Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O folclórico “Marcha-ré”

O ex-árbitro Antônio Gomes de Oliveira, o “Marcha-ré”, foi um personagem folclórico do futebol de Minas Gerais. Ele apitava desde a inauguração do “Mineirão”, em 1965. Depois de largar o apito trabalhou como delegado de pista. Com o fechamento do “Mineirão” para a Copa, ele passou a se dedicar aos projetos pessoais. Era torcedor do Villa Nova, de Nova Lima.

O ex-árbitro recebeu esse apelido porque gostava de correr de costas para acompanhar as jogadas de perto. O filho de Antônio Gomes conta que ele tinha facilidade de correr dessa maneira.

Personagem de muitos casos folclóricos no futebol, “Marcha-ré” gostava de contar para a família sobre uma briga em Uberlândia, envolvendo Edmundo, à época no Flamengo, e Zandoná, defensor do Vélez.

“Meu pai adorava contar o dia em que ele entrou no campo do “Parque do Sabiá” para separar a briga do Edmundo. O vídeo saiu na Internet e ele disse que a confusão poderia ter sido pior”, disse Danilo.

“Marcha-ré” faleceu no dia 27 de julho do ano passado, em consequência de problemas no coração e nos rins. Ele havia completado 80 anos em abril e dedicou 30 deles à arbitragem. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Bola tingida de sangue

Nestor Pedroso, o “Fruto”, nasceu em Dom Pedrito, no ano de 1903, mas só começou a se dedicar ao futebol em 1918. Naquela época existia em Dom Pedrito o E.C. 15 de Novembro, fundado pelo doutor Oscar Fontoura, então jogador do E.C. Cruzeiro, que mais tarde foi eleito deputado estadual e membro do secretariado do Governo do Estado. O craque Fontoura passava as suas férias na cidade natal e não querendo perder a forma e nem o contato com a bola fundou o clube.

“Fruto” fazia sucesso e ganhava fama nas “peladas”. Seria um grande elemento para o 15 de Novembro. Apareceram logo associados interessados em aproveitar o seu concurso. Mas não foi nada fácil ingressar no 15, que era um clube de brancos. Foi preciso uma reunião de Assembléia Geral para Fruto ser aceito no quadro.

No 15 ficou dois anos, era um futebol pobre, de amadores. Depois foi aconselhado a ir para Bagé, onde teria maiores possibilidades de desenvolvimento. Aceitando a sugestão partiu para a “Rainha da Fronteira”, onde estreou pelo Guarany, em 1921, sempre na posição de centromédio.

No fim do campeonato de 1921 aconteceu com “Fruto” uma coisa muito desagradável. Faltavam dois minutos para terminar uma partida e os dois adversários estavam em condições de igualdade no marcador. Nisso uma bola passou por ele. O goleiro pensando que Fruto interromperia a passagem da bola, parou. Foi gol. A torcida do Guarany pensou que ele havia se vendido por dinheiro. Foi um abalo muito grande que sofreu. Naquela época nem se ouvia falar em suborno.

Aborrecido, “Fruto” deixou Bagé e foi para Rio Grande, disposto a nunca mais ouvir falar em futebol. Passeou uns dois anos sem jogar. Mas como trabalhava na Padaria Bento, atendendo à insistência de amigos, resolveu atuar pelo E.C. Padeiral, que congregava a classe dos padeiros.

“Fruto”, pelas suas qualidades de jogador e pela ascendência que possuía sobre os seus companheiros, passou a ser a figura máxima do clube, dentro e fora dos gramados. No Padeiral era chamado de “governador”.

Um sério conflito no qual foi assassinado um torcedor do clube dos padeiros, fez com que se pensasse na mudança de denominação do Padeiral, nome este que fazia recordar aquele acontecimento sangrento. “Fruto” foi contra, mas a maioria decidiu trocar o nome do clube para Americano, isso em 1927. Ele aproveitou a oportunidade e junto de Carruíra e outros jogadores ingressou no S.C. Rio Grande, que sempre foi o seu clube de coração.

Em 1929 foi para o Brasil, de Pelotas, onde atuou até 1934, ano em que foi para o Flamengo, do Rio de Janeiro. A torcida do Brasil sentiu imensamente a saída de seu grande jogador e lhe ofertou um retrato com os dizeres: “Por baixo as vezes passa, por cima nunca”.

No Flamengo, “Fruto” teve a má sorte de encontrar Flávio Costa, que era o centromédio do clube rubro-negro carioca. Mas já estava passando da idade, quando Fruto chegou. O dirigente Bastos Padilha então disse-lhe: “Flávio, o gaúcho a partir de hoje vai ocupar o seu lugar. Você nos prestará mais serviços cuidando do time como técnico”.

Foi a desgraça de “Fruto”. Flávio passou a persegui-lo de todos os modos, bem como antigos companheiros de time, a quem ele não apreciava. O treinador fazia “Fruto” treinar de zagueiro para jogar de centromédio. Quando reclamava treinava de centromédio e jogava como zagueiro. Um inferno. Por fim não suportou mais. Resolveu voltar para o Sul. Os diretores do Flamengo, todavia, queriam impedir a sua saída. Argumentaram, discutiram, mas “Fruto” não cedeu.

Chegaram ao ponto de desconfiar que era a sua esposa que estivesse influindo na decisão. Uma comitiva de dirigentes flamenguistas foi até a casa do jogador, numa hora em que ele se encontrava ausente, para saber da mulher se estava faltando alguma coisa em casa. Ela de pronto respondeu que estava tudo bem.

Ao saber da visita, “Fruto” disse que nunca na vida havia passado tão bem. Recebera de luvas Cr$ 5.000.00 de luvas, uma verdadeira fortuna para a época e ganhava um salário de Cr$ 800.00 por mês, mais casa e luz. Mas o certo é que seu desejo era ir embora.

Em 1935 estava de volta ao Brasil, de Pelotas, onde ficou por apenas um ano. Em 1936 foi para o S.C. Rio Grande, onde se sagrou campeão municipal por antecipação, o que lhe garantiu o direito de disputar o estadual.

Em novembro e dezembro, o Rio Grande enfrentou o Grêmio Atlético 9º R.I., de Pelotas, em dois jogos, realizados em Rio Grande e Pelotas. Tendo vencido ambos os confrontos, o tricolor riograndino se classificou para enfrentar em Porto Alegre ao E.C. Novo Hamburgo, depois Floriano e hoje novamente E.C. Novo Hamburgo, a quem venceu por 5 X 2.

Estava o Rio Grande habilitado a decidir o título frente o Sport Club Internacional, de Porto Alegre. A final seria disputada em dois ou três jogos, todos marcados para o campo do Força e Luz, na capital gaúcha. O primeiro deles foi realizada no dia 17 de janeiro de 1937 e o S. C. Rio Grande venceu pelo placar de 3 X 2, com gols de Souza, Pecce e Ernestino. Os gols do Internacional foram marcados por Salvador e Sílvio.

O S. C. Rio Grande jogou com: Munheco – Fruto e Cazuza – Juvêncio – Chinês e Roberto - Ernestinho – Darinho – Souza (Carruíra) - Marzol e Pecce.

A segunda partida foi novamente vencida pelo Rio Grande, pelo placar de 2 X 0, sagrando-se Campeão Gaúcho. A escalação do Rio Grande foi a seguinte: Munheco - Cazuza e Juvêncio – Chinês – Sanguinha e Roberto – Ernestinho - Carruíra (Caringi) – Souza - Marzol e Pecce.

Na volta para Rio Grande, os jogadores foram recebidos com muita festa, tendo inclusive desfilado pelo centro da cidade em automóveis conversíveis.

Como lembrança dessa competição memorável, o S.C. Rio Grande guarda em sua sede a bola do jogo e a camiseta de “Fruto”, ambas manchadas de sangue. Tudo aconteceu quando “Fruto” pulou junto do jogador Salvador, do internacional, cabeceando a bola e o adversário. O choque foi tão violento que Salvador chegou a gritar: “Ô mãeeee” e foi de imediato levado de ambulância para um hospital. “Fruto”, mais resistente, continuou em campo, molhado de sangue.

Também a bola no final do jogo, se apresentava com os gomos pintados de vermelho. O pessoal do S.C. Rio Grande a guardam na sede, como exemplo de uma dedicação de atleta superior aos próprios sofrimentos físicos. Na época a bola era arrematada por fora, e recebia o nome de tento. Era uma costura de couro crú, e quem tinha a coragem de cabeceá-la, muitas vezes saia com um ferimento na cabeça.

Em 1936, o selecionado gaúcho eliminou o onze carioca, no Campeonato Brasileiro de Seleções, por isso teve tempo e aceitou jogar um amistoso em Rio Grande, frente o S.C. Rio Grande.

“Fruto” começou o jogo como zagueiro, mas minutos depois trocou de posição, com Chinês (pai de Chinesinho), passando para o centro da intermediária, pois na sua visão aquele setor da equipe não estava bem. Com isso, a linha atacante carioca, composta por Orlando, Leônidas, Carvalho Leite, Feitiço e Patesko, ficou paralisada.

Ao final do jogo, Feitiço, num lance desleal tirou “Fruto” do gramado. Terminada a partida com o placar igual em 2 x 2, “Fruto” lamentou que sua equipe não tivesse marcado o terceiro gol num pênalti. Devido o técnico carioca ter reclamado muito, “Fruto”, que era o capitão do time, ordenou que a falta fosse batida ostensivamente para fora. Pênalti, na época dele era considerado covardia, pois o goleiro não podia se mexer. Geralmente era batido para fora, só convertiam, se esse gol estivesse fazendo falta.

Na opinião de “Fruto”, esse foi o melhor time que o S.C. Rio Grande montou em toda a sua história de quase 113 anos. “Fruto” jogou no Rio Grande até 1943, atuando como zagueiro e centromédio.

A maior emoção de sua vida teve-a em 1936, quando na campanha vitoriosa do Estadual, o Rio Grande derrotou o então poderoso esquadrão do 9º RCB, atual Farroupilha, de Pelotas, que tinha em seu plantel jogadores altamente categorizados, como Cardeal, Cerrito, Selistre, Brandão e outros.

Os maiores jogadores que conheceu foram Luiz Carvalho, em Porto Alegre, Mário Reis, em Pelotas, o uruguaio Greco, em Bagé, Carruíra, em Rio Grande e Juvenal de Brito, em São Paulo.

“Fruto” foi sempre um jogador firme, mas leal, que geralmente levava vantagem pelo porte físico avantajado que possuía. Mal encostava e o adversário já caia. Ele e o atacante Luiz Carvalho, que também era muito forte, proporcionaram grandes duelos, mas nunca houve lesões nessas disputas entre eles.

Um filho de “Fruto”, que também levava o seu apelido, chegou a jogar nos aspirantes do S.C. Rio Grande. Outros clubes tentaram contratá-lo, mas o pai nunca deixou. E explicava porque: “Ou joga no Rio Grande ou não joga em ninguém mais”.

O grande jogador é até hoje lembrado em Rio Grande, onde virou nome de rua. Na Vila Maria José, existe a rua Nestor Pedroso. (Pesquisa: Nilo Dias)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O "Leão" pernambucano

Como e porque o “Leão” é o símbolo do Sport, tradicional clube do futebol pernambucano? Ginanildo Alves conta isso em detalhes nio seu livro “História do Futebol em Pernambuco”. Em 1919 o Sport promoveu uma excursão até Belém do Pará, para vários jogos contra equipes daquele Estado. Era a primeira vez que um clube de Pernambuco era protagonista de uma longa viagem fora do Estado.

Para isso o time foi reforçado com Bermudes, do América, e Lelis, do Flamengo, este incluído na delegação rubro-negra sem que seu clube tivesse autorizado. Por outro lado, o Sport conseguiu junto ao Santa Cruz permissão para levar Alcindo Wanderley, o célebre Pitota, considerado o primeiro grande ídolo do futebol pernambucano.

Só que ele viajaria como árbitro, não como jogador. Era comum naqueles tempos, jogadores apitarem. Fazia parte da rotina do futebol. Em três jogos dos rubro-negros em Belém, Pitota empunhou o apito, mas pelo menos em um, vestiu a camisa do Sport..


O time pernambucano saiu de Recife no dia 12 de março, a bordo do navio “Olinda”, tendo como chefe da delegação o desportista Hybernon Wanderley. Mais o secretário-geral, José Luiz da Silveira Barros, e os jogadores Mário Franco, Afonso Alarcon, Arlindo Lelis, José Bermudes, Antonio Mazullo, João Batista, Aníbal Madeira, Pedro Mazullo, Nestor Cruz, Luciano Pereira, Alcindo Wanderley, Mário Mattos, Henrique Adour, Ruy Gouveia, Carlos Wanderley e Rodrigo Carneiro.
O primeiro jogo do Sport em gramados paraenses foi no dia 23 de março, quando empatou em 3 X 3 com o Combinado Remo-Paysandu. No dia 27 enfrentou e venceu o Selecionado Paraense por 3 X 2, ganhando o "Troféu Lão do Norte". Nesse jogo o Sport mandou a campo: Mário Franco - Alarcon e Antônio Mazullo - Nestor Cruz - Bermudes e Lelys - Baptista - Pitota - Annibal - Ruy e Luciano Pereira.

No dia 30 perdeu de 4 X 0 para o Paysandu, mas se reabilitou no dia 3 de abril, derrotando mais uma vez o combinado Remo-Paysandu, desta vez por 2 X 1.

Na despedida, o onze pernambucano perdeu para o Remo por 1 X 0. A excursão foi considerada um sucesso, pois nos cinco jogos disputados venceu dois,empatou um e perdeu duas vezes.

A viagem de volta foi feita no navio “Rio Negro”, que atracou no cais do porto de Recife no dia 14 de abril. No portaló do vapor, vaidoso e sorridente, o chefe da delegação, Hybernon Wanderley, mostrava aos torcedores que recepcionaram o time, o enorme e rico troféu, denominado “Leão do Norte”, conquistado na partida contra a Seleção do Pará.

O bronze, até hoje guardado com carinho no Museu do Sport, é trabalho de um escultor francês, e representa um gladiador dominando um leão. O troféu está um tanto danificado, devido um incidente ocorrido momentos antes de o Sport regressar ao Recife.

A revista “Rubro-Negro”, edição de outubro de 1951, publicou matéria sobre o assunto que diz:

“O fato mais curioso da história do bronze ”Leão do Norte” está ligado à sua conquista. Os clubes do Pará tinham a certeza de que o bronze ficaria em Belém, por isso ostentava a legenda: “O caboclo paraense domina o Leão do Norte”.

Mas, tal não se deu e, como o Sport o conquistara, recusaram entregar-lhe o brinde, sendo necessário o presidente da embaixada rubro-negra ir à Polícia para reclamar direitos líquidos do clube pernambucano, para que o bronze fosse entregue a seus conquistadores. Foi o bronze levado para o vapor e lá deixado em exposição, quando apareceu um torcedor local que o mutilou, num protesto mudo porque o bronze não ficara no Pará”.

Cerca de 30 automóveis saíram do porto para o Cais José Mariano, sede do Sport, passando antes pelas principais ruas da cidade, onde o povo nas calçadas aplaudia os jogadores. O cortejo foi precedido pela banda de música da Escola Correcional do Recife, vindo logo em seguida um carro “Overland”, no qual iam, acenando para a multidão, Hybernon Wanderley, Carlos Médicis e Armando Loyo. À noite, no Restaurante Leite, a diretoria do Sport ofereceu um banquete aos jogadores e convidados especiais.

O memorável feito dos jogadores rubro-negros foi eternizado pouco tempo depois, com a adoção do "Leão" como símbolo do clube. (Pesquisa: Nilo Dias)

O troféu que originou a adoção do "Leão", como símbolo do clube.

terça-feira, 26 de março de 2013

O OPERADOR DO BLOG ESTARÁ VIAJANDO DE 27 DE MARÇO A 1 DE ABRIL. AS POSTAGENS VOLTARÃO A SER PUBLICADAS A PARTIR DE 2 DE ABRIL.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Tragédia nos Andes

Em 1970 o time do “Old Christian Club”, que era integrado na maioria por ex-alunos do Colégio Stella Maris conquistou pela segunda vez o título de campeão uruguaio de rugby, um esporte que começava a ganhar popularidade no país. Foi assim que em 1971 acertaram uma excursão até Santiago do Chile, para dois jogos contra uma equipe chilena.

Como um voo comercial sairia bastante caro, foi contratado um avião turbo-hélice da “Fuerza Aérea Uruguaya”. Havia, porém, alguns obstáculos, que quase cancelaram a viagem. Um deles era conseguir lotação para o voo, mas isso foi superado com a venda de lugares para familiares dos jogadores e torcedores do time.

As 8h05min da manhã de 12 de outubro de 1972 o “Fairchild F-227”, levantou voo do Aeroporto de Carrasco, em Montevidéu, em direção da capital chilena. No avião viajavam cinco tripulantes e 40 passageiros, na maioria jovens com a idade média de 20 anos.

Ao sobrevoarem os Andes, as condições climáticas não eras boas, por isso tiveram que fazer um pouso forçado em Mendoza, província da Argentina, onde passaram a noite. No dia seguinte retomaram a viagem rumo a Santiago.

Depois de retomar o voo na tarde de 13 de Outubro, o avião voava em breve através da passagem nas montanhas. O piloto notificou os controladores aéreos de Santiago de que estava sobre Curicó, Chile, e foi autorizado a descer. Isso viria a ser um erro fatal. Visto que a passagem estava encoberta pelas nuvens, os pilotos tiveram que se fiar segundo o tempo normalmente necessário para atravessar a passagem (Navegação estimada).

No entanto, eles erraram ao não levarem em consideração os fortes ventos de proa que em última análise, retardaram o avião aumentando o tempo necessário para completar a travessia. Eles não foram tão longe como pensavam que estavam. Como resultado, a curva e descida foram iniciados muito cedo, antes que o avião tivesse passado através das montanhas, levando a um voo controlado contra o solo.

Mergulhando na cobertura de nuvens enquanto ainda sobre as montanhas, o Fairchild logo caiu num pico sem nome (mais tarde chamado “Cerro Seler”), também conhecido como “Glaciar de las Lágrimas”, localizado entre “Cerro Sosneado” e “Tinguiririca Volcán”, abrangendo a remota fronteira montanhosa entre o Chile e a Argentina. Na realidade, o avião havia caído sobre a Argentina, a apenas 18 quilômetros a oeste de um hotel abandonado chamado de Hotel Termas Sosneado.

O avião acertou um pico a 4.200 metros (13.800 pés), simplesmente separando a asa direita, que foi jogada para trás com tanta força que cortou o estabilizador vertical, deixando um buraco na parte traseira da fuselagem. O avião então acertou um segundo pico, que separou a asa esquerda e deixou o avião com apenas a fuselagem voando pelo ar. Uma das hélices cortou a fuselagem conforme a asa a que estava fixada foi separada.

A fuselagem bateu no chão e deslizou por uma encosta íngreme da montanha antes de finalmente chegar a descansar num banco de neve. A localização do local do acidente é 34° 45′ S 70° 17′ W), no município argentino de Malargüe (Departamento de Malargüe, Província de Mendoza).

Das 45 pessoas a bordo, 12 morreram na queda ou pouco depois, incluindo o piloto. Outros cinco morreram na manhã seguinte, entre eles o cô-piloto, e mais uma sucumbiu aos ferimentos no oitavo dia. Os 27 restantes enfrentaram sérias dificuldades em sobreviver ao congelamento no alto das montanhas. Muitos tinham sofrido ferimentos do acidente, incluindo as pernas quebradas nos assentos da aeronave empilhados juntos.

Os sobreviventes não tinham equipamentos, tais como roupas para o frio e calçados de montanhismo, adequados para a área, óculos de proteção para prevenir cegueira da neve (embora um dos eventuais sobreviventes, de 24 anos de idade, Adolfo "Fito" Strauch, inventou um par de óculos de sol usando o ”pára-sóis” da cabine do piloto que ajudou a proteger seus olhos do sol). Mais gravemente, eles não tinham qualquer tipo de material médico, e a morte do Dr. Francisco Nicola piorou tudo.

Ao chegar a noite se acomodavam uns ao lado dos outros, para espantar o frio e dormirem. Nessa situação passariam dois longos meses no alto da montanha gelada, praticamente sem alimentos, usando um abrigo inadequado. Em que pese tudo isso, 16 homens conseguiram sobreviver.

Ao redor de onde o avião caiu tudo era neve. As temperaturas eram extremamente baixas. Tinham apenas um pouco de comida: um garrafão de vinho, marmelada, barras de chocolate e poucos agasalhos. Mesmo preocupados com a gravidade da situação, estavam animados pela possibilidade do resgate os encontrar em pouco tempo. Nos dias seguintes racionaram as poucas provisões que tinham.

Durante os primeiros dias era dado a cada um uma tampa de desodorante com vinho, uma colher de marmelada e um tablete de chocolate, conforme contou Carlos Páez, um dos sobreviventes. Os grupos de busca de três países procuraram o avião desaparecido. No entanto, uma vez que o avião era em branco, ele se misturou com a neve, tornando-se praticamente invisível do céu.

A busca inicial foi cancelada depois de oito dias. Os sobreviventes do acidente tinham encontrado um pequeno rádio transistor no avião, e Roy Harley primeiramente ouviu a notícia de que a busca foi cancelada em seu décimo primeiro dia na montanha. A partir daí só poderiam se salvar por seus próprios meios.

As pessoas que se agruparam em torno de Roy, ao ouvir a notícia, começaram a chorar e orar, todos, exceto Parrado, que olhou calmamente para as montanhas. Gustavo [Coco] Nicolich subiu pelo buraco na parede de malas e camisas de rugby, agachando na boca do túnel escuro, olhou para os rostos tristes que estavam voltados para ele. “Ei meninos”, ele gritou: “há boas notícias! Acabamos de ouvir no rádio. Eles cancelaram as buscas”. Dentro do avião lotado, houve um silêncio. Como a sua situação de desespero os envolveu, eles choraram.

"Por que diabos é uma boa notícia?" Paez gritou com raiva para Nicolich. E este disse: “Porque isso significa que vamos sair daqui por conta própria”. A coragem deste menino impediu uma inundação de total desespero.

Em tais condições trataram de aproveitar ao máximo cada um dos objetos e materiais que tinham ao alcance. Uma das primeiras necessidades era conseguir água. Com pedaços de metal dos assentos, arrancavam pedaços de gelo e esperavam que o sol os derretesse, com o uso de improvisadas lentes, feitas com vidro das janelas do avião. Assim, para cada dificuldade criavam uma solução.

Eles tentaram comer tiras de couro rasgado das peças de bagagem, embora soubessem que os produtos químicos com que tinham sido tratados, fariam mais mal do que bem. Rasgaram almofadas de assento na esperança de encontrar palha, mas encontraram apenas espuma do estofamento, não comestível. A menos que comessem as roupas, não havia mais nada além de alumínio, plástico, gelo e rocha.

Com o término dos alimentos, uma decisão difícil foi tomada, comer partes dos corpos dos companheiros mortos, que se encontravam intactos, sepultados na neve. Todos eram católicos. Como se pode imaginar, houve opiniões divergentes. Mas ao final todos se convenceram que não havia outra saída. Com um pedaço de vidro faziam pequenos cortes nos corpos congelados, retirando pedaços de carne para alimentar-se, começando pelo piloto

Estavam á 15 dias na montanha, quando receberam um novo golpe. No meio da noite uma avalanche de neve cobriu grande parte do interior da estrutura do avião, onde se protegiam, sepultando a todos, exceto um, que se levantou correndo. Com as mãos começou a buscar os companheiros entre a neve. Os que eram resgatados ajudavam na busca aos outros. Mas nem todos puderam ser salvos, outros oito perderam a vida.

O tempo passava, era preciso encontrar alternativas para poderem sair dali. Tentaram pedir ajuda pelo rádio do avião.Três homens saíram pelo gelo e acharam a cauda do aparelho, onde havia malas contendo cigarros, doces, roupas limpas e algumas revistas em quadrinhos, além das baterias de energia. Mas não foi possível acionar o rádio. Só restava, então, viajar pelo gelo em busca de ajuda, o que só seria possível com o fim do inverno.

Inicialmente pensaram em que três homens fizessem a viagem. Mas depois, prevendo que poderia faltar alimento, apenas dois se lançaram a aventura, Fernando Parrado e Roberto Canessa. Com um saco de dormir, um pouco de rum, alguns pedaços de carne humana deram início a viagem. Depois de nove dias e de caminharem mais de 70 quilômetros na neve e atravessado um pico de 5.100 metros de altitude, sentiram que começavam a viver de novo. Os dois chegaram ao leito do rio Azufre, o que dava certeza que encontrariam gente por perto.

E não deu outra coisa, quando Parrado estava recolhendo madeira para fazer uma fogueira, Canessa percebeu o que parecia ser um homem a cavalo do outro lado do rio. Como o ruído da água não permitia a comunicação, o homem jogou uma pedra com um papel atado, onde perguntava quem eram e o que queriam. Com a resposta de que eram sobreviventes de um avião que caiu na cordilheira dos Andes, o homem, um chileno Huaso chamado Sergio Catalan, foi em busca de ajuda, mas sem antes deixar-lhes uns panos que carregava e um pouco de comida.

Catalan andou a cavalo por muitas horas em sentido Oeste para trazer ajuda. Durante a viagem ele viu outro huaso no lado sul do rio Azufre e pediu-lhe para alcançar os meninos e para trazê-los para Los Maitenes. Em vez disso, ele seguiu o rio até o cruzamento com o rio Tinguiririca, onde, depois de passar uma ponte, ele foi capaz de chegar a um percurso estreito que ligava a vila de Puente Negro para a estância de férias de Termas del Flaco.

Ali ele foi capaz de parar um caminhão e chegar à estação de Polícia, em Puente Negro, onde a notícia foi finalmente enviada para o comando do Exército em San Fernando e depois para Santiago. Enquanto isso, Parrado e Canessa foram resgatados e chegaram a Los Maitenes, onde foram alimentados e deixados em repouso.

Na manhã seguinte, a expedição de resgate deixou Santiago, e após uma parada em San Fernando, mudou-se para leste. Dois helicópteros tiveram que voar no meio do nevoeiro, mas chegou a um lugar perto de Los Maitenes apenas quando Parrado e Canessa passavam a cavalo, indo para Puente Negro. Nando Parrado foi recrutado para voar de volta para a montanha a fim de orientar os helicópteros para o restante dos sobreviventes.

A notícia de que as pessoas tinham sobrevivido ao acidente de 13 de outubro de Voo da Força Aérea Uruguaia 571 também tinha vazado para a imprensa internacional e uma avalanche de repórteres começaram a aparecer ao longo da rota estreita de Puente Negro para Termas del Flaco. Os repórteres esperavam ser capaz de ver e entrevistar Parrado e Canessa sobre o acidente e nos dias seguintes.

Na manhã do dia em que o resgate começou, aqueles que permanecem no local do acidente ouviram em seu rádio que Parrado e Canessa tinham sido bem sucedidos em encontrar ajuda e naquela tarde de 22 de dezembro de 1972, dois helicópteros carregando escaladores de busca e resgate chegaram.

Dessa maneira os demais sobreviventes foram retirados da montanha de gelo. O último deles foi resgatado em 23 de Dezembro de 1972, mais de dois meses após o acidente. Poucas pessoas ainda acreditavam que alguém pudesse ter sobrevivido em situações tão adversas.No total foram 16 sobreviventes. Todos os sobreviventes foram levados para hospitais em Santiago e tratados para a doença de altura, desidratação, queimaduras, geladuras, ossos quebrados, escorbuto e desnutrição.

Em agosto do ano seguinte um grupo de mães, cujos filhos faleceram no acidente dos Andes, fundaram a biblioteca “Nuestros Hijos”, para manter viva a recordação dos que não voltaram da tragédia acontecida em 13 de outubro de 1972.

A história da fantástica tragédia dos Andes foi contada em três filmes, sendo “I viven” (Alive), de 1993, o mais conhecido. Também foram escritos vários livros e alguns documentos. Em todos são mostrados testemunhos que relatam o esforços daqueles que lutaram para sobreviver em meio de um lugar sem vida, mesmo com todos os fatores contrários a essas vontades.

Estavam no avião. Tripulação: Colonel Julio Ferradas, piloto; Lieutenant Colonel Dante Lagurara, co-piloto; Lieutenant Ramon Martínez; Corporal Carlos Roque; Corporal Ovidio Joaquin Ramírez. Passageiros: Francisco Abal, Jose Pedro Algorta, Roberto Canessa, Gaston Costemalle, Alfredo Delgado, Rafael Echavarren, Daniel Fernández, Roberto Francois, Roy Harley, Alexis Hounié, Jose Luis Inciarte, Guido Magri, Alvaro Mangino, Felipe Maquirriain, Graciela Augusto Gumila de Mariani, Julio Martínez-Lamas, Daniel Maspons, Juan Carlos Menéndez, Javier Methol, Liliana Navarro Petraglia de Methol, Dr. Francisco Nicola, Esther Horta Pérez de Nicola, Gustavo Nicolich, Arturo Nogueira, Carlos Páez Rodriguez, Eugenia Dolgay Diedug de Parrado, Fernando Parrado, Susana Parrado, Marcelo Perez, Enrique Platero, Ramón Sabella, Daniel Shaw, Adolfo Strauch, Eduardo Strauch, Diego Storm, Numa Turcatti, Carlos Valeta. Fernando Vázquez Antonio Vizintín e Gustavo Zerbino. (Pesquisa: Nilo Dias)

Os sobreviventes do desastre aéreo comemoram a chegada das equipes de socorro após 72 dias perdidos na Cordilheira do Andes. (Data da foto: 1972. Fotógrafo: desconhecido)

terça-feira, 19 de março de 2013

A morte do "Canhão da Baixada"

Morreu hoje aos 64 anos de idade, o ex-jogador Vitorino Lopes Garcia, o Torino, que nasceu em Pelotas, no dia 1º de novembro de 1948. Ele ultimamente morava na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, e desde o ano passado enfrentava uma dura luta contra o câncer.

Ainda assim, cuidava de uma escolinha de futebol que levava seu nome e era comentarista esportivo da Rádio Ilha Norte FM na cidade. Deixou quatro filhos, três mulheres e um homem, que nasceu no Chile e atualmente reside em Curitiba, onde é preparador físico. E ainda oito netos. O sepultmento acontece hoje em Florianópolis.

Em sua casa no litoral catarinense, Torino recebia, com freqüência, as visitas de Afonsinho e Paulo César “Caju”, ex-jogadores e grandes amigos conquistados durante a carreira. Sobre a praia dos Ingleses costumava dizer: “Aquilo lá é “um paraíso”, e graças a Deus “vivo para a minha família, para os bons amigos e para a escolinha de futebol que criei por lá”.

Torino começou a carreira jogando futebol de salão, defendendo o E.C. Fiação e Tecidos, de Pelotas de onde foi para o G.E. Brasil, que montara uma equipe que marcou história no salonismo do Rio Grande do Sul, conquistando vários títulos municipais e estaduais. A base daquele grande time era: Carlota – Cassiano e Pedalão – Peto e Torino.

Em sua vitoriosa carreira defendeu o G.E. Brasil, de Pelotas, Botafogo F.R., do Rio de Janeiro, Grêmio Portoalegrense, Clube Atlético Paranaense, Colorado, do Paraná, Internacional, de Lajes (SC), CSA, de Alagoas, Olaria, do Rio de Janeiro, Sergipe, Juventude, de Caxias do Sul e E.C. Pelotas.

Teve ainda uma exitosa passagem de oito anos pelo futebol chileno, levado pelo lendário ex-zagueiro Elias Figueroa. Depois de enfrentar algumas divergências políticas em razão de algumas medidas impostas pelo ditador Augusto Pinochet, Torino decidiu deixar o país e encerrou a carreira em 1985, jogando pelo La Serena.

Seu forte chute de perna esquerda, que lhe valeu o apelido de “Canhão da Baixada” e as grandes atuações pelo quinteto salonista “xavante”, fizeram com que Torino fosse guindado ao time profissional. Não demorou a chamar a atenção de dirigentes do Botafogo, que o levaram para o Rio de Janeiro.

No Grêmio, jogou ao lado de Everaldo, Jair, Espinosa, Ari Ercílio, Beto, Cláudio Radar, Jadir, Gaspar, Flecha, Alcindo, Loivo, Tarciso, Scotta, Volmir, Caio, Tião Quelé, Chamaco, Mazinho e Oberti. Ele chegou ao Olímpico em 1971, permanecendo até 1974.

Torino, que esteve ao lado de verdadeiros ídolos do futebol brasileiro, dizia que o melhor jogador com quem atuou foi o ex-atacante Gaspar, e os melhores que viu jogar foram Zito e Cruijff. Confessou ainda que quando era jogador, se inspirava nas jogadas e na forma de atuar de Joaquinzinho, craque que marcou época no futebol pelotense, especialmente no G.E. Brasil.

Dizia que entre os muitos técnicos com quem trabalhou, Otto Glória foi o melhor e Zagallo, o pior, pois não tinha pulso firme para comandar uma equipe.

Torino, em sua última visita a Pelotas, em junho do ano passado, concedeu entrevista ao programa "Pelotas 13 horas", da Rádio Universidade e conversou por telefone, com o ex-narrador de futebol, Wolney Castro, a quem se dizia agradecido, por ter “enchido de vida o futebol pelotense das décadas de 60 e 70”. Também perguntou pelo “grande” Wilson Carvalho, que marcou época no Farroupilha, de Pelotas e Portuguesa de Desportos, de São Paulo, entre outros clubes. E disse que seu amigo, o atacante Paraguaio, ex-Grêmio e Farroupilha, casara no Rio de Janeiro e morrera um tempo depois.

Em suas recordações lembrou de João Borges, um ponta esquerda “xavante”, que foi um verdadeiro símbolo do clube. Não esqueceu de Osvaldo Barbosa, zagueiro que marcou época e excelente treinador. Fez rasgados elogios a Caçapava e Birinha, que formaram o melhor meio-campo da história do G.E. Brasil. Perguntou pelo ex-lateral “xavante”, Adilson, que considerava uma grande figura humana.

Perguntado sobre Luis Felipe Scolari, preferiu o silêncio, dizendo apenas que não tinha vontade nenhuma de falar alguma coisa. Elogiou muito o ex-goleiro Danrlei, que segundo ele foi um verdadeiro “herói”, quando da tragédia com o ônibus ”xavante”.

Torino, como não poderia deixar de ser, lembrou dos bons tempos do salonismo. Homenageou Clóvis Bohns, o “Covinha”, a quem considerava um Pelé do futebol de salão, “craque maravilhoso, inigualável, inesquecível” e disse ter visitado o ex-atacante. Citou Pedalão, Cassiano, Prestes, o “espetacular” Peto, que encantava as plateias e o “admirável” Zé Allam, falecido o ano passado, que foi um jogador de alta classe.

Torino evitou falar dos técnicos Paulo de Souza Lobo, o “Galego” e Oswaldo Rolla, o “Foguinho”. Mas não esqueceu Oscar Urruty, “grande goleiro, grande conhecedor de futebol, além de ser um cidadão de bem”. Torino homenageou Getúlio Saldanha, ex-zagueiro e ex-técnico do E.C. Pelotas, “exemplo de cidadão, conhecedor do futebol, e pessoa chave na descoberta de talentos na Avenida Bento Gonçalves”.

Torino, que era um carnavalesco de primeira linha, fez duras criticas ao Carnaval de sua cidade, que no passado chegou a ser considerado um dos melhores do Brasil, mas devido a decisões equivocadas, se tornou inferior até aos festejos de pequenas cidades da região. Mesmo quando jogava em grandes clubes, Torino sempre dava um jeito de ir até Pelotas participar do Carnaval.

Como treinador, Torino dirigiu as categorias de base do Figueirense, foi auxiliar técnico no Guarani, de Palhoça e comandou o Clube Atlético Canoinhas, na segunda divisão catarinense. Um desejo que Torino não conseguiu concretizar, foi o de organizar um jogo de veteranos ao final de cada ano. (Pesquisa: Nilo Dias)

Torino, quando jogava no Grêmio. (Foto: Zero Hora)

sexta-feira, 8 de março de 2013

O periquito que virou porco

Todos os grandes times do futebol paulista tem uma mascote, cada: São Paulo, o “Santo Paulo”; Santos, uma “Baleia” e Corinthians, o “Mosqueteiro”. Apenas o Palmeiras tem duas, O “Periquito”, que é oficial e o “Porco”, adotado pela torcida. E porque?

O “Periquito” foi escolhido quando o clube ainda se chamava Palestra Itália, em razão do uniforme verde e também porque a região onde se localizava o clube, na Pompéia, era habitada por muitas aves dessa espécie. Não por acaso, muitos clubes brasileiros que também usam o uniforme verde adotaram o periquito como mascote.

Muita gente pensa que a mascote é o personagem “Zé Carioca”, de Walt Disney. Mas não é. Muitos torcedores e cartunistas desenharam “Zé Carioca”, que é um papagaio com a camisa do alviverde, mas a mascote é na verdade um periquito.

A mascote não oficial, porém preferida dos torcedores é o porco. A origem dessa história remonta ao dia 28 de abril de 1969, quando dois jogadores do Corinthians morreram em um acidente de carro. O time retornava de Sorocaba, onde empatara em 1 X 1 com o São Bento, em jogo válido pelo Campeonato Paulista.

Ao chegarem no Parque São Jorge, os dois maiores destaques da equipe na competição daquele ano, o lateral direito Lidú (22 anos) e o ponta esquerda Eduardo (25), resolveram comer uma pizza nos arredores do Canindé, o estádio da Portuguesa.

Mas não chegaram ao restaurante: na Marginal Tietê, Lidú perdeu o controle de seu “Fusca”, que chocou-se violentamente contra uma das pilastras de sustentação da ponte da Vila Maria. Os dois morreram na hora.

Em vista da morte de dois de seus principais jogadores, a diretoria corinthiana solicitou à Federação Paulista que autorizasse a inscrição de outros dois atletas para substituí-los, mas para isso seria necessário que todos os clubes participantes do campeonato concordassem. A questão foi colocada em votação e apenas o presidente do Palmeiras, Delfino Facchina, votou contra.

Revoltado com a decisão palmeirense, o presidente do Corinthians, Wadih Helu, chamou os palmeirenses de "porcos", por terem tomado “uma decisão suja”. Foi a senha para a torcida do Corinthians. No primeiro clássico entre alviverdes e alvinegros, após o incidente na Federação, os torcedores do Corinthians soltaram um porco no gramado com a camisa do Palmeiras. Enquanto o animal assustado corria pelo gramado, os corinthianos gritavam em coro: “porco, porco, porco”, provocando os rivais.

Dizem que a ideia surgiu porque, alguns meses antes, na Argentina, a torcida do River Plate havia feito a mesma coisa com os torcedores do Boca Juniors, cuja comunidade italiana também era muito grande, e por isso, também eram chamados de porcos.

O apelido pegou e virou uma provocação intolerável para os palmeirenses, até as semifinais do “Paulistão” de 1986, quando o alviverde goleou o rival por 5 X 1 e sua torcida resolveu assumir o "porco". Durante o jogo, os torcedores do Palmeiras criaram uma versão para o grito dos dinamarqueses na Copa do México: "Dá-lhe Porco, Dá-lhe Porco, Olê-olê-olê". Desde então, o clube assumiu oficialmente sua identificação suína, após 17 anos de gozação corintiana.

Naquele ano de 1968 em que o Palmeiras foi vice-campeão paulista, perdendo a final para a Inter de Limeira após ter derrotado o Corinthians na semifinal, a “Revista Placar” publicou uma matéria de capa com o meia Jorginho Putinatti, um dos destaques do time, com um porco no colo, num ato que concretizava de vez a adoção ao novo mascote.

Em 1977 o Corinthians ganhou o Campeonato Paulista depois de um jejum de mais de 20 anos. Foram três jogos contra a Ponte Preta, para decidir o título. No primeiro o Corinthians venceu por 1 X 0, no segundo deu Ponte Preta 2 X 1 e no terceiro vitória corinthiana por 1 X 0, gol de Basílio.

Nesse terceiro confronto o Pacaembu lotou. Havia muita gente com a camisa da Ponte Preta, o que gerou desconfiança dos dirigentes corinthianos. Depois ficaram sabendo que eram palmeirenses disfarçados de pontepretanos.

Eles esperavam que o time campinense vencesse, para se vingarem do episódio do porco, ocorrido um ano antes. Um veado seria lançado no gramado, ao final do jogo. Mas como deu Corinthians, a vingança não aconteceu. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Morreu "El Negro"

Luis Alberto Cubilla Almeida, um dos maiores craques do futebol uruguaio em todos os tempos, morreu ontem (domingo), aos 72 anos, na Clinica Amsay, em Assunção, Paraguai, em decorrência de complicações de um câncer no estômago. Ele passou por uma cirurgia no último sábado à noite, teve complicações e acabou não resistindo.

O ex-jogador, que completaria 73 anos no próximo dia 28, sofria há alguns anos com o câncer gástrico, e recebia a solidariedade de dirigentes esportivos e do público em geral, que ajudavam nos gastos com a enfermidade. Ele recebeu mais de 100 mil mensagens de apreço e apoio pelas redes sociais, tanto de torcedores do Olímpia como do Cerro Porteño, os clubes mais populares do Paraguai.

O jornal paraguaio “ABC” publicou em sua edição de domingo que o técnico uruguaio Anibal “Maño” Ruiz, que era um grande amigo de Cubillas, telefonou pedindo noticias do ex-companheiro e foi tomado pela emoção.

Cubilla ganhara há pouco mais de uma semana uma questão trabalhista envolvendo o Olímpia. O ex-presidente do clube paraguaio, Eduardo Delmás, disse que analisava fazer o pagamento da indenização, e para tal era preciso vencer algumas questões burocráticas. "Cubilla é uma glória do Olímpia. Este é o momento de demonstrarmos o apreço e reconhecimento de todo o povo olimpista", declarou.

Nascido em Paysandu, Uruguai em 28 de março de 1940, foi apelidado “El Negro” e começou a carreira profissional no Peñarol em 1957. Jogou ainda pelo Barcelona, da Espanha, onde ganhou a Copa do Rei em 1963, River Plate, de Buenos Aires, Nacional, de Montevidéu, Santiago Morning, do Chile e Defensor Sporting, de Montevidéu.

A carreira de Cubilas como jogador foi vitoriosa, tendo conquistado três Copas Libertadores das Américas, duas pelo Peñarol e uma pelo Nacional, ambos de Montevidéu, nove títulos de campeão uruguaio e uma Copa Intercontinental (Copa Toyota), pelo Penãrol, de Montevidéu. Na Libertadores, foi ainda vice-campeão pelo River Plate, em 1966.

Teve destaque especial na primeira Copa Libertadores marcando a sete minutos do fim do jogo o gol de empate no Paraguai, que garantiu o título ao Peñarol contra o Olímpia - os paraguaios haviam sido previamente derrotados em Montevidéu.

Entre 1962 e 1964, jogou, sem tanto sucesso, no Barcelona, retornando à América do Sul como jogador do River Plate.

A equipe argentina não conquistava títulos desde 1957, mas foi à Taça Libertadores da América de 1966, como vice-campeã argentina. Cubilla esteve perto de faturar pela terceira vez o troféu, justamente contra seus antigos colegas do Peñarol.

Após duas vitórias para cada lado na decisão, os riverplatenses abriram 2 X 0 na finalíssima em campo neutro, mas perderiam de virada por 4 X 2 - derrota traumática que originou inclusive o pejorativo apelido “gallinas”, que acompanha o clube até hoje.

A passagem pelo River, além de não lhe trazer troféus - o clube só terminaria seu jejum em 1975 -, tirou seu lugar na Copa do Mundo de 1966, em uma época onde as seleções sul-americanas não convocavam quem atuasse no exterior. Pelo clube argentino Cubilla disputou 129 partidas e marcou 31 gols.

Dez anos depois de ser campeão uruguaio, continental e intercontinental pelo Peñarol, Cubilla conquistou os mesmos títulos no arquirrival Nacional. Em 1969, voltou ao Uruguai, contratado pelo Nacional, onde também venceu por quatro vezes seguidas a liga uruguaia, a exemplo do que conseguira no Peñarol.

O troféu continental veio sobre o Estudiantes de La Plata, então tricampeão seguido do torneio. O mesmo adversário havia derrotado o próprio Nacional, já com Cubilla, na decisão da Libertadores de 1969.

Cubilla deixou o Nacional em 1975, ano em que ficou na pequena equipe chilena do Santiago Morning. Já com 36 anos, encerrou a carreira novamente como campeão uruguaio, dessa vez pelo pequeno Defensor Sporting, em 1976, que se tornou o primeiro clube a ganhar um certame nacional sem ser Nacional ou Peñarol.

Também vestiu a camisa da Seleção Uruguaia por mais de 100 vezes, tendo participado de três Copas do Mundo, 1962, 1970 e 1974, quando marcou 4 gols.

Ele estreou pela Seleção Uruguaia em 1959, depois da “Celeste” ter ficado fora da Copa de 1958 pela primeira vez. Nas eliminatórias para o Mundial de 1962, os uruguaios bateram a Bolívia, com providencial ajuda de Cubilla: foi dele o gol “charrua” no empate obtido na altitude de La Paz.

Cubilla foi ao mundial do Chile junto de seu irmão mais velho, Pedro Cubilla. No jogo de estreia os uruguaios venceram a Colômbia, que saiu na frente, por 2 X 1. Cubilla fez o gol que empatou a partida.

Machucado, ele ficou de fora da segunda partida. Sem força no ataque o Uruguai perdeu para a Iugoslávia por 3 X 1. No último jogo da primeira fase precisavam vencer a União Soviética para seguirem em frente. Mas um gol no último minuto mandou a “Celeste” para casa mais cedo.

Entre 1962 e 1968, Cubilla atuou em clubes estrangeiros, o que lhe impediu de voltar a ser convocado para a seleção do seu país, para a Copa de 1966. Em 1970 os jogadores uruguaios que atuavam no exterior puderam ser convocados.

Na preparação para a Copa do México, Cubilla, que anteriormente era ponteiro, foi utilizado como único atacante em um esquema cauteloso. Mostrou-se importante na segunda fase: nas quartas-de-final, aproveitou os últimos espaços do campo para realizar o cruzamento que terminou no gol de seu colega de Nacional, Víctor Espárrago, o único da partida contra a União Soviética.

Já na semifinal, ele marcou o gol que abriu o placar contra o Brasil. Os uruguaios fecharam-se na defesa, mas sofreram a virada. Já com o placar em desfavor, Cubilla quase voltou a empatar, tendo seu cabeceio à queima-roupa defendido de forma considerada "milagrosa" por Félix. Os brasileiros ainda fariam mais um e conseguiram seu lugar na final. Os celestes acabariam em quarto, sem muito entusiasmo no jogo pelo terceiro lugar contra a Alemanha Ocidental.

Ele, já aos 34 anos, foi levado também para a Copa do Mundo de 1974, onde amargou nova eliminação uruguaia na primeira fase após ser derrotada pela Holanda e empatar com a Bulgária nos dois primeiros jogos. A “Celeste” precisava vencer a Suécia, mas deu vexame e perdeu por 3 X 0. Cubilla entrou nesse jogo com o placar ainda em branco. Foi a última de suas 38 partidas por seu país, com o qual marcou ao todo 11 gols.

Em 2006 foi eleito pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) o décimo melhor jogador sul-americano do século.

Como treinador também conheceu o sucesso. Exerceu a profissão quase sempre no Paraguai, onde conseguiu um feito histórico, levando o Olímpia a se tornar o primeiro time fora do eixo Argentina-Brasil-Uruguai a ganhar um título de campeão da Copa Libertadores das Américas, em 1979.

Pela equipe paraguaia, o treinador ainda venceu o título Intercontinental contra os suecos do Malmö. Onze anos depois, o forte Milan não permitiu que a conquista se repetisse. Ganhou 10 campeonatos nacionais (1978, 1979, 1980, 1982, 1988, 1989, 1995, 1997, 1998 e 1999), duas Recopas Sul-americanas (1990 e 2003), uma Super Copa Sul-Americana (1990) e uma Copa Nehru (1990). Treinou ainda o Newell’s Old Boys, Racing, Talleres e Barcelona, de Guayaquil entre outros. Em 1981, faturou seu quinto título uruguaio no Peñarol, o primeiro e único na nova função.

Como treinador, seu fracasso mais retumbante acabou sendo na direção de seu país. Cubilla foi contratado para treinar o Uruguai após a Copa do Mundo de 1990, ano em que suas conquistas no Olimpia o fizeram ser eleito o melhor técnico sul-americano daquele 1990. Ficou marcado por desentender-se com os principais jogadores uruguaios daquele momento, que atuavam na Europa, insinuando que seriam meros dinheiristas, no que era apoiado por boa parte da população.

Em 1990 foi eleito o melhor técnico do continente. Dirigiu ainda Danubio, Newell's Old Boys de Rosario, Nacional de Medellín, River Plate, de Buenos Aires, Talleres, de Córdoba e Defensor, por quem foi campeão uruguaio, entre outros. Seu último trabalho como técnico foi pelo Tacuary, do Paraguai, no ano passado.

Sem Enzo Francescoli, Rubén Sosa, Carlos Alberto Aguilera, José Oscar Herrera e outros, sofreu vergonhosa eliminação na primeira fase da Copa América de 1991. Já com alguns deles trazidos de volta, não se saiu muito melhor na Copa América de 1993 e ainda perdeu a vaga na Copa do Mundo de 1994, perdendo lugar ainda no meio da campanha rumo aos EUA para Ildo Maneiro.

Tido como um ponteiro imprevisível tanto técnica como emocionalmente e também como "asqueroso" por ser bastante irritante com os adversários, Cubilla era baixo e um tanto gordo, 74 quilos para seu 1,69 metros de altura. (Pesquisa: Nilo Dias)

Cubilla quando jogava no Nacional, de Montevidéu.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Uma legenda do futebol ucraniano

Filho de pai russo (Vladimir Blokhin) e mãe ucraniana, Oleh Volodymyrovych Blokhin foi um dos maiores craques do futebol ucraniano em todos os tempos. Nasceu no dia 5 de Novembro de 1952 em Kiev, União Soviética, atual Ucrânia. Começou a carreira de futebolista no Dynamo, de Kiev, em 1969, quando tinha 17 anos.

Por 19 anos vestiu a camisa do clube de sua terra natal, tornando-se uma verdadeira legenda e adorado pelos torcedores como se fosse um santo. Jogou 433 partidas pelo clube, marcando 211 gols e sagrando-se campeão russo em oito oportunidades.

Na Europa, também deu mostras de sua qualidade, levando o Dynamo a ganhar por duas vezes a Recopa europeia. A primeira em 1975, quando derrotou na partida final ao Ferencváros, da Hungria, por 3 X 0. Na segunda conquista, em 1986, bateu no jogo decisivo, disputado em Lyon, na França, ao Atlético de Madrid, também por 3 X 0.

Durante sua carreira teve papel determinante na seleção soviética. Foi o melhor jogador russo da história, graças às participações na seleção entre1972 e 1988, tendo sido recordista em partidas (112) e em gols (42). Foi o líder da seleção da URSS nos Mundiais da Espanha (1982) e México (1986), quando marcou um gol em cada competição.

Em 1988, quando não foi chamado para integrar a seleção soviética, Blokhin decidiu abandonar também o Dynamo, o clube de sua vida, tornando-se um dos primeiros jogadores russos a sair de seu país para jogar no exterior, na equipe do Vorwärts Steyr, da Áustria. Um ano depois (1990) defendeu a equipe grega do Aris Limassol, onde encerrou a vitoriosa carreira.

Ao deixar os gramados tornou-se treinador, dirigindo inicialmente equipes gregas como o Olympiakos, PAOK e Lonikos. Em 2003 foi convidado a dirigir a Seleção da Ucrânia, que se classificou para o Mundial da Alemanha de 2006, quando foi eliminada pela Itália por 3 X 0, nas quartas de final. A “Azurra” sagrou-se campeã daquele Mundial.

Sua vida também esteve ligada a política. Foi eleito para o “Verkhovna Rada” (Parlamento da Ucrânia) em 2002. Em outubro do mesmo ano participou do Partido Unión-Social Democrático da Ucrânia.

Blokhin foi casado com Irina Deriugina, ginasta russa/ucraniana, campeã do mundo. Dessa relação tiveram uma filha, antes de se divorciarem em princípios de 1990.

Em 2006, Blokhin esteve envolvido em acusações de racismo, por ter rechaçado em um site ucraniano a presença de jogadores africanos na Liga de Futebol da Ucrânia, ao dizer que os jogadores ucranianos deveriam aprender a jogar com jogadores como Shevchenko e ele mesmo, e "não com um “Zumba Bumba” que ganha duas bananas por mês para jogar". A declaração foi recebida com muitas críticas pelos jornais do mundo inteiro, por seu teor racista.

Em sua carreira como jogador defendeu estas equipes: Dynamo Kyev, da U.R.S.S./Ucrânia (1969-1988); Vorwärts Steyr, da Áustria (1988-1989) e Aris Limassol, da Grécia (1989-1990).

Como treinador: Olympiakos, da Grécia (1990-1993); PAOK Salonika, da Grécia (1993-1994); Ionikos, da Grécia (1994-1997); PAOK Salonika, da Grécia (1997-1998); AEK Atenas, da Grécia (1998-1999); Ionikos, da Grécia (1999-2002); Seleção Nacional de Futebol da Ucrânia (2003-2012). Desde o final de 2012 é o técnico do Dynamo, de Kiev. Em setembro do ano passado deixou a Seleção de seu país, que fez má campanha na Copa da Europa. Em seu lugar assumiu Mikhailo Fomenko.

O novo técnico é fruto da escola soviética de futebol, tendo vestido por 24 vezes a camisola da URSS, e fez parte da equipa do Dínamo de Kiev dos anos 70 do século passado. O ex-internacional soviético iniciou a sua carreira de treinador em 1979 e do seu curriculum constam passagens pelo Metalist Kharkiv, CSKA Kiev, Tavria Simferopol e a seleção da Guiné.

Títulos de Blokhin: Supercopa de Europa, pelo Dynamo Kiev (1975); Recopa de Europa, pelo Dynamo Kiev (1975 e 1986); Liga da URSS, pelo Dynamo Kiev (1971, 1974, 1975, 1977, 1980, 1981, 1985 e 1986); Copa da URSS, pelo Dynamo Kiev (1974, 1978, 1982, 1985 e 1987) e bronze nas Olimpíadas de 1972, ano em que começou a defender o país. e 1976.

Artilheiro da Liga da URSS, pelo Dynamo Kiev (1972,14 gols, 1973, 18 gols, 1974, 20 gols, 1975, 18 gols e 1977, 17 gols). Prêmio “Bola de Ouro” da Revista “France Football”, em 1975, a premiação máxima do futebol europeu. (Pesquisa: Nilo Dias)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um jogador diferenciado

Ruben Walter Paz Márquez, mais conhecido como Ruben Paz, nasceu em Artigas (Uruguai), no dia 8 de agosto de 1959. Começou a carreira no Peñarol, de sua terra natal, onde jogou entre 1975 e 1976. Em 1977 foi para o Peñarol, de Montevidéu, onde se consagrou como craque, por lá permanecendo até 1981.

Em 1982 foi contratado pelo S.C. Internacional, de Porto Alegre. Ruben Paz chegou ao colorado gaúcho em fevereiro de 1982, levado pelo então presidente Frederico Arnaldo Ballvé. Estreou num jogo frente o Goiás pelo Campeonato Brasileiro, em que o Internacional goleou por 5 X 0.

Foram várias as atuações de luxo do craque da camisa 10 pelo Internacional, como por exemplo, a final do Campeonato Gaúcho de 1982. Ele foi o principal jogador em campo na vitória do Inter sobre o Grêmio por 2 X 0. Teve um desempenho notável no jogo que é lembrado até hoje pela torcida vermelha.

Em 1982, o Internacional realizou uma excursão por gramados europeus, tendo disputado o tradicional “Torneio Joan Gamper”, em Barcelona, na Espanha. Ruben Paz teve a oportunidade de mostrar todo o seu exuberante futebol.

O time era treinado por Ernesto Guedes, um polêmico treinador. O Inter chegou ao torneio tido apenas como um mero participante. O favorito era o Barcelona, que acabara de fazer grandes contratações, entre elas o argentino Diego Maradona e o alemão Schuster. O time espanhol ainda tinha em suas fileiras Quini, estrela do futebol espanhol na época.

No jogo contra o Internacional, para definir um dos finalistas, o Barcelona foi quem criou as melhores chances, o Internacional só arriscava em contra-ataques. O jogo terminou 0 X 0 no tempo normal, o que provocou uma decisão por pênaltis. O clube brasileiro venceu por 4 X 1 e garantiu vaga na final para enfrentar o Manchester City, da Inglaterra.

No jogo final deu Internacional 3 X 1, com gols de Edvaldo, Paulo César e Fernando. O City descontou com Mc’Donalds. Inter, Campeão do Torneio Joan Gamper. A imprensa espanhola da época deu grande destaque para conquista colorada e para o bom futebol de Ruben Paz.

Em 1983 os técnicos gaúchos o elegeram o melhor jogador em atividade no Estado. Em sua passagem por Porto Alegre, Ruben Paz teve duas filhas Maria Fernanda e Maria Eugênia, e fez amizades que duram até hoje, principalmente com ex-companheiros como Mauro Galvão, Rodrigues Neto e Edvaldo e o técnico Otacílio Gonçalves.

No clube colorado gaúcho atuou por cinco temporadas, tendo se consagrado como um dos maiores ídolos da torcida. Em 1986 deixou o Internacional para jogar no Racing Club de France, de Paris onde ficou por apenas uma temporada, indo em 1987 para o Racing, da Argentina. Em 1989 e 2000 defendeu o Genoa, da Itália.

Em 1990 voltou ao Racing argentino. Em 1993 atuou pelo Rampla Juniors, de Montevidéu. Em 1994 vestiu a camisa do Frontera Rivera Chico, de Rivera. Em 1996 transferiu-se para o Godoi Cruz, da Argentina. No mesmo ano jogou pelo Wanderers, de Artigas. De 1997 a 2000 esteve novamente no Frontera Rivera Chico.

Em 2002 foi para o Nacional, de San José de Mayo (Uruguai), em 2003 andou pelo Tito Borjas, de San José de Mayo, e em 2006 encerrou a carreira de verdadeiro cigano do futebol, defendendo o Pirata Juniors, de Artigas.

Em 1997, quando Ruben Paz jogava pelo Frontera Rivera Chico, de Rivera, eu presidia a S.E.R. São Gabriel, de São Gabriel (RS). E jogamos uma partida amistosos contra esse clube uruguaio, no Estádio Atlio Paiva, em Rivera, que terminou empatada em 0 X 0. Ruben Paz jiogou, mas não tinha mais o preparo fisico e técnica dos tempos de Internacional.

Em sua longa carreira de jogador, Ruben Paz conquistou muitos títulos: Campeonato Artiguense (1975); Campeonato Sul-Americano Sub-20 (1977 e 1979); Campeonato Uruguaio (1978, 1979, 1981 e 1982); Mundialito (1981); Campeonato Gaúcho (1982, 1983 e 1984); Super Copa Libertadores da América (1988); Supercopa Interamericana (1988); Campeonato Riverense (1994); Liguilla de Ascenso (1998); Liga Mayor de San José de Mayo (2003 e 2004).

Ruben Paz jogou dois Mundiais pela Seleção do seu país, em 1986 no México e 1990 na Itália. Foi campeão pela “Celeste” da “Copa del Oro”, conhecida como “Mundialito”, disputado em 1980 e da qual participaram unicamente as seleções até então campeãs do mundo. Com o selecionado uruguaio disputou um total de 66 partidas oficiais e marcou 12 gols.

Durante os cinco anos que vestiu a camisa do Internacional, Ruben Paz foi um jogador diferenciado, aquele que pensava o jogo, distribuía as jogadas e armava as ações ofensivas do time. Portador de uma técnica apurada, foi ídolo da torcida, jogou duas Copas do Mundo e deixou os gramados somente aos 47 anos de idade.

Ele adorava jogar futebol. A bola era sua companheira inseparável, por isso demorou tanto a encerrar a carreira. Ele conta que os fez em duas etapas, como jogador profissional parou aos 41 anos, jogando o campeonato uruguaio pelo Frontera Rivera Chico. E por times amadores em 2006, e assim mesmo para atender ao pedido de um amigo de infância, o também ex-jogador Mario Saralegui, que, na época, assumiu o comando do Peñarol e chamou Paz para ser assistente.

Hoje Rubens Paz mora em Artigas, sua cidade natal, onde se dedica a um projeto de revelação de jogadores de futebol. Mas ainda acompanha pela televisão os jogos do Internacional,seu clube brasileiro de coração. (Pesquisa: Nilo Dias)

Ruben Paz, quando defendia o Internacional.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O São Borja está de volta

Hoje o Campeonato Gaúcho da Divisão Principal é disputado por clubes de cidades que na maioria se localizam próximas a Porto Alegre. As viagens mais longas para os clubes da capital são Ijuí (402 km), Passo Fundo (280 km) e Pelotas (246 km). De resto tudo é perto: Canoas (9 km), Gravataí (23 km), Novo Hamburgo (35 km), Bento Gonçalves (120 km), Lajeado (114 km), Caxias do Sul (134 km), Veranópolis (147 km) e Santa Cruz (150 km).

Mas nem sempre foi assim. Num passado não muito distante clubes de Uruguaiana, São Borja, Santo Ângelo, Bagé, Rio Grande e Livramento constantemente se classificavam para o mais importante certame do Estado. Os clubes da capital precisavam atravessar o Estado para jogar contra os times dessas cidades.

Uruguaiana, por exemplo, fica a 649 quilômetros de Porto Alegre; São Borja, a 594; Santana do Livramento, 489; Santo Ângelo, 442; Bagé, 366 e Rio Grande, 309 km. A decadência futebolística dos clubes dessas cidades os afastou da principal competição do Estado. Associações tradicionais como Grêmio Santanense, F.B.C. Rio-Grandense (Rio Grande), S.E. São Borja e Ferro Carril, Uruguaiana e Sá Viana, de Uruguaiana praticamente enrolaram as bandeiras.

São Paulo e S.C. Rio Grande, Guarany e Grêmio Bagé, 14 de Julho, de Livramento e S.E.R. Santo Ângelo ainda vivem de teimosos, envolvidos em campeonatos de divisões inferiores, altamente deficitários.

Eu hoje vou contar um pouco da história da S.E. São Borja, que nasceu de uma fusão entre dois antigos e tradicionais clubes rivais de São Borja, Cruzeiro e Internacional, que sucumbiram devido a graves crises financeiras. O novo clube herdou a cor vermelha do Internacional, a azul do Cruzeiro e o branco que simbolizava a paz entre as duas agremiações. A fusão pretendia unir a população para apoiar e fortalecer o futebol da cidade.

Já no seu primeiro ano de vida o São Borja disputou o campeonato da Primeira Divisão do Campeonato Gaúcho, onde se manteve ininterruptamente por 11 anos, de 1977 a 1987, chegando à fase final da competição em três oportunidades: 1980: 6º lugar (melhor campanha da história do clube); 1981: 7º lugar e 1983: 8º lugar.

Por muitos anos durante as disputas do campeonato gaúcho a equipe que tivesse que jogar contra a extinta Sociedade Esportiva São Borja tinha três preocupações: jogar no caldeirão do estádio Vicente Goulart, a distância e ainda a duração das viagens.

No Campeonato Brasileiro da Série C de 1981, o São Borja chegou à 3ª fase da competição, terminando a competição em 5º lugar. No Campeonato Gaúcho de 1987 o time ficou em 14º (último lugar) e foi rebaixado para a “Segundona” pela primeira vez. O time era chamado pelos torcedores de “Bugre Missioneiro” e “Missioneiro de Alma”, tendo como mascote a “Cruz de Lorena” e um “Índio”.

Em 1997, o São Borja retornou à Primeira Divisão disputando a Série B (Divisão de Acesso), na época em que a Primeira Divisão era dividida em duas séries. A equipe entrou numa das vagas deixadas por Aimoré e Atlético de Carazinho - que haviam se licenciado. Mas o São Borja tornou a ficar em último lugar (14º na Série B) e foi rebaixado. Após o campeonato o São Borja se licenciou do futebol profissional.

A S.E. São Borja não teve vida fácil. Não jogava nunca perto de casa, tendo sempre que enfrentar grandes distâncias para cumprir seus compromissos. Para se ter uma ideia, os tempos de viagem, só de ida, para algumas cidades: Pelotas: 8 horas de viagem e 600 km; Santa Maria: 4 horas de viagem e 300 km; Porto Alegre: 8 horas de viagem e 600 km; Caxias do Sul: 8 horas de viagem e 600 km; Santa Cruz do Sul: 6 horas de viagem e 450 km e Veranópolis: 6 horas e 30 minutos e 515 km.

O São Borja disputava seus jogos no Estádio Municipal Vicente Goulart, também conhecido por “Vicentão”, com capacidade para 12 mil expectadores, que fora cedido pela prefeitura em comodato por 10 anos. Ali foram realizados grandes jogos contra a dupla Gre-Nal e inesquecíveis vitórias do futebol são-borjense.

Em 2009 o São Borja retomou suas atividades com a denominação de Associação Esportiva São Borja, inicialmente dando ênfase nas categorias de base, participando do Campeonato Gaúcho de Juvenis.

A Associação Esportiva São Borja, foi fundada por um grupo de empresários são-borjenses, em sua maioria ex-jogadores, no dia 19 de fevereiro de 2009, após um longo período sem futebol profissional na cidade.

Os ex-jogadores, Gilberto Alvarez da Costa (Giba), Cassiá Carpes, João Carlos Falcão (Polaco) e Jesus Franco, juntamente com os profissionais liberais Clóvis Alberto Emanuelli (Beto) e José Carlos Dubal idealizaram um projeto que visava primeiro fortalecer as categorias de base para depois pensar em profissionalizar a instituição.

O projeto começou com a organização do time juvenil do São Borja, comandado pelo ex-jogador Polaco, que dirigiu a equipe na primeira competição estadual, e por motivos de força maior, entregou o cargo ao seu auxiliar técnico naquela época, Airton Fagundes. No segundo semestre de 2009, Fagundes comandou o juvenil da AESB em seu primeiro torneio internacional na cidade de Rio Negrinhho, quando o Bugre terminou a competição como vice-campeão, invicto, pois a decisão fora por pênaltis.

No ano seguinte, o meia-atacante Igor Pinto se destacou no campeonato estadual e despertou interesse dos grandes clubes brasileiros. A direção do Clube viu que era hora de crescer e profissionalizou a instituição e o atleta.

Em 2011, o clube consolidou sua melhor campanha e terminou a Copa RS em 5º lugar, sendo eliminado nas quartas de final da competição, tornando-se assim a referência da fronteira Oeste nas categorias de base.

Com a profissionalização da Instituição em 2010, a Associação Esportiva São Borja foi obrigada a acelerar o projeto e ingressar antes do previsto no futebol profissional do Rio Grande do Sul, e no ano de 2012 disputou pela primeira vez um campeonato gaúcho, a Série C do estadual.

No dia 29 de julho do ano passado, 15 anos depois do último jogo de futebol profissional na cidade, a nova Associação Esportiva São Borja entrou em campo para enfrentar em partida amistosa no lendário Estádio Coronel Vicente Goulart, ao E.C. Ferro Carril, de Uruguaiana. Mais de 500 torcedores compareceram ao Estádio para ver o time local ser derrotado por 2 X 1.

A cidade já revelou grandes nomes para futebol gaúcho. O zagueiro Cássia Carpes saiu do Internacional, de São Borja, para o Grêmio, onde conquistou títulos como jogador e treinador. O goleiro Mano saiu da SESB para o Internacional e também jogou no Santos. Seu último trabalho foi como treinador do Sub-17 da própria AESB, no início da Copa FGF de Futebol Juvenil nesse ano. E também Zé Alcino, que jogou na Dupla Gre-Nal e no exterior.

Em abril de 2011 o São Borja deu um passo importante na consolidação da instituição como clube moderno, quando começou a construir o Centro de Treinamento Pirahy, que tem um campo com medidas oficiais, um gramado similar ao do Estádio Olímpico, caixa de areia, sala de musculação, vestiário, sala de reunião, de TV e de materiais, que já tem projeto para ser ampliado.

O novo C.T. terá uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados, com alojamento para 52 atletas, mais dois campos oficiais e três de futebol sete, quadra sintética coberta, duas piscinas sendo uma climatizada e outra natural, consultórios médico e odontológico, academia, vestiários modernos e lavanderia.

Títulos. Torneios Estaduais. Seletiva do Campeonato Brasileiro Série C (1981); Torneio Incentivo (1982); Copa Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos-ACEG (1985). Artilheiros. Do Campeonato Gaúcho - Segunda Divisão: Zé Alcino (1994 com 23 gols).

Jogadores de destaque: Zé Alcino (atacante); Mano (goleiro); Ilo (centroavante); Morça (ponta direita); Silmar (lateral direito); Aguiar (zagueiro central); Canhotinho (ponta esquerda); Cassiá (zagueiro); Vadinho (ponta direita) e Brandão (atacante). (Pesquisa: Nilo Dias)

O último time profissional que o São Borja teve, em 1997, antes do retorno em 2012. (Foto: Mario Aguiar)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Um grande goleiro

Osvaldo Alfredo da Silva, o Osvaldo “Baliza”, foi um dos melhores goleiros a vestir a camisa 1 do Botafogo, do Rio de Janeiro. Nasceu no dia 9 de outubro de 1923, em Tanguá (RJ) e faleceu no Rio de Janeiro a 30 de setembro de 1999. Começou a carreira no próprio Botafogo, em 1943, permanecendo no clube até marco de 1953.

Sua estreia como titular do alvinegro carioca aconteceu no dia 8 de março de 1944, em jogo válido pelo Torneio Relâmpago, disputado no Estádio de São Januário. E o resultado não poderia ser melhor, uma goleada de 6 X 2 sobre o Flamengo. Os gols botafoguenses foram marcados por Afonsinho (2), Reginaldo (2) e Heleno (2). Para o Flamengo marcaram Zizinho e Tião. A arbitragem foi de Mário Gonçalves Vianna.

O Botafogo venceu com: Osvaldo “Baliza” – Hernandes e Lusitano - Zarci – Santamaria e Negrinhão – Afonsinho – Octávio (Tovar) – Heleno – Limoeiro e Reginaldo, Flamengo: Luiz Borracha (Doli) – Artigas e Newton – Quirino (Guálter) – Bria (Tião) e Jayme – Nilo – Zizinho – Djalma – Jacir e Vevé.

Seu último jogo pelo Botafogo aconteceu no dia 3 de março de 1953. Foi um amistoso contra o América Mineiro, que terminou empatado em 2 X 2. O jogo foi disputado em Belo Horizonte, no Estádio Octacílio Negrão de Lima, na Alameda.

O Botafogo mandou a campo: Osvaldo “Baliza” - Gérson e Floriano (Orlando Maia) – Araty - Calico e Juvenal - Geraldo (Vinícius) – Geninho – Dino - Bravo (Zezinho) e Jayme. Os gols do alvinegro foram marcados por Dino.

Pelo Botafogo Osvaldo “Baliza” foi bicampeão carioca de aspirantes (1944/1945); campeão do Torneio Início do Rio de Janeiro (1947); campeão carioca (1948) e do Torneio Triangular de Porto Alegre (1951).

Osvaldo, que era um dos goleiros mais altos da época, media 1,90 m, transferiu-se para o Vasco da Gama em 1953, onde ficou somente um ano. Em 1954 foi contratado pelo Bahia, se sagrando campeão estadual no mesmo ano. Entre 1955 e 1958 jogou pelo Sport, de Recife, onde ganhou três campeonatos pernambucanos,em 1955, 1956 e 1958.

“Baliza” vestiu a camisa da Seleção Brasileira em duas oportunidades, sem levar gols. A primeiro em 17 de abril de 1949, na vitória do Brasil sobre a Colômbia por 5 X 0, em jogo válido pelo Campeonato Sul-Americano, disputado no Rio de Janeiro. A segunda, em 20 de abril de 1952, pelo Campeonato Pan-Americano, realizado no Chile, quando os brasileiros ganharam dos chilenos por 3 X 0. Nas duas competições a Seleção Brasileira foi campeã.

Osvaldo tinha como característica jogar sempre sério, sem defesas espalhafatosas. Mas tinha um costume que deixava os torcedores com os nervos a flor da pele: a cada gol do Botafogo saia da sua meta para ir comemorar com os companheiros, na área adversária, para depois voltar correndo.

Em 1998 o Botafogo realizou uma grande festa para comemorar os 50 anos do título de Campeão Carioca de 1948, o único que o clube conquistou no Estádio de General Severiano. Daquele time apenas três jogadores compareceram, Juvenal, “Baliza” e Otávio Sérgio, que receberam medalhas comemorativas.

Rubinho havia morrido, Gérson dos Santos estava em Minas e Nilton Santos, em Brasília; Ávila morava em Resende; Egídio Landolfi, o “Paraguaio” morrera poucos dias antes. Também já haviam morrido Geninho, Pirillo e Braguinha. E “Baliza” sofria do “Mal de Alzheimer”.

Hoje, passados 64 anos da conquista de 1948, apenas Nilton Santos ainda está vivo. Internado em uma clínica, sofre do “Mal de Alzheimer” apresenta problemas cardíacos e perde a memória com facilidade. O Botafogo, desde 2007, quando o presidente era Bebeto de Freitas, arca com as despesas de internação do ex-craque. Gerson dos Santos morreu em 2002 e Ávila, em 2006.

Osvaldo Baliza gostava de brincar com o goleiro reserva Ermelino Matarazzo, membro da tradicional e rica família paulista. Contam que certa vez, Matarazzo chegou para Baliza e disse: “Puxa vida, Baliza. Eu daria tudo para ser você...”. E Baliza teria respondido na hora: “Quer trocar agora, eu topo...” (Pesquisa: Nilo Dias)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A "panelada" fatal

Antônio Edgar da Silveira, o “Mitotônio” foi um ponta-esquerda que se destacou como um dos grandes jogadores que atuaram no futebol cearense em todos os tempos. Nascido em Granja (CE), no dia 22 de fevereiro de 1916, quando garoto costumava jogar em um campo onde hoje se localiza o Mercado Público. Chegou à capital cearense para atuar pelo Fortaleza, em 1938, participando discretamente do título daquele ano, pois não possuía contrato formal com o clube.

“Mitotônio” foi parar no Fortaleza a convite do diretor Lauro Martins, que também era natural de Granja. No “tricolor”, em principio, o técnico Valdemar Santos, o “Gavião” não quis colocá-lo no time principal, sob a justificativa de que nunca o tinha visto jogar. Por isso “Mitotônio” apareceu no time de aspirantes, que na época fazia as partidas preliminares.

Mas não demorou mais que um jogo nos aspirantes, para o técnico colocá-lo no time de cima. “Mitotônio” chegou a ser escalado algumas vezes com o nome de “Massantônio”, em alusão ao centroavante de igual nome da seleção argentina de 1940. Mas o apelido não pegou.

Jogou no Fortaleza até o início de 1941 quando o técnico “Gavião” brigou com a diretoria e foi para o Ceará, levando metade dos atletas. No “Vovô” do futebol cearense, “Mitotônio” ficou por 10 anos quase ininterruptos. Era também o ponta-esquerda da Seleção Cearense, que disputava o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais.

Em 1945 o Ceará não disputou o Estadual, pois havia brigado com a Federação no ano anterior. Sem clube, “Mitotônio” e Hermenegildo, os dois melhores atletas do time, foram para o Náutico, de Recife. Ganharam o Campeonato Pernambucano daquele ano e voltaram para o Alvinegro em 1946.

Em 1949 0 Sussex Trader, time da Inglaterra que excursionou pelo Brasil, levou 16 X 0 do Ceará, numa jornada histórica da equipe alvinegra. “Mitotônio” deu um verdadeiro show, sendo considerado o melhor jogador em campo.

A popularidade de “Mitotônio” o levou a ganhar o concurso "Craque Mais Querido do Estado" e a figurar entre os 20 jogadores mais votados do País em promoção semelhante, promovida pelo “Jornal dos Sports”, do Rio de Janeiro.

O craque cearense morreu às 3 horas da madrugada de 1 de abril de 1951, depois de ter comido no dia anterior uma “panelada”, prato típico da culinária nordestina, feito com vísceras de bode. Pouco tempo depois da refeição, jogou pelo Ceará na vitória de 4 X 1 sobre o Gentilândia, em partida disputada no Estádio Presidente Vargas, em 31 de março, e válida pelo campeonato estadual. Tudo parecia normal com ele, tanto é verdade que logo aos 6 minutos marcou o primeiro gol da sua equipe.

Porém alguns minutos depois ele sentiu-se mal. Naquele tempo não eram permitidas substituições, por isso “Mitotônio” tentou continuar jogando, mas o técnico o retirou de campo, não permitindo o seu retorno para a etapa final. O escore já estava 3 X 0 para o Ceará, que mesmo com 10 jogadores em campo, ainda marcou mais um gol no segundo tempo.

O jogador foi levado para ser atendido na Assistência Municipal, hoje Instituto José Frota. Os médicos diagnosticaram congestão estomacal aguda, transformada em hemorragia, causada pela refeição pesada e mal digerida.

Como na época os clubes, na maioria, não contavam com Departamentos Médicos, muito menos com nutricionistas, “Mitotônio” não informou que almoçara uma “panelada”, pouco antes do jogo. Ele chegou a ser liberado do hospital após o atendimento, mas, durante a madrugada, voltou a sofrer com dores estomacais e acabou falecendo em sua residência.

O último jogo de “Mitotônio” era importante para o Ceará. O time precisava vencer para decidir o título na semana seguinte, contra o Ferroviário. Bateu o Gentilândia por 4X 1 mas perdeu o Estadual na derrota por 1 X 0 para o time da Ferrovia.

A história trágica de “Mitotônio” está contada nos livros "Ceará - Alegria do Povo", de Haroldo Moura e "Ceará - Uma História de Paixão e Glória", de Airton de Farias.

O ex-jogador do Gentilândia e hoje pesquisador de futebol, Airton Monte, que marcou “Mitotônio” em seu último jogo, contou que o atleta do Ceará parecia não estar na melhor forma física. Disse ter presenciado o lance que pode ter ocasionado a complicação no quadro de saúde do jogador.

“O Ceará contra-atacou, um atacante chutou e a bola bateu no travessão e, na volta, “Mitotônio” aproveitou para cabecear e caiu de joelhos, com a mão na cabeça. Eu vinha correndo atrás dele e cheguei perto e perguntei: o que foi “Mitotônio”? Ele respondeu: rapaz, parece que enfiaram uma espada na minha cabeça".

A morte de “Mitotônio” originou uma série de homenagens ao atleta e promessas de ajuda aos seus familiares. O Ceará organizou a "Campanha da Gratidão", visando arrecadar donativos de torcedores do clube e de outros desportistas, para a doação de uma casa para a família do jogador, desamparada após o seu falecimento.

Até uma comissão organizadora foi montada na sede do “Vovô”, para receber doações. No dia 7 de abril, o Ceará decidiria o título estadual do ano anterior com o Ferroviário, e os torcedores presentes ao estádio Presidente Vargas foram convidados a colaborar com a campanha.

Foi sugerida a realização de um Torneio Início, com a verba arrecadada sendo revertida para a família de “Mitotônio”. Não se sabe com certeza se a casa realmente chegou a ser entregue. O atleta deixou esposa e três filhos.

O Estádio Municipal de Granja tem o nome de “Mitotônio”, homenagem da terra natal ao seu maior personagem. (Pesquisa: Nilo Dias)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O clássico do pote

O futebol baiano foi sempre pródigo em apresentar personagens folclóricos, que faziam a alegria dos demais torcedores presentes aos estádios da “boa terra”. É o caso de “Pedro Capenga”, popular peixeiro do Forte São Pedro, o mais fanático torcedor do Botafogo Sport Club, de Salvador. Ele se tornou por demais conhecido, por costumar desafiar os torcedores do Bahia.

Certa ocasião ele mesmo fabricou um pote de barro, que carregava durante os jogos e dizia que dava sorte ao seu time. Até que uma ocasião, em 1931, o Botafogo levou uma surra histórica do Bahia, que até então não era considerado rival. Adversário mesmo era o Esporte Clube Ypiranga. Mas a partir daí, “Pedro Capenga” prometeu que quebraria o vaso, quando o seu time derrotasse o tricolor baiano.

E os torcedores de ambos os lados, motivados pela imprensa, passaram a chamar o jogo entre Botafogo X Bahia de “Clássico do Pote”. Detalhe é que o tabu permaneceu intocado por longos sete anos, sem que o time de “Pedro Capenga” conseguisse uma única vitória.

E nesse tempo quase que o pote foi quebrado. “Pedro Capenga” se descuidou e o objeto escapou da sua mão e caiu ao chão, rachando. O jogo em que isso aconteceu terminou empatado. Somente em 5 de setembro de 1937, no 13º jogo após a promessa, o Botafogo conseguiu derrotar o Bahia por 3 X 1.

Quando o juiz apitou o fim do jogo, o gramado foi invadido por torcedores botafoguenses em delírio, aos gritos, gente frenética, jogadores desmaiando de emoção, numa verdadeira apoteose. E “Pedro Capenga” conseguiu finalmente quebrar o pote em incontáveis pedaços, que foram levados como relíquias pelos apaixonados aficcionados do alvi-rubro. No outro dia a fotografia do folclórico torcedor foi destaque nas páginas dos jornais de Salvador.

“Pedro Capenga” acompanhava o Botafogo há vários anos. Em 1922, quando seu time se sagrou campeão baiano, aplicando uma goleada de 7 X 0 no grande adversário da época, o Ypiranga, ele foi lembrado pelos jogadores Manteiga e Seixas, que levantaram um brinde em sua homenagem, por comandar a animação da torcida alvi-rubra.

O Botafogo Sport Club foi fundado no dia 1 de novembro de 1914, pelo sargento Antônio Valverde Veloso, do Corpo de Bombeiros, que buscou inspiração nas cores e no objetivo do seu batalhão para fundar o clube. As cores do Botafogo são o vermelho e branco.

O Botafogo existe até hoje, mas não é mais nem sombra do poderoso clube do passado. Em 1916 participou pela primeira vez do Campeonato baiano. O Botafogo rivalizou à época com o Ypiranga, pois ambos dominaram o cenário futebolístico da Bahia até 1930. Para que se tenha uma ideia, os dois alternaram títulos de 1917 a 1930.

Nesse período apenas duas agremiações, fora Botafogo e Ypiranga venceram o campeonato baiano: a Associação Atlética da Bahia e o Clube Bahiano de Tênis. Todos os outros títulos ficaram com Botafogo ou Ypiranga.

O Botafogo ganhou o seu primeiro título estadual em 1919, interrompendo uma sequência de conquistas do Ypiranga. Botafogo e Fluminense terminaram a competição empatados, ambos com 17 pontos, o que obrigou a realização de um jogo desempate em 24 de fevereiro de 1920.

Perante um grande público e com arbitragem de Solly, goleiro da Associação, o jogo terminou empatado em 1 X 1. Devido às irregularidades ocorridas no desenrolar do prélio, a Liga entrou em crise, que só foi superada em maio.

O segundo jogo desempate foi marcado para 23 de maio, com João Nova, do Ypiranga, no apito. Durante a madrugada caiu sobre a cidade um forte temporal, ficando interrompido o tráfego até o estádio. O Fluminense, como que prevendo o verdadeiro “dilúvio” que se abateu sobre Salvador, tratou de levar na véspera o seu time para o Rio Vermelho, onde pernoitou na residência do sócio e jogador Astério Sobrinho.

O Ypiranga desde às 8 horas esperava o adversário, que com dificuldades de transporte só conseguiu chegar ao estádio às 10 horas, quando o tráfego foi restabelecido. Pelo regulamento o Fluminense já era campeão, por WO. Mas o Fluminense não quis os pontos e preferiu jogar. Azar seu, o Botafogo venceu por 1 X 0, gol de Antoninho F. Dias, numa escapada. E depois recuou o time todo para a defesa. Era o primeiro título do Botafogo.

Depois, foi bicampeão em 1922 e 1923 e campeão em 1926, 1930, 1935 e 1938. Com todas essas conquistas o Botafogo atraiu muitos torcedores e se tornou o segundo clube mais popular do Estado, atrás só do Ypiranga. Naquela época o Bahia, fundado em 1931, recém estava engatinhando e a acumular simpatizantes.

Em 1922, no primeiro Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, o Botafogo-BA reforçado apenas de um atleta emprestado por outro clube, representou o estado da Bahia ficando entre os melhores colocados ao final do torneio

Botafogo X Ypiranga é o clássico mais antigo do futebol baiano. A rivalidade entre Bahia X Vitória só começou a acontecer no início da década de 1950, quando o rubro-negro voltou a se dedicar mais ao futebol e ganhar títulos. Até 1937 os mais ferrenhos adversários do Bahia eram Botafogo e Ypiranga. Depois veio o Galícia, que também rivalizou com o tricolor.

No inicio dos anos 20 começou a se acentuar a rivalidade entre Botafogo X Ypiranga. O melhor jogador da época, Apolinário Santana, o “Popó” jogava no Ypiranga, que tinha até uma musica “Popó chuta chuta, chuta por favor, mela, mela, mela e lá vai é gol”. Melar na época queria dizer driblar o adversário.

O time do Ypiranga era realmente muito forte. A linha média era formada por Mica, Nebulosa e Hercílio. O ataque tinha Lago, Popó, Dois Lados, Matices e Cabloco. As goleadas impostas pelo Ypiranga aos adversários eram comuns: quatro, cinco, seis e até mesmo dez gols; Em 15 de abril de 1923, numa tarde de gala, “Popó” fez cinco gols no Fluminense (RJ), no Campo da Graça em jogo vencido pelo onze baiano por 5 X 4.

O Botafogo também tinha uma linha media espetacular, formada por Serafim, Tenente e Chico Bezerra. E um ataque sensacional com Tatuí, Macedo, Manteiga, Seixas e Pelego. Manteiga era o seu jogador principal. No amistoso contra o Fluminense carioca, em 12 de abril de 1923, ele marcou os dois gols da vitória alvi-rubra.

Em 1920, quando o Botafogo levantou a taça de campeão, depois de vencer a Associação Atlética por 1 X 0, o jogador “Dois Lados”, teve o pé que marcou o gol banhado por champagne.

O Botafogo teve a honra de participar do jogo inaugural da “Fonte Nova”, que durante anos foi o templo do futebol baiano. Em 28 de janeiro de 1951, Botafogo X Guarany empataram em 1 x 1. Nélson, do Botafogo marcou o primeiro gol do estádio que levava o nome de Otávio Mangabeira.

Títulos conquistados pelo Botafogo baiano. Campeonatos Estaduais: (1919, 1922, 1923, 1926, 1930, 1935 e 1938); Vices-Campeonatos Estaduais: (1918, 1929, 1932, 1943, 1954, 1965 e 1977); Vice-Campeonato Baiano da Segunda Divisão: (1984); Torneio Início: (1924, 1925, 1940, 1948, 1952 e 1963).

O Botafogo fechou seu departamento de futebol em 1990, mas reabriu em 2011 e passou a disputar a 2ª Divisão do Campeonato Baiano, quando foi eliminado na primeira fase da competição. O primeiro jogo após o seu regresso foi disputado em 28 de abril de 2011, e o clube foi derrotado por 3 X 0 pelo Ypiranga, tradicional adversário do passado.

Em 2011 o Botafogo disputou os jogos do “Baianão” da 2ª Divisão, no estádio “Roberto Santos”, no bairro de Pituaçu, em Salvador. O ano passado, graças uma parceria com o município de Terra Nova, os jogos foram disputados no estádio Luis Eduardo Magalhães, naquela cidade.

Para este ano de 2013, graças a uma parceria com o Esporte Clube Vitória, irá disputar seus jogos no Barradão. Até 1990, quando o Botafogo fechou as portas, o time jogava em casa no Estádio Campo da Pólvora, localizado em Salvador, que tinha capacidade máxima para 2.000 pessoas. (Pesquisa: Nilo Dias)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Os 100 anos do Nacional de Manaus (Final)

O Nacional é o único clube do Estado a ter um centro de treinamento próprio. É ainda o dono da maior torcida no Amazonas. Quando disputou a Serie A do Brasileirão, sempre figurou entre os clubes com melhor média de público. Em uma das edições se classificou junto do Fluminense para a segunda fase do campeonato, pelo índice de média de público.

Seus mascotes são a “Aguia” e o “Leão”, por isso é também chamado pelos torcedores de "Leão da Vila Municipal", em homenagem ao antigo bairro da Vila Municipal, hoje Adrianópolis, onde fica seu rico patrimônio social.

O “Torneio Internacional Pacto Amazônico” foi realizado em Manaus no ano de 1981, e vencido pelo Nacional. A competição contou com clubes de países que compõem a Amazônia internacional, como Millonarios, da Colombia, Sporting Cristal e Alianza Lima, do Peru, Tuna Luso, de Belém e Fast Clube, de Manaus, entre outros.

Em 1984 o Nacional, que participava do Brasileirão da Série A, excursionou ao Marrocos para representar o Brasil na “Copa do Rei Hassan”, que contava com as principais equipes da África Setentrional e Oriente Médio. O Nacional foi o primeiro clube do Norte do país a jogar fora da América latina. E fez bonito, vencendo o torneio.

Nos anos 80 o Nacional era um clube consolidado como potência regional, e chegara ao mesmo nível dos paraenses Remo e Paysandu, sempre com uma das maiores médias de público do Norte e Nordeste. Mas em 1987, com a criação do “Clube dos 13”, muitos clubes de grandes torcidas ficaram de fora, exemplo do Nacional. Desde então, o time amazonense nunca mais participou da chamada elite do futebol brasileiro.

Mas corre de boca em boca uma história muito desagradável, fazendo alusão a que a diretoria da época seria corrupta e teria entregue vários jogos. E ainda existe a suspeita histórica de que dirigentes da Federação Amazonense de Futebol e do próprio Nacional, agindo de má fé teriam vendido a vaga do clube amazonense na Série B de 1988 para um clube paulista.

Ainda não se sabe se é um fato ou apenas boato, porém a época o Nacional tinha considerável colocação no ranking brasileiro, colocando-se entre os 30 melhores, o que lhe daria facilmente uma vaga entre os 24 que disputaram a Série B daquele ano.

O último grande jogador a ser revelado pelo Nacional foi o atacante maranhense França, que surgiu no clube em 1994 e depois jogou no São Paulo e Seleção Brasileira. De 1994 ate 2005, o time conquistou somente três campeonatos estaduais e não participou do certame de 1997. Enquanto isso o São Raimundo, que antes era um clube pequeno, obteve várias conquistas em nível regional, dominando o futebol amazonense por quase 10 anos.

Em 2000, devido a boa colocação no ranking da CBF, o Nacional disputou o “Módulo Amarelo” (equivalente à Série B) da Copa João Havelange. Ficou em 15º lugar no Grupo B marcando 19 pontos, em 17 jogos, sendo 5 vitórias, 4 empates e 8 derrotas, marcando 34 gols e sofrendo 37. Em 2001 o clube da estrela azul teve sua última participação na Série B do Campeonato Brasileiro, com uma péssima campanha: disputou 26 jogos, venceu 6, empatou 7 e perdeu 13, ficando na 27° posição e sendo rebaixado.

Em 2002 o clube disputou a Série C do Campeonato Brasileiro de Futebol, chegando ao quadrangular final, quando ficou em quarto lugar, atrás do campeão Brasiliense, do Marília e Ipatinga. Naquela época apenas duas equipes conseguiam o acesso a Série B.

O Nacional foi o clube de segunda melhor campanha na competição e seu atacante Wallace foi o quinto maior goleador, fazendo 8 gols. Além disso, em 1995 e em 2005, o time chegou até as quartas de final da Série C, ficando nessas outras duas vezes entre os oito melhores do campeonato.

Em 2006 o Nacional, no Estadual ficou em terceiro lugar, atrás de São Raimundo e Fast Clube. Também foi terceiro colocado na “Taça Amazonas” e eliminado na primeira fase da “Taça Cidade de Manaus”. O clube preferiu não disputar a Série C do mesmo ano, e sua vaga acabou ficando com o Rio Negro que foi o quarto colocado. O Nacional vinha de seis anos consecutivos disputando o Campeonato Brasileiro de Futebol

Na Copa do Brasil o Nacional foi o primeiro clube do Amazonas a eliminar um adversário ainda no jogo de ida, o Guará do Distrito Federal. Na “cidade satélite” de mesmo nome venceu por 2 X 0. Na segunda fase o Nacional enfrentou o Atlético (MG). No primeiro jogo empate em 2 X 2, sendo que o Nacional chegou a estar vencendo a partida. No jogo de volta, em Belo Horizonte, o Nacional foi goleado por 4 X 0.

Em 2009 o clube conseguiu a única vaga do Amazonas à Série D do Campeonato Brasileiro, ao ser campeão do primeiro turno do Campeonato Amazonense. Foi vice-campeão do torneio, ao perder para o América, de Natal na final, por 3 X 0.

Em 2010, o Nacional contratou para técnico o ex-jogador do Botafogo e da Seleção Brasileira, Alemão, que não conseguiu bons resultados. O time teve desempenho apenas razoável, e após a eliminação na Copa do Brasil para o ASA (AL), ainda na primeira fase com dois empates, Alemão pediu demissão. No Campeonato Amazonense, o time fez sua pior campanha em 22 anos, terminando em quarto lugar com 27 pontos ganhos, sendo que o clube, desde 1989, terminava sempre entre os três primeiros do campeonato.

O Nacional ainda disputou a Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol, quando enfrentou novamente o Penharol. O clube conquistou a vaga devida à desistência da Federação Roraimense de Futebol, de colocar um clube na competição. A vaga veio através do Ranking Nacional de Clubes da CBF, o que causou uma briga judicial com o Fast Clube, que almejava a vaga.

Na Copa do Brasil de 2012, o Nacional estreou enfrentando o Coritiba, com empate em casa. No jogo de volta levou 2 X 0 em Curitiba e foi eliminado. No Estadual de 2012, não conseguiu chegar as finais.

O patrimônio do Nacional é o maior entre todos os clubes do Amazonas e consta de: sede administrativa no bairro Adrianopolis; salão de festas; Academia Nacionalina, que hoje encontra-se alugada; salão nobre para eventos sociais; Salão Mario Cortez - Sala de Troféus; Escolinha de Futebol Barbosa Filho, que conta com um campo para treino e atende cerca de 200 jovens atletas; Parque Aquatico Adelino Costo; piscina olímpica, sendo que existem apenas três no Estado: a do Nacional, a da Vila Olímpica e a do SESI.

Conta ainda com uma piscina de hidroginástica; restaurante; Centro de Treinamentos Barbosa Filho, que possui alojamentos próprios para hospedar os jogadores, funcionando também como concentração das Categorias de Base do Clube (infantil, juvenil e juniores). O Centro é composto também de campo de futebol (com medidas oficiais), vestiários, refeitório, departamento médico, sala de massagem e estacionamento. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do Nacional que venceu o Torneio Internacional, no Marrocos. (Foto: Acervo fotográfico do Nacional F.C.)