Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O centenário do "Nho Quim" (Final)

Na época, o XV era presidido pelo lendário Romeu Italo Ripoli, que graças as suas polêmicas com a Federação Paulista de Futebol, manteve o time sempre em destaque na imprensa, até o seu falecimento em 1983.

Perfórmances tão dignificantes, não poderiam mesmo durar muito tempo, ainda mais para um clube interiorano, onde as dificuldades de se manter são sempre maiores. O XV ainda conseguiu permanecer por mais três anos na “Divisão Principal” do futebol paulista, mas não conseguiu evitar um novo rebaixamento.

Em 1983 o retorno ao grupo dos grandes, após levantar o título máximo da “Segundona”. Depois de se manter na elite por vários anos, o XV conseguiu em 1990 classificar-se para a Copa do Brasil do ano seguinte, quando foi eliminado pela S.E.R. Caxias, de Caxias do Sul (RS), ainda na fase inicial da competição Mas cinco anos depois, o clube conheceu a maior conquista da sua história centenária, sagrando-se “Campeão Brasileiro da Série C”.

O XV de Novembro ainda permaneceu na “Divisão Principal Paulista” até o final dos anos 90, passando pelas várias reformulações nas denominações das competições, até cair novamente para a Série A2 e em seguida para a Série A3.

Nas décadas de 90 e de 2000, o time piracicabano viveu uma crise que parecia interminável, fruto de parcerias desastrosas e de erros de administração de seus dirigentes, que levou o time a série A3 e durante um bom tempo fez do XV um sinônimo de derrotas e fracassos, sendo citado de maneira desrespeitosa pelos cronistas da época.

Em 2007 quase voltou a Série A2, depois de chegar a segunda fase do certame. Em 2008, não passou da primeira fase. Porém, o ano não foi de todo ruim para o time piracicabano, pois, no segundo semestre chegou à final da “Copa Paulista”, perdendo tão somente para o Atlético de Sorocaba, em pleno Estádio Barão de Serra Negra, em Piracicaba, por 3 X 2.

Em 2009, esteve outra vez na fase semifinal, mas não conseguiu o acesso. Mesmo estando nas divisões inferiores do futebol paulista, a média de públicos nos jogos em Piracicaba era grande. Havia jogos em que o público era de 10 mil espectadores, como no jogo entre XV e Olímpia pela terceira fase da A3 de 2007.

Depois de muita insistência, conseguiu o acesso a Série A2 em 2010. Em 2011, depois de excelente campanha, finalmente o clube conseguiu, 16 anos depois, retornar à “Primeira Divisão”.

Em 2012, o XV quase acabou voltando a Série A2 do “Paulistão”. Permaneceu mais da metade do campeonato na zona de rebaixamento, só conseguindo se manter na “Primeira Divisão” na última rodada, depois de em sofrido empate de 2 X 2 com o Mogi Mirim, no campo adversário. Em 2012 ainda disputou a “Copa Paulista de Futebol”, sendo eliminado nas quartas de final.

Em 2013 se manteve na “elite” e prepara uma equipe forte para 2014. O clube negocia com Marcelinho Paraíba e pretende trazer de volta o seu ex-jogador, Danilo Sacramento, entre outras possíveis ontratações.

Títulos. Nacionais: Campeonato Brasileiro - Série C (1995); Estaduais: Campeonato Paulista do Interior (1931, 1932, 1947 e 1948); Campeonato Paulista - Série A2 (1947, 1948, 1967, 1983 e 2011); Torneio Início (1949). Outras conquistas: Copa Piracicaba (2010); Taça dos Invictos (1967). Basquete: Campeonato Paulista (1957 e 1960); Campeonato Paulista Feminino (1962, 1964 e 1966); Campeonato Paulista do Interior (1955, 1957, 1958, 1959, 1960 e 1974); Torneio Novo Milênio de Basquete (2011).

Jogadores cedidos para a Seleção Brasileira: Doriva, em três oportunidades, nos jogos Brasil 4 X 2 Valencia (Espanha), jogo amistoso, disputado em  27 de abril de 1995; Brasil 2 X 1 Israel, jogo amistoso, realizado em 17 de maio de 1995 e Brasil 3 x 0 Japão, pela “Copa Umbro”, disputado em 6 de junho de 1995.

Nardela foi convocado para a Seleção Brasileira de base no “Torneio de Cannes”, na França, no ano de 1976, e para o “Mundial Sub-20”, realizado na Tunísia no ano de 1977.

O estádio em que o XV manda seus jogos é o “Barão de Serra Negra”, em Piracicaba. Fica na Rua Silva Jardim, próximo à Rua XV de Novembro. O estádio tem capacidade para 26.500 pessoas, mas por questões de segurança, a CBF só libera 19 mil lugares. O jogo de inauguração do “Barão”, como é popularmente conhecido, foi contra o Palmeiras e terminou empatado em 0 X 0.

No dia 16 de agosto deste ano, esteve em visita ao “Estádio Barão de Serra Negra”, o ex-jogador Antônio dos Santos, o “Cardeal”, que foi convidado pela “Comissão de Arquivo e Memória “, do XV de Piracicaba para dar o pontapé inicial da partida entre XV de Piracicaba X  Comercial, de Ribeirão Preto. “Cardeal” foi ponta direita do XV de Piracicaba nas décadas de 30 e 40, sendo um dos grandes destaques das conquistas de 1947 e 1948.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) participou da comemoração do centenário do clube, realizada dia 25 de outubro. Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em sessão que homenageou o clube piracicabano, ele vestiu a camisa alvinegra personalizada com o seu nome, entregue pelo deputado estadual Roberto Morais (PPS), membro do comitê especial da presidência.

O XV de Novembro ganhou um presente especial na data de seu aniversário. Foi lançado na ocasião, “O livro oficial do Centenário”, em solenidade realizada no “Centro Cultural Martha Watts, em Piracicaba. O livro é resultado de uma parceria entre o clube, a empresa “B2 Comunicação” e a “Universidade Metodista de Piracicaba” (Unimep). O livro custa R$ 150,00 para não sócios e R$ 100,00 para associados”.

No dia 24 de agosto o jornalista Edson Rontani Júnior lançou o livro “Nhô Quim — A História que Eu Conheço”, que relata as aventuras vividas pela mascote do XV de Piracicaba, em mais de quatro décadas. A obra reúne parte do acervo pessoal de seu pai, Edson Rontani, criador do símbolo que conquistou a torcida alvinegra.

Publicado pela “Editora Riopedrense”, o livro conta desde a criação do caipira magro, em 1948, quando o clube disputava a primeira “Lei do Acesso” que lhe deu a chance de subir para a “Divisão Principal” do futebol paulista, até as confusões históricas referentes a outros personagens que seguiam as mesmas características do “Nhô Quim”.

Em formato gibi, a publicação dá ênfase à criação do pai do autor, Edson Rontani,que aos 15 anos passou a expor desenhos de um caipira representando o XV nas vitrines do “Chalet Paulista”, da família Raya, além de loja de materiais esportivos e loterias, localizadas na rua São José, ao lado da praça José Bonifácio. Ao longo de 48 anos, Rontani desenhou o mascote nas principais mídias, incluindo o “Jornal de Piracicaba”.

Em “Nhô Quim — A História que Eu Conheço”, o jornalista comenta também sobre a polêmica do personagem “Nhô Quim”, já que na época existiu outro com o mesmo nome e características. Diz na obra que em 27 anos de convivência com o pai, sempre soube que a ideia foi dele.

De acordo com Rontani Júnior, o outro personagem ganhou notoriedade por conta de uma publicação da “Gazeta Esportiva”, em 1949, feita pelo cartunista Nino Borges. E garante que seu pai nunca se preocupou com isso.

O livro cita, inclusive, Cícero Correa dos Santos, fotógrafo da mídia local, que se vestia de “Nhô Quim” em 1967, além de uma galeria com charges do caipira magro enfrentando times consagrados representados por mascotes como o “Peixe”, do Santos; o “Mosqueteiro”, do Corinthians e o “Papagaio”, do Palmeiras.

Mesmo após a morte de Edson Rontani, em 1997, e a lacuna nas charges esportivas durante este tempo, o “Nhô Quim” ainda hoje é reverenciado pelos torcedores piracicabanos. Este ano, o personagem também foi escolhido para compor o símbolo do “Carnaval de Piracicaba”, além de estampar a divulgação da “Banda da Sapucaia”.

O livro “Nhô Quim — A História que Eu Conheço”, foi  distribuído gratuitamente nas exposições paralelas do “40ºSalão Internacional de Humor de Piracicaba”, realizado em agosto deste ano.

No dia 8 de novembro, às 19h30min, também no “Centro Cultural Martha Watts”, foi lançado o livro biográfico do primeiro presidente do clube, capitão Carlos Wingeter. Foram editados apenas 100 exemplares, que foram todos vendidos ao preço de R$ 10,00. Representantes da família Wingeter estiveram presentes ao evento.


Edson Rontani Júnior, filho do criador do "Nho Quim", conta em livro a história da mascote do XV..

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O centenário do "Nho Quim" (I)

O Esporte Clube XV de Novembro, da cidade de Piracicaba (SP) foi fundado no dia 15 de novembro de 1913. A ideia de criar um clube de futebol na cidade nasceu bem antes. Em 1910 Piracicaba, com pouco mais de 40 mil habitantes, era conhecida como a “Pérola Paulista”, em razão do alto nível intelectual da sua população. A cidade também era importante produtora de café, cana de açúcar e aguardente.

Nessa época o futebol amador da cidade era comandado por duas das mais tradicionais famílias piracicabanas, “Pousa” e “Guerrini”. Os “Pousa” cuidavam da melhor maneira possível do Esporte Clube Vergueirense, enquanto o rival 12 de Outubro era a “menina dos olhos” dos “Guerrini”.

Mas a rivalidade existente não foi obstáculo para que as duas famílias se entendessem no sentido de formarem um único clube bem mais forte e estruturado na cidade. Aconteceu, então, uma reunião preliminar no dia 25 de outubro de 1913, quando foi convidado o cirurgião dentista e capitão da Guarda Nacional, Carlos Wingeter, para ser o primeiro presidente do clube.

Para aceitar o convite, Wingeter fez uma única exigência: que o nome da agremiação fosse XV de Novembro, para homenagear a data da “Proclamação da República”, o que não foi visto como qualquer empecilho. E em uma segunda reunião ocorrida dia 15 de novembro, finalmente foi fundado o Esporte Clube XV de Novembro.

Seguiram-se decisões de praxe, como a escolha dos demais dirigentes, cores do fardamento, exigências para angariar sócios, escolha de local para treinos e jogos e coisas do gênero. O clube continuou amador em seus primeiros anos de vida.

No ano de 1914, exatamente no dia 12 de outubro, o XV conquistou o título de campeão da cidade ao derrotar a Associação Esportiva Piracicaba, por 3 X 2. Cada vez ganhando maior prestigio, em 1918 filiou-se a Associação paulista de Esportes Atléticos,passando a disputar os campeonatos do Interior, obtendo os títulos de campeão regional e vice-campeão estadual em 1920.

No ano de 1932, jogando em São Paulo, no campo da extinta A.A. São Bento, na antiga “Floresta”, venceu o Cravinhos F.C. por 2 X 1 e conquistou o título de “Campeão do Interior” de 1931. O time formou com: Alcides Ferreira – Mônaco e Petrônio – Venerando – Moacir e Roque – Alcides Camargo – Nenzo Áureo –Godoizinho e Leme.

Anos depois, em 1948, já como clube profissional, o XV conquistou seu primeiro título na categoria, campeão da “Segunda Divisão do Campeonato Paulista”, que corresponde à atual Série A2. Com isso ganhou o direito de enfrentar no ano seguinte, às equipes da elite do futebol paulista.

No dia 12 de setembro de 1948 o XV de Novembro foi até a cidade de Campinas, como convidado para o jogo de inauguração do “Estádio Moisés Lucarelli”, da A.A. Ponte Preta, o seu mais tradicional rival. Mesmo com a expectativa criada pela torcida campineira de uma provável vitória da “Macaca”, quem fez a festa foi o XV, ganhando o jogo por 3 X 0.

Mas foi a Ponte Preta que quase abriu o marcador. Aos 7 minutos do primeiro tempo, Gaspar bateu um pênalti e colocou a bola para longe do gol. Como quem não faz, leva, o jogador Sato, do XV, teve a honra de marcar o primeiro gol no novo estádio, aos 17 minutos iniciais. “Gatão”, de pênalti fez 2 X 0 e Henrique fechou o marcador. A Ponte ainda teve novo pênalti a seu favor, novamente desperdiçado, dessa vez por “Gaiola”, que jogou a bola para fora.

A Ponte Preta mandou a campo: Serafim - Sapatão e Alcides – Nego - Gaspar e Rodrigues – Damião – Gaiola – Vicente - Armandinho e Oliveira. O XV goleou com: Ari – Elias e Idiarte – Cardoso - Strauss e Adolfinho - De Maria – Sato – Picolino - Gatão e Henrique.

Os torcedores mais antigos do XV de Novembro falam de um “gol impossível, que virou lenda” e que nem Pelé ou Maradona teriam feito. Aconteceu no dia 28 de agosto de 1949, no empate de 2 X 2 com o Santos, no “Estádio Roberto Gomes Pedrosa”, em Piracicaba.

Faltavam três minutos para o fim do jogo e o XV perdia por 2 X 1. Houve um escanteio e o ex-atacante José Maria Cervi, o “Russo”, hoje advogado e com 86 anos, bateu na bola e foi correndo para a área pegar o rebote. Mas estava ventando um pouco. Quando viu, antes de a bola bater em alguém, cabeceou e caiu com ela dentro do gol.

O único gol desse tipo registrado em vídeo só mesmo na ficção. “Didi Mocó”, personagem de Renato Aragão, bateu o escanteio e cabeceou em "Os Trapalhões e o Rei do Futebol (1986)", que teve a participação de Pelé.

“Russo”, diz que não está esclerosado e que o lance realmente aconteceu. Sobre a notícia de um gol semelhante marcado em 1954 pelo “Nueva Chicago”, de Buenos Aires, ele afirma que é “invenção de argentinos invejosos".

O que não falta são testemunhas para dizer que a história é verdadeira. “Cada um conta uma história, mas muita gente na cidade viu. O campo era pequeno, a bola, de capotão, mais influenciável pela ação do vento", diz o historiador do XV de Piracicaba, Rui Kleiner.

O presidente atual, Celso Christofoletti garante que houvia essa história desde os 10 anos de idade, quando começou a ir aos jogos do XV. O pai dele contava sempre que estava no estádio e que era verdade.

O jornalista da TV Globo Léo Batista, hoje com 81 anos, era narrador de uma rádio de Piracicaba, e diz ser testemunha da história. Confirmou o fato e afirma que os jogadores do Santos queriam matar o árbitro inglês, Mr. Snape, que deveria ter anulado o gol, pois o jogador do XV deu dois toques seguidos na bola, o que a regra do futebol não permite.

Já o relato da partida no jornal "Folha da Manhã", criado em 1925, desmente o feito. Segundo a reportagem, “Russo” realmente fez o gol de empate, mas quem cobrou o escanteio foi o jogador “Gatão”.

Para o professor Francisco Eduardo Guimarães, do "Instituto de Física da USP", não dá para falar que é mentira, mas precisa de uma mágica muito grande. “Se aconteceu foi graças ao vento e ao efeito da bola”.

Os anos de 1952 e 1958 foram os melhores do time na Divisão Principal, atual Série A1, quando alcançou até um quinto lugar, atrás somente dos “grandes”: São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos.

Nos anos 60 as boas campanhas não se repetiram e o XV acabou sendo rebaixado em 1965. Mas ficou somente um ano na Segundona, já que foi vice-campeão da competição e retornou ao grupo principal.

Fortalecido, o clube tornou a fazer boas campanhas no “Paulistão”, culminando em 1976 com o vice-campeonato estadual, perdendo na final para o Palmeiras. Tendo em vista o excelente desempenho do time no “Campeonato Estadual”, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), atual CBF, almirante Heleno Nunes, convidou o XV a participar do “Campeonato Brasileiro” de 1977.

Nesse certame o maior feito do XV foi uma vitória de 1 X 0 sobre o Flamengo, do Rio de Janeiro, em jogo realizado no dia 7 de dezembro de 1977. Fazia 30 anos que o clube carioca não jogava em Piracicaba. A última visita do rubro-negro na cidade havia ocorrido em 10 de abril de 1947, quando enfrentou o XV no amistoso de inauguração dos refletores do estádio alvinegro. Na oportunidade, o Flamengo venceu por 4  X 2.

O jogo de 1977 foi disputado debaixo de muita chuva e o Flamengo não conseguiu furar a defesa do XV, liderada pelo goleiro Getúlio.  No rubro-negro da “Gávea” despontavam grandes valores como Osni, Claudio Adão, Luiz Paulo, Paulo César Carpegianni e Adílio.

O gol do XV poderia ter ocorrido logo aos 21 minutos, quando Brito aproveitou rebote do goleiro Cantarelli e mandou a bola para o gol. No entanto, após grande confusão na área, o árbitro Rubens Maranhão mandou a jogada seguir, deixando de assinalar o primeiro gol do alvinegro.

Apesar do erro de arbitragem, a justiça foi feita aos 45 minutos do segundo tempo, quando Nardela marcou para o XV. Em mais um erro da arbitragem, na súmula constou equivocadamente o nome de Roberto como autor do gol.

A vitória do alvinegro foi fundamental para a classificação do time piracicabano para a terceira fase do campeonato, ficando na frente da forte equipe do Cruzeiro (MG), que somou o mesmo número de pontos, mas perdeu nos critérios.

O jogo teve a segunda melhor renda em jogos no “Barão de Serra Negra” naquele ano. O público total foi de 17.800 expectadores, com renda de Cr$  580.350. A partida poderia ter recebido público ainda maior, mas as fortes chuvas que atingiram a cidade naquele dia afastaram muitos torcedores.

XV de Piracicaba: Getúlio – Volmir – Elói - Ivã e Almeida – Vadinho - Nardela e Perrela – Brito - Alcides e João Paulo (Roberto Cruz). Técnico: Dema. Flamengo: Cantarelli – Toninho – Rondinelli - Nélson e Júnior – Merica - Paulo César Carpegianni e Adílio - Osni (Ramires) - Cláudio Adão e Luiz Paulo. Técnico: Jaime Valente.

O XV de Piracicaba terminou a competição na 22ª colocação, após chegar até a terceira fase do Campeonato, que terminou com título do São Paulo Futebol Clube.

No “Brasileiro” de 1979 o time classificou para a segunda fase e ficou na “Chave H”, considerada muito forte, com Grêmio (RS), Flamengo (RJ), Londrina (PR), Bahia, Náutico (PE), Santa Cruz (PE) e Gama (DF). O XV se classificou ao lado do Flamengo, para a fase seguinte da competição.

Os dois ficaram empatados com o mesmo número de pontos, mas o clube carioca foi primeiro pelo saldo de gols, 12 contra 10. O destaque da campanha foi a goleada de 3 X 0 sobre o Grêmio, dia 11 de novembro de 1979. O XV foi 13º colocado na competição. (Pesquisa: Nilo Dias)

José Maria Cervi, o "Russo", hoje com 86 anos, garante que o lance do "gol impossível", realmente aconteceu. (Foto: Jornal "Folha de São paulo)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os 100 anos do “Cantusca”

O Canto do Rio Foot-Ball Club, de Niterói (RJ) foi fundado no dia 14 de novembro de 1913, por quatro garotos entre 10 e 11 anos de idade. O desejo inicial deles era que o clube se dedicasse ao futebol infantil. Seu primeiro presidente foi Hugo Mariz de Figueiredo. O nome correto do clube, de acordo com seus estatutos, é "Canto do Rio Foot-Ball Club", com hífen e não "Football Club" ou "Futebol Clube", como erroneamente citado em algumas fontes.

As cores oficiais do clube, definidas no Estatuto, são o azul e o branco. O uniforme original do Canto do Rio tinha camisas azuis com golas brancas e calções brancos. Porém, tradicionalmente utiliza camisas listradas em um tom de azul mais claro e branco, mantendo os calções e o escudo no tom azul original.

Isso tem explicação histórica: quando o clube passou a participar do ”Campeonato Carioca”, em 1941, adotou camisas alvicelestes idênticas às da seleção da “Liga de Niterói”, com o intuíto único de representar a cidade.

Nas competições locais manteve o uniforme original alvianil. Mas devido à maior visibilidade do “Campeonato Carioca”, o uniforme alviceleste se consagrou e é utilizado preferencialmente até hoje.

A idéia do Canto do Rio ser um time infantil não prosperou. A nova agremiação esportiva não demorou a conquistar um grande número de torcedores e o foco passou a ser outro.

Chamado pelos torcedores de "Cantusca", o Canto do Rio se habilitou a disputar o “Campeonato Municipal”, e se tornou o time mais popular da cidade. Seu grande adversário da época era o Fluminense A.C., com quem rivalizava no chamado “Clássico da Zona Sul” e na preferência do público.

O tempo áureo do futebol niteroiense foi dos anos de 1920 até 1950, quando o campeonato local contava com o "Grupo dos Seis", formado por Canto do Rio e os extintos Fluminense, Ypiranga F.C., Niteroiense F.C., Byron F.C. e Barreto F.C., estes últimos protagonistas do “Clássico da Zona Norte”.

O Canto do Rio foi um dos cinco clubes que fundaram a “Associação Fluminense de Esportes Atléticos” (AFEA), que tempos mais tarde mudou a denominação para “Federação Fluminense de Desportos” (FFD), responsável pela organizaçao do futebol no antigo Estado do Rio de Janeiro.

Em 1933, o “Cantusca” conquistou o título de campeão da cidade, tendo recebido por isso o título simbólico de "Representante Oficial do
Estado do Rio de Janeiro-AFEA”.

Em razão de seu crescimento o Canto do Rio se tornou clube de futebol profissional, em 1941, tendo sido o primeiro do antigo Estado do Rio de Janeiro a atingir tal condição. Por essa razão, o clube teve que abdicar das disputas estaduais “fluminenses”, pois estas tinham o caráter amadorista.

Isso ocorreu depois da inauguração do Estádio Caio Martins. O governador de então, Amaral Peixoto, teve a idéia de incluir um clube niteroiense no “Campeonato Carioca”, imitando a experiência do Santos no “Campeonato Paulista”. O escolhido foi o Canto do Rio, então o mais elitizado e bem-estruturado clube da cidade.

Ao contrário do que alguns podem pensar o Canto do Rio não era o time mais forte da cidade. Ypiranga e Fluminense, e mais tarde o Fonseca, dominavam o campeonato de Niterói. Até então o clube só possuia dois campeonatos locais. As razões para a escolha teriam sido a estrutura e aparentemente os laços afetivos do governador com o Canto do Rio.

Com uma licença especial da AFEA, o Canto do Rio passou a disputar o “Campeonato Carioca”, no então vizinho Distrito Federal. Isso deu ao clube a condição de único de outro Estado até hoje, a disputar o certame carioca. Os chamados clubes “pequenos” cariocas, não gostaram da idéia, principalmente o São Cristóvão. Por várias vezes eles tentaram tirar o time niteroiense da disputa.

Naquela época o “Campeonato Carioca“ era disputado por 12 times: Vasco da Gama, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Bangu, America, Bonsucesso, Olaria, Madureira, São Cristovão, Portuguesa e Canto do Rio. Mais tarde foi admitido o Campo Grande.

Os jogos iniciavam às 15 horas, com sol escaldante. E não eram permitidas substituições, sendo que bem mais tarde foi admitida a do goleiro. Com isso os reservas, principalmente dos grandes clubes, que tinham elencos fortes, para não ficarem inativos e também para que houvesse um atrativo para o público que chegava mais cedo aos estádios, disputavam uma competição paralela, que era chamada de “Campeonato de Aspirantes”.

Pela manhã, às 10 horas, eram disputadas as partidas envolvendo as equipes de juvenis. Os três torneios, profissionais, aspirantes e juvenis eram disputados pelos mesmos clubes. Assim, quando um time ganhava do adversário nas três categorias, dizia-se que fez “barba, cabelo e bigode”, numa alusão comparativa ao que é feito numa barbearia.

A classificação na tabela era feita por pontos perdidos. O perdedor perdia 2 pontos; nos empates, os dois clubes perdiam um ponto cada; o vencedor ganhava 2 pontos. Ao final da competção, o clube que acumulasse menos pontos perdidos era o campeão.

No final de 1942, início de 1943, o Canto do Rio realizou uma de suas raras excursões para fora do Estado. Foi até Santa Catarina, onde realizou alguns jogos, ganhando todos e de goleada.

Na estréia, 6 X 1 sobre o Avaí (27-12-1942); 7 X 2 na Seleção de Blumenau (02-01-1943); 6 X 2 no América, de Joinville. Mas existem controvérsias sobre esse jogo, alguns dizem que o placar foi 9 X 0 (05-01-1943); 5 X 1 sobre o  Paysandú, de Brusque (8/1/1943) e 6 X 2 frente o Combinado do Vale do Itajaí (11-01-1943).

Na condição de time mais popular de Niterói e apelidado de "O Mais Querido da Cidade Sorriso", o clube foi fundamental na década de 1940, para que os torcedores locais passasem a se interessar mais pelo “Campeonato Carioca”, do que mesmo para o certame da cidade.

Mas o Canto do Rio não abandonou de todo a sua cidade. Formou times amadores que participavam dos certames municipal e estadual do antigo Estado do Rio de Janeiro. Em 1945 chegou a ser terceiro colocado no “Campeonato da Cidade”.

Nesse período nasceu a rivalidade com o Fonseca Atlético Clube nos campeonatos municipais. O Fonseca era forte no campeonato fluminense e defendia a valorização dos campeonatos do antigo Estado do Rio de Janeiro. Por essa razão gritava aos quatro ventos que o Canto do Rio era um "traidor" de sua terra.

O “Cantusca” se defendia, dizendo que o “Campeonato Fluminense” era bastante deficitário, tendo pouca visibilidade na cidade, aliado ao fato de que os torcedores locais já acompanhavam em grande número o “Campeonato Carioca”.

O profissionalismo demorou, mas em 1952 chegou ao antigo Estado “Fluminense”. Isso ensejou um movimento para expulsar o Canto do Rio do “Campeonato Carioca”, pois a licença especial que obteve, previa acabar em caso que seu Estado de origem aderisse ao profissionalismo.

Mas não foi fácil tirar o clube do certame guanabarino, ainda mais depois que venceu o “Torneio Início” de 1953, derrotando o Vasco da Gama no jogo final por 3 X 0, em pleno “Estádio Jornalista Mário Filho”, o glorioso “Maracanã”.

O Canto do Rio continou disputando o “Carioca” até 1964, pois era mais rentável e tinha grande cobertura da imprensa. Uma confusão ocorrida em um jogo contra o Fluminense, graças a atuação desastrosa do árbitro, com briga generalizada entre os jogadores e invasão de campo no “Estádio Caio Martins”, em Niterói, teve como resultado a exclusão definitiva do clube alviceleste do futebol carioca.

A participação do Canto do Rio no “Campeonato Carioca” foi sempre fraca, geralmente ocupando a última posição. Sua melhor campanha na competição foi 6º lugar, em 1944.
Contam, não sei se é verdade, que certa ocasião o time vinha de um jejum de vitórias que já durava alguns anos, quando derrotou o Bonsucesso por 2 X 1 no Caio Martins. Terminada a partida os jogadores do Canto do Rio teriam dado a volta olímpica no gramado, para delírio da sua torcida.

O Canto do Rio deixou o futebol profissional por algum tempo, voltando ao profissionalismo em 1975, quando aconteceu a fusão entre os Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. Desde então o clube alterna participações em divisões inferiores do futebol com pedidos de licenciamento.

Em 2001, o empresário espanhol Santiago Gerardo e sua empresa “Holding Sports” passaram a administrar o futebol profissional do Canto do Rio. Os jogos do clube se realizavam no estádio do CFZ, em São Gonçalo, e não no Caio Martins, em Niterói.

Desiludido com a fraca campanha no Estadual e com a bagunça que imperava nos campeonatos da Federação Carioca, o Canto do Rio resolveu não disputar os torneios profissionais de 2002. Em 2007, o clube voltou a disputar a 3ª Divisão Estadual, repetindo o feito em 2008.

Em, 2009, por exemplo, o clube perdeu por WO um jogo contra o “La Coruña”, pelo “Campeonato Carioca da Terceira Divisão”, devido a problemas na documentação de um dos enfermeiros da partida. O Canto do Rio protestou, mas o “Tribunal de Justiça Desportiva” manteve o resultado do jogo, multou o clube em 20 mil reais e ainda o afastou da competição.O "Cantusca" jogou a Série C pela última vez em 2010.

A mascote do Canto do Rio era um “bebê”, criado pelo chargista Mollas, que, na década de 1940, criou mascotes para os times participantes do “Campeonato Carioca de Futebol”. O “bebê” representava um clube que engatinhava junto aos grandes e tinha muito a crescer. Era apresentado segurando uma tesoura, pois o clube seguidamente aprontava surpresas aos favoritos, ou "cortava o barato", como costumavam dizer na época.

Depois que deixou de participar do “Campeonato Carioca”, o “bebê” saiu de moda e o clube criou uma nova mascote, a “Arara Henriqueta”, que já está com mais de 40 anos de tradição.

Na sede do Canto do Rio pode-se observar a existência de um apreciável número de troféus, mas como não estão devidamente catalogados, fica dificil saber como e em que esportes foram conquistados. Sabe-se que depois da profissionalização em 1941, o clube deixou equipes secundárias-amadoras nas disputas da “Federação Fluminense de Desportos”, onde é possível que tenha levantado títulos.

Ainda assim, sabe-se de algumas conquistas do clube. Estaduais: Torneio Início do “Campeonato Carioca” (1953); Torneio Início do “Campeonato Fluminense” (1918 e 1926); “Campeonato Niteroiense de Futebol” (1933, 1934, 1945, 1948, 1954 e 1968); Vice-campeão do Torneio Início do “Campeonato Carioca” (1962); “Representante Oficial do Estado do Rio/AFEA” (1933 e 1934 e “Campeonato Fluminense de Futebol” de segundos quadros (1922, 1925 e 1926). Outros Esportes. “Campeonato Estadual de Basquetebol Feminino” (1979, 1982 e 1983).

A maior goleada sofrida pelo Canto do Rio em seus 100 anos de existência foi 14 X 1, para o Vasco da Gama, em 6 de setembro de 1947, no “Estádio de  São Januário”. O clube cruzmaltina era
chamado na época de “Expresso da Vitória”.

O Vasco mandou a campo: Barbosa - Augusto e Rafanelli – Eli - Danilo e Jorge – Nestor – Maneca – Dimas - Ismael e Chico. O técnico era Flávio Costa. O Canto do Rio jogou com: Odair (Raimundo) - Borracha e Lamparina – Carango - Bonifácio e Canelinha – Heitor – Waldemar – Raimundo - Didi e Noronha.

Os gols foram de Maneca (5), Ismael (4), Dimas (3), Nestor e, Chico para o Vasco, e Waldemar descontando. O juíz foi Alberto da Gama Malcher.

Muitas fontes citam Gérson, craque da “Seleção Brasileira”, como um dos grandes nomes do clube. No entanto, o "Canhotinha de Ouro" jogou apenas nas categorias de base, logo se mudando para as categorias juvenis do Flamengo, onde se profissionalizou. Gérson nunca vestiu a camisa do Canto do Rio em competições profissionais.

Naquela década, jogadores de qualidade passaram pelo clube e começaram trajetórias de sucesso no futebol carioca e brasileiro. O volante Danilo Alvim, o “Príncipe Danilo”, defendeu o clube entre 1940 e 1943, de onde saiu para jogar também na Colina, onde chegou à Seleção Brasileira. 

Ely do Amparo foi outro meio-campista surgido no "Cantusca" e que em 1943 se transferiu para São Januário.Outro craque criado no Canto do Rio, mas que também jogou apenas na base foi Ipojucam, que, com 11 anos de idade foi para o Vasco da Gama.  

O goleiro Veludo foi um dos maiores que já passou pelo clube, em 1957, após alguns períodos de reserva no Fluminense, onde era ofuscado por Castilho. O arqueiro passou apenas um ano em Niterói, mas foi o suficiente para entrar de vez na história do Canto do Rio.

O hino do clube foi composto por Lamartine Babo. Alguns historiadores afirmam que o hino é também uma homenagem a um amor da época, a tal morena niteroiense que dizem, torcia para o Canto do Rio. (Pesquisa: Nilo Dias)

Payssandu e Canto do Rio em frente a antiga sede do time brusquense, em 5 de janeiro de 1943. (Foto: "Na Boca do Gol", o "Blog do Appel")

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O centenário do "Barriga Preta" (Final)

O onze campeão de 1962, treinado por Carlos Coelho, ficou conhecido como “Time de Heróis". A equipe foi amontoando vitórias, até chegar a final contra o Nacional, disputada em 12 de Janeiro de 1963.

Naquele tempo era norma o título de um ano ser decidido no outro. O Rio Negro ganhou e sua torcida festejou ruidosamente, com os jogadores sendo carregados até a sede do clube, na Praça da Saudade, onde já eram aguardados por uma enorme multidão.

O time campeão formava com Chicão - Bololô e Mário – Fernando - Catita e Eudóxio – Horácio – Thomaz – Airton - Dermílson e Orlando Rabelo. Os principais jogadores eram Horácio, Catita, Dermílson e Orlando. Em 1962 o Rio Negro realizou uma excursão pelos Estados do Pará e Maranhão, quando disputou seis jogos, voltando invicto.

Em 1966 representou o Estado na “Taça Brasil de Futebol”. O clube enfrentou dificuldades até para às viagens, resultado da falta de experiência, pois recém o Amazonas havia saído do amadorismo para ingressar no profissionalismo.

Campeão Amazonense em 18 oportunidades, com destaque para o tetracampeonato conquistado entre os anos de 1987 e 1990: (1921, 1927, 1931/32, 1938, 1940, 1943, 1962, 1963, 1975, 1982, 1987/88/89/90 e 2001); Campeão do Torneio Início Amazonense: (2001).

E tem no histórico uma conquista internacional, a “Taça Guiana Inglesa”, disputada na cidade de Georgetown. E ainda foi campeão da “Taça Amazônica” de 1928, disputada entre times do Amazonas e do Pará, “Taça Norte” de 1986 e “Copa Norte-Nordeste” de 1975.

A mascote é o “Galo”, e também, por isso é conhecido como “Galo Gigante do Norte". Por muitos anos entrava em campo acompanhado de crianças, que deveriam ter boas notas na escola. Hoje em dia não é mais possível encontrá-lo em jogos do clube.

A sua torcida é chamada de “Fiel”, pois nunca abandona o clube, nem nos momentos de grandes crises. O seu principal rival no futebol do Amazonas é o Nacional. O “Rio-Nal” por muito tempo concorreu com o “Re-Pa”, do Pará, como o maior clássico d futebol do Norte do país.

O Rio Negro é um dos três clubes do Estado a participar da “Série A” do Campeonato Brasileiro. Nas seis vezes que disputou o Torneio, enfrentou grandes clubes do futebol brasileiro, entre eles Flamengo, Corinthians, Santos e Fluminense.

Em 1973, sua estréia na competição, o clube enfrentou 28 adversários, obtendo 7 vitórias, 10 empates e 11 derrotas, marcando 20 gols e sofrendo 2. As vitórias foram estas: Rio Negro 1 X 0 Santa Cruz (PE); Rio Negro 1 X 0 Desportiva (ES); Rio Negro 1 x 0 Goiás ; Rio Negro 1 X 0 Ceará; Rio Negro 1 X 0 Náutico (PE); Rio Negro 5 X 0 Sergipe e Rio Negro 1 X 0 Sergipe.

O clube jogou uma competição nacional pela última vez em 2006, a “Série C” do “Brasileirão”, quando foi 16º colocado. Ainda assim, é a segunda equipe amazonense que mais disputou certames nacionais, independente de divisão, perdendo somente para o Nacional.

O profissionalismo no futebol amazonense foi introduzido em 1964. Naquele ano o Rio Negro não passou de um quinto lugar no campeonato estadual, que foi conquistado pelo Nacional. Em 1965, já com um elenco mais qualificado, o Rio Negro chegou ao título, tendo como destaque a goleada de 7 X 2 imposta ao Nacional, perante cerca de 10 mil torcedores.

No jogo final, nova goleada frente o eterno rival, dessa feita por 4 X 1. Ainda em 1965 o Rio Negro excursionou pelo Acre, Rondônia e Roraima, tendo vencido de goleada a maioria dos jogos, retornando invicto.

Em 1975 o Rio negro completou exatos 10 anos sem conquistar o Campeonato Amazonense. Chegou a decisão contra o Nacional. No primeiro jogo uma goleada de 4 X 1, deu animo ao time “Barriga Preta”, que se igualou ao adversário, que tinha uma vitória a mais. No segundo jogo houve empate em 1 X 1. Na prorrogação 0 X 0, e na decisão por pênaltis, vitória do Rio Negro por 3 X 2 e a conquista do título máximo daquele ano.

O ano de 1977 foi bastante conturbado em Manaus. O time do Rodoviária abandonou o futebol, ficando apenas na razão social. Como se tratava de um time pequeno, ninguém deu muita bola. Dias depois foi a vez do Rio Negro retirar-se do Campeonato, embora tivesse garantido a participação no Campeonato Brasileiro da Divisão Principal daquele ano.

E o conflito foi criado. Sem a participação de Rio Negro e Rodoviária, sobraram apenas cinco clubes. Como na época existia uma regra que não permitia a realização de campeonatos com menos de seis equipes, a solução foi profissionalizar o Libermorro, então campeão amador amazonense, que entrou como bônus e levou goleadas de quase todos os adversários.

O Rio Negro, que ia novamente parar com o futebol, encontrou reação contrária do milionário José Sabóia do Nascimento, que em reunião com cerca de 45 pessoas falou: “Chamei-os aqui porque foi minha família que fundou o Rio Negro. E o futebol sempre foi uma tradição do clube. Por isso não quero o Rio Negro fora do futebol".

Com isso Nascimento foi eleito um dos diretores do clube. Mas não ficou muito tempo, sendo demitido após desentendimentos com outros dirigentes. O Rio Negro estava então fora do futebol pela segunda vez desde a sua fundação.

Em 1979, cerca de 20 homens, entre eles Arnaldo Santos e o famoso ex-presidente da FAF e nacionalino Flaviano Limongi resolveram assumir o Departamento Autônomo de Futebol do clube, arcando com todas as despesas de futebol. O Conselho Deliberativo só concordou depois que um documento foi assinado e registrado em cartório.

A década de 1980 foi talvez a melhor da história do Rio Negro, que disputou nove de 10 finais do campeonato estadual, conquistando quatro títulos, no inédito tetracampeonato amazonense. O ruim foi só o ano de 1981, em que viu o Nacional sagrar-se hexa-campeão. Ainda naquele ano o Rio Negro disputou o Campeonato Brasileiro de Futebol - Série B, ficando em último lugar no seu grupo e em 40º na classificação geral.

Em 1982 o clube passou por profundas reformulações, tendo revelado o atacante Berg, que mais tarde foi para o Botafogo, do Rio de Janeiro, onde alcançou fama. O Rio Negro foi campeão amazonense daquele ano.

De 1983 a 1986 foi apenas vice-campeão. De 1987 a 1990 o Rio Negro foi tetra-campeão estadual. No elenco jogadores importantes como Tojal, Paulo Galvão, Marinho Macapá e Luís Florêncio, todos vindos do Nacional, e também Luís Roberto, Kleber Brito, Bismar, Fernandinho, Jason e João Carlos Cavalo.

Neste período ainda tomou parte na Série B de 1989, tendo sido eliminado da competição por ter escalado um jogador irregular num jogo frente a Anapolina. Depois da conquista estadual de 1990, o clube passou a disputar as divisões inferiores do Campeonato Brasileiro com frequência, ausentando-se dos estaduais de 1991, 1994 e 1997.

Em 1992 o Rio Negro perdeu o Estadual para o modesto Sul América. Nesse mesmo ano disputou o Campeonato Brasileiro da “Série C”, sendo eliminado ainda na primeira fase. Em 1993 o Sul América foi campeão outra vez e o Rio Negro apenas terceiro colocado. Em 1994 não disputou. Em 1995 foi lanterna e em 1996, terceiro classificado.

Sem jogar em 1997, foi vice-campeão em 1998, perdendo a final para o São Raimundo, que repetiu o feito em 1999. O Rio Negro jogou a Série C de 1999, com boa campanha. Foi campeão estadual em 2001 e depois viveu uma grande crise, que culminou com o rebaixamente para a 2ª Divisão do Campeonato Amazonense em 2008, na pior campanha de sua história.

Não demorou na condição de inferioridade, retornando no ano seguinte a elite estadual, após conquistar o campeonato da “Segundona”. Em 2009 um novo rebaixamento. Subiu de novo para sofrer nova queda neste ano de 2013.

A causa principal do fraco rendimento do clube nos últimos anos tem origem na dívida de cerca de R$ 4 milhões com a receita Federal e causas trabalhistas. O presidente atual garante já ter quitado mais ou menos R$ 400 mil desse montante.

Contando apenas jogos a partir de 1964, ano do profissionalismo no futebol amazonense, incluindo-se jogos do campeonato estadual, taças estaduais oficias, campeonato brasileiro das Series A, B e C, Copa do Brasil e jogos amistosos datados, a estatística do clássico Rio-Nal mostra os seguinte números:

Jogos realizados, 179; vitórias do Nacional, 69; vitórias do Rio Negro, 44; empates, 62; número de gols marcados, 370; gols feitos pelo Nacional, 216; gols feitos pelo Rio Negro, 154. O último jogo entre os dois rivais foi disputado no dia 16 de fevereiro deste ano, no “Estádio Roberto Simonsen", em Manaus, com vitória do Nacional por 2 X 0. A última vitória do Rio Negro em jogos oficiais contra o Nacional foi em 22 de Janeiro de 2006.

Algumas curiosidades: o maior artilheiro em uma temporada pelo Rio Negro foi Lívio, com 22 gols em 29 partidas disputadas, no ano de 1976. O recordista de gols em uma única partida foi o jogador Índio, que marcou 5 gols na vitória do Rio Negro de 6 X 1 frente ao Penarol, no dia 12 de Maio de 1984.

O gol mais rápido feito por um jogador do Rio Negro foi também o mais rápido da história do futebol amazonense. O gol foi marcado por Carlos Alberto Silva, que estreava no time, aos 10 segundos de jogo, no empate de 2 X 2 contra o São Raimundo, no dia 22 de Junho de 1989.

O goleiro com mais tempo sem tomar gols vestindo a camisa “Barriga Preta” foi Luís Roberto, que passou 802 minutos sem buscar a bola na rede, sequência quebrada por Cido, atacante do “Princesa do Solimões”, no jogo Rio Negro 2 X 1, ocorrido em 29 de Julho de 1987.

O atacante Roberto “Dinamite”, grande ídolo do Vasco da Gama, do Rio de janeiro, jogou uma vez pelo Rio Negro, em 12 de Dezembro de 1990, contra o Flamengo carioca, que venceu por 3 X 2. Os dois gols do time amazonense foram marcados por “Dinamite”.

A “Miss Amazonas”, Terezinha Morango, que foi eleita “Miss Brasil 1957”, representou além do Estado, também o Atlético Rio Negro Clube. Ela nasceu em São Paulo de Olivença, no interior paulista. Foi segunda colocada no concurso “Miss Universo”, perdendo o título para a peruana Gladys Zender.

Além do futebol, o Rio Negro também tem presença em vários esportes como handebol, voleibol, futsal, natação, basquetebol e judô, entre outros. O clube foi responsável pela introdução de praticamente todos os esportes não profissionais no Estado do Amazonas.

Foi o Rio Negro também a primeira entidade a permitir que mulheres praticassem atividades esportivas. É algo extremamente comum nos dias de hoje, mas foi uma verdadeira revolução para a  época.

O clube tem um ginásio com capacidade para 2 mil pessoas e conta com uma ótima estrutura, com uma sede social localizada na “Praça da Saudade”, próximo ao Centro Antigo de Manaus, onde funciona o seu centro Administrativo e  um parque aquático com duas piscinas.

O “Palácio” tem um estilo de arquitetura dórica (arquitetura grega) e o Rio Negro é o único clube que preservou suas tradições. Ele pretende estar presente na festa de inauguração da “Arena da Amazônia”, em jogo contra o Nacional. E a intenção da atual direção é a volta com tudo em 2014. Os dirigentes prometem voltar a “Série A” e nunca mais cair para a “Série B”.

Os principais jogadores que vestiram a camisa preta e branca do Rio Negro em toda a sua história foram: Denilson, que jogou no Fluminense, do Rio de Janeiro; Silva, que foi artilheiro do Campeonato Argentino, pelo Racing; Bezerrinha, que fez parte do ataque chamado de "Os granadeiros"; Catita, considerado o jogador mais violento e temido de seu tempo; Clóvis, o “Aranha Negra”, goleiro que jogava com uniforme todo preto. Clóvis Amaral Machado, o seu nome, nasceu na cidade de Parintins, a 20 de outubro de 1943 e veio para Manaus ainda garoto, onde começou a se interessar pelo futebol. Em 1959 já estava no time juvenil do Auto Esporte comandado por Cláudio Coelho. 

Começou a jogar bola como zagueiro do "Nazaré", um time suburbano organizado pela rapaziada residente no final da Avenida Joaquim Nabuco, para os mais antigos, do “Alto de Nazaré”, término da linha de bonde, cuja placa de fundo amarelo tinha o nome de Nazaré em vermelho. O futebol amazonense ainda era amador. Clóvis trocou o Auto Esporte pelo Rio Negro em 1963, mas teve que cumprir um estágio exigido pela lei de transferência.

Mas o jogador mais conhecido da história do clube foi Gilmar Silva Oliveira, o “Popoca”, embora tenha saído muito cedo para integrar as categorias de base do Flamengo, do Rio de janeiro. “Popoca” fez tanto sucesso, inclusive na Seleção Brasileira Sub-20, que chegou a ser apontado como sucessor de Zico. Infelizmente, o temperamento do jogador e suas queixas contra dirigentes prejudicaram a carreira, que foi muito aquém do que poderia ter sido. 

Quando completa o seu “Centenário” o Rio Negro vive um drama, com a possibilidade de ver sua sede social, que se encontra penhorada desde 2009, ir a leilão judicial para pagamento de uma dívida de R$ 36 mil com a Receita Federal e INSS.

Segundo a atual direção do clube, esse compromisso já podia ter sido pago, mas a Diretoria da época não constituiu advogado e a execução aconteceu, com o juiz determinando que a sede fosse a leilão. Antes, a dívida foi parcelada, mas o clube não cumpriu o acordo.

Um levantamento recente feito pela atual direção mostrou que a dívida global do Rio Negro é gigantesca. O clube deve hoje aproximadamente R$ 3,4 milhões e tenta se reerguer com a realização de festas temáticas, feijoadas, além do aluguel da sede para casamentos, formaturas, aniversários e outros eventos.

Existe ainda outra dívida de R$ 56 mil que igualmente ameaça a sede de ir a leilão. O clube escapou por pouco no dia 30 de agosto deste ano, quando o presidente Thales Verçosa conseguiu parcelá-la em 10 vezes.

Recentemente, em 6 de novembro, a Câmara Municipal de Manaus aprovou lei que prevê o tombamento da sede social do Rio Negro. A proposta não livra o clube da dívida, mas impede que o novo proprietário faça qualquer alteração arquitetônica no prédio. A proposta tem como principal finalidade preservar o valor histórico e cultural de Manaus.

O Rio Negro comemorou seus 100 anos com uma festa diferente do tradicional “Porto de Honra”. Os torcedores se reuniram em frente à sede do clube para uma queima de fogos, na virada da data do aniversário, que se estendeu noite adentro.

Também os integrantes da torcida organizada “Império Alvinegro”, fizeram uma campanha nas redes sociais em comemoração ao centenário. Cada torcedor passou a usar fotos do escudo do clube. (Pesquisa: Nilo Dias)

Sede do clube por pouco não foi leiloada, para pagamento de dívidas. (Foto:Acervo fotográfico do Atlético Rio Negro Clube)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O centenário do "Barriga Preta" (I)

O Atlético Rio Negro Clube, de Manaus (AM), foi obra da insistência do jovem desportista Shinda Uchôa, de apenas 16 anos de idade, que reuniu um grupo de amigos, todos estudantes universitários, filhos de barões, de famílias tradicionais da cidade, para criarem um clube de futebol na cidade.

E a teimosia deu certo, visto que em uma reunião realizada na casa de Manoel Afonso do Nascimento, na rua Henrique Martins, às 16 horas do dia 13 de novembro de 1913, foi fundado o “Athletic Rio Negro Club”.

Estiveram presentes na reunião e são considerados fundadores do clube os jovens Edgard Garcia Lobão, Raymundo Vieira, França Marinho, Leopoldo Neves, Basílio Falcão, Paulo Nascimento, João Falcão, Ascendino Bastos, Afonso Nogueira e o não menos importante Manoel Afonso do Nascimento, o “Carranza”, que ofereceu a própria casa para ser a primeira sede do clube, localizada à época na Rua Henrique Martins.

O nome foi uma homenagem ao rio, que é um dos mais importantes da bacia amazônica e do país. A escolha de Rio Negro aconteceu por 10 votos a um. Sabe-se que no momento da fundação, os jovens desportistas estavam em um aposento que tinha vista para o “Rio Negro”. Por isso, apenas um dos presentes teve dúvida para a escolha do nome.

A grafia em inglês seguiu o costume dos vários clubes da época. A casa onde o clube foi fundado existe até hoje, e abriga o “Banco da Mulher”, mantendo, ainda, a mesma arquitetura do início do século.

Logo após a leitura da ata e sua consequente aprovação, os jovens fizeram um brinde com "Vinho do Porto", usando autenticas taças francesas de cristal Bacará. Depois foi escolhida a primeira diretoria do novo clube, tendo como presidente Edgar Lobão. 

Shinda foi eleito Presidente de Honra e Secretário. A idade de 16 anos não lhe permitia ser presidente,pois na época a maioridade era a partir dos 21 anos. Curiosamente, ele nunca presidiu o clube. 

E o ato virou tradição. Todos os anos, por ocasião do aniversário do clube, é repetido o brinde da fundação, que ganhou o nome de “Porto de Honra”, sempre realizado no “Salão dos Espelhos”, na sede social da agremiação.

Das doze taças de cristal utilizadas em 1913, seis foram recuperadas pelo diretor cultural do clube, Abrahim Baze e são guardadas no museu histórico do Rio Negro fundado por ele. Três delas são usadas no brinde anual pelo presidente e por mais duas autoridades escolhidas por ele, durante o evento.

O clube é chamado por seus torcedores de “Barriga Preta”, em razão de seu uniforme principal, camisa branca com uma faixa horizontal preta no peito, calção preto e meias brancas.

O que pouca gente sabe é que o primeiro uniforme do clube, escolhido ainda na reunião de fundação, tinha calção e camisa branca com o colarinho preto. Porém, o uniforme precisou ser modificado, visto que se parecia demais com o do “co-irmão” Nacional.

A alteração aconteceu no dia 15 de janeiro de 1914. Foi o associado Schinda Uchôa, que sugeriu o uso de uma camisa branca com listras pretas verticais e calção preto. Na verdade, Schinda “copiou” o uniforme do Botafogo, do Rio de Janeiro.

Mas esse uniforme não foi o definitivo. Em 1917, o então presidente Lauro Cavalcante, que era muito supersticioso, propôs nova mudança, pois achava que a camisa igual a do time carioca, não trouxera sorte ao Rio Negro, que já existia há quatro anos e nada de ganhar títulos.

Em Assembleia Geral os associados concordaram em mudar o visual da camisa, que passou a ser branca com uma faixa preta na altura da barriga, carregando ao centro o escudo do clube. Nascia assim  a lenda do “Barriga-Preta”. Os calções continuaram os mesmos.

O escudo é constituído de um circulo preto com seis furos vazados, quatro embaixo e dois em cima e as letras ARNC, dispostas em sequência com o “C” sobreposto sobre elas. Em algumas ocasiões form usadas quatro estrelas, simbolizando o tetra-campeonato amazonense, de 1987 até 1990.

O Rio Negro possui três hinos, algo atípico no país. Um é oficial, o mais conhecido e foi composto pelo tenente-maestro da Polícia Militar do Amazonas, Albino Ferreira Dantas, que era pernambucano de nascimento. Os outros dois são a marchinha, gravada em 1970, e o "Galo Carijó", do Aníbal Beça, de 1979. O oficial só é executado nos dias 12 de novembro, que antecedem ao famoso "Porto de Honra", véspera do aniversário do clube. 

O primeiro jogo do clube aconteceu no dia 24 de novembro de 1913, no campo da "Escola de Aprendizes e Marinheiros", contra o time da mesma escola. O Rio Negro venceu por 4 X 0.

Depois jogou torneios amistosos comemorativos, quando colecionou vários troféus. O primeiro título só veio em 1921. Até então o domínio era total do grande rival Nacional, com quem já havia se envolvido em alguns conflitos.

Em 1914 o Rio Negro participou de sua primeira competição oficial, o Campeonato Estadual. Não fez boa figura, pois seu time era muito jovem. Nesse certame o Rio Negro sofreu as duas maiores goleadas de sua história, no clássico Rio-Nal.

Em 1926 ganhou seu segundo título, um torneio promovido pela “Fada”, que até hoje não é reconhecido como oficial, do qual participaram Rio Negro, Nacional, União Sportiva, Luso Brasileiro e Libertador. Já nos primeiros anos de vida o Rio Negro se tornou uma das duas maiores forças futebolísticas do Estado, tendo levantado oito campeonatos e sendo o dono da maior torcida em Manaus.Também possui a primeira torcida gay do Amazonas, a "Galo Gay".

Hoje em dia a torcida é muito pequena, pois o clube vive um momento de decadência. Seus torcedores não são mais do que 300 por jogo, média igual ou pior que a de muitos times pequenos. Nos bons tempos essa média era de 4 mil pessoas em jogos de pequeno destaque e mais de 20 mil pessoas em jogos de grande porte.

Na década de 1930 o time montou um ataque que ficou conhecido como “Demolidor”. Contava com jogadores respeitados no futebol amazonense da época como Ciro, Goiot, Vidinho, Raimundo Bandeira e Ofir Corrêa, alternando com Adair Marques, “O Príncipe”.

Com essa linha de atacantes o Rio Negro foi campeão estadual de 1932, quando bateu o Fast Clube no jogo decisivo. Em 1939 o time contava com outro grande ataque, formado por Babá, Cláudio, Lé, Bezerra e Benjamim, que eram chamados de “Granadeiros”. Nessa época o Rio Negro contava com um dos maiores ídolos da sua história, o goleiro Iano, que foi tricampeão pelo clube.

Tinha o apoio das classes mais altas da sociedade, sendo conhecido como o “Clube Líder da Cidade”, pois também se consolidara como uma grande entidade social. A maior goleada aplicada nos 100 anos de existência do clube, foi 10 X 3 sobre o Independência, no dia 12 de Julho de 1942.

Nos seus primeiros anos de vida, o Atlético Rio Negro Clube teve várias sedes provisórias. Mas, por uma ironia do destino, o clube acabou tendo como sua “última morada” justamente um cemitério.

A sede da entidade, na atual “Praça da Saudade”, daí o nome, foi construída em cima do antigo “Cemitério São José”, que foi retirado do local por um motivo puramente estético, pois as autoridades achavam que sua localização na região central enfeiava a cidade. E foi inaugurado um novo cemitério em outro local, o “São João Batista”, e os restos mortais transferidos para lá.

A Prefeitura, tendo em vista que o local tinha pouco valor imobiliário, construiu lá uma praça e doou o restante da área para que o Rio Negro construísse sua sede. A doação foi sacramentada pelo então prefeito Antonio Maia, no dia 22 de maio de 1938, segundo relatos do livro “Sete Décadas de Barriga-Preta”.

A sede foi erguida com recursos dos próprios torcedores. Os mais abastados cooperaram com mais dinheiro. Os mais humildes colaboraram com o que podiam ou com mão de obra. A planta foi assinada pelo engenheiro-arquiteto, Aluisio de Araújo, que na condição de torcedor nada cobrou pelo trabalho.

Seu pagamento se constituiu num ato simbólico, o de dar o pontapé inicial nas obras do clube. Em seguida teve de sair de Manaus, para trabalhar na construção do “Cristo Redentor”, no Rio de Janeiro. A execução da obra ficou a cargo dos conceituados construtores J. Lopes & Cia., sob a fiscalização dos velhos “rionegrinos”, engenheiros Argemiro Pessoa e Ariolino Azevedo.

A sede, cuja construção começou em 1938, foi inaugurada no ano de 1942, em meio a “Segunda Guerra Mundial”, na gestão do presidente Flávio de Castro, que esteve mais tempo à frente do clube, até 1958.

Em 1945, o título estadual que era seu por direito, foi dado ao rival Nacional, o que desagradou os dirigentes que resolveram fechar o Departamento de Futebol. 

Depois disso, os torcedores do Rio negro passaram a chamar o Nacional de “Tribunaça”, em razão das conquistas, segundo eles, injustas.

O clube passou 14 longos anos fora dos gramados, mantendo somente às atividades sociais e um time caseiro que se limitava a realizar jogos amistosos contra clubes menores. Os torcedores de todos os clubes sentiam a falta do Rio Negro, o que diminuia a competitividade no campeonato estadual e pediam a sua volta.

Mas a ausência do Rio Negro não se limitava somente ao descontentamento pela perda do campeonato de 1945. Ela também era resultado da antipatia que alguns dirigentes tinham pela prática do futebol no clube. Esse afastamento acabou sendo prejudicial, pois permitiu ao Nacional alcançar um crescimento muito grande nesses anos em que o rival esteve ausente.

Com o retorno ao futebol em 1960, o Rio Negro não tinha mais a popularidade de antigamente. A volta só foi posível por insistência do torcedor Josué Cláudio de Souza. E ainda assim com um Departamento de Futebol autônomo, exigência do presidente Aristophano Antony.

Depois de 14 anos ausente, o primeiro jogo do novo Rio Negro, agora um time formado por jogadores na maioria vindos do interior do Estado, foi contra o São Raimundo. O resultado, um desastre, goleada de 7 X 1, o que não desmotivou os dirigentes e nem os torcedores. Tanto, que dois anos depois, em 1962, o clube voltou a ser campeão amazonense, feito repetido em 1965. (Pesquisa: Nilo Dias)


Shinda Uchôa, fundador do Rio negro. (Foto:blog "Baú Velho)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O goleiro que tinha “grude” nas mãos

Luiz de Souza Gonçalves, o “Luizinho Mão de Grude”, foi um dos melhores goleiros que o futebol amazonense conheceu em todos os tempos. Era natural de Parintins, onde nasceu em 1920. Chegou ao Atlético Rio Negro Clube, de Manaus nos anos 40, pelas mãos do doutor Rocha Barros, quando o futebol no Amazonas ainda era amador.

O goleiro Iano Monteiro já estava em final de carreira e Luizinho foi contratado para substituí-lo. Mas não foi fácil entrar no time de cima, pois Iano, mesmo veterano, ainda era o dono absoluto da camisa 1 do Rio Negro e grande ídolo do time. E não era para menos, estava no clube desde 1937, tendo sido campeão em 1938, 1940 e 1943.

Antes, Iano jogou no Nacional, onde foi revelado e conquistou os títulos do “Amazonense” de 1936 e 1937. Foi titular da Seleção do Amazonas nos jogos contra o Pará, pelo Campeonato Brasileiro de Seleções em 1939, 1941 e 1942. Mesmo assim, nas raras vezes em que foi chamado, Luizinho sempre se saiu bem.

Tinha todos os atributos para ser um grande goleiro, como realmente foi: ótima colocação e segurança, pois era incapaz de soltar uma bola, mesmo ela estando molhada. E isso num tempo em que a bola era de couro grosseiro e de bico, e nem se pensava em usar luvas. Essa foi a razão da torcida ter lhe dado o apelido de “Mão de Grude”.

Luizinho jogou numa época em que o Rio Negro tinha uma grande equipe, onde despontavam jogadores como Amâncio, Marcílio, Parintins, Lé, Benjamim, Cláudio Coelho, Meireles, Valdir Oliveira, Zenith, Raimundo Rebelo Dog, França, Silvio, Valdemir Osório e outros. Graças às suas extraordinárias defesas, Luizinho foi chamado para fazer parte da “Seleção do Amazonas” em 1943.

Conquistou os títulos estaduais de 1940 e 1943. Seria igualmente campeão em 1945, não fosse uma manobra de bastidores da Federação Amazonense de Desportos Atléticos (Fada), que declarou o Nacional campeão. Revoltados, os dirigentes do Rio Negro retiraram o time de campo por longos 15 anos.

Aos seus jogadores não restou outro caminho a não ser o de procurar novos clubes. Luizinho foi para o Nacional e em seguida para o Olímpico, onde foi campeão invicto de 1947. O time tinha bons jogadores como Tuta, Aurélio, Silvio, Gato, Omar, Gatinho, Dog, Zé Luís, Cabral, Juvenil, Silvio e Raimundo Rebelo.

Paralelamente ao futebol, Luizinho era funcionário da Polícia Civil. Depois foi cedido a Assembléia Legislativa do Estado, por iniciativa de seu amigo e conterrâneo, Gláucio Gonçalves. Na nova função ganhou mais tempo para escrever seus versos, a maioria deles falando dos clubes Rio Negro e São Raimundo, este, o seu segundo time.

E como ninguém é de ferro, Luizinho gostava de ingerir umas cervejinhas geladas, muitas vezes abusando da sede, embora enfrentasse sérios problemas de saúde. Um dia antes de morrer, esteve confraternizando com velhos amigos de São Raimundo, onde residia desde que casou com Dona Creusa, moradora do bairro.

Terminada a festa, chegou em casa onde se sentiu mal e teve de ser levado às pressas para uma clínica, onde faleceu na madrugada do dia 16 de março de 1993, aos 73 nos de idade, deixando a esposa Creusa, os filhos Dayse, Darly e Craveiro e os netos Ana Fátima e Luiz Neto.

Luizinho nunca esqueceu os seus dois times de coração. Tanto que era “Sócio Benemérito” do Rio Negro e membro da Diretoria do São Raimundo.

Depois de “Luizinho Mão de Grude”, outro grande goleiro do Rio Negro e do futebol amazonense foi Clóvis “Aranha Negra”, que defendeu o clube durante 10 anos, entre 1963 e 1973, tendo sido campeão estadual em 1965.

Clóvis Amaral Machado, o “Aranha Negra”, também era natural de Parintins, onde nasceu no dia 20 de outubro de 1943. Começou a carreira no Auto Esporte Clube. No início nem tinha pretensões de se tornar goleiro, mas o destino ajudou. Certa tarde o goleiro titular não foi treinar e o colocaram na posição. Fechou o gol, tomou conta da posição e se tornou um dos melhores goleiros do futebol amazonense.

O apelido de “Aranha Negra” ele ganhou porque jogava sempre de uniforme todo preto e uma toalha vermelha ao pescoço. Foi campeão pelo Rio Negro em 1962 e 1965. Encerrou a carreira em 1982, quando de um jogo amistoso entre Rio Negro X Bangu, do Rio de Janeiro, disputado no Estádio “Ismael Benigno”, em Manaus. (Pesquisa: Nilo Dias)