Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sábado, 5 de outubro de 2013

Os 100 anos do "Dragão" de Limoeiro

O centenário do “Dragão” de Limoeiro (PE)

O Centro Limoeirense de Futebol é o terceiro clube mais antigo do futebol pernambucano, atrás apenas de Náutico e Sport, tendo sido fundado em 15 de setembro de 1913, 20 anos após a emancipação política da cidade. É o clube mais velho do interior do Nordeste em atividade.

Foi o primeiro time de Limoeiro a disputar campeonatos pernambucanos, se profissionalizando 50 anos depois de fundado, em 1963. Até hoje é o principal clube de futebol da cidade, sendo conhecido por seus torcedores como “Dragão”.  Suas cores são o vermelho e branco.

Na maior parte de sua existência o Limoeiro participou de campeonatos amadores na cidade e região. Seu adversário mais tradicional era o Colombo Sport Club, também de Limoeiro, o time preferido da elite local, que não existe mais. O Centro sempre foi uma agremiação popular.

Mesmo sendo uma entidade centenária, o Centro nunca conquistou títulos. O máximo que alcançou foi dois vices campeonatos da Série A-2, de Pernambuco, em 1995 e 2000 e um vice-campeonato da Taça Pernambuco, em 2004. Também disputou a Série C do Campeonato Brasileiro em 1997.

O primeiro jogo do Centro como clube profissional foi em 19 de maio de 1963, quando enfrentou o Náutico na estreia do Campeonato Estadual e perdeu por 2 X 0. Nessa sua primeira participação no Campeonato Pernambucano foi quinto colocado, na melhor campanha do clube na competição até hoje.

O time base do Centro Limoeirense em seu primeiro campeonato como profissional era o seguinte: Manguito – Adilson – Dedé - Luizinho e Edmilson - Juvenal e Vi – Tidão – Nelson - Tanzino e Chico.

O maior feito do time naquela competição, foi uma vitória sobre o Náutico, no “Varedão”, por 2 X 0, a primeira sobre um clube da capital pernambucana. O Centro só voltou a vencer o “Timbu” 40 anos depois, em 2003, por 1 X 0, gol de Eduardo.

Em 1964, outra boa participação, foi sexto colocado. Depois do campeonato, por problemas de ordem financeira teve de fechar o seu Departamento de Futebol Profissional, só retornando as atividades 30 anos depois, em 1994. Nesse ano disputou a Série A-2 do Campeonato Pernambucano.

Depois de uma bela campanha, o Centro venceu o segundo turno e em consequência alcançou o direito de participar da elite do futebol pernambucano no ano seguinte. Na final do campeonato acabou perdendo o título para o Sete de Setembro, de Garanhuns.

Pouco adiantou o acesso a Divisão Principal, pois o time terminou na lanterna da competição. Teve sorte, pois não foi rebaixado. Mas em 1997 não teve jeito, sendo lanterna de novo foi mandado de mala e cuia para a Segunda Divisão.

Time teimoso, não se entregou e em 2000 voltou a fazer ótima campanha na Segundona. Participou do quadrangular final e garantiu mais uma vez um lugar na Divisão Principal. O título da Série A-2 ficou com o AGA.

Triste sina teve o Limoeiro na elite pernambucana, pois não conseguiu engrenar outra vez. Disputou o Campeonato de 2001 e foi vice lanterna, voltando para a Segunda Divisão. Num jogo contra o Náutico, no “Varedão”, foi goleado por 4 X 0.

Em outubro de 2003, o Centro Limoeirense concretizou a sua primeira e única negociação na história com um clube do exterior, ao vender os direitos econômicos do jogador Cleyton Mendes dos Santos para o “Dong Tam Long Na”, pequeno clube do Vietnã.

Em 2004 uma grande surpresa. O time teve um desempenho fantástico na Copa Pernambuco, sendo considerado pela crítica esportiva o melhor time da competição. Mas na hora de decidir, fraquejou, perdendo o título dentro de casa para o Vitória das Tabocas, por 2 X 1.

Em 2007 retornou a Divisão Principal, depois de perder o título da Segundona para o Salgueiro, que venceu os dois jogos finais por 1 X 0. Mas no ano seguinte outra desilusão, lanterna novamente e rebaixamento. Em 2008 não teve êxito na tentativa de voltar a elite, tendo ficado na oitava posição da Segundona.

Atualmente o Centro tenta voltar à Primeira Divisão do Campeonato Pernambucano, que não disputa há cinco anos. Até agora faz uma boa campanha e pode chegar até a conquista do título, que seria o primeiro de sua história.

Para que se tenha uma ideia do tamanho das dificuldades enfrentadas pelo clube, sua folha salarial é de R$ 80 mil. Todos os jogadores moram em quatro quartos na sede social, sendo que um deles é ocupado por nove pessoas.

Mas a realidade de agora é bem melhor do que há meses atrás, quando o clube estava repleto de dividas e a sede era utilizada para receber jogos de azar e alugada para um depósito de cigarros.

Só de água e luz o Centro devia cerca de R$ 5 mil e os serviços foram cortados. O Estádio totalmente sucateado, sem que a prefeitura realizasse qualquer obra de manutenção. Para piorar, o presidente Jaelson Joaquim Barbosa de Lima e o vice Jáder Fábio Barbosa renunciaram aos cargos, deixando a agremiação no mais completo abandono.

O clube só não fechou as portas porque a Federação Pernambucana de Futebol interviu, atendendo pedido do presidente do Conselho Deliberativo, José Bernardino Coutinho. A Federação anistiou a dívida de R$ 40 mil com ela e pagou uma dívida trabalhista de R$ 15 mil com um ex-funcionário, anistiou os sócios e marcou uma nova eleição. Foi eleito o presidente José Roberto Rodrigues, que assumiu o cargo em janeiro deste ano.

Mesmo com todos os problemas que enfrenta, o Centro é adorado por seus torcedores. Tanto é verdade que o seu Severino Carlos, ex-jogador e atual administrador do Estádio “Varedão”, disse que se o clube algum dia fechar, vai embora de Limoeiro, explicando que desde os 12 anos de idade convive com a entidade, que é um patrimônio da cidade.

O Centro Limoeirense manda seus jogos no Estádio José Vareda, chamado de “Varedão”, que pertence a Prefeitura Municipal. Tem capacidade para 5 mil torcedores. A mascote do Centro Limoeirense de Futebol é o “Dragão”. Ele foi escolhido como um dos símbolos do clube por sua força.

Participações em campeonatos estaduais. 2ª Divisão, vice-campeão (1995 e 2000); Copa Pernambuco, vice-campeão (2004); Campeonato Pernambucano da Primeira Divisão (1963, 1964, 1996, 1997, 2001 e 2008); Campeonato Brasileiro da Série C (1997).

Nas comemorações do centenário o Centro realizou um torneio de futebol nas categorias Mirim e Infantil, enfrentando uma escolinha de Surubim.  Também foi homenageado “in memorian”, o saudoso desportista Antônio Mota, de relevantes serviços prestados ao clube.

Na véspera dos 100 anos, foi realizado um baile com animação da orquestra “Só Mulheres”. Representantes da Federação Pernambucana de Futebol estiveram presentes, ocasião em que foram homenageados pela direção do aniversariante. Também recebeu homenagem “in memorian” o desportista Carlos Alberto de Oliveira, ex-presidente da Federação Pernambucana de Futebol, falecido em 2011.

E no domingo, data do aniversário, realizou-se o jogo amistoso contra a equipe do Campinense, de Campina Grande (PB), com a presença de Carlinhos Bala, o “Rei de Pernambuco” na equipe. O Centro venceu por 3 X 0, com gols de Eduardo Erê e do nigeriano Henrri, que marcou duas vezes.


O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Barros de carvalho assistiu o jogo. Além dele estiveram no estádio o presidente do clube, Beto de Sula e o empresário Vavá da Ótica. Os torcedores que compareceram em grande número, portavam bandeiras e vestiram camisas do centro. (Pesquisa: Nilo Dias)

Jogo dos 100 anos, realizado dia 15 de setembro, data do aniversário do clube. Na ocasião o Centro Limoeirense derrotou o Campinense, de Campina Grande (PB), por 3 X 0.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O centenário do "Azulão" de Sorocaba

O Esporte Clube São Bento, da cidade de Sorocaba, interior paulista, é mais um clube que comemorou 100 anos de fundação neste ano de 2013. O clube nasceu no dia 14 de setembro de 1913, com o nome de Sorocaba Athletic Club. Seu primeiro presidente foi João Antunes. Somente um ano depois da fundação, em 13 de outubro de 1914, que passou a ter a denominação atual de E.C. São Bento, motivada, segundo alguns, por um desentendimento entre sócios e diretores.

A mudança foi uma homenagem ao São Bento, time da capital paulista que na época fazia muito sucesso. Há também quem diga que o nome São Bento foi adotado pelo fato do time jogar num campo de futebol que havia atrás do Mosteiro de São Bento, em Sorocaba.

Mas o São Bento não foi o primeiro clube de futebol da cidade. No início do século XX existiam em Sorocaba o Savóia, Sorocabano e Fortaleza. Em 1905, na região do “Além Ponte”, que concentrava muitas famílias de imigrantes espanhóis, surgiu o Club Athletico Chapeleiros , da fábrica de chapéus Souza Pereira.

Com a extinção do “Chapeleiros”, vários adeptos desse clube, junto com funcionários da fábrica de arreios Ferreira e Cia, instalada na rua XV de Novembro, fundaram o Sorocaba Athletic Club, nome primitivo do E.C. São Bento, em 14 de setembro de 1913. Nessa época a cidade vivia um surto de febre amarela, que por pouco não dizimou todos os moradores da cidade.

O primeiro jogo da história do novo clube foi uma goleada de 13 X 3, no Brasil Foot-Ball Club, de Pirajú, que em 1937 passou a se chamar Atlético Brasil, do distrito do Éden, equipe de futebol amador de Sorocaba, ainda em atividade. O segundo jogo foi contra o Club Colonial do Votorantim, com vitória de 2 X 1.

A primeira conquista do São Bento foi a “Taça Pierrot”, ganha em cima do XV de Piracicaba, por 1 X 0. A partida foi disputada no dia 23 de setembro de 1917 no antigo estádio “Castellões Parque”. O clube ainda conserva esta taça, considerada pelos torcedores a “Moedinha número um”. Recentemente a taça foi restaurada.

Nessa época aconteceram grandes jogos pelos campeonatos amadores da cidade, com as participações de Sorocabano, Fortaleza Clube, Savóia, Scarpa, Esporte Clube São Bento e Estrada de Ferro Sorocabana Futebol Clube, entre outros.

Em razão de existir pouca documentação sobre a reunião que culminou na fundação do clube, e em nenhuma delas qualquer referência as cores dos uniformes usados, acredita-se que a roupagem possuía tons de vermelho e branco, que eram as usadas pelo Sport Club Sorocabano. E só depois que mudou o nome para S.C. São Bento passou a adotar o azul celeste e o branco, que também eram as cores da extinta Associação Atlética São Bento, campeã paulista de 1914.

Porém, com a reforma do estatuto, ocorrida em 2009, foram acrescidas o azul Royal e o azul marinho. Na mesma ocasião “aportuguesou-se” a denominação “Club” para Clube, mantendo-se, contudo, o original em inglês no símbolo da equipe.

O primeiro escudo do S.C. São Bento surgiu em meados da década de 1920. No início do século XX, os clubes não possuíam escudos e nem a camisa dos atletas eram identificadas com números. Sua primeira versão consistia em um brasão azul, com as iniciais ECSB dentro de um círculo branco.

Na década seguinte, o brasão ficou apenas com o círculo e as iniciais, que teve duas versões. Quando o clube se profissionalizou, na década de 50, as letras que antes estavam separadas se juntaram para formar o desenho conhecido atualmente.

Em seguida, veio a inscrição com o nome do clube e da cidade de Sorocaba. A primeira versão do escudo que conhecemos hoje tinha suas cores invertidas: fundo azul e letras brancas. Foi apenas na década de 1980 que o distintivo tomou a forma que conhecemos hoje.

Ao longo do tempo, o São Bento teve uma série de uniformes, com diferentes tonalidades de azul. Atualmente o clube utiliza as cores azul e dourado para o uniforme principal e branco e dourado para o segundo uniforme, e laranja e dourado, para o terceiro.

Este último é uma alusão ao Sorocaba Athletic Club, que acredita-se que usava as cores vermelho e branco. Porém foram adotadas as cores laranja para não ter camisas similares ao seu rival, o Atlético Sorocaba.

O mascote do clube é o “Tira Prosa”, que estava esquecido há quase 30 anos, e agora foi recolocado nos jogos da Série A3. No passado ele impunha muito respeito. O “Tira-Prosa” é um pássaro Azulão, cuja denominação remete àquele que é valentão. O São Bento é o clube mais antigo de Sorocaba, ainda em atividade.

Durante quase 40 anos o São Bento disputou apenas campeonatos da cidade e região. Somente em 1953 se tornou profissional, participando do Campeonato Paulista da Série 3, que contou com 20 clubes divididos em três  grupos. O do São Bento tinha Corinthians, de Santo André, Paulista, de Jundiaí, Jabaquara, de Santos, Bragantino, de Bragança Paulista, São Caetano Esporte Clube e Taubaté.

O primeiro jogo oficial do São Bento como clube profissional, aconteceu em Bragança Paulista, quando perdeu para o Bragantino por 2 X 1. O time de Sorocaba jogou na ocasião com Peter - Domingos e Moacir – Rau – Falco e Sérgio – Cicarelli – Carrega – Mário - Mané e Bernardi.

Ainda em 1953 o “Azulão”, como era chamado pelos torcedores, realizou seu primeiro jogo de caráter internacional, tendo empatado em 2 X 2 com o Nacional de Montevidéu, campeão uruguaio, em jogo realizado em Sorocaba.

A equipe uruguaia contava com alguns jogadores que conquistaram o Campeonato Mundial de 1950 em pleno Maracanã. Ao longo da história, destaca-se a vitória diante da Seleção Brasileira de Novos, em Sorocaba, por 2 X 0, e também a goleada imposta ao Bragantino por 9 X 2, em 14 de abril de 2002, no Estádio Walter Ribeiro.

O São Bento ainda enfrentou em jogos internacionais a Seleção da Bulgária, em Sofia, no ano de 1979, perdendo por 2 X 1. Em 1980, em Sorocaba, derrotou a Seleção da Arábia Saudita, por 1 X 0. Em 1980 bateu a Seleção da Coréia do Norte por 1 X 0, em jogo realizado em Sorocaba.  E, finalmente, em 2012 empatou em 0 X 0 com a Seleção de Cuba, também em Sorocaba.

Em 1956, o São Bento vendeu ao Santos F.C. o jogador Fiote. Na transação o clube de Sorocaba tinha o direito de escolher alguns jogadores santistas por empréstimo. O próprio técnico alvinegro, Lula, disse que poderia ser levado qualquer jogador que estivesse no banco.

Foi escolhido Raimundinho, que depois foi artilheiro do Campeonato Paulista da Segunda Divisão em 1957, com 24 gols, jogando pelo São Bento. Ao lado de Raimundinho estava Pelé, mas não despertou o interesse do dirigente sorocabano, Guariglia, que preferiu levar, para sorte do futuro “Rei”, mais os jogadores Waldir e Zezinho.

O “Azulão” disputou o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão em 1979, tendo ficado em 15° lugar entre os 94 clubes que participaram da competição, considerada até hoje o maior campeonato de futebol do mundo. Também disputou, a nível nacional, a Taça de Prata de 1981 e 1983. Seu último compromisso em brasileiros ocorreu em 1992, quando disputou o Campeonato Brasileiro da Série B , a Terceira Divisão, atual Série C.

O primeiro acesso do São Bento à Divisão Especial do certame paulista ocorreu em 1963, depois de conquistar o título de campeão da Primeira Divisão, atual Série A2, enfrentando nos três jogos finais ao América, de São José do Rio Preto.

A partida decisiva, realizada na noite de 23 de fevereiro teve como palco o Estádio do Pacaembu, na capital bandeirante, com vitória do São Bento por 2 X 1. O gol da vitória e do título foi marcado por Picolé, aos 12 minutos do primeiro tempo da prorrogação.

O São Bento, comandado pelo técnico “Capão”, jogou com Walter – Julião - Odorico e Salvador - Nestor e Paulinho – Raimundinho – Cabralzinho – Picolé - Bazzaninho e Paraná. Os dois jogos anteriores terminaram empatados, 0 X 0, em São José do Rio Preto e 1 X 1, em Sorocaba.

No jogo final o São Bento teve o apoio de cerca de 3 mil torcedores, que viajaram em ônibus, carros particulares e até trens especiais. Apesar de ter sido realizada em 1963, a partida final correspondia ao certame de 1962.

Foi nessa década de 1960 que o clube viveu seus melhores momentos no Campeonato Paulista. Em 1963 foi quarto colocado, à frente de Corinthians e Portuguesa. Nos anos de 1964, 1965 e 1968 alcançou a sexta posição. Em 1966, 1967, 1969 e 1970 classificou-se em oitavo lugar. O São Bento participou do principal campeonato do Estado durante longos 29 anos consecutivos. Em 1991 foi rebaixado para a Série A3.

Após a queda, o clube enfrentou momentos difíceis, com uma série de escândalos envolvendo dirigentes e falta de apoio da Prefeitura e empresários, que quase o levaram a extinção. No final da década de 1990, o São Bento foi comprado pelo empresário pernambucano Jailson Dantas, também dono do Unibol.

Porém, a venda foi revertida, alegando-se que o empresário não tinha pago os cerca de R$ 300 mil previstos no contrato. O empresário recorreu e a ação segue na justiça até hoje.

Em 1994 o São Bento e o Corinthians de Presidente Prudente não foram rebaixados devido ao Monte Azul e a Internacional, de Bebedouro não terem atendido aos requisitos de capacidade de estádio para a disputa da A3 1995. Em 1998 o “Azulão” não foi rebaixado devido a desistência do Novorizontino de disputar o campeonato de 1999.

Em 2001 o São Bento ganhou o Campeonato Paulista da Série A3. Em 2002, foi campeão da Copa Estado de São Paulo, garantindo o título em dois empates frente o Jaboticabal, por ter vantagens de pontos na competição. Encerrou a campanha e confirmando o título em cima do União Mogi, em Sorocaba diante de sua torcida.

Em 2005, o clube retornou a elite do futebol paulista. Essa nova experiência durou apenas dois anos, pois em 2007 foi novamente rebaixado para a Série A2. Nessa ocasião o time era treinado pelo ex-volante da Seleção Colombiana, do Palmeiras, do Corinthians e do Santos, Freddy Rincón.

Em 2008, quase voltou a Divisão Principal depois de chegar ao quadrangular semifinal, mas não alcançou classificação. O Grupo era formado por São Bento, Atlético Sorocaba, Mogi Mirim e Oeste. O São Bento foi prejudicado com a ocorrência do polêmico "Jogo da Marmelada" entre Mogi Mirim e Oeste, que garantiram o acesso depois de um vexatório empate sem gols.

Em 2009, não conseguiu chegar nem mesmo na segunda fase do campeonato.  Em 2010, o time era comandado pelo ex-goleiro e ídolo do clube, Abelha, e contou com patrocínios de entidades fortes da cidade, mas novamente não logrou êxito.

O pior estava reservado para 2011 quando foi rebaixado para a Série A3, e foi apenas sétimo colocado na Copa Paulista, quando colocou em campo um time Sub-20, dirigido pelo técnico Claudinho Anacleto. Foi o resultado de uma série de resultados negativos, crises de bastidores e saída de patrocinadores.

Em 2012 não obteve êxito na tentativa de voltar a Série A2. Na Copa Paulista do mesmo ano, sob o comando do técnico Edson Vieira, a equipe começou a montar o time que disputou a A3 2013.

E agora, em 2013, ano em que comemora o centenário, o São Bento conseguiu voltar a Série A2, depois de vencer o Batatais, por 3 X 1 no campo do adversário e empatar em casa por 1 X 1.

Mas antes disso teve de passar por sufoco. Na segunda fase da competição, em um grupo que tinha Itapirense, Sertãozinho e Internacional, de Limeira, o São Bento, apesar de liderar toda a fase final do certame, apenas conseguiu seguir em frente com um gol aos 46 minutos do segundo tempo, em um empate sofrido diante da equipe do Sertãozinho. O time era treinado por Édson Vieira.

O São Bento manda seus jogos no Estádio Municipal Walter Ribeiro, o popular CIC (Centro de Integração Comunitária), localizado no bairro Jardim Santa Rosália, que tem capacidade para receber até 12.525 torcedores. O estádio foi inaugurado em 14 de outubro de 1978. O
nome é uma homenagem ao jornalista Walter Ribeiro (in memorian).
O estádio substituiu o “Humberto Reale”, antiga sede e lar do São Bento, que foi reformado e virou centro de treinamento do clube, depois de passar anos no mais completo abandono.

Nesse local foram realizadas memoráveis partidas, tendo como destaque a presença de Pelé em um jogo do São Bento contra o Santos, então campeão mundial. Vale lembrar que o time sorocabano venceu por 3 X 2.

O “Azulão” já mandou seus jogos em outros campos, tais como o Velódromo de Sorocaba, Castellões Parque, ambos extintos e no Campo do Savóia, todos no tempo do amadorismo.

O clube revelou bons jogadores para o futebol brasileiro, entre eles Mickey, até hoje considerado um dos melhores meias-armadores que passaram pelo clube, Pires, que atuou pelo Palmeiras e Vasco da Gama, Luís Pereira, o “Chevrolet”, que depois brilhou no Palmeiras e Seleção Brasileira, Paraná, que jogou no São Paulo e Seleção Brasileira, Marinho Peres, que vestiu as camisas do Santos, Internacional e Seleção Brasileira, Cabralzinho, que jogou no Santos, Fluminense e Palmeiras, Bauer, craque do São Paulo e Seleção, Odair Patriarca, que defendeu o Palmeiras e Seleção Brasileira e Tupãzinho, que jogou no Corinthians, entre outros.

Atualmente, o maior rival do São Bento é o Atlético Sorocaba, com quem protagoniza um dos maiores clássicos do interior paulista, o “Derbi”. Em rivalidade, é comparado aos clássicos Santista, Limeirense, Rio-pretense e até ao Campineiro.

Títulos conquistados: Campeonato Amador de Sorocaba. (1921, 1922, 1923, 1944, 1955, 1959, 1962 e 1963; Série A2 do Campeonato Paulista (1962); Campeonato Paulista do Interior (1963 , 1965 e 1966); Série A3 ( 2001 e 2013) e Copa Paulista de Futebol do Interior (2002).

O São Bento corre atrás de um objetivo para os próximos 10 anos, tornar-se o principal clube do interior paulista. E o projeto está começando com a reinauguração ocorrida nos festejos do cntenário, do Centro de Treinamento, localizado no antigo estádio “Humberto Reale”.


O São Bento mantém categorias de base Sub-15, Sub-17 e Sub-20 e retomou este ano a modalidade de Futsal. O clube já disputou competições de basquete e também futebol feminino. As torcidas organizadas do clube são a “Tira Prosa”, “Sangue Azul”, “Força Azul” e “Falcão Azul”. (Pesquisa: Nilo Dias) 

Este ano, depois de vencer a Série A3, o São Bento retornou a Série A2 do Campeonato Paulista.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Os 100 anos do "Arroz com Couve"

O Clube Atlético Santista foi fundado na cidade praiana de Santos (SP) no dia 7 de setembro de 1913, por alunos da Academia de Comércio José Bonifácio - hoje, Associação Instrutiva José Bonifácio - situada na Rua da Constituição, 56. A reunião aconteceu na sala do Museu de História Natural e Física da Academia e durou apenas uma hora e 18 minutos.

Os fundadores foram: Abelardo Gonçalves Torres, Adolfo Porchat de Assis (diretor da Academia de Comércio José Bonifácio), Alfredo João Pabts, Álvaro Monteiro Morgado, Antônio Bonilha da Cunha, Casimiro Reis de Vasconcelos, Djalma Guajarino Maia, Edgard Galvão Bueno, Eugênio Guilherme Pabts, Geraldo Maestre Alvarez, Hércules Galvanese, José Peres Ferreira, Lauro Maia, Lauro de Sousa e Silva, Marçal Castelões, Marino Lima, Nélson Buarque de Gusmão, Nélson Espíndola Lobato, Nicanor Behn Franco, Nicolino Ipólito, Nilo Silva, Odair Delamare Porchat de Assis, Otávio Gardner Hayden, Osmar Buarque de Gusmão, Robert Alex Sandall, Salvador De Maria, Santo Estêvão Caruso, Sócrates Aranha de Meneses e Tales de Melo, a que se juntaram, por direito, Poly Serpa Pinto e José Pinto Blandy.

A primeira Diretoria do novo clube ficou assim constituída: presidente, Odair Delamare Porchat de Assis; vice-presidente, Tales de Melo; 1º secretário, Nicolino Ipólito; 2º secretário, Geraldo Maestre Alvarez; 1º tesoureiro, Nélson Espíndola Lobato e 2º tesoureiro, Lauro Maia.

O prédio, que pertencera anteriormente ao senhor João Otávio dos Santos, criador do Instituto Profissional Dona Escolástica Rosa, era um palacete de amplas dimensões, com as paredes externas revestidas de azulejos portugueses, salas enormes, vastos corredores e 40 janelas.

Quando da fundação o clube se chamava José Bonifácio. A mudança para a denominação atual de Clube Atlético Santista só aconteceu em 1914, com a manutenção das cores verde e branco, que se mantém até hoje. Por causa das cores, o clube foi apelidado de “Arroz com Couve”.

O Atlético foi fundado para a prática do futebol, sendo até a sua desistência desse esporte, devido a profissionalização, o principal clube futebolístico da cidade, desbancando o então principal rival praiano Santos Futebol Clube, que naquela época ainda não havia se consolidado como grande clube. Os dois rivalizavam na preferência do torcedor.

A primeira partida do Clube Atlético Santista foi contra o Britânia F.C. no dia 4 de dezembro de 1916, com vitória de 3 x 1. Os gols foram marcados por Manoel Henrique, Leandro Jonas e Jair.

O Santista começou como filiado da Associação Santista de Esportes Atléticos (ASEA), de onde saiu  para ingressar na Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA). Não durou muito por lá, visto que sofreu graves prejuízos financeiros, o que o levou a demandar contra a entidade então dirigente do futebol paulista, que não viu com bons olhos a conquista atleticana de três títulos municipais em Santos.

Depois, mudou-se para a Liga Amadora de Futebol (LAF), junto de outros clubes dissidentes. Nas três entidades a que esteve filiado sempre alcançou esplêndidos triunfos, graças a organização, que foi sempre sua marca registrada e as boas equipes que formava.

Tanto é verdade, que em 1918, o campeão foi o Santista e de maneira invicta.  A equipe base era a seguinte:  Bland - Aldo e Adão – Décio -  Américo e Poly – Vitorino – Jadel – Pinheirinho - Milton e Lima. A campanha para a conquista do título foi esta:

Atlético X Brasil (3 X 1 e 4 X 1); Atlético X São Paulo (4 X 1 e 6 X 0; Atlético X Americana ( 1 X 1 e 4 x 1); Atlético X São Vicente (1 x 1 e 8 X 1); Atlético X S.P.R. (3 X 0 e 5 X 3). Foram 10 jogos, com oito vitórias e dois empates, 39 gols a favor e 10 contra, com um saldo positivo de 29 gols.

Embora a rivalidade entre Santista e Santos o primeiro confronto entre ambos no Campeonato Paulista, ocorreu somente no dia 8 de junho de 1930, com vitória do “Peixe” por 3 X 0, com dois gols de Feitiço e um de Mário Seixas. Ao término do campeonato o Santos ficou na terceira posição e o Atlético Santista na oitava, ao lado do S.C. Sírio, da Capital.

Antes dessa partida, os dois não se enfrentavam porque o Santos, que na época era presidido pelo Dr. Antônio Guilherme Gonçalves, em razão de uma determinação da APEA, não aceitava jogar no campo do Santista e por isso perdia sempre por WO.

O alviverde praticou futebol em três campos distintos e não próprios, como o do Jóquei Clube, o da Vila Matias, na Avenida Ana Costa, onde hoje se levanta a Igreja do Coração de Maria, e o da Avenida Conselheiro Nébias, entre a Rua Dona Luísa Macuco e a linha férrea da Companhia Docas, que é atualmente uma das áreas da Companhia de Usinas Nacionais.

Lá o clube conquistou vitórias históricas contra grandes equipes como Palestra Itália, Corinthians e São Paulo da Floresta. O Santos F.C. por exemplo, não entrava em campo quando o jogo estava marcado na Conselheiro.

Em 1931 os dois se enfrentaram uma única vez, na Vila Belmiro, com empate de 2 X 2. Em 1932, o Santos ganhou por 4 X 2, jogando novamente em casa. O jogo foi válido pelo campeonato que teve um só turno, devido a Revolução Constitucionalista.

E foi também a última vez em que se enfrentaram, pois com a chegada do profissionalismo ao futebol brasileiro, o Clube Atlético Santista deixou em definitivo de participar do certame paulista.

Antes dessa partida, os dois não se enfrentavam porque o Santos, que na época era presidido pelo Dr. Antônio Guilherme Gonçalves, em razão de uma determinação da APEA, não aceitava jogar no campo do Santista e por isso perdia sempre por WO.

O Santista, em sua curta existência no futebol, participou do Campeonato Paulista da Primeira Divisão, atual A-1, em sete ocasiões: 1926, 1927, 1928, 1929, 1930, 1931 e 1932. Sagrou-se tricampeão santista em 1918, 1919 e 1920 e esteve sempre entre os primeiros do futebol paulista, sendo vice-campeão em 1926.

Grandes jogadores também vestiram a camisa atleticana, como o goleiro Jaguaré, formado no clube, que depois foi ser campeão e ídolo do Vasco da Gama-RJ. E o primeiro grande craque do futebol brasileiro, Arthur Friedenreich.

A decisão de parar com o futebol, quase fez com que o clube fechasse as portas. Isso só não aconteceu graças a competência de seus administradores, que souberam dar a volta por cima. A reviravolta começou com os bailes no salão da rua Dom Pedro II, passando depois para a Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio.

Reequilibrado financeiramente, em 1949 construiu um moderno ginásio de esportes na Rua Dr. Carvalho de Mendonça, onde funcionava também a sede social. Naquele local se realizaram memoráveis partidas de basquetebol, voleibol e grandes e concorridos bailes. Ao fim da década de 1960 o Santista comprou um terreno na Avenida Washington Luís, pagou-o, contratou a construção do ginásio suspenso, dos raros no país e inaugurou-o festivamente em 1949.

No "Salão de Cristal" se realizaram inesquecíveis bailes, shows, eventos e até importantes reuniões políticas, tratando do desenvolvimento da cidade de Santos. Na "Boate Red", os jovens se divertiam com as discotecas e domingueiras. Naquele terreno também foi construído um ginásio de "Tamboréu" coberto, único do Brasil. Nessa época, o Clube Atlético Santista chegou a ser considerado o maior clube social da América Latina.

Mas as crises voltaram e por isso o clube se viu obrigado a vender em 2008, metade do terreno de 15 mil metros quadrados, localizado na esquina das ruas Carvalho de Mendonça e Pérsio de Queiróz, na Encruzilhada, para a concessionária de veículos Comeri.

O “Salão de Cristal”, onde haviam bailes, shows e mais recentemente as feiras de malhas, a “Boite Red”, onde muitos se divertiram nas discotecas, a quadra de tênis e o mini-campo de areia, onde haviam os torneios internos, as famosas “Gurilândias”, agora não fazem mais parte do patrimônio do clube.

Ao contrário do Clube de Regatas Santista e do Caiçara Clube, o Atlético está ressurgindo das cinzas e tudo leva a crer que breve voltará a se reestruturar completamente. Quando a atual diretoria, presidida por José Antônio Pires assumiu, juridicamente o Atlético Santista não existia mais.

Todas as dívidas já foram praticamente pagas e novas áreas de lazer construídas, como dois campos de futebol society com coberturas e vestiários, churrasqueiras, uma nova secretaria e ainda uma cantina. Estão previstas as construções de uma academia de ginástica, um salão de jogos e reformas na área das piscinas e da sede social existente embaixo do parque aquático.

Tudo isso foi possível graças a quantia financeira recebida e das parcelas que ainda estão sendo pagas pela venda da área. Apenas o quadro de sócios não é mais o de antigamente. Hoje está reduzido a apenas 125 colaboradores. Mas ao contrário de antigamente, hoje a sede fica aberta para quem quiser dela usufruir, bastando pagar uma taxa diária. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time de futebol do Atlético tricampeão municipal 1917-1918-1920. (Foto: Acervo fotográfico do Clube Atlético Santista)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Os 100 anos da “Serpente do Tietê”

O União Futebol Clube de Mogi das Cruzes (SP), foi fundado no dia 7 de setembro de 1913, quando a cidade não tinha mais do que 10 mil moradores. Nessa época o novo esporte já era conhecido por lá, pois registros mostram que antes mesmo da fundação do União, Mogi das Cruzes já contava com dois clubes de futebol, o Falena Futebol Clube e o Esporte Clube Mogi.

O Falena pertencia ao sapateiro Alfredo Cardoso, um negro estabelecido com sua oficina no centro da cidade. Era conhecido por “Alfredão”. Já o Mogi era do comerciante Francisco Veríssimo, o “Chiquinho”, que era proprietário de uma loja de tecidos, na Rua José Bonifácio, igualmente na zona central.

Alguns registros publicados pelo historiador Isaac Grinberg, mostram os primeiros jogos entre Falena e Esporte Clube Mogi. No primeiro jogo da história, o Falena venceu por 3 X 0. Uma semana depois, em novo confronto, houve empate em 1 x 1. Na terceira partida, nova vitória do Falena, outra vez por 3 X 0.

Apesar da diferença social, “Chiquinho” e “Alfredão” eram amigos. Nas poucas vezes em que os times da cidade foram convidados a se apresentarem na Capital, geralmente faltavam jogadores. E também pelo fato dos ânimos terem ficado um tanto exaltados, depois que as duas equipes se enfrentaram em três oportunidades. Por isso os dois decidiram fazer uma união das duas equipes. Dessa forma nasceu o União Futebol Clube.

Em setembro de 1961, quando o clube comemorou 48 anos de fundação, o desportista Levy Rodrigues escreveu em uma edição comemorativa no jornal do União, o seguinte:

“A luz mortiça dos lampiões testemunham outra vez, os debates. As conversas prosseguem até as tantas. Chegam finalmente a um acordo. Unir os dois clubes com nova denominação. Unir era a palavra. E porque não – União Futebol Clube. A vontade dos pioneiros esportivos de Mogi predominou. As cores vermelhas que sempre foram os sonhos do “Alfredão”, passou a ser a bandeira de luta esportiva da terra”.

A data de fundação oficial foi 7 de setembro, dia em que o novo clube enfrentou em jogo amistoso ao “Flor da Índia”, da capital paulista. Quis o destino que o primeiro gol da história do União Mogi fosse marcado por “Alfredão”. Resultado final: União 1 x 0 Flor da Índia.

“Alfredão” escreveu seu nome na história da cidade que o viu nascer no dia 1º de janeiro de 1888, pouco antes da abolição da escravatura no Brasil.

“Muito se tem dito que, sempre que se escrever ou falar qualquer coisa que diga respeito ao passado do União Futebol Clube, é obrigatório citar o nome de Alfredo Cardoso”, disse seu filho Heitor, quando da passagem dos 58 anos de fundação do clube. O fundador do União Futebol Clube faleceu no dia 23 de novembro de 1957, aos 69 anos, por insuficiência cardíaca.

Como não era fácil conseguir adversários, em seus primeiros anos de existência o União Mogi realizou apenas jogos amistosos. O clube era formado em sua maioria por pessoas pertencentes à classe alta da cidade, jovens que haviam estudado até mesmo no exterior. A exceção era “Alfredão”. E assim o time permaneceu no amadorismo por muitos anos.

Durante os nove primeiros anos de vida, o União Mogi participou de amistosos e campeonatos na cidade. O campeonato contava com times de lugares distantes, como Suzano, Poá e até com um clube chamado de Romanópolis, de Ferraz de Vasconcelos.

Além deles, tinham os clubes que eram os favoritos, o próprio União Mogi, o Vila Santista, o Mineração e o Tietê. “Como de costume, no futebol a competição era disputada em dois turnos”, lembrou Caetano Grieco Junior, o “Caetaninho”, jogador do União ainda em sua época amadora, de 1944 até 1947.

Somente em 8 de agosto de 1922, o União registrou seus estatutos no 3º Cartório de Notas de Mogi das Cruzes, tornando-se oficialmente uma entidade esportiva de fato e de direito, com Estatuto, definição de diretoria, normas e atribuições do executivo e sócios. Dessa forma, o primeiro presidente oficial do União foi o desportista Isodoro Boucault.

Depois disso, mesmo continuando amador, o União passou a jogar alguns torneios, como o Campeonato do Interior, em 1924, quando enfrentou equipes do Alto Tietê e do Vale do Paraíba.  A primeira competição que o time disputou profissionalmente foi o Campeonato Paulista da Segunda Divisão, em 1951. O time que disputou essa competição era formado por: Carlos Sato – Onofre e Zuza - Zé Luiz – Romão e Hironi – Ery - Brasil – Alvinho - Waldemar e Paulinho Machado.

Até a disputa do estadual, o clube participou por 39 anos de competições amadoras de Mogi das Cruzes e região. Nesses torneios, o time conquistou a torcida de grande parte da cidade e passou a ser o sonho de muitos garotos mogianos.

Mas o momento mais marcante desse período foi o que ensejou a construção do seu campo de futebol, na Rua Casarejos, em uma extensa área adquirida pelo clube. O estádio, cujo nome oficial era “Francisco Ferreira Lopes”, foi por muitos anos um dos principais pontos de reunião e diversão da sociedade mogiana.  Os bailes do União, realizados no Ginásio de Esportes construído tempos depois,  ficaram famosos na cidade, principalmente os de Carnaval.

Em 15 de outubro de 1975, o União comprou o terreno situado no Bairro do Caputera, uma área 128.200m², por 50 mil cruzeiros, e teve início o projeto da construção do CT da Vila da Prata.

Na década de 1940, mais estruturado e com melhores condições financeiras, graças a ajuda dos comerciantes locais, o União fez contratações ousadas, trazendo jogadores do Guarani, XV de Piracicaba e outros times grandes do interior paulista.

Em 1947 o time conquistou o primeiro título intermunicipal, quando foi campeão invicto, vencendo todas as 10 partidas do Campeonato Regional do Setor Norte. Nessa competição o União enfrentou Ponte Preta, São José, Elvira, Paraíbuna e Pedra Santa. O título conquistado nos pênaltis contra o São José foi o mais importante da história do clube até 2006, quando ganhou o Campeonato Paulista da Segunda Divisão, garantindo o acesso à Série A3 de 2007.

Depois da bonança veio o declínio, no final da década de 40. O dinheiro desapareceu e os principais investidores também. Nem mesmo os bailes no Ginásio Francisco Averaldo e o aluguel do Estádio da Rua Casarejo, serviram para minimizar a crise.

A conquista de 1947 teve um preço muito alto. Depois dela quase não se podia pagar os atletas, mesmo com salários baixos. A maioria dos jogadores gastava tudo o que recebiam do futebol nos bares, e mantinham um emprego paralelo para se sustentarem.

Na década de 60 o clube lançou a campanha “Luzes para o Futebol Mogiano”, para possibilitar jogos a noite. Foi um sucesso, tanto que em 1974 o “XI da Saudade”, time de veteranos do União, enfrentou a equipe de igual categoria do São Paulo Futebol Clube, com a presença do uruguaio Pedro Rocha, no jogo de inauguração dos refletores da Rua Casarejos. Vendido em 1999, o estádio deu lugar a um centro comercial.

O “XI da Saudade” fez história no futebol de Mogi das Cruzes. Começou com dois jogadores veteranos do União, que vieram de São Paulo, Eduardo Lima e Tremembé. Depois deles começaram a vir outros jogadores, não só para jogar futebol, mas principalmente para a cervejinha amiga, nas rodas de confraternização.

O time teve uma longa vida, foram mais de 20 anos, jogando em Mogi e em outras cidades como São José dos Campos, Itaquaquecetuba, Santa Isabel, Guararema, Salesópolis e Jacareí. Nos primeiros 10 anos o time contava apenas com ex-jogadores do União. Depois é que vieram os reforços, profissionais de outros clubes.

Em 1973, o momento máximo, Mané Garrincha vestiu a camisa do “XI da Saudade”.  Outros grandes jogadores atuaram pelo “XI da Saudade”:  Rivelino, Ademar Pantera, Mão de Onça, Ado, Roberto Dias e Tupãzinho.

O hoje presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marins jogou no União Mogi entre 10 de novembro de 1956 e 15 de agosto de 1957, após ter passado pelo São Paulo, Marília e Jabaquara.

Depois de participar do campeonato de 1959, o futebol profissional do União chegou ao fim, ficando fora de qualquer competição por longos 18 anos. Em 1979 a volta, participando da Terceira Divisão do Campeonato Paulista.

Em 1980, graças a reformulação da competição, o União retornou para a Segunda Divisão, onde permaneceu até 1993. No final da década de 80, o técnico do time foi Djalma Santos, bicampeão mundial em 1958 e 1962 pela Seleção Brasileira.

Também Waldir Peres, ex-goleiro da Seleção Brasileira foi técnico da equipe de 93 a 96 e dirigiu dois jogadores que se tornaram figuras conhecidas hoje em dia: Neymar, pai de Neymar Jr. e Lecheva, que brilhou no Payssandu, de Belém do Pará. O craque Neymar Jr. nasceu em Mogi das Cruzes.

Na história recente do clube alvirrubro, o único jogador que alcançou espaço em uma equipe grande foi o zagueiro Felipe Augusto, campeão mundial em 2012 com o Corinthians.

Começou em 1999 o período de maior decadência do clube. A sede da rua Casajeros, com estádio e ginásio foi vendida para uma construtora que pretendia construir no local um empreendimento comercial, mas a expectativa de renda com parte dos boxes que ficaram com o clube, não se confirmou.

Para piorar, a área onde seria erguido o CT da Vila da Prata, que nem havia começado, foi penhorada em agosto de 2005, para pagamento de dívidas trabalhistas. Em janeiro de 2006, o terreno foi arrematado por R$ 200 mil em um leilão judicial, 4% do valor avaliado, que era de R$ 5 milhões. O clube ainda tentou anular o leilão, mas não conseguiu.

Em 2006, pelo menos no futebol a coisa melhorou. O Mogi, dirigido pelo técnico Toninho Moura, conquistou o Campeonato Paulista da Segunda Divisão e o acesso para Série A3. Mas três anos depois, em 2009, estava de volta à última divisão de São Paulo, de onde não saiu mais.


O Mogi é recordista em troca de presidentes, de 2005 até hoje, foram oito. E nenhum deles conseguiu chegar até o fim do mandato. A mascote do clube, não poderia ser outra: a "Serpente do Tietê".  As torcidas atuais do União Mogi são: “Falange Vermelha” e “Explosão”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Primeiro time do Uniao Mogi, em 1913. "Alfredão", o fundador do clube é o jogador que está com a bola na frente. Foi o autor do primeiro gol da história do União. (Foto: Arquivo do jornal "O Diário de Mogi")

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Os 100 anos do "Azulão" alagoano

O Centro Sportivo Alagoano ou CSA, de Maceió (AL), recordista de títulos no futebol alagoano, completou 100 anos no último dia 7 de setembro. O clube foi fundado em 1913 por um grupo de desportistas liderados por Jonas Oliveira, que se reuniu na Sociedade Perseverança e Auxiliar dos Empregados no Comércio.

Quando criado o clube se chamava Centro Sportivo Sete de Setembro, em razão do 7 de setembro ter ido a data da fundação. Sua primeira sede foi na Sociedade Perseverança. Depois o clube mudou-se para uma das salas do Palácio Velho, antigo Palácio do Governo. Em 1915, nova mudança, dessa feita para um prédio na Praça da Independência, antiga Praça da Cadeia, pertencente ao “Tiro de Guerra”.

Nesse local o clube realizou seus primeiros treinos e jogos. O primeiro adversário foi uma equipe de jovens alagoanos que estudavam em Recife. Vitória de 3 X 0.

Nesse ano de 1915 aconteceu a primeira mudança de nome. O clube deixou de ser Centro Sportivo Sete de Setembro, passando a se chamar Centro Sportivo Floriano Peixoto, uma  homenagem a José Floriano Peixoto, atleta alagoano de destaque nacional.  Em 13 de abril de 1918, ocorreu a mudança definitiva de nome. Em Assembléia Geral os sócios aceitaram que o clube passasse a se chamar Centro Sportivo Alagoano.

O primeiro estádio do CSA foi o “Mutange”, inaugurado em 15 de novembro de 1922, com o dono da casa enfrentando e vencendo a equipe pernambucana do Centro Sportivo do Peréz, por 3 X 0. O jogador Odulfo fez o primeiro gol no estádio. O CSA jogou com Mendes – Rosalvo e Ilario - Campelo – Mimi e Lindolfo - Alirio – Braulio –Passos - Odolfo e Nelsinho. O “Mutange” em seus 89 anos de existência foi o maior estádio de Maceió e palco de grandes jogos e decisões.

O “Mutange” foi o local onde se realizou o primeiro jogo de futebol a noite em todo o Nordeste. O CSA tinha ligações com a empresa de força e Luz, que colocou 100 refletores no estádio, num total de 34 mil velas.

Foi lá que ocorreu a maior goleada de todos os tempos no futebol alagoano, CSA 22 X 0 Esporte Clube Maceio. Esse jogo aconteceu no dia 28 de janeiro de 1948, com o jogador Caio Mario marcando 10 gols. Também foi no “Mutange” que o CSA aplicou a maior goleada no rival, o CRB, 6 X 0, no dia 6 de março de 1932.

Local histórico, o estádio foi palco do primeiro jogo internacional em Maceió: CSA 1 X 1 Velez Sarsfield, da Argentina, no dia 23 de dezembro de 1951. Em 2009 o “Mutange” foi reformado e passou a ser um Centro de Treinamento. Desde então não mais recebeu jogos, servindo somente para treinamentos e eventos do clube.
Quanta emoção, quanta saudade tem o torcedor de outros jogos que permanecem na memória. Saudade que começou a diminuir quando a diretoria azulina reformou o estádio, e reabriu o Mutange em 1997 para a alegria de todos.

Um jogo que até hoje permanece na memória dos torcedores do CSA, foi um clássico contra o CRB, realizado em 10 de setembro de 1952, no Estádio da “Pajuçara” (do CRB), comemorativo ao aniversário do rival. O CSA venceu de goleada, 4 X 0, gols de Edgar (2) e Dengoso (2).

Os torcedores não perderam tempo, chamaram de o “jogo do xaxado”, em alusão ao ritmo musical do Nordeste brasileiro, que na época brilhava nas paradas de sucesso em todo o país, na voz de Luiz Gonzaga. A torcida “azulina” batia palmas e gritava "xaxado", enquanto dentro de campos os jogadores do CSA botavam os do CRB na roda.

O juiz foi Valdomiro Brêda. O CSA formou com Almir - Bem e Arestides – Oscarzinho - Zanélio e Neu - Napoleão (Ié) - Biu Cabecinha – Dida - Dengoso e Edgar (Bemvindo). O CRB jogou com: Levino (Luiz) - Helio Ramires (Ferrari) e Miguel Rosas – Netinho - Castanha e Moura – Sansão - Arroxelas (Santa Rita) – Dario - Mourão (Zé Cicero) e Zeca.

Em 19 de setembro de 1973, “Garrincha”, que vivia de apresentações em clubes de todo o Brasil, vestiu a camisa do CSA num amistoso contra o ASA de Arapiraca, no “Trapichão”. O famoso atacante jogou ao lado de Dida, que foi seu companheiro de Seleção Brasileira no Mundial de 1958, na Suécia. Dias depois, Garrincha jogou outra partida por um clube alagoano, o ASA de Arapiraca.

No dia 7 de maio de 1980 o CSA viveu um de seus grandes momentos, quando do jogo contra a Ferroviária, de Araraquara, na Fonte Luminosa, pela semifinal da Taça de Prata. O time alagoano venceu por 1 X 0, gol de Gilmar, garantindo vaga na final contra o Londrina, do Paraná.

Em 11 de abril de 1982, no Estádio Rei Pelé, em Maceió, o CSA foi protagonista de uma virada histórica, no primeiro jogo da decisão da Taça de Prata daquele ano. O time perdia por 3 X 1 e em sensacional reação venceu por 4 X 3. Isso, com oito jogadores em campo, pois ocorreram três expulsões. O time do CSA que venceu o Campo Grande formou com Joceli – Flávio – Jeronimo - Fernando e Zezinho – Ademir - Jorginho e Romel - Americo (Dentinho) - Freitas (Zé Carlos) e Mug.

O ano de 1999 foi único na história do CSA e do futebol alagoano. Pela primeira vez um clube do Estado participou de uma competição internacional, a Copa Conmebol. Naquele ano o país foi representado pelos campeões das competições regionais. Os dois finalistas da Copa do Nordeste, Bahia, campeão e Vitória, vice, não quiseram participar da competição, o que deu lugar ao terceiro classificado, o Sport, de Recife, que também não quis. Com tantas desistências sobrou para o CSA, que foi o quarto colocado.

Os jogos do CSA na Conmebol foram os seguintes: 13-10, no Rei Pelé, em Maceió CSA 2 X 0 Vila Nova, de Goiás; dia 20-10, no Serra Dourada, em Goiânia, Vila Nova 2 X 0 CSA. Nos pênaltis, CSA 4 X 3. Em 03-11, em Mérida, Venezuela, Estudiantes 0 X 0 CSA; 03-11, em Maceió, CSA 3 X 1 Estudiantes; 17-11, em Manaus, São Raimundo 1 X 0 CSA; em 24-11, em Maceió, CSA 1 São Raimundo. Nos pênaltis, vitória do CSA  e classificação para a partida final. Em 01-12, em Maceió, CSA 4 X 2 Talleres, da Argentina;  e dia 08-12, na Argentina, Talleres 3 X 0 CSA. O clube argentino sagrou-se campeão.

Títulos conquistados. Campeonato Alagoano: (1928, 1929, 1933, 1935, 1936, 1941, 1942, 1944, 1949, 1952, 1955,1956, 1957, 1958, 1960, 1963, 1965, 1966, 1967,1968, 1971, 1974, 1975, 1980, 1981, 1982, 1984, 1985, 1988, 1990, 1991, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999 e 2008); Torneio Início: (1927/28/29/30, 1933, 1935, 1940, 1946, 1949, 1957, 1961, 1965 e 1972); Vice-campeão da Copa Conmebol: (1999; Vice-campeão da Taça de Prata: (1980, 1982 e 1983); Torneio Pró-Caixa Olímpica: (1929); Torneio Associação Cultural e Cívica Feminina: (1935); Copa FAD: (1936); Grande Festival do Futebol: (1932); Torneio Mário Lima: (1956); Torneio Alfredo Junior: (1975) e Troféu Wassil Barbosa (Desafio das Multidões, contra o CRB): (2010). (Pesquisa: Nilo Dias)


 Histórica foto do CSA, em 1923. Em pé:  Bráulio - Alírio - Murilo - Odulfo e Nelcino. Ajoelhados: Campelo - Mimi e Geraldo. Sentados: Hilário - Mendes e Osvaldo. (Foto: Museu dos Esportes de Alagoas)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O velho (e bom) futebol goiano (Final)

Com a criação da Associação Goiana de Esportes Athleticos (Agea), esperava-se uma mobilização geral em torno do futebol no Estado. Comerciantes, artistas, políticos, jornalistas, poetas, escritores e populares se uniram para apoiar sua criação, bem com suas ações, como a da construção de um estádio a ser administrado pela recém fundada entidade.

Foi lançada uma “Lista Pró-Estádio”, com a finalidade de conseguir os recursos para a obra. Os eventuais colaboradores concorriam a prêmios, que ficavam expostos na vitrine da Casa Nicolau. Ao final de setembro já haviam sido alcançados recursos na ordem de 200 mil réis, que foram depositados no Banco Hypothecario e Agrícola do Estado de Minas Gerais, em sua agência da Cidade de Goiás.

Aí teve início um grande mutirão para tornar realidade o sonho do estádio. Primeiro alguns operários foram contratados para efetuarem os trabalhos braçais, como o de roçar o terreno onde seria levantada a obra. Rapazes que possuíam automóveis, como Péricles Fleury, Calígula Macedo, Claudio Cunha e outros, puseram seus veículos à disposição do Comitê Feminino, que era responsável pela organização do mutirão.

As senhoras se mostraram muito competentes na missão, tanto que conseguiram emprestadas por um dia, todas as ferramentas da Secretaria de Obras do Estado.

Mesmo com a ativa participação de estudantes, militares, mulheres e a comunidade em geral, os maiores louros desse movimento comunitário foram para o paulista Genaro Rodrigues, funcionário dos Correios, que fora transferido de São Paulo para a capital de Goiás.

Os jornais de São Paulo até certo ponto exageravam na importância de Genaro na criação da Agea. Na capital paulista ele fora diretor de clubes de esportes, jurado de luta-livre, árbitro de futebol, representante da Associação Paulista de Esportes Athleticos (Apea) e autor da letra do Hino da S.E. Palmeiras, com música de Antônio Sergi. Costumava usar o pseudônimo de “Nage”.

Por isso era apresentado como alguém de “espírito irrequieto e empreendedor”, legítimo herdeiro da velha tradição bandeirante. Atribuíam a ele a visão de que o futebol no Estado só se desenvolveria com a criação de um órgão que centralizasse todas as decisões. Na verdade, Genaro Rodrigues não descansou enquanto não conseguiu ver organizada a Associação Goyana de Esportes Athleticos.

O mesmo ocorria com jornais de Goiás, que diziam estar o futebol estadual em pleno desenvolvimento, graças aos esforços do grande esportista Genaro Rodrigues, principal responsável pela criação da Associação Goyana de Esportes Athleticos. Raramente eram citados os nomes de outros membros da primeira diretoria da entidade, como Cesar de Alencastro Veiga, José de Alvarenga Peixoto, Sebastião da Rocha Lima, Joaquim Ramos Jubé Junior, Claudio Cunha e Jacques Saddi, entre outros.

Foi esse grupo, ao lado de mulheres como Maria Carlota Guedes, Maria Augusta da Rocha, Floracy Artiaga, entre outras, que efetivamente viabilizou boa parte das condições necessárias para a criação de uma associação esportiva em Goiás.

A afirmativa da imprensa paulistana, de que não havia clubes e nem competições organizadas no Estado de Goiás, não refletia a verdade, pois desde princípios da década de 1920 já estavam em curso algumas competições de maneira mais ou menos bem delineadas. É certo, também, que no período posterior a 1930, houve uma considerável intensificação das atividades esportivas em Goiás, sobretudo do futebol.

Isso não foi obra da Agea, que teve papel reduzido nesse sentido, pois apenas três clubes da capital filiaram-se à ela, que tinha um caráter bastante seletivo, excludente mesmo. A adesão de clubes precisava atender um conjunto considerável de exigências.

Para se filiar a Agea, o clube deveria ter sedes social e esportiva, pagar taxas de joias e anuidades, além de ter estatutos. Enfim, estar constituído como uma entidade jurídica formal, o que custava cerca de 300 mil contos de réis, de acordo com o valor pago pela própria Agea no seu processo de formalização burocrática.

As joias custavam 50 mil contos de réis para a divisão principal e para a primeira divisão, e 30 mil contos de réis para as demais. A isso, somavam-se outros 30 mil contos de réis de anuidade, igual para todas as divisões, bem como outros dois mil contos de réis por cada jogador inscrito nos clubes da divisão principal.

Para mudar de nome ou de cores, o time, além de depender de aprovação da diretoria da Agea, deveria pagar uma taxa correspondente ao dobro da joia de sua divisão, além de nova taxa de inscrição de todos os seus jogadores. Dessa forma, um clube com 24 jogadores, que pretendesse fazer parte da divisão principal da Agea deveria desembolsar, de início, apenas com taxas e joias destinadas à própria entidade, 128 mil contos de reis.

Esse fator foi determinante para que a quase totalidade dos clubes não se filiasse a Agea, sobretudo os do interior. A entidade queria se filiar à Confederação Brasileira de Desportos, para que clubes do Estado finalmente pudessem disputar competições interestaduais. Mas para isso também era preciso cumprir algumas exigências, como possuir certo número de clubes filiados.

Em 1932, as criticas se avolumavam porque o estado dos gramados era péssimo e o desanimo tomava conta dos esportistas locais. Por isso foi feito um apelo aos dirigentes, para que filiassem seus clubes a Agea e fossem organizados também os campeonatos das cidades. Mas tais tentativas foram infrutíferas.

Os embates futebolísticos que mobilizaram grande número de torcedores a partir de 1930 e 1931 foram resultado de acordos firmados diretamente entre os próprios times, geralmente através de telegramas, sem apoio ou intermediação de nenhuma liga ou associação esportiva.

O fracasso da Agea também passou pelo regresso de Genaro Rodrigues a São Paulo. Mas não foi só a saída do importante desportista paulista, a responsável pelo pouco reconhecimento dado a entidade centralizadora. Mais do que isso foi o fato da Agea ter se utilizado de um modelo de organização importado de São Paulo, do que basear-se na realidade local.

De acordo com os estatutos, todos os jogos da divisão principal seriam disputados na capital; a realização de jogos amistosos dependeria de licença concedida pelo presidente da Agea; além disso, 1/3 da renda de todos os jogos seriam destinados à associação. 

O primeiro clube profissional do Estado de Goiás foi o União Americana Esporte Clube, fundado em 28 de abril de 1936, já na atual capital goiana. Também participou do primeiro jogo de futebol realizado em Goiânia, quando enfrentou o Botafogo Sport Clube, de Anápolis. Durante o período de afirmação do futebol na nova capital surgiram vários clubes que foram extintos em pouco tempo.

Fundado em 2 de abril de 1937, com raízes no bairro de Campinas, e tendo um “Dragão” como mascote, o Atlético Goianiense é o pioneiro no futebol de Goiânia e foi o primeiro clube a conquistar um título estadual, em 1944.

Por escolha da maioria dos fundadores, o uniforme tem as cores vermelha e preta, inspirado no Flamengo, e o escudo segue os moldes do São Paulo. Participaram da fundação do Atlético, os irmãos Nicanor Gordo – primeiro presidente do Conselho Deliberativo, Alberto Alves Gordo, Afonso Garcia Gordo, Edson Hermano, primeiro goleiro do clube, João de Brito Guimarães, João Batista Gonçalves, Ondomar Sarti e Benjamim Roriz, entre outros.

O Vila Nova F.C. foi fundado em 29 de julho de 1943. O “Tigrão”, como é conhecido por conta do seu mascote, possui a segunda maior torcida da capital goianiense. Foi o primeiro clube goiano a disputar uma competição internacional, a Copa Conmebol de 1999. É considerado um dos maiores clubes do Centro-Oeste do Brasil, e um dos três grandes de Goiás, juntamente com o Goiás E.C. e o Atlético Clube Goianiense.

O escudo do Goiânia Esporte Clube sugere o ano de 1938 como o da sua fundação. Entretanto, publicações dizem algo diferente sobre a história do clube. Na versão do jornalista e escritor, João Batista Alves, falecido em 2008, publicada no livro “Arquivos do futebol goiano”, o 30 de abril de 1936 seria o dia exato em que o Goiânia E.C. teria sido originalmente criado. Idealizado por Joaquim da Veiga Jardim, que também teve participação nas fundações de Atlético Goianiense, Vila Nova e Goiás, foi segundo relatos o “pai” do “Galo Carijó”.

Em 6 de abril de 1943 os irmãos Lino e Carlos Barsi, juntamente com João Padatella, Ozório de Oliveira, Luiz Rocha, Pedro Pio Nogueira, Sebastião Ludovico Coelho, Feliz Sadde, Arthur Oscar de Macedo, Sebastião Oscar de Castro, Antônio Camargo e Esmeraldo dos Santos fundaram o Goiás Esporte Clube. A agremiação nasceu para competir contra os poderosos clubes goianos da época, Atlético e Goiânia, que de 1944, ano do primeiro campeonato goiano, dividiram os títulos até 1960.

Sobreviveram apenas o Atlético, o Goiânia, o Vila Nova e o Goiás.
O primeiro campeonato goiano, que já foi disputado 70 vezes, foi realizado em 1944, com a participação de apenas cinco equipes: Vila Nova, Atlético, Goiânia, Goiás e Campinas, fundado em 1943, hoje extinto e que tinha seu time composto por jogadores reservas do Atlético.

Até os anos 60 o Campeonato Goiano foi uma competição entre times de Goiânia e de cidades vizinhas, como Nova Veneza, Inhumas e Campinas, na época um município. Cidades como Anápolis e Buriti Alegre tinham suas próprias competições.

O primeiro campeão foi o Atlético Clube Goianiense e o primeiro artilheiro Ari, também do Atlético, com oito gols. O time disputou a final com o Goiânia, cena que se repetiu em todas as edições até 1960, com exceção de 1951, quando a final ficou por conta de Goiás e Goiânia.

O Catalão também se considera o primeiro campeão goiano, extraoficial, pelo fato de ter ido até Anápolis e derrotado o time local por 2 X 0, que antes havia vencido partidas em Goiás, Inhumas, Morrinhos e Pirenópolis.

O time base do Atlético nesse campeonato era Paulista (Wolney) - Tonico (Ditinho) e Chancão (Fão) - Waldemar Bariano - Tocafundo (Mira) - Pixo (Pirulito) - Cid, Ari, Cigano, Nazaré, Dido e Nery.

O Goiás, que hoje é o grande clube do Estado, levou 22 anos até conquistar um título estadual. Isso só ocorreu em 1966. Desde então, o alviverde foi se firmando como grande equipe.

Em 1997, ao conseguir seu 15° título, passou a frente do Goiânia e agora é o clube com mais títulos estaduais, 24, nove a mais que o segundo colocado, o Vila Nova, com 15. Em terceiro está o Goiânia, com 14 títulos e em quinto o Atlético Goianiense, com 12 conquistas.

O interior também teve times campeões estaduais, e foram quatro: o Anápolis Futebol Clube, em 1965; o Crac, de Catalão, em 1967 e 2004; o Goiatuba Esporte Clube, em 1992 e o Itumbiara, em 2008.

O Goiânia, hoje um clube em franca decadência, foi pentacampeão estadual de 1949 a 1954, tri entre 1958/1960 e bi em 1945/1946. O Goiás igualou o feito entre 1996 a 2000. Ainda possui um tri, de 1989 a 1991 e quatro bi, 1971/1972, 1975/1976, 1986/1987 e 2002/2003. O Vila Nova foi tetracampeão de 1977 a 1980 e tricampeão entre 1961/1963. O Atlético foi apenas bicampeão estadual, em 2010 e 2011. Nenhum time interiorano ganhou dois títulos seguidos.

Quem mais marcou gols em uma única edição do Campeonato Goianense foi Baltazar, que pelo Atlético Goianiense fez 31 gols em 1978. É seguido por Bé, do Vila Nova (29 gols em 1993), e Dill, do Goiás (29 em 2000). Em quarto está Foca, do Goiânia, com 28 gols em 1951, e em quinto Zé Amaro, do Anápolis, com 27 em 1981, e Aloísio, do Goiás, também com 27 em 1997.

Dimas Diniz, quando defendia o Goianáz, de Nova Veneza foi o primeiro artilheiro do Estadual, atuando por uma equipe do interior do Estado. Líbano, do Inhumas, Nélson Parrilha, do Anápolis e Toninho Índio, do CRAC, conquistaram a artilharia duas vezes. O jogador de um clube do interior que mais marcou gols em uma única edição do “Goianão” foi Zé Mauro, do Anápolis, que balançou as redes adversárias em 27 oportunidades, em 1979.

O primeiro grande estádio de Goiânia foi o Olímpico. Nele aconteceram os grandes embates dos campeonatos estaduais e nacionais até a construção do “Serra Dourada”, nos anos 70. O estádio mantinha a cara de uma cidade pequena, acolhedora, calorosa, onde todos se conheciam.

Na metade dos anos 60 chegou a vender cadeiras cativas, uma ideia que não deu certo, apesar de uma grande campanha publicitária que teve até o “Rei Pelé” como garoto-propaganda.

Foram 59 os clubes que já disputaram o Campeonato Goiano de Futebol, sendo 17 de Goiânia, contando os quatro campineiros: Atlético, Campinas, São Paulo e São Luís; seis de Anápolis; três de Itumbiara e três de Inhumas. 30 cidades já tiveram times no estadual.

Outra competição de relevância que tivemos no Estado foi o “Campeonato Goiano do Interior”, disputado entre 1956 e 1964. Os times de Anápolis não disputavam este torneio. Os campeões foram: América (1957); 1958, não foi disputado; Ceres (1959); Inhumas (1960);  Botafogo, de Buriti Alegre (1961); São Luis (1962);  Independente, de Goiás (1963) e Ceres (1964).Em 1956 não se tem informação oficial de quem conquistou o título.

Grandes jogadores que atuaram no futebol goiano. No Goiás Esporte Clube: o lendário Tão Segurado; Lincoln; Peghetti; Macalé; Matinha; Lucinho; Tuíra; Carlos Alberto Santos; Dadá Maravilha; Péricles; Luvanor; Zé Teodoro; Cacau; Uidemar; Baltazar; Dil; Fernandão e atualmente Walter.

No Atlético Goianiense: Ari; Dido; Tarzan; Fábio; Dadi; Baltazar, o “Artilheiro de Deus”; Júlio César, o “Imperador” e Valdeir, o “The Flash”, todos revelados no clube.

No Goiânia E.C.: Túlio Maravilha; Finazzi; Hermes Neves Soares; Nonato e Danilo Portugal. (Pesquisa: Nilo Dias)


Atlético Goianiense, campeão goiano invicto de 1957. (Foto:Acervo fotográfico do Atlético Clube Goianiense)

Jogadores do Catalão F.C., campeão goiano extraoficial em 1923: Antonio Lucas – Alberto Mendes – Afrânio Righetto - Caim – Guim – Delermando Sampaio – Isaac da Paixão – Cuia – Carlos – José Righetto e Cairo. (Foto: Arquivo de Sylvim Netto )