Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Camisa de futebol também tem história

Muitos clubes de futebol tem hoje camisas bem diferentes de quando foram fundados. Alguns mantiveram às cores , mas as mudaram em outros aspectos. Outros, simplesmente trocaram tudo. E aconteceram em certas ocasiões dos clubes serem obrigados a usar outras camisas, que não as suas.

O Fluminense F.C., do Rio de Janeiro, por exemplo, nem sempre foi tricolor, como conhecemos hoje.Em 1902, quando da fundação do clube, o uniforme escolhido possuía as cores branca e cinza claro, metade da camisa de cada cor, gola e escudo sobre o coração, também metade branco e metade cinza, com as letrar FFC em vermelho.

O calção era branco e as meias pretas. Em reunião ocorrida no dia 15 de julho de 1904, o clube mudou as cores, tornando-se tricolor, o que perdura até hoje. A nova camisa foi usada pela primeira vez em 7 de maio de 1905, quando o Fluminense goleou o Rio Cricket por 7 x 1, em jogo amistoso.

O Flamengo foi fundado em 1905, mas como clube de remo. O primeiro uniforme usado nessa modalidade tinha as cores azul e ouro. Durou pouco tempo, pois havia dificuldade em conseguir tecidos com essas tonalidades. Então passou a usar o vermelho e preto.

No futebol, esporte que surgiu no clube somente em 1911, a camisa foi diferente: era composta por grandes quadrados, sendo dois vermelhos e dois pretos. Não deu outra, ganhou o apelido de “papagaio de vintém”. A camisa também lembrava aquelas pipas com que as crianças brincavam na época.

Em 1913, veio um novo uniforme, rubro negro, com listras em preto e vermelho separadas por pequenos frisos brancos. Ela ganhou o apelido de “cobra coral” e foi usada até 1916. Com a 1ª Guerra Mundial, o clube mudou novamente de roupa, pois o uniforme usado lembrava as cores da Alemanha.

Sorte do Flamengo, pois o novo uniforme dessa feita trazia as cores preto e vermelho, dispostas em listras horizontais. No peito esquerdo, as letras CRF. Essa camisa foi utilizada até 1984 com poucas alterações. E a partir daí o uniforme que é usado até hoje, com pequenas modificações.

O América F.C., um dos clubes mais antigos do Rio de Janeiro nem sempre foi vermelho e branco. Quando de sua fundação em 1904 sua camisa era preta, com um escudo branco bordado a mão, com as letrar AFC.
Somente em 1908 o clube passou a usar o vermelho, por inspiração da cor das camisas do Mackenzie College, de São Paulo e com as inicias AFC. O círculo que contorna as letras foi adotado em 1913. A proposta foi de Belfort Duarte.

O Botafogo desde a fundação foi sempre preto e branco, com listras verticais. Mas no inicio, em 1904, a camisa era branca, bem como os calções e as meias abóboras. Em 1906 passou a adotar a camisa listrada, lembrando a Juventus, de Turin, por sugestão de Itamar Tavares, um dos fundadores do clube que estudara na Itália e tinha predileção por aquele clube.

As camisas eram confeccionadas na Inglaterra, na fábrica Benetfink & Co. A estréia da camisa listrada foi em um jogo festivo contra o Fluminense. Em junho de 1909 passou a usar uniformes confeccionados em malha. Mas os escudos só estiveram presentes nas camisas a partir de 1913. O Botafogo adotou os calções pretos como titular pela primeira vez em 1935.

Já a primeira camisa do Vasco da Gama foi criada no ano de fundação e usada inicialmente pelo remo, era preta com uma faixa branca na diagonal partindo do ombro direito, o inverso do modelo atual e a cruz vermelha no centro da camisa.

No futebol a primeira camisa era toda negra, com gola e punhos brancos e a cruz colocada já sobre o coração. O uniforme foi inspirado no Lusitânia Futebol Clube, que realizou uma fusão com o Vasco em 1915, que por sua vez era inspirado no uniforme do combinado português que jogou uma série de amistosos no Brasil em 1913.

A partir dos anos 1930, foi adotado o novo desenho com a volta da faixa diagonal, mas com uma diferença, dessa vez ela saia do ombro esquerdo e com a cruz dentro da faixa na altura do coração. No dia 16 de janeiro de 1938 o Vasco adotou o padrão de uniforme que usa até hoje.

No Corinthians existe uma lenda de que o uniforme tenha sido bege nos primeiros tempos, camisa creme com faixas pretas nos punhos e na gola e calção branco.  E por sugestão de uma lavadeira, acabou sendo trocado pelo branco para não desbotar.

Mas essa versão parece mesmo não ser verdadeira, pois o clube nasceu pobre e certamente não teria dinheiro para comprar uniformes que não fossem brancos. De qualquer maneira, em 1912 o clube já vestia camisa branca, conforme provam fotografias da época. No início, esses uniformes brancos eram feitos com tecido reaproveitado de sacos de farinha.

O Santos F.C. em 1912, seu primeiro ano de fundação tinha camisas nas cores azul e branco, em listras verticais e, entre elas, frisos dourados, Só um ano depois, em 1913 o clube se tornou alvinegro e passou a usar o uniforme que é conhecido até hoje.

O Grêmio, de Porto Alegre, nem sempre foi tricolor. Em 1903, quando da fundação, o seu uniforme tinha listrar horizontais em havana, uma cor semelhante ao marrom telha e azul. Em 1904, ainda bicolor, trocou o havana pelo preto, mantendo o azul. No Grenal de 1917 o time entrou em campo usando uma camisa com listras verticais brancas e azuis, no estilo da Seleção Argentina. Somente em 1925 passou a usar o uniforme tricolor, em azul, preto e branco, que sofreu várias alterações até os dias de hoje.

O rival Internacional sempre foi vermelho e branco. Logo após a fundação as camisas tinha listras verticais simétricas em vermelho e branco, gravatas nas duas cores, calções brancos e meias pretas Esse primeiro uniforme foi feito por Humbertina Fachel, irmã de dois fundadores do clube.

Depois do insucesso o primeiro Grenal, e com a demissão do primeiro presidente, o Internacional adotou aquele que viria a ser seu uniforme atual: camisas vermelhas, escudo na altura do coração, frisos brancos nas mangas e golas, calções e meias pretas (hoje brancas).

Depois, vários modelos apareceram: a camiseta branca com uma faixa diagonal vermelha; a camiseta totalmente branca, calções e meias vermelhas; e, mais recentemente, meias cinzas. Além disso, os uniformes de treinamento também sofreram alterações, ultimamente aderindo às cores dourada, além do cinza.

O Cruzeiro, de Belo Horizonte foi fundado com o nome de Palestra e as cores da bandeira italiana, verde, branco e vermelho. Com a Guerra Mundial, o Governo Vargas proibiu as entidades usarem nomes ou qualquer coisa que lembrassem os países do Eixo. Por isso o clube teve que mudar o nome para Ypiranga, com camisa vermelha e um “Y” no peito. Esse nome durou um só jogo, foi contra o Atlético, pela última rodda do returno do Campeonato Mineiro.

Três dias depois os conselheiros desaprovaram o nome e decidiram por unanimidade adotar o nome Cruzeiro Esporte Clube. A camisa escolhida não foi a tricolor do Palestra e nem a vermelha do Ypiranga, sim uma o azul celeste com branco e escudo em formato circular, também azul, tendo ao centro a configuração da constelação do Cruzeiro do Sul, que perdura até hoje.

O Atlético Mineiro nunca mudou as cores, foi preto e branco desde a fundação. As diferenças com o passar do tempo foram nos modelos adotados. Nos primeiros anos a camisa era listrada, mas com predomínio da cor preta, com pequenos frisos brancos e o escudo no lado esquerdo do peito. As primeiras composições do uniforme do Atlético Mineiro traziam calções brancos e meias pretas. Grandes alterações na camisa atleticana foram vistas em seu símbolo que, pouco a pouco, se transformou até chegar ao atual.

Já o América Mineiro tinha na fundação as cores verde e branca. Tempos depois o preto foi incorporado, mantendo o modelo até hoje, com o segundo fardamento em branco.

A Seleção Brasileira já teve vários uniformes. Em 1914, no primeiro jogo da história usou uma camisa toda branca, com detalhes em azul nas mangas. Em 1916, no Sulamericano da Argentina a camisa tinha listras verticais em verde e amarelo. Em 1917 vestiu uma camisa toda branca, tendo pela primeira vez o escudo da antiga CBD. Em 1918, usou uma camisa branca com duas listras horizontais no peito, em verde e amarelo.

Ainda em 1918, durante um amistoso em Dublin, a Seleção se apresentou com uma camisa branca, com detalhes azuis e vermelhos nas mangas. De 1919 a 1934 o uniforme foi praticamente igual, camisas brancas e calções azuis. Aconteceram pequenas modificações no escudo.

No primeiro jogo da Copa do Mundo de 1938 a Seleção entrou em campo com um uniforme todo azul. A partir do segundo jogo utilizou camisas brancas e calções azuis.

Na Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, o uniforme principal era branco, com detalhes azuis na gola e mangas e calções azuis. O reserva tinha camisas azuis, com detalhes em branco na gola e mangas e calções brancos.

A partir da Copa do Mundo de 1954 a Seleção passou a usar o uniforme atual, que foi escolhido em um concurso vencido pelo jornalista gaúcho Aldyr Garcia Schlee. De lá para cá o uniforme teve pequenas alterações, mas sempre mantendo o formato original.

O mais curioso, e que pouca gente sabe, é que a Seleção Brasileira já vestiu camisa vermelha. Foi em 1917 no Campeonato Sul-Americano realizado no Montevidéu, no Uruguai. Antes do jogo entre Brasil X Argentina, em 3 de outubro de 1917, foi feito um sorteio para definir quem jogaria com sua camisa principal, pois dois times tinham como 
padrão, camisas brancas.

O Brasil perdeu o sorteio e foi obrigado a trocar de camisa. E os dirigentes tiveram que correr atrás, e a cor escolhida foi o vermelho. Considerando que esse era um torneio oficial, foi a primeira vez na história que a Seleção Brasileira veio a usar o vermelho como sua camisa de jogo. A segunda e ultima vez foi no dia 12, ainda pelo Sul americano contra o Chile, pelo mesmo motivo.

No Mundial de 1950, disputado no Brasil, uma outra Seleção teve que trocar de uniforme, a do México, num jogo contra a Suíça, realizado no antigo Estádio dos Eucaliptos, do Internacional. As duas seleções tinham camisas vermelhas e o México perdeu o sorteio. Então usou as camisas azuis e brancas do Cruzeiro, de Porto Alegre. (Pesquisa: Nilo Dias)

Em 1917 a Seleção Brasileira usou essa camisa vermelha, no Sulamericano de Montevidéu. (Foto:Divulgação)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Os 100 anos do “Leão da Paulista”

A Associação Atlética Internacional, da cidade de Limeira (SP), foi fundada do no dia 5 de outubro de 1913. O clube nasceu graças a fusão dos dois times que existiam na cidade, “Almofadinhas” e “Barroquinhas”, este, fundado um ano antes.

O nome foi uma homenagem aos imigrantes de várias nacionalidades radicados em Limeira, como japoneses, italianos, alemães, portugueses e outros. E também ao extinto Internacional, que fazia sucesso na capital paulista.

O campo de terra que se localizava nos fins da rua Dr. Trajano, então Rua do Comércio, onde o “Barroquinhas” realizava seus treinos e jogos, serviu tempos depois para nele ser erguido o “Estádio de Vila Levy”, onde a Internacional sediou os jogos por muito tempo.

A primeira Diretoria do clube foi esta: Presidente, José Alves Penteado; Vice-Presidente, Fausto Esteves dos Santos; Secretário, Ajax Garroux; Capitão, Antônio Esteves dos Santos Junior (Tonico Esteves) e Fiscal de Campo, João Busch.

Os dirigentes se reuniram pela primeira vez no “Theatro da Paz”, quando foi deliberado que somente associados poderiam jogar pelo clube, além de pagar mensalidade de $1000 (mil réis). O capitão da equipe ficou com a responsabilidade de manter a ordem e a disciplina. O uniforme escolhido foi camisa listrada nas cores preto e branco, calções brancos, com uma faixa preta do lado e meias pretas, com duas listras brancas.

O primeiro jogo da história da A.A. Internacional aconteceu no dia 12 de outubro de 1913, contra o Sport Clube Carioba, na Vila Americana, na cidade de Americana. Não se sabe o resultado. No período de amadorismo, a Internacional conquistou oito vezes o campeonato de Limeira, sendo até hoje o maior vencedor da história da competição.

Em 1921, a família Levy comprou o terreno onde a Internacional jogava e mandou fazer a terraplanagem, deixando-o em condições de receber grama, vestiários, arquibancadas e outras estruturas. Na Vila Levy, a Internacional manteve a marca de 212 partidas sem perder.

Na década de 1920 a Internacional recebeu da imprensa paulista o título de “Leão da Paulista”, após ser derrotada pelo Palestra Itália em partida de muita dificuldade disputada em Limeira, no dia 15 de dezembro de 1924. A Internacional jogou aquela partida com Quinze - Lau e Fenga – Ceará - Zequinha e Munhóz – Campineiro – Pollastri – Pacheco - Augusto Américo e José Petrelli.

No dia 26 de setembro de 1926, o Paulistano, a melhor equipe da temporada e que realizou vitoriosa excursão pela Europa, tendo em seu elenco o então considerado melhor jogador do mundo, foi até Limeira e perdeu por 2 X 1 para a Internacional.

Em 1932 a Internacional doou todos os seus troféus para a "Campanha do Ouro", deflagrada durante a Revolução Constitucionalista.

A profissionalização do clube ocorreu na década de 1940, depois de várias reuniões entre clubes do interior paulista, que garantiram participações nos campeonatos oficiais organizados pela FPF.

Os times pioneiros foram Guarani F.C. e A.A. Ponte Preta, de Campinas; E.C. Mogiana, de Ribeirão Preto; Palmeiras F.C. e A.A. Francana, de Franca; E.C. XV de Novembro, de Piracicaba; Rio Branco E.C., de Americana; Botafogo F.C., de Ribeirão Preto; Batatais F.C., de Batatais; Esportiva Sanjoanense, de São João da Boa Vista; E.C. Taubaté, de Taubaté; A.A. São Bento, de Marília, atualmente Marília Atlético Clube e a A.A. Internacional, de Limeira.

Como a FPF proibiu a participação de clubes de cidades com população inferior a 50 mil habitantes na Primeira Divisão, a Internacional teve que disputar em 1948, o Campeonato da Segunda Divisão. Fez bonito, terminando como vice-campeão.

Em 1947 foi composto o hino oficial do clube, com letra de Renato P. Guimarães e música de Mário Tintori. “Eis a equipe altaneira/Do bravo Internacional/que p’ra glória de Limeira/Não teme nenhum rival./Oh! Leão, Oh, meu Leão/Entra firme no gramado/Vai com garra e coração/Para um gol bem conquistado/Ruge Leão... Aaaaaa.... Uuuuuuuu.../Urra Leão... Aaaaa... Uuuuuuu/Pé na bola, sem demora/Sacode a juba, meu Leão/sejas hoje, como outrora/Sempre, sempre, campeão.../Oh! Leão, Oh, meu Leão/Entra firme no gramado/Vai com garra e coração/Para um gol bem conquistado/Ruge Leão... Aaaaaa.... Uuuuuuuu...Urra Leão... Aaaaa... Uuuuuuu”

Em 1966, a Internacional teve como presidente o desportista, Benedicto Iaquinta, até hoje lembrado como um dirigente modelo. Foi na gestão dele, conhecida como a “Era Iaquinta”, de 1961 a 1974, que o clube conquistou o título de campeão da 2ª Divisão de Profissionais, atual Série A3 e o acesso à Primeira Divisão.

Em 1961, logo na primeira gestão, veio a glória com o título da “Série Algodoeira”, ao vencer o Internacional, de Bebedouro, por 5 X 0, no jogo final.

Mas as exigências da Federação Paulista de Futebol tiraram o time da Primeira Divisão, pois o seu estádio não se enquadrava nas exigências do Regulamento. Não restou outra alternativa ao presidente, se não solicitar licenciamento. Mas para isso foi obrigado a disputar todos os torneios amadores, além de cumprir com as obrigações financeiras como taxas de inscrições do time a FPF. A Internacional ganhou cinco dessas competições.

Em 1962 o estádio da “Vila Levy”, teve a sua capacidade aumentada para 3 mil pessoas através da construção de arquibancadas de madeira. Também no mesmo ano, no dia de aniversário da cidade, 15 de setembro, foi inaugurada a nova iluminação do campo.

Em 1967, com o intuito de reduzir despesas para poder construir um estádio próprio, Iaquinta se viu forçado a dar passe livre aos jogadores. Logo após o lançamento da pedra fundamental do Estádio Major Levy Sobrinho, em 1974, e graças a uma administração séria, o presidente encerrou seu mandato sem deixar uma única dívida.

O clube estava pronto para voltar ao futebol profissional, na Série B do Campeonato da Primeira Divisão de 1975. A Diretoria conseguiu licença da FPF para mandar seus jogos na cidade vizinha de Araras, no Estádio do União São João, enquanto as transformações no seu estádio não terminassem. A pedra fundamental do novo Estádio Major José Levy Sobrinho foi lançada em 1974.

Foi uma fase de “time cigano”, por não ter um lugar fixo para realizar seus jogos e treinos. Os campos que o clube utilizou nesse período difícil foram os do Clube Paulistano, do Estudantes, do Clube Atlético Usina Iracema (Iracemápolis) e o da Usina São João, único aceito pela FPF.

A primeira partida na volta ao profissionalismo, foi no campo do Paulistano, contra o Piracicabano. No retorno, em 1975, a Internacional pertencia à Série B do Campeonato da Primeira Divisão. 

Mas a recompensa só veio três anos depois, em 1978, quando ganhou a competição e o direito de participar da Divisão Especial em 1979. O time estreou com um bom 9º lugar, o que deu direito a disputar o Campeonato Brasileiro, onde só não chegou as quartas de finais porque foi eliminado pelo Internacional, de Porto Alegre, campeão do ano anterior, que tinha no plantel jogadores como Falcão.

Foi quando começou um período de glórias na história do clube. No início da década de 1980 foi o 4º colocado no campeonato, tendo disputado o "Quadrangular Final". Porém, foi desclassificado pelo São Paulo, que conseguiu o título.

No jogo contra a Internacional, o “Tricolor” colocou em campo o atacante Zé Sérgio, de forma irregular na partida, sem sofrer qualquer punição. Mas ainda assim a Internacional foi confirmada na antiga “Taça de Ouro” de 1981, chegando as quartas de finais, quando foi derrotada pelo Grêmio.

Em 1981 foi sexta colocada no Campeonato Paulista, mas garantiu classificação para disputar a “Taça de Ouro” de 1982, campeonato este em que não passou da primeira fase. No Paulistão 82, a Internacional ficou em 11º, entre os 20 times participantes e não passou da primeira fase na “Taça de Ouro”. Já em 1983, a Internacional mais fez uma campanha razoável e ficou em 9º lugar no Campeonato Paulista. E no ano seguinte, em 10º lugar.

Entre os anos de 1982 e 1984, o clube construiu o Clube de Campo, um local de lazer destinado aos seus associados.

Em 1984, assumiu a presidência o desportista Richard Drago. Em 1985, começou a formação do elenco que surpreenderia o Brasil no ano seguinte. Foram feitas contratações de jogadores conhecidos como Silas, Gilberto Costa, Carlos Silva, Vilson Cavalo, Pecos, João Batista, João Luís, Éder e Bolivar, entre outros. Da categoria de base, os atletas Tato e Lê foram promovidos ao grupo de profissionais.

E veio 1986. E com ele a conquista do primeiro Campeonato Paulista, por um time do interior do Estado. Esse foi o maior feito da história centenária do clube de Limeira, que derrotou o poderoso Palmeiras e fez calar milhares de vozes no estádio do Morumbi.

No primeiro turno o time comandado por José Macia, o “Pepe”, foi sexto colocado. No segundo turno deu aula de futebol e faltando duas rodadas, já tinha garantido a primeira colocação na classificação geral.

Nas semifinais derrotou o Santos por 2 X 0, em plena Vila Belmiro e por 2 X 1, no “Limeirão”, classificando para as finais frente o Palmeiras, que há 10 anos não ganhava um título sequer. E sem o direito de jogar em Limeira. Os dois jogos decisivos foram no Morumbi.

No primeiro jogo, dia 31 de agosto, um empate sem gols. No segundo confronto, em 3 de setembro, frente a 64.564 pagantes e mais milhares de credenciados, com renda de Cz$ 2.443.610.00, a Internacional venceu por 2×1, com gols de Kita e Tato, com Amarildo descontando.

A Internacional mandou a campo os campeões Silas - João Luís – Juarez - Bolívar e Pecos – Manguinha - Gilberto Costa e João Batista (Alves) – Tato - Kita e Lê (Carlos Silva). Treinador, José Macia, o “Pepe”.

O artilheiro da competição foi o centroavante Kita, da Internacional, com 24 gols. Também conquistou a “Taça dos Invictos”, um dos troféus mais cobiçado do futebol paulista, depois de ficar 17 partidas sem perder. O troféu se encontrava em poder do Santos, que ficou 15 jogos invicto.

A campanha por si só, diz tudo. Em 42 jogos foram 21 vitórias, 14 empates e sete derrotas. Foram anotados 59 gols e sofridos 33 gols. A Seleção do Campeonato, escolhida pela imprensa e publicada no jornal “Folha de São Paulo” tinha sete jogadores da equipe limeirense: Silas, Juarez, João Luis, Gilberto Costa, João Batista, Tato e Kita.

Por essa razão, a Internacional foi considerada a "Dinamarca Caipira" em alusão à seleção europeia destaque da Copa do Mundo de 1986, pelo seu futebol alegre e competitivo.

Ainda em 1986 o clube realizou a sua primeira excursão ao exterior, jogando em gramados da África. Acompanhou a delegação e jogou pela Internacional, o jogador Jairzinho, o "Furacão" da Copa do Mundo de 1970.

Depois desse feito a estrela da Internacional só voltou a brilhar em 1988, quando ganhou o Campeonato Brasileiro da Série Amarela. Nesse ano foi 5º lugar no Campeonato Paulista. Nos anos 90 veio a decadência, depois que o ex-presidente Fernando Collor de Mello confiscou a poupança do clube, que ficou em uma situação financeira muito ruim. Isso teve influência decisiva dentro de campo, com o time fazendo péssimas campanhas.

Até que em 1990 foi rebaixado pela primeira vez no certame paulistano e também no brasileiro. Mas em 1991 conseguiu voltar a elite, para cair outra vez. Teve de esperar até 1996, para o retorno à Divisão Principal, após conquistar o Campeonato Paulista da Série A2, depois de golear por 4 X 0 a Portuguesa Santista, em jogo realizado no dia 28 de julho, no “Limeirão”. O técnico era mais uma vez José Macia, o “Pepe”.

Dessa vez a Internacional conseguiu se manter por sete anos na elite do futebol paulista, só voltando a cair em 2003. Em 2004 conseguiu novamente o acesso. O time era dirigido tecnicamente pelo ex-jogador Pintado, que iniciava a carreira de treinador.

A alegria durou pouco, pois no ano seguinte o clube foi novamente rebaixado. E daí por diante foram seguidos rebaixamentos, até as últimas divisões do Campeonato Paulista, até que em 2010 conquistou o acesso à Série A3, onde permanece até hoje.

O clube manda seus jogos no Estádio Major José Levy Sobrinho, o “Limeirão”, que pertence a Prefeitura Municipal de Limeira e tem capacidade para 28 mil pessoas. O nome é uma homenagem ao desportista que doou o terreno onde foi construído o estádio.

O “Limeirão” foi inaugurado no dia 30 de janeiro de 1977, com o jogo Internacional 2 X 3 Corinthians. O primeiro gol foi de Tião Marino, da Internacional. O recorde de público foi no jogo inaugural, com 44 mil expectadores.

Na época de sua inauguração foi o segundo maior estádio paulista, atrás somente do Morumbi, na capital. Com a construção de outros estádios maiores em Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Presidente Prudente, entre outras cidades, o “Limeirão” perdeu a condição de maior do interior do Estado.

Em 2012, com a eleição do jovem presidente Taymom Bueno, de apenas 27 anos, a Internacional começou a passar por uma ampla reformulação. Projetos nunca antes vistos foram postos em prática, como a construção do Memorial, a Loja Oficial, revitalização da fachada do Estádio Major José Levy Sobrinho, Departamento Comercial e de Marketing atuantes e profissionalização em todos os departamentos.

O clube passou a ser formador de atletas de alto rendimento, o que foi reconhecido pela CBF, que deu a Internacional uma certificação que poucos clubes no país possuem. A categoria Sub-15 é tida como uma das melhores do Estado e faz brilhante campanha no Campeonato Paulista. A equipe sub-17 profissionalizou cinco atletas que compõem o atual elenco profissional.

Fora de campo o clube também vem buscando resgatar sua imagem, com projetos solidários. Em parceria com a Associação Limeirense de Combate ao Câncer (ALICC), a Inter busca cumprir seu papel junto a sociedade, destinando parte da arrecadação de produtos oficiais e rendas de jogos para a entidade, participando da campanha “Outubro Rosa”.

O centenário foi comemorado no último dia 5, com uma carreata que percorreu as principais ruas da cidade. No domingo, quando o time entrou em campo houve uma grande queima de fogos. No intervalo do jogo Internacional 3 X 0 São Bento, pela Copa Paulista, a “Banda Henrique Marques” apresentou uma nova versão do hino do clube.

A noite, aconteceu o “Jantar dos 100 anos”, com presenças de autoridades da FPF, do Governo Municipal, ex-presidentes do clube e ex-jogadores. O evento, que foi aberto para toda a torcida do clube, aconteceu no “Gran São João”.

Os principais rivais da Inter, de Limeira são clubes da região: Independente, XV de Piracicaba, Rio Branco, Guarani, Ponte Preta, União Barbarense, Velo Clube e Paulínia. O clássico com o Independente, de Limeira recebe o nome de “Le-Gal”, referência às torcidas “Leonina” e “Galeão”. O Independente, fundado em 1944, só se profissionalizou no início da década de 1970.

Ao final dessa década a Internacional subiu para a Primeira Divisão Paulista e a cidade ficou sem assistir o seu clássico por quase 30 anos, voltando com tudo em 2007. Apesar de todos esses anos sem o famoso encontro, a rivalidade nunca esfriou. O último jogo entre essas duas equipes foi na Copa Paulista de Futebol deste ano de 2013, quando ocorreu um empate pelo placar de 1 X 1.

Títulos conquistados: Campeã da Série Algodoeira, 2ª Divisão de Profissionais (1961); Vice-Campeão da Série Dr. João Havelange, 2ª Divisão de Profissionais (1962); Campeã da Série B – Semi-finais, 2ª Divisão de Profissionais (1962); Campeã da Segunda Divisão de Profissionais (1966, junto com a Ituveravense); Vice-campeã do Torneio Brigadeiro Jerônimo Bastos (1976); Campeã da Intermediária, garantindo o direito de disputar o Campeonato Paulista da Divisão Especial de Profissionais, hoje Primeira Divisão (1976); Campeã Paulista de Futebol – O primeiro time fora do Eixo dos Grandes (1986); Campeã do Torneio Interestadual RJ –SP, tendo derrotado o Flamengo, por 2 x 0, na final (1986); Detentora da Taça dos Invictos, com 17 jogos (1986); Campeã do Grupo “G” do Torneio Paralelo (1986); Campeã Brasileira da Série Amarela – Grupo Especial (1988); Campeã Taça BH de Futebol Júnior (1990); Campeã Paulista da Série AII – Retorno à Série de Elite (1996); Campeã Paulista Sub20 – Primeira Divisão (2003); Campeã Paulista da Série AII – Retorno à Série de Elite (2004) e Campeonato Amador de Limeira (1944, 1945, 1946, 1970, 1971, 1972, 1973 e 1975). (Pesquisa: Nilo Dias)

1986. Campeão Paulista. Em pé: Silas - Bolivar - João Luis - Pecos - Manguinha e Juarez. Agachados: Tato - Gilberto Costa - Lê - Kita e João Batista. (Foto: "R7 Esportes")

domingo, 6 de outubro de 2013

O centenário do "Bugre" de Cruz Alta (RS)

O Sport Club Guarany foi fundado numa data muito especial para todos os gaúchos: 20 de setembro, dia em que se comemora também o aniversário da Revolução Farroupilha, o épico episódio que durou longos 10 anos e até hoje é reverenciado. O clube de Cruz Alta, que ainda é chamado por seus torcedores de "Jequitibá da Serra", nasceu da vontade de um grupo de desportistas que desejava criar um time de futebol na cidade.

O nome escolhido foi Sport Club Guarany e o primeiro presidente e responsável maior pela fundação do clube foi Epaminondas Vaz, que hoje é o patrono da entidade. O clube treinava num campo aberto pertencente a firma Furian & Cia., atual Vila Brenner. Mas os jogos eram realizados no estádio “Mangueirão”, conhecido como “Colina Pão dos Pobres”, em virtude dos circos instalados lá, onde hoje está localizado o Ginásio Municipal.

A partir de 1930, mudou-se para o terreno junto ao Asilo Santo Antônio. Em 1941, o clube começou a construir a “Taba Índia”, excelente para os padrões da época, merecendo até mesmo reportagens na imprensa da Capital.

No primeiro jogo da história o Guarany empatou em 2 X 2 com o Grêmio Foot-Ball Cruz-Altense. Dois anos depois, o Cruz-Altense, após amargar uma derrota de 8 X 0 em Júlio de Castilhos, fundiu-se ao Guarany.

Naquele tempo o futebol de Cruz Alta, além do Guarany, carecia de outras boas equipes. Foi quando em 1914 surgiu o Arranca Futebol Clube, apelidado de “Arranca-Toco”, que durante muitos anos foi o mais tradicional adversário do “Bugre”.

Até 1916. A goleada provocou uma baderna geral na cidade, com brigas entre torcedores dos dois clubes. Depois do vexame os dirigentes do Guarany decidiram em Assembleia, que teve a presença de mais de 60 associados, ficou decidido não mais jogar contra o rival.

Em 1919, sem a realização do Campeonato de Cruz Alta, o Guarany foi jogar na vizinha cidade de Ijuí contra o clube local do Riograndense. Um massacre de 21 X 0 foi o resultado a favor do time “índio”, a maior goleada registrada em sua história. Como não poderia deixar de ser, ao final do jogo o time de Ijui enrolou a bandeira. Com o fim do Riograndense surgiu o 19 de Outubro, que deu origem ao atual São Luiz.

A desavença entre Guarany e Arranca durou até 1921, quando a então Federação Rio-Grandense de Desportos (FRGD e atual FGF) decidiu intervir para acabar com a briga, sob pena das duas agremiações serem expulsas. Com o recomeço do campeonato municipal, em 18 de setembro daquele mesmo ano o Guarany, ganhou por 2 x 1 em casa, e uma semana depois sagrou-se campeão ao empatar em 2 X 2 no reduto adversário.

Em 1922 o Guarany foi a Porto Alegre para ser derrotado pelo Grêmio por 5 X 0. O resultado até que podia ter sido maior, não fossem as grandes defesas praticadas pelo goleiro Dornelles, considerado pela critica o grande nome do jogo. Também mereceram elogios os jogadores cruzaltenses Breno Ribeiro, Cascudo e Romagna, este depois convocado para o scratch gaúcho.

Para aliviar o baque de tão estrondosa derrota, o Guarany conseguiu o bicampeonato da cidade, fazendo a festa no novo estádio do Arranca, que fora inaugurado apenas dois meses antes. Ainda em 1922, o Guarany disputou as finais do Campeonato Estadual, quando colocou em campo um dos melhores times de sua história.

Em Porto Alegre, pela semifinal, aconteceu um jogo polêmico. O Grêmio, que estava vencendo por 1 X 0, sofreu o gol de empate, mas o juiz anulou, gerando uma grande revolta por parte dos jogadores e dirigentes do clube de Cruz Alta. Não demorou e o Grêmio fez 2 X 0, em outro lance duvidoso. Em vez de tiro de meta o juiz marcou escanteio. Inconformados, os jogadores do Guarany se retiraram de campo e a Diretoria decidiu pela desfiliação do clube da FRGD.

No ano seguinte, à Revolução Federalista impediu a realização de competições esportivas no Estado. Em 1924, o Guarany foi campeão da cidade por W.O, pois o Arranca não quis entrar em campo para o jogo decisivo, por estar desfalcado de cinco de seus principais jogadores.

Em 1925, o torcedor famoso, Érico Veríssimo, assumiu a secretaria do clube, sendo responsável pela elaboração das atas. Ficou no cargo até 1927.

Ainda em 1925, quando já era chamado pelos torcedores de "Jequitibá da Serra", o Guarany mais uma vez venceu o certame municipal, derrotando o Arranca por 2 X 1 no primeiro jogo e empatando o segundo em 1 X 1.

Com isso ganhou o direito de participar do Campeonato Estadual, disputando a Chave da 5ª Região. Depois de eliminar o 14 de Julho, de Passo Fundo, jogou e ganhou do Bataclan, de Santa Maria por 4 X 3, conquistando o título de campeão da Serra e carimbando o passaporte para as finais em Porto Alegre.

Aí a coisa ficou mais difícil. Já de cara enfrentou o poderoso Grêmio Portoalegrense, para quem perdeu por 1 X 0, gol de Luiz Carvalho. Acabou a competição como terceiro classificado.

Nos dois anos seguintes a história se repetiu em Cruz Alta, com mais dois títulos municipais do Guarany, que se sagrou exa-campeão. Em 1927 o estádio do Arranca, que se localizava à beira da ferrovia, pegou fogo, provavelmente iniciado com as faíscas das locomotivas. Com o sinistro desapareceu toda a documentação e os troféus conquistados pelo clube.

Diante do incêndio, foi construída uma nova sede localizada na rua General Osório, antiga Cooperativa Tritícola, onde foi colocado no alto do prédio, um leão, porque o clube era identificado como o “Leão da Serra”. Depois, o mesmo leão foi destinado ao E. C. Nacional, período em que o Arranca foi desativado e o Nacional fundado, herdando o título de “Leão da Serra”.

No inverso do ditado, “depois da bonança vem a tempestade”, em 1928 morreu o ex-presidente do clube José Laydner. E como se isso não bastasse, o “back-half” (volante de hoje) Guilherme Schroeder, apelidado pelos companheiros de “Risadinha”, por estar sempre rindo, deixou o Guarany, se transferindo para o Internacional.  

Na concentração, quando estava mais sério, era chamado de "Risada", apelido que se consolidou quando atuou pelo colorado gaúcho.

Ele até foi chamado de "Nenê", o que gerava uma grande confusão, parecendo que não tinha nome. Era o destaque do time e foi convocado para a seleção gaúcha.

Em 1928 o Arranca começou a temporada bem melhor, vencendo os dois amistosos realizados para a preparação da temporada, por 3 X 1 e 3 X 0. No segundo jogo aconteceu de tudo, invasão de campo por torcedores, pontapés, socos, tapas e até bengaladas.

O Arranca recuperou a condição de campeão da cidade, ao golear o Guarany por 4 X 1 no prélio final, quando novamente se registraram brigas por todos os cantos do estádio.

No dia 16 de novembro de 1928 foi realizado o último jogo da história entre Guarany X Arranca. Foi em disputa da “Taça Royal Card”. O resultado final de 1 X 1 garantiu o troféu ao Arranca, por ter um escanteio a mais.

Em 1929 o Guarany inaugurou seu estádio, que provavelmente também se encontrava no mesmo terreno onde hoje se encontra a “Taba Índia”. Como o Arranca estava enfrentando um período de crise, e se voltava mais para atividades sociais, nesse ano não houve o campeonato da cidade.

Não demorou para que o Arranca encerrasse as atividades, o que aconteceu em 8 de setembro. Só restou a sede social, atualmente uma das maiores do Estado.

Com a extinção do grande rival surgiram outros adversários, o Rio-Grandense e Clube Internacional Recreativo. Também fizeram parte do futebol de Cruz Alta, porém em épocas diferentes, o Grêmio Foot-Ball Cruz-Altense, Serrano e Santa Cecília, que representava os militares.

Quando o E. C. Nacional foi fundado, em 1941, o seu estádio foi construído onde funcionava uma hípica, permanecendo até hoje sob o nome de estádio do “Morro dos Ventos Uivantes”.

O Riograndense iniciou suas atividades no ano de 1929, no espaço onde funciona hoje a empresa Coceagro. Na sua inauguração os torcedores, autoridades e jogadores chegaram de trem até o local. Após, durante nove anos, até 1954, quando inaugurou o estádio “Brasil Siqueira Borges”. O clube também utilizou o estádio da “Baixada”, na Vila Central,

Em 1930, o Guarany também não suportou as dificuldades financeiras e fechou as portas, só retornando 12 anos depois, já na antiga "Taba Índia".

A “Taba Índia” foi inaugurada em 20 de agosto de 1942, num jogo amistoso contra o Riograndense local. O estádio tinha um pavilhão feito de tijolo e madeira. E ficou assim até a década de 1980, quando o estádio passou por uma grande reforma. A inauguração da nova “Taba Índia”, que pode abrigar até 10 mil torcedores, aconteceu no dia 7 de abril de 1985, com um jogo amistoso entre Guarany X Gaúcho, de Passo Fundo.

Em 13 de novembro de 1985 foi inaugurado o sistema de iluminação do estádio, com o jogo amistoso Guarany 0 X 2 Nacional, de Montevidéu. O futebol profissional só foi estabelecido em Cruz Alta a partir de 1953.

Em 27 de dezembro de 1971 houve a fusão entre S.C. Guarany e E.C. Nacional, sendo criada a Associação Cruz Alta de Futebol (Acafol), tendo como presidente o desportista Elias Martins. As cores do clube eram o azul e branco. A nova agremiação disputou a Copa Governador do estado de 1972 e 1973, além do Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão. Durou apenas dois anos.

No final dos anos 90 jogou no Guarany o veterano goleiro Geraldo Pereira de Matos Filho, mais conhecido como Mazzaropi. Ele encerrou a vitoriosa carreira no clube cruz-altense.

Um dos mais destacados jogadores da história do Guarany foi o goleiro Lino Ceretta, militar reformado e pesquisador do futebol, que atuou no clube de 1951 a 1966, participando de mais de 300 jogos.

Foi campeão municipal em sete oportunidades, sendo uma delas pelo Riograndense, que vinha de um jejum de 19 anos. Foi num período em que o Guarany estava licenciado. Também foi duas vezes campeão estadual da Segunda Divisão de Profissionais e vice uma vez.

O último jogo da carreira de Ceretta foi um clássico contra o Nacional, disputado em 23 de outubro de 1966, com vitória bugrina por 2 x 1.

Depois que deixou os gramados foi dirigente do Guarany, repórter, comentarista e narrador de futebol de uma das emissoras de rádio da cidade.

Em 1996 e 1997 o clube esteve licenciado. Em 1998, 1999 e 2000 participou da Segundona Gaúcha, sem conseguir classificação para a Divisão Principal.

Apesar de momentos memoráveis, por falta de patrocinadores e apoiadores, o Sport Clube Guarany fechou as portas em 2001, deixando a cidade sem representatividade esportiva no cenário do esporte Gaúcho. Foi o clube de futebol de mais longa atividade na cidade.

Depois de alguns anos, um grupo de amigos e desportistas com o objetivo de construir um projeto de longo prazo fundaram a Associação Cruz Alta de Futsal (ACAF), no dia 14 de dezembro de 2010, fazendo com que Cruz Alta voltasse a ter representatividade no cenário estadual. 

Em 27 de dezembro de 2011, um acidente ocorrido na ERS 122, em Ipê, na serra gaúcha, causou a morte de Marcos Antônio Lemos Tozzi, o “Catê”, de 38 anos. O Fiat Uno Mille que ele conduzia chocou-se com uma carreta Scania que trafegava no sentido Ipê-Vacaria.

Catê iniciou a carreira nas categorias de base do Guarany, de Cruz Alta, indo depois para o Grêmio. Passou pelas seleções de base do Brasil, foi para o São Paulo, onde se sagrou campeão mundial de clubes em 1992, jogou no Cruzeiro, de Minas Gerais, voltou ao São Paulo e atuou ainda pela Universidad Católica do Chile, Sampdoria, da Itália e no retorno ao Brasil jogou pelo Flamengo. Depois de encerrar a carreira de jogador treinou o Brusque, de Santa Catarina.

O S.C. Guarany foi campeão de Cruz Alta em 14 oportunidades (1914, 1916, 1921, 1922, 1924, 1925, 1926, 1927, 1946, 1956, 1958, 1962, 1963 e 1966); conquistou três Campeonatos Estaduais da 2ª Divisão (1954, 1959 e 1987); um Campeonato Gaúcho da 3ª Divisão (1985) e o Campeonato da Serra (1955).

Dentro das comemorações do centenário do S.C. Guarany, os acadêmicos de Jornalismo da Universidade de Cruz Alta, Davi Pereira, Oscar Van Riel, Adrieli Fogaça, Pedro Henrique Amarante e Marcos Nogueira, organizaram um documentário intitulado “Taba de Memórias”.

O documentário com cerca de 30 minutos de duração, foi realizado no primeiro semestre deste ano e destaca as memórias de torcedores e ex-atletas sobre a história do tradicional clube de Cruz Alta. Foram ouvidos os ex-jogadores Teixeirinha, Batista, Rafael Reis e Cristiano Prudêncio, a torcedora Nice Padilha, o líder da torcida organizada Irineu Bilibio e o ex-jogador e historiador Lino Ceretta. A película foi exibida dia 5 de setembro, no Salão Nobre da Unicruz. (Pesquisa: Nilo Dias)

S.C. Guarany, na década de 1920. (Foto: Arquivo particular do pesquisador Lino Ceretta) 

sábado, 5 de outubro de 2013

Os 100 anos do "Dragão" de Limoeiro

O centenário do “Dragão” de Limoeiro (PE)

O Centro Limoeirense de Futebol é o terceiro clube mais antigo do futebol pernambucano, atrás apenas de Náutico e Sport, tendo sido fundado em 15 de setembro de 1913, 20 anos após a emancipação política da cidade. É o clube mais velho do interior do Nordeste em atividade.

Foi o primeiro time de Limoeiro a disputar campeonatos pernambucanos, se profissionalizando 50 anos depois de fundado, em 1963. Até hoje é o principal clube de futebol da cidade, sendo conhecido por seus torcedores como “Dragão”.  Suas cores são o vermelho e branco.

Na maior parte de sua existência o Limoeiro participou de campeonatos amadores na cidade e região. Seu adversário mais tradicional era o Colombo Sport Club, também de Limoeiro, o time preferido da elite local, que não existe mais. O Centro sempre foi uma agremiação popular.

Mesmo sendo uma entidade centenária, o Centro nunca conquistou títulos. O máximo que alcançou foi dois vices campeonatos da Série A-2, de Pernambuco, em 1995 e 2000 e um vice-campeonato da Taça Pernambuco, em 2004. Também disputou a Série C do Campeonato Brasileiro em 1997.

O primeiro jogo do Centro como clube profissional foi em 19 de maio de 1963, quando enfrentou o Náutico na estreia do Campeonato Estadual e perdeu por 2 X 0. Nessa sua primeira participação no Campeonato Pernambucano foi quinto colocado, na melhor campanha do clube na competição até hoje.

O time base do Centro Limoeirense em seu primeiro campeonato como profissional era o seguinte: Manguito – Adilson – Dedé - Luizinho e Edmilson - Juvenal e Vi – Tidão – Nelson - Tanzino e Chico.

O maior feito do time naquela competição, foi uma vitória sobre o Náutico, no “Varedão”, por 2 X 0, a primeira sobre um clube da capital pernambucana. O Centro só voltou a vencer o “Timbu” 40 anos depois, em 2003, por 1 X 0, gol de Eduardo.

Em 1964, outra boa participação, foi sexto colocado. Depois do campeonato, por problemas de ordem financeira teve de fechar o seu Departamento de Futebol Profissional, só retornando as atividades 30 anos depois, em 1994. Nesse ano disputou a Série A-2 do Campeonato Pernambucano.

Depois de uma bela campanha, o Centro venceu o segundo turno e em consequência alcançou o direito de participar da elite do futebol pernambucano no ano seguinte. Na final do campeonato acabou perdendo o título para o Sete de Setembro, de Garanhuns.

Pouco adiantou o acesso a Divisão Principal, pois o time terminou na lanterna da competição. Teve sorte, pois não foi rebaixado. Mas em 1997 não teve jeito, sendo lanterna de novo foi mandado de mala e cuia para a Segunda Divisão.

Time teimoso, não se entregou e em 2000 voltou a fazer ótima campanha na Segundona. Participou do quadrangular final e garantiu mais uma vez um lugar na Divisão Principal. O título da Série A-2 ficou com o AGA.

Triste sina teve o Limoeiro na elite pernambucana, pois não conseguiu engrenar outra vez. Disputou o Campeonato de 2001 e foi vice lanterna, voltando para a Segunda Divisão. Num jogo contra o Náutico, no “Varedão”, foi goleado por 4 X 0.

Em outubro de 2003, o Centro Limoeirense concretizou a sua primeira e única negociação na história com um clube do exterior, ao vender os direitos econômicos do jogador Cleyton Mendes dos Santos para o “Dong Tam Long Na”, pequeno clube do Vietnã.

Em 2004 uma grande surpresa. O time teve um desempenho fantástico na Copa Pernambuco, sendo considerado pela crítica esportiva o melhor time da competição. Mas na hora de decidir, fraquejou, perdendo o título dentro de casa para o Vitória das Tabocas, por 2 X 1.

Em 2007 retornou a Divisão Principal, depois de perder o título da Segundona para o Salgueiro, que venceu os dois jogos finais por 1 X 0. Mas no ano seguinte outra desilusão, lanterna novamente e rebaixamento. Em 2008 não teve êxito na tentativa de voltar a elite, tendo ficado na oitava posição da Segundona.

Atualmente o Centro tenta voltar à Primeira Divisão do Campeonato Pernambucano, que não disputa há cinco anos. Até agora faz uma boa campanha e pode chegar até a conquista do título, que seria o primeiro de sua história.

Para que se tenha uma ideia do tamanho das dificuldades enfrentadas pelo clube, sua folha salarial é de R$ 80 mil. Todos os jogadores moram em quatro quartos na sede social, sendo que um deles é ocupado por nove pessoas.

Mas a realidade de agora é bem melhor do que há meses atrás, quando o clube estava repleto de dividas e a sede era utilizada para receber jogos de azar e alugada para um depósito de cigarros.

Só de água e luz o Centro devia cerca de R$ 5 mil e os serviços foram cortados. O Estádio totalmente sucateado, sem que a prefeitura realizasse qualquer obra de manutenção. Para piorar, o presidente Jaelson Joaquim Barbosa de Lima e o vice Jáder Fábio Barbosa renunciaram aos cargos, deixando a agremiação no mais completo abandono.

O clube só não fechou as portas porque a Federação Pernambucana de Futebol interviu, atendendo pedido do presidente do Conselho Deliberativo, José Bernardino Coutinho. A Federação anistiou a dívida de R$ 40 mil com ela e pagou uma dívida trabalhista de R$ 15 mil com um ex-funcionário, anistiou os sócios e marcou uma nova eleição. Foi eleito o presidente José Roberto Rodrigues, que assumiu o cargo em janeiro deste ano.

Mesmo com todos os problemas que enfrenta, o Centro é adorado por seus torcedores. Tanto é verdade que o seu Severino Carlos, ex-jogador e atual administrador do Estádio “Varedão”, disse que se o clube algum dia fechar, vai embora de Limoeiro, explicando que desde os 12 anos de idade convive com a entidade, que é um patrimônio da cidade.

O Centro Limoeirense manda seus jogos no Estádio José Vareda, chamado de “Varedão”, que pertence a Prefeitura Municipal. Tem capacidade para 5 mil torcedores. A mascote do Centro Limoeirense de Futebol é o “Dragão”. Ele foi escolhido como um dos símbolos do clube por sua força.

Participações em campeonatos estaduais. 2ª Divisão, vice-campeão (1995 e 2000); Copa Pernambuco, vice-campeão (2004); Campeonato Pernambucano da Primeira Divisão (1963, 1964, 1996, 1997, 2001 e 2008); Campeonato Brasileiro da Série C (1997).

Nas comemorações do centenário o Centro realizou um torneio de futebol nas categorias Mirim e Infantil, enfrentando uma escolinha de Surubim.  Também foi homenageado “in memorian”, o saudoso desportista Antônio Mota, de relevantes serviços prestados ao clube.

Na véspera dos 100 anos, foi realizado um baile com animação da orquestra “Só Mulheres”. Representantes da Federação Pernambucana de Futebol estiveram presentes, ocasião em que foram homenageados pela direção do aniversariante. Também recebeu homenagem “in memorian” o desportista Carlos Alberto de Oliveira, ex-presidente da Federação Pernambucana de Futebol, falecido em 2011.

E no domingo, data do aniversário, realizou-se o jogo amistoso contra a equipe do Campinense, de Campina Grande (PB), com a presença de Carlinhos Bala, o “Rei de Pernambuco” na equipe. O Centro venceu por 3 X 0, com gols de Eduardo Erê e do nigeriano Henrri, que marcou duas vezes.


O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Barros de carvalho assistiu o jogo. Além dele estiveram no estádio o presidente do clube, Beto de Sula e o empresário Vavá da Ótica. Os torcedores que compareceram em grande número, portavam bandeiras e vestiram camisas do centro. (Pesquisa: Nilo Dias)

Jogo dos 100 anos, realizado dia 15 de setembro, data do aniversário do clube. Na ocasião o Centro Limoeirense derrotou o Campinense, de Campina Grande (PB), por 3 X 0.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O centenário do "Azulão" de Sorocaba

O Esporte Clube São Bento, da cidade de Sorocaba, interior paulista, é mais um clube que comemorou 100 anos de fundação neste ano de 2013. O clube nasceu no dia 14 de setembro de 1913, com o nome de Sorocaba Athletic Club. Seu primeiro presidente foi João Antunes. Somente um ano depois da fundação, em 13 de outubro de 1914, que passou a ter a denominação atual de E.C. São Bento, motivada, segundo alguns, por um desentendimento entre sócios e diretores.

A mudança foi uma homenagem ao São Bento, time da capital paulista que na época fazia muito sucesso. Há também quem diga que o nome São Bento foi adotado pelo fato do time jogar num campo de futebol que havia atrás do Mosteiro de São Bento, em Sorocaba.

Mas o São Bento não foi o primeiro clube de futebol da cidade. No início do século XX existiam em Sorocaba o Savóia, Sorocabano e Fortaleza. Em 1905, na região do “Além Ponte”, que concentrava muitas famílias de imigrantes espanhóis, surgiu o Club Athletico Chapeleiros , da fábrica de chapéus Souza Pereira.

Com a extinção do “Chapeleiros”, vários adeptos desse clube, junto com funcionários da fábrica de arreios Ferreira e Cia, instalada na rua XV de Novembro, fundaram o Sorocaba Athletic Club, nome primitivo do E.C. São Bento, em 14 de setembro de 1913. Nessa época a cidade vivia um surto de febre amarela, que por pouco não dizimou todos os moradores da cidade.

O primeiro jogo da história do novo clube foi uma goleada de 13 X 3, no Brasil Foot-Ball Club, de Pirajú, que em 1937 passou a se chamar Atlético Brasil, do distrito do Éden, equipe de futebol amador de Sorocaba, ainda em atividade. O segundo jogo foi contra o Club Colonial do Votorantim, com vitória de 2 X 1.

A primeira conquista do São Bento foi a “Taça Pierrot”, ganha em cima do XV de Piracicaba, por 1 X 0. A partida foi disputada no dia 23 de setembro de 1917 no antigo estádio “Castellões Parque”. O clube ainda conserva esta taça, considerada pelos torcedores a “Moedinha número um”. Recentemente a taça foi restaurada.

Nessa época aconteceram grandes jogos pelos campeonatos amadores da cidade, com as participações de Sorocabano, Fortaleza Clube, Savóia, Scarpa, Esporte Clube São Bento e Estrada de Ferro Sorocabana Futebol Clube, entre outros.

Em razão de existir pouca documentação sobre a reunião que culminou na fundação do clube, e em nenhuma delas qualquer referência as cores dos uniformes usados, acredita-se que a roupagem possuía tons de vermelho e branco, que eram as usadas pelo Sport Club Sorocabano. E só depois que mudou o nome para S.C. São Bento passou a adotar o azul celeste e o branco, que também eram as cores da extinta Associação Atlética São Bento, campeã paulista de 1914.

Porém, com a reforma do estatuto, ocorrida em 2009, foram acrescidas o azul Royal e o azul marinho. Na mesma ocasião “aportuguesou-se” a denominação “Club” para Clube, mantendo-se, contudo, o original em inglês no símbolo da equipe.

O primeiro escudo do S.C. São Bento surgiu em meados da década de 1920. No início do século XX, os clubes não possuíam escudos e nem a camisa dos atletas eram identificadas com números. Sua primeira versão consistia em um brasão azul, com as iniciais ECSB dentro de um círculo branco.

Na década seguinte, o brasão ficou apenas com o círculo e as iniciais, que teve duas versões. Quando o clube se profissionalizou, na década de 50, as letras que antes estavam separadas se juntaram para formar o desenho conhecido atualmente.

Em seguida, veio a inscrição com o nome do clube e da cidade de Sorocaba. A primeira versão do escudo que conhecemos hoje tinha suas cores invertidas: fundo azul e letras brancas. Foi apenas na década de 1980 que o distintivo tomou a forma que conhecemos hoje.

Ao longo do tempo, o São Bento teve uma série de uniformes, com diferentes tonalidades de azul. Atualmente o clube utiliza as cores azul e dourado para o uniforme principal e branco e dourado para o segundo uniforme, e laranja e dourado, para o terceiro.

Este último é uma alusão ao Sorocaba Athletic Club, que acredita-se que usava as cores vermelho e branco. Porém foram adotadas as cores laranja para não ter camisas similares ao seu rival, o Atlético Sorocaba.

O mascote do clube é o “Tira Prosa”, que estava esquecido há quase 30 anos, e agora foi recolocado nos jogos da Série A3. No passado ele impunha muito respeito. O “Tira-Prosa” é um pássaro Azulão, cuja denominação remete àquele que é valentão. O São Bento é o clube mais antigo de Sorocaba, ainda em atividade.

Durante quase 40 anos o São Bento disputou apenas campeonatos da cidade e região. Somente em 1953 se tornou profissional, participando do Campeonato Paulista da Série 3, que contou com 20 clubes divididos em três  grupos. O do São Bento tinha Corinthians, de Santo André, Paulista, de Jundiaí, Jabaquara, de Santos, Bragantino, de Bragança Paulista, São Caetano Esporte Clube e Taubaté.

O primeiro jogo oficial do São Bento como clube profissional, aconteceu em Bragança Paulista, quando perdeu para o Bragantino por 2 X 1. O time de Sorocaba jogou na ocasião com Peter - Domingos e Moacir – Rau – Falco e Sérgio – Cicarelli – Carrega – Mário - Mané e Bernardi.

Ainda em 1953 o “Azulão”, como era chamado pelos torcedores, realizou seu primeiro jogo de caráter internacional, tendo empatado em 2 X 2 com o Nacional de Montevidéu, campeão uruguaio, em jogo realizado em Sorocaba.

A equipe uruguaia contava com alguns jogadores que conquistaram o Campeonato Mundial de 1950 em pleno Maracanã. Ao longo da história, destaca-se a vitória diante da Seleção Brasileira de Novos, em Sorocaba, por 2 X 0, e também a goleada imposta ao Bragantino por 9 X 2, em 14 de abril de 2002, no Estádio Walter Ribeiro.

O São Bento ainda enfrentou em jogos internacionais a Seleção da Bulgária, em Sofia, no ano de 1979, perdendo por 2 X 1. Em 1980, em Sorocaba, derrotou a Seleção da Arábia Saudita, por 1 X 0. Em 1980 bateu a Seleção da Coréia do Norte por 1 X 0, em jogo realizado em Sorocaba.  E, finalmente, em 2012 empatou em 0 X 0 com a Seleção de Cuba, também em Sorocaba.

Em 1956, o São Bento vendeu ao Santos F.C. o jogador Fiote. Na transação o clube de Sorocaba tinha o direito de escolher alguns jogadores santistas por empréstimo. O próprio técnico alvinegro, Lula, disse que poderia ser levado qualquer jogador que estivesse no banco.

Foi escolhido Raimundinho, que depois foi artilheiro do Campeonato Paulista da Segunda Divisão em 1957, com 24 gols, jogando pelo São Bento. Ao lado de Raimundinho estava Pelé, mas não despertou o interesse do dirigente sorocabano, Guariglia, que preferiu levar, para sorte do futuro “Rei”, mais os jogadores Waldir e Zezinho.

O “Azulão” disputou o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão em 1979, tendo ficado em 15° lugar entre os 94 clubes que participaram da competição, considerada até hoje o maior campeonato de futebol do mundo. Também disputou, a nível nacional, a Taça de Prata de 1981 e 1983. Seu último compromisso em brasileiros ocorreu em 1992, quando disputou o Campeonato Brasileiro da Série B , a Terceira Divisão, atual Série C.

O primeiro acesso do São Bento à Divisão Especial do certame paulista ocorreu em 1963, depois de conquistar o título de campeão da Primeira Divisão, atual Série A2, enfrentando nos três jogos finais ao América, de São José do Rio Preto.

A partida decisiva, realizada na noite de 23 de fevereiro teve como palco o Estádio do Pacaembu, na capital bandeirante, com vitória do São Bento por 2 X 1. O gol da vitória e do título foi marcado por Picolé, aos 12 minutos do primeiro tempo da prorrogação.

O São Bento, comandado pelo técnico “Capão”, jogou com Walter – Julião - Odorico e Salvador - Nestor e Paulinho – Raimundinho – Cabralzinho – Picolé - Bazzaninho e Paraná. Os dois jogos anteriores terminaram empatados, 0 X 0, em São José do Rio Preto e 1 X 1, em Sorocaba.

No jogo final o São Bento teve o apoio de cerca de 3 mil torcedores, que viajaram em ônibus, carros particulares e até trens especiais. Apesar de ter sido realizada em 1963, a partida final correspondia ao certame de 1962.

Foi nessa década de 1960 que o clube viveu seus melhores momentos no Campeonato Paulista. Em 1963 foi quarto colocado, à frente de Corinthians e Portuguesa. Nos anos de 1964, 1965 e 1968 alcançou a sexta posição. Em 1966, 1967, 1969 e 1970 classificou-se em oitavo lugar. O São Bento participou do principal campeonato do Estado durante longos 29 anos consecutivos. Em 1991 foi rebaixado para a Série A3.

Após a queda, o clube enfrentou momentos difíceis, com uma série de escândalos envolvendo dirigentes e falta de apoio da Prefeitura e empresários, que quase o levaram a extinção. No final da década de 1990, o São Bento foi comprado pelo empresário pernambucano Jailson Dantas, também dono do Unibol.

Porém, a venda foi revertida, alegando-se que o empresário não tinha pago os cerca de R$ 300 mil previstos no contrato. O empresário recorreu e a ação segue na justiça até hoje.

Em 1994 o São Bento e o Corinthians de Presidente Prudente não foram rebaixados devido ao Monte Azul e a Internacional, de Bebedouro não terem atendido aos requisitos de capacidade de estádio para a disputa da A3 1995. Em 1998 o “Azulão” não foi rebaixado devido a desistência do Novorizontino de disputar o campeonato de 1999.

Em 2001 o São Bento ganhou o Campeonato Paulista da Série A3. Em 2002, foi campeão da Copa Estado de São Paulo, garantindo o título em dois empates frente o Jaboticabal, por ter vantagens de pontos na competição. Encerrou a campanha e confirmando o título em cima do União Mogi, em Sorocaba diante de sua torcida.

Em 2005, o clube retornou a elite do futebol paulista. Essa nova experiência durou apenas dois anos, pois em 2007 foi novamente rebaixado para a Série A2. Nessa ocasião o time era treinado pelo ex-volante da Seleção Colombiana, do Palmeiras, do Corinthians e do Santos, Freddy Rincón.

Em 2008, quase voltou a Divisão Principal depois de chegar ao quadrangular semifinal, mas não alcançou classificação. O Grupo era formado por São Bento, Atlético Sorocaba, Mogi Mirim e Oeste. O São Bento foi prejudicado com a ocorrência do polêmico "Jogo da Marmelada" entre Mogi Mirim e Oeste, que garantiram o acesso depois de um vexatório empate sem gols.

Em 2009, não conseguiu chegar nem mesmo na segunda fase do campeonato.  Em 2010, o time era comandado pelo ex-goleiro e ídolo do clube, Abelha, e contou com patrocínios de entidades fortes da cidade, mas novamente não logrou êxito.

O pior estava reservado para 2011 quando foi rebaixado para a Série A3, e foi apenas sétimo colocado na Copa Paulista, quando colocou em campo um time Sub-20, dirigido pelo técnico Claudinho Anacleto. Foi o resultado de uma série de resultados negativos, crises de bastidores e saída de patrocinadores.

Em 2012 não obteve êxito na tentativa de voltar a Série A2. Na Copa Paulista do mesmo ano, sob o comando do técnico Edson Vieira, a equipe começou a montar o time que disputou a A3 2013.

E agora, em 2013, ano em que comemora o centenário, o São Bento conseguiu voltar a Série A2, depois de vencer o Batatais, por 3 X 1 no campo do adversário e empatar em casa por 1 X 1.

Mas antes disso teve de passar por sufoco. Na segunda fase da competição, em um grupo que tinha Itapirense, Sertãozinho e Internacional, de Limeira, o São Bento, apesar de liderar toda a fase final do certame, apenas conseguiu seguir em frente com um gol aos 46 minutos do segundo tempo, em um empate sofrido diante da equipe do Sertãozinho. O time era treinado por Édson Vieira.

O São Bento manda seus jogos no Estádio Municipal Walter Ribeiro, o popular CIC (Centro de Integração Comunitária), localizado no bairro Jardim Santa Rosália, que tem capacidade para receber até 12.525 torcedores. O estádio foi inaugurado em 14 de outubro de 1978. O
nome é uma homenagem ao jornalista Walter Ribeiro (in memorian).
O estádio substituiu o “Humberto Reale”, antiga sede e lar do São Bento, que foi reformado e virou centro de treinamento do clube, depois de passar anos no mais completo abandono.

Nesse local foram realizadas memoráveis partidas, tendo como destaque a presença de Pelé em um jogo do São Bento contra o Santos, então campeão mundial. Vale lembrar que o time sorocabano venceu por 3 X 2.

O “Azulão” já mandou seus jogos em outros campos, tais como o Velódromo de Sorocaba, Castellões Parque, ambos extintos e no Campo do Savóia, todos no tempo do amadorismo.

O clube revelou bons jogadores para o futebol brasileiro, entre eles Mickey, até hoje considerado um dos melhores meias-armadores que passaram pelo clube, Pires, que atuou pelo Palmeiras e Vasco da Gama, Luís Pereira, o “Chevrolet”, que depois brilhou no Palmeiras e Seleção Brasileira, Paraná, que jogou no São Paulo e Seleção Brasileira, Marinho Peres, que vestiu as camisas do Santos, Internacional e Seleção Brasileira, Cabralzinho, que jogou no Santos, Fluminense e Palmeiras, Bauer, craque do São Paulo e Seleção, Odair Patriarca, que defendeu o Palmeiras e Seleção Brasileira e Tupãzinho, que jogou no Corinthians, entre outros.

Atualmente, o maior rival do São Bento é o Atlético Sorocaba, com quem protagoniza um dos maiores clássicos do interior paulista, o “Derbi”. Em rivalidade, é comparado aos clássicos Santista, Limeirense, Rio-pretense e até ao Campineiro.

Títulos conquistados: Campeonato Amador de Sorocaba. (1921, 1922, 1923, 1944, 1955, 1959, 1962 e 1963; Série A2 do Campeonato Paulista (1962); Campeonato Paulista do Interior (1963 , 1965 e 1966); Série A3 ( 2001 e 2013) e Copa Paulista de Futebol do Interior (2002).

O São Bento corre atrás de um objetivo para os próximos 10 anos, tornar-se o principal clube do interior paulista. E o projeto está começando com a reinauguração ocorrida nos festejos do cntenário, do Centro de Treinamento, localizado no antigo estádio “Humberto Reale”.


O São Bento mantém categorias de base Sub-15, Sub-17 e Sub-20 e retomou este ano a modalidade de Futsal. O clube já disputou competições de basquete e também futebol feminino. As torcidas organizadas do clube são a “Tira Prosa”, “Sangue Azul”, “Força Azul” e “Falcão Azul”. (Pesquisa: Nilo Dias) 

Este ano, depois de vencer a Série A3, o São Bento retornou a Série A2 do Campeonato Paulista.