Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Goleadas incriveis

Embora não seja reconhecida pela FIFA, a maior goleada acontecida no futebol mundial em todos os tempos, foi no jogo entre os times do A.S. Adema X Stade Olympique, pelo Campeonato Nacional de Madagascar, em 1902. Por incrivel que pareça, o AS Edema venceu pelo quase inacreditável escore de 149 X 0. 
                      
Masresultado do jogo não significou uma diferença técnica enorme entre um clube e outro. Na verdade, o Stade Olympique fez uma espécie de protesto pelas arbitragens que prejudicaram a equipe no desenrolar do campeonato nacional.

O técnico Ratsimandresy Ratsarazaka mandou que seus jogadores marcassem quantos gols contra pudessem. O curioso é que todos os 124 gols foram contra. O resultado foi a estratosférica goleada, que não foi reconhecida pela FIFA como a maior da história do futebol.

Para a entidade que rege o futebol mundial, o maior escore se verificou no jogo Austrália 31 X 0 Samoa Americana, válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo, realizado  em 11 de abril de 2001. O atacante Archie Thompson marcou 13 gols, estabelecendo o recorde de gols de um jogador em uma única partida, que se mantém até os dias de hoje.

Mas se tem registros de escores maiores, ocorridos na Copa da Escócia, no longiquo ano de 1885, quando o Arbroatch aplicou 36 X 0 no Bon Accord. No mesmo dia se verificou aquela que seria a segunda maior goleada da história, Dundee Harp 35 X 0 Aberdeen Rovers.

Também fica em dúvida o recorde de Archie Tompson, pois no jogo em que Abroatch fez 36 X 0, seu jogador John Petrie marcou igualmente 13 gols. Nesse jogo inusitado, o goleiro John Milne, do time vencedor, não tocou na bola uma única vez.
Na goleada do Dundee Harp, o juiz se perdeu na contagem de gols e pensava que o resultado tinha sido 37 X 0, mas foi corrigidonpelos próprios jogadores do onze vencedor, que admitiram terem feito “só” 35 gols.

No Brasil a maior goleada aconteceu no Campeonato Carioca de 1909, quando o Botafogo aplicou 24 X 0 no S.C. Mangueira. O jogo foi disputado no campo da rua Voluntários da Pátria, no dia 30 de maio daquele ano.   
      
O Botafogo mandou a campo Coggin - Raul Rodrigues e Dinorah - Rolando de Lamare - Lulu Rocha e Edgard Pullen - Henrique Teixeira - Flávio Ramos - Monk, Gilbert Hime e Emmanuel Sodré. O Mangueira jogou com Luiz Guimarães - José Perez e Carlos Mongey – Victor - Jonas Cunha e Justino Fortes - Alberto Rocha - João Pereira - Menezes e Maranhão.

No campeonato Paulista a maior goleada registrou-se em 16 de maio de 1920, quando o Paulistano aplicou 12 X 0 na A.A. das Palmeiras. As segubndas maiores goleadas foram: 28 de agosto de 1921, Paulistano 12 X Ypiranga; 3 de maio de 1927, Corinthians 12 X 1 Ypiranga; 27 de agosto de 1933, São Paulo da Floresta 12 x 1 Sírio; 8 de julho de 1945, São Paulo 12 X 1 Jabaquara e 19 de novembro de 1959, Santos 12 X 1 Ponte Preta.

No Campeonato Gaúcho a maior goleada foi registrada em 1976, quando o Internacional fez 14 X 0 no Ferro Carril, de Uruguaiana. Dois times de São Gabriel levaram goleadas também homéricas: Novo Hamburgo 11 x 0 Botafogo, em 1936, e Bagé 11 X 1 Atlético, em 1926.

No Campeonato Mineiro o maior escore é dividido etre Cruzeiro e América, que fizeram o mesmo escore. O Cruzeiro ganhou de 14 X 0 do Alves Nogueira, de Sabará, em 1928, com 10 gols de Ninão. O América bateu o Palmeiras, de Belo Horizonte, também por 14 X 0, coincidentemente, no mesmo ano.

No Campeonato Brasileiro a maior goleada até hoje, aconteceu no jogo Corinthians 10 X 1 Tiradentes, do Piauí, disputada no dia 9 de fevereiro de 1983, no Estádio do Canindé. (Pesquisa: Nilo Dias)

Para a FIFA, a maior goleada de toda a história do futebol aconteceu no jogo Austrália 31 X 0 Samoa Americana . (Foto: Divulgação)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O centenário do "Avoengo da Ribeirinha)

O Esporte Clube Propriá, da cidade de igual nome, foi fundado em 12 de outubro de 1913, com o nome de Sergipe Foot Ball Club. É o terceiro clube de futebol mais velho do Estado. Somente Cotinguiba e Sergipe, ambos de 1909, são mais antigos.

Em 1956, quando se filiou a Liga Sergipana de Esportes Atléticos (LSEA), atual FSF, trocou para o nome atual. E também pela existência em Aracaju de um outro clube chamado Sergipe.

A mudança de nome provocou uma rachadura da diretoria do time. O dirigente Durval Feitosa não aceitou o nome de Propriá e sugeriu Serigy Futebol Clube, que não foi aceito. Inconformado, partiu então para a fundação do América Futebol Clube.

As cores do clube são azul e branco. Seu principal rival é o América Futebol Clube, também de Propriá, fundado 8 de agosto de 1942 por jogadores dissidentes do Propriá.

O clube nunca teve uma participação constante na elite do futebol sergipano. Tanto é verdade, que somente no final da década de 1940 é que começou a participar do Campeonato do Interior, quando conseguiu poucos títulos da “Zona Norte” do Estado.

Tomou parte no primeiro campeonato profissional em 1960. Ganhou dois títulos estaduais na segunda divisão do sergipano, o primeiro em 1964, o outro quando foi campeão invicto em 1983. Nem sempre disputou o campeonato. Junto com o América, também de Propriá, passou por séria crise financeira, que acabou com a fusão dos dois, em 1991, quando nasceu o União, de Propriá, de vida curta.

Um dos grandes feitos da história do Propriá foi a vitória de 1 X 0 sobre o Bahia, em jogo amistoso disputado em 1963. O gol foi do jogador Zé Pequeno.

Atualmente o Propriá busca retornar a Série A do Estadual. O “Avoengo da Ribeirinha”, como é chamado por sua torcida, sempre foi um celeiro de bons jogadores.

Foram revelados pelo clube Xinica, Abilio, Zé Torres, Tonho de Olimpio, Beque, Alemão(Branco), Zagueirão, Sérgio, Maromba, Zé Pequeno, Ozano, Demazinho, Jurinha, Enário, e tantos outros que fizeram história no Futebol Sergipano.

O Propriá é dono do Estádio Constantino Tavares, que tem capacidade para cinco mil expectadores, que se encontra em péssimas condições. O clube pensa em vender seu único patrimônio para uma rede de supermercados, mas quer primeiro que o Estado doe o Estádio João Alves, um verdadeiro elefante branco construído na cidade, e que também está em mau estado de conservação.

Esporte Clube Propriá, que tem o peixe “piau” como mascote, está participando da Copa Sergipe, competição que começou dia 6 deste mês e se prolongará até o dia 22 de dezembro. Devido ao mau estádo em que se encontra a sua praça de esportes, o Propriá manda seus jogos no estádio da cidade de Itaporanga.

Até o ano passado o Propriá jogava no Estádio Durval Feitosa, que pertence ao seu arqui-inimigo, o América. Este ano o clube rival não quis mais emprestar a sua praça sde esporrtes, o que obrigou o Propriá a jogar no município vizinho de Itaporanga. (Pesquisa: Nilo Dias)

O time do Propriá em 1964. (Foto: Acervo fotográfico do Esporte Clube Propriá)  

domingo, 13 de outubro de 2013

O centenário do “Rubro-Anil Leopoldinense”

Um dos mais tradicionais clubes de futebol do Rio de Janeiro, o Bonsucesso Futebol Clube, está comemorando o seu centenário neste 13 de outubro. O clube foi fundado no dia 13 de outubro de 1913, no bairro de Bonsucesso, que lhe inspirou o nome. Seu primeiro uniforme era azul com golas vermelhas e calções brancos.

Desde a década de 1960, o clube passou a utilizar uniforme com camisas listradas na vertical em vermelho e azul e calções brancos. Também existe a camisa toda branca com gola e mangas vermelhas.

O time já foi finalista do Campeonato Carioca da 1º Divisão, em 1924, quando terminou derrotada pelo Vasco na final por 1 X 0, sagrando-se vice-campeão carioca.

O primeiro campo do Bonsucesso se localizava na Rua Uranos,tendo sido inaugurado em 3 de fevereiro de 1918, com o jogo entre o dono da casa e o River F.C., com vitória dos visitantes por 4 X 3. O juízes desse jogo foi Máximo Martins.

Em 1919, o Bonsucesso alcançou o maior feito da história, nas disputas que participou da Primeira Divisão Carioca,ao sagrar-se campeão da Liga Suburbana de Futebol. A campanha foi impecável, oito vitórias, cinco empates e duas derrotas.

Nos primórdios do futebol os clubes costumavam participar de diversas competições amistosas em dias festivos. O Bonsucesso participou de muitos festivais de futebol como:

Festival Esportivo do Bonsucesso F.C., em 12/10/1919. Jogos de 1º Quadros: Penha 1 x 0 Estrela; Batalhão Naval 2 x 0 Combinado Bonsucesso; Bonsucesso 3 x 2 Mavilis.

Festival Esportivo no Campo do River, em 21/03/1926. Jogos de 1º Quadros: Engenho de Dentro 2 x 0 Everest; Metropolitano 2 x 2 Fidalgo; Bonsucesso 2 x 1 São Paulo-Rio.

Festival da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (Amea), em 20/11/1927. Jogos de 1º Quadros: America 4 x 1 Vasco; Bonsucesso 5 x 3 Seleção da 2ª Divisão da AMEA.

Em 1920 o clube ingressou na Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT). No ano seguinte, 1921, conquistou o título de
campeão carioca da segunda divisão.

Participaram do campeonato as seguintes equipes: S.C, Rio de Janeiro, Metropolitano, S.C. Brasil, River, Hellênico, Esperança, Progresso, Bonsucesso, Modesto, Campo Grande, Everest e Ypiranga.

Bonsucesso X 2 Ramos; Bonsucesso 2 x 1 Campo Grande; Bonsucesso 1 X 0 Modesto;  Bonsucesso 1 X 1 Everest;  Bonsucesso 0 X 3 São Paulo Rio; Bonsucesso 4 X 1 Ypiranga; Bonsucesso 2 X 1 Ramos; Bonsucesso 4 X 1 Everest;  Bonsucesso 5 X 2 Ypiranga; Bonsucesso 2 X 1 Modesto;  Bonsucesso 0 X 0 São Paulo-Rio;  Bonsucesso 2 X 0 Campo Grande; Bonsucesso 1 X 0 Progresso;  Bonsucesso 3 X 2 Rio de Janeiro.

O time base do Bonsucesso era Viana - Alamiro e Dona Julia – Mathias - Eurico e Waldemar - Flavio – Caballero – Doca - Ernesto e Alberico.

O São Paulo-Rio foi eliminado da competição devido o não cumprimento da determinação da Liga Metropolitana para providenciar um campo de futebol no prazo de 90 dias.

Em 1924 chegou a final do Campeonato da Primeira Divisão, depois de ter sido Campeão da Série B. O campeonato da foi dividido em três séries e os campeões de cada uma formaram o triangular final.

Depois, filiou-se na Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), onde foi tri-campeão carioca da Segunda Divisão, em 1926, 1927 e 1928. Em 1927, o título foi conquistado de forma invicta, tendo ganho todos os 10 jogos disputados, somando o dobro de pontos do segundo colocado. Em 1929, estreou na Primeira Divisão da AMEA, chegando em sétimo lugar, a frente do Flamengo, que foi apenas décimo.

O segundo campo foi na Avenida dos Democráticos, sendo inaugurado em 3 de maio de 1927, com o jogo entre Bonsucesso e Olaria. Dessa feita o time rubro-anil ganhou, e de goleada, por 4 X 1. Depois houve um segundo jogo, quando o Flamengo derrotou o São Cristóvão F.R. por 4 X 2.

No ano de 1932 disputou o “Torneio Preparatório”, oportunidade em que goleou o Flamengo por 5 X 0. Depois aplicou 8 X 3 no Carioca F.C. e empatou em 2 X 2 com o Botafogo. O Bonsucesso era o líder da Chave A. Mesmo com a manutenção dos resultados dos jogos, a competição não terminou, por ordem da Federação, devido a suspeitas de irregularidades.

No ano de 1933 o Bonsucesso realizou uma excelente campanha, terminando o Campeonato em terceiro lugar, ao lado do Vasco da gama, ambos com o mesmo número de pontos. E o importante, a frente do America e do Flamengo, que terminou na última colocação.

O bom desempenho no Campeonato Carioca, garantiu ao clube o direito de participar do primeiro Torneio Rio-São Paulo. Ao final da competição se classificou a frente de vários clubes paulistas. Jogando no Rio de Janeiro ganhou do São Paulo por 5 X 4 e do Corinthians por 3 X 0.

Na década de 1930 jogou na equipe do Bonsucesso o cantor Francisco Alves, que se tornou nacionalmente conhecido como o “Rei da Voz”. Embora não fosse um craque, defendeu sempre com muito orgulho a camisa rubro-anil.

Em 1937, foi um dos clubes fundadores da Liga de Futebol do Rio de Janeiro (LFRJ), precursora da atual Federação de Futebol do Rio de
Janeiro.

Em 1938 o time excursionou até a cidade mineira de Juiz de Fora, a convite do Tupi. O jogo foi filmado pela empresa “Carriço Filmes”. Em maio de 1938 o clube prestou uma homenagem ao presidente Getúlio Vargas, no estádio da rua Teixeira de Castro. E após brindou a imprensa e convidados especiais com uma lauta Mesa de doces e refrigerantes.

Em 1939, tendo como técnico o uruguaio Isabelino Gradim, que já havia encerrado a carreira de futebolista, o Bonsucesso conquistou o seu maior título, sagrando-se campeão carioca de Juvenis, o equivalente hoje à categoria Júnior.

Em 1941 quase todos os clubes do Eixo Rio-São Paulo, possuíam em seus grupos jogadores estrangeiros. O Bonsucesso não fugiu a regra e tinha em seu elenco Herrera, Aguelli e Rivarola.

Em 29 de julho de 1947 foram inauguradas as arquibancadas de concreto e a nova social do estádio da rua Teixeira de Castro. A festa foi marcada por dois jogos: Bonsucesso 3 X 2 Madureira e Botafogo 5 X 5 Fluminense. O estádio tem capacidade para abrigar até 13 mil torcedores. O recorde de público no estádio é de 13.571 expectadores.

Provavelmente por razão da morte de um ex-presidente, o estádio passou por um novo batismo e mudou de nome para Rubens de Araújo Reis, falecido em 1983. Nos últimos anos um novo batismo e dessa vez homenageando o craque Leônidas da Silva, falecido em 24 de janeiro de 2004.

Em 1952 a Federação organizou o “Torneio Extra”, onde o Bonsucesso fez ótima campanha na primeira fase, classificando-se em segundo lugar no seu grupo e garantindo vaga no quadrangular final. Ficou à frente do Fluminense, Vasco, Olaria e Canto do Rio, que foram eliminados. No quadrangular foi terceiro colocado.

Nesse ano ainda participou do 3º Torneio Quadrangular, de Juiz de Fora (MG), conquistando o título de campeão. Em 1953, participou do Torneio Jânio Quadros, em São Paulo. Em 1954 foi campeão do Torneio Triangular de Araguari (MG).

Em 1955, teve outra boa participação no Campeonato Carioca. Chegou ao terceiro turno e ficou na frente do Botafogo, que não conseguiu vencer o Bonsucesso nenhuma vez. Em 1956, foi finalista do Torneio Início carioca, eliminando a Associação Atlética Portuguesa, Vasco da Gama e América. Mas na decisão perdeu para o Fluminense por 1 X 0.

Ao final da década de 1950 e inicio da de 1960, o Bonsucesso ganhou dois torneios realizados na Bahia. Em 1959, levantou a taça do “Torneio Adroaldo Ribeiro Costa”, com os jogos realizados no antigo Estádio da Fonte Nova em Salvador.

Em 1961, conquistou o “Torneio Quadrangular de Feira de Santana”. As duas competições tiveram às participações de tradicionais clubes baianos, como Fluminense, de Feira, Bahia, de Feira, Leônico, Galícia e Ypiranga.

Em 1965 foi 6º colocado no Campeonato Carioca, a frente do America e atrás de Flamengo, Bangu, Fluminense, Botafogo e Vasco. Em 1967, no Maracanã, foi campeão do “Torneio Paulo Rodrigues”, quando venceu quatro jogos e perdeu dois. E foi, ainda, vice-campeão do “Torneio José Trócoli”.

Uma bela campanha em 1968, quando foi quarto colocado no Campeonato Carioca, ficando à frente do Vasco da Gama, quinto colocado, na Taça Guanabara. O destaque desse ano foi a vitória de 2 X 0 sobre o Flamengo, no Maracanã. O resultado evitou que o rubro-negro se sagrasse campeão antecipado, garantindo nova chance ao Botafogo, que acabou por conquistar o título.

Ainda em 1968 participou do “Torneio Cidade de Aracaju”. E no certame carioca foi 6º classificado geral, junto do Fluminense e 5º colocado na Taça Guanabara.

Em 1969 repetiu o ano anterior, sendo novamente sexto colocado, com campanha melhor que o Bangu. Em 1970, foi vice-campeão do “II Torneio Otávio Pinto Guimarães”. Em 1974 foi 6º classificado no Campeonato Carioca, mais uma vez a frente do Bangu, que foi lanterna.

Em 1975 um capítulo especial na história do simpático clube leopoldinense, que participou do “Torneio Conde de Fenosa”, na cidade espanhola de Corunha, junto de Deportivo La Coruña e River Plate da Argentina. O Bonsucesso foi vice-campeão, depois de bater o clube argentino no jogo semi-final por 1 X 0, gol de Oliveira.

O La Corunha foi o campeão, embora terminasse o torneio empatado com o Bonsucesso em número de vitórias, derrotas, saldo e tiros livres na marca do pênalti. Mas perdeu o título pela desvantagem do confronto direto, pois havia sido derrotado pelo Deportivo por 1 X 0.

Os jogos do torneio tiveram os seguintes resultados: 30 de agosto de 1975, La Coruña 1 X 0 Bonsucesso; 31 de agosto de 1975, Bonsucesso 1 X 0 River Plate e em 1 de setembro de 1975, La Coruña 1 X 2 River Plate.

Em 1975 o rubro-anil ganhou de maneira invicta o título estadual infantil,ocasião em que foi revelado o ponteiro direito Maurício, que tempos depois marcaria o gol do título carioca de 1989, terminando com um jejum de 21 anos do alvi-negro.

Em 1976, foi campeão invicto do “Torneio Valdir Benevento”, com três vitórias e três empates. Em 1978, foi vice-campeão do “Torneio Integração Murilo Portugal”. Em 1980 e 1983, participou da “Taça de Prata”, precursora da atual Série B do Campeonato Brasileiro.
De 1981 a 1985, o clube oscilou entre a 1ª e 2ª divisões, conquistando dois títulos da “Segundona”, em 1981 e 1984. Em 1982 foi campeão do “Torneio Incentivo Manoel Gomes da Silva”, disputado contra Madureira e Portuguesa.

O Bonsucesso ganhou de forma invicta em 1983 o Campeonato Carioca Juvenil Feminino, depois de ter sido um dos clubes pioneiros na introdução da competição feminina no Rio de Janeiro.

Em 1993 classificou-se para o Grupo A do Campeonato Carioca, mas com parcos investimentos não se manteve, caindo de novo para o Grupo B, ao término da “Taça Rio”. Em 1998, na “Copa Rio”, foi segundo lugar na chave do Fluminense. O tricolor se classificou para a fase seguinte.

Em 2003, depois de ter sido rebaixado para a Terceira Divisão, conseguiu, junto do Mesquita, o retorno a Série B. Em 2011, depois de amargar 18 anos nas divisões inferiores, e depois de 27 anos do último título profissional na 2ª Divisão, finalmente o Bonsucesso conseguiu voltar à elite do futebol carioca. O feito foi alcançado após uma vitória de 2 X 1 sobre o Estácio de Sá e um empate com o Quissamã, que garantiram o título de campeão da “Segundona”.

Mas durou pouco o acesso. Em 2012, depois de uma campanha sem méritos, o Bonsucesso amargou o rebaixamento ao empatar na última rodada como Friburguense. Por um ponto, o rubro-anil deixou a série A.

O time fez apenas 13 pontos em 15 jogos. Foram duas vitórias, sete empates e seis derrotas, ficando somente à frente do Americano, de Campos, que somou nove pontos. Um dos motivos da má campanha, foi a proibição imposta pela Federação, de jogar no seu campo em Teixeira de Castro, sendo o único clube da elite, naquele ano, a sofrer tão severa punição.

Este ano de 2013 o Bonsucesso participou da Série B estadual e foi vice-campeão, garantindo novamente o retorno à Série A em 2014. O ano do centenário se mostrou bom para o clube, que ganhou a “Taça Santos Dumont”, reservada para o campeão do 1º turno da competição. E por pouco não levou também a “Taça Corcovado”, destinada ao campeão do 2º turno. Conseguiu chegar às semifinais, mas foi eliminado.

Como Campeão do primeiro turno participou do Triangular Final com America, e Cabofriense, que ganhou a “Taça Corcovado”. Terminou o último turno do campeonato como vice-campeão, perdendo no critério de desempate que era o menor número de cartões no campeonato. O jogo que definiu o acesso à Série A foi Bonsucesso 0 X 0 America na Teixeira de Castro no dia 08 de setembro.

O que pouca gente sabe, é que o famoso craque Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, marcou o primeiro gol de bicicleta na história do futebol, quando jogava pelo Bonsucesso. Nelinho, ex-lateral do Cruzeiro, de Minas Geris e Seleção Brasileira, se tornou profissional quando vestia a camisa rubro-anil.

Alguns resultados de jogos se imortalizaram na história do Bonsucesso.  Em 1931, goleada de 6 X 2 no Flamengo;  em 1932, vitória de 3 X 1 sobre o Palestra Itália, hoje Palmeiras, em pleno Parque Antártica,que estava invicto contra equipes cariocas. No time paulista jogavam “monstros sagrados” do futebol brasileiro como Primo, Bianco, Serafini, Ministrinho, Romeu, Amílcar, Pepe, Lara, Imperato e Gogliardo. Depois desse jogo a imprensa paulista chamou o Bonsucesso de "Esquadrão Academia", como ficou conhecido por vários anos.

Em 1933, ganhou do São Paulo, no “Torneio Rio-São Paulo”, por 5 X 4. Jogavam no time paulista "astros" da categoria de Nestor, Bartô, Orozimbo, Waldemar de Brito, Frienderich, Petronilho e Hércules. Em 1938, depois de estar perdendo por 3 X 0, derrotou o Flamengo por 4 X 3, em espetacular virada.Em 1956, perdia por 4 X 0 para o Vasco da Gama, quando em extraordinária reação, chegou ao empate em 4 X 4.

O Bonsucesso em seus tempos de glórias, foi um dos clubes brasileiros que mais jogou no exterior, tendo visitado nada menos do que 46 países das Américas, Europa, África, Oriente, Ásia e Arábia, onde disputou 104 partidas, vencendo 76, empatando 16 e perdendo 12, com um saldo de 49 gols. Em 1961, em uma de suas andanças por gramados internacionais, ficou invicto por 15 jogos. Em 1962, em quatro. E em 1963, em sete, totalizando 26 partidas. Chegou a ser chamado pela imprensa de “Demolidor de Seleções”.

Isso porque derrotou a Seleção da Bulgária por 3 X 2; a da Romênia, 1 X 0; a do Chile, por 2 X 1; o campeão peruano, Alianza, 2 X 0; o Guadalajara, do México, 3 X 1; Seleção do Líbano, 5 X 1; Síria, 1 X 0; Jordânia, 4 X 1; Líbia, 6 X 1; Porto Rico, 2 X 1; El Salvador, 3 X 0; Santa Fé, da Colômbia, 2 X 1; Circuito Italiano, 3 X 2; Skai, da Noruéga, 1 X 0, Espanyol, de Barcelona, 2X 1 e River Plate, da Argentina, 1 X 0.

Títulos: campeão da Liga Municipal de Futebol (1914); campeão do Torneio Suburbano de Bonsucesso (1915); campeão da Liga Suburbana de Futebol - 2ª Divisão (1918); campeão da Liga Suburbana de Futebol - 1ª Divisão (1919); campeão carioca - 1ª Divisão - Série B (1924); vice-campeão carioca Série A (1924); campeão carioca de Juniores (1939); campeão carioca - Série B (1921, 1926, 1927, 1928, 1981, 1984, 2011 e 2013); campeão do Torneio Quadrangular de Juiz de Fora (1952); Campeão do Torneio Triangular de Araguari (1954); vice-campeão do Torneio Início Carioca (1956); campeão do Torneio Adroaldo Ribeiro Costa, na Bahia (1959); campeão do Torneio Quadrangular de Feira de Santana, na Bahia (1961); campeão do Torneio Paulo Rodrigues (1967); vice-campeão do 2º Torneio Otávio Pinto Guimarães (1970); campeão carioca de Infantis (1975); vice-campeão do Torneio Conde de Fenosa - Corunha – Espanha (1975); campeão invicto do Torneio Valdir Benevento (1976); vice-campeão do Torneio Integração Murilo Portugal (1978); vice-campeão do Torneio Oduvaldo Cozzi (1979); campeão carioca de Juniores 2ª Divisão (1981); campeão do Torneio Incentivo Manoel Gomes da Silva (1982); campeão do Campeonato Carioca - Série C (2003); campeão da “ABS Cup”, Sub-15) (2004); campeão da Taça Santos Dumont (2013) e vice-campeão da Série B Estadual (2013).

Premiações: Taça Disciplina - Federação Metropolitana de Futebol (1951 e 1956) e Taça Disciplina - Federação Carioca de Futebol (1968).

O clube também conquistou títulos em outras modalidades esportivas: bi-campeão carioca de Voleibol Masculino, primeiros quadros da 2ª Divisão (1928 e 1929); campeão carioca de Basquetebol Masculino – primeiros e segundo quadros da 2ª Divisão (1932); campeão do Circuito Ciclístico do Distrito Federal (1938); campeão da Competição Ciclística Carioca de Resistência (1938); campeão Carioca Juvenil Invicto de Futebol Feminino (1983); campeão Carioca Masculino da Liga Rio Futsal Novos Talentos Sub-9 (2008); campeão Estadual Masculino Liga RioFutsal Novos Talentos Sub-11 (2008); vice-campeão masculino Estadual da Liga RioFutsal Novos Talentos Sub-13 (2008); campeão carioca masculino da Liga RioFutsal Novos Talentos Sub-11 (2009) e campeão carioca masculino da Liga RioFutsal Novos Talentos sub-17 (2009).

Artilheiros do Bonsucesso no Campeonato Carioca: China, com 16 gols (1935) e Thiago Gonçalves, com 18 gols (2008)

Jogadores destacados que vestiram a camisa rubro-anil: Leônidas da Silva, Rodrigo Souto, Nelinho, Maurício, Manga, Barbosa, Zé Mario, Rafael Paty, Valdiram, Raul, Jobsman, Levy, Wágner, Leandro Euzébio, Escurinho, Mário, Jonas, Tuca, Claudio César, Moises, Victor, Gil Bala, Jones Carioca, Alex Sassá, Alfredo Sampaio, Lulinha, Peninha, Gradim, Antônio Lopes, Jair Pereira, Túlio Maravilha e Marco Goiano.

Treinadores que passaram pelo Bonsucesso: Gentil Cardoso, Dário Lourenço, Manoel Neto e Wilson Gottardo. O clube tem atualmente as torcidas organizadas: “Torcida Rubro-Anil (T.R.A)” e  “Fanáticos Pelo Cesso (F.P.C)”. Torcidas extintas: “Torcida Organizada do Bonsucesso (T.O.B)”; “Força Rubro Anil (F.R.A.”) e “Mancha Rubro Anil (M.R.A.”).

O Hino do Bonsucesso F.C. é de autoria de Lamartine Babo. Como os melhores clubes do Rio de Janeiro, o Bonsucesso também foi laureado com essa jóia imortal do grande compositor. É empolgante e de fácil aprendizado.

“Para a torcida rubro-anil palmas eu peço,/Na Leopoldina,
em cada esquina, quem domina é o Bonsucesso;/E lá surgiu um jogador sensacional: Surgiu Leônidas, o maioral!/Quando a turma joga em casa a linha arrasa: Que baile! Que troça!/A torcida grita em côro e não há choro: "A vitória hoje é nossa!" (Pesquisa: Nilo Dias) 

Vemos aqui o "team", que pela primeira vez coube defender o nome do Bonsucesso Foot Ball Club. Esta fotografia foi tirada em outubro de 1913, precisamente na época de fundação do clube. (Foto: Revista "O Rubro-Anil)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Camisa de futebol também tem história

Muitos clubes de futebol tem hoje camisas bem diferentes de quando foram fundados. Alguns mantiveram às cores , mas as mudaram em outros aspectos. Outros, simplesmente trocaram tudo. E aconteceram em certas ocasiões dos clubes serem obrigados a usar outras camisas, que não as suas.

O Fluminense F.C., do Rio de Janeiro, por exemplo, nem sempre foi tricolor, como conhecemos hoje.Em 1902, quando da fundação do clube, o uniforme escolhido possuía as cores branca e cinza claro, metade da camisa de cada cor, gola e escudo sobre o coração, também metade branco e metade cinza, com as letrar FFC em vermelho.

O calção era branco e as meias pretas. Em reunião ocorrida no dia 15 de julho de 1904, o clube mudou as cores, tornando-se tricolor, o que perdura até hoje. A nova camisa foi usada pela primeira vez em 7 de maio de 1905, quando o Fluminense goleou o Rio Cricket por 7 x 1, em jogo amistoso.

O Flamengo foi fundado em 1905, mas como clube de remo. O primeiro uniforme usado nessa modalidade tinha as cores azul e ouro. Durou pouco tempo, pois havia dificuldade em conseguir tecidos com essas tonalidades. Então passou a usar o vermelho e preto.

No futebol, esporte que surgiu no clube somente em 1911, a camisa foi diferente: era composta por grandes quadrados, sendo dois vermelhos e dois pretos. Não deu outra, ganhou o apelido de “papagaio de vintém”. A camisa também lembrava aquelas pipas com que as crianças brincavam na época.

Em 1913, veio um novo uniforme, rubro negro, com listras em preto e vermelho separadas por pequenos frisos brancos. Ela ganhou o apelido de “cobra coral” e foi usada até 1916. Com a 1ª Guerra Mundial, o clube mudou novamente de roupa, pois o uniforme usado lembrava as cores da Alemanha.

Sorte do Flamengo, pois o novo uniforme dessa feita trazia as cores preto e vermelho, dispostas em listras horizontais. No peito esquerdo, as letras CRF. Essa camisa foi utilizada até 1984 com poucas alterações. E a partir daí o uniforme que é usado até hoje, com pequenas modificações.

O América F.C., um dos clubes mais antigos do Rio de Janeiro nem sempre foi vermelho e branco. Quando de sua fundação em 1904 sua camisa era preta, com um escudo branco bordado a mão, com as letrar AFC.
Somente em 1908 o clube passou a usar o vermelho, por inspiração da cor das camisas do Mackenzie College, de São Paulo e com as inicias AFC. O círculo que contorna as letras foi adotado em 1913. A proposta foi de Belfort Duarte.

O Botafogo desde a fundação foi sempre preto e branco, com listras verticais. Mas no inicio, em 1904, a camisa era branca, bem como os calções e as meias abóboras. Em 1906 passou a adotar a camisa listrada, lembrando a Juventus, de Turin, por sugestão de Itamar Tavares, um dos fundadores do clube que estudara na Itália e tinha predileção por aquele clube.

As camisas eram confeccionadas na Inglaterra, na fábrica Benetfink & Co. A estréia da camisa listrada foi em um jogo festivo contra o Fluminense. Em junho de 1909 passou a usar uniformes confeccionados em malha. Mas os escudos só estiveram presentes nas camisas a partir de 1913. O Botafogo adotou os calções pretos como titular pela primeira vez em 1935.

Já a primeira camisa do Vasco da Gama foi criada no ano de fundação e usada inicialmente pelo remo, era preta com uma faixa branca na diagonal partindo do ombro direito, o inverso do modelo atual e a cruz vermelha no centro da camisa.

No futebol a primeira camisa era toda negra, com gola e punhos brancos e a cruz colocada já sobre o coração. O uniforme foi inspirado no Lusitânia Futebol Clube, que realizou uma fusão com o Vasco em 1915, que por sua vez era inspirado no uniforme do combinado português que jogou uma série de amistosos no Brasil em 1913.

A partir dos anos 1930, foi adotado o novo desenho com a volta da faixa diagonal, mas com uma diferença, dessa vez ela saia do ombro esquerdo e com a cruz dentro da faixa na altura do coração. No dia 16 de janeiro de 1938 o Vasco adotou o padrão de uniforme que usa até hoje.

No Corinthians existe uma lenda de que o uniforme tenha sido bege nos primeiros tempos, camisa creme com faixas pretas nos punhos e na gola e calção branco.  E por sugestão de uma lavadeira, acabou sendo trocado pelo branco para não desbotar.

Mas essa versão parece mesmo não ser verdadeira, pois o clube nasceu pobre e certamente não teria dinheiro para comprar uniformes que não fossem brancos. De qualquer maneira, em 1912 o clube já vestia camisa branca, conforme provam fotografias da época. No início, esses uniformes brancos eram feitos com tecido reaproveitado de sacos de farinha.

O Santos F.C. em 1912, seu primeiro ano de fundação tinha camisas nas cores azul e branco, em listras verticais e, entre elas, frisos dourados, Só um ano depois, em 1913 o clube se tornou alvinegro e passou a usar o uniforme que é conhecido até hoje.

O Grêmio, de Porto Alegre, nem sempre foi tricolor. Em 1903, quando da fundação, o seu uniforme tinha listrar horizontais em havana, uma cor semelhante ao marrom telha e azul. Em 1904, ainda bicolor, trocou o havana pelo preto, mantendo o azul. No Grenal de 1917 o time entrou em campo usando uma camisa com listras verticais brancas e azuis, no estilo da Seleção Argentina. Somente em 1925 passou a usar o uniforme tricolor, em azul, preto e branco, que sofreu várias alterações até os dias de hoje.

O rival Internacional sempre foi vermelho e branco. Logo após a fundação as camisas tinha listras verticais simétricas em vermelho e branco, gravatas nas duas cores, calções brancos e meias pretas Esse primeiro uniforme foi feito por Humbertina Fachel, irmã de dois fundadores do clube.

Depois do insucesso o primeiro Grenal, e com a demissão do primeiro presidente, o Internacional adotou aquele que viria a ser seu uniforme atual: camisas vermelhas, escudo na altura do coração, frisos brancos nas mangas e golas, calções e meias pretas (hoje brancas).

Depois, vários modelos apareceram: a camiseta branca com uma faixa diagonal vermelha; a camiseta totalmente branca, calções e meias vermelhas; e, mais recentemente, meias cinzas. Além disso, os uniformes de treinamento também sofreram alterações, ultimamente aderindo às cores dourada, além do cinza.

O Cruzeiro, de Belo Horizonte foi fundado com o nome de Palestra e as cores da bandeira italiana, verde, branco e vermelho. Com a Guerra Mundial, o Governo Vargas proibiu as entidades usarem nomes ou qualquer coisa que lembrassem os países do Eixo. Por isso o clube teve que mudar o nome para Ypiranga, com camisa vermelha e um “Y” no peito. Esse nome durou um só jogo, foi contra o Atlético, pela última rodda do returno do Campeonato Mineiro.

Três dias depois os conselheiros desaprovaram o nome e decidiram por unanimidade adotar o nome Cruzeiro Esporte Clube. A camisa escolhida não foi a tricolor do Palestra e nem a vermelha do Ypiranga, sim uma o azul celeste com branco e escudo em formato circular, também azul, tendo ao centro a configuração da constelação do Cruzeiro do Sul, que perdura até hoje.

O Atlético Mineiro nunca mudou as cores, foi preto e branco desde a fundação. As diferenças com o passar do tempo foram nos modelos adotados. Nos primeiros anos a camisa era listrada, mas com predomínio da cor preta, com pequenos frisos brancos e o escudo no lado esquerdo do peito. As primeiras composições do uniforme do Atlético Mineiro traziam calções brancos e meias pretas. Grandes alterações na camisa atleticana foram vistas em seu símbolo que, pouco a pouco, se transformou até chegar ao atual.

Já o América Mineiro tinha na fundação as cores verde e branca. Tempos depois o preto foi incorporado, mantendo o modelo até hoje, com o segundo fardamento em branco.

A Seleção Brasileira já teve vários uniformes. Em 1914, no primeiro jogo da história usou uma camisa toda branca, com detalhes em azul nas mangas. Em 1916, no Sulamericano da Argentina a camisa tinha listras verticais em verde e amarelo. Em 1917 vestiu uma camisa toda branca, tendo pela primeira vez o escudo da antiga CBD. Em 1918, usou uma camisa branca com duas listras horizontais no peito, em verde e amarelo.

Ainda em 1918, durante um amistoso em Dublin, a Seleção se apresentou com uma camisa branca, com detalhes azuis e vermelhos nas mangas. De 1919 a 1934 o uniforme foi praticamente igual, camisas brancas e calções azuis. Aconteceram pequenas modificações no escudo.

No primeiro jogo da Copa do Mundo de 1938 a Seleção entrou em campo com um uniforme todo azul. A partir do segundo jogo utilizou camisas brancas e calções azuis.

Na Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, o uniforme principal era branco, com detalhes azuis na gola e mangas e calções azuis. O reserva tinha camisas azuis, com detalhes em branco na gola e mangas e calções brancos.

A partir da Copa do Mundo de 1954 a Seleção passou a usar o uniforme atual, que foi escolhido em um concurso vencido pelo jornalista gaúcho Aldyr Garcia Schlee. De lá para cá o uniforme teve pequenas alterações, mas sempre mantendo o formato original.

O mais curioso, e que pouca gente sabe, é que a Seleção Brasileira já vestiu camisa vermelha. Foi em 1917 no Campeonato Sul-Americano realizado no Montevidéu, no Uruguai. Antes do jogo entre Brasil X Argentina, em 3 de outubro de 1917, foi feito um sorteio para definir quem jogaria com sua camisa principal, pois dois times tinham como 
padrão, camisas brancas.

O Brasil perdeu o sorteio e foi obrigado a trocar de camisa. E os dirigentes tiveram que correr atrás, e a cor escolhida foi o vermelho. Considerando que esse era um torneio oficial, foi a primeira vez na história que a Seleção Brasileira veio a usar o vermelho como sua camisa de jogo. A segunda e ultima vez foi no dia 12, ainda pelo Sul americano contra o Chile, pelo mesmo motivo.

No Mundial de 1950, disputado no Brasil, uma outra Seleção teve que trocar de uniforme, a do México, num jogo contra a Suíça, realizado no antigo Estádio dos Eucaliptos, do Internacional. As duas seleções tinham camisas vermelhas e o México perdeu o sorteio. Então usou as camisas azuis e brancas do Cruzeiro, de Porto Alegre. (Pesquisa: Nilo Dias)

Em 1917 a Seleção Brasileira usou essa camisa vermelha, no Sulamericano de Montevidéu. (Foto:Divulgação)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Os 100 anos do “Leão da Paulista”

A Associação Atlética Internacional, da cidade de Limeira (SP), foi fundada do no dia 5 de outubro de 1913. O clube nasceu graças a fusão dos dois times que existiam na cidade, “Almofadinhas” e “Barroquinhas”, este, fundado um ano antes.

O nome foi uma homenagem aos imigrantes de várias nacionalidades radicados em Limeira, como japoneses, italianos, alemães, portugueses e outros. E também ao extinto Internacional, que fazia sucesso na capital paulista.

O campo de terra que se localizava nos fins da rua Dr. Trajano, então Rua do Comércio, onde o “Barroquinhas” realizava seus treinos e jogos, serviu tempos depois para nele ser erguido o “Estádio de Vila Levy”, onde a Internacional sediou os jogos por muito tempo.

A primeira Diretoria do clube foi esta: Presidente, José Alves Penteado; Vice-Presidente, Fausto Esteves dos Santos; Secretário, Ajax Garroux; Capitão, Antônio Esteves dos Santos Junior (Tonico Esteves) e Fiscal de Campo, João Busch.

Os dirigentes se reuniram pela primeira vez no “Theatro da Paz”, quando foi deliberado que somente associados poderiam jogar pelo clube, além de pagar mensalidade de $1000 (mil réis). O capitão da equipe ficou com a responsabilidade de manter a ordem e a disciplina. O uniforme escolhido foi camisa listrada nas cores preto e branco, calções brancos, com uma faixa preta do lado e meias pretas, com duas listras brancas.

O primeiro jogo da história da A.A. Internacional aconteceu no dia 12 de outubro de 1913, contra o Sport Clube Carioba, na Vila Americana, na cidade de Americana. Não se sabe o resultado. No período de amadorismo, a Internacional conquistou oito vezes o campeonato de Limeira, sendo até hoje o maior vencedor da história da competição.

Em 1921, a família Levy comprou o terreno onde a Internacional jogava e mandou fazer a terraplanagem, deixando-o em condições de receber grama, vestiários, arquibancadas e outras estruturas. Na Vila Levy, a Internacional manteve a marca de 212 partidas sem perder.

Na década de 1920 a Internacional recebeu da imprensa paulista o título de “Leão da Paulista”, após ser derrotada pelo Palestra Itália em partida de muita dificuldade disputada em Limeira, no dia 15 de dezembro de 1924. A Internacional jogou aquela partida com Quinze - Lau e Fenga – Ceará - Zequinha e Munhóz – Campineiro – Pollastri – Pacheco - Augusto Américo e José Petrelli.

No dia 26 de setembro de 1926, o Paulistano, a melhor equipe da temporada e que realizou vitoriosa excursão pela Europa, tendo em seu elenco o então considerado melhor jogador do mundo, foi até Limeira e perdeu por 2 X 1 para a Internacional.

Em 1932 a Internacional doou todos os seus troféus para a "Campanha do Ouro", deflagrada durante a Revolução Constitucionalista.

A profissionalização do clube ocorreu na década de 1940, depois de várias reuniões entre clubes do interior paulista, que garantiram participações nos campeonatos oficiais organizados pela FPF.

Os times pioneiros foram Guarani F.C. e A.A. Ponte Preta, de Campinas; E.C. Mogiana, de Ribeirão Preto; Palmeiras F.C. e A.A. Francana, de Franca; E.C. XV de Novembro, de Piracicaba; Rio Branco E.C., de Americana; Botafogo F.C., de Ribeirão Preto; Batatais F.C., de Batatais; Esportiva Sanjoanense, de São João da Boa Vista; E.C. Taubaté, de Taubaté; A.A. São Bento, de Marília, atualmente Marília Atlético Clube e a A.A. Internacional, de Limeira.

Como a FPF proibiu a participação de clubes de cidades com população inferior a 50 mil habitantes na Primeira Divisão, a Internacional teve que disputar em 1948, o Campeonato da Segunda Divisão. Fez bonito, terminando como vice-campeão.

Em 1947 foi composto o hino oficial do clube, com letra de Renato P. Guimarães e música de Mário Tintori. “Eis a equipe altaneira/Do bravo Internacional/que p’ra glória de Limeira/Não teme nenhum rival./Oh! Leão, Oh, meu Leão/Entra firme no gramado/Vai com garra e coração/Para um gol bem conquistado/Ruge Leão... Aaaaaa.... Uuuuuuuu.../Urra Leão... Aaaaa... Uuuuuuu/Pé na bola, sem demora/Sacode a juba, meu Leão/sejas hoje, como outrora/Sempre, sempre, campeão.../Oh! Leão, Oh, meu Leão/Entra firme no gramado/Vai com garra e coração/Para um gol bem conquistado/Ruge Leão... Aaaaaa.... Uuuuuuuu...Urra Leão... Aaaaa... Uuuuuuu”

Em 1966, a Internacional teve como presidente o desportista, Benedicto Iaquinta, até hoje lembrado como um dirigente modelo. Foi na gestão dele, conhecida como a “Era Iaquinta”, de 1961 a 1974, que o clube conquistou o título de campeão da 2ª Divisão de Profissionais, atual Série A3 e o acesso à Primeira Divisão.

Em 1961, logo na primeira gestão, veio a glória com o título da “Série Algodoeira”, ao vencer o Internacional, de Bebedouro, por 5 X 0, no jogo final.

Mas as exigências da Federação Paulista de Futebol tiraram o time da Primeira Divisão, pois o seu estádio não se enquadrava nas exigências do Regulamento. Não restou outra alternativa ao presidente, se não solicitar licenciamento. Mas para isso foi obrigado a disputar todos os torneios amadores, além de cumprir com as obrigações financeiras como taxas de inscrições do time a FPF. A Internacional ganhou cinco dessas competições.

Em 1962 o estádio da “Vila Levy”, teve a sua capacidade aumentada para 3 mil pessoas através da construção de arquibancadas de madeira. Também no mesmo ano, no dia de aniversário da cidade, 15 de setembro, foi inaugurada a nova iluminação do campo.

Em 1967, com o intuito de reduzir despesas para poder construir um estádio próprio, Iaquinta se viu forçado a dar passe livre aos jogadores. Logo após o lançamento da pedra fundamental do Estádio Major Levy Sobrinho, em 1974, e graças a uma administração séria, o presidente encerrou seu mandato sem deixar uma única dívida.

O clube estava pronto para voltar ao futebol profissional, na Série B do Campeonato da Primeira Divisão de 1975. A Diretoria conseguiu licença da FPF para mandar seus jogos na cidade vizinha de Araras, no Estádio do União São João, enquanto as transformações no seu estádio não terminassem. A pedra fundamental do novo Estádio Major José Levy Sobrinho foi lançada em 1974.

Foi uma fase de “time cigano”, por não ter um lugar fixo para realizar seus jogos e treinos. Os campos que o clube utilizou nesse período difícil foram os do Clube Paulistano, do Estudantes, do Clube Atlético Usina Iracema (Iracemápolis) e o da Usina São João, único aceito pela FPF.

A primeira partida na volta ao profissionalismo, foi no campo do Paulistano, contra o Piracicabano. No retorno, em 1975, a Internacional pertencia à Série B do Campeonato da Primeira Divisão. 

Mas a recompensa só veio três anos depois, em 1978, quando ganhou a competição e o direito de participar da Divisão Especial em 1979. O time estreou com um bom 9º lugar, o que deu direito a disputar o Campeonato Brasileiro, onde só não chegou as quartas de finais porque foi eliminado pelo Internacional, de Porto Alegre, campeão do ano anterior, que tinha no plantel jogadores como Falcão.

Foi quando começou um período de glórias na história do clube. No início da década de 1980 foi o 4º colocado no campeonato, tendo disputado o "Quadrangular Final". Porém, foi desclassificado pelo São Paulo, que conseguiu o título.

No jogo contra a Internacional, o “Tricolor” colocou em campo o atacante Zé Sérgio, de forma irregular na partida, sem sofrer qualquer punição. Mas ainda assim a Internacional foi confirmada na antiga “Taça de Ouro” de 1981, chegando as quartas de finais, quando foi derrotada pelo Grêmio.

Em 1981 foi sexta colocada no Campeonato Paulista, mas garantiu classificação para disputar a “Taça de Ouro” de 1982, campeonato este em que não passou da primeira fase. No Paulistão 82, a Internacional ficou em 11º, entre os 20 times participantes e não passou da primeira fase na “Taça de Ouro”. Já em 1983, a Internacional mais fez uma campanha razoável e ficou em 9º lugar no Campeonato Paulista. E no ano seguinte, em 10º lugar.

Entre os anos de 1982 e 1984, o clube construiu o Clube de Campo, um local de lazer destinado aos seus associados.

Em 1984, assumiu a presidência o desportista Richard Drago. Em 1985, começou a formação do elenco que surpreenderia o Brasil no ano seguinte. Foram feitas contratações de jogadores conhecidos como Silas, Gilberto Costa, Carlos Silva, Vilson Cavalo, Pecos, João Batista, João Luís, Éder e Bolivar, entre outros. Da categoria de base, os atletas Tato e Lê foram promovidos ao grupo de profissionais.

E veio 1986. E com ele a conquista do primeiro Campeonato Paulista, por um time do interior do Estado. Esse foi o maior feito da história centenária do clube de Limeira, que derrotou o poderoso Palmeiras e fez calar milhares de vozes no estádio do Morumbi.

No primeiro turno o time comandado por José Macia, o “Pepe”, foi sexto colocado. No segundo turno deu aula de futebol e faltando duas rodadas, já tinha garantido a primeira colocação na classificação geral.

Nas semifinais derrotou o Santos por 2 X 0, em plena Vila Belmiro e por 2 X 1, no “Limeirão”, classificando para as finais frente o Palmeiras, que há 10 anos não ganhava um título sequer. E sem o direito de jogar em Limeira. Os dois jogos decisivos foram no Morumbi.

No primeiro jogo, dia 31 de agosto, um empate sem gols. No segundo confronto, em 3 de setembro, frente a 64.564 pagantes e mais milhares de credenciados, com renda de Cz$ 2.443.610.00, a Internacional venceu por 2×1, com gols de Kita e Tato, com Amarildo descontando.

A Internacional mandou a campo os campeões Silas - João Luís – Juarez - Bolívar e Pecos – Manguinha - Gilberto Costa e João Batista (Alves) – Tato - Kita e Lê (Carlos Silva). Treinador, José Macia, o “Pepe”.

O artilheiro da competição foi o centroavante Kita, da Internacional, com 24 gols. Também conquistou a “Taça dos Invictos”, um dos troféus mais cobiçado do futebol paulista, depois de ficar 17 partidas sem perder. O troféu se encontrava em poder do Santos, que ficou 15 jogos invicto.

A campanha por si só, diz tudo. Em 42 jogos foram 21 vitórias, 14 empates e sete derrotas. Foram anotados 59 gols e sofridos 33 gols. A Seleção do Campeonato, escolhida pela imprensa e publicada no jornal “Folha de São Paulo” tinha sete jogadores da equipe limeirense: Silas, Juarez, João Luis, Gilberto Costa, João Batista, Tato e Kita.

Por essa razão, a Internacional foi considerada a "Dinamarca Caipira" em alusão à seleção europeia destaque da Copa do Mundo de 1986, pelo seu futebol alegre e competitivo.

Ainda em 1986 o clube realizou a sua primeira excursão ao exterior, jogando em gramados da África. Acompanhou a delegação e jogou pela Internacional, o jogador Jairzinho, o "Furacão" da Copa do Mundo de 1970.

Depois desse feito a estrela da Internacional só voltou a brilhar em 1988, quando ganhou o Campeonato Brasileiro da Série Amarela. Nesse ano foi 5º lugar no Campeonato Paulista. Nos anos 90 veio a decadência, depois que o ex-presidente Fernando Collor de Mello confiscou a poupança do clube, que ficou em uma situação financeira muito ruim. Isso teve influência decisiva dentro de campo, com o time fazendo péssimas campanhas.

Até que em 1990 foi rebaixado pela primeira vez no certame paulistano e também no brasileiro. Mas em 1991 conseguiu voltar a elite, para cair outra vez. Teve de esperar até 1996, para o retorno à Divisão Principal, após conquistar o Campeonato Paulista da Série A2, depois de golear por 4 X 0 a Portuguesa Santista, em jogo realizado no dia 28 de julho, no “Limeirão”. O técnico era mais uma vez José Macia, o “Pepe”.

Dessa vez a Internacional conseguiu se manter por sete anos na elite do futebol paulista, só voltando a cair em 2003. Em 2004 conseguiu novamente o acesso. O time era dirigido tecnicamente pelo ex-jogador Pintado, que iniciava a carreira de treinador.

A alegria durou pouco, pois no ano seguinte o clube foi novamente rebaixado. E daí por diante foram seguidos rebaixamentos, até as últimas divisões do Campeonato Paulista, até que em 2010 conquistou o acesso à Série A3, onde permanece até hoje.

O clube manda seus jogos no Estádio Major José Levy Sobrinho, o “Limeirão”, que pertence a Prefeitura Municipal de Limeira e tem capacidade para 28 mil pessoas. O nome é uma homenagem ao desportista que doou o terreno onde foi construído o estádio.

O “Limeirão” foi inaugurado no dia 30 de janeiro de 1977, com o jogo Internacional 2 X 3 Corinthians. O primeiro gol foi de Tião Marino, da Internacional. O recorde de público foi no jogo inaugural, com 44 mil expectadores.

Na época de sua inauguração foi o segundo maior estádio paulista, atrás somente do Morumbi, na capital. Com a construção de outros estádios maiores em Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Presidente Prudente, entre outras cidades, o “Limeirão” perdeu a condição de maior do interior do Estado.

Em 2012, com a eleição do jovem presidente Taymom Bueno, de apenas 27 anos, a Internacional começou a passar por uma ampla reformulação. Projetos nunca antes vistos foram postos em prática, como a construção do Memorial, a Loja Oficial, revitalização da fachada do Estádio Major José Levy Sobrinho, Departamento Comercial e de Marketing atuantes e profissionalização em todos os departamentos.

O clube passou a ser formador de atletas de alto rendimento, o que foi reconhecido pela CBF, que deu a Internacional uma certificação que poucos clubes no país possuem. A categoria Sub-15 é tida como uma das melhores do Estado e faz brilhante campanha no Campeonato Paulista. A equipe sub-17 profissionalizou cinco atletas que compõem o atual elenco profissional.

Fora de campo o clube também vem buscando resgatar sua imagem, com projetos solidários. Em parceria com a Associação Limeirense de Combate ao Câncer (ALICC), a Inter busca cumprir seu papel junto a sociedade, destinando parte da arrecadação de produtos oficiais e rendas de jogos para a entidade, participando da campanha “Outubro Rosa”.

O centenário foi comemorado no último dia 5, com uma carreata que percorreu as principais ruas da cidade. No domingo, quando o time entrou em campo houve uma grande queima de fogos. No intervalo do jogo Internacional 3 X 0 São Bento, pela Copa Paulista, a “Banda Henrique Marques” apresentou uma nova versão do hino do clube.

A noite, aconteceu o “Jantar dos 100 anos”, com presenças de autoridades da FPF, do Governo Municipal, ex-presidentes do clube e ex-jogadores. O evento, que foi aberto para toda a torcida do clube, aconteceu no “Gran São João”.

Os principais rivais da Inter, de Limeira são clubes da região: Independente, XV de Piracicaba, Rio Branco, Guarani, Ponte Preta, União Barbarense, Velo Clube e Paulínia. O clássico com o Independente, de Limeira recebe o nome de “Le-Gal”, referência às torcidas “Leonina” e “Galeão”. O Independente, fundado em 1944, só se profissionalizou no início da década de 1970.

Ao final dessa década a Internacional subiu para a Primeira Divisão Paulista e a cidade ficou sem assistir o seu clássico por quase 30 anos, voltando com tudo em 2007. Apesar de todos esses anos sem o famoso encontro, a rivalidade nunca esfriou. O último jogo entre essas duas equipes foi na Copa Paulista de Futebol deste ano de 2013, quando ocorreu um empate pelo placar de 1 X 1.

Títulos conquistados: Campeã da Série Algodoeira, 2ª Divisão de Profissionais (1961); Vice-Campeão da Série Dr. João Havelange, 2ª Divisão de Profissionais (1962); Campeã da Série B – Semi-finais, 2ª Divisão de Profissionais (1962); Campeã da Segunda Divisão de Profissionais (1966, junto com a Ituveravense); Vice-campeã do Torneio Brigadeiro Jerônimo Bastos (1976); Campeã da Intermediária, garantindo o direito de disputar o Campeonato Paulista da Divisão Especial de Profissionais, hoje Primeira Divisão (1976); Campeã Paulista de Futebol – O primeiro time fora do Eixo dos Grandes (1986); Campeã do Torneio Interestadual RJ –SP, tendo derrotado o Flamengo, por 2 x 0, na final (1986); Detentora da Taça dos Invictos, com 17 jogos (1986); Campeã do Grupo “G” do Torneio Paralelo (1986); Campeã Brasileira da Série Amarela – Grupo Especial (1988); Campeã Taça BH de Futebol Júnior (1990); Campeã Paulista da Série AII – Retorno à Série de Elite (1996); Campeã Paulista Sub20 – Primeira Divisão (2003); Campeã Paulista da Série AII – Retorno à Série de Elite (2004) e Campeonato Amador de Limeira (1944, 1945, 1946, 1970, 1971, 1972, 1973 e 1975). (Pesquisa: Nilo Dias)

1986. Campeão Paulista. Em pé: Silas - Bolivar - João Luis - Pecos - Manguinha e Juarez. Agachados: Tato - Gilberto Costa - Lê - Kita e João Batista. (Foto: "R7 Esportes")

domingo, 6 de outubro de 2013

O centenário do "Bugre" de Cruz Alta (RS)

O Sport Club Guarany foi fundado numa data muito especial para todos os gaúchos: 20 de setembro, dia em que se comemora também o aniversário da Revolução Farroupilha, o épico episódio que durou longos 10 anos e até hoje é reverenciado. O clube de Cruz Alta, que ainda é chamado por seus torcedores de "Jequitibá da Serra", nasceu da vontade de um grupo de desportistas que desejava criar um time de futebol na cidade.

O nome escolhido foi Sport Club Guarany e o primeiro presidente e responsável maior pela fundação do clube foi Epaminondas Vaz, que hoje é o patrono da entidade. O clube treinava num campo aberto pertencente a firma Furian & Cia., atual Vila Brenner. Mas os jogos eram realizados no estádio “Mangueirão”, conhecido como “Colina Pão dos Pobres”, em virtude dos circos instalados lá, onde hoje está localizado o Ginásio Municipal.

A partir de 1930, mudou-se para o terreno junto ao Asilo Santo Antônio. Em 1941, o clube começou a construir a “Taba Índia”, excelente para os padrões da época, merecendo até mesmo reportagens na imprensa da Capital.

No primeiro jogo da história o Guarany empatou em 2 X 2 com o Grêmio Foot-Ball Cruz-Altense. Dois anos depois, o Cruz-Altense, após amargar uma derrota de 8 X 0 em Júlio de Castilhos, fundiu-se ao Guarany.

Naquele tempo o futebol de Cruz Alta, além do Guarany, carecia de outras boas equipes. Foi quando em 1914 surgiu o Arranca Futebol Clube, apelidado de “Arranca-Toco”, que durante muitos anos foi o mais tradicional adversário do “Bugre”.

Até 1916. A goleada provocou uma baderna geral na cidade, com brigas entre torcedores dos dois clubes. Depois do vexame os dirigentes do Guarany decidiram em Assembleia, que teve a presença de mais de 60 associados, ficou decidido não mais jogar contra o rival.

Em 1919, sem a realização do Campeonato de Cruz Alta, o Guarany foi jogar na vizinha cidade de Ijuí contra o clube local do Riograndense. Um massacre de 21 X 0 foi o resultado a favor do time “índio”, a maior goleada registrada em sua história. Como não poderia deixar de ser, ao final do jogo o time de Ijui enrolou a bandeira. Com o fim do Riograndense surgiu o 19 de Outubro, que deu origem ao atual São Luiz.

A desavença entre Guarany e Arranca durou até 1921, quando a então Federação Rio-Grandense de Desportos (FRGD e atual FGF) decidiu intervir para acabar com a briga, sob pena das duas agremiações serem expulsas. Com o recomeço do campeonato municipal, em 18 de setembro daquele mesmo ano o Guarany, ganhou por 2 x 1 em casa, e uma semana depois sagrou-se campeão ao empatar em 2 X 2 no reduto adversário.

Em 1922 o Guarany foi a Porto Alegre para ser derrotado pelo Grêmio por 5 X 0. O resultado até que podia ter sido maior, não fossem as grandes defesas praticadas pelo goleiro Dornelles, considerado pela critica o grande nome do jogo. Também mereceram elogios os jogadores cruzaltenses Breno Ribeiro, Cascudo e Romagna, este depois convocado para o scratch gaúcho.

Para aliviar o baque de tão estrondosa derrota, o Guarany conseguiu o bicampeonato da cidade, fazendo a festa no novo estádio do Arranca, que fora inaugurado apenas dois meses antes. Ainda em 1922, o Guarany disputou as finais do Campeonato Estadual, quando colocou em campo um dos melhores times de sua história.

Em Porto Alegre, pela semifinal, aconteceu um jogo polêmico. O Grêmio, que estava vencendo por 1 X 0, sofreu o gol de empate, mas o juiz anulou, gerando uma grande revolta por parte dos jogadores e dirigentes do clube de Cruz Alta. Não demorou e o Grêmio fez 2 X 0, em outro lance duvidoso. Em vez de tiro de meta o juiz marcou escanteio. Inconformados, os jogadores do Guarany se retiraram de campo e a Diretoria decidiu pela desfiliação do clube da FRGD.

No ano seguinte, à Revolução Federalista impediu a realização de competições esportivas no Estado. Em 1924, o Guarany foi campeão da cidade por W.O, pois o Arranca não quis entrar em campo para o jogo decisivo, por estar desfalcado de cinco de seus principais jogadores.

Em 1925, o torcedor famoso, Érico Veríssimo, assumiu a secretaria do clube, sendo responsável pela elaboração das atas. Ficou no cargo até 1927.

Ainda em 1925, quando já era chamado pelos torcedores de "Jequitibá da Serra", o Guarany mais uma vez venceu o certame municipal, derrotando o Arranca por 2 X 1 no primeiro jogo e empatando o segundo em 1 X 1.

Com isso ganhou o direito de participar do Campeonato Estadual, disputando a Chave da 5ª Região. Depois de eliminar o 14 de Julho, de Passo Fundo, jogou e ganhou do Bataclan, de Santa Maria por 4 X 3, conquistando o título de campeão da Serra e carimbando o passaporte para as finais em Porto Alegre.

Aí a coisa ficou mais difícil. Já de cara enfrentou o poderoso Grêmio Portoalegrense, para quem perdeu por 1 X 0, gol de Luiz Carvalho. Acabou a competição como terceiro classificado.

Nos dois anos seguintes a história se repetiu em Cruz Alta, com mais dois títulos municipais do Guarany, que se sagrou exa-campeão. Em 1927 o estádio do Arranca, que se localizava à beira da ferrovia, pegou fogo, provavelmente iniciado com as faíscas das locomotivas. Com o sinistro desapareceu toda a documentação e os troféus conquistados pelo clube.

Diante do incêndio, foi construída uma nova sede localizada na rua General Osório, antiga Cooperativa Tritícola, onde foi colocado no alto do prédio, um leão, porque o clube era identificado como o “Leão da Serra”. Depois, o mesmo leão foi destinado ao E. C. Nacional, período em que o Arranca foi desativado e o Nacional fundado, herdando o título de “Leão da Serra”.

No inverso do ditado, “depois da bonança vem a tempestade”, em 1928 morreu o ex-presidente do clube José Laydner. E como se isso não bastasse, o “back-half” (volante de hoje) Guilherme Schroeder, apelidado pelos companheiros de “Risadinha”, por estar sempre rindo, deixou o Guarany, se transferindo para o Internacional.  

Na concentração, quando estava mais sério, era chamado de "Risada", apelido que se consolidou quando atuou pelo colorado gaúcho.

Ele até foi chamado de "Nenê", o que gerava uma grande confusão, parecendo que não tinha nome. Era o destaque do time e foi convocado para a seleção gaúcha.

Em 1928 o Arranca começou a temporada bem melhor, vencendo os dois amistosos realizados para a preparação da temporada, por 3 X 1 e 3 X 0. No segundo jogo aconteceu de tudo, invasão de campo por torcedores, pontapés, socos, tapas e até bengaladas.

O Arranca recuperou a condição de campeão da cidade, ao golear o Guarany por 4 X 1 no prélio final, quando novamente se registraram brigas por todos os cantos do estádio.

No dia 16 de novembro de 1928 foi realizado o último jogo da história entre Guarany X Arranca. Foi em disputa da “Taça Royal Card”. O resultado final de 1 X 1 garantiu o troféu ao Arranca, por ter um escanteio a mais.

Em 1929 o Guarany inaugurou seu estádio, que provavelmente também se encontrava no mesmo terreno onde hoje se encontra a “Taba Índia”. Como o Arranca estava enfrentando um período de crise, e se voltava mais para atividades sociais, nesse ano não houve o campeonato da cidade.

Não demorou para que o Arranca encerrasse as atividades, o que aconteceu em 8 de setembro. Só restou a sede social, atualmente uma das maiores do Estado.

Com a extinção do grande rival surgiram outros adversários, o Rio-Grandense e Clube Internacional Recreativo. Também fizeram parte do futebol de Cruz Alta, porém em épocas diferentes, o Grêmio Foot-Ball Cruz-Altense, Serrano e Santa Cecília, que representava os militares.

Quando o E. C. Nacional foi fundado, em 1941, o seu estádio foi construído onde funcionava uma hípica, permanecendo até hoje sob o nome de estádio do “Morro dos Ventos Uivantes”.

O Riograndense iniciou suas atividades no ano de 1929, no espaço onde funciona hoje a empresa Coceagro. Na sua inauguração os torcedores, autoridades e jogadores chegaram de trem até o local. Após, durante nove anos, até 1954, quando inaugurou o estádio “Brasil Siqueira Borges”. O clube também utilizou o estádio da “Baixada”, na Vila Central,

Em 1930, o Guarany também não suportou as dificuldades financeiras e fechou as portas, só retornando 12 anos depois, já na antiga "Taba Índia".

A “Taba Índia” foi inaugurada em 20 de agosto de 1942, num jogo amistoso contra o Riograndense local. O estádio tinha um pavilhão feito de tijolo e madeira. E ficou assim até a década de 1980, quando o estádio passou por uma grande reforma. A inauguração da nova “Taba Índia”, que pode abrigar até 10 mil torcedores, aconteceu no dia 7 de abril de 1985, com um jogo amistoso entre Guarany X Gaúcho, de Passo Fundo.

Em 13 de novembro de 1985 foi inaugurado o sistema de iluminação do estádio, com o jogo amistoso Guarany 0 X 2 Nacional, de Montevidéu. O futebol profissional só foi estabelecido em Cruz Alta a partir de 1953.

Em 27 de dezembro de 1971 houve a fusão entre S.C. Guarany e E.C. Nacional, sendo criada a Associação Cruz Alta de Futebol (Acafol), tendo como presidente o desportista Elias Martins. As cores do clube eram o azul e branco. A nova agremiação disputou a Copa Governador do estado de 1972 e 1973, além do Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão. Durou apenas dois anos.

No final dos anos 90 jogou no Guarany o veterano goleiro Geraldo Pereira de Matos Filho, mais conhecido como Mazzaropi. Ele encerrou a vitoriosa carreira no clube cruz-altense.

Um dos mais destacados jogadores da história do Guarany foi o goleiro Lino Ceretta, militar reformado e pesquisador do futebol, que atuou no clube de 1951 a 1966, participando de mais de 300 jogos.

Foi campeão municipal em sete oportunidades, sendo uma delas pelo Riograndense, que vinha de um jejum de 19 anos. Foi num período em que o Guarany estava licenciado. Também foi duas vezes campeão estadual da Segunda Divisão de Profissionais e vice uma vez.

O último jogo da carreira de Ceretta foi um clássico contra o Nacional, disputado em 23 de outubro de 1966, com vitória bugrina por 2 x 1.

Depois que deixou os gramados foi dirigente do Guarany, repórter, comentarista e narrador de futebol de uma das emissoras de rádio da cidade.

Em 1996 e 1997 o clube esteve licenciado. Em 1998, 1999 e 2000 participou da Segundona Gaúcha, sem conseguir classificação para a Divisão Principal.

Apesar de momentos memoráveis, por falta de patrocinadores e apoiadores, o Sport Clube Guarany fechou as portas em 2001, deixando a cidade sem representatividade esportiva no cenário do esporte Gaúcho. Foi o clube de futebol de mais longa atividade na cidade.

Depois de alguns anos, um grupo de amigos e desportistas com o objetivo de construir um projeto de longo prazo fundaram a Associação Cruz Alta de Futsal (ACAF), no dia 14 de dezembro de 2010, fazendo com que Cruz Alta voltasse a ter representatividade no cenário estadual. 

Em 27 de dezembro de 2011, um acidente ocorrido na ERS 122, em Ipê, na serra gaúcha, causou a morte de Marcos Antônio Lemos Tozzi, o “Catê”, de 38 anos. O Fiat Uno Mille que ele conduzia chocou-se com uma carreta Scania que trafegava no sentido Ipê-Vacaria.

Catê iniciou a carreira nas categorias de base do Guarany, de Cruz Alta, indo depois para o Grêmio. Passou pelas seleções de base do Brasil, foi para o São Paulo, onde se sagrou campeão mundial de clubes em 1992, jogou no Cruzeiro, de Minas Gerais, voltou ao São Paulo e atuou ainda pela Universidad Católica do Chile, Sampdoria, da Itália e no retorno ao Brasil jogou pelo Flamengo. Depois de encerrar a carreira de jogador treinou o Brusque, de Santa Catarina.

O S.C. Guarany foi campeão de Cruz Alta em 14 oportunidades (1914, 1916, 1921, 1922, 1924, 1925, 1926, 1927, 1946, 1956, 1958, 1962, 1963 e 1966); conquistou três Campeonatos Estaduais da 2ª Divisão (1954, 1959 e 1987); um Campeonato Gaúcho da 3ª Divisão (1985) e o Campeonato da Serra (1955).

Dentro das comemorações do centenário do S.C. Guarany, os acadêmicos de Jornalismo da Universidade de Cruz Alta, Davi Pereira, Oscar Van Riel, Adrieli Fogaça, Pedro Henrique Amarante e Marcos Nogueira, organizaram um documentário intitulado “Taba de Memórias”.

O documentário com cerca de 30 minutos de duração, foi realizado no primeiro semestre deste ano e destaca as memórias de torcedores e ex-atletas sobre a história do tradicional clube de Cruz Alta. Foram ouvidos os ex-jogadores Teixeirinha, Batista, Rafael Reis e Cristiano Prudêncio, a torcedora Nice Padilha, o líder da torcida organizada Irineu Bilibio e o ex-jogador e historiador Lino Ceretta. A película foi exibida dia 5 de setembro, no Salão Nobre da Unicruz. (Pesquisa: Nilo Dias)

S.C. Guarany, na década de 1920. (Foto: Arquivo particular do pesquisador Lino Ceretta)