Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Brasília ganha um novo estádio

Nesta quarta-feira (19) a Seleção Brasileira de Futebol fará seu último jogo do ano, enfrentando amistosamente a Seleção de Portugal, na festa de inauguração do novo Estádio Walmir Campelo Bezerra, o “Bezerrão”, na cidade-satélite do Gama, no Distrito Federal. Craques como Robinho, Cristiano Ronaldo, Kaká,Adriano e Deco, entre outros vão jogar num estádio novinho em folha, que segue as normas mais modernas da Fifa. A capacidade do estádio é para 20 mil pessoas sentadas em cadeiras numeradas, instaladas com certa distância uma da outra, para que não haja tumulto. Os torcedores terão uma visão completa do campo, descartando a existência de pontos cegos.

O entusiasmo dos brasilienses com o novo estádio é tão grande, que pode ser medido pelas palavras do presidente da Federação Brasiliense de Futebol, Fábio Simão: “os jogadores vão se sentir como se estivessem jogando na Europa”. O jogo vai começar às 22 horas. O trio de árbitros é uruguaio, Jorge Larrionda no apito, auxiliado por Walter Rial e Pablo Fandiño. O quarto árbitro será o brasileiro Milton Otaviano dos Santos. A partida terá transmissão ao vivo pela Rede Globo e SporTV.

O GDF vai gastar R$ 12 milhões com o evento, R$ 9 milhões para trazer as seleções Brasileira e de Portugal e mais R$ 3 milhões com a estrutura e organização da festa. Vai ter queima de fogos e enfeites espalhados por toda a cidade para acompanhar o trajeto dos jogadores até o estádio. Momento que os vizinhos da nova atração do Gama esperam ansiosos. A programação das festividades do Bezerrão começou no último sábado (15), com a Missa inaugural presidida por D. João Braz de Aviz, Arcebispo de Brasília e co-celebrada pelo Padre do Setor VII do Gama e Santa Maria. O evento teve a apresentação de Zizza Fernandes e Dalvimar Gallo.

Hoje (17), foi a vez dos evangélicos que celebraram um culto de ação de graças pelo pastor Gean Porto e shows com o pastor Egmar e os cantores Valdirene e Sanny, além das bandas "Passageiros de Cristo" e "Trazendo a Arca". Na quarta-feira haverá shows do lado de fora do estádio, onde também serão colocados telões para transmissão do jogo. As celebridades Felipe Massa, Romário e Pelé,que dará o pontapé inicial já confirmaram presença no evento. O Hino Nacional Brasileiro será interpretado pelo cantor Zezé di Camargo , e o de Portugal pela cantora Eugénia Melo de Castro.

A Seleção Brasileira chegou hoje (17) em Brasília e está hospedada no Alvorada Park Hotel (antigo Blue Tree). Amanhã (18) haverá treinamento, às 16h15min, no “Bezerrão”. A venda de ingressos para o amistoso começou no dia 13 de novembro, com os seguintes valores: arquibancada entre R$ 180 e R$ 250; meia-entrada, de R$ 90 a R$ 125 e cobertura R$ 200, o que faz prever que o estádio não terá lotação completa. Cerca de 1.500 ingressos foram sorteados entre os moradores do Gama, no domingo 16, frente o estacionamento do estádio. Para concorrer as pessoas levaram 1kg de alimentos não perecíveis. Outros quinhentos ingressos foram distribuídos entre os operários que trabalharam nas obras e mais 7.360 para convidados do GDF e patrocinadores.

A Administração do Gama convocou o Programa Cidade Limpa para realizar uma faxina geral na cidade. Forame feitos trabalhos de podagem, roçagem, limpeza de entulhos e tapa buracos ao redor do estádio e nas avenidas principais.

O nome do estádio é uma homenagem a Antônio Walmir Campelo Bezerra, que foi o administrador do Gama durante a primeira construção. O velho estádio foi inaugurado em 9 de outubro de 1977, com o jogo Gama 1 X 2 Botafogo (RJ). O atacante Gil, do time carioca anotou o primeiro gol. O público recorde, 14.740 pessoas foi no jogo Guará 2 X 1 Gama, disputado no dia 15 de abril de 1979.

O “Bezerrão” começou a ser demolido no fim de 2005. Da arquitetura original, sobrou apenas parte da arquibancada norte, que será usada para comportar eventos de grande porte, como shows a céu aberto, mas ficará no lado de fora do estádio, já que novas arquibancadas foram erguidas. A idéia é de que o novo estádio receba apenas jogos de futebol.

Todos os itens do processo estão de acordo com as normas do Estatuto do Torcedor, do Regulamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para campeonatos de primeira divisão e das recomendações da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para estádios de futebol. O "Bezerrão" foi construído seguindo o caderno de encargos da Fifa. Por exemplo: o alambrado balança, não é duro. Pode parecer que é ruim isso, mas é o recomendado para caso haja confusão, pois ele dobra e não machuca as pessoas.
O garoto-propaganda do novo estádio é Romário. Em um comercial exibido em Brasília, o "Baixinho", de camisa verde, passeia pelo estádio e aprova: "Logo agora que eu parei de jogar é construído um estádio como este..."

A iluminação instalada no “Bezerrão” tem 242 pontos de luz. Além disso, conta com cabines de transmissão climatizadas (quatro para televisão e oito para rádio), vestiários espaçosos e banheiras de hidromassagem. A partir de uma sala é possível monitorar cada ângulo do estádio: 104 câmeras vão garantir a segurança fora e dentro do estádio. O “Bezerrão” conta ainda com moderno placar eletrônico, catracas, sistemas de drenagem e irrigação, sala de musculação para os atletas, sala para entrevistas coletivas, dois camarotes (um foi reservado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no entanto não irá ao jogo), dois elevadores e 200 lugares para pessoas com deficiência de locomoção.

O gramado mede 105 m x 68 m, em uma área interna de 128 m x 81 m. A grama escolhida foi a Bermuda Tifton 419, que é usada também no Mané Garrincha. A irrigação é computadorizada. O gramado anterior media 100 m x 75 m. Quem for de carro aos jogos não encontrará problemas: serão oito mil vagas de estacionamento.

A capacidade do estádio é para 20 mil pessoas. As Arquibancadas Norte e Sul têm capacidade para três mil lugares cada uma, a Leste seis mil e a Oeste para oito mil lugares. As quatro arquibancadas dispõem de banheiros e bares na parte de baixo, além de um anfiteatro, vestiários, acomodações para a Federação, sala dos juízes, sala de médicos e sala de imprensa. Atrás da arquibancada (parte externa) foi construído um galpão para ensaios e apresentações da Escola de Samba da Mocidade do Gama.de um anfiteatro e dos vestiários, haverá acomodações para a federação, sala dos juízes, sala de antidopping, sala de médicos e sala de imprensa.

Os moradores do Gama ainda serão beneficiados com uma Vila Olímpica em construção ao lado do estádio. A unidade terá duas piscinas semi-olímpicas, sendo uma infantil, ginásio coberto, quadra poliesportiva coberta, campo society, quadras de tênis e de vôlei de areia, pista de skate, playground e um prédio administrativo com auditório. Para freqüentar as atividades oferecidas pela Vila Olímpica, a criança ou adolescente terá que estar regularmente matriculado em alguma escola e ter boas notas. Todos os alunos serão acompanhados por equipe multidisciplinar composta por pedagogos, psicólogos e assistentes sociais.

No novo “Bezerrão”, que pertence ao Governo do Distrito Federal (GDF) e será utilizado pela Sociedade Esportiva do Gama foram gastos R$ 60 milhões. O estádio é um exemplo de construção para todo o Brasil. O Engenhão, por exemplo, custou R$ 500 milhões, e não se compara a este. O projeto inicial do arquiteto Ruy Ohtake previa duas pétalas e capacidade para 40 mil pessoas. Como o custo da obra ficaria alto demais a capacidade foi reduzida para vinte mil torcedores, podendo ser ampliado futuramente. A expectativa é de que o estádio venha receber treinos de seleções durante a Copa do Mundo e servir de exemplo para o projeto maior que será o Mané Garrincha.

O projeto de reformulação do estádio Mané Garrincha é o grande trunfo de Brasília na luta para sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014. Mas se o jogo inicial da competição for para outra praça, o planejamento da capital federal pode sofrer uma alteração drástica.

No seminário de apresentação das cidades candidatas, Brasília apresentou como alternativa apenas a remodelação do Mané Garrincha, mas a idéia é implodir o estádio e substituí-lo por uma arena multiuso nos moldes dos principais estádios europeus, com 63 mil lugares e custo de R$ 300 milhões, podendo receber outros eventos, como shows. A Fifa exige uma capacidade mínima de 60 mil espectadores para abrigar a abertura ou a decisão de uma Copa.

O projeto do novo Mané Garrincha conta ainda com lojas, área de convivência, restaurantes e um transporte sobre trilhos para ligar o estádio diretamente com o aeroporto. Mas tudo isso depende do jogo político que vai se desenrolar até a definição do palco da abertura. Caso o primeiro jogo da Copa de 2014 seja confirmado para Belo Horizonte ou São Paulo, outras cidades candidatas, Brasília já admite rever seu projeto, podendo levar suas partidas do Mundial para o estádio “Bezerrão”. Se isso ocorrer, o estádio terá que passar por novas intervenções, pois a FIFA exige um mínimo de 40 mil espectadores para jogos de Copa do Mundo.

Diante dessas duas opções, o governador de Brasília, José Roberto Arruda, preferiu adotar postura reticente antes de dizer qualquer coisa, pois ainda é muito cedo para conclusões. Por enquanto foi aberta concorrência internacional e as grandes empresas do mundo estão analisando o projeto de implosão do Mané Garrincha.

A proposta de Brasília para a remodelação de seu maior estádio é baseada no que aconteceu com outras arenas visitadas pelo governador José Arruda, que esteve em Wembley e Lisboa e concluiu que o conceito de praça de eventos multiuso hoje é diferente do que existia há 30 anos. Caso o projeto do Mané Garrincha encontre investidores, pode ser tocado independentemente da sede da decisão. Se isso acontecer, o “Bezerrão” será oferecido como estádio para treinos das seleções que disputarão a Copa. (Pesquisa: Nilo Dias)



Fachada e interior do novo "Bezerrão" (Fotos: George Gianni e Mary Leal)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Avaí, enfim o retorno a Série A

O atacante Evando que marcou o gol da vitória do Avaí sobre o Brasiliense na noite da última terça-feira (11), no Estádio da Ressacada, em Florianópolis, entrou definitivamente para a história do clube do coração do ex-tenista Gustavo Kuerten, o Guga. Depois de 29 anos o alvi-azul catarinense volta a Divisão Principal do futebol brasileiro. A última vez que o clube participou da Série A foi no distante ano de 1979 quando Guga, nascido em 1976 tinha apenas três anos de idade. Ates disso, o clube havia participado do principal campeonato do país em 1974, 1976 e 1977.

O clube começou a nascer na casa do comerciante Amadeu Horn, um desportista que ainda sentia saudade do Club de Remo Riachuelo, seu time de coração que não existia mais. Foi em homenagem ao extinto alvi-azul, que ele doou um jogo de camisetas listradas em azul e branco, calções e meias azuis, uma bola e chuteiras para que um grupo de garotos que jogavam futebol em um campo improvisado e esburacado na rua Frei Caneca, no bairro Pedra Grande (atual Agronômica), pudessem se organizar melhor.

Interessado em ajudar a garotada, Amadeu resolveu entrar de corpo e alma na empreitada. Convocou uma reunião para a manhã de 1º de setembro de 1923, um sábado, em sua própria casa, para fundar de maneira oficial o Independência Foot-Ball Club, nome já usado pelos garotos em dois jogos disputados. Como não poderia ser diferente, Amadeu foi escolhido para primeiro presidente. Quando a reunião se encaminhava para o final chegou o jovem Arnaldo Pinto de Oliveira que sugeriu a imediata troca de nome do time, pois achava que Independência seria um nome complicado para a torcida gritar em apoio ao time.

E o próprio Arnaldo, que estava lendo um livro sobre a história do Brasil foi quem sugeriu o nome Avahy, em referência à Batalha do Avahy, que foi aceito por unanimidade. Na reunião ainda ficou decidido que cada um dos atletas iria colaborar mensalmente com a quantia de 10 tostões. Começava aí a bonita história do então Avahy Foot-ball Club. Em 1937 a grafia foi mudada para Avaí Futebol Clube, que permanece até hoje.

O primeiro jogo do hoje Avaí aconteceu poucos dias antes da fundação oficial, no campo do Baú, e com o nome provisório de Independência. Pena é que os detalhes desse histórico acontecimento tenham se perdido no tempo. Do jogo se sabe apenas que o adversário foi o Humaitá, da localidade de Pedra Grande, precursor do Figueirense, e o Avaí o vencedor. Mas o escore e goleadores ninguém sabe, por isso permanece uma lamentável lacuna na história do clube, o desconhecimento do autor do primeiro gol.

Dias depois os dois times se enfrentaram novamente e o Avaí ganhou de novo, mas também não se tem detalhes do jogo. Foi a partir desses jogos que tomou força a idéia de ser fundado um clube realmente organizado.

Já consolidado como clube de futebol e contando com muitos torcedores, o Avahy juntou-se a outros clubes do Estado e foi um dos fundadores em 12 de abril de 1924 da Liga Santa Catarina de Desportos Terrestres (LSCDT), antecessora da atual Federação Catarinense de Futebol (FCF). Nesse mesmo ano a Liga promoveu o 1º Campeonato Catarinense de Futebol, com o Avahy conquistando o título e se tornando o primeiro clube campeão estadual de Santa Catarina. O time base era: Boos – Loureiro e Zequinha – Zanzibar - Waldemar e Joel – Acioly – Maciel – Mambrini - Aroldo e Carlos Pires.

Os jogos dos primeiros campeonatos foram disputados no campo do Gymnásio Catharinense (atual Colégio Catarinense). A partir de 1937, os times de Florianópolis passaram a mandar seus jogos no Estádio Adolfo Konder, adquirido pelo governo do Estado, na gestão do governador Nereu Ramos, e doado a LSCDT. Em 1973, graças a um projeto de lei do então deputado Fernando José Caldeira Bastos (que presidiu o Avaí por duas vezes) e que foi sancionado pelo governador Colombo Salles, o estádio passou a ser propriedade do Avai.

O grande craque Pelé jogou uma única partida no antigo Estádio Adolfo Konder. Foi no dia 31 de março de 1971, num amistoso contra o Avaí. O jogo, que registrou o recorde de público do estádio com 19.985 pessoas, terminou com a vitória do time paulista por 2 X 1.

O Estádio Adolfo Konder serviu ao Avaí até o ano de 1983, quando foi aposentado. O novo Estádio Aderbal Ramos da Silva, popularmente chamado de Ressacada, foi inaugurado no dia 15 de novembro de 1983, num jogo em que o Avaí levou 6 X 1 do Vasco da Gama do Rio de Janeiro. O jogador vascaíno Wilson Tadei entrou para a história ao marcar o primeiro gol no novo estádio.

O Avaí é detentor de um feito histórico nacionalmente e registrado no Guiness Book, o livro dos recordes: é o responsável pela segunda maior goleada em jogos oficiais ocorrida no futebol brasileiro em todos os tempos, recorde que depois foi igualado pelo Náutico de Pernambuco. A maior foi Botafogo 24 X 0 Mangueira, pelo campeonato carioca de 1909. Na década de 40 o Avaí montou uma das melhores equipes que o futebol catarinense conheceu e que a imprensa do Estado chamava de “Esquadrão Azurra”, uma referência à seleção italiana, bicampeã do mundo, 1934 e 1938.

O time era realmente fantástico: Adolfinho – Fateco e Tavinho – Felipinho – Chocolate e Aldo Nunes – Zachi – Nizeta – Bráulio - Tião e Saul. A torcida exigia que além de ganhar, o time tinha que dar espetáculo e golear os adversários. No dia 13 de maio de 1945 o Avaí aplicou incríveis 21 X 3 no Paula Ramos. No dia 1º de julho de 1945 o Náutico aplicou o mesmo placar no Flamengo pernambucano, igualando a marca do Avaí.

A maior goleada no clássico contra o Figueirense aconteceu no dia 20 de fevereiro de 1938, quando o Avaí aplicou 11 X 2 no tradicional adversário. Esse jogo também marcou a estréia de Saul, atacante alvi-azul, que até hoje é o maior artilheiro do clássico, com 41 gols em 45 jogos, atuando sempre pelo Avaí. O primeiro jogo entre os dois rivais foi um amistoso disputado em 13 de Abril de 1924, no Estádio Adolpho Konder, vencido pelo Figueirense por 4 X 3.

Em 1973 o Avaí fez sua primeira excursão internacional com jogos no Uruguai e Argentina: 3 X 3, contra o Peñarol, novo 3 X 3 com o Velez Sarsfield e 2 X 2 com o Argentino Juniors. Em 1974, o Avaí voltou à Argentina para disputar a “Taça Atlântida”, em Rosário, quando perdeu para o Newll's Old Boys por 3 X 0. Em 1976, o Avaí realizou a sua maior excursão internacional, jogando em quatro países: México, El Salvador, Costa Rica e Chile, contabilizando três vitórias, quatro empates e uma derrota.

O mascote do clube é um leão, oficiliazado depois de uma enquete realizada entre os associados e torcedores. Quem redesenhou o personagem foi o cartunista Alexandre Beck, em parceria com o Departamento de Marketing do clube. Foram apresentadas cinco opções de mascotes para a torcida e o leão vencedor foi aprovado com 28% dos votos. O leão será utilizado nas campanhas oficiais do clube e também nos produtos licenciados. O próximo passo será a realização de um concurso para definir o nome do Leão, que futuramente estará nos gramados da Ressacada para animar os torcedores. (Pesquisa: Nilo Dias)
Torcida do Avai fez merecida festa para saudar retorno a Série A do Brasileirão (Foto: site oficial do Avai F.C.)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Pobres milionários (2)

Ainda em 1974, o mineiro José Santana da Silveira, maquinista da siderúrgica Belgo-Mineira apostou 2 cruzeiros na Loteria Esportiva e embolsou o equivalente a 2,5 milhões de dólares, uma montanha de dinheiro. Nos primeiros dias ele tratou de ajudar a família, comprando uma bonita casa, um terreno e uma fazenda para criação de gado. Mas o dinheiro que sobrou, foi mal aplicado. Emprestou para pessoas que além de não o pagarem, fugiram da cidade.

Isso contribuiu para que adoecesse, vindo a falecer ao início de 1999. A viúva, dona Teresinha herdou R$ 15 mil numa caderneta de poupança, uma casa que está à venda por R$ 180 mil e uma mala cheia de promissórias e cheques sem fundo.

O boiadeiro Miron Vieira de Souza, de Iporá (GO), faturou sozinho 22 milhões de cruzeiros, hoje cerca de R$ 16 milhões no Concurso 254 da Loteria Esportiva, em setembro de 1975, na época considerado o maior prêmio da Loteca e do mundo em concursos de prognósticos. Ele estava de aniversário e ganhou um presente para ninguém botar defeito. Sua primeira compra depois de se tornar milionário foi uma dentadura.

Depois adquiriu terras que se espalhavam até onde a vista alcançava, com quilômetros de cerca e centenas de bois. Um pequeno império. No começo da vida milionária passou por momentos difíceis, quando ainda desacostumado com tanto dinheiro, pagava banquetes e noitadas para os amigos. Ainda teve tempo de se recuperar. De lá pra cá, ainda ganhou quatro vezes na loteria, mas todos os prêmios foram baixos. A última vez foi na Copa de 1998, cerca de 6 mil reais que foram aplicados na compra de dez bezerros. Hoje, Miron vive feliz com a família, tendo dividido os bens com os filhos e netos.

O gaúcho Paulo Tadeu Stolfo, funcionário de uma marmoraria em Santana do Livramento jogou 1 real e ganhou o correspondente a 5,4 milhões de dólares em 1995. Mudou-se com a família para um apartamento dúplex de cobertura, comprou um carrão importado, montou uma fábrica de produtos de couro e retomou o ritmo de vida que tinha antes do prêmio.

Joaquim Dias Chaves, um carroceiro da cidade de Assis, no interior de São Paulo, que vivia com meio salário mínimo mensal para sustentar sua família de cinco filhos, tem história parecida. Acertou a Supersena em 1996. O prêmio foi correspondente a 152.000 dólares. Joaquim é analfabeto. Depois da notícia de sua sorte, foi procurado por muita gente. Tinha mulher convidando para sair, vizinho pedindo dinheiro emprestado. Mas ele soube resistir: comprou um sítio, três casas para a família e uma chácara. Aos 69 anos de idade, continua levantando da cama de madrugada para lidar com o gado e cuidar de suas terras.

Em julho de 1977, quando tinha apenas 19 anos de idade, o agricultor Antônio Donizeti acertou na Loteria, faturando 16,1 milhões de cruzeiros, hoje mais de R$ 20 milhões. Em três anos ele estava literalmente “quebrado”, havia gasto quase tudo com mulheres. Sorte sua é que antes das noitadas de farra, comprara um pequeno sítio em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres de Minas Gerais, onde nasceu e mora até hoje e planta feijão e milho.

Nenhum caso aqui narrado se compara ao de Nivaldo Eduardo dos Santos, um dos primeiros milionários da Loteria Esportiva. Ele tinha 27 anos de idade quando foi bafejado pela sorte. No teste 96, de 16 de julho de 1972, ele ganhou 2.967 milhões de cruzeiros, o equivalente a R$ 6 milhões, dinheiro suficiente para comprar na época mais de 300 carros populares, ou cerca de 60 apartamentos de três quartos em um bairro de classe média de Salvador, ou ainda 950 mil sanduíches Big Mac.

E o que ele fez? Torrou toda a grana em intermináveis noitadas com mulheres e uísque importado. Com a carteira recheada, chegou a conquistar algumas das mais bonitas mulatas do Sargentelli. Durante os seis anos de vida boa, fez da ponte aérea Salvador-Rio de Janeiro um percurso tão banal como ir do Farol da Barra até a praia de Stela Maris. Se tinha jogo do Bahia no Maracanã, pagava a viagem de 20 amigos, de avião, para a capital carioca.

Não bastasse isso, ainda fez péssimos negócios com investimentos malfadados em letras mortas e sociedades em negócios falidos, como o primeiro check-up eletrônico para veículos em Salvador, a Oficina Auto Elétrica 2001, nos Dendezeiros, que lhe rendeu processos trabalhistas dos quase 20 empregados e uma dívida com a Justiça, que o levou a prisão. Isso, sem falar nos cinco carros Dodge Dart que comprou e nas casas que deu de presente para mulheres do Pelourinho.

Mas, dinheiro não dura para sempre, um dia termina. Nivaldo viu seu sonho se transformar em pesadelo. O dinheiro, como chegou foi embora. Quem não pensava mais em pobreza, hoje vive de braços dados com ela. Nivaldo precisa dormir num albergue na Barroquinha e batalhar por uma aposentadoria por invalidez. Sobrevive das migalhas de quem deixa um carro estacionado aos seus cuidados. Os dentes de ouro que antes exibia em largos sorrisos, foram todos extraídos. Os primeiros vendidos para pagar dívidas, os outros para comprar comida. Hoje, Nivaldo exibe uma boca mole e desdentada.

E como desgraça nunca vem só, ainda sofre de hanseníase. Os dedos encolheram e parecem estar pela metade. A pele está descascada em úlceras brancas e secas. Mas a doença nem é o mal maior, sim as lembranças de um passado recente de riqueza, que ele jogou fora. Tristes recordações de quem um dia foi vizinho de craques do Flamengo, nos apartamentos de Ipanema. (Pesquisa: Nilo Dias)
Nivaldo Eduardo dos Santos, foi o pior exemplo. Em seis anos passou de milionário a pedinte. (Foto: Jornais da época)

Pobres milionários (1)

A Loteria Esportiva, popularmente chamada de “Loteca” é o mais antigo dos concursos de prognósticos promovidos pela Caixa Econômica Federal (CEF). Tudo começou em 19 de abril de 1970, quando aconteceu uma rodada experimental no antigo Estado da Guanabara. O jogo mínimo custava dois cruzeiros novos, com um duplo, o jogo com um triplo custava três cruzeiros novos. O prêmio foi fixado em 200 mil cruzeiros novos, com cem mil bilhetes concorrendo. Para ter direito ao prêmio, o apostador precisava acertar os 13 jogos selecionados pela agência “Sport Press”, contratada pela CEF. Ninguém conseguiu. Mas oito apostadores bateram na trave, e foram premiados com doze pontos.

Depois disso, outras rodadas experimentais foram realizadas: em 3 de maio, também na Guanabara, e em 17 de maio, em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. Oficialmente o concurso teve início em 7 de junho daquele ano. Curiosamente foi nesse concurso que pela primeira vez foram acertados os 13 pontos. Já o primeiro apostador a ganhar o prêmio sozinho foi Gilberto Furtado Medeiros, no teste número 5, realizado em 28 de junho, mas sem marcar os treze pontos. Ele errou apenas um jogo, num teste que teve oito empates.

Naquela época não existia a avançada tecnologia de hoje. Era preciso preencher um cartão que era entregue na casa lotérica, que usava uma máquina manual da IBM, chamada “Port a Punch”, para furar dois cartões, sendo que um ficava como comprovante com o apostador. No domingo, depois de finalizados todos os jogos, um computador da CEF levava 17 minutos para processar as apostas, lendo cartão por cartão até encontrar os premiados. Nove pontos era o mínimo para o prêmio ser rateado. Depois, seguia com o mesmo processo até achar cartões com 10, 11, 12 e 13 acertos. Quando algum jogo não era realizado, na segunda-feira acontecia um sorteio e também o processamento.

Tem um velho ditado que diz: “Deus dá rapadura, para quem não tem dente”. É claro que eu não compartilho desse pensamento, pois como cristão que sou, acredito que cada um recebe nesta vida aquilo a que tem direito. Quem somos nós para tentar decifrar o enigma do porque alguns têm tudo e outros nada? Mas o meu propósito não é o de discutir questões religiosas, sim o de mostrar a trajetória de alguns ganhadores da Loteria Esportiva e o destino dado a verdadeiras fortunas.

A Loteria Esportiva em pouco tempo transformou-se em uma verdadeira coqueluche nacional. Os valores pagos a cada semana eram milionários. Nas casas de apostas as filas eram cada vez maiores. Afinal, quem não gostaria de ficar rico da noite para o dia?

Neste artigo vamos mostrar como algumas pessoas lidaram com as fortunas ganhas. O maquinista Jovino Viriato do Carmo ganhou em agosto de 1970, 2,9 milhões de cruzeiros, ou R$ 5,4 milhões de hoje. Seu primeiro ato como novo milionário foi comprar uma fazenda em Vassouras, no Médio Paraíba fluminense. Sem experiência na atividade rural, acabou contraindo muitas dívidas. Alguns anos depois foi obrigado a vender a fazenda, para honrar compromissos e cuidar do filho, viciado em drogas. Morreu pobre, em 2000.

Um dos casos mais conhecidos foi o de Eduardo Varela, o “Dudu da Loteca”, que ficou milionário de uma hora para outra. Em maio de 1972, no teste 85, ele acertou uma “zebra” inesperada no jogo entre Corinthians e Juventus, no Pacaembu. O Corinthians tinha 95% das apostas, enquanto o “Moleque Travesso” vinha de cinco derrotas consecutivas. O meia Brecha, ao marcar o gol da vitória grená por 1 X 0, encheu os bolsos de “Dudu”, que ganhou nada mais, nada menos, do que 11,6 milhões, aproximadamente R$ 18,2 milhões.

Com 23 anos de idade e um “caminhão” de dinheiro ele comprou casas e apartamentos, um deles na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, um dos endereços mais caros do País. Sem experiência em negócios, acabou investindo altas cifras em dois hotéis em Campos de Jordão (SP), que acabaram falindo. Isso não o deixou pobre. O pior viria depois, quando se separou da mulher. Ele havia feito outra “burrada”, ao colocar quase todos os imóveis, inclusive o da Vieira Souto, no nome do sogro. Com a separação, perdeu tudo. Sobraram apenas duas salas no centro do Rio de Janeiro e um imóvel em Itaipava, região serrana do Rio. Na época, o ex-milionário trabalhava como funcionário de uma corretora de valores.

Já o comerciante Mário Alberto Ronconi, de Santa Tereza, no Espírito Santo, ganhou em novembro de 1972, 14 milhões de cruzeiros, o equivalente a R$ 20,4 milhões de hoje. É verdade que ele não ficou com toda essa grana. Teve que dividir com mais 18 amigos, com quem havia feito um bolão. A sua parte, ele aplicou num fundo de investimento, mas se deu mal. Seis meses depois a inflação já havia acabado com metade do prêmio.

Com o dinheiro que restou, entrou como sócio numa rede de supermercados. Outra decepção, mais perdas num prazo de seis meses. Sem mais alternativas teve que sair da sociedade. Com as sobras do prêmio comprou um posto de gasolina, que mantém até hoje e lhe garante uma estabilidade financeira.

Final triste teve o apostador baiano Francisco Portela, que em abril de 1974 ganhou 14,7 milhões de cruzeiros, mais ou menos R$ 15,9 milhões em valores atuais. Ele aplicou o dinheiro na construção imobiliária em Salvador e em seguida foi a falência. Hoje, mora nos Estados Unidos, onde trabalha como funcionário de um escritório de contabilidade. (Pesquisa: Nilo Dias)
Apostadores em busca da fortuna (Foto: Divulgação)

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O preço de uma paixão

Quem não sonhou em um dia ganhar na loteria? Com certeza, todo o mundo. É a oportunidade que se tem para a realização de quase todos os desejos. Mas não é nada fácil. O cearense José Antônio Abílio de Lima foi uma dessas raras pessoas bafejadas pela sorte. Em 1977 ele ficou milionário, graças a uma de suas filhas, Maria José, que na época tinha 14 anos e acertou os 13 jogos de um concurso da Loteria Esportiva, recebendo um prêmio de 3,7 milhões de cruzeiros, o equivalente hoje a 2,5 milhões de reais.

José Abílio nunca fora um homem de muitas posses. Garantia o sustento da família com uma pequena banca onde recolhia apostas lotéricas, que levava para Fortaleza uma vez por semana. Naquela época ainda não havia nenhuma agência lotérica em Quixadá, cidade distante 168 quilômetros da capital. Muito apegada ao pai, a filha Maria José, carinhosamente chamada de “Mazé” gostava de passar os dias na banca brincando de preencher cartões de apostas. Um dia, a menina insistiu para fazer um jogo de verdade, e o pai acabou concordando.

E qual não foi a surpresa de José Abílio ao conferir a aposta: sua filha havia sido a feliz contemplada com o prêmio milionário. Maria José, hoje com 45 anos de idade e professora em uma escola pública de Fortaleza, disse que marcou os resultados de forma aleatória, pois não entendia nada de futebol. Se entendesse um pouquinho só, certamente não teria marcado empate no jogo entre as seleções do Brasil X Colômbia, uma verdadeira zebra.

Como Maria José era menor de idade, o dinheiro foi para a conta de seu pai, que não perdeu tempo e no dia seguinte comprou um sítio na zona rural de Quixadá, algumas casas, um carro e abriu uma agência lotérica na mesma rua da antiga banca. Com todo aquele dinheiro José Abílio poderia ter oferecido uma vida de luxo para sua família. Mas não foi assim. O investimento em bens ficou só naquilo.

Ninguém em sã consciência jamais poderia imaginar que José Abílio iria gastar quase toda a fortuna num time de futebol. Mas foi o que aconteceu. A paixão pelo Quixadá Futebol Clube, time do qual era o presidente falou mais alto do que qualquer outra coisa. A voz da razão não conseguiu ser ouvida. Paixão é um sentimento que impede de se raciocinar com a lógica, é amor ardente e violento, sentimento profundo. É o amor obsessivo, é o amor que se desequilibra. Só isso pode explicar o que aconteceu.

A fortuna inesperada não fez de José Abílio um homem diferente do que sempre foi, permanecendo humilde e amigo de seus amigos. Era comum vê-lo pelas ruas da cidade calçando chinelas japonesas e pedalando a inseparável bicicleta.

José Abílio era fanático por futebol. Não conseguia se concentrar no trabalho, o Quixadá ocupava seus pensamentos e era sua principal prioridade. Ele era tão louco por futebol que assistia a um jogo pela TV e ouvia outro no rádio.

Com José Abílio no comando o Quixadá viveu dias inesquecíveis. Ele contratou muitos jogadores de nome, entre os quais o atacante Cícero Ramalho, que foi artilheiro do campeonato Cearense de 1988, comprou uma casa para a sede do clube, mandou confeccionar novos uniformes, alugou o melhor ônibus da região para as viagens do time e pagava de seu próprio bolso toda a folha salarial do clube.

No início da década de 1990 quando quase todo o dinheiro da loteria já havia sido gasto com o futebol, José Abílio descobriu que tinha câncer de próstata. Para custear o tratamento teve de vender alguns bens e recorrer aos amigos. Ele morreu em 1993, aos 69 anos de idade. A filha Maria José, que marcou o cartão de loteria premiado, garante que nunca se sentiu frustrada pelo fato do pai ter gasto quase todo o dinheiro com o Quixadá F.C. Ela conta que muita gente criticou, mas o sonho que ele realizou foi o maior prêmio. Para conquistar o apoio de “Mazé”, José Abílio a presenteou com uma coleção de discos de Roberto Carlos.

Os demais integrantes da família também não guardam nenhum tipo de ressentimento pelo destino dado ao dinheiro, embora admitam que a gastança com o futebol tenha provocado alguns atritos em casa. Ninguém sabe ao certo quanto ele gastou com o Quixadá. A viúva, Antônia Azevedo de Lima, guarda vários recortes de jornais sobre o marido e até uma enciclopédia que aborda sua importância na história do Quixadá. A maior relíquia são os canhotos do depósito de 3,7 milhões de cruzeiros do prêmio da loteria esportiva.

Dos cinco filhos do casal, duas mulheres são professoras e as outras duas donas de casa. O único filho homem, José Azevedo Lima trabalha como servidor público em Quixadá.

Quando vai a Quixadá, “Mazé” costuma visitar a agência lotérica que foi de seu pai, e nunca falta alguém para pedir que preencha alguns cartões. O povo pensa que, porque ela ganhou uma vez, vai ter sorte a vida inteira. A agência não pertence mais à família e, se José Abílio ainda fosse vivo certamente ficaria triste, porque agora escudos do Ceará e Fortaleza dominam o local.

Em 1996, três anos depois da sua morte, a Câmara Municipal de Quixadá deu ao estádio da municipalidade o nome de José Antônio de Lima, o “Abilhão”, como é carinhosamente chamado, uma justa homenagem a um desportista que colocou a paixão pelo clube do coração acima de qualquer coisa. O estádio de Quixadá, com capacidade para receber 5 mil torcedores é conhecido em todo o país por ter sido recordista na mudança de nome. Foi inaugurado em 1968 com o nome de Luciano de Queiroz. Depois a Câmara de Vereadores mudou o nome para José Baquit, mais tarde para Estádio dos Imigrantes, novamente para Luciano Queiroz e, finalmente, para o nome atual de José Antônio Abílio de Lima.

O presidente da Câmara Municipal de Quixadá, Cristiano Góes, afirma que não haverá mais troca de nome do Estádio. Ele explica que na atual legislatura foram feitas mudanças no Regimento Interno da Casa que não permitem mais essa prática. Agora tudo terá que passar por um rigoroso processo junto a população da cidade.

Dinheiro posto fora a parte, José Abílio foi muito diferente da maioria dos “cartolas” que comandam o futebol brasileiro nos dias de hoje. Ele nunca usou o clube para tirar alguma vantagem. Nunca almejou cargos públicos, nem retorno financeiro, até porque o clube nunca teve uma grande torcida. Ele era simplesmente maluco pelo Quixadá, e gastar dinheiro com o time era o seu vício. Toda a família concorda em uma coisa: se não ganhasse na loteria, ele teria gasto o dinheiro que tinha com o time, do mesmo jeito. Quando ganhou na loteria, ele pôde alimentar sua paixão. (Pesquisa: Nilo Dias)
José Antônio Abílio de Lima gastou grande parte de um prêmio da Loteria Esportiva, com o time do Quixadá do Ceará (Foto: Acervo da Família)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

No futebol brasileiro são poucos os clubes centenários

O primeiro jogo de futebol no Brasil aconteceu há 113 anos. Foi no dia 15 de abril de 1895, na Várzea do Carmo, em São Paulo, reunindo funcionários da Companhia de Gás (The Gás Co) X Companhia Ferroviária São Paulo Railway (SPR). Os jogadores eram todos associados do São Paulo Athletic Club, fundado em 13 de maio de 1888 e que se dedicava a prática do criquete. Nada a ver com o atual São Paulo F.C.. Esse jogo foi a semente que tornou o SPAC o primeiro clube de futebol no Brasil, que existe até hoje, embora não pratique mais o futebol profissional. Tem sua sede social na Travessa Visconde de Ouro Preto, no centro de São Paulo

Depois do primeiro jogo, o futebol não demorou a se espalhar pelo país, surgindo várias agremiações esportivas em todos os Estados. Em São Paulo tivemos os tradicionais S.C. Americano (21-05-1903, extinto), S.C. Germânia, atual E.C. Pinheiros (07-07-1899), S.C. Internacional (19-08-1898, extinto), A.A. das Palmeiras (09-01-1902, extinto), C.A. Paulistano (29-12-1900) e A.A. Mackenzie College (18-08-1898, extinto). Todas elas abandonaram o futebol, faz muito tempo. Algumas existem até hoje como entidades sociais e voltadas a outras atividades esportivas.

Citar aqui todos os clubes que se dedicaram ao futebol nos primórdios do esporte no Brasil, ocuparia muito espaço. Vou me limitar apenas aos que resistiram o passar dos anos e venceram todas as dificuldades que tiveram pela frente. Entre os clubes profissionais de futebol existentes no Brasil e em atividade, apenas 30 já atingiram os 100 anos. Se acrescentarmos São Paulo Athletic, Pinheiros e Paulistano que já praticaram o esporte e hoje são apenas clubes sociais, a soma chega a 33.

Muitos podem não entender por que C.R. Flamengo (15-11-1895), C.R. Vasco da Gama (21-08-1898), São Cristõvão F.R. (12-10-1898) e S.C. Vitória da Bahia (13-05-1896), não são os clubes mais antigos do futebol brasileiro. A razão é simples. Quando foram fundados todos eles se dedicavam a outras modalidades esportivas, em especial o remo.

O futebol do Flamengo é dissidente do Fluminense. Em 1911, o tricolor estava às vésperas do título carioca, mas atravessava grave crise interna. O capitão do time, Alberto Borgeth (que remava pelo Flamengo), se desentendeu com os dirigentes e, depois de conquistado o campeonato, liderou um movimento de saída das Laranjeiras. Em assembléia realizada no dia 24 de dezembro de 1911, o Flamengo criou oficialmente o seu time de futebol, sob a responsabilidade do Departamento de Esportes Terrestres.

Em 1913, desembarcou no Rio uma seleção de Lisboa, a convite do Botafogo F.C., para a inauguração do seu campo na rua General Severiano. Isso motivou diversos membros da colônia portuguesa a se organizarem para a pratica do esporte bretão e três clubes de futebol foram fundados, todos, porém de existência efêmera: o Centro Esportivo Português, o Lusitano Football Club e o Lusitânia Sport Club. Esse último acabou por fundir-se ao Vasco da Gama, dando origem ao departamento de futebol do clube. Em 26 de novembro de 1915 foi criado no Vasco o setor de futebol.

O São Cristóvão (12-10-1898) acho que não deveria entrar nessa seleta galeria. O clube atual é resultado da fusão do Clube de Regatas São Cristóvão (fundado em 12-10 1898) e do São Cristóvão Atlético Clube (fundado em 05-07-1909). A fusão ocorreu em 13 de Fevereiro de 1943, com a denominação de São Cristóvão de Futebol e Regatas. Esta, a meu ver, deveria ser a data oficial de fundação do clube.

Finalmente, o Vitória, de Salvador (BA), fundado em 13 de maio de 1899. Nos primeiros tempos se chamava Club de Cricket Victoria, pois se dedicava apenas a essa modalidade esportiva muito popular na época. A adesão ao futebol só aconteceu em 13 de setembro de 1903, quando derrotou o São Paulo-Bahia, time formado por integrantes da colônia paulista, por 2 X 0.

O clube reconhecido como o “vovô” do futebol brasileiro é o S.C. Rio Grande, da cidade de Rio Grande (RS), fundado em 19 de julho de 1900. Por isso a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) instituiu a data como o “Dia do Futebol Brasileiro”. O segundo clube mais antigo do país é a A.A. Ponte Preta, de Campinas (SP), fundada 23 dias depois, em 11 de agosto de 1900. O terceiro clube mais velho do Brasil é o Clube Nático Capiberibe, do Recife ((07-04-1901). Depois vem o S.C. 14 de Julho, da cidade gaúcha de Santana do Livramento, fundado em 14 de julho de 1902.

O Fluminense é o mais antigo clube do Rio de Janeiro, fundado em 21 de julho de 1902. Grêmio Portoalegrense (15-09-1903), Bangu A.C., do Rio de Janeiro (17-04-1904), Botafogo F.R., do Rio de Janeiro (12-08-1904), América F.C., do Rio de Janeiro (18-09-1904), Club do Remo, de Belém do Pará (05-02-1905), Sport Club Recife (13-05-1905), C.A. Cravinhos, de São Paulo (Clube amador fundado em 12-06-1906), S.C. Internacional, de Bebedouro, São Paulo (11-06-1906), C.A. Ypiranga, de São Paulo (10-07-1906), S.C. Ypiranga, de Salvador, Bahia (07/09/1906), Guarany F.C., de Bagé, Rio Grande do Sul (19-04-1907), C.A. Pirassununguense, de Pirassununga, São Paulo (01-07-1907), Clube Atlético Mineiro (25-03-1908), Villa Nova A.C., de Nova Lima, Minas Gerais (28-06-1908), S.C. Palmeirense, de Santa Cruz das Palmeiras, São Paulo (07-09-1908), S.C. São Paulo, de Rio Grande, Rio Grande do Sul (04-10-1908) e S.C. Pelotas, de Pelotas, Rio Grande do Sul (11-10-1908).

Temos ainda o caso da Tuna Luso Brasileira, de Belém do Pará, que foi fundada em 1º de janeiro de 1903, para espalhar a cultura musical portuguesa pelo Brasil. Inicialmente, a equipe se chamou Tuna Luso Caixeiral, visto que seus fundadores eram vendedores viajantes conhecidos como caixeiros. O futebol só passou a fazer parte da história do clube em 1915.

O C.A. Votorantin, da cidade paulista de igual nome reivindica a condição de clube centenário e mais antigo do Brasil. O CAV é o antigo Sport Club Savóia, fundado em 01-01-1900, que em 1942 foi obrigado a mudar de nome devido a um Decreto do presidente Getulio Vargas que proibia clubes com nomes estrangeiros no país. Hoje o clube está extinto e a cidade é representada pelo Votoraty Futebol Clube Ltda. Por isso, não consta na relação de clubes centenários do futebol brasileiro.

Chegar aos 100 anos é sempre motivo para grandes comemorações. Afinal de contas, isso não é coisa para qualquer um. Mas, por incrível que pareça, tem gente que se preocupa com o que a imprensa denominou de “a maldição dos 100 anos”. O clube que chega a essa marca, dificilmente consegue realizar uma boa campanha no ano da comemoração.

Assim foi com o Flamengo em 1985, quando não foi além do vice-campeonato carioca e do 21º lugar no Brasileirão, à beira do rebaixamento, quando era esperado um ano de muitas glórias. O clube investiu pesado na contratação de Romário (ex-Barcelona) e Edmundo (ex-Palmeiras) para formar o "ataque dos sonhos" com Sávio, prata da casa. Pior foi o Botafogo, que em 2004 foi apenas quinto colocado no estadual e no Brasileiro por pouco não foi parar na Série B. Na Copa do Brasil, foi eliminado na segunda fase ao perder em casa para o Gama por 3 X 2 (havia empatado por 4 x 4 no Distrito Federal).

O Fluminense foi campeão Carioca em 2002, mas a esvaziada competição ganhou o apelido de “Caixão”, em pejorativa referência ao então presidente da Federação Carioca, Eduardo Viana, o Caixa D'água, já morto. Na Copa do Brasil, caiu nas quartas-de-final, sendo eliminado pelo surpreendente Brasiliense. Na Série A, parou na semifinal, perdendo para o Corinthians. Ficou em quinto no Torneio Rio-São Paulo e foi eliminado pelo Palmeiras nas quartas-de-final da Copa dos Campeões.

O Vasco, em 1998, venceu a Taça Libertadores da América, mas perdeu o Mundial Interclubes para o Real Madrid. No Campeonato Brasileiro terminou em décimo. Na Copa do Brasil, caiu na semifinal, diante do Cruzeiro. E na Mercosul ficou na primeira fase, perdendo a vaga para o River Plate no saldo de gols. No Torneio Rio-São Paulo, também caiu na primeira fase.

No Rio Grande do Sul o Grêmio não chegou à semifinal do Estadual e lutou contra o rebaixamento no Brasileiro. No Recife, em 2001, o Náutico comemorou a data com o título pernambucano, porém caiu na segunda fase da Série B. Já o Sport, em 2005, viu a final estadual disputada por Náutico e Santa Cruz, e escapou por pouco da Série C.

O S.C. Rio Grande, em 2000, ano do centenário, disputou o Campeonato Gaúcho por convite. Ficou em quinto no lugar no grupo 1 da primeira fase e não conseguiu avançar na competição. No mesmo ano, disputou a segunda divisão estadual e acabou rebaixado para a terceira divisão. Mas, novamente voltou à segunda divisão no ano seguinte.

O ano do centenário não foi diferente para a Ponte Preta: sem títulos. No Campeonato Paulista, chegou a um dos quadrangulares semifinais, mas perdeu a vaga para Corinthians e Palmeiras. Na Copa João Havelange, caiu nas oitavas-de-final, perdendo para o Grêmio. Na Copa do Brasil, ficou na terceira fase, sendo eliminada pelo Vasco.

O centenário do Vitória começou confuso. Na final do estadual o time apresentou-se para a partida no seu estádio, o Barradão, enquanto o rival Bahia foi para a Fonte Nova. A queda-de-braço foi parar na justiça e, em vez de considerar campeão o terceiro colocado (o Poções), a Federação Baiana dividiu o troféu entre Vitória e Bahia. Outra conquista no ano foi a Copa do Nordeste. Na Série A, fez bom papel e chegou à semifinal, perdendo para o Atlético Mineiro. Na Copa do Brasil, ficou nas oitavas-de-final, perdendo para o Palmeiras.

Depois de um 2004 ruim, quando foi rebaixado para a Série C, o Clube do Remo deu a volta por cima em 2005, ano do centenário. Perdeu o estadual para o rival Paysandu, mas conquistou a Série C. Na Copa do Brasil, foi eliminado pelo Figueirense na segunda fase.

Ano que vem outros clubes tradicionais do futebol brasileiro se tornarão centenários: Coritiba F.C. (12-10-1909), Resende F.C., de Resende )RJ), (06-06-1909), Paulista F.C., de Jundiaí, São Paulo (17-05-1909), Cotingüiba E.C. de Aracaju, Sergipe (10-10-1909), C.S. Sergipe, de Aracaju, Sergipe (17-10-1909), Rio Claro F.C., de Rio Claro, São Paulo (09-05-1909), S.C. Penedense, de Penedo, Alagoas (03-01-1909), S.C. Internacional, de Porto Alegre (04-04-1909), Associação Rocinhense de Futebol, de Vinhedo, São Paulo, antigo distrito de Rocinha (20-01-1909) e o F.B.C. Rio-Grandense, da cidade gaúcha de Rio Grande (11-07-1909). Com os 100 anos do Rio-Grandense a cidade de Rio Grande marcará mais um pioneirismo no futebol brasileiro: será a única, incluindo as capitais, a ter três clubes de futebol profissional centenários. Quanta honra!!! (Pesquisa: Nilo Dias),
O Villa Nova, de Nova Lima (MG) é um dos clubes centenários do Brasil (Foto: acervo do Villa Nova A.C.)

domingo, 12 de outubro de 2008

O "Lobão" faz 100 anos

Hoje, 12 de outubro, o S.C. Pelotas, uma das mais tradicionais agremiações esportivas do Rio Grande do Sul está completando 100 anos de atividades ininterruptas. O clube é o resultado vitorioso da fusão de duas entidades que existiam nos primórdios do futebol pelotense, o Club Sportivo Internacional e o Foot-Ball Club. Às 11 horas do dia 11 de outubro de 1908 foi realizada a solenidade de fundação do S.C. Pelotas, com as cores azul e amarela, as mesmas do Club Caixeiral, local da reunião. Também ficou decidido que a data oficial de fundação seria 12 de outubro, por ser feriado nacional e mais adequada às comemorações futuras.

O primeiro presidente foi o doutor Pedro Luis Osório, que tempos depois foi proclamado Grande Benemérito e Presidente honorário. Os demais membros da Diretoria eram: Leopoldo de Souza Soares, vice-presidente; Guilherme R. Fabres, 1º secretário; Luiz Seroder, 2º secretário; Affonso Pinheiro Teixeira, tesoureiro; Alberto Rheigantz, adjunto; Dr. Joaquim Luiz Osório, orador; Adolpho Luschke, 1º guarda-sport; João F. Nebel, 2º guarda-sport; José Santiago, capitão geral; Nilo Gafrée, adjunto; Octacílio Poty Vianna, instrutor. Diretores: João Abadie; Francisco Rheigantz, Ricardo Peckmann, Jacob Müller, Haroldo Gotuzzo, Wenceslau Gastal, Ernesto Bebrensdorf, Francisco Calero, Antonio Ronhelt e Octaciano Oliveira.

A nova agremiação ocupou o terreno da Avenida Bento Gonçalves, propriedade do "Club Sportivo Internacional" e que até hoje permanece com o Pelotas. (Estádio da Boca do Lobo, com capacidade para 18 mil torcedores, tendo em seu redor 58 lojas, integrando o Shopping Lobão e restaurantes). Os diretores do Pelotas à época, além de inúmeras reformas, edificaram um pavilhão central em madeira, com cobertura de zinco e uma excelente arquibancada, que acomodava confortavelmente mais ou menos 800 pessoas.

As obras foram concluídas em curto espaço de tempo, o que deu condições para que no dia 25, fossem inauguradas em jogo intermunicipal contra o S.C. Rio Grande, que já visitara a cidade em duas vezes anteriores: 6 de outubro de 2001, quando do segundo aniversário de fundação da União Gaúcha (jogo entre suas equipes Azul e Branca, com vitória da primeira por 2 X 0), e em 13 de maio de 1906, quando goleou o Club Sportivo por 6 X 0.

O jornalista Eliseu de Mello Alves conta em seu livro “O Futebol em Pelotas”, como transcorreu a festa e o primeiro jogo da história do S.C. Pelotas. “A missão riograndina chegou aqui pela manhã, em trem expresso, e foi recebida festivamente. Diversas bandas, inclusive a do Club Caixeiral, tocaram na gare da Estação ao serem ali recepcionados e aclamados os visitantes. Formando-se após extenso préstito, ocupando 10 bondes especiais da Ferro Carril, que subiram pelas ruas 7 de Abril (atual Dom Pedro II) e 15 de Novembro até a Praça Castilhos. Tendo ali o senhor Arthur Lawson, presidente do S.C. Rio Grande, cortado a fita simbólica à entrada do pavilhão do S.C. Pelotas, franqueando-o aos sócios”.

Cerca de três mil pessoas assistiram o S.C. Pelotas vencer nos aspirantes por 5 X 1 e perder no jogo principal por 3 X 2. O centro avante Adalberto Barcelos, o Beto, jogando pelos aspirantes marcou o primeiro gol da história do áureo-cerúleo. Os aspirantes formaram com Cassal - Kirst e R. Lanes - J. Brum - R. Vinholes e O. Haertel - O. Oliveira – Barcena - A. Barcellos - A. Xavier e F. Vares.

O time principal jogou com Haroldo Gotuzzo – Jacob Muller Filho e José Andrade Santiago – Guilherme Romano Fabres – Francisco Eloy Calero e Helmuth Essenfelder – Reynaldo De Bôer – Elyseu de Barros Coelho – João Francisco Nebel – Nilo Gafrée e Curt Rheingantz. Na saída de campo, após o jogo, os atletas foram filmados pela Empresa Cinematográfica Guarany.

O segundo clube que o Pelotas enfrentou foi o Guarany F.C. de Bagé, em 2 de maio de 1909, com empate em 1 X 1. O primeiro grande triunfo da história áureo-cerúlea aconteceu em 24 de outubro de 1909, quando venceu o Sport Club Rio Grande, que nunca havia perdido um jogo sequer, por 2 X 0, gols marcados por Antônio Moura, que recebeu medalha especial pelo feito.

O S.C. Pelotas já estava consolidado como uma entidade forte e apta a bem representar o futebol pelotense no cenário nacional. Em 1930, o clube alcançou o maior feito de seus 100 anos de história, a conquista do Campeonato Gaúcho. O jogo decisivo aconteceu no dia 29 de março de 1930, no Estádio da Chácara dos Eucaliptos, em Porto Alegre, contra o Grêmio.

O Pelotas perdia por 2 X 0, gols de Nenê e empatou com dois pênaltis batidos por João Pedro e Marcial. O Grêmio fez 3 X 2 com Foguinho, que se rebelou com a marcação de uma terceira penalidade a favor do clube pelotense e foi expulso. Faltavam 15 minutos para o jogo acabar e o Grêmio retirou-se de campo. O juiz mandou cobrar o pênalti com o gol vazio. Marcial bateu e empatou. Como não havia mais adversário o S.C. Pelotas foi declarado campeão. O time base do S.C. Pelotas era Bordini – Dario e Grant – Coi II – Marcial e Tristão – João Pedro (Benjamim) – Torres – Tutu – Mário Reis e Chico. O técnico era Otávio Guimarães.

O campeonato foi organizado pela Federação Atlética Gaúcha de Esportes Terrestres (Faget). Além de Grêmio e Pelotas, as finais tiveram as participações do Novo Hamburgo, eliminado pelo tricolor da capital, e São Paulo de Rio Grande, eliminado pelo áureo-cerúleo de Pelotas.

Um outro grande momento vivido pelo S.C. Pelotas foi no dia 13 de setembro de 1910, quando recebeu a visita do "Club Athlético Estudiantes", da Argentina, no primeiro jogo internacional de futebol realizado em Pelotas. A chegada dos argentinos na gare da Viação Férrea foi calorosa, seguindo-se um desfile pelas principais ruas da cidade até o Estádio. O time de Buenos Aires venceu por 7 X 0.

O Estudiantes, que veio ao Rio Grande do Sul a bordo do navio “Saturno”, para a realização de alguns jogos amistosos, se apresentou ainda em Rio Grande e Porto Alegre. Na cidade marítima, no primeiro jogo da excursão, derrotou o S.C. Rio Grande por 4 X 0. Depois bateu o scratch de Porto Alegre por 7 X 3.

A década de 1950 ficou na memória dos torcedores mais antigos, como um tempo de grandes conquistas: o título inédito de tricampeão no ano do cinqüentenário, em 1958, quando o presidente do clube era Dirceu Mendes de Matos e o técnico Paulo de Sousa Lobo, o saudoso Galego. O time base era: Joãozinho (Oscar) - Getúlio e Duarte – Cascudo - Cleo e Jarí – Bedeuzinho – Dirceu - Valmir (Barão) - Nei Silva e Deraldo. Ainda em 1958 o S.C. Pelotas promoveu um festival de futebol comemorativo ao seu cinqüentenário, enfrentando adversários poderosos como o São Paulo de Zizinho, o Vasco de Ademir e o Fluminense.

Em sua vitoriosa existência de 100 anos o S.C. Pelotas teve conquistas importantes: campeão pelotense 18 vezes (1913, 1915, 1916, 1925, 1928, 1930, 1932, 1933, 1939, 1944, 1945, 1951, 1956, 1957, 1958, 1960, 1981 e 1996); campeão do torneio início do campeonato pelotense por nove vezes (1927, 1928, 1935, 1936, 1944, 1949, 1951, 1952 e 1996); (campeão gaúcho (1930); vice-campeão gaúcho (1932, 1945, 1951, 1956 e 1960) e campeão gaúcho da segunda divisão (1983).

Venceu vários torneios de âmbito estadual, entre eles: Taça Salutaris (1911); Taça Igarrego (1915); Taça Cidade de Pelotas (1924, 1973 e 1976); Torneio Monserrat – Taça Chevrolet (1928); Taça Getúlio Vargas (1929); Taça Martin Guilayn (1940); Taça Teixeira Neto (1943); Taça Sezefredo Ernesto da Costa , o Cardeal (1954); Taça Rafael Mazza (1957); Taça Pepsi-Cola (1958); Copa Companhia de Cigarros Sinimbu (1960); Taça Sesquicentenário de Pelotas (1962); Taça Previdência do Sul (1964); Torneio Comemorativo aos 150 anos da Cidade de Pelotas (1963); Quadrangular Dr. Waldemar Fetter - Troféu Rubi (1965) e Troféu Dr. Irajá Andara Rodrigues (1980).

O S.C. Pelotas sempre deu atenção a outras modalidades esportivas, onde alcançou expressivas conquistas. Em Futebol de Salão foi campeão gaúcho de 1961 e da cidade em 1957, 1958, 1959, 1961, 1965, 1970 e 1971. No basquete ganhou os campeonatos citadinos de 1928 e 1951. Em Handebol foi campeão pelotense em 1975. No Tênis, campeão pelotense de 1928 e em Xadrez, vice-campeão regional de 1954.

O clássico da cidade, o conhecido Bra-Pel tem uma bonita história que está sendo contada no livro “A história do clássico Bra-Pel”, de autoria de Mário Gayer do Amaral e Sérgio Osório, que será lançado depois de amanhã (14). É de lá que tirei estes dados estatísticos: Jogos realizados, 347; Vitórias do Brasil, 122; Vitórias do Pelotas, 107; Empates, 118; Gols do Brasil, 497; Gols do Pelotas, 480; saldo pró Brasil, 17.

Jogadores do Pelotas que foram os maiores artilheiros em campeonato gaúcho: Marcial (1930); Flávio Minuano, com 13 gols (1977); Ademir Alcântara, com 13 gols (1984) e Flávio Dias, com 18 gols (2003). O atacante Jorge Preá, hoje no Palmeiras, foi artilheiro da Série B gaúcha em 2007, com 18 gols.

O clube já participou da Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro da Série C e da extinta copa Sul Minas. Além disto, já fez amistosos internacionais, como o contra a seleção da Rússia em 1994. Revelou grandes jogadores em todos estes 100 anos. Enumerar a todos, seria tarefa de difícil execução e com risco de injustiças. Por isso, escolhi o saudoso Ari Amaro Pires, o “Bedeuzinho”, para simbolizar a gama de craques que vestiram a gloriosa camisa azul e amarela.

E fico muito à vontade. Quando trabalhei na imprensa de Pelotas, especialmente como narrador de futebol, fiz uma saudável amizade com Bedeuzinho. Acompanhei sua trajetória no Pelotas e no Internacional e a decadência que veio depois, quando com sinais de debilidade mental morou em uma antiga bilheteria do Estádio da Boca do Lobo. Mas foi um grande jogador, que marcou para sempre sua passagem no S.C. Pelotas.

Bedeuzinho era natural de Herval (RS) e chegou ao Pelotas em 1950. Ficou no clube até 1960, quando se transferiu para o Internacional, onde foi campeão gaúcho de 1961, ajudando a quebrar uma seqüência de cinco títulos do Grêmio. Jogou ainda no Metropol de Criciúma (SC) e no Newls old Boys, da Argentina. Em 1963 retornou ao Pelotas para encerrar a carreira. Faleceu no dia 21 de agosto de 2001, aos 67 anos de idade.

Eu poderia estender este artigo por mais páginas e páginas, pois tive a felicidade de morar em Pelotas por quase 20 anos, período em que participei ativamente do esporte da cidade. Lembro do velho Pavilhão Gastaud, todo de madeira, que nos levava a uma viagem no tempo, até os primeiros tempos da vida do clube. Lembro do grande presidente Edgard de Moura Ronhelt, um grande amigo, em cuja lembrança homenageio a todos os que dirigiram o centenário clube da avenida Bento Gonçalves, em todos os tempos. (Pesquisa: Nilo Dias)

Marcos disse...
Gostaria de obter o escudo do CLUB SPORTIVO INTERNACIONAL.
marcos.coimbra@yahoo.com.br
13 de novembro de 2008 09:33

Luiz Carlos Knopp disse...
Obrigado Nilo pelo belíssimo trabalho.
Abração
2 de dezembro de 2008 19:44

Matheus disse...
OLA NILO DIAS , QUERIA SABER SE VOCÊ TEM A FOTO DO TITULO DA SEGUNDA DIVISÃO CONQUISTADO PELO PELOTAS EM 1983.
ABRAÇÃO
1 de janeiro de 2009 15:11
S.C. Pelotas, campeão gaúcho de 1930 (Foto: Acervo do S.C. Pelotas)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Chicão, um andarilho do futebol

Aos 59 anos de idade morreu ontem (7) em São Paulo, Francisco Jesuíno Avanzi, mais conhecido por Chicão, o volante que barrou Falcão na Seleção Brasileira, na Copa do Mundo de 1978, na Argentina. Um andarilho do futebol, Chicão passou por vários clubes, Santos, Atlético Mineiro, XV de Piracicaba e Ponte Preta, entre outros, mas foi no São Paulo F.C. que ganhou destaque. O enterro do ex-jogador aconteceu hoje, em Piracicaba.

A disposição foi marca registrada desse volante. A técnica era substituida pela raça e virilidade, por isso muitas vezes foi taxado de violento. Há quem afirme que em toda a história do São Paulo F.C., nunca houve um jogador que demonstrasse tanto amor a camisa, quanto ele. Talvez seja lenda, mas é voz corrente entre os tricolores, que Chicão costumava dizer que qualquer um que ameaçasse as vitórias são-paulinas era passível de punição.

Antes de jogar futebol, Chicão trabalhou como aprendiz de torneiro-mecânico, em uma fábrica na cidade de Piracicaba, coisa que não o agradava. Achava bem melhor jogar pela equipe amadora do “Filhos de Funcionários”, o que lhe abriu caminho para ingressar nas categorias de base do XV de Piracicaba, o famoso “Nho Quim”. Foi lá que ganhou o primeiro título de sua longa carreira, campeão de um torneio de juvenis.

Seu futebol guerreiro logo chamou a atenção de Cilinho, na época o técnico da equipe de profissionais do XV, que o chamou para treinar no time de cima. Mesmo assinando contrato em 1968, não conseguiu de início ser titular. Por isso foi emprestado ao União Agrícola Barbarense (atual União Barbarense Futebol Clube), de Santa Bárbara D’Oeste, onde acabou sendo o principal jogador do time.

Já bastante conhecido no futebol interiorano, Chicão logo despertou a atenção de outros clubes. Primeiro, o São Bento, de Sorocaba, e depois a Ponte Preta de Campinas. Na “Macaca”, voltou a se encontrar com Cilinho, o técnico que lhe deu a primeira oportunidade na carreira. Suas atuações na Ponte Preta valeram a cobiça do São Paulo, que o contratou em 1973. E ficou no clube do Morumbi por sete anos.

No São Paulo, Chicão disputou a Copa Libertadores da América, perdendo o título para o Independiente da Argentina, que venceu o jogo final por 1 X 0. O volante classificou essa derrota como a maior decepção de sua vida profissional.

Seu primeiro título pelo São Paulo veio em 1975, campeão paulista. Em 1976, foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira que disputou alguns torneios amistosos. Debutou com a camisa canarinho no jogo válido pela Taça do Atlântico, em que o Brasil derrotou o Uruguai por 2 X 1. Graças a boa atuação, conquistou a titularidade nas quatro partidas seguintes. No jogo contra a Argentina, em 19 de maio, rompeu os ligamentos do joelho direito aos 23 minutos do segundo tempo. A lesão não foi grave, e menos de um mês depois, Chicão já estava em campo, no dia 13 de junho, quando o São Paulo enfrentou o América, de São José do Rio Preto.

Em 1977, foi campeão brasileiro, o primeiro do São Paulo, conquistado em cima do Atlético Mineiro. Nesse jogo Chicão foi acusado de quebrar, de propósito, a perna do jogador mineiro Ângelo, ao pisar nela depois de um carrinho dado por Neca.
Outro fato que marcou a carreira de Chicão aconteceu em 1976, antes de um jogo entre São Paulo e Palmeiras. Ele foi advertido com um cartão amarelo antes mesmo do jogo começar. Tudo, porque chegou próximo do juiz José de Assis Aragão e disse: “Vê se apita direito essa porcaria”.

Em 1978, o saudoso técnico, Cláudio Coutinho, gaúcho de Dom Pedrito, minha terra natal e meu vizinho e amigo de infância, resolveu convocar Chicão para a Seleção Brasileira que iria disputar a Copa do Mundo da Argentina. Na convicção do treinador, Chicão era o jogador ideal para atuar nos jogos contra adversários catimbeiros, caso da própria Argentina. E foi contra os vizinhos “porteños” que Chicão teve sua atuação mais famosa pela Seleção, única em uma Copa do Mundo.

Logo ao início do jogo, na cidade de Rosário, ele deu um tapa no rosto do atacante argentino Mário Kempes, sem ser expulso. A partir do lance o artilheiro platino passou a evitar o choque com o brasileiro e em razão disso teve fraca atuação. Os argentinos não conseguiram fazer a famosa catimba e se encolheram dentro de campo. Quase ao final do jogo levou cartão amarelo, por uma entrada em Kempes. Depois dessa atuação, um jornal argentino chamou Chicão de “El Matador".

Pela Seleção Brasileira Chicão jogou nove partidas oficiais e duas não oficiais, com sete vitórias, três empates e uma derrota. Não marcou gols. Sua primeira partida oficial foi em 25 de fevereiro de 1976 contra o Uruguai, pela Taça do Atlântico (vitória por 2x1). A última foi contra o Paraguai, em 24 de outubro de 1979, pela Copa América (derrota por 2x1).

O jogador ficou no São Paulo até o fim de 1979, tendo atuado em 312 jogos e marcado 19 gols. Quando completou 31 anos, o Atlético Mineiro foi seu novo endereço, mesmo sofrendo no início forte oposição da torcida, que não esqueceu o lance da perna quebrada de Ângelo. Mas isso não durou muito tempo, pois seu espírito de luta e determinação logo serviram para conquistar os torcedores. E até o fato de jogar ao lado de Ângelo, ajudou na recuperação de sua imagem. No “Galo”, conquistou o Campeonato Mineiro de 1980.

Em 10 de setembro de 1981, transferiu-se para o Santos, ao lado de Palhinha. Nos anos que se seguiram defendeu ainda o Corinthians de Presidente Prudente, Botafogo de Ribeirão Preto e Mogi Mirim, onde encerrou a carreira em 1986, aos 37 anos, depois de quatro operações de menisco. Foi ali que conheceu a última conquista da sua carreira, ao ajudar o Mogi Mirim a subir para à primeira divisão paulista, em 1985. Nessa campanha, ficou fora de apenas 3 das 36 partidas do time, sendo uma por expulsão, uma por cartões amarelos e uma por contusão. Com os quatro meniscos operados, teve de parar.

O curioso é que Chicão sofria de um problema crônico no nervo ciático. No entanto, sua determinação e raça não deixaram que isso o atrapalhasse quando jogava.

Depois da aposentadoria Chicão tentou ser técnico. Começou no XV de Piracicaba e, em seguida, foi para o Independente de Limeira. A experiência não deu certo e o ex-volante abriu uma loja de material esportivo em Piracicaba, que funcionou por seis anos. Em 2000 resolveu atender o convite do Clube Atlético Montenegro, de Avaré (atualmente licenciado), para voltar a ser técnico de futebol. Dessa vez seu trabalho foi exitoso, já que o clube sob seu comando chegou a Série B-2 do Campeonato Paulista. (Pesquisa: Nilo Dias)

Horácio disse...
Caro Nilo Dias: Tive o prazer de conviver com Nilton Santos aquí em Rio Grande, quando ele treinou o São Paulo. Um caráter excepcional, uma pessoa de uma doçura incrível. O avô que todos nós gastaríamos de ter.
Lembro um fato que me marcou. Nilton Santos chegou em Rio Grande durante um inverno rigoroso. Ele vivia envolto num poncho e com chapéu. Certa vez o plantel do São Paulo foi fazer exercícios físicos na praia do cassino( A maior do mundo em extensão), e Nilton Santos ficou no ônibus.
Logo adiant apareceram alguns pinguins mortos, e ele rapidamente bradou: "O que eu vim fazer aqui nesse lugar onde até os pinguins morrem de frio?" Horácio Gomes
10 de outubro de 2008 15:28

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

S.C. São Paulo, mais um clube centenário

O Rio Grande do Sul é um dos Estados que abriga a maior quantidade de clubes centenários no futebol brasileiro. E a cidade litorânea de Rio Grande é berço do mais velho de todos, o S.C. Rio Grande, que em 19 de julho último, completou 108 anos de existência. Com muita justiça essa cidade já foi chamada de a “Capital do Futebol”, por manter três clubes de futebol profissional de muita tradição. O S.C. São Paulo está em festa, com o seu centenário, comemorado no último sábado, dia 4. E ano que vem será a vez do F.B.C. Rio-Grandense, o caçula da cidade também chegar à histórica marca centenária.

O “Leão do Parque”, como é chamado por seus ardorosos torcedores foi fundado pelo jovem Adolpho Corrêa. Em meados do mês de setembro de 1908, ele e três amigos, José Sartori, Bartholomeu Casanova e Hermenegildo Bernardelli, assistiam um treino do S.C. Rio Grande, no gramado da Compaigne Auxiliare de Chems de Fer Brésil, na avenida Buarque de Macedo, onde depois foi erguido o antigo Estádio Arthur Lawson (Oliveiras).

Em dado momento um zagueiro chutou a bola para fora do gramado, indo parar em umas macegas nas proximidades. Os três rapazes pediram ao auxiliar de mecânico, Alexandre Lempeck, ainda um adolescente que a fosse apanhar. De posse daquele instrumento raro e fundamental para a prática do futebol, os três amigos foram embora. Nos primórdios do futebol a bola tinha que vir da Inglaterra e a um preço nada convidativo.

Adolpho Corrêa, engenheiro ferroviário, de descendência portuguesa, que veio pequeno para o Brasil, primeiro para São Paulo e depois para Rio Grande, pensou logo em fundar um clube que abrigasse a colônia lusitana na cidade, bastante grande já na época. O futebol era até então, uma exclusividade dos ingleses e alemães do S.C. Rio Grande. Mesmo trabalhando na companhia de trens, os três não conseguiram fazer parte da equipe do S.C. Rio Grande.

Os quatro rapazes procuraram a direção do S.C. Rio Grande e da Compaigne Auxiliare, para pedir ajuda e colocar a idéia em prática. Não teve nenhum problema. Foi cedida uma área que dava frente para o cemitério católico, e onde hoje se encontra o Estádio Aldo Dapuzzo. E no dia 4 de outubro de 1908, reunidos em um prédio de número 133, da avenida Rheingantz, fundaram o S.C. São Paulo. O nome escolhido foi uma homenagem a capital paulista, primeira cidade brasileira em que Adolpho Corrêa morou e onde conheceu o esporte inventado pelos ingleses.

Em 16 de outubro foram escolhidas as cores vermelho e verde para serem as oficiais, naturalmente por inspiração da bandeira de Portugal, até porque o clube era dominado pela maioria lusitana. O primeiro fardamento era composto de boné verde e vermelho, camisa branca e calções pretos.

Estava dada a partida para uma trajetória cheia de glórias. O S.C. São Paulo ganhou o título de campeão da cidade em 24 oportunidades: 1916, 1918, 1920, 1927, 1928, 1931, 1932, 1933, 1935, 1943, 1945, 1952, 1954, 1958, 1959, 1966, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1973, 1980 e 1987.

O maior efeito da história do clube aconteceu em 1933, quando se sagrou campeão gaúcho. No jogo do título, o S.C. São Paulo venceu o Grêmio Portoalegrense por 2 X 1, em jogo realizado no dia 19 de novembro, no antigo Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre. Darci Encarnação e Cardeal marcaram para os riograndinos e Nenê descontou para o Grêmio. O time base era: Odorico – Valentim e Fernandinho – Quico –Darci Encarnação e Riquinho – Archimino – Cardeal – Osquinha – Ballester e Scala (Vadi). O diretor técnico era Leomar Mena.

Tive a honra de conhecer Darci Encarnação, o maior jogador da história do clube. Eu era editor-chefe do jornal “Agora” e uma de suas filhas era minha colega de trabalho. Várias vezes conversei com ele, que me contou muitas passagens interessantes de sua brilhante carreira.

Outra grande conquista do rubro-verde riograndino aconteceu em 1985, quando ganhou a Copa Bento Gonçalves, enfrentando nas finais o poderoso S.C. Internacional: vitória de 1 X 0 no dia 13 de julho, em Porto Alegre e empate de 1 X 1, no dia 4 de agosto, em Rio Grande. O time base era: Nando - Marco Antonio - Carlão e Zé Moraes - Paulo Barroco – Odir – Ernane - Evans e Isaias - Rodinaldo e Luisinho. Reservas: Edson, Kiko, Caetano, Serginho, Claudinho e Nivaldo. O técnico era Jaime Schimidt.

Foi ainda campeão da Copa Associação dos Cronistas Esportivos (ACEG) (1986); campeão do interior (1979); campeão da Copa Sesquicentenário e Copa Governador do Estado (1981) e campeão da Divisão de Profissionais do Campeonato Gaúcho (1970).
Um momento histórico na vida do S.C. São Paulo foi a vitoriosa excursão em 1981 por gramados da Venezuela, Equador e Colômbia, quando ganhou um torneio contra o Deportivo Tachira, time que no mesmo ano eliminou o Internacional de Porto Alegre, na Copa Libertadores da América.

O clube participou dos campeonatos brasileiros de 1982 (31º colocado), 1980 (41° colocado) e 1979 (43º colocado). No dia 23/03/1980 o Estádio Aldo Dapuzzo recebeu um dos maiores públicos de sua história para assistir ao empate de 0 X 0 contra o Flamengo de Zico, Adílio e Júnior, e outros jogadores que formariam a base do time campeão do mundo em Tóquio. O Flamengo djogou com Raul – Rondineli – Marinho – Júnior - Andrade – Adílio – Zico – Reinaldo - Tita e Carlos Henrique (Júlio Cesar). O São Paulo teve Sérgio - Zé Augusto – Carlão - Tadeu e Cláudio Radar – Doraci - Paulo Cesar Tatu e Astronauta – Romário - Néia e Almir. O técnico era Ernesto.

Lembro bem desse jogo. Eu era o chefe da equipe de esportes da Rádio Cultura Riograndina, que tinha entre outras “feras” do rádio de Rio Grande, Gley Santana, Pedro Pinheiro, Jorge Ravara, Antônio Azambuja Nunes, o Nico, Horácio Gomes, João Ferreira, Denis Olinto, Jonas Cardoso, Édson Costa, Édson Figueiredo, Oledir José e Ney Amado Costa.

No Campeonato gaúcho da Primeira Divisão o São Paulo fez presença nos anos de 1919 a 1960, 1971 e 1972, 1975, 1977 a 1984, 1986 a 1989, 1992 a 1994, 2001 e 2002.
Eu já contei em artigo anterior uma passagem única no futebol brasileiro, que envolveu o S.C. São Paulo e o seu centenário rival, o S.C. Rio Grande. Em 26 de dezembro de 1940, os dois clubes disputavam o jogo final da Taça Confraternização, um torneio que também reuniu o F.B.C. Rio-Grandense e serviu para selar a paz entre os três clubes da cidade.

Nos 90 minutos houve empate. A decisão foi para os pênaltis, que foram batidos à exaustão, e o resultado seguia igual. O árbitro resolveu então conceder o título aos dois clubes. Quanto ao troféu, a solução encontrada foi cortá-lo em duas partes iguais e entregar uma parte a cada time. Eu testemunho que isso é verdade, pois vi as metades da taça nas sedes dos dois clubes.

O Estádio Aldo Dapuzzo é um dos orgulhos do S.C. São Paulo. Nos primeiros anos da década de 80, o clube passava por um momento magnífico, disputando a Taça de Ouro do futebol brasileiro. Para isso foi preciso que o estádio abrigasse no mínimo dez mil torcedores. Em menos de cinco meses, depois de sucessivas campanhas de arrecadação do cimento, a torcida e o patrono Aldo Dapuzzo levantaram o anel esquerdo do estádio com capacidade para aproximadamente sete mil pessoas. Mesmo assim, o estádio não deu conta e foi necessário que a Prefeitura colaborasse com a colocação de arquibancadas atrás do gol direito para mais duas mil pessoas.

Hoje, o S.C. São Paulo passa por um momento de transição, disputando a Segunda Divisão do futebol gaúcho, mas a meta é voltar o mais breve possível a Primeira Divisão. O atual presidente é o desportista Renato Lempeck, que deverá passar o cargo, provavelmente para o conselheiro Ivo Artigas, na eleição marcada para amanhã (5). (Pesquisa: Nilo Dias)
Equipe campeã gaúcha de 1933 (Foto: Acervo do S.C. São Paulo)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Apenas cinco grandes nunca foram rebaixados

Apenas 12 clubes são considerados como grandes forças do futebol brasileiro: Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Internacional. E desses, quantos já disputaram campeonatos de segundas divisões? Pergunta de difícil resposta, não é mesmo? Na verdade até hoje só cinco deles escaparam dessa situação: Flamengo, Vasco da Gama, Santos, Cruzeiro e Internacional. E o número pode diminuir para quatro, este ano, com a possibilidade de queda do Vasco da Gama.

Confira quem já esteve na segundona brasileira. O Corinthians, que este ano joga a Série B, já esteve antes na segunda divisão nacional. Foi em 1982, na época em que a classificação para o Campeonato Brasileiro era definida por meio dos campeonatos estaduais. O Palmeiras também, antes da Série B de 2003, teve que jogar a Taça de Prata de 1981 e 1982. Grêmio (1992 e 2005), Fluminense (1998 e na terceirona em 1999), Botafogo (2003) e Atlético Mineiro (2006).

Dia desses um torcedor do São Paulo F.C. ficou indignado quando comentei que seu clube, hoje um dos mais organizados do nosso futebol já passou por tal vexame. Não aconteceu no Campeonato Brasileiro, é bem verdade, mas foi bem pior. Em 1991 o tricolor do Morumbi teve que disputar uma espécie de segundona paulista, mascarada pelo nome de Grupo II.

Enquanto Palmeiras, Santos, Corinthians, Guarani e Portuguesa se matavam para chegar na fase final, o São Paulo, já comandado pelo saudoso mestre Telê, enfrentou inexpressivos times como a Catanduvense, Olímpia e Sãocarlense. A grande mídia paulista, na maioria formada por gente ligada ao São Paulo esconde tal fato, citando apenas outros clubes quando fala em rebaixamento. Mas ninguém pode apagar a história, ela resiste a tudo e a todos.

A Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro foi criada em 1971, mesmo ano em que começou a Primeira Divisão, mas de maneira desorganizada. Nos dois primeiros anos, Villa Nova (MG) e Sampaio Corrêa (MA) ganharam os títulos de 1971 e 72, respectivamente, mas não subiram para a Primeira Divisão. De 1973 a 1979 não foi realizada, só voltando em 1980 com o nome de Taça de Prata. Nesse período os certames regionais é que classificaram para o Brasileirão, que chegou a ter perto de 100 times.

Em 1987 os grandes clubes tentaram criar uma liga nacional, e organizaram a Copa União. Paralelamente, a CBF promoveu o Módulo Amarelo, uma espécie de segunda divisão, com os clubes que ficaram de fora. A CBF queria que os dois primeiros colocados de cada competição decidissem o título num quadrangular. Flamengo e Internacional foram campeão e vice da Copa União, mas se negaram a jogar contra Sport e Guarani, campeão e vice da competição da CBF. Diante disso, o Sport foi proclamado campeão brasileiro de 1987 e o Guarani, vice- campeão.

Em 1993, de novo não houve a Segunda Divisão. Dois anos antes, o Grêmio tinha sido rebaixado e, para facilitar sua volta, a CBF promoveu o acesso de 12 equipes na edição de 1992. Com isso a Série B acabou esvaziada, e impossibilitando sua realização no ano seguinte. Em 2000, a Série B voltou a ser bagunçada, quando foi disputada a Copa João Havelange, apenas para que Bahia e Fluminense não precisassem participar da Segunda. Hoje, com o fim da virada da mesa e a moralização do futebol brasileiro, a Série B, é um campeonato bem organizado e merecedor de destaque na imprensa nacional.

Os que gostam de fazer comparações entre o futebol brasileiro e o europeu, certamente não tem muita preocupação com essa questão de rebaixamento. Na Europa os times que nunca foram rebaixados são poucos. Na Itália, apenas a Internazionale. Na Espanha só Barcelona, Real Madrid e Atlhetic Bilbao. E na Inglaterra, pasmem, todos já caíram.

O Olympique de Marselha era a potência da França, algo como o Lyon é hoje. Mas, no início dos anos 90, o time teve suas finanças investigadas e foram encontradas irregularidades que o rebaixaram. Para piorar, o time perdeu o direito, em1993, de disputar a final do Mundial Interclubes contra o São Paulo, em Tóquio, já que perdeu seu título de campeão europeu para o Milan naquela temporada. Eles nunca mais foram os mesmos após a queda.

Não há grande que não tenha caído na Inglaterra. O Manchester United, que já foi considerado o clube mais rico do planeta e prioriza o planejamento, caiu em 1974, voltando no ano seguinte. O Liverpool, campeão europeu em 2005, visitou a segundona inglesa por cinco oportunidades: 1892, 1895, 1904, 1942 e 1954. E o Arsenal, da capital Londres, caiu já faz tempo, mas caiu: foi em 1913. Lá não tinha virada de mesa nem na época do amadorismo.

Na Argentina, Boca Juniors, River Plate e Independiente jamais disputaram a segundona. Mas nossos hermanos têm um regulamento que facilita para os grandes, sempre mais ricos que os rivais. O rebaixamento é feito com base na média da participação de oito: quatro “Clausuras” e quatro “Aperturas”, ou seja, de campeonatos seguidos. E fica impensável imaginar Boca ou River dando vexames em temporadas seguidas. Mas Racing e San Lorenzo, considerados forças do país, já foram rebaixados. (Pesquisa: Nilo Dias)

NOTA DO AUTOR: Tendo em vista que alguns leitores deste blog contestaram a informação de que o São Paulo F.C. já caiu para a 2ª divisão do campeonato paulista, publicamos abaixo algumas reportagens de jornais da época, que confirmam o fato. O autor não inventou nada, apenas se limitou a coementar algo que realmente aconteceu e que não desmerece em nada a trajetória gloriosa do São Paulo F.C.


Título da página interna da mesma edição do jornal: "São Paulo vai disputar Segunda Divisão"

Por mais que desagrade os são-paulinos, a verdade é a que segue:

Em 1990, o Campeonato Paulista foi disputado por 24 times. Havia a percepção de que eram times demais. Convencionou-se, então, que apenas 14 times disputariam o campeonato de 1991 – os 14 primeiros do certame de 1990. De alguma forma, o São Paulo "conseguiu" ficar em 15º, depois de ser eliminado na primeira fase (que classificou 12 times) e novamente eliminado numa repescagem (que classificou outros dois, completando 14).

Para não melindrar susceptibilidades, o regulamento de 1990 dizia que "não haveria descenso". Era só uma fórmula de cortesia: os times que não entrassem entre os 14 disputariam o que, na prática, equivaleria a uma segunda divisão.

Esse regulamento não foi cumprido. Diante do rebaixamento do São Paulo, houve uma virada de mesa.

Os times rebaixados em 1990 (não só o São Paulo, mas outros importantes, como a Ponte Preta) ganharam o direito de lutar por duas vagas nas finais. Foi assim que o São Paulo conseguiu a façanha, inédita no futebol mundial, de ser rebaixado em um ano e campeão no ano seguinte!

O argumento dos são-paulinos, portanto – de que o acesso no mesmo ano "já estava previsto" – é falso e errôneo.

Para não prolongar a explicação, reproduzo o texto da Folha de S. Paulo de 21 de junho de 1990 – dia seguinte ao dia em que o São Paulo caiu.

"SÃO PAULO VAI DISPUTAR A SEGUNDA DIVISÃO EM 91

Fernando Santos
Da Reportagem Local

O São Paulo foi eliminado pelo Botafogo na repescagem do Campeonato Paulista deste ano e vai disputar a Segunda Divisão em 91. O São Paulo goleou ontem o Noroeste por 6 a 1 no Morumbi, mas ainda dependia da derrota do Botafogo para se classificar. O time de Ribeirão Preto empatou em 0 a 0 com a Internacional em Limeira.

No próximo ano, o São Paulo vai disputar a série B do Campeonato Paulista, sem direito a lutar pelo título. É uma nova fórmula aprovada pelo conselho arbitral de clubes em janeiro. Farão parte dessa série os 10 clubes eliminados do campeonato deste ano mais quatro que vão subir da Divisão Especial.

(...) Resta ao São Paulo a chance de subir para a série A em 92. Apenas o campeão da série B sobe (...) Esta fórmula foi aprovada por unanimidade por todos os 24 clubes que iniciaram o campeonato este ano, segundo o presidente em exercício da Federação Paulista de Futebol, Antoine Gebran.

'Vamos cumprir a lei. Lei é lei', disse o diretor-adjunto do São Paulo, Herman Koester (...) Segundo ele, o São Paulo vai mesmo disputar a Série B, uma Segunda Divisão que só não recebe essa denominação por uma questão de nomenclatura jurídica. (...) Já o diretor de futebol Fernando Casal de Rey, 47, ainda não se deu por vencido. Ele disse que vai acionar o departamento jurídico do clube para saber se a aprovação da fórmula do campeonato de 91 é legal. Casal de Rey disse, sem ter certeza, que não existe um documento assinado pelos clubes sobre o assunto. Assim, ele poderia recorrer à Justiça Desportiva para mudar a fórmula. Ou seja, apelar para o tapetão. 'Estamos vivendo um pesadelo', disse Casal de Rey."

O resto é história conhecida. Houve a virada de mesa e, embora o São Paulo tenha disputado o equivalente à segunda divisão em 91, classificou-se para as finais, eliminando o Palmeiras, que vinha do grupo mais forte.

A Folha também ouviu, naquela ocasião, são-paulinos ilustres, como José Victor Oliva, o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger, e o ministro do Tribunal Superior do Trabalho Almir Pazzianotto. Todos reconheciam o rebaixamento, repudiavam a virada de mesa e reafirmavam que o São Paulo voltaria à primeira divisão na bola.

Estes são os fatos.


O São Paulo foi rebaixado em 1990

De José Renato Sátiro Santiago Jr

Atendendo aos inúmeros pedidos, encaminho abaixo detalhes sobre os fatos ocorridos durante o Campeonato Paulista de 1990.

Ele foi dividido em 2 grupos:

Grupo 1: Corinthians, Internacional, Bragantino, Novorizontino, Palmeiras, São Paulo, Mogi-Mirim, Santos, Portuguesa, União São João, São José e Guarani.

Grupo 2: Catanduvense, Juventus, Botafogo, XV de Piracicaba, XV de Jaú, América, Noroeste, São Bento, Santo André, Ferroviária, Ituano e Ponte Preta

1) Segundo o regulamento do Campeonato Paulista, durante as duas primeiras fases as equipes se enfrentariam dentro e fora de seus grupos. Sendo que os 12 times com melhor campanha, independentemente do grupo do qual fazia parte, se classificariam, automaticamente, para a Quarta Fase:

O que aconteceu: As equipes classificadas foram o Corinthians, Palmeiras, Bragantino, Santos, Mogi-Mirim, Portuguesa e Novorizontino, pelo Grupo 1 e XV de Piracicaba, XV de Jaú, Ferroviária, Ituano e América, pelo Grupo 2.(Regulamento Cumprido)

2) Conforme o regulamento os campeões de cada grupo se classificariam automaticamente para a Copa do Brasil de 1991.

O que aconteceu: Corinthians e XV de Piracicaba foram os vencedores de seus grupos e se classificaram para a Copa do Brasil de 1991. (Regulamento Cumprido)

3) O regulamento informava que as equipes que não tivessem se posicionado entre as 12 melhores aos longos das duas primeiras fases, deveriam disputar a Terceira fase, uma espécie de repescagem. As equipes seriam divididas em dois grupos de 6.

O que aconteceu: As equipes foram divididas em 2 grupos, o primeiro formado por Botafogo, Internacional, Santo André, São Paulo, Ponte Preta e Noroeste e o outro por Guarani, Catanduvense, São José, Juventus, União São João e São Bento. (Regulamento Cumprido)

4) O regulamente definia que apenas os campeões de cada grupo desta terceira fase, se classificariam para a quarta fase, quando se juntariam aos demais 12 classificados anteriormente, e seriam divididos em 2 grupos de 7.

O que aconteceu: Botafogo e Guarani foram os campeões de seus grupos e se classificaram para a Quarta fase. Nesta fase, as equipes foram divididas em 2 grupos de 7. O primeiro grupo foi formado por Bragantino, Corinthians, Botafogo, Santos, Ituano, Mogi-Mirim e XV de Jaú, o segundo grupo foi constituído por Novorizontino, Palmeiras, Guarani, Portuguesa, América, XV de Piracicaba e Ferroviária. (Regulamento Cumprido)

5) Quanto ao rebaixamento, vamos ao texto original do regulamento oficial do Campeonato Paulista de 1990. Parágrafo 1º do artigo 5º: “Para o Campeonato da Primeira Divisão de Futebol Profissional de 1991, o Grupo I será constituído pelas 14 associações classificadas para disputar a quarta fase do Campeonato de 1990 e o Grupo II será constituído pelas dez associações restantes que não se classificaram para a quarta fase e mais quatro advindas da Divisão Especial de 1990.” Parágrafo 2º - “No campeonato da primeira divisão de futebol profissional de 1990, não haverá descenso à divisão especial de futebol profissional. Mas a partir de 1991, ou a cada ano haverá o descenso de uma associação da Primeira Divisão de Futebol Profissional e o acesso de uma associação da Divisão Especail de Futebol Profissional”

O que aconteceu: O Campeonato Paulista de 1991 foi constituídos por 2 grupos de 14 equipes: Grupo I formado pelos 14 classificados para a Quarta Fase do Campeonato de 1990 - Corinthians, Palmeiras, Botafogo, Portuguesa, Guarani, Bragantino, Santos, Ituano, América, Novorizontino, XV de Piracicaba, XV de Jaú, Ferroviária e Mogi-Mirim; Grupo II formando pelas 10 equipes que não se classificaram para a Quarta Fase do Campeonato de 1990: São Paulo, Internacional, Santo André, Noroeste, Catanduvense, Juventus, Ponte Preta, União São João, São José e São Bento, mais 4 equipes originária da Divisão Especial de 1990 que foram: Olímpia, Marília, Sãocarlense e Rio Branco (Regulamento Cumprido)

6) Por fim, voltando a Quarta Fase do Campeonato de 1990, o regulamento previa que os campeões de cada grupo disputariam o título

O que aconteceu: Bragantino e Novorizontino foram campões de seus grupos e decidiram o título em 2 jogos, nos dias 22 e 26 de agosto. O título foi conquistado pelo Bragantino (Regulamento Cumprido)



raferlizboa disse...
O S.P.F.C. nunca foi rebaixado, vc deveria pesquisar mais antes de postar.
24 de março de 2009 14:48

Anônimo disse...
O São Paulo foi rebaixado sim, e no Campeonato Paulista mesmo... o que ocorre é, devido ao sucesso do time, mascaram esse fato... nenhum São Paulino admite que caiu... mas ser rebaixado no paulistinha é foda, hein?
9 de junho de 2009 11:50

Anônimo disse...
vc ta maluco
o SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE , MAIOR DOS CLUBES BRASILEIROS
nunca foi rebaixado , vei no site da federação paulista de futebol e olha la bem grande e dp corrige isso ai que vc falou....
4 de julho de 2009 22:54

JEIEL disse...
os fatos históricos comprovam: o sao paulo foi sim rebaixado no paulista mas, como era de praxe naquela época os times que tinham grana roubavam e não disputavam a serie inferior e os sem grana se lascavam.
Só eram beneficiados qdo estavam na mesma virada de mesa que os "grandes" ou seja o são paulo deve muito do que é hoje à federação paulista de futebol.
18 de agosto de 2009 13:37

Martinelli disse...
Os BAMBIS sempre caem e sempre vão cair. No futebol ou não, uma coisa é certa: Eles caem sentados numa rola oblonga... Adoram isso!
SPFC maior do Brasil? Que merda de time, caiu no paulistinha!
asahishiahuishiahuisa
10 de dezembro de 2009 13:43

Rodrigo disse...
São Paulo é o maior do Brasil? kkkkk! Não me faz rir. O FLAMENGO é o time de maior torcida no mundo, 35 milhões de torcedores. Nós torcemos por um time de macho e não pra um time afeminado. É futebol masculino que o meu time joga.
O FLA nunca caiu em nenhuma competição. Vcs caíram no Paulistinha e querem falar merda? Perderam pra Portuguesa agora em pleno Morumbicha e depois empataram em 1X1 com o poderosíssimo Mirassol???!!!! kkkkkkkkkkkk! Vão se foder suas bichas arrogantes!
22 de janeiro de 2010 12:18

Duds Simini disse...
Meeeenos meu caro!Meenos!Bem menos!SE tivesse rebaixamento ele cairia!Mas em 90 não houve rebaixamento!Pesquisa mais!Bem +
9 de fevereiro de 2010 21:36

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A história do futebol de Sergipe

Não foi fácil implantar o futebol em terras sergipanas. A exemplo do que aconteceu em outros Estados, o novo esporte sofreu com o preconceito que imperava naqueles distantes anos. Quem praticava o futebol era mal visto e logo chamado de vagabundo. A primeira exibição pública de futebol, em Sergipe, remonta ao dia 7 de setembro de 1907 e aconteceu por iniciativa do major Crispim Ferreira, do 26º Batalhão de Infantaria, sediado em Aracaju. Soldados e recrutas daquela guarnição militar se reuniram num campo improvisado na Praça Valadão, que ficava defronte o Quartel e jogaram uma partida entre si. Ao que se sabe cada equipe tinha oito jogadores e o juiz foi o jovem Jaime Azevedo Villas Boas, que residia em Salvador e conhecia as regras. Ele arbitrou o jogo sozinho, não contando com o auxílio de bandeirinhas. O resultado foi um empate de 0 X 0.

Em 1909, Mário Lins de Carvalho, um jovem de 17 anos, natural da cidade de Lagarto e que morava em Salvador (BA), mudou-se para Aracaju, levando consigo a firme idéia de fundar um clube voltado para a prática do futebol. Contando com o auxílio do amigo Carlos Baptista Bittencourt foi realizada uma reunião na casa deste, na rua de Maruim, quando foi fundado o Sport Clube Lux. Como o nome não agradou, em seguida mudou para Club de Football Sergipano.

Na reunião também foram aprovadas o vermelho e branco como cores oficiais e para sede improvisada a casa de um dos fundadores, João Rocha, na rua Laranjeiras, 123. Os treinos eram realizados na Praça do Palácio, atual Fausto Cardoso. Depois do Sergipano, vários clubes de futebol começaram a surgir nos arredores de Aracaju. Tudo era improvisado, afora os campos de jogo. As chuteiras eram botinas adaptadas pelos sapateiros e as bolas, quando não podiam ser compradas em Salvador eram feitas pelos sapateiros locais. E quem não tinha dinheiro jogava com bolas de meias e pés descalços.

O Club Sportivo Sergipe é o segundo clube mais antigo do Estado, fundado em 17 de outubro de 1907. O Cotinguiba Sport Club nasceu uma semana antes, em 10 de outubro. Nos primeiros tempos os dois clubes se dedicavam exclusivamente aos esportes náuticos. Só forami aderir ao futebol em meados de 1916, e assim mesmo limitado aos seus sócios, em animados treinos realizados pelos "Team Green" e "Team Black" num campo improvisado da Praça Pinheiro Machado. Somente no final do ano é que oficialmente, os dois clubes resolveram adotar o novo esporte, graças aos esforços do capitão da Marinha, Aminthas José Jorge, um apaixonado pelo futebol.

Também foi graças ao prestígio político do almirante, que o prefeito Alexandre Freire construiu o campo de futebol da Praça Pinheiro Machado. As arquibancadas ficavam sempre lotadas às tardes de domingos, com uma forte presença de senhoras e senhoritas da sociedade local, derrubando de uma vez por todas os preconceitos daqueles que consideravam o futebol um esporte vulgar.

O Sergipe é o único clube que participou de todos os campeonatos do Estado. Também foi o primeiro a disputar jogos internacionais, tendo enfrentado equipes de porte como a Seleção de Novos da Argentina, Seleção de Ghana e clubes da Europa e America do Sul. Foi o primeiro clube do Estado a participar do Campeonato Nacional, em 1972, quando ficou na 26ª colocação. É o maior colecionador de títulos estaduais e o único hexacampeão. Foi o Sergipe o responsável por uma das maiores goleadas acontecidas no Estado: em 1996 goleou o Propriá pelo placar de 14 x 0.

Em outubro de 1916, quando o futebol foi adotado por Sergipe e Cotinguiba, os sócios jogadores desses dois clubes, formaram a “Seleção de Aracaju, derrotando o Sergipe F.C. de Própria por 4 x 0, no primeiro jogo de futebol organizado no Estado e conquistaram a “Taça Ao Preço Fixo”, o primeiro troféu da história do futebol sergipano. Isso criou um problema: a qual dos dois clubes pertenceria o histórico troféu?

Para resolver a situação, em dezembro daquele mesmo ano, Sergipe e Cotinguiba se separaram e um jogo foi marcado para decidir quem ficaria com o troféu. O Sergipe venceu por 3 X 2, com o jogador Alfredo Roque, um mulato carioca que trabalhava como contínuo no Banco do Brasil tendo marcado dois gols. No primeiro jogo interestadual disputado em Sergipe, em 1917, Roque foi o autor do gol da Vitória de 1 x 0 da Seleção de Aracaju sobre o S.C. Republica, campeão baiano. No final de 1921, Roque retornou ao Rio de Janeiro.

Em 1917 surgiu outro clube organizado; o Industrial, pertencente à Fabrica Sergipe Industrial do bairro da zona norte. No primeiro campeonato oficial, disputado em 1918, organizado pela Liga Desportiva Sergipana, quatro equipes participaram: Cotinguiba, 41° Batalhão F.C., Sergipe e Industrial. Industrial e Cotinguiba se reforçaram com jogadores vindos da Bahia, entre eles, o centro-avante Conceição, que foi o artilheiro do campeonato daquele ano e dois anos depois, retornou ao futebol da “Boa Terra”. O Cotinguiba foi campeão ao derrotar o Sergipe por 2 x 0 no jogo final.

No ano seguinte, 1919, o campeonato não foi realizado. Justamente quando se esperava que fosse o mais espetacular, rebentou uma crise inesperada. Devido ao grande número de jogadores vindos de Salvador, a LDS regulamentou o assunto, fixando um prazo mínimo de permanência dos baianos em Aracaju. O Industrial, que tinha 90% de baianos em seu grupo protestou e, da acirrada “briga administrativa”, resultou a sua desfiliação da LDS.Com dois clubes apenas, Sergipe e Cotinguiba não houve campeonato naquele ano.

Em 1920 o campeonato recomeçou e os jogos eram disputados no Estádio Adolpho Rolemberg, considerado na época o melhor e mais moderno de todo o Nordeste. Pela euforia do acontecimento a Liga perdoou o Industrial, que voltou às lides futebolísticas. Mesmo com apenas três clubes filiados, organizou-se o primeiro campeonato no novo estádio.Tudo parecia bem quando outra crise estourou: devido a uma punição sofrida por um jogador de seu segundo quadro, o Sergipe se indispôs com a Liga e abandonou o campeonato principal ainda no 1º turno. O título então teve de ser decidido entre Cotinguiba e Industrial.

Os campeonatos de 1921 e 1922 transcorreram normalmente, principalmente o “campeonato do centenário”, que contou com a participação de três novos clubes Esperança, Aracaju e Associação Desportiva Brasil, além de Industrial, Cotinguiba e Sergipe. Mas, na decisão do título de 1923, no início de 1924, outra crise estourou no futebol sergipano, desta vez com graves conseqüências.

Por causa de uma penalidade máxima assinalada pelo juiz baiano Oscar Coelho, contra o Industrial, quando o jogo estava em 1 x 1 o “tempo fechou”. Os atletas do clube proletário se insurgiram contra o juiz, provocando um enorme tumulto que culminou com a retirada de campo do alvinegro. No dia seguinte, o patrono do clube, o industrial Teles Ferraz, que presenciara o acontecimento, convocou uma Assembléia Geral, decidindo pela extinção da agremiação operária.

O certame de 1924 foi um fracasso. Com o desaparecimento do Industrial, uma espécie de Confiança daquela época, desencadeou um desinteresse geral, culminando com o afastamento do Esperança do bairro Santo Antônio. O público se afastou do Adolfo Rolemberg, que permaneceu fechado por longo tempo e seu gramado virou pasto para animais. Entre 1925 e 1926, o futebol praticamente desapareceu de Aracaju.

Em 1927 houve uma divisão no futebol do Estado, com o surgimento da Liga Sergipana de Esportes Atléticos (LSEA), com apenas três clubes filiados: Associação Atlética, América e Palmeiras, enquanto a Liga Desportiva Sergipana tinha quatro clubes filiados: Sergipe, Brasil, Cotinguiba e Aracaju.

No ano seguinte, com o fechamento da Liga Desportiva Sergipana, a nova entidade passou a comandar o futebol sergipano. Em 1931 mais oito clubes filiaram-se a ela, Vasco, Guarani, Paulistano, Palestra, Vitória, Siqueira Campos, 13 de Julho e ETEA. Em 10 de novembro de 1941 mudou a denominação para Federação Sergipana de Desportos, e em 20 de janeiro de 1976, por decisão da Assembléia Geral Extraordinária, para a atual Federação Sergipana de Futebol.

Os clubes do interior do Estado passaram a disputar o campeonato sergipano, apenas a partir de 1936, com a inclusão do Ipiranga, da cidade de Maruim. Em 1939 foram criadas as divisões do Interior, com quatro clubes, Ipiranga, Riachuelo, Socialista e Laranjeiras, e a da Capital. O Ipiranga ganhou a disputa interiorana e o Sergipe a de Aracaju. Para decidir quem ficaria com o título máximo, os dois clubes disputaram uma melhor de três partidas, onde o Sergipe levou a melhor, fazendo 2 X 0 na prorrogação do jogo decisivo. No entanto, o Ipiranga foi proclamado campeão, pois o Sergipe incluiu em sua equipe o jogador Renato Vieira, que estava inscrito na Liga Paulista. Essa fórmula de campeonato manteve-se até 1958.

A partir de 1959 o campeonato foi disputado por zonas: Leste (capital), Norte, Sul e Centro (interior). Os cinco melhores da capital e os campeões das zonas interioranas se juntavam para realizar o Campeonato Sergipano, em turno e returno. O primeiro campeonato de profissionais no Estado foi realizado em 1960, quando o Santa Cruz foi campeão.

O Estádio Lourival Baptista, o “Baptistão” foi inaugurado em 9 de julho de 1969, quando 45.058 torcedores assistiram o jogo Seleção Brasileira 8 X 2 Seleção de Sergipe. Os gols foram marcados por Toninho (3), Clodoaldo (marcou o primeiro gol da história do estádio), Gerson, Paulo César Caju, Beto (contra) e Paulo Borges, para o selecionado nacional e Vevé e Fernando para o time sergipano. O juiz foi Armando Marques.

Todos os campeões estaduais

Com 32 títulos: Sergipe (1922, 1924, 1927, 1928, 1929, 1932, 1933, 1937, 1940, 1943, 1955, 1961, 1964, 1967, 1970, 1971, 1972, 1974, 1975, 1984, 1985, 1989, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1999, 2000, campeonato sub júdice, e 2003); com 16 títulos: Confiança (1951, 1954, 1962, 1963, 1965, 1968, 1976, 1977, 1983, 1986, 1988, 1990, 2001, 2002, 2004 e 2008); com nove títulos: Itabaiana (1969, 1973, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, junto com o Sergipe, 1997 e 2005); com seis títulos: Cotinguiba (1918, 1920, 1923, 1936, 1942 e 1952); com cinco títulos: Santa Cruz (1956, 1957, 1958, 1959 e 1960); com quatro títulos: Vasco (1944, 1948, 1953, 1987); com três títulos: Palestra (1934, 1935 e 1949); com dois títulos: Ypiranga (1939 e 1945), Olímpico (1946 e 1947) e América (1966 e 2007); com apenas um título: Passagem (1950), Pirambu (2006), Industrial (1921), Riachuelo (1941) e Lagartense (1998). Nos anos de 1919, 1925, 1926, 1930, 1931 e 1938 o campeonato não foi realizado. (Pesquisa: Nilo Dias)