Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sábado, 31 de outubro de 2009

Morre zagueiro remanescente da Copa de 1950

Morreu na última sexta-feira (31), aos 86 anos de idade, o ex-zagueiro Juvenal, um dos três últimos remanescentes do grupo de jogadores que formou a Seleção Brasileira que disputou e perdeu a Copa do mundo de 1950, realizada no Brasil. Os outros dois são Nilton Santos e Nena. Olavo Rodrigues Batista, o Nena, jogou pelo Internacional de Porto Alegre, Portuguesa de Desportos, de São Paulo e Seleção Brasileira. Hoje, com 86 anos e aposentado, mora em Goiânia. Nilton Santos, só jogou pelo Botafogo do Rio de Janeiro e Seleção Brasileira. Mora no Rio de Janeiro e está 88 anos. Juvenal Amarijo estava internado há 15 dias no Hospital Geral de Camaçari, região metropolitana de Salvador devido a uma artrose no joelho direito. A causa da morte ainda não foi revelada.

Juvenal nasceu na cidade gaúcha de Santa Vitória do Palmar, no dia 27 de outubro de 1923. Começou a carreira de jogador profissional no G.E. Brasil de Pelotas (RS), onde atuou entre 1943 e 1949, ano em que se transferiu para o Flamengo do Rio de Janeiro. No clube carioca jogou de 1949 a 1951. Seu primeiro jogo pelo rubro-negro foi no dia 20 de fevereiro de 1949, com uma goleada de 4 X 1 sobre o Olaria. No Flamengo ele participou de 82 partidas e marcou 1 gol.

Em 1950 disputou a Copa do Mundo, tendo jogado seis partidas. Ao sair do Flamengo defendeu o Palmeiras (1951 a 1954), Bahia (1954 a 1958) e Ypiranga (BA) (1958 a 1959), quando encerrou a carreira. Pela Seleção, ele disputou 11 partidas, a última no “Maracanazzo” de 1950. Foram oito vitórias, dois empates e apenas uma derrota, exatamente contra o Uruguai, no Maracanã.

Nos 16 anos de carreira profissional conquistou os seguintes títulos: pelo Flamengo: Troféu Embaixada Brasileira, na Guatemala (1949); Troféu El Comite Nacional Olímpico da Guatemala (1949); Palmeiras: Campeonato Paulista (1950); Copa Rio (1951); Bahia: Campeonato Baiano (1954 e 1956) Seleção Brasileira: Copa Oswaldo Cruz (1950) e Copa Roca (1950).

Mesmo tendo conquistado títulos importantes e defendido grandes clubes, Juvenal teve que carregar pelo resto da vida o peso de ter participado da maior tragédia do futebol brasileiro em todos os tempos, a derrota de 2 X 1 para o Uruguai na decisão do Mundial de 1950. Ele era titular absoluto da seleção, e ao lado do goleiro Barbosa e do lateral Bigode foi apontado como um dos culpados diretos pelo fracasso. Jamais conseguiu se livrar do fantasma de 50. A exemplo de Barbosa recebeu uma espécie de punição perpétua. Até morrer se sentiu como um eterno condenado.

Em 2007, a Rede Globo revelou o drama vivido pelo ex-jogador, que, pobre e doente se movimentava numa cadeira de rodas, morando num barraco em péssimas condições na praia do Jauá, na região litorânea de Camaçari (BA). Nem televisão tinha para ver partidas de futebol. O drama de Juvenal mobilizou várias pessoas pelo país, inclusive dirigentes do clube onde começou a jogar, o Brasil de Pelotas, que lhe garantiram todo o tipo de assistência. Ele ganhou uma TV, casa nova e recebeu tratamento médico. Mas uma ferida jamais foi cicatrizada, aquela que cortou definitivamente a alma do zagueiro naquela tarde de julho no Rio de Janeiro.

A Rede Globo promoveu no início de 2008 a ida de Juvenal ao Rio de Janeiro e ao Maracanã depois de 50 anos. No maior estádio do mundo o ex-zagueiro relembrou um dos dias mais tristes de sua carreira. Mas a emissora também lhe proporcionou um momento de grande emoção: o reencontro com a filha que ele havia abandonado na década de 1950.

Juvenal jogou numa época em que o futebol não proporcionava as grandes fortunas de hoje, mas permitia que se vivesse confortavelmente. Isso, para quem soube administrar o sucesso e o dinheiro. O ex-zagueiro da seleção, por razões que não cabem ao articulista comentar, não fez isso e morreu pobre, sozinho e numa cadeira de rodas. Ainda bem que nos últimos meses de vida conseguiu, pelo menos, recuperar a dignidade perdida. (Pesquisa: Nilo Dias)

Juvenal com a camisa do Flamengo (Foto: Flapedia)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O "Coxa" faz 100 anos (Final)

Inquilino do Jockey Club nos primeiros anos de existência, o Coritiba passou pelo Parque Graciosa Atlântica, no “Juvevê”, que era propriedade do associado Arthur Iwersen, antes de estabelecer-se no “Alto da Glória”, seu endereço há quase 80 anos. Em 1928, o clube fez um empréstimo na Caixa, a juros de 12% ao ano, e adquiriu por 120 contos de réis a área de 36.300 m², onde depois construiria o estádio.

Quatro anos depois estava de pé o Estádio Belfort Duarte – homenagem ao ex-jogador e dirigente do América carioca, famoso pelo jogo limpo. A obra contava com arquibancadas de madeira, e 36 refletores para iluminação. Durante 25 anos foram essas as acomodações. A inauguração oficial aconteceu no dia 20 de novembro de 1932, com a vitória do campeão paranaense sobre o América, campeão carioca, por 4 X 2.

Entre os anos de 1956 e 1963 o clube foi presidido pelo seu ex-atleta Aryon Cornelsen, que resolveu botar abaixo bóia parte do velho “Belfort Duarte”, para ampliar e modernizar o estádio. O dinheiro foi conseguido junto ao “Bolo Esportivo”, uma espécie de precursor da Loteca. As obras começaram no segundo ano do mandato. Lolô, irmão de Aryon, fez o projeto de graça e seu pai, Emílio, fiscalizou as obras. Fechado desde o início de 1958, o estádio foi reaberto no 49.º aniversário do clube. Apenas a derrota por 3 X 1 no Atle-Tiba não estava nos planos. A ampliação terminou em 1979. O Estádio não se chamava mais “Belfort Duarte”, e sim “Couto Pereira”, em homenagem ao ex-dirigente falecido em 1976.

Em função da sua origem germânica, os times do Coritiba no início de sua história eram formados basicamente por descendentes de alemães, que com suas peculiares aparências, altos, fortes e claros, eram alvos fáceis para as provocações vindas das torcidas adversárias. Em um clássico Atle-Tiba (Atlético X Coritiba), no ano de 1941, o ainda torcedor Jofre Cabral e Silva - que depois se tornaria presidente do time da Baixada -, exaltado ao extremo pelo fato do seu time estar perdendo, começou a gritar com o zagueiro Hans Breyer, chamando-o de “quinta-coluna”. Ao perceber que Breyer não lhe dava ouvidos, Jofre Cabral mudou o tom e passou a chamá-lo, incessantemente de “Coxa-Branca! Coxa-Branca!”.

Hans Egon Breyener era um alemão de Düsseldorf, que chegou aos seis anos de idade ao Paraná, fugindo da primeira grande guerra mundial e se tornou zagueiro do Coritiba no início dos anos 40. Naqueles tempos de guerra, ser alemão, italiano e japonês era sinônimo de traidor. O apelido pegou. Mas o Coritiba venceu o Atlético nas finais do estadual e foi campeão. Breyner, profundamente entristecido com o episódio, retirou-se dos gramados. E a expressão “Coxa Branca” só foi reabilitada em 1969. Gritada nas arquibancadas do então Estádio Belfort Duarte.

O apelido acabou pegando e o que era para se transformar numa afronta, virou motivo de orgulho para a fiel torcida “Coxa”. Com o passar do tempo, o termo foi assimilado pela torcida coritibana e a expressão “Coxa” virou sinônimo do amor da galera. Tanto que se tornou hino: aos gritos de “Coxa eu te amo!”, a torcida saúda seu time nos momentos difíceis, algo que já se transformou em cultura dos torcedores alviverdes.

Em 1969 o Coritiba realizou a primeira excursão de um clube paranaense à Europa, se apresentando em gramados da Alemanha, Áustria, França, Bulgária, Holanda, Bélgica e Espanha. Os resultados dos jogos foram estes: Coritiba 1 X 1 Hamburgo (Alemanha); Coritiba 2 X 1 Colônia (Alemanha); Coritiba 0 X 0 Borússia Dortmund (Alemanha); Coritiba 1 X 5 Áustria Viena (Àustria); Coritiba 1 X 0 Saint Etienne (França); Coritiba 2 X 2 Red Star (França); Coritiba 2 X 5 Levski (Bulgária); Coritiba 0 X 0 Bordeaux (França); Coritiba 1 X 1 Feyenoord (Holanda); Coritiba 2 X 5 Anderletch (Bélgica); Coritiba 1 X 2 (Espanha) e Coritiba 5 X 2 Valência (Espanha). Foram disputadas 12 partidas, com um saldo de cinco empates, três vitórias e quatro derrotas, 18 gols pró e 25 contra.

A rádio clube (PRB-2) acompanhou o clube, efetuando as transmissões com a narração de Ney Costa e comentários de Vinícius Coelho. O time-base do Coritiba na excursão foi Joel Mendes – Modesto – Roderley - Nico e Nilo - Paulo Vecchio e Rinaldo (Lucas) – Passarinho – Krüger - Kosileck e Edson. Além destes, também participaram Célio, Marinho, Rossi, Oldack, Oromar e Antoninho.O jogador Passarinho anotou o primeiro gol do Coritiba na excursão. O artilheiro foi Kosileck, com oito gols

Ao início de 1971 a Seleção Francesa realizou uma excursão pela América do Sul, quando enfrentou o Coritiba em histórico jogo, disputado no dia 18 de janeiro, no Estádio Couto Pereira. O time brasileiro venceu por 2 X 1, gols de Lech (França)aos 42 minutos, Peixinho aos 44 e Hermes aos 74 para o Coritiba. A renda somou Cr$ 113.932,00. O árbitro foi Armando Marques. Na preliminar Atlético Paranaense e Ferroviário, empataram em 1 X 1.

O Coritiba jogou com Célio – Hermes – Nico - Terto (Cláudio) e Nilo - Hidalgo (Bidon) e Lucas - Peixinho (Marcos) – Leocádio - Kruger (Hélio Pires) e Rinaldo. A Seleção da França com Marcel – Lemére – Bosquier - Djorkaeff e Rostagni - Mezi e Michel – Lech - Revelli (Molitor) - Loubet (Floch) (Herbé) e Beretta.

O maior título da história do Coritiba foi o de campeão brasileiro em 1985, sob o comando de Ênio Andrade. No Coritiba, armou uma equipe muito forte na marcação, com um futebol de resultados, classificando-se em primeiro lugar num grupo que tinha Corinthians, Joinville e Sport. Nas semifinais, o Coritiba eliminou o Atlético Mineiro em pleno Mineirão lotado. Depois de haver vencido por 1 X 0 no Couto Pereira, garantiu a vaga empatando em 0 X 0, em Belo Horizonte.

A decisão do título se deu em partida única no Maracanã. O Coritiba marcou primeiro com Índio cobrando falta. O Bangu, empatou aos 35 minutos com um gol do meia Lulinha. O jogo terminou em 1 X 1 e foi preciso uma prorrogação, que terminou sem gols. A decisão foi para as penalidades. Já era madrugada de primeiro de agosto. O Coritiba fazia um gol e o Bangu empatava até terminar a série em 5 X 5. Foi quando o ponta-esquerda banguense Ado chutou para fora. Gomes, cobrou bem e deu o título inédito ao Coritiba. O Maracanã aplaudiu de pé o primeiro Campeão Brasileiro da Nova República.

Outros títulos. Campeonatos estaduais: (1916, 1927, 1931, 1933, 1935, 1939, 1941, 1942, 1946, 1947, 1951, 1952, 1954, 1956, 1957, 1959, 1960, 1968, 1969, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978, 1979, 1986, 1989, 1999, 2003 e 2004). Torneio do Povo, que foi disputado contra Flamengo, Internacional, Corinthians, Atlético Mineiro e Bahia (1973).

Após três anos na segunda divisão, o Coritiba retornou à elite do futebol brasileiro, em 1984, sendo eliminado nas quartas-de-finais, pelo então campeão Fluminense. Era apenas um aperitivo do que aconteceria no ano seguinte. No dia 31 de julho de 1985, após um empate em 1 a 1 com o Bangu, em pleno Maracanã, o Coritiba se sagrou campeão brasileiro, na disputa por pênaltis.

Em 1986, o Coritiba disputou a Copa Libertadores, mas o time foi eliminado ainda na primeira fase. No final da década de 80, mais precisamente em 1989, o hino popular, conhecido como "Coritiba Eterno Campeão", foi adotado pela torcida e cantado até hoje. Porém, neste mesmo ano a equipe se recusou a enfrentar o Santos e foi rebaixado no Campeonato Brasileiro, chegando à terceira divisão e retornando em 1993, mas caindo na mesma temporada e só voltando à elite em 1996.

A década de 90 foi ruim para o “Coxa”. Os títulos só retornaram em 1997, no Festival do Futebol Brasileiro, com uma vitória nos pênaltis, no Couto Pereira, sobre o Botafogo e o Paranaense de 1999, em cima do Paraná, após dez anos.

Os anos 2000 tiveram seus altos e baixos. Veio a conquista do bi-campeonato estadual, em 2003 e 2004, a volta à Libertadores, também em 2004, onde mais uma vez foi eliminado na primeira fase. Mas também ocorreu mais um rebaixamento no Brasileirão, em 2005. O acesso veio em 2007, com o título obtido no último minuto, e o 33º estadual em 2008, em cima do rival Atlético Paranaense.

Regino Réboli, 93 anos, é o mais antigo jogador vivo na história do clube. Ele jogou na década de 30 e era conhecido por “Hygino”. Foi campeão do Torneio Inicio em 1930 e 1932 e do Campeonato . Hygino participou do Coritiba quando foi campeão do Torneio Início em 1930 e 1932, dos campeonatos da cidade e do Estado em 1931 e do Torneio dos Cronistas Esportivos em 1932.

No mesmo ano foi inaugurado em 19 de novembro o estádio Belfort Duarte e lá estava Regino Réboli, pai de Homero Luiz Réboli, arquiteto e compositor, co-autor do Hino Oficial do Coritiba F. C. Paranaense. Réboli foi homenageado pela diretoria do “Coxa” neste ano de 2009. (Pesquisa: Nilo Dias)
Excursão a Europa em 1969. (Foto: Acervo do Coritiba F.C.)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

MUSICA FUTEBOL CLUBE ! A VOZ DAS ARQUIBANCADAS. disse...
Caro pesquisador Nilo Dias
O BLOG www.musicadogol.blogspot.com está fazendo uma homenagem ao município de Bagé, bem como aos bageenses.
Fica a sugestão ao GRANDE Nilo.
José Leonardo Guerra Maranhão Bezerra( Natal-Rio Grande do Norte )
29 de outubro de 2009 12:47

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O "Coxa" faz 100 anos (1)

A data de hoje marca os 100 anos de fundação do Coritiba Futebol Clube, uma das mais tradicionais e simpáticas agremiações esportivas do Brasil. A história do alviverde curitibano começou quando o jovem Frederico Fernando Essenfelder, o “Fritz”, que residira um tempo em Pelotas, no Rio Grande do Sul, trouxe para Curitiba a primeira bola de futebol. Como não poderia deixar de ser, a novidade provocou grande curiosidade, principalmente na juventude local, que ouvira falar da criação de um clube voltado para a prática do novo esporte, na cidade gaúcha de Rio Grande.

Entusiasmados com a idéia de ter seu próprio clube, um grupo de desportistas, na maioria descendentes de alemães reuniu-se no antigo Clube Ginástico Turverein, mais tarde Teuto Brasileiro, no dia 12 de outubro de 1909, para a concretização do sonho. Estiveram presentes a reunião João Viana Seiler, Leopoldo Obladen, Carlos Schelenker, Arthur Iwersen, Arthur Hauer, (que levou toda a família), Walter Dietrich, Roberto Isckch, Rodolpho Kastrup e muitos outros. Junto a eles, um brasileiro autêntico, José Júlio Franco, que mais tarde formou com Seiler e Obladen, um trio decisivo a implantação do clube.

Logo após a fundação, os adeptos do futebol tiveram que enfrentar um problema: onde praticar o novo esporte, já que alguns influentes associados do Clube Ginástico Turverein, não viam com bons olhos aquele movimento dentro da entidade. Isso obrigou os jovens futebolistas a conseguirem uma área entre as ruas João Negrão e Marechal Floriano, atrás do quartel da Polícia Militar, onde passaram a praticar o futebol e tomar conhecimento de suas regras e determinações.

Na cidade interiorana de Ponta Grossa também era fundado um clube voltado para a prática do futebol, o “Club de Foot-Ball Tiro de Guerra Pontagrossense, formado por jovens que freqüentavam o Tiro de Guerra 21 e ingleses que eram funcionários da companhia “American Brasilian Engeneering Co”, encarregada de instalar a via férrea em território paranaense. Com a chegada do inglês Charles Wright, que trouxe na bagagem uma bola de couro número cinco, o novo esporte foi introduzido na cidade.

Não demorou para que os curitibanos fossem convidados para um jogo em Ponta Grossa, que se realizou no dia 23 de Outubro de 1909. A delegação curitibana que viajou de trem até Ponta Grossa, era composta por 15 “foot ballrs” e cerca de 20 sócios, além de convidados, entre eles os jornalistas, Luis Schelenker, do “Der Beobaether”, órgão da colônia germânica de Curitiba, e Aldo Silva, do “Diário da Tarde”.

Na chegada da Ponta Grossa, na estação ferroviária estavam alinhados os sócios do Foot Ball Clube Pontagrossense, praças do batalhão de Caçadores do Ponta Grossa e uma enorme multidão, sendo a comitiva re¬¬cebida sob calorosos vivas e ao som da Banda Lyra dos Cam¬¬pos. Após um “lunch” no Hotel Pa¬¬lermo, a comitiva seguiu para o “ground” ao lado do cemitério. Com um atraso de cinco minutos começou o match. O time de Ponta Grossa, já com a quase seis meses de treinamentos, venceu por 1 X 0, gol do inglês Charles Wright.

O onze do Turverein entrou em campo com: Arthur Hauer - A. Labsch e Walter Dietrich - Arthur Iwersen - Roberto Iusksch e Theodoro Obladen - Rodolpho Kastrup – Maschke - Leopoldo Obladen - Carlos Schlenker e Fritz Essenfelder. O Tiro de Guerra jogou com Ayres - Frederico e Debu - Charles Wright - Joca e Maravalhas - J. Dawes – Monteiro - Silva Jardim - Flávio Guimarães e Salvador. O juiz foi o desportista pontagrossense Flygare.

Após o jogo foi oferecido um lauto banquete aos visitantes. Naqueles tempos havia muita cortesia entre os degladiantes. O presidente do Turverein, Frederico Rummert, ao dar um brinde aos anfitriões, disse. “E sem que tenha havido entre nós vencedores ou vencidos, mas sim soldados que labutam pelo desenvolvimento físico e com este o intelectual da mocidade paranaense, vos aperto a mão amiga em nome de cada um dos nossos companheiros reconhecidos e gratos.”

No retorno a Curitiba, aconteceu uma deliberação histórica: João Viana Seiler, o grande líder grupo, inconformado com a discriminação existente no Turnverein, lançou a idéia da fundação de um novo clube. As reuniões passaram a ser realizadas no Teatro Hauer, na esquina das ruas 13 de Maio e Mateus Leme. Um mês depois, mais de 60 pessoas estavam integradas ao movimento.

No dia 30 de janeiro de 1910, foi fundado o Coritybano Foot Ball Club sendo eleito seu primeiro presidente e também patrono, o desportista João Viana Seiler. Como vice-presidente, Arthur Hauer; primeiro secretário José Júlio Franco: segundo secretário, Leopoldo Obladen; primeiro tesoureiro, Walter Dietrich; segundo tesoureiro, Alvim Hauer e capitão Fritz Essenfelder. No discurso de posse, Seiler sugeriu que a data oficial de fundação fosse 12 de outubro de 1909. As cores adotadas para o uniforme do clube foram o verde e o branco, referência às da bandeira do Estado.

Faltava agora apenas um campo para jogar, problema que foi resolvido quando os fundadores conseguiram autorização para usar uma área do Jóckey Club Paranaense, no bairro Prado velho, onde hoje se localiza o Campus 1 da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR). A área foi reformada com obras de terraplanagem, gramado e construção de cercas de arame. Para chegar ao campo, que ficava longe do centro da cidade, os torcedores precisavam pegar bondes puxados por burros.

O clube jogou ali até 1916, quando passou a mandar seus jogos no Parque Graciosa. A idéia geral foi inaugurar o novo campo num jogo contra o time de Ponta Grossa, para retribuir a recepção magnífica que tiveram na primeira partida.

Também em Ponta Grossa aconteceram novidades. Agora o time se chamava Ponta Grossa Foot Ball Club. No dia 12 de junho de 1910, se realizou a primeira partida de futebol em Curitiba. Foi organizada uma grande festa que durou três dias. Desta vez o onze da capital não teve dificuldades em vencer o adversário por 5 X 3. A partir daí, vários amistosos foram disputados entre as duas equipes, que procuravam difundir a prática do futebol no Estado. Não havia campeonatos, apenas torneios de curtos períodos.

O nome Coritybano durou pouco. Em 21 de Abril de 1910, cerca de seis meses depois, para não fazer confusão com o já existente Clube Curitybano, a denominação mudou para Coritiba Foot Ball Club. O nome da cidade se grafava Curityba, com o y depois do t, que era um nome tupi-guarani, significando “muito pinhão”. Numa das reformas ortográficas, a cidade passou a ser grafada como Coritiba. E veio uma nova reforma, passando a ser Curitiba, mas o clube, já com o nome consagrado, preferiu ignorar a mudança.

Como não existiam outros clubes para a disputa de campeonatos, os dirigentes do Coritiba resolveram dividir o clube, cedendo vários jogadores para que fosse formada uma outra equipe, surgindo assim o Internacional, que foi o primeiro campeão paranaense, em 1915. Em 1924 foi extinto, ao fundir-se com o América, dando origem ao Clube Atlético Paranaense. O Campeonato foi realizado pela Liga Sportiva Paranaense (LSP), e disputado por Coritiba, Internacional, América, Paraná, Paranaguá e Rio Branco (Paranaguá).

O título do Internacional em 1915 foi contestado por um jogador do América, o que provocou a desfiliação de vários clubes da LSP. O América e outros clubes criaram uma nova entidade, a Associação Paranaense de Sports Athléticos (APSA), formada por Coritiba, Savóia, América, Palmeiras, Spartano, Paraná e Rio Branco. N LSP estavam Britânia, Bela Vista, Internacional, América de Paranaguá, Americano e Pinheiros.

Em 1916 dois campeonatos foram realizados separadamente, mas no final do ano as duas associações se juntaram formando a Associação Sportiva Paranaense (ASP). Ficou decidido que o campeão sairia de uma decisão entre os campeões das duas ligas: Coritiba e Britânia. Na primeira, o Coritiba foi vencedor. Na segunda, o Britãnia ganhou. No dia 21 de janeiro de 1917, o Coritiba venceu ao Britânia por 2 X 1 e foi proclamado campeão do Paraná. Em 1939 a Federação Paranaense de Futebol (FPF), passou a comandar o futebol no Estado. (Pesquisa: Nilo Dias)

(Foto: Acervo histórico do Coritiba F.C.)

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Cristina disse...
Meu bisavô José Julio Franco deve ter ficado muito triste, lá onde Deus o tenha, com a violência e desrespeito que a pseudo torcida recebeu o Fluminense neste final de 2009. Lamentável, uma mancha na história que meu antepassado ajudou a construir.
Cristina de Oliveira Franco.
14 de dezembro de 2009 18:10

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

E a festa continua

Na rodada deste final de semana, não foi diferente. Mais arbitragens ruins e clubes prejudicados. O Campeonato Brasileiro parece que vai ser decidido no apito.Quem tiver mais força nos bastidores, leva a taça.

A arbitragem do mineiro Ricardo Marques Ribeiro no clássico deste domingo entre Corinthians e São Paulo deixou o lado alvinegro revoltado. Após o empate por 1 a 1 no Morumbi, que afastou ainda mais os arquirrivais do sonho de brigar com o Palmeiras pelo título, Mano Menezes praticamente se esqueceu de falar sobre o desempenho de sua equipe no confronto contra os atuais tricampeões nacionais e foi o primeiro a disparar contra o apitador.

"Tivemos, na segunda parte, as melhores oportunidades para definir o jogo a nosso favor e saímos com a convicção de que se a arbitragem tivesse sido um pouco mais neutra certamente sairíamos com a vitória", opinou, visivelmente insatisfeito com o trio mineiro."Não gostei nada da arbitragem e acho que estão confundindo o fato de o Corinthians já ter vaga garantida na Libertadores com dar o mesmo tratamento para nosso time. O árbitro usou dois critérios o tempo inteiro. Não deu uma sucessão de faltas a nosso favor e, no final, expulsou um jogador deles para deixar a impressão que o São Paulo foi o prejudicado.

Um absurdo", disparou, cutucando, por tabela, os donos da casa.Apesar de ter citado faltas em Defederico e Dentinho, perto da área rival, como exemplos de erros do árbitro neste domingo, Mano reforçou que sua principal reclamação foi com relação ao duplo critério adotado pelo apitador mineiro. "Não estou falando de um lance, mas de filosofia para apitar o jogo. Tem que usar critério igual. Não usou e ficou parecendo outra coisa", concluiu, voltando a insinuar favorecimento ao time do Morumbi.Direto e reto: Se Mano Menezes insinuou favorecimento, o presidente Andrés Sanchez falou com todas as letras o que o treinador se policiou na hora de conceder entrevista coletiva.

Para o mandatário alvinegro, a força rival nos bastidores influenciou o comportamento de Ricardo Marques Ribeiro no clássico."Errar é normal, mas o que aconteceu hoje (domingo) foi um absurdo. Eu já fui beneficiado e prejudicado, mas isso foi uma vergonha. O São Paulo pressiona de todos os lados e acontece isso aí", disparou, também reforçando sua revolta com o tratamento recebido ao chegar no Morumbi."Está virando rotina com esses vândalos. Depois querem fazer Copa do Mundo", criticou. "E vão conseguir, pois vai sair dinheiro público. Eu queria fazer o meu (estádio), mas o São Paulo vai pegar todo o dinheiro e não sobrará para o Corinthians", concluiu, estocando uma última vez os desafetos.

Resposta: Do lado são-paulino, o técnico Ricardo Gomes deixou clara a discordância das declarações corintianas. "Qual pressão que fizemos sobre o árbitro? Contra o Flamengo, ele não havia dado um pênalti sobre o Washington. Ainda assim, sempre falei para confiarmos em seu trabalho", afirmou.

Já o superintendente de futebol Marco Aurélio preferiu disparar contra Mano Menezes. "Ele é muito sensível para arbitragem. O gol do Corinthians saiu de uma irregularidade do Dentinho e ainda vi um pênalti em cima do Marlos. Mas foram lances difíceis. Acho que o juiz apitou bem", analisou. (Fonte: Yahoo Esportes)
Barueri foi prejudicado pela arbitragem

Dois lances foram especialmente contestados pelos jogadores do Barueri neste sábado. No primeiro deles, o meia Gilberto estaria em posição irregular quando completou cruzamento de Guerrón, após corte mal feito pela zaga. No outro, o zagueiro Gil teria cortado finalização de Fernandinho com o braço. O árbitro Djalma Beltrami (RJ) não deu pênalti e mandou o lance seguir - o atacante acabou expulso por reclamação, minutos depois.

"Na hora do chute, a bola bateu na minha costela e depois pegou no braço", admitiu Gil, sem ver motivos para a penalidade: "mas eu já estava caído nessa hora". Já o volante Fabrício, que reclamou de pênalti de Jumar na derrota para o Palmeiras, desta vez adotou discurso oposto, ao ver como comuns os erros. (Fonte: Brazilian Voice)

Djalma Beltrami prejudicou o Barueri, no jogo contra o Cruzeiro.

sábado, 26 de setembro de 2009

Árbitros ou sopradores de lata (Final)

Antes do segundo jogo das finais da Copa do Brasil, o vice-presidente de futebol Fernando Carvalho apresentou a imprensa um dossiê mostrando em vídeos, o favorecimento das arbitragens ao Corinthians. Todas as imagens exibidas foram extraídas de programas esportivos. A apresentação, que foi acompanhada por dezenas de jornalistas, começou com a exibição do pênalti sofrido por Tinga, no Pacaembu, no Brasileirão de 2005. Naquela oportunidade, o árbitro Márcio Rezende de Freitas não marcou a penalidade e ainda expulsou o jogador colorado por suposta simulação.

Somado ao escândalo da arbitragem no campeonato daquele ano, que motivou a anulação do resultado de diversas partidas, o equívoco foi extremamente danoso ao Internacional, que acabou ficando com o vice-campeonato. Depois, o dossiê se ocupou com a Copa do Brasil, quando uma série de erros de arbitragem facilitaram a chegada do clube paulista ao título.

Destaque para o jogo contra o Atlético Paranaense, disputado dia 29 de abril na Arena da Baixada, em que o Corinthians foi beneficiado com dois pênaltis inexistentes marcados pelo juiz Nielson Nogueira Dias (PE). O time curitibano vencia por 3 X 0, mas a vantagem foi diminuída para 3 X 2 graças aos erros do árbitro, que também deixou de marcar um pênalti em favor do Atlético.

A apresentação também trouxe à tona a segunda partida da semifinal, dia 3 de junho contra o Vasco da Gama, na qual o juiz Leonardo Gaciba (Fifa-RS) deixou de marcar um pênalti claro para a equipe carioca. O resultado de 0 X 0 no Pacaembu acabou servindo ao Corinthians, que avançou à final. Para encerrar o dossiê, foram mostrados vários lances do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, no Pacaembu. A começar pela falta que originou o segundo gol do Corinthians, que foi claramente cobrada com a bola em movimento, sob o olhar complacente do árbitro paranaense, Heber Rodrigues Lopes, do quadro da FIFA.

Todas as imagens foram exibidas com o áudio original, no qual os comentaristas reiteravam o erro cometido pelo árbitro. A seguir, foi mostrado o pênalti sofrido por Alecsandro, quando o placar ainda estava 0 X 0. Além de um impedimento mal marcado de Taison, a edição também destacou as sucessivas faltas cometidas por Elias, Jorge Henrique e Chicão, que nem sequer receberam cartão amarelo.

No jogo Corinthians 3 X 3 Botafogo, dia 23 de agosto, válido pela 21ª rodada o juiz aspirante ao quadro da Fifa, Arilson Bispo da Anunciação (BA) validou um gol do Botafogo em que André Lima usou a mão para tocar a bola para as redes. Além disso, assinalou um pênalti e uma falta que resultaram em gols do Corinthians. Por causa desses erros o árbitro foi suspenso pela Comissão de Arbitragem da CBF por tempo indeterminado.

Apenas para ilustrar este trabalho, alguns dos maiores erros de arbitragem já verificados no futebol brasileiro nos últimos anos, além dos já citados acima.

Portuguesa x Corinthians - 1998 (Paulistão). O zagueiro César, da Portuguesa, interceptou a bola com o peito, mas o juiz Javier Castrilli viu toque de mão e marcou pênalti. O Corinthians fez o gol e foi para a final do torneio.

Santos x Botafogo - 1995 (Brasileirão). Foram inúmeros erros. Um gol do santista Túlio foi anulado. O juiz Márcio de Freitas não viu o lateral santista Capixaba ajeitar a bola com a mão, lance convertido em gol por Marcelo Passos. Ele também anulou, com um impedimento inexistente, o gol de Camanducaia que daria a vitória ao Santos.

Grêmio x Flamengo - 1982 (Brasileirão). O jogador rubro-negro Andrade interceptou um gol do gremista Baltazar com a mão. O juiz Oscar Scolfaro não deu o pênalti.

Santos x Portuguesa - 1973 (Paulistão). O juiz Armando Marques encerrou a cobrança de pênaltis antes de todos os lances serem cobrados. Os Santos foi declarado campeão. A Federação Paulista “consertou o erro” dividindo o título entre as equipes.

Palmeiras x São Paulo - 1971 (Paulistão). O juiz Armando Marques anulou o gol de cabeça do atacante palmeirense Leivinha, alegando toque de mão. Seu time perdeu a partida por 1 a 0. (Texto extraído do site GUIA DE CURIOSIDADES).

Ainda com relação ao Corinthians, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) investigou possível tentativa de manipulação de resultados no Brasileiro de 2006, temporada na qual o “Timão” correu risco de rebaixamento. A denúncia foi feita pelo Ministério Público Federal, que não concedeu mais detalhes, mas avisou que nas escutas realizadas para desvendar a parceria entre o Corinthians e a empresa MSI houve conversas sobre manipulação de resultados. Tudo acabou em pizza.

Em 1997, gravações pegaram o presidente corintiano oferecendo o que seria dinheiro ao então chefe da arbitragem brasileira, Ivens Mendes. O STJD, logo depois, puniu Dualib com dois anos de suspensão, nunca cumprido por conta de recursos.

No ano passado o site Globoespoerte fez um minucioso levantamento de como seria a classificação do Brasileirão sem os erros de arbitragem. Para tanto foi feita uma pesquisa em busca de erros decisivos de arbitragem, e que fizeram diferença no placar. Esta análise mostrou que se os árbitros não errassem, a tabela do campeonato sofreria muitas mudanças. De 340 confrontos, 29 mudaram de resultado. A equipe mais beneficiada com os erros foi a do São Paulo, que se sagrou campeão, e a mais prejudicada, a do Fluminense, que escapou do rebaixamento nas últimas rodadas. (Pesquisa: Nilo Dias)

Dirigente Fernando Carvalho, do Internacional denunciou favorecimento ao Corinthians.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Árbitros ou sopradores de lata? (01)

O nível das arbitragens no Brasil está realmente muito ruim. A cada rodada do Campeonato Brasileiro, não importa se da Série A ou B, multiplicam-se as reclamações. São erros gravíssimos, que mesmo sem intenção podem jogar por água abaixo todo o trabalho de uma temporada, além de causarem grandes prejuízos financeiros aos clubes prejudicados.

Nos últimos dias assistimos erros que nem despreparados juízes de peladas varzeanas cometeriam. No jogo Ceará X Paraná Clube, disputado no último dia 19, no Estádio Castelão, em Fortaleza, o árbitro alagoano Charles Hebert Cavalcante Ferreira validou um gol feito com a mão pelo atacante Wellington Silva, aos 42 minutos do primeiro tempo, que deu a vitória ao clube paranaense.

O lance foi escandaloso. Após uma cobrança de escanteio, a bola sairia pela linha de fundo, mas Wellington saltou e deu uma verdadeira cortada de vôlei para marcar um gol com a mão esquerda. De nada adiantaram as reclamações dos jogadores cearenses, pois até mesmo a bandeirinha alagoana Ticiana de Lucena Falcão correu para o centro do campo, também validando o gol. Antes da bola rolar para o segundo tempo, Wellington Silva confirmou a irregularidade que cometeu no lance do gol. “Fui dar um peixinho e pegou na minha mão, mas não tive a intenção”, disse o jogador, em entrevista a imprensa cearense.

A Comissão de Arbitragem da CBF puniu o árbitro Charles Ferreira, com 90 dias de suspensão, e os auxiliares Cleriston Rios (SE) e Ticiana Lucena, mais o quarto árbitro Wladyerisson Oliveira (CE), com 30 dias de gancho.

Na última quarta-feira, 23, o árbitro Evandro Rogério Roman (PR) teve péssima atuação ao dirigir o jogo Cruzeiro X Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro da Série A. Ele deixou de marcar pelo menos três penalidades máximas claríssimas contra o Palmeiras. O presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, divulgou ontem uma carta de protesto intitulada "Vergonha e indignação". "A partida entre Cruzeiro e Palmeiras entrou para a relação dos grandes absurdos do futebol brasileiro em 2009", diz a nota.

Até o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, concordou que houve um pênalti indiscutível quando Jumar acertou Fabrício na área. "Foi pênalti, eu não escondo", afirmou o dirigente palmeirense. A CBF puniu o árbitro paranaense com 30 dias de suspensão.

No Campeonato Brasileiro deste ano as falhas de arbitragem começaram cedo. Na segunda rodada do primeiro turno, quatro jogos tiveram falhas que poderiam ter mudado o resultado final. O que dominou os erros foram os pênaltis não assinalados e gols marcados em impedimento. O jogo que mais provocou reclamações foi Atlético Mineiro 2 X 1 Grêmio, disputado no Mineirão, dia 16 de maio.

O árbitro Wilson Seneme (SP) teve atuação desastrosa: no início do segundo tempo, a bola bateu no braço de Welton Felipe, do Atlético, dentro da área, mas nada foi marcado. Nos acréscimos, em lance idêntico, a bola bateu no braço de Joilson, e Seneme marcou o pênalti contra o Grêmio, que Tardelli bateu e converteu, garantindo o triunfo atleticano.

Ainda nessa rodada ocorreram mais erros dos juízes. Na Vila Belmiro, os gols de Kléber Pereira, do Santos, e Rafael Tolói, do Goiás, foram marcados em impedimento. Ainda houve um pênalti de Fabão em Júlio César a favor do time goiano não assinalado pelo árbitro Ricardo Ribeiro (MG). No jogo Flamengo X Avaí, no Maracanã, outros dois pênaltis não marcados pelo árbitro Francisco Carlos Nascimento(AL). Primeiro, Willians, do Flamengo, derrubou Evando, do Avaí, na área. Pouco depois, o mesmo Willians cruzou e a bola bateu no braço levantado de Undel, que estava dentro da área.

O outro jogo que teve erro da arbitragem foi São Paulo 2 X 2 Atlético Paranaense. O gol de empate do tricolor paulista foi irregular, já que André Lima estava em posição de impedimento não marcado pelo juiz Wilton Pereira Sampaio (DF). Os paranaenses ainda reclamaram de um pênalti não marcado por Miranda em Marcinho.

Na 22ª rodada do Brasileirão, disputada no dia 30 de agosto, o Botafogo foi prejudicado pelo árbitro paulista Rodrigo Martins Cintra que validou o segundo gol gremista, feito de forma irregular: a bola saiu quase um metro pela linha de fundo no cruzamento de Mário Fernandes para Jonas. E ainda teve um pênalti a favor do Botafogo não assinalado, quando Adilson cortou cruzamento dentro da área com o braço estendido.

No jogo Internacional 1 X 2 Corinthians, dia 19 de agosto, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro, o time gaúcho foi “garfado” em pleno Beira Rio, em Porto Alegre. Dessa feita foram os dois auxiliares, Dibert Pedrosa Moisés (RJ) e Hilton Moutinho Rodrigues (RJ), que erraram feio nos gols corinthianos, ambos assinalados em situações de impedimento. No primeiro gol, Chicão estava adiantado quando a bola foi cruzada para a área em cobrança de falta. No segundo, no finalzinho, dois jogadores corintianos estavam livres e impedidos na pequena área, mas o bandeirinha nada marcou. (Pesquisa: Nilo Dias)

O árbitro alagoano Charles Hebert Cavalcante Ferreira validou de forma escandalosa, um gol feito com a mão, contra o Paraná Clube.

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Mario Gayer do Amaral disse...
Oi, Nilo. Gostei dessa matéria sobre os árbitros. é muito fácil culpá-los por uma derrota mas nem sempre isso acontece. Talvez quando colocarem a TV nos lances mais dificeis, isso minimize. Mas duvido que isso ocorra.
No meu blog, fiz um post a respeito dos três anos sem o Bra-Pel, contando um pouco das histórias e das lembranças desse jogo. Se quiseres comentar ou adicionar mais alguma coisa que tu lembres de Bra-Pel, fico agradecido. Só ganho mais sabedoria e mais trocas de idéias. É isso. Um grande abraço.
9 de outubro de 2009 00:22

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Waldemar Fiúme, o “pai da bola”

Você já imaginou um jogador atuar em 572 partidas pelo mesmo clube, num período de 18 anos, de 1940 a 1958? Ele existiu, foi Waldemar Fiúme, que jogou em diversas posições, centromédio, lateral e zagueiro, onde ganhou grande projeção nos anos 40 e 50. Todo esse esforço mereceu uma premiação extra-campo: um busto nos jardins do Parque Antarctica eternizando sua brilhante trajetória com a camisa verde. Além dele, outros dois jogadores mereceram tal honraria: Ademir da Guia e Junqueira. Agora, existe um movimento para que o goleiro Marcos também seja incluído nessa seleta categoria de craques palmeirenses.

Waldemar Fiúme surgiu para o futebol ao final da década de 30, nos gramados da extinta e histórica Várzea do Glicério, um dos maiores celeiros do futebol paulistano em todos os tempos. De todos os jogadores que deram seus primeiros chutes naqueles campos de terra, nenhum alcançou a projeção daquele jovem magro, alto, esguio e de enorme habilidade. Foi um tempo em que o futebol era bastante diferente dos dias de hoje. Para chegar ao sucesso bastava ter habilidade com a bola, saber driblar e armar jogadas. Nos dias atuais o preparo físico é o que mais importa.

Ele chegou ao Palestra Itália, em 1940, levado por um fanático torcedor, que se encantara com suas atuações no Bangu do Glicério, seu time de várzea. Precisou de apenas um teste para ser contratado. Era meia direita clássico, avançado, fazedor de gols. Estreou contra o Comercial, com vitória de 4 x 1. Não era fácil jogar num time com nome italiano naqueles tempos difíceis de guerra. Tímido, pouco falante, sofreu muito com a perseguição que os italianos, e por consequência os palestrinos foram vítimas. Fiúme viu o Palestra Itália morrer líder e o Palmeiras nascer campeão.

Era tarefa dura se manter titular numa equipe que contava com excelentes jogadores, por isso teve de passar dois anos jogando como meia-direita do time de aspirantes. Somente em 1944 teve oportunidade no time de cima. E isso graças ao adversário palmeirense na final do Campeonato Paulista daquele ano, o São Paulo que conseguiu junto a Federação Paulista de Futebol (FPF) a suspensão do volante Dacunto, peça fundamental no esquema do então técnico Bianco.

Sem outra opção, Fiúme foi chamado para substituir o titular. E deu conta do recado, destacando-se como o melhor em campo, dando um verdadeiro show de bola, exercendo marcação individual sobre o são paulino Sastre. Fiúme foi autor de jogadas maravilhosas, que abriram caminho para que Caxambu, por duas vezes, e Villadoniga construíssem o placar de 3 X 1. a partir desse dia, Fiume pontificou, ganhando o apelido de “Pai da Bola” pela versatilidade ao atuar em várias funções.

A partir daquele jogo Valdemar Fiúme se tornou um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro em todos os tempos. E dizem as más línguas, que até hoje os sãopaulinos se arrependem de terem provocado a suspensão de Dacunto, daquele jogo.

Os torcedores palmeirenses imortalizaram aquele momento mágico de Fiúme com uma paródia da marchinha “Eu brinco”, de Pedro Caetano e Claudionor Cruz, que foi o maior sucesso do carnaval de 1944. A versão original dizia: "Com pandeiro ou sem pandeiro, eu brinco!". Já a letra dos palmeirenses ficou assim: "Com Dacunto ou sem Dacunto, eu ganho!"

Fiúme foi um jogador extremamente polivalente. Em 1946 foi novamente improvisado, dessa vez como quarto-zagueiro. Ao lado de Gengo e de Og Moreira, ele formou uma das mais brilhantes linhas intermediárias da história palmeirense. Um outro trio, no qual jogou ao lado de Dema e do argentino Luís Villa, também entrou para a história, no final da década de 50. Em 1951, participou da vitoriosa campanha da Copa Rio. Em 1958, aos 36 anos, Waldemar Fiúme encerrou a carreira, tendo vestido uma única camisa, a do Palmeiras. Ele jogou 572 partidas e marcou 17 gols.

Semanas antes de encerrar a carreira, Fiúme, quando se encontrava na gráfica que era dono na Avenida Rui Barbosa, Fiume & Filhos, herdada de seu pai, ficou desconfiado quando foi procurado por um fotógrafo que a mando do Palmeiras queria uma foto somente do seu rosto. Pensou que fosse alguma coisa relacionada ao departamento pessoal e deixou-se fotografar.

Um mês depois, no seu jogo de despedida, contra o XV de Piracicaba. Waldemar Fiúme fez a volta olímpica ao lado dos jogadores juvenis e foi aplaudido quando passou pela fila dos dois times adversários daquela tarde. O filho do saudoso roupeiro Tamanqueiro foi incumbido de colocar uma cadeira para que Valdemar Fiúme descalçasse as chuteiras. O capitão Ivan, do Palmeiras, presidente Mario Beni e o diretor Mario Fruguelli entregaram-lhe a camisa do clube, e o convidaram para junto da esposa e filho assistirem o jogo da tribuna, pois havia uma surpresa para depois da partida: a inauguração de seu busto, feito a partir da foto tirada dias antes.

Waldemar nasceu em São Paulo no dia 12 de outubro de 1922 e faleceu, também em São Paulo, por problemas no coração, no dia 11 de Fevereiro de 1996, aos 74 anos de idade. Antes de morrer o ex-craque alviverde teve que amputar as pernas que tantas alegrias deram ao futebol brasileiro. Já fazia algum tempo que Waldemar Fiúme não estava bem. Sérios problemas com a circulação sangüínea limitavam seus movimentos. Não havia outra solução senão a amputação das pernas, totalmente comprometidas pela gangrena. Em razão da idade já avançada, ele suportou bem a cirurgia, mas não o período seguinte.

Títulos : foi campeão da Copa Rio, em 1951, campeão paulista de 1942, 1944, 1947 e 1950 e do Torneio Rio-São Paulo de 1951, além de outras conquistas de menor expressão. Foi convocado várias vezes para a seleção paulista, mas nunca vestiu a camisa da Seleção Brasileira.

O texto a seguir, sem referência de autor, extraído de um recorte de jornal diz tudo sobre a carreira do grande jogador.

“Despediu-se Fiúme

Como fora anunciado, o extraordinário Waldemar Fiúme despediu-se oficialmente, sábado, do football. depois de 17 anos no Palmeiras (Palestra), onde, vindo do Bangu, da várzea, foi figurar diretamente no posto titular da meia-direita, Fiúme, agora, encerra quase que injustiçado uma das carreiras mais brilhantes de que se tem conhecimento, no football brasileiro.

Injustiçado porque, apesar de figurar como o melhor homem de seu posto, incontestavelmente, em todo Brasil, jamais teve a oportunidade digna de suas qualidades, em qualquer das seleções que se formou em todo esse largo período de tempo, seja nas paulistas, seja nas brasileiras. Dono de incomum consciência de jogo, Fiúme aliava à sua classe inegável, a fibra e o “coração” dos amadores, sempre aparecendo como um dos mais lutadores craques do Palmeiras, qualquer que fosse a forma por que passasse a equipe.

Médio dos mais completos, dizem-no uma vítima das “táticas”, quando, em verdade, foi-o, sim, de sua inabalável modéstia e simplicidade, num meio em que a valorização parece estar inseparavelmente ligada às encenações e a “mascara”, que Waldemar Fiúme jamais soube afixar ao seu jogo e o seu temperamento. Nas fotos, vários aspectos de sua despedida e das homenagens que lhe foram atribuídas.

Ao entrar em campo, perfilou-se em fila indiana, no meio dos dois quadros. Saiu da formação, juntamente com o capitão do Palmeiras, Ivan, indo entregar simbolicamente a sua chuteira ao mordomo, que outro não é senão o filho do saudoso Tamanqueiro, que o viu nascer dentro do football. Depois de dar a volta olímpica, escoltado pelo capitão esmeraldino, Fiúme saiu entre a formação dos jovens da preliminar. Após o prélio, foi descerrar a bandeira do Palmeiras que cobria o busto, num local de evidência do Parque Antártica.

Na ocasião, falaram diversos diretores esmeraldinos, sob a emoção de numeroso público que não regateou aplausos ao seu ídolo. Ídolo que não foi só do Palmeiras e exemplo que deveria germinar em todos os clubes do país campeão do mundo, para mais dignificá-lo, para mais engrandecê-lo”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Busto de Waldemar Fiúme, nos jardins do Parque Antártica. (Foto: Acervo da S.E. (Palmeiras)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Igreja entra em campo (Final)

Em 2007 a igreja católica comprou o clube italiano Ancona, através de um grupo de empresários ligados à Conferência Episcopal Italiana (CEI). O clube vivia um momento de dificuldades financeiras e judiciais, além de estar envolvido no último grande escândalo do futebol no país, quando vários times foram condenados por participar de um esquema de manipulação de resultados. Em razão disso o clube passou por processos de rebaixamento até parar na 3ª divisão italiana.

O Ancona foi fundado em 1905. Os adversários não perderam tempo e já o chamam de "clube dos bispos". Os novos dirigentes estão investindo em obras para ajudar os pobres do terceiro mundo com os eventuais lucros. O atual presidente do clube, Sergio Schiavon, vendeu 80% da sociedade, mas permanece com os restantes 20% para preservar o espírito da iniciativa em que foi constituído o clube. Ele garante que tudo está começando com o Ancona, mas o grande sonho é um time nacional do Vaticano.

Os esportes sempre foram bem vistos pela Igreja Católica. Vale lembrar que Karol Wojtyla, antes de se tornar o Papa João Paulo II, foi goleiro do Cracóvia, na Polônia. A prática do futebol não é nova no Vaticano, pelo contrário, remonta há mais de 30 anos atrás, quando começaram a ser disputadas competições reunindo eclesiásticos e laicos, ou seja, padres e pessoas comuns. Uma curiosidade: os únicos cidadão do Vaticano são aqueles que pertencem à Gendarmeria (vigilância do Estado) e à Guarda Suíça.

O primeiro torneio foi disputado em 1973, com a participação de poucas equipes e foi vencido pelo time do “Astor Osservatore Romano”, antiga denominação do “L’Osservatore Romano”, o jornal oficial do Vaticano. No ano seguinte cresceu o interesse pela competição, que teve de mudar o formato para todos contra todos, em jogos de ida e volta. A partir de 1978 foi criada a Copa do Vaticano.

Hoje, o número de clubes participantes varia entre seis e nove, dependendo da disponibilidade de atletas nos diversos setores. Os setores que mantêm times disputando o campeonato do Vaticano com maior continuidade são: L’Osservatore Romano, Tipografia, Guarda Suíça, Museus do Vaticano, Serviços Técnicos, Serviços Econômicos, Gendarmeria, IOR (Banco do Vaticano), Biblioteca e Rádio Vaticano, que tem um brasileiro em suas linhas.

Até 1975, os funcionários da residência de verão do Papa, em Castelgandolfo (região de Roma), também participavam do campeonato. O último campeonato foi disputado no inverno europeu e foi vencido pelo time do “Museus do Vaticano”. Historicamente, os times L’Osservatore Romano, Gendarmeria e Guarda Suíça, estão sempre entre os mais fortes.

O campeonato do Vaticano é o único no mundo disputado no “exterior”. Situado em Roma, entre a Villa Doria Pamphilli e o Parco Adriano, o Vaticano não tem um estádio próprio. Ao longo dos anos, as disputas foram realizadas no Complexo Esportivo Pio 12, próximo à Piazza San Pietro, que se localiza a 8,4 quilômetros do Estádio Olímpico, onde Roma e Lázio mandam seus jogos pelo campeonato italiano.

Também já foram formadas seleções, que na história já enfrentaram adversários como San Marino, Eslovênia e Áustria. O pequeno número de cidadãos impede também que o Vaticano seja filiado à UEFA como membro participante e que obtenha vaga para quaisquer torneios internacionais. (Pesquisa: Nilo Dias)

Equipe do North American Martyr's, no campeonato de 2008. (Foto: Pontifical North American College)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Igreja entra em campo (01)

O Vaticano, o menor país do mundo, com 0,44 km² e cerca de 1000 habitantes há três anos realiza a “Clericus Cup”, uma espécie de Copa do Mundo católica, criada por iniciativa do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano. A competição, que é organizada pelo Centro Esportivo Italiano, e patrocinada pelo Conselho Pontifício para os Leigos do Vaticano, e o Comité Olímpico Italiano (CONI), reúne equipes formadas por religiosos, seminaristas e estudantes de Teologia de todo o mundo que estudam em Roma, e leigos que trabalham nos escritórios de Oltretevere e do Vicariato de Roma.

A primeira edição do torneio foi realizada em maio de 2007, contando com 16 times e jogadores representantes de 37 países. Também estiveram em campo 11 "atletas" do Vaticano, vestindo a camisa branca e amarela - cores da bandeira do país. Os religiosos abriram mão da batina e vestiram meias e calções.

O "Redemptoris Mater" sagrou-se o primeiro campeão, ao derrotar na final a "Universidade Pontifícia de Latrão" por 1 X 0, gol de pênalti bastante discutido. O jogo foi disputado no campo sintético do Oratório de São Pedro, e contou com a presença de 300 torcedores.

Na primeira edição os jogos foram realizados aos sábados, para não atrapalhar a Liturgia Dominical. Foram marcados 256 gols em 58 partidas, e apesar da incrível média de quase 5 gols por partida, o "Redemptoris Mater" não levou nenhum gol.

A edição de 2008, contou com mais de 380 jogadores de um total de 71 países, entre os quais Burkina-Fasso, Japão, Ucrânia, Iraque, Papua, Nova Guiné, Mianmar, Ruanda, Vietnã, Croacia e Suazilândia. Entre os clubes participantes havia um composto só por brasileiros da Universidade Gregoriana, também os do Pontifício Seminário Croata, das Universidades de Laterano e Gregoriana, do Pontifício Seminário Francês, do Seminário Romano Maggiore, do Colégio Norte-americano e da ordem de Santo Agostinho.

A final foi disputada no Oratório de São Pedro, no dia 3 de maio entre o "Collegio Mater Ecclesiae" (de base sul-americana) e o "Redemptoris Mater". Com todos os gols marcados no segundo tempo, o "Mater Ecclesiae" venceu por 2 X 1 e conquistou o título. Ao todo foram disputados 63 jogos.

Nessa segunda edição, todos os artifícios usados para produzir barulho durante as partidas foram proibidos, devido à reclamação dos vizinhos, acostumados com a "Lei do Silêncio". Os jovens sacerdotes que torciam para as suas equipes foram avisados que seriam impedidos de entrar no campo se aparecessem com tambores, megafones, trompetes e maracás, cantando alto e por vezes em latim.

Os mais empolgados eram os mexicanos torcedores do "Colégio Maria Mater Ecclesiae", que faziam um barulho ensurdecedor com seus tambores. Seminaristas africanos eram empurrados no ritmo do reggae, enquanto que torcedores italianos do "Pontifício Seminário Romano Maggiore" usavam megafones a todo volume. Já os americanos da "Rome's North American College", apelidados de CAN, cantavam "Vinde a você Knackers, chutem alguns popôs" antes dos jogos. Apesar da proibição do barulho, os torcedores do "Redemptoris Mater Seminary" continuaram a cantar seu hino nas arquibancadas antes de cada jogo.

Este ano a Clericus Cup foi realizada em maio. O "Seminário Redemptoris Mater", dos neocatecumenais, conquistou o título pela segunda vez, ao bater no jogo final o "North American Martyrs" por 1 X 0, gol de Davide Tisado, capitão do time. O terceiro lugar ficou para o time do "Mater Ecclesiae", que ganhou por 2 X 0 do "Colégio Urbano".

O Brasil foi representado por uma equipe do "Colégio Pio Brasileiro" que se apresentou com uma camiseta amarela, com bordas verdes, imitando a seleção oficial do Brasil. Por baixo, os jogadores usaram outra camiseta com os dizeres: “I belong to Jesus” (“Pertenço a Jesus”). Os sacerdotes brasileiros contaram com o reforço de seminaristas e padres do "Colégio Don Orione" de Roma. O treinador do time foi o Padre Eduardo Braga, natural do Rio de Janeiro. A edição deste ano teve como novidade um "terceiro tempo", no qual os participantes se uniam em oração.

A competição de 2009 foi abençoada pelo presidente da Uefa, Michel Platini, que cumprimentou a iniciativa "que propõe uma saudável competição de futebol" porque ser "um instrumento para a promoção dos valores de grande significado e importância para a sociedade". A Copa teve como padrinhos o presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni), Gianni Petrucci, o presidente do CSI, Edio Costantini, o monsenhor Carlo Mazza e don Antonio Mazzi.

Nessa terceira edição, participaram 386 atletas de 69 países dos cinco continentes. Os atletas italianos em número de 72 foram maioria, seguidos pelos mexicanos com 46, norte-americanos com 21, e por colombianos, brasileiros norte-americanos e croatas.

A "Clericus Cup" possui regras um tanto distintas do futebol convencional. Os jogos são divididos em dois tempos de 30 minutos apenas e, além de cartões amarelos e vermelhos, são distribuídos cartões azuis, que fazem o jogador passar 5 minutos fora de campo. Cada equipe tem também direito a um tempo-técnico de 1 minuto. Em caso de empate a decisão vai para os pênaltis. O vencedor leva dois pontos e o perdedor apenas um. É possível efetuar até 5 substituições por partida. Cada instituto religioso pode inscrever mais de um time com um mínimo de 16 jogadores e um máximo de 24.

Parece que o futebol veio para ficar no Vaticano. Em junho deste ano o time da "Guarda Suíça", responsável pela segurança do país disputou um amistoso contra uma equipee formada por ex-jogadores franceses. A partida aconteceu no "Trigória", centro de treinamento de Roma, e teve a participação de renomados jogadores, como Christian Karembeu, Dominique Rocheteau, Thierry Roland, Marius Tresor e o técnico do Lyon, Claude Puel.

Outro destaque da partida foi o tenista Rochard Gasquet. Antes do jogo, uma delegação da "Variété Club de France" foi recebida pelo papa Bento XVI na Praça São Pedro. Ao término da audiência, Tresor e Roland presentearam o Pontífice com uma garrafa de conhaque de 1927, data de nascimento de Bento XVI. O amistoso teve como árbitro o bispo francês de Saint-Etienne, monsenhor Dominique Lebrun. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time brasileiro na "Clericus Cup" (Foto: Divulgação)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A queda de um gigante (final)

Em 1975, o tricolor realizou uma campanha brilhante no Campeonato Brasileiro e chegou às semifinais, depois de derrotar o Palmeiras, na época chamado de "Academia", por 3 X 2 dentro do Parque Antárctica nas oitavas-de-final, e ao Flamengo em pleno Maracanã, de virada, por 3 X 1, nas quartas-de-final. Perdeu a vaga para o Cruzeiro, em jogo marcado por uma controvertida arbitragem de Armando Marques.

Caso tivesse chegado a final, o Santa Cruz decidiria o Campeonato Brasileiro em Recife, já que havia realizado a melhor campanha entre os finalistas, ratificando a sua condição de um dos grandes times do Brasil na época, assim como o Internacional, o Fluminense e o Cruzeiro, que disputaram as primeiras colocações naquele ano.

Em 1976, com o surgimento do centroavante Nunes, o Santa levantou o Campeonato Pernambucano (Bi Super-Campeão). No Campeonato Brasileiro o time chegou em 11º lugar, entre 54 participantes. No ano de 1977 foi 10º colocado e em 1978, 5º. Ainda na década, o Santa sagrou-se bicampeão pernambucano(1978 e 1979), somando 7 títulos estaduais entre 1970 e 1979.

Em 1980 a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) condecorou o Santa Cruz com o título de Fita Azul, por ter sido o único clube brasileiro a fazer uma excursão pelo exterior e ter retornado sem nenhuma derrota. O clube coral enfrentou as seleções do Oriente Médio, Kuait, Catar e Arábia e na Europa, a seleção da Romênia, e o Paris Saint Germain da França.

O ano de 2005 marcou a ultima conquista regional do Santa Cruz. Isso motivou os associados a votarem na chapa de oposição que tinha a frente o então vice-presidente licenciado do clube, Edson Nogueira, como esperança de mudanças. Foi a primeira vitória de uma chapa de oposição em toda a história do clube. Mas deu tudo errado, em vez de melhorar, a situação só piorou.

Em 2007 o time foi mal no Campeonato Pernambucano, amargando um 6º lugar e a eliminação da Copa do Brasil na primeira fase, em pleno “Arruda”, para o desconhecido Ulbra (RO). Na Série B, a campanha também foi péssima, com o segundo rebaixamento seguido, dessa vez para a terceira divisão do Brasileiro de 2008.

Em 2008, o clube ainda tentou se reorganizar, mas não conseguiu. Foi eliminado da Copa do Brasil na primeira fase, passou pela humilhação de disputar o “Hexagonal da Morte” do Campeonato Pernambucano, para se livrar do rebaixamento. E ainda perdeu seus melhores jogadores, Carlinhos Paraíba e Thiago Capixaba. Na Série C, não alcançou classificação para a segunda fase.

Tudo somado, o Santa Cruz conseguiu um feito inédito no futebol brasileiro, ser rebaixado por três anos consecutivos. O time pernambucano, que estava na Primeira Divisão em 2006, jogou a “Segundona” em 2007, a “Terceirona” em 2008, onde não conseguiu classificação para nela continuar em 2009.

Depois do fracasso na Série C, mais uma vez os torcedores apostaram na renovação da Diretoria e numa chapa de consenso elegeram o desportista Fernando Bezerra Coelho como presidente para o biênio 2009-2010. Isso fez com que várias empresas manifestassem disposição de patrocinar a reestruturação do clube. Nova frustração. O Santa Cruz disputou a recém-criada Série D e foi eliminado na 1ª fase. Agora, terá de buscar nova classificação para a 4ª Divisão do Brasileiro, no Campeonato Pernambucano de 2010.

Humberto de Azevedo Viana, o “Tará” é até hoje considerado o grande ídolo do Santa Cruz, e o melhor jogador que pisou nos gramados pernambucanos em todos os tempos. Ele começou a carreira em 1929, jogando pelo Mocidade de Beberibe. Em 1930 transferiu-se para o Atheniense e de 1931 a 1942 jogou pelo Santa Cruz. Sua estréia pelo tricolor se deu em setembro de 1931, no empate de 2 X 2 com o Iris.

Marcou o seu primeiro gol pelo Santa Cruz, na partida seguinte contra o Flamengo do Recife, na vitória por 3 X 1, quando visitou as redes adversárias por duas vezes. Encerrou a carreira defendendo o Náutico de 1943 a 1947, tendo jogado ao lado de quatro irmãos que defendiam o clube vermelho e branco, Orlando, Isaac, Gérson e Roldan.

Ganhou os títulos de Campeão Pernambucano em 1931, 1932, 1933, 1935 e 1940 pelo Santa Cruz, e 1945 pelo Náutico. Foi artilheiro dos campeonatos de 1938 (25 gols), 1940 (20 gols) e 1945 (28 gols – pelo Náutico). Em 1945, no jogo Náutico 21 X 3 Flamengo do Recife, Tará marcou 10 gols. Fez gol de bicicleta antes de Leônidas, que marcou o seu na Copa de 1938. Fez um gol do meio-de-campo, contra o Náutico, o goleiro era Djalma.

Tará, por tudo o que fez nos gramados mereceu uma homenagem no samba de Bráulio de Castro, intitulado “Mestre Tará”: “Depois de Garrincha e Pelé/Vou te falar/ O maior do mundo foi Tará/Mestre Tará/Não havia teipe/Pra registrar seu futebol/Mas o jornal diz que ele/Marcou dez vezes, num jogo só/Driblava até o goleiro/E fazia de calcanhar/O maior do mundo foi Tará/Era um Deus nos acuda/ jogando com Siduca/Deixava qualquer defesa/ dversária, lelé da cuca/Driblava até o goleiro/E fazia de calcanhar/O maior do mundo foi Tará.”

Tará faleceu, ao 86 anos, de ataque cardíaco, no dia 7 de setembro de 2000, no hospital da Polícia Militar, no Recife.

Títulos conquistados pelo Santa Cruz. Regionais: Torneio Norte-Nordeste: 1967; Estaduais: Campeonato Pernambucano: 24 vezes ( 1931, 1932, 1933, 1935, 1940, 1946, 1947, 1957, 1959, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1976, 1978, 1979, 1983, 1986, 1987, 1990, 1993, 1995 e 2005); Copa Pernambuco (2008); Torneio Início (1919, 1926, 1937, 1939, 1946, 1947, 1954, 1956, 1969, 1971, 1972 e 1976); Taça Recife (1971); Taça Refinaria (1995); Taça Recife (1971); Torneio de Verão Cidade do Recife (1997); Copa Pernambuco (2008); Nacionais: Campeonato Brasileiro Série B, 2 vices (1999 e 2005); Categorias de base: Campeonato Pernambucano de Juniores (1993, 1994, 1995, 1996, 2000, 2002 e 2003); Internacionais: Torneio da Amizade (1995); Torneio Vinausteel , no Vietnã (2003); Fita Azul Internacional (1980). (Pesquisa: Nilo Dias)

Time tri-súper campeão de 1983. (Foto: Acervo do Santa Cruz F.C.).

COMENTÁRIOS DE LEITORES

Sérgio disse...
Parabéns pelo documentário. Ficamos felizes em torcer por um time como o Santa Cruz. Esperamos que logo volte a nos dar alegria que já nos deu.
Sérgio Rocha.
29 de agosto de 2009 11:31

José Guibson Dantas disse...
Parabéns pelo post. O Santa Cruz é um grande clube e quem já viu a manifestação de fidelidade e amor de sua torcida sabe disso.
Abraços desde São Luís-MA.
29 de agosto de 2009 14:38

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A queda de um gigante (02)

Em 1943, o Santa Cruz fez uma excursão pelo Norte do país, em pleno período da 2ª guerra mundial. Devido a presença de submarinos alemães na costa brasileira, a delegação viajou escoltada por navios da Marinha. Esse episódio da vida tricolor ficou conhecido como a “Excursão da Morte”, que começou em Natal, passando por Belém indo até Manaus. Os problemas tiveram início quando a delegação saiu de Belém com destino a Manaus, em um vapor gaiola, viagem que durou duas semanas. Vários jogadores tiveram uma forte disenteria, diagnosticada depois como tifo. Alguns tiveram recaída e vieram a falecer.

A volta para Recife não foi nada fácil, pois em razão da guerra o governo brasileiro decretou a paralisação do trafego marítimo, o que obrigou o clube a conseguir novos jogos para poder pagar as despesas de alimentação e hospital. A delegação recebeu ainda a visita do chefe de polícia para prender um jogador que supostamente tinha feito "mal" a uma menor de 17 anos, e estava sendo obrigado a casar.

Liberado o trafego marítimo, a delegação conseguiu vaga em um rebocador e, quando todos estavam alojados, foram obrigados a desembarcar por causa de uma carga de inflamáveis que o navio recebera. No desespero, a comitiva conseguiu retornar a Recife, mas com parada de 4 dias em São Luiz. Para juntar algum dinheiro, os jogadores trocaram as passagens da 1ª classe por 3ª, sendo obrigados a viajar com uma corja de 35 ladrões que a polícia do Pará estava exportando para o Maranhão.

Em São Luiz, o navio ficou retido e o time foi obrigado a fazer novas partidas para angariar dinheiro. Com a morte de dois jogadores a equipe estava incompleta, e o cozinheiro do navio foi convocado para jogar. Na tentativa de voltar por terra, o trem que partiu de São Luiz a Teresina descarrilou duas vezes. A viagem finalmente foi completada de ônibus para Recife, com a chegada de uma delegação exausta e atônita. “A Excursão da Morte” teve início em 2 de janeiro e terminou em 2 maio de 1943.

Em 1943, graças ao trabalho do dirigente Aristófanes de Andrade, o Santa Cruz alugou um terreno próximo às ruas Beberibe e das Moças, onde alguns anos depois seria construído o Estádio José do Rego Maciel, o “Arruda”. Na década de 1940, a equipe levantou três títulos 1940, 1946 e 1947, para depois passar dez anos em jejum.

Na tarde de 16 de março de 1958, no Estádio da Ilha do Retiro, escolhido por sorteio, o Santa Cruz entrou em campo para decidir contra o Sport, o título de campeão pernambucano de1957. Caso tivesse sido vencedor, o Santa mandaria a partida nos Aflitos, estádio do Náutico, pois o Tricolor ainda não possuía estádio próprio na época.

Com arbitragem do uruguaio Estéban Marino, auxiliado pelos bandeirinhas Amílcar Ferreira (carioca) e José Peixoto, o Santa Cruz venceu por 3 X 2 e acabou com a longa espera. Os gols foram marcados por Rudimar, Aldemar de pênalti e Mituca, para o Santa Cruz. O Sport descontou com Carlos Alberto e Zé Maria. O time tricolor formou com: Aníbal - Diogo e Sidney – Zequinha - Aldemar e Edinho – Lanzoninho – Rudimar – Faustino - Mituca e Jorginho. O técnico era Alfredo González. O Sport jogou com: Manga - Bria e Osmar - Zé Maria - Mirim e Pinheirense – Roque - Traçaia – Liminha - Carlos Alberto e Geo.

Na década de 1970, o Santa Cruz adotou uma forma bastante democrática de administração, sob a forma de colegiado. E deu certo, pois empilhou títulos estaduais e ainda ganhou o Torneio Norte-Nordeste de 1967, inclusive goleando impiedosamente o Clube do Remo, de Belém do Pará por 9 X 0. Depois desse período de vitórias, o clube teve que enfrentar nove anos sem ganhar nada, até que em 1969 o jejum foi quebrado e teve início a era do Pentacampeonato do estado, feito até hoje não igualado por nenhum adversário. Onze Fuscas e uma Brasília foi o presente que o ilustre tricolor, o inglês James Thoper, deu aos jogadores tricolores, bicampeões de 1970.

Nos anos 70 o Santa Cruz finalmente conseguiu inaugurar o “Mundão do Arruda”. O nome oficial do estádio é José do Rego Maciel, pai de Marco Maciel, ex vice-presidente da República, uma justa homenagem ao prefeito do Recife na época, que em 1952 impediu a venda para outros, do terreno que estava alugado ao Santa Cruz. A Prefeitura desapropriou a área e a repassou em definitivo para o tricolor em 1954.

Somente em 1965, com a venda de cadeiras cativas e títulos patrimoniais é que o estádio começou a ser erguido com suor, sangue e lágrimas dos torcedores tricolores. Foi uma mobilização de torcedores nunca antes vista. As pessoas levavam ao clube todo tipo de material de construção e doavam a sua mão de obra.

O primeiro jogo no “Arruda” aconteceu no dia 4 de julho de 1972, contra o Flamengo do Rio de Janeiro. A partida terminou empatada em 0 X 0. A renda foi de CR$ 193.834,00, com um público total de 47.688 pagantes. O Santa jogou com: Detinho – Ferreira – Sapatão - Rivaldo e Cabral (Botinha) - Erb e Luciano - Cuíca (Beto) - Fernando Santana (Zito) - Rámon e Betinho. O Flamengo formou com: Renato – Moreira – Chiquinho - Tinho e Wanderlei - Zanata e Zé Mário (Liminha) - Vicente (Dionísio) - Caio (Ademir) - Doval (Fio) e Arilson. O primeiro gol no estádio foi obra de Betinho, no jogo Santa Cruz 1 X 0 Seleção Brasileira de Amadores.

A ampliação do “Arruda” foi concluída no dia 1 de abril de 1982, quando a capacidade subiu para 80.000 pessoas. O recorde de público ficou estabelecido com o jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo em 1993, quando a Seleção Brasileira massacrou a Bolívia por 6 x 0. Neste jogo estavam presentes nada menos que 96.200 torcedores. Já o maior público do Santa Cruz foi em 1999, quando 95.567 pessoas assistiram o empate por um gol com o Sport.

Posteriormente, em função dos novos parâmetros de conforto e segurança estabelecidos pela FIFA, o “Arruda” teve a sua capacidade diminuída para 60.000 pessoas. (Pesquisa: Nilo Dias)

Em 1940 contra o Sport, Tará fez um golaço decisivo para a conquista do campeonato daquele ano, o quinto do Santa Cruz. Depois, em 1946 e 1947, seria bicampeão. (Foto: Acervo do Santa Cruz F.C.)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A queda de um gigante (01)

O Santa Cruz Futebol Clube, de Recife (PE), um dos mais tradicionais e queridos clubes esportivos do Brasil vive uma crise sem precedentes e que parece não ter fim. O clube entrou, futebolisticamente, naquilo que se pode chamar de “fundo do poço”, ao não conseguir classificação nem mesmo para a Série C, a terceira divisão do campeonato brasileiro, sendo superado por times quase desconhecidos na Série D, a trágica quarta divisão nacional.

O clube surgiu por idéia de um grupo de 11 meninos com idades entre 14 e 16 anos, que costumavam jogar futebol no pátio da Igreja de Santa Cruz, em Recife, pois naqueles distantes anos ainda não existiam campos para a prática do novo esporte. A reunião para fundação do clube aconteceu às 19 horas do dia 3 de fevereiro de 1914, na casa de número 2, da Rua da Mangueira, no distrito de Boa Vista.

São considerados fundadores os desportistas Quintino Miranda Paes Barreto, José Luiz Vieira, José Glacério Bonfim, Abelardo Costa, Augusto Flankin Ramos, Orlando Elias dos Santos, Alexandre Carvalho, Oswaldo dos Santos Ramos, Luiz de Gonzaga Barbalho e Uchôa Dornelas Câmara.

A primeira diretoria do Santa Cruz ficou assim constituída: Presidente, José Luís Vieira; Vice-presidente, Quintino Miranda Paes Barreto; Primeiro secretário, Luís de Gonzaga Barbalho e Diretor de Esportes, Orlando Elias dos Santos. O nome escolhido para a nova agremiação foi "Santa Cruz Foot-Ball Club", em alusão ao local onde treinavam. Em principio as cores escolhidas foram o branco e preto, mas logo depois foi acrescentado o vermelho, para não haver igualdade de cores com o Flamengo, um outro clube pernambucano da época. Uma “vaquinha” entre os fundadores rendeu 8.500 réis, que foram aplicados na compra da primeira bola do time.

O primeiro adversário do Santa Cruz foi o Rio Negro, em jogo realizado na campina do Derby. O “time dos meninos”, como era chamado, mesmo acostumado a jogar somente nas ruas, não teve dificuldade em aplicar uma sonora goleada de 7 X 0. Silvio Machado foi o autor do primeiro gol da história do clube. O Santa Cruz mandou a campo esta equipe: Waldemar Monteiro - Abelardo Costa e Humberto Barreto - Raimundo Diniz - Osvaldo Ramos e José Bonfim - Quintino Miranda - Sílvio Machado - José Vieira - Augusto Ramos e Osvaldo Ferreira.

O Rio Negro não se confirmou com os 7 X 0 e pediu revanche, impondo ainda algumas condições: que o jogo fosse realizado no seu campo, que se situava a Rua São Borja, e que o centroavante do Santa Cruz, Sílvio Machado, não fosse escalado. No jogo anterior ele foi o melhor jogador em campo, tendo marcado 5 dos 7 gols. O Santa Cruz aceitou as condições e escalou Carlindo para substituir o seu artilheiro. Pior para o Rio Negro, que dessa vez levou 9 X 0, e o substituto de Silvio Machado marcou 6 gols.

O terceiro jogo da história do Santa Cruz foi contra o Western Telegraph Company, o time mais famoso da cidade, formado exclusivamente por ingleses que trabalhavam no Recife. Não tomando conhecimento da fama do adversário o Santa Cruz foi para cima e conquistou sua terceira vitória em três jogos.

Ainda sem completar o primeiro ano de fundação o Santa Cruz conheceu sua primeira crise interna. Um dos fundadores propôs em reunião que o único dinheiro existente em caixa, 6 mil réis, fosse gasto na compra de uma máquina elétrica de fazer caldo de cana, o que era sucesso na época, na Rua da Aurora. Foi quando Alexandre de Carvalho deu um murro em cima da mesa e disse: “o Santa Cruz nasceu e vai viver eternamente”, evitando com esse gesto de revolta o fechamento do clube.

O Santa Cruz desde a sua fundação se caracterizou como um clube popular. Foi fundado por pessoas da classe média, por isso não teve dificuldades em aceitar negros na sua equipe, coisa rara naqueles tempos. O primeiro negro a vestir a camisa tricolor foi Teófilo Batista de Carvalho, mais conhecido por Lacraia, em 1915.

A maior e mais emocionante virada de virada de placar que o Santa Cruz realizou em toda a sua história, aconteceu em 1915 no Estádio dos Aflitos. O time perdia de 5 X 1 para o América até os 30 minutos do segundo tempo. Numa incrível seqüência, o Santa marcou seis gols e venceu a partida por 7 X 5. Três gols foram marcados pelo atacante Tiano - Martiniano Fernandes médico e ex-senador pelo Estado de Pernambuco.

No ano de 1915 o Santa Cruz filiou-se a Liga e disputou o campeonato. A estréia foi com vitória sobre o Coligação S.R. por 1 X 0. Apesar de não conquistar o título, o Santa Cruz terminou empatado com mais dois clubes, Torres e Flamengo, que foi o campeão ganhando o triangular final.

No dia 30 de janeiro de 1919 o Santa Cruz se tornou o primeiro time nordestino a vencer uma equipe do Rio de Janeiro. A vitima foi o Botafogo, que perdeu por 3 X 2. Tiano marcou dois gols e Pitota completou o marcador. O "Jornal Pequeno", da segunda-feira, 31, estampava a manchete: "O Botafogo Futebol Clube é derrotado pelos "meninos" cá de casa pelo escore de 3 a 2". O fato foi tão marcante que ofuscou a passagem pela cidade de Santos Dumont, o “Pai da Aviação”. Na cidade só se falava da vitória tricolor.

O primeiro título pernambucano veio em 1931, na vitória de 2 X 0 sobre o Torre, gols de Valfrido e Estêvão. Foram 10 jogos, com 8 vitórias, um empate e apenas uma derrota. O time fez 41 gols e sofreu 9. Ao todo o Santa conquistou 17 pontos, um a mais que o Náutico, vice campeão.

No time campeão estavam duas figuras lendárias no futebol pernambucano: Tará e Sherlock. O Santa utilizou na campanha do título os seguintes atletas: Dada, Sherlock, Fernando, Dóía, Julinho, Zezé, Walfrido, Aluízio, Neves, Tará, Lauro, Estevão, João Martins e Popó. Este time conseguiu também o título de 1935.

Em 1934 o Santa Cruz foi autor de um feito histórico, se tornando um dos três times (fora seleções) de futebol em todo o mundo a derrotar a Seleção Brasileira. Depois da Copa da França em 1934, a seleção fez uma série de amistosos em Recife. Ganhou do Sport por 4 X 2, do próprio Santa por 3 X 2 e do Náutico por 8 X 3. Porém, por causa do atraso do navio que levaria a seleção de volta, o Santa Cruz pediu revanche e ganhou a partida por 2 X 1. (Pesquisa: Nilo Dias)

Tricampeões (1933). João Martins, Zezé Fernandes, Sebastião Virada, Tará, Estevão, Diógenes e Lauro...
...Ernani, Carlos Benning, Sherlock, Marcionilo, Limoeiro, Walfrido e Dadá. (Fotos: Acervo do Santa Cruz F.C.)

domingo, 16 de agosto de 2009

“Mão de Onça”, um goleiro que deixou saudade

Até hoje os torcedores do Clube Atlético Mineiro lembram com saudade de Armando Giorni, o “Mão de Onça”, um dos melhores goleiros que já vestiu a gloriosa camisa do “Galo das Alterosas”. Era natural de Dores de Indaiá, no interior de Minas Gerais, onde nasceu no dia 15 de novembro de 1922. Começou a carreira de futebolista no extinto 7 de Setembro, de onde saiu em 1943 para jogar no Atlético Mineiro.

Ele atuou pelo Atlético em duas passagens, entre 1946 e 1951, tendo ganho dois campeonatos mineiros e fez parte da vitoriosa excursão à Europa em 1950. Em 1959, voltou ao “Galo”, mas só jogou uma partida amistosa. Com a camisa alvinegra, atuou em 101 jogos e sofreu 130 gols. Foi campeão mineiro em 1946, 1947, 1949 e 1950. Jogou ainda pelo Bangu do Rio de janeiro.

Ganhou o apelido de “Mão de Onça” devido às suas mãos enormes e fortes. Talvez, isto se devesse pelo trabalho que exercia fora dos gramados, era lanterneiro. No bairro Floresta, Região Leste de Belo Horizonte, diziam que o ex-goleiro desamassava carros com a força das próprias mãos, sem precisar de ferramentas.

O primeiro jogo de “Mão de Onça” pelo Atlético Mineiro foi no dia 2 de maio de 1943, na vitória de 3 X 0 sobre o 7 de Setembro, pelo campeonato mineiro. E o último no dia 4 de janeiro de 1959, no amistoso Atlético Mineiro 3 X 1 América. “Mão de Onça” morreu em Belo Horizonte, aos 84 anos de idade, no dia 14 de junho de 2007.

Na década de 1940 e começo da década de 1950 o Atlético era considerado o melhor time do Brasil. O grupo de jogadores era muito forte. No gol, além de “Mão de Onça" tinha Kafunga, outra figura lendária. Na defesa e meio-campo Afonso, Oswaldo, Juca, Moreno, Vicente, Zé do Monte, Haroldo, Barbatana, Vicente Perez e Márcio. No ataque, Lucas, Lauro, Cezinho, Alvinho, Vavá, Nívio, Vaguinho e Murilinho. O técnico era Ricardo Diez.

Com essa verdadeira seleção o Atlético Mineiro foi convidado em 1950, pela antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), atual Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para representar o futebol brasileiro em uma excursão por gramados da Europa. Foi o primeiro clube brasileiro a viajar pela Europa depois da implantação do profissionalismo no futebol.

Foram 10 jogos contra equipes campeãs e vices de seus países, com 6 vitórias, 2 empates e duas derrotas, 24 gols a favor e 18 contra. Vaguinho e Lucas Miranda, com seis gols cada, foram os artilheiros do time na excursão. Alguns jogos foram disputados debaixo de neve.

Os jogos do “Galo” foram estes: Atlético 3 x 1 Schalke 04; Atlético 4 X 3 Munich 1860; Atlético 4 X 0 Hamburgo; Atlético 1 X 3 Werder Breemen; Atlético 3 X 3 Eintreicht Brauschweig; Atlético 2 X 0 Seleção de Sarrebruck; Atlético 3 X 0 Rapid Viena da Áustria; Atlético 2 X 1 Anderlecht da Bélgica; Atlético 3 X 3 Seleção de Luxemburgo e Atlético 2 x 1 Stade Français da França. O “Galo” foi proclamado pela imprensa como o “Campeão do Gelo”, conquista registrada no hino do clube composto por Vicente Mota.

A chegada ao Brasil foi apoteótica. Primeiro, no Rio de Janeiro onde a delegação atleticana foi homenageada pela CBD e pelos desportistas cariocas. O retorno da delegação atleticana a Belo Horizonte foi marcado por uma das maiores festas que a cidade já viu. A multidão se concentrou na Avenida Afonso Pena e os jogadores desfilaram em carro aberto, recebendo os aplausos e o carinho do público

Ainda em 1950, depois da vitoriosa viagem a Europa, o Atlético fez uma excursão de mais de dois meses por gramados do Nordeste do país, iniciada em Salvador (BA) e concluída em Fortaleza (CE). Na volta, a delegação ficou dois dias em Recife, onde o time já havia passado e os jogadores aproveitaram para se despedir da cidade e fazer compras.

Naquela época era comum a presença nas portas de hotéis de vendedores de animais silvestres, principalmente macacos e pássaros. Esses vendedores eram na maioria trapaceiros, que passavam tinta amarela nos canários para que as cores se destacassem. Os macacos eram dopados, apareciam dormindo, mansos, sem forças, diante de tanta cachaça.

Zé do Monte, o craque do time mineiro, comprou um destes macacos, com mais de quatro quilos. Normalmente, as pessoas traziam os conhecidos “mico estrela”, que cabem em uma mão, mas o jogador quis um macaco de porte. Fez sucesso, principalmente ao entrar no avião. Na época não era proibido levar animais dentro das aeronaves. Todos os passageiros ficaram surpresos com a tranquilidade do macaco.

Porém, passadas duas ou três horas de vôo, o efeito do álcool passou e o macaco começou a pular de um canto para outro do avião. Os passageiros ficaram assustados, o pânico foi generalizado. Foi quando o goleiro Kafunga gritou: “Chamem o “Mão de Onça”. Mas nem ele foi capaz de dominar a fera. A solução foi fazer um pouso forçado para que o macaco fosse retirado do avião.

Durante um jogo entre as seleções de Pernambuco X Minas Gerais, no Recife, pelo campeonato brasileiro, “Mão de Onça” viu de perto que a fama de violento que acompanhava o zagueiro pernambucano “Guaberinha” não era a toa. Embora não fosse craque, o “cangaceiro” coral era seguro, marcava bem. Dava porrada até na sombra do adversário, que, para ele, era inimigo. Vez por outra, o convocavam para jogar na seleção pernambucana. Nesse jogo, “Mão-de-Onça” se contundiu num lance. Médico e massagista foram socorrê-lo.

Nisso, Guaberinha foi onde ele estava estendido e, como se fora um gentleman, quis saber: “Tudo bem com você, meu querido “Mão de Onça?” “Mais ou menos. Foi uma torção no pulso direito”. Aí Guaberinha, como quem examina, pegou a munheca machucada do golquíper e a torceu num golpe violento. O pobre rapaz deu um urro lancinante. E saiu de campo, carregado.

O nome “Mão de Onça” foi inspiração para muitos outros jogadores, principalmente goleiros, que surgiram no futebol brasileiro. O mais conhecido deles – depois do homônimo mineiro – foi sem dúvida Durval Moraes, o “Mão de Onça” do Clube Atlético Juventus, famoso por ter levado o gol que Pelé considerou o mais bonito de sua carreira.

Foi no dia 2 de agosto de 1959, num jogo Juventus X Santos, na rua Javari, pelo campeonato paulista. Eram decorridos 36 minutos da etapa complementar, o Santos vencia por 3 X 0, mas os torcedores do Juventus tentavam irritar Pelé com vaias insistentes. Foi quando o camisa 10 santista fez uma jogada magistral.

O ponteiro Dorval recebeu um passe de Jair e cruzou a bola pelo alto. Esta caiu no peito de Pelé, que foi em direção à área, deu um chapéu em Julinho, outro em Homero e um terceiro em Clóvis. Depois, aplicou um lençol no goleiro “Mão de Onça” que saiu desesperado do arco e cabeceou para as redes. Foi o gol, o mais lindo entre os 1.283 de toda sua carreira.

Pena que nenhuma câmera tenha registrado o lance. Com base em depoimentos orais, o lance foi reproduzido em computação gráfica e fez parte do documentário “Pelé Eterno”. Como homenagem ao Atleta do Século, em 2006, o Juventus inaugurou um busto de Pelé logo na entrada do estádio da rua Javari.

O ex-goleiro “Mão de Onça” não ficou no esquecimento. O cantor e compositor Edvaldo Santana faz uma homenagem aos arqueiros do futebol brasileiro, na sua canção, "O Goleiro". A música relembra o lendário goleiro do Juventus, e também o desconhecido Gilson, camisa 1 de um time de várzea de São Miguel Paulista, em São Paulo, que o artista acompanhava em sua infância.

Durval Moraes, o “Mão de Onça” nasceu em Itu (SP), no dia 2 de junho de 1931. Hoje, viúvo, aposentado e pai de seis filhos, reside em São Paulo onde se dedica a pregação religiosa pela Igreja Testemunhas de Jeová.

Athanásio de Almeida, um outro goleiro que herdou o apelido de “Mão de Onça” , marcou efetiva presença no Operário de Campo Grande (MS), no final dos anos 70. Hoje mora no Jardim Anahy, na capital sulmatogrossense, onde é acadêmico de Direto e trabalha como comerciante.

Nascido no dia 27 de setembro de 1944, em Miranda (MS) começou a carreira no Indústria Futebol Clube, de campo Grande. Em 1962, quando servia na Aeronáutica jogou pelo ASA. Em, 1964 defendeu o Juventus (SP), time em que antes havia se destacado outro goleiro chamado “Mão de Onça”. Em 1966 se transferiu para o Operário de campo Grande e em 1970 foi para o Flamengo do Rio de Janeiro. Sem chances no rubro-negro, voltou a Campo Grande onde foi contratado pela Sociedade Esportiva Industriaria (SEI). Em 1977 retornou ao Operário, onde encerrou a carreira. (Pesquisa: Nilo Dias)

"Mão de Onça", em um jogo do Atlético contra o 7 de Setembro. (Foto: Acervo do C.A. Mineiro)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Peñarol, um gigante adormecido (Final)

O primeiro clássico foi jogado em 15 de julho de 1900, com vitória do Peñarol por 2 x 0. Em 01 de novembro de 1911, no Parque Central, aconteceu a maior goleada do clássico, Peñarol 7 X 3. Em 08 de novembro de 1925, na reunificação da FUF (Federación Uruguaya de Football) com a AUF (Associação Uruguaia de Futebol), aconteceu o chamado "Clássico da Reunificação", com vitória do Peñarol por 1 X 0.

Em 7 de agosto de 1932 foi disputado o primeiro clássico do profissionalismo com vitória, mais uma vez, do Peñarol.
Entre os anos de 1985 e 1986 se jogou a chamada "Copa de Oro dos Grandes", que consistiria em oito jogos envolvendo as duas equipes. Mas não foi preciso tanto, visto que o Peñarol, ao ganhar os cinco primeiros jogos levantou o “caneco”.

Em 1921 assumiu a presidência do Peñarol o senhor Julio Maria Sosa, responsável pela construção de um estádio, numa área de três hectares que a empresa “La Comercial” possuía na estação Pocitos, perto do famoso balneário de Montevidéu. Em outubro desse mesmo ano o campo, com medidas de 105 por 80 metros, já se encontrava em condições de uso e nele foram realizados alguns jogos da Copa do Mundo de 1930. Esse estádio foi demolido nos anos 40.

Atualmente o Peñarol manda seus jogos no Estádio Centenário, de propriedade estatal, embora disponha de um estádio próprio, denominado José Pedro Damiani, antigamente "Las Acacias". Apesar do campo estar apto a receber jogos da primeira divisão, normalmente não é utilizado, por carecer de maior estrutura.

Em 12 de novembro de 1922, a AUF decidiu pela desfiliação do Peñarol, sem que até hoje se saiba a causa. Desconfia-se que houve uma tramóia política, na qual estaria envolvido o seu maior rival, o Nacional, pois o Peñarol era campeão de grande parte dos campeonatos organizados pela entidade.

Depois disso o clube, juntamente com o Central formou o que se chamou de (FUF). A esta nova entidade, dissidente da AUF, se juntaram o Miramar, Roland Moor, Rosario Central, Gladium, Las Piedras e Misiones.

No ano seguinte, em 1923, houve o primeiro campeonato uruguaio da FUF e o Peñarol foi o campeão (até os dias atuais a AUF não reconhece este titulo). Somente em 1925 se reorganizou o futebol com a unificação das duas entidades com a volta do aos campeonatos da AUF.

Na história do Peñarol figura o primeiro titulo nacional da era profissional, em 1932. Mesmo com craques como Pedro Young (“El Tigre”), Luis Matozzo (“El Grande”), Ernesto Mascheroni, Obdulio Varela (“El Negro Jefe”), e, entre outros, Álvaro Gestido, imponente defensor que fez história ao travar e vencer o épico duelo com o avançado argentino Peucelle na final do Mundial de 1930, as décadas de 30 e 40 foram de domínio do Nacional.

Em 1949, o clube amarelo e preto montou um de seus mais famosos quadros de todos os tempos. Era uma equipe tão forte que se tornou a base da Seleção do Uruguai que ganhou a Copa do Mundo em 1950, diante de um Maracanã lotado com 200.000 pessoas. Esse time, conhecido como “La Maquina del 49” era composto por Roque Máspoli - Enrique Hugo - Mirto Davoine (Sixto Posamai) - Juan C. González - Obdúlio Varela - Washington Ortuño - Alcides Ghiggia - Juan Eduardo Hohberg - Juan Schiaffino - Oscar Míguez e Ernesto Vidal.

Em 1958 assumiu a presidência do Peñarol o desportista Gastón Guelfi, que se tornou o presidente mais vitorioso de toda a história do clube. Ele esteve a frente da agremiação amarela e preta ate 1973, quando morreu no exercício do cargo. Nesse período ganhou três Copas Libertadores, duas Copas Intercontinentais e o primeiro pentacampeonato uruguaio, que era chamado de “Quinquênio de Oro”. No total foram nove campeonatos nacionais.

Sob seu comando o Peñarol transformou-se numa potência do futebol sulamericano e mundial. Verdade ou lenda, contam que naqueles anos de glória, quando o Peñarol entrava em campo, os seus jogadores logo iam avisando aos adversários: “Trouxeram outra bola para jogar? Esta é só para nós”.

Finda a época de Obdulio Varela, chegou, em 1958, de Artigas, para o substituir, Néstor Tito Gonçalves, que comandava o time com os seus gritos “A la carga!”, mandando atacar o adversário. No gol tinha Luís Maidana, o “Homem Gato”. Nos dois primeiros títulos, 1958 e 1959, o técnico era Hugo Bagnulo, descobridor do ala direito Luís Cubilla e do goleador Spencer no Equador.

Sob seu comando o Peñarol formou um grande time com valores da qualidade de William Martinez, o “Canhãozito”, do brasileiro Alves da Silva, Walter Aguerre, Borges, Albert Hein, Linnazza, Roberto Garcia e Hohberg.

Com essa verdadeira “seleção”, em 1961, o argentino Hector Scarone, sempre fiel ao tradicional 4-4-2, comandou o Peñarol na conquista da primeira Taça Intercontinental da sua história, goleando o Benfica de Eusébio por 5 X 0, após perder por 1 X 0 no Estádio da Luz, em Lisboa. No jogo desempate, ainda no Uruguai, o Peñarol fez 2 X 0, gols de Sacia e ganhou a Taça.

Nos anos 60, se tornaram célebres os jogos entre o Real Madrid e o Peñarol, na Taça Intercontinental. No primeiro encontro entre ambos, em 1960, o Real Madrid aplicou uma goleada de 5 X 0. Seis anos depois, em 1966, o Peñarol, com Mazurkiewicz, Pablo Forlan, Gonçalves, Cortes, Abadie, Joya, Sasia, Spencer e Pedro Rocha finalmente se vingou, ganhando duas vezes do Real Madrid, ambas por 2 x 0. O time espanhol não tinha mais a mesma força, a geração de Di Stéfano dera lugar ao chamado onze yé-yé.

Durante os anos 70, jogou no Peñarol o maior goleador da história do futebol uruguaio: Fernando Morena, “El Potro”, o artilheiro infalível, autor de 235 gols na Liga uruguaia, 34 deles em 1975. Em 1978 fez 7 gols num só jogo, contra o Huracan. Foi o artilheiro do campeonato nacional em 7 oportunidades, 6 delas consecutivas, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977 e 1978. Chegou ao Peñarol em 1973, vindo do River Plate de Montevidéu, saindo em 1978, para o Rayo Vallecano da Espanha. Foi 7 vezes campeão uruguaio.

Em 1982, depois de uma grande campanha para repatriar “El Potro”, o Peñarol conquistou sua quarta copa Libertadores, vencendo na final ao Cobreloa do Chile. E foi Morena, que no último minuto do jogo fez o gol do título.

No fim do ano, o Peñarol foi ao Japão disputar o titulo Intercontinental, enfrentando o time inglês do Aston Villa, e venceu por 2 x 0, gols do brasileiro Jair, ex Internacional de Porto Alegre e Walkir Silva.

Em 1987, o Peñarol ganhou sua quinta Copa Libertadores, enfrentando na final o América de Cali, que era chamado de "Los Diablos Rojos". Em uma final bastante disputada, os uruguaios perderam o primeiro jogo, realizado em Cáli, por 2 x 1. Mas, ao vencer os dois jogos seguintes, 2 x 1 em Montevidéu e 1 x 0 em Santiago (desempate), levantaram a taça.

Nos anos 90, para comemorar o centenário o Peñarol montou uma equipe forte e competitiva, que conquistou mais um pentacampeonato uruguaio: 1993, 1994, 1995, 1996 e 1997. Nesse período dois treinadores comandaram o time, primeiro Gregorio Pérez, que ficou célebre por seu lema: “Haveremos de recuperar a mística!”. Depois, com Jorge Fossati.

Era tarefa fácil treinar um timaço como aquele, onde se destacavam o central Nelson Gutierrez, o médio “Pato“ Aguilera, Carlos De Lima, De los Santos, El “Chueco” Perdomo e o último grande símbolo aurinegro, Pablo Bengoechea, “El Professor”, presente nos 5 títulos. Fez 188 jogos e marcou 48 gols

Alguns dos principais jogadores que vestiram a camisa do Peñarol: Alberto Spencer, Alcides Ghiggia, Antonio Alzamendi, Pablo Forlán, Darío Silva, Diego Forlán, Elías Figueroa, Ernesto Ledesma, Ladislao Mazurkiewicz, Luis Maidana, Obdulio Varela, Pablo García, Fernando Morena, Jair Gonçalves, Mário Pitoni, Oscar Omar Miguez, José Luis Chilavert, José Leandro Andrade, José Perdomo, José Piendibene, Luis Cubilla, Juan Delgado, Isabelino Gradín, Venancio Ramos, Pedro Rocha, Darío Rodríguez, Marcelo Zalayeta, Juan Alberto Schiaffino, Pablo Bengoechea, Rubén Walter Paz, Paolo Montero, Carlos Bueno, Cristian Rodríguez e Roque Gastón Máspoli, entre outros.

Máspoli marcou época no Club Atlético Peñarol, de Montevidéu, onde jogou e também foi treinador. Como técnico, levou o Peñarol aos títulos da Copa Libertadores e da Copa Intercontinental em 1966. Também comandou a Seleção Uruguaia, com a qual venceu a Copa de Ouro (Mundialito Fifa) de 1981. Roque Máspoli faleceu em 2004, aos 86 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)

O time do Peñarol em 1949 era tão forte, que se tornou a base da Seleção Nacional do Uruguai. (Foto: Acervo do C.A. Peñarol)