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sábado, 7 de maio de 2016

Morreu o craque que quase fez o Estádio Olímpico desmoronar

Morreu na sexta-feira, 6, aos 83 anos de idade, Larry Pinto de Faria, um dos maiores jogadores da história do S.C. Internacional, de Porto Alegre. Desde dezembro do ano passado ele tratava de uma pneumonia. Em 29 de abril, seu estado piorou e teve de ser internado no Hospital Santa Clara, onde sofreu uma parada cardíaca e faleceu por volta das 6 horas da manhã.

O velório de Larry foi realizado na Capela Nossa Senhora das Vitórias, no estádio Beira-Rio. O funeral aconteceu às 16h de sábado no Crematório Metropolitano Saint Hilaire. O ex-craque deixa a mulher, Maria Luiza, os filhos Marcelo, Larry Júnior e Zilda Maria, além de seis netos e uma bisneta

Era natural de Nova Friburgo (RJ), onde nasceu a 3 de novembro de 1932.Começou a jogar nos mirins do Friburgo, time de sua terra natal, na posição de meia-esquerda. A infância e a puberdade ocorreram sem novidades. E em plena adolescência, aos 17 anos, mudou-para a antiga capital federal, para se matricular no Curso Preparatório para Oficiais da Reserva (CPOR).

No Rio continuou a manter estreitas relações com o futebol. Procurou o Fluminense e integrou-se na equipe de jovens, cujo técnico era Oto Glória. Em 1951 ganhou seu primeiro título no futebol, campeão carioca de juvenis. Ficou no Fluminense até 1954, quando se transferiu para o colorado gaúcho. Era um camisa 9 eminentemente técnico, que jogava com elegância e não trombava com os adversários.

A torcida colorada logo simpatizou com ele, pois já no segundo clássico Gre-Nal que disputou, o da inauguração do Estádio Olímpico, do maior rival, o Internacional aplicou uma goleada de 6 X 2 e Larry marcou quatro gols, em um fiasco que os gremistas antigos não esquecem.

A capacidade técnica de Larry ia muito além de fazer gols. Era um atleta clássico, refinado, coisa rara entre os centroavantes da época e de qualquer tempo. Tinha como companheiro de ataque um outro jogador excepcional, Bodinho, um pernambucano , que com ele formou uma dupla infernal, capaz de tabelinhas só comparáveis às dos santistas Pelé e Coutinho.

Um feito notável de Larry foi o de ter marcado 23 gols em apenas 18 partidas, quando só não se sagrou artilheiro do Campeonato Gaúcho de 1955, porque Bodinho fez 25 gols. A moral de Larry com a torcida vermelha era tanta, que mesmo errando dois pênaltis contra o Renner, que tiraram o Inter da disputa do título gaúcho de 1958, saiu de campo aplaudido.

Como jogador Larry foi campeão carioca em 1951 e fez parte do elenco que disputou e ganhou a Copa Rio, em 1952. Mas fora convocado para a Seleção Olímpica, o que prejudicou seu aproveitamento pelo time tricolor.

Porém, foi o artilheiro da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Verão de 1952, quando marcou quatro gols em três jogos. Larry também foi o segundo jogador que marcou um gol do Brasil em olimpíadas, em Helsinque.

O primeiro gol foi marcado por Humberto Tozzi, na vitória de 5 X 1 sobre a Seleção da Holanda. O time brasileiro também contava com craques como Evaristo, Vavá, Zózimo, Carlos Alberto, Mauro, Valdir, Adézio, Milton Bororó, Humberto Tozzi e Jansen .  Foi, ainda, campeão Pan-Americano em 1956, quando a seleção gaúcha representou o Brasil. Pelo Internacional ganhou o Campeonato Gaúcho de 1954 e o de 1961.

O Brasil venceu duas partidas seguidas, 5 X 1 sobre a Holanda e 2 X 1 sobre Luxemburgo , até sofrer uma goleada para a Alemanha. O Brasil começou vencendo a Alemanha por 2 X 0 até os 30 minutos do segundo tempo. Os alemães empataram no último minuto.

Na prorrogação, 4 X 2 para a Alemanha e o Brasil, eliminado. A campanha acabou considerada boa e todos os jogadores tiveram três dias de folga em Paris, a capital francesa.

Depois que deixou os gramados trabalhou na Caixa Econômica Estadual. Entrou para a política, sendo eleito vereador em Porto Alegre por quatro vezes, secretário municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) (de 1983 a 1985) e ainda suplente de deputado estadual. 

Também atuou como comentarista esportivo na extinta TV Difusora, canal 10 de Porto Alegre, nos programas “Portovisão” e “Meio-Dia - A Hora Local”. Trabalhou como comentarista esportivo na Rádio Gaúcha.

Quando chegou ao Internacional, Larry morou por um ano no antigo Estádio dos Eucaliptos, a casa colorada antes da construção do Beira Rio, junto de Bodinho, Gerônimo e Salvador . Lembra de quando o estádio foi derrubado. Ele ia consultar com um médico, nas cercanias do Eucaliptos, quando ouviu o barulho das máquinas.

Teve medo. Desconfiava do que se tratava, pois sabia que a área havia sido vendida para a Melnick Even, por R$ 28 milhões, bem mais do que o dinheiro arrecadado por Ildo Meneghetti para comprar o terreno no Menino Deus, em 1931. Quatro anos depois da conclusão do negócio, o estádio começou a desaparecer para dar lugar as torres de um condomínio de luxo.

E em vez do alojamento que serviu de casa para Larry Pinto de Faria, Bodinho, Jerônimo e Salvador, áreas de lazer. Em vez das arquibancadas da Dona Augusta, tantas vezes lotada de homens de chapéu e gravata, estacionamentos.

Larry desviou um tanto do caminho do consultório, parou o carro na Rua Silveiro e teve a certeza: naquele instante, uma parte da sua vida, da história do futebol gaúcho e da capital gaúcha começava a sumir para sempre, diante dos próprios olhos. 

Então, Larry, na época com 79 anos, emblema dos tempos de glória dos Eucaliptos, suspirou, guardou silêncio solene e disse: “Agora serão só minhas lembranças”.

Em 260 jogos pelo Internacional, Larry marcou 176 gols. Sete deles em quatro Gre-Nais, incluídos os quatro no 6 X 2 do torneio de inauguração do Olímpico. Juntos, ele e Bodinho somam 410 gols. Quase todos marcados no estádio que sumiu do mapa.

Era um tempo bem diferente de hoje, em que o clube tem ônibus super luxuoso. Antes, não, os jogadores iam a pé jogar fora de casa, no Força e Luz, na Baixada, na Montanha.

Uma curiosidade daquela época: não havia cama do tamanho de Salvador na concentração dos Eucaliptos, na verdade uma peça única forrada de paredes nuas com banheiro comum. As canelas ficavam de fora, o que deve ser incômodo.

O volante Salvador, era um negro gigantesco que vestiu a camisa 5 do Inter nos anos 50 e fez história no Peñarol e no River Plate. Também jogou no Cruzeiro, de São Gabriel (RS). Nas noites de calor, Salvador apanhava o lençol e o travesseiro e dormia no gramado, bem no círculo central. Era volante até dormindo.

Era comum moleques gremistas atazanarem a vida dos jogadores colorados, subidos em uma árvores atrás da goleira. O goleiro Milton Vergara trazia funda de casa para acertar esses moleques. Não havia agentes, assessores, empresários. Os torcedores convidavam os jogadores para um churrasco em casa e eles iam, com mulher e filhos.

Depois dos treinos, subiam todos para as cabines de imprensa, no ponto mais alto do estádio, e viam juntos os navios partindo do Guaíba. Larry dizia que ia ficar com saudade da sua primeira casa em Porto Alegre, mas se conformava lembrando que a história não se apaga.

Um dos filhos de Larry, o executivo Larry Pinto de Faria Junior, foi um dos sobreviventes do atentado de 11 de setembro de 2011 no World Trade Center, em Nova York, onde trabalhava. E diz não guardar traumas, mas afirma que o episódio o transformou em uma pessoa diferente.

"Ver a morte assim de perto muda a maneira de encarar a vida", disse Júnior à BBC Brasil, acrescentando que mudou sua filosofia de vida e suas. Passo a ser uma pessoa completamente tranquila e consciente das responsabilidades, procurando ser uma pessoa menos egoísta. (Pesquisa: Nilo Dias)

Larry Pinto de Farias. (Foto: Revista Colorada)

terça-feira, 26 de abril de 2016

"Teleco", o rei das viradas

Uriel Fernandes, o “Teleco”, é dono de um recorde até hoje mantido, o de jogador com a maior média de gols por partida. Ele conseguiu a incrível marca de 1.02 gols por jogo, marca que nem mesmo Pelé foi capaz de bater.

O “Rei” fez 1281 gols em 1375 jogos – média de 0,93 gols por partida. Ele foi um dos primeiros ídolos da história corinthiana, tendo jogado nos anos 30.

E de lambuja, “Teleco” marcou 251 gols em 246 jogos pelo Corinthians Paulista, o que lhe garante a terceira colocação entre os principais artilheiros do clube até hoje, atrás somente de Baltazar, com 269 gols, e Cláudio, que é o maior artilheiro da história do clube com 305 tentos.

“Teleco” foi um dos primeiros ídolos da história corinthiana, tendo jogado nos anos 30. Nos 246 jogos que “Teleco” jogou pelo Corinthians, ganhou 155 e perdeu apenas 38.

“Teleco”, apelido que recebeu de sua avó, quando ainda era menino, nasceu em Curitiba no dia 12 de novembro de 1913. Começou a carreira em 1933 na equipe paranaense do Britânia, um dos clubes que deram origem ao Paraná Clube e foi para o Corinthians em 1934, após chamar a atenção em uma partida pela Seleção Paranaense.

Foi o primeiro jogador negro a vestir a camisa corinthiana. Teve ainda breves passagens pelo Santos, também em 1944 e depois pelo Juventus.

Com 21 anos já era titular do Corinthians, onde jogou por 10 anos, na posição de centroavante. Fez a sua estreia pelo Corinthians em 16 de dezembro de 1934, quando o seu time foi goleado pelo Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, por 5 X 0.

O seu primeiro gol pelo clube veio logo depois, na última partida de 1934, marcando duas vezes na vitória por 4 X 1 sobre a Portuguesa Santista, em jogo amistoso disputado no Estádio Ulrico Mursa, em Santos.

Vestindo a camisa alvinegra conquistou quatro títulos de campeão paulista,1937, 1938, 1939 1941, e foi cinco vezes o artilheiro do Campeonato Paulista, nos certames de 1935 (9 gols), 1936 (28 gols), 1937 (15 gols), 1939 (32 gols) e 1941 (26 gols).

“Teleco” é também o corintiano que mais vezes marcou num “Paulistão” só: 32 vezes, no torneio de 1939. O jogador quase virou lenda, tal a sua dedicação em campo.

A facilidade que “Teleco” tinha de fazer gols era um desafio à lógica. De cabeça, com os pés, e principalmente, de virada - sua jogada mortal -, eles sempre saíram em profusão.

Era chamado pelos torcedores de "O Rei das Viradas", porque antes de chutar a gol costumava se virar de costas para a meta adversária, para rapidamente torcer o corpo no ar e arremessar a bola para dentro do gol. Era também conhecido por "O Homem Gol".

Contam que em 1937, chegou a jogar com um dos braços imobilizado, com talas escondidas sob o uniforme de manga longa, num importante confronto frente o Palestra Itália, que anos depois virou Palmeiras. Ele estava fora do jogo, mas como o seu reserva imediato, “Zuza”, desmaiou ao saber que iria jogar, foi obrigado a entrar em campo.

Mesmo sem contar com toda a forma física, ainda assim “Teleco” marcou de cabeça o gol que deu a vitória ao Corinthians, e em consequência a conquista do título paulista.

Depois que deixou os gramados permaneceu no clube como funcionário responsável por cuidar da “Sala de Trofeús” duante 25 anos, até o dia em que morreu, 22 de julho de 2000, aos 86 anos. A causa da morte não foi revelada. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 12 de abril de 2016

Um grande goleiro

Oscar Modesto Rodrigues Urruty, um dos melhores goleiros que conheci, é uruguaio de Durazno, onde nasceu em 1934. Filho de Modesto Rodrigues e Segunda Josefa Urruty de Rodrigues, começou a carreira de futebolista no pequeno Wanders, de Montevidéu. Ele veio para o Brasil em 1954, com 18 anos de idade, para jogar no Guarany, de Bagé.

Ainda em 1954 quase foi parar no G.E. Gabrielense, de São Gabriel, que recém se tornara profissional.  Não houve acerto. Em 1955 passou por testes no Internacional, de Porto Alegre, mas não ficou por lá.

Em 1956 alçou vôos mais altos: foi para São Paulo, defender a Sociedade Esportiva Palmeiras, mas não teve muita sorte. Lesionou-se, parou por algum tempo e resolveu retornar para o Sul, onde defendeu o G.E. Brasil, de Pelotas.

Em 1957, foi para o rival Pelotas, indicado pelo técnico Paulo de Souza Lobo, o “Galego”. Deu sorte. Foi tricampeão da cidade, em 1958, ano em que o clube comemorava o seu cinquentenário. Em 1960 foi “Campeão dos Campeões”, do interior do Estado.

Em 1962 mudou de endereço, indo jogar no Farroupilha, também de Pelotas. No time do bairro Fragata novas glórias o esperavam: fez parte do time que marcou época no futebol pelotense na década de 1960. Jogou ao lado de Wilson Carvalho, Lelo, Cascudo, Noredin, Wellington e Dias.

Só saiu do Farroupilha em 1965, para jogar no São Paulo, de Rio Grande. Ainda teve uma passagem pelo Flamengo, de Caxias do Sul, hoje S.E.R. Caxias.

Depois de deixar os gramados Oscar se tornou treinador. Seu grande momento foi quando conquistou com o clube “xavante”, a “Taça Governador do estado”, 1972. Uma curiosidade, ele trabalhou de graça, sem cobrar nada, depois que uma comissão formada por dirigentes e torcedores foram em caravana a sua casa, no bairro Cruzeiro, para convencê-lo a assumir o comando técnico.

Oscar era bastante polêmico. Certa vez fez duras criticas ao presidente da Federação Gaúcha de Futebol, o autoritário Rubens Hoffmeister (já falecido), que não gostou e  exigiu uma "retratação". E o que fez Oscar? Mandou-lhe uma foto 3 X 4 com dedicatória em bom castelhano: “Es la retratación.”

A mania de sempre dizer o que pensa é de sua naturalidade. O acompanha desde que jogava futebol. Gosta de dizer que jogou no “time dos rebeldes”. Nunca foi puxa saco de dirigentes, costumava lutar por seus direitos.

Não admitia que atrasassem seus salários, o que lhe garantiu muitos problemas. Dizia que arriscava a sua cabeça na chuteira dos adversários. Foi um dos fundadores do extinto Sindicato dos Jogadores Profissionais de Pelotas, com apoio jurídico do advogado Ápio Cláudio de Lima Antunes.

Oscar, apesar de ter jogado nos três clubes profissionais de Pelotas, garante que não torce para nenhum deles, sim pelos amigos que deixou em sua trajetória profissional. A maior parte da família de Oscar Urruty mora no Uruguai e torce pelo Peñarol.

Depois de abandonar a carreira de treinador, Oscar se dedicou a outra arte – marcenaria. Ele é até hoje restaurador de móveis antigos. Atualmente também se dedica a cutelaria - a arte de fabricar facas. Utiliza o mesmo metal usado em tesouras de esquila. Os cabos são feitos de rabo de tatu e pata de avestruz. Tudo trabalhado a mão.

Depois que sai de Pelotas, 1m 1975, e lá se vão 41 anos, nunca mais tive o prazer de ver Oscar Urruty. O último contato que tive com ele foi num churrasco em sua casa, do qual participaram vários jogadores de futebol que trabalharam com ele.

Eu ajudei a servir a cerveja, atendendo um pedido de Oscar. Na época eu trabalhava na imprensa esportiva de Pelotas, mais precisamente no jornal “Diário Popular”.

Os jornalistas pelotenses Ayrton Centeno, Luiz Lanzetta e Lourenço Cazarré - os três foram meus colegas no jornal "Diário Popular", de Pelotas, pretendem lançar, até o final di ano, provavelmente na "Feira do Livro de Pelotas", um livro que visa resgatar a história e a importância do "Triz", jornal alternativo que circulou em Pelotas no final de 1976. E curiosamente, com uma única edição.

O jornal dedicou, na oportunidade, três, das suas 16 páginas, para uma antológica entrevista com o ex-goleiro Oscar Urruty, já dedicado aos trabalhos de artesanania em madeira. Na ocasião, Oscar, que não tinha papas na língua disse que abandonou o futebol por estar desalentado com a patifaria que reinava no época, patifaria.


No entender do ex-goleiro o jogador pode fazer suas farrinhas. Não influi nada no procedimento. Não escondeu que sempre bebeu. Disse que quando jogou no Pelotas, havia uns 8 ou 10 que eram da boêmia. e assim mesmo foi tricampeão.  pelo Pelotas. Confessou ter jogado 11 vezes com o joelho infiltrado, debaixo de agulha, durante todo o primeiro turno de 1961.

Seu filho, também de nome Oscar, nascido em 1961, curiosamente no mesmo dia em que comemora aniversário, seguiu a carreira do pai. Foi excelente goleiro, tendo atuado pelo Brasil, de sua cidade, passou depois por São Paulo, de Rio Grande (RS), Internacional, de Limeira (SP), Francana, de Franca (SP), Paulista, de Jundiai (SP), Paysandu, de Belém (PA) e Figueirense, de Florianópolis (SC).

Como preparador de goleiros trabalhou no Brasil, de Pelotas, Al Ettifaq, da Arábia Saudita, Grêmio Portoalegrense, Figueirense, de Florianópolis (SC), Jubilo Iwata, do Japão, Cruzeiro, de Belo Horizonte (MG),  Atlético Mineiro, Santos  e no Palmeiras, onde se encontra desde setembro de 2014.

“É sempre uma satisfação muito grande retornar. O Uruguai é um país extremamente hospitaleiro, do qual absorvi algumas coisas pelo contato, por ter ido várias vezes para lá desde pequeno. Tomo mate, o nosso chimarrão, como muita carne na parrilla (churrasco)…

A gastronomia é fantástica. E, a passeio, gosto de ir também a Punta del Este, Piriápolis... O litoral uruguaio tem praias lindas, é muito bacana”, elogia Oscar Rodriguez. (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um torcedor apaixonado

João Faria da Silva, o “Russão”, foi um dos mais apaixonados torcedores do Botafogo, do Rio de Janeiro. Era estofador de móveis por profissão, tendo sido o fundador da extinta “Torcida Folgada”, que depois se chamou “Torcida Russão”.

Antes, em 1965, quando tinha 18 anos de idade fundou na geral do Maracanã, a torcida “Fogo-Duro”, formada por torcedores pobres e fanáticos que, antes das 7 horas, pulavam o muro do estádio e permaneciam escondidos até à abertura do portão.

Em 1968, por sugestão de Tolito, dono da mais famosa banca de jornais alvinegra do Rio de Janeiro, sugeriu a “Russão” que criasse uma nova torcida, a organizada “Fogo-Lito”, para atuar na arquibancada, em vez da geral.

Foi quando “Russão” conheceu “Tarzan”, outro fanático torcedor. Os dois conviveram bem até 1974, quando “Tarzan” resolveu voltar para Belo Horizonte, deixando  seu amigo Celso, diretor da bateria, como líder da torcida.

Mas este não conseguiu segurar a barra, que era realmente pesada, e passou a liderança para “Russão”. Em 1978, porém, “Tarzan” voltou a morar no Rio de Janeiro e retomar a liderança da torcida organizada.
“Russão” conseguiu se manter no cargo, mas a torcida ficou dividida. Por causa disso ele acabou por passar a liderança ao seu amigo “Barriga”.

Tempos depois, em entrevista concedida a revista “Placar”, “Russão” disse que não guardava a menor mágoa de Tarzan, que aprendera com ele a ser mais Botafogo, a ser mais valente, fiel e a defender as cores do clube.

Em setembro de 1981, fundou a “Torcida Folgada”, que depois se chamou “Folgada do Russão”, que chegou a ter 800 sócios de carteirinha, que pagavam mensalidades. Foi o auge da liderança do torcedor. A exemplo de outras torcidas do clube a “Folgada” acabou por ser extinta.

Em setembro de 2010, “Russão” precisou ser hospitalizado em uma clínica no bairro de Laranjeiras, com infecção generalizada em uma das pernas, que teve de ser amputada. Ele sofria de diabetes. Na época, o torcedor chegou a pedir ajuda em dinheiro, já que tinha problemas financeiros.

Em 2011, quando das eleições presidenciais no Botafogo, “Russão” esteve no clube sentado em uma cadeira de rodas. Ao entrar em General Severiano, o torcedor foi recebido por uma salva de palmas de todos os presentes. “Russão” se emocionou e chorou muito.

Ele aproveitou para lembrar dos tempos em que ajudou a erguer a atual sede do “Glorioso”, antes de sua última reforma. Disse que capinou tudo por lá.

Contou que 15 pessoas moravam no local e consumiam drogas. Botou todo mundo para fora, salientando que ali é a casa do alvinegro, enquanto gritava “Eu te amo, Botafogo”.

Era o presidente de honra da torcida “Loucos pelo Botafogo”, que vinha levantando fundos para adquirir uma perna mecânica, para que “Russão” pudesse frequentar o “Engenhão” e o seu time em ação.

Em 28 de fevereiro de 2012, “Russão” faleceu aos 63 anos de idade, devido a vários problemas que fragilizaram sua saúde.

O Botafogo prestou solidariedade e divulgou nota oficial sobre a morte.

O Botafogo comunica e lamenta o falecimento de um seus torcedores-símbolo: João da Silva Faria, o “Russão”. O clube decreta luta oficial de três dias e hasteia sua bandeira a meio mastro, além de colocar à disposição suas dependências para o velório. Haverá um minuto de silêncio antes da partida entre Botafogo e Americano, a ser jogada em Campos.

Exemplo de amor e dedicação ao Botafogo, “Russão” sempre defendeu os interesses do clube e o representou nas arquibancadas. A “Folgada do Russão”, durante anos, foi uma das principais torcidas organizadas do Glorioso - destacou o clube no comunicado.

O Botafogo presta solidariedade à família de um torcedor apaixonado, que dedicou grande parte de sua vida ao clube, e será uma eterna referência nas arquibancadas.(Pesquisa: Nilo Dias) 


segunda-feira, 28 de março de 2016

A morte de uma lenda do futebol

Morreu no último dia 24, em Barcelona (Espanha) onde morava, Hendrik Johannes "Johan" Cruyff, o melhor futebolista neerlandês de todos os tempos. Ele nasceu em Amsterdã, no dia 25 de abril de 1947. Seu sobrenome é originalmente grafado, na língua neerlandesa, como "Cruijff", sendo mais popularmente escrito como "Cruyff" no exterior.

Ele foi praticamente criado dentro do Ajax. Seu pai, Manus, era dono de uma mercearia que fornecia frutas ao clube. Sua mãe trabalhou como faxineira do clube após tornar-se viúva.

Com apenas quatro anos de idade, o garoto “Cruyff” frequentava os vestiários. Por ideia da mãe, o filho entrou nas categorias de base do Ajax. Ela acreditava que assim ele poderia superar a deficiência que tinha nos pés, cuja má formação o obrigava a utilizar aparelhos ortopédicos.

O garoto estreou no time principal do Ajax em 1964. Um ano depois, em 1965, chegou Michels, que aceitou o jogo ditado por “Cruyff” e os títulos viriam em série: o Ajax foi campeão neerlandês na primeira temporada com ambos trabalhando juntos, a de 1965/66.

Outros três títulos no campeonato nacional vieram em espaço de cinco anos. Cinco Copas dos Países Baixos também foram levantadas no período.

Com 19 anos de idade estreou pela Seleção dos Países Baixos em 1966, em jogo contra a ainda respeitada Hungria, em partida válida pelas eliminatórias para a Eurocopa 1968, quando fez um gol.

Cruijff transformou a Seleção Neerlandesa, então modesta, em uma potência mundial. Mas não foi de imediato. O país não se classificou para as fases finais da própria Euro 1968 e também da de 1972, e Copa do Mundo de 1970.

A revista brasileira “Placar”, em uma edição especial, elegeu os 100 melhores jogadores de futebol do Século XX, sendo que ele ocupou a terceira posição, atrás somente de Pelé e Maradona.

"Cruyff" não tinha semelhança com o futebol de Pelé e Maradona, se assemelhava mais a Alfredo Di Stéfano. Era um jogador de muita velocidade, intuição, inteligência e objetividade em campo.

Era considerado um jogador revolucionário, tático, ofensivo, coletivo, vistoso e eficiente. Suas extraordinárias atuações no Ajax inspiraram muitos jogadores e treinadores a partir de suas extraordinárias atuações no clube e, também na Seleção Holandesa na Copa do Mundo de 1974.

Foi ele e o seu treinador no Ajax, Barcelona e na Seleção Neerlandesa, Rinus Michels que criaram o chamado futebol total, no qual os jogadores de linha se sentem à vontade ao desempenhar todas as posições. Foi essa a última revolução tática na história do futebol, mesmo passados mais de 40 anos da Copa do Mundo de 1974.

O rodízio que funcionara bem no Ajax, chamado de "futebol total", transformou-se para os olhos do mundo no "Carrossel Holandês". Era um grupo de grande talento que trouxe inovações para a época como a valorização da troca de passes e posse de bola, a linha defensiva de impedimento e marcação firme, tentando roubar a bola ainda na intermediária adversária.

“Cruyff”, era um jogador com fome de bola. Corria o campo inteiro para marcar o adversário e tirar-lhe a bola. Era magro e dono de um fôlego privilegiado, sabedor como ninguém de como controlar a velocidade, sabendo de antemão o que iria fazer, depois de receber a bola.

Foi escolhido pelo IFFHS o maior jogador europeu do século XX, e o segundo maior do mundo, atrás somente de Pelé. Para o colunista Maurício Barros, da ESPN Brasil, Cruyff é o maior da história do futebol na soma jogador-treinador, mesmo sem ter ganho nenhuma Copa do Mundo.

Ele pode ser taxado de um revolucionário do futebol. Sabia impor suas noções de táticas, e a negociar seus termos salariais. Foi o casamento perfeito, quando se encontrou em 1965 com Rinus Michel, até então um professor de ginástica para crianças surdas.

Michel chegou ao Ajax para ser o técnico. Ambicioso, planejava transformar o clube, até então uma equipe semiprofissional que fazia jogos pelo leste de Amsterdã, em um time internacional de ponta. Ele e “Cruijff” conseguiram isso em seis anos.

Frank Rijkaard, um dos seus discípulos, afirmava que Diego Maradona poderia ganhar um jogo sozinho, mas não tinha o talento de “Cruyff” para mudar a tática do time para vencer a partida.  Dava a impressão de que tinha quatro pernas, sendo hábil no chute com o lado de fora do pé.

Era capaz de dar giros em pequenos espaços, tinha chutes longos e certeiros, driblava fácil e ainda era bom cabeceador e artilheiro. Tinha uma personalidade forte e não aceitava ordens.

Na Copa dos Campeões da UEFA, o Ajax chegou à final em 1969. No caminho, eliminou o Benfica de Eusébio, mas perdeu a decisão para o Milan. Em 1971, 1972 e 1973 foi tricampeão da mais importante competição europeia.

Pelos títulos de 1971 e 1973 foi premiado com a “Bola de Ouro”, da France Football, sendo o primeiro neerlandês a recebê-la.
O Ajax também venceu a Copa Intercontinental de 1972, derrotando o Independiente, da Argentina por 3 X 0, depois de empatar em 1 X 1 fora de casa,  com gol de “Cruyff”.  O clube não ganhou outras Intercontinentais pois não quis participar.

Em 1971, foi o Panathinaikos quem enfrentou os uruguaios do Nacional. Em 1973, quando a disputa seria outra vez contra o Independiente, o Ajax voltou a ceder a vaga para o vice-campeão
europeu, desta vez a Juventus, de Turim (Itália).

“Cruijff “ liderava sozinho um time de bairro, dono de um estádio pequeno até para as segundas divisões da Itália ou Espanha, cujos jogadores não ganhavam mais do que um bom lojista. Ainda assim conseguiu reinventar o futebol dentro do clube.

Em 1973, decidiu sair do clube, vítima do próprio poder que ajudara a deixar nas mãos dos jogadores: seus colegas decidiram que o novo capitão do clube seria Piet Keizer. “Cruijff” foi então para o Barcelona, onde se encontrava Michels, o homem que o compreendera.

Chegou ao clube espanhol na negociação mais cara do futebol mundial até então. O Barcelona pagou cinco milhões de florins, preço tão alto que o governo espanhol não aprovou a transferência.

Só conseguiu ser levado porque foi registrado oficialmente como uma peça de máquina de agricultura. O jogador justificou o alto investimento. No jogo de estreia fez dois gols e reconduziu o Barcelona a um título espanhol que não ganhava havia 14 anos, quando ainda jogavam pelo clube Luis Suárez, László Kubala, Zoltán Czibor, Sándor Kocsis e Evaristo.

Foi o melhor jogador do campeonato, ganhando sua terceira “Bola de Ouro”. O ano não podia ter sido melhor, já que a Seleção Neerlandesa conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 1974, coisa que não acontecia desde a segunda participação, na edição de 1938.

Em 1975, 1976 e 1978, o campeão foi o Real Madrid. Na única temporada em que os “merengues” não foram bem, ficando em 9º lugar no campeonato, o Barcelona perdeu o título, que ficou com o Atlético, de Madrid, por um ponto.

Além do título nacional de 1974, Cruijff só conseguiu ganhar com o Barcelona a Copa do Rei de 1978. Ficou oito anos no clube. Quase morreu por lá, quando sofreu um infarto, em 1991, muito provavelmente consequência dos cigarros que inveteradamente fumava. Teve, por isso, de implantar pontes de safena.

Logo depois se aposentou, não participando da Copa do Mundo de 1978. Ele se dizia cansado da violência que imperava nos gramados espanhóis, onde chegou a ter uma perna quebrada.

Cruijff se despediu dos gramados em outubro de 1978, vestindo a camisa do Ajax, em um jogo amistoso contra o Bayern Munique.  Os alemães ganharam por 8 X 0. Mas tudo não passou de um adeus fictício. O investimento que o jogador fez na criação de porcos, o fez perder milhões, de dólares, o que o obrigou a voltar a jogar.

Foi para os Estados Unidos, onde poderia viver tranquilo, no anonimato. Passou dois anos por lá, onde jogou primeiro no Los Angeles Aztecs, tendo novamente como treinador Rinus Michels. Depois foi para o Washington Diplomats. Também fez uma partida de exibição pelo New York Cosmos.

Se o futebol americano era calmo, Cruijff não foi. Sempre de mau humor, deixou quase loucos colegas e outros técnicos. Certa vez, quando o seu técnico no Diplomats estava fazendo a preleção, ele levantou-se, limpou o quadro-negro e disse: "É claro que faremos tudo diferente disso".

Um dos jogadores do Diplomats teria dito que o clube, ao contratar o neerlandês, deveria ter pago também por um estoque de algodão para que todos ali tivessem algo mais para tapar os ouvidos.

Sem clima para continuar nos Estados Unidos, voltou para a Espanha, dessa feita para defender o pequeno Levante, de Valência, que estava na segunda divisão. Mas não obteve sucesso, pois o clube estava afundado em dívidas.

Depois disso jogou uma partida pelo Milan, em um torneio amistoso organizado por Silvio Berlusconi, mas saiu vaiado após uma atuação apagada. Retornou aos Países Baixos e ao Ajax. Enfrentou resistências, sendo chamado de "desbocado" e "dinheirista". Dizem que ele cobrava para dar autógrafos.

Em seu retorno ao Ajax foi campeão neerlandês da Copa nacional. Também causou furor ao inventar a cobrança em dois lances de um pênalti. Em outra partida, ao cobrar a penalidade, apenas tocou a bola para a frente, deslocando o goleiro enquanto um companheiro corria atrás da bola para repassar-lhe para que concluísse sem obstáculos para as redes.

Outro lance foi de calcanhar: Cruijff certa vez avançou em direção ao gol e o goleiro adiantava-se para tentar bloquear-lhe. Ele então virou-se e passou a correr em direção ao próprio campo, sendo seguido pelo goleiro até perto do meio-de-campo, quando este então percebera que em algum momento Cruijff chutara para as redes sem interromper seu passo.

Após duas temporadas o Ajax o mandou embora, pois já o consideravam velho demais. Aos 36 anos, assinou contrato com o rival Feyenoord, onde jogou sua última temporada profissional. Foi campeão da Eredivisie, quebrando um jejum de dez anos do novo clube no campeonato nacional. Também foi campeão da Copa dos Países Baixos.

Desde 1996, 12 anos após a aposentadoria de Cruijff, um troféu que leva seu nome foi criado pela Real Associação de Futebol dos Países Baixos, sendo entregue ao vencedor da partida entre os campeões do campeonato e da Copa nacionais.

No livro de sua autoria “Futebol Total”, lançado em 1974, Cruijff antecipou que não iria para a Copa do Mundo de 1978. De fato, acabou não indo à Argentina, o que foi por muito tempo interpretado como um protesto à ditadura militar naquele país.

Mas 30 anos depois, foi revelado o real motivo: ele afirmou que, já em 1978, sofrera uma tentativa de sequestro e, temendo novos ataques, contratou seguranças particulares por um ano e meio. E também por causa da confusão conjugal que tivera pouco antes da final de 1974.

Dois anos depois de deixar o Feyenoord, voltou ao Ajax, porém sem êxito. Em 1988, os Países Baixos finalmente conquistaram um torneio, a Eurocopa, sob o comando de Rinus Michels.

Sua saída da direção técnica do Barcelona não foi nada amistosa: quando soube que seria substituído, jogou uma cadeira na porta do escritório do cúpula do clube e gritou bem alto: “Deus o punirá por esta ação, da mesma forma que o puniu antes!", em referência a um neto recém-falecido do presidente.

Em 2009 foi técnico da Catalunha, cuja seleção não é reconhecida pela FIFA e costuma fazer partidas apenas anuais. Deixou o comando da equipe em janeiro de 2013. Sua despedida foi em um amistoso contra a Nigéria, no Estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona.

Também chegou a jogar uma partida pela Seleção Catalã. O jogo realizou-se em 9 de junho de 1976. Cruijff atuou ao lado de pelo menos dois outros não-catalães, sequer espanhóis: o compatriota e colega de Barcelona Johan Neeskens (autor do gol da Catalunha) e o chileno Carlos Caszely, do Español.

O Ajax não teve vida fácil com Cruijff. No final de março de 2011, toda a diretoria, incluindo o presidente do clube, entregou seus cargos por discussões com ele. Seu radicalismo era tanto, que chegou a declarar que iria torcer contra o próprio país na final da Copa do Mundo de 2010. O adversário foi a Espanha, repleta de jogadores do Barcelona.

Se o Ajax não deu andamento aos projetos de Cruijff, om o Barcelona foi diferente. Graças a ele foram montadas 12 equipes, cada uma com até 24 jogadores, que são orientados por técnicos licenciados pela UEFA.

As categorias inferiores do Barcelona são consideradas as maiores produtoras de jogadores de alto nível, chegando a levar até 15 anos para formar um atleta. Josep Guardiola foi um dos garotos levados diretamente por Cruijff ao time principal.

Em 2010, foi nomeado presidente de honra do Ajax. Meses depois, porém, a honraria lhe foi retirada pelo presidente do clube, Sandro Rosell. Rosell, sob a justificativa que a decisão do mandatário anterior, Joan Laporta, fora antidemocrática, sem consulta aos sócios.
Cruijff foi condecorado com a classe de cavaleiro da Ordem da Casa de Orange.

Era também membro honorário da Real Associação de Futebol dos Países Baixos e do Ajax. Foi eleito em 2004 o sexto maior neerlandês da história, estando à frente de nomes como Anne Frank, Rembrandt e Vincent van Gogh.

Além do futebol, também gostava de jogar golfe. Na década de 1970, ele chegou a gravar uma música de relativo sucesso nas paradas neerlandesas, "Oei Oei Oei (Dat Was Me Weer een Loei)" - em português, "Oi Oi Oi (Que belo chute)", que foi relançada após sua transferência para a Espanha, onde foi ainda mais popular.

Era casado com Danny Coster desde antes da fama internacional, em 1968, e a considerava a pessoa mais importante da sua vida. O casal escandalizava a conservadora sociedade espanhola nos tempos franquistas, em que agiam como jovens europeus modernos, fumando e usando cabelos compridos (no caso de Cruijff) e minissaia (no caso da mulher). Tiveram três filhos, Chantal, Susila e Jordi.

Sua fama de rebelde também se fez presente na Espanha, onde desafiava árbitros e policiais. Mas se identificou com a cultura catalã, tanto que batizou o filho mas novo com a versão local do nome de São Jorge, o santo padroeiro da região, além de viver na cidade até morrer. Falava o espanhol com sotaque catalão. E se considerava “um cara do mundo”.

Títulos. Campeonato Neerlandês (1965-66, 1966-67, 1967-68, 1969-70, 1971-72, 1972-73, 1981-82 e 1982-83); Copa dos Países Baixos (1966-67, 1969-70, 1970-71, 1971-72 e 1982-83); Copa dos Campeões da Europa (1970-71, 1971-72 e 1972-73); Copa Intercontinental (1972); Supercopa Europeia (1972 e 1973);

Barcelona: Campeonato Espanhol (1973-74); Copa do Rei (1977-78); Feyenoord: Campeonato Neerlandês (1984); Copa dos Países Baixos (1984).

Como técnico. Ajax: Copa dos Países Baixos (1985-86 e 1986-87); Recopa Europeia (1986-87); Barcelona: Campeonato Espanhol (1990-91, 1991-92, 1992-93 e 1993-94); Supercopa da Espanha (1991, 1992 e 1994); Copa do Rei (1989-90); Copa dos Campeões da Europa (1991-92); Supercopa Europeia (1992); Recopa Europeia (1988-89).

Títulos individuais. FIFA 100 (2004); All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA (1974); Ballon d'Or (1971,1973,1974); Melhor jogador Estrangeiro de La Liga (1977,1978, 1979, 1980); Considerado o melhor de todos os tempos; Artilheiro do ano (1976,1978,1979,1980). (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 18 de março de 2016

A morte do centro-avante Gaúcho

Faleceu na noite desta quinta-feira (17), aos 52 anos de idade, Luis Carlos Tófolli, o “Gaúcho”, ex-centro-avante do Flamengo, do Rio de Janeiro e um dos destaques do time na conquista do pentacampeonato brasileiro, em 1992.  Gaúcho nasceu no dia 7 de março de 1964, em Canoas (RS), mas se em Goiânia. Começou a carreira nos juniores do Flamengo.

O jogador, que ficou conhecido pelas comemorações bem humoradas, junto de Paulo Nunes, Marcelinho, Djalminha e outros, foi vítima de um câncer de próstata. Gaúcho era casado e deixou um filho de nome Leonardo.

Ele morava em Cuiabá (MT), onde era criador de gado e dono da Gaúcho - Escola de Futebol, com 400 alunos.

Começou a carreira nos juniores do Flamengo em 1992. Como profissional do rubro-negro, “Gaúcho” atuou em 199 partidas (107 vitórias, 54 empates, 38 derrotas) e marcou 99 gols em 200 jogos.

Um jogo que marcou a sua carreira, foi no empate em 1 X 1 entre Flamengo X Palmeiras, em 17 de novembro de 1988, no Maracanã. Na ocasião, Zetti, o arqueiro palmeirense, deixou o campo com a tíbia fraturada e “Gaúcho” vestiu a camisa número 1 do “Verdão”, pois o time já havia feito as três alterações a que tinha direito.

Foi realmente marcante, principalmente porque houve a decisão por pênaltis. “Gaúcho” pegou as penalidades cobradas pelo zagueiro Aldair e pelo meia Zinho. E ainda marcou o seu gol, sobre o também falecido goleiro Zé Carlos.

O jogo foi válido pelo Campeonato Brasileiro de 1988, ocasião em que o Regulamento mandava que as partidas terminadas empatadas fosem decididas nas penalidades.

Vestiu anda as camisas de XV de Piracicaba, Grêmio, Verdy Kawasaki, voltou ao Flamengo, defendeu Santo André e Palmeiras, onde fez 79 jogos (34 vitórias, 26 empates, 19 derrotas) e marcou 31 gols, até viver o melhor momento da carreira, no retorno à Gávea, em 1989, quando foi campeão da Copa do Brasil, Carioca e do Brasileirão.

Gaúcho se tornou ídolo de verdade apenas no Flamengo. Os seus gols de cabeça ajudaram a levar o rubro-negro ao título do Campeonato Brasileiro de 92, no time liderado por Júnior.

Em 1994 foi para a Itália jogar no Lecce, onde ficou apena um ano, seguindo depois para Boca Juniors, da Argentina, Atlético Mineiro, onde atuou ao lado de Renato Gaúcho, Neto e Éder Aleixo, tendo jogado 32 partidas, com 18 vitórias, seis empates e oito derrotas e um total de 11 gols marcados, Ponte Preta, Fluminense e se aposentou no Anápolis, em 1996.

Como treinador, foi assistente do Cuiabá e dirigiu os times do Mixto e do Luverdense, entre 2010 e 2011.

“Gaúcho” nunca foi um jogador que primasse pela técnica. Sua grande virtude era o jogo aéreo. Marcou gols importantes, como o da final da Taça Rio de 1991, quando o Flamengo venceu o Botafogo por 1 X 0 -, e ele fez a comemoração "Beijinho, beijinho, tchau, tchau", alusiva a uma música da apresentadora Xuxa.

Também marcou no primeiro jogo da decisão do Brasileiro de 92, novamente contra o Botafogo e que terminou em 3 X 0 e encaminhou a conquista do penta. Na decisão estadual, um ano antes, também deixou o seu nos 4 X 2 sobre o Fluminense.

Nesse jogo de 3 X 0 sobreo Botafogo, “Gaúcho” ganhou uma aposta de seu amigo Renato Gaúcho, que teve de pagar a carne para um churrasco do rubro-negro. O pagamento da aposta fez com que o alvinegro o dispensasse.

A morte de “Gaúcho” causou comoção nas redes sociais, com ex-jogadores rubro-negros, como Luizão e Paulo Nunes, lamentando a morte do artilheiro. “Perdi um grande amigo, um irmão, centroavante nato, caráter e humildade exemplares. Meus sentimentos à sua mãe, à sua grande esposa Inês e aos seus filhos. Vai com Deus irmão, o céu estará muito feliz com sua alegria”, postou Paulo Nunes.

Já Luizão, escreveu: “Dia de luto. Perdi meu amigo, irmão e padrinho. Seu companheirismo, carinho e alegria vão viver eternamente em nossos corações. Meus sentimentos à família. Descanse em paz meu irmão”.

O empresário Jorge Machado fez a seguinte postagem: “Faleceu um dos maiores amigos que eu tive na bola. Me emprestou dinheiro para fazer o parto do Kauê. Gaúcho, te amo irmão, cuide de nós”.

Uidemar, ex-volante que foi um dos grandes amigos de “Gaúcho” na época de Flamengo, recebeu com enorme pesar a morte do companheiro. Os dois atuaram juntos pelo Rubro-Negro no início da década de 90 e faturaram títulos importantes, dentre eles a Copa do Brasil (1990) e o Campeonato Brasileiro (1992).

Ainda abalado pela notícia, Uidemar relembrou os tempos em que dividia o quarto com Gaúcho na concentração e falou da forte parceria dos dois com Renato Gaúcho, outro que também era bastante próximo no dia a dia. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 15 de março de 2016

Os 100 anos do "Fidalgo" capixaba

O Cachoeiro F.C., fundado em 9 de janeiro de 1916, na cidade capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, completou seu centenário neste ano de 2016. É um dos clubes mais conceituados do Estado, sendo chamado de “Fidalgo” por seus torcedores, em razão de ter sido fundado por pessoas de famílias tradicionais e influentes da sociedade local.

É o clube mais antigo em atividade no município de Cachoeiro de Itapemirim e no Estado. Em seus jogos sempre comparecia um grande número de torcedores, especialmente quando o adversário era o Estrela do Norte F.C., seu grande rival, fundado em 16 de janeiro de 1916. O primeiro jogo entre eles foi disputado em abril desse ano e o resultado foi um empate sem gols.

Ainda em 1916, o presidente do clube, desportista José Moreira de Abreu começou a construção do campo de futebol. Já na década de 1920, o presidente Godofredo Chaves Baião, foi responsável pelo erguimento de uma arquibancada de madeira, o que tornou o clube um dos modernos do Estado na época.

No período de construção, como medida de economia, o Cachoeiro paralisou temporariamente suas atividades esportivas.

Em 1944, o Cachoeiro F.C. conquistou seu primeiro grande título, Campeão Sulino, quando utilizou um grupo composto pelos seguintes atletas: Waldir Portes, Luiz Pretti, Delson, Manoelito, Lídio, Otávio, Joemir, Nilsinho, Armênio, Amâncio, Nerinho, Rúpter e Alcino. O time era dirigido por Daniel Israel e pelo Professor Florisbelo Neves.

Em 1946 foi campeão da cidade. Em 1948 foi campeão estadual, sendo o primeiro clube interiorano a alcançar tal feito. O título foi decidido em uma melhor de três contra a Vale do Rio Doce, atual Desportiva Capixaba.

No primeiro jogo, realizado em Cachoeiro de Itapemirim, o Cachoeiro F.C. venceu por 4 X. 3. No segundo em Vitória, perdeu por 4 X 1. E no último, também realizado em Vitória, no estádio Governador Bley, em Jucutuquara, venceu por 7 X 2, sagrando-se campeão.

Nos dois primeiros jogos a arbitragem foi capixaba. Na decisão, por exigência do Cachoeiro, o trio de árbitros veio do Rio de Janeiro, com todas as despesas pagas pelo time de Cachoeiro do Itapemirim. A equipe de 1948 é considerada a melhor de toda a história do clube.

Nos anos 50 o Cachoeiro F.C. foi o time que mais ganhou títulos no Sul do Estado, o que se repetiu na década seguinte. Foi nessa época que o campo foi aterrado, para evitar os constantes alagamentos decorrentes das fortes chuvas e as velhas instalações demolidas.

Em vista disso o Cachoeiro teve de usar o Estádio Elpídio Volpini, do Ouro Branco, no Bairro Independência. Foi um tempo de boas recordações, visto que o clube conquistou o bi - Campeonato Sulino de Profissionais (1969/1971), vencendo o Estrela do Norte F.C. nas finais. Em 1970, não houve campeonato.

Em 1974, o Cachoeiro F.C. parou suas atividades profissionais, mantendo somente do Departamento Amador, mas formando sempre bons times e revelando jogadores.. Somente no fim da década de 1970, quando o presidente era Genildo Patrício, conseguiu reconstruir os alambrados. Mas continuou com as atividades amadoras, prestigiando às categorias de base.

Nas décadas de 1980 e 1990, nas administrações dos presidentes Genildo Patrício, José de Alencar Beiriz Aarão e Irlando Antônio Viana Filho, é que foi construída a sede administrativa do clube.

Em 1994, o Cachoeiro F.C., retornou ao profissionalismo, disputando o Campeonato da 2ª divisão capixaba, classificando-se em 5° lugar entre 12 equipes.

Como o Estádio Moreira Rebello não ter sido aprovado na vistoria realizada pela Federação Capixaba, o clube teve que jogar na praça de esportes do Grêmio Santo Agostinho, no bairro Vila Rica e no Estádio Mario Monteiro, do rival Estrela do Norte F.C., no bairro Sumaré.

Em 2000, as obras de melhorias no Estádio Moreira Rebello foram retomadas, visando o retorno ao profissionalismo. E sagou-se campeão capixaba da 2ª Divisão, ganhando o direito de disputar a Elite estadual no ano seguinte.

Em 2001, o time de Cachoeiro do Itapemirim, após ser campeão da Seletiva da Copa do Brasil, fez uma partida memorável no Maracanã contra o Fluminense. O time base era Dirley – Carlos – Chagas - Pádua e Romildo. Adauto - Carlos André - Marcão e Joãozinho. André Biquinho e Fábio Vigo.

Em 2013 retornou oficialmente ao futebol profissional, tendo disputado a Copa Espírito Santo, participando de uma chave que ainda tinha o Pinheiros, da cidade de igual nome, Rio Branco, de Vitória e Grêmio Esportivo Laranjeiras (GEL), de Serra.

Títulos estaduais: Campeonato Capixaba (1948); Campeonato Capixaba da Segunda Divisão (2000); Vice-Campeonato Capixaba de Futebol (1930, 1944 e 1950); Vice-Campeonato Copa Espírito Santo de Futebol (2013).

Outras Conquistas: Campeonato Sulino Capixaba (1944, 1950, 1951, 1952, 1953, 1969 e 1971); Campeonato Sulino Amador (1959 e 1960); Torneio Seletivo Capixaba da Copa do Brasil (2001); Categorias de Base: Campeonato Sulino Sub-21 (2000); Campeonato Cachoeirense de Juniores (2001); Campeonato Cachoeirense Juvenil (1957 e 2001); Campeonato Sulino Juvenil (1978, 1979 e 1980) e Campeonato Sulino Infantil (1965, 1966 , 1967 e 1995).

A mascote do Cachoeiro é a “Arara Vermelha”, criada em 9 de julho de 2003, após várias pesquisas. O autor do desenho foi o webdesigner Alex Cardoso. (Pesquisa: Nilo Dias)

1948. Cachoeiro F.C., campeão estadual. Em pé: Eurico Monteiro de Castro (técnico) - Ramón - Alcino - Zé Neves - João Paris - Manoelzinho e Guga Moura (dirigente). Agachados: Otaviano - Nely - Aldemir - Assadinho - Espinho - Bronze e Catiquinha. (Foto: Acervo do clube)

quinta-feira, 10 de março de 2016

A morte do "Marechal da zaga"

Morreu hoje, 10, o ex-zagueiro argentino Roberto Perfume, de 73 anos. Ele sofreu uma queda de uma escada, quando se encontrava no Resultante Carleto, no bairro de Puerto Madero, na noite anterior.

Todas as quartas-feiras, após gravar seu comentário, Perfumo costumava reunir-se com amigos no restaurante em pauta. O ex-zagueiro foi levado às pressas ao Hospital Argerich, onde foi detectado um traumatismo craniano e lesões no quadril.

Existe a suspeita de que antes da queda, Perfumo tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O estado de saúde do "Marechal", como era conhecido na Argentina, era grave, por isso foi transferido para o Sanatório Los Arcos, onde ficou internado durante o dia.

O diretor do Sistema de Atendimento Médico de Emergências (Same), Alberto Crescenti, detalhou que o 'Marechal' sofreu a queda às 2h26min, mesmo horário de Brasília.

Roberto Perfumo nasceu na cidade argentina de Sarandí, no dia 3 de outubro de 1942. Desde cedo tentou ser jogador de futebol, mas não teve sucesso. Começou a carreira em 1957, no time do “Pulqui”, no mesmo bairro onde morava.

No ano de 1960, tentou ser aprovado nas categorias de base do River Plate. No entanto, não foi aproveitado em virtude de avaliações equivocadas e um tanto precipitadas dos responsáveis pelas divisões inferiores na época.

Logo depois, no Racing, conseguiu finalmente realizar o seu sonho. Fez sua estréia entre os profissionais em janeiro de 1964, jogando inicialmente na posição de volante. Depois, foi deslocado para o miolo de zaga. Nesse clube foi campeão argentino, da Copa Libertadores da América e do Mundial Interclubes.

Ele permaneceu no Racing até 1970, sempre como capitão da equipe. Em 1971 foi para o Cruzeiro, de Belo Horizonte, em razão da grave contusão do zagueiro Procópio. Sua adaptação ao futebol brasileiro não foi tão fácil como era esperado.

Ficou no Cruzeiro por três temporadas. No clube mineiro foi tri-campeão estadual em 1972, 1973 e 1974, além de ganhar uma Taça Minas Gerais, em 1973.  Foi ainda, vice-campeão brasileiro em 1974, quando perdeu o jogo final para o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, em jogo realizado no Maracanã.

Tanto brilhantismo, fez com que o zagueiro fosse colocado no "time dos sonhos" do Cruzeiro, em uma pesquisa feita pela Revista Placar, em 2006. Ele disputou 138 partidas pela “Raposa”. O ex-zagueiro também figura no selecionado argentino de todos os tempos, definido pela Associação de Futebol da Argentina (AFA), ao início deste ano..

Em 1975 voltou a Argentina, para jogar pelo River Plate. Em Belo Horizonte, Perfumo e  família moravam em um apartamento pequeno. A esposa Mabel, sentia saudades do palacete de 55 mil dólares no bairro de Sarandi, construído e idealizado por ela.

Sentia saudades do pomar e de seu automóvel Concord. E também pela saúde do filho Gustavito, que começara a adoecer com as constantes viagens do casal para a Argentina.

Tudo isso foi preponderante para a volta de Perfumo ao futebol argentino, dessa vez para jogar no River Plate e conquistar os títulos de campeão metropolitano e nacional de 1975, vice-campeão da Copa Libertadores em 1976, perdendo a decisão para o Cruzeiro e bi-campeão metropolitano em 1977, ano em que pendurou as chuteiras.

Vestiu a camisa da Seleção Argentina pela primeira vez em 1964, quando disputou os Jogos Olímpicos de Tóquio. Participou também das Copas do Mundo de 1966, na Inglaterra, e em 1974, na Alemanha, sempre como capitão do time. Jogou junto de Daniel Passarela.

Lamentavelmente, Perfumo não esteve presente na Copa do México em 1970. A Argentina perdeu sua classificação para o surpreendente time peruano nas eliminatórias. Foi titular absoluta da Seleção de seu país por 10 anos. Mas nunca conquistou títulos pela seleção argentina.

Após deixar os gramados, Perfumo tentou a sorte como treinador, em 1981, no time do Sarmiento, de Junin. Depois treinou o Racing e o Gimnasia y Esgrima de La Plata, ambos times argentinos. Treinou, ainda, o Olímpia, do Paraguai, conquistando o título nacional em 1992, e o vice-campeonato da Copa Conmebol. Desde 1993 não
trabalhava mais como técnico.

Durante o governo de Nestor Kirchner, na Argentina, foi secretário de Esportes, durante todo o mandato presidencial. Posteriormente, integrou a equipe de esportes da ESPN Argentina, onde ficou até o dia de sua morte.

Perfumo era considerado um dos comentaristas de futebol mais respeitados da Argentina. Chegou também a ser colunista do site esportivo Olé! Ele estava escalado para comentar o jogo entre San Martín e Tigre, no sábado, na cidade de San Juan.

Na quinta-feira, 10, antes da partida entre River Plate, da Argentina X São Paulo, válido pela Copa Libertadores da América, foi reservado um minuto de silêncio em memória de Roberto Perfumo. Os jogadores do River Plate, em sinal de luto, colocaram tarjas pretas nas mangas das camisas,

Graças ao estilo raçudo com que disputava jogadas, temperamento forte e a grande técnica que possuía, era chamado pelos torcedores de "Marechal". O jornal Olé o descrevia como um zagueiro completo.
Mesclava talento, temperamento forte e muita raça, o que fizeram dele titular indiscutível da seleção nacional por mais de dez anos. Era considerado por muitos veículos esportivos como uns dos melhores do mundo em sua posição.

Entre os títulos conquistados como jogador tem quatro Campeonatos Argentinos (três pelo River Plate e um pelo Racing), três campeonatos mineiros pelo Cruzeiro, e a Copas Libertadores e torneio intercontinental também pelo Racing. (Pesquisa: Nilo Dias)

Perfumo era um zagueiro completo. (Foto: site "Tardes do Pacaembu")

terça-feira, 8 de março de 2016

O assassinato de Édson Piauí

Mortes violentas de jogadores de futebol é coisa mais comum do que parece. A grande imprensa muitas vezes não publica, mas acontece com muita frequência, principalmente em pequenas cidades, com maior incidência no futebol amador.

O assassinato do jogador Edson Décimo Alves de Araújo, de 27 anos, conhecido por “Edson Piauí”, ocorrido em 1 de novembro de 2014, um sábado, até que ganhou bons espaços em jornais de quase todo o país, o que se explica pelo fato dele ter jogado no Boa Esporte, de Varginha, Minas Gerais, no Campeonato Brasileiro da Série B e ter assinado contrato para defender o Rio Claro no “Paulistão 2015”.

O lateral esquerdo, nascido em 2 de dezembro de 1986, estava em Floriano, sua terra natal, 244 km de Teresina, na região Sul do Piauí, passando férias com a família, quando foi com seu irmão, o cabo PM Eurival Araújo, em uma casa de show da cidade.

Lá teve um desentendimento com um sujeito de nome Emanuel Ribeiro Soares, o “Manoelzinho”, dono de um bar na região. Para evitar maior confusão, o atleta e seu irmão deixaram o local

Na noite seguinte os dois foram a uma churrascaria da cidade. Ao estacionarem o carro foram abordados por “Manoelzinho”, que armado de um revólver atirou cinco vezes sobre os dois irmãos, que não tiveram tempo nem de saírem do veículo. 

Edson morreu no local. Dois dos tiros acertaram o seu queixo e o abdômen. Eurival, baleado com três tiros foi paciente de cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã de domingo, 3/11.

A morte do lateral-esquerdo provocou comoção dentro e fora dos gramados. Enquanto a família velava o corpo do atleta, os ex-companheiros do Boa Esporte lhe prestaram uma homenagem num jogo da Série B.

Na vitória por 3 X 1 sobre o Ceará no mesmo dia do crime, o atacante Diego foi às lágrimas na comemoração do terceiro gol do clube tricolor e precisou do consolo dos amigos para voltar à partida. Os atletas atuaram com uma faixa preta no braço em símbolo do luto do clube.

Meses depois, em 16 de agosto de 2015, o assassino foi preso em um condomínio de luxo em Nova Veneza (GO), cidade da Região Metropolitana de Goiânia e recambiado para Floriano.

Emanuel Ribeiro Soares já tinha passagem pela polícia por tráfico de entorpecentes e estava com mandado de prisão em aberto.

A Diretoria do Rio Claro F.C., onde jogaria em 2015, expressou os sentimentos aos familiares do jogador.

Veja a nota na íntegra

“A Diretoria do Rio Claro FC e através do Presidente Luiz Balbo, expressa os sentimentos aos familiares do lateral esquerdo “Edson Piauí”, assassinado na madrugada deste sábado na cidade de Floriano no interior do Piauí.

O jogador estava feliz por ter acertado com o Galo Azul para a disputa do Campeonato Paulista, e a negociação para sua chegada foi bem tranquila.

Edson Décimo Alves de Araújo tinha 27 anos, iniciou a carreira no Atlético PR e passou a ficar conhecido quando se destacou pelo Salgueiro em 2011. Em 2012 disputou o Paulistão pelo Mogi Mirim, atuou pelo Oeste no primeiro semestre deste ano e seu último clube foi o Boa Esporte na Série B do Campeonato Brasileiro.”

“Édson Piauí” jogou por vários clubes, podendo ser considerado um “cigano” do futebol. Começou no Santa Cruz, de Recife, em 2006. Depois jogou no Atlético Paranaense, Náutico, do Recife, ABC, de Natal, Campinense, de Campina grande (PB), Culatrense, de Portugal, River Plate, de Sergipe, Asa, de Arapiraca (AL), Salgueiro, de Pernambuco, Mogi Mirim e Oeste, ambos de São Paulo e Boa Esporte, de Minas Gerais. (Pesquisa: Nilo Dias)

Édson Piauí, jogou no Atlético Paranaense. (Foto: Divulgação)