para acabar com essas confusões. Num jogo de seu time, quando as discussões encaminhavam-se para briga, ele pegou a bola, contou 12 jardas, cerca de 11 metros, marcou com tinta branca, colocou a bola no local e sugeriu que um adversário e ele , debaixo do travessão, resolvessem a questão com um “direct free kick” sempre que houvesse um “foul” ou “hands” na grande área ou “the box”, a caixa.
Foi dessa forma que nasceu o pênalti, chamado inicialmente pelos irlandeses de “o chute da morte”. Nos primeiros tempos a falta máxima podia ser cobrada de qualquer ponto, desde que distante 11 metros da meta. Curiosamente, quem perdesse um pênalti ia preso, sem julgamento, pelo “crime” de incompetência. Se a regra valesse para os dias de hoje, os jogadores Edmundo e Zé Carlos, que recentemente ajudaram a eliminar seus times da Copa do Brasil, Vasco da Gama e Botafogo, respectivamente, estariam gozando “férias” atrás das grades.
Foi num jogo pela Copa da Inglaterra de 1891, entre as equipes do Notts County e Stoke City, que o pênalti começou a valer como regra. O Notts vencia por 1 a 0 e o seu zagueiro Henry desviou a trajetória da bola com a mão, dentro da área, evitando o gol do adversário. O árbitro marcou a falta, mas o goleiro do Notts ficou na frente da bola – isso era permitido - e defendeu a cobrança.
Os primeiros tempos do pênalti não foram fáceis. Sob o argumento de que o futebol era um esporte para cavalheiros, a nova regra foi bastante criticada pelos jornalistas, principalmente ingleses que chamavam a falta de “pena de morte” para os goleiros. Alguns times ingleses negavam-se a aceitar a regra. Foi o caso dos goleiros do Corinthians Team, por exemplo, que se encostavam na trave, deixando o gol completamente aberto. Mas os adversários do Corinthians inglês também se recusavam a fazer um gol sem goleiro e chutavam a bola de propósito para fora.
Com o passar dos anos a regra foi totalmente aceita e o pênalti passou a ser tratado como uma jogada normal do futebol. Em 1988, a cidade de Milford, no condado de Armagh, terra natal do goleiro McCrum homenageou o inventor do pênalti com um busto e uma placa informativa, com o referendo da Footbal Association Board.
Por conta disso, houve uma última alteração na regra das penalidades. Os goleiros, que antes podiam se adiantar até seis jardas, passaram a ser obrigados a permanecer sobre a linha até o momento do tiro livre. O pênalti é a única infração no futebol que deve ser cobrada mesmo depois de encerrado o tempo de uma partida.
Para a cobrança de um pênalti a bola é colocada na chamada “marca fatal” e dentro da área só é permitida a presença do cobrador e do goleiro, que deve ficar na sua linha de meta, só podendo se deslocar para os lados, nunca para frente. Qualquer contravenção a essas regras será punida com a repetição da cobrança. O cobrador deve bater diretamente para frente, e não poderá tocar novamente na bola antes que outro o faça. A bola será considerada em jogo assim que percorrer uma distância igual à sua circunferência, e o gol valerá mesmo que o goleiro a toque antes de ultrapassar a linha de meta.
Para toda infração a estas regras haverá uma penalidade. Se for cometida pela equipe defensora, será repetida a cobrança do pênalti, caso este não resulte em gol; cometida por um atacante, que não o mesmo que cobrou o pênalti, resultará em anulação de um eventual gol e na repetição da cobrança; se o infrator for o mesmo que cobrou o pênalti, e o fizer depois que a bola estiver em jogo, será marcado um tiro livre indireto a favor da equipe adversária.
Após a cobrança o jogo prosseguirá normalmente, o que significa que se o goleiro espalmar a bola para longe da meta, os demais jogadores, que esperavam atrás da linha de chute, podem continuar a jogar e insistir no remate.
As decisões de jogos por cobranças de pênaltis são previstas em algumas competições futebolísticas. Quando isso ocorrer, serão cobradas cinco séries de pênaltis, uma para cada time, e depois, se não houver vencedor, novas séries de uma cobrança para cada lado, até que um deles seja o vitorioso. Somente poderão cobrar pênaltis jogadores que estejam atuando na partida. Atletas expulsos não podem ser relacionados. Durante as cobranças os jogadores de ambas as equipes devem ficar no círculo central, com exceção dos goleiros, que podem esperar pelas cobranças na grande área.
O pênalti pode ser cobrado em dois toques, desde que a bola seja rolada para frente e o segundo jogador a tocar nela esteja fora da área no momento da cobrança. No caso de decisão de resultado por pênaltis, isso não é permitido. O mesmo acontece se a bola bater na trave e depois no goleiro. A partir do momento que a bola estiver em uma trajetória de retorno do gol o lance está encerrado. Se fosse válido, a bola poderia acidentalmente voltar, acertar sem querer a cabeça do cobrador e entrar no gol. Durante o transcorrer do jogo, o lance é válido, mas nas decisões por pênaltis esse gol não deve ser validado.
Além do tradicional futebol de campo, a regra do pênalti é aplicada na maioria das outras modalidades de futebol, tais como futsal, futebol de salão, futebol society, etc. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Nos primeiros tempos do futebol eram comuns as discussões para resolver o problema das faltas próximas das metas. Muitas vezes os jogadores chegavam a trocar socos. McGrum, que era dono de uma fábrica de tecidos e jogava como goleiro teve uma idéia genial para acabar com essas confusões. Num jogo de seu time, quando as discussões encaminhavam-se para briga, ele pegou a bola, contou 12 jardas, cerca de 11 metros, marcou com tinta branca, colocou a bola no local e sugeriu que um adversário e ele , debaixo do travessão, resolvessem a questão com um “direct free kick” sempre que houvesse um “foul” ou “hands” na grande área ou “the box”, a caixa.
Foi dessa forma que nasceu o pênalti, chamado inicialmente pelos irlandeses de “o chute da morte”. Nos primeiros tempos a falta máxima podia ser cobrada de qualquer ponto, desde que distante 11 metros da meta. Curiosamente, quem perdesse um pênalti ia preso, sem julgamento, pelo “crime” de incompetência. Se a regra valesse para os dias de hoje, os jogadores Edmundo e Zé Carlos, que recentemente ajudaram a eliminar seus times da Copa do Brasil, Vasco da Gama e Botafogo, respectivamente, estariam gozando “férias” atrás das grades.
Foi num jogo pela Copa da Inglaterra de 1891, entre as equipes do Notts County e Stoke City, que o pênalti começou a valer como regra. O Notts vencia por 1 a 0 e o seu zagueiro Henry desviou a trajetória da bola com a mão, dentro da área, evitando o gol do adversário. O árbitro marcou a falta, mas o goleiro do Notts ficou na frente da bola – isso era permitido - e defendeu a cobrança.
Os primeiros tempos do pênalti não foram fáceis. Sob o argumento de que o futebol era um esporte para cavalheiros, a nova regra foi bastante criticada pelos jornalistas, principalmente ingleses que chamavam a falta de “pena de morte” para os goleiros. Alguns times ingleses negavam-se a aceitar a regra. Foi o caso dos goleiros do Corinthians Team, por exemplo, que se encostavam na trave, deixando o gol completamente aberto. Mas os adversários do Corinthians inglês também se recusavam a fazer um gol sem goleiro e chutavam a bola de propósito para fora.
Com o passar dos anos a regra foi totalmente aceita e o pênalti passou a ser tratado como uma jogada normal do futebol. Em 1988, a cidade de Milford, no condado de Armagh, terra natal do goleiro McCrum homenageou o inventor do pênalti com um busto e uma placa informativa, com o referendo da Footbal Association Board.
Por conta disso, houve uma última alteração na regra das penalidades. Os goleiros, que antes podiam se adiantar até seis jardas, passaram a ser obrigados a permanecer sobre a linha até o momento do tiro livre. O pênalti é a única infração no futebol que deve ser cobrada mesmo depois de encerrado o tempo de uma partida.
Para a cobrança de um pênalti a bola é colocada na chamada “marca fatal” e dentro da área só é permitida a presença do cobrador e do goleiro, que deve ficar na sua linha de meta, só podendo se deslocar para os lados, nunca para frente. Qualquer contravenção a essas regras será punida com a repetição da cobrança. O cobrador deve bater diretamente para frente, e não poderá tocar novamente na bola antes que outro o faça. A bola será considerada em jogo assim que percorrer uma distância igual à sua circunferência, e o gol valerá mesmo que o goleiro a toque antes de ultrapassar a linha de meta.
Para toda infração a estas regras haverá uma penalidade. Se for cometida pela equipe defensora, será repetida a cobrança do pênalti, caso este não resulte em gol; cometida por um atacante, que não o mesmo que cobrou o pênalti, resultará em anulação de um eventual gol e na repetição da cobrança; se o infrator for o mesmo que cobrou o pênalti, e o fizer depois que a bola estiver em jogo, será marcado um tiro livre indireto a favor da equipe adversária.
Após a cobrança o jogo prosseguirá normalmente, o que significa que se o goleiro espalmar a bola para longe da meta, os demais jogadores, que esperavam atrás da linha de chute, podem continuar a jogar e insistir no remate.
As decisões de jogos por cobranças de pênaltis são previstas em algumas competições futebolísticas. Quando isso ocorrer, serão cobradas cinco séries de pênaltis, uma para cada time, e depois, se não houver vencedor, novas séries de uma cobrança para cada lado, até que um deles seja o vitorioso. Somente poderão cobrar pênaltis jogadores que estejam atuando na partida. Atletas expulsos não podem ser relacionados. Durante as cobranças os jogadores de ambas as equipes devem ficar no círculo central, com exceção dos goleiros, que podem esperar pelas cobranças na grande área.
O pênalti pode ser cobrado em dois toques, desde que a bola seja rolada para frente e o segundo jogador a tocar nela esteja fora da área no momento da cobrança. No caso de decisão de resultado por pênaltis, isso não é permitido. O mesmo acontece se a bola bater na trave e depois no goleiro. A partir do momento que a bola estiver em uma trajetória de retorno do gol o lance está encerrado. Se fosse válido, a bola poderia acidentalmente voltar, acertar sem querer a cabeça do cobrador e entrar no gol. Durante o transcorrer do jogo, o lance é válido, mas nas decisões por pênaltis esse gol não deve ser validado.
Além do tradicional futebol de campo, a regra do pênalti é aplicada na maioria das outras modalidades de futebol, tais como futsal, futebol de salão, futebol society, etc. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Assinar:
Postagens (Atom)


.jpg)








