Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Portugueses em festa

Os portugueses que moram no Brasil, especialmente em São Paulo, comemoram hoje os 88 anos de existência de um dos mais tradicionais e queridos clubes do futebol paulista e brasileiro, a Associação Portuguesa de Desportos. A “Lusa do Canindé”, como é carinhosamente chamada, nasceu em 1920, fruto da fusão de cinco agremiações brasileiras de origem portuguesa: Lusíadas Futebol Clube, Portugal Marinhense, Associação Cinco de Outubro, Associação Atlética Marquês de Pombal e Esporte Club Lusitano.

A data é duplamente festiva para os lusitanos, pois também lembra a Batalha de Aljubarrota, uma das mais importantes na História de Portugal, ocorrida ao final da tarde de 14 de agosto de 1835, entre tropas portuguesas comandadas por Dom João I, e o exército castelhano de Dom Juan I de Castela. O confronto deu-se no campo de São Jorge, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre as localidades de Leiria e Alcobaça, no centro de Portugal. O resultado foi uma derrota definitiva dos castelhanos e o fim da crise de 1383-1385, e a consolidação de D. João I como rei de Portugal, o primeiro da dinastia de Avis. A paz com Castela só veio a estabelecer-se em 1411.

O primeiro jogo da Portuguesa de Esportes (primeira denominação) foi realizado no dia 22 de Agosto de 1920, com derrota por 3 x 0 para o São Bento. O pedido de filiação do clube à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) aconteceu no dia 2 de setembro de 1920, mas como não havia mais tempo para a inscrição no campeonato daquele ano, a Portuguesa fundiu-se ao Mackenzie, já inscrito, e participaram juntos do campeonato de 1920.

A Associação Atlética Mackenzie foi o primeiro clube de futebol brasileiro. Fundada em 1898 por estudantes do Mackenzie College, era formada apenas por alunos do colégio. A Portuguesa-Mackenzie disputou os certames pela APEA até 1922. Em 1923, a Associação Portuguesa de Esportes desligou-se do parceiro e passou a disputar jogos com sua nova denominação. Foi em 1940 que o clube recebeu o atual nome de Associação Portuguesa de Desportos.

Em 1922 o clube comprou as instalações da Praça de Esportes União Artística Recreativa Cambuci, que foi inaugurada solenemente em 25 de janeiro de 1925. A partir de 1926, foram disputadas ali as primeiras partidas oficiais da “Lusa”. Em 1929, foi adquirido um terreno na Avenida Tereza Cristina, no bairro do Ipiranga. Em seguida o time fixou sede no tradicional Largo de São Bento, onde viveu fase de muitas glórias, destacando-se o título “Tri-Fita Azul” do futebol brasileiro. A “Fita Azul” era um troféu entregue pelo jornal A “Gazeta Esportiva” ao time brasileiro que conquistasse invicto, dez jogos fora do país.

Em 1976 o clube inaugurou um de seus maiores símbolos, o estádio do Canindé. O terreno, que pertencera ao São Paulo Futebol Clube já havia sido adquirido pela diretoria que tinha a frente o presidente Luiz Portes Monteiro, em 1956, mas a construção acabou se arrastando durante anos. A inauguração do estádio, que representou um marco para o clube, ainda foi seguida de obras de ampliação até atingir a capacidade atual, de 27.500 torcedores.

Quando da compra, no local havia apenas uma pequena estrutura: um campo para treinos, um salão pequeno, vestiários e outras dependências para treinamentos. Para o clube usar o terreno como seu campo oficial teria que estar nas normas exigidas pela Federação Paulista de Futebol. Tiveram de ser erguidos vários alambrados e uma arquibancada de madeira. Por isso, na época o estádio recebeu o apelido de “Ilha da Madeira”.

Em 11 de Janeiro de 1956 a Portuguesa fez a estréia em sua nova e provisória casa vencendo um combinado entre dois rivais Palmeiras e São Paulo por 3 x 2. Mas a inauguração do Estádio do Canindé deu-se em 9 de janeiro de 1972, com a vitória da Portuguesa por 3 x 1 sobre o Benfica de Portugal. Nos primeiros tempos a capacidade do Canindé era para apenas dez mil torcedores. Em 1979, quando da administração do presidente Manuel Mendes Gregório, o Canindé foi ampliado chegando aos atuais 27.500 e rebatizado com o nome de Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte.

O maior artilheiro da história da Portuguesa foi José Lázaro Robles, o Pinga, com 284 gols marcados entre 1944 e 1952 e o jogador que mais vestiu a camisa da Lusa foi o volante Capitão, com cerca de 500 jogos disputados.

A maior goleada da Portuguesa aconteceu na Bolívia em 2 de Fevereiro de 1970 na cidade de Oruro, a 3.600 m de altitude contra o Ferroviário de Oruro e terminou 12 a 0 para a Portuguesa.

No decorrer desses anos, mesmo não tendo uma torcida tão numerosa quanto São Paulo, Santos, Corinthians e Palmeiras, a Lusa acabou se tornando um time tradicional e conquistou um espaço importante na história do futebol brasileiro. Do lendário Djalma Santos ao habilidoso Denner, muitos craques defenderam a equipe do Canindé.

Ao longo de sua história, a Lusa conquistou muitos títulos importantes. Conquistas internacionais: Troféu San Isidro, Espanha (1951); Fita Azul (1951, 1953 e 1954); Torneio Internacional do Canindé (1981); Conquistas regionais: Torneio Rio-São Paulo (1952 e 1955); Torneio Imprensa, Rio de Janeiro (1943); Taça Oswaldo Teixeira Duarte, Goiás (1971); Conquistas estaduais: Campeonato Paulista (1935, 1936 e 1973; Campeão Paulista da Série A2 (2007); Torneio Início (1935, 1947 e 1996); Taça São Paulo (1973); Taça Governador do Estado (1976); Taça São Paulo (1973); Taça dos Invictos (1955 e 1974); Troféu Vicente Matheus (1990); Futebol feminino: Campeonato Brasileiro (2000); Campeonato Paulista (1998, 2000 e 2002); Categorias de base: Copa São Paulo de Juniores (1991 e 2002); Campeonato Paulista Sub-20 (1990) e Campeonato Paulista Sub-15 (2002 e 2004).

Além dos títulos, os torcedores da Portuguesa têm outro motivo para se orgulhar: os grandes jogadores que vestiram a camisa rubro-verde. O maior deles é, também, um dos maiores craques da história do futebol brasileiro e mundial. O lateral-direito Djalma Santos defendeu a seleção brasileira em mais de 100 partidas, incluindo quatro Copas do Mundo (1954, 1958, 1962 e 1966). Ele ainda foi bicampeão mundial com a amarelinha (1958 e 1962). Pela Lusa, jogou mais de 400 vezes e conquistou os maiores títulos do clube. Djalma foi um dos responsáveis pelo bicampeonato do Torneio Rio-São Paulo, além de ter vencido três campeonatos paulistas. No último deles, em 1966, derrotando o Santos de Pelé.

Mais recentemente, outro jogador acabou marcando bastante a torcida lusitana. Criado no Canindé, onde chegou aos 11 anos de idade, Dener despontou para o futebol vestindo a camisa da Portuguesa na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1991. O atacante foi o destaque da competição e acabou levando a taça para o Canindé pela primeira vez. Sua velocidade e dribles desconcertantes impressionaram todo o país e o levaram à seleção brasileira. Em 1994, o atacante, que já era tido como uma das maiores revelações do futebol nacional, estava emprestado ao Vasco, quando uma tragédia tirou sua vida. O jogador faleceu, aos 23 anos, em um acidente de carro no Rio de Janeiro, dando um triste fim a uma carreira tão brilhante quanto curta.

Além de Djalma Santos e Dener, outros jogadores importantes defenderam as cores da Portuguesa. Entre eles: Julinho Botelho, Pinga (o maior artilheiro da história do clube, com 284 gols), Enéas (179 gols), Nininho (133 gols), Servílio (131 gols), Sílvio (120 gols), Brandãozinho, Ivair, Dener, Zé Roberto e Leandro Amaral.

A Severa é a mais antiga e tradicional mascote do clube. É uma homenagem à fadista portuguesa Dima Tereza que fez grande sucesso na década de trinta e que era conhecida como "A Severa". Em função disso, a Portuguesa bicampeã paulista de 35 e 36 também era conhecida pelos seus adversários como "A Severa".

O hino antigo do clube (Hino Rubro-Verde) tem letra e música de Archimedes Messina e Carlos Leite Guerra. O hino atual (Campeões) é de autoria do cantor português Roberto Leal e de Márcia Lúcia. (Pesquisa: Nilo Dias)

Em pé:
Carlos Alberto - Juths - Herminio - Ditão - Vilela e Mario Ferreira.Agachados: Jair da Costa - Ocimar - Servilho - Ipojucan e Melão. (Foto:Museu dos Esportes)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Gaúcho de Passo Fundo: o fim de uma tradição

Os amigos do blog “Futebol de Passo Fundo” (http://futeboldepassofundo.futblog.com.br/) me enviaram cópia de uma matéria publicada no jornal “O Nacional”, no último dia 11 sobre a extinção do Sport Club Gaúcho, um dos mais tradicionais clubes esportivos do Rio Grande do Sul. A matéria diz o seguinte:

Após quase 90 anos de história (completados em 12/05/2008), no ano passado, a cidade de Passo Fundo viu sucumbir um dos mais tradicionais clubes da região, o Sport Club Gaúcho. O acúmulo de dívidas levou o patrimônio do clube a leilão. Os bens foram arrematados pelo advogado da família de um jovem, que se afogou na piscina do clube em 1996 e ficou tetraplégico e necessitando de tratamento caro.

Como o S.C. Gaúcho não pagou as prestações acertadas, a sede foi adquirida por R$ 1,1 milhão, quantia baixíssima se comparada às estimativas que apontavam para um valor cinco vezes maior. Os bens móveis que lá estavam foram levados a depósito judicial, permanecendo em poder do clube apenas troféus e documentos. A ação movida pela família era de R$ 1,3 milhão. Após a realização do leilão, a intenção era de colocar a área à venda, o que ainda não aconteceu.

Nesse meio tempo o município conseguiu o tombamento provisório do campo e das arquibancadas do estádio. A estrutura do clube, localizada na rua Moron, bairro Boqueirão, foi totalmente destruída. O prédio da secretaria, as piscinas, tudo foi posto abaixo e abandonado.

O portão principal foi lacrado e ninguém mais, além dos proprietários foi autorizado a entrar no local. Na semana passada, porém, após receber informações de que o antigo clube estaria tomado por moradores de rua, a equipe de “O Nacional” foi até o Gaúcho. Apesar da intensa movimentação, o portão principal encontrava-se arrombado.

Nos fundos a reportagem avistou uma parede toda queimada, o que segundo vizinhos aconteceu após mendigos acenderem fogueiras para se aquecerem do frio. Instantes após a chegada da reportagem, ainda no portão foi possível avistar pelo menos dois homens, sentados ao redor de uma mesa improvisada, próxima a muito lixo. Ao perceberem a presença de pessoas estranhas, os "habitantes", que dormem em salas que resistiram à destruição, estranharam a situação e a equipe foi obrigada a deixar o espaço. Segundo testemunhas, chega a cinco o número de moradores de rua que ficam lá à noite.

A história do S.C. Gaúcho remonta ao distante dia 12 de maio de 1918, quando no varandão da antiga “Casa Barão”, foi fundado aquele que viria a se tornar o mais querido clube da cidade. Os fundadores foram os desportistas Augusto Schell Loureiro, dona Carlota Bordallo Rico e os filhos do casal, Alfredo e Gil Rico Loureiro, mais os amigos Victor Loureiro Issler, Antônio Junqueira da Rocha, João e Aníbal Colavin e Antônio Pimpão Loureiro.

O nome foi sugerido por Gil Loureiro, que afirmou na ocasião: “Gaúcho, pois somos gaúchos, povo guerreiro, determinado, batalhador, forte, e o nosso clube, além do nome, terá a alma gaúcha. Aparteando seu irmão, Alfredo recomendou as cores verde e branca". O trecho é do livro “O mais querido da cidade”, de autoria do escritor Marco Antonio Damian, que conta a trajetória do clube de 1918 até 2000.

O livro dá um fio de esperança aos tristes torcedores alviverdes quando se lê: “Enquanto houver futebol, existirá o Gaúcho”. Mas essa situação crítica só poderá ser revertida se a comunidade local, especialmente aqueles que sempre torceram pelo Gaúcho se unirem numa corrente pra frente. Sair do zero, de novo, renovado com as lições tiradas do passado. Eu, mesmo não sendo de Passo Fundo vou ficar, aqui à distância, torcendo para que essa tradição não desapareça. Se não for mais possível no Wolmar Salton, que seja em qualquer outro local.

Eu estive duas vezes no estádio Wolmar Salton, nos meus tempos de narrador de futebol nas rádios de Pelotas. E conheci de perto a paixão que o clube transmitia a sua ardorosa torcida. E muitas outras vezes presenciei jogos do Gaúcho contra o meu querido F.B.C. Rio-Grandense, ainda fora dos gramados, as vésperas de completar 100 anos.

Lembro de um confronto que quase virou tragédia. O Rio-Grandense precisava vencer para subir a Divisão Principal do futebol gaúcho, mas ao fim do primeiro tempo perdia por 1 x 0. O jogo não terminou. O juiz, apavorado, pediu intervenção policial, alegando que estava sendo ameaçado de morte, caso o Rio-Grandense não virasse o jogo. Os soldados da Brigada Militar atropelaram o público com seus cavalos e o estádio ficou vazio.

Foi no Estádio Wolmar Salton - construído em 1957 - que o Gaúcho conheceu seus melhores momentos, especialmente aos tempos dos famosos irmãos Pontes e dos inesquecíveis clássicos contra o rival 14 de Julho (hoje Passo Fundo). Em 1986, Gaúcho e 14 fizeram a fusão, dando origem ao Esporte Clube Passo Fundo. Anos depois o Gaúcho rompeu o acordo e reativou seu Departamento de Futebol profissional.

E quem não lembra dos duros jogos contra Grêmio e Internacional, que suavam sangue para sair de lá com um bom resultado? O que dizer dos valentes e folclóricos irmãos Pontes que ganharam fama de jogadores mais violentos da história do futebol brasileiro? O currículo não desmente: Daison Pontes foi punido por tudo que é imaginável, até doping.

Sua maior proeza aconteceu em 1974, em Passo Fundo. O juiz José Luis Barreto teve a coragem de marcar um pênalti contra o Gaúcho, em pleno Estádio Wolmar Salton. Indignado, Daison chamou o árbitro de crioulo. E Barreto teria retrucado: “Se te pego fora de Passo Fundo, te expulso”. E Daison não deixou por menos: “Se me expulsar te quebro a cara”. Dito e feito, semanas depois os dois se encontraram num jogo em Santa Maria. E promessas cumpridas. Barreto expulsou Daison e este deu um soco na cara do juiz e um pontapé na barriga. Foi suspenso por 18 meses. Retornou em 1976 somente para encerrar a carreira.

João Pontes foi o companheiro ideal da furiosa zaga, igualmente mestre de indisciplina e a exemplo do irmão Daison foi punido por tudo, de doping a agressão, num total de 18 punições. Apenas como curiosidade, publico as expulsões dos irmãos Pontes.

Daison: agressão a adversário (1959); invasão de campo (1962); ofensas ao juiz (1963); agressão ao adversário (1964); ofensas ao juiz (1964); ofensas ao juiz (1964); ofensas ao juiz (1964); agressão ao adversário (1966); ofensas ao juiz (1968); agressão ao adversário (1969); atitude inconveniente (1969); agressão ao adversário (1970); atitude inconveniente (1971); agressão ao adversário (1972); agressão ao adversário (1973); ofensas ao juiz (1974); uso de estimulante (1974) e agressão ao juiz (1974).

João Pontes: agressão ao adversário (1964); agressão ao adversário (1965); ofensas ao juiz (1965); ofensas ao juiz (1966); agressão ao adversário (1966); ofensas ao juiz (1967); atitude inconveniente (1969); agressão ao adversário (1970); ofensas ao juiz (1972); agressão ao adversário (1973); ofensas ao juiz (1974) e novamente ofensas ao juiz (1978).

Jogar em Passo Fundo na época dos irmãos Pontes era um verdadeiro teste de coragem. Daison garantia que um time para botar faixa de campeão precisava passar por Passo Fundo. O ex-zagueiro, 68 anos, hoje funcionário municipal aposentado não acha que tenha sido um jogador violento, apenas não admitia desrespeito.

O jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, publicou uma série intitulada “O tempo em que havia guerra”, contando a história do futebol gaúcho. Num trecho do excelente texto: “No futebol de Passo Fundo, Ele era a lei”, de Mário Marcos de Souza, está explicado o que era desrespeito, no mundo dos irmãos Pontes: podia ser um olhar, um sorriso na hora errada, firulas ou uma cuspida, como o atacante Nestor Scotta ousou dar em um jogo Grêmio e Gaúcho. Argentino, habituado a batalhas em seu país, Scotta entendeu no fim do jogo que complicado mesmo era jogar em Passo Fundo.

Havia um outro irmão de Daison e João, também zagueiro, mas não tão violento. Era Bibiano, que jogou pelo Internacional no começo da década de 1970. Era um grande jogador, que contam, uma vez fez um gol contra e ficou muito furioso. Quando a partida reiniciou, pegou a bola, driblou meio time adversário e empatou o jogo.

Pode ser até lenda. Mas me contaram e juraram que é verdade, que o pai dos irmãos Pontes costumava assistir os jogos do Gaúcho, sentado em cima do muro do Wolmar Salton. E se o juiz ousasse marcar um pênalti contra o seu time, o revólver aparecia rápido em suas mãos e uma pergunta ecoava por todo o estádio: “Tu marcou foi falta contra eles, não é mesmo?”.

Mas não é só dos irmãos Pontes, que o Gaúcho tem histórias para contar. Bebeto, o “canhão da serra”, um dos mais importantes jogadores do futebol gaúcho em todos os tempos, um dia vestiu e honrou a camisa verde e branca. O apelido ele ganhou por causa do forte chute. No Gaúcho formou uma dupla famosa, com Pedro, ex-Internacional e Palmeiras. Ainda jogou no Grêmio, Internacional, Corinthians, América do Rio e Caxias, entre outros clubes. Alberto Villasboas dos Reis, o Bebeto, morreu no dia 29 de setembro de 2003, aos 57 anos, quando esperava por um transplante de fígado.

Considerado o melhor jogador que o futebol de Passo Fundo conheceu, Bebeto começou a carreira no Pampeano, de Soledade, sua terra natal. Em 1965, estreou no 14 de Julho, de Passo Fundo. Dois anos depois foi para o Gaúcho, onde se consagrou e conquistou títulos. Foi por duas vezes artilheiro do Gauchão, defendendo o Gaúcho, 1973 e 1975, ambas com 13 gols. Em 1984 foi artilheiro do Campeonato Gaúcho da Série B, com 19 gols.

O S.C. Gaúcho em seus 90 anos conquistou alguns títulos expressivos: Campeonato Gaúcho da 2ª Divisão, 3 vezes (1966, 1977 e 1984); Vice-Campeonato Gaúcho 2ª Divisão, 2 vezes (1965 e 2005); Campeonato Gaúcho 3ª Divisão (2000); Vice-Campeonato da Copa FGF (2004); Campeonato Citadino de Passo Fundo, 15 vezes (1926, 1927, 1928, 1938, 1939, 1948, 1949, 1950, 1954, 1961, 1963, 1964, 1965, 1966 e 1967); Copa Everaldo Marques da Silva (1970) (Texto e pesquisa: Nilo Dias)

Xico Júnior disse...
Olá, Nilo Dias!
Também tenho um blog, porém só sobre craques, jogadores e times de Canoas-RS. Assim, estou em busca de fotos do ex-centroavante do Internacional-POA, Internacional-SM e do Passo Fundo, Hélio Alves, que depois deixou o futebol, formou-se ondontólogo e mais tarde médico.
E peço ao colega jornalista se existe a possibilidade de conseguir uma ou mais fotos do centroavante Hélio Alves, que é natural de Canoas.
Aqui estaremos à disposição.
Xico Júnior - Jornalista, radialista, historiador, aervista e escritor
Meus e-mails: la-stampa@ig.com.br /// frapagot@ibest.com.br
7 de maio de 2009 02:17


Horácio disse...
Nilo, fico triste em saber que um dos tradicionais clubes do interior está nesta situação. Às vezes, me pego olhando o que também resta do Colosso do Trevo, do F.B. Clube Rio-Grandense, do qual sou vizinho, pois moro nos apartamentos do Trevo.
Esse jogo que quase virou tragédia, eu trabalhei para Rádio Cassino. O Andrè Soldera, apanhou com um filho pequeno no colo. O árbitro, era o José Mocelin, e depois eu fui ouvido como testemunha dos acontecimentos quando o Colorado foi julgado pelo Tribunal da FGF. - Horácio Gomes
14 de agosto de 2008 15:00
O histórico estádio Wolmar Salton está sendo destruido (Fotos: www.impedimento.wordpress.com)
Duas grandes equipes do Gaúcho. Em pé, a partir da esquerda: João Pontes, Luiz Antonio, Índio, Nadir, Daizon Pontes e Jamir; agachados, Meca, Zangão, Bebeto, Flávio e Ramiro, em 1969. E Bexiga, Orlando, Chiquita, Luiz Sachett, não identificado e Itamar; Vetinho, não identificado, Branco Ughini, não identificado e Paulista, em 1957 (Fotos: Arquivo pessoal do pesquisador Marco Antônio Damian)

clovis roberto disse...
muito bosa suas informações sobre a historia do esporte club gaucho.mas se possivel gostaria de saber mais sobre um jogador: o Jamir. desde ja agradeço. ass.:eunice
17 de setembro de 2009 21:05

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O craque das folhas de bananeira

Além deste blog mantenho quatro comunidades no Orkut, todas dedicadas ao futebol do interior. Quem quiser visitá-las me deixará muito feliz. Eis os endereços: “torcedores do rio-grandense”, “torcedores do gabrielense”, “futebol de são gabriel” e “futebol da minha cidade”. Pois foi nessa última comunidade que um torcedor pediu informações sobre o Taguatinga Esporte Clube, no passado o “bicho-papão” do futebol de Brasília.

Confesso que não sabia muita coisa desse clube. Quando vim morar em Brasília, ele já havia enrolado a bandeira, não resistindo à herança de dívidas quase impagáveis. E dificilmente voltará a atividade, até porque Taguatinga é hoje a sede do Brasiliense Futebol Clube, que já disputou o Campeonato Brasileiro da Série A, e hoje está na Série B, onde faz campanha horrível. Porém, conta com a força econômica do ex-senador Luiz Estevão e pode mudar a situação.

Mas o que eu queria comentar mesmo, é que na busca que fiz de informações do Taguatinga, encontrei referências a um jogador que é lembrado como o primeiro grande ídolo do futebol brasiliense: Ernani “Banana”. E o que me chamou a atenção foi o fato de que os torcedores levavam folhas de bananeira ao Estádio “Pelezão”, palco dos jogos do campeonato brasiliense, como forma de mostrar seu carinho com a expressão maior do futebol de Brasília naqueles heróicos tempos. Além do Taguatinga, Ernani “Banana” defendeu o Brasília e o Gama, com o mesmo sucesso.

Na edição de 21 de janeiro deste ano, o “Jornal de Brasília” publicou interessante entrevista do jornalista Gustavo Mariani, com o ex-jogador Ernani José Rodrigues, hoje com 52 anos de idade e bem sucedido empresário em Taguatinga. “Banana” participou e fez gol no jogo de abertura do primeiro campeonato de futebol profissional do Distrito Federal, em 1976, entre Taguatinga x Flamengo.

Passados 32 anos, o ex-craque não lembra mais do lance que originou o gol, nem tão pouco o placar do jogo. Das folhas de bananeira, ele lembra e garante que aquilo marcou muito sua vida. Quando conta essa história aos filhos, sobrinhos e amigos, quase ninguém acredita. Mas ele guarda as “provas” com carinho, vários recortes de jornais da época, colecionados cuidadosamente pela sua irmã, Maria Helena.

As folhas de bananeira surgiram pela primeira vez em 1976, durante o “Torneio Imprensa”. “Banana” conta que as forças de então no futebol da capital, eram o Brasília e o Ceub. O Taguatinga corria por fora, mas os resultados apareceram de cara, o que entusiasmou a torcida. Ele, com apenas 19 anos se destacava em campo com grandes jogadas e bonitos gols. Surgiram então, as faixas e as folhas de bananeira no estádio. O ex-craque recorda com um misto de saudade e carinho alguns nomes de torcedores que deram início àquelas manifestações, todos seus conhecidos e amigos que moravam nas QNFs, como Pipiu, Arthur e Izac. Depois vieram outros, inclusive sua irmã Maria Helena.

No Campeonato Nacional de 1977 o Taguatinga montou uma boa equipe, que motivou muitos torcedores do Distrito Federal, mas não o suficiente para que os estádios recebessem públicos maiores. Até 1979, o clube fez boas campanhas e revelou ótimos valores, que na maioria saíram para centros maiores. Para “Banana” a grande oportunidade para uma identificação maior do torcedor brasiliense com o futebol da cidade, aconteceu no Campeonato Nacional de 1977, e foi desperdiçada. O Brasília, com excelentes atuações, chegou à segunda fase da competição, vencendo quase todos os jogos disputados no DF.

Outros fatores que serviram para afastar os torcedores foram o fim do Ceub, um clube muito querido, e o deficiente transporte coletivo até o Estádio “Pelezão”. Além, é claro, da concorrência desleal da TV, que mostrava jogos de outros Estados, como Rio e São Paulo, nos mesmos horários dos jogos daqui. E como os clubes desses centros gozam de muito prestígio entre os torcedores de Brasília, o resultado não poderia ser outro, estádios praticamente vazios.

O ex-ídolo recorda que quando jogou, o carinho dos torcedores era a recompensa maior. Conta que no Taguatinga tudo era difícil, embora o esforço do dirigente Justo Magalhães. No Brasília, as coisas eram mais organizadas. Seu José Silva Neto, o homem mais rico do Centro-Oeste, na época, pagava tudo, e em dia. Mas, no geral, fazia-se um futebol muito amador, com dirigentes abnegados carregando os clubes nas costas.

A própria preparação física era bastante precária. No Taguatinga os treinos eram em apenas um período. No Brasília, às vezes aconteciam em dois turnos. Na sua opinião, hoje a situação é bem melhor, com Wagner Marques (Gama) e Luiz Estevão (Brasiliense) fazendo futebol profissional e a tevê patrocinando.

Em 1977, o bom futebol de “Banana” chamou a atenção de dirigentes do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, onde jogou durante alguns meses. A ida para um clube grande do centro do país rendeu ao jogador novos momentos de fama. Deu muitos autógrafos, principalmente para a criançada. E fez um comercial para a TV. Ele garante que não ficou muito legal, mas não nega a satisfação de ter sido lembrado pelo dono da “Casa do Atleta”, o então presidente da Federação Metropolitana de Futebol, Wilson de Andrade.

Nessa sua curta saída da cidade, aconteceu um fato interessante. Com muita criatividade, um jornal local estampou esta manchete na página de esportes: Brasília sem “Banana". Curiosamente, isso chamou a atenção de produtores de frutas de Goiás, que mandaram vários caminhões carregados de bananas para vender na cidade.

Ernani credita à sua inexperiência com o verdadeiro futebol profissional e ao fato de ter sentido demasiado a separação familiar, como principais fatores para não ter se adaptado ao Vasco, além de ter recebido poucas chances. Mas ainda assim acha que foi válido, pela experiência e amadurecimento que ganhou. Mas nem tudo foi ruim por lá. Lembra que o seu jogo de estréia foi bastante promovido e houve até televisionamento direto para Brasília, pela TV Nacional. Também acha que pesou muito ter saído de Taguatinga numa sexta-feira, para estrear na quarta. Conheceu a maioria dos companheiros no dia do jogo.

Quase sem chance no time de cima, o aproveitamento de “Banana” no Vasco limitou-se a alguns amistosos pelas redondezas do Rio e em raras presenças no banco de reservas em jogos do campeonato carioca. Mesmo assim chegou a marcar uns quatro ou cinco gols. No início dos anos 80, foi jogar no Guarani, de Campinas (SP), que depois o emprestou ao Gama, onde ficou por apenas cinco meses, devido a uma contusão.

De volta ao Guarani teve um melhor desempenho, entre 1981 e 1985. Lembra com um sorriso no rosto, de um jogo em 1980, no Maracanã, contra o Vasco pelo “Torneio dos Campeões” em que foi destaque em campo, fazendo até gol. Antes, quando retornara ao Brasília já havia enfrentado o Vasco, num amistoso no “Pelezão”. Foi 1 x 1 e ele fez o gol da sua equipe.

No Guarani, “Banana” e Jorge Mendonça jogavam na mesma posição, o que obrigou o treinador Zé Duarte a escalá-lo como quarto homem do meio de campo, voltando pelo lado esquerdo. Lembra que como o atacante Careca caía muito pelo setor, ele penetrava por dentro, o que deu certo. Com tal tática, entre 1981 e 1983, o Guarani foi campeão da “Taça de Prata”, vice do “Torneio dos Campeões”, de um turno do “Paulistão” e terceiro de um campeonato brasileiro.

Em 1986, no melhor momento da carreira esteve perto de se transferir para o Fluminense, mas acabou sendo contratado pela Portuguesa de Desportos, de São Paulo, onde foi vice-campeão paulista. Depois, jogou pelo Payssandu (PA), e em 1988 voltou ao Brasília pelas mãos do supervisor Carlos Romeiro, para disputar o Brasileiro da segunda divisão. Veio e ficou três ou quatro meses, retornando a Campinas. Ainda jogou por um clube de Valinhos (SP), em 1989, e em 1990 parou. Ficou morando em Campinas por mais dois meses. Foi lá que deu início a atividade comercial, que depois transferiu para o DF. Teve convite para trabalhar nos juniores do Guarani, e em comissões técnicas de clubes de Brasília, mas recusou todas.

O ex-profissional contou ao repórter do “Jornal de Brasília”, como começou a jogar futebol. Foi no começo da década de 1970, quando participava de “peladas” em Taguatinga, em campos de barro duro, e jogava no time do Sesi, que ficou famoso na época. Por lá jogavam o Roberto César, que foi artilheiro do Cruzeiro (MG), nos anos 70 e Bosco, pai de Kaká, que era um bom zagueiro, com 1.90 m de altura, que chegou a fazer testes no Atlético Mineiro.

Embora garoto, “Banana” foi convidado pelo técnico Antônio Fabiano Ferreira, o Raimundinho, para jogar num time chamado Dom Pedro, em meio aos adultos. Depois, foi trabalhar na Gráfica Alvorada, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), até se profissionalizar no futebol. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Ernani "Banana", deixou história (Foto: Acervo particular do ex-jogador)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

“Túlio Maravilha”, o artilheiro eterno

Quem diria “Túlio Maravilha”, 39 anos de idade, continua a dar show pelos gramados brasileiros. É, atualmente, o maior artilheiro do mundo em atividade no futebol. Nasceu para balançar as redes adversárias e dar alegria aos torcedores dos times onde joga. Agora, quem ri a toa é a torcida do Vila Nova, de Goiânia. Semana passada, ele marcou os quatro gols da goleada sobre o Marília, no Serra Dourada, por 4 x 0. Túlio é o artilheiro principal da Série B do Campeonato Brasileiro, com 15 gols marcados. E seu principal concorrente na artilharia, Luiz Carlos, do Ceará, com 12 gols não vai dar mais trabalho, pois foi contratado pelo Internacional.

E não é só isso. Ele é o principal artilheiro da temporada em todo o Brasil, com 29 gols. E quer chegar aos 1.000, a exemplo de Pelé e Romário. Nas suas contas já marcou até agora 851, faltando 149 para atingir a sonhada marca. Futebolista famoso por suas brincadeiras, frases célebre, capacidade de fazer um excelente marketing pessoal e provocador no bom sentido, Túlio manda um recado à torcida do Botafogo: quer fazer os flamenguistas chorarem. E de que maneira? Marcar o seu milésimo gol com a camisa alvinegra e sobre o Flamengo. Já tem até data para isso, daqui a três anos.

Túlio Humberto Pereira da Costa nasceu no dia 2 de junho de 1969, em Goiânia. Por coincidência, seu filho de nome Túlio Humberto Pereira da Costa Filho, nasceu no mesmo dia que ele. O craque do Vila Nova tem um irmão gêmeo, chamado Télvio, que também jogou pelo Botafogo.

O artilheiro começou a carreira no Goiás, onde mostrou seu faro de gol desde as categorias de base. Foi artilheiro do Estadual Juvenil em 1987 com 22 gols. Como profissional, foi artilheiro do Campeonato Goiano de 1991 e do Brasileiro de 1989. Em 1994, antes de se transferir para o Botafogo jogou pelo Sion, da Suíça. Foi no alvinegro carioca que ganhou o apelido de "Túlio Maravilha". Já no jogo de estréia conquistou a torcida ao marcar 3 gols contra o América. Foi artilheiro dos Campeonatos Cariocas e Brasileiros de 1994 e 1995.

Um de seus lances mais famosos e polêmicos foi um gol de calcanhar a favor do Botafogo, contra o Universidad Católica, do Chile, em jogo pela Copa Libertadores da América. Túlio, aproveitando o gol aberto e indefeso do adversário. O gol foi considerado ofensivo e desrespeitoso por muitos elementos da imprensa esportiva da época. Mas o jogador não deu a mínima importância para isso, e batizou o gol, quase de “letra”, como “Tuleta”.

No auge da carreira, Túlio teve chance na Seleção Brasileira, onde jogou em 14 oportunidades, marcando 11 gols. O mais famoso foi pelas quartas-de-final da Copa América de 1995, em que a Argentina vencia o Brasil por 2 x 1 até os 43 minutos do segundo tempo. Ele dominou a bola claramente com o braço e tocou no canto do goleiro Cristante. Os argentinos reclamaram muito, mas o juiz confirmou o gol. Túlio não perdeu a oportunidade e repetiu a célebre frase de Maradona: “Foi a mão de Deus”.

Ao sair do Botafogo, teve uma passagem discreta pelo Corinthians. Foi a grande contratação do banco Excel Econômico, quando iniciou a co-gestão com o clube paulista, em 1997. O atacante não se deu bem no Parque São Jorge e viu sua carreira entrar em decadência. Teve problemas pessoais e fez um ensaio nu para a revista homossexual “G Magazine”, em 2003. Depois defendeu o Vitória, da Bahia. Em 1998, retornou ao Botafogo, onde formou dupla de ataque com Bebeto, garantindo ao clube a conquista do Torneio Rio-São Paulo.

Ao sair do Botafogo pela segunda vez, transformou-se num verdadeiro cigano do futebol. Vestiu as camisas do Fluminense (RJ) e Cruzeiro (MG) em 1999 e São Caetano (SP) em 2000, Santa Cruz (PE) e Vila Nova (GO), até se transferir para o Újpest, da Hungria. Voltou ao Brasil pouco tempo depois para jogar no Brasiliense, Tupy e Atlético Goianiense, até voltar para o futebol estrangeiro, onde jogou pelo Jorge Wilstermann, da Bolívia.

Ao fazer seu terceiro retorno ao Brasil, defendeu a Anapolina, de Goiás e Juventude, do Rio Grande do Sul. Depois, o Al-Shabab, da Arábia Saudita, numa passagem relâmpago. Voltou para o Volta Redonda e Fast (AM), até ser contratado pela Federação Goiana de Futebol e designado para jogar no Canedense, onde marcou 16 gols em 17 jogos, disparando na artilharia do Campeonato Goiano de 2007. Ainda jogou pela Itauçuense, de Itauçu (GO), antes de chegar ao Vila Nova.

Ao ser contratado pelo Vila Nova, lhe perguntaram sobre seu passado no rival Goiás. Com bom humor respondeu: “eu era como uma melancia, verde por fora, mas vermelho por dentro”. A título de curiosidade, mais algumas frases do jogador, que ficaram famosas: "Vou fazer e dedicar para ele o gol anticoncepcional", sobre o atacante Dill, antes de enfrentar o Goiás, quando jogava pelo Botafogo; "Eu sou o Rei do Rio", durante o Campeonato Carioca de 1995; "Ele vem jogando muito bem, e só vestir a camisa 7 do “Fogão”, que foi minha e de Garrincha, já é meio caminho andado", falando sobre o bom momento do atacante Dodô do Botafogo em 2007, igualando sua importância à do anjo de pernas tortas; "Se for menina será será Christelly Maravilha. Se for menino, Christhiann Maravilha. Mas como são gêmeos, ainda não consegui pensar em outras opções", brincando sobre os nomes que daria para seus próximos filhos.

A coleção de títulos conquistados por Túlio, é bastante expressiva: campeão estadual pelo Goiás (1990 e 1991); pelo Botafogo foi campeão brasileiro (1995), campeão do Torneio Rio-São Paulo (1998), Troféu Teresa Herrera (1996) e Taça Cidade Maravilhosa (1996); pelo Corinthians foi campeão paulista (1997); no Cruzeiro ganhou a Recopa Sul-Americana (1998); No Vila Nova, foi campeão goiano (2001); defendendo o São Caetano venceu o Campeonato Paulista da Série A2 (2000); no Újpest , conquistou a Copa da Hungria (2002); pelo Brasiliense foi campeão brasileiro da Série C (2002); com a camisa do Jorge Wilstermann, ganhou a Copa Aerosul (2004); no Volta Redonda, ajudou a levantar a Taça Guanabara (2005) e a Copa Finta Internacional (2005). Foi “Bola de Prata”, da revista “Placar”, em 1989 e eleito em pesquisa do “Esporte Total”, o melhor jogador goiano de todos os tempos.

Foi artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1989 (11 gols), 1994 (19 gols) e 1995 (23 gols); Campeonato Brasileiro Série C de 2002 (11 gols) e 2007 (27 gols); Campeonato Carioca de 1994 (14 gols), 1995 (27 gols) e 2005 (12 gols) Campeonato Goiano de 1991 (18 gols), 2001 (16 gols) e 2008 (15 gols); Taça Cidade Maravilhosa de 1996 (10 gols). (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Túlio é o maior artilheiro do mundo em atividade (Foto: site do Vila Nova F.C.)

sábado, 2 de agosto de 2008

O futebol olímpico

Estamos há menos de uma semana do início da 26ª edição dos Jogos Olímpicos da era moderna. Pequim, na China, será a terceira sede asiática do evento, que em 1964 foi realizado em Tóquio, no Japão, e em 1988, em Seul, capital da Coréia do Sul. O mundo vai conhecer melhor Pequim, uma cidade de muitos contrastes, onde a modernidade e a tradição andam lado a lado.

A história das Olimpíadas remonta a um passado muito distante, na Grécia antiga. Em honra a Zeus, a Grécia se reunia a cada quatro anos no Peloponeso, na confluência dos rios Alfeu e Giadeo, onde se erguia a cidade de Olímpia, que a partir do ano 776 a.C. cedeu seu nome para aquela que viria a ser a maior competição esportiva em toda a história da humanidade, os Jogos Olímpicos.

Existem muitas versões que tentam explicar os motivos que originaram os jogos gregos. A mais aceitável aponta para o caráter religioso, uma homenagem aos deuses, o que garantia um momento de trégua nas seguidas guerras entre os povos gregos. O “guardar armas” entrava em vigor três meses antes dos jogos, para que atletas e público pudessem ir até Olímpia.

Esses jogos ocorreram regularmente até 393 d.C., quando foram interrompidos por um decreto do imperador Teodósio, que se converteu ao cristianismo, e resolveu eliminar qualquer traço que lembrasse práticas pagãs. Em 1892 o francês Pierre de Fredy, que entrou para a história como o “Barão de Coubertin”, propôs a retomada dos jogos e a criação do Comitê Olímpico Internacional (COI). E em 1896, Atenas foi sede da competição que passou a ser chamada de Jogos Olímpicos da Era Moderna.

Já foram realizadas 25 edições dos novos jogos: Atenas (1896), Paris (1900), Saint Louis (1904), Londres (1908), Estocolmo (1912), Antuérpia (1920), Paris (1924), Amsterdã (1928), Los Angeles (1932), Berlim (1936), Londres (1948), Helsinque (1952), Melbourne (1956), Roma (1960), Tóquio (1964), México (1968), Munique (1972), Montreal (1976), Moscou (1980), Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992), Atlanta (1996), Sydney (2000) e Atenas (2004).

A primeira Olimpíada moderna teve a participação de 241 atletas, todos homens, representando 14 países (o Brasil não participou) e competindo em nove modalidades esportivas e 43 provas: atletismo, ciclismo, esgrima, ginástica, levantamento de peso, luta greco-romana, natação, tênis e tiro. A premiação era bem diferente de agora, os vencedores recebiam um ramo de oliveira e uma medalha de prata. Os segundos colocados ganhavam um ramo de louro e medalha de bronze. O terceiro colocado, levava para casa somente um certificado.

O atleta americano James B. Connoly, vencedor da prova de salto triplo, com a marca de 13m71 foi o primeiro campeão dos Jogos da Era Moderna. Mas o atleta grego, Spiridon Louis, foi o mais festejado de todos. Ele venceu a maratona, disputada numa distância de 40 quilômetros (hoje é 42.195), que era uma homenagem ao percurso feito pelo soldado Filípides, que correu até Atenas para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas na batalha travada na planície de Maratona em 490 a.C. Ele chegou ao destino final, mas só teve forças para falar "vencemos" antes de cair morto de exaustão.

O que mais nos interessa neste artigo é, sem dúvida, o futebol, que foi admitido oficialmente nos jogos de 1908, em Londres. Em 1900 e 1904 participou apenas com o caráter de exibição, não contando para o quadro de medalhas (tempos depois o COI reconheceu como legítimos os campeões e fez entrega das premiações). O futebol não foi disputado apenas na primeira edição dos Jogos, em 1896, e em 1932, quando a FIFA não tinha conceitos claros do que era amadorismo. Em 1916 as Olímpiadas não foram realizadas em razão da 1ª Guerra Mundial, e em 1940 e 1944, devido a 2ª Guerra Mundial.

O futebol foi o segundo esporte coletivo a entrar oficialmente nos Jogos Olímpicos, atrás apenas do Pólo Aquático. Depois da primeira Copa do Mundo (1930), passou a ser disputado por seleções amadoras, o que dava uma extraordinária vantagem aos países socialistas do Leste euroepeu, onde não existia o profissionalismo. Dessa forma, enviavam suas seleções principais, enquanto os adversários disputavam os jogos com equipes amadoras ou juniores. Por isso, entre 1952 e 1980 eles levaram todas as medalhas de ouro.

Nos jogos de 1984 e 1988 a FIFA resolveu abrandar as regras do amadorismo, autorizando a presença nas seleções nacionais, de atletas profissionais que não tivessem participado de nenhuma Copa do Mundo. Graças a essa flexibilidade França, Brasil, e Alemanha Ocidental conseguiram as primeiras medalhas no esporte. A Alemanha Oriental já havia sido ouro em 1976 (Montreal). Em 1996 a FIFA determinou que só poderiam competir atletas até 23 anos, e permitindo a inclusão de três jogadores acima dessa idade, o que prevalece até hoje.

O título olímpico é o único que falta ao futebol brasileiro. Já andamos perto em três oportunidades: prata, em 1984 e 1988 e bronze em 1996. Os selecionados campeões olímpicos foram: Inglaterra (1908 e 1912, como Reino Unido): Bélgica (1920); Uruguai (1924 e 1928); Itália (1936); Suécia (1948); Hungria (1952); União Soviética (1956); Iugoslávia (1960); Hungria (1964); Hungria (1968); Polônia (1972); Alemanha Oriental (1976); Tchecoslováquia (1980); França (1984); União Soviética (1988); Espanha (1992); Nigéria (1996); Camarões (2000) e Argentina (2004).

O futebol feminino foi introduzido nas Olimpíadas, em 1996. O Brasil foi prata em 2004. As equipes campeãs foram: Estados Unidos (1996 e 2004) e Noruega (2000).

Uma curiosidade. Quando a Seleção Uruguaia voltou da Olimpíada de 1924, os argentinos lhe ofereceram uma partida de comemoração, que foi jogada em Buenos Aires. Os donos da casa venceram por 1X 0, gol do ponta esquerda Cesáreo Onzari. Foi batido um tiro de córner (escanteio) e a bola entrou no arco sem que ninguém a tocasse. Foi a primeira vez na história do futebol que aconteceu um gol assim. Por homenagem ou ironia, aquela raridade foi chamada de gol olímpico, e até hoje é tratado assim.

O Brasil também tem a sua versão de gol olímpico. Foi num jogo amistoso entre Vasco da Gama X Montevidéu Wanders, na inauguração dos refletores do estádio de São Januário, em março de 1928. O clube carioca venceu por 1 X 0 , gol de Santana, em cobrança direta de escanteio. Como o adversário era do país bi-campeão olímpico, o gol foi chamado de "olímpico" pelos brasileiros. (Pesquisa: Nilo Dias)
Cartaz dos primeiros jogos olímpícos da era moderna (Foto: Yahoo)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Como surgiu o termo “torcida”

Segundo o dicionário “Aurélio”, a palavra torcer quer dizer “dobrar”, “vergar”, “entortar”. Mas é também, a maneira de simpatizar com um clube esportivo. Por quê? O que tem a ver uma coisa com a outra? Qual a razão? É claro que para tudo tem que haver uma resposta. Para descobrir a origem do termo, teremos que voltar ao passado distante.

O Fluminense F.C., fundado em 21 de julho de 1902, nasceu da elite carioca, sem dificuldades financeiras, bem diferente da maioria dos times da época. Seu fundador e primeiro presidente foi Oscar Cox, filho de família abastada, que recém retornara ao Brasil, depois de uma temporada de estudos na Suíça. O nome desejado era Rio Football, mas como já existia um time com esse nome ficou Fluminense.

O Estatuto do clube era preconceituoso. Fazia certas exigências para aceitar alguém como sócio. Era preciso passar por uma comissão de sindicância e não ter defeitos físicos, para evitar qualquer constrangimento ao meio social. O primeiro campo foi numa chácara no bairro de Laranjeiras, alugada do Banco da República com o aval da tradicional família Guinle. Um espaço grande, perfeito para a realização de jogos. Um luxo só. Havia até um jardineiro para cuidar do gramado e um burro que puxava, com luvas nas patas, a máquina de aparar a grama.

A nata da sociedade sempre foi Fluminense Football Club, desde a fundação, ocorrida num palacete na rua Marquês de Abrantes, pertencente a Horácio da Costa Santos. Nomes tradicionais das mais conceituadas e ilustres famílias do Rio de Janeiro, como Mário Rocha, Oscar Cox, Horácio da Costa Santos, Júlio de Moraes, Mário Rocha, Félix Frias, Walter Schuback, Mário Frias, Heráclito de Vasconcelos, João Carlos de Mello, Domingos Moitinho, Louis da Nóbrega Júnior, Arthur Gibbons, Virgílio Leite, Manoel Rios, Américo da Silva Couto, Eurico de Moraes, Victor Etchegaray, A. Mascarenhas, Álvaro Drolhe e A. Roberts estavam presentes na fundação do clube.

O primeiro uniforme do clube era muito bonito. As camisas nas tonalidades cinza e branco, metade de cada cor, os shorts brancos e as meias pretas. O escudo tinha as iniciais “F.F.C.” bordadas em vermelho. Já a bandeira era formada por dois triângulos escalenos, sendo um branco e outro cinza, com o escudo bordado na parte de cima, mais para o canto esquerdo, onde ficava a parte branca.

É claro que sendo o clube da sociedade carioca, a presença feminina nos jogos era uma constante. O escritor Coelho Neto, seguidor apaixonado do Fluminense, também era figura obrigatória nos gramados. Chegou até a compor um hino para o clube, mas que não fez sucesso. Seu filho, João Coelho Neto, conhecido como “Prego” e depois “Preguinho”, foi um dos mais importantes personagens da vida do tricolor, tendo sido destaque em oito modalidades esportivas. Ele, artilheiro histórico marcou o primeiro gol da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai.

Pois foi esse importante personagem, o responsável pela criação do termo “torcida”, que hoje serve para designar quem simpatiza com este ou aquele clube. Observador atento, Coelho Neto notou que quando o time atacava ou era atacado, as mulheres que iam aos jogos, com seus vestidos rendados, num misto de ansiedade, calor e nervosismo, apertavam os corpetes, empunhando sombrinhas, galgando escarpins e torcendo as luvas e lenços encharcados de suor.

Em sua coluna no dia seguinte, Coelho Neto chamou essas mulheres de “torcedoras”. Pronto, estava criado o termo que agora é símbolo da paixão clubística. Em seguida ganhou similar masculino. Hoje, torcida é sinônimo de amor ao clube do coração. Sem o “torcedor”, o espetáculo perde o brilho e a razão. Nada é mais frustrante que um estádio vazio.

Serve, neste artigo, repetir o versinho de autoria de Ivan Ney, ex-atleta do Olimpic Foot-Ball Clube, de Porto Alegre, publicado em 1915 pela imprensa do Rio Grande do Sul.

"É elegante e é chic. É distincto, é de escol, rir nervosa, ter chilique, por causa do foot-ball. Vermelhinha, como encanta ouvir-lhe palmas a bater. É nossa alegria tanta que brilhamos sem querer".

Pena que esse começo elegante, onde “torcer” era coisa chique e o respeito era obrigação, tenha se perdido com o tempo. Nos dias de hoje é complicado ir ao estádio. O advento das chamadas torcidas uniformizadas ou organizadas é a meu ver o maior responsável por esse declínio. Quando Jaime de Carvalho criou em 1942, a “Charanga do Flamengo”, a intenção era a melhor possível, levar mais alegria aos campos de futebol, com uma banda que tocava durante os jogos.

E o que acontece hoje, principalmente nas grandes cidades? Meliantes, muitos deles envolvidos com o tráfico de drogas infiltram-se no seio das “organizadas”, provocando atos de violência. E o pior, com o aval de alguns dirigentes que fornecem ingressos e permitem até que esses torcedores dêem palpites em decisões importantes. Palmeiras e Corinthians são os “piores” exemplos disso.

Entre as torcidas mais violentas estão a corinthiana “Gaviões da Fiel”, a “Mancha Verde”, do Palmeiras, “Torcida Jovem do Flamengo”, que se auto denomina "Exército Rubro-Negro" e tem um tanque de guerra como símbolo. Essa torcida se divide em pelotões, ou seja, grupos espalhados em diversos pontos do Grande Rio. A “Força Jovem” do Vasco formou suas “Famílias”, buscando inspiração na velha máfia italiana. Existem outras, como: “Núcleos de Young Flu” (Fluminense), “Esquadrões da Jovem do Botafogo” e “Comandos da Raça Rubro-Negra” (Flamengo). No Rio Grande do Sul os torcedores do Grêmio criaram a “Alma Castelhana”, responsável por depredações em estádios e outras aberrações.

A violência das torcidas também chegou às cidades menores. Eu assisti, nestes mais de 50 anos de acompanhamento do futebol, cenas lamentáveis. Conto uma, apenas como ilustração. Depois de um clássico Bra-Pel (Brasil X Pelotas), torcedores enfurecidos, de ambos os lados, travaram uma verdadeira batalha campal, jogando pedras que seriam utilizadas no calçamento da rua frente o estádio. Foi um milagre ninguém ter saído ferido. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Coelho Neto, apaixonado pelo Fluminense, criou o termo "torcedoras", precursor de "torcidas". (Foto: overmundo.com)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Os clubes mais “ricos” do Brasil

A revista “Época” divulgou em uma de suas últimas edições um levantamento feito pela Casual Auditores, uma empresa que há quatro anos vem trabalhando na análise das finanças dos principais clubes brasileiros de futebol. O documento traz revelações interessantes mostrando que as questões referentes ao futebol já deixaram de ser restritas apenas ao campo de jogo. Vão muito além. A venda de jovens promessas, com idades cada vez menores é sério motivo de preocupação.

Agora mesmo, foi anunciada a venda do jovem Phillipe Coutinho, de 16 anos, do Vasco da Gama, para a Internazionale, de Milão, Itália, por 3,8 milhões de euros, aproximadamente R$ 9,5 milhões. O pagamento será feito em três parcelas: uma agora, uma em julho de 2009 e outra em julho de 2010. O contrato de venda foi assinado no dia 17 de junho de 2008 pelo jogador e pais do atleta, ainda na administração do ex-presidente Eurico Miranda.

Sem condições de competir financeiramente com os clubes da Europa e do Oriente Médio, e com os cofres “raspados”, a maioria dos clubes brasileiros encontra na venda de atletas uma válvula de escape para suas combalidas finanças. Ainda assim, alguns clubes, devido a más administrações não conseguem diminuir os déficits. Ao contrário, muitas vezes até conseguem a proeza de aumentá-los.

O trabalho também toca em questões estratégicas de planejamento, envolvendo estádios, marketing, gestão financeira e até mesmo escândalos de corrupção. O rombo deixado pela administração Dualib, no Corinthians Paulista, por exemplo, foi de R$ 95,7 milhões, segundo demonstrativo realizado pela atual diretoria, comandada pelo presidente Andrés Sanches, eleito em outubro do ano passado, para um mandato que vai até fevereiro de 2009. O demonstrativo da dívida é referente ao período de 1º de janeiro a 9 de outubro de 2007.

O estudo da “Casual” tomou como base os resultados dos 21 clubes mais ricos do Brasil. Um dos diretores da empresa, Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão de clubes foi bem claro ao dar o recado aos dirigentes dessas instituições esportivas: “É preciso desvincular o desempenho esportivo do econômico. Se não mudarem essa postura, criando estratégias de marketing bem estruturadas, chegarão ao final das temporadas esportivas sempre contabilizando altos índices de déficit".

A empresa de consultoria aponta algumas medidas que os clubes devem tomar para frear o déficit crescente. Entre elas, o aumento das fontes de receita, através do fortalecimento das relações entre clubes e torcedores, com a criação de mecanismos como cartões de fidelidade, desenvolvimento constante de novos produtos, planos de sócios, comercialização de carnês para temporadas e inserção da marca do time em áreas ainda pouco exploradas. Fora isso, redução de custos e despesas, com a promoção de administração eficiente e corte em gastos com futebol e administrativos. Ou seja, gestões enxutas, eficazes e eficientes e atreladas a plantéis baratos e competitivos.

Segundo dados levantados pela empresa, juntos, os 21 clubes têm potencial de aumentar o faturamento em pelo menos R$ 900 milhões. Um terço desse valor teria origem no melhor aproveitamento do espaço dos estádios – que vai além das receitas obtidas com os jogos de futebol. Outros R$ 350 milhões viriam de patrocinadores, produtos, royalties, serviços e venda de imagem.

Reproduzo abaixo a matéria divulgada pela revista Época, na íntegra.

Segundo o levantamento divulgado pela Casual Consultoria, São Paulo, Internacional e Corinthians foram os clubes com maiores receitas em 2007. Apenas seis entidades tiveram superávit acumulado entre os exercícios de 2006 e 2007.

Em todo início de Campeonato Brasileiro, os clubes de futebol do país sofrem com desfalques causados pela venda de alguns dos principais atletas. Os técnicos reclamam, os torcedores protestam e a imprensa critica, mas nada muda. Um levantamento da Casual Auditores sobre as finanças dos clubes mostrou que o processo tem uma explicação simples. Essa é a única forma de os clubes de futebol continuarem em atividade.

O levantamento mostrou que, dos 21 clubes analisados, apenas cinco tiveram superávits acumulados entre os exercícios de 2006 e 2007. O campeão foi o Atlético (PR), com R$ 37,7 milhões, enquanto o segundo colocado, o Juventude, teve lucro de R$ 9,7 milhões, graças à venda do Centro de Treinamento do clube, em Caxias do Sul (RS). Os outros que tiveram superávits foram o Santos (SP), (R$ 7,4 milhões), o São Paulo (R$ 5,1 milhões) e o Barueri (SP), (R$ 2 milhões).

Os maiores déficits são do Flamengo (RJ), (R$ 242,4 milhões), do Atlético (MG), (R$ 214,3 milhões) e do Botafogo (RJ), (R$ 209, 7 milhões). De acordo com Carlos Aragaki, sócio da empresa de auditoria, os déficits dos clubes aparecem maiores na lista deste ano porque, ao aderir à Timemania, eles foram obrigados a incluir no balanço dívidas que antes eram escondidas. A Timemania é uma loteria que usa os escudos dos times em troca do abatimento a longo prazo da dívida dos clubes com o Estado.

O levantamento mostra ainda que São Paulo, Internacional (RS) e Corinthians (SP), foram, pelo segundo ano consecutivo, os clubes com maiores receitas. Em 2007, o São Paulo teve receitas de R$ 190 milhões, sendo a maior parte por conta de negociações de jogadores. O clube também foi o que gerou mais receita com seu estádio, R$ 5,1 milhões.

O Internacional, que ganhou R$ 20,1 milhões com seu programa de associados, o maior do país, teve receita de R$ 155,8 milhões, enquanto o Corinthians ganhou R$ 134,6 milhões. O quarto lugar foi do Grêmio (RS), que entre 2006 e 2007 teve aumento de 88% em suas receitas de bilheteria e faturou R$ 18,5 milhões com os pagamentos dos sócios, passando do 11º lugar para o 4º lugar no total de receitas. O Palmeiras, que havia ficado em quarto lugar no total de receitas em 2006, caiu para o sexto lugar, sendo ultrapassado também pelo Flamengo.

Se levados em conta apenas os valores de 2007, o Internacional é o clube mais lucrativo do país. No último exercício fiscal, o clube gaúcho teve superávit de R$ 18,9 milhões, seguido pelos rivais Grêmio (R$ 14,6 milhões) e Juventude (R$ 10,5 milhões). Os outros três clubes com superávit no período foram o São Paulo (R$ 3,8 milhões), Barueri (R$ 2 milhões) e o Atlético Paranaense (R$ 1,6 milhão).

Confira a lista dos clubes de acordo com a receita total e o superávit acumulado entre 2006 e 2007:
Receita total Superávit/déficit acumulado
São Paulo 190.081 5.138
Internacional 155.881 -32.789
Corinthians 134.627 -62.481
Grêmio 109.031 -78.961
Flamengo 89.499 -242.402
Palmeiras 86.290 -24.189
Cruzeiro 77.650 -3.993
Juventude 62.147 9.700
Atlético-MG 58.326 -214.377
Atlético-PR 54.091 37.733
Santos 53.102 7.421
Vasco 51.079 -31.956
Botafogo 41.160 -209.698
Fluminense 39.335 -165.860
Paraná 24.910 -4.964
São Caetano 23.252 -996
Barueri 21.004 2.009
Náutico 19.561 -34.839
Figueirense 18.981 -2.875
Coritiba 14.916 -25.864
Vitória 11.215 -88.558
Fonte: Revista Época

Apenas como complemento, publico a lista dos clubes mais ricos do mundo, de acordo com matéria divulgada em março deste ano pela revista norte-americana “Forbes”.

O Manchester United (Inglaterra) encabeça a relação com um patrimônio de US$ 1,453 bilhão, seguido do Real Madrid (Espanha), com US$ 1,036 bilhão. O terceiro é o Arsenal (Inglaterra), com US$ 915 milhões. Seguem, na ordem: Bayern de Munique (Alemanha) US$ 838; Milan (Itália) US$ 824; Juventus (Itália) US$ 567; Internazionale, de Milão (Itália) US$ 555; Chelsea (Inglaterra) US$ 537; Barcelona (Espanha) US$ 535 e Schalke 04 (Alemanha) US$ 471. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O Manchester United é o clube mais rico do mundo (Foto: Site do Manchester United)

sábado, 19 de julho de 2008

Vovô em festa

Hoje é o "Dia do Futebol". Isso mesmo, 19 de julho, dia para comemorar o surgimento do Sport Club Rio Grande, o vovô do futebol brasileiro, que nasceu em 1900 através do jovem Arthur Cecil Lawson que retornara de seus estudos na Inglaterra e trazia consigo o gosto pelo futebol. Seu desejo era implantar o novo esporte na sua terra.

Tendo como aliado o amigo de infância Henrique Buhie, começou a projetar o seu sonho. Logo percebeu que para fundar um clube de futebol teria que contar com o apoio da vasta colônia alemã residente em Rio Grande. Porém, havia um impecilho: os alemães jamais aceitariam participar de um clube fundado por um suposto inglês, como Arthut Lawson.

Com a entrada em cena do alemão Johannes Chistian Moritz Minnemam, respeitável e influente membro da sociedade, o obstáculo foi removido. Seduzido pela idéia, no primeiro contato de Arthur Lawson e Henrique Buhie, Johannes prontamente reuniu alemães, portugueses, ingleses e brasileiros, com a finalidade de fundar um clube de futebol. Mesmo tendo enorme dificuldade em se expressar em português, teve relevante papel na fundação do Sport Club Rio Grande. Foi uma espécie de faz tudo: fundador, orador, secretário, guarda esportes, atleta e ainda auxiliou na redação dos documentos iniciais, no mais puro alemão, razão pela qual os registros da fundação do clube foram escritos nesse idioma.

A primeira reunião do nascente clube foi realizada no dia 14 de julho de 1900, tendo como local a Casa dos Atiradores, também denominada de Tiro Alemão. Naquela noite, divergências, não-superadas, impediram a lavratura da ata da fundação. O projeto teve que ser adiado para outra reunião marcada para 17 de julho, data em que Johannes festejaria 25 anos, no Clube Germânia, hoje Sociedade Germânia, na época uma instituição fechada, fundada em 1863, privativa da alta sociedade alemã. Com o protesto de um associado que não concordava com a abertura da sede para representantes de outras raças, o novo impasse foi solucionado com um novo adiamento. Finalmente, no dia 19 de julho de 1900, foi fundado o Sport Club Rio Grande.

Em 1903, o Sport Club Rio Grande excursionou pela primeira vez à Capital do Estado e, no dia 7 de julho, num campo improvisado no atual Parque Farroupilha, o povo porto-alegrense assistiu à primeira exibição do futebol, que terminou empatado. Em 1904, o Rio Grande adquiriu o seu campo no Boulevard Buarque de Macedo. Em 1906, o Rio Grande excursionou pela primeira vez a Pelotas, a fim de realizar uma partida intermunicipal. O seu adversário foi o S.C. Internacional. O time do Rio Grande venceu a partida por 6 x 0.

Ainda em 1906, o Rio Grande esteve novamente na capital gaúcha. O vapor "Vênus" foi aguardado em Porto Alegre por uma verdadeira multidão. Na primeira partida, contra o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, os rio-grandinos venceram por 3 X 1. No segundo compromisso na Capital, contra o Fussball Porto Alegre, registrou um empate em 3 X 3.
Em setembro de 1922, o Rio Grande conquistou na Capital do Estado a rica taça denominada "Centenário da Independência", instituída pelo governo do Estado. Este troféu foi disputado entre os seguintes clubes: Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, Rui Barbosa, Fussball Porto Alegre e o Sport Club Rio Grande.

Em 1936, o S.C. Rio Grande levantou o título de Campeão Estadual de Futebol do Rio Grande do Sul. O título veio em melhor de duas partidas contra o Internacional. (Por: Fábio Dutra e José Finkler - Jornal Agora Rio Grande/RS)
Hoje é comemorado o "Dia do Futebol Brasileiro", homenagem ao S.C. Rio Grande, o "vovô", que chega aos 108 anos, ainda cheio de vida (Foto: Site do S.C. Rio Grande)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O show não pode parar

“O show tem que continuar”. Com essa frase otimista o site oficial do A.C. Milan, da Itália, anunciou a contratação do jogador brasileiro Ronaldo de Assis Moreira, o “Ronaldinho Gaúcho”, por 18,5 milhões de euros, segundo o jornal romano “La Gazetta dello Sport”. O Barcelona, da Espanha, a quem o craque pertencia receberá também mais alguns bônus que serão pagos de acordo com o desempenho do jogador na equipe do Milan nas próximas três temporadas (duração do contrato) - acerto similar àquele feito para a contratação de Ronaldo “Fenômeno”, no ano passado. Para jogar na Itália, Ronaldinho receberá 6,5 milhões de euros por ano.

O Barcelona poderia ter lucrado mais com a venda do jogador. O Manchester City, clube da Inglaterra havia oferecido 32 milhões de euros para contar com o craque brasileiro, mas este não mostrou interesse em atuar no futebol inglês, o que inviabilizou o negócio.

O Milan, que este ano não teve uma boa participação nas competições que disputou, está reformulando seu grupo de jogadores. Além de “Ronaldinho Gaúcho” foram contratados Mathieu FLAMINI, meio-campista, nascido em 7 Março de 1984, vindo do Arsenal da Inglaterra; Gianluca ZAMBROTTA, zagueiro, nascido em 19 de Fevereiro de 1977, que veio do Barcelona da Espanha; Marco BORRIELLO, atacante, nascido em 18 de Junho 1982, oriundo do Genoa da Itália e Christian ABBIATI, goleiro, nascido em 8 de Julho 1977, que pertencia ao Atlético Madrid da Espanha.

E saíram do Milan Alberto GILARDINO, atacante, cedido à Fiorentina da Itália; Yoann GOURCUFF, meio-campista, emprestado ao Bordeaux da França; CAFU, lateral que terminou o contrato; RONALDO, atacante, também com o contrato encerrado; SERGINHO, meio-campista e Valerio FIORI, goleiro, que encerraram as atividades.

“Ronaldinho Gaúcho”, 1,82 m de altura, a principal contratação milanesa, nasceu em Porto Alegre, no dia 21 de março de 1980. Oriundo de família pobre, da periferia da capital gaúcha, desde tenra idade mostrou aptidão para o futebol, destacando-se nas “peladas” no bairro onde morava e em jogos de futebol de salão. Sua fama não tardou a chegar ao Grêmio, um dos grandes times do Rio Grande do Sul, e com apenas sete anos já era um dos principais astros da escolinha de futebol tricolor.

Aos oito anos seu pai faleceu, e a partir daí recebeu apoio da mãe, irmã e de seu irmão mais velho, Roberto Assis como figura paterna. O primeiro treinador na carreira profissional de Ronaldinho no Grêmio, em 1997, foi Celso Roth, hoje novamente no tricolor. Ele foi chamado para o elenco principal, depois de ter se destacado na conquista do título da categoria sub-17. Mas foi somente no ano seguinte, 1998, 11 anos depois de ter chegado ao Estádio Olímpico, que Ronaldinho fez sua primeira aparição na equipe titular, num jogo pela Copa Libertadores da América.

Um ano depois, em 1999, Ronaldinho fez o gol do título de campeão gaúcho para o Grêmio contra o Internacional, num jogo em que deu dribles maliciosos sobre o tetracampeão Dunga. Sua atuação nessa final regional foi decisiva para que o então técnico Vanderlei Luxemburgo o convocasse para a Seleção Brasileira.

A estréia na seleção brasileira aconteceu num jogo contra a Letônia, em 26 de junho de 1999. Mas foi no seu segundo jogo com a camisa canarinho, em 30 de junho de 1999, que Ronaldinho encantou os torcedores brasileiros e deixou o anonimato ao marcar o quinto gol, na goleada de 7 x 0 sobre a Venezuela e seu primeiro pela seleção principal. Ele deu um “chapéu” no zagueiro e em seguida chutou cruzado.

Em 2001, com apenas 20 anos de idade, depois de uma verdadeira batalha judicial conseguiu a liberação do Grêmio, clube que o revelou, e por quem jogou 141 partidas e fez 68 gols. Com base em uma lacuna na recém aprovada “Lei Pelé”, se transferiu para o Paris Saint-Germain (PSG), da França. Seu irmão, o ex-jogador do próprio Grêmio, Roberto Assis, foi fundamental na conturbada negociação. O Grêmio queria receber R$ 40 milhões, enquanto o clube francês insistia em não pagar nada. A questão só teve solução depois que a FIFA estipulou em R$ 5 milhões o valor a ser pago ao clube gaúcho.

A partir daí, “Ronaldinho Gaúcho” passou a ser visto como “persona non grata” ao Grêmio. No período sem jogar, ele foi poucas vezes a Porto Alegre com medo da reação dos torcedores. Porém, para não perder a forma, treinava no campo do Esporte Clube São José, tradicional clube da Zona Norte da capital gaúcha.

Em contrapartida o menino Diego, filho de Assis, deixou o Grêmio em 2006 e hoje joga nas divisões de base do Internacional. Ronaldinho considera seu sobrinho o verdadeiro craque da família. E os torcedores colorados riem a toa com essa verdadeira possibilidade.

No Paris Saint-Germain, Ronaldinho não chegou a justificar a fama que levou a sua contratação e teve problemas com o treinador Luis Fernandez. O jogador foi acusado de freqüentar em demasia a vida noturna parisiense, o que teria interferido no seu desempenho dentro de campo. Por isso, foi durante mais de três meses reserva do nigeriano Okocha. Somente no final da temporada conseguiu ser titular.

Com a ascensão de Luiz Felipe Scolari a direção técnica da seleção, Ronaldinho foi convocado para as partidas finais das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2002, sendo apontado pela imprensa esportiva como a maior esperança do penta. E não deu outra. Em sete jogos e sete vitórias, o Brasil ganhou pela quinta vez o título mundial. Ronaldinho, que só não jogou a semifinal contra a Turquia, pois foi expulso no jogo anterior contra a Inglaterra, fez três gols e duas assistências geniais. Foi um dos três “erres” que encheram os olhos dos torcedores de todo o mundo. Os outros foram Ronaldo e Rivaldo. Em 2003, Ronaldinho deixou o PSG, sendo vendido para o Barcelona por 27 milhões de euros, onde ficou durante cinco temporadas, até ser contratado pelo Milan, na última terça-feira.

No clube espanhol teve um desempenho magnífico, sendo comparado aos grandes astros do futebol mundial em todos os tempos, como Pelé e o argentino Maradona. Em 2004 e 2005 foi eleito pela FIFA o melhor jogador do mundo. Também conquistou em 2005 a “Bola de Ouro” (melhor jogador europeu), da revista esportiva francesa “France Footbal”. Ainda em 2005 foi campeão espanhol, acabando com um jejum de seis temporadas sem conquistas dos catalães e levantando o seu primeiro troféu em um clube fora do Brasil, além de marcar 15 gols. Em 2006 foi a principal figura do Barcelona, que ganhou a “Champions League”, pela segunda vez na história.

Na Copa do Mundo de 2006 o craque não teve o mesmo brilho de 2002 e a exemplo dos demais jogadores foi alvo da desilusão dos torcedores. Tanto é verdade que uma estátua de Ronaldinho com 7,25 metros de altura, construída pela artista plástica Kattielly Lanzini especialmente para a Copa, e que estava instalada na Avenida Getúlio Vargas, na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, chegou a ser incendiada, um dia após a eliminação da Seleção Brasileira pela França. A obra custou R$ 5,5 mil e a artista pretendia vendê-la por R$ 7 mil.

O “dentuço” craque criou algumas verdadeiras “marcas registradas”, que hoje são imitadas pelo mundo todo, como jogar usando uma faixa na cabeça, para segurar os longos cabelos. Apesar de todo o sucesso conquistado Ronaldinho, que morava em uma mansão ao sul de Barcelona, de frente para o mar Mediterrâneo, se mantém humilde e atencioso, com jeito de garotão, ao contrário de outros jogadores famosos, mas sem a mesma classe e habilidade.

Como toda a celebridade, Ronaldinho sofre o assédio da imprensa internacional, que vasculha até sua vida amorosa. Ele assumiu a paternidade de um garoto chamado João, fruto de relacionamento com a ex-dançarina do programa “Domingão do Faustão”, Janaína Nattiele Viana Mendes. O agora jogador do Milan espera que o filho também siga a carreira futebolística.

Os torcedores brasileiros vão ter a oportunidade de ver se Ronaldinho está mesmo recuperado para o futebol. O Milan, seu novo clube concordou que ele jogue as Olimpíadas de Pequim pela seleção brasileira. O jogador foi convocado pelo técnico Dunga justamente na vaga de Kaká, que não foi autorizado a viajar a China, pelo clube italiano.

O craque gaúcho recebeu muitos prêmios: Revelação do ano no Campeonato Gaúcho (1999); Melhor jogador da Copa das Confederações (1999); Bola de Prata (2000); Melhor atacante da Liga dos Campeões (2004/2005); Melhor jogador do mundo pela FIFA (2004/2005); Jogador do Ano da revista “World Soccer” (2004/2005); Bola de Ouro da revista “France Football” (2005); Melhor jogador da Liga dos Campeões (2005/2006); Artilheiro da Copa das Confederações (1999, com 6 gols); Artilheiro do Campeonato Gaúcho (1999, com 15 gols) e Artilheiro do Torneio Pré-Olímpico (2000, com 9 gols).

Ronaldinho conquistou estes títulos: Campeão Gaúcho de 1999 (Grêmio); Copa Intertoto 2000 (PSG); Campeão espanhol em 2004/2005 e 2005/2006 (Barcelona); Supercopa da Espanha 2005/2006 (Barcelona); Liga dos Campeões da UEFA 2006 (Barcelona). E pela seleção brasileira, Copa América de 1999, Copa do Mundo de 2002 e Copa das Confederações em 2005.

Algumas curiosidades sobre Ronaldinho: se não fosse jogador de futebol, gostaria de ser pagodeiro. Afirma que grande parte das "firulas" que inventa são baseadas em vídeos do ídolo argentino Maradona, de quem é grande admirador. O astro do futebol mundial construiu o “Instituto Ronaldinho Gaúcho” em Porto Alegre para ajudar crianças carentes. E em 2006, ganhou um personagem com seu nome na revista “Turma da Mônica”. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Ronaldinho agora é jogador do Milan (Foto: Site oficial do A.C. Milan)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Vasco da Gama em busca das velhas glórias

Novos tempos de grandeza podem estar chegando para o Clube de Regatas Vasco da Gama, uma das mais tradicionais entidades esportivas de nosso país. O ex-craque vascaíno, Carlos Roberto de Oliveira, ou simplesmente Roberto “Dinamite” foi eleito recentemente presidente do clube, acabando – pelo menos é o que pensam e esperam os torcedores – com a era Eurico Ângelo de Oliveira Miranda, que desde 2000 dirigia o clube com "mão de ferro".

Eurico Miranda, o dirigente que deixou o clube é filho de portugueses que na década de 30 imigraram para o Brasil, fugindo do regime do ditador António Salazar. Criado na Zona Sul do Rio de Janeiro, estudou no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, uma escola jesuíta freqüentada por boa parte da elite carioca. Acabou por ser expulso devido a brigas com colegas, o que já demonstrava seu forte temperamento desde aqueles tempos.

Passou no vestibular para a Faculdade de Medicina, mas acabou por optar pela Faculdade de Fisioterapia, por onde formou-se. Chegou a exercer a profissão antes de decidir ingressar na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi nesse tempo, então com 23 anos, que ingressou nas atividades adminstrativas do Vasco da Gama, sendo diretor de cadastro em 1967.

Daí em diante teve intensa participação na vida do clube, de onde só saiu o mês passado. Em 1969, ganhou as manchetes dos jornais cariocas. O presidente do Vasco era Reinaldo de Matos Reis, que desagradava à maioria dos conselheiros, mas era defendido por Eurico, então já Vice-Presidente de Patrimônio. Foi realizada uma reunião na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, para decidir a cassação do seu mandato. Porém houve uma falha de energia e a reunião foi adiada. No dia seguinte o jornal “O Globo” publicou a fotografia de uma mão desligando o quadro de energia. O título da reportagem era: "A mão de Eurico", que assim entrava para a história e política ativa do clube. O resto dessa história, todos já sabem.

As desavenças entre Eurico Miranda e Roberto “Dinamite” são antigas. Em 2002, quando o ex-jogador, acompanhado de seu filho Rodrigo, então com 10 anos, assistia a um jogo entre Vasco e Ponte Preta, o “cartola”, com sua costumeira truculência, deu ordens para que “Dinamite” fosse convidado a se retirar da Tribuna de Honra do Estádio São Januário. A raiva de Eurico se devia a uma entrevista do ex-jogador, que admitiu o sonho de um dia ser presidente do Vasco e pediu que fosse revelado quanto e para quem o clube devia.

“Dinamite” já se sentiu desprestigiado pela diretoria do Vasco dias antes do incidente, quando Eurico Miranda, na ânsia de agradar a Romário, a quem o clube devia R$ 9 milhões, anunciou a aposentadoria da camisa 11 do clube depois que o “Baixinho” parasse de jogar. Roberto, que foi o maior artilheiro da história do Vasco e defendeu o clube por muito mais tempo, nunca foi alvo de nenhum tipo de homenagem, o que o desgostou profundamente. Agora, como novo presidente do Vasco, “Dinamite” cassou a aposentadoria da camisa 11 que voltou a ativa.

Depois do incidente, “Dinamite” juntou-se à oposição e concorreu à presidência do clube em 2003, sendo derrotado. Em 2006 concorreu outra vez e perdeu. Mas as eleições foram anuladas pela oitava Câmara Cível do Rio de Janeiro e novas eleições para o Conselho Deliberativo do Clube foram realizadas em 21 de Junho de 2008, nas quais a chapa de Eurico Miranda saiu derrotada. No dia 27 de Junho de 2008 o Conselho Deliberativo do Vasco da Gama finalmente elegeu Roberto “Dinamite” presidente.

O ex-craque cruzmaltino, que em criança torcia pelo Botafogo, nasceu em Duque de Caxias (RJ), no dia 13 de abril de 1954. Quem o descobriu para o futebol foi o "olheiro" e ex-atacante do Flamengo na década de 30, Francisco Ferreira de Souza, o “Gradim”, que em 1969, quando tinha apenas 14 anos, o levou para a escolinha do Vasco, treinada por “Seu Rubens”. Foi com o treinador dos juvenis, Célio de Souza, que Roberto aprimorou sua técnica. No início de carreira, com seu 1,86 de altura era apenas um centroavante daqueles chamados de “trombador”.

Em 25 de novembro de 1971, soube aproveitar a segunda chance que o técnico Admildo Chirol lhe deu no time de profissionais, e marcou um gol na vitória de 2 x 0 sobre o Internacional. Com habilidade, dominou a bola na intermediária e chutou com extrema violência, não dando chances ao goleiro adversário, marcando o primeiro de suas centenas de gols. O apelido “Dinamite” ele ganhou no outro dia. O jornalista Aparício Pires, do “Jornal dos Sports”, maravilhado com o chute forte do jovem atacante estampou em manchete: "Garoto dinamite explode no Maracanã".

Foi com os ensinamentos do técnico Oto Glória, em 1979, que “Dinamite” alcançou o auge técnico, transformando-se em um jogador moderno, de rara mobilidade, capaz de participar de jogadas geniais. Assim, foi protagonista de um “duelo” pela artilharia carioca, em igualdade de condições com o craque flamenguista Zico, de quem era grande amigo fora de campo. Mas nas quatro linhas eram adversários ferrenhos, defendendo com galhardia suas equipes.

Em 1978, num primeiro momento, Roberto não foi convocado pelo técnico Cláudio Coutinho para a Seleção Brasileira que disputou o Mundial na Argentina. Mas, o então presidente da CBF, almirante Heleno Nunes, exigiu que o chamassem. Depois de ficar na reserva nos primeiros jogos foi colocado em campo e classificou o Brasil com um gol histórico contra a Áustria, tendo terminado a Copa como co-artilheiro do time com 3 gols. Em 1982, foi convocado em cima da hora para disputar o Mundial da Espanha devido à contusão de Careca. Mas ficou apenas treinando durante todo o torneio, pois o técnico Telê Santana preferiu escalar Serginho Chulapa no seu lugar. Apesar de tudo, Roberto marcou 26 gols em 53 jogos pela seleção, alcançando a maior média de gols entre os atacantes de sua época.

Jogou no Vasco da Gama de 1971 a 1979, quando se transferiu para o Barcelona, da Espanha. Porém, a passagem de “Dinamite” pelo clube catalão foi péssima. Muito cobrado pela torcida, insatisfeita com a campanha no Campeonato Espanhol do mesmo ano, o centroavante não reeditou suas boas apresentações e não contou com a mesma sorte de antes. Três meses depois de deixar o Rio de Janeiro, “Dinamite” retornou ao clube da Cruz de Malta em 1980, pelas mãos de Eurico Miranda, onde permaneceu até 1988. No jogo de reestréia, contra o Corinthians marcou os cinco gols no massacre sobre o time paulista, que só conseguiu fazer dois. Foi a consagração.

Em 1989 jogou pela Portuguesa de Desportos (SP). Voltou ao Vasco em 1990, e em 1991 defendeu o Campo Grande (RJ). Em 1993, no próprio Vasco, trazido de volta pelo técnico Joel Santana, na condição de titular encerrou a carreira com tratamento de quase embaixador do clube. Foi campeão carioca em 1977, 1982, 1987 e 1992 (Vasco) e Campeão brasileiro de 1974 (Vasco).

Foi o maior goleador da história vascaína por 13 temporadas consecutivas, superando Ademir de Menezes, o “Queixada”, e maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro com 617 gols. Jogou 1.108 vezes com a camisa do Vasco e marcou 708 gols. Ao todo foram 1.199 jogos em 22 anos de carreira: Vasco, 1108; Seleção Brasileira, 49; Barcelona, 8; Portuguesa de Desportos, 14; Rio Negro, 1; Seleção de Masters, 4; Despedida de Júnior, 1 e Campo Grande, 14. E exatos 754 gols, assim distribuídos: Vasco, 708; Seleção Brasileira, 26; Barcelona, 3; Portuguesa de Desportos, 11; Rio Negro, (Amistoso contra o Flamengo), 2; Seleção de Masters (Copa Pelé), 2; Despedida do Júnior (Amistoso na Itália), 2, o que dá a incrível média de 36 gols por temporada nos 22 anos de carreira. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Roberto "Dinamite", de craque a presidente (Foto: Acervo do C.R. Vasco da Gama)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O zoológico do futebol

A gíria faz parte do futebol, por ser um esporte popular nos dias de hoje, embora tivesse chegado ao Brasil através de classes elitistas, e assim permanecido por muitos anos. A criativa lista de apelidos dados a jogadas e acontecimentos envolvendo o esporte é bastante extensa. Neste artigo, vou me limitar a explicar as origens de algumas expressões batizadas com nomes de animais e que volta e meia nos deparamos com elas nos noticiários esportivos. E ainda outras "participações" dos amigos bichos no esporte "bretão". E é bom que se diga, a maioria dos integrantes da imprensa se limita a repetir o óbvio, mas não sabe como e onde algumas expressçoes surgiram.

Começo com o “gato”. A definição surgiu em Pernambuco, há décadas, quando a direção do Sport descobriu que um zagueiro de apelido “Gato”, usara de tal expediente para poder jogar na equipe juvenil. E cada vez que aparecia outra situação semelhante, falava-se em "um novo Gato". Daí a expressão ganhou o Brasil. “Gato”, no futebol serve para identificar o jogador que diminui a idade, quase sempre para se inscrever nas categorias de base.

O nome “gato” também está presente numa jogada faltosa e que pode ocasionar lesão séria em quem a sofre. É quando um jogador pula para cabecear uma bola e um adversário o escora pelas pernas provocando sua queda. É a chamada “Cama de Gato”. Mas por que esse nome? Segundo o pesquisador Márcio Cotrin, em sua coluna “O Berço da palavra”, no Diário de Natal (RN) é porque o gato faz sua cama no chão. E os jogadores que sofrem a falta, caem espalhafatosamente, como os bichanos lançados pelo rabo em direção ao solo.

Tem o “frango”, prato indigesto para os goleiros. O criador da expressão foi o jornalista “Zé de São Januário” que nos anos 40, escrevia uma coluna no “Jornal dos Sports”. Como o próprio nome sugere, “Zé” era torcedor fanático do Vasco da Gama. Foi ele quem chamou de “frangueiro” um goleiro do seu time que se agachou bem ao estilo de um “pegador de frango” para defender uma bola fácil e acabou levando o gol. No dia seguinte “Zé de São Januário” escreveu, que o goleiro engolira um “frango”. A partir daí a expressão é usada toda vez que acontece um lance parecido.

Foi uma questão de observação. Naqueles tempos era comum criar galinhas nos quintais das casas. E quando alguém tentava pegar uma “penosa” para o almoço dominical, tinha que agachar-se com as mãos encostadas ao chão. E muitas vezes os frangos enganavam seus algozes, passando rápido por entre as pernas ou os braços. Situação idêntica a do goleiro que se prepara para pegar a bola e esta o engana.

E o que dizer do jogador “cabeça de bagre”? É o nome que define aquele que não pensa a jogada, um “cabeça oca”, segundo a sabedoria popular. Quem criou o termo foi o ex-goleiro do Atlético Mineiro, Olavo Leite Bastos, o “Kafunga”, que depois de encerrar a carreira de jogador, tornou-se deputado estadual por Minas Gerais e comentarista esportivo em rádio, TV e jornal de Belo Horizonte.

Quem diria, o inverso de “cabeça de bagre”, o animal que denomina o bom jogador de futebol, o craque, é nada mais, nada menos do que a “cobra”. E por que? Em 1929, na Várzea do Carmo, em São Paulo, havia um time chamado “Heróis do Fogo”, formado por militares do corpo de Bombeiros. O astro do time era um jogador de grande habilidade chamado Moacir Cobra, que ganhou fama em toda a região. A partir daí, toda a vez que aparecia um bom jogador era logo chamado de “cobra”, lembrando o craque bombeiro.

E porque razão a gratificação paga aos jogadores cada vez que o time ganha um jogo, é chamada de “bicho”? Os torcedores do Vasco da Gama foram pioneiros nessa prática. Tudo começou em 1923, na primeira participação da equipe vascaína na principal divisão carioca. Como o time era formado, na maioria, por jogadores negros, operários e analfabetos, os torcedores recolhiam dinheiro para ajudar seus craques, pagando-lhes prêmios por vitória ou empate.

O valor do prêmio era calculado por fatores como o adversário, a importância do jogo e o resultado, e era anunciado segundo uma senha inspirada no jogo do bicho: um cachorro (numero 5 no jogo do bicho) significava um prêmio de 5 mil réis; um coelho, 10. E assim por diante. Uma outra versão, que não é confiável, conta que os torcedores premiavam os jogadores com galinhas, patos ou leitões.

E nessa relação de animais e clubes foram criadas as mascotes. A mais comum no Brasil é o “leão”. Dados estatísticos mostram que pelo menos 38 times escolheram o rei das selvas, embora eu tenha convicção de que o número é bem maior. O mesmo acontece em relação ao “galo”, que vem logo a seguir com 17 escolhas e tem no Atlético Mineiro sua principal referência. O Oratória, time do Amapá, tem como mascote uma “orca”. O Santos, uma “baleia”. O Cruzeiro de Alagoas preferiu uma “hiena” azul. Pura imaginação. Já o Cruzeiro de Minas Gerais optou pela “raposa”.

A Associação Atlética Portuguesa, do Rio de Janeiro tem como símbolo uma “zebra”, para lembrar o célebre jogo em 1964, em que derrotou o na época poderoso Vasco da Gama por 2 x 1. Gentil Cardoso, então técnico da Lusa, disse que seria uma tremenda “zebra” (não existe no jogo do bicho) uma vitória de seu time.

Algumas mascotes de clubes surgiram de provocações dos adversários. As mais famosas dizem respeito a Palmeiras e Flamengo. O “porco” palmeirense surgiu numa comemoração de gol do atacante Viola, na época no Corinthians. No princípio os palmeirenses não admitiam o “porco” como mascote e sim o “periquito”. Com o passar dos anos os torcedores e o clube aderiram à idéia e o “porco” foi adotado oficialmente.

O Flamengo, o clube mais popular do país tem como mascote um “urubu” nas cores vermelho e preto. E porque um pássaro tão feio e de hábitos pouco comuns? A escolha aconteceu depois que o professor de educação física, Luis Octávio, torcedor fanático do Botafogo, teve a idéia de levar ao Maracanã um urubu chamado “Caju”, quando de um jogo pelo campeonato carioca de 1969.

Naquela época, os torcedores do Botafogo viviam implicando com os do Flamengo. E como o time rubro-negro contava com vários jogadores negros, os botafoguenses em atos racistas diziam que o Flamengo era um "time de urubu". Por isso, amarrou uma bandeirinha do Flamengo na perna do pássaro e o soltou dentro do estádio. Em vez de ficarem brabos, os flamenguistas gostaram da brincadeira e resolveram adotar a mascote, que deu sorte naquele jogo que o Flamengo ganhou por 2 X 0.

Mas tem animais que os clubes e torcedores não querem nem ouvir falar, pois nasceram de xingamentos adversários e simbolizam coisas desagradáveis: é o caso do “bambi” (veado), São Paulo, e “gambá”, Corinthians. E quem quer ser "traíra", então, sinônimo de quem joga contra o próprio time e os companheiros?

A extensa lista não para por aí: tem “periquito” (Palmeiras-SP, Gama-DF e Goiás), “papagaio (Juventude-RS e Tocantinópoles-TO), "caturrita" (São Paulo-RS), "lobão" (E.C. Pelotas-RS), “canarinho” (Seleção Brasileira), “águia” (Juventus-AC e São Gabriel-RS), “touro” (Sertãozinho F.C.-SP, Intercap-TO e Araguaina-TO), “burro” (Taubaté-SP), “coelho” (América Mineiro), “macaca” (Ponte Preta-SP), “bacalhau” (Vasco da Gama), “jacaré” (Brasiliense-DF), “tigre” (Criciúma –SC, Marília-SP e Ipatinga-MG), “dragão” (América-RN, Oriente-RS e Camaçariense-BA), “morcegão” (Andirá-AC), “castor” (Bangu-RJ), “galo da campina” (CRB-AL), “abelha” (Grêmio Barueri-SP e Grêmio Bagé-RS), “tubarão” (Londrina E.C.-PR), “peixe guarajuba” (Camaçari-BA), “carcará” (Alagoinhas-BA), “timbu” (Náutico-PE), “tucano” (Ipitanga-BA), “gralha azul” (Paraná Clube), “bem-te-vi” (Catuense-BA), “cobra coral” (Santa Cruz-PE), “gavião” (Colinas-TO) e “arara” (União São João-SP e Palmas-TO).

E quantos jogadores e técnicos de futebol carregam nomes ou apelidos de animais? Certamente são muitos, cito apenas alguns: "Leão", ex-goleiro e atual técnico; Donizete "Pantera", ex-atacante do Vasco; "Aranha", goleiro da Ponte Preta; "Ratinho", ex-jogador do Corinthians; "Formiga", ex-jogador do Santos; "Bodinho", "Lula" e "Falcão", ex-jogadores do Internacional; "Coelho", lateral do Atlético Mineiro; "Cardeal", ex-craque do extinto Regimento, de Pelotas-RS; "Canário" e "Pintinho", ex-jogadores do Brasil, de Pelotas-RS; "Galo", ex-jogador do Santos e atual técnico de futebol; "Porca", ex-jogador do Guarany, de Bagé (RS); "Pavão", ex-zagueiro do Flamengo; Walter "Minhoca", ex-Flamengo e Ipatinga; Edmundo,"Bacalhau" ou "Animal", atacante do Vasco e Roberto "Cavalo", ex-jogador do Vitória-BA e atual técnico de futebol. E por aí, vai.

Tem até times: "Guará" e "Jaguar", de Brasília; "Águia de Marabá", de Marabá-PR; "Maracanã", de Maracanaú-CE; "Estrela do Mar", de Fortaleza-CE (extinto); "Fenix", de São Luiz-MA (extinto); "Tangará", de Tangará da Serra-MT; "Formiga", de Formiga-MG; Adap "Galo" Maringá, de Maringá-PR; "Cascavel", de Cascavel-PR; "Ybis", de Olinda-PE; "Tigres do Brasil", Rio de Janeiro; "Condor", de Queimados-RJ (extinto); "Piranhas", Jardim de Piranhas-RN; Atlético "Tubarão", de Tubarão-SC e "Perdigão", de Videira-SC.

Não podemos esquecer dos estádios. O mais famoso é o "Maracanã", nome de uma ave comum na região onde o estádio foi construido; "Morada dos Quero-queros", em Alvorada-RS; "Mariscão", em Capão da Canoa-RS; "Boca do Lobo", do E.C. Pelotas-RS; "Boca do Jacaré", apelido dado ao estádio de Taguatinga-DF, onde o Brasiliense manda seus jogos; "Lobo Solitário", em Guarapuava-PR; "Ninho da Águia", em Rio Brilhante-MS e "Arena do Touro", em Araguaína-TO; (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
"Gato" no futebol é quem falsifica documentos para diminuir a idade (Foto: Globo)

Horácio disse...
Oi Nilo: Esqueceste do "Caturrita", o São Paulo de Rio Grande-RS, que no final deste ano completa 100 anos com uma grande programação. Horácio Gomes
18 de julho de 2008 18:35

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Drogas, uma praga também no futebol

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) suspendeu o jogador Rodrigo Souto, do Santos F.C. que foi pego com vestígios de cocaína, no exame antidoping realizado após o jogo da Copa Libertadores da América entre San José e Santos, realizado em Oruro, na Bolívia, no último dia 17 de março. O primeiro exame e contraprova acusaram a presença da substância benzoilecgonina, metabólico primário da cocaína.

Por enquanto a punição só é válida para jogos promovidos pela entidade, mas é bem possível que ela seja ampliada a toda e qualquer competição. A punição está valendo desde o dia 20 de junho, quando foi realizado o segundo exame (contraprova), em um laboratório do Rio. O processo será encaminhado a FIFA, que deverá julgar a conveniência de recomendar a CBF que também aplique uma suspensão ao atleta.

Rodrigo Souto alegou inocência, mas admitiu ter ingerido líquido e comido "alguma coisa" no hotel de Oruro, onde o Santos estava concentrado para o jogo contra o San José, insinuando que poderia ter sido vítima de sabotagem. O clube paulista pretendia equilibrar suas debilitadas finanças com a venda do jogador para o Lokomotiv, de Moscou, por cerca de seis milhões de Euros. Mas com a acusação de doping, parece que o negócio não sai mais.

Com o caso Rodrigo Souto, a questão do doping volta com força à tona. E com ele a discussão: será que os exames realizados são realmente confiáveis? A pergunta é de difícil resposta, ainda mais depois que se soube que o jogador Marion Jones ao longo da sua carreira, passou por mais de 160 exames antidoping e nada foi encontrado. O próprio jogador admitiu que usou e abusou do doping durante vários anos. Ele usou esteróides, hormônio de crescimento, insulina e até eritropoietina, substâncias com efeitos dopantes a longo prazo e que figuram no grupo de produtos mais procurados pelas autoridades antidoping, fora ou durante competições esportivas.

Espantoso também é o caso do atacante Jardel, ex-Vasco, Grêmio, F.C. do Porto e Sporting, que acaba de confessar que se tornou dependente de cocaína, uma substância que sempre foi proibida no esporte, mas que nos últimos tempos vem se tornando um problema de difícil solução entre os jogadores. Jardel disse que consumiu cocaína apenas nos períodos de férias e nunca durante competições. Se um futebolista usar cocaína após um jogo de fim-de-semana ou no dia de folga, só se jogar no meio da semana e for sorteado para o controle é que poderá ser apanhado.

A cocaína produz efeitos de curta duração, que dão a sensação de hiper-estimulação, redução da fadiga e clarividência mental. É um estimulante forte e provavelmente o agente que mais vicia, segundo a Federação Internacional de Futebol (FIFA) num documento publicado no seu site. O problema é que o uso de cocaína só é proibido durante competições. Mesmo que a droga seja detectada em amostras recolhidas em outras circunstâncias, legalmente nada pode ser feito. Mesma situação para os canabinóides, que são despistados ao mesmo tempo que os anabolizantes: se não forem detectados anabolizantes, as análises devem ser declaradas negativas e os resultados não podem ser comunicados a terceiros, nem por motivos pedagógicos.

O caso mais famoso de doping aconteceu na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos e envolveu o craque argentino Diego Maradona. O jogador já tinha se envolvido com drogas, quando atuava pelo Napoli (Itália). Dessa vez, a substância encontrada na urina do atleta foi “Ephedrina”. Por isso a FIFA o puniu com um ano de suspensão.

No Campeonato Brasileiro do ano passado o jogador Dodô, então no Botafogo foi flagrado no exame antidoping, com a substância “Femproporex”, depois de um jogo contra o Vasco. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu Dodô com 120 dias de suspensão, mas em novo julgamento foi absolvido. O Comitê Antidoping da FIFA julgou o atleta no mês passado e até agora ainda não foi revelado o resultado, que poderá custar dois anos de suspensão ao agora jogador do Fluminense.

Ainda no ano passado o atacante Romário, do Vasco e o lateral Marcão, do Internacional, estiveram envolvidos em casos de uso de substâncias proibidas. Ambos valiam-se de um tônico capilar, para combater a queda de cabelos, porém o STJD entendeu que a droga garantia um rendimento extra dentro de campo.Romário foi absolvido e Marcão teve a pena de 120 dias reduzida em 29 dias.

Nem mesmo a Seleção Brasileira escapou de uma suspeita de doping. Foi durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, quando o goleiro Zeti foi flagrado no exame antidoping, após um jogo contra a Bolívia. O jogador se defendeu dizendo ter tomado um chá de coca servido no hotel onde a delegação brasileira estava concentrada e acabou sendo absolvido.

O primeiro caso de doping conhecido no futebol brasileiro, aconteceu em 1973, envolvendo o jogador Campos, centroavante do Atlético Mineiro em jogo pelo Campeonato Brasileiro contra o Vasco da Gama. Campos, no jogo anterior contra o mesmo Vasco sofreu um choque e ao cair perdeu três dentes, por isso tomou antibióticos e antiinflamatórios, mas o departamento médico do Atlético não informou a CBD. O jogador foi punido, injustamente.

Que se preparem os jogadores: vem aí medidas mais fortes apregoadas pelas agências fiscalizadoras, que levantam a hipótese de proibir até o uso de Viagra. A Agência Mundial Antidoping (WADA), garante que o medicamento, além de melhorar o rendimento sexual, também melhora a performance do atleta, por estimular a circulação sanguínea. (Texto e pesquisa: Nilo Dias).