Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Botafoguense de alma e coração

 Roberto Lopes Miranda, um dos maiores atacantes da história do Botafogo, nasceu no dia 31 de julho de 1943, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O menino franzino se destacou jogando pelo Manufatura, time do Barreto que volta e meia contava com a visita de olheiros nas partidas.

Com boas atuações e gols diante de clubes como Bangu e América, recebeu o convite do empresário do Fluminense para fazer teste no clube. Só que não teve chances de demonstrar seu futebol e quando saiu das Laranjeiras foi logo abordado e convidado a fazer testes no Botafogo. E foi em General Severiano que ele se firmou e começou a despontar no futebol.

Era 1957 quando o jovem Roberto, vestiu o manto da estrela solitária pela primeira vez. E logo começou a se destacar nos juniores do clube. Foi tri-campeão de juniores em 1961, 1962 e 1963. E estreou nos profissionais em 1962, quando também participou da campanha do título carioca.

Outra curiosidade lembrada pelo ex-jogador foi o tratamento que recebia dos consagrados jogadores da equipe profissional. Sem piedade alguma, Didi, Nilton Santos, Garrincha e Quarentinha saiam do treino e, ao avistarem o garoto jantando no refeitório, nem pensavam duas vezes antes de meterem a mão em seu prato. “Eles diziam que era o tira-gosto deles”, contava.

Fã dos “ladrões de comida”, que encantavam os amantes do bom futebol, Roberto Miranda não perdia um treino dos profissionais e chegou a pensar em deixar o clube, temendo não ter oportunidades no meio de tantos craques.

Mas, assim como no primeiro treino pelo Botafogo, também marcou gol na sua estreia como profissional e, com méritos, alcançou a titularidade daquele timaço.

Só em 1962 ele deu seus primeiros passos no time profissional. Em 1963 já era titular do time que naquela época, junto com o Santos era a base da Seleção. Nesse time que contava com Garrincha, Nilton Santos, Zagallo (bi-campeões mundiais). Além de craques como manga, Didi e Quarentinha.

A disposição, somada à facilidade de balançar a rede dos adversários, logo foi reconhecida e Roberto não demorou para cair nas graças da torcida alvi-negra.

Roberto Miranda viu de camarote a melhor safra de jogadores da história do clube. Por morar debaixo da antiga arquibancada de General Severiano, ele assistia diariamente ao treino de craques como Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo, entre outros.

E foi Amarildo sua maior inspiração. Ele se espelhou muito no “Possesso”, que logo foi vendido para o Milan. Roberto gostava muito do estilo dele, era rápido.

Em 1964 foi convocado por Vicente Feola, para disputar às Olimpíadas de Tóquio. O atacante não fez feio na competição, Foram dois gols marcados. Um no empate contra a República Árabe Unida (1 X 1) e outro na vitória contra a Coreia do Sul (4 X 0 ).

No único jogo que não marcou a seleção foi derrotada pela Thecoslováquia (1 X 0). Com a derrota o Brasil foi eliminado.

Depois dos Jogos Olímpicos, ele voltou para o Botafogo e continuou a conquistar títulos. Foi duas vezes campeão do Torneio Rio-São Paulo (1964 e 1966). Mais dois títulos cariocas (1967 e 1968). E o maior título da sua carreira no Botafogo, foi a Taça Brasil de 1968.

No total foram 351 jogos e 152 gols, que o tornam o nono maior goleador da história do Botafogo. Foi ainda o artilheiro do Campeonato Carioca de 1968. Suas atuações renderam uma caricatura no muro do clube, ao lado de outros grandes ídolos do Botafogo.

Em 1973 já sofrendo com lesões seguidas foi trocado pelo lateral Miranda do Corinthians, mesmo a contragosto. Embora tenha sido muito bom financeiramente para o alvinegro carioca, a contratação não gerou títulos para o time paulista. De acordo com o craque, o time era bom, mas muito azarado.

No Parque São Jorge, Roberto Miranda não conseguiu uma grande sequencia de jogos devido as lesões. Jogou pouco, por causa de diversas contusões. Uma operação no joelho direito acabou por fazê-lo encerrar prematuramente a carreira, ainda no Corinthians, em 1976, aos 33 anos. Foram 77 jogos e 21 gols, com a camisa do “Timão”.

Teve também uma curta passagem pelo Flamengo, onde sentiu a sensação mais estranha de sua carreira: jogar e vencer o Botafogo por 2 X 0, no Maracanã.

“Graças a Deus não marquei gol nessa partida. O Botafogo foi tudo na minha vida. Tudo que eu tenho hoje eu devo ao Botafogo”, dizia.

Além da Seleção Olímpica, ele também teve sua chance na Seleção principal. E a sua maior conquista da carreira foi a conquista da Copa do Mundo do México, em 1970.

Um título que ele jamais teria no currículo se o técnico João Saldanha não tivesse sido trocado por Zagallo: Ele tinha uma diferença com o Saldanha desde o juvenil do Botafogo, quando se recusou a fazer uma jogada, que ele pediu. Pouca gente sabe disso.

Mas com a saída de Saldanha tudo mudou. Um dia, ele foi cercado pela imprensa no treino, em General Severiano. Depois ele pediu para sair do treino. Estranhou, mas quando chegou ao vestiário ficou sabendo da sua convocação.

Em uma época de ouro do futebol brasileiro, com dezenas de jogadores que entraram para a história dos seus clubes, o artilheiro assegurou uma vaga entre os convocados para a Copa de 70, no histórico tri mundial.

Reserva imediato do ataque, entrou nas partidas contra Inglaterra e Peru, substituindo à altura Tostão e Jairzinho, respectivamente. “Jogar com aquelas feras foi tudo de melhor. Chegar ate a Copa do Mundo foi o auge. O “Dadá” nem mudava de roupa, ficava de terno, e eu que entrava”, tirava onda.

Além da Copa de 1970, ele esteve cotado para disputar as Copas de 1966 e 1974. Só que devido as lesões ele não foi convocado. Pela Seleção Brasileira, fez 18 partidas oficiais e marcou nove gols. Também atuou em dois jogos não oficiais, ambos em 1970, e marcou um gol.

Em sua carreira sofreu todo o tipo de lesão. Costela, braço, clavícula e tornozelo são apenas algumas partes do corpo que sofreram ao longo do tempo em que esteve nos gramados.

E ainda rompeu o “Tendão de Aquiles”, dessa vez em um acidente doméstico, quando da queda de um litro (vidro) de leite. Teve de fazer muitas cirurgias depois que parou de jogar.  Até uma cirurgia plástica

O antigo narrador de futebol da “Rádio Globo”, Valdir Amaral, foi quem o apelidou de “Vendaval”, porque partia para cima dos adversários que lhe batiam muito, mas encarava os caras também.

Tinha fama de "não fugir do pau", que cresceu quando, logo depois de marcar o gol de empate em uma partida contra o Vasco, levou um tapa do zagueiro Fontana e revidou, o que gerou uma enorme briga e causou a expulsão de ambos.

Inclusive, saiu do Maracanã sangrando e indo direto para a Delegacia de Polícia. “Iam me matar? Não! Então eu ia para a briga, mesmo”, comentava com bom humor.

Títulos conquistados. Pelo Botafogo: Campeonato Carioca (1962, 1967 e 1968); Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1964 e 1966); Campeonato Brasileiro de Futebol (1968); Tri-campeão da Copa do Mundo de Clubes (1967,1968 e 1970); Campeão do Torneio de Carranza, Argentina (1966) e campeão do Troféu Jornalista de Caracas (1966). Seleção Brasileira: Copa do Mundo (1970).

Hoje, aos 75 anos, o ex-jogador continua vivendo do futebol. Participa de eventos, de palestras e descobriu uma nova paixão em Niterói, onde vive.

As cinco horas da manhã vai para a academia e aproveito para malhar. É um viciado em exercícios. Vai dormir pensando nisso. Fica até uma hora e meia na academia e ainda malha aos sábados.

Em razão da ruptura do ligamento cruzado em um dos joelhos, que o fez encerrar cedo a carreira, o médico o orientou a pegar peso para fortalecer o músculo. Fez tanto que não parou mais. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 12 de março de 2019

Morreu Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco da Gama

Morreu nesta terça-feira (12) Eurico Miranda,  ex-presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, aos 74 anos de idade. Ele fora internado em estado grave ainda na manhã de hoje no “Hospital Vitória”, na Barra da Tijuca, Zona Sul do Rio de Janeiro, em decorrência de tratamento contra um câncer no cérebro descoberto em 2018.

O ex-dirigente cruzmaltino fazia um tratamento de radiologia, sendo que em uma das etapas do processo sofreu um derrame, que lhe deixou sequelas. Antes, ele já havia superado um câncer na bexiga e outro no pulmão.

Embora debilitado, Eurico nunca se afastou da política do Vasco, tanto que exercia o cargo de presidente do “Conselho de Beneméritos” do clube. Mas não vinha mais participando de eventos públicos, deixando de acompanhar os jogos em “São Januário”, algo que sempre foi recorrente e marcou sua passagem pelo clube.

Nas últimas aparições era visto quase sempre de cadeira de rodas e tinha dificuldades para falar.

Eurico Miranda era filho de portugueses, Álvaro e Alexandra, naturais do “Concelho de Arouca”, da "Grande Área Metropolitana do Porto", que, na década de 1930, emigraram para o Brasil, fugindo do regime de António Salazar.

Criado na zona sul do Rio de Janeiro, estudou no "Colégio Santo Inácio", em Botafogo, uma escola jesuíta frequentado por boa parte da elite carioca.

Acabou por ser convidado a se retirar do colégio por causa de brigas e por sempre ir com a camisa do Vasco por cima do uniforme, o que não era permitido.

Eurico formou-se em Fisioterapia e chegou a exercer a profissão antes de decidir ingressar na "Faculdade de Direito" da "Pontifícia Universidade Católica", do Rio de Janeiro.

Foi durante o "Curso de Direito" que Eurico, então com 23 anos, ingressou nas atividades administrativas do Clube de Regatas Vasco da Gama, sendo Diretor de Cadastro em 1967.

Eurico foi presidente do Vasco em dois períodos: de 2003 a 2008, e de 2015 a 2017. Também foi vice-presidente de futebol entre 1990 e 2002, tendo participado do período de maiores conquistas do clube, como o Campeonato Brasileiro de 1997, a Copa Libertadores de 1998, a Copa João Havelange de 2000 e a Copa Mercosul de 2000.

Em 1990, Eurico decidiu se candidatar a deputado federal pelo PL, apesar de já ter o cargo de vice-presidente do Vasco da Gama. Não conseguiu ser eleito, mas nas eleições de 1994 voltou a se candidatar, agora pelo PPB, e conseguiu ser eleito para deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro.

Em 1998 foi novamente eleito, mas em 2001 foi pedida a cassação do seu mandato por efetuar uma operação de câmbio não autorizada. Eurico foi acusado de promover evasão de divisas do país. Apesar disso, Eurico voltou a concorrer nas eleições de 2002, porém não foi eleito, perdendo assim a imunidade parlamentar.

Em 2006, Eurico teve a sua candidatura indeferida pelo TRE do Rio de Janeiro. Segundo o argumento da juíza Jaqueline Montenegro, por falta de condições morais para exercer um mandato. Porém Eurico recorreu da decisão e no mês seguinte teve a sua candidatura confirmada pelo TSE.

Ao longo da sua vida pessoal e política, Eurico esteve sempre envolvido em processos judiciais contra si.

A morte provocou repercussão no mundo do futebol. Jogadores, técnicos, dirigentes e até desafetos de Eurico comentaram nas redes sociais.

"Faleceu agora há pouco o ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, ele tinha um câncer no cérebro. Eurico foi um dos pouquíssimos amigos que fiz no futebol. Com certeza, sentirei falta de fumarmos um charuto juntos e dos bons papos que batíamos. Meus sentimentos à família", disse o ex-atacante Romário.

O ex-jogador e hoje comentarista Petkovic também se manifestou: "Lamento muito. É uma tristeza. Controverso sim, alguns gostavam e outros não, mas eu gostava dele."

O Clube de Regatas Vasco da Gama publicou nota oficial: “O Vasco da Gama cumpre o doloroso dever de comunicar, com profundo pesar, o falecimento do presidente do Conselho de Beneméritos e ex-presidente da Diretoria Administrativa, Eurico Miranda. A Diretoria Administrativa manifesta condolências aos familiares e amigos.”

O Clube de Regatas do Flamengo manifestou suas profundas condolências ao Clube de Regatas Vasco da Gama e a toda sua torcida pelo falecimento do ex-presidente e presidente do Conselho de Grandes Beneméritos, Eurico Miranda.

Meus sinceros sentimentos aos familiares do Grande Benemérito e ex-presidente do nosso Clube de Regatas Vasco da Gama, Eurico Miranda, por seu falecimento, disse Júlio Brant, seu adversário político no clube.

A Sociedade Esportiva Palmeiras também lamentou o falecimento de Eurico Miranda e desejou força aos familiares.

O Bangu Atlético Clube em nota oficial lamentou o falecimento de Eurico Miranda, ex-presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama. “Registramos as nossas sinceras condolências aos familiares, amigos e ao Vasco da Gama.”

O Sport Club Internacional foi outro clube a manifestar seu pesar pelo falecimento do histórico residente do Vasco da Gama, Eurico Miranda. “Nossa solidariedade aos familiares, amigos e a toda torcida cruzmaltina”, publicou em sua página na Internet.

A Federação de Futebol do Rio de Janeiro lamentou o falecimento de Eurico Miranda e decretou luto oficial de três dias. (Pesquisa: Nilo Dias)


Morreu Coutinho, o lendário parceiro de "Pelé"

Morreu ontem (11/03) o ex-atacante Coutinho, aos 75 anos, um dos maiores ídolos da história do Santos Futebol Clube e campeão do mundo em 1962, na “Copa do Chile”.

Coutinho tinha diabetes, doença que levou à amputação de três dedos do pé esquerdo. Em janeiro ele havia sido internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da "Casa de Saúde", em Santos (SP), por causa de uma pneumonia.

Em 20 de janeiro, a esposa de Coutinho, Vera, explicou à "Rádio Bandeirantes" que o marido havia se sentido mal, dias antes de ser internado, queixando-se de falta de ar.

No hospital, foi diagnosticado um quadro de pneumonia. Após uma semana e meia de internação, inclusive com passagem pela "Unidade de Terapia Intensiva" (UTI), Coutinho retornou para casa no dia 28 de janeiro.

A causa da morte foi um infarto no miocárdio em decorrência de diabetes e hipertensão arterial. Ele estava em casa e faleceu por volta de 19h30min. A informação foi confirmada pela assessoria da presidência do Santos. O clube prestou homenagem ao ex-jogador com uma postagem nas redes sociais. "A pequena área perdeu um de seus professores", escreveu o clube alvinegro.

O Santos abriu o “Salão de Mármore da Vila Belmiro” para o velório. Coutinho está sendo velado desde a 1 hora desta madrugada. O enterro do ídolo santista será às 18 horas de hoje no “Cemitério Memorial”.

Antônio Wilson Honório nasceu em Piracicaba em 11 de junho de 1943 e viveu até a adolescência na rua Silva Jardim. Apesar de morar a poucos metros do "Estádio Municipal Barão da Serra Negra", que foi inaugurado em 1965 e hoje é a casa do XV de Piracicaba, o ex-jogador fez carreira no Santos.

Após se destacar em um treino coletivo, aos 13 anos, ele deixou o "Nhô Quim" e foi para o Peixe formar uma das linhas mais famosas da história do futebol mundial. Ele estreou no Santos em 1958, quando tinha apenas 14 anos, sendo o mais jovem jogador a atuar nos profissionais do clube.

Defendeu o time até 1967 e depois entre 1969 e 1970. Coutinho atuou em 451 partidas oficiais e 16 não oficiais. Era o terceiro maior artilheiro da história do clube, com 368 gols, atrás de "Pepe", com 403 gols, e "Pelé", com 1.091 gols. Antes de completar 16 anos, o piracicabano já havia feito sua estreia pela seleção brasileira. Com a "Canarinho" jogou 15 vezes e marcou seis gols de 1960 a 1965.

No Santos, formou o lendário ataque com Dorval, Mengálvio, Coutinho, "Pelé" e "Pepe". Foi campeão paulista em 1960, 1961, 1962, 1964, 1965 e 1967, venceu cinco vezes a “Taça Brasil”, de 1961 a 1965, depois reconhecida como “Campeonato Brasileiro”, além das “Taça Libertadores” e “Mundiais de Clubes” de 1962 e 1963. Com a Seleção, venceu a “Copa do Mundo” de 1962 no Chile.

Nos últimos anos da carreira como jogador, passou também por Vitória, Portuguesa e Bangu, entre outras equipes. Em 1973, aposentou-se dos gramados jogando pelo Saad, de São Caetano do Sul (SP).

O consagrado cronista esportiva Kuca Kfouri escreveu em seu blog uma homenagem ao ex-atleta ontem falecido:

Coutinho, o rei da área

Aos 75 anos, morreu, em Santos, Coutinho, o melhor parceiro de "Pelé". O "Rei" do futebol sempre dizia que Coutinho era melhor que ele na grande área. Igual, talvez, só Romário.

Tabelava com "Pelé" e se confundia com ele. Andou jogando com uma atadura no pulso para se distinguir, porque brincava: "Quando o gol era perdido, o narrador dizia que fui eu. Quando marcado, era dado ao Edson".

Das melhores coisas que vi num campo de futebol teve Coutinho como um dos protagonistas. Protagonista. Jamais coadjuvante, mesmo ao lado de "Pelé". Marcou 368 gols em 457 jogos pelo Santos, média espantosa de 0,80 gol por jogo, maior que a de de "Pepe", 0,55, inferior só à de "Pelé", 0,98.

É triste ver alguém como Coutinho ir embora.

Após a confirmação da morte de Coutinho, "Pelé" se manifestou e lamentou o falecimento do ex-companheiro de ataque do Santos na década de 60. Juntos, eles conquistaram diversos títulos na época mais vitoriosa da história do clube alvinegro.

"É uma grande perda. A tabelinha "Pelé-Coutinho" fez o Brasil ficar mais conhecido no mundo todo. Tenho certeza que um dia faremos tabelinha no céu. Minhas condolências à família", disse o “Rei do Futebol”.

"Pepe", outro ex-companheiro de Coutinho, também comentou sobre a morte do ex-companheiro. "Ele estava com problemas, mas fora isso continuava sendo aquele moço alegre. Era um cara feliz, que viveu uma vida feliz até onde deu", declarou, em entrevista para a "Rádio Bandeirantes".

Coutinho foi o companheiro ideal de "Pelé". Diz a lenda que Coutinho passou a usar uma faixa branca no punho direito para se diferenciar do camisa 10 e começar a ter também os elogios pelas lindas jogadas que realizava em campo.

Para muitos, o atacante tinha mais visão de jogo que "Pelé" na hora de finalizar, o que lhe valeu o apelido de "gênio da pequena área".

Mengálvio, que fez história ao lado de Coutinho, publicou uma mensagem em seu perfil no “Instagram” demonstrando sua emoção.

“Hoje não é só o Santos e o futebol que estão tristes, pois acabo de perder um dos meus melhores amigos dentro e fora de campo, uma pessoa extraordinária como ser humano, meu coração está de luto por você.

Coutinho vai fazer muita falta”, escreveu o ex-meia, que fez parte do fantástico time do Santos na década de 60, que contava com ele, Coutinho e "Pelé", entre outros.

O atacante Rodrygo, do Santos, também se manifestou e demonstrou solidariedade com a família de Coutinho, além de apontá-lo como uma referência para os garotos do time alvinegro.

“Descanse em paz, Coutinho. Que Deus possa confortar os familiares e amigos neste momento tão difícil. Ídolo da história do Santos e do futebol mundial, uma referência para nós mais jovens no clube.”

O pentacampeão "Cafu" foi outro que fez questão de registrar seu luto em sua página no “Twitter”. “Morreu essa lenda do nosso futebol e meu querido amigo Coutinho. Meus sentimentos e orações para a família.”

"Ele foi o maior gênio da área”, publicou o jornalista Milton Neves, dono de um arquivo sobre o bicampeão mundial de clubes e da Copa Libertadores pelo time da "Baixada".

Alguns clubes também demonstraram apoio e deixaram de lado a rivalidade para lamentar a morte de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.

“Muita força aos familiares, amigos e torcedores santistas. Estamos juntos neste momento tão difícil”, escreveu a conta oficial do Corinthians no “Twitter”. Guarani, Federação Paulista e Conmebol também se manifestaram.

Em seu site, o CBF relembrou parte da história de Coutinho com a camisa da Seleção Brasileira e também lamentou a sua morte. “A CBF, sua diretoria e seus colaboradores se solidarizam com a família de Antônio Wilson Honório, o Coutinho, neste momento de grande perda para o futebol brasileiro.” (Pesquisa: Nilo Dias)

Coutinho e Pelé. (Foto: Santos F.C. / Divulgação.)

(Foto: Santos F.C. / Divulgação.)

Coutinho em foto recente. (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos F.C.).

terça-feira, 5 de março de 2019

Os 100 anos da Paraisense

Neste dia 5 de março está completando 100 anos de existência, a Associação Atlética Paraisense, de São Sebastião do Paraíso (MG). O clube foi fundado em 1919 pelo coronel Alfredo Serra Júnior, mais conhecido como “Doutor Serrinha”.

Durante esse período, o clube viveu um passado repleto de altos e baixos, tentando de 1952 a 1956 subir para a liga profissional. Em 1956, na disputa contra o time do Valério Doce, em Itabira, na final do Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, a Paraisense, dependia de um empate para subi, mas o centroavante “Mingo” perdeu os dois pênaltis, levando o time a derrota e ao desânimo da cidade em ter um time profissional.

Esse fato marcante na história da Paraisense, dizem, foi proposital. É o que afirma o taxista Itamar Bonfim, conhecido da comunidade paraisense que durante muitos anos foi árbitro de futebol e comentarista esportivo e viveu todas as glórias e tristezas por qual o time passou.

“Diziam que o Mingo estava comprado, que havia perdido de propósito, ele saiu fugido da cidade”, conta Itamar que, aos 73 anos, recorda-se, emocionado, de vários momentos importantes na história da Paraisense.

No entanto, ao ser entrevistado em programas esportivos na então Rádio Difusora Paraisense, na época, e quando veio a Paraíso posteriormente, “Mingo” negou, atribuindo a perda dos pênaltis a uma infelicidade.

De lá para cá, só em 1980 a Associação Atlética Paraisense voltou ao futebol profissional. Em 1989 , numa partida emocionante empatou com o Ipiranga, em Manhuaçu e subiu pela primeira vez a elite do futebol mineiro. 

Hoje a “Verdona”, como é chamada carinhosamente por seus torcedores, passa por uma série de problemas, como a depreciação do seu patrimônio e falta de apoio.

O cantor Raul Seixas dizia que "um sonho quando sonhado só é apenas um sonho, mas quando sonhado juntos se torna uma realidade". O mesmo dizem os dirigentes atuais, sonhando com a volta do clube ao futebol profissional.

Dentre as conquistas da Associação, as que mais são lembradas, e que marcaram época para o time de Paraíso, ocorreram no ""Campeonato Mineiro da Segunda Divisão", tendo no currículo dois vices (1989 e 1995) e o título obtido no "Campeonato Mineiro da Terceira Divisão", em 2001.

A Paraisense participou do "Campeonato Mineiro da 1ª Divisão" em quatro oportunidades: 1990 (8º lugar), 1991 (8º lugar), 1992 (15º lugar) e 1996 (12º lugar).

No gramado do “Estádio Comendador João Alves”, com capacidade para 9.000 pessoas, a Paraisense recebeu grandes equipes como Fluminense, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Guarani, Ponte Preta, de Campinas, Botafogo, Comercial, de Ribeirão Preto, Ferroviária, de Araraquara, além de grandes equipes do cenário regional e nacional.

Depois de paralisada por algum tempo, foi nos anos 80 que a “Mais Querida” voltou a movimentar o futebol no município. Enfrentou e ganhou de equipes que faziam parte dos principais campeonatos mineiro e paulista.

Foi nesse período que o ex-zagueiro da primeira formação profissional e depois secretário de Esporte do município, Tomás Martins, atuou na Paraisense.

Tomás é considerado um dos grandes heróis do futebol que Paraíso já teve. Ele foi presidente da Associação de 2002 a 2004, e colecionou uma série de lembranças saudosas, da infância até a extinção do futebol profissional do clube.

Tomás começou no clube como mascote. De 1978 até 80 ficou no futebol amador. De 80 a 82 jogou no profissional. Depois disso foi estudar e teve que parar com o futebol.

Uma vitória que emocionou Tomás foi quando a Paraisense jogou em Manhuaçu, precisando de um empate para subir para a “Primeira Divisão”. O time começou ganhando de 1 X 0, depois o Ipiranga virou o jogo para 2 X 1. 

Aos 43 do segundo tempo veio o empate, com um gol de Sérgio Vilela. E pela primeira vez na história da Paraisense, o time subiu para a elite do futebol mineiro.

Tomás estava no estádio trabalhando na transmissão do jogo, pela emissora da sua cidade. Lembra que foi muito emocionante, pois o empate veio justamente quando o adversário já estava fazendo festa.

Tomás recorda ainda de uma partida entre a Paraisense e o Milionários, que entre outros craques tinha o legendário “Garrincha”, Djalma Santos, Amaral e uma série de jogadores importantes.

Ele recorda bem dessa época que o marcou muito. O time deles estava hospedado no “Hotel Achei”, no centro da cidade. Presenciou quando “Garrincha” estava conversando no orelhão com a esposa, Elza Soares, momento em que ela deu a notícia que estava grávida do “Garrinchinha”.

O pessoal da cidade ficava tudo ali ao entorno do hotel para pegar autógrafo. Tomás lembra como se fosse hoje, se encontrava na praça, de bermuda e chinelo, conversando com “Garrincha” sobre o filho que ia nascer.

Não mais como jogador, Tomás conta que já foi diretor e fez parte do departamento médico do clube. E conta que em 1990, quando a Paraisense subiu, o time foi a Belo Horizonte jogar contra o Cruzeiro no Mineirão.

O ônibus quebrou na avenida Antônio Carlos. O jogo estava marcado para 8h30, já era 7h30 e ainda estavam parados na rodovia. E a torcida do Cruzeiro passando e mexendo com a delegação. O time levou uma goleada de 4 X 1. Estava naquele dia como membro da imprensa e da diretoria do clube.

Já o taxista Itamar Bonfim, que foi o idealizador da “Taça Paraíso”, em 1989, campeonato que até hoje acontece no município, relata que se emocionou quando da estada do Corinthians Paulista na cidade, na década de 1970.

Na ocasião, o pároco da época, “Monsenhor Mancini”, conhecido por todos por sua seriedade e rispidez, ganhou uma camisa autografada por um dos ícones do Corinthians, Roberto Rivellino.

Ele chorou muito, de felicidade, recorda Bonfim, também emocionado. A camisa ficou exposta por um bom tempo no saguão de entrada do “Cine São Sebastião”.

A Paraisense, de 2004 para cá, não disputou mais nenhum tipo de campeonato. Hoje, só tem o time veterano. Atualmente, ela só existe mais como nome, do que com uma ação de clube propriamente dito.

Houve a reinauguração da iluminação do estádio em 1996. Na época a Paraisense jogou contra o Democratas, de Governador Valadares, que estava começando a lançar o jogador Fábio Junior como profissional. Houve um empate. O diretor Darci Menezes, que tinha sido zagueiro do Cruzeiro, visitou Paraíso.

O Clube, que já possuiu invejável patrimônio e inúmeros bens, hoje conta apenas com o “Estádio Comendador João Alves”, que de acordo com a doação feita, pertencerá à Associação enquanto houver diretoria.

Caso contrário retornará aos herdeiros do doador da área. Mas o atual presidente garante que essa perda nunca vai acontecer e que, no que depender dele, a AAP sobreviverá por muito tempo.

Nos 100 anos de existência a Associação Atlética Paraisense recebeu e revelou atletas valorosos em suas equipes amadoras e profissionais. Contou com diretores abnegados que com muito esforço se desdobraram para a formação e manutenção dos elencos.

Neste contexto, por sua visão empreendedora, bem além de seu tempo, há de se lembrar e se reverenciar o grande presidente Fulvio Guidi, a quem cabe um capítulo especial na história da “Mais Querida”, notadamente nos anos 50 e início da década de 60.

E também a Waldemar Lanzoni, o grande goleiro que depois, com muito zelo, manteve equipes amadoras de alto nível, por muitos anos.

Um dos seus jogadores mais famosos foi Lenílson, com passagens pelo América Mineiro, Atlético Mineiro, São Paulo e Jaguares, do México. Além dele, outros jogadores caíram nas graças dos torcedores da “Verdona”, como o goleiro Waldemar Lanzoni, o folclórico atacante “Cambola”, o zagueiro “Tonho”, Dênio, “Fusquilo”, “Biro Gomes” e “Tianinho”, entre outros.

Outro jogador que também se destacou na história do único título da “Verdona”, foi o goleiro Elton, que se consagrou na finalíssima contra o time da Ituiutabana, ao defender duas cobranças na disputa de pênaltis.

Sem futebol profissional, vivendo apenas da saudade, a equipe da Associação Atlética Paraisense sagrou-se campeã do “Campeonato Regional Quarentão”, organizado pela Liga Passense de Desportos (LPD).

A "Verdona" obteve o título após empatar em 4 X 4 no tempo normal e derrotar o Oriente E.C., de Passos, nos pênaltis por 5 X 4. O jogador “Cambola”, meio campista, camisa 10 da Paraisense foi o artilheiro da tarde ao marcar os quatro gols da equipe local.

A decisão do “Campeonato Quarentão” ocorreu no “Estádio Comendador João Alves”. A competição tinha em disputa o “Troféu Reinaldo Correia da Silva”, o “Birigó”.

A Paraisense já havia conquistado em maio de 2018, outro "Campeonato Quarentão"O adversário da final foi o arquirrival Operário E.C. e o jogo foi realizado no "Estádio Dr. Joaquim Ferreira Gonçalves. Naquela ocasião o placar final foi 4 X 3 a favor da Paraisense. (Pesquisa: Nilo Dias)



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A morte do capitão colorado

Morreu na noite de ontem (26), aos 76 anos de idade, o ex-lateral do Internacional, de Porto Alegre, Sadi Schwerdt. Segundo a família, ele sofreu um infarto há duas semanas e, desde então, estava internado na CTI do “Hospital Mãe de Deus”, na capital gaúcha. O velório ocorre até às 18h30min desta quarta-feira, na capela 5 do Cemitério João XXIII.

Nascido em 1942, em Arroio dos Ratos, Sadi também foi vereador de Porto Alegre, de 1973 a 1982, pelo MDB. Jogou no Inter no final da década de 1960, sendo titular e capitão da equipe na inauguração do Estádio Beira-Rio, em 1969.

Além do colorado gaúcho, também defendeu o Atlético Paranaense, em 1962 e Corinthians paulista, em 1971 e 1972, onde encerrou a carreira. Eleito o melhor de sua posição em 1967 e 1968, chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira.

Mas, aos 29 anos, porém, não pôde mais jogar, devido às sequelas de uma fratura de fêmur ocorrida em um grave acidente de automóvel.

Após encerrar a carreira no futebol, também foi radialista e vereador de Porto Alegre pelo MDB, de 1973 a 1982, tendo rejeitado convites da então Arena. Na primeira eleição, recebeu 12.486 votos, sendo o segundo mais votado, atrás somente de Glênio Peres, do mesmo partido.

Entre outras bandeiras, esforçou-se para buscar soluções para o transporte coletivo, tendo como prioridade o bem-estar da população e ainda a economia de combustível, já que, no início dos anos 70, a cidade sofria os efeitos da crise internacional do petróleo.

Foi então que Sadi teve a ideia de propor um projeto de lei criando os táxis-lotação, para oferecer uma opção mais qualificada de transporte e contribuir para a economia de combustível. E ainda o aumento do número mínimo de passagens escolares nos ônibus da Capital.

Os estudantes tinham direito a pagar metade do valor da passagem somente em 50 tíquetes por mês. Para favorecer os alunos, especialmente os mais carentes, Sadi apresentou um projeto para ampliar esse número para 100, sempre que o usuário comprovasse a necessidade de utilizar duas conduções diárias para chegar à escola.

No caso dos que usavam apenas uma condução, a quantidade mínima de passagens escolares foi elevada de 50 para 75, conforme a Lei Municipal 4.683, de 20 de dezembro de 1979, também de sua autoria.

Em 1982, Sadi concorreu a deputado estadual, mas não se elegeu. Então, foi convidado pelo líder da época do PMDB na Câmara, André Forster, a continuar trabalhando no Legislativo de Porto Alegre.

Entre 1983 e 1996, ocupou diversas vezes os cargos de diretor de Patrimônio e Finanças e de diretor geral. O ex-vereador e ex-jogador ainda trabalhou no governo estadual, na gestão de Pedro Simon, como diretor-administrativo da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT).

Em 2017 Sadi chegou a escrever um livro, uma autobiografia com o título de “Nosso Capitão”. Trata-se de uma obra franca e belamente escrita em suas 222 páginas de texto simples e direto.  A preparação de textos e edição foram do jornalista Paulo César Teixeira.

Conta que os anos 60 foram terríveis para os colorados. O Campeonato Gaúcho era o máximo que Grêmio e Inter podiam aspirar e, entre 1956 e 1968, o Grêmio ganhou todos, à exceção de 1961.

A derrota de 1962 foi especialmente ridícula. Sadi chegou depois disso à titularidade, para ser a estrela de um time que destinava recursos para a construção do Beira-Rio e deixava os investimentos em futebol para um plano secundário.

Lembra que o time nem era tão ruim, mas os dirigentes do futebol faziam coisas espantosas, como deixar Alcindo escapar para o Grêmio?

“Como é que Sérgio Lopes também foi parar no tricolor”, perguntou. E por que contrataram Foguinho para técnico em 68? (É o mesmo que o Grêmio contratar Falcão hoje para dirigir a equipe ou o Inter contratar Renato).

José Alexandre Záchia era tão perdido quanto seus filhos Pedro Paulo e Luiz Fernando, que afundaram novamente o Inter nos anos 90. Ou seja, os dirigentes da época deram enorme contribuição para o adversário.

Tais confusões ficam claras no livro de Sadi, mas jamais pensem que ele grita cada um dos fatos. Não, eles são citados elegante e calmamente pelo Capitão do time. É como se perdoasse.

Menos tranquilas são as referências feitas ao ambiente de sacanagem e politicagem barata da Seleção Brasileira, onde ele se destacou sem ser capitão.

Analisando suas atuações por lá — que foram sempre muito boas –, Sadi é mais explícito e explica o funcionamento dos grupos de cariocas e paulistas e as pressões.

Quando chegou ao futebol mesmo, em 1969, já entendendo de escalações, um pouco de tática e a importância de cada um, Sadi já tinha iniciado a série de lesões que o impediram de ir à Copa de 70.

Já se tornara um lateral mais comedido no ataque, mas mantinha a segurança defensiva. Lembra do seu desespero cada vez que Jorge Andrade era escalado em seu lugar. Lembra também dos gritos da torcida do Grêmio com a finalidade de perturbá-lo.

Gritavam até o nome de sua esposa. E sabia que só os grandes jogadores recebem tal tratamento. Lembra também de vaiar Ronaldinho e outros grandes jogadores do Grêmio. Puro medo, né? Ninguém perde tempo e voz com as ruindades.

Como disse João Saldanha, nos anos 60, o Inter era um time modesto com um grande jogador. Ficou assim até 1968, quando começaram a aparecer Claudiomiro, Bráulio, Sérgio, Valdomiro, etc, e um novo período de glórias chegou.

“Nosso Capitão” dá um belo painel do clube e do Rio Grande daquela época sob a ditadura militar. Também traz fotos e a recordações especialíssimas.

Em 8 de dezembro de 2017, a Câmara Municipal de Porto Alegre organizou uma sessão de autógrafos e exposição de documentos do ex-jogador de futebol e ex-vereador Sadi Schwerdt, no saguão do Plenário Otávio Rocha.

Estiveram presentes familiares do homenageado e vereadores. Foram expostos objetos - como uma chuteira eternizada em bronze -, flâmulas, faixas de campeão de 1969/1970, medalhas, recortes de jornais, documentos, fotos e originais de importantes leis de sua autoria. (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

A morte de Roberto Avallone

Morreu na manhã de hoje em decorrência de um infarto agudo do miocárdio, em São Paulo, onde residia, o conhecido jornalista esportivo, Roberto Francisco Avallone, aos 72 anos de idade, completados na última sexta-feira (22).  

Após uma carreira de mais de 50 anos na imprensa esportiva, Avallone morreu por volta das 9 horas, passou mal em casa e chegou a ser atendido por bombeiros e levado ao Hospital Santa Catarina, mas não resistiu. Era paulista da capital, onde nasceu em 22 de fevereiro de 1947.

Formado em Ciências Sociais pela PUC São Paulo, Roberto Avallone começou sua carreira no jornalismo em 1966, quando foi contratado pela versão paulista do jornal “Última Hora”, dirigido por Samuel Wainer.

Em 1967, foi para o “Jornal da Tarde”, onde ficou por 23 anos, 12 deles como chefe de reportagem esportiva. Foi ainda no JT que obteve dois "Prêmios Esso" como chefe da equipe que fez a cobertura das "Copas do Mundo" de 1978, na Argentina, e de 1986, no México.

Em 1984, tornou-se o diretor de esportes da “TV Gazeta”, de São Paulo e, a partir do ano seguinte, passou a apresentar o programa “Mesa Redonda”, sempre com muita irreverência. 

Com matérias investigativas, reportagens, entrevistas e polêmicas, muitas vezes o programa foi líder de audiência, o que começou a chamar a atenção de outras emissoras para esse tipo de atração em suas grades. Cobriu mais outras quatro Copas do Mundo.

Desligou-se da emissora em 2003, quando se mudou para a “RedeTV!”, onde fez o “RedeTV! Esporte” e o “Bola na Rede”, até sair, em 2005. Nesse mesmo ano, foi contratado pela “Rede Bandeirantes de Televisão”. Entre 2005 e meados de 2007, esteve apresentando os programas “Esporte Total” e “Esporte Interativo”, além de participar do “Jornal da Band”.

Também trabalhou nas rádios “Eldorado”, “Jovem Pan”, “Globo”, “Bandeirantes”, “Capital”, “Record” e “BandNews FM”. Apresentou o programa “No Pique”, na “CNT”, de 2009 até 2012. Mantinha um blog em parceria com o “Universo Online”. Em 2015, foi contratado pelo “SporTV”, para debater semanalmente no “Redação SporTV”.

Seu estilo inconfundível criou seguidores, imitadores e fez a festa de programas humorísticos que satirizavam o estilo de programa de debates de futebol do qual Avallone era o maior expoente. Ele não se irritava com isso. Considerava uma homenagem.

Há telespectadores que ainda lembram até de anunciantes do programa por causa da entonação de Avallone. Como uma marca de sapatos em que ele girava o dedo ao falar o texto, como uma aspas, para dizer que os modelos eram "mezzo punto" (meio ponto).

Era anunciante usado pelo próprio Avallone que tinha dedos maiores em um pé do que no outro. Isso fez com que já no período em que trabalhou no “Jornal da Tarde”, na década de 60, fosse chamado de "Dedão". Ele ficava furioso com o apelido.

Tão bravo quanto ficou na briga que teve com o também apresentador Milton Neves, ao vivo, em uma das edições do "Mesa Redonda". Discussão que teve jeito de debate eleitoral, com mediador, réplicas e tréplicas.

O momento entrou para o folclore da TV brasileira porque como aconteceu em 1997, quando a Internet não estava popularizada, a história correu no boca-a-boca. Não foram muitos os que viram as cenas ao vivo. Até que apareceu uma gravação do programa no YouTube. O clipe dura 40 minutos. Avallone e Neves anos depois fizeram as pazes.

Diversos clubes e jornalistas usaram as redes sociais para se despedir de Roberto Avallone, que morreu nesta segunda-feira, 25, vítima de ataque cardíaco, aos 72 anos, em São Paulo. 

Vários deles repetiram seus bordões, como “no pique”, “pitadinha histórica”, o uso do termo “exclamação” e “interrogação” ao final das frases e contaram histórias sobre o ex-apresentador do “Mesa Redonda”, da “TV Gazeta”.

O jornalista Milton Neves foi o primeiro a dar a notícia da morte e postou uma foto com o colega. “Mais um dia triste para o jornalismo brasileiro”, escreveu Milton, que recentemente perdeu outro amigo, Ricardo Boechat. O Palmeiras, clube de coração de Avallone, e os rivais Corinthians, São Paulo e Santos também enviaram notas de pesar.

O Palmeiras publicou uma nota em seu Twitter hoje lamentando a morte do jornalista Roberto Avallone, que era torcedor do clube. Na mensagem, o time alviverde "deseja força aos amigos e familiares do jornalista palmeirense", que tinha 72 anos e sofreu um infarto.

"A Sociedade Esportiva Palmeiras lamenta o falecimento de Roberto Avallone e deseja toda força aos amigos e familiares do jornalista palmeirense", diz a mensagem.

O programa "Redação SporTV", onde recentemente Avallone teve participações, também homenageou o jornalista, levando ao ar um comentário sobre a “Copa Rio” de 1951 na qual o Palmeiras se sagrou campeão.  (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Um goleador insaciável

Gabriel Omar Batistuta, chamado de “Batigol”, se consagrou como um dos melhores e mais letais atacantes que o mundo do futebol já conheceu.

O craque argentino nasceu em Avellaneda, uma pequena cidade na Província de Santa Fé, no dia 1 de fevereiro de 1969. Quando tinha seis anos, sua família, composta de gente simples e ligada ao campo, mudou-se para à vizinha cidade de Reconquista. Seu pai era operário, trabalhava em um frigorífico, enquanto a mãe era secretária de uma escola.

Quando garoto Batistuta até batia uma bola com amigos, mas o futebol não era exatamente o seu esporte predileto. Nunca havia pensado em ser jogador de futebol profissional e dava mais valor aos estudos.

Tinha pretensões de um dia se tornar mecânico de automóveis e ter sua própria oficina. Chegou até mesmo a ingressar em uma escola técnica, mas não concluiu a formação.

A bola logo entrou em sua vida. Mas não foi no futebol. Os primeiros esportes que Batistuta levou a sério foram, curiosamente, o vôlei e principalmente o basquete, por causa da sua elevada altura.

O interesse pelo futebol veio às vésperas da Copa do Mundo de 1986. Um amigo lhe presenteou com um poster de Diego Maradona publicado pela revista “El Gráfico”. Foi o suficiente para atiçar a ambição do adolescente, que já se encantara com Mario Kempes em 1978.

A partir de então, nasceria um goleador insaciável. Em 1988, com 17 anos de idade, ele se tornou jogador de futebol. Mas não pensem que foi fácil. O tipo físico parecia não ajudar. Embora fosse alto, era um tanto quanto rechonchudo.

Por isso ganhou dos companheiros o apelido de “Gordo”. Por sorte, isso não foi problema.  Começou a despontar em competições estudantis, até se juntar ao amador “Grupo Alegria”, um clube de bairro.

Defendeu ainda o Platense, onde jogou por dois anos, até chamar atenção do Newell’s Old Boys. Mas estourou mesmo, quando passou a ser convocado para uma seleção local de Reconquista.

O time surpreendeu no campeonato regional. As atuações de Batistuta agradaram a Jorge Griffa, antigo ídolo do Newell’s Ols Boys, que lhe fez uma oferta para jogar no clube, embora não parecesse um jogador, por ser grandalhão, não saber cabecear e não ter físico de atleta. Mas quando chutava a bola, ela podia ir a qualquer lugar.

O aspirante a mecânico aceitou a proposta do Newell’s. Mas sofreu em seus primeiros meses em Rosário, morando no alojamento sob as arquibancadas do “Coloso del Parque” e com a dureza dos treinamentos.

Sentiu saudades da família e da cidade onde morava. Pensou até em voltar para casa, mas acabou impedido por seu pai, Osmar Batistuta que nunca gostou de futebol e desejava que o filho continuasse os estudos.

Mas tinha dado sua palavra a Griffa de que o garoto experimentaria o futebol por um ano. Compromisso mantido. E o menino começou a deslanchar, ganhando um importante aliado: Marcelo Bielsa, seu treinador nos juvenis.

“El Loco” foi fundamental também por ajudar Batistuta a emagrecer. Intensificou os treinos físicos, apertou a dieta. A comida era regulada. O excesso de peso logo se foi e o camisa 9 voou baixo. Retribuía Bielsa com gols, enquanto o treinador o premiava com alfajores.

Após passar pelo time reserva do Newell’s, Batistuta estreou pela equipe principal em 1988, aos 19 anos. Era uma indicação de Bielsa ao técnico José Yudica.

E, de algumas aparições no Campeonato Argentino, o prodígio não demorou a ser chamado para disputar a Libertadores. O Newell’s era o campeão argentino e havia alcançado as semifinais, na qual enfrentaria o San Lorenzo.

Pois foi justamente nesse jogo, com vitória do Newell’s por 2 X 1, que Bati fez o seu primeiro gol como profissional. Batistuta atraiu a atenção de outros clubes. No início de 1989, ele jogou o “Torneio de Viareggio”, tradicional competição de base, emprestado ao Deportivo Italiano.

Mas quem o contratou foi o River Plate. Estreou pelo clube na “Liguilla”, um mini-torneio que valia vaga na Libertadores. Logo de cara, anotou um lindo gol na decisão contra o San Lorenzo.

Pena que a primeira impressão não se confirmou. A sequência não se manteve e o jovem centroavante acabou dispensado quando Daniel Passarella chegou ao comando do time.

Do River para o Boca Juniors. O chute potente seguia como a sua grande arma, mas ele passou a aliar explosão e muita inteligência na movimentação. E acabou virando “Batigol” ma Bombonera. Formou uma dupla infernal com Diego Latorre, seu amigo também fora da cancha.

O primeiro grande ano da carreira de Batistuta aconteceu em 1991. O centroavante gastou a bola na Libertadores. Sua grande exibição na fase de grupos aconteceu em pleno Monumental. Anotou dois gols contra o River Plate e contribuiu para à eliminação precoce dos rivais.

Depois, se tornou o pesadelo dos brasileiros nos mata-matas. Foram dois gols na vitória sobre o Corinthians na “Bombonera”, pelas oitavas de final; e um em cada jogo diante do Flamengo, pelas quartas.

Nas semifinais, porém, sucumbiriam ao Colo-Colo, em duelos tumultuados.

A estreia de Batistuta pela seleção argentina aconteceu em junho de 1991. Foi titular durante o amistoso contra o Brasil, no “Pinheirão”,  empate por 1 X 1. Na “Copa América” “Batigol” fez dois nos 3 X 0 sobre a Venezuela.

Em batalha tensa contra o Chile na etapa seguinte, ajudou a calar o “Estádio Nacional de Santiago”, ao garantir o triunfo por 1 X 0. E encerrou a fase de grupos marcando mais um na goleada sobre o Paraguai.

Os seis gols o botaram na artilharia. Pela primeira vez desde a década de 1950, a Argentina conquistava a Copa América.

Se transferiu para à Fiorentina. Batistuta demorou a engrenar no clube, não tendo um começo de temporada fácil. Sebastião Lazaroni era o técnico e foi demitido logo na quinta rodada, diante dos maus resultados.

No segundo ano na Fiorentina, anotou 16 gols em 32 partidas, com atuações decisivas. O problema é que a Fiorentina, após almejar as copas europeias no primeiro turno, despencou a partir de janeiro e terminou rebaixada na equilibrada Serie A 1992/93.

Bati teve propostas polpudas para a sequência de sua carreira, inclusive do Real Madrid. Recusou e se comprometeu a colocar o time de volta na elite do Calcio. Na temporada 1993/94, ajudou a reerguer os “violetas”, que voltaram a Série A.

Já pela Seleção Argentina, em 1992, faturou a “Copa Rei Fahd”, protótipo da “Copa das Confederações”. Também ganhou a “Copa Artemio Franchi”, torneio intercontinental contra o vencedor da Eurocopa, a Dinamarca. E o bi da “Copa América” se consumou em 1993.

Ao longo de 1993, Batistuta não escapou do fiasco protagonizado pela Argentina nas Eliminatórias da Copa. Anotou dois gols, em duas vitórias sobre o Peru, mas também estava em campo nos históricos 5 X 0 da Colômbia em Núñez.

A Albiceleste teve que jogar a repescagem. A vitória de 1 X 0 sobre a Austrália, garantiu os argentinos no Mundial dos Estados Unidos.

Já em sua terceira e última participação na “Copa América”, em 1995, Batistuta fez mais quatro gols em quatro jogos, até a eliminação para o Brasil nas quartas de final.

Chegou mais leve à Copa do Mundo e cotado como um dos nomes a ser observado nos EUA, aos 25 anos. A goleada por 4 X 0 sobre a Grécia, na estreia, teve três gols de Batistuta e um de Maradona.

O centroavante passou em branco contra Nigéria e Bulgária e fez mais um no jogo contra a Romênia, sem evitar a queda nas oitavas de final do Mundial.

Na volta ao Campeonato Italiano Bati anotou 13 gols nas 11 primeiras rodadas e terminou como artilheiro da competição, somando 26 gols. A Fiorentina, contudo, despencou e acabou em 10°.

Batistuta terminou a Serie A 1995/96 com 19 gols e a Fiorentina, que ocupou a vice-liderança em parte do segundo turno, encerrou a campanha no honroso quinto lugar.

Depois o time conquistou a Copa da Itália, após um jejum de 21 anos. Batigol, obviamente, foi vital à façanha.

Raras foram as aparições de Batistuta nas competições europeias com a camisa da Fiorentina. Disputou uma edição da Champions, uma da Recopa e uma da Copa da Uefa.

Em Florença, diziam que Batistuta ganharia as eleições para prefeito se quisesse concorrer. Após completar 100 jogos com a camisa da Viola na Serie A, virou estátua de bronze diante das arquibancadas do Artemio Franchi.

O Manchester United quis contratá-lo na intertemporada de 1998. O clube inglês fez uma proposta de US$ 44 milhões pelo matador, um recorde para a época. Mas Batistuta não aceitou.

Apesar do sucesso na Fiorentina, Batistuta não sustentou a mesma importância na seleção argentina às vésperas da Copa de 1998. Até marcou três gols nas Eliminatórias, mas terminou a caminhada preterido por Hernán Crespo.

Daniel Passarella, outra vez, surgiu no caminho do artilheiro. Ainda assim, ele fez uma ótima sequência de amistosos às vésperas do Mundial e assumiu a titularidade na França. Anotou o gol da vitória sobre o Japão na estreia e, contra a Jamaica, balançou as redes três vezes.

Às vésperas de completar 32 anos, o craque deixou  a cidade e a torcida que amava. Pedido direto do técnico Fabio Capello, a Roma pagou uma fortuna pelo artilheiro. Virou a terceira maior contratação da história naquele momento.

Cumpriu o seu trabalho, anotando os tentos necessários para a conquista do almejado Scudetto. Foram 20 gols em 28 partidas, artilheiro do time e quarto na lista geral do campeonato.

Batistuta esteve distante de causar o mesmo impacto nas temporadas seguintes pela Roma. Anotou apenas seis gols na Serie A 2001/02. Se não podia sair às ruas antes, pelo fanatismo dos romanistas pedindo autógrafos, agora evitava o público pelas cobranças pesadas.

E, pior, os seus tornozelos o martirizavam pelas dores constantes. Ficou apenas mais meio ano na capital. Às vésperas de completar 34 anos, chegou à Internazionale como uma aposta para preencher a lacuna deixada por Ronaldo, vendido ao Real Madrid meses antes.

Ao longo do empréstimo, anotou apenas dois gols pelo Campeonato Italiano e mal deixou lembranças.

Na campanha das Eliminatórias ao Mundial de 2002, o centroavante esteve em campo cinco vezes e fez cinco gols. Já no Japão, o velho artilheiro tomou a posição e garantiu a única vitória, com o gol de cabeça que consumou o triunfo por 1 X 0 sobre a Nigéria.

As limitações físicas levaram Batistuta a deixar o futebol italiano em 2003. Assumiu que suas condições não permitiam atuar em alto nível e, aos 34 anos, aceitou a proposta do Al-Arabi, interessado em absorver uma nova cultura.

Disputou apenas uma temporada completa no Campeonato Catariano. Faturou a artilharia da competição com 25 gols, sete a mais que o segundo maior goleador, e anotados em apenas 18 jogos. Praticamente um ponto final, considerando que somou apenas mais três jogos na temporada seguinte, antes de pendurar as chuteiras, vencido pelas lesões.

Ao longo de sua carreira, Batistuta se mostrou um artilheiro explosivo. Contudo, a personalidade séria se refletiu em sua trajetória longe do futebol.

Chegou a morar por dois anos na Austrália, antes de se refugiar novamente no interior da Argentina, perto dos campos onde cresceu, levando uma vida simples.

Trabalhou brevemente como dirigente no Colón e fez a formação para ser técnico, mas suas aparições ligadas ao futebol foram esporádicas.

A eliminação contra a Suécia em 2002 foi o último jogo de Batistuta pela seleção argentina. Anotou 54 gols em 77 partidas. Ainda em 1998, ultrapassou Maradona como maior artilheiro da seleção. Além disso, permanece como maior goleador do país em Copas do Mundo, com 10 tentos no total.

Perdeu seu trono apenas no número absoluto, com Lionel Messi demorando 111 partidas para igualar as suas 54 bolas nas redes em 2016. Diante do novo rei, “Batigol” afirmou: “Honestamente, não fiquei muito bravo. Mas o que ainda posso dizer é que estou em segundo lugar, atrás de um extraterrestre”.

Ao longo dos últimos anos, Batistuta retornou a Florença para receber diferentes homenagens. Em 2006, ele pegou as chaves da cidade. Já o maior tributo aconteceu dez anos depois, em 2016, quando foi condecorado como cidadão honorário. (Pesquisa: Nilo Dias)