Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Olaria também é centenário

O Olaria Atlético Clube, uma tradicional agremiação esportiva do Rio de Janeiro, completou seu centenário no último dia 1 de julho. O clube foi fundado por um grupo de rapazes que costumava jogar futebol na rua Filomena Nunes, naquele bairro leopoldinense. O que era quase uma ousadia, pois no início do século 20 o esporte era tido como uma exclusividade das elites.

No dia 1 de julho de 1915, uma quinta feira, os fundadores do clube se reuniram na residência do capitão Alfredo de Oliveira, na Rua Filomena Nunes 202 (atual 796). Todos queriam que o clube tivesse o nome do bairro, o que realmente aconteceu. Na fundação chamava-se Olaria Football Club.

Os fundadores foram Alfredo de Oliveira, Carolino Martins Arantes, Sylzed José de Sant’Anna, Elmano Jofre, Hermogêneo Vasconcellos, Manoel Gonçalves Boaventura, Isaac de Oliveira, Jaci de Oliveira e outros. Suas primeiras cores foram o preto e o branco e o primeiro escudo era constituído de um losango preto com as iniciais “OFC”.

A denominação atual de Olaria Atlético Clube foi definida em 1920. As cores também mudaram, passando a ser azul e branco e foi concebido o atual escudo, cujo primeiro desenho é atribuído a um associado cujo apelido era “Gasolina”.

O escudo atual reúne as atividades esportivas dos primeiros anos de fundação: futebol, tênis e escotismo do mar, este praticado na extinta praia de Maria Angu, aterrada durante as obras da Avenida Brasil.

Inicialmente o Olaria filiou-se à extinta Liga Suburbana e seu primeiro campo ficava na Rua Leopoldina Rego. Em 1931, o clube sagrou-se campeão invicto da Segunda Divisão da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), até hoje um dos mais importantes títulos da sua história. Com a conquista ganhou o direito de participar da Primeira Divisão do Campeonato Estadual.

Foi vice-campeão carioca de 1933, em um dos campeonatos organizados pela então Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), que era filiada a Confederação Brasileira de Desportos (CBD).

Quatro anos depois, em 1937, o Olaria viveu um dos momentos mais dramáticos da sua existência, ao ser afastado da nova Federação, criada para unificar o futebol carioca. Com isso, até a continuidade do clube foi ameaçada.

Foram 10 anos de espera, mas em 1947 o Olaria conseguiu retornar de forma triunfante à Primeira Divisão, depois de erguer o seu estádio na Rua Bariri, o “Antônio Mourão Vieira Filho”, que foi inaugurado com o jogo amistoso entre Fluminense X Vasco da Gama, vencido pelo time tricolor por 5 X 4.

Friaça, atacante do time cruzmaltino foi o autor do primeiro gol no estádio que era chamado de “Alçapão”, pelas dificuldades que os adversários encontravam para bater o Olaria em seus domínios.

O Complexo Esportivo da Rua Bariri se completa com o “Ginásio Álvaro da Costa Mello”, com capacidade para mais de duas mil pessoas, e o Parque Aquático, erguido em 1963, na gestão do então presidente José de Albuquerque. Com isso, o Olaria tornou-se uma das referências de lazer na zona leopoldinense.

Com o advento do Maracanã, em 1950, o Olaria, a exemplo dos demais clubes cariocas, deixou o seu estádio para jogar no “maior do mundo”, na época. E não fez feio, tendo chegado a frente de Flamengo e Fluminense, no primeiro campeonato que disputou no Maracanã.

A escalação do Olaria naquele ano, qualquer criança carioca sabia de cor: Mílton - Amaro e Lamparina – Jair - Olavo e Ananias – Jarbas – Alcino – Maxwell - Washington e Esquerdinha. e Fluminense.

Um feito histórico aconteceu em 1954, quando tornou-se o primeiro clube carioca a dar uma volta ao mundo. A excursão foi entre 27 de março e 7 de julho, mais de 100 dias fora do Brasil, a chamada "volta ao mundo", impraticável para os dias atuais.

Ao todo, foram 30 jogos em 10 países: Alemanha, Colômbia, Equador, Espanha, EUA, França, Inglaterra, Líbano, Luxemburgo e Turquia. O saldo não foi dos melhores, oito vitórias, nove empates e 13 derrotas.

Em 1960, foi campeão do Torneio Início do Campeonato Carioca, tendo surpreendido o Fluminense no jogo final, com uma vitória de 2 X 0. Foi também o primeiro clube a ganhar um título no recém-criado Estado da Guanabara.

Em 1962, o Olaria formou um timaço, que tinha grandes valores: Ernâni – Murilo – Navarro - Haroldo e Casemiro - Nélson e Valdemar – Jaburu – Cané - Rodarte e Romeu.

Quase todos foram contratados por gigantes do futebol brasileiro. Haroldo, pelo Santos de Pelé. Murilo, Nélson e Navarro pelo Flamengo. A transferência mais badalada, no entanto, acabou sendo a de Jarbas Faustino, o Cané, negociado com o Napoli, onde jogou por 10 anos, e que está na Itália até hoje.

Depois de uma campanha excelente no Campeonato Carioca, ganhou o direito de disputar o Torneio Rio-São Paulo do ano seguinte. A participação do Olaria na competição interestadual não foi boa. Os resultados obtidos foram estes:

14/02: Flamengo 4 X 1 Olaria; 20/02: Botafogo 2 X 1 Olaria; 02/03: Fluminense 1 X 0 Olaria; 06/03: Vasco 0 X 0 Olaria; 10/03: São Paulo 2 X 1 Olaria; 16/03: Santos 5 x 1 Olaria; 21/03: Corinthians 2 X Olaria; 24/03: Olaria 1 x 3 Palmeiras e 28/03: Olaria 4 x 4 Portuguesa de Desportos.

O time foi o último colocado entre os 10 participantes, com a seguinte campanha: Jogos: 09; Pontos Ganhos: 02; Vitórias: 0; Empates: 02 e Derrotas, 07; Gols marcados: 09: Gols sofridos: 23 e Saldo Negativo: 14 gols.

Quando o Santos jogou pela primeira vez no Rio, em 22 de março de 1964, os 11 jogadores que entraram em campo, para enfrentar o Fluminense, fizeram uma homenagem aos cariocas, em agradecimento ao apoio dado, quando das vitórias de 4 X 2 e 1 X 0 sobre o Milan-ITA, na conquista do bicampeonato mundial, obtido em novembro de 1963. Cada craque vestiu a camisa de um clube local. E o “Rei Pelé” estava com a do Olaria.

Em 1971 o time foi terceiro lugar no Estadual, atrás apenas de Fluminense e Botafogo, mesmo sem ter jogado uma só partida na Rua Bariri, pois o estádio se encontrava em obras. A equipe jogou aquela competição com camisas listradas.

O time era bom: Pedro Paulo – Haroldo (que não era o do Santos) – Miguel - Altivo e Alfinete - Afonsinho e Roberto Pinto - Marco Antônio – Salvador - Luiz Carlos Feijão e Antoninho.

Miguel atuou na “Máquina Tricolor” em 1976. Pedro Paulo, Alfinete e Afonsinho, no Vasco. E “Feijão” foi “Pelé”, quando jovem, no filme sobre a vida do “Rei”.

Em 1972 o grande destaque foi a presença de Garrincha na equipe. Também foi o último time do “Anjo das Pernas Tortas” como jogador profissional. Jogou 10 partidas pelo time, tendo marcado somente um gol. Foi num empate de 2 X 2 contra o Comercial, de São Paulo, em 23 de março de 1972.

Os anos de 1973 e 1974 marcaram a participação do Olaria na Divisão Principal do Campeonato Brasileiro, quando conseguiu, inclusive, a façanha de derrotar o Santos por 2 X 1 em plena Vila Belmiro.

Em 1973, entre 40 participantes, o Olaria classificou-se em 31º lugar. Somou 24 pontos em 28 jogos; Venceu 7 jogos; Empatou 10 e perdeu 11; Marcou 27 gols, sofreu 29 e teve um saldo negativo de 2 gols.

Em 1974, melhorou a colocação, chegando em 29º lugar entre os 40 participantes. Disputou 19 jogos e somou 16 pontos; Venceu 5 partidas, empatou 6 e perdeu 8; Seu ataque marcou 17 gols e a defesa sofreu 22, com um déficit de 5 gols.

O clube se orgulha de ter revelado Romário de Souza Farias para o futebol brasileiro e mundial. Em 1979, um olheiro o levou para fazer testes no infantil do Olaria, onde marcou os primeiros sete gols, dos mil contabilizados.

De cara ele foi artilheiro e campeão carioca na categoria infantil. Destaque entre os jogadores da equipe foi levado depois ao Vasco da Gama, onde foi obrigado a fazer um "estágio" de um ano, pois não tinha condições legais de ingressar no clube por causa de sua tenra idade.

A estreia pelo time da rua Bariri foi num empate de 1 X 1 com o Flamengo, em 23 de fevereiro de 1972. O último jogo com a camisa do Olaria foi em uma derrota de 5 X 1 para a Caldense, de Minas Gerais, dia 7 de setembro de 1972.

O último ano que traz boas lembranças ao Olaria foi 1981 quando conquistou um título nacional de grande importância, o de campeão brasileiro da “Taça de Bronze”, quando venceu nas finais ao Santo Amaro, de Recife (PE).

No primeiro jogo, disputado no Rio de Janeiro, no dia 25 de abril, o Olaria goleou por 4 x 0. No segundo jogo, dia 1º de maio, na casa do adversário perdeu por 1 X 0 e foi campeão.

Outros jogadores de destaque nasceram ou vestiram a camisa azul com a faixa branca, como os goleiros Ubirajara Alcântara e Wagner, o lateral Moreira, os zagueiros Gonçalves e Joel Santana, os meias Jair Pereira e Aílton, e os atacantes Dé, Mickey e Ézio.

Em 2005 foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Carioca. No ano seguinte conseguiu retornar a elite, conquistando uma das quatro vagas de um torneio seletivo, em que participaram 16 clubes. Contudo a Justiça anulou esse certame e o clube teve de jogar a segunda divisão no ano seguinte.

Em 2007 a Segunda Divisão carioca classificou cinco times para a Primeira Divisão, mas o Olaria não conseguiu nenhuma das vagas. Como consolo foi vice-campeão da Copa Roberto Dinamite de Juvenis, revelando alguns jogadores como Wander, contratado em 2008 pelo Manchester United, da Inglaterra.

Em 2008, as vagas foram apenas duas. Mas o time ficou somente na quarta posição. Em 2009, conseguiu finalmente o acesso para a Primeira Divisão do Campeonato Carioca, depois de cinco anos.

Em 2010 se garantiu na elite, com a oitava colocação no Estadual.  Em 2011, o Olaria fez grande campanha na Taça Rio e conseguiu se classificar para as semifinais do campeonato, mas acabou sendo eliminado pelo Vasco, quando foi derrotado por 1 X 0.

Em 2012 foi 10° colocado, mas conseguiu permanecer na Divisão Principal carioca. Em 2013, depois de uma péssima campanha, acabou sendo rebaixado para a Segunda Divisão.

O Olaria centenário, amarga desde 2014 a Série B do Estadual, mas é o nono clube com o maior número de presenças na divisão de elite do Rio, ao todo 63 vezes, de 1924 a 2013, entre os 70 clubes que já disputaram o campeonato desde 1906. Está atrás apenas de Fluminense, Botafogo, Flamengo, América, Bangu, Vasco, São Cristóvão e Madureira. (Pesquisa: Nilo Dias)

Elenco campeão da Taça de Bronze de 81, com a Igreja da Penha ao fundo. (Foto: Wikipédia)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Um espetáculo único no mundo

Os moradores da pequena cidade de "Čierny Balog", localizada na região central da Eslováquia, com apenas 5.186 moradores, eram até pouco tempo os únicos a desfrutarem do privilégio de assistirem um espetáculo inédito no mundo: a passagem de um trem pelo interior de um estádio de futebol.

É isso mesmo. Mas, graças a um vídeo postado no “YouTube” por Alexander Loidl, um advogado de Linz na Áustria, que é funcionário do Museu Ferroviário de Steyr, com o auxilio de Dušan Janosovka, jornalista, do “Tribune”, o mundo descobriu este "segredo", 

Loidl é um aficionado pelo tema e aproveita os finais de semana para viajar e fotografar antigas estradas de ferro e estações da Europa Central, que oferecem roteiros pela Áustria, Alemanha, República Checa. Foi assim, que ele se surpreendeu quando o “Trem Museu” em que viajava, atravessou um campo de futebol bem no meio de uma partida.

O pequeno estádio, de gramado impecável, pertence ao “TJ Tatran Cierny Balog”, um clube amador fundado em 1933, que de repente tornou-se a maior atração turística do lugar. Os dirigentes do clube eslovaco estão adorando essa fama, maior que muito time grande profissional. E tem publicado em sua página no Facebook todas as notícias referentes a esse fato extremamente inusitado.  

A ferrovia foi construída antes do estádio. O trem que circulava por ela era chamado popularmente de “Grande Trem Preto'', ou "Čierny Hron Railway”, na língua local. Entre 1898 e 1982, era utilizada para o transporte de passageiros (a partir de 19 de Julho de 1927) e madeira das serrarias de Cierny Balog e Hronec, na antiga Tchecoslováquia. Em meados do século 20, a estrada de ferro tinha um comprimento total de 131,97 km, a mais extensa rede ferroviária florestal na Tchecoslováquia.

Tempos depois perdeu sua função e a linha foi fechada dando lugar ao estádio do “TJ Tatran Cierny Balog”.  Mas em 1992, 10 anos após a linha ser desativada, os moradores da cidade decidiram restaurá-la.

O futebol era praticado pelos próprios ferroviários. Ali mesmo, em torno da linha ferroviária foi que surgiram os primeiros clubes, ainda no século 19. Após a separação do país, a ferrovia foi declarada monumento cultural da Eslováquia e desde 1992 funciona como museu.

A Eslovaquia é formada por gente que cultua a história, preserva seu passado e evita que modernos predadores destruam suas ligações com o ontem. Quando o Museu foi recuperado nesses últimos 10 anos, ficou decidido pela comunidade que tanto a linha ferroviária quanto o estádio deveriam ser preservados.

E agora, um comboio turístico proporciona quatro passeios diários na alta temporada pela linha de 17 quilômetros. A responsável pela ferrovia é Mary Bílkov, que disse ter a ferrovia se tornado uma atração turística do lugar.

Gente dos mais variados lugares do mundo, agora visita a pequena cidade, só para ver o espetáculo único de um trem com locomotiva a vapor atravessar a lateral do gramado, enquanto os jogadores continuam tranquilamente a praticar o futebol. As vezes a fumaça atrapalha um pouco, mas nada que possa parar o jogo.

Os expectadores entram em delírio a cada vez que o trem passa. E o maquinista, sempre simpático, costuma cumprimentar a multidão e soprar o apito da máquina. Tudo sob os aplausos dos torcedores que acompanham a partida e tiram fotografias. Atualmente, quem vai ao estádio, na maioria, é para ver o espetáculo do trem. (Pesquisa: Nilo Dias)

Trilhos da ferrovia, entre a arquibancada e o gramado. (Foto: Smelyzajko sk)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Os 100 anos do "Vingador"

O Alecrim Futebol Clube, chamado de “Periquito” em razão da cor verde de seu uniforme, é um dos clubes mais populares e tradicionais do Rio Grande do Norte. Comemorou os 100 anos de fundação no último dia 15 de agosto.

O clube nasceu graças a perseverança de um grupo de rapazes formado por Lauro Medeiros, Pedro Dantas, coronel Solon Andrade, José Firmino, Humberto Medeiros, Gentil de Oliveira, José Tinôco, Juvenal Pimentel e Miguel Firmino.

Também foi fundador do clube, João Augusto Fernandes Campos Café Filho, ex-Presidente da República e ex-goleiro do Alecrim. Isso torna o Alecrim o único clube de futebol do mundo, que viu um ex-jogador seu chegar à presidência de um país. Café Filho, governou o Brasil entre 1954 e 1955,

Na época, o jovem Café Filho tinha apenas 16 anos e estava longe de iniciar sua carreira política. Sem habilidade com a bola nos pés, restou ao garoto, que depois ficaria famoso, ser o goleiro da equipe em ocasiões eventuais entre 1918 e 1919.

Em sua autobiografia, publicada em 1966 e intitulada “Do Sindicato ao Catete: Memórias políticas e confissões humanas”, Café Filho tratou com ironia o fato de ter atuado na derrota do Alecrim para o América por 22 X 0.

“O arqueiro que certa vez me substituiu deixou que os adversários fizessem 12 gols, enquanto eu deixei a bola passar nas traves apenas 10 vezes”, escreveu.

Os fundadores do clube se reuniram na residência do coronel Solon Andrade, no bairro do Alecrim, próximo da atual Igreja São Pedro, onde hoje funciona o Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos.

Naquela época, o espaço abrigava uma vila de moradores no bairro que deu nome ao clube. Era uma propriedade chamada Vila Maria; antigamente se morava em família dentro de vilas.

Então, Humberto Medeiros, que era o “cabeça” dessa família na Vila Maria, juntou os sobrinhos e os filhos para fundar o Alecrim. Ele foi o líder do movimento que criou o clube, um homem que enxergou a necessidade de fundar um novo time em Natal com uma essência mais popular.

Há quem diga que o Alecrim não foi fundado em 15 de agosto de 2015, sim em 15 de agosto de 1917. Mas essa possibilidade cai por terra em razão de uma notícia publicada pelo jornal “A República”, edição de 26 de setembro de 1916, na coluna “Várias”, que dizia o seguinte:

“No bairro do Alecrim, alguns moços fundaram o Alecrim Foot Ball Club que manterá uma escola nocturna gratuita para o ensino às creanças pobres daquelle bairro. Louvamos a iniciativa dos jovens daquella associação, que por esta forma esforçam-se para extinguir o analphabetismo que em grande escala se desenvolve no nosso paiz” (grafia da época).

O fato da notícia ter sido publicada em 1916, não quer dizer muita coisa. Naquela época era comum notícias serem publicadas até com um ano de atraso, de acordo com interesses da imprensa. Junte-se a isso a distância que o bairro do Alecrim ficava da zona considerada nobre.

A prova definitiva do ano de fundação do Alecrim encontra-se na própria Federação Norte-Riograndense de futebol: um papel timbrado da década de 40, que traz a data da fundação como 15 de agosto de 1915.

O Alecrim não foi sempre “verdão”. Quando nasceu, era, na verdade, tricolor. Além do verde e branco, o vermelho figurava no primeiro uniforme. A fim de se tornar único, a cor rubra logo foi excluída para evitar qualquer semelhança com o rival América.

Mas foi somente em 2003 que o escudo oficial, que era praticamente igual ao do rival, foi trocado pelo atual. Antes, quando os jornais eram impressos em preto e branco saía uma foto e ninguém sabia se era América ou Alecrim. O escudo oficial foi mudado justamente por isso.

Natal se concentrava praticamente na Ribeira, zona chique da cidade. O Alecrim era chamado de bairro novo e localizava-se na Zona Rural da capital. Na época, jogadores e torcedores de ABC e América, também clubes tradicionais de Natal, faziam parte da elite da cidade.

Já o Alecrim F.C. era formado basicamente de negros e descendentes de índios, o que os tornava vulneráveis a todo o tipo de preconceito, coisa bastante comum nos primórdios do futebol no Brasil.

A aceitação do Alecrim no futebol potiguar só aconteceu em 1924. Até aquele ano a equipe fazia apenas partidas amistosas, e por isso não há muitos registros sobre a participação do ex-presidente Café Filho debaixo dos três paus.

Em 1916, Café Filho tinha apenas 17 anos e já mostrava traços de liderança. Fanático por futebol, o adolescente que estava estudando em Pernambuco, negociou o primeiro duelo interestadual no Rio Grande do Norte, um amistoso do recém-fundado Santa Cruz contra o ABC.

Café Filho foi peça fundamental para a realização do primeiro Campeonato Potiguar da história em 1919. Como o reconhecimento do Alecrim demorava a acontecer, seria necessário mais um clube para disputar com ABC e América.

Então o jovem participou da fundação de mais um clube, o Centro Sportivo Natalense, que contou com o primeiro time feminino do Estado. Em 1921, aos 22 anos, entrou para a política, para nunca mais sair.

O Alecrim foi o primeiro time do Rio Grande do Norte a ter um técnico de futebol, Alexandre Kruze, em 1925. Nesse ano sagrou-se  também o primeiro campeão invicto do Estado. Porém, o título foi anulado pela Federação que não admitia time de subúrbio ser campeão.

Em que pese todos os problemas que enfrentou, ainda assim o Alecrim conseguiu se destacar no futebol do Rio Grande do Norte. É o único clube potiguar que nunca se licenciou.

Nos anos 60 os seus torcedores e a imprensa chegaram a chamá-lo de “Vingador”, visto que América e ABC quase sempre perdiam para times de outros Estados em visita a Natal, enquanto o Alecrim os derrotava.

Até hoje é lembrada a excursão do Rampla Juniors, do Uruguai, pelo Brasil. O time estava invicto, havia empatado em 0 X 0 com o Americano de Campos (RJ); ganhou do Democrata, de Governador Valadares (MG), por 2 X 1; bateu o Fortaleza, do Ceará por 2 X 0; empatou em 1 X 1, com o Treze de Campina Grande(PB); empatou com o Náutico, do Recife, por 2 X 2 e perdeu para o Alecrim por 1 X 0, gol de Rui.

Grandes desportistas ajudaram a construir a história centenária do Alecrim F.C., entre eles Bastos Santana, Severino Lopes, Humberto Medeiros, coronel Veiga, coronel Pedro Selva, Clóvis Mota, Walter Dore, Braz Nunes, Rubens Massud, Wober Lopes Pinheiro, Gabriel Sucar, coronel Solon Andrade, além do patrono monsenhor Walfredo Gurgel, que dá nome a atual sede campestre do clube.

Foi na gestão do governador Walfredo Gurgel que foi doado o terreno da avenida Alexandrino de Alencar, posteriormente vendido ao Ministério da Marinha que proporcionou recursos para a compra do terreno da atual sede campestre.

Nas décadas de 70 e 80, o Alecrim possuía um grande patrimônio: uma sede campestre, localizada na "Grande Natal". Era uma área valiosíssima entre Parnamirim e Macaíba.

O amplo espaço tinha cinco campos de futebol e era utilizado para o lazer de milhares de sócios. O clube tinha uns seis ou sete mil sócios. Todas as pessoas com cerca de 40 anos, hoje em dia, com certeza uma vez ou outra, na infância, frequentaram a sede campestre do Alecrim.

Com o tempo, o esmeraldino perdeu grande parte do patrimônio cobrindo custos de ações trabalhistas e, atualmente, o único bem que restou foi a sede na Rua dos Caicós, no bairro do Alecrim.

O Alecrim foi o primeiro clube de Natal a possuir um Centro de Treinamento (CT), em 1978, que se localizava em Macaíba. Também foi a primeira agremiação do Rio Grande do Norte a adquirir um ônibus em 1968. É a equipe que tem a mais antiga, fiel e atuante torcida organizada do Estado a Fieis Esmeraldinos Radicais (FERA), criada em 1977.

Em sua história centenária o Alecrim participou da inauguração de alguns estádios, entre os quais o "Marizão", em Caicó, o "Maria Lamas Farache" (Frasqueirão) em Natal, o "Pascoal de Lima" na cidade da Esperança e o estádio da cidade de Areia Branca.

Muitos foram os jogadores que vestiram a camisa verde do Alecrim nestes 100 anos. Os que mais se destacaram foram Pindaró, Foster, Caçula, Veiga, Mundico, Gentil, Sansão, Manuelzinho, Perequeté,  Zezé, Berilo, Miltinho, Orlando, Miro, João Paulo, Capiba, Sileno, Anchieta, Vasconcelos (ex-jogador do Náutico, Palmeiras, Internacional e Colo-Colo do Chile), Odilon, Alberí, Baíca, Curió, Valter Cardoso, Saraiva,Ticão, Icário, Burunga, entre outros.

Em 2001, alguns jornalistas, pesquisadores e torcedores elegeram o Alecrim do século, que escolheu Manuelzinho – Saraiva – Miro - Berilo e Anchieta. Valdomiro - Pedrinho e Vasconcelos. Zezé - Odilon e Icário. Técnico: Pedrinho Teixeira, o “Pedro 40”.

Em 2006 o Alecrim voltou a ser destaque, agora como autor do primeiro gol de um estádio particular. O do “Frasqueirão”, do ABC. Da Cunha, foi o autor do feito num jogo amistoso, que terminou empatado em 1 X 1.

Em sua trajetória centenária, o Alecrim coleciona muitas histórias. Esta, por exemplo, é bastante interessante e ao mesmo tempo curiosa. Num jogo contra o São Gonçalo, o árbitro deu um pênalti contra o Alecrim depois do zagueiro do time ter confundido o barulho de um apito vindo das arquibancadas com o apito do juiz do jogo.

Isso tornou o Alecrim, talvez o único time do mundo a ter um pênalti marcado contra si, por intervenção de um torcedor seu. Pensando que o jogo estava parado, o jogador pegou a bola com a mão. E aí foi marcado o pênalti. Isso aconteceu no então estádio “Alçapão do Touro”, que anos depois se tornou a casa do próprio alviverde, com o nome de “Ninho do Periquito”.

Mas a “tragédia” não parou por ai. Inconformado com o lance, José Erivan de Azevêdo, o famoso “Pastel (torcedor símbolo da equipe que faleceu em 2011) tomou o apito do juiz e o quebrou com raiva.

O São Gonçalo, em 2007, apareceu de novo na vida do Alecrim. Foi na última rodada do Campeonato Potiguar. O alviverde precisava ganhar por quatro gols de diferença para não ser rebaixado para a segunda divisão. E conseguiu a proeza, para a alegria de sua torcida, que não conteve a emoção.

O Alecrim nunca havia vencido o São Gonçalo antes desse dia. Aqueles 4 X 0 garantiram o time na Primeira Divisão. Quem esteve no estádio não esquece até hoje aquele momento impar: “Era tanto homem chorando, que até parecia velório”, dizem os saudosistas.

Títulos conquistados. Campeão potiguar (1924, 1925, 1963, 1964, 1968, 1985 e 1986; Torneio Início (1926, 1961, 1966 e 1972); Taça Cidade do Natal (1979, 1982 e 1986); Torneio Incentivo (1976, 1977 e 1978).

Outras conquistas. Vice-Campeonato Potiguar (1928, 1953, 1962, 1965, 1966, 1970, 1972 e 1982); 3º Colocado do Campeonato Potiguar (1990 e  2014); Categorias de base. Campeão Potiguar Sub-20. (2006 e 2013); Campeão Potiguar Sub-15 (2006).

O Alecrim, como vimos acima, já ganhou por sete vezes o Campeonato Estadual. Isso lhe garante o terceiro lugar entre os clubes campeões do Rio Grande do Norte, ficando atrás somente de ABC e América.

Sua última conquista aconteceu em 1986, quando se sagrou bicampeão. O técnico era Ferdinando Teixeira, chamado de “papa títulos”. O time “periquito” tinha bons jogadores, com destaques para Freitas, Curió, Edmo, Didi Duarte, Saraiva e Odilon, este o maior artilheiro da história dos Campeonatos Estaduais e principal artilheiro do Alecrim em todos os tempos, com 68 gols marcados. 

Graças ao título conquistado, o Alecrim ganhou uma vaga na Série A do Campeonato Brasileiro. Foi a primeira e única vez que isso aconteceu. Depois disso o alviverde alcançou classificação em 2009 para à Série C do Campeonato Brasileiro, após ser quarto colocado no campeonato potiguar. O time participou este ano da Copa do Brasil, junto de América e Globo F.C. Foi eliminado na primeira fase pelo Tupi, de Minas Gerais.

O Alecrim orgulha-se de Garrincha, um dos maiores jogadores que o futebol brasileiro conheceu em todos os tempos, ter vestido a camisa do clube. Foi no dia 4 de fevereiro de 1968, num amistoso contra o Sport, de Recife, disputado no Estádio Juvenal Lamartine. O time pernambucano venceu por 1 X 0, gol de Duda.

Mais de seis mil pessoas pagaram ingresso, para ver o “craque das pernas tortas”. A renda somou Cr$ 21.980.00. O Alecrim mandou a campo Augusto – Pirangi – Gaspar - Cândido e Luizinho. Estorlando e João Paulo. Garrincha (Zezé) – Icário - Capiba (Tarciso) e Burunga.

A Assembleia Legislativa do Estado homenageou o Alecrim F.C., pela passagem de seu centenário, em sessão especial realizada dia 20 de agosto, atendendo pedido dos deputados Ricardo Motta (PROS) e Kelps Lima (SDD).

Na ocasião foram homenageadas personalidades que fizeram parte da história do clube. Os ex-jogadores Odilon e Edmo Sinedino e o ex-treinador Ferdinando Teixeira, campeões pela equipe esmeraldina, assim como os representantes da “Torcida Fera” e familiares do falecido José Erivan de Azevêdo, o conhecido "Pastel", torcedor símbolo da equipe.

O centenário teve outras atrações. Dirigentes e torcedores se encontraram frente ao tradicional “Relógio do Alecrim” para a realização de ações sociais e panfletagem e houve uma Missa em Ação de Graças na igreja de São Sebastião.

Além disso, houve o lançamento de um livro contando grandes momentos da história do “Periquito”, de autoria do desportista Alberto Pinheiro de Medeiros.  (Pesquisa: Nilo Dias)

Alecrim, bi-campeão potiguar em 1985. (Foto: Revista "Placar")

domingo, 4 de outubro de 2015

A morte do artilheiro "Kita"

Morreu às 13h15min da tarde de ontem, 3, o ex-jogador de futebol João Leithardt Neto, mais conhecido como “Kita”, de 57 anos. Na quinta-feira, ele não se sentiu e foi internado no Hospital do Trauma IOT, em Passo Fundo (RS), onde residia. 

O ex-jogador era diabético e lutava contra um câncer agressivo no fígado, que lhe comprometeu diversos órgãos.

Os problemas de saúde se avolumaram a partir de julho de 2011, quando precisou amputar um dos seus pés após um quadro de infecção generalizada, quando era paciente de uma cirurgia para reconstrução dos ligamentos do tornozelo. 

Era diabético e em razão disso, teve de ficar internado na UTI do Hospital Prontoclínica durante várias semanas, em estado grave, mas acabou se recuperando.

O velório de “Kita” ocorreu a partir do final da tarde de ontem, no Memorial Vera Cruz, em Passo Fundo. O sepultamento aconteceu às 9 horas da manhã de hoje, no Cemitério dos Ribeiros. A prefeitura de Passo Fundo, onde o ex-jogador trabalhava, decretou luto oficial de três dias no município. O ex-jogador deixou mulher e três filhos.

“Kita” nasceu no dia 6 de janeiro de 1958, em Passo Fundo. Começou a carreira como meia-direita do Gaúcho, de sua cidade natal. Passou também por 14 de Julho, de Passo Fundo, Criciúma, de Santa Catarina, Esportivo, de Bento Gonçalves, Guarani, de Garibaldi, Internacional, de Porto Alegre, Internacional, de Limeira (SP), Flamengo, do Rio de Janeiro, Brasil, de Pelotas (RS), E.C.Pelotas, Juventude, de Caxias do Sul, onde foi comandado por Luiz Felipe Scolari, Portuguesa de Desportos, de São Paulo, Grêmio e Atlético Paranaense.

Em 1983 foi artilheiro do Campeonato Gaúcho, pelo Juventude sendo contratado pelo Internacional, em 1984, sagrando-se campeão gaúcho. Nesse mesmo ano ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles defendendo a Seleção Brasileira. Otime tinha a base do próprio Internacional, tendo Jair Picerni como treinador.

Também foi campeão paulista pela Inter de Limeira, em 1986, e brasileiro com o Flamengo no ano seguinte. Pelo Grêmio, em 1989, ganhou o “Gauchão” e Copa do Brasil.

“Kita” viveu o auge da carreira quando esteve na Internacional, de Limeira, em 1986. Na oportunidade, anotou um dos gols que deu o título de campeão paulista a equipe, na decisão contra o Palmeiras, em pleno Morumbi, quando a Inter venceu por 2 X. 1. Aquela conquista foi a primeira de um clube interiorano paulista na história.

O time de Limeira era formado por Silas - João Luiz - Juarez - Bolivar e Pecos. Gilberto Costa - Manguinha e João Batista - Tato - Kita e Gilcimar. Destes, Juarez e Pecos também são falecidos, ambos em acidentes de trânsito.

Além de sagrar-se campeão paulista, o ex-jogador foi o artilheiro da competição com 23 gols, cinco a mais do que Mirandinha, do Palmeiras, que veio logo atrás.

Quando teve o seu problema de saúde agravado,"Kita" passou a ser ajudado financeiramente por ex-companheiros com jogos de exibição. O time do interior paulista, atualmente na Série A3 estadual, comercializou camisas com o rosto do atacante para arrecadar dinheiro e ajudar na sua recuperação. 

No Flamengo para onde foi depois de sair da Inter, de Limeira, “Kita” estreou fazendo dois gols sobre o Corinthians. No Atlético-PR, foi artilheiro do Paranaense de 1990, conquistado pela equipe rubro-negra.

Jogando pela Seleção Olímpica Brasileira nos Jogos de Los Angeles, em 1984, conquistou a medalha de prata. Começou no banco de reservas e conseguiu chegar à titularidade no quinto jogo. Em quatro confrontos, marcou um gol.

Em 1987, quase que “Kita” foi parar no Corinthians. Só não foi porque o presidente do time paulista na época, Vicente Matheus, lhe ofereceu menos do que ele ganhava no Flamengo. 

Após encerrar a carreira, fixou residência em Passo Fundo e até tentou ser treinador. Mas não decolou na carreira, passando a ter uma vida simples e modesta.(Pesquisa: Nilo Dias)

“Kita”. (Foto: Divulgação)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Times que ficaram só na lembrança

Nos primórdios do futebol do Rio de Janeiro havia clubes que permanecem quase no esquecimento até hoje, embora tivessem alguns deles até participado de campeonatos cariocas. É o caso do Football & Athletic Club, nascido em 27 de junho de 1904, que depois passou a se chamar Associação Athletica Internacional.

Seus fundadores foram moradores das redondezas do Engenho Velho e Andaraí, onde ficava sua sede. O campo se situava na Rua Campos Sales, na Tijuca, motivo pelo qual é muitas vezes citado como sendo deste bairro. A primeira Diretoria teve como Presidente: Claudino Reis; Procurador: Arthur Irineu de Souza; Thesoureiro: Joaquim José de Almeida Coutinho e Secretário: Oscar Fagundes.

Suas cores eram o vermelho e o branco. O uniforme tinha camisas vermelhas com o monograma F.A.C. em branco no peito e calções brancos. A bandeira era listrada em vermelho e branco na horizontal com o monograma no quadrante superior esquerdo em vermelho, em estilo semelhante à bandeira dos Estados Unidos.

Sabe-se que certa ocasião o time teve que usar um uniforme tricolor, verde, branco e vermelho, em partida amistosa contra o Bangu, devido a semelhanças das cores. Depois de vencer um grande número de amistosos, o clube tornou-se uma das mais fortes equipes da cidade, angariando grande número de sócios na Zona Norte.

O Football & Athletic Club foi um dos fundadores da Liga Metropolitana de Futebol, ao lado de Fluminense, Botafogo, Bangu, Paysandu e Rio Cricket. A entidade organizou o primeiro Campeonato Carioca de 1906. O Fluminense foi campeão e o Athletic o último colocado.

Em 21 de novembro de 1906 mudou o nome para Associação Athletica Internacional. Em 1907, também disputou o campeonato e ficou na terceira colocação, junto do Paysandu. A Internacional ainda seguiu disputando alguns poucos amistosos, até o seu fim definitivo, nos idos de 1912.

O livro “Campeonato carioca: 1902-1996”, de Roberto Assaf e Clóvis Martins cita de forma errada o surgimento do Football and Athletic como sendo de 1903; mas o clube foi fundado em 1904, conforme fontes da época como o “Jornal do Brasil”, “Jornal do Commercio” e “O Imparcial”.

Teve também o Rio Cricket, que foi um dos protagonistas da primeira partida oficial de futebol disputada no Rio de Janeiro e participante das primeiras edições do Estadual de Futebol. A exemplo do Football & Athletic Club, foi um dos fundadores da Liga Metropolitana de Football, e disputou a primeira edição da competição, que reuniu Fluminense, Botafogo, Bangu, Football Atlhetic, Payssandu.

O Rio Cricket foi o único representante de fora do Rio e as instalações do campo de futebol da região que se chamava Praia Grande, foram usadas não apenas para o mando de campo do clube, mas também para outros jogos do campeonato. O campo do Fluminense, nas Laranjeiras, foi a outra sede.

Dois grandes feitos do Rio Cricket no certame de 1906: impor ao Fluminense, campeão, sua única derrota, por 3 X 1. E um resultado histórico ao golear o Botafogo por 6 X 0, em partida realizada no campo da Rua da Constituição, no Bairro de Icaraí, em Niterói. O clube foi terceiro colocado. Até 1913, o Rio Cricket manteve-se em posições intermediárias nas edições subsequentes do campeonato.

Em 1914, com o advento da Primeira Guerra Mundial, o clube perdeu jogadores e associados, recrutados para defenderem os ingleses no conflito. Em razão disso acabou na lanterna do certame. Terminou se licenciando do Campeonato Carioca, participando dai em diante somente de competições em Niterói.

O Rio Cricket participou do primeiro amistoso internacional, contra a Seleção Argentina, em 1908. A equipe “porteña” foi jogar em São Paulo, e os diretores do clube conseguiram convencê-los a incluir o Rio de Janeiro no roteiro, em troca do pagamento de despesas no Hotel Avenida e das passagens de retorno a Buenos Aires.

O jogo teve até o aval do Ministro de Assuntos Estrangeiros, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o “Barão do Rio Branco”, que contribuiu com 10 Contos de Réis. Cerca de duas mil pessoas, em média assistiram cada uma das três partidas, realizadas no mês de junho no campo do Fluminense, nas Laranjeiras.

Para não arriscar ser goleado, o Rio Cricket mandou a campo um combinado, composto por atletas de outras equipes. Mas não adiantou muito. No primeiro jogo, até que o placar foi razoável: 3 X 2 para os argentinos. Mas nas outras partidas, os brasileiros sofreram duas goleadas, por 7 X 0 e por 3 X 0.

Hoje o Rio Cricket ainda existe, tendo somente 500 sócios e não possui dívidas. Sua sede fica em uma área muito valorizada na cidade, em Icaraí. Atualmente, existe uma “fila” de 80 pessoas aguardando pela compra do título. E quando aparece uma vaga, o interessado precisa comprovar poder aquisitivo para mantê-lo.

O clube não participa de campeonatos profissionais. Mantém uma escolinha de futebol, que treina e joga no bem cuidado gramado. Foi ali que surgiu um dos grandes valores do futebol brasileiro em todos os tempos, Leonardo Nascimento de Araújo, ou apenas Leonardo.

Ele chegou na escolinha quando tinha 13 anos de idade. Era muito franzino, o que lhe valeu o apelido de “Ratinho”. Da escolinha foi para o Vasco da Gama, onde ficou por pouco tempo, até se transferir para o Flamengo, clube que o projetou em âmbito nacional.

O apogeu da carreira veio no ano de 1994, quando sagrou-se campeão mundial pela Seleção Brasileira na Copa dos Estados Unidos. O craque ainda jogou pelo São Paulo, Valência, Paris Saint German, Milan e Kashima Antlers, onde ocupou o lugar de Zico.

Atualmente, é diretor de futebol da equipe francesa do Paris Saint German e mantém, junto com o também ex-jogador Raí, a “Fundação Gol de Letra” Em 1998, ganhou placa comemorativa do Rio Cricket, do qual continua sócio.

Nas décadas de 1910 e 1920, se contava no subúrbio carioca mais de 50 times de futebol, distribuídos na primeira e segunda divisão, além do Departamento Autônomo, que equivaleria nos dias de hoje, à terceira divisão.

Os estádios eram pequenos, tendo na sua maioria apenas um cercado de madeira e alguns degraus de arquibancadas. A média de público nesses lugares acanhados era de apenas 20 torcedores por jogo. Esse número de espectadores começou a aumentar a partir da década de 1910.

A bola não era como hoje, fabricada com toda a tecnologia existente. Naqueles duros tempos ela era pesada, feita de couro. Igualmente as chuteiras. Os jogadores não recebiam salários. Por isso, boa parte da sociedade elitista da época, classificava os jogadores, como pessoas desocupadas e vagabundas.

Nos 109 anos de história do Campeonato Carioca, muitos foram os clubes que dele participaram. Eis alguns: Sport Clube Brasil, time do Bairro da Urca que disputou nove cariocas; Vila Isabel, homônimo do mesmo bairro, que disputou nove campeonatos; o Carioca, time do Jardim Botânico, que disputou sete cariocas. Mandava seus jogos na Rua Dona Castorina; Sírio e Libanez, time de Botafogo que  participou de quatro estaduais; Mavílis F.C., do Bairro do Caju, que esteve presente em dois cariocas, entre outros.

O elevado número de clubes começou a diminuir a partir da década de 1930, quando a Federação de Futebol do Rio estabeleceu que todos os times teriam de ter estádio próprio, para poderem disputar o Estadual. Como mais de 80% dos times suburbanos não tinham, fecharam as portas.

Entre os clubes que desapareceram nessa época estavam: Andarahy Athletico Club, fundado no dia 9 de novembro de 1909. O seu uniforme tinha às cores verde e branco. Durante a história, o clube alternou dois modelos de uniformes: camisa inteiramente verde e calções brancos e camisa listrada na vertical alviverde e calções brancos.

Se localizava na Rua Barão de São Francisco, no bairro de Vila Isabel, na Zona Norte da cidade. O Estádio era chamado de “Barão de São Francisco”, também conhecido como rua Prefeito Serzedello Correia. 

Pertenceu ao clube até 1962. Nesse ano, foi vendido por CR$ 60 milhões ao América, que passou a chamá-lo de "Estádio Wolney Braune". Nos anos 90, o América vendeu o estádio que atualmente é o Shopping Iguatemi, em Vila Isabel.

Ao todo, o Andarahy disputou 20 campeonatos estaduais, sendo o último em 1937. A sua melhor colocação ocorreu em 1924, quando ficou com o 4o lugar, atrás de Vasco da Gama, Engenho de Dentro e Bonsucesso.

Confiança Atlético Clube, fundado em 26 de abril de 1915. Era um clube do Andaraí, bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, localizado à rua Silva Teles, que pertenceu à antiga fábrica de tecidos de mesmo nome.

O quadricolor, verde, preto, vermelho e amarelo, disputou dois campeonatos cariocas: 1924 e 1933, em ambos, terminando na quinta posição. Na primeira, a equipe obteve cinco vitórias, quatro empates e cinco derrotas. Na segunda, foram cinco vitórias, sete empates e seis derrotas.

Nos anos 1960 e 1970 passou a disputar o campeonato amador do Departamento Autônomo da Federação de Futebol do Rio de Janeiro. Em 1990, passou para a terceira divisão de profissionais e no ano seguinte disputou a segunda divisão, porque a verdadeira segundona passou a se chamar intermediária, e, portanto, a terceira virou segunda.

Em 1993, o seu registro na federação deu lugar ao do Barra da Tijuca Futebol Clube numa fusão articulada para que este entrasse direto na segunda divisão, sem precisar disputar a terceira. Durante a década de 90, o clube se extinguiu e parte da sua sede foi incorporada à quadra da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, e o restante ao Boulevard Shopping, lateral à rua Maxwell.

Sport Club Mangueira, fundado por operários da fábrica “Chapéus Mangueira”, no dia 29 de julho de 1906. O rubro-negro tijucano atuou na rua Desembargador Isidro, 72. Nos dias de hoje, o local onde ficava o estádio abrange parte do clube Tijuca Tênis Clube. Ao todo, o S.C. Mangueira participou de oito campeonatos, 1909, 1912, 1913, e de 1917 até 1921.

No dia 30 de maio de 1909, no campo da Rua Voluntários da Pátria, o Mangueira sofreu a sua pior humilhação, que ironicamente colocou o time no "Livro dos Recordes": Botafogo 24 X 0, sendo a maior goleada em campeonatos regionais, de todos os tempos.

O uniforme do S.C. Mangueira era camisa listrada na vertical vermelha e preta e calções brancos. A melhor colocação aconteceu em 1913 e 1917, quando terminou em oitavo lugar, dentre 10 participantes. Após uma seqüência de insucessos, o Mangueira decidiu abandonar a competição em 1921.

Paissandu Athletic Club – Fundado em 15 de agosto de 1872, na rua Payssandu. Está intimamente ligado ao futebol, uma vez que o filho de um Inglês, Oscar Cox, em 1902, deu vida ao primeiro dos times de futebol do Rio e do Brasil, o Fluminense.

Em 1912, o Paissandu surpreendeu a todos vencendo o Campeonato Estadual. Na última rodada, derrotou o Fluminense, por 4 X 2, nas Laranjeiras. Mais tarde, o mesmo Paissandu passou o campo para Flamengo, antes de sua mudança definitiva para o estádio da Gávea.

No total, o time paissanduano disputou sete campeonatos (1906 a 08, 11 até 14). Em 1906, ficou com o vice-campeonato atrás apenas do Fluminense.

Carioca Football Club – O “Club Sportivo Victorioso” foi fundado em 16 de Março de 1907. Depois mudou de nome para ‘Carioca Football Club’. Na década de 30, fundiu-se com o "Gávea Sport Club" e ficou com o nome definitivo de Carioca Esporte Clube. Seu Estádio da Estrada Dona Castorina ficava no Bairro do Jardim Botânico.

Mavílis Football Club – O Mavílis Football Club, fundado no dia 23 de setembro de 1915, era um clube do Caju, bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. O clube disputou os campeonatos de 1933 e 1934, e extinguiu-se na década de 70. O rubro-anil do Caju mandava os seus jogos no "Estádio Praia do Retiro Saudoso", na Rua Carlos Seidl, no Bairro do Caju.

O maior momento da história do Mavílis aconteceu em 1934, quando terminou como vice-campeão do Campeonato Carioca da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). 

O Mavílis, inclusive, venceu o Botafogo, que foi o campeão, por 2 X 0 (Gols de Honório e Chavão, ambos no segundo tempo), em casa, no dia 22 de julho de 1934. No final foram nove pontos em oito jogos; com quatro vitórias, um empate e três derrotas; marcando 24 gols e sofrendo 21.

O seu uniforme tinha camisa vermelha, com gola azul, calção branco e meias azuis. Sendo que o segundo uniforme trazia a camisa branca com duas listras em horizontal, uma azul e outra vermelha. O branco não fazia parte das cores do clube.

Um fato curioso é que o nome Mavílis vinha das iniciais de Manuel Vicente Lisboa, um dos diretores da "Companhia América Fabril" e grande incentivador do esporte entre os funcionários da fábrica, que resolveram homenageá-lo no nome do clube.

Villa Isabel Football Club – O Villa Isabel Football Club foi fundado no dia 2 de maio de 1912. Sua sede estava localizada no bairro homônimo de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Dos oito campeonatos cariocas, a melhor colocação aconteceu em 1919 e 1927, quando terminou em sétimo lugar.

Preta e branca eram as cores do Villa Isabel, que utilizou dois uniformes distintos em sua história. O primeiro, todo branco, tinha uma bola de futebol com as iniciais V.I.F.C. (Villa Isabel Football Club) no centro da camisa, com raios negros saindo desta e, por conta disso, o clube era conhecido como o "Raio de Sol". Na década de 20, o clube alterou seu uniforme para camisa preta com finas listras verticais brancas, calções brancos e meias pretas.

O Sampaio jamais participou de um campeonato carioca. Apesar de ter um bom estádio, a equipe competiu apenas no Departamento Autônomo, o que equivale aos dias de hoje, como o Campeonato Carioca da Segunda Divisão.  – O Sampaio jamais participou de um campeonato carioca. Apesar de ter um bom estádio, a equipe competiu apenas no Departamento Autônomo, o que equivale aos dias de hoje, como o Campeonato Carioca da Segunda Divisão. 

A inauguração do estádio Florêncio aconteceu em 20 de janeiro de 1938, na Rua Antunes Garcia, no Florêncio - hoje chamado de bairro do Sampaio, transversal à Avenida Marechal Rondon - em homenagem à família que era dona de uma grande área da região.

Após muitos anos abandonado e servindo apenas como campo de pelada da molecada da favela da Matriz, o estádio foi apropriado pela SUDERJ, recebendo o nome de Vila Olimpica do Sampaio. Lá, hoje em dia,são realizados serviços sociais destinados aos moradores próximos. A Vila Olímpica,além da prática de esportes, também oferece atendimentos ligados a área da saúde e algumas outras atividades culturais. (Pesquisa: Nilo Dias)

Jogadores do Rio Cricket e do Fluminense posam para foto antes da realização de partida do primeiro turno, do Campeonato Carioca de 1906,  no campo de Niterói. (Foto: Reprodução)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A morte de "Vivinho"

Morreu ontem, domingo, no Rio de Janeiro, onde morava, o ex-jogador “Vivinho”, Ídolo do Vasco da Gama nos anos 80. Ele sofreu uma embolia pulmonar, que resultou em três paradas cardiorrespiratórias, no final da manhã e não resistiu. Chegou a ser levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte,onde morreu.

Segundo nota da Secretaria Estadual de Saúde, “Vivinho” foi internado às 9h08min, com quadro grave de parada respiratória e morreu às 10h20min.

Há duas semanas ele havia sofrido afundamento da face e fraturado o nariz, depois de se chocar com o goleiro do Flamengo carioca, em um jogo de “masters”, em Belém do Pará e teve de passar por uma cirurgia no Norte do país, para depois retornar ao Rio.

Segundo seu filho Welver, “Vivinho” teria caído de uma escada após sofrer um mal súbito, em decorrência dessa cirurgia. Ele jogava na equipe vascaína da categoria “masters”, para ganhar algum dinheiro extra.

O ex-jogador entrou para a história do futebol ao marcar um gol espetacular num jogo contra a Portuguesa de Desportos, pelo Campeonato Brasileiro de 1988.

Ele deu três “chapéus” seguidos em “Capitão”, jogador do time luso e marcou um golaço, que lhe valeu uma placa no Estádio de São Januário. O Vasco da Gama publicou hoje nas redes sociais, o vídeo do gol histórico marcado por “Vivinho”.

Também foi dele a autoria do gol mais importante da história do Uberlândia Esporte Clube (UEC), que deu o título de campeão brasileiro da Segunda Divisão (Taça de Prata – 1984) para o “Verdão” mineiro, em partida realizada contra o Remo no Estádio “Parque do Sabiá”.

Welves Dias Marcelino, seu nome verdadeiro, nasceu em Uberlândia, no “Triângulo Mineiro”, no dia 10 de março de 1961. Começou a carreira no time da sua cidade, no qual jogou entre 1982 e 1986.

No Vasco da Gama ficou até 1990. Foi vestindo a camisa vascaína que conheceu os melhores momentos de sua carreira. Venceu o Brasileirão de 1989 e o Carioca de 1988.

Suas grandes atuações renderem convocações para a seleção brasileira. Foram quatro jogos e um gol com a camisa do time nacional, todos em 1989.

No Vasco, “Vivinho” fez parte de uma geração recheada de talentos, como Geovani, Mazinho, Bismark, Sorato e Romário. O ex-jogador também ficou marcado por algumas aventuras extracampo, mas depois entrou para igreja e chegou a virar pastor recentemente.

Defendeu, ainda, Botafogo (Rio de Janeiro), Atlético Paranaense, Goiás, Fortaleza, novamente Uberlândia e encerrando a carreira na Cabofriense, de Cabo Frio (RJ) em 1997.

O ex-atacante morava no Rio de Janeiro, onde dirigia uma escolinha de futebol em Cachambi.

A chegada do corpo do ex-atacante “Vivinho” a Uberlândia, está prevista para esta segunda-feira (14), às 19h30, no aeroporto Tenente Coronel César Bombonato.

Após a chegada, o corpo sairá em um carro do Corpo de Bombeiros até o Ginásio do “Sabiazinho” onde será velado a partir das 22h. O sepultamento acontecerá na tarde de amanhã (15), no cemitério “Campo do Bom Pastor”, após o velório.


Vasco da Gama e Atlético Paranaense, ambos defendidos por “Vivinho”, se enfrentaram ontem, domingo, no Maracanã. A partida teve um minuto de silêncio em homenagem ao ex-jogador. (Pesquisa: Nilo Dias)



quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O "Mecão" centenário

O América Futebol Clube, de Natal (RN), também chamado de “Mecão” por seus torcedores, é mais um clube centenário do futebol brasileiro. Fundado em 14 de julho de 1915 na residência do juiz Joaquim Homem de Siqueira, na Cidade Alta, tem como atividade esportiva principal o futebol.

Os fundadores foram 34 jovens estudantes, comerciários e funcionários públicos, que se reuniram no dia 14 de julho de 1915, uma quarta-feira, na residência do juiz Joaquim Homem de Siqueira, situada na Rua Vigário Bartolomeu.

Alguns dos fundadores do América de Natal: Abel Viana, Aguinaldo Câmara, Aguinaldo Fernandes, Aguinaldo Tinôco, Anibal Ataliba, Braga Filho, Antônio da Rocha e Silva, Antônio Trigueiro, Armando da Cunha Pinheiro, Augusto Servita Pereira de Brito, Bartolomeu Campos Queiroz, Carlos de Laet, Carlos Fernandes Barros, Carlos Homem de Siqueira, Clóvis Fernandes Barros, Francisco dos Reis Lisboa, Francisco Lopes Teixeira, Getúlio Soares, José Artur dos Reis Lisboa, José Lopes Teixeira, Lauro Lustosa, Lélio Fernandes, Manoel Coelho Filho, Mário Monteiro, Napoleão Soares, Oscar Homem de Siqueira e Sidrack Caldas.

Em 15 de julho de 1915, a primeira diretoria do clube eleita por aclamação, foi a seguinte: Presidente: Getúlio Soares; Secretário: Mário Monteiro; Tesoureiro: Clóvis Fernandes Barros e Guardião do Material: Manoel Coelho Filho.

O nome América foi uma homenagem ao continente que o Brasil faz parte. As cores do clube, presentes no escudo e na bandeira oficial, são o vermelho e o branco. Suas cores iniciais foram o azul e o branco. Em 1918 mudou para vermelho e branco, que se mantém até hoje.

O primeiro jogo disputado pelo América aconteceu no dia 26 de setembro de 1915, contra o ABC, que com o passar do tempo se tornou o seu maior rival. O local da partida foi a Praça Pedro Velho, em um campo improvisado.

O ABC ganhou por 4 X 1, com gols de Mousinho (2), Mandu e Babua . Neco descontou para o América, escrevendo o seu nome na história do clube como autor do primeiro gol.

O América mandou a campo esta formação: Oscar Siqueira - Lélio e Gato – Carvalho - Gallo e Barros – Antônio - Carlos Siqueira – Neco - Garcia e Pipiu.

O primeiro jogo oficial do América também foi contra o ABC, válido pelo Campeonato Estadual. Realizou-se em 15 de Setembro de 1918 e a competição não teve fim. O América venceu por 3 X 0, com gols de Arnaldo, Pinheiro (contra) e Nilo Murtinho Braga.

Existe uma história curiosa a respeito da oficialização jurídica do clube, que envolveu o então Coronel Júlio Canavarro de Negreiros Melo, que teria no dia 3 de junho de 1918, furado a única bola que o clube tinha para treinar e jogar.

Em razão disso o América foi obrigado a possuir personalidade jurídica para poder entrar com uma ação indenizatória. Os Estatutos foram registrados pela primeira vez no dia 3 de julho de 1918, no Primeiro Ofício de Notas, em documento assinado pelo então presidente Oswaldo da Costa Pereira.

No início das atividades o América recrutava seus jogadores na Cidade Alta e os recursos financeiros eram em grande parte vindos do bolso de Aguinaldo Tinôco, um dos seus fundadores e que também era zagueiro e capitão do time.

O América conquistou seu primeiro título em 1919, quando do segundo campeonato de futebol do Estado, promovido pela Liga de Desportos Terrestres, que foi concluído, ao contrário do anterior. Dia 22 de junho daquele ano bateu o ABC por 3 X 0.

Em 1920 sagrou-se bicampeão. Em 1921 passou em branco, para em 1922 ganhar o campeonato daquele ano que foi chamado de “Taça da Independência”, uma homenagem ao centenário da Independência do Brasil.

No jogo final, o atleta João Maria Furtado, conhecido como "De Maria" fez o único gol frente ao eterno rival, o ABC, na vitória de 1 X 0. Em 1924 foi campeão outra vez, e em 1926 abriu o caminho para o segundo bicampeonato da sua história.

Entre 1930 e 1931 veio o terceiro bi. Depois disso o clube passou 15 longos anos sem ganhar um único Estadual. Somente em 1946 o jejum acabou.

Depois disso os colorados de Natal foram campeões em estaduais em outras três ocasiões: 1948/1949, 1951/1952, e de maneira invicta em 1956/1957. O destaque dessa época foi o atacante “Saquinho”, considerado até hoje o maior centroavante da história americana.

Após um largo período licenciado da Federação (de 1959 a 1966) para construção de sua sede social. O terreno onde se situa a sede americana foi comprado por iniciativa do presidente José Gomes da Costa, em 1929, juntamente com Orestes Silva, que pagaram 9 mil cruzeiros ao Estado, e depois doaram a área ao clube.

Participaram também da transação o tenente Júlio Perouse Pontes, Clóvis Fernandes Barros e Osmar Lopes Cardoso. O local, que no passado servia também de campo de treinamentos, era considerado muito distante.

O América voltou a ser campeão estadual em 1967, contando com um time bastante caseiro, mas com jogadores de destaque como Véscio e Evaldo "Pancinha".

Nesse ano, a final foi contra o Riachuelo, do então jovem Marinho Chagas. Essa vitória garantiu ao clube a participação na Taça Brasil de 1968. Em 1969 foi campeão estadual depois de uma série de jogos finais contra seu tradicional rival.

O primeiro clássico acabou 0 X 0. No segundo o ABC venceu por 3 X 0. No terceiro e último jogo o América precisava vencer e assim forçar uma quarta partida.

E não deu outra, o América venceu nos últimos minutos por 1 X 0, gol de Alemão, quando a torcida adversária já comemorava a conquista do título. Na quarta partida, o alvirrubro venceu por 2 X 0, gols de Bagadão e Alemão, e se sagrou campeão do Estado.

O América possui hoje uma boa estrutura, com sua sede social no Tirol e o centro de treinamento, em Parnamirim. O América foi o primeiro clube de futebol do estado do Rio Grande do Norte a possuir sede própria, construída na gestão do Presidente Humberto Nesi e levantada a primeira pedra no dia 14 de julho de 1945, à Avenida Maxaranguape, considerada a primeira e mais antiga sede própria do clube.

Para construção da Sede Social, o maior bem do clube, o América esteve licenciado do futebol no período de 1960 a 1965. Construído com muito suor e dinheiro dos americanos, ficou pronta na gestão de Humberto Pignataro (grande responsável por sua construção) em 14/07/1967, num dia festivo para a torcida americana.

Além do futebol, o clube trabalha com futsal, basquete paraolímpico e futebol americano, nesses dois últimos esportes recebendo o nome de América Tigres e América Bulls, respectivamente.

Seu título mais importante é a Copa do Nordeste de 1998, sendo o clube do Rio Grande do Norte com mais participações na Série A do Campeonato Brasileiro. Também foi o primeiro campeão estadual (1919) e o único time potiguar a participar de uma competição internacional: a extinta Copa Conmebol.

Na década de 1970 o América disputou campeonatos brasileiros, tendo em 1973 ficado em 25º lugar, dentre os 40 times que disputaram a competição. O time base era: Ubirajara - Ivan Silva – Scala - Mário Braga e Cosme – Paúra - Garcia e Hélcio Jacaré – Almir - Santa Cruz e Gilson Porto. O técnico era Sebastião Leônidas.

O destaque do time era Hélcio Jacaré, tido como um dos maiores ídolos da história americana.  O zagueiro gaúcho Luiz Carlos, Scala, ex “Seleção brasileira” e Ivan Silva, foram recordistas de jogos pelo América: 476, cada um.

O América foi bicampeão em 1974/1975, campeão em 1977, na famosa final que não acabou, quando os 22 jogadores se envolveram numa briga sem precedentes. Em 1974 foi campeão invicto com 20 jogos e obtendo 12 vitórias e 8 empates.

Em 1979, o clube deu inicio a uma série de títulos no Campeonato Estadual, sendo tetracampeão de 1979 a 1982, se mantendo por dois anos e vários jogos, invicto, contra times do Rio Grande do Norte. Depois foi tricampeão em 1987/1988/1989.

Nos anos 90 o América voltou a ser notícia no futebol brasileiro. Em 1996, com a liderança do habilidoso meia Moura, a equipe do Rio Grande do Norte foi vice-campeã da Série B do Campeonato Nacional, garantindo vaga na Série A do ano seguinte, depois de 13 anos.

A equipe potiguar venceu a Copa do Nordeste de 1998, derrotando o Vitória, da Bahia  na final por 3 X 1, gols de Kobayashi, Biro Biro e Carioca.

O “Estádio Machadão”, que foi demolido para dar lugar a “Arena das Dunas”, estava com uma parte de suas arquibancadas interditada, mas mesmo assim a torcida rubra se fez presente, com um público de 23.412 pagantes. O triunfo garantiu o time na extinta Copa Conmebol de 1998, hoje Copa Sul-Americana.

O América mandou a campo naquela noite chuvosa de 4 de junho: Gabriel  - Gilson - Paulo Roberto - Lima e Rogerinho – Montanha – Carioca - Moura e Biro Biro - Kobayashi e Leonardo. Técnico: Arturzinho.

O América alcançou sua melhor classificação nos antigos campeonatos nacionais em 1977, quando conseguiu um 17º lugar entre 62 clubes. O clube tomou parte em 11 competições seguidas, de 1973 a 1983. Foi quando passou a ser chamado de “Orgulho do Rio Grande do Norte”.

Em 2006, o clube conseguiu o acesso para a série principal do Campeonato Brasileiro, encerrando sua participação na Série B como 4º colocado.

Em 2007 o clube viveu uma grande crise depois de perder o Estadual para o ABC, sendo goleado por 5 X 2 na final. Na Série A estreou dia 12 de maio de 2007, diante do Vasco no “Estádio Machadão”, com derrota de 1 X 0.

Na segunda partida, em Santos, a surpresa, vitória do América pelo placar de 3x2, com 3 gols do zagueiro Édson Borges. E o time vermelho ainda atuou grande parte da partida com um jogador a menos, já que Geovane foi expulso.

Depois disso foram seis derrotas e um empate. Só voltou a vencer em 6 de julho, em Curitiba contra o Paraná, pelo placar de 1 X 0. Em seguida perdeu para o Internacional e para o Atlético (MG), venceu o Atlético Paranaense e não pontuou mais até o final do 1º turno.

No 2º turno só venceu na 9ª rodada, contra o Paraná. Com uma péssima campanha o clube foi rebaixado para a Série B com a pior pontuação da Série A até então, somando apenas 17 pontos.

Em 2008 o clube potiguar disputou a Série B, por onde passou por mais um aperto, porém bastante menor do que o de 2007. O clube terminou em 15º com 46 pontos ganhos, se livrando do rebaixamento nas últimas rodadas.

Em 2009 um novo rebaixamento só não aconteceu por milagre, pois o clube terminou  a competição apenas com uma diferença de dois pontos em relação ao primeiro rebaixado, o Juventude, de Caxias do Sul. O jogador Lúcio Curió, atacante do América, foi vice-artilheiro do campeonato, com 15 gols marcados.

Já em 2010, não teve jeito, o América acabou rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro. Em 2011 foi quarto colocado na Terceira Divisão, ganhando o direito de disputara Série B do ano seguinte.

Em 2012 foi campeão estadual, batendo o ABC nos jogos finais por 2 X 1 e 2 X 0. No Brasileiro da Série B, o time chegou a ser líder por uma rodada, esteve no G4 13 vezes, sendo 12 partidas seguidas, e nunca esteve abaixo da 10ª posição.

Começou bem, goleou o Goiás por 5 X 2, em seguida venceu o Avaí, Guaratinguetá, empatou com o Vitória e venceu o Bragantino até perder para o São Caetano fora de casa.

Em 2013 o time não começou bem. Na Copa do Nordeste fez uma péssima campanha. No Campeonato Potiguar surpreendeu, mantendo uma inacreditável e incrível invencibilidade de 18 partidas. Mas acabou perdendo o título para o Potiguar, de Mossoró. Na Série B 2013 não conseguiu classificação para a elite do futebol brasileiro.

Em 2014 um novo descenso da equipe a terceira divisão do campeonato brasileiro. Nesse ano foi inaugurada a “Arena das Dunas”, com um jogo entre o América contra Confiança, de Aracaju, válido “Copa do Nordeste”, com vitória do time rubro por 2 X 0. O primeiro gol da “Arena” foi marcado pelo zagueiro Adalberto.

No primeiro clássico disputado na Arena deu vermelho. O América ganhou do ABC por 1 x  0, gol de Adriano Pardal. Além do primeiro gol marcado, da primeira vitória, do primeiro clássico vencido, o clube ainda foi o primeiro a levantar uma taça de campeão no novo estádio, fato acontecido no dia 30 de Abril de 2014, quando conquistou o Estadual.

Títulos Estaduais. Campeonato Potiguar (1919, 1920, 1922, 1924, 1926, 1927, 1930, 1931, 1946, 1948, 1949, 1951, 1952, 1956, 1957, 1967, 1969, 1974 (invicto), 1975, 1977, 1979, 1980, 1981, 1982 (invicto), 1987, 1988, 1989, 1991, 1992, 1996, 2002, 2003, 2012, 2014 e 2015).

Torneio Início: (1919, 1929, 1932, 1934, 1948, 1949, 1952, 1953, 1955, 1969, 1971, 1982, 1984 e 1991). Copa Rio Grande do Norte: (2006).

Títulos. Interestaduais: Taça Norte-Nordeste (1973); Copa do Nordeste (1998). Outras Conquistas: Taça Cidade do Natal (1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1985, 1987, 1988, 1994 e 1995).
Torneio Imprensa: (1920 e 1984); Torneio RN/PE (1983); Torneio Coronel Murad (1927); Torneio Quadrangular do Maranhão (1950); Torneio Fantasmas do Norte (1950); Torneio Municipal do Natal (1953); Torneio Quadrangular do Natal (1950 e 1958); Torneio Qualificatório para a Série A RN(1974); Taça Cidade de Mossoró      (1987 e 1990); Torneio Qualificatório para a Série C RN (1990); Torneio Qualificatório para a Série B 1994 - Zonal RN/CE (1993).

Ídolos e grandes jogadores: Goleiros, Ubirajara e Andrey; Zagueiros, Scala, Eduardo Arroz e Norberto; Meio-Campistas, Hélcio Jacaré, Rodrigo Tabata, Souza, Madson, Biro Biro e Assis; Atacantes, Reinaldo, Gilson Porto, Paulinho Kobayashi, Sandro Gaúcho, Sandro Hiroshi, Nunes, Paulo Isidoro, Mazinho e Rodrigo Pimpão.

No Futsal, o América de Natal é vice-campeão brasileiro (Taça Brasil de Futsal), tricampeão do Nordeste e o maior vencedor do RN, 38 estaduais e metropolitano.

No basquete, em 2013, o clube conquistou o tricampeonato do Nordeste e garantiu o 3º lugar no Campeonato Brasileiro. Em 2014, o time de basquete alcançou as semifinais do Brasileirão.

No futebol americano, a equipe foi campeã do Nordeste em 2009 com uma campanha invicta, e atualmente o clube foi vice-campeão da Divisão Nordeste no Campeonato Brasileiro.

Em 9 de dezembro de 2005 pela lei municipal Nº 5.697 foi criado o Dia do América Futebol Clube. A data comemorativa no calendário da cidade homenageia a fundação do clube, sendo comemorada no mesmo dia 14 de julho.

No dia 3 de outubro de 2003, foi publicado no Diário Oficial de Município a Lei n° 5.493, de autoria do vereador Hermano Morais, reconhecendo o América Futebol Clube, como de Utilidade Pública Municipal. (Pesquisa: Nilo Dias)

América F.C., campeão potiguar 2015. (Foto: Nuno Guimarães/Gazeta Press))