Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O homem bomba

Éder Aleixo de Assis, mais conhecido como Éder ou ainda Éder Aleixo, foi um dos grandes ponteiros esquerdos do futebol brasileiro, em todos os tempos. Nasceu em Vespasiano (MG), no dia 25 de maio de 1957.

Sua infância em Vespasiano foi sempre jogando bola. Isso lhe ajudou muito. Até porque seu pai foi jogador profissional e o incentivava muito. Teve a oportunidade de ser descoberto pelo “Biju”, que era o treinador do América. E o América treinava em Vespasiano e foi convidado para treinar no América aos 13 anos.

A sua vitoriosa carreira teve início nas categorias de base do América Mineiro.  Mas atingiu o auge no Grêmio Portoalegrense e no Atlético Mineiro. Em 1977 foi contratado pelo Grêmio Portoalegrense, onde foi campeão gaúcho em 1977 e 1979. Tem uma história no Grêmio em que Éder se apresentou ao clube com o braço enfaixado, pois havia sido vítima de um tiro.

Estava de férias em belo Horizonte. Ele estava com o então atleta e hoje técnico, Marcelo Oliveira. Havia recém voltado da praia. E ele até iria dormir na casa de Éder. Mas antes foram num barzinho na rua Paraíba.

Já estava indo embora, cada um no seu carro. Foi quando Éder ouviu Marcelo pedindo socorro, pois estava sendo assaltando. Éder foi para cima dos caras que lhe deram dois tiros, e correram.  Quando ele foi levantar o Marcelo, sentiu o sangue jorrando.

Tem até hoje essas duas marcas no braço. Foi para o hospital, lúcido. Lá lhe mostraram as duas marcas e fez a cirurgia. Tinha 21 anos, foi em 1978. Havia ficado na lista dos 40 jogadores do Cláudio Coutinho, para a Copa da Argentina. Ele e Falcão.

O Telê, que era o técnico, chegou no hospital. Éder estava na enfermaria, ao lado de outras vítimas de um acidente num viaduto. Telê  chegou querendo lhe tirar de lá, leva-lo para um apartamento.  Mas não quis. Há quem diga que foi uma briga que o ponta estava envolvido ao sair de uma boate.

Dois anos depois (1979), teve seu passe adquirido pelo Atlético Mineiro. Evidente que sua troca foi facilitada pelo fato de Éder ser atleticano apaixonado desde criança, e viria a se tornar o grande “Canhão Mineiro”. O jogador viveu no Atlético a fase mais bela e polêmica de sua carreira no futebol.

Pouco motivado no Grêmio, Éder conseguiu a inimaginável façanha de bater os sagrados Reinaldo e Cerezo na preferência da massa atleticana. Nesta mudança para Belo Horizonte, abandonou alguns vícios, deixou de fumar, por exemplo, adquiriu alguns hábitos saudáveis, passou a treinar mais e dedicou atenção especial ao desenvolvimento de seu chute.

Em consequência, começou a marcar gols olímpicos e suas cobranças de falta tornaram-se mortais. Só não conseguiu mudar o temperamento explosivo. Acumulou 25 expulsões só no “Galo”. 

Éder, bonito e namorador, chamava a atenção das mulheres e era visto com freqüência em bares noturnos e boates da capital mineira.
Ao chegar no “Galo”, em 1980, não gostou de ser reprimido pelo técnico Procópio Cardoso por enfeitar jogadas e mandou na lata:

"Não se mete no meu jogo". Em reportagem de abril de 1981, a revista “Placar” assim descreveu o gênio forte do camisa 11: "Era rebelde, xingava cartolas, brigava com técnicos, desrespeitava adversários, treinava pouco".

A lista de brigas de Éder vai desde Casagrande (sendo reprimido num Atlético x Caldense) até socos que lhe valeram um lugar na Copa de 1986. Brigou com companheiros de próprio clube e marcadores dos rivais. Temperamento explosivo, tal qual a maneira de fuzilar os goleiros. Porém, soube dosar e amenizar sua imagem de vida boêmia com seu belíssimo desempenho em campo, sempre com jogadas espetaculares e gols incríveis.

Foi no alvinegro mineiro que passou a maior parte de sua carreira. Suas grandes atuações valeram muitas convocações para a Seleção Brasileira.  Vestiu a “Canarinho” em 52 partidas, entre 1979 e 1986, sendo cinco não oficiais. Esteve na “Copa do Mundo”, de 1982. Seu apelido era “Canhão”, uma vez que era dono de um chute muito potente.

Sua presença na Copa de 1986 era quase certa, uma vez que o técnico Evaristo de Macedo bancou Éder no elenco titular. A última partida do meio-campista foi contra o Peru, em abril. O "Bomba" deu um soco no rosto do lateral peruano Castro e foi expulso pelo árbitro Arnaldo Cezar Coelho. Foi a pá de cal para a carreira internacional de Éder, que não foi convocado para a Copa.

No entra e sai no clube mineiro – foram quatro passagens -, sendo a mais conhecida entre 1979 e 1985, quando conquistou cinco títulos estaduais, 1980, 1981, 1982, 1983 e 1985 e ainda o “Torneio de Paris de Futebol”, em 1982. Éder também foi agraciado com a “Bola de Prata”, do Campeonato Brasileiro de 1983.

Depois de uma frustrada passagem pelo futebol turco, onde defendeu o Malatyaspor, Éder retornou ao Atlético em 1989, tendo conquistado apenas um título, o de campeão do “Troféu Ramón de Carranza”, em 1990. Éder Aleixo vestiu a camisa do “Galo Mineiro”, por 368 vezes e marcou 122 gols.

Antes, havia passado por Internacional, de Limeira, Palmeiras e  Santos, todos de São Paulo, Sport Recife, Botafogo,do Rio de Janeiro, Atlético Paranaense e Cerro Porteño, do Paraguai, também sem sucesso.

Quase encerrando a carreira, Éder jogou de novo no Atlético Paranaense, em 1991, e pelo União São João, de Araras (SP), onde ficou até 1992. Teve ainda uma curta e surpreendente passagem pelo Cruzeiro, de Belo Horizonte, em 1993, quando conquistou sua única “Copa do Brasil”.

Defendeu o Atlético pela derradeira vez entre 1994 e 1995, ano em que voltou a atuar pelo União São João, onde permaneceu por um ano. Já sem a qualidade de antigamente, Éder passou alguns meses no Conquista (BA) e no Gama (DF). Em 1997, foi contratado pelo Montes Claros, quando já tinha 39 anos de idade. Éder encerrou a carreira pouco depois.

Hoje em dia, é empresário e comentarista esportivo na TV Globo, em Minas, e também dono de várias escolinhas de futebol. Chegou a trabalhar como diretor de futebol do Atlético até 2004.

Em janeiro deste ano o Atlético Mineiro criou o “Projeto Galo Forte”, que tem como objetivo buscar mais ajuda na base atleticana. Essa nova criação permitirá a observação de todas as camadas jovens do clube, o que irá ajudar no trabalho de montagem e observação de jogadores. O coordenador do projeto é o ex-jogador do clube Éder Aleixo.

Títulos. Grêmio. Campeão Gaúcho (1977 e  1979). Atlético Mineiro. Vice Campeão Brasileiro (1980); Campeão Mineiro (1980, 1981, 1982, 1983, 1985, 1989 e 1995); Campeão do “Troféu Brasília 21 anos” (1981); Campeão do “Torneio de Paris”, França (1982); Campeão do “Torneio de Bilbao”, Espanha (1982); Campeão do “Torneio de Berna”, Suíça (1983); Campeão da “Taça Tancredo Neves” (1983); Campeão do “Torneio de Amsterdã”, (1984); Campeão da “Taça 40 anos do Sindicato dos Jornalistas” (1985); Campeão do “Troféu Sérgio Ferrara” (1985) e Campeão do “Troféu Ramón de Carranza”, Espanha (1990).

Cruzeiro. Campeão da “Copa do Brasil” (1993); Seleção Brasileira. Terceiro lugar na “Copa América” (1979); Segundo lugar no “Mundialito”, de Montevidéu, Uruguai (1980); Campeão da “Taça da Inglaterra” (1981). Campeão da “Taça da França” (1981); Quinto lugar na “Copa do Mundo” (1982); Campeão do “Troféu Sport Billy Time”, fair play da Copa do Mundo (1982) e Segundo lugar na “Copa América” (1983).

Participou da goleada histórica do Atlético em cima da Seleção da Colômbia por 6 X 1, no “Mineirão”, dando um verdadeiro show com suas bombas, sendo um dos heróis do massacre.

Essa apresentação foi só uma das que deixaram Telê Santana convicto de que Éder deveria figurar entre os craques da Seleção Brasileira de 1982 na Copa do Mundo.

Prêmios: Revelação do Campeonato brasileiro (Oficial) (1980); “Bola de Prata” do Campeonato Brasileiro (1983) e 3º Maior Futebolista Sulamericano do ano - El Mundo – Venezuela (1983).

Também foi acusado de ganhar dinheiro para correr em direção a uma determinada placa de propaganda quando comemorasse seus gols, o que o teria levado a não passar bolas para companheiros mais bem colocados, na ambição mais de dinheiro que pelos gols. Fez parte do "Galo Hexa", maior seqüência já alcançada em Minas Gerais na era profissional.

Em 1982, no “Mundial na Espanha”, a tristeza da derrota para a Itália foi compensada pelo ego vaidoso do ídolo mulherengo que recebeu 16 mil cartas femininas.

Seu futebol, cobiçado por clubes do mundo inteiro, foi alvo do Hajmn, um clube do Emirados Árabes Unidos, que ofereceu sete milhões de dólares pelo ponta-esquerda.

Se aceita, seria a mais vultosa transação de toda a história do futebol até aquele momento, depois da compra do argentino Maradona pelo Barcelona por oito milhões de dólares.

O então presidente do Atlético, Elias Kalil recusou a proposta com certa serenidade. Kalil agiu com o coração de torcedor e constatou que Éder era insubstituível, pois apesar de todo aquele dinheiro na mão, não conseguiria comprar nenhum jogador que chutasse como ele.

Carreira no Atlético. Jogos: 368; Vitórias: 219; Empates: 84; Derrotas: 65; Gols: 122; Estreia: Atlético 1 X 1 São Paulo, em 3 de fevereiro de 1980; Último jogo: Atlético  3 X 1 Cruzeiro, em 4 de junho de 1995. (Pesquisa: Nilo Dias)



terça-feira, 2 de outubro de 2018

Tragédia em campo de futebol no Maranhão

Em 30 de junho de 2013 aconteceu em Centro do Meio, um povoado no interior da cidade de Pio XII, no Maranhão, onde moram cerca de 200 pessoas, uma das maiores barbáries vistas até hoje num campo de futebol. 

O jogo entre duas equipes amadoras da cidade acabou com a morte de duas pessoas, o jogador Josenir dos Santos Abreu (o "Mimi"), de 31 anos, funcionário dos Correios e membro do Movimento Jovem de Pio XII, que foi esfaqueado no peito pelo árbitro da partida, Otávio Jordão da Silva de Catanhede, de 20 anos, morador do Povoado Centrinho, que teve a cabeça decepada por torcedores que invadiram o campo.

Tudo começou quando Josenir foi expulso do jogo por Otávio. Os dois discutiram e entraram em luta corporal. Josenir acertou um soco em Otávio, que na defensiva desembainhou uma faca, e golpeou o agressor várias vezes. O jogador morreu a caminho do hospital.

Ao saberem da morte de Josenir, seus companheiros se revoltaram, amarraram e mataram o arbitro a pauladas. Um compadre de Josemir utilizou uma foice para cortar o assassino em pedaços, separou a cabeça do corpo e colocou numa estaca, uma verdadeira cena de terror.

Segundo populares, os dois homens mortos, eram pessoas tranquilas, sem históricos negativos na cidade. Após os crimes, moradores da localidade se dizem "amaldiçoados". As cenas macabras foram registradas por dezenas celulares, mas até hoje ninguém viu uma imagem sequer.

O principal culpado pela morte de Otávio, foi Luis Moraes de Sousa, de 27 anos, preso pela Polícia Civil de Santa Inês, no município de Conceição do Lago Açu, a 33 quilômetros do local onde ocorreu o crime.

Segundo a polícia, Luís confessou ter iniciado o espancamento de Otávio e ainda confirmou a participação de mais duas pessoas: Francisco Edson Moares de Sousa, que teria esquartejado a vítima, e Josimar de Sousa, que teria participado do assassinato.

O município de Pio XII está situado a cerca de 270 km de São Luís, capital do estado do Maranhão. Possui uma população de cerca de 23 mil habitantes. A agricultura e a pecuária são a base de sua economia. 

Seus indicadores sociais são preocupantes: enquanto que no Brasil o índice de analfabetos com mais de 15 anos é de 13,63%, no Maranhão é de 28,39%. Em Pio XII esse número chega a 43,52%; enquanto a taxa de mortalidade infantil no Maranhão é de 54,2 em cada 1.000 nascidos vivos. Em Pio XII esse número sobe para 72,1 por mil.


O jogador Josenir dos Santos Abreu, o "Mimi".

O árbitro Otávio Jordão da Silva de Catanhede.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O primeiro jogo oficial de futebol no Rio de Janeiro

Nenhum dos chamados grandes clubes do Rio de Janeiro teve participação direta no começo da história do futebol no Estado. Flamengo, Vasco e Botafogo já existiam, mas nenhum se dedicava ao futebol. O Fluminense ainda não havia sido fundado, o que só ocorreu em 1902.

Foi á 117 anos atrás, mais precisamente no dia 22 de setembro de 1901 que se enfrentaram os times do Paissandu, fundado em 1892 e do Rio Cricket and Athletic Association, criado em 1896, e até hoje ativo em Niterói, em jogo que teve a duração de 40 minutos e terminou empatado em 1 X 1. 

A partida foi organizada por Oscar Cox em Icaraí, Niterói. Como o esporte não era muito popular na época, o clássico não lotou o estádio e contou com a presença de apenas 15 pessoas: 11 tenistas que estavam por lá e quatro parentes dos futebolistas. Cox não foi apenas o organizador do jogo, mas também o treinador das duas equipes.

As roupas eram parecidas com as do críquete e os times só se diferenciavam pelas bermudas. O árbitro, por sua vez, usava a mesma vestimenta dos atletas e só se distinguia por causa de um blazer preto.

Nesse dia e com essas equipes teve início a história do futebol no Rio de Janeiro. O gol a favor do Rio Cricket não se sabe quem fez, não ficou registrado. Mas o dos cariocas foi marcado por Júlio de Moraes, tempos depois um dos fundadores do Fluminense Futebol Clube. 

Os jornalistas da época, ainda não acostumados com o novo esporte, lamentaram o resultado do jogo, dizendo que se tratava de um absurdo.

O escritor Leonardo Affonso de Miranda Pereira, carioca radicado em São Paulo, autor do livro "Footballmania – uma história social do futebol no Rio de Janeiro", da editora Nova Fronteira, foi quem descobriu a data verdadeira desse jogo. Até então se pensava ter sido ele disputado no dia 1 de agosto. A verdadeira data foi achada em um exemplar antigo do jornal “Correio da Manhã. 

Esse é oficialmente considerado o primeiro jogo de futebol organizado no Rio de Janeiro, como times uniformizados, bola padronizada e campo oficial. Mas antes ocorreram outras manifestações desse esporte, como por exemplo, a presença de marinheiros ingleses, em 1874, jogando futebol na praia da Glória.

E em 1882 no antigo Colégio Paixão, do professor José Ferreira Paixão, na rua do Palatinato, em Petrópolis, jogava-se futebol por iniciativa de um dos educadores, senhor Alexandre, velho professor de inglês.

Graças a feliz iniciativa do "Mister Alexander" o Brasil eventualmente pode ter sido o terceiro país no mundo, atrás apenas da Inglaterra e dos Estados Unidos, a praticar esse esporte.

Existem indícios de que a cidade de Petrópolis, consequentemente o Estado do Rio de Janeiro, poderia ter sido o primeiro local na América Latina onde ocorreu uma partida de futebol envolvendo latino-americanos, ainda em 1882, segundo o prestigioso jornal carioca “Correio da Noite”, que existiu até 1953.

Há registros sobre a possibilidade de ter havido partidas com bola no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, nos primórdios do futebol, em 1883.

Na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1893, ingleses que trabalhavam na Leopoldina Railway e em bancos do Reino Unido, disputavam jogos de futebol em um capinzal que se localizava na rua Paissandu, no bairro de Laranjeiras.

Há relatos de partidas com bola no bairro carioca de Bangu, desde 1894, promovidas por um escocês, Tomas Donohoe.

Em 1896, o padre Gonzales, vindo da Europa, teria trazido consigo as regras do futebol, ministrando aos alunos do Colégio São Vicente de Paula, na então Westphália (atual região da avenida Barão do Rio Branco em Petrópolis). (Pesquisa: Nilo Dias)

Oscar Cox, o introdutor do futebol no Rio de Janeiro, (Foto: Divulgação)

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O goleiro que virou humorista

O ex-goleiro de Internacional e Grêmio, Luiz Fernando Perez Bento, conhecido como “Marraspodi”, aos 80 anos de idade virou humorista. Desde criança ele gostava de imitar personagens e de fazer caricaturas no quadro negro e ainda de tirar sarro da professora no colégio.

Depois de aposentado, seguiu sua vocação para o humor e hoje faz shows por onde é chamado, inclusive, em outros Estados. Nos shows, faz imitações de Roberto Carlos, dança tango com uma boneca de pano e conta piadas apimentadas. E não aceita pagamento em troca de sua arte. Garante que faz por amor. E até já gravou um CD de piadas.

“Marraspodi” é gaúcho de Porto Alegre. O apelido se deve a sua semelhança com um famoso atleta argentino dos anos 50. Antes de ser qualquer outra coisa na vida, foi jogador de futebol. Começou a carreira em 1952, no time de Infantis do S.C. Internacional, que o descobriu jogando na várzea da Capital.

Sagrou-se campeão Juvenil pelo clube colorado em 1952. Depois foi para o Renner, também de Porto Alegre, onde foi campeão Juvenil em 1953/1954. Em 1955/1956 defendeu os Juvenis do Cruzeiro, da Capital, com algumas participações no time principal. Lembra que num “Torneio Início” defendeu quatro pênaltis.

Chegou às categorias de Base do Grêmio em 1957, sendo mais uma vez campeão de juvenis. No ano seguinte fez parte do grupo titular campeão do Estado. E nesse mesmo ano jogou profissionalmente no Cachoeira, da cidade de igual nome, e em 1959 foi para o Juventude, de Caxias do Sul, sendo considerado o melhor goleiro do Campeonato Estadual de 1960.

No seu tempo os goleiros ainda não usavam luvas. E por não ter essa proteção, guarda até hoje uma herança da carreira no futebol, ficou com um dedo torto, resultado de uma fratura em campo.

Em 1961, “Marraspodi” deixou os gramados com apenas 23 anos de idade. O motivo para isso foi um pedido do seu pai. Na época o jogador de futebol não era valorizado como agora. E ele havia passado em um concurso público para a Caixa Econômica Federal, preferindo a garantia de um emprego fixo.

No banco foi avaliador de joias, função que exerceu por 26 anos. Hoje, “Marraspodi” está aposentado. Mas garante que não totalmente, pois é formado em Educação Física desde 1974. 

E também é proprietário da “Academia Marras”, de Ginástica, onde atua até hoje. Deu aulas de “jump”, alongamento e musculação até os 78 anos. Garante ser um dos profissionais mais antigos em atividade na cidade, com mais de 40 anos de trabalho.

Na sua avaliação Osvaldo Rola, o “Foguinho”, do Grêmio, Lauro Só, do Cruzeiro e João Batista Grossi, o “Pastelão”, do Juventude de Caxias do Sul, foram os melhores técnicos que conheceu.

O lance que mais marcou sua carreira aconteceu num clássico Grenal, pelo campeonato Juvenil de 1957. O Grêmio estava ganhando, quando quase no final o Internacional empatou. Ao sofrer o gol, “Marraspodi” ficou deitado no gramado, parecendo não acreditar. 

Foi quando um zagueiro de seu time, indignado lhe falou: levanta de uma vez e vai pegar a bola. Logicamente para ser reiniciado o jogo. E o goleiro respondeu: “agora não adianta pegar, eu deveria ter pego antes". Até o juiz do jogo começou a rir. (Pesquisa: Nilo Dias)



sábado, 25 de agosto de 2018

O futebol está de luto

O ex-jogador Claudiomiro, do Internacional, de Porto Alegre, autor do primeiro gol no “Estádio Beira-Rio”, morreu ontem a noite aos 68 anos de idade, em sua casa em Canoas (RS), onde residia desde que deixou os campos de futebol.  A causa da morte ainda não foi revelada.

Claudiomiro Estrais Ferreira nasceu no dia 3 de abril de 1950, em Porto Alegre. Chegou ao Internacional quando tinha apenas 13 anos de idade. Artilheiro do Campeonato Brasileiro de Juvenis de 1967, Claudiomiro foi promovido, no mesmo ano, ao time principal do Internacional pelo então técnico Sérgio Moacir Torres. Tinha 16 anos.

Com 18 anos fez o histórico gol contra o Benfica, de Portugal, na inauguração do “Gigante”, em 6 de abril de 1969, ao aparar um cruzamento e mandar de cabeça para as redes na vitória por 2 X 1 sobre os portugueses.

“Pulei, completei o cruzamento do Valdomiro. Entrei só para complementar e não dei a única possibilidade de o goleiro ir na bola. Foi por onde consegui, com aquele gol, chegar até a seleção brasileira. Guardo com muito carinho”, disse Claudiomiro, em entrevista posterior para a RBS TV, de Porto Alegre.

Seus companheiros carinhosamente o chamavam de “Bigorna”, por conta de seu peso, mas isso não o impediu de fazer grandes exibições com a camisa colorada e até na seleção brasileira. Era uma espécie de “Walter dos anos 70”,

No inicio de carreira jogou num ataque que tinha outros jogadores jovens, como Sérgio, Dorinho e Bráulio. Além de suas qualidades incontestáveis como centroavante, ficou conhecido por ser também um excepcional cavador de pênaltis.

Jogador de muita velocidade sabia como ninguém ajeitar a bola para o pé direito, ou o esquerdo, antes de soltar a bomba. Claudiomiro foi o dono absoluto da camisa 9 do Internacional entre 1967 e 1973.

Participou de 424 jogos com a camisa do Inter e marcou 210 gols, o que o coloca como o terceiro maior artilheiro da história do clube. Apenas Carlitos, com 485 gols e Bodinho com 235, balançaram as redes adversárias mais vezes do que ele.

Depois dos três, estão na lista de grandes artilheiros do time: Valdomiro (191), Tesourinha (178), Larry (176), Villalba (153), Ivo Diogo (118), Jair (117) e Adãozinho (108).

Além do Inter (1967-1964 e 1979), o ex-jogador também defendeu as cores do Botafogo, do Rio de Janeiro (1975), Flamengo, do Rio de Janeiro (1976-1977), Caxias (1978) e Novo Hamburgo (1979), ano em que retornou ao Inter para encerrar a carreira, aos 29 anos, abreviada pela luta contra o peso.

Títulos conquistados: Campeão gaúcho pelo Internacional (1969, 1970, 1971, 1972, 1973 e 1974).

Em março de 2013, Claudiomiro participou de uma cerimônia para a remodelação do “Estádio Beira-Rio”, quando as obras atingiam a marca de 62%. Ao lado do presidente Giovanni Luigi, plantou a grama do estádio. Foi uma singela reverência ao feito do atacante.

Ficou conhecido também por suas frases marcantes: "na minha casa não tem azulejo, só vermelhejo…".

Vale a pena destacar uma nota publicada hoje no blog “Corneta do RW”, dedicado ao Grêmio Portoalegrense, tradicional rival do S.C. Internacional.

"Claudiomiro era vermelho. Mas eu o admirava. Sou do tempo que centroavante fazia uma porrada de gols e não ficava rico. Hoje existem centroavantes que fazem meia dúzia de gols e terminam a carreira com o "boi na sombra".

Claudiomiro me incomodou muito. Me tirou o sono por muitas noites de sono. Faleceu ontem. Vai se encontrar com Alcindo. Conversarão muito. Eles movimentaram muito o futebol gaúcho nos anos 60/70. Alcindo faleceu em 27 de agosto de 2016. Claudiomiro faleceu em 24 de agosto de 2018".

Em nota oficial em seu site, o Internacional declarou que o “Clube do Povo” se solidariza com os familiares e amigos do “ídolo eterno” que brilhou com a camisa colorada nos anos 1960 e 1970.

“O Internacional perde um dos maiores centroavantes de sua história. Fora o primeiro gol do “Beira-Rio”, ele tem uma história muito bonita no clube, desde a base, desde 1966, 1967. Era um jogador de futebol nota 10. Tinha todos os quesitos que se exigem de um jogador hoje em dia. Era um cara especial, bom de coração”, lamentou o ex-colega Cláudio Duarte.

Valdomiro, que foi companheiro do centroavante no clube, lamentou a perda do amigo em entrevista ao programa Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha.

“É uma tristeza. Para mim é uma tristeza. Já perdemos no ano passado o “Caçapava”, que eu tinha um carinho especial. O Claudiomiro foi um irmão, a gente começou quase juntos no Internacional. Nós dois jogávamos lá na frente. Foi um dos grandes centroavantes da história do clube. Perdi um irmão, um companheiro”.

O ex-ponta direita também lembrou da personalidade forte de Claudiomiro, e sugeriu que seja feita uma homenagem ao autor do primeiro gol do “Beira-Rio”, no jogo de amanhã contra o palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro.

“Era um cara difícil de lidar, mas eu dava muitos conselhos para ele. O Internacional vai comemorar os 50 anos do “Beira-Rio”, acho justo fazer uma homenagem para ele. Tenho certeza que o torcedor do Internacional perdeu um dos grandes jogadores do futebol brasileiro e da sua história. E eu perdi um amigo. Domingo, vou ao Beira-Rio e vai ser uma tristeza”, completou o ex-ponteiro direito. (Pesquisa: Nilo Dias)



sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O trem de luxo do Vasco da Gama

Paschoal Silva Cinelli, conhecido como “Trem de Luxo”, em razão de sua velocidade, jogava como ponteiro-direito. Jogou por 10 anos no Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, sendo considerado o jogador símbolo do clube nos seus primeiros anos de prática do futebol. 

Existem conflitos de datas, quanto ao seu nascimento. Há fontes que informam ele nasceu em 19 de abril de 1900 e outras que dizem ter sido em 24 de maio de 1900.

Foi descoberto nas peladas do Cais do Porto e escalado pelo técnico Ramón Platero num jogo amistoso contra a Seleção da Marinha, quando vestiu a camisa do clube carioca pela primeira vez. O Vasco venceu por 1 X 0, com o gol marcado por ele.

Nesse mesmo ano de 1922 Paschoal se sagrou campeão carioca da Segunda divisão, o que garantiu a participação do Vasco na elite em 1923. Nesse ano, na temporada do primeiro titulo no futebol carioca, Paschoal participou dos 14 jogos e marcou só um gol, no segundo tempo do jogo Vasco 3 X 1 Botafogo, em 22 de abril, no campo do adversário, à Rua General Severiano.

A turma dos chamados "Camisas Pretas" teve: Nélson - Leitão e Cláudio. Adão - Claudionor e Arthur. Mingote – Paschoal – Torterolli - Cecy e Negrito. Em 1924, Paschoal já balançou mais as redes: sete vezes.

Voltou a estar presentes em todas as partidas, com o time-base sendo: Nélson - Leitão e Espanhol. Brilhante - Claudionor e Arthur. Paschoal – Torterolli – Russinho - Cecy e Negrito. Nos dois títulos, o treinador era Ramon Platero.
  
Paschoal foi titular absoluto da ponta direita do time e das seleções carioca e brasileira, durante 10 anos, deixando o futebol prematuramente por contusão em 1933. 

Era dono de uma habilidade incrível, passando pelos adversários como bem entendia. Ele fez parte de uma geração que jogava por amor ao clube, não ao dinheiro. O Vasco foi o único time em que jogou.

Juntamente com o goleiro Nelson e o atacante Torterolli, Paschoal foi o primeiro jogador do Vasco a defender a seleção brasileira. Os três estrearam no dia 11 de novembro de 1923, na partida Brasil 0 X 1 Paraguai, em Montevidéu, pelo Campeonato Sul-Americano.

Pela Seleção Brasileira, além desse jogo, Paschoal fez outros nove, sendo três oficiais. Resultados: Brasil 1 X 2 Argentina (18/11/1923); Brasil 2 X 0 Paraguai (22/11/1923); Brasil 1 X 2 Uruguai (25/11/1923. 

E seis amistosos: Brasil 9 X 0 Combinado de Durazno-Uruguai (28/11/1923); Brasil 2 X 0 Argentina (2/12/1923); Brasil 0 X 2 Argentina (09/12/1923); Brasil 5 X 0 Motherwell-Escócia (24/06/1928); Brasil 5 X 3 Barracas-Argentina (6/1/1929) e Brasil 4 X 2 Rampla Juniors-Argentina (24/02/1929).

Dos jogos citados acima, Paschoal marcou um gol sobre o Barracas, enquanto os 2 X 0 sobre os argentinos valeram a “Taça Brasil-Argentina-1923”. Em 1923 o Vasco ganhou o seu primeiro título de campeão carioca e Paschoal foi figura fundamental na conquista. E repetiu o feito em 1924. 

Depois que deixou os gramados e já com a idade avançada, acima dos 80 anos, continuou frequentando clube, ensinando garotos que sonhavam em serem jogadores de futebol. Trabalhou no Vasco até o fim da sua vida.

Paschoal morreu em 23 de dezembro de 1987, aos 87 anos e marcou seu nome como um dos mais importantes atletas que vestiram a gloriosa camisa vascaína, ajudando a agremiação a se tornar o gigante que é hoje.

Títulos conquistados: Campeonato Carioca - Série B (1922); Campeonato Carioca Principal (1923, 1924 e 1929). Premiações: Jogador do Ano: Melhor Jogador do Vasco (1922 e 1923) (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

O futebol brasileiro mais uma vez de luto

Morreu nesta quinta-feira Marcial de Melo Castro, mais conhecido como “Marcial”, que foi goleiro do Atlético Mineiro nos anos de 1962 e 1963. O velório acontecerá no cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte, a partir do meio-dia e o enterro está marcado para às 17 horas. Marcial tinha 77 anos. Nasceu em 3 de junho de 1941, em Tupaciguara (MG).

Sua trajetória foi iniciada nas equipes amadoras do Sete de Setembro Futebol Clube, de Belo Horizonte. Encaminhado ao Clube Atlético Mineiro, Marcial assinou seu primeiro contrato, mas decidiu deixar o futebol tão logo foi aprovado no vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Em julho de 1962 voltou ao Atlético após receber um convite do treinador Antônio Fernandes, mais conhecido como Antoninho.

Campeão mineiro de 1962, Marcial fez parte do selecionado mineiro que faturou o campeonato brasileiro de seleções em janeiro de 1963. Ainda naquele início de 1963, uma notícia bombástica pegou de surpresa os torcedores do "Galo". O Jornal “Estado de Minas” anunciou o sucesso no acordo financeiro que levaria Marcial para o Corinthians.

A reportagem destacou também que a liberação do goleiro só aconteceria depois da decisão do campeonato de 1962, contra o Cruzeiro. Fora essa exigência, o próprio Marcial ainda fez uma solicitação incomum aos dirigentes do time paulista, principalmente para os padrões da época.

Aluno do terceiro ano do curso de Medicina, Marcial necessitava do envolvimento direto do Corinthians em sua transferência para a Escola de Medicina de São Paulo. 

Mas o negócio com o time do Parque São Jorge não vingou. Dias depois, os jornais anunciaram outro destino para o goleiro: “Cedido Marcial ao Flamengo por 12 milhões”.

Esse novo furo de reportagem documentou o que seria a maior transação do futebol mineiro até então, apesar do valor ser inferior ao oferecido anteriormente pelo Corinthians. Além dos 12 milhões de cruzeiros, o jogador ainda receberia 6 milhões. Mas, novamente tudo emperrou quando o clube carioca não fez o pagamento no prazo.

Dias depois, com o dinheiro devidamente no caixa do Atlético, o acerto final entre os clubes foi assinado por 10 milhões de cruzeiros, mais o passe do goleiro Gustavo. Também ficou acertado um amistoso em Belo Horizonte, como parte das festividades de comemoração dos 55 anos do clube mineiro. O quadro carioca venceu o confronto pelo placar de 2 X 1.

Depois de apenas 37 partidas pelo Atlético Mineiro e algumas participações no selecionado nacional, Marcial desembarcou no Rio de Janeiro e rumou para o gramado da Gávea. Naquele período, o Rubro-Negro apostava suas fichas na conquista do campeonato carioca, algo que não acontecia desde o distante ano de 1955.

E Marcial foi determinante no campeonato carioca de 1963, principalmente naquele que foi considerado um dos clássicos mais emocionantes da história do “Fla X Flu”.

Na partida decisiva contra o Fluminense, Marcial realizou uma das defesas mais difíceis de sua carreira em um chute frontal do atacante "Escurinho", o que garantiu o empate em 0 X 0 e a taça de campeão aos rapazes do Flamengo.

Um dos destaques do time, Marcial foi escolhido pelos companheiros para expressar o descontentamento pelo prêmio de 150 mil cruzeiros. Então, Marcial foi cobrar do presidente Fadel um aumento na premiação, já que esse valor era o mesmo recebido pelos jogadores ao longo de todo o certame.

Naquela oportunidade, Fadel disse para Marcial, sem economizar nas palavras, que não gostava de jogador que falasse em dinheiro. E disse mais ao afirmar que tal postura era coisa de mercenário.

Na mesma intensidade, Marcial respondeu que tal premiação não correspondia ao tamanho do clube e tampouco ao esforço pela importante conquista. Mesmo assim, com o ambiente um tanto tumultuado, Marcial permaneceu por mais algum tempo no clube da Gávea.

Mas o Corinthians nunca desistiu. Finalmente em 1965, o Parque São Jorge recebeu em festa o goleiro Marcial. 

Jogando pelo Flamengo, Marcial disputou 87 partidas com 50 vitórias, 18 empates e 19 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Novamente em um time de massa, Marcial enfrentou muitas dificuldades em um período tumultuado, quando o Corinthians buscava seu tão sonhado título paulista. Sua única conquista pelo alvinegro foi o Torneio Rio-São Paulo de 1966, quando Corinthians, Botafogo, Santos e Vasco da Gama dividiram o título.

Em 16 de novembro de 1965, Marcial fez parte do elenco que participou do amistoso entre Arsenal e Seleção Brasileira, que na oportunidade foi representada pelos jogadores do Corinthians. O quadro inglês venceu pela contagem de 2 X 0.

Cansado da realidade do futebol, Marcial surpreendeu quando decidiu deixar os gramados no findar da temporada de 1967. Contando com apenas 26 anos de idade, Marcial retomou os estudos em Medicina e se formou em 1970. 

Exerceu a profissão por vários anos na cidade de Pitangui, tendo sido médico anestesiologista do Hospital Universitário São José, em Belo Horizonte. (Com informações do site “Tardes de Pacaembu”)


segunda-feira, 23 de julho de 2018

Morre técnico campeão gaúcho de 2017

O futebol gaúcho e brasileiro está de luto. Morreu na madrugada desta segunda-feira, 23, o conhecido técnico de futebol Gilberto Cirilo de Campos, o “Beto Campos”, aos 54 anos. Ele havia ganho projeção nacional em 2017, ao sagrar-se campeão gaúcho com a equipe interiorana do Novo Hamburgo.

“Beto” era natural de São Borja, onde nasceu no dia 24 de março de 1964. Mas residia em Santa Cruz do Sul, onde faleceu, já há nove anos. Segundo informou o seu filho Willan Campos, ele foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) enquanto dormia.

O velório do treinador começou na manhã de hoje, na capela da Funerária Halmenschlager, localizada na Avenida Independência, em Santa Cruz do Sul. O sepultamento será em São Borja. “Beto” deixa enlutados a esposa Ediana e o filho William e demais familiares e amigos.

A trajetória de “Beto Campos” no futebol teve início em sua cidade natal, quando defendeu a Sociedade Esportiva São Borja em 1982. Cinco anos depois, em 1987 foi para o Futebol Clube Santa Cruz, onde permaneceu por dois anos. Era um centroavante artilheiro, que costumava marcar muitos gols.

Como jogador profissional atuou por nada menos do que 16 clubes: além dos dois já citados, vestiu as camisas de São Luiz, de Ijuí, Pelotas, Santo Ângelo, Dínamo, de Santa Rosa, Ypiranga, de Erechim, Esportivo, de Bento Gonçalves, Novo Hamburgo, Avenida, 15 de Novembro, de Campo Bom, Passo Fundo, Canoas, Juventus, de Santa Rosa.

Em 2001 deixou os gramados para frequentar as casamatas na condição de treinador. A nova carreira teve início no Juventus, de Santa Rosa, clube em que pendurou as chuteiras. Ficou lá por cinco temporadas, de 2002 a 2007, ano em que assumiu o comando técnico do Avenida, de Santa Cruz do Sul, na “Segundona Gaúcha”,  pela primeira vez.

Ao final do mesmo ano dirigiu o time de Juvenis da Ulbra. Em 2009 estava de volta a Santa Cruz do Sul, outra vez para comandar o time do Avenida, por quem foi campeão da Divisão de Acesso, em 2011.

Treinou ainda os times do Cruzeiro, de Porto Alegre, São José, também da Capital, São Luiz, de Ijuí, Passo Fundo, Caxias, com quem ganhou a Série A2 do Gaúcho em 2016. Em 2017 dirigiu o Novo Hamburgo, sendo responsável pela grande façanha de conquistar o título gaúcho.

Depois, “Beto” esteve no Rio de Janeiro para um período de estágio no Flamengo e cursos na cidade. Chegou a ter seu nome lembrado para dirigir o Vitória, da Bahia e o Atlético Paranaense, mas acabou indo para o Náutico, do Recife, onde teve uma breve passagem. Dirigiu também o Criciúma, de Santa Catarina. (Pesquisa: Nilo Dias)


domingo, 22 de julho de 2018

Morre presidente histórico do Farroupilha de Pelotas

Morreu neste domingo, em Pelotas, o coronel Ewaldo José Lebarbechon Poeta, histórico dirigente do Grêmio Atlético Farroupilha. O extinto era catarinense de Laguna, onde nasceu em 5 de março de 1927. Poeta começou a carreira militar na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN,) onde, em 1951 foi declarado aspirante a oficial do Exército Brasileiro.

Em 1952 começou as suas funções militares no 9° Regimento de Infantaria, em Pelotas. Durante mais de 25 anos prestou o serviço militar, quando, em 1976, foi alçado ao posto de coronel da reserva. 

Possuidor de uma vasta formação acadêmica, além do curso militar da AMAN, obteve três graduações pela Universidade Federal de Pelotas: Bacharelado em Direto e História e Licenciatura Plena em História.

Apaixonado por futebol, e em especial pelo Grêmio Atlético Farroupilha, dedicou grande parte de sua vida ao clube do bairro Fragata. Chegou a presidência do clube pela primeira vez em 1964. Em 1973 retornou ao comando do clube, onde permaneceu até 1990.

Mas foi em 1994 que o coronel Poeta assumiu para não mais abandonar o comando do seu clube de coração, permanecendo até pouco tempo atrás como o comandante máximo. Ultimamente era o Presidente de Honra do clube.

Sua história de amor e dedicação se confunde com a do tricolor do Fragata, onde se tornou peça fundamental para o funcionamento e a manutenção da existência da agremiação.

Oficial da reserva do Exército, ele carregou em seu nome a patente alcançada nas Forças Armadas, ficando conhecido como "coronel Poeta". Também foi professor universitário.

Eu conheci bem o coronel Poeta, de quem fui amigo. Cheguei a fazer parte de Diretorias do clube sob o seu comando, quando dirigi o Departamento de Futebol de Salão. Tratava-se de um homem de educação refinada, um gentleman, na acepção da palavra. A última vez que o vi foi em 1999, quando eu fazia parte da Diretoria do G.E. Gabrielense, quando de um jogo contra o Farroupilha, em Pelotas.

O velório ocorreu ao longo da tarde deste domingo na Capela A2, do Cemitério São Francisco de Paula, no bairro Fragata, o mesmo do Grêmio Atlético Farroupilha. O sepultamento aconteceu às 19 horas. Ele também foi homenageado pelo Exército.

Em 17 de novembro do ano passado o coronel Poeta foi um dos homenageados pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), na passagem de seu centenário. O histórico dirigente teve o seu nome inserido na "Calçada da Fama", inaugurada naquela data. (Pesquisa: Nilo Dias)



sábado, 21 de julho de 2018

A noite que o Náutico goleou o Santos de Pelé

O dia 17 de novembro de 1966 nunca será esquecido pelos torcedores do Náutico, tradicional clube de futebol de Recife. Nesse dia, ou melhor nessa noite, o alvi-rubro pernambucano derrotou em pleno “Pacaembu”, em São Paulo, ao Santos, de Pelé, na época considerado o melhor time de futebol do mundo.Isso equivaleria a derrotar hoje, dentro do “Camp Now”, ao Barcelona de Messi e tantos outros craques e ainda de goleada. Pois o Náutico foi capaz de realizar essa façanha histórica. O Santos foi surpreendido e goleado impiedosamente por 5 X 3.

Era uma noite fria de quarta-feira. O resultado do jogo teve uma repercussão enorme, não só no Brasil, mas no mundo todo, visto que o Santos era quase imbatível. Na década de 60, o time santista sobrava pelos torneios e campeonatos, no Brasil e pelo mundo afora.

Vejam só que retrospecto tinha o time de Pelé e companhia. Campeão paulista de 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68 e 69. Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 63, 64 e 66. Campeão da Taça Brasil de 61, 62, 63, 64 e 65. Bi-campeão da Taça Libertadores das Américas em 62 e 63. Bi-campeão Mundial de Clubes em 62 e 63. Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão) em 68. Campeão da Recopa Sul Americana e da Recopa Mundial de Clubes em 68. Não computando aqui outros torneios menores (internacionais), nem os vice-campeonatos.

Ir ao estádio para ver o Santos, não se limitava apenas a um jogo de futebol, era uma exibição de arte. Tanto é verdade que as torcidas adversárias tinham um respeito enorme pelo Rei Pelé e seus coadjuvantes. Em vez de vaiarem seus times por serem derrotados, aplaudiam o Santos pelo espetáculo apresentado.

É verdade que o Náutico vinha tendo uma ótima performance na Taça Brasil daquele ano. Havia eliminado o Palmeiras, que também tinha uma equipe espetacular, com Dudu e Ademir da Guia. E de goleada, 3 X 0 na “Ilha do Retiro”.

O retrospecto do Náutico, embora simples em comparação ao do Santos, não era para ser ignorado: tri-campeão pernambucano (1963, 1964 e 1965), Bi-campeão do Norte (1965 e 1966). Não foi por acaso que esse "Náutico Capibaribe", como era chamado pela imprensa do Sul, tinha chegado às semi-finais da “Taça Brasil” de 1965.

Foi então nesse cenário que o Náutico entrou em campo naquela noite para enfrentar o Santos, jogo válido pela semifinal da Taça Brasil de 66. O Santos havia ganho o primeiro jogo, disputado em Recife, no dia 9 de novembro por 2 X 0, com a “Ilha do retiro” recebendo 35 mil torcedores. 

O jornal “Diário de Pernambuco”, em sua edição do dia seguinte ao jogo trouxe o seguinte comentário:

"Jogando muito bem, contra um adversário apenas brigador, mas sem forças para reagir, o Santos venceu o Náutico por 2 X 0, gols de Pelé e Pepe. O resultado praticamente sepulta as chances do Náutico na “Taça Brasil”. O Santos vai jogar por um simples empate, dentro de casa, no próximo jogo, para eliminar os pernambucanos e se garantir na final da Taça Brasil."

Ninguém de sã consciência esperava o que aconteceu na fria noite de 17 de novembro de 1966. O “Estádio do Pacaembu” recebeu perto de 20 mil torcedores santistas, que foram apenas "carimbar" o passaporte para a final do campeonato.

Naquela memorável noite o Náutico começou a partida de maneira avassaladora. No primeiro minuto de jogo abriu a contagem, com um gol de Bita, ainda enquanto muitos torcedores adentravam ao estádio, e os comentaristas de rádio encerravam suas apreciações sobre o jogo.

Ou seja, os locutores nem tinha ainda iniciado a transmissão e o Náutico já vencia por 1 X 0, para surpresa de muitos, principalmente dos santistas. Mas todos eram unânimes em dizer que isso não representava praticamente nada e que a reação santista viria em seguida.

E veio. Aos 12 minutos, numa cabeçada de Toninho, o Santos chegou ao empate. Mas a noite era pernambucana. Aos 44 minutos Bita colocou novamente o clube alvirrubro em vantagem. Náutico 2 X 1.

Começou o segundo tempo e a surpresa cresceu. O Náutico ampliou o marcador, novamente com Bita. 3 X 1. Os paulistas quase não acreditavam no que viam. O Santos corria atrás do placar e descontou aos 19 minutos, outra vez com Toninho.

O Náutico deu nova saída. Miruca avançou e, no minuto seguinte ampliou para 4 X 2. O jogo se tornou emocionante. O Santos deu a saída e Pelé lançou para Toninho fazer seu terceiro gol no jogo. Era um tal de gol lá e gol cá. Com 21 minutos do segundo tempo o placar apontava Santos 3 X 4 Náutico.

O Náutico era comandado dentro de campo por Ivan Brondi, um baita jogador. O time de Recife passou a tocar a bola, administrando a vantagem e conseguindo envolver o todo poderoso adversário.

E para fechar com chave de ouro uma das partidas mais emocionantes da história do clube, Bita, sempre ele, a três minutos do final acertou um chute de fora da área e faz o quinto gol, decretando a goleada. Náutico 5 X 3 Santos.

No dia seguinte as manchetes dos jornais, tanto de Recife como do Sul do país enalteciam o grande feito do time pernambucano, que desbancou o Santos de Pelé, "o melhor time do mundo", em pleno Pacaembu, numa goleada histórica.

Manchete do “Diário de Pernambuco”: "Bita foi um flagelo para o Santos, no Pacaembu, quando o Náutico elevou o futebol de Pernambuco"!

Manchete do “Diário da Noite”: "Nunca, jamais, em tempo algum, o goleiro Gilmar, do Santos havia levado mais de três gols de um só jogador em uma partida. Ontem, só Bita fez quatro"!

Outra Manchete do “Diário”: "Bita dispara quatro e Náutico vence de cinco no Pacaembu"!

O time do Náutico naquela histórica noite: Aloísio Linhares – Gena – Mauro - Fraga e Clóvis. Zé Carlos e Ivan Brondi. Miruca - Gilson Costa - Bita e Lalá.

Depois do jogo, em uma entrevista a “TV Cultura”, ao responder sobre quais os melhores times que viu jogar, “Pelé” respondeu: "o Cruzeiro de Tostão, o Palmeiras de Ademir da Guia, e o Náutico de Bita. A década de 60 foi dominada pelas academias de futebol". Estas foram as palavras do “Rei”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Bita fez quatro gols naquela noite histórica.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

O time de futebol que nasceu de novo

O mundo inteiro acompanhou com interesse e preocupação a operação de salvamento dos meninos do time de futebol “Javalis Selvagens”, da Tailândia, que ficaram durante dias presos em uma caverna inundada, conhecida por “Tham Luang Nang Non”, que traduzindo para o português quer dizer "Grande Caverna da Senhora Adormecida", que fica na província de “Chiang Rai”, cerca de um quilômetro abaixo do pico das montanhas “Mae Sai”.

O time dos meninos pode-se dizer que praticamente nasceu de novo, pois conseguiu se salvar de uma situação complicada, que exigiu a presença de 90 mergulhadores, 50 de outros países e 40 tailandeses.

As fortes chuvas inundaram parcialmente a caverna no mesmo dia que os meninos a visitaram, junto do técnico do time, Ekaphol Chantawong. Eles foram dados como desaparecidos poucas horas depois e as operações de busca começaram de imediato.

Esforços para localizá-los foram dificultados pelo aumento dos níveis de água, e nenhum contato foi feito por mais de uma semana. O esforço de resgate se expandiu em uma operação massiva em meio a intensa cobertura da mídia e interesse público.

Mais de 1000 pessoas estiveram envolvidas na operação de resgate, incluindo forças especiais da Marinha Tailandesa, bem como equipes e assistência técnica de vários países, incluindo o Reino Unido, China, Mianmar, Laos, Austrália, Estados Unidos, Rússia, Finlândia, Suécia, Ucrânia e Israel.

Em 6 de julho de 2018 o mergulhador Saman Kunan, de 38 anos, morreu enquanto retornava de uma expedição que levou suprimentos aos meninos. Ele era sargento da reserva da marinha tailandesa.

Juntos do técnico, os garotos saíram para explorar a caverna. Eles fazem parte do “Javalis Selvagens”, clube localizado na província de “Chiang Rai”, e que conta apenas com categorias sub-19, sub-16 e sub-12.

O jornal tailandês “Thai Rathe” e o inglês “The Guardian” fizeram um levantamento com as posições de cada um dos garotos do “Moo Pa”, nome da equipe em tailandês.

Goleiros: Aekkarat Wobgsukchan, da “Escola Daroonrat Witthaya”. De apelido “Bew”, o garoto de 14 anos é um dos mais disciplinados do grupo e foi graças à sua personalidade que ele evoluiu no futebol.

Pipat Pothi, da “Escola Ban Sansai”. Pothi, 15, também é conhecido como “Nick”. Amigo de “Bew”, ele não pertence à equipe e apenas treinava junto dos garotos em 23 de junho, data em que eles e o técnico entraram na caverna como refúgio.

Prachak Sutham, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. O versátil garoto de 14 anos é goleiro, mas também atua como meio-campo. Note”, como é chamado, joga futebol há dois anos.

Defensores: Pornchai Kamluang, da “Escola Ban Pa Yang.” Kamluang é um dos mais velhos jogadores da equipe. Apelidado de ‘Tee’, ele tem 16 anos.

Panumat Saengdee, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. “Mick”, como também é chamado, tem 13 anos, mas é descrito como um defensor ideal por conta de sua saúde e de seus “fluidos movimentos”. Seus técnicos já consideraram usá-lo como atacante por conta de suas habilidades nos cabeceios.

Meio-campistas: Adul Sam-on, estudante da “Escola Ban Wiang Parn!. Sam-on foi o responsável por conversar com os mergulhadores que encontraram o time dos “Javalis Selvagens”. Aos 14 anos, o garoto fala quatro línguas: tailandês, birmanês, mandarim e inglês, idioma utilizado para falar com os mergulhadores.

Phirapat Sompiangjai, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. Conhecido como “Night” (noite, em inglês), o garoto joga pela meia direita.

Sompong Jaiwong, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. “Pong, como é conhecido, também joga na meia direita, mesma posição de Sompiangjai. “Pong” tem 13 anos e é meia direita do time

Atacantes: Chanin Wiboonrungruang, da “Escola de jardim de infância Mae Sai”. Jogador mais jovem da equipe, “Titan”, como é apelidado o garoto, tem apenas 11 anos. Ele joga futebol há cinco anos. Em 2015, foi convidado para jogar pelo “Wild Boars” (“Javalis Selvagens”, em inglês).

Duangpet Promthep, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. Aos 13 anos, Promthep é o capitão do time. Seus colegas dizem que a liderança é uma de suas grandes qualidades. Ele já participou de testes em clubes tradicionais da província, como “Sukhothai FC” e “Chiangrai United FC”.

Natthawut Thakhamsai, da “Escola Mae Sai Prasitsart”. Conhecido como “Tle”, Thakhamsai tem 14 anos.

Assistente técnico estagiário: Mongkol Boonyiam, da “Escola Ban Pa Mued”. O garoto tem 14 anos e é assistente do técnico Ekaphol Chantawong. Boonyiam joga futebol desde o jardim de infância e torce para o “Muangthong United”, onde joga o brasileiro “Jajá”, ex-Flamengo e Internacional. Órfão aos 10 anos, o técnico Ake já foi monge.

O time dos garotos é da cidade de Chiangrai, que tem uma equipe de futebol profissional, o “Chiangrai United”, onde joga o atacante brasileiro Bil, que no ano passado jogou pelo América Mineiro e foi campeão brasileiro da Série B.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convidou os jovens que estiveram presos na caverna na Tailândia para assistirem o jogo final da Copa do Mundo da Rússia, mas os médicos não permitiram, pois todos se encontravam hospitalizados em observação.

Uma produtora norte-americana, a “Pure Flix” anunciou que pretende fazer um longa-metragem baseado no resgate, com potencial de lançamento mundial.
O complexo de cavernas na Tailândia, onde os 12 estudantes e seu treinador de futebol ficaram presos por mais de duas semanas, será transformado em um museu para mostrar o resgate,

O complexo de cavernas onde os meninos ficaram presos durante mais de duas semanas, será transformado em museu, para que a operação de resgate nunca mais seja esquecida. (Pesquisa: Nilo Dias)