Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O “tigre” curitibano

O futebol paranaense ostenta um recorde mundial de fusões, que acabaram pela criação do Paraná Clube. O clube para chegar a sua atual denominação passou por quase um século de fusões e trocas de nomes.

Essa história envolve vários clubes, Leão F.C. e Tigre F.C.: (que se uniram e formaram o Britânia S.C.). Savóia F.C. e E.C. Água Verde: (em 1926, após uma fusão entre eles foi criado o Savóia-Água Verde. No dia 3 de março de 1942 o clube foi obrigado pelo Governo Federal a mudar o nome para E.C. Brasil, pois havia sido declarada guerra à Itália e o nome Savóia, era uma clara homenagem áquela nação. Em 1944 voltou a chamar-se Água Verde. Em 1971 mudou o nome para E.C. Pinheiros).

Palestra Itália F.C.: (na guerra chamou-se Paranaense E.C., C.A. Comercial e S.E. Palmeiras. Depois voltou ao nome original. Era conhecido como “Periquito”, por conta da camisa e “Nem que Morra”, pelos jogadores. Em 1971 fundiu-se com o Britânia e o Ferroviário criando o Colorado E.C.).

C.A. Ferroviário: (uniu-se ao Britânia e ao Palestra Itália criando o Colorado E.C.). Colorado E.C.: (resultado da fusão entre Britânia, Ferroviário e Palestra Itália). E.C. Pinheiros: (antigo E.C. Água Verde que mudou de nome em 12 de agosto de 1971. Em 1989 o Pinnheiro uniu-se ao Colorado E.C. e foi criado o Paraná Clube).

Tudo teve início no distante dia 30 de novembro de 1914, quando um grupo de jovens funcionários da fábrica de vidros Solheid, fundou o Britânia Sport Club. Foi o resultado da fusão entre dois times do bairro Rebouças: o Leão F.C. e o Tigre F.C., ambos formados por adolescentes da região.

Depois de uma partida entre eles confraternizaram com um churrasco, isso no dia 19 de dezembro de 1914. Foi nesse ambiente de festa, que o senhor Carlos Thá teve a idéia de propor a fusão das duas equipes.

O nome Britânia foi escolhido para homenagear a Grã-Bretanha, já que alguns dos fundadores do clube eram ingleses. Os torcedores passaram a chamar o novo clube de “tigre”, pois o seu primeiro campo se localizava nos limites da cidade, e se dizia que dali daquele mato em diante poderia-se encontrar qualquer coisa, até “tigre” escondido.

Outra versão é de que o apelido “tigre” tenha sido herança do nome de um dos clubes que deu origem ao Britânia, o Tigre F.C. Seja uma versão, ou outra, a verdade é que a “fera” passou a ser a “mascote” da novel agremiação.

A primeira Diretoria ficou assim constituída: Presidente, Francisco Zanicotti; Secretário, João Tesserolli; Tesoureiro, João Felipe Galli. O Britânia mantinha um bom quadro social, em que despontavam as famílias Volpi, Zardo, Marinoni e Schiavon. Na sede social, eram realizados bailes famosos.

Nos seus primeiros anos de vida o Britânia treinava num terreno onde hoje fica a Tecnológica Federal do Paraná. Naquele tempo era uma área fora da cidade, pois o perimetro urbano terminava na rua Visconde de Guarapuava.

Em 1916 foi vice-campeão parananese. De 1918 a 1923, sagrou-se exa-campeão. O Britânia foi o primeiro clube no Paraná a conseguir tal feito. Os historiadores creditam essa surpreendente conquista ao fato do time, que ao contrário dos adversários, não fazia restrições a jogadores negros.

E não deixando de se reconhecer a regularidade da equipe, que se manteve a mesma desde 1915. O destaque do time era Joaquim Martin, o maior artilheiro da história do Britânia.

Alguns anos depois da fundação, o clube ergueu uma sede social num belo prédio na Praça Eufrásio Correia, em frente a antiga estação ferroviária.

Todos os domingos havia jogos, jantares e bailes. Eram os anos 1920 e 1930 e Curitiba era uma festa. As vitórias e títulos eram comemorados com grandes reuniões festivas, reunindo as moças mais bonitas da sociedade. Naquela época, as melhores e mais badaladas festas aconteciam no Britânia.

O clube ainda conquistou mais um campeonato estadual, em 1928, quando ainda contava com alguns jogadores veteranos do exa. Depois, nunca mais colocou a mão na taça. Mesmo assim, é um dos cinco clubes com o maior número de conquistas estaduais.

A partir daí passou a participar apenas como figurante nas competições que disputou. A exeção foi no campeonato de 1964, quando conseguiu sua última façanha: um honroso terceiro lugar.

Em 1922, a equipe excursionou pelo Rio de Janeiro, quando disputou dois jogos no estádio de General Severiano. A primeira partida do então penta-campeão paranaense aconteceu no dia 10 de dezembro, contra a equipe do Botafogo e empatou em 1 X 1.

No dia 17 de dezembro venceu a equipe do Vasco da Gama por 2 X 0. Foi a primeira viagem de uma equipe do Paraná para atuar em outro Estado brasileiro.

Enquanto o futebol se profissionalizava em todo o Estado, o Britânia agonizava numa lenta decadência, até que em 1971 se fundiu com outros dois clubes tradicionais, Ferroviário e Palestra Itália, formando o Colorado Esporte Clube.

A decadência do Britânia teve origem na criação do Clube Atlético Ferroviário, em 12 de janeiro de 1930, depois de uma cisão dentro do clube. O Britânia, com isso, perdeu a ajuda que recebia da Viação Ferroviária Paraná-Santa Catarina, desde a sua fundação.

A empresa pagava jogadores, como se fossem seus funcionários. A partir da fundação do Ferroviário, tudo mudou para pior. O patrocínio, os atletas-funcionários, os negros e até os torcedores guarda-freios, graxeiros e eletricistas dos trens, migraram para o novo clube. A partir daí os gozadores de plantão diziam que o “Tigre teve suas presas limadas”.

O Ferroviário chegou a ser um “gigante” do futebol paranaense, tendo sido bi-campeão estadual em 1937 e 1938 e também em 1944 e 1948. Levantou a taça ainda em 1953. Voltou a ser bicampeão em 1965 e 1966. Foi o primeiro representante do Estado no antigo “Torneio Roberto Gomes Pedrosa”, o “Brasileiro” da época.

O Ferroviário ganhou o apelido de "Esquadrão de Aço" na década de 40, quando realizou alguns amistosos no Rio Grande do Sul e voltou para Curitiba invicto. Foi campeão do "Ano Santo" em 1950 e sua maior conquista foi o título de "Campeão do Centenário" em 1953.

A decadência dos chamados clubes “pequenos” também foi obra do “trio de ferro”, Ferroviário, Atlético e Coritiba, que assediavam as revelações dessas equipes, oferecendo empregos e outras vantagens.

No caso do Atlético emprego no Governo Estadual; do Ferroviário, na Rede Ferroviária Federal; e o “Coxa” argumentava com recursos de empresários fortes. Os demais só olhavam sem nada poderem fazer.

Flávio Merinoni jogou no Bretânia e trabalhava na Rede Ferroviária Federal. Pressionado a ir para o Ferroviário, ele continouou no “Tigre”. Rafael Machado, o “Faéco” teve de optar em continuar no Britânia ou perder o emprego na Rede Ferroviária Federal. Preferiu deixar de vez o futebol.

Até o começo dos anos 30, o Coritiba F.C. alugava o estádio do “Parque Graciosa”, no Bairro “Juvevê”. Mas depois de um acerto com o proprietário, o clube foi ressarcido pelas benfeitorias feitas, e com o dinheiro recebido pagou a entrada do terreno no “Alto da Glória”. E até o “Belfort Duarte” ficar pronto continuou usando o “Parque Graciosa”.

Em 1933, com a ida do Coritiba para a sua nova casa, o Britânia passou a usar o “Parque Graciosa”, onde mandou seus jogos até 1940.

Os torcedores chamavam esse estádio de “Cimento Armado”, não pelas arquibancadas, que foram reformadas em 1927, mas pela dureza do gramado. A partir de 1941, passou a ser utilizado pelo Palestra Itália para treinamentos, depois vieram os jogos da “Suburbana”, um campeonato amador realizado em Curitiba, até ser loteado.

O Britânia só conseguiu ter o seu estádio próprio na década de 40, graças ao coronel Francisco de Paula Soares Netto, um médico do Exército Brasileiro que foi presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF) e do Britânia nas décadas de 30 e 40.

Ele tinha ótimos contatos e não teve dificuldades em conseguir os recursos para que o clube adquirisse uma área na rua Carlos Dietzsch, no Bairro “Portão”,próximo a igreja,  num local arborizado e belissimo conhecido como “Fazendinha”.

Em retribuição aos esforços do coronel, o Britânia batizou o seu estádio de “Paula Soares”. A inauguração aconteceu no dia 15 de agosto de 1943, com o jogo Avai (SC) 4 X 1 Britânia. Não chegava bem a ser um estádio, mas era fechado e ali o clube realizava treinos e alguns jogos.

Não demorou muito tempo para que o Britânia vendesse o estádio para à indústria textil Ibicatu Agro Industrial S.A., que também mantinha um time de futebol. Em compensação, recebeu da prefeitura permissão para erguer seu novo estádio em outra área.

Quando começou a construir seu novo “Estádio Paula Soares”, o prefeito revogou a autorização, porque a área havia sido doada à prefeitura com a condição de nela ser feita uma praça, que viria a ser a “Praça Botelho de Souza”.

Para não deixar o clube mal, doou um terreno localizado na “Estratégia”, nome da estrada entre Curitiba e São José dos Pinhais, construída pelos americanos durante a guerra.

Em 6 de junho de 1965, o Britânia inaugurou o seu último “Estádio Paula Soares”, que se localizava na avenida Comendador Franco, também conhecida por “avenida das torres”, no Bairro Guabirotuba, às margens da BR-116.

Na ocasião derrotou o Água Verde por 3 X 2, em jogo válido pelo Campeonato Paranaense. O time do Britânia, naquela ocasião, formou com Barbosa – Zé Carlos – Acir – Marcelo e Antero – Clayton – Grão – Fiúza e Airton - Kruger – Soca e Martins.

Soca fora campeão pelo Grêmio, de Maringá, em 1960 e Kruger viria a ser tempos depois um grande ídolo do Coritiba. O estádio era bem estruturado, com vestiários modernos e uma grande novidade, banheiras térmicas.

O novo “Paula Soares” não deu muita sorte ao time principal do Britânia, pois nesse mesmo ano de 1965 foi rebaixado, após perder o “Triangular da Morte”.  O mesmo não se pode dizer das categorias inferiores do clube: nesse período, o Britânia foi vice-campeão de aspirantes em 1965, bicampeão de juvenis em 1967-1968 e vice de juvenis em 1969.

Em 1998 o estádio foi vendido para a rede atacadista (Sonae Atacadista) que construiu a loja “Big Hipermercados”.

Em 1966 disputou a 2ª Divisão. Mas para resolver uma crise entre os clubes da “Primeirona”, foi estabelecido que o certame daquele ano contaria com 14 clubes.

A última vaga foi decidida num torneio hexagonal, denominado “Torneio Esperança”, que foi vencido pelo Britânia – seu último título. Conquistada a vaga, terminou a competição em último lugar, voltando a “Segundona”, em 1970, sem obter classificação.

Títulos do Britânia: Vice-Campeão Paranaense: (1916); Campeão Paranaense: (1918, 1919, 1920, 1921, 1922, 1923 e 1928); Torneio Início: (1919, 1923, 1926, 1928, 1933, 1959 e 1961); Torneio Esperança: (1968); Campeonato Paranaense de Juvenis: (1967 e 1968).

Artilheiros do clube no Campeonato Parananese: Joaquim Martin, com 17 gols em 1918, 7 gols em 1919, 9 gols em 1920, 17 gols em 1921 e 25 gols em 1922. “Faéco”, com 21 gols em 1923 e Marinoni, com 6 gols em 1928.

Além de ser um dos dois únicos clubes exa-campeões estaduais – o outro é o Coritiba -, o Britânia conquistou três campeonatos de forma invicta (1921, 1922 e 1923) e em sete ocasiões teve o artilheiro da competição. O Britânia das décadas de 1910 e 1920 era quase imbatível.

Em 17 de março de 1971, o Britânia fez fusão com o C.A. Ferroviário, que também vivia um período de decadência, pois não tinha mais o apoio da rede ferroviária, e o Palestra Itália F.C., que estava fora do futebol profissional desde 1967, para formação do Colorado E.C. O novo clube escolheu o Estádio Durival de Brito para sediar seus jogos.

O “Estádio Paula Soares” tinha instalações acanhadas, que não permitiriam seu aproveitamento em jogos oficiais, apenas para alguns treinamentos quando o gramado da Vila necessitasse ser poupado. Ou para abrigar as Feiras do Comércio e Indústria do Paraná (Fecip).

Em 19 de dezembro de 1989 o Colorado E.C. fez fusão com o E.C. Pinheiros, nascendo o Paraná Clube. O último jogo do Colorado aconteceu na tarde de 8 de julho de 1989. Jogando em seu estádio, o Durival de Brito e Silva, o time vermelho e branco empatou com o Coritiba em 3 X 3.

Luisinho marcou o último gol da história do Colorado, o terceiro de sua equipe no jogo. Roberto Gaúho, do Coritiba marcou o último gol sofrido pelo extinto clube da “Vila Capanema”.

Com a fusão, o Paraná Clube herdou os estádios Durival Britto (do Colorado, o “Paula Soares”, do Britânia, o do Palestra Itália, e os dois estádios do Pinheiros: “Erton Coelho de Queiroz”, que o Paraná ainda utilizou em algumas partidas e o “Orestes Thá”, na Vila Guaíra, que pertenceu ao extinto E.C. Água Verde. Na área onde se localizava o estádio, foi erguida a suntuosa sede do Paraná Clube.

Embora não faltassem estádios, o Paraná Clube ainda arrendou o “Pinheirão”, após o Atlético rescindir o contrato que tinha com a FPF, em 1994.

O Paraná Clube manda seus jogos no Durival de Brito, carinhosamente chamado de Vila “Capanema”. O estádio se localiza na região central de Curitiba, no bairro do “Jardim Botânico”.

A Construção do Estádio Durival Britto foi um marco na vida do Clube Atlético Ferroviário e na história do futebol paranaense. Depois de inaugurado em 23 de janeiro de 1947, ele passou a ser o terceiro maior estádio do país, na época, com capacidade inferior apenas ao Pacaembu, em São Paulo e ao São Januário, no Rio de Janeiro.

Para a pacata Curitiba dos anos 40, o majestoso estádio construído no antigo terreno da chácara do “Marquês de Capanema” foi um acontecimento histórico que mereceu os mais variados tipos de análises, avaliações e comemorações.

A “Vila Capanema” é um verdadeiro templo do futebol paranaense, pois foi a única praça esportiva do Estado a sediar uma partida pela Copa do Mundo, em 1950. São 58 mil metros quadrados de área e de tradição.

Palco de grandes momentos do passado, o estádio foi reinaugurado em setembro de 2.006, com a ampliação da capacidade de 12.100 para 20.083 espectadores.

A “Vila Capanema” passou por uma grande reforma, sendo totalmente revitalizada, ganhando uma nova arquibancada, novos camarotes, novas lanchonetes, novos sanitários, uma nova sala de imprensa e o maior estacionamento entre os estádios dos clubes da capital.

Com o abandono, o “Estádio Paula Soares” agonizou durante esse período. As arquibancadas continuavam em pé. As telhas caíam aos poucos. O mato tomava conta do entorno do campo. No entanto, o gramado mesmo continuava aparado.

Com um pouco de sorte, se via até alguma atividade, como um treino de jogadores, um “rachão” ou algo assim. Alguns sócios do Paraná Clube usavam o campo para treinar beisebol.

Tempos depois, do telhado só havia sobrado o esqueleto de concreto e o campo já tinha sido devidamente engolido pelo capim. As arquibancadas cinzentas do “Paula Soares” foram finalmente demolidas, em 1998, para construção de uma filial do Hipermercado “Big”.

O nome do coronel “Paula Soares”, porém, não teve o mesmo triste fim do estádio. Hoje ele é lembrado como “Patrono” do tricolor da “Vila Capanema”.

Uma curiosidade: no Cemitério Municipal de Curitiba existe uma cripta com o símbolo do clube e alguns jogadores sepultados – com foto e tudo. (Pesquisa: Nilo Dias)

Britânia S.C. no início do século XX. (Foto: Arquivo da Federação Paranaense de Futebol -FPF) 

sábado, 26 de outubro de 2013

A tragédia do “Albertão”

No último dia 26 de agosto fez 40 anos da chamada “Tragédia do Albertão”, ocorrida durante a inauguração do Estádio Alberto Silva, em Teresina, com o jogo amistoso entre o time local da Sociedade Esportiva Tiradentes, que pertencia ao Clube dos Oficiais da Polícia Militar do Estado do Piauí, e o Fluminense, do Rio de Janeiro.

O estádio recebeu aproximadamente 30 mil pessoas, que lotaram as arquibancadas. Vieram torcedores do interior do Estado e também do Maranhão. Por volta de 25 minutos de jogo, um avião que sobrevoava o estádio, causou uma sensação de tremor.

Um torcedor não identificado teria gritado: “O estádio está caindo". Foi o que bastou para provocar uma enorme confusão. Os torcedores corriam desesperados tentando sair das arquibancadas, e devido a forte pressão uma das barras de segurança rompeu, jogando várias pessoas dentro do fosso, que tinha uma profundidade de quase 3 metros.

Até hoje não há certeza absoluta de quantas pessoas morreram na queda, mas segundo os jornais da época, teriam sido de cinco a sete. E centenas de outros torcedores sofreram ferimentos. O jogo teve de ser paralisado por cerca de uma hora. Até os jogadores ajudaram no resgate das vítimas. Os feridos foram levados para os hospitais Getúlio Vargas, Casamater e Samdu, que ficaram superlotados.

O jogo recomeçou e foi até o seu final, porque o próprio presidente da CBD deu a opinião que o jogo continuasse, porque se não a repercussão ia ser pior ainda. Mas o estrago já estava feito, o que era para ser uma festa acabou em tragédia. O resultado foi um empate em 0 X 0.

O Tiradentes jogou com Toinho – Marinho - Ivan Limeira - Murilo e Tinteiro (Valdeci Lima) - Gérson Andreoti e Joel – Gringo – Sima – Ventilador (Russo) e Bira. O Fluminense levou a campo Vitório – Toninho – Bruñel - Assis e Marco Antônio - Carlos Alberto e Kléber (Adílson) – Marquinhos – Manfrini – Dionísio (Té) e Lula.

As investigações policiais que se seguiram, bucaram identificar o torcedor que teria gritado dizendo que o estádio estava caindo. Mas não obtiveram êxito. O avião que sobrevoara o estádio trouxera o presidente da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, que veio assistir o jogo.

A imprensa da época abordou o caso de forma responsável, e até a oposição política ao governador do Estado portou-se de forma conveniente. A certeza era uma só, que algum irresponsável ao gritar que o estádio estava caindo, levou os demais torcedores a situações de desespero, resultando em algumas mortes.

Passados 40 anos da tragédia, inexplicávelmente até hoje não se chegou a um consenso no numero de mortos do acidente. Segundo as autoridades e noticias dos jornais da época ficou entre 5 a 7 mortos. Mas há quem diga que foi mais, e que a verdade não chegou ao público porque vivíamos no regime militar, e não era interessante a publicação de coisas negativas.

Depois da tragédia, o “Albertão” foi fechado por ordem das autoridades e ficou um ano sem sediar jogos, quando passou por profundas reformas. A partida de reabertura foi entre Flamengo (PI) X Vasco da Gama (RJ), pela Copa do Brasil, com vitória do time carioca por 4 X 1. O público registrado nessa partida foi de mais de 25 mil pagantes.

Tempos depois, por ordem da já Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a capacidade de público do “Albertão” foi diminuída para 40 mil expectadores. Por isso o recorde de público verificado em 1983, quando 60.271 torcedores assistiram o jogo Tiradentes 1 X 3 Flamengo, do Rio de Janeiro, nunca será quebrado. Antes, em 1975, o Flamengo já havia jogado no “Albertão”, quando enfrentou o mesmo Tiradentes e perdeu por 3 x 2, pelo Campeonato Brasileiro.

O recorde absoluto de público, no entanto, não foi obtido por torcedores de futebol e sim pelos fãs mirins do grupo musical “Balão Mágico”, que fez muito sucesso na primeira metade da década de 80.

O maior estádio do Piauí tem muita história. Por seu gramado já passaram craques da envergadura de Rivelino, Ronaldo “Fenômeno”, Dirceu Lopes, Zico, Sócrates, Dunga, Carpegianni, Edinho, Edu, Clodoaldo, Marco Antônio, Sima, Roberto Carlos, Tulio e tantos outros.

Um momento de muita emoção aconteceu em 1977, quando Flamengo e River, protagonistas do clássico “Rivengo”, decidiram o campeonato estadual em três jogos memoráveis. Mais de 100 mil pessoas foram assistir os jogos (40 mil só no terceiro jogo), no maior sucesso de bilheteria até hoje no certame piauiense.

Em 1982 aconteceu o jogo épico entre as seleções de Juniores do Piauí e Rio Grande do Sul, decidindo o Campeonato Brasileiro entre seleções estaduais. O Piauí venceu o forte time gaúcho, que contava com atletas do porte de Dunga e Branco, que depois se tornaram estrelas mundiais do futebol, por 2 X 1.

Embora vencendo o time piauiense perdeu o título no saldo de gols, já que o Rio Grande do Sul havia vencido o primeiro jogo por 2 X 0, em Porto Alegre.

Outro momento grandioso vivido no estádio foi quando o Tiradentes derrotou o Corinthians Paulista, por 2 X 1. Era o tempo da famosa “Democracia Corinthiana”, liderada pelo saudoso craque Sócrates.

Também não podem ser esquecidos outros jogos históricos pelo campeonato brasileiro: Tiradentes 1 X 0 Corinthians-SP (1973); Tiradentes 2 X 1 Botafogo-RJ (1974); Tiradentes 3 X 2 Flamengo-RJ (1975); Tiradentes 1 X 0 Palmeiras-SP (1975); River 3 X 1 Fluminense-RJ (1981) e Cori-Sabbá 1 X 0 Botafogo-RJ.

E o jogo em que a Seleção Brasileira, com três gols de Ronaldo “Fenômeno”, ganhou do selecionado da Lituânia por 3 X 0. Foi uma das melhores atuações do craque vestindo a camisa da Seleção. O time canarinho jogou outras duas vezes no “Albertão”: a primeira, em 1989, quando derrotou o Paraguai por 2 X 0. A outra, em 1991, oportunidade em que a Seleção Pré-Olímpica perdeu para a Argentina por 1 X 0.

O primeiro gol no “Albertão” foi marcado na noite de 29 de agosto de 1973 no jogo entre Cruzeiro, de Minas Gerais e Tiradentes. O autor foi Dirceu Lopes aos 17 minutos do segundo tempo, para o time mineiro. Sete minutos depois, Joel marcou para o Tiradentes e o placar final foi 1 X 1.

O Governador Alberto Silva construiu as primeiras etapas da obra. As seguintes, até chegar à capacidade total de 60 mil pessoas (hoje baixou para 40 mil), foram construídas nas administrações dos governadores Dirceu Arcoverde e Lucídio Portela.

Nos últimos tempos, pouco foi feito no “Albertão”. Partes importantes do projeto nunca foram executadas, por falta de interesse dos governos e por falta de trabalho dos clubes que não fazem boas campanhas nos campeonatos que disputam, e em consequência não  provocam ações concretas do poder público.

Neste ano de 2013, quando o “Albertão” completou 40 anos, apenas um jogo foi disputado lá: Flamengo (Piauí) 2 X 2 Santos, pela Copa do Brasil. No mais, o estádio permaneceu fechado e continua assim. Até quando, não se sabe. (Pesquisa: Nilo Dias)

A tragédia deixou um saldo de cinco a sete mortos. (Foto: Divulgação)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Os "Mexicanos" do Palmeiras

Ao longo de sua história a Sociedade Esportiva Palmeiras, de São Paulo, teve em sua equipe dois jogadores chamados de “Mexicano”. O curioso é que nenhum deles nasceu no México. Alfredo Lúcio de Moura, um dos melhores laterais direito da história do clube alviverde nasceu em Uberaba (MG), no dia 15 de novembro de 1926.

O outro “Mexicano” foi Dionísio Viel, nascido em Osasco (SP). Filho de família rica, na infância não mostrava muito talento para o futebol, até pelo seu corpo franzino. Nas “peladas” com os amigos, só participava porque era o dono da bola. Seu pai, Vitório, era proprietário de um restaurante famoso na cidade. E até que não se importava pelo fato do filho não sair das ruas jogando futebol. Mas a mãe, dona Amélia, vivia dando bronca, mas ele nem ligava.

Desde garoto, Dionísio sempre foi torcedor do Palmeiras. Mesmo tendo consciência de que nunca seria um craque, ainda assim alimentava o sonho de um dia vestir a camisa do seu clube de coração. E não deu outra. Foi um dia ao Parque Antárctica, treinou, passou no teste e foi jogar nas categorias de base. Em 1958 foi profissionalizado.

Já o “Mexicano” mineiro começou a carreira em 1945, no time de amadores do Atlético Abadia, de sua cidade natal. Depois foi descoberto pelo Uberaba Sport e passou a integrar a sua equipe profissional, em 1944. Na preliminar de um jogo amistoso entre Uberaba e uma Seleção de São Paulo, ele fez oito gols e o pessoal do Uberaba não perdeu tempo, o contratou na hora, mesmo tendo apenas 15 anos.

Em 1946 foi vendido ao Atlético Mineiro, onde jogou até 1949. No “Galo” participou de 116 jogos. Foi bi-campeão das “Alterosas”, em 1946 e 1947. Seu único gol com a camisa atleticana aconteceu no dia 4 de fevereiro de 1948, no "Estádio de Lourdes". Na ocasião, o alvinegro derrotou a Portuguesa de Desportos, de São Paulo, por 6 X 2 e “Mexicano” marcou o quarto gol de sua equipe.

O lateral fez parte de um dos melhores times que o Atlético montou em toda sua história: Cafunga – Mexicano – Silva - Murilo Ramos - Zé do Monte – Lucas – Lauro - Mário de Souza – Lério - Níveo e Carlyle.

Em 1949, foi vendido ao Palmeiras, onde foi obrigado a encerrar a carreira em 1954 devido a uma fratura na perna direita, em um jogo contra o América, de São José do Rio Preto.  Tinha apenas 28 anos de idade. No Palmeiras foi campeão Paulista de 1950, da Copa Rio de 1951, do Torneio Rio-São Paulo de 1950 e da Copa Cícero Pompeu de Toledo, em 1950.

Segundo o "Almanaque do Palmeiras", de Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti, "Mexicano" disputou 48 jogos pelo “Verdão”, com 25 vitórias, 11 empates, 12 derrotas e um gol marcado.

Hoje ele mora em Patrocínio (MG), onde trabalha como massagista do Catiguá Tênis Clube. Casado, tem um filho e uma neta. Mas não nega que carrega consigo uma mágoa profunda, de nunca ter sido muito lembrado para homenagens realizadas pelo Atlético Mineiro.

O zagueiro palmeirense Dionísio Viel, o “Mexicano”, não ganhou dinheiro com o futebol. Tinha a fama de violento, muitas vezes se descontrolando dentro de campo, o que ele explicava como decorrência de seu amor pelo clube. Não era de fugir de pancada, prova disso é que chegou a abrir o supercílio oito vezes, em apenas um campeonato.

Como sempre teve dinheiro a vontade, jogou mais pelo coração. O primeiro bicho que recebeu, depois do time ter ganho um jogo, guarda até hoje na carteira como relíquia: cinco notas de Cz$ 20 mil.

Depois que deixou o seu Palmeiras, foi jogar no Taubaté, onde ficou por longos oito anos. E no clube interiorano fez o maior sucesso, quando o time participava Campeonato Paulista da Primeira Divisão. Encerrou a carreira no time dos “Irmãos Romanos”, equipe do ABC.

Quando deixou os gramados abriu uma rede de lanchonetes, que não durou muito tempo, pois em seguida se aposentou. Hoje, safenado, ele tem a pintura como hobbie e vive no Parque Continental, no Bairro do Butantã, na zona Oeste da capital paulista, com a mulher Mirna Factori Viel, e as filhas Ana Paula, terapeuta ocupacional, que residiu na Itália e Fernanda, que é jornalista.

Mesmo fora dos gramados, “Mexicano” ainda acompanha os jogos do Palmeiras. O dia mais esperado do ano é quando acontece o tradicional "Jantar dos Veteranos" do Palmeiras. Nessas ocasiões ele é homenageado, aplaudido e distribui autógrafos em profusão. Pode-se dizer que vive um dia de glória.

A filha e jornalista Fernanda Factory Viel, sempre gostou de futebol. Depois de trabalhar como redatora auxiliar na Fundação Bradesco, foi estagiária no jornal "A Gazeta Esportiva", onde fazia a cobertura jornalistica dos treinos e jogos do São Paulo F.C., na época dirigido por Telê Santana.

Em 2000 ela criou a personagem “Mary Futy”, na revista “Lance a+”, e no jornal "Agora São Paulo". Fez  matérias internacionais para uma TV Alemã durante a Copa de 2006, quando entrevistou jogadores famosos como Kaká, Cafu, David Beckam, Luis Figo e Ronaldo. 

Foi produtora na “Rede Bandeirantes de Televisão” e agora trabalha para o “Portal R7”, com o “Blog da Mari Futy”, personagem que satiriza as "Marias-Chuteiras" e conta de forma divertida os bastidores que envolvem a vida dos boleiros. (Pesquisa: Nilo Dias)

Dionísio Viel, o "Mexicano" que nasceu em Osasco (SP).

Alfredo Lúcio de Moura, o "Mexicano", nascido em Uberaba (MG).

domingo, 20 de outubro de 2013

O berço do futebol piauiense

O velho e histórico “Estádio Petrônio Portela”, antigo “Estádio Internacional”, berço do futebol de Parnaíba (PI), o segundo município mais populoso do Estado, encontra-se hoje em estado de quase total abandono, necessitando de amplas reformas para recuperar seu garbo de antigamente.

É o único estádio de futebol no Brasil a possuir o estilo arquitetônico das praças esportivas inglesas do início do século XX. O estádio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O “Petrônio Portela” foi construído nos anos 20 pela “Casa Inglesa” e se constituia no melhor estádio do Piauí, na época.  No local foram realizados muitos jogos da primeira liga de futebol do Estado do Piauí, ainda no século XVIII. Foi nesse estádio que nasceu o primeiro campeonato piauiense de futebol.

A “Casa” Inglesa foi dirigida por Paul Robert Singlehurst, o “Paulo Inglês”, que se estabeleceu no Brasil em 1849. Ele foi o primeiro a trazer para o país tratores, motores e jeeps. Mais tarde, em 1884, James Clark tornou-se dono único e foi responsável por inserir a cera de carnaúba no mercado internacional e por fornecer produtos a base de petróleo, equipamentos e instalação elétrica para 153 municípios do Piauí, Maranhão e Ceará.

Naquela época, o terraço da “Casa Inglesa” era famoso pelas festas que concentravam a elite da cidade. Hoje a casa é um hotel totalmente mobiliado com móveis antigos. No dia 11 de agosto de 2008 o prédio e todos os seus pertences foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional.

A “Casa Inglesa” tinha em sua ficha cadastral interna, vários itens curiosos para análise de aprovação ou não do cadastro do cliente. Entre os itens a serem preenchidos obrigatoriamente, existia um que requisitava o nome da(s) esposa(s) como também o da amante, com os respectivos lugar de moradia. O motivo disso é totalmente desconhecido por Ingrid Clark, herdeira direta desse importante grupo comercial da Parnaíba antiga.

Outros itens curiosos do mesmo formulário: se o cliente em questão era político extremado, se gastava muito com política, ou se era um gastador contumaz, jogador ou farrista, qual o conceito que ele desfrutava naquela praça, a moralidade pessoal e a reputação do mesmo, como era a situação da firma (do cliente), se tinha serviço organizado, se a gerência era séria e conservadora e também dados sobre os sucessores (se eram ou não competentes).

O cadastro encontra-se à disposição dos pesquisadores e do público geral, entre o acervo de documentos do “Museu do Comércio do Piauí”, projeto desenvolvido pela Câmara dos Dirigentes Lojistas de Teresina.

A Praça de Esportes construída pela “Casa Inglesa”, inicialmente foi chamada de “Estádio Internacional”, porque o Internacional Athletic Club, fundado em 1917 e hoje extinto, lá disputava seus jogos.

O “colorado” parnaibano disputou o campeonato da cidade entre 1917 e 1940, sendo campeão em 1921 e 1928. Seu primeiro presidente foi o desportista Samuel Bompet. Na mesma época, também havia em Parnaíba outro estádio, onde hoje está situado o Colégio Diocesano Luiz Gonzaga de Sena.

Em 12 de fevereiro de 1922 o “Petrônio Portela” foi palco do primeiro jogo interestadual do futebol piauiense. O Parnahyba Sport Club realizou alguns amistosos contra o Guarany Atlético Clube, de Fortaleza. No primeiro amistoso, o time cearense venceu por 1 X 0, mas no segundo confronto, dia 15, o Parnahyba ganhou por 2 X 0, conquistando a “Taça Guarany”.

O Parnahyba jogou com Aderson - Basilio e Xixico - Albino e Brandão – Antonio – Colibri – Lyra – Zeca - Milton Ramos e Milton Moreira.
Na década de 1950, o Campeonato Parnaibano de Futebol costumava levar grandes públicos ao estádio. Havia na cidade vários clubes: Parnahyba, Flamengo, Fluminense, Belga, Paysandu e Ferroviário.

Era comum a presença de clubes de Teresina em Parnaíba, que quase sempre eram derrotados. Quando o Parnahyba começou a disputar o campeonato estadual, os seus jogos eram realizados no “Estádio Internacional”.

Na década de 1960 a “Casa Inglesa” resolveu fechar o estádio e colocá-lo a venda. O governador na época, Petrônio Portela, adquiriu o estádio para o Governo do Piauí. Em consequência, desportistas da cidade fizeram uma exitosa campanha, que culminou com a mudança de nome para “Estádio Petrônio Portela”.

No início dos anos 70 o governador Alberto Silva doou a praça de esportes ao Parnhayba Sport Club, o que acabou por gerar uma grande crise no futebol parnaibano, porque as outras agremiações esportivas não gostaram e protestaram.

Além do Parnahyba a cidade tem outro clube de futebol profissional, o Ferroviário Atlético Clube (FAC), chamado de “Ferão”, que foi fundado em 1946 por funcionários da então Estrada de Ferro Central do Piauí. E dezenas de clubes amadores filiados à liga local.

Tudo porque anteriormente o prefeito da cidade havia pedido ao Governador que o estádio Petrônio Portela fosse doado para a Prefeitura, com o compromisso de repassá-lo à Liga, servindo para todos os clubes da cidade.

As diretorias que sucederam o presidente Pedro Alelaf, pouco fizeram para manter o estádio de pé. Pelo que se sabe houve a restauração dos portões de entrada e a modernização da “Casa do Atleta”, construída por Alelaf e cujo teto esteve por desabar.

Os quartos são equipados com televisores, camas beliches e ar condicionado. O local passou a ser chamado de “Toca do Tubarão” e serve como moradia e concentração dos jogadores.

Também foi construído um lance de arquibancada para mais de mil torcedores e o projeto prevê que mais dois sejam erguidos. Porém, outros locais não foram atendidos, como a antiga e histórica arquibancada que não resistiu e acabou ruindo. E junto dela a garbosa arquitetura inglesa, que continua a espera de uma restauração, pois sobraram só os escombros.

Depois, com a construção do “Estádio Municipal Mão Santa”, conhecido como “Piscinão”, com capacidade para 4.700 torcedores, o “Petrônio Portela” não foi mais palco de jogos oficiais de seu time profissional. É utilizado como Centro de Treinamento (CT) e para amistosos da equipe profissional e partidas oficiais da Categoria Sub-18, além de jogos de equipes amadoras.

Além dos estádios “Petrônio Portela” e “Mão Santa”, a cidade conta com outro estádio, o “Verdinho”, de propriedade da Federação das Indústrias do Piauí, que tem capacidade para 4.500 expectadores. Existe um projeto, que está paralisado, para a construção do “Estádio Olímpico de Parnaíba”, que também contará com instalações para outros esportes.

construção do Centro teve início em 2012. As obras começaram pela preparação do terreno, com a terraplanagem, e pela construção das quadras de tênis. Fazem parte do projeto, ainda, a construção de ginásio coberto, quadras de vôlei de praia e poliesportivas, pista de cooper, ciclovia, piscinas, entre outras.

Também haverá estruturas como centro de artesanato e anfiteatro e  um ginásio com capacidade para 25 mil pessoas. A obra, no entanto, não andou como o esperado. A construção estava prevista em duas etapas: a primeira correspondendo à Vila Olímpica e todas as suas estruturas, e a segunda sendo a construção do estádio.

A primeira parte deveria ter sido entregue em dezembro, mas impasses em relação à demarcação da área a ser construída atrasaram os planos. Um novo prazo foi estipulado para junho deste ano, mas novamente não foi correspondido.

O ex- presidente do Parnahyba Sport Club, José Lima, que hoje preside a Federação de Futebol do Piauí (FFP), disse que o estádio está precisando de uma reforma em sua estrutura, como: colocação de alambrados, colocação dos refletores de energia, recuperação do gramado, entre outras melhorias. Mas segundo ele, fica difícil fazer tudo isso, sem recursos suficientes. 

A falta de dinheiro no clube é uma realidade, tanto que em novembro do ano passado a energia do estádio Petrônio Portela foi cortada, por dívidas que ultrapassavam R$ 10 mil. O Parnahyba não pagava as contas há quatro meses. Só conseguiu honrar o compromisso, depois de receber R$ 75 mil da prefeitura, que também serviu para pagar os salários atrasados dos jogadores.

O clima dentro do clube já esteve bastante ruim. Antes da saída do time para o jogo final do Campeonato Piuiense, em Teresina, o clima entre o então técnico Paulo Moroni e o ex-presidente José Lima, era de tensão. Na volta, com a taça nas mãos, foi decidido que o jantar seria na cidade de Campo Maior, na Churrascaria “O Cervejão”.

Lá, Moroni teria dito que a conquista do título fora mérito só dos jogadores e não da Diretoria. José Lima não gostou do que ouviu e jogou o whisky que estava bebendo no rosto do treinador. E este revidou jogando cerveja no rosto do presidente, que enraivecido atirou o copo de vidro na cabeça de Moroni. A coisa não ficou pior, graças a turma do deixa disso.

O Parnahyba Sport Clube é dono de um invejável patrimônio, mas  tem tido enormes dificuldades para tocar em frente o projeto de recuperação total do estádio. A sua sede social, localizada na Praça de Santo Antônio, zona central da cidade, é muito valorizada no mercado imobiliário, valendo entre R$1,8 milhão a R$ 2 milhões.

Neste final de ano, sem dinheiro para pagar os jogadores que disputaram a Série D do Campeonato Brasileiro, o Parnahyba se viu obrigado a alugar sua sede social para a Justiça Federal por um ano. E espera com isso, mais o dinheiro que vem da prefeitura, poder pagar as dívidas.

Para o dia 27 deste mês, o Parnahyba Sport Clube marcou eleições para escolha do Conselho Deliberativo e Diretoria. Elas originalmente deveriam acontecer em dezembro, mas foram antecipadas em razão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ter divulgado o calendário das competições estaduais para o dia 12 de janeiro de 2014 e a Copa do Brasil para o dia 12 de março de 2014. Como o Parnahyba participará dessas competições, dará tempo aos novos dirigentes de formaram um bom elenco.


E os torcedores esperam que esses novos dirigentes olhem com mais carinho para o Estádio Petrônio Portela, que sem dúvida se constitui num monumento histórico da cidade de Parnaíba. E que merece ser preservado. (Pesquisa: Nilo Dias)

Arquibancada do antigo estádio Internacional, que foi doado ao Parnahyba e rebatizado de Estádio Petrônio Portela e hoje abriga o Centro de Treinamento (CT), do Parnahyba Sport Club. (Foto:Acervo fotográfico do Parnahyba S.C.)

sábado, 19 de outubro de 2013

A tragédia de Alegrete

O dia 4 de dezembro de 1983 ficou marcado para sempre nas vidas de Celeni Viana e José de La Cruz Benitez Santa Cruz. O primeiro era atacante da Associação Atlética Alegrete e o segundo, goleiro do S.C. Internacional, de Porto Alegre. A tragédia aconteceu no jogo amistoso disputado entre as duas equipes, no Estádio Municipal Farroupilha, na cidade gaúcha de Alegrete.

Eram 8 minutos de jogo quando Celeni, de 19 anos, chocou-se com a cabeça de Benitez. O goleiro paraguaio, que foi titular do tricampeonato brasileiro invicto do Internacional acabava de encerrar a carreira naquele lance, aos 31 anos de idade.

No choque, Benitez bateu a cabeça e sofreu com o "efeito chicote", quando a cabeça é atirada para trás e volta. A coluna amassou o nervo na hora, o que ocasionou paralisia dos membros superiores e inferiores, conforme o doutor Paulo Rabelo, que era o médico do Internacional naquela fatídica tarde em Alegrete.

Após o choque, o goleiro ficou caído na área, enquanto o jogo prosseguia. Mauro Galvão, que assim como os demais corria para o ataque, reparou que Benitez continuava caído. Voltou para perguntar se estava tudo bem e notou que o companheiro estava sufocando, sem ar.

Acenou desesperadamente para o médico que correu para o gramado e, ao chegar ao paraguaio, de cara confirmou o pior: o camisa 1 do Internacional estava tetraplégico - e com asfixia, decorrência da contusão medular.

Benitez estava lúcido, mexia com a cabeça e os olhos, e sinalizou que havia batido com a cabeça. O médico constatou que do pescoço para baixo, estava tudo paralisado. Ainda no gramado, o goleiro conseguiu recuperar a respiração, depois que o médico utilizou seus conhecimentos de primeiros socorros, segurando-lhe a cabeça e ajudando a retomar o fôlego.

O jogo prosseguiu com Gilmar Rinaldi entrando no lugar de Benitez. Ruben Paz fez o gol da vitória colorada ainda no primeiro tempo, aos 41 minutos.

Benitez saiu de maca, em direção ao vestiário, onde o roupeiro Gentil Passos tirou-lhe as chuteiras, luvas e ataduras, para que não comprimissem a circulação. O goleiro, já sem as chuteiras, pediu ao roupeiro que as tirasse de seus pés. Gentil Passos entendeu na hora que ele não sentia mais as pernas e começou a chorar.

Até aquele momento, apenas poucas pessoas sabiam do drama que Benitez estava enfrentando para conseguir sobreviver. Os jogadores e o restante da delegação só ficaram sabendo do que ocorria, no intervalo do jogo.

O jogador foi levado para o hospital da Santa Casa de Alegrete. A esperança de que houvesse uma recuperação rápida, até que foi aventada, quando o goleiro fez movimentos involuntários dos músculos em suas pernas. Mesmo com a paralisia momentânea, o corpo de Benitez reagia. O doutor Paulo Rabello chegou a dizer para Benitez, na ocasião, que ele voltaria a andar.

Horas depois do atendimento hospitalar, o médico e o goleiro deixaram Alegrete, embarcando em um helicóptero do Exército, daqueles sem portas, de filmes de guerra. Mal conseguiam conversar, devido ao barulho das hélices. Desceram em Santa Maria. De lá, um jatinho levou os dois para o Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

Foi quando Benitez reencontrou a mulher, Ivana, gaúcha de Taquari. Eles ainda não haviam completado um ano de matrimônio. Casaram com pompa em 18 de dezembro de 1982. A partir do acidente, Ivana se mostrou como uma bênção na vida de Benitez. 
 
Na primeira semana em que esteve hospitalizado, Benitez correu sério risco de vida, pois teve uma infecção renal, decorrente do acidente. O doutor Paulo Rabelo garante que ele só sobreviveu porque sempre foi muito forte.  Benitez sofreu uma espécie de amassamento da medula, o que não permitia que o cérebro enviasse “mensagens” ao restante do corpo.

Benitez ficou sabendo que nunca mais poderia jogar, num encontro, na casa do doutor Paulo Rabelo, na Rua da República, em 1985. Foi depois de um jantar entre as famílias, que o médico chamou o goleiro para uma conversa na sala de estar, quando explicou detalhadamente por que, apesar da recuperação dos movimentos parciais de braços e pernas, o corpo de Benitez não permitiria o retorno ao futebol. Foi uma conversa dramática, dura, em que os dois choraram abraçados.

O choque ocorrido em Alegrete acabou por mudar os rumos das vidas de Benitez e Celeni. O atacante deixou de jogar futebol, depois da promessa que fez, de que se Benitez não retornasse aos gramados, ele também deixaria de jogar.

Celeni ainda conseguiu dar a volta por cima e refez sua vida, superando o trauma que sofreu ao ser chamado de “assassino” nas ruas de Alegrete. Por muito tempo o jovem atleta da Associação Atlética Alegrete teve de aguentar ser chamado assim. As pessoas que passavam de carro, abriam os vidros só para xingá-lo.

Hoje, é vereador em terceiro mandato na cidade. De vez em quando joga um futebolzinho, mas só na várzea. Com 50 anos de idade, o ex-jogador é pai de sete filhos e avô de sete netos.

O jogador do time interiorano garantiu sempre que não tocou com o pé na testa do goleiro, mas sim com o joelho direito e que saltou para não acertá-lo. Conseguiu tirar a perna esquerda, mas não deu para evitar o choque com a direita. O lance teria sido casual. Na ânsia de fazer o gol, o atacante viu Benitez virando-se rapidamente para a bola e, em um instante, caíu ao chão.

O ex-goleiro até hoje caminha com dificuldade, apoiado na perna esquerda. Utiliza-se de uma muleta, à mão direita, para realizar pequenas e lentas manobras dentro do apartamento de três quartos, seu refúgio há anos. A perna direita jamais foi totalmente recuperada, apesar das três décadas de fisioterapia. Precisará de próteses nos joelhos – gastos pela carreira e pelo acidente de Alegrete.

A tragédia de Alegrete deixou marcas mais profundas. Benitez e a esposa Ivana não puderam ter filhos. Guardaram o carinho para a papagaia “Princesa” e a papafigo “Bombom“, um passarinho azulado, que à noite dorme deitado em uma caminha, com direito a coberta.

Quando jogava, Benitez, que pesava cerca de 120 quilos e tem 1 m 85 cm de altura, já havia retirado os meniscos dos joelhos, por lesões. Na preparação física estava acostumado a carregar sacos de areia, subindo e descendo arquibancadas. Hoje, anda com dificuldade, amparado pela muleta que o permite repousar o pé direito no chão, enquanto caminha com o esquerdo.

Tudo na vida tem um preço. Os 13 anos de carreira como jogador e a tragédia de Alegrete custaram muito caro. Hoje, Benitez, com 61 anos, pouco sai de casa, passa boa parte do dia sentado, assistindo jogos pela TV. Tem como companhia a esposa Ivana, com quem divide um apartamento em uma rua calma do bairro Menino Deus.

O Grêmio Náutico União, onde faz fisioterapia é um dos poucos lugares que frequenta. Vez que outra vai ao Paraguai visitar parentes. Quase sempre mostra um sorriso triste no rosto. E costuma dizer: “O que fica da vida são os amigos. E, graças a Deus, ainda tenho alguns bons companheiros na minha agenda”.

Nos anos 90, depois que foi obrigado a deixar os gramados, Benitez tentou a carreira de treinador. Dirigiu o Santa Cruz, de Santa Cruz do Sul e o São José, de Porto Alegre, além de ter sido orientador de goleiros do Internacional.

Depois trabalhou como empresário, tendo sido responsável pela vinda de importantes atletas paraguaios que brilharam na dupla Gre-Nal como Arce, Gamarra, Rivarola e Enciso. Mas a dificuldade de locomoção, não o deixou continuar na carreira de empresário. Mas ainda tem contatos no Paraguai e um bom olho para jovens jogadores.

Hoje Benitez vive da poupança, de dois imóveis alugados em Assunção (Paraguai) e da aposentadoria de R$ 1,5 mil do INSS. E também convive com dores diárias, com as quais aprendeu a lidar, sem medicação.

Este ano de 2013 foi especial para Benitez e Celeni. O ex-atacante do time de Alegrete foi até Porto Alegre visitar o ex-goleiro do Internacional, 30 anos depois da tragédia de 1983.

Antes desse encontro, os dois só haviam se visto uma única vez. No dia seguinte ao acidente, Celeni visitou Banitez no Hospital Moínhos de Vento, na Capital. O ex-atacante lembra que estendeu a mão para cumprimentar Benitez, e esta caiu, sem forças.

Na recente visita que fez, Celeni, com os olhos marejados, disse estar aliviado e livre de uma condenação de 30 anos, depois de receber o abraço apertado de Benitez, que sem nenhum ressentimento disse: “Que bom te ver, guri. Que coisa boa ver que tu está bem, que alegria. Tá com uma cara boa... Nunca mais tive notícias tuas. Esse guri não teve culpa. São coisas do futebol, coisas da vida”.

Benitez nasceu em Assunción, no Paraguai, dia 3 de maio de 1952. Começou a carreira no Olimpia, clube de seu país, e foi para o Internacional em 1977, para substituir o lendário goleiro Manga.

O começo no Inter não foi bom, por essa razão foi emprestado ao Palmeiras, em 1978, quando o titular Leão, servia a Seleção Brasileira. Pelo clube paulista fez 24 jogos, com 13 vitórias, oito empates e três derrotas, tendo sofrido 13 gols. 

Em 1979, voltou ao Internacional, onde fez grandes partidas e conquistou vários títulos, entre os quais o de campeão brasileiro invicto, em 1979, além dos campeonatos gaúcho de 1978,1981,1982 e 1983. (Pesquisa: Nilo Dias)
  
Depois de 30 anos, Celeni e Benitez voltaram a se encontrar. (Foto: Divulgação)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Os 100 anos do “Leão da Estradinha”

O Rio Branco Sport Club, da cidade paranaense de Paranaguá completou 100 anos no último dia 13. É o terceiro clube mais antigo do Estado, atrás apenas de Coritiba e Operário, de Ponta Grossa. O clube foi fundado em 13 de outubro de 1913, quando de uma reunião acontecida na residência da Família Lima, localizada na rua Marechal Deodoro,12.

Nessa reunião estiveram presentes os desportistas Manuel Victor da Costa, Aníbal José de Lima, Euclides de Oliveira, José de Oliveira, Jarbas Nery Chichorro, Antônio Gomes de Miranda e Raul da Costa Pinto, que são oficialmente considerados fundadores.

A idéia da fundação do clube surgiu na véspera, dia 12, quando os desportistas conversavam na calçada da rua Marechal Deodoro, a respeito de futebol. Foi quando chegou o senhor Raul da Costa Pinto, funcionário da Alfândega, que depois de ser informado da idéia de fundar uma agremiação esportiva, deu opinião favorável.

No dia seguinte ocorreu a reunião, que foi bastante movimentada. Teve alguns que defenderam a criação de uma sociedade recreativa/esportiva. Mas prevaleceu a sugestão de Jarbas Nery Chichorro, de que o ideal seria um clube de futebol, o que tinha o apoio da maioria das pessoas presentes. Também foi ele que sugeriu o nome Rio Branco, que foi aceito por unanimidade.

Na ocasião também foi eleita uma Diretoria provisória, que ficou assim constituída: Presidente, Manoel Victor da Costa; Vice Presidente, Antonio Gomes de Miranda; Secretário, Jarbas Marques Nery Chichorro; Tesoureiro, Jose de Oliveira.

Um fato que deve ser levado em consideração, é que entre todos os clubes do futebol paranaense, apenas o Rio Branco e o Coritiba mantém vivas suas tradições, sendo os dois únicos que nunca trocaram de nome e cores.

Até então o futebol estava concentrado em Curitiba e Ponta Grossa, onde desde 1909 várias equipes foram formadas nas duas cidades. Cada jogo se transformava em uma verdadeira festa, reinando um clima de estreita amizade entre os clubes. Em Paranaguá o futebol ganhou força em maio de 1913, quando foi fundado o Paranaguá Foot-Ball Club. No mês de setembro surgiu o Brazil Foot-Ball Club e em outubro o Rio Branco Sport Club.

Da fundação até o primeiro jogo transcorreram mais de 30 dias. Aconteceu em 23 de novembro de 1913, no “ground” do Campo Grande, na Praça Pires Pardinho, com derrota de 1 X 0 para o Brazil F.C., também de Paranaguá. O Rio Branco mandou a campo naquela ocasião Colombino - Mathias e Nagib – Eugênio - Itaborahi e Raul – Rocha – Romeu – Cezário - Braga e Flota.

Em dezembro houve nova reunião na sede localizada à rua Marechal Deodoro, 59, para escolha da Diretoria definitiva. Foram eleitos e empossados: Presidente, Itaborahy de Macedo; vice, José Colombino; 1° secretário, Antonio Roza; 2° secretário, Nagib Balech; 1° tesoureiro, Angelo Perusin; 2 tesoureiro, José de Oliveira; orador, Raul da Costa Pinto; capitão, Mathias Lourenço; 2° capitão, Cezario Corriel e “Guarda Sport”, Lucilio F. do Nascimento.

O primeiro confronto contra um time de fora de Paranaguá ocorreu no dia 6 de janeiro de 1914, na Praça Pires Pardinho, contra o América, de Curitiba. Para se prevenir de uma possível goleada, o Rio Branco se uniu ao Brazil e o Paranaguá, formando um selecionado da cidade, que teve a seguinte formação: Osmario – Arcesio - Mendes – Zizo – Quinquin – Luiz – Nagib – Agostinho – Acrisio - Fernando e Soffiati.

O resultado do jogo é desconhecido, mas sabe-se que o grande goleador do Rio Branco, Quinquin, marcou três gols, mas o juiz anulou um porque estava “off-side”.

Em junho de 1914 foi arrendado pelo prazo de cinco anos, um terreno de propriedade do senhor Chrispim da Silva, para que o clube erguesse o seu próprio campo. Para arrecadar recursos, os associados realizaram concorrida quermesse, tendo por local a Praça Pires Pardinho.

Ate uma peça de teatro foi encenada para arrecadação de verbas destinadas as reformas do novo campo e a construção das arquibancadas. A previsão de inauguração era para 2015.

No mesmo ano o prefeito Cetano Munhoz da Rocha deu ao clube uma área de alagadiço nas redondezas da Praça João Gualberto. Depois de seis meses de trabalho o campo ficou em condições de jogo. O sócio-benfeitor José Fonseca Lobo, conhecido por “Zézito”, doou alguns vagões de madeira para a construção das arquibancadas.

A inauguração oficial ocorreu num jogo frente um selecionado de times de Curitiba, chamado de “Team Extra”, formado basicamente por jogadores do International e América. O Rio Branco venceu por 2 X 1, gols de Cardines e Lobo. O time jogou com Pedrinho - Azevedo e Marinho – Rosa - Eugênio e Manoel – Docelo - Caldeira – Lobo - Cardines e Coelho.

O Rio Branco permaneceu no local por quase 10 anos, pois teve de entregar a área para construção lá da Escola Normal - atualmente Instituto de Educação Dr. Caetano Munhoz da Rocha. O município então doou ao clube um novo terreno, na Estrada das Colônias - atual Alameda Coronel Elysio Pereira – para construção do novo estádio.

Além da área o prefeito Francisco Accioly Rodrigues da Costa, autorizou a doação de dois contos de réis (2:000$000) para que o clube pudesse providenciar a mudança para a nova sede, que hoje abriga o Estádio Nelson Medrado Dias, o “Estradiha”.

O nome é uma homenagem ao ex-presidente do clube, que era agente do LLoyd Brasileiro, vindo do Rio de Janeiro e apaixonado pelo futebol. Foi em sua gestão que teve início o projeto de construção do novo campo em meados de 1924, tendo decorrido o prazo de aproximadamente seis meses para arrecadação de fundos para as primeiras obras, que começaram em 1925.

Graças ao prestigio que gozava no comércio local e na política, arrecadou fundos e mandou aparelhar o terreno e iniciar a construção das arquibancadas. Quase dois anos depois, em 12 de Junho de 1927, foi inaugurada a “Praça de Esportes Nelson Medrado Dias’, que até hoje é a sede do clube e seu campo de futebol.

A inauguração do “Estádio Nelson Medrado Dias” (Estradinha) ocorreu em 12 de Junho de 1927, com o jogo Rio Branco X Atlético Paranaense. No entanto, não se sabe o resultado.

Além de Medrado Dias, a cidade reverencia outros nomes importantes na vida do clube: Jefferson Picanço da Costa, Antônio Fernandes Marques, Mozart Pereira Alves, Dr. Arthur Miranda Ramos, Dr. Antônio José Santana Lobo Neto, Ney Pereira Neves, Mário Marcondes Lobo Filho, entre outros.

Em 12 de outubro de 1915 os clubes de futebol de Curitiba realizaram uma reunião na sede do Jockey Club para criação da Liga Sportiva Parananense (LSP), que teria a incumbência de organizar o futebol no Estado. Mas do interior foram convidadas apenas agremiações de Ponta Grossa e do Litoral.

Participaram da reunião clubes de Curitiba, Antonina, Paranaguá, Morretes e Ponta Grossa. Todos foram incluidos na chamada “Divisão de Honra”, com direito a participar do primeiro Campeonato Oficial disputado no Estado.

O campeonato de 1915 foi o primeiro da história do futebol paranaense. Dele participaram Coritiba F.C. (Curitiba), Internacional F.C. (Curitiba), América F.C. (Curitiba), Paraná S.C. (Curitiba), Paranaguá F.C. (Paranaguá) e S.C. Rio Branco (Paranaguá).

Os times jogaram entre si, todos contra todos em turno e returno. O campeão foi o extinto Internacional Foot Ball Club, da capital. O Rio Branco foi o último colocado com apenas quatro pontos em 10 jogos.

Os jogos do Rio Branco foram os seguintes: Turno - 30-05: Coritiba 1 X 1 Rio Branco; 13-06: América 5 X 1 Rio Branco; 25-07: Paraná 9 X 0 Rio Branco; 01-08: Rio Branco 3 X 1 Paranaguá; 03-08: Internacional 13 X 0 Rio Branco.

Returno - 31-08: Rio Branco 0 X 3 Coritiba; 07-09: Rio Branco 3 X 3 América; 12-10: Paranaguá 3 X 0 Rio Branco; 9-10: Rio Branco 0 X WO Paraná e 16-11: Rio Branco 0 X WO Internacional.

O melhor ataque da competição foi o do Internacional, com 27 gols e o pior, o do Rio Branco, que marcou apenas 8 gols. A pior defesa foi a do Paranaguá, que levou 39 gols. O artilheiro foi Ivo Leão, do Internacional, com 14 gols marcados. A maior renda do campeonato foi no jogo Internacional 2 x 1 Paraná, pelo segundo turno, que somou 175$000 mil réis.

O Rio Branco ingressou no futebol profissional em 1956, disputando a Divisão Especial do futebol paranaense. Para poder participar da competição foi preciso cumprir várias ações de ordem administrativa junto à Federação Paranaense de Futebol.

Em reunião realizada na FPF no dia 16 de maio de 1956, o Rio Branco foi aceito pela unanimidade dos clubes profissionais do Estado.  A estréia na elite estadual aconteceu no dia 23 de junho de 1956, contra o Esporte Clube Água Verde. O Rio Branco venceu por 1 X 0. O time teve Abrãozinho - Dicésar e Salvito - Daltro - Dimas e Alcione – Arnoldo – Villanueva – Holofote - Celso e Mundinho.

Em 1970 o Rio Branco disputou o Campeonato Paranaense da 2ª Divisão. Nos 10 jogos realizados na fase classificatória, o time conquistou seis vitórias, dois empates e duas derrotas, chegando junto com Cascavel e Guarani, de Ponta Grossa, na primeira colocação.

Houve um triangular em turno e returno para decidir quem retornaria a elite paranaense. O Rio Branco ganhou um jogo, perdeu outro e empatou dois, terminando em segundo lugar e classifiado para a Primeira Divisão do futebol estadual.

Em 1977, disputando a chamada “Repescagem”, chegou à fase final, sagrando-se campeão da Zona Sul, ao derrotar o Pinheiros por 1 X 0 em Paranaguá. Ganhou o título no empate em 1 X 1, na Vila Capanema. Na finalisima, contra o Maringá, só não venceu porque o juiz, extranhamente, anulou um gol legitimo de Ivan, anotado aos 41 minutos do segundo tempo.

Depois de um período de licenciamento, o clube voltou as disputas em 1995 e sagrou-se campeão de grupo B, que na época equivalia a 2ª Divisão, classificando- se para um exagonal com a presença dos quatro melhores times da 1ª divisão e o campeão e vice da 2ª. O Rio Branco terminou como quinto colocado.

Em 1995, como campeão da Série B, voltou a se classificar para o Octogonal da Divisão de Elite de 1995 e para a Primeira Divisão de 1996.

Em 2000 o Rio Branco foi campeão do Interior pela terceira vez e disputou o quadrangular final do Estadual, tendo como adversário o Coritiba. O Coritiba não queria jogar em Paranaguá, e por isso alegou que o estádio do Rio Branco não tinha a capacidade exigida para receber o público. A diretoria do Rio Branco montou uma arquibancada de estrutura metálica, conseguindo com isso ampliar a capacidade do estádio.

Em sua história centenária o clube teve conquistas importantes, como o título de Campeão do Interior em 1948 e repetido em 1954 e 2000.

Em 1948, o Rio Branco, então campeão da Liga de Futebol do Litoral do Paraná também tornou-se Campeão do Interior. Os jogos foram contra o Operário-Ferroviário, de Ponta Grossa.

Depois de dois empates, o Rio Branco venceu a terceira partida por 3 X 2, levantando a taça. A equipe campeã era composta por Duia - Chiquinho e Jaci Maciel – Odemar - Tião e Chico Preto – Julinho -  Antoninho – Guito - Chico Porco e Jaci.

Em 1954 o Rio Branco foi campeão da Liga Regional de Futebol de Paranaguá, ganhando com isso o direito de participar do II Torneio do Interior, que reunia os campeões das ligas interioranas. Depois de ganhar do Internacional, de Campo Largo eo Ferroviário, de União da Vitória, o Rio Branco foi para a final frente o Guarani, de Arapoti.

No primeiro jogo, fora de casa, o Rio Branco venceu por 3 X 1, gols de Celso, Nico e Zangado. O segundo jogo, em Paranaguá, disputado em 1 de maio, foi fácil demais. O Rio Branco aplicou no adversário uma histórica goleada de 8x0. Celso Marques e Zangado marcaram quatro gols cada um. O grupo campeão: Abrão – Dicézar – Salvito – Tiziu – Tinoco – Daltro – Badalo – Holofote - Villanueva – Zangado – Celso – Nico – Tucano e Ademar.

Nos 100 anos de existência, foram vários os jogadores de destaque que vestiram a camisa do “Leão da Estradinha”, como o clube é carinhosamente chamado por seus torcedores. Um dos primeiros ídolos do Rio Branco foi o jogador Tião. Ele chegou em Paranaguá em 1945 vindo de Santa Catarina. Ficou No clubr como atleta e depois na comissão técnica como massagista, até metade da década de 1970.

César Frizzo, o “Gaúcho Parnanguara” veio do Rio Grande do Sul para ficar famoso no futebol paranaense. Jogou muito tempo no Coritiba, além de Cambraense, Jacarezinho e Água Verde. Chegou ao Rio Branco em fim de carreira, mas foi muito importante na história do clube.

O atacante Celso Marques chegou ainda muito jovem. Com 16 anos já estava no time de cima. Defendeu o Rio Branco por oito anos. Tinha um chute forte e era exímio cobrador de faltas. Foi goleador do campeonato em 1958, com 14 gols marcados, ao lado de Duílio. Embora não seja oficial, deve ser o maior artilheiro de toda a história do clube.

Teve ainda Dicésar, chamado de “O Mestre do Pênalti”. Ele nasceu em Paranaguá e defendeu o clube a partir de 1954. Esteve no escrete campeão do interior. Também dono de um chute forte, ficou marcado como grande cobrador de penalidades máximas.

Da mesma época foi o zagueiro Alcione, que jogou no “Leão” por 10 anos. Contratado em 1954, se notabilizou por ser forte, bom marcador e ganhou a alcunha de maior “Xerifão” do time na história.

Também foram destaques históricos do clube o lateral-direito Calé, o atacante Mandrake, o meia Odair, considerado o maior ídolo em todos os tempos, o zagueiro Salvito, o zagueiro Vivi, o ponteiro-direito Oromar, o meia paraguaio Villanueva, Abrãozinho, Salvito, Bidu, Dimas, Darci, Zangado, Oda, Fábio, Nona, Jairton, Holofote, Nininho e Renato “Bacalhau”.

Títulos conquistados. Campeonato da Liga Regional de Futebol de Paranaguá: (1923, 1925, 1926, 1927, 1928, 1930,1931, 1933, 1936, 1937, 1938, 1939, 1945, 1947, 1948, 1954 e 1955);.Campeonato do Interior Paranaense: (1948, 1954 e 2000); Divisão de Acesso Paranaense (1995); Torneio Início: (1961/1962 e 1963); Campeonato Paranaense da Zona Sul: (1977).

Participou do Campeonato Brasileiro da Série C em 1996, 1998, 1999 e 2000 e da Copa do Brasil, em 2007. Seu principal rival era o Clube Atlético Seleto, com quem fazia o clássico Sele-Rio.

Na última segunda-feira (14), a Assembléia Legislativa do Estado prestou uma homenagem ao Rio Branco S.C., pela passagem do seu centenário, atendendo proposição do deputado Alceu Maron Filho. O ato encerrou a programação festiva que foi realizada desde o dia 11, quando de um show de bandas em uma casa noturna da cidade.

No sábado, dia do aniversário, foi reaberto o “Estádio Nelson Medrado Dias”, mais conhecido como “Estradinha”, com o jogo amistoso Rio Branco Master 5 X 1 Seleção Paranaense Master. Também houve uma roda de samba animada pelo “Grupo Ousadia”.

O “Estádio Nelson Medrado Dias” ganhou novas arquibancadas e cabines para a imprensa. Também foi construído um alojamento para os atletas, que dispõe de um moderno refeitório, lavanderia e sala de jogos.

Em 2004 foi inaugurado pela Prefeitura Municipal de Paranaguá o “Estádio Fernando Charbub Farah”, o "Gigante do Itiberê" com capacidade para 20 mil pessoas, o dobro do antigo “Estádio Nelson Medrado Dias”. O novo estádio tem uma estrutura digna de grandes times de futebol, com arquibancada maior, cadeiras numeradas, cabines de imprensa e etc. É um dos mais modernos do Paraná.

Atualmente o “Estádio Nelson Medrado Dias” está desativado, usado apenas para campeonatos amadores e regionais. O Rio Branco espera mandar seus jogos nesse local a partir de 2014.

No ano em que completa 100 anos, por pouco o Rio Branco S.C. não proprcionou aos seus torcedores, um grande vexame. O time só escapou do rebaixamento para a “Segundona Paranaense” na última rodada do certame, mesmo perdendo para o Arapongas, fora de casa. Acabou beneficiado pela derrota do Atlético Clube Paranavaí (ACP), contra o Paraná.

Em 2011 o clube também quase foi parar na Segundona devido a escalação irregular de um jogador. Foi salvo pelo Tribunal que absolveu o clube, considerando que esse não agiu de má fé. (Pesquisa: Nilo Dias)

1954. Time "Campeão do Interior". Em pé: Arnoldo - Alcione - Abrão - Tucano - Daltro - Dicésar - Salvito e Tiziu. Agachados: Ademar - Nico - Holofote - Zangado - Celso - Jean e Babá. (Foto: www.leaodaestradinha.com.br)