Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Um colecionador de recordes

Agustin Gaínza, apelidado de “Piru”, é considerado o melhor ponteiro-esquerdo da história do futebol espanhol. Nasceu em Basauri, Vizcaya, em 28 de maio de 1922. Também era conhecido como o “Gamo Dublin", apelido que lhe foi dado pela imprensa irlandesa, após um jogo contra a Seleção Espanhola.

Começou a carreira em 1938, quando era jovem e trabalhava numa fábrica. Foi convidado e aceitou jogar no Athletic, de Bilbao. Contam que Gaínza era um menino bastante apático, que não era muito chegado ao futebol.

Mesmo assim jogava de ponteiro esquerdo, para não ter que correr muito. E foi dessa maneira que começou a carreira que o tornaria o melhor na posição, em toda a história do futebol espanhol.

Com apenas 17 anos jogou sua primeira partida pela equipe de cima do Athletic. Foi em Mendizorroza, contra o Alavés. Dai por diante foi alternando partidas no time de aspirantes e nos titulares, até se consolidar como um grande jogador na temporada 1941-1942. Sua qualidade e carisma o tornaram capitão do time por vários anos.

No clube de Bilbao, único em que jogou, conquistou dois campeonatos espanhóis (1942-1943 e 1955-1956), e sete Copas do Rei (1943, 1944, 1945, 1950, 1955, 1956 e 1958), sendo o jogador espanhol que mais vezes ganhou esse troféu e jogou mais finais, um total de nove.

Gaínza era o capitão e a alma da equipe, que era irresistível. De todas as Copas conquistadas, uma delas, a ultima, de 1958, teve um significado especial. Na final, conhecida como a de "los once aldeanos", o Athletic ganhou do Real Madrid, de Di Stéfano, em Chamartín (Antigo Estádio do Real Madrid, construído em 1924), numa partida memorável e heróica, sobre todos os aspectos.

A Federação havia se negado a permitir que o jogo se realizasse em campo neutro. O Athletic ganhou por 2 X 0, com gols de Arieta e Mauri. Di Stéfano foi literalmente anulado por Etura, e como o próprio craque argentino reconheceu, o Athletic foi um justíssimo vencedor.

Além disso foi Gaínza quem marcou mais gols em uma só partida da Copa do Rei, oito contra o Celta, de Vigo, que terminou numa goleada histórica de 12 X 1. 

E também foi o jogador do Athletic, de Bilbao que mais atuou em jogos da Primeira Divisão, um total de 381. Ele marcou 120 gols com a camisa do time basco. Na “Copa do Rei”, a outra grande competição espanhola, ele jogou 99 vezes, recorde até hoje não superado, e marcou 29 gols.

Antes de conquistar a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a melhor classificação da Espanha na competição tinha sido em 1950, quando foi quarta colocada. No time estavam Zarra e Gaínza, que foram companheiros no Athetic, que na época possuía um grande time.

De todas as partidas que Gaínza jogou pela Seleção da Espanha, se destacam duas: um amistoso contra a Irlanda, quando ganhou o apelido de "El Gamo de Dublín", e sobretudo a partida frente a Inglaterra, na Copa disputada no Brasil, em 1950, quando deu um passe de cabeça para Zarra marcar o gol contra a Inglaterra, que classificou a “Fúria” para disputar a fase final, perdendo frente o Brasil.

Tanto Zarra, como Gaínza, foram escolhidos para a Seleção ideal daquele Mundial. Ao todo, Agustin Gaínza vestiu a camisa da Seleção Espanhola em 33 oportunidades, marcando 10 gols.

O ataque do Athletic foi um dos melhores da Espanha em todos os tempos: Iriondo, Venâncio, Zarra, Panizo e Gaínza, que levaram a agremiação nos anos 50 a escrever as mais brilhantes páginas de sua longa historia. Panizo foi o primeiro a chegar dos "cinco magníficos".

Uma temporada depois do final da famosa equipe de “los once aldeanos”, Gaínza decidiu pendurar as chuteiras, sendo o último a retirar-se daquela mítica dianteira, atuando como ponteiro de outra magnifica geração do Athletic, composta entre outros por Carmelo, Garay, Mauri, Maguregui, Arieta e Uribe. Foram 20 anos vestindo a camisa vermelha e branca, dando um exemplo de amor a um clube.

Em 1953, recebeu a "Medalha do Mérito Desportivo", da Real Federação Espanhola de Futebol (R. F. E. F). Encerrou a carreira no final da temporada 1958-1959, tornando-se treinador, tendo trabalhado no Athletic Bilbao de 1965 a 1969, levando o clube a jogar a "Taça UEFA" e duas finais da "Taça Nacional".

Depois de abandonar o cargo de treinador, continuou ligado ao Bilbao como consultor e olheiro. Seu trabalho era avaliar jovens talentos. Foi quando se tornou grande amigo de Javier Clemente Lázaro, um treinador e ex-futebolista espanhol.


No “Dia de Reis”, de 1995, Gaínza morreu de um infarto fulminante, em sua casa de Basauri. Mais de três mil pessoas foram ao seu funeral e muitas não puderam entrar na Igreja. Na cidade em que nasceu, uma das principais ruas leva o seu nome. Ainda hoje detém vários recordes, que são difíceis de superar. (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 8 de junho de 2015

O centenário E.C. São Lourenço


Ao final do século 19, com toda a certeza, o futebol já era praticado em terras de São Lourenço do Sul pela criançada. E quem sabe até por jovens. Mas era jogado de forma desorganizada, sem nenhuma aplicação de regras.

A partir do inicio do século XX é que o esporte ganhou mais adeptos. Mas somente em 1913 - há quem diga que foi em 1908 - que o futebol na localidade foi organizado, com a fundação do Sport Club São Lourenço.

Todos os documentos oficiais encontrados até hoje, indicam que o clube foi fundado no dia 18 de março de 1913. Porém, ficou uma duvida no ar, já que o jornal “A Tribuna”, em sua edição de 7 de setembro de 1939, na página 12, na secção “A Tribuna Desportiva”, publicou um histórico sobre o clube, onde citou a data de 18 de março de 1908, como sendo a verdadeira de sua fundação.

É claro que pode ter ocorrido um erro de imprensa, muito embora as datas diferentes não apontem para isso. Sendo correta a publicação, o clube teria sido fundado cinco anos antes da data considerada oficial.

Essa tese é reforçada pela descoberta de um “Diploma de Sócio Honorário do Sport Club São Lourenço”, confeccionado na Litografia R. Strauch, na cidade de Rio Grande, e concedido em 10 de janeiro de 1925 ao coronel Américo Ferreira da Silva – então intendente municipal.

O diploma é assinado pelo presidente do clube, na época, José Antônio Vieira, pelo secretário Alberto F. Hadler e pelo thesoureiro Albino Schreiner Filho.

O que chama a atenção é que o diploma mostra claramente, no centro de uma coroa de louros, as palavras: “Fundado em 1908”. Isso certamente dá a entender que o clube na realidade foi fundado cinco anos antes do que se pensava e é comemorado, o que o tornaria mais velho que o Sport Club Internacional, de Porto Alegre e F.C.B. Rio-Grandense, de Rio Grande, por exemplo.

Mesmo que se mantenha o 18 de março de 1913 como a data oficial da fundação, isso em nada desmerece a história gloriosa do clube, que faz parte da seleta relação de centenários do futebol brasileiro. E o torna o mais antigo de São Lourenço do Sul e um dos mais antigos do Rio Grande do Sul.

O que se sabe com certeza, é que os seus fundadores foram os desportistas José Antônio Vieira, Octacílio Fiorame, Theodoro Brauner Sobrinho, Américo Soares Ferreira, Lothario Facundo da Silveira e Olímpio Macarthy. A senhorita Ondina Fiorame foi sua primeira rainha.

O interessante é que desde a fundação o agora E.C. São Lourenço ocupa o mesmo endereço, um quarteirão inteiro que pertencia à firma rio-grandina “Anselmi & amp”. O terreno foi adquirido por José Antônio Vieira, em nome do clube, no dia 25 de agosto de 1920.

O jornal “O Tempo”, que era editado na então Vila de São Lourenço, na edição que circulou três dias após a compra da área, noticiou que o terreno adquirido, localizado entre as ruas Pinheiro Machado, Deodoro, Garibaldi e Estero Belac, há anos vinha sendo ocupado pelo clube.

Na condição de proprietário o S.C. São Lourenço tratou de cercar a área, sendo o campo inaugurado em 17 de dezembro de 1933, na administração do presidente Fábio Bueno. O padrinho foi o Sport Club Marítimo, com seus primeiro e segundo times.

Na partida preliminar houve um empate sem gols. Apitou o jogo o senhor Carlos Schmidt, de Pelotas. Já o encontro principal terminou com a vitória do S.C. São Loureço, por 3 X 0. O time local mandou a campo as seguintes formações.

Aspirantes: Hugo – Arturzinho e Teodoro – Baiano – Oscar e Marinônio – Joãozinho – Lourenço - ??? - Dorneles e Heitor. Titulares: Antônio Cury – René Laforet e Juvenil Brauner – Olegário – Arno e Hugo Wienke - capitão Pinheiro - Nede e Pedro Tomaschewski. Na reserva ficaram: Geraldo, Sylvio Vieira, Armando, Jordão e Eloy, cujos sobrenomes não puderam ser confirmados, o que seria importante para a história esportiva lourenciana.

O E.C. São Lourenço quase sucumbiu em razão de forte crise financeira, ocorrida em 1935. Só conseguiu voltar em 1939, depois que foi eleita uma Diretoria, tendo a frente o presidente Guido Weymar.

Completaram a Diretoria: Presidente de Honra, Capitão Leônidas Ribeiro Marques, prefeito municipal; Vice-Presidente, Dario Brauner; 2o Vice-Presidente, Ignácio Crespo; 1º Secretário, Antônio Cury; 2º Secretário, Antônio Jesus dos Passos; Tesoureiro, Pamphilio Friedo Stenzel; 1º Orador, doutor Pio Soares Ferreira; 2º Orador, Darcy Di Calafiori; Capitão-Geral, Plinio Brauner; Adjunto, professor Armando das Neves; Guarda-Esporte, Sylvio Vieira e Adjunto, René Laforet.

Era intenção da nova Diretoria construir um muro de alvenaria em volta do campo e um pavilhão coberto. Uma grande campanha teve início, e já em abril desse ano o desportista Américo Ferreira da Silva doou mil telhas francesas para a cobertura da obra que, então, se iniciava.

A euforia dos dirigentes e torcedores era quase indescritível. O jornal “A Notícia”, edição de 15 de abril, chegou a noticiar que o clube pensava em construir também, quadras de tênis em suas instalações, o que causou merecidos aplausos, especialmente do sexo feminino.

A inauguração do pavilhão pioneiro deu-se com muita festa no dia 25 de dezembro de 1939, com a presença do padrinho Esporte Clube Pelotas, da vizinha cidade. Nessa ocasião o estádio já estava totalmente cercado com muros, duas faces com alvenaria e duas com tábuas. O gramado obedecia às regras internacionais de futebol.

Na noite de 20 de agosto de 1948, aconteceu a festiva inauguração de mais um notável melhoramento na sede do clube, a reforma da bonita, moderna e confortável arquibancada coberta, que levou o nome de “Pavilhão Doutor Pio Soares Ferreira”.

O corte da fita inaugural foi realizado pelo doutor Pio Ferreira. Uma placa de mármore – oferecida pelo sócio Pio Sotero de Quevedo – fixada na obra, dizia: “Pavilhão Dr. Pio S. Ferreira”.

Diretoria da época: Presidente, Pedro Tomaschewski; Vice-Presidente, Hilmar Berwaldt ; Tesoureiro, Manoel Balreira Vargas; Diretor de Patrimônio, Alexandre Berwaldt; Orador, doutor Álvaro de Carvalho e Presidente de Honra, Pamphilio Friedo Stenzel.

O pavilhão tinha 12 espaçosos camarotes, que garantiam uma panorâmica visão de todo o campo. As arquibancadas possuiam assentos de madeira sobre os degraus de cimento. A escadaria era de concreto armado, tudo devidamente pintado.

A associação futebolística vermelha e branca era motivo de orgulho para todos os seus associados. Os consecutivos presidentes revezavam-se em realizações. Jamais, em toda sua história, o Esporte Clube São Lourenço havia experimentado tantas melhorias. A equipe principal, dificilmente perdia um jogo mesmo jogando fora de casa e em cidades vizinhas.

Em que pese a participação social importante, a atividade principal do clube era a esportiva e, dentro dela, o futebol preponderava. O Esporte Clube São Lourenço chegou ao auge no ano de 1943, quando se sagrou vice-campeão estadual de amadores, tendo na presidência Sinibaldo Russo.

Naquela época São Lourenço e Grêmio, e também, durante poucos anos, o Mocidade, disputavam a liderança do futebol em São Lourenço do Sul. E até os anos de 1970 ainda foram realizados jogos entre a dupla principal.

No entanto, já na década de 1960, o clube vermelho e branco dava os primeiros sinais de que estava enfraquecido. Isso, no entanto, não condizia com suas tradições gloriosas. Uma tentativa de reerguimento estava por acontecer.

Chegou até a ser planejada a construção de um ginásio coberto. Era presidente Divino Meyer e o clube comemorava 60 anos de fundação. Porém, passaram-se 10 anos e nenhuma ata encontrada, sabendo-se que o sonho da grande obra havia sido desfeito.

Nesse meio tempo, no entanto, surgiu, de novo, um movimento que deu uma “sacudida” no clube. No ano de 1979, um grupo de torcedores, empenhou-se em restaurar o campo de futebol, que a tempos estava inativo.

E, a 2 de dezembro daquele ano, após várias semanas de atividades na reconstrução do estádio, em especial na restauração dos muros, foi realizada uma intensa programação, com jogos de futebol.

Seguiu-se a inauguração, às 12 horas, de uma churrascaria a qual foi dada o nome de “Nedilande Vargas Corrêa”, tendo sido a fita desatada pela sua viúva, Rose Mari Lobato Corrêa e pelo então presidente do São Lourenço, Mário Luiz Corrêa.

Mas a tentativa de movimentar o mais antigo clube de futebol da
cidade, mais uma vez não deu certo. Até que em uma reunião ocorrida no dia 10 de abril de 1983 na churrascaria do clube, em que esteve presente o prefeito Ruhd Hübner, foi eleita uma nova Diretoria, com a responsabilidade de recuperar o E.C. São Lourenço.

O presidente eleito, Mário Luís Vieira, conseguiu reunir em sua diretoria grandes baluartes do clube, assim como novos nomes que então surgiam. E o trabalho deu frutos.

Por ocasião das comemorações do centenário do município, em 1984, o clube da “Baixada Rubra”, como era conhecido, levantou vários títulos em diversas modalidades, especialmente programadas para aquelas festividades.

Naquele ano foi campeão no futebol de campo (citadino e veteranos), futebol de salão, tênis (masculino individual, classe A), bolão masculino e voleibol feminino, quando era presidente, ainda, Mário Luiz Vieira.

Também voltou a tona a idéia da construção do ginásio de esportes coberto, além da construção da sede social, pista de atletismo, um restaurante e sala de jogos. Mas faltava o principal: verba.

Cerca de três anos depois, os associados foram surpreendidos com a possibilidade de haver uma permuta entre o município e o Esporte Clube São Lourenço, envolvendo um terreno de sua propriedade, com frente para a rua Mariz e Barros, para que ali pudesse ser construída a nova Estação Rodoviária de São Lourenço do Sul.

Os associados do clube já conheciam a planta da tão sonhada sede social, o que entusiasmou uma comissão representativa, para que fossem feitas as tratativas da permuta sugerida pela Prefeitura Municipal.

Em Assembléia Geral realizada no dia 7 de junho de 1990, o prefeito municipal doutor Sérgio Renato Becker Lessa, propôs a desapropriação da área referida, pelo valor de Cr$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil cruzeiros), comprometendo-se a municipalidade de construir a nova sede social do São Lourenço, dentro do restante patrimônio existente.

Obra que deveria ter seu início imediato e terminada tão logo quanto possível, de acordo com um anteprojeto que deveria ser aprovado por ambas as partes. Proposta que foi aceita por unanimidade.

A obra, que resultou na sede atual, levou cerca de um ano e meio para ser concluída, entre julho de 1990 e janeiro de 1992. A inauguração aconteceu em sessão solene, no dia 8 de fevereiro de 1992, com a presença da diretoria, autoridades, simpatizantes e convidados.

Constava o grande prédio de dois andares, de um salão de festas, duas cozinhas, duas copas, quatro banheiros, bar, e dependências completas para duas saunas (uma seca e outra a vapor), tudo devidamente mobiliado, bem como de todos os eletrodomésticos necessários, prontos para serem usados.

Usaram da palavra na ocasião o presidente do clube, engenheiro agrônomo Sérgio Wienke; o prefeito municipal doutor Sérgio Renato Becker Lessa; Pandiá Pereira Cardoso e Isaac Nementhala Curi.

Desde 1995, o E.C. São Lourenço vem realizando, em promoção conjunta com a Prefeitura Municipal, o “Baile do Vermelho e Branco”, sempre algumas semanas antes do período momesco, para a escolha da Rainha Municipal do Carnaval.

Títulos conquistados pelo E.C. São Lourenço. Campeão municipal (1941, 1942, 1943, 1944, 1946, 1947, 1948, 1949, 1950, 1951, 1952, 1953, 1954, 1955, 1962, 1964, 1965, 1968 e 1983, em comemoração ao “Centenário do Município”).

Foi vice-campeão estadual em 1943, com apenas quatro derrotas em todo o campeonato, mesmo jogando em Caxias, com o Abramo Eberle, que era um time “amador-disfarçado” (5 X 2 para o São Lourenço), Santa Cruz e Cruz Alta.

O São Lourenço perdeu em Porto Alegre para o Cruzeiro, que era formado quase todo por profissionais. (Fonte: Livro “São Lourenço do Sul - Radiografia de um Município das Origens ao Ano 2000”, de autoria do médico e escritor Edilberto Luiz Hammes – Devidamente autorizada a publicação)

Esta é a foto mais antiga do E.C. São Lourenço. (Foto: Acervo fotográfico do clube)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

“Mocinho”, o quebrador de canelas

Antônio Bezerra, o “Mocinho”, foi um dos primeiros vilões do futebol catarinense. Natural de São Francisco do Sul (SC), onde por tradição os moradores costumam ser mais conhecidos por seus apelidos, que mesmo pelos nomes, ganhou fama de homem mau nos campos de futebol.

“Mocinho” deu inicio a carreira de futebolista no Ypiranga Futebol Clube, de sua cidade natal, em 1924, atuando como ponta-esquerda. Era um jogador que tinha na velocidade a sua principal virtude.

Entre os anos de 1925 e 1928 destacou-se em diversos jogos amistosos, tendo inclusive marcado gols diante dos poderosos América, de Joinville e Hercílio Luz, de Tubarão, que foram derrotados por 3 X 0 e 3 X 2, respectivamente, em jogos bastante tumultuados.

O Ypiranga, de São Francisco do Sul era um clube de origem humilde, composto basicamente por trabalhadores do porto, e seus jogadores não tinham a polidez dos clubes da elite. Por isso “Mocinho” sentia-se a vontade para jogar pesado, sem ser repreendido.

Neste cenário, os jogos entre Ypiranga e clubes como América e Caxias, de Joinville, geralmente acabavam em confusão, e o pivô delas era sempre o mesmo: “Mocinho”, mais conhecido por “quebra-canelas”.

Em 1928 ele resolveu trocar de posição, deixando de ser ponteiro-esquerdo e passando a atuar no meio-campo. Com isso começou a arrumar ainda mais encrencas, pois agora tinha a função de marcar.

Em 8 de Setembro, num jogo em que o Ypiranga venceu o Britânia, de Curitiba por 1 X 0, depois de incomodar tanto o jogador Basani, acabou levando um pontapé e uma bofetada.

Ao revidar na mesma intensidade, deu inicio a uma batalha campal que só terminou após a intervenção dos presidentes dos clubes e da Policia, que com muito custo, conseguiram fazer com o que o jogo fosse terminado, bem como as festividades que o sucederam.

Ainda nesse ano integrou a Seleção Catarinense, que em 4 de Novembro perdeu para os paranaense por 8 X 0, em jogo valido pelo Campeonato Brasileiro de Seleções.

Em 1929 “Mocinho” quase não apareceu no cenário futebolístico catarinense, com discretas atuações nos gramados. Mas em 1930 descontou o tempo perdido, despontando com força total, dessa feita vestindo a camisa do Lauro Muller Futebol Clube, de Itajaí, clube que reunia operários de uma fábrica de tecidos e que era respeitado em razão da hostilidade com que recebia seus adversários no campo da Vila Operária.

Em 23 de fevereiro de 1930, quando derrotou o Caxias por 3 X 2, em jogo amistoso, o Lauro Muller conseguiu uma proeza quase inacreditável, machucar sete jogadores adversários e não ser punido com nenhuma expulsão. O “Jornal de Joinville” narrou bem o que aconteceu:

“Os laurenses organizaram um ataque, mas o Caxias defendeu. Cylo atacou e Eurico defendeu, quando “Mocinho” lhe deu uma violenta entrada. Mesmo contundido jogou até o fim. Dorotávio chutou forte e Chiquito, ao tentar defender fez gol contra, Lauro 1 X 0. O Caxias foi ao ataque e Lemos empatou, 1 X 1.

“Mocinho”, com raiva, machucou Lemos que teve de ser substituído por Andrade. Este jogou apenas cinco minutos e saiu machucado, também por “Mocinho”. O Lauro Muller teve um escanteio, Paulo cobrou, Candinho defendeu, mas Dorotávio fez Lauro 2 X 1.

“Mocinho”, que nem touro enfurecido, atacou de raiva, violentíssimo e o alvejado pela sua ferocidade foi Raul Schmidlin, que levou duas pancadas na boca do estômago. Na segunda, Schmidlin revidou e foi agredido por alguns brutamontes.

“Mocinho” mostrou ser um elemento sem caráter e sem educação esportiva. Serenados os ânimos, Dario fez penalti e "Marinheiro" empatou em 2 X 2. “Mocinho” e sua sinistra sina de machucar, deu seguidas entradas violentas. Começou o segundo tempo, o Caxias atacou e o Lauro defendeu.

O jogo perdia em beleza devido a “Mocinho”, que machucou José, mas este continuou em campo. Em seguida “Mocinho” agrediu Cyrillo que se lesionou. O jogo virou uma verdadeira tourada.

Vendo em “Marinheiro” a principal estrela da defesa caxiense, “Mocinho”, depois de várias tentativas o machucou, sendo que este foi levado a uma pharmácia ondedepois de medicado regressou ao Hotel.

Depois de bons lances ocorreu um penalty de Chiquito que Dario cobrou e errou. Foi quando começou uma chuva torrencial. Em um ataque o Lauro fez 3 X 2, e pouco depois o jogo acabou.

Apesar de tudo, o juíz Emilio Sada foi muito criterioso e imparcial. Esperamos que o Lauro Muller não apoie o jogo violento de “Mocinho”. O Caxias agradeceu a Pharmácia Santha Terezinha por ter tratado de “Marinheiro”.

Mas nada aconteceu com “Mocinho”, que seguiu atuando normalmente pelo Lauro Muller, pois se tratava de um de seus principais jogadores. Já havia se tornado famoso em todo o Estado. 

Naqueles tempos o Lauro Muller enfrentava em igualdade de condições os principais clubes de Joinville, Florianópolis e Blumenau, a quem vencia com frequência.

Em Outubro de 1930, a desgraça marcou encontro com “Mocinho”. Convocado pelo Exército para lutar no “Movimento Libertador”, que conduziu o ditador Getúlio Vargas á presidência do Brasil, quando servia em Florianópolis foi atingido por uma granada que lhe arrancou o braço direito.

A população de Itajaí se comoveu com o ocorrido. O Clube Náutico Marcilio Dias e o Lauro Muller Futebol Clube organizaram jogos para arrecadar fundos, para ajuda-lo na recuperação. Talvez para qualquer outro, a perda de um braço significasse o fim de uma carreira futebolística.

Mas para “Mocinho” não foi assim. No inicio de 1931, ele estava de volta ao posto de titular do meio-campo do Lauro Muller. E da mesma maneira de antes, não dispensando uma boa briga, estivesse ou não dentro de campo.

Prova disso, que em 14 de junho de 1931, quando assistia a um jogo entre Brusquense e Lauro Muller, em Brusque, se envolveu em uma confusão que por muito pouco não terminou em tragédia, conforme noticiou o jornal “O Libertador”:

“No final, quando os nossos rapazes preparavam-se para o regresso, houve uma desavença entre o "chauffer" João Pereira e um dos rapazes visitantes. Houve a intervenção de três outros presentes que o referido "chauffeur" tentou agredir a faca, tendo conseguido ferir de leve o nariz de um deles.

Foi quando surgiu Antônio Bezerra, mais conhecido por “Mocinho”, que foi em socorro de um irmão, a quem Pereira também tentava ferir. “Mocinho”, que só tem o braço esquerdo, pois que o direito perdeu durante a revolução com a explosão de uma granada, entrara em luta armado de bengala, sendo esfaqueado pelo alludido "hauffer", recebendo dois ferimentos, sendo um no braço esquerdo e outro no ventre.

O criminoso refugiou-se num hotel, sendo afinal preso, bem como o seu primeiro contendor. “Mocinho”, cujo estado não é grave, que ahi fora assistir o match, acha-se internado no Hospital de Azambuja, daquella cidade”.

Em Julho, mesmo ainda machucado pelas facadas, “Mocinho” voltou a jogar no time principal do Lauro Muller, que nesta ocasião, preparava-se para a disputa do Estadual de 1931, campeonato este, que após muita confusão por parte da Federação, terminou somente em janeiro de 1932, com o titulo sendo homologado a ele, devido a desistência do Athletico Catharinense.

Embora não fosse mais titular do time, “Mocinho” fazia parte do grupo. Deste modo, colocou o seu nome no rol dos jogadores campeões do Estado.

A partir de 1933 seu nome deixou de figurar no noticiário esportivo. O que fez de sua vida dai para frente não se sabe com certeza, embora existam evidencias que tenha iniciado a carreira de Delegado de Policia na cidade de Penha. (Pesquisa: Nilo Dias)

"Mocinho" topava qualquer parada.  (Foto: Cacellain)

terça-feira, 26 de maio de 2015

Rio Branco, de Santa Vitória do Palmar, um clube centenário

São muitos os times centenários existentes no Rio Grande do Sul. E nasceram de todas as formas imagináveis. Por iniciativa de estudantes que voltavam do exterior, caso do S.C. Rio Grande, o clube mais velho do Brasil em atividade. Ou por influência estrangeira, nas fronteiras com Argentina e Uruguai, caso do E.C. 14 de Julho, de Santana do Livramento.

E o surgimento de outros clubes por todas as regiões do Estado foi consequência natural de um intercâmbio constante entres os clubes mais antigos, que visitavam outras cidades onde ainda não existia o futebol. Foi assim que surgiu o Grêmio Portoalegrense, depois de uma visita do S.C. Rio Grande a capital.

Em Santa Vitória do Palmar, na fronteira com o Uruguai, o futebol chegou no dia 12 de janeiro de 1912, graças a iniciativa de um grupo de jovens oriundos da cidade de Castillos, no vizinho país, que depois de se juntarem a outros desportistas locais fundaram o E.C. Rio Branco. Eles chegaram a Santa Vitória do Palmar dois anos antes, em 1910, para tomarem posse de uma fazenda recebida por herança.

O líder do grupo era Mário Correa, escolhido para administrar a propriedade e que depois se tornaria o primeiro presidente do clube. O nome foi escolhido em razão de ser o Barão do Rio Branco, na época, Ministro das Relações Exteriores do Brasil e a pessoa mais importante nas relações com o Uruguai.

Conta a história que o Barão liderou um movimento para que parte da Lagoa Mirim e do Rio Jaguarão, que pertenciam ao Brasil, fosse cedida ao vizinho país através do “Tratado de Petrópolis”, em 1910.

O clube, que foi fundado por uma maioria de cidadãos uruguaios que vieram residir no Brasil, recebeu o verde e amarelo como suas cores oficiais, em homenagem ao país que os estava abrigando.

Nos seus primeiros anos de vida, o Rio Branco enfrentou muitas dificuldades. Em 1916 a sua sede foi destruída durante um incêndio, sendo perdidos documentos históricos como as atas, inclusive a de fundação.

Com o passar dos anos e a fundação de outros clubes esportivos na cidade, continuou o Rio Branco a ser o preferido dos uruguaios, que preferiam vestir essa camisa, do que a dos demais adversários.

Entre os grandes valores uruguaios que defenderam o Rio Branco na época, destacavam-se Soto, Gusman, Sanvicente (que tem seu nome imortalizado por um clube do Chuy – Uruguai, o Sanvicente) e Almada, entre outros.

Décadas depois, durante a ditadura de Getúlio Vargas é que o vermelho foi incorporado às cores do clube. Na época o presidente sancionou um Decreto - Lei que proibia qualquer agremiação de utilizar as cores da bandeira nacional.

O verde e amarelo não podiam ser as oficiais, mas se fosse acrescida uma terceira, desde que não fossem o azul e o branco, também presentes na bandeira, o problema estaria solucionado.

A escolha do vermelho se deu por inspiração do Grêmio Atlético Farroupilha, de Pelotas que também fora obrigado a ter uma nova cor em seu fardamento, pois a exemplo do Rio Branco usava o verde e o amarelo.

O caso do Farroupilha foi ainda mais cruciante, além de trocar as cores, teve de mudar de nome, deixando de se chamar Regimento. Coisas de um Governo exageradamente nacionalista, e que chegou a ser classificados por muitos de fascista.

A estréia da nova camiseta do Rio Branco, que passou a ser chamado por seus torcedores de “Tricolor da Coxilha”, foi em uma partida amistosa contra o próprio G.A. Farroupilha. A partir dai o clube vitoriense passou a usar os dois tradicionais uniformes que ostenta até hoje.

O uniforme número um tinha uma camiseta branca com listras horizontais verde, amarelo e vermelho. E o segundo uniforme, onde as três cores apareciam em listras verticais, igual ao uniforme principal do Farroupilha.

O primeiro pavilhão do estádio do Rio Branco, na década de 1930, era de madeira e ao redor do campo havia um muro feito com chapas de zinco, os famosos “latões do Rio Branco”, que a cada chute forte contra ele, produzia um barulho estrondoso.

Era um verdadeiro luxo para a época, pois os outros times tinham muros de madeira. Pelo lado de fora havia uma linha de arame para que as pessoas não chegassem perto e danificassem os latões. O zinco durou até a década de 1960, quando começou a ser erguido o muro que existe até hoje.

Já o pavilhão de madeira durou mais tempo, indo até o final da década de 1970, quando foi construído o novo pavilhão, que seria o maior da cidade.

O projeto era ousado, e foi levado adiante por uma comissão formada pelos desportistas Homero Vasquez Rodrigues (Presidente), Hélio Chiesa (Vice-presidente), Nelson Martino de Oliveira (Tesoureiro) e Ari Joaquin Torino, o Ducha (Secretário).

A arquiteta Leila Gasal, foi a encarregada de projetar um pavilhão que tivesse cobertura e que na parte de baixo tivesse um restaurante.

Pode-se dizer que a obra foi precursora das modernas arenas com seus Shopings e praças de alimentação. Tudo isso em uma cidade pequena, com cerca de 30 mil habitantes.

Os responsáveis pela obra foram os engenheiros João Messias Gasal e Albano Mespaque. O projeto levou mais tempo para ser concluído, do que o anteriormente previsto, em razão da falta de recursos. Só em 1983 foram entregues e assim mesmo sem o restaurante, a cobertura e os banheiros.

Em que pese a obra incompleta, a torcida do Rio Branco se orgulha de ter até hoje o maior pavilhão da cidade, tanto em altura, comprimento e ainda capacidade de público. Isso explica porque o estádio tem sido palco de finais do campeonato local, mesmo o Rio Branco não sendo finalista.

Nas décadas de 1940 e 1950, destacavam-se no Rio Branco jogadores do quilate técnico de  Remes Estol (Remito), João Melo, que era “half” esquerdo, o equivalente ao volante dos dias de hoje), o ponteiro direito Alfredo, Quinca e Mário Maragalione, que era ponteiro esquerdo e teve votação unânime em uma pesquisa realizada em 2000, apenas com pessoas que tinham mais de 70 anos, para apontar os melhores do século em Santa Vitória.

Uma passagem marcante na história do clube, e que os torcedores mais antigos não esquecem até hoje, e passam de boca em boca, ocorreu no dia 12 de agosto de 1951, quando do jogo de encerramento do primeiro turno do campeonato da cidade, no “Estádio da Coxilha”. O Vitoriense, o mais velho clube de futebol da cidade, derrotava ao final do primeiro tempo o seu velho rival, o Rio Branco, por 3 X 0.

Já havia torcedores do tricolor indo embora, sem esperanças de que o escore pudesse ser revertido. Veio o segundo tempo e com ele o inesperado. O Rio Branco, com três gols de Alfredo e um de Mario Maragalhoni, virou o jogo e venceu por 4 X 3, conseguindo vantagem para o segundo gol, em que também foi vencedor, dessa feita com uma goleada de 6 x 1.

Com o título garantido houve festa, com desfiles pelas ruas e como era o costume, um grande foguetório, principalmente na entrada e saída do cinema Independência, desde a primeira até a última sessão.

No dia 12/ de janeiro de 2012, o “Tricolor da Coxilha” festejou os seu 100 anos de existência, com uma grande festa, quando estiveram presentes personalidades ilustres que de uma forma, ou de outra, participaram da vida do clube em sua trajetória centenária.

Foram lembrados nomes como os de Anselmo Amaral, Dico, Dica, Gilmar das Neves, Sidnei, Ataliba, Rômulo Florio, Marlene, Maria Amélia, Pelado, Faustino Borges, Lineu Padilha, Menandro, Paulo Maia, e alguns dos Jogadores “Campeões da Zona Sul”, como Maça, Canabarro, Dica e Claudio entre outros. (Pesquisa: Nilo Dias)

A primeira formação do E.C. Rio Branco, em 1912. Em pé: Olindo Alves Nunes (terno branco) - Henrique Fernandes - Bráulio Plá - Tônico Pinto e Hector Molmsten. De joelhos: Mário Corrêa - Faustino Oliveira e Carlos Vieira. Sentados: Antonio Rodrigues - José Francisco da Costa - Isaac Ferreira - Marino Lima e Natálio Plá. (Foto: Arquivo histórico do clube) 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O futebol pernambucano está de luto

Ivaldo Firmino dos Santos, o “Zé do Rádio”, famoso torcedor do Sport, morreu na manhã de hoje no Real Hospital Português, em Recife, aos 71 anos, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória. Era transplantado cardíaco há 13 anos, diabético, hipertenso e renal crônico.

O torcedor deu entrada no Hospital na madrugada de hoje (21/05), com uma parada cardiorrespiratória. Foi reanimado e internado na Unidade de Recuperação Cardiotorácica (URCT). No entanto, teve outra parada cardiorrespiratória, não respondendo às manobras habituais, sendo o óbito constatado às 10h30min.

O corpo está sendo velado no cemitério “Parque das Flores”, em Recife, mesmo local do sepultamento previsto para amanhã, sexta-feira. Segundo informações do hospital, a família de Ivanildo quer um velório e um enterro discretos.

“Zé do Rádio” já havia passado cinco meses na fila de espera por um transplante de coração, com o procedimento sendo realizado em 2002. Ao conhecer o pai de quem doara o órgão para ele, teve uma surpresa: o doador era torcedor do Náutico.

Mas nada abalou o que ele sentia pelo Sport e, 10 anos depois, ele participou da campanha de doação de órgãos do rubro-negro, o "Torcedor Doador".

Desde então, tornou-se um dos maiores incentivadores e garoto propaganda da doação de órgãos em Pernambuco. Seu falecimento foi profundamente lamentado pela Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE).

Segundo a coordenadora da CT-PE, Noemy Gomes, “Zé do Rádio” sempre visitava o órgão e cativava a todos com a sua simpatia. Ele sempre estava presente nas campanhas, em eventos, para prestar seu depoimento. Foi um parceiro importante na luta pela doação de órgãos.

Em 2007, como a Secretaria Estadual de Saúde, de Pernambuco, não tinha a droga ciclosporina, substância imunossupressora utilizada na prevenção da rejeição em pacientes submetidos a transplante de órgãos, “Zé do Rádio” foi decisivo na questão.

O drama vivido pelos pacientes transplantados ganhou atenção da mídia depois que ele expôs o risco de morte. Havia feito um transplante de coração, tendo ficado 10 dias sem tomar o medicamento e teve a saúde comprometida. Depois de fazer o apelo à imprensa, ele recebeu a doação de 50 comprimidos de uma pessoa que não quis se identificar.

Embora fiel ao seu clube, teve que fingir-se torcedor do rival Náutico por um ano, três meses e vinte e oito dias, tempo em que durou o namoro com sua esposa, Deomiyrza Barkokeba dos Santos, que o acompanhou até a morte, para agradar o sogro, o professor de música, Miguel Barkokebas, que era torcedor fanático do time alvirrubro e temia que proibisse seu relacionamento caso soubesse da verdade.

Em 1972 “Zé do Rádio” passou a frequentar os estádios e acompanhar o futebol. Como passava sempre por perto da “Ilha do Retiro”, resolveu torcer pelo Sport.

Era conhecido nacionalmente pela alcunha folclórica de “torcedor mais chato do mundo”, título dado pelo ex-treinador Zagallo, em 1999, na época comandante da Portuguesa de Desportos. O ex-técnico da Seleção viu seu time perder para o Sport por 1 X 0 e ainda precisou aguentar as provocações de "Zé".

Ainda irritado, Zagallo reclamou do "torcedor chato" na televisão, sendo o suficiente para tornar “Zé do Rádio” conhecido nacionalmente.

Depois de Zagallo, inúmeros técnicos seriam importunados pelo som do inseparável xodó de "Zé": um rádio “General Eletric” de 1961, que capturava oito faixas e que costumava carregar sobre os ombros.

“Zé do Rádio” sempre ficava atrás do banco do técnico adversário com seu rádio ligado em alto volume, atazanando a vida dos treinadores e jogadores.

A partir de dezembro de 2006, “Zé do Rádio” passou ser considerado pelo “Guiness Book 1” como o "torcedor mais chato do mundo". Fama essa que ele pretendia passar para seu sucessor Enilson, mais conhecido como “Pajé”.

Mas ao que parece outro torcedor já se adiantou ao desejo de “Zé do Rádio”. É “Cabuloso”, considerado por muitos o “torcedor mais “chato” de Pernambuco”. “Cabuloso” quer dizer chato, inoportuno, que reclama e incomoda.

Vestido à caráter, como manda o figurino rubro-negro, “O Cabuloso” parece ter vermelho e preto até na alma, pois em sua roupa já não cabe mais nada. Até seu bigode é pintado nas cores do clube do coração.

Mas o que mais chama a atenção é o “jeito de torcer” desse rubro-negro: quando é focado pela câmera, fixa bem o olhar e começa a gritar “uááá, uááá, uááá”, incomodando não somente os adversários, mas também até a própria torcida leonina, que em parte reclama de alguns gritos dele.

Parece até uma sina, mas na verdade é apenas coincidência. O Sport até a manhã de hoje possuía dois dos torcedores mais chatos do Brasil, porque além de “Cabuloso”, um outro torcedor em especial não poderia ser esquecido: o ilustre “Zé do Rádio”, que faleceu às 10h30min.

Famoso entre os rubro-negros e querido até pelas torcidas rivais, o torcedor recebeu algumas homenagens em vida. A mais significativa foi a criação de um boneco gigante aos seus moldes, que desfila há anos nos carnavais de Recife e Olinda.

“Zé do Rádio” era Policial Militar aposentado de Pernambuco, tendo passado para a reserva há mais de 20 anos no posto de segundo tenente. (Pesquisa: Nilo Dias)


domingo, 17 de maio de 2015

Um astro do futebol mexicano

Na noite de 21 de abril último o atacante Cuauhtémoc “Blanco” Bravo, de 42 anos, disputou sua última partida como atleta profissional. O primeiro nome de “Blanco”, Cuauhtémoc, vem do dialeto asteca "Nahuatl" e significa águia que cai. Cuauhtémoc foi o último imperador asteca.

O veterano jogador se despediu dos gramados no jogo em que seu time o Puebla, derrotou o Chivas Guadalajara, por 4 X 2, conquistado a Copa do México pela sexta vez. Ele entrou em campo aos 25 minutos do segundo tempo e teve uma boa atuação, inclusive quase marcando um gol para a sua equipe.

Mesmo não sendo uma despedida com glória individual, depois de uma carreira de 23 anos, o público que esteve presente ao "Estádio Universitario BUAP", em Puebla, prestou-lhe uma justa homenagem através de demorados aplausos.

Apesar de parecer um final de carreira perfeito, o jogador revelou que tinha o sonho de deixar os gramados atuando pelo seu clube de coração, o América, mas por problemas de relação com a diretoria da equipe, esta vontade não lhe foi concedida.

“Blanco” nasceu no bairro de Tepito, um dos mais populares da Cidade do México, em 17 de janeiro de 1973, tendo dado inicio a sua carreira de futebolista aos 17 anos, jogando pelo América, seu clube de coração, em 1990, onde teve quatro passagens, tendo estreado entre os profissionais em dezembro de 1992.

O técnico que deu a primeira oportunidade para o então jovem “Blanco” jogar no time principal do América foi o brasileiro Paulo Roberto Falcão. Pelo América Blanco jogou em 13 temporadas e ganhou muitos títulos. Ao todo, foram 333 partidas, com 123 gols marcados.

Ele também atuou pelos mexicanos Necaxa, Veracruz, Santos Laguna, Irapuato, Sinaloa, BUAP e Puebla. Além disso, defendeu o espanhol Real Valladolid e o norte-americano Chicago Fire

Em 1995 “Blanco” foi convocado pela primeira vez para a seleção mexicana. Ao lado de Chicharito Hernández, é o segundo maior artilheiro da Seleção com 39 gols, só sendo superado por Jared Borgetti que marcou 46 gols.

“Blanco” participou de três Copas do Mundo, 1998, 2002 e 2010. Por causa de sua personalidade forte, não jogou a Copa do Mundo de 2006, pois brigou com o técnico argentino Ricardo La Volpe que, então, dirigia a seleção mexicana.

A partir de agora trocará os gramados pelos palanques políticos. Ele se filiou ao Partido Social Democrata (PSD), pelo qual pretende se candidatar a prefeito de Cuernavaca, capital do estado de Morelos.

“Blanco” já havia anunciado em setembro de 2008, o fim da sua carreira na Seleção, entretanto, em meados de 2009 foi chamado de volta à representação nacional, que enfrentava dificuldades para alcançar classificação para a Copa do Mundo de 2010. Fez excelentes partidas e conseguiu ajudar seu país a se classificar para mais uma Copa.

Em 2010-2011 atuou na novela “El Triunfo del amor” (O Triunfo do amor). No papel do personagem Juanjo.

Títulos conquistados. Seleção Mexicana: Copa das Confederações (1999); Copa Ouro (1996 e 1998); América: Copa dos Campeões da CONCACAF (2005); Campeonato Mexicano (2005 - Clausura); Supercopa do México (2005); Artilharia. Seleção Mexicana: Copa das Confederações (1999 - 9 gols);  América: Campeonato Mexicano (1998 - Inverno - 16 gols).

“Blanco” foi eleito o melhor jogador do México em 2004 e 2005. O gol que marcou contra o Real Salt Lake em 19 de agosto de 2007, foi eleito “O Gol do Ano”.

No jogo MLS All-Star 2008, realizado em 24 de julho, além de um gol e uma assistência na vitória da seleção da MLS contra a equipe inglesa West Ham por 3 X 2, Blanco ainda foi eleito o melhor jogador da partida.

O jogador também era famoso por seu temperamento explosivo e um drible em especial, onde ele prendia a bola entre os pés e saltava para fugir da marcação adversária. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 12 de maio de 2015

O Dragão das Alterosas

No dia 15 de novembro de 2013, o Pouso Alegre Futebol Clube da cidade mineira de Pouso Alegre, completou 100 anos de existência. No entanto, o que era para ser uma data festiva, passou despercebida na cidade sulmineira de cerca de 140 mil habitantes. 

O time está parado desde 2009. Seu último jogo foi um empate em 1 X 1 com o Tombense, dia 28 de novembro daquele ano, em jogo disputado na cidade de Tombos e válido pelo hexagonal final da Segunda Divisão. O “Estádio da Lema”, palco de gols e vitórias do chamado “Dragão das Alterosas”, está abandonado.

O Pouso Alegre Foot Ball Club foi fundado no dia 15 de novembro de 1913, por iniciativa de um grupo de alunos do Ginásio São José, atual Colégio São José, que costumavam se reunir para animadas ”peladas” no campinho de terra batida ao lado do matadouro, perto da linha do trem.

Como muitos desses jovens trabalhavam, os encontros se realizavam entre 7 e 8 horas da manhã. Um dia eles decidiram formar um time e batizá-lo com o nome da cidade. Marcaram uma reunião para o dia 15 de novembro, na casa de Alfredo Ennes Baganha, depois eleito o primeiro presidente da agremiação.

Ele, juntamente com os companheiros João Dantas, Porfirio Ribeiro de Andrade, Pedro Cunha, Eduardo Gouveia, Alfredo Agueda e Pedro Narciso deram início a trajetória centenária do clube.

Era uma época bastante difícil para se manter um clube de futebol em atividade constante, por isso ao final da década de 1910, o clube caíra no ostracismo. Foi somente em 1928, ajudado por torcedores,  que o time rubro-negro voltou a aparecer com destaque.

O clube foi um dos fundadores da Liga Sul Mineira de Football no dia 19 de abril de 1920, juntamente com as equipes de Itajubá e Santa Rita do Sapucaí, com a finalidade de realizarem um torneio futebolístico entre si.

Nessa reunião, entre as diversas resoluções discutidas, os três clubes decidiram as cores de seus uniformes, com o Pouso Alegre escolhendo o preto e vermelho, que desde então compõem oficialmente o fardamento do clube.

No dia 28 de setembro de 1928, reunidos no Fórum de Pouso Alegre, Alfredo Baganha e José Nunes Rebello, lavraram a ata de compra de um terreno localizado no alto da Rua Comendador José Garcia. O valor da compra foi de 8 contos de réis. Ali, naquele terreno, seria construído o futuro estádio do Pouso Alegre Futebol Clube.

Sabe-se que o clube passou uma lista entre os comerciantes da cidade, cujo montante chegou a 6 contos de réis. O resto da dívida foi pago com um empréstimo junto ao Banco da Lavoura, em promissórias assinadas pelo próprio José Rebello. O clube ganhava sua casa e os próprios jogadores transformaram a área em um campo de futebol.

A partir disso, já na década de 1930, muitos times paulistas começaram a jogar no Campo do Pouso Alegre, entre eles Guarani, Ponte Preta e o extinto Ypiranga. Nessa mesma época, foram criados e disputados vários torneios intermunicipais.

O primeiro jogo da história do clube aconteceu no dia 1 de março de 1914, um amistoso contra o Democratas, que terminou empatado em 0 X 0. O segundo compromisso foi contra o Santaritense, de Santa Rita do Sapucaí, com vitória rubro-negra por 2 X 1. Já como profissional, em seu primeiro compromisso, o Pouso Alegre goleou por 4 X 1 o São Lourenço, em 30 de julho de 1967.

Nesse jogo, o atleta foi o primeiro jogador a marcar gol pelo Pouso Alegre como time profissional. Já na “Segundona” do Mineirão, o primeiro a balançar as redes adversárias foi Marquinhos, diante do Flamengo de Varginha, em 1967.

Na Primeira Divisão Mineira coube a Valcir marcar o primeiro gol do Pouso Alegre. Foi contra o Esportiva, em 1989.

O primeiro jogo disputado no Estádio “Manduzão”, foi contra o Botafogo do Rio de Janeiro, que venceu por 1 X 0. O recorde de público até hoje no estádio foi no jogo Pouso Alegre 3 X 3 Atlético Mineira, realizado dia 30 de maio de 1990, com 6.670 pagantes.

O primeiro jogo do Pouso Alegre fora de Minas Gerais aconteceu no dia 30 de setembro de 1928, em Bragança Paulista, quando empatou em 3 X 3 com o Bragantino. Sabe-se que aproximadamente seis mil pessoas assistiram o confronto, que foi organizado pelo então presidente do “Dragão das Alterosas”, desportista Vinicius Meyer.

Um fato que revoltou os torcedores do Pouso Alegre, e até hoje é lembrado com indignação, aconteceu no dia 4 de julho de 1928, na cidade de Santa Rita do Sapucaí, num jogo contra o time local do Conceição dos Ouros, na decisão de um torneio regional.

O Pouso Alegre vencia por 3 X 1, gols de Jovino, Guido e Paraguay, quando o juiz da partida resolveu ajudar o time da casa, marcando duas penalidades máximas inexistentes, quando faltavam menos de 10 minutos para o fim do jogo.

Revoltados, os cerca de 400 torcedores pouso-alegrenses, que haviam se deslocado até Santa Rita do Sapucaí de trem, invadiram o campo e interromperam o duelo, antes que o árbitro marcasse outra penalidade.

O time conta com o apoio da imprensa da cidade. A Rádio Clube foi a primeira a transmitir um jogo do Pouso Alegre Futebol Clube. Isso foi na década de 1940, um amistoso contra o Smart Futebol Clube, da cidade de Itajubá, O Pouso Alegre ganhou por 4 a 0, gols de Lucindo (2), Voador e Miquica. Na época, a Rádio Clube era comandada por Orfeu Butti e tinha como narrador, José Brito.

No início do futebol profissional em Pouso Alegre, nos anos de 1967 e 1968, o público lotava o “Estádio Comendador José Garcia” nos dias de jogos do rubro-negro. E naquele 15 de setembro de 1968 não foi diferente. O Pouso Alegre Futebol Clube disputou um amistoso contra o Grêmio Recreativo Beta, time amador de São Paulo e venceu por 38 X 0.

Ao final do primeiro tempo o escore já era de 17 X 0. Foi um recorde mundial na época, que teve como árbitro Armando de Barros. O Pouso Alegre mandou a campo nesse jogo que se tornou histórico, a seguinte formação: Luiz Carlos – Murilo - Marco Ambar - Bolinha e Gato (Bata) - Mica e Mário Jorge - Serginho (Joviano) – Wilson - Renê e Marquinho.

No final da década de 1940, mais precisamente no ano de 1947, foi fundada a Liga Esportiva Municipal de Amadores (LEMA). A entidade, que teve como primeiro presidente Pardal Vilhena de Alcântara, passou a organizar as competições e muitos times amadores apareceram na cidade, fazendo frente ao Pouso Alegre.

Com o fortalecimento de outros times, o Pouso Alegre FC acabou entrando em recesso das competições amadoras no início da década de 1950. E com isso a Liga passou a administrar o Estádio do clube, o que levou a todos a chamarem de "Estádio da LEMA". Nesse mesmo período, foram construídos os primeiros lances de arquibancada e o muro que cerca o gramado.

Começaram também os torneios intermunicipais, com equipes de Itajubá, Santa Rita do Sapucaí, Paraisópolis e Ouro Fino. Os deslocamentos eram feitos nos trens da Rede Mineira, causando grandes alvoroços nas estações das cidades onde chegavam.

Entre os jogadores que ganharam mais destaque nessa história centenária, vale a pena lembrar de “Paulo da Pinta”, o atleta que mais defendeu o time nesses 100 anos do clube. Jogava de volante e vestiu a camisa rubro-negra em 184 partidas, tendo marcado 22 gols.

Outro que fez por merecer destaque é Heleno, atacante que chegou ao clube em 1987, vindo do Yuracan, de Itajubá. Nos 166 jogos que disputou com a camisa do “Dragão das Alterosas” marcou 52 gols. Depois dele, vem que fez 46 gols em 199 partidas disputadas.

Quem também é lembrado pelos torcedores rubro-negros é Luiz Carlos, um goleiro que demonstrou grande amor ao clube, tanto que vestiu a camisa número 1 do Pouso Alegre em 1967 e 1968.

Mesmo tendo ficado pouco tempo no clube, chegou a recusar uma proposta do Santos Futebol Clube, que na época tinha Pelé, o “Rei do Futebol”, para continuar defendendo o “Dragão das Alterosas” na Segunda Divisão do Campeonato Mineiro.

Em 1967 o Pouso Alegre disputou a sua primeira competição profissional, a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. Conseguiu o feito de ser campeão da Chave Sul do torneio e classificou-se para as finais, mas acabou perdendo a vaga nos tribunais, por incluir um atleta em condição irregular.

Embora isso tenha tido o efeito igual ao de um balde de água fria no ânimo dos jogadores, o time voltou no ano seguinte a disputar a mesma competição, sendo eliminado logo na primeira fase do certame. Atolado em dívidas, o clube voltou a fechar as portas em 1968.

Para piorar a situação do futebol na cidade, a LEMA, que dirigia os torneios amadores no município, também encerrou suas atividades no final da década de 1960.

Pouso Alegre só não ficou sem futebol graças a persistência de alguns clubes amadores da cidade. A década de 1970 ficou marcada pelos torneios regionais que contavam com a participação de jogadores consagrados no futebol paulista, ou que viriam fazer sucesso nos gramados do Brasil.

Nesses torneios sempre apareciam no “Alto da Comendador”  nomes de jogadores famosos como Jorge Mendonça, Oscar, Polossi, Odirlei, Estevão e Neto. Nesse mesmo período surgiram novos valores do futebol da cidade, como Zé Carlos "Espoleta", Paulo da Pinta, Betão, Hermínio, Juninho Coldibelli, Amarildo e Silvano.

No início da década de 1980, a Liga Municipal foi reativada, o que fortaleceu a disputa dos torneios amadores da cidade, que não haviam parado de se realizar.

E ao mesmo tempo surgiram boatos da volta do Pouso Alegre ao futebol, o que se confirmou em 1983. Ainda como amador, o clube foi campeão da Copa Sul Mineira, o equivalente a campeão amador do Estado, montando um grupo somente com jogadores da cidade.

Foi a maior conquista do Pouso Alegre. A competição foi disputada por mais de 30 equipes. O jogo final foi entre Pouso Alegre X Curvelo.

Em 1984 o time foi novamente profissionalizado e disputou a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. Em 1988, o objetivo foi alcançado, o acesso a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro.

Foi uma conquista sofrida contra o Atlético de Três Corações. A última partida daquele certame ficou conhecida como "A Batalha de Três Corações". O jogo não teve fim e o resultado, que favorecia o Pouso Alegre só saiu meses depois, já em 1989, após intervenção judicial.

Com o acesso garantido na Justiça, o Pouso Alegre Futebol Clube estreou no Campeonato Mineiro, com este já em andamento. Em razão disso se viu obrigado a jogar até três vezes por semana. Ainda assim, o time conseguiu manter-se na elite do futebol mineiro.

O ano de 1990 foi o melhor do Pouso Alegre, na elite do futebol mineiro, quando alcançou o seu maior feito no futebol profissional. Disputando um campeonato com 18 participantes, chegou na quinta colocação, com um time que certamente ficou para sempre gravado na memória de seus torcedores: Paulo César – Edvaldo – César - Zigomar e Nonato – Alcinei - Paulo da Pinta e Fernando Baiano – Heleno - Carlão e Anderson.

O time tinha excelentes atletas, inclusive um jogador com passagem pela Seleção Brasileira. O lateral direito do “Dragão” naquele ano foi Edevaldo de Freitas, ou simplesmente Edvaldo, que chegou a disputar a Copa do Mundo de 1982, fato que poucos se recordam. O lateral era reserva de Leandro na ocasião.

Fazer futebol profissional precisa não só de boa vontade, mas também de muito dinheiro, apoio e estrutura. E a falta disso foi fundamental para que o Pouso Alegre conseguisse manter aquele elenco supervalorizado e o time foi se desfazendo.

Nos anos seguintes, o time foi perdendo força até que em 1992 caiu para o Módulo II do Campeonato Mineiro. Nem ai resistiu, tendo de licenciar-se em 1998. Ficou inativo até 2009, quando voltou à “Segundona” mineira, tendo realizado uma boa campanha, terminando o certame na quinta colocação.

O incrível é que o time tenha sido obrigado a jogar suas partidas fora de casa, pois o estádio da cidade, que é da prefeitura, não teve manutenção e encontra-se em péssimas condições.

Isso lovou o clube a um novo licenciamento que perdura até hoje, com negras perspectivas para o futuro. Mesmo a cidade contando com o “Estádio Municipal Irmão Gino Maria Rossi, conhecido por “Manduzão”, com capacidade para receber até 17 mil torcedores. 


O jornalista Donizeti Barbosa, uma verdadeira enciclopédia do Pouso Alegre, há 20 anos reúne fotos e dados do clube fundado em 1913. São mais de 200 páginas com fichas de escalação, imagens e curiosidades, como o registro da primeira equipe montada em 1914 e o placar da maior goleada da história da equipe: 38 X 0 sobre o Beta de São Paulo, em um amistoso em 1968.

Segundo o jornalista, foram 494 jogos oficiais do Pouso Alegre, entre eles seis jogos contra o Atlético Mineiro, que nunca venceu o rubro negro. Foram 204 vitórias, 151 empates e 139 derrotas. Seis desses jogos foram contra o "Galo", que nunca venceu o Pouso Alegre. Nem no "Mineirão" e no "Independência" e muito menos no "Estádio da Lema". (Pesquisa: Nilo Dias)



O time de 1990. (Foto: http://pousoalegrefc.blogspot.com.br/)

terça-feira, 5 de maio de 2015

Os 100 anos do “Tricolor do Alto”


O Teresópolis Futebol Clube, da cidade de Teresópolis (RJ), completou 100 anos de fundação no último dia 4 de abril. Embora não se encontre nenhum histórico mais completo do clube, sabe-se que nasceu da fusão de equipes amadores existentes na cidade, na época.

Inicialmente chamava-se Terezópolis Football Club. Somente em 15 de novembro de 1969 passou a atual denominação de Teresópolis Futebol Clube. Suas cores são verde, vermelho e branco e a mascote é a “Coruja”.

Sua estreia no profissionalismo foi em 1989 na “Terceira Divisão de Profissionais”, do Rio de Janeiro. Nesse certame, o clube perdeu cinco pontos pela utilização de jogadores em condições irregulares e acabou ficando em último no seu grupo, não passando da primeira fase. Depois disso, o Teresópolis entrou num período de longa inatividade, assolado por dívidas trabalhistas.

Retornou ao profissionalismo somente em 2001, quando disputou novamente o “Campeonato da Terceira Divisão de Profissionais do Estado do Rio de Janeiro”. A campanha foi apenas regular, com o ficando na quarta posição da classificação final, entre seis participantes. No ano seguinte oTeresópolis se licenciou das competições profissionais, retornando somente em 2003.

Novamente não foi bem, parando na primeira fase do campeonato, na quarta posição no grupo, que classificou os dois primeiros para a fase seguinte.

Em 2004, com um estrutura bem melhor, conseguiu finalmente passar da primeira fase, tendo inclusive superado o seu rival e quase homônimo Teresópolis Esporte Clube, que não se classificou. Na etapa seguinte da competição, por pouco não foi adiante, acabando eliminado.

Em 2005, a campanha foi fraca, não passando de um sexto lugar na primeira fase, e ainda com o agravante de ter pedido seis pontos pela escalação irregular de jogadores. Em 2006, os times da Terceira Divisão foram convidados a tomar parte em uma fase preliminar da Segunda Divisão.

Os que conseguissem superar esse desafio, seriam automaticamente promovidos para o ano seguinte. Os outros, por sua vez, poderiam jogar a Terceira Divisão do mesmo ano de 2006 e ainda obter vaga.

O “Tricolor do Alto” aproveitou bem a oportunidade e conseguiu a vaga, ficando em primeiro lugar no seu grupo. Na fase seguinte acabou eliminado.

Mas a Federação não reconhece o direito do clube de estar na Segunda Divisão e o caso foi parar na Justiça Desportiva. Apenas o pior clube dos oito que vieram da fase preliminar poderia ser rebaixado à Terceira Divisão de 2007, no caso o Rubro Social Esporte Clube.

Em 2007, a contragosto, o time teve de disputar a Terceira Divisão, quando passou da primeira fase, ficando em segundo. Na fase seguinte logrou classificação novamente, alcançando a segunda posição.

E na terceira fase foi outra vez segundo, classificando-se para a “Copa Rio de 2008”, cujo campeão teria vaga garantida na Copa do Brasil. Na fase final, contudo, foi eliminado e não conseguiu disputar as duas primeiras posições que lhe garantiriam o acesso.

Em 2008, finalmente teve reconhecido o direito de disputar a Segunda Divisão. Na primeira fase se classificou em segundo lugar. Mas na segunda fase foi eliminado, permanecendo na mesma divisão em 2009, mas pediu licenciamento do campeonato, o que se repetiu em 2010.

Já em 2011, sob a direção do presidente Frederico Menezes, o Teresópolis Futebol Clube conseguiu classificação à segunda fase do Campeonato Estadual da Série B, do Rio de Janeiro.

Em 2012 desistiu novamente do carioca da Série B, alegando falta de condições financeiras. O clube foi penalizado com o rebaixamento automático para a Série C do ano seguinte e perdeu todos os seus jogos por 3 X 0 (W.O).

Em 2013 e 2014, contando com o apoio da Prefeitura Municipal, o clube voltou as atividades, disputando os certames da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, nas categorias Sub-15, Sub-17, Sub-20 e profissional, na Série C.

O seu estádio é o Antônio Savatonne, com capacidade para 8 mil pessoas, localizado no Bairro do Alto, próximo a Delegacia de Polícia da cidade.  Foi inaugurado em 21 de março de 1998.Ali o Teresópolis F.C. realiza seus jogos e treinamentos das categorias profissional e de base.

O Estádio não tem tanta história assim, pois o clube nunca viveu bons anos e nem ganhou acesso a elite do Carioca. No entanto, foi ali que em 1966 a Seleção Brasileira de Futebol realizou os treinamentos para a Copa do Mundo da Inglaterra.

A equipe “Canarinho” ficou hospedada no Hotel Pinheiros e treinou no Estádio Antônio Savattone. Pelo seu gramado desfilaram craques como Pelé, Garrincha, Tostão e Gérson. Na ocasião o técnico Vicente Feola havia convocado 44 jogadores, que disputariam o direito de participarem daquele Mundial.

Isso mostra que a história da Seleção Brasileira com Teresópolis é muito anterior a 1987 quando foi inaugurada a concentração da CBF na Granja Comary.

Em 1966 antigos funcionários do hotel contaram que Garrincha escolheu uma suíte próxima ao bar do hotel, e que era extremamente generoso com as gorjetas para manter o fornecimento regular de bebidas alcoólicas.

A atual arquibancada do estádio do Teresópolis F.C. foi construída para os treinos da Seleção em 1966. O ano passado, o estádio passou por uma série de adaptações, com rampas de acesso e melhorias nos banheiros e vestiários.

Tem condição de alojar até 82 atletas simultaneamente, com o suporte de consultório de fisioterapia e de odontologia, para que os jogadores se dediquem com tranqüilidade aos treinamentos para alcançar o melhor resultado em campo.

O clube recebeu a doação de cadeiras e catracas do Maracanã, que foi reformado e modernizado para a Copa do Mundo, realizada no Brasil. (Pesquisa: Nilo Dias)

Time do Teresópiolis F.C., em 2011. (Foto: Divulgação)