Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Os 100 anos do Nacional, de São Paulo

O Nacional Atlético Clube, tradicional agremiação esportiva de São Paulo comemorou ontem (14), 100 anos de existência. O clube foi fundado de fato em 14 de abril de 1895, mas juridicamente consta como 16 de fevereiro de 1919.

Suas cores são o azul e branco, e ao seu escudo acrescenta o vermelho. O clube foi fundado com o nome de São Paulo Railway Athletic Club, por iniciativa da companhia ferroviária do mesmo nome, a São Paulo Railway Co., em fevereiro de 1919.

A São Paulo Railway Limited era uma companhia inglesa que tinha a concessão para o uso e domínios do sistema ferroviário do Estado de São Paulo.

Seus empregados aprenderam a praticar o futebol com os ingleses que gerenciavam a companhia, mas nunca foram admitidos nos clubes que estes criavam, porque no começo o futebol só era permitido para uma elite restrita.

No entanto os anos foram passando e o esporte foi ganhando espaço na classe operária. Em 1914, em Santos, a empresa criou seu grêmio futebolístico.

A ferrovia ia de Santos a Jundiaí passando por São Paulo, o que permitia que seus funcionários disputassem jogos em ambas as cidade.

Assim em 1915, apesar da maioria dos funcionários residir em São Paulo, disputaram o 2º campeonato oficial da cidade de Santos e passaram a partir de então, jogar os campeonatos santistas.

Em 1919 o então superintendente da antiga São Paulo Railway, senhor Arthur J. Owen cedeu uma vasta área de terreno próximo a estação Água Branca para ali se instalar o campo de esportes, local de lazer para os funcionários e atletas da recém fundada São Paulo Railway Athletic Club.

Após 18 anos da doação, o Nicolau Alayon uruguaio presidente da SPRAC decidiu pela construção do estádio, iniciando em 1937 e terminando no ano seguinte.

O Estádio Nicolau Alayon, tem capacidade para cerca de 11.500 pessoas. De propriedade do clube, é um dos únicos no Brasil a homenagear um estrangeiro.

Nicolau Alayon, uruguaio de Montevidéu, foi um dos mais entusiastas dirigentes do time da Água Branca. Inaugurado no dia 14 de maio de 1938, no primeiro jogo, o Nacional foi derrotado por 2 X 1 pelo Corinthians.

Na década de 20, com a criação da 2ª e da 3ª Divisão do Campeonato paulista, inscreveram-se na competição e mudaram a sede para São Paulo, onde fundaram novamente a equipe em 16 de fevereiro de 1919, mantendo o mesmo nome de São Paulo Railway A.C.

O clube já neste tempo começou a mudar suas feições, já que o esporte era praticado pelos funcionários mais simples, junto com alguns diretores com cargos de destaque.

O time assumiu com o tempo o caráter de clube operário, do mesmo jeito que outros times paulistanos, como o Palestra Itália, fundado em 1914, o Corinthians, 1910 e o Juventus, fundado em 1924.

A estreia em campeonatos paulista oficiais do São Paulo Railway A.C. foi em 1924, na Divisão Principal (APEA), uma espécie de terceira divisão (Atual A3) na época.

Ao lado de equipes como São Caetano Esporte Clube e Voluntários da Pátria Football Club, o São Paulo Railway A.C. não foi longe.

Em Santos a equipe faturou o Torneio Início da cidade no dia 31 de agosto. No ano seguinte, 1925, disputou o Campeonato Municipal da APEA, Atual A3, no grupo Série A, com times apenas da cidade de São Paulo, assim conquistando seu primeiro acesso para a Segunda Divisão, Atual A2.

Em 1926 já no campeonato da Segunda Divisão, enfrentou equipes como C.A. Albion, 1 de Maio Futebol Clube e o Flor do Belém F.C.. Fez uma péssima campanha. Em 18 jogos só venceu três e perdeu 14, ficando na nona colocação.

Em 1927 ficou fora das competições oficiais, só retornando em 1928 para disputar a Primeira Divisão-Série Intermediária da LAF. Atual A2.

O time principal não fez uma boa campanha, sendo eliminado no primeiro turno. Já, a equipe secundária conquistou o título.

Neste mesmo ano o São Paulo Railway disputou o Festival Esportivo, no campo do Antártica Futebol Clube, e também participou do Torneio Eliminatório Paulista de 1928.

No dia 6 de janeiro de 1929 o São Paulo Railway disputou o Torneio Eliminatório e acabou perdendo a final para o União Vasco da Gama Futebol Clube, e assim continuou se preparando para jogar o Campeonato da Primeira Divisão - Série Intermediária (LAF), onde também não fez uma boa campanha.

Depois disso o São Paulo Railway ficou ausente dos campeonatos oficiais até 1933.

Em 1933 o São Paulo Railway disputou seu primeiro Campeonato Paulista de Futebol de Primeira Divisão, pela Federação Paulista de Football, parceira da Confederação Brasileira de Desportos, que na época não tinha aceitado o Campeonato Paulista de Futebol Profissional criado pela APEA (Associação Paulista de Esportes Athleticos).

Em 1935 o São Paulo Railway A.C. disputou a Primeira Divisão da APEA, Atual A2 e conseguiu o acesso para a Divisão Principal. No Campeonato Paulista de 1936 acabou ficando em nono lugar com 15 pontos, e em 1937 após repetir o nono lugar o São Paulo Railway faturou o Campeonato Paulista de Segundos Quadros, uma conquista importante para a época.

Em 1939 o São Paulo Railway obteve sua melhor colocação em Campeonatos Paulistas: um honroso quarto lugar, atrás apenas de Corinthians, Palestra Itália, hoje Palmeiras e Portuguesa, além de ter o terceiro melhor ataque.

Neste mesmo ano fez uma excursão para o Estado do Paraná e realizou três jogos, voltando invicto para a capital paulista.

Em 1945, Passarinho se tornou o único jogador do time a conquistar a artilharia de um “Paulistão”, marcando 17 gols, a mesma marca de Servílio de Jesus, jogador do Corinthians.

No ano seguinte, a concessão da ferrovia dada a “São Paulo Railway” terminou e a estrada foi nacionalizada, tendo o clube de ser rebatizado, como Nacional Atlético Clube.

No seu primeiro jogo com nome e uniforme novos, um amistoso contra o Flamengo, do Rio de Janeiro, o time jogou o primeiro tempo ainda como “São Paulo Railway” e o segundo como Nacional Atlético Clube. Com o Pacaembu lotado, o time acabou perdendo por 5 X 3.

Em 1 de janeiro de 1949, São Paulo e Nacional se enfrentaram no Pacaembu, em jogo válido pelo “Campeonato Paulista”. O jogo foi dirigido pelo árbitro inglês, Mister Snape, que acabou se tornando o primeiro “árbitro artilheiro” do futebol brasileiro, marcando dois gols para a equipe do São Paulo, algo que acabou sendo descrito até na súmula.

O Nacional manteve-se na elite por quase duas décadas, até 1953, quando, por dois anos consecutivos, ficou fora das competições profissionais.

O clube retornou às atividades em 1955, novamente na “Primeira Divisão”, onde permaneceu até 1959, data em que foi rebaixado à “Segunda Divisão”.

Em 1968, o Nacional foi até Jundiaí enfrentar o time local pela “Série A 2”, quando aconteceu um fato no mínimo curioso. Ao entrar no gramado o time da capital foi recepcionado com uma bomba jogada das arquibancadas por torcedores adversários.

O artefato explodiu próximo aos atletas do Nacional que tiveram de voltar aos vestiários e solicitar garantias para disputar a partida. Isso, depois de ficar 30 minutos no vestiário e não querer retornar ao gramado.

O Nacional acabou voltando ao gramado e disputando a partida, que acabou empatada em 1 X 1.

Em 1971 e 1972, o time esteve novamente longe das competições profissionais, retornando em 1974. Nesse período, sagrou-se, em 1972, campeão da “Copa São Paulo de Futebol Júnior”, em cima do Internacional, de Porto Alegre, com vitória de 2 X 1, depois de desbancar Palmeiras, Bahia, Corinthians e São Paulo.

Em 1975, ficou ausente mais uma vez dos gramados, retornando em 1976.

Além da “Copa São Paulo”, o campeonato “Paulista” de Juniores, ou “Sub 20”, tem importância no Estado de São Paulo. O Nacional foi campeão em 1982, quando bateu o Botafogo, de Ribeirão Preto, no jogo final.

Em 1988 o Nacional ganhou de novo a “Copa São Paulo de Futebol Júnior”, dessa feita derrotando o América, de São José do Rio Preto, por 3 X 0, em jogo disputado no “Estádio da Universidade de São Paulo”.

Em 2000, conquistou novamente o título da “Série A3”, com uma campanha admirável voltando novamente a “Série A2”.

No ano de 2005, quase chegou ao seu terceiro título da “Copa São Paulo de Futebol Júnior”, tendo perdido a final para o Corinthians por 3 X 1.

Em 2007, fez campanha ruim e caiu para a “Série A3” do Estadual. Para piorar a situação, no ano de 2009, a equipe terminou a competição na 19ª colocação, sendo rebaixada à “Segunda Divisão”.

Na disputa desse campeonato o Nacional conheceu a pior fase da sua história centenária. O clube teve de enfrentar muitas dificuldades, dentro e fora de campo.

Em 2010, depois de fazer 32 jogos em uma campanha quase perfeita o Nacional ficou no quase, sendo eliminado na 4ª e última fase.

Em 2011 deixou a desejar fazendo uma péssima campanha, sendo eliminado na 1ª fase, somando apenas 5 pontos. Já no ano seguinte, 2012 teve um começo de campanha impecável, se sagrando líder do grupo 5 e do Grupo 12. Mas acabou eliminado na 3ª fase por apenas 1 ponto de diferença.

E em 2013 não foi diferente, caindo no considerado "grupo da morte", ao lado de equipes como Atibaia, Hortolândia e Primavera, o "Naça" acabou sendo eliminado na primeira fase. Outra vez com diferença de 1 ponto.

O Nacional começou a disputar a Segunda Divisão do Campeonato Paulista no dia 5 de abril contra a modesta, porém perigosa, equipe de Guarulhos e acabou vencendo pelo placar mínimo de 1 X 0, no Estádio Nicolau Alayon.

Não tendo muito trabalho no grupo 6, o Nacional acabou ficando em primeiro lugar e invicto com uma diferença de 10 pontos para o segundo colocado o Taboão da Serra.

Na Segunda Fase o Nacional caiu em um dos piores grupos do campeonato, junto de Atibaia, União São João e Assisense, mas assim mesmo classificou em terceiro lugar com 10 pontos somados.

Na Terceira Fase, mesmo com dificuldades financeiras o Nacional ficou em segundo lugar, o bastante para chegar na última fase, que também com muito esforço ficou na primeira colocação, almejando o acesso à “Série A3” e o direito de jogar a final do campeonato.

A final foi realizada contra a preparada equipe de Atibaia, mas que em duas partidas muito equilibradas o Nacional saiu campeão do torneio e ainda com o talentoso atacante Sócrates se tornando o artilheiro da temporada com 16 gols, sendo este o terceiro título estadual de sua história.

Depois de muitas tentativas frustradas na Série A3 Paulista, o time finalmente ascendeu à Série A2 de 2018.em uma vitoriosa jornada comandada pelo treinador Tuca Guimarães.

A final do campeonato foi disputada contra o time da Internacional, de Limeira em dois jogos, após um revés como mandante, o Nacional acabou se consagrando o campeão na casa do adversário pelo placar de 2 X 0.

Entre os jogadores revelados pelo Ferrinho encontram-se Deco, Dodô, Kahê, Paulo César, Magrão, Cacau, Rubens Minelli e o penta-campeão Cafu.

Atualmente, além de seu time de futebol profissional, juniores e categorias infanto-juvenis, mantém um respeitado e conceituado centro de formação no futebol, sendo conhecido como "celeiro de craques", tal a qualidade de seu trabalho na formação de atletas sua escola de futebol.

Diferentemente da maioria dos clubes brasileiros, a mascote do "Naça" não é um bicho: o "Ferroviário", nada mais é do que uma homenagem dos fundadores do clube aos trabalhadores da São Paulo Railway Company, empresa inglesa do ramo ferroviário que se instalou no Brasil no ainda no século XIX.

As cores do time (vermelha, branca e azul) continuaram as mesmas, em alusão a bandeira do Reino Unido. Desde que adotou o nome Nacional A.C., as mudanças no escudos foram apenas na tonalidade das cores e na letra N. (Pesquisa: Nilo Dias)

Atletas do São Paulo Railway, em 1936. (Foto: Jornal "Correio de São Paulo)

domingo, 14 de abril de 2019

Vai que é tua, "Taffarel"

Cláudio André Mergen Taffarel, ou simplesmente “Taffarel”, veio ao mundo num hospital em Tuparendi, que na época pertencia ao município de Santa Rosa, mas em seu registro de nascimento consta como sendo natural de Crissiumal, coincidentemente a mesma cidade onde nasceu o também goleiro Danrlei, que jogou no Grêmio Portoalegrense.

Pertencente a uma família pobre de descendentes de imigrantes italianos e alemães, nasceu  no dia 8 de maio de 1966 e passou a infância na cidade de Crissiumal.

Começou a jogar profissionalmente no Internacional em 1985 e se tornou ídolo imediato de uma torcida acostumada com goleiros sensacionais como Manga e Benítez. Quando surgiu no futebol ainda não era chamado de “Taffarel”, e sim de Cláudio.

Muito jovem, marcou presença no Brasileiro de 1986, quando foi uma das revelações da competição. E rapidamente se tornou uma presença nacional de destaque, com sua convocação para a seleção sendo praticamente exigida por toda a torcida brasileira, devido a suas grandes atuações no Internacional.

Foi um dos destaques da final da “Copa União” de 1987, equivalente ao Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, levou o Internacional a mais uma final de Campeonato Brasileiro, ficando com o vice-campeonato pela segunda vez consecutiva.

Grande defensor de pênaltis,  começou a ser destaque nesse quesito no Campeonato Mundial Sub-20, na conquista do título em 1985. Ele defendeu um pênalti no tempo normal na semifinal contra a Nigéria, garantindo a vitória por 2 X 0 ao Brasil.

O goleiro sofreu apenas um gol durante todo o torneio. Nas Olimpíadas de Seul, em 1988, foi novamente a grande estrela do Brasil, quando espantou o mundo, fechando o gol na semifinal contra a Alemanha. Naquela partida, “Taffarel” defendeu três pênaltis, um na prorrogação e, mais dois na decisão das penalidades.

Com o feito, levou o Brasil a grande final contra a antiga União Soviética, porém deixou escapar o ouro, perdendo o jogo por 2 X 1 de virada, se tornado vice-campeão olímpico, com a medalha de prata.

A partir dali, “Taffarel” começou a aparecer no cenário do futebol mundial, com grandes atuações no Internacional e na seleção, fazendo com que os italianos o levassem ao Parma, para ser o primeiro goleiro brasileiro a jogar no futebol italiano. Deixou o Internacional em 1990, tendo disputado 24 "Grenais" e sem ter conquistado nenhum título.

Ao deixar o “Colorado”, “Taffarel” foi para o Parma, da Itália, onde jogou por cinco temporadas. Sua primeira passagem foi de 1990 a 1993, período em que conquistou dois títulos importantes: a “Copa da Itália”, em 1992, e a “Recopa Europeia”, em 1993.

Estreou com a camisa número 1 do clube italiano na temporada 1990-1991, jogando todas as 34 partidas do Campeonato Italiano, e repetiu o feito na temporada 1991-1992. Na temporada 1993-94, Taffarel foi emprestado pelo Parma para o Reggiana da Itália.

O reforço do brasileiro fez com que o time permanecesse na Serie A para a próxima temporada. Defendeu um pênalti na última rodada do Campeonato Italiano de 1993-1994 contra o Milan. “Taffarel” foi considerado um dos melhores goleiros do Campeonato Italiano de 1994, o que lhe rendeu a convocação para Copa do Mundo nos EUA naquele mesmo ano.

“Taffarel” chegou ao Atlético Mineiro em 1995, comprado do Parma da Itália por R$ 1,3 milhões de reais, até então a contratação de goleiro mais cara da história do futebol brasileiro. Sua chegada foi celebrada por uma grande festa pelas ruas de Belo Horizonte.

O Atlético Mineiro organizou uma carreata com trio elétrico, que durou por cerca de três horas e levou milhares de pessoas às ruas. “Taffarel” fez sua estreia pelo “Galo” em um amistoso contra o Flamengo, em 10 de fevereiro de 1995, com vitória mineira por 3 X 2.

Atuou pelo Atlético de 1995 até 1998, se despedindo na vitória sobre a Caldense por 2 X 0 em jogo válido pelo Campeonato Estadual. Foi para a Copa de 1998 convocado pelo técnico Zagallo, e de lá partiu para o Galatasaray, da Turquia, numa negociação que custou US$ 600 mil.

Devido ao carinho que criou pela torcida atleticana, escreveu em sua saída uma carta pública explicando os motivos que o fizeram decidir por deixar o clube. Essa carta foi publicada no jornal ”Estado de Minas” em 12 de julho de 1998.

Pelo “Galo”, o goleiro participou de 191 jogos e levou 203 gols no total, conquistando três títulos: o “Campeonato Mineiro de Futebol“ de 1995, a “Copa Centenário de Belo Horizonte” de 1997 e a “Copa Conmebol” de 1997. “Taffarel“ é, também, o quarto goleiro que mais atuou pelo clube em sua história.

O sonho de seus parentes que residiam em Minas Gerais era vê-lo jogando no América Mineiro. E foi até homenageado com uma placa de prata pelo clube alviverde mineiro e tem seu nome escrito no salão de troféus.

Seu retorno ao Parma aconteceu já no final decarreira, na temporada 2001-2002, com tempo de conquistar mais um título no seu currículo: a “Copa da Itália” de 2002, após boas defesas na vitória na final contra a Juventus.

Nessa época, “Taffarel” era sondado por vários clubes do Brasil: Corinthians, Cruzeiro e Fluminense. Entretanto, em 2003, aos 37 anos, o brasileiro preferiu encerrar sua carreira em território italiano.

Muitos experientes cronistas esportivos o consideram como o melhor goleiro que vestiu a camisa número 1 da Seleção Brasileira, até hoje. Atualmente é o treinador de goleiros da Seleção Brasileira e do Galatasaray, da Turquia.

Pela Seleção Brasileira, “Taffarel“ tem o maior número de jogos de um goleiro na história. Foram 123 aparições, com 113 jogos pela seleção principal. E ainda soma quatro jogos oficiais restritivos pela seleção dos Jogos Pan-Americanos de 1987 em Indianápolis e seis jogos nas Olimpíadas de Seul 1988.

Jogou também as Copas do Mundo de 1990 na Itália, 1994 nos Estados Unidos e 1998 na França. “Taffarel” sofreu 15 gols nos 18 jogos em que defendeu o Brasil nas Copas do Mundo. Seu grande ápice na Seleção Brasileira foi a campanha rumo ao título na Copa do Mundo de 1994, defendendo a cobrança de Daniele Massaro na disputa por pênaltis contra a Itália em plena final.

Na semifinal da Copa América de 1995 contra a Argentina, “Taffarel” defendeu duas cobranças. Na Copa do Mundo de 1998, na França, ele mostrou ao mundo que era mesmo o maior pegador de pênaltis de sua época.

Fechou o gol na semifinal contra a Holanda, acertou o canto nas quatro cobranças e defendeu duas, garantindo a vitória ao Brasil por 4 X 2 e levando o país a sua segunda final de Copa do Mundo consecutiva.

A última disputa por pênaltis da sua carreira foi na final da Copa da UEFA, em 17 de maio de 2000, quando defendia as cores do Galatasaray, da Turquia.

O bordão "Vai que é sua, Taffarel!" foi criado pelo narrador Galvão Bueno para as defesas do goleiro na copa do mundo de 1994. Apesar da crença geral que a frase foi criada e repetida pelo locutor devido à colocação perfeita e às defesas difíceis do arqueiro, em entrevista a Pedro Bial o locutor revelou que a expressão fora criada devido ao costume do atleta em não sair de perto da trave do gol, utilizando originalmente a frase para incentivar que “Taffarel” fosse mais proativo nas partidas.

Na Europa, ainda é lembrado por ter parado o grande atacante francês Thierry Henry na final da Copa da UEFA do ano 2000. Era, na época, goleiro do Galatasaray e esse foi o primeiro título continental do clube turco.

Na Final, o Galatasaray e o Arsenal se enfrentaram no “Estádio Parken”, na Dinamarca, num jogo bastante equilibrado, que terminou empatado em 0 X 0 nos 90 minutos e na prorrogação. Na decisão por pênaltis o Galatasaray levou a melhor, vencendo por 4 X 1.

Com esta vitória na Copa da UEFA, o Galatasaray fez história ao conquistar quatro troféus numa só época, juntando esta conquista ao Campeonato Turco, Taça da Turquia e a Supercopa Europeia em 2000. A decisão da Supercopa Europeia, disputada em agosto de 2000 no Estádio Olimpíco de Mônaco, reuniu o Galatasaray, campeão da Copa da UEFA e o Real Madrid, campeão da Champions League.

O Galatasaray venceu por 2 X 1, conquistando assim o quarto título da temporada, um recorde não superado até hoje no futebol turco. A contribuição de “Taffarel “naquela temporada, foi espetacular, levando o Galatasaray a ser o segundo no ranking da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS), ficando atrás apenas do clube madrilenho.

Sua atuação pelo time de Istambul entre 1998 e 2001 foi intensa, e “Taffarel” foi considerado um verdadeiro fenômeno entre a garotada turca. É até hoje idolatrado pela fanática torcida do Galatasaray, um dos grandes clubes da Turquia. Em 2012 foi contratado para ser o treinador de goleiros no clube turco.

A Federação Internacional de História e Estatística do Futebol retratou Taffarel como um dos melhores da história. Entre 1989 e 2013, esteve presente em 13 listas. Quando ainda era jogador, destacou-se por oito vezes entre os 10 melhores do mundo.

Com a carreira finalizada em 2003, aos 37 anos, “Taffarel“ ainda foi considerado o 10º melhor goleiro do mundo na história da IFFHS por cinco anos consecutivos (2009, 2010, 2011, 2012, 2013).

“Taffarel” é o único goleiro campeão mundial da história a defender um pênalti numa final de Copa do Mundo. Tornou-se também o único jogador da Seleção Brasileira a nunca ser substituído em três Copas do Mundo consecutivas: 1990, 1994 e 1998, num total de 18 jogos como titular absoluto.

Taffarel é dono do recorde em jogos de um goleiro brasileiro na história da Copa América, com 25 partidas em cinco edições disputadas: 1989, 1991, 1993, 1995 e 1997. Foi bicampeão, vencendo em 1989 e 1997.

Em 1998 teve seu nome especulado em clubes do interior dos Emirados Árabes Unid. Mesmo sendo um grande goleiro, por muitos era considerado baixo.

Títulos conquistados.  Internacional:  Vice-campeão brasileiro (1987) e 1988); Parma: Copa da Itália (1992 e 2002); Recopa Europeia (1993). Atlético Mineiro: Campeão Mineiro (1995); Copa Centenário de Belo Horizonte (1997); Copa Conmebol (1997). Galatasaray: Campeão Turco (1999 e 2000); Copa da Turquia (1999 e 2000); Liga Europa da UEFA (2000); Supercopa Europeia (2000). Seleção Brasileira: Copa do Mundo FIFA Sub-20 (1985); Ouro nos Jogos Panamericanos (1987); Torneio Bicentenário da Austrália (1988), Taça das Nações (1988); Copa América (1989 e 1997), Copa do Mundo FIFA (1994).

Campanhas de destaque. Seleção Brasileira: Jogos Olímpicos, medalha de prata – Seul (1988); Copa do Mundo FIFA: vice-campeão (1998).

Prêmios individuais. Bola de Ouro da Revista Placar (1988); Bola de Prata da Revista Placar (1987 e 1988); Terceiro melhor goleiro do mundo pela IFFHS (1991 e 1994); Quinto melhor goleiro do mundo pela IFFHS (1990); Sétimo melhor goleiro do mundo pela IFFHS (1989, 1992, 1998 e 2000); Nono melhor goleiro do mundo pela IFFHS (1997); Terceiro melhor jogador das Américas, eleito pelo jornal uruguaio El País (1988); Terceiro melhor goleiro da Copa do Mundo FIFA (1994); Melhor jogador na final da Copa da UEFA (2000) e Segundo melhor goleiro da América do Sul dos últimos 25 anos pela IFFHS. (Pesquisa: Nilo Dias) 


sábado, 6 de abril de 2019

Morre goleiro histórico do Botafogo

Morreu na manhã deste sábado (6), no Rio de Janeiro, aos 87 anos (completaria 88 no próximo dia 23), o ex-goleiro Adalberto Leite Martins, que fez história com a camisa 1 do Botafogo carioca, entre 1957 e 1962. Era considerado um dos grandes goleiros da história do clube.

O ex-goleiro estava internado desde o último dia 2 na Coordenação de Emergência Regional (CER) do Leblon, Adalberto foi operado na última terça-feira devido a uma obstrução intestinal e ainda passou por uma hemodiálise, mas não resistiu ao tratamento.

O corpo foi velado no Salão de Honra de "General Severiano" e o sepultamento irá ocorrer neste domingo, dia 7, no Cemitério da Cacuia, às 16 horas de Brasília.

Em seu site oficial, o Botafogo anunciou luto e manifestou "solidariedade aos familiares, torcedores alvinegros e amigos do ídolo falecido".

Adalberto Leite Martins nasceu em São Paulo, no dia 23 de abril de 1931. Estava casado há 42 anos com a atriz Djacira da Silva Martins.

Começou a carreira no E.C. Cocotá, time amador da “Ilha do Governador”. Seguiu depois para o Fluminense em 1948, inicialmente no juvenil. Ficou no clube até 1955. Dizia ter-se inspirado nos lendários goleiros Castilho e Veludo, com quem jogou no “Tricolor das Laranjeiras”.

Após profissionalizar-se no Fluminense foi para o Jabaquara, de Santos, onde ficou por duas temporadas, e de onde saiu para comandar a meta botafoguense. 

Adalberto chegou ao Botafogo após o Torneio Rio-São Paulo de 1957, disputado no primeiro semestre. No “Glorioso”, ele jogou ao lado de lendas como Garrincha, Nilton Santos, Didi, Quarentinha e Paulinho Valentim. No alvi-negro viveu o seu melhor momento na carreira.

No inicio jogava no time de aspirantes, não era nem mesmo o reserva de Amauri, titular absoluto, mas o técnico João Saldanha lhe deu uma chance no time e não saiu mais. Aproveitou muito bem a oportunidade e fechou o gol no “Campeonato Carioca“ de 1957, sendo campeão e o goleiro menos vazado.

O time de 1957 tinha como equipe base: Adalberto - Thomé e Nilton Santos. Servílio - Beto e Pampolini. Garrincha - Didi - Paulo Valentim - Édson e Quarentinha. Técnico: João Saldanha. 

Esse time arrasou o Fluminense na final, goleando por 6 X 2, no dia 22 de dezembro, com atuações sensacionais de Garrincha e Paulinho Valentim, que marcou cinco gols, faturando o título que não vinha desde 1948. Naquela temporada ele participou de 13 dos 22 jogos que o Botafogo disputou para ganhar o "Campeonato Carioca".

Durante o período de 1957 a 1962, o arqueiro disputou 81 partidas no Botafogo e sofreu 79 gols. Além do "Carioca" de 1957, esteve presente em importantes títulos internacionais como o “Quadrangular de Bogotá” (1961), o “Triangular da Costa Rica” (1961) e o “Pentagonal do México” (1962).

Companheiro inseparável de "Garrincha", Adalberto testemunhou várias histórias do amigo. O namoro de “Mané”, casado com a cantora Elza Soares foi uma delas. 

Na época, o casal se encontrava escondido na ”Ilha do Governador” onde o ex-goleiro morava. Um dia, o radialista Orlando Batista descobriu o romance e divulgou na rádio.

Na mesma hora, Elza ficou sabendo e foi tirar satisfação com "Garrincha". O Orlando dobrou os dois e eles acabaram falando do romance, ao vivo, na rádio. Foi um escândalo. No mesmo dia, ele foi morar na casa de Elza, na "Urca".

Houve um cerco de jornalistas, até que eles saíram e se beijaram. Adalberto, sempre considerou a cantora uma grande injustiçada na história de "Garrincha". Ela o conheceu em uma época em que o craque estava falido e parando de jogar. E Elza o adotou.

O ex-goleiro alvinegro antecedeu o mitológico “Manga” no Botafogo. Após encerrar a carreira, chegou a ser funcionário do Botafogo em várias funções, inclusive sendo treinador interino em algumas oportunidades.

E ainda trabalhou alguns anos como preparador físico no "Oriente Médio", com o ex-jogador “Didi” e com o técnico Jorge Vieira. Depois como professor, até se aposentar.

Adalberto tornou-se sócio emérito e virou figura cativa em "General Severiano", exercendo alguns cargos no departamento de futebol do clube e sendo sempre reverenciado por associados. E foi eternizado no "Muro dos Ídolos"e na imensa bandeira/faixa com os rostos dos maiores jogadores que vestiram a gloriosa camisa preta e branca. 

Emblemático, foi convidado para fazer parte das homenagens no jogo de despedida de Jefferson, ano passado, no “Estádio Nilton Santos”, que considerava como se fosse filho seu.  E dizia que era o melhor goleiro do Brasil e na sua opinião deveria ser o titular da “Seleção Brasileira”.

“Só era muito boêmio”, dizia, “e as vezes chegava aos treinos sem dormir e mesmo assim fechava o gol”. O ex-goleiro Jefferson usou suas redes sociais para se despedir de Adalberto: "Descanse em paz meu amigo Adalberto, gratidão eterna por tudo que você fez pelo nosso Botafogo, meus sentimentos à toda família". (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 5 de abril de 2019

A origem indígena de "Garrincha"

Nascido em Pau Grande, no Rio de Janeiro, "Mané Garrincha" era filho de pai alagoano. Seu Amaro dos Santos era natural de Quebrângulo, interior do Estado, e foi criado na aldeia dos "Fulniôs", índios de origem pernambucana, mas que por conta de perseguições foram para Alagoas em 1860.

Somente aos 26 anos, em 1914, Amaro e a esposa foram para o Rio de Janeiro, terra onde o bicampeão mundial nasceu, 19 anos depois. Para o autor do livro "Garrincha,a flecha Fulnio", Mário Lima, que é torcedor fanático do Botafogo, escrever sobre "Garrincha", seu grande ídolo foi uma honra.

Manoel Francisco dos Santos, o "Garrincha", teve vários apelidos durante a vida de jogador. “Anjo das Pernas Tortas”, “Alegria do Povo” ou simplesmente “Mané”. “Flecha Fulniô” também se destaca, pois faz referência direta à origem indígena do craque, até hoje usada como justificativa quando se tenta descrever o seu espírito indomável.

As raízes indígenas de “Garrincha” explicam muitas coisas sobre sua vida. Todos sabem que o maior problema na vida dele foi o alcoolismo. Mas isso tem relação direta com a cultura. Quando pequeno, tomava uma bebida na mamadeira que trazia álcool.

As várias mulheres que teve, os filhos, tudo isso tem no íntimo dele, a raiz indígena. Dentro de campo, o espírito moleque, driblador, típico da capoeira. A alegria, a felicidade e a receptividade dos índios "Fulniô" são marcas registradas da tribo. 

A seca e o calor escaldante na localidade de Águas Belas, Agreste de Pernambuco, nunca foram empecilho para que a molecada vivesse um burburinho em torno de uma bola de futebol, nos dois campos lá existentes,  um de chão batido e outro de areia clara – que ficam dentro da área demarcada da aldeia.

Times formados por garotos treinam diariamente para os jogos que acontecem sempre nos fins de semana, em disputas acirradas por um lugar nos quatro times que representam a tribo – Guarany, Juventude, Palmeiras e Fulniô. 

Alguns dos jogadores têm pernas tortas e arqueadas, parecidas com as do seu parente mais famoso, o chamado “Flecha Fulniô”, Manoel dos Santos, o “Mané Garrincha”.

O curioso é que ninguém na tribo sabia da ancestralidade indígena de “Garrincha”. A revelação só aconteceu em 1995, com a publicação do livro “Estrela Solitária – um brasileiro chamado Garrincha”, do jornalista Ruy Castro, o maior biógrafo de Mané.

Em sua obra conta a importância dessa ancestralidade indígena de ”Garrincha” para interpretar tanto a exuberância e a simplicidade de seu futebol, quanto o comportamento avesso às normas sociais e à disciplina.

Um mapa de Alagoas – mostrando mais especificamente a cidade de Quebrângulo, para onde parte da tribo fugiu após uma diáspora. A família de “Garrincha” saiu de Águas Belas, Pernambuco, para Alagoas.

Foi em 1860 que aconteceu a diáspora dos “Fulniôs”. Com a ação dos brancos, que queimavam aldeias e usavam das armas mais violentas, e a conivência das autoridades, não restou outra alternativa aos membros da tribo a não ser fugir.

Vivendo em Águas Belas, Pernambuco, a poucos quilômetros da fronteira, Alagoas parecia o local ideal e os bisavós de “Garrincha”, foram os primeiros a deixar o lar em busca de uma forçada – nova vida.

Depois de passarem por Santana do Ipanema, eles logo alcançaram as proximidades de União dos Palmares, na “Serra da Barriga”, nomeando o lugar de “Laí-Eefà”, ou “quebro e engulo”.

O nome soa familiar aos alagoanos e foi exatamente por lá o início da parte "Caeté" da história do jogador. E, nessa história, um dos personagens mais importantes foi seu Amaro Francisco dos Santos, o pai de “Garrincha”.

Nascido em Quebrângulo em 1897, ele próprio acabou por fugir também mais tarde, mas, dessa vez, da pobreza. O destino escolhido foi o Rio de Janeiro, para onde partiu aos 26 anos com a mulher – uma negra pernambucana chamada Carolina –, e a primeira filha do casal, a alagoana Rosa. O convite veio por parte do irmão, então já fixado na capital carioca.

O irmão mais velho de seu Amaro, "Manoel Caieira", como era chamado, já tinha ido e se fixado por lá, era gerente de uma loja de fiação de um grupo inglês, e aí chamou a família para ir para o Rio, em “Pau Grande”, na serra fluminense, onde morava. Quando Amaro chegou lá já tinha Rosa e, alguns filhos depois é que veio o “Garrincha”.

Passaram-se os anos e hoje não existe no local uma única pessoa que tenha ouvido falar sobre isso. Sem concentrações de “Fulniôs” por lá , a única tribo de Alagoas está fixada em Porto Real do Colégio, nas ruas a população desconhece o fato. Nos cartórios também não há qualquer registro e nem as fotos mostradas aos mais velhos ajudaram a desvendar o mistério.

O cacique da aldeia em Águas Belas, João Francisco dos Santos, tinha uma explicação. “Não admira que não se tenha encontrado nenhum documento sobre os pais dele. Naquele tempo, índio não tirava identidade nem nada. Quem diabo gostaria de ser índio naquela época?”.

Lembrado ou não na localidade, para Mário Lima, autor do livro “Garrincha: A Flecha Fulniô”, o que importa mesmo é que foi de terras alagoanas que saiu um dos maiores craques já vistos nos campos de futebol. Todos sabem que “Garrincha” era do Rio de Janeiro, nasceu lá, mas sua origem era “Fulniô”.

Quando menino “Garrincha”  jogava pelo menos duas ou três peladas por dia e, aos 13 anos, já era o artilheiro nos times de “Pau Grande” e região. A fama da infância revelava o talento para a bola, mas foi apenas aos 20 anos, em 1953, que ele entrou para o primeiro time profissional da carreira: o Botafogo. A convocação para a “Seleção Canarinha” não tardou e chegou logo dois anos depois, em 1955.

Foi no “Mundial do Chile”, em 1962 que o craque se consagrou. Jogando pelo machucado “Pelé” e por todo o time, ele fez de tudo: cruzamentos perfeitos, gol de cabeça e, claro, driblou brilhantemente como sempre, sendo eleito o melhor jogador e ajudou o País a trazer o bicampeonato. E ganhou o posto de lenda eterna do futebol.

Mas não só por sua atuação com a camisa do Brasil o atleta ficou conhecido. Ídolo máximo do carioca Botafogo, por lá fez 240 gols, o que lhe garantiu a colocação de terceiro maior artilheiro do time, ficando atrás apenas de "Quarentinha" e Carvalho Leite. Foram 12 anos atuando pela equipe, também bicampeã em 1962. A última partida aconteceu em 1965 e, o último gol, contra o Flamengo.

Como a vida segue por linhas tortas, a queda já vinha sendo traçada lentamente desde 1963, quando o joelho direito passou a lhe render problemas. O joelho ficava muito machucado, mas ele jogava e não estava nem aí. 

E o Botafogo foi culpado por isso. Botava o “Mané” para jogar de qualquer jeito. Ele sofreu muita infiltração de "Cortisona" e também nunca quis operar, preferia as rezadeiras de ”Pau Grande”.

Apesar da aversão, acabou tendo indo parar na sala de cirurgia e, depois disso, nunca mais foi o mesmo. Em decadência, passou a jogador mambembe, ganhando os campos Brasil afora. 

Jogou em lugares que ninguém imagina. Em 10 anos, foram muitas às rápidas passagens em clubes de vários Estados, incluindo aí os alagoanos CSA e ASA. Fez, ainda, incontáveis jogos de exibição como artista saltimbanco.

Segundo se sabe, “Garrincha” passou por cerca de 60 cidades, do Espírito Santo a Alagoas, cruzando pelo interior de Minas, Bahia e Pernambuco. “Mané” viajou de avião, trem, carro e barco para jogar.

Em muitas cidades, o campo era de terra batida, sem grama, como seu antigo campinho de pelada em sua terra natal. “Garrincha” era recebido pelas autoridades locais com quantidades industriais de cachaça e carnes típicas.

Seu último jogo foi em Planaltina (DF), em evento organizado por Manoel Esperidião, o “Manoelzinho”, ex-presidente do Sobradinho Esporte Clube, que guarda até hoje a camisa e as chuteiras que o ex-craque usou na ocasião.

Em um país que se ufana da mistura de três raças, identificar os jogadores de origem branca ou negra é fácil. Mas rastrear as raízes indígenas de um atleta é um trabalho de detetive.

Muitos futebolistas foram batizados profissionalmente como "Índio", e 20 foram registrados com essa denominação pela CBF em 10 anos.

O Brasil tem 240 povos indígenas, com 180 línguas diferentes, somando quase 900 mil pessoas, sendo que a metade delas vive nas áreas amazônicas.

Mas há muitos nativos no semiárido nordestino. O cálculo é que vivam mais de 9.500 "Xucurus" nos 27,5 mil hectares da maior reserva do Nordeste, com 24 aldeias na "Serra do Ororubó". (Pesquisa: Nilo Dias)



sábado, 30 de março de 2019

O artilheiro dos gols bonitos

Ricardo Lucas Figueredo Monte Raso, mais conhecido como “Dodô”, foi um dos melhores atacantes da história do futebol brasileiro, recebendo da imprensa esportiva o apelido de “o artilheiro dos gols bonitos”, pelos belos gols que fez ao longo de sua carreira.

Paulista da capital, nasceu em 2 de Maio de 1974. “Dodô” foi revelado pelo Nacional, de São Paulo em 1992. Teve ainda uma rápida passagem pelo Fluminense entre 1994 e 1995 e Paraná Clube no ano de 1996, antes chegar ao São Paulo.

No São Paulo, “Dodô” formou ao lado do colombiano Aristizábal uma dupla de ataque perigosa. Foi artilheiro do “Paulistão” de 1997 e do “Torneio Rio-São Paulo” de 1998 com 19 e 5 gols respectivamente.

Ajudou o São Paulo a conquistar o “Estadual” de 1998. No total, pelo clube tricolor paulista, “Dodô” disputou 46 partidas e marcou 33 gols. Em 1997, o atacante chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico Zagallo cinco vezes, marcando 2 gols.

Deixou o tricolor paulista em 1999 e passou a defender o Santos até 2001. Com a camisa do Alvinegro praiano Dodô disputou 67 jogos e marcou 33 gols, se destacando pelo peixe de 1999 até 2001.

No segundo semestre daquele ano, foi contratado pelo Botafogo com ajuda da “Golden Cross”, empresa que se interessou em patrocinar o clube a partir da contratação do atacante.

“Dodô” ajudou o alvinegro a escapar do rebaixamento no “Brasileirão” de 2001 e a fazer uma boa campanha no “Torneio Rio-São Paulo” de 2002.

Porém, o Botafogo encontrava-se em má fase financeira, e teve que dispensar vários jogadores para o “Campeonato Brasileiro” de 2002, onde o clube acabou rebaixado. “Dodô” acertou sua volta ao estado de São Paulo para atuar pelo Palmeiras.

Contudo, naquele ano, não obstante as inúmeras contratações de impactos que o “Verdão” fez para o “Campeonato Brasileiro”, a equipe também acabou sendo rebaixada. “Dodô“ pouco atuou naquela competição, pois estava frequentemente lesionado.  Ferdão foram 16 partidas e apenas três gols.

Já que o Palmeiras tentava ajustar-se para uma nova realidade, “Dodô” então resolveu ir para o futebol asiático. Jogou, entre 2003 e 2004, no Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul e, em 2005, no Oita Trinita, do Japão. Enquanto estava na Ásia, “Dodô” deu diversas entrevistas declarando sua vontade de voltar para o Brasil, dizendo que gostaria de atuar novamente pelo Botafogo.

Retornou ao Brasil no segundo semestre de 2005 para defender o Goiás. Contudo, era reserva no time goiano. Este fato o fez acertar sua volta ao Botafogo no início de 2006. No “Glorioso”, “Dodô” ajudou a equipe a vencer a “Taça Guanabara” e o “Carioca” de 2006 sendo artilheiro da competição com 9 gols.

No Brasileirão, “Dodô” era o artilheiro da competição com 9 gols quando decidiu transferir-se para o futebol árabe. O contrato do jogador com o clube carioca tinha uma cláusula que permitia sua saída sem qualquer tipo de ressarcimento caso houvesse uma proposta de um clube não brasileiro.

Dodô foi defender o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, mas, em 2007, voltou para o Botafogo. Foi campeão da “Taça Rio” e vice-campeão do “Campeonato Carioca”, sendo premiado com a “Medalha de Mérito Esportivo Pan-Americano”, pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

No início de julho de 2007, o atacante foi pego no exame antidoping por apresentar em sua urina a substância “Femproporex”, usada para perda de peso, que constava em uma cápsula de cafeína manipulada por uma farmácia, dada pelo departamento nutricional do clube.

A farmácia trabalhava há dois anos fornecendo medicamentos para o clube e não havia registros de contaminação anterior. O estabelecimento chegou a ser fechado e seus proprietários entraram com ação contra o clube. O Botafogo e “Dodô” também processaram a farmácia..

Na época, o caso ganhou grande proporção porque “Dodô” revelou ter consumido apenas uma cápsula de cafeína ministrada pelo médico do Botafogo, Márcio Cunha.

O atacante foi suspenso por 120 dias inicialmente, mas entrou com recurso e foi absolvido por não ter sido considerada a sua culpa. Após sua volta, “Dodô” marcou seu 300º gol na carreira profissional.

No fim da temporada, faltando seis rodadas para acabar o “Campeonato Brasileiro”, “Dodô” anunciou que não renovaria seu contrato com o alvinegro carioca para 2008. O jogador recebeu a “Chuteira de Ouro”, da “Revista Placar” pelo seu desempenho em 2007, sendo o principal goleador daquele ano no futebol brasileiro e o “Troféu de Prata” do “Prêmio Craque do Brasileirão”, por ter sido escolhido o segundo melhor centroavante do “Campeonato Brasileiro”.

“Dodô” deixou o Botafogo para jogar no Fluminense. Concorrendo pela titularidade com Leandro Amaral e Washington, os chamados "três tenores". Quando começava a jogar com frequência no time titular, como na goleada por 6 X 0 contra o Arsenal, de Sarandí, Argentina, pela “Copa Libertadores”, sofreu uma fratura de um osso frontal da face e teve de ficar dois meses parado.

Com a saída de Leandro do clube, “Dodô” recebera a chance de ser titular. No entanto, nunca foi visto com bons olhos pela torcida tricolor, tendo em vista o fato de não ter comemorado um gol contra o Boca Juniors, se mostrando insatisfeito na equipe, então comandada por Renato Gaúcho.

Foi demitido do Fluminense no final de agosto de 2008, após uma conversa com o treinador “Cuca”, o mesmo com quem trabalhara no Botafogo. Poucos dias após se desligar do Fluminense, “Dodô” recebeu do “Tribunal Arbitral do Esporte” o resultado do processo sobre seu doping, resultando na sua suspensão por 2 anos.

A sentença levou em conta parte do tempo do processo e, assim, o jogador só poderia voltar a atuar em 7 de novembro de 2009.

Após cumprir a suspensão, “Dodô” recebeu propostas de diversos clubes, porém muitos deles desistiram de contratá-lo porque o atleta pediu um salário muito alto e após diminuir sua pedida salarial, em 16 de dezembro de 2009, acertou com o Vasco.

Demorou para “Dodô” marcar seu primeiro gol com a camisa cruz-maltina. Depois de passar em branco contra Tigres e América, enfrentou pela primeira vez o Botafogo, clube pelo qual marcou 90 gols e teve boa atuação.

“Dodô” fez 3 gols no primeiro tempo. No segundo, sofreu a falta cobrada por Léo Gago que resultou no quarto gol e deu o passe para Philippe Coutinho marcar o quinto. Além disso, o Vasco ainda fez mais um gol, fechando a goleada de 6 X 0, em pleno “Engenhão”.

Após o início promissor, o rendimento de “Dodô” foi caindo a cada partida. Vieram muitos jogos em branco, e a torcida vascaína passou a execrá-lo depois da perda do título da “Taça Guanabara” para o Botafogo.

Houve uma nova tentativa dele num clássico diante do Flamengo. Mas os dois pênaltis desperdiçados na derrota por 1 X 0 para o arquirrival vascaíno pioraram ainda mais a relação dele com a torcida.

No final da “Taça Rio”, ainda houve uma esperança sobre o atacante, quando ele marcou um dos gols da vitória por 3 X 0 sobre o Fluminense, no “Maracanã” e anotou dois gols na vitória por 4 X 3 sobre o Duque de Caxias, no “Estádio Raulino de Oliveira”, ajudando o time a se classificar para as semifinais do segundo turno. O time acabou eliminado pelo Flamengo, com uma derrota por 2 X 1.

“Dodô” voltou para a reserva, e nos treinos era visível sua falta de ânimo. Desânimo que veio para os campos. Depois da derrota do Vasco para o Guarani por 1 X 0, em São Januário, “Dodô”, que entrara no primeiro tempo, substituindo Élton, contundido, deixou como última lembrança sua descida para o vestiário, em silêncio, ouvindo gritos, vaias e ofensas.

No dia 4 de junho, de comum acordo entre ambas as partes, “Dodô” rompeu seu compromisso com o clube. Foram 28 jogos e 11 gols marcados nesta volta aos gramados, curiosamente, nenhum deles marcado em São Januário, palco de seu último jogo com a camisa do Vasco.

Em 10 de junho, “Dodô” acertou com a Portuguesa de Desportos, de São Paulo, para a disputa da Série B do “Campeonato Brasileiro”.

No dia 1 de março de 2011, foi dispensado pela Portuguesa. De acordo com nota oficial emitida pela diretoria do clube paulista, a medida foi tomada pelo fato de “Dodô” ter desrespeitado o técnico Jorginho, assim como seus companheiros de equipe, durante a partida contra o Bragantino quando, ao ser substituído no segundo tempo, abandonou o estádio antes do término da partida.

Em março de 2011, acertou com o Americano para a disputa do “Campeonato Brasileiro da  Série B”. Uma contusão o forçou a fazer uma cirurgia no joelho, adiando para 2012 seu retorno aos gramados.

Em 21 de fevereiro de 2013, pegando muita gente de surpresa, “Dodô” foi anunciado como reforço pontual do emergente clube da cidade de Osasco, o Grêmio Esportivo Osasco, em vínculo que se encerrou ao final da disputa da “Série A2”, do “Campeonato Paulista” daquele mesmo ano. “Dodô” juntou-se ao elenco que fora recentemente reforçado com “Viola”, outro renomado veterano do futebol brasileiro.

Em 6 de março de 2013 fez sua estreia pelo Osasco contra o Capivariano. Ao fim da partida mostrou porque era chamado de” artilheiro dos gols bonitos”, ao marcar um belo gol por cobertura, fechando o placar em 2 X 0. Na partida seguinte, contra o Monte Azul, voltou a marcar pelo Osasco, decretando o empate em 2 X 2.

Em 30 de março de 2013, “Dodô” deixou o Osasco e acertou com o Barra da Tijuca para a disputa do “Carioca” da “Série B”. Após disputar a competição, “Dodô” encerrou sua carreira aos 39 anos.

Sem atuar desde 2013, quando defendeu o Barra da Tijuca, “Dodô” fez um curso para treinador no início do ano de 2015, ministrado por profissionais da CBF, na “Granja Comary”, com duração de dez dias e aulas divididas em dois períodos.  Ainda tentou a carreira de treinador, tendo dirigido o Rio Negro, de Manaus por um mês, mas saiu por motivos profissionais.

Títulos conquistados. Paraná Clube: Campeão Paranaense (1996); São Paulo: Campeão Paulista (1998); Botafogo: Campeão Carioca (2006) e Taça Guanabara (2006).

Prêmios: Melhor jogador do Campeonato Carioca (2006 e 2007); Melhor jogador da Copa do Brasil (2007); Chuteira de Ouro da Revista Placar (2007); Artilharias: São Paulo - Campeonato Paulista (1997 - 19 gols); Copa dos Campeões Mundiais (1997 - 4 gols); Torneio Rio-São Paulo (1998 - 5 gols); Botafogo: Campeonato Carioca (2006 - 9 gols); Campeonato Carioca (2007 - 13 gols); Vasco da Gama: Taça Guanabara (2010 - 7 gols) (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 27 de março de 2019

Morre sobrevivente da tragédia da Chapecoense

Um dos sobreviventes do acidente aéreo da Chapecoense, o jornalista catarinense Rafael Henzel morreu na noite de ontem, terça-feira após sofrer um enfarte fulminante.

O narrador esportivo, de 45 anos, passou mal durante partida de futebol com os amigos, na cidade de Chapecó. Ele era casado e tinha um filho.

A morte foi confirmada pela Rádio Oeste Capital, onde ele trabalhava. Ele veio a falecer na noite desta terça, dia 26 de março. O Rafael jogava futebol com amigos no início da noite de hoje e acabou sofrendo um enfarte fulminante.

Conduzido ao Hospital Regional de Chapecó foi confirmado há poucos instantes o falecimento do nosso colega, jornalista e narrador, anunciou a rádio.

Henzel foi uma das seis vítimas que sobreviveram no acidente aéreo que causou a morte de 71 pessoas no voo que levava a delegação da Chapecoense para a Colômbia para a disputa da final da Copa Sul-Americana, no fim de novembro de 2016.

Enquanto Henzel acordava cercado por corpos sem vida de outros passageiros do avião, notícias do desastre começavam a chegar ao Brasil.

A milhares de quilômetros de distância, quem deu a "notícia" de que o jornalista estava entre os sobreviventes foi o filho Otávio, então com 11 anos.

"Sinto a respiração dele", disse a criança à mãe. Tavinho estava certo e 15 dias depois um avião pousava trazendo o pai. Com uma camiseta com o símbolo da Chape e #forçarafa às costas, o garoto entrou na aeronave e na direção de Rafael Henzel.

Único jornalista a sobreviver à tragédia, ele trabalhava na Rádio Oeste Capital e havia retomado suas atividades normalmente no veículo de comunicação um ano após sobreviver à tragédia que abalou o futebol mundial.

Pode-se dizer com toda a certeza, que o jornalista Rafael Henzel nasceu duas vezes. A primeira, em 25 de agosto de 1973, quando deixou o ventre da mãe, dona Lídia, em São Leopoldo (RS).

A segunda, em 29 de novembro de 2016, dia em que o vôo “LaMia 2933” caiu em “Cerro El Gordo”, na Colômbia. Sua segunda vida teve 27 meses e 27 dias de vida.

Nesse período, fez a narração da histórica estreia da Chapecoense na Libertadores em 2017. Apareceu em jogo da seleção brasileira ao lado de Galvão Bueno. Deu palestras e trabalhou muito.

Se despediu vestindo chuteiras, dentro das quatro linhas, acompanhado da paixão que marcou sua vida, seu renascimento e, agora, sua morte.

Dois nascimentos que ilustram duas vidas. A primeira, até o acidente, como um jornalista apaixonado por futebol e pela Chapecoense, fazendo o que gostava.

A segunda, como um exemplo de superação, viajante pelo mundo e embaixador do clube. Abaixo das duas datas na rede social, Rafael oferecia um contato para palestras nas quais falava sobre o novo valor que enxergava na vida depois de quase tê-la deixado.

Foi justamente no campo que a vida teve um apito final. O homem que construiu a vida ao redor do futebol dedicou seus últimos batimentos do coração a correr atrás de uma bola.

A cidade que tem um clube que simboliza o recomeçar ficou sem um porta-voz da esperança. Mas Rafael Henzel fez de sua segunda vida um testemunho do que apendeu naquela noite trágica em Medelín: as pessoas devem viver como se tivessem de partida.

Rafael Henzel sempre repetia que sobreviveu graças a Lionel Messi. Com dificuldade de dormir no voo para a Colômbia, ele foi puxar papo com um companheiro de rádio de Chapecó.

Com 1m90 de altura, queria sentar no corredor da penúltima fileira, mas o colega Renan Agnolin o proibiu de ocupar o lugar. Justificou que foi o local em que Messi viajou quando a seleção da Argentina usou a aeronave.

Henzel respeitou o dono de cinco “Bolas de Ouro” e escolheu o assento ao lado. Sorte sua, sobreviveu a tragédia. Foi assim que viveu sua nova vida. E sempre mencionando que foi salvo por Messi.

O garoto Rafael se mudou cedo para Chapecó. Lá, começou a carreira jornalística aos 15 anos de idade, mas, antes disso, já cultivava a paixão pelo time da cidade.

Saía da escola e não tinha dinheiro para pagar o ingresso, então esperava no portão do estádio até os 15 minutos de jogo para poder entrar de graça.

A relação com a Chapecoense evoluiu. Depois da tragédia de 2016, o jornalista se transformou em uma espécie de embaixador, símbolo indissociável da Chape, presente em eventos no Brasil e no exterior.

Nas palavras do próprio clube, "tornou-se um símbolo da reconstrução do clube, nas páginas verde e brancas desta instituição". Desde a queda do avião, ao se referir à Chapecoense, usava o pronome "nós".

Henzel se tornou embaixador da “Chape” pelo planeta. Poucos dias antes de sua morte, esteve na Espanha e na Alemanha falando do clube, da tragédia e do futuro.

Em Berlim, no festival “11mm Futebol Film Fest”, apresentou o documentário "Nossa Chape", filme que conta a reconstrução do clube após o acidente. Dias antes fez o mesmo em Bilbao, na Espanha.

Ao voltar a trabalhar, lançou em maio de 2017 o livro "Viva como se estivesse de partida", cujo complemento é "um relato otimista e emocionante do jornalista que sobreviveu à tragédia da Chapecoense".

"Viva como se estivesse de partida" não é um relato sobre o acidente, o que seria de se espera de um jornalista. A obra trata da superação física e psicológica depois da tragédia. Rafael Henzel continuou viajando de avião sem problemas e levava a vida de forma positiva e bem humorada.

No lançamento, os leitores elogiaram a humildade e a mensagem de esperança. E pensar que o jornalista estava com medo de fazer o livro.

Em dúvida, consultou um colega que respeita e confia muito, Tino Marcos. Recebeu um empurrão com o argumento de que era dono de uma história única que deveria ser compartilhada.

No mesmo ano, passou a atuar como comentarista da RBS TV, afiliada à TV Globo, nas transmissões dos jogos da Chapecoense na Copa Libertadores daquele ano - para a qual o time catarinense entrou por ter sido considerado o campeão da Sul-Americana, mesmo sem jogar a partida da volta.

Henzel gostava mesmo era de narrar. Ainda no domingo, 25 de março, narrou cinco gols na vitória da “Chape” fora de casa sobre o Hercílio Luz.

Não há narrador brasileiro que não gostaria de dividir o prestígio de uma transmissão com Galvão Bueno. Foi o que Henzel viveu em 25 de janeiro de 2017, quase dois meses após a tragédia.

Era o amistoso entre Brasil e Colômbia, no “Estádio Nilton Santos”, no Rio. Conversaram em meio ao jogo. Henzel se disse representante de 21 colegas de imprensa que partiram na noite do acidente.

A conversa seguiu com a partida como pano de fundo, com Galvão pontuando um ou outro lance. A transmissão recebeu outros sobreviventes, como o goleiro Jackson Follmann, que conversava com Galvão quando Dudu marcou um gol. Galvão parou a transmissão, chamou o replay e pediu que Henzel narrasse.

Em comunicado, o clube de Chapecó lamentou a morte do jornalista. "A Associação Chapecoense de Futebol vem a público a fim de manifestar o profundo pesar e toda a consternação pela notícia do falecimento do jornalista Rafael Henzel, ocorrido na noite desta terça-feira", registrou o clube.

"Durante a sua brilhante carreira, Rafael narrou, de forma excepcional, a história da Chapecoense. Tornou-se um símbolo da reconstrução do clube e, nas páginas verde e brancas desta instituição, sempre haverá a lembrança do seu exemplo de superação e de tudo o que fez, com amor, pelo time, pela cidade de Chapecó e por todos os apaixonados por futebol.

Desejamos, de todo o coração, que a família tenha força para enfrentar mais um momento tão difícil e esta perda irreparável. Os sentimentos e as orações de todos os chapecoenses, torcedores e ouvintes, estão com vocês."

Após a notícia do falecimento de Rafael Henzel, muitos comunicadores e também alguns clubes de futebol prestaram homenagens ao jornalista. Abaixo algumas mensagens transmitidas ontem a noite. Certamente foram dirigidas muitas outras.

O PARANÁ CLUBE lamenta a morte do jornalista Rafael Henzel. Nossos sentimentos à família e amigos. Descanse em paz, guerreiro!
Nota de pesar. A S.E.R. CAXIAS lamenta o falecimento do jornalista Rafael Henzel. Desejamos força aos familiares e amigos enlutados por esta perda irreparável.

O FORTALEZA ESPORTE CLUBE Clube lamenta o falecimento do jornalista Rafael Henzel. Ele foi um dos sobreviventes do trágico acidente envolvendo a delegação da Chapecoense. Aos familiares, amigos e colegas, desejamos muita força para superar esse triste momento.

O CEARÁ SPORT CLUB lamenta profundamente o falecimento do jornalista Rafael Henzel. Sua história irá inspirar todos os brasileiros. Descanse em paz, guerreiro!

Nosso eterno carinho por Rafael Henzel. Neste momento de muita dor, o SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE se solidariza com a família, os amigos e os admiradores do jornalista.

O CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO lamenta profundamente o falecimento de Rafael Henzel, exemplo de superação e profissionalismo. Desejamos muita força aos familiares, amigos e fãs. Descanse em paz.

O VILA NOVA FUTEBOL CLUBE se solidariza com à família e amigos do Jornalista Rafael Henzel! Um guerreiro que hoje se foi e deixa seu exemplo de luta pra todos nós.

É com pesar que o SPORT CLUB RECIFE recebe a notícia da morte do jornalista Rafael Henzel. Referência na sua profissão, ele deixa um grande legado. Desejamos força aos familiares e amigos.

Com grande pesar, o ESPORTE CLUBE BAHIA lamenta o falecimento do jornalista Rafael Henzel, sobrevivente do acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, em 2016. Nossa solidariedade a amigos e familiares.

O Cruzeiro Esporte Clube lamenta profundamente a morte do jornalista Rafael Henzel. Que a família, amigos e o povo de Chapecó encontrem na fé e na esperança todas as forças em mais este momento de dor e tristeza.

O GRÊMIO FPA lamenta profundamente o falecimento do jornalista Rafael Henzel e nos solidarizamos com os seus familiares e amigos neste momento tão difícil.

O FIGUEIRENSE FUTEBOL CLUBE lamenta o falecimento do jornalista Rafael Henzel, um dos sobreviventes do maior acidente aéreo da história do futebol, que por tantas vezes esteve no “Scarpellão” para exercer sua profissão. Nossos mais sinceros pêsames aos familiares e amigos. Força!

A SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS lamenta a morte do jornalista Rafael Henzel e deseja muita força aos familiares nesse momento difícil.

O SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA lamenta o falecimento do jornalista Rafael Henzel, sobrevivente do acidente aéreo com a equipe da Chapecoense em 2016. Neste momento de dor, desejamos muita força aos familiares, amigos e colegas de imprensa do narrador que, por anos, acompanhou a equipe de Santa Catarina.

O CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA lamenta profundamente a morte do jornalista Rafael Henzel. Nossos sentimentos a família, amigos e ao povo de Chapecó.


“Me sinto arrasado! Muito triste! Vivi intensamente o terrível desastre do voo da Chape! Perdi muitos amigos! Ganhei muitos outros! Mudei muitos conceitos! Rafael, sem dúvida você teve uma missão especial neste mundo terreno! Que Deus te receba como você merece e que abençoe e dê forças a sua família. Saudades!”, escreveu GALVÃO BUENO.


O SPORTS CENTER, programa da ESPN Brasil, de ontem terminou com uma homenagem ao jornalista Rafael Henzel, que morreu em decorrência de um infarto enquanto jogava futebol. Paulo Soares, o "Amigão", foi o responsável por registrar uma mensagem ao locutor esportivo. 

"Nós nos despedimos com uma pequena homenagem a Rafael Henzel, jornalista, radialista, locutor esportivo, um dos seis sobreviventes do trágico acidente com o avião da Chapecoense em 2016, que matou 71 pessoas.

"Notícia triste que chocou a todos nós. Mais uma vez, todos da ESPN deixamos nossos sentimentos aos familiares, amigos e companheiros de Rafael Henzel. Descanse em paz, Henzel, neste céu azul”. (Pesquisa: Nilo Dias)