O Nacional Futebol Clube, de Manaus (AM), desde o último dia 13 faz parte do seleto grupo de clubes centenários do futebol brasileiro. A tradicional agremiação amazonense foi fundada no dia 13 de janeiro de 1913, depois de uma cisão no "Manaos Sporting", que era presidido pelo doutor Edgard de Melo Freitas.
A cisão foi motivada por desentendimento entre o presidente e o capitão da equipe Manuel Fernandes da Silva, o “Fernandinho”, quando em reunião da Diretoria discutia-se determinado artigo do Estatuto do clube. A oposição de “Fernandinho” encontrou apoio entre seus companheiros de equipe, da qual faziam parte, entre outros, o senhor José Marçal dos Anjos, de tradicional família de Manaus, que em solidariedade o acompanharam na saída do "Manaos Sporting".
Dessa maneira surgiu o “Eleven” Nacional F.C., depois de uma reunião acontecida em uma casa da rua 7 de Setembro. O nome Nacional foi o escolhido, em razão de que o grupo de jogadores era composto só por brasileiros, numa época em que a maioria dos praticantes do futebol em Manaus, era de ingleses, que já haviam fundado clubes como o "Manaos Sporting". A palavra inglesa “Eleven”, adotada pelo Nacional no inicio de sua existência, que dizer “onze”.
O primeiro grupo de jogadores era formado por: Fernando da Silva, Antonio, Jose Ernesto, Moisés Cordeiro (goleiro); Jorge Hermes, Manuel Laiza, Althberto Rocha, Santos Ferreira, Paulo Melo, Cícero Costa, José Melo e Fausto Paiva.
Uma curiosidade. Na ata de fundação do Nacional consta o seguinte: “O brasão do N.F.C. será constituído por um escudo verde e amarelo, em triângulo alternado dois a dois, com uma borda branca sobre o qual estarão as iniciais NFC encarnadas, e coroando o escudo uma estrela azul”. Porém, ao se olhar o brasão do clube, não se vê nada do que foi dito na ata. Por exemplo, a cor verde é praticamente inexistente, enquanto o azul que sequer foi citado, é a cor que predomina na história do clube.
Tempos depois, já bem estruturado, o clube retirou o nome “Eleven”, em razão de críticas feitas pelo professor Coreolano Durand, passando a chamar-se "Onze Nacional’’. Nesse tempo a agremiação não permitia a entrada de ingleses ou de qualquer outro estrangeiro na equipe. Daí a justificativa para a sugestão de mudança de nome do clube por parte de Durand.
Mais tarde o clube também abandonou o termo “Onze”, passando a denominação de Nacional Foot-ball Club. Durante anos a sigla NFC foi usada no escudo bordado nas camisas.
A primeira sede social do Nacional foi instalada na gestão de José Onando Mendes e Coronel Leopoldo Matos, na hoje Avenida Epaminondas, Centro comercial da Manaus.
A primeira competição oficial que o Nacional disputou foi o Campeonato Amazonense de 1914. A estreia foi contra o "Manaos Sporting", clube de onde saiu a maioria dos seus sócios fundadores. Como a maior parte dos documentos históricos do clube foi perdida, não se sabe ao certo qual foi o resultado daquele confronto.
Nesse primeiro campeonato, o Nacional aplicou as duas maiores goleadas de sua história no seu maior rival, o Rio Negro, que também estreava no certame: 2 de Março de 1914, no campo do Bosque Municipal, Nacional 9 X 0 Rio Negro. E em 19 de Abril de 1914, Nacional 12 X 0 Rio Negro, mais uma vez no campo do Bosque Municipal.
Desde 1918, quando superou o "Manaos Sporting", é o clube com maior número de conquistas no futebol profissional do Amazonas. Entre 1914 e 1920, o Nacional ganhou sete campeonatos estaduais, inclusive sagrando-se penta campeão amazonense com os títulos de 1916 a 1920. Nos anos de 1924 e 1925 o campeonato não foi disputado, e em 1926 houve uma competição que não é reconhecida pela Federação Amazonense de Futebol. Em 1927 o Nacional pela primeira vez deixou de disputar o Campeonato Amazonense, voltando no ano seguinte.
No período entre 1928 a 1959, o clube venceu mais 10 campeonatos. O Nacional também não participou dos Campeonatos Estaduais de 1929, 1947 e 1951, motivado por sérias crises financeiras. Na década de 1950 o Nacional venceu somente dois campeonatos.
Em 1945, a Federação retirou o título de campeão estadual do Nacional, atendendo recurso do Olímpico Clube, que embora perdendo o jogo por 3 X 2, alegou que o adversário utilizara um jogador de forma irregular. Com isso o Rio Negro foi declarado campeão.
Inconformado, o Nacional recorreu e o Tribunal de Justiça Desportiva devolveu-lhe os pontos e em consequência o título de campeão. Em razão disso o Rio Negro resolveu se desfiliar da Federação, voltando atrás logo em seguida.
No período de 1960 a 1969 o Nacional conquistou quatro campeonatos e foi vice-campeão duas vezes. O time de 1963 era muito bom, contando com jogadores de como Boanerges, Jonas, Sula, Jayme Basílio, Vanderlann, Hugo, Fredoca, Portuguêsa, Dermilson e Pepeta.
No final dos anos 60 o Nacional disputou três amistosos contra o Flamengo, do Rio de Janeiro, em Manaus, não perdendo nenhum: o primeiro em 1967, terminou empatado em 2 X 2. O segundo, em 1968, teve vitória do Nacional por 1 X 0, gol de Pepeta. E o terceiro, ainda em 1968, empate em 0 X 0.
Em 1969 o Nacional ganhou o Campeonato Norte/Nordeste, derrotando todos os seus adversários e garantindo lugar na final contra o Grêmio Maringá, campeão do Centro/Sul. A decisão foi no dia 24 de agosto de 1969, no Maracanã, na preliminar de Brasil x Venezuela, jogo valido pela eliminatória da Copa do Mundo de 1970.
Logo aos 8 minutos do primeiro tempo o atacante Pepeta driblou três zagueiros adversários, invadiu a grande área e com um chute forte e certeiro fez o gol que garantiu ao Nacional a maior conquista da história do futebol amazonense. Chamado de “Menino de ouro" do Nacional, Pepeta foi o maior jogador amazonense em todos os tempos, sendo que chegou a ser contratado pelo Palmeiras.
Na chegada a Manaus, milhares de pessoas foram ao aeroporto da “Ponta Pelada” receber os jogadores campeões, que seguiram no carro dos bombeiros até a sede do clube. O então governador Danilo Areosa declarou ponto facultativo por dois dias.
A euforia foi tão grande, que o hoje jornalista Mário Adolfo, na época ainda criança, retirou a bandeira do Estado do Amazonas, que se encontrava no mastro da residência oficial do Governador, para em seu lugar colocar um guardanapo azul e branco, fazendo alusão ao Nacional.
Em 1972 o Nacional disputou o Campeonato Brasileiro, com a seguinte campanha: 25 jogos, 4 vitórias, 10 empates, 11 derrotas, 23 gols a favor (14 de Campos, Vice artilheiro do campeonato) e 30 gols contra. As vitórias, todas no Estádio Vivaldo Lima, em Manaus foram: contra o Corinthians ( 2 X 0), Portuguesa de Desportos (2 x 0), CRB, de Maceió (2 x 1) e Cruzeiro, de Belo Horizonte ( 2 X 1).
Em 1974 o Nacional fez a melhor campanha da história do Campeonato Amazonense de Futebol, conseguindo um feito que permanece até hoje: foi campeão vencendo todos os 10 jogos que disputou, com destaque para a goleada de 4 X 0 sobre o rival Rio Negro. O time levou apenas três gols, marcando 27.
Nos anos 70 o Nacional conseguiu um inédito hexa-campeonato (1976-1981), contando com uma equipe poderosa, onde despontavam craques como Campos, Toninho Cerezzo e Paulo Izidoro, todos juniores do Atlético Mineiro que vieram por empréstimo, Alfredo Mostarda e Antenor (campeão brasileiro em 1977 com o São Paulo).
Nessa época ainda vestiram a camisa do Nacional jogadores como Procópio, Luís Florencio, Borrachinha, Paulo Galvão, Careca, Bendelack e Reis, com destaque também para o técnico Laerte Dória, que dirigiu a equipe em três dos seis títulos conquistados.
5 jogadores campeões mundiais pela Seleção Brasileira em 1970, no México, vestiram a camisa do Nacional anos depois: Rivelino, Edu, Jairzinho, Clodoaldo e Dario. Jairzinho jogou pelo Nacional no Campeonato Brasileiro de 1979, mas participou de apenas três jogos sem marcar gols.
Clodoaldo, titular um bom tempo do Santos (SP), com 55 atuações pela Seleção Brasileira, veio para Manaus em 1981 para defender o Nacional no Campeonato Brasileiro daquele ano, estreando contra o Itabaiana, e jogando ainda contra o Santa Cruz e o Paysandu.
Rivelino veio a Manaus para fazer um amistoso contra a seleção amazonense, e foi convidado pelo Nacional a ficar em Manaus, para disputar apenas um jogo, contra o Remo (PA) num amistoso, em 19 de julho de 1984, que terminou empatado em 1 X 1.
Edu, com 50 jogos pela Seleção, e Dario (Dadá Maravilha) foram contratados para a disputa do estadual de 1984, em que o Nacional foi campeão, e Dadá Maravilha foi o artilheiro do campeonato, com 14 gols. A final foi contra o Rio Negro, e o Nacional jogava pelo empate, que foi garantido com um gol de Dadá.
Em 1985, Dadá e Edu disputaram o Campeonato Brasileiro pelo Nacional, atuando em 21 jogos e fazendo bom número de gols. Em entrevista recente à revista Placar, Dadá declarou que a dupla que formou com Edu no Nacional foi a melhor da sua carreira.
De 1980 até 1987 o Nacional conseguiu seis campeonatos amazonenses, o que sempre lhe fez chegar ao Campeonato Brasileiro. Nesse período disputou seis edições do Campeonato Brasileiro de Futebol- Série A, e uma Série B.
O Nacional foi o primeiro clube da Região Norte do Brasil a disputar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, em 1972 ao lado do Clube do Remo do Pará. E é a equipe amazonense que mais disputou o Brasileirão da Série A, num total de 14 edições. Sua ultima participação na competição foi em 1986, sendo o único de quatro clubes da Região Norte a chegar a segunda fase daquele ano. (Pesquisa: Nilo Dias)
Time do Nacional, que derrotou o Maringá, do Paraná, em jogo realizado no Maracanã, em 1969. Em pé: Ferreira Pedras - Téo - Pedro Hamilton - Sula - Valdomiro, Mario Motorzinho e Marialvo. Agachados: Zezé - Pretinho - Rangel - Rolinha e Pepeta. (Foto: http://www.bauvelho.com.br/?p=828)
Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
"Fenômeno" jogou no Social Ramos clube
O Social Ramos Clube ainda existe, e é uma entidade de atividades sociais, localizada no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro. Foi neste clube que o jogador “Ronaldo Fenômeno” começou sua carreira na escolinha de Futebol de Salão, fato lembrado por ele em algumas entrevistas.
Ronaldo Luiz Nazário de Lima é filho de Sônia e Nélio Nazário. Teve uma infância difícil, mas o sonho de jogar futebol profissional falou mais alto. Iniciou a carreira no futsal, passando pelos times do Valqueire Tênis Clube, Social Ramos Clube e São Cristóvão.
Ele apareceu no Campeonato Carioca de Futsal de 1988, pelo Valqueire, como jogador de linha. O Vasco, que, na época, tinha Felipe e Pedrinho como jogadores, era o líder do campeonato, o melhor time da competição. O Valqueire era um time bom, mas que não se encontrava bem colocado na tabela.
Na partida entre as duas equipes, o Valqueire venceu por 5 X 4, com quatro gols de Ronaldo, que ainda deu o passe para o gol da vitória. Como o Valqueire não iria disputar o Campeonato Carioca de 1989 na categoria 13 anos, Ronaldo foi jogar no Social Ramos Clube, que era mais estruturado e oferecia melhor condição para disputar a competição.
O Social Ramos Clube ficou em terceiro lugar no Campeonato Carioca, e Ronaldo foi o artilheiro com 48 gols. No Brasileiro, foi segundo lugar, e Ronaldo o vice-artilheiro.
A ida de Ronaldo para o São Cristóvão aconteceu depois que o clube “Cadete” resolveu disputar o Campeonato Carioca na categoria Mirim, 13 e 14 anos. E para isso convidou Felipe e Pedrinho, que depois tiveram passagens vitoriosas pelo Vasco, Roger e Athirson, que atuaram no Flamengo e Ronaldo, que permaneceu no clube até a categoria de Juniores.
Nos áureos tempos, o Social Ramos Clube foi palco de shows do rei Roberto Carlos. Lá também eram realizados concursos de beleza, como o da Rainha da Primavera e bailes de debutantes. O local recebeu ainda a visita de astros internacionais. O mais famoso deles foi Rock Hudson. O ator hollywoodiano, estrela de comédias românticas, esteve no local no auge do sucesso, em 1958.
Localizado na Rua Aureliano Lessa, em Ramos, na Zona da Leopoldina,o Social conheceu a decadência nos anos 90, quando a guerra entre traficantes de facções rivais dos morros do Alemão e do Adeus, afastou os sócios e transformou os eventos abertos em fiascos.
Agora, com o fim dos tiroteios na área desde a ocupação do “Complexo do Alemão” por forças de segurança, o Social Ramos Clube, busca de volta os tempos de glória. Fundado em 1945 ele quer reviver as décadas de 50, 60, 70 e 80, quando estava no auge.
O Social Ramos Clube, em um período de sua existência, teve como seu dirigente Orlando da Conceição, mais conhecido por “Orlando Jogador”, um líder do grupo criminoso “Comando Vermelho”, que foi assassinado pelo traficante Ernaldo Pinto de Medeiros, o “Uê”. O apelido de “Jogador”, Orlando ganhou por ter sido na infância e juventude, atleta do Olaria Atlético Clube.
Depois que deixou os gramados costumava patrocinar times amadores, tendo dirigido o Social Ramos Clube, que ia disputar o Campeonato do Departamento Autônomo, mas a agremiação encerrou logo suas atividades futebolísticas, por conta da morte do traficante.
Ele ficou conhecido por ser um dos braços direitos de Rogério Lemgruber, o fundador do Comando Vermelho. “Orlando Jogador” foi responsável por diversas invasões a morros que não pertenciam ao CV, com o objetivo de tomar os pontos de venda de drogas e entorpecentes.
“Orlando Jogador” morreu em 1994, em uma emboscada tramada pelo traficante “Uê”, líder do “Terceiro Comando”, que estava em trégua com o “Comando Vermelho”. Os homens de “Uê” disseram a “Orlando Jogador” que ele tinha sido sequestrado pelo Batalhão Operacional de Polícias Especiais (BOPE) e exigiam um resgate de cerca de 60 mil dólares.
Na época, como Orlando tinha muitas fontes de amigos do crime, rapidamente arrecadou o dinheiro e se encontrou com os homens de “Uê” na “Favela da Grota”, na Rua Joaquim de Queiroz, no “Largo do Bulufa”. “Uê” estava com o dobro de homens de Orlando, todos fortemente armados. Quando ele entregou o dinheiro, foi morto junto com seus comparsas.
O corpo de Orlando e de seu irmão foram deixados em um bairro da zona norte do Rio de Janeiro conhecido como “Maria da Graça”. A partir desse episódio, desencadeou-se uma guerra pela retomada do controle do poder nas favelas reunidas e conhecidas como “Complexo do Alemão”.
A morte de Orlando teria sido respondida por uma ação liderada por Fernandinho Beira-Mar quando, ao lado de “Marcinho VP”, liderou uma rebelião no Presídio de Bangu que acabou com a morte de “Uê” e de seus aliados na cadeia. (Pesquisa: Nilo Dias)
Ronaldo Luiz Nazário de Lima é filho de Sônia e Nélio Nazário. Teve uma infância difícil, mas o sonho de jogar futebol profissional falou mais alto. Iniciou a carreira no futsal, passando pelos times do Valqueire Tênis Clube, Social Ramos Clube e São Cristóvão.
Ele apareceu no Campeonato Carioca de Futsal de 1988, pelo Valqueire, como jogador de linha. O Vasco, que, na época, tinha Felipe e Pedrinho como jogadores, era o líder do campeonato, o melhor time da competição. O Valqueire era um time bom, mas que não se encontrava bem colocado na tabela.
Na partida entre as duas equipes, o Valqueire venceu por 5 X 4, com quatro gols de Ronaldo, que ainda deu o passe para o gol da vitória. Como o Valqueire não iria disputar o Campeonato Carioca de 1989 na categoria 13 anos, Ronaldo foi jogar no Social Ramos Clube, que era mais estruturado e oferecia melhor condição para disputar a competição.
O Social Ramos Clube ficou em terceiro lugar no Campeonato Carioca, e Ronaldo foi o artilheiro com 48 gols. No Brasileiro, foi segundo lugar, e Ronaldo o vice-artilheiro.
A ida de Ronaldo para o São Cristóvão aconteceu depois que o clube “Cadete” resolveu disputar o Campeonato Carioca na categoria Mirim, 13 e 14 anos. E para isso convidou Felipe e Pedrinho, que depois tiveram passagens vitoriosas pelo Vasco, Roger e Athirson, que atuaram no Flamengo e Ronaldo, que permaneceu no clube até a categoria de Juniores.
Nos áureos tempos, o Social Ramos Clube foi palco de shows do rei Roberto Carlos. Lá também eram realizados concursos de beleza, como o da Rainha da Primavera e bailes de debutantes. O local recebeu ainda a visita de astros internacionais. O mais famoso deles foi Rock Hudson. O ator hollywoodiano, estrela de comédias românticas, esteve no local no auge do sucesso, em 1958.
Localizado na Rua Aureliano Lessa, em Ramos, na Zona da Leopoldina,o Social conheceu a decadência nos anos 90, quando a guerra entre traficantes de facções rivais dos morros do Alemão e do Adeus, afastou os sócios e transformou os eventos abertos em fiascos.
Agora, com o fim dos tiroteios na área desde a ocupação do “Complexo do Alemão” por forças de segurança, o Social Ramos Clube, busca de volta os tempos de glória. Fundado em 1945 ele quer reviver as décadas de 50, 60, 70 e 80, quando estava no auge.
O Social Ramos Clube, em um período de sua existência, teve como seu dirigente Orlando da Conceição, mais conhecido por “Orlando Jogador”, um líder do grupo criminoso “Comando Vermelho”, que foi assassinado pelo traficante Ernaldo Pinto de Medeiros, o “Uê”. O apelido de “Jogador”, Orlando ganhou por ter sido na infância e juventude, atleta do Olaria Atlético Clube.
Depois que deixou os gramados costumava patrocinar times amadores, tendo dirigido o Social Ramos Clube, que ia disputar o Campeonato do Departamento Autônomo, mas a agremiação encerrou logo suas atividades futebolísticas, por conta da morte do traficante.
Ele ficou conhecido por ser um dos braços direitos de Rogério Lemgruber, o fundador do Comando Vermelho. “Orlando Jogador” foi responsável por diversas invasões a morros que não pertenciam ao CV, com o objetivo de tomar os pontos de venda de drogas e entorpecentes.
“Orlando Jogador” morreu em 1994, em uma emboscada tramada pelo traficante “Uê”, líder do “Terceiro Comando”, que estava em trégua com o “Comando Vermelho”. Os homens de “Uê” disseram a “Orlando Jogador” que ele tinha sido sequestrado pelo Batalhão Operacional de Polícias Especiais (BOPE) e exigiam um resgate de cerca de 60 mil dólares.
Na época, como Orlando tinha muitas fontes de amigos do crime, rapidamente arrecadou o dinheiro e se encontrou com os homens de “Uê” na “Favela da Grota”, na Rua Joaquim de Queiroz, no “Largo do Bulufa”. “Uê” estava com o dobro de homens de Orlando, todos fortemente armados. Quando ele entregou o dinheiro, foi morto junto com seus comparsas.
O corpo de Orlando e de seu irmão foram deixados em um bairro da zona norte do Rio de Janeiro conhecido como “Maria da Graça”. A partir desse episódio, desencadeou-se uma guerra pela retomada do controle do poder nas favelas reunidas e conhecidas como “Complexo do Alemão”.
A morte de Orlando teria sido respondida por uma ação liderada por Fernandinho Beira-Mar quando, ao lado de “Marcinho VP”, liderou uma rebelião no Presídio de Bangu que acabou com a morte de “Uê” e de seus aliados na cadeia. (Pesquisa: Nilo Dias)
Ronaldo, no time de Futsal do Social Ramos Clube.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
O futebol cearense está de luto
O futebol cearense está de luto, com o falecimento hoje, na avançada idade de 105 anos, de Valdemar Caracas, um dos fundadores do Ferroviário Atlético Clube, tradicional agremiação esportiva de Fortaleza, que em 2013 completará 80 anos de história, e o mais velho fundador, ainda vivo, de um time de futebol no país.
Ele não resistiu a uma insuficiência renal, conseqüência da pneumonia que o levou a ser internado desde meados de dezembro, em um hospital particular de Fortaleza. No início de janeiro, Valdemar Caracas chegou a ser submetido a uma traqueostomia, procedimento cirúrgico que consiste em abrir um orifício na traquéia e inserir uma válvula para auxiliar na respiração do paciente.
Os que o conheceram afirmavam que se tratava de um homem que soube ser filho, pai, avô, bisavô, marido e desportista no melhor estilo. O vice-presidente do Ferroviário, Edmilson Junior lamentou a morte de Valdemar Caracas que, segundo ele, foi um dos maiores nomes da história do futebol cearense. "Era uma referência, um ícone”.
O dirigente afirmou ainda que o clube vai homenagear o seu fundador no velório, enterro e durante a partida desta quarta-feira contra o Tiradentes no estádio Presidente Vargas. Ele garantiu que Caracas não será esquecido pelo clube e pela torcida. O Ferroviário decretou luto oficial de 9 dias em sua homenagem.
O corpo de Valdemar será velado a partir das 17h desta segunda-feira (14) na Funerária Ethernus, na rua Padre Valdevino, 1688 - Aldeota, em Fortaleza. O sepultamento, que também será marcado por uma Missa, ocorrerá na manhã de terça-feira (15), a partir das 10h, no Cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré.
Caracas não foi apenas um dos fundadores do Ferroviário e o primeiro cronista esportivo do Estado, era também fundador do Partido Socialista Brasileiro (PSB), no Estado, o mais antigo previdenciário do Ceará, tendo ainda sido sub-prefeito de Parangaba, na gestão do Prefeito Manoel Cordeiro Neto.
Valdemar Cabral Caracas nasceu em Pacoti (CE), no dia 9 de novembro de 1907. A casa aonde veio ao mundo ainda pertence à mesma família. Está localizada na entrada da cidade, no sítio “Pau do Alho”, no primeiro quarteirão. Ali, ele foi batizado pelo monsenhor André Tabosa.
Em 1936, quando era vereador em Fortaleza, Valdemar Caracas enviou um projeto propondo o nome de Monsenhor Tabosa, à rua do cemitério. Sobre a sua primeira moradia, Caracas contou que o proprietário, de nome Silveira, foi atropelado na calçada por um jipe e morreu.
Ainda jovem se mudou com a família para Fortaleza para estudar em escola pública. O pai dele era empregado de um comércio em Fortaleza, que começava a fervilhar. Saiu de Pacoti, na região do Maciço de Baturité, com a família, e alugou uma casa de duas janelas no Centro de Fortaleza. A mãe, viúva, com seis filhos, casou-se de novo e teve mais sete filhos no segundo casamento, do qual Caracas é o primogênito.
Diplomado pela escola de comércio em Fortaleza, Caracas teve a história confundida com a de Fortaleza em vários âmbitos. Foi o primeiro cronista esportivo do Estado do Ceará, trabalhando na Ceará Rádio Clube, pioneira da radiodifusão cearense, além de ter sido correspondente do “Jornal do Brasil” e do “Jornal dos Sports”, do Rio de Janeiro. Foi funcionário público, dirigente esportivo, técnico de futebol e vereador.
Em 1922, Valdemar Caracas ainda não tinha completado 15 anos quando ingressou na Rede de Viação Cearense (RVC), onde chegou ao cargo de chefe do Escritório de Manutenção da empresa. Sua carreira na RVC foi concluída no cargo de secretário, o qual ocupou por três anos, até se aposentar.
Em 1926, se envolveu em um acontecimento insólito, ao fazer “uma paródia” de música com o seu chefe. A brincadeira lhe custou a transferência para Missão Velha, onde muitas vezes tinha de andar armado. Na época, o porte era livre.
A cidade seguidamente convivia com cangaceiros. Por lá aconteceu um episódio que Caracas nunca mais esqueceu, embora não tivesse chegado a ver, mas ouviu os tiros. O cangaceiro Isaías Arruda matou o segundo tenente Fernando Pinto e o sargento José Pereira Nascimento, fato que teve enorme repercussão na época.
Em maio de 1933, ficou sabendo que alguns de seus colegas da Rede de Viação Cearense haviam criado um time de futebol e realizavam jogos em um campo no subúrbio de Fortaleza, mas seguidamente se envolviam em confusões.
Disciplinador, Caracas resolveu dar uma organização mais eficiente ao time, começando assim a história do Ferroviário Atlético Clube e também a sua, dentro do tradicional clube cearense. Ele próprio contou detalhes da fundação do Ferroviário, em crônica escrita em maio de 1994:
“Vou falar sobre o Ferroviário, precisamente do Ferroviário Atlético Clube. Nascido em 1933, fruto da junção das equipes "Matapasto" e "Jurubeba", recebeu, na pia batismal, o nome de Ferroviário Footbal Clube, mas, na confirmação da crisma, fiz substituir o Football por Atlético.
Iniciava-se o ano de 1933, quando a direção da Rede de Viação Cearense (RVC) autorizou a execução de serviços extraordinários nas oficinas do Urubu, para a reparação de locomotivas, carros e vagões, durante um expediente noturno, que começava às 18 e terminava às 20 horas.
Como o expediente normal expirava às 16:25, os operários mais jovens que residiam longe dali (Barro Vermelho, Soure, Otávio Bonfim, Quilômetro 8, Parangaba, Mondubim) resolveram aproveitar a hora de folga para a prática de futebol; na preparação do campo, a relva retirada do espaço a ele destinado, era constituída de mata-pasta e jurubeba.
A verve operária, que era fértil, escolheu, então, estas plantas medicinais para denominação dos dois onzes, que se defrontavam todas as tardes, no campo improvisado. As traves das metas eram roliças, confeccionadas que foram com tubos inservíveis, retirados de caldeiras das "Marias-fumaça".
Com aquele "timezinho" cognominado apenas de Ferroviário, eles, os operários-atletas, ou melhor, “pebolistas”, foram aos subúrbios onde realizaram partidas amistosas, com real proveito para a harmonia do conjunto, tudo sem qualquer interferência da minha parte.
Foi, então, que deliberei fazer dele gente, como se diz na gíria. Reuni operários, meus companheiros, promovi sessão com livro para a lavratura de atas, fiz um retrospecto da agremiação que surgia, completei o nome desta e disse-lhes da importância daquela reunião, como fator auspicioso para projeção da classe ferroviária.
Era pretensão minha que tal ocorresse a 9 de novembro, quando eu completaria 26 anos, mas o entusiasmo exigiu a antecipação e não perdi tempo, marcando o dia para 9 de maio, exatamente 6 meses antes de 9 de novembro. Parti, então para a nova missão, aproveitando as horas disponíveis da minha atividade funcional.
Fui tudo no Ferroviário, menos presidente, porque nunca quis sê-lo. Fui pai, mãe, babá e, sobretudo, seu educador, disciplinando-o, pois a equipe suburbana era useira e vezeira em tomar o apito do árbitro, quando a decisão deste não lhe fosse agradável. Acabei com essa prática danosa ao seu comportamento, o time se fez clube, cresceu e está aí, vencendo os tropeços e dando alegrias a todos nós, seus torcedores”.
Além de fundador, Caracas chegou a se aventurar como jogador, mas não deu certo. Depois foi diretor e técnico do Ferroviário, tendo sido campeão cearense de 1945, no primeiro título estadual conquistado pelo “Ferrim”.
Valdemar também se envolveu com a política e, devido sua influência junto aos trabalhadores da RVC, foi eleito vereador de Fortaleza em 1936, pelo Partido Republicano Conservador (PRC).
No ano seguinte, ocorreu o golpe de Getúlio Vargas que instalou o “Estado Novo” e, no dia 10 de novembro de 1937 teve seu mandato cassado pela então recém-instaurada ditadura varguista. Era até hoje o único vereador vivo daquela legislatura. Posteriormente, em 1947, ajudou a fundar o Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Estado do Ceará .
Valdemar Caracas não mais acompanhava os jogos do Ferroviário, como antes, mas nem por isso ficava alheio a complicada situação vivida pelo clube de seu coração nos últimos anos. Enquanto teve forças, participava de perto da vida do Ferroviário, sendo um de seus mais fervorosos torcedores. Depois que se afastou do futebol, recebeu inúmeras homenagens.
Quando completou 100 anos, foi homenageado com um busto de bronze no salão principal dos alojamentos da Vila Olímpica Elzir Cabral, mandado colocar pelo então presidente, Francisco Neto..
A última homenagem prestada publicamente à Caracas foi por ocasião da reabertura do Estádio Presidente Vargas, em setembro do ano passado. Por determinação da prefeita Luizianne Lins, a “Calçada da Fama” leva o nome de Valdemar Cabral Caracas. Na oportunidade foi entregue também, uma placa comemorativa da reabertura do novo estádio.
O Estádio de futebol de Bom Jardim, leva o nome de ”Valdemar Caracas”, graças a um projeto de Decreto Legislativo dos vereadores José do Carmo e Tin Gomes (PHS). Eles justificaram a homenagem pela história de vida de Valdemar Caracas, pelos seus valorosos préstimos à comunidade do município e Estado.
O PSB cearense, quando completou 60 anos, lhe ofereceu uma placa pelo pioneirismo de ter criado no Ceará “um partido de luta pelos ideais socialistas e pelos princípios de liberdade e justiça social”.
Valdemar Caracas sempre dizia que em meados do século passado, os craques faziam a diferença. Ao contrário do que pensa a maioria dos desportistas, ele não via Pelé como o maior jogador do mundo. “Não tenho qualquer dúvida em apontar o Leônidas da Silva como o melhor de todos os tempos. Ele era incomparável”.
Além de Valdemar Caracas, o Ferroviário perdeu na última sexta-feira, 11, em Brasília, o padre Haroldo Coelho, de 77 anos. Ilustre e querido torcedor do “Ferrim”, era presença constante em jogos e eventos relacionados ao clube ”coral”. Padre Haroldo fora à Brasília passar as festas de fim de ano com familiares e há 10 dias estava internado na UTI do Hospital Daher, no Lago Sul.
Nos últimos dois dias ele não vinha respondendo aos antibióticos e apresentava um quadro de infecção generalizada, até sofrer uma parada respiratória. No jogo do último sábado, contra o Icasa, em Juazeiro do Norte, foi respeitado um minuto de silencia em homenagem à ele. (Pesquisa: Nilo Dias)
Valdemar Caracas. (Foto: Jornal "O Povo")
A fantástica máquina de fazer gols (Final)
Em
1955 o Frigorífico A. C. conquistou o título da 2ª Zona do Campeonato
Fluminense, que na época não foi considerado título estadual. O reconhecimento
só ocorreu em 1962, por decisão da FFD.
A
confusão aconteceu por causa da recusa de niteroienses e campistas de disputar
o campeonato fluminense organizado pelo DEP a partir de 1953.
Até
chegar ao título máximo, o Frigorífico jogou 19 partidas, venceu 11 (uma por
Wx0), empatou cinco, e perdeu apenas quatro. Marcou 45 gols e sofreu 27. No
jogo contra o Royal, em Barra do Piraí, Nenzinho foi autor de três gols que
deram a vitória ao Frigorífico por 4 X 3, assegurando a conquista do título.
P
campeonato estadual foi organizado entre os campeões de Niterói, Campos e Vale
do Paraíba, sendo esta última região aquela da qual fazia parte o Frigorífico.
Frigorífico e Barra Mansa classificaram-se para o Campeonato Fluminense,
ficando ambos no Grupo A ao lado do Cruzeiro, de Niterói. Infelizmente o
alvinegro terminou em último lugar neste grupo e não seguiu adiante na
competição.
Faltando
apenas duas rodadas para o término do campeonato, o Superior Tribunal de
Justiça da então CBD, mandou que fossem incluídos na competição os times da A.
A. Volta Redonda e 1º de Maio S.C. , o que provocou uma crise na FFD, apoiada
por todos os filiados, que se recusaram a jogar com aquele clube.
Esse
fato levou a FFD a proclamar o Volta Redonda campeão, sem disputar uma única
partida. Chegou a ser marcado um primeiro jogo entre Volta Redonda X 1º de
Maio, que também não se realizou em face do desinteresse do clube de Santanésia
de participar da polêmica questão. O “Jornal dos Sports”, de 18/12/55,
noticiava:
“O
OUTRO CAMPEÃO – O Frigorífico, primeiro colocado no certame de 1955, já havia
garantido o título de campeão quando surgiu o caso da inclusão da A. A. Volta
Redonda no certame. Tendo se unido aos demais seis clubes que não concordavam
com o ingresso do novo concorrente, o Frigorífico, campeão de direito
sacrificará a conquista gloriosa, mas não arredará do seu ponto de vista.
Mas
isso não aconteceu. Depois de algumas reuniões realizadas em Barra do Piraí e
Volta Redonda, foi sugerido que Frigorífico e Volta Redonda, formassem um
combinado para representar o Sul do Estado nas eliminatórias que apontariam o
representante fluminense na Taça Brasil. Mas no fim o Volta Redonda acabou
participando do torneio que apontaria aquele representante, enquanto o
Frigorífico tinha seu título reconhecido.
No
dia 13 de dezembro aconteceu a festa de entrega das faixas aos campeões, num
jogo amistoso frente a Seleção Carioca de Amadores (Departamento Autônomo), que
se preparava para excursionar à Europa. O jogo contou com a participação de
todos os jogadores que atuaram no campeonato. O resultado final foi um empate
de 4 X 4. Os gols do Frigorífico foram marcados por Ceoca, Nenzinho,
Tarrachinha e Cunha.
Na
oportunidade, foi prestada uma significativa homenagem ao extraordinário craque
Zé Magro, que havia encerrado sua carreira um ano antes, depois de quase 15
anos de participação decisiva na conquista de tantas vitórias e títulos que
engrandeceram o clube.
Nos
Campeonatos Estaduais de 1956, 1957, 1959 e 1991 o Frigorífico teve fracas
participações, o que motivou o seu fechamento. Mas, inegavelmente, nos 74 anos
em que participou de várias competições, deixou um legado de muitas conquistas,
que até hoje são lembradas pelos torcedores de Mendes.
Muitos
craques do futebol brasileiro vestiram a gloriosa camisa do Frigorífico, entre
eles: Jair Rosa Pinto, que jogou pelo Madureira, Flamengo, Vasco da Gama,
Santos e Seleção Brasileira; Ceoca, meia-esquerda talentosíssimo,
assemelhava-se aos grandes “canhotos” que fizeram história no nosso futebol;
Ramos, meia-esquerda, foi o artilheiro da equipe no campeonato de 1943, com 29
gols, estabelecendo um recorde histórico nos campeonatos da Liga Desportiva de
Barra do Piraí. Era do Corpo de Fuzileiros Navais e em 1944 transferiu-se para
o Madureira E.C., do Rio de Janeiro; Cunha, meia-esquerda, autor do gol que deu
ao Frigorífico o título do Torneio Início do Supercampeonato de Profissionais
de 1955. Pertencia ao São Cristóvão F.R., do Rio de Janeiro, na categoria
“não-amador”, e veio para Mendes atraído por uma proposta para trabalhar no
escritório do Frigorífico Anglo; Placedez Benitez Guglielmi, argentino,
recomendado ao C.R .Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, chegou a Mendes no início
de 1940 e acabou ficando para sempre.
Mas
o maior ídolo da história do Frigorífico A.C. foi sem dúvida José Francisco dos
reis Filho, o “Zé Magro”. O apelido veio por causa de sua magreza. Mas sabia
fazer de tudo: passes, dribles desconcertantes, senso de colocação na hora de
receber a bola e gols, com incrível facilidade.
Emérito
goleador, que desmoralizava e humilhava os adversários com seus dribles curtos,
desconcertantes e sucessivos no menor espaço de campo, Zé Magro era o terror
das defesas adversárias e principal responsável pelos gols que redundaram em
tantas vitórias importantes e títulos conquistados.
Foi
o principal artífice de incontáveis e importantes vitórias – algumas pela
impressionante marca de três gols – que tanto engrandeceram o Frigorífico. Sua
fase áurea foi de 1944 a 1950, com um período de experiência no Clube Atlético
Mineiro, frustrada por uma lesão mal curada, que abreviou a sua carreira.
Na
memorável partida contra o Central, em Barra do Piraí, em 1948, pelo campeonato
da LDBP, e que o Frigorífico venceu por 4 X 2, Zé Magro realizou talvez a maior
partida de sua vida. Ao marcar o quarto gol, ele, que havia feito o primeiro e
dado passes para Magela e Lair marcarem os outros dois, dirigiu-se ao local
onde se encontrava a torcida do Frigorífico e exclamou, batendo no peito: “Eles
têm que respeitar esta camisa!”
No
final de 1950, Zé Magro estava afastado do futebol. Resolvera parar, por razões
pessoais. O Cipec chegara ao final do campeonato daquele ano com um ponto de
vantagem sobre o Central e dependia tão somente de suas forças para conquistar
o ambicionado o título. Para isso bastava vencer o seu último jogo, contra o
Frigorífico.
Didi,
capitão do time do Frigorífico não gostava do Cipec, por isso insistiu para que
Zé Magro jogasse aquela partida decisiva. Inicialmente, “Zé Magro” não aceitou
o convite, mas depois de muitos apelos acabou cedendo e disse: “Está bem. Se
depender de mim, eles não serão campeões”.
”Zé
Magro” se preparou para o jogo, dando atenção ao preparo físico, que inclusive
se prolongavam pela noite, com demorados passeios de bicicleta. E no domingo
não deu outra: Frigorífico 2 X 1, com dois gols de “Zé Magro” e o Cipec se
retirando de campo.
Para
quem nunca ouviu falar em “Zé Magro”, este fato diz tudo. O grande Jair Rosa
Pinto, em uma entrevista ao “Museu da Imagem e do Som”, quando indagado sobre
os maiores jogadores que viu atuar no futebol brasileiro disse: “Pelé,
Garrincha e Zé Magro”.
Ante
a surpresa do repórter pelo inusitado da resposta, Jair acrescentou: “Zé Magro
vocês não conheceram, mas foi o maior driblador do futebol brasileiro. Era do
Frigorífico de Mendes”.
Em
07 de setembro de 1994, na presidência de Paulo César Caramez, o Estádio da
Vila Wesley passou a denominar-se “Estádio Zé Magro”, numa justa homenagem
aquele que foi o maior craque que o Frigorífico A.C. e o futebol de Mendes
conheceram em todos os tempos.
Em
toda a sua trajetória pelos gramados fluminenses, o Frigorífico conquistou
vitórias memoráveis, que até hoje são lembradas: 7 X 0 sobre a seleção de
Valença, em 1935; 9 X 2, em Mendes, sobre o Central de Barra do Piraí, em 1941;
5 X 2 sobre o Royal, em Barra do Piraí, pelo campeonato da LABP, em 1940; 8 X 4
sobre o time misto do C.R. Flamengo, em 1957; 5 X1 sobre o Cipec, em 1947, na
decisão do Torneio Municipal.
Vitórias
emocionantes como a de 3 X 2 sobre o Royal, em Barra do Piraí, que valeu o
título de campeão da LDBP de 1952; 4 X 3 sobre o mesmo Royal, em Barra do Piraí
em 15 de novembro de 1955, garantindo a conquista do título de Supercampeão
Estadual de Profissionais. Vitórias dramáticas como a de 1 X 0 sobre o
Metalúrgico, em São Gonçalo, em 1946, após mais de duas horas de jogo.
Vencendo
no tempo regulamentar, o Metalúrgico levou a disputa para decisão numa
prorrogação de 30 minutos, que terminou empatada em 0 X 0. Ou a de 3 X 2 sobre
o poderoso esquadrão do Icaraí, no estádio Caio Martins, num ambiente de
verdadeira batalha. Vitórias épicas como a de 6 x 4 sobre o Central, em Barra
do Piraí, na decisão do título de campeão do Torneio Início de 1946, após
terminar o primeiro tempo do jogo perdendo de 4 X 1.
Mas
a vitória que talvez devesse ser emoldurada como um raro exemplo de garra e
amor à camisa foi a que deu ao Frigorífico o título de campeão invicto da LDBP
em 1945. O time alvi-negro derrotou o adversário por 3 X 0, em Barra do Piraí,
depois de empatar o primeiro jogo realizado em Mendes, por 1 X 1.
O
Frigorífico jogou desfalcado de Bibi e Mascote, que se transferiram para o
futebol carioca. Além desses dois importantes joga dores, o clube havia perdido
também Rubi, transferido para o 1º de Maio, e Robeval, Marino, Armando e Abdo,
que haviam acompanhado Sabino Catete para o recém fundado Cipec E.C.
Entrega
das faixas de campeão de 1955. (Foto: Acervo do Frigorífico A.C.)
A fantástica Máquina de fazer gols (I)
O
Frigorífico Atlético Clube, da cidade de Mendes (RJ), foi fundado no dia 7 de
setembro de 1917 por funcionários da “Brazilian Meat Company”, precursora do
Frigorífico Anglo. A razão social S.A. Frigorífico Anglo só foi adotada em
1941. Mas o futebol em Mendes começou a ser jogado em 1915, dois anos antes do
surgimento do Frigorífico A.C., por iniciativa dos irmãos Alcindo e Nestor
Fonseca, que organizaram os primeiros times na então vila.
Mendes
já foi parte de Piraí , Vassouras e Barra do Piraí mas, graças ao seu grande
crescimento econômico, conseguiu emancipação em 1952 , por força da Lei n.º
1.559, de 11 de julho daquele ano, e foi definitivamente instalado em 11 de
janeiro de 1953 .
O
primeiro campo de futebol foi construído em um terreno ao lado esquerdo da
“Estrada de Santa Rita”, então um local nobre da vila, pela sua proximidade com
o “Hotel Santa Rita”, onde se concentravam as atividades dos veranistas que
lotavam as suas dependências. O primeiro jogo disputado pelo Frigorífico, que
se tem noticia, foi realizado no dia 7 de setembro de 1919 entre duas formações
do próprio clube, que serviu para inaugurar o campo de futebol da Vila Wesley e
apresentar a banda de música recém-organizada.
Segundo
uma tradição oral, na impossibilidade de adquirir as camisas aprovadas pela
assembléia geral, nas cores vermelha e branca, que não existiam no mercado, o
clube acabou optando pelas cores preta e branca, que se tornaram definitivas.
O
Frigorífico não se limitou apenas ao futebol, foi responsável por uma notável
obra de integração social no município. Seu time principal nunca se negou a
participar de festivais beneficentes em favor de igrejas, bandas de músicas,
instituições culturais, esportivas, assistenciais e de jogadores veteranos.
Ainda no setor esportivo, organizava campeonatos internos de vôlei, basquete e
futebol de salão, com a participação de vários bairros e entre empregados do
Frigorífico Anglo, e associações diversas, alguns reunindo cerca de 200
participantes. Seus campeonatos infantis faziam vibrar a garotada de Mendes.
O
Frigorífico Atlético Clube foi um dos pioneiros do futebol no antigo Estado do
Rio de Janeiro. Nos anos 20 e 30 chegou a ser quase um mito, sendo considerado
o melhor time do Estado, em razão de uma série de 27 partidas sem perder. Esse
verdadeiro recorde foi interrompido pelo Fluminense em 1921. O time tricolor
tinha na sua formação a maioria dos jogadores que haviam se sagrado tri-campeão
carioca em 1919.
Esse
jogo histórico foi idealizado por Henry Welfare, da “Brazilian Meat Company”,
que jogava no Fluminense, onde foi um dos grandes goleadores. Welfare, que
depois foi para o Vasco da Gama, também jogou várias vezes pelo Frigorífico. O
Fluminense teve uma recepção calorosa em sua visita a Mendes, tendo sido
oferecido ao elenco carioca um banquete na plataforma de embarques do
matadouro-frigorífico, além de um cartão de prata, entregue momentos antes do
jogo.
O
Fluminense venceu por 2 X 1, acabando com a invencibilidade do Frigorífico, que
durara 27 partidas. O jogo se constituiu num grande acontecimento social e
esportivo. Pena que as fotografias que registraram o evento, e que se
encontravam em quadros nas paredes do Estádio da Vila Wesley, tenham sido destruídas
pela grande enchente de 1945, que causou profundos danos as dependências do
clube.
Naquele
histórico jogo o time do Frigorífico formou com Gastão - João Soares e
Gramofone – Alcindo - Décio Monteiro e Chiquito - Jair Taubaté - Rômulo
Guariento - João Guariento - Manoel Braga e Gasolina. O atacante Manoel Braga
era filho do coronel Júlio Braga. Os irmãos Guariento procediam de um clube de
Bangu, chamado Esperança, e acabaram eternizando esse apelido, que se
transformaria numa legenda dentro do clube, e do qual Humberto Guariento foi um
extraordinário continuador.
O
Frigorífico conquistou o seu primeiro título oficial em 1933, quando venceu o
Central por 1 X 0, na final do Torneio Início da Liga Esportiva Sul Fluminense,
disputado em Barra do Piraí. Também venceu o mesmo Central, por 3 X 2, no jogo
inaugural do Campeonato da LEFS. Em 10 de março de 1940 foi disputado o
“Torneio do Cinquentenário”, vencido pelo Central.
No
dia 18 de abril, o então prefeito Paulo Fernandes, reuniu todos os clubes do
município, para a fundação da Liga Atlética de Barra do Pirai, que depois mudou
a denominação para Liga Desportiva de Barra do Piraí. Os clubes fundadores
foram América, Brasil, Central, Fábrica, Frigorífico, Itacolomy (atual Cipec
E.C.), Royal, Santana, Sublime e 1º de Maio.
Em
1943 o Frigorífico fez uma campanha espetacular, marcando 78 gols e sofrendo
apenas 21, em 18 partidas do campeonato, com a fantástica média de 4,3 gols por
jogo, com 17 vitórias e um empate, sagrando-se campeão barrense. O último jogo
foi contra o Central, em Mendes, e terminou 4 X 0, com gols de Ramos (2),
Tandão e Mascote.
A
equipe campeã formou com: Bananada - Didi e Lourival – Robeval - Pedrão e Bibi
– Mascote – Barbosa - Zé Magro - Ramos e Rubi. O time que disputou esse
campeonato é considerado por muitos o melhor time Frigorífico de todos os
tempos, e até mesmo do próprio futebol fluminense da época.
Na
semifinal do Campeonato Estadual de Clubes Campeões de 1943, organizado pela
Federação Fluminense de Desportos, o Frigorífico empatou em Mendes por 3 X 3
com o Icaraí F.C., de Niterói, atuando quase todo o segundo tempo com apenas 10
jogadores. No jogo de volta, no estádio Caio Martins, o Frigorífico vencia o
Icaraí por 3 X 2 na prorrogação (2 X 2 no tempo normal) quando o jogo foi
interrompido em virtude de um conflito iniciado por dirigentes e torcedores do
time niteroiense, que invadiram o gramado inconformados com o terceiro gol
alvinegro.
Depois,
em decisão que ninguém entendeu,o Tribunal de Justiça Desportiva da FFD deu os
pontos da partida para o Icaraí, que foi considerado campeão. No Campeonato
estadual de 1943 a equipe somente entrou na Segunda Fase, sendo eliminado na
fase seguinte.
O
profissionalismo no futebol do então Estado do Rio de Janeiro começou em 1952,
por determinação da Federação Fluminense de Desporto, o que provocou muita
discussão. Uns entendiam que a medida fortaleceria o futebol fluminense,
enquanto outros achavam que se tratava de manobra centralizadora de poder,
destinada a acabar com as ligas municipais.
Naquele
mesmo ano foi criado o Departamento Estadual de Profissionais, ao qual logo
aderiram os principais clubes de Barra Mansa, Nova Iguaçu, Paracambi, Paraíba do
Sul, Resende, Três Rios e Volta Redonda. De Barra do Piraí, aderiram
inicialmente o Adrianino e o Central. Só em 1953, Frigorífico, Royal e 1º de
Maio ingressaram no profissionalismo, juntamente com o Fluminense, de
Vassouras, e os clubes de Valença.
O
profissionalismo dos times do interior logo se mostrou altamente nefasto aos
clubes, que na maioria faliram. Para completar, os jogos do Campeonato Carioca
eram transmitidos pelas rádios, esvaziando os estádios nas pequenas cidades.
Time
do Frigorífico Mendes Club que inaugurou a arquibancada do estádio da Vila
Vesley, em 1920. Da esquerda para a direita, de pé: Murilo Neves - Augusto dos
Santos - João Soares - Gastão - Nestor Fonseca, Ambrose Evelyn Moore e Thomaz
Santos; ajoelhados: Chiquito - Décio Monteiro e Gramofone. Sentados: Jair
Taubaté - Rômulo Guariento - João Guariento - Manoel Braga e Alcindo Fonseca.
(Foto: Acervo do Frigorífico A.C.)
domingo, 6 de janeiro de 2013
Uma vida marcada pela tragédia
Em 1909, a literatura policial e esportiva falava de um fantástico “fullback” pela esquerda, que se chamava Dinorah de Assis. Foi ele quem deu início a uma série fantástica de jogadores canhotos que vestiram a camisa número 4 do Botafogo. Depois dele veio o argentino Basso, que, segundo consta, inspirou o futebol de Nilton Santos, considerado por muitos o maior lateral esquerdo do mundo.
O interessante é que Nilton Santos jogou na seleção brasileira até os 38 anos de idade, quando se sagrou bicampeão mundial no Chile, jogando sempre na lateral esquerda, posição em que nunca atuou no Botafogo. No alvinegro era quarto-zagueiro.
Depois de Nilton, veio Sebastião Leônidas, que foi cortado da seleção campeã do Mundo em 1970, por contusão, dias antes do embarque para o México. Ele foi o autor de uma das mais belas jogadas já vistas no futebol. Num jogo em 1968, em que a Seleção Brasileira goleou a Argentina por 4 X 1, depois de um olé brasileiro de quase 60 passes, um zagueiro argentino deu um chutão para cima, caindo a bola verticalmente na intermediária brasileira. Leônidas amorteceu a bola fazendo-a deslizar pelo seu corpo inteiro até deixá-la quieta na grama.
Mais tarde, chegou Mauro Galvão, que igualmente vestiu a camisa 4. E ainda Gonçalves, que teve grande destaque no Botafogo. Tudo isso motivou o eterno Nelson Rodrigues a perguntar: “Será que é o Dinorah quem sempre veste a camisa quatro do Botafogo?”
Dinorah jogou no tempo do amadorismo, quando a bola era chutada com o pé e com o coração. Era zagueiro, mas tinha habilidade suficiente para também atuar no ataque tão bem quanto na defesa.
Sua vida foi marcada pela tragédia. Dinorah era irmão do aspirante Dilermando de Assis, de 17 anos, que envolveu-se amorosamente com Ana Sólon, de 30 anos, mulher do autor de “Os Sertões”, Euclides da Cunha. Quando soube do fato, o escritor foi até a casa do amante da esposa, em Piedade, subúrbio do Rio, disposto a matar o homem que o fez ser trocado. Levou a pior e ainda alvejou um inocente.
Tudo aconteceu no domingo, 15 de agosto de 1909, na casa de número 214 da Estrada Real de Santa Cruz, na Piedade, Rio de Janeiro. Um homem agitado e nervoso bateu palmas no portão e foi recebido pelo jovem Dinorah de Assis, a quem manifestou o desejo de falar com o dono da casa, Dilermando de Assis, aspirante do Exército.
Vai logo entrando na sala de visitas, quando saca de um revólver e diz: “vim para matar ou morrer!”. Entra no interior da casa e atira duas vezes em Dilermando que, atingido, cai. Dinorah, vendo o irmão ferido, tentou arrebatar a arma de Euclides. Ouviram-se mais dois disparos. Outro tiro e Dinorah foi atingido na coluna vertebral, junto à nuca.
Dilermando, mesmo ferido, conseguiu apanhar o revólver, atirou duas vezes sem atingir Euclides. Este aperta o gatilho de novo e recebeu um tiro de Dilermando que lhe feriu o pulso. Duelo de vida e morte. Tiros de ambos os lados e um projétil atingiu o pulmão direito de Euclides, que caiu morto ao solo. Assim aconteceu o que se denominou "A Tragédia da Piedade".
Apesar de tudo, Dinorah conseguiu recuperar-se rapidamente do ferimento e já estava pronto para jogar contra o Fluminense sete dias depois do ocorrido, fato que o levou a entrar definitivamente para a história do popular clube carioca. Quando entrou em campo para aquele jogo, alguns torcedores o vaiaram, mesmo nada tendo a ver com a morte do escritor Euclides da Cunha.
E não foi só. Jogou todo o campeonato de 1910, ano em que o Botafogo conquistou o primeiro título com o nome de Botafogo de Futebol e Regatas, sucessor do Botafogo Football Club, mesmo com uma das balas alojada na coluna vertebral, junto aos pulmões. Em 1910, Dinorah fez dois gols e foi fundamental, mas no ano seguinte não conseguiu apresentar o mesmo rendimento. Foi da linha para o gol e aposentou-se em 25 de junho, no terceiro ano de carreira, com os movimentos comprometidos.
Dinorah participou da maior goleada registrada no futebol brasileiro, quando o Botafogo goleou o S.C. Mangueira por 24 X 0, no dia 30 de maio de 1909. O Mangueira era um modesto time da zona norte do Rio que desapareceu em 1924, e nada teve a ver com a escola de samba. Nesse jogo Dinorah marcou um gol.
O Botafogo jogou com Coggin - Pullen I e Dinorah – Rolando - Lulú e Pullen II – Henrique - Flávio Ramos – Monk - Gilbert e Emanuel Sodré Viveiros de Castro. Os gols de Gilbert (9), Flávio (7), Monk (2), Lulu (2), Raul (1), Dinorah (1) e Henrique e Emanuel (1 cada).
A quarta bala disparada por Euclides da Cunha, que atingiu Dinorah junto à nuca, foi minando aos poucos a sua saúde e, quatro anos depois do episódio, em 1913, o deixou hemiplégico para o resto da vida. Dinorah não só foi obrigado interromper a sua carreira na Marinha, como também - o que mais lamentava -, não pode mais jogar futebol pelo Botafogo, sua maior paixão.
Depois de sete anos de abandono, doenças e bebedeiras, Dinorah de Assis, com apenas 31 anos de idade, deu cabo à vida em 1921, afogando-se no cais do porto da cidade Porto Alegre (RS), para onde havia se mudado, depois que o irmão Dilermando foi servir em Bagé. Morria deste modo a vítima esquecida e inocente do episódio conhecido como ‘A Tragédia da Piedade’, por ter o último ato acontecido naquele bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Quanto a Dilermando de Assis, foi absolvido a 5 de Maio de 1911, casando-se com Anna sete dias depois, a 12 de Maio. O casal teve quatro filhos, mas o relacionamento durou apenas 14 anos. Dilermando viveu em muitas cidades ao serviço do Exército e foi promovido até ao posto de General.
Entretanto, Solon, filho mais velho de Anna e Euclides, delegado no Acre, foi assassinado numa tocaia, na floresta em 1914. Dois anos após este acontecimento, Quidinho (Euclides da Cunha Filho), aspirante da Marinha, encontrou-se a 4 de Julho de 1916 no Cartório do 2º Ofício da 1ª Vara de Órfãos, no Rio de Janeiro, com o responsável pela morte de seu pai.
Puxou a arma e feriu Dilermando de Assis. Logo após este novo atentado, Dilermando reagiu ali mesmo e matou o filho da amante com três tiros. Novo escândalo, nova absolvição, mas Dilermando ficou para sempre com um rasto de sangue atrás de si.
Dilermando abandonou Anna em 1926, com cinco filhos. Ela estava com 50 anos, ele com 36. Anna e Dilermando morreram no Rio de Janeiro, em 1951: ela no mês de Maio, com um cancro, aos 74 anos, e ele de ataque cardíaco, em Novembro, aos 63 anos de idade.
Este triste episódio deu origem à mini-série ‘Desejo’, encenada pela Rede Globo, em 1990, tendo Tarcísio Meira interpretado Euclides da Cunha, Guilherme Fontes interpretado Dilermando e Vera Fischer interpretado Anna Emília Solon da Cunha. (Pesquisa: Nilo Dias)
O interessante é que Nilton Santos jogou na seleção brasileira até os 38 anos de idade, quando se sagrou bicampeão mundial no Chile, jogando sempre na lateral esquerda, posição em que nunca atuou no Botafogo. No alvinegro era quarto-zagueiro.
Depois de Nilton, veio Sebastião Leônidas, que foi cortado da seleção campeã do Mundo em 1970, por contusão, dias antes do embarque para o México. Ele foi o autor de uma das mais belas jogadas já vistas no futebol. Num jogo em 1968, em que a Seleção Brasileira goleou a Argentina por 4 X 1, depois de um olé brasileiro de quase 60 passes, um zagueiro argentino deu um chutão para cima, caindo a bola verticalmente na intermediária brasileira. Leônidas amorteceu a bola fazendo-a deslizar pelo seu corpo inteiro até deixá-la quieta na grama.
Mais tarde, chegou Mauro Galvão, que igualmente vestiu a camisa 4. E ainda Gonçalves, que teve grande destaque no Botafogo. Tudo isso motivou o eterno Nelson Rodrigues a perguntar: “Será que é o Dinorah quem sempre veste a camisa quatro do Botafogo?”
Dinorah jogou no tempo do amadorismo, quando a bola era chutada com o pé e com o coração. Era zagueiro, mas tinha habilidade suficiente para também atuar no ataque tão bem quanto na defesa.
Sua vida foi marcada pela tragédia. Dinorah era irmão do aspirante Dilermando de Assis, de 17 anos, que envolveu-se amorosamente com Ana Sólon, de 30 anos, mulher do autor de “Os Sertões”, Euclides da Cunha. Quando soube do fato, o escritor foi até a casa do amante da esposa, em Piedade, subúrbio do Rio, disposto a matar o homem que o fez ser trocado. Levou a pior e ainda alvejou um inocente.
Tudo aconteceu no domingo, 15 de agosto de 1909, na casa de número 214 da Estrada Real de Santa Cruz, na Piedade, Rio de Janeiro. Um homem agitado e nervoso bateu palmas no portão e foi recebido pelo jovem Dinorah de Assis, a quem manifestou o desejo de falar com o dono da casa, Dilermando de Assis, aspirante do Exército.
Vai logo entrando na sala de visitas, quando saca de um revólver e diz: “vim para matar ou morrer!”. Entra no interior da casa e atira duas vezes em Dilermando que, atingido, cai. Dinorah, vendo o irmão ferido, tentou arrebatar a arma de Euclides. Ouviram-se mais dois disparos. Outro tiro e Dinorah foi atingido na coluna vertebral, junto à nuca.
Dilermando, mesmo ferido, conseguiu apanhar o revólver, atirou duas vezes sem atingir Euclides. Este aperta o gatilho de novo e recebeu um tiro de Dilermando que lhe feriu o pulso. Duelo de vida e morte. Tiros de ambos os lados e um projétil atingiu o pulmão direito de Euclides, que caiu morto ao solo. Assim aconteceu o que se denominou "A Tragédia da Piedade".
Apesar de tudo, Dinorah conseguiu recuperar-se rapidamente do ferimento e já estava pronto para jogar contra o Fluminense sete dias depois do ocorrido, fato que o levou a entrar definitivamente para a história do popular clube carioca. Quando entrou em campo para aquele jogo, alguns torcedores o vaiaram, mesmo nada tendo a ver com a morte do escritor Euclides da Cunha.
E não foi só. Jogou todo o campeonato de 1910, ano em que o Botafogo conquistou o primeiro título com o nome de Botafogo de Futebol e Regatas, sucessor do Botafogo Football Club, mesmo com uma das balas alojada na coluna vertebral, junto aos pulmões. Em 1910, Dinorah fez dois gols e foi fundamental, mas no ano seguinte não conseguiu apresentar o mesmo rendimento. Foi da linha para o gol e aposentou-se em 25 de junho, no terceiro ano de carreira, com os movimentos comprometidos.
Dinorah participou da maior goleada registrada no futebol brasileiro, quando o Botafogo goleou o S.C. Mangueira por 24 X 0, no dia 30 de maio de 1909. O Mangueira era um modesto time da zona norte do Rio que desapareceu em 1924, e nada teve a ver com a escola de samba. Nesse jogo Dinorah marcou um gol.
O Botafogo jogou com Coggin - Pullen I e Dinorah – Rolando - Lulú e Pullen II – Henrique - Flávio Ramos – Monk - Gilbert e Emanuel Sodré Viveiros de Castro. Os gols de Gilbert (9), Flávio (7), Monk (2), Lulu (2), Raul (1), Dinorah (1) e Henrique e Emanuel (1 cada).
A quarta bala disparada por Euclides da Cunha, que atingiu Dinorah junto à nuca, foi minando aos poucos a sua saúde e, quatro anos depois do episódio, em 1913, o deixou hemiplégico para o resto da vida. Dinorah não só foi obrigado interromper a sua carreira na Marinha, como também - o que mais lamentava -, não pode mais jogar futebol pelo Botafogo, sua maior paixão.
Depois de sete anos de abandono, doenças e bebedeiras, Dinorah de Assis, com apenas 31 anos de idade, deu cabo à vida em 1921, afogando-se no cais do porto da cidade Porto Alegre (RS), para onde havia se mudado, depois que o irmão Dilermando foi servir em Bagé. Morria deste modo a vítima esquecida e inocente do episódio conhecido como ‘A Tragédia da Piedade’, por ter o último ato acontecido naquele bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Quanto a Dilermando de Assis, foi absolvido a 5 de Maio de 1911, casando-se com Anna sete dias depois, a 12 de Maio. O casal teve quatro filhos, mas o relacionamento durou apenas 14 anos. Dilermando viveu em muitas cidades ao serviço do Exército e foi promovido até ao posto de General.
Entretanto, Solon, filho mais velho de Anna e Euclides, delegado no Acre, foi assassinado numa tocaia, na floresta em 1914. Dois anos após este acontecimento, Quidinho (Euclides da Cunha Filho), aspirante da Marinha, encontrou-se a 4 de Julho de 1916 no Cartório do 2º Ofício da 1ª Vara de Órfãos, no Rio de Janeiro, com o responsável pela morte de seu pai.
Puxou a arma e feriu Dilermando de Assis. Logo após este novo atentado, Dilermando reagiu ali mesmo e matou o filho da amante com três tiros. Novo escândalo, nova absolvição, mas Dilermando ficou para sempre com um rasto de sangue atrás de si.
Dilermando abandonou Anna em 1926, com cinco filhos. Ela estava com 50 anos, ele com 36. Anna e Dilermando morreram no Rio de Janeiro, em 1951: ela no mês de Maio, com um cancro, aos 74 anos, e ele de ataque cardíaco, em Novembro, aos 63 anos de idade.
Este triste episódio deu origem à mini-série ‘Desejo’, encenada pela Rede Globo, em 1990, tendo Tarcísio Meira interpretado Euclides da Cunha, Guilherme Fontes interpretado Dilermando e Vera Fischer interpretado Anna Emília Solon da Cunha. (Pesquisa: Nilo Dias)
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
A morte de um grande goleiro
Filho de pais poloneses começou a carreira no Racing, pequeno clube de Montevidéu, mas foi no Penãrol que se consagrou como um dos melhores goleiros do mundo. Com a camisa amarela e preta foi campeão da Copa Libertadores da América e da Copa Intercontinental em 1966, quando bateu o temido Real Madrid, da Espanha.
Quando da chegada de Mazurkiewicz ao Penãrol o goleiro titular era Luis Maidana. A sua estréia no time de cima aconteceu numa partida contra o Santos, de Pelé, válida pelas semifinais da Copa Libertadores da América, em 1965. O time brasileiro era franco favorito, mas acabou surpreendido pelos uruguaios que venceram por 2 x 1 e Mazurkiewicz foi o melhor jogador em campo.
O goleiro, que se tornou uma lenda viva no futebol disputou três Copas do Mundo pela Seleção Uruguaia: em 1966, na Inglaterra, quando não deixou os anfitriões ganharem com uma série de defesas espetaculares no jogo de abertura, que terminou 0 X 0; 1970, no México, quando conquistou o título de melhor goleiro do Mundial; e 1974. No total foram 13 jogos disputados, além de integrar por duas vezes a Seleção do Resto do Mundo.
No Mundial do México, ficou marcado pelo drible de corpo que Pelé lhe deu na entrada de sua área, em uma das semifinais do torneio. Ainda naquele jogo, o camisa 10 da Seleção quase fez um gol ao aproveitar tiro de meta mal cobrado pelo arqueiro uruguaio.
No auge de sua carreira o goleiro jogou pelo Atlético Mineiro, entre 1972 e 1974, sendo vaiado, no aeroporto de Montevidéu, por uma multidão de torcedores uruguaios que o acusavam de "traidor". Ele havia defendido o popular clube amarelo e preto entre 1965 a 1971. No clube mineiro jogou ao lado de grandes valores como Dario, Lola, Vantuir e outros. O arqueiro defendeu o “Galo” em 89 oportunidades, sofrendo 67 gols.
Após a Copa do Mundo de 1974, foi a vez de anunciar o final de seu vínculo com o clube mineiro e seguir para o Granada, da Espanha, onde ficou de 1974 a 1978. Ele também atuou pelo Cobreloa, do Chile, em 1979, e pelo América de Cáli, da Colômbia, em 1980, antes de retornar ao Peñarol, onde encerrou a carreira, em 1981. Deixou muita saudade, pois se tratava de um goleiro de prodigiosos reflexos, muita segurança e extraordinário oportunismo, somados à uma incrível frieza.
Após deixar os gramados trabalhou até poucas semanas atrás, como treinador de goleiros do Penãrol, onde conquistou o título do Torneio Clausura do Campeonato Nacional de 2010.
Títulos conquistados. Pelo Penãrol: Copa Libertadores da América (1966); Copa Intercontinental (1966); Campeonato Uruguaio (1967 e 1968); Recopa dos Campeões Intercontinentais (1969). Pelo Atlético Mineiro: Campeonato Brasileiro (1971). (Pesquisa: Nilo Dias)
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Um craque com força e categoria
Um dos grandes jogadores da história do Botafogo, do Rio de Janeiro, foi sem dúvida Américo Pampolini Filho, ou simplesmente Pampolini, um centro-médio que esbanjava força e categoria. Mineiro de Belo Horizonte, Pampolini nasceu no dia 24 de dezembro de 1932 e morreu no dia 20 de dezembro de 2006, no Rio de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco, deixando a esposa Nicéia, os filhos Genaro, Célia e Cláudia, genros, nora e cinco netos.
Pampolini era o filho mais novo do casal Américo e dona Maria Caravita. Ganhou o apelido de “Mequinho”, pois herdara o nome do pai. Desde cedo mostrou aptidão para o futebol, pois embora franzino, quando participava de peladas de rua correndo atrás de uma bola, sabia o que fazer com ela.
O futebol estava no sangue do garoto. Seu irmão mais velho, Emilio, era zagueiro daqueles que não perdoava atacante adversário e batia sem dó nem piedade; Homero era atacante; Lilo e Licinho jogavam na meia cancha. Só o irmão Santinho não quis saber de bola. Diziam que o melhor deles era o Lilo, mas uma contusão no joelho cortou uma carreira que parecia destinada ao sucesso, privilégio que caberia justamente ao mais novo, nacionalmente conhecido pelo sobrenome de família: Pampolini.
Começou a carreira muito jovem, atuando pelo São Cristóvão, do Barro Preto, time amador de Belo Horizonte, que tinha seu campo nas imediações da caixa d’ água da Lagoinha. Seu domínio de bola impressionava, e o mesmo se podia dizer do seu chute portentoso. Ditava cátedra como médio volante, o que fez com que dirigentes do Cruzeiro o contratassem em 1952.
Não demorou para conquistar a posição de titular, formando na intermediária ao lado de Adelino e Lazarotti, e mais tarde entrando Paulo Florêncio no meio de campo. Pampolini jogava muita bola e logo chamou a atenção do Botafogo carioca, que o comprou em 1955, por Cr$ 500.000.00 em moeda da época, para compor a maia cancha com o grande Didi.
Seu primeiro jogo pelo Botafogo foi um amistoso contra o Tenerife, da Espanha, disputado no dia 24 de maio de 1955, em Santa Cruz de Tenerife, Espanha, quando o alvinegro carioca perdeu por 2 X 1. Julito, aos 15 minutos do primeiro tempo abriu o marcador para os espanhóis; Vinícius, aos 7 do segundo tempo igualou para o Botafogo e Munné, aos 35’, decretou a vitória espanhola.
O Botafogo jogou com Gílson - Gérson (Thomé) e Nilton Santos - Orlando Maia - Ruarinho (Danilo) e Juvenal (Pampolini) – Garrincha – Dino - Vinícius (Wilson Moreira) - Quarentinha (Paulinho Omena) e Neyvaldo. Técnico: Zezé Moreira.
Sua última partida pelo Botafogo aconteceu no dia 4 de julho de 1962, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Foi um amistoso contra o Atlético Mineiro, vencido pelo Botafogo por 3 X 0, com arbitragem de Frederico Lopes e gols de Zagallo, aos 12’ e Amarildo, aos 40’ do 1° tempo e Neyvaldo, aos 20’ da fase final.
O Botafogo teve Manga (Ary Jório) – Joel - Zé Maria - Nilton Santos (Paulistinha) e Rildo - Ayrton (Pampolini) e Didi (Édison) - Garrincha – Amoroso - Amarildo (China) e Zagallo (Neyvaldo). Técnico: Marinho Rodrigues.
Atlético Mineiro: Fábio (Válter) – Reginaldo – Bueno - Procópio e Marcelino - Fifi e Zico (William) - Maurício (Afonsinho) - Jaburu (Eduardo) - Osvaldo e Noêmio (Ivo). Técnico: Antoninho.
Jogando ao lado de Didi, Pampolini completava a inteligência do “Príncipe Etíope” com a sua força em campo. Por isso, Didi gostava de afirmar: “Eu entro com a inteligência e ele com a força”. Certa vez, durante uma partida em que o Botafogo suava para aguentar a vantagem de 1 X 0, Pampolini “vingou-se” de Didi ao dizer: “Ô, crioulo, vê se põe um pouco de força nessa inteligência, porque sozinho não está dando prá segurar os home”.
Quando o técnico Vicente Feola convocou os jogadores para a Seleção Brasileira que disputaria a Copa do mundo de 1958, Pampolini era o capitão do time do Botafogo e esbanjava categoria e espírito de liderança. Isso fez com que seu nome aparecesse na lista de convocados, mas tendo que disputar posição com Zito e Dino Sani. Teve o azar de se lesionar em um dos treinos na estância hidromineral de Araxá, e por isso foi cortado.
Depois de ganhar muitos títulos pelo alvinegro carioca, onde atuou em 347 partidas e marcou 27 gols, foi contratado em 1962 pela Portuguesa de Desportos, de São Paulo, na época dirigida pelo técnico Aimoré Moreira, onde foi vice-campeão paulista em 1964. No time bandeirante jogavam entre outros, Félix, Orlando Gato Preto, Jair Marinho e Wilson Pereira.
Do Canindé voltou a Minas, dessa feita para uma ligeira passagem pelo Atlético em 1965. Jogou em 1966 pelo Taubaté, onde também acumulou a função de técnico, antes de voltar a Portuguesa de Desportos, onde encerrou a carreira em 1968.
Encerrada a carreira, ele foi morar no Rio. Em suas freqüentes visitas a Belo Horizonte, Pampolini fazia questão de jogar pelo time de veteranos do Cruzeiro, o “Raposão”. Mesmo longe, o vínculo com o clube e a cidade jamais se perdeu.
Em sua vitoriosa carreira como jogador, Pampolini foi contemporâneo de monstros sagrados do futebol brasileiro, como Garrincha, Amarildo, Quarentinha, Manga, Nilton Santos, Paulo Valentim, Didi, Zagallo, Chicão, Cacá, Zé Maria, Paulistinha, Zé Carlos, Neyvaldo, Édson, Airton Povil, Elton, Félix, Ivair, Henrique Frade e Dida, entre outros.
Já fora dos gramados, foi chamado pelo governo do então Estado da Guanabara, para ocupar um cargo no Estádio do Maracanã. Se houve tão bem na função, que logo passou a dirigir o Estádio Náutico na Lagoa Rodrigues de Freitas. Mesmo com as mudanças de governo, ele sempre permaneceu no cargo em razão de sua dedicação e competência.
Também atuou no Ginásio do Maracanãzinho. Quando morreu Pampolini morava no bairro de Copacabana, no Rio, e trabalhava no estádio do Maracanã, como funcionário do Parque Aquático Júlio Delamare. Sua família continuava em Belo Horizonte, tocando uma rede de padarias na capital mineira, ("Padarias ABC"). Durante 39 anos foi funcionário da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), entidade que administra o Complexo do Maracanã
Américo Pampolini teve seu trabalho nos gramados reconhecido pela Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer, do Rio de Janeiro, que no dia 1 de outubro de 2008, inaugurou no Estádio do Maracanã uma placa em sua homenagem. Também teve às marcas dos seus pés colocadas na Calçada da Fama do Maracanã.
Títulos conquistados por Pampolini no Botafogo: Campeão Carioca (1957); Campeão Carioca de Aspirantes (1959); Campeão do Torneio Internacional da Colômbia (Quadrangular de Bogotá) (1960); Campeão do Triangular Internacional da Costa Rica (1961); Campeão do Torneio Início do Rio de Janeiro e Campeão Carioca (1961); Campeão do Pentagonal do México (1962); Campeão do Torneio Rio-São Paulo (1962); Bicampeão Carioca (Pampolini disputou o 1° jogo do BFR) (1962). (Pesquisa: Nilo Dias)
Pampolini era o filho mais novo do casal Américo e dona Maria Caravita. Ganhou o apelido de “Mequinho”, pois herdara o nome do pai. Desde cedo mostrou aptidão para o futebol, pois embora franzino, quando participava de peladas de rua correndo atrás de uma bola, sabia o que fazer com ela.
O futebol estava no sangue do garoto. Seu irmão mais velho, Emilio, era zagueiro daqueles que não perdoava atacante adversário e batia sem dó nem piedade; Homero era atacante; Lilo e Licinho jogavam na meia cancha. Só o irmão Santinho não quis saber de bola. Diziam que o melhor deles era o Lilo, mas uma contusão no joelho cortou uma carreira que parecia destinada ao sucesso, privilégio que caberia justamente ao mais novo, nacionalmente conhecido pelo sobrenome de família: Pampolini.
Começou a carreira muito jovem, atuando pelo São Cristóvão, do Barro Preto, time amador de Belo Horizonte, que tinha seu campo nas imediações da caixa d’ água da Lagoinha. Seu domínio de bola impressionava, e o mesmo se podia dizer do seu chute portentoso. Ditava cátedra como médio volante, o que fez com que dirigentes do Cruzeiro o contratassem em 1952.
Não demorou para conquistar a posição de titular, formando na intermediária ao lado de Adelino e Lazarotti, e mais tarde entrando Paulo Florêncio no meio de campo. Pampolini jogava muita bola e logo chamou a atenção do Botafogo carioca, que o comprou em 1955, por Cr$ 500.000.00 em moeda da época, para compor a maia cancha com o grande Didi.
Seu primeiro jogo pelo Botafogo foi um amistoso contra o Tenerife, da Espanha, disputado no dia 24 de maio de 1955, em Santa Cruz de Tenerife, Espanha, quando o alvinegro carioca perdeu por 2 X 1. Julito, aos 15 minutos do primeiro tempo abriu o marcador para os espanhóis; Vinícius, aos 7 do segundo tempo igualou para o Botafogo e Munné, aos 35’, decretou a vitória espanhola.
O Botafogo jogou com Gílson - Gérson (Thomé) e Nilton Santos - Orlando Maia - Ruarinho (Danilo) e Juvenal (Pampolini) – Garrincha – Dino - Vinícius (Wilson Moreira) - Quarentinha (Paulinho Omena) e Neyvaldo. Técnico: Zezé Moreira.
Sua última partida pelo Botafogo aconteceu no dia 4 de julho de 1962, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Foi um amistoso contra o Atlético Mineiro, vencido pelo Botafogo por 3 X 0, com arbitragem de Frederico Lopes e gols de Zagallo, aos 12’ e Amarildo, aos 40’ do 1° tempo e Neyvaldo, aos 20’ da fase final.
O Botafogo teve Manga (Ary Jório) – Joel - Zé Maria - Nilton Santos (Paulistinha) e Rildo - Ayrton (Pampolini) e Didi (Édison) - Garrincha – Amoroso - Amarildo (China) e Zagallo (Neyvaldo). Técnico: Marinho Rodrigues.
Atlético Mineiro: Fábio (Válter) – Reginaldo – Bueno - Procópio e Marcelino - Fifi e Zico (William) - Maurício (Afonsinho) - Jaburu (Eduardo) - Osvaldo e Noêmio (Ivo). Técnico: Antoninho.
Jogando ao lado de Didi, Pampolini completava a inteligência do “Príncipe Etíope” com a sua força em campo. Por isso, Didi gostava de afirmar: “Eu entro com a inteligência e ele com a força”. Certa vez, durante uma partida em que o Botafogo suava para aguentar a vantagem de 1 X 0, Pampolini “vingou-se” de Didi ao dizer: “Ô, crioulo, vê se põe um pouco de força nessa inteligência, porque sozinho não está dando prá segurar os home”.
Quando o técnico Vicente Feola convocou os jogadores para a Seleção Brasileira que disputaria a Copa do mundo de 1958, Pampolini era o capitão do time do Botafogo e esbanjava categoria e espírito de liderança. Isso fez com que seu nome aparecesse na lista de convocados, mas tendo que disputar posição com Zito e Dino Sani. Teve o azar de se lesionar em um dos treinos na estância hidromineral de Araxá, e por isso foi cortado.
Depois de ganhar muitos títulos pelo alvinegro carioca, onde atuou em 347 partidas e marcou 27 gols, foi contratado em 1962 pela Portuguesa de Desportos, de São Paulo, na época dirigida pelo técnico Aimoré Moreira, onde foi vice-campeão paulista em 1964. No time bandeirante jogavam entre outros, Félix, Orlando Gato Preto, Jair Marinho e Wilson Pereira.
Do Canindé voltou a Minas, dessa feita para uma ligeira passagem pelo Atlético em 1965. Jogou em 1966 pelo Taubaté, onde também acumulou a função de técnico, antes de voltar a Portuguesa de Desportos, onde encerrou a carreira em 1968.
Encerrada a carreira, ele foi morar no Rio. Em suas freqüentes visitas a Belo Horizonte, Pampolini fazia questão de jogar pelo time de veteranos do Cruzeiro, o “Raposão”. Mesmo longe, o vínculo com o clube e a cidade jamais se perdeu.
Em sua vitoriosa carreira como jogador, Pampolini foi contemporâneo de monstros sagrados do futebol brasileiro, como Garrincha, Amarildo, Quarentinha, Manga, Nilton Santos, Paulo Valentim, Didi, Zagallo, Chicão, Cacá, Zé Maria, Paulistinha, Zé Carlos, Neyvaldo, Édson, Airton Povil, Elton, Félix, Ivair, Henrique Frade e Dida, entre outros.
Já fora dos gramados, foi chamado pelo governo do então Estado da Guanabara, para ocupar um cargo no Estádio do Maracanã. Se houve tão bem na função, que logo passou a dirigir o Estádio Náutico na Lagoa Rodrigues de Freitas. Mesmo com as mudanças de governo, ele sempre permaneceu no cargo em razão de sua dedicação e competência.
Também atuou no Ginásio do Maracanãzinho. Quando morreu Pampolini morava no bairro de Copacabana, no Rio, e trabalhava no estádio do Maracanã, como funcionário do Parque Aquático Júlio Delamare. Sua família continuava em Belo Horizonte, tocando uma rede de padarias na capital mineira, ("Padarias ABC"). Durante 39 anos foi funcionário da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), entidade que administra o Complexo do Maracanã
Américo Pampolini teve seu trabalho nos gramados reconhecido pela Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer, do Rio de Janeiro, que no dia 1 de outubro de 2008, inaugurou no Estádio do Maracanã uma placa em sua homenagem. Também teve às marcas dos seus pés colocadas na Calçada da Fama do Maracanã.
Títulos conquistados por Pampolini no Botafogo: Campeão Carioca (1957); Campeão Carioca de Aspirantes (1959); Campeão do Torneio Internacional da Colômbia (Quadrangular de Bogotá) (1960); Campeão do Triangular Internacional da Costa Rica (1961); Campeão do Torneio Início do Rio de Janeiro e Campeão Carioca (1961); Campeão do Pentagonal do México (1962); Campeão do Torneio Rio-São Paulo (1962); Bicampeão Carioca (Pampolini disputou o 1° jogo do BFR) (1962). (Pesquisa: Nilo Dias)
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Niginho, o "menino metralha"
Leonídio Fantoni, o “Niginho”, grande ídolo da torcida do Palestra, de Belo Horizonte, que na década de 1940 mudou o nome para Cruzeiro E.C., nasceu em 12 de fevereiro de 1912, em Belo Horizonte e faleceu em 5 de setembro de 1975, em Belo Horizonte.
Era membro de uma família palestrina. Ao menos cinco familiares atuaram pelo clube mineiro: ele, os irmãos João Fantoni (Ninão) e Orlando Fantoni, o primo Otávio Fantoni (“Nininho”) e os sobrinhos Benito e Fernando Fantoni. Excetuando os sobrinhos, todos atuaram na época em que o clube era Palestra Itália.
Com 14 anos, já atuava nas categorias de base do Palestra. “Niginho" não foi apenas seu único apelido. Ficou também conhecido como "Carrasco dos Clássicos", por ter sido o palestrino/cruzeirense que mais marcou gols contra Atlético e América.
Em toda a história do maior clássico de Minas Gerais, ninguém foi mais carrasco que o imortal “Niginho”. Carrasco de verdade. Daqueles que fazem muitos gols numa partida e só de entrarem em campo provocava calafrios nos adversários. Em sua primeira passagem pelo Palestra marcou seis vezes em 11 clássicos.
Outro apelido era "Tanque", fruto de sua especialidade, romper as defesas adversárias aproveitando-se de sua alta estatura e força física. "Menino Metralha" foi outro apelido, pois chutava tanto a gol quando chegou ao time principal, aos 19 anos, que logo passou a ser chamado dessa forma.
Por ser alto e forte, “Niginho” fazia da raça a sua principal característica. Armar jogadas não era seu forte. Em compensação tinha grande facilidade de romper defesas com piques rápidos e arremates potentes. Era um atacante de raro talento, tendo marcado 207 gols pelo clube mineiro, em 257 partidas, segundo o Almanaque do Cruzeiro, de Henrique Ribeiro. Em sua primeira passagem pelo Palestra, ganhou um tricampeonato mineiro, em 1928, 1929 e 1930.
Jogou ainda pela Lazio da Itália, Palmeiras, Vasco, Atlético Mineiro e novamente Cruzeiro, onde encerrou a carreira. Foi campeão mineiro em 1928, 1929, 1930, 1940, 1943, 1944 e 1945. Era irmão de Orlando Fantoni, que também jogou futebol e tornou-se renomado treinador após encerrar a carreira.
De acordo com o Almanaque do Palmeiras, de Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti, fez seis jogos pelo clube paulista, com a marca incrível de seis gols marcados. Conquistou cinco vitórias e empatou uma partida.
“Niginho” era um dos quatro Fantoni revelados pelo futebol mineiro. Era irmão de João Fantoni (“Ninão”) e Orlando, atacantes, e primo-irmão de “Nininho”, lateral esquerdo. Todos eles começaram a carreira no Palestra (atual Cruzeiro), e um por um foram parar no futebol italiano, onde alcançaram grande sucesso jogando pela Lazio nas décadas de 1920 e 1930.
Na Itália ficaram conhecidos como Fantoni I (“Nininho”), Fantoni II (“Ninão”), Fantoni III (“Niginho”) e Fantoni IV (Orlando). Orlando Fantoni, inclusive, também teve passagens pelo Vasco, tanto como jogador quanto como técnico. “Niginho”, só não chegou a jogar ao lado de Orlando, que começou a carreira já após a morte de “Nininho”.
“Niginho” foi para a Itália em 1930, juntamente com “Ninão”. No ano seguinte receberam a companhia de “Niginho. Na Lazio, seus dois primos jogavam no ataque e ele, na meia. Além deles, a Lazio trouxe outros brasileiros na época, o que faria seu elenco ficar conhecido como “Brasilazio”. Foram os corinthianos Filó, De Maria, Del Debbio, Rato e Amílcar; os palestrinos paulistas Pepe, Duílio Salatin, Enzio Serafini; além de André Tedesco (do Santos) e Benedito (do Botafogo).
A partida mais memorável de “Niginho” pela equipe italiana deu-se contra o Milan, quando marcou quatro gols. A trajetória na Itália, terra das raízes familiares, acabou interrompida quando ele, que tinha dupla cidadania, foi convocado para lutar com as tropas fascistas na Abissinia, invadida pelo exército italiano por ordem de Mussolini.
A convocação deu-se em 1935, um mês após “Niginho” ter-se casado com a húngara Ana, que conhecera em Roma. Não querendo ficar longe de sua esposa e temendo uma guerra, retornou ao Brasil com autorização de sua equipe, que inclusive pagou as despesas com a viagem de navio.
O ano foi difícil: em fevereiro de 1935, o primo “Nininho”, que chegara a atuar pela Seleção Italiana nas eliminatórias da Copa do Mundo, morreu em virtude de uma septicemia decorrida de infecção em lesão que sofrera no nariz em uma partida contra o Torino. Sem o consentimento formal da Lazio, foi jogar em outro Palestra Itália, o de São Paulo.
De volta ao Brasil, “Niginho” incorporou-se novamente ao Palestra, e meses depois, com o campeonato carioca de 1937 já em andamento, foi contratado pelo Vasco. Logo na estréia, fez dois gols no Flamengo. Fazendo gols a rodo - só na goleada de 12 X 0 no Andaraí foram quatro - foi o artilheiro do campeonato com 25 gols em 20 jogos.
Convocado para a Copa do Mundo de 1938 na França, para a reserva de Leônidas da Silva, “Niginho” acabou não atuando. Por ocasião da partida semifinal, por ironia contra a Itália, Leônidas não podia jogar por estar contundido e a Federação Italiana, com o referendo de Mussolini, vetou a escalação de “Niginho”. A FIFA covardemente acatou a ordem e tirou do jogador a chance de participar da competição.
Mas segundo o livro “Seleção Brasileira – 90 Anos”, de Roberto Assaf e Antonio Carlos Napoleão, defendeu o Brasil em quatro jogos entre 1936 e 1937 com três vitórias, uma derrota e dois gols marcados.
De volta ao Vasco depois da Copa, na primeira rodada do campeonato carioca de 1938, “Niginho” aproveitou para fazer mais dois gols no Flamengo, decretando a vitória vascaína por 2 X 0, justamente na inauguração do estádio da Gávea. Para confirmar o hábito, ele repetiu a dose no ano seguinte, com o mesmo placar no mesmo local. Por ironia, foram os dois últimos gols do artilheiro com a camisa cruzmaltina.
“Niginho” era um jogador de invejável categoria, centro-avante artilheiro, tipo oportunista, que não deixava o goleiro picar a bola no chão sem tentar mandá-la para as redes. Segundo o jornalista Plínio Barreto, “Niginho” decidiu uma partida entre Mineiros X Cariocas, em Álvaro Chaves, no Rio, assim: “Estava 3 X 3 e ele pegou uma bola na sua intermediária e saiu driblando. Passou por um, veio o segundo, o terceiro, foi embalando, chegou na área, passou por outro, deixou o goleiro caído e só parou quando esbarrou nas redes”.
Em 1939, ele voltou ao Palestra mineiro, que se renomeou Cruzeiro em 1942. Foi novamente tricampeão estadual, em 1943, 1944 e 1945. Encerrou a carreira em 1946, atuando ao lado do irmão Orlando - que no ano seguinte iria para a Lazio. “Niginho” deixou os gramados com 207 gols em 257 partidas pelo Palestra/Cruzeiro, firmando-se como o maior ídolo do clube na era pré-Mineirão. É também o terceiro maior artilheiro da história do time, pelo qual seria novamente tricampeão estadual em 1959, 1960 e 1961, como treinador.
“Niginho” manteve-se trabalhando no clube social do Cruzeiro até sua morte, em 1975, ocasionada por um mal súbito quando estava a caminho da “”Toca da Raposa” para rever os amigos após afastar-se em virtude de recuperação de uma cirurgia. Premiações: Melhor Jogador do Ano pelo Vasco da Gama, na temporada de 1938. (Pesquisa: Nilo Dias)
Era membro de uma família palestrina. Ao menos cinco familiares atuaram pelo clube mineiro: ele, os irmãos João Fantoni (Ninão) e Orlando Fantoni, o primo Otávio Fantoni (“Nininho”) e os sobrinhos Benito e Fernando Fantoni. Excetuando os sobrinhos, todos atuaram na época em que o clube era Palestra Itália.
Com 14 anos, já atuava nas categorias de base do Palestra. “Niginho" não foi apenas seu único apelido. Ficou também conhecido como "Carrasco dos Clássicos", por ter sido o palestrino/cruzeirense que mais marcou gols contra Atlético e América.
Em toda a história do maior clássico de Minas Gerais, ninguém foi mais carrasco que o imortal “Niginho”. Carrasco de verdade. Daqueles que fazem muitos gols numa partida e só de entrarem em campo provocava calafrios nos adversários. Em sua primeira passagem pelo Palestra marcou seis vezes em 11 clássicos.
Outro apelido era "Tanque", fruto de sua especialidade, romper as defesas adversárias aproveitando-se de sua alta estatura e força física. "Menino Metralha" foi outro apelido, pois chutava tanto a gol quando chegou ao time principal, aos 19 anos, que logo passou a ser chamado dessa forma.
Por ser alto e forte, “Niginho” fazia da raça a sua principal característica. Armar jogadas não era seu forte. Em compensação tinha grande facilidade de romper defesas com piques rápidos e arremates potentes. Era um atacante de raro talento, tendo marcado 207 gols pelo clube mineiro, em 257 partidas, segundo o Almanaque do Cruzeiro, de Henrique Ribeiro. Em sua primeira passagem pelo Palestra, ganhou um tricampeonato mineiro, em 1928, 1929 e 1930.
Jogou ainda pela Lazio da Itália, Palmeiras, Vasco, Atlético Mineiro e novamente Cruzeiro, onde encerrou a carreira. Foi campeão mineiro em 1928, 1929, 1930, 1940, 1943, 1944 e 1945. Era irmão de Orlando Fantoni, que também jogou futebol e tornou-se renomado treinador após encerrar a carreira.
De acordo com o Almanaque do Palmeiras, de Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti, fez seis jogos pelo clube paulista, com a marca incrível de seis gols marcados. Conquistou cinco vitórias e empatou uma partida.
“Niginho” era um dos quatro Fantoni revelados pelo futebol mineiro. Era irmão de João Fantoni (“Ninão”) e Orlando, atacantes, e primo-irmão de “Nininho”, lateral esquerdo. Todos eles começaram a carreira no Palestra (atual Cruzeiro), e um por um foram parar no futebol italiano, onde alcançaram grande sucesso jogando pela Lazio nas décadas de 1920 e 1930.
Na Itália ficaram conhecidos como Fantoni I (“Nininho”), Fantoni II (“Ninão”), Fantoni III (“Niginho”) e Fantoni IV (Orlando). Orlando Fantoni, inclusive, também teve passagens pelo Vasco, tanto como jogador quanto como técnico. “Niginho”, só não chegou a jogar ao lado de Orlando, que começou a carreira já após a morte de “Nininho”.
“Niginho” foi para a Itália em 1930, juntamente com “Ninão”. No ano seguinte receberam a companhia de “Niginho. Na Lazio, seus dois primos jogavam no ataque e ele, na meia. Além deles, a Lazio trouxe outros brasileiros na época, o que faria seu elenco ficar conhecido como “Brasilazio”. Foram os corinthianos Filó, De Maria, Del Debbio, Rato e Amílcar; os palestrinos paulistas Pepe, Duílio Salatin, Enzio Serafini; além de André Tedesco (do Santos) e Benedito (do Botafogo).
A partida mais memorável de “Niginho” pela equipe italiana deu-se contra o Milan, quando marcou quatro gols. A trajetória na Itália, terra das raízes familiares, acabou interrompida quando ele, que tinha dupla cidadania, foi convocado para lutar com as tropas fascistas na Abissinia, invadida pelo exército italiano por ordem de Mussolini.
A convocação deu-se em 1935, um mês após “Niginho” ter-se casado com a húngara Ana, que conhecera em Roma. Não querendo ficar longe de sua esposa e temendo uma guerra, retornou ao Brasil com autorização de sua equipe, que inclusive pagou as despesas com a viagem de navio.
O ano foi difícil: em fevereiro de 1935, o primo “Nininho”, que chegara a atuar pela Seleção Italiana nas eliminatórias da Copa do Mundo, morreu em virtude de uma septicemia decorrida de infecção em lesão que sofrera no nariz em uma partida contra o Torino. Sem o consentimento formal da Lazio, foi jogar em outro Palestra Itália, o de São Paulo.
De volta ao Brasil, “Niginho” incorporou-se novamente ao Palestra, e meses depois, com o campeonato carioca de 1937 já em andamento, foi contratado pelo Vasco. Logo na estréia, fez dois gols no Flamengo. Fazendo gols a rodo - só na goleada de 12 X 0 no Andaraí foram quatro - foi o artilheiro do campeonato com 25 gols em 20 jogos.
Convocado para a Copa do Mundo de 1938 na França, para a reserva de Leônidas da Silva, “Niginho” acabou não atuando. Por ocasião da partida semifinal, por ironia contra a Itália, Leônidas não podia jogar por estar contundido e a Federação Italiana, com o referendo de Mussolini, vetou a escalação de “Niginho”. A FIFA covardemente acatou a ordem e tirou do jogador a chance de participar da competição.
Mas segundo o livro “Seleção Brasileira – 90 Anos”, de Roberto Assaf e Antonio Carlos Napoleão, defendeu o Brasil em quatro jogos entre 1936 e 1937 com três vitórias, uma derrota e dois gols marcados.
De volta ao Vasco depois da Copa, na primeira rodada do campeonato carioca de 1938, “Niginho” aproveitou para fazer mais dois gols no Flamengo, decretando a vitória vascaína por 2 X 0, justamente na inauguração do estádio da Gávea. Para confirmar o hábito, ele repetiu a dose no ano seguinte, com o mesmo placar no mesmo local. Por ironia, foram os dois últimos gols do artilheiro com a camisa cruzmaltina.
“Niginho” era um jogador de invejável categoria, centro-avante artilheiro, tipo oportunista, que não deixava o goleiro picar a bola no chão sem tentar mandá-la para as redes. Segundo o jornalista Plínio Barreto, “Niginho” decidiu uma partida entre Mineiros X Cariocas, em Álvaro Chaves, no Rio, assim: “Estava 3 X 3 e ele pegou uma bola na sua intermediária e saiu driblando. Passou por um, veio o segundo, o terceiro, foi embalando, chegou na área, passou por outro, deixou o goleiro caído e só parou quando esbarrou nas redes”.
Em 1939, ele voltou ao Palestra mineiro, que se renomeou Cruzeiro em 1942. Foi novamente tricampeão estadual, em 1943, 1944 e 1945. Encerrou a carreira em 1946, atuando ao lado do irmão Orlando - que no ano seguinte iria para a Lazio. “Niginho” deixou os gramados com 207 gols em 257 partidas pelo Palestra/Cruzeiro, firmando-se como o maior ídolo do clube na era pré-Mineirão. É também o terceiro maior artilheiro da história do time, pelo qual seria novamente tricampeão estadual em 1959, 1960 e 1961, como treinador.
“Niginho” manteve-se trabalhando no clube social do Cruzeiro até sua morte, em 1975, ocasionada por um mal súbito quando estava a caminho da “”Toca da Raposa” para rever os amigos após afastar-se em virtude de recuperação de uma cirurgia. Premiações: Melhor Jogador do Ano pelo Vasco da Gama, na temporada de 1938. (Pesquisa: Nilo Dias)
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
O Olímpico deu adeus
O clássico entre Grêmio X Internacional marcou ontem a despedida do Estádio Olímpico Monumental, que foi a casa do tricolor gaúcho durante longos 58 anos. O Estádio foi inaugurado no dia 19 de setembro de 1954, com a realização de um torneio de inauguração.
O Estádio foi projetado pelo arquiteto Plínio Oliveira Almeida, que venceu o concurso realizado em 1950, para esse fim. Quando de sua construção foi tido como o maior estádio particular do mundo. O atacante Vitor entrou para a história do clube por ter anotado o primeiro gol no estádio. Aliás, ele marcou dois gols naquela oportunidade, quando do amistoso contra o Nacional de Montevidéu, vitória gremista por 2 X 0.
A impiedosa goleada da inauguração. Era para ser uma festa. E nada melhor que um jogaço, um clássico já consagrado, para a estréia. Esse deve ter sido o pensamento dos dirigentes gremistas à época da inauguração do estádio Olímpico, em setembro de 1954. Mas os planos não saíram bem conforme o planejado. O resultado da partida daquele dia – um estrondoso 6 X 2 para o maior rival – ficou tão famoso quanto o evento.
E se houve um culpado para a goleada, este culpado chama-se Larry Pinto de Faria, também conhecido pela alcunha de “Cerebral”. Dos pés do atacante – que havia chegado a Porto Alegre meses antes – saíram quatro dos gols da tarde. Jerônimo e Canhotinho completaram o placar do Inter, enquanto Sarará e Zunino marcaram os primeiros gols do Grêmio em Gre-Nais no Olímpico.
O Estádio Olímpico só foi totalmente concluído em meados de 1980, quando foi fechada a última parte do anel superior, ainda sob a coordenação do arquiteto Plínio Almeida, que teve a colaboração dos arquitetos e co-autores Rogério de Castro Oliveira e Flavio Boni. O jogo que marcou a conclusão do estádio, que acresceu ao nome a palavra Monumental, foi um amistoso em que o Grêmio derrotou o Vasco da gama, do Rio de Janeiro, por 1 X 0, disputado no dia 21 de julho de 1980.
Outros Gre-Nais marcantes na história do Estádio Olímpico. Catimba quebrou a hegemonia do Inter e arriscou salto mortal. O Inter havia empilhado oito campeonatos Gaúchos na sequência (de 1969 a 76). Para piorar, o arqui-rival tinha também se consagrado bicampeão brasileiro. E foi em setembro de 1977 que André Catimba, aos 42 minutos do segundo tempo, acabou com a hegemonia colorada.
No jogo que decidia o título do Gauchão daquela temporada, os gremistas esperaram Tarciso bater uma falta da direita, que foi desviada no meio do caminho e caiu na frente de Catimba. O atacante mandou a bola para o gol. A euforia foi enorme no estádio. Entusiasmado, o herói gremista deu um salto desajeitado e desabou de cara no chão - tão forte que foi substituído logo depois. Com o 1 X 0, o Tricolor ficou com a taça e começou a se reerguer para os anos seguintes.
A troca de faixas após a conquista do mundo. A idéia foi de Renato Portaluppi. Responsável pela conquista do Mundial Interclubes de 1983, o dono eterno da camisa 7 gremista respondeu a uma provocação do arqui-rival e marcou o clássico para o início da temporada seguinte. Tudo começou quando Mauro Galvão disse que de nada adiantava o Tricolor ser campeão mundial, se no Estado quem mandava era o Inter, tricampeão gaúcho.
O retruco foi intempestivo. Para decidir quem era melhor, foi realizado um clássico em janeiro de 1984. O jogo ficou conhecido como o Gre-Nal da troca de faixas. E Renato pintou também o Rio Grande do Sul com as cores do Tricolor. O resultado foi 4 X 2 para os donos da casa. O Inter até começou na frente, com gol de Silvio. Daí Osvaldo, Renato, Paulo Cesar e Caio marcaram em sequência para o time gremista. O Colorado ainda fez mais um no final.
Durante mais de meio século o Grêmio viu passar pelo Olímpico Monumental nomes históricos que participaram da vida do clube, como dirigentes, torcedores, técnicos e jogadores. Nesse momento de despedida não podem ser esquecidos nomes como Saturnino Vanzelotti, Fernando Kroeff (o patrono), Renato Souza, Rudi Armin Petry, Hélio Dourado, Fábio Koff e Paulo Odone, este o maior responsável pela construção da nova Arena do clube, um dos estádios mais modernos do mundo, que será inaugurado no próximo sábado, num jogo amistoso contra o Hamburgo, da Alemanha, clube a quem o Grêmio derrotou quando da memorável conquista do Mundial de Clubes, em 1983.
“Uh, Fabiano” faz um risco vermelho em década tricolor. Em 1997, o cenário era outro. Naquele ano, uma luz colorada tentava resplandecer diante de uma década em azul, preto e branco. Cena rara naquela época, o Inter brigava pelo título do Brasileirão. Antes de a bola rolar no Olímpico, provocações azuis, que usaram até um coelho para fazer analogia com a história em que a tartaruga passava na frente. Não adiantou em nada. O placar do jogo terminou em 5 X 2 para o Inter.
Camisa 7 colorado, o atacante Fabiano foi o nome do jogo. Mas não foi dele o primeiro da tarde: Christian abriu o placar logo aos 4. Sandoval aumentou antes do intervalo. No segundo tempo, Fabiano fez dois e Marcelo fez o quinto colorado. No lado do Grêmio, Sérgio Manoel descontou e Gilmar anotou um golaço no finzinho do jogo.
O clássico dos cem anos de rivalidade. Um dia após o aniversário de cem anos do primeiro Gre-Nal, o estádio Olímpico recebeu o clássico de número 377. Na tarde de 19 de julho de 2009, as duas equipes se enfrentaram por mais uma rodada do Campeonato Brasileiro. E nesse embate levou a melhor quem arriscou. Sem contar com Thiego, o técnico Paulo Autuori confiou na improvisação de Mário Fernandes na lateral-direita e confundiu Tite, então comandante do colorado.
O Inter saiu na frente. Aos 25 minutos, Nilmar puxou forte contra-ataque e bateu na saída de Victor. Só que a festa colorada durou apenas dez minutos. O meia Souza cobrou falta perto da área e colocou a bola dentro das redes. O empate entusiasmou os tricolores, que conseguiram a virada no segundo tempo. Após cobrança de escanteio, Réver chutou a bola dentro da área, Guiñazu afastou e o atacante Maxi López empurrou a bola com a cabeça para a meta – 2 X 1.
A última taça é colorada. Um Gre-Nal cheio de atrativos acabou marcando a última finalíssima do estádio Olímpico. Renato Portaluppi ocupava a casamata tricolor, enquanto Paulo Roberto Falcão comandava os colorados na decisão do Gauchão de 2011. E os colorados pisaram no campo do rival como zebras, afinal, uma semana antes, haviam levado 3 X 2 em casa. E, para piorar, saíram perdendo aos 14 minutos do primeiro tempo.
Até meados da etapa inicial só um milagre salvaria o Inter. Falcão, então, ousou. Trocou o zagueiro Juan por Zé Roberto, que deu novo gás ao time. Aos 30, Damião deixou tudo igual e, na garra, um Andrezinho lesionado conseguiu virar aos 45. Na etapa final, D’Alessandro ampliou a vantagem do Inter, que só não conquistou o título durante o jogo, porque Borges descontou antes do apito final: 3 X 2. A decisão, então, foi para os pênaltis. Daí brilhou a estrela de Renan, que defendeu três penais. As cobranças alternadas só terminaram quando, após o erro de Adilson, Zé Roberto converteu e garantiu a taça – que se tornou a última levantada do Olímpico.
Estatísticas do Gre-Nal no Olímpico. Número de clássicos – 122; Vitórias do Grêmio – 41; Vitórias do Inter – 34; Empates – 47; Gols do Grêmio –152;Gols do Inter –132
Jogadores que marcaram suas passagens pelo Grêmio e se tornaram ídolos da torcida, como Alcindo, Ancheta, Everaldo, André Catimba, Baltazar, o artilheiro de Deus, Renato Portaluppi, o uruguaio De Leon, o artilheiro Jardel, porque não Ronaldinho Gaúcho, Anderson Luis, o herói da “Guerra dos Aflitos”, e tantos outros. Os técnicos Osvaldo Rola, o “Foguinho”, Luiz Felipe Scolari, o “Felipão”, Mano Menezes e atualmente o consagrado Vanderlei Luxemburgo.
Alguns torcedores famosos do Grêmio, ainda vivos: Guri de Uruguaiana, Juliano Cazarré, Paulo Santana, Pedro Ernesto Denardin, Adriana Calcanhoto, Antônio Augusto Fagundes, João de Almeida Neto, Kleiton Ramil, Luis Marenco, Luis Carlos Borges, Pedro Ortaça, Renato Borghetti, Yamandu Costa, Luiz Felipe Scolari, Mano Meneses, Alexandre Grendene, Claudio Oderich, Jorge Gerdau, José Fortunati, Nelson Sirotski, Gisele Bundchen, Aleu Collares, Antônio Brito, José Fogaça, Marco Maia e Yeda Crusius.
A capacidade do Estádio era de 45 mil expectadores, confortavelmente instalados em dois anéis, sendo o superior composto por cadeiras. Também possuía no centro um conjunto de 40 camarotes, com 10 lugares cada e cinco camarotes com 20 lugares cada. A Tribuna de honra tinha 140 lugares especiais. Setores para deficientes físicos abrigavam 28 cadeiras de rodas e 22 acompanhantes. E o Salão Nobre do Conselho Deliberativo, composto de um auditório com 220 lugares.
O Estádio possuía seis vestiários profissionais, sendo cinco com saídas para o campo e mais um vestiário de arbitragem. Iluminação: Seis postes de iluminação, com 20 refletores de 1500 watts em cada um, numa potência: 650 Lux. Havia também 26 cabines duplas fixas para a imprensa, e mais 50 cabines provisórias. Duas salas de imprensa e duas salas para entrevistas coletivas. O estacionamento permitia 700 vagas.
A grama utilizada era a Bermuda Green, mas no inverno era trocada pela Raygrass Americana. A distância do gramado, até a torcida, era de 40,7 metros na parte da social. A altura da última fileira de cadeiras, do anel superior, em comparação com o gramado era de 15 metros. A distância da última fileira de cadeiras, do anel superior até o gramado era de 68,83 metros. O gramado possuía 105 x 68m, dimensão esta determinada pela FIFA em jogos de Copa do Mundo.
Um novo placar eletrônico havia sido instalado na parte inferior das arquibancadas. Uma parceria do clube com uma empresa substituiu o antigo,que era composto de diversas lâmpadas e que apenas podia mostrar textos, por um novo com capacidade de gerar imagens com mais de um bilhão de cores. O novo equipamento tinha 32 metros quadrados de área. A mesma empresa instalou o placar eletrônico no estádio Beira-Rio.
O maior público que o estádio recebeu em toda a sua história, foi no dia 26 de abril de 1981, quando 98.421 pessoas, sendo 85.751 pagantes, assistiram o jogo Grêmio 0 X 1 Ponte Preta, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano.
O Grêmio conta com uma sede recreativa para sócios na Ilha Grande dos Marinheiros, a Escolinha de Futebol no Parque Cristal, um parque náutico as margens do Guaíba e o Centro de Treinamento Hélio Dourado para as categorias de base em Eldorado do Sul.
O Estádio Olímpico Monumental foi palco para a apresentação de diversas atrações internacionais em Porto Alegre, entre eles: Sting (1984), Rod Stewart (1984), Eric Clapton, com The Reptile Tour, em 10 de Outubro de 2001, Roger Waters, com In The Flash Tour, em 12 de Março de 2002, Rush, com Vapor Trails Tour, em 20 de Novembro de 2002 e Lenny Kravitz, com Baptism Tour, em 15 de Março de 2005. A cantora Madonna é esperada para um show da The MDNA Tour, em 9 de Dezembro de 2012, na nova Arena gremista. (Pesquisa: Nilo Dias)
O Estádio Olímpico agora vai ser demolido.
O Estádio foi projetado pelo arquiteto Plínio Oliveira Almeida, que venceu o concurso realizado em 1950, para esse fim. Quando de sua construção foi tido como o maior estádio particular do mundo. O atacante Vitor entrou para a história do clube por ter anotado o primeiro gol no estádio. Aliás, ele marcou dois gols naquela oportunidade, quando do amistoso contra o Nacional de Montevidéu, vitória gremista por 2 X 0.
A impiedosa goleada da inauguração. Era para ser uma festa. E nada melhor que um jogaço, um clássico já consagrado, para a estréia. Esse deve ter sido o pensamento dos dirigentes gremistas à época da inauguração do estádio Olímpico, em setembro de 1954. Mas os planos não saíram bem conforme o planejado. O resultado da partida daquele dia – um estrondoso 6 X 2 para o maior rival – ficou tão famoso quanto o evento.
E se houve um culpado para a goleada, este culpado chama-se Larry Pinto de Faria, também conhecido pela alcunha de “Cerebral”. Dos pés do atacante – que havia chegado a Porto Alegre meses antes – saíram quatro dos gols da tarde. Jerônimo e Canhotinho completaram o placar do Inter, enquanto Sarará e Zunino marcaram os primeiros gols do Grêmio em Gre-Nais no Olímpico.
O Estádio Olímpico só foi totalmente concluído em meados de 1980, quando foi fechada a última parte do anel superior, ainda sob a coordenação do arquiteto Plínio Almeida, que teve a colaboração dos arquitetos e co-autores Rogério de Castro Oliveira e Flavio Boni. O jogo que marcou a conclusão do estádio, que acresceu ao nome a palavra Monumental, foi um amistoso em que o Grêmio derrotou o Vasco da gama, do Rio de Janeiro, por 1 X 0, disputado no dia 21 de julho de 1980.
Outros Gre-Nais marcantes na história do Estádio Olímpico. Catimba quebrou a hegemonia do Inter e arriscou salto mortal. O Inter havia empilhado oito campeonatos Gaúchos na sequência (de 1969 a 76). Para piorar, o arqui-rival tinha também se consagrado bicampeão brasileiro. E foi em setembro de 1977 que André Catimba, aos 42 minutos do segundo tempo, acabou com a hegemonia colorada.
No jogo que decidia o título do Gauchão daquela temporada, os gremistas esperaram Tarciso bater uma falta da direita, que foi desviada no meio do caminho e caiu na frente de Catimba. O atacante mandou a bola para o gol. A euforia foi enorme no estádio. Entusiasmado, o herói gremista deu um salto desajeitado e desabou de cara no chão - tão forte que foi substituído logo depois. Com o 1 X 0, o Tricolor ficou com a taça e começou a se reerguer para os anos seguintes.
A troca de faixas após a conquista do mundo. A idéia foi de Renato Portaluppi. Responsável pela conquista do Mundial Interclubes de 1983, o dono eterno da camisa 7 gremista respondeu a uma provocação do arqui-rival e marcou o clássico para o início da temporada seguinte. Tudo começou quando Mauro Galvão disse que de nada adiantava o Tricolor ser campeão mundial, se no Estado quem mandava era o Inter, tricampeão gaúcho.
O retruco foi intempestivo. Para decidir quem era melhor, foi realizado um clássico em janeiro de 1984. O jogo ficou conhecido como o Gre-Nal da troca de faixas. E Renato pintou também o Rio Grande do Sul com as cores do Tricolor. O resultado foi 4 X 2 para os donos da casa. O Inter até começou na frente, com gol de Silvio. Daí Osvaldo, Renato, Paulo Cesar e Caio marcaram em sequência para o time gremista. O Colorado ainda fez mais um no final.
Durante mais de meio século o Grêmio viu passar pelo Olímpico Monumental nomes históricos que participaram da vida do clube, como dirigentes, torcedores, técnicos e jogadores. Nesse momento de despedida não podem ser esquecidos nomes como Saturnino Vanzelotti, Fernando Kroeff (o patrono), Renato Souza, Rudi Armin Petry, Hélio Dourado, Fábio Koff e Paulo Odone, este o maior responsável pela construção da nova Arena do clube, um dos estádios mais modernos do mundo, que será inaugurado no próximo sábado, num jogo amistoso contra o Hamburgo, da Alemanha, clube a quem o Grêmio derrotou quando da memorável conquista do Mundial de Clubes, em 1983.
“Uh, Fabiano” faz um risco vermelho em década tricolor. Em 1997, o cenário era outro. Naquele ano, uma luz colorada tentava resplandecer diante de uma década em azul, preto e branco. Cena rara naquela época, o Inter brigava pelo título do Brasileirão. Antes de a bola rolar no Olímpico, provocações azuis, que usaram até um coelho para fazer analogia com a história em que a tartaruga passava na frente. Não adiantou em nada. O placar do jogo terminou em 5 X 2 para o Inter.
Camisa 7 colorado, o atacante Fabiano foi o nome do jogo. Mas não foi dele o primeiro da tarde: Christian abriu o placar logo aos 4. Sandoval aumentou antes do intervalo. No segundo tempo, Fabiano fez dois e Marcelo fez o quinto colorado. No lado do Grêmio, Sérgio Manoel descontou e Gilmar anotou um golaço no finzinho do jogo.
O clássico dos cem anos de rivalidade. Um dia após o aniversário de cem anos do primeiro Gre-Nal, o estádio Olímpico recebeu o clássico de número 377. Na tarde de 19 de julho de 2009, as duas equipes se enfrentaram por mais uma rodada do Campeonato Brasileiro. E nesse embate levou a melhor quem arriscou. Sem contar com Thiego, o técnico Paulo Autuori confiou na improvisação de Mário Fernandes na lateral-direita e confundiu Tite, então comandante do colorado.
O Inter saiu na frente. Aos 25 minutos, Nilmar puxou forte contra-ataque e bateu na saída de Victor. Só que a festa colorada durou apenas dez minutos. O meia Souza cobrou falta perto da área e colocou a bola dentro das redes. O empate entusiasmou os tricolores, que conseguiram a virada no segundo tempo. Após cobrança de escanteio, Réver chutou a bola dentro da área, Guiñazu afastou e o atacante Maxi López empurrou a bola com a cabeça para a meta – 2 X 1.
A última taça é colorada. Um Gre-Nal cheio de atrativos acabou marcando a última finalíssima do estádio Olímpico. Renato Portaluppi ocupava a casamata tricolor, enquanto Paulo Roberto Falcão comandava os colorados na decisão do Gauchão de 2011. E os colorados pisaram no campo do rival como zebras, afinal, uma semana antes, haviam levado 3 X 2 em casa. E, para piorar, saíram perdendo aos 14 minutos do primeiro tempo.
Até meados da etapa inicial só um milagre salvaria o Inter. Falcão, então, ousou. Trocou o zagueiro Juan por Zé Roberto, que deu novo gás ao time. Aos 30, Damião deixou tudo igual e, na garra, um Andrezinho lesionado conseguiu virar aos 45. Na etapa final, D’Alessandro ampliou a vantagem do Inter, que só não conquistou o título durante o jogo, porque Borges descontou antes do apito final: 3 X 2. A decisão, então, foi para os pênaltis. Daí brilhou a estrela de Renan, que defendeu três penais. As cobranças alternadas só terminaram quando, após o erro de Adilson, Zé Roberto converteu e garantiu a taça – que se tornou a última levantada do Olímpico.
Estatísticas do Gre-Nal no Olímpico. Número de clássicos – 122; Vitórias do Grêmio – 41; Vitórias do Inter – 34; Empates – 47; Gols do Grêmio –152;Gols do Inter –132
Jogadores que marcaram suas passagens pelo Grêmio e se tornaram ídolos da torcida, como Alcindo, Ancheta, Everaldo, André Catimba, Baltazar, o artilheiro de Deus, Renato Portaluppi, o uruguaio De Leon, o artilheiro Jardel, porque não Ronaldinho Gaúcho, Anderson Luis, o herói da “Guerra dos Aflitos”, e tantos outros. Os técnicos Osvaldo Rola, o “Foguinho”, Luiz Felipe Scolari, o “Felipão”, Mano Menezes e atualmente o consagrado Vanderlei Luxemburgo.
Alguns torcedores famosos do Grêmio, ainda vivos: Guri de Uruguaiana, Juliano Cazarré, Paulo Santana, Pedro Ernesto Denardin, Adriana Calcanhoto, Antônio Augusto Fagundes, João de Almeida Neto, Kleiton Ramil, Luis Marenco, Luis Carlos Borges, Pedro Ortaça, Renato Borghetti, Yamandu Costa, Luiz Felipe Scolari, Mano Meneses, Alexandre Grendene, Claudio Oderich, Jorge Gerdau, José Fortunati, Nelson Sirotski, Gisele Bundchen, Aleu Collares, Antônio Brito, José Fogaça, Marco Maia e Yeda Crusius.
A capacidade do Estádio era de 45 mil expectadores, confortavelmente instalados em dois anéis, sendo o superior composto por cadeiras. Também possuía no centro um conjunto de 40 camarotes, com 10 lugares cada e cinco camarotes com 20 lugares cada. A Tribuna de honra tinha 140 lugares especiais. Setores para deficientes físicos abrigavam 28 cadeiras de rodas e 22 acompanhantes. E o Salão Nobre do Conselho Deliberativo, composto de um auditório com 220 lugares.
O Estádio possuía seis vestiários profissionais, sendo cinco com saídas para o campo e mais um vestiário de arbitragem. Iluminação: Seis postes de iluminação, com 20 refletores de 1500 watts em cada um, numa potência: 650 Lux. Havia também 26 cabines duplas fixas para a imprensa, e mais 50 cabines provisórias. Duas salas de imprensa e duas salas para entrevistas coletivas. O estacionamento permitia 700 vagas.
A grama utilizada era a Bermuda Green, mas no inverno era trocada pela Raygrass Americana. A distância do gramado, até a torcida, era de 40,7 metros na parte da social. A altura da última fileira de cadeiras, do anel superior, em comparação com o gramado era de 15 metros. A distância da última fileira de cadeiras, do anel superior até o gramado era de 68,83 metros. O gramado possuía 105 x 68m, dimensão esta determinada pela FIFA em jogos de Copa do Mundo.
Um novo placar eletrônico havia sido instalado na parte inferior das arquibancadas. Uma parceria do clube com uma empresa substituiu o antigo,que era composto de diversas lâmpadas e que apenas podia mostrar textos, por um novo com capacidade de gerar imagens com mais de um bilhão de cores. O novo equipamento tinha 32 metros quadrados de área. A mesma empresa instalou o placar eletrônico no estádio Beira-Rio.
O maior público que o estádio recebeu em toda a sua história, foi no dia 26 de abril de 1981, quando 98.421 pessoas, sendo 85.751 pagantes, assistiram o jogo Grêmio 0 X 1 Ponte Preta, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano.
O Grêmio conta com uma sede recreativa para sócios na Ilha Grande dos Marinheiros, a Escolinha de Futebol no Parque Cristal, um parque náutico as margens do Guaíba e o Centro de Treinamento Hélio Dourado para as categorias de base em Eldorado do Sul.
O Estádio Olímpico Monumental foi palco para a apresentação de diversas atrações internacionais em Porto Alegre, entre eles: Sting (1984), Rod Stewart (1984), Eric Clapton, com The Reptile Tour, em 10 de Outubro de 2001, Roger Waters, com In The Flash Tour, em 12 de Março de 2002, Rush, com Vapor Trails Tour, em 20 de Novembro de 2002 e Lenny Kravitz, com Baptism Tour, em 15 de Março de 2005. A cantora Madonna é esperada para um show da The MDNA Tour, em 9 de Dezembro de 2012, na nova Arena gremista. (Pesquisa: Nilo Dias)
O Estádio Olímpico agora vai ser demolido.
sábado, 17 de novembro de 2012
A morte de Alex Alves
Alexsandro Alves do Nascimento, ou simplesmente Alex Silva, o artilheiro que comemorava seus gols com lances de capoeira, faleceu na última quarta-feira, em Jaú (SP), onde se encontrava internado no Hospital Amaral Carvalho. Alex tinha 37 anos. Na luta de cinco anos contra a doença na medula que causou a sua morte, o ex-jogador mantinha contato apenas com os familiares e os amigos mais próximos
A doença se manifestou em 2007, mas só em setembro deste ano ele foi internado para o tratamento e chegou a fazer um transplante de medula óssea no mês passado, cujo doador foi o irmão. Mas não apresentou evolução após o procedimento e a causa da morte foi "doença do enxerto contra o hospedeiro aguda", que é uma forma de agressão da medula do doador contra o órgão do receptor. Essa agressão atingiu pele, fígado e intestino.
“Ele brigou heroicamente, foi colaborativo em todos os aspectos, mas teve muitas dificuldades. O transplante foi um sucesso, a medula se recuperou, mas essa mesma medula causou a rejeição ao corpo dele”, afirmou o hematologista do hospital Amaral Carvalho, Mair Pedro de Souza.
O óbito do atleta foi confirmado durante a manhã e a sua causa foi decorrente de uma rara doença apresentada por seu organismo. O ex-jogador sofria de hemoglobinúria paroxística noturna e tinha dificuldades para produzir sangue. Um mês antes da morte, ele havia sido submetido a um transplante de medula óssea.
O corpo do ex-jogador Alex Alves foi velado e cremado na quinta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador. O corpo do ex-jogador foi envolto em uma bandeira do Vitória e mantido ao lado de uma flâmula do Hertha Berlin, clube alemão em que jogou. Entre os que foram até o cemitério para se despedir do ídolo, nomes conhecidos do futebol nordestino marcaram presença na cerimônia.
Além de Paulo Isidoro, que ajudou Alex Alves a bancar boa parte de seu tratamento contra a leucemia, e financiou o traslado do corpo de Jaú até Salvador, os ex-jogadores Osni, Sapatão, Ronaldo, Flávio Tanajura, João Marcelo, Bobô e Rodrigo também confirmaram presença e prestaram suas homenagens ao ex-atacante. O ex-presidente Paulo Carneiro também estava lá.
Os clubes por onde passou também lhe prestaram inúmeras homenagens. O Vitória, por sua vez, arcou com todos os gastos da cremação, e confirmou que a equipe entrará no jogo contra o Joinville, hoje, em Santa Catarina, carregando uma faixa com os dizeres “um nome na história”. Além disso, os jogadores rubro-negros atuarão com uma tarja preta no braço. Nos outros jogos pelo Brasil afora, deve ocorrer um minuto de silêncio.
O ex-jogador tinha planos de fazer um jogo festivo entre amigos no “Zezinho Magalhães”, estádio do XV de Jaú, assim que fosse liberado pelos médicos. Ele queria jogar 15 minutos pelo Vitória e 15 pelo Cruzeiro. Enquanto esteve internado, recebia ligações constantes de Vampeta, grande amigo que fez ainda nas categorias de base do Vitória.
Alex Alves nasceu em Campo Formoso (BA), no dia 30 de dezembro de 1974. Revelado pelo Vitória, onde assinou seu primeiro contrato profissional em 1993, foi vice-campeão brasileiro pelo clube baiano naquele mesmo ano, numa geração de jogadores como Dida, Vampeta, Rodrigo, Paulo Isidoro, entre outros.
Depois virou um verdadeiro cigano do futebol, jogando por vários clubes: Palmeiras, Portuguesa de Desportos, Juventude (RS), Cruzeiro (MG), Hertha Berlim (Alemanha), Vasco da Gama, Vitória, outra vez, Boavista (RJ), Fortaleza (CE), Kavala (Grécia) e União Rondonópolis (MT), onde encerrou a carreira.
Alex se destacou não só pelo bom futebol, marcado por arrancadas velozes e oportunismo na área, mas também pelos cuidados com a beleza, que o transformaram no primeiro jogador brasileiro a ser reconhecido como "metrossexual", na linha do craque inglês David Beckham.
No currículo, tem o campeonato baiano de 1994, pelo Vitória, quando foi artilheiro com 20 gols, Brasileiro de 1994, como reserva do Palmeiras, vices nacionais por Vitória, em 1993, Portuguesa, em 1996, Cruzeiro, em 1998 e também campeonato mineiro pelo Cruzeiro, em 1998, Copa dos Campeões de Minas Gerais, pelo Cruzeiro, em 1999, Copa Centro-Oeste, pelo Cruzeiro, ainda em 1999 e Copa da Liga da Alemanha, pelo Hertha Berlim, em 2001 e 2002.
Ele foi casado com Nádia França, modelo que também namorou Ronaldo Fenômeno, e teve uma filha com ela. (Pesquisa: Nilo Dias)
A doença se manifestou em 2007, mas só em setembro deste ano ele foi internado para o tratamento e chegou a fazer um transplante de medula óssea no mês passado, cujo doador foi o irmão. Mas não apresentou evolução após o procedimento e a causa da morte foi "doença do enxerto contra o hospedeiro aguda", que é uma forma de agressão da medula do doador contra o órgão do receptor. Essa agressão atingiu pele, fígado e intestino.
“Ele brigou heroicamente, foi colaborativo em todos os aspectos, mas teve muitas dificuldades. O transplante foi um sucesso, a medula se recuperou, mas essa mesma medula causou a rejeição ao corpo dele”, afirmou o hematologista do hospital Amaral Carvalho, Mair Pedro de Souza.
O óbito do atleta foi confirmado durante a manhã e a sua causa foi decorrente de uma rara doença apresentada por seu organismo. O ex-jogador sofria de hemoglobinúria paroxística noturna e tinha dificuldades para produzir sangue. Um mês antes da morte, ele havia sido submetido a um transplante de medula óssea.
O corpo do ex-jogador Alex Alves foi velado e cremado na quinta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador. O corpo do ex-jogador foi envolto em uma bandeira do Vitória e mantido ao lado de uma flâmula do Hertha Berlin, clube alemão em que jogou. Entre os que foram até o cemitério para se despedir do ídolo, nomes conhecidos do futebol nordestino marcaram presença na cerimônia.
Além de Paulo Isidoro, que ajudou Alex Alves a bancar boa parte de seu tratamento contra a leucemia, e financiou o traslado do corpo de Jaú até Salvador, os ex-jogadores Osni, Sapatão, Ronaldo, Flávio Tanajura, João Marcelo, Bobô e Rodrigo também confirmaram presença e prestaram suas homenagens ao ex-atacante. O ex-presidente Paulo Carneiro também estava lá.
Os clubes por onde passou também lhe prestaram inúmeras homenagens. O Vitória, por sua vez, arcou com todos os gastos da cremação, e confirmou que a equipe entrará no jogo contra o Joinville, hoje, em Santa Catarina, carregando uma faixa com os dizeres “um nome na história”. Além disso, os jogadores rubro-negros atuarão com uma tarja preta no braço. Nos outros jogos pelo Brasil afora, deve ocorrer um minuto de silêncio.
O ex-jogador tinha planos de fazer um jogo festivo entre amigos no “Zezinho Magalhães”, estádio do XV de Jaú, assim que fosse liberado pelos médicos. Ele queria jogar 15 minutos pelo Vitória e 15 pelo Cruzeiro. Enquanto esteve internado, recebia ligações constantes de Vampeta, grande amigo que fez ainda nas categorias de base do Vitória.
Alex Alves nasceu em Campo Formoso (BA), no dia 30 de dezembro de 1974. Revelado pelo Vitória, onde assinou seu primeiro contrato profissional em 1993, foi vice-campeão brasileiro pelo clube baiano naquele mesmo ano, numa geração de jogadores como Dida, Vampeta, Rodrigo, Paulo Isidoro, entre outros.
Depois virou um verdadeiro cigano do futebol, jogando por vários clubes: Palmeiras, Portuguesa de Desportos, Juventude (RS), Cruzeiro (MG), Hertha Berlim (Alemanha), Vasco da Gama, Vitória, outra vez, Boavista (RJ), Fortaleza (CE), Kavala (Grécia) e União Rondonópolis (MT), onde encerrou a carreira.
Alex se destacou não só pelo bom futebol, marcado por arrancadas velozes e oportunismo na área, mas também pelos cuidados com a beleza, que o transformaram no primeiro jogador brasileiro a ser reconhecido como "metrossexual", na linha do craque inglês David Beckham.
No currículo, tem o campeonato baiano de 1994, pelo Vitória, quando foi artilheiro com 20 gols, Brasileiro de 1994, como reserva do Palmeiras, vices nacionais por Vitória, em 1993, Portuguesa, em 1996, Cruzeiro, em 1998 e também campeonato mineiro pelo Cruzeiro, em 1998, Copa dos Campeões de Minas Gerais, pelo Cruzeiro, em 1999, Copa Centro-Oeste, pelo Cruzeiro, ainda em 1999 e Copa da Liga da Alemanha, pelo Hertha Berlim, em 2001 e 2002.
Ele foi casado com Nádia França, modelo que também namorou Ronaldo Fenômeno, e teve uma filha com ela. (Pesquisa: Nilo Dias)
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
A Raposa do Parquê
Tem pessoas que não deveriam morrer. Bento Peixoto Castelã era uma delas. Alegre, sempre com uma resposta inteligente e divertida na ponta da língua. Foi o “terror” dos repórteres esportivos da época. Meu amigo e compadre, até hoje sinto sua falta.
Bento foi jogador de futebol. Centro-avante a moda antiga, daqueles que levavam os zagueiros por diante. Jogou nos três times de Pelotas, mas era “xavante” de coração.
Foi treinador dos profissionais do Brasil por duas vezes, em 1973 e 1979, num total de 14 jogos. Depois que deixou o futebol profissional se dedicou ao futebol de salão do clube rubro-negro pelotense. Foi a consagração. Ganhou cinco títulos estaduais e outros tantos da cidade e o apelido de "Raposa do Parquê", porque era realmente um grande estrategista. (Em outras regiões do país "parquê" é conhecido por "taco")
Montou um time fabuloso. Carlota, goleiro vindo de Caxias do Sul, dono de um lançamento até hoje insuperável. Cassiano e Pedalão, que impunham respeito pela raça com que disputavam cada jogada. Peto, outro caxiense, chamado de “bailarino” tal a técnica que possuía. E Torino, o “Canhão da Baixada”, que também deixou nome no futebol de campo jogando no próprio Brasil e no Grêmio de Porto Alegre.
A fama de folclórico Bento começou a ganhar nesse tempo. E teve razões de sobra para isso. Certa vez o Brasil ia decidir o título salonista da cidade contra o Paulista F.C., no ginásio do E.C. Cruzeiro. O mando de jogo era do adversário, famoso por buscar ajuda do além entre as macumbeiras da cidade. Sabedor disso, Bento fez com que os jogadores de sua equipe entrassem no ginásio pulando o muro para escaparem de um possível feitiço no portão de acesso.
Outra ocasião, depois de ouvir criticas sobre o preparo físico de seus jogadores, “estaria faltando “gás”, Bento instalou ao lado do banco de reservas alguns tubos de oxigênio. Perguntado pelos repórteres para que serviria aquilo, respondeu: “é para dar mais gás ao time”.
A “Raposa do Parquê”, apelido criado pelo narrador esportivo Paulo Corrêa, da Rádio Pelotense, ganhou fama e chamou atenção dos clubes profissionais da cidade. Como treinador do G.A.Farroupilha, que andava mal das pernas, teve como auxiliar o não menos folclórico Antônio Freitas, o “Fervido”, também de saudosa memória.
Com menos de uma semana para treinar a equipe, Bento resolveu buscar ajuda fora de campo. Domingo, antes do jogo, no vestiário do Farroupilha, montou uma espécie de altar onde se misturavam imagens católicas e de umbanda. O time teria que jogar de branco e os diretores vestirem roupas claras.
O ritual não parou aí. Um por um, jogadores, diretores e funcionários deitaram no chão e bateram cabeça no altar, para pedir proteção e boa sorte. O resultado do jogo não lembro, mas sei que o Farroupilha venceu e motivou a repetição da cena até a primeira derrota.
A glória folclórica de Bento Castelã, porém, se deu no F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande onde foi praticamente tudo: conselheiro, presidente e treinador. Tive a alegria de acompanhá-lo como assessor, tanto no futebol profissional como no de salão.
O “colorado da Noiva do Mar”, como o Rio-Grandense era chamado, jogava contra o Internacional de Santa Maria, no antigo Estádio Torquato Pontes, num sábado à tarde. Terminado o primeiro tempo um repórter correu, e antes que Bento entrasse no vestiário lascou a pergunta: “Como está vendo o jogo?”. Resposta pronta e seca: “Com os olhos”.
Certa feita o Rio-Grandense atravessava mais uma crise e não ganhava de ninguém. O repórter da rádio local querendo saber o que Bento Castelã achava daquele momento, perguntou: “Com toda sinceridade, você ainda tem fé nesse time?” Sem pestanejar veio a resposta: “Uns tem fé demais, outros fé de menos. Eu prefiro o meio-termo”.
Jogo contra o E.C. Uruguaiana. Primeiro tempo, escore em branco. O repórter veio para a tradicional entrevista de intervalo. “Bento, como corre esse time do Uruguaiana, não é mesmo?”. O treinador respondeu rápido: “Isso não é nada. Precisa ver eles correndo com muamba de Passo de los Libres para Uruguaiana”.
Certa ocasião o Rio-Grandense enfrentava o Cachoeira F.C., e para variar não podia nem empatar. Só a vitória interessava. Segundo tempo, 40 minutos, escore apertado de 1 X 0 e o adversário em cima a procura do gol de igualdade. Bento, para esfriar o adversário, invadiu o campo pedalando uma bicicleta que mandara buscar no vestiário. Imaginem a cena, Bento de bicicleta de um lado ao outro do gramado perseguido pelos jogadores do Cachoeira e pela Polícia.
O público em delírio. Até que as coisas se acalmassem passaram 10 longos minutos. Reiniciado o jogo os cachoeirenses não tiveram ânimo para buscar o empate e o jogo terminou com a vitória “colorada”.
No domingo seguinte o Rio-Grandense ia jogar no Joaquim Vidal, em Cachoeira do Sul. Para evitar ser linchado Bento viajou engessado e disse que havia sofrido um acidente de carro. Sob os olhares desconfiados dos cachoeirenses.
Decisão de vaga para a Divisão Principal com o Gaúcho de Passo Fundo. Estádio lotado e o Rio-Grandense perdendo no primeiro tempo. Bento pegou um revólver de brinquedo, colocou bem a mostra na cintura e foi bater na porta do vestiário do juiz. Quando este apareceu Bento sentenciou: “Se a gente perder esse jogo não sei o que poderá acontecer”.
O juiz não autorizou a realização do segundo tempo. Formou-se uma confusão enorme. A torcida protestou e os soldados da Brigada Militar evacuaram o campo com cavalos e espadas. O Rio-Grandense perdeu os pontos e a classificação.
No futebol de salão do Rio-Grandense um grande feito. O Ipiranga A.C. mantinha uma invencibilidade de três anos contra as equipes locais no campeonato da cidade. Bento escalou quatro zagueiros contra o poderoso adversário. Naquela época, depois de cinco faltas o jogador era substituído. Não existiam cobranças diretas sem barreira, como acontece hoje. Saía um zagueiro, entrava outro.
Os jogadores do Ipiranga entraram em desespero. O jogo próximo do fim e o placar em 0 X 0. A equipe se jogou toda para o ataque e a bola sobrou para um jogador do Rio-Grandense que estava no meio da quadra, sem marcação e apenas com o goleiro Piva à sua frente. Não deu outra, bola na rede e o Rio-Grandense cometendo o “crime”.
Naquela época nos tornamos os terrores dos árbitros salonistas de Rio Grande. Bento de técnico e eu de seu auxiliar,os dois sentados no banco de reservas. Mal começava o jogo e o Bento perguntava: "Quem vai expulso primeiro, eu ou tu". E quem se habilitava esperava o outro na copa do Ginásio de esportes. E dê-lhe cachaça com limão. E o importante, sem violência, só na gozação para delirio dos torcedores. Tempo bom, que deixou muita saudade.
Bento foi durante alguns anos o responsaável pelo Cartório do Foro de Rio Grande. Foi ele que recebeu todo o processo envolvendo a "fabulosa" herança do comendador Domingos Faustino Corrêa, o mais longo da história judiciária do Brasil.
O processo, que ocupava 13 estantes e uma sala inteira do Foro de Rio Grande tornou-se documento histórico e foi doado ao Centro de Documentação Histórica (CDH), da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg). A decisão de doação à Furg foi do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado, em sessão realizada dia 30 de maio de 2011.
O processo, que tramitou durante 107 anos, já está no CDH, que vai abrigar, tratar e preservar a história da migração de centenas de famílias que se habilitaram a receber a “herança” do comendador. São 500 caixas devidamente catalogadas, graças ao trabalho da pesquisadora e servidora do Foro estadual Virgilina Fidelis de Palma. O material contém dados desde o ano de 1874, quando começou a disputa pela mais famosa herança do Brasil e que inclui “herdeiros” em várias regiões e até outros países.
Eu não lembro a data em que Bento Castelã faleceu. Sei que se encontrava no Café Aquário, centro de Pelotas, local de encontro de desportistas e de todos os tipos de pessoas, quando sofreu um infarto fulminante. (Texto: Nilo Dias)
Bento foi jogador de futebol. Centro-avante a moda antiga, daqueles que levavam os zagueiros por diante. Jogou nos três times de Pelotas, mas era “xavante” de coração.
Foi treinador dos profissionais do Brasil por duas vezes, em 1973 e 1979, num total de 14 jogos. Depois que deixou o futebol profissional se dedicou ao futebol de salão do clube rubro-negro pelotense. Foi a consagração. Ganhou cinco títulos estaduais e outros tantos da cidade e o apelido de "Raposa do Parquê", porque era realmente um grande estrategista. (Em outras regiões do país "parquê" é conhecido por "taco")
Montou um time fabuloso. Carlota, goleiro vindo de Caxias do Sul, dono de um lançamento até hoje insuperável. Cassiano e Pedalão, que impunham respeito pela raça com que disputavam cada jogada. Peto, outro caxiense, chamado de “bailarino” tal a técnica que possuía. E Torino, o “Canhão da Baixada”, que também deixou nome no futebol de campo jogando no próprio Brasil e no Grêmio de Porto Alegre.
A fama de folclórico Bento começou a ganhar nesse tempo. E teve razões de sobra para isso. Certa vez o Brasil ia decidir o título salonista da cidade contra o Paulista F.C., no ginásio do E.C. Cruzeiro. O mando de jogo era do adversário, famoso por buscar ajuda do além entre as macumbeiras da cidade. Sabedor disso, Bento fez com que os jogadores de sua equipe entrassem no ginásio pulando o muro para escaparem de um possível feitiço no portão de acesso.
Outra ocasião, depois de ouvir criticas sobre o preparo físico de seus jogadores, “estaria faltando “gás”, Bento instalou ao lado do banco de reservas alguns tubos de oxigênio. Perguntado pelos repórteres para que serviria aquilo, respondeu: “é para dar mais gás ao time”.
A “Raposa do Parquê”, apelido criado pelo narrador esportivo Paulo Corrêa, da Rádio Pelotense, ganhou fama e chamou atenção dos clubes profissionais da cidade. Como treinador do G.A.Farroupilha, que andava mal das pernas, teve como auxiliar o não menos folclórico Antônio Freitas, o “Fervido”, também de saudosa memória.
Com menos de uma semana para treinar a equipe, Bento resolveu buscar ajuda fora de campo. Domingo, antes do jogo, no vestiário do Farroupilha, montou uma espécie de altar onde se misturavam imagens católicas e de umbanda. O time teria que jogar de branco e os diretores vestirem roupas claras.
O ritual não parou aí. Um por um, jogadores, diretores e funcionários deitaram no chão e bateram cabeça no altar, para pedir proteção e boa sorte. O resultado do jogo não lembro, mas sei que o Farroupilha venceu e motivou a repetição da cena até a primeira derrota.
A glória folclórica de Bento Castelã, porém, se deu no F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande onde foi praticamente tudo: conselheiro, presidente e treinador. Tive a alegria de acompanhá-lo como assessor, tanto no futebol profissional como no de salão.
O “colorado da Noiva do Mar”, como o Rio-Grandense era chamado, jogava contra o Internacional de Santa Maria, no antigo Estádio Torquato Pontes, num sábado à tarde. Terminado o primeiro tempo um repórter correu, e antes que Bento entrasse no vestiário lascou a pergunta: “Como está vendo o jogo?”. Resposta pronta e seca: “Com os olhos”.
Certa feita o Rio-Grandense atravessava mais uma crise e não ganhava de ninguém. O repórter da rádio local querendo saber o que Bento Castelã achava daquele momento, perguntou: “Com toda sinceridade, você ainda tem fé nesse time?” Sem pestanejar veio a resposta: “Uns tem fé demais, outros fé de menos. Eu prefiro o meio-termo”.
Jogo contra o E.C. Uruguaiana. Primeiro tempo, escore em branco. O repórter veio para a tradicional entrevista de intervalo. “Bento, como corre esse time do Uruguaiana, não é mesmo?”. O treinador respondeu rápido: “Isso não é nada. Precisa ver eles correndo com muamba de Passo de los Libres para Uruguaiana”.
Certa ocasião o Rio-Grandense enfrentava o Cachoeira F.C., e para variar não podia nem empatar. Só a vitória interessava. Segundo tempo, 40 minutos, escore apertado de 1 X 0 e o adversário em cima a procura do gol de igualdade. Bento, para esfriar o adversário, invadiu o campo pedalando uma bicicleta que mandara buscar no vestiário. Imaginem a cena, Bento de bicicleta de um lado ao outro do gramado perseguido pelos jogadores do Cachoeira e pela Polícia.
O público em delírio. Até que as coisas se acalmassem passaram 10 longos minutos. Reiniciado o jogo os cachoeirenses não tiveram ânimo para buscar o empate e o jogo terminou com a vitória “colorada”.
No domingo seguinte o Rio-Grandense ia jogar no Joaquim Vidal, em Cachoeira do Sul. Para evitar ser linchado Bento viajou engessado e disse que havia sofrido um acidente de carro. Sob os olhares desconfiados dos cachoeirenses.
Decisão de vaga para a Divisão Principal com o Gaúcho de Passo Fundo. Estádio lotado e o Rio-Grandense perdendo no primeiro tempo. Bento pegou um revólver de brinquedo, colocou bem a mostra na cintura e foi bater na porta do vestiário do juiz. Quando este apareceu Bento sentenciou: “Se a gente perder esse jogo não sei o que poderá acontecer”.
O juiz não autorizou a realização do segundo tempo. Formou-se uma confusão enorme. A torcida protestou e os soldados da Brigada Militar evacuaram o campo com cavalos e espadas. O Rio-Grandense perdeu os pontos e a classificação.
No futebol de salão do Rio-Grandense um grande feito. O Ipiranga A.C. mantinha uma invencibilidade de três anos contra as equipes locais no campeonato da cidade. Bento escalou quatro zagueiros contra o poderoso adversário. Naquela época, depois de cinco faltas o jogador era substituído. Não existiam cobranças diretas sem barreira, como acontece hoje. Saía um zagueiro, entrava outro.
Os jogadores do Ipiranga entraram em desespero. O jogo próximo do fim e o placar em 0 X 0. A equipe se jogou toda para o ataque e a bola sobrou para um jogador do Rio-Grandense que estava no meio da quadra, sem marcação e apenas com o goleiro Piva à sua frente. Não deu outra, bola na rede e o Rio-Grandense cometendo o “crime”.
Naquela época nos tornamos os terrores dos árbitros salonistas de Rio Grande. Bento de técnico e eu de seu auxiliar,os dois sentados no banco de reservas. Mal começava o jogo e o Bento perguntava: "Quem vai expulso primeiro, eu ou tu". E quem se habilitava esperava o outro na copa do Ginásio de esportes. E dê-lhe cachaça com limão. E o importante, sem violência, só na gozação para delirio dos torcedores. Tempo bom, que deixou muita saudade.
Bento foi durante alguns anos o responsaável pelo Cartório do Foro de Rio Grande. Foi ele que recebeu todo o processo envolvendo a "fabulosa" herança do comendador Domingos Faustino Corrêa, o mais longo da história judiciária do Brasil.
O processo, que ocupava 13 estantes e uma sala inteira do Foro de Rio Grande tornou-se documento histórico e foi doado ao Centro de Documentação Histórica (CDH), da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg). A decisão de doação à Furg foi do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado, em sessão realizada dia 30 de maio de 2011.
O processo, que tramitou durante 107 anos, já está no CDH, que vai abrigar, tratar e preservar a história da migração de centenas de famílias que se habilitaram a receber a “herança” do comendador. São 500 caixas devidamente catalogadas, graças ao trabalho da pesquisadora e servidora do Foro estadual Virgilina Fidelis de Palma. O material contém dados desde o ano de 1874, quando começou a disputa pela mais famosa herança do Brasil e que inclui “herdeiros” em várias regiões e até outros países.
Eu não lembro a data em que Bento Castelã faleceu. Sei que se encontrava no Café Aquário, centro de Pelotas, local de encontro de desportistas e de todos os tipos de pessoas, quando sofreu um infarto fulminante. (Texto: Nilo Dias)
Assinar:
Postagens (Atom)










