Osório Cardoso Villas Boas, foi o presidente mais popular de toda a história do E.C. Bahia. Nasceu em Salvador, a 7 de outubro de 1914, filho de Cícero Lopes Villas Boas e Maria Júlia Rodrigues Cardoso Villas Boas. Foi casado com a senhora Lúcia Mendonça Villas Boas, de cuja união não deixou descendentes. Faleceu em Salvador no dia 7 de janeiro de 1999, aos 85 anos de idade.
Cursou o Ginasial nos Colégio Marista e Antônio Vieira, ambos em Salvador. Foi jogador do E.C. Bahia, ingressou na Polícia Civil como inspetor de polícia em 1935, permanecendo até 1963. Depois foi secretário de Segurança.
Iniciou na política como vereador pela Câmara Municipal de Salvador em 1950. Repetiu tal façanha nas eleições de 1954, 1958, 1982 e de 1988. Foi presidente da Câmara de 1989 a 1990 e de 1991 a 1992. E prefeito interino de Salvador em 1991.
Eleito deputado estadual, esteve no cargo de 1967 a 1969, quando no dia 1º de julho foi cassado após a implantação do AI 5. Na Assembléia Legislativa da Bahia foi o 3º secretário nos anos de 1967 e 1968, e titular da Comissão de Finanças, Orçamento e Contas, em 1969 e suplente das Comissões de Economia e Finanças, em 1967 e de Constituição e Justiça, em 1969.
No E.C. Bahia foi conselheiro, vice-presidente e presidente, nos anos de 1958 a 1960 e 1961 a 1969. Foi ele que dirigiu o clube quando da conquista do Campeonato Brasileiro de 1959, primeiro torneio nacional a indicar um representante do país à Taça Libertadores da América.
Ainda trabalhou como gerente do Lloyd Brasileiro, em Salvador, no ano de 1964; subgerente do Grupo Univest, em 1970 e gerente geral da Aplitec, nos Estados da Bahia e Sergipe e assessor legislativo na Câmara Municipal de Salvador.
O nome de Villas Boas até hoje é amaldiçoado entre os torcedores do E.C. Vitória, o grande rival do Bahia, porque ele foi o responsável por colocar o futebol baiano além das fronteiras do Estado, para ser reverenciado por todo o país. O título do clube baiano foi definitivo, inquestionável, aflitivo para os rivais, que jamais poderão lhe tirar esta marca.
O livro que o ex-presidente do tricolor baiano escreveu, “Futebol, paixão e catimba”, publicado em 1973, é tido pelos torcedores rubro-negros como uma real confissão de que tenha subornado e praticado vários delitos que depõem contra o futebol baiano.
O livro de Osório conta episódios que marcaram o imaginário do povo de sua época. Como nem todas as histórias mostravam um lado positivo do Bahia, o livro foi censurado durante muito tempo pela direção do clube.
Teve um "causo" em que um presidente do Vitória mandou desenhar e fixar na parede do vestiário do seu time, um cartaz com os jogadores rubro-negros vestidos de mulher. Depois atribuiu a autoria disso ao presidente do Bahia, Osório Villas Boas, na tentativa de provocar o brio dos atletas de seu time. Esses "causos" e muitos outros estão no livro.
Algumas pessoas, mesmo sem ao menos ter visto a capa do livro, acusam o velho Osório de praticas como se tivesse feito uma confissão efetiva.
Em um dos episódios mais curiosos do livro, o “cartola” explica o “mata-mata” contra o Sport, no caminho para o título da Taça Brasil. Era uma melhor de três jogos. No primeiro confronto, em Salvador, o Bahia venceu por 3 X 2. No segundo, na Ilha do Retiro, com João Havelange na tribuna de honra, o “Leão” aplicou 6 X 0. Aí, ele narra a história até a vitória na “negra”, por 2 X 0, na Ilha. Basta dizer que, na véspera do jogo, o dirigente pagou várias rodadas de cerveja para os jogadores do Sport. O time entrou em campo cambaleando e deu no que deu.
Por sua vez Osório mandou deixar no placar o resultado do jogo anterior, para mexer com os brios dos seus jogadores. A partir daquele momento o Bahia seguiu em frente para se tornar o primeiro campeão da Taça Brasil, em 1959.
No tempo em que Osório Villas Boas presidiu o Bahia, vivia-se uma época romântica do futebol brasileiro, que era mais apaixonante. Nossos dirigentes eram ingênuos, comparados aos de hoje. O Bahia ganhou dois campeonatos brasileiros, lutando contra tudo e contra todos. Mas tinha a sua frente um “presidente macho”, que enfrentava arbitragens e dava moral aos jogadores que atuavam com raça e responsabilidade.
O Bahia não esqueceu seu grande presidente, e lhe fez justiça dando ao moderno Centro de Treinamento o nome de Osório Villas Boas. O complexo esportivo, apelidado de “Fazendão” foi construído em 1979, na gestão do presidente Fernando Schimidt e ocupa uma área de 120.000 m². O CT dispõe de quatro campos de treinamentos, sendo três com medidas oficiais, além da sede administrativa do clube, hotelaria das divisões de base, sala de imprensa, etc.
Outra passagem bastante interessante aconteceu quando o Bahia excursionava pela Europa, em 1957. O “Tricolor de Aço” encontrava-se na Escócia, onde segundo Osório estão os juízes mais “ladrões” do mundo. O dirigente baiano contou que já tinha sido informado com antecedência sobre o comportamento desses árbitros. O Flamengo, quando jogou em Glasgow teve em 15 minutos de jogo quatro jogadores expulsos, e em conseqüência levou 9 X 2.
Também está no livro um diálogo que Osório teve com Vicente, um jogador de defesa, por vezes até desleal: “Presidente, se o Flamengo tomou nove gols, vamos levar 30”, disse Vicente. “Jogue manso”, limitou-se Osório a aconselhar. O mesmo conselho foi dado aos demais jogadores baianos: “Joguem manso, mas não acovardados”.
Foram dois jogos do Bahia na Escócia, ambos contra o Abderdeen, um em Glasgow, a capital escocesa, e outro em Aberdeen, cidade-sede dodversário. O Bahia perdeu os dois jogos, por 3 X 2 e 2 X 0.
Num desses amistosos, o árbitro roubou tanto, que Villas Boas chegou a correr ao seu encalço, a fim de dar-lhe um esculacho, no que foi acompanhado por Octávio, um membro da delegação que fazia as vezes de intérprete. O presidente teria dito: “Octávio, meu irmão, diga a esse ladrão que estou xingando ele, a mãe, o pai, o avô. Diga que se ele continuar a roubar eu tiro o time de campo”.
O intérprete não cumpriu a ordem, sob a alegação de que aprendera inglês na gramática, e nela não tem xingamentos. Osório, roxo de raiva revidou: “Se você não sabe xingar em inglês, pra que diabo veio pra cá?”
Em matéria publicada pela revista “Placar”, foi destacada a vivacidade do dirigente baiano Osório Villas Boas, contra a falsa malandragem do presidente do Santos F.C., Atiê Jorge Cury, antes da grande final.
O Santos, achando que o titulo seria decidido em dois jogos acertou uma excursão pelo exterior para após a decisão da Taça Brasil. O clube paulista era poderoso, tinha Pelé e surgia como o grande favorito da competição. Entretanto, já no primeiro jogo realizado na Vila Belmiro, o Bahia mostrou que não estava para brincadeiras.
O Santos fez 2 x 0 logo ao início do jogo. Foi quando veio a reação que ninguém esperava. O Bahia venceu por 3 X 2, com um gol de Alencar marcado em cima da hora. O segundo jogo foi em Salvador. E Pelé estava num dia de genialidade e estragou a festa baiana. O Santos venceu por 2 X 0.
O Santos negou-se a jogar a terceira partida em Salvador e exigiu campo neutro. A CBD atendeu. O confronto decisivo foi marcado para o dia 30 de dezembro, mas o clube paulista alegou que não tinha datas disponíveis. Mas a CBD manteve o jogo para a data programada. Foi então que o presidente do Bahia, Osório Vilas Boas entrou na jogada, mostrando toda a sua malandragem e sabedoria.
Psicologicamente, seu time não estava nada bem depois da derrota em Salvador. A temporada do Santos no exterior iria desgastar a equipe paulista. O Bahia teria tempo para se refazer. Por isso, concordou com o Santos e fez a CBD aceitar uma outra data: 29 de março, no Maracanã.
Enquanto o Santos se arrebentava na Europa, jogando um dia sim outro não, o Bahia se preparava para a decisão. Na volta do clube da Vila Belmiro, Pelé teve que ser operado das amígdalas e ficou de fora da final. Entre os baianos, o treinador Geninho teve que retornar ao Rio de Janeiro por problemas particulares. Assumiu Carlos Volante.
Na noite de 29 de março de 1960, o Maracanã recebeu um bom público, quase todo torcendo pelo Bahia que entrou em campo com Nadinho – Beto – Henrique - Vicente e Nezinho - Flavio e Mário – Marito – Alencar - Léo e Biriba. O Santos jogou com Lalá – Getulio – Mauro - Formiga e Zé Carlos - Zito e Mário – Dorval – Pagão - Coutinho e Pepe. O carioca Frederico Lopes foi o juiz.
O Santos fez X 0 através de Coutinho. O Bahia empatou com Vicente, em cobrança de falta da intermediária. Os baianos dominavam o jogo e os santistas demonstravam um cansaço, com pouca disposição para disputar as bolas divididas. No primeiro minuto do segundo tempo, Léo marcou o segundo gol do Bahia. O Santos entrou em desespero. Coutinho tentava romper a defensiva dos baianos, mas tinha a marcação de Vicente em todas as partes do campo.
O treinador Lula ainda tentou com Tite no lugar de Pagão, mas não deu certo. Aos 24 minutos, o juiz expulsou Getulio. Formiga reclamou exageradamente e também foi expulso. Aos 32 minutos, Coutinho agrediu Nezinho e foi colocado para fora. Vicente deu um soco em Coutinho e também foi obrigado a sair.
Perdido por dois, perdido por mil, os santistas resolveram parar os baianos no pau. A policia entrou em campo e esfriou os ânimos. O juiz Frederico Lopes expulsou outro santista. Dorval deu um tapa em Henrique e também saiu mais cedo. Aos 37 minutos, o Bahia sacramentou o titulo assinalando o terceiro gol.
A festa já tinha começado na Bahia de todos os Santos. Era também a vitória da malícia de Osório Vilas Boas que se impunha contra a pretensão de Atiê Jorge Cury. O dirigente do Santos, antes da decisão, havia enviado um telegrama ao San Lorenzo de Almagro, da Argentina, propondo datas e locais para os dois jogos pela Taça libertadores. Só que o San Lorenzo jogou mesmo foi contra o Esporte Clube Bahia, o campeão da primeira Taça Brasil.
Campanha do 1º campeão brasileiro: 14 jogos, 9 vitórias, 2 empates, 3 derrotas, 26 gols marcados, 17 sofridos : Bahia 5 X 0 CSA / Bahia 2 X 0 CSA / Bahia 0 X 0 Ceará / Bahia 2 X 2 Ceará / Bahia 2 X 1 Ceará / Bahia 3 X 1 Sport / Bahia 0 X 6 Sport / Bahia 2 X 0 Sport / Bahia 1 X 0 Vasco / Bahia 1 X 2 Vasco / Bahia 1 X 0 Vasco / Bahia 3 X 2 Santos / Bahia 1 X 2 Santos / Bahia 3 X 1 Santos. (Pesquisa: Nilo Dias)
O pol~emico livro de Osório Villas- Boas.
Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Os campeões esquecidos (Final)
Paralelamente aos jogos do campeonato da Liga, a Associação Pernambucana de Esportes Atléticos também programou seus jogos com times suburbanos, o que dividiu o público. A briga durou seis messes, e quando terminou, a competição já se encontrava no turno final. Mesmo assim Sport e América dela tomaram parte, embora não tivessem chances de chegar ao título. O Peres não voltou, e seu presidente, João Duarte Dias, declarou pelos jornais que tinha sido traído.
Quem terminou beneficiado com a briga e as ausências de Sport e América, favoritos ao título foi o Torre. O “Madeira Rubra” acabou sendo o campeão de 1926, o primeiro da sua existência, conquistado a 2 de janeiro de 1927, nos Aflitos, quando derrotou o América por 2 X O, com gols de Péricles e Piaba. O árbitro foi o dirigente tricolor, Carlos Rios, arranjado de última hora, uma vez que o escalado, Renato Silveira, também dirigente (Sport), não apareceu no estádio.
O time do Torre, que se sagrou campeão tinha: Valença - Aquino e Pedro Barreto – Arnaldo - Hermes e Dantas – Osvaldo – Piaba – Péricles - Policarpo e Galvão. Esse onze interrompeu um predomínio de 10 anos de Sport e América, únicos campeões pernambucanos, desde 1916. Muito embora alguns afirmassem que o Torre não teve méritos na conquista do título, a verdade é que armara um bom time. Seu primeiro grande passo foi tirar do Sport Club do Recife um dos melhores atacantes da Região, o artilheiro Péricles.
Em 27 de novemro de 1927 o Torre aplicou a maiorgoleada da história do futebol pernambucano ao ganhar nos segundos quadros do Equador, um time do bairro do Arruda, por 27 X 0. O Equador jogou com 7 apenas e e seu goleiro deixava a bola passar propositalmente. Nesse mesmo dia o Equador levou 8 X 0 nos primeiros quadros e 4 X 0 nos terceiros.
Na noite em que o time se filiou a Liga o dirigente do Equador, Pedro Franciscode Souza, conhecido como “Seu Souza” ofereceu uma festa de arromba no Bar Aurora, que foi até de manhã.
Se alguém colocou dúvidas sobre o mérito do Torre na conquista do campeonato de 1926, em 1929 o “Madeira Rubra” não deu margem a qualquer questionamento, sagrando-se campeão de forma invicta, tendo batido Santa Cruz, Náutico, América e empatado apenas duas vezes com o Sport. O campeonato teve oito equipes participantes e foi disputado no sistema de pontos corridos, com jogos de ida e volta.
Em 1930, quando da revolução que depôs o presidente Washington Luiz e colocou Getulio Vargas no poder, Recife ficou em polvorosa. O governador Estácio Coimbra teve que fugir para não ser preso e Carlos de Lima Cavalcanti, seu opositor, ligado aos revolucionários, assumiu o Governo de Pernambuco.
Em conseqüência o campeonato foi paralisado, pois não havia condições de sua continuidade. O líder era o Torre. O presidente da LPTD, Renato Silveira, convocou uma assembléia geral para dar por encerrado o certame. A reunião aconteceu na noite de 12de dezembro, sendo um documento assinado pelos representantes dos times disputantes, exceto Torre e Encruzilhada:
“Os abaixo firmados, representantes dos clubes filiados, Sport, América, Náutico, Íris, e Santa Cruz, reunidos aos 12 dias do mês de outubro de 1930, sob a presidência do Sr. Renato Silveira, presidente da LPDT, atendendo às circunstâncias especiais criadas pelos acontecimentos imprevistos que sacudiram o País, anormalizando a vida esportiva do Estado e tornando materialmente impraticável o prosseguimento do campeonato de 1930, resolveram acordar que seja o mesmo encerrado, considerando-se vencedores do campeonato deste ano os quadros dos clubes colocados em primeiro lugar na contagem dos pontos dos jogos já aprovados, sugerindo-se à diretoria da Liga instituir prêmios especiais para os citados vencedores”. O Torre foi assim proclamado campeão de 1930.
No campeonato de 1931 quando de um jogo entre Náutico X Torres, se o clube vermelho e branco empatasse ou perdesse para o Torre, quem se beneficiaria seria o Sport, que se credenciaria a um jogo extra contra o “Madeira Rubra”, e o vencedor decidiria o titulo contra o Santa cruz. O Náutico, mesmo sem chances de ser campeão venceu por 1 X 0 e tirou o rival da disputa.
Mas o jogo não saiu na data em que deveria, visto que dirigentes do Náutico mandaram serrar as traves do Estádio dos Aflitos, à véspera do embate. Isso, na tentativa de deixar o jogo para depois que as partidas restantes do campeonato fossem disputadas, como era praxe. Mas a Liga mandou jogar no domingo seguinte.
A direção do Náutico justificou o problema com as traves, como resultado da má conservação com a parte que se encontrava enterrada, que estaria caromida pela umidade. E pela proximidade do horário do jogo, não houve tempo hábil para a recuperação.
Os clássicos do Bairro da Torre tinham nomes pitorescos. Clássico da Paixão: era o nome dado ao jogo entre Torre Sport Club X Íris Sport Club. O jogo recebeu este nome porque o primeiro jogo disputado entre ambos foi no dia 5 de março de 1920, uma Sexta Feira da Paixão, no Campo do Alagado da Torre, com empate em 1 X 1.
Em toda a história Torre e Iris disputaram um total de 28 jogos. O Iris venceu 9 e o Torre 16, havendo 3 empates. As maiores goleadas foram: Iris 5 X Torre e Torre 8 X 0 Iris. O último “Clássico da Paixão” foi disputado no dia 12 de abril de 1939, no Campo da Fábrica, com vitória do Torre por 3 X 0.
Clássico Guerreiro era o nome do clássico entre Torre Sport Club X Israelita Sport Club, fundado no dia 8 de setembro de 1922 por um grupo de alunos do Colégio Israelita do Recife.
“Clássico dos Maestros” era o nome dado ao jogo entre Torre Sport Club X Santa Maria Athletico Club, outro clube também já extinto.
O Santa Maria Athletico Club foi fundado no dia 21 de novembro de 1906 por um grupo de alunos do antigo colegio Santa Maria, do bairro da Torre. O primeiro esporte que o clube praticou foi o remo, mais tarde o pólo aquático e o boxe foram agregados. O futebol só veio a ter espaço no ano de 1910, mas de forma amadora. O Santa Maria nunca disputou um Campeonato Pernambucano de Futebol.
O Santa Maria Athletico Club foi o primeiro clube de pólo aquático do Recife e o primeiro clube do bairro da Torre a ter uma sede, que se encontrava na rua Dom João VI. clube chegou a ser considerado a terceira força do remo pernambucano, superando os tradicionais Clube Internacionaldo recife e a Academia deCadetes da Marinha, ficando somente atrás dos até então imbatíveis Clube Náutico Capibaribe e Sport Club do Recife.
Outros jogos famosos da época: “Clássico Simpático”, entre Tramways Sport Club X Íris Sport Club, amos do Bairro da torre. Por terem boas relações as equipes acabaram sendo chamados de times irmãos ou clubes simpatizantes.
“Clássico Azul e Branco”, era o nome dado ao jogo entre Iris Sport Club X Israelita Sport Club, oas dois também do bairro da Torre. As diputas entres as equipes recebeu esse nome por causa das cores de ambos, azul e branco. O “Clássico Azul e Branco” era visto como o segundo maior clássico do bairro, perdendo somente para o “Clássico Bairrense”, entre Torre e Tramways as duas maiores potências do local.
O Torre conquistou estes títulos. Estaduais: Campeonato pernambucano (1926, 1929, invicto e 1930). Vice-Campeonato Pernambucano: (1924, 1925, 1927 e 1928). Torneio Início: (1922 e 1929). Outras conquistas: Liga Desportiva da Torre (1911); Liga Suburbana: (1915, 1919, 1920 e 1921); Copa Torre: (1921, 1926, 1928, 1929, 1930, 1932, 1940 e 1942); Taça Maviavel do Prado - Ao vencedor da “Melhor de Três” entre Náutico X Torre (1930); Taça “A Província” - Temporada Baihana - Associação X Torre (1922); “Taça Maternidade”, oferecida pela Liga Pro-Mater (1919); “Taça Macth de Luta Romana - Floriano x Goldstein”, ao vencedor da preliminar Torre X Sport (1928). Outras Taças: “Taça
entregue pelo CRB pela excursão em Maceió (1923) e “Taça entregue pelo CSA”, por outra excursão em Maceió (1928). (Pesquisa: Nilo Dias)
Torre Sport Club, campeão pernambucano de 1926.
Quem terminou beneficiado com a briga e as ausências de Sport e América, favoritos ao título foi o Torre. O “Madeira Rubra” acabou sendo o campeão de 1926, o primeiro da sua existência, conquistado a 2 de janeiro de 1927, nos Aflitos, quando derrotou o América por 2 X O, com gols de Péricles e Piaba. O árbitro foi o dirigente tricolor, Carlos Rios, arranjado de última hora, uma vez que o escalado, Renato Silveira, também dirigente (Sport), não apareceu no estádio.
O time do Torre, que se sagrou campeão tinha: Valença - Aquino e Pedro Barreto – Arnaldo - Hermes e Dantas – Osvaldo – Piaba – Péricles - Policarpo e Galvão. Esse onze interrompeu um predomínio de 10 anos de Sport e América, únicos campeões pernambucanos, desde 1916. Muito embora alguns afirmassem que o Torre não teve méritos na conquista do título, a verdade é que armara um bom time. Seu primeiro grande passo foi tirar do Sport Club do Recife um dos melhores atacantes da Região, o artilheiro Péricles.
Em 27 de novemro de 1927 o Torre aplicou a maiorgoleada da história do futebol pernambucano ao ganhar nos segundos quadros do Equador, um time do bairro do Arruda, por 27 X 0. O Equador jogou com 7 apenas e e seu goleiro deixava a bola passar propositalmente. Nesse mesmo dia o Equador levou 8 X 0 nos primeiros quadros e 4 X 0 nos terceiros.
Na noite em que o time se filiou a Liga o dirigente do Equador, Pedro Franciscode Souza, conhecido como “Seu Souza” ofereceu uma festa de arromba no Bar Aurora, que foi até de manhã.
Se alguém colocou dúvidas sobre o mérito do Torre na conquista do campeonato de 1926, em 1929 o “Madeira Rubra” não deu margem a qualquer questionamento, sagrando-se campeão de forma invicta, tendo batido Santa Cruz, Náutico, América e empatado apenas duas vezes com o Sport. O campeonato teve oito equipes participantes e foi disputado no sistema de pontos corridos, com jogos de ida e volta.
Em 1930, quando da revolução que depôs o presidente Washington Luiz e colocou Getulio Vargas no poder, Recife ficou em polvorosa. O governador Estácio Coimbra teve que fugir para não ser preso e Carlos de Lima Cavalcanti, seu opositor, ligado aos revolucionários, assumiu o Governo de Pernambuco.
Em conseqüência o campeonato foi paralisado, pois não havia condições de sua continuidade. O líder era o Torre. O presidente da LPTD, Renato Silveira, convocou uma assembléia geral para dar por encerrado o certame. A reunião aconteceu na noite de 12de dezembro, sendo um documento assinado pelos representantes dos times disputantes, exceto Torre e Encruzilhada:
“Os abaixo firmados, representantes dos clubes filiados, Sport, América, Náutico, Íris, e Santa Cruz, reunidos aos 12 dias do mês de outubro de 1930, sob a presidência do Sr. Renato Silveira, presidente da LPDT, atendendo às circunstâncias especiais criadas pelos acontecimentos imprevistos que sacudiram o País, anormalizando a vida esportiva do Estado e tornando materialmente impraticável o prosseguimento do campeonato de 1930, resolveram acordar que seja o mesmo encerrado, considerando-se vencedores do campeonato deste ano os quadros dos clubes colocados em primeiro lugar na contagem dos pontos dos jogos já aprovados, sugerindo-se à diretoria da Liga instituir prêmios especiais para os citados vencedores”. O Torre foi assim proclamado campeão de 1930.
No campeonato de 1931 quando de um jogo entre Náutico X Torres, se o clube vermelho e branco empatasse ou perdesse para o Torre, quem se beneficiaria seria o Sport, que se credenciaria a um jogo extra contra o “Madeira Rubra”, e o vencedor decidiria o titulo contra o Santa cruz. O Náutico, mesmo sem chances de ser campeão venceu por 1 X 0 e tirou o rival da disputa.
Mas o jogo não saiu na data em que deveria, visto que dirigentes do Náutico mandaram serrar as traves do Estádio dos Aflitos, à véspera do embate. Isso, na tentativa de deixar o jogo para depois que as partidas restantes do campeonato fossem disputadas, como era praxe. Mas a Liga mandou jogar no domingo seguinte.
A direção do Náutico justificou o problema com as traves, como resultado da má conservação com a parte que se encontrava enterrada, que estaria caromida pela umidade. E pela proximidade do horário do jogo, não houve tempo hábil para a recuperação.
Os clássicos do Bairro da Torre tinham nomes pitorescos. Clássico da Paixão: era o nome dado ao jogo entre Torre Sport Club X Íris Sport Club. O jogo recebeu este nome porque o primeiro jogo disputado entre ambos foi no dia 5 de março de 1920, uma Sexta Feira da Paixão, no Campo do Alagado da Torre, com empate em 1 X 1.
Em toda a história Torre e Iris disputaram um total de 28 jogos. O Iris venceu 9 e o Torre 16, havendo 3 empates. As maiores goleadas foram: Iris 5 X Torre e Torre 8 X 0 Iris. O último “Clássico da Paixão” foi disputado no dia 12 de abril de 1939, no Campo da Fábrica, com vitória do Torre por 3 X 0.
Clássico Guerreiro era o nome do clássico entre Torre Sport Club X Israelita Sport Club, fundado no dia 8 de setembro de 1922 por um grupo de alunos do Colégio Israelita do Recife.
“Clássico dos Maestros” era o nome dado ao jogo entre Torre Sport Club X Santa Maria Athletico Club, outro clube também já extinto.
O Santa Maria Athletico Club foi fundado no dia 21 de novembro de 1906 por um grupo de alunos do antigo colegio Santa Maria, do bairro da Torre. O primeiro esporte que o clube praticou foi o remo, mais tarde o pólo aquático e o boxe foram agregados. O futebol só veio a ter espaço no ano de 1910, mas de forma amadora. O Santa Maria nunca disputou um Campeonato Pernambucano de Futebol.
O Santa Maria Athletico Club foi o primeiro clube de pólo aquático do Recife e o primeiro clube do bairro da Torre a ter uma sede, que se encontrava na rua Dom João VI. clube chegou a ser considerado a terceira força do remo pernambucano, superando os tradicionais Clube Internacionaldo recife e a Academia deCadetes da Marinha, ficando somente atrás dos até então imbatíveis Clube Náutico Capibaribe e Sport Club do Recife.
Outros jogos famosos da época: “Clássico Simpático”, entre Tramways Sport Club X Íris Sport Club, amos do Bairro da torre. Por terem boas relações as equipes acabaram sendo chamados de times irmãos ou clubes simpatizantes.
“Clássico Azul e Branco”, era o nome dado ao jogo entre Iris Sport Club X Israelita Sport Club, oas dois também do bairro da Torre. As diputas entres as equipes recebeu esse nome por causa das cores de ambos, azul e branco. O “Clássico Azul e Branco” era visto como o segundo maior clássico do bairro, perdendo somente para o “Clássico Bairrense”, entre Torre e Tramways as duas maiores potências do local.
O Torre conquistou estes títulos. Estaduais: Campeonato pernambucano (1926, 1929, invicto e 1930). Vice-Campeonato Pernambucano: (1924, 1925, 1927 e 1928). Torneio Início: (1922 e 1929). Outras conquistas: Liga Desportiva da Torre (1911); Liga Suburbana: (1915, 1919, 1920 e 1921); Copa Torre: (1921, 1926, 1928, 1929, 1930, 1932, 1940 e 1942); Taça Maviavel do Prado - Ao vencedor da “Melhor de Três” entre Náutico X Torre (1930); Taça “A Província” - Temporada Baihana - Associação X Torre (1922); “Taça Maternidade”, oferecida pela Liga Pro-Mater (1919); “Taça Macth de Luta Romana - Floriano x Goldstein”, ao vencedor da preliminar Torre X Sport (1928). Outras Taças: “Taça
entregue pelo CRB pela excursão em Maceió (1923) e “Taça entregue pelo CSA”, por outra excursão em Maceió (1928). (Pesquisa: Nilo Dias)
Torre Sport Club, campeão pernambucano de 1926.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Os campeões esquecidos (I)
Três clubes que hoje não existem mais, tiveram papel importante na história do futebol pernambucano: Sport Club Flamengo, Torre Sport Club e Tramways Sport Club. Os três foram campeões estaduais, e até invictos, nas primeiras décadas e juntos somam seis títulos e muitas histórias.
O Sport Club Flamengo foi fundado no dia 20 de abril de 1914 na cidade do Recife. A escolha do nome surgiu porque a maioria dos fundadores torcia para o Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro. O Flamengo foi o primeiro campeão estadual de Pernambuco, em 1915, de forma invicta, quando derrotou na partida final, jogada em 12 de dezembro, ao Sport Club Torre, por 3 X 1.
A competição foi promovida pela Liga Sportiva Pernambucana. A disputa pelo título foi em formato de triangular e o Flamengo, além de ter batido o Torre, superou também o Santa Cruz. O time campeão era formado por: Luiz Cavalcante – Albuquerque e Francisco Alves – Frederico – Ruy e Abdon – Farias – Parcy – Taylor - Gastão e Waldemar.
O jornal “Diário de Pernambuco”, em sua edição de 14 de dezembro de 1915, noticiou a conquista flamenguista:
"Encerrou-se anteontem, com a vitória do Sport Club Flamengo contra o Torre Sport Club, o campeonato da Liga Sportiva Pernambucana, instituído para o football. Depois de uma série de matchs emocionantes, que trouxeram em constante delírio o público esportivo do Recife, teve o Flamengo coroado os seus esforços e firmada a sua força dentre os seus dignos adversários nas lutas pacíficas do esporte. O Flamengo do Recife quis ser o êmulo do seu congênere do Rio, e vencendo a tática do Santa Cruz e a tenacidade do Torre, soube guardar para si os louros da vitória - e as "louras medalhas".
O Flamengo pernambucano ainda conquistou a “Taça Casa Amarela” em 1929 e o “Torneio de Verão da Cidade do Recife”, em 1939. O clube participou de 34 edições do certame Pernambucano. De 1915 a 1938, 1940 a 1947 e se despediu da competição no ano de 1949.
O Tramways Sport Club, levava o nome da companhia elétrica inglesa “Pernambuco Tramways and Power Company Limited”, que foi concessionária dos serviços elétricos e de bondes do Estado durante 50 anos (até 1962). Como o próprio nome indicava, o Tramways era patrocinado pela empresa inglesa, que foi responsável pela transição dos bondes puxados por burros para os elétricos, na primeira metade do século 20. Daí, a equipe de futebol também ser conhecida como os “Elétricos”.
O clube é até hoje o único, bicampeão invicto da história do Campeonato Pernambucano. O Tramways Sport Club disputou a elite do futebol pernambucano por sete anos.
Quando começou a disputar a elite do futebol pernambucano os seus principais jogadores eram funcionários da empresa, casos de Domingos, Furlan e Rubinho, que despachavam no Escritório Central, que ficava na esquina da Rua Aurora com a Princesa Isabel. O ponteiro Olivio era da Seção de Energia. O goleiro Zé Miguel trabalhava a noite, como chefe de quarto do Departamento de Luz. Sopinha, Guaberinha, Paisinho e Faustino exerciam outras funções na empresa.
Nos anos de 1936/1937, o Tramways Sport Club dominou o futebol pernambucano. O tricolor transviário, que tinha às cores branco, azul e vermelho, não perdeu um único jogo nesses dois anos em que se sobressaiu ao chamado “Quarteto de Ferro” da época: Sport, Náutico, Santa Cruz e América.
Em 1997 o médico cardiologista e nas horas vagas também escritor, Rostand Paraíso, lançou o livro “Esses Ingleses”, no qual comenta a presença e a influência inglesa no Recife.
Ele destaca na obra que na época o profissionalismo ainda não tinha se consolidado em Pernambuco, e a maioria dos jogadores não tinham contrato e em consequência nada ganhavam para defender seus clubes. Mas no caso dos do Tramways, a situação era diferente. Muitos de seus jogadores atuavam em troca de emprego na empresa, o que se caracterizava como uma espécie de amadorismo marrom. Recebiam salários, não pelo futebol, mas pelas funções que exerciam na empresa.
Os “Elétricos” participaram de seis edições do Campeonato Estadual, de 1935 a 1941. O primeiro título, ganho em 1936, foi tumultuado. Quando faltavam 16 partidas para o fim da competição, os clubes e a Federação Pernambucana de Desportos resolveram encerrar o campeonato. Com sete pontos na frente de Náutico e Santa Cruz, o Tramways foi declarado campeão. Sua última partida foi contra o Sport, a quem venceu por 3 X 2, com dois gols de Sopinha e um de Olívio. Foram 11 vitórias e dois empates.
Mas ficou uma dúvida: mesmo com a superiodade demonstrada, alguns dirigentes adversários duvidavam que o Tramways teria condições para chegar ao título, caso o campeonato tivese continuidade normal.
No ano seguinte, para dizimar qualquer dúvida o time dos “Elétricos” realizou uma campanha ainda mais arrebatadora. Foram 14 vitórias e apenas um empate, 64 gols marcados e 16 sofridos. No último jogo do campeonato, uma vitória de 5 X 2 sobre o Sport mostrou toda a superiodade da equipe. Os gols foram marcados por Olívio, Navarra, Alcides, Quetreco e Sopinha.
O time campeão pernambucano de 1937 tinha: Zé Miguel - Domingos e Ernesto - Guaberinha - Paizinho e Furlan – Alvides – Omar – Sopinha - Quetreco e Olívio.
Muitos dos jogadores que atuaram pelo Tramways, também vestiram as camisetas de times de bairros, que disputavam o Campeonato da Liga Suburbana, que era muito forte na época. Casos de Zé Miguel, Olívio, Paisinho e Quetreco.
Mas para chegar ao bi-campeonato estadual, o Tramways precisou tirar do Santa Cruz os players Zezé, Júlio Fernandes e Alcides Cachorrinho, que marcou 56 gols pelo clube “Elétrico”, sendo o maior artilheiro da equipe na história da competição. Como não faltava dinheiro, o técnico Joaquim Loureiro veio de São Paulo para armar a equipe.
Em 1941 o Tramways disputou o seu último Estadual. No livro “O Gol de Haroldo”, lançado em 2001, o escritor Haroldo Praça explicou como aconteceu o fim do tradicional clube. “Não obstante reunir bons jogadores e armar equipes destacadas, o “Elétrico” foi vitimado por moléstia incurável: clube de dono, Antônio Rodrigues de Souza, diretor da empresa britânica, responsável pelo investimento na montagem dos times de 1936/1937, começou a entrar para a história como mais uma aparição brilhante efêmera.”
O Tramways conquistou 6 vezes a Copa Torre (1934, 1935, 1936, 1937, 1938, 1939) e tinha o Torre Sport Club como seu maior rival, ambos do bairro da Torre, que disputavam o chamado “Clássico Bairrense”.
Já o Torre Sport Club, foi fundado no bairro da Torre, em Recife, no dia 13 de maio de 1909. Era o time do governador do Estado, Estácio Coimbra, e seus dirigentes eram da Antiga Fábrica de Tecelagem da Torre. O local foi no século XVI um engenho de açúcar de propriedade de Marcos André Uchoa. A denominação Torre vem da torre da capela da propriedade, onde hoje é erguida a Matriz da Torre.
Seus torcedores o chamavam de “Madeira Rubra”, porque era uma equipe dificil de ser batida e pela corvermelha de seu uniforme. O mascote do time era o "Pica-Pau". Durante o seu periodo de atividade conquistou três campeonatos estaduais, nos anos de 1926, 1929 (invicto) e 1930. O Torre disputou 26 edições do Campeonato Pernambucano, nos anos de 1915 a 1940.
O clube participou do primeiro campeonato promovido pela Liga Sportiva Pernambuca, tendo o Flamengo se sagrado campeão de 1915. O campeonato teve Torre, Flamengo, América, Centro Sportivo do Peres e Coligação Sportiva Recifense.
Também conquistou o Torneio Início (1922 e 1929), a Liga Desportiva da Torre (1911), a Liga Suburbana (1915, 1919, 1920, 1921) e a "Copa Torre" (1921, 1926, 1928, 1929, 1930, 1932, 1940 e 1942).
No ano de 1925 o Torre, que havia sido vice-campeão no ano anterior, organizou um torneio chamado “Trófeu Torre Sport Club”, que seria disputado em uma única partida contra o Flamengo. A equipe do Torre venceu o jogo por 3 X 1, com dois gols de Junqueira, e sagrou-se campeão.
No início de 1926 o ambiente esportivo pernambucano estava bastante agitado. Os presidentes de Sport, América e Peres, respectivamente, Roberto Rabello, José Fernandes Filho e João Duarte Dias, em manifesto publicado nos principais jornais comunicaram terem se desfiliado da Liga Pernambucana de Desportos Terrestres e fundado a Associação Pernambucana de Esportes Atléticos.
No documento, os clubes dissidentes denunciavam a existência de um plano, entre Santa Cruz, Náutico, Flamengo e Torre, com a participação do presidente da Liga, Cícero Brasileiro de Melo, que fora recentemente eleito, para colocá-los à margem da política interna da entidade, pois enquanto os quatro clubes denunciados tiveram, cada um, dois diretores na composição da nova diretória, dos denunciantes, apenas América e Sport com um cada e o Peres sem participação.
Em nota no “Jornal do Commercio”, edição de 1º janeiro, a LPDT explicou que tudo fora feito para evitar a crise, “conseqüência funesta”, enfatizava, salientando que Sport e América, haviam declarado por ocasião da eleição, conforme constava da ata, que não aceitariam nenhum cargo eletivo na nova diretoria. Quanto ao Peres, a LPDT dizia ser um clube em situação irregular, sem sede e sem time, existindo somente, mercê do oxigênio que lhe soprava o Sport, para dar-se ao luxo de ter um representante em duplicata. (Pesquisa: Nilo Dias)
Seus torcedores o chamavam de “Madeira Rubra”. Durante o seu periodo de atividade conquistou três campeonatos estaduais, nos anos de 1926, 1929 (invicto) e 1930. O Torre disputou 26 edições do Campeonato Pernambucano, nos anos de 1915 a 1940.
O Sport Club Flamengo foi fundado no dia 20 de abril de 1914 na cidade do Recife. A escolha do nome surgiu porque a maioria dos fundadores torcia para o Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro. O Flamengo foi o primeiro campeão estadual de Pernambuco, em 1915, de forma invicta, quando derrotou na partida final, jogada em 12 de dezembro, ao Sport Club Torre, por 3 X 1.
A competição foi promovida pela Liga Sportiva Pernambucana. A disputa pelo título foi em formato de triangular e o Flamengo, além de ter batido o Torre, superou também o Santa Cruz. O time campeão era formado por: Luiz Cavalcante – Albuquerque e Francisco Alves – Frederico – Ruy e Abdon – Farias – Parcy – Taylor - Gastão e Waldemar.
O jornal “Diário de Pernambuco”, em sua edição de 14 de dezembro de 1915, noticiou a conquista flamenguista:
"Encerrou-se anteontem, com a vitória do Sport Club Flamengo contra o Torre Sport Club, o campeonato da Liga Sportiva Pernambucana, instituído para o football. Depois de uma série de matchs emocionantes, que trouxeram em constante delírio o público esportivo do Recife, teve o Flamengo coroado os seus esforços e firmada a sua força dentre os seus dignos adversários nas lutas pacíficas do esporte. O Flamengo do Recife quis ser o êmulo do seu congênere do Rio, e vencendo a tática do Santa Cruz e a tenacidade do Torre, soube guardar para si os louros da vitória - e as "louras medalhas".
O Flamengo pernambucano ainda conquistou a “Taça Casa Amarela” em 1929 e o “Torneio de Verão da Cidade do Recife”, em 1939. O clube participou de 34 edições do certame Pernambucano. De 1915 a 1938, 1940 a 1947 e se despediu da competição no ano de 1949.
O Tramways Sport Club, levava o nome da companhia elétrica inglesa “Pernambuco Tramways and Power Company Limited”, que foi concessionária dos serviços elétricos e de bondes do Estado durante 50 anos (até 1962). Como o próprio nome indicava, o Tramways era patrocinado pela empresa inglesa, que foi responsável pela transição dos bondes puxados por burros para os elétricos, na primeira metade do século 20. Daí, a equipe de futebol também ser conhecida como os “Elétricos”.
O clube é até hoje o único, bicampeão invicto da história do Campeonato Pernambucano. O Tramways Sport Club disputou a elite do futebol pernambucano por sete anos.
Quando começou a disputar a elite do futebol pernambucano os seus principais jogadores eram funcionários da empresa, casos de Domingos, Furlan e Rubinho, que despachavam no Escritório Central, que ficava na esquina da Rua Aurora com a Princesa Isabel. O ponteiro Olivio era da Seção de Energia. O goleiro Zé Miguel trabalhava a noite, como chefe de quarto do Departamento de Luz. Sopinha, Guaberinha, Paisinho e Faustino exerciam outras funções na empresa.
Nos anos de 1936/1937, o Tramways Sport Club dominou o futebol pernambucano. O tricolor transviário, que tinha às cores branco, azul e vermelho, não perdeu um único jogo nesses dois anos em que se sobressaiu ao chamado “Quarteto de Ferro” da época: Sport, Náutico, Santa Cruz e América.
Em 1997 o médico cardiologista e nas horas vagas também escritor, Rostand Paraíso, lançou o livro “Esses Ingleses”, no qual comenta a presença e a influência inglesa no Recife.
Ele destaca na obra que na época o profissionalismo ainda não tinha se consolidado em Pernambuco, e a maioria dos jogadores não tinham contrato e em consequência nada ganhavam para defender seus clubes. Mas no caso dos do Tramways, a situação era diferente. Muitos de seus jogadores atuavam em troca de emprego na empresa, o que se caracterizava como uma espécie de amadorismo marrom. Recebiam salários, não pelo futebol, mas pelas funções que exerciam na empresa.
Os “Elétricos” participaram de seis edições do Campeonato Estadual, de 1935 a 1941. O primeiro título, ganho em 1936, foi tumultuado. Quando faltavam 16 partidas para o fim da competição, os clubes e a Federação Pernambucana de Desportos resolveram encerrar o campeonato. Com sete pontos na frente de Náutico e Santa Cruz, o Tramways foi declarado campeão. Sua última partida foi contra o Sport, a quem venceu por 3 X 2, com dois gols de Sopinha e um de Olívio. Foram 11 vitórias e dois empates.
Mas ficou uma dúvida: mesmo com a superiodade demonstrada, alguns dirigentes adversários duvidavam que o Tramways teria condições para chegar ao título, caso o campeonato tivese continuidade normal.
No ano seguinte, para dizimar qualquer dúvida o time dos “Elétricos” realizou uma campanha ainda mais arrebatadora. Foram 14 vitórias e apenas um empate, 64 gols marcados e 16 sofridos. No último jogo do campeonato, uma vitória de 5 X 2 sobre o Sport mostrou toda a superiodade da equipe. Os gols foram marcados por Olívio, Navarra, Alcides, Quetreco e Sopinha.
O time campeão pernambucano de 1937 tinha: Zé Miguel - Domingos e Ernesto - Guaberinha - Paizinho e Furlan – Alvides – Omar – Sopinha - Quetreco e Olívio.
Muitos dos jogadores que atuaram pelo Tramways, também vestiram as camisetas de times de bairros, que disputavam o Campeonato da Liga Suburbana, que era muito forte na época. Casos de Zé Miguel, Olívio, Paisinho e Quetreco.
Mas para chegar ao bi-campeonato estadual, o Tramways precisou tirar do Santa Cruz os players Zezé, Júlio Fernandes e Alcides Cachorrinho, que marcou 56 gols pelo clube “Elétrico”, sendo o maior artilheiro da equipe na história da competição. Como não faltava dinheiro, o técnico Joaquim Loureiro veio de São Paulo para armar a equipe.
Em 1941 o Tramways disputou o seu último Estadual. No livro “O Gol de Haroldo”, lançado em 2001, o escritor Haroldo Praça explicou como aconteceu o fim do tradicional clube. “Não obstante reunir bons jogadores e armar equipes destacadas, o “Elétrico” foi vitimado por moléstia incurável: clube de dono, Antônio Rodrigues de Souza, diretor da empresa britânica, responsável pelo investimento na montagem dos times de 1936/1937, começou a entrar para a história como mais uma aparição brilhante efêmera.”
O Tramways conquistou 6 vezes a Copa Torre (1934, 1935, 1936, 1937, 1938, 1939) e tinha o Torre Sport Club como seu maior rival, ambos do bairro da Torre, que disputavam o chamado “Clássico Bairrense”.
Já o Torre Sport Club, foi fundado no bairro da Torre, em Recife, no dia 13 de maio de 1909. Era o time do governador do Estado, Estácio Coimbra, e seus dirigentes eram da Antiga Fábrica de Tecelagem da Torre. O local foi no século XVI um engenho de açúcar de propriedade de Marcos André Uchoa. A denominação Torre vem da torre da capela da propriedade, onde hoje é erguida a Matriz da Torre.
Seus torcedores o chamavam de “Madeira Rubra”, porque era uma equipe dificil de ser batida e pela corvermelha de seu uniforme. O mascote do time era o "Pica-Pau". Durante o seu periodo de atividade conquistou três campeonatos estaduais, nos anos de 1926, 1929 (invicto) e 1930. O Torre disputou 26 edições do Campeonato Pernambucano, nos anos de 1915 a 1940.
O clube participou do primeiro campeonato promovido pela Liga Sportiva Pernambuca, tendo o Flamengo se sagrado campeão de 1915. O campeonato teve Torre, Flamengo, América, Centro Sportivo do Peres e Coligação Sportiva Recifense.
Também conquistou o Torneio Início (1922 e 1929), a Liga Desportiva da Torre (1911), a Liga Suburbana (1915, 1919, 1920, 1921) e a "Copa Torre" (1921, 1926, 1928, 1929, 1930, 1932, 1940 e 1942).
No ano de 1925 o Torre, que havia sido vice-campeão no ano anterior, organizou um torneio chamado “Trófeu Torre Sport Club”, que seria disputado em uma única partida contra o Flamengo. A equipe do Torre venceu o jogo por 3 X 1, com dois gols de Junqueira, e sagrou-se campeão.
No início de 1926 o ambiente esportivo pernambucano estava bastante agitado. Os presidentes de Sport, América e Peres, respectivamente, Roberto Rabello, José Fernandes Filho e João Duarte Dias, em manifesto publicado nos principais jornais comunicaram terem se desfiliado da Liga Pernambucana de Desportos Terrestres e fundado a Associação Pernambucana de Esportes Atléticos.
No documento, os clubes dissidentes denunciavam a existência de um plano, entre Santa Cruz, Náutico, Flamengo e Torre, com a participação do presidente da Liga, Cícero Brasileiro de Melo, que fora recentemente eleito, para colocá-los à margem da política interna da entidade, pois enquanto os quatro clubes denunciados tiveram, cada um, dois diretores na composição da nova diretória, dos denunciantes, apenas América e Sport com um cada e o Peres sem participação.
Em nota no “Jornal do Commercio”, edição de 1º janeiro, a LPDT explicou que tudo fora feito para evitar a crise, “conseqüência funesta”, enfatizava, salientando que Sport e América, haviam declarado por ocasião da eleição, conforme constava da ata, que não aceitariam nenhum cargo eletivo na nova diretoria. Quanto ao Peres, a LPDT dizia ser um clube em situação irregular, sem sede e sem time, existindo somente, mercê do oxigênio que lhe soprava o Sport, para dar-se ao luxo de ter um representante em duplicata. (Pesquisa: Nilo Dias)
Os campeões esquecidos (I)
Três clubes que hoje não existem mais, tiveram papel importante na história do futebol pernambucano: Sport Club Flamengo, Torre Sport Club e Tramways Sport Club. Os três foram campeões estaduais, e até invictos, nas primeiras décadas e juntos somam seis títulos e muitas histórias.
O Sport Club Flamengo foi fundado no dia 20 de abril de 1914 na cidade do Recife. A escolha do nome surgiu porque a maioria dos fundadores torcia para o Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro. O Flamengo foi o primeiro campeão estadual de Pernambuco, em 1915, de forma invicta, quando derrotou na partida final, jogada em 12 de dezembro, ao Sport Club Torre, por 3 X 1.
A competição foi promovida pela Liga Sportiva Pernambucana. A disputa pelo título foi em formato de triangular e o Flamengo, além de ter batido o Torre, superou também o Santa Cruz. O time campeão era formado por: Luiz Cavalcante – Albuquerque e Francisco Alves – Frederico – Ruy e Abdon – Farias – Parcy – Taylor - Gastão e Waldemar.
O jornal “Diário de Pernambuco”, em sua edição de 14 de dezembro de 1915, noticiou a conquista flamenguista:
"Encerrou-se anteontem, com a vitória do Sport Club Flamengo contra o Torre Sport Club, o campeonato da Liga Sportiva Pernambucana, instituído para o football. Depois de uma série de matchs emocionantes, que trouxeram em constante delírio o público esportivo do Recife, teve o Flamengo coroado os seus esforços e firmada a sua força dentre os seus dignos adversários nas lutas pacíficas do esporte. O Flamengo do Recife quis ser o êmulo do seu congênere do Rio, e vencendo a tática do Santa Cruz e a tenacidade do Torre, soube guardar para si os louros da vitória - e as "louras medalhas".
O Flamengo pernambucano ainda conquistou a “Taça Casa Amarela” em 1929 e o “Torneio de Verão da Cidade do Recife”, em 1939. O clube participou de 34 edições do certame Pernambucano. De 1915 a 1938, 1940 a 1947 e se despediu da competição no ano de 1949.
O Tramways Sport Club, levava o nome da companhia elétrica inglesa “Pernambuco Tramways and Power Company Limited”, que foi concessionária dos serviços elétricos e de bondes do Estado durante 50 anos (até 1962). Como o próprio nome indicava, o Tramways era patrocinado pela empresa inglesa, que foi responsável pela transição dos bondes puxados por burros para os elétricos, na primeira metade do século 20. Daí, a equipe de futebol também ser conhecida como os “elétricos”.
O clube é até hoje o único, bicampeão invicto da história do Campeonato Pernambucano. O Tramways Sport Club disputou a elite do futebol pernambucano por sete anos.
Quando começou a disputar a elite do futebol pernambucano os seus principais jogadores eram funcionários da empresa, casos de Domingos, Furlan e Rubinho, que despachavam no escritório central, que ficava na esquina da Rua Aurora com a Princesa Isabel. O ponteiro Olivio era da seção de energia. O goleiro Zé Miguel trabalhava a noite, como chefe de quarto do departamento de luz. Sopinha, Guaberinha, Paisinho e Faustino exerciam outras funções na empresa.
Nos anos de 1936/1937, o Tramways Sport Club dominou o futebol pernambucano. O tricolor transviário, que tinha às cores branco, azul e vermelho, não perdeu um único jogo nesses dois anos em que se sobressaiuao chamado “quarteto de ferro” da época: Sport, Náutico, Santa Cruz e América.
Em 1997 o médico cardiologista e nas horas vagas também escrito, Rostand Paraíso, lançou o livro “Esses Ingleses”, no qual comenta a presença e a influência inglesa no Recife.
Ele destaca na obra que na época, o profissionalismo ainda não tinha se consolidado em Pernambuco, e a maioria dos jogadores não tinham contrato e em consequência nada ganhavam para defender seus clubes. Mas no caso dos do Tramways, a situação era diferente. Muitos de seus jogadores atuavam em troca de emprego na empresa, o que se caracterizava como uma espécie de amadorismo marrom. Recebiam salários, não pelo futebol, mas pelas funções que exerciam na empresa.
Os “Elétricos” participaram de seis edições do Campeonato Estadual, de 1935 a 1941. O primeiro título, ganho em 1936, foi tumultuado. Quando faltavam 16 partidas para o fim da competição, os clubes e a Federação Pernambucana de Desportos resolveram encerrar o campeonato. Com sete pontos na frente de Náutico e Santa Cruz, o Tramways foi declarado campeão. Sua última partida foi contra o Sport, a quem venceu por 3 X 2, com dois gols de Sopinha e um de Olívio. Foram 11 vitórias e dois empates.
Mas ficou uma dúvida: mesmo com a superiodade demonstrada, alguns dirigentes adversários duvidavam que o Tramways teria condições para chegar ao título, caso o campeonato tivese continuidade normal.
No ano seguinte, para dizimar qualquer dúvida o time dos “Elétricos” realizaram uma campanha ainda mais arrebatadora. Foram 14 vitórias e apenas um empate, 64 gols marcados e 16 sofridos. No último jogo do campeonato,uma vitória de 5 X 2 sobre o Sport, mostrou toda a superiodade da equipe. Os gols foram marcados por Olívio, Navarra, Alcides, Quetreco e Sopinha.
O time campeão pernambucano de 1937 tinha: Zé Miguel - Domingos e Ernesto - Guaberinha - Paizinho e Furlan – Alvides – Omar – Sopinha - Quetreco e Olívio.
Muitos dos jogadores que atuaram pelo Tramways, também vestiam as camisetas de times de bairros, que disputavam o Campeonato da na Liga Suburbana, que era muito forte na época. Casos de Zé Miguel, Olívio, Paisinho e Quetreco.
Mas para chegar ao bi-campeonato estadual, o Tramways precisou tirar do Santa Cruz os players Zezé, Júlio Fernandes e Alcides Cachorrinho, que marcou 56 gols pelo clube “Elétrico”, sendo o maior artilheiro da equipe na história da competição. Como não faltava dinheiro, o técnico Joaquim Loureiro veio de São Paulo para armar a equipe.
Em 1941 o Tramways disputou o seu último Estadual. No livro “O Gol de Haroldo”, lançado em 2001, o escritor Haroldo Praça explicou como aconteceu o fim do tradicional clube. “Não obstante reunir bons jogadores e armar equipes destacadas, o “Elétrico” foi vitimado por moléstia incurável: clube de dono, Antônio Rodrigues de Souza, diretor da empresa britânica, responsável pelo investimento na montagem dos times de 1936/1937, começou a entrar para a história como mais uma aparição brilhante efêmera.”
O Tramways conquistou 6 vezes a Copa Torre (1934, 1935, 1936, 1937, 1938, 1939) e tinha o Torre Sport Club como seu maior rival, ambos do bairro da Torre, que disputavam o chamado “Clássico Bairrense”.
Já o Torre Sport Club, foi fundado no bairro da Torre, em Recife, no dia 13 de maio de 1909. Era o time do governador do Estado, Estácio Coimbra, e seus dirigentes eram da Antiga Fábrica de Tecelagem da Torre. O local foi no século XVI um engenho de açúcar de propriedade de Mrcos André Uchoa. A denominação Torre vem da torre da capela da propriedade, onde hoje é erguida a Matriz da Torre.
O clube participou do primeiro campeonato promovido pela Liga Sportiva Pernambuca, tendo o Flamengo se sagrado campeão de 1915. O campeonato teve Torre, Flamengo, América, Centro Sportivo do Peres e Coligação Sportiva Recifense.
Também conquistou o Torneio Início (1922 e 1929), a Liga Desportiva da Torre (1911), a Liga Suburbana (1915, 1919, 1920, 1921) e a Copa Torre (1921, 1926, 1928, 1929, 1930, 1932, 1940 e 1942).
No ano de 1925 o Torre, que havia sido vice-campeão no ano anterior, organizou um torneio chamado “Trófeu Torre Sport Club”, que seria disputado em uma única partida contra o Flamengo. A equipe do Torre venceu o jogo por 3 X 1, com dois gols de Junqueira, e sagrou-se campeão.
No início de 1926 o ambiente esportivo pernambucano ficou bastante agitado. Os presidentes de Sport, América e Peres, respectivamente, Roberto Rabello, José Fernandes Filho e João Duarte Dias, em manifesto publicado nos principais jornais comunicam terem se desfiliado da Liga Pernambucana de Desportos Terrestres e fundado a Associação Pernambucana de Esportes Atléticos.
No documento, os clubes dissidentes denunciavam a existência de um plano, entre Santa Cruz, Náutico, Flamengo e Torre, com a participação do presidente da Liga, Cícero Brasileiro de Melo, que fora recentemente eleito, para colocá-los à margem da política interna da entidade, pois enquanto os quatro clubes denunciados tiveram, cada um, dois diretores na composição da nova diretória. E dos denunciantes, apenas América e Sport com um cada e o Peres sem participação.
Em nota no “Jornal do Commercio”, edição de 1º janeiro, a LPDT explicou que tudo fora feito para evitar a crise, “conseqüência funesta”, enfatizava, salientando que Sport e América, haviam declarado por ocasião da eleição, conforme constava da ata, que não aceitariam nenhum cargo eletivo na nova diretoria. Quanto ao Peres, a LPDT dizia ser um clube em situação irregular, sem sede e sem time, existindo somente,mercê do oxigênio que lhe soprava o Sport para dar-se ao luxo de ter um representante em duplicata.
Sport Club Flamengo, o primeiro campeão pernambucano de futebol, título conquistado em 1915.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
O paraguaio Bria
Modesto “Cachito” Bria, que foi jogador e técnico de futebol, nasceu em Encarnación, Paraguai, no dia 3 de Agosto de 1922 e faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de Agosto de 1996. Em sua carreira só defendeu dois clubes, o Nacional, de Assunción e o Flamengo, além da Seleção de seu país. Graças a suas grandes atuações pelo clube paraguaio, chamou a atenção do rubro-negro carioca.
Quem o levou para o Flamengo foi o narrador e compositor Ary Barroso, que era rubro-negro fanático. Para não chamar a atenção dos dirigentes do Nacional, Ary viajou para o Paraguai em vôo fretado. Quando eles se deram conta já tinham perdido a sua grande promessa.
Seu primeiro jogo com a camisa 5 do Flamengo foi um clássico Fla-Flu, disputado em 12 de setembro de 1943, que terminou empatado em 2 X 2. Disputou 369 jogos pelo Flamengo e marcou 8 gols, segundo o “Almanaque do Flamengo”, de Roberto Assaf e Clóvis Martis. Foi o estrangeiro que mais vezes atuou pelo clube.
Ele foi parte importante daquele histórico time, que conquistou o primeiro tri-campeonato carioca, em 1942, 1943 e 1944, que até hoje provoca choro nos vascaínos. Volante de estilo clássico, Bria foi o ponto de equilíbrio de uma linha média que contava ainda com Biguá e Jaime, trio que foi fundamental na conquista do primeiro Tri-Campeonato Carioca da história do clube. Aquele time fabuloso formava com Jurandir - Newton e Quirino – Biguá - Bria e Jaime de Almeida – Tião – Zizinho – Pirilo - Perácio e Vevé.
Em 1953, Bria pendurou as chuteiras, mas seguiu ligado às cores vermelha e preta, tendo sido treinador do clube em quatro períodos. O primeiro, de 25/11/1959 até 22/06/1960; o segundo, de 16/07/1967 até 14/10/1967; o terceiro, de 28/05/1971 até 10/06/1971, junto com Newton Canegal. E o último, de 14/01/1981 até 05/04/1981. Comandou o Flamengo em 80 partidas, venceu 44, empatou 15 e perdeu 21.
Seu primeiro jogo como técnico foi um amistoso contra o Spartak Moscou, com vitória de 3 X 0, disputado em 25 de novembro de 1959, na antiga União Soviética. O último foi uma vitória de 2 x 1 frente o Colorado,do Paraná,em 5 de abril de 1981.
Como treinador do time principal, foram 83 jogos, com 45 vitórias, 15 empates e 21 derrotas. Modesto Bria era o treinador do time na maior goleada do Flamengo em Campeonatos Brasileiros, 8 X 0, contra o Fortaleza, em 4 de fevereiro de 1981.
Em 1967, quando era técnico dos juvenis do Flamengo, o radialista Celso Garcia levou até a Gávea um menino franzino, 13 anos de idade, de apelido Zico, seu vizinho no bairro de Quentino, para fazer um teste. Celso havia visto Zico jogando futsal em um torneio e após o jogo foi à casa dele, pedir autorização para levá-lo ao Flamengo.
No clube, usou sua influência para convencer o treinador Modesto Bria a observar o menino. Porém, poucos o levaram a sério quando chegou com Zico na Gávea, para treinar na escolinha. Quando o Bria viu o garoto, perguntou: “É esse? Desse tamanho?” Em principio Bria não acreditou muito no potencial do jovem, em razão de seu físico franzino.
Bria deixou ele treinar um pouquinho, só para que não voltasse para casa sem suar. Zico estava de short verde e camisa vermelha. No meio do treino, Bria o chamou para entrar. As pessoas que olhavam o treino debocharam do tamanho dele. Alguns falavam “coitado, é muito pequeno”. Na primeira jogada, o Zico colocou a bola embaixo da perna de um zagueiro alto, chamado “Cidade”. Todo mundo aplaudiu. E continuou driblando o treino todo.
Dias depois Zico estreou pelo Flamengo. A equipe da escolinha venceu o Everest por 4 X 3, e Zico marcou duas vezes. E logo começou a fazer uma preparação física especial com o professor José Roberto Francalacci. Zico ganhou massa muscular para suportar os choques com os marcadores adversários. O resultado começou a ser escrito quatro anos depois, quando o meia entrou pela primeira vez em campo pelo time profissional. De 1971 a 1983, o habilidoso atleta conquistou 22 títulos com o Rubro-Negro.
Outro jogador que deve muito do sucesso alcançado a Bria, é Mozer. Quando o paraguaio treinava as categorias de base do Flamengo, Mozer havia sido dispensado do Botafogo devido ao seu porte físico franzino e apareceu na Gávea para tentar a sorte. Em principio queria ser atacante, mas Bria disse que ele não passava de um centroavante deselegante, sem muito futuro no futebol. E fez com que Mozer virasse zagueiro. E a troca só lhe trouxe lucro.
Também o lateral Júnior foi descoberto por Bria. Logo que chegou ao Rio de Janeiro, vindo da Paraíba, ele chamou a atenção do treinador das categorias de base do Flamengo, quando disputava peladas na Praia de Copabacana. Levado para a Gávea estreou como profissional em 1974. No início era lateral direita, mas atuava também no meio-de-campo.
É verdade que Bria revelou grandes valores para o Flamengo, mas também errou em algumas avaliações. Nunes, que foi um dos maiores artilheiros da história do clube, quando ainda era adolescente foi fazer testes na escolinha do rubro-negro e foi dispensado pelo técnico Modesto Bria.
Ao deixar a Gávea, profetizou com os companheiros: "Um dia eles vão me querer de volta, mas aí terão que desembolsar muito dinheiro". Foi o que aconteceu alguns anos depois, quando o Flamengo teve que pagar caro para ter Nunes como seu atacante.
Títulos conquistados como jogador: Campeão Paraguaio (1942); Campeão Carioca (1943, 1944 e 1953); Torneio Relâmpago do Rio de Janeiro (1943 e 1944); Torneio Inicio do Campeonato Carioca (1946, 1951 e 1952); Troféu Cezar Aboud (1948); Troféu Embaixada Brasileira na Guatemala (1949), Troféu El Comite Nacional Olímpico da Guatemala (1949); Taça Cidade de Ilhéus (1950); Elfsborg Cup (1951); Torneio Quadrangular de Lima (1952); Troféu Cidade de Arequipa (1952); Troféu Juan Domingo Perón, na Argentina (1953) e Torneio Triangular de Curitiba (1953).
Sua paixão pelo Flamengo fez com que adotasse o Brasil como sua segunda pátria, vivendo aqui até sua morte, em 1996 no Rio de Janeiro. (Pesquisa: Nilo Dias)
Quem o levou para o Flamengo foi o narrador e compositor Ary Barroso, que era rubro-negro fanático. Para não chamar a atenção dos dirigentes do Nacional, Ary viajou para o Paraguai em vôo fretado. Quando eles se deram conta já tinham perdido a sua grande promessa.
Seu primeiro jogo com a camisa 5 do Flamengo foi um clássico Fla-Flu, disputado em 12 de setembro de 1943, que terminou empatado em 2 X 2. Disputou 369 jogos pelo Flamengo e marcou 8 gols, segundo o “Almanaque do Flamengo”, de Roberto Assaf e Clóvis Martis. Foi o estrangeiro que mais vezes atuou pelo clube.
Ele foi parte importante daquele histórico time, que conquistou o primeiro tri-campeonato carioca, em 1942, 1943 e 1944, que até hoje provoca choro nos vascaínos. Volante de estilo clássico, Bria foi o ponto de equilíbrio de uma linha média que contava ainda com Biguá e Jaime, trio que foi fundamental na conquista do primeiro Tri-Campeonato Carioca da história do clube. Aquele time fabuloso formava com Jurandir - Newton e Quirino – Biguá - Bria e Jaime de Almeida – Tião – Zizinho – Pirilo - Perácio e Vevé.
Em 1953, Bria pendurou as chuteiras, mas seguiu ligado às cores vermelha e preta, tendo sido treinador do clube em quatro períodos. O primeiro, de 25/11/1959 até 22/06/1960; o segundo, de 16/07/1967 até 14/10/1967; o terceiro, de 28/05/1971 até 10/06/1971, junto com Newton Canegal. E o último, de 14/01/1981 até 05/04/1981. Comandou o Flamengo em 80 partidas, venceu 44, empatou 15 e perdeu 21.
Seu primeiro jogo como técnico foi um amistoso contra o Spartak Moscou, com vitória de 3 X 0, disputado em 25 de novembro de 1959, na antiga União Soviética. O último foi uma vitória de 2 x 1 frente o Colorado,do Paraná,em 5 de abril de 1981.
Como treinador do time principal, foram 83 jogos, com 45 vitórias, 15 empates e 21 derrotas. Modesto Bria era o treinador do time na maior goleada do Flamengo em Campeonatos Brasileiros, 8 X 0, contra o Fortaleza, em 4 de fevereiro de 1981.
Em 1967, quando era técnico dos juvenis do Flamengo, o radialista Celso Garcia levou até a Gávea um menino franzino, 13 anos de idade, de apelido Zico, seu vizinho no bairro de Quentino, para fazer um teste. Celso havia visto Zico jogando futsal em um torneio e após o jogo foi à casa dele, pedir autorização para levá-lo ao Flamengo.
No clube, usou sua influência para convencer o treinador Modesto Bria a observar o menino. Porém, poucos o levaram a sério quando chegou com Zico na Gávea, para treinar na escolinha. Quando o Bria viu o garoto, perguntou: “É esse? Desse tamanho?” Em principio Bria não acreditou muito no potencial do jovem, em razão de seu físico franzino.
Bria deixou ele treinar um pouquinho, só para que não voltasse para casa sem suar. Zico estava de short verde e camisa vermelha. No meio do treino, Bria o chamou para entrar. As pessoas que olhavam o treino debocharam do tamanho dele. Alguns falavam “coitado, é muito pequeno”. Na primeira jogada, o Zico colocou a bola embaixo da perna de um zagueiro alto, chamado “Cidade”. Todo mundo aplaudiu. E continuou driblando o treino todo.
Dias depois Zico estreou pelo Flamengo. A equipe da escolinha venceu o Everest por 4 X 3, e Zico marcou duas vezes. E logo começou a fazer uma preparação física especial com o professor José Roberto Francalacci. Zico ganhou massa muscular para suportar os choques com os marcadores adversários. O resultado começou a ser escrito quatro anos depois, quando o meia entrou pela primeira vez em campo pelo time profissional. De 1971 a 1983, o habilidoso atleta conquistou 22 títulos com o Rubro-Negro.
Outro jogador que deve muito do sucesso alcançado a Bria, é Mozer. Quando o paraguaio treinava as categorias de base do Flamengo, Mozer havia sido dispensado do Botafogo devido ao seu porte físico franzino e apareceu na Gávea para tentar a sorte. Em principio queria ser atacante, mas Bria disse que ele não passava de um centroavante deselegante, sem muito futuro no futebol. E fez com que Mozer virasse zagueiro. E a troca só lhe trouxe lucro.
Também o lateral Júnior foi descoberto por Bria. Logo que chegou ao Rio de Janeiro, vindo da Paraíba, ele chamou a atenção do treinador das categorias de base do Flamengo, quando disputava peladas na Praia de Copabacana. Levado para a Gávea estreou como profissional em 1974. No início era lateral direita, mas atuava também no meio-de-campo.
É verdade que Bria revelou grandes valores para o Flamengo, mas também errou em algumas avaliações. Nunes, que foi um dos maiores artilheiros da história do clube, quando ainda era adolescente foi fazer testes na escolinha do rubro-negro e foi dispensado pelo técnico Modesto Bria.
Ao deixar a Gávea, profetizou com os companheiros: "Um dia eles vão me querer de volta, mas aí terão que desembolsar muito dinheiro". Foi o que aconteceu alguns anos depois, quando o Flamengo teve que pagar caro para ter Nunes como seu atacante.
Títulos conquistados como jogador: Campeão Paraguaio (1942); Campeão Carioca (1943, 1944 e 1953); Torneio Relâmpago do Rio de Janeiro (1943 e 1944); Torneio Inicio do Campeonato Carioca (1946, 1951 e 1952); Troféu Cezar Aboud (1948); Troféu Embaixada Brasileira na Guatemala (1949), Troféu El Comite Nacional Olímpico da Guatemala (1949); Taça Cidade de Ilhéus (1950); Elfsborg Cup (1951); Torneio Quadrangular de Lima (1952); Troféu Cidade de Arequipa (1952); Troféu Juan Domingo Perón, na Argentina (1953) e Torneio Triangular de Curitiba (1953).
Sua paixão pelo Flamengo fez com que adotasse o Brasil como sua segunda pátria, vivendo aqui até sua morte, em 1996 no Rio de Janeiro. (Pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 29 de setembro de 2012
O adeus de Zé Alam
Os meios esportivos e da imprensa de Pelotas tem apresentado desagradáveis surpresas nos últimos dias. Primeiro, fiquei sabendo algumas semanas depois do ocorrido, em agosto último, da morte do meu amigo e parceiro de memoráveis jornadas esportivas na Rádio Tupancy, Antônio Carlos Alves. Agora, recebo a notícia de que ontem nos deixou o comentarista esportivo, também da Rádio Tupancy, e ex-jogador de Futebol de Salão, José Rosa Alam, que marcou época nos anos 50 e 60. Ele foi vítima de problemas no coração.
Curiosamente, os Departamentos de Futebol de Salão de E.C. Pelotas e G.E. Brasil foram fundados no mesmo ano de 1956. O do Brasil por Jorge Luiz “Fabião”, tendo ao lado o meu inesquecível compadre e amigo, Bento Peixoto Castelã, companheiro de muitas jornadas no F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande. E ainda Waldir Cáceres e Francisco Antunes. O Brasil conquistou seu primeiro campeonato municipal em 1963.
No Pelotas não lembro todos os idealizadores do Futebol de Salão, mas sei que entre eles estava Zé Alam. O áureo-cerúleo mandou e desmandou nos primeiros tempos do tradicional esporte, tendo sido campeão em 1957, 1958, 1959, 1961, 1965, 1970 e 1971 e campeão estadual em 1961.
Eu lembro de uma das formações clássicas do quinteto salonista azul e amarelo, naquele ano de 1961: João Manoel - Yolko e Sidney – Fernando Rosa e Zé Alam. Antes, também jogaram pelo Pelotas, Luiz Carlos Martines, com quem anos mais tarde tive a honra de ser colega na Rádio Pelotense e Paulo de Souza Lobo, o “Galego”, o maior treinador que Pelotas já conheceu. Igualmente estivemos juntos na Rádio Pelotense, ele como comentarista, eu como narrador.
Até guardo uma foto que é verdadeira relíquia, em que apareço ao lado de "Galego", no time da Rádio Pelotense num Torneio da Imprensa. que era disputado anualmente. Não sei se ainda fazem isso nos dias de hoje. Na foto estão também Volnei Castro, Benito Amato, Amir Curi e José Carlos Cortês Sica. Timaço, na lata e na quadra.
Zé Alam também jogou no Brasil e Libaneza, que ao lado do Pelotas formavam os clubes mais fortes da cidade, na época. E em 1966 foi chamado para defender a Seleção Gaúcha. Tempos depois é que outras agremiações igualmente se sobressaíram no então chamado “esporte da bola pesada”: Agremiação Pelotense de Esportes, Paulista F.C. e E.C. Cruzeiro, todos também campeões estaduais. Não foi a toa que Pelotas ganhou o apelido de “Meca do salonismo gaúcho”.
Tempos depois, Zé Alam deixou o Pelotas e foi jogar no rival. Lembro dos times de 1966. Pelotas: Paulo Roberto – Yolko e Carlinhos – Covinha e Juruá. O Brasil tinha Carlota – Cassiano e Pedalão – Torino e Zé Alam. Além de ter sido campeão estadual pelo Pelotas em 1961, foi pelo Brasil em 1963, ano em que trocou de time, 1966, 1967, 1968 e 1969.
Zé Alam estava com 74 anos. Deixou a esposa, Beth, a filha Laura Alan, que é jornalista, e uma neta. E também uma bonita história nas quadras de Futsal, onde sem dúvida marcou presença como um dos melhores jogadores que Pelotas conheceu. Era torcedor apaixonado do Pelotas, sempre acompanhando o time de futebol de campo, onde estivesse.
Como radialista trabalhou nas rádios Universidade, Cultura, Nativa e Tupancy, onde era o chefe do Departamento de Esportes. Ultimamente, participava do programa “Conversa de Arquibancada”, que é levado ao ar de segunda a sexta-feira, das 13 às 14 horas, com apresentação do radialista Telmo Freitas.
Segundo seus colegas de imprensa, com ele se foi uma grande parte da história do futebol de Pelotas, pois era considerado uma verdadeira enciclopédia, dono de uma memória fabulosa. O velório começou na madrugada de sábado, na Capela B2 do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, no bairro Fragata, em Pelotas, e o sepultamento aconteceu às 17 horas. (Pesquisa: Nilo Dias)
Zé Alam era considerado um dos melhores comentaristas esportivos de Pelotas. (Foto: João Carlos Silva)
Curiosamente, os Departamentos de Futebol de Salão de E.C. Pelotas e G.E. Brasil foram fundados no mesmo ano de 1956. O do Brasil por Jorge Luiz “Fabião”, tendo ao lado o meu inesquecível compadre e amigo, Bento Peixoto Castelã, companheiro de muitas jornadas no F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande. E ainda Waldir Cáceres e Francisco Antunes. O Brasil conquistou seu primeiro campeonato municipal em 1963.
No Pelotas não lembro todos os idealizadores do Futebol de Salão, mas sei que entre eles estava Zé Alam. O áureo-cerúleo mandou e desmandou nos primeiros tempos do tradicional esporte, tendo sido campeão em 1957, 1958, 1959, 1961, 1965, 1970 e 1971 e campeão estadual em 1961.
Eu lembro de uma das formações clássicas do quinteto salonista azul e amarelo, naquele ano de 1961: João Manoel - Yolko e Sidney – Fernando Rosa e Zé Alam. Antes, também jogaram pelo Pelotas, Luiz Carlos Martines, com quem anos mais tarde tive a honra de ser colega na Rádio Pelotense e Paulo de Souza Lobo, o “Galego”, o maior treinador que Pelotas já conheceu. Igualmente estivemos juntos na Rádio Pelotense, ele como comentarista, eu como narrador.
Até guardo uma foto que é verdadeira relíquia, em que apareço ao lado de "Galego", no time da Rádio Pelotense num Torneio da Imprensa. que era disputado anualmente. Não sei se ainda fazem isso nos dias de hoje. Na foto estão também Volnei Castro, Benito Amato, Amir Curi e José Carlos Cortês Sica. Timaço, na lata e na quadra.
Zé Alam também jogou no Brasil e Libaneza, que ao lado do Pelotas formavam os clubes mais fortes da cidade, na época. E em 1966 foi chamado para defender a Seleção Gaúcha. Tempos depois é que outras agremiações igualmente se sobressaíram no então chamado “esporte da bola pesada”: Agremiação Pelotense de Esportes, Paulista F.C. e E.C. Cruzeiro, todos também campeões estaduais. Não foi a toa que Pelotas ganhou o apelido de “Meca do salonismo gaúcho”.
Tempos depois, Zé Alam deixou o Pelotas e foi jogar no rival. Lembro dos times de 1966. Pelotas: Paulo Roberto – Yolko e Carlinhos – Covinha e Juruá. O Brasil tinha Carlota – Cassiano e Pedalão – Torino e Zé Alam. Além de ter sido campeão estadual pelo Pelotas em 1961, foi pelo Brasil em 1963, ano em que trocou de time, 1966, 1967, 1968 e 1969.
Zé Alam estava com 74 anos. Deixou a esposa, Beth, a filha Laura Alan, que é jornalista, e uma neta. E também uma bonita história nas quadras de Futsal, onde sem dúvida marcou presença como um dos melhores jogadores que Pelotas conheceu. Era torcedor apaixonado do Pelotas, sempre acompanhando o time de futebol de campo, onde estivesse.
Como radialista trabalhou nas rádios Universidade, Cultura, Nativa e Tupancy, onde era o chefe do Departamento de Esportes. Ultimamente, participava do programa “Conversa de Arquibancada”, que é levado ao ar de segunda a sexta-feira, das 13 às 14 horas, com apresentação do radialista Telmo Freitas.
Segundo seus colegas de imprensa, com ele se foi uma grande parte da história do futebol de Pelotas, pois era considerado uma verdadeira enciclopédia, dono de uma memória fabulosa. O velório começou na madrugada de sábado, na Capela B2 do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, no bairro Fragata, em Pelotas, e o sepultamento aconteceu às 17 horas. (Pesquisa: Nilo Dias)
Zé Alam era considerado um dos melhores comentaristas esportivos de Pelotas. (Foto: João Carlos Silva)
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Uma família de craques
Oliver Roberto Bazzani, o “Bazzaninho”, nasceu na cidade paulista de Mirassol, no dia 30 de julho de 1941. Ele faz parte de uma família que tem história no futebol de São Paulo. Seu pai, Olivério Bazzani, foi zagueiro do E.C. Corinthians Paulista na década de 30. Ele participou de um jogo trágico na história corinthiana, a goleada de 8 X 0 sofrida para o Palestra Itália, atual Palmeiras, no dia 11 de novembro de 1933.
Seu irmão Olivério Bazzani, o “Rubi”, cinco anos mais velho (3/6/1935) e já falecido, é considerado o maior nome da Associação Ferroviária de Esportes, de Araraquara, em todos os tempos. A irmã Nadir foi jogadora de basquete. Os filhos de “Bazzaninho”, Rodrigo e Diego são jogadores e tentam o sucesso como profissionais da bola. Já os filhos Oliver, Jéferson e Olivério, frutos de seu primeiro casamento, preferiram ser empresários em Sorocaba.
Bazzani começou a carreira nas categorias de base do Mogiano, passou pelo Rio Preto, antes de chegar na Ferroviária, em 1954. Ele foi um meia-esquerda de muita qualidade. Fazia lançamentos longos com precisão milimétrica. Costumava jogar com a bola no chão. Era um artilheiro nato e emérito cobrador de faltas. E também auxiliava na marcação, o que fazia dele um jogador completo.
Bazzani fez parte de ataques que deixaram saudade nos torcedores da Ferroviária. Atuou ao lado de Boquita, Beni, Pio e Nei. E também de Gomes, Baiano, Téia, Maritaca e Zé Luis, entre outros. Não esquecendo Dudu, outra glória afeana, que depois se imortalizou defendendo a S.E. Palmeiras.
Com Bazzani no time, a Ferroviária viveu seus melhores momentos. Em 1959 foi terceira colocada no Campeonato Paulista, ficando na frente de São Paulo, Corinthians e Portuguesa de Desportos. Graças ao seu exuberante futebol foi convocado para Seleção Paulista que disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções, junto com Dudu e Rosan, seus companheiros de equipe. Contribuiu para o tetracampeonato do torneio, chegando a deixar Pelé no banco, contra a Seleção Mineira.
Em 1960 participou de uma excursão da Ferroviária por gramados da Europa e África. Foram 20 amistosos em dois meses, enfrentando equipes poderosas como Belenenses, F.C. do Porto e Atlético, de Madrid. O saldo foi altamente positivo, com apenas uma derrota, para o Sporting, de Lisboa e dois empates. Na África, o time interiorano paulista aplicou muitas goleadas.
Entre os anos de 1963 e 1965 foi jogar no Corinthians. A Ferroviária realizava mais uma excursão internacional, dessa feita por gramados da América do Sul e Central, onde foi o artilheiro, com oito gols. Não participou de todos os 17 jogos realizados, pois teve de se apresentar ao novo clube.
Sem sua maior estrela, a Ferroviária acabou rebaixada para a Segunda Divisão Paulista, em 1964. E Bazzani, por sua vez, também não confirmou no Corinthians tudo o que se esperava dele. No clube do Parque São Jorge jogou 87 partidas e marcou 15 gols. Em 1965 estava de volta ao time de Araraquara, e ajudau na conquista do título de campeã paulista da Segunda Divisão de 1966. Foi o artilheiro do time, com 16 gols.
No jogo comemorativo ao título, com direito a entrega de faixas, um empate em 2 X 2 com o Cruzeiro, de Belo Horizonte, que tinha na sua formação astros da categoria de Tostão, Raul e Dirceu Lopes.
Bazzani ainda participou do tri-campeonato do Interior, conquistado pela “Locomotiva Grená”, em 1967, 1968 e 1969. Em 1968 a AFE foi terceira colocada no “Paulistão”, ficando atrás apenas Santos e Corinthians.
Para coroar tão bonita campanha, a Ferroviária teve o artilheiro da competição, o atacante Téia, com 20 gols. Foi a primeira vez em toda a história do Campeonato Paulista, que o artilheiro jogava em um clube do interior. Entre 1957 e 1970, Pelé foi o artilheiro do campeonato em 10 oportunidades, Toninho Guerreiro em duas e Flávio, do Corinthians, uma vez.
Em 1968 a Ferroviária fez o jogo de entrega das faixas de bi-campeão do interior. E enfrentou na Fonte Luminosa ao Nápoli, da Itália, que foi goleado por 4 x 0. Depois veio nova e vitoriosa excursão pela América Central. Foram 13 jogos e apenas uma derrota. Em 1970 participou da conquista da “Taça dos Invictos” e um ano antes de encerrar a carreira, Bazzani participou de um dos jogos inesquecíveis para o torcedor grená.
Foi em março de 1971, uma goleada de 4 X 1, frente o Santos de Cejas, Clodoaldo, Edu e Pelé, na Fonte Luminosa. Bazzani não começou o jogo como titular, mas quando entrou fez um dos gols da goleada, que teve 20 mil assistentes no estádio.
Sua partida de despedida foi um amistoso contra o Guarani, de Campinas em 28 de março de 1973, uma quarta-feira na Fonte Luminosa. O time visitante venceu por 1 X 0. Bazzani, então com 35 anos deu a “volta olímpica” e espalhou emoção a todos os presentes quando foi às lágrimas, descalço no centro do campo. Por tudo isso a história desse jogador se confunde com a história da Ferroviária.
Ao deixar os gramados, o craque se dedicou a profissão de cirurgião-dentista, mas em momento algum abandonou os laços afetivos com a Ferroviária. Chegou a ser treinador em várias oportunidades, tanto no profissional quanto nas categorias de base. Também trabalhou no Departamento de Futebol e em funções administrativas.
A imagem de Bazzani está imortalizada e eternizada na história do clube de Araraquara. No Estádio da Fonte Luminosa foi erguido o busto daquele que soube honrar a camisa ferroviária, como poucos. Em 18 de abril de 2007 aconteceu a festa de inauguração do busto, num jogo contra o Corinthians Paulista B, vencido pela AEF por 3 X 0. A partida foi organizada pela Prefeitura Municipal de Araraquara.
Bazzani não compareceu a festa, porque enfrentava sérios problemas de saúde, como “Mal de Alzheimer”, “Mal de Parkinson”, assim como complicações no sistema urinário e próstata. Uma cirurgia deveria ter sido realizada, mas as condições cardiológicas impediram. Assim, o velho “Rabi” não viu a cerimônia de inauguração do seu busto confeccionado em São Paulo pelo artista plástico Wagner Gallo.
Mas no estádio estiveram companheiros de grandes e inesquecíveis jornadas no time da Ferroviária, entre eles Nei, Maritaca, Fogueira, Pio, Geraldo Scalera e Peixinho. A iniciativa foi de Edinho juntamente com o presidente da Ferroviária Futebol S.A., Welson Alves Ferreira Júnior, o “Juninho”. E o mais importante é o fato da homenagem ao grande ídolo ter sido proporcionada ainda em vida, como não é usual aos grandes homens.
A esposa de Olivério Bazzani Filho, Aparecida Castro Bazzani e o prefeito Edinho Silva (PT), inauguraram o busto de bronze em homenagem ao eterno dono da camisa 10 grená. Bazzani faleceu aos 72 anos de idade, em Araraquara, no dia 13 de outubro de 2007, um sábado, pouco mais de seis meses após a derradeira homenagem que recebeu.
Voltando a falar em Oliver Roberto Bazzani, o “Bazzaninho”, irmão do saudoso craque da Ferroviária, sabe-se que em razão do sobrenome Bazzani já ter sido incorporado a figura do mano mais velho, optou por se chamar “Bazzaninho”.
Começou a jogar futebol na equipe juvenil da sua terra natal, comandada pelo técnico Anésio Pelicione, o “Matinê”. Disputou o “Amadorzão” do Estado pelo Bálsamo, até ser descoberto por Olavo Fleury e seu filho José Teóphilo Fleury Netto, são-paulinos fanáticos, que o indicaram ao tricolor.
Em outubro de 1958, o São Paulo foi jogar contra o América, em Rio Preto. O técnico Vicente Feola e o diretor Raimundo Paes de Almeida deram uma esticada até Mirassol e viram Bazaninho em ação. Não tiveram dúvida e acertaram a transferência do promissor meia-esquerda, de apenas 17 anos.
Seu pai, Olivério Bazzani ganhava Cr$ 20.00 por semana como sapateiro, e o São Paulo pagou Cr$ 12 mil a ele para levar “Bazzaninho”. O promissor jogador fez a estréia com a camisa são-paulina numa vitória de 3 X 1 sobre o Corinthians, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista de Aspirantes, tendo marcado o primeiro gol do jogo.
Em 1960, o time profissional do São Paulo foi disputar uma série de jogos no México. Ele e “Peixinho”, autor do primeiro gol da história do então ainda inacabado Morumbi, se destacaram nos aspirantes e foram convocados, também.
Mesmo sendo um jogador de muito talento, que driblava fácil e cobrava faltas com perfeição, “Bazzaninho” não cresceu mais como jogador de futebol, porque teve o azar de jogar numa época em que proliferavam grandes craques na sua posição, como Didi e depois, Rivelino, Gerson e Ademir da Guia.
E “Bazzaninho” também defendeu o São Paulo, num tempo em que o clube estava mais interessado em concluir o seu estádio, do que formar equipes fortes. Os títulos naquela época foram raros. Mas ainda assim ele participou de algumas conquistas importantes como: Bi-campeão Fita Azul da Europa e dos torneios de Cali e de Firenze. E também do torneio de inauguração do estádio Jalisco, na Cidade de Guadalajara, no México.
No ano seguinte foi emprestado ao Batatais, onde ficou por duas temporadas, e em 1962 transferiu-se para o São Bento, de Sorocaba. Integrou o melhor São Bento de todos os tempos ao lado de Walter, Odorico, Salvador, Gibe, Nestor, Marinho, Picolé, Afonsinho, Cabralzinho, Paraná e outros. A equipe sorocabana foi campeã da Primeira Divisão (atual A-2) ao ganhar do América na decisão em uma série melhor de três partidas.
Retornou ao São Paulo em 1964/1965. Arrebentou numa excursão à Itália e o Milan queria comprá-lo, mas não houve acordo financeiro. Laudo Natel, presidente do tricolor na época, não aceitou a proposta de Cr$ 150 milhões para o clube e Cr$ 40 milhões para o jogador.
Os dirigentes são-paulinos lhe deram um carro Volkswagem e Cr$ 1 milhão por mês. Depois do negócio emperrado, “Bazzaninho” disse que o técnico José Poy passou a persegui-lo. O talentoso meia-esquerda ficou desiludido e entrou em depressão.
Pouco tempo depois, o Grêmio (RS) também se interessou por ele. Novamente não houve acordo financeiro entre os clubes. Em 1965, o São Bento, então, pagou Cr$ 20 milhões, mais o passe do ponta-esquerda Paraná para ficar em definitivo com “Bazzaninho”. Ficou na equipe de Sorocaba até 1970. No ano seguinte jogou três meses na Ponte Preta, de Campinas e outros três no Paulista, de Jundiaí. Depois foi para o América e subiu para o Paulistão.
Em 1972 defendeu o XV de Piracicaba por quatro meses, não tendo visto um tostão do pagamento. No começo de 1973 transferiu-se para o Vila Nova (GO). Formado químico metalográfico, estudo básico do alumínio, passou a trabalhar na Companhia Brasileira de Alumínio, do Grupo Votorantim, na cidade paulista de Alumínio.
Já em final de carreira, atuou pela Associação Atlética Alumínio, que durante alguns anos disputou a Terceira Divisão de Profissionais do futebol paulista. Em 1974 a equipe local deixou de participar de campeonatos profissionais, e “Bazzaninho”, que morava em Alumínio voltou para Mirassol. Entrou em depressão, caiu no alcoolismo e acabou internado em uma clínica.
Com a ajuda de amigos, principalmente do empresário João Mahfuz, superou o vício e trabalha até hoje na sua rede de lojas, como gerente de vendas. Os pais de ambos também foram amigos. Em 1979 ainda jogou algumas partidas pelo Mirassol. O peso da idade - estava com 38 anos - falou mais alto e decidiu abandonar definitivamente o futebol.
“Bazzaninho”, que é casado com Renata e pai de Diego e Rodrigo, se tornou evangélico. Seus outros filhos são Júnior, Jeferson, Laurinha, Simone e Lelo, frutos do primeiro casamento. Mora em Sorocaba desde 2005, e apesar de aposentado trabalha ainda trabalha na loja de seu amigo.
Quem vai ao culto ou à Escola Bíblica Dominical no templo da 4ª Igreja Presbiteriana Independente de Sorocaba, terá a chance de conhecer o irmão Oliver Roberto Bazzani, um simpático senhor de 71 anos de idade. (Pesquisa: Nilo Dias)
Busto de Bazzani, no Estádio da Fonte Luminosa, em Araraquara.
Seu irmão Olivério Bazzani, o “Rubi”, cinco anos mais velho (3/6/1935) e já falecido, é considerado o maior nome da Associação Ferroviária de Esportes, de Araraquara, em todos os tempos. A irmã Nadir foi jogadora de basquete. Os filhos de “Bazzaninho”, Rodrigo e Diego são jogadores e tentam o sucesso como profissionais da bola. Já os filhos Oliver, Jéferson e Olivério, frutos de seu primeiro casamento, preferiram ser empresários em Sorocaba.
Bazzani começou a carreira nas categorias de base do Mogiano, passou pelo Rio Preto, antes de chegar na Ferroviária, em 1954. Ele foi um meia-esquerda de muita qualidade. Fazia lançamentos longos com precisão milimétrica. Costumava jogar com a bola no chão. Era um artilheiro nato e emérito cobrador de faltas. E também auxiliava na marcação, o que fazia dele um jogador completo.
Bazzani fez parte de ataques que deixaram saudade nos torcedores da Ferroviária. Atuou ao lado de Boquita, Beni, Pio e Nei. E também de Gomes, Baiano, Téia, Maritaca e Zé Luis, entre outros. Não esquecendo Dudu, outra glória afeana, que depois se imortalizou defendendo a S.E. Palmeiras.
Com Bazzani no time, a Ferroviária viveu seus melhores momentos. Em 1959 foi terceira colocada no Campeonato Paulista, ficando na frente de São Paulo, Corinthians e Portuguesa de Desportos. Graças ao seu exuberante futebol foi convocado para Seleção Paulista que disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções, junto com Dudu e Rosan, seus companheiros de equipe. Contribuiu para o tetracampeonato do torneio, chegando a deixar Pelé no banco, contra a Seleção Mineira.
Em 1960 participou de uma excursão da Ferroviária por gramados da Europa e África. Foram 20 amistosos em dois meses, enfrentando equipes poderosas como Belenenses, F.C. do Porto e Atlético, de Madrid. O saldo foi altamente positivo, com apenas uma derrota, para o Sporting, de Lisboa e dois empates. Na África, o time interiorano paulista aplicou muitas goleadas.
Entre os anos de 1963 e 1965 foi jogar no Corinthians. A Ferroviária realizava mais uma excursão internacional, dessa feita por gramados da América do Sul e Central, onde foi o artilheiro, com oito gols. Não participou de todos os 17 jogos realizados, pois teve de se apresentar ao novo clube.
Sem sua maior estrela, a Ferroviária acabou rebaixada para a Segunda Divisão Paulista, em 1964. E Bazzani, por sua vez, também não confirmou no Corinthians tudo o que se esperava dele. No clube do Parque São Jorge jogou 87 partidas e marcou 15 gols. Em 1965 estava de volta ao time de Araraquara, e ajudau na conquista do título de campeã paulista da Segunda Divisão de 1966. Foi o artilheiro do time, com 16 gols.
No jogo comemorativo ao título, com direito a entrega de faixas, um empate em 2 X 2 com o Cruzeiro, de Belo Horizonte, que tinha na sua formação astros da categoria de Tostão, Raul e Dirceu Lopes.
Bazzani ainda participou do tri-campeonato do Interior, conquistado pela “Locomotiva Grená”, em 1967, 1968 e 1969. Em 1968 a AFE foi terceira colocada no “Paulistão”, ficando atrás apenas Santos e Corinthians.
Para coroar tão bonita campanha, a Ferroviária teve o artilheiro da competição, o atacante Téia, com 20 gols. Foi a primeira vez em toda a história do Campeonato Paulista, que o artilheiro jogava em um clube do interior. Entre 1957 e 1970, Pelé foi o artilheiro do campeonato em 10 oportunidades, Toninho Guerreiro em duas e Flávio, do Corinthians, uma vez.
Em 1968 a Ferroviária fez o jogo de entrega das faixas de bi-campeão do interior. E enfrentou na Fonte Luminosa ao Nápoli, da Itália, que foi goleado por 4 x 0. Depois veio nova e vitoriosa excursão pela América Central. Foram 13 jogos e apenas uma derrota. Em 1970 participou da conquista da “Taça dos Invictos” e um ano antes de encerrar a carreira, Bazzani participou de um dos jogos inesquecíveis para o torcedor grená.
Foi em março de 1971, uma goleada de 4 X 1, frente o Santos de Cejas, Clodoaldo, Edu e Pelé, na Fonte Luminosa. Bazzani não começou o jogo como titular, mas quando entrou fez um dos gols da goleada, que teve 20 mil assistentes no estádio.
Sua partida de despedida foi um amistoso contra o Guarani, de Campinas em 28 de março de 1973, uma quarta-feira na Fonte Luminosa. O time visitante venceu por 1 X 0. Bazzani, então com 35 anos deu a “volta olímpica” e espalhou emoção a todos os presentes quando foi às lágrimas, descalço no centro do campo. Por tudo isso a história desse jogador se confunde com a história da Ferroviária.
Ao deixar os gramados, o craque se dedicou a profissão de cirurgião-dentista, mas em momento algum abandonou os laços afetivos com a Ferroviária. Chegou a ser treinador em várias oportunidades, tanto no profissional quanto nas categorias de base. Também trabalhou no Departamento de Futebol e em funções administrativas.
A imagem de Bazzani está imortalizada e eternizada na história do clube de Araraquara. No Estádio da Fonte Luminosa foi erguido o busto daquele que soube honrar a camisa ferroviária, como poucos. Em 18 de abril de 2007 aconteceu a festa de inauguração do busto, num jogo contra o Corinthians Paulista B, vencido pela AEF por 3 X 0. A partida foi organizada pela Prefeitura Municipal de Araraquara.
Bazzani não compareceu a festa, porque enfrentava sérios problemas de saúde, como “Mal de Alzheimer”, “Mal de Parkinson”, assim como complicações no sistema urinário e próstata. Uma cirurgia deveria ter sido realizada, mas as condições cardiológicas impediram. Assim, o velho “Rabi” não viu a cerimônia de inauguração do seu busto confeccionado em São Paulo pelo artista plástico Wagner Gallo.
Mas no estádio estiveram companheiros de grandes e inesquecíveis jornadas no time da Ferroviária, entre eles Nei, Maritaca, Fogueira, Pio, Geraldo Scalera e Peixinho. A iniciativa foi de Edinho juntamente com o presidente da Ferroviária Futebol S.A., Welson Alves Ferreira Júnior, o “Juninho”. E o mais importante é o fato da homenagem ao grande ídolo ter sido proporcionada ainda em vida, como não é usual aos grandes homens.
A esposa de Olivério Bazzani Filho, Aparecida Castro Bazzani e o prefeito Edinho Silva (PT), inauguraram o busto de bronze em homenagem ao eterno dono da camisa 10 grená. Bazzani faleceu aos 72 anos de idade, em Araraquara, no dia 13 de outubro de 2007, um sábado, pouco mais de seis meses após a derradeira homenagem que recebeu.
Voltando a falar em Oliver Roberto Bazzani, o “Bazzaninho”, irmão do saudoso craque da Ferroviária, sabe-se que em razão do sobrenome Bazzani já ter sido incorporado a figura do mano mais velho, optou por se chamar “Bazzaninho”.
Começou a jogar futebol na equipe juvenil da sua terra natal, comandada pelo técnico Anésio Pelicione, o “Matinê”. Disputou o “Amadorzão” do Estado pelo Bálsamo, até ser descoberto por Olavo Fleury e seu filho José Teóphilo Fleury Netto, são-paulinos fanáticos, que o indicaram ao tricolor.
Em outubro de 1958, o São Paulo foi jogar contra o América, em Rio Preto. O técnico Vicente Feola e o diretor Raimundo Paes de Almeida deram uma esticada até Mirassol e viram Bazaninho em ação. Não tiveram dúvida e acertaram a transferência do promissor meia-esquerda, de apenas 17 anos.
Seu pai, Olivério Bazzani ganhava Cr$ 20.00 por semana como sapateiro, e o São Paulo pagou Cr$ 12 mil a ele para levar “Bazzaninho”. O promissor jogador fez a estréia com a camisa são-paulina numa vitória de 3 X 1 sobre o Corinthians, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista de Aspirantes, tendo marcado o primeiro gol do jogo.
Em 1960, o time profissional do São Paulo foi disputar uma série de jogos no México. Ele e “Peixinho”, autor do primeiro gol da história do então ainda inacabado Morumbi, se destacaram nos aspirantes e foram convocados, também.
Mesmo sendo um jogador de muito talento, que driblava fácil e cobrava faltas com perfeição, “Bazzaninho” não cresceu mais como jogador de futebol, porque teve o azar de jogar numa época em que proliferavam grandes craques na sua posição, como Didi e depois, Rivelino, Gerson e Ademir da Guia.
E “Bazzaninho” também defendeu o São Paulo, num tempo em que o clube estava mais interessado em concluir o seu estádio, do que formar equipes fortes. Os títulos naquela época foram raros. Mas ainda assim ele participou de algumas conquistas importantes como: Bi-campeão Fita Azul da Europa e dos torneios de Cali e de Firenze. E também do torneio de inauguração do estádio Jalisco, na Cidade de Guadalajara, no México.
No ano seguinte foi emprestado ao Batatais, onde ficou por duas temporadas, e em 1962 transferiu-se para o São Bento, de Sorocaba. Integrou o melhor São Bento de todos os tempos ao lado de Walter, Odorico, Salvador, Gibe, Nestor, Marinho, Picolé, Afonsinho, Cabralzinho, Paraná e outros. A equipe sorocabana foi campeã da Primeira Divisão (atual A-2) ao ganhar do América na decisão em uma série melhor de três partidas.
Retornou ao São Paulo em 1964/1965. Arrebentou numa excursão à Itália e o Milan queria comprá-lo, mas não houve acordo financeiro. Laudo Natel, presidente do tricolor na época, não aceitou a proposta de Cr$ 150 milhões para o clube e Cr$ 40 milhões para o jogador.
Os dirigentes são-paulinos lhe deram um carro Volkswagem e Cr$ 1 milhão por mês. Depois do negócio emperrado, “Bazzaninho” disse que o técnico José Poy passou a persegui-lo. O talentoso meia-esquerda ficou desiludido e entrou em depressão.
Pouco tempo depois, o Grêmio (RS) também se interessou por ele. Novamente não houve acordo financeiro entre os clubes. Em 1965, o São Bento, então, pagou Cr$ 20 milhões, mais o passe do ponta-esquerda Paraná para ficar em definitivo com “Bazzaninho”. Ficou na equipe de Sorocaba até 1970. No ano seguinte jogou três meses na Ponte Preta, de Campinas e outros três no Paulista, de Jundiaí. Depois foi para o América e subiu para o Paulistão.
Em 1972 defendeu o XV de Piracicaba por quatro meses, não tendo visto um tostão do pagamento. No começo de 1973 transferiu-se para o Vila Nova (GO). Formado químico metalográfico, estudo básico do alumínio, passou a trabalhar na Companhia Brasileira de Alumínio, do Grupo Votorantim, na cidade paulista de Alumínio.
Já em final de carreira, atuou pela Associação Atlética Alumínio, que durante alguns anos disputou a Terceira Divisão de Profissionais do futebol paulista. Em 1974 a equipe local deixou de participar de campeonatos profissionais, e “Bazzaninho”, que morava em Alumínio voltou para Mirassol. Entrou em depressão, caiu no alcoolismo e acabou internado em uma clínica.
Com a ajuda de amigos, principalmente do empresário João Mahfuz, superou o vício e trabalha até hoje na sua rede de lojas, como gerente de vendas. Os pais de ambos também foram amigos. Em 1979 ainda jogou algumas partidas pelo Mirassol. O peso da idade - estava com 38 anos - falou mais alto e decidiu abandonar definitivamente o futebol.
“Bazzaninho”, que é casado com Renata e pai de Diego e Rodrigo, se tornou evangélico. Seus outros filhos são Júnior, Jeferson, Laurinha, Simone e Lelo, frutos do primeiro casamento. Mora em Sorocaba desde 2005, e apesar de aposentado trabalha ainda trabalha na loja de seu amigo.
Quem vai ao culto ou à Escola Bíblica Dominical no templo da 4ª Igreja Presbiteriana Independente de Sorocaba, terá a chance de conhecer o irmão Oliver Roberto Bazzani, um simpático senhor de 71 anos de idade. (Pesquisa: Nilo Dias)
Busto de Bazzani, no Estádio da Fonte Luminosa, em Araraquara.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Um comentário providencial
*Obrigado Nilo por lembrar um grande profissional e amigo. Por volta de 1964, quando iniciei, Antonio Carlos junto com Luiz Carlos Martinez e Gilson Tilmmam, eram os narradores na Radio Pelotense. Depois o Martinez saiu e tive oportunidade de conviver contigo e o Antonio como narradores. TIlmmam tambem já faleceu e Benito Amato, tambem falecido era o chefe da equipe. Epoca boa, de carnavais e festas,e, grandes profissionais como o Antonio (Tonico carinhosamente chamado pelos amigos). Convivi muito com ele e tenho boas lembranças daquele tempo. Cumprimentos pelo blog e pela lembrança.
Um abraço
Renato Carvalho.
Observação: Não costumo publicar comentários no blog. Ficam a disposição dos leitores. Mas em se tratando do amigo e radialista Renato Carvalho, não tem como não publicar. E agradeço pela manifestação bastante oportuna. Realmente, o Antônio Carlos merece a homenagem. Talvez em vida não tenha tido o reconhecimento devido. Mas a vida é assim mesmo. Eu não sabia do falecimento do Benito Amato, do Tilmann,sim. Agradecido, Renato.
Um abraço
Renato Carvalho.
Observação: Não costumo publicar comentários no blog. Ficam a disposição dos leitores. Mas em se tratando do amigo e radialista Renato Carvalho, não tem como não publicar. E agradeço pela manifestação bastante oportuna. Realmente, o Antônio Carlos merece a homenagem. Talvez em vida não tenha tido o reconhecimento devido. Mas a vida é assim mesmo. Eu não sabia do falecimento do Benito Amato, do Tilmann,sim. Agradecido, Renato.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A saga de um artilheiro
Emmanuele Del Vecchio, centroavante do Santos F.C. nos anos 50, nasceu em São Vicente (SP), no dia 24 de setembro de 1934. Começou a carreira no São Vicente A.C., de sua cidade natal. Em 1954 foi levado para o Santos pelo ex-goleiro santista “Cobrinha”. Junto de Del Vecchio também chegou o o ex-ponteiro esquerdo, Pepe, que ficou conhecido como o “Canhão da Vila”.
Del Vecchio foi um verdadeiro cigano do futebol. Jogou no Santos de 1954 a 1957 e em 1965, tendo atuado em 180 partidas e marcado 105 gols. Foi campeão paulista em 1955 e 1956 e também campeão do Torneio Internacional da Federação Paulista de Futebol (FPF). Foi artilheiro do “Paulistão” em 1955, com 23 gols.
Del Vecchio foi um atacante que tinha visão privilegiada do jogo. Era rápido, raçudo, técnico e goleador implacável. Tinha um físico perfeito para ser atleta: 1,75 de altura e 75 quilos. Eu tive a satisfação de ver Del Vecchio jogar. Foi quando de uma excursão do Santos ao Rio Grande do Sul, ao se exibir em Bagé, frente um combinado Ba-Guá, no dia 24 de março de1957. O jogo terminou 1 X 1.
Pelé entrou em campo aos dois minutos do primeiro tempo, substituindo ao astro da época, Del Vecchio, que já estava negociado com o futebol da Itália e que deixou o gramado contundido num choque com Athayde Tarouco. Pelé marcou o gol do Santos, tendo o combinado Ba-Gua empatado por Carlos Calvete.
A seleção bajeense, do treinador Alípio Rodrigues, formou com Léo Herzer - Saul Mujica - Carioca - Barradinhas e Bataclan - Athayde Tarouco e Sérgio Cabral - Carlos Calvete - Saulzinho - Max Ravaza e Luiz Silva.
Pelo Santos, estiveram em campo Manga - Feijó - Hélvio - Ivan e Urubatão - Ramiro e Jair da Rosa Pinto - Dorval - Pagão (Zinho) - Del Vecchio (Pelé) e Tite. A arbitragem foi do paulista João Etzel Filho, que acompanhou a delegação santista na sua temporada por gramados do Rio Grande do Sul. A memorável promoção foi do Grêmio Atlético Bajeense e União Bajeense de Estudantes Secundaristas, com a renda alcançando a 174 mil cruzeiros, que serviu para cobrir as despesas e deixar um pequeno lucro para os organizadores.
Del Vecchio viu o menino Pelé chegar na Vila Belmiro e com ele jogou também na seleção paulista e quando retornou ao Santos, no final de 1965. A estréia de Pelé entre os profissionais santistas aconteceu em um amistoso contra o Corinthians, de Santo André. O time vencia por 5 X 0, quando Del Vecchio se machucou e Pelé foi chamado para substituí-lo. Em sua estréia, Pelé já marcou um gol.
Em 1957 Del Vecchio mudou-se para a Itália, para jogar no Verona, onde participou de 27 jogos e marcou 13 gols. Sua estréia foi no dia 13 de outubro de 1957, na partida válida pela Série A italiana, quando seu novo clube perdeu para o Roma por 3 X 1.
Depois jogou no Padova, foram 21 partidas e 8 gols. No ano seguinte mudou-se para Nápoles, onde permaneceu por três temporadas. No Napoli, jogou 68 vezes e anotou 27 gols. Em novembro de 1962, foi comprada do AC Milan, por quem disputou nove jogos e marcou três gols. Foi campeão italiano em 1962. De volta ao Padova participou de quatro jogos e não marcou.
Participando da Série A do Campeonato Italiano, Del Veccio jogou 125 partidas e fez 51 gols. Seu grande momento foi no jogo Verona 5 X 3 Sampdória, na temporada 1957/1958, em que marcou todos os cinco gols da sua equipe.
Da Itália para a Argentina, onde vestiu a camisa do Boca Juniors em seis oportunidades, marcando três gols. De 1964 a 1967 jogou no São Paulo, foram 69 jogos, 35 vitórias, 17 empates, 17 derrotas e 34 gols marcados, segundo o “Almanaque do São Paulo”, de Alexandre da Costa. Mesmo em tempo de "vacas magras" no São Paulo em sua primeira temporada marcou 25 gols em 41 jogos.
O único titulo conquistado no São Paulo foi em 1964, o Torneio de Firenze (Itália), disputado contra a Fiorentina, Firenze e Zenit (URSS), durante excursão por gramados europeus, em que Del Vecchio fez nove gols.
Ainda em 1967 defendeu o Bangu, do Rio de Janeiro, onde jogou oito vezes e fez dois gols. Entre 1968 e 1970 esteve no Atlético Paranaense, onde encerrou a carreira. Pela Seleção Nacional jogou nove vezes, entre 1956 e 1957 e marcou apenas um gol. Entre os jogos que participou, estão incluídos quatro pelo Campeonato Sul-Americano de 1956.
Del Vecchio jogou sua primeira partida pela Seleção em 24 de janeiro de 1956, contra o Chile. O único gol que marcou foi em 16 de junho de 1957, contra Portugal. Ele vestiu a camisa da Seleção pela última vez em 10 de julho de 1957, contra a Argentina. Pela Seleção foi campeão da Copa Roca, em 1955.
Como já acontecera antes no Santos, a três meses de completar 17 anos, Pelé foi chamado pelo técnico Silvio Pirillo para substituir Del Vecchio, no Maracanã, diante de 80 mil pessoas, pela Copa Roca. Os argentinos venceram por 2 X 1, mas Pelé deixou sua marca na rede do goleiro Carrizo.
Na estréia de Pelé, com a camisa 13, a Seleção, usando camisas amarelas, calções azuis e meias brancas, formou com: Castilho- Paulinho de Almeida – Bellini - Jadir e Oreco - Zito (Urubatão) e Luisinho – Maurinho - Mazzola (Moacir) - Del Vecchio (Pelé) e Tite. O árbitro foi o austríaco Erwin Hieger e, no lance do gol brasileiro, o flamenguista Moacir lançou, Pelé recebeu a bola bem próximo ao goleiro Carrizo e, com o pé direito, chutou a pelota à esquerda do grande arqueiro portenho.
Depois que deixou os gramados tornou-se técnico, tendo dirigido as equipes do Santos (1984) e Internacional de Limeira (1986).
O ex-craque santista faleceu aos 61 anos, em Santos, no dia 7 de outubro de 1995, dias depois de ter sido baleado em uma briga com Marcos Barbosa Silvestre, ex-namorado de sua filha, depois de uma discussão. Del Vecchio levou quatro tiros, mas ainda resistiu por oito dias, mas veio a falecer no Hospital Beneficência Portuguesa. Sua filha Maria Emmanuela Moreno Del Vecchio, é casada com Paulo Antonio Cruz.
O assassino de DelVecchio foi condenado por quatro votos a três, pelo Tribunal do Júri de Santos, a um ano e seis meses de detenção, por homicídio culposo (sem intenção de matar). Na condição de réu primário e com bons antecedentes, Silvestre cumpriu a pena em liberdade. (Pesquisa: Nilo Dias)
Del Vecchio na Seleção Brasileira. (Foto: Divulgação)
Del Vecchio foi um verdadeiro cigano do futebol. Jogou no Santos de 1954 a 1957 e em 1965, tendo atuado em 180 partidas e marcado 105 gols. Foi campeão paulista em 1955 e 1956 e também campeão do Torneio Internacional da Federação Paulista de Futebol (FPF). Foi artilheiro do “Paulistão” em 1955, com 23 gols.
Del Vecchio foi um atacante que tinha visão privilegiada do jogo. Era rápido, raçudo, técnico e goleador implacável. Tinha um físico perfeito para ser atleta: 1,75 de altura e 75 quilos. Eu tive a satisfação de ver Del Vecchio jogar. Foi quando de uma excursão do Santos ao Rio Grande do Sul, ao se exibir em Bagé, frente um combinado Ba-Guá, no dia 24 de março de1957. O jogo terminou 1 X 1.
Pelé entrou em campo aos dois minutos do primeiro tempo, substituindo ao astro da época, Del Vecchio, que já estava negociado com o futebol da Itália e que deixou o gramado contundido num choque com Athayde Tarouco. Pelé marcou o gol do Santos, tendo o combinado Ba-Gua empatado por Carlos Calvete.
A seleção bajeense, do treinador Alípio Rodrigues, formou com Léo Herzer - Saul Mujica - Carioca - Barradinhas e Bataclan - Athayde Tarouco e Sérgio Cabral - Carlos Calvete - Saulzinho - Max Ravaza e Luiz Silva.
Pelo Santos, estiveram em campo Manga - Feijó - Hélvio - Ivan e Urubatão - Ramiro e Jair da Rosa Pinto - Dorval - Pagão (Zinho) - Del Vecchio (Pelé) e Tite. A arbitragem foi do paulista João Etzel Filho, que acompanhou a delegação santista na sua temporada por gramados do Rio Grande do Sul. A memorável promoção foi do Grêmio Atlético Bajeense e União Bajeense de Estudantes Secundaristas, com a renda alcançando a 174 mil cruzeiros, que serviu para cobrir as despesas e deixar um pequeno lucro para os organizadores.
Del Vecchio viu o menino Pelé chegar na Vila Belmiro e com ele jogou também na seleção paulista e quando retornou ao Santos, no final de 1965. A estréia de Pelé entre os profissionais santistas aconteceu em um amistoso contra o Corinthians, de Santo André. O time vencia por 5 X 0, quando Del Vecchio se machucou e Pelé foi chamado para substituí-lo. Em sua estréia, Pelé já marcou um gol.
Em 1957 Del Vecchio mudou-se para a Itália, para jogar no Verona, onde participou de 27 jogos e marcou 13 gols. Sua estréia foi no dia 13 de outubro de 1957, na partida válida pela Série A italiana, quando seu novo clube perdeu para o Roma por 3 X 1.
Depois jogou no Padova, foram 21 partidas e 8 gols. No ano seguinte mudou-se para Nápoles, onde permaneceu por três temporadas. No Napoli, jogou 68 vezes e anotou 27 gols. Em novembro de 1962, foi comprada do AC Milan, por quem disputou nove jogos e marcou três gols. Foi campeão italiano em 1962. De volta ao Padova participou de quatro jogos e não marcou.
Participando da Série A do Campeonato Italiano, Del Veccio jogou 125 partidas e fez 51 gols. Seu grande momento foi no jogo Verona 5 X 3 Sampdória, na temporada 1957/1958, em que marcou todos os cinco gols da sua equipe.
Da Itália para a Argentina, onde vestiu a camisa do Boca Juniors em seis oportunidades, marcando três gols. De 1964 a 1967 jogou no São Paulo, foram 69 jogos, 35 vitórias, 17 empates, 17 derrotas e 34 gols marcados, segundo o “Almanaque do São Paulo”, de Alexandre da Costa. Mesmo em tempo de "vacas magras" no São Paulo em sua primeira temporada marcou 25 gols em 41 jogos.
O único titulo conquistado no São Paulo foi em 1964, o Torneio de Firenze (Itália), disputado contra a Fiorentina, Firenze e Zenit (URSS), durante excursão por gramados europeus, em que Del Vecchio fez nove gols.
Ainda em 1967 defendeu o Bangu, do Rio de Janeiro, onde jogou oito vezes e fez dois gols. Entre 1968 e 1970 esteve no Atlético Paranaense, onde encerrou a carreira. Pela Seleção Nacional jogou nove vezes, entre 1956 e 1957 e marcou apenas um gol. Entre os jogos que participou, estão incluídos quatro pelo Campeonato Sul-Americano de 1956.
Del Vecchio jogou sua primeira partida pela Seleção em 24 de janeiro de 1956, contra o Chile. O único gol que marcou foi em 16 de junho de 1957, contra Portugal. Ele vestiu a camisa da Seleção pela última vez em 10 de julho de 1957, contra a Argentina. Pela Seleção foi campeão da Copa Roca, em 1955.
Como já acontecera antes no Santos, a três meses de completar 17 anos, Pelé foi chamado pelo técnico Silvio Pirillo para substituir Del Vecchio, no Maracanã, diante de 80 mil pessoas, pela Copa Roca. Os argentinos venceram por 2 X 1, mas Pelé deixou sua marca na rede do goleiro Carrizo.
Na estréia de Pelé, com a camisa 13, a Seleção, usando camisas amarelas, calções azuis e meias brancas, formou com: Castilho- Paulinho de Almeida – Bellini - Jadir e Oreco - Zito (Urubatão) e Luisinho – Maurinho - Mazzola (Moacir) - Del Vecchio (Pelé) e Tite. O árbitro foi o austríaco Erwin Hieger e, no lance do gol brasileiro, o flamenguista Moacir lançou, Pelé recebeu a bola bem próximo ao goleiro Carrizo e, com o pé direito, chutou a pelota à esquerda do grande arqueiro portenho.
Depois que deixou os gramados tornou-se técnico, tendo dirigido as equipes do Santos (1984) e Internacional de Limeira (1986).
O ex-craque santista faleceu aos 61 anos, em Santos, no dia 7 de outubro de 1995, dias depois de ter sido baleado em uma briga com Marcos Barbosa Silvestre, ex-namorado de sua filha, depois de uma discussão. Del Vecchio levou quatro tiros, mas ainda resistiu por oito dias, mas veio a falecer no Hospital Beneficência Portuguesa. Sua filha Maria Emmanuela Moreno Del Vecchio, é casada com Paulo Antonio Cruz.
O assassino de DelVecchio foi condenado por quatro votos a três, pelo Tribunal do Júri de Santos, a um ano e seis meses de detenção, por homicídio culposo (sem intenção de matar). Na condição de réu primário e com bons antecedentes, Silvestre cumpriu a pena em liberdade. (Pesquisa: Nilo Dias)
Del Vecchio na Seleção Brasileira. (Foto: Divulgação)
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Em memória de um radialista
Recebi ontem à noite uma notícia muito triste, dando conta do falecimento ocorrido dia 7 de agosto, do radialista Antônio Carlos Alves, narrador de futebol dos anos 60, nas emissoras de rádio de Pelotas. Estava com 75 anos. Foi mais uma vítima do maldito cigarro. Nunca deixou o vício que o acompanhava desde a infância. Fumou até a hora de morrer.
Era dono de uma das mais bonitas vozes da história do rádio pelotense. Eu e o Antônio Carlos formamos uma dupla de narradores na Rádio Tupancy, que certamente ficou na história. Dois estilos diferentes, mas duas narrações vibrantes. Perdi as contas dos jogos que transmitimos, dentro e fora de Pelotas.
Também estivemos juntos em memoráveis transmissões de Carnavais de rua, numa época considerada romântica, em que se colocavam barracas que vendiam lanches e bebidas, ao longo da Praça Coronel Pedro Osório e o desfile das entidades se perdia XV de Novembro afora. E quantas intermináveis noitadas regadas a geladissimas cervejas. Antônio Carlos também trabalhou na Rádio Cultura, onde começou a carreira e ainda na Rádio Pelotense.
Depois que fui embora de Pelotas, nunca mais tive notícias dele, até que o milagre da Internet proporcionou um reencontro, embora de maneira virtual. A partir daí trocamos mensagens e fiquei sabendo de alguns detalhes da sua vida. Devido a um estado depressivo não tratado (ele não aceitava ajuda), ficou paraplégico há cerca de 20 anos e em constante tratamento com especialista.
Durante esse tempo, Antônio Carlos teve um anjo ao seu lado, cuidando dele com enorme carinho, em todos os momentos, a esposa Cleris de Alves, de quem estava junto há 39 anos. Foi ela quem me contou como foram os derradeiros momentos de vida do agora saudoso amigo.
Deixou a esposa Cleris, os filhos Jorge, que trabalha na Rádio Universidade e Glaucius, que reside em Foz do Iguaçu (PR), ambos do primeiro casamento, quatro netos - Dario Fontana, Juninho Alves, Léo Alves,Ariane e o fiel cãozinho Pinduca. Antônio Carlos, além da família, teve dois grandes amores na vida, o rádio que nunca esqueceu e o E.C. Pelotas, seu time de coração. Faço esse comentário para lembrar um dos grandes radialistas de Pelotas em todas as épocas, que morreu praticamente no esquecimento.
Da geração dele, poucos ainda se encontram entre nós. Os mais novos possivelmente nunca ouviram falar dele e nem de tantos outros nomes da imprensa pelotense, não só esportiva. Lamentavelmente não temos o cuidado de preservar a história.
Certamente, lá no outro lado, Antônio Carlos Alves já se encontrou com nomes famosos da radiofonia pelotense que se foram há mais tempo, como Deogar Soares, Paulo Ribeiro, Phidias Gallo, Romeu Machado dos Santos, Armando Leite Goulart, Paulo Corrêa, Izabelino Tavares (meu irmão), Petrucci Filho, Eliseu de Mello Alves, Honório Sinott, Marcos Resende, Dinei Avelar e tantos outros, que a memória já prejudicada pelos 71 anos de vida, não permite lembrar. (Texto: Nilo Dias)
Era dono de uma das mais bonitas vozes da história do rádio pelotense. Eu e o Antônio Carlos formamos uma dupla de narradores na Rádio Tupancy, que certamente ficou na história. Dois estilos diferentes, mas duas narrações vibrantes. Perdi as contas dos jogos que transmitimos, dentro e fora de Pelotas.
Também estivemos juntos em memoráveis transmissões de Carnavais de rua, numa época considerada romântica, em que se colocavam barracas que vendiam lanches e bebidas, ao longo da Praça Coronel Pedro Osório e o desfile das entidades se perdia XV de Novembro afora. E quantas intermináveis noitadas regadas a geladissimas cervejas. Antônio Carlos também trabalhou na Rádio Cultura, onde começou a carreira e ainda na Rádio Pelotense.
Depois que fui embora de Pelotas, nunca mais tive notícias dele, até que o milagre da Internet proporcionou um reencontro, embora de maneira virtual. A partir daí trocamos mensagens e fiquei sabendo de alguns detalhes da sua vida. Devido a um estado depressivo não tratado (ele não aceitava ajuda), ficou paraplégico há cerca de 20 anos e em constante tratamento com especialista.
Durante esse tempo, Antônio Carlos teve um anjo ao seu lado, cuidando dele com enorme carinho, em todos os momentos, a esposa Cleris de Alves, de quem estava junto há 39 anos. Foi ela quem me contou como foram os derradeiros momentos de vida do agora saudoso amigo.
Deixou a esposa Cleris, os filhos Jorge, que trabalha na Rádio Universidade e Glaucius, que reside em Foz do Iguaçu (PR), ambos do primeiro casamento, quatro netos - Dario Fontana, Juninho Alves, Léo Alves,Ariane e o fiel cãozinho Pinduca. Antônio Carlos, além da família, teve dois grandes amores na vida, o rádio que nunca esqueceu e o E.C. Pelotas, seu time de coração. Faço esse comentário para lembrar um dos grandes radialistas de Pelotas em todas as épocas, que morreu praticamente no esquecimento.
Da geração dele, poucos ainda se encontram entre nós. Os mais novos possivelmente nunca ouviram falar dele e nem de tantos outros nomes da imprensa pelotense, não só esportiva. Lamentavelmente não temos o cuidado de preservar a história.
Certamente, lá no outro lado, Antônio Carlos Alves já se encontrou com nomes famosos da radiofonia pelotense que se foram há mais tempo, como Deogar Soares, Paulo Ribeiro, Phidias Gallo, Romeu Machado dos Santos, Armando Leite Goulart, Paulo Corrêa, Izabelino Tavares (meu irmão), Petrucci Filho, Eliseu de Mello Alves, Honório Sinott, Marcos Resende, Dinei Avelar e tantos outros, que a memória já prejudicada pelos 71 anos de vida, não permite lembrar. (Texto: Nilo Dias)
Antônio Carlos Alves, nos seus bons tempos de rádio.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Um goleiro chamado Muca
Levy Baldassari, o “Muca” foi o goleiro da Portuguesa de Desportos, de São Paulo, nos seus dias de maior glória, ao começo dos anos 50. Um time que tinha entre outros, Nena, Djalma Santos, Noronha e ele próprio. Natural da cidade paranaense de Jacarezinho, “Muca” nasceu no dia 6 de fevereiro de 1927. Desde pequeno gostava de futebol e jogava como poucos na posição de goleiro.
Começou a carreira na Esportiva, de Jacarezinho, clube que não mais existe, e que defendeu desde quando era amador, até se tornar profissional. Com ela participou da Divisão Especial do Campeonato Paranaense, conquistando por duas vezes o vice-campeonato estadual (1951 e 1954). Não foi mais que uma questão de tempo, para que chamasse a atenção dos fortes clubes do interior do Paraná, por seus reflexos, sua coragem e elasticidade.
Foi num tempo em que a população de Jacarezinho vivia empolgada com o futebol. A cada partida da Esportiva, em Curitiba, caravanas imensas se deslocavam para a capital, de trem ou de ônibus. As partidas da Esportiva eram transmitidas pelo locutor Miguel Jorge Chueiri (Tufica), por telefone e reproduzidas pelo Serviço de Alto-Falante do Cine Éden.
No início dos anos 50, a Esportiva costumava trazer até Jacarezinho grandes equipes do Rio de Janeiro e São Paulo, para jogos amistosos que levavam grandes públicos ao estádio. Foi quando a Portuguesa de Desportos, então um dos grandes quadros de futebol de São Paulo, foi até lá para um amistoso.
Seus dirigentes ficaram empolgados com “Muca”, que realizou uma grande partida, sendo o melhor em campo. Acabaram adquirindo seu passe, dando em troca para a Esportiva, o goleiro Bolivar, que pesava nada mais, nada menos, do que míseros 110 quilos.
“Muca” foi para a “Lusa” paulista, mas permaneceu sempre na lembrança dos torcedores da sua cidade natal. Em pouco tempo conquistou a simpatia da torcida paulista, não só da Portuguesa, mas dos outros clubes, também, que o admiravam pela elegância, cavalheirismo e habilidade no gol. Nos arquivos de jornais e revistas especializadas de São Paulo, ainda é possível encontrar artigos que falam do goleiro, que se consagrou como um dos melhores que o futebol brasileiro já conheceu.
Defendendo a meta da Portuguesa de Desportos, “Muca” foi campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1952, e ainda conquistou a ”Fita Azul” em 1951 e 1953 e o “Troféu San Isidro”, de 1951 e o Campeonato Brasileiro, pela Seleção Paulista, em 1952. Ele foi o goleiro titular da Portuguesa, no lendário jogo em que a “Lusa” enfiou 7 no Corinthians.
Naquele tempo disputava-se um campeonato brasileiro por seleções, não havia uma competição de clubes, como existe hoje. Graças as suas estupendas atuações defendendo a meta da “Lusa”, “Muca” foi convocado diversas vezes para integrar a Seleção Paulista. Era cotado para ser o titular da Seleção Brasileira. Mas ele preferiu voltar para Jacarezinho, para casar com sua namorada de infância, Ilca, filha do então prefeito Benedito Moreira.
“Muca” defendeu a Portuguesa até 1953. Sua última partida foi a vitória de 4 X 3 sobre o Linense, válida pelo Campeonato Paulista, em 20 de dezembro. A Portuguesa jogou com: Muca - Nena e Válter - Djalma Santos - Brandãozinho e Ceci - Julinho Botelho – Renato – Amorim - Átis e Ortega.
No dia 23 de setembro de 1958, durante uma festa de casamento, ao apartar uma briga entre dois empregados da Fazenda Ingá, de propriedade de seu sogro, que ele administrava, “Muca” foi ferido próximo a virilha por um golpe de canivete e veio a falecer, vítima da violência que ele procurou conter. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu e veio a morrer. Deixou um casal de filhos, sendo que seu filho morreu tempos depois em um acidente de trânsito.
Mas seu nome ficou eternizado em Jacarezinho e no futebol brasileiro. A cidade prestou-lhe uma homenagem, dando o nome de “Levy Baldassari” a uma de suas ruas.
No estádio Municipal Pedro Vilela, de Jacarezinho, existe uma placa de bronze na entrada, em homenagem a “Muca”. Ela foi descerrada pelo ex-atleta da Seleção Brasileira e bi-campeão do mundo, Djalma Santos, em uma partida entre Veteranos da Associação Esportiva Jacarezinho (AEJ) X Veteranos de Curitiba. O resultado foi 2 X 2.
Na placa está escrita uma frase do professor Rodrigo Otávio, que diz: "Muca” aquele que viveu a vida que eu gostaria de ter vivido”. A placa existe até hoje, embora danificada, por falta de manutenção. (Pesquisa: Nilo Dias)
A foto é do início dos anos 50 e foi revelada invertida, daí porque o distintivo da Esportiva aparece ao contrário.
Começou a carreira na Esportiva, de Jacarezinho, clube que não mais existe, e que defendeu desde quando era amador, até se tornar profissional. Com ela participou da Divisão Especial do Campeonato Paranaense, conquistando por duas vezes o vice-campeonato estadual (1951 e 1954). Não foi mais que uma questão de tempo, para que chamasse a atenção dos fortes clubes do interior do Paraná, por seus reflexos, sua coragem e elasticidade.
Foi num tempo em que a população de Jacarezinho vivia empolgada com o futebol. A cada partida da Esportiva, em Curitiba, caravanas imensas se deslocavam para a capital, de trem ou de ônibus. As partidas da Esportiva eram transmitidas pelo locutor Miguel Jorge Chueiri (Tufica), por telefone e reproduzidas pelo Serviço de Alto-Falante do Cine Éden.
No início dos anos 50, a Esportiva costumava trazer até Jacarezinho grandes equipes do Rio de Janeiro e São Paulo, para jogos amistosos que levavam grandes públicos ao estádio. Foi quando a Portuguesa de Desportos, então um dos grandes quadros de futebol de São Paulo, foi até lá para um amistoso.
Seus dirigentes ficaram empolgados com “Muca”, que realizou uma grande partida, sendo o melhor em campo. Acabaram adquirindo seu passe, dando em troca para a Esportiva, o goleiro Bolivar, que pesava nada mais, nada menos, do que míseros 110 quilos.
“Muca” foi para a “Lusa” paulista, mas permaneceu sempre na lembrança dos torcedores da sua cidade natal. Em pouco tempo conquistou a simpatia da torcida paulista, não só da Portuguesa, mas dos outros clubes, também, que o admiravam pela elegância, cavalheirismo e habilidade no gol. Nos arquivos de jornais e revistas especializadas de São Paulo, ainda é possível encontrar artigos que falam do goleiro, que se consagrou como um dos melhores que o futebol brasileiro já conheceu.
Defendendo a meta da Portuguesa de Desportos, “Muca” foi campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1952, e ainda conquistou a ”Fita Azul” em 1951 e 1953 e o “Troféu San Isidro”, de 1951 e o Campeonato Brasileiro, pela Seleção Paulista, em 1952. Ele foi o goleiro titular da Portuguesa, no lendário jogo em que a “Lusa” enfiou 7 no Corinthians.
Naquele tempo disputava-se um campeonato brasileiro por seleções, não havia uma competição de clubes, como existe hoje. Graças as suas estupendas atuações defendendo a meta da “Lusa”, “Muca” foi convocado diversas vezes para integrar a Seleção Paulista. Era cotado para ser o titular da Seleção Brasileira. Mas ele preferiu voltar para Jacarezinho, para casar com sua namorada de infância, Ilca, filha do então prefeito Benedito Moreira.
“Muca” defendeu a Portuguesa até 1953. Sua última partida foi a vitória de 4 X 3 sobre o Linense, válida pelo Campeonato Paulista, em 20 de dezembro. A Portuguesa jogou com: Muca - Nena e Válter - Djalma Santos - Brandãozinho e Ceci - Julinho Botelho – Renato – Amorim - Átis e Ortega.
No dia 23 de setembro de 1958, durante uma festa de casamento, ao apartar uma briga entre dois empregados da Fazenda Ingá, de propriedade de seu sogro, que ele administrava, “Muca” foi ferido próximo a virilha por um golpe de canivete e veio a falecer, vítima da violência que ele procurou conter. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu e veio a morrer. Deixou um casal de filhos, sendo que seu filho morreu tempos depois em um acidente de trânsito.
Mas seu nome ficou eternizado em Jacarezinho e no futebol brasileiro. A cidade prestou-lhe uma homenagem, dando o nome de “Levy Baldassari” a uma de suas ruas.
No estádio Municipal Pedro Vilela, de Jacarezinho, existe uma placa de bronze na entrada, em homenagem a “Muca”. Ela foi descerrada pelo ex-atleta da Seleção Brasileira e bi-campeão do mundo, Djalma Santos, em uma partida entre Veteranos da Associação Esportiva Jacarezinho (AEJ) X Veteranos de Curitiba. O resultado foi 2 X 2.
Na placa está escrita uma frase do professor Rodrigo Otávio, que diz: "Muca” aquele que viveu a vida que eu gostaria de ter vivido”. A placa existe até hoje, embora danificada, por falta de manutenção. (Pesquisa: Nilo Dias)
A foto é do início dos anos 50 e foi revelada invertida, daí porque o distintivo da Esportiva aparece ao contrário.
domingo, 16 de setembro de 2012
O goleiro que jogava de graça
Quem foi Roberto Gomes Pedrosa, que emprestou seu nome ao Torneio que antecedeu o Campeonato Brasileiro de Futebol? E o que ele fez para merecer tal honraria? Pedrosa, como era chamado, nasceu no Rio de janeiro em 8 de junho de 1913. Foi um goleiro que começou a carreira no Botafogo, do Rio de Janeiro e graças a suas boas atuações foi convocado para defender a seleção Brasileira, na Copa do Mundo de 1934.
Essa foi a primeira vez que a Copa se realizou na Itália. O Brasil foi prejudicado pelas brigas entre os dirigentes das entidades futebolísticas amadora e profissional. Aconteceram coisas quase inacreditáveis, como a tentativa de esconder alguns jogadores do Palestra Itália.
Romeu, Lara, Gabardo, Junqueira e Tunga chegaram a ser escondidos numa fazenda em Matão (SP), para não serem convocados pela antiga Confederação Brasileira deDesportos (CBD). A fazenda foi cercada de guardas armados. Como o lugar era tenebroso, assustando até os próprios jogadores, um diretor do Palestra Itália os transferiu para sua casa de praia.
Pedrosa defendeu a Seleção Brasileira em 19 oportunidades, segundo o livro “Seleção Brasileira – 90 anos”, de autoria de Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.
Pelo Botafogo foi tricampeão Carioca, em 1934. Do alvinegro carioca foi para o Clube Atlético Estudante Paulista, de São Paulo. Em 12 de setembro de 1938 assinou contrato com o São Paulo F.C., curiosamente na mesma data da fusão do tricolor com o seu ex-clube.
O que pouca gente sabe é que nessa incorporação, por pouco o São Paulo não mudou de nome. o Clube Atlético Estudantes de São Paulo, foi fundado por dissidentes do São Paulo F.C., em maio de 1935. Foram seus fundadores os são-paulinos Cássio Villaça e José de Godói. Veio a se estabilizar como uma entidade forte quando se uniu, em 2 de junho de 1937, com o C.A. Paulista, passando a se chamar Clube Atlético Estudantes Paulista e a jogar no Estádio Antônio Alonso, campo da Companhia Antárctica Paulista, na Rua da Móoca.
Bem estruturado e com elenco respeitável, fora de campo sofreu um grande baque após uma excursão ao Chile e ao Peru, entre junho e julho de 1938, quando um empresário fugiu com todos os rendimentos obtidos na viagem, deixando o clube em situação financeira grave.
Pelo vínculo histórico entre os dois clubes, o São Paulo ajudou a pagar o salário de alguns jogadores do Estudantes e até criou um festival amistoso, cuja meta era aliviar um pouco a situação dos atletas do clube irmão, que, aos poucos, foram contratados pelo próprio São Paulo.
Assim, em 25 de agosto de 1938, com oito novos jogadores provindos do Estudantes Paulista, o São Paulo F.C. goleou o Corinthians por 3 X 0, dando início a uma nova era vitoriosa. Com nomes como Armandinho e Araken Patusca, regressos, o São Paulo nessa temporada ainda aplicaria a maior goleada da história em cima do Palestra Itália, hoje Palmeiras: 6 X 0.
Já o cenário no Estudantes era problemático. Em 30 de agosto daquele ano, a diretoria do clube sofreu um ultimato do restante do elenco, impondo prazo de que até às 22h30min daquele dia lhes pagassem os ordenados devidos, ou então pediriam o passe e deixariam o time.
Sob pressão, recorreram ao São Paulo F.C. e à Liga de Futebol do Estado, representada nessa ocasião pelo presidente do Corinthians, Manoel Corrochel. A solução encontrada por todos foi solicitar um empréstimo de 5 contos de réis, junto à Liga, com o compromisso de saldá-lo após o jogo São Paulo e Corinthians, em 4 de setembro. Desde então, os passes e contratos de todos os jogadores do Estudantes passaram a pertencer ao São Paulo.
Ficou acertado a partir dali o fim do C.A. Estudantes Paulista, mas sua incorporação pelo São Paulo Futebol Clube se deu somente em 12 de setembro, em Assembléia Geral do Tricolor, ao custo de 700$000 réis mais o passivo do absorvido, no valor de 168.880$000 e os compromissos firmados com a Companhia Antárctica Paulista para o uso de seu estádio.
O detalhe, porém, é que por muito pouco o São Paulo F.C. não teve seu nome original alterado. Nessa mesma Assembléia Geral de 12 de setembro de 1938, a possibilidade de mudança de nomenclatura da agremiação, sem que outro nome tivesse sido sugerido, de fato, esteve em votação por causa da união com o Estudantes e permaneceu empatada até o “Voto de Minerva”, de Piragibe Nogueira, a favor da manutenção de São Paulo Futebol Clube.
Em 23 de abril de 1939, num clássico entre Corinthians X São Paulo (1 X 1), válido pelo campeonato paulista de 1938, a decisão foi, pela primeira vez, disputada em dois dias. Na última rodada, Corinthians e São Paulo se enfrentaram no Parque São Jorge. O Corinthians precisava apenas do empate para garantir o bi. O São Paulo, do goleiro Pedrosa, tinha que vencer para forçar um jogo-desempate.
O São Paulo abriu o placar no segundo minuto, por meio de Mendes, mas a chuva levou à interrupção do jogo aos 21 minutos. O tempo restante foi disputado dois dias depois. Em 25 de abril, o Corinthians empatou a partida com um dos gols mais polêmicos da história do futebol paulista. Lopes cruzou da direita e o goleiro Pedrosa rebateu. Da entrada da área, Servílio chutou torto, mas Carlito desviou a bola para o gol. Com a cabeça... ou com a mão? Muitos cronistas da época afirmaram que foi com a mão
Roberto Gomes Pedrosa defendeu o tricolor paulista até 1940, quando foi eleito conselheiro do clube. Segundo o “Almanaque do São Paulo”, de Alexandre da Costa, disputou 32 jogos pelo clube entre 1938 e 1940, com 16 vitórias, seis empates e 10 derrotas.
Em 1941, foi nomeado diretor do Departamento de Futebol e um ano depois recebeu o título de Sócio Benemérito. Em 1943, foi indicado diretor do Departamento Técnico da Federação Paulista de Futebol (FPF). Em 1944 ocupou o cargo de secretário geral da FPF, e em 1945, eleito membro do Conselho Regional de Desportos.
Foi escolhido em 1946 para ocupar a presidência do São Paulo F.C., e sua profícua atuação deixou marcas indeléveis na vida do clube. Em 1947, foi eleito presidente da Federação Paulista de Futebol, cargo que exerceu até 1954, ano de seu falecimento.
Quando atleta, Pedrosa jamais aceitou receber dinheiro para jogar. Seus contratos costumavam ser assinados em branco. Certamente esse foi um dos motivos que o levaram a ser homenageado das mais diversas formas. A praça localizada frente o estádio do Morumbi tem o seu nome.
Em 1967 foi criado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, embrião do atual Campeonato Brasileiro, em substituição ao Torneio Rio-São Paulo, que era disputado desde 1955. A nova competição deixou de ser disputada apenas entre clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo, e passou a contar com equipes dos Estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
Em 1968 clubes de Pernambuco e da Bahia completaram a lista de participantes. O torneio ficou conhecido como "Robertão", e a partir desse ano foi disputado também com o nome de "Taça de Prata".
Roberto Gomes Pedrosa faleceu no Rio de Janeiro, em 6 de janeiro de 1954, com apenas 41 anos de idade.
Essa foi a primeira vez que a Copa se realizou na Itália. O Brasil foi prejudicado pelas brigas entre os dirigentes das entidades futebolísticas amadora e profissional. Aconteceram coisas quase inacreditáveis, como a tentativa de esconder alguns jogadores do Palestra Itália.
Romeu, Lara, Gabardo, Junqueira e Tunga chegaram a ser escondidos numa fazenda em Matão (SP), para não serem convocados pela antiga Confederação Brasileira deDesportos (CBD). A fazenda foi cercada de guardas armados. Como o lugar era tenebroso, assustando até os próprios jogadores, um diretor do Palestra Itália os transferiu para sua casa de praia.
Pedrosa defendeu a Seleção Brasileira em 19 oportunidades, segundo o livro “Seleção Brasileira – 90 anos”, de autoria de Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.
Pelo Botafogo foi tricampeão Carioca, em 1934. Do alvinegro carioca foi para o Clube Atlético Estudante Paulista, de São Paulo. Em 12 de setembro de 1938 assinou contrato com o São Paulo F.C., curiosamente na mesma data da fusão do tricolor com o seu ex-clube.
O que pouca gente sabe é que nessa incorporação, por pouco o São Paulo não mudou de nome. o Clube Atlético Estudantes de São Paulo, foi fundado por dissidentes do São Paulo F.C., em maio de 1935. Foram seus fundadores os são-paulinos Cássio Villaça e José de Godói. Veio a se estabilizar como uma entidade forte quando se uniu, em 2 de junho de 1937, com o C.A. Paulista, passando a se chamar Clube Atlético Estudantes Paulista e a jogar no Estádio Antônio Alonso, campo da Companhia Antárctica Paulista, na Rua da Móoca.
Bem estruturado e com elenco respeitável, fora de campo sofreu um grande baque após uma excursão ao Chile e ao Peru, entre junho e julho de 1938, quando um empresário fugiu com todos os rendimentos obtidos na viagem, deixando o clube em situação financeira grave.
Pelo vínculo histórico entre os dois clubes, o São Paulo ajudou a pagar o salário de alguns jogadores do Estudantes e até criou um festival amistoso, cuja meta era aliviar um pouco a situação dos atletas do clube irmão, que, aos poucos, foram contratados pelo próprio São Paulo.
Assim, em 25 de agosto de 1938, com oito novos jogadores provindos do Estudantes Paulista, o São Paulo F.C. goleou o Corinthians por 3 X 0, dando início a uma nova era vitoriosa. Com nomes como Armandinho e Araken Patusca, regressos, o São Paulo nessa temporada ainda aplicaria a maior goleada da história em cima do Palestra Itália, hoje Palmeiras: 6 X 0.
Já o cenário no Estudantes era problemático. Em 30 de agosto daquele ano, a diretoria do clube sofreu um ultimato do restante do elenco, impondo prazo de que até às 22h30min daquele dia lhes pagassem os ordenados devidos, ou então pediriam o passe e deixariam o time.
Sob pressão, recorreram ao São Paulo F.C. e à Liga de Futebol do Estado, representada nessa ocasião pelo presidente do Corinthians, Manoel Corrochel. A solução encontrada por todos foi solicitar um empréstimo de 5 contos de réis, junto à Liga, com o compromisso de saldá-lo após o jogo São Paulo e Corinthians, em 4 de setembro. Desde então, os passes e contratos de todos os jogadores do Estudantes passaram a pertencer ao São Paulo.
Ficou acertado a partir dali o fim do C.A. Estudantes Paulista, mas sua incorporação pelo São Paulo Futebol Clube se deu somente em 12 de setembro, em Assembléia Geral do Tricolor, ao custo de 700$000 réis mais o passivo do absorvido, no valor de 168.880$000 e os compromissos firmados com a Companhia Antárctica Paulista para o uso de seu estádio.
O detalhe, porém, é que por muito pouco o São Paulo F.C. não teve seu nome original alterado. Nessa mesma Assembléia Geral de 12 de setembro de 1938, a possibilidade de mudança de nomenclatura da agremiação, sem que outro nome tivesse sido sugerido, de fato, esteve em votação por causa da união com o Estudantes e permaneceu empatada até o “Voto de Minerva”, de Piragibe Nogueira, a favor da manutenção de São Paulo Futebol Clube.
Em 23 de abril de 1939, num clássico entre Corinthians X São Paulo (1 X 1), válido pelo campeonato paulista de 1938, a decisão foi, pela primeira vez, disputada em dois dias. Na última rodada, Corinthians e São Paulo se enfrentaram no Parque São Jorge. O Corinthians precisava apenas do empate para garantir o bi. O São Paulo, do goleiro Pedrosa, tinha que vencer para forçar um jogo-desempate.
O São Paulo abriu o placar no segundo minuto, por meio de Mendes, mas a chuva levou à interrupção do jogo aos 21 minutos. O tempo restante foi disputado dois dias depois. Em 25 de abril, o Corinthians empatou a partida com um dos gols mais polêmicos da história do futebol paulista. Lopes cruzou da direita e o goleiro Pedrosa rebateu. Da entrada da área, Servílio chutou torto, mas Carlito desviou a bola para o gol. Com a cabeça... ou com a mão? Muitos cronistas da época afirmaram que foi com a mão
Roberto Gomes Pedrosa defendeu o tricolor paulista até 1940, quando foi eleito conselheiro do clube. Segundo o “Almanaque do São Paulo”, de Alexandre da Costa, disputou 32 jogos pelo clube entre 1938 e 1940, com 16 vitórias, seis empates e 10 derrotas.
Em 1941, foi nomeado diretor do Departamento de Futebol e um ano depois recebeu o título de Sócio Benemérito. Em 1943, foi indicado diretor do Departamento Técnico da Federação Paulista de Futebol (FPF). Em 1944 ocupou o cargo de secretário geral da FPF, e em 1945, eleito membro do Conselho Regional de Desportos.
Foi escolhido em 1946 para ocupar a presidência do São Paulo F.C., e sua profícua atuação deixou marcas indeléveis na vida do clube. Em 1947, foi eleito presidente da Federação Paulista de Futebol, cargo que exerceu até 1954, ano de seu falecimento.
Quando atleta, Pedrosa jamais aceitou receber dinheiro para jogar. Seus contratos costumavam ser assinados em branco. Certamente esse foi um dos motivos que o levaram a ser homenageado das mais diversas formas. A praça localizada frente o estádio do Morumbi tem o seu nome.
Em 1967 foi criado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, embrião do atual Campeonato Brasileiro, em substituição ao Torneio Rio-São Paulo, que era disputado desde 1955. A nova competição deixou de ser disputada apenas entre clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo, e passou a contar com equipes dos Estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
Em 1968 clubes de Pernambuco e da Bahia completaram a lista de participantes. O torneio ficou conhecido como "Robertão", e a partir desse ano foi disputado também com o nome de "Taça de Prata".
Roberto Gomes Pedrosa faleceu no Rio de Janeiro, em 6 de janeiro de 1954, com apenas 41 anos de idade.
Seleção Brasileira que disputou a Copa doMundo de 1934, na Itália. O goleiro Pedrosa é o primeiro (de chapéu), a contar da esquerda para a direita.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
O torcedor maldito (Final)
Samuel Wainer, dono do jornal “Última Hora” tinha algo em comum com Nelson: a tuberculose. Propôs a Nelson que escrevesse, com pagamento extra, uma coluna diária sobre um fato real. Poderia se chamar "Atire a primeira pedra". Nelson sugeriu "A vida como ela é..." e, sugestão aceita, foi para a máquina escrever a primeira coluna. O sucesso foi estrondoso. Em 1951 relançou “Suzana Flag”, em "O homem proibido".
Carlos Lacerda queria derrubar o presidente Getúlio e, para tanto, batia firme em Samuel Wainer e no jornal “Última Hora”. Nelson não escapou da pancadaria e era chamado de "tarado" por ele. Outro que também o atacava era o católico Gustavo Corção, da “Tribuna da Imprensa”.
Em março de 1955 a família Rodrigues ganhou uma ação contra o governo de indenização pela destruição do jornal "Crítica". Em 1956 receberam o equivalente a US$1.800.000,00. A parte que coube a Nelson foi utilizada na compra de um apartamento em Teresópolis, em nome dos filhos e de um carro para Elza. O que sobrou, investiu no teatro.
Apresentado por sua irmã Helena, Nelson conheceu Lúcia Cruz Lima, que logo passou a ser sua namorada. Só que desta vez a coisa era séria. Casada e bem casada, mãe de três filhos, ela logo se apaixonou, deixou o marido e voltou a viver com os pais. Ele demorou dois anos para se separar de Elza.
Nos primeiros meses de 1963 nada impedia a separação de Nelson. Já havia alugado um pequeno apartamento e Lúcia estava grávida. Após um almoço de despedida, após o qual Elza tentou suicidar-se, ele partiu de malas e bagagens para o apartamento de sua mãe. Ia ficar lá uns tempos até acertar tudo.
Lúcia deu um trato na aparência do escritor, já que ele participava desde 1960 do programa esportivo "Grande Resenha Facit" na TV Rio, por obra e graça de Walter Clark, e era, portanto, um artista. Ela teve uma gravidez nada normal e um parto difícil. Daniela, a filha, nasceu com 1,5 quilo, e não conseguia respirar. Perdeu minutos de oxigenação no cérebro até que seus pulmões funcionassem.
Daniela passou o primeiro ano de vida numa tenda de oxigênio, tinha má circulação nas pernas, chorava sem parar em virtude das dores que sentia. Devido à paralisia cerebral nunca conseguiu andar ou articular um movimento e era irreversivelmente cega.
Nelson escreveu sobre futebol em diversas publicações, como “O Globo” e “Manchete Esportiva”, onde tinha o costume de destacar o personagem da semana, não necessariamente o que melhor jogou, mas o que tinha a história mais interessante.
Ele era um cara diferente da época, não tinha compromisso com o politicamente correto que hoje preocupa muita gente. Ele falava o que pensava e com frases que viraram verdadeiras pérolas.
Nelson Rodrigues nunca aproveitou suas credenciais de jornalista e escritor famoso para ter contato com os jogadores do clube ou acompanhar treinamentos, mas recebeu de um setorista, jornalista que trabalha cobrindo o dia a dia dos clubes, as informações sobre uma das primeiras atividades do craque Mário Sérgio e perguntou em sua coluna: "Será que está nascendo um craque?".
Ele era um cronista tão perfeito que nem precisava ver o jogo. O resultado da partida, as escaramuças dos jogadores, os esquemas táticos, tudo isso não passava de detalhes secundários aos seus olhos. Pouco lhe interessava a distribuição de beques ou atacantes no gramado. Dizia que o relato dessas banalidades cabia aos “idiotas da objetividade”. A missão que Nélson Rodrigues outorgou a si mesmo era outra: traduzir em palavras a dimensão épica da maior paixão brasileira – o futebol. E costumava dizer, que no futebol, o pior cego é o que só vê a bola.
Nelson teve sério problema de vesícula e, após a operação de alto risco ficou três meses sem publicar sua coluna no jornal de Wainer. Sua coluna em "A Manchete Esportiva" também deixou de ser publicada de novembro de 1958 a março de 1959.
Os anos 70 marcaram o início dos anos duros da ditadura militar no Brasil. Nelson, conhecido e admirado pelos militares, lutou para tirar da prisão os amigos Hélio Pellegrino e Zuenir Ventura. Com mais de 57 anos, ele se sentia desgastado, sem espaço — seu apartamento vivia lotado de enfermeiras por causa de sua filha, enfim, era chegada a hora de se separar de Lúcia, o que ocorreu sem traumas.
Logo em seguida foi morar com Helena Maria, que era 35 anos mais nova que ele, e que trabalhava no jornal. Em 1972 começou nova luta: seu filho, Nelsinho era um dos terroristas mais procurados pelas forças armadas. "Prancha", seu codinome, foi preso em 30 de março de 1972. Dois anos antes, quando seu filho já vivia na clandestinidade, Nelson conseguiu com o presidente da República, general Médici, que ele saísse do país. Nelsinho não aceitou o privilégio.
O drama de Nelsinho se desenrolou longe dos olhos de Nelson. Apesar disso, face ao seu prestígio e contatos com os militares, era muito procurado para ajudar pessoas em apuros com o regime militar. De 1969 a 1973 ele teve participação ativa na localização, libertação ou fuga de diversos suspeitos de crimes políticos. Após a prisão de Nelsinho, começou a luta para localizá-lo e procurar mantê-lo vivo, pois a tortura corria solta.
Nelson escreveu "Anti-Nelson Rodrigues", no final de 1973. Em 1974, a peça fazia bela carreira no teatro do Serviço Nacional do Teatro. O autor faz alguns exames e foi levado de imediato para São Paulo para ser operado de um aneurisma da aorta. Passou por duas operações, quase morreu, retornou ao Rio e, apesar de terminantemente proibido pelo médico, voltou a fumar. Em abril de 1977 foi internado com uma arritmia ventricular grave e nova insuficiência respiratória. Elza voltou para casa e passaram a viver juntos outra vez.
Na verdade, já se encontravam há tempos quase todas as noites no restaurante "O bigode do meu tio", em Vila Isabel, de propriedade de Joffre.
O autor escreveu sua grande e última peça — "A Serpente" — em meados de 1979, pouco antes de seu filho Nelsinho iniciar greve de fome com 13 companheiros, os últimos presos políticos cariocas, com a finalidade de transformar a anistia ampla em anistia total e irrestrita. Finalmente, no dia 23 de agosto, dia do aniversário de seu pai, Nelsinho foi autorizado a deixar a prisão e assistir ao nascimento da filha Cristiana. No dia 16 de outubro Nelsinho recebeu a liberdade condicional, mas não pode ver seu pai: ele estava inconsciente no hospital Pró-Cardíaco.
Nelson Rodrigues faleceu na manhã do domingo 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos de idade, deixando seis filhos: Jofre, Nelson, Maria Lucia, Paulo César, Sonia e Daniela. No fim da tarde daquele dia ele faria 13 pontos na Loteria Esportiva, num "bolo" com seu irmão Augusto e alguns amigos de "O Globo". Dois meses depois, Elza cumpriu o seu pedido — de, ainda em vida, gravar o seu nome ao lado do dele na lápide, sob a inscrição: "Unidos para além da vida e da morte. É só". Nelson foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Nelson Rodrigues morreu 21 dias depois de o zagueiro Edinho marcar o gol do título carioca do Fluminense contra o Vasco, no Maracanã. Com a saúde muito debilitada, não poderia ter grandes emoções e estava proibido de assistir aos jogos do clube do seu coração.
O seu filho Nelsinho contou que Nelson acompanhou a partida pelo rádio. E ele teve todo o cuidado do mundo para contar ao pai que o Fluminense era campeão estadual pela 24ª vez na história. Nelson comemorou sentando novamente em sua máquina de escrever, e tentando digitar a última coluna da vida. Eventualmente desistiu e a ditou para o filho.
No texto que teve o título "Fluminense campeão demais", publicado no jornal “O Globo”, o escritor disse que o elenco do seu time era "fabuloso do goleiro ao ponta-esquerda" e apenas os "lorpas e pascácios não viam que o futebol brasileiro estava encarnado nos craques tricolores”. Acreditou até o fim que o Fluminense era o melhor time do mundo, apesar de os fatos provarem o contrário.
Nelson ainda fez história na televisão brasileira. Participou de mesas-redondas com comentaristas como Luis Mendes e João Saldanha. Foi pioneiro na teledramaturgia brasileira, ao escrever para a TV Rio a novela "A Morta Sem Espelho". Acompanhou a adaptação de sua obra para o cinema e chegou a colaborar com o roteiro de "A Dama do Lotação", de Neville D’Almeida, "Bonitinha, mas ordinária" e "Álbum de Família", de Braz Chediak. Escreveu, também, os diálogos para dois filmes: "Somos Dois", de Milton Rodrigues, e "Como ganhar na loteria sem perder a esportiva", de J. B. Tanko. (Pesquisa: Nilo Dias)
Carlos Lacerda queria derrubar o presidente Getúlio e, para tanto, batia firme em Samuel Wainer e no jornal “Última Hora”. Nelson não escapou da pancadaria e era chamado de "tarado" por ele. Outro que também o atacava era o católico Gustavo Corção, da “Tribuna da Imprensa”.
Em março de 1955 a família Rodrigues ganhou uma ação contra o governo de indenização pela destruição do jornal "Crítica". Em 1956 receberam o equivalente a US$1.800.000,00. A parte que coube a Nelson foi utilizada na compra de um apartamento em Teresópolis, em nome dos filhos e de um carro para Elza. O que sobrou, investiu no teatro.
Apresentado por sua irmã Helena, Nelson conheceu Lúcia Cruz Lima, que logo passou a ser sua namorada. Só que desta vez a coisa era séria. Casada e bem casada, mãe de três filhos, ela logo se apaixonou, deixou o marido e voltou a viver com os pais. Ele demorou dois anos para se separar de Elza.
Nos primeiros meses de 1963 nada impedia a separação de Nelson. Já havia alugado um pequeno apartamento e Lúcia estava grávida. Após um almoço de despedida, após o qual Elza tentou suicidar-se, ele partiu de malas e bagagens para o apartamento de sua mãe. Ia ficar lá uns tempos até acertar tudo.
Lúcia deu um trato na aparência do escritor, já que ele participava desde 1960 do programa esportivo "Grande Resenha Facit" na TV Rio, por obra e graça de Walter Clark, e era, portanto, um artista. Ela teve uma gravidez nada normal e um parto difícil. Daniela, a filha, nasceu com 1,5 quilo, e não conseguia respirar. Perdeu minutos de oxigenação no cérebro até que seus pulmões funcionassem.
Daniela passou o primeiro ano de vida numa tenda de oxigênio, tinha má circulação nas pernas, chorava sem parar em virtude das dores que sentia. Devido à paralisia cerebral nunca conseguiu andar ou articular um movimento e era irreversivelmente cega.
Nelson escreveu sobre futebol em diversas publicações, como “O Globo” e “Manchete Esportiva”, onde tinha o costume de destacar o personagem da semana, não necessariamente o que melhor jogou, mas o que tinha a história mais interessante.
Ele era um cara diferente da época, não tinha compromisso com o politicamente correto que hoje preocupa muita gente. Ele falava o que pensava e com frases que viraram verdadeiras pérolas.
Nelson Rodrigues nunca aproveitou suas credenciais de jornalista e escritor famoso para ter contato com os jogadores do clube ou acompanhar treinamentos, mas recebeu de um setorista, jornalista que trabalha cobrindo o dia a dia dos clubes, as informações sobre uma das primeiras atividades do craque Mário Sérgio e perguntou em sua coluna: "Será que está nascendo um craque?".
Ele era um cronista tão perfeito que nem precisava ver o jogo. O resultado da partida, as escaramuças dos jogadores, os esquemas táticos, tudo isso não passava de detalhes secundários aos seus olhos. Pouco lhe interessava a distribuição de beques ou atacantes no gramado. Dizia que o relato dessas banalidades cabia aos “idiotas da objetividade”. A missão que Nélson Rodrigues outorgou a si mesmo era outra: traduzir em palavras a dimensão épica da maior paixão brasileira – o futebol. E costumava dizer, que no futebol, o pior cego é o que só vê a bola.
Nelson teve sério problema de vesícula e, após a operação de alto risco ficou três meses sem publicar sua coluna no jornal de Wainer. Sua coluna em "A Manchete Esportiva" também deixou de ser publicada de novembro de 1958 a março de 1959.
Os anos 70 marcaram o início dos anos duros da ditadura militar no Brasil. Nelson, conhecido e admirado pelos militares, lutou para tirar da prisão os amigos Hélio Pellegrino e Zuenir Ventura. Com mais de 57 anos, ele se sentia desgastado, sem espaço — seu apartamento vivia lotado de enfermeiras por causa de sua filha, enfim, era chegada a hora de se separar de Lúcia, o que ocorreu sem traumas.
Logo em seguida foi morar com Helena Maria, que era 35 anos mais nova que ele, e que trabalhava no jornal. Em 1972 começou nova luta: seu filho, Nelsinho era um dos terroristas mais procurados pelas forças armadas. "Prancha", seu codinome, foi preso em 30 de março de 1972. Dois anos antes, quando seu filho já vivia na clandestinidade, Nelson conseguiu com o presidente da República, general Médici, que ele saísse do país. Nelsinho não aceitou o privilégio.
O drama de Nelsinho se desenrolou longe dos olhos de Nelson. Apesar disso, face ao seu prestígio e contatos com os militares, era muito procurado para ajudar pessoas em apuros com o regime militar. De 1969 a 1973 ele teve participação ativa na localização, libertação ou fuga de diversos suspeitos de crimes políticos. Após a prisão de Nelsinho, começou a luta para localizá-lo e procurar mantê-lo vivo, pois a tortura corria solta.
Nelson escreveu "Anti-Nelson Rodrigues", no final de 1973. Em 1974, a peça fazia bela carreira no teatro do Serviço Nacional do Teatro. O autor faz alguns exames e foi levado de imediato para São Paulo para ser operado de um aneurisma da aorta. Passou por duas operações, quase morreu, retornou ao Rio e, apesar de terminantemente proibido pelo médico, voltou a fumar. Em abril de 1977 foi internado com uma arritmia ventricular grave e nova insuficiência respiratória. Elza voltou para casa e passaram a viver juntos outra vez.
Na verdade, já se encontravam há tempos quase todas as noites no restaurante "O bigode do meu tio", em Vila Isabel, de propriedade de Joffre.
O autor escreveu sua grande e última peça — "A Serpente" — em meados de 1979, pouco antes de seu filho Nelsinho iniciar greve de fome com 13 companheiros, os últimos presos políticos cariocas, com a finalidade de transformar a anistia ampla em anistia total e irrestrita. Finalmente, no dia 23 de agosto, dia do aniversário de seu pai, Nelsinho foi autorizado a deixar a prisão e assistir ao nascimento da filha Cristiana. No dia 16 de outubro Nelsinho recebeu a liberdade condicional, mas não pode ver seu pai: ele estava inconsciente no hospital Pró-Cardíaco.
Nelson Rodrigues faleceu na manhã do domingo 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos de idade, deixando seis filhos: Jofre, Nelson, Maria Lucia, Paulo César, Sonia e Daniela. No fim da tarde daquele dia ele faria 13 pontos na Loteria Esportiva, num "bolo" com seu irmão Augusto e alguns amigos de "O Globo". Dois meses depois, Elza cumpriu o seu pedido — de, ainda em vida, gravar o seu nome ao lado do dele na lápide, sob a inscrição: "Unidos para além da vida e da morte. É só". Nelson foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Nelson Rodrigues morreu 21 dias depois de o zagueiro Edinho marcar o gol do título carioca do Fluminense contra o Vasco, no Maracanã. Com a saúde muito debilitada, não poderia ter grandes emoções e estava proibido de assistir aos jogos do clube do seu coração.
O seu filho Nelsinho contou que Nelson acompanhou a partida pelo rádio. E ele teve todo o cuidado do mundo para contar ao pai que o Fluminense era campeão estadual pela 24ª vez na história. Nelson comemorou sentando novamente em sua máquina de escrever, e tentando digitar a última coluna da vida. Eventualmente desistiu e a ditou para o filho.
No texto que teve o título "Fluminense campeão demais", publicado no jornal “O Globo”, o escritor disse que o elenco do seu time era "fabuloso do goleiro ao ponta-esquerda" e apenas os "lorpas e pascácios não viam que o futebol brasileiro estava encarnado nos craques tricolores”. Acreditou até o fim que o Fluminense era o melhor time do mundo, apesar de os fatos provarem o contrário.
Nelson ainda fez história na televisão brasileira. Participou de mesas-redondas com comentaristas como Luis Mendes e João Saldanha. Foi pioneiro na teledramaturgia brasileira, ao escrever para a TV Rio a novela "A Morta Sem Espelho". Acompanhou a adaptação de sua obra para o cinema e chegou a colaborar com o roteiro de "A Dama do Lotação", de Neville D’Almeida, "Bonitinha, mas ordinária" e "Álbum de Família", de Braz Chediak. Escreveu, também, os diálogos para dois filmes: "Somos Dois", de Milton Rodrigues, e "Como ganhar na loteria sem perder a esportiva", de J. B. Tanko. (Pesquisa: Nilo Dias)
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