Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Tragédia em estrada de Minas Gerais

Um acidente de carro, registrado neste domingo (1º) na cidade de Cajuru (SP), pôs fim a carreira do jogador de futebol de campo e futsal Jeferson Henrique de Souza, de 26 anos, conhecido como “Doka”. Na sexta-feira ele concedeu a última entrevista à “Rádio Capital” e à “Rede Hoje”, na abertura da “Segunda Liga de Futsal”, de Patrocínio.

“Doka” estava jogando pelo “Spasso Café/ Via Transportes”, de Patrocínio, que venceu o “Barbers Brothers”, de Ibiá por 5 X 4. O técnico Roberto Avatar (“Tatá”) muito abalado e o subsecretário de esportes, Mauro Henrique Nogueira, disseram que será preparada uma homenagem póstuma nos jogos de hoje, da competição, no “Ginásio da Matinha”.

No domingo, dia do acidente, “Doka” havia participado de um torneio de futebol amador em Ribeirão Preto (SP). Além dele, morreu também a sua namorada, Dayane Damasceno, de 32 anos, e Liniker Ramos, de 28 anos, que estava dirigindo. Eles voltavam para Uberlândia (MG).

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que o acidente aconteceu por volta das 18h10 de domingo. O carro em o jogador estava acabou derrapando devido à chuva, capotou e bateu em um barranco no km 324 da “Rodovia Joaquim Ferreira”, em Cajuru (SP).

Os corpos foram encaminhados para o “Instituto Médico Legal” (IML) de Ribeirão Preto e a previsão é que sejam sepultados hoje, terça-feira em Uberlândia.

No campo jogava como atacante, enquanto no futsal atuava como pivô esquerdo. Ele jogou em clubes amadores de Uberlândia, como o “Luizote”, de Freitas e passou pelo salão do “Praia Clube”, por onde se sagrou campeão mineiro em 2018. Jogou também no Uberlândia Esporte Clube e integrou a Seleção Brasileira de Futsal.

O jogador era muito querido na região, inclusive em Tupaciguara, município que ele defendeu na "Copa Inconfidentes de Futsal Band". (Pesquisa: Nilo Dias)

“Doka", campeão mineiro de Futsal, de 2018, pelo Praia Clube.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Brasileiro foi trabalhar na Rússia e acabou preso

O volante brasileiro Fernando Lucas Martins, 27 anos, que jogava pelo Spartak, de Moscou e desde julho se transferiu para o Beijing Guoan, da China , está sendo acusado de abandonar na prisão e sem qualquer auxílio um funcionário que contratou para lhe prestar serviço ainda na Rússia.


Robson Nascimento de Oliveira, 46 anos, ex-fuzileiro naval foi detido por estar com comprimidos pedidos por Fernando, mas que são proibidos na Rússia.  Ele foi contratado por Fernando, para ser seu motorista.

Ele foi preso no dia 18 de março no aeroporto Domodedovo, em Moscou. O homem está preso há quatro meses no presídio de Kashira, cidade a 110km de Moscou e, segundo a família do motorista, não recebeu nenhuma ajuda de Fernando.

a uma vida bem humilde em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, quando recebeu o convite para trabalhar com o jogador. Estava desempregado. Sua esposa, Simone Damazio de Barros, com quem se uniu cinco anos atrás é cozinheira de mão cheia.

No fim do ano passado ela foi indicada por uma amiga para trabalhar na casa de Sibelle Rivoredo, sogra do jogador Fernando, que a contratou para um período de experiência na casa da família na Barra da Tijuca, no Rio.

E tinha a promessa de, depois, ir para a Rússia, trabalhar com Fernando e sua esposa, Raphaela, em um condomínio de luxo na “Rezidentsiya Rublovo”, casa 50-A, em Moscou, onde um imóvel de dois andares não sai por menos de R$ 3,4 milhões.  

Simone falou da proposta de ir trabalhar no exterior para o marido, que ficou reticente por conta da distância e do tempo que ficariam sem se ver.
Ela, então, pediu um emprego também para Robson, o que foi aceito por Sibelle, a sogra de Fernando. A história foi revelada em reportagem da “TV Globo” e do “GloboEsporte.com” levada ao ar neste domingo.

O personagem central dessa história, o volante Fernando, cria do Grêmio Porto Alegrense, foi convocado para todas as seleções de base e esteve no grupo da equipe principal que conquistou a Copa das Confederações de 2013 no Maracanã.

O jovem cuja carreira decolava foi logo seduzido pelos dólares do então emergente mercado ucraniano, que desembolsou R$ 36 milhões para levá-lo. Campeão pelo Shakhtar Donetsk, depois jogou na Sampdoria, da Itália, até ser vendido, em 2016, para o maior clube da Rússia, o Spartak Moscou.

Mesmo longe dos holofotes e, naturalmente, das listas da Seleção, o jogador angariou respeito na Rússia e virou ídolo da fanática torcida do Spartak. 
Fernando faz parte dessa lista de casos raros de meninos que desejam ganhar a vida jogando bola e conseguem chegar lá. E foi na esteira desse sucesso que outro personagem começou a sonhar.

O casal ganharia um total de R$ 14 mil - R$ 6 mil para ele ser motorista e ajudar em coisas da casa e outros R$ 8 mil para ela ser a cozinheira da família de Fernando. Em 9 de fevereiro deste ano, Robson e Simone embarcaram para a Rússia.

A proposta de largar tudo no Brasil e seguir para a Rússia era assustadora - cultura e hábitos totalmente diferentes, distância, língua estranha e um país de inverno rigoroso -, mas ao mesmo tempo tentadora, em razão da proposta salarial de R$ 14 mil - praticamente sem gastos, já que teriam teto e comida em Moscou.

O casal sabia que não seria fácil, mas valia o sacrifício. Trabalhando um ano ali, construiriam a casa deles. Nunca tinham viajado de avião na vida. Não tinham passaporte, nada. O estafe de Fernando, então, deu início ao processo para levá-los a Moscou. Fizeram os passaportes em Niterói, porque sairia mais rápido. Eles pagaram e marcaram tudo.

No dia 9 de fevereiro, Robson e Simone fizeram um registro fotográfico já dentro do avião, orgulhosos, rostos colados e sorrisos abertos. Era a decolagem em busca da melhoria de vida. Ou deveria ser.

Minutos antes do embarque, porém, o motorista da família de Fernando, identificado como Leandro, chegou ao “Aeroporto Tom Jobim” com três malas. Dentro delas havia encomendas da família do jogador. Cerca de 18 horas depois, ambos desembarcaram no país europeu.

Simone e Robson desconheciam que, em meio às encomendas, havia remédios tarja preta que, no Brasil, só podem ser adquiridos com receita médica. E eles atravessaram o portão de embarque no Rio de Janeiro sem as receitas prescritas na bolsa.

Dezoito horas mais tarde, o voo da Lufthansa de número LH-1446 pousou no Aeroporto Internacional de Domodedovo, conhecido como o mais rigoroso de Moscou. 

Eram 17h46 do dia 10 de fevereiro quando o casal pegou as malas na esteira. Ansiosos, estavam tomados pelo frio na barriga para encontrar o "funcionário" de Fernando que iria buscá-los: William Rodela. Não deu tempo.

Nove minutos depois, no hall de saída para o saguão do aeroporto, Robson e Simone escolheram o corredor verde, quando não se tem nada a declarar. 

Foram parados pelo funcionário A.L. Elisov, agente operacional do “Setor de Controle de Circulação de Drogas da Diretoria Linear do Ministério do Interior”, no “Aeroporto de Demodedovo”, além do major K.S. Losev e do tenente-coronel N.V. Antipov.

Não havia muito o que temer, imaginavam, além do constrangimento e da dificuldade de comunicação, já que as orientações de Sibele eram claras. Em outro áudio, inclusive, ela fala de um possível questionamento sobre um par de alianças do casal Fernando e Raphaela que Simone carregava na bolsa de mão:

"Se eles pararem, as alianças são sua e do Robson. Vocês são casados, se não vai entender o que eles estão falando. Você mostra o seu dedo que é de vocês", orientou.

O problema estava longe das alianças. Misturadas numa mala preta, em meio a comidas e roupas de criança, havia duas caixas do remédio “Mytedom – Cloridrato de Metadona – 10mg”, um potente comprimido para quem convive com dores, principalmente, mas também bastante utilizado no tratamento de recuperação de viciados em ópio e heroína.

Daí o problema principal. Na Rússia, a substância é considerada entorpecente. E a quantidade, 40 comprimidos, com a massa de 5,60g de opioide, encaixava-se na nomenclatura da lei que prevê um "volume grande" da droga, infringindo o artigo 229.1, parte 3, do Código Penal da Federação da Rússia.

Os dois avistaram William Sa Silva Sousa, o “Rodela”, estudante de Medicina em Moscou e espécie de “quebra-galho” da família de Fernando. Ele fora buscar Robson e Simone no aeroporto.

O funcionário autorizou que “Rodela” fosse até eles para ser uma espécie de tradutor. Simone, nervosa, mandou mensagens a Sibele, que de férias por Grécia e Itália com a família, respondeu a acalmando e explicando que tinha receita e que já a tinha enviado para “Rodela”.

A receita existe mesmo, foi feita e assinada pelo médico Marcelo Tayah e está com a data de 26 de fevereiro deste ano. Para quem era o remédio, tarja preta? Para William Pereira de Faria, pai de Raphaela e, consequentemente, sogro de Fernando.

Ele usa a medicação para as crônicas dores que sente na coluna. O médico disse à Globo: "O senhor William é meu paciente desde 2017 e faz uso deste medicamente... A senhora Sibele me ligou dizendo que precisava dessa declaração para resolver o problema de um rapaz na Rússia..."

Após 17 longas horas no aeroporto e de muita explicação, dada por “Rodela”, e desespero de Simone e Robson, o casal foi liberado, mas com o aviso de que a investigação sobre o motorista seguiria.

Lá o casal ficou exatos 35 dias apenas cuidando da casa vazia. Passado o susto inicial do aeroporto, era hora de curtir os momentos de folga para passear e conhecer os pontos turísticos da capital russa. Apesar do inverno rigoroso que fazia Robson tirar com a pá o acúmulo de neve da porta da casa, os dois estavam animados.

Em 17 de março, um domingo, Fernando e a família voltaram para Moscou, com os sogros Sibele e William juntos. Robson e “Rodela” foram buscar todos no aeroporto em dois carros.

No dia seguinte, 18 de março, uma segunda-feira, os integrantes da família tomaram café juntos à mesa. Robson ajudava a esposa a lavar louça, quando Raphaela o chamou: "Vamos para sua primeira missão."

Fernando, a esposa, Raphaela e o amigo “Rodela” entraram no carro, e Robson o dirigiu com destino ao aeroporto, aquele mesmo no qual chegara vindo do Brasil. Lá, foram direto para a delegacia de polícia.

Em casa, Simone perguntou a Sibele o porquê de William, o sogro, não ter ido junto e ter levado a receita médica. A sogra respondeu que a filha sabia o que estava fazendo. A receita médica, em território russo, não serve como uma defesa, isso não livra ninguém nesse caso.

É apenas uma receita que mostra que a pessoa necessita de tal remédio, mas ela não livra a pessoa de responder por uma acusação, explisou Gennady Esakóv, professor de Direito Penal Criminal russo.

Por volta de 15h daquele dia, Robson falou com a esposa por telefone e já previa o pior: "Simone, acho que tá dando ruim aqui. Eu vou ficar preso!" Ficou. De lá, saiu algemado algum tempo depois para a “Unidade Penal de Kashira”. Raphaela prometeu a Simone "que até quarta-feira isso será resolvido".

Não foi. Fernando trocou o Spartak Moscou pelo Beijing Gouan em julho e foi com a família para a China. Simone voltou para o Brasil. Robson segue preso, cerca de 20 quilos mais magro em relação a quando chegou a Moscou.

Na denúncia que o levaria aos tribunais, a Justiça russa descreveu: "Estando no território do Brasil (local e hora não determinados, mas o mais tardar em 10 de fevereiro de 2019) e tendo intenção criminosa de transporte ilícito de substâncias estupefacientes através da fronteira aduaneira da União Aduaneira da Comunidade Econômica Euroasiática, Robson do Nascimento Oliveira adquiriu de pessoa não identificada uma substância estupefaciente com objetivo de seu transporte em aeronave ao território da Federação da Rússia".

Ou seja: para o Ministério Público local, Robson teve a intenção de preparar a mala com remédios escondidos a fim de cometer o tráfico internacional da substância ilícita. Assim, infringiu também o artigo 30, parte 1, da lei, e o artigo 228.1, parte 4, parágrafo d (preparação do tráfico de substâncias estupefacientes em volume grande).

Sem visitas de ninguém em nenhum momento: Simone não pode, por não ser casada legalmente com ele. As acusações contra o ex-fuzileiro naval são: tráfico internacional de drogas e preparação para o tráfico.

Sibele ficou em Moscou por mais quase três meses, retornando ao Brasil em 14 de junho. Ela tampouco prestou depoimento no inquérito. Fernando e Raphaela, sim. Ele, em 6 de junho; ela, em 12 de julho.

Ambos negaram qualquer relação com Robson. Em discurso afinado, contaram à polícia que não conheciam Robson, que havia sido contratado por Sibele, mãe de Raphaela.

Em seu depoimento à polícia russa, Raphaela Rivoredo lembrou de um fato que considerou importante para o enredo da apreensão dos remédios na mala do motorista. 

Ela relatou que teve uma "conversa séria" com Robson no dia 17 de março, quando voltou de férias com Fernando e teve o primeiro contato com o motorista em Moscou.

"(...) Disseram que ele seria demitido caso continuasse a consumir drogas, porque eles tinham a criança menor e não queriam ter em casa uma pessoa drogada. Robson respondeu que isso nunca mais aconteceria. Por isso, ele e Simone continuaram a trabalhar em casa até o momento de detenção dele".

Na verdade, Robson só trabalhou até o dia seguinte à conversa, quando foi levado até a delegacia do aeroporto e preso.

Os exames feitos pela polícia russa no motorista na data de chegada a Moscou - 35 dias antes da volta da família de Fernando das férias - apontaram vestígios de cocaína. 

Advogado da família de Robson, Olímpio Soares reconhece que seu cliente usou a droga numa festa de despedida no Rio pouco antes da viagem, mas diz que ele não é viciado, o que é corroborado pelo exame de sangue feito pelas autoridades russas e a perícia psiquiátrica número 1158, realizada em 15 de abril de 2019:

"Não mostrou nenhum sinais clínicos (sic) da dependência de substâncias narcóticas, tóxicas e de álcool, por isso não precisa de tratamento médico de narcomania ou reabilitação médico-social".

A família de Robson pediu ajuda oficial à embaixada brasileira em Moscou para que fosse contratado um advogado, já que não tem recursos para pagar. O processo parou nas mãos da Defensoria Pública. A indicada foi Liudmila Dubrovina, que começou a ter embates técnicos na estratégia de defesa com o advogado do Brasil.

A mãe da esposa do jogador mandou esse remédio para o marido dela que estava na Rússia, mas provar isso ninguém consegue. Se Robson assumir a culpa, o juiz tem o direito de diminuir a pena dele, por exemplo, para cinco anos.

Mas, se ele não assumir a culpa, ele deve pegar 13 a 15 anos de prisão.
Simone, a mãe e o filho do motorista, à Globo, acusam Fernando e sua família de terem abandonado Robson. O advogado da família, Fernando Cassar, nega e garante que toda a ajuda possível foi oferecida.

Simone, que chorou em parte da entrevista, desabafou: "A proposta era para mim. E ele acabou indo junto comigo. E lá ficou. Como eu não queria ter conhecido essa família, meu Deus!"

A TV Globo ouviu especialistas que atuam na Rússia para entender se a quantidade de remédios havia sido determinante para o flagrante. A resposta é não. Qualquer opioide (como a Metadona) é proibido no país. (Pesquisa: Nilo Dias)


Fernando, ex-jogador do Grêmio, de Porto Alegre.


Jornal O Dia

Ex-jogador da Seleção admite que brasileiro preso na Rússia levava remédios para seu sogro

No entanto, em depoimento, o atleta contou uma versão diferente às autoridades
Por O Dia

Publicado em 08/09/2019

O volante Fernando, ex-Seleção e que atualmente está no Beijing Guoan-CHN, falou pela primeira vez sobre o caso do brasileiro Robson Oliveira, preso desde o dia 18 de março na Rússia acusado de tráfico por levar medicamentos a pedido de sua família para o país.

Em entrevista ao "Esporte Espetacular", o jogador admitiu que o remédio era para uso de seu sogro, William Faria.

"Eles foram parados no aeroporto e a gente imediatamente mandou o prontuário, receita, passaporte do meu sogro, tudo que fosse necessário para provar que o remédio era do meu sogro, porque realmente o remédio era do meu sogro. Em momento algum a gente escondeu qualquer coisa do tipo. Se não ficou claro, estou aqui abertamente falando: o remédio era para o meu sogro", disse o atleta.

No entanto, a declaração é diferente da que foi dada por Fernando em depoimento às autoridades russas, em que disse desconhecer o modo que os remédios foram recebidos no Brasil e que não mantém contato com o sogro.

O jogador ainda afirmou que tentou de todas as formas ajudar Robson a sair da cadeia.
"Desde o começo, a gente fez de tudo para que o Robson saísse de lá. Mas, infelizmente, só com as nossas forças isso não está sendo suficiente.

Eu venho aqui, através da minha imagem, pedir para que as autoridades da Rússia e do Brasil, principalmente, possam se sensibilizar com essa situação do Robson. Para que possam entrar em contato com o governo da Rússia e dessa forma possam pedir a deportação do Robson o mais rápido possível".

Robson Oliveira está preso por ter entrado na Rússia com comprimidos do remédio Mytedom, medicamento a base de metadona, usado para dores crônicas. No Brasil, a substância é legalizada. Porém, ilegal na Rússia.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Três tiros acabam com carreira promissora de jogador de futebol

O jogador de futebol de 18 anos, Leandro Augusto Soares morreu baleado em uma praça de Valparaíso de Goiás, a 38 quilômetros de Brasília. Leandro Augusto Santos Soares recebeu três tiros na tarde do dia 5 de julho deste ano.

Ele ficou cerca de meia hora aguardando socorro. Levado para o Hospital de Santa Maria, o atleta morreu logo depois, por volta do meio-dia. O suspeito de disparar contra a vítima é um soldado da Polícia Militar de Goiás, que trabalha na 33ª Companhia de Choque de Choque de Valparaíso. 

O pai do atleta e empresário, Leandro Soares Andrade, afirmou que o filho foi baleado logo após pegar uma arma de brinquedo com um amigo, a qual, segundo ele, seria entregue para outro amigo, que também estava na praça.

"Ele colocou o simulacro na cintura e atravessou a rua junto com a namorada. Assim que subiu na calçada, o policial deu o primeiro disparo nas costas dele", relatou.

Leandro afirmou que a namorada do filho, de 17 anos, tentou intervir. "Ela começou a gritar desesperada, dizendo que era arma de brinquedo e pediu para parar. Meu filho jogou a arma para traz, ela caiu no chão. Aí o policial deu um terceiro tiro na cabeça do meu filho”, disse o pai.

Segundo o delegado-chefe do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), Rafael Abrão, o soldado seguia para o trabalho quando passou pela praça e disse ter visto a vítima negociando o que parecia ser uma arma de fogo. O investigador contou que o policial abordou Leandro e, segundo o PM, a vítima teria tirado a suposta arma da cintura.

"Familiares alegam que ele tirou a arma, que era uma réplica, para jogar no chão e se render. Não sabemos ainda a circunstância. Fato é que ele a arrancou da cintura", explicou o delegado. O soldado, então, reagiu e efetuou três disparos. Segundo Rafael, a vítima estava acompanhada da namorada, mas ela não se feriu.

A arma do PM, de calibre 40, ficou apreendida para perícia, assim como a réplica da arma de fogo. "Vamos fazer o confronto balístico e precisamos descartar uma segunda arma”.

O policial foi ouvido na hora e, inclusive, algumas testemunhas, mas vamos aprofundar as investigações com imagens e outros relatos", destacou o delegado. A vítima foi enterrada domingo (7/7) no Cemitério Campo da Esperança, no Plano Piloto.

Procurada, a Polícia Militar repassou a íntegra da ocorrência registrada pela própria corporação. O texto informa que o militar chegava à unidade policial para trabalhar quando viu uma pessoa se aproximando de um casal na praça e passando uma arma de fogo.

Ele, então, parou o carro e começou a acompanhar a movimentação.
Segundo a ocorrência, logo depois de repassar o objeto, a pessoa que entregou a arma foi embora, e o casal seguiu caminhando.

Nesse momento, o policial fez a abordagem. Mas, conforme consta na ocorrência, "o autor levantou a blusa e colocou a mão na cintura." O policial, então, realizou três disparos.

De acordo com a PM, a vítima caiu no chão e ainda conseguiu ter forças para dizer que se tratava de uma réplica. "Em seguida, o policial pegou o objeto que se encontrava ao chão e verificou que se tratava de um simulacro de arma de fogo do tipo pistola", detalha o texto.

Com a namorada, o policial não encontrou nada. Logo depois, o militar pediu apoio da unidade policial e acionou o Corpo de Bombeiros. Ele também se apresentou à delegacia.

No texto, consta, ainda, que "pelo ocorrido, não há que se falar em Auto de Prisão em Flagrante em desfavor do agente de segurança policial, o qual, em análise inicial, parece ter agido acobertado por uma das hipóteses de excludente de ilicitude, previstas no artigo 23 do Código Penal."

A vítima teve passagem pelas categorias de base do Corinthians Paulista, nos anos de 2016 e 2017. Considerado um jovem promissor quando ainda estava no Sub-15, ele acabou deixando o clube por conta do histórico de indisciplina.

Leandro chegou ao Parque São Jorge por indicação de olheiros, devido ao destaque que estava ganhando como atacante na região norte do Paraná pelo pequeno Paraná Soccer Technical Center (Centro de Treinamento de Futebol do Paraná), conhecido pela sigla PSTC, com sede em Cornélio Procópio.

A diretoria de base do “Timão”, porém, também havia sido alertada sobre problemas extracampo que o garoto carregava consigo. Ainda assim, o clube alvinegro topou apostar no jovem atleta, levá-lo para São Paulo e fornecer alojamento, alimentação, estudos e, claro, os treinos.

Mas foi justamente o comportamento complicado fora dos gramados, combinado a uma grave lesão, que culminou na saída de Leandro do Corinthians.

Ainda no Sub-15, sofreu ruptura de ligamentos no joelho - nas categorias de base. Um dos maiores dramas que um jogador pode passar é ficar afastado de campo sem poder mostrar serviço.

Ainda assim, foi promovido ao Sub-17, mesmo machucado. O garoto era brincalhão no departamento médico, onde sempre pedia para ser filmado prometendo se recuperar logo.

Paralelamente, porém, acumulava problemas extracampo e advertências na escola por mau comportamento.  Em um dos episódios, ameaçou uma professora.

Recuperado de lesão, viveu um dos dias mais felizes de sua passagem pelo Corinthians quando, relacionado para um jogo da “Copa do Brasil Sub-17” que seria disputado na “Arena”, conheceu o “Estádio de Itaquera”.

Os casos de indisciplina, contudo, seguiam acompanhando Leandro. Por conta deles, o clube decidiu se desvincular do atleta. Fato é que saída de Leandro do Corinthians entristeceu, lá mesmo em 2017, dirigentes, comissão técnica e demais funcionários do clube que com ele conviviam.

De forma geral, ele era visto como um garoto com potencial dentro de campo. Não à toa foi contratado mesmo com histórico de indisciplina e promovido ao Sub-17 ainda lesionado.

Na relativamente breve passagem pelo Corinthians, Leandro foi colega de elenco de jovens que hoje são conhecidos pela ala da torcida que mais acompanha as categorias de base.

Nomes como Guilherme, Ronald, Du, Vitinho e Gustavo Mantuan, hoje no Sub-20 do clube e monitorados por Fábio Carille, treinavam diariamente com Leandro, que foi comandado no Parque São Jorge pelos técnicos Vinicius Marques, que segue por lá, e Marcos Soares, hoje à frente do Sub-20 do Botafogo.

Leandro jogava atualmente no Capital CF, de Guará, no Distrito Federal, que fica a aproximadamente 40 km de Valparaíso de Goiás, onde morava com o pai e foi morto.

Lá, apesar de não integrar o elenco profissional, Leandro sabia da perspectiva de, se promovido ao plantel principal, ser treinado por Waldemar Lemos, irmão de Oswaldo de Oliveira e hoje técnico da equipe de Guará.

Também seria colega do veterano Jobson, atacante com passagem pelo Botafogo e que também acumula diversos problemas extracampo, como suspensão por doping e prisões por acusação de estupro e descumprimento de medidas cautelares.

As semelhanças com Jobson e com a passagem pelo Corinthians vinham se repetindo. Membros da comissão técnica relataram um sumiço de Leandro nas últimas semanas.

Há cerca de um mês, ele chegou a procurar integrantes do grupo técnico recém-chegado para explicar os problemas com a comissão antiga e pedir nova chance. Ouviu reposta positiva. Poucos dias depois, porém, não apareceu para os treinos.

Ele comentava com os mais próximos que não vinha se sentindo útil e que isso o chateava. Triste, não saía de casa e apresentava "pensamentos negativos". A preocupação virou tristeza e choque.

A notícia da morte deixou funcionários arrasados. Circularam diversos boatos na região sobre o que teria ocorrido naquela manhã de sexta-feira.

Nenhum, porém, foi confirmado. Apesar de a polícia ainda não dar maiores informações além da confirmação de que um PM disparou um tiro que lhe acertou o tórax, o que se fala entre profissionais do Capital e familiares de Leandro é que ele teria levado três tiros (um deles nas costas) quando estava numa praça acompanhado da namorada e carregando uma arma de brinquedo.

Outra curiosidade sobre o Capital é que, desde novembro do ano passado, o clube tem Marcelinho Carioca como diretor. O ex-meia, hoje com 47 anos, foi ídolo quando jogador justamente com a camisa do Corinthians, ex-clube de Leandro. (Pesquisa: Nilo Dias)

Leandro, no Corinthians Paulista.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Único clube de futebol brasileiro a jogar na Coreia do Norte

Pouca gente sabe, mas um pequeno clube de São Paulo, o Atlético de Sorocaba, foi o único time brasileiro a jogar até hoje na Coreia do Norte. Poucos brasileiros têm a possibilidade de visitar a Coreia do Norte. Segundo a embaixada do Brasil em Pyongyang, apenas 65 pessoas do país entraram lá nos últimos anos.

De 2009 a 2015, o Atlético Sorocaba fez quatro viagens à Coreia do Norte. Lá, viveu o impensável: foi confundido com a seleção brasileira, viu 30 mil pessoas não conseguirem entrar em um estádio já abarrotado por outras 80 mil, levou um atleta americano na delegação, padeceu em silêncio com a arbitragem, chegou a temer reações a eventuais vitórias. Hoje, tudo que resta ao clube é a memória: o time foi fechado em 2016.

Entender como um modesto clube do interior brasileiro foi parar na Coreia do Norte leva necessariamente à figura de Sun Myung Moon, o Reverendo Moon.

Nascido em uma região do norte coreano, quando a península ainda não estava dividida, ele foi o fundador da “Igreja da Unificação”, um grupo religioso que angariou milhões de seguidores, colecionou controvérsias e teve forte presença no Brasil sobretudo nos anos 90 – adquirindo mais de 80 mil hectares de terra no interior do Mato Grosso do Sul e levando centenas de asiáticos para lá.

Moon ficou preso por cerca de um ano nos Estados Unidos, punido por sonegação fiscal, respondeu a acusações semelhantes no Brasil e foi alvo de uma CPI - encerrada com a sugestão de que o melhor para o Estado do Mato Grosso do Sul era se aliar aos empreendimentos do coreano.

Ficou famoso por promover casamentos coletivos entre seus, fiéis e se viu envolvido em boatos de que praticava lavagem cerebral e servia vinho misturado a seu sangue.

Enquanto isso expandia seus negócios, que incluíam montadoras de carros e empresas de comunicação. E, amparado por um discurso de propagação da paz, chegou ao futebol. Apaixonado pelo esporte, ele escolheu dois clubes para investir no Brasil: o Cene (MS) e o Atlético Sorocaba.

Apesar de anticomunista ferrenho, o reverendo mantinha boas relações com Kim Il-Sung, avô do atual líder Kim Jong-Un. Em 2009, com a inédita classificação da Coreia do Norte para a “Copa do Mundo”, na África do Sul no ano seguinte, Moon teve a ideia de levar o Atlético, de Sorocaba a realizar amistosos no país asiático, dentro
do que classificou como missão de paz entre os povos.

O Reverendo Moon adquiriu o clube paulista e passou a injetar dinheiro e estrutura nele. Os resultados logo apareceram. Da terceira divisão paulista em 2001, pulou para a primeira em 2003.

Foi nesse cenário que Moon montou um plano maior: usar o Atlético Sorocaba para levar o futebol brasileiro além das fronteiras mais fechadas do planeta.

O reverendo, apesar de anticomunista, tinha um canal de comunicação aberto com a ditadura norte-coreana. No começo dos anos 90, reunira-se com Kim Il-Sung – avô do atual líder do país, Kim Jong-Un.

A oportunidade de ouro surgiu em 2009. A Coreia do Norte classificara-se para a “Copa do Mundo” do ano seguinte, na África do Sul, e tinha interesse em enfrentar equipes de outros lugares do planeta.

Mas seu regime político praticamente inviabilizava a diplomacia necessária para a realização de amistosos. Com a intermediação do Reverendo Moon, porém, seria possível. E lá foi o Atlético Sorocaba.

A delegação chegou à Coreia do Norte pela China – única via aérea para o país. O avião era norte-coreano. E assustou os passageiros. Rachaduras dentro da aeronave estavam tapadas por cola em massa.

Os atletas se perguntavam, se alguém já tinha visto um avião com Durepoxi? E Sidnei Gramático, o “Passarinho”, ex-massagista do Atlético Sorocaba, contou que viu trincas, remendos com Durepoxi. E que todos ficaram muito tensos.

No aeroporto de Pyongyang, telefones e passaportes foram confiscados. De lá, o grupo rumou para o monumento em homenagem a Kim Il-Sung, onde um representante do clube depositou flores para a imagem – e o restante do grupo fez um gesto de reverência.

Nos dias seguintes, todos os passeios tiveram acompanhamento de guias definidos pelo governo. Os destinos, invariavelmente, eram pontos de celebração da ideologia norte-coreana e de culto aos líderes. A propaganda militar era permanente.

Um dia antes do jogo, os atletas foram ao estádio. E ficaram impressionados com sua imponência. Lá, treinaram sob olhares da seleção norte-coreana. Quando foi a vez de os donos da casa fazerem sua atividade, porém, os brasileiros tiveram que sair.

Mas o choque maior veio no dia do jogo. Ao se aproximar do estádio, a delegação do Atlético Sorocaba começou a perceber que aquele não seria um dia normal.

Uma multidão cercava o local e vibrava com a chegada do ônibus. Os atletas se questionavam: por que tamanha euforia? Minutos depois, ao entrar em campo e ver BRA no telão, eles entenderam o que acontecia: para o povo da Coreia do Norte, ali estava a “Seleção Brasileira”.

O jogador Klayton contou que foi o primeiro a entrar no gramado. Espantado, ao ver tanta gente, chegou a dizer “Nossa”. O estádio estava extremamente lotado. E além dos 80 mil, que estavam dentro, ficaram 30 mil pessoas fora.

No placar eletrônico, não estava escrito Atlético Sorocaba. Estava escrito Brasil, a sigla BRA. E a torcida esperava ver algum jogador bem famoso.

O começo do jogo trouxe novos espantos para os brasileiros. Quando eles tinham a bola, a torcida silenciava por completo. Não havia vaias, murmúrios, conversas: nada. Era um bloco de silêncio impenetrável. O ambiente só mudava quando a seleção norte-coreana atacava. Aí explodia o som de incentivos ao time.

O jogo foi equilibrado, com os norte-coreanos tentando pressionar sobretudo no primeiro tempo. E enquanto a bola rolava, os brasileiros tentavam fugir de um raciocínio que os perseguia: se eles podiam vencer a partida sem colocar sua segurança em risco.

Foi um jogo complicado. A delegação tinha 30 pessoas. Ninguém tinha uma ideia muito firme do que estava se passando, do que poderia acontecer ou não.

O clima foi tenso na partida. O jogo terminou empatado por 0 X 0. Diplomaticamente, foi o resultado perfeito, embora o Reverendo Moon quisesse que o time vencesse.

Só que depois ele se contentou. E ofereceu um excelente almoço no palácio dele na Coreia do Sul e disse que foi melhor ter empatado, porque assim não haveria problema para sair.

Havia muitos militares na arquibancada. Mas, a delegação tinha a proteção da embaixada brasileira. Para sorte do clube, o então presidente Lula, em junho de 2009, havia estabelecido a embaixada brasileira em Pyongyang.

O Atlético Sorocaba saiu do Brasil em novembro de 2009. Foi até Pequim e lá conseguiu um visto de cinco dias para Pyongyang.

Todo o corpo diplomático esteve no aeroporto para receber a delegação, como se estivesse recebendo a “Seleção Brasileira”.

A grande surpresa aconteceu no dia 5, quando a equipe se dirigiu ao estádio e teve que passar por uma multidão de 30 mil pessoas, que se aglomerava do lado de fora da arena, já ocupada por 80 mil espectadores.

Foi uma grande emoção para todos os jogadores, atletas muito simples, embora alguns já tivessem passado por clubes renomados, como o Santos.

Entre as dificuldades, além do peso da responsabilidade em jogar diante dessa multidão, estava o fato de que o gramado era sintético, tipo de campo onde o Atlético, de Sorocaba nunca havia jogado.

O ex-técnico de futebol Eduardo Maragon, convidado a participar da partida contra a Coreia do Norte, deu declarações bem peculiares sobre o evento.

Disse que quando foi cumprimentar o treinador da Coreia do Norte, eles tomaram aquilo como uma ameaça. Surgiram militares de todos os lados. Não era costume deles.

O jogo chamou tanto a atenção da mídia que foi transmitindo ao vivo por várias emissoras, incluindo a televisão da FIFA.

No ano seguinte, na África do Sul, a Coreia do Norte acabou sendo sorteada para integrar o mesmo grupo do Brasil. Quando houve o jogo entre as duas seleções, os norte-coreanos perderam por 2 X 1.

No lendário jogo do dia 5 de novembro, uma das maiores surpresas foi constatar como os dois times foram apresentados no placar eletrônico: DRK (República Democrática da Coreia) X BRA (de Brasil). O Atlético Sorocaba jogou de amarelo!"

Em 2010, na segunda viagem, o Sorocaba, um amistoso comemorativo a posse do novo presidente, Kim Jong-um, o time não teve tanta sorte. Perdeu de 1 X 0, com um gol de pênalti absurdamente inexistente, marcado pelo árbitro, que era norte-coreano.

Dessa feita foi uma realidade diferente daquela experimentada em 2009. O Atlético Sorocaba não foi tratado como seleção brasileira, e o interesse no futebol parecia menor depois do fracasso do país na Copa – sobretudo pela derrota de 7 X 0 para Portugal.

Mesmo assim, cerca de 40 mil pessoas foram assistir à partida no estádio. O público parecia diferente: menos militares, mais mulheres. Mas a principal novidade estava dentro de campo.

E portava um apito. O árbitro, norte-coreano, levou o time brasileiro à loucura – favoreceu a seleção local do começo ao fim do jogo. E os visitantes tiveram que aceitar calados.

O time que enfrentou os coreanos tinha Carlos Carioca - Jamesson (Leandro Silva) - André Silva - Celso, Marcão e Assis. Fábio Baiano - Sandro e Leandro Diniz (Danilo). Adriano e Luan (Diego Ratinho).

Naquele ano, a equipe também fez mais duas partidas amistosas: em Pequim e em Khabarovsk, no Extremo Oriente russo, em 30 de dezembro, contra o SKA.

Fora do campo, toda a equipe e a comissão técnica do Sorocaba fizeram vários passeios pela cidade e seus arredores. Ao contrário do que divulgou a mídia ocidental, em momento algum o time se sentiu constrangido ou cerceado pelas autoridades norte-coreanas.

O ex-presidente do clube garantiu que conversou normalmente com as pessoas na rua, posou para fotos e, apesar do cerimonialismo típico dos orientais, sentiu-se benvindo em todas as ocasiões.

Embora falasse coreano, o dirigente procurou se fixar no esporte. Caminhou horas pelas ruas de Pyongyang sem problema nenhum. Ao chegar, representantes do governo ficaram com seu passaporte, mas conseguiu levar a máquina fotográfica.

Caminhou de duas a três horas, entrou em pequenos mercados. O brasileiro é muito bem recebido, na Rússia, na China, na Coreia do Norte.

A delegação teve pelo menos um dia de passeio dirigido, quando foram conduzidos por um ônibus e funcionários do governo que falavam espanhol.

A comitiva brasileira não teve qualquer problema com alimentação na Coreia do Norte, embora, por precaução, tivessem comprado muitos alimentos em Pequim, antes do embarque para Pyongyang.

Além disso, as compras para o lanche da tarde e da noite eram feitas nos supermercados das embaixadas, embora ninguém notasse qualquer problema de abastecimento nas lojas abertas ao público.

A terceira viagem do clube de Sorocaba para a Coréia do Norte aconteceu em 2011, desta vez sob o comando do técnico Fernando Diniz. Foram dois jogos: derrota de 1 X 0 no primeiro e empate por 0 X 0 no segundo.

Os brasileiros enfrentaram muitos jogadores que tinham disputado a Copa de 2010. Não tiveram temor algum e jogaram para ganhar. "Foi uma experiência muito interessante, em um país muito fechado, com controle sobre tudo", recordou Diniz.

Aquela foi a última vez em que o Atlético Sorocaba levou sua equipe profissional à Coreia do Norte. Depois, o clube só retornou ao país em 2015, mas com a equipe sub-15. E com um “inimigo” na delegação.

O meio-campista Pedro Lutti nasceu em Miami. Tem pais brasileiros e só morou em seu país de origem no primeiro mês de vida. Viajou à Coreia do Norte com documentação brasileira.

E teve que aguentar gracinhas dos colegas de time, que ficavam dizendo que iam contar que ele era americano, que não são bem vindos ao país.

O time sub-15 participou de um torneio com equipes da Coreia do Norte, Coreia do Sul, China e Croácia. Terminou em terceiro, depois de também sofrer com a arbitragem.

Em 2015, os garotos já enfrentaram restrições menores do que a dos profissionais que os antecederam. Puderam, por exemplo, entrar com telefones celulares no país – porém, não conseguiam acesso à internet.

No hotel, até descobriram um jeito de telefonar para o Brasil. Tiveram que juntar moedas quando chegou a conta, que foi complementada pela diretoria do Atlético Sorocaba. Só um dos telefonemas, de cinco minutos, custou 50 dólares.

Com a morte do reverendo Moon em setembro de 2012, a situação financeira do clube foi se agravando paulatinamente, o que obrigou o Sorocaba a se desligar da Federação Paulista.

Fora do futebol profissional desde o final de 2016, o Atlético, de Sorocaba ainda mantém um centro de treino que é considerado um dos mais modernos do país.

É uma estrutura que muito clube grande não tem: quatro campos, dois hotéis, piscina aquecida e academia em um terreno que tem até um lago. A Argélia ficou lá na Copa de 2014. Em um dos troféus que repousam no local, marimbondos iniciaram a construção de uma casa. É a imagem do abandono.

Em frente à sede do Atlético Sorocaba, a água que jorrava de uma fonte, ornada com uma pequena bola de futebol no topo, era iluminada em amarelo e vermelho – as cores da equipe. Hoje, a fonte, literalmente, secou. Está desativada – a exemplo do futebol do clube.

Por ironia, o centro do Sorocaba é utilizado hoje pelo seu maior rival na cidade, o São Bento, que subiu há pouco da série C para a B do Brasileirão. Seu técnico Paulo Roberto (de novo a ironia) era um dos jogadores do Sorocaba na lendária partida de 2009 na Coreia do Norte. (Pesquisa: Nilo Das)
Seleção da Coréia do Norte e Atlético Sorocaba, posaram juntos na foto de 2011.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Os 100 anos do Olímpico de Blumenau

No último dia 14 o Grêmio Esportivo Olímpico, de Blumenau (SC) se tornou centenário. O clube foi fundado em 14 de agosto de 1919 com o nome de Sociedade Desportiva Blumenauense. Seus fundadores foram imigrantes alemães.

Segundo relatos da época, a primeira ata do Futebol Clube Blumenauense (FCB) foi realizada no dia 14 de agosto de 1919. Na ocasião, cerca de 20 homens participaram do encontro no Hotel Guarujá, Alameda Duque de Caxias, no centro de Blumenau.

Alguns idealizadores do clube presentes foram: Emílio Hoetgebaum, Henrique Sachtleben, Paulo Grossenbacher, João Hahn, Otto Brunner, Fritz Nicolai, Arthur Petters, Paul Kielwagen, Victor Theodoro Laux, Paulo von Czekus, Hermann Scheidemantel, Ernst Willrich, Hermann Hemke, Alfredo Diebold, Arthur Bruner, Alfredo Gehrer, Otto Güse, Hermann Brandes, Andréas Hoetgebaum, Alfredo Carvalho, Manoel dos Santos e August Mausmann.

As reuniões do FCB costumavam ser realizadas em hotéis da cidade ou muitas vezes nas próprias residências de dirigentes e associados. Além das atividades esportivas, o clube realizava periodicamente bailes públicos.

Logo nos primeiros anos de fundação o FCB conseguiu um de seus mais importantes troféus: o “Campeão de Simpatia”. O antigo cinema do “Hotel Holetz” realizou em maio de 1922 um concurso para eleger o clube mais simpático de Blumenau entre os freqüentadores de suas sessões cinematográficas. O Futebol Clube Blumenauense foi então o escolhido para receber o troféu.    

A diretoria mandou construir uma pequena caixa para colocá-lo em exposição em uma das lojas da cidade, sendo esse o primeiro registro de um troféu recebido pelo clube ao longo de sua história.  

Aos poucos o futebol tomou conta de Blumenau, dando início as grandes rivalidades entre os times. Os primeiros jogos do FCB eram disputados em um terreno próximo ao campo do Brasil, pertencente então à Família Holetz.

Logo depois a “Sociedade Ginástica” emprestou o campo de exercícios, onde hoje se estende o complexo do “Conjunto Educacional Pedro II”, para as competições. 

O primeiro torneio data de 1921. A equipe do Blumenauense era formada basicamente pelos fundadores do clube e do times enfrentados destacavam-se o Caxias Foot Ball Club e o Brasil FC. A concessão do campo durou 17 anos. 

Até 1930 o FCB havia vencido nove torneios regionais. O intercâmbio não era comum, principalmente pelas dificuldades de ligação entre os municípios catarinenses. Na época o clube possuía jogadores como Kloth, Koenig, Waldemiro e Tigy.

Além do Blumenauense, existiam na cidade outras equipes, clubes esses voltados exclusivamente ao futebol: o Bom Retiro, fundado em 1926 e que mais tarde seria um dos troncos do atual Clube Blumenauense de Caça e Tiro; o Amazonas, criado entre os operários da Empresa Garcia; Victória, mais tarde Vasto Verde, no Bairro da Velha; Liberdade; o Altonense, do bairro de Altona, hoje Itoupava Seca; e o América, depois Guarani, na Itoupava Norte. 

Uma curiosidade é que o clube havia nascido com o nome de Blumenauense Football Club, mas oficialmente era Football Club Blumenauense. No estatuto de 1937 passou a denominar-se Blumenauense Sport Club e, finalmente em 1938, Sociedade Desportiva Blumenauense, seu último nome antes de tornar-se Grêmio Esportivo Olímpico, em 1944. 

O FC Blumenauense recebeu inúmeras pressões de quem não admitia que o clube se voltasse ao profissionalismo. A principal oposição era da Sociedade Ginástica, que lhe tirou o direito de usar o campo que lhe fora emprestado.

Em seguida muitos dos atletas também abandonaram a equipe. O impasse foi combatido, formando-se uma equipe de juvenis dirigida por Lindolfo Natal. Começaram a surgir atletas que mais tarde representariam verdadeiras bandeiras do clube, como Margarida, Zinkhahn, Nieksche, Wilmar da Luz e Júlio Grossenbacher.

Com o fim do campo da Ginástica para os treinos, a agora Sociedade Desportiva Blumenauense (SDB) iniciou a compra de um terreno para a construção do seu novo campo. Durante um tempo, como alternativa o clube jogava eventualmente no gramado do Brasil e nos demais clubes de Blumenau.

O grupo de atletas que possuía também projetou-se positivamente na cidade, alcançado logo em seguida prestígio a nível estadual e enfrentando os mais diversos times de Santa Catarina e de outros estados.

A organização futebolística recebia novos moldes na região, com a criação em 1941 da Liga Blumenauense de Futebol (LBF), uma instituição que tratava do futebol na cidade. A nova entidade surgiu do idealismo dos desportistas Capitão Nilton Machado Vieira, Benjamin Margarida e Willi Pawloswky, e o 1º presidente Alfredo Campos, um dos fundadores do Brasil FC, e mais tarde prefeito da cidade. 

No primeiro campeonato, o de 1941, o Brasil Futebol Clube foi o Campeão Catarinense de Futebol, título conquistado também no ano seguinte, em 1942.
 
Em 1943 o time da Sociedade Desportiva Blumenauense disputava o título da Liga Blumenauense de Futebol com outras sete equipes: Brasil (mais tarde Palmeiras), América (hoje Guarani EC), Bandeirantes (Brusque), Timboense, Indaial, Concórdia (Rio do Sul) e Tupy, de Gaspar. 

Sob o comando do técnico Manoel Pereira Júnior e o Tenente Hernandez na preparação física dos atletas, o Blumenauense organizou uma equipe formada por Waldir, Arthur e Arécio, Piska, Hini e Generoso, Iço, Willy, Bodinho, Pie e Abreu.

A SDB conquistou o título da LBF, vencendo os 15 jogos disputados, marcando 77 gols, tendo sofrido apenas 16. O Blumenauense teve ainda o goleador do campeonato, Abreu, com 22 gols, seguido por Bodinho, com 20.  

A campanha de 1943 começou com o Bumenauense levantando o título deste Torneio. Em 11 de abril, o time iniciou a primeira partida goleando de 6 X 1 sobre o Bandeirantes. Em 26 de abril outro placar: 5 X 1 sobre o América; em 2 de maio vencendo o Indaial por 3 X 2. Finalmente chegou o primeiro clássico da cidade, com o Blumenauense enfrentando e vencendo por 7 X 2 o Amazonas no dia 6 de junho. Já no dia 20 a maior goleada, 11 X 1 sobre o Tupy de Gaspar.

Os placares dilatados eram uma constante nos jogos que o Blumenauense disputava. Um exemplo disso foi o jogo contra o Timboense, quando no final a equipe de Blumenau venceu por 8 X 1.   

Em 1943 o Blumenauense também sonhava em ver seu futebol campeão do estado. Esse sonho parecia que se tornaria realidade depois de duas vitórias sobre o Brusquense: 2 X 1, em Brusque; e 5 X 3, em Blumenau, embora o time do Avaí, adversário finalista daquele ano, tivesse a vantagem do mando de campo na segunda partida.

No primeiro jogo a equipe da Blumenauense cedeu o empate de 2 X 2 em pleno Estádio da Baixada, sendo derrotado pelo adversário no Estádio Adolfo Konder, da Federação Catarinense de Desportos, por 5 X 0. 

Mesmo derrotado, o clube contentou-se com o vice-campeonato de 1943, pois conseguia firmar-se entre os grandes times do estado. Nesta época também o clube despedia-se da denominação de Sociedade Desportiva Blumenauense, passando a ser em 1944 Grêmio Esportivo Olímpico.

Diante desse disposto foi baixado pelo Conselho Nacional de Desportos, uma deliberação de número 5.342, em 2 de março de 1943, “alterando denominações que derivassem de nomes de Nações, Estados, Regiões ou Municípios”.

Através de circulares expedidas pelo Conselho, veio uma determinação à direção da Sociedade Desportiva Blumenauense  em que dizia: “A palavra que qualificar o nome de uma associação desportiva, não pode mais derivar dos vocábulos, Brasil, Nação Estado, Território ou Município, que são privativos, respectivamente do CND (Conselho Nacional de Desportos), das Confederações, Ligas e centros classistas desportivos.

Não pode a agremiação mesmo incorporar ao seu nome a palavra Brasil, salvo autorização do CND, e parecer homologado pelo Ministro da Educação e Saúde”.

Após a determinação, dirigentes de clubes de Blumenau entraram em um período de discussões das suas novas denominações. O Recreativo Brasil aproveitaria sua localização, a Alameda Duque de Caxias, para passar a denominar-se Palmeiras EC; o América, da Itoupava Norte, para se tornar Guarani EC; enquanto que a Sociedade Desportiva Blumenauense passaria a Grêmio Esportivo Olímpico.

Já o Amazonas manteve o nome, tirando apenas o “s” e depois passando um período de inatividade. Só retornou após a Guerra, quando novamente não observava-se denominações conforme a deliberação governamental.

O nome Grêmio Esportivo Olímpico foi uma idéia que encontrou simpatia entre os desportistas, porque o clube havia surgido de uma Sociedade de Ginástica Olímpica, e lembraria sempre a extinta Sociedade Ginástica, já então adormecida e paralisada pelo temor de influências alemãs e nazistas.

A reunião de aprovação da denominação coincidiu com a eleição da nova diretoria, a primeira da nova fase do clube, cujo primeiro ato foi a consagração do nome Grêmio Esportivo Olímpico. 

O presidente José Ribeiro de Carvalho foi mantido no cargo, e os demais membros foram os seguintes: Tenente Domingos Costa Hernandez (vice-presidente); Manoel Pereira Júnior (secretário geral); Wilmar da Luz (primeiro secretário); Werner Eberhardt (segundo secretário); Frederico Kretzmann (primeiro tesoureiro); Herbert Wehmuth (segundo tesoureiro); e Nicolau Pederneiras, Victor Krepsky, e Guilherme Pawlowsky Júnior (Willy) na Direção Esportiva. A comissão de sindicância (conselho fiscal) ficou formado por Arthur Rabe Júnior, Otto Abry, Augusto Reichow, Henrique Rieschbieter e Willy Belz.

Em poucos dias a cidade toda tomou conhecimento através da imprensa da grande transformação ocorrida nos clubes de Blumenau. O desaparecimento do nome Sociedade Desportiva Blumenauense entristeceu muitas pessoas, que durante anos aprenderam a amá-la. Porém ao Grêmio Esportivo Olímpico era reservado um grande futuro.

No ano de 1944 chegaria novamente a vez de o rival do Olímpico, chamando-se agora Palmeiras EC, chegar à decisão estadual contra o Avaí. Apesar dos esforços do Palmeiras o time, que tinha Teixerinha como o seu maior astro, acabou perdendo, sendo goleado por 11 X 1. 

A partir de então o jejum branco-grená persistiu durante cinco anos. Em 2 de dezembro de 1944, o “Estádio da Alameda” foi palco para o eterno inimigo quase ceder ao Olímpico mais um título, com um empate em 2 X 2 diante do Guarani (ex-América). No entanto a equipe da casa perdeu por 5 X 2. 

Em 1945 mais uma amarga derrota na decisão contra o Palmeiras. Além do placar de 4 X , o Olímpico perdeu dois pênaltis, quando poderia virar uma partida em que jogava melhor. O mesmo ocorreu em 1946, com o jogo realizado em 12 de janeiro de 1947.

O clássico final foi vencido pelo Olímpico, mas sua campanha não havia correspondido à altura, de maneira que o placar de 3 X 2 conseguido foi apenas para cumprir a tabela. 

 novo nome parecia ter trazido um feitiço para o clube da “Alameda Rio Branco”. Sua diretoria procurava de todas as formas achar um porquê dos insucessos obtidos nos três primeiros anos em que o Olímpico assim se chamava. O Palmeiras repetia novo o título, mas voltava a perder o estadual, depois de duas derrotas para o América, de Joinville. 

O Olímpico voltou a disputar o campeonato de 1948, mas novamente não conseguiu chegar ao título estadual. Esse caminho foi atingido pelo Olímpico na campanha seguinte, conseguindo trazer o primeiro título estadual para Blumenau. 

O Grêmio Esportivo Olímpico tinha retornado em 1948, disputando o Super, mas não conseguindo vencer o campeonato da Liga Blumenauense de Desportos (LBD). O presidente Arnaldo Xavier conseguira para 1949 montar uma equipe combativa, com poucos reforços de fora, mas com a garra de ex-juvenis, além da experiência de alguns remanescentes da equipe vice-campeã de 1943. 

No campeonato da LBD, que começou em 29 de maio, o Olímpico conseguiu vencer o Carlos Renaux, de Brusque, no Estádio da Baixada. No entanto foi derrotado em 5 de junho pelo outro representante de Brusque, o Paisandú por 3 X 2 no vizinho município. Jogando em Gaspar, no Estádio Carlos Barbosa Fontes, a equipe então dirigida pelo técnico José Pera venceu por 4 X 0. 

Depois de nova vitória sobre o Guarani por 5 X 2 chegou o tão esperado clássico da icdade, na época comparado com um Fla-Flu, do Rio de Janeiro, vencido pelos alvi-rubros por 4 X 2. 

Apesar da vitória sobre o Guarani por 3 X 1 no início do returno, nas duas partidas seguintes toda a fome de gols decairia para o Olímpico. Em Brusque empatou com o Carlos Renaux, em 0 X 0, e não passando pelo mesmo marcador diante do Paisandú, em plena Baixada Grená. 

Os resultados estavam difíceis e o campeonato da LBD poderia estar perdido se não fosse a má campanha dos demais concorrentes. Na partida seguinte o Olímpico voltou a vencer, mas apenas por 3 X 2 sobre o Tupy.

Perdeu na fase decisiva para o Carlos Renaux por 4 X 3. As esperanças do time foram retomadas após a vitória no “Eterno Clássico”, diante do Palmeiras por 3 X 1, com gols de Juarês, Renê e Nicolau, descontando para o alviverde o jogador Jonas.

O Olímpico recuperou o título conseguido em 1943, depois de vencer uma melhor de três com o Paisandú, de Brusque. Vencendo o campeonato da LBD, em 1949, coube ao clube o direito de disputar com as demais regiões a posição de finalista.

Como campeão do Continente contra o da Ilha de Santa Catarina, disputado entre os times Paula Ramos, Figueirense e Avaí. Naquele ano repetiu-se a história de 1943. A equipe de Blumenau era dirigida agora por Carlos de Campos Ramos, conhecido como “Leléco”. 

Para chegar ao título máximo estadual, o Olímpico teve que passar pelo Atlético, de São Francisco do Sul, campeão da Liga Joinvilense. No primeiro jogo, na Baixada, conseguiu vencer por 4 X 2, com gols de Nicolau, em 12 de março de 1950.

Uma semana mais tarde, em São Francisco do Sul, os dois adversários voltavam ao confronto, e o Olímpico acabou com o Atlético, em uma vitória de 3 X 2, gols marcados por Nicolau, Juarez e Renê. 

O próximo passo seria vencer o Juventus, de Porto União. Nos dias 26 de março e 2 de abril, ganhou por 5 X 2 em Blumenau e 5 X 1 no reduto adversário. Novamente o Olímpico voltou a decidir com o Avaí, disposto a devolver o amargor da derrota na decisão de Florianópolis, em janeiro de 1944. 

Na primeira partida os grenás fizeram 6 X 1, no dia 30 de abril, no “Estádio da Alameda”, com gols de Juares (2), Nicolau, Renê, Walmor e Testinha. Era vez agora da segunda partida. Um jogo para lotar o “Rstádio Adolfo Konder”, em Florianópolis.  

A equipe do Olímpico estava convicta que pelo menos um empate poderia conseguir em Florianópolis. Os seus jogadores não mudaram suas rotinas na semana que antecedia a grande decisão.

Além dos treinamentos alguns jogadores cumpriram normalmente seus expedientes nas empresas em que trabalhavam. A delegação blumenauense viajou, apesar de tudo desolada para Florianópolis, pois recebeu a notícia de que a brilhante equipe italiana do Torino, detentor do “Scudetto” base da Seleção da Itália, a “Squadra Azurra”, havia morrido em um acidente aeroviário. 

Hora da decisão. Florianópolis havia preparado uma enorme festa, que iniciou no momento em que os jogadores avaianos entraram em campo. Depois do festivo ingresso da equipe da casa no gramado, sob vários foguetes, entrou o Olímpico vaiado. Um minuto de silêncio em homenagem aos jogadores do Torino. O público proporcionou a renda recorde de Cr$ 20.000,00.  

O Avaí parecia ter entrado mais disposto, mas logo o Olímpico impôs seu jogo. A zaga, formada por Aducio Vidal e Arécio, se impôs logo na marcação dos atacantes do time da capital. No primeiro ataque, aos 7 minutos, o Olímpico marcou o primeiro gol da tarde.

“Testinha” conseguiu um bom arremesso contra a meta defendida pelo então melhor goleiro do estado, Adolfinho, com Juarês completando. O mesmo atacante, em questões de minutos alterou o placar, em jogada pessoal, driblando o goleiro adversário. A sorte do Olímpico estava praticamente decretada, de maneira que seus jogadores procuravam apenas administrar a vantagem. 

O Avaí chegou a descontar através de Jair, aos 19 minutos, em uma falha impressionante de Oscar. A equipe da capital, logo em seguida chegou a empatar aos 28 minutos, mas o árbitro, Arthur Lange, da Liga Joinvillense, anuloi alegando irregularidade. 

O Avaí tentou de qualquer maneira chegar à igualdade no marcador. Porém, aos 38 minutos, em uma jogada de Renê, o Olímpico marcou novamente através de “Testinha” de cabeça. Apesar da boa vantagem o jogo não estava terminado.

Logo em seguida ao terceiro gol, Niltinho quase marcou para o Avaí, mas Aducci colocou a mão na bola. O técnico Avaiano, Oswaldo Meira, determinou a cobrança através de Bentevi, mas o goleiro Oscar defendeu. 

Na segunda etapa o jogo caiu de ritmo. No início algumas boas jogadas do Avaí, que até aos 20 minutos foi perdendo o domínio de jogo, com o zagueiro Aducci presente junto com Arécio, constituindo-se ao lado de Juarês na melhor figura do jogo. 

Finalmente o Olímpico acabou com todas as esperanças da equipe da Capital aos 20 minutos do segundo tempo, em mais uma boa triangulação de “Testinha”, Renê e Juarês, completando a goleada de 4 X 1 no campo adversário.

Finalmente uma equipe de Blumenau, depois de várias lutas travadas ao longo de três décadas conseguiu um título estadual. O Olímpico consegue o empate em Florianópolis e trás o título a Blumenau. 

Os campões de 1949: Oscar Meyer: goleiro; Aducio Vidal (Aducci): zagueiro;  Arécio Ávila dos Santos: zagueiro; Arthur Jaeger: zagueiro; Curt Jaeger: zagueiro e meia-esquerda; Amauri Pacheco (Pachequinho): meia-direita; Honorário Meyer: centro-médio; Jalmo Hipólito da Silva: meia-esquerda; Eli Rosa (“Testinha”): ponta-direita; Nicolau dos Santos: meia-dreita; Juares Teixeira: centro-avante; Walmor Belz: meia-esquerda; Moacir Massita Werner: meia-esquerda; Reenê Mapelli: ponteiro direita; Genézio da Silva (“Cabeleira”): ponta-direita; Waldir Luz: goleiro; Técnicos: José Pera até o final do Campeonato da LBD e Carlos de Campos Ramos (“Leleco”) a partir da melhor de três contra o Paisandú, na decisão do campeonato regional até a final diante do Avaí; Presidente: Werner Eberhardt .

Ficha do jogo final:

Gols: Juarês (7 e 9 minutos do 1º tempo), “Testinha” (38 minutos do 1º tempo), Juarês (20 minutos do 2º tempo) e Jair (19 minutos do 1º tempo). 
Arbitragem: Arthur Lange. 
Renda: Cr$ 19.751,00 
Adolfinho – Honduras – Danda – Guido – Boos – Jair –Bentevi – Britinho - Niltinho e Saul. Técnico: Oswaldo Meira. 
Olímpico: Oscar – Aducco – Arécio – Pachequinho – Honório – Jaeger – Testinha – Nicolau – Juarês - Walmor e Renê. Técnico: Carlos de Campos Ramos (“Leleco”).  (Pesquisa: Nilo Dias)

Time campeão de 1949