Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sábado, 19 de abril de 2014

A imprensa esportiva está de luto

Morreu na tarde de hoje, aos 67 anos de idade, um dos mais conhecidos narradores de futebol do Brasil, Luciano do Vale Queirós, nascido em Campinas (SP), no dia 4 de julho de 1947. Ele sentiu um mal súbito dentro do avião, quando se dirigia para Uberlândia (MG), onde amanhã faria a narração do jogo Atlético Mineiro X Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro.

Ainda deu tempo de ser levado a um hospital de Uberlândia, onde morreu às 16h15min. Ao que se sabe, o locutor já sofria com problemas de saúde. Em início de 2012 ele teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que o obrigou a passar por sessões de fonoaudiologia, para reaprender a falar.

Luciano tentou voltar às atividades profissionais em um jogo entre Santos x Palmeiras, mas a doença não permitiu que fizesse a transmissão com êxito, errando quase tudo e virando motivo de chacota nas redes sociais.

Somente um ano depois do ocorrido e ainda com a saúde debilitada, é que revelou a existência do AVC. Mesmo assim continuou a narrar futebol, comandando sempre a partida principal do fim de semana na Band.

Tempos depois foi operado da bexiga e em consequência não pode participar das transmissões da Olímpíada de Londres, em 2012. Seu último trabalho foi na decisão do Campeonato Paulista deste ano, quando narrou a vitória nos pênaltis do Ituano sobre o Santos.

Luciano do Vale começou a carreira de locutor esportivo na Rádio Brasil, de Campinas, em 1963, quando tinha apenas 16 anos de idade. Também trabalhou na Rádio Educadora, de sua cidade natal.

Em 1967 foi morar em São Paulo e integrou a equipe de esportes da Rádio Gazeta, a convite de Pedro Luiz, famoso narrador da época. Mas ganhou destaque trabalhando na Rádio Nacional, de São Paulo, onde participou da cobertura da Copa do Mundo do México, em 1970.

Em 1971, já um narrador consagrado, chamou a atenção da Rede Globo, que o contratou para substituir Geraldo José de Almeida, um dos monstros sagrados da narração esportiva do país. Sua primeira transmissão na nova emissora foi um jogo de basquete masculino, válido pelo “Troféu Governador do Estado de São Paulo”.

A partir daí se tornou o principal locutor esportivo da TV brasileira, transmitindo os mais importantes jogos de futebol no país e no exterior, e também corridas de Fórmula 1, contando as vitórias de Emerson Fittipaldi.

Ele narrou com exclusividade para a Rede Globo a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, quando a emissora bateu todos os recordes de audiência no jogo Brasil X Itália.

Calcula-se que mais de 90 % dos aparelhos de TV ligados no Brasil naquela tarde, estavam sintonizados na Globo. Foi a partir da voz dele que o Brasil sofreu com os gols de Paolo Rossi no fatídico jogo que tirou a Seleção do Mundial da competição.

Foram 11 anos na emissora de Roberto Marinho, com duas Copas do Mundo (1978 e 1982) e duas Olímpíadas (1976 e 1980). Após a Copa do Mundo foi para a Record, onde ficou de 1982 a 1983. De 2003 a 2006, teve nova passagem pela emissora.

Ao sair da Record pela primeira vez, assumiu a direção do Departamento de Esportes da TV Bandeirantes, onde trabalhou de 1983 a 2003. A sua segunda passagem na Band foi no período de 2006, até hoje. Pela emissora transmitiu sete Copas do Mundo (1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010).

Em 2006 foi o apresentador do programa “Apito Final”, levado ao ar durante a Copa do Mundo e narrador dos principais jogos daquela competição, pelo Canal Band Sports. Graças a ele a emissora cresceu em audiência.

Luciano ajudou no desenvolvimento de diversas modalidades esportivas que antes não tinham espaço na TV brasileira, como o próprio Voleibol. Graças ao seu trabalho na TV Record o Brasil se tornou uma pujança mundial no esporte, consagrando uma geração de atletas como Bernard, William, Montanaro e Renan.

Já na TV Bandeirante ele promoveu o histórico jogo de Voleibol entre às Seleções do Brasil e da União Soviética, em 1983, numa quadra improvisada em pleno gramado do Estádio do Maracanã. O evento foi um sucesso, já que 97.325 pessoas pagaram ingresso. Foi o maior público a assistir um jogo de Voleibol no país, até hoje.

Foi ainda um incentivador da Fórmula Indy de Automobilismo, abrindo portas para que diversos pilotos brasileiros entrassem nesse tipo de competição. Em 1989 foi brilhante ao contar a vitória de Emerson Fittipaldi nas 500 Milhas de Indianápolis.

Ao final dos anos 80 Luciano do Vale montou a Seleção Brasileira de Masters, da qual era treinador, formada por craques veteranos, que fez muito sucesso. Entre outros jogavam Luís Pereira, Edu, Dario, Cláudio Adão, Rivellino, Ado, Nunes e Dicá.

Luciano transformou a Band numa emissora ligada ao esporte, ganhando o slogan de "Canal do Esporte". Aos domingos era levado ao ar o programa de longa duração “Show do Esporte”, em que era dada ênfase aos mais variados tipos de esportes como jogo de sinuca, boxe, automobilismo e esportes olímpicos.

Nos meses de verão costumava promover várias modalidades de esportes de praia. Foi ele que abriu espaço para Hortência e Paula do basquete feminino, que juntas, ganharam o Pan de 1991 em Havana e o título mundial de 1994. Ele, lógico, narrou as duas conquistas.

Deu força ao futebol feminino, alavancou a carreira do lutador de boxe de Maguila, e deu o início às transmissões da NBA, da Fórmula Indy e do futebol americano no Brasil. Nos últimos anos reduziu drasticamente suas atividades empresariais, tendo se dedicado somente a narração de futebol. (Pesquisa: Nilo Dias)

Luciano do Vale foi um dos grandes nomes da imprensa esportiva brasileira. (Foto: Divulgação)

terça-feira, 15 de abril de 2014

O craque caipira

Sebastião José Ferri, o “Tião Abatiá”, um centro-avante troncudo, forte e com o topete caindo na testa, nasceu em 20 de janeiro de 1945, na cidade de Abatiá no Norte do Estado do Paraná. Começou a carreira jogando em sua cidade natal, mas foi no Colégio Cristo Rei, em Jacarezinho, para onde foi em 1958, que teve melhores oportunidades de mostrar o seu bom futebol.

O colégio possuía uma ótima estrutura para os alunos que quisessem jogar futebol, com uniformes completos para as categorias mirim, infantil e juvenil. Foi no Cristo Rei, onde estudou de 1958 a 1963, dos 13 aos 18 anos, que Tião se destacou defendendo a equipe amadora do colégio. Já mostrava ser um atacante diferenciado e chamava a atenção de todos que acompanhavam os jogos do Cristo Rei.

Tião lembra de um jogo amistoso do Flamengo, do Rio de Janeiro, em Jacarezinho, contra o Londrina, em 3 de abril de 1960, para inauguração do sistema de iluminação do estádio da cidade. O time paranaense jogou naquela ocasião com a camisa da Esportiva, time local, e o clube carioca venceu por 3 X 2. Os gols do Flamengo foram marcados por Gerson (2) e Moacir.

Na partida preliminar, os meninos do Colégio Cristo Rei deram um verdadeiro show, enfrentando um time amador da cidade. Tião marcou um gol. Lembra que naquele jogo participou o seu amigo Torquato Ducci, que depois seria campeão paranaense em 1961 com o Esporte Clube Comercial, de Cornélio Procópio.

A atuação do time do Cristo Rei foi tão boa, que os dirigentes do rubro-negro carioca quiseram levar o time inteiro para o Rio de Janeiro, o que só não aconteceu porque os familiares dos garotos de 13 e 14 anos não deixaram.

A partir daquele jogo, Tião se tornou torcedor do Flamengo, o primeiro time grande que teve a oportunidade de ver jogar. O onze carioca tinha em seu elenco jogadores categorizados como Moacir, Henrique, Gerson, Dida e Babá.

Depois de sair do colégio, Tião voltou a sua cidade natal e jogou pelo time local, até se transferir para Ribeirão do Pinhal. Em 1965, foi para o Cambará Atlético Clube, de Cambará, onde assinou seu primeiro contrato como atleta profissional.

O Cambará foi resultado de uma fusão de dois times em 1963, o Clube Atlético Operário e a Associação Atlética Cambaraense, que já havia sido vice-campeã Paranaense em 1953 e bi-campeã do Norte Velho em 1962/1963.

No Cambará atuou com jogadores conhecidos, como o goleiro Bigode, Mané, Sinésio, Zé Carlos, Adauto, Sorocaba, Cláudio, Benê, Ariston, Chuvisco, ponta-esquerda que jogou no Comercial de Cornélio Procópio e no Londrina, Bira e Gasolina.

Em 1966, quando já era cobiçado por vários clubes em razão de suas grandes atuações, acabou sendo contratado pelo União Bandeirante, na época o caçula do futebol paranaense. A partir daí a carreira de Tião ganhou considerável avanço.

Foi no time de Bandeirante que ele conheceu o jogador Paquito, com quem formou uma das melhores duplas de atacantes do futebol paranaense em todos os tempos. Mas para chegar a titularidade passou um ano no banco, até ganhar a posição de Carlinhos, que era o companheiro de Paquito.

Foi num jogo contra o Jandaia de Kosilek, Carvalho e Servílio, que o técnico De Sordi chamou Tião para entrar aos 43 minutos do primeiro tempo, no lugar de Carlinhos. Na primeira bola que pegou fez o gol. No segundo tempo saiu com uma bola do meio campo, driblou quase todo o time adversário e fez outro gol. A partir daí nunca mais saiu do time, para azar de Carlinhos.

Tião e Paquito disputaram a artilharia dos Campeonatos em 1968, 1969, 1970 e 1971 dentro do mesmo time. Em 1968 e em 1969 Paquito foi artilheiro e Tião vice, e nos anos de 1970 e 1971 Tião foi o artilheiro e Paquito vice.

Em janeiro de 1971, Tião Abatia foi contratado por empréstimo pelo São Paulo F.C., da capital paulista, onde ficou por apenas quatro meses. O alto preço pedido por seu passe impediu sua continuidade na equipe tricolor.

Em sua época de jogador do União Bandeirante, Tião Abatia nunca perdeu jogo para o Coritiba. Talvez esse tenha sido um dos motivos que levou o alviverde a contratá-lo em 1971, juntamente com Paquito. Um táxi aéreo pousou em Bandeirante e dele saiu Almir de Almeida, supervisor do Coritiba, com a missão de levar uma dupla que, há cinco anos, perturbava os adversários do União Bandeirante: Tião Abatia é Paquito. 

Os dois foram indicados pelo técnico Elba de Pádua Lima, o “Tim” e levados para a capital. O Coritiba estava mal no Campeonato Brasileiro e jogaria no final de semana contra a Portuguesa de Desportos.

Os dois chegaram na quarta-feira, e já foram treinar na quinta, sexta e no sábado. A imprensa os badalava como artilheiro e vice-artilheiro do Paranaense de 1971, além dos anos anteriores. Os jornais só falavam nos dois. Entraram como titulares frente a Lusa e responderam positivamente: Tião fez o primeiro e Paquito o segundo gol, na vitória de 2 X 1.

Tião fez um grande campeonato, o que lhe valeu no fim do ano o “Troféu Bola de Prata”, de 1971, promoção da revista “Placar”, como o melhor centroavante do campeonato, entre os 11 melhores de todas as posições.

As atuações da chamada “dupla caipira” no Coritiba, deixaram saudades. Quando o Santos foi jogar em Curitiba, em 27 de outubro de 1971, o estádio Belfort Duarte  lotou, pois todos queriam ver o “rei Pelé”. O Coritiba ganhou por 1 X 0, gol de Tião Abatiá, que “roubou” a festa.

O gol foi uma pintura. Num rush espetacular, Tião Abatiá deixou Ramos Delgado e Lima para trás e tocou para a rede na saída do goleiro argentino Cejas.

Outros jogos memoráveis de Tião. Empate de 1 X 1 com o Flamengo, em pleno Maracanã. Rodrigues Neto marcou para o rubro-negro carioca e Tião para o Coritiba. O goleiro flamenguista era Ubirajara Alcântara.

Dois de outubro de 1971. Coritiba e Atlético Mineiro se enfrentaram e o Coxa venceu por 1 X 0, gol de Paquito. Mas o grande lance do jogo foi proporcionado por Tião Abatiá. Aos 45 minutos do segundo tempo ele foi lançado por Paquito, dominou a bola, driblou Vantuir, Grapete e o goleiro Renato por duas vezes, cruzou para a área e Leocádio, outro super craque da época, cabeceou sozinho, mas por cima do gol.

A torcida alviverde, presente no “Couto Pereira” levantou e aplaudiu de pé a jogada de Abatiá, que depois foi usada por muitos anos como abertura de programas esportivos em todo o país. Em outro jogo inesquecível, Tião Abatiá e Paquito fizeram gols na vitória de virada contra o Corínthians, em 1971.

Em 1972, Tião Abatiá ia ter sua grande chance na Seleção Brasileira que jogaria a Mini-Copa do Mundo. Em um jantar com o técnico Osvaldo Brandão, este lhe garantiu a convocação e a titularidade. Mas deu azar. Num jogo contra o Cianorte, quebrou a perna e não foi para a Seleção.

Em 1975 foi contratado pela Portuguesa de Desportos, de São Paulo, em uma troca temporária por Luisinho e Maisena, mas não conseguiu boas atuações, voltando ao “Coxa”, para ser campeão paranaense daquele ano. Depois, comprou seu passe e foi jogar no Colorado, onde permaneceu até 1977.

Em 1976 a dupla caipira estava desfeita. Tião no Colorado e Paquito, no Maringá. Os dois disputaram a artilharia do campeonato paranaense até a última rodada, quando chegaram empatados, cada um com 24 gols. Paquito fez um gol na rodada final e foi o artilheiro.

Os dois são grandes amigos e compadres. Sobre a disputa pela artilharia em 1976, Paquito conta que tira sarro em Tião até hoje. Em contrapartida Tião garante que levou Paquito "nas costas", durante todo o tempo em que jogaram juntos.

Tião Abatia deveria encerrar a carreira no Colorado, em 1977. Não quis saber de jogo de despedida, pois não disse a ninguém que iria parar. Era seu último dia de contrato.

No vestiário, o roupeiro foi o primeiro a saber. Mas na verdade levou mais um pouco de tempo para deixar os gramados de vez, pois encerrou a carreira jogando pelo E.C. Pelotas, do Rio Grande do Sul…

Do tempo em que jogava, Tião Abatiá lembra de muitas histórias, duas delas que não esqueceu até hoje. Primeira, o folclórico Serafim Meneghel  era o presidente do União Bandeirante.

Num jogo frente o Seleto, de Paranaguá, o juíz marcou pênalti contra o União. Tomado de indignação, Meneghel, de revólver na cintura, entrou em campo para reclamar do árbitro Vander Moreira. Este, frente a tamanha “argumentação”, desistiu da penalidade e marcou tiro de meta para o Bandeirante.

Segunda. Iustrich treinava o Coritiba e costumava marcar treinos para às seis horas da manhã, embora os jogos se realizassem à tarde ou a noite. Mas compensava o sacrifício, mandando servir um café da manhã “cinco estrelas". Isso sem falar nas vezes que interrompia o treino para oferecer melão e pêssego aos jogadores.

O ex-presidente do Coritiba, Evangelino da Costa Neves, o “Chinês”, dizia que ele iria quebrar o clube. A explicação do técnico para um horário nada usual de treinamentos, é que assim conseguia tirar alguns jogadores da vida noturna. Por "alguns", entendia-se Zé Roberto, que muitas vezes chegava atrasado ao treino da manhã. E Iustrich dizia: “Não me incomodo se o Zé treina ou não. Domingo, ele decide".

Títulos conquistados: Pelo Coritiba: campeão paranaense (1972, 1973, 1974 e 1975 e Campeão do Torneio do Povo (1973). Em 1972, fez parte da equipe que ganhou a “Fita Azul”, na excursão invicta do Coritiba pela Turquia, Itália, França e Marrocos. O prêmio era dado pelo jornal “Gazeta Esportiva” ao clube brasileiro de melhor campanha em amistosos pelo exterior.

Tião considera o título de campeão do “Torneio do Povo” de 1973, como o mais emocionante da sua carreira. E conta que foi um torcedor do Bahia quem garantiu a conquista. O “Coxa” perdia em Salvador, quando da arquibancada alguém apitou. Achando que era o juiz, os zagueiros do Bahia pararam. E o Hélio Pires continuou e fez o gol. 

Tião Abatiá, em 1971 serviu de inspiração para a equipe da “Disney”, que criou o personagem “Tião Abaterá”, das histórias do Zé Carioca. Foi o primeiro jogador a ter um personagem na “Walt Disney”. Pelé também serviu de inspiração para o "Pelézinho", de Maurício de Souza.


Depois de parar com o futebol, Tião Abatiá montou uma agência lotérica em Bandeirante, e também passou a cuidar dos imóveis que comprou em Curitiba e no Norte Pioneiro. Não quis ser treinador e nem retomou a faculdade de Educação Física, que interrompeu nos anos 70, em Assis (SP). O ex-jogador guarda uma única mágoa: a morte da filha Janaína, num acidente de automóvel, em 1998. (Pesquisa: Nilo Dias)

Tião Abatiá e Pelé. (Foto: Arquivo fotográfico de Tião Abatiá)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Mais uma vítima do câncer

O futebol gaúcho está de luto, com a morte ocorrida por volta das 10 horas da manhã de hoje, do ex-jogador e técnico Paulo Sérgio Poletto, de 72 anos de idade, vitimado por um câncer. Ele estava internado a duas semanas no Hospital São José, da cidade de Arroio do Meio, no Vale do Taquari, onde residia.  O sepultamento acontecerá amanhã (sábado), no Cemitério de Arroio do Meio.

Formado em Educação Física, Poletto era professor aposentado do Instituto Anglicano Barão do Rio Branco. Antes de se tornar treinador, foi jogador de futebol, tendo defendido o Lajeadense, de Lajeado, seu clube de coração, onde além de jogador foi  técnico e presidente, Internacional, de Porto Alegre e Atlético Paranaense.

Depois de pendurar as chuteiras tornou-se treinador, tendo dirigido mais de 30 times, entre eles o Grêmio, em 1990 e posteriormente o Internacional.

Também teve passagem pelo Coritiba, Atlético Paranaense, Joinville, Lajeadense, São Luiz, de Ijuí, Passo Fundo, na campanha de volta a elite gaúcha em 1986 e Ypiranga, de Erechim, quando de seu retorno a Série A, em 1989. Também foi destacado técnico de futebol de Salão.

No Exterior treinou equipes dos Emirados Árabes e comandou os times equatorianos do  Barcelona, de Guayaquil, e Nueve de Octobre. Chegou a ser assistente técnico da seleção daquele país. (Pesquisa: Nilo Dias)


Paulo Sérgio Poletto morreu na manhã de hoje. (Foto: Jornal "O Nacional", de Passo Fundo)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Gigante para sempre

Depois de mais de um ano em obras de mdernização, finalmente o Sport Club Internacional, está de volta a sua casa, o Estádio José Pinheiro Borda, uma homenagem ao engenheiro que dirigiu a Comissão de Obras. Mas é mais conhecido como o “Gigante da Beira-Rio” ou simplesmente “Beira-Rio”. O nome é um equivoco, uma vez que o estádio está localizado às margens do lago Guaíba, situado em Porto Alegre.

O “Beira Rio” sucedeu ao velho “Estádio dos Eucaliptos”, e foi construído com a colaboração da torcida do Internacional, inclusive do interior do Estado, que doou materiais de construção. Nesse sentido, programas especiais mobilizaram os colorados em todo o Rio Grande do Sul. Sabe-se que até Falcão, mais tarde ídolo do clube, chegou a levar tijolos para as obras.

O “Beira Rio” nasceu em uma área onde só havia água, para transformar-se no endereço de um dos estádios mais modernos do mundo.

No dia 6 de abril de 1969 os portões do estádio foram abertos pela primeira vez, para o jogo amistoso entre Internacional X Benfica, de Portugal, que tinha no elenco jogadores da categoria de Eusébio e Torres.

Esse foi o primeiro jogo realizado no “Beira-Rio”. O Internacional venceu por 2 X 1, tendo Claudiomiro marcado o primeiro gol no novo estádio. Gilson Porto marcou o segundo e Eusébio descontou para os portugueses.

O “Festival de Inauguração do Beira Rio” teve ainda os seguintes jogos: 9 de abril de 1969: Seleção Brasileira 2 X 1 Seleção do Peru; 13 de abril de 1969: Internacional 4 X 0 Peñarol e 20 de Abril de 1969: Internacional 0 X 0 Grêmio.

Com a confirmação do “Beira Rio” como uma das sedes da Copa do Mundo deste ano, o estádio passou por uma grande reforma, para se adequar as normas da Fifa. No dia 12 de dezembro de 2010, parte da arquibancada inferior começou a ser desmontada, reduzindo a capacidade de público do estádio para a temporada 2011.

Como o dinheiro em caixa não era suficiente para bancar as obras, o clube desistiu de realizá-las com recursos próprios, decidindo por uma parceria com a Construtora Andrade Gutierrrez, cujo contrato foi assinado em 19 de março de 2012.

Devido à definição da parceria com a Andrade Gutierrez, as obras de renovação do estádio foram atrsadas em 270 dias até que o contrato fosse assinado. Em razão disso, Porto Alegre ficou de fora da Copa das Confederações.

A obra foi totalmente executada com recursos privados, com exceção de uma parte de calçamento e drenagem em área pública, pertencente à Prefeitura de Porto Alegre, com custo estimado em cerca de R$ 7 milhões.

Durante a Copa do Mundo o estádio poderá receber até 51.800 pessoas. Depois da competição, a capacidade poderá ser ampliada para 58.000 pessoas, ou até mais, dependendo dos ajustes que serão feitos, posteriormente. O estádio deixará um novo marco na história do S.C. Internacional, que será o único clube do futebol brasileiro a ser sede de duas Copas do Mundo. A primeira foi em 1950, no antigo Estádio dos Eucaliptos.

A Seleção Brasileira já jogou no “Beira Rio” em 10 oportunidades, com sete vitórias, dois empates e uma única derrota. Os jogos foram estes: 07/04/1969, Brasil 2 X 1 Peru;  04/03/1970, Brasil 0 X 2 Argentina;  26/04/1972, Brasil 4 X 2 Paraguai; 17/07/1972, Brasil 3 X 3 Seleção Gaúcha; 25/05/1978, Brasil 2 X 2 Seleção Gaúcha; 08/06/1985, Brasil 3 X 1 Chile; 16/12/1992, Brasil 3 X 1 Alemanha; 07/09/1999, Brasil 4 X 2 Argentina; 05/06/2005, Brasil 4 X 1 Paraguai e 01/04/2009, Brasil 3 X 0 Peru.

O estádio colorado já sediou quatro finais da Taça Libertadores da América, três delas com a participação do Internacional (1980, 2006 e 2010). Em 2005, o Atlético Paranaense jogou contra o São Paulo no estádio, pois o regulamento não permitia que o jogo fosse disputado na “Arena da Baixada” devido a sua pequena capacidade de público.

O Beira Rio nestes seus 45 anos de existência, não se limitou a receber somente jogos de futebol. No local realizaram-se diversos shows e atrações, como a Chegada do Papai Noel nos anos 80 e 90, bem como apresentações dos cantores Roberto Carlos e Luciano Pavarotti em 1998, Paul McCartney, em 2010, Justin Bieber em 2011 Roger Waters em 2012.

A maior sessão de cinema da história, aconteceu em 7 de dezembro de 2010, quando o Beira-Rio recebeu 27.022 para assistir o filme“Absoluto – Internacional bicampeão da América”, documentário sobre o título conquistado pelo Inter, quatro meses antes. O feito recebeu certificação do Guinness, o Livro dos Recordes.

Ainda no Complexo Beira-Rio, encontram-se uma capela, o Centro de Eventos DTG Lenço Colorado, bares, lojas, uma agência bancária e estacionamento para 6 mil carros. Anexo há o Parque Gigante, onde se encontram as dependências de esporte e lazer do Sport Club Internacional, em treze hectares às margens do Guaíba.

A modernização do Beia Rio permitiu que todos lugares do estádio fossem cobertos e com 100% de cadeiras, novas cabines de imprensa, cobertura metálica sobre o anel superior, protegendo todos os assentos e rampas de acesso com a implantação de uma "proteção" externa semelhante à do Estádio Olímpico de Munique.

O projeto do novo Beira Rio ainda prevê a construção de um Shopping Center e um hotel para a concentração do clube e demais visitantes. Seu entorno terá o projeto paisagístico revitalizado, bem como o Ginásio Gigantinho será reformado e novos campos suplementares serão construídos.

Para os torcedores mais exigentes o clube criou os skyboxes, localizados na parte superior do estádio, com capacidade para até 24 pessoas, possibilitando vista panorâmica do campo, além de outras vantagens, como estacionamento e banheiro privativo. Os custos variam entre R$ 760 e R$ 1.416 por pessoa/mês.

Os camarotes ficam nos lados oeste e leste do estádio, entre as arquibancadas inferiores e superiores, com capacidade entre 14 e 18 assentos, além do estacionamento. Os valores ficam entre R$ 760 e R$ 1.375 por pessoa/mês.

Ainda há a opção dos assentos vips, numerados, acolchoados e rebatíveis, localizados na parte central da arquibancada. O preço fica entre R$ 389 e R$ 590 por mês.

A reinaguração do “Beira-Rio” aconteceu na noite de sábado (5) com o espetáculo “Os Protagonistas”, que contou a história do clube, fundadop em 1909, e do estádio inaugurado em 1969. A reforma orçada em R$ 330 milhões foi concluída com investimentos de uma parceria entre o clube e a Empreiteira Andrade Gutierrez.

Ainda como parte dos festejos, foi realizado às 16h de domingo (6) no Beira-Rio o amistoso entre Internacional 2 X 1 Peñarol, do Uruguai. O jogador D’Alessandro foi o autor do primeiro gol no novo “Beira Rio”. (Pesquisa: Nilo Dias)


Colorados vibraram com a reabertura do estádio. (Foto: Divulgação)

domingo, 23 de março de 2014

Um patrimônio do rádio de Rio Grande


Dia desses o amigo Cláudio Carvalho de Moura, riograndino de nascimento, ardoroso torcedor do veterano Sport Club Rio Grande, o “vovô” do futebol brasileiro, “provocou” uma interessante troca de informações no “Facebook” a respeito da Rádio Cultura Riograndina, que no último dia 14 comemorou 72 anos de fundação. É a mais velha emisora de rádio da cidade de Rio Grande, a mais antiga cidade gaúcha, fundada em 1737.

A Rádio Cultura foi a primeira rádio da cidade de Rio Grande, fundada em 14 de março de 1942 com o nome de Rádio Cultura Riograndina. A emissora, idealizada por Alcides Lima Faria, surgiu através do esforço de um grupo de entusiastas, liderado pelo filho de Alcides, Ay Lima, que possibilitou a continuidade de suas transmissões em um período muito difícil.

Eu também participei das reveladoras postagens, pois tive a honra de fazer parte da equipe de funcionários da emissora, junto de minha esposa a jornalista Teresinha Motta. Foi uma época de muitas e boas lembranças. Fui chefe dos Departamentos de Esportes e de Jornalismo e tenho convicção de que colaborei para uma guinada de 360 graus, no modo de fazer rádio na cidade de Rio Grande.

Sob a direção do saudoso engenheiro doutor Paulo Naois Coelho, a emissora que recém havia sido adquirida pelo Grupo Delfim, de propriedade do empresário riograndino Ronald Levinsohn. A Delfim era, na época, a maior Caderneta de Poupança do país. Fui escolhido pelo diretor para levar adiante o projeto de mudança da imagem da rádio. E para isso ganhei carta branca e dei ínicio a uma verdadeira revolução.

Comecei mudando integralmente a programação, que até então não apresentava nenhum atrativo, estava repleta de programas religiosos. Mesmo não tendo nada contra religiões, decidi  tirar quase todos do ar.

Ficaram um ou dois, que eram programas bem organizados e até contavam com relativo número de ouvintes, apresentados pelos pastores Belmar Alves Clarindo e Vanderli dos Reis, embora a audiência geral estivesse pouco acima de zero.

Na verdade, só o programa de avisos ao meio-dia tinha grande audiência, e assim mesmo no interior dos municípios de Rio Grande e São José do Norte.

As mudanças começaram de manhã bem cedo, com a vinda de Airton Lopes da Silva, para apresentar das 5 às 7 da manhã o programa “Gente da Gente”, que não demorou para ser o líder de audiência no horário.

Depois, das 7 às 8 da manhã eu e o saudoso amigo e advogado, Jorge Ravara, apresentávamos o programa “Roda Viva”, pioneiro na cidade de Rio Grande, com entrevistas e comentários.

Das 8 às 10 horas o programa “Gley Santana”. E das 10 ao meio-dia o programa de Jonas Cardoso, uma das mais bonitas vozes do rádio gaúcho. Eu fui buscar o Gley em Pelotas, para ser o narrador principal de futebol da rádio. E o Jonas, na Rádio Minuano, também de Rio Grande.

Ao meio-dia o programa de avisos “Alô, Alò Zona Sul”, na voz inconfundível de Delmar Pacheco. Os programas da tarde foram entregues a Cleusa Pimenta, das 14 às 16 horas e a João Luiz Cardoso, das 16 às 18 horas. Os dois fizeram grande sucesso na época.

O João Luiz Cardoso depois trabalhou na Rádio Batovi, em São Gabriel, também levado por mim. A Cleusa eu fui buscar em Pelotas. O programa de esportes ia das 18 às 19 horas e era apresentado por mim e pelo Gley Santana.

Às 22 horas ia ao ar o “Grande Jornal Falado”, com apresentação do Edson Figueiredo e Pedro Aguiar. O Pedro Aguiar, tempos depois foi o primeiro narrador de futebol da Rádio Batovi, de São Gabriel.

O Departamento de Notícias era formado por mim, minha esposa Teresinha Motta, o jornalista Carlos Thompson, atualmente trabalhando em São Paulo, Édson Costa, que até hoje continua na emissora, Gley Santana, Pedro Aguiar, Jonas Cardoso e Delmar Pacheco.

O Departamento de Esportes tinha os narradores Pedro Pinheiro, Gley Santana, Mário Lima e Elodir José, catarinense vindo de Xanxerê. Os comentaristas eram Antônio Azambuja Nunes, o “Nico”, grande artilheiro do futebol de Rio Grande, o saudoso Jorge Ravara e Ney Amado Costa.

Os repórteres eram Horácio Gomes, o melhor profissional que conheci em toda a minha vida, na atividade, Édson Figueiredo, Sérgio Satt, que também comentava e o ex-jogador de futebol dos três clubes da cidade, João Ferreira. O plantão esportivo era Denis Olinto, que depois brilhou na radiofonia de Porto Alegre.

O Denis, a exemplo do saudoso Dinei Avelar, em Pelotas, eu “encontrei” em uma série de testes que promovi na Riograndina e na Tupancy. Eu, como chefe e o mais experiente da equipe fazia de tudo um pouco, era um verdadeiro “homem dos sete instrumentos”, narrava, comentava e fazia reportagens, além de ajudar na montagem técnica para as transmissões.

Um amigo meu, o jornalista Paulo Mattos, que hoje reside no litoral gaúcho, quando colegas de rádio em São Gabriel, costumava dizer que quem cria “monstros” é “monstruário”, uma brincadeira saudável, em alusão aos companheiros que coloquei na profissão. E foram muitos.

Aqueles três anos de ouro em que estive na Cultura Riograndina, nunca mais esquecerei. Foi um tempo bom em que a satisfação pessoal pelo dever cumprido foi muito grande. Escrevemos páginas imorredouras na história do rádio de Rio Grande.

Acompanhavámos os times de futebol de campo e de salão da cidade, onde quer que estivéssem, dentro e fora da cidade e do Estado. Também cobrimos a Seleção Brasileira, que se preparava para a Copa de 1982, na Espanha. Nossa equipe viajou por vários locais do Brasil, coisa antes nunca vista na imprensa local.

Havia muita coisa boa na emissora. Aos sábados pela manhã eu apresentava o programa tradicionalista “Nativismo”. Depois vinha um programa de Variedades, apresentado pelas amigas Iara Bandeira, que foi minha colega na Sucursal da Companhia Jornalística Caldas Júnior, em Rio Grande e pela jornalista Regina Alvarez, hoje trabalhando na Sucursal de “O Globo”, em Brasília.

Apenas para ilustrar esta modesta peça de saudade, vale a pena contar algumas historinhas, das muitas vivenciadas na rádio, com a ajuda de colegas.

Acho que a principal e mais conhecida delas, diz respeito à assombração do velho prédio da avenida Silva Paes. Bem em cima havia uma casa, onde por muitos anos morou o funcionário Celso Flores.

O seu Sadi, da parte técnica, contava que à noite se ouvia barulhos de janelas e portas se abrindo, se fechando e batendo, ruídos que vinham da casa. Barulhos de chuva, quando não havia uma só nuvem no céu e de vidros quebrando, sem que se encontrasse um único caco no chão.

O Jose Carlos Rocha, eficiente operador de som me garantiu que não gostava de trabalhar a noite, acrescentando que foram inúmeras vezes que ouviu passos na escada, quando não tinha ninguém. Ele conta que nunca chegou a ver, mas o locutor Carlos Fuão jurava que sempre, exatamente a meia noite, uma noiva toda de branco descia as escadas da rádio.

Seria interessante uma pesquisa sobre a história do prédio, para se chegar fundo na origem dessas histórias. Será que ali morou alguma jovem que se tornou noiva e algo aconteceu com ela? Quem sabe se ache uma explicação para tudo o que contam.

O José Carlos Rocha também disse que ouvia barulho dos teclados de máquinas de escrever em pleno funcionamento no Departamento de Notícias, sem que alguém estivesse lá. E que luzes acendiam e apagavam sozinhas.

Já o Edson Costa, de muitos anos na casa, conta que o operador de som dos anos 80, Mário Franco, que também apresentava um programa musical na madrugada e outro aos sábados no final da tarde, certa noite levou um grande susto, que quase o derrubou no chão do estádio de locução. Ele viu um "gato preto" estendido nas costas do Celso Freitas, que estava no controle de som. Este garantiu que não houve nada, e que tudo não passou de uma alucinação do colega.

O Trebe Vaz, grande figura humana, locutor e noticiarista, foi contratado pelo seu Ay Lima para recortar notícias dos jornais da cidade, para os noticiários da emisora. Era a famosa agência noticiosa “Gillete Press”, em pleno funcionamento.

Como o pagamento era por comissão, por notícia apresentada, e o dinheiro bastante curto, Trebe aproveitava tudo que estava nos jornais, especialmente o “Rio Grande”.

Certa vez, ele, que era muito brincalhão, incluiu no noticiário um recorte que nominava pessoas que chegavam ao porto de Rio Grande, de vapor. Coisa da década de 1920, com nomes de gente já falecida há muitos anos, como se fosse notícia atual. Deu um forrobodó daqueles.

E as brincadeirinhas de mau gosto com o ex-diretor e proprietário da emissora, Ay Lima, de saudosa memória? O Trebe costumava colocar grafite na fechadura do escritório do homem. Este, ao chegar pela manhã não conseguia abrir a porta.

Algumas vezes teve de acionar os bombeiros, que subiam por uma escada colocada na rua, entravam na sala pela janela e abriam a porta.

E os telefonemas então. O Edson Costa, e eu também, telefonávamos para o seu Ay, que dizia “alô” e a gente só assoprava. E ele respondia dizendo: “Seu assoprinho FDP, vai te f..., liga para a tua mãe”.

Dizem que havia no corredor da rádio, junto a Discoteca um painel para que ali fossem colocados avisos, ordens de serviço, coisas desse tipo. Uma certa manhã apareceu no painel um papel com os seguintes dzeres: “O seu Ay é viado”.

Para quê? O homem ficou enfurecido, e com um revólver engatilhado na mão gritava: “O FDP que fez isso apareça. Mostre que é homem, que vai levar um tiro na cara”. É claro que ninguém apareceu, embora todos na rádio soubessem de quem se tratava. Por motivos óbvios não digo quem foi o autor da façanha.

Foi muito comentado na época, o “acidente” ocorrido com um locutor, que não vou revelar o nome, dado o inusitado da história. Ele vinha pela rua 24 de Maio, passo apressado, pois já era quase meio-dia e ele tinha que apresentar o “Alô, Alô Zona Sul”. Foi quando o inesperado se fez presente: deu uma dor de barriga daquelas e a “coisa” desandou perna abaixo. Não teve como conter.

Com a calça toda borrada, não conseguiu ir adiante. Teve de se encostar em uma parede e, disfarçando, seguiu se arrastando até chegar em casa e tomar um necessário banho. Não pode nem avisar a rádio, pois naquele tempo nõ havia telefone celular.

O diretor Paulo Coelho pediu ao Cláudio Castro, que era o operador de som do horário, que também lesse os avisos, com a orientação de que começasse pelas notas de falecimento.

Obediente, o Cláudio leu a primeira delas: “Nota de falecimento e convite para sepultamento. Os familiares de Fulano de tal convidam para as cerimônias de seu sepultamento, que ocorrerão hoje, às 11 horas”. Como já era passado do meio-dia, o Cláudio emendou: “Opa, esse defunto já foi enterrado, Vamos para outro”.

Certa ocasião eu, acompanhado do Gley Santana e Cláudio Castro fomos transmitir um jogo em Santa Maria. Viajávamos de véspera, como era costume. Sábado, à tardinha, fomos dar um passeio pelo Calçadão da Cidade Universitária. O Cláudio levou um rádio enorme, daqueles de 12 faixas de ondas, ligado sobre o ombro. Parecia um daqueles alto-falantes de propaganda.

As pessoas curiosas olhavam para ele rindo, sem entenderem nada. E ele, nem aí. Eu e o Gley apuramos o passo, nem olhávamos para trás, fingindo que não o conhecíamos.

Esta foi o Edson Costa que me contou. É bárbara. Trabalhava na rádio um locutor de nome Eli Faria, que fazia o “Repórter Popular”. Gostava muito de falar ao vivo. Certa ocasião, ele foi verificar como andava o problema das filas nos estabelecimentos bancários da cidade. Foi quando largou esta pérola: “As bixas dos bancos estão muito compridas”. Se dissesse isso hoje, correria o risco de ser taxado de homofóbico.

E o Fernando Furci, certa vez foi guindado ao cargo de discotecário, o que fez? Dizendo que se tratava de uma limpeza e para abrir espaço, jogou na rua centenas de discos 78 rpm, colocando fora grande parte do acervo musical da emissora.

Eu consegui salvar um álbum dos 10 anos de carreira de Luiz Gonzaga, uma verdadeira relíquia, que hoje se encontra no museu do cantor em Caruaru, Pernambuco.

Mas isso não foi nada. Pior foi o que o Edson Costa me contou. Uma carroça deixou o prédio da emissora em direção ao lixão da cidade, carregada com livros de presença contendo assinaturas de cantores e cantoras de sucesso dos anos 50 e 60.

E muitas outras histórias, que se as contasse, ocuparia um espaço muito grande deste blog.Só do saudoso Rui Grilo, são muitas.do a história da rádio, certamente vai encontrar subsídios suficientes para isso, embora também vá se deparar com muitos problemas, pois a grande parte da memória da rádio já foi perdida.

Para ilustrar esta peça de saudade, relembro alguns dos valores que
ajudaram a construir a história da simpática emissora. É claro que a lista é incompleta, pois em 72 anos muita gente passou por lá.

Mas vamos citar outras pessoas que trabalharam ou cooperaram com a emissora, aquilo que a memória de vários colegas lembrou, além dos que já foram citados acima. 

Valdomiro Oliveira (noticiarista), Cláudio Silva, José Paulo Nobre,Carlos Eduardo Concli, Laila Araújo (secretária), Magrão, Leda Maria Chaves, Guaracy Costa, Altemir Lima, Jose Carlos Rocha (operador de som), Cléo Rocha (secretária), Gil Rocha, Sidnei Rocha (operador de som), Paulo Milbrath, Nilton Freitas (operador de som), Cremilda (secretária, falecida em acidente de moto), Vera (assistente de limpeza), Rui Grillo (apresentador de programas de auditório), Yolanda Grillo (auxiliar de seu esposo Rui Grillo), Dorvalino Valadão (plantão esportivo), Guaraci Camanho, Saulo Machado, Ernesto Martins (apresentador do programa “A voz de Portugal”), junto do auxiliar Reguffe, José Maria de Almeida Pinto, o "Almeidinha", Vera Beatriz Comin (colunista social), Paulo Ferreira (colunista social), Ayrton Ferreira (operador de som), Elmar Costa (comentarista esportivo), Alfredo Batista (locutor tradicionalista, falecido em um acidente de trânsito), Antonio José Piccolli (locutor), Alcides Silva, o "Bigode", falecido há cerca de três anos, Mário Franco (operador de som), Cleo Rocha (discotecária), José Adão Vieira, o “Lápis” (repórter esportivo), Regina Macedo (locutora), Fernando Furci (locutor), Fernando Weikamp (locutor), Ronaldo Silva (repórter), Arlindo Mota, o popular "Taita" (motorista), Rui Ferreira (motorista), Azambuja Junior (locutor), Gil Rocha, Jotta Huch, Valdir Lima, Adao Rosa, Vilmar Pereira “Gaguinho”, Julio Jardim, Carlos Roberto Souza Mendonça, Paulo Roberto Dijavan, Carlos Magno Pereira Ramos, Carlos Eduardo Concli, Deivid Pereira, Odair Noskoski, Américo Souto (narrador esportivo), Dilair José, Rudinei Moreno, Rudinei Jesus, Rudinei Lima, Carlos Roberto Silva, o “Ternurinha”, Antonio Carlos da Rosa, Jorge Antônio Menestrini, Carlos Esperon, Jurema (recepção), Luiz Carlos Leal, Erní Freitas, Iberê Marchiori (noticiarista), Leda, Weimar Minuto (locutor) e Alfredo Batista. (Texto: Nilo Dias)


Flâmula comemorativa aos 20 anos de fundação da Rádio Cultura Riograndina, que faz parte do acervo do historiador Chico Cougo, riograndino de nascimento, residente em Porto Alegre. 

Ele achou a reliquia no “Rancho da América”, um local existente na Capital do Estado especializado na venda de velharias. Produzida em Porto Alegre, pela Guaíba Flâmulas, que ficava na rua Dr. Flores, está escrito na parte detrás da relíquia: “Sob encomenda da ZYC3, Rádio Cultura Riograndina”.

quinta-feira, 20 de março de 2014

A adeus ao capitão Bellini

Morreu hoje, aos 84 anos de idade, o ex-jogador de futebol Hilderaldo Luís Bellini, capitão da Seleção Brasileira que se sagrou campeã mundial de futebol pela primeira vez, na Suécia, em 1958.

O ex-atleta estava internado na UTI do hospital Nove de Julho, em São Paulo depois de sofrer uma parada cardíaca. De acordo com a família, Belloni sofria do Mal de Alzheimer há 10 anos e estava entubado em sua residência antes de ser levado ao hospital.

No mês passado Bellini já havia sido internado. Quando retornou à casa, o ex-jogador permaneceu na cama monitorado por profissionais. Na terça-feira de madrugada, uma enfermeira comunicou à família sobre a recaída do ex-jogador.

Internado novamente, ele foi encaminhado diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva, onde faleceu. Em virtude do Mal de Alzheimer, há três anos que Bellini não reconhecia mais ninguém, inclusive sua mulher.

Nascido em Itapira (SP), no dia 7 de junho de 1930, começou a carreira em 1947 no pequeno Itapirense, clube de sua cidade natal, onde ficou até 1958. Depois foi jogar na Sanjoanense, de São João da Boa Vista, de 1949 a 1951, na Segunda Divisão Paulista.

Bellini se tornou famoso no Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, onde chegou em 1952, numa época de renovação do  time que ficou conhecido como o “Expresso da Vitória”.

Jogou no Vasco de 1952 a 1961. O time base do clube cruzmaltino na época era este: Barbosa – Dario – Bellini – Orlando e Coronel – Écio e Rubens – Sabará – Almir – Vavá e Pinga.

Depois, já com 32 anos, foi para o São Paulo, onde ficou de 1962 a 1967, mas sem ganhar um único título sequer. Encerrou a carreira no Atlético Paranaense, clube que defendeu entre 1968 e 1970. No último ano no clube paranaense, foi campeão estadual, junto com outro campeão do mundo, Djalma Santos.

Bellini estava com 40 anos e já casado desde 1963 com Giselda, mãe de seus dois filhos, Carla e Júnior.

O zagueiro estrou na Seleção Brasileira em 1957, nas eliminatórias para a Copa de 1958, na Suécia, mais precisamente no dia 13 de abril, no empate em 1 x 1 com o Peru, em Lima.

Devido a sua seriedade em campo, o técnico Vicente Feola lhe deu a tarja de capitão já na reta final da preparação para o Mundial, depois de ser elogiado publicamente pelo “Marechal da Vitória”, Paulo Machado de Carvalho.

Seu grande momento no futebol deu-se em 1958, quando na condição de “capitão” da Seleção Brasileira, tornou-se o primeiro jogador a levantar a “Taça Jules Rimet” com as duas mãos sobre a cabeça, gesto que a partir daí passou a ser repetido por todos os “capitães” campeões do mundo.

Bellini conta que quando recebeu a Taça das mãos do rei Gustavo, não havia pensado em fazer o gesto que ganhou o mundo. Tudo aconteceu depois que alguns fotógrafos mais “baixinhos”, que não conseguiam fotografá-lo gritaram: “Bellini, levante a taça um pouco mais”

E não decepcionou como “capitão”, valorizou a honraria. No 0 X 0 contra a Inglaterra, a partida mais difícil do Brasil naquela Copa, o atacante Mazzola perdeu um gol feito, entrou em pânico e começou a chorar. Bellini não teve dúvida: saiu lá de trás e, com um tabefe regenerador, repôs o companheiro no jogo.

Bellini também notabilizou-se na Copa de 1958, quando juntamente com Nilton Santos, Didi e Zito, influenciou Vicente Feola para que escalasse Garrincha e Pelé como titulares daquela seleção.

Em 1962 no Chile, Bellini foi reserva de Mauro, que recebeu a braçadeira de capitão e também levantou a Taça, repetindo o histórico gesto. O capitão de 1958 aceitou a titularidade de Mauro sem mágoas, dizendo que a vez realmente deveria ser do companheiro, o que evidenciou seu espírito de equipe.

Ainda esteve presente na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, quando foi reserva de Brito e encerrou sua participação na Seleção Brasileira. Com a camisa “Canarinho” Bellini disputou 57 partidas, com 42 vitórias, 11 empates e apenas quatro derrotas.

A responsabilidade sempre andou lado a lado com Bellini. Em 1968, 10 anos depois da conquista do Mundial da Suécia, o Comerciário, de Criciúma conquistou o título de campeão catarinense. A festa de entrega das faixas aconteceu num jogo amistoso com o Juventus, de Rio do Sul, na inauguração do estádio Alfredo João Krieck, naquela cidade.

A grande atração do jogo foi Hilderaldo Luiz Bellini, que jogou meio tempo pelo Juventus e alguns momentos pelo Comerciário. À noite, houve um jantar promovido pela prefeitura. O prefeito Alfredo João Krieck, não compareceu porque estava com uma perna engessada.

O radialista Carlos Eduardo Mendonça tentou levá-lo para a noite da cidade mas, elegantemente, Bellini alegou profissionalismo para o jogo do dia seguinte. 

Normalmente avesso a entrevistas e a exposições mais amplas, o “Capitão de 58”, fechou-se ainda mais, após a morte do seu grande amigo Mauro Ramos de Oliveira, em 2002.

Bellini via em Mauro um irmão, nunca um rival da camisa 3 “Canarinho”. Na abertura da Copa do Mundo de 1982, na Espanha, Bellini foi o porta-bandeira da Seleção Brasileira e, lá foi muito ovacionado pela torcida local.

Bellini era muito querido pelos torcedores brasileiros. Tanto é verdade que a estátua de bronze localizada no Maracanã, que reproduz o gesto do “capitão” com a "Jules Rimet", ficou conhecida como “Estátua de Bellini”, mesmo não se parecendo com ele.

O bronze, uma homenagem aos campeões mundiais de 1958, foi inaugurado em 13 de novembro de 1960. É um trabalho do artista plástico Mateus Fernandes.

Sabe-se que a ideia da estátua foi do empresário Abraham Medina, pai de Roberto Medina, criador do “Rock in Rio”. Até hoje, a inspiração da estátua é coberta de mistérios. Oficialmente, a homenagem é dedicada aos campeões de 1958.

Mas há quem diga que o rosto na escultura é de Francisco Alves, o “Rei da Voz”, cantor que arrebatava multidões nas décadas de 40 e 50 e que faleceu em 1952 em um acidente automobilístico. A placa da estátua, inclusive, traz o grifo de "Rei de Voz".

Há, também, quem afirme que o rosto ali esculpido é de Hamilton Sparra, um modelo, e não do capitão da primeira seleção brasileira campeã do mundo..

Em 2011, Bellini foi homenageado pelo Avai F.C, de Florianópolis, sendo um dos jogadores escolhidos para ter os pés eternizados na "Calçada da Fama", no Estádio da Ressacada.

Bellini não era um jogador que se podia chamar de técnico, muito pelo contrário. Tinha no vigor físico e na raça, suas maiores virtudes, o que lhe garantia se impôr dentro da área. Sempre jogou com seriedade e lealdade. Foi sempre um líder nato, atributo que o levou ao posto de capitão da Seleção em 1958.

Depois que voltou da Copa de 1958, Bellini foi muito assediado por fâns, principalmente do sexo feminino. Dizia-se a boca cheia nos meios mais sofisticados do Rio de Janeiro, que na época só haviam três homens bonitos no mundo: Alain Delon, Tom Jobim e Bellini. A declaração foi atribuída ao jornalista Ronald Bôscoli, um dos maiores conquistadores cariocas naqueles anos.

O cartaz do zagueiro era tanto, que o diretor Lima Barreto chegou a convidá-lo para fazer o papel de "Quelé do Pajeú", no cinema. Chegou até a fazer teste, quando beijou a bela artista Rossana Ghessa. Mas o papel acabou ficando com o ator Tarciso Meira.

O zagueiro ainda recebeu convite para ser galã de fotonovela. O poderoso empresário Harry Stone tentou levá-lo para Hollywood, mas o Vasco da Gama, que já se negara a liberá-lo para o Real Madrid, da Espanha, vetou sua saída.

Depois de aposentado, o ex-capitão da seleção começou a se aventurar nas mesas de sinuca e trabalhos em escolinhas de futebol.

No Vasco da Gama empilhou títulos. Foi três vezes campeão carioca (1952, 1956 e 1958); Torneio Internacional do Chile (1953); Torneio Octogonal Rivadávia Corrêa Meyer (1953); Torneio Quadrangular do Rio (1953); Torneio Rio-São Paulo (1958); Torneio de Paris (1957); Torneio Triangular Internacional do Chile (1957) e Troféu Teresa Herrera (1957), entre outros.

Pela Seleção Brasileira. Copa do Mundo (1958 e 1962); Copa Roca (1957 e 1960); Copa Oswaldo Cruz (1958, 1961 e 1962); Taça Bernardo O'Higgins (1959) e Copa Atlântica (1960).

Com a morte de Bellini, agora só restam vivos dos campeões de 1958, Pelé, Zagallo, Zito, Mazzola, Dino Sani e Pepe. Já morreram: Castilho, Gilmar, De Sordi, Djalma Santos, Bellini, Mauro, Orlando, Zózimo, Nilton Santos, Oreco, Moacir, Didi, Garrincha, Joel, Vaváe Dida.

Além dos jogadores já são falecidos todos os membros da delegação: Vicente Feola (técnico), Paulo Amaral (preparador físico), Hilton Gosling (médico), Mário Trigo Loureiro (dentista), João Carvalhaes (psicólogo), Mário Américo (massagista), Francisco de Assis (roupeiro), Luiz Murgel (delegado ao Congresso), Paulo Machado de Carvalho (chefe da delegação brasileira), Carlos Nascimento (supervisor), José de Almeida (observador técnico), Abílio de Almeida (secretário) e Adolpho Marques Júnior (tesoureiro). (Pesquisa: Nilo Dias) 


A Copa da Morte


As seis mortes ocorridas durante as obras de construção dos 12 estádios brasileiros onde serão jogadas partidas da Copa do Mundo deste ano, viraram café pequeno perto do que ocorre em Doha, no Qatar, que será sede do evento em 2022.

Segundo um estudo feito pela Confederação Sindical Internacional, cerca de 1,2 mil pessoas já morreram  durante a construção dos estádios e em obras de infraestrutura, para o evento que ocorrerá daqui há oito anos.

Uma grande parte dos mortos é de trabalhadores imigrantes da Índia e Nepal, que representam mais da metade da população do Qatar, chegando a 1,4 milhões, numa população de 2 milhões de pessoas.

Nas obras da Copa estas duas nacionalidades representam apenas um terço do total de trabalhadores. O número de mortos pode ser ainda mais elevado se forem contados egípcios, paquistaneses e bengalis – possivelmente, mais de 3 mil.

Essa gente sem qualificações e dinheiro entra no país para trabalhar, com a ajuda de um “patrocinador”. Este paga o visto, o custo da viagem e a hospedagem. Geralmente trata-se do futuro chefe, abrindo margem para a exploração dos trabalhadores: eles chegam ao país já devendo para seus empregadores.

O estudo mostra que as causas das mortes estão associadas a ataques cardíacos, acidentes de trabalho ou doenças causadas pelas condições miseráveis em que vivem. Os operários são expostos a longas jornadas, muitas delas acima de 12 horas e lidam com um ambiente de trabalho pouco seguro e carente de infraestrutura adequada.

Há relatos de condições análogas à escravidão nas obras da Copa. Passaportes são confiscados e os salários são retidos pelos chefes durante meses. Tudo isso com um calor de 50 graus Celsius sobre a cabeça. Muitos se machucam seriamente ou morrem após caírem de grandes alturas. Outros se suicidam. O prognóstico é ainda mais pessimista: segundo a CSI, mais de 4 mil pessoas ainda perderão suas vidas.

Comissões de direitos humanos pedem o fim do sistema local chamado “kafala”, muito comum nos países árabes do Golfo Pérsico. Trata-se de uma legislação trabalhista que tem o potencial de escravizar o imigrante. 

Um relatório da Anistia Internacional também trouxe dados sobre as péssimas condições de trabalho nas obras da Copa. A entidade conseguiu entrevistar cerca de 210 trabalhadores envolvidos. E 90% deles disseram que seus passaportes estavam retidos com seus chefes, 56% não tinham acesso aos hospitais locais e 21% tinham problemas com salários atrasados.

Além das mortes e do Qatar ser uma ditadura, também restringe direitos das minorias e das mulheres, apoia rebeldes radicais na Síria. É um país minúsculo, sem tradição futebolística e com temperaturas atingindo quase 50 graus nos meses de junho e julho.

A escolha do país para sediar a Copa do Mundo de 2022 foi polêmica. Segundo denuncia feita pelo jornal britânico “Daily Telegraph”, o ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner, teria recebido 1,2 milhão de euros para apoiar a candidatura do Qatar.

O pagamento da quantia ao dirigente da entidade teria sido feita por uma empresa controlada por Mohammed Bin Hammam, que foi membro do Comitê Executivo da Fifa e presidente da Confederação Asiática de Futebol. O dirigente renunciou a vice-presidência da Fifa em 2011.

A proposta do país árabe venceu as de Austrália, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, país que se quiser pode realizar uma Copa na semana que vem. Tem ao menos 40 estádios padrão Fifa, hotéis e aeroportos, além de ser uma democracia e ver o futebol cada vez mais forte no país.

De acordo com a publicação, o FBI está investigando Warner, que até o ano passado foi ministro da Defesa de Trinidad e Tobago, e dirigiu a Concacaf, entidade que reúne países das Américas Central e do Norte, entre 1990 e 2011.

O "Daily Telegraph" apresentou documento de empresa de propriedade de Warner, e outra de Bin Hammam, que apontam para um pagamento de US$ 1,2 milhões, por um serviço prestado entre 2005 e 2010. A data da nota é de 15 de dezembro de 2010, duas semanas após a vitória do Catar.

O presidente da Uefa, Michel Platini, disse que é impossível jogar no verão do Qatar, propondo que os jogos se realizem no final do ano, meses em que as temperaturas são bem mais amenas, equivalentes às da primavera na Europa. Para o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, o mais lógioco será A Copa de 2022 acontecer de 15 de novembro a 15 de janeiro. (Pesquisa: Nilo Dias) 

Em Doha, delegação da Fifa olha maquete de um dos estádios para a Copa de 2022. (Foto: Divulgação)

terça-feira, 18 de março de 2014

A volta de Cabañas

O Tanabi Esporte Clube, da cidade de igual nome, no interior paulista, está fazendo uma jogada de marketing para atrair o interesse da mídia, ao anunciar a contratação do ex-jogador do América, do México e da Seleção Paraguaia, Salvador Cabañas. Ele assinou um contrato de três meses e vai defender o time interiorano na Série B, a 4ª Divisão do Campeonato Paulista, durante quatro jogos.

“El Toro”, como é conhecido em seu país, provavelmente faça sua estreia dia 6 de abril, quando o time enfrentará o Olímpia, no estádio Alberto Victolo, em Tanabi, a partir das 10 horas da manhã.

A contratação de Cabanãs pelo time paulista é considerada de risco, já que sua esposa, Maria Lorgia Alonso, disse que ele está proibido de cabecear. Apesar disso, ela apoia o jogador, mesmo reconhecendo suas limitações.

A contratação acontece em um momento que o atleta tenta se reerguer no futebol. Em 2010, quando defendia o América do México e era uma das principais esperanças da seleção paraguaia para a Copa do Mundo, o atleta foi baleado em uma casa noturna na Cidade do México, e ficou três anos afastado do futebol.

Essa não é a primeira vez que o Tanabi se aventura na contratação de jogadores renomados. Antes, em 2012, o clube acertou com o ex-atacante do Botafogo, do Rio de Janeiro e da Seleção Brasileira, Túlio Maravilha.

A ideia deu certo, tanto que o ano passado outros dois nomes conhecidos do futebol brasileiro foram contratados, o atacante Viola e o meia Marco Antônio Boiadeiro, que já estava aposentado e retornou ao futebol após 13 anos inativo.

Salvador Cabañas Ortega, nasceu em Assunção, Paraguai, no dia 5 de agosto de 1980. Começou a jogar futebol pelo tradicional 12 de Octubre, da cidade de Itauguá. Depois jogou pelo Club Guaraní, da capital, o segundo mais velho do país, Audax Italiano, do Chile e Jaguares, de Chiapas, México.

Atacante com faro de gol era frequentemente convocado para a Seleção Paraguaia, tendo participado da Copa do Mundo de 2006 e da Copa América de 2007. Seu melhor momento na carreira foi quando defendeu o América, do México. Ganhou o apelido de “carrasco dos brasileiros”, quando fez gols decisivos contra Santos e Flamengo, na Copa Libertadores da América de 2008.

Contra o rubro-negro carioca fez dois gols na vitória por 3 X 0, revertendo a derrota de 4 X 2 sofrida no primeiro jogo no México e eliminando o time brasileiro da competição, em pleno Maracanã lotado. Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, marcou um gol contra a Seleção Brasileira, na vitória paraguaia por 2 X 0, no “Defensores del Chaco”, em Assunção.

O jogador revelou que antes do tiro tinha firmado um pré-contrato com uma equipe europeia, provavelmente o Manchester United, da Inglaterra. No entanto o América o segurou, dando-lhe um apartamento em Acapulco e outro em Cancún, além de dobrar seu salário.

No auge da carreira, Cabañas foi vitima da tragédia. Por volta de 5h30 min da manhã do dia 25 de janeiro de 2010, ele foi alvejado na cabeça por um mafioso, em uma suposta tentativa de assalto, quando se encontrava no banheiro de uma casa noturna na Cidade do México.

Cabañas sofreu um grave traumatismo craniano e pedaços de ossos foram retirados do crânio. A bala alojada na nuca não foi removida até hoje, para evitar causar mais danos ao atleta, como sequelas para o resto de sua vida.

O jogador, que teve alta hospitalar em 2 de março de 2010, durante os últimos dois anos ainda teve que se submeter a intensa recuperação em clínicas especializadas de México, Argentina e Paraguai, até retornar aos gramados em abril do ano passado.

Em 3 de fevereiro de 2011, Cabãnas voltou a treinar em um clube de futebol, o Libertad, de Assunção, buscando uma evolução psicológica. O médico esperava que o atacante tivesse uma recuperação melhor a partir do contato com outros atletas.

Em 10 de agosto de 2011, Cabañas fez sua despedida oficial da Seleção do Paraguai em um amistoso disputado no Estádio Azteca, no México, em sua homenagem entre o Paraguai e o ex-clube do jogador, o América. A partida terminou empatada em 0 X 0. Cabanãs atuou durante nove minutos pelo América no primeiro tempo e 11 minutos pela Seleção Paraguaia no segundo tempo.

Cabañas voltou aos gramados em abril do ano passado, defendendo o modesto 12 de Octubre, clube onde começou a carreira. Mas não teve sucesso, embora tenha se sagrado campeão da 3ª Divisão do Paraguai, pois jogou nos minutos finais da vitória sobre o 3 de Febrero, por 3 X 0, na partida final. Ao todo atuou em 12 jogos como titular, mas não conseguiu fazer um gol sequer.

Depois foi tentar a sorte no General Caballero, pequeno clube de Assunção, onde também não foi feliz. Como solução para sobreviver, deixou os gramados e foi trabalhar na padaria da família em Itaguá, no Paraguai, antes de acertar com o time paulista. 

Era obrigado a levantar às 4 horas da manhã, para entregar pães aos clientes. Segundo sua esposa, ele estava “quebrado”, havia entrado em depressão e a família passava por sérios problemas financeiros.

Prêmios individuais: Futebolista Paraguaio do ano (2007); Futebolista Sul-Americano do ano (2007); Escolhido para "os onze ideais da América" (2007).

Artilharia: Campeonato Chileno, Torneo Apertura, pelo Audax Italiano (2003); Campeonato Mexicano, Torneo Clausura, pelo Jaguares, do Méxixo (2006); Copa Libertadores da América, pelo América do México (2007); Copa Libertadores da América, pelo América do México, dividida comMarcelo Moreno, do Cruzeiro de Belo Horizonte (2008); InterLiga, pelo América do México, dividida com Rodrigo Ruíz (2008).

Recordes: 2º futebolista que mais marcou gols (2007); É o maior goleador de equipes mexicanas na Copa Libertadores da América. (Pesquisa: Nilo Dias)

Cabanãs chegou a disputar uma Copa do Mundo pelo Paraguai. (Foto: Divulgação)