Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A torcedora símbolo do Vasco da Gama

A torcedora Dulce Rosalina dedicou toda a sua vida ao Clube de Regatas Vasco da Gama, do Rio de Janeiro e fez história nas arquibancadas. Dulce Rosalina foi uma figura icônica, não só para os cruzmaltinos, mas também para todas as mulheres, configurando um exemplo de pioneirismo em sua luta por espaço e voz dentro do futebol.

Com dois anos de idade, já era sócia do “Gigante da Colina”, aprofundando o seu amor a cada ano graças ao pai português que, assim como o “cruzmaltino”, pregava igualdade e combatia o preconceito racial. Um vascaíno convicto.

Era um tempo em que ela, apesar de mulher, se impunha e tinha o respeito dos demais chefes de torcida da época. A Dulce era uma pessoa muito especial, que protegia as outras mulheres torcedoras, e se precisasse até brigava, saía na mão mesmo, era mulher de fibra, vascaína de verdade.

Encantada com os ideais do clube de São Januário, Dulce se tornou frequentadora assídua dos jogos vascaínos, tendo se tornado a primeira mulher a assumir a presidência de uma torcida de futebol, a “Torcida Organizada do Vasco“ (TOV), quando tinha 22 anos, em 1956.

Levada a TOV pelo Presidente Artur Pires, recorda que no primeiro jogo em que ficou comandando os torcedores, o técnico Martin Francisco, compadre de Dulce, lhe disse:

“Organize a Torcida que eu lhe darei o campeonato”. E, realmente isso aconteceu, pois os Vascaínos foram campeões com uma antecipação de duas rodadas. 

Já presidente da TOV, decidiu deixar de trabalhar para não se privar da maior alegria de sua vida: o Vasco. Dedicando boa parte de sua energia à sua paixão, marcou seu nome ao introduzir nas arquibancadas cariocas a bateria, o concurso de torcida e o papel picado, verdadeiras inovações na época.

Posteriormente casou-se com o então jogador de futebol, “Ponce de León”, com quem teve os seus dois filhos. Ponce de Leon foi um craque que teve o seu nome ligado a história do futebol brasileiro.

Ele jogou pela "Seleção Paulista de Novos" contra os cariocas, na inauguração do então "Estádio Ângelo Mendes de Moraes", mais tarde na intimidade do torcedor, carinhosamente chamado de "Maracanã", e por decisão do legislativo guanabarino, hoje "Mário Filho".

Sua influência transcendia as arquibancadas, tanto que era amiga de jogadores como Vavá e Bellini, que compareciam a festas de aniversário em sua casa.

Certa vez, foi barrada junto a seu filho “Poncinho” na entrada do Maracanã por levar papel picado, sendo presa em seguida ao chamar o policial de flamenguista.

Sabendo do ocorrido, os jogadores do Vasco se recusaram a entrar em campo até que a torcedora-símbolo fosse liberada. Dito e feito, foi solta pouco tempo depois, já estava na arquibancada para apoiar o clube.

Atuante, viajava Brasil afora pelo “Time da Colina”. No entanto, em 1976, quando apoiou a candidatura de Medrado Dias à presidência do Vasco, foi obrigada a desvincular-se da torcida. Fundou, em seguida, a ”Renovascão”. Em 1991, um problema na visão a obrigou a se afastar dos jogos noturnos.

No início da década de 1960, venceu o concurso de melhor torcedor do Brasil, realizado pela prestigiada “Revista do Esporte”, e doou o prêmio ao Vasco da Gama. Ela foi um exemplo de pioneirismo na luta das mulheres por espaço e voz dentro do futebol.

A entrega ao Vasco ultrapassava barreiras. Em 1968, numa caravana para São Paulo, um dos 30 ônibus no qual Dulce fazia parte sofreu um grave acidente.

Ninguém morreu no episódio, mas ela ficou afastada das arquibancadas por dois anos devido a uma fratura na clavícula e no braço, além do afundamento do crânio.

Por incrível que pareça, quis ir ao Maracanã logo após se recuperar, segundo relatos do seu próprio filho, “Poncinho”. Também optou por não fazer a cirurgia, pois as cicatrizes, segundo ela, eram provas de sua dedicação à “Cruz de Malta”.

Dulce foi convidada pelo escritor Claudio Aragão para narrar a trajetória do clube desde sua fundação, no final do século 19, até a conquista do título carioca de 2003. Seus relatos deram origem a obra “A História do Vasco da Gama em Cordel”, da editora Bom Texto.

Dulce Rosalina faleceu no dia 19 de janeiro de 2004, comovendo a nação cruzmaltina e permanecendo em sua memória até hoje Homenagens não faltaram, tanto que, por decreto da prefeitura do Rio de Janeiro, mudaram o nome da antiga “Rua do Reservatório” para “Dulce Rosalina”, próxima à sua casa, e de todos os vascaínos, São Januário.

DECRETO Nº 23925 DE 22 DE JANEIRO DE 2004

Altera a denominação do logradouro que menciona, situado no bairro Vasco da Gama, na VII Região Administrativa – São Cristóvão. O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, no uso de suas atribuições legais e, considerando o recente falecimento de D. Dulce Rosalina, aos 79 anos, torcedora-símbolo do Clube de Regatas Vasco da Gama, exemplo da paixão carioca pelos times de futebol da cidade, decreta:

Art. 1.º A Rua do Reservatório, CL 08023-4 reconhecida pelo Decreto n.º 1165, de 31 de outubro de 1917, passa a denominar-se Rua Dulce Rosalina.

Art. 2.º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 2004 – 439º ano da fundação da Cidade.  

Cesar Maia - Prefeito.

Esta é a história de Dulce Rosalina, que remota ao tempo em que o brado de guerra e do incentivo aos seus favoritos no campo da luta, era feito das sociais, com os gravatinhas e os chapéus de palhinha. Não existia o tom da Escola de Samba, embora o calor humano do aplauso e do entusiasmo fossem os mesmos de hoje. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 6 de agosto de 2019

Morre a memória da Seleção Brasileira

O pesquisador cearense Airton Fontenele morreu aos 92 anos, ontem, em Fortaleza, após 70 dias de internação. Airton sofreu complicações em uma cirurgia e não resistiu, deixando três filhos, netos  e um legado de valor inestimável sobre o futebol e "Seleção Brasileira".

Uma forma de eternizar esse amor foi a construção de um arquivo com dados da equipe brasileira, constando de livros, artigos, jornais, e principalmente uma pesquisa exaustiva digna de reconhecimento até pela Fifa e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

De seus 92 anos, pelo menos 75 deles foram dedicados à memória da “Seleção Brasileira”, da qual foi o maior pesquisador. Figura emblemática no cenário do futebol foi peça fundamental na construção da memória do esporte brasileiro.

Airton deixou um enorme legado para o futebol brasileiro. Sua memória e o cuidado com as informações eram características bem singulares. Tornou-se referência internacional ao dirimir dúvidas sobre o passado do futebol.

Airton Fontenele nasceu em Viçosa do Ceará, no dia 27 de janeiro de 1927. Era bancário, funcionário do "Banco do Nordeste Brasileiro" (BNB) e formado em Odontologia. 

Ficou marcado por ser uma das principais fontes da imprensa esportiva a respeito de dados e curiosidades da história do futebol cearense e da "Seleção Brasileira".

Passou a gostar de futebol na "Copa do Mundo" de 1938. Em 1947 começou a escrever no semanário “O Goal”, a primeira das mais de três mil colaborações que deu à imprensa em mais de 60 anos.

Formou-se em Odontologia em 1950. Entre 1952 e 1954 foi correspondente do jornal “A Gazeta Esportiva”, de São Paulo. De 1954 a 1979 trabalhou como bancário na equipe pioneira do "Banco do Nordeste".

Durante os anos 1960 participou de maneira direta da reformulação do “Estádio Presidente Vargas”. Em 1986, lançou o primeiro dos oito livros publicados, “Futebol, Seleção das Seleções”. É um dos mais respeitados historiadores e pesquisadores do futebol brasileiro.

Antes de se falar do pesquisador em si, Airton evoca o desportista que sempre foi, nadador de longas distâncias, capaz de fazer travessias em mar aberto e um amante do futebol, ao ponto de colaborar na campanha da construção do “Estádio Presidente Vargas”.

Escreveu 8 livros sobre a “Amarelinha”, cinco deles focados sobre a participação do time verde-amarelo em Mundiais. Dono de um acervo invejável de livros, revistas, itens esportivos e dezenas de cadernas de anotação, “Seu Airton” tinha catalogadas informações minuciosas sobre as partidas da Seleção, desde 1938, jogadores que atuaram, que foram convocados, além de inúmeras outras estatísticas.

Livros de Airton Fontenele:

"O Brasil nas 15 Copas" (1998): Apresentação Blanchard Girão, "Orelha"de Tom Barros.

"O Brasil em Todas as Copas -1930/1998" (2002): Apresentação de Tostão, contracapa Dr João Havelange, "Orelhas"dos jornalistas Alan Neto e Vicente Alencar.

"O Brasil na rota da Alemanha" (2006): Apresentação Sílvio Carlos Vieira Lima, contracapa de Tom Barros e "Orelhas" Armando Nogueira e Homero Benevides.

"O Brasil em Todas as Copas- 1930/2010" (2010): Apresentação Mauro Carmélio (presidente da FCF), cartas de apoio Ferruccio Feitosa (Secretário de Esporte do estado do Ceará), "Orelhas" de Tom Barros e Sérgio Redes.

"O Brasil em Todas as Copas do Mundo 1930/2014 (2014) - História, Curiosidades e Estatísticas": Apresentação: Jorge Campos- Jorginho, (campeão mundial de 1994) e prefácio: Raimundo Fagner e cartas do prefeito de Fortaleza Dr Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra, Dr João Havelange, Tom Barros e André Ribeiro. “O Brasil em Todas as Copas do Mundo" é, sem dúvida, a Bíblia da Seleção Brasileira.

“O Brasil na Copa das Confederações" é uma viagem pelas oito Copas das Confederações já realizadas. Airton Fontenele, além de trazer a história do surgimento do torneio até sua transformação para o modelo atual, conta curiosidades exclusivas e detalhes do desempenho de todas as seleções que já participaram da competição.

Sem dúvida, é a obra mais completa sobre o certame que tem como principal vencedor o Brasil.

“O Brasil na Copa América”, é também a obra mais completa sobre a competição. O livro contou com a chancela da CBF. A obra preencheu uma lacuna na literatura esportiva nacional. Ainda hoje é permanente fonte de consulta pelo elevado conteúdo de informações.

Seu primeiro livro foi “Futebol, Seleção das Seleções”.

Na sua residência, no coração da “Aldeota”, na capital cearense, idealizou e montou um museu da memória do futebol cearense e nacional, com peças de raro valor, fotos e documentos históricos. Também colecionou amizades importantes, como Zizinho, Belini, João Havelange e outros nomes do esporte brasileiro.

Não por acaso, há alguns anos, no “Jornal do Brasil,” o mestre e saudoso João Saldanha escreveu matéria alusiva ao pesquisador cearense. No título, João colocou: "Com o Airton Ninguém Pode".

Motivo: Airton corrigira com provas irrefutáveis textos das grandes revistas nacionais relativos às “Copas do Mundo”. Agora restaram só as lembranças deste monumento à pesquisa.

O Fortaleza declarou três dias de luto e prestou suas condolências para familiares e amigos. "É com profundo pesar que o Fortaleza Esporte Clube comunica o falecimento do historiador e pesquisador, Airton Fontenele.

O Fortaleza se solidariza com a família e amigos de Airton Fontenele ao tempo que presta às condolências e decreta luto oficial por 3 (três) dias", escreveu o Tricolor.

O Ceará também lamentou a morte de “Seu Airton, que era tio-avô de Pedro Mapurunga, o diretor cultural do Alvinegro. “Tio Airton deixou um enorme legado para o futebol brasileiro. Sua memória e o cuidado com as informações eram características bem singulares. O Estado perde uma grande figura e eu perco um amigo da bola”, declarou Mapurunga para o site oficial do “Vovô”.

O presidente da Federação Cearense de Futebol (FCF), Mauro Carmélio, assim se referiu ao pesquisador: "O Airton teve uma história muito bonita como um amante, um verdadeiro fã da "Seleção Brasileira". Ele publicou livros, onde o torcedor da “Canarinho” conheceu a história das Copas e dos atletas que vestiram a camisa da Seleção. O futebol brasileiro é muito grato ao Airton".

O prefeito Roberto Cláudio lamentou em nota, na noite desta segunda-feira (5), a morte do historiador Airton Fontenele, 92, que morreu à tarde, após complicações em cirurgia.

“É com enorme pesar que registro a perda do pesquisador e escritor Airton Fontenele que se notabilizou pelo amor ao esporte, especialmente ao futebol e à nossa seleção brasileira.

Associo-me aos sentimentos de dor de seus familiares e dos amigos, entre os quais me incluo, tendo tido o privilégio de conviver com este cearense que dignificou com seu exemplo de vida uma história que espelha e inspira a muitos de nós e que, sem nenhuma dúvida, orgulha toda a sua família.

Seguramente, a história do futebol e da seleção, assim como o seu registro bibliográfico, tem dois momentos: um antes e outro depois do profícuo trabalho realizado pelo nosso cearense de Viçosa Airton, Fontenele”, disse Roberto Claudio.

O velório aconteceu ontem mesmo, na “Funerária Eternus”, na Aldeota e o sepultamento foi  hoje (6), no “Cemitério Parque da Paz”. (Pesquisa: Nilo Dias)


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Morre o mais vitorioso presidente do Vasco da Gama

Morreu hoje (5) o ex-presidente do Vaso da Gama, do Rio de Janeiro, Antônio Soares Calçada, aos 96 anos de idade.  De origem portuguesa, foi um dos dirigentes mais emblemáticos da história do clube da “Cruz de Malta”. Além de ser presidente de honra,  deixou como legado o fato de ter sido o mandatário mais vitorioso do clube.

Entre 1983 e 2000 no poder, o clube foi campeão da “Copa
Libertadores”, conquistou três “Campeonatos Brasileiros”, uma “Copa Mercosul” e sete “Campeonatos Estaduais”.  Seu sucessor no clube foi também o já falecido Eurico Miranda.

Calçada estava internado em um hospital na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, tratando de uma infecção abdominal. Em 10 de julho ele teve de ser internado pela primeira vez, mas como apresentou melhora deixou a unidade no dia 19 de julho, porém, teve uma recaída e voltou à UTI na última terça-feira (30).

Em seu site oficial, o Vasco soltou uma nota lamentando a morte do ex-presidente. O clube também decretou luto de três dias. "O Club de Regatas Vasco da Gama lamenta profundamente o falecimento nesta segunda-feira (05/08) do ex-Presidente da Diretoria Administrativa e Presidente de Honra do Clube, Antônio Soares Calçada, vítima de complicações causadas por uma infecção abdominal".

Antônio Soares Calçada era português, nascido em Vila da Feira, Distrito de Alver, em 16 de abril de 1923. Chegou ao Brasil ainda garoto. Sua ligação com o Vasco teve início em 1942, quando ingressou como sócio do clube.

Logo ocupou seu primeiro cargo: tornou-se diretor do “Departamento de Tênis de Mesa”, na administração de Otávio Menezes Póvoa. Além disto, foi vice de futebol nas gestões de Cyro Aranha, Manuel Castro Filho, Artur Rodrigues Pires e João Silva.

Em 1982, Antônio Soares Calçada alcançou o principal posto no Vasco. Com a chapa "Vasco da Gama", venceu ao histórico presidente Agarthyno da Silva Gomes, que teve uma de suas gestões marcadas pelo título brasileiro de 1974.

No poder a partir de 1983, Calçada manteve “Roberto Dinamite” como principal jogador do elenco, que tinha jovens como Acácio, Donato, Geovani e Mauricinho, e atletas mais experientes como Roberto Costa, Elói e Daniel González. No ano seguinte, o time chegou à decisão do “Campeonato Brasileiro”, mas perdeu para o Fluminense.

Em 1985, a equipe não teve bom rendimento na  “Copa Libertadores”. Porém, durante o ano viu o surgimento de um atacante promissor: no amistoso diante do Nova Venécia, Romário marcou seus primeiros gols. Mesmo assim, no fim do ano, Calçada foi reeleito em pleito contra Eurico Miranda.

A partir de 1986, Calçada uniu-se com o até então adversário político Eurico Miranda, que passou a ser seu vice de futebol. No ano seguinte, o mandatário saboreou o seu primeiro título no clube.

Com um gol de Tita, que fora contratado naquele ano, o Vasco sagrou-se campeão carioca em 1987, batendo o Flamengo por 1 X  0. Comandada por Sebastião Lazaroni, a equipe que tinha a dupla Romário e Roberto Dinamite como destaques, contou ainda com Dunga, Mazinho e Paulo Roberto.

No ano de 1988, Calçada voltou a ser reeleito, contando com a base da equipe campeã do ano anterior. Após uma estreia com revés para o Flamengo, o “Cruz-Maltino” fez mais uma grande campanha no “Carioca”.

Além de vencer dois dos três turnos, a equipe foi novamente campeã sobre o Flamengo, com direito ao célebre gol de “Cocada”. Naquele ano, o Vasco ainda fez uma "quina": emplacou cinco vitórias seguidas sobre o maior rival.

Em 1989, Calçada, ao lado de Eurico Miranda, "atiçaram" a rivalidade entre Vasco e Flamengo. Aproveitando que Bebeto estava com sua situação contratual indefinida com o rubro-negro, o Cruz-Maltino fez uma negociação cautelosa e conseguiu que o craque fosse para São Januário.

Com Bebeto como referência e artilheiro, a repatriação de Tita e contratações como Luiz Carlos Winck, Quiñonez, Zé do Carmo e Marco Antônio Boiadeiro, o clube sagrou-se campeão brasileiro. No Morumbi, coube a Sorato garantir a conquista com o gol da vitória por 1 X 0 sobre o São Paulo, consagrando também jovens como Bismarck e William.

Depois desta conquista, o dirigente, que foi reeleito em 1991, voltou a ver o Vasco campeão em 1992, meses após a equipe ver o título brasileiro escapar por tropeços na fase final.

Em um Estadual com Maracanã interditado, o “Gigante da Colina”, que tinha “Roberto Dinamite” em seu último ano na carreira, as revelações Edmundo, Valdir, Leandro Ávila e Carlos Germano e nomes como Bismarck, Luisinho, Jorge Luís e William, foi campeã invicto em dois turnos. No jogo do título, Valdir garantiu a vitória por 1 X 0 sobre o Bangu.

Mesmo perdendo “Roberto Dinamite”, Edmundo e Luiz Carlos Winck, o “Cruz-Maltino” alcançou o bicampeonato carioca no ano seguinte. Com Valdir como co-artilheiro, com 19 gols, ao lado de Ézio, do Fluminense e a afirmação de nomes como Pimentel, Gian e Yan, a equipe sagrou-se campeã de forma dramática.

Após uma vitória por 2 X 0 no jogo de ida e uma derrota por 2 X 1 no segundo jogo, o Vasco alcançou o título com o empate em 0 X 0 na decisão.

Em 1994, Calçada teve um novo feito como presidente: levou a equipe a seu primeiro e único tricampeonato carioca. Com um time reforçado pelo craque Dener e pelo zagueiro Ricardo Rocha, o Vasco teve um início promissor na competição.

Mesmo abalado pela morte do camisa 10, Dener, devido a um acidente automobilístico, o Vasco voltou a se firmar e sagrou-se campeão com uma vitória por 2 X 0 sobre o Fluminense, com dois gols marcados pelo jovem Jardel. No mesmo ano, conseguiu mais uma vez sua reeleição.

Após dois anos marcados por entressafras, idas e vindas de jogadores e brigas políticas, Calçada conseguiu um grande feito: no início de 1997, a Conmebol reconheceu a conquista do Campeonato Sul-Americano de Clubes de 1948 como título continental. Graças a esta atitude, o Vasco teve direito a disputar a edição da ”Supercopa Libertadores”.

Além disto, o Vasco alcançou um patamar ainda maior dentro de campo. Capitaneado por Edmundo, que já estava vendido à Fiorentina, da Itália e com reforços pontuais como Mauro Galvão, Evair e Válber, o time, que mantivera no elenco nomes como Felipe, Juninho, Ramón e Pedrinho, foi campeão de maneira irrepreensível.

Após ter sido líder de ponta a ponta, o Vasco chegou ao topo do país com dois empates sem gols diante do Palmeiras.

Reeleito para o cargo em 1997, o dirigente teve a missão de conduzir o Vasco no ano do centenário do clube. Contando com o aporte financeiro do “Bank of America”, o clube montou uma sucessão de esquadrões.

Foram contratados jogadores como Donizete, Luizão, Vagner, Sorato e Mauricinho para o decorrer da temporada e o time alcançou mais feitos. Além de um novo título carioca, Calçada era o presidente no ano do maior título da história: a “Copa Libertadores”. Porém, o sonho do “Mundial Interclubes” esbarrou na derrota para o Real Madrid.

Em 1999, no entanto, o dirigente logo voltou a comemorar pelo clube. Tendo Guilherme, Donizete e Juninho como destaques e em reforços como Paulo Miranda e Zé Maria, o Vasco iniciou o ano campeão do “Torneio Rio-São Paulo”, derrotando o Santos nas duas partidas da final.

No mesmo ano, os dirigentes ainda repatriariam Edmundo e depositariam as fichas na contratação de Viola, mas o time se despediu cedo no “Brasileiro”.

O ano de 2000 começou de maneira empolgante para o clube: em uma "cartada", da qual o presidente foi crucial, Romário, dispensado do Flamengo, retornou à “Colina” para a disputa do” Mundial de Clubes” em janeiro.

Tendo também como novidades a ascensão de Hélton e as chegadas de Jorginho e Júnior Baiano, o clube foi à decisão no Maracanã, mas amargou a derrota nos pênaltis para o Corinthians.

Passadas as frustrações das finais do “Torneio Rio-São Paulo” e “Campeonato Carioca”, o Vasco teria um fim de ano para não esquecer. Com novidades como Clébson, Juninho Paulista e Euller, o “Cruz-Maltino” foi crescendo no decorrer da “Copa Mercosul” e da “Copa João Havelange” e chegou à decisão em ambas.

Diante do Palmeiras, o time alcançou a '"Virada do Milênio", no jogo em que obteve uma histórica virada de 3 X 0 para 4 X 3 em pleno “Parque Antarctica”.

Já na final turbulenta na “Copa João Havelange”, Calçada conseguiu seu último título como presidente. Com a vitória por 3 X 1 sobre o São Caetano, o mandatário conquistou seu terceiro e último título brasileiro.

Além de conquistas no futebol, Antônio Soares Calçada foi vencedor em outras modalidades: obteve o bicampeonato da “Liga Sul-Americana de Basquete” e o tricampeonato estadual de Remo.

Mesmo tendo deixado a presidência a partir de 2001, sequer se candidatou em 2000, na eleição vencida por Eurico Miranda, Calçada se manteve ligado ao Vasco. Além de ser um dos beneméritos, tornou-se presidente de honra do clube. Em 2014, ele deu nome ao ginásio poliesportivo localizado em São Januário.

Lúcido até o fim de sua vida, Antônio Soares Calçada mostrou-se ativo até no pleito que culminou na eleição de 2017. Ele tornou-se vice de Júlio Brant assim que a chapa entre Brant e Campello se rompeu, mas foi derrotado por Alexandre Campello.

No início de julho deste ano, as complicações abdominais chegaram a levá-lo para o CTI. Após chegar a ficar estável, Calçada voltou ao CTI e, desta vez, não resistiu.

Títulos ganhos como Presidente do Vasco da Gama:

Campeão da Taça Libertadores da América (1998); Campeão da Copa Mercosul (2000); Campeão Brasileiro de Futebol (1989, 1997 e 2000); Campeão Estadual de Futebol (1982, 1987, 1988, 1992, 1993, 1994 e 1998); Campeão da Liga Sul-Americana de Basquete (1999 e 2000); Campeão Sul-Americano de Clubes de Basquete (1998 e 1999); Campeão Brasileiro de Basquete (2000); Campeão Estadual de Basquete (1983, 1987, 1989, 1992, 1997 e 2000); Campeão Estadual de Remo (1998, 1999 e 2000. (Pesquisa: Nilo Dias)

domingo, 4 de agosto de 2019

A lenda de Isadora

Aos 13 anos de idade, em 2014, a menina Isadora Ribeiro foi diagnosticada com um tumor cerebral. Querida pelas pessoas do bairro onde mora em Gravataí (RS), conseguiu que a comunidade se unisse em torno de sua causa, buscando recursos para pagar o tratamento.

Ela recebeu força de onde poucos imaginavam para vencer a doença: no futebol amador da cidade onde mora, através do Grêmio Esportivo 3 Estrelas, clube presidido por seu pai, Vagner dos Santos, o “Didu”, na época com 36 anos.

A união dos jogadores em torno de Isadora nunca será esquecida. Ficam lembranças emocionantes, como no dia em que todos os atletas rasparam os cabelos para ficarem parecidos com ela. E quando fizeram surpresa ao esperarem por ela na saída de uma sessão de quimioterapia.

Ou nas vezes em que o time doou gasolina e dinheiro para ajudar no seu tratamento. Ou ainda em sua festa de 15 anos, comemoração que jogadores e torcedores ajudaram a realizar.

Torcedora fanática do 3 Estrelas, logo que passou pela primeira cirurgia seu desejo foi de ir ao campo do time do coração, de onde tinha certeza, tiraria forças e energias para reiniciar a vida, mesmo contrariando a recomendação médica, que era de que permanecesse em casa.

No campo de jogo foi recebida como se fosse um troféu de “Copa do Mundo”: entrou nos braços de um jogador, virou mascote do time e música que não sai da cabeça dos torcedores: "Dá-lhe ô, dá-lhe ô, Isadora, dá-lhe ô", cantava o grupo “Bicho Papão”, torcida organizada do Três Estrelas, com as batidas graves do bumbo e secas do tarol compondo a trilha sonora.

A menina entrou em campo com 32 pontos na cabeça, máscara cirúrgica, toucas e luva. Emocionada e agradecida, Isadora disse? “Eles me deram toda a força que precisava. Foi de onde eu tirei coragem para acreditar que eu poderia vencer a doença”.

Um ano depois do episódio que uniu clube, comunidade, família e a menina, o diagnóstico médico foi de que a doença estava controlada. Foi assim que nasceu a história que ficou conhecida na região como "a lenda de Isadora".

O 3 Estrelas passou a organizar anualmente o torneio de futebol denominado “Taça Isadora Ribeiro de Futebol”, onde todo o dinheiro arrecadado é revertido para alguma criança com câncer, que é escolhida por Isadora.

Ela costuma ir à Santa Casa, onde fez o tratamento, e doar para quem tem poucas condições financeiras. Além disso, também é realizada a “Corrida Contra o Câncer Isadora Ribeiro”, promovida pela “Associação Esporte Gravataí Corridas”, que busca doações de brinquedos novos para serem distribuídos entre as crianças doentes.

Hoje, aos 18 anos, Isadora segue sendo torcedora fanática do 3 Estrelas, clube fundado em 1936 e o maior campeão do torneio municipal de Gravataí, na categoria principal. 

Ela havia saído da sede do clube instantes antes que a tragédia acontecesse. Foi num domingo, 12 de julho deste ano. Equipes de futebol amador disputavam jogos no campo do Três Estrelas. 

Carros de torcedores e familiares lotavam as ruas Itajaí e Quadros. Por volta das 17h30min, terminou a partida entre Três Estrelas X Bola Bola, sendo que o time da casa venceu por 5 X 1.

Logo após o fim do jogo, parte dos torcedores deixou o local. Os "da casa" permaneceram nos arredores do campo. Na sede do clube, que fica ao lado do gramado, começou a ser preparado um galeto.

Por volta das 18 horas, criminosos ingressaram por um beco na Rua Quadros, entraram na sede e abriram fogo contra um homem que estava no local.

Segundo o relato de testemunhas, o homem acossado correu em direção à multidão para buscar refúgio. O atentado acabou com duas pessoas mortas e oito feridas. Adélio Junior Souza Antunes, 28 anos, que era alvo dos criminosos, foi morto.

Segundo a polícia, ele havia saído naquela mesma semana do sistema prisional. O corpo dele foi encontrado no dia seguinte ao ataque, em uma área próxima ao campo. 

Ele teria tentado escapar correndo, após ser baleado. Mais oito pessoas ficaram feridas.  A motivação do ataque teria sido disputa de território, disse o delegado de Polícia, na ocasião.

No tiroteio também morreu uma das amigas de Isadora, a professora Maiara Emili Silveira da Silva, 20 anos, moradora da região. Ela trabalhava com crianças portadoras de deficiências e tinha planos de ser bombeira.

Após o ataque a tiros com duas mortes, o clube decidiu sair de campeonato de Gravata. Não havia mais clima para continuar na disputa. O clube emitiu a seguinte nota oficial: "em respeito às vítimas, familiares, jogadores, diretoria e comunidade, o 3 Estrelas comunica a saída do campeonato”.

Já a Liga Gravataiense informou que em virtude dos acontecimentos, tomou a decisão de não rebaixar clube algum em 2020.

A mãe de Isadora, Angélica Ribeiro, está presente em todos os eventos organizados para não deixar que o drama vivido por sua filha seja esquecido. Ela diz: “O amor cura e o carinho consola. Foi realmente isso que aconteceu. A semana toda os jogadores passavam nos ajudando, com roupa, comida. Agora podemos ajudar a outras pessoas”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Isadora e seus pais, com a camisa do 3 Estrelas. (Foto: acervo do Grêmio Esportivo 3 Estrelas)


Isadora no campo do 3 Estrelas. (Foto: acervo do Grêmio Esportivo 3 Estrelas)

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Puskas, o "Major Galopante"

Ferenc Puskás Biró, ou simplesmente “Puskas”, foi um dos maiores craques que o futebol produziu no mundo, em todos os tempos. Nasceu em Budapeste, Hungria, no dia 2 de Abril de 1927 e faleceu na mesma cidade em 17 de Novembro de 2006, aos 79 anos de idade.

“Puskás” se tornou célebre como o líder da Seleção Húngara que fez história na “Copa do Mundo” de 1954, na Suíça,  quando a equipe ficou conhecido como "os mágicos magiares".  O time manteve uma invencibilidade de  quatro anos, ganhando a medalha de ouro do futebol nos “Jogos Olímpicos de Verão”, de 1952.

Na “Copa do Mundo” foi vice-campeã, embora tenha sido o melhor time do torneio. Paralelamente, “Puskas” era o líder natural do clube que servia de base para aquele selecionado, o Honvéd.

“Puskas”, que tinha a patente de major, daí seu apelido “Major Galopante”, tem uma marca de gols excepcional por seu país, 83 em 85 jogos, que o credenciam como o maior artilheiro da seleção magiar.

Foi por muito tempo o maior goleador de uma seleção, recorde batido pelo iraniano Ali Daei. Dono de habilidade precisa para passes e dribles curtos e secos, além de tudo, tinha um primoroso chute de esquerda, era um jogador cerebral.

Em comparação com outros jogadores da época, era considerado gordo e baixo. Colocava brilhantina nos cabelos negros e penteava-os para trás.

O atacante também entrou para a história do futebol por seus feitos no Real Madrid no final da década de 1950 e início da seguinte.  É também um dos poucos a terem jogado ”Copas do Mundo” por dois países: participou da de 1962 competindo pela Espanha.

De acordo com a FIFA, “Puskas” é um dos cinco atletas nessa condição. Ao lado dele figuram Luís Monti, que jogou a “Copa” de 1930 pela Argentina e a de 1934 pela Itália, José Santamaría, que jogou a de 1954 pelo Uruguai e a de 1962 pela Espanha, José João "Mazzola" Altafini, que jogou a de 1958 pelo Brasil e a de 1962 pela Itália e Robert Prosinečki, que jogou a de 1990 pela Iugoslávia e as de 1998 e 2002 pela Croácia.

De acordo com o IFFHS, os 512 gols de “Puskas”, em 528 partidas, fazem dele o terceiro maior artilheiro do século XX. Ao lado do compatriota Zoltán Czibor e do uruguaio José Pedro Cea, “Puskas” é também um dos três atletas que marcaram gols em finais de “Olimpíada” e de “Copa do Mundo”.

Em 2000, foi diagnosticado que “Puskas” sofria do “Mal de Alzheimer“. Ele foi internado no Hospital Kutvolgyi, de Budapeste em setembro de 2006, vindo a falecer em 17 de novembro de 2006, acometido de pneumonia.

Ele deixou sua esposa de 57 anos, Erzsébet, e a filha, Anikó. Em um funeral de Estado, seu caixão foi movido de “Puskás Ferenc Stadion”, a “Praça dos Heróis”, para uma saudação militar.

Foi sepultado na “Basílica de Santo Estêvão”, em Budapeste, dia 9 de dezembro de 2006, num tumulo retangular com um tampo de mármore branco com o seu nome e datas gravados em dourado. No piso, defronte ao túmulo encontra-se o símbolo do Real Madrid.

Desde 2009, a FIFA concede o ”Prêmio Ferenc Puskas” ao autor do gol mais bonito do ano. (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 31 de julho de 2019

A irreverente Champions LiGay

A ideia de uma competição de futebol que reunisse atletas homossexuais não é recente. Em 1982, em San Francisco, nos Estados Unidos, foi organizado o primeiro torneio desportivo dentro da comunidade gay.

Ao longo dos anos, passaram a surgir ao redor do mundo diversas propostas visando combater a homofobia no esporte, assim como promover eventos recreativos para a comunidade LGBT. Na Europa, a GFSN National League britânica ocorre desde 2002, e a Paris Foot Gay desde 2007.

Com o sucesso da Copa do Mundo Gay na última década, faltavam no Brasil equipes que representassem o país do futebol na competição. Assim, em 2017, foi organizada a irreverente Champions LiGay Nacional de Futebol Society do Brasil , o nome é um trocadilho com o mais rico torneio de clubes no mundo.

O futebol é um dos campos onde o preconceito sexual está mais enraizado culturalmente no Brasil. Para quebrar essa lógica, o Rio de Janeiro realizou em 25 novembro de 2017 a 1ª edição do campeonato brasileiro de futebol gay. Champions LiGay.

A LiGay foi fundada por BeesCats (RJ), Futeboys e Unicorns (SP), após um mini torneio entre as equipes disputado em julho em São Paulo, a Taça Hornet.

Participaram oito times gays de seis cidades do país, todos militantes da inclusão LGBT no futebol: Magia Sport Clube, do Rio Grande do Sul; Unicorns Brasil, de São Paulo; Bees Cats BR, do Rio de Janeiro; Sereyos Futebol Clube, de Santa Catarina; Bravus BSB, de Brasília; Bharbixas, de Minas Gerias; Alligaytors Futebol Clube, do Rio de Janeiro e Futeboys Futebol Clube, de São Paulo.

Os participantes foram divididos em dois grupos de quatro equipes cada, que jogaram entre si em turno único, definindo os classificados para a fase seguinte. Assim como em competições de futebol profissionais, houve a disputa de semifinais, final e terceiro lugar. As partidas tiveram duração de dois tempos de 12 minutos cada.

A primeira edição do torneio ocorreu na arena Rio Sport, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Entre 25 e 26 de novembro de 2017, as oito equipes duelarem por duas vagas na final. A página "LiGay" no Facebook retransmitiu todos os jogo.

Foi um torneio de futebol soçaite, com as regras do Fut7 – seis jogadores na linha e um no gol, com máximo de 16 atletas por equipe. Todos eles gays, enfatizou a organização.

“Já que é um torneio para provar que gay pode jogar futebol, criamos essa restrição ‘técnica'”, explicou André Machado, líder do BeesCats e da LiGay, organizador do torneio.

O time do Bharbixas, de Minas Gerais, foi o campeão. O BeesCats, do Rio de Janeiro, segundo lugar e Unicorns (SP), o terceiro classificado.

Em 2018, já em sua segunda edição, a competição passou a contar com 12 equipes participantes, reunindo um público de cerca de 1,2 mil pessoas em Porto Alegre.

Para recepcionar os atletas e o público de fora da capital gaúcha, cerca de 170 quartos foram reservados na rede hoteleira. Durante o evento, houve food trucks, shows de drag queens, animação conduzida por cheer leaders e apresentação de escola de samba, além das cerimônias de abertura e de encerramento, com tradução simultânea para Libras.

O presidente da Federação de Soccer Society do Rio Grande do Sul, Vinicius Santos, que foi o árbitro da final da segunda edição, disse que recebeu com surpresa o fato do fair play predominar no evento, por estar acostumado com a agressividade corriqueira nos torneios profissionais.

O Bulls (SP) sagrou-se campeão, seguido por BeesCats (RJ), em segundo e Sereyos (SC), terceiro.

Ainda em 2018 houve um segundo torneio, disputado em Sao Paulo, com o Bulls, campeão, Bharbixas, em segundo e Sereyos em terceiro.

Em 2019, na quarta edição, o número de participantes dobrou para 24 equipes, com o torneio sendo realizado em Brasília (DF)

O BeesCats (RJ), levantou a taça. Em segundo lugar classificou-se o Bulls (SP), com o Bharbixas (MG), chegando na terceira colocação.

Misturar jogadores héteros perderia o sentido da causa, que é dar luz ao tema. Inclusive, esperamos que em breve não seja preciso mais fazer movimentos como esse de criação dos times inclusivos, pois gays poderiam jogar normalmente pelo Brasil sem se preocuparem com gracinhas ou atos homofóbicos.

Vamos confiar nas equipes. Mentira tem perna curta, se algum time tentar enganar os outros, cedo ou tarde a verdade virá à tona. E aí o time que trapaceou será excluído permanentemente da liga.

Vários jogadores das equipes sofreram preconceito quando eram mais jovens. Muitos deixaram de jogar futebol por causa do bullying que sofreram na escola. Encontrar um ambiente acolhedor e seguro para a prática do futebol, junto com seu estilo de ser, é o principal propósito da criação desses times inclusivos.

O ambiente em que você pode dar a pinta que quiser sem ter alguém olhando torto para você. Outro ponto importante é a questão da falta de habilidade de algumas pessoas. No futebol gay não importa se você é bom ou ruim, estamos todos lá para nos divertir e nos integrar. O jogar bem ou jogar mal fica em segundo plano. Mesmo as disputas mais ríspidas ou discussões são deixadas de lado.

A maioria das equipes joga no esquema “pelada” – com jogadores da própria equipe. Algumas equipes não fazem jogos contra adversários héteros: é o caso dos Unicorns. Já os BeesCats são o primeiro time 100% gay a jogar a Liga Carioca de Futebol. (Pesquisa: Nilo Dias)


O BeesCats, do Rio de Janeiro, foi campeão em 2019.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Está de luto o rádio gaúcho e brasileiro

Morreu na manhã deste domingo (28), em Porto Alegre, aos 83 anos, o radialista Milton Ferreti Jung. Conhecido como a “Voz do Rio Grande”, o ex-locutor esportivo e do “Correspondente Renner”, o noticioso de maior credibilidade no rádio do Rio Grande do Sul.

Lutava há anos contra o Alzheimer, doença neurodegenerativa crônica que se manifesta lentamente e vai agravando ao longo do tempo.

A causa da morte, segundo nota do hospital "Moinhos de Vento", onde estava internado, foi "em decorrência de choque séptico relacionado à infecção respiratória complicada por insuficiência renal".

Milton Ferretti Jung nasceu em Caxias do Sul, no dia 29 de novembro de 1935. A cerimônia de cremação do radialista aconteceu nesta segunda-feira, às 11 horas, no Crematório Metropolitano São José, na avenida Oscar Pereira, no bairro Azenha, em Porto Alegre.

Milton deixou a mulher Maria Helena, os filhos Milton Júnior, radialista da CBN, Christian e Jaqueline, e quatro netos. Pelo Twitter, o jornalista Milton Jung, filho do ex-locutor, se despediu com a seguinte mensagem:

"Valeu, pai! Sua alma é abençoada, sua história é imortal. Se para muitos você foi "A Voz do Rádio" para nós você foi a voz da sabedoria. Obrigado por tudo que nos ensinou."

Também pelas redes sociais, o professor Luiz Artur Ferraretto, referência em radio jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), afirmou que "faleceu o locutor da pronúncia mais correta do rádio brasileiro, aquele que, durante mais tempo, deu vida e emoção às notícias do "Correspondente Renner", da Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

Faleceu o comentarista esportivo de também precisas opiniões. Faleceu o narrador de tantos embates futebolísticos. Faleceu um sujeito perfeccionista e correto. Faleceu o pai de uma família de profissionais de comunicação.”

Começou a carreira na Rádio Canoas, como locutor de radioteatro da emissora, onde trabalhou por quatro anos. Em 1958 iniciou o trabalho na Rádio Guaíba. Em 1964, passou a apresentar o principal programa de notícias da emissora, “o Correspondente Renner”. Trabalhou na rádio por 56 anos, de 1958 a 2014.

Participou das “Copas do Mundo” de 1974, 1978 e 1986. Deixou a narração em 1988 e voltou no mesmo ano narrando algumas partidas do Grêmio ou em casa ou em São Paulo, onde aproveitava para visitar o filho Milton.

Em 2007, teve um AVC quando apresentava “O Correspondente Renner”.  Mesmo assim conseguira narrar toda aquela edição, que à época durava 10 minutos.

Em 2008, quando completou 50 anos de rádio, Milton recebeu homenagens dos principais nomes da emissora, como Luiz Carlos Reche, Jurandir Soares, Vladimir Oliveira e Rui Strelow durante a edição das 13h do “Correspondente Renner”.

Em 2012, narrou os 15 primeiros minutos do Grenal de encerramento do Estádio Olímpico ao lado de Orestes de Andrade, tendo muita repercussão nas redes sociais.

Em 2014, foi demitido da Rádio Guaíba, aonde trabalhou durante quase toda sua carreira. Milton fora dispensado junto com seu amigo e ex-operador de externas, Celso Costa, que junto com Milton era o mais antigo profissional da Guaíba.

Em homenagem, a Rádio Guaíba exibiu áudios históricos de Milton na emissora, como o milésimo gol de Pelé narrado por ele em 1969.

Em homenagem ao seu legado esportivo, o radialista e locutor recebeu homenagens do Grêmio e do Internacional no dia de ontem Em nota divulgada nas redes sociais, o Inter lamentou o falecimento de Milton Ferretti Jung: "Uma das mais marcantes vozes do rádio brasileiro. O Clube do Povo se solidariza com os amigos e os familiares deste brilhante radialista e locutor esportivo".

O Tricolor gaúcho lamentou e se solidarizou com seus familiares e amigos: “Com sua tradicional e respeitada voz, apurada locução e narração, além de gremista ilustre, acompanhou nossa grande caminhada de conquistas.” (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 25 de julho de 2019

Tramways, o “Furacão elétrico" pernambucano

O Tramways, time que era sustentado pela “Pernambuco Tramways and Power Company Limited”, que explorou os serviços de energia elétrica e de bondes do Estado durante 50 anos (1912 até 1962), e que está desativado há muito tempo, conseguiu uma façanha, até hoje não igualada: é o único clube que conquistou de maneira invicta um bi-campeonato estadual, nos anos de 1936 e 1937.

A empresa inglesa foi responsável pela transição dos bondes puxados por burros para os elétricos, na primeira metade do século 20. Daí, a equipe de futebol também ser conhecida como os “elétricos”.

O clube disputou por sete anos o principal “Campeonato Pernambucano”. E nesse período causou muitos estragos aos seus adversários mais fortes, o chamado “trio de ferro”, Sport, Náutico e Santa Cruz, além do América, que na época gozava de prestigio. Mas desapareceu da mesma forma como surgiu, rapidamente, e por isso ganhou o apelido de “Furacão”.

Os jogadores eram funcionários da Companhia. Domingos, Furlan e Rubinho, despachavam no escritório central, que ficava na esquina da Rua Aurora com a Princesa Isabel.

O ponteiro Olívio trabalhava na seção de energia. O goleiro Zé Miguel ficava até altas horas da noite como chefe de quarto do departamento de luz. Já “Sopinha”, “Guaberinha”, “Paisinho” e Faustino exerciam outras funções na empresa.

Alguns desses jogadores também atuavam em times de bairros, na “Liga Suburbana”, que era muito forte na época. Casos de Zé Miguel, Olívio, “Paisinho” e “Quetreco”.

Os “Elétricos” disputaram sete estaduais, de 1935 a 1941. O primeiro título, em 1936, foi tumultuado. Mesmo faltando 16 jogos para o campeonato acabar, os clubes e a “Federação Pernambucana de Desportos” resolveram encerrar o certame.

Mesmo com uma campanha muito superior a dos rivais, com sete pontos a mais do que Náutico e Santa Cruz, ainda ficou a dúvida se o time teria fôlego para se manter na ponta.

Sua última partida foi contra o Sport, a quem venceu por 3 X 2, com dois gols de “Sopinha” e um de Olívio. Foram 11 vitórias e dois empates.

O time campeão de 1936 tinha essa formação: Zé Miguel – Domingos – Jorge. Zezé – Faustino e Furlan. Alcides – Bermudes – Sopinha – Quatreco e Olívio.

No ano seguinte, os “Transviários” fizeram uma campanha ainda mais arrebatadora, para dizimar quaisquer dúvidas: 14 vitórias e apenas um empate, 64 gols marcados e 16 levados.

A prova da superioridade do Tramways foi a goleada aplicada no Sport, por 5 X 2, no jogo que ratificou o título. Olívio, Navarra, Alcides, Quetreco e Sopinha “Elétricos”.

Só utilizando atletas “prata da casa”, talvez o Tramways não conseguisse sagrar-se bi-campeão invicto. Foi preciso tirar os jogadores “Zezè”, Júlio Fernandes e “Alcides Cachorrinho”, todos do Santa Cruz.

“Cachorrinho” marcou 56 gols pelo Tramways em campeonatos pernambucanos, tornando-se o maior artilheiro da equipe na história da competição. Com dinheiro de sobra, o técnico Joaquim Loureiro veio de São Paulo para armar a equipe.

O time bi-campeão tinha esta formação: Zé Miguel – Domingos e Ernesto. Guaberinha – Paizinho e Furlan. Alcides – Omar – Navarra (Spinha) – Quetreco e Olívio.

Na trajetória do primeiro título estadual do Tramways, em 1936, um jogador merece um capítulo à parte. Dono de um potente chute, de causar medo nos goleiros, como diziam os jornais pernambucanos da época, o argentino Bermudes foi um dos pilares da inédita conquista do grêmio transviário.

Em 13 jogos pelo Tramways no Estadual de 36, o meia-direita Bermudes fez 19 gols, cravando o seu nome na galeria dos artilheiros do Campeonato Pernambucano.

Náutico, Sport e Santa Cruz sofreram nas mãos, ou melhor, nos pés do gringo, que balançou a rede do trio de ferro. O Torre, principal rival do Tramways, era sua vítima favorita. Na goleada por 8 X 4 sobre o Madeira Rubra, Bermudes fez a metade dos gols do seu time.

Ao todo, juntando os Estaduais de 1935 e 36, Bermudes marcou 32 gols pelo Tramways – terceiro maior goleador da equipe no Pernambucano, atrás de “Alcides Cachorrinho” (56 gols) e Olívio (46).

O sucesso nos “Elétricos” fez com que o Náutico o contratasse. No Timbu, ele foi novamente campeão pernambucano, em 1939, o segundo da história alvirrubra, ao lado dos Carvalheira: Fernando, Zezé e Emídio.

Companheiro de Bermudes nessa conquista, o ex-goleiro Djalma Cristaino Santos, falecido em agosto de 2012, aos 94 anos, lembrava com muita saudade do amigo.

“Bermudes era formidável, um grande amigo. Dançava muito bem tango. Um dia, chegou a notícia de que ele havia morrido. Pedi licença a Cabelli (Umberto, técnico uruguaio, que comandava o Náutico) e fui para a pensão onde ele morava.

Chegando lá, o encontrei no chão, envolto em cigarros e bebidas, mas estava vivo. Então, entrei em contato com a família dele e o seu pai mandou dinheiro para enviá-lo de volta a Buenos Aires”, relatou.

Nos anos 50, o ex-goleiro alvirrubro foi à capital argentina somente para rever o amigo. “Em 1953, nos encontramos em Buenos Aires. Ele estava trabalhando como locutor de rádio.

Foi a última vez que nos vimos”, relembrava Djalma, que soube da morte do amigo anos depois, através de uma carta enviada pelo esposa do argentino, Helena.

Pelo Náutico, Bermudes anotou 12 gols pelo Estadual de 39. No ano seguinte, porém, anotou apenas dois, ambos em amistosos.

As cores do Tramways eram branco, azul e vermelho, por isso era chamado de tricolor transviário. No biênio 1936/1937, foi ele que mandou no futebol pernambucano, mantendo-se invicto nesse período.

O Tramways era de uma época em que o profissionalismo ainda não tinha se consolidado em Pernambuco. A maioria dos jogadores  ainda não tinha contrato e não recebia dinheiro para jogar futebol.

Mas no caso dos “Elétricos”, a situação era um pouco diferente. Muitos que jogavam pelo Tramways era em troca de emprego na empresa, o que se constituía em uma espécie de amadorismo marrom, já que os atletas tinham salário, não pelo futebol, mas pelas funções que exerciam na companhia inglesa.

O médico cardiologista escritor Rostand Paraíso, autor do livro “Esses Ingleses”, destacou na obra a presença e influência inglesa no Recife, contando passagens vivenciadas pelo Tramways. 

Até 1941, quando disputou o seu último Estadual, o Tramways seguiu fazendo um papel digno. O fim da equipe foi assim explicado por Haroldo Praça, em seu livro “O Gôl de Haroldo”, de 2001.

“Não obstante reunir bons jogadores e armar equipes destacadas, o “Elétrico” foi vitimado por moléstia incurável: clube de dono (Antônio Rodrigues de Souza, diretor da empresa britânica, responsável pelo investimento na montagem dos times de 1936/37). E aí começou a entrar para a história mais uma aparição brilhante efêmera.” (Pesquisa: Nilo Dias)


O time campeão de 1936

terça-feira, 23 de julho de 2019

O rádio esportivo brasileiro está de luto

Morreu hoje aos 78 anos de idade o conhecido jornalista esportivo Juarez Soares Moreira que lutava contra um câncer no intestino e no reto, porém a causa da morte foi  um infarto fulminante após sofrer duas paradas cardíacas.

Nasceu em São José dos Campos (SP), na região do Vale do Paraíba, no dia 16 de julho de 1941. Era casado com a também jornalista Helena de Grammont, irmã de Elaine de Grammont, vítima de um assassinato passional ocorrido em março de 1981 pelo ex-marido, o cantor Lindomar Castilho.

Um dos mais completos jornalistas esportivos do Brasil, China (como ficou conhecido pelos mais próximos) teve experiência em diversos segmentos da comunicação.

A primeira oportunidade na profissão surgiu praticamente por acaso. No colégio São Joaquim, onde estudava na cidade de Lorena, era amigo de Sabará, que fazia sucesso cantando na Rádio Cultura local.

Certo dia, Juarez perguntou ao amigo se poderia lhe ajudar a fazer um teste na emissora. A resposta foi positiva e dias depois, aos 17 anos, Juarez fazia sua primeira narração esportiva.

A vida seguiu sem grandes mudanças até Juarez ficar sabendo de um teste que a rádio Difusora realizaria em São Paulo. Embora seja necessário dizer que naquele tempo, seu sonho era vir para capital apenas para estudar Filosofia ou História. Juarez passou no teste, mas voltou a Lorena antes de saber o resultado.

Quando o pessoal da Difusora me achou, eu estava trabalhando novamente na Cultura de Lorena. Convidaram-me para ser repórter. Aceitei na hora", recorda Juarez.

A estreia aconteceu no dia 16 de agosto de 1961, na partida em que o Hepacaré, de Lorena, bateu o Estrela da Saúde por 1 X 0, com um gol de Tijolinho. Começava efetivamente uma carreira que ganhou mais corpo quando Pedro Luís, um dos maiores locutores esportivos de todos os tempos, desembarcou na Difusora.

Pedro fez questão de reunir os maiores nomes de então, mas fez uma exigência: narrar na Rádio Tupi, pertencente ao mesmo grupo de comunicações. Surgia a equipe 1040, que fez história no rádio brasileiro.

Atuou como repórter na Rede Globo na década de 1970 até o início dos anos 80, participando da cobertura da emissora na Copa do Mundo de 1982, na Espanha e nessa época também foi locutor das Rádios Globo e Excelsior.

Trabalhou muito tempo na TV Bandeirantes na equipe de Luciano do Valle, onde foi demitido por politizar seus comentários. De 1995 a 1998, esteve na equipe esportiva do SBT. Apesar de ter começado a carreira como narrador, ganhou fama e respeito como repórter e comentarista.

Torcedor confesso do Corinthians, fez também parte da equipe de esportes da Rádio Record e do programa “Debate Bola”, comandado na TV Record por Milton Neves.

O comentarista Osmar Oliveira, já falecido, contou uma história acontecida com Juarez em um jogo, que ele não recordava qual, em que o repórter teve uma disenteria volumosa e teve de correr para o banheiro. O narrador Pedro Luiz o chamava insistentemente cada vez que a bola ia pela linha de fundos e nada de Juarez responder.

Foi quando o cara que ajudava a puxar os fios ouviu os chamados, pegou o microfone lascou: "O licutor (locutor) foi cagar e já volta".

Foi filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) por 21 anos, legenda pela qual foi eleito vereador em 1988 como o 6.º vereador mais votado da cidade e o terceiro melhor do PT, com quase 40 mil votos.

Além de segundo-secretário do Sindicato dos Jornalistas durante a presidência de Gabriel Romeiro, também foi Secretário dos Esportes da cidade de São Paulo, no governo de Luiz Erundina. Como secretário, conseguiu trazer a Fórmula 1 de volta para o autódromo de Interlagos que havia perdido anos antes para o autódromo de Jacarepaguá.

Desfiliou-se do PT em 2003 e em junho do mesmo ano ingressou no PDT, sendo candidato a vice-prefeito na chapa de Paulo Pereira da Silva nas eleições de 2004, mas a chapa não obteve sucesso amargando a 5.ª colocação com 86.549 votos (1,4% dos votos válidos).

No governo de José Serra a frente da Prefeitura de São Paulo, Juarez Soares foi secretário-adjunto da Secretaria do Municipal do Trabalho, mas pediu exoneração no início de 2006, quando o jornal Folha de São Paulo publicou uma denúncia de nepotismo contra Soares, que mantinha a filha e o genro empregados na secretaria onde trabalhava.

Juarez Soares foi comentarista da Rádio Transamérica, que o demitiu em janeiro de 2016. Foi comentarista de futebol na RedeTV! até 5 de abril de 2019, quando foi demitido. Também em 2019, voltou ao rádio esportivo como comentarista do programa “Capital da Bola”, pela Rádio Capital.

É de Juarez Soares a frase, "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa".

O Santos Futebol Clube emitiu nota oficial lamentando a morte do radialista: "Lamentamos o falecimento do jornalista Juarez Soares, que dedicou boa parte de sua vida ao jornalismo esportivo. Força à família neste momento". (Pesquisa: Nilo Dias)